Manejo do aa nativo

  • Published on
    15-Apr-2017

  • View
    1.188

  • Download
    2

Transcript

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    100

    MANEJO DE AAZAIS, COMO PRTICA DE GESTO E EDUCAO AMBIENTAL: UM ESTUDO DE CASO DA COMUNIDADE DE FRANCO GRANDE

    DO BAILIQUE/AMAP

    ACAI TREE MANAGEMENT, AS MANAGING PRACTICE AND EDUCATION ENVIRONMENTAL: A CASE STUDY OF COMMUNITY FRANCO GRANDE DO

    BAILIQUE / AMAP

    Samuel Maciel Quaresma Bilogo, Universidade Vale do Acara, Especialista em Percia e Auditria ambiental.

    Elenia Baker da Cunha

    Mestre e Doutoranda em Administrao

    RESUMO

    O aaizeiro (Euterpe oleracea) uma palmeira de ampla distribuio, considerado como uma das frutas mais nutritivas da Bacia Amaznica, alm de servir como alimento tem outros usos, como por exemplo, o caroo que aproveitado para fazer rao para suno, seus troncos utilizados como passarelas nas casas dos ribeirinhos e o palmito tambm consumido e comercializado. O objetivo deste foi identificar de que forma feito o manejo dos aaizais pelos ribeirinhos e sua percepo em relao ao meio ambiente. A pesquisa foi realizada entre os meses Agosto a Dezembro de 2011, na comunidade do Franco Grande do Bailique, distrito de Macap. A abordagem metodolgica de cunho qualitativo se deu por pesquisa bibliogrfica e de campo, com a investigao de 10 famlias, atravs da aplicao de questionrios. Aps anlise dos dados percebeu-se que os pesquisados desconhecem a existncia de rea de manejo na comunidade, classificando como bom o manejo do local do aa, pois se preocupam em manter a rea limpa, realizam tambm o corte seletivo das rvores para obter maior produtividade, entretanto algumas famlias desconhecem o assunto e lidam com aa de forma desordenada. Faz-se necessrio um trabalho de conscientizao ambiental naquela comunidade, como medida impulsionadora para aquelas famlias que no praticam o manejo adequado. PALAVRASCHAVE: Educao ambiental. Manejo de Aaizais. Comunidade.

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    101

    ABSTRACT

    The acai tree is a palm tree of wide distribution regarded as one of the most nutritious fruits in the Amazon basin, besides being used as food, it has other uses, for example, the seeds are crushed up to make food for pigs, their trunks as a pedestrian bridge for the homes of riverside inhabitants and the palmito (heart of palm) is also consumed and sold. The objective of this work was to identify how the management of acai plantations is done by riverside inhabitants as well as their perception regarding the environment. The research was carried out between August and December in 2011, in the community Franco Grande do Bailique, district of Macapa. A qualitative methodological approach was used through bibliographical and field research, with the investigation into ten families, through questionnaires. After analyzing the data , we realized that the ones researched do not know the existence of area of management in the community, and regard the management of the Acai place as good, for they worry about keeping the area clean, they also selectively cut the trees to obtain better productivity, however, some families do not know it and deal with acai in a disorderly way. Environmental awareness raising work is necessary in that community, as a driving force for those families who do not practice adequate management.

    Key-words: Environmental Education, Acai Plantation management, Community.

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    102

    INTRODUO

    Este artigo tem como finalidade fazer levantamento de dados quantitativos acerca

    do manejo de aaizais. O aaizeiro de touceira (Euterpe olercea) palmeira nativa de

    ampla distribuio na regio do Arquiplago do Bailique, localizado no Estado do Amap.

    Constituindo produto de grande relevncia scio-ambiental e econmica para aquela

    regio, por tanto, percebe-se por meio desta pesquisa o grande benefcio que o manejo

    de aaizais vem trazendo para os moradores da comunidade de Franco Grande, visto que

    esse extrativismo tem um cunho sustentvel.

    A iniciativa para a criao de medidas paliativas, ou at mesmo radicais para que o

    uso sustentvel do subproduto (aa) que serve de sustento a esses ribeirinhos, surgiu da

    percepo quanto ao no conhecimento tcnico adequada desses moradores,

    desenvolvida a partir do ano de 2007, por meio do trabalho do Grupo de Trabalho

    Amaznico (GTA) o qual apresentou subsdios para o desenvolvimento dessa pesquisa.

    Percebeu-se que na comunidade esses habitantes levam em conta o aspecto

    ambiental para o manejo florestal, nesse caso do aaizeiro (Euterpe oleracea), o que faz

    com que essa cultura seja desenvolvida de forma organizada, porm no desenvolvida

    com tcnicas adequadas, onde se faz necessrio criar um mecanismo de educao

    ambiental para que essa comunidade utilize o recurso florestal sem agredir o meio

    ambiente. Nesse contexto, o local tomado para este estudo a comunidade de Franco

    Grande, que se localiza no Arquiplago do Bailique-AP a 185 km de Macap, estado do

    Amap por via fluvial.

