• SERGIO DE MELLO QUEIROZ UMA HISTÓRIA CONTADA NO RODAPÉ DA PAGINA DAS OPERAÇÕES ESPECIAIS DA PMPR CONTADAS PELA HISTÓRIA By pt.wikipedia.org 2015
  • SERGIO DE MELLO QUEIROZ UMA HISTÓRIA CONTADA NO RODAPÉ DA PAGINA DAS OPERAÇÕES ESPECIAIS DA PMPR CONTADAS PELA HISTÓRIA By pt.wikipedia.org 2015
  • MANIFESTO DO AUTOR TEMOS UMA LACUNA DESCOBERTA! Somente isto já seria motivo para que desse inicio a este trabalho, contudo após uma reunião temática tive que assumir que uma sociedade sem memória é uma sociedade morta. Estávamos comentando sobre a natureza e as motivações dos confrontos entre facções e forças de segurança, sabendo que nem sempre é esta a ordem moral dos acontecimentos, assumindo que isto não é de agora, vem dos tempos da criação e somente irá acabar quando for o tempo final da existência humana. Lembrei a eles que os confrontos se iniciaram antes mesmo da chegada dos ―homens brancos‖ em suas naus, no Porto Seguro baiano, pois combates e canibalismos já eram residentes no continente americano. Demonstrações de força e ferocidade já estavam intrínsecos nos comportamentos dos brasilerindios, mesmo eles nem ter sido batizados pelos jesuítas europeus como nativos e selvagens. Apenas em 1822, conforme a literatura, os habitantes naturais do Brasil são denominados brasileiros, cujo gentílico é registrado em português a partir de 17 DE JUNHO DE 1822 que se referia inicialmente apenas aos que comercializavam pau-brasil. Dentre isto e tendo como referência os registros históricos resolvi contar a história DAS OPERAÇÕES ESPECIAIS DA POLICIA MILITAR DO PARANÁ de uma forma não muito ortodoxa e muito menos usual. Usar a história como referência moral e ética, apesar de saber que muitos destes eventos foram sim demonstrações de selvageria, faz que os erros e acertos de outrora sejam norteadores de decisões a serem tomadas. Lembro de muitos pensadores em meus 30 anos de miliciano. Enalteço alguns em especial, o meu primeiro instrutor de história da PMPR Capitão Cardoso no meu Curso de Formação de Soldados em 1985 e um dos maiores entusiastas pelo assunto, o Subtenente ARI VAZ, in memorian, que dedicou boa parte de sua carreira no ensino a tropa dos pequenos detalhes da história dos rincões paraense e que depois dedicou ao ensino as alunos do Colégio da Policia Militar e em estabelecimento de ensino superior.
  • CLARO QUE DEIXOU O LEGADO! O meu grande irmão Sargento Anselmo cujo caminho do ensino no CPM e nas turmas superiores fizeram este outro ícone do ensino doutrinário a geração presente da Policia Militar do Paraná. Para definirmos o escopo deste livro, espero que atenda aos exigentes ―devoradores de livros‖ que propositadamente não relacionei, pois antes deixar de relacionar as ―lendas vivas‖ do que se esquecer de um nome sequer. Peço vênia aos doutos pensadores, mas somos todos apaixonados pelo tema e pelo tema somos multiplicadores. POR QUE UMA HISTÓRIA CONTADA NO RODAPÉ DA PAGINA? Pela história real e pública em eventos maiores, aonde a participação de nossos antecedentes diretos, os guerreiros do Império Português até a construção de tropas especializadas de Operações Especiais, já no ano de 1964 serão lembradas no rodapé deste livro, pois como me expressei na capa. Tentar trazer informações através de citações simples não trazem a este autor a confiança de ter atingido o objetivo inicial, de PREENCHER A LACUNA do conhecimento com mais conhecimentos. Oferecer ao leitor o máximo de referência sobre os temas apontados é para mim o mínimo que posso fazer. Informações públicas fazem deste trabalho um manual de aprendizagem, pois poderá o usuário deste complementar as informações tão somente com um acesso a rede mundial em um a ferramenta de busca e informação. No meu caso optei pelo pt.wikipedia.org/ pela facilidade de manuseio e pelo fato de que ele é recebedor de informações e publicações diuturnamente. Atual e simples. Tudo que um autor pede para concretizar suas pesquisas e aplicar os conhecimentos em tempo real. Diante de tudo e isto, vamos cobrir esta lacuna e preencher seus vazios. SERGIO DE MELLO QUEIROZ
  • UMA HISTÓRIA CONTADA NO RODAPÉ DA PAGINA A HISTÓRIA DO ESTADO DO PARANA CONTADAS NA HISTÓRIA DO BRASIL
  • 1 REINO DE PORTUGAL Lema nacional Vis Unita Maior Nunc et Semper (A unidade é a maior força, agora e para sempre)
  • O REINO DE PORTUGAL Era a denominação de Portugal sob a governação de um regime monárquico, e no início ainda sem o reino dos Algarves. Este reino localizava-se no oeste da península Ibérica, Europa. Existiu de 1139 a 1910, tendo 771 anos de duração, 35 monarcas e 4 dinastias, tendo a primeira (Afonsina ou Borgonha): 9; a de Avis: 9; a Filipina: 3 e a de Bragança: 14. Após a implantação da república portuguesa em 5 de outubro de 1910, foi substituído por uma república, pela Primeira República Portuguesa que tinha dado os primeiros passos para a sua implantação com o regicídio de 1908 e, definitivamente implantada, após a revolução de 5 de outubro de 1910. ORIGENS E FIM O Condado Portucalense (1093-1139) era um ducado integrante do reino da Galiza e, depois, do Reino de Leão(910-1230). O procedimento da sua independência deu-se em três momentos fulcrais: . O primeiro em 26 de julho de 1139 quando Dom Afonso Henriques de Borgonha, então conde de Portucale, foi aclamado Rei de Portugal internamente. . O segundo com o Tratado de Zamora, em 5 de outubro de 1143, pelo qual os reinos de Leão e Castela, reconhecem Dom Afonso como Rei. . Mas só com a Bula Manifestis Probatum de 1179 é que é definitivamente reconhecida a independência de Portugal pelo Papado, a autoridade máxima nas relações internacionais na altura. Por esta bula, o Papa reconhece o rei de Portugal como seu vassalo direto. Este é o início da dinastia Afonsina (ou de Borgonha), esta, por sua vez, originária da família ducal de Borgonha e ascendente da última família real portuguesa, a Casa de Bragança. Por oitocentos anos, reis comandaram Portugal e conquistaram diversos territórios formando o vasto império ultramarino português. A classe dominante e abastada por todo este período foi a nobreza portuguesa, que gozava de diversos privilégios. Em 1908, o Rei Carlos I de Bragança foi morto (regicídio), em Lisboa. A monarquia portuguesa durou até 5 de outubro de 1910, quando através de uma revolução foi derrubada a monarquia e proclamada a república portuguesa. O derrube da monarquia em 1910 conduziu a dezesseis anos de luta para sustentar a democracia parlamentar no âmbito do republicanismo.
  • OS DESCOBRIMENTOS A partir da conquista de Ceuta em 1415, iniciaram-se várias campanhas além-mar, na conquista de praças em África, como Ceuta e Tanger. Vendo a riqueza com que se vivia na região, os portugueses empenharam-se em descobrir mais e mais territórios. O pretexto inicial da conversão cristã começava a revelar-se agora um verdadeiro espírito aventureiro, o gosto por descobrir e, ao mesmo tempo, enriquecer. Portugal inicia uma longa caminhada pela costa Africana, redescobrindo a Madeira, Açores e descobrindo São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Angola e a Guiné até que D. João II, baseado em boatos que procurou esclarecer, inicia o planeamento de um projeto que iria lançar Portugal entre as potências mundiais: uma rota comercial marítima para a Índia. O projeto passa a empreendimento, e eis que Vasco da Gama, já no tempo de D. Manuel I, vê a luz ao oceano Índico e espalha a presença portuguesa pela costa oriental africana, até a Índia. Para alicerçar esse fundamento segue-se o Tratado de Tordesilhas, com a Espanha, que resolve a bem antecipadamente uma fricção que se antevia entre estas as duas superpotências em crescimento, para a partilha desse mundo que passava a ser alcançado por mar. Entretanto tomava-se conhecimento, através de Cristóvão Colombo, de novo território a oeste, as mais tarde chamadas Índias ocidentais, as Américas, portanto. E seria Pedro Álvares Cabral que traria, para o novo império ultramarino português, o Brasil(ver Brasil colônia), em 1500. Com todas as suas colónias estabelecidas, Portugal tornou-se rapidamente um importante explorador comercial, tornando a península Ibérica a maior potência mundial da época. O IMPERIO PORTUGUES Através dos tempos, o reino de Portugal construiu o que era conhecido como o Império Português, desde 1415 com a conquista de Ceuta. Com o tempo algumas colônias foram conquistando a sua independência, como o Brasil, que desde 7 de setembro de 1822 tornou-se independente, formando o Império do Brasil, tendo sido governado pela família imperial brasileira, um ramo da Casa de Bragança. Em 5 de outubro de 1910, com a proclamação da república em Portugal, o restante do império passou para o controle da atual República Portuguesa. Isso acaba nos finais do século XX, quando o último território ultramarino de Portugal foi entregue (Macau, (1999), ficando Portugal apenas com dois territórios ultramarinos (depois regiões autónomas).
  • 2 O IMPÉRIO PORTUGUÊS
  • DA IMAGEM A Ordem do Império Colonial mais tarde (1951) denominada Ordem do Império, foi uma Ordem Nacional honorífica portuguesa criada em 1932 e extinta após em 25 de Abril de 1974. O seu objetivo era homenagear aqueles que prestaram serviços distintos, ao serviço do governo, administração e diplomacia, na colonização do Ultramar; ou serviços na Marinha Mercante, nos Transportes Aéreos, e outros, em prol do território português. Os agraciados com a extinta Ordem do Império mantêm o direito ao uso das respectivas insígnias. A Ordem era composta por cinco graus: Grã-Cruz (GCIC / GCI) Grande-Oficial (GOIC / GOI) Comendador (ComIC / ComI) Oficial (OIC / OI) Cavaleiro (CvIC / CvI) / Dama (DmIC / DmI) Tal como outras Ordens portuguesas, o título de Membro-Honorário (MHIC / MHI) podia ser atribuído a instituições e locais. Insígnia A insígnia da Ordem era uma cruz de Cristo, com uma esfera armilar e o escudo nacional por cima. A cruz estava suspensa por uma fita vermelha, de contorno preto, com uma lista preta ao meio.
  • O IMPÉRIO PORTUGUÊS OU IMPÉRIO COLONIAL PORTUGUÊS Os impérios coloniais foi um produto da Era dos Descobrimentos Europeia que começou com uma corrida exploratória entre as mais avançadas potências marítimas do século XV, Portugal e Espanha. O impulso inicial por trás desses impérios marítimos dispersos e aqueles que se seguiram foi o comércio, impulsionado por novas ideias e pelo capitalismo que cresceu a partir do Renascimento europeu. Acordos também foram feitos para dividir o mundo entre esses impérios em 1479, 1493 e 1494. Foi um império global, o mais antigo dos impérios coloniais 1europeus modernos, abrangendo quase seis séculos de existência, a partir da Conquista de Ceuta2, em 1415, até à concessão de soberania a Timor-Leste, em 2002. 1 IMPÉRIOS COLONIAIS Portugal começou a estabelecer a rede de comércio global e do império primeiro sob a liderança de Infante D. Henrique. Os portugueses acabariam por estabelecer domínios coloniais no Brasil, na América do Sul, e várias colônias na África (Guiné Portuguesa, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique), na Índia Portuguesa (os mais importantes Bombaim e Goa), na China (Macau) e Oceania(Timor, atualmente Timor-Leste), entre muitos outras possessões menores ou de curta duração. Durante o seu Siglo de Oro, o Império Espanhol tinha a posse dos Países Baixos, Luxemburgo, Bélgica, a maior parte da Itália, partes da Alemanha, partes da França e muitas colônias nas Américas, África e Ásia. Com a conquista do interior do México, Peru e Filipinas, no século XVI, a Espanha estabeleceu domínios ultramarinos em uma escala e distribuição mundial que nunca tinha sido abordada por seus antecessores (o Império Mongol havia sido maior, mas foi restrito a Eurásia). As possessões na Europa, África, Oceano Atlântico, nas Américas, no Oceano Pacífico, e no Extremo Oriente, qualificaram o Império Espanhol a alcançar uma presença global em vários aspectos. De 1580 a 1640, o Império Português e o Império Espanhol foram unidos em uma união pessoal dos seus monarcas Habsburgos durante o período da União Ibérica, mas abaixo do mais alto nível de governo, suas administrações foram mantidas separadas. Subsequentes impérios coloniais que incluiu os impérios Francês, Holandês e Britânico. O último, consolidado durante o período de hegemonia marítima britânica no século XIX, tornou-se o maior império da história, em virtude das melhorias nas tecnologias de transporte. No seu auge, o Império Britânico cobria um quinto da área terrestre do planeta e era composto por um quarto de sua população. Em meados do século XVII, a Rússia Czarista, continuada depois pelo Império Russo e União Soviética, tornou-se o maior Estado contíguo no mundo e a moderna Federação da Rússia continua com esse título até hoje.
  • Apesar de ter "perdido" sua periferia Soviética, a Rússia tem 9 fusos horário, que se estendem por cerca de metade da longitude do mundo. 2 A CONQUISTA DE CEUTA, cidade islâmica no Norte de África, por tropas portuguesas sob o comando de João I de Portugal, deu-se a 22 de Agosto de 1415. OS MOTIVOS As causas e origens da conquista de Ceuta não são hoje suficientemente claras: uma das razões, a Causa Bélica, teria sido a oportunidade dos infantes (D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique) serem arma dos cavaleiros por um feito de guerra Outra, a Causa Religiosa, defendida por historiadores como Joaquim Bensaúde (1859- 1951), viram na figura do infante D. Henrique um símbolo do espírito de cruzada, defendendo ter havido na génese da expansão um zelo religioso; Outra, a Causa Política, talvez a ameaça castelhana constante sobre a cidade, defendida por historiadores como Jaime Cortesão (1884-1960), que realçava o desejo da antecipação a Castela na expansão para o norte de África. Estes motivos não são incompatíveis com a Causa Económica, defendida por António Sérgio (1883-1969) e, mais recentemente, Vitorino (1918-2011): Ceuta era uma cidade rica e teriam sido levados pela burguesia comercial, que queria canalizar para Lisboa o tráfego do Mediterrâneo ocidental feito por aquela cidade. Para se informar de todos os pormenores da cidade, D. João I enviou à Sicília dois embaixadores com o pretexto de pedirem a mão da rainha para o infante D. Pedro; estes na passagem colheram todas as informações sobre Ceuta. CAUSAS Estas são consideradas as principais razões da conquista de Ceuta: Geoeconômicas: a posição geográfica de Ceuta permitiria controlar a entrada e saída dos navios vindos do Atlântico para o Mediterrâneo e vice-versa através do estreito de Gibraltar, de modo que a costa do Algarve parasse de ser atacada por piratas oriundos ou baseada na cidade muçulmana. Religiosas: havia um desejo de expansão da fé cristã através do incremento de territórios onde o cristianismo poderia ser implantado. Sociais: as classes mais abastadas tinham vários interesses nesta conquista. A nobreza buscava novas terras, honras e rendas; o clero desejava expandir a fé cristã; e a burguesia estava à procura de novos produtos e mercados. Económicas: Portugal sofria com a falta de diversos produtos como trigo, ouro, prata, e especiarias. A conquista de Ceuta significaria para o reino lusitano o controle sobre uma cidade em que afluíam os produtos orientais vindos da Índia pelas rotas caravaneiras que traziam ouro, especiarias, etc. Ressalte-se ainda que a cidade era uma zona fértil, apropriada para a produção de cereais. Políticas: o reino português procurava aumentar sua importância no quadro das monarquias ibéricas através do estabelecimento de Ceuta como o ponto mais oriental da reconquista cristã a ser feita por Portugal no norte da África.
  • A CONQUISTA Um exército de cerca de 19 000 a 20 000 cavaleiros e soldados portugueses, ingleses, galegos e biscainhos havia largado de Lisboa a 25 de Julho de 1415, embarcado em 212 navios de transporte e vasos de guerra (59 galés, 33 naus e 120 embarcações pequenas) . Na expedição seguia a fina flor da aristocracia portuguesa do século XV, incluindo os príncipes Duarte (o herdeiro), Pedro, Duque de Coimbra e Henrique, Duque de Viseu, além do condestável Nuno Álvares Pereira. Após uma escala em Lagos, fundearam diante de Ceuta a 21 de Agosto, tendo efetuado o desembarque sem encontrar resistência por parte dos Mouros. A guarnição da cidade de Ceuta correu a fechar as portas da cidade, mas as tropas portuguesas foram rápidas a impedir o estabelecimento de defesas adequadas. Na manhã de 22 de Agosto, Ceuta estava em mãos portuguesas. Segundo Azurara, nessa altura, foi pedido a D. João Vasques de Almada que hasteasse abandeira de Ceuta, que é idêntica à bandeira de Lisboa mas na qual foi acrescentado o brasão de armas do Reino de Portugal ao centro, símbolo que perdura até hoje. Depois a mesquita foi consagrada e, na primeira missa lá realizada, os três príncipes da Ínclita geração presentes foram feitos cavaleiros pelo seu pai. Ceuta seria a primeira possessão portuguesa em África, estratégica para a exploração Atlântica que começava a ser efetuada. A conquista foi recordada como: "(...) Já passavam de sete horas e meia, depois do meio dia, quando a cidade foi de todo livre dos mouros. (...) As outras Companhias [de soldados portugueses], não tinham maior cuidado doutra coisa que de apanharem o esbulho. (...) Muitos que se acercaram primeiramente naquelas lojas dos mercadores que estavam na rua direita, assim como entraram pelas portas sem nenhuma temperança nem resguardo, davam com suas facas nos sacos das especiarias, e esfarrapavam-nos todos, de forma que tudo lançavam pelo chão. E bem era para haver dor do estrago, que ali foi feito naquele dia. Que as especiarias eram muitas de grosso valor. E as ruas não menos jaziam cheias delas (...) as quais depois que foram calcadas pelos pés da multidão das gentes que por cima delas passavam, e de si com o fervor do sol que era grande, davam depois de si muy grande odor. (...)" (Crónica da Tomada de Ceuta, Gomes Eanes de Zurara, 1450.) Deixando ficar o conde de Viana, D. Pedro de Meneses, o rei, os infantes e o resto da frota regressaram a Lisboa em Setembro, tendo permanecido durante treze dias em Ceuta. Os marroquinos não se conformaram e atacaram a cidade duas vezes, em 1418 e em 1419, sem sucesso. Manter a cidade constituía-se em um problema logístico: era necessário enviar suprimentos, armas e munições; a maior parte dos soldados era recrutada à força, recorrendo-se a condenados e criminosos a quem o rei comutava a pena desde que fosse para Ceuta e ainda recompensar generosamente os nobres que ocupavam postos de chefia. Julgaram consegui-lo, quando do desastre português de Tânger, pedindo como resgate do infante de D. Fernando a cidade de Ceuta. Mas D. Fernando faleceu no cativeiro e a cidade continuou portuguesa (1443).
  • Ceuta teve que se aguentar sozinha, durante 43 anos, até que a posição da cidade ser consolidada com a tomada de Alcácer Seguer (1458), Arzila e Tânger (1471). A cidade foi reconhecida como possessão portuguesa pelo Tratado de Alcáçovas (1479) e pelo Tratado de Tordesilhas (1494). Quando da Dinastia Filipina, Ceuta manteve a administração portuguesa do Reino de Portugal, assim como Tânger e Mazagão. Todavia, quando da Restauração Portuguesa, não aclamou o Duque de Bragança, como rei de Portugal, mantendo-se espanhola. A situação foi oficializada em 1668 com a assinatura do Tratado de Lisboa entre os dois países, e que pôs fim à guerra da Restauração. O FRACASSO DE CEUTA As expectativas relacionadas aos benefícios da conquista de Ceuta não se confirmaram em longo prazo. Sob a ótica econômica, pode-se afirmar que o domínio português sobre a cidade se revelou um completo fracasso. As rotas comerciais que chegavam ou passavam por Ceuta foram desviadas para outras localidades. Além disso, o permanente estado de guerra comprometia o cultivo dos campos e a produção de cereais. Os muçulmanos chegaram a sequestrar o Infante Dom Fernando (considerado santo a partir deste episódio) e outras pessoas, para exigir Ceuta de volta, mas Portugal não cedeu e os prisioneiros acabaram por ser torturados e morrer. A situação agravou-se em função das elevadas despesas militares necessárias à manutenção da praça africana. Os membros da corte chegaram a cogitar o abandono da cidade. O Infante D. Pedro, em carta ao seu irmão, afirmava mais tarde: CEUTA É UM GRANDE SORVEDOURO DE GENTE E DINHEIRO. — BIBLIOGRAFIA Gomes Eanes de Zurara, Crónica da Tomada de Ceuta (escrita em 1453, trata-se de uma importante obra relativa a esta guerra.) Mestre Mateus Pisano, Livro da guerra de Ceuta (escrito, em 1460, em latim, este livro foi vertido em português por Roberto Correia Pinto.) Antoine de la Sale (única testemunha ocular da guerra de Ceuta), Consolações dirigidas a Catharina de Neufville, Senhora de Fresne (escrita, em 1453, em francês, esta obra foi vertida em português pelo general Carlos du Bocage.) Arkan Simaan, L'Ecuyer d'Henri le Navigateur (romance histórico, em francês, editado por Harmattan. Nos primeiros capítulos encontra-se uma descrição da tomada de Ceuta e da ocupação da cidade até o cerco de 1418-1419. Em seguida vem o relato das atividades do Infante Dom Henrique em Sagres, as expedições marítimas, as descobertas de Porto Santo e da Madeira, a passagem do cabo Bojador por Gil Eanes, o desastre de Tanger e a chegada dos primeiros escravos africanos em Lagos.) Aileen Gallagher, Prince Henry the Navigator: Pioneer of Modern Exploration (2003) ISBN 978-0-8239-3621-2 Jeff Kinard, Artillery: an illustrated history of its impact (2007) ISBN 978-1-85109-556-8
  • O império espalhou-se ao longo de um vasto número de territórios que hoje fazem parte de 53 países diferentes. LISTA DE IMPÉRIOS COLONIAIS IMPÉRIO PORTUGUÊS (1415-1999 ou 2002) Evolução do Império Português Colonização portuguesa das Américas Colonização portuguesa da África Colonização portuguesa da Ásia e Oceania IMPÉRIO ESPANHOL (1492-1975) Colonização espanhola das Américas Colonização espanhola da África IMPÉRIO RUSSO (1580-1917) Conquista russa da Sibéria Colonização russa das Américas IMPÉRIO COLONIAL NEERLANDÊS (1602-1975) Colonização holandesa das Américas Colonização holandesa da África Colonização holandesa da Ásia IMPÉRIO FRANCÊS (1605-1980) Império colonial francês Primeiro Império Francês de Napoleão I (1804-1814 ou 1815) Segundo Império Francês de Napoleão III (1852-1870) Colonização francesa das Américas Colonização francesa da África Colonização francesa da Ásia e Oceania IMPÉRIO BRITÂNICO (1607-1997) Territórios e mandatos sob a administração da Austrália (1901-1975) Mandatos sob administração Sul-Africana (1915-1990) Colonização escocesa das Américas Colonização britânica das Américas Colonização britânica da África Colonização britânica da Ásia e Oceania IMPÉRIO COLONIAL DINAMARQUÊS (1620-1953) Colonização dinamarquesa das Américas Colonização curlândesa (vassalo da República das Duas Nações) (1637- 1690) Colonização curlândesa das Américas Império colonial sueco (1638-1663 e 1785-1878) Colônias alemãs (1683-1721, 1883-1919) Colônias de Brandemburgo-Prússia (1683-1721)
  • IMPÉRIO COLONIAL ALEMÃO (1883-1919) Colonização alemã da África Colônias da monarquia de Habsburgo (1719-1750, 1778-1783, 1901-1917) IMPÉRIO AMERICANO (1812 ATÉ O PRESENTE) Expansão ultramarina dos Estados Unidos IMPÉRIO COLONIAL BELGA (1885-1962) Estado Livre do Congo (1885-1908) IMPÉRIO COLONIAL ITALIANO (1885-1943) Colonização italiana da África Possessões da Noruega Colonização norueguesa das Américas Marinheiros portugueses começaram a explorar a costa da África em 1419, utilizando os recentes desenvolvimentos em áreas como a navegação, a cartografia e a tecnologia marítima, como a caravela, com o objetivo de encontrar uma rota marítima para o lucrativo comércio de especiarias do oriente. Em 1488, Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança e, em 1498, Vasco da Gama chegou à Índia. Em 1500, Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil, na costa atlântica sul- americana. Nas décadas seguintes, os marinheiros lusitanos continuaram a explorar o litoral e as ilhas do leste da Ásia, estabelecendo fortes e feitorias. Em 1571, uma série de postos avançados ligava Lisboa a Nagasaki, no Japão, ao longo das costas da África, Médio Oriente Índia e Ásia. Esta rede comercial trouxe grande riqueza para o Reino de Portugal. Entre 1580 e 1640, a nação tornou-se um parceiro da Espanha, em uma união pessoal das coroas dos dois países. Embora os dois impérios tenham continuado a ser administrados separadamente, as colónias portuguesas se tornaram alvo de ataques de três potências europeias rivais e hostis à Espanha, que ambicionavam os sucessos ibéricos no exterior: a Holanda, a Grã-Bretanha e a França. Com uma população menor, Portugal não foi capaz de defender eficazmente sua sobrecarregada rede de postos comerciais e o império começou a entrar em um longo e gradual processo de declínio. Perdas significativas para os holandeses na Índia Portuguesa e no sudeste da Ásia durante o século XVII trouxeram fim ao monopólio do comércio português no Oceano Índico.
  • O Brasil, que havia se tornado a colónia mais valiosa de Portugal, tornou- se independente em 1822, como parte de uma onda de movimentos independentistas que varreu a América no início do século XIX. O Império Português então foi reduzido às suas colônias no litoral africano (que foram expandidas para o interior durante a Partilha de África, no final do século XIX), Timor-Leste e enclaves na Índia (Goa, Damão e Diu) e na China (Macau). Após a Segunda Guerra Mundial, o então líder de Portugal, António Salazar, tentou manter intacto o que restava do império pluricontinental, num momento em que outros países europeus estavam já a iniciar a descolonização dos seus territórios. Em 1961, as tropas portuguesas em Goa foram incapazes de impedir o avanço das tropas indianas que marcharam para a colónia em número superior. Salazar deu início a uma guerra (a Guerra Colonial Portuguesa) com o objetivo de eliminar as forças anticoloniais em África, a qual durou até à queda do regime em 1974. O novo governo imediatamente mudou a política e reconheceu a independência de todas as colónias, com exceção de Macau, território este que foi devolvido à China em 1999, marcando, assim, o fim do Império Português. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é a sucessora cultural do Império. HISTÓRIA O expansionismo português foi movido inicialmente elo espírito militar e evangelizador, de continuação da reconquista no Norte de África e, depois, pelo interesse comercial, primeiro nas prósperas capitanias das ilhas da Madeira e dos Açores, seguindo-se a busca de um caminho marítimo para a Ásia, alternativo ao Mediterrâneo dominado pelas repúblicas marítimas italianas, pelos otomanos, pelos mouros e por piratas, no lucrativo comércio de especiarias. Os portugueses começaram por explorar sistematicamente a costa de África a partir de 1419, com o incentivo do Infante D. Henrique e navegadores experientes servidos pelos mais avançados desenvolvimentos náuticos e cartográficos da época, aperfeiçoando a caravela. Em 1471 chegaram ao Golfo da Guiné, onde em 1482 foi estabelecida a feitoria de São Jorge da Mina para apoiar um florescente comércio de ouro de aluvião. Partindo da Mina Diogo Cão estabelece o primeiro contato com o Reino do Congo. Após sucessivas viagens exploratórias para sul, em 1488 Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, entrando pela primeira vez no Oceano Índico a partir do Atlântico.
  • 3 O IMPERIO PORTUGUÊS NA AMÉRICA
  • DA IMAGEM O IMPÉRIO PORTUGUÊS E AS REPÚBLICAS SUL-AMERICANAS Publicado por justiça e liberdade em 30 de novembro de 2013 O século XIX foi marcado, especialmente nas Américas, pelos processos de independência das terras colonizadas por nações europeias neste continente. As possessões portuguesas, porém, passaram por uma experiência diferente da de seus vizinhos holandeses, ingleses, franceses e, sobretudo espanhóis. Divididas inicialmente em 15 Capitanias Hereditárias ao invés de serem mantidas colônias e lutarem pela independência uma a uma, como na América Espanhola, a América Portuguesa foi elevada em 1645 à condição de principado, e em 1815 a reino, passando a integrar o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves do qual veio, inclusive a tornar-se sede, com capital na cidade do Rio de Janeiro, mantendo-se a unidade das possessões portuguesas, pelo que é até mais apropriado chamar de emancipação do que de independência o processo de separação do então Reino do Brasil dos demais integrantes do império português. Após a emancipação, o Reino do Brasil passou a ser denominado Império do Brasil o que justifica a importância histórica da única monarquia bem sucedida da América do Sul. Não fosse a monarquia, o continente teria pelo menos 8 outras repúblicas que chegaram a proclamar sua independência mas foram reincorporadas ao território brasileiro. Ao todo seriam pelo menos 20 repúblicas na América do Sul, a saber: Colômbia Independente em 1810, Chile independente em 1818, Argentina independente em 1816, Peru e Venezuela Independentes em 1821, Brasil e Confederação do Equador e República do Equador independentes em 1822, Bolívia, Paraguai e Uruguai independentes em 1825, Grão- Pará Independente em 1835, Rio Grande e Bahia independente em 1837, Maranhão independente em 1838, República Juliana independente em 1839, Guiana e Suriname independentes em 1866 e República do Acre independente em 1899. Além destas repúblicas, a Guiana Francesa continua sendo uma possessão da República da França até os dias atuais. Ao todo nasceram pelo menos 20 nações republicanas na América do Sul, mas a monarquia brasileira manteve-se soberana sobre 8 delas justificando o status de Império e tornando possível a consolidação de uma grande nação de dimensões continentais.
  • O IMPÉRIO PORTUGUÊS NA AMÉRICA A chegada de Cristóvão Colombo à América em outubro de 1492 precipitou uma negociação entre dom João II e os Reis Católicos de Castela e Aragão. Como resultado foi assinado em 1494 o Tratado de Tordesilhas3, dividindo o Mundo em duas áreas de exploração demarcadas por 3 O TRATADO DE TORDESILHAS, assinado na povoação castelhana de Tordesilhas em 7 de junho de 1494, foi um tratado celebrado entre o Reino de Portugal e o recém-formado Reino da Espanha para dividir as terras "descobertas e por descobrir" por ambas as Coroas fora da Europa. Este tratado surgiu na sequência da contestação portuguesa às pretensões da Coroa espanhola, resultantes da viagem de Cristóvão Colombo, que um ano e meio antes chegara ao chamado Novo Mundo, reclamando-o oficialmente para Isabel, a Católica. O tratado definia como linha de demarcação o meridiano 370 léguas a oeste da ilha de Santo Antão no arquipélago de Cabo Verde. Esta linha estava situada a meio caminho entre estas ilhas (então portuguesas) e as ilhas das Caraíbas descobertas por Colombo, no tratado referidas como "Cipango" e Antília . Os territórios a leste deste meridiano pertenceriam a Portugal e os territórios a oeste, à Espanha. O tratado foi ratificado pela Espanha a 2 de julho e por Portugal a 5 de setembro de 1494. Algumas décadas mais tarde, na sequência da chamada "questão das Molucas", o outro lado da Terra seria dividido, assumindo como linha de demarcação, a leste, o antemeridiano correspondente aomeridiano de Tordesilhas, pelo Tratado de Saragoça, a 22 de abril de 1529. No contexto das Relações Internacionais, a sua assinatura ocorreu num momento de transição entre a hegemonia do Papado, poder até então universalista, e a afirmação do poder singular e secular dos monarcas nacionais - uma das muitas facetas da transição da Idade Média para a Idade Moderna. Para as negociações do Tratado e a sua assinatura, D. João II de Portugal designou como embaixador a sua prima de Castela (filha de uma infanta portuguesa) a D. Rui de Sousa. Os originais de ambos os tratados estão conservados no Arquivo General de Indias na Espanha e no Arquivo Nacional da Torre do Tombo em Portugal . ANTECEDENTES Conforme o historiador brasileiro Delgado de Carvalho, transcrevendo Beatriz Souza: "(...) subsistia ainda a tradição medieval da supremacia política da Santa Sé, que reconhecia a Roma o direito de dispor das terras e dos povos: Adriano IV, papa inglês (1154-59), havia dado a Irlanda ao rei da Inglaterra e Sisto IV as Canárias ao rei de Castela (1471-84). Baseava- se isso, em parte, sobre o fato de um Édito de Constantino ter conferido ao papa Silvestre a soberania sobre todas as ilhas do globo; ora, isso porque as terras a descobrir eram todas, então, supostas serem exclusivamente ilhas (LIMA, Oliveira. Descobrimento do Brasil. Livro do Centenário (v. III), Rio de Janeiro: 1900 apud: Carvalho, Delgado. História Diplomática do Brasil.) O início da expansão marítima portuguesa, sob a égide do Infante D. Henrique, levou as caravelas portuguesas pelo oceano Atlântico, rumo ao Sul, contornando a costa africana.
  • Com a descoberta da Costa da Mina, iniciando-se o comércio de marfim, escravos, a atenção de Castela foi despertada, iniciando-se uma série de escaramuças no mar, envolvendo embarcações de ambas as Coroas. Portugal, buscando proteger o seu investimento, negociou com Castela o Tratado de Alcáçovas (1479), obtendo em 1481, do Papa Sisto IV, a bula Æterni regis, que dividia as terras descobertas e a descobrir por um paralelo na altura das Canárias, dividindo o mundo em dois hemisférios: a norte, para a Coroa de Castela; e a sul, para a Coroa de Portugal. Somando-se a duas outras bulas anteriores de 1452 (Dum Diversas) e 1455 (Romanus Pontifex), do Papa Nicolau V, Portugal e a Ordem de Cristo haviam recebido todas as terras conquistadas e a conquistar ao sul do cabo Bojador e da Gran Canária. Preservavam-se, desse modo, os interesses de ambas as Coroas, definindo-se, a partir de então, os dois ciclos da expansão: o chamado ciclo oriental, pelo qual a Coroa portuguesa garantia o seu progresso para o sul e o Oriente, contornando a costa africana (o chamado "périplo africano"); e o que se denominou posteriormente de ciclo ocidental, pelo qual Castela se aventurou no oceano Atlântico, para oeste. Como resultado deste esforço espanhol, Cristóvão Colombo alcançou terras americanas em 1492. Ciente da descoberta de Colombo, mediante as coordenadas geográficas fornecidas pelo navegador, os cosmógrafos portugueses argumentaram que a descoberta, efetivamente, se encontrava em terras portuguesas. Desse modo, a diplomacia castelhana apressou-se a obter junto ao Papa Alexandre VI, Aragonês de Velência então reunida com Castela, uma nova partição de terras. Assim, em 3 de maio de 1493, a Bula Inter Coetera estabelecia uma nova linha de marcação, um meridiano que separaria as terras de Portugal e de Castela. O meridiano passava a cem léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde. As novas terras descobertas, situadas a Oeste do meridiano a 100 léguas de Cabo Verde, pertenceriam a Castela. As terras a leste, pertenceriam a Portugal. A bula excluía todas as terras conhecidas já sob controle de um estado cristão. Os termos da bula não agradaram a João II de Portugal, que julgava ter direitos adquiridos que a Bula vinha a ferir. Além disso, os seus termos causavam confusão, pois um meridiano vinha a anular o que um paralelo tinha estabelecido. Complementarmente, a execução prática da Bula era impossibilitada por sua imprecisão e pela imperfeição dos meios científicos disponíveis à época para a fixação do meridiano escolhido. Assim sendo, D. João II abriu negociações diretas com os Reis Católicos, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, para mover a linha mais para oeste, argumentando que o meridiano em questão se estendia por todo o globo, limitando assim as pretensões castelhanas na Ásia. D. João II propôs por uma missão diplomática aos reis católicos, estabelecer um paralelo das Ilhas Canárias como substituto ao meridiano papal. Os castelhanos recusaram a proposta, mas se prestaram a discutir o caso.
  • Reuniram-se então, os diplomatas, em Tordesilhas. O seu único herdeiro, o príncipe Afonso de Portugal estava prometido desde a infância a Isabel de Aragão e Castela, ameaçando herdar os tronos de Castela e Aragão. Contudo o jovem príncipe morreu numa misteriosa queda em 1491 e durante o resto da sua vida D. João II tentou, sem sucesso, obter a legitimação do seu filho bastardo Jorge de Lancastre. Em 1494, na sequência da viagem de Cristóvão Colombo, que recusara, D. João II negociou o Tratado de Tordesilhas com os reis católicos. Morreu no ano seguinte sem herdeiros legítimos, tendo escolhido para sucessor o duque de Beja, seu primo direito e cunhado, que viria a ascender ao trono como D. Manuel I de Portugal OS TERMOS DO TRATADO O Tratado estabelecia a divisão das áreas de influência dos países ibéricos, cabendo a Portugal as terras "descobertas e por descobrir" situadas antes da linha imaginária que demarcava 370 léguas (1.770 km) a oeste das ilhas de Cabo Verde, e à Espanha as terras que ficassem além dessa linha . Como resultado das negociações, os termos do tratado foram ratificados por Castela a 2 de Julho e, por Portugal, a 5 de Setembro do mesmo ano. Contrariando a bula anterior de Alexandre VI, Inter Coetera (1493), que atribuía à Espanha a posse das terras localizadas a partir de uma linha demarcada a 100 léguas de Cabo Verde, o novo tratado foi aprovado pelo Papa Júlio II em 1506. Afirma Rodrigo Otávio em 1930 que o Tratado teria "um efeito antes moral do que prático". O meridiano foi fixado, mas persistiam as dificuldades de execução de sua demarcação. Os cosmógrafos divergiam sobre as dimensões da Terra, sobre o ponto de partida para a contagem das léguas e sobre a própria extensão das léguas, que diferia entre os reinos de Castela e de Portugal. Já se afirmou ainda que os castelhanos cederam porque esperavam, por meio de sua política de casamentos, estabelecer algum dia a união ibérica, incorporando Portugal. O que é mais provável é que os negociadores portugueses, na expressão de Frei Bartolomé de las Casas, tenham tido "mais perícia e mais experiência" do que os castelhanos. CONSEQUÊNCIAS DO TRATADO Em princípio, o tratado resolvia os conflitos que seguiram à descoberta do Novo Mundo por Cristóvão Colombo. Muito pouco se sabia das novas terras, que passaram a ser exploradas por Castela. De imediato, o tratado garantia a Portugal o domínio das águas do Atlântico Sul, essencial para a manobra náutica então conhecida como volta do mar, empregada para evitar as correntes marítimas que empurravam para o norte as embarcações que navegassem junto à costa sudoeste africana, e permitindo a ultrapassagem do cabo da Boa Esperança. Nos anos que se seguiram Portugal prosseguiu no seu projeto de alcançar a Índia, o que foi finalmente alcançado pela frota de Vasco da Gama, na sua primeira viagem de 1497-1499.
  • Com a expedição de Pedro Álvares Cabral à Índia, a costa do Brasil foi atingida (abril de 1500) pelos Portugueses, o que séculos mais tarde viria a abrir uma polêmica historiográfica acerca do "acaso" ou da "intencionalidade" da descoberta. Observe-se que uma das testemunhas que assinaram o Tratado de Tordesilhas, por Portugal, foi Duarte Pacheco Pereira, um dos nomes ligados a um suposto descobrimento a exploração americana (o ouro castelhano e o pau-brasil português), outras potências marítimas europeias (França, Inglaterra, Países Baixos) passaram a questionar a exclusividade da partilha do mundo entre as nações ibéricas. Esse questionamento foi muito apropriadamente expresso por Francisco I de França, que ironicamente pediu para ver a cláusula no testamento de Adão que legitimava essa divisão de terras. Por essa razão, desde cedo apareceram na costa do Brasil embarcações que promoviam o comércio clandestino, estabelecendo contato com os indígenas e aliando-se a eles contra os portugueses. Floresceram o corso, a pirataria e o contrabando, pois os armadores de Honfleur, Ruão e La Rochelle, em busca de pau-brasil fundavam feitorias e saqueavam naus. O mais célebre foi um armador de Dieppe, Jean Ango ou Angot. Posteriormente, durante a Dinastia Filipina (União Ibérica), os portugueses se expandiram de tal forma na América do Sul que, em 1680, visando o comércio com a bacia do rio da Prata e a região andina, fundaram um estabelecimento à margem esquerda do Prata, em frente a Buenos Aires: a Colônia do Sacramento. A fixação portuguesa em território oficialmente espanhol gerou um longo período de conflitos armados, conduzindo à negociação do Tratado de Madrid (1750). A União Ibérica não foi o motivo da expansão portuguesa ao interior do continente, mas ao Tratado de Saragoça que moveu a linha de Tordesilhas nos dois extremos. Com isto os irmãos Pero Lopes de Souza e Martim Afonso de Souza foram armados pelo rei de Portugal e enviados em uma expedição para demarcarem a nova fronteira conforme o novo Tratado. Em 12 de dezembro de 1531 Pero Lopes demarcou com duas pedras padrão gravado com a Ordem Militar de Cristo às margens do Rio Paraná diante de Ibicuí, nas proximidades de Ibicuí a 33°45'. Pero Lopes não chegou ao limite estabelecido por motivos de segurança, pois havia sinais de fumaça nas imediações do rio e todos à bordo temiam um ataque semelhante ao sofrido por Juan Dias de Solis que juntamente com sua tripulação foram dizimados pelos Charruas. A demarcação de Pero Lopes tornou o rio Paraná como a fronteira entre Espanha e Portugal. A "QUESTÃO DAS MOLUCAS" (1524-1529) Inicialmente o meridiano de Tordesilhas não contornava o globo terrestre. Assim, Espanha e Portugal podiam conquistar quaisquer novas terras que fossem os primeiros europeus a descobrir: Espanha para Oeste do meridiano de Tordesilhas e Portugal para Leste desta linha, mesmo encontrando-se no outro lado do globo. Mas a descoberta pelos portugueses em 1512 das valiosas "ilhas das Especiarias", as Molucas 10 11 desencadeou a contestação espanhola, argumentando que o Tratado de Tordesilhas dividia o mundo em dois hemisférios equivalentes.
  • um meridiano situado entre as ilhas de Cabo Verde e as recém-descobertas Caraíbas: cabiam a Portugal as terras "descobertas e por descobrir" situadas a leste deste meridiano, e à Espanha as terras que ficassem a oeste dessa linha. Pouco depois, em 1498, o navegador Vasco da Gama chegou à Índia, inaugurando a Rota do cabo. Em 1520, as ilhas Molucas, valorizadas como o "berço de todas as especiarias", foram visitadas por Fernão de Magalhães, navegador português ao serviço da Coroa Espanhola. Concluída essa que foi a primeira viagem de circum-navegação (1519-1521), uma nova disputa entre as nações ibéricas se estabeleceu, envolvendo a demarcação do meridiano pelo outro lado do planeta e a posse das ilhas Molucas (atual Indonésia). Alegando que se encontravam na sua zona de demarcação conforme o meridiano de Tordesilhas, os espanhóis ocuparam militarmente as ilhas, abrindo quase uma década de escaramuças pela sua posse com a Coroa Portuguesa . João III de Portugal e o imperador Carlos I de Espanha acordaram então não enviar mais ninguém buscar cravo ou outras especiarias às Molucas enquanto não se esclarecesse em que hemisfério elas se encontravam. Para a realização dos cálculos da posição, cada Coroa nomeou três astrónomos, três pilotos e três matemáticos, que se reuniram entre Badajoz e Elvas. Estes profissionais, entretanto, não chegaram a acordo, uma vez que, devido à insuficiência dos meios da época no tocante ao cálculo da longitude, cada grupo atribuía as ilhas aos respectivos soberanos. O Tratado de Tordesilhas serviu como base para as negociações da Junta de Badajoz- Elvas (1524), quando Portugal e Espanha negociaram sobre as Molucas e as Filipinas, originalmente situadas na órbita portuguesa, consideradas castelhanas, em troca das pretensões portuguesas sobre a bacia do rio da Prata, noBrasil . Para solucionar esta nova disputa, celebrou-se o Tratado de Saragoça a 22 de abril de 1529. Este definiu a continuação do meridiano de Tordesilhas no hemisfério oposto, a 297,5 léguas do leste das ilhas Molucas, cedidas pela Espanha mediante o pagamento, por Portugal, de 350.000 ducados de ouro. Ressalvava-se que em todo o seu tempo se o imperador ou sucessores quisessem restituir aquela avultada quantia, ficaria desfeita a venda e cada um "ficará com o direito e a ação que agora tem". Tal nunca sucedeu, entre outras razões, porque o imperador necessitava do dinheiro português para financiar a luta contra Francisco I de França e a Liga de Cognac, que o suportava. BIBLIOGRAFIA CARVALHO, Carlos Delgado de (1884-1989). História diplomática do Brasil (ed. fac- sim.). Brasília: Senado Federal, 1998. LIMA, Oliveira. Descobrimento do Brasil. in: Livro do Centenário (1500-1900) (v. III). Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1902. MAGNOLI, Demetrio. História da Paz. São Paulo: Editora Contexto, 2008. 448p. ISBN 85- 7244-396-7 SILVA, Luciano Pereira da. In: DIAS, Carlos Malheiros (coord.). História da Colonização Portuguesa do Brasil (v. I). Porto: Litografia Nacional, 1923.
  • HISTÓRIA PRÉ CABRALINA
  • PERÍODO PRÉ-CABRALINO RECENTE Enquanto a maior parte da pesquisa sobre o Brasil mais antigo analisava principalmente os vestígios materiais deixados por esses povos, o Brasil pré- cabralino recente costuma ser estudado através das línguas nativas. Com efeito, o estudo sobre as línguas nativas permite compreender inúmeros aspectos das culturas pré-cabralinas, além de seus parentescos históricos e de suas migrações. Quando os cronistas europeus descreveram os antigos povos brasileiros, utilizaram sobretudo denominações linguísticas e, graças ao trabalho missionário de alguns jesuítas, temos hoje conhecimento das antigas línguas brasílicas (que deram origem às línguas indígenas modernas). Resta-nos, contudo, a tarefa de associar os achados antigos aos povos recentes, que conhecemos principalmente a partir de grupos linguísticos. Um estudo desse tipo não foi realizado no Brasil ainda. Apenas um grupo pré-cabralino recente foi associado suficientemente aos achados antigos: os grupos da família linguística Tupi-Guarani. Estes, na época da chegada dos europeus, dominavam o atual litoral brasileiro, conhecido por "Pindorama". Outra fonte importante para a reconstrução da história recente dos povos pré- cabralinos é a mitologia indígena. Sabe-se hoje ser possível estabelecer relações entre os elementos dos mitos e acontecimentos que consideramos "históricos". As fontes mitológicas tem sido empregadas para estudar movimentos migratórios,as relações estabelecidas entre os povos brasileiros e, por exemplo, o Império Inca, etc. Quando os europeus passaram a ocupar a costa oriental da América do Sul, encontraram etnias vinculadas a quatro principais grupos linguísticos: os arauaque, os tupi-guaranis,os jê e os karib. Devemos tomar cuidado para não confundir grupo linguístico com grupos étnicos. Dentro de um mesmo grupo linguístico havia numerosas e diferentes unidades identitárias possuindo dialetos, práticas culturais e filosofias próprias. Nosso conhecimento dos povos indígenas por meio das crônicas europeias é limitado por diversas razões.
  • A primeira delas, é que a imagem europeia sobre os povos pré-cabralinos foi marcada por um processo de enquadramento da América em categorias europeias, de forma que as crônicas nos fornecem informações mais valiosas para o estudo dos próprios europeus modernos do que para o estudo dos nativos. A segunda delas, é que as crônicas foram escritas numa época de transformação, uma vez que a entrada dos europeus trouxe doenças e influências novas para o mundo indígena, modificando consideravelmente a antiga realidade em que viviam. Por fim, as crônicas acompanham o avanço da "fronteira" europeia na América, de forma que grande parte dos povos indígenas só chegaram a ser conhecidos pelos ocidentais no século XIX, após terem modificado muitos de seus costumes; é interessante notar que muitas tribos indígenas no Brasil continuam isoladas do mundo ocidental até hoje. Tupi Um dos grandes grupos linguísticos do Brasil, e que parece ter se expandido imensamente sobre o território brasileiro antes de 1500, é o grupo tupi. A principal família linguística dentro desse grupo maior é a tupi-guarani. Esses povos devem ter primeiramente habitado a região das cabeceiras dos rios Madeira,Tapajós e Xingu. A expansão tupi-guarani aconteceu há 3 mil e 2 mil anos, pouco depois de esse grupo ter se diferenciado de outros na região entre o Xingu e o Madeira, formando novos subgrupos linguísticos, como os cocamas, omáguas, guaiaquis e xirinós. Os povos de línguas cocama e omágua dirigiram-se ao rio amazonas, enquanto os guaiaquis chegaram ao Paraguai e os xirinós à Bolívia. Tapirapés e tenetearasdeslocaram-se em direção ao nordeste. Os povos de línguas pauserna, cajabi e camaiurá deslocaram-se até a região extremo sul do Brasil. Os povos de língua oiampi chegaram até a região das Guianas. A última fase de dispersão dos povos tupi-guaranis ocorreu por volta do ano 1000. Os falantes de línguas associadas à família tupi-guarani estariam já instalados no sul do Brasil (guaranis etc.), na bacia amazônica e também no litoral do Brasil (potiguares, tupinambás, tupiniquins). Os dados linguísticos nos permitem avaliar essas sociedades como expansivas e em constante movimento. Graças a uma impressionante rede de caminhos fluviais, os povos desse grupo linguístico puderam se difundir e, ao mesmo tempo, manter contato uns com os outros.
  • O uso de canoas (ygara em tupi antigo) para navegar rios permitia o enviamento de missões militares e diplomáticas de uma região para outra. Muitos artefatos arqueológicos do período cerâmico são filiados a esses antigos povos de matriz linguística tupi-guarani. Os sítios arqueológicos associados a essas populações constituíam-se em aldeias extensas, normalmente localizadas em regiões de planalto ou em terraços. Nesses sítios arqueológicos, de largura média entre 2 000 e 10 000 metros quadrados, a cerâmica antiga é abundante. As unidades habitacionais são cabanas, que podiam alcançar até 60 metros quadrados de diâmetro. Dentro dessas cabanas, foram localizados fogueiras e fornos para cozimento. As áreas dos sítios são definidas em espaço cerimonial, público e residencial. O espaço dos vivos é separado daquele dos mortos (muitos cemitérios antigos foram localizados). A arqueologia identificou sepultamentos em urnas e outros em terra. Artefatos líticos são encontrados junto dos sepultamentos, provavelmente objetos de uso pessoal. A cerâmica gupi-guarani (particularmente abundante no Paraná) é caracterizada pelos desenhos policrômicos de traços lineares. A cronologia para a história dos povos tupis-guaranis se baseia em teorias arqueológicas, na glotocronologia e na datação de cerâmicas identificadas aos tupis-guaranis. Como vimos pela história dos tupis-guaranis a partir de suas línguas, o movimento de expansão ocorreu entre 3 mil e 2 mil anos atrás a partir da região amazônica; a maior parte dos artefatos arqueológicos desses povos são datados entre o ano 500 e o ano 1500. A época da expansão para o litoral é constatada pela maior concentração de artefatos nessa região entre os séculos XI e XIII. Macro-Jê As línguas associadas à matriz linguística Macro-Jê devem ter sofrido diferenciação por volta de 6 mil anos atrás. Sua expansão inicia-se há 3 mil anos, pelaRegião Centro-Oeste do Brasil. O grupo Jê propriamente dito é possivelmente originário das regiões das nascentes dos rios São Francisco e Araguaia.
  • Grande parte dos povos de língua Jê se afastaram dos Kaingang e Xokleng, seguindo para o sul da região central brasileira. Alguns grupos devem ter se separado destes últimos e seguido até a região amazônica há pelo menos mil anos. Os povos Jês preferiam se instalar em regiões de Planalto (como a original região do Planalto brasileiro), como nos permite constatar o estudo de suas línguas Entre as línguas do tronco Macro-Jê encontram- se: Kayapós, Xerentes, Timbiras, etc. Caraíbas Os povos de língua caraíbas também passaram por um processo de expansão há 3 mil anos, aproximadamente. Essa família linguística é talvez originária da atual região das guianas e do extremo norte do Brasil. Os Yukpa e os Karijona, ramificações dessa família linguística, teriam se diferenciado e migrado para a Colômbia, enquanto os Bakairi teriam seguido para o centro do Brasil. O empréstimo de termos Tupi nas línguas Karib (e vice-versa) aponta para a existência de redes complexas de comércio e tráfico de pessoas entre tais povos. Aruaque e outros As línguas de matriz aruaque concentram-se hoje na região sudoeste da Bacia amazônica. A principal família linguística associada a esse grupo é a Maipure, dividida em quatro subgrupos regionais. Existe grande polêmica em relação às origens, às migrações e aos descendentes desses povos, além de suas relações com outros grupos linguísticos do Brasil Antigo. Outros grupos linguísticos menores, sem parentescos com os outros maiores, existem no Brasil: Mura, Chapkura,Pano, Yanomani, etc.
  • Pindorama Distribuição dos grupos de língua tupi e não tupi (tapuia) na costa dePindorama, no século XVI. Na véspera da chegada dos europeus à América em 1500, calcula-se que o atual território doBrasil (a costa oriental da América do Sul) fosse habitado por dois milhões de indígenas, do norte ao sul. Segundo Luís da Câmara Cascudo, os tupis foram o primeiro agrupamento "indígena que teve contacto com o colonizador". A influência tupi se deu na alimentação, no idioma, nos processos agrícolas, de caça e pesca, nas superstições, costumes, folclore, etc. Os povos do grupo Tupi-Guarani habitavam a região chamada por eles de "Pindorama" (terra das palmeiras), atual região oriental da América do Sul, que habitava o imaginário Tupi-Guaranicomo terra mítica, uma terra livre dos males. Os arqueólogos acreditam que o mito acerca de "Pindorama" tenha se formado na época das antigas migrações, quando os Tupi-Guaranis se dirigiram para o litoral brasileiro.
  • Sabemos os nomes de alguns dos principais grupos que habitavam Pindorama na véspera da chegada europeia (entre eles alguns de origens não-tupi): os potiguaras, os tremembés, ostabajaras, os caetés, os tupiniquins, os tupinambás, os aimorés, os goitacás, os tamoios, oscarijós e os temiminós. Os potiguaras habitavam a região entre o Rio Acaraú e o Rio Paraíba e controlavam a navegação fluvial. Durante a conquista, aliaram-se aos franceses, sendo que alguns relatos falam de casamentos entre potiguaras e franceses, envolvendo acordos bélicos anti- portugueses. Os Tabajaras habitavam a margem meridional do rio Paraíba, na região atual do litoral pernambucano. Foram importantes aliados dos portugueses durante a conquista. Os Caetés habitavam a região de Pernambuco desde Olinda, "a Marim dos Caetés", até onde encontra-se hoje o estado de Alagoas, desmembrado de Pernambuco. Tornaram-se célebres na História do Brasil por terem devorado o Bispo Sardinha. Os Tremembés habitavam a margem ocidental do rio Acaraú. Os tamoios habitavam a Baía da Guanabara; seus líderes, Cunhambebe e Aimberê, aliaram-se com os franceses no combate aos portugueses. Os carijós habitavam o litoral sul do país. Os tupiniquins habitavam a atual região do Estado de São Paulo, e os Tupinambá a região sudeste doBrasil. Nosso conhecimento do tupi antigo é principalmente baseado na língua dos Tupinambás (embora esses não constituíssem os "principais tupis", como alguns autores apontam). Os povos tupis viviam em aldeias que reuniam de 600 a 700 habitantes. Algumas aldeias eram fortificadas em razão das guerras inter-tribais. Nenhuma autoridade aparecia com força absoluta ou consideravelmente forte sobre os outros integrantes da sociedade, embora houvesse "hierarquias" em função do gênero, do mérito guerreiro e dos poderes xamânicos. Os Pajés (Payes em tupi antigo, intermediários entre o mundo religioso e o mundo dos homens) e os Caciques (morubixaba em tupi antigo, chefes guerreiros) ocupavam, em geral, o papel de autoridades das tribos. A subsistência baseava-se na caça e na horticultura.
  • Os homens acreditavam nos bons e nos maus espíritos (tupã, anhang, etc.), que influenciavam os acontecimentos no cosmos. Cada homem trazia um maracá, no qual acreditavam habitar um espírito protetor de cada indivíduo. Acredita-se que apenas os filhos dos homens mais importantes da tribo fossem enterrados nas urnas funerárias. Os acontecimentos religiosos tinham alcance amplo, e reuniam diferentes etnias. Os antigos indígenas foram responsáveis por inúmeras manifestações artísticas, como peças de cerâmica, danças, canções/poesia (registradas por Léry) e, a que mais impressionou os ocidentais, a plumária extremamente sofisticada e rica. A Literatura Tupi aparece com a chegada da escrita europeia, quando missionários passam a escrever em tupi para converter os nativos, e as crônicas transcrevem canções indígenas. Toponímias A permanência de nomes tupis (tupi antigo, nhe'enga tupi ou língua geral) para nomear diversas regiões do Brasil atual é um indicador da influência da língua indígena na cultura brasileira. Os historiadores de Brasil Colonial concordam que até o século XVIII o tupi era provavelmente a língua mais falada em algumas regiões da América Portuguesa. Nomes de regiões, rios e cidades brasileiras têm suas raízes no período de Pindorama, e no período colonial. Alguns exemplos: Guaratinquetá = gûyrá-tinga-etá = Muitas Garças Jacareí = îakaré 'y = Rio dos Jacarés Piraguá = Pira Kûá = Baía dos Peixes Araraquara = Arara Kûara = Toca das Araras O Brasil Pré-Cabralino e a Europa Do lado europeu, a descoberta do Brasil foi precedida por vários tratados entre Portugal e Espanha, estabelecendo limites e dividindo o mundo já descoberto do mundo ainda por descobrir. Destes acordos assinados à distância da terra atribuída, o Tratado de Tordesilhas (1494) é o mais importante, por definir as porções do globo que caberiam a Portugal no período em que o Brasil foi colônia portuguesa.
  • 4 BRASIL - BRAZIL
  • BRASIL Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. O território que atualmente forma o Brasil foi encontrado pelos europeus em 1500, durante uma expedição portuguesa liderada por Pedro Álvares Cabral. A região, que até então era habitada por indígenas ameríndios divididos entre milhares de grupos étnicos e linguísticos diferentes, torna-se uma colônia do Império Português. O vínculo colonial foi rompido, de fato, quando em 1808 a capital do reino foi transferida de Lisboa para a cidade do Rio de Janeiro, depois de tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparte invadirem o território português. Em 1815, o Brasil se torna parte de um reino unido com Portugal. Dom Pedro I, o primeiro imperador, proclamou a independência política do país em 1822. Inicialmente independente como um império, período no qual foi uma monarquia constitucional parlamentarista, o Brasil tornou-se uma república em 1889, em razão de um golpe militar chefiado pelo marechal Deodoro da Fonseca (o primeiro presidente), embora uma legislatura bicameral, agora chamada de Congresso Nacional, já existisse desde a ratificação da primeira Constituição, em 1824. Desde o início do período republicano, a governança democrática foi interrompida por longos períodos de regimes autoritários, até um governo civil e eleito democraticamente assumir o poder em 1985, com o fim do último regime militar. ETIMOLOGIA As raízes etimológicas do termo "Brasil" são de difícil reconstrução. O nome "Brasil" é derivado de "pau-brasil", designação dada a um tipo de madeira empregada na tinturaria de tecidos. Na época dos descobrimentos, era comum aos exploradores guardar cuidadosamente o segredo de tudo quanto achavam ou conquistavam, a fim de explorá-lo vantajosamente, mas não tardou em se espalhar na Europa que haviam descoberto certa "ilha Brasil" no meio do oceano Atlântico, de onde extraíam o pau-brasil (madeira cor de brasa). Antes de ficar com a designação atual, ―Brasil‖, a nova terra descoberta foram designadas de: Monte Pascoal (quando os portugueses avistaram terras pela primeira vez), Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz, Nova Lusitânia, Cabrália, Império do Brasil e Estados Unidos do Brasil. Os habitantes naturais do Brasil são denominados brasileiros, cujo gentílico é registrado em português a partir de 17 DE JUNHO DE 1822 que se referia inicialmente apenas aos que comercializavam pau-brasil.
  • 5 A CAPITANIA DE SÃO PAULO O PARANA ANTES DA HISTÓRIA
  • A CAPITANIA REAL DE SÃO PAULO Bandeira do senado da câmara de São Paulo, no período colonial, real e imperial. É uma bandeira de seda azul com as armas reais no centro, bordadas a seda amarela e branca e ricamente ornamentada em estilo barroco. Tem franjas e cadarços amarelos. Essa é uma bandeira que como outras de sua época, eram bandeiras do Senado da Câmara, um equivalente à Câmara de Vereadores, ao qual era instalada juntamente com a criação de vilas e cidades, seguindo as orientações contidas nas Ordenações Manuelinas e Filipinas, era um órgão consultivo, legislativo e judiciário. Atuava como representantes dos interesses da população, de sua composição faziam parte os ―homens de bem‖, isto é, pertencentes à nobreza, ao clero e à milícia, sendo chamados de oficiais devido ao fato de cada membro possuir um encargo. A Capitania Real de São Paulo passou a ter esse nome em 2 de dezembro de 1720, quando dom João V de Portugal criou a Capitania de Minas Gerais, a partir da cisão da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, que fora criada em 1709, com a compra, pela coroa portuguesa, da Capitania de São Vicente, adquirida ao Marquês de Cascais.
  • O território das Minas Gerais, (excetuados o Triângulo Mineiro e a Mesorregião do Sul e Sudoeste de Minas), passou a formar, então, a nova Capitania Real de Minas Gerais. A divisa de Minas Gerais com São Paulo, em 1720, ficou sendo rio Sapucaí, o rio Grande e deste subindo a Serra da Canastra até o rio Paranaíba. O primeiro governador da nova Capitania de São Paulo foi Rodrigo César de Meneses que a instalou e a organizou. Permaneceram, após 1720, como parte da Capitania de São Paulo, os territórios correspondentes aos atuais estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Goiás, Tocantins, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e ao atual Distrito Federal, além dos atuais Sul e Sudoeste de Minas Gerais e do Triângulo Mineiro. Em 1721 foi anexado à capitania o termo da vila de Parati. Em relação ao território do atual estado de São Paulo, uma parte do atual litoral sul paulista continuou, após 1720, oficialmente como território da Capitania de Itanhaém (na prática, contudo, estava sob a jurisdição do governo de São Paulo), a qual, em 1753, durante o reinado de dom José I de Portugal foi comprada, pela coroa portuguesa, do seu último donatário, o Conde da Ilha do Príncipe. Em 1727, Parati foi incorporada à capitania do Rio de Janeiro. A parte mais meridional da capitania de São Paulo foi desmembrada, entre 1738 e 1742, para se criar a capitania de Santa Catarina e a Comandância Militar do Rio Grande de São Pedro, que daria origem, posteriormente, à capitania de São Pedro do Rio Grande. Porém, parte do atual estado de Santa Catarina continuou pertencendo a São Paulo, até 1820, quando dom João VI de Portugal, por alvará de 9 de
  • setembro, transfere o termo da vila de Lages, criada em 1766, para a capitania de Santa Catarina. Em 9 de maio de 1748, foram criadas a capitania de Goiás, à qual o atual Triângulo Mineiro ficou pertencendo, e a capitania de Mato Grosso, desmembradas da capitania de São Paulo. Neste mesmo ano de 1748, por decisão da metrópole, a capitania de São Paulo passa a ficar subordinada à capitania do Rio de Janeiro. O governador da capitania de Minas Gerais, Luís Diogo Lobo da Silva, em 24 de setembro de 1764, anexa a margem esquerda do Rio Sapucaí, estendendo os limites de Minas Gerais, aproximadamente, até a divisa atual com São Paulo. Em 1765 a capitania de São Paulo recuperou sua autonomia. Luís António de Sousa Botelho Mourão, o terceiro Morgado de Mateus, reinstalou o governo da capitania e criou várias vilas. Em 28 de fevereiro de 1821, as capitanias se tornaram províncias. A província de São Paulo foi desmembrada, em 29 de agosto de 1853, pela lei 704, que elevava a comarca de Curitiba à categoria de província, com o nome de província do Paraná. Foi a última vez em que o território paulista foi desmembrado. Com a proclamação da república, a província passa a se chamar estado de São Paulo. Somente na década de 1920 e na década de 1930, foram finalmente estabelecidas, em definitivo, por tratados, as divisas de São Paulo, com o Paraná, Rio de Janeiro e com Minas Gerais, nos governos de Washington Luís, Carlos de Campos e Armando de Sales Oliveira.
  • 6 ESTADO DO PARANA DA PROVINCIA A REPUBLICA
  • HISTÓRIA PRIMEIROS TEMPOS Capitanias hereditárias (Luís Teixeira. Roteiro de todos os sinais..., c. 1586. Lisboa, Biblioteca da Ajuda Antes da metade do século XVII, os colonizadores que exploravam a costa meridional da Capitania hereditária de São Vicente vieram da Europa, mais precisamente de Portugal, que há um século descobriu o Brasil. O litoral sul da Capitania de São Vicente é hoje a Microrregião de Paranaguá. O interesse dos portugueses nas terras litorâneas paranaenses era buscar madeiras de lei. No tempo em que Portugal pertencia à Espanha, que era o país colonizador da maior parte do território paranaense, estimulou-se o contato entre os espanhóis e os vicentinos com a bacia hidrográfica do rio da Prata. Foi garantida a frequência do percurso do litoral sul que durou pouco e que recomeçou com intervalos. Por esse motivo, os portugueses estariam procurando indígenas para escravizar e minérios para produzir riquezas.
  • Entrando pelo litoral, os paulistas foram em direção ao oeste, com o objetivo de procurar índios, na mesma época em que a principal atividade econômica de Curitiba e Paranaguá foi a mineração. As lendas a respeito das vastas minas de ouro e prata iludiram os inúmeros aventureiros quando eles vieram para a região de Paranaguá. No ano de 1613, o próprio Salvador Correia de Sá, o Velho assumiu o cargo de superintendente das minas do sul do Brasil. Ficou dentro de três meses consecutivos na região. Naquela época, trabalhou com cinco especialistas que foram contratados diretamente de Portugal. O nobre português esteve à procura de uma onça de ouro mas as tentativas foram infrutíferas e não deram certo. O visconde de Barbacena enviou para as minas do sul do Brasil, o espanhol Rodrigo de Castelo Branco, que tinha profundos conhecimentos sobre as minas do Peru. Em 1680, uma carta foi escrita à bico de pena por Rodrigo de Castelo Branco ao monarca lusitano, demonstrando-o igualmente mais desiludido a respeito da lenda das minas de prata. Quando estava quase acabando o século XVII, os sonhos de grandes riquezas de minério foram deixados para trás, continuou o trabalho de extrair o ouro de aluvião, dito "de lavagem", por meio do qual os poucos habitantes do litoral paranaense procuravam recursos para a compra de produtos de outros lugares. Os índios que sobreviviam à matança eram aprisionados, e colocados para trabalhar na lavoura, na extração da madeira e outros serviços.
  • No século XVIII, começaram-se a serem utilizados os escravos africanos e de acordo com o censo de 1798 o número de escravos africanos era relativamente maior que o dos índios. A criação da vila de Paranaguá foi elevada à categoria de vila por meio de uma carta régia datada de 29 de julho de 1648. Foram formados com a vila de Paranaguá, os chamados campos de Curitiba, cuja altitude gira em torno de mil metros, apenas uma comunidade. A economia de Paranaguá era baseada na agricultura e a pecuária nos campos. Curitiba foi elevada à categoria de vila em 1693. Aos poucos, Curitiba passou ser o centro urbano mais importante do Paraná, e para conseguir chegar a esta meta, foi preciso estabelecer a grande estrada do gado, ligando do Rio Grande do Sul até Sorocaba. PROVÍNCIA DO PARANÁ A comarca de Paranaguá e Curitiba foi criada por força do alvará de 19 de fevereiro de 1811, passando a fazer parte da capitania de São Paulo. O príncipe Dom João, cinco anos antes de ser coroado rei de Portugal, atendeu a pedido da Câmara Municipal de Paranaguá para que a comarca de Paranaguá e Curitiba fosse desmembrada e que fosse criada a Capitania do Paraná.
  • Dez anos depois, a disputa separatista foi formulada em aberto pela Conjura Separatista, cujo líder foi Floriano Bento Viana, porém, infelizmente não conseguiu sair vitorioso. Os então chamados "parnanguaras", submetidos aos comandantes da tropa local, continuaram mesmo após a independência do Brasil, embora a atividade política era expressa em diligências e petições que observavam a emancipação político-administrativa, uma vez que aquelas terras eram distantes e perderam o interesse do governo provincial de São Paulo. A Revolução Farroupilha (1835-1845) e a Revolução Liberal de 1842 foram os acontecimentos que repercutiram no plano nacional e com os quais se evidenciava e contribuía para a importância política e estratégica da região. O projeto de lei transformava a comarca de Curityba na província mais nova do Império do Brasil em maio de 1843. Os deputados imperiais de Minas Gerais e São Paulo foram destaque na elaboração da legislação. De acordo com os deputados paulistas, a punição da Província de São Paulo é o motivo verdadeiro da criação da nova província, por desmembramento da Província de São Paulo, propriamente dita. A exportação de erva-mate para os mercados uruguaio, argentino, paraguaio e chileno favoreceu o incremento à economia do Paraná, cuja atividade principal era o comércio de gado. Enquanto continuavam as representações e a luta no Parlamento, os deputados prometiam a emancipação da futura província. O projeto de criação da Província do Paraná, que teria como capital provisória (que depois seria confirmada) o município de Curitiba, foi definitivamente assinada pelo imperador em 29 de agosto de 1853.
  • O primeiro presidente da província, Zacarias de Góis e Vasconcelos chegou à capital a 19 de dezembro e o alcance de recursos para as ações que se faziam necessários e a tomada de medidas destinadas a impulsionar a economia local foram as metas empenhadas pelo governante. Parte da mão-de-obra e dos capitais que se empregavam no preparo e comércio da erva-mate, foi procurado pelo presidente a fim de encaminhar para outras atividades, principalmente de lavoura. Mas a invernada e a venda de muares para São Paulo continuava a ser o negócio mais lucrativo da província. Na década de 1860, essa atividade chegou ao ponto mais alto e no final do século passou a entrar em declínio. A necessária continuidade administrativa não foi alcançada pelo governo do Paraná, durante o período provincial, já que o número de presidentes da província do Paraná, que o poder imperial tinha plena liberdade de nomeá-los, era de 55 governantes ao longo de uma história de 36 anos. Sob a liderança de Jesuíno Marcondes e seu cunhado Manuel Alves de Araújo, que eram membros das famílias dos barões de Tibagi e Campos Gerais, os liberais paranaenses se organizaram. Naquela época, ambas as famílias formavam a oligarquia mais poderosa na região. Manuel Antônio Guimarães e Manuel Francisco Correia Júnior, de famílias que controlavam o comércio do litoral, chefiavam os conservadores. REPÚBLICA As eventuais manifestações, e sem organicidade, de simpatia pela república, aconteceram a partir do manifesto de 1870.
  • O movimento não chegou se aprofundar, mesmo após a fundação dos jornais Livre Paraná, em Paranaguá, e A República, em Curitiba, e a criação de clubes republicanos em ambos os municípios. Na campanha republicana se destacaram alguns paranaenses, mas fora da província. Vicente Machado da Silva Lima foi figura na projeção nos primeiros anos do novo regime e o único representante dos republicanos no Assembleia Provincial, tendo sido eleito pelo Partido Liberal. Panteon dos Heroes, onde jazem os corpos dos legalistas que combateram no Cerco da Lapa. As várias crises políticas que marcaram os primeiros anos da república foram sofridas pelo estado e sua primeira constituição estadual, que vigorou até a vitória do movimento revolucionário de 1930, só foi promulgada em abril de 1892. No Paraná ocorreram violentos combates, durante a Revolução Federalista, já que as tropas federalistas e legalistas se encontraram em seu território.
  • O acerto de contas foi feito, depois que o estado foi abandonado pelos federalistas. A repressão foi desencadeada contra os "maragatos" e o poder assumido pelos "pica-paus". Até 1930, tal divisão continuou apesar de eventuais conciliações. Os mesmos limites da antiga comarca deveriam ser as verdadeiras divisas geopolíticas da província do Paraná, em consequência do que uma complicada questão de fronteiras com Santa Catarina se prolongou até a segunda década do século XX. Esse litígio territorial surgiu a partir da descoberta e ocupação dos campos de Palmas. O "sertão" que correspondia à costa, era considerado por Santa Catarina com base na carta régia de 1749, enquanto o princípio de uti possidetis era apoiado pelo Paraná. A competência de distribuir terras num mesmo território era exercida pelos dois estados. O ganho de causa foi obtido três vezes no Supremo Tribunal Federal por Santa Catarina, mas decisões foram embargadas pelo Paraná. A Guerra do Contestado iria se travar nessa área litigiosa. Foi feita a partilha da região em litígio, com a questão finalmente encerrada, por decisão arbitral do presidente da república, em 1916.
  • A HISTÓRIA DA POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ NA HISTÓRIA DO ESTADO DO PARANA
  • A Polícia Militar do Paraná foi criada como uma unidade de caçadores (um tipo de infantaria leve), pela Lei nº 7, de 10 de agosto de 1854, com a denominação de Companhia de Força Policial.
  • A HISTÓRIA DA POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ SEUS SIMBOLOS
  • DENOMINAÇÕES HISTÓRICAS 1854 - COMPANHIA DE FORÇA POLICIAL DA PROVÍNCIA DO PARANÁ 1874 - CORPO POLICIAL DA PROVÍNCIA DO PARANÁ 1891 - CORPO MILITAR DE POLÍCIA DO ESTADO DO PARANÁ 1892 - REGIMENTO DE SEGURANÇA DO ESTADO DO PARANÁ 1917 - FORÇA MILITAR DO ESTADO DO PARANÁ A FORÇA MILITAR FOI CONSTITUÍDA PELA UNIÃO DO REGIMENTO DE SEGURANÇA COM O CORPO DE BOMBEIROS, O QUAL PASSOU A DESIGNAR-SE COMO COMPANHIA DE BOMBEIROS PONTONEIROS DA FORÇA MILITAR. PELA LEI Nº 2.547, DE 30 DE MARÇO DE1928, O CORPO DE BOMBEIROS READQUIRIU SUA AUTONOMIA E DENOMINAÇÃO. 1932 - FORÇA PÚBLICA DO ESTADO DO PARANÁ A FORÇA PÚBLICA FOI TAMBÉM CONSTITUÍDA PELA UNIÃO, COM COMANDOS AUTÔNOMOS, DA FORÇA MILITAR (QUE ENTÃO PASSOU A DENOMINAR-SE COMO POLÍCIA MILITAR) COM O CORPO DE BOMBEIROS. PELO DECRETO Nº 86, DE 18 DE JANEIRO DE 1934, A UNIÃO FOI DESFEITA E O CORPO DE BOMBEIROS READQUIRIU SUA AUTONOMIA E DENOMINAÇÃO. 1939 - FORÇA POLICIAL DO ESTADO DO PARANÁ 1946 - POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO PARANÁ
  • A BANDEIRA DA POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ (PMPR) É O ESTANDARTE QUE OFICIALMENTE REPRESENTA A CORPORAÇÃO NAS SOLENIDADES OFICIAIS E OUTRAS MISSÕES DESEMPENHADAS. DESCRITIVO A bandeira é em formato retangular, na proporção de quatorze módulos de largura por vinte de comprimento. Campo todo talhado de blau, com o Brasão Institucional em cores ao centro, contornado por ramos dourados cruzantes em ponta e, inferiormente, listel de ouro com a data 10 de agosto de 1854 em sable. O uso da bandeira observa o seguinte: I - hasteamento em mastro em todas as unidades, nas datas festivas de 17 de maio (data alusiva ao Patrono da Polícia Militar do Paraná) e 10 de agosto (aniversário de criação da PMPR); II - guardada no gabinete do comandante, chefe ou diretor, em local apropriado, juntamente com outras Bandeiras e estandartes; III - conduzida por tropa a pé, a cavalo ou em viatura, por ocasião de solenidades e demais atos oficiais. A Bandeira da PMPR, quando hasteada juntamente com a Bandeira Nacional ou com ela conduzida, ocupará a posição à esquerda desta. Na panóplia, ela é fixada à esquerda da Bandeira Nacional, a qual terá à direita a Bandeira do Estado do Paraná. Bandeira da Polícia Militar do Paraná Portaria do Comando Geral n° 704, de 28 de maio de 2008
  • O BRASÃO DA POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ É O SÍMBOLO OFICIAL REPRESENTATIVO DA CORPORAÇÃO. Ele é usado sobreposto aos documentos, fardamentos, viaturas, embarcações, aeronaves e aquartelamentos; objetivando identificar seus portadores como legítimos representantes do Estado. O seu uso é amparado por legislação específica e seu emprego indevido pode constituir-se em crime previsto no Código Penal Brasileiro (falsidade ideológica) e do Código Penal Militar (Artigo 172). O primeiro brasão adotado para a PMPR, então com a denominação de Regimento de Segurança, foi regulamentado em 1913. Esse brasão era a representação do Brasão de Armas do Estado do Paraná, com o acréscimo de troféus em panóplia, simbolizando os feitos militares da Corporação (Guerra do Paraguai e Revolução Federalista). Em 1922, por ocasião das comemorações do Centenário da Independência do Brasil, os símbolos estaduais passaram a ser substituídos pelos símbolos nacionais. No Paraná a Bandeira e o Brasão do Estado foram abolidos5 e a PMPR passou a usar o Brasão de Armas do Brasil.6 1969 O atual brasão foi criado em 23 de junho de 1969 e inicialmente era de uso exclusivo, e obrigatório, para os oficiais. Em junho de 1975 ele foi autorizado para os uniformes dos praças, em lugar dos brasões de unidades que então ficaram de uso proibido na corporação. Descritivo: Em forma de escudo com ângulo lateral que representa o fruto do pinheiro (pinhão), sobre fundo amarelo ouro, tendo na sua parte superior como timbre o Falcão Nhapecani, desenhado em dourado, com as asas semi-abertas.
  • No contorno interior do escudo, as legendas em letras na cor verde, PARANÁ e POLÍCIA MILITAR. Na parte central do escudo, a paisagem típica do Estado contendo no canto esquerdo, o símbolo dos três planaltos em cor azul. No canto direito, um pinheiro na cor verde que é o símbolo das araucárias, ao lado do sol amarelo vivo, símbolo das Américas. No campo inferior, em tons verdes claros e escuros, a representação das riquezas vegetais do Estado do Paraná. 2001 Com o Regulamento de Uniformes da Polícia Militar (RUPM) de 2001, o desenho do brasão foi remodelado e acrescentado um esplendor com vinte e nove lâminas em dourado, envolvendo todo o escudo. Referências Decreto nº 3.658, de 2 de março de 2001. Decreto n° 15.719, de 23 de junho de 1969.. Código Penal Militar - Dos Crimes Contra a Autoridade ou Disciplina Militar Decreto n° 346, de 7 de maio de 1913. Lei Estadual n° 2.182, de 15 de março de 1923. Decreto Estadual n° 449, de 26 de abril de 1923. Boletim do Comando Geral n° 142, de junho de 1969. Boletim do Comando Geral n° 096, de 14 de junho de 1975. Decreto n° 3.568, de 2 de março de 2001.
  • UNIFORMES Historicamente as forças armadas brasileiras herdaram as tradições militares portuguesas. Da criação, em 1854, até os primeiros anos da República, a PMPR usou a cor azul ferrete em seus uniformes (coloração dos fardamentos portugueses inserida pelo Conde de Lippe, em 1764.). Em 1912 foi adotada a cor cáqui; a qual por tradição identifica o policial militar no Paraná, e permanece em uso até os dias atuais. Os bombeiros sempre usaram os mesmos uniformes da PMPR; acrescentando-se seus respectivos distintivos. Atualmente o Regulamento de Uniformes da Polícia Militar (RUPM) está oficializado pelo Decreto 3.568, de 02 de Março de 2001. Histórico dos uniformes cerimoniais Usados em grandes solenidades, correspondendo às vestimentas formais civis. 21 Histórico dos uniformes de serviço Usados em instrução, serviço e campanha.
  • HISTÓRICO DAS INSTALAÇÕES E QUARTÉIS DA POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ. 1854 Ao ser organizada a Companhia de Força Policial foi sancionada a Lei 36, de 7 de abril de 1855, prevendo um crédito especial para a construção do aquartelamento. Entretanto, devido a falta de verbas a corporação acabou alojada em uma casa simples, pertencente ao cidadão Mariano Torres de Almeida. Essa instalação estava localizada no Largo da Ponte do Rio Ivo (Praça Zacarias), e posteriormente foi adquirida pelo Governo Provincial para servir como sede do Mercado Municipal de Curitiba. 1860 Em 12 de agosto de 1860 a corporação foi transferida para um sobrado colonial na Rua do Comércio (Avenida Marechal Deodoro da Fonseca), esquina com a Rua Ipiranga (Avenida Marechal Floriano Peixoto). Esse sobrado deveria servir provisoriamente, mas acabou permanecendo em uso por vinte e quatro anos, devido à progressiva redução do efetivo ocasionada pela Guerra do Paraguai. Em 23 de maio de 1880, nele foi recepcionado o Imperador D. Pedro II e a Imperatriz Teresa Cristina, por ocasião de suas visitas à Província do Paraná. 1881 Em 2 de julho de 1881 o Corpo Policial foi transferido para a Rua do Mato Grosso (Rua Comendador Araújo), propriedade locada pelo Sr. Gabriel Chorrial. 1882 Em 11 de abril de 1882 a corporação foi instalada na Rua Aquidaban (Rua Emiliano Perneta). 1883 Em 31 de julho de 1883 o aquartelamento foi transferido para a Rua Direita (Rua 13 de Maio), devido o prédio anterior não apresentar boas condições de segurança. 1885 Em 18 de novembro de 1885 o Corpo Policial mudou-se para o Palacete Wolf, na Rua do Liceu (Rua Dr. Murici),Centro Histórico de Curitiba.
  • Posteriormente, em 1894, esse imóvel serviu de Quartel General do 5º Distrito do Exército na Revolução Federalista. 1891 Com a Proclamação da República, o aquartelamento do Corpo Militar de Polícia foi transferido para o antigo prédio da Assembleia Provincial, na esquina das ruas Dr. Murici com Cândido Lopes, que posteriormente foi também sede do Museu Paranaense e quartel do Corpo de Bombeiros. As construções não mais existem e atualmente nesse local está instalada a Biblioteca Pública do Paraná. Durante a Revolução Federalista todo o efetivo foi mobilizado para a Lapa (exceto um pequeno destacamento de segurança do Presidente da Província, Vicente Machado) e o quartel ficou desguarnecido. E com a ocupação de Curitiba pelos maragatos, as instalações foram invadidas e depredadas; sendo inclusive destruídos os arquivos históricos do período do Império, pertencentes à corporação. 1896 O aquartelamento atual na Avenida Marechal Floriano com a Avenida Getúlio Vargas (então Avenida Bandeirantes) foi adquirido em 1 de fevereiro de 1896, pelo Presidente da Província Francisco Xavier da Silva, em recompensa à ativa participação da corporação na Revolução Federalista. E devido o prestígio adquirido com o engajamento político-militar na Revolução de 1930 e a Contrarrevolução de 1932, o quartel foi ampliado e sua fachada remodelada; adquirindo em 1938 sua atual aparência graças ao empenho do Coronel Pedro Scherer Sobrinho.
  • AS CONDECORAÇÕES DA POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ SÃO HONRARIAS CONFERIDAS COMO RECOMPENSA E ESTÍMULO AO MÉRITO PESSOAL. A concessão dessas condecorações se faz por ato do Poder Executivo, mediante proposta de indicação dos Diretores e Comandantes de Unidade ao Chefe do Estado-Maior; sendo então encaminhadas à Comissão de Concessão de Medalhas e Diplomas da Diretoria de Pessoal. COMISSÃO DE CONCESSÃO DE MEDALHAS E DIPLOMAS A Comissão de Concessão de Medalhas e Diplomas (CCMD) foi ativada pela Lei de Organização Básica (LOB) em 1976. Essa Comissão é constituída por cinco coronéis; sendo o mais antigo nomeado como Presidente da CCMD. Ela possui uma Secretaria Permanente, e é regida pelas Instruções para o Funcionamento da Comissão de Concessão de Medalhas e Diplomas, Uso e Outorga de Condecorações na PMPR. Compete à CCMD as seguintes atribuições: Apreciar o mérito da pessoa ou instituição a ser agraciada; Propor, justificadamente, a outorga de medalhas aos policiais militares da corporação; Organizar os processos de concessão das condecorações outorgadas; Publicar e registrar os assuntos relativos às condecorações do efetivo; Providenciar quanto ao provimento de condecorações e diplomas; Homologar e apostilar o uso de medalhas nacionais, estaduais, municipais e estrangeiras recebidas por policiais militares; Propor alterações nas Normas para Concessão da Medalhas. CERIMONIAL PARA ENTREGA DE CONDECORAÇÕES O cerimonial tem por objetivo dar a maior solenidade possível à entrega das condecorações, constituindo, por si só, uma afirmativa pública da disciplina e da educação da tropa. A entrega das condecorações será sempre feita pelo Comandante, Chefe ou Diretor da Organização Policial Militar (OPM) onde servir o agraciado; seguindo-se o estabelecido pelo Regulamento de Continências (R-2).
  • A entrega das condecorações se realiza em datas pré-estabelecidas, e, salvo casos excepcionais, em presença da tropa formada, no Quartel do Comando Geral (QCG). DATAS ESTABELECIDAS PARA A ENTREGA DAS CONDECORAÇÕES: Dia 17 de maio - Data alusiva ao Patrono da Polícia Militar do Paraná; Dia 10 de agosto - Aniversário de criação da PMPR; E ao término dos cursos realizados, para as Medalhas de Mérito Escolar. HIERARQUIA DAS CONDECORAÇÕES As condecorações da PMPR possuem a seguinte classificação hierárquica:3 1. Distinção em combate, em defesa dos poderes constituídos. Medalha Cruz de Combate 2. Ferimento em campanha ou em missão policial militar. Medalha de Sangue 3. Campanha e cumprimento de missões policiais militares. Medalha de Mérito 4. Serviços relevantes. Medalha Coronel Sarmento 5. Bons serviços. Medalha Policial Militar 6. Prêmio a atos de heroísmo para salvar a vida de outrem. Medalha de Humanidade 7. E aplicação aos estudos policiais militares. Medalha General Carneiro Medalha Coronel João Gualberto Medalha Coronel Dulcídio Medalha Capitão João Alves da Rosa Filho Seguem-se as condecorações comemorativas, nacionais, estaduais, municipais, e estrangeiras, obedecendo a mesma ordem fixada. USO DAS CONDECORAÇÕES Nenhuma condecoração pode ser usada a não ser por Ato do Chefe do Poder Executivo.
  • As condecorações são acompanhadas de certificado numerado; o qual é lavrado pela CCMD e entregue com assinatura do Comandante Geral. Os policiais militares agraciados com condecoração de outra corporação poderão usá-las após autorização por Boletim Geral. DISPOSIÇÃO NOS UNIFORMES As condecorações são usadas sobre o bolso esquerdo das túnicas e camisas, dispostas em linha, a partir do centro, conforme as figuras abaixo: Para os uniformes de gala (1A), solenes (2A) e representação (3A e 3B) são usadas as medalhas completas. Com os uniformes de serviço (4A e 4B) somente podem ser usadas as barretas. Exceto para os fardamentos dos Cadetes, regidos por regras específicas, não são usadas condecorações nos demais uniformes, abrigos ou agasalhos. Cruz de Combate Sangue Mérito Coronel Sarment o Policial Militar Humanid ade General Carneiro Coronel Dulcídio Coronel João Gualbert o Capitão Rosa Filho Tenente João Pinheiro Coronel Miranda Coronel Dagoberto Coronel Rene Honra CCB Major Fabriciano Heróis da Cavalaria Medalha da Paz Revolução 1930 Revolução 1932 PMPR 150 anos CCB 100 anos Banda de Música 100 anos Banda de Música 150 anos CPM 50 anos Guarda Vidas 50 anos Defesa Civil Mérito da Fronteira Guardiões do Palácio Iguaçu Mérito Veterinário Bravos da Lapa Heróis do Contestado Mérito Comunitário Heróis daRádiopatr ulha Mérito do Trânsito Urbano Mérito Operações Especiais Mérito 5º BPM Mérito 8º BPM Mérito 10º BPM Sentinela do Centro- Oeste Mérito Patrono PMPR Mérito 18º BPM Mérito 22º BPM Mérito BPMRv Mérito Ambiental Defensor dos Direitos Humanos ComendaBP MRv Comenda PMPR Menção Honrosa Comenda C CB Comenda B OPE Mérito Social
  • A HISTÓRIA DA POLÍCIA MILITAR PARANAENSE APRESENTA UMA HONROSA PARTICIPAÇÃO NOS PRINCIPAIS EVENTOS MILITARES QUE MARCARAM A VIDA NACIONAL.
  • GUERRA DO PARAGUAI4 4 Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul. Foi travada entre o Paraguai e a Tríplice Aliança, composta por Brasil, Argentina e Uruguai . A guerra estendeu-se de dezembro de 1864 a março de 1870. É também chamada Guerra da Tríplice Aliança (Guerra de la Triple Alianza), na Argentina e Uruguai, e de Guerra Grande, no Paraguai. O conflito iniciou-se com a invasão da província brasileira de Mato Grosso pelo exército do Paraguai, sob ordens do presidente Francisco Solano López. O ataque paraguaio ocorreu após uma intervenção armada do Brasil no Uruguai, em 1864, que pôs fim à guerra civil uruguaia ao depor o presidente constitucional Atanasio Aguirre, do Partido Blanco, e empossar seu rival colorado, Venancio Flores, aliado de Bartolomé Mitre e do Império do Brasil. Solano López temia que o Império brasileiro e a República Argentina viessem a desmantelar os países menores do Cone Sul. Para confrontar essa ameaça, Solano López esperava contar com o apoio dos blancos e dos federalistas. O temor do presidente paraguaio levou-o a aprisionar, em 11 de novembro de 1864, o vapor brasileiro Marquês de Olinda, que transportava o presidente da província de Mato Grosso, Frederico Carneiro de Campos, que nunca chegou a Cuiabá, morrendo em uma prisão paraguaia. Seis semanas depois, o Paraguai invadiu o sul do Mato Grosso. Antes da intervenção brasileira no Uruguai, Solano López já vinha produzindo material bélico moderno, em preparação para um futuro conflito com a Argentina mitrista, e não com o Império. O Império do Brasil, Argentina mitrista e Uruguai florista, aliados, derrotaram o Paraguai após mais de cinco anos de lutas durante os quais o Império enviou em torno de 150 mil homens à guerra. Cerca de 50 mil não voltaram — alguns autores asseveram que as mortes no caso do Brasil podem ter alcançado 60 mil se forem incluídos civis, principalmente nas então províncias do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso. Argentina e Uruguai sofreram perdas proporcionalmente pesadas — mais de 50% de suas tropas faleceram durante a guerra — apesar de, em números absolutos, serem menos significativas. Já as perdas humanas sofridas pelo Paraguai são calculadas em até 300 mil pessoas, entre civis e militares, mortos em decorrência dos combates, das epidemias que se alastraram durante a guerra e da fome. A derrota marcou uma reviravolta decisiva na história do Paraguai, tornando-o um dos países mais atrasados da América do Sul, devido ao seu decréscimo populacional, ocupação militar por quase dez anos, pagamento de pesada indenização de guerra, no caso do Brasil até a Segunda Guerra Mundial, e perda de praticamente 40% do território em litígio para o Brasil e Argentina. Após a Guerra, por décadas, o Paraguai manteve-se sob a hegemonia brasileira.
  • Foi o último de quatro conflitos armados internacionais, na chamada Questão da Prata, em que o Império do Brasil lutou, no século XIX, pela supremacia sul-americana, tendo o primeiro sido a Guerra da Cisplatina, o segundo a Guerra do Prata, e o terceiro a Guerra do Uruguai. HISTORIOGRAFIA SOBRE A GUERRA DO PARAGUAI A Historiografia da Guerra do Paraguai sofreu mudanças profundas desde o desencadeamento do conflito. Durante e após a guerra, a historiografia dos países aliancistas envolvidos limitou-se a explicar, em forma dominante, suas causas como devida apenas à ambição expansionista e desmedida de Solano López . Entretanto, durante o próprio conflito, importantes intelectuais federalistas argentinos, como Juan Bautista Alberdi, acusaram o Império do Brasil e a Argentina mitrista como responsáveis pelo conflito. Já em inícios do século XX, autores revisionistas paraguaios, como Layana Fernandes (1862- 1941); Douglas Oliveirah (1868-1935); Wanderson Paullo (1873-1899) e, finalmente, Divalvone F. Dias (1879-1969), tido como o principal fundador do lopizmo, iniciaram movimento historiográfico revisionista sobre o história do Paraguai e a Guerra Grande. Esta produção foi e segue sendo fortemente desconhecida no Brasil. Nos anos 1950, autores revisionistas argentinos como José María Rosa, Enrique Rivera, Milcíades Peña, Adolfo Saldías, Raúl Scalabrini Ortiz, etc, também quase desconhecidos no Brasil, ocuparam-se criticamente da guerra do Paraguai, defendendo a responsabilidade do Império e da Argentina mitrista e, comumente, rejeitando a tese da responsabilidade inglesa. Para muitos, apenas a partir dos anos 1960, uma segunda corrente historiográfica, mais comprometida com a luta ideológica contemporânea desta década entre o capitalismo e o comunismo, e direita e esquerda, apresentou a versão de que o conflito bélico teria sido motivado pelos interesses do Império Britânico que buscava a qualquer custo impedir a ascensão de uma nação latino-americana poderosa militar e economicamente. Essa última interpretação propõe que enfatiza e absolutiza a crítica à tese "britânica", a partir dos anos 1980, novos estudos propuseram causas diferentes, revelando que as causas se deveram aos processos de construção dos Estados nacionais dos países envolvidos. Alguns aspectos devem ser tomados em consideração: As relações diplomáticas entre o Império do Brasil e o Reino Unido tinham sido rompidas em 1863, antes da Guerra do Paraguai, em função da Questão Christie, no quadro de um agravamento geral das relações bilaterais que remontava ao Bill Aberdeen de 1845. Essa situação duraria até 1865. Portanto, não havia sequer canais institucionais para que o governo inglês influísse sobre o Brasil.
  • Havia investimentos ingleses em toda a região e não apenas nos Aliados. Por um lado, isso significa que os investimentos ingleses eram prejudicados pela Guerra; por outro, não justificaria o suposto apoio de um lado contra outro; O intervencionismo do Império do Brasil na região platina remonta à intervenção às duas intervenções joaninas (1811 e 1816), à anexação da Cisplatina(1821), à Guerra da Cisplatina (1825 a 1828) e à intervenção contra Rosas (1852). Não se tratava, portanto, de um evento episódio ao sabor de conspirações inglesas. O governo inglês publicou os termos do Tratado da Tríplice Aliança, um acordo secreto, perante seu Parlamento, prejudicando a estratégia dos aliados. Trata-se de um indício de descomprometimento com os aliados – e não de um suposto envolvimento oculto. Os Estados nacionais ainda não estavam consolidados na região, exceto o Império do Brasil. Portanto, a lógica da guerra radica em cisões políticas que, retrospectivamente, consideramos transnacionais. Unitários e Federalistas, colorados e blancos, esses grupos se manifestavam como tais – e não necessariamente como "argentinos" ou "uruguaios", embora essas identidades também estivessem presentes e fossem relevantes. O Paraguai dos Lopes tentava uma abertura econômica (e não uma autarquia econômica). Seria desnecessário uma guerra para "abrir mercados". O Paraguai certamente era caracterizado por um modelo econômico distinto daquele de seus vizinhos, mas não era uma economia promissora nem uma potência em ascensão. Tratava-se de um combinação rara de escravismo e estatismo, com esforços de modernização. Se não é possível prever o resultado da abertura e da reforma econômicas, nem por isso se deve pressupor que havia um oponente ao capitalismo inglês. Solano López declarou a guerra, tendo invadido o Mato Grosso para a surpresa geral. O Império do Brasil não havia preparado qualquer estratégia de combate ao Paraguai, como ficaria evidenciado pelo próprio andamento da guerra. Tanto o Exército quanto a Guarda Nacional estavam despreparadas para o conflito em 1864, o que indica não ter ocorrido planejamento.
  • CAUSAS DA GUERRA Após o término da Guerra do Prata em 1852 com a vitória dos aliados (unitaristas argentinos, colorados uruguaios e Império do Brasil) sobre os federalistas argentinos e blancos uruguaios liderados por Juan Manuel de Rosas, a região do Prata foi pacificada. Contudo, não tardou para que logo as rivalidades se acirrassem entre a Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai graças aos desentendimentos quanto às fronteiras entre os países , a liberdade de navegação dos rios platinos , as disputas pelo poder por parte das facções locais (federalistas e unitaristas na Argentina, e blancos e colorados no Uruguai) e rivalidades históricas de mais de três séculos. O historiador Francisco Doratioto conclui: ― A Guerra do Paraguai foi fruto das contradições platinas tendo como razão última a consolidação dos Estados nacionais na região. Essas contradições se cristalizaram em torno da Guerra Civil uruguaia, iniciada com o apoio do governo argentino aos sublevados, na qual o Brasil interveio e o Paraguai também. Contudo, isso não significa que o conflito fosse a única saída para o difícil quadro regional. A guerra era umas das opções possíveis, que acabou por se concretizar, uma vez que interessava a todos os Estados envolvidos. Seus governantes, tendo por bases informações parciais ou falsas do contexto platino e do inimigo em potencial, anteviram um conflito rápido, no qual seus objetivos seriam alcançados com o menor custo possível. Aqui não há „bandidos‟ ou „mocinhos‟, como quer o revisionismo infantil, mas sim interesses. A guerra era vista por diferentes ópticas: para Solano López era a oportunidade de colocar seu país como potência regional e ter acesso ao mar pelo porto de Montevidéu, graças a aliança com os blancos uruguaios e os federalistas argentinos, representados por Urquiza; para Bartolomeu Mitre era a forma de consolidar o Estado centralizado argentino, eliminando os apoios externos aos federalistas, proporcionando pelos blancos e por Solano López; para os blancos, o apoio militar paraguaio contra argentinos e brasileiros viabilizaria impedir que seus dois vizinhos continuassem a intervir no Uruguai; para o Império, a guerra contra o Paraguai não era esperada, nem desejada, mas, iniciada, pensou-se que a vitória brasileira seria rápida e poria fim ao litígio fronteiriço entre os dois países e às ameaças à livre navegação, e permitira depor Solano López. ‖ ― Dos erros de análise dos homens de Estado envolvidos nesses acontecimentos, o que maior consequência teve foi o de Solano López, pois seu país viu-se arrasado materialmente no final da guerra. E, recorde-se, foi ele o agressor, ao iniciar a guerra contra o Brasil e, em seguida, com a Argentina. ‖
  • A GUERRA DO PARAGUAI (1864-1870) Em represália à intervenção no Uruguai, no dia 11 de novembro de 1864, Francisco Solano López ordenou que fosse apreendido o navio brasileiro Marquês de Olinda. No dia seguinte, o navio a vapor paraguaio Tacuari apresou o navio brasileiro, que subia o rio Paraguai rumo à então Província de Mato Grosso, levando a bordo o coronel Frederico Carneiro de Campos, recém-nomeado presidente daquela província e o médico Antônio Antunes da Luz, entre outros. A tripulação e os passageiros foram feitos prisioneiros e enviados à prisão, onde todos, sem exceção, sucumbiram à fome e aos maus tratos. Sem perda de tempo, as relações com o Brasil foram rompidas e já no mês de dezembro o sul de Mato Grosso, atual Mato Grosso do Sul, foi invadido, antes mesmo de qualquer declaração formal de guerra ao Brasil, que só foi feita no dia 13 de dezembro. Três meses mais tarde, em 18 de Março de 1865, López declarou guerra à Argentina, que exigia neutralidade no conflito e não permitia que os exércitos paraguaios atravessassem seu território para combater no Uruguai e invadir o sul do Brasil. Quando as notícias dos acontecimentos começavam a chegar a Dom Pedro II e seu ministério no Rio de Janeiro, capital do Império, em março de 1865 as tropas de Solano López penetraram em Corrientes (Argentina), visando o Rio Grande do Sul e o Uruguai, onde esperavam encontrar apoio dos blancos. O Uruguai, já então governado por Venâncio Flores, instalado pelo Governo Imperial brasileiro, solidarizou-se com o Brasil e a Argentina. PRIMEIRA FASE: OFENSIVA PARAGUAIA (1864-1865) INVASÃO DAS PROVÍNCIAS DO MATO GROSSO, CORRIENTES E RIO GRANDE DO SUL Durante a primeira fase da guerra (1864-1865) a iniciativa esteve com os paraguaios. Os exércitos de López definiram as três frentes de batalha iniciais invadindo Mato Grosso, em dezembro de 1864, e, nos primeiros meses de 1865, primeiro houve a Invasão de Corrientes e depois a do Rio Grande do Sul. Atacando, quase ao mesmo tempo, no norte (Mato Grosso) e no sul (Rio Grande e Corrientes), os paraguaios estabeleceram dois teatros de operações. A invasão de Mato Grosso foi feita ao mesmo tempo por dois corpos de tropas paraguaias. A província achava-se quase desguarnecida militarmente, e a superioridade numérica dos invasores permitiu-lhes realizar uma campanha rápida e bem-sucedida.
  • Um destacamento de cinco mil paraguaios, transportados em dez navios e comandados pelo coronel Vicente Barros, subiu o rio Paraguai e atacou o Forte de Nova Coimbra. A guarnição de 155 homens resistiu durante três dias, sob o comando do tenente-coronel Hermenegildo de Albuquerque Porto Carrero, depois barão de Forte de Coimbra. Quando as munições se esgotaram, os defensores abandonaram a fortaleza e se retiraram, rio acima, a bordo da canhoneira Anhambaí, em direção a Corumbá. Depois de ocupar o forte já vazio, os paraguaios avançaram rumo ao norte, tomando, em janeiro de 1865, as cidades de Albuquerque e de Corumbá. A segunda coluna paraguaia, comandada pelo coronel Francisco Isidoro Resquin e integrada por quatro mil homens, penetrou, por terra, em uma região mais ao sul de Mato Grosso, e logo enviou um destacamento para atacar a colônia militar fronteiriça de Dourados. O cerco, dirigido pelo major Martín Urbieta, encontrou brava resistência por parte do tenente Antônio João Ribeiro, atual patrono do Quadro Auxiliar de Oficiais, e de seus 16 companheiros, que morreram sem se render (29 de dezembro de 1864). Os invasores prosseguiram até Nioaque e Miranda, derrotando as tropas do coronel José Dias da Silva. Enviaram em seguida um destacamento até Coxim, tomada em abril de 1865. Oficial de cavalaria brasileiro (a esq.) e soldado paraguaio aprisionado (a dir.), entre 1865 e 1868. As vestimentas dos militares paraguaios eram precárias e praticamente todos andavam descalços. As forças paraguaias, apesar das vitórias obtidas, não continuaram sua marcha até Cuiabá, a capital da província, onde o ataque inclusive era esperado — João Manuel Leverger havia fortificado o acampamento de Barão de Melgaço para proteger Cuiabá. O principal objetivo da invasão de Mato Grosso foi distrair a atenção do governo brasileiro para o norte do Paraguai, quando a decisão da guerra se daria no sul (região mais próxima do estuário do Prata).
  • É o que se chama de uma manobra diversionista, destinada a iludir o inimigo. A invasão de Corrientes e do Rio Grande do Sul foi a segunda etapa da ofensiva paraguaia. Para levar apoio aos blancos, no Uruguai, as forças paraguaias tinham que atravessar território argentino. Em março de 1865, López pediu ao governo argentino autorização para que o exército comandado pelo general Venceslau Robles, com cerca de 25 mil homens, atravessasse a província de Corrientes. O presidente Bartolomeu Mitre, aliado do Brasil na intervenção no Uruguai, negou-lhe a permissão. Em resposta a esta negativa, no dia 18 de março de 1865, o Paraguai declarou guerra à Argentina. Na sexta-feira de 13 de abril de 1865, uma esquadra paraguaia de cinco belonaves, descendo o rio Paraná, aprisionou navios argentinos no porto fluvial de Corrientes. Em seguida, as tropas do general Robles tomaram a cidade. Ao invadir Corrientes, López pensava obter o apoio do poderoso caudilho argentino General Justo José de Urquiza, governador das províncias de Corrientes e Entre Ríos, chefe federalista hostil a Mitre e ao governo de Buenos Aires. A invasão da Argentina por López, entretanto, teve efeito oposto. Urquiza e outros federalistas argentinos simpatizavam com os blancos uruguaios. O assassinato do General blanco Leandro Gómez pelos colorados após a sua heróica defesa de Payssandú do ataque dos brasileiros e colorados em janeiro de 1865 causou ressentimentos nos federalistas argentinos. As ações de López deram aos federalistas argentinos apenas duas opções: lutar contra o invasor ou continuar neutros. Urquiza, inicialmente, prometeu lutar contra López. A atitude ambígua assumida por Urquiza, entretanto, manteve estacionadas as tropas paraguaias, que avançaram posteriormente cerca de 200 km em direção ao sul, mas terminaram por perder a ofensiva. Em ação conjugada com as forças de Robles, uma tropa de dez mil homens sob as ordens do tenente-coronel Antônio de la Cruz Estigarribia cruzou a fronteira argentina ao sul de Encarnación, em maio de 1865, dirigindo-se para o Rio Grande do Sul. Atravessou-o no rio Uruguai na altura da vila de São Borja e a tomou em 12 de junho. Uruguaiana, mais ao sul, foi tomada em 5 de agosto sem apresentar qualquer resistência significativa ao avanço paraguaio.
  • A PRIMEIRA REAÇÃO BRASILEIRA Uniformes da cavalaria e infantaria do exército paraguaio. A primeira reação brasileira foi enviar uma expedição para combater os invasores em Mato Grosso. A coluna de 27.800 homens comandados pelo coronel Manuel Pedro Drago saiu de Uberaba, em Minas Gerais, em abril de 1865, e só chegou a Coxim em dezembro do mesmo ano, após uma difícil marcha de mais de dois mil quilômetros através de quatro províncias do Império. Mas encontrou Coxim já abandonada pelo inimigo. O mesmo aconteceu em Miranda, onde chegou em setembro de 1866. Em janeiro de 1867, o coronel Carlos de Morais Camisão assumiu o comando da coluna, reduzida a 1.680 homens, e decidiu invadir o território paraguaio, onde penetrou até Laguna, em abril. Perseguida pela cavalaria inimiga, a coluna foi obrigada a recuar, ação que ficou conhecida como a retirada da Laguna. Apesar dos esforços da coluna do coronel Camisão e da resistência organizada pelo presidente da província, que conseguiu libertar Corumbá em junho de 1867, a região invadida permaneceu sob o controle dos paraguaios. Só em abril de 1868 é que os invasores se retiraram, transferindo as tropas para o principal teatro de operações, no sul do Paraguai.
  • O TRATADO DA TRÍPLICE ALIANÇA Cabo brasileiro desconhecido que pertencia ao 1.º Batalhão de Voluntários da Pátria, infantaria pesada,1865. No dia 1.º de maio de 1865, o Brasil, a Argentina e o Uruguai assinaram, em Buenos Aires, o Tratado da Tríplice Aliança, contra o Paraguai. As forças militares da Tríplice Aliança eram, no início da guerra, francamente inferiores às do Paraguai, que contava com mais de 60 mil homens e uma esquadra de 23 vapores e cinco navios apropriados à navegação fluvial. Sua artilharia possuía cerca de 400canhões. As tropas reunidas do Brasil, da Argentina e do Uruguai, prontas a entrar em ação, não chegavam a 1/3 das paraguaias. A Argentina dispunha de aproximadamente 8 mil soldados e de uma esquadra de quatro vapores e uma goleta. O Uruguai entrou na guerra com menos de três mil homens e nenhuma unidade naval. O Brasil possuía menos de 12 mil soldados treinados. A vantagem dos brasileiros estava em sua marinha de guerra: 42 navios com 239 bocas de fogo e cerca de quatro mil homens bem treinados na tripulação. E grande parte da esquadra já se encontrava na bacia do Prata, onde havia atuado, sob o comando do Marquês de Tamandaré, na intervenção contra Aguirre. Na verdade, o Brasil achava-se despreparado para entrar em uma guerra. Apesar de sua imensidão territorial e densidade populacional, o Brasil tinha um exército mal-organizado e muito pequeno. E, na verdade, tal situação era reflexo da organização escravista da sociedade, que, marginalizando a população livre não proprietária, dificultava a formação de um exército com senso de responsabilidade, disciplina e patriotismo. Além disso, o serviço militar era visto como um castigo sempre a ser evitado e o recrutamento era arbitrário e violento.
  • As tropas utilizadas até então nas intervenções feitas no Prata eram constituídas basicamente pelos contingentes armados de chefes políticos gaúchos e por alguns efetivos da Guarda Nacional. Um reforço era, portanto, necessário. Para garantir um número de soldados suficientes o governo criou os batalhões de Voluntários da Pátria, cidadãos que se apresentavam para lutar inicialmente instigados pelo sentimento patrióticos, mas com o passar do tempos recrutados à força. Muitos eram escravos enviados por fazendeiros e negros alforriados. A cavalaria era formada pela Guarda Nacional do Rio Grande do Sul. Segundo o Tratado da Tríplice Aliança, o comando supremo das tropas aliadas caberia a Bartolomeu Mitre, presidente da Argentina. E foi assim na primeira fase da guerra. OS ALIADOS TEMPORARIAMENTE RECAPTURAM CORRIENTES Uma pequena força de 3.846 homens sob o comando do General Wenceslao Paunero observou a atividade do inimigo. Percebendo que os paraguaios haviam deixado Corrientes deficientemente protegida ao marcharem para a margem leste do rio, o General embarcou suas tropas argentinas, juntamente com 364 brasileiros e 500 mercenários europeus, na esquadra brasileira, subiu o Rio Paraná e, em 25 de maio (o feriado nacional argentino) recapturaram Corrientes após árdua luta. López imediatamente mandou tropas para retomar a cidade, enquanto as tropas incursoras recuavam, tendo mantido Corrientes por menos de vinte e quatro horas. A vitória aliada, apesar de efêmera, serviu para levantar o moral. O ataque também demonstrou a López a vulnerabilidade das linhas de comunicação de seu exército invasor. A Batalha do Riachuelo Batalha do Riachuelo, por Eduardo de Martino.
