Tendncias do mercado cafeeiro

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    05-Dec-2014

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Artigo publicado no Jornal O Estado de Minas em 02 de janeiro de 2006.

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1. c m y k E STA D O D E M I N A S q S E G U N D A - F E I R A , 2 D E J A N E I R O D E 2 0 0 6 2 AGROPECURIO ARTIGOTendncias do mercado cafeeiro JAIR AMARAL MARA LUIZA GONALVES FREITAS em bolsa. Essas oscilaes de-Especialista em cafeicultura empresarial pendem da formao dos n- e mestre em administrao (Ufla) meros relacionados previso maracafe@uai.com.br de safra, oferta e o consumo mundial, bianualidade, existn- Estudos realizados pelo Banco cia ou no de fatores climticosMundial e pelos principais agen- e a contnua ao de investido-tes institucionais no mundo e no res e fundos de penso, os quaisBrasil e discusses realizadas du- comumente contrariam as an-rante a 2 Conferncia Mundial lises tcnicas. 2006 neste aspec-do Caf definem claramente que to, pelo menos promete ser umo mercado cafeeiro passar per- ano que deixar o cafeicultorto da qualidade tanto dos seg- mais feliz, considerando que asmentos voltados para a produ- projees de preo so otimis-o de cafs diferenciados com tas, ante a possvel escassez dequantidade, quanto daqueles caf que vem se delineando novoltados para a produo de ca- mercado internacional: consu-fs diferenciados com especifici- mo mundial de 118 milhes dedade. Ambas vertentes condu- sacas, contra uma produozem tomada de aes impor- mundial estimada em 105 mi-tantes, principalmente no nvel lhes (dados da Organizao In-do produtor, que precisa reade- ternacional do Caf, 2005).quar-se s chamadas boas prti- Em funo disso, hoje fala-secas de produo (preliminar- em renovao do parque nacio-mente), para atender o novo Cafs diferenciados, produzidos dentro de normas de qualidade, so exigncia cada vez maior do consumidor nal como forma a garantir a per-mercado que ora se configura. manncia brasileira no curto Qualidade um fator deter- prazo, como principal pas pro-minante para a sobrevivncia e cia e atesta qualidade do proces- Cafs diferenciados, produzi- dos colombianos. Cita-se como dutor e fornecedor de caf nouma condio irreversvel para so, ela torna-se excludente pelo dos dentro de normas que pre- exemplo mais recente a avalia- mundo. Fica o recado para quecompetitividade no mercado. seu custo de acesso. Infelizmen- servem a sanidade e rastreabili- o da instalao de uma cafete- esta renovao d-se dentro deContudo, parece que esta realida- te, o cenrio que se desenha mais dade dos gros so uma exign- ria com a marca Juan Valdez no um foco estratgico voltado de para muitos ainda apresenta- frente para a maioria o de ex- cia cada vez maior dos consumi- Brasil, pela Federao dos Cafei- qualidade. Basta observarmos asse como uma fronteira distante, cluso, ante a convergncia do dores que, sem dvida, j mobi- cultores da Colmbia. De quem mudanas profundas que vemprincipalmente quando lida-se mercado para as normas interna- lizam a indstria de caf, espe- a culpa desse atestado de incom- sendo promovidas no mercadocom processos de certificao. Ao cionais voltadas produo de cialmente a nacional, que real- petncia nacional? Do extinto brasileiro pela indstria e setorpasso que a certificao diferen- cafs de altssima qualidade. mente so os grandes comprado- Instituto Brasileiro do Caf, dos de servios. No plantemos por res de todo o caf produzido no agentes institucionais, da polti- plantar, porque certo que essa mundo. No coordenam a ca- ca cafeeira que ainda no se en- demanda uma hora se estabili- deia, apenas seguem as tendn- controu mas j est fazendo al- zar novamente e o excedente cias de mercado ditadas por con- guma coisa, da perda da repre- de oferta gerar mais instabili- sumidores que cada vez mais de- sentatividade da cafeicultura no dade de preos tambm, ainda tm informaes e anseiam por contexto de formao da balan- que o lastro de consumo que produtos saudveis que mante- a comercial nacional nas lti- vem sendo desenvolvido no nham sua qualidade de vida. mas quatro dcadas ou de cada Brasil 21 milhes de sacas at Por outro lado, lidamos com o um de ns que fica a espera que 2010 se confirme. E o problema investimento limitado em ma- o outro faa pela gente? mais uma vez ficar nas mos rketing de origem e respectiva- Um bom marketing institu- do produtor, se faltar o tal olhar mente com o problema de forma- cional de origem formado por estratgico. o que a histria da o de preos que muitas vezes um conjunto de atributos e que cafeicultura nacional conta. tambm engessa o desenvolvi- no caso do caf, supera a frontei- Poder-se-ia ir alm nas refle- mento de uma forma mais inten- ra da qualidade do gro em si. xes, mas concentremo-nos nes- siva deste foco na qualidade na la- Depende de certas chancelas in- tas aqui postas, em razo do seu voura. Sem recurso, no h inves- ternacionais, como por exem- impacto e relevncia para os no- timento, nem acesso a crdito plo o reconhecimento da ori- vos rumos da cafeicultura brasi- (dispensando aqui comentrios gem. H um pouco mais de sete leira. Que a partir delas, seja pos- sobre as taxas de juros do pas). dcadas que o Brasil tenta o re- svel a ao necessria para que Faltou marketing no passado conhecimento do caf brasileiro nos adequemos ao novo cenrio, e continua faltando. No temos como origem no contrato C sem mais uma vez deixar que o um rosto e nem um Juan Valdez negociado na Bolsa de Nova trem da histria e do mundo dos para dizer quem somos e o que York, sem xito. Sem este reco- negcios nos ultrapasse nova- de fato produzimos. Nosso posi- nhecimento, o caf nacional mente. Reflitamos e olhemos pa- cionamento no agressivo co- continuar a ser submetido s ra frente, deslumbrando um fu- mo o dos centro-americanos e oscilaes de preo negociados turo grandioso e bem-sucedido. CYAN MAGENTA AM