    A comunidade citada encontra-se entre as cinquenta e duas da regio, onde vivem

    cerca de 40 famlias, que tm sido foco dos debates do conflituoso processo de combate

    ao desmatamento. A regio abrangida pelo rio Amazonas marcado pelo uso

    indiscriminado dos recursos naturais, cuja atividade madeireira, juntamente com a

    converso da floresta em pastagem e a explorao do palmito tm causado profundas

    transformaes no ambiente e na economia dos ribeirinhos residentes na comunidade

    estudada, que vivenciam essa problemtica cotidianamente.

    Diante do exposto importante destacar que o manejo ambiental pode ser

    destacado mediante os seguintes benefcios:

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    103

    a) reduo das taxas de desmatamento;

    b) gerao de postos de trabalho;

    c) reduo das taxas de emigrao rural;

    d) diversificao e elevao da renda no meio rural;

    e) alcance de mercados exigentes (referindo-se aceitao de produtos

    florestais certificados com selo verde);

    f) manuteno dos servios ambientais da floresta (equilbrio climtico e

    hdrico, conservao da biodiversidade e proteo ao solo); e

    g) legitimao da indstria de base florestal.

    Neste sentido o presente artigo visa fazer uma anlise preliminar sobre a histria

    da educao ambiental, ressaltando o manejo florestal de aaizais e sua importncia para

    a produo econmica da Comunidade de Franco Grande do Bailique, localizada no

    Municpio de Macap, Estado do Amap. Alm disso, procurou-se estabelecer uma

    discusso sobre as o manejo de aa e o desenvolvimento econmico e sustentabilidade

    scio ambiental dos moradores da comunidade pesquisada.

    METODOLOGIA

    Quanto aos objetivos trata-se de uma pesquisa exploratria e descritiva, quanto

    aos meios de cunho bibliogrfico, foram feitos levantamentos de literatura existente

    acerca do manejo do aa como prtica de gesto ambiental, ex post facto, estudo de

    campo. Adotou-se como mtodo de abordagem um instrumento de coleta de dados que

    subsidiou a pesquisa atravs do questionrio com perguntas fechadas, de caracterstica

    quantitativa e mtodo de procedimento monogrfico ocorrida entre os meses de agosto

    a dezembro de 2011, por meio da aplicao de questionrios com as 10 famlias,

    seminrios, palestras, vdeos e entrevistas. Onde foram obtidas informaes acerca da

    existncia e funcionamento de estratgias de manejo de aa e caractersticas sociais

    (idade, religio, educao, situao da posse da terra, bens materiais, estado civil e

    nmero de filhos).

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    104

    UNIVERSO DA PESQUISA

    A pesquisa foi conduzida na Regio do Arquiplago do Bailique distrito de Macap,

    Estado do Amap, localizado na foz do rio Amazonas, entre os paralelos 0044-0115N e

    meridional 49 54-50 19GW. Cerca de 190 km da capital do Estado (Macap), por via

    fluvial em direo foz do Rio Amazonas. formado por uma rea continental conhecida

    como regio do Pacuou Baixo Araguari, alm de oito ilhas: Curu, do Meio, Parazinho,

    Faustino, Brigue, Progresso, Marinheiro e Franco. Possui uma rea aproximada de 630

    km, onde so localizas 52 comunidades com aproximadamente doze mil habitantes.

    (SILVEIRA, 2000).

    EDUCAO AMBIENTAL: DEFINIO E ALGUMAS PROPOSIES

    A Primeira Conferncia Internacional sobre Educao Ambiental, organizada pela

    UNESCO, foi realizada em Tbilisi (na antiga URSS), em 1977, constituindo-se como marco

    histrico, pois nela ficou definido no s um conceito para a educao ambiental, mas

    tambm seus princpios.

    A UNESCO (1977), aproveitando as concluses obtidas nessa conferncia, define

    educao ambiental como:

    Um processo contnuo, no qual os indivduos e a comunidade tomam conscincia do seu meio ambiente e adquirem o conhecimento, os valores, as habilidades, experincias e a determinao que os tornam aptos a agir individual e coletivamente e resolver os problemas ambientais presentes e futuros. (DIAS, 2004, p. 32).

    EDUCAO AMBIENTAL NO BRASIL

    Os reflexos dos encontros e tratados foram sentidos no Brasil, ainda que

    tardiamente. Em 1981, a educao ambiental, juntamente com a Poltica Nacional para o

    Meio Ambiente, foi formalmente instituda, como fruto de intensa luta travada por

    organizaes no governamentais, parlamentares, cientistas, ambientalistas, educadores

    etc. Em 1988, a Educao Ambiental foi includa tambm na Constituio do Brasil, no

    captulo sobre o Meio Ambiente. (PEDRINI, 1997).

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    105

    MANEJO FLORESTAL

    O Manejo Florestal um conjunto de tcnicas adotado para separar em um

    processo seletivo e cuidadosamente parte das rvores grandes em condies de

    desgaste, de tal maneira que as menores no sofram nenhum tipo dano para serem

    colhidas futuramente. Com as tcnicas adequadas do manejo de forma correta, se obtm

    um bom resultado. No Manejo Florestal planejado se tem um custo, em curto prazo.