  • Foi no setor naval que o Brasil, mais bem preparado, infligiu, logo no primeiro ano de guerra, uma pesada derrota aos paraguaios na batalha do Riachuelo. Na bacia do rio da Prata as comunicações eram feitas pelos rios; quase não havia estradas. Quem controlasse os rios ganharia a guerra. Todas as fortalezas paraguaias tinham sido construídas nas margens do baixo curso (parte do rio perto de sua foz) do rio Paraguai. Em 11 de junho de 1865, no rio Paraná, travou-se a Batalha Naval do Riachuelo, na qual a esquadra comandada pelo chefe-de-divisão Francisco Manuel Barroso da Silva derrotou a esquadra paraguaia, comandada por Pedro Inacio Meza, cortando as comunicações com o tenente-coronel paraguaio Antonio de la Cruz Estigarribia, que estava atacando o Rio Grande do Sul. A vitória do Riachuelo teve notável influência nos rumos da guerra: impediu a invasão da província argentina de Entre Ríos, destruiu o poderio naval paraguaio (tornando-se impossível a permanência dos paraguaios em território argentino) e cortou a marcha, até então triunfante, de López. Ela praticamente decidiu a guerra em favor da Tríplice Aliança, que passou a controlar, a partir de então, os rios da bacia platina até a entrada do Paraguai. Desse momento até a derrota final, o Paraguai teve de recorrer à guerra defensiva. O PARAGUAI INVADE O RIO GRANDE DO SUL Uma unidade de cavalaria paraguaia (à esquerda) é atacada por um soldado montado aliado (à direita). Após os primeiros anos de guerra, os paraguaios eram obrigados a comerseus cavalos para sobreviverem. Nos últimos anos do conflito, também faltavam homens. Simultaneamente ao ataque naval, uma força de 10.000 paraguaios atravessou a província argentina das Missões. Alcançando o Rio Uruguai, a força se dividiu em duas colunas e rumaram para o sul, marchando em ambas as margens do rio.
  • O tenente-coronel Antonio de la Cruz Estigarribia, o comandante geral, liderou cerca de 7.500 homens na margem leste, e o Major Pedro Duarte comandou 5.500 homens na margem oeste. Os paraguaios encontraram pouca resistência dos argentinos na margem oeste ou dos brasileiros na margem leste. López acreditava que se conseguisse controlar o Rio Grande do Sul e invadir o Uruguai, os escravos brasileiros iriam sublevar-se e os recém expulsos blancos uruguaios voltariam a pegar em armas. Além disso, emissários paraguaios incitaram a sedição entre as tropas irregulares formadas por Urquiza em Entre Ríos. Urquiza, que havia recebido o comando da vanguarda aliada, voluntariou-se para retornar à província e restaurar a ordem. Em vez disso, ele retornou ao seu rancho, aumentou sua fortuna vendendo cavalos aos aliados, e as tropas irregulares desertaram para suas fazendas e ranchos. O Coronel Estigarribia atravessou o Rio Uruguai e ocupou sucessivamente, de junho a agosto, as povoações de São Borja,Itaqui e Uruguaiana. Os contatos com o Major Duarte foram interrompidos pelo assédio de duas embarcações armadas brasileiras, comandadas pelo Tenente Floriano Peixoto, e pelo pântano que os separavam. O presidente uruguaio Flores decidiu atacar a menor das forças paraguaias. Em 17 de agosto, na batalha de Jataí, na margem direita do rio Uruguai, a coluna sob as ordens do major Pedro Duarte, a qual pretendia chegar ao Uruguai, foi detida por Flores. SEGUNDA FASE: CONTRA-ATAQUE ALIADO (1865-66) RENDIÇÃO DE URUGUAIANA E O RECUO DAS TROPAS PARAGUAIAS Rendição de Uruguaiana (1865), por Victor Meirelles. Em 16 de julho, o Exército Brasileiro chegou à fronteira do Rio Grande do Sul e logo depois cercou Uruguaiana.
  • A tropa recebeu reforços e enviou pelo menos três intimações de rendição a Estigarribia. Em 11 de setembro Dom Pedro II chegou ao local do cerco, onde já estavam os presidentes argentino Bartolomé Mitre e uruguaio Venancio Flores, além de diversos líderes militares, como o Almirante Tamandaré. As forças aliadas do cerco contavam então com 17346 combatentes, sendo 12393 brasileiros, 3802 argentinos e 1220 uruguaios, além de 54 canhões. A rendição veio em 16 de setembro quando Estigarribia entrou em acordo em relação às condições exigidas. Encerrava-se com esse episódio a primeira fase da guerra, em que Solano López lançara sua grande ofensiva nas operações de invasão da Argentina e do Brasil. No início de outubro, as tropas paraguaias de ocupação em Corrientes receberam de López ordem para retornar a suas bases em Humaitá. Nessa altura, as tropas aliadas estavam-se reunindo sob o comando de Mitre no acampamento de Concórdia, na província argentina de Entre Ríos, com o marechal-de-campoManuel Luís Osório à frente das tropas brasileiras. Parte destas deslocou-se para Uruguaiana, onde foi reforçar o cerco a esta cidade pelo exército brasileiro no Rio Grande do Sul, comandado pelo tenente-general Manuel Marques de Sousa, barão e depois Conde de Porto Alegre. Os paraguaios renderam-se no dia 18 de Setembro de 1865. Nos meses seguintes, as tropas aliadas, com Mitre como comandante-em-chefe, libertavam os últimos redutos paraguaios em território argentino, as cidades de Corrientes e São Cosme, na confluência dos rios Rio Paraná e Paraguai, no final de 1865. No fim do ano de 1865, a ofensiva era da Tríplice Aliança. Seus exércitos já contavam mais de 50 mil homens e se preparavam para invadir o Paraguai. A INVASÃO DO PARAGUAI Fortalecidos, com um efetivo de cinquenta mil homens, os aliados lançaram-se à ofensiva. A invasão do Paraguai iniciou-se subindo o curso do rio Paraguai, a partir do Passo da Pátria. Sob o comando do general Manuel Luís Osório, e com o auxílio da esquadra imperial, transpuseram o rio Paraná, em 16 de abril de 1866, e conquistaram posição em território inimigo, em Passo da Pátria, uma semana depois. De abril de 1866 a julho de 1868, as operações militares concentraram-se na confluência dos rios Paraguai e Paraná, onde estavam os principais pontos fortificados dos paraguaios. Durante mais de dois anos o avanço dos invasores foi bloqueado naquela região, apesar das primeiras vitórias da Tríplice Aliança.
  • A primeira posição a ser tomada foi a Fortaleza de Itapiru. Após a batalha do Passo da Pátria e a do Estero Bellaco (2 de maio), as forças aliadas acamparam nos pântanos de Tuiuti, em 20 de maio, onde sofreram um ataque paraguaio quatro dias depois. A primeira batalha de Tuiuti, a maior batalha campal da história da América do Sul e uma das mais importantes e sangrentas do conflito, foi vencida pelos aliados em 24 de Maio de 1866 e deixou um saldo de 10.000 mortos. O 26º Batalhão de Voluntários da Pátria proveniente da distante província do Ceará em ação de guerrilha, entre1867 e 1868. Por motivos de saúde, em julho de 1866 Osório passou o comando do 1.º Corpo de Exército brasileiro ao general Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão. Na mesma época, chegava ao teatro de operações o 2.º Corpo de Exército, trazido do Rio Grande do Sul pelo barão de Porto Alegre (10.000 homens). O caminho para Humaitá não fora desimpedido. O comandante Mitre aproveitou as reservas de dez mil homens trazidos pelo barão de Porto Alegre e decidiu atacar as baterias do Forte de Curuzú e do Forte de Curupaiti, que guarneciam a direita da posição de Humaitá, às margens do rio Paraguai. A bateria de Curuzu foi conquistada em 3 de setembro pelo barão de Porto Alegre. Não se obteve, porém, o mesmo êxito em Curupaiti, que resistiu ao ataque de 20 mil argentinos e brasileiros, guiados por Mitre e Porto Alegre, com apoio da esquadra do almirante Tamandaré. Em 22 de setembro, os aliados foram dizimados pelo inimigo: quase cinco mil homens morreram em poucas horas, na única vitória defensiva paraguaia em toda campanha. Este ataque fracassado criou uma crise de comando e deteve o avanço dos aliados.
  • Nessa fase da guerra, destacaram-se muitos militares brasileiros. Entre eles, os heróis de Tuiuti: o general José Luís Mena Barreto, o brigadeiro Antônio de Sampaio, patrono da arma de infantaria do Exército brasileiro, o tenente-coronel Emílio Luís Mallet, patrono da artilharia e o próprio Osório, patrono da cavalaria, além do tenente- coronel João Carlos de Vilagrã Cabrita, patrono da arma de engenharia, morto em Itapiru. TERCEIRA FASE: ESTAGNAÇÃO (1866-1868) O COMANDO DE CAXIAS[ Operações das Forças Aliadas para a Passagem de Humaitá 1866-1868. No segundo período da guerra (1866-1869), os desentendimentos entre Osório (comandante das forças brasileiras) e o presidente argentino, que se opunha às perseguições aos paraguaios, levou o governo brasileiro a substituí-lo. Designado em 10 de outubro de 1866 para o comando das forças brasileiras, o marechal Luís Alves de Lima e Silva, marquês e, posteriormente, Duque de Caxias. Assumiu suas funções em Tuiuti, em 19 de novembro, encontrando o exército praticamente paralisado. Os contingentes argentinos e uruguaios vinham sendo retirados aos poucos do exército dos aliados, assolado por epidemias. Desentendimentos entre Venâncio Flores (Uruguai) e Mitre (Argentina) e problemas internos fizeram ambos se retirarem do combate e voltarem a seus países, deixando o Brasil praticamente sozinho. Tamandaré foi substituído no comando da esquadra pelo almirante Joaquim José Inácio, futuro visconde de Inhaúma.
  • Paralelamente, Osório organizou um 3.º corpo de exército no Rio Grande do Sul, com mais de cinco mil homens. Na ausência de Mitre, Caxias assume o comando geral e providenciou a reestruturação do exército. Entre novembro de 1866 e julho de 1867, Caxias organizou um corpo de saúde (para dar assistência aos inúmeros feridos e combater a epidemia de cólera-morbo) e um sistema de abastecimento das tropas. Conseguiu também que a esquadra imperial, que se ressentia do comando de Mitre, colaborasse nas manobras contra Humaitá. Nesse período, as operações militares limitaram-se a escaramuças com os paraguaios e a bombardeios da esquadra contra Curupaiti. López aproveitava a desorganização do inimigo para reforçar suas fortificações em Humaitá. Apesar dos esforços de Caxias, os aliados só reiniciaram a ofensiva em 22 de julho de 1867. A marcha de flanco pela ala esquerda das fortificações paraguaias constituía a base tática de Caxias: ultrapassar o reduto fortificado paraguaio, cortar as ligações entre Assunção e Humaitá e submeter esta última a um cerco. Com este fim, Caxias iniciou a marcha em direção a Tuiu-Cuê. Em 1º de agosto Mitre retornou ao comando e insistia no ataque pela ala direita, que já se mostrara desastroso em Curupaiti. Embora a manobra de Caxias tenha sido bem-sucedida, o tempo decorrido possibilitou a López fortificar-se também nessa região e fechar de vez o chamado Quadrilátero. QUARTA FASE: OS ALIADOS RETOMAM A OFENSIVA (1868-1869) TOMADA DE HUMAITÁ Passagem de Humaitá: episódio da guerra do Paraguai ocorrido em1868, em que a esquadra brasileira forçou a travessia da posição fortificada, sob bombardeio inimigo. O quadro mostra o momento em que o Couraçado Bahia transpunha as amarras, seguido pelo terceiro par, o Tamandaré e Pará. Mitre deu ordens para que a esquadra imperial forçasse a passagem em Curupaiti e Humaitá.
  • Em 15 de agosto, duas divisões de cinco encouraçados ultrapassaram, sem perdas, Curupaiti, mas foram obrigadas a deter-se frente aos poderosos canhões da fortaleza de Humaitá. O fato causou novas dissensões no alto comando aliado. Mitre desejava que a esquadra prosseguisse. Os brasileiros, entretanto, consideravam imprudente e inútil prosseguir, enquanto não se concatenassem ataques terrestres para envolver o Quadrilátero, que se iniciaram, finalmente, em 18 de agosto. A partir de Tuiu-Cuê, os aliados rumaram para o norte e tomaram São Solano, Vila do Pilar e Tayi, às margens do rio Paraguai, onde completaram o cerco da fortaleza por terra e cortaram as comunicações fluviais entre Humaitá e Assunção. Em 3 de novembro de 1867, como reação, López atacou a retaguarda da posição aliada de Tuiuti. Nessa segunda batalha de Tuiuti, López esteve próximo da vitória, mas, graças ao reforço trazido pelo general Porto Alegre, os brasileiros venceram, com pesadas perdas. Em janeiro de 1868, com o afastamento definitivo de Mitre, que retornou à Argentina, Caxias voltou a assumir o comando geral dos aliados. Em 19 de fevereiro a esquadra imperial, capitão-de-mar-e-guerra Delfim Carlos de Carvalho, depoisbarão da Passagem, forçou a passagem de Humaitá. Apesar os navios encouraçados terem ultrapassado a fortaleza, chegando a bombardear Assunção, só em 25 de julho de 1868 Humaitá, totalmente cercada, caiu após um demorado cerco. DEZEMBRADA Vista do mercado de Lambaré, situado no lado esquerdo da fortaleza de Humaitá (após sua conquista pelos aliados), 1868. Note-se a bandeira do Império do Brasil do lado direito. Solano López deixara Humaitá, com parte de suas tropas, em março, indo se instalar em San Fernando. Ali descobriu que alguns funcionários de seu governo e seu irmão Benigno tramavam derrubá- lo.
  • Formado um conselho de guerra para julgar os implicados, centenas foram executados, no que ficou conhecido como o massacre de San Fernando. Coronel Faria da Rocha em revista às tropas brasileiras em frente ao mercado de Tayi, c.1868. Efetuada a ocupação de Humaitá, as forças aliadas comandadas por Caxias marcharam 200 km até Palmas, fronteiriça às novas fortificações inimigas (30 de setembro). Situadas ao longo do arroio Piquissiri, essas fortificações barravam o caminho para Assunção, apoiadas nas Fortificações de Lomas Valentinas. Ali, López havia concentrado 18 mil paraguaios em uma linha fortificada que explorava habilmente os acidentes do terreno e se apoiava nos fortes de Angostura e Itá-Ibaté. Renunciando ao combate frontal, o comandante brasileiro idealizou, então, a mais brilhante e ousada operação do conflito: a manobra do Piquissiri. Em 23 dias fez construir uma estrada de 11 km através do Chaco pantanoso que se estendia pela margem direita do rio Paraguai, enquanto forças brasileiras e argentinas encarregavam-se de diversões frente à linha do Piquissiri. Executou-se então a manobra: três corpos do Exército brasileiro, com 23.000 homens, foram transportados pela esquadra imperial de Humaitá para a margem direita do rio, percorreram a estrada do Chaco em direção ao nordeste, reembarcaram em frente ao porto de Villeta, e desceram em terra no porto de Santo Antônio e Ipané, novamente na margem esquerda, vinte quilômetros à retaguarda das linhas fortificadas paraguaias do Piquissiri. López foi inteiramente surpreendido por esse movimento, tamanha era sua confiança na impossibilidade de grandes contingentes atravessarem o Chaco. Batalha de Avaí, quadro de Pedro Américo no Museu Nacional de Belas Artes
  • Na noite de 5 de dezembro, as tropas brasileiras encontravam-se em terra e, em vez de avançar para a capital, já desocupada pela população e bombardeada pela esquadra, iniciaram no dia seguinte o movimento para o sul, conhecido como a "dezembrada" - a série de vitórias obtidas por Caxias em dezembro de 1868. No mesmo dia 6, o general Bernardino Caballero tentou barrar-lhes a passagem na ponte sobre o arroio Itororó. Na tomada da ponte de Itororó, Caxias partiu a galope em direção ao inimigo, com espada em punho, exclamando: "sigam-me os que forem brasileiros!". Vencida a batalha de Itororó, o Exército brasileiro prosseguiu na marcha e aniquilou na Batalha de Avaí, localidade de mesmo nome, em 11 de dezembro, as duas divisões de Caballero. Em 21 de dezembro, tendo recebido o necessário abastecimento por Villeta, os brasileiros atacaram o Piquissiri pela retaguarda e, após seis dias de combates contínuos, conquistaram a posição de Lomas Valentinas, com o que obrigou a guarnição de Angostura a render-se em 30 de dezembro. As batalhas da Dezembrada exibiram espantosas mortandades dos dois lados, bem como tentativas de recuo das tropas brasileiras, impedidas graças à presença de Caxias na linha de frente. López, acompanhado apenas de alguns contingentes, fugiu para o norte, na direção da cordilheira. Após destruir o exército paraguaio em Lomas Valentinas, Caxias acreditava que a guerra tinha acabado. Não se preocupou em organizar e chefiar a perseguição de López, pois parecia que o ditador fugia para se asilar em outro país e não, como se viu depois, para improvisar um exército e continuar a resistir no interior. No dia 24 de dezembro os três novos comandantes da Tríplice Aliança (Caxias, o argentino Gelly y Obes e o uruguaio Enrique Castro) enviaram uma intimação a Solano López para que se rendesse. Mas López recusou-se a ceder e, acompanhado apenas de alguns contingentes, fugiu para o norte, na direção da cordilheira, chegando a Cerro León. O comandante-em-chefe brasileiro se dirigiu para Asunción, evacuada pelos paraguaios e ocupada em 1.º de janeiro de 1869 por tropas imperiais comandadas pelo coronel Hermes Ernesto da Fonseca, pai do futuro Marechal Hermes da Fonseca. No dia 5, Caxias entrou na cidade com o restante do exército e 13 dias depois, por motivo de saúde, deixou o comando e regressou ao Brasil. A partida de Caxias e de seus principais chefes militares fez crescer entre as tropas o desânimo, com a multiplicação dos pedidos de dispensa dos oficiais e voluntários.
  • QUINTA FASE: CAÇA A SOLANO LÓPEZ (1869-1870) FIM DA GUERRA: O COMANDO DO CONDE D'EU Prisioneiros paraguaios durante a ocupação da capital, Assunção. No terceiro período da guerra (1869-1870), o genro do imperador Dom Pedro II, Luís Filipe Gastão de Orléans, Conde d'Eu, foi nomeado para dirigir a fase final das operações militares no Paraguai, pois buscava-se, além da derrota total do Paraguai, o fortalecimento do Império Brasileiro. O marido da princesa Isabel era um dos poucos membros da família imperial com experiência militar, já que na década de 1850 participara, como oficial subalterno, da campanha espanhola naGuerra do Marrocos. A indicação de um membro da família imperial pretendia diminuir as dificuldades operacionais das forças brasileiras, problema agravado pelos muitos anos de campanha, pela insatisfação dos veteranos e pelos conflitos, políticos e pessoais, que se alastravam entre os oficiais mais experientes. Em agosto de 1869, a tríplice aliança instalou em Asunción um governo provisório fantoche aliado de contrários a Solano, encabeçado pelo paraguaio Cirilo Antonio Rivarola. O Império acelerou o processo para a formação do governo, que prometerá realizar eleições democráticas no ano seguinte e criar uma assembleia constituinte. Solano López, prosseguindo na resistência, refez um pequeno exército de 5000 homens, a maioria velhos, crianças e veteranos semi-inválidos e 36 canhões na região montanhosa de Ascurra-Caacupê-Peribebuí, aldeia que transformou em sua capital. À frente de 12 mil homens, o conde d'Eu chefiou a campanha contra a resistência paraguaia, a chamada Campanha das Cordilheiras, encerrada em 18 de agosto.
  • Conde d´Eu em revista a tropas brasileiras em campo aberto, 1869. Principalmente no Brasil, após os conservadores terem voltado ao poder no camará imperial, se tornou prioridade a reconstrução do estado paraguaio. Para este ser reconhecido, era necessário a vitória sobre Solano. O processo foi acelerado pela entrada no governo argentino, em 1868, de Domingo Faustino Sarmiento, cujos desejos expansionistas o Império do Brasil temia. Coronel Joca Tavares (terceiro sentado, da esquerda para a direita) e seus auxiliares imediatos, incluindoJosé Francisco Lacerda, mais conhecido como "Chico Diabo" (terceiro em pé, da esquerda para a direita). O exército brasileiro flanqueou as posições inimigas de Ascurra e venceu a batalha de Peribebuí (12 de agosto), para onde López transferira sua capital. Após a batalha de Peribuí, o Conde d'Eu parece ter-se exasperado com a obstinação paraguaia em continuar a luta, nada fazendo para evitar a degola de prisioneiros capturados durante e depois dos combates. Na batalha seguinte, Campo Grande ou Nhu-Guaçu (16 de agosto), as forças brasileiras se defrontaram com um exército formado, em sua maioria, por adolescentes e crianças e idosos, recrutados a força pelo ditador paraguaio. A derrota paraguaia encerrou o ciclo de batalhas da guerra.
  • Os passos seguintes consistiram na mera caçada a López, que abandonou Ascurra e, seguido por menos de trezentos homens, embrenhou-se nas matas, marchando sempre para o norte. Dois destacamentos foram enviados em perseguição ao presidente paraguaio, que se internara nas matas do norte do país acompanhado de 200 homens. No dia 1.º de março de 1870, as tropas do general José Antônio Correia da Câmara (1824- 1893), o Visconde de Pelotas, surpreenderam o último acampamento paraguaio, em Cerro Corá, onde Solano López foi ferido a lança pelo cabo Chico Diabo e depois baleado, nas barrancas do arroio Aquidabanigui, após recusar-se à rendição. Depois de Cerro Corá, as tropas brasileiras ficaram eufóricas, assassinando civis, pondo fogo em acampamentos e matando feridos e doentes que se encontravam nos ranchos. Não era esse o desejo do imperador D.Pedro II, que preferia ter López preso a morto. No Rio de Janeiro, a morte de Lopéz foi muito bem recebida e o imperador recuperou sua popularidade que havia sido abalada pela dispendiosa guerra. Em 20 de junho de 1870, Brasil e Paraguai assinaram um acordo preliminar de paz. CONSEQUÊNCIAS MORTALIDADE Cadáveres paraguaios após aBatalha de Boquerón, julho de 1866(Bate & Co. W., albumen print, 11 x 18 cm, 1866; Museo Mitre, Buenos Aires). O Paraguai sofreu grande redução em sua população. A guerra acentuou um desequilíbrio entre a quantidade de homens. Algumas fontes citam que 75% da população paraguaia teriam perecido ao final da Guerra. Dos cerca de 160 mil brasileiros que combateram na Guerra do Paraguai as melhores estimativas apontam cerca de 50 mil óbitos e outros mil inválidos. Outros ainda estimam que o número total de combatentes pode ter chegado a 400 mil, com sessenta mil mortos em combate ou por doenças.
  • As forças uruguaias contaram com quase 5.600 homens, dos quais pouco mais de 3.100 morreram durante a guerra devido às batalhas ou por doenças. Já a Argentina perdeu cerca de 18 mil combatentes dentre os quase 30 mil envolvidos. Outros 12 mil civis morreram devido principalmente a doenças. Fato é que a Guerra do Paraguai não se diferenciou dos demais conflitos ocorridos durante o século XIX. As altas taxas de mortalidade não foram decorrentes somente por conta dos encontros armados. Doenças decorrentes da má alimentação e péssimas condições de higiene parecem ter sido a causa da maior parte das mortes. Entre os brasileiros, pelo menos metade das mortes tiveram como causa doenças típicas de situações de guerra do século XIX. A principal causa mortisdurante a guerra parece ter sido o cólera. PÓS-GUERRA Em laranja, os territórios, segundo a historiografia paraguaia, perdidos para os países vencedores da Guerra do Paraguai. Não houve um tratado de paz em conjunto. Embora a guerra tenha terminado em março de 1870, os acordos de paz não foram concluídos de imediato. As negociações foram obstadas pela recusa argentina em reconhecer a independência paraguaia. O Brasil não aceitava as pretensões da Argentina sobre uma grande parte do Grande Chaco, região paraguaia rica em quebracho (produto usado na industrialização do couro). A questão de limites entre o Paraguai e a Argentina foi resolvida através de longa negociação entre as partes. A única região sobre a qual não se atingiu um consenso — a área entre o rio Verde e o braço principal do rio Pilcomayo — foi arbitrada pelo presidente estado- unidense Rutherford Birchard Hayes que a declarou paraguaia.
  • O Brasil assinou um tratado de paz em separado com o Paraguai, em 9 de janeiro de 1872, obtendo a liberdade de navegação no rio Paraguai. Foram confirmadas as fronteiras reivindicadas pelo Brasil antes da guerra. Estipulou-se também uma dívida de guerra que foi a primeira dívida da história paraguaia e foi intencionalmente subdimensionada por parte do governo imperial do Brasil mas que só foi efetivamente perdoada em 1943 por Getúlio Vargas, em resposta a uma iniciativa idêntica da Argentina. O Paraguai perdeu 90 mil quilômetros quadrados para o Brasil nos tratados de paz. O reconhecimento da independência do Paraguai pela Argentina só foi feito na Conferência de Buenos Aires, em 1876, quando a paz foi estabelecida definitivamente. Em dezembro de 1975, quando os presidentes Ernesto Geisel e Alfredo Stroessner assinaram em Assunção um Tratado de Amizade e Cooperação , o governo brasileiro devolveu ao Paraguai troféus da guerra. RESULTADOS DA GUERRA: PARAGUAI: destruição do Estado existente, perda de territórios vizinhos e ruína da economia paraguaia, de modo que mesmo décadas depois, não conseguiu se desenvolver da mesma forma que os vizinhos. Perdas na guerra: até 69% da população, a maioria devido a doenças, fome e exaustão física. BRASIL: a guerra expôs a fragilidade militar-estrutural do Império, devido à escravidão, principalmente, mas saiu vitorioso militarmente e fortaleceu sua hegemonia até 1875. Reflexos internos: desequilíbrio orçamentário e no Tesouro brasileiro, além da forte dissociação entre Exército e monarquia, devido ao sentimento de identidade que se construiu durante a guerra. Perdas na guerra: 50 mil homens, devido a doenças e ao rigor do clima. O tesouro real indicou um gasto de 614 mil contos de réis, provindos das seguintes fontes: Empréstimo Estrangeiro: 49 (em milhares de contos de Réis) Empréstimo Interno: 27 Emissão de dinheiro: 102 Emissão de títulos: 171 Imposto: 265 O conflito custou, pois, ao Brasil, quase onze anos do orçamento público anual, em valores de pré-guerra, o que permite compreender melhor o persistente "déficit" público nas décadas de 1870 e 1880.
  • Também chama a atenção, nos números sobre as fontes dos recursos gastos na luta, a participação proporcionalmente pequena de empréstimos externos. O Brasil levou à guerra em torno de 139 mil homens, de um total de pouco mais de 9 milhões de habitantes, ou seja, cerca de 1.5% da população. A origem conhecida dos efetivos, sem incluir os efetivos da Marinha, foi: Voluntários da Pátria: 54.992 Guarda Nacional: 59.669 Recrutamento e Escravos Libertos: 8.489 Total: 123.148 ARGENTINA: passou por inúmeras rebeliões federalistas contra o governo nacional, pelo descontentamento com a guerra; economicamente foi beneficiada, pois abasteceu as tropas brasileiras com produtos (principalmente carne e cereais) oriundos de Buenos Aires, mas também houve sangria do Tesouro nacional. A guerra contribuiu para a consolidação do Estado nacional argentino e para dinamizar sua economia. Perdas na guerra: 30 mil homens. URUGUAI: sofreu impactos menores. Perdas na guerra: 5.000 soldados. Alterações no plano regional: a guerra de certa forma substituiu a histórica rivalidade entre Argentina e Brasil pela cooperação entre os dois grandes países, uma aliança estratégica duradoura, embora as desconfianças entre os lados continuem até hoje. Durante todo o tempo da campanha, as províncias de Entre Rios e Corrientes abasteceram as tropas brasileiras com gado, gêneros alimentícios e outros produtos. Economicamente, os mais beneficiados foram os comerciantes argentinos durante a guerra. O Brasil, que sustentou praticamente sozinho a guerra, pagou um preço alto pela vitória. Durante os cinco anos de lutas, as despesas do Império chegaram ao dobro de sua receita, provocando uma crise financeira. A escravidão passou a ser questionada, pois os escravos que lutaram pelo Brasil permaneceram escravos. O Exército Brasileiro passou a ser uma força nova e expressiva dentro da vida nacional. Transformara-se numa instituição forte que, com a guerra, ganhara tradições e coesão interna e representaria um papel significativo no desenvolvimento posterior da história do país. Além disso, houve a formação de um inquietante espírito corporativista no exército, que futuramente, formaria a República Federativa Brasileira.
  • A Companhia de Força Policial ainda não se encontrava completamente organizada, quando teve de ceder parte do efetivo para a composição dos Corpos de Voluntários da Pátria5. 5 CORPOS DE VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA É a denominação das Unidades militares criadas em 7 de janeiro de 1865, pelo Império do Brasil (1822-1889), para lutarem na Guerra do Paraguai (1864-1870); com as quais buscava-se reforçar o efetivo das forças militares do Exército Brasileiro. Desprovido de recursos bélicos, sem um exército suficientemente numeroso e instruído, sem condições de revidar adequadamente a ofensa recebida, o Imperador D. Pedro II expediu o Decreto nº 3.371, de 7 de Janeiro de 1865 ; o qual, apelando para os sentimentos do povo brasileiro, criava corpos militares para o serviço de guerra, com a denominação de "Voluntários da Pátria". O Imperador D. Pedro II logo partiu para a cidade de Uruguaiana, ocupada pelo exército paraguaio em 11 de setembro. Desembarcou no Rio Grande do Sul e seguiu de lá por terra. A jornada foi realizada montada a cavalo e por carretas, e à noite o imperador dormia em tenda de campanha. Em Uruguaiana apresentando-se no acampamento do exército como o primeiro voluntário da pátria , utilizando essa estratégia política para servir de exemplo tanto aos militares ali estacionados, quanto ao resto do Brasil. ESTRUTURA DE UM CORPO MILITAR Comandante - tenente-coronel .Estado-Maior 01 Fiscal (major) - subcomandante; 01 Ajudante (capitão) - responsável pelo pessoal; 01 Quartel-mestre (capitão) - responsável pelo material; 01 Secretário (tenente) - auxiliar e escrivão. Estado-Menor 01 sargento ajudante - auxiliar do capitão ajudante (sargenteante); 01 sargento quartel-mestre - auxiliar do capitão quartel-mestrel (almoxarifado); 01 sargento espingardeiro - armeiro; 01 sargento coronheiro - carpinteiro; 01 sargento corneta-mor - responsável pelos músicos;
  • Companhias Oito companhias, contendo cada uma: 01 capitão - comandante da companhia; 01 tenente - subcomandante da companhia; 02 alferes - comandantes dos pelotões; 01 1º sargento - auxiliar do comandante da companhia; 02 2º sargentos - auxiliares dos comandantes dos pelotões; 01 furriel; 08 cabos de esquadra; 08 anspeçadas; 02 corneteiros; 78 soldados. RECRUTAMENTO Inicialmente formado para tomar proveito do patriotismo que tinha tomado conta do Brasil no início da guerra, reunindo os voluntários que se alistavam espontaneamente. O governo assegurava vantagens aos voluntários como prêmio de trezentos mil réis; lotes de terra com vinte e duas mil braças em colônias militares; preferência nos empregos públicos; patentes de oficiais honorários; liberdade a escravos; assistência a órfãos, viúvas e mutilados de guerra. Com o passar do tempo e a diminuição do entusiasmo popular, o governo imperial passou a exigir dos presidentes das províncias cotas de voluntários, que deveriam recrutar. Cada Província foi solicitada prover, no mínimo, 1% da sua população. Por outro lado, havia várias formas de se escapar da convocação: os aquinhoados faziam doações de recursos, equipamentos, escravos e empregados para lutarem em seu lugar; os de menos posses alistavam seus parentes, filhos, sobrinhos ou agregados; aos despossuídos só restava a fuga para o mato. GUARDA NACIONAL A Guarda Nacional era uma força paramilitar organizada por lei no Brasil durante o período regencial, em agosto de 1831. Como uma instituição de caráter civil, a Guarda Nacional era subordinada aos Juízes de Paz, aos Juízes Criminais, aos presidentes de Província e ao Ministro da Justiça, sendo somente essas autoridades que podiam requisitar seus serviços. O único cenário em que os guardas nacionais passariam a fazer parte da estrutura militar de 1ª linha era no caso dos corpos destacados para a guerra, quando deveriam de atuar como auxiliares do Exército. A convocação da Guarda Nacional foi feita de acordo com os artigos 117 e 118 da Lei nº 602, de 1850, e, de início, teve boa acolhida nas províncias da Bahia, Pernambuco, Maranhão e Rio de Janeiro, onde a instituição estava bem organizada. CORPOS DE POLÍCIA Os Corpos de Polícia das Províncias, atuais polícias militares estaduais, contribuíram formando ou complementando diversos Corpos de Voluntários da Pátria. E em 1866 já existiam diversas Unidades formadas, muitas oriundas de corporações policiais.
  • RECRUTAMENTO FORÇADO Ainda em 1865 os voluntários da pátria passaram a contar com recrutamento forçado, instituído por chefes políticos locais e a oficiais da Guarda Nacional, que forçavam o alistamento de seus opositores. ESCRAVOS LIBERTOS O uso de escravos para lutar em nome de seus proprietários virou prática corrente. Além disso, sociedades patrióticas, conventos e o governo passaram a comprar escravos para lutarem na guerra. O império, então, passou a prometer alforria para os que se apresentassem para a guerra. Isto fez com que escravos fugissem sós ou em bandos das fazendas, e se apresentassem aos recrutadores com nomes falsos, para despistar seus senhores , mesmo com o governo fazendo vista grossa. D. Pedro II deu o exemplo, libertando todos os escravos das fazendas imperiais (como a Fazenda Imperial de Santa Cruz) para lutar na guerra. UNIDADES DE CORPOS DE VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA A enumeração dos Corpos de Voluntários é confusa. Embora inicialmente todas as Unidades tenham recebido numeração contínua, em 20 de dezembro de 1866,Marquês de Caxias realizou uma reorganização das forças brasileiras. Como comandante-geral, ele determinou, conforme previsto no Decreto nº 782, de 19 de abril de 1852, que todos os corpos militares passariam a ter, rigorosamente, oito companhias. E para evitar que as numerações dos Corpos de Voluntários fossem confundidas com os Corpos de Infantaria do Exército (havia vinte e um corpos, enumerados de 1 ao 21), determinou que os primeiros vinte e um CVP fossem reordenados com nova numeração. A partir dessa data, devido à necessidade de manter as Unidades com as oito companhias regulamentares, alguns corpos que haviam sidos criados com determinada numeração, ao se apresentarem no teatro de operação acabaram dissolvidos e seus efetivos redistribuídos em outros corpos. Com isso, possibilitando que outras Unidades fossem formadas com a mesma designação das anteriormente dissolvidas. Existiram ainda Corpos de Voluntários que nunca receberam numeração; tais como: o 1º Batalhão de Infantaria da Corte, incorporado diretamente no Exército Imperial; dois batalhões de Infantaria Montada da Guarda Nacional do Rio Grande do Sul; e o 21º Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional. Vencida a guerra, iniciou o retorno dos poucos CVP que sobraram. Os primeiros formaram a brigada sob o comando do baiano Faria Rocha, abraçado com a maior efusão pelo Imperador, fez sua marcha triunfal pela Rua Primeiro de Março, antiga Rua Direita, na cidade do Rio de Janeiro. 7 As perdas brasileiras sofridas por mortes, ferimentos, doenças e invalidez alcançaram a 40% do efetivo. No total fizeram parte 37.928 voluntários da pátria. Da meia centena de CVPs que seguiram para a guerra, restaram quatorze.
  • De imediato foi formada uma companhia onde incluíram os primeiros policiais. Essa unidade seguiu para o Rio de Janeiro e foi incorporada ao 4º Corpo de Voluntários. A seguir os oficiais saíram em diligência para interior do Estado, para recrutar e formar um novo corpo militar; sendo reunido um efetivo apenas suficiente para completar três companhias. Essas companhias foram enviadas à cidade de Desterro (atual Florianópolis, SC) e reunidas a outras, organizadas em Santa Catarina, compondo o 25º Corpo de Voluntários. Em Uruguaiana, RS, as tropas brasileiras foram reorganizadas; sendo o 25º CVP incorporado ao 31º CVP (organizado com o Corpo Policial da Capital Federal). Esse Corpo destacou-se como uma das melhores unidades na Guerra do Paraguai, e foi uma das últimas a ser desmobilizada. Principais combates: Batalha de Tuiuti (24 de maio de 1866); Batalha de Curuzu (01 de setembro de 1866); Batalha de Itororó (06 de dezembro de 1868); Batalha de Avaí (11 de dezembro de 1868); e Batalha de Lomas Valentinas (22, 25 e 27 de dezembro de 1868). Para os mutilados de guerra que não tinham recursos para a própria subsistência o governo fez levantar o Asilo de Inválidos da Pátria, inaugurado em 1868, na ilha de Bom Jesus, na baía de Todos os Santos. Ali permaneceram sob os cuidados do governo, sobrevivendo dos recursos angariados pela Associação Comercial do Rio de Janeiro durante a guerra, mas distantes dos olhos da população. 7 ARMAMENTOS Em 1865 o armamento padrão do Exército Imperial eram os fuzis de percussão, com canos raiados, e munição calibre 14,80mm, sistema Miniè. Porém, como não havia armamento em quantidade suficiente para todo o efetivo, foram também utilizadas armas em desuso, com canos de alma lisa (sem raiamento). O 3º Corpo de Voluntários da Pátria, de Salvador, Bahia, foi armado com fuzis adquiridos na Europa, às custas do próprio comandante, tenente-coronel João José da Costa. Os oficiais armavam-se por conta própria, todos com espadas de aço. Os mais abastados adquiriam revólveres Lefaucheux e Colt, mas a maioria possuía somente pistolas de percussão, monotiro.
  • REVOLUÇÃO FEDERALISTA6 6 A Revolução Federalista foi uma guerra civil que ocorreu no sul do Brasil logo após a Proclamação da República. Instada pela crise política gerada pelos federalistas, grupo opositor que pretendia "libertar o Rio Grande do Sul da tirania de Júlio de Castilhos", então presidente do Estado, e também conquistar uma maior autonomia e descentralizar o poder da então recém-proclamada República. Empenharam-se em disputas sangrentas que acabaram por desencadear a luta armada, que durou de fevereiro de 1893 a agosto de 1895 e foi vencida pelos seguidores de Júlio de Castilhos. O conflito atingiu os três estados da região: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. CONTEXTO Durante o século XIX, o estado do Rio Grande do Sul esteve em permanente estado de guerra. Na Revolução Farroupilha (1835-1845) e na Guerra do Paraguai (1864-1870), a população gaúcha foi devastada. Nos últimos anos do Império, surgiram na região três lideranças políticas antagônicas: o liberal Assis Brasil, o conservador Pinheiro Machado e o positivista Júlio Prates de Castilho. Os três se reuniram para fundar o Partido Republicano Rio-grandense, que fazia oposição ao Partido Federalista do Rio Grande do Sul, fundado e liderado pelo liberal monarquista Gaspar Silveira Martins. Em 1889, com a Proclamação da República, essas correntes entraram em conflito, de forma que em apenas dois anos o estado teria dezoito governadores. A CONSTITUIÇÃO ESTADUAL DE 1891 E UM PANORAMA DE JÚLIO PRATES DE CASTILHOS Júlio Prates de Castilhos nasceu e cresceu em uma estância gaúcha e estudou Direito em São Paulo, onde teve contato com as ideias positivistas de Auguste Comte. Depois de formado, retornou à sua terra e passou a escrever no jornal A Federação, atacando o Império, a escravidão e seu adversário político Gaspar Silveira Martins. Foi deputado constituinte em 1890-1891, e acreditava em uma fase ditatorial para consolidar a República e defendeu uma forte centralização do poder no ditador republicado. Derrotado na constituinte nacional, implantou essa ideia na constituição estadual, meses mais tarde, em um texto que redigiu praticamente sozinho, ignorando sugestões da comissão de juristas destacada para a tarefa, e aprovou-o, em julho de 1891, em uma assembleia estadual controlada pelo Partido Republicano Rio-grandense, liderado por ele e de orientação positivista. A constituição estadual previa que as leis não seriam elaboradas pelo Parlamento, mas pelo chefe do Executivo, que poderia ser reeleito para novos mandatos. Como o voto não era secreto, as eleições seriam facilmente manipuladas pelos adeptos de Castilhos, o que lhe garantiria permanecer no poder indefinidamente.
  • No mesmo mês em que aprovou sua constituição, foi eleito governador. Em novembro, por ter apoiado o golpe de Deodoro e o fechamento do Congresso, foi deposto e substituído por uma junta de governo, que durou pouco e logo passou o governo ao general Barreto Leite. Castilhos retomou um governo paralelo e foi reeleito em um pleito sem concorrentes, tomando posse em janeiro de 1893. Nesse momento, o estado era o "ponto nevrálgico da República" e a resposta dos adversários era iminente. PICA-PAUS E MARAGATOS Os seguidores de Gaspar da Silveira Martins, gasparistas ou maragatos, eram frontalmente opostos aos seguidores de Júlio de Castilhos, castilhistas, pica-paus ouximangos. Os defensores de Júlio de Castilhos receberam a alcunha de pica-paus ou ximangos, em razão da cor do uniforme usado pelos soldados que defenderam essa facção, que se assemelhavam às dos pássaros da região. Esta denominação se estendeu a todos os castilhistas, inclusive civis. Já o termo maragato, que foi usado para se referir à corrente política que defendia Gaspar da Silveira Martins, tem uma explicação mais complexa: "Na província de León, Espanha, existe uma comarca denominada Maragateria, cujos habitantes têm o nome de maragatos, e que, segundo alguns, é um povo de costumes condenáveis; pois, vivendo a vagabundear de um ponto a outro, com cargueiros, vendendo e comprando roubos e por sua vez roubando principalmente animais; são uma espécie de ciganos. " (Romaguera). Os maragatos espanhóis eram eminentemente nômades, e adotavam profissões que lhes permitissem estar em constante deslocamento. No Uruguai eram chamados de maragatos os habitantes da cidade de San José de Mayo, Departamento de San José, talvez porque os seus primeiros habitantes fossem descendentes dos maragatos espanhóis, que foram responsáveis por trazer para a região do rio da Prata o costume da bombacha. Na época da revolução, os republicanos legalistas usavam esta apelação como pejorativa, com o sentido de "mercenários". A realidade oferecia alguma base para essa assertiva — o caudilho Gumercindo Saraiva, um dos líderes da revolução, havia entrado no Rio Grande do Sul vindo do Uruguai pela fronteira de Aceguá, no Departamento de Cerro Largo, comandando uma tropa que incluía naturais daquele país. A família de Gumercindo, embora de origem portuguesa, possuía campos em Cerro Largo. No entanto, dar esse apelido aos revolucionários foi um tiro que saiu pela culatra. A denominação granjeou simpatia, e os próprios rebeldes passaram a se denominar "maragatos". Em 1896, chegaram a criar um jornal que levava esse nome.
  • O CONFLITO INÍCIO As desavenças iniciaram-se com a concentração de tropas sob o comando do maragato João Nunes da Silva Tavares, o Joca Tavares, barão de Itaqui em campos da Carpintaria, no Uruguai, localidade próxima a Bagé. Logo após o potreiro de Ana Correia, vindo do Uruguai em direção ao Rio Grande do Sul, encontrava-se o coronel caudilho federalista Gumercindo Saraiva. Eficientemente, os maragatos dominaram a fronteira, exigindo a deposição de Júlio de Castilhos, que havia sido eleito presidente do estado pelo voto direto. Havia também o desejo de um plebiscito onde o povo deveria escolher o sistema de governo. Devido à gravidade do movimento, a rebelião adquiriu âmbito nacional rapidamente, ameaçando a estabilidade do governo rio-grandense e o regime republicano em todo o país. Floriano Peixoto, então na presidência da República, enviou tropas federais sob o comando do general Hipólito Ribeiro para socorrer Júlio de Castilhos. Foram estrategicamente organizadas três divisões, chamadas de legalistas: a do norte, a da capital e a do centro. Além destas, foi convocada a polícia estadual e todo o seu contingente para enfrentar o inimigo. A primeira vitória dos maragatos foi em maio de 1893, junto ao arroio Inhanduí, em Alegrete, município sul-rio-grandense. Neste combate ao lado dos Pica-paus legalistas participou o senador Pinheiro Machado, que tinha deixado a sua cadeira no Senado Federal para organizar a Divisão do Norte, a qual liderou durante todo o conflito. OS MARAGATOS VÃO AO NORTE Gumercindo Saraiva e sua tropa dirigiram-se para Dom Pedrito. De lá iniciaram uma série de ataques relâmpagos contra vários pontos do estado, desestabilizando as posições conquistadas pelos Republicanos. Em seguida rumaram ao norte, avançando em novembro sobre Santa Catarina e chegando ao Paraná, sendo detidos na cidade da Lapa, a sessenta quilômetros a sudoeste de Curitiba. Nesta ocasião, o Coronel Carneiro morreu em fevereiro de1894 sem entregar suas posições ao inimigo, no episódio que ficou conhecido como o Cerco da Lapa. A obstinada resistência oposta às tropas federalistas na cidade de Lapa (Paraná), pelo Coronel Carneiro, frustrou as pretensões rebeldes de chegarem à capital da República. O almirante Custódio de Melo, que chefiara a revolta da Armada contra Floriano Peixoto, uniu- se aos federalistas e ocupou Desterro, atual Florianópolis. De lá chegou a Curitiba, ao encontro do caudilho-maragato Gumercindo Saraiva.
  • A resistência da Lapa impediu o avanço da revolução. Gumercindo, impossibilitado de avançar, bateu em retirada para o Rio Grande do Sul. Morreu em 10 de agosto de 1894, após ser atingido por um tiro desferido à traição enquanto reconhecia o terreno, na véspera da Batalha do Carovi. ARGENTINA E URUGUAI Ao longo da Revolução, os maragatos tiveram apoio constante da província de Corrientes, na Argentina e também no Uruguai. O que lhes permitiu contrabandear armamento através da fronteira, praticar incursões táticas em território estrangeiro afim de fugir de perseguições, bem como, refugiar-se nos países vizinhos em momentos de desvantagens frente ao inimigo. A PAZ A revolução federalista foi derrotada em 24 de junho de 1895 no combate de Campo Osório, quando o almirante Saldanha da Gama, possuidor de um contingente de 400 homens, 100 deles marinheiros, lutou até a morte contra os Pica-paus comandados pelo general Hipólito Ribeiro. A derrota causou grande comoção no lado Federalista e acelerou o processo de paz, que foi assinada no dia 23 de agosto de 1895, em Pelotas. O presidente da República era então Prudente de Morais e o emissário do governo federal era o general Galvão de Queirós. BALANÇO: A REVOLUÇÃO DAS DEGOLAS Este conflito propiciou pelo menos dez mil mortos e incontáveis feridos. A prática da degola dos prisioneiros não foi rara em ambos os lados contendores, adquirindo o caráter revanchista. Por muito tempo foi atribuído ao Coronel maragato Adão Latorre a degola de 300 Pica- paus prisioneiros, às margens do Rio Negro, contidos em uma taipa, um tipo de cercado de pedras para gado, que ficou conhecido como Potreiro das Almas, nas cercanias de Bagé, hoje em território do município de Hulha Negra, em 23 de novembro de 1893, após a Batalha do Rio Negro. O fato, porém, é desmentido por vários documentos históricos, como o Diário do General Maragato João Nunes da Silva Tavares, que refere o número de 300 como sendo as baixas totais do inimigo, entre mortos em combate e feridos. O General afirma que o número de degolados foi de 23 "patriotas", membros das forças provisórias castilhistas, todos assassinos conhecidos no estado, pelas tropelias cometidos contra os Federalistas, particularmente no saque a Bagé no final de 1892 pelas forças dos Coronéis castilhistas Pedroso e Motta.
  • Em 5 de Abril no Combate do Boi Preto há a degola de 250 maragatos em represália à degola do Rio Negro. O pica-pau Cherengue ou Xerengue rivalizava com Latorre em número de degolas praticadas. Muitas vezes a degola era praticada em meio a zombarias e humilhações. Embora não com frequência, poderia ser antecedida por castração. Conta-se, por exemplo, que apostas eram feitas em corrida de degolados. Na degola convencional a vítima, ajoelhada, tinha as pernas e mãos amarradas, a cabeça estendida para trás e a faca era passada de orelha a orelha. Como se degolasse uma ovelha, rotina nas lides do campo. Os ressentimentos acumulados, as desavenças pessoais, somados ao caráter rude do homem da campanha acostumado a sacrificar o gado, tentam explicar estes atos de selvageria. Do ponto de vista militar e logístico a degola decorria da incapacidade das forças em combate de fazer prisioneiros, mantê-los encarcerados e alimentá-los, pois, ambas lutavam em situação de grande penúria. Procurava-se, pelo mesmo motivo, poupar munição empregando um meio rápido de execução. UMA OUTRA VISÃO DA REVOLUÇÃO FEDERALISTA De 1893 a 1895 as terras do sul serviram de cenário aos violentos combates da Revolução Federalista, travados entre os partidários de dois oligarcas gaúchos: de um lado, os federalistas (maragatos), liderados por Gaspar Silveira Martins; de outro, os republicanos (chimangos ou pica-paus), seguidores do positivista Júlio de Castilhos. Os federalistas defendiam a instalação de um regime parlamentarista nos moldes do que existiu no Segundo Reinado. Já os republicanos defendiam um presidencialismo forte, centralizador, no estilo do governo de Floriano Peixoto. O confronto ultrapassou as fronteiras gaúchas, estendendo-se a Santa Catarina, ao Paraná e até ao Uruguai. Embora Floriano tivesse tropas federais nos estados sulistas, somente em 1895, no governo de Prudente de Morais é que seria assinado um acordo de paz na região. PRINCIPAIS COMBATES Cerco de Bagé Batalha do Pulador Cerco da Lapa
  • Coronel Candido Dulcídio Pereira em pé (militar com menor estatura) atrás de uma metralhadora Nordenfelt, Lapa, 1893/4. CERCO DE BAGÉ Para fazer frente ao avanço dos federalistas, o Regimento de Segurança (PMPR) foi colocado à disposição do Ministério da Guerra, e reunido ao 8º Regimento de Cavalaria e o 17º Batalhão de Infantaria do Exército, sob o comando do General Francisco de Paula Argolo.
  • Essa tropa deveria avançar sobre a cidade de Desterro, onde se concentravam os federalistas e os marinheiros sublevados da Revolta da Armada. Devido o iminente cerco por outras colunas móveis, o General Argolo decidiu recuar as tropas para Rio Negro, PR. Esse procedimento desagradou o Marechal Floriano Peixoto, levando-o a repassar o comando das tropas para o Coronel Antônio Ernesto Gomes Carneiro. Nesse momento o Paraná já se encontrava sob ataque por diversas frentes. O Coronel Carneiro optou por criar uma linha de defesa concentrada nas cidades de Paranaguá, Tijucas do Sul e Lapa, até receber reforços de São Paulo. Esse reforço nunca chegou, e as tropas resistiram no Cerco da Lapa por vinte e seis dias a efetivos numericamente superiores. No dia 7 de fevereiro de 1894 ocorreu o mais violento combate, no qual foram mortos o Coronel Carneiro e o Coronel Dulcídio (comandante do Regimento de Segurança). Em 11 de fevereiro a praça de guerra capitulou. Mas a resistência não foi vã, pois retardou os revoltosos e permitiu a concentração das forças legalistas; contribuindo dessa forma para a manutenção do Governo Federal. Principais combates: Combate de Rio Negro (16 de dezembro de 1893); Combate do Rio da Várzea (06 de dezembro de 1893); Combate do Cemitério da Lapa (22 de janeiro de 1894); Combate do Engenho da Lapa (24 de janeiro de 1894); e Combate do Dia Sete (07 de fevereiro de 1894).
  • GUERRA DO CONTESTADO7 7 A complexa abrangência do Conflito do Contestado ainda está por ser escrita de forma completa e imparcial. Combatentes do Regimento de Segurança em uniforme de gala, sendo condecorados pelo Presidente do Estado, Carlos Cavalcanti de Albuquerque. Quartel do Comando Geral, em 19 de dezembro de1915. A guerra civil deflagrou-se quando um movimento messiânico adentrou na região do Irani, área de litígio entre os Estados de Santa Catarina e Paraná. E com o intuito de afastar uma intervenção da União, o governo estadual enviou o Regimento de Segurança para resolver a situação de forma imediata e incisiva. Acabaram ocorrendo graves divergências quanto ao emprego do efetivo, pois o Chefe de Polícia, cargo político que atualmente corresponde a um Secretário de Segurança, desejava distribuir o efetivo pelas localidades circunvizinhas; assumindo uma posição defensiva. Entretanto, o Coronel João Gualberto, comandante do Regimento de Segurança, desejava avançar de imediato sobre os revoltosos, para prender seus líderes e dispersar seus seguidores. A tropa acabou sendo dividida, e apenas foi liberado um pequeno efetivo para o Coronel João Gualberto atingir seus desígnios. Na localidade de Irani esse destacamento se defrontou com um elevado número de revoltosos, armados e dispostos à luta; ocorrendo um grande número de mortes e feridos.
  • O confronto violento foi desastroso para ambos os lados, e desencadeou justamente o que se procurava evitar: uma intervenção federal. As operações perduraram de 1912 a 1916. Em 1914, o efetivo da polícia militar que havia sido retirado do local sob o controle dos revoltosos, foi reunido e reforçado, constituindo um Batalhão Tático. Nessa fase a força estadual permaneceu sob o comando do Exército, intervindo apenas em apoio às operações. PRINCIPAIS COMBATES: Combate do Irani (22 de outubro de 1912); Combate da Estiva (06 de setembro de 1914); Combate de Catanduvas (18, 20 e 28 de novembro de 1914); Combate de Queimados (30 de novembro de 1914); e Combate do Reduto Tavares (07 de janeiro de 1915). A GUERRA DO CONTESTADO foi um conflito armado entre a população cabocla e os representantes do poder estadual e federal brasileiro travado entre outubro de 1912 a agosto de 1916, numa região rica em erva-mate e madeira, disputada pelos estados brasileiros do Paraná e de Santa Catarina. Originada nos problemas sociais, decorrentes principalmente da falta de regularização da posse de terras e da insatisfação da população hipossuficiente, numa região em que a presença do poder público era pífia, o embate foi agravado ainda pelo fanatismo religioso, expresso pelo messianismo e pela crença, por parte dos caboclos revoltados, de que se tratava de uma guerra santa. A região fronteiriça entre os estados do Paraná e Santa Catarina recebeu o nome de Contestado devido ao fato de que os agricultores contestaram a doação que o governo brasileiro fez aos madeireiros e à Southern Brazil Lumber & Colonization Company . Como foi uma região de muitos conflitos, ficou conhecida como CONTESTADO, por ser uma região de disputas de limites entre os dois estados brasileiros.
  • ANTECEDENTES Antes dos acontecimentos que culminaram na guerra, houve: Ação judicial de Santa Catarina contra o Paraná em 1900, por limites Decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal pró-Santa Catarina em 1904, 1909 e 1910 Revolta do ex-maragato Demétrio Ramos na zona do Timbó, em 1905 e 1906 Construção da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, de 1908 a 1910 Criação dos municípios de Canoinhas, Itaiópolis e Três Barras em Santa Catarina, e de Timbó no Paraná. Instalação da Southern Brazil Lumber & Colonization Company em Calmon (1908) e em Três Barras (1912) Construção do ramal de São Francisco, a partir de 1911 1911: Revolta do ex-maragato Aleixo Gonçalves de Lima em Canoinhas 1910 - 1912: Questão de terras da fazenda Irani e da Cia. Frigorífica e Pastoril Batalha do Irani em 22 de outubro de 1912 1911: Escrituração de glebas de terras devolutas do Contestado para a EFSPRG Disputas pela exploração dos ervais - concessões de estados e municípios Vendas suspeitas de terras no Contestado, do Estado para especuladores – bendegós Disputas eleitorais entre os coronéis da região pelos domínios políticos nos municípios Espírito guerreiro do caboclo pardo (Revolução Farroupilha e Revolução Federalista Religiosidade: messianismo, misticismo e fanatismo da população cabocla Ideologia nacionalista – civilismo na República – construção do exército PRELIMINARES: O PODER DOS MONGES Para entender-se bem a guerra sertaneja, é preciso voltar um pouco no tempo e resgatar o valor da figura de três monges da região. O primeiro monge que galgou fama foi João Maria, um homem de origem italiana, que peregrinou pregando e atendendo doentes de 1844 a 1870. Fazia questão de viver uma vida extremamente humilde, e sua ética e forma de viver arrebanhou milhares de crentes, reforçando o messianismo coletivo. Sublinhe-se, porém, que não exerceu influência direta nos acontecimentos da Guerra do Contestado que ocorreria posteriormente. João Maria morreu em 1870, em Sorocaba, estado de São Paulo.
  • O segundo monge adotou o codinome (alcunha) de João Maria, mas seu verdadeiro nome era Atanás Marcaf, provavelmente de origem síria. Aparece publicamente com a Revolução Federalista de 1893, mostrando uma postura firme e uma posição messiânica. Sobre sua situação política, dizia ele "estou do lado dos que sofrem". Chegou, inclusive, a fazer previsões sobre os fatos políticos da sua época. Atuava na região entre os rios Iguaçu e Uruguai. É de destacar a sua influência inquestionável sobre os crentes, a ponto de estes esperarem a sua volta através da ressurreição, após seu desaparecimento em 1908. As entrelinhas do que estava por vir estavam se amarrando entre si. A espera dos fiéis acabou em 1912, quando apareceu publicamente a figura do terceiro monge. Este era conhecido inicialmente como um curandeiro de ervas, tendo se apresentado com o nome de José Maria de Santo Agostinho, ainda que, de acordo com um laudo da polícia da Vila de Palmas, Estado do Paraná, ele fosse, na verdade, um soldado desertor condenado por estupro, de nome Miguel Lucena de Boaventura. Como ninguém conhecia ao certo a sua origem, como aparentava uma vida reta e honesta, não lhe foi difícil granjear em pouco tempo a admiração e a confiança do povo. Um dos fatos que lhe granjearam fama foi a presunção de ter ressuscitado uma jovem (provavelmente apenas vítima de catalepsia patológica. Supostamente também recobrou a saúde da esposa do coronel Francisco de Almeida, acometida de uma doença incurável. Com este episódio, o monge ganha ainda mais fama e credibilidade ao rejeitar terras e uma grande quantidade de ouro que o coronel, agradecido, lhe queria oferecer. A partir daí, José Maria passa a ser considerado santo: um homem que veio à terra apenas para curar e tratar os doentes e necessitados. Metódico e organizado, estava muito longe do perfil dos curandeiros vulgares. Sabia ler e escrever e anotava em seus cadernos as propriedades medicinais das plantas encontradas na região. Com o consentimento do coronel Almeida, montou no rancho de um dos capatazes o que chamou de farmácia do povo, onde fazia o depósito de ervas medicinais que utilizava no atendimento diário, até horas tardias da noite, a quem quer que o visitasse. OS CONFRONTOS SE INICIAM Após a conclusão das obras do trecho catarinense da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, a companhia Brazil Railway Company, que recebeu do governo 15 km de cada lado da ferrovia, iniciou a desapropriação de 6.696 km² de terras (equivalentes a 276.694
  • alqueires) ocupadas já há muito tempo por posseiros que viviam na região entre o Paraná e Santa Catarina. O governo brasileiro, ao firmar o contrato com a Brazil Railway Company, declarou a área como devoluta, ou seja, como se ninguém ocupasse aquelas terras. "A área total assim obtida deveria ser escolhida e demarcada, sem levar em conta sesmarias nem posses, dentro de uma zona de trinta quilômetros, ou seja, quinze para cada lado". Isso, e até mesmo a própria outorga da concessão feita à Brazil Railway Company, contrariava a chamada Lei de Terras de 1850. Não obstante, o governo do Paraná reconheceu os direitos da ferrovia; atuou na questão, como advogado da Brazil Railway, Affonso Camargo, então vice-presidente do estado. Esses camponeses que viram o direito às terras que ocupavam ser usurpado, e os trabalhadores que foram demitidos pela companhia (1910), decidiram então ouvir a voz do monge José Maria, sob o comando do qual organizaram umacomunidade. Resultando infrutíferas quaisquer tentativas de retomada das terras - que foram declaradas "terras devolutas"pelo governo brasileiro no contrato firmado com a ferrovia - cada vez mais passou-se a contestar a legalidade da desapropriação. Uniram-se ao grupo diversos fazendeiros que, por conta da concessão, estavam perdendo terras para o grupo de Farquhar, bem como para os coronéis manda-chuvas da região. A união destas pessoas em torno de um ideal, levou à organização do grupo armado, com funções distribuídas entre si. Omessianismo adquiria corpo. A vida era comunitária, com locais de culto e procissões, denominados redutos. Tudo pertencia a todos. O comércio convencional foi abolido, sendo apenas permitidas trocas. Segundo as pregações do líder, o mundo não duraria mais 1000 anos e o paraíso estava próximo. Ninguém deveria ter medo de morrer porque ressuscitaria após o combate final. É de destacar a importância atribuída às mulheres nesta sociedade. A virgindade era particularmente valorizada. 1 O "santo monge" José Maria rebelou-se, então, contra a recém formada república brasileira e decidiu dar status de governo independente à comunidade que comandava. Para ele, a república era a "lei do diabo". Nomeou "imperador do Brasil" um fazendeiro analfabeto, nomeou a comunidade de "Quadro Santo" e criou uma guarda de honra constituída por 24 cavaleiros que intitulou de "Doze Pares de França", numa alusão à cavalaria de Carlos Magno na Idade Média.
  • Os camponeses uniram-se a este, fundando alguns povoados, cada qual com seu santo. Cada povoado seria como uma "monarquia celeste", com ordem própria, à semelhança do que Antônio Conselheiro fizera em Canudos. Convidado a participar da festa do Senhor do Bom Jesus, na localidade de Taquaruçu (município de Curitibanos), o monge foi acompanhado de cerca de 300 fiéis, e lá permaneceu por várias semanas, atendendo aos doentes e prescrevendo remédios. Desconfiado com o que acontecia e com medo de perder o mando da situação local em Curitibanos, o coronel Francisco de Albuquerque, rival do coronel Almeida, enviou um telegrama para a capital do estado pedindo auxílio contra "rebeldes que proclamaram a monarquia em Taquaruçu"'. PRIMEIRAS MORTES O governo brasileiro, então comandado pelo marechal Hermes da Fonseca, responsável pela Política das Salvações, caracterizada por intervenções político-militares que em diversos Estados do país pretendiam eliminar seus adversários políticos, sentiu indícios de insurreição neste movimento e decidiu reprimi-lo, enviando tropas para "acalmar" os ânimos. Antevendo o que estava por vir, José Maria parte imediatamente para a localidade de Irani com todo o seu carente séquito. A localidade nesta época pertencia a Palmas, cidade que estava na jurisdição do Paraná, e que tinha com Santa Catarina questões jurídicas não resolvidas por conta de divisas territoriais, e acabou vendo nessa grande movimentação uma estratégia de ocupação daquelas terras. A guerra do Contestado inicia-se neste ponto: em defesa de suas terras, várias tropas do Regimento de Segurança do Paraná são enviadas para o local, a fim de obrigar os invasores a voltar para Santa Catarina. Estamos em outubro de 1912. Mas as coisas ocorrem bem diferente do planejado. Tem início um confronto sangrento entre tropas do governo e fiéis do Contestado no lugar chamado "Banhado Grande". Ao término da luta, estão sem vida dezenas de pessoas, de ambos os lados. Morreram no confronto o coronel João Gualberto, que comandava as tropas, e também o monge José Maria, mas os partidários do contestado tinham conseguido a sua primeira vitória. José Maria foi enterrado com tábuas pelos seus fiéis, a fim de facilitar a sua ressurreição, já que os caboclos acreditavam que este ressuscitaria acompanhado de um "exército encantado", vulgarmente chamado de "Exército de São Sebastião", que os ajudaria a fortalecer a "monarquia celeste" e a derrubar a república, que cada vez mais acreditava-se ser um instrumento do diabo, dominado pelas figuras dos coronéis.
  • MAIS CONFRONTOS, ATAQUES E CONTRA-ATAQUES Em 8 de fevereiro de 1914, numa ação conjunta de Santa Catarina, Paraná e governo federal, foi enviado a Taquaruçu um efetivo de 700 soldados, apoiados por peças de artilharia e metralhadoras. Estes logram êxito na empreitada, incendeiam completamente o acampamento dos jagunços, mas sem muitas perdas humanas, já que os caboclos e fiéis da causa do Contestado se refugiaram em Caraguatá, local de difícil acesso e onde já viviam cerca de 20.000 pessoas. Os fiéis que mudaram para Caraguatá, interior do atual município de Lebon Régis, eram chefiadas por Maria Rosa, uma jovem com quinze anos de idade, considerada pelos historiadores como uma Joana D'Arc do sertão, já que "combatia montada em um cavalo branco com arreios forrados de veludo, vestida de branco, com flores nos cabelos e no fuzil". Após a morte de José Maria, Maria Rosa afirmava receber, espiritualmente, ordens do mesmo, o que a fez assumir a liderança espiritual e militar de todos os revoltosos, então cerca de 6.000 homens. De março a maio outras expedições foram realizadas, porém todas sem sucesso. Em 9 de março de 1914, embaladas pela vitória de Taquaruçu, que tinham destruído completamente, as tropas cercam e atacam Caraguatá, mas aí o desastre é total. Fogem em pânico perseguidos pelos revoltosos. Esta nova vitória enche os contestadores de ânimo. O fato repercute em todo o interior, trazendo para o reduto ainda mais pessoas com interesses afins, mas também atinge em cheio ao governo e aos órgãos legalmente constituídos. Como cada vez mais pessoas engajavam-se abertamente ao movimento, piquetes foram formados pelos fiéis para o arrebanhamento de animais da região a fim de suprir as necessidades alimentícias do núcleo de Caraguatá. São então fundados os redutos de Bom Sossego e São Sebastião. Só neste último se aglomeravam cerca de 2.000 pessoas. Além de colocar em prática técnicas de guerrilha para a defesa dos ataques do governo, os fanáticos passaram ao contra-ataque. Em 2 de setembro, lançaram um documento que intitulou-se "Manifesto Monarquista", deflagrando-se, a partir de então, o que chamavam de a guerra santa, caracterizada por saques e invasões de propriedades de coronéis e por um discurso que exigia pobreza e cobrava exploração ao máximo da República. Invadiam as fazendas dos coronéis tomando para si tudo o que precisavam para suprir as necessidades do reduto.
  • Além disso, amparados nas vitórias que tiveram, atacaram várias cidades, como foi o caso de Curitibanos, onde os alvos eram invariavelmente os cartórios, locais onde se encontravam os registros das terras que antes a eles pertenciam. Não bastasse isso, num outro ataque na localidade de Calmon, destruíram completamente a segunda serraria da Lumber, uma das empresas que vieram de fora para explorar a madeira da faixa de terra de 30 quilômetros (15 quilômetros de cada lado) às margens da ferrovia. O CONTROLE COMEÇA A MUDAR DE LADO Com a ordem social cada vez mais caótica na região, o governo central designou o general Carlos Frederico de Mesquita, veterano de Canudos, para comandar uma ação contra os rebeldes. Inicialmente tentou, sem êxito, um acordo para dispensar os revoltosos; a seguir atacou duramente Santo Antônio, obrigando os rebeldes a fugir. O reduto de Caraguatá, que antes vira as tropas do governo fugirem perseguidas por revoltosos, tem agora de ser abandonada às pressas pelos mesmos revoltosos devido a uma grande epidemia de tifo. Considerando, equivocadamente, dispersos os revoltosos, o general Mesquita dá a luta por encerrada. Mas a calmaria terminaria logo. Os revoltosos rapidamente se reagrupam e se organizam na localidade de Santa Maria, interior norte do município de Lebon Régis, intensificando os ataques: tomam e incendeiam a estação de Calmon; dizimam a vila de São João (Matos Costa), atacam Curitibanos e ameaçam Porto União da Vitória, cuja população abandona a cidade em desespero. Os boatos chegam até Ponta Grossa e dizem que os revoltosos e seu exército pretendem marchar até o Rio de Janeiro para depor o presidente. Os rebeldes já dominam, nesta altura dos acontecimentos, cerca de 250 km² da região do Contestado. O governo federal jogou uma outra, e ainda mais dura, cartada: nomeou o general Fernando Setembrino de Carvalho para o comando das operações contra os contestadores. Este chegou a Curitiba em setembro de 1914, chefiando cerca de 7000 homens, com ordens de sufocar a rebelião e pacificar a região a qualquer custo. Sua primeira providência foi restabelecer as ligações ferroviárias e guarnecê-las para evitar novos ataques. Nas proximidades da ferrovia, o exército construiu o Campo da Aviação de Rio Caçador, onde hoje existe o município homônimo.
  • Como apoio de operações de guerra, pela primeira vez na história do Brasil foram usados dois aviões para fins de reconhecimento. Em um acidente durante as operações, morreu o capitão Ricardo Kirk, primeiro aviador militar do Brasil. Astutamente, Setembrino enviou um manifesto aos revoltosos no qual garantia a devolução de terras para quem se entregasse pacificamente. Garantia também, por outro lado, um tratamento hostil e severo para quem resolvesse continuar em luta contra o governo. MUDANÇA DE ESTRATÉGIA Com o passar do tempo, general Fernando Setembrino de Carvalho adotou uma nova postura de guerra, evitando o combate direto, que era o que os revoltosos esperavam e para o que estavam se preparando, optando por cercar o reduto dos fanáticos com tropas por todos os lados, evitando que entrassem ou saíssem da região onde estavam. Para isto, o general dividiu seu efetivo em quatro alas com nomes dos quatro pontos cardeais e, gradativamente, foi avançando e destruindo qualquer resistência que encontrasse pelo caminho. Com esta nova estratégia, rapidamente começou a faltar comida nos acampamentos dos revoltosos. Isto teve como consequência imediata a rendição de dezenas de caboclos. Contudo, a maioria dos que se entregavam eram velhos, mulheres e crianças - talvez uma contra-estratégia dos fiéis para que sobrasse mais comida aos combatentes que ficaram para trás e que ainda defenderiam a causa. Neste ponto da guerra do Contestado, começa a se destacar a figura de Deodato Manuel Ramos, vulgo "Adeodato", considerado pelos historiadores como o último líder dos contestadores. Adeodato transferiu o núcleo dos revoltosos para o vale de Santa Maria, que contava ainda com cerca de 50.000 homens. Só que aí, à medida que ia faltando o alimento, Adeodato passou a revelar-se cada vez mais autoritário, não aceitando a rendição. Aos que se entregavam, aplicava sem dó a pena de morte. Cerco fechado, sem pressa e deixando os revoltosos nervosos lutarem contra si mesmos, em 8 de fevereiro de 1915 a ala Sul, comandada pelo tenente-coronel Estillac, chegou a Santa Maria. De um lado as forças do governo, bem armadas, bem alimentadas, de outro, rebeldes também armados, mas famintos e sem ânimo para resistir muito tempo. A luta inicial foi intensa e, à noite, o tenente-coronel ordenou a retirada, afinal, já contabilizara só no seu lado 30 mortos e 40 feridos.
  • Novos ataques e recuos ocorreram nos dias seguintes. Em 28 de março de 1915, o capitão Tertuliano Potyguara parte da vila de Reinchardt com 1.085 homens em direção a Santa Maria, perdendo só em emboscadas durante o trajeto, 24 homens. Depois de vários confrontos, num deles Maria Rosa, a líder espiritual dos rebeldes, morre às margens do rio Caçador. Em 3 de abril, as tropas de Estillac e Potyguara avançam juntas e ordenadas para o assalto final a Santa Maria, onde restavam apenas alguns combatentes já quase mortos pela fome. Em 5 de abril, depois do grande assalto a Santa Maria, o general Estillac registra que "tudo foi destruído, subindo o número de habitações destruídas a 5.000 (…) as mulheres que se bateram como homens foram mortas em combate (…) o número de jagunços mortos eleva-se a 600. Os redutos de Caçador e de Santa Maria estão extintos. Não posso garantir que todos os bandidos que infestam o Contestado tenham desaparecido, mas a missão confiada ao exercito está cumprida". Os rebeldes sobreviventes se dispersaram em muitas cidades. Em dezembro de 1915, o último dos redutos dos revoltosos foi devastado pelas tropas de Setembrino. Adeodato fugiu, vagando com tropas no seu encalço. Conseguiu, no entanto, escapar de seus perseguidores e, como foragido, ficou ainda 8 meses escondendo-se pelas matas da região. Mas a fome e o cansaço, além de uma perseguição sem trégua, fizeram com que Adeodato se rendesse. Encerrava-se então, em agosto de 1916, com a prisão de Adeodato, a Guerra do Contestado. Adeodato foi capturado e condenado a 30 anos de prisão. Entretanto, em 1923, 7 anos após ter sido preso, Adeodato foi morto pelo próprio diretor da cadeia numa tentativa de fuga. ESTATÍSTICAS DO CONFRONTO Área conflagrada: 20.000 km² População da época envolvida na área de conflito: aproximadamente 40.000 habitantes Municípios do Paraná, na época: Rio Negro, Itaiópolis, Três Barras, União da Vitória e Palmas Municípios de Santa Catarina, na época: Lages, Curitibanos, Campos Novos, Canoinhas e Porto União
  • CONSEQUÊNCIAS IMEDIATAS 20 de outubro de 1916: Assinatura do Acordo de Limites Paraná-Santa Catarina, no Rio de Janeiro; 7 de novembro de 1916: Manifestações nos municípios do Contestado-Paranaense contra o acordo; De maio a agosto de 1917: Sublevação popular no Contestado-Paranaense, pró Estado das Missões; Maio e junho de 1917: Ascensão e assassinato do monge Jesus Nazareno; 3 de agosto de 1917: Homologação final do Acordo de Limites; Setembro de 1917: Instalação dos municípios de Mafra, Joaçaba (então Cruzeiro), Chapecó e de Porto União; 1918: Reinício da colonização no Centro-Oeste Catarinense, por empresas particulares; Janeiro e maio de 1920: Revolta política em Erval e Cruzeiro; Março de 1921: Revolta de caboclos contra medição de terras, entre Catanduvas e Capinzal. MAIS DADOS IMPORTANTES Início da Guerra: 22 de outubro de 1912 Tempo da Guerra: 46 meses (out/1912 a ago/1916) Auge da Guerra: Março-abril de 1915, em Santa Maria, na Serra do Espigão Final da Guerra: Agosto de 1916, com a captura de Adeodato, o último líder do Contestado Combatentes militares no auge da Guerra: 8.000 homens, sendo 7.000 soldados do Exército Brasileiro, do Regimento de Segurança do Paraná, do Regimento de Segurança de Santa Catarina, mais 1.000 civis contratados. Exército Encantado de São Sebastião: 10.000 combatentes envolvidos durante a Guerra. Baixas nos efetivos legalistas militares e civis: de 800 a 1.000, entre mortos, feridos e desertores Baixas na população civil revoltada: de 5.000 a 8.000, entre mortos, feridos e desaparecidos Custo da Guerra para a União: cerca de 3.000:000$000, mais soldados militares A Guerra do Contestado durou mais tempo que a Guerra de Canudos, outro conflito semelhante em terras do Brasil. Em quatro anos de guerra, 9 mil casas foram queimadas e 20 mil pessoas mortas.
  • Uma das maiores e mais sangrentas revoltas camponesas da História da Humanidade aconteceu em Santa Catarina. No dia 22 de outubro de 1912, na cidade de Irani, tropas paranaenses comandadas pelo coronel João Gualberto travaram um violento combate com um grupo de sertanejos sem-terra, liderados pelo ―monge‖ José Maria que pregava a volta da Monarquia e a construção de uma sociedade igualitária. O conflito, que se alastrou por dezenas de cidades catarinenses, durou quatro anos e causou a morte de cerca de 20 mil pessoas. Vários acontecimentos produziram este levante popular: a disputa de limites entre Paraná e Santa Catarina; a construção da estrada de ferro São Paulo - Rio Grande, pela poderosa multinacional Brazil Railway pertencente ao Sindicato Farquhar; a instalação da segunda maior madeireira da América, a Southern Brazil Lumber & Colonization Company Inc. Este conjunto de fatores convergia para uma mesma direção: a expulsão dos camponeses, habitantes nativos da região, a ocupação de suas terras e a exploração das ricas reservas de pinheiro araucária. Nesse período praticou-se a primeira devastação ecológica industrialmente planejada na América Latina com a derrubada de mais de 2 milhões de pinheiros e outras madeiras nobres. TESTE MILITAR A Guerra do Contestado mobilizou dois terços do Exército Brasileiro
  • de então, milícias estaduais e forças paramilitares. Foi o grande teste do exército moderno: pela primeira vez, na América Latina, utilizaram-se aviões com fins militares, bombas de fragmentação e aprimoradas técnicas de contra insurgência, só esboçadas na Guerra de Canudos. Os camponeses, profundos conhecedores do sertão catarinense e movidos por uma fé mística baseada na imortalidade, resistiram ferozmente até a sua derrota utilizando eficientes técnicas de guerrilha. Além da luta pela terra, messianismo, sebastianismo e desejos de volta à Monarquia permeavam o imaginário dos sertanejos. A REGIÃO DO CONTESTADO Chamou-se Contestado a área de 40 mil quilômetros quadrados disputada por Santa Catarina e Paraná.
  • Além de terras, havia em jogo grandes florestas de madeiras nobres e imensos ervais nativos, que produziam erva-mate. Santa Catarina já havia ganho três disputas judiciais no Supremo, sem nunca ver cumprida suas determinações. Poucos moradores e fazendeiros tinham documentação das terras que ocupavam e exploravam. Esta situação começou a mudar no início da República, com os ―coronéis‖ legalizando grandes extensões em seu nome e, depois, com a chegada da estrada de ferro São Paulo-Rio Grande, cujos construtores ganharam 15 quilômetros de cada lado da ferrovia para explorar madeira e erva-mate. Muitos moradores foram progressivamente desalojados, à força, durante anos. Em 1910, o Sindicato Farqhuar, que construía a ferrovia, inaugurou a segunda maior madeireiro da América em Três Barras, para explorar suas concessões. Em seguida, passou também a vender terras - na maioria das vezes ocupadas por sertanejos brasileiros - para estrangeiros de diversas procedências. A Southern Brazil Lumber & Colonization Co. Inc., domina o sertão.
  • Dispõe de um exército de 200 homens para pressionar quem fosse preciso. Começa a formar-se o cenário da guerra. A MADEIREIRA LUMBER Além de construir a São Paulo-Rio Grande, Percival Farquhar montou a Southern Brazil Lumber & Colonization Co. Inc., em Três Barras/Santa Catarina, com um capital inicial de 100 mil dólares logo ampliado para 12 milhões de dólares. É o maior empreendimento econômico no Sul. A cidade recebia gente do mundo inteiro. Madeireira e depois colonizadora, a Lumber promoveu uma devastação ecológica inédita até então. Dois anos depois de sua inauguração em 1910, dispunha de uma reserva de mais de 2 milhões de pinheiros (araucária angustifólia), sem contar imbúias, cedros e outras madeiras nobres. A grande madeireira serrava 300 metros cúbicos por dia com sistemas totalmente automatizados empregando mão de obra predominantemente estrangeira. Construía ramais ferroviários no meio da mata de onde ia arrancando as árvores com
  • guindaste, de maneira célere. Conseguiu que o governo brasileiro construísse um ramal gigante ligando a madeireira ao litoral - a estrada de ferro Porto União-São Francisco - por onde exportava madeira e erva-mate. A Lumber operou por 40 anos até que fosse literalmente abandonada pelos americanos e sua área incorporada ao Exército Brasileiro. Não deixou um único exemplar das magníficas espécies nativas encontradas nas áreas onde atuou. Como prova do seu poderio, a Lumber, mesmo em terras contestadas por dois estados, estabelece Três Barras como município pertencente ao Paraná. A cidade torna-se catarinense com a assinatura do acordo de fronteiras em 1917, no final da guerra. A ESTRADA DE FERRO A estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande foi construída para integrar econômica e geograficamente o sul do Brasil. As obras do trecho em terras do meio-oeste catarinense foram entregues ao poderoso Sindicato Farquhar, que além de ter construído a ferrovia Madeira- Mamoré operava serviços de infraestrutura como portos, energia elétrica, transportes e comunicações de Porto Alegre a Belém do Pará. Com um lobista do porte de Rui Barbosa, seu advogado, o Sindicato de propriedade do norte-americano Percival Farquhar conseguiu uma inédita forma de pagamento: recebia em dinheiro e mais 15 quilômetros de cada lado da ferrovia. Com uma força armada particular, ocupou essas terras expulsando delas sertanejos brasileiros, seus primeiros moradores. A ferrovia foi suporte fundamental para a criação da Southern Brazil Lumber & Colonization Co. Inc., grande madeireira e colonizadora de terras. A madeira arrancada da região era transportada via estrada de ferro para os
  • portos do sul. Para isso também foi construído o ramal Porto União-São Francisco do Sul. Durante a Guerra do Contestado a estrada de ferro transportou soldados, armas e munição do Exército Brasileiro que protegeu interesses do Sindicato Farquhar atacando populações nativas. A empresa norte americana dispensou, de uma só vez em plena guerra, mais de mil operários que vagaram pela região engrossando as fileiras dos jagunços revoltados. OS LÍDERES REBELDES Durante os quatro anos que durou a Guerra do Contestado morreram cerca de 20 mil pessoas - equivalente a um terço da população de Santa Catarina, à época. E também milhares de militares. O movimento revoltoso teve, ao longo desses anos, várias lideranças que comandaram com êxito muitos combates e ofensivas. Entre eles Venuto Baiano, Chico Ventura, Aleixo Gonçalves, Antonio Tavares, Adeodato Ramos, Bonifácio Papudo e Alemãozinho (que traiu o movimento). Atuavam sob a forma de guerrilha, conseguiam infiltrar espiões regularmente - os bombeiros - nas forças que os combatiam, lutavam com revólveres, espingardas e no corpo a corpo com facões de pau feitos de madeira duríssima da região. Apoiados numa forte crença de ressurreição e retorno nos exércitos encantados de São
  • Sebastião, eram ferozes e destemidos em combate. Logo os combatentes sertanejos foram chamados de pelados e seus opressores de peludos. Os pelados formaram tropas de elite nos redutos, os Pares de França, inspirados nas histórias do rei Carlos Magno. Queriam viver numa terra santa onde ―tudo era irmão e irmã‖ e sob o signo de que ―quem tem moe, quem não tem moe também, ficando no fim todos iguais‖. Conseguiram forças para uma resistência inédita na história e só foram subjugados pela fome e extermínio sistemático nos redutos invadidos com a degola dos prisioneiros. Tinham um confuso discurso de fundar uma monarquia, na verdade um sonho de voltar aos tempos em que a vida havia sido mais digna e generosa. O EXÉRCITO Para derrotar os revoltosos do Contestado foram necessárias 13 expedições militares, durante quatro anos. No conflito atuaram Euclides Figueiredo, Eurico Gaspar Dutra, Herique Teixeira Lott entre outros oficiais que influenciaram diretamente a vida brasileira. Praticaram diversos procedimentos de contra insurgência e aniquilamento das populações rebeladas. Pela primeira vez foram empregados aviões com fins militares na América Latina e bombas de fragmentação contra combatentes. Mas também foram usadas velhas práticas como a eliminação sistemática de prisioneiros e a degola. Casos de corrupção como o desvio de fardamento, alimentos e munição das tropas foram denunciados no Clube Militar, no Rio de Janeiro e nunca apurados. A campanha foi encerrada oficialmente depois de um longo cerco aos
  • revoltosos, contando-lhes suprimentos e matando-os de fome. Depois de terminada a guerra, tropas continuaram perseguindo os vencidos no sertão matando e destruindo suas casas. O capitão Matos Costa, morto na Guerra, foi um dos raros a compreender o que se passava de verdade no sertão. Afirmava: ―A revolta do Contestado é apenas uma insurreição de sertanejos espoliados nas suas terras, nos seus direitos e na sua segurança‖. OS MONGES A região do Contestado foi largamente percorrida por dois monges, de 1845 a 1908. O primeiro se chamava João Maria D’Agostini, era italiano de origem. Benzia, curava e não fazia ajuntamento de pessoas nem dormia na casa de ninguém. Veneradíssimo batizou milhares de moradores do sul do Brasil. Desapareceu por volta de 1890. Em seguida surge outro monge, João Maria de Jesus, nome adotado por Anastás Marcaf, turco de origem. Também percorria o sertão benzendo, curando e batizando. Não juntava gente em volta de si, não dormia nas casas, mas atacava a República. Desapareceu por volta de 1908 e, segundo a população de então, ―está encantado no Morro do Taió‖. É um terceiro monge, entretanto, que vai aglutinar o povo do sertão do Contestado e, de alguma forma, levá-los à guerra. Chamava- se José Maria - seu verdadeiro nome era Miguel Lucena e sugeria ser irmão de João Maria. Benzia, curava, batizava e reunia gente ao seu redor lendo, regularmente, o livro do
  • Rei Carlos Magno e seus Doze Pares de França - com seus ensinamentos de guerra. Atacava duramente as autoridades e a República. Ameaçado pelos coronéis da região do Contestado, o Monge e um grupo de sertanejos deslocaram-se para o Irani, em terras que o Paraná considerava suas, palco do primeiro combate da guerra. A 22 de outubro de 1912, na região denominada Banhado Grande, José Maria e seu grupo são atacados por soldados do Paraná comandados pelo coronel João Gualberto. Morrem o monge e o coronel. OS CORONÉIS Com a República, os poderosos coronéis - que ostentavam esse título por concessão do Império que criou a Guarda Nacional - tomaram consciência da possibilidade de legalizar terras em grande escala. No Contestado não foi diferente. Passaram a receber concessões, a requerer e a ampliar seus domínios. Com a chegada da Lumber, abriu-se a possibilidade de exploração e ganhos com as terras legalizadas, já que a poderosa madeireira não se limitou a explorar as imensas áreas que lhe foram concedidas e negociava com muitos proprietários. Alguns coronéis, como Francisco de Albuquerque, de Curitibanos, e Fabrício Vieira, do Vale do Timbozinho, tornaram-se especialmente odiados pelos sertanejos que em muitas ocasiões pediram suas cabeças como condição básica para qualquer negociação de paz. Afonso Camargo, vice-governador do Paraná, era um coronel à distância, mas igualmente odiado pois advogava para a grande madeireira - empresa em que mais tarde deu grandes golpes em negócios de terra. Poderosos, os coronéis tinham muitos afilhados. Durante a Guerra
  • do Contestado viram-se pela primeira vez, no sertão, atacados mesmo por estes, tamanha a revolta dos sertanejos. Francisco Albuquerque, o primeiro, chamou tropas catarinenses para intimidar o monge José Maria e seus seguidores, foi morto após a guerra num declarado ato de vingança. O PÓS-GUERRA Encerrada oficialmente a intervenção do Exército em 1915, a Guerra do Contestado ainda teve continuação. Piquetes militares perseguiram focos revoltosos por muitos anos. Os prisioneiros tinham destino variado. Muitos eram mortos imediatamente, outros eram reunidos e enviados para trabalho escravo muito poucos reintegraram-se às suas famílias ou voltaram às suas regiões de origem. O governo catarinense chegou a protestar pela intensiva migração forçada realizada pelo governo paranaense. Tropas federais permaneceram por algum tempo na região, a madeireira Lumber voltou a operar com desenvoltura, desmatando incessantemente. Os governos de Santa Catarina e do Paraná trataram de resolver suas pendengas e, em 1916, assinaram, no Rio de Janeiro, um tratado dividindo a área que pretendiam. O Paraná ficou com 20 mil quilômetros quadrados da área contestada e Santa Catarina com 28 mil quilômetros quadrados.
  • REVOLTA DE 19238 8 A Revolução de 1923 foi o movimento armado ocorrido durante onze meses daquele ano no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, em que lutaram, de um lado, os partidários do presidente do Estado, Borges de Medeiros (borgistas ouximangos, que usavam no pescoço como distintivo ou característica o lenço branco) e, de outro, os revolucionários, aliados de Joaquim Francisco de Assis Brasil (assisistas ou maragatos, que usavam no pescoço como distintivo o lenço vermelho). Antecedente Republicano e positivista, mas nada simpático à democracia, Júlio Prates de Castilhos, o Patriarca, como era chamado, governou o Rio Grande do Sul com mão de ferro de 1891 até sua morte prematura, em 1903. Para se manter no poder, tomou duas providências: redigiu praticamente sozinho e fez aprovar uma Constituição autoritária e montou uma poderosa máquina política no Partido Republicano Rio-grandense (PRR), com seus incontáveis chefes locais e seu séquito de agregados, presentes em mais de cem municípios rio-grandenses. Ao morrer, ficou claro que se fora o ditador, mas a ditadura republicana continuava viva. Castilhos foi substituído na presidência do Estado por Borges de Medeiros, que seguiu adotando os mesmos métodos e que também tinha como objetivo perpetuar-se no poder. Em 1922, Borges resolve se candidatar mais uma vez à presidência do Estado e contava, como sempre, com a força do PRR, que não hesitava em apelar para a fraude e a violência, para garantir a reeleição. Todavia, dessa feita, há um fato novo: forma-se uma aliança entre vários segmentos da sociedade gaúcha para estimular uma oposição organizada. O veterano político Assis Brasil desafia Borges na disputa nas urnas. Divide-se, assim, o Rio Grande, entre borgistas ou chimangos (numa alusão ao pseudônimo dado a Borges por Ramiro Barcelos, Antônio Chimango) e assisistas ou maragatos (como eram chamados os adeptos do Partido Federalista, identificados pelo uso do lenço vermelho). A campanha eleitoral ocorre sob um clima de repressão e violência. Opositores do governo são presos, espancados e até mortos. Locais de reunião dos assisistas são fechados e depredados pela polícia borgista. Quando se anuncia o resultado das urnas, com a previsível vitória de Borges de Medeiros, a revolta é geral. A comissão apuradora de votos, formada por pessoas fiéis ao governo, é acusada de fraude eleitoral pela oposição. A disputa nas urnas transforma-se em disputa pelas armas.
  • A oposição, liderada por Assis Brasil, adere à revolta armada para derrubar Borges de Medeiros, que toma posse para um novo mandato em 25 de janeiro de 1923. Setores importantes da sociedade gaúcha já andavam descontentes com o governo. A política econômica de Borges precipitara o Estado numa crise financeira que contribuíra para descontentar tanto a elite estancieira como boa parte do movimento operário e estudantil. No plano nacional, Borges se isolara ao fazer oposição à candidatura de Artur Bernardes, afinal eleito Presidente da República. Em verdade, o ódio entre as facções era mais antigo. Vinha desde a Revolução Federalista de 1893, que teve como marca a degola, dilacerando vidas e trazendo desgraça e tristeza para muitas famílias. Essa Revolução deixou sentimentos de vingança e violência em muitos corações, que teve quase continuidade na Revolução de 1923. Operações militares Os combates se iniciaram ao final de janeiro. As cidades de Passo Fundo e Palmeira das Missões foram atacadas pelos caudilhos maragatos vermelhos de Mena Barreto e Leonel da Rocha, que encontraram forte resistência de ambos os lados, não havendo vitória. A expectativa de Assis Brasil e seus aliados, ao partir para a luta armada, era a de que o Presidente da República Arthur Bernardes, que não nutria simpatias por Borges, decretasse intervenção federal no Rio Grande do Sul. Mas Borges, um político hábil, se aproximou de Bernardes e frustrou as expectativas de seus opositores. Os maragatos (vermelhos), que não estavam devidamente organizados para enfrentar as forças governistas, nem tinham objetivos militares definidos, ficaram confusos ao verem que a pretendida intervenção federal não viria. A continuidade da luta dependia das ações isoladas empreendidas por José Antônio Matos Neto, o Zeca Netto. Mas as operações militares ficavam restritas a regiões distantes de Porto Alegre e não conseguiram causar dano às forças dos borgistas. Logo os maragatos começaram a se ressentir da falta de homens e de armas. Para Assis Brasil e seus aliados mais lúcidos, ficou claro desde logo que não havia possibilidade de vitória militar; por isso, manifestaram disposição de negociar com o lado contrário.
  • A CAMPANHA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS Em setembro de 1923, quando a Revolução já caminhava para seu declínio, pois os revolucionários já estavam quase sem munição e acossados pelas tropas governistas, quase não tendo como resistir, o general Honório Lemes resolveu, estrategicamente, passar o Rio Ibicui, para a sua margem direita, nas imediações do local conhecido como Passo do Catarino (hoje Praia do Jacaquá), fugindo das tropas borgistas, comandadas pelo general José Antônio Flores da Cunha. Após esta passagem no Ibicui, que ocorreu no dia 23 de setembro, Honório, com um grupo de mais ou menos 100 homens, ficou acampado na propriedade rural do companheiro maragato Henrique Gregório Einsfeldt Haigert – ―Nico Bonito‖ –, pai de Paulino Cipriano Haigert, o Coronel Pimba, enquanto o restante, pouco mais de 250 homens, ficou sob o comando do Coronel Hortêncio Rodrigues e seguiu em direção à então vila de São Francisco de Assis. Estava chegando a hora de se travar o único combate da Revolução dentro de uma povoação do Rio Grande da época. Na madrugada de 2 de outubro, um maragato estava encilhando cavalos nos arredores do centro de São Francisco de Assis, quando foi atacado e morto por borgistas que haviam escavado uma trincheira naquele local. Foi a gota d’água. A cidade amanheceu cercada e um exército de aproximadamente 700 revolucionários atacou de forma suicida. Protegidos por sacos de areia colocados nas ruas que davam acesso à praça, 80 homens das tropas governistas resistiram abrindo fogo. Mesmo com várias baixas, a supremacia dos maragatos permitiu que a coluna continuasse avançando. Carlos Gomes percorria as trincheiras tentando animar os companheiros, quando foi atingido por vários tiros. ―...o sangue espadanara por toda parte: manchando trincheiras, calçadas, portas, telhados das casas e o próprio salão da Intendência‖, escreveu Flores da Cunha, governador do Estado, recordando sua passagem por São Francisco de Assis um dia depois da peleja. Zeca Netto, que se opunha a qualquer acordo com Borges, tentou uma última cartada. Imaginou que se atacasse e tomasse uma cidade importante poderia intimidar os borgistas. Assim, em 29 de outubro, atacou Pelotas, então a maior cidade do interior gaúcho, de surpresa, ao alvorecer, mas a manteve sob seu controle por apenas seis horas, porque as hostes governistas conseguiram se rearticular e receber reforços. Na iminência de ser atacado por forças superiores, o velho caudilho de 72 anos de idade retirou suas tropas, sem ter havido batalha, como ocorreu em São Francisco de Assis. TRATADO DE PAZ A partir deste episódio, os maragatos já não tinham condições de seguir lutando.
  • As operações nesse conflito desenvolveram-se em duas fases: PRIMEIRA FASE A Força Militar do Estado foi mobilizada e incorporada ao Exército; sendo transportada por trem para o Estado de São Paulo; onde participou dos confrontos na região das cidades de Ourinhos, Botucatu e Itu. SEGUNDA FASE Os amotinados da cidade de São Paulo retiraram-se para o oeste do Paraná (Coluna Paulista - 3.000 homens e 14 canhões), procurando se unirem aos doEstado do Rio Grande do Sul (Coluna Gaúcha - 1.500 homens). A FM retornou ao Paraná (14 de setembro) até a cidade de Irati, onde foi reequipada; partindo então em direção oeste. Atuando ativamente nos combates da Serra dos Medeiros e Catanduvas, dentre outros. Por iniciativa do governo federal, realizaram-se negociações comandadas pelo ministro da Guerra, general Fernando Setembrino de Carvalho, com a participação do senador João de Lira Tavares, representante do Congresso. Em dezembro de 1923, pacificou-se a revolução no Pacto de Pedras Altas, no famoso castelo daquela localidade, residência de Assis Brasil. Pelo Acordo, Borges pôde permanecer até o final do mandato em 1928, mas a Constituição de 1891 foi reformada. Impediu-se o instituto das reeleições, a indicação de intendentes (prefeitos) e do vice- presidente do Estado. O acordo foi importante para o Rio Grande do Sul. O sucessor de Borges no governo gaúcho foi Getúlio Vargas, lenço branco. Em 1930, a Frente Única Rio-grandense, sob sua liderança, assumiu o governo do país, na Revolução de 1930. Segundo o historiador gaúcho Antônio Augusto Fagundes, a Revolução de 1923 “foi a última guerra gaúcha 'de feudos, do coronelismo gaúcho', fechando a trindade que se iniciara em 1835 e continuara em 1893”.
  • Em março de 1925, quatrocentos rebeldes se renderam em Catanduvas. Os sobreviventes das colunas rebeldes (1.500 homens) se uniram em Santa Helena(abril de 1925), e através do Paraguai (Porto Adela), deslocaram-se para o Estado do Mato Grosso; dando início à conhecida Coluna Prestes. E em maio de 1925 o Governo Federal desmobilizou as tropas, dando as operações por encerradas, porém, para a PMPR os combates estenderam-se até 1927, desbaratando bandos armados independentes que permaneceram agindo na região. Zeca Netto e suas tropas ocupam Pelotas (fonte: Museu Histórico da Biblioteca Pública de Pelotas). PRINCIPAIS COMBATES: Combate de Botucatu (01 de agosto de 1924); Combate de Santo Anastácio (03 de setembro de 1924); Combate de Cuiuá (10 de setembro de 1924); Combate de Porto Epitácio (11 de setembro de 1924); Combate da Serra de Medeiros (15 de novembro de 1924); Combate de Belarmino(16 de novembro de 1924); Combate da Picada dos Valérios (09 de dezembro de 1924); Combate de Catanduvas (de 11 a 16 de janeiro de 1925); e Combate de Sítio (28 de fevereiro de 1925).
  • REVOLUÇÃO DE 19309 9 A REVOLUÇÃO DE 1930 foi o movimento armado, liderado pelos estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul, que culminou com o golpe de Estado, o Golpe de 1930, que depôs o presidente da república Washington Luís em 24 de outubro de 1930, impediu a posse do presidente eleito Júlio Prestes e pôs fim à República Velha. Com a quebra da Bolsa de Nova Iorque ocorrida em outubro de 1929, inicia-se uma crise econômica de escala mundial, esmagando todas as economias com alguma participação nos mercados internacionais, caso do Brasil e suas exportações de café. Em 1929, lideranças da oligarquia paulistana romperam a aliança com os mineiros, conhecida como política do café-com-leite, e indicaram o paulista Júlio Prestes como candidato à presidência da República. Em reação, o Governador de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada apoiou a candidatura oposicionista do gaúcho Getúlio Vargas. Em 1º de março de 1930, foram realizadas as eleições para presidente da República que deram a vitória ao candidato governista, que era o governador do estado de São Paulo, Júlio Prestes. Porém, ele não tomou posse, em virtude do golpe de estado desencadeado a 3 de outubro de 1930, e foi exilado. Getúlio Vargas assumiu a chefia do "Governo Provisório" em 3 de novembro de 1930, data que marca o fim da República Velha no Brasil. CONTEXTO HISTÓRICO A crise da República Velha havia se prolongado ao longo da década de 1920. Os expoentes políticos da República Velha vinham perdendo força com a mobilização do trabalhador industrial, com as Revoltas nazifascistas e as dissidências políticas que enfraqueceram as grandes oligarquias. Esses acontecimentos ameaçavam a estabilidade da tradicional aliança rural entre os estados de São Paulo e Minas Gerais - a política do café com leite. Em 1926, surge a quarta e última dissidência no Partido Republicano Paulista (PRP), e os dissidentes liderados pelo Dr. José Adriano de Marrey Junior fundaram oPartido Democrático (PD), que defendia um programa de educação superior entre outras reformas e a derrubada do PRP do poder. Esta crise política em São Paulo originou-se em uma crise da maçonaria paulista presidida pelo Dr. José Adriano de Marrey Júnior. São Paulo, então, chegou dividido às eleições de 1930. Entretanto, o maior sinal do desgaste republicano era a superprodução de café, durante a crise de 1929, alimentada pelo governo com constantes ―valorizações‖.
  • Assim em 1930, São Paulo estava dividido, e o Rio Grande do Sul que estivera em guerra civil em 1923, agora estava unido, com o governador do Rio Grande do Sul, Dr. Getúlio Vargas tendo feito o PRR e o Partido Libertador se unirem. Em Juiz de Fora, o Partido Republicano Mineiro (PRM) passa para a oposição, forma a Aliança Liberal com os segmentos progressistas de outros estados e lança o gaúcho Getúlio Vargas para a presidência, tendo o político paraibano João Pessoa como candidato a vice-presidente. Minas Gerais estava dividida, não conseguindo impor um nome mineiro de consenso para a presidência da república. Parte do PRM apoiou a candidatura Getúlio Vargas mas a "Concentração Conservadora" liderada pelo vice-presidente da república Fernando de Melo Viana e pelo ministro da Justiça Augusto Viana do Castelo apoiam a candidatura oficial do Dr. Júlio Prestes para as eleições presidenciais de 1 de março de 1930. O PROBLEMA DA SUCESSÃO PRESIDENCIAL Na República Velha (1889-1930), vigorava no Brasil a chamada "política do café com leite", em que políticos apoiados por São Paulo e de Minas Gerais se alternavam na presidência da república (mas não eram necessariamente Paulistas ou Mineiros os seus indicados). Porém, no começo de 1929, o então presidente da república Washington Luís indicou o nome do Governador de São Paulo, Júlio Prestes, como seu sucessor, no que foi apoiado por presidentes de 17 estados. Apenas três estados negaram o apoio a Prestes: Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba. Os políticos de Minas Gerais esperavam que Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, o então governador do estado, fosse o indicado, por Washington Luís, para ser o candidato à presidência. Assim a política do café com leite chegou ao fim e iniciou-se a articulação de uma frente oposicionista ao intento do presidente e dos 17 estados de eleger Júlio Prestes. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba uniram-se a políticos de oposição de diversos estados, inclusive do Partido Democrático de São Paulo, para se oporem à candidatura de Júlio Prestes, formando, em agosto de 1929, a Aliança Liberal. Em 20 de setembro do mesmo ano, foram lançados os candidatos da Aliança Liberal às eleições presidenciais: Getúlio Vargas como candidato a presidente e João Pessoa, como candidato a vice-presidente. Apoiaram Aliança Liberal, intelectuais como José Américo de Almeida e Lindolfo Collor, membros das camadas médias urbanas e a corrente político-militar chamada "Tenentismo" (que organizou, entre outras, a Revolta Paulista de 1924), na qual se destacavam Cordeiro de Farias, Eduardo Gomes, Siqueira Campos, João Alberto Lins de Barros, Juarez Távora eMiguel
  • Costa e Juraci Magalhães e três futuros presidentes da república (Geisel, Médici e Castelo Branco). Nesse momento, setembro de 1929, já era percebido em São Paulo que a Aliança Liberal, e uma eventual revolução, visava especificamente beneficiar o estado de São Paulo. Tendo o senador estadual de São Paulo Cândido Nanzianzeno Nogueira da Motta denunciado na tribuna do Senado do Congresso Legislativo do Estado de São Paulo, em 24 de setembro de 1929, que: A guerra anunciada pela chamada Aliança Liberal não é contra o sr. Júlio Prestes, É contra nosso Estado de São Paulo, e isso não é de hoje. A imperecível inveja contra o nosso deslumbrante progresso que deveria ser motivo de orgulho para todo o Brasil. Em vez de nos agradecerem e apertarem em fraternos amplexos, nos cobrem de injúrias e nos ameaçam com ponta de lanças e patas de cavalo! — Cândido Mota A Crise de 1929 foi uma das causas da Revolução de 1930. Cândido Mota citou ainda o senador fluminense Irineu Machado que previra a reação de São Paulo: A reação contra a candidatura do Dr. Júlio Prestes representa não um gesto contra o presidente do estado, mas uma reação contra São Paulo, que se levantará porque isto significa um gesto de legítima defesa de seus próprios interesses"! — Irineu Machado Essa resposta paulista à revolução de 1930 veio um ano e meio depois, com a Revolução de 1932. O presidente de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada diz em discurso, ainda em 1929: Façamos a revolução pelo voto antes que o povo a faça pela violência — Antônio Carlos Ribeiro de Andrada 3 Esta frase foi vista como a expressão do instinto de sobrevivência de um político experiente e um presságio: Minas Gerais, se aliando ao Rio Grande do Sul e aos tenentes, consegue preservar sua oligarquia. Uma revolução que fosse feita só pelos tenentes teria derrubado também o PRM (Partido Republicano Mineiro) do poder em Minas Gerais e o PRR do poder no Rio Grande do Sul. As eleições e a revolução
  • As eleições foram realizadas no dia 1 de março de 1930 e deram a vitória a Júlio Prestes, que obteve 1.091.709 votos, contra apenas 742.794 dados a Getúlio. Notoriamente, Getúlio teve quase 100% dos votos no Rio Grande do Sul, e apenas 10% dos votos em São Paulo. A Aliança Liberal recusou-se a aceitar a validade das eleições, alegando que a vitória de Júlio Prestes era decorrente de fraude. Além disso, deputados eleitos em estados onde a Aliança Liberal conseguiu a vitória, não obtiveram o reconhecimento dos seus mandatos. A partir daí, iniciou-se uma conspiração, com base no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais. A conspiração sofreu um revés em junho com Luís Carlos Prestes. Um ex-membro domovimento tenentista, Prestes tornou-se adepto das ideias de Karl Marx e apoiador docomunismo. Isso o levou, depois de um tempo, a tentativa frustrada da intentona comunista pela ANL. Logo em seguida, ocorre outro contratempo à conspiração: morre, em acidente aéreo, o tenente Siqueira Campos. No dia 26 de julho de 1930, João Pessoa foi assassinado por João Dantas em Recife, por questões políticas e de ordem pessoal, servindo como estopim para a mobilização armada. João Dantas e seu cunhado e cúmplice, Moreira Caldas, foram encontrados degolados em sua cela, na Casa de Detenção (hoje Casa da Cultura) em outubro de 1930. As acusações de fraude e a degola arbitrária de deputados mineiros e de toda a bancada da Paraíba da Aliança Liberal, o descontentamento popular devido à crise econômica causada pela grande depressão de 1929, o assassinato de João Pessoa e o rompimento da política do café com leite foram os principais fatores (ou pretextos na versão dos partidários de Júlio Prestes), que criaram um clima favorável a uma revolução. Missa celebrada em Jequié, Bahia, no dia 15 de novembro de 1930, por motivo da vitória da Revolução. Getúlio tentou várias vezes a conciliação com o governo de Washington Luís e só se decidiu pela revolução quando já se aproximava a posse de Júlio Prestes que se daria em 15 de novembro. A Revolução teve seu inicio em 3 de outubro de 1930, uma sexta feira, com movimentos sincronizados que foram levados a efeito no Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Paraíba. As 17h30m deste dia, revolucionários comandados por Oswaldo Aranha e Góes Monteiro, tomam o Quartel General do Exército em Porto Alegre, prendendo o comandante da 3ª Região Militar, General Gil de Almeida, e seu chefe do Estado Maior, Coronel Firmo Freire. Pouco após, tomam o arsenal de guerra e partem para tomada do 3º e 4º Regimentos de Cavalaria Divisionária.
  • Na madrugada do dia seguinte, avançam para o 7º Batalhão de Cavalaria. Os rebeldes tomam, com poucas exceções (o Regimento de Cavalaria Independente, em São Borja, resistiu pouco tempo), os quartéis e guarnições do Exercito em todo o Estado. Logo após a deflagração do movimento pelos gaúchos, Osvaldo Aranha telegrafou a Juarez Távora comunicando início da revolução. A chefia civil do movimento na região nordeste (Governo Provisório do Norte) coube a José Américo de Almeida, político paraibano, enquanto o comando militar regional ficou a cargo de Juarez Távora. A rebelião rapidamente se alastrou por todo o país. Oito governos estaduais no Nordeste foram depostos pelos tenentes. Na região, a atividade revolucionária teve início na capital paraibana na madrugada do dia 4 de outubro, poucas horas após o movimento ter-se iniciado, na noite do dia anterior, em Porto Alegre e Belo Horizonte. Os revolucionários atacaram o 22º Batalhão de Caçadores (22º BC) , e aí morreu o general legalista Alberto Lavenère Wanderley, comandante da 7ª Região Militar; o assalto ao quartel do 22º B.C., levado a efeito por vários oficiais do exército e civis. Naquela praça militar houve ligeira luta, logo jugulada pelos elementos aliciados pelos então tenentes Juraci Magalhães, Agildo Barata, Landry Salles Gonçalves e outros. Os contingentes de outras unidades estavam espalhados pela capital e cidade do interior, enviados pelo governo federal como medidas preliminares para intervenção federal projetada e que foi procrastinadas devido a morte de João Pessoa, terminaram por aderir ao movimento, salvo o 23º B.C., estacionado em Sousa, que opôs resistência aos revolucionários. Logo em seguida, sublevaram-se o 25º BC de Teresina, o 24º BC de São Luís, o 29º BC de Natal, seguindo o exemplo da Paraíba. Em Recife, o movimento encontrou uma resistência maior por parte das forças legalistas, que se haviam colocado de prontidão ao surgirem as primeiras notícias da revolução. A vitória dos revolucionários, contudo, foi garantida pelo apoio popular à insurreição, tendo ocorrido, inclusive, distribuição de armas aos populares. Já na manhã do dia 5 de outubro, o movimento havia triunfado em Pernambuco, antes mesmo que os reforços provenientes da Paraíba chegassem a Recife. No dia seguinte, a posição dos revoltosos se consolidou quando o presidente do estado, Estácio Coimbra, abandonou o governo. No Ceará, o movimento se iniciou no quartel do 23º Batalhão de Caçadores, onde no dia 4 de outubro de 1930 houve um levante articulado por Juarez Távora e executado por alguns tenentes, tais como: Landri Sales, João da Silva Leal, Júlio Veras e Ari Correia.
  • ―O objetivo principal foi conquistar aquele importante espaço militar e libertar os presos políticos participantes da revolução, entre eles o futuro primeiro interventor do Ceará depois do triunfo do movimento, Fernandes Távora‖. Nesse levante, destaca, foi morto o comandante do 23º BC, Pedro Ângelo. O então governador cearense Matos Peixoto, acuado pelas derrotas de governadores da situação em Pernambuco e Rio Grande do Norte resolve, depois de frustradas as iniciativas que incluíram até a convocação de jagunços, renunciar no dia 7 de outubro e decide viajar para o Rio de Janeiro no dia seguinte. Na Praça do Ferreira houve uma aglomeração populacional que contou com a fala de personagens como o jornalista Demócrito Rocha e o poeta Quintino Cunha. Em seguida às vitórias conquistadas em Pernambuco e na Paraíba, as tropas revolucionárias seguiram para Alagoas, onde o governo local foi deposto. Em Sergipe não houve resistência, já que o 28º Batalhão de Caçadores, sediado em Aracaju, aderiu ao movimento. O último obstáculo à vitória da revolução no Nordeste foi o estado da Bahia, onde as forças militares fiéis ao governo de Washington Luís montaram o seu quartel-general em Salvador. Em Minas Gerais, os revolucionários, liderados pela Força Pública de Minas Gerais, atacaram, com pouquíssima resistência, as unidades militares; porém, houve notável resistência de cinco dias por parte do 12º batalhão de infantaria, em Belo Horizonte, que por fim caiu em 8 de outubro. Além da guarnição de Ouro Preto, que no dia 5 de outubro se dispersou e concentrou a defesa legalista no dia seguinte até o dia 15 de outubro no quartel do 11º regimento, em São João Del Rey. Os últimos redutos legalistas no Estado foram em Três Corações e em Juiz de Fora, que caiu no dia 23 de outubro. No dia 19 de outubro, os rebeldes mineiros, em outra coluna, chegaram à Vitória, capital do Espirito Santo, com a Força Pública Mineira avançando também no sul da Bahia, no norte do Estado do Rio de Janeiro, e expulsando tropas regulares do Triângulo Mineiro. Com o Rio Grande do Sul sob controle, os revolucionários precisavam atravessar territórios de quatro estados (Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro) até a capital da República. Não dispondo do apoio da Marinha de Guerra, o único caminho era pela Ferrovia São Paulo – Rio Grande. Por esta via, ainda no dia 3 de outubro, horas antes dos eventos em Porto Alegre, forças rebeldes (chamada de Divisão do Litoral, comandada pelo Major Ptolomeu Assis Brasil) seguiram pelo interior de Santa Catarina, com o objetivo de chegar rapidamente até Porto União, na divisa com o Paraná.
  • Houve alguma resistência na capital catarinense, com bombardeios à cidade, que reagiu até o dia 24 de outubro, com a retirada do Presidente do Estado Fúlvio Aducci e o comandante legalista, o General Nepomucemo, deixaram Florianópolis. O domínio desta ferrovia garantiu aos revolucionários o controle sobre a antiga área do Contestado, preservando a segurança e o deslocamento das suas tropas com seus suprimentos que deveriam fluir por esta única via. Quando as forças revolucionárias chegam a Porto União, o Batalhão de Caçadores vindo de Joinville e aí estacionado, já havia se rebelado e aderido à Revolução. Neste mesmo dia, 4 de outubro, o 13º Regimento de Infantaria também se rebelou e assumiu o controle sobre a cidade de Ponta Grossa. Em Curitiba, o Major Plínio Tourinho, em acordo com os gaúchos, conduziu um conjunto de ações que levou a adesão da guarnição federal, da Policia Militar e do Corpo de Bombeiros. O Presidente do Estado, Affonso Camargo, sem apoio militar, retirou-se para Paranaguá e daí para São Paulo. Desta forma, em 5 de Outubro, em Curitiba encontrava-se sob um governo revolucionário, seu chefe era o General da Reserva Mário Tourinho (irmão do Major Plínio), que obteve rápida e grande apoio popular na cidade. Com a adesão paranaense, as tropas gaúchas avançam pelo estado e chegam a Ponta Grossa. O 5º Regimento de Cavalaria Divisionária, sediado em Castro permaneceu fiel a Legalidade quando realizou seu recuo em direção a São Paulo destruiu trechos da ferrovia e danificou pontes. Na cidade paulista de Itararé, junto a divisa com o estado do Paraná, foram organizadas forças para impedir o avanço revolucionário e as primeiras forças rebeldes que seguem naquela direção eram formadas pelo 13º Regimento de Infantaria e pela Policia Militar do Paraná. Os rebeldes paranaenses foram seguidos pelos gaúchos que em Jaguariaíva adentraram pelo Ramal Ferroviário do Paranapanema, atingindo sem dificuldades o Norte Pioneiro do Paraná. No dia 10, Getúlio Vargas lançou o manifesto O Rio Grande de pé pelo Brasil e partiu, por ferrovia, rumo ao Rio de Janeiro, capital nacional. No dia 17 de outubro, Getúlio esteve em Ponta Grossa, e dois dias após, foi aclamado pela multidão curitibana, antes de seguir para a capital. Esperava-se que ocorresse uma grande batalha em Itararé (na divisa com o Paraná), onde as tropas do governo federal estavam acampadas para deter o avanço das forças revolucionárias, lideradas militarmente pelo coronel Góis Monteiro. Entretanto, em 12 e 13 de outubro ocorreu o Combate de Quatiguá, que pode ter sido o maior combate desta revolução, com derrota das forças legalistas, formadas por batalhões de voluntários e pela força pública paulista.
  • Quatiguá localiza-se a direita de Jaguariaíva, próxima à divisa entre São Paulo e Paraná. A batalha não ocorreu em Itararé, já que os generais Tasso Fragoso e Mena Barreto e o Almirante Isaías de Noronha depuseram Washington Luís, em 24 de outubro e formaram uma junta de governo. Jornais que apoiavam o governo deposto foram empastelados; Júlio Prestes, Washington Luís e vários outros próceres da República Velha foram exilados. Washington Luís havia apostado na divisão dos mineiros não acreditando em nenhum momento que Minas Gerais faria uma revolução, não se prevenindo, nem tomando medidas antirrevolucionárias, sendo derrubado em poucos dias de combate. Com a vitória da Revolução, em 24 de outubro, outros governadores foram depostos, como no Amazonas, que assistiu uma Junta Revolucionária Governativa tomar posse, sem incidentes, com a renúncia do Presidente do Estado, Dorval Porto, até a chegada da Divisão do Extremo-Norte, designada pelo Comando Militar do Norte, para ocupar o Pará e Amazonas, o que efetivamente ocorreu no inicio de novembro de 1930. UMA REPÚBLICA NOVA Às 3 horas da tarde de 1 de novembro de 1930, a junta militar passou o poder, no Palácio do Catete, a Getúlio Vargas, encerrando a chamada República Velha, derrubando todas as oligarquias estaduais exceto a mineira e a gaúcha. Na mesma hora, no Rio de Janeiro, os soldados gaúchos cumpriam a promessa de amarrar os cavalos no obelisco da Avenida Rio Branco, marcando simbolicamente o triunfo da Revolução de 1930. Getúlio Vargas tornou-se chefe do Governo Provisório com amplos poderes. A constituição de 1891 foi revogada e Getúlio passou a governar por decretos. Getúlio nomeou interventores para todos os Governos Estaduais, com exceção de Minas Gerais. Esses interventores eram na maioria tenentes que participaram da Revolução de 1930. Por sua vez, o presidente eleito e não empossado Júlio Prestes criticou duramente a Revolução de 1930 quando, em 1931, exilado em Portugal, afirmou: O que não compreendem é que uma nação, como o Brasil, após mais de um século de vida constitucional e liberalismo, retrogradasse para uma ditadura sem freios e sem limites como essa que nos degrada e enxovalha perante o mundo civilizado! — Júlio Prestes
  • Um dos maiores erros da revolução de 1930 foi entregar os estados à administração de tenentes inexperientes, um dos motivos da revolução de 1932. O despreparo dos tenentes para governar foi denunciado, logo no início de 1932, por um dos principais tenentes, o tenente João Cabanas, que havia participado da revolução de 1924, e que usou como exemplo o tenente João Alberto Lins de Barros que governou São Paulo. João Cabanas, em fevereiro de 1932, no seu livro "Fariseus da Revolução", criticou especialmente o descalabro que foram as administrações dos tenentes nos estados, chamando a atenção para a grave situação paulista pouco antes de eclodir a Revolução de 1932: João Alberto serve como exemplo: Se, como militar, merece respeito, como homem público não faz juz ao menor elogio. Colocado, por inexplicáveis manobras e por circunstâncias ainda não esclarecidas, na chefia do mais importante estado do Brasil, revelou-se de uma extraordinária, de uma admirável incompetência, criando, em um só ano de governo, um dos mais trágicos confusionismos de que há memória na vida política do Brasil, dando também origem a um grave impasse econômico (déficit de 100.000 contos), e a mais profunda impopularidade contra a "Revolução de Outubro".. e ter provocado no povo paulista, um estado de alma equívoco e perigoso. Nossa história não registra outro período de fracasso tão completo como o do "Tenentismo inexperiente"! — João Cabanas CONSEQUÊNCIAS Os efeitos da Revolução não demoram a aparecer. Ainda em Novembro é criado o Ministério do Trabalho, da Indústria e do Comércio afirmando a caráter trabalhista no planejamento político de Vargas, que governava por decretos. A nova Constituição só é aprovada em 1934, a chamada Constituição de 1934, depois de forte pressão armada e social da Revolução Constitucionalista de 1932. A estrutura do Estado brasileiro modifica-se profundamente depois de 1930, se reajustando a novas necessidades econômicas e sociais, as quais o governo julgava imprescindíveis. Getúlio, três anos e meio depois, decreta uma nova constituição, a Constituição de 1937, que instaurava o Estado Novo, em uma suposta tentativa de travar contra-ataques comunistas apresentados pelo Plano Cohen. E assim se posicionou em relação a Constituição de 1934, no 10º aniversário da revolução de 1930, em discurso de 11 de novembro de 1940:
  • No Paraná a adesão à revolta foi espontânea; sendo o governo estadual assumido por uma Junta Militar, chefiada pelo General Mário Alves Monteiro Tourinho (ex-comandante da PMPR). As tropas revolucionárias vindas do Rio Grande do Sul reuniram-se às do Paraná, e postaram-se diante da cidade de Itararé, SP. Quando a ofensiva estava pronta a se iniciar, o Governo Federal foi deposto no Rio de Janeiro, evitando dessa forma o confronto. O 1º Batalhão de Infantaria da PMPR foi incorporado como 3º Batalhão do 13º Regimento de Infantaria do Exército (atual 13º BIB); e seguiu para Rio de Janeiro (1 de novembro), para garantir a posse do governo revolucionário. Uma constitucionalização apressada, fora de tempo, apresentada como panaceia de todos os males, traduziu-se numa organização política feita ao sabor de influências pessoais e partidarismo faccioso, divorciada das realidades existentes. Repetia os erros da Constituição de 1891 e agravava-os com dispositivos de pura invenção jurídica, alguns retrógrados e outros acenando a ideologias exóticas. Os acontecimentos incumbiram- se de atestar-lhe a precoce inadaptação! — Getúlio Vargas 4 A partir da constituição de 1937, o regime centralizador, por vezes autoritário do getulismo, ou Era Vargas, estimula a expansão das atividades urbanas e desloca o eixo produtivo da agricultura para a indústria, estabelecendo as bases da moderna economia brasileira. O balanço da revolução de 1930 e de seus 15 anos de governo, por Getúlio, foi feito, no Dia do Trabalho de 1945, em um discurso feito no Rio de Janeiro, no qual disse: A qualquer observador de bom senso não escapa a evidência do progresso que alcançamos no curto prazo de 15 anos. Éramos, antes de 1930, um país fraco, dividido, ameaçado na sua unidade, retardado cultural e economicamente, e somos hoje uma nação forte e respeitada, desfrutando de crédito e tratada de igual para igual no concerto das potências mundiais! — Getúlio Vargas
  • Principais combates: Combate de Sengés (12 de outubro); Combate da Capela da Ribeira (14 de outubro); Combate da Fazenda Morungava (16 de outubro); e Combate de Itararé (19 de outubro).
  • REVOLUÇÃO DE 193210 10 A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932, REVOLUÇÃO DE 1932 OU GUERRA PAULISTA, foi o movimento armado ocorrido no Estado de São Paulo, Brasil, entre os meses de julho e outubro de 1932, que tinha por objetivo a derrubada do governo provisório de Getúlio Vargas e a promulgação de uma nova constituiçãopara o Brasil 4 . Foi uma resposta paulista à Revolução de 1930, a qual acabou com a autonomia de que os estados gozavam durante a vigência da Constituição de 1891. A Revolução de 1930 impediu a posse do ex-presidente (atualmente denomina-se governador) do estado de São Paulo, Júlio Prestes, na presidência da República e derrubou do poder o presidente da república Washington Luís colocando fim à República Velha, invalidando a Constituição de 1891 e instaurando o governo provisório, chefiado pelo candidato derrotado das eleições de 1930, Getúlio Vargas. Atualmente, o dia 9 de julho, que marca o início da Revolução de 1932, é a data cívica mais importante do estado de São Paulo e feriado estadual. Os paulistas consideram a Revolução de 1932 como sendo o maior movimento cívico de sua história. A lei 2.430, de 20 de junho de 2011, inscreveu os nomes de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, o MMDC, heróis paulistas da Revolução Constitucionalista de 1932, no Livro dos Heróis da Pátria. Foi a primeira grande revolta contra o governo de Getúlio Vargas. No total, foram 87 dias de combates (de 9 de julho a 4 de outubro de 1932 - sendo os últimos dois dias depois da rendição paulista), com um saldo oficial de 934 mortos, embora estimativas, não oficiais, reportem até 2200 mortos, sendo que numerosas cidades do interior do estado de São Paulo sofreram danos devido aos combates . São Paulo, depois da revolução de 32, voltou a ser governado por paulistas, e, dois anos depois, uma nova constituição foi promulgada, a Constituição de 1934. CONTEXTO DA REVOLUÇÃO DE 1930 E SEUS DESDOBRAMENTOS Na primeira metade do século XX, o Estado de São Paulo vivenciou um acelerado processo deindustrialização 9 e enriquecimento devido aos lucros da lavoura de café e à articulação da política do café-com-leite. Por essa política, criada pelo presidente da república Campos Sales, se alternavam na presidência da República políticos dos estados de São Paulo e de Minas Gerais, os estados mais ricos e populosos da União. No início de 1929, o governo de Washington Luís, ao nomear o paulista Júlio Prestes, apoiado por 17 estados, preteriu a vez de Minas Gerais no jogo da sucessão presidencial, rompendo a
  • "política do café-com-leite", que vinha sendo aplicada desde o governo de Afonso Pena (1906- 1909) que substituiu o paulista Rodrigues Alves na presidência da República. De acordo com este revezamento Minas Gerais - São Paulo na presidência da república, o candidato oficial, em 1930, deveria ser um mineiro, que poderia ser o presidente de Minas Gerais Antônio Carlos Ribeiro de Andrada ou o vice-presidente da república Fernando de Melo Viana ou ainda o ex-presidente Artur Bernardes, entre outros próceres políticos mineiros. Porém, Washington Luís, depois de consultar os 20 presidentes de estado, em julho de 1929, recebeu o apoio de 17 deles a Júlio Prestes, e o indicou como candidato oficial à presidência da república nas eleições marcadas para 1 de março de 1930. Minas Gerais, então, rompe com São Paulo, une-se à bancada gaúcha no Congresso Nacional e promete apoio a Getúlio Vargas, se este concorresse à presidência . Em setembro de 1929, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba formaram a "Aliança Liberal" lançando Getúlio Vargas à presidência e João Pessoa, da Paraíba, à vice-presidência. Apoiavam Getúlio também o Partido Democrático de São Paulo, parte das classes médias urbanas e os tenentes, que defendiam reformas sociais e econômicas para o país. Os outros 17 estados da época apoiaram Júlio Prestes. Nesse momento, setembro de 1929, já era percebido, em São Paulo, que a Aliança Liberal e uma eventual revolução visavam especificamente São Paulo. Nos debates, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, em 1929, se dizia abertamente que se a Aliança Liberal não ganhasse a eleição haveria revolução. Tendo o senador estadual de São Paulo Cândido Nazianzeno Nogueira da Motta denunciado, profeticamente, na tribuna do Senado do Congresso Legislativo do Estado de São Paulo, em 24 de setembro de 1929, que: A guerra anunciada pela chamada Aliança Liberal não é contra o sr. Júlio Prestes, é contra nosso estado de São Paulo, e isso não é de hoje. A imperecível inveja contra o nosso deslumbrante progresso que deveria ser motivo de orgulho para todo o Brasil. Em vez de nos agradecerem e apertarem em fraternos amplexos, nos cobrem de injúrias e nos ameaçam com ponta de lanças e patas de cavalo! —Cândido Nogueira da Motta Cândido Nogueira da Motta citou ainda o senador fluminense Irineu Machado que previra a reação de São Paulo: A reação contra a candidatura do Dr. Júlio Prestes representa não um gesto contra o presidente do estado, mas uma reação contra São Paulo, que se levantará porque isto significa um gesto de legítima defesa de seus próprios interesses — Irineu Machado
  • Em meio à grave crise econômica, devido à Grande Depressão de 1929 que derrubara os preços do café, Júlio Prestes, que era membro do Partido Republicano Paulista, foi eleito presidente em 1 de março de 1930, vencendo em 17 estados e no Distrito Federal, mas não tomou posse. Apesar da grande votação nos 3 estados aliancistas, Getúlio Vargas foi largamente derrotado. Júlio Prestes, em São Paulo, teve 91% dos votos válidos. A ala mais radical da Aliança Liberal resolve pegar em armas e usa o assassinato de João Pessoa, em julho de 1930, como o estopim do movimento. O crime não teve motivos políticos, mas foi usado como tal, cujo impacto emocional deu novo ânimo aos oposicionistas derrotados. Cresce o apoio popular e os preparativos do golpe foram levados adiante e com rapidez, pois se aproximava o momento da posse de Júlio Prestes. Em 3 de outubro de 1930 estoura a insurreição. Os rebeldes tomam os três estados que irradiaram a revolução: (Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba) e rumam para a capital federal. Comitiva de Getúlio Vargas (ao centro) fotografada por Claro Jansson durante sua passagem por Itararé(São Paulo) a caminho do Rio de Janeiro após a Revolução de 1930. Em 24 de outubro de 1930, um golpe militar liderado por comandantes militares no Rio de Janeiro depõe Washington Luís e entrega, em 3 de novembro de 1930, o poder a Getúlio Vargas. Vitoriosa a revolução de 1930, Getúlio Vargas foi nomeado chefe do "Governo Provisório" e põe fim à supremacia política de São Paulo e Minas Gerais no governo federal. Entre outras ações, anistiou os rebeldes das revoluções de 1922 e 1924, modificou o sistema eleitoral e criou o Ministério do Trabalho. Getúlio tomou posse instalando no Brasil uma ditadura: suspendeu a Constituição e nomeou interventores em todos os estados, com exceção de Minas Gerais - reforçando o conflito com
  • São Paulo; dissolveu o congresso nacional, os congressos estaduais (câmaras e senados estaduais) e as câmaras municipais. Além de medidas de centralização política, outras se seguiram visando ao controle econômico pelo governo central: os estados foram proibidos de contratar empréstimos externos sem autorização do governo federal; o monopólio de compra e venda de moeda estrangeira pelo Banco do Brasil fá-lo controlar, assim, o comércio exterior. O governo impõe, ainda, medidas para controlar os sindicatos e as relações trabalhistas e cria instituições para intervir no setor agrícola como forma de enfraquecer os estados. Júlio Prestes, o presidente Washington Luís e vários outros apoiadores de Júlio Prestes foram exilados na Europa, e os jornais que apoiavam Júlio Prestes foram destruídos (na época se dizia empastelados), entre eles, os jornais paulistanos Folha de S. Paulo, "A Plateia" e o Correio Paulistano e os jornais cariocas A Noite e O Paiz. Getúlio nomeou interventores para o governo dos estados, sendo que para São Paulo foi designado o tenente, promovido a coronel pela Revolução de 1930, João Alberto Lins de Barros, o qual a oligarquia paulista tratava pejorativamente como um "forasteiro e plebeu" ou, ainda, por O pernambucano, codinome também adotado e difundido entre o povo paulista 15 . Para o comando da 2ª Região Militar de São Paulo foi designado o general Isidoro Dias Lopes, e para o comando da Polícia Militar do Estado de São Paulo, então denominada "Força Pública", foi nomeado o major Miguel Costa. Ambos tinham tentado derrubar o governo paulista na Revolução de 1924. Miguel Costa havia sido expulso da Força Pública por causa de suas ações em 1924. Isidoro Dias Lopes, porém, passaria para o lado dos paulistas para ser um dos comandantes da Revolução de 1932. Após a derrota de São Paulo em 24 de outubro de 1930, quando triunfou a Revolução de 1930, foi deposto o presidente em exercício de São Paulo Heitor Penteado e o estado passou a ser governado pelo "Gabinete dos 40 dias", tendo o Tenente João Alberto como Delegado Militar da Revolução, formado por próceres do Partido Democrático. O Gabinete dos 40 dias renunciou devido às pressões dos tenentes, rompendo com João Alberto. A partir da renúncia do Gabinete dos 40 dias, São Paulo foi governado por interventores federais: Tenente João Alberto Lins de Barros, de 25 de novembro de 1930 até 24 de julho de 1931. Laudo Ferreira de Camargo, de 25 de julho de 1931 até 13 de novembro de 1931. Coronel Manuel Rabelo Mendes, de 13 de novembro de 1931 até 7 de março de 1932. Pedro Manuel de Toledo, de 7 de março de 1932 até o fim da Revolução de 1932, em 2 de outubro de 1932. Em 23 de maio de 1932, Pedro de Toledo, foi aclamado pelos paulistas governador de São Paulo.
  • Logo depois de vitoriosa a Revolução de 1930, em 6 de novembro de 1930, Luís Carlos Prestes, que conhecia João Alberto do tempo da Coluna Prestes, lançou um manifesto onde dizia textualmente: Brasileiros: Livrai-vos da desonestidade de um João Alberto ! — Luís Carlos Prestes E o tenente João Cabanas, um dos chefes da Revolução de 1924 e revolucionário de 1930, no seu livro "Fariseus da Revolução", de 1932, assim definiu o tenente João Alberto: João Alberto serve como exemplo: se, como militar, merece respeito, como homem público não faz jus ao menor elogio. Colocado, por inexplicáveis manobras e por circunstâncias ainda não esclarecidas, na chefia do mais importante estado do Brasil, revelou-se de uma extraordinária, de uma admirável incompetência, criando, em um só ano de governo, um dos mais trágicos confusionismos de que há memória na vida política do Brasil, dando também origem a um grave impasse econômico (déficit de 100.000 contos), e a mais profunda impopularidade contra a "Revolução de Outubro".. e ter provocado no povo paulista, um estado de alma equívoco e perigoso. Nossa história não registra outro período de fracasso tão completo como o do "Tenentismo inexperiente"!. — João Cabanas ANTECEDENTES DO MOVIMENTO Em 1932 a irritação dos paulistas com Getúlio Vargas não cedeu com a nomeação de um paulista, Pedro Manuel de Toledo, como interventor do estado, pois tanto este quanto Laudo Ferreira de Camargo (que havia renunciado por causa da interferência dos tenentes no governo) não conseguiam autonomia para governar. A primeira grande manifestação dos paulistas foi um megacomício - na época se dizia meeting - na Praça da Sé, no dia do aniversário de São Paulo, em 25 de janeiro de 1932, com um público estimado em 200 000 pessoas, e, na época, chamados de "comícios-monstro". Em maio de 1932, ocorreram vários comícios constitucionalistas. As interferências da ditadura no governo de São Paulo eram constantes, não se deixando os interventores formarem livremente seu secretariado, nem do Chefe de Polícia de São Paulo. Pedro de Toledo não governava de fato, as interferências de Miguel Costa, Osvaldo Aranha, João Alberto Lins de Barros, Manuel Rabelo e Pedro Aurélio de Góis Monteiro eram constantes. O político Paulo Nogueira Filho descreve João Alberto Lins de Barros e Miguel Costa como pessoas que "se arvoravam comodonatários de São Paulo". 16
  • Júlio Prestes acreditava, já em 1931, que a situação da ditadura estava se tornando insustentável e declarou no exílio em Portugal: O que não compreendo é que uma nação, como o Brasil, após mais de um século de vida constitucional e liberalismo, retrogradasse para uma ditadura sem freios e sem limites como essa que nos degrada e enxovalha perante o mundo civilizado! — Júlio Prestes . O Partido Republicano Paulista e o Partido Democrático de São Paulo, que antes apoiara a Revolução de 1930, uniram-se, em fevereiro de 1932, na Frente Únicapara exigir o fim da ditadura do "Governo Provisório" e uma nova Constituição. Assim, São Paulo inteiro estava contra a ditadura. Os paulistas consideravam que o seu estado estava sendo tratado pelo Governo Federal, que se dizia um "Governo Provisório", como uma terra conquistada, expressão de autoria de Leven Vanpré, governada por tenentes de outros estados e sentiam, segundo afirmavam, que a Revolução de 1930 fora feita "contra" São Paulo, pois Júlio Prestes havia tido 90% dos votos dos paulistas em 1930. O estopim da revolta foi a morte, em 23 de maio de 1932, de cinco jovens no centro da cidade de São Paulo, assassinados a tiros por partidários da ditadura, pertencentes à "Legião Revolucionária", criada por João Alberto Lins de Barros e orientada pelo Major Miguel Costa. Pedro de Toledo tentara formar um novo secretariado independente das pressões exercidas pelos tenentes, quando chegou a São Paulo Osvaldo Aranha, representando a ditadura, querendo interferir na formação do novo secretariado. O povo quando ficou sabendo saiu às ruas, houve grandes comícios e passeatas, e no meio do tumulto a multidão tenta invadir a sede da "Legião Revolucionária". Ao subirem as escadarias do edifício, são recebidos a balas. Pedro de Toledo, com o apoio do povo, conseguiu neste dia 23 de maio de 1932 montar um secretariado de sua livre nomeação (que ficou conhecido como o Secretariado de 23 de maio) e romper definitivamente com o Governo Provisório. O dia 23 de maio é sagrado em São Paulo como o Dia do soldado constitucionalista. A morte dos jovens deu origem a um movimento de oposição que ficou conhecido como MMDC, atualmente denominado oficialmente de MMDCA: 1. Mário Martins de Almeida (Martins) 2. Euclides Bueno Miragaia (Miragaia) 3. Dráusio Marcondes de Sousa (Dráusio) 4. Antônio Américo Camargo de Andrade (Camargo) 5. Orlando de Oliveira Alvarenga (Alvarenga)
  • O MMDC foi organizado como sociedade secreta em 24 de maio de 1932, tendo sido projetado durante um jantar no Restaurante Posilipo, por Aureliano Leite, Joaquim de Abreu Sampaio Vidal, Paulo Nogueira e Prudente de Moraes Neto entre outros. Inicialmente, a sociedade foi chamada "Guarda Paulista", mas, depois, foi fixada em MMDC, em homenagem aos jovens mortos a 23 de maio. Em 10 de agosto, o Decreto nº. 5627-A, do governo do estado oficializou o MMDC, cuja direção foi entregue a um colegiado, presidido por Waldemar Martins Ferreira, secretário da Justiça, e tendo, como superintendente, Luís Piza Sobrinho. O MMDC foi instalado na Faculdade de Direito e depois transferido para o antigo Fórum, na rua do Tesouro, e depois para o prédio da Escola de Comércio Álvares Penteado. Esse fato levou à união de diversos setores da sociedade paulista em torno do movimento de constitucionalização que se iniciara em janeiro de 1932. Neste movimento, liderado pelo MMDC, se uniram o PRP e o Partido Democrático, chamados pela ditadura de "oligarquia", que pretendiam a volta da supremacia paulista e do PRP ao poder e queriam, também, reparar a injustiça ocorrida em 1930, quando o candidato dos paulistas, Júlio Prestes, foi eleito à presidência mas não pode tomar posse, impedido pela Revolução de 1930. Segundo Aspásia Camargo, em artigo para o jornal "O Estado de S. Paulo", em texto comemorativo dos 60 anos da Revolução Constitucionalista de 1932, publicado em 9 de julho de 1992, o constitucionalismo paulista resultou de um conflito entre duas concepções de democracia: Democracia Social e Democracia Liberal. Para Getúlio Vargas e os tenentes, a democracia liberal formal era um engodo, tanto quanto o liberalismo brasileiro. Já para os paulistas, segundo Aspásia Camargo, principalmente para sua oligarquia, a democracia social era caso de polícia. Essa acusação contra os paulistas de que, em São Paulo, ―questão social é questão de polícia‖, se deve a uma distorção de uma frase do presidente Washington Luís por parte de seus adversários. A frase que realmente Washington Luís pronunciou foi: A agitação operária é uma questão que interessa mais à ordem pública do que à ordem social, representa o estado de espírito de alguns operários, mas não de toda a sociedade! —Washington Luís Começou-se, então, a se tramar um movimento armado visando à derrubada da ditadura de Getúlio Vargas, sob a bandeira da proclamação de uma nova Constituição para o Brasil.
  • Desde seu início, a revolução de 1932 contou com o apoio decisivo da maçonaria paulista, através de suas lideranças e de seus membros como Pedro de Toledo, Júlio de Mesquita Filho, Armando de Sales Oliveira, Ibrahim de Almeida Nobre e outros. Em 9 de julho, Getúlio Vargas já havia estabelecido eleições para uma Assembleia Nacional Constituinte (as eleições foram convocadas em fevereiro de 1932) e já havia nomeado um interventor paulista - as duas grandes exigências de São Paulo. Porém a interferência do governo federal e dos tenentes em São Paulo continuava forte. Os tenentes do Clube 3 de outubro eram contra a instalação de uma assembleia constituinte, tendo seus representantes entregado a Getúlio Vargas, em 3 de março de 1932, em Petrópolis, um manifesto contrário à constituinte, no qual dão seu total apoio à ditadura e no qual se manifestam contrários a uma nova constituição. 20 Estes atos do Governo Provisório, porém, não evitaram o conflito, já que o PRP, agora unido ao seu rival Partido Democrático paulista, almejava voltar a dominar a política nacional, como fazia anteriormente, reparando a injustiça de Júlio Prestes não ter tomado posse como presidente da República em 1930, dar uma constituição ao Brasil e terminar com as interferências da ditadura no governo de São Paulo. Era especialmente humilhante para São Paulo a nomeação do major Miguel Costa para comandante da Polícia Militar de São Paulo, então chamada de Força Pública, pois Miguel Costa havia sido expulso da Força Pública em 1924 por tentar derrubar o governo paulista na Revolução de 1924. O combatente-médico da revolução de 1932, Ademar Pereira de Barros, que governaria São Paulo por três vezes, assim explicou, em Santos, em 1934, as razões da revolução de 1932: São Paulo levantou-se em armas em 9 de julho de 1932 para livrar o Brasil de um governo que se apossaria de sua direção por efeito de uma revolução… e se perpetuava indefinidamente no poder, esmagando os direitos de um povo livre.. e que trazia o sempre glorioso São Paulo debaixo das botas e do chicote do senhor! —Ademar de Barros O MOVIMENTO ARMADO Em 9 de julho eclodiu o movimento revolucionário, com os paulistas acreditando possuir o apoio de outros estados, notadamente Minas Gerais, Rio Grande do Sul e do sul de Mato Grosso, para a derrubada de Getúlio Vargas. Pedro de Toledo, que ganhara forte apoio dos paulistas, foi proclamado governador de São Paulo e foi o comandante civil da revolução constitucionalista. Foi lançada uma proclamação da "Junta Revolucionária" conclamando os paulistas a lutarem contra a ditadura.
  • Formavam a Junta Revolucionária Francisco Morato do Partido Democrático, Antônio de Pádua Sales do PRP e os generais Bertoldo Klinger e Isidoro Dias Lopes. O general Euclides Figueiredo assumiu a 2º Região Militar. Alistaram-se 200 000 voluntários, sendo que se estima que, destes, 60 000 combateram nas fileiras do exército constitucionalista. No estado de São Paulo, a Revolução de 1932 contou com um grande contingente de voluntários civis e militares e o apoio de políticos de outros estados, antigos apoiadores da Revolução de 1930, como, no Rio Grande do Sul, Raul Pilla, Borges de Medeiros, Batista Luzardo e João Neves da Fontoura entre outros, que formaram a Frente Única Rio-Grandense, e que tentaram fazer uma revolta mas foram capturados (salvo Batista Luzardo, que conseguiu fugir) e exilados pelo interventor gaúcho. No atual Mato Grosso do Sul foi formado um estado independente que se chamou Estado de Maracaju, que apoiou São Paulo. Em Minas Gerais, a revolução de 1932 obteve o apoio do ex-presidente Artur Bernardes, que terminou também exilado. São Paulo esperava a adesão do interventor do Rio Grande do Sul, o estado mais bem armado, mas este na última hora decidiu enviar tropas não para apoiar São Paulo, mas para combater os paulistas. Quando se inicia o levante, uma multidão sai às ruas em apoio. Tropas paulistas são enviadas para os fronts em todo o estado. Mas as tropas federais são mais numerosas e bem- equipadas. Aviões são usados para bombardear cidades do interior paulista. Quarenta mil homens de São Paulo enfrentam um contingente de cem mil soldados. Os planos paulistas previam um rápido e fulminante movimento em direção ao Rio de Janeiro pelo vale do Paraíba, com a retaguarda assegurada pelo apoio que seria dado pelos outros estados. Porém, com a traição dos outros estados, o plano imaginado por São Paulo não se concretizou: Rio Grande do Sul e Minas Gerais foram compelidos por Getúlio Vargas a se manterem ao seu lado e a publicidade de pretensão separatista do movimento levou São Paulo a se ver sozinho, com o apoio de apenas algumas tropas mato-grossenses, contra o restante do Brasil. 22 Comandadas por Pedro de Toledo, aclamado governador revolucionário, e pelo general Bertoldo Klinger, as tropas paulistas se viram lutando em três grandes frentes: o vale do Paraíba, o Sul Paulista e Leste Paulista. O estado de São Paulo, apesar de contar com mais de quarenta mil soldados, estava em desvantagem. Por falta de apoio e a traição de outros estados, São Paulo se encontrava num grande cerco militar.
  • Como as fronteiras do estado foram fechadas, não havia como adquirir armamento para o conflito fora do país. Assim muitos voluntários levaram suas armas pessoais, e engenheiros da Escola Politécnica do Estado (hoje EPUSP) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) passaram a desenvolver armamentos a serem produzidos pelo próprio estado para suprir as tropas. Um navio que trazia armamento dos Estados Unidos para os paulistas foi apreendido pela Marinha do Brasil. No teste de um novo canhão, um acidente matou o Comandante da Força Pública, coronel Júlio Marcondes Salgado. Uma das armas mais sofisticadas feitas pela indústria paulista foi o trem blindado, usado na campanha militar no Vale do Paraíba. São Paulo criou moeda própria, que foi falsificada pela ditadura e distribuída na capital paulista para desestabilizar a economia do estado. O dinheiro paulista era lastreado pelo ouro arrecadado pela campanha "Ouro para o bem de São Paulo", também chamada de "Ouro para a vitória". Devido à falta de munição, os paulistas inventaram e passaram a usar um aparelho que imitava o som das metralhadoras, chamado de "matraca". A maçonaria paulista teve partipação ativa no movimento constitucionalista de 1932 através de suas lojas e de seus membros como Pedro de Toledo, interventor, Júlio de Mesquita Filho diretor do jornal "O Estado de S. Paulo" e o poeta Ibrahim de Almeida Nobre entre outros. 23 24 Houve intensa mobilização através do rádio, uma novidade na época, destacando-se César Ladeira da Rádio Record. Usaram-se muita propaganda e contra-propaganda ideológica por parte da ditadura, que acusava São Paulo de estar nas mãos do fascismo italiano trazido pelos imigrantes. Brasileiros de outras regiões eram recrutados pela ditadura para combater São Paulo, sob a justificativa de que São Paulo queria se separar do Brasil. A ditadura colocava elementos infiltrados em reuniões e comícios em São Paulo que pregavam o derrotismo e o desânimo da população. O crime mais bárbaro ocorrido durante a Revolução de 1932 se deu na cidade de Cunha, quando as tropas federais torturaram e mataram o agricultor Paulo Virgínio por este se recusar a dizer onde estavam as tropas paulistas. Paulo Virgínio foi obrigado a cavar sua própria sepultura e morreu dizendo:
  • Morro mas São Paulo vence! — Paulo Virgínio Paulo Virgínio, junto com os jovens do MMDC, está enterrado no ponto central do Mausoléu do Ibirapuera e é homenageado dando seu nome a rodovia SP-171, que corta a região onde ele foi assassinado, o Vale do Paraíba. O movimento estendeu-se até 2 de outubro de 1932, quando foi derrotado militarmente. SEPARATISTAS NO CONFLITO Entre os grupos que formavam a direção da Revolução Paulista, existiam os separatistas que desejavam a independência de São Paulo como uma república soberana ou a formação de uma federação onde os estados adquiririam a soberania (confederação). Entre os principais defensores do separatismo destacavam-se o presidente do Tribunal de Justiça, Costa Manso, os escritores José Alcântara Machado e Monteiro Lobato e o historiador Alfredo Ellis Junior. Monteiro Lobato, especificamente, foi o que mais deixou documentos e relatos sobre o desejo de independência dos paulistas. Em 10 de agosto, depois de um mês de conflitos, o famoso autor enviava uma carta emocionada a Waldemar Ferreira, um dos líderes da revolução, na qual apresentava um balanço da crítica situação em que se encontrava São Paulo, observando ao seu amigo que: ―há o que a boca diz e há o que o coração sente. Minha boca diz o que todos neste momento dizem – mas meu coração, e talvez o de São Paulo inteiro, sente o que vai escrito nas tiras anexas‖. E o que o coração de Lobato expressava traduzia-se num texto intitulado ―A defesa da vitória de São Paulo‖, em que deixava claro que, para os paulistas, só havia dois caminhos: hegemonia ou separação. Após a vitória de São Paulo, na campanha ora empenhada, se faz mistér que seus dirigentes não se deixem embalar pelas ideias sentimentais de brasilidade, irmandade e outras sonoridades.[...] Ou São Paulo desarma a União e arma-se a si próprio, de modo a dirigir doravante a política nacional a seu talento e em seu proveito, ou separa-se.[...] Trata-se de uma guerra de independência disfarçada em guerra constitucionalista... 26 ' — Monteiro Lobato
  • Monteiro Lobato, admirador de Washington Luís, apoiou a candidatura do doutor Júlio Prestes, que, como presidente de São Paulo, realizara explorações de petróleo em território paulista, tendo escrito a ele, em 28 de agosto de 1929, uma carta de apoio em que dizia: Sua política na presidência significará o que de mais precisa o Brasil: continuidade administrativa! — Monteiro Lobato 27 A gigantesca campanha pela adesão das massas às causas revolucionárias, por pautar-se no enaltecimento de valores regionais, trazia em seu bojo o fortalecimento dos argumentos separatistas, ideário presente em São Paulo durante toda a sua história. Retratando a síntese desse paradoxo, Mário de Andrade registrava que o lema "Tudo por São Paulo" – que se fazia presente em faixas, veículos e nos quepes dos soldados – era ―a única unanimidade‖ naqueles agitados dias de 1932. Definitivamente, foi ―por São Paulo‖ – e não pelo Brasil – que tantos homens e mulheres se sacrificaram. O autor ainda, após o armistício, manifestava ao amigo mineiro Carlos Drummond de Andrade o rancor que lhe dominava a alma: 28 No momento, eu faria tudo, daria tudo para São Paulo se separar do Brasil. — Mário de Andrade O FIM DO CONFLITO Em meados de setembro, as condições de São Paulo eram precárias. O interior do estado era invadido paulatinamente pelas tropas de Getúlio Vargas e a capital paulista era ameaçada de ocupação. A economia de São Paulo, asfixiada pelo bloqueio do porto de Santos, sobrevivia de contribuições em ouro feitas por seus cidadãos.
  • Tropas gaúchas acampadas na área do Instituto Biológico (futuroParque do Ibirapuera) durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Vendo que a derrota e a ocupação do estado eram questão de tempo, as tropas da Força Pública Paulista, atual Polícia Militar de São Paulo, são as primeiras a se render, no final de setembro. Com o colapso da defesa paulista, a liderança revolucionária paulista se rende em 2 de outubro de 1932, na cidade de Cruzeiro, para as forças chefiadas pelo general Pedro Aurélio de Góis Monteiro. As tropas gaúchas ocupam a capital paulista, pela segunda vez, em menos de dois anos. A primeira vez fora logo após a vitória da revolução de 1930. A maior parte dos líderes paulistas, que não tinha sido exilada em 1930, foi então exilada com a derrota de Revolução de 1932. O comandante das forças militares do Sul do Brasil (Exército Sul), do Governo Provisório, que combateram São Paulo, o General Valdomiro Castilho de Lima, é nomeado governador militar em São Paulo.
  • FRENTES DE COMBATE Principal acesso para o Rio de Janeiro, o vale do rio Paraíba do Sul era visto pelos paulistas como teatro principal da guerra. A estratégia paulista previa a conquista da cidade fluminense de Resende, que chegou a ser bombardeada pela artilharia paulista, e previa também o apoio de tropas mineiras e uma marcha rápida em direção à cidade do Rio de Janeiro. Entretanto, com a falta de apoio de Minas Gerais, as tropas paulistas demoraram a se mover em direção a Resende e logo se viram defendendo seu próprio território das tropas federais. Os combates mais importantes se deram na região do Túnel da Mantiqueira, que divide São Paulo de Minas Gerais e que era considerado um ponto militar estratégico de grande importância. O terreno acidentado do vale do Paraíba paulista e a existência de diversas cidades levaram a um combate encarniçado entre as tropas, porém a superioridade de tropas e armamentos das forças de Getúlio Vargas levou à ocupação de diversas cidades paulistas do Vale do Paraíba, como Caçapava, Lorena e Cruzeiro, e ao recuo das tropas paulistas em direção à capital no final do conflito. LESTE PAULISTA Tropas paulistas penetraram no sul de Minas Gerais, sendo contidas em Pouso Alegre em julho de 1932 e repelidas pelas forças federais em direção a Campinas. Após setembro de 1932, cidades paulistas próximas à divisa com Minas Gerais, como Itapira, foram ocupadas pelas tropas fiéis a Getúlio Vargas, tendo sido travadas batalhas no Morro do Gravi, Atibaia e em Bragança Paulista. No alto da serra da Mantiqueira, num local conhecido com Garganta do Embaú, ocorreram combates violentos com intuito de dominar aquele ponto estratégico, bem como o túnel da estrada férrea o que permitiria o controle do acesso ao sul de Minas por ferrovia. Os paulistas invadiram a cidade mineira de Passa-Quatro, que foi posteriormente tomada por tropas leais ao Governo Vargas. CENTRO PAULISTA No centro do estado de São Paulo, destaca-se a região de Botucatu, onde inclusive a Igreja Católica participou ativamente das atividades revolucionárias, que iam desde a coleta de fundos na campanha "Ouro para o bem de São Paulo", até o envio de enfermeiras e paramédicos para as frentes de batalha.
  • O Bispo de Botucatu, Dom Carlos Duarte Costa, doou parte do tesouro da Diocese de Botucatu, chegando mesmo a doar sua "Cruz Peitoral", e organizou um batalhão que ficou conhecido como o "Batalhão do Bispo" 31 . Soldados paulistas fotografados por Claro Jansson em Itararé. SUL PAULISTA Batalhão Redentor Filhos de Iguape, defronte ao jardim do largo da Igreja Matriz O Sul paulista, principal teatro de operações das tropas federais, era o setor mais desguarnecido do estado de São Paulo, pela crença do apoio que viria do Rio Grande do Sul. Tropas do sul se posicionaram na divisa de São Paulo e Paraná, próximos à cidade de Itararé. Esta, por um grave erro logístico das tropas paulistas, não foi defendida, tendo estas se retirado para o rio Paranapanema, abrindo quase 150 quilômetros de território paulista para as tropas federais, a Coluna Sul. Como nas demais frentes, tropas federais, em maior número e mais bem equipadas, ocupam cidades paulistas como Buri e Guapiara, com o agravante de estas estarem situadas mais ao interior do estado do que nas outras frentes. SUL DE MATO GROSSO (ATUAL MATO GROSSO DO SUL) O grande aliado dos paulistas na revolução foi outro palco de combates: o estado do Mato Grosso do Sul (na época ainda fazia parte de Mato Grosso) fora até dividido durante a Revolução de 1932, com o sul se emancipando como Estado de Maracaju. Posteriormente a divisão do estado do Mato Grosso aconteceu com a criação do Mato Grosso do Sul, divisão desejada desde o término da Guerra do Paraguai.
  • As tropas sul-mato-grossenses que deveriam se unir às tropas de São Paulo nunca conseguiram chegar ao destino, impedidas pelos federais, ocorrendo duas batalhas principais: em Porto Murtinho e Coxim. Na região dessas duas cidades ocorreram combates violentos contra as forças federais formadas por soldados do norte do estado (atual estado de Mato Grosso). Na região de Porto Murtinho, ocorreu um dos episódios mais sanguinários da Revolução de 1932. Tropas sul-riograndenses cercaram e degolaram mais de 300 combatentes constitucionalistas. A luta pelo Porto Murtinho foi o feito mais notável dos sul-mato-grossenses no conflito. Ocorreram ainda batalhas sangrentas na tentativa de forçar a entrada de recursos para São Paulo, já que o Porto de Santos estava sob bloqueio naval governista. O Porto de Santos só fora tomado pelos getulistas no dia 12 de setembrode 1932, mais de dois meses depois do início da luta. RIO GRANDE DO SUL Apesar da "traição" oficial do governo do estado comandado pelo general Flores da Cunha, alguns gaúchos entraram na luta no próprio Rio Grande do Sul. Liderado por Borges de Medeiros, um batalhão de cerca 450 homens utilizavam táticas de guerrilha para fixar tropas federais, isto é, atacando destacamentos que partiriam do Rio Grande do Sul para vir reforçar os getulistas contra São Paulo, impedindo-os de chegar às frontes, principalmente à frente paranaense . A frente rio-grandense chegou ao fim na Batalha de Cerro Alegre, no município de Piratini, no dia 20 de setembro de 1932, quando foram mortos mais de duzentos homens das forças constitucionalistas e o líder Borges de Medeiros foi preso. AVIAÇÃO NA REVOLUÇÃO Prédio destruído por bombardeio aéreo legalista em Campinas, 1932.
  • Durante a revolução, a aviação teve um importante papel no conflito, sendo usada pelos legalistas para eventuais bombardeios e ataques a posições rebeldes, como os dez bombardeios aéreos a Campinas, que causaram muitos danos à infraestrutura da cidade. Os ataques foram comandados pelo major-aviador Eduardo Gomes de 15 a 29 de setembro de1932. Além disso, outras cidades, como Lorena, sofreram com um ataque em 19 de setembro. CONSEQUÊNCIAS Terminado o conflito, a liderança paulista se refugia no exílio, enquanto os paulistas computam oficialmente 634 mortos, embora estimativas extraoficiais apontem mais de mil mortos paulistas. Do lado federal nunca foram liberadas estimativas de mortos e feridos. Foi o maior conflito militar da história brasileira no século XX. Na versão do governo, a Revolução de 1932 não era necessária, pois as eleições já tinham data marcada para ocorrer. Segundo os paulistas, não teria havido redemocratização no Brasil se não fosse o Movimento Constitucionalista de 1932. De qualquer forma, o término da revolução constitucionalista marcou o início do processo de democratização. Apesar da derrota militar, as lideranças paulistas consideraram ter obtido uma vitória moral. Em 3 de maio de 1933 foram realizadas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, quando as mulheres votaram pela primeira vez no Brasil em eleições nacionais. Nesta eleição, graças à criação da Justiça Eleitoral, as fraudes deixaram de ser rotina nas eleições brasileiras. Ainda, ao ver seu governo em risco, Getúlio Vargas dá início ao processo de reconstitucionalização do país, levando à promulgação da Constituição brasileira de 1934. Getúlio, terminada a revolução de 1932, se reconcilia com São Paulo, e depois de várias negociações políticas, nomeia um civil e paulista para interventor em São Paulo: Armando de Sales Oliveira, participando, mais tarde, em 1938, pessoalmente da inauguração da avenida 9 de Julho em São Paulo. Durante o Estado Novo, os dois interventores federais em São Paulo saíram das hostes do Partido Republicano Paulista: Adhemar Pereira de Barros (1938-1941) e Fernando de Sousa Costa (1941-1945), que havia sido secretário da agricultura do Dr. Júlio Prestes. Durante a Revolução foram reavivadas as tradições bandeirantes do estado, saindo nas notas do dinheiro paulista, e em muitas publicações, as imagens dos principais bandeirantes paulistas.
  • A PMPR foi incorporada ao Exército Sul, constituindo a chamada Coluna Plaisant; destacando-se na tomada de diversos redutos. Para os paulistas, a Revolução de 1932 transformou-se em símbolo máximo do estado, a exemplo da Guerra dos Farrapos para os gaúchos. Lembrada por feriado no dia 9 de julho (desde 1997 ), a revolução é mais fortemente comemorada na cidade de São Paulo do que no interior do estado, onde a destruição e as mortes provocadas pela rebelião são ainda recordadas. A revolução de 1932 é também muito relembrada nas regiões de divisa, onde se travaram os combates, especialmente no Vale do Paraíba paulista. No restante do país, o movimento, assim como a já citada Guerra dos Farrapos, é mais lembrado pela versão dos vitoriosos, a de uma rebelião conservadora, visando a reconduzir as oligarquias paulistas ao poder, colocando esta tentativa de volta ao poder como algo inaceitável, e de uma rebelião de velado caráter separatista, que são as versões predominante nos livros didáticos de história do Brasil. A PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA E DOS IDEAIS DE 1932 No feriado estadual de 9 de julho, anualmente se realizam comemorações e desfiles cívico- militares, sendo que o mais importante desfile se realiza no Parque do Ibirapuera em São Paulo. Nesta solenidade, são depositados no Mausoléu do Soldado Constitucionalista os restos mortais dos veteranos falecidos no ano corrente. Em homenagem à revolução de 1932, no início de julho, um grupo de paulistas faz a "Caminhada 9 de Julho", percorrendo, todos os anos, a pé, 927 quilômetros pelo estado de São Paulo. Cruzam o estado de São Paulo, saindo de Rubineia, no extremo oeste do estado, e vão terminar a caminhada em Cruzeiro, no Vale do Paraíba, onde foi assinada a rendição dos paulistas. Os organizadores desta caminhada cívica pretendem entrar para o livro Guiness dos recordes como a maior caminhada cívica do mundo.
  • Principais combates: Combate da Capela da Ribeira (19 de julho); Combate de Apiaí (03 de agosto); Combate de Guapiara (12 de agosto); Combate de Xiririca (15 de agosto); e Combate do Rio das Almas (09 de setembro). Combatente da PMPR armado com uma metralhadora Hotchkiss, sobreposta a um suporte improvisado com uma roda de carroça para a defesa antiaérea, Guapiara, agosto de 1932.
  • INTENTONA COMUNISTA11 1935 11 INTENTONA COMUNISTA, também conhecida como Revolta Vermelha de 35, Revolta Comunista de 35 e Levante Comunista , foi uma tentativa de golpe contra o governo de Getúlio Vargas realizado em novembro de1935 por militares, em nome da Aliança Nacional Libertadora, com apoio do PCB e do Comintern. HISTÓRIA A Revolta Vermelha de 1935 inscreve-se como conspiração de natureza político-militar, pelas suas reivindicações políticas imediatas (de protesto político-institucional contra um governo autoritário) dentro do quadro dos movimentos tenentistas realizados no Brasil desde a década de 1920. No entanto, articularam-se estas reivindicações, sob influência comunista, à ideia de uma revolução "nacional-popular" contra as oligarquias, o imperialismo e o autoritarismo, possuindo nas suas reivindicações menos imediatas, aspectos como: a abolição da dívida externa, a reforma agrária, o estabelecimento de um governo de base popular - em outras palavras, uma revolução "nacional-libertadora", que, embora estabelecida por um movimento armado, não se propunha a ultrapassar o quadro da ordem social burguesa (como afirmado, à época, por um dos líderes do movimento, o capitão Agildo Barata). Esta confluência de influências corporificou-se na pessoa de seu principal líder, Luís Carlos Prestes, capitão do Exército Brasileiro e líder tenentista convertido ao comunismo, que dirigiu o levante - à revelia da liderança formal do Partido Comunista do Brasil, e em articulação direta com a direção da Internacional Comunista, que mantinha junto a Prestes um grupo de militantes comunistas internacionais, composto pela companheira de Prestes, a comunista alemã Olga Benário, além do argentino Rodolfo Ghioldi, o alemão Arthur Ernest Ewert, Ranieri Gonzales e alguns outros militantes ligados ao Comitê Executivo da Internacional Comunista (CEIC). A direita brasileira sempre caracterizou esta interferência do Comintern no movimento como prova do seu caráter antinacional, em que os militantes brasileiros teriam agido como simples fantoches do comunismo internacional. Deve-se levar em conta, no entanto, que, se o Comintern estalinista da época desejava levar a cabo uma revolução vitoriosa sob sua inspiração a qualquer custo - de forma a tirar de Stalin a pecha de "grande organizador de derrotas" que lhe havia sido atribuída por Trótski após o fracasso das revoluções na China em1927, na Alemanha em 1923 e na tomada do poder por Hitler em 1933 - o fato é que Prestes especulou fortemente sobre o seu prestígio e sua capacidade de articulação política para prevalecer sobre a direção formal do Partido brasileiro - no processo marginalizando o então secretário-geral do Partido, Antônio Bonfim, o "Miranda" - e conseguir o apoio direto do CEIC a suas políticas - cujas premissas revelar-se-iam cabalmente equivocadas.
  • Num primeiro momento, Prestes parecia considerar que o programa nacionalista da ANL seria capaz de permitir-lhe impor-se como um movimento de massa legal capaz de atrair apoios tanto entre a classe operária e o campesinato como também entre a burguesia "progressista" de tendências anti-imperialista e antifascista - para depois, quando o governo Getúlio Vargas declarou a Aliança ilegal - com o apoio da burguesia e da classe média, que temiam a infiltração comunista no movimento - optar, com o apoio do CEIC, por uma ação revolucionária concebida em termos de uma mera ação militar. O levante eclodiu em pontos esparsos do território nacional, a saber: em Natal e arredores, entre 23 e 25 de novembro; em Recife, a 24 de novembro; e no Rio de Janeiro, em 27 de novembro. Fora de Natal, onde chegou a ser instalado um governo revolucionário provisório, o levante seguiu o padrão de um golpe militar clássico, limitando-se a ataques de militares rebeldes a quarteis. O último levante, no Rio de Janeiro, na Escola da Praia Vermelha e na Vila Militar, é considerado por alguns autores apenas como um ato de lealdade dos conspiradores sediados nessa cidade, pois havia ficado claro que o movimento não teria chances reais de revolucionar o país. No Rio de Janeiro, as proporções do movimento foram mais amplas e cruéis, tendo sido deflagrado, simultaneamente, no 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha; no 2º Regimento de Infantaria e no Batalhão de Comunicações, na Vila Militar; e na Escola de Aviação, no Campo dos Afonsos. Os amotinados, companheiros de véspera, teriam, de acordo com a versão legalista, ferido e matado indiscriminada e covardemente seus companheiros que dormiam-versão esta que até hoje gera margem a dúvidas, já que os quartéis do Rio estavam em prontidão após os levantamentos revolucionários no Norte do País, e em tais circunstâncias seria extremamente difícil encontrar oponentes inermes a serem massacrados de tal forma. Seja como for, a luta foi atroz e sem quartel, com os insurretos tentando expandir a rebelião a todo custo, esbarrando na mais férrea resistência das forças legalistas, e -finalmente - perdendo a luta. Por trás da estratégia equivocada do levante estava, de um lado, a superestimação que Prestes fazia de seu prestígio no interior do Exército brasileiro, de outro, a crença da IC de que, numa sociedade "semicolonial", bastaria proclamar o movimento para produzir uma sublevação espontânea que englobaria de militares a operários e "cangaceiros partisans [guerrilheiros](sic)".
  • Prestes também teria sabotado o próprio levante despropositadamente, uma vez que enviara ao comandante do Grupo de Obuses de São Cristóvão Newton Estillac Leal um convite para participar do golpe, fazendo com que o Governo tomasse conhecimento da rebelião mesmo antes dela acontecer. O episódio mais dramático do levante comunista foi a tentativa de conquistar o Regimento de Aviação no Campo dos Afonsos, à época integrante do Exército (a Força Aérea Brasileira só seria criada em 1941), visando obter aeronaves para bombardear a cidade do Rio de Janeiro. As unidades legalistas da Vila Militar, conseguiram instalar peças de artilharia para bombardear a pista e evitar que aviões decolassem. O assalto final foi realizado com uma carga de infantaria com apoio da artilharia, que retomou as instalações revoltadas. Uma vez reprimido e derrotado , o movimento foi submetido a intensa desmoralização- a começar pelo nome pejorativo e desqualificante que recebeu ("Intentona", ou "intento louco") - por parte das cúpulas militares; como lembra o militar esquerdista Nelson Werneck Sodré nas suas memórias, a participação intensa de oficiais e suboficiais nas fileiras dos insurretos alertou o Exército para a necessidade de cerrar fileiras ideológicas, e de expurgar "influências exógenas" no interior da oficialidade militar nas três décadas seguintes. Tal cisão ideológica viria a expressar-se nas disputas políticas no interior do Clube Militar da década de 1950, no movimento dos sargentos da década de 1960, e daí até o Golpe de 1964, após o qual quaisquer traços de esquerdismo organizado foram eliminados das fileiras militares. Diferentemente dos golpes tenentistas, que haviam criado divisões temporárias entre legalistas e insurretos, superáveis posteriormente por anistias e reorganizações de carreira, o Movimento de 1935 criou uma clivagem político-ideológica até hoje não superada, em que os insurretos tiveram negada a sua própria condição de membros da corporação militar, com sua ação política sendo duradouramente criminalizada e estigmatizada como traição e ato hostil à hierarquia militar. Até ao governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, anualmente, na data de 27 de novembro, eram realizadas comemorações públicas pelo Exército brasileiro, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, em homenagem aos militares legalistas mortos durante a intentona, que se caracterizavam pela intensidade das manifestações anticomunistas da cúpula militar a que davam oportunidade, daí terem sido interrompidas as solenidades quando do fim da Guerra Fria e da consolidação do regime constitucional restabelecido em 1985. O monumento aos mortos legalistas do movimento ergue-se na Praia Vermelha. A repressão ao movimento permitiu que o Congresso Nacional decretasse o Estado de Guerra, com uma erosão decisiva nas liberdades e garantias individuais liberais-democráticas, o que preparou o caminho para que Getúlio Vargas decretasse o Estado Novo em 1937, reforçado pelo chamado Plano Cohen de 1937.
  • LEVANTE INTEGRALISTA 193812 RELAÇÃO DOS MORTOS Não se tem um balanço completo das vítimas, juntando-se legalistas e insurgentes em todos os eventos ocorridos. Entre os insurgentes é difícil encontrar uma lista completa com os nomes das vítimas, mas estima-se que pelo menos uma centena tenham falecido só no levante de Recife e outros vinte no levante da Praia Vermelha no Rio de Janeiro , sendo ainda necessário contabilizar as mortes ocorridas em Natal e demais quartéis do Rio de Janeiro. Entre as tropas legalistas envolvidas nos combates ocorreram 22 baixas fatais. O Exército lista um total de 30 vítimas sem porém divulgar se eram legalistas ou insurgentes . A historiadora Marly Vianna faz algumas considerações sobre as vítimas entre os militares insurgentes. 4 11 Controvérsia a respeito das versões sobre as mortes durante a revolta Segundo a professora Marly Vianna, doutora em história pela USP e professora da Universidade Federal de São Carlos além de autora do livro Revolucionários de 35, apenas duas mortes ocorreram no episódio que envolve o levante do 3ºRI e estas seriam do major Misael Mendonça (legalista) e o segundo-tenente Tomás Meireles (revolucionário). Segundo ela, a versão de que os militares revolucionários teriam assassinado covardemente oficiais legalistas enquanto dormiam é mentirosa, tendo sido inclusive tema de um discurso do então senador Jarbas Passarinho no Congresso Nacional para, em nome de famílias de oficiais mortos, declarar que não estavam dormindo, pois esta versão seria prejudicial para sua imagem e memória. Segundo a mesma ainda, essa versão falsa teria sido plantada pela polícia de Filinto Müller. O historiador Hélio Silva diz o mesmo em seu livro O Ciclo de Vargas: 1935 - A Revolta Vermelha. 12 LEVANTE INTEGRALISTA foi um levante armado contra o governo brasileiro do Estado Novo ocorrido em 10 de maio de 1938. HISTÓRIA Getúlio Vargas, desde a fundação da Ação Integralista Brasileira (AIB), teve seu apoio, tendo em vista que seu principal líder,Plínio Salgado, almejava o cargo de ministro da Educação (influenciar à juventude, segundo suspeita do próprio presidente em exercício). Mesmo assim, após a criação do Estado Novo, e tendo prometido na presença do Ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra ao chefe integralista Plínio Salgado, grande espaço de atuação para a ideologia integralista, Vargas decretou o fechamento de todos os partidos
  • GUERRILHA DE TRES PASSOS13 1965 políticos nacionais, incluindo a AIB. A insatisfação da AIB materializou-se em dois levantes integralistas com intervalo de 60 dias . O primeiro golpe aconteceu em 11 de março de 1938 e envolveu a tentativa de tomada dos 3º BI (à época situado em Botafogo) e 5º BI (Centro do Rio de Janeiro) - este último com a participação do Oficial de Dia daquele BPM além da tentativa de sublevação do CFN. A atuação do Comandante - General da PMDF, Coronel - General Pinto Guedes, reagindo ao golpe foi decisiva: Graças à ação da PMDF, em trabalho conjunto com os serviços de Inteligência (SNI), do Exército (SNI - Terra) eMarinha (SNI - Mar), em poucas horas a rebelião fôra debelada e os principais cabeças estavam presos . O segundo golpe aconteceu sessenta dias depois: Uma tentativa de tomar a Chefia de Polícia Civil e assassinar Filinto Muller, além da tentativa frustrada de resgate dos líderes Integralistas: Coronel Euclides Figueiredo e Otávio Mangabeira, no Regimento de Cavalaria da PMDF. A principal atuação porém, foi o ataque por um grupo de 80 integralistas, entre a zero hora e as duas horas do dia 11 de maio de 1938, ao Palácio Guanabara, residência oficial do Governo Federal, em uma tentativa de depor Vargas e reabrir a AIB. Os integralistas, liderados por Severo Fournier, quase conseguiram entrar no palácio Guanabara e matar Getúlio, mas o Exército e a Polícia Especial chegaram no último momento e controlaram a situação. Após o ataque ser contido muitos dos revoltosos foram fuzilados e presos. Como resultado, outros, em torno de 1.500 integralistas, foram presos e Plínio Salgado, líder do movimento integralista no Brasil, foi mandado para exílio em Portugal, onde tentou reorganizar o movimento integralista. 13 A GUERRILHA DE TRÊS PASSOS, MR-26 ou M-26 foi uma ação militar promovida por três militares cassados e 20 agricultores contra a Ditadura Militar no Brasil em março de 1965. Com apoio do ex-governador Leonel Brizola, exilado no Uruguai, eclodiu quando faltava menos de uma semana para o aniversário de um ano do golpe. Foram tomados o quartel da Brigada Militar e o presídio de Três Passos. Da Rádio Difusora, invadida, transmitiram um manifesto à nação. Da cidade gaúcha de Três Passos, passou com seu grupo por Tenente Portela e foi escalando o Brasil rumo ao Paraná. Em 26 de março, o presidente Castelo Branco chegara a Foz do Iguaçu para inaugurar a Ponte da Amizade, que une Brasil e Paraguai sobre o Rio Paraná.
  • Estava a cem quilômetros dos guerrilheiros. Aviões partiram para a região. Próximo a Capanema, já no Paraná, o grupo foi localizado por um avião da Força Aérea Brasileira. Em Capitão Leônidas Marques, houve tiroteio entre militares e guerrilheiros, que foram capturados aos poucos, em 27 e 28 de março. PLANEJAMENTO De acordo com o diário da guerrilha, escrito pelo coronel Jefferson Cardim de Alencar Osório no exílio, entre México e Argélia, em 1968-69, o grupo que marchou pela região noroeste do Rio Grande do Sul em março de 1965 tinha como missão tomar o 7º Grupo de Canhões de Ijuí (atual 27º Grupo de Artilharia de Campanha). O objetivo era, a partir dali, espalhar sublevações por quartéis de Santa Maria, Pelotas, Cruz Alta e Santo Angelo, entre outras cidades. A etapa inicial do plano foi cumprida com relativo êxito: em Três Passos, a uma hora de marcha de Ijuí, o grupo de 23 combatentes reunido por Osório invadiu a rádio Difusora na madrugada de 26 de março e transmitiu uma ―Proclamação ao Povo Gaúcho‖. O manifesto, elaborado pelo coronel, era a senha para que os integrantes das forças de oposição ao governo militar pegassem em armas antes do golpe completar um ano, poucos dias depois. O noroeste gaúcho foi escolhido para iniciar a insurreição porque o PTB tinha uma grande base de apoio na região, onde proliferavam os Grupos dos Onze – organizações cívicas organizadas a partir de 1963 pelo então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola. Além disso, nos destacamentos militares e quartéis da Brigada Militar havia oficiais nacionalistas apenas à espera de um comando para se sublevarem contra os golpistas. Também contou para a escolha a questão logística: região de fronteira, Três Passos fica situada a pouco mais de 25 quilômetros da Argentina, tinha – e ainda tem – densas matas nativas e era servida por boas pistas de pouso, dos dois lados da fronteira, onde o grupo sonhava em realizar desembarques de tropas e equipamentos militares. SARGENTO ALBERI VIEIRA DOS SANTOS A resistência no Uruguai aproximou Jefferson do sargento Alberi Vieira dos Santos. O sargento Firmo Chaves, também exilado na capital uruguaia, juntaria-se ao grupo para pôr o plano em prática. O sargento Alberi Vieira dos Santos é a personagem mais controversa envolvida na trajetória da coluna guerrilheira de Três Passos. Passados 50 anos, seu nome é o único entre os 23 insurgentes que figura entre os 377 agentes do Estado apontados pela Comissão Nacional da Verdade como responsáveis por crimes da ditadura.
  • Ao longo desse tempo, cresceram as evidências de que o sargento da Brigada Militar gaúcha teria passado a atuar como agente infiltrado pela ditadura militar em movimentos contrários ao governo golpista. A Comissão Estadual da Verdade do Paraná (CEV-PR) investigou a atuação de Alberi no âmbito da Operação Juriti e obteve relatos e documentos que levantam suspeitas contundentes contra o ex-sargento a partir de sua prisão, no fim de março de 1965, até sua execução em 1979. Há suspeitas de que sua morte tenha derivado de um acerto de contas por atividades ilícitas. A advogada Ivete Caribé da Rocha, que integra a CEV-PR, considera mais provável a hipótese de queima de arquivo, como aconteceu com diversos outros agentes infiltrados. GUERRILHA Osório partiu de Rivera acompanhado de Alberi e do militante brizolista Alcindor Ayres – que ficou em São Sepé para organizar a adesão de pessoal e combinar, com um delegado de Polícia simpático à resistência, a sabotagem das vias férreas da região para dificultar a resposta do regime. Firmo partiu rumo a Porto Alegre em busca de adesões ao plano. Osório e Alberi chegaram à localidade de Campo Novo, onde se registrou uma grande adesão ao Movimento da Legalidade de 1961, às 13h do dia 20 de março, depois de pernoitarem em Santa Maria e de passarem por Cruz Alta, Ijuí e Catuípe, onde dormiram algumas horas. A coluna, com 15 guerrilheiros, partiu do sítio de Silvano Soares dos Santos, irmão de Alberi, para a tomada de Três Passos por volta das 20h do dia 25 de março. Após uma hora de caminhada, subiram num velho caminhão Ford 1939 do sítio do revolucionário Euzébio Dorneles. No caminho, o grupo cortou os fios telegráficos e telefônicos e ingressou na zona urbana da cidade à meia-noite em ponto, segundo o diário, indo diretamente para o Destacamento Policial da Brigada Militar – a chamada Prioridade 1. O único combate travado entre a coluna e as tropas do Exército deslocadas para conter o levante, ocorrido na cidade paranaense na manhã do dia 27 de março, resultou na morte do sargento do Exército Carlos Argemiro de Camargo – a autoria dos disparos até hoje continua incerta. O Inquérito Policial Militar (IPM) que resultou na condenação de Osório e outros 13 integrantes do movimento informa que o sargento foi atingido por quatro tiros - dois na coxa direita e dois no tórax. Mas reconhece que ―não é possível atribuir a quem quer que seja a morte do sargento Camargo‖.
  • Os insurgentes tomaram as armas do quartel da Polícia Militar de Três Passos e do posto policial, tentaram levar dinheiro da agência do Banco do Brasil, mas desistiram porque o gerente, acordado de madrugada, não tinha o par da chave dupla que abriria o cofre. Para ler o manifesto na rádio Difusora, tiveram de acordar o dono da emissora, Benno Adelar Breitenbach, porque o operador se recusou a colocar a rádio no ar. Apesar do improviso, o grupo cruzou a fronteira do Rio Grande do Sul com Santa Catarina sem ser parado por barreiras militares. O Ford 39, fora de combate, foi substituído por um Mercedes Benz novo, modelo 1964, estacionado no posto de gasolina da cidade por irregularidades na documentação. Na fuga em direção ao Mato Grosso, o grupo acabou sendo interceptado por tropas deslocadas para combater o movimento revolucionário no interior do Paraná. Em Capitão Leônidas Marques, na manhã do dia 27 de março, jipes e caminhões do Exército cruzaram com os guerrilheiros que, por ordem do coronel Jefferson, atacaram uma patrulha comandada pelo tenente Juvêncio Lemos. A única vítima do combate foi o sargento do Exército Carlos Argemiro de Camargo. As rajadas de metralhadoras das tropas do Exército dispersaram o grupo de guerrilheiros. Osório acabou sendo preso horas depois, após passar por barreiras militares sem ser reconhecido, usando disfarce de colono - roupas velhas, sem dentadura, chapéu de palha. TORTURA E FUGA No caminho para Foz do Iguaçu, ocorreram as primeiras humilhações: ―Dois tenentes da companhia fizeram-me rolar como um barril, aplicando-me pontapés em todo o corpo aos gritos de filho da puta, assassino‖. Espetado ―dos pés à cabeça‖ por um garfo pelo próprio capitão Dorival Sumiani, Osório foi exposto à tropa para que ―os oito ou dez soldados que se achavam presentes escarrassem sobre mim aos gritos de filho da puta, comunista, assassino‖. Também foi obrigado, pelo coturno do capitão, a ―beijar a terra que traíste‖. Em 48 horas, todo o grupo foi preso e levado ao Batalhão de Fronteira, em Foz do Iguaçu. Transferido em abril de 1966 para o 5º Regimento de Obuses, no bairro curitibano do Boqueirão, Osório planejou sua fuga da prisão ao longo de vários meses. Ao escapar, teve ajuda de militares e só 12 horas após iniciada, a fuga foi percebida pelas forças do regime. Após três anos na cadeia, depois de condenado a oito anos pela Justiça Militar, o coronel deixou o prédio do quartel pela porta da frente, fardado como um soldado, na madrugada de 5 de maio de 1968.
  • GUERRILHA DE CAPARAÓ14 1966 RAZÕES DO FRACASSO O filho de Osório, Jefferson Lopetegui de Alencar Osório, conta que quando seu pai entrou no Brasil para fazer contatos, todos articulados pelo ex-governador, foi informado que o serviço secreto do Exército já estava a par da operação e vinha tomando providências contrarrevolucionárias. No diário, o coronel não deixa dúvidas sobre os objetivos do movimento, sobre as razões do fracasso e sobre a até hoje controversa participação de Brizola no episódio. Osório narra que a segunda fase do plano de insurreição não se concretizou pela falta dos efetivos prometidos pelos organizadores – o comandante esperava ter 60 homens para marchar sobre Ijuí, incluindo pelo menos 12 sargentos. Segundo a avaliação do presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul (MJDH), Jair Krischke, a posição do ex-governador do Rio Grande do Sul sempre foi dúbia em relação ao episódio. Conhecido pesquisador dos movimentos de exceção no Brasil, Krischke afirma que o grupo "arranca com o apoio de Brizola, mas um apoio que não era integral". O então tenente José Wilson da Silva, outro dos personagens centrais do episódio, é categórico ao afirmar que Osório agiu ―por contra própria‖. E vai mais longe: afirma que a ação desencadeada pelo coronel prejudicou as condições que vinham sendo criadas para um levante armado, com apoio popular, contra a ditadura a partir do Rio Grande do Sul. 14 A GUERRILHA DO CAPARAÓ foi a segunda tentativa insurgência armada contra o regime militar brasileiro feita por ex-militares cassados. Inspirado na guerrilha de Sierra Maestra, teve lugar na Serra do Caparaó, divisa entre os estados do Espírito Santo e Minas Gerais, no período 1966 - 1967. HISTÓRICO Promovida pelo Movimento Nacionalista Revolucionário - MNR, organização baseada inicialmente em Montevidéu, a guerrilha contou com o apoio financeiro cubano, obtido através de negociações entre Leonel Brizola, auxiliado pela A.P e o governo de Cuba. 1 Segundo Denise Rollemberg, alguns membros do grupo - majoritariamente constituído por ex- militares, expulsos das Forças Armadas - também receberam treinamento na Ilha. Leonel Brizola, figura política que teve destaque neste evento.
  • Posteriormente o governo cubano teria preferido apoiar Carlos Marighella. O movimento perdeu seu suporte financeiro e os guerrilheiros foram praticamente abandonados no alto da serra. Na verdade, a tentativa de implantação de uma Guerrilha na serra de Caparaó foi frustrada antes mesmo que o movimento entrasse em ação. Os seus integrantes permaneceram no local por alguns meses realizando treinamentos e o reconhecimento da região e foram presos pela Polícia Militar mineira após serem denunciados pela própria população Consta que o grupo, desassistido pela organização, começara a roubar e a abater animais para não morrer de fome - razão pela qual acabou sendo alvo de denúncia à polícia. Descoberto pelos serviços de inteligência, o movimento foi rechaçado em abril de 1967, por um grupo da Polícia Militar de Minas Gerais. Segundo as fontes, praticamente não houve troca de tiros. Os guerrilheiros, cerca de vinte homens esgotados e famintos - alguns bastante debilitados pela peste bubônica - foram presos no próprio sítio onde se abrigavam ou nas cidades vizinhas. Moradores da região também foram detidos para investigação. Pico da Bandeira, local em que aconteceu a Guerrilha do Caparaó. Parque Nacional do Caparaó.
  • GUERRILHA DO ARAGUAIA15 1967-1974 Mais tarde, com todos os guerrilheiros presos, as Forças Armadas chegaram a questionar se aqueles homens eram mesmo revolucionários ou apenas criminosos comuns. Para provar, a polícia mineira os fotografou e fotografou também os seus documentos, o que comprovava serem ex-militares. Foi armada então uma grande operação conjunta do Exército e da Força Aérea, com apoio da polícia, para eliminar outros guerrilheiros que pudessem estar escondidos na serra. No entanto, não havia mais ninguém e a operação não passou de uma demonstração de força com o objetivo de desencorajar outros focos de resistência armada pelo país. 15 Guerrilha do Araguaia foi um movimento guerrilheiro existente na região amazônica brasileira, ao longo do rio Araguaia, entre fins da década de 1960 e a primeira metade da década de 1970. Criada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), tinha por objetivo fomentar uma revolução socialista, a ser iniciada no campo, baseada nas experiências vitoriosas da Revolução Cubana e da Revolução Chinesa. Combatida pelas Forças Armadas a partir de 1972, quando vários de seus integrantes já haviam se estabelecido na região há pelo menos seis anos, o palco das operações de combate entre a guerrilha e os militares se deu onde os estados de Goiás, Pará e Maranhão faziam divisa. Seu nome vem do fato de se localizar às margens do rio Araguaia, próximo às cidades de São Geraldo do Araguaia e Marabá no Pará e de Xambioá, no norte de Goiás (região onde atualmente é o norte do estado de Tocantins, também denominada como Bico do Papagaio). Estima-se que o movimento que pretendia derrubar o governo militar, tomar o poder fomentando um levante da população, primeiro rural e depois urbana, e instalar um governo comunista no Brasil como havia sido feito em Cuba e na China , era composto por cerca de oitenta guerrilheiros sendo que, destes, menos de vinte sobreviveram, entre eles, o ex- presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), José Genoíno, que foi detido pelo Exército em 1972, ainda na primeira fase das operações militares. A grande maioria dos combatentes, formada principalmente por ex-estudantes universitários e profissionais liberais, foi morta em combate na selva ou executada após sua prisão pelos militares, durante as operações finais, em 1973 e 1974. Mais de cinquenta deles são considerados ainda hoje como desaparecidos políticos.
  • Desconhecida do restante do país à época em que ocorreu, protegida por uma cortina de silêncio e censura a que o movimento e as operações militares contra ela foram submetidos, os detalhes sobre a guerrilha só começaram a aparecer cerca de vinte anos após sua extinção pelas Forças Armadas, já no período de redemocratização. O PCDOB CHEGA AO ARAGUAIA Nos anos 60 do século XX, a região ao longo do qual corre o rio Araguaia era habitada por brasileiros em sua maioria vindos de outras regiões, principalmente do nordeste do país. Eram homens atrás de terras para o cultivo, garimpeiros atrás de pedras preciosas, caçadores atrás de peles de animais, migrantes procurando todo tipo de trabalho e riqueza que aquelas áreas virgens pudessem oferecer. Famílias inteiras, fugindo da seca nordestina, trabalhavam em fazendas por menos de um salário mínimo. Muitos plantavam mandioca e castanha-do-pará, a maioria analfabetos e explorados pelos poucos proprietários de terra, grileiros do lugar. Era o local ideal, segundo o PCdoB, para o início de uma revolta popular. A mesma avaliação, depois de descoberta a guerrilha, foi feita pelo Cenimar, o Centro de Informações da Marinha, que informava em relatório que a população da região vivia na miséria, sob o domínio de latifundiários e autoridades municipais corruptas. A preparação dos guerrilheiros do PC do B remonta ainda ao ano de 1964, quando os primeiros militantes iniciaram formação político-militar na China, visto que o Partido adotou a linha de guerra popular prolongada de inspiração maoista. Sua defesa da luta armada era anterior a 1964, e contrária à ideia de "foco" cubano e da revolução continental marxista-leninista. Entre 1964 e 1968, dezoito militantes haviam passado por treinamento militar na China, entre eles vários dos que agora se estabeleciam no Araguaia. Apenas quatro meses após o golpe militar, oficiais e sargentos brasileiros foram mandados para curso de combate na selva no Panamá, ministrado num centro de instrução mantido pelos norte-americanos naquele país. Nesta época, as Forças Armadas iniciaram um estudo para efetuar as operações antiguerrilha. Estas foram envolvidas de um planejamento sigiloso que durou cerca de dois anos. Segundo os militares, era indesejável a eclosão de outros movimentos semelhantes em outras regiões do Brasil, pois isto ocasionaria uma eclosão de violência na região rural, o que poderia vir a desestabilizar o poder militar. Entre 1969 e 1971, os militares desmantelaram pequenas bases e infiltrações da ALN e da VAR-Palmares na região do Bico de Papagaio, sem maiores dificuldades, na chamada "Operação Mesopotâmia", manobras de tropas realizadas em Imperatriz, no Maranhão.
  • O embrião da guerrilha do PCdoB, na área do Araguaia, Xambioá e Marabá, porém, continuava desconhecido. Ponto de partida de uma guerra sem data marcada para começar, a mata também servia para esconder opositores políticos procurados em todas as áreas urbanas do Brasil pela ditadura militar. A partir de 1967, os primeiros combatentes começaram a chegar a área, vindos do sul, sudeste e do Maranhão, onde já se haviam instalado. Entre eles estavam João Amazonas, o líder máximo do Partido, Elza Monnerat, Maurício Grabois, seu filho André Grabois, seu genro Gilberto Olímpio Maria, o médico João Carlos Haas Sobrinho e o gigante negro, engenheiro e campeão de boxe Osvaldo Orlando da Costa, o "Osvaldão", entre poucos outros. Entre 1967 e 1971, transformaram-se em habitantes locais, abrindo pequenos comércios, bares, prestando pequenos atendimentos médicos de casa em casa, fazendo partos, caçando, pescando, plantando, transportando pessoas e víveres em canoas, abrindo uma farmácia, dando aulas para moradores e fazendo propaganda política em pequenas reuniões, inseridos na pequena e humilde sociedade local. Eram chamados pelos caboclos de "paulistas". Da primeira dezena que havia chegado em 1967/68, no começo da década de 1970 o grupo já contava de mais de sessenta militantes, homens e mulheres, vindos de diversos lugares do Brasil, quase todos jovens estudantes ou profissionais liberais, em preparação para uma revolução, que acreditavam, teria início ali. Usando codinomes, eram 'Cid', 'Mário', 'Dr. Juca', 'Dona Maria', 'Dina', 'Baianinha', 'Regina', 'Sônia', 'Zeca Fogoió', 'Mariadina' e 'Cazuza' entre outros, para os moradores do Araguaia. Eram ex-estudantes de química, engenharia, letras, física, astronomia, medicina, geologia e até uma trinca de irmãos, os Petit da Silva. Dezesseis já haviam sido presos anteriormente, oito deles no Congresso da UNE em Ibiúna, 1968.
  • Da esq. p/ dir. em sentido horário:João Amazonas, Elza Monnerat, Ângelo Arroyo e Maurício Grabois, comandantes da guerrilha. Apesar do esforço em se passar e se misturar aos locais, sua aparência, modos e maneira de se expressar não condiziam com a população mais antiga já instalada no Araguaia. O "povo da mata", na linguagem dos caboclos, não fazia sentido naquele ambiente. Aquela "gente sabida" ' era aceita pela comunidade mas não os enganava. Quando um dos guerrilheiros disse a um caboclo local que um sobrinho de "Cid" era bom de facão, recebeu como resposta: "Deve ser bom mesmo é de caneta". Sem o conhecimento da população local, para a qual prestavam serviços médicos e davam aulas de alfabetização conquistando a estima do povo, aos poucos o grupo crescia. Com idade média inferior a 30 anos, no auge do vigor físico, estocavam alimentos, munição e remédios em pontos esparsos da mata e faziam treinamento militar, acostumando-se à vida na selva. Aprenderam a fazer fogo e caminhar duzentos metros em mata fechada sem se perder no caminho de volta. Seus integrantes espalhavam-se por uma área de 6,5 mil km², numa extensão de 130 km. O treinamento constante fazia com que alguns deles já fossem capazes de sobreviver sozinhos na mata levando consigo apenas armas, munição, sal e farinha. Na virada do Ano Novo de 1971-72, os diferentes grupos juntaram-se numa comemoração de réveillon, quando imaginavam poder dar início a seus planos em breve, confiante pelo tempo na selva.
  • A festa, na região chamada Gameleira, teve comida, bebida e cantoria, e entre pedaços de veado e paca ao leite de castanha, recitaram I-Juca-Pirama de Gonçalves Dias e cantaram a Internacional Socialista e Apesar de Você, de Chico Buarque de Holanda. Não era até então uma guerrilha pronta para o combate. Com poucas armas e poucos integrantes, a direção do PCdoB acreditava que com mais um ou dois anos de preparação, seria possível deflagar a guerra de guerrilha rural revolucionária que era uma linha política do Partido, adepto da luta armada, desde 1962. Uma fuga, uma desistência, e duas prisões feita em Fortaleza e em São Paulo, bem longe dali, entretanto, faria com que os serviços de inteligência das Forças Armadas tomassem conhecimento dos guerrilheiros do Araguaia, antes do previsto e desejado. A DESCOBERTA DA GUERRILHA No início de 1972 o governo descobriu a existência da guerrilha e soube disso por informantes diferentes, sem que se possa precisar qual foi o primeiro. Em novembro de 1971, dois guerrilheiros, Pedro Albuquerque e sua mulher, fugiram da área, desistindo da campanha. Em janeiro de 1972 ele foi preso em Fortaleza, no Ceará, e o CIE conseguiu o fio da meada que levava à guerrilha (Pedro, porém, sustenta até hoje que seus torturadores já conheciam a estrutura no Araguaia) . A outra informação veio de São Paulo. A mulher do guerrilheiro Lúcio Petit da Silva, um dos irmãos Petit, contraiu hepatite e tuberculose na selva. Saiu do Araguaia em fins de 1971 grávida e com um problema por curetagem mal feita, sendo levada até Goiânia para tratamento. Deveria voltar mas fugiu do hospital e desembarcou em São Paulo atrás da família. Ao saber de suas atividades, seus familiares a pressionaram e Lúcia Regina Martins, a "Regina", revelou à repressão o que sabia da "área prioritária" em Marabá. — Elza Monnerat, uma das líderes do PCdoB à época, a considera a principal responsável pela descoberta da guerrilha pelos militares em 1972. Juntando as informações recebidas, cruzando os dados e mapeando a região, o governo localizou a área e estimou o efetivo da guerrilha. Em março de 1972, agentes da polícia federal passaram por Xambioá perguntando por forasteiros. Como haviam outros pequenos focos subversivos por toda a Amazônia, apesar de avisada a guerrilha achou que aquilo não lhe dizia respeito.
  • Em abril, sob o comando do general-de-divisão Viana Moog e do comandante e general paraquedista Hugo Abreu, tropas do Exército Brasileiro entravam no Araguaia. OPERAÇÃO PAPAGAIO Em 21 de abril de 1972, os militares começaram a entrar na região, entre Marabá e Xambioá, primeiro com uma pequena equipe de cinco homens, um grupo de batedores do CIEx chefiado pelo major Lício Maciel - que trazia consigo como prisioneiro Pedro Albuquerque - e logo em seguida com um batalhão de 400 homens acantonado em cada cidade. Bases foram sendo instaladas no interior e em agosto o total chegava a 1500 homens. Mascarando suas intenções reais, a notícia espalhada era que se tratava de uma manobra do IV Exército, cuja sede ficava em Recife, a 1600 km dali. Dentro dessa massa de soldados da infantaria regular, estavam homens do CIEx e paraquedistas, cuja missão era destruir a guerrilha. Era o início da primeira das três fases da campanha militar, a Operação Papagaio, com três pequenas operações de coleta de informação e levantamento da área em seu bojo antes da chegada do grosso da tropa: "Peixe", "Ouriço" e "Olho Vivo". 9 Postos de controle foram montados na Transamazônica e na Belém-Brasília e uma base aérea aberta em Xambioá. O posto de comando foi instalado numa casa de telhado azul, às margens do rio Itacaiúnas. Os primeiros ataques a bases da guerrilha não conseguiram capturar ninguém, foram achados apenas materiais usados pelos guerrilheiros. Com a presença do exército, a guerrilha sumiu na floresta. Para muitos deles, o sentimento era de que "havia chegado a hora".
  • No mapa, em amarelo, a região do Araguaia. No círculo, a área de enfrentamento entre guerrilha e exército (1972-74). A "hora", no entanto, pegou o PCdoB de surpresa, destruindo o capital inicial de qualquer força de combate de guerrilha, que é pegar seu adversário de surpresa. Contando com 71 homens e mulheres, espalhados em três destacamentos na mata (A, B e C), a unidade era mal armada. Cada um deles possuía um revólver com quarenta balas e o total do armamento se limitava a 25 fuzis, quatro submetralhadoras - duas de fabricação artesanal - trinta espingardas e quatro carabinas de caça, num total de 63 armas longas para 71 guerrilheiros. Contra isso havia quase dois mil homens com fuzis FAL e submetralhadoras. Além disso, o arsenal da guerrilha não era de boa qualidade e muitas armas emperravam. Uma das guerrilheiras, depois de capturada, testemunharia que para acertar um alvo com seu fuzil numa árvore, precisava mirar três árvores adiante. Apesar da vantagem, a Operação Papagaio começou mal para os militares. Na tarde de 5 de maio houve o primeiro confronto entre as duas forças. Uma pequena patrulha em busca de informações foi emboscada próxima a um riacho. A guerrilha atacou dispersando a tropa, ferindo um tenente, um sargento e matando o cabo Odílio Cruz Rosa, da 5ª Companhia de Guardas de Belém. Seu corpo ficou uma semana no mato, sendo recolhido já em estado de decomposição, porque a guerrilha — destacamento C, comandado por Osvaldão — impedia o pequeno efetivo militar disponível na área de chegar ao local.. Em 1973-74, na terceira e última campanha, por esse motivo os militares passariam a adotar a mesma prática, deixando insepultos na mata os corpos de guerrilheiros abatidos. Num novo choque, mais um soldado morto e um sargento ferido. Vendo o que acontecia, o guia "China", caboclo da região arregimentado pelo Exército, temendo a represália posterior entrou no mato, se escondeu por dois dias e desapareceu do Araguaia: "Resolvi cair fora daquela guerra. Se eu não morresse ali iam me matar depois. Os soldados não entendiam nadinha de mato". Mateiros e guias locais não-simpatizantes dos guerrilheiros eram citados em relatórios da Aeronáutica explicando o porque das dificuldades das tropas regulares na floresta: "fazem muito barulho, deixam muitas pistas, só se deslocam em estradas e picadas e usam muito helicóptero, fazendo com que a guerrilha saiba de antemão de sua aproximação".
  • A maior vitória inicial, entretanto, não foi notada. Com o ataque e o cerco do exército, ele manteve fora do Araguaia o comandante-em-chefe João Amazonas ("Cid") e Elza Monnerat ("Dona Maria"), organizadora geral da estrutura da guerrilha, que chegando de São Paulo com novas instruções e novos militantes — uma delas, Rioko Kayano, presa em Marabá, conheceria na cadeia e viria a ser a mulher de José Genoíno, com quem é casada até hoje 10 — foram obrigados a retornar da rodoviária pela vigilância e pressão do exército em toda área, sem conseguir entrar na mata. Nesta primeira operação, o exército conseguiu localizar e infligir danos a apenas um dos destacamentos, o C, 25% do total de combatentes. A soma de milcruzeiros era oferecida aos caboclos por informação sobre os "paulistas" na época, dinheiro suficiente para comprar um bom terreno. Vários foram assim localizados, presos ou mortos. O primeiro a cair foi "Jorge", denunciado por um mateiro. Bergson Gurjão Farias era um ex- estudante de química na Universidade Federal do Ceará e viria a ser o primeiro desaparecido no Araguaia. Emboscado por uma patrulha de paraquedistas, foi metralhado. Seu corpo foi pendurado numa árvore de cabeça para baixo e sua cabeça chutada pelos soldados. Mais dois seguiram o mesmo caminho, Kleber Lemos da Silva, o economista"Carlito" e "Maria", a única mulher entre os irmãos Petit, Maria Lúcia Petit da Silva, ex-professora de 22 anos, morta em tocaia com um tiro no peito pelo camponês a serviço dos militares, João Coioió. Foi enterrada em Xambioá em sepultura anônima, envolta num paraquedas e com a cabeça coberta com um plástico (Sua ossada, descoberta em 1991, foi identificada por peritos da Unicamp em 1996. (É um dos dois únicos guerrilheiros mortos cujo corpo foi encontrado e identificado.) A colaboração dos caboclos da região não veio, porém, apenas do oferecimento de dinheiro. As Forças Armadas entraram na área como uma força de ocupação. Comerciantes, mascates e vendeiros acusados de comercializar com a guerrilha foram presos, junto com um padre que incomodava o prefeito e um lutador de circo, este porque tinha cabelos grandes. Um fazendeiro capixaba que chegava no Araguaia para tomar posse de uma terra recém- comprada foi preso e jogado por três dias num buraco na terra coberto com uma tampa de madeira, dentro de um acampamento cercado com arame farpado onde já encontravam vários moradores do lugar..
  • Um barqueiro da região, Lourival Paulino, 55 anos, que costumava transportar os guerrilheiros pelo rio, foi preso no fim de maio, enfiado na cadeia de Xambioá de onde saiu morto, com um atestado de óbito de suicídio por enforcamento. Um lavrador que havia dado comida a Osvaldão teve a roça incendiada e nunca mais foi visto. Entre junho e agosto a ofensiva militar estancou e retraiu-se. Em quatro meses o exército tinha apenas conseguido prender ou matar menos de uma dúzia de militantes, localizar e isolar a área do Destacamento C sem chegar a nenhum de seus refúgios, ter informações desconexas sobre o B, e nunca teve conhecimento do A. Diante disso, retomou a ofensiva em setembro com um efetivo de 3.000 homens e de maneira diferente, tentando conquistar o povo da região e dissociando-se da atitude policialesca da primeira investida. Desembarcaram 2,5 toneladas de medicamentos, médicos e dentistas em Marabá, panfletaram toda a região com mensagens de guerrilheiros já capturados e obrigaram fazendeiros a reconhecerem direitos trabalhistas de seus empregados. Duas vitórias importantes foram conseguidas neste mês, com a morte de João Carlos Haas Sobrinho, o "Dr. Juca", comandante-médico da guerrilha, morto em combate, e Helenira Resende, integrante do destacamento C, procurada em todo país e jurada de morte em São Paulo pelo delegado Sérgio Fleury, 13 executada após captura. A segunda investida, entretanto, teve resultados gerais ainda piores que a primeira. Programada para durar vinte dias durou apenas dez. No período, a guerrilha atacou uma base do 2º Batalhão de Infantaria da Selva e matou o sargento Mário Abrahim da Silva. A ajuda dos mateiros pagos não produziu nenhuma emboscada de vulto. A FAB jogou bombas incendiárias numa serra careca onde jamais os guerrilheiros tinham pisado. Três áreas da mata sofreram bombardeio com napalm. Uma guerrilheira começava a criar fama no campo. Dinalva Oliveira Teixeira, a "Dina", ex- geóloga baiana que tinha virado parteira na região, sobrevivera a três combates, enfrentara sozinha um grupo de soldados, escapara ferida no pescoço e acertara no ombro o capitão paraquedista Álvaro Pinheiro, filho do comandante da Escola Nacional de Informações, general Ênio Pinheiro. Os militares tinham especial determinação em achá-la, considerando-a uma ameaça à ação militar na região, no intuito de destruir o mito criado entre o povo do Araguaia para desmoralizar a guerrilha. O disfarce da operação em manobra militar de rotina mais prejudicou mais do que ajudou.
  • O governo impedia a publicação de manifestos do PCdoB mas o partido distribuía panfletos por todo o Araguaia, que chegaram até o sul. Em 24 de setembro, o jornal O Estado de S. Paulo publicava longa matéria - driblando a censura para notícias de movimentação de tropas - sobre as manobras militares. Dois dias depois a guerrilha brasileira era noticiada no The New York Times. 6 : Em outubro de 1972, as tropas retiraram-se. Para a guerrilha, mesmo que ainda operativa, as baixas foram significativas. Entre abril e outubro ela perdeu dezenove combatentes, oito mortos em combate, quatro assassinados depois da captura e sete presos e transferidos para Brasília. O Exército nunca declarou seu número oficial de mortos e feridos. O general Viana Moog deixou a região falando em vitória e declarando que "o êxito da manobra excedeu as expectativas deste comandante". Porém, o estrategista da campanha militar, general Antônio Bandeira, foi transferido da tropa para a direção da Polícia Federal, em Brasília. O capitão Pinheiro, ferido por "Dina", 23 anos depois já como coronel da reserva, listou as deficiências da operação: a) concepção equivocada nos níveis operacional e tático b) falta de unidade de comando c) informações deficientes sobre o terreno e o inimigo d) falta de continuidade nas operações e) grande diversidade de unidades empregadas e deficiências no treinamento. Com relação ao último tópico assinalado pelo militar, a grande maioria dos soldados empregados no combate à guerrilha nesta operação, foi, na verdade, de recrutas cumprindo o serviço militar obrigatório, garotos de 18-19 anos sem nenhuma experiência. Dona Domingas, uma moradora de São Geraldo do Araguaia, resumiu o quadro: "Eles passaram tudo por aqui chorando, tudo recruta na boléia do caminhão cheio, chorando". A Operação Papagaio havia terminado. O Exército havia feito a maior mobilização de tropas da sua história desde a campanha da FEB na Itália, maior que três das quatro expedições contra Canudos, usara um efetivo humano na proporção de 50 para 1 e a guerrilha do Araguaia continuava onde sempre esteve. Mas o governo do general Emílio Garrastazu Médici estava determinado a extingui-la.
  • Em 1973, entrariam em cena os soldados profissionais da elite das Forças Armadas. Ia começar a Operação Sucuri. Operação Sucuri A retirada das tropas deu nos caboclos e camponeses a impressão de que os "paulistas" tinham vencido a guerra. Um bate-pau que ajudou os militares, encontrado casualmente na mata por três guerrilheiros, foi assassinado a tiros. João Coioió, o matador de Lúcia Petit, juntou a família e desapareceu da região. 6 :423 Outros fingiram-se de ineptos. Com o fim do segredo entre a população do Araguaia sobre quem eram os "paulistas", a guerrilha lançou-se à propaganda, distribuindo folhetos com mensagens socialistas e até fazendo chegar cartas a jornais. Segundo um caboclo, "eles falavam em comunismo, mas ninguém sabia o que era aquilo". No primeiro semestre de 1973, a guerrilha reorganizou-se. Depósitos de mantimentos e munições foram espalhados em refúgios pela floresta. Recrutaram mais dois combatentes entre os moradores da região e formaram treze grupos clandestinos de apoio, num total de 39 pessoas. Mataram três colaboradores dos militares, um deles um jagunço da região e atacaram um posto da PM na estrada Transamazônica. Cercaram a base, atearam fogo no telhado de palha, renderam os cinco soldados da guarnição e fugiram levando as fardas, seis fuzis e um revólver. Em agosto, a direção da guerrilha "justiçou" (fuzilou), após julgamento na selva, um dos militantes por fraqueza ideológica e adultério. Eram até então um total de 56 homens e mulheres, dos quais seis camponeses. Faltava roupa, calçados e munição e não houve mais reforços porque o PCdoB já havia sido desbaratado em seis estados. As armas continuavam insuficientes, mas o moral estava alto. A proximidade do período chuvoso no Araguaia, que impedia a movimentação de grandes veículos, lhes dava a suposição de que o exército só voltaria no começo de 1974.
  • Grupo de guerrilheiros no Araguaia. Em abril de 1973 começou a segunda investida, denominada Operação Sucuri. Diferente da anterior, esta foi uma operação de Inteligência. O fracasso em derrotar a guerrilha em 1972 tinha tirado da estrutura convencional do exército o planejamento das operações, agora feito pelo CIE, sob o comando do general Milton Tavares de Souza. Em maio, oficiais, sargentos e cabos do DOI de Brasília e da 3ª Brigada de Infantaria Motorizada, em número reduzido, começaram a se infiltrar na região. Ao invés da ostentação da Operação Papagaio, os militares chegavam disfarçados, a maioria sem documentos ou documentos falsos, vestidos como civis. Um pseudo-agrônomo do INCRA estabeleceu-se em Xambioá com o nome de "Dr. Luchini". Era o capitão Sebastião Rodrigues de Moura, vulgo Curió. Além da guerrilha, agora o exército também tinha codinomes. Homens com aparência de caboclos abriam bodegas na estrada, tornavam-se comerciantes de alho, compravam roças, abriam padarias, madeireiras de pequeno porte, e um chegou a vender munição para os guerrilheiros para não levantar suspeitas. Tinham sido todos ambientados à vida rural passando um tempo em chácaras ao redor de Brasília. Os novos moradores anotavam as informações do que viam, conseguiam pistas da movimentação pela área, identificavam os guerrilheiros e os camponeses que tinham contato com eles e "Curió" passava de lancha voadora pelo rio no fim de semana recolhendo os relatórios.
  • Entre abril e outubro a guerrilha foi mapeada, nomes catalogados, caboclos e mateiros ligados aos guerrilheiros identificados. Em abril, um fichário sigiloso continha 51 nomes de moradores da região. Em setembro, passou para 400 nomes. O sigilo de tudo relacionado à guerrilha era justificado pelos militares como "um propósito para negar aos guerrilheiros o reconhecimento de que as Forças Armadas estavam sendo empregadas num problema de defesa interna desta natureza." O general Médici temia que a propagação de notícias de combates desse notoriedade à guerrilha e transformasse o Araguaia numa "zona liberada", como o que ocorria em regiões do Sudeste Asiático. Terminado o levantamento de Inteligência - Plano de Informações Sucuri Nº 1 - em que até quadros com fotografias e biografias de guerrilheiros e moradores foram montados no centro de operações em Marabá, em outubro de 1973 os soldados voltaram. Diferente da primeira investida com soldados e recrutas conscritos, agora a tropa, sem uniformes, cabeludos e barbudos como os locais, era composta por homens da Brigada Paraquedista, do Corpo de Fuzileiros Navais, Batalhão da Selva, Batalhão de Forças Especiais e helicópteros da FAB descaracterizados, a elite das Forças Armadas. Em quantidade menor e sem identificação. O segredo de Estado na luta no Araguaia produziu a clandestinidade das ações. Diferente do combate à luta armada nas cidades, não houve inquéritos policiais-militares, nem denúncias formais, nem sentenças judiciais. A ordem era não fazer prisioneiros, e prisioneiros não seriam feitos. Tinha início a terceira e última investida militar no Araguaia, a Operação Marajoara. OPERAÇÃO MARAJOARA Em 7 de outubro de 1973 a tropa voltou ao Araguaia. Um efetivo menor, cerca de 400 homens, disfarçados e sem uniforme mas com grande quantidade de armamento, que eram deixados em vários povoados da área ocupada pelos guerrilheiros. Alguns deles chegavam escondidos em caixotes ocos dentro de caminhões de transporte de madeira. Para os locais, eram funcionários da "Agropecuária Araguaia" e da "Mineração Aripuanã". Chegaram prendendo moradores. Lavradores e pequenos comerciantes foram levados para prisões em Xambioá e Marabá. Alguns colocados em buracos abertos em clareiras com grade em cima. Em Tabocão, onde havia dezessete homens, foram todos presos e relatos de tortura começavam a aparecer: "Moço, tinha nego lá que tava azul que nem carne roxa.‖.
  • Antes das refeições os presos eram colocados em fila, nus, e obrigados a cantar "É um tal de soca soca, é um tal de pula pula"; quem errasse a letra, apanhava. Um camponês, de quem se suspeitava saber informações dos guerrilheiros, foi colocado num pau de arara em cima de um formigueiro, com o corpo lambuzado de açúcar e comido pelas formigas até confessar o que sabia. Nas duas primeiras campanhas os caboclos eram convencidos muitas vezes a colaborar com os militares em troca de prêmios em dinheiro. Na Operação Marajoara a escolha era outra. Mais de 20 se tornaram guias do exército. "Zé Catingueiro", um caboclo local, nos meses anteriores colaborava com os guerrilheiros levando mensagens deles aos locais convidando-os a se juntarem ao grupo. Com a chegada da tropa, meses depois matou a guerrilheira "Cristina", Jana Moroni. O matuto Ângelo Lopes de Souza, 40 anos, conhecia bem a guerrilha e os lugares por onde andavam. Levado para o campo de arame farpado montado na base de Bacaba, passou um mês preso. Recebeu proposta de guiar os militares e aderiu: "Tinha certeza que se não aceitasse seria morto". Um lugarejo, o sítio Água Boa, em São Domingos do Araguaia, foi totalmente incendiado. A chegada do CIEx e das tropas de elite na região decretou um toque de recolher voluntário entre os moradores. Ninguém saía de casa à noite. A estratégia militar de intimidação provocou adesões aos dois lados; a eles, pelo medo, e aos guerrilheiros, para fugir dos militares, incluindo meninos alunos das aulas de alfabetização de Jana Moroni e Maria Célia Correa, a "Rosa", ex-bancária carioca e estudante de Filosofia na UFRJ. Entre outubro de 1973 e outubro de 1974 a guerrilha foi sistematicamente exterminada. Pequenos grupos de combate adentravam a selva com mais poder de fogo cada um deles que todos os guerrilheiros juntos. Os oficiais e sargentos carregavam um relatório, chamado de "Normas Gerais de Ação - Plano de Captura e Destruição", que trazia a identificação de guerrilheiros a serem abatidos por prioridade. Os integrantes da chamada Comissão Militar da Guerrilha deveriam ser os primeiros a ser eliminados. No dia de natal de 1973, houve a primeira grande vitória dos militares, com a morte, numa emboscada, do comando militar guerrilheiro.Maurício Grabois, o chefe combatente do PCdoB foi morto junto com seu genro, Gilberto Olímpio Maria, o "Pedro", e mais três combatentes.
  • A partir daí a guerrilha perdeu a condição de força militar organizada, dividindo-se em colunas dizimadas aos poucos, num período de seis meses. De um lado, tornou-se uma caçada humana; de outro, uma fuga pela vida. Helicópteros sobrevoavam a floresta com alto-falantes oferecendo rendição aos guerrilheiros; quem aceitava era assassinado. Osvaldão foi morto pelo mateiro "Piauí", liderando uma patrulha. Foi degolado e seu corpo transportado pela floresta, pendurado pelas pernas numa corda amarrada a um helicóptero. "Piauí" ganhou uma gleba de terra de presente do exército e viveu da fama. Morreu na miséria em 1993 e seu sepultamento foi pago pelo governo. "Sônia" morreu em confronto com uma patrulha, emboscada na beira de um rio, e antes de ser metralhada feriu os dois comandantes da patrulha, o major Licínio e o capitão Curió. Pedro Alexandrino, o "Peri", encontrado sozinho na mata apenas com um garrucha e um quilo de sal, levou um tiro a cabeça e, transportado para a base de Xambioá, teve seu corpo chutado pelos soldados até a intervenção de um oficial exigindo respeito pelo inimigo morto. Dinaelza Coqueiro, a "Mariadina", presa depois de denunciada por camponeses, levada à Curió na casa de telhado azul, cuspiu-lhe na cara e morreu fuzilada sentada numa clareira. Vários outros, através do depoimento de testemunhas, foram presos e executados. A temida "Dina" foi presa em agosto de 1974 junto com Luiza Garlippe, enfermeira paulista e comandante médica do que restava da guerrilha; as duas foram assassinadas. Os dois irmãos Petit até então sobreviventes desapareceram. Antônio de Pádua Costa, o "Piauí", ex-estudante de astronomia no Departamento de Física da UFRJ que havia assumido o comando do principal destacamento da guerrilha após a morte de Grabois, foi preso depois de um luta corporal na mata com o sargento José Vargas Jiménez - codinome na selva "Chico Dólar" - entregue vivo ao CIEx e hoje é um desaparecido político. Com o exército calculando que o número total de guerrilheiros restantes não fosse maior do que vinte, as tropas começaram a ser retiradas nos primeiros meses de 1974, deixando apenas alguns homens do CIE e do Batalhão de Operações Especiais. Em seu lugar, foram formadas pequenas patrulhas de caçadores chamadas de Grupos Zebra. Compostas de mateiros e militares, especialmente sargentos e cabos, adentraram a selva por meses caçando os guerrilheiros sobreviventes desgarrados. Vários foram mortos assim e recompensas financeiras pagas. Para identificação de guerrilheiros mortos, os militares os fotografavam antes de enterrá-los na mata. Mais de 40 foram fotografados.
  • Quando não havia uma câmera disponível, cortava-se o polegar direito, a mão inteira do cadáver ou mesmo a cabeça. Em outubro de 1974, a última sobrevivente foi encontrada, descalça e mancando no mato. Era Walkíria Afonso Costa, a "Walk", ex-estudante de Pedagogia da UFMG. Levada à Xambioá, foi executada em 25 de outubro de 1974. Documentos encontrados anos depois, constantes no arquivo da Câmara dos Deputados e liberados para consulta pública, mostram ordens detalhadas de oficiais da Marinha, um deles o comandante-geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Edmundo Drummond Bittencourt, ainda em setembro de 1972, para a eliminação dos guerrilheiros capturados. Em 2009, o Major Curió revelou que as Forças Armadas executaram 41 guerrilheiros no Araguaia depois de serem presos vivos. De todos os integrantes da guerrilha que atuavam no Araguaia no início da Operação Marajoara, apenas dois escaparam: Ângelo Arroyo, morto dois anos depois em São Paulo, no episódio conhecido como Chacina da Lapa e Micheas Gomes de Almeida, o "Zezinho do Araguaia", que, acompanhando Arroyo na travessia doMaranhão e do Ceará para escapar da área de conflito, desapareceu por mais de vinte anos, sendo encontrado em Goiânia em 1996 depois de viver em São Paulo com outra identidade, e ainda hoje vivo. Do lado dos militares, o número estimado de mortos é de dezesseis. OPERAÇÃO LIMPEZA No inicio de 1975, com a guerrilha já exterminada, as Forças Armadas deram início a uma operação de ocultação de todos os fatos acontecidos no Araguaia, diante da política de sigilo absoluto determinado pelo governo, agora do general Ernesto Geisel. Chamada de Operação Limpeza, o objetivo era apagar os rastros da luta e dos corpos deixados para trás, enterrados pela selva. Aproximadamente 60 guerrilheiros haviam sido mortos, cerca de ⅔ deles assassinados após captura e tortura. Documentos foram queimados, acampamentos desmontados e os corpos retirados de suas covas, muitas delas rasas, e queimados. Suely Kanayama, a "Chica", morta em fins de 1974 num confronto com militares em que levou mais de cem tiros , tinha sido enterrada na base da Bacaba (hoje Vila Santana). Seu corpo foi desenterrado, enfiado num saco plástico, embarcado num helicóptero junto com outros e levado até o alto da Serra das Andorinhas – que passou a ser conhecida também como Serra dos Martírios após o episódio – onde foi queimado entre pneus velhos encharcados de gasolina.
  • A REVOLTA DOS PERDIDOS16 1976 A operação durou cerca de dez dias, com corpos sendo desenterrados e transportados nos helicópteros. Por causa do cheiro da decomposição, os pilotos usavam máscaras contra gases e lenços encharcados de perfume. Relatos também indicam o transporte em barcos de sacos contendo restos para a região conhecida como "inflamável", a parte mais funda do rio Tocantins, perto de Marabá. Nos anos seguintes, vieram à tona registros de sucessivas operações de encobrimento na região, atingindo inclusive os vivos, caboclos que conheciam os guerrilheiros e tinham o hábito de falar muito. Mesmo muitos anos depois, no período inicial da redemocratização no país, há registros dessas atividades, feitas por militares disfarçados de parentes, ainda retirando ossos de locais determinados e dissolvendo-os em ácido, com os fragmentos enterrados em outros lugares ou jogados nos rios da região. De parte do governo brasileiro, Ernesto Geisel foi o único presidente a falar, superficialmente, sobre o assunto, numa mensagem enviada ao Congresso, em 15 de março de 1975, onde dizia que houve tentativas de se organizar "bases de guerrilheiros no interior desprotegido e distante", em "Xambioá-Marabá, ao norte de Goiás e sudeste do Pará" e que todas tinham sido "completamente reduzidas". Depois disso houve apenas a instalação de uma comissão no Congresso que não chegou a nenhum resultado e os militares, oficialmente, nunca quebraram o silêncio sobre a luta no Araguaia.. 16 A REVOLTA DOS PERDIDOS, também denominada de Guerra dos Perdidos ou Segunda Guerrilha do Araguaia, foi um conflito armado que ocorreu entre o final da década de 1970 e o início da década de 1980. O acontecimento se desenvolveu na área municipal de Piçarra no Pará, na mesma região onde, até 1974, havia ocorrido a Guerrilha do Araguaia. Por isso, a revolta é considerada a "II Guerrilha do Araguaia", um desdobramento do conflito anterior. Moradores da região, que acompanharam os confrontos anteriores ou apoiaram a guerrilha do PC do B, organizaram uma revolta contra o Incra, que, sob a pressão de grileiros, decidiu refazer a ocupação na área, deslocando os posseiros locais. Os posseiros, contrariados com a decisão do órgão governamental, se reuniram em uma cabana de palha, em 26 de outubro de 1976.
  • O grupo formado por 173 homens decidiu interromper o trabalho de remarcação de lotes de terras com a realização de uma marcha até o acampamento onde estavam os funcionários do Incra. Mas, no momento da incursão, apenas 36 posseiros apareceram. Dois dos integrantes do grupo traíram o movimento e avisaram a polícia sobre plano de ataque, que começaria na manhã do dia 27. Os posseiros mudaram a estratégia e se camuflaram na mata. Mesmo assim, a polícia percebeu os movimentos e fez os primeiros disparos. Quando cessaram os tiros, os posseiros se levantaram e atacaram. Um relatório militar confirma as mortes dos soldados Claudiomiro Rodrigues e Ezio Araújo. O documento 'Incidente em São Geraldo do Araguaia', do extinto Serviço Nacional de Informações, destaca que o Exército reconhecia a truculência da polícia e acusava a força armada de conivência com os policiais corruptos. Após o confronto, policiais cercaram povoados em busca dos revoltosos, retirando famílias de suas casas à força e violentando mulheres. A principal personagem feminina da Revolta do Perdidos foi Edna Rodrigues de Souza, a Dina, que foi torturada em 1976. Ela recebeu o mesmo apelido da mais famosa integrante da guerrilha do Araguaia, Dinalva Teixeira, que também havia sido torturada dois anos antes. Em três ocasiões, Edna sofreu choques elétricos e abusos sexuais de agentes encapuzados. A primeira vez foi à beira do Araguaia, onde foi presa e ficou quatro meses. Na ocasião, Edna estava grávida.