    Assim o controle para planejamento de explorao e reduo dos desperdcios dos

    recursos florestais no degradam o meio ambiente.

    Segundo Ahrens (1992), manejo florestal trata do estudo, do desenvolvimento e da

    aplicao de tcnicas de anlise quantitativa nas decises acerca da localizao da

    estrutura e da composio de um recurso florestal de modo a possibilitar a produo do

    produto, servio se benefcios, diretos e/ou indiretos, na quantidade e na qualidade

    requeridas por uma organizao florestal ou por toda uma sociedade.

    Nos anos 90, o manejo florestal era devastador, sendo a extrao de madeira ou de

    outros produtos florestais, feito de forma predatria causando grandes prejuzos. Com o

    decorrer dos anos possvel observar que o manejo florestal, embora ainda pouco

    adotado, obteve grandes avanos. Como a implicao dos fruns de discusses sobre

    legislao ambiental, desenvolvimento de sistemas informatizados de gerenciamento,

    formao de uma massa crtica nas instituies governamentais e no governamentais do

    pas sobre o papel do manejo florestal para conservao da floresta, verificou-se que,

    para conservar a floresta em p, as populaes que dependem da explorao desse

    recurso precisam de incentivos para mant-la. A prpria subsistncia dessa populao

    trata de um incentivo para a sua manuteno. (ROGEZ, 2000). Portanto faz-se necessrio

    um manejo planejado para melhoria de qualquer tipo de cobertura florestal, nativa ou

    introduzida. Tendo a floresta como fomentadora de recursos naturais renovveis para a

    sustentabilidade, a quantidade de valores diretos e o fornecimento de produtos e

    subprodutos, tais como resinas, leos, essncias, sementes, etc., implicar no sustento

    inesgotvel desses ribeirinhos. No caso dos valores indiretos, a floresta fornece proteo

    ao solo, gua, abrigo aos animais, recreao, paisagismo, etc. o que se torna um

    benefcio para comunidade.

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    106

    Atualmente 5% das reas florestais so manejadas na Amaznia. O grande desafio

    desestimular a extrao de madeira e controlar o desmatamento, legal e ilegal, que

    ainda predomina na regio, empobrecendo biodiversidade e interferindo o

    desenvolvimento socioeconmico. (NOGUEIRA, 1995).

    Dessa forma, o planejamento engloba o conhecimento dos recursos florestais sob

    os aspectos ecolgicos, ou seja, o estudo individual das espcies recorrentes e o estudo

    da comunidade florestal como um todo.

    MANEJO FLORESTAL DE AAIZAL

    O manejo de aaizais para a regio Amaznica tornar-se importante por viabilizar e

    traar normas exploratrias de acordo com as condies locais, visando substituir o

    tradicional desmatamento causando prejuzo para o futuro da economia florestal. A

    abundante brotao que apresenta o aaizeiro tem ocasionado o surgimento de forma

    macia de aaizais, substituindo em muitos casos a vegetao primitiva, como vem

    acontecendo nas comunidades ribeirinhas da regio amaznica.

    Segundo Nogueira (apud EMBRAPA, 1995), o aa muito verstil, pode ser

    encontrado nos solos midos, conhecidos na Amaznia como igaps e vrzeas, reas que

    so constantemente invadidas pelas guas dos rios em diferentes pocas do ano em

    diversos tipos de solos.

    Manejar o ambiente florestal, para transform-lo em cultivo de aaizais, requer

    combinar o aaizeiro com as demais espcies vegetais existentes na floresta, utilizando-

    se de tcnicas, interagindo de forma correta e ecolgica. Com o manejo correto o aaizal

    produz mais frutos, palmitos, madeiras e outros produtos com melhor qualidade. Assim o

    ribeirinho passou a valorizar a floresta que serviu como suporte ao desenvolvimento

    econmico das comunidades que precisam utilizar-se de recursos florestais para

    aumentar a renda familiar.

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    107

    TCNICAS DE MANEJO DE AAIZAL

    A produo de frutos e palmito depende muito da combinao entre o nmero de

    estipe na touceira de aaizeiros, e das outras espcies de palmeiras folhosas. O desbaste

    dos aaizeiros velhos e improdutivos, retirada de madeira e palmito, corte ou anelamento

    de espcies arbreas so tcnicas utilizadas pelos produtores para aumentar a produo

    de frutose nos aaizais.

    Por outro lado, a cada interveno realizada pelos produtores o nmero e a

    diversidade florestal do aaizal so reduzidos (QUEIROZ; MOCHIUTTI, 2000), ainda

    segundo os mesmos autores o aaizal com manejo correto dever ser por hectare, cerca

    de 400 touceiras, com 5 ou 7 aaizeiros adultos em cada touceira; 50 palmeiras de outras

    espcies, sendo 20 adultas e 30 jovens; e, 200 rvores folhosas, sendo 40 grossas (>45 cm

    de dimetro), 40 mdias (20 a 45 cm de dimetro) e 120 finas (5 a 20 cm de dimetro).

    Esta quantidade de plantas dever garantir uma alta produo de frutos e palmito de

    aa, com uma alterao mnima da biodiversidade, conforme descrio:

    . 400 touceiras (com 5 ou 7 aaizeiros adultos em cada touceira);

    . 50 palmeiras de outras espcies;

    . 200 rvores. A cada 3 ou 4 anos, os aaizeiros com mais de 12 metros de altura devem ser

    cortado e o palmito aproveitado. Com o objetivo de deixar os aaizeiros mais baixos e

    produtivos, o manejo propriamente dito das florestas plantadas comea na floresta j

    formada e prev a sua conduo futura, seja em rotaes curtas, seja em rotaes longas.

    Os desbastes so cortes parciais feitos em aaizeiros imaturos, com objetivo de

    estimular o crescimento das rvores remanescentes e aumentar a produo de aaizais

    utilizveis. Nessa operao, removem-se as rvores excedentes, para que se possa

    concentrar o potencial produtivo do povoamento de nmero limitado de rvores

    selecionadas.

    A retirada dos estipes velhos, finos e defeituosos das touceiras visa o

    melhoramento da produo, dando as vantagens de se fazer o desbaste seletivo, geram

    consequncias benficas, que so os manejos. Assim, num programa de desbaste para

    rotaes relativamente longas, o nmero de rvores deve ser produzido gradativamente,

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    108

    porm, a uma taxa substancialmente mais rpida do que seria em condies meramente

    naturais, observar:

    . Posio relativa e condio da copa;

    . Estado de sanidade e vigor das rvores;

    . Caractersticas de forma e qualidade do tronco.

    Existem duas maneiras de desbastes: o desbaste sistemtico e o seletivo:

    . Desbaste Sistemtico: So aplicadas em touceiras de aaizais com um aglomerado de

    estipes altamente uniformes, onde as rvores ainda no se diferenciaram em classes de

    copas, o que implica povoamentos jovens no desbastados anteriormente.

    . Desbaste Seletivo: Implica na escolha de estipes que no segue um padro escolhido

    segundo certas caractersticas previamente estabelecidas, variveis de acordo com o

    propsito a que se destina a produo. As estipes removidas so sempre as anteriores e

    as que no so produtivas.

    IMPORTNCIA DO AAIZAL

    O aaizeiro uma palmeira que fornece dois subprodutos alimentares essenciais

    para os ribeirinhos, palmito e o fruto. Constituindo a base da renda de dezenas de

    famlias, sendo sua entrada macia e brutal sobre o mercado interno, no incio dos anos

    1990, prefigurando o desenvolvimento de uma nova produo de renda. (ROGEZ 2000).

    O aaizeiro uma das palmeiras mais produtiva do ecossistema do esturio

    Amaznico, podendo fornecer estipe como madeira para construes de casas rurais e

    cercas para confinamento de animais, palha para coberturas, semente para artesanato,

    corante e rao para sunos, palmito e poupa. Proporciona fonte de alimentao e renda

    que de primordial importncia. A agregao de recursos financeiros aos produtos

    naturais pela populao desses ecossistemas promove a sua conservao ao mesmo

    tempo em que pode viabilizar o desenvolvimento local.

    O extrativismo do aaizeiro no esturio amaznico seja atravs da coleta dos

    frutos para produo da polpa, seja pelo corte da palmeira para a extrao do palmito,

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    109

    constitui-se em um processo econmico, social e cultural. Segundo Ahrens (1992 pg 32):

    uma das espcies mais promissoras na rea de vrzea do esturio amaznico em

    virtude do seu aproveitamento por moradores e ribeirinhos e nas indstrias de

    comercializao do palmito.

    Assim sendo, medida que o setor florestal cresce, o processo de desmatamento

    aumenta, provocando forte presso sob os recursos naturais. Este fato acontece devido

    explorao no ser manejada.

    Contudo, no objetivo de frear a explorao madeireira inadequada, vem

    acontecendo tanto a nvel global como regional, um crescente debate no setor florestal

    sobre como conservar as florestas, satisfazer a demanda por produtos florestais e ao

    mesmo tempo, incentivar o desenvolvimento sustentvel (local) para a reduo da

    pobreza das comunidades rurais que esto diretamente ligadas a esse processo. (SOUSA;

    GOMES, 2005).

    Neste contexto, o Manejo Florestal Comunitrio se apresenta como uma das

    alternativas para preservao do meio ambiente, a partir de parmetros que busquem

    perspectiva no aumento da participao das comunidades rurais ribeirinhas no manejo

    dos aaizais; a conservao da biodiversidade e a necessidade de implementar novos

    mtodos, que demonstrem formas de utilizao desses recursos.

    A ao de governos, ONGs, organizaes comunitrias, agncias de cooperao,

    vem impulsionando a expanso do manejo florestal comunitrio, o qual pode ser

    implementado sob diferentes arranjos tcnicos, polticos, institucionais e sociais,

    tornando-se uma alternativa para reduzir o processo acelerado de degradao ambiental,

    devido expanso agrcola da fronteira e a explorao predatria da madeira. (AMARAL;

    AMARAL, 2005).