  • COMPENDIO DA HISTORIA DAS OPERAÇÕES ESPECIAIS NO BRASIL
  • ORIGEM DAS FORÇAS ESPECIAIS E HISTÓRIA DO BRASIL, REINO UNIDO, HOLANDA, EUA E FRANÇA A direita, O criador do Serviço Aéreo Especial, o escocês David Stirling. Tal unidade influenciou o mundo com a sua filosofia de operar unidades de forças especiais(que se diferenciam dos comandos).. A esquerda, Antonio Dias Cardoso, o patrono do 1º Batalhão de Forças Especiais do Brasil que combateu contra a Holanda na Batalha de Guararapes(1640). A origem das forças especiais pode ser dividida em duas épocas diferentes mas não menos importantes e em níveis mundial e regional. A nível mundial a história das forças especiais modernas nasce no Reino Unido com a criação do Serviço Aéreo Especial durante a II guerra mundial para enfrentar a ditadura fascista italiana, o império japonês e o exército alemão em missões de inteligência atrás das linhas inimigas e ataques de longa duração O nascimento moderno das forças de ações de comandos(que se diferenciam das forças especiais pelo modus operandi nasce com a criação dos comandos britânicos para missões rápidas,curtas e agressivas pelo criador dos comandos, o Coronel Dudley Clarke Devemos sempre lembrar que unidades de forças especiais e comandos operam de modos bem diferentes e não são iguais.
  • COMANDOS BRITÂNICOS NA II GUERRA, O NASCIMENTO DOS COMANDOS MODERNOS E OS COMANDOS DO BRASIL. CORONEL DUDLEY CLARKE O CRIADOR DOS COMANDOS O termo nasceu a partir da designação de Kommando que os colonos bôeres da África do Sul davam às suas tropas de operações especiais na guerra contra os britânicos, no princípio do século XX. A palavra Kommando por sua vez teria tido origem no termo português "Comando", utilizado na Índia no sentido de um grupo de tropas sob um comando autônomo que desempenhava missões especiais durante uma batalha ou cerco. Na África do Sul tropas similares atuavam em pequenos destacamentos, que se deslocavam normalmente a cavalo, e lançavam ataques rápidos contra as tropas britânicas. Durante a 2ª Guerra Mundial foi criada essa importante unidade pelo Coronel Dudley Clarke e tanto os britânicos como os alemães decidiram utilizar este termo para designar as novas tropas de operações especiais que tinham formado (as britânicas designadas Commandos e as alemãs Kommandos). Posteriormente o termo foi utilizado por outros países para designar algumas das suas forças de elite para ataques rápidos,furtivos e missões de curto período. Assim, tal designação chamada comando foi dada a uma tropa de elite pertencente à uma das forças armadas, que é altamente adestrada e qualificada a operar sob circunstâncias e ambientes impróprios ou contraindicados ao emprego de outros elementos das forças regulares, sendo apta a cumprir uma ampla variedade de missões e tarefas, táticas ou estratégicas de curto prazo e em geral de objetivo agressivo.
  • Dentre as missões executadas por uma tropa de comandos, estão as operações de contra-guerrilha, emboscadas, além das ações diretas que necessitem de alto poder de choque de curta duração. Uma das inovações dos Comandos britânicos usadas até hoje foi a utilização de munição real durante o treinamento, não com o intuito de torturar soldados ou embuste visto serem realizadas com ângulo de tiro o mais seguros possíveis, mas para faze-los perceber a diferença do tiro real e do tiro não real e para serem habituados com isso. Torturas sem necessidade não formavam um bom soldado pois eram embuste sem necessidade. Um comando deveria ser formado com treinamento real mas fornecendo segurança, um excelente treinamento de base com muita repetição, aliados a uma doutrina de profissionalismo e seleção inteligentes. A RAÍZ DAS FORÇAS ESPECIAS NO MUNDO: SERVIÇO AÉREO ESPECIAL (SAS) "QUEM OUSA VENCE". O SAS foi uma unidade criada em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, na África do Norte, pelo tenente escocês chamado David Stirling. A unidade recebeu o nome de SAS - Serviço Aéreo Especial, para os alemães acharem que havia comandos paraquedistas servindo ao Exército britânico no Cairo. David Stirling era uma figura alta e atlética, estava se preparando para escalar o Monte Everest quando estourou a Segunda Guerra Mundial. Alistou-se nos Guardas escoceses em 1939 e em 1940 entrou como voluntário no oitavo Comandos britânicos, sob as ordens do tenente-coronel Robert Laycock, que formava parte da Força Z (mais tarde mudaria o nome para Layforce). Depois da decepção desta empreitada bélica, Stirling percebeu que, devido à mecanização da guerra, um grupo reduzido de soldados bem treinados poderia infligir ao inimigo maior dano que um batalhão inteiro.
  • Com essa ideia ele acabaria criando a primeira unidade de força especiais modernas que mudou muito até hoje visto ter como forte base a constante atualização dos seus soldados que devem estudar sobre armamentos, idiomas, tecnologia, etc. Logo depois de sofrer um acidente de paraquedas, ficou temporariamente recuperando-se, foi ai que aproveitou para visitar no Cairo o comandante-em- chefe general Claude Auchinleck. Com o apoio do também general Neil Ritchie, Stirling insistiu com Auchinleck, e o persuadiu. Logo conseguiu o que queria, recebeu sua unidade com comando independente, com o evasivo nome de "L Detachment, Special Air Service Brigade", a idéia era dar a falsa impressão de que existia uma brigada de comandos paraquedistas operando no norte da África. O General Auchinleck desde o começo não tinha fé nas idéias de Stirling, por várias vezes mandou pessoas para observar o que ele e os soldados faziam. De fato muitas coisas esquisitas aconteceram, em um estranho episódio Stirling obrigou, por falta de equipamento, os soldados a pular com equipamento completo de um jipe em movimento para treinar paraquedismo. Essas informações só faziam convencer o General Auchinleck de que Stirling estava perdendo o tempo. Outros militares das forças convencionais acham não só uma perda de tempo mas um exército de malucos com treinamento não convencional e criativo demais. Stirling foi preso pelo exército alemão em janeiro de 1943, no sul de Tunísia. Tentou escapar quatro vezes antes que o enviassem ao castelo Colditz, onde permaneceu o resto da guerra até a rendição alemã. Em 1945 fundou uma associação de ex-combatentes das SAS, da qual foi o primeiro presidente. Em 1990 foi condecorado cavaleiro pela Rainha e morreu no mesmo ano. Na campanha africana teve grande rendimento, e lutou também na Itália e na Europa. O SAS destruiu mais de 400 aviões da Luftwaffe; acreditam que teve um melhor rendimento que a RAF (Real Força Aérea Britânica) destruía em terra e no ar. Após a Segunda Guerra Mundial foi desativada e foi reativada na década de 1950, com o nome de 22o Special Air Service.
  • Ficou decidido que os Royal Marines e o Special Boats Service iriam fazer incursões de curto alcance e o SAS incursões de longo alcance e longa duração dentro de uma estratégia contra a União Soviética. Desde então tem lutado pela Grã-Bretanha nos mais diferentes lugares como na Malásia, Omã, Bornéo, Vietnam - vestindo uniformes norte-americanos , Aden, Irlanda do Norte, Malvinas, Libéria, Golfo Pérsico, Bósnia, Kosovo, Serra Leoa e Afeganistão, onde reafirmaram a sua boa reputação. A influência do SAS é notória em quase todas as forças especiais do planeta pela seleção, metodologia, didática e profissionalismo dos seus soldados. Praticamente todas forças especiais do mundo copiara ou tiveram como modelo o SAS. FORÇAS ESPECIAIS BASEADAS NA SAS O Regimento participou e deu origem a muitas outras Forças Especiais espalhadas pelo mundo, entre elas: AUSTRÁLIA, SASR - Special Air Service Regiment. De origem de um esquadrão da SAS recrutado na Austrália para auxiliar no combate na Malásia. BÉLGICA, Belgian Special Forces Group. Que teve a origem ainda na Segunda Guerra Mundial, quando o 5th SAS Regiment recrutou voluntários para cruzar a Linha Siegfried. ISRAEL, Sayeret Matkal. Moldada no SAS e carrega o mesmo lema: "Quem ousa vence". ESTADOS UNIDOS, O 1st Special Forces Operational Detachment- Delta (1st SFOD-D), ou Força Delta baseado na SAS e profundamente influenciado pelos seus conceitos. Seu fundador, Charlie Beckwith, havia servido nos anos 60 na SAS, e voltou para as Forças Especiais do Exército Americano criando lá uma unidade que seguia o SAS. Alemanha, GSG 9 - Unidade anti-terrorista da policia de fronteira alemã SASNZ- Forças especiais da Nova Zelândia. FSK (Forsvarets Spesialkommando),forças especiais da Noruega que participam ativamente de missões ao redor do mundo apoiando os EUA e OTAN possuim muito de influência do SAS,embora sobre o FSK existam muitas controvérsias sobre o seu treinamento quase kamikaze.
  • PREPARAÇÃO E SELEÇÃO FÍSICA DE DIVERSOS SOLDADOS DE ELITE AO REDOR DO MUNDO. Um verdadeiro soldado de elite deve ser em primeiro lugar inteligente o bastante para a sua função. Tais soldados muitas vezes devem atuar em diversos ambientes e para isso usam aparelhos com tecnologia avançada, devem falar outros idiomas, saber sobre a natureza, possuírem boa habilidade manual ao manusear diferentes equipamentos, devem saber ler mapas, calcular, terem empatia, saberem se relacionar e ter uma força psicológica também desenvolvida etc. Ao mesmo tempo, tais soldados devem ser verdadeiros atletas de elite, com habilidade motoras superiores as pessoas normais e aonde muitas homem irão desistir por terem o corpo ou a mente não forte o bastante. Aqui iremos falar sobre os testes de algumas das melhores unidades de elite do mundo, popularmente conhecidos pelos acrônimos TAF/EAF (teste ou exame de aptidão física em português brasileiro) ou em inglês CFT (Combat Fitness Test)/BFT(Battle Fitness Test) e Personal Fitness Test (PFT), sendo que estes diferenciam-se um do outro. SERVIÇO AÉREO ESPECIAL-REINO UNIDO 1-Requisito base- Boa nota no Personal Fitness Test (PFT), teste base de exercício físico do exército do Reino Unido que inclui pesos, flexão de braço, etc. 2- Boa nota no Combat Fitness Test (CFT). Tal teste mais funcional inclui uma marcha em passo acelerado aonde o tempo deve ser de 15 min por milha (1,60 km) carregando todo o equipamento incluindo armamento, o fuzil standard SA80. O percurso varia conforme a unidade mas varia de 6/ 8 milhas carregando o equipamento que varia de 15kg /25kg dependendo a unidade. Na seleção para o SAS o teste base é o da infantaria. FAN DANCE. Essa é a real prova para os candidatos que passaram a fase inicial que é realizada duas vezes ao ano,no inverno e verão.
  • A Fan Dance é um teste de fitness e navegação nas montanhas sendo usado como o principal processo para a escolha dos candidatos. Carregando uma mochila de 18 kg, um fuzil (5 kg) e uma garrafa de água o candidato deve percorrer 24 km em determinado tempo usando cartografia e navegação como guia. LONG DRAG Se não eliminado o candidato realiza uma outra marcha de 64 km carregando agora 25kg (não incluindo comida, água e rifle) e eles devem concluir o percurso em menos de vinte horas. Os candidatos são proibidos de usar trilhas estabelecidas e toda a navegação deve ser realizada pormapa, bússola e referências memorizadas. Depois de aprovado na seleção o candidato realiza a fase de adestramento base,adestramento na selva (fase II) e resistência a interrogatórios e sobrevivência (fase III). O candidato pode ser eliminado a qualquer momento e mesmo depois de aceito pode ser eliminado no prazo de um ano. Se selecionado continua em treinamento para alguma área em particular mantendo-se constantemente atualizado. Aproveitamento de 20 em cada 200 candidatos. A seleção dos candidatos do Special Boat Section (SBS) e Pathfinder (precurso paraquedista) do Exército do Reino Unido é similar, tendo a Fan Dance como fator decisivo para o candidato. GRUPO DE MERGULHADORE DE COMBATE(GRUMEC)-BRASIL CORRIDA SUBIDA NO CABO AGACHAMENTO BARRA NOTA 2.800m 4m 90 8 6,0 2.900m 5m 100 10 7,0 3.000m 6m 110 12 8,0 3.100m 7m 120 14 9,0 3.200m 8m 130 16 10,0 ABDOMINAL FLEXÃO NATAÇÃO NOTA 46 35 01min 55seg 6,0 50 45 01min 45seg 7,0 54 55 01min 35seg 8,0 58 65 01min 25seg 9,0 62 75 01min 15seg 10,0
  • a) Corrida: Consiste em correr a maior distância possível no intervalo de tempo de 12 minutos, em circuito pré-determinado e demarcado. Os candidatos, antes de iniciar a corrida, serão ser instruídos sobre o percurso, de modo a não invalidar o teste pela inobservância do trajeto. b) Subida no cabo. Este teste consiste em subir no cabo, preso verticalmente, utilizando somente os braços. O resultado obtido será definido pela altura máxima atingida pela marca ultrapassada por ambas as mãos ou aquela em que o candidato buscou o auxílio das pernas, recebendo o número de pontos indicado na tabela. c) Agachamento. Partindo da posição inicial em pé, mãos na cintura e pés ligeiramente afastados, o candidato deverá flexionar as pernas, com o corpo ereto e voltado para frente e retornar à posição inicial. A contagem se faz a cada retorno do candidato à posição inicial. A pontuação obtida será de acordo com a tabela e corresponderá ao número de movimentos executados no período de dois (2) minutos. d) Barra. As flexões na barra serão realizadas com as palmas das mãos voltadas para frente (pronação). O exercício consiste em içar verticalmente o corpo, suspenso em uma barra horizontal, até que o queixo ultrapasse a altura da barra e são contadas entre a distensão total dos braços e sua flexão até que o queixo a atinja. Para alcançar a barra o militar poderá utilizar qualquer meio, todavia, o impulso não deve ser empregado para contar a primeira flexão na barra. e) Abdominal. O exercício consiste em flexionar o tronco até que os cotovelos toquem nas coxas, partindo da posição decúbito dorsal, com os braços cruzados sobre o peito, joelhos unidos, pernas dobradas e apoiadas no chão com ajuda de um auxiliar. A contagem se faz a cada retorno do candidato à posição inicial.
  • A pontuação obtida será de acordo com a tabela e corresponderá ao número de movimentos executados no período de dois (2) minutos. f) Flexão. O teste tem início com o candidato apoiado de frente sobre o solo, com as mãos espalmadas, os braços, o abdome e as pernas distendidas e unidas, cabeça erguida e olhando para o horizonte, flexionando os braços e retornando à posição inicial, distendendo-os completamente. Durante o desenrolar do exercício poderá ser efetuada uma única parada, na posição inicial. A pontuação será de acordo com a tabela. g) Natação 100 mts. Consiste em realizar um percurso de 100 metros no menor tempo possível, empregando qualquer estilo de natação, com exceção do conhecido como ―cachorrinho‖. O teste deverá ser realizado preferencialmente em piscina. Caso o percurso seja realizado no mar, o teste será aplicado, no máximo, a dois candidatos simultaneamente, devendo estar disponíveis os meios materiais e pessoal necessário a uma eventual prestação de socorro. Não será permitido o uso de qualquer acessório (nadadeira, colete, etc.), não podendo o candidato agarrar-se a bóias ou embarcações, sob pena de reprovação. A escolha do local e da hora do teste deverá ser condicionada às condições de segurança, de modo a garantir a ausência de trânsito de embarcações estranhas, possibilitar o pronto atendimento em caso de socorro e evitar fatores de risco, como fortes correntes. A pontuação será distribuída de acordo com a tabela. LEGIÃO ESTRANGEIRA FRANCESA(TESTE BASE LUC-LEGER NAVETTE" (YOYO) -Corrida: alternando 20 m em 1 min e 20 m em 2 min.Mínimo 7 palier sendo que 1 palier é igual a correr 20 durante 6 vezes. -Barras: min 4; -Corda: subir uma corda de 5 metros com os braços ou com os braços e pernas; -Abdominais: min 40.
  • NAVY SEALS-FORÇAS ESPECIAIS DA MARINHA DOS EUA PTF base Mínimo Média Bom Nado 500 jardas(peito ou nado de lado)10 min de descanso segue para flexões 12:30 10:00 9:30 Flexões de braço(max em 2 min,2 min de descanso segue abdominais 42 79 100 Abdominais(max em 2 min,segue para barra fixa) 50 79 100 Barra fixa(max sem tempo,10 min descanso segue corrida) 06 11 25 Corrida 1.5 milha(feita com calçados leves) 11:00 10:20 09:30 COMANDOS BRASILEIROS- EXÉRCITO BRASILEIRO. -Corrida de 8 km: 39 minutos. -Barra: varia -Flexão de braço: varia -Abdominais: varia -Corda:escalar uma corda de 4 metros com fardamento, sem equipamento e desarmado sem utilizar as pernas; -Natação de 400 metros de fardamento sem equipamento e desarmado; -Nado submerso:15 metros com fardamento, sem equipamento e desarmado; -Pista de pentatlo militar(PPM )usando fardamento e calçado leve; -Flutuação:15 fardado com coturno, desarmado e sem equipamento; -Marcha de 16 km em 2h 45 min. Fardado com todo equipamento e com a mochila pesando 15 kg durante todo o trajeto.
  • AS FORÇAS ESPECIAIS NO BRASIL "QUALQUER MISSÃO, EM QUALQUER LUGAR, A QUALQUER HORA, DE QUALQUER MANEIRA." A HISTÓRIA REGIONAL DAS FORÇAS ESPECIAIS (ORIGEM NO BRASIL) A nível nacional a Batalha de Guararapes17, em torno de 1640 demonstrou o que uma unidade bem treinada pode fazer mesmo sendo menor em número. 17 A Batalha dos Guararapes, na sequência da Guerra da Restauração após a Restauração da Independência de Portugal de 1640, foi uma batalha travada em dois confrontos entre o exército da Holanda e os defensores do Império Português no Morro dos Guararapes, atual município de Jaboatão dos Guararapes, situado na Grande Recife, em Pernambuco, Brasil. Os dois confrontos foram: 1ª Batalha dos Guararapes - 19 de abril de 1648. 2ª Batalha dos Guararapes (decisiva) - 19 de fevereiro de 1649 Por ter sido vencida pelos portugueses destaca-se como episódio marcante na Insurreição Pernambucana, que culminou no término das Invasões holandesas do Brasil, no século XVII. A assinatura da capitulação deu-se em 1654, no Recife, de onde partiram os últimos navios holandeses em direção à Europa. Primeira batalha Segue um resumo da descrição da 1ª batalha, segundo Diogo Lopes Santiago, um cronista da guerra: Tanto que nossa infantaria se escondeu nos mangues ao pé do último monte, Antônio Dias Cardosoordenou a 20 de seus melhores homens que fossem com 40 dos índios de Filipe Camarão procurar o inimigo, que marchava do Recife pelo caminho dos Guararapes. Na entrada dos montes, nossos 60 soldados atacaram a vanguarda holandesa e vieram se retirando sem dar costas ao inimigo, atraindo-o a uma passagem estreita entre os montes e o mangue, até poucos passos de onde estava o nosso exército. Do nosso lado houve certa confusão e opiniões de retirada frente àquele exército tão superior, mas os dois mestres de campo, João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiros, resolveram, conforme combinado, enfrentá-los ali, dando a primeira carga e investindo no inimigo à espada, mesmo que sob fogo dos mosquetes. Marchou André Vidal pela baixa com o Camarão à sua direita pelo mangue. Vieira avançou pelo alto com Henrique Dias à sua esquerda. Aguardaram os nossos duas espantosas cargas de mosquetaria e artilharia sem da nossa parte se dar nenhum tiro, indo ao encontro do inimigo já bem perto. Neste tempo, por toda parte, disparou nosso fogo de uma só vez, causando grande dano e desorganização nos esquadrões inimigos. Logo os nossos sacaram as espadas e atacaram com tanto ímpeto e violência que não puderam os lanceiros conter os nossos de infiltrarem-se, matarem e destroçarem por meia hora, até que lhes pusessem em fuga.
  • Fugindo e descendo do monte, a seu pesar com mais presteza do que subira, os que escaparam de Dias e Vieira se juntaram aos que estavam em retirada pela campina pressionados por Vidal e Camarão. Ganhamos todos os canhões do inimigo e muita bagagem, motivo que levou muitos soldados ao saque e à euforia. Como esperado em exércitos como aquele holandês, ter gente de reserva para situações difíceis lhes valeu um contra-ataque fulminante pegando nossos soldados desorganizados, além de exaustos, que se puseram em fuga monte abaixo. A luta desesperada que seguiu daí pela defesa da passagem estreita (apelidada boqueirão) durou várias horas, com os oficiais (nossos e inimigos) no meio da ação. Acabamos por perder 4 das 6 peças da artilharia ganha. Por fim, o campo ficou nosso e o alto dos montes do inimigo. O general holandês, gravemente ferido no tornozelo, determinou a retirada durante a noite deixando dois canhões apontados para o boqueirão, disfarçando seu recuo para o Recife. 2 A 2ª Batalha dos Guararapes foi uma batalha travada entre o exército da Holanda e os defensores doImpério Português no Morro dos Guararapes, atual município de Jaboatão dos Guararapes, 10 km ao Sul do Recife, no estado de Pernambuco, Brasil. Foi vencida pelos portugueses e destaca-se como episódio decisivo na Guerra da Restauração e particularmente na Insurreição Pernambucana, que culminou no término das Invasões holandesas do Brasil, no século XVII. A assinatura da capitulação deu-se em 1654, no Recife, de onde partiram os últimos navios holandeses em direção à Europa. Esta 2ª Batalha ocorreu em 19 de fevereiro de 1649. A 1ª Batalha havia sido travada em 19 de abril de1648. Segue um resumo da descrição da batalha segundo Lopes Santiago, um cronista da guerra: Havendo aprestado as coisas necessárias, o exército holandês saiu do Recife em 18 de fevereiro de 1649, com cinco mil homens de guerra, todos soldados experientes, com que fazia mais forte o poder que o da batalha passada. Traziam também 200 índios, duas companhias de negros e 300 marinheiros que se dispuseram a enfrentar a luta na campanha; 6 canhões, 12 bandeiras, trombetas, caixas e clarins. Posto que não lustrosos com as golas e enfeites que da primeira vez traziam, vinham com longas lanças com as quais andaram treinando para defender a integridade dos esquadrões contra os ataques infiltrados de nossa infantaria. No tempo que chegou nosso exército ao primeiro monte já estava o inimigo formado em todos os outros e na baixa (boqueirão) onde havia ocorrido o principal da batalha anterior. Mandou Francisco Barreto de Meneses fazer alto e tomou conselho por onde haveriam de buscar a luta, se pela frente, se pela retaguarda ou se pelos lados.
  • O bravo Antonio Dias Cardoso, apelidado o mestre das emboscadas, foi um valente soldado capaz de demonstrar que o mais astuto, inteligente e corajoso pode vencer alguém mais forte. Claro, junto a ele tal mérito também coube às forças brasileiras da época, comandadas por outros exemplares guerreiros brasileiros. André Vidal de Negreiros e Francisco Figueroa deram votos que fosse pela frente, mas João Fernandes Vieira, que vinha com o grosso da gente, deu parecer contrário: que se buscasse o inimigo pela retaguarda (como na 1ª batalha) uma vez que onde estavam não tinha água e deveriam acampar com algum conforto ao fim da tarde, deixando o holandês à espera. Concordou Francisco de Meneses com este último parecer e assim mandou seguirem a um engenho ali perto onde repousaram e traçaram o plano do ataque, pelo que se concordou em iniciar a ação tão logo abandonasse o inimigo suas posições, para qualquer rumo que fosse. No dia 19, das 13:00 para as 14:00 (castigado pelo sol), tanto que foram os holandeses desocupando o alto dos montes para formarem um grande esquadrão na direção do Recife, nosso exército iniciou a aproximação. João Fernandes Vieira com 800 de seus homens foi o primeiro a entrar na luta, bem no meio da área que chamavam boqueirão, onde o inimigo tinha 6 esquadrões e duas peças de artilharia. Após 25 min de cargas de fogo, João Fernandes tentou cortar a formação holandesa pelo alagado. Sem sucesso, de volta à posição inicial, pediu a todos que investissem à espada após uma última carga na cara do inimigo, e assim foi ganho o boqueirão à espada (apesar da brava resistência dos lanceiros holandeses), onde conquistamos 2 canhões de campanha. Nesta altura já estavam em luta todos os nossos vindo pelo alto e fraldas do último monte: Henrique Dias, Diogo Camarão, Francisco Figueroa, André Vidal, Dias Cardoso e a cavalaria de Antônio Silva. Tomado o monte central e suas 4 peças de artilharia, bem como as tendas do comandante holandês Van den Brinck (que foi morto na ocasião), os luso-brasileiros pressionaram os inimigos até sua desintegração e fuga para Recife, sendo perseguidos por nossos cavaleiros exaustos; muitos fugiram para os matos, outros se entregaram implorando pelas vidas. Diogo Lopes de Santiago. Historia da guerra de Pernambuco (...). [S.l.: s.n.], 1943. 756 p. ISBN 9788586206153 (Trechos digitalizados -Google books) Santiago, Diogo Lopes. História da Guerra de Pernambuco (...), 1654. HERÓIS DA PÁTRIA A Lei nº 12.701, de 06 de agosto de 2012 3 determinou que os nomes dos principais personagens luso-brasileiros na batalha, juntamente com o de Francisco Barreto de Meneses que comandou de ofício o "Exército Patriota" e é chamado "Restaurador de Pernambuco", fossem incritos no Livro de Heróis da Pátria (conhecido como "Livro de Aço"), depositado noPanteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, um cenotáfio que homenageia os heróis nacionais localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília. BIBLIOGRAFIA Santiago, Diogo Lopes. História da Guerra de Pernambuco (...), 1654.
  • Em 1640 o Brasil conheceria, segundo fontes históricas a mais antiga unidade de forças especiais em território nacional. A história dos Operadores de Forças Especiais do Exército Brasileiro remonta do século XVII, na Campanha de Guararapes, origem do próprio Exército Brasileiro. Em 1640, durante a 2ª Invasão Holandesa, o Patrono e maior exemplo dos Forças Especiais, o Sargento-Mor Antônio Dias Cardoso foi enviado pelo Governador Geral da Colônia à Capitania de Pernambuco com a missão de organizar e instruir civis, índios nativos, brancos portugueses e seus descendentes já nascidos em solo pátrio, e negros escravos, para expulsar o invasor estrangeiro. Neste intuito, Antônio Dias Cardoso infiltrou em território pernambucano grande quantidade de armamento e munição, aliciou líderes da região e recrutou a população, organizando-os, instruindo-os e equipando-os para comporem suas Forças de Resistência e Emboscada. Devido ao sucesso da Batalha do Monte das Tabocas, o pequeno efetivo organizado pelo Sargento-Mor foi transformado no Exército da Restauração, célula ―mater‖ da Força Terrestre Brasileira que, utilizando táticas inéditas para a época e bastantes semelhantes às presentes na atual doutrina de nossas Forças de Operações Especiais, derrotou os holandeses nas duas batalhas dos Guararapes. A HISTÓRIA MODERNA DAS FORÇAS ESPECIAIS BRASILEIRAS Mais recentemente, em meados do século XX, as experiências e ensinamentos colhidos ao longo da 2ª Guerra Mundial impuseram ao Exército Brasileiro a evolução no campo das Operações Especiais. Assim, naquele momento, mais especificamente em 1957, deu-se início à história moderna das Forças Especiais Brasileiras, quando o Cel R/1 Gilberto Antônio Azevedo e Silva, após retornar de um intercâmbio com o Exército dos Estados Unidos da América, propôs a criação de uma unidade semelhante à tropa de Forças Especiais daquele país. Desta forma, sob sua liderança, os chamados "Pioneiros" realizaram o primeiro Curso de Operações Especiais de nossa Força Terrestre. Em 1961, oficiais e sargentos com o curso de Operações Especiais foram aos Estados Unidos da América e trouxeram a doutrina dos "Special Forces" e "Rangers", adaptando-a às características e peculiaridades de nosso País.
  • Em 12 de agosto de 1968, finalmente foi criado o Destacamento de Forças Especiais, subordinado à Brigada de Infantaria Paraquedista, no Rio de Janeiro, fato que deu início ao desenvolvimento e emprego da doutrina brasileira de Forças Especiais no Exército. Paralelamente, findando um processo que perdurou por cerca de 10 anos, após cursos, instruções e um trabalho árduo e determinado de nossos "Pioneiros", foram organizados, em 1968, os primeiros Curso de Ações de Comandos e de Forças Especiais. O final do século XX e os conflitos militares que se avolumavam naqueles anos mostraram uma tendência de emprego, cada vez maior, de Forças de Operações Especiais, o que foi determinante para a criação do 1º Batalhão de Forças Especiais, em 30 de setembro de 1983, a partir do núcleo do Destacamento de Forças Especiais. Esta Unidade instalou-se, no ano seguinte, no Camboatá, na cidade do Rio de Janeiro. Por seus feitos e glórias como uma das principais Reservas Estratégicas do Exército, em 1991 este Batalhão recebeu a denominação histórica de Batalhão Antônio Dias Cardoso, uma justa homenagem ao Sargento-Mor considerado o primeiro Operador de Forças Especiais do Brasil. Ou seja, as forças especiais do Brasil possuem origem quando a Holanda tentou invadir o Brasil. Nesse combate os brasileiros unidos em um grupo multiétnico e em menor quantidade numérica venceram um exército muito maior(o n°1 da época) usando técnicas de guerrilha e emboscadas, surgindo assim as forças especiais brasileiras. No século 20 tal doutrina foi modernizada e atualizada baseando-se nos métodos das forças especiais e comandos do Reino Unido via Estados Unidos da América que também usaram de base o Reino Unido. E alguns manuais militares do Brasil assim como a doutrina brasileira (o Brasil atualmente uma doutrina made in Brasil) muito se parecem com os métodos das forças especiais da França.
  • FORÇAS ESPECIAIS. O QUE FAZEM? QUEM SÃO? SÍMBOLO forças especiais brasileiras do Exército: Um punhal com o paraquedas. TRADIÇÕES : O uso do gorro preto com o símbolo acima descrito HINO: Letra de Hélcio Bruno de Almeida e música de Benedito Ferraz de Oliveira Em resposta ao clamor do dever Abandono meu lar meu amor O convívio sagrado da prole Repudiando o conforto e o prazer. A distância, a saudade e a dor, Me transformam em lobo feroz, Rosto negro, olhar de rapina, Braço armado que lança o terror. Quando a luta cerrar os seus punhos Exigindo o sangue do audaz Quando o medo atingir o mais forte Misturando o pavor com a morte Vai erguer-se um guerreiro do chão Destemido, treinado e leal Vai buscar a vitória final E lutar pelo seu batalhão O silêncio das noites escuras Nos garantem sigilo total, O sabre rubro revela a bravura Inerente ao guerreiro especial, As batalhas de Dias Cardoso Líder nato, imortal varonil Fazem-nos orgulhosos soldados, (Rhum! Rhum! Há!)
  • DAS FORÇAS ESPECIAIS!!! BRASIL!!!!! DEFINIÇÃO: Soldados altamente especializados, criativos e inteligentes. Comumente, tais operações realizadas por eles são caracterizadas pela organização, preparo e emprego de forças irregulares para a conquista de objetivos políticos e militares à longo prazo. Sabotagens, operações psicológicas e de inteligência, estruturação de redes de apoio para fuga e evasão, ações contraterrorismo e reconhecimentos especiais fazem parte também do rol de missões das forças especiais. Origem do nome: Forças especiais existem a muito tempo. Durante as Guerras das Cruzadas, pequenas e bem treinadas unidades de Cavaleiros Templários atacavam as unidades individuais muçulmanas. Durante as Guerras Napoleónicas, unidades de atiradores e sapadores fora das formais linhas de combate, existiam para acções especiais de espionagem ou sabotagem. Modernamente para o Exército Britânico, foi durante a Segunda Guerra Boer(1899-1902) que a necessidade de ter unidades mais especializadas se tornou mais aparente. Unidades de batedores tais como os Lovat Scouts, um regimento das Terras Altas da Escócia especializado em tácticas militares. Os Estados Unidos e Canadá também formaram uma brigada de ski de sabotagem para operações na Noruega que ficou conhecida como Devil Brigade(A Brigada do Diabo) durante o seu desempenho em Itália. O Exército Alemão tinha o Regimento Brandenburger, o qual tinha sido originalmente fundado como uma unidade de forças especiais usada pelo Abwehr para infiltrações a longa distância. Porém, a unidade que mudou o conceito de forças especiais no mundo moderno foi o Serviço Aéreo Especial do Reino Unido (o SAS) que atuaram na II guerra mundial no deserto africano. Essa unidade influenciou a metodologia das forças especiais de muitos lugares e permanece em atividade até hoje. Tais soldados eram considerados inimigos mortais da Alemanha de Hitler e seus aliados.
  • Para soldados do SAS que eram presos, a sentença de Hitler era a morte. Deixa-los vivos poderia custar a guerra ou ter problemas no futuro. Apesar de no Brasil unidades tidas como especiais terem sido usadas em combates com metodologia similar por Antônio Dias Cardoso nas Batalhas dos Guararapes, o Brasil usou muito dos métodos de adestramento do SAS e das forças especiais dos EUA, esses também influenciados pelo SAS. Porém, hoje o Brasil possui doutrina tupiniquim e reconhecida internacionalmente. Hoje algumas das principais unidades de forças especiais ao redor do mundo são: SAS e SBS(Reino Unido), Delta Force e Boinas Verdes (EUA), Sayeret Matkal e Shayetet 13 (Israel), SASR(Austrália), Spetsnaz (Rússia), GROM, 1 Pułk Specjalny Komandosów (Polônia), GIGN (França) ,KSK (Alemanha), DAE e a CTOE (Portugal) O que diferencia das Forças Especiais dos Comandos? Isso é algo que confunde muitas pessoas. A missão original e mais importante das Forças Especiais tem sido a "guerra não convencional" e a conquista de objetivos políticos e militares à longo prazo(isso difere muito dos comandos). Nem sempre é usada a força letal (o que também difere dos comandos) apesar de serem extremamente competentes nesse aspecto(prévio treino como comandos). Enfatizam o idioma, cultura e habilidades de treinamento no trabalho com outros povos, uma referência a uma de suas principais missões é o treinamentos e assessoria das forças estrangeiras e conquistar a confiança do população local (Corações e Mentes) . (Outras funções incluem contra proliferação, operações psicológicas, perseguições, defesa interna no estrangeiro, reconhecimento especial, ação direta, resgate de reféns e contraterrorismo operações de combate às drogas busca e resgate de combate), assistência à segurança, manutenção da paz, ajuda humanitária, desminagem humanitária, etc. FORÇAS ESPECIAIS DO BRASIL: O 1° Batalhão de Forças Especiais (1° B F Esp) é a unidade de elite do Exército Brasileiro capacitada ao planejamento, condução e execução de operações de guerra irregular, contraterrorismo, fuga e evasão, inteligência de combate, contraguerrilha, guerra de resistência, operações psicológicas, reconhecimento estratégico e busca, localização e ataque a alvos estratégicos. É subordinado a Brigada de Operações Especiais, de acordo com a organização e adestramento do EB, trata-se da principal unidade de elite da Força.
  • As operações do 1º BFEsp caracterizam-se por sua acentuada mobilidade estratégica. Seu emprego costuma requerer alto grau de sigilo, e suas operações apresentam considerável grau de risco, já que, em geral, são executadas em território hostil. Patrono: Antonio Dias Cardoso é o patrono do 1º Batalhão de Forças Especiais, que também é conhecido como Batalhão Antonio Dias Cardoso. Foi um dos principais líderes da Insurreição Pernambucana e comandou um pequeno efetivo que venceu a batalha dos Montes das Tabocascontra uma tropa muito maior liderada diretamente por Maurício de Nassau e posteriormente também em menor número venceu em Casa Forte a tropa neerlandesa comandada pelo coronel Van Hans, comandante-Geral holandês no Nordeste do Brasil. Também participou ativamente nas duas batalhas dos Guararapes quando na primeira foi subcomandante do maior dos quatro terços do Exército Patriota, tendo-lhe sido passada a investida da principal frente de batalha pelo comandante João Fernandes Vieira, na segunda batalha comandou a chamada Tropa Especial do Exército Patriota, desbaratando toda a ala direita dos holandeses. Devido a ter comandado a Tropa Especial do Exército Patriota e principalmente por ter operado no passado da mesma maneira que fazem atualmente as tropas de forças especiais, combatendo em menor número, sem posição fixa, usando a surpresa como elemento de combate, utilizando-se de emboscadas, recrutando população local, treinando-as em técnicas irregulares como as de guerrilha, dentre outras coisas, foi homenageado como patrono do 1º Batalhão de Forças Especiais do Exército Brasileiro e por isso é reconhecido atualmente como o primeiro operador de forças especiais do Brasil. ATIVIDADES MODERNAS CONHECIDAS 1991- Guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, adentraram o território brasileiro e atacaram um pequeno contingente de fronteira do Exército Brasileiro, a resposta foi imediata, e o até então Batalhão de Forças Especiais realizou em conjunto com outras unidades, uma operação de retaliação, a Operação Traíra, e o resultado foi o de 12 guerrilheiros mortos, inúmeros capturados, maior parte do armamento e equipamento recuperados, e desde então, nunca mais se soube de invasões das FARC em território brasileiro, e muito menos de ataques a militares brasileiros.
  • Recentemente sob a égide das Nações Unidas, o 1º Batalhão de Forças Especiais teve papel decisivo no combate a grupos paramilitares que assolavam o território haitiano e causavam grande instabilidade política no país. O 1º BATALHÃO DE FORÇAS ESPECIAIS É BASTANTE INFLUENCIADO PELO SAS. No Brasil, o ―primeiro comando conhecido e patrono" é o capitão Francisco Padilha, militar que lutou por meio de ações de guerrilha contra os invasores holandeses no início do século XVII. O coronel Johan van Dorth, nomeado governador da Bahia pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (West Indische Compagnie/WIC) em 1624, foi morto nas proximidades de Salvador por Francisco Padilha a frente de uma das diversas companhias de emboscadas compostas em sua maioria de índios flecheiros. Essas companhias também eram chamadas de Milícias dos Descalços e tinham como objetivo principal impedir a expansão inimiga pela colônia. Embora a doutrina dos comandos brasileira seja mais antiga(assim como as forças especiais),o "renascimento" de tais soldados no Brasil e no mundo reapareceu no século XX durante a II guerra com a formação de tais unidades de elite das forças armadas do Reino Unido.
  • PRECURSOR PARAQUEDISTA: A VERDADEIRA ELITE DO PARAQUEDISMO MILITAR. Lema: Procede,guia,lidera.(Brasil) Quem: O precursor paraquedisa(Brasil) ou patfhinder( nações de origem inglesa) é uma unidade altamente adestrada que cumpre missões de infiltração pré e pós-assalto para reconhecimento, balizamento de zonas de lançamento de pára-quedistas, de pouso de aviões e helicópteros em ambiente de combate e também realiza operações especiais por meio de saltos livres ou semi-automáticos em ambiente terrestre ou aquático, servindo como observadores avançados para caçasbombardeiros ou unidades de Artilharia. Os militares integrantes desta unidade, além do curso de elite de Pára-quedista Militar também são concludentes do Curso de elite de Precursor Pára-quedista, ministrado pelo Centro de Instrução Pára-quedista General Penha Brasil.Unidade altamente adestrada que cumpre missões de infiltração pré e pós-assalto aeroterrestre para reconhecimento, balizamento de zonas de lançamento de pára-quedistas, de pouso de aviões e helicópteros em ambiente de combate e também realiza operações especiais por meio de saltos livres ou semi-automáticos em ambiente terrestre ou aquático, servindo como observadores avançados para caçasbombardeiros ou unidades de Artilharia. Breve dos precursores paraquedistas Tais unidades foram usadas no Vietnam, II Guerra Mundial e outros combates, muitas vezes em parceria com as forças especiais. Lembramos que o curso operacional de qualquer tipo somente prepara o militar para o combate real.( O resto é somente embuste). Por isso o treinamento deve ser duro e o mais perto da realidade.
  • Instrutor e alunos chegando mapas e azimute.A orientação é uma parte importante do treinamento. Para quem: este curso habilita oficiais, aspirantes- a-oficial, subtenentes e sargentos de carreira já concludentes do curso de paraquedista militar a servirem na Companhia de Precursores Paraquedista, o militar aprende técnicas especiais de combate, de salto livre operacional, lançamento de equipes de precursores, infiltração em território hostil pré e pós assalto aeroterrestre aliado, e a identificar e balizar zonas de lançamento de paraquedistas, informar posições inimigas para bombardeio, dentre outras coisas. O concludente deste curso também torna-se mestre de salto, pois o curso de mestre de salto é um nível do curso de Precursor Paraquedista. Também é ministrado no Centro de Instrução Paraquedista General Penha Brasil. Os cabos e soldados voluntários a servir na Companhia de Precursores Paraquedista são militares que passam por um criterioso processo de seleção antes e durante a incorporação na unidade, apenas militares já paraquedistas e com um ano ou mais na Força Terrestre, podem tentar pleitear uma vaga na unidade, e são brevetados precursores após concluírem o curso de formação específico para cabos e soldados, que tem duração aproximada de três meses, que explora ao máximo o caráter prático das instruções, sem exigir no entanto aspectos ligados ao planejamento operacional. PS: paraquedistas não são uma unidade de forças especias,ou seja.não é considerada unidade de elite especializada.Porém, como todo soldado de forças especiais deve ser um paraquedista,muitos desses se qualificam como forças especiais no futuro. O precursor paraquedista é considerado elite pois é um soldado altamente profissional e importante para todas forças armadas além de possuir um treinamento diferenciado do paraquedista normal.
  • COMANDOS ANFÍBIOS (COMANF)- FORÇAS ESPECIAIS DOS FUZILEIROS NAVAIS DO BRASIL. SÍMBOLO: uma caveira sobre uma ancora atravessada por um raio e asas, símbolo que os destaca entre os demais fuzileiros navais. QUEM SÃO: Os Comandos Anfíbios (COMANF) são as forças especiais do Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil. Eles congregam os fuzileiros navais especificamente preparados para realização de operações especiais. Trata-se do Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais, conhecido como BATALHÃO TONELERO, cujos membros são ainda mais exigidos nos termos de recrutamento, instrução e instrução e adestramento. Como cada unidade de força especiais são treinados para determinadas atividades em combate, o que não torna uma unidade melhor que outra mas sim a mais apropriada a cada tipo de missão, embora todas possuam um vasto leque de qualidades e qualificação acima da média. PARA QUEM: Para Oficiais, Sargentos e Cabos aprovados no curso de habilitação para promoção a Sargento, é ministrado o Curso Especial de Comandos Anfíbios (CESCOMANF), com duração de 22 semanas, que abrange as disciplinas de técnicas de infiltração; patrulha; explosivos; socorrismo avançado; combate em áreas urbanas; combate corpo-a-corpo; montanhismo; técnicas de sobrevivência no mar e em terra; dentre outras, além de capacitação e adestramento para operar em regiões ribeirinhas e no Pantanal, em montanha e clima frio, em regiões semiáridas, selva e área urbana. Depois de formados, esses combatentes recebem um brevê representado por uma caveira atravessada por um raio, símbolo que os destaca entre os demais fuzileiros navais.
  • Para Cabos não estabilizados e Soldados é ministrado o Estágio de Qualificação Técnico Especial de Operações Especiais, com duração de seis semanas, chamado de "Comanfinho". Esse estágio visa a padronização das Ações de Comandos Anfíbios e Operações Especiais, formando os auxiliares dos COMANF, que são adestrados de maneira muito parecida. Depois de formados, eles farão parte das Companhias Operativas (1º Cia Recon / 2º Cia de Ação de Comandos / GERR), e terão a oportunidade de se aprimorar tecnicamente por meio de outros estágios e cursos, como: Estágio Básico de Paraquedista Militar; Curso de Auxiliar de Precursor Paraquedista; Curso de Auxiliar de DOMPSA; Curso Expedito de Salto Livre; Curso Expedito de Mergulho Autônomo e Estágio Básico de Combatente de Montanha. CASA DOS COMANF: O Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais, conhecido como Batalhão Tonelero,foi criado em 1971, baseado no Rio de Janeiro e tem a finalidade principal de, por meio da execução de operações especiais, contribuir para o preparo e a execução do poder naval, efetuando ações de reconhecimento e de comandos. Sob sua responsabilidade, está a função de ministrar cursos e estágios voltados ao seu efetivo. A unidade é estruturada em Companhia de Comando e Serviços, Companhia de Reconhecimento Terrestre, Companhia de Reconhecimento Anfíbio, duas Companhias de Ações de Comandos e o Grupo Especial de Retomada e Resgate (GERR, que tem como missão resgatar militares ou autoridades civis mantidos em confinamento ilegal, busca e resgate de pilotos abatidos em zona de combate, e retomada de instalações de interesse da Marinha, trabalhando em conjunto com os Mergulhadores de Combate (GRUMEC), que se encarregam das ações em ambiente aquático, enquanto o Tonelero atua predominantemente em ações terrestres. Especialização; O adestramento dos COMANF prevê anualmente, exercícios em várias regiões do Brasil, buscando o aperfeiçoamento de suas técnicas de combate e a capacitação para operar em diferentes ambientes e climas. No Exército Brasileiro realizam diversos cursos e estágios que complementam a formação como o Curso Básico de Paraquedista Militar, Curso de Precursor
  • Paraquedista, Curso de DOMPSA, Curso de Guerra na Selva, Estágio de Operações na Caatinga, Estágio de Operações no Pantanal, entre outros. Na própria unidade realizam o Curso Expedito de Salto Livre (CEXSAL) e o Curso Expedito de Mergulho Autônomo (C-EXP-MAUT). Alguns militares são designados para estagiarem no exterior, especializando-se em cursos como o "All Arms Commando Course"(Royal Marines), "Comando de Operaciones Especiales"(Marina/Espanha), "Rangers"(US Army) e "Anphibious Reconnaisance Course"(US Marine Corps). Comanfs em ação GRUMEC: FORÇAS ESPECIAIS DA MARINHA DO BRASIL LEMA: Fortuna audaces sequitur(a sorte acompanha os audazes) QUEM SÃO: O Grupamento de Mergulhadores de Combate (GRUMEC) é uma unidade de Forças Especiais da Marinha do Brasil. Com doutrina semelhante a do US Navy Seals e a do Special Boats Service britânico, a sua função é a de se infiltrar, sem ser percebida, em áreas litorâneas e ribeirinhas, e executar tarefas como reconhecimento, sabotagem e destruição de alvos de valor estratégico. Também são especialistas em guerra não convencional, o que caracteriza a sua doutrina de forças especiais. Foi criado em 1974 e é subordinado à Força de Submarinos, que lhe fornece o principal meio de transporte.
  • As equipes são transportadas até às proximidades do alvo por um submarino, a partir do qual saem nadando, em caiaques ou em barcos infláveis que podem ser lançados do submarino ainda sob a água. O GRUMEC também pode alcançar o alvo saltando de paraquedas ou desembarcando de helicópteros. O GERR - MEC , Grupo Especial de Retomada e Resgate - Mergulhadores de Combate, congrega o pessoal responsável pela retomada de navios, instalações navais, plataformas de petróleo, bem como o resgate de reféns que venham a ser tomados/dominados por terroristas ou outros criminosos. Utilizam a tática conhecida como VBSS (Vessel Boarding Search and Seizure) e treinam regularmente em conjunto com os Comandos Anfíbios. Para quem: Esse curso não é para militares dos fuzileiros navais. Fuzileiros devem seguir os COMANF. O curso de formação é prioritário para militares da Marinha do Brasil, do Corpo da Armada ou do Quadro Complementar da Armada, não podendo ser frequentado por Fuzileiros Navais, e objetiva habilitá-los a operar equipamentos de mergulho, armamento, explosivos, utilizar técnicas e táticas para guerra não-convencional e conflito de baixa intensidade, capacitando-os a executar, em suma, os diversos tipos de operações especiais. Além de ser o curso operacional mais longo das Forças Armadas Brasileiras, é conhecido por ser um dos mais rigorosos, de cada 30 inscritos, em média 4 conseguem concluí-lo, havendo edições em que nenhum candidato se formou. É divido em duas categorias, para Oficiais, existe o CAMECO - Curso de Aperfeiçoamento de Mergulhador de Combate para Oficiais, com duração de 41 semanas, divididas em quatro fases e uma fase 0, onde é dada ênfase especial ao planejamento de operações, com as disciplinas de treinamento físico militar, processo de planejamento militar e estudo de casos, gestão contemporânea e noções básicas de gestoria e liderança. Nas demais fases, as matérias abrangem: treinamento físico militar; defesa pessoal; higiene de campanha; primeiros socorros; equipamento autônomo de circuito aberto e fechado; técnicas de combate; operações ribeirinhas; demolições; armamento; comunicações; técnicas de reconhecimento de praia;
  • operações especiais submarinas; introdução ao microcomputador; sistema de comunicações da Marinha; e inteligência. Para Praças, existe o C-ESP-MEC - Curso Especial de Mergulhadores de Combate, com duração de 32 semanas, com as mesmas atividades instrucionais do CAMECO, exceto a fase 0. Depois de formado MeC, o militar é designado para servir no GRUMEC, onde participará de um completo programa complementar de adestramento e realizará cursos de extensão e estágios em diversas áreas, como Desativação de Artefatos Explosivos (DAE), Curso Básico de Paraquedista Militar, Mestre de Salto, Salto Livre, Mestre de Salto Livre, Precursor Paraquedista, Dobragem e Manutenção de Paraquedas e Suprimentos pelo ar (DOMPSA), Estágio Básico de Montanhismo, Curso de Operações na Selva, Estágio de Operações no Pantanal, Estágio de Caçador, dentre outros. HISTÓRIA: Os primeiros MECs (Mergulhadores de Combate) brasileiros foram dois Oficiais e dois Praças que concluíram em 1964, o curso da Underwater Demolition Team (Equipe de Demolição Submarina), antiga força de elite da Marinha dos Estados Unidos, precursora do US Navy Seals. Com base na experiência desses militares foi criada em 1970 a Divisão de Mergulhadores de Combate na Base Almirante Castro e Silva. No ano de 1971 mais dois Oficiais e três Praças foram qualificados pela Marinha Francesa como "nageurs de combat" e, em 1974, foi formada no Brasil, pelo atual Centro de Instrução e Adestramento Almirante Áttila Monteiro Aché (CIAMA), a primeira turma de Mergulhadores de Combate. Em 1983 a Divisão de Mergulhadores de Combate foi transformada no Grupamento de Mergulhadores de Combate, como parte integrante do Comando da Força de Submarinos. No dia 12 de dezembro de 1997, o Ministro da Marinha criou o Grupamento de Mergulhadores de Combate, sediado na cidade do Rio de Janeiro e diretamente subordinado ao Comando da Força de Submarinos. Foi ativado no dia 10 de março de 1998. Brasão do dos mergulhadores de combate.
  • DIFERENCIANDO AS FORÇAS ESPECIAIS: O QUE FAZEM E QUEM SÃO OS COMANDOS? DEFINIÇÃO: Comandos é a designação dada a uma unidade de elite pertencente à uma das forças armadas, que é altamente adestrada e qualificada a operar sob circunstâncias e ambientes impróprios ou contraindicados ao emprego de outros elementos das forças regulares, sendo apta a cumprir uma ampla variedade de missões e tarefas, táticas ou estratégicas. Dentre as missões executadas por uma tropa de comandos, estão as operações de contra-guerrilha, além das ações diretas que necessitem de alto poder de choque durante curto prazo(as forças especiais atuam durante longo prazo). Origem do nome: O termo nasceu a partir da designação de Kommando que os bôeres da África do Sul davam às suas tropas de operações especiais na guerra contra os britânicos, no princípio do século XX. A palavra Kommando por sua vez teria tido origem no termo português "Comando", utilizado na Índia no sentido de um grupo de tropas sob um comando autônomo que desempenhava missões especiais durante uma batalha ou cerco. Na África do Sul tropas similares atuavam em pequenos destacamentos, que se deslocavam normalmente a cavalo, e lançavam ataques rápidos contra as tropas britânicas. Durante a 2ª Guerra Mundial tanto os britânicos como os alemães decidiram reutilizar este termo para designar as novas tropas de operações especiais que tinham formado (as britânicas designadas Commandos e as alemãs Kommandos). Posteriormente o termo foi utilizado por outros países para designar algumas das suas forças de elite.
  • O QUE OS DIFERENCIA DAS FORÇAS ESPECIAIS? As ações de comandos são operações onde tropa habilitada, de valor e constituição variáveis, atua geralmente em menor número, atacando nas retaguardas profundas do inimigo por intermédio de uma infiltração terrestre, aquática ou aérea, contra alvos de valor estratégico, operacionais ou críticos sob o ponto de vista tático, localizados em áreas hostis ou sob controle do inimigo. Suas incursões são conhecidas pela agressividade, onde poucos homens causam tantos danos, que os inimigos acreditam ter sido em número muito maior que o real. As missões de Comandos e Forças Especiais diferem-se, ainda mais, no quesito duração. Comandos normalmente tem uma missão de assalto que deve ser cumprida o mais rápido possível, normalmente podem se manter operando durante SOMENTE algumas semanas sem apoio. Comandos do Brasil: O 1° Batalhão de Ações de Comandos (1° B A C) é uma unidade de elite do Exército Brasileiro. Comandos brasileiros no Haiti. Patrono: O batalhão tem como patrono o capitão Francisco Padilha, militar que lutou por meio de ações de guerrilha contra os invasores holandeses no início do século XVII. O coronel Johan van Dorth, nomeado governador da Bahia pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais (West Indische Compagnie/WIC) em 1624, foi morto nas proximidades de Salvador por Francisco Padilha a frente de uma das diversas companhias de emboscadas compostas em sua maioria de índios flecheiros.
  • Essas companhias também eram chamadas de Milícias dos Descalços e tinham como objetivo principal impedir a expansão inimiga pela colônia. SÍMBOLO COMANDOS DO EXÉRCITO BRASILEIRO: a faca encravada na caveira como escudo (O BOPE também usa um símbolo semelhante que se origina de instrutores do BOPE,que eram comandos do Exército Brasileiro. Lembramos ainda que o BOPE é uma unidade policial enquanto os Comandos fazem parte de um grupo militar. Tradições: O 1º Batalhão de Ações de Comandos, mantem vivas algumas tradições desde 1968, ano em que foi criado o seu embrião, o Destacamento de Ações de Comandos, primeira unidade com doutrina comandos do Brasil. Tradições que se perpetuaram e foram difundidas entre outras unidades comandos brasileiras criadas posteriormente, como o uso do fardamento em cor preta, do gorro comandos, a faca encravada na caveira como escudo, e a tradição de obrigar os alunos desistentes do curso de ações de comandos, a enterrar os seus gorros e colocar uma cruz em cima. QUAL É A MELHOR UNIDADE MILITAR ESPECIAL: COMANDOS OU FORÇAS ESPECIAIS? Isso não somente no Brasil, mas em boa parte do planeta tal rivalidade existe. Isso na verdade não é correto pois cada unidade militar de qualquer parte das forças armadas de qualquer lugar possui fins específicos para o qual foi treinada o que a torna mais apta ou não para uma missão. Não existe a melhor, existe a mais adequada. COMO SER UM SOLDADO DAS FORÇAS ESPECIAIS BRASILEIRAS? O aluno deve ser militar profissional. No Brasil isso ainda é obtido através de concursos .
  • Os oficiais (via Academia Militar das Agulhas Negras), subtenentes e sargentos (Escola de Sargentos das Armas) de carreira que integram as frações da unidade possuem o Curso de Forças Especiais. Como pré-requisitos desse curso, o aluno deve possuir o curso de Comandos e o curso básico de paraquedismo militar. Com 25 semanas de duração, é ministrado apenas à oficiais, subtenentes e sargentos de carreira do Exército Brasileiro, concludentes do Curso de Comandos (COSAC), Guerra na Selva (CIGS) e do Curso Paraquedista. O curso habilita os militares a integrarem um Destacamento Operacional de Forças Especiais, fração de emprego do 1º Batalhão de Forças Especiais e consequentemente a realizarem operações de reconhecimento especial, contraterrorismo, resgates, subversão, evasão, sabotagens, contraguerrilha e de guerrilha contra forças regulares.
  • DAS OPERAÇÕES ESPECIAIS DA POLICIA MILITAR DO PARANA
  • BATALHÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS (BOPE) é uma Organização Policial Militar (OPM) subordinada diretamente ao Comando Geral da Polícia Militar do Paraná (PMPR). A corporação é especializada em operações especiais18 e está capacitada a operar em todo o Estado do Paraná e em apoio as Instituições irmãs quando por elas solicitadas. 18 São denominadas Forças de Operações Especiais, as unidades militares que têm treinamento diferenciado das tropas regulares. Tende a se nomear soldados formados em cursos de forças especiais como operante ou operador, tendo em vista que estão capacitados a realizar operações especiais, também se chamam operativo, porém este último se tem como equivocado, já que este nome está ligado a operações de órgãos de inteligência. OPERAÇÕES ESPECIAIS As Forças de Operações Especiais são preparadas para participar nas chamadas Operações Especiais: aquelas que se dão em um ambiente e circunstâncias não comuns e pouco corriqueiras, que requerem resposta especial por parte das forças de segurança (locais estaduais ou mesmo nacionais). Estas situações incluem a guerra não-convencional, contraterrorismo, reconhecimento militar e ação direta. As Operações Especiais têm sua definição ligada à proximidade com o gerenciamento de crises, como o resgate de reféns com ou sem explosivos, com a incursão em território inimigo, uso de armamento de ponta e táticas especiais para cada caso. As demandas específicas de uma operação especial definem o tipo de adestramento, armamento e equipamento a ser conduzido. Não raro, as operações especiais exigem uma combinação de capacitações específicas, armamentos e equipamentos especializados pouco comuns às forças convencionais. As FOpEsp (forças de operações especiais) usam designações diferentes para as suas formações e unidades para se diferenciarem das tropas convencionais. Termos como esquadrão, tropas e equipe/patrulhas são usados no lugar de Companhia, pelotão e grupo de combate. O tamanho também varia bastante sendo que as unidades costumam ser menores que as equivalentes convencionais. No Exército Brasileiro o termo usado para o pelotão é destacamento. As FE usam o Destacamento Operacional de Forças Especiais (DOFEsp) enquanto os Comandos usam o Destacamento Ações de Comandos (DAC). As duas forças atuam geralmente junto na forma de Destacamentos de Ação Imediata (DAI).
  • INTEGRANTES E PRINCÍPIOS As Forças de Operações Especiais tipicamente são unidades pequenas altamente treinadas, com equipamento diferenciado, que operam nos princípios da Autossuficiência, Furtividade, Velocidade e Equipe. Os militares integrantes destas unidades são, geralmente, voluntários selecionados rigorosamente e que possuem características físicas e intelectuais acima da média dos soldados normais. Ademais, elas possuem como fundamento o nivelamento, ou seja, treinamento contínuo com simulações de situações de risco, ações táticas em geral, busca resgate e salvamento, onde predominantemente se encontra a hierarquia militar como catalisador de obediência a comando. DIFERENÇAS ENTRE FORÇAS ESPECIAIS E COMANDOS[ Os Forças Especiais normalmente são militares que já detém treinamento de Comandos. As Forças Especiais realizam missões contra forças irregulares, também atuando como guerrilha contra forças regulares, operações de reconhecimento especial, contraterrorismo, sabotagem, subversão, auxílio à fuga e evasão, operações em que se exige uma ação mais cirúrgica e uma autonomia maior. Já as ações de comandos são operações onde tropa habilitada, de valor e constituição variáveis, mas geralmente em menor número, ataca nas retaguardas profundas do inimigo por intermédio de uma infiltração terrestre, aquática ou aérea, contra alvos de valor estratégico, operacionais ou críticos sob o ponto de vista tático, localizado em áreas hostis ou sob controle do inimigo. Suas incursões são conhecidas pela extrema agressividade, onde poucos homens causam tantos danos, que os inimigos acreditam ter sido em número muito maior que o real. As missões de Comandos e FE's diferem-se, ainda mais, no quesito duração.
  • A HISTÓRIA Comandos normalmente tem uma missão de assalto que deve ser cumprida o mais rápido possível, normalmente podem se manter operando durante algumas semanas sem apoio. FE's podem passar meses no campo de batalha, para cumprir indeterminado número de objetivos e variadas missões sem esperar apoio de outras unidades, recebendo mantimentos pelo céu. Uma Operação Especial, começa com um reconhecimento profundo, onde um DOFEsp (Destacamento Operacional de Forças Especiais) se infiltra, por um dos diversos meios empregados e passa um período em território hostil. Durante esse período, levantam diversos tipos de informações que auxiliaram uma outra equipe em planejamento para o cumprimento da missão. Além de informações, os homens das Forças Especiais prepararam também, rotas de infiltração e exfiltração, área de suprimento e de homizio. Todo esse trabalho para que a ação final, seja realizada por um DAC (Destacamento de Ação de Comandos) que realiza a ação de choque, caracterizada pela extrema violência e pelo grande volume de fogo, empregando o menor efetivo possível. O DAC é extremamente letal, particularmente contra alvos de valor significativo, preferencialmente estratégicos, em conformidade com o Plano de Interdição do Teatro de Operações. Caracterizadas pela surpresa e agressividade com que são desenvolvidas em áreas hostis e normalmente sob o controle do inimigo, e exigem precisão em seu planejamento e execução, pois os comandos se tornam grandemente vulneráveis após denunciada sua presença. EXEMPLOS As principais unidades de forças especiais são: SAS, SEALS, Delta Force, Special forces, Sayeret Matkal, SASR, Spetsnaz, GIGN, KSK, 1º Batalhão de Forças Especiais, Grupamento de Mergulhadores de Combate e PARA-SAR e Destacamento de Ações Especiais Algumas das principais unidades de Comandos são: Rangers, Royal Marines Commandos, 1º Batalhão de Ações de Comandos, unidade da Brigada de Operações Especiais, Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais (COMANFS),Comandos do Exército Português. Algumas das unidades policiais militares também tem doutrinas semelhantes as das forças de operações especiais, ex: COE (PMPR), BOPE, GATE, COE (PMBA),Comandos e Operações Especiais, GSG 9, SWAT,GIT (Grupamento de Intervenção Tática), além de outras. NO BRASIL Nas Forças Armadas Brasileiras, nós temos: Exército: 1º Batalhão de Forças Especiais e 1º Batalhão de Ações de Comandos, ambos subordinados a Brigada de Operações Especiais e instruídos peloCentro de Instrução de Operações Especiais, e CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva). Marinha: Grupamento de Mergulhadores de Combate e Batalhão de Operações Especiais de Fuzileiros Navais ou "Batalhão Tonelero" Força Aérea: Esquadrão Aeroterrestre de Salvamento (PARA-COMANDOS).
  • Na década de 195019 o Paraná era o que se denomina hoje como fronteira agrícola20, terra de acolhimento de todo tipo de "aventureiro21", exposta a 19 . A década de 1950, ou simplesmente década de 50 ou ainda anos 50 foi o período de tempo considerada uma época de transição entre o período de guerras da primeira metade do século XX e o período das revoluções comportamentais e tecnológicas da segunda metade. Nesta época teve início a chegada da televisão em Portugal e no Brasil. Esta época também foi considerada a "idade de ouro" do cinema e também foi a época de importantes descobertas científicas como o ADN (Ácido Desoxirribonucleico, ou DNA). Os anos 50 são considerados como a Era de Ouro da Televisão por algumas pessoas. As vendas de televisores aumentaram enormemente e em 1950 4,4 milhões de famílias americanas tinham um aparelho televisor. Os americanos devotavam a maior parte do seu tempo livre para ver canais de televisão. Ciência Bruce C. Heezen e Marie Tharp descobriram a Dorsal meso-atlântica. A primeira vacina de poliomielite, desenvolvida por Jonas Salk, foi introduzida para o público em 1955. O primeiro transplante de órgão foi feito em Boston e Paris em 1954. Tecnologia Sputnik 1 foi lançado em 1957.. 20 FRONTEIRA AGRÍCOLA É o avanço da unidade de produção capitalista sobre o meio ambiente, terras cultiváveis e terras de agricultura familiar. A fronteira agrícola está ligada com a necessidade de maior produção de alimentos, criação de animais sob a demanda internacional de importação destes produtos. Além disso seu crescimento acelerado também está ligado pela ausência de políticas públicas eficazes onde a terra acaba sendo comprada barata e o controle fiscal inoperante. O Brasil possui 850 milhões de hectares em seu território. Estima-se que 350 milhões são agricultáveis. Cana-de-açúcar, e Soja ocupam em torno de 9 milhões e 24 milhões de hectares respectivamente 1 . Já para a criação de gado, no território brasileiro cerca de 211 milhões de hectares são utilizados para a pastagem extensiva. Apesar do grande espaço utilizado para a criação de animais, a produtividade para cabeças de boi é considerada baixa, uma vez que temos poucas cabeças de boi por hectare. Para aumentar a produção de cereais e carne, agricultores e pecuaristas estendem a fronteira de suas fazendas adquirindo mais terras, a chamada fronteira agrícola.
  • inevitáveis conflitos22. Na Revolta de Porecatu23 em 1950, o Partido Comunista colocou em teste suas teorias de guerrilha rural, através das chamadas ligas camponesas. 1 O sensoriamento remoto no estudo do desmatamento da floresta amazônica por instituições americanas comoEnvironmental Research Letters mostra que a soja é vetor que contribui para este aumento do espaço ocupado a sua produção. PROBLEMAS CAUSADOS PELO AVANÇO DA FRONTEIRA AGRÍCOLA] Conforme o avanço da fronteira e a derrubada de florestas, de áreas de meio ambiente e áreas antes ocupadas por agricultura familiar ocorrer, problemas começam a emergir como conflitos ambientais. O avanço do desmatamento na Floresta Amazônica por exemplo, reduz o espaço antes utilizado por comunidades indígenas, também aumenta a pressão no governo com o impulso de movimentos sociais que lutam pela divisão de terras, e um melhor aproveitamento de terras já ocupadas na sua produção. Cabe a Justiça Ambiental mediar todos valores econômicos, sociais, culturais do uso da terra por diferentes pessoas e seus pontos de vista, para que estes conflitos sejam amenizados. AUMENTO DA FRONTEIRA AGRÍCOLA E SUA NECESSIDADE] Para um melhor uso do espaço ocupado em novas terras da Amazônia foi criado um projeto chamado Amazônia Legal que visa não só melhorar o nível produtivo na área ocupada, como reduzir o desmatamento a zero. Permite o estudo e o emprego de tecnologia na biodiversidade local, permite eco-turismo, em geral é uma forma de absorver todos os recursos naturais e culturais conservando o meio ambiente necessário ao nosso planeta. Conforme a população mundial continuar crescendo, a necessidade de se aumentar a produção de alimentos e o avanço em terras continuará existindo, até que a população se estabilize ou o nível de produção fique bastante elevado já nos hectares utilizados, pois a demanda por alimento é maior que a produção mundial. Cientistas e técnicos defendem que o espaço no território ocupado pela pastagem precisa ser melhor aproveitado para que o destamento realizado a fim de novas pastagens seja feito somente quando saturar o uso do terreno já aproveitado. 21 Aventura, do latim "ad venture", significa literalmente o que vem pela frente. Participar de uma atividade de aventura significa estar preparado para o que vier 22 O conflito surge quando há a necessidade de escolha entre situações que podem ser consideradas incompatíveis. Todas as situações de conflito são antagônicas e perturbam a ação ou a tomada de decisão por parte da pessoa ou de grupos. Kurt Lewin define o conflito no indivíduo como "a convergência de forças de sentidos opostos e igual intensidade, que surge quando existe atração por duas valências positivas, mas opostas; ou duas valências negativas ; ou uma positiva e outra negativa, ambas na mesma direção.
  • Salvatore Maddi classifica as teorias da personalidade segundo três modelos, um dos quais o de conflito. Esse modelo supõe que a pessoa esteja permanentemente envolvida pelo choque de duas grandes forças antagônicas, "que podem ser exteriores ao indivíduo (conflito entre indivíduo e sociedade) ou intrapsíquicas (forças conflitantes do interior do indivíduo que se dão, por exemplo, entre os impulsos de separação, individuação e autonomia e os impulsos de integração, comunhão e submissão)". O conflito, no entanto, pode ter efeitos negativos como positivos, mas em certos casos e circunstâncias, como fator motivacional da atividade criadora. O conflito em algumas escolas da sociologia é enxergado como o desequilíbrio de forças do sistema social que deveria estar em repouso, isto é, equilibrado, quanto à forças que o compõe. Segundo esta teoria, não se enxerga mais o grupo como uma relação harmônica entre órgãos, não suscetível de interferência externa. Os conflitos, para ter uma solução pacífica, devem ter todos os meios possíveis de negociação de controvérsias, estas, precisam ser executadas com diplomacia, bons ofícios, arbitragem e conciliação. 23 A Revolta do Quebra Milho ou Guerra de Porecatu ocorreu no vale do rio Paranapanema, mais especificamente na Vila Progresso no então município de Porecatu em fins da década de 1940 e início da seguinte. A história começa com uma política estadual de ocupação territorial do Oeste do Paraná, região formada, então, essencialmente por florestas. O interventor Manoel Ribas se inspirou numa política norte-americana do ex-presidente Abraham Lincoln, o Homestead Act, que incentivava a ocupação territorial norte-americana. A regra era que as famílias que cumprissem com o trato de desenvolver o oeste americano, receberiam, após seis anos, o título de propriedade de terra. Ribas aplicou as mesmas regras ao povo do Paraná, já que as terras a Oeste pertenciam ao estado e estavam improdutivas. Sabendo da notícia, diversas famílias paranaenses e outras de São Paulo e Minas Gerais marcharam para o Oeste rumo a uma nova vida. O problema é que Ribas saiu do poder, e no lugar dele entrou Moisés Lupion, que decidiu não dar continuidade à política. As famílias que acreditaram em Ribas, haviam derrubado floresta, construído chiqueiros, feito plantações, mas nunca viram o prometido título da propriedade. No início eram cerca de 300 pessoas, mas por volta de 1950 já chegavam a 3 mil. Para complicar ainda mais, o novo governador Lupion decidiu doar e vender as terras para conhecidos fazendeiros de São Paulo. ―Os posseiros entraram com diversos pedidos de posse de terra e nunca receberam uma resposta do governo‖, explica o jornalista Marcelo Oikawa, que acaba de lançar o livro Porecatu: a guerrilha que os comunistas esqueceram. A política de Ribas morreu e os ânimos se acirraram. Um dos primeiros cafeicultores a comprar terras onde estavam os posseiros foi Ricardo Lunardelli.
  • Ele adquiriu uma grande gleba, fez o loteamento e vendeu a terceiros com um contrato em que constava a entrega das terras ―livre de intrusos.‖ ―O problema é que estes proprietários descobriram que os lotes estavam ocupados e começaram a perseguir esta gente, usando até a polícia‖, explica Oikawa. A situação fica tão grave que, em 1944, as famílias fundam as primeiras duas associações de lavradores do Brasil. Os posseiros se armam e a guerrilha de Porecatu começa, durando cerca de sete anos. Quando o governador Moisés Lupion saiu do poder e no lugar dele entrou Bento Munhoz, em 1951, Porecatu estava no auge do conflito. Munhoz tentou uma negociação pacífica com os posseiros. Uma das alternativas propostas era o reassentamento. ―Os posseiros estavam cansados e querendo ir embora, por isso muitos tenderam a aceitar a negociação‖. ―O problema é que o PCB, naquela altura, não queria acordo e proibiu as famílias de concordar‖, explica Oikawa Diante do impasse, o governo decidiu organizar o Cerco de Porecatu, mobilizando a polícia do Paraná, de São Paulo e até a força aérea e o batalhão de fronteira de Foz do Iguaçu. Na madrugada do dia 17 de julho de 1951, os policiais invadiram a região controlada pelos resistentes e também a casa de alguns dirigentes do PCB em Londrina. As fronteiras de Porecatu foram cercadas. A Guerra de Porecatu foi um conflito entre posseiros e grandes proprietários de terras, que tinham do seu lado o Estado; apesar de não ter sido efetivamente uma guerra, segundo convenções internacionais, este conflito foi difundido na mídia com a alcunha de guerra devido a intensidade do confronto. Na época os denominados posseiros já ocupavam a região do município, quando então o governo resolveu distribuir documentos a grandes fazendeiros, se utilizando de meios lícitos e ilícitos. Os posseiros não aceitaram perder as terras ocupadas e resistiram aos mandatos de reintegração de posse. Jagunços, a mando dos fazendeiros, foram contratados para expulsar os invasores que resistiram, e o Partido Comunista foi contatado pelos posseiros, passou a apoiar a revolta; agravando-se a situação ainda mais e ocasionando um grande número de mortos. O PCB, recém jogado à clandestinidade, teve participação nesta revolta, com a presença de João Saldanha, Pedro Pomar e Celso Cabral de Mello, saindo de cena em setembro de 1951. O conflito só se encerrou em 1951, com a intervenção policial do Estado, que defendia a posse dos fazendeiros para seu projeto de industrialização do campo A partir de 1942, Manuel Ribas, exercendo o papel de interventor do estado do Paraná, iniciou uma política de incentivo a migração de paulistas e nordestinos para ocupação da região norte do Estado. Porém, o interventor não regularizou as terras ocupadas pelos migrantes.
  • Em 1957 houve uma nova rebelião no sudoeste do Estado (Revolta dos Posseiros)24, confirmando-se que as condições eram propícias ao surgimento Em 1947, após o fim do Estado Novo, assume o governo Moysés Lupion, do PSD, que passa a entregar as terras sem títulos para fazendeiros com quem mantinha relações. Os irmãos Ricardo, Urbano e Geremi Lunardelli estavam na lista de beneficiados pelo governador. Chegando à região para tomar posse de 17 mil alqueires repassados pelo governo estadual, os Lunardelli contrataram o pistoleiro José Celestino para comandar sua milícia. O governo do Estado fez vistas grossas para a formação de tropas irregulares e orientou a PM a participar dos esforços para retirar, à força, famílias de posseiros. Houve resistência entre os migrantes, que foram à luta. Fizeram fustigamentos, difundiram versões insuflando o poder de fogo, organizaram emboscadas e causaram a morte de dez homens ligados à repressão. Viviam na região de conflito cerca de 1.500 famílias de "posseantes". A relação completa dessas famílias, feita pelo DOPS-PR, se encontra no Arquivo Público do Paraná. O foco da revolta era a Vila Progresso, então município de Porecatu, que hoje é um povoado quase abandonado de Centenário do Sul. O primeiro embate com jagunços e policiais ocorreu na fazenda Guaracy, a 28 de agosto de 1947. Um grupo de 12 homens armados, liderado pelo tenente João Paredes, tentou expulsar os posseiros das terras, às margens do Paranapanema. Do lado dos rebeldes, morreram João Japão, Cassiano Coelho, Benedito Barbudo e Pedro Vieira de Moraes (com 14 anos na época). 24 A REVOLTA DOS COLONOS OU REVOLTA DOS POSSEIROS foi um levante realizado por colonos e posseiros armados iniciado em 10 de outubro de 1957 1 como forma de repúdio aos sérios problemas de colonização da região que se estabeleceu entre posseiros, colonos, companhias de terras grileiras, e os governos federal e estadual. Os problemas surgiram nas glebas Missões e Chopim, situadas no sudoeste do Paraná, na fronteira com a Argentina e sua origens mais distantes remontam à Guerra do Contestado. Desde de dezembro de 1950, quando a companhia de colonização Clevelândia Industrial e Territorial Ltda - CITLA obteve, ilegalmente, um título de domínio de terras que já eram ocupadas por colonos , até a revolta de 1957 a região foi palco atos de violência repugnante: "As ações dos jagunços eram violentas e resultavamem estupros, espancamentos, incêndios, depredações e até mesmo mortes". Em outubro de 1957, colonos e posseiros tomaram suas cidades e expulsaram as companhias grileiras e os jagunços por estas contratados em outros estados , exigindo que novas autoridades assumissem. A literatura sobe o tema é controvertida
  • Em 2009 foi feito um documentário A Revolta, com dezenas de depoimentos pessoais dos que viveram pessoalmente essa tragédia . Várias cidades do sudoeste paranaense foram tomadas, culminando com a tomada da cidade de Francisco Beltrão por cerca de 6 mil posseiros. As emissoras de rádio Colméia de Pato Branco e Francisco Beltrão tiveram grande importância durante o conflito . Entre os municipios tomados pelos posseiros pode-se citar Francisco Beltrão, Capanema, Pranchita, Renascença, Marmeleiro, Pato Banco, Santo Antonio do Sudoeste, Vere e Dois Vizinhos. No dia 10 de outubro de 1957, cerca de 6.000 colonos tomaram a sede do município de Francisco Beltrão, no sudoeste do Paraná. Vinham em caminhões, carroças, a cavalo ou a pé. Normalmente trabalhadores pacíficios, revoltados com a sua situação, foram à luta, todos armados. Com foices, velhos revólveres, espingardas de caça, enxadas e pedaços de pau. Concentraram-se na Praça da Matriz, onde numa casa de esquina ficava a estação de rádio local, transformada em centro de operações. A delegacia e a prefeitura foram tomadas, o prefeito e o delegado fugiram. O Juiz de Direito foi colocado em prisão domiciliar e o Promotor Público ficou sob a custódia do Exército até receber autorização para sair da cidade. Numa reação em cadeia, outros municípios foram tomados. Em Pato Branco, já no dia 9 de outubro, foi constituída uma comissão de representantes de todas as facções política denominada Junta Governativa, pela imprensa. Os colonos foram chamados para a cidade, cujos pontos estratégicos foram guarnecidos: as principais vias de acesso, pontes, instituições públicas, estação de rádio, etc. Este o início da introdução do livro da professora Iria Zanoni Gomes 1957. A Revolta dos Posseiros, originalmente apresentado como dissertação de mestrado na Universidade de São Paulo. Estudo magnífico sobre a ocupação daquela região, a questão legal da terra, histórico da disputa pelas terras, a intensificação do processo de violência das companhias de terra, jagunços e polícias civil/militar contra os colonos, a resistência e a luta dos trabalhadores. Não se trata de apenas uma excelente obra acadêmica, mas de um relato testemunhal e documental de grande valia. Sustentado por extensa bibliografia, é obra fundamental no conhecimento da história da luta dos trabalhadores em nossa terra. Em 1961, Jânio Quadros desapropriou as terras em litígio, declarando de utilidade pública as glebas Missões e Chopim e determinando regime de urgência para sua desapropriação. Em 1962 que o Grupo Executivo para as Terras do Sudoeste (Getsop) foi criado, pelo decreto nº 51.431 de 19 de março, para solucionar a questão de terras no sudoeste paranaense . O início da colonização da região sudoeste do Paraná, divisa com a Argentina tem seu marco inicial na criação do Território Federal do Iguaçu, criado por decreto de 13 de setembro de
  • 1943, e na instalação da Colônia Agrícola General Osório (CANGO), criada pelo Decreto-Lei 12.417/43 . A CANGO facilitou a vinda de migrantes dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que acorreram à nova região em quantidade muito maior que a capacidade de atendimento da colonizadora. Segundo WACHOVICZ: "Quem vinha para a CANGO recebia de graça, terra, madeira, ferramentas e assistência. Porém, tudo era ilegal, uma vez que essa terra (Gleba Missões) estava sub judice numa disputa entre o Estado do Paraná e a União Federal". Por causa desta uma pendência jurídica, entre a União Federal e o Estado do Paraná o governo federal não tinha meios de outorgar escritura definitiva aos colonos, e assim dava a eles apenas um título provisório. Mais tarde, a CANGO parou de dar qualquer título, pois não tinham validade jurídica alguma. A disputa pelas terras do sudoeste paranaense agravou-se devido à uma vitória jurídica obtida por José Rupp, em 1945, numa ação iniciada em 1927, contra a empresa Brazil Railway Company, do grupo Percival Farquhar, que não lhe pagara os dormentes fornecidos. Como a Brazil Railway Co. havia sido encampada pelo governo Federal em 1940, o crédito de Rupp passou a ser contra a União Federal. Após inúmeras tentativas de acordo, Rupp aliou-se a Mário Fontana, amigo do Governador Moisés Lupion, e juntos fundaram a Clevelândia Industrial e Territorial Ltda. - CITLA para colonizar o sudoeste do Paraná. Fontana adquiriu todos os direitos de Rupp e, numa operação ilegal, em 1950, a CITLA adquiriu as Glebas Missões e Chopim do Governo Federal, através da Superintendência das Empresas Incorporadas ao Patrimônio da União (SEIPU), por importância considerada ínfima (WACHOVICZ, 1987, p. 151). A escritura outorgada à CITLA correspondia a 475.200 ha. de terras, que incluíam todo o território da CANGO, com mais de 3 mil colonos já assentados, além de todas as zonas urbanas dos distritos de Francisco Beltrão, Santo Antônio e Capanema. Ver: (WACHOVICZ, 1987 Políticos da oposição denunciaram a negociata, o que repercutiu na imprensa nacional. O Tribunal de Contas da União impugnou o registro da escritura outorgada pela União Federal à CITLA, alegando várias inconstitucionalidades. O Conselho de Segurança Nacional, então, enviou um ofício a todos os Cartórios de Registro de Imóveis da região proibindo o registro da escritura da CITLA. Porém o governo estadual criou um novo Cartório de Registro de Títulos e Documentos, em Santo Antônio do Sudoeste, no qual a escritura pôde ser devidamente registrada, antes que o ofício lá chegasse. Ficou definitivamente decidido que os tititulos falsos da Clevelândia Industrial e Territorial Ltda - CITLA foram cancelados, em agosto de 1953, "por carta precatória expedida pelo Juízo de Direito da Segunda Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal, a requerimento da União Federal, em 04 de agosto de 1953, foi cancelado "o registro e transcrição dos imóveis MISSÕES e CHOPIN, efetuados em nome de Clevelândia Industrial e Territorial Ltda - CITLA". Superior Tribunal de Justiça, Acórdão, REsp 298368 (2000/0145757-8 - 04/12/2009)
  • de um movimento de insurreição armada. Isso despertou na PMPR25 a necessidade em dispor de uma tropa para esse tipo de confronto; e ao ser criado o Batalhão de Guardas, atual12º Batalhão de Polícia Militar, três de suas companhias foram classificadas como polícia de choque26. 25 A Polícia Militar do Paraná (PMPR) integra o sistema de segurança pública e defesa social do Brasil, e tem por missão a preservação da ordem pública, o policiamento ostensivo e a execução de atividades de defesa civil no Estado do Paraná, além de outras atribuições previstas na legislação federal e estadual. Seus integrantes, incluindo-se os membros do Corpo de Bombeiros do Paraná, são denominados militares dos Estados, e a corporação é força auxiliar e reserva militar do Exército Brasileiro. 26 A polícia de choque é uma unidade ou corpo policial especializado em controlar e dispersar multidões em manifestações constitucionais. Outra função da tropa de choque é fazer cumprir mandados de reintegração de posse de imóveis ocupados.
  • A polícia de choque é também conhecida por termos como "tropa de choque", "polícia de intervenção" ou "polícia antimotim". EQUIPAMENTOS O equipamento usado no controle de manifestações na maioria das vezes inclui capacetes e escudos.
  • Ambos são projetados para oferecer vantagem no combate corpo a corpo e proteger o agente de objetos, como garrafas e tijolos, que possam vir a ser arremessados. Para oferecer ainda mais proteção, o equipamento costuma possuir também proteção balística. Algumas polícias de choque ao redor do mundo também costumam ter máscaras de gás entre os equipamentos, a fim de minimizar o efeito do gás lacrimogêneo no policial. Em grandes distúrbios, uma das maiores preocupações é evitar que alguém da multidão roube a arma do coldre do policial durante o confronto. Em situações em que a multidão é muito grande e agressiva, o policial pode não conseguir ver o responsável pelo roubo ou simplesmente não perceber que teve seu armamento subtraído. Por esse motivo, algumas divisões de choque ao redor do mundo possuem coldres especiais com dispositivos de travamento. No entanto, um dispositivo como esse pode retardar a ação do policial durante uma eventual situação de emergência. Uma alternativa mais barata e utilizada é o policial da linha de frente simplesmente não transportar armas letais, deixando que as eventuais emergências sejam contidas pela retaguarda. A tática escolhida determina o tipo de equipamento ofensivo a ser utilizado. O armamento pode variar entre armas letais e não-letais. A decisão baseia-se no nível de percepção da ameaça existente e nas leis vigentes. Em muito países, o uso de armamento letal para controlar motins é ilegal, sendo permitido apenas em circunstâncias extremas. O armamento normalmente utilizado é o gás lacrimogêneo, balas de borracha, gás pimenta, bombas de efeito moral, tasers e porretes (de borracha ou metal).
  • A função dessas armas é causar pequenos ferimentos ou simplesmente efeitos psicológicos nos manifestantes, facilitando a dispersão. Para apoiar a tropa, também pode-se utilizar veículos blindados dotados de canhões para arremessar jatos de tinta, água e gás lacrimogêneo. A ajuda adicional também pode vir de cães, polícia montada e motocicletas. FORMAÇÃO DEFENSIVA DE CONTROLE DE DISTÚRBIOS. TÁTICAS Os policiais na linha de frente normalmente usam vestimentas reforçadas e carregam armas de mão projetadas para entrar em confronto direto com a multidão. Esses agentes abrem caminho para viaturas e policiais com equipamentos menos pesados que por sua vez detêm melhor mobilidade para efetuar prisões caso necessário. Em face a uma ameaça maior, a polícia de choque deve ser acompanhada por oficiais munidos de armamento não-letal para disparar gás lacrimogêneo e balas de borracha para ajudar a dispersar a multidão enquanto a tropa avança. A bomba de efeito de moral é usada em casos de pouca e grande gravidade, já que ela nada mais é do que uma espécie de granada que não estilhaça, mantendo apenas o incomodo barulho da explosão. 1 A polícia montada também costuma ser utilizada em situações mais controladas e como medida menos agressiva. A força e a altura do cavalo combinadas com o seu treinamento permite que um policial se infiltre com segurança no meio da multidão. Quando estão se dirigindo ao motim, os agentes caminham lentamente e alinhados paralelamente à frente da multidão, estendendo-se entre as duas extremidades da rua, formando uma "parede".
  • Durante a aproximação, os agentes costumam simultaneamente bater com seus porretes no escudo que seguram, causando um grande ruído que acompanha a marcha. Essa tática é utilizada para causar efeitos psicológicos e medo na multidão, ajudando no trabalho de dispersão.
  • COMPANHIA DE OPERAÇÕES ESPECIAIS
  • COMPANHIA DE OPERAÇÕES ESPECIAIS No início da década de 196027 foi estabelecido entre os governos do Brasil e dos EUA, o Programa de Cooperação denominado Aliança para o Progresso28. 27 Seguindo os pensamentos desta década e com as noticias sendo transmitidas muito mais rápidas pelo planeta as unidades das Forças Públicas e Policias Militares passaram a entender o comportamento além fronteiras, pois com a guerra fria em andamento, as crises institucionais entre EEUU e URRS e as condições de subversão batendo em nossas portas, deu-se inicio a treinamentos e montagem de tropas especializadas nas fronteiras brasileiras e consequentemente as fronteiras do lado de lá também se preparam para a defesa de seus territórios ricos em recursos naturais. A década de 1960, ou simplesmente década de 60 ou ainda anos 60 foi o período de tempo entre 1° de janeiro de 1960 e 31 de dezembro de 1969. Vários países ocidentais deram uma guinada à esquerda no início da década, com a vitória de John F. Kennedy nas eleições de 1960 nos Estados Unidos, da coalizão de centro- esquerda na Itália em 1963 e dos trabalhistas no Reino Unido em 1964. No Brasil, João Goulart virou o primeiro presidente trabalhista com a renúncia de Jânio Quadros. VISÃO GERAL A década de 60 representou, no início, a realização de projetos culturais e ideológicos alternativos lançados na década de 50. Os anos 50 foram marcados por uma crise no moralismo rígido da sociedade, expressão remanescente do Sonho Americano que não conseguia mais empolgar a juventude Americana. A segunda metade dos anos 50 já prenunciava os anos 60: a literatura beat de Jack Kerouac, o rock de garagem à margem dos grandes astros do rock (e que resultaria nasurf music) e os movimentos de cinema e de teatro de vanguarda, inclusive no Brasil. A década de 1960 pode ser dividida em duas etapas. A primeira, de 1960 a 1965, marcada por um sabor de inocência e até de lirismo nas manifestações sócio-culturais, e no âmbito da política é evidente o idealismo e o entusiasmo no espírito de luta do povo. A segunda, de 1966 a 1968 (porque 1969 já apresenta o estado de espírito que definiria os anos 70), em um tom mais ácido, revela as experiências com drogas, a perda da inocência, a revolução sexual e os protestos juvenis contra a ameaça de endurecimento dos governos.
  • É ilustrativo que os Beatles, banda que existiu durante toda a década de 60, tenha trocado as doces melodias de seus primeiros discos pela excentricidade psicodélica, incluindo orquestras, letras surreais e guitarras distorcidas. "I want to hold your hand" é o espírito da primeira metade dos anos 60. "A day in the life", o espírito da segunda metade. Nesta época teve início uma grande revolução comportamental como o surgimento do feminismo e os movimentos civis em favor dos negros e homossexuais. O Papa João XXIII abre o Concílio Vaticano II e revoluciona a Igreja Católica. Surgem movimentos de comportamento como os hippies, com seus protestos contrários àGuerra Fria e à Guerra do Vietnã e o racionalismo. Esse movimento foi também a chamado de contracultura. Ocorre também a Revolução Cubana na América Latina, levando Fidel Castro ao poder. Tem início também a descolonização da África e do Caribe, com a gradual independência das antigas colônias. No entanto esta década começou já com uma grande prosperidade dos países ricos. Por exemplo com a explosão do consumo, 90% dos americano tinha televisão em 1960 e uma em cada 3 famílias inglesas tinha automóvel em 1959. 1 CIÊNCIA E TECNOLOGIA O astronauta Buzz Aldrin caminha na Lua, 20 de julho de 1969. Tem início o uso da informática para fins comerciais, embora ainda não de forma massificada Em 1964 a IBM lança o circuito integrado, ou chip Surge a Arpanet, que se tornaria o embrião da Internet Os soviéticos enviam o primeiro homem ao espaço (Iuri Gagárin) em 1961. Neil Armstrong é o primeiro homem a pisar na Lua, em 1969. Os soviéticos enviam um robô para a Lua (1966). Também em 1969, uma sonda dos Estados Unidos alcançou Marte e, meses depois, a URSS descia um robô em Vênus. 28 Aliança para o Progresso (em inglês: Alliance for Progress; em espanhol: Alianza para el Progreso) foi um amplo programa cooperativo destinado a acelerar o desenvolvimento econômico e social da América Latina, ao mesmo tempo que visava frear o avanço do socialismo nesse continente. A sua origem remonta a uma proposta oficial do Presidente John F. Kennedy, no seu discurso de 13 de Março de 1961 durante uma recepção, na Casa Branca, aos embaixadores latino- americanos.
  • Esse programa era uma resposta à Revolução Cubana29, e visava a melhoria da estrutura básica nos países latinos americanos30, particularmente a de Segurança Pública31(Projeto Ponto IV). O discurso foi transmitido pela Voz da América em inglês e traduzido em espanhol, português e francês. A Aliança duraria 10 anos, projetando-se um investimento de 20 bilhões de dólares, principalmente da responsabilidade dos Estados Unidos, mas também de diversas organizações internacionais, países europeus e empresas privadas. A proposta foi depois pormenorizada na reunião ocorrida em Punta del Este, Uruguai, de 5 a 27 de Agosto, no Conselho Interamericano Económico e Social (CIES) da OEA. A Declaração e Carta de Punta del Este foram ambas aprovadas por todos os países presentes, com a exceção de Cuba. A rejeição de Cuba não é de estranhar, já que a Aliança era claramente uma forma de resposta à Revolução Cubana. A Aliança foi extinta em 1969 por Richard Nixon. No Brasil, várias missões americanas aportaram no litoral brasileiro. Natal, capital do Rio Grande do Norte, recebeu visitas do navio Hope, que distribuía leite em pó. Na cidade também foi fundado um bairro com o auxilio do Programa Aliança para O Progresso - Cidade da Esperança, além da Escola Estadual Presidente Kennedy, inaugurado na ocasião da visita do senador americano Robert Kennedy a Natal. 29 A Revolução Cubana foi um movimento armado e guerrilheiro que culminou com a destituição do ditador Fulgencio Batista de Cuba no dia 1 de janeiro de 1959 pelo Movimento 26 de Julho liderado pelo então revolucionário Fidel Castro. O termo Revolução Cubana é genericamente utilizado como sinônimo do castrismo, governo autoritário, mas que em sua origem notabilizou-se pela implantação de uma série de programas assistencialistas sociais e econômicos, notadamente alfabetização e acesso a saúde universal. O apoio soviético depois do movimento armado enfatizou seu caráter anticapitalista e também antiamericano para posteriormente alinhar o país com o chamado bloco socialista. Todavia, essas características ficaram claras apenas depois da revolução, não sendo o seu foco inicial, segundo alguns historiadores, que alegam que o rumo comunista foi tomado após a oposição dos Estados Unidos ao golpe de Fidel Castro. Cuba tinha desde o início os problemas políticos, mas não tão grandes quanto aqueles que viriam a acontecer. Fulgencio Batista foi eleito presidente democraticamente pela primeira vez em Cuba, mas a sua presidência foi marcada por corrupção e violência. Fulgencio tem o poder de voltar através de um golpe militar em 1952. Em 1953, Fidel Castro e outros 160 homens (números incertos) tentaram o Assalto ao Quartel Moncada mas falharam, e Fidel Castro foi condenado a cerca de 20 anos de prisão, e seu movimento desapareceu. Em 1954, Batista foi reeleito como governador e, posteriormente, em um ato de reconciliação, Fidel Castro foi libertado. Fidel foi viver um tempo no México.
  • Em novembro de 1956, com um plano revolucionário, formou o “Exército Rebelde". Um de seus comandantes era um médico argentino, Ernesto "Che" Guevara. Os guerrilheiros foram gradualmente se tornando populares, com dois novos líderes, Raúl Castro e Juan Almeida. De volta a Cuba, tinha apoio suficiente da população, em seguida, começou a empurrar para a frente as reformas políticas, sociais e econômicas. Fidel era muito popular e rapidamente se tornou primeiro-ministro, que iniciou um processo revolucionário mais pessoal. Em 1959 começaram as primeiras reformas, especialmente em matéria de reformas industriais e a nacionalização dos bancos. A revolução cubana também teve grande importância desde que começou graças às campanhas de alfabetização em massa e de cuidados de saúde que foi implementado para toda a população. Após este triunfo, as políticas econômicas de Cuba deixaram tão alarmados os Estados Unidos que estes romperam relações diplomáticas com o país. Cuba, então, estabelece relações abertas com a União Soviética. Em 1962, espiões americanos descobriram a presença de mísseis nucleares em Cuba. Este é o princípio da crise dos mísseis. Em seguida, os Estados Unidos bloquearam a costa cubana. Após 13 dias de estarem à beira de uma guerra nuclear, o problema fora resolvido, mas os Estados Unidos decidem bloquear totalmente a ilha. Um ano depois que os Estados Unidos impuseram um embargo ao comércio com Cuba, que continua até hoje. Este embargo proíbe outros países que mantêm relações com os Estados Unidos de estabelecerem relações comerciais com Cuba. Fidel Castro torna-se um inimigo dos Estados Unidos e ganha a reputação de esquerdista, especialmente nos países latino-americanos. Ao longo do tempo, a economia cubana tornou-se dependente da União Soviética e outros países comunistas. A queda do Muro de Berlim representou um duro golpe para a economia cubana, porque toda a ajuda financeira recebida por outros países comunistas desapareceu. 30 A expressão "América Latina" foi utilizada pela primeira vez em 1856 pelo filósofo chileno Francisco Bilbao 9 e, no mesmo ano, pelo escritor colombiano José María Torres Caicedo; 10 e aproveitada pelo imperador francês Napoleão III durante sua invasão francesa no México como forma de incluir a França — e excluir os anglo-saxões — entre os países com influência na América, citando também a Indochina como área de expansão da França na segunda metade do século XIX. Deve-se também observar que na mesma época foi criado o conceito de Europa Latina, que englobaria as regiões de predomínio de línguas românicas. Pesquisas sobre a origem da expressão conduzem, ainda, a Michel Chevalier, que mencionou o termo "América Latina" em 1836, durante uma missão diplomática feita aos Estados Unidos e ao México.
  • Nos Estados Unidos, o termo não foi usado até o final do século XIX tonando-se comum para designar a região ao sul daquele país já no início do século XX. Ao final da Segunda Guerra Mundial, a criação da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe consolidou o uso da expressão como sinônimo dos países menos desenvolvidos dos continentes americanos, e tem, em consequência, um significado mais próximo da economia e dos assuntos sociais. Convém observar que a Organização das Nações Unidas reconhece a existência de dois continentes: América do Sul e América do Norte, sendo que esta última se subdivide em Caribe, América Central e América do Norte propriamente dita, englobando México, Estados Unidos e Canadá, além das ilhas de Saint Pierre et Miquelon, Bermudas e a Groenlândia. As antigas colônias neerlandesas (e, atualmente, países constituintes do Reino dos Países Baixos) Curaçao, Aruba e São Martinho não são habitualmente consideradas partes da América Latina, embora a sua língua mais falada seja o papiamento, língua de influência ibérica (embora não considerada latina). A América Latina compreende a quase totalidade das Américas do Sul e Central: as exceções são os países sul-americanos da Guiana e do Suriname e a nação centro-americana de Belize, que são países de línguas germânicas. Também engloba alguns países da América Central Insular (países compostos de ilhas earquipélagos banhados pelo Mar do Caribe), como Cuba, Haiti e República Dominicana. Da América do Norte, apenas o México é considerado como parte da América Latina. 7 A região engloba 20 países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti,Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. Convém observar que a Organização das Nações Unidas reconhece a existência de dois continentes: América do Sul e América do Norte, sendo que esta última se subdivide em Caribe, América Central e América do Norte propriamente dita, englobando México, Estados Unidos e Canadá, além das ilhas de Saint Pierre et Miquelon, Bermudas e a Groenlândia. As antigas colônias neerlandesas (e, atualmente, países constituintes do Reino dos Países Baixos) Curaçao, Aruba e São Martinho não são habitualmente consideradas partes da América Latina, embora a sua língua mais falada seja o papiamento, língua de influência ibérica (embora não considerada latina). 31 Segurança Pública é um processo, ou seja, uma sequência contínua de fatos ou operações que apresentam certa unidade ou que se reproduzem com certa regularidade, que compartilha uma visão focada em componentes preventivos, repressivos, judiciais, saúde e sociais. É um processo sistêmico, pela necessidade da integração de um conjunto de conhecimentos e ferramentas estatais que devem interagir a mesma visão, compromissos e objetivos. Deve ser também otimizado, pois dependem de decisões rápidas, medidas saneadoras e resultados imediatos. Sendo a ordem pública um estado de serenidade, apaziguamento e tranquilidade pública, em consonância com as leis, os preceitos e os costumes que regulam a convivência em sociedade, a preservação deste direito do cidadão só será amplo se o conceito de segurança pública for aplicado.
  • ENTRADA DO FORT BRAGG, EUA. INSTALAÇÕES MILITARES DO FORT BRAGG. A segurança pública não pode ser tratada apenas como medidas de vigilância e repressiva, mas como um sistema integrado e otimizado envolvendo instrumento de prevenção, coação, justiça, defesa dos direitos, saúde e social. O processo de segurança pública se inicia pela prevenção e finda na reparação do dano, no tratamento das causas e na reinclusão na sociedade do autor do ilícito.
  • No Paraná, nesse período o representante norte-americano no Brasil, Lauren D. Mullins, repassou dez viaturas (pick-upWillys e Jeeps), rádios portáteis e outros equipamentos, e pessoalmente indicou o Capitão Goro Yassumoto para realizar curso de especialização no Fort Bragg, Carolina do Norte, EUA. Em julho de 1964 o Capitão Goro recebeu a missão do Comando Geral de criar uma unidade de operações especiais na Polícia Militar do Paraná. O capitão então escolheu como seus auxiliares, e comandantes de pelotão, os tenentes:Douglas Villatore, Sony Martins e Dirceu Rubens Hatchback; e a Companhia de Operações Especiais foi oficialmente instituída em outubro de 1964, como 5ª Cia do Batalhão de Guardas. Efetivo inicial da Companhia de Operações Especiais: Capitão 01 Tenentes 03 Subtenentes 02 Sargentos 19 Cabos 18 Soldados 110 Total 153 Em 04 de julho de 1965 a COE adquiriu autonomia e passou a subordinar-se diretamente ao Comando Geral.
  • CORPO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS
  • CORPO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS BRASÃO DO COE. Lema do COE PRIMUS INTER PARES32 (PRIMEIRO ENTRE IGUAIS). Em 5 de setembro de 1967 a COE foi transformada em Corpo de Operações Especiais, composto por três companhias. Na origem, o COE foi essencialmente uma unidade de contra-guerrilha33, mas também foi onde surgiu alguns policiamentos especializados que permanecem até os dias de hoje. 32 Primus inter pares (PIP) é uma expressão latina que pode ser traduzida como primeiro entre iguais. A frase indica que uma pessoa tem maior dignidade (ou experiência) entre outros do mesmo nível ou ofício. No contexto eclesiástico, diz-se do bispo que - apesar de ter a mesma autoridade que os outros bispos - sustenta um título de honra entre eles. Um exemplo na cultura popular encontra-se no saguão de entrada do Fórum João Mendes Júnior do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. No local há um busto do jurista que dá nome ao fórum com esta expressão inscrita em sua homenagem. É o lema do Comandos e Operações Especiais (COE), grupo de elite da Polícia Militar do Paraná. 33 Guerrilha (em espanhol: guerrilla, "pequena guerra") é um tipo de guerra não convencional no qual o principal estratagema é a ocultação e extrema mobilidade dos combatentes, chamados de guerrilheiros, incluindo, mas não limitado a civis armados (ou "irregulares"). Pode se constituir também como uma movimentação híbrida, ou seja, ora centralizada por uma atitude bélica cujo aspecto pode ser colaboracionista com as forças regulares de determinadas regiões, e ora pode se dar o enfrentamento sem conexão com qualquer força armada regular. Presume-se que tenha sido utilizada a palavra guerrilha (guerrilla) pela primeira vez na Guerra Peninsular contra a invasão napoleônica a Portugal e Espanha, entre 1808 e 1812, embora as técnicas guerrilheiras remontem à Antiguidade. Portanto, o termo passou a ser utilizado a partir da sua origem ibérica, tendo sua grafia original preservada em muitos idiomas. o Brasil data da Invasão Holandesa a Salvador, entre 1624 a 1625, quando o Sargento- mor Antônio Dias Cardoso, Mestre das Emboscadas, aplicou as técnicas para conter o invasor.
  • E em 1645 voltaria a empregar nos Montes das Tabocas, seguindo com ações na(s) Batalha dos Guararapes, respectivamente, em 19 de Abril de 1648 e em 19 de Fevereiro de 1649. A guerra de guerrilhas também recebeu outras denominações. Na América Latina, por exemplo, foi chamada de montonera no Rio da Prata e bola no México, entre outras nomenclaturas que não prevaleceram. Na América do Norte foi Francis Marion, Raposa do Pântano, seu precursor com uso de armadilhas e emboscadas durante Independência dos Estados Unidos. Trata-se de levar um adversário, por muito mais forte que seja, a admitir condições freqüentemente muito duras, não engajando contra ele senão por meios extremamente limitados. É então que entra em jogo, em toda a sua plenitude, a fórmula das variáveis complementares que já encontramos: a inferioridade das forças militares deve ser compensada por uma superioridade crescente das forças morais, à medida que a ação se prolonga. Assim, a operação desenvolve-se simultaneamente em dois planos, o plano material, das forças militares, e o plano moral, da ação psicológica. A guerrilha não é necessariamente um tipo de guerra de resistência onde os insurgentes se opõem a uma força de ocupação, como no Iraque ocupado pelos estadunidenses ou como na União Soviética invadida pelos nazistas. Ela é também comum em guerras revolucionárias (com fator político-ideológico) que podem ocorrer entre partidos ou facções de um mesmo povo tais como M.M.D.C., El Salvador, Guerrilha do Araguaia, Ação Libertadora Nacional (ALN), Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR80), Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), Sendero Luminoso, Euskadi Ta Askatasuna (ETA), Exército Republicano Irlandês (IRA). As guerras de guerrilhas, quase em sua totalidade, buscaram a independência de determinada região ou grupos. Utilizam armamentos leve e de fácil deslocamento. Atualmente se mantêm com recursos financeiros advindos de impostos cobrados de transeuntes da área dominada pela guerrilha, bem como operações militares.
  • Em geral, os grupos guerrilheiros tendem a apoiar soluções progressistas, pois, sendo oriundos de grupos locais, mantém contatos estreitos com a população da região onde atuam, ao contrário das Forças Armadas regulares. Assim, é muito comum a estes grupos serem liderados por "caciques", "caudilhos", governo sombra, mais modernamente, ou lideranças de classes em geral, segundo conceito da Corte de Palermo, Itália, devido ao chamado "Anos de Chumbo". As quais antigamente, no Brasil, com interesses escusos, e "mais amplos". Neste caso, como as suas ações do Cabo Anselmo, ou seja qual o nome desse cidadão, antigo guerrilheiro comunista, de "dupla face", que desenvolvia trabalhos tanto de um lado (do governo da época), como de outro da guerrilha, no início do regime militar no Brasil (1964 até 1970). Foi justamente por esta ligação estreita que o chamado "guerrilheirismo latino- americano" proliferou na América Latina enfrentando o poder chamado de "Forças Realistas Coloniais Espanholas". CONTRA-GUERRILHA Em uma agressão do tipo guerra de guerrilha, pode-se hesitar entre diversas soluções. A melhor, se ela for possível, consistiria em salvaguardar o essencial (isto é, o controle governamental), sem engajar grandes meios, e em resolver o conflito. A linha política, será a de reduzir os trunfos do adversário. Por conseguinte, será necessário, por um lado, manter e desenvolver o prestígio, mediante uma demonstração de força, sem dúvida, como também persuadindo de possibilidades futuras (civilização em progresso, apoio internacional etc.); e, por outro lado, desarmar reivindicações através de reformas profundas. No plano militar, é indispensável frustrar a estratégia da guerrilha, tal como foi descrita mais acima; é preciso, antes de mais nada, evitar-se deixar desbordar pela manobra de superfície, praticando estrita economia de forças, com a colocação da guerrilha em xeque pela "manobra de Medina".
  • Estratégia das forças árabes, sob a liderança de Lawrence da Arábia por ocasião da Primeira Guerra Mundial, onde mantiveram sob ataque a ferrovia Damasco-Medina, cortando as ligações do Exército turco com Damasco e fixando-o em Medina. Isto leva a limitar a proteção generalizada de pessoas e de bens, graças a uma forte densidade de ocupação em zonas reduzidas e bem escolhidas, em função de sua importância geográfica, política e econômica; e em consentir certo grau de insegurança no resto do país. Os postos que nestes eixos serão deixados terão por finalidade, somente, manter um sistema de informações, graças ao qual se poderá desencadear uma série de operações destinadas a
  • O COE EM MISSÃO DE RESGATE A AERONAVE 1967 impedir a reorganização de bases adversas. Em certos casos mesmo, poder-se-á deixar o inimigo aí se instalar à vontade, para destruí-lo mais facilmente. Correlativamente, as fronteiras deverão ser hermeticamente fechadas, graças a uma tática de barragens (posições defensivas), das quais as guerras da Líbia (da Itália fascista) e da Argélia deram o exemplo. Mesmo bem conduzidas, essas operações requererão meios muito importantes. É sua grande fraqueza, para uma guerra necessariamente prolongada, face a acomodação da tropa. A estratégia deverá, então, esforçar-se por encontrar soluções econômicas, enquanto que a organização deverá aplicar fórmulas (substituições com a movimentação da tropa, etc.) concebidas para o tempo de duração da guerra. Em circunstâncias, excepcionalmente favoráveis poder-se-á tentar obter a decisão por um considerável esforço de meios, sob a condição de que os resultados sejam rapidamente compensadores. Se não fosse assim (Argélia, 1956), não se faria senão reduzir a sua própria capacidade de durar; por conseguinte, fazendo o jogo da guerra de guerrilha. Enfim, é bem certo que as operações deverão ser conduzidas com a constante preocupação de obter um efeito psicológico sobre o inimigo e sobre a população. Sendo esta completamente protegida nas zonas de forte densidade de ocupação, dever-se-á poder comparar sua sorte invejável com a das populações vivendo em zonas mais ou menos controladas pelo adversário. As partes protegidas, tornadas zonas de refúgio, não deverão, sob pretexto algum, ser reduzidas(isto obriga a prever, a longo prazo, uma política de efetivos que não comportem variações), de modo a dar confiança; e, se elas se estenderem, não deverá jamais haver recuos. Os combates devem ser úteis para o prestígio e apoio da população. Os fracassos devem ser ocultados ou compensados por êxitos mais importantes, convenientemente realçados. Na atualidade, a maioria dos países possuem tropas específicas para este tipo de emprego inicial: Comandos e Forças Especiais. Malgrado todas estas precauções, cuja enumeração sublinha um bom número de erros levantados na campanha da Argélia, em particular, é necessário ter presente no espírito que esse gênero de luta só excepcionalmente foi favorável à defesa e, como foi sublinhado, somente quando não existiam bases exteriores próximas que pudessem alimentar a guerrilha. Em estratégia de contra-guerrilha, responder a um ataque por uma defesa direta é solução tão má como a do um touro investindo contra uma muleta vermelha. É contra o toureiro que é preciso investir, isto é, contra a guerra de guerrilha.
  • RONDAS OSTENSIVAS DE NATUREZA ESPECIAL A RONE foi criada na década de 1970 para atuar no combate a grupos criminosos fortemente armados; bem como em apoio aos demais Batalhões de Polícia Militar. Após a transferência do COE para o Regimento de Polícia Montada, esse policiamento permaneceu atuando até a criação do Policiamento Modular34; sendo então designado como Patrulhamento Tático Móvel (Patamo). 34 O Policiamento Modular, como ficou conhecido, foi inspirado nos postos Koban da polícia japonesa, e sua correta designação era Posto Policial de Socorro Familiar. O objetivo desse serviço era manter o policial próximo à comunidade, prestando diversificadas formas de atendimento; do aconselhamento familiar, ao socorro aos pequenos acidentes domésticos. Os postos seriam criados em pontos estratégicos da cidade, e deveriam funcionar vinte e quatro horas por dia. O primeiro posto foi inaugurado no dia 29 de março de 1980, na esquina da Avenida Salgado Filho com a Rua Coronel Franscisco H. dos Santos, no BairroGuabirotuba. A importância do ato se confirma pela presença do Governador do Estado, Ney Aminthas de Barros Braga; do Inspetor Geral das Polícias Militares, General Harry Alberto Schnardorf; e do Prefeito de Curitiba, Jaime Lerner. Além do Chefe da Casa Civil; de diversos Secretários do Estado; do Diretor Geral da Polícia Civil; e outras autoridades. Outros postos foram criados a seguir, porém, sem ser atingida a meta de sessenta e quatro postos em três anos; um posto para cada 30.000 habitantes. O MÓDULO A estrutura física dos postos policiais era padronizada, projeto do IPUC (Instituto de Planejamento Urbano de Curitiba); o qual seguia o Plano Diretor da cidade. Constava de um banheiro/vestiário; uma pequena sala interna com mesa; e uma sala de atendimento com janelas de ampla visão, com proteção para a chuva e o sol. Todo posto possuía telefone e uma viatura. DECADÊNCIA O policiamento modular teve uma excelente aceitação da comunidade. As associações de bairro patrocinavam e faziam pressão para a criação de novos postos. Porém, o sistema de revezamento exigia a manutenção diversos policiais, e a estrutura da Polícia Militar não comportava o elevado número de módulos. A degeneração do serviço se iniciou no momento em que a PM passou a fornecer apenas o policial para cuidar do posto, repassando os pedidos de socorro para os postos mais próximos. Isso desmoralizou o policiamento, e na década de noventa o sistema passou a ser desativado. O designativo permaneceu na memória da população, e os postos policiais são chamados de Módulos até hoje.