    Desta forma, percebe-se o quanto o manejo passa a representar para algumas

    comunidades, pois alm de representar uma fonte geradora de recursos, possibilita a

    utilizao e comercializao de recursos florestais. Neste sentido, o Manejo Florestal

    Comunitrio se agrupa com outras atividades econmicas que integram o modo de vida

    das comunidades. Contribuindo de maneira significativa para o desenvolvimento das

    populaes envolvidas e a prpria mobilizao destas formas cada vez mais rpida e

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    110

    predatria, o ambiente em que vive, acarretando ao planeta acelerada degradao das

    famlias.

    Segundo Sousa e Gomes (2005, p. 2), na regio norte do Brasil, os processos de

    articulao de iniciativas no Estado do Par so mais regionalizados, principalmente

    devido dimenso geogrfica do estado e as caractersticas especficas da articulao

    poltica dos diversos grupos sociais envolvidos. Nessa regio, o autor ainda relata que,

    [...] podem-se identificar quatro processos de desenvolvimento de iniciativas de manejo florestal comunitrio, nos seguintes plos: Marab, regio que possui uma das principais concentraes de assentamentos do Brasil; Gurup trata-se de uma regio onde se concentram ribeirinhos e agricultores tradicionais, as experincias tm impulsionado novos processos de organizao para o manejo comunitrio; Santarm, regio que conta com vrias iniciativas; Altamira, regio que apresenta forte articulao de entidades de movimentos sociais e organizaes socioambientais que vm desenvolvendo aes no mbito comunitrio.

    Segundo Lopes (2003) o atual sistema de manejo desenvolvido pelos ribeirinhos

    mantm uma considervel diversidade nos aaizais, mas a possvel intensificao do

    manejo para aumentar a produo de frutos, poder levar a sua reduo e se transformar

    em um mono cultivo de aaizeiro.

    GESTO AMBIENTAL

    A Educao Ambiental utilizada dentro de vrios setores de meio ambiente,

    sendo necessrio para isso que se desenvolva uma gesto ambiental emancipatria e

    responsvel por parte dos envolvidos no processo.

    No desenvolvimento da Educao Ambiental como instrumento de gesto

    assumem-se determinadas posturas diante de um problema ambiental. Ao faz-lo, define-

    se que comportamento pretende gerar em seu grupo-alvo, definindo, portanto, quem

    ficar com custos e que usufruir dos benefcios advindos da ao antrpica sobre o

    meio. (NOGUEIRA, 1995).

    Como objetivo principal, a Educao Ambiental, visa disseminar conhecimentos e

    tcnicas ao seu pblico com inteno de gerar mudanas no seu comportamento, em

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    111

    nenhum momento conhecido da histria humana ela precisou tanto de transformaes

    de seu paradigma, de uma educao renovada, libertadora, preciso uma gesto mais

    completa que promova o desenvolvimento mais realista do mundo.

    [...] o homem tem exercido influncia sobre os ecossistemas terrestres, com desenvolvimento de tecnologias que alteram, de, que compromete a qualidade e a sobrevivncia humana na biosfera. (AMARAL; AMARAL, 2005, p.54),

    Realizar alguns aspectos relevantes da problemtica ambiental do ponto de vista

    da relao sociedade-natureza oportuniza analisar a questo ambiental entre os meios

    social e fisco-natural com uma abordagem e uma viso holstica e sistmica de mundo.

    (HUMMEL, 2001).

    O que se coloca para a sociedade em termos de polticas ambientais uma gama

    de possibilidades e veculos de participao na tomada de deciso, trata-se de

    mecanismos legais permeados de elementos de princpios democrticos que esto

    disposio daqueles que deles sabem se servir.

    A qualidade de vida que se pretende, a partir da apropriao, explorao e

    proteo dos recursos naturais, requer no s medidas de interveno e fiscalizao,

    mas, tambm de cooperao com as camadas que tem nesses recursos a sua forma mais

    elementar de reproduo e manuteno da vida.

    RESULTADOS E DISCUSSO

    A maior parte das famlias entrevistadas exerce a atividade de extrao de aa, o

    que demonstra a importncia destas atividades para a economia familiar e segurana

    alimentar dos entrevistados. Os produtos extrados so vendidos e/ou consumidos pelas

    famlias.

    A safra do aa que na comunidade analisada ocorre do perodo de Agosto a

    Dezembro chegando at meados de Janeiro permite obteno de renda durante o

    perodo de defeso, que ocorre de 1 de Novembro a 28 de fevereiro, desta forma, o

    manejo desse produto componente da economia familiar se torna uma estratgia para a

    obteno de renda durante o ano inteiro.

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    112

    DIFICULDADE EM RELAO AS

    TCNICAS DE MANEJO DO AA

    40%

    30%

    30%Derruba das

    espcies

    Roagem da

    vegetao

    Debastes das

    touceiras

    As iniciativas de manejo encontradas dentro da comunidade de Franco Grande do

    Bailique do suporte s principais atividades da economia familiar e imprimem novas

    formas de apropriao dos recursos naturais, modificando a relao sociedade natureza

    bem como remodelando as relaes sociais anteriormente estabelecidas. O manejo pode

    ser comunitrio, sendo realizado por todos os membros da comunidade ou individual,

    onde ir depender das necessidades familiares. Diante do exposto perguntou-se aos

    entrevistados qual a maior dificuldade que a comunidade enfrenta em relao s tcnicas

    de manejo observe o grfico 01.

    GRFICO 01 Dificuldade em relao as tcnicas de manejo do aa

    FONTE: Pesquisa de Campo

    Entre os entrevistados 40% responderam que a maior dificuldade encontrada diz

    respeito derrubada das espcies; 30% afirmaram que a roagem da vegetao um

    ponto crucial e os demais 30% garantiram que o desbastes das touceiras o que mais

    dificulta o trabalho.

    Alm dos aaizais manejados intensamente, existe outro grupo em que se observa

    um manejo intermedirio (ROGEZ, 2000) ou tolerante (SOUSA; GOMES, 2005), cuja

    principal caracterstica a completa eliminao da vegetao sem valor econmico,

    conservando apenas as espcies que apresentam algum interesse comercial e/ou

    utilidade para as famlias, tais como a andirobeira, a pracuubeira e a ucuubeira, pois os

    moradores da comunidade de Franco Grande do Bailique foram questionados se o

    extrativismo de aa era um bom negcio (Ver grfico 02).

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    113

    EXTRATIVISMO DE AA COMO UM

    BOM NEGCIO

    60%

    40%

    No

    Sim

    GRFICO 02 - Extrativismo do aa como um bom negcio

    FONTE: Pesquisa de Campo.

    O que se pode perceber com base nos depoimentos que 60% dos entrevistados

    no considera o extrativismo de aa como um bom negcio e os demais 40% afirmaram

    que a extrao garante uma renda extra. Neste sentido, convm ressaltar que a

    implementao do manejo intermedirio decorre tanto do receio de que a economia

    do aa, algum dia venha a declinar, quanto da idia amplamente disseminada de que as

    rvores, ao fazerem sombra, contribuem para deixar o aa bem preto, quando

    amadurece. So esses dois fatores que ajudam a explicar a grande quantidade de aaizais,

    cuja forma de manejo pode ser caracterizada como intermedirio.

    Neste sistema de manejo, diferentemente do intensivo, a derrubada e o

    anelamento das rvores ocorre de maneira seletiva. Isto porque no so todas as rvores

    que devem ser eliminadas, mas somente aquelas desprovidas de qualquer valor para a

    populao. Por este motivo, a remoo da cobertura vegetal nesses aaizais ocorre de

    maneira lenta, at porque quem est fazendo este trabalho tem que ter um mnimo de

    discernimento das espcies que deve abater.

    Ao serem indagados sobre a rea manejada da comunidade 50% dos entrevistados

    responderam que trabalham com o manejo moderado; os demais 50% com o manejo

    intensivo (ver grfico 03).

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    114

    OPINIO SOBRE A REA MANEJADA

    NA COMUNIDADE

    50%50%

    Moderado

    Intensivo

    GRFICO 3 Opinio sobre a rea manejada

    FONTE: Pesquisa de Campo

    O que se notou com base na observao participante que na comunidade

    pesquisada predomina um sistema de manejo moderado, cuja principal caracterstica

    a retirada de apenas algumas espcies da flora, consideradas indesejveis porque tm

    ecleos ou espinhos, apenas facilitar o trnsito das pessoas na mata, conservando as

    touceiras de aaizeiro com todos seus estipes, bem como as demais espcies de rvores e

    palmeiras.

    Neste tipo de manejo, executa-se uma fraca atividade de derrubada e/ou

    anelamento. A roagem feita apenas naquelas touceiras muito cerradas em que existe

    aa preto, na ocasio da extrao. E o desbaste uma atividade inexistente. Na

    comunidade de Franco Grande, embora ainda exista, esse sistema de manejo residual,

    restringindo-se a um pequeno nmero de moradores que, inclusive, j vm apresentando

    tendncia de mudana, porque esto sendo fracionadas e passando ao domnio de novos

    donos (geralmente filho (a)s dos moradores), com mentalidade diferente dos antigos

    proprietrios, ainda presos antiga idia de que os aaizais no carecem de manejo

    para produzir frutos.

    Ao serem questionados sobre o entendimento acerca do que seria manejo

    florestal, 50% responderam que seria limpeza do terreno e os demais 50% reflorestamento

    do aa exposto o grfico 04.

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    115

    OPINIO SOBRE MANEJO

    FLORESTAL

    50%50%

    Limpeza do

    terreno

    Reflorestamento

    do aa

    GRFICO 04 Opinio sobre o manejo

    FONTE: Pesquisa de Campo

    As respostas evidenciaram que a variedade de sistemas de manejo est

    diretamente associada ao aprendizado de cada ribeirinho. Como praticamente no existe

    orientao tcnica, cada um cuida do seu aaizal sua maneira e como pode. Mas se

    esfora para cuidar cada vez mais, porque percebe que isto fundamental para a sua

    sobrevivncia. Estas prticas de manejo, bem como aquelas cientificamente planejadas

    (ANDERSON; IORIS 1989), cada vez mais vm sendo preconizadas por diversos autores,

    na medida em que tendem a permitir, de maneira compatvel, um melhor aproveitamento

    no s dos frutos, mas tambm do palmito do aaizeiro pelas populaes ribeirinhas. Isto

    porque, progressivamente, o palmito e, sobretudo o aa vm sendo valorizados por

    essas populaes, de acordo com suas necessidades de renda, localizao geogrfica e

    possibilidade de comercializao.