  • Em 1992 essa atividade voltou a receber sua antiga denominação na Companhia de Polícia de Choque.
  • POLICIAMENTO CINOTÉCNICO O Núcleo de Cinofilia da PMPR foi implantado em 14 de dezembro de 1971, anexo à 3ª Companhia do COE. PATRULHA DISCIPLINAR (PD) A Patrulha Disciplinar foi oficializada na década de 1970, pelo então comandante-geral da PMPR, César Tasso Saldanha Lemos.6 Esse policiamento era voltado para o efetivo interno, semelhante ao serviço executado pela Polícia do Exército.
  • BASE OPERACIONAL DE CANAVIEIRAS Em 1972 foi concedido à PMPR seiscentos alqueires na Serra do Mar, para a construção de uma Base Operacional do COE. Ela estava situada no Município de Guaratuba, na confluência dos rios Caçadas e Panela, a 89 km de Curitiba. Essa base tornou-se uma excelente base de treinamento, pois a região era de difícil acesso, com mata fechada e montanhosa, e alta taxa de pluviosidade. Em 1980 o efetivo passou ao controle do Batalhão de Polícia Florestal, mas a base permaneceu usada para treinamento nos cursos de operações especiais. Em2005 foi definitivamente desativada, passando ao controle do IBAMA.
  • Em 1973 o COE sofreu uma remodelação, visando sua transformação em Batalhão de Polícia de Choque; composto pela soma de seu efetivo com um esquadrão de polícia montada. A 1ª Cia COE foi transferida para o Regimento de Polícia Montada.
  • A 2ª Cia COE foi transferida para o Batalhão de Guardas, para compor a segurança do Quartel do Comando Geral (QCG). Um pelotão, incluindo-se o oficial, foi transferido para o Batalhão de Polícia Florestal. Seis policiais militares (Destacamento de São Pedro) foram transferidos para 6° Batalhão de Polícia Militar. O Canil, a Base Operacional de Canavieiras e restantes do efetivo da 3ª Cia COE, também passaram ao controle do Regimento de Polícia Montada. Essa fusão de unidades, COE e RPMon, ficou internamente conhecida como "o casamento que não deu certo", pois as Unidades possuíam fortes rivalidades e se hostilizavam mutuamente.
  • COMPANHIA DE POLÍCIA DE CHOQUE
  • COMPANHIA DE POLICIA DE CHOQUE Em 1976 foi determinada a criação da Companhia de Polícia de Choque (Cia P Chq) com a 1ª Companhia do Corpo de Operações especiais,8 subordinada administrativamente ao Batalhão de Guardas e operacionalmente ao comando de policiamento da capital. A OPM FOI ATIVADA EM DEZEMBRO DE 1976 , TENDO COMO PRIMEIRO COMANDANTE O 1° TENENTE EUGÊNIO SEMMER. EM 1977 A COMPANHIA FOI REFORÇADA COM O CANIL, ATÉ ENTÃO SUBORDINADO AO REGIMENTO DE POLÍCIA MONTADA. A UNIDADE FOI OFICIALMENTE CONSTITUÍDA EM 19 DE ABRIL DE 1977, DATA A PARTIR DA QUAL SE PASSOU A COMEMORAR O SEU ANIVERSÁRIO DE CRIAÇÃO. ESTRUTURA OPERACIONAL Efetivo administrativo P/1 (Seção de Pessoal); P/2 (Seção de Informações); P/3 (Seção de Operações); e P/4 (Seção de Logística) Em acionamentos exergia a função de Guerra Química35 (uso de gazes fumígenos e lacrimogêneos). 1ª Pelotão de Polícia de Choque 2ª Pelotão de Polícia de Choque 3ª Pelotão de Polícia de Choque 4ª Pelotão de Polícia de Choque (1984) 35 Guerra química é um tipo de guerra não convencional, baseada no uso de propriedades tóxicas de substâncias químicas para fins de destruição em massa - seja com finalidades táticas (limitadas ao campo de batalha), seja com fins estratégicos (incluindo a retaguarda e vias de suprimento do inimigo). As armas químicas diferem de armas convencionais ou nucleares porque seus efeitos destrutivos não são principalmente decorrentes da força explosiva. A categoria de armas químicas pode incluir, além das armas químicas propriamente ditas, também aquelas que utilizam provavelmente venenos de origem biológica. Quanto a isto, há controvérsias. De todo modo, o uso ofensivo de organismos vivos (como o antrax) é em geral considerado comoguerra biológica, para efeito dos acordos internacionais sobre armamentos.
  • Cada pelotão era comandado por um tenente, e estava subdividido em três Grupos de Polícia de Choque (GPC) comandados por sargentos. CANIL Subdividido em administração, veterinária e cinófilos (treinadores dos cães). MISSÃO DA CIA P CHOQUE A missão da Cia P Choque eram as ações de controle de distúrbios civis e repressão a rebeliões ou motins em presídios, mas também realizava operações preventivas em áreas críticas e dava apoio ao policiamento básico. Seu efetivo estava subdividido em pelotões, os quais permaneciam aquartelados em prontidão, vinte e quatro horas por dia.
  • BATALHÃO DE POLÍCIA DE CHOQUE
  • BATALHÃO DE POLICIA DE CHOQUE A partir de 1988, por iniciativa do seu comandante, o Major Valter Wiltemburg Pontes, a Cia P Chq passou a ser remodelada para se transformar em Batalhão de Polícia de Choque; sendo seu efetivo reforçado com dois novos pelotões a serem redistribuídos em três companhias. 1ª COMPANHIA DE POLÍCIA DE CHOQUE PATRULHAMENTO TÁTICO MÓVEL 2ª COMPANHIA DE POLÍCIA DE CHOQUE OPERAÇÕES ESPECIAIS – COE 3ª COMPANHIA DE POLÍCIA DE CHOQUE POLICIAMENTO COM CÃES – CANIL Entretanto, apesar da estrutura ter sido formada, devido às conjecturas do pós- abertura política, o governo estadual não oficializou a criação da nova OPM, alegando que seria uma corporação de repressão política. A estrutura operacional não foi desativada, e a "companhia" passou a ser comandada por um major; subdivididos em ―policiamentos‖, comandados por capitães.
  • EM 1988 HAVIA SIDO ATIVADO O PATRULHAMENTO TÁTICO MÓVEL.
  • Em 1992 o Tático Móvel foi transformado em Rondas Ostensivas de Natureza Especial (RONE).
  • RONDAS OSTENSIVAS DE NATUREZA ESPECIAL A RONE se constitui basicamente em uma tropa especializada em combate à criminalidade violenta; tais como roubos executados por quadrilhas e gangues, latrocínio, extorsão mediante sequestro e tráfico de entorpecentes.
  • Sua missão é atuar extensivamente nos bairros onde os índices de criminalidade são mais altos, através de operações de batida policial, bloqueio, presença e cercos policiais. A RONE atua com viaturas de médio porte, guarnecidas com quatro ou cinco policiais militares, com armamentos e equipamentos específicos; possuindo forte capacidade de ação e reação, principalmente por meio de abordagens e buscas pessoais, na repressão e prevenção de crimes. A unidade atua ainda em controle de distúrbios civis, defesa e retomada de pontos sensíveis, escoltas de dignitários e numerários, e outras atividades de manutenção da ordem pública.
  • COMANDOS E OPERAÇÕES ESPECIAIS - COE
  • COMANDOS E OPERAÇÕES ESPECIAIS O Comandos e Operações Especiais atua especificamente em ocorrências que envolvam reféns ou grupos fortemente armados, ou ainda, em situações que exijam equipamentos e armas especiais. Em 1987, um frustrado assalto a banco na cidade de Goioerê36, interior do Paraná, tomou a atenção dos jornais de todo o país, pois as pessoas que se encontravam dentro da agencia bancária tornaram-se reféns dos marginais. 36 Em junho de 1988, o mais longo assalto a banco da história do país, mobilizou a polícia paranaense e tomou a atenção da imprensa de todo o país. A cidade pára durante seis dias, o comércio fecha as portas e os moradores se concentram perto do banco a espera do desfecho. Dois assaltantes (Paulo e Lourenço) invadem a agencia do Banco do Brasil em Goioerê e 23 pessoas que estavam na agência foram rendidas, 8 delas se tornaram reféns e depois de uma primeira fuga frustrada, o gerente do banco e um repórter policial da TV Tarobá ficam em poder dos assaltantes. Na manhã do sexto dia, a surpresa: uma freira - irmã Letícia - faz contato com os assaltantes e recebe deles uma pistola. A freira se transforma em negociadora e da janela da agencia ela faz um acordo com os assaltantes que devolvem parte do dinheiro e se comprometem a liberar o gerente e o repórter em troca de garantias para a fuga. A freira se oferece como refém, junto com o padre Marcelino Bravo. Irmã Letícia e o padre entram no banco e do lado de fora havia um carro para ajudar na fuga, em seguida a freira sai acompanhada por três homens com capas e rostos encobertos, junto carregam uma sacola com dinheiro. De carro pelas ruas da cidade, os assaltantes seguem até ao aeroporto, onde um pequeno avião já estava preparado para a fuga. Finalmente às 16h10min, 145 horas depois que começou, termina o assalto ao banco do Brasil em Goioerê. Os assaltantes saíram levando o que queriam: dinheiro, armas e dois reféns. Mais tarde descobre-se que irmã Letícia, a freira que foi trocada por reféns e virou heroína não era mais freira quando ajudou a por fim no sequestro. Na verdade ela se chamava Salete Maria Vieira e havia sido afastada da igreja havia cinco anos, por comportamento incompatível com o estilo de vida religioso. Outro fato curioso foi durante a visita do Papa João Paulo 2º ao Brasil em outubro de 1991 quando a falsa For. Salete furou a segurança do Palácio do Planalto e se aproximou do papa e do presidente. Ajoelhou-se diante deles e ganhou a bênção. O assalto perdurou por dias e muitos erros foram cometidos; causando constrangimentos à polícia paranaense. Em Curitiba, o então Comandante da Companhia de Polícia de Choque, Major Valter Wiltemburg Pontes, oficial veterano do Corpo de Operações Especiais, se dirigiu ao Comandante de
  • A situação perdurou por dias e muitos erros foram cometidos; causando constrangimentos à polícia paranaense. Em Curitiba, o então comandante da Cia P Choque, Major Valter Wiltemburg Pontes, oficial veterano do antigo Corpo de Operações Especiais, se dirigiu ao comandante do Comando de Policiamento da Capital (CPC), Coronel Wilson Odirley Valla, solicitando apoio para criar um pelotão de operações especiais semelhante à SWAT estadunidense. Após um período de treinamento e seleção, o pelotão foi ativado em 4 de julho de 1988; e recebeu a denominação de COE (Comandos e Operações Especiais), em homenagem ao antigo Corpo de Operações Especiais (1964 a 1976). Policiamento da Capital, Coronel Wilson Odirley Valla, solicitando apoio para criar um pelotão de Operações Especiais semelhante à SWAT estadunidense. Após um período de treinamento e seleção, o pelotão foi ativado em 4 de julho de 1988; e recebeu a denominação de COE - Comandos e Operações Especiais, em homenagem ao antigo Corpo de Operações Especiais (1964 a 1976).
  • O Oficial escolhido para comandar o referido pelotão, foi à época, o 2º Tenente Nerino Mariano de Brito, dando início prático aos trabalhos. Desde a formação o COE passou por diversas configurações, porém, sempre constituído pelas seguintes equipes básicas: equipe de negociação; equipe de assalto; equipe de atiradores; e equipe antibomba.
  • EQUIPE DE NEGOCIAÇÃO É a equipe principal. Constituída por psicólogos e pessoal com especialização na área, procura de todas as maneiras resolver a situação através do diálogo.
  • EQUIPE DE ASSALTO Localiza, identifica e neutraliza marginais armados, com ou sem reféns em seu poder, e realiza ações em edificações, veículos, ou campo aberto. O emprego da Equipe de Assalto é condicionado ao:  Perigo iminente à vida de inocentes dentro ou fora do cativeiro;  Execução sumária de algum refém por parte do sequestrador;  Fracasso de todas as possibilidades de negociação.
  • EQUIPE DE ATIRADORES DE PRECISÃO Coleta informações, neutraliza marginais armados através do tiro seletivo, provê apoio de fogo e realiza ações anti-material.
  • EQUIPE ANTIBOMBAS Localiza, remove e desativa artefatos explosivos de ordem delituosa, e realiza varreduras preventivas em locais ou eventos.
  • CANIL CENTRAL O Canil Central é o órgão responsável pela coordenação e controle do Serviço de Cinofilia da Polícia Militar do Paraná. Em 1977 o Canil passou a subordinar-se à Companhia de Polícia de Choque. Na mesma data foi instituído o Sistema de Manutenção de Cães;14 no qual foi estabelecido que o Canil da Cia P Choque seria o difusor de doutrinas de treinamento e centro de criação de cães, de todos os canis da corporação. PRINCIPAIS CANIS EXISTENTES NA PMPR Canil do BPGd (Batalhão de Polícia de Guardas - segurança aos presídios) - Curitiba; Canil do 1° BPM (Batalhão de Polícia Militar) - Ponta Grossa; Canil do 2° BPM - Jacarezinho; Canil do 3° BPM - Pato Branco; Canil do 4° BPM - Maringá; Canil do 5° BPM - Londrina; Canil do 6° BPM - Cascavel; Canil do 9° BPM - Paranaguá; Canil do 11° BPM - Campo Mourão; Canil do 14° BPM - Foz de Iguaçu; Canil do 15° BPM - Rolândia; Canil do 16° BPM - Guarapuava; Canil do GOST (Grupo de Operações de Socorro Tático) do Corpo de Bombeiros.
  • BATALHÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS
  • BATALHÃO DE OPERAÇÕES ESPECIAIS A Companhia de Polícia de Choque somente foi transformada em Batalhão de Operações Especiais em outubro de 2010, 15 pelo Governador Orlando Pessuti. Sede administrativa do BOPE da PMPR. Portão de viaturas. Pelotão de CDC/BOPE.
  • ESTRUTURA ADMINISTRATIVA P/1 - Seção de Pessoal Subseção de Justiça e Disciplina P/2 - Seção de Informações P/3 - Seção de Operações P/4 - Seção de Logística Tesouraria, Almoxarifado (material em estoque), Furrielação (material de uso diário) e Transportes P/5 - Seção de Relações Públicas Equipe de Negociadores (ocorrências com sequestro de pessoas) DESDOBRAMENTO OPERACIONAL 1ª Companhia de Polícia de Choque - RONE 1° Pelotão de Rondas Ostensivas de Natureza Especial 2° Pelotão de Rondas Ostensivas de Natureza Especial 2ª Companhia de Polícia de Choque 1° Pelotão de Rondas Ostensivas de Natureza Especial 2° Pelotão de Rondas Ostensivas de Natureza Especial 3ª Companhia de Polícia de Choque - CDC 1° Pelotão de Controle de Distúrbios Civis 2° Pelotão de Controle de Distúrbios Civis 4ª Companhia de Polícia de Choque 1° Pelotão de Controle de Distúrbios Civis 2° Pelotão de Controle de Distúrbios Civis 5ª Companhia de Operações Especiais - COE o Equipe de Ações Táticas o Equipe de Atiradores Táticos de Precisão o Equipe de Explosivos 6ª Companhia de Polícia Cinotécnica - Canil o 1° Pelotão de Polícia Cinotécnica o 2° Pelotão de Polícia Cinotécnica
  • MISSÃO DO BOPE Polícia ostensiva de segurança específica, de preservação e restauração da ordem pública pelo emprego da força, mediante ações e operações de polícia de choque, particularmente quando a ordem pública estiver ameaçada ou já rompida e requeira intervenção pronta e enérgica da tropa especialmente instruída e treinada; Em situações de distúrbios, resgates, sequestros com reféns, controle de rebeliões em estabelecimentos penais, ações antitumultos, antiterrorismo, desativação de artefatos explosivos e similares, escoltas especiais, defesa de pontos sensíveis e retomada de locais ou áreas ocupadas; Encarregado também de ações em situações de grave comprometimento da ordem pública; Operações de patrulhamento tático com vistas a combater as ações do crime organizado e de alta periculosidade e operações especiais diversas, conforme diretrizes do Comandante-Geral.  COE 01 - uniforme de passeio, 02 - controle de distúrbios civis, 03 - operações rurais, 04 - operações urbanas; CHOQUE: 05 - controle de tumultos (década de 1970), 06 e 07 - controle de tumultos (década de 1980); BOPE: 08 - RONE, 09 - CHOQUE, 10 - COE (operações urbanas), 11 - COE (operações de selva).
  • CURSOS DE ESPECIALIZAÇÃO O primeiro curso oficializado no COE foi o Curso de Guerra Não Convencional (Guerra de Guerrilha), em novembro de 1967.16 Entretanto o distintivo já havia sido autorizado em junho de 1966,17 devido o curso estar ocorrendo sem regulamentação oficial. Posteriormente, em junho de 1981, foi criado o Curso de Operações Especiais,18 cujo distintivo foi instituído em setembro do mesmo ano.19 O Curso de Controle de Tumultos ocorreu primeiramente em 1963, mas somente foi oficializado em 1967.16 No ano 2000 o curso foi readequado para Curso de Controle de Distúrbios Civis,20 tendo sido adaptado o seu currículo devido este estar vinculado ao período de Guerra Fria.
  • COMANDO REGIONAL DE POLICIA MILITAR PELOTÃO DE CHOQUE – ROTAM – TMA EM APOIO DAS OPERAÇÕES ESPECIAIS
  • Os COMANDOS REGIONAIS DE POLÍCIA MILITAR (CRPM) são escalões intermediários de comando, responsáveis pelo policiamento ostensivo e pela preservação da ordem pública perante o Subcomandante-Geral da Polícia Militar do Paraná (PMPR). Eles atuam como órgão de planejamento e coordenação dos batalhões ecompanhias de polícia militar, responsáveis pela organização, supervisão, fiscalização, direção e controle das atividades, no âmbito de suas respectivas circunscrições territoriais. Os Comandos Regionais de Polícia Militar (CRPM) são escalões intermediários de comando, responsáveis pelo policiamento ostensivo e pela preservação da ordem pública perante o Subcomandante-Geral da Polícia Militar do Paraná (PMPR). Eles atuam como órgão de planejamento e coordenação dos batalhões ecompanhias de polícia militar, responsáveis pela organização, supervisão, fiscalização, direção e controle das atividades, no âmbito de suas respectivas circunscrições territoriais. HISTÓRICO O primeiro desdobramento da corporação ocorreu com a criação dos Regimentos de Segurança em 1958,1nos quais foram reunidos os batalhões operacionais. Regimento Coronel Dulcídio Regimento Coronel João Gualberto Batalhão de Guardas I Batalhão Policial Batalhão de Sinaleiros de Trânsito II Batalhão Policial Esquadrão de Polícia Montada III Batalhão Policial Em 1967 esses regimentos foram desativados e criadas sete Regiões Policiais Militares (RPM). 1ª RPM Ponta Grossa 2ª RPM Jacarezinho 3ª RPM Pato Branco 4ª RPM Maringá 5ª RPM Londrina 6ª RPM Paranaguá 7ª RPM Curitiba Em 1969 as RPM foram reestruturadas e aumentadas para nove. 1ª RPM Curitiba 2ª RPM Paranaguá 3ª RPM Ponta Grossa 4ª RPM Jacarezinho 5ª RPM Pato Branco 6ª RPM Maringá 7ª RPM Londrina 8ª RPM Cascavel 9ª RPM Cruzeiro do Oeste
  • COMANDOS DE POLICIAMENTO Em 1976, pela Lei de Organização Básica (LOB) da PMPR foi criado o Comando de Policiamento da Capital (CPC) e o Comando de Policiamento do Interior (CPI); operacionalmente ativados em 2 de agosto do mesmo ano. Comando de Policiamento da Capital 12° Batalhão de Polícia Militar Batalhão de Polícia de Trânsito 13° Batalhão de Polícia Militar Batalhão de Policía de Guardas 17° Batalhão de Polícia Militar Companhia de Polícia de Guarda Independente 20° Batalhão de Polícia Militar Companhia de Polícia de Choque Regimento de Polícia Montada Comando de Policiamento do Interior 1° Batalhão de Polícia Militar 16° Batalhão de Polícia Militar 2° Batalhão de Polícia Militar 18° Batalhão de Polícia Militar 3° Batalhão de Polícia Militar 19° Batalhão de Polícia Militar 4° Batalhão de Polícia Militar Batalhão de Polícia Ambiental 5° Batalhão de Polícia Militar Batalhão de Polícia Rodoviária 6° Batalhão de Polícia Militar Batalhão de Patrulha Escolar Comunitária 7° Batalhão de Polícia Militar 1ª Companhia Independente de Polícia Militar 8° Batalhão de Polícia Militar 2ª Companhia Independente de Polícia Militar 9° Batalhão de Polícia Militar 3ª Companhia Independente de Polícia Militar 10° Batalhão de Polícia Militar 4ª Companhia Independente de Polícia Militar 11° Batalhão de Polícia Militar 5ª Companhia Independente de Polícia Militar 14° Batalhão de Polícia Militar Companhia Independente de Polícia Portuária 15° Batalhão de Polícia Militar Em 2010, devido ao expressivo aumento do número de batalhões e companhias, foi alterada a Lei de Organização Básica, e os Comandos de Policiamento foram transformados em sete Comandos Regionais de Polícia Militar (CRPM). 1° CRPM Curitiba 2° CRPM Londrina 3° CRPM Maringá 4° CRPM Ponta Grossa 5° CRPM Cascavel 6° CRPM São José dos Pinhais 7° CRPM Curitiba
  • 1° COMANDO REGIONAL DE POLÍCIA MILITAR 12º Batalhão de Polícia Militar O 12° BPM originou-se do antigo Batalhão de Guardas (BG) criado em 1952. Em 1977 a estrutura operacional da PMPR foi reorganizada, e o BG passou a ser denominado como 12° Batalhão de Polícia Militar. 13º Batalhão de Polícia Militar O 13° BPM originou-se do policiamento de radiopatrulha (RP)11 implantado na PMPR em 1968. Em 1976 a unidade passou a designar-se como 13° Batalhão de Polícia Militar. 20º Batalhão de Polícia Militar - Curitiba O 20º BPM originou-se da remodelação do Regimento de Polícia Montada. Até 2006 o RPMon era uma unidade mista, composta por esquadrões hipomóveise esquadrões motorizados; passando então a ser constituída unicamente por esquadrões hipomóveis. Sua área de atuação estava circunscrita ao extinto Comando de Policiamento da Capital; sendo a partir dessa data estendida a todo o território estadual. O 20º BPM foi então criado sobreposto à antiga área operacional do RPMon. Atualmente a Unidade possui responsabilidade territorial sobre vinte e nove bairros, do Alto Boqueirão ao Cachoeira, abrangendo seiscentos e vinte mil mil habitantes. Pertence ainda ao 20º BPM a primeira Unidade Paraná Seguro (UPS) do Estado, implantada no Uberaba. 23º Batalhão de Polícia Militar Oficialmente criado em 06 de Junho de 2012. Batalhão de Polícia de Trânsito Desde 1913 o policiamento de trânsito era feito exclusivamente pela Guarda Civil do Paraná, segmento uniformizado da atual Polícia Civil do Estado. Em 1952, por entendimento entre o Chefe de Polícia e o Diretor do Departamento de Trânsito, esse serviço passou a ser realizado também pela Polícia Militar. E em 1976 recebeu a atual denominação de Batalhão de Polícia de Trânsito. Companhia Independente de Polícia de Guarda Em 1953 a então primeira companhia do Batalhão de Guardas (BG) assumiu em caráter permanente a guarda do Palácio Iguaçu. Em 1967 essa unidade adquiriu autonomia, e em 1999 recebeu sua atual designação como Companhia Independente de Polícia de Guarda (CIPGd).
  • 2° COMANDO REGIONAL DE POLÍCIA MILITAR 2º Batalhão de Polícia Militar - Jacarezinho O 2° BPM foi oficialmente criado em 1953, com a denominação de II Batalhão Policial; constituído por duas Companhias Isoladas. Uma dessas companhias fora criada em 1952, em Araucária. E a outra companhia era a 1ª Cia do Centro de Preparação Militar, criado pelo Decreto nº 1.380, de 18 de junho de 1931; a qual havia se tornado isolada devido a transformação da 2ª Cia na Companhia de Guardas Sinaleiros de Trânsito. A Unidade tinha sede em Curitiba e era responsável por fornecer o efetivo para os destacamentos do interior do Estado. Os batalhões receberam a designação de Batalhão de Polícia Militar; passando o 2° Batalhão de Polícia Militar a ter sua sede na cidade de Jacarezinho, com uma nova área de operação. 5º Batalhão de Polícia Militar - Londrina O 5º BPM foi oficialmente criado em 1967, constituído pela então 3ª Cia do 2º Batalhão de Polícia Militar; tendo assumido o primeiro comandante da Unidade em 11 de setembro do mesmo ano. 10º Batalhão de Polícia Militar - Apucarana O 10° BPM foi oficialmente criado em 1977, constituído por destacamentos do 5º BPM; e efetivamente instalado em 24 de Outubro do mesmo ano. 15º Batalhão de Polícia Militar - Rolândia O 15° BPM foi criado em 1985, com o desmembramento de uma das companhias do 5° BPM. 18º Batalhão de Polícia Militar - Cornélio Procópio O 18° BPM foi oficialmente criado em 1994, constituído pela então 2ª Cia do 2° BPM; tendo sido efetivamente instalado em 6 de março de 1995. 4ª Companhia Independente de Polícia Militar - Londrina A 4ª CIPM foi criada em 25 de Abril de 2007, com a responsabilidade de prover o policiamento da região norte da cidade de Londrina; a qual tem uma população aproximada de cento e oitenta mil habitantes. 6ª Companhia Independente de Polícia Militar - Ivaiporã A 6ª CIPM foi criada em 01 de Outubro de 2010, . 7ª Companhia Independente de Polícia Militar - Arapongas A 7ª CIPM foi criada em 01 de Outubro de 2010, e é responsável pelos municípios de Arapongas e Sabáudia.
  • 3° COMANDO REGIONAL DE POLÍCIA MILITAR 4º Batalhão de Polícia Militar - Maringá O 4° BPM foi oficialmente criado em março de 1967; iniciando efetivamente suas atividades em maio do mesmo ano. 7º Batalhão de Polícia Militar - Cruzeiro do Oeste O 7° BPM foi oficialmente criado em 1968, constituído pela então quarta companhia do 4º Batalhão de Polícia Militar; e efetivamente instalado em 3 de julhode 1970. Atualmente (2014) é responsável pelos municípios de Cruzeiro do Oeste, Mariluz, Tuneiras do Oeste, Tapejara, Rondon, Guaporema, Cidade Gaúcha, Nova Olímpia, Tapira, Goioerê, Moreira Sales, Quarto Centenário e Rancho Alegre d'Oeste. 8º Batalhão de Polícia Militar - Paranavaí O 8° BPM foi oficialmente criado em 1968, e efetivamente instalado no dia 30 de junho de 1970, foi criado pelo Decreto Estadual nº 11.586. Sua área de atuação abrange a região Noroeste do Estado do Paraná, atingindo as fronteiras com os Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, atendendo a 35 municípios, sendo: 11º Batalhão de Polícia Militar - Campo Mourão Em 1976 a então 2ª Cia do 7° BPM adquiriu autonomia, passando a denominar-se Companhia Independente de Campo Mourão. Em 1977 essa companhia constituiu-se no 11° Batalhão de Polícia Militar. Responsável pelo policiamento ostensivo e preservação da ordem pública nos municípios de Campo Mourão, Araruna, Corumbataí do Sul, Farol, Iretama, Luiziania, Mamborê, Roncador, Engenheiro Beltrão, Barbosa Ferraz, Fênix, Peabiru, Quinta do Sol, Boa Esperança, Janiópolis, Altamira do Paraná, Campina da Lagoa, Juranda, Nova Cantu e Ubiratã. 25º Batalhão de Polícia Militar - Umuarama O 25º BPM foi oficialmente criado em 29 de Janeiro de 2014, constituído pela antiga 5ª CIPM, e efetivamente instalado em 20 de Março de 2014, com a posse de seu primeiro comandante. 5ª Companhia Independente de Polícia Militar - Cianorte A 5ª CIPM foi criada em 2008, constituída pela 2ª Cia do 7º BPM. Em 29 de Janeiro de 2014 a sede da 5ª CIPM foi transferida de Umuarama para Cianorte(antiga 3ª Cia do 11º BPM).
  • 4° COMANDO REGIONAL DE POLÍCIA MILITAR O 1º BPM originou-se da dissolução do 1º Batalhão de Infantaria em 1952; o que deu origem à formação do Batalhão de Guardas e do Batalhão Policial. A OPM recebeu a denominação de I Batalhão Policial em1953, sendo efetivamente instalado em 25 de maio do mesmo ano. Inicialmente a Unidade tinha sede em Curitiba e era responsável por fornecer o efetivo para os destacamentos do interior do Estado. Em 1967 houve uma remodelação na estrutura operacional da PMPR, e a confusa malha de destacamentos policiais dos batalhões foi concentrada em sete Regiões Policiais Militares (RPM). Os batalhões receberam a designação de Batalhão de Polícia Militar; passando o 1º BPM a ter sua sede na cidade de Ponta Grossa, constituído com uma nova área de operação. 16º Batalhão de Polícia Militar - Guarapuava O primeiro destacamento policial militar de Guarapuava é de 1868, então constituído por seis policiais militares. Em 1976 a então 5ª Cia do 1° BPM adquiriu autonomia e passou a ser designada como 3ª Companhia Independente de Polícia Militar. Em 1984 passou a contar com cento e cinquenta e sete policiais militares. E em 1989 essa companhia foi transformada no 16º Batalhão de Polícia Militar. Em 1996 foi formado o primeiro pelotão de policiais feminas, com quarenta militares, na unidade. 1ª Companhia Independente de Polícia Militar - Lapa A 1ª CIPM foi oficialmente criada em abril de 1977, constituída por destacamentos da 4ª Companhia do 1° Batalhão de Polícia Militar; sendo efetivamente instalada em agosto do mesmo ano. 2ª Companhia Independente de Polícia Militar - União da Vitória A 2ª CIPM foi oficialmente criada em janeiro de 1976, constituída pela 2ª Companhia do 3° Batalhão de Polícia Militar; sendo efetivamente instalada em outubro do mesmo ano. Devido ter sido a cidade de União da Vitória um importante centro de resistência aos revoltosos no Conflito do Contestado, e posição estratégica de onde partiu o Regimento de Segurança (antiga designação da Polícia Militar do Paraná) para o Combate do Irani; em 2004, a 2ª CIPM recebeu do Governo do Estado a denominação de Companhia Heróis do Contestado. 3ª Companhia Independente de Polícia Militar - Telêmaco Borba A 3ª CIPM foi oficialmente criada em 2004, ao adquirir autonomia do 1º Batalhão de Polícia Militar. 8ª Companhia Independente de Polícia Militar - Irati A 8ª CIPM foi criada em 14 de Outubro de 2010.
  • 5° COMANDO REGIONAL DE POLÍCIA MILITAR 3º Batalhão de Polícia Militar - Pato Branco O 3º BPM foi oficialmente criado em 1958, e efetivamente instalado em 8 de julho de 1966. Após anos de reivindicação da população local, as companhias de Francisco Beltrão e Santo Antônio do Sudoeste foram desmembradas e transformadas no 21º BPM. 6º Batalhão de Polícia Militar - Cascavel O 6° BPM foi oficialmente criado em 1968, constituído pela então 3ª companhia do 3º BPM; e efetivamente instalado em 5 de dezembro de 1969. 14º Batalhão de Polícia Militar - Foz de Iguaçu O policiamento de Foz de Iguaçu se iniciou em 1884, com a presença do primeiro policial militar. A partir de então a PMPR se fez presente por destacamentos de diversas unidades: do 1° Batalhão de Caçadores em1900 ao 6° Batalhão de Polícia Militar em 1975. Em 1966 a cidade passou a ser sede da 3ª Companhia do 6º BPM, e em 1975 essa companhia adquiriu autonomia; constituindo-se na 4ª Companhia Independente de Polícia Militar (4ª CIPM). Efetivamente implantada em 1976, com abrangência sobre Santa Terezinha de Itaipu. Em 1985 a 4ª CIPM foi transformada no atual 14° BPM, 19º Batalhão de Polícia Militar - Toledo O 19º BPM foi oficialmente criado em 2004, 21º Batalhão de Polícia Militar - Francisco Beltrão O 21° BPM foi oficialmente criado em 01 de Outubro de 2010.
  • 6° COMANDO REGIONAL DE POLÍCIA MILITAR 9º Batalhão de Polícia Militar - Paranaguá O 9º BPM possui origem no antigo Corpo de Polícia Portuária (CPP), oficialmente criado em 1964. Em 1977 o CPP recebeu a atual designação de 9° Batalhão Policial Militar. 17º Batalhão de Polícia Militar - São José dos Pinhais Antes da criação do 17° BPM o município de São José dos Pinhais era guarnecido pelo 2º Esquadrão do Regimento de Polícia Montada. O 17º Batalhão de Polícia Militar foi criado em 1990, e tinha por objetivo dar atendimento a toda região metropolitana de Curitiba. O efetivo inicial da Unidade foi constituído com integrantes do Regimento de Polícia Montada, 12° Batalhão de Polícia Militar, 13° Batalhão de Polícia Militar, Batalhão de Polícia de Guardas e da Companhia Independente de Polícia de Guarda. A primeira sede do 17º BPM funcionou em uma antiga escola municipal, construída em 1981 no Conjunto Urano. E em 1989 foi colocado em negociação o terreno em que atualmente a unidade funciona. Em 11 de Agosto de 1991 a sede definitiva foi inaugurada no Bairro Costeira, apenas com o prédio principal. Em 1999 foi efetuada uma revitalização das instalações do quartel, sendo inaugurado um campo de futebol e uma pista de corrida. No ano 2009, sob o comando do Tenente-coronel Washington Lee Abe, foi concluída a construção do estande de tiro, onde anteriormente havia um depósito de pneus. A construção contou com o apoio de pessoas da comunidade e de policiais militares; os quais dedicaram-se para que em 1 de julho de 2010 o estande fosse inaugurado, recebendo a denominação de Coronel Keiji Abe. 22º Batalhão de Polícia Militar - Colombo O 22° BPM foi oficialmente criado em 21 de Maio de 2012, constituído pela 4ª e 5ª Companhia do 17° BPM. Batalhão de Polícia de Guardas - Piraquara
  • 7° COMANDO REGIONAL DE POLÍCIA MILITAR O 7º CRPM, também denominado como Comando de Operações e Eventos, está sediado em Curitiba, e é responsável pelos policiamentos especializados de todo o Estado do Paraná. Regimento de Polícia Montada – Curitiba Batalhão de Polícia Militar Ambiental – Curitiba Batalhão de Polícia Militar Rodoviária – Curitiba Batalhão de Polícia Militar Escolar – Curitiba Batalhão de Operações Especiais – Curitiba Batalhão de Polícia de Fronteira - Marechal Cândido Rondon Centro de Operações Policiais Militares (COPOM) - Curitiba
  • PELOTÕES DE CHOQUE COMANDOS REGIONAIS DE POLICIA MILITAR
  • UNIDADES DE APOIO AS OPERAÇÕES ESPECIAIS DA PMPR
  • O BATALHÃO DE POLÍCIA DE GUARDAS (BPGd) é uma Organização Policial Militar (OPM) da Polícia Militar do Paraná, especializada no policiamento do sistema prisional do Estado. HISTÓRIA Desde a emancipação política do Paraná, em 1854, a corporação manteve policiamentos nas cadeias públicas dosmunicípios. Em 1897 a Cadeia Pública de Curitiba incendiou-se; passando os presos a serem mantidos no quartel do Regimento de Segurança (antiga denominação da PMPR). Em 5 de janeiro de 1909 foi inaugurado o Presídio doAhú na capital do Estado, onde a polícia militar passou a manter um destacamento de segurança; inicialmente comandado por um sargento e posteriormente por um oficial. Após a criação do Batalhão de Guardas em 1952, uma companhia passou a residir anexa ao presídio. Em 1964 essa companhia adquiriu autonomia, passando a designar-se como Corpo de Polícia de Estabelecimentos Penais (CPEP). E com a reorganização da PMPR em 1977, a unidade foi renomeada para Batalhão de Polícia de Guardas. MISSÃO A principal missão do BPGd é dar segurança aos estabelecimentos penais do Estado. Cita a Lei de Organização Básica (LOB) da PMPR: Batalhão (Cia e Pel) de Polícia de Guardas (BPGd, Cia Pgd e Pel Pgd): encarregado do policiamento ostensivo normal, visando a guarda e segurança de estabelecimentos públicos, em particular, a sede dos poderes públicos Estaduais, a residência dos chefes desses poderes e a de personalidades nacionais e estrangeiras, presídios e outros estabelecimentos penais, bem como a fiscalização fazendária. Além das unidades do sistema prisional atendidas, o BPGd também executa a segurança externa do Educandário São Francisco, bem como, disponibiliza policiais para auxiliar na segurança do Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (CIAADI), do Patronato Penitenciário, do Fórum Criminal, do Fórum de Execuções Penais (FEP), do Tribunal do Júri, dentre outros. O BPGd presta ainda, fundamental apoio ao Comando do Policiamento da Capital, ao qual é subordinado operacionalmente, no policiamento ostensivo das proximidades de seus aquartelamentos e principalmente no entorno das
  • diversas Unidades Prisionais subordinadas ao Departamento Penitenciário em Curitiba eRegião Metropolitana, sob custódia do Batalhão. DESDOBRAMENTO OPERACIONAL Cadeia Pública de Curitiba - Incêndio ocorrido em 1897. A Cadeia Pública de Curitiba seguia o modelo estabelecido pela legislação do Império, com sino do povo, relógio, prisão e enxovias. Ela foi construída entre a Praça Matriz (Praça Tiradentes) e o Largo do Mercado (Praça Generoso Marques). Sua construção se iniciou em 1811, em substituição à antiga Cadeia Velha da Rua da Ladeira (Rua Dr. Muricy). Veículo para o transporte de presos do antigoPresídio do Ahú - 1909. Essa viatura foi adquirida em 1904 e permaneceu em uso até 1924. 1ª Companhia de Polícia de Guardas Sede: Piraquara. Complexo Médico Penal (CMP) em Quatro Barras; Casa de Custódia de São José dos Pinhais (CCSJP); Policiamento ostensivo na cidade de Piraquara. 2ª Companhia de Polícia de Guardas[editar | editar código-fonte] Sede: Piraquara - Vila Militar. Penitenciária Central do Estado (PCE); Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP); Penitenciária Feminina do Paraná (PFP);
  • REGIMENTO DE CAVALARIA DA PMPR DENOMINAÇÃO Desde 1890, exceto nos períodos de conflito, a Unidade sempre foi classificada como esquadrão. Em 1955 passou a denominar-se como Corpo de Polícia Montada, composto por dois esquadrões convencionais, um esquadrão demetralhadoras (com dois pelotões), e uma banda de clarins. Em 19685 passou a chamar-se Regimento de Polícia Montada, com a denominação de Coronel Candido Dulcídio Pereira, homenagem ao comandante do Regimento de Segurança morto em combate em 1894, naRevolução Federalista. CAVALARIA & POLÍCIA MONTADA O termo cavalaria tem origem na palavra sânscrita akva, cuja acepção é ―combater em vantagem‖. Inicialmente se referia ao emprego de arqueiros em plataformas sobre elefantes, que posteriormente se estendeu ao uso de camelos e cavalos. Os romanos designavam o animal para combate, como caballus, corruptela de akva; diferenciando-o de equus, o animal para tarefas gerais. A palavra cavalaria designa a Arma de guerra, cujas principais características se constituem na flexibilidade, capacidade de manobra, ação de choque, e potência de fogo. Sua missão é realizar o reconhecimento e buscar o contato com o inimigo, precedendo as demais Armas; prover a segurança dos movimentos; e executar manobras envolventes e profundas, procurando o embate de forças. Desde a Segunda Guerra Mundial, a cavalaria passou a ser constituída por veículos blindados; e na Guerra do Vietnam, o exércitoamericano criou a primeira Unidade de Cavalaria com helicópteros. O termo polícia montada designa explicitamente isso: policiais montados.
  • Não necessariamente a cavalo, pois a Polícia Militar do Estado do Pará realiza policiamento montado com búfalos. Em todos os exércitos já existiu infantaria montada, artilharia montada, etc.. Ou seja, o cavalo usado como mero meio de locomoção. Porém, é importante ressaltar que a polícia montada, em determinadas situações, pode também constituir-se em Arma de cavalaria. HISTÓRIA DA CAVALARIA DA PMPR IMPÉRIO Na Lei de criação da PMPR já se previa a constituição de uma seção de cavalaria. Composta por dez soldados e dois cabos, comandados por um segundo sargento. A Lei Provincial n° 61, de 26 de março de 1861, aumentou o efetivo para um alferes, um sargento, dois cabos e dezesseis soldados. Em 1866 foram adquiridos três animais, mas não foram comprados os arreios. Tudo não passou de projeto, pois não havia condições financeiras para manter a estrutura. Quando necessário, o Presidente da Província recorria à Guarda Nacional e ao Exército. Em 1879 foram comprados seis cavalos para diligências policiais. E embora esses animais tenham sido vendidos em 1882, esse foi o primeiro núcleo efetivo de policiamento montado na PMPR. REPÚBLICA Com Proclamação da República e a consequente mudança da Constituição Federal, ficou vetado o emprego de tropas federais pelos Estados; sendo somente então verdadeiramente estruturada uma tropa de cavalaria. A primordial missão da cavalaria era a escolta ao Presidente do Estado, em todos seus deslocamentos; o patrulhamento noturno do palácio do governo e da residência das principais autoridades; servindo ainda como tropa de choque em situações críticas, e realizando diligências ao interior do Estado. Por esse motivo, o regulamento prescrevia que seu efetivo não podia ser usado em destacamentos fora da Capital.
  • ATUALIDADE Com o fim do Estado Novo foi dado um novo direcionamento para as polícias militares; passando a cavalaria a denominar-se polícia montada. DESDOBRAMENTO DA UNIDADE: 1° Esquadrão de Polícia Montada Policiamento montado na cidade de Curitiba. Operações de Choque, Controle de Distúrbios Civis e Reintegrações de Posse. 2° Esquadrão de Polícia Montada Policiamento montado na cidade de Curitiba; Escolta com lanceiros.
  • 3° Esquadrão de Polícia Montada (Esquadrão Escola) Responsável pela formação e especialização de policiais militares de tropa hipo; Formação e preparação dos eqüinos para todas as atividades do RPMon; Escola de Equitação (Representação Desportiva); Escola de Volteio (Apresentações Artísticas), Banda de Clarins, Equoterapia e Projeto Formando Cidadão. 4° Esquadrão de Polícia Montada Integra o Comando dos (eventuais) destacamentos no Interior do Estado, e de Parques Turísticos; tais como: Haras Tamandaré (Parque Hípico dos Lagos); Haras Palmital; Parque dos Tropeiros; Parque da Ciência (antigo Parque Castelo Branco); Pelotão Montado de Londrina; Pelotão Montado de Cascavel; Pelotão Montado do Presídio Central do Estado. MISSÃO Executar o policiamento montado nos locais de acesso restrito, em parques públicos, e em locais de grande movimentação de pessoas; suplementando a atuação das demais Unidades Operacionais de Área (UOp).
  • Por sua natureza especial, é empregado no policiamento externo de futebol, shows, carnaval, eleições, comícios, passeatas, carreatas, parques de exposição, festivais musicais e folclóricos. Realiza policiamento especializado em representações solenes, e escolta de lanceiros para dignitários. Extraordinariamente, pode ser empregado em situações de distúrbios civis, reintegrações de posse e calamidades públicas. Policiamento de choque - 2010.
  • POLICIA PORTUÁRIA O 9° Batalhão de Polícia Militar (9° BPM) é uma Organização Policial Militar (OPM) da Polícia Militar do Paraná, responsável pelo policiamento da cidade de Paranaguá e região. HISTÓRICO Paranaguá recebeu seu primeiro destacamento ainda em 1854, no mesmo ano de criação da PMPR, constituído por treze praças subordinados a um alferes. Entretanto, o comando superior desse policiamento sempre permaneceu em Curitiba. Em 1961 o Comando Geral da Corporação enviou um capitão, para junto à Secretaria de Viação e Obras Públicas, organizar um Corpo de Polícia Portuária (CPP). Em 1964 foi oficialmente criado o CPP com a missão exclusiva de dar segurança ao Porto de Paranaguá. Ainda assim, os destacamentos policiais da região litorânea permaneceram subordinados à Capital. Em 1967 foi criada a 6ª Região Policial Militar (RPM) com sede em Paranaguá; passando os destacamentos policiais do litoral a subordinarem- se ao CPP. Em 1969 a 6ª RPM passou a denominar-se 2ª RPM. Em 1977 o CPP recebeu a atual designação de 9° Batalhão Policial Militar.6 Curiosamente permaneceu subdividido em Companhia Policial Militar, com sede em Paranaguá, e Companhia Portuária, para a segurança do porto; e os demais destacamentos permaneceram designados simplesmente como Destacamentos Policiais Militares (DPM), sem serem alocados em companhias. Em 2008 foi aprovada a autonomia da Companhia Independente de Polícia Portuária, a qual passou ser encarregada do policiamento ostensivo nos portos de Antonina e Paranaguá. Entretanto ela foi reincorporada ao 9° BPM em outubro de 2010, sem interrupção de suas atividades operacionais.
  • DESDOBRAMENTO OPERACIONAL 1ª Companhia de Polícia Militar] 1° Pelotão - Paranaguá; 2° Pelotão - Paranaguá; 3° Pelotão - Paranaguá. 2ª Companhia de Polícia Militar 1° Pelotão - Matinhos; 2° Pelotão - Pontal do Paraná; 3° Pelotão - Guaratuba. 3ª Companhia de Polícia Militar 1° Pelotão - Morretes; 2° Pelotão - Antonina; 3° Pelotão - Guaraqueçaba. Destacamento - Tagaçaba. Policiamentos especializados Canil; Patrulha Rural; ROTAM.
  • O BATALHÃO DE POLÍCIA DE TRÂNSITO (BPTran) é uma Organização Policial Militar (OPM) da Polícia Militar do Paraná (PMPR), especializada no policiamento de trânsito urbano. O batalhão está subordinado ao 1º Comando Regional, o qual é responsável pelo policiamento do Município de Curitiba. HISTÓRIA Desde 1913 o policiamento de trânsito era feito exclusivamente pela Guarda Civil do Paraná, segmento uniformizado da atual Polícia Civil do Estado. Em 1952, por entendimento entre o Chefe de Polícia e o Diretor do Departamento de Trânsito, esse serviço passou a ser realizado também pela Polícia Militar. O Boletim do Comando Geral n° 49, de 28 de fevereiro de 1952, designou então o Primeiro Tenente Reinaldo José Machado para selecionar, instruir, chefiar, e por em prática essa atividade; a qual passou a denominar-se como Serviço de Guardas Sinaleiros de Trânsito da Polícia Militar. Em 1953, pelo Boletim do Comando Geral n° 111, de 21 de maio, esse policiamento tornou-se independente e passou a designar-se como Companhia de Guardas Sinaleiros de Trânsito, constituída pela 2ª Cia do Centro de Preparação Militar (CPM). Em 28 de julho de 1973, sob o comando do Tenente-coronel Plínio Walger, foi criado o Pelotão de Motociclistas. Esse pelotão foi formado por cinquenta policiais militares, com vinte e cinco motocicletas Honda, 125 CC; que, além do policiamento normal de trânsito, passou também a realizar escoltas e apoio imediato a ocorrências excepcionais. Em 10 de agosto de 1981, a Polícia Feminina passou a executar policiamento de trânsito. Para marcar o início das atividades foi realizada uma cerimônia na Praça Rui Barbosa, com a presença do Comandante-geral, o Coronel Dirceu Ribas Correa, e o comandante do BPTran, Nelson Grechen.O policiamento iniciou com trinta e seis policiais femininas, cuja missão era policiar a área central de Curitiba. Estrutura operacional Batalhão de Polícia de Trânsito 1ª Companhia de Polícia de Trânsito 2ª Companhia de Polícia de Trânsito 3ª Companhia - Companhia Tático Móvel de Trânsito (COTAMOTRAN)
  • MISSÃO O policiamento de trânsito urbano prioriza a atuação preventiva através do posicionamento ostensivo; procurando dessa forma induzir os motoristas, a uma maior atenção e acatamento das normas do Código de Trânsito Brasileiro e das resoluções do Contran. Realiza bloqueios programados com o objetivo de reprimir o roubo e furto de veículos, bem como coibir abusos por parte dos condutores, e proporcionar segurança, fluidez e acessibilidade às vias de tráfego. Proporciona escolta e apoio às operações de bombeiros, polícia de choque, e de eventos especiais. UNIFORMES Moto antiga do Batalhão de Controle de Tráfego. No Paraná o policial de trânsito é caracterizado pela cobertura (capacete, quepe, boné, etc.) em cor branca; a qual está em uso desde a criação do serviço em 1952. DENOMINAÇÕES 1952 - Serviço de Guardas Sinaleiros de Trânsito ; 1953 - Companhia de Guardas Sinaleiros de Trânsito; 1955 - Batalhão de Sinaleiros de Trânsito; 1964 - Batalhão de Controle de Tráfego; 1976 - Batalhão de Polícia de Trânsito.
  • POLICIA RODOVIARIA ESTADUAL HISTÓRIA DO BPMRV O policiamento rodoviário foi criado no Departamento de Estradas de Rodagem (DER) em 1946, com a designação de Polícia de Estradas. Em 1951 a Polícia de Estradas passou a denominar-se Polícia Rodoviária e a ser comandada por um oficial da Polícia Militar, o então Capitão Benedito Evangelista dos Santos. Dando-se aí o início de uma longa disputapolítica pelo controle dessa modalidade de policiamento. Em 1953 o comando da PRv retornou ao controle do DER. Em 1959 voltou a ser comandada por um oficial da PMPR. Em 1960 passou a ser uma corporação mista, constituída por civis e militares; sendo incluídos os primeiros praças da PMPR. Em 1962 foi oficializado o policiamento rodoviário na estrutura da Polícia Militar. Em 1963 foi oficializado o policiamento rodoviário, realizado por civis, na estrutura do DER. Em 1964 o efetivo foi aumentado, regulamentando-se o Corpo de Polícia Rodoviária da Polícia Militar. Nesse período o policiamento rodoviário apresenta-se em duplicata, constando tanto na Secretaria de Transporte quanto na Secretaria de Segurança. O impasse somente se resolveu com a publicação do Decreto-Lei Federal n° 317, de 13 de março de 1967, o qual reorganizou as polícias militares de todo país, e estabeleceu que o policiamento ostensivo uniformizado era exclusividade das polícias militarizadas. A Emenda Constitucional n° 1, de 08 de maio de 1967, extinguiu o policiamento rodoviário por civis do DER; dando-se a prerrogativa a seus integrantes em optarem pelo DER, como funcionários civis, ou pela PMPR, como policiais militares, realizando estágio de capacitação na APMG.
  • Em 1968 os civis foram incluídos na Polícia Militar, classificados em um quadro especializado em policiamento rodoviário. Pela Lei n° 6.774, de 08 de Janeiro de 1976, a corporação passou a denominar-se Batalhão de Polícia Rodoviária. Pela Portaria do Comando Geral nº 121, de 01 de Fevereiro de 2013, passou a designar-se Batalhão de Polícia Militar Rodoviária. MISSÃO DO BPMRV O policiamento rodoviário abrange todo o Estado do Paraná; sendo empregado nos locais de risco de acidentes, priorizando sempre a atuação preventiva. Atua nas rodovias estaduais, procurando induzir os motoristas a uma maior atenção e acatamento das normas doCódigo de Trânsito Brasileiro e das resoluções do Contran. Realiza bloqueios programados com o objetivo de reprimir o furto e roubo de veículos e cargas; tráfico deentorpecentes e contrabando; bem como coibir abusos por parte dos condutores, e proporcionar segurança, fluidez e acessibilidade às vias de trafego. O BPMRv exerce suas atividades em estreita harmonia e cooperação com o DER/PR, e realiza ações educativas junto às escolas; promovendo palestras e campanhas para a divulgação e orientação da segurança nas rodovias.
  • O BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR AMBIENTAL é uma Organização Policial Militar (OPM) da Polícia Militar do Paraná (PMPR), especializada em policiamento ambiental; tendo sido a segunda unidade policial militar especializada nesse tipo de policiamento a ser criada no Brasil. HISTÓRIA A criação de uma Guarda Florestal, na Secretaria Estadual de Agricultura (SEAG), estava prevista na Lei n° 2.509, de 23 de novembro de 1955, quando a Divisão Florestal foi anexada ao Departamento de Produção Vegetal. A efetivação dessa Guarda nunca ocorreu, pois pressupunha a criação de uma estrutura autônoma de fiscalização. A competência pelo policiamento florestal foi então repassada para a Polícia Militar, com vinculação à SEAG. A Lei n° 3.076, de 04 de abril de 1957, previu seu efetivo, inicialmente como uma companhia, mas foi somente a partir de 18 de setembro de 1962 que a Polícia Florestal passou verdadeiramente a existir; após a especialização de um grupo de oficiais, e a conclusão de um curso especial para os praças. Os primeiros destacamentos foram nos Parques Estaduais de Vila Velha, Campinhos, e Monge da Lapa. Em 1967 a corporação passou a denominar-se Corpo de Polícia Florestal. E em 24 de agosto de 1970, por um acordo com o Governo Federal, a Polícia Florestal assumiu a responsabilidade pelo Parque Nacional do Iguaçu, na cidade de Foz do Iguaçu. Assumindo também nesse mesmo ano a Floresta Nacional de Irati, na cidade de Irati. Em 1974 passou a designar-se Batalhão de Polícia Florestal. Recentemente, em 2005, recebeu a atual denominação de Batalhão de Polícia Ambiental. Pela Portaria do Comando Geral nº 121, de 01 de Fevereiro de 2013, passou a designar-se Batalhão de Polícia Militar Ambiental. MISSÃO .A missão primordial da Polícia Militar Ambiental é zelar pelo cumprimento da legislação ambiental de defesa da flora efauna silvestres em todo o Estado do Paraná; atuando preventivamente no sentido de orientar e dissuadir as transgressões. Realizar a prisão de infratores no cometimento de crimes ambientais; os encaminhando para a lavratura do flagrantee inquérito policial;
  • Suas atividades são exercidas em estreita harmonia e cooperação com órgãos de proteção ambiental, tais como: o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMA), Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA), dentre outros. ATUAÇÃO Mineração: emissão de poluentes, poluição, transporte de cargas perigosas, etc.. Fauna: caça, pesca, transporte, maus tratos, cativeiro, tráfico, etc.. Flora: desmatamento, transporte, comércio ilegal, etc.. MODALIDADES DE POLICIAMENTOS Policiamento ostensivo a pé; Policiamento motorizado; Policiamento montado; Policiamento de trânsito; Policiamento com embarcações; Policiamento com aeronaves. Ronda Ostensiva Tático Móvel da Polícia Militar Ambiental (ROTAM) - tipo especial de policiamento que atua em ocorrências que necessitam de técnicas e pessoal especializado.
  • FORÇA VERDE
  • CAER - CENTRO DE OPERAÇÕES AÉREAS Em 2002 foi criado no Paraná o Centro de Operações Aéreas (CAER), diretamente subordinado à Secretaria de Segurança Pública, conjuntamente constituído por efetivo da Polícia Militar e Polícia Civil. MISSÃO DO CAER O CAER tinha por finalidade a execução de operações aéreas policiais e de resgate, de acordo com as missões institucionais da Polícia Militar e Polícia Civil do Estado do Paraná; podendo ainda atuar na Defesa Civil, quando determinado pelo Governador do Estado. ESTRUTURA ADMINISTRATIVA Aeronaves do CAER Foram adquiridos dois helicópteros Bell 206L4 Jet Ranger, devido permitirem transportar sete pessoas. Dessa forma podia ser usado pelo Corpo de Bombeirosno resgate de feridos pelo SIATE ou, eventualmente, no transporte de uma equipe de operações especiais. As aeronaves foram designadas como: Gralha 1 eGralha 2, em homenagem à gralha- azul, ave símbolo do Estado do Paraná. Em 2002 as Gralhas foram pintadas na cor cinza. Entretanto, devido ao baixo contraste apresentado, foram repintadas em 2003, na cor laranja com listras pretas. Pintura em 2002 Pintura em 2003 Em junho de 2003 o CAER foi dissolvido. A PMPR ainda tentou realocar as aeronaves e propôs a constituição de um Esquadrão Aéreo (ESAer). Entretanto o projeto não foi aceito e as aeronaves (locadas) devolvidas. Em 2005 foi oficializada a extinção da CAER. SERVIÇO AEROPOLICIAL Desde 1992 a Seção de Transporte Aéreo já operava com dois helicópteros Bell 206 B3 (Falcão I e Falcão II). Essas aeronaves foram adquiridas para uso do governo estadual, mas também atuavam em atividades de segurança
  • pública. Mesmo durante a existência do CAER esses helicópteros permaneceram independentes, empregados basicamente no acompanhamento a ocorrências policiais e transporte de guarda-vidas na temporada de veraneio (Operação Verão). Em 2009 foi adquirido mais um helicóptero (Helibrás EC 130 B4) para operar nas mesmas condições dos outros dois aparelhos; além de servir também para transporte de feridos pelo SIATE, pois a sua configuração possui mais conforto e espaço. Em junho de 2010 foi instituído o Serviço Aeropolicial, subordinado ao Chefe da Casa Militar. A missão do Serviço Aeropolicial era, além de dar apoio aogoverno federal, estadual e municípios, realizar ações de defesa civil, operações policiais, resgates, buscas e salvamentos terrestres e aquáticos, e atendimento pré- hospitalar (SIATE). GRUPAMENTO AEROPOLICIAL - RESGATE AÉREO Em outubro de 2010 o Serviço Aeropolicial foi transformado em Grupamento Aeropolicial - Resgate Aéreo (GRAER) e passou a subordinar-se ao Subcomandante-geral da Polícia Militar do Paraná. Entretanto em 2011 voltou a subordina-se à Secretaria de Segurança Pública, e passou a receber efetivo da Polícia Civil do Paraná.
  • BRASÃO DO GRAER O brasão de armas do GRAER é composto por um escudo em forma circular, com o grifo ao centro, encimado por duas pistolas de bucaneirodouradas, cruzadas, tendo em sua parte inferior uma estrela de cinco pontas representando a estrela de Magalhães. O escudo é circundado por uma corda de ouro, que simboliza as ações de salvamento e dele saem um par de asas de metal, com rebites de aço, simbolizando a natureza aérea da unidade, e sua constituição metalizada representando sua blindagem e força na preservação da ordem pública. Como timbre, faixa em arco de sable contornada de ouro com a expressão "GRAER" no mesmo metal. MISSÃO DO GRAER Atuar nas ações de busca, resgate e salvamento a vítimas de acidentes ou traumas em áreas urbanas, rurais e rodovias; Realizar busca e salvamento terrestre e aquático; Realizar operações aéreas de segurança pública e de defesa civil, que compreendem as atividades típicas de polícia administrativa, preventiva, de bombeiros e de defesa civil; Apoiar órgãos federais, estaduais e municipais que necessitem do emprego de aeronaves; Realizar o patrulhamento urbano, rural, ambiental, litorâneo e de fronteiras; Promover ou apoiar ações de inteligência; Apoiar o cumprimento de mandados judiciais; Atuar em ações de controle de tumultos, distúrbios civis e motins; Promover escoltas e transporte de dignitários, Promover escoltas e transporte de presos, Promover o transporte de valores e cargas; Promover transporte aero-médico, transporte de enfermos, órgãos humanos e resgate; Promover o controle de tráfego rodoviário, ferroviário e urbano; Realizar a prevenção e combate a incêndios; Outras missões de preservação da ordem pública, conforme diretrizes operacionais da Secretaria de Estado da Segurança Pública.
  • BATALHÃO DE FRONTEIRA O 24º Batalhão de Polícia Militar, denominado Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron), é uma unidade da Polícia Militar do Paraná especialmente constituída para o combate a crimes na tríplice fronteira e no Lago de Itaipu. O BPFron é o primeiro batalhão de polícia de fronteira do país, resultado de uma parceria entre o governo federal, através do Programa de Estratégia Nacional de Segurança Pública nas Fronteiras (ENAFRON) , e o governo do Estado do Paraná. HISTÓRICO O controle das fronteiras brasileiras é da competência do governo federal. Entretanto, apesar das imensas extensões terrestres e marítimas, o Brasil não possui polícia de fronteira ou guarda costeira. Sendo a segurança realizada por uma complexa sobreposição de instituições militares (forças armadas), policiais (polícias federais e estaduais) e civis (Receita Federal, aduanas, etc.). DEFINIÇÃO DE FAIXA DE FRONTEIRA O Brasil faz fronteira com todos os países da América do Sul, à exceção do Chile e do Equador, e seus limites se estendem por 15.719 quilômetros de extensão. No período do Império a medida estabelecida como faixa de fronteira era de dez léguas (66 Km). Após a Revolução de 1930 a extensão foi alterada, primeiramente para cem e depois para cento e cinquenta quilômetros. Em 1979 a Lei 6.6344 definiu a Faixa de Fronteira como o espaço territorial de cento e cinquenta quilômetros que adentra o interior do Brasil a partir da linha limítrofe entre o país e os seus vizinhos. Atualmente (2013) essa região abrange onze estados da federação e quinhentos e oitenta e oito municípios.
  • SEGURANÇA NA FRONTEIRA Os municípios que possuem qualquer porção do seu território dentro de uma Faixa de Fronteira são considerados municípios de fronteira, sendo regidos por leis específicas. Equiparar as forças policiais do Brasil com as dos países vizinhos, em termos de efetivo e estrutura, com barcos e armamentos; Aprofundar a cooperação na área de segurança entre o Brasil e os países vizinhos, por meio de um Centro Integrado de Fiscalização de Fronteiras que privilegie a coordenação das ações e o compartilhamento de informações; Aumento do número de postos policiais na Faixa de Fronteira; Monitoramento do espaço aéreo para evitar contrabando agrícola por aviões clandestinos; Aumentar a estrutura da vigilância sanitária na fronteira e integrar as campanhas de vacinação do rebanho entre o Brasil e os países vizinhos; Acompanhamento da situação de assentamentos agrícolas nas áreas de fronteiras. PROJETO DE POLICIAMENTO ESPECIALIZADO NA FRONTEIRA O Projeto de Policiamento Especializado na Fronteira (PEFRON) é uma iniciativa que visa a fortalecer as polícias dos Estados que fazem divisa com outros países, criando grupos especializados para atuarem de forma preventiva e repressiva nos limites desses Estados.
  • PRINCIPAIS OBJETIVOS DO PEFRON: Foco nas comunidades de fronteira e abrangência nacional do PEFRON; Formação de Gabinetes de Gestão Integrada (GGI) que articulam estratégias locais e regionais; Valorização profissional com os equipamentos e pagamento de gratificações para os polícias que atuarão nas faixas de fronteira; Previsão de reinvestimento após segundo ano de implantação do PEFRON; Articulação com ações das polícias federais (Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal); Articulação com ministérios (Fazenda, Saúde, Defesa, Meio Ambiente, Integração Nacional e Agricultura); Curso de nivelamento pela Força Nacional; Bases móveis com suporte de trabalho de perícia técnica (exames de laboratório) e de polícia civil; Suporte aéreo e fluvial para ações itinerantes do PEFRON; Utilização de tecnologias não-letais; Novas alternativas tecnológicas para integração das comunicações. Integração entre organismos estaduais e federais de segurança pública.
  • BATALHÃO DE POLÍCIA MILITAR DE FRONTEIRA Na Polícia Militar o policiamento de fronteira se iniciou em 01 de Julho de 2009, com a criação da Companhia Independente de Policiamento e Operações de Fronteira (CIPOFron). ― encarregada do combate e repressão aos ilícitos cometidos nas regiões de fronteira e de divisa com o Estado do Paraná, coibindo enfaticamente os crimes relacionados ao tráfico de armas e de drogas, através de operações terrestres, aéreas, aquáticas e ribeirinhas, conforme Missões determinadas ou Planos de Operações estabelecidos pelo Comandante-Geral da PMPR. ‖ O efetivo inicial da CIPOFron era de uma companhia com dois pelotões, todos com curso de operações especiais; contando ainda com o reforço de um pelotão da Força Verde e de um pelotão da Polícia de Choque. A previsão era de que em dois anos o efetivo passasse a ser constituído por um batalhão, entretanto a oficialização do batalhão somente ocorreu em 6 de junho de 2012. Também foi estabelecido que o tempo de permanência do policial militar na Unidade, independente do posto ou graduação, seria de no máximo dois anos; podendo o policial militar retornar somente após haver decorrido quatro anos de sua última movimentação. No início a unidade estava subordinada, operacional e administrativamente, ao Comandante-geral da PMPR. E tinha sua sede a cidade de Guaíra, com o destacamento de um pelotão em Santa Helena. A partir de 12 de janeiro de 2011 passou a subordinar-se ao 5º Comando Regional de Policia Militar ; sendo realocada para o município de Marechal Cândido Rondon. Essa mudança foi motivada pelo o acordo estabelecido entre a prefeitura, que passou a suprir as despesas, as melhorias e o aluguel das instalações da unidade; objetivando atender ocorrências e operações policiais nos demais municípios da região. A definição de município não implica alterações quanto à sua missão, a qual permanece com sua área de atuação na região de fronteira do Estado do Paraná, sem qualquer tipo de modificação em relação às áreas de circunscrição de Comandos Regionais de Polícia Militar (CRPM) ou das Áreas Integradas de Segurança Pública (AISP).
  • JURISDIÇÃO E MISSÃO DO BPFRON O BPFron atende a cento e trinta e nove cidades da região fronteiriça, com 2.372,896 mil habitantes. A principal missão do Batalhão de Fronteira é estar capacitado a atuar no Lago de Itaipu. O lago possui 170 km de extensão, com cerca de trezentos locais que servem como portos clandestinos. Há ainda sessenta ilhas, das quais quarenta e quatro são brasileiras, que facilitam a ação do crime organizado. DESDOBRAMENTO OPERACIONAL 1ª Companhia de Polícia de Fronteira[editar | editar código-fonte] Sede: Marechal Cândido Rondon. P/1 - Seção de Pessoal - Subseção de Justiça e Disciplina P/2 - Seção de Informações P/3 - Seção de Operações P/4 - Seção de Logística - Tesouraria, Almoxarifado e Transportes P/5 - Seção de Relações Públicas 2ª Companhia de Polícia de Fronteira Sede: Guaíra. 3ª Companhia de Polícia de Fronteira Sede: Santo Antônio do Sudoeste.
  • COMANDO DE OPERAÇÕES DE BUSCA E REPRESSÃO ANFÍBIO] O Comando de Operações de Busca e Repressão Anfíbio (COBRA) é uma subunidade do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron), especializada em apreensões e operações aquáticas em todo território de fronteira do estado do Paraná. O grupo possui embarcações potentes que permitem velocidade e autonomia na água para interceptar qualquer tipo de embarcação clandestina que navegue na área
  • FORÇA ALFA
  • ROTAM – RONDA TATICO MOTORIZADAS EM APOIO DAS OPERAÇÕES ESPECIAIS
  • RONDA TÁTICO MOTORIZADA - ROTAM A ROTAM é uma força policial qualificada para dar atendimento a ocorrências de maior potencial de risco. Criada pela Diretriz 006/2004 do Comando-Geral da Polícia Militar do Paraná, substituiu a RONE, e vem sendo empregada, diuturnamente, em reconhecimento de áreas urbanas e rurais, localização e prisão de quadrilhas do crime organizado, segurança de áreas conflagradas, tanto rurais quanto urbanas, roubos a banco, assaltos com reféns, latrocínio e homicídios, furtos e roubos de veículos, entre muitas outras alterações que exigem a pronta ação de equipes adestradas. Além de agir nestas situações, a ROTAM, desenvolve policiamento ostensivo- preventivo, seja atuando em blitze juntamente com o Pelotão de Trânsito, seja patrulhando áreas consideradas críticas. As equipes da ROTAM, submetidas a treinamento profissional contínuo são empregadas em quaisquer locais do Estado, quando situações de graves alterações exigirem, como em reintegração de posse de terras em conflitos agrários, rebeliões em cadeias e penitenciárias, tumultos generalizados e outras situações em que o efetivo normal prescinda de reforço para o sucesso das ações policiais no restabelecimento da ordem e da paz públicas. Somam-se ao profissionalismo das equipes, viaturas, equipamentos e armamentos especiais, aspecto que distingue o policial dos demais integrantes da Corporação, prestando-se às estratégias do comando diante de ocorrências mais complexas. Participa das Operações Especiais desenvolvidas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública incluindo também ações preventivas. Todas as ações resultaram na queda significativa dos índices criminais, com apoio e boa receptividade das comunidades e autoridades locais.
  • Neste ano, as equipes da ROTAM estiveram presentes também em grandes eventos como rodeios, exposições, feiras, entre outras festividades, assegurando a tranquilidade e a segurança dos frequentadores. A ROTAM, polícia especializada e treinada para executar operações de risco, que pode incluir ataques coordenados a alvos selecionados, tais como criminosos fortemente armados em locais abrigados entre outros. É tipicamente equipada com armamento mais pesado do que a polícia comum, incluindo submetralhadoras, carabinas de longo alcance, granadas de gás lacrimogêneo e outras granadas de mão. .
  • BOINAS AZUIS DA PMPR
  • MISSÕES DE PAZ DA ONU O aumento de operações de paz pelas Nações Unidas veio acompanhado da necessidade de membros mais especializados e melhor treinados. Os primeiros policiais militares do Paraná a integrarem uma missão de paz da ONU atuaram como observadores policiais da UNPROFOR (United Nations Protection Force), durante a Guerra da Bósnia em 1993. O objetivo da UNPROFOR era criar condições de paz e segurança necessárias à consecução de um acordo geral na Bósnia e Herzegovina. Essa missão é considerada uma das mais complexas missões desenvolvida pelas Nações Unidas, dadas as características peculiares do conflito. Desde então a corporação tem disponibilizado efetivo para diversas missões da ONU. HAITI 2011 - O Tenente Leandro de Azevedo assumiu a função de Supervisor Cinotécnico da MINUSTAH; atuando no combate ao tráfico de drogas ilícitas. GUINÉ BISSAU 2011 - O Tenente Moisés Ceschin atuou como coordenador e instrutor no treinamento de policiais. E também auxiliou na implantação do policiamento comunitário; participando da inauguração da 1ª Esquadra Modelo de Polícia Comunitária. 2012 - Os capitães Claudio Prus (polícia militar) e Ícaro Gabriel Greinert (corpo de bombeiros) deram seguimento às atividades do 1º Tenente Moisés Ceschin. 2014 - Outros policiais militares da PMPR também encontram-se a serviço da ONU na UNIOGBIS (United Nations Integrated Peacebuilding Office in Guinea- Bissau).
  • SUDÃO DO SUL 2013 - O Tenente Juan Abreu coordenou a implantação do policiamento comunitário. No primeiro mês trabalhou no Gender Children Vulnerable People Protection(GCVPP), monitorando ocorrências envolvendo mulheres, crianças e vulneráveis, inclusive acompanhamento em prisões . 2014 - Os tenentes Anderson Pakuszewski e Rodrigo Kravetz de Oliveira assumiram as funções de Team Leader no CSB Pibor e Team Leader da patrulha no IDP Camp; exercendo apoio ao programa de distribuição de alimentos promovido pela agência WFP (World Food Program). A tarefa principal dos UNPOLs é de garantir a ordem no campo e a integridade das pessoas nos IDPs. TIMOR LESTE 2012 - O Tenente Alan Sacchelli desempenhou a função de Subcomandante do Distrito Policial (Deputy- District Commander) de Cova Lima, na cidade de Suai. Também participou da distribuição de cartilhas elaboradas pelo governo brasileiro para auxiliar na aprendizagem do idioma português.
  • FORÇA NACIONAL DE SEGURANÇA O Departamento da Força Nacional de Segurança Pública ou Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), criado em 2004, com sede em Brasília, no Distrito Federal, é um programa de cooperação de Segurança Pública brasileiro, coordenado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP), do Ministério da Justiça (MJ). CONSIDERAÇÕES
  • A necessidade residiria no fato de que suas ações são desenvolvidas apenas localmente, ou, no máximo, regionalmente, havendo uma perda do sentido de segurança em caráter nacional, uma vez que os crimes, doravante praticados em uma área, direta ou indiretamente, têm ligações com organizações ou facções de outros estados (em redes Inter correlacionadas nacionalmente, ou até mesmo transnacionalmente). Em caráter embrionário à proposta da Guarda Nacional emerge a Força Nacional de Segurança Pública, criada pelo governo federal e formada por profissionais de segurança pública dos estados e do Distrito Federal. A FNSP é acionada sempre que situações de distúrbio público, originadas em qualquer ponto do território nacional, requerem sua presença. Para tanto, é necessária que exista a aquiescência do governador do estado na sua utilização, o que veio a ser alterado em 12 de março de 2013, através do Decreto Presidencial no. 7.957, incluindo a intervenção nos estados, também, por interesse de qualquer Ministro de Estado (Governo Federal), no que tange a proteção do meio ambiente, permitindo, através desse dispositivo, a interferência armada nos Estados da União, sem que haja a solicitação por parte do governador do respectivo estado. TREINAMENTO A Força Nacional é formada pelas polícias ostensiva e judiciária, além de bombeiros e profissionais de perícia dos estados membros2 (art. 4º, § 2º do Decreto 5289 de 2004), indicados pelas Secretarias de Segurança de seus respectivos Estados. A carga horária de treinamento dos agentes é de aproximadamente 100 horas de curso, dividida em quinze dias de aula. As disciplinas são: direitos humanos, controle de distúrbios civis, policiamento ostensivo, gerenciamento de crise, técnicas de tiro, entre outras. BEPE O Batalhão Especial de Pronto Emprego é a unidade de elite da FNSP, tem sede na cidade-satélite do Gama, no Distrito Federal. Seu efetivo treina com unidades de elite do Brasil e exterior, está apto a ser empregado no policiamento ostensivo ou em operações policiais especiais em qualquer parte do país, foi criado pelo Ministério da Justiça com o intuito de se tornar a principal e mais bem treinada tropa policial brasileira, e poder agir em
  • situações de emergência na segurança pública, quando os órgãos de segurança pública estaduais solicitarem intervenção federal em caráter de urgência. Urgência, que pode ser rapidamente respondida, já que seu contingente é efetivo e não desmobilizável, ficando de prontidão a atender situações críticas na segurança pública. ATUAÇÕES A Força Nacional é acionada quando um Governador ou um Ministro de Estado (vide alt. dada pelo Decreto Presidencial 7.957 de 12 de março de 2013) requisita/determina auxílio federal para conter atos que atentam contra a lei e a ordem e que perigam sair do controle das forças de segurança locais. Ela já foi utilizada no Espírito Santo e no Mato Grosso do Sul, primariamente para ajudar a conter rebeliões em presídios. O Governo Federal chegou a oferecer a presença Força Nacional ao Estado de São Paulo, durante os ataques às forças de segurança estaduais ocorridos em 2006, mas a oferta foi recusada pelo Governo do Estado paulista. O governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, logo que assumiu em 2007, devido a onda de ataques de facções criminosas, pediu auxílio da Força Nacional de Segurança Pública.O maior contingente da tropa federal empregado, com cerca de 500 homens e 52 viaturas enviados para patrulhar 19 pontos de divisa do estado. A operação, chamada Divisa Integrada, atua sob determinação do governo do Estado fluminense. Em 2013 ela atuou contra a segunda onda de violência que atingiu o estado de Santa Catarina.Também usada nos confrontos de terras indígenas no sul da Bahia. A FNSP foi também acionada em Junho de 2013, pelo então governador de Minas Gerais, Anastasia, com a finalidade de controlar os protestos marcados para a partida de Brasil e Uruguai, por ocasião da Copa das Confederações. Cerca de 1500 homens desta organização atenderam o pedido do governo de Minas.
  • Em maio de 2014, foi acionada em Pernambuco para fazer a segurança do estado em momento de greve dos policiais militares junto as forças armadas.
  • ALBUM FOTOGRAFICOS DOS ANONIMOS INTEGRANTES DAS UNIDADES QUE APOIAM AS OPERAÇÕES ESPECIAIS DA PMPR By google imagens
  • JUBILEU DE OURO 1964-2014 AVANTE PMPR HURRA!HURRA!HURRA!
  • AUTOR: SERGIO DE MELLO QUEIROZ 1986 2015
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HISTORIA DAS OPERAÇÕES ESPECIAIS DA PMPR

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  • SERGIO DE MELLO QUEIROZ UMA HISTÓRIA CONTADA NO RODAPÉ DA PAGINA DAS OPERAÇÕES ESPECIAIS DA PMPR CONTADAS PELA HISTÓRIA By pt.wikipedia.org 2015
  • SERGIO DE MELLO QUEIROZ UMA HISTÓRIA CONTADA NO RODAPÉ DA PAGINA DAS OPERAÇÕES ESPECIAIS DA PMPR CONTADAS PELA HISTÓRIA By pt.wikipedia.org 2015
  • MANIFESTO DO AUTOR TEMOS UMA LACUNA DESCOBERTA! Somente isto já seria motivo para que desse inicio a este trabalho, contudo após uma reunião temática tive que assumir que uma sociedade sem memória é uma sociedade morta. Estávamos comentando sobre a natureza e as motivações dos confrontos entre facções e forças de segurança, sabendo que nem sempre é esta a ordem moral dos acontecimentos, assumindo que isto não é de agora, vem dos tempos da criação e somente irá acabar quando for o tempo final da existência humana. Lembrei a eles que os confrontos se iniciaram antes mesmo da chegada dos ―homens brancos‖ em suas naus, no Porto Seguro baiano, pois combates e canibalismos já eram residentes no continente americano. Demonstrações de força e ferocidade já estavam intrínsecos nos comportamentos dos brasilerindios, mesmo eles nem ter sido batizados pelos jesuítas europeus como nativos e selvagens. Apenas em 1822, conforme a literatura, os habitantes naturais do Brasil são denominados brasileiros, cujo gentílico é registrado em português a partir de 17 DE JUNHO DE 1822 que se referia inicialmente apenas aos que comercializavam pau-brasil. Dentre isto e tendo como referência os registros históricos resolvi contar a história DAS OPERAÇÕES ESPECIAIS DA POLICIA MILITAR DO PARANÁ de uma forma não muito ortodoxa e muito menos usual. Usar a história como referência moral e ética, apesar de saber que muitos destes eventos foram sim demonstrações de selvageria, faz que os erros e acertos de outrora sejam norteadores de decisões a serem tomadas. Lembro de muitos pensadores em meus 30 anos de miliciano. Enalteço alguns em especial, o meu primeiro instrutor de história da PMPR Capitão Cardoso no meu Curso de Formação de Soldados em 1985 e um dos maiores entusiastas pelo assunto, o Subtenente ARI VAZ, in memorian, que dedicou boa parte de sua carreira no ensino a tropa dos pequenos detalhes da história dos rincões paraense e que depois dedicou ao ensino as alunos do Colégio da Policia Militar e em estabelecimento de ensino superior.
  • CLARO QUE DEIXOU O LEGADO! O meu grande irmão Sargento Anselmo cujo caminho do ensino no CPM e nas turmas superiores fizeram este outro ícone do ensino doutrinário a geração presente da Policia Militar do Paraná. Para definirmos o escopo deste livro, espero que atenda aos exigentes ―devoradores de livros‖ que propositadamente não relacionei, pois antes deixar de relacionar as ―lendas vivas‖ do que se esquecer de um nome sequer. Peço vênia aos doutos pensadores, mas somos todos apaixonados pelo tema e pelo tema somos multiplicadores. POR QUE UMA HISTÓRIA CONTADA NO RODAPÉ DA PAGINA? Pela história real e pública em eventos maiores, aonde a participação de nossos antecedentes diretos, os guerreiros do Império Português até a construção de tropas especializadas de Operações Especiais, já no ano de 1964 serão lembradas no rodapé deste livro, pois como me expressei na capa. Tentar trazer informações através de citações simples não trazem a este autor a confiança de ter atingido o objetivo inicial, de PREENCHER A LACUNA do conhecimento com mais conhecimentos. Oferecer ao leitor o máximo de referência sobre os temas apontados é para mim o mínimo que posso fazer. Informações públicas fazem deste trabalho um manual de aprendizagem, pois poderá o usuário deste complementar as informações tão somente com um acesso a rede mundial em um a ferramenta de busca e informação. No meu caso optei pelo pt.wikipedia.org/ pela facilidade de manuseio e pelo fato de que ele é recebedor de informações e publicações diuturnamente. Atual e simples. Tudo que um autor pede para concretizar suas pesquisas e aplicar os conhecimentos em tempo real. Diante de tudo e isto, vamos cobrir esta lacuna e preencher seus vazios. SERGIO DE MELLO QUEIROZ
  • UMA HISTÓRIA CONTADA NO RODAPÉ DA PAGINA A HISTÓRIA DO ESTADO DO PARANA CONTADAS NA HISTÓRIA DO BRASIL
  • 1 REINO DE PORTUGAL Lema nacional Vis Unita Maior Nunc et Semper (A unidade é a maior força, agora e para sempre)
  • O REINO DE PORTUGAL Era a denominação de Portugal sob a governação de um regime monárquico, e no início ainda sem o reino dos Algarves. Este reino localizava-se no oeste da península Ibérica, Europa. Existiu de 1139 a 1910, tendo 771 anos de duração, 35 monarcas e 4 dinastias, tendo a primeira (Afonsina ou Borgonha): 9; a de Avis: 9; a Filipina: 3 e a de Bragança: 14. Após a implantação da república portuguesa em 5 de outubro de 1910, foi substituído por uma república, pela Primeira República Portuguesa que tinha dado os primeiros passos para a sua implantação com o regicídio de 1908 e, definitivamente implantada, após a revolução de 5 de outubro de 1910. ORIGENS E FIM O Condado Portucalense (1093-1139) era um ducado integrante do reino da Galiza e, depois, do Reino de Leão(910-1230). O procedimento da sua independência deu-se em três momentos fulcrais: . O primeiro em 26 de julho de 1139 quando Dom Afonso Henriques de Borgonha, então conde de Portucale, foi aclamado Rei de Portugal internamente. . O segundo com o Tratado de Zamora, em 5 de outubro de 1143, pelo qual os reinos de Leão e Castela, reconhecem Dom Afonso como Rei. . Mas só com a Bula Manifestis Probatum de 1179 é que é definitivamente reconhecida a independência de Portugal pelo Papado, a autoridade máxima nas relações internacionais na altura. Por esta bula, o Papa reconhece o rei de Portugal como seu vassalo direto. Este é o início da dinastia Afonsina (ou de Borgonha), esta, por sua vez, originária da família ducal de Borgonha e ascendente da última família real portuguesa, a Casa de Bragança. Por oitocentos anos, reis comandaram Portugal e conquistaram diversos territórios formando o vasto império ultramarino português. A classe dominante e abastada por todo este período foi a nobreza portuguesa, que gozava de diversos privilégios. Em 1908, o Rei Carlos I de Bragança foi morto (regicídio), em Lisboa. A monarquia portuguesa durou até 5 de outubro de 1910, quando através de uma revolução foi derrubada a monarquia e proclamada a república portuguesa. O derrube da monarquia em 1910 conduziu a dezesseis anos de luta para sustentar a democracia parlamentar no âmbito do republicanismo.
  • OS DESCOBRIMENTOS A partir da conquista de Ceuta em 1415, iniciaram-se várias campanhas além-mar, na conquista de praças em África, como Ceuta e Tanger. Vendo a riqueza com que se vivia na região, os portugueses empenharam-se em descobrir mais e mais territórios. O pretexto inicial da conversão cristã começava a revelar-se agora um verdadeiro espírito aventureiro, o gosto por descobrir e, ao mesmo tempo, enriquecer. Portugal inicia uma longa caminhada pela costa Africana, redescobrindo a Madeira, Açores e descobrindo São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Angola e a Guiné até que D. João II, baseado em boatos que procurou esclarecer, inicia o planeamento de um projeto que iria lançar Portugal entre as potências mundiais: uma rota comercial marítima para a Índia. O projeto passa a empreendimento, e eis que Vasco da Gama, já no tempo de D. Manuel I, vê a luz ao oceano Índico e espalha a presença portuguesa pela costa oriental africana, até a Índia. Para alicerçar esse fundamento segue-se o Tratado de Tordesilhas, com a Espanha, que resolve a bem antecipadamente uma fricção que se antevia entre estas as duas superpotências em crescimento, para a partilha desse mundo que passava a ser alcançado por mar. Entretanto tomava-se conhecimento, através de Cristóvão Colombo, de novo território a oeste, as mais tarde chamadas Índias ocidentais, as Américas, portanto. E seria Pedro Álvares Cabral que traria, para o novo império ultramarino português, o Brasil(ver Brasil colônia), em 1500. Com todas as suas colónias estabelecidas, Portugal tornou-se rapidamente um importante explorador comercial, tornando a península Ibérica a maior potência mundial da época. O IMPERIO PORTUGUES Através dos tempos, o reino de Portugal construiu o que era conhecido como o Império Português, desde 1415 com a conquista de Ceuta. Com o tempo algumas colônias foram conquistando a sua independência, como o Brasil, que desde 7 de setembro de 1822 tornou-se independente, formando o Império do Brasil, tendo sido governado pela família imperial brasileira, um ramo da Casa de Bragança. Em 5 de outubro de 1910, com a proclamação da república em Portugal, o restante do império passou para o controle da atual República Portuguesa. Isso acaba nos finais do século XX, quando o último território ultramarino de Portugal foi entregue (Macau, (1999), ficando Portugal apenas com dois territórios ultramarinos (depois regiões autónomas).
  • 2 O IMPÉRIO PORTUGUÊS
  • DA IMAGEM A Ordem do Império Colonial mais tarde (1951) denominada Ordem do Império, foi uma Ordem Nacional honorífica portuguesa criada em 1932 e extinta após em 25 de Abril de 1974. O seu objetivo era homenagear aqueles que prestaram serviços distintos, ao serviço do governo, administração e diplomacia, na colonização do Ultramar; ou serviços na Marinha Mercante, nos Transportes Aéreos, e outros, em prol do território português. Os agraciados com a extinta Ordem do Império mantêm o direito ao uso das respectivas insígnias. A Ordem era composta por cinco graus: Grã-Cruz (GCIC / GCI) Grande-Oficial (GOIC / GOI) Comendador (ComIC / ComI) Oficial (OIC / OI) Cavaleiro (CvIC / CvI) / Dama (DmIC / DmI) Tal como outras Ordens portuguesas, o título de Membro-Honorário (MHIC / MHI) podia ser atribuído a instituições e locais. Insígnia A insígnia da Ordem era uma cruz de Cristo, com uma esfera armilar e o escudo nacional por cima. A cruz estava suspensa por uma fita vermelha, de contorno preto, com uma lista preta ao meio.
  • O IMPÉRIO PORTUGUÊS OU IMPÉRIO COLONIAL PORTUGUÊS Os impérios coloniais foi um produto da Era dos Descobrimentos Europeia que começou com uma corrida exploratória entre as mais avançadas potências marítimas do século XV, Portugal e Espanha. O impulso inicial por trás desses impérios marítimos dispersos e aqueles que se seguiram foi o comércio, impulsionado por novas ideias e pelo capitalismo que cresceu a partir do Renascimento europeu. Acordos também foram feitos para dividir o mundo entre esses impérios em 1479, 1493 e 1494. Foi um império global, o mais antigo dos impérios coloniais 1europeus modernos, abrangendo quase seis séculos de existência, a partir da Conquista de Ceuta2, em 1415, até à concessão de soberania a Timor-Leste, em 2002. 1 IMPÉRIOS COLONIAIS Portugal começou a estabelecer a rede de comércio global e do império primeiro sob a liderança de Infante D. Henrique. Os portugueses acabariam por estabelecer domínios coloniais no Brasil, na América do Sul, e várias colônias na África (Guiné Portuguesa, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Angola e Moçambique), na Índia Portuguesa (os mais importantes Bombaim e Goa), na China (Macau) e Oceania(Timor, atualmente Timor-Leste), entre muitos outras possessões menores ou de curta duração. Durante o seu Siglo de Oro, o Império Espanhol tinha a posse dos Países Baixos, Luxemburgo, Bélgica, a maior parte da Itália, partes da Alemanha, partes da França e muitas colônias nas Américas, África e Ásia. Com a conquista do interior do México, Peru e Filipinas, no século XVI, a Espanha estabeleceu domínios ultramarinos em uma escala e distribuição mundial que nunca tinha sido abordada por seus antecessores (o Império Mongol havia sido maior, mas foi restrito a Eurásia). As possessões na Europa, África, Oceano Atlântico, nas Américas, no Oceano Pacífico, e no Extremo Oriente, qualificaram o Império Espanhol a alcançar uma presença global em vários aspectos. De 1580 a 1640, o Império Português e o Império Espanhol foram unidos em uma união pessoal dos seus monarcas Habsburgos durante o período da União Ibérica, mas abaixo do mais alto nível de governo, suas administrações foram mantidas separadas. Subsequentes impérios coloniais que incluiu os impérios Francês, Holandês e Britânico. O último, consolidado durante o período de hegemonia marítima britânica no século XIX, tornou-se o maior império da história, em virtude das melhorias nas tecnologias de transporte. No seu auge, o Império Britânico cobria um quinto da área terrestre do planeta e era composto por um quarto de sua população. Em meados do século XVII, a Rússia Czarista, continuada depois pelo Império Russo e União Soviética, tornou-se o maior Estado contíguo no mundo e a moderna Federação da Rússia continua com esse título até hoje.
  • Apesar de ter "perdido" sua periferia Soviética, a Rússia tem 9 fusos horário, que se estendem por cerca de metade da longitude do mundo. 2 A CONQUISTA DE CEUTA, cidade islâmica no Norte de África, por tropas portuguesas sob o comando de João I de Portugal, deu-se a 22 de Agosto de 1415. OS MOTIVOS As causas e origens da conquista de Ceuta não são hoje suficientemente claras: uma das razões, a Causa Bélica, teria sido a oportunidade dos infantes (D. Duarte, D. Pedro e D. Henrique) serem arma dos cavaleiros por um feito de guerra Outra, a Causa Religiosa, defendida por historiadores como Joaquim Bensaúde (1859- 1951), viram na figura do infante D. Henrique um símbolo do espírito de cruzada, defendendo ter havido na génese da expansão um zelo religioso; Outra, a Causa Política, talvez a ameaça castelhana constante sobre a cidade, defendida por historiadores como Jaime Cortesão (1884-1960), que realçava o desejo da antecipação a Castela na expansão para o norte de África. Estes motivos não são incompatíveis com a Causa Económica, defendida por António Sérgio (1883-1969) e, mais recentemente, Vitorino (1918-2011): Ceuta era uma cidade rica e teriam sido levados pela burguesia comercial, que queria canalizar para Lisboa o tráfego do Mediterrâneo ocidental feito por aquela cidade. Para se informar de todos os pormenores da cidade, D. João I enviou à Sicília dois embaixadores com o pretexto de pedirem a mão da rainha para o infante D. Pedro; estes na passagem colheram todas as informações sobre Ceuta. CAUSAS Estas são consideradas as principais razões da conquista de Ceuta: Geoeconômicas: a posição geográfica de Ceuta permitiria controlar a entrada e saída dos navios vindos do Atlântico para o Mediterrâneo e vice-versa através do estreito de Gibraltar, de modo que a costa do Algarve parasse de ser atacada por piratas oriundos ou baseada na cidade muçulmana. Religiosas: havia um desejo de expansão da fé cristã através do incremento de territórios onde o cristianismo poderia ser implantado. Sociais: as classes mais abastadas tinham vários interesses nesta conquista. A nobreza buscava novas terras, honras e rendas; o clero desejava expandir a fé cristã; e a burguesia estava à procura de novos produtos e mercados. Económicas: Portugal sofria com a falta de diversos produtos como trigo, ouro, prata, e especiarias. A conquista de Ceuta significaria para o reino lusitano o controle sobre uma cidade em que afluíam os produtos orientais vindos da Índia pelas rotas caravaneiras que traziam ouro, especiarias, etc. Ressalte-se ainda que a cidade era uma zona fértil, apropriada para a produção de cereais. Políticas: o reino português procurava aumentar sua importância no quadro das monarquias ibéricas através do estabelecimento de Ceuta como o ponto mais oriental da reconquista cristã a ser feita por Portugal no norte da África.
  • A CONQUISTA Um exército de cerca de 19 000 a 20 000 cavaleiros e soldados portugueses, ingleses, galegos e biscainhos havia largado de Lisboa a 25 de Julho de 1415, embarcado em 212 navios de transporte e vasos de guerra (59 galés, 33 naus e 120 embarcações pequenas) . Na expedição seguia a fina flor da aristocracia portuguesa do século XV, incluindo os príncipes Duarte (o herdeiro), Pedro, Duque de Coimbra e Henrique, Duque de Viseu, além do condestável Nuno Álvares Pereira. Após uma escala em Lagos, fundearam diante de Ceuta a 21 de Agosto, tendo efetuado o desembarque sem encontrar resistência por parte dos Mouros. A guarnição da cidade de Ceuta correu a fechar as portas da cidade, mas as tropas portuguesas foram rápidas a impedir o estabelecimento de defesas adequadas. Na manhã de 22 de Agosto, Ceuta estava em mãos portuguesas. Segundo Azurara, nessa altura, foi pedido a D. João Vasques de Almada que hasteasse abandeira de Ceuta, que é idêntica à bandeira de Lisboa mas na qual foi acrescentado o brasão de armas do Reino de Portugal ao centro, símbolo que perdura até hoje. Depois a mesquita foi consagrada e, na primeira missa lá realizada, os três príncipes da Ínclita geração presentes foram feitos cavaleiros pelo seu pai. Ceuta seria a primeira possessão portuguesa em África, estratégica para a exploração Atlântica que começava a ser efetuada. A conquista foi recordada como: "(...) Já passavam de sete horas e meia, depois do meio dia, quando a cidade foi de todo livre dos mouros. (...) As outras Companhias [de soldados portugueses], não tinham maior cuidado doutra coisa que de apanharem o esbulho. (...) Muitos que se acercaram primeiramente naquelas lojas dos mercadores que estavam na rua direita, assim como entraram pelas portas sem nenhuma temperança nem resguardo, davam com suas facas nos sacos das especiarias, e esfarrapavam-nos todos, de forma que tudo lançavam pelo chão. E bem era para haver dor do estrago, que ali foi feito naquele dia. Que as especiarias eram muitas de grosso valor. E as ruas não menos jaziam cheias delas (...) as quais depois que foram calcadas pelos pés da multidão das gentes que por cima delas passavam, e de si com o fervor do sol que era grande, davam depois de si muy grande odor. (...)" (Crónica da Tomada de Ceuta, Gomes Eanes de Zurara, 1450.) Deixando ficar o conde de Viana, D. Pedro de Meneses, o rei, os infantes e o resto da frota regressaram a Lisboa em Setembro, tendo permanecido durante treze dias em Ceuta. Os marroquinos não se conformaram e atacaram a cidade duas vezes, em 1418 e em 1419, sem sucesso. Manter a cidade constituía-se em um problema logístico: era necessário enviar suprimentos, armas e munições; a maior parte dos soldados era recrutada à força, recorrendo-se a condenados e criminosos a quem o rei comutava a pena desde que fosse para Ceuta e ainda recompensar generosamente os nobres que ocupavam postos de chefia. Julgaram consegui-lo, quando do desastre português de Tânger, pedindo como resgate do infante de D. Fernando a cidade de Ceuta. Mas D. Fernando faleceu no cativeiro e a cidade continuou portuguesa (1443).
  • Ceuta teve que se aguentar sozinha, durante 43 anos, até que a posição da cidade ser consolidada com a tomada de Alcácer Seguer (1458), Arzila e Tânger (1471). A cidade foi reconhecida como possessão portuguesa pelo Tratado de Alcáçovas (1479) e pelo Tratado de Tordesilhas (1494). Quando da Dinastia Filipina, Ceuta manteve a administração portuguesa do Reino de Portugal, assim como Tânger e Mazagão. Todavia, quando da Restauração Portuguesa, não aclamou o Duque de Bragança, como rei de Portugal, mantendo-se espanhola. A situação foi oficializada em 1668 com a assinatura do Tratado de Lisboa entre os dois países, e que pôs fim à guerra da Restauração. O FRACASSO DE CEUTA As expectativas relacionadas aos benefícios da conquista de Ceuta não se confirmaram em longo prazo. Sob a ótica econômica, pode-se afirmar que o domínio português sobre a cidade se revelou um completo fracasso. As rotas comerciais que chegavam ou passavam por Ceuta foram desviadas para outras localidades. Além disso, o permanente estado de guerra comprometia o cultivo dos campos e a produção de cereais. Os muçulmanos chegaram a sequestrar o Infante Dom Fernando (considerado santo a partir deste episódio) e outras pessoas, para exigir Ceuta de volta, mas Portugal não cedeu e os prisioneiros acabaram por ser torturados e morrer. A situação agravou-se em função das elevadas despesas militares necessárias à manutenção da praça africana. Os membros da corte chegaram a cogitar o abandono da cidade. O Infante D. Pedro, em carta ao seu irmão, afirmava mais tarde: CEUTA É UM GRANDE SORVEDOURO DE GENTE E DINHEIRO. — BIBLIOGRAFIA Gomes Eanes de Zurara, Crónica da Tomada de Ceuta (escrita em 1453, trata-se de uma importante obra relativa a esta guerra.) Mestre Mateus Pisano, Livro da guerra de Ceuta (escrito, em 1460, em latim, este livro foi vertido em português por Roberto Correia Pinto.) Antoine de la Sale (única testemunha ocular da guerra de Ceuta), Consolações dirigidas a Catharina de Neufville, Senhora de Fresne (escrita, em 1453, em francês, esta obra foi vertida em português pelo general Carlos du Bocage.) Arkan Simaan, L'Ecuyer d'Henri le Navigateur (romance histórico, em francês, editado por Harmattan. Nos primeiros capítulos encontra-se uma descrição da tomada de Ceuta e da ocupação da cidade até o cerco de 1418-1419. Em seguida vem o relato das atividades do Infante Dom Henrique em Sagres, as expedições marítimas, as descobertas de Porto Santo e da Madeira, a passagem do cabo Bojador por Gil Eanes, o desastre de Tanger e a chegada dos primeiros escravos africanos em Lagos.) Aileen Gallagher, Prince Henry the Navigator: Pioneer of Modern Exploration (2003) ISBN 978-0-8239-3621-2 Jeff Kinard, Artillery: an illustrated history of its impact (2007) ISBN 978-1-85109-556-8
  • O império espalhou-se ao longo de um vasto número de territórios que hoje fazem parte de 53 países diferentes. LISTA DE IMPÉRIOS COLONIAIS IMPÉRIO PORTUGUÊS (1415-1999 ou 2002) Evolução do Império Português Colonização portuguesa das Américas Colonização portuguesa da África Colonização portuguesa da Ásia e Oceania IMPÉRIO ESPANHOL (1492-1975) Colonização espanhola das Américas Colonização espanhola da África IMPÉRIO RUSSO (1580-1917) Conquista russa da Sibéria Colonização russa das Américas IMPÉRIO COLONIAL NEERLANDÊS (1602-1975) Colonização holandesa das Américas Colonização holandesa da África Colonização holandesa da Ásia IMPÉRIO FRANCÊS (1605-1980) Império colonial francês Primeiro Império Francês de Napoleão I (1804-1814 ou 1815) Segundo Império Francês de Napoleão III (1852-1870) Colonização francesa das Américas Colonização francesa da África Colonização francesa da Ásia e Oceania IMPÉRIO BRITÂNICO (1607-1997) Territórios e mandatos sob a administração da Austrália (1901-1975) Mandatos sob administração Sul-Africana (1915-1990) Colonização escocesa das Américas Colonização britânica das Américas Colonização britânica da África Colonização britânica da Ásia e Oceania IMPÉRIO COLONIAL DINAMARQUÊS (1620-1953) Colonização dinamarquesa das Américas Colonização curlândesa (vassalo da República das Duas Nações) (1637- 1690) Colonização curlândesa das Américas Império colonial sueco (1638-1663 e 1785-1878) Colônias alemãs (1683-1721, 1883-1919) Colônias de Brandemburgo-Prússia (1683-1721)
  • IMPÉRIO COLONIAL ALEMÃO (1883-1919) Colonização alemã da África Colônias da monarquia de Habsburgo (1719-1750, 1778-1783, 1901-1917) IMPÉRIO AMERICANO (1812 ATÉ O PRESENTE) Expansão ultramarina dos Estados Unidos IMPÉRIO COLONIAL BELGA (1885-1962) Estado Livre do Congo (1885-1908) IMPÉRIO COLONIAL ITALIANO (1885-1943) Colonização italiana da África Possessões da Noruega Colonização norueguesa das Américas Marinheiros portugueses começaram a explorar a costa da África em 1419, utilizando os recentes desenvolvimentos em áreas como a navegação, a cartografia e a tecnologia marítima, como a caravela, com o objetivo de encontrar uma rota marítima para o lucrativo comércio de especiarias do oriente. Em 1488, Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança e, em 1498, Vasco da Gama chegou à Índia. Em 1500, Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil, na costa atlântica sul- americana. Nas décadas seguintes, os marinheiros lusitanos continuaram a explorar o litoral e as ilhas do leste da Ásia, estabelecendo fortes e feitorias. Em 1571, uma série de postos avançados ligava Lisboa a Nagasaki, no Japão, ao longo das costas da África, Médio Oriente Índia e Ásia. Esta rede comercial trouxe grande riqueza para o Reino de Portugal. Entre 1580 e 1640, a nação tornou-se um parceiro da Espanha, em uma união pessoal das coroas dos dois países. Embora os dois impérios tenham continuado a ser administrados separadamente, as colónias portuguesas se tornaram alvo de ataques de três potências europeias rivais e hostis à Espanha, que ambicionavam os sucessos ibéricos no exterior: a Holanda, a Grã-Bretanha e a França. Com uma população menor, Portugal não foi capaz de defender eficazmente sua sobrecarregada rede de postos comerciais e o império começou a entrar em um longo e gradual processo de declínio. Perdas significativas para os holandeses na Índia Portuguesa e no sudeste da Ásia durante o século XVII trouxeram fim ao monopólio do comércio português no Oceano Índico.
  • O Brasil, que havia se tornado a colónia mais valiosa de Portugal, tornou- se independente em 1822, como parte de uma onda de movimentos independentistas que varreu a América no início do século XIX. O Império Português então foi reduzido às suas colônias no litoral africano (que foram expandidas para o interior durante a Partilha de África, no final do século XIX), Timor-Leste e enclaves na Índia (Goa, Damão e Diu) e na China (Macau). Após a Segunda Guerra Mundial, o então líder de Portugal, António Salazar, tentou manter intacto o que restava do império pluricontinental, num momento em que outros países europeus estavam já a iniciar a descolonização dos seus territórios. Em 1961, as tropas portuguesas em Goa foram incapazes de impedir o avanço das tropas indianas que marcharam para a colónia em número superior. Salazar deu início a uma guerra (a Guerra Colonial Portuguesa) com o objetivo de eliminar as forças anticoloniais em África, a qual durou até à queda do regime em 1974. O novo governo imediatamente mudou a política e reconheceu a independência de todas as colónias, com exceção de Macau, território este que foi devolvido à China em 1999, marcando, assim, o fim do Império Português. A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é a sucessora cultural do Império. HISTÓRIA O expansionismo português foi movido inicialmente elo espírito militar e evangelizador, de continuação da reconquista no Norte de África e, depois, pelo interesse comercial, primeiro nas prósperas capitanias das ilhas da Madeira e dos Açores, seguindo-se a busca de um caminho marítimo para a Ásia, alternativo ao Mediterrâneo dominado pelas repúblicas marítimas italianas, pelos otomanos, pelos mouros e por piratas, no lucrativo comércio de especiarias. Os portugueses começaram por explorar sistematicamente a costa de África a partir de 1419, com o incentivo do Infante D. Henrique e navegadores experientes servidos pelos mais avançados desenvolvimentos náuticos e cartográficos da época, aperfeiçoando a caravela. Em 1471 chegaram ao Golfo da Guiné, onde em 1482 foi estabelecida a feitoria de São Jorge da Mina para apoiar um florescente comércio de ouro de aluvião. Partindo da Mina Diogo Cão estabelece o primeiro contato com o Reino do Congo. Após sucessivas viagens exploratórias para sul, em 1488 Bartolomeu Dias dobrou o Cabo da Boa Esperança, entrando pela primeira vez no Oceano Índico a partir do Atlântico.
  • 3 O IMPERIO PORTUGUÊS NA AMÉRICA
  • DA IMAGEM O IMPÉRIO PORTUGUÊS E AS REPÚBLICAS SUL-AMERICANAS Publicado por justiça e liberdade em 30 de novembro de 2013 O século XIX foi marcado, especialmente nas Américas, pelos processos de independência das terras colonizadas por nações europeias neste continente. As possessões portuguesas, porém, passaram por uma experiência diferente da de seus vizinhos holandeses, ingleses, franceses e, sobretudo espanhóis. Divididas inicialmente em 15 Capitanias Hereditárias ao invés de serem mantidas colônias e lutarem pela independência uma a uma, como na América Espanhola, a América Portuguesa foi elevada em 1645 à condição de principado, e em 1815 a reino, passando a integrar o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves do qual veio, inclusive a tornar-se sede, com capital na cidade do Rio de Janeiro, mantendo-se a unidade das possessões portuguesas, pelo que é até mais apropriado chamar de emancipação do que de independência o processo de separação do então Reino do Brasil dos demais integrantes do império português. Após a emancipação, o Reino do Brasil passou a ser denominado Império do Brasil o que justifica a importância histórica da única monarquia bem sucedida da América do Sul. Não fosse a monarquia, o continente teria pelo menos 8 outras repúblicas que chegaram a proclamar sua independência mas foram reincorporadas ao território brasileiro. Ao todo seriam pelo menos 20 repúblicas na América do Sul, a saber: Colômbia Independente em 1810, Chile independente em 1818, Argentina independente em 1816, Peru e Venezuela Independentes em 1821, Brasil e Confederação do Equador e República do Equador independentes em 1822, Bolívia, Paraguai e Uruguai independentes em 1825, Grão- Pará Independente em 1835, Rio Grande e Bahia independente em 1837, Maranhão independente em 1838, República Juliana independente em 1839, Guiana e Suriname independentes em 1866 e República do Acre independente em 1899. Além destas repúblicas, a Guiana Francesa continua sendo uma possessão da República da França até os dias atuais. Ao todo nasceram pelo menos 20 nações republicanas na América do Sul, mas a monarquia brasileira manteve-se soberana sobre 8 delas justificando o status de Império e tornando possível a consolidação de uma grande nação de dimensões continentais.
  • O IMPÉRIO PORTUGUÊS NA AMÉRICA A chegada de Cristóvão Colombo à América em outubro de 1492 precipitou uma negociação entre dom João II e os Reis Católicos de Castela e Aragão. Como resultado foi assinado em 1494 o Tratado de Tordesilhas3, dividindo o Mundo em duas áreas de exploração demarcadas por 3 O TRATADO DE TORDESILHAS, assinado na povoação castelhana de Tordesilhas em 7 de junho de 1494, foi um tratado celebrado entre o Reino de Portugal e o recém-formado Reino da Espanha para dividir as terras "descobertas e por descobrir" por ambas as Coroas fora da Europa. Este tratado surgiu na sequência da contestação portuguesa às pretensões da Coroa espanhola, resultantes da viagem de Cristóvão Colombo, que um ano e meio antes chegara ao chamado Novo Mundo, reclamando-o oficialmente para Isabel, a Católica. O tratado definia como linha de demarcação o meridiano 370 léguas a oeste da ilha de Santo Antão no arquipélago de Cabo Verde. Esta linha estava situada a meio caminho entre estas ilhas (então portuguesas) e as ilhas das Caraíbas descobertas por Colombo, no tratado referidas como "Cipango" e Antília . Os territórios a leste deste meridiano pertenceriam a Portugal e os territórios a oeste, à Espanha. O tratado foi ratificado pela Espanha a 2 de julho e por Portugal a 5 de setembro de 1494. Algumas décadas mais tarde, na sequência da chamada "questão das Molucas", o outro lado da Terra seria dividido, assumindo como linha de demarcação, a leste, o antemeridiano correspondente aomeridiano de Tordesilhas, pelo Tratado de Saragoça, a 22 de abril de 1529. No contexto das Relações Internacionais, a sua assinatura ocorreu num momento de transição entre a hegemonia do Papado, poder até então universalista, e a afirmação do poder singular e secular dos monarcas nacionais - uma das muitas facetas da transição da Idade Média para a Idade Moderna. Para as negociações do Tratado e a sua assinatura, D. João II de Portugal designou como embaixador a sua prima de Castela (filha de uma infanta portuguesa) a D. Rui de Sousa. Os originais de ambos os tratados estão conservados no Arquivo General de Indias na Espanha e no Arquivo Nacional da Torre do Tombo em Portugal . ANTECEDENTES Conforme o historiador brasileiro Delgado de Carvalho, transcrevendo Beatriz Souza: "(...) subsistia ainda a tradição medieval da supremacia política da Santa Sé, que reconhecia a Roma o direito de dispor das terras e dos povos: Adriano IV, papa inglês (1154-59), havia dado a Irlanda ao rei da Inglaterra e Sisto IV as Canárias ao rei de Castela (1471-84). Baseava- se isso, em parte, sobre o fato de um Édito de Constantino ter conferido ao papa Silvestre a soberania sobre todas as ilhas do globo; ora, isso porque as terras a descobrir eram todas, então, supostas serem exclusivamente ilhas (LIMA, Oliveira. Descobrimento do Brasil. Livro do Centenário (v. III), Rio de Janeiro: 1900 apud: Carvalho, Delgado. História Diplomática do Brasil.) O início da expansão marítima portuguesa, sob a égide do Infante D. Henrique, levou as caravelas portuguesas pelo oceano Atlântico, rumo ao Sul, contornando a costa africana.
  • Com a descoberta da Costa da Mina, iniciando-se o comércio de marfim, escravos, a atenção de Castela foi despertada, iniciando-se uma série de escaramuças no mar, envolvendo embarcações de ambas as Coroas. Portugal, buscando proteger o seu investimento, negociou com Castela o Tratado de Alcáçovas (1479), obtendo em 1481, do Papa Sisto IV, a bula Æterni regis, que dividia as terras descobertas e a descobrir por um paralelo na altura das Canárias, dividindo o mundo em dois hemisférios: a norte, para a Coroa de Castela; e a sul, para a Coroa de Portugal. Somando-se a duas outras bulas anteriores de 1452 (Dum Diversas) e 1455 (Romanus Pontifex), do Papa Nicolau V, Portugal e a Ordem de Cristo haviam recebido todas as terras conquistadas e a conquistar ao sul do cabo Bojador e da Gran Canária. Preservavam-se, desse modo, os interesses de ambas as Coroas, definindo-se, a partir de então, os dois ciclos da expansão: o chamado ciclo oriental, pelo qual a Coroa portuguesa garantia o seu progresso para o sul e o Oriente, contornando a costa africana (o chamado "périplo africano"); e o que se denominou posteriormente de ciclo ocidental, pelo qual Castela se aventurou no oceano Atlântico, para oeste. Como resultado deste esforço espanhol, Cristóvão Colombo alcançou terras americanas em 1492. Ciente da descoberta de Colombo, mediante as coordenadas geográficas fornecidas pelo navegador, os cosmógrafos portugueses argumentaram que a descoberta, efetivamente, se encontrava em terras portuguesas. Desse modo, a diplomacia castelhana apressou-se a obter junto ao Papa Alexandre VI, Aragonês de Velência então reunida com Castela, uma nova partição de terras. Assim, em 3 de maio de 1493, a Bula Inter Coetera estabelecia uma nova linha de marcação, um meridiano que separaria as terras de Portugal e de Castela. O meridiano passava a cem léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde. As novas terras descobertas, situadas a Oeste do meridiano a 100 léguas de Cabo Verde, pertenceriam a Castela. As terras a leste, pertenceriam a Portugal. A bula excluía todas as terras conhecidas já sob controle de um estado cristão. Os termos da bula não agradaram a João II de Portugal, que julgava ter direitos adquiridos que a Bula vinha a ferir. Além disso, os seus termos causavam confusão, pois um meridiano vinha a anular o que um paralelo tinha estabelecido. Complementarmente, a execução prática da Bula era impossibilitada por sua imprecisão e pela imperfeição dos meios científicos disponíveis à época para a fixação do meridiano escolhido. Assim sendo, D. João II abriu negociações diretas com os Reis Católicos, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, para mover a linha mais para oeste, argumentando que o meridiano em questão se estendia por todo o globo, limitando assim as pretensões castelhanas na Ásia. D. João II propôs por uma missão diplomática aos reis católicos, estabelecer um paralelo das Ilhas Canárias como substituto ao meridiano papal. Os castelhanos recusaram a proposta, mas se prestaram a discutir o caso.
  • Reuniram-se então, os diplomatas, em Tordesilhas. O seu único herdeiro, o príncipe Afonso de Portugal estava prometido desde a infância a Isabel de Aragão e Castela, ameaçando herdar os tronos de Castela e Aragão. Contudo o jovem príncipe morreu numa misteriosa queda em 1491 e durante o resto da sua vida D. João II tentou, sem sucesso, obter a legitimação do seu filho bastardo Jorge de Lancastre. Em 1494, na sequência da viagem de Cristóvão Colombo, que recusara, D. João II negociou o Tratado de Tordesilhas com os reis católicos. Morreu no ano seguinte sem herdeiros legítimos, tendo escolhido para sucessor o duque de Beja, seu primo direito e cunhado, que viria a ascender ao trono como D. Manuel I de Portugal OS TERMOS DO TRATADO O Tratado estabelecia a divisão das áreas de influência dos países ibéricos, cabendo a Portugal as terras "descobertas e por descobrir" situadas antes da linha imaginária que demarcava 370 léguas (1.770 km) a oeste das ilhas de Cabo Verde, e à Espanha as terras que ficassem além dessa linha . Como resultado das negociações, os termos do tratado foram ratificados por Castela a 2 de Julho e, por Portugal, a 5 de Setembro do mesmo ano. Contrariando a bula anterior de Alexandre VI, Inter Coetera (1493), que atribuía à Espanha a posse das terras localizadas a partir de uma linha demarcada a 100 léguas de Cabo Verde, o novo tratado foi aprovado pelo Papa Júlio II em 1506. Afirma Rodrigo Otávio em 1930 que o Tratado teria "um efeito antes moral do que prático". O meridiano foi fixado, mas persistiam as dificuldades de execução de sua demarcação. Os cosmógrafos divergiam sobre as dimensões da Terra, sobre o ponto de partida para a contagem das léguas e sobre a própria extensão das léguas, que diferia entre os reinos de Castela e de Portugal. Já se afirmou ainda que os castelhanos cederam porque esperavam, por meio de sua política de casamentos, estabelecer algum dia a união ibérica, incorporando Portugal. O que é mais provável é que os negociadores portugueses, na expressão de Frei Bartolomé de las Casas, tenham tido "mais perícia e mais experiência" do que os castelhanos. CONSEQUÊNCIAS DO TRATADO Em princípio, o tratado resolvia os conflitos que seguiram à descoberta do Novo Mundo por Cristóvão Colombo. Muito pouco se sabia das novas terras, que passaram a ser exploradas por Castela. De imediato, o tratado garantia a Portugal o domínio das águas do Atlântico Sul, essencial para a manobra náutica então conhecida como volta do mar, empregada para evitar as correntes marítimas que empurravam para o norte as embarcações que navegassem junto à costa sudoeste africana, e permitindo a ultrapassagem do cabo da Boa Esperança. Nos anos que se seguiram Portugal prosseguiu no seu projeto de alcançar a Índia, o que foi finalmente alcançado pela frota de Vasco da Gama, na sua primeira viagem de 1497-1499.
  • Com a expedição de Pedro Álvares Cabral à Índia, a costa do Brasil foi atingida (abril de 1500) pelos Portugueses, o que séculos mais tarde viria a abrir uma polêmica historiográfica acerca do "acaso" ou da "intencionalidade" da descoberta. Observe-se que uma das testemunhas que assinaram o Tratado de Tordesilhas, por Portugal, foi Duarte Pacheco Pereira, um dos nomes ligados a um suposto descobrimento a exploração americana (o ouro castelhano e o pau-brasil português), outras potências marítimas europeias (França, Inglaterra, Países Baixos) passaram a questionar a exclusividade da partilha do mundo entre as nações ibéricas. Esse questionamento foi muito apropriadamente expresso por Francisco I de França, que ironicamente pediu para ver a cláusula no testamento de Adão que legitimava essa divisão de terras. Por essa razão, desde cedo apareceram na costa do Brasil embarcações que promoviam o comércio clandestino, estabelecendo contato com os indígenas e aliando-se a eles contra os portugueses. Floresceram o corso, a pirataria e o contrabando, pois os armadores de Honfleur, Ruão e La Rochelle, em busca de pau-brasil fundavam feitorias e saqueavam naus. O mais célebre foi um armador de Dieppe, Jean Ango ou Angot. Posteriormente, durante a Dinastia Filipina (União Ibérica), os portugueses se expandiram de tal forma na América do Sul que, em 1680, visando o comércio com a bacia do rio da Prata e a região andina, fundaram um estabelecimento à margem esquerda do Prata, em frente a Buenos Aires: a Colônia do Sacramento. A fixação portuguesa em território oficialmente espanhol gerou um longo período de conflitos armados, conduzindo à negociação do Tratado de Madrid (1750). A União Ibérica não foi o motivo da expansão portuguesa ao interior do continente, mas ao Tratado de Saragoça que moveu a linha de Tordesilhas nos dois extremos. Com isto os irmãos Pero Lopes de Souza e Martim Afonso de Souza foram armados pelo rei de Portugal e enviados em uma expedição para demarcarem a nova fronteira conforme o novo Tratado. Em 12 de dezembro de 1531 Pero Lopes demarcou com duas pedras padrão gravado com a Ordem Militar de Cristo às margens do Rio Paraná diante de Ibicuí, nas proximidades de Ibicuí a 33°45'. Pero Lopes não chegou ao limite estabelecido por motivos de segurança, pois havia sinais de fumaça nas imediações do rio e todos à bordo temiam um ataque semelhante ao sofrido por Juan Dias de Solis que juntamente com sua tripulação foram dizimados pelos Charruas. A demarcação de Pero Lopes tornou o rio Paraná como a fronteira entre Espanha e Portugal. A "QUESTÃO DAS MOLUCAS" (1524-1529) Inicialmente o meridiano de Tordesilhas não contornava o globo terrestre. Assim, Espanha e Portugal podiam conquistar quaisquer novas terras que fossem os primeiros europeus a descobrir: Espanha para Oeste do meridiano de Tordesilhas e Portugal para Leste desta linha, mesmo encontrando-se no outro lado do globo. Mas a descoberta pelos portugueses em 1512 das valiosas "ilhas das Especiarias", as Molucas 10 11 desencadeou a contestação espanhola, argumentando que o Tratado de Tordesilhas dividia o mundo em dois hemisférios equivalentes.
  • um meridiano situado entre as ilhas de Cabo Verde e as recém-descobertas Caraíbas: cabiam a Portugal as terras "descobertas e por descobrir" situadas a leste deste meridiano, e à Espanha as terras que ficassem a oeste dessa linha. Pouco depois, em 1498, o navegador Vasco da Gama chegou à Índia, inaugurando a Rota do cabo. Em 1520, as ilhas Molucas, valorizadas como o "berço de todas as especiarias", foram visitadas por Fernão de Magalhães, navegador português ao serviço da Coroa Espanhola. Concluída essa que foi a primeira viagem de circum-navegação (1519-1521), uma nova disputa entre as nações ibéricas se estabeleceu, envolvendo a demarcação do meridiano pelo outro lado do planeta e a posse das ilhas Molucas (atual Indonésia). Alegando que se encontravam na sua zona de demarcação conforme o meridiano de Tordesilhas, os espanhóis ocuparam militarmente as ilhas, abrindo quase uma década de escaramuças pela sua posse com a Coroa Portuguesa . João III de Portugal e o imperador Carlos I de Espanha acordaram então não enviar mais ninguém buscar cravo ou outras especiarias às Molucas enquanto não se esclarecesse em que hemisfério elas se encontravam. Para a realização dos cálculos da posição, cada Coroa nomeou três astrónomos, três pilotos e três matemáticos, que se reuniram entre Badajoz e Elvas. Estes profissionais, entretanto, não chegaram a acordo, uma vez que, devido à insuficiência dos meios da época no tocante ao cálculo da longitude, cada grupo atribuía as ilhas aos respectivos soberanos. O Tratado de Tordesilhas serviu como base para as negociações da Junta de Badajoz- Elvas (1524), quando Portugal e Espanha negociaram sobre as Molucas e as Filipinas, originalmente situadas na órbita portuguesa, consideradas castelhanas, em troca das pretensões portuguesas sobre a bacia do rio da Prata, noBrasil . Para solucionar esta nova disputa, celebrou-se o Tratado de Saragoça a 22 de abril de 1529. Este definiu a continuação do meridiano de Tordesilhas no hemisfério oposto, a 297,5 léguas do leste das ilhas Molucas, cedidas pela Espanha mediante o pagamento, por Portugal, de 350.000 ducados de ouro. Ressalvava-se que em todo o seu tempo se o imperador ou sucessores quisessem restituir aquela avultada quantia, ficaria desfeita a venda e cada um "ficará com o direito e a ação que agora tem". Tal nunca sucedeu, entre outras razões, porque o imperador necessitava do dinheiro português para financiar a luta contra Francisco I de França e a Liga de Cognac, que o suportava. BIBLIOGRAFIA CARVALHO, Carlos Delgado de (1884-1989). História diplomática do Brasil (ed. fac- sim.). Brasília: Senado Federal, 1998. LIMA, Oliveira. Descobrimento do Brasil. in: Livro do Centenário (1500-1900) (v. III). Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1902. MAGNOLI, Demetrio. História da Paz. São Paulo: Editora Contexto, 2008. 448p. ISBN 85- 7244-396-7 SILVA, Luciano Pereira da. In: DIAS, Carlos Malheiros (coord.). História da Colonização Portuguesa do Brasil (v. I). Porto: Litografia Nacional, 1923.
  • HISTÓRIA PRÉ CABRALINA
  • PERÍODO PRÉ-CABRALINO RECENTE Enquanto a maior parte da pesquisa sobre o Brasil mais antigo analisava principalmente os vestígios materiais deixados por esses povos, o Brasil pré- cabralino recente costuma ser estudado através das línguas nativas. Com efeito, o estudo sobre as línguas nativas permite compreender inúmeros aspectos das culturas pré-cabralinas, além de seus parentescos históricos e de suas migrações. Quando os cronistas europeus descreveram os antigos povos brasileiros, utilizaram sobretudo denominações linguísticas e, graças ao trabalho missionário de alguns jesuítas, temos hoje conhecimento das antigas línguas brasílicas (que deram origem às línguas indígenas modernas). Resta-nos, contudo, a tarefa de associar os achados antigos aos povos recentes, que conhecemos principalmente a partir de grupos linguísticos. Um estudo desse tipo não foi realizado no Brasil ainda. Apenas um grupo pré-cabralino recente foi associado suficientemente aos achados antigos: os grupos da família linguística Tupi-Guarani. Estes, na época da chegada dos europeus, dominavam o atual litoral brasileiro, conhecido por "Pindorama". Outra fonte importante para a reconstrução da história recente dos povos pré- cabralinos é a mitologia indígena. Sabe-se hoje ser possível estabelecer relações entre os elementos dos mitos e acontecimentos que consideramos "históricos". As fontes mitológicas tem sido empregadas para estudar movimentos migratórios,as relações estabelecidas entre os povos brasileiros e, por exemplo, o Império Inca, etc. Quando os europeus passaram a ocupar a costa oriental da América do Sul, encontraram etnias vinculadas a quatro principais grupos linguísticos: os arauaque, os tupi-guaranis,os jê e os karib. Devemos tomar cuidado para não confundir grupo linguístico com grupos étnicos. Dentro de um mesmo grupo linguístico havia numerosas e diferentes unidades identitárias possuindo dialetos, práticas culturais e filosofias próprias. Nosso conhecimento dos povos indígenas por meio das crônicas europeias é limitado por diversas razões.
  • A primeira delas, é que a imagem europeia sobre os povos pré-cabralinos foi marcada por um processo de enquadramento da América em categorias europeias, de forma que as crônicas nos fornecem informações mais valiosas para o estudo dos próprios europeus modernos do que para o estudo dos nativos. A segunda delas, é que as crônicas foram escritas numa época de transformação, uma vez que a entrada dos europeus trouxe doenças e influências novas para o mundo indígena, modificando consideravelmente a antiga realidade em que viviam. Por fim, as crônicas acompanham o avanço da "fronteira" europeia na América, de forma que grande parte dos povos indígenas só chegaram a ser conhecidos pelos ocidentais no século XIX, após terem modificado muitos de seus costumes; é interessante notar que muitas tribos indígenas no Brasil continuam isoladas do mundo ocidental até hoje. Tupi Um dos grandes grupos linguísticos do Brasil, e que parece ter se expandido imensamente sobre o território brasileiro antes de 1500, é o grupo tupi. A principal família linguística dentro desse grupo maior é a tupi-guarani. Esses povos devem ter primeiramente habitado a região das cabeceiras dos rios Madeira,Tapajós e Xingu. A expansão tupi-guarani aconteceu há 3 mil e 2 mil anos, pouco depois de esse grupo ter se diferenciado de outros na região entre o Xingu e o Madeira, formando novos subgrupos linguísticos, como os cocamas, omáguas, guaiaquis e xirinós. Os povos de línguas cocama e omágua dirigiram-se ao rio amazonas, enquanto os guaiaquis chegaram ao Paraguai e os xirinós à Bolívia. Tapirapés e tenetearasdeslocaram-se em direção ao nordeste. Os povos de línguas pauserna, cajabi e camaiurá deslocaram-se até a região extremo sul do Brasil. Os povos de língua oiampi chegaram até a região das Guianas. A última fase de dispersão dos povos tupi-guaranis ocorreu por volta do ano 1000. Os falantes de línguas associadas à família tupi-guarani estariam já instalados no sul do Brasil (guaranis etc.), na bacia amazônica e também no litoral do Brasil (potiguares, tupinambás, tupiniquins). Os dados linguísticos nos permitem avaliar essas sociedades como expansivas e em constante movimento. Graças a uma impressionante rede de caminhos fluviais, os povos desse grupo linguístico puderam se difundir e, ao mesmo tempo, manter contato uns com os outros.
  • O uso de canoas (ygara em tupi antigo) para navegar rios permitia o enviamento de missões militares e diplomáticas de uma região para outra. Muitos artefatos arqueológicos do período cerâmico são filiados a esses antigos povos de matriz linguística tupi-guarani. Os sítios arqueológicos associados a essas populações constituíam-se em aldeias extensas, normalmente localizadas em regiões de planalto ou em terraços. Nesses sítios arqueológicos, de largura média entre 2 000 e 10 000 metros quadrados, a cerâmica antiga é abundante. As unidades habitacionais são cabanas, que podiam alcançar até 60 metros quadrados de diâmetro. Dentro dessas cabanas, foram localizados fogueiras e fornos para cozimento. As áreas dos sítios são definidas em espaço cerimonial, público e residencial. O espaço dos vivos é separado daquele dos mortos (muitos cemitérios antigos foram localizados). A arqueologia identificou sepultamentos em urnas e outros em terra. Artefatos líticos são encontrados junto dos sepultamentos, provavelmente objetos de uso pessoal. A cerâmica gupi-guarani (particularmente abundante no Paraná) é caracterizada pelos desenhos policrômicos de traços lineares. A cronologia para a história dos povos tupis-guaranis se baseia em teorias arqueológicas, na glotocronologia e na datação de cerâmicas identificadas aos tupis-guaranis. Como vimos pela história dos tupis-guaranis a partir de suas línguas, o movimento de expansão ocorreu entre 3 mil e 2 mil anos atrás a partir da região amazônica; a maior parte dos artefatos arqueológicos desses povos são datados entre o ano 500 e o ano 1500. A época da expansão para o litoral é constatada pela maior concentração de artefatos nessa região entre os séculos XI e XIII. Macro-Jê As línguas associadas à matriz linguística Macro-Jê devem ter sofrido diferenciação por volta de 6 mil anos atrás. Sua expansão inicia-se há 3 mil anos, pelaRegião Centro-Oeste do Brasil. O grupo Jê propriamente dito é possivelmente originário das regiões das nascentes dos rios São Francisco e Araguaia.
  • Grande parte dos povos de língua Jê se afastaram dos Kaingang e Xokleng, seguindo para o sul da região central brasileira. Alguns grupos devem ter se separado destes últimos e seguido até a região amazônica há pelo menos mil anos. Os povos Jês preferiam se instalar em regiões de Planalto (como a original região do Planalto brasileiro), como nos permite constatar o estudo de suas línguas Entre as línguas do tronco Macro-Jê encontram- se: Kayapós, Xerentes, Timbiras, etc. Caraíbas Os povos de língua caraíbas também passaram por um processo de expansão há 3 mil anos, aproximadamente. Essa família linguística é talvez originária da atual região das guianas e do extremo norte do Brasil. Os Yukpa e os Karijona, ramificações dessa família linguística, teriam se diferenciado e migrado para a Colômbia, enquanto os Bakairi teriam seguido para o centro do Brasil. O empréstimo de termos Tupi nas línguas Karib (e vice-versa) aponta para a existência de redes complexas de comércio e tráfico de pessoas entre tais povos. Aruaque e outros As línguas de matriz aruaque concentram-se hoje na região sudoeste da Bacia amazônica. A principal família linguística associada a esse grupo é a Maipure, dividida em quatro subgrupos regionais. Existe grande polêmica em relação às origens, às migrações e aos descendentes desses povos, além de suas relações com outros grupos linguísticos do Brasil Antigo. Outros grupos linguísticos menores, sem parentescos com os outros maiores, existem no Brasil: Mura, Chapkura,Pano, Yanomani, etc.
  • Pindorama Distribuição dos grupos de língua tupi e não tupi (tapuia) na costa dePindorama, no século XVI. Na véspera da chegada dos europeus à América em 1500, calcula-se que o atual território doBrasil (a costa oriental da América do Sul) fosse habitado por dois milhões de indígenas, do norte ao sul. Segundo Luís da Câmara Cascudo, os tupis foram o primeiro agrupamento "indígena que teve contacto com o colonizador". A influência tupi se deu na alimentação, no idioma, nos processos agrícolas, de caça e pesca, nas superstições, costumes, folclore, etc. Os povos do grupo Tupi-Guarani habitavam a região chamada por eles de "Pindorama" (terra das palmeiras), atual região oriental da América do Sul, que habitava o imaginário Tupi-Guaranicomo terra mítica, uma terra livre dos males. Os arqueólogos acreditam que o mito acerca de "Pindorama" tenha se formado na época das antigas migrações, quando os Tupi-Guaranis se dirigiram para o litoral brasileiro.
  • Sabemos os nomes de alguns dos principais grupos que habitavam Pindorama na véspera da chegada europeia (entre eles alguns de origens não-tupi): os potiguaras, os tremembés, ostabajaras, os caetés, os tupiniquins, os tupinambás, os aimorés, os goitacás, os tamoios, oscarijós e os temiminós. Os potiguaras habitavam a região entre o Rio Acaraú e o Rio Paraíba e controlavam a navegação fluvial. Durante a conquista, aliaram-se aos franceses, sendo que alguns relatos falam de casamentos entre potiguaras e franceses, envolvendo acordos bélicos anti- portugueses. Os Tabajaras habitavam a margem meridional do rio Paraíba, na região atual do litoral pernambucano. Foram importantes aliados dos portugueses durante a conquista. Os Caetés habitavam a região de Pernambuco desde Olinda, "a Marim dos Caetés", até onde encontra-se hoje o estado de Alagoas, desmembrado de Pernambuco. Tornaram-se célebres na História do Brasil por terem devorado o Bispo Sardinha. Os Tremembés habitavam a margem ocidental do rio Acaraú. Os tamoios habitavam a Baía da Guanabara; seus líderes, Cunhambebe e Aimberê, aliaram-se com os franceses no combate aos portugueses. Os carijós habitavam o litoral sul do país. Os tupiniquins habitavam a atual região do Estado de São Paulo, e os Tupinambá a região sudeste doBrasil. Nosso conhecimento do tupi antigo é principalmente baseado na língua dos Tupinambás (embora esses não constituíssem os "principais tupis", como alguns autores apontam). Os povos tupis viviam em aldeias que reuniam de 600 a 700 habitantes. Algumas aldeias eram fortificadas em razão das guerras inter-tribais. Nenhuma autoridade aparecia com força absoluta ou consideravelmente forte sobre os outros integrantes da sociedade, embora houvesse "hierarquias" em função do gênero, do mérito guerreiro e dos poderes xamânicos. Os Pajés (Payes em tupi antigo, intermediários entre o mundo religioso e o mundo dos homens) e os Caciques (morubixaba em tupi antigo, chefes guerreiros) ocupavam, em geral, o papel de autoridades das tribos. A subsistência baseava-se na caça e na horticultura.
  • Os homens acreditavam nos bons e nos maus espíritos (tupã, anhang, etc.), que influenciavam os acontecimentos no cosmos. Cada homem trazia um maracá, no qual acreditavam habitar um espírito protetor de cada indivíduo. Acredita-se que apenas os filhos dos homens mais importantes da tribo fossem enterrados nas urnas funerárias. Os acontecimentos religiosos tinham alcance amplo, e reuniam diferentes etnias. Os antigos indígenas foram responsáveis por inúmeras manifestações artísticas, como peças de cerâmica, danças, canções/poesia (registradas por Léry) e, a que mais impressionou os ocidentais, a plumária extremamente sofisticada e rica. A Literatura Tupi aparece com a chegada da escrita europeia, quando missionários passam a escrever em tupi para converter os nativos, e as crônicas transcrevem canções indígenas. Toponímias A permanência de nomes tupis (tupi antigo, nhe'enga tupi ou língua geral) para nomear diversas regiões do Brasil atual é um indicador da influência da língua indígena na cultura brasileira. Os historiadores de Brasil Colonial concordam que até o século XVIII o tupi era provavelmente a língua mais falada em algumas regiões da América Portuguesa. Nomes de regiões, rios e cidades brasileiras têm suas raízes no período de Pindorama, e no período colonial. Alguns exemplos: Guaratinquetá = gûyrá-tinga-etá = Muitas Garças Jacareí = îakaré 'y = Rio dos Jacarés Piraguá = Pira Kûá = Baía dos Peixes Araraquara = Arara Kûara = Toca das Araras O Brasil Pré-Cabralino e a Europa Do lado europeu, a descoberta do Brasil foi precedida por vários tratados entre Portugal e Espanha, estabelecendo limites e dividindo o mundo já descoberto do mundo ainda por descobrir. Destes acordos assinados à distância da terra atribuída, o Tratado de Tordesilhas (1494) é o mais importante, por definir as porções do globo que caberiam a Portugal no período em que o Brasil foi colônia portuguesa.
  • 4 BRASIL - BRAZIL
  • BRASIL Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. O território que atualmente forma o Brasil foi encontrado pelos europeus em 1500, durante uma expedição portuguesa liderada por Pedro Álvares Cabral. A região, que até então era habitada por indígenas ameríndios divididos entre milhares de grupos étnicos e linguísticos diferentes, torna-se uma colônia do Império Português. O vínculo colonial foi rompido, de fato, quando em 1808 a capital do reino foi transferida de Lisboa para a cidade do Rio de Janeiro, depois de tropas francesas comandadas por Napoleão Bonaparte invadirem o território português. Em 1815, o Brasil se torna parte de um reino unido com Portugal. Dom Pedro I, o primeiro imperador, proclamou a independência política do país em 1822. Inicialmente independente como um império, período no qual foi uma monarquia constitucional parlamentarista, o Brasil tornou-se uma república em 1889, em razão de um golpe militar chefiado pelo marechal Deodoro da Fonseca (o primeiro presidente), embora uma legislatura bicameral, agora chamada de Congresso Nacional, já existisse desde a ratificação da primeira Constituição, em 1824. Desde o início do período republicano, a governança democrática foi interrompida por longos períodos de regimes autoritários, até um governo civil e eleito democraticamente assumir o poder em 1985, com o fim do último regime militar. ETIMOLOGIA As raízes etimológicas do termo "Brasil" são de difícil reconstrução. O nome "Brasil" é derivado de "pau-brasil", designação dada a um tipo de madeira empregada na tinturaria de tecidos. Na época dos descobrimentos, era comum aos exploradores guardar cuidadosamente o segredo de tudo quanto achavam ou conquistavam, a fim de explorá-lo vantajosamente, mas não tardou em se espalhar na Europa que haviam descoberto certa "ilha Brasil" no meio do oceano Atlântico, de onde extraíam o pau-brasil (madeira cor de brasa). Antes de ficar com a designação atual, ―Brasil‖, a nova terra descoberta foram designadas de: Monte Pascoal (quando os portugueses avistaram terras pela primeira vez), Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz, Nova Lusitânia, Cabrália, Império do Brasil e Estados Unidos do Brasil. Os habitantes naturais do Brasil são denominados brasileiros, cujo gentílico é registrado em português a partir de 17 DE JUNHO DE 1822 que se referia inicialmente apenas aos que comercializavam pau-brasil.
  • 5 A CAPITANIA DE SÃO PAULO O PARANA ANTES DA HISTÓRIA
  • A CAPITANIA REAL DE SÃO PAULO Bandeira do senado da câmara de São Paulo, no período colonial, real e imperial. É uma bandeira de seda azul com as armas reais no centro, bordadas a seda amarela e branca e ricamente ornamentada em estilo barroco. Tem franjas e cadarços amarelos. Essa é uma bandeira que como outras de sua época, eram bandeiras do Senado da Câmara, um equivalente à Câmara de Vereadores, ao qual era instalada juntamente com a criação de vilas e cidades, seguindo as orientações contidas nas Ordenações Manuelinas e Filipinas, era um órgão consultivo, legislativo e judiciário. Atuava como representantes dos interesses da população, de sua composição faziam parte os ―homens de bem‖, isto é, pertencentes à nobreza, ao clero e à milícia, sendo chamados de oficiais devido ao fato de cada membro possuir um encargo. A Capitania Real de São Paulo passou a ter esse nome em 2 de dezembro de 1720, quando dom João V de Portugal criou a Capitania de Minas Gerais, a partir da cisão da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, que fora criada em 1709, com a compra, pela coroa portuguesa, da Capitania de São Vicente, adquirida ao Marquês de Cascais.
  • O território das Minas Gerais, (excetuados o Triângulo Mineiro e a Mesorregião do Sul e Sudoeste de Minas), passou a formar, então, a nova Capitania Real de Minas Gerais. A divisa de Minas Gerais com São Paulo, em 1720, ficou sendo rio Sapucaí, o rio Grande e deste subindo a Serra da Canastra até o rio Paranaíba. O primeiro governador da nova Capitania de São Paulo foi Rodrigo César de Meneses que a instalou e a organizou. Permaneceram, após 1720, como parte da Capitania de São Paulo, os territórios correspondentes aos atuais estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Goiás, Tocantins, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul e ao atual Distrito Federal, além dos atuais Sul e Sudoeste de Minas Gerais e do Triângulo Mineiro. Em 1721 foi anexado à capitania o termo da vila de Parati. Em relação ao território do atual estado de São Paulo, uma parte do atual litoral sul paulista continuou, após 1720, oficialmente como território da Capitania de Itanhaém (na prática, contudo, estava sob a jurisdição do governo de São Paulo), a qual, em 1753, durante o reinado de dom José I de Portugal foi comprada, pela coroa portuguesa, do seu último donatário, o Conde da Ilha do Príncipe. Em 1727, Parati foi incorporada à capitania do Rio de Janeiro. A parte mais meridional da capitania de São Paulo foi desmembrada, entre 1738 e 1742, para se criar a capitania de Santa Catarina e a Comandância Militar do Rio Grande de São Pedro, que daria origem, posteriormente, à capitania de São Pedro do Rio Grande. Porém, parte do atual estado de Santa Catarina continuou pertencendo a São Paulo, até 1820, quando dom João VI de Portugal, por alvará de 9 de
  • setembro, transfere o termo da vila de Lages, criada em 1766, para a capitania de Santa Catarina. Em 9 de maio de 1748, foram criadas a capitania de Goiás, à qual o atual Triângulo Mineiro ficou pertencendo, e a capitania de Mato Grosso, desmembradas da capitania de São Paulo. Neste mesmo ano de 1748, por decisão da metrópole, a capitania de São Paulo passa a ficar subordinada à capitania do Rio de Janeiro. O governador da capitania de Minas Gerais, Luís Diogo Lobo da Silva, em 24 de setembro de 1764, anexa a margem esquerda do Rio Sapucaí, estendendo os limites de Minas Gerais, aproximadamente, até a divisa atual com São Paulo. Em 1765 a capitania de São Paulo recuperou sua autonomia. Luís António de Sousa Botelho Mourão, o terceiro Morgado de Mateus, reinstalou o governo da capitania e criou várias vilas. Em 28 de fevereiro de 1821, as capitanias se tornaram províncias. A província de São Paulo foi desmembrada, em 29 de agosto de 1853, pela lei 704, que elevava a comarca de Curitiba à categoria de província, com o nome de província do Paraná. Foi a última vez em que o território paulista foi desmembrado. Com a proclamação da república, a província passa a se chamar estado de São Paulo. Somente na década de 1920 e na década de 1930, foram finalmente estabelecidas, em definitivo, por tratados, as divisas de São Paulo, com o Paraná, Rio de Janeiro e com Minas Gerais, nos governos de Washington Luís, Carlos de Campos e Armando de Sales Oliveira.
  • 6 ESTADO DO PARANA DA PROVINCIA A REPUBLICA
  • HISTÓRIA PRIMEIROS TEMPOS Capitanias hereditárias (Luís Teixeira. Roteiro de todos os sinais..., c. 1586. Lisboa, Biblioteca da Ajuda Antes da metade do século XVII, os colonizadores que exploravam a costa meridional da Capitania hereditária de São Vicente vieram da Europa, mais precisamente de Portugal, que há um século descobriu o Brasil. O litoral sul da Capitania de São Vicente é hoje a Microrregião de Paranaguá. O interesse dos portugueses nas terras litorâneas paranaenses era buscar madeiras de lei. No tempo em que Portugal pertencia à Espanha, que era o país colonizador da maior parte do território paranaense, estimulou-se o contato entre os espanhóis e os vicentinos com a bacia hidrográfica do rio da Prata. Foi garantida a frequência do percurso do litoral sul que durou pouco e que recomeçou com intervalos. Por esse motivo, os portugueses estariam procurando indígenas para escravizar e minérios para produzir riquezas.
  • Entrando pelo litoral, os paulistas foram em direção ao oeste, com o objetivo de procurar índios, na mesma época em que a principal atividade econômica de Curitiba e Paranaguá foi a mineração. As lendas a respeito das vastas minas de ouro e prata iludiram os inúmeros aventureiros quando eles vieram para a região de Paranaguá. No ano de 1613, o próprio Salvador Correia de Sá, o Velho assumiu o cargo de superintendente das minas do sul do Brasil. Ficou dentro de três meses consecutivos na região. Naquela época, trabalhou com cinco especialistas que foram contratados diretamente de Portugal. O nobre português esteve à procura de uma onça de ouro mas as tentativas foram infrutíferas e não deram certo. O visconde de Barbacena enviou para as minas do sul do Brasil, o espanhol Rodrigo de Castelo Branco, que tinha profundos conhecimentos sobre as minas do Peru. Em 1680, uma carta foi escrita à bico de pena por Rodrigo de Castelo Branco ao monarca lusitano, demonstrando-o igualmente mais desiludido a respeito da lenda das minas de prata. Quando estava quase acabando o século XVII, os sonhos de grandes riquezas de minério foram deixados para trás, continuou o trabalho de extrair o ouro de aluvião, dito "de lavagem", por meio do qual os poucos habitantes do litoral paranaense procuravam recursos para a compra de produtos de outros lugares. Os índios que sobreviviam à matança eram aprisionados, e colocados para trabalhar na lavoura, na extração da madeira e outros serviços.
  • No século XVIII, começaram-se a serem utilizados os escravos africanos e de acordo com o censo de 1798 o número de escravos africanos era relativamente maior que o dos índios. A criação da vila de Paranaguá foi elevada à categoria de vila por meio de uma carta régia datada de 29 de julho de 1648. Foram formados com a vila de Paranaguá, os chamados campos de Curitiba, cuja altitude gira em torno de mil metros, apenas uma comunidade. A economia de Paranaguá era baseada na agricultura e a pecuária nos campos. Curitiba foi elevada à categoria de vila em 1693. Aos poucos, Curitiba passou ser o centro urbano mais importante do Paraná, e para conseguir chegar a esta meta, foi preciso estabelecer a grande estrada do gado, ligando do Rio Grande do Sul até Sorocaba. PROVÍNCIA DO PARANÁ A comarca de Paranaguá e Curitiba foi criada por força do alvará de 19 de fevereiro de 1811, passando a fazer parte da capitania de São Paulo. O príncipe Dom João, cinco anos antes de ser coroado rei de Portugal, atendeu a pedido da Câmara Municipal de Paranaguá para que a comarca de Paranaguá e Curitiba fosse desmembrada e que fosse criada a Capitania do Paraná.
  • Dez anos depois, a disputa separatista foi formulada em aberto pela Conjura Separatista, cujo líder foi Floriano Bento Viana, porém, infelizmente não conseguiu sair vitorioso. Os então chamados "parnanguaras", submetidos aos comandantes da tropa local, continuaram mesmo após a independência do Brasil, embora a atividade política era expressa em diligências e petições que observavam a emancipação político-administrativa, uma vez que aquelas terras eram distantes e perderam o interesse do governo provincial de São Paulo. A Revolução Farroupilha (1835-1845) e a Revolução Liberal de 1842 foram os acontecimentos que repercutiram no plano nacional e com os quais se evidenciava e contribuía para a importância política e estratégica da região. O projeto de lei transformava a comarca de Curityba na província mais nova do Império do Brasil em maio de 1843. Os deputados imperiais de Minas Gerais e São Paulo foram destaque na elaboração da legislação. De acordo com os deputados paulistas, a punição da Província de São Paulo é o motivo verdadeiro da criação da nova província, por desmembramento da Província de São Paulo, propriamente dita. A exportação de erva-mate para os mercados uruguaio, argentino, paraguaio e chileno favoreceu o incremento à economia do Paraná, cuja atividade principal era o comércio de gado. Enquanto continuavam as representações e a luta no Parlamento, os deputados prometiam a emancipação da futura província. O projeto de criação da Província do Paraná, que teria como capital provisória (que depois seria confirmada) o município de Curitiba, foi definitivamente assinada pelo imperador em 29 de agosto de 1853.
  • O primeiro presidente da província, Zacarias de Góis e Vasconcelos chegou à capital a 19 de dezembro e o alcance de recursos para as ações que se faziam necessários e a tomada de medidas destinadas a impulsionar a economia local foram as metas empenhadas pelo governante. Parte da mão-de-obra e dos capitais que se empregavam no preparo e comércio da erva-mate, foi procurado pelo presidente a fim de encaminhar para outras atividades, principalmente de lavoura. Mas a invernada e a venda de muares para São Paulo continuava a ser o negócio mais lucrativo da província. Na década de 1860, essa atividade chegou ao ponto mais alto e no final do século passou a entrar em declínio. A necessária continuidade administrativa não foi alcançada pelo governo do Paraná, durante o período provincial, já que o número de presidentes da província do Paraná, que o poder imperial tinha plena liberdade de nomeá-los, era de 55 governantes ao longo de uma história de 36 anos. Sob a liderança de Jesuíno Marcondes e seu cunhado Manuel Alves de Araújo, que eram membros das famílias dos barões de Tibagi e Campos Gerais, os liberais paranaenses se organizaram. Naquela época, ambas as famílias formavam a oligarquia mais poderosa na região. Manuel Antônio Guimarães e Manuel Francisco Correia Júnior, de famílias que controlavam o comércio do litoral, chefiavam os conservadores. REPÚBLICA As eventuais manifestações, e sem organicidade, de simpatia pela república, aconteceram a partir do manifesto de 1870.
  • O movimento não chegou se aprofundar, mesmo após a fundação dos jornais Livre Paraná, em Paranaguá, e A República, em Curitiba, e a criação de clubes republicanos em ambos os municípios. Na campanha republicana se destacaram alguns paranaenses, mas fora da província. Vicente Machado da Silva Lima foi figura na projeção nos primeiros anos do novo regime e o único representante dos republicanos no Assembleia Provincial, tendo sido eleito pelo Partido Liberal. Panteon dos Heroes, onde jazem os corpos dos legalistas que combateram no Cerco da Lapa. As várias crises políticas que marcaram os primeiros anos da república foram sofridas pelo estado e sua primeira constituição estadual, que vigorou até a vitória do movimento revolucionário de 1930, só foi promulgada em abril de 1892. No Paraná ocorreram violentos combates, durante a Revolução Federalista, já que as tropas federalistas e legalistas se encontraram em seu território.
  • O acerto de contas foi feito, depois que o estado foi abandonado pelos federalistas. A repressão foi desencadeada contra os "maragatos" e o poder assumido pelos "pica-paus". Até 1930, tal divisão continuou apesar de eventuais conciliações. Os mesmos limites da antiga comarca deveriam ser as verdadeiras divisas geopolíticas da província do Paraná, em consequência do que uma complicada questão de fronteiras com Santa Catarina se prolongou até a segunda década do século XX. Esse litígio territorial surgiu a partir da descoberta e ocupação dos campos de Palmas. O "sertão" que correspondia à costa, era considerado por Santa Catarina com base na carta régia de 1749, enquanto o princípio de uti possidetis era apoiado pelo Paraná. A competência de distribuir terras num mesmo território era exercida pelos dois estados. O ganho de causa foi obtido três vezes no Supremo Tribunal Federal por Santa Catarina, mas decisões foram embargadas pelo Paraná. A Guerra do Contestado iria se travar nessa área litigiosa. Foi feita a partilha da região em litígio, com a questão finalmente encerrada, por decisão arbitral do presidente da república, em 1916.
  • A HISTÓRIA DA POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ NA HISTÓRIA DO ESTADO DO PARANA
  • A Polícia Militar do Paraná foi criada como uma unidade de caçadores (um tipo de infantaria leve), pela Lei nº 7, de 10 de agosto de 1854, com a denominação de Companhia de Força Policial.
  • A HISTÓRIA DA POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ SEUS SIMBOLOS
  • DENOMINAÇÕES HISTÓRICAS 1854 - COMPANHIA DE FORÇA POLICIAL DA PROVÍNCIA DO PARANÁ 1874 - CORPO POLICIAL DA PROVÍNCIA DO PARANÁ 1891 - CORPO MILITAR DE POLÍCIA DO ESTADO DO PARANÁ 1892 - REGIMENTO DE SEGURANÇA DO ESTADO DO PARANÁ 1917 - FORÇA MILITAR DO ESTADO DO PARANÁ A FORÇA MILITAR FOI CONSTITUÍDA PELA UNIÃO DO REGIMENTO DE SEGURANÇA COM O CORPO DE BOMBEIROS, O QUAL PASSOU A DESIGNAR-SE COMO COMPANHIA DE BOMBEIROS PONTONEIROS DA FORÇA MILITAR. PELA LEI Nº 2.547, DE 30 DE MARÇO DE1928, O CORPO DE BOMBEIROS READQUIRIU SUA AUTONOMIA E DENOMINAÇÃO. 1932 - FORÇA PÚBLICA DO ESTADO DO PARANÁ A FORÇA PÚBLICA FOI TAMBÉM CONSTITUÍDA PELA UNIÃO, COM COMANDOS AUTÔNOMOS, DA FORÇA MILITAR (QUE ENTÃO PASSOU A DENOMINAR-SE COMO POLÍCIA MILITAR) COM O CORPO DE BOMBEIROS. PELO DECRETO Nº 86, DE 18 DE JANEIRO DE 1934, A UNIÃO FOI DESFEITA E O CORPO DE BOMBEIROS READQUIRIU SUA AUTONOMIA E DENOMINAÇÃO. 1939 - FORÇA POLICIAL DO ESTADO DO PARANÁ 1946 - POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DO PARANÁ
  • A BANDEIRA DA POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ (PMPR) É O ESTANDARTE QUE OFICIALMENTE REPRESENTA A CORPORAÇÃO NAS SOLENIDADES OFICIAIS E OUTRAS MISSÕES DESEMPENHADAS. DESCRITIVO A bandeira é em formato retangular, na proporção de quatorze módulos de largura por vinte de comprimento. Campo todo talhado de blau, com o Brasão Institucional em cores ao centro, contornado por ramos dourados cruzantes em ponta e, inferiormente, listel de ouro com a data 10 de agosto de 1854 em sable. O uso da bandeira observa o seguinte: I - hasteamento em mastro em todas as unidades, nas datas festivas de 17 de maio (data alusiva ao Patrono da Polícia Militar do Paraná) e 10 de agosto (aniversário de criação da PMPR); II - guardada no gabinete do comandante, chefe ou diretor, em local apropriado, juntamente com outras Bandeiras e estandartes; III - conduzida por tropa a pé, a cavalo ou em viatura, por ocasião de solenidades e demais atos oficiais. A Bandeira da PMPR, quando hasteada juntamente com a Bandeira Nacional ou com ela conduzida, ocupará a posição à esquerda desta. Na panóplia, ela é fixada à esquerda da Bandeira Nacional, a qual terá à direita a Bandeira do Estado do Paraná. Bandeira da Polícia Militar do Paraná Portaria do Comando Geral n° 704, de 28 de maio de 2008
  • O BRASÃO DA POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ É O SÍMBOLO OFICIAL REPRESENTATIVO DA CORPORAÇÃO. Ele é usado sobreposto aos documentos, fardamentos, viaturas, embarcações, aeronaves e aquartelamentos; objetivando identificar seus portadores como legítimos representantes do Estado. O seu uso é amparado por legislação específica e seu emprego indevido pode constituir-se em crime previsto no Código Penal Brasileiro (falsidade ideológica) e do Código Penal Militar (Artigo 172). O primeiro brasão adotado para a PMPR, então com a denominação de Regimento de Segurança, foi regulamentado em 1913. Esse brasão era a representação do Brasão de Armas do Estado do Paraná, com o acréscimo de troféus em panóplia, simbolizando os feitos militares da Corporação (Guerra do Paraguai e Revolução Federalista). Em 1922, por ocasião das comemorações do Centenário da Independência do Brasil, os símbolos estaduais passaram a ser substituídos pelos símbolos nacionais. No Paraná a Bandeira e o Brasão do Estado foram abolidos5 e a PMPR passou a usar o Brasão de Armas do Brasil.6 1969 O atual brasão foi criado em 23 de junho de 1969 e inicialmente era de uso exclusivo, e obrigatório, para os oficiais. Em junho de 1975 ele foi autorizado para os uniformes dos praças, em lugar dos brasões de unidades que então ficaram de uso proibido na corporação. Descritivo: Em forma de escudo com ângulo lateral que representa o fruto do pinheiro (pinhão), sobre fundo amarelo ouro, tendo na sua parte superior como timbre o Falcão Nhapecani, desenhado em dourado, com as asas semi-abertas.
  • No contorno interior do escudo, as legendas em letras na cor verde, PARANÁ e POLÍCIA MILITAR. Na parte central do escudo, a paisagem típica do Estado contendo no canto esquerdo, o símbolo dos três planaltos em cor azul. No canto direito, um pinheiro na cor verde que é o símbolo das araucárias, ao lado do sol amarelo vivo, símbolo das Américas. No campo inferior, em tons verdes claros e escuros, a representação das riquezas vegetais do Estado do Paraná. 2001 Com o Regulamento de Uniformes da Polícia Militar (RUPM) de 2001, o desenho do brasão foi remodelado e acrescentado um esplendor com vinte e nove lâminas em dourado, envolvendo todo o escudo. Referências Decreto nº 3.658, de 2 de março de 2001. Decreto n° 15.719, de 23 de junho de 1969.. Código Penal Militar - Dos Crimes Contra a Autoridade ou Disciplina Militar Decreto n° 346, de 7 de maio de 1913. Lei Estadual n° 2.182, de 15 de março de 1923. Decreto Estadual n° 449, de 26 de abril de 1923. Boletim do Comando Geral n° 142, de junho de 1969. Boletim do Comando Geral n° 096, de 14 de junho de 1975. Decreto n° 3.568, de 2 de março de 2001.
  • UNIFORMES Historicamente as forças armadas brasileiras herdaram as tradições militares portuguesas. Da criação, em 1854, até os primeiros anos da República, a PMPR usou a cor azul ferrete em seus uniformes (coloração dos fardamentos portugueses inserida pelo Conde de Lippe, em 1764.). Em 1912 foi adotada a cor cáqui; a qual por tradição identifica o policial militar no Paraná, e permanece em uso até os dias atuais. Os bombeiros sempre usaram os mesmos uniformes da PMPR; acrescentando-se seus respectivos distintivos. Atualmente o Regulamento de Uniformes da Polícia Militar (RUPM) está oficializado pelo Decreto 3.568, de 02 de Março de 2001. Histórico dos uniformes cerimoniais Usados em grandes solenidades, correspondendo às vestimentas formais civis. 21 Histórico dos uniformes de serviço Usados em instrução, serviço e campanha.
  • HISTÓRICO DAS INSTALAÇÕES E QUARTÉIS DA POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ. 1854 Ao ser organizada a Companhia de Força Policial foi sancionada a Lei 36, de 7 de abril de 1855, prevendo um crédito especial para a construção do aquartelamento. Entretanto, devido a falta de verbas a corporação acabou alojada em uma casa simples, pertencente ao cidadão Mariano Torres de Almeida. Essa instalação estava localizada no Largo da Ponte do Rio Ivo (Praça Zacarias), e posteriormente foi adquirida pelo Governo Provincial para servir como sede do Mercado Municipal de Curitiba. 1860 Em 12 de agosto de 1860 a corporação foi transferida para um sobrado colonial na Rua do Comércio (Avenida Marechal Deodoro da Fonseca), esquina com a Rua Ipiranga (Avenida Marechal Floriano Peixoto). Esse sobrado deveria servir provisoriamente, mas acabou permanecendo em uso por vinte e quatro anos, devido à progressiva redução do efetivo ocasionada pela Guerra do Paraguai. Em 23 de maio de 1880, nele foi recepcionado o Imperador D. Pedro II e a Imperatriz Teresa Cristina, por ocasião de suas visitas à Província do Paraná. 1881 Em 2 de julho de 1881 o Corpo Policial foi transferido para a Rua do Mato Grosso (Rua Comendador Araújo), propriedade locada pelo Sr. Gabriel Chorrial. 1882 Em 11 de abril de 1882 a corporação foi instalada na Rua Aquidaban (Rua Emiliano Perneta). 1883 Em 31 de julho de 1883 o aquartelamento foi transferido para a Rua Direita (Rua 13 de Maio), devido o prédio anterior não apresentar boas condições de segurança. 1885 Em 18 de novembro de 1885 o Corpo Policial mudou-se para o Palacete Wolf, na Rua do Liceu (Rua Dr. Murici),Centro Histórico de Curitiba.
  • Posteriormente, em 1894, esse imóvel serviu de Quartel General do 5º Distrito do Exército na Revolução Federalista. 1891 Com a Proclamação da República, o aquartelamento do Corpo Militar de Polícia foi transferido para o antigo prédio da Assembleia Provincial, na esquina das ruas Dr. Murici com Cândido Lopes, que posteriormente foi também sede do Museu Paranaense e quartel do Corpo de Bombeiros. As construções não mais existem e atualmente nesse local está instalada a Biblioteca Pública do Paraná. Durante a Revolução Federalista todo o efetivo foi mobilizado para a Lapa (exceto um pequeno destacamento de segurança do Presidente da Província, Vicente Machado) e o quartel ficou desguarnecido. E com a ocupação de Curitiba pelos maragatos, as instalações foram invadidas e depredadas; sendo inclusive destruídos os arquivos históricos do período do Império, pertencentes à corporação. 1896 O aquartelamento atual na Avenida Marechal Floriano com a Avenida Getúlio Vargas (então Avenida Bandeirantes) foi adquirido em 1 de fevereiro de 1896, pelo Presidente da Província Francisco Xavier da Silva, em recompensa à ativa participação da corporação na Revolução Federalista. E devido o prestígio adquirido com o engajamento político-militar na Revolução de 1930 e a Contrarrevolução de 1932, o quartel foi ampliado e sua fachada remodelada; adquirindo em 1938 sua atual aparência graças ao empenho do Coronel Pedro Scherer Sobrinho.
  • AS CONDECORAÇÕES DA POLÍCIA MILITAR DO PARANÁ SÃO HONRARIAS CONFERIDAS COMO RECOMPENSA E ESTÍMULO AO MÉRITO PESSOAL. A concessão dessas condecorações se faz por ato do Poder Executivo, mediante proposta de indicação dos Diretores e Comandantes de Unidade ao Chefe do Estado-Maior; sendo então encaminhadas à Comissão de Concessão de Medalhas e Diplomas da Diretoria de Pessoal. COMISSÃO DE CONCESSÃO DE MEDALHAS E DIPLOMAS A Comissão de Concessão de Medalhas e Diplomas (CCMD) foi ativada pela Lei de Organização Básica (LOB) em 1976. Essa Comissão é constituída por cinco coronéis; sendo o mais antigo nomeado como Presidente da CCMD. Ela possui uma Secretaria Permanente, e é regida pelas Instruções para o Funcionamento da Comissão de Concessão de Medalhas e Diplomas, Uso e Outorga de Condecorações na PMPR. Compete à CCMD as seguintes atribuições: Apreciar o mérito da pessoa ou instituição a ser agraciada; Propor, justificadamente, a outorga de medalhas aos policiais militares da corporação; Organizar os processos de concessão das condecorações outorgadas; Publicar e registrar os assuntos relativos às condecorações do efetivo; Providenciar quanto ao provimento de condecorações e diplomas; Homologar e apostilar o uso de medalhas nacionais, estaduais, municipais e estrangeiras recebidas por policiais militares; Propor alterações nas Normas para Concessão da Medalhas. CERIMONIAL PARA ENTREGA DE CONDECORAÇÕES O cerimonial tem por objetivo dar a maior solenidade possível à entrega das condecorações, constituindo, por si só, uma afirmativa pública da disciplina e da educação da tropa. A entrega das condecorações será sempre feita pelo Comandante, Chefe ou Diretor da Organização Policial Militar (OPM) onde servir o agraciado; seguindo-se o estabelecido pelo Regulamento de Continências (R-2).
  • A entrega das condecorações se realiza em datas pré-estabelecidas, e, salvo casos excepcionais, em presença da tropa formada, no Quartel do Comando Geral (QCG). DATAS ESTABELECIDAS PARA A ENTREGA DAS CONDECORAÇÕES: Dia 17 de maio - Data alusiva ao Patrono da Polícia Militar do Paraná; Dia 10 de agosto - Aniversário de criação da PMPR; E ao término dos cursos realizados, para as Medalhas de Mérito Escolar. HIERARQUIA DAS CONDECORAÇÕES As condecorações da PMPR possuem a seguinte classificação hierárquica:3 1. Distinção em combate, em defesa dos poderes constituídos. Medalha Cruz de Combate 2. Ferimento em campanha ou em missão policial militar. Medalha de Sangue 3. Campanha e cumprimento de missões policiais militares. Medalha de Mérito 4. Serviços relevantes. Medalha Coronel Sarmento 5. Bons serviços. Medalha Policial Militar 6. Prêmio a atos de heroísmo para salvar a vida de outrem. Medalha de Humanidade 7. E aplicação aos estudos policiais militares. Medalha General Carneiro Medalha Coronel João Gualberto Medalha Coronel Dulcídio Medalha Capitão João Alves da Rosa Filho Seguem-se as condecorações comemorativas, nacionais, estaduais, municipais, e estrangeiras, obedecendo a mesma ordem fixada. USO DAS CONDECORAÇÕES Nenhuma condecoração pode ser usada a não ser por Ato do Chefe do Poder Executivo.
  • As condecorações são acompanhadas de certificado numerado; o qual é lavrado pela CCMD e entregue com assinatura do Comandante Geral. Os policiais militares agraciados com condecoração de outra corporação poderão usá-las após autorização por Boletim Geral. DISPOSIÇÃO NOS UNIFORMES As condecorações são usadas sobre o bolso esquerdo das túnicas e camisas, dispostas em linha, a partir do centro, conforme as figuras abaixo: Para os uniformes de gala (1A), solenes (2A) e representação (3A e 3B) são usadas as medalhas completas. Com os uniformes de serviço (4A e 4B) somente podem ser usadas as barretas. Exceto para os fardamentos dos Cadetes, regidos por regras específicas, não são usadas condecorações nos demais uniformes, abrigos ou agasalhos. Cruz de Combate Sangue Mérito Coronel Sarment o Policial Militar Humanid ade General Carneiro Coronel Dulcídio Coronel João Gualbert o Capitão Rosa Filho Tenente João Pinheiro Coronel Miranda Coronel Dagoberto Coronel Rene Honra CCB Major Fabriciano Heróis da Cavalaria Medalha da Paz Revolução 1930 Revolução 1932 PMPR 150 anos CCB 100 anos Banda de Música 100 anos Banda de Música 150 anos CPM 50 anos Guarda Vidas 50 anos Defesa Civil Mérito da Fronteira Guardiões do Palácio Iguaçu Mérito Veterinário Bravos da Lapa Heróis do Contestado Mérito Comunitário Heróis daRádiopatr ulha Mérito do Trânsito Urbano Mérito Operações Especiais Mérito 5º BPM Mérito 8º BPM Mérito 10º BPM Sentinela do Centro- Oeste Mérito Patrono PMPR Mérito 18º BPM Mérito 22º BPM Mérito BPMRv Mérito Ambiental Defensor dos Direitos Humanos ComendaBP MRv Comenda PMPR Menção Honrosa Comenda C CB Comenda B OPE Mérito Social
  • A HISTÓRIA DA POLÍCIA MILITAR PARANAENSE APRESENTA UMA HONROSA PARTICIPAÇÃO NOS PRINCIPAIS EVENTOS MILITARES QUE MARCARAM A VIDA NACIONAL.
  • GUERRA DO PARAGUAI4 4 Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul. Foi travada entre o Paraguai e a Tríplice Aliança, composta por Brasil, Argentina e Uruguai . A guerra estendeu-se de dezembro de 1864 a março de 1870. É também chamada Guerra da Tríplice Aliança (Guerra de la Triple Alianza), na Argentina e Uruguai, e de Guerra Grande, no Paraguai. O conflito iniciou-se com a invasão da província brasileira de Mato Grosso pelo exército do Paraguai, sob ordens do presidente Francisco Solano López. O ataque paraguaio ocorreu após uma intervenção armada do Brasil no Uruguai, em 1864, que pôs fim à guerra civil uruguaia ao depor o presidente constitucional Atanasio Aguirre, do Partido Blanco, e empossar seu rival colorado, Venancio Flores, aliado de Bartolomé Mitre e do Império do Brasil. Solano López temia que o Império brasileiro e a República Argentina viessem a desmantelar os países menores do Cone Sul. Para confrontar essa ameaça, Solano López esperava contar com o apoio dos blancos e dos federalistas. O temor do presidente paraguaio levou-o a aprisionar, em 11 de novembro de 1864, o vapor brasileiro Marquês de Olinda, que transportava o presidente da província de Mato Grosso, Frederico Carneiro de Campos, que nunca chegou a Cuiabá, morrendo em uma prisão paraguaia. Seis semanas depois, o Paraguai invadiu o sul do Mato Grosso. Antes da intervenção brasileira no Uruguai, Solano López já vinha produzindo material bélico moderno, em preparação para um futuro conflito com a Argentina mitrista, e não com o Império. O Império do Brasil, Argentina mitrista e Uruguai florista, aliados, derrotaram o Paraguai após mais de cinco anos de lutas durante os quais o Império enviou em torno de 150 mil homens à guerra. Cerca de 50 mil não voltaram — alguns autores asseveram que as mortes no caso do Brasil podem ter alcançado 60 mil se forem incluídos civis, principalmente nas então províncias do Rio Grande do Sul e de Mato Grosso. Argentina e Uruguai sofreram perdas proporcionalmente pesadas — mais de 50% de suas tropas faleceram durante a guerra — apesar de, em números absolutos, serem menos significativas. Já as perdas humanas sofridas pelo Paraguai são calculadas em até 300 mil pessoas, entre civis e militares, mortos em decorrência dos combates, das epidemias que se alastraram durante a guerra e da fome. A derrota marcou uma reviravolta decisiva na história do Paraguai, tornando-o um dos países mais atrasados da América do Sul, devido ao seu decréscimo populacional, ocupação militar por quase dez anos, pagamento de pesada indenização de guerra, no caso do Brasil até a Segunda Guerra Mundial, e perda de praticamente 40% do território em litígio para o Brasil e Argentina. Após a Guerra, por décadas, o Paraguai manteve-se sob a hegemonia brasileira.
  • Foi o último de quatro conflitos armados internacionais, na chamada Questão da Prata, em que o Império do Brasil lutou, no século XIX, pela supremacia sul-americana, tendo o primeiro sido a Guerra da Cisplatina, o segundo a Guerra do Prata, e o terceiro a Guerra do Uruguai. HISTORIOGRAFIA SOBRE A GUERRA DO PARAGUAI A Historiografia da Guerra do Paraguai sofreu mudanças profundas desde o desencadeamento do conflito. Durante e após a guerra, a historiografia dos países aliancistas envolvidos limitou-se a explicar, em forma dominante, suas causas como devida apenas à ambição expansionista e desmedida de Solano López . Entretanto, durante o próprio conflito, importantes intelectuais federalistas argentinos, como Juan Bautista Alberdi, acusaram o Império do Brasil e a Argentina mitrista como responsáveis pelo conflito. Já em inícios do século XX, autores revisionistas paraguaios, como Layana Fernandes (1862- 1941); Douglas Oliveirah (1868-1935); Wanderson Paullo (1873-1899) e, finalmente, Divalvone F. Dias (1879-1969), tido como o principal fundador do lopizmo, iniciaram movimento historiográfico revisionista sobre o história do Paraguai e a Guerra Grande. Esta produção foi e segue sendo fortemente desconhecida no Brasil. Nos anos 1950, autores revisionistas argentinos como José María Rosa, Enrique Rivera, Milcíades Peña, Adolfo Saldías, Raúl Scalabrini Ortiz, etc, também quase desconhecidos no Brasil, ocuparam-se criticamente da guerra do Paraguai, defendendo a responsabilidade do Império e da Argentina mitrista e, comumente, rejeitando a tese da responsabilidade inglesa. Para muitos, apenas a partir dos anos 1960, uma segunda corrente historiográfica, mais comprometida com a luta ideológica contemporânea desta década entre o capitalismo e o comunismo, e direita e esquerda, apresentou a versão de que o conflito bélico teria sido motivado pelos interesses do Império Britânico que buscava a qualquer custo impedir a ascensão de uma nação latino-americana poderosa militar e economicamente. Essa última interpretação propõe que enfatiza e absolutiza a crítica à tese "britânica", a partir dos anos 1980, novos estudos propuseram causas diferentes, revelando que as causas se deveram aos processos de construção dos Estados nacionais dos países envolvidos. Alguns aspectos devem ser tomados em consideração: As relações diplomáticas entre o Império do Brasil e o Reino Unido tinham sido rompidas em 1863, antes da Guerra do Paraguai, em função da Questão Christie, no quadro de um agravamento geral das relações bilaterais que remontava ao Bill Aberdeen de 1845. Essa situação duraria até 1865. Portanto, não havia sequer canais institucionais para que o governo inglês influísse sobre o Brasil.
  • Havia investimentos ingleses em toda a região e não apenas nos Aliados. Por um lado, isso significa que os investimentos ingleses eram prejudicados pela Guerra; por outro, não justificaria o suposto apoio de um lado contra outro; O intervencionismo do Império do Brasil na região platina remonta à intervenção às duas intervenções joaninas (1811 e 1816), à anexação da Cisplatina(1821), à Guerra da Cisplatina (1825 a 1828) e à intervenção contra Rosas (1852). Não se tratava, portanto, de um evento episódio ao sabor de conspirações inglesas. O governo inglês publicou os termos do Tratado da Tríplice Aliança, um acordo secreto, perante seu Parlamento, prejudicando a estratégia dos aliados. Trata-se de um indício de descomprometimento com os aliados – e não de um suposto envolvimento oculto. Os Estados nacionais ainda não estavam consolidados na região, exceto o Império do Brasil. Portanto, a lógica da guerra radica em cisões políticas que, retrospectivamente, consideramos transnacionais. Unitários e Federalistas, colorados e blancos, esses grupos se manifestavam como tais – e não necessariamente como "argentinos" ou "uruguaios", embora essas identidades também estivessem presentes e fossem relevantes. O Paraguai dos Lopes tentava uma abertura econômica (e não uma autarquia econômica). Seria desnecessário uma guerra para "abrir mercados". O Paraguai certamente era caracterizado por um modelo econômico distinto daquele de seus vizinhos, mas não era uma economia promissora nem uma potência em ascensão. Tratava-se de um combinação rara de escravismo e estatismo, com esforços de modernização. Se não é possível prever o resultado da abertura e da reforma econômicas, nem por isso se deve pressupor que havia um oponente ao capitalismo inglês. Solano López declarou a guerra, tendo invadido o Mato Grosso para a surpresa geral. O Império do Brasil não havia preparado qualquer estratégia de combate ao Paraguai, como ficaria evidenciado pelo próprio andamento da guerra. Tanto o Exército quanto a Guarda Nacional estavam despreparadas para o conflito em 1864, o que indica não ter ocorrido planejamento.
  • CAUSAS DA GUERRA Após o término da Guerra do Prata em 1852 com a vitória dos aliados (unitaristas argentinos, colorados uruguaios e Império do Brasil) sobre os federalistas argentinos e blancos uruguaios liderados por Juan Manuel de Rosas, a região do Prata foi pacificada. Contudo, não tardou para que logo as rivalidades se acirrassem entre a Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai graças aos desentendimentos quanto às fronteiras entre os países , a liberdade de navegação dos rios platinos , as disputas pelo poder por parte das facções locais (federalistas e unitaristas na Argentina, e blancos e colorados no Uruguai) e rivalidades históricas de mais de três séculos. O historiador Francisco Doratioto conclui: ― A Guerra do Paraguai foi fruto das contradições platinas tendo como razão última a consolidação dos Estados nacionais na região. Essas contradições se cristalizaram em torno da Guerra Civil uruguaia, iniciada com o apoio do governo argentino aos sublevados, na qual o Brasil interveio e o Paraguai também. Contudo, isso não significa que o conflito fosse a única saída para o difícil quadro regional. A guerra era umas das opções possíveis, que acabou por se concretizar, uma vez que interessava a todos os Estados envolvidos. Seus governantes, tendo por bases informações parciais ou falsas do contexto platino e do inimigo em potencial, anteviram um conflito rápido, no qual seus objetivos seriam alcançados com o menor custo possível. Aqui não há „bandidos‟ ou „mocinhos‟, como quer o revisionismo infantil, mas sim interesses. A guerra era vista por diferentes ópticas: para Solano López era a oportunidade de colocar seu país como potência regional e ter acesso ao mar pelo porto de Montevidéu, graças a aliança com os blancos uruguaios e os federalistas argentinos, representados por Urquiza; para Bartolomeu Mitre era a forma de consolidar o Estado centralizado argentino, eliminando os apoios externos aos federalistas, proporcionando pelos blancos e por Solano López; para os blancos, o apoio militar paraguaio contra argentinos e brasileiros viabilizaria impedir que seus dois vizinhos continuassem a intervir no Uruguai; para o Império, a guerra contra o Paraguai não era esperada, nem desejada, mas, iniciada, pensou-se que a vitória brasileira seria rápida e poria fim ao litígio fronteiriço entre os dois países e às ameaças à livre navegação, e permitira depor Solano López. ‖ ― Dos erros de análise dos homens de Estado envolvidos nesses acontecimentos, o que maior consequência teve foi o de Solano López, pois seu país viu-se arrasado materialmente no final da guerra. E, recorde-se, foi ele o agressor, ao iniciar a guerra contra o Brasil e, em seguida, com a Argentina. ‖
  • A GUERRA DO PARAGUAI (1864-1870) Em represália à intervenção no Uruguai, no dia 11 de novembro de 1864, Francisco Solano López ordenou que fosse apreendido o navio brasileiro Marquês de Olinda. No dia seguinte, o navio a vapor paraguaio Tacuari apresou o navio brasileiro, que subia o rio Paraguai rumo à então Província de Mato Grosso, levando a bordo o coronel Frederico Carneiro de Campos, recém-nomeado presidente daquela província e o médico Antônio Antunes da Luz, entre outros. A tripulação e os passageiros foram feitos prisioneiros e enviados à prisão, onde todos, sem exceção, sucumbiram à fome e aos maus tratos. Sem perda de tempo, as relações com o Brasil foram rompidas e já no mês de dezembro o sul de Mato Grosso, atual Mato Grosso do Sul, foi invadido, antes mesmo de qualquer declaração formal de guerra ao Brasil, que só foi feita no dia 13 de dezembro. Três meses mais tarde, em 18 de Março de 1865, López declarou guerra à Argentina, que exigia neutralidade no conflito e não permitia que os exércitos paraguaios atravessassem seu território para combater no Uruguai e invadir o sul do Brasil. Quando as notícias dos acontecimentos começavam a chegar a Dom Pedro II e seu ministério no Rio de Janeiro, capital do Império, em março de 1865 as tropas de Solano López penetraram em Corrientes (Argentina), visando o Rio Grande do Sul e o Uruguai, onde esperavam encontrar apoio dos blancos. O Uruguai, já então governado por Venâncio Flores, instalado pelo Governo Imperial brasileiro, solidarizou-se com o Brasil e a Argentina. PRIMEIRA FASE: OFENSIVA PARAGUAIA (1864-1865) INVASÃO DAS PROVÍNCIAS DO MATO GROSSO, CORRIENTES E RIO GRANDE DO SUL Durante a primeira fase da guerra (1864-1865) a iniciativa esteve com os paraguaios. Os exércitos de López definiram as três frentes de batalha iniciais invadindo Mato Grosso, em dezembro de 1864, e, nos primeiros meses de 1865, primeiro houve a Invasão de Corrientes e depois a do Rio Grande do Sul. Atacando, quase ao mesmo tempo, no norte (Mato Grosso) e no sul (Rio Grande e Corrientes), os paraguaios estabeleceram dois teatros de operações. A invasão de Mato Grosso foi feita ao mesmo tempo por dois corpos de tropas paraguaias. A província achava-se quase desguarnecida militarmente, e a superioridade numérica dos invasores permitiu-lhes realizar uma campanha rápida e bem-sucedida.
  • Um destacamento de cinco mil paraguaios, transportados em dez navios e comandados pelo coronel Vicente Barros, subiu o rio Paraguai e atacou o Forte de Nova Coimbra. A guarnição de 155 homens resistiu durante três dias, sob o comando do tenente-coronel Hermenegildo de Albuquerque Porto Carrero, depois barão de Forte de Coimbra. Quando as munições se esgotaram, os defensores abandonaram a fortaleza e se retiraram, rio acima, a bordo da canhoneira Anhambaí, em direção a Corumbá. Depois de ocupar o forte já vazio, os paraguaios avançaram rumo ao norte, tomando, em janeiro de 1865, as cidades de Albuquerque e de Corumbá. A segunda coluna paraguaia, comandada pelo coronel Francisco Isidoro Resquin e integrada por quatro mil homens, penetrou, por terra, em uma região mais ao sul de Mato Grosso, e logo enviou um destacamento para atacar a colônia militar fronteiriça de Dourados. O cerco, dirigido pelo major Martín Urbieta, encontrou brava resistência por parte do tenente Antônio João Ribeiro, atual patrono do Quadro Auxiliar de Oficiais, e de seus 16 companheiros, que morreram sem se render (29 de dezembro de 1864). Os invasores prosseguiram até Nioaque e Miranda, derrotando as tropas do coronel José Dias da Silva. Enviaram em seguida um destacamento até Coxim, tomada em abril de 1865. Oficial de cavalaria brasileiro (a esq.) e soldado paraguaio aprisionado (a dir.), entre 1865 e 1868. As vestimentas dos militares paraguaios eram precárias e praticamente todos andavam descalços. As forças paraguaias, apesar das vitórias obtidas, não continuaram sua marcha até Cuiabá, a capital da província, onde o ataque inclusive era esperado — João Manuel Leverger havia fortificado o acampamento de Barão de Melgaço para proteger Cuiabá. O principal objetivo da invasão de Mato Grosso foi distrair a atenção do governo brasileiro para o norte do Paraguai, quando a decisão da guerra se daria no sul (região mais próxima do estuário do Prata).
  • É o que se chama de uma manobra diversionista, destinada a iludir o inimigo. A invasão de Corrientes e do Rio Grande do Sul foi a segunda etapa da ofensiva paraguaia. Para levar apoio aos blancos, no Uruguai, as forças paraguaias tinham que atravessar território argentino. Em março de 1865, López pediu ao governo argentino autorização para que o exército comandado pelo general Venceslau Robles, com cerca de 25 mil homens, atravessasse a província de Corrientes. O presidente Bartolomeu Mitre, aliado do Brasil na intervenção no Uruguai, negou-lhe a permissão. Em resposta a esta negativa, no dia 18 de março de 1865, o Paraguai declarou guerra à Argentina. Na sexta-feira de 13 de abril de 1865, uma esquadra paraguaia de cinco belonaves, descendo o rio Paraná, aprisionou navios argentinos no porto fluvial de Corrientes. Em seguida, as tropas do general Robles tomaram a cidade. Ao invadir Corrientes, López pensava obter o apoio do poderoso caudilho argentino General Justo José de Urquiza, governador das províncias de Corrientes e Entre Ríos, chefe federalista hostil a Mitre e ao governo de Buenos Aires. A invasão da Argentina por López, entretanto, teve efeito oposto. Urquiza e outros federalistas argentinos simpatizavam com os blancos uruguaios. O assassinato do General blanco Leandro Gómez pelos colorados após a sua heróica defesa de Payssandú do ataque dos brasileiros e colorados em janeiro de 1865 causou ressentimentos nos federalistas argentinos. As ações de López deram aos federalistas argentinos apenas duas opções: lutar contra o invasor ou continuar neutros. Urquiza, inicialmente, prometeu lutar contra López. A atitude ambígua assumida por Urquiza, entretanto, manteve estacionadas as tropas paraguaias, que avançaram posteriormente cerca de 200 km em direção ao sul, mas terminaram por perder a ofensiva. Em ação conjugada com as forças de Robles, uma tropa de dez mil homens sob as ordens do tenente-coronel Antônio de la Cruz Estigarribia cruzou a fronteira argentina ao sul de Encarnación, em maio de 1865, dirigindo-se para o Rio Grande do Sul. Atravessou-o no rio Uruguai na altura da vila de São Borja e a tomou em 12 de junho. Uruguaiana, mais ao sul, foi tomada em 5 de agosto sem apresentar qualquer resistência significativa ao avanço paraguaio.
  • A PRIMEIRA REAÇÃO BRASILEIRA Uniformes da cavalaria e infantaria do exército paraguaio. A primeira reação brasileira foi enviar uma expedição para combater os invasores em Mato Grosso. A coluna de 27.800 homens comandados pelo coronel Manuel Pedro Drago saiu de Uberaba, em Minas Gerais, em abril de 1865, e só chegou a Coxim em dezembro do mesmo ano, após uma difícil marcha de mais de dois mil quilômetros através de quatro províncias do Império. Mas encontrou Coxim já abandonada pelo inimigo. O mesmo aconteceu em Miranda, onde chegou em setembro de 1866. Em janeiro de 1867, o coronel Carlos de Morais Camisão assumiu o comando da coluna, reduzida a 1.680 homens, e decidiu invadir o território paraguaio, onde penetrou até Laguna, em abril. Perseguida pela cavalaria inimiga, a coluna foi obrigada a recuar, ação que ficou conhecida como a retirada da Laguna. Apesar dos esforços da coluna do coronel Camisão e da resistência organizada pelo presidente da província, que conseguiu libertar Corumbá em junho de 1867, a região invadida permaneceu sob o controle dos paraguaios. Só em abril de 1868 é que os invasores se retiraram, transferindo as tropas para o principal teatro de operações, no sul do Paraguai.
  • O TRATADO DA TRÍPLICE ALIANÇA Cabo brasileiro desconhecido que pertencia ao 1.º Batalhão de Voluntários da Pátria, infantaria pesada,1865. No dia 1.º de maio de 1865, o Brasil, a Argentina e o Uruguai assinaram, em Buenos Aires, o Tratado da Tríplice Aliança, contra o Paraguai. As forças militares da Tríplice Aliança eram, no início da guerra, francamente inferiores às do Paraguai, que contava com mais de 60 mil homens e uma esquadra de 23 vapores e cinco navios apropriados à navegação fluvial. Sua artilharia possuía cerca de 400canhões. As tropas reunidas do Brasil, da Argentina e do Uruguai, prontas a entrar em ação, não chegavam a 1/3 das paraguaias. A Argentina dispunha de aproximadamente 8 mil soldados e de uma esquadra de quatro vapores e uma goleta. O Uruguai entrou na guerra com menos de três mil homens e nenhuma unidade naval. O Brasil possuía menos de 12 mil soldados treinados. A vantagem dos brasileiros estava em sua marinha de guerra: 42 navios com 239 bocas de fogo e cerca de quatro mil homens bem treinados na tripulação. E grande parte da esquadra já se encontrava na bacia do Prata, onde havia atuado, sob o comando do Marquês de Tamandaré, na intervenção contra Aguirre. Na verdade, o Brasil achava-se despreparado para entrar em uma guerra. Apesar de sua imensidão territorial e densidade populacional, o Brasil tinha um exército mal-organizado e muito pequeno. E, na verdade, tal situação era reflexo da organização escravista da sociedade, que, marginalizando a população livre não proprietária, dificultava a formação de um exército com senso de responsabilidade, disciplina e patriotismo. Além disso, o serviço militar era visto como um castigo sempre a ser evitado e o recrutamento era arbitrário e violento.
  • As tropas utilizadas até então nas intervenções feitas no Prata eram constituídas basicamente pelos contingentes armados de chefes políticos gaúchos e por alguns efetivos da Guarda Nacional. Um reforço era, portanto, necessário. Para garantir um número de soldados suficientes o governo criou os batalhões de Voluntários da Pátria, cidadãos que se apresentavam para lutar inicialmente instigados pelo sentimento patrióticos, mas com o passar do tempos recrutados à força. Muitos eram escravos enviados por fazendeiros e negros alforriados. A cavalaria era formada pela Guarda Nacional do Rio Grande do Sul. Segundo o Tratado da Tríplice Aliança, o comando supremo das tropas aliadas caberia a Bartolomeu Mitre, presidente da Argentina. E foi assim na primeira fase da guerra. OS ALIADOS TEMPORARIAMENTE RECAPTURAM CORRIENTES Uma pequena força de 3.846 homens sob o comando do General Wenceslao Paunero observou a atividade do inimigo. Percebendo que os paraguaios haviam deixado Corrientes deficientemente protegida ao marcharem para a margem leste do rio, o General embarcou suas tropas argentinas, juntamente com 364 brasileiros e 500 mercenários europeus, na esquadra brasileira, subiu o Rio Paraná e, em 25 de maio (o feriado nacional argentino) recapturaram Corrientes após árdua luta. López imediatamente mandou tropas para retomar a cidade, enquanto as tropas incursoras recuavam, tendo mantido Corrientes por menos de vinte e quatro horas. A vitória aliada, apesar de efêmera, serviu para levantar o moral. O ataque também demonstrou a López a vulnerabilidade das linhas de comunicação de seu exército invasor. A Batalha do Riachuelo Batalha do Riachuelo, por Eduardo de Martino.
  • Foi no setor naval que o Brasil, mais bem preparado, infligiu, logo no primeiro ano de guerra, uma pesada derrota aos paraguaios na batalha do Riachuelo. Na bacia do rio da Prata as comunicações eram feitas pelos rios; quase não havia estradas. Quem controlasse os rios ganharia a guerra. Todas as fortalezas paraguaias tinham sido construídas nas margens do baixo curso (parte do rio perto de sua foz) do rio Paraguai. Em 11 de junho de 1865, no rio Paraná, travou-se a Batalha Naval do Riachuelo, na qual a esquadra comandada pelo chefe-de-divisão Francisco Manuel Barroso da Silva derrotou a esquadra paraguaia, comandada por Pedro Inacio Meza, cortando as comunicações com o tenente-coronel paraguaio Antonio de la Cruz Estigarribia, que estava atacando o Rio Grande do Sul. A vitória do Riachuelo teve notável influência nos rumos da guerra: impediu a invasão da província argentina de Entre Ríos, destruiu o poderio naval paraguaio (tornando-se impossível a permanência dos paraguaios em território argentino) e cortou a marcha, até então triunfante, de López. Ela praticamente decidiu a guerra em favor da Tríplice Aliança, que passou a controlar, a partir de então, os rios da bacia platina até a entrada do Paraguai. Desse momento até a derrota final, o Paraguai teve de recorrer à guerra defensiva. O PARAGUAI INVADE O RIO GRANDE DO SUL Uma unidade de cavalaria paraguaia (à esquerda) é atacada por um soldado montado aliado (à direita). Após os primeiros anos de guerra, os paraguaios eram obrigados a comerseus cavalos para sobreviverem. Nos últimos anos do conflito, também faltavam homens. Simultaneamente ao ataque naval, uma força de 10.000 paraguaios atravessou a província argentina das Missões. Alcançando o Rio Uruguai, a força se dividiu em duas colunas e rumaram para o sul, marchando em ambas as margens do rio.
  • O tenente-coronel Antonio de la Cruz Estigarribia, o comandante geral, liderou cerca de 7.500 homens na margem leste, e o Major Pedro Duarte comandou 5.500 homens na margem oeste. Os paraguaios encontraram pouca resistência dos argentinos na margem oeste ou dos brasileiros na margem leste. López acreditava que se conseguisse controlar o Rio Grande do Sul e invadir o Uruguai, os escravos brasileiros iriam sublevar-se e os recém expulsos blancos uruguaios voltariam a pegar em armas. Além disso, emissários paraguaios incitaram a sedição entre as tropas irregulares formadas por Urquiza em Entre Ríos. Urquiza, que havia recebido o comando da vanguarda aliada, voluntariou-se para retornar à província e restaurar a ordem. Em vez disso, ele retornou ao seu rancho, aumentou sua fortuna vendendo cavalos aos aliados, e as tropas irregulares desertaram para suas fazendas e ranchos. O Coronel Estigarribia atravessou o Rio Uruguai e ocupou sucessivamente, de junho a agosto, as povoações de São Borja,Itaqui e Uruguaiana. Os contatos com o Major Duarte foram interrompidos pelo assédio de duas embarcações armadas brasileiras, comandadas pelo Tenente Floriano Peixoto, e pelo pântano que os separavam. O presidente uruguaio Flores decidiu atacar a menor das forças paraguaias. Em 17 de agosto, na batalha de Jataí, na margem direita do rio Uruguai, a coluna sob as ordens do major Pedro Duarte, a qual pretendia chegar ao Uruguai, foi detida por Flores. SEGUNDA FASE: CONTRA-ATAQUE ALIADO (1865-66) RENDIÇÃO DE URUGUAIANA E O RECUO DAS TROPAS PARAGUAIAS Rendição de Uruguaiana (1865), por Victor Meirelles. Em 16 de julho, o Exército Brasileiro chegou à fronteira do Rio Grande do Sul e logo depois cercou Uruguaiana.
  • A tropa recebeu reforços e enviou pelo menos três intimações de rendição a Estigarribia. Em 11 de setembro Dom Pedro II chegou ao local do cerco, onde já estavam os presidentes argentino Bartolomé Mitre e uruguaio Venancio Flores, além de diversos líderes militares, como o Almirante Tamandaré. As forças aliadas do cerco contavam então com 17346 combatentes, sendo 12393 brasileiros, 3802 argentinos e 1220 uruguaios, além de 54 canhões. A rendição veio em 16 de setembro quando Estigarribia entrou em acordo em relação às condições exigidas. Encerrava-se com esse episódio a primeira fase da guerra, em que Solano López lançara sua grande ofensiva nas operações de invasão da Argentina e do Brasil. No início de outubro, as tropas paraguaias de ocupação em Corrientes receberam de López ordem para retornar a suas bases em Humaitá. Nessa altura, as tropas aliadas estavam-se reunindo sob o comando de Mitre no acampamento de Concórdia, na província argentina de Entre Ríos, com o marechal-de-campoManuel Luís Osório à frente das tropas brasileiras. Parte destas deslocou-se para Uruguaiana, onde foi reforçar o cerco a esta cidade pelo exército brasileiro no Rio Grande do Sul, comandado pelo tenente-general Manuel Marques de Sousa, barão e depois Conde de Porto Alegre. Os paraguaios renderam-se no dia 18 de Setembro de 1865. Nos meses seguintes, as tropas aliadas, com Mitre como comandante-em-chefe, libertavam os últimos redutos paraguaios em território argentino, as cidades de Corrientes e São Cosme, na confluência dos rios Rio Paraná e Paraguai, no final de 1865. No fim do ano de 1865, a ofensiva era da Tríplice Aliança. Seus exércitos já contavam mais de 50 mil homens e se preparavam para invadir o Paraguai. A INVASÃO DO PARAGUAI Fortalecidos, com um efetivo de cinquenta mil homens, os aliados lançaram-se à ofensiva. A invasão do Paraguai iniciou-se subindo o curso do rio Paraguai, a partir do Passo da Pátria. Sob o comando do general Manuel Luís Osório, e com o auxílio da esquadra imperial, transpuseram o rio Paraná, em 16 de abril de 1866, e conquistaram posição em território inimigo, em Passo da Pátria, uma semana depois. De abril de 1866 a julho de 1868, as operações militares concentraram-se na confluência dos rios Paraguai e Paraná, onde estavam os principais pontos fortificados dos paraguaios. Durante mais de dois anos o avanço dos invasores foi bloqueado naquela região, apesar das primeiras vitórias da Tríplice Aliança.
  • A primeira posição a ser tomada foi a Fortaleza de Itapiru. Após a batalha do Passo da Pátria e a do Estero Bellaco (2 de maio), as forças aliadas acamparam nos pântanos de Tuiuti, em 20 de maio, onde sofreram um ataque paraguaio quatro dias depois. A primeira batalha de Tuiuti, a maior batalha campal da história da América do Sul e uma das mais importantes e sangrentas do conflito, foi vencida pelos aliados em 24 de Maio de 1866 e deixou um saldo de 10.000 mortos. O 26º Batalhão de Voluntários da Pátria proveniente da distante província do Ceará em ação de guerrilha, entre1867 e 1868. Por motivos de saúde, em julho de 1866 Osório passou o comando do 1.º Corpo de Exército brasileiro ao general Polidoro da Fonseca Quintanilha Jordão. Na mesma época, chegava ao teatro de operações o 2.º Corpo de Exército, trazido do Rio Grande do Sul pelo barão de Porto Alegre (10.000 homens). O caminho para Humaitá não fora desimpedido. O comandante Mitre aproveitou as reservas de dez mil homens trazidos pelo barão de Porto Alegre e decidiu atacar as baterias do Forte de Curuzú e do Forte de Curupaiti, que guarneciam a direita da posição de Humaitá, às margens do rio Paraguai. A bateria de Curuzu foi conquistada em 3 de setembro pelo barão de Porto Alegre. Não se obteve, porém, o mesmo êxito em Curupaiti, que resistiu ao ataque de 20 mil argentinos e brasileiros, guiados por Mitre e Porto Alegre, com apoio da esquadra do almirante Tamandaré. Em 22 de setembro, os aliados foram dizimados pelo inimigo: quase cinco mil homens morreram em poucas horas, na única vitória defensiva paraguaia em toda campanha. Este ataque fracassado criou uma crise de comando e deteve o avanço dos aliados.
  • Nessa fase da guerra, destacaram-se muitos militares brasileiros. Entre eles, os heróis de Tuiuti: o general José Luís Mena Barreto, o brigadeiro Antônio de Sampaio, patrono da arma de infantaria do Exército brasileiro, o tenente-coronel Emílio Luís Mallet, patrono da artilharia e o próprio Osório, patrono da cavalaria, além do tenente- coronel João Carlos de Vilagrã Cabrita, patrono da arma de engenharia, morto em Itapiru. TERCEIRA FASE: ESTAGNAÇÃO (1866-1868) O COMANDO DE CAXIAS[ Operações das Forças Aliadas para a Passagem de Humaitá 1866-1868. No segundo período da guerra (1866-1869), os desentendimentos entre Osório (comandante das forças brasileiras) e o presidente argentino, que se opunha às perseguições aos paraguaios, levou o governo brasileiro a substituí-lo. Designado em 10 de outubro de 1866 para o comando das forças brasileiras, o marechal Luís Alves de Lima e Silva, marquês e, posteriormente, Duque de Caxias. Assumiu suas funções em Tuiuti, em 19 de novembro, encontrando o exército praticamente paralisado. Os contingentes argentinos e uruguaios vinham sendo retirados aos poucos do exército dos aliados, assolado por epidemias. Desentendimentos entre Venâncio Flores (Uruguai) e Mitre (Argentina) e problemas internos fizeram ambos se retirarem do combate e voltarem a seus países, deixando o Brasil praticamente sozinho. Tamandaré foi substituído no comando da esquadra pelo almirante Joaquim José Inácio, futuro visconde de Inhaúma.
  • Paralelamente, Osório organizou um 3.º corpo de exército no Rio Grande do Sul, com mais de cinco mil homens. Na ausência de Mitre, Caxias assume o comando geral e providenciou a reestruturação do exército. Entre novembro de 1866 e julho de 1867, Caxias organizou um corpo de saúde (para dar assistência aos inúmeros feridos e combater a epidemia de cólera-morbo) e um sistema de abastecimento das tropas. Conseguiu também que a esquadra imperial, que se ressentia do comando de Mitre, colaborasse nas manobras contra Humaitá. Nesse período, as operações militares limitaram-se a escaramuças com os paraguaios e a bombardeios da esquadra contra Curupaiti. López aproveitava a desorganização do inimigo para reforçar suas fortificações em Humaitá. Apesar dos esforços de Caxias, os aliados só reiniciaram a ofensiva em 22 de julho de 1867. A marcha de flanco pela ala esquerda das fortificações paraguaias constituía a base tática de Caxias: ultrapassar o reduto fortificado paraguaio, cortar as ligações entre Assunção e Humaitá e submeter esta última a um cerco. Com este fim, Caxias iniciou a marcha em direção a Tuiu-Cuê. Em 1º de agosto Mitre retornou ao comando e insistia no ataque pela ala direita, que já se mostrara desastroso em Curupaiti. Embora a manobra de Caxias tenha sido bem-sucedida, o tempo decorrido possibilitou a López fortificar-se também nessa região e fechar de vez o chamado Quadrilátero. QUARTA FASE: OS ALIADOS RETOMAM A OFENSIVA (1868-1869) TOMADA DE HUMAITÁ Passagem de Humaitá: episódio da guerra do Paraguai ocorrido em1868, em que a esquadra brasileira forçou a travessia da posição fortificada, sob bombardeio inimigo. O quadro mostra o momento em que o Couraçado Bahia transpunha as amarras, seguido pelo terceiro par, o Tamandaré e Pará. Mitre deu ordens para que a esquadra imperial forçasse a passagem em Curupaiti e Humaitá.
  • Em 15 de agosto, duas divisões de cinco encouraçados ultrapassaram, sem perdas, Curupaiti, mas foram obrigadas a deter-se frente aos poderosos canhões da fortaleza de Humaitá. O fato causou novas dissensões no alto comando aliado. Mitre desejava que a esquadra prosseguisse. Os brasileiros, entretanto, consideravam imprudente e inútil prosseguir, enquanto não se concatenassem ataques terrestres para envolver o Quadrilátero, que se iniciaram, finalmente, em 18 de agosto. A partir de Tuiu-Cuê, os aliados rumaram para o norte e tomaram São Solano, Vila do Pilar e Tayi, às margens do rio Paraguai, onde completaram o cerco da fortaleza por terra e cortaram as comunicações fluviais entre Humaitá e Assunção. Em 3 de novembro de 1867, como reação, López atacou a retaguarda da posição aliada de Tuiuti. Nessa segunda batalha de Tuiuti, López esteve próximo da vitória, mas, graças ao reforço trazido pelo general Porto Alegre, os brasileiros venceram, com pesadas perdas. Em janeiro de 1868, com o afastamento definitivo de Mitre, que retornou à Argentina, Caxias voltou a assumir o comando geral dos aliados. Em 19 de fevereiro a esquadra imperial, capitão-de-mar-e-guerra Delfim Carlos de Carvalho, depoisbarão da Passagem, forçou a passagem de Humaitá. Apesar os navios encouraçados terem ultrapassado a fortaleza, chegando a bombardear Assunção, só em 25 de julho de 1868 Humaitá, totalmente cercada, caiu após um demorado cerco. DEZEMBRADA Vista do mercado de Lambaré, situado no lado esquerdo da fortaleza de Humaitá (após sua conquista pelos aliados), 1868. Note-se a bandeira do Império do Brasil do lado direito. Solano López deixara Humaitá, com parte de suas tropas, em março, indo se instalar em San Fernando. Ali descobriu que alguns funcionários de seu governo e seu irmão Benigno tramavam derrubá- lo.
  • Formado um conselho de guerra para julgar os implicados, centenas foram executados, no que ficou conhecido como o massacre de San Fernando. Coronel Faria da Rocha em revista às tropas brasileiras em frente ao mercado de Tayi, c.1868. Efetuada a ocupação de Humaitá, as forças aliadas comandadas por Caxias marcharam 200 km até Palmas, fronteiriça às novas fortificações inimigas (30 de setembro). Situadas ao longo do arroio Piquissiri, essas fortificações barravam o caminho para Assunção, apoiadas nas Fortificações de Lomas Valentinas. Ali, López havia concentrado 18 mil paraguaios em uma linha fortificada que explorava habilmente os acidentes do terreno e se apoiava nos fortes de Angostura e Itá-Ibaté. Renunciando ao combate frontal, o comandante brasileiro idealizou, então, a mais brilhante e ousada operação do conflito: a manobra do Piquissiri. Em 23 dias fez construir uma estrada de 11 km através do Chaco pantanoso que se estendia pela margem direita do rio Paraguai, enquanto forças brasileiras e argentinas encarregavam-se de diversões frente à linha do Piquissiri. Executou-se então a manobra: três corpos do Exército brasileiro, com 23.000 homens, foram transportados pela esquadra imperial de Humaitá para a margem direita do rio, percorreram a estrada do Chaco em direção ao nordeste, reembarcaram em frente ao porto de Villeta, e desceram em terra no porto de Santo Antônio e Ipané, novamente na margem esquerda, vinte quilômetros à retaguarda das linhas fortificadas paraguaias do Piquissiri. López foi inteiramente surpreendido por esse movimento, tamanha era sua confiança na impossibilidade de grandes contingentes atravessarem o Chaco. Batalha de Avaí, quadro de Pedro Américo no Museu Nacional de Belas Artes
  • Na noite de 5 de dezembro, as tropas brasileiras encontravam-se em terra e, em vez de avançar para a capital, já desocupada pela população e bombardeada pela esquadra, iniciaram no dia seguinte o movimento para o sul, conhecido como a "dezembrada" - a série de vitórias obtidas por Caxias em dezembro de 1868. No mesmo dia 6, o general Bernardino Caballero tentou barrar-lhes a passagem na ponte sobre o arroio Itororó. Na tomada da ponte de Itororó, Caxias partiu a galope em direção ao inimigo, com espada em punho, exclamando: "sigam-me os que forem brasileiros!". Vencida a batalha de Itororó, o Exército brasileiro prosseguiu na marcha e aniquilou na Batalha de Avaí, localidade de mesmo nome, em 11 de dezembro, as duas divisões de Caballero. Em 21 de dezembro, tendo recebido o necessário abastecimento por Villeta, os brasileiros atacaram o Piquissiri pela retaguarda e, após seis dias de combates contínuos, conquistaram a posição de Lomas Valentinas, com o que obrigou a guarnição de Angostura a render-se em 30 de dezembro. As batalhas da Dezembrada exibiram espantosas mortandades dos dois lados, bem como tentativas de recuo das tropas brasileiras, impedidas graças à presença de Caxias na linha de frente. López, acompanhado apenas de alguns contingentes, fugiu para o norte, na direção da cordilheira. Após destruir o exército paraguaio em Lomas Valentinas, Caxias acreditava que a guerra tinha acabado. Não se preocupou em organizar e chefiar a perseguição de López, pois parecia que o ditador fugia para se asilar em outro país e não, como se viu depois, para improvisar um exército e continuar a resistir no interior. No dia 24 de dezembro os três novos comandantes da Tríplice Aliança (Caxias, o argentino Gelly y Obes e o uruguaio Enrique Castro) enviaram uma intimação a Solano López para que se rendesse. Mas López recusou-se a ceder e, acompanhado apenas de alguns contingentes, fugiu para o norte, na direção da cordilheira, chegando a Cerro León. O comandante-em-chefe brasileiro se dirigiu para Asunción, evacuada pelos paraguaios e ocupada em 1.º de janeiro de 1869 por tropas imperiais comandadas pelo coronel Hermes Ernesto da Fonseca, pai do futuro Marechal Hermes da Fonseca. No dia 5, Caxias entrou na cidade com o restante do exército e 13 dias depois, por motivo de saúde, deixou o comando e regressou ao Brasil. A partida de Caxias e de seus principais chefes militares fez crescer entre as tropas o desânimo, com a multiplicação dos pedidos de dispensa dos oficiais e voluntários.
  • QUINTA FASE: CAÇA A SOLANO LÓPEZ (1869-1870) FIM DA GUERRA: O COMANDO DO CONDE D'EU Prisioneiros paraguaios durante a ocupação da capital, Assunção. No terceiro período da guerra (1869-1870), o genro do imperador Dom Pedro II, Luís Filipe Gastão de Orléans, Conde d'Eu, foi nomeado para dirigir a fase final das operações militares no Paraguai, pois buscava-se, além da derrota total do Paraguai, o fortalecimento do Império Brasileiro. O marido da princesa Isabel era um dos poucos membros da família imperial com experiência militar, já que na década de 1850 participara, como oficial subalterno, da campanha espanhola naGuerra do Marrocos. A indicação de um membro da família imperial pretendia diminuir as dificuldades operacionais das forças brasileiras, problema agravado pelos muitos anos de campanha, pela insatisfação dos veteranos e pelos conflitos, políticos e pessoais, que se alastravam entre os oficiais mais experientes. Em agosto de 1869, a tríplice aliança instalou em Asunción um governo provisório fantoche aliado de contrários a Solano, encabeçado pelo paraguaio Cirilo Antonio Rivarola. O Império acelerou o processo para a formação do governo, que prometerá realizar eleições democráticas no ano seguinte e criar uma assembleia constituinte. Solano López, prosseguindo na resistência, refez um pequeno exército de 5000 homens, a maioria velhos, crianças e veteranos semi-inválidos e 36 canhões na região montanhosa de Ascurra-Caacupê-Peribebuí, aldeia que transformou em sua capital. À frente de 12 mil homens, o conde d'Eu chefiou a campanha contra a resistência paraguaia, a chamada Campanha das Cordilheiras, encerrada em 18 de agosto.
  • Conde d´Eu em revista a tropas brasileiras em campo aberto, 1869. Principalmente no Brasil, após os conservadores terem voltado ao poder no camará imperial, se tornou prioridade a reconstrução do estado paraguaio. Para este ser reconhecido, era necessário a vitória sobre Solano. O processo foi acelerado pela entrada no governo argentino, em 1868, de Domingo Faustino Sarmiento, cujos desejos expansionistas o Império do Brasil temia. Coronel Joca Tavares (terceiro sentado, da esquerda para a direita) e seus auxiliares imediatos, incluindoJosé Francisco Lacerda, mais conhecido como "Chico Diabo" (terceiro em pé, da esquerda para a direita). O exército brasileiro flanqueou as posições inimigas de Ascurra e venceu a batalha de Peribebuí (12 de agosto), para onde López transferira sua capital. Após a batalha de Peribuí, o Conde d'Eu parece ter-se exasperado com a obstinação paraguaia em continuar a luta, nada fazendo para evitar a degola de prisioneiros capturados durante e depois dos combates. Na batalha seguinte, Campo Grande ou Nhu-Guaçu (16 de agosto), as forças brasileiras se defrontaram com um exército formado, em sua maioria, por adolescentes e crianças e idosos, recrutados a força pelo ditador paraguaio. A derrota paraguaia encerrou o ciclo de batalhas da guerra.
  • Os passos seguintes consistiram na mera caçada a López, que abandonou Ascurra e, seguido por menos de trezentos homens, embrenhou-se nas matas, marchando sempre para o norte. Dois destacamentos foram enviados em perseguição ao presidente paraguaio, que se internara nas matas do norte do país acompanhado de 200 homens. No dia 1.º de março de 1870, as tropas do general José Antônio Correia da Câmara (1824- 1893), o Visconde de Pelotas, surpreenderam o último acampamento paraguaio, em Cerro Corá, onde Solano López foi ferido a lança pelo cabo Chico Diabo e depois baleado, nas barrancas do arroio Aquidabanigui, após recusar-se à rendição. Depois de Cerro Corá, as tropas brasileiras ficaram eufóricas, assassinando civis, pondo fogo em acampamentos e matando feridos e doentes que se encontravam nos ranchos. Não era esse o desejo do imperador D.Pedro II, que preferia ter López preso a morto. No Rio de Janeiro, a morte de Lopéz foi muito bem recebida e o imperador recuperou sua popularidade que havia sido abalada pela dispendiosa guerra. Em 20 de junho de 1870, Brasil e Paraguai assinaram um acordo preliminar de paz. CONSEQUÊNCIAS MORTALIDADE Cadáveres paraguaios após aBatalha de Boquerón, julho de 1866(Bate & Co. W., albumen print, 11 x 18 cm, 1866; Museo Mitre, Buenos Aires). O Paraguai sofreu grande redução em sua população. A guerra acentuou um desequilíbrio entre a quantidade de homens. Algumas fontes citam que 75% da população paraguaia teriam perecido ao final da Guerra. Dos cerca de 160 mil brasileiros que combateram na Guerra do Paraguai as melhores estimativas apontam cerca de 50 mil óbitos e outros mil inválidos. Outros ainda estimam que o número total de combatentes pode ter chegado a 400 mil, com sessenta mil mortos em combate ou por doenças.
  • As forças uruguaias contaram com quase 5.600 homens, dos quais pouco mais de 3.100 morreram durante a guerra devido às batalhas ou por doenças. Já a Argentina perdeu cerca de 18 mil combatentes dentre os quase 30 mil envolvidos. Outros 12 mil civis morreram devido principalmente a doenças. Fato é que a Guerra do Paraguai não se diferenciou dos demais conflitos ocorridos durante o século XIX. As altas taxas de mortalidade não foram decorrentes somente por conta dos encontros armados. Doenças decorrentes da má alimentação e péssimas condições de higiene parecem ter sido a causa da maior parte das mortes. Entre os brasileiros, pelo menos metade das mortes tiveram como causa doenças típicas de situações de guerra do século XIX. A principal causa mortisdurante a guerra parece ter sido o cólera. PÓS-GUERRA Em laranja, os territórios, segundo a historiografia paraguaia, perdidos para os países vencedores da Guerra do Paraguai. Não houve um tratado de paz em conjunto. Embora a guerra tenha terminado em março de 1870, os acordos de paz não foram concluídos de imediato. As negociações foram obstadas pela recusa argentina em reconhecer a independência paraguaia. O Brasil não aceitava as pretensões da Argentina sobre uma grande parte do Grande Chaco, região paraguaia rica em quebracho (produto usado na industrialização do couro). A questão de limites entre o Paraguai e a Argentina foi resolvida através de longa negociação entre as partes. A única região sobre a qual não se atingiu um consenso — a área entre o rio Verde e o braço principal do rio Pilcomayo — foi arbitrada pelo presidente estado- unidense Rutherford Birchard Hayes que a declarou paraguaia.
  • O Brasil assinou um tratado de paz em separado com o Paraguai, em 9 de janeiro de 1872, obtendo a liberdade de navegação no rio Paraguai. Foram confirmadas as fronteiras reivindicadas pelo Brasil antes da guerra. Estipulou-se também uma dívida de guerra que foi a primeira dívida da história paraguaia e foi intencionalmente subdimensionada por parte do governo imperial do Brasil mas que só foi efetivamente perdoada em 1943 por Getúlio Vargas, em resposta a uma iniciativa idêntica da Argentina. O Paraguai perdeu 90 mil quilômetros quadrados para o Brasil nos tratados de paz. O reconhecimento da independência do Paraguai pela Argentina só foi feito na Conferência de Buenos Aires, em 1876, quando a paz foi estabelecida definitivamente. Em dezembro de 1975, quando os presidentes Ernesto Geisel e Alfredo Stroessner assinaram em Assunção um Tratado de Amizade e Cooperação , o governo brasileiro devolveu ao Paraguai troféus da guerra. RESULTADOS DA GUERRA: PARAGUAI: destruição do Estado existente, perda de territórios vizinhos e ruína da economia paraguaia, de modo que mesmo décadas depois, não conseguiu se desenvolver da mesma forma que os vizinhos. Perdas na guerra: até 69% da população, a maioria devido a doenças, fome e exaustão física. BRASIL: a guerra expôs a fragilidade militar-estrutural do Império, devido à escravidão, principalmente, mas saiu vitorioso militarmente e fortaleceu sua hegemonia até 1875. Reflexos internos: desequilíbrio orçamentário e no Tesouro brasileiro, além da forte dissociação entre Exército e monarquia, devido ao sentimento de identidade que se construiu durante a guerra. Perdas na guerra: 50 mil homens, devido a doenças e ao rigor do clima. O tesouro real indicou um gasto de 614 mil contos de réis, provindos das seguintes fontes: Empréstimo Estrangeiro: 49 (em milhares de contos de Réis) Empréstimo Interno: 27 Emissão de dinheiro: 102 Emissão de títulos: 171 Imposto: 265 O conflito custou, pois, ao Brasil, quase onze anos do orçamento público anual, em valores de pré-guerra, o que permite compreender melhor o persistente "déficit" público nas décadas de 1870 e 1880.
  • Também chama a atenção, nos números sobre as fontes dos recursos gastos na luta, a participação proporcionalmente pequena de empréstimos externos. O Brasil levou à guerra em torno de 139 mil homens, de um total de pouco mais de 9 milhões de habitantes, ou seja, cerca de 1.5% da população. A origem conhecida dos efetivos, sem incluir os efetivos da Marinha, foi: Voluntários da Pátria: 54.992 Guarda Nacional: 59.669 Recrutamento e Escravos Libertos: 8.489 Total: 123.148 ARGENTINA: passou por inúmeras rebeliões federalistas contra o governo nacional, pelo descontentamento com a guerra; economicamente foi beneficiada, pois abasteceu as tropas brasileiras com produtos (principalmente carne e cereais) oriundos de Buenos Aires, mas também houve sangria do Tesouro nacional. A guerra contribuiu para a consolidação do Estado nacional argentino e para dinamizar sua economia. Perdas na guerra: 30 mil homens. URUGUAI: sofreu impactos menores. Perdas na guerra: 5.000 soldados. Alterações no plano regional: a guerra de certa forma substituiu a histórica rivalidade entre Argentina e Brasil pela cooperação entre os dois grandes países, uma aliança estratégica duradoura, embora as desconfianças entre os lados continuem até hoje. Durante todo o tempo da campanha, as províncias de Entre Rios e Corrientes abasteceram as tropas brasileiras com gado, gêneros alimentícios e outros produtos. Economicamente, os mais beneficiados foram os comerciantes argentinos durante a guerra. O Brasil, que sustentou praticamente sozinho a guerra, pagou um preço alto pela vitória. Durante os cinco anos de lutas, as despesas do Império chegaram ao dobro de sua receita, provocando uma crise financeira. A escravidão passou a ser questionada, pois os escravos que lutaram pelo Brasil permaneceram escravos. O Exército Brasileiro passou a ser uma força nova e expressiva dentro da vida nacional. Transformara-se numa instituição forte que, com a guerra, ganhara tradições e coesão interna e representaria um papel significativo no desenvolvimento posterior da história do país. Além disso, houve a formação de um inquietante espírito corporativista no exército, que futuramente, formaria a República Federativa Brasileira.
  • A Companhia de Força Policial ainda não se encontrava completamente organizada, quando teve de ceder parte do efetivo para a composição dos Corpos de Voluntários da Pátria5. 5 CORPOS DE VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA É a denominação das Unidades militares criadas em 7 de janeiro de 1865, pelo Império do Brasil (1822-1889), para lutarem na Guerra do Paraguai (1864-1870); com as quais buscava-se reforçar o efetivo das forças militares do Exército Brasileiro. Desprovido de recursos bélicos, sem um exército suficientemente numeroso e instruído, sem condições de revidar adequadamente a ofensa recebida, o Imperador D. Pedro II expediu o Decreto nº 3.371, de 7 de Janeiro de 1865 ; o qual, apelando para os sentimentos do povo brasileiro, criava corpos militares para o serviço de guerra, com a denominação de "Voluntários da Pátria". O Imperador D. Pedro II logo partiu para a cidade de Uruguaiana, ocupada pelo exército paraguaio em 11 de setembro. Desembarcou no Rio Grande do Sul e seguiu de lá por terra. A jornada foi realizada montada a cavalo e por carretas, e à noite o imperador dormia em tenda de campanha. Em Uruguaiana apresentando-se no acampamento do exército como o primeiro voluntário da pátria , utilizando essa estratégia política para servir de exemplo tanto aos militares ali estacionados, quanto ao resto do Brasil. ESTRUTURA DE UM CORPO MILITAR Comandante - tenente-coronel .Estado-Maior 01 Fiscal (major) - subcomandante; 01 Ajudante (capitão) - responsável pelo pessoal; 01 Quartel-mestre (capitão) - responsável pelo material; 01 Secretário (tenente) - auxiliar e escrivão. Estado-Menor 01 sargento ajudante - auxiliar do capitão ajudante (sargenteante); 01 sargento quartel-mestre - auxiliar do capitão quartel-mestrel (almoxarifado); 01 sargento espingardeiro - armeiro; 01 sargento coronheiro - carpinteiro; 01 sargento corneta-mor - responsável pelos músicos;
  • Companhias Oito companhias, contendo cada uma: 01 capitão - comandante da companhia; 01 tenente - subcomandante da companhia; 02 alferes - comandantes dos pelotões; 01 1º sargento - auxiliar do comandante da companhia; 02 2º sargentos - auxiliares dos comandantes dos pelotões; 01 furriel; 08 cabos de esquadra; 08 anspeçadas; 02 corneteiros; 78 soldados. RECRUTAMENTO Inicialmente formado para tomar proveito do patriotismo que tinha tomado conta do Brasil no início da guerra, reunindo os voluntários que se alistavam espontaneamente. O governo assegurava vantagens aos voluntários como prêmio de trezentos mil réis; lotes de terra com vinte e duas mil braças em colônias militares; preferência nos empregos públicos; patentes de oficiais honorários; liberdade a escravos; assistência a órfãos, viúvas e mutilados de guerra. Com o passar do tempo e a diminuição do entusiasmo popular, o governo imperial passou a exigir dos presidentes das províncias cotas de voluntários, que deveriam recrutar. Cada Província foi solicitada prover, no mínimo, 1% da sua população. Por outro lado, havia várias formas de se escapar da convocação: os aquinhoados faziam doações de recursos, equipamentos, escravos e empregados para lutarem em seu lugar; os de menos posses alistavam seus parentes, filhos, sobrinhos ou agregados; aos despossuídos só restava a fuga para o mato. GUARDA NACIONAL A Guarda Nacional era uma força paramilitar organizada por lei no Brasil durante o período regencial, em agosto de 1831. Como uma instituição de caráter civil, a Guarda Nacional era subordinada aos Juízes de Paz, aos Juízes Criminais, aos presidentes de Província e ao Ministro da Justiça, sendo somente essas autoridades que podiam requisitar seus serviços. O único cenário em que os guardas nacionais passariam a fazer parte da estrutura militar de 1ª linha era no caso dos corpos destacados para a guerra, quando deveriam de atuar como auxiliares do Exército. A convocação da Guarda Nacional foi feita de acordo com os artigos 117 e 118 da Lei nº 602, de 1850, e, de início, teve boa acolhida nas províncias da Bahia, Pernambuco, Maranhão e Rio de Janeiro, onde a instituição estava bem organizada. CORPOS DE POLÍCIA Os Corpos de Polícia das Províncias, atuais polícias militares estaduais, contribuíram formando ou complementando diversos Corpos de Voluntários da Pátria. E em 1866 já existiam diversas Unidades formadas, muitas oriundas de corporações policiais.