    Ao serem indagados se pretendem continuar a produzir aa como fonte de renda,

    60% afirmaram que sim e 40% disseram que no. Como demonstra o grfico abaixo.

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    116

    PRODUO DE AA COMO FONTE

    DE RENDA

    60%

    40%

    Sim

    No

    GRFICO 05 Aa como fonte de renda

    FONTE: Pesquisa de Campo

    Com base nos depoimentos, pode questionar que os 40% dos entrevistados que

    disseram que no durante as entrevistas se deve ao fato da comercializao do aa, pois

    quando os ribeirinhos negociam diretamente com os freteiros ou barqueiros, que

    so agentes comerciais que s trabalham com aa, os moradores recebem o pagamento

    das rasas (sacos ou latas com 30 kg de aa) em dinheiro.

    Todavia, quando negocia com outros marreteiros, principalmente aqueles que

    comercializam produtos como alimentos, vasilhames, confeces e perfumes, o arteso

    no recebe seu pagamento em dinheiro. Neste tipo de relao, o marreteiro adianta as

    mercadorias geralmente no incio da semana e quando quinta ou sexta feira, passa

    recebendo as rasas. Normalmente os marreteiros conseguem 500, 600 rasas por semana,

    produto que logo negociado com os marreteiros de aa a um preo irrisrio.

    Com isto, ganham no apenas nas mercadorias que vendem como nas rasas que

    recebem como pagamento. Assim, mesmo em face dessas relaes, no se pode deixar

    de reconhecer a importncia do artesanato enquanto uma atividade geradora de renda

    complementar para as famlias ribeirinhas. Podendo-se dizer o mesmo da caa, da pesca e

    da agricultura que, embora no sejam importantes na gerao de renda, de vez em

    quando, sobretudo quando o aa fracassa, contribuem para garantir o sustento das

    famlias. No fundo, isto mostra que a explorao econmica dos aaizais ocorre integrada

    a outras prticas, fato que permiti a reproduo social mesmo quando a extrao de

    frutos escasseia.

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    117

    SATISFAO QUANTO A PRODUO DE AA

    50%50%

    Sim

    No

    No que diz respeito satisfao dos moradores da comunidade de Franco Grande

    do Bailique em relao ao manejo do aa: 50% disseram que esto satisfeitos e os demais

    50% afirmaram que no se sentem motivados com (ver grfico 06).

    GRFICO 06 Satisfao quanto a produo do Aa

    FONTE: Pesquisa de Campo

    No manejo, diferentemente da extrao do aa, a jornada de trabalho estende-se

    geralmente do incio ao final do dia. Por constituir uma atividade, cujos maiores

    benefcios so esperados a mdio e longo prazo, os rendimentos imediatos obtidos so

    considerados bastante modestos. Enquanto na extrao do aa um peconheiro pode

    obter 30,00 ou R$ 40,00 em uma metade de dia, no manejo, um trabalhador diarista

    recebe, no mximo, uns R$ 12,00 e um dono de aaizal pode at faturar um pouco mais,

    porm vai ter que abater muitas palmeiras, o que no aconselhvel, quando se privilegia

    a produo de frutos. Por esta razo, a implementao do manejo encontra

    determinados obstculos relativos disponibilidade e ao recrutamento da mo-de-obra, o

    que engendra relaes trabalho diferenciadas.

    Observa-se, assim, que a implementao do manejo engendra duas relaes de

    trabalho diametralmente opostas. De um lado, contribui para preservar e estimular

    relaes de ajuda mtua em um universo onde o individualismo parece imperar cada vez

    mais e de outro, recria velhas formas de subservincia, dissimuladas em relaes

    aparentemente horizontais.

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    118

    CONSIDERAES FINAIS

    As iniciativas de manejo so um importante incremento da renda da populao de

    Franco Grande do Bailique que tem na extrao de aa sua principal fonte de renda, pois

    gera certa estabilidade econmica.

    O manejo de aa demonstra-se um importante aliado da economia familiar, pois

    com a racionalizao da produo, possvel estimar a quantidade de renda diria a ser

    adquirida pela famlia (quantidade de latas 14 kg multiplicada pelo preo dirio da

    safra) e ter o controle da produo.

    Os entrevistados demonstraram preocupao com os recursos naturais presentes

    em seus territrios, por serem por eles diretamente afetados, gerando a necessidade de

    manej-los.

    A associao do manejo do aa dada sazonalidade dele gera uma maior

    segurana econmica e alimentar as famlias, sendo importante estratgia de gesto dos

    recursos naturais, uma vez que a comunidade faz uso direto e coletivo do mesmo, sendo

    a continuidade deste recurso condio para a reproduo da economia familiar.