  • RECRUTAMENTO FORÇADO Ainda em 1865 os voluntários da pátria passaram a contar com recrutamento forçado, instituído por chefes políticos locais e a oficiais da Guarda Nacional, que forçavam o alistamento de seus opositores. ESCRAVOS LIBERTOS O uso de escravos para lutar em nome de seus proprietários virou prática corrente. Além disso, sociedades patrióticas, conventos e o governo passaram a comprar escravos para lutarem na guerra. O império, então, passou a prometer alforria para os que se apresentassem para a guerra. Isto fez com que escravos fugissem sós ou em bandos das fazendas, e se apresentassem aos recrutadores com nomes falsos, para despistar seus senhores , mesmo com o governo fazendo vista grossa. D. Pedro II deu o exemplo, libertando todos os escravos das fazendas imperiais (como a Fazenda Imperial de Santa Cruz) para lutar na guerra. UNIDADES DE CORPOS DE VOLUNTÁRIOS DA PÁTRIA A enumeração dos Corpos de Voluntários é confusa. Embora inicialmente todas as Unidades tenham recebido numeração contínua, em 20 de dezembro de 1866,Marquês de Caxias realizou uma reorganização das forças brasileiras. Como comandante-geral, ele determinou, conforme previsto no Decreto nº 782, de 19 de abril de 1852, que todos os corpos militares passariam a ter, rigorosamente, oito companhias. E para evitar que as numerações dos Corpos de Voluntários fossem confundidas com os Corpos de Infantaria do Exército (havia vinte e um corpos, enumerados de 1 ao 21), determinou que os primeiros vinte e um CVP fossem reordenados com nova numeração. A partir dessa data, devido à necessidade de manter as Unidades com as oito companhias regulamentares, alguns corpos que haviam sidos criados com determinada numeração, ao se apresentarem no teatro de operação acabaram dissolvidos e seus efetivos redistribuídos em outros corpos. Com isso, possibilitando que outras Unidades fossem formadas com a mesma designação das anteriormente dissolvidas. Existiram ainda Corpos de Voluntários que nunca receberam numeração; tais como: o 1º Batalhão de Infantaria da Corte, incorporado diretamente no Exército Imperial; dois batalhões de Infantaria Montada da Guarda Nacional do Rio Grande do Sul; e o 21º Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional. Vencida a guerra, iniciou o retorno dos poucos CVP que sobraram. Os primeiros formaram a brigada sob o comando do baiano Faria Rocha, abraçado com a maior efusão pelo Imperador, fez sua marcha triunfal pela Rua Primeiro de Março, antiga Rua Direita, na cidade do Rio de Janeiro. 7 As perdas brasileiras sofridas por mortes, ferimentos, doenças e invalidez alcançaram a 40% do efetivo. No total fizeram parte 37.928 voluntários da pátria. Da meia centena de CVPs que seguiram para a guerra, restaram quatorze.
  • De imediato foi formada uma companhia onde incluíram os primeiros policiais. Essa unidade seguiu para o Rio de Janeiro e foi incorporada ao 4º Corpo de Voluntários. A seguir os oficiais saíram em diligência para interior do Estado, para recrutar e formar um novo corpo militar; sendo reunido um efetivo apenas suficiente para completar três companhias. Essas companhias foram enviadas à cidade de Desterro (atual Florianópolis, SC) e reunidas a outras, organizadas em Santa Catarina, compondo o 25º Corpo de Voluntários. Em Uruguaiana, RS, as tropas brasileiras foram reorganizadas; sendo o 25º CVP incorporado ao 31º CVP (organizado com o Corpo Policial da Capital Federal). Esse Corpo destacou-se como uma das melhores unidades na Guerra do Paraguai, e foi uma das últimas a ser desmobilizada. Principais combates: Batalha de Tuiuti (24 de maio de 1866); Batalha de Curuzu (01 de setembro de 1866); Batalha de Itororó (06 de dezembro de 1868); Batalha de Avaí (11 de dezembro de 1868); e Batalha de Lomas Valentinas (22, 25 e 27 de dezembro de 1868). Para os mutilados de guerra que não tinham recursos para a própria subsistência o governo fez levantar o Asilo de Inválidos da Pátria, inaugurado em 1868, na ilha de Bom Jesus, na baía de Todos os Santos. Ali permaneceram sob os cuidados do governo, sobrevivendo dos recursos angariados pela Associação Comercial do Rio de Janeiro durante a guerra, mas distantes dos olhos da população. 7 ARMAMENTOS Em 1865 o armamento padrão do Exército Imperial eram os fuzis de percussão, com canos raiados, e munição calibre 14,80mm, sistema Miniè. Porém, como não havia armamento em quantidade suficiente para todo o efetivo, foram também utilizadas armas em desuso, com canos de alma lisa (sem raiamento). O 3º Corpo de Voluntários da Pátria, de Salvador, Bahia, foi armado com fuzis adquiridos na Europa, às custas do próprio comandante, tenente-coronel João José da Costa. Os oficiais armavam-se por conta própria, todos com espadas de aço. Os mais abastados adquiriam revólveres Lefaucheux e Colt, mas a maioria possuía somente pistolas de percussão, monotiro.
  • REVOLUÇÃO FEDERALISTA6 6 A Revolução Federalista foi uma guerra civil que ocorreu no sul do Brasil logo após a Proclamação da República. Instada pela crise política gerada pelos federalistas, grupo opositor que pretendia "libertar o Rio Grande do Sul da tirania de Júlio de Castilhos", então presidente do Estado, e também conquistar uma maior autonomia e descentralizar o poder da então recém-proclamada República. Empenharam-se em disputas sangrentas que acabaram por desencadear a luta armada, que durou de fevereiro de 1893 a agosto de 1895 e foi vencida pelos seguidores de Júlio de Castilhos. O conflito atingiu os três estados da região: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. CONTEXTO Durante o século XIX, o estado do Rio Grande do Sul esteve em permanente estado de guerra. Na Revolução Farroupilha (1835-1845) e na Guerra do Paraguai (1864-1870), a população gaúcha foi devastada. Nos últimos anos do Império, surgiram na região três lideranças políticas antagônicas: o liberal Assis Brasil, o conservador Pinheiro Machado e o positivista Júlio Prates de Castilho. Os três se reuniram para fundar o Partido Republicano Rio-grandense, que fazia oposição ao Partido Federalista do Rio Grande do Sul, fundado e liderado pelo liberal monarquista Gaspar Silveira Martins. Em 1889, com a Proclamação da República, essas correntes entraram em conflito, de forma que em apenas dois anos o estado teria dezoito governadores. A CONSTITUIÇÃO ESTADUAL DE 1891 E UM PANORAMA DE JÚLIO PRATES DE CASTILHOS Júlio Prates de Castilhos nasceu e cresceu em uma estância gaúcha e estudou Direito em São Paulo, onde teve contato com as ideias positivistas de Auguste Comte. Depois de formado, retornou à sua terra e passou a escrever no jornal A Federação, atacando o Império, a escravidão e seu adversário político Gaspar Silveira Martins. Foi deputado constituinte em 1890-1891, e acreditava em uma fase ditatorial para consolidar a República e defendeu uma forte centralização do poder no ditador republicado. Derrotado na constituinte nacional, implantou essa ideia na constituição estadual, meses mais tarde, em um texto que redigiu praticamente sozinho, ignorando sugestões da comissão de juristas destacada para a tarefa, e aprovou-o, em julho de 1891, em uma assembleia estadual controlada pelo Partido Republicano Rio-grandense, liderado por ele e de orientação positivista. A constituição estadual previa que as leis não seriam elaboradas pelo Parlamento, mas pelo chefe do Executivo, que poderia ser reeleito para novos mandatos. Como o voto não era secreto, as eleições seriam facilmente manipuladas pelos adeptos de Castilhos, o que lhe garantiria permanecer no poder indefinidamente.
  • No mesmo mês em que aprovou sua constituição, foi eleito governador. Em novembro, por ter apoiado o golpe de Deodoro e o fechamento do Congresso, foi deposto e substituído por uma junta de governo, que durou pouco e logo passou o governo ao general Barreto Leite. Castilhos retomou um governo paralelo e foi reeleito em um pleito sem concorrentes, tomando posse em janeiro de 1893. Nesse momento, o estado era o "ponto nevrálgico da República" e a resposta dos adversários era iminente. PICA-PAUS E MARAGATOS Os seguidores de Gaspar da Silveira Martins, gasparistas ou maragatos, eram frontalmente opostos aos seguidores de Júlio de Castilhos, castilhistas, pica-paus ouximangos. Os defensores de Júlio de Castilhos receberam a alcunha de pica-paus ou ximangos, em razão da cor do uniforme usado pelos soldados que defenderam essa facção, que se assemelhavam às dos pássaros da região. Esta denominação se estendeu a todos os castilhistas, inclusive civis. Já o termo maragato, que foi usado para se referir à corrente política que defendia Gaspar da Silveira Martins, tem uma explicação mais complexa: "Na província de León, Espanha, existe uma comarca denominada Maragateria, cujos habitantes têm o nome de maragatos, e que, segundo alguns, é um povo de costumes condenáveis; pois, vivendo a vagabundear de um ponto a outro, com cargueiros, vendendo e comprando roubos e por sua vez roubando principalmente animais; são uma espécie de ciganos. " (Romaguera). Os maragatos espanhóis eram eminentemente nômades, e adotavam profissões que lhes permitissem estar em constante deslocamento. No Uruguai eram chamados de maragatos os habitantes da cidade de San José de Mayo, Departamento de San José, talvez porque os seus primeiros habitantes fossem descendentes dos maragatos espanhóis, que foram responsáveis por trazer para a região do rio da Prata o costume da bombacha. Na época da revolução, os republicanos legalistas usavam esta apelação como pejorativa, com o sentido de "mercenários". A realidade oferecia alguma base para essa assertiva — o caudilho Gumercindo Saraiva, um dos líderes da revolução, havia entrado no Rio Grande do Sul vindo do Uruguai pela fronteira de Aceguá, no Departamento de Cerro Largo, comandando uma tropa que incluía naturais daquele país. A família de Gumercindo, embora de origem portuguesa, possuía campos em Cerro Largo. No entanto, dar esse apelido aos revolucionários foi um tiro que saiu pela culatra. A denominação granjeou simpatia, e os próprios rebeldes passaram a se denominar "maragatos". Em 1896, chegaram a criar um jornal que levava esse nome.
  • O CONFLITO INÍCIO As desavenças iniciaram-se com a concentração de tropas sob o comando do maragato João Nunes da Silva Tavares, o Joca Tavares, barão de Itaqui em campos da Carpintaria, no Uruguai, localidade próxima a Bagé. Logo após o potreiro de Ana Correia, vindo do Uruguai em direção ao Rio Grande do Sul, encontrava-se o coronel caudilho federalista Gumercindo Saraiva. Eficientemente, os maragatos dominaram a fronteira, exigindo a deposição de Júlio de Castilhos, que havia sido eleito presidente do estado pelo voto direto. Havia também o desejo de um plebiscito onde o povo deveria escolher o sistema de governo. Devido à gravidade do movimento, a rebelião adquiriu âmbito nacional rapidamente, ameaçando a estabilidade do governo rio-grandense e o regime republicano em todo o país. Floriano Peixoto, então na presidência da República, enviou tropas federais sob o comando do general Hipólito Ribeiro para socorrer Júlio de Castilhos. Foram estrategicamente organizadas três divisões, chamadas de legalistas: a do norte, a da capital e a do centro. Além destas, foi convocada a polícia estadual e todo o seu contingente para enfrentar o inimigo. A primeira vitória dos maragatos foi em maio de 1893, junto ao arroio Inhanduí, em Alegrete, município sul-rio-grandense. Neste combate ao lado dos Pica-paus legalistas participou o senador Pinheiro Machado, que tinha deixado a sua cadeira no Senado Federal para organizar a Divisão do Norte, a qual liderou durante todo o conflito. OS MARAGATOS VÃO AO NORTE Gumercindo Saraiva e sua tropa dirigiram-se para Dom Pedrito. De lá iniciaram uma série de ataques relâmpagos contra vários pontos do estado, desestabilizando as posições conquistadas pelos Republicanos. Em seguida rumaram ao norte, avançando em novembro sobre Santa Catarina e chegando ao Paraná, sendo detidos na cidade da Lapa, a sessenta quilômetros a sudoeste de Curitiba. Nesta ocasião, o Coronel Carneiro morreu em fevereiro de1894 sem entregar suas posições ao inimigo, no episódio que ficou conhecido como o Cerco da Lapa. A obstinada resistência oposta às tropas federalistas na cidade de Lapa (Paraná), pelo Coronel Carneiro, frustrou as pretensões rebeldes de chegarem à capital da República. O almirante Custódio de Melo, que chefiara a revolta da Armada contra Floriano Peixoto, uniu- se aos federalistas e ocupou Desterro, atual Florianópolis. De lá chegou a Curitiba, ao encontro do caudilho-maragato Gumercindo Saraiva.
  • A resistência da Lapa impediu o avanço da revolução. Gumercindo, impossibilitado de avançar, bateu em retirada para o Rio Grande do Sul. Morreu em 10 de agosto de 1894, após ser atingido por um tiro desferido à traição enquanto reconhecia o terreno, na véspera da Batalha do Carovi. ARGENTINA E URUGUAI Ao longo da Revolução, os maragatos tiveram apoio constante da província de Corrientes, na Argentina e também no Uruguai. O que lhes permitiu contrabandear armamento através da fronteira, praticar incursões táticas em território estrangeiro afim de fugir de perseguições, bem como, refugiar-se nos países vizinhos em momentos de desvantagens frente ao inimigo. A PAZ A revolução federalista foi derrotada em 24 de junho de 1895 no combate de Campo Osório, quando o almirante Saldanha da Gama, possuidor de um contingente de 400 homens, 100 deles marinheiros, lutou até a morte contra os Pica-paus comandados pelo general Hipólito Ribeiro. A derrota causou grande comoção no lado Federalista e acelerou o processo de paz, que foi assinada no dia 23 de agosto de 1895, em Pelotas. O presidente da República era então Prudente de Morais e o emissário do governo federal era o general Galvão de Queirós. BALANÇO: A REVOLUÇÃO DAS DEGOLAS Este conflito propiciou pelo menos dez mil mortos e incontáveis feridos. A prática da degola dos prisioneiros não foi rara em ambos os lados contendores, adquirindo o caráter revanchista. Por muito tempo foi atribuído ao Coronel maragato Adão Latorre a degola de 300 Pica- paus prisioneiros, às margens do Rio Negro, contidos em uma taipa, um tipo de cercado de pedras para gado, que ficou conhecido como Potreiro das Almas, nas cercanias de Bagé, hoje em território do município de Hulha Negra, em 23 de novembro de 1893, após a Batalha do Rio Negro. O fato, porém, é desmentido por vários documentos históricos, como o Diário do General Maragato João Nunes da Silva Tavares, que refere o número de 300 como sendo as baixas totais do inimigo, entre mortos em combate e feridos. O General afirma que o número de degolados foi de 23 "patriotas", membros das forças provisórias castilhistas, todos assassinos conhecidos no estado, pelas tropelias cometidos contra os Federalistas, particularmente no saque a Bagé no final de 1892 pelas forças dos Coronéis castilhistas Pedroso e Motta.
  • Em 5 de Abril no Combate do Boi Preto há a degola de 250 maragatos em represália à degola do Rio Negro. O pica-pau Cherengue ou Xerengue rivalizava com Latorre em número de degolas praticadas. Muitas vezes a degola era praticada em meio a zombarias e humilhações. Embora não com frequência, poderia ser antecedida por castração. Conta-se, por exemplo, que apostas eram feitas em corrida de degolados. Na degola convencional a vítima, ajoelhada, tinha as pernas e mãos amarradas, a cabeça estendida para trás e a faca era passada de orelha a orelha. Como se degolasse uma ovelha, rotina nas lides do campo. Os ressentimentos acumulados, as desavenças pessoais, somados ao caráter rude do homem da campanha acostumado a sacrificar o gado, tentam explicar estes atos de selvageria. Do ponto de vista militar e logístico a degola decorria da incapacidade das forças em combate de fazer prisioneiros, mantê-los encarcerados e alimentá-los, pois, ambas lutavam em situação de grande penúria. Procurava-se, pelo mesmo motivo, poupar munição empregando um meio rápido de execução. UMA OUTRA VISÃO DA REVOLUÇÃO FEDERALISTA De 1893 a 1895 as terras do sul serviram de cenário aos violentos combates da Revolução Federalista, travados entre os partidários de dois oligarcas gaúchos: de um lado, os federalistas (maragatos), liderados por Gaspar Silveira Martins; de outro, os republicanos (chimangos ou pica-paus), seguidores do positivista Júlio de Castilhos. Os federalistas defendiam a instalação de um regime parlamentarista nos moldes do que existiu no Segundo Reinado. Já os republicanos defendiam um presidencialismo forte, centralizador, no estilo do governo de Floriano Peixoto. O confronto ultrapassou as fronteiras gaúchas, estendendo-se a Santa Catarina, ao Paraná e até ao Uruguai. Embora Floriano tivesse tropas federais nos estados sulistas, somente em 1895, no governo de Prudente de Morais é que seria assinado um acordo de paz na região. PRINCIPAIS COMBATES Cerco de Bagé Batalha do Pulador Cerco da Lapa
  • Coronel Candido Dulcídio Pereira em pé (militar com menor estatura) atrás de uma metralhadora Nordenfelt, Lapa, 1893/4. CERCO DE BAGÉ Para fazer frente ao avanço dos federalistas, o Regimento de Segurança (PMPR) foi colocado à disposição do Ministério da Guerra, e reunido ao 8º Regimento de Cavalaria e o 17º Batalhão de Infantaria do Exército, sob o comando do General Francisco de Paula Argolo.
  • Essa tropa deveria avançar sobre a cidade de Desterro, onde se concentravam os federalistas e os marinheiros sublevados da Revolta da Armada. Devido o iminente cerco por outras colunas móveis, o General Argolo decidiu recuar as tropas para Rio Negro, PR. Esse procedimento desagradou o Marechal Floriano Peixoto, levando-o a repassar o comando das tropas para o Coronel Antônio Ernesto Gomes Carneiro. Nesse momento o Paraná já se encontrava sob ataque por diversas frentes. O Coronel Carneiro optou por criar uma linha de defesa concentrada nas cidades de Paranaguá, Tijucas do Sul e Lapa, até receber reforços de São Paulo. Esse reforço nunca chegou, e as tropas resistiram no Cerco da Lapa por vinte e seis dias a efetivos numericamente superiores. No dia 7 de fevereiro de 1894 ocorreu o mais violento combate, no qual foram mortos o Coronel Carneiro e o Coronel Dulcídio (comandante do Regimento de Segurança). Em 11 de fevereiro a praça de guerra capitulou. Mas a resistência não foi vã, pois retardou os revoltosos e permitiu a concentração das forças legalistas; contribuindo dessa forma para a manutenção do Governo Federal. Principais combates: Combate de Rio Negro (16 de dezembro de 1893); Combate do Rio da Várzea (06 de dezembro de 1893); Combate do Cemitério da Lapa (22 de janeiro de 1894); Combate do Engenho da Lapa (24 de janeiro de 1894); e Combate do Dia Sete (07 de fevereiro de 1894).
  • GUERRA DO CONTESTADO7 7 A complexa abrangência do Conflito do Contestado ainda está por ser escrita de forma completa e imparcial. Combatentes do Regimento de Segurança em uniforme de gala, sendo condecorados pelo Presidente do Estado, Carlos Cavalcanti de Albuquerque. Quartel do Comando Geral, em 19 de dezembro de1915. A guerra civil deflagrou-se quando um movimento messiânico adentrou na região do Irani, área de litígio entre os Estados de Santa Catarina e Paraná. E com o intuito de afastar uma intervenção da União, o governo estadual enviou o Regimento de Segurança para resolver a situação de forma imediata e incisiva. Acabaram ocorrendo graves divergências quanto ao emprego do efetivo, pois o Chefe de Polícia, cargo político que atualmente corresponde a um Secretário de Segurança, desejava distribuir o efetivo pelas localidades circunvizinhas; assumindo uma posição defensiva. Entretanto, o Coronel João Gualberto, comandante do Regimento de Segurança, desejava avançar de imediato sobre os revoltosos, para prender seus líderes e dispersar seus seguidores. A tropa acabou sendo dividida, e apenas foi liberado um pequeno efetivo para o Coronel João Gualberto atingir seus desígnios. Na localidade de Irani esse destacamento se defrontou com um elevado número de revoltosos, armados e dispostos à luta; ocorrendo um grande número de mortes e feridos.
  • O confronto violento foi desastroso para ambos os lados, e desencadeou justamente o que se procurava evitar: uma intervenção federal. As operações perduraram de 1912 a 1916. Em 1914, o efetivo da polícia militar que havia sido retirado do local sob o controle dos revoltosos, foi reunido e reforçado, constituindo um Batalhão Tático. Nessa fase a força estadual permaneceu sob o comando do Exército, intervindo apenas em apoio às operações. PRINCIPAIS COMBATES: Combate do Irani (22 de outubro de 1912); Combate da Estiva (06 de setembro de 1914); Combate de Catanduvas (18, 20 e 28 de novembro de 1914); Combate de Queimados (30 de novembro de 1914); e Combate do Reduto Tavares (07 de janeiro de 1915). A GUERRA DO CONTESTADO foi um conflito armado entre a população cabocla e os representantes do poder estadual e federal brasileiro travado entre outubro de 1912 a agosto de 1916, numa região rica em erva-mate e madeira, disputada pelos estados brasileiros do Paraná e de Santa Catarina. Originada nos problemas sociais, decorrentes principalmente da falta de regularização da posse de terras e da insatisfação da população hipossuficiente, numa região em que a presença do poder público era pífia, o embate foi agravado ainda pelo fanatismo religioso, expresso pelo messianismo e pela crença, por parte dos caboclos revoltados, de que se tratava de uma guerra santa. A região fronteiriça entre os estados do Paraná e Santa Catarina recebeu o nome de Contestado devido ao fato de que os agricultores contestaram a doação que o governo brasileiro fez aos madeireiros e à Southern Brazil Lumber & Colonization Company . Como foi uma região de muitos conflitos, ficou conhecida como CONTESTADO, por ser uma região de disputas de limites entre os dois estados brasileiros.
  • ANTECEDENTES Antes dos acontecimentos que culminaram na guerra, houve: Ação judicial de Santa Catarina contra o Paraná em 1900, por limites Decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal pró-Santa Catarina em 1904, 1909 e 1910 Revolta do ex-maragato Demétrio Ramos na zona do Timbó, em 1905 e 1906 Construção da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, de 1908 a 1910 Criação dos municípios de Canoinhas, Itaiópolis e Três Barras em Santa Catarina, e de Timbó no Paraná. Instalação da Southern Brazil Lumber & Colonization Company em Calmon (1908) e em Três Barras (1912) Construção do ramal de São Francisco, a partir de 1911 1911: Revolta do ex-maragato Aleixo Gonçalves de Lima em Canoinhas 1910 - 1912: Questão de terras da fazenda Irani e da Cia. Frigorífica e Pastoril Batalha do Irani em 22 de outubro de 1912 1911: Escrituração de glebas de terras devolutas do Contestado para a EFSPRG Disputas pela exploração dos ervais - concessões de estados e municípios Vendas suspeitas de terras no Contestado, do Estado para especuladores – bendegós Disputas eleitorais entre os coronéis da região pelos domínios políticos nos municípios Espírito guerreiro do caboclo pardo (Revolução Farroupilha e Revolução Federalista Religiosidade: messianismo, misticismo e fanatismo da população cabocla Ideologia nacionalista – civilismo na República – construção do exército PRELIMINARES: O PODER DOS MONGES Para entender-se bem a guerra sertaneja, é preciso voltar um pouco no tempo e resgatar o valor da figura de três monges da região. O primeiro monge que galgou fama foi João Maria, um homem de origem italiana, que peregrinou pregando e atendendo doentes de 1844 a 1870. Fazia questão de viver uma vida extremamente humilde, e sua ética e forma de viver arrebanhou milhares de crentes, reforçando o messianismo coletivo. Sublinhe-se, porém, que não exerceu influência direta nos acontecimentos da Guerra do Contestado que ocorreria posteriormente. João Maria morreu em 1870, em Sorocaba, estado de São Paulo.
  • O segundo monge adotou o codinome (alcunha) de João Maria, mas seu verdadeiro nome era Atanás Marcaf, provavelmente de origem síria. Aparece publicamente com a Revolução Federalista de 1893, mostrando uma postura firme e uma posição messiânica. Sobre sua situação política, dizia ele "estou do lado dos que sofrem". Chegou, inclusive, a fazer previsões sobre os fatos políticos da sua época. Atuava na região entre os rios Iguaçu e Uruguai. É de destacar a sua influência inquestionável sobre os crentes, a ponto de estes esperarem a sua volta através da ressurreição, após seu desaparecimento em 1908. As entrelinhas do que estava por vir estavam se amarrando entre si. A espera dos fiéis acabou em 1912, quando apareceu publicamente a figura do terceiro monge. Este era conhecido inicialmente como um curandeiro de ervas, tendo se apresentado com o nome de José Maria de Santo Agostinho, ainda que, de acordo com um laudo da polícia da Vila de Palmas, Estado do Paraná, ele fosse, na verdade, um soldado desertor condenado por estupro, de nome Miguel Lucena de Boaventura. Como ninguém conhecia ao certo a sua origem, como aparentava uma vida reta e honesta, não lhe foi difícil granjear em pouco tempo a admiração e a confiança do povo. Um dos fatos que lhe granjearam fama foi a presunção de ter ressuscitado uma jovem (provavelmente apenas vítima de catalepsia patológica. Supostamente também recobrou a saúde da esposa do coronel Francisco de Almeida, acometida de uma doença incurável. Com este episódio, o monge ganha ainda mais fama e credibilidade ao rejeitar terras e uma grande quantidade de ouro que o coronel, agradecido, lhe queria oferecer. A partir daí, José Maria passa a ser considerado santo: um homem que veio à terra apenas para curar e tratar os doentes e necessitados. Metódico e organizado, estava muito longe do perfil dos curandeiros vulgares. Sabia ler e escrever e anotava em seus cadernos as propriedades medicinais das plantas encontradas na região. Com o consentimento do coronel Almeida, montou no rancho de um dos capatazes o que chamou de farmácia do povo, onde fazia o depósito de ervas medicinais que utilizava no atendimento diário, até horas tardias da noite, a quem quer que o visitasse. OS CONFRONTOS SE INICIAM Após a conclusão das obras do trecho catarinense da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, a companhia Brazil Railway Company, que recebeu do governo 15 km de cada lado da ferrovia, iniciou a desapropriação de 6.696 km² de terras (equivalentes a 276.694
  • alqueires) ocupadas já há muito tempo por posseiros que viviam na região entre o Paraná e Santa Catarina. O governo brasileiro, ao firmar o contrato com a Brazil Railway Company, declarou a área como devoluta, ou seja, como se ninguém ocupasse aquelas terras. "A área total assim obtida deveria ser escolhida e demarcada, sem levar em conta sesmarias nem posses, dentro de uma zona de trinta quilômetros, ou seja, quinze para cada lado". Isso, e até mesmo a própria outorga da concessão feita à Brazil Railway Company, contrariava a chamada Lei de Terras de 1850. Não obstante, o governo do Paraná reconheceu os direitos da ferrovia; atuou na questão, como advogado da Brazil Railway, Affonso Camargo, então vice-presidente do estado. Esses camponeses que viram o direito às terras que ocupavam ser usurpado, e os trabalhadores que foram demitidos pela companhia (1910), decidiram então ouvir a voz do monge José Maria, sob o comando do qual organizaram umacomunidade. Resultando infrutíferas quaisquer tentativas de retomada das terras - que foram declaradas "terras devolutas"pelo governo brasileiro no contrato firmado com a ferrovia - cada vez mais passou-se a contestar a legalidade da desapropriação. Uniram-se ao grupo diversos fazendeiros que, por conta da concessão, estavam perdendo terras para o grupo de Farquhar, bem como para os coronéis manda-chuvas da região. A união destas pessoas em torno de um ideal, levou à organização do grupo armado, com funções distribuídas entre si. Omessianismo adquiria corpo. A vida era comunitária, com locais de culto e procissões, denominados redutos. Tudo pertencia a todos. O comércio convencional foi abolido, sendo apenas permitidas trocas. Segundo as pregações do líder, o mundo não duraria mais 1000 anos e o paraíso estava próximo. Ninguém deveria ter medo de morrer porque ressuscitaria após o combate final. É de destacar a importância atribuída às mulheres nesta sociedade. A virgindade era particularmente valorizada. 1 O "santo monge" José Maria rebelou-se, então, contra a recém formada república brasileira e decidiu dar status de governo independente à comunidade que comandava. Para ele, a república era a "lei do diabo". Nomeou "imperador do Brasil" um fazendeiro analfabeto, nomeou a comunidade de "Quadro Santo" e criou uma guarda de honra constituída por 24 cavaleiros que intitulou de "Doze Pares de França", numa alusão à cavalaria de Carlos Magno na Idade Média.
  • Os camponeses uniram-se a este, fundando alguns povoados, cada qual com seu santo. Cada povoado seria como uma "monarquia celeste", com ordem própria, à semelhança do que Antônio Conselheiro fizera em Canudos. Convidado a participar da festa do Senhor do Bom Jesus, na localidade de Taquaruçu (município de Curitibanos), o monge foi acompanhado de cerca de 300 fiéis, e lá permaneceu por várias semanas, atendendo aos doentes e prescrevendo remédios. Desconfiado com o que acontecia e com medo de perder o mando da situação local em Curitibanos, o coronel Francisco de Albuquerque, rival do coronel Almeida, enviou um telegrama para a capital do estado pedindo auxílio contra "rebeldes que proclamaram a monarquia em Taquaruçu"'. PRIMEIRAS MORTES O governo brasileiro, então comandado pelo marechal Hermes da Fonseca, responsável pela Política das Salvações, caracterizada por intervenções político-militares que em diversos Estados do país pretendiam eliminar seus adversários políticos, sentiu indícios de insurreição neste movimento e decidiu reprimi-lo, enviando tropas para "acalmar" os ânimos. Antevendo o que estava por vir, José Maria parte imediatamente para a localidade de Irani com todo o seu carente séquito. A localidade nesta época pertencia a Palmas, cidade que estava na jurisdição do Paraná, e que tinha com Santa Catarina questões jurídicas não resolvidas por conta de divisas territoriais, e acabou vendo nessa grande movimentação uma estratégia de ocupação daquelas terras. A guerra do Contestado inicia-se neste ponto: em defesa de suas terras, várias tropas do Regimento de Segurança do Paraná são enviadas para o local, a fim de obrigar os invasores a voltar para Santa Catarina. Estamos em outubro de 1912. Mas as coisas ocorrem bem diferente do planejado. Tem início um confronto sangrento entre tropas do governo e fiéis do Contestado no lugar chamado "Banhado Grande". Ao término da luta, estão sem vida dezenas de pessoas, de ambos os lados. Morreram no confronto o coronel João Gualberto, que comandava as tropas, e também o monge José Maria, mas os partidários do contestado tinham conseguido a sua primeira vitória. José Maria foi enterrado com tábuas pelos seus fiéis, a fim de facilitar a sua ressurreição, já que os caboclos acreditavam que este ressuscitaria acompanhado de um "exército encantado", vulgarmente chamado de "Exército de São Sebastião", que os ajudaria a fortalecer a "monarquia celeste" e a derrubar a república, que cada vez mais acreditava-se ser um instrumento do diabo, dominado pelas figuras dos coronéis.
  • MAIS CONFRONTOS, ATAQUES E CONTRA-ATAQUES Em 8 de fevereiro de 1914, numa ação conjunta de Santa Catarina, Paraná e governo federal, foi enviado a Taquaruçu um efetivo de 700 soldados, apoiados por peças de artilharia e metralhadoras. Estes logram êxito na empreitada, incendeiam completamente o acampamento dos jagunços, mas sem muitas perdas humanas, já que os caboclos e fiéis da causa do Contestado se refugiaram em Caraguatá, local de difícil acesso e onde já viviam cerca de 20.000 pessoas. Os fiéis que mudaram para Caraguatá, interior do atual município de Lebon Régis, eram chefiadas por Maria Rosa, uma jovem com quinze anos de idade, considerada pelos historiadores como uma Joana D'Arc do sertão, já que "combatia montada em um cavalo branco com arreios forrados de veludo, vestida de branco, com flores nos cabelos e no fuzil". Após a morte de José Maria, Maria Rosa afirmava receber, espiritualmente, ordens do mesmo, o que a fez assumir a liderança espiritual e militar de todos os revoltosos, então cerca de 6.000 homens. De março a maio outras expedições foram realizadas, porém todas sem sucesso. Em 9 de março de 1914, embaladas pela vitória de Taquaruçu, que tinham destruído completamente, as tropas cercam e atacam Caraguatá, mas aí o desastre é total. Fogem em pânico perseguidos pelos revoltosos. Esta nova vitória enche os contestadores de ânimo. O fato repercute em todo o interior, trazendo para o reduto ainda mais pessoas com interesses afins, mas também atinge em cheio ao governo e aos órgãos legalmente constituídos. Como cada vez mais pessoas engajavam-se abertamente ao movimento, piquetes foram formados pelos fiéis para o arrebanhamento de animais da região a fim de suprir as necessidades alimentícias do núcleo de Caraguatá. São então fundados os redutos de Bom Sossego e São Sebastião. Só neste último se aglomeravam cerca de 2.000 pessoas. Além de colocar em prática técnicas de guerrilha para a defesa dos ataques do governo, os fanáticos passaram ao contra-ataque. Em 2 de setembro, lançaram um documento que intitulou-se "Manifesto Monarquista", deflagrando-se, a partir de então, o que chamavam de a guerra santa, caracterizada por saques e invasões de propriedades de coronéis e por um discurso que exigia pobreza e cobrava exploração ao máximo da República. Invadiam as fazendas dos coronéis tomando para si tudo o que precisavam para suprir as necessidades do reduto.
  • Além disso, amparados nas vitórias que tiveram, atacaram várias cidades, como foi o caso de Curitibanos, onde os alvos eram invariavelmente os cartórios, locais onde se encontravam os registros das terras que antes a eles pertenciam. Não bastasse isso, num outro ataque na localidade de Calmon, destruíram completamente a segunda serraria da Lumber, uma das empresas que vieram de fora para explorar a madeira da faixa de terra de 30 quilômetros (15 quilômetros de cada lado) às margens da ferrovia. O CONTROLE COMEÇA A MUDAR DE LADO Com a ordem social cada vez mais caótica na região, o governo central designou o general Carlos Frederico de Mesquita, veterano de Canudos, para comandar uma ação contra os rebeldes. Inicialmente tentou, sem êxito, um acordo para dispensar os revoltosos; a seguir atacou duramente Santo Antônio, obrigando os rebeldes a fugir. O reduto de Caraguatá, que antes vira as tropas do governo fugirem perseguidas por revoltosos, tem agora de ser abandonada às pressas pelos mesmos revoltosos devido a uma grande epidemia de tifo. Considerando, equivocadamente, dispersos os revoltosos, o general Mesquita dá a luta por encerrada. Mas a calmaria terminaria logo. Os revoltosos rapidamente se reagrupam e se organizam na localidade de Santa Maria, interior norte do município de Lebon Régis, intensificando os ataques: tomam e incendeiam a estação de Calmon; dizimam a vila de São João (Matos Costa), atacam Curitibanos e ameaçam Porto União da Vitória, cuja população abandona a cidade em desespero. Os boatos chegam até Ponta Grossa e dizem que os revoltosos e seu exército pretendem marchar até o Rio de Janeiro para depor o presidente. Os rebeldes já dominam, nesta altura dos acontecimentos, cerca de 250 km² da região do Contestado. O governo federal jogou uma outra, e ainda mais dura, cartada: nomeou o general Fernando Setembrino de Carvalho para o comando das operações contra os contestadores. Este chegou a Curitiba em setembro de 1914, chefiando cerca de 7000 homens, com ordens de sufocar a rebelião e pacificar a região a qualquer custo. Sua primeira providência foi restabelecer as ligações ferroviárias e guarnecê-las para evitar novos ataques. Nas proximidades da ferrovia, o exército construiu o Campo da Aviação de Rio Caçador, onde hoje existe o município homônimo.
  • Como apoio de operações de guerra, pela primeira vez na história do Brasil foram usados dois aviões para fins de reconhecimento. Em um acidente durante as operações, morreu o capitão Ricardo Kirk, primeiro aviador militar do Brasil. Astutamente, Setembrino enviou um manifesto aos revoltosos no qual garantia a devolução de terras para quem se entregasse pacificamente. Garantia também, por outro lado, um tratamento hostil e severo para quem resolvesse continuar em luta contra o governo. MUDANÇA DE ESTRATÉGIA Com o passar do tempo, general Fernando Setembrino de Carvalho adotou uma nova postura de guerra, evitando o combate direto, que era o que os revoltosos esperavam e para o que estavam se preparando, optando por cercar o reduto dos fanáticos com tropas por todos os lados, evitando que entrassem ou saíssem da região onde estavam. Para isto, o general dividiu seu efetivo em quatro alas com nomes dos quatro pontos cardeais e, gradativamente, foi avançando e destruindo qualquer resistência que encontrasse pelo caminho. Com esta nova estratégia, rapidamente começou a faltar comida nos acampamentos dos revoltosos. Isto teve como consequência imediata a rendição de dezenas de caboclos. Contudo, a maioria dos que se entregavam eram velhos, mulheres e crianças - talvez uma contra-estratégia dos fiéis para que sobrasse mais comida aos combatentes que ficaram para trás e que ainda defenderiam a causa. Neste ponto da guerra do Contestado, começa a se destacar a figura de Deodato Manuel Ramos, vulgo "Adeodato", considerado pelos historiadores como o último líder dos contestadores. Adeodato transferiu o núcleo dos revoltosos para o vale de Santa Maria, que contava ainda com cerca de 50.000 homens. Só que aí, à medida que ia faltando o alimento, Adeodato passou a revelar-se cada vez mais autoritário, não aceitando a rendição. Aos que se entregavam, aplicava sem dó a pena de morte. Cerco fechado, sem pressa e deixando os revoltosos nervosos lutarem contra si mesmos, em 8 de fevereiro de 1915 a ala Sul, comandada pelo tenente-coronel Estillac, chegou a Santa Maria. De um lado as forças do governo, bem armadas, bem alimentadas, de outro, rebeldes também armados, mas famintos e sem ânimo para resistir muito tempo. A luta inicial foi intensa e, à noite, o tenente-coronel ordenou a retirada, afinal, já contabilizara só no seu lado 30 mortos e 40 feridos.
  • Novos ataques e recuos ocorreram nos dias seguintes. Em 28 de março de 1915, o capitão Tertuliano Potyguara parte da vila de Reinchardt com 1.085 homens em direção a Santa Maria, perdendo só em emboscadas durante o trajeto, 24 homens. Depois de vários confrontos, num deles Maria Rosa, a líder espiritual dos rebeldes, morre às margens do rio Caçador. Em 3 de abril, as tropas de Estillac e Potyguara avançam juntas e ordenadas para o assalto final a Santa Maria, onde restavam apenas alguns combatentes já quase mortos pela fome. Em 5 de abril, depois do grande assalto a Santa Maria, o general Estillac registra que "tudo foi destruído, subindo o número de habitações destruídas a 5.000 (…) as mulheres que se bateram como homens foram mortas em combate (…) o número de jagunços mortos eleva-se a 600. Os redutos de Caçador e de Santa Maria estão extintos. Não posso garantir que todos os bandidos que infestam o Contestado tenham desaparecido, mas a missão confiada ao exercito está cumprida". Os rebeldes sobreviventes se dispersaram em muitas cidades. Em dezembro de 1915, o último dos redutos dos revoltosos foi devastado pelas tropas de Setembrino. Adeodato fugiu, vagando com tropas no seu encalço. Conseguiu, no entanto, escapar de seus perseguidores e, como foragido, ficou ainda 8 meses escondendo-se pelas matas da região. Mas a fome e o cansaço, além de uma perseguição sem trégua, fizeram com que Adeodato se rendesse. Encerrava-se então, em agosto de 1916, com a prisão de Adeodato, a Guerra do Contestado. Adeodato foi capturado e condenado a 30 anos de prisão. Entretanto, em 1923, 7 anos após ter sido preso, Adeodato foi morto pelo próprio diretor da cadeia numa tentativa de fuga. ESTATÍSTICAS DO CONFRONTO Área conflagrada: 20.000 km² População da época envolvida na área de conflito: aproximadamente 40.000 habitantes Municípios do Paraná, na época: Rio Negro, Itaiópolis, Três Barras, União da Vitória e Palmas Municípios de Santa Catarina, na época: Lages, Curitibanos, Campos Novos, Canoinhas e Porto União
  • CONSEQUÊNCIAS IMEDIATAS 20 de outubro de 1916: Assinatura do Acordo de Limites Paraná-Santa Catarina, no Rio de Janeiro; 7 de novembro de 1916: Manifestações nos municípios do Contestado-Paranaense contra o acordo; De maio a agosto de 1917: Sublevação popular no Contestado-Paranaense, pró Estado das Missões; Maio e junho de 1917: Ascensão e assassinato do monge Jesus Nazareno; 3 de agosto de 1917: Homologação final do Acordo de Limites; Setembro de 1917: Instalação dos municípios de Mafra, Joaçaba (então Cruzeiro), Chapecó e de Porto União; 1918: Reinício da colonização no Centro-Oeste Catarinense, por empresas particulares; Janeiro e maio de 1920: Revolta política em Erval e Cruzeiro; Março de 1921: Revolta de caboclos contra medição de terras, entre Catanduvas e Capinzal. MAIS DADOS IMPORTANTES Início da Guerra: 22 de outubro de 1912 Tempo da Guerra: 46 meses (out/1912 a ago/1916) Auge da Guerra: Março-abril de 1915, em Santa Maria, na Serra do Espigão Final da Guerra: Agosto de 1916, com a captura de Adeodato, o último líder do Contestado Combatentes militares no auge da Guerra: 8.000 homens, sendo 7.000 soldados do Exército Brasileiro, do Regimento de Segurança do Paraná, do Regimento de Segurança de Santa Catarina, mais 1.000 civis contratados. Exército Encantado de São Sebastião: 10.000 combatentes envolvidos durante a Guerra. Baixas nos efetivos legalistas militares e civis: de 800 a 1.000, entre mortos, feridos e desertores Baixas na população civil revoltada: de 5.000 a 8.000, entre mortos, feridos e desaparecidos Custo da Guerra para a União: cerca de 3.000:000$000, mais soldados militares A Guerra do Contestado durou mais tempo que a Guerra de Canudos, outro conflito semelhante em terras do Brasil. Em quatro anos de guerra, 9 mil casas foram queimadas e 20 mil pessoas mortas.
  • Uma das maiores e mais sangrentas revoltas camponesas da História da Humanidade aconteceu em Santa Catarina. No dia 22 de outubro de 1912, na cidade de Irani, tropas paranaenses comandadas pelo coronel João Gualberto travaram um violento combate com um grupo de sertanejos sem-terra, liderados pelo ―monge‖ José Maria que pregava a volta da Monarquia e a construção de uma sociedade igualitária. O conflito, que se alastrou por dezenas de cidades catarinenses, durou quatro anos e causou a morte de cerca de 20 mil pessoas. Vários acontecimentos produziram este levante popular: a disputa de limites entre Paraná e Santa Catarina; a construção da estrada de ferro São Paulo - Rio Grande, pela poderosa multinacional Brazil Railway pertencente ao Sindicato Farquhar; a instalação da segunda maior madeireira da América, a Southern Brazil Lumber & Colonization Company Inc. Este conjunto de fatores convergia para uma mesma direção: a expulsão dos camponeses, habitantes nativos da região, a ocupação de suas terras e a exploração das ricas reservas de pinheiro araucária. Nesse período praticou-se a primeira devastação ecológica industrialmente planejada na América Latina com a derrubada de mais de 2 milhões de pinheiros e outras madeiras nobres. TESTE MILITAR A Guerra do Contestado mobilizou dois terços do Exército Brasileiro
  • de então, milícias estaduais e forças paramilitares. Foi o grande teste do exército moderno: pela primeira vez, na América Latina, utilizaram-se aviões com fins militares, bombas de fragmentação e aprimoradas técnicas de contra insurgência, só esboçadas na Guerra de Canudos. Os camponeses, profundos conhecedores do sertão catarinense e movidos por uma fé mística baseada na imortalidade, resistiram ferozmente até a sua derrota utilizando eficientes técnicas de guerrilha. Além da luta pela terra, messianismo, sebastianismo e desejos de volta à Monarquia permeavam o imaginário dos sertanejos. A REGIÃO DO CONTESTADO Chamou-se Contestado a área de 40 mil quilômetros quadrados disputada por Santa Catarina e Paraná.
  • Além de terras, havia em jogo grandes florestas de madeiras nobres e imensos ervais nativos, que produziam erva-mate. Santa Catarina já havia ganho três disputas judiciais no Supremo, sem nunca ver cumprida suas determinações. Poucos moradores e fazendeiros tinham documentação das terras que ocupavam e exploravam. Esta situação começou a mudar no início da República, com os ―coronéis‖ legalizando grandes extensões em seu nome e, depois, com a chegada da estrada de ferro São Paulo-Rio Grande, cujos construtores ganharam 15 quilômetros de cada lado da ferrovia para explorar madeira e erva-mate. Muitos moradores foram progressivamente desalojados, à força, durante anos. Em 1910, o Sindicato Farqhuar, que construía a ferrovia, inaugurou a segunda maior madeireiro da América em Três Barras, para explorar suas concessões. Em seguida, passou também a vender terras - na maioria das vezes ocupadas por sertanejos brasileiros - para estrangeiros de diversas procedências. A Southern Brazil Lumber & Colonization Co. Inc., domina o sertão.
  • Dispõe de um exército de 200 homens para pressionar quem fosse preciso. Começa a formar-se o cenário da guerra. A MADEIREIRA LUMBER Além de construir a São Paulo-Rio Grande, Percival Farquhar montou a Southern Brazil Lumber & Colonization Co. Inc., em Três Barras/Santa Catarina, com um capital inicial de 100 mil dólares logo ampliado para 12 milhões de dólares. É o maior empreendimento econômico no Sul. A cidade recebia gente do mundo inteiro. Madeireira e depois colonizadora, a Lumber promoveu uma devastação ecológica inédita até então. Dois anos depois de sua inauguração em 1910, dispunha de uma reserva de mais de 2 milhões de pinheiros (araucária angustifólia), sem contar imbúias, cedros e outras madeiras nobres. A grande madeireira serrava 300 metros cúbicos por dia com sistemas totalmente automatizados empregando mão de obra predominantemente estrangeira. Construía ramais ferroviários no meio da mata de onde ia arrancando as árvores com
  • guindaste, de maneira célere. Conseguiu que o governo brasileiro construísse um ramal gigante ligando a madeireira ao litoral - a estrada de ferro Porto União-São Francisco - por onde exportava madeira e erva-mate. A Lumber operou por 40 anos até que fosse literalmente abandonada pelos americanos e sua área incorporada ao Exército Brasileiro. Não deixou um único exemplar das magníficas espécies nativas encontradas nas áreas onde atuou. Como prova do seu poderio, a Lumber, mesmo em terras contestadas por dois estados, estabelece Três Barras como município pertencente ao Paraná. A cidade torna-se catarinense com a assinatura do acordo de fronteiras em 1917, no final da guerra. A ESTRADA DE FERRO A estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande foi construída para integrar econômica e geograficamente o sul do Brasil. As obras do trecho em terras do meio-oeste catarinense foram entregues ao poderoso Sindicato Farquhar, que além de ter construído a ferrovia Madeira- Mamoré operava serviços de infraestrutura como portos, energia elétrica, transportes e comunicações de Porto Alegre a Belém do Pará. Com um lobista do porte de Rui Barbosa, seu advogado, o Sindicato de propriedade do norte-americano Percival Farquhar conseguiu uma inédita forma de pagamento: recebia em dinheiro e mais 15 quilômetros de cada lado da ferrovia. Com uma força armada particular, ocupou essas terras expulsando delas sertanejos brasileiros, seus primeiros moradores. A ferrovia foi suporte fundamental para a criação da Southern Brazil Lumber & Colonization Co. Inc., grande madeireira e colonizadora de terras. A madeira arrancada da região era transportada via estrada de ferro para os
  • portos do sul. Para isso também foi construído o ramal Porto União-São Francisco do Sul. Durante a Guerra do Contestado a estrada de ferro transportou soldados, armas e munição do Exército Brasileiro que protegeu interesses do Sindicato Farquhar atacando populações nativas. A empresa norte americana dispensou, de uma só vez em plena guerra, mais de mil operários que vagaram pela região engrossando as fileiras dos jagunços revoltados. OS LÍDERES REBELDES Durante os quatro anos que durou a Guerra do Contestado morreram cerca de 20 mil pessoas - equivalente a um terço da população de Santa Catarina, à época. E também milhares de militares. O movimento revoltoso teve, ao longo desses anos, várias lideranças que comandaram com êxito muitos combates e ofensivas. Entre eles Venuto Baiano, Chico Ventura, Aleixo Gonçalves, Antonio Tavares, Adeodato Ramos, Bonifácio Papudo e Alemãozinho (que traiu o movimento). Atuavam sob a forma de guerrilha, conseguiam infiltrar espiões regularmente - os bombeiros - nas forças que os combatiam, lutavam com revólveres, espingardas e no corpo a corpo com facões de pau feitos de madeira duríssima da região. Apoiados numa forte crença de ressurreição e retorno nos exércitos encantados de São
  • Sebastião, eram ferozes e destemidos em combate. Logo os combatentes sertanejos foram chamados de pelados e seus opressores de peludos. Os pelados formaram tropas de elite nos redutos, os Pares de França, inspirados nas histórias do rei Carlos Magno. Queriam viver numa terra santa onde ―tudo era irmão e irmã‖ e sob o signo de que ―quem tem moe, quem não tem moe também, ficando no fim todos iguais‖. Conseguiram forças para uma resistência inédita na história e só foram subjugados pela fome e extermínio sistemático nos redutos invadidos com a degola dos prisioneiros. Tinham um confuso discurso de fundar uma monarquia, na verdade um sonho de voltar aos tempos em que a vida havia sido mais digna e generosa. O EXÉRCITO Para derrotar os revoltosos do Contestado foram necessárias 13 expedições militares, durante quatro anos. No conflito atuaram Euclides Figueiredo, Eurico Gaspar Dutra, Herique Teixeira Lott entre outros oficiais que influenciaram diretamente a vida brasileira. Praticaram diversos procedimentos de contra insurgência e aniquilamento das populações rebeladas. Pela primeira vez foram empregados aviões com fins militares na América Latina e bombas de fragmentação contra combatentes. Mas também foram usadas velhas práticas como a eliminação sistemática de prisioneiros e a degola. Casos de corrupção como o desvio de fardamento, alimentos e munição das tropas foram denunciados no Clube Militar, no Rio de Janeiro e nunca apurados. A campanha foi encerrada oficialmente depois de um longo cerco aos
  • revoltosos, contando-lhes suprimentos e matando-os de fome. Depois de terminada a guerra, tropas continuaram perseguindo os vencidos no sertão matando e destruindo suas casas. O capitão Matos Costa, morto na Guerra, foi um dos raros a compreender o que se passava de verdade no sertão. Afirmava: ―A revolta do Contestado é apenas uma insurreição de sertanejos espoliados nas suas terras, nos seus direitos e na sua segurança‖. OS MONGES A região do Contestado foi largamente percorrida por dois monges, de 1845 a 1908. O primeiro se chamava João Maria D’Agostini, era italiano de origem. Benzia, curava e não fazia ajuntamento de pessoas nem dormia na casa de ninguém. Veneradíssimo batizou milhares de moradores do sul do Brasil. Desapareceu por volta de 1890. Em seguida surge outro monge, João Maria de Jesus, nome adotado por Anastás Marcaf, turco de origem. Também percorria o sertão benzendo, curando e batizando. Não juntava gente em volta de si, não dormia nas casas, mas atacava a República. Desapareceu por volta de 1908 e, segundo a população de então, ―está encantado no Morro do Taió‖. É um terceiro monge, entretanto, que vai aglutinar o povo do sertão do Contestado e, de alguma forma, levá-los à guerra. Chamava- se José Maria - seu verdadeiro nome era Miguel Lucena e sugeria ser irmão de João Maria. Benzia, curava, batizava e reunia gente ao seu redor lendo, regularmente, o livro do
  • Rei Carlos Magno e seus Doze Pares de França - com seus ensinamentos de guerra. Atacava duramente as autoridades e a República. Ameaçado pelos coronéis da região do Contestado, o Monge e um grupo de sertanejos deslocaram-se para o Irani, em terras que o Paraná considerava suas, palco do primeiro combate da guerra. A 22 de outubro de 1912, na região denominada Banhado Grande, José Maria e seu grupo são atacados por soldados do Paraná comandados pelo coronel João Gualberto. Morrem o monge e o coronel. OS CORONÉIS Com a República, os poderosos coronéis - que ostentavam esse título por concessão do Império que criou a Guarda Nacional - tomaram consciência da possibilidade de legalizar terras em grande escala. No Contestado não foi diferente. Passaram a receber concessões, a requerer e a ampliar seus domínios. Com a chegada da Lumber, abriu-se a possibilidade de exploração e ganhos com as terras legalizadas, já que a poderosa madeireira não se limitou a explorar as imensas áreas que lhe foram concedidas e negociava com muitos proprietários. Alguns coronéis, como Francisco de Albuquerque, de Curitibanos, e Fabrício Vieira, do Vale do Timbozinho, tornaram-se especialmente odiados pelos sertanejos que em muitas ocasiões pediram suas cabeças como condição básica para qualquer negociação de paz. Afonso Camargo, vice-governador do Paraná, era um coronel à distância, mas igualmente odiado pois advogava para a grande madeireira - empresa em que mais tarde deu grandes golpes em negócios de terra. Poderosos, os coronéis tinham muitos afilhados. Durante a Guerra
  • do Contestado viram-se pela primeira vez, no sertão, atacados mesmo por estes, tamanha a revolta dos sertanejos. Francisco Albuquerque, o primeiro, chamou tropas catarinenses para intimidar o monge José Maria e seus seguidores, foi morto após a guerra num declarado ato de vingança. O PÓS-GUERRA Encerrada oficialmente a intervenção do Exército em 1915, a Guerra do Contestado ainda teve continuação. Piquetes militares perseguiram focos revoltosos por muitos anos. Os prisioneiros tinham destino variado. Muitos eram mortos imediatamente, outros eram reunidos e enviados para trabalho escravo muito poucos reintegraram-se às suas famílias ou voltaram às suas regiões de origem. O governo catarinense chegou a protestar pela intensiva migração forçada realizada pelo governo paranaense. Tropas federais permaneceram por algum tempo na região, a madeireira Lumber voltou a operar com desenvoltura, desmatando incessantemente. Os governos de Santa Catarina e do Paraná trataram de resolver suas pendengas e, em 1916, assinaram, no Rio de Janeiro, um tratado dividindo a área que pretendiam. O Paraná ficou com 20 mil quilômetros quadrados da área contestada e Santa Catarina com 28 mil quilômetros quadrados.
  • REVOLTA DE 19238 8 A Revolução de 1923 foi o movimento armado ocorrido durante onze meses daquele ano no estado do Rio Grande do Sul, Brasil, em que lutaram, de um lado, os partidários do presidente do Estado, Borges de Medeiros (borgistas ouximangos, que usavam no pescoço como distintivo ou característica o lenço branco) e, de outro, os revolucionários, aliados de Joaquim Francisco de Assis Brasil (assisistas ou maragatos, que usavam no pescoço como distintivo o lenço vermelho). Antecedente Republicano e positivista, mas nada simpático à democracia, Júlio Prates de Castilhos, o Patriarca, como era chamado, governou o Rio Grande do Sul com mão de ferro de 1891 até sua morte prematura, em 1903. Para se manter no poder, tomou duas providências: redigiu praticamente sozinho e fez aprovar uma Constituição autoritária e montou uma poderosa máquina política no Partido Republicano Rio-grandense (PRR), com seus incontáveis chefes locais e seu séquito de agregados, presentes em mais de cem municípios rio-grandenses. Ao morrer, ficou claro que se fora o ditador, mas a ditadura republicana continuava viva. Castilhos foi substituído na presidência do Estado por Borges de Medeiros, que seguiu adotando os mesmos métodos e que também tinha como objetivo perpetuar-se no poder. Em 1922, Borges resolve se candidatar mais uma vez à presidência do Estado e contava, como sempre, com a força do PRR, que não hesitava em apelar para a fraude e a violência, para garantir a reeleição. Todavia, dessa feita, há um fato novo: forma-se uma aliança entre vários segmentos da sociedade gaúcha para estimular uma oposição organizada. O veterano político Assis Brasil desafia Borges na disputa nas urnas. Divide-se, assim, o Rio Grande, entre borgistas ou chimangos (numa alusão ao pseudônimo dado a Borges por Ramiro Barcelos, Antônio Chimango) e assisistas ou maragatos (como eram chamados os adeptos do Partido Federalista, identificados pelo uso do lenço vermelho). A campanha eleitoral ocorre sob um clima de repressão e violência. Opositores do governo são presos, espancados e até mortos. Locais de reunião dos assisistas são fechados e depredados pela polícia borgista. Quando se anuncia o resultado das urnas, com a previsível vitória de Borges de Medeiros, a revolta é geral. A comissão apuradora de votos, formada por pessoas fiéis ao governo, é acusada de fraude eleitoral pela oposição. A disputa nas urnas transforma-se em disputa pelas armas.
  • A oposição, liderada por Assis Brasil, adere à revolta armada para derrubar Borges de Medeiros, que toma posse para um novo mandato em 25 de janeiro de 1923. Setores importantes da sociedade gaúcha já andavam descontentes com o governo. A política econômica de Borges precipitara o Estado numa crise financeira que contribuíra para descontentar tanto a elite estancieira como boa parte do movimento operário e estudantil. No plano nacional, Borges se isolara ao fazer oposição à candidatura de Artur Bernardes, afinal eleito Presidente da República. Em verdade, o ódio entre as facções era mais antigo. Vinha desde a Revolução Federalista de 1893, que teve como marca a degola, dilacerando vidas e trazendo desgraça e tristeza para muitas famílias. Essa Revolução deixou sentimentos de vingança e violência em muitos corações, que teve quase continuidade na Revolução de 1923. Operações militares Os combates se iniciaram ao final de janeiro. As cidades de Passo Fundo e Palmeira das Missões foram atacadas pelos caudilhos maragatos vermelhos de Mena Barreto e Leonel da Rocha, que encontraram forte resistência de ambos os lados, não havendo vitória. A expectativa de Assis Brasil e seus aliados, ao partir para a luta armada, era a de que o Presidente da República Arthur Bernardes, que não nutria simpatias por Borges, decretasse intervenção federal no Rio Grande do Sul. Mas Borges, um político hábil, se aproximou de Bernardes e frustrou as expectativas de seus opositores. Os maragatos (vermelhos), que não estavam devidamente organizados para enfrentar as forças governistas, nem tinham objetivos militares definidos, ficaram confusos ao verem que a pretendida intervenção federal não viria. A continuidade da luta dependia das ações isoladas empreendidas por José Antônio Matos Neto, o Zeca Netto. Mas as operações militares ficavam restritas a regiões distantes de Porto Alegre e não conseguiram causar dano às forças dos borgistas. Logo os maragatos começaram a se ressentir da falta de homens e de armas. Para Assis Brasil e seus aliados mais lúcidos, ficou claro desde logo que não havia possibilidade de vitória militar; por isso, manifestaram disposição de negociar com o lado contrário.
  • A CAMPANHA DE SÃO FRANCISCO DE ASSIS Em setembro de 1923, quando a Revolução já caminhava para seu declínio, pois os revolucionários já estavam quase sem munição e acossados pelas tropas governistas, quase não tendo como resistir, o general Honório Lemes resolveu, estrategicamente, passar o Rio Ibicui, para a sua margem direita, nas imediações do local conhecido como Passo do Catarino (hoje Praia do Jacaquá), fugindo das tropas borgistas, comandadas pelo general José Antônio Flores da Cunha. Após esta passagem no Ibicui, que ocorreu no dia 23 de setembro, Honório, com um grupo de mais ou menos 100 homens, ficou acampado na propriedade rural do companheiro maragato Henrique Gregório Einsfeldt Haigert – ―Nico Bonito‖ –, pai de Paulino Cipriano Haigert, o Coronel Pimba, enquanto o restante, pouco mais de 250 homens, ficou sob o comando do Coronel Hortêncio Rodrigues e seguiu em direção à então vila de São Francisco de Assis. Estava chegando a hora de se travar o único combate da Revolução dentro de uma povoação do Rio Grande da época. Na madrugada de 2 de outubro, um maragato estava encilhando cavalos nos arredores do centro de São Francisco de Assis, quando foi atacado e morto por borgistas que haviam escavado uma trincheira naquele local. Foi a gota d’água. A cidade amanheceu cercada e um exército de aproximadamente 700 revolucionários atacou de forma suicida. Protegidos por sacos de areia colocados nas ruas que davam acesso à praça, 80 homens das tropas governistas resistiram abrindo fogo. Mesmo com várias baixas, a supremacia dos maragatos permitiu que a coluna continuasse avançando. Carlos Gomes percorria as trincheiras tentando animar os companheiros, quando foi atingido por vários tiros. ―...o sangue espadanara por toda parte: manchando trincheiras, calçadas, portas, telhados das casas e o próprio salão da Intendência‖, escreveu Flores da Cunha, governador do Estado, recordando sua passagem por São Francisco de Assis um dia depois da peleja. Zeca Netto, que se opunha a qualquer acordo com Borges, tentou uma última cartada. Imaginou que se atacasse e tomasse uma cidade importante poderia intimidar os borgistas. Assim, em 29 de outubro, atacou Pelotas, então a maior cidade do interior gaúcho, de surpresa, ao alvorecer, mas a manteve sob seu controle por apenas seis horas, porque as hostes governistas conseguiram se rearticular e receber reforços. Na iminência de ser atacado por forças superiores, o velho caudilho de 72 anos de idade retirou suas tropas, sem ter havido batalha, como ocorreu em São Francisco de Assis. TRATADO DE PAZ A partir deste episódio, os maragatos já não tinham condições de seguir lutando.
  • As operações nesse conflito desenvolveram-se em duas fases: PRIMEIRA FASE A Força Militar do Estado foi mobilizada e incorporada ao Exército; sendo transportada por trem para o Estado de São Paulo; onde participou dos confrontos na região das cidades de Ourinhos, Botucatu e Itu. SEGUNDA FASE Os amotinados da cidade de São Paulo retiraram-se para o oeste do Paraná (Coluna Paulista - 3.000 homens e 14 canhões), procurando se unirem aos doEstado do Rio Grande do Sul (Coluna Gaúcha - 1.500 homens). A FM retornou ao Paraná (14 de setembro) até a cidade de Irati, onde foi reequipada; partindo então em direção oeste. Atuando ativamente nos combates da Serra dos Medeiros e Catanduvas, dentre outros. Por iniciativa do governo federal, realizaram-se negociações comandadas pelo ministro da Guerra, general Fernando Setembrino de Carvalho, com a participação do senador João de Lira Tavares, representante do Congresso. Em dezembro de 1923, pacificou-se a revolução no Pacto de Pedras Altas, no famoso castelo daquela localidade, residência de Assis Brasil. Pelo Acordo, Borges pôde permanecer até o final do mandato em 1928, mas a Constituição de 1891 foi reformada. Impediu-se o instituto das reeleições, a indicação de intendentes (prefeitos) e do vice- presidente do Estado. O acordo foi importante para o Rio Grande do Sul. O sucessor de Borges no governo gaúcho foi Getúlio Vargas, lenço branco. Em 1930, a Frente Única Rio-grandense, sob sua liderança, assumiu o governo do país, na Revolução de 1930. Segundo o historiador gaúcho Antônio Augusto Fagundes, a Revolução de 1923 “foi a última guerra gaúcha 'de feudos, do coronelismo gaúcho', fechando a trindade que se iniciara em 1835 e continuara em 1893”.
  • Em março de 1925, quatrocentos rebeldes se renderam em Catanduvas. Os sobreviventes das colunas rebeldes (1.500 homens) se uniram em Santa Helena(abril de 1925), e através do Paraguai (Porto Adela), deslocaram-se para o Estado do Mato Grosso; dando início à conhecida Coluna Prestes. E em maio de 1925 o Governo Federal desmobilizou as tropas, dando as operações por encerradas, porém, para a PMPR os combates estenderam-se até 1927, desbaratando bandos armados independentes que permaneceram agindo na região. Zeca Netto e suas tropas ocupam Pelotas (fonte: Museu Histórico da Biblioteca Pública de Pelotas). PRINCIPAIS COMBATES: Combate de Botucatu (01 de agosto de 1924); Combate de Santo Anastácio (03 de setembro de 1924); Combate de Cuiuá (10 de setembro de 1924); Combate de Porto Epitácio (11 de setembro de 1924); Combate da Serra de Medeiros (15 de novembro de 1924); Combate de Belarmino(16 de novembro de 1924); Combate da Picada dos Valérios (09 de dezembro de 1924); Combate de Catanduvas (de 11 a 16 de janeiro de 1925); e Combate de Sítio (28 de fevereiro de 1925).
  • REVOLUÇÃO DE 19309 9 A REVOLUÇÃO DE 1930 foi o movimento armado, liderado pelos estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul, que culminou com o golpe de Estado, o Golpe de 1930, que depôs o presidente da república Washington Luís em 24 de outubro de 1930, impediu a posse do presidente eleito Júlio Prestes e pôs fim à República Velha. Com a quebra da Bolsa de Nova Iorque ocorrida em outubro de 1929, inicia-se uma crise econômica de escala mundial, esmagando todas as economias com alguma participação nos mercados internacionais, caso do Brasil e suas exportações de café. Em 1929, lideranças da oligarquia paulistana romperam a aliança com os mineiros, conhecida como política do café-com-leite, e indicaram o paulista Júlio Prestes como candidato à presidência da República. Em reação, o Governador de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada apoiou a candidatura oposicionista do gaúcho Getúlio Vargas. Em 1º de março de 1930, foram realizadas as eleições para presidente da República que deram a vitória ao candidato governista, que era o governador do estado de São Paulo, Júlio Prestes. Porém, ele não tomou posse, em virtude do golpe de estado desencadeado a 3 de outubro de 1930, e foi exilado. Getúlio Vargas assumiu a chefia do "Governo Provisório" em 3 de novembro de 1930, data que marca o fim da República Velha no Brasil. CONTEXTO HISTÓRICO A crise da República Velha havia se prolongado ao longo da década de 1920. Os expoentes políticos da República Velha vinham perdendo força com a mobilização do trabalhador industrial, com as Revoltas nazifascistas e as dissidências políticas que enfraqueceram as grandes oligarquias. Esses acontecimentos ameaçavam a estabilidade da tradicional aliança rural entre os estados de São Paulo e Minas Gerais - a política do café com leite. Em 1926, surge a quarta e última dissidência no Partido Republicano Paulista (PRP), e os dissidentes liderados pelo Dr. José Adriano de Marrey Junior fundaram oPartido Democrático (PD), que defendia um programa de educação superior entre outras reformas e a derrubada do PRP do poder. Esta crise política em São Paulo originou-se em uma crise da maçonaria paulista presidida pelo Dr. José Adriano de Marrey Júnior. São Paulo, então, chegou dividido às eleições de 1930. Entretanto, o maior sinal do desgaste republicano era a superprodução de café, durante a crise de 1929, alimentada pelo governo com constantes ―valorizações‖.
  • Assim em 1930, São Paulo estava dividido, e o Rio Grande do Sul que estivera em guerra civil em 1923, agora estava unido, com o governador do Rio Grande do Sul, Dr. Getúlio Vargas tendo feito o PRR e o Partido Libertador se unirem. Em Juiz de Fora, o Partido Republicano Mineiro (PRM) passa para a oposição, forma a Aliança Liberal com os segmentos progressistas de outros estados e lança o gaúcho Getúlio Vargas para a presidência, tendo o político paraibano João Pessoa como candidato a vice-presidente. Minas Gerais estava dividida, não conseguindo impor um nome mineiro de consenso para a presidência da república. Parte do PRM apoiou a candidatura Getúlio Vargas mas a "Concentração Conservadora" liderada pelo vice-presidente da república Fernando de Melo Viana e pelo ministro da Justiça Augusto Viana do Castelo apoiam a candidatura oficial do Dr. Júlio Prestes para as eleições presidenciais de 1 de março de 1930. O PROBLEMA DA SUCESSÃO PRESIDENCIAL Na República Velha (1889-1930), vigorava no Brasil a chamada "política do café com leite", em que políticos apoiados por São Paulo e de Minas Gerais se alternavam na presidência da república (mas não eram necessariamente Paulistas ou Mineiros os seus indicados). Porém, no começo de 1929, o então presidente da república Washington Luís indicou o nome do Governador de São Paulo, Júlio Prestes, como seu sucessor, no que foi apoiado por presidentes de 17 estados. Apenas três estados negaram o apoio a Prestes: Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba. Os políticos de Minas Gerais esperavam que Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, o então governador do estado, fosse o indicado, por Washington Luís, para ser o candidato à presidência. Assim a política do café com leite chegou ao fim e iniciou-se a articulação de uma frente oposicionista ao intento do presidente e dos 17 estados de eleger Júlio Prestes. Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba uniram-se a políticos de oposição de diversos estados, inclusive do Partido Democrático de São Paulo, para se oporem à candidatura de Júlio Prestes, formando, em agosto de 1929, a Aliança Liberal. Em 20 de setembro do mesmo ano, foram lançados os candidatos da Aliança Liberal às eleições presidenciais: Getúlio Vargas como candidato a presidente e João Pessoa, como candidato a vice-presidente. Apoiaram Aliança Liberal, intelectuais como José Américo de Almeida e Lindolfo Collor, membros das camadas médias urbanas e a corrente político-militar chamada "Tenentismo" (que organizou, entre outras, a Revolta Paulista de 1924), na qual se destacavam Cordeiro de Farias, Eduardo Gomes, Siqueira Campos, João Alberto Lins de Barros, Juarez Távora eMiguel
  • Costa e Juraci Magalhães e três futuros presidentes da república (Geisel, Médici e Castelo Branco). Nesse momento, setembro de 1929, já era percebido em São Paulo que a Aliança Liberal, e uma eventual revolução, visava especificamente beneficiar o estado de São Paulo. Tendo o senador estadual de São Paulo Cândido Nanzianzeno Nogueira da Motta denunciado na tribuna do Senado do Congresso Legislativo do Estado de São Paulo, em 24 de setembro de 1929, que: A guerra anunciada pela chamada Aliança Liberal não é contra o sr. Júlio Prestes, É contra nosso Estado de São Paulo, e isso não é de hoje. A imperecível inveja contra o nosso deslumbrante progresso que deveria ser motivo de orgulho para todo o Brasil. Em vez de nos agradecerem e apertarem em fraternos amplexos, nos cobrem de injúrias e nos ameaçam com ponta de lanças e patas de cavalo! — Cândido Mota A Crise de 1929 foi uma das causas da Revolução de 1930. Cândido Mota citou ainda o senador fluminense Irineu Machado que previra a reação de São Paulo: A reação contra a candidatura do Dr. Júlio Prestes representa não um gesto contra o presidente do estado, mas uma reação contra São Paulo, que se levantará porque isto significa um gesto de legítima defesa de seus próprios interesses"! — Irineu Machado Essa resposta paulista à revolução de 1930 veio um ano e meio depois, com a Revolução de 1932. O presidente de Minas Gerais, Antônio Carlos Ribeiro de Andrada diz em discurso, ainda em 1929: Façamos a revolução pelo voto antes que o povo a faça pela violência — Antônio Carlos Ribeiro de Andrada 3 Esta frase foi vista como a expressão do instinto de sobrevivência de um político experiente e um presságio: Minas Gerais, se aliando ao Rio Grande do Sul e aos tenentes, consegue preservar sua oligarquia. Uma revolução que fosse feita só pelos tenentes teria derrubado também o PRM (Partido Republicano Mineiro) do poder em Minas Gerais e o PRR do poder no Rio Grande do Sul. As eleições e a revolução
  • As eleições foram realizadas no dia 1 de março de 1930 e deram a vitória a Júlio Prestes, que obteve 1.091.709 votos, contra apenas 742.794 dados a Getúlio. Notoriamente, Getúlio teve quase 100% dos votos no Rio Grande do Sul, e apenas 10% dos votos em São Paulo. A Aliança Liberal recusou-se a aceitar a validade das eleições, alegando que a vitória de Júlio Prestes era decorrente de fraude. Além disso, deputados eleitos em estados onde a Aliança Liberal conseguiu a vitória, não obtiveram o reconhecimento dos seus mandatos. A partir daí, iniciou-se uma conspiração, com base no Rio Grande do Sul e em Minas Gerais. A conspiração sofreu um revés em junho com Luís Carlos Prestes. Um ex-membro domovimento tenentista, Prestes tornou-se adepto das ideias de Karl Marx e apoiador docomunismo. Isso o levou, depois de um tempo, a tentativa frustrada da intentona comunista pela ANL. Logo em seguida, ocorre outro contratempo à conspiração: morre, em acidente aéreo, o tenente Siqueira Campos. No dia 26 de julho de 1930, João Pessoa foi assassinado por João Dantas em Recife, por questões políticas e de ordem pessoal, servindo como estopim para a mobilização armada. João Dantas e seu cunhado e cúmplice, Moreira Caldas, foram encontrados degolados em sua cela, na Casa de Detenção (hoje Casa da Cultura) em outubro de 1930. As acusações de fraude e a degola arbitrária de deputados mineiros e de toda a bancada da Paraíba da Aliança Liberal, o descontentamento popular devido à crise econômica causada pela grande depressão de 1929, o assassinato de João Pessoa e o rompimento da política do café com leite foram os principais fatores (ou pretextos na versão dos partidários de Júlio Prestes), que criaram um clima favorável a uma revolução. Missa celebrada em Jequié, Bahia, no dia 15 de novembro de 1930, por motivo da vitória da Revolução. Getúlio tentou várias vezes a conciliação com o governo de Washington Luís e só se decidiu pela revolução quando já se aproximava a posse de Júlio Prestes que se daria em 15 de novembro. A Revolução teve seu inicio em 3 de outubro de 1930, uma sexta feira, com movimentos sincronizados que foram levados a efeito no Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Paraíba. As 17h30m deste dia, revolucionários comandados por Oswaldo Aranha e Góes Monteiro, tomam o Quartel General do Exército em Porto Alegre, prendendo o comandante da 3ª Região Militar, General Gil de Almeida, e seu chefe do Estado Maior, Coronel Firmo Freire. Pouco após, tomam o arsenal de guerra e partem para tomada do 3º e 4º Regimentos de Cavalaria Divisionária.
  • Na madrugada do dia seguinte, avançam para o 7º Batalhão de Cavalaria. Os rebeldes tomam, com poucas exceções (o Regimento de Cavalaria Independente, em São Borja, resistiu pouco tempo), os quartéis e guarnições do Exercito em todo o Estado. Logo após a deflagração do movimento pelos gaúchos, Osvaldo Aranha telegrafou a Juarez Távora comunicando início da revolução. A chefia civil do movimento na região nordeste (Governo Provisório do Norte) coube a José Américo de Almeida, político paraibano, enquanto o comando militar regional ficou a cargo de Juarez Távora. A rebelião rapidamente se alastrou por todo o país. Oito governos estaduais no Nordeste foram depostos pelos tenentes. Na região, a atividade revolucionária teve início na capital paraibana na madrugada do dia 4 de outubro, poucas horas após o movimento ter-se iniciado, na noite do dia anterior, em Porto Alegre e Belo Horizonte. Os revolucionários atacaram o 22º Batalhão de Caçadores (22º BC) , e aí morreu o general legalista Alberto Lavenère Wanderley, comandante da 7ª Região Militar; o assalto ao quartel do 22º B.C., levado a efeito por vários oficiais do exército e civis. Naquela praça militar houve ligeira luta, logo jugulada pelos elementos aliciados pelos então tenentes Juraci Magalhães, Agildo Barata, Landry Salles Gonçalves e outros. Os contingentes de outras unidades estavam espalhados pela capital e cidade do interior, enviados pelo governo federal como medidas preliminares para intervenção federal projetada e que foi procrastinadas devido a morte de João Pessoa, terminaram por aderir ao movimento, salvo o 23º B.C., estacionado em Sousa, que opôs resistência aos revolucionários. Logo em seguida, sublevaram-se o 25º BC de Teresina, o 24º BC de São Luís, o 29º BC de Natal, seguindo o exemplo da Paraíba. Em Recife, o movimento encontrou uma resistência maior por parte das forças legalistas, que se haviam colocado de prontidão ao surgirem as primeiras notícias da revolução. A vitória dos revolucionários, contudo, foi garantida pelo apoio popular à insurreição, tendo ocorrido, inclusive, distribuição de armas aos populares. Já na manhã do dia 5 de outubro, o movimento havia triunfado em Pernambuco, antes mesmo que os reforços provenientes da Paraíba chegassem a Recife. No dia seguinte, a posição dos revoltosos se consolidou quando o presidente do estado, Estácio Coimbra, abandonou o governo. No Ceará, o movimento se iniciou no quartel do 23º Batalhão de Caçadores, onde no dia 4 de outubro de 1930 houve um levante articulado por Juarez Távora e executado por alguns tenentes, tais como: Landri Sales, João da Silva Leal, Júlio Veras e Ari Correia.
  • ―O objetivo principal foi conquistar aquele importante espaço militar e libertar os presos políticos participantes da revolução, entre eles o futuro primeiro interventor do Ceará depois do triunfo do movimento, Fernandes Távora‖. Nesse levante, destaca, foi morto o comandante do 23º BC, Pedro Ângelo. O então governador cearense Matos Peixoto, acuado pelas derrotas de governadores da situação em Pernambuco e Rio Grande do Norte resolve, depois de frustradas as iniciativas que incluíram até a convocação de jagunços, renunciar no dia 7 de outubro e decide viajar para o Rio de Janeiro no dia seguinte. Na Praça do Ferreira houve uma aglomeração populacional que contou com a fala de personagens como o jornalista Demócrito Rocha e o poeta Quintino Cunha. Em seguida às vitórias conquistadas em Pernambuco e na Paraíba, as tropas revolucionárias seguiram para Alagoas, onde o governo local foi deposto. Em Sergipe não houve resistência, já que o 28º Batalhão de Caçadores, sediado em Aracaju, aderiu ao movimento. O último obstáculo à vitória da revolução no Nordeste foi o estado da Bahia, onde as forças militares fiéis ao governo de Washington Luís montaram o seu quartel-general em Salvador. Em Minas Gerais, os revolucionários, liderados pela Força Pública de Minas Gerais, atacaram, com pouquíssima resistência, as unidades militares; porém, houve notável resistência de cinco dias por parte do 12º batalhão de infantaria, em Belo Horizonte, que por fim caiu em 8 de outubro. Além da guarnição de Ouro Preto, que no dia 5 de outubro se dispersou e concentrou a defesa legalista no dia seguinte até o dia 15 de outubro no quartel do 11º regimento, em São João Del Rey. Os últimos redutos legalistas no Estado foram em Três Corações e em Juiz de Fora, que caiu no dia 23 de outubro. No dia 19 de outubro, os rebeldes mineiros, em outra coluna, chegaram à Vitória, capital do Espirito Santo, com a Força Pública Mineira avançando também no sul da Bahia, no norte do Estado do Rio de Janeiro, e expulsando tropas regulares do Triângulo Mineiro. Com o Rio Grande do Sul sob controle, os revolucionários precisavam atravessar territórios de quatro estados (Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro) até a capital da República. Não dispondo do apoio da Marinha de Guerra, o único caminho era pela Ferrovia São Paulo – Rio Grande. Por esta via, ainda no dia 3 de outubro, horas antes dos eventos em Porto Alegre, forças rebeldes (chamada de Divisão do Litoral, comandada pelo Major Ptolomeu Assis Brasil) seguiram pelo interior de Santa Catarina, com o objetivo de chegar rapidamente até Porto União, na divisa com o Paraná.
  • Houve alguma resistência na capital catarinense, com bombardeios à cidade, que reagiu até o dia 24 de outubro, com a retirada do Presidente do Estado Fúlvio Aducci e o comandante legalista, o General Nepomucemo, deixaram Florianópolis. O domínio desta ferrovia garantiu aos revolucionários o controle sobre a antiga área do Contestado, preservando a segurança e o deslocamento das suas tropas com seus suprimentos que deveriam fluir por esta única via. Quando as forças revolucionárias chegam a Porto União, o Batalhão de Caçadores vindo de Joinville e aí estacionado, já havia se rebelado e aderido à Revolução. Neste mesmo dia, 4 de outubro, o 13º Regimento de Infantaria também se rebelou e assumiu o controle sobre a cidade de Ponta Grossa. Em Curitiba, o Major Plínio Tourinho, em acordo com os gaúchos, conduziu um conjunto de ações que levou a adesão da guarnição federal, da Policia Militar e do Corpo de Bombeiros. O Presidente do Estado, Affonso Camargo, sem apoio militar, retirou-se para Paranaguá e daí para São Paulo. Desta forma, em 5 de Outubro, em Curitiba encontrava-se sob um governo revolucionário, seu chefe era o General da Reserva Mário Tourinho (irmão do Major Plínio), que obteve rápida e grande apoio popular na cidade. Com a adesão paranaense, as tropas gaúchas avançam pelo estado e chegam a Ponta Grossa. O 5º Regimento de Cavalaria Divisionária, sediado em Castro permaneceu fiel a Legalidade quando realizou seu recuo em direção a São Paulo destruiu trechos da ferrovia e danificou pontes. Na cidade paulista de Itararé, junto a divisa com o estado do Paraná, foram organizadas forças para impedir o avanço revolucionário e as primeiras forças rebeldes que seguem naquela direção eram formadas pelo 13º Regimento de Infantaria e pela Policia Militar do Paraná. Os rebeldes paranaenses foram seguidos pelos gaúchos que em Jaguariaíva adentraram pelo Ramal Ferroviário do Paranapanema, atingindo sem dificuldades o Norte Pioneiro do Paraná. No dia 10, Getúlio Vargas lançou o manifesto O Rio Grande de pé pelo Brasil e partiu, por ferrovia, rumo ao Rio de Janeiro, capital nacional. No dia 17 de outubro, Getúlio esteve em Ponta Grossa, e dois dias após, foi aclamado pela multidão curitibana, antes de seguir para a capital. Esperava-se que ocorresse uma grande batalha em Itararé (na divisa com o Paraná), onde as tropas do governo federal estavam acampadas para deter o avanço das forças revolucionárias, lideradas militarmente pelo coronel Góis Monteiro. Entretanto, em 12 e 13 de outubro ocorreu o Combate de Quatiguá, que pode ter sido o maior combate desta revolução, com derrota das forças legalistas, formadas por batalhões de voluntários e pela força pública paulista.
  • Quatiguá localiza-se a direita de Jaguariaíva, próxima à divisa entre São Paulo e Paraná. A batalha não ocorreu em Itararé, já que os generais Tasso Fragoso e Mena Barreto e o Almirante Isaías de Noronha depuseram Washington Luís, em 24 de outubro e formaram uma junta de governo. Jornais que apoiavam o governo deposto foram empastelados; Júlio Prestes, Washington Luís e vários outros próceres da República Velha foram exilados. Washington Luís havia apostado na divisão dos mineiros não acreditando em nenhum momento que Minas Gerais faria uma revolução, não se prevenindo, nem tomando medidas antirrevolucionárias, sendo derrubado em poucos dias de combate. Com a vitória da Revolução, em 24 de outubro, outros governadores foram depostos, como no Amazonas, que assistiu uma Junta Revolucionária Governativa tomar posse, sem incidentes, com a renúncia do Presidente do Estado, Dorval Porto, até a chegada da Divisão do Extremo-Norte, designada pelo Comando Militar do Norte, para ocupar o Pará e Amazonas, o que efetivamente ocorreu no inicio de novembro de 1930. UMA REPÚBLICA NOVA Às 3 horas da tarde de 1 de novembro de 1930, a junta militar passou o poder, no Palácio do Catete, a Getúlio Vargas, encerrando a chamada República Velha, derrubando todas as oligarquias estaduais exceto a mineira e a gaúcha. Na mesma hora, no Rio de Janeiro, os soldados gaúchos cumpriam a promessa de amarrar os cavalos no obelisco da Avenida Rio Branco, marcando simbolicamente o triunfo da Revolução de 1930. Getúlio Vargas tornou-se chefe do Governo Provisório com amplos poderes. A constituição de 1891 foi revogada e Getúlio passou a governar por decretos. Getúlio nomeou interventores para todos os Governos Estaduais, com exceção de Minas Gerais. Esses interventores eram na maioria tenentes que participaram da Revolução de 1930. Por sua vez, o presidente eleito e não empossado Júlio Prestes criticou duramente a Revolução de 1930 quando, em 1931, exilado em Portugal, afirmou: O que não compreendem é que uma nação, como o Brasil, após mais de um século de vida constitucional e liberalismo, retrogradasse para uma ditadura sem freios e sem limites como essa que nos degrada e enxovalha perante o mundo civilizado! — Júlio Prestes
  • Um dos maiores erros da revolução de 1930 foi entregar os estados à administração de tenentes inexperientes, um dos motivos da revolução de 1932. O despreparo dos tenentes para governar foi denunciado, logo no início de 1932, por um dos principais tenentes, o tenente João Cabanas, que havia participado da revolução de 1924, e que usou como exemplo o tenente João Alberto Lins de Barros que governou São Paulo. João Cabanas, em fevereiro de 1932, no seu livro "Fariseus da Revolução", criticou especialmente o descalabro que foram as administrações dos tenentes nos estados, chamando a atenção para a grave situação paulista pouco antes de eclodir a Revolução de 1932: João Alberto serve como exemplo: Se, como militar, merece respeito, como homem público não faz juz ao menor elogio. Colocado, por inexplicáveis manobras e por circunstâncias ainda não esclarecidas, na chefia do mais importante estado do Brasil, revelou-se de uma extraordinária, de uma admirável incompetência, criando, em um só ano de governo, um dos mais trágicos confusionismos de que há memória na vida política do Brasil, dando também origem a um grave impasse econômico (déficit de 100.000 contos), e a mais profunda impopularidade contra a "Revolução de Outubro".. e ter provocado no povo paulista, um estado de alma equívoco e perigoso. Nossa história não registra outro período de fracasso tão completo como o do "Tenentismo inexperiente"! — João Cabanas CONSEQUÊNCIAS Os efeitos da Revolução não demoram a aparecer. Ainda em Novembro é criado o Ministério do Trabalho, da Indústria e do Comércio afirmando a caráter trabalhista no planejamento político de Vargas, que governava por decretos. A nova Constituição só é aprovada em 1934, a chamada Constituição de 1934, depois de forte pressão armada e social da Revolução Constitucionalista de 1932. A estrutura do Estado brasileiro modifica-se profundamente depois de 1930, se reajustando a novas necessidades econômicas e sociais, as quais o governo julgava imprescindíveis. Getúlio, três anos e meio depois, decreta uma nova constituição, a Constituição de 1937, que instaurava o Estado Novo, em uma suposta tentativa de travar contra-ataques comunistas apresentados pelo Plano Cohen. E assim se posicionou em relação a Constituição de 1934, no 10º aniversário da revolução de 1930, em discurso de 11 de novembro de 1940:
  • No Paraná a adesão à revolta foi espontânea; sendo o governo estadual assumido por uma Junta Militar, chefiada pelo General Mário Alves Monteiro Tourinho (ex-comandante da PMPR). As tropas revolucionárias vindas do Rio Grande do Sul reuniram-se às do Paraná, e postaram-se diante da cidade de Itararé, SP. Quando a ofensiva estava pronta a se iniciar, o Governo Federal foi deposto no Rio de Janeiro, evitando dessa forma o confronto. O 1º Batalhão de Infantaria da PMPR foi incorporado como 3º Batalhão do 13º Regimento de Infantaria do Exército (atual 13º BIB); e seguiu para Rio de Janeiro (1 de novembro), para garantir a posse do governo revolucionário. Uma constitucionalização apressada, fora de tempo, apresentada como panaceia de todos os males, traduziu-se numa organização política feita ao sabor de influências pessoais e partidarismo faccioso, divorciada das realidades existentes. Repetia os erros da Constituição de 1891 e agravava-os com dispositivos de pura invenção jurídica, alguns retrógrados e outros acenando a ideologias exóticas. Os acontecimentos incumbiram- se de atestar-lhe a precoce inadaptação! — Getúlio Vargas 4 A partir da constituição de 1937, o regime centralizador, por vezes autoritário do getulismo, ou Era Vargas, estimula a expansão das atividades urbanas e desloca o eixo produtivo da agricultura para a indústria, estabelecendo as bases da moderna economia brasileira. O balanço da revolução de 1930 e de seus 15 anos de governo, por Getúlio, foi feito, no Dia do Trabalho de 1945, em um discurso feito no Rio de Janeiro, no qual disse: A qualquer observador de bom senso não escapa a evidência do progresso que alcançamos no curto prazo de 15 anos. Éramos, antes de 1930, um país fraco, dividido, ameaçado na sua unidade, retardado cultural e economicamente, e somos hoje uma nação forte e respeitada, desfrutando de crédito e tratada de igual para igual no concerto das potências mundiais! — Getúlio Vargas
  • Principais combates: Combate de Sengés (12 de outubro); Combate da Capela da Ribeira (14 de outubro); Combate da Fazenda Morungava (16 de outubro); e Combate de Itararé (19 de outubro).
  • REVOLUÇÃO DE 193210 10 A REVOLUÇÃO CONSTITUCIONALISTA DE 1932, REVOLUÇÃO DE 1932 OU GUERRA PAULISTA, foi o movimento armado ocorrido no Estado de São Paulo, Brasil, entre os meses de julho e outubro de 1932, que tinha por objetivo a derrubada do governo provisório de Getúlio Vargas e a promulgação de uma nova constituiçãopara o Brasil 4 . Foi uma resposta paulista à Revolução de 1930, a qual acabou com a autonomia de que os estados gozavam durante a vigência da Constituição de 1891. A Revolução de 1930 impediu a posse do ex-presidente (atualmente denomina-se governador) do estado de São Paulo, Júlio Prestes, na presidência da República e derrubou do poder o presidente da república Washington Luís colocando fim à República Velha, invalidando a Constituição de 1891 e instaurando o governo provisório, chefiado pelo candidato derrotado das eleições de 1930, Getúlio Vargas. Atualmente, o dia 9 de julho, que marca o início da Revolução de 1932, é a data cívica mais importante do estado de São Paulo e feriado estadual. Os paulistas consideram a Revolução de 1932 como sendo o maior movimento cívico de sua história. A lei 2.430, de 20 de junho de 2011, inscreveu os nomes de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo, o MMDC, heróis paulistas da Revolução Constitucionalista de 1932, no Livro dos Heróis da Pátria. Foi a primeira grande revolta contra o governo de Getúlio Vargas. No total, foram 87 dias de combates (de 9 de julho a 4 de outubro de 1932 - sendo os últimos dois dias depois da rendição paulista), com um saldo oficial de 934 mortos, embora estimativas, não oficiais, reportem até 2200 mortos, sendo que numerosas cidades do interior do estado de São Paulo sofreram danos devido aos combates . São Paulo, depois da revolução de 32, voltou a ser governado por paulistas, e, dois anos depois, uma nova constituição foi promulgada, a Constituição de 1934. CONTEXTO DA REVOLUÇÃO DE 1930 E SEUS DESDOBRAMENTOS Na primeira metade do século XX, o Estado de São Paulo vivenciou um acelerado processo deindustrialização 9 e enriquecimento devido aos lucros da lavoura de café e à articulação da política do café-com-leite. Por essa política, criada pelo presidente da república Campos Sales, se alternavam na presidência da República políticos dos estados de São Paulo e de Minas Gerais, os estados mais ricos e populosos da União. No início de 1929, o governo de Washington Luís, ao nomear o paulista Júlio Prestes, apoiado por 17 estados, preteriu a vez de Minas Gerais no jogo da sucessão presidencial, rompendo a
  • "política do café-com-leite", que vinha sendo aplicada desde o governo de Afonso Pena (1906- 1909) que substituiu o paulista Rodrigues Alves na presidência da República. De acordo com este revezamento Minas Gerais - São Paulo na presidência da república, o candidato oficial, em 1930, deveria ser um mineiro, que poderia ser o presidente de Minas Gerais Antônio Carlos Ribeiro de Andrada ou o vice-presidente da república Fernando de Melo Viana ou ainda o ex-presidente Artur Bernardes, entre outros próceres políticos mineiros. Porém, Washington Luís, depois de consultar os 20 presidentes de estado, em julho de 1929, recebeu o apoio de 17 deles a Júlio Prestes, e o indicou como candidato oficial à presidência da república nas eleições marcadas para 1 de março de 1930. Minas Gerais, então, rompe com São Paulo, une-se à bancada gaúcha no Congresso Nacional e promete apoio a Getúlio Vargas, se este concorresse à presidência . Em setembro de 1929, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraíba formaram a "Aliança Liberal" lançando Getúlio Vargas à presidência e João Pessoa, da Paraíba, à vice-presidência. Apoiavam Getúlio também o Partido Democrático de São Paulo, parte das classes médias urbanas e os tenentes, que defendiam reformas sociais e econômicas para o país. Os outros 17 estados da época apoiaram Júlio Prestes. Nesse momento, setembro de 1929, já era percebido, em São Paulo, que a Aliança Liberal e uma eventual revolução visavam especificamente São Paulo. Nos debates, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, em 1929, se dizia abertamente que se a Aliança Liberal não ganhasse a eleição haveria revolução. Tendo o senador estadual de São Paulo Cândido Nazianzeno Nogueira da Motta denunciado, profeticamente, na tribuna do Senado do Congresso Legislativo do Estado de São Paulo, em 24 de setembro de 1929, que: A guerra anunciada pela chamada Aliança Liberal não é contra o sr. Júlio Prestes, é contra nosso estado de São Paulo, e isso não é de hoje. A imperecível inveja contra o nosso deslumbrante progresso que deveria ser motivo de orgulho para todo o Brasil. Em vez de nos agradecerem e apertarem em fraternos amplexos, nos cobrem de injúrias e nos ameaçam com ponta de lanças e patas de cavalo! —Cândido Nogueira da Motta Cândido Nogueira da Motta citou ainda o senador fluminense Irineu Machado que previra a reação de São Paulo: A reação contra a candidatura do Dr. Júlio Prestes representa não um gesto contra o presidente do estado, mas uma reação contra São Paulo, que se levantará porque isto significa um gesto de legítima defesa de seus próprios interesses — Irineu Machado
  • Em meio à grave crise econômica, devido à Grande Depressão de 1929 que derrubara os preços do café, Júlio Prestes, que era membro do Partido Republicano Paulista, foi eleito presidente em 1 de março de 1930, vencendo em 17 estados e no Distrito Federal, mas não tomou posse. Apesar da grande votação nos 3 estados aliancistas, Getúlio Vargas foi largamente derrotado. Júlio Prestes, em São Paulo, teve 91% dos votos válidos. A ala mais radical da Aliança Liberal resolve pegar em armas e usa o assassinato de João Pessoa, em julho de 1930, como o estopim do movimento. O crime não teve motivos políticos, mas foi usado como tal, cujo impacto emocional deu novo ânimo aos oposicionistas derrotados. Cresce o apoio popular e os preparativos do golpe foram levados adiante e com rapidez, pois se aproximava o momento da posse de Júlio Prestes. Em 3 de outubro de 1930 estoura a insurreição. Os rebeldes tomam os três estados que irradiaram a revolução: (Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba) e rumam para a capital federal. Comitiva de Getúlio Vargas (ao centro) fotografada por Claro Jansson durante sua passagem por Itararé(São Paulo) a caminho do Rio de Janeiro após a Revolução de 1930. Em 24 de outubro de 1930, um golpe militar liderado por comandantes militares no Rio de Janeiro depõe Washington Luís e entrega, em 3 de novembro de 1930, o poder a Getúlio Vargas. Vitoriosa a revolução de 1930, Getúlio Vargas foi nomeado chefe do "Governo Provisório" e põe fim à supremacia política de São Paulo e Minas Gerais no governo federal. Entre outras ações, anistiou os rebeldes das revoluções de 1922 e 1924, modificou o sistema eleitoral e criou o Ministério do Trabalho. Getúlio tomou posse instalando no Brasil uma ditadura: suspendeu a Constituição e nomeou interventores em todos os estados, com exceção de Minas Gerais - reforçando o conflito com
  • São Paulo; dissolveu o congresso nacional, os congressos estaduais (câmaras e senados estaduais) e as câmaras municipais. Além de medidas de centralização política, outras se seguiram visando ao controle econômico pelo governo central: os estados foram proibidos de contratar empréstimos externos sem autorização do governo federal; o monopólio de compra e venda de moeda estrangeira pelo Banco do Brasil fá-lo controlar, assim, o comércio exterior. O governo impõe, ainda, medidas para controlar os sindicatos e as relações trabalhistas e cria instituições para intervir no setor agrícola como forma de enfraquecer os estados. Júlio Prestes, o presidente Washington Luís e vários outros apoiadores de Júlio Prestes foram exilados na Europa, e os jornais que apoiavam Júlio Prestes foram destruídos (na época se dizia empastelados), entre eles, os jornais paulistanos Folha de S. Paulo, "A Plateia" e o Correio Paulistano e os jornais cariocas A Noite e O Paiz. Getúlio nomeou interventores para o governo dos estados, sendo que para São Paulo foi designado o tenente, promovido a coronel pela Revolução de 1930, João Alberto Lins de Barros, o qual a oligarquia paulista tratava pejorativamente como um "forasteiro e plebeu" ou, ainda, por O pernambucano, codinome também adotado e difundido entre o povo paulista 15 . Para o comando da 2ª Região Militar de São Paulo foi designado o general Isidoro Dias Lopes, e para o comando da Polícia Militar do Estado de São Paulo, então denominada "Força Pública", foi nomeado o major Miguel Costa. Ambos tinham tentado derrubar o governo paulista na Revolução de 1924. Miguel Costa havia sido expulso da Força Pública por causa de suas ações em 1924. Isidoro Dias Lopes, porém, passaria para o lado dos paulistas para ser um dos comandantes da Revolução de 1932. Após a derrota de São Paulo em 24 de outubro de 1930, quando triunfou a Revolução de 1930, foi deposto o presidente em exercício de São Paulo Heitor Penteado e o estado passou a ser governado pelo "Gabinete dos 40 dias", tendo o Tenente João Alberto como Delegado Militar da Revolução, formado por próceres do Partido Democrático. O Gabinete dos 40 dias renunciou devido às pressões dos tenentes, rompendo com João Alberto. A partir da renúncia do Gabinete dos 40 dias, São Paulo foi governado por interventores federais: Tenente João Alberto Lins de Barros, de 25 de novembro de 1930 até 24 de julho de 1931. Laudo Ferreira de Camargo, de 25 de julho de 1931 até 13 de novembro de 1931. Coronel Manuel Rabelo Mendes, de 13 de novembro de 1931 até 7 de março de 1932. Pedro Manuel de Toledo, de 7 de março de 1932 até o fim da Revolução de 1932, em 2 de outubro de 1932. Em 23 de maio de 1932, Pedro de Toledo, foi aclamado pelos paulistas governador de São Paulo.
  • Logo depois de vitoriosa a Revolução de 1930, em 6 de novembro de 1930, Luís Carlos Prestes, que conhecia João Alberto do tempo da Coluna Prestes, lançou um manifesto onde dizia textualmente: Brasileiros: Livrai-vos da desonestidade de um João Alberto ! — Luís Carlos Prestes E o tenente João Cabanas, um dos chefes da Revolução de 1924 e revolucionário de 1930, no seu livro "Fariseus da Revolução", de 1932, assim definiu o tenente João Alberto: João Alberto serve como exemplo: se, como militar, merece respeito, como homem público não faz jus ao menor elogio. Colocado, por inexplicáveis manobras e por circunstâncias ainda não esclarecidas, na chefia do mais importante estado do Brasil, revelou-se de uma extraordinária, de uma admirável incompetência, criando, em um só ano de governo, um dos mais trágicos confusionismos de que há memória na vida política do Brasil, dando também origem a um grave impasse econômico (déficit de 100.000 contos), e a mais profunda impopularidade contra a "Revolução de Outubro".. e ter provocado no povo paulista, um estado de alma equívoco e perigoso. Nossa história não registra outro período de fracasso tão completo como o do "Tenentismo inexperiente"!. — João Cabanas ANTECEDENTES DO MOVIMENTO Em 1932 a irritação dos paulistas com Getúlio Vargas não cedeu com a nomeação de um paulista, Pedro Manuel de Toledo, como interventor do estado, pois tanto este quanto Laudo Ferreira de Camargo (que havia renunciado por causa da interferência dos tenentes no governo) não conseguiam autonomia para governar. A primeira grande manifestação dos paulistas foi um megacomício - na época se dizia meeting - na Praça da Sé, no dia do aniversário de São Paulo, em 25 de janeiro de 1932, com um público estimado em 200 000 pessoas, e, na época, chamados de "comícios-monstro". Em maio de 1932, ocorreram vários comícios constitucionalistas. As interferências da ditadura no governo de São Paulo eram constantes, não se deixando os interventores formarem livremente seu secretariado, nem do Chefe de Polícia de São Paulo. Pedro de Toledo não governava de fato, as interferências de Miguel Costa, Osvaldo Aranha, João Alberto Lins de Barros, Manuel Rabelo e Pedro Aurélio de Góis Monteiro eram constantes. O político Paulo Nogueira Filho descreve João Alberto Lins de Barros e Miguel Costa como pessoas que "se arvoravam comodonatários de São Paulo". 16
  • Júlio Prestes acreditava, já em 1931, que a situação da ditadura estava se tornando insustentável e declarou no exílio em Portugal: O que não compreendo é que uma nação, como o Brasil, após mais de um século de vida constitucional e liberalismo, retrogradasse para uma ditadura sem freios e sem limites como essa que nos degrada e enxovalha perante o mundo civilizado! — Júlio Prestes . O Partido Republicano Paulista e o Partido Democrático de São Paulo, que antes apoiara a Revolução de 1930, uniram-se, em fevereiro de 1932, na Frente Únicapara exigir o fim da ditadura do "Governo Provisório" e uma nova Constituição. Assim, São Paulo inteiro estava contra a ditadura. Os paulistas consideravam que o seu estado estava sendo tratado pelo Governo Federal, que se dizia um "Governo Provisório", como uma terra conquistada, expressão de autoria de Leven Vanpré, governada por tenentes de outros estados e sentiam, segundo afirmavam, que a Revolução de 1930 fora feita "contra" São Paulo, pois Júlio Prestes havia tido 90% dos votos dos paulistas em 1930. O estopim da revolta foi a morte, em 23 de maio de 1932, de cinco jovens no centro da cidade de São Paulo, assassinados a tiros por partidários da ditadura, pertencentes à "Legião Revolucionária", criada por João Alberto Lins de Barros e orientada pelo Major Miguel Costa. Pedro de Toledo tentara formar um novo secretariado independente das pressões exercidas pelos tenentes, quando chegou a São Paulo Osvaldo Aranha, representando a ditadura, querendo interferir na formação do novo secretariado. O povo quando ficou sabendo saiu às ruas, houve grandes comícios e passeatas, e no meio do tumulto a multidão tenta invadir a sede da "Legião Revolucionária". Ao subirem as escadarias do edifício, são recebidos a balas. Pedro de Toledo, com o apoio do povo, conseguiu neste dia 23 de maio de 1932 montar um secretariado de sua livre nomeação (que ficou conhecido como o Secretariado de 23 de maio) e romper definitivamente com o Governo Provisório. O dia 23 de maio é sagrado em São Paulo como o Dia do soldado constitucionalista. A morte dos jovens deu origem a um movimento de oposição que ficou conhecido como MMDC, atualmente denominado oficialmente de MMDCA: 1. Mário Martins de Almeida (Martins) 2. Euclides Bueno Miragaia (Miragaia) 3. Dráusio Marcondes de Sousa (Dráusio) 4. Antônio Américo Camargo de Andrade (Camargo) 5. Orlando de Oliveira Alvarenga (Alvarenga)
  • O MMDC foi organizado como sociedade secreta em 24 de maio de 1932, tendo sido projetado durante um jantar no Restaurante Posilipo, por Aureliano Leite, Joaquim de Abreu Sampaio Vidal, Paulo Nogueira e Prudente de Moraes Neto entre outros. Inicialmente, a sociedade foi chamada "Guarda Paulista", mas, depois, foi fixada em MMDC, em homenagem aos jovens mortos a 23 de maio. Em 10 de agosto, o Decreto nº. 5627-A, do governo do estado oficializou o MMDC, cuja direção foi entregue a um colegiado, presidido por Waldemar Martins Ferreira, secretário da Justiça, e tendo, como superintendente, Luís Piza Sobrinho. O MMDC foi instalado na Faculdade de Direito e depois transferido para o antigo Fórum, na rua do Tesouro, e depois para o prédio da Escola de Comércio Álvares Penteado. Esse fato levou à união de diversos setores da sociedade paulista em torno do movimento de constitucionalização que se iniciara em janeiro de 1932. Neste movimento, liderado pelo MMDC, se uniram o PRP e o Partido Democrático, chamados pela ditadura de "oligarquia", que pretendiam a volta da supremacia paulista e do PRP ao poder e queriam, também, reparar a injustiça ocorrida em 1930, quando o candidato dos paulistas, Júlio Prestes, foi eleito à presidência mas não pode tomar posse, impedido pela Revolução de 1930. Segundo Aspásia Camargo, em artigo para o jornal "O Estado de S. Paulo", em texto comemorativo dos 60 anos da Revolução Constitucionalista de 1932, publicado em 9 de julho de 1992, o constitucionalismo paulista resultou de um conflito entre duas concepções de democracia: Democracia Social e Democracia Liberal. Para Getúlio Vargas e os tenentes, a democracia liberal formal era um engodo, tanto quanto o liberalismo brasileiro. Já para os paulistas, segundo Aspásia Camargo, principalmente para sua oligarquia, a democracia social era caso de polícia. Essa acusação contra os paulistas de que, em São Paulo, ―questão social é questão de polícia‖, se deve a uma distorção de uma frase do presidente Washington Luís por parte de seus adversários. A frase que realmente Washington Luís pronunciou foi: A agitação operária é uma questão que interessa mais à ordem pública do que à ordem social, representa o estado de espírito de alguns operários, mas não de toda a sociedade! —Washington Luís Começou-se, então, a se tramar um movimento armado visando à derrubada da ditadura de Getúlio Vargas, sob a bandeira da proclamação de uma nova Constituição para o Brasil.
  • Desde seu início, a revolução de 1932 contou com o apoio decisivo da maçonaria paulista, através de suas lideranças e de seus membros como Pedro de Toledo, Júlio de Mesquita Filho, Armando de Sales Oliveira, Ibrahim de Almeida Nobre e outros. Em 9 de julho, Getúlio Vargas já havia estabelecido eleições para uma Assembleia Nacional Constituinte (as eleições foram convocadas em fevereiro de 1932) e já havia nomeado um interventor paulista - as duas grandes exigências de São Paulo. Porém a interferência do governo federal e dos tenentes em São Paulo continuava forte. Os tenentes do Clube 3 de outubro eram contra a instalação de uma assembleia constituinte, tendo seus representantes entregado a Getúlio Vargas, em 3 de março de 1932, em Petrópolis, um manifesto contrário à constituinte, no qual dão seu total apoio à ditadura e no qual se manifestam contrários a uma nova constituição. 20 Estes atos do Governo Provisório, porém, não evitaram o conflito, já que o PRP, agora unido ao seu rival Partido Democrático paulista, almejava voltar a dominar a política nacional, como fazia anteriormente, reparando a injustiça de Júlio Prestes não ter tomado posse como presidente da República em 1930, dar uma constituição ao Brasil e terminar com as interferências da ditadura no governo de São Paulo. Era especialmente humilhante para São Paulo a nomeação do major Miguel Costa para comandante da Polícia Militar de São Paulo, então chamada de Força Pública, pois Miguel Costa havia sido expulso da Força Pública em 1924 por tentar derrubar o governo paulista na Revolução de 1924. O combatente-médico da revolução de 1932, Ademar Pereira de Barros, que governaria São Paulo por três vezes, assim explicou, em Santos, em 1934, as razões da revolução de 1932: São Paulo levantou-se em armas em 9 de julho de 1932 para livrar o Brasil de um governo que se apossaria de sua direção por efeito de uma revolução… e se perpetuava indefinidamente no poder, esmagando os direitos de um povo livre.. e que trazia o sempre glorioso São Paulo debaixo das botas e do chicote do senhor! —Ademar de Barros O MOVIMENTO ARMADO Em 9 de julho eclodiu o movimento revolucionário, com os paulistas acreditando possuir o apoio de outros estados, notadamente Minas Gerais, Rio Grande do Sul e do sul de Mato Grosso, para a derrubada de Getúlio Vargas. Pedro de Toledo, que ganhara forte apoio dos paulistas, foi proclamado governador de São Paulo e foi o comandante civil da revolução constitucionalista. Foi lançada uma proclamação da "Junta Revolucionária" conclamando os paulistas a lutarem contra a ditadura.
  • Formavam a Junta Revolucionária Francisco Morato do Partido Democrático, Antônio de Pádua Sales do PRP e os generais Bertoldo Klinger e Isidoro Dias Lopes. O general Euclides Figueiredo assumiu a 2º Região Militar. Alistaram-se 200 000 voluntários, sendo que se estima que, destes, 60 000 combateram nas fileiras do exército constitucionalista. No estado de São Paulo, a Revolução de 1932 contou com um grande contingente de voluntários civis e militares e o apoio de políticos de outros estados, antigos apoiadores da Revolução de 1930, como, no Rio Grande do Sul, Raul Pilla, Borges de Medeiros, Batista Luzardo e João Neves da Fontoura entre outros, que formaram a Frente Única Rio-Grandense, e que tentaram fazer uma revolta mas foram capturados (salvo Batista Luzardo, que conseguiu fugir) e exilados pelo interventor gaúcho. No atual Mato Grosso do Sul foi formado um estado independente que se chamou Estado de Maracaju, que apoiou São Paulo. Em Minas Gerais, a revolução de 1932 obteve o apoio do ex-presidente Artur Bernardes, que terminou também exilado. São Paulo esperava a adesão do interventor do Rio Grande do Sul, o estado mais bem armado, mas este na última hora decidiu enviar tropas não para apoiar São Paulo, mas para combater os paulistas. Quando se inicia o levante, uma multidão sai às ruas em apoio. Tropas paulistas são enviadas para os fronts em todo o estado. Mas as tropas federais são mais numerosas e bem- equipadas. Aviões são usados para bombardear cidades do interior paulista. Quarenta mil homens de São Paulo enfrentam um contingente de cem mil soldados. Os planos paulistas previam um rápido e fulminante movimento em direção ao Rio de Janeiro pelo vale do Paraíba, com a retaguarda assegurada pelo apoio que seria dado pelos outros estados. Porém, com a traição dos outros estados, o plano imaginado por São Paulo não se concretizou: Rio Grande do Sul e Minas Gerais foram compelidos por Getúlio Vargas a se manterem ao seu lado e a publicidade de pretensão separatista do movimento levou São Paulo a se ver sozinho, com o apoio de apenas algumas tropas mato-grossenses, contra o restante do Brasil. 22 Comandadas por Pedro de Toledo, aclamado governador revolucionário, e pelo general Bertoldo Klinger, as tropas paulistas se viram lutando em três grandes frentes: o vale do Paraíba, o Sul Paulista e Leste Paulista. O estado de São Paulo, apesar de contar com mais de quarenta mil soldados, estava em desvantagem. Por falta de apoio e a traição de outros estados, São Paulo se encontrava num grande cerco militar.