    Os recursos naturais na comunidade analisada so bem comuns e o manejo

    comunitrio solidifica as relaes sociais da comunidade e estabelece relaes de

    reciprocidade entre os moradores, que se relacionam entre si atravs de laos de

    parentesco e solidariedade e, atualmente, atravs do poder de gesto de seus territrios

    comuns.

    As formas de uso dos recursos naturais em Franco Grande do Bailique evidenciam

    as mudanas que hoje se configuram no municpio. No caso da gesto ambiental essas

    mudanas refletem a falta de uma poltica adequada que garanta acessibilidade do

    recurso para seus usurios, a sua integridade ambiental e a manuteno da importncia

    sociocultural que o envolve, em sua caracterstica tradicional, que a de uso coletivo de

    subsistncia e, portanto, de necessidade bsica de reproduo social.

    Pensar a comunidade de Franco Grande do Bailique, com todo o seu conjunto de

    dinmicas, sejam estas: econmicas, sociais, culturais, ambientais e polticas um

    exerccio que necessita da elaborao de aes que interfiram no processo de

    desenvolvimento. Devem, portanto, ser estabelecidos mecanismos que permitam a

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    119

    participao e interferncia de todos os segmentos da sociedade na elaborao conjunta

    de polticas pblicas, voltadas para a gerao da qualidade de vida para a populao e

    sustentabilidade dos recursos ambientais, desenvolvendo assim uma poltica de Gesto

    Ambiental que seja compatvel com as necessidades da comunidade, assim como de seus

    habitantes.

    A compreenso dos problemas socioambientais que vem se intensificando em

    Franco Grande do Bailique, vo alm de fatores econmicos e naturais, mas tambm,

    esto associados aos mecanismos de regulamentao das polticas de utilizao dos

    recursos nesse municpio, por isso se faz necessrio ento, estabelecer critrios que

    possibilitem o desenvolvimento das atividades de forma sustentvel para o ecossistema

    local, que no agridam a qualidade de vida da populao e nem tampouco alterem as

    caractersticas do quadro natural da rea.

    Portanto, faz-se uma relao direta entre a economia familiar e o manejo do aa

    presentes nas vrzeas da comunidade de Franco Grande do Bailique.

  • Revista Meio Ambiente e Sustentabilidade | vol.2 n.1 | jul - dez 2012

    120

    REFERNCIAS

    -AHRENS, S. A seleo simultnea do timo regime de desbaste e da idade de rotao, para povoamento de pinus taeda l, atravs de um modelo de programao dinmica.Curitiba, 1992, 189 p. Tese Doutorado, Universidade Federal do Par, 1992. AMARAL, P.; AMARAL, N.M. Manejo Florestal Comunitrio: processos e aprendizagens na Amaznia brasileira e na Amrica Latina. Belm: IEB; IMAZON, 2005. ANDERSON, A. B.; IORIS, M. E. The logic and extraction: resource anagement and income generation by extractive producers in the Amazon estuary. In: TraditionalResource Use in Neotropical Forests Workshop, Center for Latin America Studies, Universityof Florida, Gainsville, 1989. DIAS, G. F. Ecopercepo, um resumo didtico dos desafios scio-ambientais. So Paulo:Gaia, 2004. HUMMEL, A.C. 2001. Normas de aceso ao manejo florestal na Amaznia brasileira: o caso do manejo florestal madeireiro. Dissertao do mestrado, UN do Amazonas e Instituto Nacional de P. da Amaznia (INPA), Manaus AM. LOPES, M. L. B. Distribuio dos retornos sociais do manejo do aa no Estado do Par. In: GRAA, H. (Org.). O meio amaznico em desenvolvimento: exemplo de alternativas econmicas. Belm: Banco da Amaznia, 2003. p. 19 46. NOGUEIRA, O. L. et al. A Cultura do Aa, Coleo Plantar, Srie Vermelha fruteiras Braslia: EMBRAPA-CPATU-SPI, 1995. PEDRINI, A. de G. Trajetrias da educao ambiental. In: PEDRINI, A. de G. et al. (Org.). Educao ambiental reflexes e prticas contemporneas. Petrpolis: Vozes, 1997. PORTO-GONALVES, C. W. A globalizao da natureza e a natureza da globalizao. Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 2006. QUEIROZ, J. A L. de; MOCHIUTTI, S. Guia prtico de manejo de aaizais para produo de frutos. Macap: EMBRAPA, Amap, 2001. 24 p. (EMBRAPA Amap documentos. 26). ROGEZ, H. Aa: Preparo Composio e Melhoramento da Conservao. 1 ed. Belm: EDUFPA, 2000. SOUSA, R.; GOMES, D.Produo familiar rural: tendncias e oportunidades da atividade madeireira no Acre e Par. Belm: GTNA, Forest Trends e IEB. 2005. SILVEIRA et AL, 2002. Estudo da Unidade de Conservao da foz do Rio Amazonas. Macap, 2002. P 2, 3, 20 a 28. PROECOTUR