  • Como as fronteiras do estado foram fechadas, não havia como adquirir armamento para o conflito fora do país. Assim muitos voluntários levaram suas armas pessoais, e engenheiros da Escola Politécnica do Estado (hoje EPUSP) e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) passaram a desenvolver armamentos a serem produzidos pelo próprio estado para suprir as tropas. Um navio que trazia armamento dos Estados Unidos para os paulistas foi apreendido pela Marinha do Brasil. No teste de um novo canhão, um acidente matou o Comandante da Força Pública, coronel Júlio Marcondes Salgado. Uma das armas mais sofisticadas feitas pela indústria paulista foi o trem blindado, usado na campanha militar no Vale do Paraíba. São Paulo criou moeda própria, que foi falsificada pela ditadura e distribuída na capital paulista para desestabilizar a economia do estado. O dinheiro paulista era lastreado pelo ouro arrecadado pela campanha "Ouro para o bem de São Paulo", também chamada de "Ouro para a vitória". Devido à falta de munição, os paulistas inventaram e passaram a usar um aparelho que imitava o som das metralhadoras, chamado de "matraca". A maçonaria paulista teve partipação ativa no movimento constitucionalista de 1932 através de suas lojas e de seus membros como Pedro de Toledo, interventor, Júlio de Mesquita Filho diretor do jornal "O Estado de S. Paulo" e o poeta Ibrahim de Almeida Nobre entre outros. 23 24 Houve intensa mobilização através do rádio, uma novidade na época, destacando-se César Ladeira da Rádio Record. Usaram-se muita propaganda e contra-propaganda ideológica por parte da ditadura, que acusava São Paulo de estar nas mãos do fascismo italiano trazido pelos imigrantes. Brasileiros de outras regiões eram recrutados pela ditadura para combater São Paulo, sob a justificativa de que São Paulo queria se separar do Brasil. A ditadura colocava elementos infiltrados em reuniões e comícios em São Paulo que pregavam o derrotismo e o desânimo da população. O crime mais bárbaro ocorrido durante a Revolução de 1932 se deu na cidade de Cunha, quando as tropas federais torturaram e mataram o agricultor Paulo Virgínio por este se recusar a dizer onde estavam as tropas paulistas. Paulo Virgínio foi obrigado a cavar sua própria sepultura e morreu dizendo:
  • Morro mas São Paulo vence! — Paulo Virgínio Paulo Virgínio, junto com os jovens do MMDC, está enterrado no ponto central do Mausoléu do Ibirapuera e é homenageado dando seu nome a rodovia SP-171, que corta a região onde ele foi assassinado, o Vale do Paraíba. O movimento estendeu-se até 2 de outubro de 1932, quando foi derrotado militarmente. SEPARATISTAS NO CONFLITO Entre os grupos que formavam a direção da Revolução Paulista, existiam os separatistas que desejavam a independência de São Paulo como uma república soberana ou a formação de uma federação onde os estados adquiririam a soberania (confederação). Entre os principais defensores do separatismo destacavam-se o presidente do Tribunal de Justiça, Costa Manso, os escritores José Alcântara Machado e Monteiro Lobato e o historiador Alfredo Ellis Junior. Monteiro Lobato, especificamente, foi o que mais deixou documentos e relatos sobre o desejo de independência dos paulistas. Em 10 de agosto, depois de um mês de conflitos, o famoso autor enviava uma carta emocionada a Waldemar Ferreira, um dos líderes da revolução, na qual apresentava um balanço da crítica situação em que se encontrava São Paulo, observando ao seu amigo que: ―há o que a boca diz e há o que o coração sente. Minha boca diz o que todos neste momento dizem – mas meu coração, e talvez o de São Paulo inteiro, sente o que vai escrito nas tiras anexas‖. E o que o coração de Lobato expressava traduzia-se num texto intitulado ―A defesa da vitória de São Paulo‖, em que deixava claro que, para os paulistas, só havia dois caminhos: hegemonia ou separação. Após a vitória de São Paulo, na campanha ora empenhada, se faz mistér que seus dirigentes não se deixem embalar pelas ideias sentimentais de brasilidade, irmandade e outras sonoridades.[...] Ou São Paulo desarma a União e arma-se a si próprio, de modo a dirigir doravante a política nacional a seu talento e em seu proveito, ou separa-se.[...] Trata-se de uma guerra de independência disfarçada em guerra constitucionalista... 26 ' — Monteiro Lobato
  • Monteiro Lobato, admirador de Washington Luís, apoiou a candidatura do doutor Júlio Prestes, que, como presidente de São Paulo, realizara explorações de petróleo em território paulista, tendo escrito a ele, em 28 de agosto de 1929, uma carta de apoio em que dizia: Sua política na presidência significará o que de mais precisa o Brasil: continuidade administrativa! — Monteiro Lobato 27 A gigantesca campanha pela adesão das massas às causas revolucionárias, por pautar-se no enaltecimento de valores regionais, trazia em seu bojo o fortalecimento dos argumentos separatistas, ideário presente em São Paulo durante toda a sua história. Retratando a síntese desse paradoxo, Mário de Andrade registrava que o lema "Tudo por São Paulo" – que se fazia presente em faixas, veículos e nos quepes dos soldados – era ―a única unanimidade‖ naqueles agitados dias de 1932. Definitivamente, foi ―por São Paulo‖ – e não pelo Brasil – que tantos homens e mulheres se sacrificaram. O autor ainda, após o armistício, manifestava ao amigo mineiro Carlos Drummond de Andrade o rancor que lhe dominava a alma: 28 No momento, eu faria tudo, daria tudo para São Paulo se separar do Brasil. — Mário de Andrade O FIM DO CONFLITO Em meados de setembro, as condições de São Paulo eram precárias. O interior do estado era invadido paulatinamente pelas tropas de Getúlio Vargas e a capital paulista era ameaçada de ocupação. A economia de São Paulo, asfixiada pelo bloqueio do porto de Santos, sobrevivia de contribuições em ouro feitas por seus cidadãos.
  • Tropas gaúchas acampadas na área do Instituto Biológico (futuroParque do Ibirapuera) durante a Revolução Constitucionalista de 1932. Vendo que a derrota e a ocupação do estado eram questão de tempo, as tropas da Força Pública Paulista, atual Polícia Militar de São Paulo, são as primeiras a se render, no final de setembro. Com o colapso da defesa paulista, a liderança revolucionária paulista se rende em 2 de outubro de 1932, na cidade de Cruzeiro, para as forças chefiadas pelo general Pedro Aurélio de Góis Monteiro. As tropas gaúchas ocupam a capital paulista, pela segunda vez, em menos de dois anos. A primeira vez fora logo após a vitória da revolução de 1930. A maior parte dos líderes paulistas, que não tinha sido exilada em 1930, foi então exilada com a derrota de Revolução de 1932. O comandante das forças militares do Sul do Brasil (Exército Sul), do Governo Provisório, que combateram São Paulo, o General Valdomiro Castilho de Lima, é nomeado governador militar em São Paulo.
  • FRENTES DE COMBATE Principal acesso para o Rio de Janeiro, o vale do rio Paraíba do Sul era visto pelos paulistas como teatro principal da guerra. A estratégia paulista previa a conquista da cidade fluminense de Resende, que chegou a ser bombardeada pela artilharia paulista, e previa também o apoio de tropas mineiras e uma marcha rápida em direção à cidade do Rio de Janeiro. Entretanto, com a falta de apoio de Minas Gerais, as tropas paulistas demoraram a se mover em direção a Resende e logo se viram defendendo seu próprio território das tropas federais. Os combates mais importantes se deram na região do Túnel da Mantiqueira, que divide São Paulo de Minas Gerais e que era considerado um ponto militar estratégico de grande importância. O terreno acidentado do vale do Paraíba paulista e a existência de diversas cidades levaram a um combate encarniçado entre as tropas, porém a superioridade de tropas e armamentos das forças de Getúlio Vargas levou à ocupação de diversas cidades paulistas do Vale do Paraíba, como Caçapava, Lorena e Cruzeiro, e ao recuo das tropas paulistas em direção à capital no final do conflito. LESTE PAULISTA Tropas paulistas penetraram no sul de Minas Gerais, sendo contidas em Pouso Alegre em julho de 1932 e repelidas pelas forças federais em direção a Campinas. Após setembro de 1932, cidades paulistas próximas à divisa com Minas Gerais, como Itapira, foram ocupadas pelas tropas fiéis a Getúlio Vargas, tendo sido travadas batalhas no Morro do Gravi, Atibaia e em Bragança Paulista. No alto da serra da Mantiqueira, num local conhecido com Garganta do Embaú, ocorreram combates violentos com intuito de dominar aquele ponto estratégico, bem como o túnel da estrada férrea o que permitiria o controle do acesso ao sul de Minas por ferrovia. Os paulistas invadiram a cidade mineira de Passa-Quatro, que foi posteriormente tomada por tropas leais ao Governo Vargas. CENTRO PAULISTA No centro do estado de São Paulo, destaca-se a região de Botucatu, onde inclusive a Igreja Católica participou ativamente das atividades revolucionárias, que iam desde a coleta de fundos na campanha "Ouro para o bem de São Paulo", até o envio de enfermeiras e paramédicos para as frentes de batalha.
  • O Bispo de Botucatu, Dom Carlos Duarte Costa, doou parte do tesouro da Diocese de Botucatu, chegando mesmo a doar sua "Cruz Peitoral", e organizou um batalhão que ficou conhecido como o "Batalhão do Bispo" 31 . Soldados paulistas fotografados por Claro Jansson em Itararé. SUL PAULISTA Batalhão Redentor Filhos de Iguape, defronte ao jardim do largo da Igreja Matriz O Sul paulista, principal teatro de operações das tropas federais, era o setor mais desguarnecido do estado de São Paulo, pela crença do apoio que viria do Rio Grande do Sul. Tropas do sul se posicionaram na divisa de São Paulo e Paraná, próximos à cidade de Itararé. Esta, por um grave erro logístico das tropas paulistas, não foi defendida, tendo estas se retirado para o rio Paranapanema, abrindo quase 150 quilômetros de território paulista para as tropas federais, a Coluna Sul. Como nas demais frentes, tropas federais, em maior número e mais bem equipadas, ocupam cidades paulistas como Buri e Guapiara, com o agravante de estas estarem situadas mais ao interior do estado do que nas outras frentes. SUL DE MATO GROSSO (ATUAL MATO GROSSO DO SUL) O grande aliado dos paulistas na revolução foi outro palco de combates: o estado do Mato Grosso do Sul (na época ainda fazia parte de Mato Grosso) fora até dividido durante a Revolução de 1932, com o sul se emancipando como Estado de Maracaju. Posteriormente a divisão do estado do Mato Grosso aconteceu com a criação do Mato Grosso do Sul, divisão desejada desde o término da Guerra do Paraguai.
  • As tropas sul-mato-grossenses que deveriam se unir às tropas de São Paulo nunca conseguiram chegar ao destino, impedidas pelos federais, ocorrendo duas batalhas principais: em Porto Murtinho e Coxim. Na região dessas duas cidades ocorreram combates violentos contra as forças federais formadas por soldados do norte do estado (atual estado de Mato Grosso). Na região de Porto Murtinho, ocorreu um dos episódios mais sanguinários da Revolução de 1932. Tropas sul-riograndenses cercaram e degolaram mais de 300 combatentes constitucionalistas. A luta pelo Porto Murtinho foi o feito mais notável dos sul-mato-grossenses no conflito. Ocorreram ainda batalhas sangrentas na tentativa de forçar a entrada de recursos para São Paulo, já que o Porto de Santos estava sob bloqueio naval governista. O Porto de Santos só fora tomado pelos getulistas no dia 12 de setembrode 1932, mais de dois meses depois do início da luta. RIO GRANDE DO SUL Apesar da "traição" oficial do governo do estado comandado pelo general Flores da Cunha, alguns gaúchos entraram na luta no próprio Rio Grande do Sul. Liderado por Borges de Medeiros, um batalhão de cerca 450 homens utilizavam táticas de guerrilha para fixar tropas federais, isto é, atacando destacamentos que partiriam do Rio Grande do Sul para vir reforçar os getulistas contra São Paulo, impedindo-os de chegar às frontes, principalmente à frente paranaense . A frente rio-grandense chegou ao fim na Batalha de Cerro Alegre, no município de Piratini, no dia 20 de setembro de 1932, quando foram mortos mais de duzentos homens das forças constitucionalistas e o líder Borges de Medeiros foi preso. AVIAÇÃO NA REVOLUÇÃO Prédio destruído por bombardeio aéreo legalista em Campinas, 1932.
  • Durante a revolução, a aviação teve um importante papel no conflito, sendo usada pelos legalistas para eventuais bombardeios e ataques a posições rebeldes, como os dez bombardeios aéreos a Campinas, que causaram muitos danos à infraestrutura da cidade. Os ataques foram comandados pelo major-aviador Eduardo Gomes de 15 a 29 de setembro de1932. Além disso, outras cidades, como Lorena, sofreram com um ataque em 19 de setembro. CONSEQUÊNCIAS Terminado o conflito, a liderança paulista se refugia no exílio, enquanto os paulistas computam oficialmente 634 mortos, embora estimativas extraoficiais apontem mais de mil mortos paulistas. Do lado federal nunca foram liberadas estimativas de mortos e feridos. Foi o maior conflito militar da história brasileira no século XX. Na versão do governo, a Revolução de 1932 não era necessária, pois as eleições já tinham data marcada para ocorrer. Segundo os paulistas, não teria havido redemocratização no Brasil se não fosse o Movimento Constitucionalista de 1932. De qualquer forma, o término da revolução constitucionalista marcou o início do processo de democratização. Apesar da derrota militar, as lideranças paulistas consideraram ter obtido uma vitória moral. Em 3 de maio de 1933 foram realizadas eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, quando as mulheres votaram pela primeira vez no Brasil em eleições nacionais. Nesta eleição, graças à criação da Justiça Eleitoral, as fraudes deixaram de ser rotina nas eleições brasileiras. Ainda, ao ver seu governo em risco, Getúlio Vargas dá início ao processo de reconstitucionalização do país, levando à promulgação da Constituição brasileira de 1934. Getúlio, terminada a revolução de 1932, se reconcilia com São Paulo, e depois de várias negociações políticas, nomeia um civil e paulista para interventor em São Paulo: Armando de Sales Oliveira, participando, mais tarde, em 1938, pessoalmente da inauguração da avenida 9 de Julho em São Paulo. Durante o Estado Novo, os dois interventores federais em São Paulo saíram das hostes do Partido Republicano Paulista: Adhemar Pereira de Barros (1938-1941) e Fernando de Sousa Costa (1941-1945), que havia sido secretário da agricultura do Dr. Júlio Prestes. Durante a Revolução foram reavivadas as tradições bandeirantes do estado, saindo nas notas do dinheiro paulista, e em muitas publicações, as imagens dos principais bandeirantes paulistas.
  • A PMPR foi incorporada ao Exército Sul, constituindo a chamada Coluna Plaisant; destacando-se na tomada de diversos redutos. Para os paulistas, a Revolução de 1932 transformou-se em símbolo máximo do estado, a exemplo da Guerra dos Farrapos para os gaúchos. Lembrada por feriado no dia 9 de julho (desde 1997 ), a revolução é mais fortemente comemorada na cidade de São Paulo do que no interior do estado, onde a destruição e as mortes provocadas pela rebelião são ainda recordadas. A revolução de 1932 é também muito relembrada nas regiões de divisa, onde se travaram os combates, especialmente no Vale do Paraíba paulista. No restante do país, o movimento, assim como a já citada Guerra dos Farrapos, é mais lembrado pela versão dos vitoriosos, a de uma rebelião conservadora, visando a reconduzir as oligarquias paulistas ao poder, colocando esta tentativa de volta ao poder como algo inaceitável, e de uma rebelião de velado caráter separatista, que são as versões predominante nos livros didáticos de história do Brasil. A PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA E DOS IDEAIS DE 1932 No feriado estadual de 9 de julho, anualmente se realizam comemorações e desfiles cívico- militares, sendo que o mais importante desfile se realiza no Parque do Ibirapuera em São Paulo. Nesta solenidade, são depositados no Mausoléu do Soldado Constitucionalista os restos mortais dos veteranos falecidos no ano corrente. Em homenagem à revolução de 1932, no início de julho, um grupo de paulistas faz a "Caminhada 9 de Julho", percorrendo, todos os anos, a pé, 927 quilômetros pelo estado de São Paulo. Cruzam o estado de São Paulo, saindo de Rubineia, no extremo oeste do estado, e vão terminar a caminhada em Cruzeiro, no Vale do Paraíba, onde foi assinada a rendição dos paulistas. Os organizadores desta caminhada cívica pretendem entrar para o livro Guiness dos recordes como a maior caminhada cívica do mundo.
  • Principais combates: Combate da Capela da Ribeira (19 de julho); Combate de Apiaí (03 de agosto); Combate de Guapiara (12 de agosto); Combate de Xiririca (15 de agosto); e Combate do Rio das Almas (09 de setembro). Combatente da PMPR armado com uma metralhadora Hotchkiss, sobreposta a um suporte improvisado com uma roda de carroça para a defesa antiaérea, Guapiara, agosto de 1932.
  • INTENTONA COMUNISTA11 1935 11 INTENTONA COMUNISTA, também conhecida como Revolta Vermelha de 35, Revolta Comunista de 35 e Levante Comunista , foi uma tentativa de golpe contra o governo de Getúlio Vargas realizado em novembro de1935 por militares, em nome da Aliança Nacional Libertadora, com apoio do PCB e do Comintern. HISTÓRIA A Revolta Vermelha de 1935 inscreve-se como conspiração de natureza político-militar, pelas suas reivindicações políticas imediatas (de protesto político-institucional contra um governo autoritário) dentro do quadro dos movimentos tenentistas realizados no Brasil desde a década de 1920. No entanto, articularam-se estas reivindicações, sob influência comunista, à ideia de uma revolução "nacional-popular" contra as oligarquias, o imperialismo e o autoritarismo, possuindo nas suas reivindicações menos imediatas, aspectos como: a abolição da dívida externa, a reforma agrária, o estabelecimento de um governo de base popular - em outras palavras, uma revolução "nacional-libertadora", que, embora estabelecida por um movimento armado, não se propunha a ultrapassar o quadro da ordem social burguesa (como afirmado, à época, por um dos líderes do movimento, o capitão Agildo Barata). Esta confluência de influências corporificou-se na pessoa de seu principal líder, Luís Carlos Prestes, capitão do Exército Brasileiro e líder tenentista convertido ao comunismo, que dirigiu o levante - à revelia da liderança formal do Partido Comunista do Brasil, e em articulação direta com a direção da Internacional Comunista, que mantinha junto a Prestes um grupo de militantes comunistas internacionais, composto pela companheira de Prestes, a comunista alemã Olga Benário, além do argentino Rodolfo Ghioldi, o alemão Arthur Ernest Ewert, Ranieri Gonzales e alguns outros militantes ligados ao Comitê Executivo da Internacional Comunista (CEIC). A direita brasileira sempre caracterizou esta interferência do Comintern no movimento como prova do seu caráter antinacional, em que os militantes brasileiros teriam agido como simples fantoches do comunismo internacional. Deve-se levar em conta, no entanto, que, se o Comintern estalinista da época desejava levar a cabo uma revolução vitoriosa sob sua inspiração a qualquer custo - de forma a tirar de Stalin a pecha de "grande organizador de derrotas" que lhe havia sido atribuída por Trótski após o fracasso das revoluções na China em1927, na Alemanha em 1923 e na tomada do poder por Hitler em 1933 - o fato é que Prestes especulou fortemente sobre o seu prestígio e sua capacidade de articulação política para prevalecer sobre a direção formal do Partido brasileiro - no processo marginalizando o então secretário-geral do Partido, Antônio Bonfim, o "Miranda" - e conseguir o apoio direto do CEIC a suas políticas - cujas premissas revelar-se-iam cabalmente equivocadas.
  • Num primeiro momento, Prestes parecia considerar que o programa nacionalista da ANL seria capaz de permitir-lhe impor-se como um movimento de massa legal capaz de atrair apoios tanto entre a classe operária e o campesinato como também entre a burguesia "progressista" de tendências anti-imperialista e antifascista - para depois, quando o governo Getúlio Vargas declarou a Aliança ilegal - com o apoio da burguesia e da classe média, que temiam a infiltração comunista no movimento - optar, com o apoio do CEIC, por uma ação revolucionária concebida em termos de uma mera ação militar. O levante eclodiu em pontos esparsos do território nacional, a saber: em Natal e arredores, entre 23 e 25 de novembro; em Recife, a 24 de novembro; e no Rio de Janeiro, em 27 de novembro. Fora de Natal, onde chegou a ser instalado um governo revolucionário provisório, o levante seguiu o padrão de um golpe militar clássico, limitando-se a ataques de militares rebeldes a quarteis. O último levante, no Rio de Janeiro, na Escola da Praia Vermelha e na Vila Militar, é considerado por alguns autores apenas como um ato de lealdade dos conspiradores sediados nessa cidade, pois havia ficado claro que o movimento não teria chances reais de revolucionar o país. No Rio de Janeiro, as proporções do movimento foram mais amplas e cruéis, tendo sido deflagrado, simultaneamente, no 3º Regimento de Infantaria, na Praia Vermelha; no 2º Regimento de Infantaria e no Batalhão de Comunicações, na Vila Militar; e na Escola de Aviação, no Campo dos Afonsos. Os amotinados, companheiros de véspera, teriam, de acordo com a versão legalista, ferido e matado indiscriminada e covardemente seus companheiros que dormiam-versão esta que até hoje gera margem a dúvidas, já que os quartéis do Rio estavam em prontidão após os levantamentos revolucionários no Norte do País, e em tais circunstâncias seria extremamente difícil encontrar oponentes inermes a serem massacrados de tal forma. Seja como for, a luta foi atroz e sem quartel, com os insurretos tentando expandir a rebelião a todo custo, esbarrando na mais férrea resistência das forças legalistas, e -finalmente - perdendo a luta. Por trás da estratégia equivocada do levante estava, de um lado, a superestimação que Prestes fazia de seu prestígio no interior do Exército brasileiro, de outro, a crença da IC de que, numa sociedade "semicolonial", bastaria proclamar o movimento para produzir uma sublevação espontânea que englobaria de militares a operários e "cangaceiros partisans [guerrilheiros](sic)".
  • Prestes também teria sabotado o próprio levante despropositadamente, uma vez que enviara ao comandante do Grupo de Obuses de São Cristóvão Newton Estillac Leal um convite para participar do golpe, fazendo com que o Governo tomasse conhecimento da rebelião mesmo antes dela acontecer. O episódio mais dramático do levante comunista foi a tentativa de conquistar o Regimento de Aviação no Campo dos Afonsos, à época integrante do Exército (a Força Aérea Brasileira só seria criada em 1941), visando obter aeronaves para bombardear a cidade do Rio de Janeiro. As unidades legalistas da Vila Militar, conseguiram instalar peças de artilharia para bombardear a pista e evitar que aviões decolassem. O assalto final foi realizado com uma carga de infantaria com apoio da artilharia, que retomou as instalações revoltadas. Uma vez reprimido e derrotado , o movimento foi submetido a intensa desmoralização- a começar pelo nome pejorativo e desqualificante que recebeu ("Intentona", ou "intento louco") - por parte das cúpulas militares; como lembra o militar esquerdista Nelson Werneck Sodré nas suas memórias, a participação intensa de oficiais e suboficiais nas fileiras dos insurretos alertou o Exército para a necessidade de cerrar fileiras ideológicas, e de expurgar "influências exógenas" no interior da oficialidade militar nas três décadas seguintes. Tal cisão ideológica viria a expressar-se nas disputas políticas no interior do Clube Militar da década de 1950, no movimento dos sargentos da década de 1960, e daí até o Golpe de 1964, após o qual quaisquer traços de esquerdismo organizado foram eliminados das fileiras militares. Diferentemente dos golpes tenentistas, que haviam criado divisões temporárias entre legalistas e insurretos, superáveis posteriormente por anistias e reorganizações de carreira, o Movimento de 1935 criou uma clivagem político-ideológica até hoje não superada, em que os insurretos tiveram negada a sua própria condição de membros da corporação militar, com sua ação política sendo duradouramente criminalizada e estigmatizada como traição e ato hostil à hierarquia militar. Até ao governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, anualmente, na data de 27 de novembro, eram realizadas comemorações públicas pelo Exército brasileiro, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, em homenagem aos militares legalistas mortos durante a intentona, que se caracterizavam pela intensidade das manifestações anticomunistas da cúpula militar a que davam oportunidade, daí terem sido interrompidas as solenidades quando do fim da Guerra Fria e da consolidação do regime constitucional restabelecido em 1985. O monumento aos mortos legalistas do movimento ergue-se na Praia Vermelha. A repressão ao movimento permitiu que o Congresso Nacional decretasse o Estado de Guerra, com uma erosão decisiva nas liberdades e garantias individuais liberais-democráticas, o que preparou o caminho para que Getúlio Vargas decretasse o Estado Novo em 1937, reforçado pelo chamado Plano Cohen de 1937.
  • LEVANTE INTEGRALISTA 193812 RELAÇÃO DOS MORTOS Não se tem um balanço completo das vítimas, juntando-se legalistas e insurgentes em todos os eventos ocorridos. Entre os insurgentes é difícil encontrar uma lista completa com os nomes das vítimas, mas estima-se que pelo menos uma centena tenham falecido só no levante de Recife e outros vinte no levante da Praia Vermelha no Rio de Janeiro , sendo ainda necessário contabilizar as mortes ocorridas em Natal e demais quartéis do Rio de Janeiro. Entre as tropas legalistas envolvidas nos combates ocorreram 22 baixas fatais. O Exército lista um total de 30 vítimas sem porém divulgar se eram legalistas ou insurgentes . A historiadora Marly Vianna faz algumas considerações sobre as vítimas entre os militares insurgentes. 4 11 Controvérsia a respeito das versões sobre as mortes durante a revolta Segundo a professora Marly Vianna, doutora em história pela USP e professora da Universidade Federal de São Carlos além de autora do livro Revolucionários de 35, apenas duas mortes ocorreram no episódio que envolve o levante do 3ºRI e estas seriam do major Misael Mendonça (legalista) e o segundo-tenente Tomás Meireles (revolucionário). Segundo ela, a versão de que os militares revolucionários teriam assassinado covardemente oficiais legalistas enquanto dormiam é mentirosa, tendo sido inclusive tema de um discurso do então senador Jarbas Passarinho no Congresso Nacional para, em nome de famílias de oficiais mortos, declarar que não estavam dormindo, pois esta versão seria prejudicial para sua imagem e memória. Segundo a mesma ainda, essa versão falsa teria sido plantada pela polícia de Filinto Müller. O historiador Hélio Silva diz o mesmo em seu livro O Ciclo de Vargas: 1935 - A Revolta Vermelha. 12 LEVANTE INTEGRALISTA foi um levante armado contra o governo brasileiro do Estado Novo ocorrido em 10 de maio de 1938. HISTÓRIA Getúlio Vargas, desde a fundação da Ação Integralista Brasileira (AIB), teve seu apoio, tendo em vista que seu principal líder,Plínio Salgado, almejava o cargo de ministro da Educação (influenciar à juventude, segundo suspeita do próprio presidente em exercício). Mesmo assim, após a criação do Estado Novo, e tendo prometido na presença do Ministro da Guerra Eurico Gaspar Dutra ao chefe integralista Plínio Salgado, grande espaço de atuação para a ideologia integralista, Vargas decretou o fechamento de todos os partidos
  • GUERRILHA DE TRES PASSOS13 1965 políticos nacionais, incluindo a AIB. A insatisfação da AIB materializou-se em dois levantes integralistas com intervalo de 60 dias . O primeiro golpe aconteceu em 11 de março de 1938 e envolveu a tentativa de tomada dos 3º BI (à época situado em Botafogo) e 5º BI (Centro do Rio de Janeiro) - este último com a participação do Oficial de Dia daquele BPM além da tentativa de sublevação do CFN. A atuação do Comandante - General da PMDF, Coronel - General Pinto Guedes, reagindo ao golpe foi decisiva: Graças à ação da PMDF, em trabalho conjunto com os serviços de Inteligência (SNI), do Exército (SNI - Terra) eMarinha (SNI - Mar), em poucas horas a rebelião fôra debelada e os principais cabeças estavam presos . O segundo golpe aconteceu sessenta dias depois: Uma tentativa de tomar a Chefia de Polícia Civil e assassinar Filinto Muller, além da tentativa frustrada de resgate dos líderes Integralistas: Coronel Euclides Figueiredo e Otávio Mangabeira, no Regimento de Cavalaria da PMDF. A principal atuação porém, foi o ataque por um grupo de 80 integralistas, entre a zero hora e as duas horas do dia 11 de maio de 1938, ao Palácio Guanabara, residência oficial do Governo Federal, em uma tentativa de depor Vargas e reabrir a AIB. Os integralistas, liderados por Severo Fournier, quase conseguiram entrar no palácio Guanabara e matar Getúlio, mas o Exército e a Polícia Especial chegaram no último momento e controlaram a situação. Após o ataque ser contido muitos dos revoltosos foram fuzilados e presos. Como resultado, outros, em torno de 1.500 integralistas, foram presos e Plínio Salgado, líder do movimento integralista no Brasil, foi mandado para exílio em Portugal, onde tentou reorganizar o movimento integralista. 13 A GUERRILHA DE TRÊS PASSOS, MR-26 ou M-26 foi uma ação militar promovida por três militares cassados e 20 agricultores contra a Ditadura Militar no Brasil em março de 1965. Com apoio do ex-governador Leonel Brizola, exilado no Uruguai, eclodiu quando faltava menos de uma semana para o aniversário de um ano do golpe. Foram tomados o quartel da Brigada Militar e o presídio de Três Passos. Da Rádio Difusora, invadida, transmitiram um manifesto à nação. Da cidade gaúcha de Três Passos, passou com seu grupo por Tenente Portela e foi escalando o Brasil rumo ao Paraná. Em 26 de março, o presidente Castelo Branco chegara a Foz do Iguaçu para inaugurar a Ponte da Amizade, que une Brasil e Paraguai sobre o Rio Paraná.
  • Estava a cem quilômetros dos guerrilheiros. Aviões partiram para a região. Próximo a Capanema, já no Paraná, o grupo foi localizado por um avião da Força Aérea Brasileira. Em Capitão Leônidas Marques, houve tiroteio entre militares e guerrilheiros, que foram capturados aos poucos, em 27 e 28 de março. PLANEJAMENTO De acordo com o diário da guerrilha, escrito pelo coronel Jefferson Cardim de Alencar Osório no exílio, entre México e Argélia, em 1968-69, o grupo que marchou pela região noroeste do Rio Grande do Sul em março de 1965 tinha como missão tomar o 7º Grupo de Canhões de Ijuí (atual 27º Grupo de Artilharia de Campanha). O objetivo era, a partir dali, espalhar sublevações por quartéis de Santa Maria, Pelotas, Cruz Alta e Santo Angelo, entre outras cidades. A etapa inicial do plano foi cumprida com relativo êxito: em Três Passos, a uma hora de marcha de Ijuí, o grupo de 23 combatentes reunido por Osório invadiu a rádio Difusora na madrugada de 26 de março e transmitiu uma ―Proclamação ao Povo Gaúcho‖. O manifesto, elaborado pelo coronel, era a senha para que os integrantes das forças de oposição ao governo militar pegassem em armas antes do golpe completar um ano, poucos dias depois. O noroeste gaúcho foi escolhido para iniciar a insurreição porque o PTB tinha uma grande base de apoio na região, onde proliferavam os Grupos dos Onze – organizações cívicas organizadas a partir de 1963 pelo então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola. Além disso, nos destacamentos militares e quartéis da Brigada Militar havia oficiais nacionalistas apenas à espera de um comando para se sublevarem contra os golpistas. Também contou para a escolha a questão logística: região de fronteira, Três Passos fica situada a pouco mais de 25 quilômetros da Argentina, tinha – e ainda tem – densas matas nativas e era servida por boas pistas de pouso, dos dois lados da fronteira, onde o grupo sonhava em realizar desembarques de tropas e equipamentos militares. SARGENTO ALBERI VIEIRA DOS SANTOS A resistência no Uruguai aproximou Jefferson do sargento Alberi Vieira dos Santos. O sargento Firmo Chaves, também exilado na capital uruguaia, juntaria-se ao grupo para pôr o plano em prática. O sargento Alberi Vieira dos Santos é a personagem mais controversa envolvida na trajetória da coluna guerrilheira de Três Passos. Passados 50 anos, seu nome é o único entre os 23 insurgentes que figura entre os 377 agentes do Estado apontados pela Comissão Nacional da Verdade como responsáveis por crimes da ditadura.
  • Ao longo desse tempo, cresceram as evidências de que o sargento da Brigada Militar gaúcha teria passado a atuar como agente infiltrado pela ditadura militar em movimentos contrários ao governo golpista. A Comissão Estadual da Verdade do Paraná (CEV-PR) investigou a atuação de Alberi no âmbito da Operação Juriti e obteve relatos e documentos que levantam suspeitas contundentes contra o ex-sargento a partir de sua prisão, no fim de março de 1965, até sua execução em 1979. Há suspeitas de que sua morte tenha derivado de um acerto de contas por atividades ilícitas. A advogada Ivete Caribé da Rocha, que integra a CEV-PR, considera mais provável a hipótese de queima de arquivo, como aconteceu com diversos outros agentes infiltrados. GUERRILHA Osório partiu de Rivera acompanhado de Alberi e do militante brizolista Alcindor Ayres – que ficou em São Sepé para organizar a adesão de pessoal e combinar, com um delegado de Polícia simpático à resistência, a sabotagem das vias férreas da região para dificultar a resposta do regime. Firmo partiu rumo a Porto Alegre em busca de adesões ao plano. Osório e Alberi chegaram à localidade de Campo Novo, onde se registrou uma grande adesão ao Movimento da Legalidade de 1961, às 13h do dia 20 de março, depois de pernoitarem em Santa Maria e de passarem por Cruz Alta, Ijuí e Catuípe, onde dormiram algumas horas. A coluna, com 15 guerrilheiros, partiu do sítio de Silvano Soares dos Santos, irmão de Alberi, para a tomada de Três Passos por volta das 20h do dia 25 de março. Após uma hora de caminhada, subiram num velho caminhão Ford 1939 do sítio do revolucionário Euzébio Dorneles. No caminho, o grupo cortou os fios telegráficos e telefônicos e ingressou na zona urbana da cidade à meia-noite em ponto, segundo o diário, indo diretamente para o Destacamento Policial da Brigada Militar – a chamada Prioridade 1. O único combate travado entre a coluna e as tropas do Exército deslocadas para conter o levante, ocorrido na cidade paranaense na manhã do dia 27 de março, resultou na morte do sargento do Exército Carlos Argemiro de Camargo – a autoria dos disparos até hoje continua incerta. O Inquérito Policial Militar (IPM) que resultou na condenação de Osório e outros 13 integrantes do movimento informa que o sargento foi atingido por quatro tiros - dois na coxa direita e dois no tórax. Mas reconhece que ―não é possível atribuir a quem quer que seja a morte do sargento Camargo‖.
  • Os insurgentes tomaram as armas do quartel da Polícia Militar de Três Passos e do posto policial, tentaram levar dinheiro da agência do Banco do Brasil, mas desistiram porque o gerente, acordado de madrugada, não tinha o par da chave dupla que abriria o cofre. Para ler o manifesto na rádio Difusora, tiveram de acordar o dono da emissora, Benno Adelar Breitenbach, porque o operador se recusou a colocar a rádio no ar. Apesar do improviso, o grupo cruzou a fronteira do Rio Grande do Sul com Santa Catarina sem ser parado por barreiras militares. O Ford 39, fora de combate, foi substituído por um Mercedes Benz novo, modelo 1964, estacionado no posto de gasolina da cidade por irregularidades na documentação. Na fuga em direção ao Mato Grosso, o grupo acabou sendo interceptado por tropas deslocadas para combater o movimento revolucionário no interior do Paraná. Em Capitão Leônidas Marques, na manhã do dia 27 de março, jipes e caminhões do Exército cruzaram com os guerrilheiros que, por ordem do coronel Jefferson, atacaram uma patrulha comandada pelo tenente Juvêncio Lemos. A única vítima do combate foi o sargento do Exército Carlos Argemiro de Camargo. As rajadas de metralhadoras das tropas do Exército dispersaram o grupo de guerrilheiros. Osório acabou sendo preso horas depois, após passar por barreiras militares sem ser reconhecido, usando disfarce de colono - roupas velhas, sem dentadura, chapéu de palha. TORTURA E FUGA No caminho para Foz do Iguaçu, ocorreram as primeiras humilhações: ―Dois tenentes da companhia fizeram-me rolar como um barril, aplicando-me pontapés em todo o corpo aos gritos de filho da puta, assassino‖. Espetado ―dos pés à cabeça‖ por um garfo pelo próprio capitão Dorival Sumiani, Osório foi exposto à tropa para que ―os oito ou dez soldados que se achavam presentes escarrassem sobre mim aos gritos de filho da puta, comunista, assassino‖. Também foi obrigado, pelo coturno do capitão, a ―beijar a terra que traíste‖. Em 48 horas, todo o grupo foi preso e levado ao Batalhão de Fronteira, em Foz do Iguaçu. Transferido em abril de 1966 para o 5º Regimento de Obuses, no bairro curitibano do Boqueirão, Osório planejou sua fuga da prisão ao longo de vários meses. Ao escapar, teve ajuda de militares e só 12 horas após iniciada, a fuga foi percebida pelas forças do regime. Após três anos na cadeia, depois de condenado a oito anos pela Justiça Militar, o coronel deixou o prédio do quartel pela porta da frente, fardado como um soldado, na madrugada de 5 de maio de 1968.
  • GUERRILHA DE CAPARAÓ14 1966 RAZÕES DO FRACASSO O filho de Osório, Jefferson Lopetegui de Alencar Osório, conta que quando seu pai entrou no Brasil para fazer contatos, todos articulados pelo ex-governador, foi informado que o serviço secreto do Exército já estava a par da operação e vinha tomando providências contrarrevolucionárias. No diário, o coronel não deixa dúvidas sobre os objetivos do movimento, sobre as razões do fracasso e sobre a até hoje controversa participação de Brizola no episódio. Osório narra que a segunda fase do plano de insurreição não se concretizou pela falta dos efetivos prometidos pelos organizadores – o comandante esperava ter 60 homens para marchar sobre Ijuí, incluindo pelo menos 12 sargentos. Segundo a avaliação do presidente do Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul (MJDH), Jair Krischke, a posição do ex-governador do Rio Grande do Sul sempre foi dúbia em relação ao episódio. Conhecido pesquisador dos movimentos de exceção no Brasil, Krischke afirma que o grupo "arranca com o apoio de Brizola, mas um apoio que não era integral". O então tenente José Wilson da Silva, outro dos personagens centrais do episódio, é categórico ao afirmar que Osório agiu ―por contra própria‖. E vai mais longe: afirma que a ação desencadeada pelo coronel prejudicou as condições que vinham sendo criadas para um levante armado, com apoio popular, contra a ditadura a partir do Rio Grande do Sul. 14 A GUERRILHA DO CAPARAÓ foi a segunda tentativa insurgência armada contra o regime militar brasileiro feita por ex-militares cassados. Inspirado na guerrilha de Sierra Maestra, teve lugar na Serra do Caparaó, divisa entre os estados do Espírito Santo e Minas Gerais, no período 1966 - 1967. HISTÓRICO Promovida pelo Movimento Nacionalista Revolucionário - MNR, organização baseada inicialmente em Montevidéu, a guerrilha contou com o apoio financeiro cubano, obtido através de negociações entre Leonel Brizola, auxiliado pela A.P e o governo de Cuba. 1 Segundo Denise Rollemberg, alguns membros do grupo - majoritariamente constituído por ex- militares, expulsos das Forças Armadas - também receberam treinamento na Ilha. Leonel Brizola, figura política que teve destaque neste evento.
  • Posteriormente o governo cubano teria preferido apoiar Carlos Marighella. O movimento perdeu seu suporte financeiro e os guerrilheiros foram praticamente abandonados no alto da serra. Na verdade, a tentativa de implantação de uma Guerrilha na serra de Caparaó foi frustrada antes mesmo que o movimento entrasse em ação. Os seus integrantes permaneceram no local por alguns meses realizando treinamentos e o reconhecimento da região e foram presos pela Polícia Militar mineira após serem denunciados pela própria população Consta que o grupo, desassistido pela organização, começara a roubar e a abater animais para não morrer de fome - razão pela qual acabou sendo alvo de denúncia à polícia. Descoberto pelos serviços de inteligência, o movimento foi rechaçado em abril de 1967, por um grupo da Polícia Militar de Minas Gerais. Segundo as fontes, praticamente não houve troca de tiros. Os guerrilheiros, cerca de vinte homens esgotados e famintos - alguns bastante debilitados pela peste bubônica - foram presos no próprio sítio onde se abrigavam ou nas cidades vizinhas. Moradores da região também foram detidos para investigação. Pico da Bandeira, local em que aconteceu a Guerrilha do Caparaó. Parque Nacional do Caparaó.
  • GUERRILHA DO ARAGUAIA15 1967-1974 Mais tarde, com todos os guerrilheiros presos, as Forças Armadas chegaram a questionar se aqueles homens eram mesmo revolucionários ou apenas criminosos comuns. Para provar, a polícia mineira os fotografou e fotografou também os seus documentos, o que comprovava serem ex-militares. Foi armada então uma grande operação conjunta do Exército e da Força Aérea, com apoio da polícia, para eliminar outros guerrilheiros que pudessem estar escondidos na serra. No entanto, não havia mais ninguém e a operação não passou de uma demonstração de força com o objetivo de desencorajar outros focos de resistência armada pelo país. 15 Guerrilha do Araguaia foi um movimento guerrilheiro existente na região amazônica brasileira, ao longo do rio Araguaia, entre fins da década de 1960 e a primeira metade da década de 1970. Criada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), tinha por objetivo fomentar uma revolução socialista, a ser iniciada no campo, baseada nas experiências vitoriosas da Revolução Cubana e da Revolução Chinesa. Combatida pelas Forças Armadas a partir de 1972, quando vários de seus integrantes já haviam se estabelecido na região há pelo menos seis anos, o palco das operações de combate entre a guerrilha e os militares se deu onde os estados de Goiás, Pará e Maranhão faziam divisa. Seu nome vem do fato de se localizar às margens do rio Araguaia, próximo às cidades de São Geraldo do Araguaia e Marabá no Pará e de Xambioá, no norte de Goiás (região onde atualmente é o norte do estado de Tocantins, também denominada como Bico do Papagaio). Estima-se que o movimento que pretendia derrubar o governo militar, tomar o poder fomentando um levante da população, primeiro rural e depois urbana, e instalar um governo comunista no Brasil como havia sido feito em Cuba e na China , era composto por cerca de oitenta guerrilheiros sendo que, destes, menos de vinte sobreviveram, entre eles, o ex- presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), José Genoíno, que foi detido pelo Exército em 1972, ainda na primeira fase das operações militares. A grande maioria dos combatentes, formada principalmente por ex-estudantes universitários e profissionais liberais, foi morta em combate na selva ou executada após sua prisão pelos militares, durante as operações finais, em 1973 e 1974. Mais de cinquenta deles são considerados ainda hoje como desaparecidos políticos.
  • Desconhecida do restante do país à época em que ocorreu, protegida por uma cortina de silêncio e censura a que o movimento e as operações militares contra ela foram submetidos, os detalhes sobre a guerrilha só começaram a aparecer cerca de vinte anos após sua extinção pelas Forças Armadas, já no período de redemocratização. O PCDOB CHEGA AO ARAGUAIA Nos anos 60 do século XX, a região ao longo do qual corre o rio Araguaia era habitada por brasileiros em sua maioria vindos de outras regiões, principalmente do nordeste do país. Eram homens atrás de terras para o cultivo, garimpeiros atrás de pedras preciosas, caçadores atrás de peles de animais, migrantes procurando todo tipo de trabalho e riqueza que aquelas áreas virgens pudessem oferecer. Famílias inteiras, fugindo da seca nordestina, trabalhavam em fazendas por menos de um salário mínimo. Muitos plantavam mandioca e castanha-do-pará, a maioria analfabetos e explorados pelos poucos proprietários de terra, grileiros do lugar. Era o local ideal, segundo o PCdoB, para o início de uma revolta popular. A mesma avaliação, depois de descoberta a guerrilha, foi feita pelo Cenimar, o Centro de Informações da Marinha, que informava em relatório que a população da região vivia na miséria, sob o domínio de latifundiários e autoridades municipais corruptas. A preparação dos guerrilheiros do PC do B remonta ainda ao ano de 1964, quando os primeiros militantes iniciaram formação político-militar na China, visto que o Partido adotou a linha de guerra popular prolongada de inspiração maoista. Sua defesa da luta armada era anterior a 1964, e contrária à ideia de "foco" cubano e da revolução continental marxista-leninista. Entre 1964 e 1968, dezoito militantes haviam passado por treinamento militar na China, entre eles vários dos que agora se estabeleciam no Araguaia. Apenas quatro meses após o golpe militar, oficiais e sargentos brasileiros foram mandados para curso de combate na selva no Panamá, ministrado num centro de instrução mantido pelos norte-americanos naquele país. Nesta época, as Forças Armadas iniciaram um estudo para efetuar as operações antiguerrilha. Estas foram envolvidas de um planejamento sigiloso que durou cerca de dois anos. Segundo os militares, era indesejável a eclosão de outros movimentos semelhantes em outras regiões do Brasil, pois isto ocasionaria uma eclosão de violência na região rural, o que poderia vir a desestabilizar o poder militar. Entre 1969 e 1971, os militares desmantelaram pequenas bases e infiltrações da ALN e da VAR-Palmares na região do Bico de Papagaio, sem maiores dificuldades, na chamada "Operação Mesopotâmia", manobras de tropas realizadas em Imperatriz, no Maranhão.
  • O embrião da guerrilha do PCdoB, na área do Araguaia, Xambioá e Marabá, porém, continuava desconhecido. Ponto de partida de uma guerra sem data marcada para começar, a mata também servia para esconder opositores políticos procurados em todas as áreas urbanas do Brasil pela ditadura militar. A partir de 1967, os primeiros combatentes começaram a chegar a área, vindos do sul, sudeste e do Maranhão, onde já se haviam instalado. Entre eles estavam João Amazonas, o líder máximo do Partido, Elza Monnerat, Maurício Grabois, seu filho André Grabois, seu genro Gilberto Olímpio Maria, o médico João Carlos Haas Sobrinho e o gigante negro, engenheiro e campeão de boxe Osvaldo Orlando da Costa, o "Osvaldão", entre poucos outros. Entre 1967 e 1971, transformaram-se em habitantes locais, abrindo pequenos comércios, bares, prestando pequenos atendimentos médicos de casa em casa, fazendo partos, caçando, pescando, plantando, transportando pessoas e víveres em canoas, abrindo uma farmácia, dando aulas para moradores e fazendo propaganda política em pequenas reuniões, inseridos na pequena e humilde sociedade local. Eram chamados pelos caboclos de "paulistas". Da primeira dezena que havia chegado em 1967/68, no começo da década de 1970 o grupo já contava de mais de sessenta militantes, homens e mulheres, vindos de diversos lugares do Brasil, quase todos jovens estudantes ou profissionais liberais, em preparação para uma revolução, que acreditavam, teria início ali. Usando codinomes, eram 'Cid', 'Mário', 'Dr. Juca', 'Dona Maria', 'Dina', 'Baianinha', 'Regina', 'Sônia', 'Zeca Fogoió', 'Mariadina' e 'Cazuza' entre outros, para os moradores do Araguaia. Eram ex-estudantes de química, engenharia, letras, física, astronomia, medicina, geologia e até uma trinca de irmãos, os Petit da Silva. Dezesseis já haviam sido presos anteriormente, oito deles no Congresso da UNE em Ibiúna, 1968.
  • Da esq. p/ dir. em sentido horário:João Amazonas, Elza Monnerat, Ângelo Arroyo e Maurício Grabois, comandantes da guerrilha. Apesar do esforço em se passar e se misturar aos locais, sua aparência, modos e maneira de se expressar não condiziam com a população mais antiga já instalada no Araguaia. O "povo da mata", na linguagem dos caboclos, não fazia sentido naquele ambiente. Aquela "gente sabida" ' era aceita pela comunidade mas não os enganava. Quando um dos guerrilheiros disse a um caboclo local que um sobrinho de "Cid" era bom de facão, recebeu como resposta: "Deve ser bom mesmo é de caneta". Sem o conhecimento da população local, para a qual prestavam serviços médicos e davam aulas de alfabetização conquistando a estima do povo, aos poucos o grupo crescia. Com idade média inferior a 30 anos, no auge do vigor físico, estocavam alimentos, munição e remédios em pontos esparsos da mata e faziam treinamento militar, acostumando-se à vida na selva. Aprenderam a fazer fogo e caminhar duzentos metros em mata fechada sem se perder no caminho de volta. Seus integrantes espalhavam-se por uma área de 6,5 mil km², numa extensão de 130 km. O treinamento constante fazia com que alguns deles já fossem capazes de sobreviver sozinhos na mata levando consigo apenas armas, munição, sal e farinha. Na virada do Ano Novo de 1971-72, os diferentes grupos juntaram-se numa comemoração de réveillon, quando imaginavam poder dar início a seus planos em breve, confiante pelo tempo na selva.
  • A festa, na região chamada Gameleira, teve comida, bebida e cantoria, e entre pedaços de veado e paca ao leite de castanha, recitaram I-Juca-Pirama de Gonçalves Dias e cantaram a Internacional Socialista e Apesar de Você, de Chico Buarque de Holanda. Não era até então uma guerrilha pronta para o combate. Com poucas armas e poucos integrantes, a direção do PCdoB acreditava que com mais um ou dois anos de preparação, seria possível deflagar a guerra de guerrilha rural revolucionária que era uma linha política do Partido, adepto da luta armada, desde 1962. Uma fuga, uma desistência, e duas prisões feita em Fortaleza e em São Paulo, bem longe dali, entretanto, faria com que os serviços de inteligência das Forças Armadas tomassem conhecimento dos guerrilheiros do Araguaia, antes do previsto e desejado. A DESCOBERTA DA GUERRILHA No início de 1972 o governo descobriu a existência da guerrilha e soube disso por informantes diferentes, sem que se possa precisar qual foi o primeiro. Em novembro de 1971, dois guerrilheiros, Pedro Albuquerque e sua mulher, fugiram da área, desistindo da campanha. Em janeiro de 1972 ele foi preso em Fortaleza, no Ceará, e o CIE conseguiu o fio da meada que levava à guerrilha (Pedro, porém, sustenta até hoje que seus torturadores já conheciam a estrutura no Araguaia) . A outra informação veio de São Paulo. A mulher do guerrilheiro Lúcio Petit da Silva, um dos irmãos Petit, contraiu hepatite e tuberculose na selva. Saiu do Araguaia em fins de 1971 grávida e com um problema por curetagem mal feita, sendo levada até Goiânia para tratamento. Deveria voltar mas fugiu do hospital e desembarcou em São Paulo atrás da família. Ao saber de suas atividades, seus familiares a pressionaram e Lúcia Regina Martins, a "Regina", revelou à repressão o que sabia da "área prioritária" em Marabá. — Elza Monnerat, uma das líderes do PCdoB à época, a considera a principal responsável pela descoberta da guerrilha pelos militares em 1972. Juntando as informações recebidas, cruzando os dados e mapeando a região, o governo localizou a área e estimou o efetivo da guerrilha. Em março de 1972, agentes da polícia federal passaram por Xambioá perguntando por forasteiros. Como haviam outros pequenos focos subversivos por toda a Amazônia, apesar de avisada a guerrilha achou que aquilo não lhe dizia respeito.
  • Em abril, sob o comando do general-de-divisão Viana Moog e do comandante e general paraquedista Hugo Abreu, tropas do Exército Brasileiro entravam no Araguaia. OPERAÇÃO PAPAGAIO Em 21 de abril de 1972, os militares começaram a entrar na região, entre Marabá e Xambioá, primeiro com uma pequena equipe de cinco homens, um grupo de batedores do CIEx chefiado pelo major Lício Maciel - que trazia consigo como prisioneiro Pedro Albuquerque - e logo em seguida com um batalhão de 400 homens acantonado em cada cidade. Bases foram sendo instaladas no interior e em agosto o total chegava a 1500 homens. Mascarando suas intenções reais, a notícia espalhada era que se tratava de uma manobra do IV Exército, cuja sede ficava em Recife, a 1600 km dali. Dentro dessa massa de soldados da infantaria regular, estavam homens do CIEx e paraquedistas, cuja missão era destruir a guerrilha. Era o início da primeira das três fases da campanha militar, a Operação Papagaio, com três pequenas operações de coleta de informação e levantamento da área em seu bojo antes da chegada do grosso da tropa: "Peixe", "Ouriço" e "Olho Vivo". 9 Postos de controle foram montados na Transamazônica e na Belém-Brasília e uma base aérea aberta em Xambioá. O posto de comando foi instalado numa casa de telhado azul, às margens do rio Itacaiúnas. Os primeiros ataques a bases da guerrilha não conseguiram capturar ninguém, foram achados apenas materiais usados pelos guerrilheiros. Com a presença do exército, a guerrilha sumiu na floresta. Para muitos deles, o sentimento era de que "havia chegado a hora".
  • No mapa, em amarelo, a região do Araguaia. No círculo, a área de enfrentamento entre guerrilha e exército (1972-74). A "hora", no entanto, pegou o PCdoB de surpresa, destruindo o capital inicial de qualquer força de combate de guerrilha, que é pegar seu adversário de surpresa. Contando com 71 homens e mulheres, espalhados em três destacamentos na mata (A, B e C), a unidade era mal armada. Cada um deles possuía um revólver com quarenta balas e o total do armamento se limitava a 25 fuzis, quatro submetralhadoras - duas de fabricação artesanal - trinta espingardas e quatro carabinas de caça, num total de 63 armas longas para 71 guerrilheiros. Contra isso havia quase dois mil homens com fuzis FAL e submetralhadoras. Além disso, o arsenal da guerrilha não era de boa qualidade e muitas armas emperravam. Uma das guerrilheiras, depois de capturada, testemunharia que para acertar um alvo com seu fuzil numa árvore, precisava mirar três árvores adiante. Apesar da vantagem, a Operação Papagaio começou mal para os militares. Na tarde de 5 de maio houve o primeiro confronto entre as duas forças. Uma pequena patrulha em busca de informações foi emboscada próxima a um riacho. A guerrilha atacou dispersando a tropa, ferindo um tenente, um sargento e matando o cabo Odílio Cruz Rosa, da 5ª Companhia de Guardas de Belém. Seu corpo ficou uma semana no mato, sendo recolhido já em estado de decomposição, porque a guerrilha — destacamento C, comandado por Osvaldão — impedia o pequeno efetivo militar disponível na área de chegar ao local.. Em 1973-74, na terceira e última campanha, por esse motivo os militares passariam a adotar a mesma prática, deixando insepultos na mata os corpos de guerrilheiros abatidos. Num novo choque, mais um soldado morto e um sargento ferido. Vendo o que acontecia, o guia "China", caboclo da região arregimentado pelo Exército, temendo a represália posterior entrou no mato, se escondeu por dois dias e desapareceu do Araguaia: "Resolvi cair fora daquela guerra. Se eu não morresse ali iam me matar depois. Os soldados não entendiam nadinha de mato". Mateiros e guias locais não-simpatizantes dos guerrilheiros eram citados em relatórios da Aeronáutica explicando o porque das dificuldades das tropas regulares na floresta: "fazem muito barulho, deixam muitas pistas, só se deslocam em estradas e picadas e usam muito helicóptero, fazendo com que a guerrilha saiba de antemão de sua aproximação".
  • A maior vitória inicial, entretanto, não foi notada. Com o ataque e o cerco do exército, ele manteve fora do Araguaia o comandante-em-chefe João Amazonas ("Cid") e Elza Monnerat ("Dona Maria"), organizadora geral da estrutura da guerrilha, que chegando de São Paulo com novas instruções e novos militantes — uma delas, Rioko Kayano, presa em Marabá, conheceria na cadeia e viria a ser a mulher de José Genoíno, com quem é casada até hoje 10 — foram obrigados a retornar da rodoviária pela vigilância e pressão do exército em toda área, sem conseguir entrar na mata. Nesta primeira operação, o exército conseguiu localizar e infligir danos a apenas um dos destacamentos, o C, 25% do total de combatentes. A soma de milcruzeiros era oferecida aos caboclos por informação sobre os "paulistas" na época, dinheiro suficiente para comprar um bom terreno. Vários foram assim localizados, presos ou mortos. O primeiro a cair foi "Jorge", denunciado por um mateiro. Bergson Gurjão Farias era um ex- estudante de química na Universidade Federal do Ceará e viria a ser o primeiro desaparecido no Araguaia. Emboscado por uma patrulha de paraquedistas, foi metralhado. Seu corpo foi pendurado numa árvore de cabeça para baixo e sua cabeça chutada pelos soldados. Mais dois seguiram o mesmo caminho, Kleber Lemos da Silva, o economista"Carlito" e "Maria", a única mulher entre os irmãos Petit, Maria Lúcia Petit da Silva, ex-professora de 22 anos, morta em tocaia com um tiro no peito pelo camponês a serviço dos militares, João Coioió. Foi enterrada em Xambioá em sepultura anônima, envolta num paraquedas e com a cabeça coberta com um plástico (Sua ossada, descoberta em 1991, foi identificada por peritos da Unicamp em 1996. (É um dos dois únicos guerrilheiros mortos cujo corpo foi encontrado e identificado.) A colaboração dos caboclos da região não veio, porém, apenas do oferecimento de dinheiro. As Forças Armadas entraram na área como uma força de ocupação. Comerciantes, mascates e vendeiros acusados de comercializar com a guerrilha foram presos, junto com um padre que incomodava o prefeito e um lutador de circo, este porque tinha cabelos grandes. Um fazendeiro capixaba que chegava no Araguaia para tomar posse de uma terra recém- comprada foi preso e jogado por três dias num buraco na terra coberto com uma tampa de madeira, dentro de um acampamento cercado com arame farpado onde já encontravam vários moradores do lugar..
  • Um barqueiro da região, Lourival Paulino, 55 anos, que costumava transportar os guerrilheiros pelo rio, foi preso no fim de maio, enfiado na cadeia de Xambioá de onde saiu morto, com um atestado de óbito de suicídio por enforcamento. Um lavrador que havia dado comida a Osvaldão teve a roça incendiada e nunca mais foi visto. Entre junho e agosto a ofensiva militar estancou e retraiu-se. Em quatro meses o exército tinha apenas conseguido prender ou matar menos de uma dúzia de militantes, localizar e isolar a área do Destacamento C sem chegar a nenhum de seus refúgios, ter informações desconexas sobre o B, e nunca teve conhecimento do A. Diante disso, retomou a ofensiva em setembro com um efetivo de 3.000 homens e de maneira diferente, tentando conquistar o povo da região e dissociando-se da atitude policialesca da primeira investida. Desembarcaram 2,5 toneladas de medicamentos, médicos e dentistas em Marabá, panfletaram toda a região com mensagens de guerrilheiros já capturados e obrigaram fazendeiros a reconhecerem direitos trabalhistas de seus empregados. Duas vitórias importantes foram conseguidas neste mês, com a morte de João Carlos Haas Sobrinho, o "Dr. Juca", comandante-médico da guerrilha, morto em combate, e Helenira Resende, integrante do destacamento C, procurada em todo país e jurada de morte em São Paulo pelo delegado Sérgio Fleury, 13 executada após captura. A segunda investida, entretanto, teve resultados gerais ainda piores que a primeira. Programada para durar vinte dias durou apenas dez. No período, a guerrilha atacou uma base do 2º Batalhão de Infantaria da Selva e matou o sargento Mário Abrahim da Silva. A ajuda dos mateiros pagos não produziu nenhuma emboscada de vulto. A FAB jogou bombas incendiárias numa serra careca onde jamais os guerrilheiros tinham pisado. Três áreas da mata sofreram bombardeio com napalm. Uma guerrilheira começava a criar fama no campo. Dinalva Oliveira Teixeira, a "Dina", ex- geóloga baiana que tinha virado parteira na região, sobrevivera a três combates, enfrentara sozinha um grupo de soldados, escapara ferida no pescoço e acertara no ombro o capitão paraquedista Álvaro Pinheiro, filho do comandante da Escola Nacional de Informações, general Ênio Pinheiro. Os militares tinham especial determinação em achá-la, considerando-a uma ameaça à ação militar na região, no intuito de destruir o mito criado entre o povo do Araguaia para desmoralizar a guerrilha. O disfarce da operação em manobra militar de rotina mais prejudicou mais do que ajudou.
  • O governo impedia a publicação de manifestos do PCdoB mas o partido distribuía panfletos por todo o Araguaia, que chegaram até o sul. Em 24 de setembro, o jornal O Estado de S. Paulo publicava longa matéria - driblando a censura para notícias de movimentação de tropas - sobre as manobras militares. Dois dias depois a guerrilha brasileira era noticiada no The New York Times. 6 : Em outubro de 1972, as tropas retiraram-se. Para a guerrilha, mesmo que ainda operativa, as baixas foram significativas. Entre abril e outubro ela perdeu dezenove combatentes, oito mortos em combate, quatro assassinados depois da captura e sete presos e transferidos para Brasília. O Exército nunca declarou seu número oficial de mortos e feridos. O general Viana Moog deixou a região falando em vitória e declarando que "o êxito da manobra excedeu as expectativas deste comandante". Porém, o estrategista da campanha militar, general Antônio Bandeira, foi transferido da tropa para a direção da Polícia Federal, em Brasília. O capitão Pinheiro, ferido por "Dina", 23 anos depois já como coronel da reserva, listou as deficiências da operação: a) concepção equivocada nos níveis operacional e tático b) falta de unidade de comando c) informações deficientes sobre o terreno e o inimigo d) falta de continuidade nas operações e) grande diversidade de unidades empregadas e deficiências no treinamento. Com relação ao último tópico assinalado pelo militar, a grande maioria dos soldados empregados no combate à guerrilha nesta operação, foi, na verdade, de recrutas cumprindo o serviço militar obrigatório, garotos de 18-19 anos sem nenhuma experiência. Dona Domingas, uma moradora de São Geraldo do Araguaia, resumiu o quadro: "Eles passaram tudo por aqui chorando, tudo recruta na boléia do caminhão cheio, chorando". A Operação Papagaio havia terminado. O Exército havia feito a maior mobilização de tropas da sua história desde a campanha da FEB na Itália, maior que três das quatro expedições contra Canudos, usara um efetivo humano na proporção de 50 para 1 e a guerrilha do Araguaia continuava onde sempre esteve. Mas o governo do general Emílio Garrastazu Médici estava determinado a extingui-la.
  • Em 1973, entrariam em cena os soldados profissionais da elite das Forças Armadas. Ia começar a Operação Sucuri. Operação Sucuri A retirada das tropas deu nos caboclos e camponeses a impressão de que os "paulistas" tinham vencido a guerra. Um bate-pau que ajudou os militares, encontrado casualmente na mata por três guerrilheiros, foi assassinado a tiros. João Coioió, o matador de Lúcia Petit, juntou a família e desapareceu da região. 6 :423 Outros fingiram-se de ineptos. Com o fim do segredo entre a população do Araguaia sobre quem eram os "paulistas", a guerrilha lançou-se à propaganda, distribuindo folhetos com mensagens socialistas e até fazendo chegar cartas a jornais. Segundo um caboclo, "eles falavam em comunismo, mas ninguém sabia o que era aquilo". No primeiro semestre de 1973, a guerrilha reorganizou-se. Depósitos de mantimentos e munições foram espalhados em refúgios pela floresta. Recrutaram mais dois combatentes entre os moradores da região e formaram treze grupos clandestinos de apoio, num total de 39 pessoas. Mataram três colaboradores dos militares, um deles um jagunço da região e atacaram um posto da PM na estrada Transamazônica. Cercaram a base, atearam fogo no telhado de palha, renderam os cinco soldados da guarnição e fugiram levando as fardas, seis fuzis e um revólver. Em agosto, a direção da guerrilha "justiçou" (fuzilou), após julgamento na selva, um dos militantes por fraqueza ideológica e adultério. Eram até então um total de 56 homens e mulheres, dos quais seis camponeses. Faltava roupa, calçados e munição e não houve mais reforços porque o PCdoB já havia sido desbaratado em seis estados. As armas continuavam insuficientes, mas o moral estava alto. A proximidade do período chuvoso no Araguaia, que impedia a movimentação de grandes veículos, lhes dava a suposição de que o exército só voltaria no começo de 1974.
  • Grupo de guerrilheiros no Araguaia. Em abril de 1973 começou a segunda investida, denominada Operação Sucuri. Diferente da anterior, esta foi uma operação de Inteligência. O fracasso em derrotar a guerrilha em 1972 tinha tirado da estrutura convencional do exército o planejamento das operações, agora feito pelo CIE, sob o comando do general Milton Tavares de Souza. Em maio, oficiais, sargentos e cabos do DOI de Brasília e da 3ª Brigada de Infantaria Motorizada, em número reduzido, começaram a se infiltrar na região. Ao invés da ostentação da Operação Papagaio, os militares chegavam disfarçados, a maioria sem documentos ou documentos falsos, vestidos como civis. Um pseudo-agrônomo do INCRA estabeleceu-se em Xambioá com o nome de "Dr. Luchini". Era o capitão Sebastião Rodrigues de Moura, vulgo Curió. Além da guerrilha, agora o exército também tinha codinomes. Homens com aparência de caboclos abriam bodegas na estrada, tornavam-se comerciantes de alho, compravam roças, abriam padarias, madeireiras de pequeno porte, e um chegou a vender munição para os guerrilheiros para não levantar suspeitas. Tinham sido todos ambientados à vida rural passando um tempo em chácaras ao redor de Brasília. Os novos moradores anotavam as informações do que viam, conseguiam pistas da movimentação pela área, identificavam os guerrilheiros e os camponeses que tinham contato com eles e "Curió" passava de lancha voadora pelo rio no fim de semana recolhendo os relatórios.
  • Entre abril e outubro a guerrilha foi mapeada, nomes catalogados, caboclos e mateiros ligados aos guerrilheiros identificados. Em abril, um fichário sigiloso continha 51 nomes de moradores da região. Em setembro, passou para 400 nomes. O sigilo de tudo relacionado à guerrilha era justificado pelos militares como "um propósito para negar aos guerrilheiros o reconhecimento de que as Forças Armadas estavam sendo empregadas num problema de defesa interna desta natureza." O general Médici temia que a propagação de notícias de combates desse notoriedade à guerrilha e transformasse o Araguaia numa "zona liberada", como o que ocorria em regiões do Sudeste Asiático. Terminado o levantamento de Inteligência - Plano de Informações Sucuri Nº 1 - em que até quadros com fotografias e biografias de guerrilheiros e moradores foram montados no centro de operações em Marabá, em outubro de 1973 os soldados voltaram. Diferente da primeira investida com soldados e recrutas conscritos, agora a tropa, sem uniformes, cabeludos e barbudos como os locais, era composta por homens da Brigada Paraquedista, do Corpo de Fuzileiros Navais, Batalhão da Selva, Batalhão de Forças Especiais e helicópteros da FAB descaracterizados, a elite das Forças Armadas. Em quantidade menor e sem identificação. O segredo de Estado na luta no Araguaia produziu a clandestinidade das ações. Diferente do combate à luta armada nas cidades, não houve inquéritos policiais-militares, nem denúncias formais, nem sentenças judiciais. A ordem era não fazer prisioneiros, e prisioneiros não seriam feitos. Tinha início a terceira e última investida militar no Araguaia, a Operação Marajoara. OPERAÇÃO MARAJOARA Em 7 de outubro de 1973 a tropa voltou ao Araguaia. Um efetivo menor, cerca de 400 homens, disfarçados e sem uniforme mas com grande quantidade de armamento, que eram deixados em vários povoados da área ocupada pelos guerrilheiros. Alguns deles chegavam escondidos em caixotes ocos dentro de caminhões de transporte de madeira. Para os locais, eram funcionários da "Agropecuária Araguaia" e da "Mineração Aripuanã". Chegaram prendendo moradores. Lavradores e pequenos comerciantes foram levados para prisões em Xambioá e Marabá. Alguns colocados em buracos abertos em clareiras com grade em cima. Em Tabocão, onde havia dezessete homens, foram todos presos e relatos de tortura começavam a aparecer: "Moço, tinha nego lá que tava azul que nem carne roxa.‖.
  • Antes das refeições os presos eram colocados em fila, nus, e obrigados a cantar "É um tal de soca soca, é um tal de pula pula"; quem errasse a letra, apanhava. Um camponês, de quem se suspeitava saber informações dos guerrilheiros, foi colocado num pau de arara em cima de um formigueiro, com o corpo lambuzado de açúcar e comido pelas formigas até confessar o que sabia. Nas duas primeiras campanhas os caboclos eram convencidos muitas vezes a colaborar com os militares em troca de prêmios em dinheiro. Na Operação Marajoara a escolha era outra. Mais de 20 se tornaram guias do exército. "Zé Catingueiro", um caboclo local, nos meses anteriores colaborava com os guerrilheiros levando mensagens deles aos locais convidando-os a se juntarem ao grupo. Com a chegada da tropa, meses depois matou a guerrilheira "Cristina", Jana Moroni. O matuto Ângelo Lopes de Souza, 40 anos, conhecia bem a guerrilha e os lugares por onde andavam. Levado para o campo de arame farpado montado na base de Bacaba, passou um mês preso. Recebeu proposta de guiar os militares e aderiu: "Tinha certeza que se não aceitasse seria morto". Um lugarejo, o sítio Água Boa, em São Domingos do Araguaia, foi totalmente incendiado. A chegada do CIEx e das tropas de elite na região decretou um toque de recolher voluntário entre os moradores. Ninguém saía de casa à noite. A estratégia militar de intimidação provocou adesões aos dois lados; a eles, pelo medo, e aos guerrilheiros, para fugir dos militares, incluindo meninos alunos das aulas de alfabetização de Jana Moroni e Maria Célia Correa, a "Rosa", ex-bancária carioca e estudante de Filosofia na UFRJ. Entre outubro de 1973 e outubro de 1974 a guerrilha foi sistematicamente exterminada. Pequenos grupos de combate adentravam a selva com mais poder de fogo cada um deles que todos os guerrilheiros juntos. Os oficiais e sargentos carregavam um relatório, chamado de "Normas Gerais de Ação - Plano de Captura e Destruição", que trazia a identificação de guerrilheiros a serem abatidos por prioridade. Os integrantes da chamada Comissão Militar da Guerrilha deveriam ser os primeiros a ser eliminados. No dia de natal de 1973, houve a primeira grande vitória dos militares, com a morte, numa emboscada, do comando militar guerrilheiro.Maurício Grabois, o chefe combatente do PCdoB foi morto junto com seu genro, Gilberto Olímpio Maria, o "Pedro", e mais três combatentes.
  • A partir daí a guerrilha perdeu a condição de força militar organizada, dividindo-se em colunas dizimadas aos poucos, num período de seis meses. De um lado, tornou-se uma caçada humana; de outro, uma fuga pela vida. Helicópteros sobrevoavam a floresta com alto-falantes oferecendo rendição aos guerrilheiros; quem aceitava era assassinado. Osvaldão foi morto pelo mateiro "Piauí", liderando uma patrulha. Foi degolado e seu corpo transportado pela floresta, pendurado pelas pernas numa corda amarrada a um helicóptero. "Piauí" ganhou uma gleba de terra de presente do exército e viveu da fama. Morreu na miséria em 1993 e seu sepultamento foi pago pelo governo. "Sônia" morreu em confronto com uma patrulha, emboscada na beira de um rio, e antes de ser metralhada feriu os dois comandantes da patrulha, o major Licínio e o capitão Curió. Pedro Alexandrino, o "Peri", encontrado sozinho na mata apenas com um garrucha e um quilo de sal, levou um tiro a cabeça e, transportado para a base de Xambioá, teve seu corpo chutado pelos soldados até a intervenção de um oficial exigindo respeito pelo inimigo morto. Dinaelza Coqueiro, a "Mariadina", presa depois de denunciada por camponeses, levada à Curió na casa de telhado azul, cuspiu-lhe na cara e morreu fuzilada sentada numa clareira. Vários outros, através do depoimento de testemunhas, foram presos e executados. A temida "Dina" foi presa em agosto de 1974 junto com Luiza Garlippe, enfermeira paulista e comandante médica do que restava da guerrilha; as duas foram assassinadas. Os dois irmãos Petit até então sobreviventes desapareceram. Antônio de Pádua Costa, o "Piauí", ex-estudante de astronomia no Departamento de Física da UFRJ que havia assumido o comando do principal destacamento da guerrilha após a morte de Grabois, foi preso depois de um luta corporal na mata com o sargento José Vargas Jiménez - codinome na selva "Chico Dólar" - entregue vivo ao CIEx e hoje é um desaparecido político. Com o exército calculando que o número total de guerrilheiros restantes não fosse maior do que vinte, as tropas começaram a ser retiradas nos primeiros meses de 1974, deixando apenas alguns homens do CIE e do Batalhão de Operações Especiais. Em seu lugar, foram formadas pequenas patrulhas de caçadores chamadas de Grupos Zebra. Compostas de mateiros e militares, especialmente sargentos e cabos, adentraram a selva por meses caçando os guerrilheiros sobreviventes desgarrados. Vários foram mortos assim e recompensas financeiras pagas. Para identificação de guerrilheiros mortos, os militares os fotografavam antes de enterrá-los na mata. Mais de 40 foram fotografados.
  • Quando não havia uma câmera disponível, cortava-se o polegar direito, a mão inteira do cadáver ou mesmo a cabeça. Em outubro de 1974, a última sobrevivente foi encontrada, descalça e mancando no mato. Era Walkíria Afonso Costa, a "Walk", ex-estudante de Pedagogia da UFMG. Levada à Xambioá, foi executada em 25 de outubro de 1974. Documentos encontrados anos depois, constantes no arquivo da Câmara dos Deputados e liberados para consulta pública, mostram ordens detalhadas de oficiais da Marinha, um deles o comandante-geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Edmundo Drummond Bittencourt, ainda em setembro de 1972, para a eliminação dos guerrilheiros capturados. Em 2009, o Major Curió revelou que as Forças Armadas executaram 41 guerrilheiros no Araguaia depois de serem presos vivos. De todos os integrantes da guerrilha que atuavam no Araguaia no início da Operação Marajoara, apenas dois escaparam: Ângelo Arroyo, morto dois anos depois em São Paulo, no episódio conhecido como Chacina da Lapa e Micheas Gomes de Almeida, o "Zezinho do Araguaia", que, acompanhando Arroyo na travessia doMaranhão e do Ceará para escapar da área de conflito, desapareceu por mais de vinte anos, sendo encontrado em Goiânia em 1996 depois de viver em São Paulo com outra identidade, e ainda hoje vivo. Do lado dos militares, o número estimado de mortos é de dezesseis. OPERAÇÃO LIMPEZA No inicio de 1975, com a guerrilha já exterminada, as Forças Armadas deram início a uma operação de ocultação de todos os fatos acontecidos no Araguaia, diante da política de sigilo absoluto determinado pelo governo, agora do general Ernesto Geisel. Chamada de Operação Limpeza, o objetivo era apagar os rastros da luta e dos corpos deixados para trás, enterrados pela selva. Aproximadamente 60 guerrilheiros haviam sido mortos, cerca de ⅔ deles assassinados após captura e tortura. Documentos foram queimados, acampamentos desmontados e os corpos retirados de suas covas, muitas delas rasas, e queimados. Suely Kanayama, a "Chica", morta em fins de 1974 num confronto com militares em que levou mais de cem tiros , tinha sido enterrada na base da Bacaba (hoje Vila Santana). Seu corpo foi desenterrado, enfiado num saco plástico, embarcado num helicóptero junto com outros e levado até o alto da Serra das Andorinhas – que passou a ser conhecida também como Serra dos Martírios após o episódio – onde foi queimado entre pneus velhos encharcados de gasolina.
  • A REVOLTA DOS PERDIDOS16 1976 A operação durou cerca de dez dias, com corpos sendo desenterrados e transportados nos helicópteros. Por causa do cheiro da decomposição, os pilotos usavam máscaras contra gases e lenços encharcados de perfume. Relatos também indicam o transporte em barcos de sacos contendo restos para a região conhecida como "inflamável", a parte mais funda do rio Tocantins, perto de Marabá. Nos anos seguintes, vieram à tona registros de sucessivas operações de encobrimento na região, atingindo inclusive os vivos, caboclos que conheciam os guerrilheiros e tinham o hábito de falar muito. Mesmo muitos anos depois, no período inicial da redemocratização no país, há registros dessas atividades, feitas por militares disfarçados de parentes, ainda retirando ossos de locais determinados e dissolvendo-os em ácido, com os fragmentos enterrados em outros lugares ou jogados nos rios da região. De parte do governo brasileiro, Ernesto Geisel foi o único presidente a falar, superficialmente, sobre o assunto, numa mensagem enviada ao Congresso, em 15 de março de 1975, onde dizia que houve tentativas de se organizar "bases de guerrilheiros no interior desprotegido e distante", em "Xambioá-Marabá, ao norte de Goiás e sudeste do Pará" e que todas tinham sido "completamente reduzidas". Depois disso houve apenas a instalação de uma comissão no Congresso que não chegou a nenhum resultado e os militares, oficialmente, nunca quebraram o silêncio sobre a luta no Araguaia.. 16 A REVOLTA DOS PERDIDOS, também denominada de Guerra dos Perdidos ou Segunda Guerrilha do Araguaia, foi um conflito armado que ocorreu entre o final da década de 1970 e o início da década de 1980. O acontecimento se desenvolveu na área municipal de Piçarra no Pará, na mesma região onde, até 1974, havia ocorrido a Guerrilha do Araguaia. Por isso, a revolta é considerada a "II Guerrilha do Araguaia", um desdobramento do conflito anterior. Moradores da região, que acompanharam os confrontos anteriores ou apoiaram a guerrilha do PC do B, organizaram uma revolta contra o Incra, que, sob a pressão de grileiros, decidiu refazer a ocupação na área, deslocando os posseiros locais. Os posseiros, contrariados com a decisão do órgão governamental, se reuniram em uma cabana de palha, em 26 de outubro de 1976.
  • O grupo formado por 173 homens decidiu interromper o trabalho de remarcação de lotes de terras com a realização de uma marcha até o acampamento onde estavam os funcionários do Incra. Mas, no momento da incursão, apenas 36 posseiros apareceram. Dois dos integrantes do grupo traíram o movimento e avisaram a polícia sobre plano de ataque, que começaria na manhã do dia 27. Os posseiros mudaram a estratégia e se camuflaram na mata. Mesmo assim, a polícia percebeu os movimentos e fez os primeiros disparos. Quando cessaram os tiros, os posseiros se levantaram e atacaram. Um relatório militar confirma as mortes dos soldados Claudiomiro Rodrigues e Ezio Araújo. O documento 'Incidente em São Geraldo do Araguaia', do extinto Serviço Nacional de Informações, destaca que o Exército reconhecia a truculência da polícia e acusava a força armada de conivência com os policiais corruptos. Após o confronto, policiais cercaram povoados em busca dos revoltosos, retirando famílias de suas casas à força e violentando mulheres. A principal personagem feminina da Revolta do Perdidos foi Edna Rodrigues de Souza, a Dina, que foi torturada em 1976. Ela recebeu o mesmo apelido da mais famosa integrante da guerrilha do Araguaia, Dinalva Teixeira, que também havia sido torturada dois anos antes. Em três ocasiões, Edna sofreu choques elétricos e abusos sexuais de agentes encapuzados. A primeira vez foi à beira do Araguaia, onde foi presa e ficou quatro meses. Na ocasião, Edna estava grávida.
  • COMPENDIO DA HISTORIA DAS OPERAÇÕES ESPECIAIS NO BRASIL
  • ORIGEM DAS FORÇAS ESPECIAIS E HISTÓRIA DO BRASIL, REINO UNIDO, HOLANDA, EUA E FRANÇA A direita, O criador do Serviço Aéreo Especial, o escocês David Stirling. Tal unidade influenciou o mundo com a sua filosofia de operar unidades de forças especiais(que se diferenciam dos comandos).. A esquerda, Antonio Dias Cardoso, o patrono do 1º Batalhão de Forças Especiais do Brasil que combateu contra a Holanda na Batalha de Guararapes(1640). A origem das forças especiais pode ser dividida em duas épocas diferentes mas não menos importantes e em níveis mundial e regional. A nível mundial a história das forças especiais modernas nasce no Reino Unido com a criação do Serviço Aéreo Especial durante a II guerra mundial para enfrentar a ditadura fascista italiana, o império japonês e o exército alemão em missões de inteligência atrás das linhas inimigas e ataques de longa duração O nascimento moderno das forças de ações de comandos(que se diferenciam das forças especiais pelo modus operandi nasce com a criação dos comandos britânicos para missões rápidas,curtas e agressivas pelo criador dos comandos, o Coronel Dudley Clarke Devemos sempre lembrar que unidades de forças especiais e comandos operam de modos bem diferentes e não são iguais.
  • COMANDOS BRITÂNICOS NA II GUERRA, O NASCIMENTO DOS COMANDOS MODERNOS E OS COMANDOS DO BRASIL. CORONEL DUDLEY CLARKE O CRIADOR DOS COMANDOS O termo nasceu a partir da designação de Kommando que os colonos bôeres da África do Sul davam às suas tropas de operações especiais na guerra contra os britânicos, no princípio do século XX. A palavra Kommando por sua vez teria tido origem no termo português "Comando", utilizado na Índia no sentido de um grupo de tropas sob um comando autônomo que desempenhava missões especiais durante uma batalha ou cerco. Na África do Sul tropas similares atuavam em pequenos destacamentos, que se deslocavam normalmente a cavalo, e lançavam ataques rápidos contra as tropas britânicas. Durante a 2ª Guerra Mundial foi criada essa importante unidade pelo Coronel Dudley Clarke e tanto os britânicos como os alemães decidiram utilizar este termo para designar as novas tropas de operações especiais que tinham formado (as britânicas designadas Commandos e as alemãs Kommandos). Posteriormente o termo foi utilizado por outros países para designar algumas das suas forças de elite para ataques rápidos,furtivos e missões de curto período. Assim, tal designação chamada comando foi dada a uma tropa de elite pertencente à uma das forças armadas, que é altamente adestrada e qualificada a operar sob circunstâncias e ambientes impróprios ou contraindicados ao emprego de outros elementos das forças regulares, sendo apta a cumprir uma ampla variedade de missões e tarefas, táticas ou estratégicas de curto prazo e em geral de objetivo agressivo.
  • Dentre as missões executadas por uma tropa de comandos, estão as operações de contra-guerrilha, emboscadas, além das ações diretas que necessitem de alto poder de choque de curta duração. Uma das inovações dos Comandos britânicos usadas até hoje foi a utilização de munição real durante o treinamento, não com o intuito de torturar soldados ou embuste visto serem realizadas com ângulo de tiro o mais seguros possíveis, mas para faze-los perceber a diferença do tiro real e do tiro não real e para serem habituados com isso. Torturas sem necessidade não formavam um bom soldado pois eram embuste sem necessidade. Um comando deveria ser formado com treinamento real mas fornecendo segurança, um excelente treinamento de base com muita repetição, aliados a uma doutrina de profissionalismo e seleção inteligentes. A RAÍZ DAS FORÇAS ESPECIAS NO MUNDO: SERVIÇO AÉREO ESPECIAL (SAS) "QUEM OUSA VENCE". O SAS foi uma unidade criada em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, na África do Norte, pelo tenente escocês chamado David Stirling. A unidade recebeu o nome de SAS - Serviço Aéreo Especial, para os alemães acharem que havia comandos paraquedistas servindo ao Exército britânico no Cairo. David Stirling era uma figura alta e atlética, estava se preparando para escalar o Monte Everest quando estourou a Segunda Guerra Mundial. Alistou-se nos Guardas escoceses em 1939 e em 1940 entrou como voluntário no oitavo Comandos britânicos, sob as ordens do tenente-coronel Robert Laycock, que formava parte da Força Z (mais tarde mudaria o nome para Layforce). Depois da decepção desta empreitada bélica, Stirling percebeu que, devido à mecanização da guerra, um grupo reduzido de soldados bem treinados poderia infligir ao inimigo maior dano que um batalhão inteiro.
  • Com essa ideia ele acabaria criando a primeira unidade de força especiais modernas que mudou muito até hoje visto ter como forte base a constante atualização dos seus soldados que devem estudar sobre armamentos, idiomas, tecnologia, etc. Logo depois de sofrer um acidente de paraquedas, ficou temporariamente recuperando-se, foi ai que aproveitou para visitar no Cairo o comandante-em- chefe general Claude Auchinleck. Com o apoio do também general Neil Ritchie, Stirling insistiu com Auchinleck, e o persuadiu. Logo conseguiu o que queria, recebeu sua unidade com comando independente, com o evasivo nome de "L Detachment, Special Air Service Brigade", a idéia era dar a falsa impressão de que existia uma brigada de comandos paraquedistas operando no norte da África. O General Auchinleck desde o começo não tinha fé nas idéias de Stirling, por várias vezes mandou pessoas para observar o que ele e os soldados faziam. De fato muitas coisas esquisitas aconteceram, em um estranho episódio Stirling obrigou, por falta de equipamento, os soldados a pular com equipamento completo de um jipe em movimento para treinar paraquedismo. Essas informações só faziam convencer o General Auchinleck de que Stirling estava perdendo o tempo. Outros militares das forças convencionais acham não só uma perda de tempo mas um exército de malucos com treinamento não convencional e criativo demais. Stirling foi preso pelo exército alemão em janeiro de 1943, no sul de Tunísia. Tentou escapar quatro vezes antes que o enviassem ao castelo Colditz, onde permaneceu o resto da guerra até a rendição alemã. Em 1945 fundou uma associação de ex-combatentes das SAS, da qual foi o primeiro presidente. Em 1990 foi condecorado cavaleiro pela Rainha e morreu no mesmo ano. Na campanha africana teve grande rendimento, e lutou também na Itália e na Europa. O SAS destruiu mais de 400 aviões da Luftwaffe; acreditam que teve um melhor rendimento que a RAF (Real Força Aérea Britânica) destruía em terra e no ar. Após a Segunda Guerra Mundial foi desativada e foi reativada na década de 1950, com o nome de 22o Special Air Service.
  • Ficou decidido que os Royal Marines e o Special Boats Service iriam fazer incursões de curto alcance e o SAS incursões de longo alcance e longa duração dentro de uma estratégia contra a União Soviética. Desde então tem lutado pela Grã-Bretanha nos mais diferentes lugares como na Malásia, Omã, Bornéo, Vietnam - vestindo uniformes norte-americanos , Aden, Irlanda do Norte, Malvinas, Libéria, Golfo Pérsico, Bósnia, Kosovo, Serra Leoa e Afeganistão, onde reafirmaram a sua boa reputação. A influência do SAS é notória em quase todas as forças especiais do planeta pela seleção, metodologia, didática e profissionalismo dos seus soldados. Praticamente todas forças especiais do mundo copiara ou tiveram como modelo o SAS. FORÇAS ESPECIAIS BASEADAS NA SAS O Regimento participou e deu origem a muitas outras Forças Especiais espalhadas pelo mundo, entre elas: AUSTRÁLIA, SASR - Special Air Service Regiment. De origem de um esquadrão da SAS recrutado na Austrália para auxiliar no combate na Malásia. BÉLGICA, Belgian Special Forces Group. Que teve a origem ainda na Segunda Guerra Mundial, quando o 5th SAS Regiment recrutou voluntários para cruzar a Linha Siegfried. ISRAEL, Sayeret Matkal. Moldada no SAS e carrega o mesmo lema: "Quem ousa vence". ESTADOS UNIDOS, O 1st Special Forces Operational Detachment- Delta (1st SFOD-D), ou Força Delta baseado na SAS e profundamente influenciado pelos seus conceitos. Seu fundador, Charlie Beckwith, havia servido nos anos 60 na SAS, e voltou para as Forças Especiais do Exército Americano criando lá uma unidade que seguia o SAS. Alemanha, GSG 9 - Unidade anti-terrorista da policia de fronteira alemã SASNZ- Forças especiais da Nova Zelândia. FSK (Forsvarets Spesialkommando),forças especiais da Noruega que participam ativamente de missões ao redor do mundo apoiando os EUA e OTAN possuim muito de influência do SAS,embora sobre o FSK existam muitas controvérsias sobre o seu treinamento quase kamikaze.
  • PREPARAÇÃO E SELEÇÃO FÍSICA DE DIVERSOS SOLDADOS DE ELITE AO REDOR DO MUNDO. Um verdadeiro soldado de elite deve ser em primeiro lugar inteligente o bastante para a sua função. Tais soldados muitas vezes devem atuar em diversos ambientes e para isso usam aparelhos com tecnologia avançada, devem falar outros idiomas, saber sobre a natureza, possuírem boa habilidade manual ao manusear diferentes equipamentos, devem saber ler mapas, calcular, terem empatia, saberem se relacionar e ter uma força psicológica também desenvolvida etc. Ao mesmo tempo, tais soldados devem ser verdadeiros atletas de elite, com habilidade motoras superiores as pessoas normais e aonde muitas homem irão desistir por terem o corpo ou a mente não forte o bastante. Aqui iremos falar sobre os testes de algumas das melhores unidades de elite do mundo, popularmente conhecidos pelos acrônimos TAF/EAF (teste ou exame de aptidão física em português brasileiro) ou em inglês CFT (Combat Fitness Test)/BFT(Battle Fitness Test) e Personal Fitness Test (PFT), sendo que estes diferenciam-se um do outro. SERVIÇO AÉREO ESPECIAL-REINO UNIDO 1-Requisito base- Boa nota no Personal Fitness Test (PFT), teste base de exercício físico do exército do Reino Unido que inclui pesos, flexão de braço, etc. 2- Boa nota no Combat Fitness Test (CFT). Tal teste mais funcional inclui uma marcha em passo acelerado aonde o tempo deve ser de 15 min por milha (1,60 km) carregando todo o equipamento incluindo armamento, o fuzil standard SA80. O percurso varia conforme a unidade mas varia de 6/ 8 milhas carregando o equipamento que varia de 15kg /25kg dependendo a unidade. Na seleção para o SAS o teste base é o da infantaria. FAN DANCE. Essa é a real prova para os candidatos que passaram a fase inicial que é realizada duas vezes ao ano,no inverno e verão.
  • A Fan Dance é um teste de fitness e navegação nas montanhas sendo usado como o principal processo para a escolha dos candidatos. Carregando uma mochila de 18 kg, um fuzil (5 kg) e uma garrafa de água o candidato deve percorrer 24 km em determinado tempo usando cartografia e navegação como guia. LONG DRAG Se não eliminado o candidato realiza uma outra marcha de 64 km carregando agora 25kg (não incluindo comida, água e rifle) e eles devem concluir o percurso em menos de vinte horas. Os candidatos são proibidos de usar trilhas estabelecidas e toda a navegação deve ser realizada pormapa, bússola e referências memorizadas. Depois de aprovado na seleção o candidato realiza a fase de adestramento base,adestramento na selva (fase II) e resistência a interrogatórios e sobrevivência (fase III). O candidato pode ser eliminado a qualquer momento e mesmo depois de aceito pode ser eliminado no prazo de um ano. Se selecionado continua em treinamento para alguma área em particular mantendo-se constantemente atualizado. Aproveitamento de 20 em cada 200 candidatos. A seleção dos candidatos do Special Boat Section (SBS) e Pathfinder (precurso paraquedista) do Exército do Reino Unido é similar, tendo a Fan Dance como fator decisivo para o candidato. GRUPO DE MERGULHADORE DE COMBATE(GRUMEC)-BRASIL CORRIDA SUBIDA NO CABO AGACHAMENTO BARRA NOTA 2.800m 4m 90 8 6,0 2.900m 5m 100 10 7,0 3.000m 6m 110 12 8,0 3.100m 7m 120 14 9,0 3.200m 8m 130 16 10,0 ABDOMINAL FLEXÃO NATAÇÃO NOTA 46 35 01min 55seg 6,0 50 45 01min 45seg 7,0 54 55 01min 35seg 8,0 58 65 01min 25seg 9,0 62 75 01min 15seg 10,0
  • a) Corrida: Consiste em correr a maior distância possível no intervalo de tempo de 12 minutos, em circuito pré-determinado e demarcado. Os candidatos, antes de iniciar a corrida, serão ser instruídos sobre o percurso, de modo a não invalidar o teste pela inobservância do trajeto. b) Subida no cabo. Este teste consiste em subir no cabo, preso verticalmente, utilizando somente os braços. O resultado obtido será definido pela altura máxima atingida pela marca ultrapassada por ambas as mãos ou aquela em que o candidato buscou o auxílio das pernas, recebendo o número de pontos indicado na tabela. c) Agachamento. Partindo da posição inicial em pé, mãos na cintura e pés ligeiramente afastados, o candidato deverá flexionar as pernas, com o corpo ereto e voltado para frente e retornar à posição inicial. A contagem se faz a cada retorno do candidato à posição inicial. A pontuação obtida será de acordo com a tabela e corresponderá ao número de movimentos executados no período de dois (2) minutos. d) Barra. As flexões na barra serão realizadas com as palmas das mãos voltadas para frente (pronação). O exercício consiste em içar verticalmente o corpo, suspenso em uma barra horizontal, até que o queixo ultrapasse a altura da barra e são contadas entre a distensão total dos braços e sua flexão até que o queixo a atinja. Para alcançar a barra o militar poderá utilizar qualquer meio, todavia, o impulso não deve ser empregado para contar a primeira flexão na barra. e) Abdominal. O exercício consiste em flexionar o tronco até que os cotovelos toquem nas coxas, partindo da posição decúbito dorsal, com os braços cruzados sobre o peito, joelhos unidos, pernas dobradas e apoiadas no chão com ajuda de um auxiliar. A contagem se faz a cada retorno do candidato à posição inicial.
  • A pontuação obtida será de acordo com a tabela e corresponderá ao número de movimentos executados no período de dois (2) minutos. f) Flexão. O teste tem início com o candidato apoiado de frente sobre o solo, com as mãos espalmadas, os braços, o abdome e as pernas distendidas e unidas, cabeça erguida e olhando para o horizonte, flexionando os braços e retornando à posição inicial, distendendo-os completamente. Durante o desenrolar do exercício poderá ser efetuada uma única parada, na posição inicial. A pontuação será de acordo com a tabela. g) Natação 100 mts. Consiste em realizar um percurso de 100 metros no menor tempo possível, empregando qualquer estilo de natação, com exceção do conhecido como ―cachorrinho‖. O teste deverá ser realizado preferencialmente em piscina. Caso o percurso seja realizado no mar, o teste será aplicado, no máximo, a dois candidatos simultaneamente, devendo estar disponíveis os meios materiais e pessoal necessário a uma eventual prestação de socorro. Não será permitido o uso de qualquer acessório (nadadeira, colete, etc.), não podendo o candidato agarrar-se a bóias ou embarcações, sob pena de reprovação. A escolha do local e da hora do teste deverá ser condicionada às condições de segurança, de modo a garantir a ausência de trânsito de embarcações estranhas, possibilitar o pronto atendimento em caso de socorro e evitar fatores de risco, como fortes correntes. A pontuação será distribuída de acordo com a tabela. LEGIÃO ESTRANGEIRA FRANCESA(TESTE BASE LUC-LEGER NAVETTE" (YOYO) -Corrida: alternando 20 m em 1 min e 20 m em 2 min.Mínimo 7 palier sendo que 1 palier é igual a correr 20 durante 6 vezes. -Barras: min 4; -Corda: subir uma corda de 5 metros com os braços ou com os braços e pernas; -Abdominais: min 40.
  • NAVY SEALS-FORÇAS ESPECIAIS DA MARINHA DOS EUA PTF base Mínimo Média Bom Nado 500 jardas(peito ou nado de lado)10 min de descanso segue para flexões 12:30 10:00 9:30 Flexões de braço(max em 2 min,2 min de descanso segue abdominais 42 79 100 Abdominais(max em 2 min,segue para barra fixa) 50 79 100 Barra fixa(max sem tempo,10 min descanso segue corrida) 06 11 25 Corrida 1.5 milha(feita com calçados leves) 11:00 10:20 09:30 COMANDOS BRASILEIROS- EXÉRCITO BRASILEIRO. -Corrida de 8 km: 39 minutos. -Barra: varia -Flexão de braço: varia -Abdominais: varia -Corda:escalar uma corda de 4 metros com fardamento, sem equipamento e desarmado sem utilizar as pernas; -Natação de 400 metros de fardamento sem equipamento e desarmado; -Nado submerso:15 metros com fardamento, sem equipamento e desarmado; -Pista de pentatlo militar(PPM )usando fardamento e calçado leve; -Flutuação:15 fardado com coturno, desarmado e sem equipamento; -Marcha de 16 km em 2h 45 min. Fardado com todo equipamento e com a mochila pesando 15 kg durante todo o trajeto.
  • AS FORÇAS ESPECIAIS NO BRASIL "QUALQUER MISSÃO, EM QUALQUER LUGAR, A QUALQUER HORA, DE QUALQUER MANEIRA." A HISTÓRIA REGIONAL DAS FORÇAS ESPECIAIS (ORIGEM NO BRASIL) A nível nacional a Batalha de Guararapes17, em torno de 1640 demonstrou o que uma unidade bem treinada pode fazer mesmo sendo menor em número. 17 A Batalha dos Guararapes, na sequência da Guerra da Restauração após a Restauração da Independência de Portugal de 1640, foi uma batalha travada em dois confrontos entre o exército da Holanda e os defensores do Império Português no Morro dos Guararapes, atual município de Jaboatão dos Guararapes, situado na Grande Recife, em Pernambuco, Brasil. Os dois confrontos foram: 1ª Batalha dos Guararapes - 19 de abril de 1648. 2ª Batalha dos Guararapes (decisiva) - 19 de fevereiro de 1649 Por ter sido vencida pelos portugueses destaca-se como episódio marcante na Insurreição Pernambucana, que culminou no término das Invasões holandesas do Brasil, no século XVII. A assinatura da capitulação deu-se em 1654, no Recife, de onde partiram os últimos navios holandeses em direção à Europa. Primeira batalha Segue um resumo da descrição da 1ª batalha, segundo Diogo Lopes Santiago, um cronista da guerra: Tanto que nossa infantaria se escondeu nos mangues ao pé do último monte, Antônio Dias Cardosoordenou a 20 de seus melhores homens que fossem com 40 dos índios de Filipe Camarão procurar o inimigo, que marchava do Recife pelo caminho dos Guararapes. Na entrada dos montes, nossos 60 soldados atacaram a vanguarda holandesa e vieram se retirando sem dar costas ao inimigo, atraindo-o a uma passagem estreita entre os montes e o mangue, até poucos passos de onde estava o nosso exército. Do nosso lado houve certa confusão e opiniões de retirada frente àquele exército tão superior, mas os dois mestres de campo, João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiros, resolveram, conforme combinado, enfrentá-los ali, dando a primeira carga e investindo no inimigo à espada, mesmo que sob fogo dos mosquetes. Marchou André Vidal pela baixa com o Camarão à sua direita pelo mangue. Vieira avançou pelo alto com Henrique Dias à sua esquerda. Aguardaram os nossos duas espantosas cargas de mosquetaria e artilharia sem da nossa parte se dar nenhum tiro, indo ao encontro do inimigo já bem perto. Neste tempo, por toda parte, disparou nosso fogo de uma só vez, causando grande dano e desorganização nos esquadrões inimigos. Logo os nossos sacaram as espadas e atacaram com tanto ímpeto e violência que não puderam os lanceiros conter os nossos de infiltrarem-se, matarem e destroçarem por meia hora, até que lhes pusessem em fuga.
  • Fugindo e descendo do monte, a seu pesar com mais presteza do que subira, os que escaparam de Dias e Vieira se juntaram aos que estavam em retirada pela campina pressionados por Vidal e Camarão. Ganhamos todos os canhões do inimigo e muita bagagem, motivo que levou muitos soldados ao saque e à euforia. Como esperado em exércitos como aquele holandês, ter gente de reserva para situações difíceis lhes valeu um contra-ataque fulminante pegando nossos soldados desorganizados, além de exaustos, que se puseram em fuga monte abaixo. A luta desesperada que seguiu daí pela defesa da passagem estreita (apelidada boqueirão) durou várias horas, com os oficiais (nossos e inimigos) no meio da ação. Acabamos por perder 4 das 6 peças da artilharia ganha. Por fim, o campo ficou nosso e o alto dos montes do inimigo. O general holandês, gravemente ferido no tornozelo, determinou a retirada durante a noite deixando dois canhões apontados para o boqueirão, disfarçando seu recuo para o Recife. 2 A 2ª Batalha dos Guararapes foi uma batalha travada entre o exército da Holanda e os defensores doImpério Português no Morro dos Guararapes, atual município de Jaboatão dos Guararapes, 10 km ao Sul do Recife, no estado de Pernambuco, Brasil. Foi vencida pelos portugueses e destaca-se como episódio decisivo na Guerra da Restauração e particularmente na Insurreição Pernambucana, que culminou no término das Invasões holandesas do Brasil, no século XVII. A assinatura da capitulação deu-se em 1654, no Recife, de onde partiram os últimos navios holandeses em direção à Europa. Esta 2ª Batalha ocorreu em 19 de fevereiro de 1649. A 1ª Batalha havia sido travada em 19 de abril de1648. Segue um resumo da descrição da batalha segundo Lopes Santiago, um cronista da guerra: Havendo aprestado as coisas necessárias, o exército holandês saiu do Recife em 18 de fevereiro de 1649, com cinco mil homens de guerra, todos soldados experientes, com que fazia mais forte o poder que o da batalha passada. Traziam também 200 índios, duas companhias de negros e 300 marinheiros que se dispuseram a enfrentar a luta na campanha; 6 canhões, 12 bandeiras, trombetas, caixas e clarins. Posto que não lustrosos com as golas e enfeites que da primeira vez traziam, vinham com longas lanças com as quais andaram treinando para defender a integridade dos esquadrões contra os ataques infiltrados de nossa infantaria. No tempo que chegou nosso exército ao primeiro monte já estava o inimigo formado em todos os outros e na baixa (boqueirão) onde havia ocorrido o principal da batalha anterior. Mandou Francisco Barreto de Meneses fazer alto e tomou conselho por onde haveriam de buscar a luta, se pela frente, se pela retaguarda ou se pelos lados.
  • O bravo Antonio Dias Cardoso, apelidado o mestre das emboscadas, foi um valente soldado capaz de demonstrar que o mais astuto, inteligente e corajoso pode vencer alguém mais forte. Claro, junto a ele tal mérito também coube às forças brasileiras da época, comandadas por outros exemplares guerreiros brasileiros. André Vidal de Negreiros e Francisco Figueroa deram votos que fosse pela frente, mas João Fernandes Vieira, que vinha com o grosso da gente, deu parecer contrário: que se buscasse o inimigo pela retaguarda (como na 1ª batalha) uma vez que onde estavam não tinha água e deveriam acampar com algum conforto ao fim da tarde, deixando o holandês à espera. Concordou Francisco de Meneses com este último parecer e assim mandou seguirem a um engenho ali perto onde repousaram e traçaram o plano do ataque, pelo que se concordou em iniciar a ação tão logo abandonasse o inimigo suas posições, para qualquer rumo que fosse. No dia 19, das 13:00 para as 14:00 (castigado pelo sol), tanto que foram os holandeses desocupando o alto dos montes para formarem um grande esquadrão na direção do Recife, nosso exército iniciou a aproximação. João Fernandes Vieira com 800 de seus homens foi o primeiro a entrar na luta, bem no meio da área que chamavam boqueirão, onde o inimigo tinha 6 esquadrões e duas peças de artilharia. Após 25 min de cargas de fogo, João Fernandes tentou cortar a formação holandesa pelo alagado. Sem sucesso, de volta à posição inicial, pediu a todos que investissem à espada após uma última carga na cara do inimigo, e assim foi ganho o boqueirão à espada (apesar da brava resistência dos lanceiros holandeses), onde conquistamos 2 canhões de campanha. Nesta altura já estavam em luta todos os nossos vindo pelo alto e fraldas do último monte: Henrique Dias, Diogo Camarão, Francisco Figueroa, André Vidal, Dias Cardoso e a cavalaria de Antônio Silva. Tomado o monte central e suas 4 peças de artilharia, bem como as tendas do comandante holandês Van den Brinck (que foi morto na ocasião), os luso-brasileiros pressionaram os inimigos até sua desintegração e fuga para Recife, sendo perseguidos por nossos cavaleiros exaustos; muitos fugiram para os matos, outros se entregaram implorando pelas vidas. Diogo Lopes de Santiago. Historia da guerra de Pernambuco (...). [S.l.: s.n.], 1943. 756 p. ISBN 9788586206153 (Trechos digitalizados -Google books) Santiago, Diogo Lopes. História da Guerra de Pernambuco (...), 1654. HERÓIS DA PÁTRIA A Lei nº 12.701, de 06 de agosto de 2012 3 determinou que os nomes dos principais personagens luso-brasileiros na batalha, juntamente com o de Francisco Barreto de Meneses que comandou de ofício o "Exército Patriota" e é chamado "Restaurador de Pernambuco", fossem incritos no Livro de Heróis da Pátria (conhecido como "Livro de Aço"), depositado noPanteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, um cenotáfio que homenageia os heróis nacionais localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília. BIBLIOGRAFIA Santiago, Diogo Lopes. História da Guerra de Pernambuco (...), 1654.
  • Em 1640 o Brasil conheceria, segundo fontes históricas a mais antiga unidade de forças especiais em território nacional. A história dos Operadores de Forças Especiais do Exército Brasileiro remonta do século XVII, na Campanha de Guararapes, origem do próprio Exército Brasileiro. Em 1640, durante a 2ª Invasão Holandesa, o Patrono e maior exemplo dos Forças Especiais, o Sargento-Mor Antônio Dias Cardoso foi enviado pelo Governador Geral da Colônia à Capitania de Pernambuco com a missão de organizar e instruir civis, índios nativos, brancos portugueses e seus descendentes já nascidos em solo pátrio, e negros escravos, para expulsar o invasor estrangeiro. Neste intuito, Antônio Dias Cardoso infiltrou em território pernambucano grande quantidade de armamento e munição, aliciou líderes da região e recrutou a população, organizando-os, instruindo-os e equipando-os para comporem suas Forças de Resistência e Emboscada. Devido ao sucesso da Batalha do Monte das Tabocas, o pequeno efetivo organizado pelo Sargento-Mor foi transformado no Exército da Restauração, célula ―mater‖ da Força Terrestre Brasileira que, utilizando táticas inéditas para a época e bastantes semelhantes às presentes na atual doutrina de nossas Forças de Operações Especiais, derrotou os holandeses nas duas batalhas dos Guararapes. A HISTÓRIA MODERNA DAS FORÇAS ESPECIAIS BRASILEIRAS Mais recentemente, em meados do século XX, as experiências e ensinamentos colhidos ao longo da 2ª Guerra Mundial impuseram ao Exército Brasileiro a evolução no campo das Operações Especiais. Assim, naquele momento, mais especificamente em 1957, deu-se início à história moderna das Forças Especiais Brasileiras, quando o Cel R/1 Gilberto Antônio Azevedo e Silva, após retornar de um intercâmbio com o Exército dos Estados Unidos da América, propôs a criação de uma unidade semelhante à tropa de Forças Especiais daquele país. Desta forma, sob sua liderança, os chamados "Pioneiros" realizaram o primeiro Curso de Operações Especiais de nossa Força Terrestre. Em 1961, oficiais e sargentos com o curso de Operações Especiais foram aos Estados Unidos da América e trouxeram a doutrina dos "Special Forces" e "Rangers", adaptando-a às características e peculiaridades de nosso País.
  • Em 12 de agosto de 1968, finalmente foi criado o Destacamento de Forças Especiais, subordinado à Brigada de Infantaria Paraquedista, no Rio de Janeiro, fato que deu início ao desenvolvimento e emprego da doutrina brasileira de Forças Especiais no Exército. Paralelamente, findando um processo que perdurou por cerca de 10 anos, após cursos, instruções e um trabalho árduo e determinado de nossos "Pioneiros", foram organizados, em 1968, os primeiros Curso de Ações de Comandos e de Forças Especiais. O final do século XX e os conflitos militares que se avolumavam naqueles anos mostraram uma tendência de emprego, cada vez maior, de Forças de Operações Especiais, o que foi determinante para a criação do 1º Batalhão de Forças Especiais, em 30 de setembro de 1983, a partir do núcleo do Destacamento de Forças Especiais. Esta Unidade instalou-se, no ano seguinte, no Camboatá, na cidade do Rio de Janeiro. Por seus feitos e glórias como uma das principais Reservas Estratégicas do Exército, em 1991 este Batalhão recebeu a denominação histórica de Batalhão Antônio Dias Cardoso, uma justa homenagem ao Sargento-Mor considerado o primeiro Operador de Forças Especiais do Brasil. Ou seja, as forças especiais do Brasil possuem origem quando a Holanda tentou invadir o Brasil. Nesse combate os brasileiros unidos em um grupo multiétnico e em menor quantidade numérica venceram um exército muito maior(o n°1 da época) usando técnicas de guerrilha e emboscadas, surgindo assim as forças especiais brasileiras. No século 20 tal doutrina foi modernizada e atualizada baseando-se nos métodos das forças especiais e comandos do Reino Unido via Estados Unidos da América que também usaram de base o Reino Unido. E alguns manuais militares do Brasil assim como a doutrina brasileira (o Brasil atualmente uma doutrina made in Brasil) muito se parecem com os métodos das forças especiais da França.
  • FORÇAS ESPECIAIS. O QUE FAZEM? QUEM SÃO? SÍMBOLO forças especiais brasileiras do Exército: Um punhal com o paraquedas. TRADIÇÕES : O uso do gorro preto com o símbolo acima descrito HINO: Letra de Hélcio Bruno de Almeida e música de Benedito Ferraz de Oliveira Em resposta ao clamor do dever Abandono meu lar meu amor O convívio sagrado da prole Repudiando o conforto e o prazer. A distância, a saudade e a dor, Me transformam em lobo feroz, Rosto negro, olhar de rapina, Braço armado que lança o terror. Quando a luta cerrar os seus punhos Exigindo o sangue do audaz Quando o medo atingir o mais forte Misturando o pavor com a morte Vai erguer-se um guerreiro do chão Destemido, treinado e leal Vai buscar a vitória final E lutar pelo seu batalhão O silêncio das noites escuras Nos garantem sigilo total, O sabre rubro revela a bravura Inerente ao guerreiro especial, As batalhas de Dias Cardoso Líder nato, imortal varonil Fazem-nos orgulhosos soldados, (Rhum! Rhum! Há!)
  • DAS FORÇAS ESPECIAIS!!! BRASIL!!!!! DEFINIÇÃO: Soldados altamente especializados, criativos e inteligentes. Comumente, tais operações realizadas por eles são caracterizadas pela organização, preparo e emprego de forças irregulares para a conquista de objetivos políticos e militares à longo prazo. Sabotagens, operações psicológicas e de inteligência, estruturação de redes de apoio para fuga e evasão, ações contraterrorismo e reconhecimentos especiais fazem parte também do rol de missões das forças especiais. Origem do nome: Forças especiais existem a muito tempo. Durante as Guerras das Cruzadas, pequenas e bem treinadas unidades de Cavaleiros Templários atacavam as unidades individuais muçulmanas. Durante as Guerras Napoleónicas, unidades de atiradores e sapadores fora das formais linhas de combate, existiam para acções especiais de espionagem ou sabotagem. Modernamente para o Exército Britânico, foi durante a Segunda Guerra Boer(1899-1902) que a necessidade de ter unidades mais especializadas se tornou mais aparente. Unidades de batedores tais como os Lovat Scouts, um regimento das Terras Altas da Escócia especializado em tácticas militares. Os Estados Unidos e Canadá também formaram uma brigada de ski de sabotagem para operações na Noruega que ficou conhecida como Devil Brigade(A Brigada do Diabo) durante o seu desempenho em Itália. O Exército Alemão tinha o Regimento Brandenburger, o qual tinha sido originalmente fundado como uma unidade de forças especiais usada pelo Abwehr para infiltrações a longa distância. Porém, a unidade que mudou o conceito de forças especiais no mundo moderno foi o Serviço Aéreo Especial do Reino Unido (o SAS) que atuaram na II guerra mundial no deserto africano. Essa unidade influenciou a metodologia das forças especiais de muitos lugares e permanece em atividade até hoje. Tais soldados eram considerados inimigos mortais da Alemanha de Hitler e seus aliados.
  • Para soldados do SAS que eram presos, a sentença de Hitler era a morte. Deixa-los vivos poderia custar a guerra ou ter problemas no