Enfermagem em apostila clnica medica - 2010

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    28-May-2015

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1. APRESENTAO Pretende-se com esta apostila suprir a necessidade de um material bsico, fonte de consulta, que guiasse os alunos no estudo do componente curricular CLNICA MDICA do Curso Tcnico de Enfermagem, de forma que a matria pudesse ser a- prendida, baseada em informaes adaptadas as nossas necessidades e dentro das roti- nas das instituies de sade do nosso meio. A inteno a contribuio para o conhe- cimento geral, fazendo-nos crescer como profissionais de sade para o tratamento do semelhante. A Enfermagem na Clnica Mdica deve propiciar a recuperao dos pacientes para que alcancem o melhor estado de sade fsica, mental e emocional possvel, e de conservar o sentimento de bem-estar espiri- tual e social dos mesmos, sempre envolvendo e capacitando-os para o auto cuidado juntamente com os seus familiares, prevenindo doenas e danos, visando a recuperao dentro do menor tempo possvel ou propor- cionar apoio e conforto aos pacientes em processo de morrer e aos seus familiares, respeitando as suas cren- as e valores, sendo esses alcanados com a ajuda dos profissionais de enfermagem na realizao dos cuida- dos pertinentes a estes. Aretusa Delfino de Medeiros 2. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros SUMRIO UNIDADE I - INTRODUO ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE CLNICO 6 CONSIDERAES GERAIS SOBRE SADE X DOENA 6 OBJETIVOS DO SERVIO DE ENFERMAGEM EM CLNICA MDICA: 8 DIREITOS DO PACIENTE 8 UNIDADE II - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM EM AFECES DO SISTEMA RESPIRATRIO 10 DOENA PULMONAR OBSTRUTIVA CRNICA (DPOC) 10 BRONQUITE 12 ENFISEMA PULMONAR 12 ASMA 13 PNEUMONIA 15 INSUFICINCIA RESPIRATRIA 17 EDEMA AGUDO DE PULMO 18 DERRAME PLEURAL 19 EMBOLIA PULMONAR 20 UNIDADE III - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM EM AFECES DO SISTEMA CARDIOVASCULAR22 INSUFICINCIA CARDACA CONGESTIVA 23 ANGINA PECTORIS 25 HIPERTENSO ARTERIAL SISTMICA 27 INFARTO AGUDO DO MIOCRDIO 30 ARRITMIAS CARDACAS 31 VARIZES, FLEBITE E TROMBOSE 33 UNIDADE IV - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM AFECES DO SISTEMA HEMATOLGICO 34 ANEMIA 34 HEMOFILIA 37 LEUCEMIA 39 TRANSFUSO SANGUNEA 42 UNIDADE V - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM NAS AFECES DO SISTEMA DIGESTIVO 44 GASTRITE 44 LCERA PPTICA 45 HEMORRAGIA DIGESTIVA 47 PANCREATITE 48 ESTOMATITE 49 ESOFAGITE 49 3. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros MEGAESFAGO OU ACALASIA 50 COLELITASE 51 COLECISTITE 52 CONSIDERAES GERAIS DE DEMAIS AFECES DIGESTRIAS 52 APENDICITE 54 AFECES HEPTICAS 55 HEPATITES VIRAIS 56 CIRROSE HEPTICA 60 UNIDADE VI - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM EM AFECES DO SISTEMA ENDCRINO E HORMONAL 64 DIABETES MELLITUS 65 HIPERTIEOIDISMO 69 HIPOTIREOIDISMO 70 UNIDADE VII - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM S AFECES UROLGICAS 72 INFECES DO TRATO URINRIO ( ITU) 72 CISTITE 73 GLOMERULONEFRITE DIFUSA AGUDA 74 INSUFICINCIA RENAL AGUDA 76 DILISE E HEMODILISE 77 RETENO URINRIA 79 INCONTINNCIA URINRIA 80 UROLITASE OU CLCULO DO TRATO URINRIO 81 UNIDADE VIII - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM S AFECES IMUNOLGICAS E REUMTICAS 84 ARTRITE REUMATIDE 84 LPUS ERITEMATOSO 85 FEBRE REUMTICA 87 UNIDADE IX - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM S AFECES DO SISTEMA TEGUMENTAR 89 CONSIDERAES GERAIS: 89 LCERAS POR PRESSO 89 PSORASE 92 PNFIGO 93 UNIDADE X - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM S AFECES NEUROLGICAS 95 ACIDENTE VASCULAR ENCEFLICO OU CEREBRAL (AVC) 95 DOENA DE PARKINSON 97 4. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros SNDROME DE ALZHEIMER 98 CRISE CONVULSIVA 100 EPILEPSIA 103 ESCLEROSE MLTIPLA 106 ANEURISMA CEREBRAL 107 COMA: ALTERAES DA CONSCINCIA 109 UNIDADE XI - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM S AFECES NEOPLSICAS 112 UNIDADE XII - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM A PACIENTES GRAVES E AGONIZANTES 116 UNIDADE XIII - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM AOS PACIENTE PORTADORES DE DOENAS INFECCIOSAS 118 ISOLAMENTO 118 TIPOS DE ISOLAMENTO: 118 PRECAUES PADRO 119 ALGUMAS DOENAS INFECTO-CONTAGIOSAS 119 ANEXOS 125 ESTUDO CLNICO OU ESTUDO DE CASO CLNICO 127 ROTEIRO PARA ESTUDO DE CASO: 127 ESTTICA DO ESTUDO DE CASO 130 BIBLIOGRAFIA 136 5. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 6 UNIDADE I - INTRODUO ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM AO PACIENTE CLNICO CONSIDERAES GERAIS SOBRE SADE X DOENA Comumente, em nvel de organismo tem-se por definio de sade como sendo a do estado oposto ao da doena e, em decorrncia corresponderia a conceito que se subordina ausncia desta. As situaes ideais tm inspirado conceituaes de sade. No obstante, inci- dem invariavelmente em deficincias que tendem a se acentuar, medida que se apro- fundam no terreno das da impreciso dos enunciados. A mais potente nesse sentido, e talvez a mais difundi- da, bem a ser elaborada pela OMS e que figura no prembulo de sua constituio. Diz ela que sade vem a ser o estado de completo bem-estar fsico, mental e social, e no apenas a ausncia de doena. eviden- te a falta de preciso, em especial no que concerne ao significado da expresso completo bem-estar. Cer- tamente, esse pode variar de acordo com o indivduo, o tempo e o espao. Em outras palavras, o que bom para um no obrigatoriamente para outro, e nem a presena de bem-estar significa a ausncia de doena. Deve-se pensar na sade em uma escala graduada porque todos possuem algum grau de sade: em excelentes condies, razoavelmente bem, com alguma perturbao, e enfermos. Portanto, a sade um processo dinmico em que o homem luta contra as foras que tendem a alterar o equilbrio da sua sade; o ajustamento dinmico satisfatrio s foras que tendem a perturb-lo. O com- plexo processo de reduo da sade no provocado por fatores simples ou especficos, mas pelo resultado da ligao contnua entre causas e efeitos. Para considerar o indivduo com sade, necessrio que ele atinja um nvel excelente de ajustamento e equilbrio entre o homem, os agentes e o meio ambiente. Distingue-se da enfermidade, que a alterao danosa do organismo. O dano patolgico pode ser estrutural ou funcional. Doena (do latim dolentia, padecimento) o estado resultante da conscincia da perda da homeosta- sia de um organismo vivo, total ou parcial, causada por agentes externos ou no, estado este que pode cursar devido infeces, inflamaes, isquemias, modificaes genticas, seqelas de trauma, hemorragias, neo- plasias ou disfunes orgnicas. Da a definio de doena como sendo o conjunto de fenmenos desenvolvidos em organismos, as- sociados a uma caracterstica, ou srie de caractersticas comuns, que diferenciam esses organismos dos normais da mesma espcie, e de maneira a situ-los em posio biologicamente desvantajosa em relao queles. A doena um processo anormal no qual o funcionamento de uma pessoa est diminudo ou prejudi- cado em uma ou mais dimenses. o resultado do desequilbrio entre o homem e o meio fsico, mental e social. importante distinguir os conceitos de doena aguda, crnica e crnico-degenerativa: 1. Doena aguda aquela que tm um curso acelerado, terminando com convalescena ou morte em menos de trs meses. A maioria das doenas agudas caracteriza-se em vrias fases. O inicio dos sintomas pode ser abrupto ou insidioso, seguindo-se uma fase de deteriorao at um mximo de sintomas e danos, fase de plateau, com manuteno dos sintomas e possivelmente novos picos, uma longa recuperao com desapare- 6. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 7 cimento gradual dos sintomas, e a convalescncia, em que j no h sintomas especficos da doena, mas o indivduo ainda no recuperou totalmente as suas foras. Na fase de recuperao pode ocorrer as recrudescncias, que so exacerbamentos dos sintomas de volta a um mximo ou plateau, e na fase de convalescncia as recadas, devido presena continuada do fator desencadeante e do estado debilitado do indivduo, alm de (novas) infeces. As doenas agudas distinguem-se dos episdios agudos das doenas crnicas, que so exacerbao de sintomas normalmente menos intensos nessas condies. 2. Doena crnica uma doena que no resolvida num tempo curto. As doenas crnicas so doenas que no pem em risco a vida da pessoa num prazo curto, logo no so emergncias mdicas. No entanto, elas podem ser extremamente srias, As doenas crnicas incluem tambm todas as condies em que um sintoma existe continuamente, e mesmo no pondo em risco a sade fsica da pessoa, so extremamente in- comodativas levando perda da qualidade de vida e atividades das pessoas. Muitas doenas crnicas so assintomticas ou quase assintomticas a maior parte do tempo, mas caracterizam-se por episdios agudos perigosos e/ou muito incomodativos. 3. Doena crnico-degenerativa predomina na idade adulta, e sua incidncia, prevalncia e mortalidade se elevam medida que aumenta a vida mdia da populao. So caracterizadas por uma evoluo lenta e pro- gressiva, irreversvel, por um longo perodo de latncia assintomtico, exigindo constante superviso, obser- vao e cuidado. Ao realizar as aes de enfermagem atravs de uma abordagem holstica, o profissional de enferma- gem ajuda o cliente a adquirir um estado de sade. No entanto, para desempenhar efetivamente essas aes, o profissional de enfermagem deve identificar corretamente as faltas ou as deficincias relativas sade do cliente. Dentre outras, as prioridades epidemiolgicas que hoje demandam assistncia clnica ambulatorial e/ou hospitalar so as afeces do aparelho circulatrio e respirat- rio, gastrointestinal, endcrino, afeces neurolgicas, hematopoiticas e reumticas, alm das afeces otorrinolaringolgicas, oftalmolgicas, neoplsicas e urinrias. Clnica Mdica: um setor hospitalar onde acontece o atendimento integral do indiv- duo com idade superior a 12 anos que se encontra em estado crtico ou semi-crtico, que no so provenientes de tratamento cirrgico e ainda queles que esto hemodina- micamente estveis, neste setor prestada assistncia integral de enfermagem aos pacientes de mdia com- plexidade. CLNICA: Vem do grego Kline = leito, acamado. MDICA: Vem do latim medicus = Cuidar de. A clnica mdica compreende um grupo de especialidades mdicas desenvolvidas dentro de uma u- nidade hospitalar, organizada segundo um conjunto de requisitos, onde o paciente internado submetido a exames clnicos (anamnese), fsicos, laboratoriais e especiais com a finalidade de definir um diagnstico e, a seguir um tratamento especfico. 7. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 8 OBJETIVOS DO SERVIO DE ENFERMAGEM EM CLNICA MDICA: Proporcionar ambiente teraputico adequado aos pacientes com patologias diversificadas, em regime de internao; Manter de um padro de assistncia prestada aos pacientes, o que exige a aplicao de um plano de cuidados de enfermagem para a patologia especfica do paciente/cliente. DIREITOS DO PACIENTE 1. O paciente tem direito a atendimento humano, atencioso e respeitoso, por parte de todos os profissionais de sade. Tem direito a um local digno e adequado para seu atendimento. 2. O paciente tem direito a ser identificado pelo nome e sobrenome. No deve ser chamado pelo nome da doena ou do agravo sade, ou ainda de forma genrica ou quaisquer outras formas imprprias, desrespeitosas ou preconceituosas. 3. O paciente tem direito a receber do funcionrio adequado, presente no local, auxlio imediato e oportuno para a melhoria de seu conforto e bem-estar. 4. O paciente tem direito a identificar o profissional por crach preenchido com o nome completo, funo e cargo. 5. O paciente tem direito a consultas marcadas, antecipadamente, de forma que o tempo de espera no ultrapasse a trinta (30) minutos. 6. O paciente tem direito de exigir que todo o material utilizado seja rigorosamente esterilizado, ou descartvel e manipulado segundo normas de higiene e preveno. 7. O paciente tem direito de receber explicaes claras sobre o exame a que vai ser submetido e para qual finalidade ir ser coleta- do o material para exame de laboratrio. 8. O paciente tem direito a informaes claras, simples e compreensivas, adaptadas sua condio cultural, sobre as aes diag- nsticas e teraputicas, o que pode decorrer delas, a durao do tratamento, a localizao, a localizao de sua patologia, se existe necessidade de anestesia, qual o instrumental a ser utilizado e quais regies do corpo sero afetadas pelos procedimentos. 9. O paciente tem direito a ser esclarecido se o tratamento ou o diagnstico experimental ou faz parte de pesquisa, e se os bene- fcios a serem obtidos so proporcionais aos riscos e se existe probabilidade de alterao das condies de dor, sofrimento e de- senvolvimento da sua patologia. 10. O paciente tem direito de consentir ou recusar a ser submetido experimentao ou pesquisas. No caso de impossibilidade de expressar sua vontade, o consentimento deve ser dado por escrito por seus familiares ou responsveis. 11. O paciente tem direito a consentir ou recusar procedimentos, diagnsticos ou teraputicas a serem nele realizados. Deve con- sentir de forma livre, voluntria, esclarecida com adequada informao. Quando ocorrerem alteraes significantes no estado de sade inicial ou da causa pela qual o consentimento foi dado, este dever ser renovado. 12. O paciente tem direito de revogar o consentimento anterior, a qualquer instante, por deciso livre, consciente e esclarecida, sem que lhe sejam imputadas sanes morais ou legais. 13. O paciente tem o direito de ter seu pronturio mdico elaborado de forma legvel e de consult-lo a qualquer momento. Este pronturio deve conter o conjunto de documentos padronizados do histrico do paciente, princpio e evoluo da doena, racioc- nio clnico, exames, conduta teraputica e demais relatrios e anotaes clnicas. 14. O paciente tem direito a ter seu diagnstico e tratamento por escrito, identificado com o nome do profissional de sade e seu registro no respectivo Conselho Profissional, de forma clara e legvel. 15. O paciente tem direito de receber medicamentos bsicos, e tambm medicamentos e equipamentos de alto custo, que mante- nham a vida e a sade. 16. O paciente tem o direito de receber os medicamentos acompanhados de bula impressa de forma compreensvel e clara e com data de fabricao e prazo de validade. 8. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 9 17. O paciente tem o direito de receber as receitas com o nome genrico do medicamento (Lei do Genrico) e no em cdigo, datilografadas ou em letras de forma, ou com caligrafia perfeitamente legvel, e com assinatura e carimbo contendo o nmero do registro do respectivo Conselho Profissional. 18. O paciente tem direito de conhecer a procedncia e verificar antes de receber sangue ou hemoderivados para a transfuso, se o mesmo contm carimbo nas bolsas de sangue atestando as sorologias efetuadas e sua validade. 19. O paciente tem direito, no caso de estar inconsciente, de ter anotado em seu pronturio, medicao, sangue ou hemoderivados, com dados sobre a origem, tipo e prazo de validade. 20. O paciente tem direito de saber com segurana e antecipadamente, atravs de testes ou exames, que no diabtico, portador de algum tipo de anemia, ou alrgico a determinados medicamentos (anestsicos, penicilina, sulfas, soro antitetnico, etc.) antes de lhe serem administrados. 21. O paciente tem direito sua segurana e integridade fsica nos estabelecimentos de sade, pblicos ou privados. 22. O paciente tem direito de ter acesso s contas detalhadas referentes s despesas de seu tratamento, exames, medicao, inter- nao e outros procedimentos mdicos. 23. O paciente tem direito de no sofrer discriminao nos servios de sade por ser portador de qualquer tipo de patologia, prin- cipalmente no caso de ser portador de HIV / AIDS ou doenas infecto- contagiosas. 24. O paciente tem direito de ser resguardado de seus segredos, atravs da manuteno do sigilo profissional, desde que no acar- rete riscos a terceiros ou sade pblica. Os segredos do paciente correspondem a tudo aquilo que, mesmo desconhecido pelo prprio cliente, possa o profissional de sade ter acesso e compreender atravs das informaes obtidas no histrico do paciente, exames laboratoriais e radiolgicos. 25. O paciente tem direito a manter sua privacidade para satisfazer suas necessidades fisiolgicas, inclusive alimentao adequada e higinica, quer quando atendido no leito, ou no ambiente onde est internado ou aguardando atendimento. 26. O paciente tem direito a acompanhante, se desejar, tanto nas consultas, como nas internaes. As visitas de parentes e amigos devem ser disciplinadas em horrios compatveis, desde que no comprometam as atividades mdico/sanitrias. Em caso de parto, a parturiente poder solicitar a presena do pai. 27. O paciente tem direito de exigir que a maternidade, alm dos profissionais comumente necessrios, mantenha a presena de um neonatologista, por ocasio do parto. 28. O paciente tem direito de exigir que a maternidade realize o "teste do pezinho" para detectar a fenilcetonria nos recm- nas- cidos. 29. O paciente tem direito indenizao pecuniria no caso de qualquer complicao em suas condies de sade motivadas por imprudncia, negligncia ou impercia dos profissionais de sade. 30. O paciente tem direito assistncia adequada, mesmo em perodos festivos, feriados ou durante greves profissionais. 31. O paciente tem direito de receber ou recusar assistncia moral, psicolgica, social e religiosa. 32. O paciente tem direito a uma morte digna e serena, podendo optar ele prprio (desde que lcido), a famlia ou responsvel, por local ou acompanhamento e ainda se quer ou no o uso de tratamentos dolorosos e extraordinrios para prolongar a vida. 33. O paciente tem direito dignidade e respeito, mesmo aps a morte. Os familiares ou responsveis devem ser avisados imedia- tamente aps o bito. 34. O paciente tem o direito de no ter nenhum rgo retirado de seu corpo sem sua prvia aprovao. 35. O paciente tem direito a rgo jurdico de direito especfico da sade, sem nus e de fcil acesso. (Portaria do Ministrio da Sade n1286 de 26/10/93- art.8 e n74 de 04/05/94). 9. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 10 UNIDADE II - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM EM AFECES DO SISTEMA RESPIRAT- RIO Anatomia: formado por um conjunto de rgos responsveis pela absor- o de oxignio do meio ambiente e a eliminao de dixido de carbono para o meio ambiente. rgos do sistema respiratrio: - vias areas superiores: fossas nasais, boca, faringe. - vias areas inferiores: laringe, traquia, brnquios, pulmes. DOENA PULMONAR OBSTRUTIVA CRNICA (DPOC) Estado de doena pulmonar no qual o fluxo de ar est obstrudo. constituda pela bronquite crnica, enfisema, asma. Acelera as alteraes fisiolgicas da funo pulmonar que so causadas pelo envelhecimen- to. A obstruo do ar pode ser reversvel ou irreversvel. Fisiologia: Obstruo area que reduz o fluxo de ar varia conforme a doena adjacente. Bronquite crnica: o acmulo excessivo de secrees bloqueia as vias respiratrias; Enfisema: a troca gasosa comprometida (oxignio, carbono) resulta da destruio das paredes do alvolo superestendido; Asma: as vias areas inflamadas e constritas obstruem o fluxo areo. Manifestaes clnicas: - dispnia (em repouso, pode ser grave); - tosse (uso de msculos acessrios); - aumento no trabalho respiratrio; - perda de peso (interferncia na alimentao); - intolerncia os esforos/exerccios. -Rudos Adventcios(sibilos,roncos,estertores:sons anormais percebidos na ausculta pulmonar) -Baqueateamento dos dedos aumento do volume das pontas dos dedos das mos e perda do ngulo de e- mergncia da unha) A gravidade da doena determinada por exames de avaliao da funo pulmonar. Fatores de risco: 10. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 11 - exposio fumaa do fumo (fumante, tabagista passivo); - poluio do ar ambiente; - infeces respiratrias; - exposio ocupacional; - anormalidades genticas. Complicaes: podem variar dependendo do distrbio adjacente: pneumonia; atelectasia; pneumotrax; enfisema; insuficincia e falncia respiratria; hipertenso pulmonar (cor pulmonale). Tratamento: - oxigenioterapia (contnua ou intermitente); - broncodilatadores (melhorar o fluxo areo, prevenir a dispnia); - corticosterides; - reabilitao pulmonar (componentes educacionais, psicossociais, comportamentais e fsicos); - exerccios respiratrios (tosse assistida, respirao profunda, drenagem postural, entre outros); - retreinamento/exerccios. - ensino do paciente e da famlia; - medidas de enfrentamento do estresse - educao em terapia respiratria - terapia ocupacional para conservao da energia durante as atividades da vida diria. Pontos importantes para a assistncia: - orientar para deixar de fumar (interveno teraputica mais importante). O tabagismo deprime a atividade macrfaga das clulas e afeta o mecanismo ciliar de limpeza do trato respiratrio, cuja funo manter as passagens respiratrias livres de irritantes inalados, bactrias e outras matrias estranhas. O tabagismo tam- bm causa um crescente acmulo de muco, que produz mais irritao, infeco e dano para o pulmo. - orientar para vacinao; - evitar contato com alta concentrao de plen no ar e poluio ambiental; - evitar exposio a extremos de temperatura (elevadas com alto grau de umidade ou frio intenso); - resgate da auto-estima e da sensao de limitao e de impotncia (valorizao, esperana, bem-estar); - monitorizar ritmo respiratrio (dispnia e hipoxemia); - atentar para efeitos colaterais da medicao; - atentar para sinais de infeco (bacteriana ou virtica), que agravam o quadro e aumentam os riscos de 11. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 12 falncia respiratria; - oximetria de pulso; - cuidados especficos na intubao e ventilao mecnica; - em estado grave - alteraes cognitivas, dispnia, taquipnia e taquicardia. BRONQUITE Conceito: a inflamao da mucosa brnquica, caracterizada por produo excessiva de secreo da muco- sa na rvore brnquica.Tosse produtiva que dura 3 meses em cada 2 anos consecutivos, em paciente que tem outras causas excludas. Fatores de Risco: o fumo o principal fator de risco (o tabagismo deprime a atividade macrfaga das clulas e afeta o mecanismo ciliar de limpeza do trato respiratrio, cuja funo manter as passagens respi- ratrias livres de irritantes inalados, bactrias e outras matrias estranhas. o tabagismo tambm causa um crescente acmulo de muco, que produz mais irritao, infeco e dano para o pulmo. - inalao de fumaa de fumo; - poluio do ar; - exposio ocupacional a substncias perigosa suspensas no ar. Aumenta susceptibilidade a infeco do trato respiratrio inferior. As crises so mais freqentes durante o inverno. Mais freqente na 5 dcada de vida, aliada a histria de tabagismo e aumento da freqncia das infeces respiratrias. Sintomas: tosse, com produo de catarro, expectorao espessa e gelatinosa, sibilos e dispnia. Diagnstico: Exame clnico,RX e Espirometria Tratamento: broncodilatadores,antibiticos,corticoesterides,oxigenioterapia e inaloterapia. ENFISEMA PULMONAR Conceito: Distenso anormal dos espaos areos distais aos bronquolos terminais, com destruio das pa- redes alveolares. o estgio final de um processo que progrediu por muitos anos, onde ocorre a perda da elasticidade pulmonar.A funo pulmonar, na maioria dos casos, est irreversivelmente comprometida. Ao lado da bronquite obstrutiva crnica a principal causa de incapacidade. Causas: o tabagismo a principal causa; * predisposio familiar anormalidade na protena plasmtica alfa 1-antitripsina (inibidor de enzima), sem a qual certas enzimas destroem o tecido pulmonar. * sensibilidade a fatores ambientais (fumaa do fumo, poluentes areos, agentes infecciosos, alrgenos). 12. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 13 Fisiopatologia: A obstruo area causada por inflamao da mucosa brnquica, produo excessiva de muco, perda da retrao elstica das vias areas, colapso dos bronquolos e redistribuio do ar para os alv- olos funcionais. * espao morto (reas pulmonares onde no h troca gasosa); * comprometimento da difuso de oxignio; * hipoxemia; * casos graves eliminao do dixido de carbono comprometida aumento da tenso de dixido de carbono no sangue arterial (hipercapnia) acidose respiratria. Sinais e Sintomas: dispnia lenta e progressiva, tosse, anorexia e perda de peso,infeces respiratrias fre- qentes,tempo expiratrio prolongado, trax em barril. Tratamento: broncodilatadores,antibiticos,cortiesterides,oxigenoterapia, inaloterapia. Complicao: Cor pulmonale (insuficincia cardaca direita). ASMA Conceito: Doena inflamatria crnica das vias areas, resultando em hiperatividade dessas vias, edema de mucosa e produo de muco. A inflamao difusa e leva a episdios recorrentes dos sintomas. Fisiopatologia: Ocorre a diminuio do calibre dos brnquios e bronquolos devido broncoespasmo, edema e produo de muco espesso. Difere das outras doenas pulmonares obstrutivas por ser um processo reversvel (com tratamento ou espontaneamente). Acontece em qualquer idade, sendo a doena crnica mais comum na infncia. Pode ser incapacitante ou levar morte, nos casos mais graves. Classifica-se em: - Leve: sintomas discretos e espordicos, no prejudica o sono. -Moderada: Apresenta dispnia e tosse; -Grave: sintomas podem tornar-sem dirios.atividades fsicas so limitadas ( MAL ASMTICO) Sinais e Sintomas: tosse, enrijecimento do trax, sibilos, dispnia,cianose,taquicardia,sudorese,ansiedade e agitao. Fatores de risco: * a alergia o principal fator predisponente; * exposio crnica a irritantes areos ou alergnicos, condies ambientais; * odores fortes; estresse; 13. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 14 * sinusite; desgaste emocional. * tabagismo Evolui para o estado asmtico (crise grave e persistente que no responde terapia convencional. Tratamento: O mesmo que os para bronquite e Enfisema Preveno e orientao: * no fumar; * evitar mudanas bruscas de temperatura; * evitar sair de casa com o tempo muito frio; * evitar contato com pessoas portadoras de doenas respiratrias; * tomar de 6 a 8 copos de gua/dia * controlar-se emocionalmente; * evitar inalao de inseticidas, desodorantes, tintas, etc. Cuidados de enfermagem na Bronquite Crnica, Enfisema Pulmonar e Asma - repouso em ambiente arejado e limpo; - incentivar a ingesto de lquidos; - manter o ambiente calmo e tranqilo; - verificar e anotar a temperatura de 4/4 horas; - incentivar o paciente a evitar o fumo; - evitar o ar poludo e atividades fsicas; - umidificar o ambiente de repouso com H2O fervente; - usar lenos de papel na eliminao de secrees; - oferecer uma dieta nutritiva; (dieta livre); - administrar aerosolterapia, distante das refeies; - administrar oxigenoterapia (CPM). 14. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 15 PNEUMONIA Conceito: Inflamao do parnquima pulmonar causada por vrios tipos de microorganismos e agentes qumicos. Microorganismos: bactrias, micobactrias, clamdia, micoplasma, fungos, parasitas, vrus. Etiologia: As principais causas infecciosas de pneumonia incluem: bactrias pneumonia bacteriana por germes gram-positivos e gram-negativos. vrus pneumonia viral por vrus da influenza, parainfluenza e adenovrus. fungos pneumonia fngica por Cndida albicans e aspergillus. protozorios p. parasitria por Pneumocistis carinii: pacientes de AIDS. Obs.: fungos e protozorios so considerados germes oportunistas, causam pneumonia aps extenso uso de antibiticos, corticides, antineoplsicos, ou em pessoas com AIDS, ou intensamente debilitadas. A pneumonia tambm pode resultar de: aspirao brnquica de lquidos, alimentos, vmitos, etc, inalao de substncias txicas ou custicas, fumaas, poeiras ou gases. complicao de imobilidade ou de doenas crnicas. Classificao: # Adquirida na comunidade (at 48h); # Adquirida no hospital (depois de 48h); # No hospedeiro imunocomprometido; # Por aspirao. Fisiopatologia: As caractersticas das vias areas superiores impedem que partculas potencialmente infecciosas al- cancem o trato inferior (normalmente estril). Surge a partir da flora normal presente em um paciente cuja resistncia foi alterada, ou resultante da aspirao da flora presente na orofaringe. Pode ser conseqncia de microorganismos transportados pelo sangue, que entram na circulao pulmonar e ficam aprisionados no leito capilar pulmonar, tronando-se uma fonte potencial de pneumonia. Progride para uma reao inflamatria nos alvolos, produzindo um exsudato que interfere com a difuso do oxignio e do dixido de carbono. Os leuccitos (em sua maioria neutrfilos) migram para dentro dos alvolos e preenchem os espaos que normalmente contm ar. As reas do pulmo deixam de ser adequadamente ventiladas devido s secre- es e ao edema da mucosa que provocam ocluso parcial do brnquio ou dos alvolos, com diminuio na tenso alveolar de oxignio. Pode haver hipoventilao, que causa desequilbrio na ventilao/perfuso da rea afetada. 15. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 16 O sangue venoso, entrando na circulao pulmonar, passa atravs da rea subventilada e para o lado esquerdo do corao precariamente oxigenado. A mistura do sangue oxigenado, precariamente oxigenado ou desoxigenado vai resultar em hipoxemia arterial. Tipos: 1. Lobar - acomete parte de um ou mais lobos 2. Broncopneumonia - distribuda de forma macular, originada em uma ou mais reas localizadas dentro dos brnquios e estendendo-se para o parnquima pulmonar adjacente. 3.Nosocomial- adquirida aps 48h de internao Fatores de risco: Defesas comprometidas; infeces virais; doenas subjacentes ICC, diabetes, DPOC, AIDS, cn- cer, neutropenia -; tabagismo; alcoolismo; intoxicao alcolica; idade avanada; reflexo de tosse deprimi- do; antibioticoterapia; anestsico geral, sedativo (depresso respiratria); broncoaspirao; terapia respirat- ria com equipamento que no foi adequadamente limpo. Manifestaes clnicas: febre (40), dor torcica, dispnia, calafrios, cianose, tosse dolo- rosa e produtiva, escarro ferruginoso,cefalia,nuseas,vmitos, mialgia,artralgia,lbios e lngua ressecadas. Complicaes: derrame pleural, abscesso, empiema, hipotenso, bronquite crnica, e ICC. Cuidados de enfermagem: Oferecer e encorajar a ingesto de lquidos (6 a 8 copos ao dia); Estimular mudana de decbito de 2/2 horas, quando o cliente apresentar bom nvel de conscincia; Encorajar mobilizao no leito e atividade fsica conforme tolerado; Orientar ou apoiar o trax do cliente durante a tosse; Fazer avaliao respiratria pela ausculta; Incentivar a prtica da respirao profunda e tosse eficaz. Aspirar naso e orofaringe a intervalos curtos. Orientar e encorajar o cliente a repousar o mximo possvel; Observar alteraes na FR, FC, ocorrncia de dispnia, palidez ou cianose e disritmia, durante a ativida- de; Avaliar o nvel de tolerncia do cliente a qualquer atividade; Programe, junto com o cliente, atividades gradativamente aumentadas, com base na tolerncia . - manter o paciente em repouso, em quarto arejado, evitando correntes de ar; - manter o ambiente tranqilo, calmo e que proporcione conforto ao paciente; - fazer a higiene oral e corporal, mantendo o paciente limpo; - verificar e anotar os sinais vitais (T, R, P, PA) de 4/4 h; - oferecer dieta hipercalrica e hiperprotica; - estimular a ingesto de lquidos; 16. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 17 - cuidados com a oxigenoterapia; - orientar o paciente a utilizar lenos de papel e descart-los corretamente. INSUFICINCIA RESPIRATRIA Conceito: Ocorre quando o organismo no realiza a troca de oxignio por dixido de carbono adequada- mente, isto faz com que o nvel de dixido de carbono (CO2) se eleve e o de oxignio (O2) diminua, cau- sando hipxia Tipos: - Aguda: a falncia respiratria que surge nos pacientes cujos pulmes eram estrutural e funcionalmente normais, ocorre rapidamente. - Crnica: a falncia respiratria que surge nos pacientes com doena pulmonar crnica, surge em perodo de meses ou anos. Causas: ventilao inadequada, obstruo de vias areas superiores, uso de drogas, anestsicos, doenas pulmonares pr-existentes, complicaes ps-operatrias, politraumatismos, etc. Diagnstico: Exame laboratorial (gasometria) ou pelos sinais clnicos Sinais Clnicos: - FC (Freqncia Cardaca) - FR (Freqncia respiratria) - Hipxia (dispnia, taquipnia, hipotenso, taquicardia, bradicardia, arritmias, cianose) - Desorientao, queda do nvel de conscincia, agitao psicomotora) - Uso de msculos acessrios da respirao - Sudorese Tratamento: - Cnula orofarngea (Guedel): dispositivo de borracha para ser introduzido na boca evitando o deslocamen- to da lngua. Varia de tamanho de acordo com o paciente - Cnula naso-farngea: dispositivo de borracha para ser introduzido pelo nariz. O tamanho varia de acordo com o paciente. - Monitorizao: oxmetro de pulso e monitor cardaco. - Oxigenoterapia: administrao de oxignio quando o paciente est com hipxia. Mtodos de administrao de oxignio: 17. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 18 1- Catter nasal simples ou tipo culos: introduo de um catter na narina ligado a um sistema de oxi- gnio umidificado fluxo de 3 a 6 litros/min. 2- Mscaras faciais: (Venturi) mscaras que cobrem a boca e o nariz, de plstico, com orifcio lateral, transparente e fornecem concentrao de oxignio de acordo com as vlvulas que as acompanha li- gado a um sistema de umidificao. 3- Bolsa auto-inflvel: (amb) mscara que comprimida na face do paciente, podendo ser conectado ao oxignio umidificado. 4- Tenda facial de oxignio: uso limitado pela dificuldade de manuseio, sendo mais utilizado para cri- anas; fornecem baixa concentrao de oxignio. 1 2 3 4 Cuidados de Enfermagem: - organizar material de acordo com mtodo de administrao de oxignio; - manter nvel de gua no umidificador adequado; - trocar gua do umidificador diariamente e/ou de acordo com instrues da CCIH; - explicar o procedimento ao paciente; - manter nvel de comunicao durante o procedimento; - observar possveis alteraes; - observar freqentemente as condies de permeabilidade dos cateteres e/ ou sondas; - realizar troca dos cateteres nasais ou mscaras faciais; - descartar e/ou desinfectar material em expurgo. EDEMA AGUDO DE PULMO Definio: O Edema Agudo de Pulmo (EAP) um aumento sbito na presso dos capilares pulmonares, levando ao extravasamento de lquido para os alvolos, deixando o pulmo menos elstico e com menos superfcie de contato para troca de gases, manifestando-se por dificuldade respiratria. um quadro clnico crtico, decorrente da incapacidade do ventrculo esquerdo em bombear o sangue para vlvula artica, cau- sando um acmulo de lquido nos pulmes. Etiologia: Numerosas patologias cardiovasculares predispem o aparecimento do EAP, como insuficincia coronariana (angina e IAM), crise hipertensiva, as arritmias cardacas , as infeces , a anemia, a hiper hi- dratao e a intoxicao digitlica. 18. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 19 Fisiopatologia: A presso capilar pulmonar excede presso coloidosmtica do plasma com transudao alvolo intersticial a exemplo da Insuficincia ventricular esquerda aguda ou crnica descompensada, es- tenose mitral ou hipervolemia.A presso capilar normal de 8 mmHg. No EAP vai a 25 30mmHg. Manisfestaes Clnicas: - Dispnia e tosse, produzindo um escarro espumoso e tingido muitas vezes de sangue ( aspecto rosa- do),taquicardia, pele ciantica, fria e mida, inquietao e ansiedade. Tratamento: Morfina, diurticos e digitlicos * Cuidados de enfermagem fundamental que a equipe de enfermagem mantenha-se ao lado do cli- ente, demonstrando segurana e monitorando os aspectos essenciais para que o mesmo saia da crise rapidamente. Esta ao garante a eficincia e eficcia da teraputica que est baseada nos seguintes aspectos: - Manuteno de seu conforto, colocando-o em posio elevada para diminuir o retorno venoso e propiciar uma mxima expanso pulmonar; - Monitorizao dos sinais vitais; - Administrao de oxigenoterapia e de medicaes (opiceos, diurticos e digitlicos); - Manuteno de via venosa prvia com gotejamento mnimo, evitando sobrecarga volmica; - Monitorizao do fluxo urinrio. DERRAME PLEURAL Definio: O derrame pleural o acmulo anormal de lquido no espao pleural. Normalmente, somente uma pequena quantidade de lquido separa as duas membranas da pleura. Pode ocorrer o acmulo de uma quantidade excessiva de lquido por muitas razes, incluindo a insuficincia cardaca, a cirrose heptica e a pneumonia. Outros tipos de lquido que podem se acumular no espao pleural incluem sangue, pus, lquido leitoso e lquido rico em colesterol. O sangue no espao pleural (hemotrax) geralmente decorrente de uma leso torcica. Raramente, um vaso sangneo rompe-se e drena para o interior do espao pleural, ou uma dilatao de uma poro da aorta (aneurisma da aorta) drena sangue para o interior do espao pleural.O l- quido pleural acumula-se quando a sua formao excede a sua absoro. 19. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 20 Sintomas e Diagnstico Os sintomas mais comuns, independente do tipo de lquido presente no espao pleural ou de sua cau- sa, so a dificuldade respiratria e a dor torcica. No entanto, muitos indivduos com derrame pleural no apresentam qualquer sintoma. Uma radiografia torcica mostrando a presena de lquido geralmente o primeiro passo para o estabelecimento do diagnstico. A tomografia computadorizada (TC) mostra mais nitidamente o pulmo e o lquido, e pode revelar a presena de uma pneumonia, de um abcesso pulmonar ou de tumor. Tratamento: Os derrames pleurais pequenos podem necessitar apenas do tratamento da causa subjacente. Os der- rames maiores, especialmente aqueles que produzem dificuldade respiratria, podem exigir a retirada do lquido (drenagem). Normalmente, a drenagem alivia significativamente a dificuldade respiratria. Freqen- temente, o lquido pode ser drenado atravs de uma toracocentese, procedimento no qual uma pequena agu- lha (ou um cateter) inserida no espao pleural. Embora ela comumente seja realizada com objetivos diag- nsticos, a toracocentese permite a remoo de at 1,5 litro de lquido de cada vez. EMBOLIA PULMONAR Definio: uma complicao das doenas cardiopulmonares e a causa mais freqente o despre- endimento de um trombo que viaja atravs da circulao, obstruindo a circulao pulmonar; Principais Causas: bolhas de ar,gotas de gordura e fragmentos de tumor, e ainda imobilidade no lei- to esto associados a esta doena.Foras mecnicas,como movimentos musculares sbitos,mudanas de ve- locidade do fluxo sanguineo,podem ocasionar a desintegrao e o desprendimento de trombos das paredes dos vasos sanguneos.Esses mbolos so ento, transportados pela corrente sangunea, atravessam o corao e atigem o leito vascular pulmonar at se alojarem em um vaso que no lhes permite passagem.O efeito final depende do tamanho e do nmero de mbolos. ORIENTAES A UM PACIENTE PARA COLETA DE ESCARRO Uma boa amostra de escarro o que provm da rvore brnquica, obtida aps esforo de tosse, e no a que se obtm da faringe ou por aspirao de secrees nasais, nem tampouco a que contm somente saliva. O volume ideal est compreendido entre 3 a 10ml. No necessrio estar em jejum, porm importante que a boca esteja limpa, sem resduos ali- mentares.Isto conseguido atravs de um simples bochecho com gua. 20. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 21 No escovar os dentes nem usar antissptico oral; Devem ser coletadas pelo menos 2 amostras. A. Primeira amostra: coletada quanto o paciente sintomtico respiratrio procura o atendimento na unidade de sade, para aproveitar a presena dele e garantir a realizao do exame laboratorial ou nas buscas ativas reali- zadas nos domiclios, nas delegacias de polcia, nos albergues, etc, em qualquer momento do dia. No ne- cessrio estar em jejum, a amostra deve ser coletada em local aberto ao ar livre ou em sala bem arejada. B. Segunda Amostra: coletada na manh do dia seguinte, assim que o paciente despertar.Essa amostra, em geral, tem uma quantidade maior de bacilos porque composta da secreo acumulada na rvore brnquica por toda noite. Orientaes ao paciente: Recipiente coletor: entregar ao paciente: pote com tampa rosquevel j devidamente identificado( nome do paciente no copo do paciente) Procedimento de coleta: orientar o paciente para ao despertar de manh, lavar a boca, sem escovar os dentes e escarrar aps forar a tosse.Repetir essa operao at obter trs eliminaes de escarro, evitando que esse es- corra pela parede externa do pote; As amostras devem ser coletadas em locais abertos e ao ar livre ou salas bem arejadas; Informar que o pote deve ser tampado e colocado em um saco plstico com a tampa para cima, cuidando para que permanea nessa posio; Orientar para lavar as mos aps esse procedimento 21. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 22 UNIDADE III - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM EM AFECES DO SISTEMA CARDIOVAS- CULAR O corao um rgo muscular oco localizado no centro do trax. Os lados direito e esquerdo do corao possuem uma cmara superior (trio), que coleta o sangue, e uma cmara inferior (ventrculo), que o ejeta. Para assegurar que o sangue flua em uma s direo, os ventrculos possuem uma vlvula de entrada e uma de sada. As principais funes do corao so: o fornecimento de oxignio ao organismo e a eliminao de produtos metablicos (dixido de carbono) do organismo. Em resumo, o corao realiza essas funes atra- vs da coleta do sangue com baixa concentrao de oxignio do organismo e do seu bombeamento para os pulmes, onde ele capta oxignio e elimina o dixido de carbono. Em seguida, o corao recebe o sangue rico em oxignio dos pulmes e o bombeia para os tecidos do organismo. Um Olhar Dentro do Corao A incidncia em seco transversal do corao mostra a direo do fluxo sangneo normal. 22. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 23 INSUFICINCIA CARDACA CONGESTIVA Definio: A insuficincia cardaca (insuficincia cardaca congestiva) uma condio grave na qual a quantidade de sangue bombeada pelo corao a cada minuto (dbito cardaco) insuficiente para suprir as demandas normais de oxignio e de nutrientes do organismo. Causas: A insuficincia cardaca tem muitas causas, incluindo vrias doenas. Ela muito mais comum entre os idosos, pelo fato deles apresentarem maior probabilidade de apresentar alguma doena que a desen- cadeie. Apesar de o quadro apresentar um agravamento no decorrer do tempo, os indivduos com insuficin- cia cardaca podem viver muitos anos. Qualquer doena que afete o corao e interfira na circulao pode levar insuficincia cardaca, a exemplo da hipertenso arterial, arteriosclerose, infarto do miocrdio, miocardite, endocardite reumtica, insuficincia artica, hipervolemia, anemia, deficincia alimentar prolongada e insuficincia renal. Manisfestaes Clnicas: As pessoas com insuficincia cardaca descompensada apresentam cansao e fra- queza ao compensada, a adrenalina e a noradrenalina fazem com que o corao trabalhe mais vigorosamen- te, ajudando-o a aumentar o dbito sangneo e, at certo ponto, compensando o problema de bombeamento. O dbito cardaco pode retornar ao normal, embora, geralmente, custa de um aumento da freqncia card- aca e de um batimento cardaco mais forte. Outro mecanismo corretivo consiste na reteno de sal (sdio) pelos rins. Para manter constante a concentrao de sdio no sangue, o organismo retm gua concomitantemente. Essa gua adicional aumenta o volume sangneo circulante e, a princpio, melhora o desempenho cardaco. A insuficincia cardaca direita tende a produzir acmulo de sangue que flui para o lado direito do corao. Esse acmulo acarreta edema dos ps, tornozelos, pernas, fgado e abdmen. A insuficincia car- daca esquerda acarreta um acmulo de lquido nos pulmes (edema pulmonar), causando uma dificuldade respiratria intensa. Inicialmente, a falta de ar ocorre durante a realizao de um esforo, mas, com a evolu- o da doena, ela tambm ocorre em repouso. Algumas vezes, a dificuldade respiratria manifesta-se noite, quando a pessoa est deitada, em de- corrncia do deslocamento do lquido para o interior dos pulmes. Diagnstico: Os sintomas geralmente so suficientes para o mdico diagnosticar uma insuficincia cardaca. Os eventos a seguir podem confirmar o diagnstico inicial: pulso fraco e acelerado, hipotenso arterial, de- terminadas anomalias nas bulhas cardacas, aumento do corao, dilatao das veias do pescoo, acmulo de lquido nos pulmes, aumento do fgado, ganho rpido de peso e acmulo de lquido no abdome ou nos membros inferiores. Uma radiografia torcica pode revelar um aumento do corao e o acmulo de lquido nos pulmes. Freqentemente, o desempenho cardaco avaliado atravs de outros exames, como a ecocardiografia, que utiliza ondas sonoras para gerar uma imagem do corao, e a eletrocardiografia, a qual examina a atividade eltrica do corao. Outros exames podem ser realizados para se determinar a causa subjacente da insufici- ncia cardaca. Tratamento: Muito pode ser feito para tornar a atividade fsica mais confortvel, para melhorar a qualidade de vida e para prolongar a vida do paciente. No entanto, no existe uma cura para a maioria das pessoas com 23. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 24 insuficincia cardaca. Os mdicos abordam a terapia atravs de trs ngulos: tratamento da causa subjacen- te, remoo dos fatores que contribuem para o agravamento da insuficincia cardaca e tratamento da insufi- cincia cardaca em si.O uso de Digitlicos uma alternativa no tratamento. * Cuidados de enfermagem - Monitorizar a ingesta e a excreta a cada 2 horas; - manter a posio de Fowler para facilitar a respirao; - monitorizar a resposta ao tratamento diurtico; - avaliar a distenso venosa jugular, edema perifrico; - Administrar dieta hipossdica; - promover restrio hdrica. - proporcionar conforto ao paciente; dar apoio emocional; - manter o paciente em repouso, observando o grau de atividade a que ele poder se submeter; - explicar antecipadamente os esquemas de rotina e as estratgias de tratamento; - incentivar e permitir espaos para o cliente exprimir medos e preocupaes; - apoiar emocionalmente o cliente e familiares; - promover ambiente calmo e tranqilo; - estimular e supervisionar a respirao profunda; - executar exerccios ativos e passivos com os MMII; - pesar o paciente diariamente; - realizar balano hdrico; - oferecer dieta leve, fracionada, hipossdica, hipolipdica; - anotar alteraes no funcionamento intestinal; - administrar medicamentos conforme prescrio mdica, adotando cuidados especiais; - observar o aparecimento de sinais e sintomas de intoxicao medicamentosa; - transmitir segurana na execuo das atividades; Cuidados na administrao de digitlicos - verificar pulso e freqncia cardaca antes de administrar cada dose do medicamento. Caso o pulso esteja inferior a 60bpm, consultar o mdico; - observar sintomas de toxidade digital: arritmia, anorexia, nuseas, vmito, diarria, bradicardia, cefalia, mal-estar e alteraes comportamentais; 24. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 25 Cuidados com a administrao de diurticos - oferecer o medicamento pela manh; - realizar balano hdrico; - pesar o paciente diariamente; - observar sinais de fraqueza, mal estar, cimbras musculares; - estimular a ingesto de alimentos ricos em potssio (laranja, limo, tomate), desde que no aja contra- indicao. ANGINA PECTORIS Definio: A angina, tambm denominada angina pectoris, uma dor torcica transitria ou uma sensao de presso que ocorre quando o miocrdio no recebe oxignio suficiente. As necessidades de oxignio do corao so determinadas pelo grau de intensidade de seu esforo, isto , pela rapidez e pela intensidade dos batimentos cardacos. O esforo fsico e as emoes aumentam o trabalho cardaco e, conseqentemente, aumentam a de- manda de oxignio do corao. Quando as artrias apresentam estreitamento ou obstruo de modo que o fluxo sangneo ao msculo no pode ser aumentado para suprir a maior demanda de oxignio, pode ocorrer uma isquemia, acarretando dor. Causas Doena arterial coronariana aterosclerose (estreitamento da luz do vaso coronariano), arterite coronariana, espasmo arterial. Distrbios circulatrios - estenose artica, hipotenso (diminui retorno de sangue ao corao), es- pasmo arterial. Distrbios sangneos: anemia, hipoxemia e policitemia. Fatores de risco Esforo fsico, ingesto de alimentos aumentada. Emoes Exposio a baixas temperaturas Sintomas: A isquemia do miocrdio provoca ataques de DOR de gravidade varivel, desde a sensao de presso subesternal, at a dor agonizante com sensao de morte iminente. Tem as seguintes caractersticas: sensao: aperto, queimao, esmagamento, enforcamento, gases, etc. intensidade: geralmente, discreta ou moderada. Raramente, forte. localizao: retroesternal ou discretamente para a esquerda do esterno. irradiao: ombro esquerdo brao esquerdo cotovelo punho dedos. Pescoo brao direito mandbula regio epigstrica peito. 25. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 26 durao: normalmente, dura 5 minutos (em mdia), podendo durar 15 a 20 minutos, em caso de raiva extrema. alvio: repouso e nitroglicerina Outros sintomas: dispnia, palidez, sudorese, tonturas, palpitaes e distrbios digestivos (nuseas, vmitos). Diagnstico: Manifestaes clnicas da dor Anamnese Teste de esforo: esteira rolante ou bicicleta. ECG Angiografia coronariana Tratamento: O tratamento iniciado com medidas para se evitar a doena arterial coronariana, retardar sua pro- gresso ou revert-la atravs do tratamento das causas conhecidas (fatores de risco). Os principais fatores de risco, como a hipertenso arterial e os elevados nveis de colesterol, so tratados imediatamente. O tabagis- mo o fator de risco evitvel mais importante da doena arterial coronariana. O tratamento da angina depende em parte da gravidade e da estabilidade dos sintomas. Quando os sintomas pioram rapidamente, a hospitalizao imediata e o tratamento medicamentoso so usuais. Se os sintomas no forem substancialmente minimizados com o tratamento medicamentoso, a dieta e a alterao do estilo de vida, a angiografia pode ser utilizada para determinar a possibilidade de uma cirurgia de revas- cularizao miocrdica ou de uma angioplastia. * Cuidados de enfermagem - avaliar as caractersticas da dor no peito e sintomas associados. - avaliar a respirao, a presso sangnea e freqncia cardaca em cada episdio de dor torcica. - fazer um ECG, cada vez que a dor torcica surgir, para evidenciar infarto posterior. - monitorizar a resposta ao tratamento medicamentoso. - avisar o mdico se a dor no diminuir. - identificar junto ao cliente as atividades que provoquem dor. - oferecer assistncia de maneira calma e eficiente de modo a reconfortar o cliente at que o desconforto desaparea. - prover um ambiente confortvel e silencioso para o cliente/famlia. - ajudar o paciente a identificar seus prprios fatores de risco. - ajudar o paciente a estabelecer um plano para modificaes dos fatores de risco. - providenciar orientao nutricional ao cliente/famlia. - esclarecer o cliente/famlia acerca dos medicamentos que devero ser tomados aps a alta hospitalar. - esclarecer o cliente acerca do plano teraputico. - explicar a relao entre a dieta, atividades fsicas e a doena. * Cuidados de enfermagem na administrao do nitrato - a nitroglicerina pode causar uma sensao de queimadura sob a lngua quando dor forte; - orientar o paciente a no deglutir a saliva at que o comprimido esteja totalmente diludo; 26. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 27 - para ao mais rpida, orientar o paciente a triturar o comprimido entre os dentes (conforme prescrio mdica); - orientar repouso at o desaparecimento dos sintomas; - comunicar qualquer alterao ao mdico. REVISANDO: Presso arterial: a presso do sangue de encontro s paredes arteriais. Presso sistlica: presso mxima do sangue exercida de encontro s paredes arteriais quando o corao se contrai ( 100 a 140 mmHg). Presso diastlica: fora do sangue exercida de encontro s paredes arteriais durante a fase de re- laxamento do corao ( 60 a 90 mmHg). Presso sangnea: expressa como sistlica e diastlica (120 x 80 mmHg). Presso de pulso ou presso diferencial: diferena entre as presses sistlica e diastlica (40 a 60 mmHg) - traduz o volume sistlico e a elasticidade arterial. Presso arterial mdia: mdia das presses sistlica e diastlica (PAM = PA sistlica + 2(PA dias- tlica) / 3) HIPERTENSO ARTERIAL SISTMICA Definio:A presso arterial alta (hipertenso) geralmente um distrbio assintomtico no qual a elevao anormal da presso nas artrias aumenta o risco de distrbios como o acidente vascular cerebral, ruptura de um aneurisma, insuficincia cardaca, infarto do miocrdio e leso renal. A hipertenso tem sido denominada de assassino silencioso, porque, em geral, ela no produz sin- tomas durante muitos anos (at ocorrer leso de um rgo vital). O problema ocorre mais freqentemente entre os indivduos da raa negra 38% dos adultos (principalmente mulheres) negros apresentam hiperten- so arterial, em comparao com 29% dos adultos da raa branca. Frente a um determinado nvel de presso arterial, as conseqncias da hipertenso so piores nos indivduos da raa negra. A hipertenso arterial definida pela presso sistlica mdia em repouso de 140 mmHg ou mais e/ou pela presso diastlica em repouso mdia de 90 mmHg ou mais. Nos casos de hipertenso arterial, comum tanto a presso sistlica quanto a presso diastlica estarem elevadas. Classificao da HAS HAS primria ou essencial: corresponde a 90% dos casos. No h causa especfica identificvel. Caracteri- za-se por uma lenta progresso na elevao da PA ao longo de um perodo de anos. HAS secundria: corresponde a 10% dos casos. Decorre de outras doenas orgnicas definidas. Este tipo de hipertenso remitente desde que afaste a causa. Causas 27. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 28 HAS primria ou essencial: multifatorial. Hereditariedade meio ambiente (mudanas de hbito de vida e de condies gerais inerentes) influncias renais fatores hemodinmicos (DC, RVP, hipertrofia e contrao muscular dos vasos) sistema renina-angiotensina sistema nervoso (hiperatividade substncias hormonais vasoativas condies clnicas associadas (obesidade, tabagismo, diabetes mellitus, alcoolismo, etc) HAS secundria: origem endcrina - secreo inapropriada de ADH, hipo ou hipertireoidismo, diabetes mellitus, etc. origem renal: glomerulites agudas, glomerulonefrite crnica, pielonefrite crnica, nefropatias associ- adas a doenas sistmicas. origem vascular: coarctao da aorta, aneurisma da artria renal, arteriosclerose. etc. origem neurognica: ps-trauma craniano, ps-acidente vascular cerebral hemorrgico, etc. outras causas: estrgenos, doenas hipertensivas especficas da gravidez, etc. Incidncia: Mais elevado em mulheres do que em homens Aumenta aps a menopausa Mais incidente na raa negra Mais incidente em pessoas obesas Sintomas: Na maioria dos indivduos, a hipertenso arterial no produz sintomas alteraes nas retinas: hemorragia, exsudatos, estreitamento das arterolas nictria e azotemia comprometimento vascular cerebral com crise isqumica: hemiplegia temporria, perdas de consci- ncia ou alteraes da viso (turvao visual). sintomas cerebrais: dores de cabea (mecanismos desconhecidos), tonturas intensas, etc. falta de ar aos esforos; dores torcicas. sangramentos nasais. claudicao intermitente (comprometimento vascular nos MMII). Ocasionalmente, os indivduos com hipertenso arterial grave apresentam sonolncia ou mesmo o coma em razo do edema cerebral. Esse distrbio, denominado encefalopatia hipertensiva, requer um trata- mento de emergncia. Diagnstico: A presso arterial deve ser mensurada aps o paciente permanecer sentado ou deitado durante 5 minutos. Uma leitura igual ou superior a 140/90 mmHg considerada alta, mas no possvel basear o diagnstico apenas em uma leitura. s vezes, mesmo vrias leituras com valores altos no so suficientes para o estabelecimento do diagnstico. Se a leitura inicial apresentar um valor alto, a presso arterial deve ser medida novamente e, em seguida, medida mais duas vezes em pelo menos dois outros dias, para se asse- gurar o diagnstico de hipertenso arterial. Tratamento: A hipertenso arterial essencial no tem cura, mas pode ser tratada para impedir complicaes. Como a hipertenso arterial em si assintomtica, os mdicos procuram evitar tratamentos que provoquem mal-estar ou que interfiram no estilo de vida do paciente. 28. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 29 As alteraes dietticas dos indivduos diabticos, obesos ou com nvel sangneo de colesterol ele- vado tambm so importantes para a sade cardiovascular geral e podem tornar desnecessrio o tratamento medicamentoso da hipertenso arterial. A prtica moderada de exerccios aerbios til. Desde que a presso arterial esteja sob controle, os indivduos com hipertenso arterial essencial no precisam restringir suas atividades. Os tabagistas devem deixar de fumar. Terapia Medicamentosa Vrios tipos de drogas reduzem a presso arterial atravs mecanismos diferentes. Ao escolher uma droga, o mdico leva em considerao fatores como a idade, o sexo e a raa do paciente; a gravidade da hipertenso; a presena de outros distrbios, como o diabetes ou o nvel sangneo de coleste- rol elevado; os possveis efeitos colaterais, os quais variam de uma droga a outra; e o custo dos medicamen- tos e dos exames necessrios para controlar sua segurana. So utilizados diurticos e vasodilatadores peri- fricos. * Cuidados de enfermagem - avaliar presso arterial a cada 30 minutos ou quando necessrio, at estabilizao da mesma; - avaliar pulsao perifrica - observar sinais de insuficincia cardaca (taquicardia, agitao, cianose, dispnia, extremidades frias). - identificar as caractersticas da dor, como localizao, tipo, intensidade, durao, etc. - orientar o paciente quanto necessidade de repouso durante a dor; - oferecer ambiente tranqilo e organizar o atendimento, de modo a oferecer perodos de descanso. - observar a ocorrncia de epistaxe e realizar as medidas de controle. - verificar a PA diariamente nos mesmos horrios e com o paciente em repouso; - evitar excesso de atividade fsica; - atentar para sinais de confuso mental, irritabilidade, desorientao, cefalia, nuseas e vmito; - realizar balano hdrico; - oferecer dieta leve, fracionada, hipossdica, hipolipdica; - observar o aparecimento de sinais e sintomas de intoxicao medicamentosa; - transmitir segurana na execuo das atividades; - atentar para efeitos colaterais da farmacoterapia: podem ocorrer hipotenso, sensao de desmaio, vertigem ao mudar de posio, perda de fora, perda do apetite, secura na boca, sonolncia. - instruir o cliente sobre a doena e a importncia do tratamento; - orientar o paciente sobre a importncia da perda de peso corpreo, at o nvel desejado; 29. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 30 - tomar regularmente o medicamento prescrito; - descrever os efeitos dos medicamentos ao paciente e os sinais e sintomas da superdosagem; - instruir o paciente para auto verificao da presso arterial diariamente; - explicar a importncia de aderir a um programa de exerccios; - orientar o cliente e a famlia sobre: programas educacionais de aconselhamento; importncia da consulta mdica e de enfermagem; importncia da dieta alimentar; informar sobre os recursos da comunidade para o atendimento ao hipertenso. INFARTO AGUDO DO MIOCRDIO Definio: O infarto agudo do miocrdio (IAM) uma situao grave causado pelo estreitamento de uma artria coronria pela aterosclerose, ou pela obstruo total de uma coronria por mbolo ou trombo, ocasio- nando a necrose de reas do miocrdio. A reduo do fluxo sangneo tambm pode ser resultante de cho- que ou hemorragias Pode ser confundida com sintomas mais corriqueiros, tais como: flatulncia, dor muscu- lar, tenses, dentre outros. Vale lembrar que na angina o suprimento de sangue reduzido temporariamente, provocando a dor, enquanto no IAM ocorre uma interrupo abrupta do fluxo de sangue para o miocrdio. A incidncia de infarto ainda maior nos homens acima de 40 anos. Porm, mulheres no climatrio que uti- lizam anticoncepcional e fumam apresentam uma mortalidade maior ao ter infarto. Observa- se que, hoje, h um aumento de pessoas infartadas com faixa etria menor, em decorrncia do estilo da vida moderna. Fatores de risco para aterosclerose (fatores de risco cardiovascular) O risco de ocorrer aterosclerose aumenta com a hipertenso arterial, nveis sangneos elevados de colesterol ruim (LDL-colesterol), nveis baixos de colesterol bom (HDL-colesterol), tabagismo, diabetes mellitus, obesidade (principalmente da cintura para cima ou abdominal), sedentarismo, estresse psicossocial, envelhecimento e a hereditariedade. Sintomas:Em geral, a aterosclerose no causa sintomas at haver produzido um estreitamento importante da artria ou at provocar uma obstruo sbita. Os sintomas dependem do local de desenvolvimento da ateros- clerose. Por essa razo, eles podem refletir problemas no corao, no crebro, nos membros inferiores ou em praticamente qualquer regio do corpo. * Preveno e Tratamento da aterosclerose: Para evitar a aterosclerose, devem ser eliminados os fatores de risco controlveis: nveis sangneos elevados de colesterol, hipertenso arterial, tabagismo, obesidade e falta de exerccio. Medidas gerais: Reduzir a ingesto de gorduras e colesterol Parar de fumar Controle diettico Tratamento de doenas como diabetes e hipertenso. 30. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 31 O melhor tratamento para a aterosclerose a preveno. Quando a aterosclerose torna-se suficiente- mente grave a ponto de causar complicaes, o mdico deve tratar as complicaes angina, infarto do mi- ocrdio, arritmias cardacas, insuficincia cardaca, insuficincia renal, acidente vascular cerebral ou obstru- o de artrias perifricas. Manifestaes clnicas do IAM: A dor torcica o principal sintoma associado ao IAM. descrita como uma dor sbita, subesternal, constante e constritiva, que pode ou no se irradiar para vrias partes do corpo, como a mandbula, costas, pescoo e membros superiores (especialmente a face interna do membro superior esquerdo). Muitas vezes, a dor acompanhada de taquipnia, taquisfigmia, palidez, sudorese fria e pegajosa, tonteira, confuso mental, nusea e vmito. A qualidade, localizao e intensidade da dor associada ao IAM pode ser semelhante dor provocada pela angina. As principais diferenas so: a dor do IAM mais intensa; no necessariamente produzida por esforo fsico e no aliviada por nitroglicerina e repouso. A dor decorrente do IAM quase sempre vem acompanhada da sensao de morte iminente. Diagnstico: O Geralmente se baseia na histria da doena atual, no eletrocardiograma e nos nveis sricos (sangneos) das enzimas cardacas. O prognstico depende da extenso da leso miocrdica. O tratamen- to pode ser clnico ou cirrgico, dependendo da extenso e da rea acometida. Os profissionais de sade precisam estar atentos para um diagnstico precoce, tendo em vista que esta uma das maiores causas de mortalidade. O atendimento imediato, ao cliente infartado, garante a sua sobrevi- vncia e/ou uma recuperao com um mnimo de seqelas. O idoso nem sempre apresenta a dor constritiva tpica associada ao IAM, em virtude da menor resposta dos neurotransmissores, que ocorre no perodo de envelhecimento, podendo assim passar despercebido. Assistncia de enfermagem deve englobar os seguintes aspectos: Proporcionar um ambiente adequado para o repouso fsico e mental; Fornecer oxignio e administrar opiceos (analgsico e sedativo) e ansiolticos prescritos para alvio da dor e diminuio da ansiedade; Prevenir complicaes, observando sinais vitais, estado de conscincia, alimentao adequada, elimi- naes urinria e intestinal e administrao de trombolticos prescritos; Auxiliar nos exames complementares, como eletrocardiograma, dosagem das enzimas no sangue, eco- cardiograma, dentre outros; Atuar na reabilitao, fornecendo informaes para que o cliente possa dar continuidade ao uso dos medicamentos, controlar os fatores de risco, facilitando, assim, o ajuste interpessoal, minimizando seus medos e ansiedades; Repassar tais informaes tambm famlia ARRITMIAS CARDACAS Definio: As arritmias so distrbios da freqncia e do ritmo cardacos causados por alteraes no sistema de conduo do corao. Podem ocorrer em pessoas com o corao normal ou ainda como resposta a outras doenas, distrbios eletrolticos ou intoxicao medicamentosa. A freqncia cardaca normal varia de acor- do com a idade - quanto menor a idade, maior a freqncia. No adulto, pode oscilar entre 60 a 100 batimen- 31. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 32 tos por minuto (bpm). As arritmias de freqncia podem apresentar-se como taquicardia (acima de 10 bpm), bradicardia (abaixo de 60 bpm), fibrilao e flutter atrial (freqncia igual ou acima de 300 bpm). Manifestaes Clnicas dor no peito, palpitaes, falta de ar, desmaio, alterao do pulso e do eletrocardiograma (ECG), hipotenso, insuficincia cardaca , choque. Diagnsticos: O eletrocardiograma (ECG) registra a atividade eltrica do corao, permitindo diagnosticar uma vasta gama de distrbios cardacos. Eletrodos so conectados aos pulsos, tornozelos e peito. So ativados 2 eletrodos de cada vez. Cada registro representa a atividade eltrica de uma regio do corao. Quando auxi- liar este procedimento, oriente a pessoa a ficar relaxada e imvel, isto poder acalm-la. Bradicardia Fibrilao Sem atividade eltrica PCR Tratamento O tratamento feito com medicamentos antiarrtmicos, cardioverso eltrica e implantao de mar- capasso. As aes de enfermagem devem estar voltadas para: Transmitir segurana pessoa que apresenta arritmia, estabelecendo dilogo, possibilitando mesma expor seus sentimentos de impotncia e insegurana, a fim de diminuir sua ansiedade; Proporcionar sono e repouso adequados, garantindo ambiente livre de rudos; Monitorizar sinais vitais; Oferecer oxignio, se necessrio, para reduzir a hipxia causada pela arritmia; Observar os cuidados com a administrao de antiarrtmico (verificao de pulso antes e aps a do- sagem prescrita); Orientar a famlia e a pessoa acometida sobre os procedimentos a serem realizados; e, quando a alta for dada, Destacar a importncia do controle do estresse, de se evitar o uso do fumo e reduzir a ingesto de ca- fena (caf, ch mate, ch preto, refigerantes a base de cola). 32. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 33 VARIZES, FLEBITE E TROMBOSE Definies: Varizes so vrias superfcies anormalmanete dilatadas provocadas por incompetncia da circulao venosa. A flebite uma inflamao que ocorre na veia. A trombose quando se forma um cogulo de sangue no interior do vaso sanguneo.Quando as duas situaes anteriores ocorrem simultaneamente, chamamos de trombloflebite. Fatores de Risco: As veias varicosas afetam as mulheres especialmente grvidas e pessoas cujas ocupaes exijam ficar em p ou sentados por perodos prolongados. Ocorre com mais freqncia nos membros inferiores, porm possam acontecer em outras partes do orga- nismo ( ex: varizes esofgicas).Tambm pode ocorrer em pessoas com Cncer, obesos, mulheres que fazem uso de contraceptivo oral, em coagulopatia, cirurgias. Manifestaes Clnicas: Quando apenas as veias superficiais so afetadas, a pessoa pode no apresentar sintomas, mas pode ser pertubada pela aparncia das veias dilatadas. Os sintomas quando presentes podem tomar a forma de dor contnua, cimbras e fadiga muscular aumentada nas pernas, edema de tornozelo e sensao de peso.Quando ocorre obstruo venosa profunda os sinais e sintomas so> edema, dor, pigmentao e ulceraes, infeco. * Medidas Preventivas: Evitar meias e cintos apertados; Evitar cruzar as pernas na altura das coxas ou sentar ou ficar em p por longos perodos; Mudar frequentemente de posio, especialmente os acamados; Elevar as pernas quando estiverem cansadas; Fazer caminhada ou outros exerccios fsicos; Utilizar as meias elsticas de cano longo, especialmente mulheres grvidas; Avise seu mdico se voc tem um histrico de varizes, e faz uso de estrgenos; Evite fumar; Procurar evitar traumatismo no brao ou na perna ( causado por uma queda) ou leses das veias ( causadas por injees ou agulhas de aceso venoso); Se estiver confinado a uma cama ou cadeira, alongue-se com freqncia; Estique os ps como se estivesse pisando em um acelerador e depois relaxe. Faa movimentos com um p e depois com o outro. Tratamento: Farmacolgico: anticoagulantes; Cirrgico: fazendo a ligao de veias; Paliativo: que a escleroterapia, uma substncia qumica introduzida dentro da veia. 33. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 34 UNIDADE IV - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM AFECES DO SISTEMA HEMATOLGI- CO Relembrando: ELEMENTOS FIGURADOS DO SANGUE: GLBULOS BRANCOS Leuccitos,macrfagos,basfilos,neutrfilos,moncitos,eosinfilos GLBULOS VERMELHOS- eritrcitos,hemcias,hemoglobina,hematcrito PLAQUETAS PLASMA: parte lquida do sangue ANEMIA Definio: Anemia definida pela Organizao Mundial de Sade (OMS) como a condio na qual o con- tedo de hemoglobina no sangue est abaixo do normal como resultado da carncia de um ou mais nutrien- tes essenciais, seja qual for a causa dessa deficincia. Diz-se haver anemia quando a concentrao da hemo- globina sangunea diminui aqum de nveis arbitrados pela Organizao Mundial de Sade em 13 g/dL para homens, 12 g/dL para mulheres, e 11 g/dL para gestantes e crianas entre 6 meses e 6 anos. As anemias po- dem ser causadas por deficincia de vrios nutrientes como Ferro, Zinco, Vitamina B12 e protenas. Etiologia As causas principais de anemia so: perda excessiva de sangue deficincias e anomalias de produo de hemcias, e destruio excessiva de hemcias Classificao As anemias se classificam de acordo com o tamanho das hemcias: Microcticas: anemia ferropriva (a mais comum de todas), hemoglobinopatias (talassemia, hemoglobinopa- tia C, hemoglobinopatia E), secundrias a algumas doenas crnicas, anemia sideroblstica. Macrocticas: anemia megaloblstica, anemia perniciosa, alcoolismo, devido ao uso de certos medicamen- tos (Metrotrexato, Zidovudina) Normoctica: por perda de sangue, anemia aplsica, anemia falciforme, secundrias a doenas crnicas. Algumas anemias: ANEMIA FERROPRIVA - muito mais comum que as demais (estima-se que 90% das anemias sejam causadas por carncia de Ferro). O Ferro um nutriente essencial para a vida e atua principalmente na snte- se (fabricao) das clulas vermelhas do sangue e no transporte do Oxignio para todas as clulas do corpo. Crianas, gestantes, lactantes (mulheres que esto amamentando), meninas adolescentes e mulheres adultas em fase de reproduo so os grupos mais afetados pela doena, muito embora homens -adolescentes e adultos- e os idosos tambm possam ser afetados por ela. 34. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 35 Sintomas: Os sinais e sintomas da carncia de ferro so inespecficos, necessitando-se de exames laborato- riais (sangue) para que seja confirmado o diagnstico de Anemia Ferropriva. Os principais sinais e sintomas so: fadiga generalizada, anorexia (falta de apetite), palidez de pele e mucosas (parte interna do olho, gengi- vas), menor disposio para o trabalho, dificuldade de aprendizagem nas crianas, apatia. Diagnstico: O hemograma mostra a anemia, caracterizada pela presena de glbulos vermelhos menores que o normal (microcitose), por faltar-lhes contedo hemoglobnico. A dosagem plasmtica da ferritina, forma qumica de armazenamento do ferro no organismo, mostra-a muito baixa ou ausente. Tratamento : A anemia ferropriva cura-se em dois a trs meses com a administrao de sulfato ferroso oral, alm de uma dieta rica em carne vermelha, vegetais de folhas escuras tambm contm muito ferro, mas sua absoro menor. Os cereais de modo geral, e em particular o feijo e a lentilha, so ricos em ferro. Uma dieta equilibrada, portanto, deve suprir a necessidade diria de ferro, que de 1mg, para compensar o con- sumo desse mineral, uma vez que a vida mdia do glbulo vermelho e da hemoglobina de aproximada- mente 120 dias. ANEMIA PERNICIOSA - A vitamina B12, cujo nome cientfico cianocobalamina, foi isolada e iden- tificada a partir de um extrato de fgado, em 1948. indispensvel, na espcie humana, para a proliferao dos glbulos do sangue e para a manuteno da integridade das clulas nervosas. A vitamina B12 s existe no reino animal; os vegetarianos restritos (que no comem nenhum produto de origem animal), rarssimos no Brasil, desenvolvem a carncia. A falta de vitamina B12 causa anemia e alteraes neurolgicas, que so progressivas e mortais se no houver tratamento Sintomas: glossite (lngua vermelha e ardente), surgem dormncias, depois falta de sensibilidade, nas ex- tremidades; deteriorao mental irreversvel. Diagnstico: O hemograma mostra que a anemia macroctica, isto , caracterizada pela presena de eri- trcitos (glbulos vermelhos) maiores que o usual. A dosagem de vitamina B12 no soro sangneo til para o diagnstico. Tratamento : Consiste na reposio atravs de injeo intramuscular de vitamina B12; dois ou trs dias aps a primeira injeo, o paciente sente-se eufrico, bem disposto e com apetite. A anemia cura-se em pou- cas semanas; os sintomas neurolgicos de modo mais lento. Como a gastrite atrfica uma doena definiti- va, o tratamento com uma injeo mensal de B12 deve ser mantido por toda a vida. ANEMIA APLSTICA - uma doena devido a uma alterao na funo da medula ssea, onde existe uma falncia na produo de clulas sanguneas. A pancitopenia (nmero insuficiente de eritrcitos, leucci- tos e plaquetas), afeta clientes de todas as idades e ambos os sexos. (Luckmann e Sorensen, 1993). Os agentes etiolgicos fazem com que a medula ssea pare de produzir clulas sanguneas. O incio da anemia aplstica pode ser insidioso ou rpido. Nos casos hereditrios, o incio geralmente gradual. Quando a insuficincia de medula ssea resulta de uma mielotoxinas, o incio pode ser explosivo. Caso a condio no reverter, quando o agente agressor removido, ela pode ser fatal. Sintomas: fraqueza e fadigas leves e progressivas; sangramento costuma ser leve, mas em certas ocasies consiste em hemorragia da retina ou do sistema nervoso central; presena de petquias ou de equimose na pele, mucosas, conjuntivas e fundo do olho. Diagnstico: - Hemograma e esfregao de sangue perifrico: mostram diminuio nos nmeros de eritrcitos e plaquetas. 35. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 36 - Aspirao e bipsia da medula ssea: a medula ssea est hipocelular ou vazia, com um hematopoiese, bastante reduzido ou ausente. Tratamento: Nos casos de pacientes com aplasia leve deve-se procurar os possveis agentes etiolgicos, na expectativa de uma recuperao espontnea. O tratamento pode ajudar a prevenir perigosas complicaes. utilizado: - Hemotransfuso - Transplante da medula ssea. - A terapia com o imunossupressor. - A terapia de apoio. Prognstico: A evoluo do processo pode ser aguda e conduzir morte dentro de poucos dias, com o quadro de hemorragias repetidas, necrose e septicemia generalizada ou prosseguir durante meses ou mesmo vrios a- nos: vinte e cinco por cento dos pacientes morrem antes de trs meses e cinqenta por cento sobrevivem at vinte meses. ANEMIA FALCIFORME - A Anemia Falciforme uma doena gentica e hereditria, causada por anormalidade de hemoglobina dos glbulos vermelhos do sangue. Esses glbulos vermelhos perdem a forma discide, enrijecem-se e deformam-se, tomando a formato de foice. Os glbulos deformados, alongados, nem sempre conseguem passar atravs de pequenos vasos, bloqueando-os e impedindo a circulao do san- gue nas reas ao redor. Como resultado causa dano ao tecido circunvizinho e provoca dor. A forma comum da Anemia Falciforme (Hbss) acontece quando uma criana herda um gene da he- moglobina falciforme da me e outro do pai. necessrio que cada um dos pais tenha pelo menos um gene falciforme, o que significa que cada um portador de um gene da hemoglobina falciforme e um gene da hemoglobina normal. Como a condio de portador do trao falciforme um estado benigno, muitas pessoas no esto cientes de que o possuem. Quando duas pessoas portadoras do trao falciforme resolvem ter filhos(s), im- portante que saibam que para cada gestao h possibilidade de um para quatro de que a criana tenha doen- a falciforme; h possibilidade de uma em duas de que a criana tenha o trao da falciforme e a chance de um em quatro de que tenha a hemoglobina normal. A anemia falciforme mais freqente na populao negra e seus descendentes, mas ocorre tambm em brancos. A anemia falciforme no contagiosa. As pessoas portadoras necessitam de cuidados especiais de sade, desde a infncia. TRAO FALCIFORME: A Anemia Falciforme no deve ser confundida com o trao falciforme. Trao falciforme significa que a pessoa to somente portadora da doena, com vida social normal. Sinais e sintomas de anemia falciforme - Crises dolorosas: dor em ossos, msculos e juntas associadas ou no a infeces, exposies ao frio, esfor- os etc.; - palidez, cansao fcil, ictercia (cor amarelada, visvel principalmente no branco do olho); - lceras (feridas) nas pernas nas crianas pode haver inchao muito doloroso nas mos e nos ps; 36. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 37 - pode haver tambm seqestro do sangue no bao causando palidez muito grande, s vezes desmaio e au- mento do bao ( uma emergncia); - maior tendncia a infeces. Tratamento: Medicao para dor , Antibiticos,Aumento da oferta de lquidos,Transfuso sangu- nea,Repouso no leito e Cirurgia Aconselhamento gentico Pessoas que apresentam risco de gerar filhos com hemoglobinopatias graves tm o direito de ser in- formadas, atravs do aconselhamento gentico, a respeito de todas as implicaes dessas doenas. Cuidados de enfermagem - Incentivar ingesto de alimentos ricos em vitaminas e minerais 3 vezes ao dia. - Proporcionar ambiente adequado a uma melhor aceitao da dieta. - Informar o paciente da importncia da alimentao para a recuperao da sua sade. - Envolver a famlia na orientao de um plano diettico para o ps-alta. HEMOFILIA Definio: uma doena gentico-hereditria que se caracteriza por desordem no mecanismo de coagulao do sangue e manifesta-se quase exclusivamente no sexo masculino. Tipos: Existem dois tipos de hemofilia: A e B. A hemofilia A ocorre por deficincia do fator VIII de coagu- lao do sangue e a hemofilia B, por deficincia do fator IX. A doena pode ser classificada, ainda, segundo a quantidade do fator deficitrio em trs categorias: grave (fator menor do que 1%), moderada (de 1% a 5%) e leve, acima de 5%. Neste caso, s vezes, a enfer- midade passa despercebida at a idade adulta. Causa:O gene que causa a hemofilia transmitido pelo par de cromossomos sexuais XX. Em geral, as mulheres no desenvolvem a doena, mas so portadoras do defei- to. O filho do sexo masculino que pode manifestar a enfermidade. Alm dos sinais clnicos, o diagnstico feito por meio de um exame de san- gue que mede a dosagem do nvel dos fatores VIII e IX de coagulao sangnea. Diagnstico: Nos quadros graves e moderados, os sangramentos repetem-se espontaneamente. Em geral, so hemorragias intramusculares e intra-articulares que desgastam primeiro as cartilagens e depois provo- cam leses sseas. Os principais sintomas so dor forte, aumento da temperatura e restrio de movimentos e as articulaes mais comprometidas costumam ser joelho, tornozelo e cotovelo. 37. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 38 Os episdios de sangramento podem ocorrer logo no primeiro ano de vida do paciente sob a forma de equimoses (manchas roxas), que se tornam mais evidentes quando a criana comea a andar e a cair. No entanto, quando acometem a musculatura das costas, no costumam exteriorizar-se. Nos quadros leves, o sangramento ocorre em situaes como cirurgias, extrao de dentes e traumas. Tratamento: O tratamento da hemofilia evoluiu muito e, basicamente, consiste na reposio do fator anti- hemoflico. Paciente com hemofilia A recebe a molcula do fator VIII, e com hemofilia B, a molcula do fator IX. Os hemocentros distribuem gratuitamente essa medicao que fornecida pelo Ministrio da Sa- de. Quanto mais precoce for o incio do tratamento, menores sero as seqelas que deixaro os sangra- mentos. Por isso, o paciente deve ter em casa a dose de urgncia do fator anti-hemoflico especfico para seu caso e ser treinado para aplic-la em si mesmo to logo apaream os primeiros sintomas. Deve tambm fazer tambm aplicaes de gelo, no mnimo, trs vezes por dia, por 15 ou 20 minutos, at que a hemorragia es- tanque. Vencida a fase aguda, o portador de hemofilia deve ser encaminhado para fisioterapia a fim de refor- ar a musculatura e promover estabilidade articular. Recomendaes Os pais devem procurar assistncia mdica se o filho apresentar sangramentos freqentes e desproporcio- nais ao tamanho do trauma; Manchas roxas que aparecem no beb quando bate nas grades do bero podem ser um sinal de alerta para diagnstico da hemofilia; Os pais precisam ser orientados para saber como lidar com o filho hemoflico e devem estimular a criana a crescer normalmente; A pratica regular de exerccios que fortaleam a musculatura fundamental para os hemoflicos. No entan- to, esportes como jud, rgbi e futebol so desaconselhados; Episdios de sangramento devem receber tratamento o mais depressa possvel para evitar as seqelas mus- culares e articulares causadas pela hemorragia. * Cuidados de enfermagem - aconselhar sobre a importncia de conhecer sobre o tratamento; - aumentar a disposio para aprender sobre a hemofilia e seu tratamento; - ensinar o processo da doena; - proporcionar suporte emocional; - orientar modificao do comportamento, adaptando-se as limitaes impostas pela hemofilia; - ensinar habilidade psicomotora para realizar auto-infuso ou infuso domiciliar; - administrar fatores de coagulao conforme prescrio mdica; - realizar a crioterapia; 38. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 39 - orientar o repouso e imobilizao do membro durante o sangramento. - promover a terapia com atividades fsicas recomendadas para fortalecer os msculos; - orientar quanto a prtica de esportes recomendados; - orientar a terapia para controle da energia e do equilbrio; - manter cuidados com trao/imobilizao; - promover relaxamento muscular e alongamento. - administrar analgsico, conforme prescrito; - informar sobre analgsicos que devem ser evitados, como aspirina, fenilbutazona, dipirona, indometacina; - monitorar grau e desconforto da dor; - diante de sangramentos instituir rapidamente a teraputica substitutiva com o fator de coagulao; - administrar fatores de coagulao preventivamente antes de atividades que ofeream riscos; - orientar e ensinar precaues contra sangramentos; - controlar comportamento de auto-leso; - melhorar o enfrentamento nas crises hemorrgicas; LEUCEMIA Definio: A leucemia uma neoplasia maligna dos rgos formadores de sangue. Ela tem como principal caracterstica o acmulo de clulas jovens (blsticas) anormais na medula ssea, que substituem as clulas sangineas normais. A medula o local de formao das clulas sangneas, ocupa a cavidade dos ossos (principalmente esterno e bacia)e conhecida popularmente por tutano. Nela so encontradas as clulas mes ou precursoras, que originam os elementos figurados do sangue: glbulos brancos, glbulos vermelhos (hemcias ou eritrcitos) e plaquetas. A quantidade normal de leuccitos no de 4 11 mil/m de sangue Incidncia: Conforme Black & Jacobs (1996), a leucemia representa 8% de todos os cnceres humanos. a malignidade mais comum nas crianas e adultos jovens, 50% das leucemias so classificadas como agu- das, as demais, classificadas como crnicas. As agudas tm maior incidncia em crianas de 02 a 04 anos, diminuindo com a idade. As crnicas ocorrem mais em pessoas com 25 a 60 anos. Manifestaes clnicas: podem incluir: petquias (pequenas manchas hemorrgicas); equimoses (manchas azuladas decorrentes de extravasamento de sangue para a pele); epistaxe (sangramento nasal), sangramento gengival, hemorragias na retina ou em qualquer orifcio corporal; palidez; fadiga; dispnia; febre; infec- o; esplenomegalia (aumento do bao); hepatomegalia (aumento do fgado); dor ssea e nas articulaes; efeitos neurolgicos secundrios infiltrao no sistema nervoso central, tais como: desorientao, sono- lncia, torpor. Etiologia: A causa exata desconhecida, mas, existem vrios fatores a ela associados: - Exposio radiao e substncias qumicas (ex. Benzeno) - Anomalias genticas (ex. Sndrome de Down) - Presena de uma deficincia imune primria - Infeco pelo vrus leucocitrio humano (HTLV 1: Vrus que infecta as clulas T ) 39. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 40 - Fator gentico. Existem quatro categorias dos principais tipos de leucemia: leucemias mielide agudas e crnicas e leucemias linfides agudas e crnicas. A leucemia aguda progressiva e afeta clulas primitivas, perdendo a capacidade de desempenho das funes.Ocorre o crescimento rpido de clulas sanguneas imaturas.Torna a medula ssea incapaz de produzir clulas sanguneas saudveis.Acomete maior nmero de crianas e leva a morte em semanas.A leucemia crnica progride mais lentamente permitindo o crescimento de maior n- mero de clulas, j que podem ser capazes de exercer algumas de suas funes normais.ocorre um acmulo de clulas sanguneas relativamente maduras,porm ainda assim anormais.Acomete idosos e pode durar por 15 anos. *Leucemia Mielide: caracteriza-se em anormalidade gentica adquirida.Anormalidade nos cromossomos de nmeros 0 22. *Leucemia Linfide: leva a um nmero aumentado de clulas linfides.Alteraes a nvel de DNA. Diagnstico: A suspeita do diagnstico reforada pelo exame fsico. O paciente pode apresentar palidez, febre, aumento do bao (esplenomegalia) e sinais decorrentes da trombocitopenia, tais como epistaxe (san- gramento nasal), hemorragias conjuntivais, sangramentos gengivais, petquias (pontos violceos na pele) e equimoses (manchas roxas na pele). Na anlise laboratorial, o hemograma estar alterado, porm, o diagns- tico confirmado no exame da medula ssea (mielograma). Tratamento: Como geralmente no se conhece a causa da leucemia, o tratamento tem o objetivo de destruir as clulas leucmicas, para que a medula ssea volte a produzir clulas normais. O grande progresso para obter cura total da leucemia foi conseguido com a associao de medicamentos (poliquimoterapia), controle das complicaes infecciosas e hemorrgicas e preveno ou combate da doena no sistema nervoso central (crebro e medula espinhal). Para alguns casos, indicado o transplante de medula ssea. O tratamento feito em vrias fases. A primeira tem a finalidade de atingir a remisso completa, ou seja, um estado de aparente normalidade que se obtm aps a poliquimioterapia. Esse resultado consegui- do entre um e dois meses aps o incio do tratamento (fase de induo de remisso), quando os exames no mais evidenciam clulas leucmicas. Isso ocorre quando os exames de sangue e da medula ssea (remisso morfolgica) e o exame fsico (remisso clnica) no demonstram mais anormalidades. Entretanto, as pesquisas comprovam que ainda restam no organismo muitas clulas leucmicas (do- ena residual), o que obriga a continuao do tratamento para no haver recada da doena. Nas etapas se- guintes, o tratamento varia de acordo com o tipo de leucemia (linfide ou mielide), podendo durar mais de dois anos nas linfides e menos de um ano nas mielides. So trs fases: consolidao (tratamento intensivo com substncias no empregadas anteriormente); reinduo (repetio dos medicamentos usados na fase de induo da remisso) e manuteno (o tratamento mais brando e contnuo por vrios meses). Por ser uma poliquimioterapia agressiva, pode ser necessria a internao do paciente nos casos de infeco decorrente da queda dos glbulos brancos normais pelo prprio tratamento. O tratamento para leucemia crnica pode freqentemente controlar a doena e seus sintomas, mas raramente a cura. To importante quanto o tratamento do cncer em si, a ateno dada aos aspectos sociais Do indi- vduo, uma vez que o paciente deve receber ateno integral, inseridos no seu contexto familiar. A cura no deve se basear somente na recuperao biolgica, mas tambm no bem-estar e na qualidade de vida do paci- 40. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 41 ente. Neste sentido, no deve faltar ao paciente e sua famlia, desde o incio do tratamento, o suporte psi- cossocial necessrio, o que envolve o comprometimento de uma equipe multiprofissional e a relao com diferentes setores da sociedade, envolvidos no apoio s famlias e sade do doente. * Cuidados de enfermagem - justificar as tcnicas de lavagem das mos para qualquer pessoa que entre em contato com o cliente. - fazer uso de luvas e anti-sepsia rigorosa da pele para instalar infuses. - estabelecer uso de mscaras para pessoas que prestam cuidados direto ao cliente. - fazer e orientar higiene oral cuidadosa 3 a 6 vezes ao dia. - ajudar o cliente no banho dirio, usando sabo bactericida. - colocar o cliente em quarto individual e orientar para que evite o contato com portadores de doenas con- tagiosas. - promover repouso no leito durante episdios de sangramento. - informar o cliente sobre a terapia, procedimentos diagnstico e teraputicos, explicando a finalidade e im- portncia de cada um, antecipando possveis reaes e efeitos colaterais. - informar antecipadamente ao cliente, a possvel ocorrncia da perda do cabelo com a quimioterapia. Ex- plicar, que a alopcia temporria; - procurar incluir familiares e pessoas significativas na ateno e cuidados ao cliente. - adotar cuidados especiais quando for necessrio a administrao de medicamentos por via IM e EV, e son- das; - oferecer dieta hipercalrica e hiperprotica em intervalos regulares; - estimular ingesta hdrica; - adotar cuidados especiais na realizao de tricotomias, lavagens intestinais, aplicao de calor; - observar e relatar freqncia e caractersticas da eliminaes gastrintestinais e vesicais, atentando para pre- sena de sangue; - observar e registrar os efeitos colaterais dos quimioterpicos; - administrar medicaes prescritas, obedecendo rigorosamente o horrio; - realizar controle hdrico. 41. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 42 TRANSFUSO SANGUNEA A transfuso de sangue a transferncia de sangue ou de um hemocomponente (componente do sangue) de um indivduo (doador) a outro (receptor). As transfuses so realizadas para aumentar a capacidade do sangue de transportar oxignio, para restaurar o volume sangneo do organismo, para melhorar a imunidade ou para corrigir distrbios da coagulao. Dependendo do motivo da transfuso, o mdico pode prescrever sangue total ou um hemocomponente como, por exemplo, eritrcitos, plaquetas, fatores da coagulao san- gnea, plasma (a parte lquida do sangue) fresco congelado ou leuccitos. Sempre que possvel, realizada a transfuso apenas do hemocomponente que suprir a necessidade especfica do paciente, e no de sangue total. A administrao de um hemocomponente especfico mais segura e evita o desperdcio dos demais. Graas s melhores tcnicas de triagem do sangue, as transfuses atualmente so mais seguras que nunca. No entanto, elas ainda apresentam riscos para o receptor (p.ex., reaes alrgicas e infeces). Apesar da chance de infeco pelo vrus da AIDS ou da hepatite por transfuso ser remota, os mdicos esto bem conscientes desse risco e somente a prescrevem quando no existe outra alternativa. * Sangue e Seus Componentes Um indivduo que necessita urgentemente de uma grande quantidade de sangue (p.ex., algum que apresenta um sangramento intenso) pode receber sangue total para ajudar na restaurao da circulao e do volume lquido. O sangue total tambm pode ser administrado quando no existe a disponibilidade de um determinado componente separadamente. O componente do sangue mais comumente transfundido, o con- centrado de eritrcitos (mais comumente denominado concentrado de hemcias) consegue restaurar a capa- cidade de transporte de oxignio do sangue. Esse hemocomponente pode ser administrado a um indivduo que apresenta uma hemorragia ou uma anemia grave. Muito mais caras que o concentrado de hemcias, os eritrcitos congelados normalmente so reservados para as transfuses de tipos de sangue raros. Alguns in- divduos que necessitam de sangue so alrgicos a ele. Quando as medicaes no impedem a ocorrncia de reaes alrgicas, pode ser necessria a administrao de eritrcitos lavados. A lavagem dos eritrcitos re- move quase todos os traos de substncias que podem causar alergia do plasma do doador. A trombocitope- nia (quantidade muito pequena de plaquetas) pode acarretar hemorragia espontnea e grave. A transfuso de plaquetas pode restaurar a capacidade de coagulao do sangue. Os fatores da coagula- o do sangue so protenas plasmticas que normalmente atuam em conjunto com as plaquetas para auxiliar na coagulao sangnea. Sem a coagulao, o sangramento no seria interrompido aps uma leso. Os con- centrados de fatores da coagulao podem ser administrados aos indivduos que apresentam um distrbio hemorrgico hereditrio (p.ex., hemofilia). O plasma tambm uma fonte de fatores da coagulao sang- 42. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 43 nea. O plasma fresco congelado utilizado no tratamento de distrbios hemorrgicos quando no se sabe qual fator da coagulao est faltando ou quando no existe concentrado de reposio disponvel. Ele tam- bm utilizado quando a hemorragia causada por uma produo insuficiente de protenas dos fatores da coagulao decorrente de uma insuficincia heptica. Raramente, realizada a transfuso de leuccitos para tratar infeces potencialmente letais em indivduos cuja contagem leucocitria encontra-se muito reduzida ou cujos leuccitos funcionam de forma anormal. Nessas condies, antibiticos so comumente prescritos. Algumas vezes, realizada a administrao de anticorpos (imunoglobulinas), os componentes do sangue que combatem as infeces, para melhorar a imunidade de indivduos que foram expostos a uma doena infec- ciosa (p.ex., varicela ou hepatite) ou que apresentam concentraes baixas de anticorpos. * Precaues e Reaes Para minimizar a possibilidade de uma reao durante uma transfuso, os profissionais de sade devem tomar vrias precaues. Aps verificar duas vezes que o sangue que est para ser transfundido destinado ao indivduo que ir receb-lo, o sangue lentamente administrado no receptor, cada unidade de sangue sendo administrada em 2 horas ou mais. Como a maioria das reaes adversas ocorrem durante os primeiros quinze minutos da transfuso, o receptor rigorosamente observado durante esse perodo. Aps esse pero- do, o profissional de enfermagem pode examinar o receptor a cada 30 a 45 minutos e, no caso do indiv- duo apresentar uma reao adversa, ele deve interromper a transfuso. A grande maioria das transfuses segura e atinge seu objetivo. Ocasionalmente, no entanto, ocorrem reaes leves. As reaes graves e mes- mo fatais so raras. As reaes mais comuns so a febre e as reaes alrgicas (hipersensibilidade), que ocorrem em aproximadamente 1 a 2% das transfuses. Os sintomas incluem o prurido, a erupo cutnea, o edema, a tontura, a febre e a cefalia. So sintomas menos comuns: dificuldades respiratrias, chiados e espasmos musculares. Raramente a reao alrgica grave o bastante para representar perigo. Existem tratamentos que permitem transfuses em pessoas que previamente tiveram reaes alrgicas a esse procedimento. Apesar da tipagem cuidadosa e do teste de compatibilidade, ainda existem incompatibilidades que acarretam a destruio dos eritrcitos transfundidos logo aps a realizao do procedimento (reao hemoltica). Geralmente, a reao inicia como um mal-estar generalizado ou uma ansiedade durante ou imediatamente aps a transfuso. Algumas vezes, o indivduo pode apresentar dificuldade respiratria, presso torcica, rubor e dorsalgia intensa. Muito rara- mente, as reaes tornam-se mais graves e mesmo fatais. TEMPO DE TRANSFUSO: Concentrado de Hemcias/Sangue Total/Plasma: No ultrapassar 4h Crioprecipitado: Mx de 30. 43. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 44 UNIDADE V - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM NAS AFECES DO SISTEMA DIGESTRIO O aparelho digestivo, que se estende desde a boca at ao nus, encarrega-se de receber os alimentos, fracion-los nos seus nutrientes (um processo conhecido como digesto), absor- ver estes nutrientes para a corrente sangunea e eliminar do organismo os restos no digerveis dos alimentos. O trato gas- trointestinal composto pela boca, pela garganta, pelo esfago, pelo estmago, pelo intestino delgado, pelo intestino grosso, pelo reto e pelo nus. O aparelho digestivo tambm inclui r- gos que se encontram fora do trato gastrointestinal, como o pncreas, o fgado e a vescula biliar. GASTRITE Definio: a inflamao do revestimento mucoso do estmago.A mucosa do estmago oferece resistncia irritao e normalmente pode suportar um elevado contedo cido. No entanto, pode irritar-se e inflamar- se por diferentes motivos. Etiologia: Hbitos dietticos, como: Ingesto de quantidade excessiva de alimentos; Rpida mastigao; Ingesto de alimentos condimentados, cidos, corrosivos, contaminados, com temperatura extrema, lcool, etc.; Refluxo biliar Uso de certas drogas como a aspirina, drogas antiinflamatrias no-esterides (DAINE), digital, quimio- terpicos, etc. Distrbios como: uremia, choque, leses do SNC, cirrose heptica, hipertenso heptica, tenso emocio- nal prolongada, etc. TIPOS: gastrite bacteriana segue-se normalmente a uma infeco por organismos como o Helicobacter pylori (bactrias que crescem nas clulas secretoras de muco do revestimento do estmago). No se conhecem ou- tras bactrias que se desenvolvam em ambientes normalmente cidos como o do estmago, embora muitos tipos possam faz-lo no caso de o estmago no produzir cido. Tal crescimento bacteriano pode provocar gastrite de forma transitria ou persistente. gastrite aguda por stress, o tipo mais grave de gastrite, provocada por uma doena ou leso grave de aparecimento rpido. A leso pode no afetar o estmago. Por exemplo, so causas freqentes as queimadu- ras extensas e as leses que provocam hemorragias macias. gastrite erosiva crnica pode ser secundria a substncias irritantes como os medicamentos, gastrite viral ou por fungos pode desenvolver-se em doentes crnicos ou imunodeprimidos. gastrite eosinfila pode resultar duma reao alrgica a uma infestao por certos vermes (nemtodos). gastrite atrfica ocorre quando os anticorpos atacam o revestimento mucoso do estmago, provocando o seu adelgaamento e perda de muitas ou de todas as clulas produtoras de cido e de enzimas. doena de Mntrier um tipo de gastrite de causa desconhecida. Nesta, as paredes do estmago desen- volvem pregas grandes e grossas, glndulas volumosas e quistos cheios de lquido. Cerca de 10 % dos afeta- dos desenvolvem cancro do estmago. gastrite de clulas plasmticas outra forma de gastrite de origem desconhecida. Nesta doena, as clu- las plasmticas (um tipo de glbulos brancos) acumulam-se nas paredes do estmago e noutros rgos. 44. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 45 A gastrite tambm pode ser induzida pela ingesto de agentes corrosivos, como os produtos de lim- peza, ou pelos elevados nveis de radiao (por exemplo, na radioterapia). Sintomas Os sintomas variam conforme o tipo de gastrite. Desconforto epigstrico Hipersensibilidade abdominal Eructao, nuseas e vmitos Clicas, diarria 5 horas aps a ingesto de substncias ou alimentos contaminados Hematmese, s vezes. Diagnstico: O mdico suspeita duma gastrite quando o paciente tem dores na parte alta do abdome, bem como nuseas ou ardor. Se os sintomas persistirem, muitas vezes no so necessrias anlises e comea-se o tra- tamento em funo da causa mais provvel. Se a gastrite se mantiver ou reaparecer, deve-se procurar a causa, por exemplo, uma infeco, analisa os hbitos dietticos, o consumo de medicamentos e a ingesto de lcool. A gastrite bacteriana pode ser di- agnosticada com uma biopsia. Tratamento: Farmacolgico: anti-emticos; anticidos, etc. Regime diettico Muitos especialistas tratam uma infeco por Helicobacter pylori se provocar sintomas. Por vezes, pode ser difcil eliminar o Helicobacter pylori do estmago. Cuidados de enfermagem - proporcionar conforto e segurana, um ambiente repousante, calmo e tranqilo; - manter uma ventilao adequada no ambiente; - dar apoio psicolgico, ouvir com ateno e anotar as queixas do paciente; - orientar as visitas e familiares para evitar conversas que pertubem o paciente; - diminuir a atividade motora do estmago oferecendo uma dieta branda e vrias vezes ao dia; - higiene oral 3 vezes ao dia com uma soluo anti-sptica; - verificar e anotar os SSVV 4/4 horas; - administra a medicao prescrita com controle rigoroso do horrio. LCERA PPTICA Definio: uma ferida bem definida, circular ou oval, causada por o revestimento do estmago ou do duodeno ter sofrido leso ou simples eroso pelos cidos gstri- cos ou pelos sucos duodenais. Quando a lcera pouco profunda, denomina-se ero- so. A pepsina uma enzima que trabalha juntamente com o cido clordrico pro- duzido pela mucosa gstrica para digerir os alimentos, sobretudo as protenas. A lcera pptica forma-se no revestimento do trato gastrointestinal exposto ao cido e s enzimas digestivos (principalmente do estmago e do duodeno). Os nomes das lceras identificam a sua localizao anatmica ou as circunstncias em que se desenvolvem. A lcera duodenal, o tipo mais comum 45. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 46 de lcera pptica, surge no duodeno (os primeiros centmetros de intestino delgado imediatamente a seguir ao estmago). As lceras gstricas, que so as menos freqentes, normalmente situam-se na parte alta da curvatura do estmago. Se for extirpada cirurgicamente parte do estmago, podem desenvolver-se lceras marginais na zona em que o estmago remanescente voltou a ligar-se ao intestino. A repetida regurgitao de cido procedente do estmago para o segmento inferior do esfago pode provocar inflamao (esofagite) e lceras esofgicas. As lceras que aparecem como conseqncia do stress derivado duma doena grave, queimaduras ou traumatismos, denominam-se lceras de stress. Causas: Uma lcera desenvolve-se quando se alteram os mecanismos de defesa que protegem o estmago ou o duodeno do suco gstrico (por exemplo, quando se altera a produo da quantidade de muco). No se conhecem as causas de tais alteraes. Praticamente todas as pessoas produzem cido no estmago, mas s entre 1 % e 10 % desenvolvem lceras. Sintomas: A lcera tpica tende a curar-se e a recidivar. Os sintomas podem variar conforme a localizao e a idade do indivduo. As crianas e as pessoas de idade avanada podem no apresentar os sintomas habitu- ais ou at nenhum tipo de sintoma. Nestas circunstncias, as lceras descobrem-se s quando surgem com- plicaes. Apenas cerca de metade dos afetados com lceras duodenais apresentam sintomas tpicos: dor, ardor, corroso, sensao de vazio e fome. A dor tende a aparecer quando o estmago se encontra vazio. A lcera normalmente no di ao acordar, mas a dor normalmente comea pelo meio da manh. A dor constante, de intensidade ligeira ou moderada e localiza-se numa rea definida, quase sempre mesmo abaixo do esterno. A ingesto de leite, de alimentos ou de anticidos normalmente alivia-a, mas costuma voltar duas ou trs horas depois. Os sintomas das lceras gstricas no seguem muitas vezes os mesmos padres que as lceras duo- denais, visto que o comer pode desencadear ou aumentar a dor mais do que alivi-la. As lceras gstricas so mais propensas a provocar edema da poro do estmago que se abre para o duodeno, o que pode impe- dir que a comida saia adequadamente do estmago. Isto pode provocar distenso do abdome, nuseas ou vmitos depois das refeies. Quando surgem complicaes das lceras ppticas, como a hemorragia ou a perfurao, os sintomas agravam-se. Diagnstico: Deve-se suspeitar da presena duma lcera quando a pessoa sente uma dor caracterstica no estmago. Pode ser necessrio fazer exames para confirmar o diagnstico, Para facilitar o diagnstico das lceras e identificar a sua origem, o mdico pode fazer uso dum endoscpio, requerer radiografias com con- traste, analisar o suco gstrico e fazer anlises ao sangue. A endoscopia um procedimento ambulatrio em que se introduz, atravs da boca, um tubo flexvel de visualizao (endoscpio) que permite observar dire- tamente o interior do estmago.Com um endoscpio, pode ser feita uma biopsia (obter uma amostra de teci- do para ser examinada ao microscpio) para determinar se uma lcera gstrica cancerosa. Tratamento: Um dos aspectos do tratamento das lceras duodenais ou gstricas o de neutralizar ou dimi- nuir a acidez. Este processo iniciado com a eliminao de possveis agentes irritantes do estmago, como os medicamentos antiinflamatrios no esterides, o lcool e a nicotina. Embora a dieta mole possa ocupar um lugar no tratamento da lcera, no existem evidncias definitivas que apiem a opinio de que tais dietas acelerem a cura ou evitem as recidivas. No entanto, dever evitar as comidas que possam piorar a dor e a distenso. 1- Anticidos Os anticidos aliviam os sintomas, facilitam a cura e diminuem o nmero de recidivas das lceras. A maioria dos anticidos pode ser adquirida sem receita mdica. 2- Medicamentos antiulcerosos As lceras so normalmente tratadas durante 6 semanas, no mnimo, com frmacos que reduzam o meio cido do estmago e do duodeno. Qualquer dos medicamentos antiulcerosos pode neutralizar ou redu- 46. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 47 zir o cido do estmago e aliviar os sintomas, geralmente em poucos dias. Habitualmente, se estes no forem aliviados por completo ou se reaparecerem quando se suprime o frmaco, fazem-se outros exames 3- Cirurgia S raramente necessria a cirurgia para as lceras, se tiver em conta que o tratamento mdico muito eficaz. A cirurgia reservada principalmente para tratar as complicaes duma lcera pptica, como uma perfurao, uma obstruo que no responde ao tratamento farmacolgico ou que recidiva, perante duas ou mais crises significativas de hemorragia, ou quando existe a suspeita de que a lcera cancerosa e peran- te recidivas freqentes e graves duma lcera pptica. Complicaes: Penetrao, perfurao, sangramento, obstruo. Cuidados de enfermagem - o mesmo da gastrite. HEMORRAGIA DIGESTIVA Definio: a perda de sangue macia e rpida devido a algum trauma. A maioria das causas relaciona-se a afeces que podem ser curadas ou controladas, podendo no ser grave, mas importante localizar a fonte do sangramento que pode ser proveniente de qualquer rea do trato digestrio. Sangramento do Estmago: O estmago ponto mais freqente de hemorragia causada por lceras. O lcool e medicamentos contendo cido acetilsaliclico podem desenvolver a lcera gstrica que, ao aumentar de volume, faz uma eroso em um vaso, levando hemorragia. Pessoas que sofrem queimaduras, traumatismos cranianos, ou ainda aquelas que so submetidas cirurgia extensa, podem desenvolver lceras de estresse. Isso acontece, devido ao aumento da produo de suco gstrico, alterando as paredes do estmago. No trato digestivo bai- xo, o intestino grosso e o reto so locais freqentes de hemorragia (sangue vivo). A causa mais comum so as hemorridas, mas fissuras anais, inflamaes, infeces, tumores ou plipos podem tambm ser fatores causadores de hemorragias. A hemorragia pode ainda ser proveniente de tumores benignos ou cncer. Fi- nalmente, medida que se fica mais velho, anormalidades nos vasos do intestino grosso podem ser desen- volvidas, resultando em sangramento recorrente. Manifestaes clnicas : dor epigstrica,nuseas,vmitos, febre, ascite, hematmese (vmito com sangra- mento, podendo ser vermelho brilhante ou cor de borra de caf (quando a hemoglobina sofreu alterao no estmago); melena ( fezes com sangue, de cor enegrecida e ftida). No raro, o sangramento digestivo alto expressa-se atravs da enterorragia (sangramento vivo pelo nus, isolado ou misturado com as fezes). Relacionados diretamente com a perda sangnea, destacam-se: taqui- cardia, dispnia, hipotenso, pele fria e at choque hipovolmico. Diagnstico: O objetivo do diagnstico identificar e estancar com rapidez o sangramento. Geralmente realizado pelo exame de endoscopia. A hemorragia do sistema digestrio um sinal de problemas digesti- vos, e no uma doena em si. Endoscopia - o mtodo de escolha para a avaliao do trato digestivo supe- rior. Permite determinar a presena de sangramento ativo ou recente. 47. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 48 * Assistncia Clnica A cirurgia de urgncia indicada nos casos em que: a hemorragia grave e no responde s medidas rpidas de reposio volmica; no possvel realizar a hemostasia pelo endoscpio, se um novo sangramento ocor- rer aps o tratamento inicial. importante que a equipe de enfermagem: avalie a quantidade de perda san- gnea nas fezes e atravs dos vmitos; realize a lavagem gstrica com soluo fisiolgica gelada, objeti- vando a hemostasia; administre os medicamentos prescritos e monitorize os sinais vitais. PANCREATITE Definio: A pancreatite aguda definida como um processo inflamatrio agudo do pncreas. Suas causas so: pedras da vescula que se deslocam e impedem o escoamento das substncias produzidas pelo pncreas; ingesto abusiva de lcool e de alguns medicamentos como corticides e imunodepressores; tumores que obstruem os canalculos do pncreas; traumatismo pancretico; nveis elevados de colesterol e triglicrides e fatores genticos. O pncreas um dos rgos acessrios do sistema digestrio. Encontra-se situado no abdmen, atrs do estmago. Ele responsvel pela produo do suco pancretico que ajuda na digesto e pela produo de hormnios como insulina e glucagon. Fisiopatologia: um clculo impede o fluxo da bile e de suco pancretico para o duodeno, favorecendo na penetrao de elementos irritantes para o tecido pancretico, que desenvolve uma resposta inflamatria. Manifestaes clnicas: Primeiramente podemos destacar a dor severa que se inicia subitamente na regio epigstrica, aps excesso de ingesto alimentar ou de bebida alcolica. Irradia para a reborda costal, pioran- do ao andar e deitar. Melhora quando o cliente senta ou se inclina para frente. Ocorrem vmitos, nuseas, febre, ictercia,ascite. Os casos mais graves podem apresentar manifestaes clnicas de choque: taquicardia, hipotenso, desorientao, extremidades frias e sudorese. Diagnstico: indispensvel a realizao de exames complementares, como o exame de sangue, onde avaliada a dosagem da enzima amilase srica, leucocitose e a glicemia. Os exames radiogrficos mais solici- tados so: RX do abdmen e do trax; ultra-som abdominal; tomografias computadorizadas. Tratamento : O tratamento inicial da pancreatite aguda basicamente clnico. indicada a manuteno do jejum para inibir a estimulao e secreo de enzimas pancreticas. Caso seja necessrio, o aporte calrico ser mantido pela nutrio parenteral total (NPT). A sonda nasogstrica aberta objetiva aliviar nuseas e vmitos. Medicamentos, como analgsicos, antibiticos e anticidos, so administrados conforme prescri- o. Deve-se administrar insulina, caso seja preciso. O tratamento cirrgico consiste em remover total ou parcialmente o pncreas. indicado, entre outros, em casos de necrose ou de grave infeco bacteriana. A equipe de enfermagem tem um papel fundamental no tratamento do cliente com pancreatite aguda. Ela deve: A manifestao mais visvel atravs das fezes, que se apresentam esbranquiadas, ftidas e vo- lumosas. Assistncia Clnica administrar analgsico, conforme prescrio, para o alvio da dor; explicar a finalidade e importncia do jejum; 48. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 49 manter a hidratao hdrica e de eletrlitos, prevenindo a desidratao decorrente de vmitos ou di- arrias; manter aberta e prvia a sonda nasogstrica; realizar higiene oral, mantendo os lbios umidificados; orientar a necessidade do repouso no leito; medir a circunferncia abdominal, atentando para alteraes; pesar diariamente; monitorizar os sinais vitais; controlar glicemia capilar; realizar balano hdrico; encaminhar o cliente a um grupo de apoio de alcolicos annimos ou de autocui- dado para Diabetes Mellitus; orientar a auto-aplicao de insulina, quando indicada. ESTOMATITE Definio: um processo inflamatrio, comum que pode ocorrer isoladamente ou como parte de uma doen- a sistmica, da mucosa oral, podendo afet-la totalmente ou em parte. Tipos: Estomatite herptica: causada pelo herpes vrus Estomatite aftosa: causa desconhecida e pode estar associada ao estresse, fadiga, ansiedade, estados febris, exposio excessiva ao sol, deficincia de vitaminas... Sinais e Sintomas: queimor, tumefao,halitose,sensao de ardncia, dor durante a alimentao ( disfagia), gengivas sensveis e com sangramento, febre. Diagnstico: Anamnese e exame fsico e exame laboratorial ( esfregao do exsudato e culturas virais) Tratamento: Drogas tranquilizantes, dietas leves e pastosas, antibiticos, antifngicos, corticides tpicos, bochechos. * Cuidados de Enfermagem: - Administrar a medicao prescrita; -Observar o paciente para detectar sinais e sintomas de infeco; -Oferecer ao paciente dieta leve e pastosa para reduzir a dor; -Fazer higiene oral, para evitar a halitose; -Anotar os cuidados prestados ao paciente; -Checar as medicaes administradas ESOFAGITE Definio: a inflamao da mucosa do esfago, provocada pela ao de substncias irritantes. Fisiopatologia: O esfago a poro do tubo digestivo que conecta a garganta (faringe) ao estmago. As paredes do esfago impulsionam o alimento at o interior do estmago com ondas rtmicas de contraes musculares denominadas peristaltismo.Prximo juno da garganta com o esfago, existe uma faixa mus- cular denominada esfncter esofgico superior. Logo acima da juno do esfago com o estmago, existe 49. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 50 uma outra faixa muscular denominada esfncter esofgico inferior.Quando o esfago est em repouso, esses esfncteres contraem e impedem o refluxo de alimento de alimento e de cido gstrico do estmago para a boca.Durante a deglutio, os esfncteres relaxam e, consequentemente, o alimento pode passar para o inte- rior do estmago.Quando ento o esfincter esofagiano no est funcionando fisiologicamente bem e h repe- tidamente retorno de alimentos de alimentos e suco gstrico do estmago para o esfago, o mesmo torna-se irritado, inflamado e at mesmo ulcerado. Etiologia: H alguns fatores que provocam a fraqueza deste msculo: refluxo gastroesofgico, nicotina, alimentos fritos ou gordurosos; alimentos e lquidos gelados ou quentes, derivados da cafena: chocolate, caf, Bebidas ctricas e alcolicas; Instalao de sondas gstricas;Ingesto de substncias corrosivas: soda custica. Sinais e sintomas: Azia ou pirose: queimao aps as refeies; Disfagia: sensao de dificuldade de deglutio ( devido a estenose de esfago) Odinofagia: dor com regurgitao de fluido gastroesofgico; Sialorria: salivao excessiva; Diagnstico: Anamnese, Rx de esfago com contraste, endoscopia de esfago. Tratamento e Orientaes de enfermagem: O tratamento da esofagite feito a base de anticidos, com intuito de diminuir a acidez gstrica e de proteger a mucosa do esfago.orientar dieta; incentivar deambula- o para acelerar o processo de digesto,evitar alimentao 2h antes de dormir. MEGAESFAGO OU ACALASIA Conceito:Consiste na dilatao e alongamento do esfago, em que a peristalse pode se encontrar ausente ou ineficaz.e acompanhada de relaxamento do esfncter esofagiano. A acalasia ( cardioespasmo, aperistaltismo esofgico, megaesfago) a ausncia de movimentos peristlticos no esfago distal. Etiologia: Hemorragias digestivas; Doena de Chagas; Diminuio do peristaltismo; Mau funcionamento dos nervos que envolvem o esfago e inervam os seus msculos; Regurgitao. Fisiopatologia: A descida dos alimentos da boca at o estmago ocorre adeglutio e incio do peristaltis- mo, o que leva os alimentos rapidamente e cima para baixo, provocando a abertura da crdia e a chegada ao estmago, com a freqente regurgitao de alimentos e fluidos, a crdia se estreita impedindo a passagem dos alimentos do esfago para o estmago e isso consequentemente leva a dilatao do esfago. Como o alimento no chega ao estmago e posteriormente ao organismo, o paciente comea a emagrecer, sentir fra- queza, ficar caqutico. Sinais e Sintomas: Disfagia, Odinofagia, Regurgitao, Caquexia , Dilatao do esfago, pirose, perda de peso9pois o alimento no chega ao estmago) Diagnstico: O estudo radiolgico do esfago realizado enquanto o paciente ingere uma soluo de brio revela a ausncia de peristaltismo. A esofagoscopian( exame do esfago com auxlio de um tubo de visualizao flexvel e de uma cmera de vdeo) mostra uma dilatao, mas no uma obstruo. Utilizando um esofagoscpio (tubo de visualizao flexvel), o mdico realiza uma bipsia ( coleta amostras de tecido para exame microscpico) para certificar- se de que os sintomas no so causados por um cncer localizado no esfago. 50. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 51 Tratamento: Sedativos e analgsicos; O objetivo do tratamento fazer com que o esfncter esofgico infe- rior abra mais facilmente. A primeira abordagem consiste na dilatao mecnica do esfncter (p ex. cirurgia esofagomiotomia) Cuidados de Enfermagem: - Supervisionar uso de dieta branda; -Orientar quanto a alimentao dos pacientes; -Deambular aps as refeies; -Controlar peso; -Evitar alimentos irritantes. COLELITASE A vescula biliar um pequeno rgo piriforme (forma de pra) localizado sob o fgado. A vescula biliar armazena bile, um lquido digestivo amarelo-esverdeado produzido pelo fgado, at o sistema digesti- vo necessit-lo Os clculos biliares so acmulos de cristais que se depositam no interior da vescula biliar ou nas vias biliares (condutos biliares). Quando os clculos biliares localizam-se na vescula biliar, a condio denominada colelitase. Quando eles localizam-se nas vias biliares, a condio denominada coledocolita- se. Os clculos biliares so mais comuns em mulheres e em certos grupos de indivduos (p.ex., nativos ame- ricanos). Fisiopatologia: O colesterol insolvel em gua e contm em grande quantidade na bile.Quando encontra- se supersturada de colesterol, precipitar a sada para fora da bile.A bile acumulada favorece a autlise e dema,pois os vasos sanguneos so comprimidos,comprometendo o suprimento sanguneo do rgo. Sintomas: A maioria dos clculos biliares permanece assintomtica durante longos perodos, principalmente quando eles permanecem na vescula biliar. Raramente, no entanto, os clculos biliares grandes podem pro- vocar eroso gradativa da parede da vescula biliar e podem penetrar no intestino delgado ou no intestino grosso, onde podem causar uma obstruo intestinal (ocluso ileobiliar ou leo paraltico por clculo biliar). Muito mais freqentemente, os clculos biliares deixam a vescula biliar e alojam-se nas vias biliares. Eles podem circular por esses condutos e atingir o intestino delgado sem qualquer incidente ou podem permane- cer nos condutos sem obstruir o fluxo biliar ou causar sintomas. Quando os clculos biliares causam obstru- o parcial ou temporria de um ducto biliar, o indivduo apresenta dor. A dor tende a aumentar e diminuir de intensidade (clica). Geralmente, essa dor aumenta lentamente at atingir um plat e, em seguida, diminui gradualmente. A dor pode ser aguda e intermitente, durando at algumas horas. Diagnstico: A ultra-sonografia o melhor mtodo para se diagnosticar a presena de clculos na vescula biliar. A colecistografia tambm eficaz. Tratamento: Quando clculos na vescula biliar causam episdios recorrentes de dor apesar das alteraes da dieta, o mdico pode recomendar a remoo da vescula biliar (colecistectomia). A colecistectomia no acarreta deficincias nutricionais e no so exigidas restries alimentares aps a cirurgia. Aproximadamen- te 1 a 5 indivduos em cada 1.000 submetidos colecistectomia morrem. Durante a cirurgia, o mdico pode 51. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 52 investigar a possibilidade de clculos nas vias biliares. A colecistectomia laparoscpica foi introduzida em 1990 e, em um perodo surpreendemente curto, revolucionou a prtica cirrgica. Assistncia de Enfermagem -Proporcionar ambiente calmo e tranqilo; -Observar, comunicar e anotar aceitao de dieta; -Observar, comunicar e anotar evoluo de sinais e sintomas; -Cuidados pr-operatrios, se necessrio. COLECISTITE Definio: A colecistite aguda a inflamao da parede da vescula biliar, comumente decorrente de um clculo biliar localizado no ducto cstico, que causa um episdio de dor sbita de forte intensidade. Causas: Hereditariedade,Obesidade e Calculose biliar. Pode ocorrer aps grandes procedimentos cirrgicos, traumatismos, queimaduras(porque causam desequilbrio hidroeletroltico e queda do suprimento sanguneo visceral) Sinais e Sintomas: Dor em quadrante superior direito; Rigidez abdominal; Nuseas; Vmito; Ictercia; Aco- lia; Colria; Intolerncia a alimentos gordurosos;fezes cinzentas. Tratamento: Medicamentos (dissolvem os clculos formados pelo colesterol), litotripsia, colecistectomia; dieta hipolipdica,hipercalrica,hiperproteica imediatamente aps a cirurgia. CONSIDERAES GERAIS DE DEMAIS AFECES DIGESTRIAS HEMORRIDAS: So tecidos edemaciados que contm veias e que esto localizados nas paredes do reto e do nus. As hemorridas podem inflamar, desenvolver um cogulo sangneo (trombo), sangrar ou podem tornar-se dilatadas e protuberantes. As hemorridas que permanecem no nus so denominadas hemorridas internas e aquelas que se projetam para fora do nus so denominadas hemorridas externas. Elas podem ser decorrentes do esforo repetido para evacuar e a constipao pode fazer com que o esforo seja maior. As hepatopatias (doenas do fgado) aumentam a presso sangnea na veia porta e, algumas vezes, acarretam a formao de hemorridas. * Tratamento: Normalmente, as hemorridas no exigem tratamento, exceto quando produzem sin- tomas. O uso de emolientes fecais ou de pslio pode aliviar a constipao e o esforo para evacuar que a a- companha. As hemorridas sangrantes so tratadas com uma injeo de uma substncia que produz obstru- o das veias com tecido cicatricial. Este procedimento denominado escleroterapia. As hemorridas inter- nas de grande volume e as que no respondem escleroterapia so ligadas com faixas elsticas. DOENA PILONIDAL/CISTO PILONIDAL:A doena pilonidal uma infeco causada por um plo que lesa a pele da regio superior do sulco interglteo (diviso entre as ndegas). O abcesso pilonidal o 52. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 53 acmulo de pus no local da infeco. O cisto pilonidal uma ferida com drenagem crnica de pus nesse lo- cal. Normalmente, a doena pilonidal ocorre em homens brancos jovens e hirsutos. Para diferenci- la de outras infeces, o mdico verifica a presena de depresses (pequenos orifcios na rea infectada ou prxi- mos a ela). Um cisto pilonidal pode causar dor e edema. Geralmente, um abcesso pilonidal deve ser seccio- nado e drenado por um mdico. Normalmente, o cisto pilonidal deve ser removido cirurgicamente PROLAPSO RETAL:O prolapso retal uma protruso do reto atravs do nus. O prolapso retal produz inverso do reto, de modo que o revestimento interno torna-se visvel como uma projeo digitiforme ver- melhoescura e mida, projetando-se atravs do nus. Freqentemente, lactentes normais apresentam um prolapso temporrio somente do revestimento do nus (mucosa), provavelmente quando ele faz fora para evacuar e raramente ele grave. Nos adultos, o prolapso do revestimento do reto tende a persistir e pode piorar, de modo que uma maior parte do reto protrui. Ela ocorre mais freqentemente em mulheres com mais de sessenta anos de idade. Para determinar a extenso de um prolapso, o mdico examina a rea com o paciente em p ou agachado e enquanto ela faz esforo como se fosse evacuar. Palpando o esfncter anal com um dedo enluvado, o mdico comumente de- tecta uma reduo do tnus muscular. A sigmoidoscopia e o estudo radiolgico do intestino grosso com e- nema baritado podem revelar a doena subjacente como, por exemplo, uma doena que afeta os nervos que inervam o esfncter. INCONTINNCIA FECAL A incontinncia fecal a perda do controle das evacuaes. A incontinncia fecal pode ocorrer por um curto perodo durante episdios de diarria ou quando fezes endurecidas ficam alojadas no reto (impactao fecal). Os indivduos com leses anais ou medulares, prolapso retal (protruso do revestimento do reto atravs do nus), demncia, leso neurolgica causada pelo diabetes, tumores do nus ou leses plvicas ocorridas durante o parto podem desenvolver uma incontinncia fecal persistente. O mdico examina o indivduo, verificando a existncia de qualquer anormalidade estrutural ou neu- rolgica que possa estar causando a incontinncia fecal. Isto envolve o exame do nus e do reto, verificando a extenso da sensibilidade em torno do nus. Geralmente, realizada uma sigmoidoscopia (exame do clon sigmide usando um tubo de visualizao flexvel). Algumas vezes, necessria a realizao de outros exa- mes, inclusive um exame da funo dos nervos e dos msculos da pelve. O primeiro passo na correo da incontinncia fecal a tentativa de estabelecer um padro regular de evacuaes que produza fezes bem formadas. As alteraes dietticas, incluindo a adio de uma pequena quantidade de fibras freqentemente so teis. Se tais alteraes no surtirem efeito, um medicamento que retarda a evacuao (p.ex., loperamida) pode ser til. O exerccio dos msculos anais (esfncteres) aumenta seu tnus e fora e ajuda a evitar a sada do material fecal. Com o uso do biofeedback, o indivduo pode re- treinar os esfncteres e aumentar a sensibilidade retal presena de fezes. Cerca de 70% dos indivduos com boa motivao so beneficiados pelo biofeedback. OBSTRUO MECNICA DO INTESTINO: A obstruo mecnica do intestino a presena de um bloqueio que interrompe completamente ou compromete seriamente o trnsito do contedo intestinal. A obs- truo pode ocorrer em qualquer segmento do intestino. A parte acima da obstruo continua funcionando. medida que o intestino vai se enchendo de alimento, lquidos, secrees digestivas e gs, ele dilata pro- gressivamente, como uma mangueira macia. Em recm nascidos e lactentes, a obstruo intestinal comu- mente causada por um defeito congnito, por uma massa endurecida de contedo intestinal (mecnio) ou por uma toro do prprio intestino (volvo). Em adultos, uma obstruo duodenal pode ser causada por um cncer do pncreas, por cicatrizes (de uma lcera, de uma cirurgia prvia ou da doena de Crohn) ou por aderncias, nas quais uma faixa fibrosa de tecido conjuntivo encarcera o intestino. Alm disso, pode ocorrer uma obstruo quando uma parte do intestino dilata por meio de uma abertura anormal (hrnia), como uma rea enfraquecida da musculatura 53. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 54 abdominal, e torna-se encarcerada. Raramente, a obstruo causada por um clculo biliar, uma massa de alimento no digerido ou um bolo de vermes. * Sintomas e Diagnstico: Os sintomas da obstruo intestinal incluem a dor abdominal tipo clica, acompanhada por distenso abdominal. A dor pode tornar se intensa e constante. Em comparao com a obstruo do intestino delgado, o vmito, um sintoma comum, ocorre mais tarde na obstruo do intestino grosso. A obstruo completa provoca uma constipao grave, enquanto que a obstruo parcial pode causar diarria. A febre comum e pode ocorrer sobre tudo quando ocorre uma perfurao da parede intestinal. A perfurao pode levar rapidamente inflamao e infeco graves, causando o choque. APENDICITE A apendicite inflamao do apndice. O apndice uma pequena estrutura tubular em forma de dedo , de aproximadamente 10 cm, que se projeta do intestino grosso prximo do ponto onde este une - se ao intestino delgado. O apndice pode ter alguma funo imune, mas no um rgo essencial.O apndice en- che-se de alimento e esvazia-se regularmente no ceco, como sua luz pequena propenso a tornar-se obs- trudo. Com exceo das hrnias encarceradas, a apendicite a causa mais comum de dor abdominal sbita e intensa e de cirurgia abdominal nos Estados Unidos. A apendicite mais comum entre os 10 e 30 anos de idade. A causa da apendicite no totalmente compreendida. Na maioria dos casos, provvel que uma obs- truo no interior do apndice desencadeia um processo no qual ele torna-se inflamado e infectado. Se a inflamao persistir sem tratamento, o apndice pode romper. Um apndice roto permite o ex- travasamento do contedo intestinal rico em bactrias para o interior da cavidade abdominal, causando a peritonite, a qual pode acarretar uma infeco potencialmente letal. A ruptura tambm pode provocara for- mao de um abcesso. Na mulher, podem ocorrer infeco dos ovrios e das tubas uterinas e a conseqente obstruo das tubas uterinas pode causar infertilidade. O apndice roto tambm pode permitir que as bact- rias invadam acorrente sangnea e produzam uma septicemia, que tambm potencialmente letal. * Sintomas: Menos de metade dos indivduos com apendicite apresenta a combinao de sintomas ca- ractersticos: nusea, vmito e dor intensa na fossa ilaca direita (regio abdominal inferior direita). A dor pode iniciar subitamente na regio abdominal superior ou em torno da cicatriz umbilical. A seguir, o indiv- duo apresenta nusea e vmito. Aps algumas poucas horas, a nusea cessa e a dor localiza se na fossa ilaca direita. Quando o mdico pressiona essa rea, ela di, e quando a presso aliviada, a dor aumenta abrupta- mente (sinal da descompresso positivo ou sensibilidade de rebote). Uma febre de 37, 7 C a 38, 3 C co- mum. A dor, particularmente em lactentes e crianas, pode ser generalizada e no restrita fossa ilaca direi- ta. Em idosos e gestantes, a dor normalmente menos intensa e a rea menos sensvel. No caso de ruptura do apndice, a dor e a febre podem tornar-se intensas. O agravamento da infeco pode levar ao choque. * Diagnstico e Tratamento: O hemograma revela um aumento moderado dos leuccitos (glbulos brancos) (leucometria) em resposta infeco. Normalmente, nas fases iniciais da apendicite, a maioria dos exames (incluindo as radiografias, a ultrasonografia e a TC) no til. Comumente, o mdico baseia o diag- nstico nos achados do exame fsico. A cirurgia imediatamente realizada para evitar a ruptura do apndice, a formao de um abcesso ou a peritonite (inflamao do revestimento da cavidade abdominal). Em aproxi- madamente 15% das cirurgias de apendicite, o apndice encontra-se normal. Contudo, postergar a sua realizao at o mdico ter certeza da causa da dor abdominal pode ser fa- tal. Um apndice infectado pode romper em menos de 24 horas aps o incio dos sintomas. Mesmo quando a apendicite no a causa do quadro apresentado pelo paciente, o apndice normalmente retirado. A seguir, o mdico examina a cavidade abdominal e tenta determinar a causa real da dor. Com a cirurgia precoce, a chance de bito devido a uma apendicite muito pequena. O indivduo comumente pode deixar o hospital 54. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 55 em 2 a 3 dias e a sua recuperao normalmente rpida e completa. No caso de um apndice roto, o prog- nstico mais grave. H cinqenta anos, a ruptura era freqentemente fatal. Os antibiticos reduziram a taxa de mortalidade para quase zero, mas, em certos casos, podem ser necessrias vrias operaes e uma longa convalescena. COLITE: uma doena inflamatria recorrente da camada mucosa do clon e reto. O pico de incidncia dos 30 aos 50 anos de idade. uma doena sria, acompanhada por complicaes sistmicas e com alta taxa de mortalidade. Eventualmente 10% a 15% dos pacientes desenvolvem carcinoma do clon. AFECES HEPTICAS O fgado, que se localiza do lado direito do abdome, a maior glndula do organismo, constitudo por milhes de clulas. Cada clula desempenha uma funo especfica, es- sencial para o equilbrio do organismo. O fgado um rgo de funes mltiplas e fun- damentais para o funcionamento do organismo. Entre elas, destacam-se: a) Secretar a bile - A bile produzida pelo fgado em grande quantidade, de 600ml a 900ml por dia. Num primeiro momento, ela se concentra na vescula e depois enviada para o intestino, onde funciona como detergente e auxilia na dissoluo e aproveitamento das gorduras. b) Armazenar glicose A glicose extrada do bolo alimentar armazenada no fgado sob a forma de glico- gnio, que ser posto disposio do organismo conforme seja necessrio. Nesse caso, as clulas hepticas funcionam como um reservatrio de combustvel. c) Produzir protenas nobres - Entre elas, destaca-se a albumina, responsvel pela propriedade osmtica ou onctica. Alm dessa, a albumina serve de meio de transporte, na corrente sangunea, para outras substn- cias, como hormnios, pigmentos e drogas. d) Desintoxicar o organismo O fgado tem a capacidade de transformar hormnios ou drogas em subs- tncias no ativas para que o organismo possa excret-los; e) Sintetizar o colesterol No fgado, o colesterol metabolizado e excretado pela bile; f) Filtrar microorganismos - H uma extensa rede de defesa imunolgica no fgado. g) Transformar amnia em uria - O fgado um rgo privilegiado. Tem uma artria e uma veia de en- trada e uma veia de sada. A veia de entrada recebe o nome de veia porta e responsvel por 75% do san- gue que chega ao fgado, levando consigo substncias importantes, como as vitaminas e as protenas. No entanto, por ela chega tambm a amnia produzida no intestino e derivada especialmente de protenas ani- mais para ser transformada em uria. Se o rgo estiver lesado, a amnia passar direto para a circulao e alcanar o crebro, provocando, no incio, alteraes neuropsquicas (mudanas de comportamento, esque- cimento, insnia, sonolncia) e, depois, pr-coma ou coma. 55. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 56 HEPATITES VIRAIS As hepatites virais so doenas infecciosas de evoluo aguda ou crnica, que pela alta morbidade universal, constituem importante problema de sade pblica (KUDO, 2000). So provocadas por diferentes agentes etiolgicos com tropismo pelo tecido heptico e que apresen- tam diferentes caractersticas epidemiolgicas, clnicas, imunolgicas e laboratoriais. Podem ser agrupadas segundo o modo de transmisso em dois grupos: Transmisso parenteral/sexual (hepatite B, hepatite C e hepatite D) Transmisso fecal-oral (hepatite A e hepatite E). As hepatites A e E so doenas autolimitadas, cuja morbimortalidade depende da faixa etria acome- tida e de outras condies. Podem ocorrer surtos populacionais restritos. As hepatites B, C e D provocam infeces crnicas em percentual variado das pessoas infectadas e podem evoluir para insuficincia heptica (cirrose) e hepatocarcinoma. As hepatites pelos vrus B e C constituem em grave problema de sade pblica. Segundo estimativas da Organizao Mundial de Sade (OMS), aproximadamente dois bilhes de pessoas se infectaram em al- gum momento da vida com o vrus da hepatite B (HBV) e 325 milhes de indivduos tornaram-se portadores crnicos. Entre as pessoas infectadas pelo vrus da hepatite C (HCV), apenas 15% a 20% eliminam o vrus do organismo, enquanto cerca de 80% a 85% evoluem para a infeco crnica, sob diferentes apresentaes. Vrios estudos demonstram que 20% dos portadores crnicos da hepatite C evoluem para cirrose e entre 1,0% a 5,0% desenvolvem carcinoma hepatocelular. O tempo de evoluo para estgio final da doena de 20 a 30 anos. A hepatite B apresenta cura espontnea em at 90% dos casos, mas a taxa de cronificao varia de acordo com a idade da infeco, de 85% em recm-nascidos e entre 6% a 10% em adultos. Cerca de 50% dos doentes crnicos desenvolvem cirrose heptica ou carcinoma hepatocelular. A vigilncia epidemiolgica eficaz e o tratamento correto das hepatites trazem grande benefcio populao, sendo possvel diminuir ou mesmo eliminar a evoluo para formas mais graves, em mdio e longo prazo (BRASIL, 2005). * HEPATITE A A Hepatite do tipo A uma infeco causada pelo vrus da hepatite A (HAV), um RNA vrus, que tem um perodo de incubao de 2 a 6 semanas, durante o qual se reproduz no fgado. Transmisso: A forma de transmisso mais comum oro-fecal, ou de pessoa para pessoa nos contatos se- xuais ou intradomiciliares, ou por alimento ou gua contaminada. Como a viremia ocorre durante a fase a- guda, a transmisso sangnea raramente ocorre. Embora o HAV esteja presente em baixas concentraes na saliva de pessoas infetadas, no h nenhuma evidncia de transmisso por essa forma. Sintomas: Durante a infeco o paciente pode no apresentar sintomas, apresentar um quadro inespecfico com nuseas, vmitos e mal estar geral ou ficar com uma colorao amarelada nos olhos e pele, a urina es- cura e as fezes claras. 56. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 57 Diagnstico : feito pela presena, do anti-HAV IgM no exame de sangue. J a deteco do anti-HAV IgG positivo significa que o paciente est curado. Tratamento: Normalmente s o repouso suficiente. Pelo fato da infeco pelo HAV ser autolimitada e normalmente no se tornar crnica, o tratamento deve ser apenas de suporte. A hospitalizao pode ser ne- cessria para pacientes desidratados por causa de vmitos ou com indcios de falncia heptica. Medicamen- tos que sejam metabolizados pelo fgado devem ser usados com precauo. No so necessrias dietas espe- cficas ou restries de atividade. de notificao compulsria. Preveno: Saneamento bsico,higiene pessoal,e a imunizao so as formas mais efetiva de preveno da infeco pelo HAV. A vacina contra o vrus da hepatite A disponibilizada pelo Programa Nacional de I- munizaes (PNI) * HEPATITE B um processo inflamatrio do fgado, provocado pela presena de um vrus conhecido como vrus da hepatite B (HBV) Transmisso: Transfuso sangunea (sangue e derivados); Material cirrgico contaminado com o vrus (agulhas de acupuntura, dentista, tatuagens, seringas no descartveis); Relao sexual. Sintomas: Durante a doena aguda a pessoa pode apresentar enjo, vmitos, dor de cabea e a ictercia (a- marelido nos olhos e pele que ocorre em apenas 10% dos casos). Na maioria das vezes passa como uma gripe. Diagnstico: Desde o incio da dcada de 80 foram introduzidos como triagem em Banco de Sangue marca- dores sorolgicos que identificam as pessoas que tiveram contato com o vrus. Dentre os exames sorolgicos realizados nos Bancos de Sangue esto: HbsAg determina a presena do vrus da Hepatite B Anti-HBc anticorpo produzido pelas clulas de defesa do nosso organismo contra a parte central do vrus B. um marcador de contato para Hepatite B e fica no sangue da pessoa para o resto da vida, como uma cicatriz sorolgica no sangue. As vezes o nico teste positivo na infeco pelo vrus B. Quando o nosso organismo entra em contato com o vrus da Hepatite B, ele tem um perodo de 4 a 6 meses para produzir clulas de defesa (Anti-HBs) capazes de destruir o vrus, ou seja, esta a nica forma de cura para a Hepatite B. Tratamento : De modo genrico, o indivduo com hepatite viral aguda, independentemente do tipo viral que o acometeu, deve ser acompanhado ambulatorialmente, na rede de assistncia mdica. Basicamente o trata- mento consiste em manter repouso domiciliar relativo, at que a sensao de bem-estar retorne e os nveis das aminotransferases (transaminases) voltem aos valores normais. Em mdia, este perodo dura quatro se- manas. No h nenhuma restrio de alimentos no perodo de doena. aconselhvel abster-se da ingesto de bebidas alcolicas. 57. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 58 Os pacientes com hepatite causada pelo HBV podero evoluir para estado crnico e devero ser a- companhados com pesquisa de marcadores sorolgicos (HBsAg e Anti-HBs) por um perodo mnimo de 6 a 12 meses. Pode ser necessrio o uso de interferon (protena de alto peso molecular que tem ao anti-viral) Preveno: Embora os mtodos empregados para preveno de outras DST tambm sirvam para a infeco pelo HBV, a vacinao ainda o mtodo mais eficaz de preveno desta infeco * HEPATITE C Hepatite C a inflamao do fgado causada pela infeco pelo vrus da hepatite C (VHC ou HCV). Essa inflamao ocorre na maioria das pessoas que adquire o vrus e, dependendo da intensidade e tempo de durao, pode levar a cirrose e cncer do fgado. Ao contrrio dos demais vrus que causam hepatite, o vrus da hepatite C no gera uma resposta imunolgica adequada no organismo, o que faz com que a infeco aguda seja menos sintomtica, mas tambm com que a maioria das pessoas que se infectam se tornem porta- dores de hepatite crnica, com suas consequncias a longo prazo. Epidemiologia Estima-se que cerca de 3% da populao mundial, 170 milhes de pessoas, sejam portadores de hepatite C crnica. atualmente a principal causa de transplante heptico em pases desenvolvidos res- ponsvel por 60% das hepatopatias crnicas. Apesar dos esforos em conter a epidemia atual, especialmente com a realizao de exames especfi- cos em sangue doado, a hepatite C uma epidemia crescente. Fatores de maior risco para hepatite C - Usurios de drogas endovenosas risco 80% - Receptores de fatores de coagulao antes de 1987 risco 90% - Receptores de transfuso sangnea ou transplante de rgos antes de 1992 risco 6% - Hemodilise risco 20% - Filhos de mes positivas risco 5% - Parceiros de portadores do HIV - - Crianas com 12 meses de idade com me portadora do HCV - Profissionais da rea da sade vtimas de acidente com sangue contaminado - Contatos sexuais promscuos ou com parceiros sabidamente portadores - Exposio a sangue por material cortante ou perfurante de uso coletivo sem esterilizao adequada: procedimentos mdico-odontolgicos tatuagem acupuntura manicure / pedicure body piercing contato social ou familiar com material de uso pessoal ( barbeadores, escovas dentais, etc ) barbeiros e cabelereiros Sintomas: Diferentemente das hepatites A e B, a maioria das pessoas que adquirem a hepatite C desenvol- vem doena crnica e lenta, sendo que a maioria (90%) assintomtica ou apresenta sintomas muito inespe- cficos, como letargia, dores musculares e articulares, cansao, nuseas ou desconforto no hipocndrio direi- to. Assim, o diagnstico s costuma ser realizado atravs de exames para doao de sangue, exames de roti- na ou quando sintomas de doena heptica surgem, j na fase avanada de cirrose. Alm dos sintomas relacionados diretamente hepatite, o vrus pode desencadear o aparecimento de outras doenas atravs de estimulao do sistema imunolgico. Transmisso : A transmisso da hepatite C ocorre aps o contato com sangue contaminado. Apesar de rela- tos recentes mostrando a presena do vrus em outras secrees (leite, saliva, urina e esperma), a quantidade 58. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 59 do vrus parece ser pequena demais para causar infeco e no h dados que sugiram transmisso por essas vias. O vrus da hepatite C chega a sobreviver de 16 horas a 4 dias em ambientes externos. Mesmo excludas todos os fatores de risco anteriores, a transmisso espordica, ou sem modo conhe- cido, responsvel por pelo menos 12% dos casos. No existe vacina contra esse tipo de vacina Tratamento: O tratamento da hepatite C constitui-se em um procedimento de maior complexidade devendo ser realizado em servios especializados. Nem todos os pacientes necessitam de tratamento e a definio depender da realizao de exames especficos, como bipsia heptica e exames de biologia molecular. Quando indicado, o tratamento poder ser realizado por meio da associao de interferon com ribavirina ou do interferon peguilado associado ribavirina. A chance de cura varia de 50 a 80% dos casos, a depender do gentipo do vrus. * HEPATITE D CRNICA A infeco crnica delta semelhante s de outras hepatites crnicas. A cirrose mais freqente nes- te tipo de hepatite do que nos portadores de hepatite B isolada. S infecta indivduos que j tenham sido in- fectados pelo HBV. Transmisso: Os modos de transmisso so os mesmos do HBV. Diagnstico : A suspeita diagnstica pode ser guiada por dados clnicos e epidemiolgicos. A confirmao diagnstica laboratorial e realiza-se por meio dos marcadores sorolgicos do HDV posterior a realizao dos exames para o HBV. Tratamento: Hepatite aguda: No existe tratamento e a conduta expectante, com acompanhamento m- dico. As medidas sintomticas so semelhantes quelas para o vrus B. Hepatite crnica: Este tratamento dever ser realizado em ambulatrio especializado. Preveno: A melhor maneira de se prevenir a hepatite D realizar a preveno contra a hepatite B, pois o vrus D necessita da presena do vrus B para contaminar uma pessoa. * HEPATITE E Doena infecciosa viral, contagiosa, causada pelo vrus E (HEV) do tipo RNA, classificado como pertencente famlia caliciviridae. Ainda rara no Brasil.O perodo de incubao, intervalo entre a exposio efetiva do hospedeiro suscetvel ao vrus e o incio dos sinais e sintomas clnicos da doena neste hospedei- ro, varia de 15 a 60 dias (mdia de 40 dias). Transmisso: A hepatite pelo HEV ocorre tanto sob a forma epidmica, como de forma espordica, em reas endmicas de pases em desenvolvimento. A via de transmisso fecal-oral favorece a disseminao da infeco nos pases em desenvolvimento, onde a contaminao dos reservatrios de gua mantm a cadeia de transmisso da doena. A transmisso interpessoal no comum. Em alguns casos os fatores de risco no so identificados. Sintomas: Quadro clnico assintomtico comum especialmente em crianas. Assim como na hepatite A, admite-se que no existem formas crnicas de hepatite E. Diagnstico: O diagnstico clnico da hepatite E aguda no permite diferenciar de outras formas de hepati- tes virais, apesar de ser possvel a suspeita em casos com quadro clnico caracterstico em reas endmicas. O diagnstico especfico pode ser feito por meio da deteco de anticorpos IgM contra o HEV no sangue. 59. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 60 Tratamento: A maioria dos casos evolui para a cura, sendo necessria a hospitalizao dos casos mais gra- ves, os quais so mais freqentes entre gestantes. Preveno: Como na hepatite A, a melhor estratgia de preveno da hepatite E inclui a melhoria das con- dies de saneamento bsico e medidas educacionais de higiene. Outro tipos de Hepatites: lcool: uso abusivo de qualquer tipo de bebida alcolica. A quantidade que causa doena heptica vari- vel de pessoa para pessoa, sendo necessrio, em mdia, menor dose para causar doena em mulheres do que em homens. A dose de alto risco de 80g de lcool por dia, o que equivale a 5-8 doses de usque (240 ml), pouco menos de 1 garrafa e meia de vinho (800 ml) ou 2 litros de cerveja. Quanto maior o tempo de ingesto (anos), maior o risco de hepatite alcolica e cirrose. Certas pessoas podem adoecer mesmo com doses e tempo bem menores do que a mdia acima mencionada. Medicamentosa: vrios remdios de uso clnico podem causar hepatite em indivduos suscetveis. No se pode prever quem ter hepatite por determinada droga, porm, indivduos que j tm outras formas de doen- a do fgado correm maior risco. Alguns medicamentos relacionados com hepatite so: paracetamol (Tyle- nol, Drico); antibiticos e antifngicos como a eritromicina, tetraciclina, sulfas, cetoconazol e nitrofu- rantona; anabolizantes (hormnios usados para melhorar o desempenho fsico - dopping); drogas antipsic- ticas e calmantes, como por exemplo, a clorpromazina (Amplictil), amiodarona (antiarrtmico), metildopa (Aldomet - anti-hipertensivo) e antituberculosos. Anticoncepcionais orais (plula) tambm so ocasional- mente mencionados. Autoimune: algumas doenas fazem com que as substncias de defesa do prprio indivduo (anticorpos) causem inflamao e dano ao fgado. No se sabe por que isso acontece. Hepatites por causas hereditrias: doenas como a hemocromatose e a doena de Wilson levam ao a- cmulo de ferro e cobre, respectivamente, no fgado, causando hepatite. Esteatohepatite no alcolica (esteatose heptica, fgado gorduroso): o acmulo de gordura no fgado. Ocorre em diversas situaes independentes do consumo de lcool, como obesidade, desnutrio, nutrio endovenosa prolongada, diabete mellitus, alteraes das gorduras sanguneas (colesterol ou triglicerdeos altos) e alguns remdios. CIRROSE HEPTICA Definio: A cirrose uma doena difusa do fgado, que altera as funes das suas clulas e dos sistemas de canais biliares e sanguneos. o resultado de diversos processos, entre os quais, a morte de clulas do fgado e a produo de um tecido fibroso no funcionante.a medida que o tecido necrtico evolui para fibrose, o- correr a alterao na estrutura e vascularizao normal do fgado e isso prejudica toda a estrutura e o traba- lho do fgado. Aps perodos variveis de tempo, indivduos com inflamaes crnicas do fgado esto su- jeitos a desenvolverem cirrose. No possvel prever quais as pessoas com doena de fgado que tero cirro- se. As causas mais comuns so: 60. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 61 - As hepatites crnicas pelos vrus B e C- O alcoolismo. Outras causas menos comuns so: - As hepatites por medicamentos; - Hepatite Auto imune;- Esteato hepatite no-alcolica (NASH)- Doenas genticas (Hemocromatose, Doena de Wilson); - A cirrose biliar primria ou secundria (dificuldade crnica, sem causa definida, do fluxo de bile desde o interior do fgado ou, eventualmente, aps cirurgias complicadas da vescula, das vias biliares ou do fgado). Em recm-nascidos, a atresia biliar (uma mal- formao dos canais que conduzem a bile do fgado ao intestino) importante causa da rpida instalao de cirrose no beb, situao curvel apenas por transplante heptico. Sintomas: A doena se desenvolve lentamente e nada pode ser percebido por muitos anos. Podem ocorrer sintomas inespecficos como: fraqueza e cansao; perda de peso; alteraes do sono; dores abdominais no localizadas.Com a evoluo, aparecem diversas manifestaes que, dependendo do paciente, sero predo- minantemente de um ou de outro grupo de sintomas. As alteraes relacionadas aos hormnios so: perda de interesse sexual; impotncia; esterilidade; parada das menstruaes; aumento das mamas dos homens; perda de pelos.As alteraes relacionadas circulao do sangue no fgado (hipertenso da veia porta) le- vam a: aumento do bao; varizes do esfago e estmago com risco de hemorragias graves (vmito ou fezes com sangue). Devido incapacidade do trabalho da clula heptica, acumula-se bile no sangue, surgindo a ictercia (amarelo), que pode estar associada coceira no corpo. Muitas outras alteraes podem ocorrer, tais como: - Encefalopatia Heptica (EpH) sndrome com alteraes cerebrais decorrentes da m funo heptica, produz: ascite (barriga d'gua); inchao nas pernas; desnutrio (emagrecimento, atrofia muscular, unhas quebradias); facilidade de sangramento (gengiva, nariz, pele); escurecimento da pele.A ascite decorre devi- do a compresso da veia porta, provocando entrave na circulao da veia intestinal e derramamento de lqui- do seroso na cavidade abdominal(bloqueio da circulao linftica.Pode reter de 10 a 20 l) Diagnstico : O diagnstico definitivo de cirrose feito por bipsia heptica (obtida por puno do fgado com agulha especial) e anlise microscpica do material obtido nesse exame. Em muitos casos, quando o paciente chega ao mdico, seu quadro tpico da doena e a avaliao complementar mais simples, com a ecografia , a endoscopia digestiva e alguns exames de sangue, suficiente para estabelecer o diagnstico clnico. Quando existe uma histria de uso excessivo de bebidas alcolicas ou exames de sangue positivos para os vrus da hepatite B ou C fica facilitado o diagnstico da causa da cirrose. Diversos outros exames esto disponveis para investigao das causas menos comuns de cirrose. Tratamento : No h um tratamento especfico para a cirrose. um processo irreversvel. Como conse- qncia de diversas patologias diferentes, o tratamento visa interromper a progresso dessas doenas que, em alguns casos, pode levar tambm a reverso parcial do grau de cirrose e hipertenso portal( a fibrose desorganiza o parnquima heptico,bloqueando os ramos da circulao porta.O sangue retido aumenta a presso, levando ao aparecimento de uma circulao colateral que desvia o sangue para o bao provocan- do esplenomegalia). A suspenso do agente agressor (lcool, drogas) ou a eliminao do vrus da hepatite pode desacele- rar ou parar a evoluo da doena, evitando as complicaes mais graves.Cada uma das complicaes da 61. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 62 cirrose exige um tratamento especfico, geralmente visando o controle de situaes agudas como sangramen- tos, infeces, ascite ou encefalopatia.So utilizadas a dieta hipossdica, diurticos e paracentese para alvio dos sintomas. O transplante de fgado aparece como nica opo de cura da doena, alcanando bons resul- tados. Ainda um tratamento difcil de ser conseguido pela falta de doadores e pela complexidade da cirur- gia. Diagnstico: USG, Bipsia, dosagens sricas ( TGO,TGP,Albumina,Uria e Creatinina) Preveno: A melhor preveno das cirroses de origem viral atravs da vacinao contra Hepatite B e dos rigorosos critrios de controle do sangue usado em transfuses. O uso de preservativos nas relaes sexuais e o uso individualizado de seringas pelos usurios de drogas injetveis tambm so fundamentais. necess- rio o tratamento dos portadores das hepatites crnicas B e C, antes que evoluam para cirrose. E nos portado- res de cirrose inicial, para prevenir que cheguem a estgios mais avanados. No caso do lcool, deve-se evi- tar o seu uso excessivo. exigida a parada total do seu consumo em indivduos com hepatite B ou C. Apesar de apenas uma minoria das pessoas que bebem demais terem cirrose, o risco aumenta proporcionalmente quantidade e ao tempo de consumo. Sabe-se, tambm, que doses menores de lcool podem provocar cirrose em mulheres. Cuidados de enfermagem - oferecer refeies pequenas e freqentes; - proporcionar higiene oral antes das refeies. - orientar o paciente para escovar os dentes com escovas macias. - dieta hipercalrica (2.000 a 3.000) dirias e hipossdica. - observar e anotar aceitao da dieta; - pesar o paciente em jejum diariamente; - medir e anotar a circunferncia abdominal em jejum; - controlar a diurese e restringir os lquidos; - conservar as unhas curtas e limpas; - cuidados especiais com a pele (prurido); - verificar e anotar os SSVV de 6/6 horas. - encorajar perodos alternados de repouso e atividade. - encorajar e ajudar com perodo cada vez maiores de exerccios. - evitar atividades estressantes. - tentar melhorar sua auto-estima atravs de elogios e valorizao - observar as evacuaes: cor, consistncia e quantidade. - pesquisar sangue oculto nas fezes. 62. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 63 - observar equimoses, epistaxe, petquias e gengivas sangrantes. - alertar para sintomas de ansiedade, plenitude epigstrica, fraqueza e inquietao. - administrar vitamina K se prescrito. - administrar diurticos, potssio e suplementos proticos, quando prescrito - informar o paciente sobre os agravos da ingesto alcolica para usa sade e encoraj-lo a procurar ajuda (alcolicos annimos). 63. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 64 UNIDADE VI - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM EM AFECES DO SISTEMA ENDCRI- NO E HORMONAL O sistema endcrino formado por um grupo de rgos (deno- minados glndulas de secreo interna) cuja tarefa principal produzir e segregar hormnios para a circulao sangunea. A funo dos hormnios consiste em atuar como mensageiros, de forma que se coordenem as atividades de diferentes partes do organismo. Glndulas endcrinas: Os rgos principais do sistema end- crino so o hipotlamo, a hipfise (glndula pituitria), a glndu- la tiride, as glndulas paratireides, os ilhus do pncreas, as glndulas supra-renais, os testculos e os ovrios. Durante a gra- videz, a placenta atua como uma glndula endcrina, alm de cumprir as suas outras funes especficas. O hipotlamo segrega diferentes hormnios que estimu- lam a hipfise; algumas desencadeiam a emisso de hormnios hipofisrios e outras a suprimem. Por vezes, a hipfise tambm chamada glndula regente, porque coordena muitas funes das outras glndulas endcrinas. Alguns hormnios hipofisrios tm efeitos diretos, outras apenas controlam a velocidade a que diversos rgos endcrinos segregam os seus hormnios. A hipfise controla a taxa de secreo dos seus prprios hormnios atravs de um mecanismo conhecido como retroalimentao, em que os valores no sangue de outros hormnios indicam hipfise se deve diminuir ou aumentar a sua produ- o. Nem todas as glndulas endcrinas esto sob o controlo da hipfise; algumas respondem de forma dire- ta ou indireta s concentraes de substncias no sangue: As clulas do pncreas que segregam insulina respondem glicose e aos cidos gordos. As clulas da glndula paratireide respondem ao clcio e aos fosfatos. A secreo da medula supra-renal (parte da glndula supra-renal) produto da estimulao direta do sistema nervoso parassimptico. Muitos rgos segregam hormnios ou substncias semelhantes a hormnios, mas em geral no so considerados parte integrante do sistema endcrino. Alguns destes rgos produzem substncias que atuam unicamente nas zonas mais prximas do ponto da sua libertao, enquanto outros no segregam os seus pro- dutos dentro da corrente sangunea. Por exemplo, o crebro produz muitos hormnios cujos efeitos esto limitados principalmente ao sistema nervoso. A insulina um hormnio produzido pelo pncreas que tem funo de controle do nvel de glicose no sangue ao regular a produo e o armazenamento de glicose. 64. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 65 DIABETES MELLITUS Definio:Resulta de defeitos de secreo e/ou ao da insulina envolvendo processos patognicos especfi- cos, por exemplo, destruio das clulas beta do pncreas (produtoras de insulina), resistncia ao da in- sulina, distrbios da secreo da insulina, entre outros.O diabetes um grupo de doenas metablicas carac- terizadas por hiperglicemia e associadas a complicaes, disfunes e insuficincia de vrios rgos, especi- almente olhos, rins, nervos, crebro, corao e vasos sangneos. Epidemiologia: O Diabetes Mellitus configura-se hoje como uma epidemia mundial, traduzindo-se em grande desafio para os sistemas de sade de todo o mundo. O envelhecimento da populao, a urbanizao crescente e a adoo de estilos de vida pouco saudveis como sedentarismo, dieta inadequada e obesidade so os grandes responsveis pelo aumento da incidncia e prevalncia do diabetes em todo o mun- do.Segundo estimativas da Organizao Mundial de Sade, o nmero de portadores da doena em todo o mundo era de 177 milhes em 2000, com expectativa de alcanar 350 milhes de pessoas em 2025. No Bra- sil so cerca de seis milhes de portadores, a nmeros de hoje, e deve alcanar 10 milhes de pessoas em 2010. Classificao do diabetes: H duas formas atuais para classificar o diabetes, a classificao em tipos de diabetes (etiolgica), definidos de acordo com defeitos ou processos especficos, e a classificao em est- gios de desenvolvimento, incluindo estgios pr-clnicos e clnicos, este ltimo incluindo estgios avanados em que a insulina necessria para controle ou sobrevivncia. * Tipos de diabetes (classificao etiolgica) Diabetes tipo 1- Destruio de clulas pancreticas por processo auto imune. (anteriormente conheci- do como diabetes juvenil), que compreende cerca de 10% do total de casos. Diabetes tipo 2 Resulta da sensibilidade diminuda insulina.(anteriormente conhecido como diabetes do adulto), que compreende cerca de 90% do total de casos. Diabetes gestacional Causada devido os hormnios secretados pela placenta inibirem a ao da insuli- na.Sua etiologia ainda no est esclarecida o que, em geral, um estgio pr-clnico de diabetes, detectado no rastreamento pr-natal.Outros tipos especficos de diabetes menos freqentes podem resultar de defeitos genticos da funo das clulas beta, defeitos genticos da ao da insulina, doenas do pncreas excrino, endocrinopatias, efeito colateral de medicamentos, infeces e outras sndromes genticas associadas ao diabetes. Diabetes tipo 1 (diabetes insulinodependente) O termo tipo 1 indica destruio da clula beta que eventualmente leva ao estgio de deficincia ab- soluta de insulina, quando a administrao de insulina necessria para prevenir cetoacidose, coma e mor- te.A destruio das clulas beta geralmente causada por processo auto-imune, que pode se detectado por auto-anticorpos circulantes como anti-descarboxilase do cido glutmico (anti-GAD), anti-ilhotas e anti- insulina, e, algumas vezes, est associado a outras doenas auto-imunes como a Tireoidite de Hashimoto, a doena de Addison e a miastenia gravis. Em menor proporo, a causa da destruio das clulas beta des- conhecida (tipo 1 idioptico).O desenvolvimento do diabetes tipo 1 pode ocorrer de forma rapidamente pro- gressiva, principalmente, em crianas e adolescentes (pico de incidncia entre 10 e 14 anos), ou de forma lentamente progressiva, geralmente em adultos, (LADA, latent autoimmune diabetes in adults; doena auto- 65. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 66 imune latente em adultos). Esse ltimo tipo de diabetes, embora assemelhando-se clinicamente ao diabetes tipo 1 auto-imune, muitas vezes erroneamente classificado como tipo 2 pelo seu aparecimento tardio. Estima-se que 5-10% dos pacientes inicialmente considerados como tendo diabetes tipo 2 podem, de fato, ter LADA. Diabetes tipo 2 (diabetes no insulinodependente) O termo tipo 2 usado para designar uma deficincia relativa de insulina. A administrao de insuli- na nesses casos, quando efetuada, no visa evitar cetoacidose, mas alcanar controle do quadro hiperglic- mico. A cetoacidose rara e, quando presente, acompanhada de infeco ou estresse muito grave.A maio- ria dos casos apresenta excesso de peso ou deposio central de gordura.Em geral, mostram evidncias de resistncia ao da insulina e o defeito na secreo de insulina manifesta-se pela incapacidade de compen- sar essa resistncia. Em alguns indivduos, no entanto, a ao da insulina normal, e o defeito secretor mais intenso. Diabetes gestacional a hiperglicemia diagnosticada na gravidez, de intensidade variada, geralmente se resolvendo no perodo ps-parto, mas retornando anos depois em grande parte dos casos.Seu diagnstico controverso. A OMS recomenda detect-lo com os mesmos procedimentos diagnsticos empregados fora da gravidez, con- siderando como diabetes gestacional valores referidos fora da gravidez como indicativos de diabetes ou de tolerncia glicose diminuda. Sintomas: Os sintomas clssicos de diabetes so: poliria, polidipsia, polifa- gia e perda involuntria de peso (os 4 Ps). Outros sintomas que levantam a suspeita clnica so: fadiga, fraqueza, letargia, prurido cutneo e vulvar, bala- nopostite e infeces de repetio. Os sintomas e as complicaes tendem a aparecer de forma rpida no diabetes tipo 1 e podem estar ausentes ou aparecer gradualmente no diabetes tipo 2. Entretanto, o diabetes assintomtico em proporo significativa dos casos, a suspeita clnica ocorrendo ento a partir de fatores de risco para o diabetes. Diagnstico: Resumidamente, os testes laboratoriais mais comumente utilizados para suspeita de diabetes ou regulao glicmica alterada so: Glicemia de jejum: nvel de glicose sangnea aps um jejum de 8 a 12 horas; Teste oral de tolerncia glicose (TTG-75g): O paciente recebe uma carga de 75 g de glicose, em jejum, e a glicemia medida antes e 120 minutos aps a ingesto; Glicemia casual: tomada sem padronizao do tempo desde a ltima refeio.Pessoas cuja glicemia de jejum situa-se entre 110 e 125 mg/dL (glicemia de jejum alterada), por apresentarem alta probabilidade de ter diabetes, podem requerer avaliao por TTG-75g em 2h. Mesmo quando a glicemia de jejum for normal (< 110 mg/dL), pacientes com alto risco para diabetes ou doena cardiovascular podem merecer avaliao por TTG. Critrios laboratoriais para o diagnstico de diabetes. Sintomas de diabetes (poliria, polidipsia, polifagia ou perda de peso inexplicada) + glicemia casual e >200 mg/dL (realizada a qualquer hora do dia, independentemente do horrio das refeies); 66. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 67 = OU = Glicemia de jejum e >126 mg/dL*; = OU = Glicemia de 2 horas e >200 mg/dL no teste de tolerncia glicose*. * Devem ser confirmados com nova glicemia. Quando os nveis glicmicos de um indivduo esto acima dos parmetros considerados normais, mas no esto suficientemente elevados para caracterizar um diagnstico de diabetes, os indvduos so clas- sificados como portadores de hiperglicemia intermediria. Quando a glicemia de jejum estiver entre 110- 125 mg/dL, a classificao ser de glicemia de jejum alterada; quando a glicemia de 2h no TTG-75g estiver entre 140-199 mg/dL, a classificao ser de tolerncia glicose diminuda. Complicaes: O diabetes pode ser acompanhado de doenas circulatrias (Coronariopatia, Acidente Vas- cular Cerebral, e Gangrena, principalmente), doenas renais e distrbios da viso. No diabetes observa-se uma acelerao do processo de arteriosclerose. No idoso o diabetes em geral benigno, evoluindo muito bem quando o tratamento for bem administrado. Tratamento: O objetivo principal do tratamento da diabetes manter os valores de acar no sangue dentro dos valores normais tanto quanto possvel. Embora seja difcil manter valores completamente normais, deve- se tentar que estejam na medida do possvel perto da normalidade, para que seja menor a probabilidade de complicaes, quer sejam temporrias, quer a longo prazo. O principal problema ao tentar controlar rigoro- samente os valores de acar no sangue que se produza uma diminuio no desejada dos mesmos (hipo- glicemia).Medicamentos modernos atuam para aumentar a sensibilidade das clulas insulina e para retar- dar a absoro intestinal dos acares. Nos casos de controle difcil deve-se usar a Insulina. A dieta rgida deve ser mantida sempre. A insulina encontra-se disponvel em trs formas bsicas, cuja ao difere quanto velocidade e du- rao. Insulina de ao rpida, como a insulina regular (insulina cristalina), a que tem uma ao mais rpida e curta. Comea por diminuir as concentraes de acar no sangue ao fim de 20 minutos aps a sua administrao, alcanando a sua atividade mxi- ma das 2 a 4 horas, com uma durao de 6 a 8 horas. Esta insulina utiliza-se com freqncia em diabticos que recebem vrias injees dirias e injeta-se entre 15 e 20 minutos antes das refeies. Insulina de ao intermdia, como a insulina zinco em suspenso ou a insulina isofano, comea a atuar ao fim de 1 a 3 horas, atingindo a sua mxima atividade num perodo de 6 a 10 horas e dura de 18 a 26 horas. Este tipo de insulina utiliza-se de manh, para cobrir a primeira parte do dia, ou ao entardecer, para que fornea a quantidade necessria durante a noite. Insulina de ao prolongada, como a insulina zinco em suspenso de ao prolongada, tem um efeito muito reduzido durante as 6 primeiras horas, mas oferece uma cobertura de 28 a 36 horas. Os preparados de insulina so estveis temperatura ambiente durante meses, o que permite transport-los, lev-los ao trabalho ou inclusive durante uma viagem. O descontrole do diabetes pode ocorrer em qualquer tipo de infeco, durante eventuais cirurgias, e quando utilizado certos medicamentos como, por exem- plo: aspirina, beta-bloquadores, certos diurticos, cortisona e barbitricos. O lcool freqente causador de descontrole. O des- controle do diabetes produz a Acidose que se manifesta atravs de sonolncia e pode evoluir para o estado de coma. Preveno: O controle do diabetes est na dependncia de importantes mudanas de hbitos alimentares e atividade fsica, principalmente. muito importante seguir risca a orientao mdica. 67. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 68 O diabetes do tipo 2 pode ser prevenido de diversas maneiras, o que evita muitos dos casos da doen- a ou algumas de suas complicaes. A atividade fsica compatvel com a idade e sob a orientao de um profissional de educao fsica uma importante medida preventiva do diabetes tipo 2. Dietas saudveis, orientadas por profissionais de nutrio, diminuem os riscos de diabetes. Evitar excesso de peso uma importante ao preventiva e reduz em 30% as chances de desenvolver diabetes tipo 2. Cuidados gerais e preveno Cuidados com a aplicao de Insulina - locais para aplicao de insulina; regio deltide, regio gltea, face ntero-extrema da coxa, parede abdominal, e peri-umbilical. - variar o local da aplicao; - registrar os locais e utilizar todos os possveis; - numa mesma rea use aproximadamente uma distncia de 2 a 3 cm. Cuidados com a pele: - evitar infeces; evitar frico vigorosa; usar loes hidratantes na pele; evitar queimaduras, ferimentos e frio excessivo; tratar ferimentos assepticamente imediatamente; ateno especial quanto higiene pessoal; Cuidados com a higiene oral: - avaliar diariamente a mucosa oral; instruir o paciente a relatar a queimao oral, dor, reas de rubor, leses abertas nos lbios, dor ao deglutir; realizar a higiene oral aps as refeies; visitar o dentista regularmente; usar escovas de cerdas macias; evitar e tratar rapidamente as cries; aplicar lubrificante labial; evitar o lcool e fumo. Cuidados com os ps: - lavar diariamente, enxugar cuidadosamente entre os dedos; - cortar e limpar as unhas; - usar sapatos macios e no andar descalo; - estimular a circulao com massagens; Outros cuidados: - fornecer instrues por escrito sobre o cuidado com os ps, e programas de exerccio. - auxiliar para garantir que as roupas estejam adequadamente ajustadas. - encorajar a ingesta adequada de protenas e calorias - encorajar a participao nos programas de exerccios planejados 68. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 69 Complicaes: A cetoacidose diabtica ocorre porque, sem a insulina, a quantidade de glicose que entra nas clulas reduzida e o fgado aumenta a produo de glicose.Em tentativa de livrar o corpo do excesso de glicose, os rins excretam a glicose juntamente com gua e eletrlitos, levando a desidratao.Indivduo per- de 6 a 6,5l de gua. HIPERTIEOIDISMO (DOENA DE GRAVES/DOENA DE BASEDOW/BCIO EXOOFTLMICO/BCIO TXICO DIFUSO) A glndula tireide tem como funes: controle da velocidade das rea- es qumicas, volume de O2 consumido;quantidade de calor produzi- do;estimula a sntese de vitamina D;atua no crescimento e maturao do es- queleto;aumenta a absoro dos glicdeos e provoca degradao do colesterol. Definio: uma perturbao em que a glndula tiride est hiperativa, de- senvolve-se quando a tiride produz demasiada quantidade de hormnios. Causas: Tm vrias causas, entre elas as reaes imunolgicas (possvel causa da doena de Graves). A predisposio gentica e aps choques emocionais e ou tenso emocional Os doen- tes com tireoidite, uma inflamao da glndula tiride, sofrem habitualmente uma fase de hipertireoidismo. Contudo, a inflamao pode lesar a glndula tiride, de tal maneira que a atividade inicial, superior nor- mal, o preldio de uma atividade deficiente transitria (o mais freqente) ou permanente (hipotireoidis- mo).. Sintomas: No hipertireoidismo, em geral, as funes do corpo aceleram-se. O corao bate mais depressa e pode desenvolver um ritmo anmalo, e o indivduo afetado pode chegar a sentir os batimentos do seu pr- prio corao (palpitaes). Tambm provvel que a presso arterial aumente. Muitos doentes com hiperti- reoidismo sentem calor mesmo numa habitao fria, a sua pele torna-se mida, j que tendem a suar profu- samente, e as mos podem tremer. Sentem-se nervosos, cansados e fracos, e apesar disso aumentam o seu nvel de atividade; aumenta o apetite, embora percam peso; dormem pouco e evacuam freqentemente, al- gumas vezes com diarria. O hipertireoidismo tambm provoca alteraes oculares: edema em torno dos olhos, aumento da la- crimao, irritao e uma inabitual sensibilidade luz. Alm disso, o doente parece olhar fixamente. Estes sintomas oculares desaparecem quando a secreo do hormnio tireideo controlada, exceto nos pacientes com doena de Graves, a qual causa problemas especiais nos olhos. Tratamento: O hipertireoidismo pode ser tratado farmacologicamente, com medicaes que interferem na produo do hormnio tireideo.mas outras opes incluem a extrao cirrgica da glndula tiride (TIRE- OIDECTOMIA)ou o seu tratamento com iodo radioativo. Cada um dos tratamentos tem as suas vantagens e desvantagens. Diagnstico: Anamnese,Exame fsico e laboratorial,USG Cuidados de enfermagem 69. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 70 - proporcionar conforto e segurana, um ambiente repousante, calmo e tranqilo; - manter uma ventilao adequada no ambiente; -dar apoio psicolgico, ouvir com ateno e anotar as queixas do paciente; - orientar as visitas e familiares para evitar conversas que pertubem o paciente; - orientar a restrio de bebidas estimulante com ch e caf; - supervisionar a dieta e incentivar ingesto nutritiva e hdrica. HIPOTIREOIDISMO Definio: uma afeco em que a glndula tiride tem um funcionamento anmalo e produz muito pouca quantidade de hormnio tireideo. O hipotireoidismo muito grave denomina-se mixedema. Causas: Na tireoidite de Hashimoto, a causa mais freqente de hipotireoidismo, a glndula tiride aumenta e o hipotireoidismo aparece anos mais tarde, devido destruio gradual das zonas funcionais da glndula. A segunda causa mais freqente de hipotireoidismo o tratamento do hipertireoidismo. O hipotireoidismo costuma verificar-se quer seja pelo tratamento com iodo radioativo, quer pela cirurgia. A causa mais freqente de hipotireoidismo em muitos pases em vias de desenvolvimento a carn- cia crnica de iodo na dieta, que produzir um aumento do tamanho da glndula, reduzindo o seu rendimen- to (bcio hipotireideo). Contudo, esta forma de hipotireoidismo desapareceu em muitos pases, desde que os fabricantes de sal comearam a juntar iodo ao sal de mesa. Outras causas, mais raras, de hipotireoidismo incluem algumas afeces herdadas, em que uma ano- malia enzimtica nas clulas da tiride impede que a glndula produza ou segregue quantidade suficiente de hormnios tireideos. Outras perturbaes pouco freqentes so aquelas em que o hipotlamo ou a hipfise no produzem o hormnio na quantidade suficiente para estimular o funcionamento normal da tiride. Sintomas A insuficincia tireidea provoca uma decadncia geral das funes do organismo. Em acentuado contraste com o hipertireoidismo, os sintomas do hipotireoidismo so sutis e graduais e podem ser confundi- dos com uma depresso. As expresses faciais so toscas, a voz rouca e a dico lenta; as plpebras esto cadas, os olhos e a cara tornam-se inchados e salientes. Muitos doentes com hipotireoidismo aumentam de peso, tm priso de ventre e so incapazes de to- lerar o frio. O cabelo torna-se ralo, spero e seco, e a pele torna-se spera, grossa, seca e escamosa. Em muitos casos desenvolve-se a sndrome do canal crpico, que provoca formigamento ou dor nas mos. O pulso torna-se mais lento, as palmas das mos e as plantas dos ps aparecem um pouco alaranjadas (carotenemia) e a parte lateral das sobrancelhas solta-se lentamente. Algumas pessoas, sobretudo os adultos, ficam esquecidias e parecem confusas ou dementes; sinais que facilmente se podem confundir com a doena de Alzheimer ou outras formas de demncia. Diagntico: Laboratorial Tratamento O hipotireoidismo trata-se com a substituio do hormnio tireideo deficiente, mediante um dos diversos preparados orais existentes. A forma preferida a hormnio tireideo sinttica, T4. Outra forma, a hormnio tireideo dessecado, obtm-se das glndulas da tiride de animais. Em geral, a forma dessecada menos satisfatria porque a dose mais difcil de adaptar e os comprimidos tm quantidades variveis de T3. 70. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 71 A medicao, em geral, ser tomada durante toda a vida. Em situaes urgentes, como o coma mixe- dematoso, os mdicos podem administrar hormnio tireideo por via endovenosa. Cuidados de enfermagem - proporcionar conforto e segurana, um ambiente repousante, calmo e tranqilo; - manter uma ventilao adequada no ambiente; -dar apoio psicolgico, ouvir com ateno e anotar as queixas do paciente; - oferecer proteo e segurana ao paciente na deambulao; - oferecer dieta balanceada, rica em calorias, minerais -estimular refeies em intervalos freqentes. - desestimule ingesto de alimentos que aumentem o peristaltismo como os muito maduros e fibrosos. - explicar que as alteraes na aparncia so reduzidas com a continuidade do tratamento. - oferecer protetores oculares (culos escuros). - instilar colrios ou lgrimas artificiais. - orientar o paciente a dormir com a cabea elevada. - pesar em jejum para avaliar ganho ponderal. - ateno cuidadosa na administrao dos medicamentos. Hipertireoidismo (secreo excessiva do hormnio tireideo) Aumento da freqncia cardaca. Presso arterial alta. Pele mida e aumento do suor. Calafrios e tremor. Nervosismo. Aumento do apetite e perda de peso. Insnia. Freqentes movimentos do intestino e diarria. Fraqueza. Elevao e espessamento da pele das espinhas da tbia. Olhos salientes e avermelhados. Sensibilidade dos olhos luz. Olhar fixo. Confuso. Hipotireoidismo (secreo insuficiente do hormnio tireideo) Pulso lento. Voz rouca. Fala lenta. Cara inchada. Queda dos plos das sobrancelhas. Plpebras cadas. Intolerncia ao frio. Priso de ventre. Aumento de peso. Cabelos ralos, grossos e secos. Pele seca, spera, escamosa e grossa; elevao e espessamento da pele das espinhas da tbia. Sndrome do canal crpico. Confuso. Depresso. Demncia 71. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 72 UNIDADE VII - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM S AFECES UROLGICAS Normalmente, uma pessoa possui dois rins. Cada rim possui um ureter, que drena a urina da rea co- letora central do rim (pelve renal) para a bexiga. Da bexiga, a urina drena atravs da uretra e eliminada do organismo (atravs do pnis nos homens e da vulva nas mulheres). A funo bsica dos rins filtrar os produtos da degradao metablica e o excesso de sdio e de - gua do sangue e auxiliar na sua eliminao do organismo. Os rins tambm ajudam a regular a presso arteri- al e a produo de eritrcitos (glbulos vermelhos). Cada rim contm cerca de um milho de unidades filtradoras (nfrons). O nfron constitudo por uma estrutura redonda e oca (cpsula de Bowman), que contm uma rede de vasos sangneos (glomrulo). O conjunto dessas duas estruturas denominado corpsculo renal. Qualquer modificao da excreo normal capaz de causar problemas em outros sistemas do orga- nismo, alm de causar frustrao e constrangimento a uma pessoa que apresente alterao na excreo. As pessoas que apresentam distrbios de eliminao urinria necessitam de ajuda, compreenso e sensibilidade. Os profissionais de enfermagem devem auxili-las a enfrentar o mal-estar e os problemas relacionados a sua auto-imagem, bem como ajud-las a estimular a excreo normal, a fim de assegurar a sade e o seu bem- estar. Os distrbios de eliminao urinria mais freqentes decorrem da incapacidade funcional da bexiga, da obstruo da sada da urina ou da incapacidade de controle voluntrio da mico. Algumas pessoas apre- sentam alteraes permanentes ou temporrias na via normal de eliminao urinria. INFECES DO TRATO URINRIO ( ITU) Sries de etiologias clnicas que tm em comum a presena de um nmero significante de microor- ganismos em qualquer poro do trato urinrio. Esses microorganismos podem estar presentes s na urina ou pode existir evidncias de infeco. A infeco em um dos rgos pode disseminar-se e atingir o trato urinrio. 72. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 73 Para evitar as ITUs , existe um sistema de defesa, o fluxo urinrio, o esvaziamento total da bexiga e o PH cido da urina, alm das defesas imunolgicas que dificultam a instalao das bactrias.Qualquer a- normalidade que impea o fluxo livre de urina, pode predispor infeco. Etiologia: Os organismos mais comuns causadores de ITU so Escherischia Coli, Enterobacter, Pseudmo- nas e Serratia. Esses microorganismos encontrados normalmente no trato gastrointestinal, contaminam a urina em funo da proximidade entre o orifcio uretral e o nus. Fatores Predisponentes: Uso de roupa ntima sinttica, meias calas, jeans apertados, papel higinico per- fumado, guardanapo sanitrios, relaes sexuais, catetes vesicais.Nos homens a hiperplasia dificulta o esva- ziamento da bexiga. PIELONEFRITE: Inflamao do parnquima renal e da pelve. PROSTATITE: Inflamao da prstata. Sinais e Sintomas: cefalia, vmitos, calafrios, febre, dor lombar ou abdominal. Diagnstico: EAS, urocultura, cultura de urina e antibiograma. Tratamento: antibiticos, higiene ntima, ingesto abundante de lquidos e orientar completo esva- ziamento da bexiga. CISTITE Definio: uma inflamao da bexiga, geralmente iniciada na uretra, causada mais freqentemente por microorganismos que podem desenvolver uma infeco, como nos casos de cistites causadas por uso de sondagens vesicais ou equipamentos de exames como o citoscpio. Incidncia: As mulheres so mais atingidas pelas cistites que os homens, tendo em vista o tamanho da ure- tra feminina, menor do que a masculina, e sua proximidade do nus. Na maioria dos casos, a cistite nas mu- lheres causada por Escherichia coli. Destaca-se que o aumento das infeces urinrias tambm pode estar associado atividade sexual pela exposio dos rgos genitais femininos. Em relao aos homens, a cistite geralmente secundria a alguma outra doena, como infeces na prstata, no epiddimo ou clculos vesi- cais. A incontinncia urinria comum nos pacientes que tiveram AVC ou outras disfunes neurolgicas. Citoscpio o equipamento utilizado pelo urologista para visualizar a bexiga. Manifestaes Clnicas: Os indivduos acometidos pela cistite podem apresentar os seguintes sintomas: Urgncia miccional; Aumento da freqncia urinria; Queimao e dor mico; Pode ocorrer piria, bacteriria, hematria e forte dor na regio suprapbica. Diagnstico: 73. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 74 Para confirmao desses casos, indicado o exame EAS (Elementos Anormais Sedimentados), onde so pesquisadas as caractersticas da urina e a presena de substncias anormais, entre elas, sangue, pus e bactrias. J nos casos em que os sintomas esto evidenciando de forma clara uma infeco, ou quando necessrio saber qual o agente causador e o antibitico que dever ser utilizado, poder ser solicitado uro- cultura ou cultura de urina. Tratamento: O tratamento das pessoas com cistite se faz atravs do uso de antibiticos. Uma atuao efetiva da enfermagem consiste em orientar a importncia de se tomar todas as doses prescritas, mesmo se houver al- vio imediato dos sintomas, devido ao risco de recorrncia da infeco mal curada. De uma maneira geral, as cistites no representam situaes clnicas que indiquem internao hospitalar, sendo geralmente tratadas em nvel ambulatorial. Preveno: Do ponto de vista preventivo, as cistites podem ser evitadas pelas mulheres por meio de higiene n- tima adequada, uso correto do papel higinico aps urinar, esvaziamento vesical freqente, inclusive aps as relaes sexuais por diminurem a quantidade de microorganismos nos genitais femininos, e visitas peridi- cas ao ginecologista. Intervenes de Enfermagem : Para aliviar o desconforto associado cistite, tais como: Aplicar calor e banhos de imerso quentes, que ajudam a aliviar a dor e a urgncia miccional; Estimular a ingesto de grandes quantidades de lquidos para promover o aumento da diurese e eli- minar as bactrias do trato urinrio; Orientar o esvaziamento completo da bexiga (a cada duas a trs horas), com o intuito de reduzir o nmero de bactrias e para no ocorrer reinfeco. Lembrar alguns cuidados na coleta de urina para cultura: oferecer recipiente estril; orientar a fazer higiene da genitlia externa e a desprezar o primeiro jato de urina, colhendo a seguir GLOMERULONEFRITE DIFUSA AGUDA Definio: uma resposta inflamatria do glomrulo contra alguma substncia nociva (antgeno) que invade o organismo humano, e que o sistema imunolgico tenta destruir. Ao fazer isso, o sistema imunolgico pro- duz anticorpos que, ao se depararem com o antgeno, se ligam a ele, formando o que chamamos de comple- xo antgeno-anticorpo. Este complexo antgeno-anticorpo se adere ao glomrulo, obstruindo-o e causando inflamao. Quando isso ocorre em muitos glomrulos, temos a glomerulonefrite aguda. Substncias txi- cas, como veneno e toxina liberadas pelo Streptococo beta-hemoltico do grupo A, atuam como antgenos, levando a processo inflamatrio do rim, portanto, ocasionando a glomerulonefrite aguda. Assim, uma pessoa pode apresentar glomerulonefrite aps faringites e amigdalites, quando no tratadas adequadamente, em decorrncia da circulao das toxinas na corrente sangnea. Episdios freqentes de glomerulonefrite aguda podem levar glomerulonefrite crnica. A princi- pal alterao est no fato de haver uma reduo progressiva do tamanho dos rins, uma vez que, a cada epi- 74. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 75 sdio de glomerulonefrite aguda, ocorrem mortes de grande nmero de nfrons. Em alguns pacientes, so- mente se consegue descobrir a glomerulonefrite crnica devido hipertenso arterial. Manifestaes Clnicas: Existem situaes em que a glomerulonefrite aguda passa despercebida pela pessoa, somente sendo descoberta aps exame de urina de rotina. A pessoa pode apresentar: Cefalia; Mal-estar geral; Edema facial; Dor no flanco; Hipertenso arterial- que pode variar de leve grave; Diminuio da diurese, hematria e colria, que a urina com cor de Coca-Cola. Tratamento: Os objetivos do tratamento so os de proteger os rins insuficientes da pessoa e cuidar imediatamen- te das complicaes. Ela orientada a permanecer em repouso no leito, geralmente por perodo de 2 a 3 se- manas, a fazer um ms de repouso relativo e um ano de atividade fsica controlada. O tratamento da glomerulonefrite crnica ambulatorial e baseado nas complicaes que eles apre- sentam, tais como insuficincia cardaca, renal e hipertenso arterial. Assistncia de Enfermagem: Durante a hospitalizao, a equipe de enfermagem, diariamente: o Dever encaminhar o cliente para pesar e realizar balanos hdricos, de modo a acompanhar a recu- perao da funo renal pelo aumento ou reduo do edema. o Oferecer dieta com restrio de sdio, gua e protenas , de modo a diminuir o edema, a presso arte- rial e o risco de uremia. Em nvel ambulatorial, os profissionais de enfermagem devem: o Salientar a importncia do acompanhamento e da adeso ao tratamento, bem como orientar quanto ao repouso que deve ser com os membros inferiores elevados para reduzir o edema e sobre a necessidade de pesar-se diariamente. o Instruir o paciente a notificar ao profissional que a est acompanhando sintomas, como fadiga, nu- seas, vmitos e diminuio da urina. o Orientar a famlia a participar do tratamento e acompanhamento, recebendo informaes sobre o que est acontecendo, tendo suas perguntas respondidas e sendo respeitada a sua liberdade de expor suas preo- cupaes 75. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 76 INSUFICINCIA RENAL AGUDA Definio: Caracteriza-se por perda sbita e quase completa da funo renal causada pela diminuio da filtrao glomerular, resultando em reteno de substncias que normalmente seriam eliminadas na urina, como a uria, a creatinina, o excesso de sdio, de potssio, de gua e de outras substncias txicas. A insuficincia renal crnica uma deteriorao progressiva e irreversvel da funo renal. Geral- mente ocorre como conseqncia da insuficincia renal aguda, de glomerulonefrites e de intoxicaes gra- ves. Etiologia: De um modo geral, as principais causas de insuficincia renal aguda so a hipovolemia e hipo- tenso por perodos prolongados e a obstruo dos rins ou das vias urinrias. Se estas situaes forem devi- damente diagnosticadas e tratadas a tempo, os rins sero preservados da ausncia de fluxo sangneo e no sofrero danos. Caso tais situaes no sejam revertidas em tempo hbil, os rins sofrem leses que podem prejudicar seu funcionamento de maneira aguda ou crnica. Manifestaes Clnicas: Os sinais e os sintomas da insuficincia renal variam de acordo com a causa e o nvel de prejuzo renal. -Letargia; -Nuseas; -Vmitos e diarria; -Pele e mucosas apresentam-se secas por desidratao; -Hlito urmico ( a respirao pode ter o mesmo odor da urina); -Sonolncia; -Queixas constantes de cefalia,; -Pode apresentar abalos musculares, convulses, arritmias e parada cardaca nos casos graves; -Volume urinrio apresenta-se diminudo; -Valores de uria e creatinina no sangue aumentam gradativamente. A anemia acompanha inevitavelmente a insuficincia renal devido a vrios fatores, como leses gas- trointestinais sangrantes e reduo da vida das hemcias e da produo da eritropoetina. Diagnstico: Anamnsese, USG,TC e RM Tratamento: Intervenes, como dilise peritoneal e hemodilise, podem ser utilizadas no sentido de substituir os rins insuficientes, promovendo a eliminao das substncias txicas. A dilise peritoneal um mtodo pelo qual se introduz um lquido estril (lquido dialisador) na cavidade abdominal por meio de um cateter. O peritnio banhado com este lquido dialisador, que faz a remoo das substncias txicas presentes no organismo. A quantidade de lquido infundido e a durao das infuses va- riam de acordo com as necessidades de cada um. 76. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 77 A hemodilise um processo pelo qual, atravs de uma fstula arteriovenosa ou catter de longa ou curta durao, o sangue do indivduo passa por uma mquina que contm um sistema de filtro artificial, simulando os rins, eliminando assim as substncias txicas do corpo. Peritnio uma membrana serosa que reveste internamente a cavidade abdominal e plvica (peritnio parietal), bem como os rgos contidos nela (peritnio visceral). Fstula arteriovenosa um canal que faz comunicao entre artria e veia, obtido atravs de um procedimento cirrgico. De modo a oferecer uma qualidade de vida melhor, o transplante renal tornou-se o tratamento de es- colha para a maioria dos portadores de doena renal crnica. O rim pode ser proveniente de um doador vivo ou de cadver humano. Geralmente, a dilise peritoneal e a hemodilise so tratamentos utilizados pelos doentes renais crnicos at se conseguir o transplante Intervenes de Enfermagem o Monitorizar a funo renal atravs do balano hdrico e da pesagem diria ; o Avaliar freqentemente seu estado, observando e registrando sinais de comprometimento cardaco, como dispnia, taquicardia e distenso das veias do pescoo; o Estar atenta e preparada para situaes de emergncias que podem ocorrer, como arritmias e parada cardaca. o Manter a famlia informada a respeito de suas condies, auxiliando-os na compreenso do tratamen- to. o Existem algumas drogas que possuem grande capacidade de causar leses renais. Tais drogas so denominadas de nefrotxicas, como alguns antibiticos. Nesses casos, a pessoa precisa ter a funo renal avaliada, cautelosamente, durante todo o tratamento. DILISE E HEMODILISE Dilise: o processo de extrao dos produtos residuais e do excesso de gua do corpo. H dois mtodos de dilise: a hemodilise e a dilise peritoneal. Na hemodilise extrai-se o sangue do corpo e bombeia-se para o interior de um aparelho que filtra as substncias txicas, devolvendo pessoa o sangue purificado. A quanti- dade de lquido devolvido pode ser ajustada. Na dilise peritoneal introduz-se dentro da cavidade abdominal um lquido que contm uma mistura especial de glicose e de sais que arrasta as substncias txicas dos tecidos. Depois extrai-se o lquido e des- peja-se. A quantidade de glicose pode ser modificada para extrair mais ou menos lquido do organismo. Hemodilise: um procedimento no qual o sangue removido do corpo e circulado atravs de um aparelho externo (denominado dialisador), exige o acesso repetido corrente sangnea. Uma fstula arteriovenosa (conexo artificial entre uma artria e uma veia) criada cirurgicamente para facilitar o acesso. Razes para efetuar uma dilise: Os mdicos decidem comear a dilise quando a insuficincia renal causa um funcionamento anor- mal do crebro (encefalopatia urmica), inflamao do invlucro do corao (pericardite), uma elevada aci- dez do sangue (acidose) que no responde a outros tratamentos, insuficincia cardaca ou uma concentrao muito elevada de potssio no sangue (hiperpotassemia). A reverso dos sintomas de alterao do funciona- 77. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 78 mento cerebral causados pela insuficincia renal, uma vez iniciada a dilise, precisa em regra de vrios dias e, raramente, at duas semanas de tratamento. Assistncia da equipe de Sade: Cuidados dedicados ao paciente em dilise: Os pacientes que se submetem a dilise precisam de dietas e medicamentos especiais. Devido ao es- casso apetite e perda de protenas durante a dilise peritoneal, estas pessoas precisam em geral de uma dieta relativamente rica em protenas, cerca de 0,5 g de protenas dirias por cada quilograma de peso ideal. Para os que esto em hemodilise, a ingesto de sdio e potssio deve reduzir-se a 2 g por dia de cada um. Tambm se deve restringir o consumo de alimentos ricos em fsforo. O consumo dirio de bebidas limitado apenas naqueles indivduos que tm uma concentrao persistentemente baixa ou decrescente de potssio no sangue. importante controlar o peso diariamente, visto que um aumento excessivo de peso entre as sesses de hemodilise sugere um consumo exagerado de lquidos. Para as pessoas em dilise peri- toneal, as restries de potssio (4 g por dia) e de sdio (de 3 g a 4 g dirios) so menos severas. So precisos suplementos multivitamnicos e de ferro para substituir os nutrientes que se perdem a- travs da dilise. Contudo, as pessoas submetidas a dilise e tambm a transfuses de sangue muitas vezes recebem demasiado ferro, j que o sangue contm grandes quantidades deste mineral; por conseguinte, no devem tomar suplementos do mesmo. Podem-se fornecer hormnios, como a testosterona ou a eritropoieti- na, para estimular a produo de glbulos vermelhos. A hipertenso arterial frequente entre os indivduos que sofrem de insuficincia renal. Em aproxi- madamente metade deles pode-se controlar simplesmente extraindo lquido suficiente durante a dilise. A outra metade pode precisar de frmacos para diminuir a presso arterial. 78. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 79 Os tratamentos regulares mantm com vida os doentes que precisam de dilise crnica, contudo, muitas vezes a dilise causa stress porque as sesses tm de fazer-se vrias vezes por semana e durante v- rias horas. As pessoas em dilise tambm enfrentam alteraes perturbadoras da sua prpria imagem e das fun- es corporais. As crianas com problemas de crescimento podem sentir-se isoladas e diferentes dos compa- nheiros. Os jovens e os adolescentes que normalmente se questionam sobre a sua prpria identidade, inde- pendncia e imagem corporal, podem encontrar mais problemas deste tipo, se estiverem submetidos a dili- se. Como consequncia destas perdas, muitas pessoas que esto em dilise deprimem-se e tornam-se an- siosas. Todavia, a maioria dos indivduos adapta-se dilise. A maneira como as pessoas em programa de dilise (assim como a sua equipa de terapia) enfrenta estes problemas afeta no apenas a sua adaptao soci- al, mas tambm a sua sobrevivncia a longo prazo. Os problemas psicolgicos e sociais em geral diminuem quando os programas de dilise motivam as pessoas a ser independentes e a assumir outra vez os seus inte- resses anteriores. A assistncia psicolgica e de trabalho social til, tanto para as famlias como para as pessoas em programa de dilise, nos casos de depresso, problemas de comportamento e circunstncias que impliquem perdas ou modificaes dos costumes. Estas equipos so formadas por assistentes sociais, psiclogos e psi- quiatras. Muitos centros de dilise oferecem apoio psicolgico e social. RETENO URINRIA Definio:A reteno urinria um problema caracterizado pela incapacidade da bexiga de se esvaziar completamente. A urina acumula-se no interior da bexiga, distendendo as paredes da mesma e causando sensao de peso, de desconforto e sensibilidade dolorosa palpao da regio suprapbica, alm de irritabi- lidade e sudorese. A capacidade da bexiga varia em um adulto entre 500 a 1000ml, sem representar grandes sofrimentos de sua musculatura. No entanto, entre 150 e 200ml j existe sinais nervosos que indicam o desejo consciente de urinar. Nos casos graves de reteno urinria, a bexiga chega a conter 2000 ou mesmo 3000ml de urina. Manifestaes Clnicas: O principal sinal a ausncia de diurese pelo espao de vrias horas, assim como a distenso da bexiga, denominada de bexigoma. Pode-se apenas ter a sensao de peso ou dor intensa, sempre que a distenso da bexiga ultrapassar a capacidade normal deste rgo. Etiologia: As principais causas de reteno urinria so: -Aumento da prstata, -Constipao, estreitamento e edema da uretra como conseqncia de parto e cirurgia. 79. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 80 -Ansiedade emocional pode afetar a capacidade de relaxamento dos esfncteres uretrais, que so msculos de formato circular que contraem e relaxam, controlando a sada da urina. Intervenes de Enfermagem: Nos casos de reteno urinria, todas as medidas possveis para estimular a diurese espontnea so adotadas, tais como: Garantir a privacidade durante a mico; Abrir torneiras e chuveiros prximos; Molhar os ps dos clientes acamados, pois essas medidas ajudam a relaxar os esfncteres uretrais; Sondagem vesical de alvio, em ltimo caso; Tratamento: Estimular a diurese INCONTINNCIA URINRIA Definio:A incontinncia urinria uma disfuno caracterizada pela perda do controle, total ou parcial, da mico. Pode manifestar-se em qualquer faixa etria, embora seja mais freqente no adulto. A pessoa que apresenta este problema sente-se socialmente marginalizada, afastando- se freqentemente das atividades sociais. A urgncia miccional um tipo de incontinncia urinria, onde a pessoa sente a necessidade urgente e repentina de urinar, mas no consegue chegar a tempo at o vaso sanitrio. Tratamento Um tratamento timo depende da anlise minuciosa do problema de forma individualizada e varia segundo a natureza especfica desse problema. Os que sofrem de incontinncia urinria podem habitualmen- te curar-se ou, pelo menos, melhorar consideravelmente. Muitas vezes o tratamento exige apenas que se tomem medidas simples para mudar o comportamen- to. Muitas pessoas podem recuperar o controlo da bexiga mediante tcnicas de modificao do mesmo, co- mo urinar com intervalos regulares (cada duas ou trs horas), para manter a bexiga relativamente vazia. Pode ser til evitar os irritantes da bexiga, como as bebidas que contm cafena, e beber quantidades suficientes de lquidos (de seis a oito copos por dia) para impedir que a urina se concentre em demasia (isso poder irri- tar a bexiga). A ingesto de medicamentos que afetam o funcionamento da bexiga de modo adverso muitas vezes pode ser suspensa. Se no se puder controlar a incontinncia por completo com os tratamentos especficos, a roupa inte- rior e os absorventes especialmente concebidos para a incontinncia podem proteger a pele e permitir que as pessoas se sintam secas, cmodas e socialmente ativas. Estas peas so discretas e de fcil acesso. Os mtodos de treino da bexiga, tais como exerccios musculares, podem ser muito teis. Os medi- camentos que relaxam a bexiga, podem ser teis. Embora muitos dos medicamentos disponveis possam ser muito teis, cada um deles atua de um modo um pouco diferente e podem ter efeitos adversos. 80. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 81 Os casos mais graves, que no respondem aos tratamentos no cirrgicos, podem ser corrigidos por meio de cirurgia utilizando qualquer dos diferentes procedimentos que elevam a bexiga e reforam o canal de passagem da urina. Em alguns casos eficaz uma injeo de colgeno volta da uretra. Cuidados de Enfermagem: Um dos cuidados importantes da enfermagem, com aqueles que possuem disfunes urinrias, a monitorizao diria do balano hdrico. O balano hdrico representa o resultado de todos os lquidos administrados a esse cliente (seja por via oral ou via parenteral) e de todos os lquidos eliminados, atravs dos rins, pele, pulmes e trato gastroin- testinal (por exemplo, por meio de sondagem gstrica em drenagem), sendo registrado em formulrios pr- prios a evoluo do quadro durante 24 horas. indicado para acompanhamento daqueles que so nefropatas, cardiopatas, edemaciados, ascticos e que necessitam de cuidados intensivos. UROLITASE OU CLCULO DO TRATO URINRIO Conceito: Entre tantas substncias que so eliminadas diariamente atravs da urina, temos o cl- cio e o cido rico, que so substncias cristalinas, isto , formam cristais. Em situaes anormais, estas substncias se cristalizam, depositando-se em alguma parte do sistema urinrio, formando os clculos renais ou urolitases.. Etiologia: Desconhecida, porm alguns fatores favorecem a formao de clculos, como infeco das vias urinrias, estase urinria, perodos prolongados de imobilizao no leito, ingesto exces- siva de clcio e a desidratao Manifestaes clnicas Podem aparecer na forma indolor, ou em crises de clicas renais caracterizadas por dor intensa e profunda na regio lombar (regio do dorso entre o trax e a pelve), eliminao de urina com sangue e pus, associadas distenso abdominal, diarria, nuseas e vmitos, devido proximidade dos rins com o siste- ma digestrio, levando a alteraes em seu funcionamento. Geralmente, a dor de origem renal apresenta algumas caractersticas tpicas, tais como o incio abrup- to, com irradiao anteriormente e para baixo em direo bexiga na mulher e ao testculo no homem. Esta dor caracterstica tem origem com a obstruo, a inflamao e o edema da mucosa do trato urinrio em con- tato com o clculo. Quando o clculo se aloja no ureter, surge dor aguda, intensa, em clica, que se irradia para a coxa e genitlia. H tambm um freqente desejo de urinar, mas a pessoa somente elimina uma pequena quantidade de urina. A maioria dos clculos pode ser diagnosticada atravs da radiografia, que deve ser associada a ou- tros dados, como sinais e sintomas, tipo da dor e exame de urina do tipo EAS. Tratamento O objetivo do tratamento de tal enfermidade : determinar o tipo de clculo; eliminar o mesmo; evi- tar a leso renal; controlar a inflamao e aliviar a dor. Os lquidos endovenosos so benficos no sentido de 81. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 82 auxiliar o cliente a expelir o clculo, alm de reduzir a concentrao de cristais urinrios e assegurar elevado volume urinrio. Em geral, os clculos de 0,5 a 1cm de dimetro so eliminados espontaneamente.. Aqueles com mais de 1cm devem ser removidos ou fragmentados, atravs de um procedimento no-cirrgico (litotripsi- a),utilizado para fracionar clculos renais para serem eliminados pela urina. No entanto, em algumas situa- es, h necessidade da remoo cirrgica. Cuidados de enfermagem: A equipe de enfermagem ir participar da preveno de recidiva de clculos, prestando as seguintes ori- entaes aps a alta hospitalar: Alvio da dor pode ser facilitado por meio de banhos quentes ou aplicao de calor mido na regio do flanco; Uma ingesto elevada de lquidos deve ser mantida, pois os clculos se formam mais facilmente em uma urina concentrada. No que se refere dieta, a pessoa deve ser encorajada a seguir um regime para evitar a formao de outros clculos, evitando alimentos ricos em clcio, tais como: leite e seus derivados, gema de ovo, vsceras e alguns vegetais como a beterraba, espinafre e ervilhas. Orientaes Para Coleta De Urina Para Exames: Coleta de urina de 24 horas 1. Pela manh, esvaziar completamente a bexiga, desprezando toda a primeira urina, marcando a hora exata em que terminou de urinar; 2. A partir da hora marcada, coletar todas as urinas eliminadas durante as 24 horas seguintes em recipiente adequado ou ( tipo garrafa plstica de gua mineral sem gs), mantendo-os refrigerados na geladeira. 3.Por exemplo, se a coleta for iniciada s 08:00 horas, ela dever terminar s 08:00 horas do dia seguinte; 4. Havendo solicitao de clearance de creatinina, comparecer em jejum de seis horas; - Lembre-se que a coleta de urina de 24 horas, inicia-se com a bexiga vazia e termina aps 24 horas com a bexiga tambm vazia; - Caso esteja fazendo uso de medicamentos, informe ao mdico que solicitou o exame Urocultura 1.A amostra de urina para exame dever ser coletada necessariamente na manh do dia destinado a entrega do material (primeira eliminao de urina do dia); 2.Fazer a higiene da regio genital com bastante gua e sabo (no utilizar qualquer anti-sptico); 3.Coletar em recipiente adequado toda a primeira mico matinal; 4. Coletar, no recipiente estril, somente o jato mdio da urina, desprezando a primeira poro da mico; 5.Fazer a entrega da urina no em at 01 (uma) hora aps a coleta. Se isto no for possvel, acondicionar o recipiente contendo a urina em saco com gelo; 6.Caso esteja fazendo uso de medicamentos, informe ao mdico que solicitou o exame. EAS 1.A amostra de urina para exame dever ser coletada necessariamente na manh do dia destinado a entrega. 82. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 83 2.Fazer a higiene da regio genital com bastante gua e sabo (no utilizar qualquer antissptico); 3.Desprezar o incio da mico (primeiro jato urinrio) e coletar o restante no recipiente adequado; 4.Fazer a entrega da urina, at 01 (uma) hora aps a coleta. Se isto no for possvel, acondicionar o recipiente contendo a urina em saco com gelo; 5.Caso esteja fazendo uso de medicamentos, informe ao mdico que solicitou o exame. Coleta de urina para cultura e 83. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 84 UNIDADE VIII - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM S AFECES IMUNOLGICAS E REU- MTICAS ARTRITE REUMATIDE Definio: uma doena auto-imune em que se inflamam simetricamente as articulaes, incluindo habitu- almente as das mos e ps, originando inchao, dor e muitas vezes levando destruio definitiva do interior da articulao. Incidncia: A artrite reumatide tambm pode desencadear uma variedade de sintomas em todo o corpo. Desco- nhece-se a sua causa exata, embora sejam muitos os vrios fatores (inclusive a predisposio gentica) que podem influir na reao auto-imune. Cerca de 1 % da populao sofre desta doena, que afeta as mulheres duas ou trs vezes mais frequentemente que os homens. A artrite reumatide apresenta-se em primeiro lugar em indivduos entre os 25 e os 50 anos de idade, mas pode faz-lo em qualquer idade. Em alguns casos, a doena resolve-se de forma espontnea e o tratamento alivia sintomas em trs de cada quatro pessoas. Con- tudo, pelo menos 1 em cada 10 pessoas fica incapacitada. Fisiopatologia: Nessa doena, o sistema imunitrio ataca o prprio tecido que reveste e protege as articulaes. Fi- nalmente, a cartilagem, o osso e os ligamentos da articulao deterioram-se, provocando a formao de cica- trizes dentro da articulao, que se deteriora a um ritmo muito varivel. Artrite reumatide: aspecto das mos Manifestaes clnicas: A artrite reumatide pode iniciar-se de forma sbita com a inflamao de muitas articulaes ao mesmo tempo, mas, com maior frequncia, comea de forma subtil, afetando diversas articulaes gradual- mente. A inflamao em geral simtrica, quer dizer, quando afeta uma articulao de um lado do corpo, a correspondente do outro lado tambm afetada. As pequenas articulaes dos dedos das mos, dos ps, dos pulsos, dos cotovelos e dos tornozelos costumam inflamar-se em primeiro lugar. As articulaes inflamadas so em geral dolorosas e ficam com frequncia rgidas, sobretudo logo depois de se levantar ou depois de um perodo de inatividade prolongado. Algumas pessoas sentem-se cansadas e fracas, especialmente durante as primeiras horas da tarde. As articulaes afetadas aumentam e podem deformar-se rapidamente. Tambm podem ficar rgidas numa posio (contraturas), o que impede que se estendam ou abram por completo. Os dedos tendem a do- brar-se em direco ao dedo mindinho em cada mo, causando a deslocao dos tendes dos dedos. Os pul- sos inchados podem dar lugar sndrome do canal crpico. Os quistos que se desenvolvem por trs dos joe- lhos afetados podem rebentar, causando dor e edema nas pernas. Cerca de 30 % a 40 % das pessoas que so- frem de artrite reumatide apresenta tumefaes duras (ndulos) debaixo da pele, com frequencia perto das zonas doentes. 84. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 85 1- desvio dos dedos 2-dedos em martelo 3-dedos em colo de cisne A artrite reumatide pode causar um pouco de febre e, em algumas ocasies, uma inflamao dos va- sos sanguneos (vasculite), que provoca leses dos nervos ou chagas nas pernas (lceras). A inflamao das membranas que envolvem os pulmes (pleurisia) ou do invlucro do corao (pericardite), ou ento a infla- mao e as cicatrizes dos pulmes podem provocar dor torcica, dificuldade em respirar e uma funo card- aca anormal. Algumas pessoas desenvolvem gnglios linfticos inflamados, a sndroma de Sjgren ou uma inflamao ocular. Tratamento: Consiste em dissipar o processo inflamatrio, prevenir deformidades e corrigir as j existen- tes; Analgsicos, corticides,miorelaxantes, fisioterapia, massagens, exerccios fsicos ativos e passivos Cuidados de Enfermagem: As aes de enfermagem desenvolvidas com um portador de doena reumtica visam: Aliviar a dor articular por meio da administrao de analgsicos prescritos; Orientar a manuteno de equilbrio entre repouso e as atividades da pessoa; Incentivar dieta rica em carboidratos e protenas e a ingesto de lquidos. LPUS ERITEMATOSO Definio: uma doena auto-imune com episdios de inflamao nas articulaes, tendes e outros tecidos conjuntivos e rgos. Verifica-se uma inflamao de diversos tecidos e rgos numa diversidade de pessoas, indo o grau da doena de ligeiro a debilitante, dependendo da quantidade e da variedade de anticorpos que aparecem e dos rgos interessados. Cerca de 90 % das pessoas com lpus so mulheres dos 20 aos 30 anos; mas tambm pode aparecer em crianas (sobretudo de sexo feminino), homens e mulheres de idade avanada. Etiologia: No so totalmente conhecidas, mas sabe-se que fatores ambientai e genticos esto envolvidos ( infeces, medicamentos,exposio a raios UV e estresse) Classificao: Lpus Eritematoso Discide(LED): Quase sempre limitado a pele. identificado por inflamaes cutneas que aparece na face, nuca e couro cabeludo. 85. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 86 Lpus Eritematoso Sistmico(LES): afeta todos os rgo e sistemas Lpus Induzido por Drogas: Ocorre como conseqncia do uso de certas drogas ou medicamentos Manifestaes Clnicas: O lpus pode comear com febre. Esta pode ser alta e de aparecimento sbi- to. Podem produzir-se tambm episdios de febre acompanhados por uma sensao de mal estar geral, que aparecem e desaparecem, por vezes durante anos. Cerca de 90 % das pessoas com lpus sofrem de uma inflamao articular que varia desde dores ligeiras intermitentes a formas intensas de artrite em vrias articulaes. Os sintomas articulares que se manifestam durante anos podem preceder o aparecimen- to de outros sintomas. De fato, muitas pessoas que sofrem de lpus recordam-se de ter tido na infncia dores relacionadas com o crescimento. Uma inflamao articular de longa durao pode conduzir a deformaes e leses permanentes da articulao e do tecido circundante, mas o osso no se des- gasta como no caso da artrite reumatide. As erupes cutneas so frequentes e aparecem de forma habitual no rosto, no pescoo, no peito e nos cotovelos. A mais caracterstica uma erupo de cor vermelha, em forma de asas de borboleta, que aparece em cima da cana do nariz e nas mas do rosto, podendo tambm desenvolver-se protuberncias circulares. pouco frequente que estas erupes causem bolhas ou fiquem em carne viva. As lceras da boca tambm so frequentes. Podem aparecer zonas pintalgadas de cor vermelho- prpura no bordo das palmas das mos e nos dedos assim como inchao e vermelhido volta das unhas. Na fase ativa, tambm e caracterstica a perda de cabelo. Quase metade das pessoas que sofrem de lpus tem a pele muito sensvel luz, de tal maneira que ela pode queimar-se facilmente ou apresentar uma erupo de- pois da exposio luz solar. Por vezes, esta perturbao afeta o sistema nervoso, causando cefalias, mudanas de personalidade, convulses e sintomas semelhantes aos da demncia, como dificuldade para pensar com clareza. Com menor frequencia verificam-se tromboses cerebrais. Diagnstico O diagnstico baseia-se principalmente nos sintomas, especialmente no caso de se apresentarem nu- ma mulher jovem. Pode ser difcil distinguir o lpus de outras doenas, devido ampla gama de sintomas que este provoca. Os exames de laboratrio podem ser teis para confirmar o diagnstico. A anlise de sangue pode detectar anticorpos antinucleares, presentes na grande maioria das pessoas que sofrem de lpus. Prognstico e tratamento uma doena incurvel. As medicaes so para controle de sintomas. O prognstico varia enormemente dado que o curso da doena imprevisvel. A doena tende a ser crnica e recorrente, muitas vezes com perodos livres de sintomas que podem durar anos. No frequente que os surtos se apresentem depois da menopausa. O prognstico melhorou visivelmente durante os ltimos vinte anos. Em geral, caso seja controlada a inflamao inicial, o prognstico a longo prazo bom. 86. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 87 Se os sintomas de lpus tiverem sido provocados por um medicamento, o lpus cura-se interrompen- do o mesmo, embora a recuperao possa demorar meses. O tratamento depende dos rgos afetados e da gravidade da doena. O lpus ligeiro caracteriza-se por febre, artrite, erupes cutneas, problemas cardacos e pulmonares moderados e cefaleias. O lpus mais grave pode causar doenas do sangue, problemas cardacos e pulmonares muito importantes, leses do rim significativas, vasculite dos braos e das pernas ou do trato gastrointestinal, ou disfunes graves do sistema nervoso. Uma vez controlada a inflamao, o mdico determina a dose que a suprime mais eficazmente a lon- go prazo. Em geral, reduz-se gradualmente a dose de prednisona quando os sintomas esto controlados e os exames laboratoriais indicam melhoria. As recidivas ou surtos podem ter lugar durante este processo. Para a maioria dos que tm lpus, a dose de prednisona pode ser reduzida ou suprimida a longo prazo. Cuidados de enfermagem: o Orientar o paciente para evitar a exposio ao sol e a luz artificial; o Orientar quanto dieta hipossdica no caso de edemas; o Observar e anotar o aparecimento de descamao e prurido na pele; o Cortar e limpar as unhas do paciente; o Orientar para no coar a pele; o Promover alvio da dor; o Observar queixas relatadas; o Controlar sinais vitais, diurese e peso dirio. o Sulfas, anticoncepcionais e penicilinas aceleram a doena; o Exerccios previnem fraqueza muscular e fadiga. FEBRE REUMTICA Definio: A febre reumtica uma inflamao das articulaes (artrite) e do corao (cardite) que se deve a uma infeco estreptoccica, habitualmente da garganta. uma reao inflamatria a uma infeco que afeta muitas partes do organismo, como as articulaes, o corao e a pele. Manifestaes Clnicas: -Fadiga Excessiva; -Inapetncia; -Artralgia; -Ndulos Subcutneos; -Astenia; -Sudorese e Palidez; -Febre; -Miocardite , dor precordial; -Cefalia; -Dores abdominais -Coria 87. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 88 Em certas ocasies, uma criana apresenta perda do apetite e intensa dor abdominal, que se confunde com um quadro de apendicite aguda Diagnstico O diagnstico da febre reumtica baseia-se principalmente numa combinao caracterstica de sin- tomas. As anlises de sangue podem detectar glbulos brancos elevados e valores altos de sedimentao de eritrcitos. A maioria das crianas com febre reumtica tem anticorpos contra os estreptococos, que se po- dem medir com as anlises de sangue. As arritmias devidas inflamao cardaca podem ser observadas num eletrocardiograma Preveno e tratamento A melhor maneira de prevenir a febre reumtica consiste na boa nutrio e no tratamento oportuno com antibiticos de qualquer suspeita de infeco estreptoccica. O tratamento da febre reumtica apresenta trs objetivos: curar a infeco estreptoccica e evitar a sua recorrncia, reduzir a inflamao, particularmente nas articulaes e no corao, e restringir a atividade fsica, que poderia piorar as estruturas inflamadas. Cuidados de Enfermagem: o importante o repouso na cama. A atividade da criana deve restringir-se para evitar a tenso das ar- ticulaes inflamadas. Quando existe inflamao cardaca, exige-se mais repouso. Se as vlvulas do corao forem lesadas, corre-se o risco de desenvolver uma infeco valvular (endo- cardite) durante toda a vida. At pelo menos aos 18 anos de idade, as crianas que tiveram febre reumtica devem tomar penicilina por via oral ou injees mensais por via intramuscular para facilitar a preveno da infeco. Quem sofre de leso cardaca deve tomar sempre um antibitico antes de se submeter a uma inter- veno cirrgica, cirurgia dentria includa, inclusive os adultos. o Prestar todos os cuidados higinicos no leito; o Encaminhar a fisioterapia; o Manter o paciente aquecido com cobertores o Promover alvio da dor e da febre ao administrao de medicamentos prescritos. 88. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 89 UNIDADE IX - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM S AFECES DO SISTEMA TEGUMEN- TAR CONSIDERAES GERAIS: A pele do adulto recobre em mdia mais de 7.500 cm2 da rea de superfcie, pesa aproximadamente 3 quilogramas (quase duas vezes o peso do fgado ou do crebro) e recebe cerca de 1/3 de toda a circulao sangunea do corpo.Ela elstica, spera e , sob condies comuns, au- to-regeneradora.A pele quase que inteiramente prova dgua, forne- cendo uma eficiente e bem regulada barreira trmica, e participando na dissipao de gua e nas funes termorreguladoras do corpo O tegumento humano, mais conhecido como pele, formado por duas camadas distintas, firmemente unidas entre si: a epiderme e a derme. A pele apresenta trs camadas: a epiderme, a derme e o hipoderme subcutneo: Epiderme: A epiderme um epitlio multiestratificado, formado por vrias camadas (estratos) de clulas achatadas (epitlio pavimentoso) justapostas. A camada de clulas mais interna, denominada epitlio germinativo, constituda por clulas que se multiplicam continuamente; dessa maneira, as novas clulas geradas empurram as mais velhas para cima, em direo superfcie do corpo. Toda a superfcie cutnea est provida de terminaes nervosas capazes de captar estmulos trmicos, mecnicos ou dolorosos.. Derme :A derme, localizada imediatamente sob a epiderme, um tecido conjuntivo que contm fibras proticas, vasos sangneos, terminaes nervosas, rgos sensoriais e glndulas. As principais clulas da derme so os fibroblastos, responsveis pela produo de fibras e de uma substncia gelatinosa, a substncia amorfa, na qual os elementos drmicos esto mergulhados.A epiderme penetra na derme e origina os folculos pilosos, glndulas sebceas e glndulas sudorparas. Tecido subcutneo:O subcutneo, tambm conhecido como hipoderme, a camada mais interna da pele formada de tecido conjuntivo frouxo, consiste de uma rede de clulas adiposas e colgeno. Esta camada funciona como um isolante, conservando o calor do corpo e atuando como reserva energtica, proteo contra choques mecnicos e isolante trmico.. Unhas e plos Unhas e plos so constitudos por clulas epidrmicas queratinizadas, mortas e compactadas. Na base da unha ou do plo h clulas que se multiplicam constantemente, empurrando as clulas mais velhas para cima. Estas, ao acumular queratina, morrem e se compactam, originando a unha ou o plo. Cada plo est ligado a um pequeno msculo eretor, que permite sua movimen- tao, e a uma ou mais glndulas sebceas, que se encarregam de sua lubrificao LCERAS POR PRESSO Conceito: As lceras por presso (lceras de decbito, lceras da pele) so leses cutneas que se produzem em consequncia de uma falta de irrigao sangunea e de uma irritao da pele que reveste uma salincia ssea, nas zonas em que esta foi pressionada contra uma cama, uma cadeira de rodas, um molde, uma tala ou outro objeto rgido durante um perodo prolongado. Causas 89. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 90 A pele conta com uma rica irrigao sangunea que leva o oxignio a todas as suas camadas. Se essa ir- rigao for interrompida durante mais de 2 ou 3 horas, a pele morre, a comear pela sua camada externa (a epiderme). Uma causa frequente de irrigao sangunea reduzida na pele a presso. O movimento normal faz variar a presso, para que a circulao sangunea no fique obstruda durante um longo perodo. A camada de gordura por baixo da pele, especi- almente sobre as salincias sseas, atua como uma almofada e evita que os vasos sanguneos se tapem. Roupas inapropriadas, lenis enrugados ou a frico dos sa- patos contra a pele podem contribuir para a lesionar. A exposio prolongada umi- dade (muitas vezes por sudorese frequente, urina ou fezes) pode danificar a superf- cie da pele, tornando muito provvel a lcera por presso. As pessoas que no podem mexer-se correm maior risco de desenvolver lceras por presso. Este gru- po compreende as pessoas paralisadas, muito debilitadas ou recludas. So tambm susceptveis as que no so capazes de sentir incmodo ou dor, sinais estes que induzem ao movimento. A leso de um nervo (por uma ferida, uma pancada, diabetes ou outras causas) diminui a capacidade de sentir dor. Um coma tambm pode diminuir esta capacidade de percepo. As pessoas com desnutrio precisam da camada protetora de gordura e a sua pele, privada de nutrientes essenciais, no se reconstitui corretamente. Alm disso, nestas pessoas o risco de desenvolverem lceras por presso aumenta. Manifestaes clnicas: Se a presso interrompe o fluxo sanguneo, a zona de pele privada de oxignio de incio fica avermelhada e inflamada e, depois, ulcera. Embora a circulao sangunea seja apenas parcialmente interrompida, a frico e ou- tro tipo de dano da camada externa da pele podem tambm causar lceras. Sintomas As lceras por presso classificam-se por estgios. No estgio 1 a l- cera no est realmente formada: a pele, intacta, est simplesmente averme- lhada. No estgio 2, a pele est avermelhada e inflamada (muitas vezes com bolhas) e a sua destruio comea nas suas camadas mais externas. No gio 3, a lcera abre-se para o exterior atravs da pele, deixando expostas as camadas mais profundas. No estgio 4, a lcera estende-se profundamente atravs da pele e da gordura at ao msculo. No estgio 5, o prprio msculo destrudo. Quando a pele se rompe, a infeco converte-se num problema. A infeco retarda a cura das lce- ras superficiais e pode constituir uma ameaa mortal nas lceras mais profundas. 90. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 91 Preveno e aes de enfermagem: As lceras por presso so dolorosas e podem pr em perigo a vida do paciente. Prolongam o tempo de convalescena em hospitais ou centros de recuperao e aumentam o custo. A preveno a prioridade mxima e as lceras por presso profundas quase sempre podem ser evi- tadas com uma ateno intensiva dada ao paciente. A preveno das lceras implica frequentemente a parti- cipao de assistentes e de familiares, alm da equipe de enfermagem. A cuidadosa inspeo diria da pele das pessoas acamadas permite detectar a vermelhido inicial. Qualquer sinal de vermelhido indica a neces- sidade de uma ao imediata para evitar que a pele rebente. As salincias sseas podem ser protegidas com materiais moles, como o algodo ou a l esponjosa. Podem-se pr almofadas nas camas, nas cadeiras e nas cadeiras de rodas para reduzir a presso. A quem no se pode mexer sozinho, deve-se mudar a posio com frequncia; a recomendao habitual faz-lo de duas em duas horas e manter a sua pele limpa e seca. Quem tem de passar muito tempo acamado pode usar col- ches especiais (cheios de ar ou de gua). Para os pacientes que j apresentam lceras por presso em dife- rentes partes do corpo, o uso de colches de ar ou de espuma de borracha com relevo em forma de suporte para ovos pode diminuir a presso e proporcionar alvio. Os que tm muitas lceras por presso profundas, podem precisar de um colcho com suspenso de ar. Tratamento Tratar uma lcera por presso muito mais difcil do que evit-la. Felizmente, nas suas primeiras e- tapas, as lceras por decbito costumam sarar por si s logo que se elimine a presso sobre a pele. Melhorar a sade geral tomando suplementos de protenas e de calorias pode ajudar a acelerar a cura. Quando a pele rebenta, proteg-la com um parche de gaze pode ajudar a cur-la. As gazes cobertas com vaselina tm a vantagem de no se colarem ferida. No caso de lceras mais profundas, o uso de liga- duras especiais que contm um material gelatinoso pode favorecer o crescimento de pele nova. Se a lcera parecer infectada ou supurar, enxagu-la, lav-la suavemente com sabo ou usar desinfectantes como o io- dopovidona pode eliminar o material infectado e morto. No entanto, limp-la friccionando-a demasiado po- de atrasar a cura. Por vezes, o mdico precisa de eliminar (desbridar) a matria morta com um escalpelo (ou bisturi). Em vez deste podem ser utilizados agentes qumicos, mas regra geral o seu efeito no to comple- to como o que se obtm utilizando o escalpelo. 91. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 92 As lceras por presso so difceis de tratar. Alguns casos requerem o transplante de pele s para a zona danificada. Infelizmente, este tipo de cirurgia nem sempre possvel, especialmente nas pessoas de idade, frgeis, que manifestam desnutrio. Acontece com frequncia, quando uma infeco se desenvolve no mais profundo de uma lcera, serem administrados antibiticos. Os ossos situados por baixo de uma lce- ra podem infectar-se; esta infeco (osteomielite) extremamente difcil de curar, pode passar para a corren- te sangunea e propagar-se a outros rgos, tornando necessrio o tratamento com um antibitico durante muitas semanas. PSORASE Definio: A psorase uma doena crnica e recorrente que se reconhece pelas suas formaes escamosas prateadas e pelas placas de diversos tamanhos (ppulas volumosas). A descamao decorrente de uma taxa anormal elevada de crescimento e de substituio das clulas cutneas. Etiologia e Incidncia: A escamao resulta de um crescimento e de uma produo anormalmente elevada das clulas cut- neas. Desconhece-se a causa deste crescimento celular acelerado, mas cr-se que os mecanismos imunes tm um papel importante. Esta doena costuma afetar vrios membros de uma mesma famlia. A psorase fre- quente e afeta entre 2 % a 4 % da populao branca; as pessoas de etnia negra so menos afetadas. A psora- se comea frequentemente em indivduos entre os 10 e os 40 anos, mas pode aparecer em qualquer idade. Sintomas A psorase costuma comear como uma ou mais pequenas placas que se tornam muito escamosas. possvel que se formem pequenas protu- berncias em redor da rea afetada. Apesar de as primeiras placas poderem desaparecer por si s, a seguir podem formar-se outras. Algumas placas podem ter sempre o tamanho da unha do dedo mnimo, mas outras podem estender-se at cobrir grandes superfcies do corpo, adotando uma forma de anel ou espiral. A psorase costuma afetar o couro cabeludo, os cotovelos, os joe- lhos, as costas e as ndegas. A descamao pode ser confundida com caspa grave, mas as placas caractersticas da psorase, que misturam reas esca- mosas com outras completamente normais, distinguem-na da caspa. A psorase tambm pode aparecer volta e debaixo das unhas, que aumentam de espessura e se deformam. As sobrancelhas, as axilas, o umbigo e as virilhas tambm podem ser afetados. A psorase pode surgir sem motivo aparente, ou ento derivar de uma queimadura solar grave, de uma irritao da pele, do uso de medicamentos antipaldicos, do ltio, dos betabloqueantes (como o propra- nolol e o metoprolol) ou at de qualquer unguento ou creme. As infeces estreptoccicas (especialmente nas crianas), as contuses e os arranhes tambm podem estimular a formao de novas camadas. 92. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 93 Diagnstico Anamnese e Exame fsico. A princpio pode ser de diagnstico incerto porque muitas outras doenas podem apresentar placas e escamaes similares. medida que a psorase avana, os mdicos podem reconhecer facilmente o seu pa- dro de escamao caracterstico, pelo que, em geral, no so necessrias provas de diagnstico. De qual- quer forma, para confirmar o diagnstico, o mdico pode fazer uma biopsia de pele (extrai uma amostra de pele para examinar ao microscpio). Tratamento Visa controlar a patologia, reduzindo a rpida reposio da epiderme e promovendo a regresso das leses. Quando uma pessoa apresenta apenas poucas placas, a psorase responde rapidamente ao tratamento. Utilizar unguentos e cremes lubrificantes da pele (emolientes) uma ou duas vezes por dia pode mant-la hi- dratada. Os unguentos que contm corticosterides so muito eficazes e o seu efeito pode ser ainda maior se, depois de os aplicar, se cobrir a zona com celofane. Os cremes com vitamina D tambm so eficazes em muitos pacientes. A luz ultravioleta tambm pode ajudar a eliminar a psorase. De facto, durante os meses de Vero, as zonas da pele afectada que so expostas ao sol podem curar-se espontaneamente. Apanhar sol costuma con- tribuir para eliminar as placas nas grandes superfcies do corpo. A exposio aos raios ultravioleta, sob con- trolo mdico, tambm constitui outra terapia frequente. PNFIGO Definio: O pnfigo uma doena pouco frequente, por vezes mortal, em que bolhas de diversos tamanhos aparecem sobre a pele, na mucosa da boca, na vagina, na membrana delgada que cobre o pnis e noutras membranas mucosas. O pnfigo costuma aparecer em pessoas de meia-idade ou em idosos. Muito raramente afeta crianas. A doena causada por um ataque auto-imune contra as estruturas das superfcies das clulas epidrmicas que mantm o contato intercelular e a textura do tecido. Sintomas As leses caractersticas do pnfigo so bolhas de diversos tamanhos, claras, geralmente moles, chei- as de lquido e, em algumas formas de pnfigo, aparecem placas com descamaes. Beliscar ou esfregar ligeiramente a pele pode facilmente soltar a sua superfcie das camadas inferiores. As bolhas costumam aparecer primeiro na boca, onde rebentam rapidamente e formam lceras dolo- rosas. Podem continuar a aparecer mais bolhas e ulceraes at que toda a mucosa da boca fica afetada. Um padro similar verifica-se na pele: as bolhas formam-se inicialmente numa pele aparentemente normal, em seguida rompem-se e deixam feridas em carne viva e crostosas. As bolhas podem ocupar grandes extenses de pele e, uma vez rebentadas, podem infectar-se. 93. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 94 Pnfigo Diagnstico e tratamento Anamnese e exame fsico. Um exame sistemtico ao microscpio e determinadas anlises imunolgicas de uma amostra de pele para detectar depsitos de anticorpos permitem ao mdico fazer um diagnstico definitivo da doena. O objetivo principal do tratamento interromper a formao de novas bolhas. A inibio parcial do sistema imunolgico com um corticosteride como a prednisona tomada por via oral atinge provavelmente esse objetivo, mas custa do organismo se tornar mais susceptvel s infeces. Normalmente, durante os 7 a 10 primeiros dias administra-se uma elevada dose de corticosterides; depois reduz-se gradualmente. Para manter a doena controlada, a pessoa afetada pode precisar de tomar o medicamento durante meses ou at anos. As superfcies em carne viva requerem um cuidado meticuloso, semelhante ao que recebem os paci- entes com queimaduras. possvel que seja necessrio administrar antibiticos e outros frmacos para tratar as infeces das bolhas rebentadas. As ligaduras impregnadas de gelatina de petrleo ou outros tipos de li- gaduras podem proteger as zonas que exsudam e que se encontram em carne viva. Realizar meticulosa higiene oral e corporal e incentivar o paciente a ingerir lquidos. 94. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 95 UNIDADE X - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM S AFECES NEUROLGICAS ACIDENTE VASCULAR ENCEFLICO OU CEREBRAL (AVC) As doenas crebro-vasculares esto entre as primeiras causas de morte em todo o mundo. No Brasil, representam a terceira causa mortis, sendo os acidentes vasculares cerebrais (AVC), a principal manifestao. O AVC, alm de ser uma doena prevalente, apresenta uma alta taxa de mortalidade, sendo a incapacidade permanente, que s vezes pode ser regenerada, a principal seqela. O acidente vascular cerebral ou enceflico, popularmente conhecido como derrame, o resul- tado da insuficincia do suprimento sangneo a uma determinada rea do crebro. Ocorre de- vido a um processo de evoluo crnica de endurecimento da parede da artria, relacionado arteriosclerose. O episdio agudo do AVC acontece quando h interrupo do fluxo sangneo s clulas cerebrais por trombose, embolia, hemorragia ou espasmo. A trombose tem relao com a arteriosclerose, a aterosclerose e a hipertenso arterial. A embolia ce- rebral costuma ser decorrente de doenas cardacas, arritmias, doenas das vlvulas cardacas, entre outras. A hemorragia cerebral est relacionada hipertenso, mais grave, apresentando evoluo rpida com alte- raes da conscincia, podendo chegar ao coma e morte. O acidente vascular cerebral isqumico ou transitrio caracteriza- se por episdios sbitos da perda de funo motora, sensitiva ou visual com recuperao em 24 horas. A maioria tem durao de minutos at uma hora, e a minoria pode durar mais de 4 horas. Entre os principais sinais e sintomas, podemos destacar: parestesia (alterao da sensibilidade), disfasia (dificuldade de fala), vertigens, diplopia (viso dupla), zum- bidos e cefalia. Classificao: AVCI ( Acidente Vascular Cerebral Isqumico) AVCH (Acidente Vascular Cerebral Hemorrgico) Fatores de Risco: Os fatores de risco para o AVC so semelhantes aos da hipertenso arterial, da angina e do infarto do miocrdio, tendo em vista que a patologia bsica o ateroma. Esses dizem respeito histria familiar e idade, associados hipertenso arterial, diabetes, obesidade, tabagismo, colesterol al- to,Cardiopatias,sedentarismo, estresse, alcoolismo. Manifestaes Clnicas: As manifestaes esto diretamente relacionadas com a extenso e a localizao do acidente no cre- bro. O AVC identificado quando o indivduo apresenta dficit neurolgico de incio abrupto, caracteri- zado por disfunes motoras, sensitivas e autnomas, como: disartria, disfagia, diplopia, desequilbrio, per- da do tnus postural e da conscincia, cegueira transitria, parestesia, paresia, hemiplegia. Podem ocorrer, ainda, cefalia occipital grave, tonteira, vmitos, confuso mental e alterao da memria. A pessoa com AVC pode ainda apresentar os seguintes problemas: 95. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 96 incontinncia vesical e fecal: pode acontecer por confuso mental, lapso de memria, fatores emocionais, dificuldade de comunicao e/ou perda do controle dos esfncteres anal e vesical, podendo ocasionar a re- teno de fezes (obstipao/constipao) ou de urina (bexigoma); lceras de presso: a imobilidade no leito, a desnutrio, higiene inadequada e a incontinncia urinria e fecal facilitam o surgimento das lceras de decbito e infeco. Para tanto, necessrio que a equipe de en- fermagem mantenha higiene adequada; realize mudanas de decbito no leito; coloque o cliente sentado em poltrona; proteja as suas proeminncias sseas; faa massagem de conforto; mantenha as roupas de cama secas e sem dobraduras; estimule a aceitao da dieta e ingesto hdrica, dentre outros cuidados. Tratamento : Fisioterapia, cirurgias nos casos de AVCH e Oxigenioterapia Definir atravs de exames qual o tipo de acidente vascular ocorreu, para melhor direcionar o trata- mento. A extenso da leso tambm influenciar no tratamento proposto. feito mediante a utilizao de trombolticos, que tm a finalidade de realizar a quebra dos mbolos, de agentes antiagregantes e de anti- coagulantes, em casos dos AVC provocados por trombose. Disartria a dificuldade na articulao das palavras. Paresia o enfraquecimento da fora muscular. Hemiplegia a perda dos movimentos voluntrios em um dos lados do corpo. Ao pensar nas inmeras funes Antiagregantes so drogas que no permitem a agregao plaquetria, evitando a formao de placas de ateromas e anticoagulantes so as que impedem a formao de cogulos. Diagnstico: Os exames realizados para confirmao e classificao do AVC so: a angiografia, a tomografia computadorizada, a cintilografia, a puno lombar e o Dopller ultra-snico de cartidas. A angiografia, a tomografia computadorizada, a cintilografia, a puno lombar e o Dopller ultra- snico de cartidas so exames que tm por finalidade definir o tipo de AVC, a extenso e a localizao da leso e decidir se o tratamento ser clnico e ou cirrgico. A existncia de distrbios motores de um lado do corpo costuma refletir leso do lado oposto do crebro Assistncia de Enfermagem: so direcionadas de acordo com as manifestaes neurolgicas apresentadas pelo cliente, com o grau de comprometimento e com a resposta deste ao trata-mento. De uma forma geral, o indivduo com AVC precisa dos seguintes cuidados: Suporte emocional - os acompanhantes devem ser orientados a no deixarem este cliente sozinho, e, para tanto, um plano conjunto de assistncia deve ser garantido, possibilitando a continuidade dos cuidados a serem prestados no processo de recuperao. Alm da companhia, fundamental repassar confiana, otimismo, dar carinho. importante que o cliente participe do maior nmero de decises possveis sobre o encaminhamento do seu tratamento; Preveno de acidentes decorrentes da incapacidade motora - os objetos de uso pessoal devem ser colocados ao seu alcance, do lado no afetado; a cama deve ser mantida em posio baixa e travada, com as grades de proteo elevadas, e a restrio ao leito, quando indicada, deve ser rigorosamente observada. Cliente e familiares precisam ser alertados quanto ao risco de queda e, conseqentemente, leses podem ocorrer; 96. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 97 Realizao de exerccios passivos e ativos - a deambulao precoce e auxiliada precisa ser estimula- da, sendo tambm indispensvel promover a integrao do cliente e seus familiares com a equipe de fisioterapia para compreenso e realizao dos exerccios necessrios recuperao de sua autono- mia e fora motora, o mais rpido possvel; Aplicao de estratgias de comunicao adequadas ao grau de leso identificado - a pessoa pode a- presentar dificuldades de dico, fala ou compreenso. No entanto, a comunicao poder ser feita, utilizando-se cartes com figuras que representem aes da vida diria e/ou quadros com letras e nmeros, e, nesse caso, preciso fornecer a ela lpis e papel para a escrita, quando possvel, ser a- tencioso e dar tempo suficiente para que possa formular as respostas verbais e no-verbais. Monitorizao cardaca de oxmetro de pulso Monitorizao de presso arterial Aferir sinais vitais com maior ferqncia Balano hdrico Observar, comunicar e anotar nvel de conscincia Observar, comunicar e anotar queixas lgicas Realizar mudana de decbito Auxiliar nos cuidados de higiene Auxiliar na alimentao Administrar medicamentos DOENA DE PARKINSON Conceito: A doena de Parkinson um distrbio neurolgico progressivo que afeta os centros cerebrais res- ponsveis pelo controle e regulao dos movimentos. uma patologia que se desenvolve aps os 50 anos, e o segundo distrbio neurolgico mais comum no idoso. decorrente da diminuio dos nveis de dopamina ( substncia produzida no crebro que tem fun- o de realizar a neurotransmisso) Manifestaes Clnicas: Tem como caracterstica principal a bradicinesia (lentido dos movimentos), e ainda se manifesta a- travs de tremores em repouso,movimentos involuntriose contrao ou rigidez muscular. Pode-se observar tambm uma diminuio do fluxo cerebral, o que acarreta a demncia. A face pode ser afetada e torna-se pouco expressiva, podendo ser comparada a uma mscara, devido a uma limitao da musculatura facial. A fala apresenta um tom montono e lento, com palavras mal articu- ladas (disartria) e h excesso de saliva em decorrncia da falta de deglutio espontnea. H perda dos refle- xos posturais; a cabea fica inclinada para frente e a marcha prejudicada. A perda do equilbrio pode ocasio- nar quedas freqentes. Etiologia: Sua causa desconhecida. Pode ocorrer aps encefalites, envenenamento ou intoxicao por manga- ns e monxido de carbono; pode ser induzida por drogas, como magnsio, fenotiazina, haloperidol, reserpi- na, ferro, ou mesmo aps hipxia cerebral prolongada. 97. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 98 Fisiopatologia: A fisiopatologia est baseada na leso resultante da perda de neurnios e na diminuio de um neuro- transmissor chamado dopamina, e est associada bradicinesia, aos tremores e rigidez. Diagnstico: O diagnstico precoce pode ser difcil, e s poder ser confirmado com a evidncia de tremores, rigi- dez e movimentos lentos. Assim, como no mal de Alzheimer, as complicaes decorrentes da imobilidade (pneumonia e infeco do trato urinrio) e as conseqncias das quedas e acidentes so as principais causas de morte. Tratamento: O tratamento da doena de Parkinson baseia-se em facilitar a transmisso da dopamina e inclui dro- gas anti-histamnicas, que possuem discreto efeito sedativo e podem auxiliar na diminuio dos tremores. Administrar drogas anticolinrgicas, que so eficazes para o controle dos tremores e rigidez, e a Levodopa, que o agente mais eficaz para o tratamento do mal de Parkinson. Assistncia de Enfermagem: Orientar a realizao de exerccios para aumentar a fora muscular, melhorar a coordenao, a destreza e diminuir a rigidez muscular; Incentivar ingesto hdrica e a dieta base de fibras para reduzir os problemas de constipao, decorrentes da debilidade da musculatura intestinal e da utilizao de algumas drogas no tratamento; Atentar para o risco de aspirao brnquica, devido diminuio do reflexo de tosse; orientar a pessoa para se alimentar em posio ereta, sendo a dieta de consistncia semi-slida e os lquidos mais espessos. O controle de peso, semanalmente, importante para avaliar se a alimentao tem sido suficiente. O estmulo ao autocuidado, certamente, reduzir sua dependncia na realizao de atividades dirias, sen- do necessrio algumas adaptaes em casa; manter espaos livres para deambulao; Colocar grades na cama e adaptar um acessrio (por ex. um lenol amarrado no p da cama), permitindo que a pessoa o utilize como apoio para se levantar. encoraj-la a participar de atividades recreativas e sociais, como medida de combate depresso. SNDROME DE ALZHEIMER Conceito: Tambm conhecida como demncia senil de Alzheimer, envolve o declnio progressivo em reas responsveis pela percepo e conhecimento, significando para a pessoa prejuzo em sua memria, na sua capacidade de julgamento, afeto, deteriorao intelectual, desorganizao da personalidade e aumento da incapacidade de exercer as atividades dirias. Fisiopatologia: 98. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 99 Esse declnio causado pela interrupo da transmisso das mensagens, entre as clulas nervosas, que so passadas por agentes qumicos ou neurotransmissores. Acredita-se que nessa doena ocorreria a ausncia de um neurotransmissor especfico, atrofia do crtex cerebral e modificaes nas clulas nervosas. A prevalncia da doena de Alzheimer mais alta do que se esperava. Ela ocorre entre 10% a 15% em pes- soas com idade acima de 65 anos; em pessoas com mais de 75 anos, a incidncia de 19%, e com idade a- cima de 85 anos, essa porcentagem de 47%6 . Alguns autores dividem a evoluo clnica dessa doena em trs estgios, a saber: primeiro estgio - dura entre 1 a 3 anos e o distrbio da memria o primeiro sinal observado; a pessoa tem dificuldade de aprender coisas novas, alm de um comprometimento das lembranas passadas; pode apresentar tristeza, desiluso, irritabilidade, indiferena; capaz de desempenhar bem suas atividades dirias no trabalho e em casa, porm no consegue adaptar-se a mudanas; segundo estgio - dura entre 2 a 10 anos, podendo-se observar: distrbios de linguagem, como a afasia, e acentuado comprometimento da memria em relao a lembranas remotas e recentes; desorientao espaci- al, indiferena em relao aos outros, inquietao motora com marcha em ritmo compassado. Nesse estgio, a deglutio torna-se prejudicada; terceiro estgio - dura de 8 a 12 anos; as funes intelectuais apresentam-se gravemente deterioradas; h perda das habilidades virtuais e mentais, inclusive da fala; o movimento voluntrio mnimo e os membros tornam-se rgidos com a postura fletida; apresenta incontinncia urinria e fecal. A pessoa perde toda a habi- lidade para se autocuidar. Etiologia: A causa de seu aparecimento desconhecida, porm vrios fatores de risco podem ser considerados, como a idade, relaes familiares, fatores genticos, traumatismo craniano, entre outros. Diagnstico: O exame do crebro ps-morte a nica forma de se chegar a um diagnstico definitivo Tratamento: Por se tratar de uma doena que no tem cura, o tratamento medicamentoso est relacionado ao con- trole de sinais e sintomas decorrentes das alteraes comportamentais, como a agitao e confuso mental, com a utilizao de haloperidol (Haldol). Seus efeitos colaterais, tais como agitao motora, sintomas par- kinsonianos, hipotenso ortosttica, reteno urinria e sedao, devero ser monitorizados. Cuidados de Enfermagem: As aes de enfermagem esto diretamente relacionadas ao grau de demncia e dependncia que o indivduo apresenta. Deve-se atentar para as alteraes do pensamento, criando mecanismos que ati- vem a memria, mantendo uma conversa simples e agradvel e, se possvel, proporcionar maneiras de orient-lo em relao ao tempo com a utilizao de calendrio e relgios. importante cuidar da segurana em relao ao risco de queda, sendo necessrio manter as camas baixas e com grades elevadas, as luzes acessas durante a noite e livres as reas para a deambulao. Tais informaes devero ser repassadas aos familiares que iro cuidar, em casa, do portador do mal de Alzeimer, pois a hospitalizao somente ocorrer em casos de complicao do quadro clnico. 99. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 100 importante orient-los desde o momento da internao, solicitando, se possvel, que participem dos cuidados que esto sendo prestados, intensificando o treinamento no instante em que a alta for programada. A morte em pessoas com doenas demenciais est relacionada pneumonia, desnutri- o e desidratao. CRISE CONVULSIVA Convulso: Descarga bio-energtica emitida pelo crebro que provoca contraes musculares gerais e gene- ralizadas.Ataque episdico, que resulta da alterao fisiolgica cerebral e que clinicamente se manifesta por movimentos rtmicos involuntrios e anormais, que so acompanhados de alteraes do tnus muscular, esfncteres e comportamento. Crise convulsiva: Termo usado para designar um episdio isolado. Crise convulsiva um quadro caracteri- zado pela contratura involuntria da musculatura com movimentos desordenados, generalizados ou locali- zados, acompanhada de perda dos sentidos. Distrbio convulsivo: um distrbio crnico e recorrente.(epilepsia). Fisiopatologia Das Convulses Seja qual for a causa, ou o tipo de crise convulsiva, o mecanismo bsico o mesmo. H descargas eltricas: - De origem nas reas centrais do crebro (afetam imediatamente a conscincia); - De origem numa rea do crtex cerebral (produzem caractersticas do foro anatmico em particu- lar); - Com incio numa rea localizada do crtex cerebral e alastrando-se a outras pores do crebro. Manifestaes Clnicas: Convulses Generalizadas Estas convulses ocorrem em qualquer idade, em qualquer momento. O intervalo entre as crises varia bastante. Ocorre mordedura da lngua, incontinncia urinria e fecal.Cessados os movimentos convulsivos ocorrem relaxamento e estado de sonolncia. . Convulses de grande mal (motoras principais) : Caracterizam-se por duas fases completamente distintas. Fase Clnica: 100. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 101 - Reviramento ocular; - Perda imediata de conscincia; - Contrao generalizada e simtrica de toda a musculatura corporal; - Braos fletidos; - Pernas, cabea e pescoo estendidos; - Poder emitir um grito; - Dura aproximadamente 10 a 20 segundos; - A criana apneica pode tornar-se ciantica. - Salivao excessiva e queda da lngua Fase Tnica: - Pupilas dilatadas - Movimentos violentos, rtmicos e involuntrios; - Pode espumar pela boca; - Incontinncia urinria. medida que a crise vai cedendo, os movimentos tornam-se menos intensos e com intervalos maio- res. D-se um relaxamento corporal e segue-se uma fase de sonolncia. Pequeno mal: Caracteriza-se por uma perda breve de conscincia. Podem passar despercebidas, o comportamento sofre poucas alteraes. frequente entre os 5 e os 9 anos de idade. Pode haver alterao do tnus muscular, e a criana deixa cair pequenos objetos, no entanto raramente cai. No ha incontinncia. Tem origem Idioptica. Diagnstico: O diagnstico das convulses faz-se atravs de: - Histria completa; - Exame fsico e neurolgico completo; -Exames laboratoriais ( hemograma completo, glicemia, clcio, uria, liquido cefalo-raquidiano, etc.); - E.E.G - Cintigrafia cerebral; 101. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 102 - T.A.C.; - Ressonncia magntica; Aes de Enfermagem: A enfermagem tem que ser capaz de atuar rapidamente, no entanto, tem que ser um bom observador. Pois esta observao poder ser inicio de um diagnstico correto. H aes que devem serem feitas imedia- tamente, tais como: - Proteger a pessoa durante a convulso: - Deitar a pessoa (caso ela esteja de p ou sentada); - Afrouxar roupas apertadas; - Remover objetos; - Sustentar com delicadeza a criana. - Manter vias areas desobstrudas: - Aspirar secrees se necessrio; - Administrar teraputica anti-convulsivante e chamar mdico de servio; - Observar crise convulsiva; - Descrever e registrar todas as observadas, tais como: - Sequncia dos acontecimentos; - Incio da crise; - Durao da crise; - Eventos significativos anteriores crise; - Verificar se h incontinncia urinria ou fecal; - Verificar se h fase clnica ou tnica. - Observar aps a crise, - Descrever e registrar: . Forma de cessao da crise; - Nvel de conscincia; - Orientao; - Capacidade motora; - Fala. 102. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 103 - Promover repouso; - Deixar a criana confortvel; - Permitir que a criana repouse aps a crise; - Reduzir estimulao sensorial ( luzes, barulho, etc. ); - Reduzir ansiedade dos pais: - Promover atmosfera calma; - Explicar propsitos de enfermagem; -Oferecer apoio emociona EPILEPSIA Conceito: A epilepsia uma perturbao caracterizada pela tendncia a sofrer convulses recidivantes. Etiologia : Causa desconhecida, porm pode ser sesencadeada por: intoxicao, hipoxia cerebral, infeco do SNC. Em algum momento, 2 % da populao adulta tem uma convulso. Um tero desse grupo tem con- vulses recorrentes (epilepsia). Em cerca de 25 % dos adultos com epilepsia possvel conhecer a causa quando se realizam exames como um eletroencefalograma (EEG), que revela uma atividade eltrica anor- mal, ou uma ressonncia magntica (RM), que pode revelar cicatrizes em pequenas reas do crebro. de uma leso cerebral durante o nascimento ou depois deste. Manifestaes Clnicas: As pessoas com epilepsia idioptica tm, habitualmente, a sua primeira crise convulsiva entre os 2 e os 14 anos de idade. As convulses antes dos 2 anos de idade costumam ser causadas por defeitos cerebrais, desequilbrios no sangue ou febres elevadas. mais provvel que as convulses que se iniciam depois dos 25 anos sejam consequncia de um traumatismo cerebral, um acidente vascular cerebral ou outra doena. Fisiopatologia: As crises epilpticas podem ser desencadeadas por sons repetitivos, luzes cintilantes, videojogos ou inclusive tocando em certas partes do corpo. Mesmo um estmulo leve pode desencadear as convulses em pessoas com epilepsia. At nas que no sofrem de epilepsia, um estmulo muito forte pode desencade-la (como certos frmacos, valores baixos de oxignio no sangue ou valores muito baixos de acar no sangue). As convulses epilpticas s vezes classificam-se segundo as suas caractersticas. As convulses par- ciais simples iniciam-se com descargas eltricas numa rea pequena do crebro e estas descargas permane- cem limitadas a essa zona. Conforme a parte afetada do crebro, a pessoa experimenta sensaes anormais, movimentos ou alucinaes psquicas. A pessoa com uma alucinao psquica pode experimentar, por e- xemplo, um sentimento de dj vu, pelo que um ambiente desconhecido lhe parece inexplicavelmente fami- liar. 103. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 104 Nas convulses jacksonianas, os sintomas iniciam-se numa parte isolada do corpo, como a mo ou o p, e depois ascendem pelo membro ao mesmo tempo que a atividade eltrica se estende pelo crebro. As convulses parciais complexas (psicomotoras) iniciam-se com um perodo de um ou de dois minutos durante o qual a pessoa perde contacto com o seu meio. A pessoa pode cambalear, efetuar movimentos involuntrios e descoordenados dos braos e das pernas, emitir sons ininteligveis, no entender o que os outros exprimem e pode resistir ajuda que lhe prestem. O estado de confuso dura alguns minutos e seguido por uma recu- perao total. As crises convulsivas (grande mal ou convulses tnico-clnicas) iniciam-se, geralmente, com uma descarga eltrica anormal numa pequena rea do crebro. A descarga estende-se rapidamente s partes adja- centes do crebro e causam a disfuno de toda a rea. Na epilepsia primria generalizada, as descargas a- normais recaem sobre uma rea ampla do crebro e causam uma disfuno extensa desde o incio. Em qual- quer caso, as convulses so a resposta do organismo s descargas anormais. Durante estas crises convulsi- vas a pessoa experimenta uma perda temporal de conscincia, espasticidade muscular intensa e contraes em todo o corpo, rotaes foradas da cabea para um lado, ranger de dentes e incontinncia urinria. De- pois, pode ter cefalia, confuso temporria e fadiga extrema. Habitualmente a pessoa no se lembra do que aconteceu durante a crise. O pequeno mal (crises de ausncia) costuma iniciar-se na infncia antes dos 5 anos de idade. No se verificam convulses nem os outros sintomas dramticos do grande mal. Pelo contrrio, a pessoa tem epis- dios de olhar perdido, pequenas contraes das plpebras ou contraes dos msculos faciais que duram de 10 a 30 segundos. A pessoa est inconsciente, mas no cai ao cho, no se verifica colapso nem apresenta movimentos espsticos. No estado epilptico (status epilepticus), a mais grave das doenas convulsivas, as convulses no param. O estado epilptico uma urgncia mdica porque a pessoa tem convulses acompanhadas de con- traes musculares intensas, no pode respirar adequadamente e tem descargas eltricas extensas (difusas) no crebro. Se no se proceder ao tratamento imediato, o corao e o crebro podem ficar permanentemente danificados e pode ocorrer a morte. Diagnstico Se uma pessoa apresentar uma perda de conscincia, desenvolver espasticidade muscular com es- pasmos de todo o corpo, apresentar incontinncia urinria ou de repente sofrer de um estado de confuso mental e de falta de concentrao, pode estar afetada por uma crise convulsiva. Mas as verdadeiras convul- ses so muito menos frequentes do que a maioria das pessoas supe, porque grande parte dos episdios de inconscincia de curta durao ou de manifestaes anmalas do comportamento no se deve a descargas eltricas anormais no crebro. Para o mdico pode ser de grande importncia a verso de uma testemunha ocular do episdio, uma vez que esta poder fazer uma descrio exata do ocorrido, enquanto a pessoa que sofreu a crise no costu- ma estar em condies para o referir. preciso conhecer as circunstncias que rodearam o episdio: com que rapidez se iniciou, se se observaram movimentos musculares anormais, como espasmos da cabea, do pescoo ou dos msculos da cara, mordedura da lngua ou incontinncia urinria, quanto tempo durou e com que rapidez o afetado conseguiu restabelecer-se. O mdico necessitar igualmente de conhecer o que que a pessoa sentiu: teve alguma premonio ou sinal de que algo de anormal lhe ia acontecer? Aconteceu algo que parecesse precipitar o episdio, como certos sons ou luzes cintilantes? 104. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 105 Alm de tomar nota da descrio dos fatos, o mdico basear o diagnstico de perturbao convulsi- va ou de epilepsia nos resultados de um eletroencefalograma (EGC), que mede a atividade eltrica do cre- bro. Trata-se de uma prova que no ocasiona dor nem apresenta nenhum risco. Os eletrodos so fixados no couro cabeludo para medir os impulsos eltricos dentro do crebro. Por vezes programam-se os EEG quando a pessoa permaneceu deliberadamente acordada durante um perodo de 18 a 24 horas, porque mais prov- vel que se verifiquem as descargas anormais quando se dormiu muito pouco. O mdico estuda o registro do EEG para detectar alguma evidncia de descargas anormais. Embora o episdio no ocorra durante o registo do EEG, pode ser que existam essas anomalias. No entanto, devido ao fato de o EEG se realizar durante um curto perodo de tempo, este exame pode passar ao lado da atividade convulsiva e aparecer um registro normal, inclusive quando a pessoa epilptica. Uma vez diagnosticada a epilepsia, costume pedirem-se provas complementares para procurar uma causa com possibilidades de tratamento. As anlises sistemticas do sangue medem a concentrao no san- gue de acar, de clcio e de sdio, determinam se a funo do fgado e dos rins normal e permitem fazer uma contagem dos glbulos brancos, dado que um nmero elevado destes pode ser um indcio de uma infec- o. Muitas vezes, o mdico solicita um eletrocardiogram para verificar se a causa da perda de conscincia foi consequncia de uma arritmia cardaca que tenha levado a uma irrigao sangunea insuficiente do cre- bro. Em geral, o mdico tambm solicita uma tomografia axial computadorizada (TAC) ou uma ressonncia magntica (RM) para descartar um cancro no crebro ou outros tumores, um icto antigo (acidente vascular cerebral), pequenas cicatrizes e leses produzidas por traumatismos. H casos em que se requer a prtica de uma puno lombar para determinar se a pessoa tem uma infeco cerebral. Tratamento Se existe uma causa que possa tratar-se, como um tumor, uma infeco ou valores sanguneos anor- mais de acar ou de sdio, antes de mais trata-se dessa situao. As convulses em si mesmas podem no requerer tratamento uma vez que se tenha controlado o problema mdico. Quando no se encontra uma cau- sa ou ento no possvel controlar nem curar completamente a perturbao, pode ser necessrio adminis- trar frmacos anticonvulsivantes, com o objetivo de prevenir o aparecimento de novas convulses. S o tempo poder determinar se a pessoa ter mais convulses. Um tero das pessoas tm convulses recidivan- tes, mas o resto ter sofrido s uma nica convulso. De um modo geral, no se considera necessria a me- dicao nos casos de um s episdio, mas sim nos casos recidivantes. As convulses devem ser evitadas por vrias razes. As contraes musculares rpidas e violentas acarretam um risco de feridas por pancada e inclusive podem produzir fraturas dos ossos. A perda sbita de conscincia pode causar leses graves por quedas e acidentes. A atividade eltrica turbulenta do grande mal pode causar um certo dano no crebro. No entanto, a maioria das pessoas com epilepsia experimenta ao lon- go da sua vida dzias de convulses sem sofrer uma leso cerebral grave. Embora uma nica convulso no deteriore a inteligncia, os episdios de convulses recidivantes, esses sim, podem afet-la. O tratamento com medicamentos anticonvulsivantes pode controlar por completo as crises de grande mal em 50 % das pessoas com epilepsia e reduzir em grande medida a sua frequncia em 35 % delas. Os frmacos so um pouco menos eficazes para as crises de pequeno mal. Metade das pessoas que respondem terapia farmacolgica podem com o tempo deixar o tratamento sem que se verifiquem recidivas. Nenhum medicamento controla todos os tipos de crises convulsivas. Em algumas pessoas, as convulses podem con- trolar-se com um s frmaco enquanto outras necessitam de vrios. 105. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 106 Dado que o estado epilptico uma urgncia mdica, os mdicos devem administrar o mais cedo possvel doses elevadas de um frmaco anticonvulsivante por via endovenosa. Durante uma crise prolongada tomam-se precaues com o objetivo de que no se produzam leses. ESCLEROSE MLTIPLA Conceito: A esclerose mltipla uma doena caracterizada por zonas isoladas de desmielinizao nos ner- vos do olho, no crebro e na medula espinhal.O termo esclerose mltipla dado pelas mltiplas reas de cicatrizao (esclerose) que representam os diversos focos de desmielinizao no sistema nervoso. Etiologia: desconhecida Sinais e Sintomas: Os sintomas e sinais neurolgicos da esclerose mltipla so to diversos que os mdicos podem fa- lhar o diagnstico quando aparecem os primeiros sintomas. Dado que o curso da doena costuma piorar len- tamente com o tempo, as pessoas afetadas tm perodos de sade relativamente bons (remisses) que alter- nam com surtos da doena (exacerbaes). Sintomas mais frequentes da esclerose mltipla: Entorpecimento Debilidade, Lentido Formigueiro Dificuldades em andar ou manter o equilbrio Tremor Alteraes visuais Viso dupla Dificuldade para atingir o orgasmo, Falta de sensibilidade na vagina, Impotncia sexual nos homens. Incontinncia fecal e urinria, obstipao. Enjoo ou vertigem Rigidez, instabilidade, cansao anormal. Os sintomas aparecem, geralmente, entre os 20 e os 40 anos e as mulheres sofrem da doena com uma frequncia algo superior dos homens. A desmielinizao costuma aparecer em qualquer parte do c- rebro ou da medula espinhal e os sintomas dependero da rea afetada Etiologia: A causa da esclerose mltipla desconhecida, mas suspeita-se que um vrus ou um antigeno desco- nhecido sejam os responsveis que desencadeiam, de algum modo, uma anomalia imunolgica, que costuma aparecer numa idade precoce. Ento o corpo, por um motivo qualquer, produz anticorpos contra a sua pr- pria mielina; isso ocasiona a inflamao e a leso da bainha de mielina. 106. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 107 Parece que o fator hereditrio desempenha um certo papel na esclerose mltipla. Cerca de 5 % dos indivduos com esclerose mltipla tm um irmo ou uma irm com a mesma afeco e 15 % tm algum fa- miliar que sofre dela. Diagnstico Os mdicos consideram a possibilidade de uma esclerose mltipla em pessoas jovens que desenvol- vem repentinamente sintomas em partes diferentes do corpo, como viso esfumada, viso dupla ou altera- es motoras ou sensitivas. O padro de remisses e de exacerbaes pode confirmar o diagnstico. Nenhuma prova em si serve como diagnstico, mas algumas anlises laboratoriais costumam distin- guir entre esclerose mltipla e outras doenas com perturbaes semelhantes. O mdico pode extrair uma amostra de lquido cefalorraquidiano atravs de uma puno lombar. Em pessoas com esclerose mltipla, os valores de glbulos brancos e de protenas no lquido so ligeiramente superiores aos normais; pode haver tambm um aumento da concentrao de anticorpos e em 90 % dos afetados de esclerose mltipla encon- tram-se tipos especficos de anticorpos e de outras substncias. A ressonncia magntica (RM) a tcnica de imagem mais precisa para o diagnstico, dado que po- de revelar a presena de reas do crebro que perderam a mielina. Tratamento Um tratamento relativamente recente, o interferom beta em injees, reduz a frequncia das recidi- vas. Outros tratamentos prometedores, ainda em investigao, consistem noutros interferons, mielina oral e copolmero 1, que ajudaro a evitar que o organismo ataque a sua prpria mielina.. Os sintomas agudos podem controlar-se com a administrao, durante breves perodos, de corticoste- rides como a prednisona, administrada por via oral, ou a metilprednisolona, por via endovenosa; Embora os corticosterides possam reduzir a durao das crises, no atrasam a debilidade progressiva a longo prazo. Os benefcios dos corticosterides podem ser contrariados pelos muitos efeitos secundrios potenciais que eles produzem quando se tomam durante perodos prolongados. As pessoas com esclerose mltipla costumam levar uma vida ativa, embora possam cansar-se com facilidade, e possvel que no consigam cumprir demasiadas obrigaes. Os exerccios praticados com regularidade, como a equitao, a bicicleta esttica, os passeios, a natao ou os alongamentos, reduzem a espasticidade e contribuem para manter a sade cardiovascular, muscular e psicolgica. A fisioterapia pode contribuir para a manuteno do equilbrio, da capacidade de deambulao e do grau de mobilidade, ao mesmo tempo que pode reduzir a espasticidade e a debilidade. ANEURISMA CEREBRAL Conceito: Aneurisma uma dilatao anormal na parede de uma artria, a qual um vaso sanguneo que carre- ga sangue rico em oxignio do corao para outras partes do corpo. Quando o aneurisma ocorre em uma artria do crebro ele chamado de aneurisma cerebral. 107. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 108 Etiologia: Surge como resultado de fraqueza da parede da artria devido aterosclerose, deformidade congnita, trauma, doena vascular hipertensiva, idade avanada. Um aneurisma pode ser resultado de arteriosclerose. Quando a arteriosclerose desenvolve-se, a pare- de da artria fica grossa, danificando e perdendo seu revestimento interno normal. A rea danificada da art- ria pode se dilatar em decorrncia da presso sangunea, resultando em aneurisma. O aneurisma tambm pode ocorrer em decorrncia da constante presso alta dentro de uma artria. Manifestaes Clnicas: A maioria dos aneurismas cerebrais no produz nenhum sintoma at que fiquem grandes e comecem a vazar sangue ou rompem-se. Se o aneurisma cerebral pressionar nervos do crebro, ele pode causar sinais e sintomas que incluem: * Plpebra cada. * Viso dupla ou outras alteraes na vista. * Dor acima ou atrs do olho. * Pupila dilatada. * Fraqueza ou falta de sensibilidade em um lado da face ou do corpo. Quando o aneurisma cerebral cresce demais ele pode romper-se, causando sangramento perigoso, e freqentemente fatal, dentro do corpo. Um aneurisma cerebral que rompe causa derrame, o qual pode incluir como sintomas dor de cabea forte e sbita, nusea, vmito, pescoo duro, fraqueza repentina em uma rea do corpo, dificuldade repentina de falar e at perda de conscincia, coma ou morte. O grau de periculosida- de do aneurisma cerebral depende do seu tamanho e localizao no crebro, se ocorreu vazamento ou ruptu- ra, e ainda a idade e sade geral da pessoa. Fatores de risco Os fatores que podem aumentar o risco de aneurisma cerebral incluem: * Arteriosclerose. * Fumo - h oito vezes mais risco de desenvolver aneurisma se a pessoa fuma. * Histrico familiar de aneurisma, doena cardaca ou outros problemas nas artrias. * Presso muito alta e contnua entre os 35 e 60 anos de idade. * Uso de entorpecentes como cocana. Diagnstico: TC, RM,uno lombar e Angiografia cerebral. Tratamento : O tratamento para aneurisma cerebral depende do seu tamanho, localizao, se est infetado e se houve ruptura. Um aneurisma cerebral pequeno que no se rompeu pode no necessitar de tratamento. Um 108. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 109 aneurisma cerebral grande pode pressionar o tecido do crebro, causando dor de cabea forte ou viso preju- dicada, e tem grande probabilidade de romper. Se o aneurisma romper, haver sangramento no crebro, que causar derrame cerebral. Se um aneurisma cerebral ficar infectado, necessitar de tratamento mdico ime- diato. O tratamento para muitos aneurismas cerebrais, especialmente os grandes ou que esto crescendo, envolve cirurgia, a qual pode ser arriscada dependendo da localizao. COMA: ALTERAES DA CONSCINCIA Podemos dizer que uma pessoa est consciente quando ela est alerta e capaz de manter um dilogo coerente e organizado e, caso no seja capaz de falar ou ouvir, quando compreende a linguagem escrita ou falada. O encfalo o rgo responsvel por esta situao. Ele o rgo mais importante do corpo, pois re- cebe impulsos de outros rgos que o capacitam a controlar os sinais vitais do indivduo. O encfalo contro- la os batimentos do corao, a fome e a sede. Dos olhos, ouvido, nariz e pele, recebe mensagens que infor- mam ao homem a respeito do mundo que o cerca, fazendo com que ele seja capaz de compreender o seu meio ambiente, manter o estado de conscincia que permite a vigilncia e percepo de si mesmo, dos ou- tros e posicionar-se no tempo e no espao. As alteraes da conscincia ocorrem quando h uma leso direta no encfalo. A equipe de sade, ao cuidar de uma pessoa com alteraes de conscincia, pode deparar-se com as seguintes situaes: 1. Confuso - a pessoa perde a capacidade de raciocnio rpido, lgico e com clareza. Encontra-se deso- rientada no tempo e no espao e, s vezes, torna -se inquieta e agitada; 2. Letargia - a pessoa apresenta-se aptica, sem expresso, a fala e os movimentos s ocorrem quando estimulados, mantm-se sonolenta, perdida no tempo e no espao, ou seja, fora de rbita; 3. Torpor - a pessoa permanece dormindo, com dificuldade de responder a estmulos verbais, porm re- age aos estmulos dolorosos; 4. Coma - a pessoa no responde a estmulos verbais ou dolorosos e nem apresenta reao aos reflexos de tosse, vmitos e da crnea. A avaliao do nvel de conscincia deve ser feita usando cinco parmetros: a escala de coma de Glasgow, o padro respiratrio, o tamanho e a atividade pupilar, os movimentos oculares e as respostas reflexas. ESCALA DE GLASGOW Abertura Ocular Espontnea 4 Ao comando verbal 3 S com estmulo doloroso 2 No abre 1 109. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 110 Resposta Verbal Fala coerente 5 Desorientado e conversando 4 Resposta inapropriada 3 Inarticulado (geme) 2 Sem resposta 1 Resposta Motora Obedece comandos 6 Localizao dor 5 Flexo inespecfica (retirada) 4 Flexo hipertnica (decortica) 3 Extenso hipertnica (decerebra) 2 Sem resposta 1 Classificao: O coma caracterizado por uma condio em que a pessoa no desperta, seja por estmulos fsicos (estmulo doloroso profundo), psicolgicos (presena de familiares e entes queridos) ou por alguma necessidade fisio- lgica como a respirao. O estado de coma apresenta graus variados de profundidade, quais sejam: Superficial nesse estado, o reflexo de deglutio est presente, as respostas motoras encontram-se prejudicadas, o indivduo no mantm contato verbal, porm reage aos estmulos dolorosos profun- dos; Profundo - no h reflexos de suco e de tosse e nem reao aos estmulos dolorosos profundos. Dependendo do grau de leso do crebro, a pessoa pode apresentar postura de descerebrao (mem- bros superiores estendidos e com rotao interna, membros inferiores estendidos e regio plantar) Irreversvel - neste caso observa-se dilatao de pupila bilateral, hipotermia, ausncia de respirao espontnea e de qualquer resposta aos estmulos. As funes de outros rgos j apresentam sinais de falncia. O estmulo doloroso profundo consiste na realizao de uma presso sobre o leito ungueal do dedo mdio (por ser esse mais sensvel), lembrando que essa presso dever ser exercida com a utilizao de uma caneta ou de um lpis. Ressaltamos que o estmulo em regio esternal deve ser evi- tado, pois pode causar trauma de tecido e, em idosos, trauma de costelas. O quadro de coma irreversvel atualmente denominado de morte enceflica. O Conselho Federal de Medicina, em sua resoluo de nmero 1480 de 8 de agosto de 1997, colocou disposio da equipe de sa- de um documento bsico, onde esto definidos os passos a serem seguidos para o diagnstico de morte ence- flica. Alm da utilizao deste documento, necessria a realizao de dois exames clnicos, com a finali- dade de avaliar as atividades cerebrais com um intervalo de 6 horas, e um exame por mtodo grfico que poder ser o eletroencefalograma, a arteriografia cerebral ou o Dopller transcraniano. Diagnstico : 110. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 111 O diagnstico dos tipos de coma feito por meio de exames invasivos e no-invasivos. Dentre os no-invasivos, temos a tomografia computadorizada e a ressonncia magntica, mtodos modernos de inves- tigao de sangramentos intracranianos que utilizam o computador para a anlise dos dados. Assistncia de Enfermagem: A assistncia de enfermagem tem como objetivo acompanhar, preservar e apoiar o cliente comatoso, j que o mesmo se encontra com as funes alteradas quanto percepo, segurana, auto-preservao e conforto. Manter a higiene da cavidade oral e corporal; Conservar o cliente aquecido; Fazer mudana de sua posio regularmente, prevenindo lceras de de- cbito e estase pulmonar; Deixar as grades do leito levantadas; Controlar o nvel de rudo no ambiente, evitando conversas desnecess- rias e msicas altas em torno do leito, visto que o ouvido o ltimo rgo dos sentidos a perder sua capacidade; Manter as vias areas desobstrudas, aspirando secrees da orofaringe e/ou traqueais; Fornecer oxignio na dosagem e via prescritas; monitorar os sinais vitais para observao da oxige- nao e circulao adequadas; Manter uma via venosa permevel para facilitar o acesso de medicamentos rotineiros e de urgncia; Monitorar o fluxo urinrio e a eliminao de fezes para identificar precocemente sinais de alteraes renais e de reteno de fezes; Conservar os olhos umidificados e protegidos como preveno de escara de crnea; Umidificar a mucosa oral, evitando fissuras e outras leses; Manter sonda nasogstrica desobstruda para evitar vmitos e aspiraes de contedo gstrico; Manter suporte nutricional e hidratao adequada, fornecendo alimentos e lquidos atravs da sonda nasogstrica, para garantir ao organismo melhores condies de recuperao; Realizar movimentos passivos na preveno da formao de trombos, contratura musculares e queda dos ps e mos; Manter conversao, explicando procedimentos a serem realizados, estabelecendo uma relao de segurana e confiana, ainda que o cliente no entenda; Acompanhar e apoiar os familiares por ocasio das na visitas. 111. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 112 UNIDADE XI - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM S AFECES NEOPLSICAS Consideraes gerais Cncer o nome dado a um conjunto de mais de 100 doenas que tm em comum o crescimento desordenado (maligno) de clulas que invadem os tecidos e rgos, podendo espalhar-se (metstase) para outras regies do corpo. Dividindo-se rapidamente, estas clulas tendem a ser muito agressivas e incontrolveis, determinan- do a formao de tumores (acmulo de clulas cancerosas) ou neoplasias malignas. Por outro lado, um tu- mor benigno significa simplesmente uma massa localizada de clulas que se multiplicam vagarosamente e se assemelham ao seu tecido original, raramente constituindo um risco de vida. Os diferentes tipos de cncer correspondem aos vrios tipos de clulas do corpo. Por exemplo, existem diversos tipos de cncer de pele por- que a pele formada de mais de um tipo de clula. Se o cncer tem incio em tecidos epiteliais como pele ou mucosas ele denominado carcinoma. Se comea em tecidos conjuntivos como osso, msculo ou cartilagem chamado de sarcoma. Outras caractersticas que diferenciam os diversos tipos de cncer entre si so a velocidade de multiplicao das clulas e a capacidade de in- vadir tecidos e rgos vizinhos ou distantes (metstases). Causas do cncer As causas de cncer so variadas, podendo ser externas ou internas ao organismo, estando ambas inter-relacionadas. As causas externas relacionam-se ao meio ambiente e aos hbitos ou costumes prprios de um ambiente social e cultural. As causas internas so, na maioria das vezes, geneticamente pr- determinadas, esto ligadas capacidade do organismo de se defender das agresses externas. Esses fatores causais podem interagir de vrias formas, aumentando a probabilidade de transformaes malignas nas clu- las normais. De todos os casos, 80% a 90% dos cnceres esto associados a fatores ambientais. Alguns deles so bem conhecidos: o cigarro pode causar cncer de pulmo, a exposio excessiva ao sol pode causar cncer de pele, e alguns vrus podem causar leucemia. Outros esto em estudo, tais como alguns componentes dos alimentos que ingerimos, e muitos so ainda completamente desconhecidos. O envelhecimento traz mudan- as nas clulas que aumentam a sua suscetibilidade transformao maligna. Isso, somado ao fato de as clulas das pessoas idosas terem sido expostas por mais tempo aos diferentes fatores de risco para cncer, explica em parte o porqu de o cncer ser mais freqente nesses indivduos. Os fatores de risco ambientais de cncer so denominados cancergenos ou carcingenos. Esses fatores atuam alterando a estrutura gentica (DNA) das clulas. O surgimento do cncer depende da intensidade e durao da exposio das clulas aos agentes cau- sadores de cncer. Por exemplo, o risco de uma pessoa desenvolver cncer de pulmo diretamente propor- cional ao nmero de cigarros fumados por dia e ao nmero de anos que ela vem fumando. Fatores de Risco de Natureza Ambiental 112. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 113 Os fatores de risco de cncer podem ser encontrados no meio ambiente ou podem ser herdados. A maioria dos casos de cncer (80%) est relacionada ao meio ambiente, no qual encontramos um grande n- mero de fatores de risco. Entende-se por ambiente o meio em geral (gua, terra e ar), o ambiente ocupacio- nal (indstrias qumicas e afins) o ambiente de consumo (alimentos, medicamentos) o ambiente social e cul- tural (estilo e hbitos de vida). As mudanas provocadas no meio ambiente pelo prprio homem, os 'hbitos' e o 'estilo de vida' ado- tado pelas pessoas, podem determinar diferentes tipos de cncer. Hereditariedade So raros os casos de cnceres que se devem exclusivamente a fatores hereditrios, familiares e tni- cos, apesar de o fator gentico exercer um importante papel na oncognese. Alguns tipos de cncer de mama, estmago e intestino parecem ter um forte componente familiar, embora no se possa afastar a hiptese de exposio dos membros da famlia a uma causa comum. Determi- nados grupos tnicos parecem estar protegidos de certos tipos de cncer: a leucemia linfoctica rara em orientais, e o sarcoma de Ewing muito raro em negros. Diagnstico do Cncer O cncer uma patologia com localizaes e aspectos clnico-patolgicos mltiplos e no possui sintomas ou sinais patognomnicos, podendo ser detectado em vrios estgios de evoluo histopatolgica e clnica. Destes fatos resulta, em grande parte, a dificuldade do seu diagnstico e a afirmativa de que a sus- peita de cncer pode surgir diante dos sintomas os mais variados possveis. A partir da deteco dos sinais clnicos e sintomas, esclarece-se o diagnstico mediante exames labo- ratoriais que sero especficos aos rgo comprometidos. Estimativas No Brasil, as estimativas para o ano de 2008 e vlidas tambm para o ano de 2009, apontam que o- correro 466.730 casos novos de cncer. Os tipos mais incidentes, exceo do cncer de pele do tipo no melanoma, sero os cnceres de prstata e de pulmo no sexo masculino e os cnceres de mama e de colo do tero no sexo feminino, acompanhando o mesmo perfil da magnitude observada no mundo. Estima-se que em 2020 o nmero de casos novos anuais seja da ordem de 15 milhes. Cerca de 60% destes novos casos ocorrero em pases em desenvolvimento. tambm conhecido que pelo menos um tero dos casos novos de cncer que ocorrem anualmente no mundo poderia ser prevenido. Tratamento O tratamento do cncer pode ser feito atravs de cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou transplante de medula ssea. Em muitos casos, necessrio combinar essas modalidades. Radioterapia- um tratamento no qual se utilizam radiaes para destruir um tumor ou impedir que suas clulas aumentem. Estas radiaes no so vistas e durante a aplicao o paciente no sente nada. A radiote- rapia pode ser usada em combinao com a quimioterapia ou outros recursos usados no tratamento dos tu- mores. Efeitos colaterais: - manifestaes cutneas: descamao da pele, cicatrizao, queda de plos, escurecimento da pele e erite- ma; - leso da mucosa orogstrica: perda do paladar, dor na garganta, dificuldade para deglutir; - reaes sistmicas: nuseas, vmitos, febre, mal-estar geral, anorexia, diarria; 113. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 114 Quimioterapia - um tipo de tratamento, em que se utilizam medicamentos para combater o cncer. Eles so aplicados, em sua maioria, na veia, podendo tambm ser dados por via oral, intramuscular, subcutnea, tpica e intratecal. Os medicamentos se misturam com o sangue e so levados a todas as partes do corpo, destruindo as clulas doentes que esto formando o tumor e impedindo, tambm, que elas se espalhem pelo corpo. Efeitos colaterais: Os efeitos txicos dos medicamentos variam de acordo com o grupo a que pertence a droga e com a sensibilidade individual de cada paciente. Os sintomas mais freqentes so: anorexia, nusea, vmito, febre, calafrios, mal estar geral, diarria, eritema, descamao da pele, alopecia, necrose tecidual e hemorragia. O uso dos quimioterpicos por um perodo prolongado ocasiona o desenvolvimento de outros tipos de cnceres, depresso da medula ssea, que gera anemia, tendncia hemorrgicas e diminuio da resistn- cia a infeces. Cuidados de enfermagem 1 - Na radioterapia: - promover ambiente calmo e tranqilo; - observar, relatar e informar ao enfermeiro o aparecimento de reaes sugestivas de ansiedade e medo ao tratamento como: secura na boca, tremores nas mos, vmitos, palpitaes; - retirar objetos opacos como botes, alfinetes e fivelas de cabelo; - substituir a roupa do paciente por Camisola, prpria para Rx; - dizer ao paciente para permanecer imvel. Se for necessrio, usar bolas de areia e etc., para mant-lo im- vel; - avisar ao paciente que ele ficar sozinho na sala e que o tcnico manter contato verbal durante a sesso; - ficar atento ao aparecimento dos efeitos colaterais; - administrar os medicamentos prescritos; 2 - Na quimioterapia: - proporcionar conforto e repouso ao paciente; - verificar sinais vitais de 6/6 horas; - observar e relatar o aparecimento de efeitos colaterais; - auxiliar o paciente co episdios de nuseas, vmitos e diarria; - realizar higiene oral; - oferecer lquidos; - observar o local da puno venosa, para evitar extravasamento da droga; - caso ocorra o extravasamento venoso, interromper o gotejamento e comunicar o enfermeiro imediatamen- te; - assistir o paciente com gentileza, ouvindo suas queixas e demonstrando o devido interesse pela sua recupe- rao e bem-estar. 114. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 115 Cientes de nossa limitao como profissionais da sade, devemos deixar de pensar a finitude ou a doena crnica como um fracasso da medicina, visto ser o alvio da dor e do sofrimento uma das metas da medicina. A finitude digna pode ser definida como aquela sem dor e com sofrimento minimizado mediante os cuidados paliativos adequados, onde cabe equilibrar as necessidades do paciente e a integridade mdica, nesta habilidade esto inclusos os cuidados paliativos, cuidados totais prestados ao paciente e sua famlia, os quais se iniciam quando a teraputica especfica curativa deixa de ser o objetivo. neste momento que a enfermagem tem grande potencial para diminuir a ansiedade e o medo, e transferi-los no sentido de fomentar a esperana, estimulando o cliente a participar da programao e implementao de seu tratamento. A teraputica paliativa voltada ao controle sintomtico e preservao da qualidade de vida para o paciente, sem funo curativa, de prolongamento ou de abreviao da sobrevida. A empatia, bom humor e compreenso so integrantes fundamentais da teraputica. A abordagem multidisciplinar, contando com mdicos, equipe de enfermagem, psiclogos, assistentes sociais, nutricionis- tas, fisioterapeutas e voluntrios. 115. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 116 UNIDADE XII - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM A PACIENTES GRAVES E AGONIZANTES Estou morrendo. (...) Mas ningum gosta de conversar sobre estas coisas. (...) As pessoas, nestas circunstncias, so abandonadas num solitrio e silencioso vazio. (...) O moribundo ainda no visto como uma pessoa. Assim torna-se impossvel a comunicao. Ele o smbolo do que teme todo o ser humano, do que todos teremos de enfrentar um dia, como sabemos, pelo menos academicamente. (...) Mas, para mim, o medo hoje, e a morte agora. Vocs entram e saem de meu quarto, do-me remdios, checam minha presso. Ser por que sou uma estudante de enfermagem ou simplesmente um ser humano que percebo seu medo? E o medo de vocs aumenta o meu. Por que vocs esto apavorados? Eu sou a nica que estou morrendo... Sei que vocs se sentem inseguras, no sabem o que dizer ou fazer. (...) No fujam...Esperem... Tudo o que eu gostaria ter certeza de que haver algum para segurar a minha mo quando eu precisar. Eu estou com medo. A morte pode ser rotina para vocs, mas novidade para mim. (...) Eu nunca morri antes. (...) Se ao menos pudssemos ser honestos, aceitar nossos temores. Tocarnos. Se vocs realmente se impor- tassem, perderiam muito de seu profissionalismo se chorassem comigo? Como pessoa? Ento, talvez no fosse to difcil morrer...num hospital...com amigos por perto (Pessini,1990). O paciente pode passar por cinco estgios psicolgicos em preparao para morte. Apesar de serem percebidos de forma diferente em cada paciente, e no necessariamente na ordem mostrada o entendimento de tais sentimentos pode ajudar a satisfao dos pacientes. As etapas do ato de morrer so: 1) NEGAO: quando o paciente toma conhecimento pela primeira vez de sua doena terminal, pode ocor- rer uma recusa em aceitar o diagnstico. 2) IRA: uma vez que o paciente parando de negar a morte, possvel que apresente um profundo ressenti- mento em relao aos que continuaro vivos aps a morte ao pessoal do hospital, a sua prpria famlia etc. 3) BARGANHA: apesar de haver uma aceitao da morte por parte do paciente, pode haver uma tentativa de negociao de mais tempo de vida junto a Deus ou com o seu destino. 4) DEPRESSO: possvel que o paciente se afaste dos amigos, da famlia, dos profissionais de sade. possvel que venha sofrer de inapetncia, aumento da fadiga e falta de cuidados pessoais. 5) ACEITAO: Nessa fase, o paciente aceita a inevitabilidade e a iminncia de sua morte. possvel que deseje simplesmente o acompanhamento de um membro da famlia ou um amigo. Sinais Iminentes de Falecimentos: Sistema Circulatrio: hipotenso, extremidades frias, pulso irregular, pele fria e mida, hipotermia, cianose, sudorese,sudorese abundante; Sistema Respiratrio: dificuldade para respirar, a respirao torna-se ruidosa (estertor da morte) , causada pelo acmulo de secreo; Sistema Digestrio: diminuio das atividades fisiolgicas e do reflexo de deglutio para o perigo de re- gurgitao e aspirao , incontinncia fecal e constipao. Sistema Locomotor: ausncia total da coordenao dos movimentos; Sistema Urinrio: reteno ou incontinncia urinria; Sistema Neurolgico: diminuio dos reflexos at o desaparecimento total, sendo que a audio o ltimo a desaparecer. 116. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 117 Face: plida ou ciantica,olhos e olhar fixo, presena de lgrima, que significa perda do tnus muscular. Sinais Evidentes: Quando um indivduo morre? Talvez seja mais sensato caracterizar a morte pelo somatrio de uma srie de fenmenos: Perda da conscincia; Ausncia total de movimentos; Parada Cardaca e respiratria sem possibilidades de ressuscitao; Perda da ao reflexiva a estmulos; Parada das funes cerebrais; Pupilas dilatadas (midrase) no reagindo presena da luz; Como esses fatos podem ocorrer isoladamente fundamental a coincidncia deles para se confirmar morte. Como aps a morte, alguns tecidos podem manter a vitalidade e mesmo servirem para transplantes, exige-se hoje, como prova clnica definitiva da morte, a parada definitiva das funes cerebrais, documenta- da clinicamente e por eletroencefalograma. A tanatologia o ramo da patologia que estuda a morte. Morte Aparente: O termo morte aparente a denominao aplicada ao corpo, o qual parece morto, mas tem condies de ser reanimado. Alteraes cadavricas: So alteraes que ocorrem aps a constatao da sua morte clnica. Aps a morte existe uma srie de alteraes seqenciais previstas que podem ser modificadas nas dependncias das condies fisiolgicas pr-morte, das condies ambientais e do tipo morte, se intencional, natural ou aci- dental. Algor mortis ( frigor mortis, frio da morte): o resfriamento do corpo em funo da parada dos processos metablicos e perda progressiva das fontes energticas. Livor Mortis ( livores ou manchas cadavricas) : o aparecimento de manchas inicialmnete rosadas ou violetas plidas, tornando-se progressivamente arroxeadas. Putrefao: Estado de grande proliferao bacteriana (putrefao).H liberao de enzimas proteolticas produzidas pelas bactrias. Os rgos iro apresentar como uma massa semi-slida, odor muito forte e mu- danas de colorao. Reduo esqueltica: nela h a completa destruio da pele e musculatura, ficando somente ossos. Assistncia de enfermagem a pacientes graves e agonizantes: A assistncia de enfermagem so as mesmas medidas do paciente em estado de coma. 117. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 118 UNIDADE XIII - ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM AOS PACIENTE PORTADORES DE DO- ENAS INFECCIOSAS Segundo a OMS, doena transmissvel [...] toda molstia por agente infeccioso especfico ou por seus produtos metablicos, e que resultam da transmisso desse agente ou de seus produtos de um reservatrio para um hospedeiro suscetvel, seja direta ou indire- tamente. A distribuio e a ocorrncia das DTS variam de acordo com as condies ambientais , socioeconmicas, culturais e polticas das diversas regies brasilei- ras.para que esses ndices alcancem patamares aceitveis dentro do ponto de vista da sade pblica, deve haver uma melhoria da qualidade de vida, atingindo todas as camadas sociais. ISOLAMENTO a forma pela qual se busca efetivar o tratamento de pessoas infectada, durante o perodo de trans- misso da molstia, em um local que impea a propagao direta ou indireta do agente infeccioso. O Ministrio da Sade recomenda que, para cara 40 leitos, 25% sejam destinados a portadores de DTs, e a unidade ideal de isolamento deve ter as seguintes caractersticas: o Ser constitudo por quarto privativo com identificao da precauo adotada; o Possuir ante-sala com lavatrio, armrio e equipamentos privativos; o Contar com mnimo de mobilirio possvel: cama, criado-mudo e mesinha de refeio; o Levar em conta as restries e orientaes especficas a respeito das visitas, circulao de colabora- dores e transporte do cliente para exames externos; o Possuir equipe treinada no controle de propagao da doena. Em condies particulares, o isolamento deve ser mantido em uma unidade de internao comum, desde que sejam adotadas as precaues necessrias para evitar a propagao da molstia, ou uma ou mais unidades de internao para DTs em comum, com o mximo da precauo no controle de transmissi- bilidade. TIPOS DE ISOLAMENTO: H vrios tipos de isolamento, adequados etiologia e sintomatologia das crianas, assim como as condies do cliente. Normalmente so sinalizados por cartes diferentes para cada tipo de precauo adota- da. * Isolamento Total ou Rigoroso (IT) Para casos de doenas altamente contagiosas e que requerem cuidados completos, sendo necessrio o uso de gorro, culos, mscara, avental, luvas e pr-p. 118. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 119 * Isolamento Respiratrio Utilizado em casos de doenas de transmisso area, por meio da respira- o, tosse e gotculas expelidas pelo doente. A principal proteo o uso de mscara descartveis. * Isolamento Entrico ou Precaues Entricas Geralmente utilizado na presena de diarrias provo- cadas por agentes infecciosos transmissveis. obrigatrio o uso de luvas e avental,preferencialmente des- cartveis. * Isolamento Reverso ou Protetor- Visa a proteo de clientes imunodeprimidos, em que a baixa resis- tncia facilita o desenvolvimento de DTS que podem tornar-se extremamente graves, pondo em risco a ga- rantia do tratamento. Deve-se observar rigorosamente a aplicao de tcnicas asspticas no contato com o cliente, alm das fmites e objetos da enfermaria. PRECAUES PADRO De acordo com a Association for Practioners Infection Control (APIC) , sempre se deve tomar as seguintes precaues; Evitar o contato direto com o sangue e fluidos orgnicos, lavando as mos com frequncia e utilizan- do luvas de proteo. Uso consciente de agulha, cortantes e perfurantes, com o cuidado especial quanto ao descarte ade- quado, com a manipulao segura em recipientes apropriados; Aumentar a confiabilidade dos clientes, usando essas mesmas precaues para todos os demais que se encontrem em ambulatrio, pronto socorro, UTIs... Uso consciente dos equipamentos de proteo individual (EPIs) padro, como mscara de proteo respiratria, culos de acrlico, avental, luvas de ltex ou de silicone e pr-p. ALGUMAS DOENAS INFECTO-CONTAGIOSAS TRANSMITIDAS POR BACTRIAS: TTANO: Definio:Doena infecciosa aguda, cujo bacilo desenvolve-se no local do ferimento e produz uma neuroto- xina que, ao atingir o SNC, provoca os sinais e sintomas da doena. Agente Etiolgico: Clostridium Tetanii Modo de Transmisso: Objetos contaminados que penetram em feridas, ferimentos insignificante, queima- duras, coto umbilical,etc Sinais e Sintomas: Trismo, rigidez da nuca, contraturas e espasmos musculares, mialgia intensa; posio de opisttomo; riso sardnico, febre e sudorese intensa. Diagnstico: Exame clnico e fsico Tratamento: Debridamento da ferida; antibiticos; soro antitetnico (SAT); vacinas; miorrelaxantes; seda- tivos; ambiente isento de barulhos e iluninao excessiva. 119. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 120 TUBERCULOSE Definio: Doena bacteriana crnica, de carter social, ocorrendo com maior freqncia em regies de precrias condies. Agente Etiolgico: Bacilo de Koch ou Mycobacterium tuberculosis Modo de Transmisso: De pessoa para pessoa, por exposio ntima e prolongada, por meio de escarro ou gotculas de suspensas no ar, eliminadas pela tosse de clientes bacilferos. Sinais e Sintomas: Tosse produtiva e persistente; febre; perda de peso; hemoptise; dor torcica. Diagnstico: Exame bacteriolgico (escarro); prova tuberculnica; radiolgico. Tratamento: Quimioterapia e controle em comunicantes e familiares; fazer vacinao conforme calendrio. FEBRE TIFIDE Definio: Doena infecciosa causada pelo bacilo de Eberth Agente Etiolgico: Bacilo de Eberth ou Salmonella Typhi Modo de Transmisso: Por contato direto ( com fezes ou urina do portador) ou indireto ( com gua e ali- mentos contaminados) Sinais e Sintomas: Hipertermia progressiva, astenia, anorexia, nuseas, vmitos, esplenomegalia, leucope- nia, constipao alternada com crises de diarria( fezes lquidas esverdeadas e ftidas) Diagnstico: Exame clnico, fsico e laboratorial. Tratamento: Antibioticoterapia e profilaxia com saneamento bsico, fiscalizao sanitria e vigilncia epi- demiolgica. DIFTERIA Definio: Doena aguda, caracterizada por quadro txico-infeccioso, com durao varivel podendo apre- sentar desde sintomatologia leve at fatal. Agente Etiolgico: Bacilo de Klebs loeffler ou bacilo Corynebacterium diphtheriae. Modo de Transmisso: Por contato fsico direto; por gotculas de secreo dispersas no ar ou por meio de objetos contaminados. Sinais e Sintomas: Placas com abundante exudao na faringe, provocando sintomas de asfixia, agitao, batimentos da asa do nariz, cianose, contraes dos msculos intercostais devido a dificuldade respiratria. Pode ocorrer parada respiratria. 120. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 121 Diagnstico: Exame clnico, fsico e laboratorial. Tratamento: Manter o paciente em isolamento respiratrio; antibioticoterapia; soro anti-diftrico (SAD); cirrgico. Fazer profilaxia com vacinao. HANSENASE Definio: Enfermidade infecciosa crnica de transmissibilidade moderada caracterizada por leses cut- neas anestsicas. Agente Etiolgico: Bacilo de Hansen ou Mycobacterium leprae Modo de Transmisso: Por contato direto pelo contato com pele, mucosas, leses cutneas ou secrees nasais do doente. Sinais e Sintomas: Leses cutneas com anestesia local; comprometimento de nervos perifrico ulceraes da mucosa nasal at a perfurao do septo; leses oculares... Diagnstico: Testes cutneos de sensibilidade ( ttil, trmica, dolorosa), bipsia da leso;observao do tipo de leso; teste de Mitsuda. Tratamento: Quimioterapia; psicolgico em razo das conseqncias na vida social e econmica do cliente; fisioterpico para preveno e tratamento das incapacidades fsicas. CLERA Definio: Doena infecciosa aguda e grave, transmitida principalmente pela contaminao fecal da gua, alimentos e ouros produtos que vo a boca. Agente Etiolgico: Vbrio Cholerae ( vibrio colrico) Modo de Transmisso: gua, alimentos ou fmites contaminados pelas fezes e vmitos dos indivduos infectados, sintomticos ou no. Sinais e Sintomas: Diarria lquida sbita e intensa com aspecto de gua de arroz; desidratao; cibras; hipotenso; choque hipovolmico. Diagnstico: Exame clnico, fsico e laboratorial. Tratamento: Antibioticoterapia; hidratao; Isolamento. COQUELUCHE Definio: Doena bacteriana que afeta a traquia, os brnquios e os bronquolos. 121. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 122 Agente Etiolgico: Bordetella pertussis Modo de Transmisso: Contato direto ( por meio de gotculas de muco e saliva eliminados pelo indivduo contaminado) ou indireto (pelo contato com objetos recentemente contaminados) Sinais e Sintomas: Perodo catarral: coriza, espirros, lacrimejamento. Perodo paroxstico: crise de tosse, expectorao, cianose. Perodo de convalescena: os sintomas vo desaparecendo gradativamente. Diagnstico: Exame clnico, fsico e laboratorial. Tratamento: Antibioticoterapia, Isolamento respiratrio, antitussgenos. TRANSMITIDAS POR VRUS CAXUMBA Definio: Doena infecciosa aguda de incio sbito, caracterizado pela tumefao das glndulas salivares, geralmente das partidas e, s vezes das sublinguais. Agente Etiolgico: Vrus parotidite Modo de Transmisso: Contato direto ( por meio de gotculas de muco e saliva eliminados pelo indivduo contaminado) ou indireto ( pelo contato com objetos recentemente contaminados) Sinais e Sintomas: Febre, calafrios discretos, dores pelo corpo, principalmente na regio da tumefao, or- quite, ooforite. Diagnstico: Exame clnico, fsico e laboratorial. Tratamento: Analgsicos e antitrmicos; corticoesterides e repouso no leito.A profilaxia a vacina da trplice viral (MMR) RUBOLA Definio: Doena exantemtica em geral benigna, que ocorre predominantemente na infncia e adolescn- cia. Agente Etiolgico: vrus do grupo togavrus L. rubellus Modo de Transmisso: Contato direto ( por meio das secrees nasofarngeas) Sinais e Sintomas: Perodo Podrmico: febre, calafrios discretos, dores no corpo. Perodo Exantemtico: surge exantemas na face, couro cabeludo. Perodo de descamao: pele ressecada com prurido intenso. Diagnstico: Exame clnico, fsico e laboratorial 122. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 123 Tratamento: Analgsicos e antitrmicos; banhos com anti-sptico.Vacinao.A mulher deve evitar gravidez durante 3 meses aps a vacinao. SARAMPO Definio: Doena infecciosa aguda, extremamente contagiosa, caracterizada por febre e exantema mculo- papular. Agente Etiolgico: Vrus do grupo paramixovrus Modo de Transmisso: Contato direto ( por meio das secrees nasais e da garganta do doente) ou indireto ( por meio de objetos contaminados) Sinais e Sintomas: Febre alta, exantemas maculo-papular, tosse, coriza e conjuntivite. Diagnstico: Exame clnico, fsico e laboratorial. Tratamento: Sintomtico, conforme as manifestaes de cada caso. VARICELA OU CATAPORA Definio: Doena infecciosa amplamente disseminada que ocorre particularmente em crianas. Agente Etiolgico: Vrus da varicela; herpes-vrus ou vrus varicela-zster Modo de Transmisso: Contato direto( por meio de secrees nasais e da garganta do doente ou contato com as leses cutneas) ou indireto ( por meio de objetos contaminados) Sinais e Sintomas: Febre alta,calafrios, mialgia e adenomegalias, erupes cutneas inicialmente mculas que evoluem para ppulas e por fim, vesculas; estas evoluem e secam formando crostras. Diagnstico: exame clnico, fsico e laboratorial Tratamento: Sintomtico: repouso, analgsico, banhos com anti-spticos. POLIOMIELITE Definio: Doena viral aguda, cuja expresso clnica varia desde uma infeco inaparente at paralisias. Agente Etiolgico: poliovrus Modo de Transmisso: secrees orofarngeas e nas fezes Sinais e Sintomas: as manifestaes clnicas da infeco pelo poliovrus so muito variveis, desde infec- o inaparente at quadros de paralisia grave, levando a morte. 123. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 124 Diagnstico: exame clnico e fsico. Tratamento: Sintomtico: o principal meio de preveno e erradicao a vacina Sabin/Anti-poliomielite. RAIVA OU HIDROFOBIA Definio: doena infecciosa aguda de prognstico fatal em todos os casos, causada por vrus que se propa- ga pelo SNC Agente Etiolgico: vrus da raiva Rhabdovirus Modo de Transmisso: Mordedura de animais que contenham o agente na saliva Sinais e Sintomas: mal estar, anorexia,nuseas,insnia,distrbios psquicos e respiratrios, dor e parestesia no local do ferimento, espasmos, delrios, convulses e morte por paralisias dos msculos respiratrios. Diagnstico: exame clnico e fsico Tratamento: No existe tratamento especfico.O cliente necessita de cuidados especiais em UTI, sedativos, antitrmicos e medidas de controle das complicaes. 124. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 125 ANEXOS 125. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 126 126. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 127 ESTUDO CLNICO OU ESTUDO DE CASO CLNICO Com a evoluo da profisso, o estudo, o ensino e a organizao do cuidado de enfermagem torna- ram-se focos de ateno da enfermagem.Nesse contexto, surgem os estudos de caso, representando as pri- meiras tentativas de definio e sistematizao da assistncia de enfermagem, que, por sua vez, constitu- ram-se nas primeiras expresses do Processo de Enfermagem, to discutidos atualmente. Estudo de caso uma estratgia de ensino humanista e problematizadora que contribui, de forma muito positiva, para a formao do aluno, pois aumenta o conecimento terico prtico referente assistn- cia,estimula a capacidade crtica, reflexiva e desperta a autonomia do aluno na tomada de decises e na so- luo de problemas relacionados ao paciente. Os estudos clnicos so desenvolvidos para proporcionar um maior conhecimento do profissional, aluno ou pesquisador, com uma situao real observada. ROTEIRO PARA ESTUDO DE CASO: CAPA: Deve conter nome da instituio de ensino, ttulo do trabalho, cidade e estado. CONTRA CAPA: Nome do aluno, ttulo do trabalho, nome da professora/facilitadora, cidade e estado. SUMRIO: Deve conter todos os itens e subitens que compem o trabalho com o nmero da pgina cor- respondente no trabalho. As pginas devem ser numeradas a partir da introduo. INTRODUO: Falar de forma geral e abreviada de que se trata o estudo clnico, local e perodo onde foi realizado, destacando tambm de uma forma sucinta sobre a patologia estudada. Ex: O presente trabalho trata-se de um estudo clnico de um paciente acometido da patologia Gangrena de Fournier, tendo sido realizado numa instituio hospitalar de carter pblico e privado, no municpio de Joo Pessoa-PB no perodo de 12 20 de Janeiro do corrente ano. O termo Gangrena de Fournier usado para descrever gangrena idioptica da genitlia e, deve ficar restrito as infeces que primariamente envolva a genitlia. Embora seja chamada dessa maneira a Gangrena de Fournier tem causa identificvel em 95% dos casos, geralmente se origina de infeces anoretais e urogenitais. FUNDAMENTAO TERICA: Descrever a patologia a ser estudada, contendo os seguintes itens: 1. Definio 2. Etiologia 3. Fisiopatologia 4. Manifestaes clnicas 5. Diagnstico 6. Tratamento 7. Asssistncia de Enfermagem 127. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 128 SNTESE DO CASO CLNICO: a reunio de todos os dados levantados no roteiro para anamnese , ou seja, uma descrio de toda a histria clnica do paciente. A mesma deve conter uma sequncia lgica. Ex: J.S.M, 38 anos, casado, 7 filhos, analfabeto, ajudante de pedreiro, catlico, mas no praticante.Natural do,municpio de Itamb-PE,hoje residente no Stio Bulhes ,municpio de Pedras de Fogo-PB, onde mora em casa de pau-a-pique; a gua consumida no tratada, o destino dos dejetos a cu aberto e o lixo descarregado em terrenos pr- ximos sua moradia. Possui um cachorro como animal de estimao. No desenvolve atividades fsicas e refere ter como atividade de lazer o jogo de domin.Relata fazer amizades com facilidade e tem bom relacionamento familiar. tabagista, fumando cerca de 20 cigarros/dia; ex-etilista, tendo deixado o vcio h pouco mais de um ano.Refere que seu pai faleceu devido a um CA de Prstata e desconhece outras doenas em seus antecedentes familiares.Possua vida sexual ativa at o surgimento de sua doena, tem conhecimento das DSTs e adepto a camisinha. Refere ser alrgico a anestesias. Prece- dente de outra instituio hospitalar ,refere que procurou o servio de sade de sua cidade h trs meses quando passou a sentir dor na genitlia, com eritema, edema e formao de vesculas (bolhas), tendo sido diagnosticado a Gangrena de Fournier. onde foi submetido a uma interveno cirrgica. Neste nosocmio ser submetido a novos exames e outra interven- o cirrgica para retirada de tecido necrosado e realizao de enxerto. Ao exame fsico, revela um paciente consciente, orientado, ansioso, expressando medo em relao a possveis seqelas de sua patologia (impotncia sexual), porm otimista com o tratamento a ser realizado. Sono e repouso prejudicado devido a dor na genitlia. No momento no deambula devido a interveno cirrgica. Hipocorado,higiene insatisfat- ria,hidratado,afebril(37,0C),anictrico,aciantico,emagrecido.Cabea e nariz sem anormalidades. Acuidade visual dimi- nuda, fazendo uso de culos.Acuidade auditiva sem alteraes.Cavidade oral com falhas dentrias, cries e halito- se.Pescoo sem anormalidades.Trax sem alteraes anatmicas,Ausculta pulmonar com presena de roncos e sibilos, disp- nico ( 28irpm), tosse produtiva com expectorao de colorao esverdeada.Normotenso (110x70 MmHg), normosfigmico ( 82 pbm), venclise no MSD, perfuso perifrica normal, Abdome plano indolor palpao, inapetncia. Eliminaes intestinais ausentes h 4 dias. Diurese por SVD (300 ml) de colorao lmpida. Presena de curativo oclusivo com gazes vaselinizadas na regio genital e perianal. MMSS com sensibilidade e fora motora preservadas. MMII com ede- mas.Paciente refere dor na genitlia. EVOLUES E ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM: O aluno que est realizando um estudo clnico deve acompanhar seu paciente diariamente at que ele receba alta hospitalar, transferncia para outra institu- io ou venha a bito. Faz parte do acompanhamento s evolues e cuidados de enfermagem, os quais de- vem ser registrados com data e hora precisas. Ex: DATA/HORA EVOLUO ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM 02.04.2008 8:30H Paciente admitido nesta instituio hospitalar para tratamento clnico. Com DM de gangrena de Fourni- er. Evolui em EGComprometido, conscien- Verifiquei SSVV; Reposicionei o paciente a cada 2 horas; Fiz higiene ntima e oral; Administrei a medicao prescrita; 128. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 129 te,orientado.... Auxiliei a Enfermeira na instalao da SVD 03.04.2008 8:00h Paciente no 2 DIH, com DM de Gangrena de Fournier, evolui em.... Dei apoio psicolgico ao paciente Administrei analgsico CPM para alvio da dor 04.04.2008 9:00h Paciente no 3 DIH, com DM de Gangrena de Fournier, evolui em.... Realizei higiene ntima e oral; Administrei medicao prescrita; Realizei massagem de conforto nos MMII; PRESCRIO MDICA:Anotar a prescrio mdica do paciente , e consultar diariamente a mesma, ob- servando as alteraes ou modificaes com relao aos medicamentos prescritos.Voc deve pesquisar o nome genrico e comercial do medicamento, indicao e contra indicao, reaes adversas. Ex: Tylenol 750mg 1x dia Nome Genrico: Paracetamol Nomes comerciais: .... Indicao: Analgsico e antitrmico.Dores moderadas na gravidez e aleitamento.Dores de cabea.Dores musculares.Dores ps-parto. Contra-Indicaes: Hipersensibilidade ao paracetamol. Reaes Adversas: Nuseas, sudorese, hipersensibilidade, etc. EXAMES COMPLEMENTARES; Registrar resultados dos exames os quais o paciente foi submetido du- rante hospitalizao. CONSIDERAES FINAIS: Nesse espao voc registra o que este trabalho lhe proporcionou?Que co- nhecimentos voc adquiriu?Acompanhamento e convalescena do paciente ou da evoluo progressiva da doena? A experincia vivenciada contribuiu para sua formao? Sentiu alguma impotncia ou limitaes diante o problema do paciente?Fez voc aprender a compreender melhor o paciente? REFERNCIAS: Colocar nome dos livros consultados com seus respectivos autores.Em caso de consulta de endereos eletrnicos, colocar o endereo da pgina e a data de acesso.Exs: Bibliografia SMELTZER, S. C., BARE, B.G. Tratado de Enfermagem Mdico-Cirrgica.Vol 1 9 ed. Rio de Janeiro: Guanaba- ra Koogan, 2002. Webgrafia www.abcdasaude.com.br/ acesso em 10.05.2008 129. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 130 ESTTICA DO ESTUDO DE CASO Fonte: Times New Roman Tamanho da fonte: 12 Espao superior: 2.5cm Espao Inferior: 2.5cm Borda Direita: 3.0cm Borda Esquerda: 3.0cm FUNDAO FRANCISCO MASCARENHAS ESCOLA DE CINCIAS DA SADE DE PATOS-ECISA ESTUDO CLNICO DE UM PACIENTE ACOMETIDO POR GANGRENA DE FOURNIER PATOS- PB 2008 MARIA APARECIDA DA COSTA ESTUDO CLNICO DE UM PACIENTE ACOMETIDO POR GANGRENA DE FOURNIER Profa ARETUSA DELFINO DE MEDEIROS PATOS- PB 2008 SUMRIO 1 INTRODUO 02 2 FUNDAMENTAO TERICA 03 2.1 Definio 03 2.2 Etiologia 04 2.3 Fisiopatologia 05 2.4 Manifestaes Clnicas 06 2.5 Diagnstico 07 2.6 Tratamento 08 2.7 Assistncia de Enfermagem 08 3 SNTESE DE CASO CLNICO 09 4 EVOLUES E ASSISTNCIA DE EN- FERMAGEM 10 5 PRESCRIO MDICA 11 6 EXAMES COMPLEMENTARES 12 130. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 131 LEVANTAMENTO DE DADOS HISTRICO DE ENFERMAGEM 1. IDENTIFICAO Paciente: ____________________________________________________________ Setor: ________________________________ Enf:____________ Leito__________ Sexo: F ( ) M ( ) Data de admisso: ______/______/_______ Procedncia: Residncia ( ) Rua ( ) Hospital ( ) USF ( ) Escolaridade:_______________Estado civil:___________Profisso:_______________ Motivo da internao/Queixa Principal: ______________________________________ _____________________________________________________________________ Diagnstico Mdico/Hiptese diagnstica:____________________________________ 2. NECESSIDADE DE AUTO CUIDADO Moradia: ( ) urbana ( ) Rural ( ) alvenaria ( ) pau a pique (taipa) gua(origem): ___________________gua de consumo: ( ) tratada ( )No tratada Destino do lixo:______________________( ) Criao de animais domsticos: ______ Destino dos dejetos: ( )esgotamento sanitrio ( ) fossa ( ) Cu aberto Movimentao: ( ) Deambula ( ) No deambula ( ) Deambula com ajuda ( )Acamado ( ) Restrito no leito ( ) Hemiplgico ( ) Tetraplgico ( ) Paraplgico Higiene: Corporal: ( ) Preservada ( ) Prejudicada Oral: ( ) Preservada ( ) Prejudicada Outros:_________________________ Sono e Repouso: 131. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 132 ( ) Satisfatrio ( ) Prejudicado ( ) Insnia ( ) Auxiliar do sono Alimentao/Hidratao: ( ) Dieta aceita ( ) Dieta parcialmente aceita ( ) Ajuda p/ alimentao ( ) Dieta zero ( ) Restrio alimentar ( ) Ingesto de lquidos ( ) Dieta por SNG Atividades Fsicas: ( ) Programada ( ) No programada Atividades de lazer: _____________________________________________________ Interao Social: ( ) Comunicativo ( ) Pouco comunicativo ( ) No comunicativo Suporte da famlia/amigos para o cuidado: __________________________________ Conhecimento sobre seu problema de sade: ( ) Orientado ( ) Pouco orientado ( ) No informado ( ) Prefere no falar no assunto Atitude em relao ao problema de sade: ( ) est otimista com o tratamento ( ) refere desnimo ( ) no aceita o problema ( ) nega o problema Necessidade espiritual: ( ) Busca assistncia ( ) expressa revolta ( ) medo da morte Religio:_________________ ( ) Praticante ( ) No praticante 3. FATORES DE RISCO Antecedentes Familiares: ______________________________________________ Antecedentes Pessoais: ( ) Hipertenso ( ) Diabetes ( ) Cardiopatias ( )Alergias ( ) Tabagismo ( ) Etilismo ( ) Outros:______________________ Uso de Medicao: ____________________________________________________ Uso de prteses: _____________________________________________________ Outras informaes:____________________________________________________ 4. EXAME FSICO E OUTRAS INFORMAES SSVV: Tax:______C P:_____bpm R:______irpm PA:______x______mmHg FC:_____bpm 132. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 133 Medidas Antropromtricas: Peso: _______Kg Altura: _______cm Estado Nutricional: ( ) Normal ( ) Obeso ( ) Emagrecido ( ) Caqutico Nvel de Conscincia: ( )Consciente ( ) Orientado ( )Desorientado ( ) Torporoso ( ) Sonolento ( ) Letrgico ( ) Sedado ( ) Agitado ( ) Outros: ____________ _____________________________________________________________________ Pele/Tecidos: ( ) ntegra ( ) Hidratada ( ) Desidratada ( ) Ressecada ( ) Sudorica ( ) Plida ( ) Ictrica ( ) Ciantica ( ) Outros: ___________________________________________________________ Presena de lcera por presso/Ferimentos: ( ) Sim ( ) No Local e caractersticas apresentadas :____________________________________ ___________________________________________________________________ Cabea: ( )Alopecia ( )Seborria ( )Pediculose ( )Normal ( )sem anormalidades ( ) Outros _____________________________________ Olhos: ( )Viso Normal ( )Viso Turva ( )Diplopia ( )Exoftalmia ( )Outros ___________________________________________________________ Ouvidos: ( ) Audio normal ( ) Diminuda ( ) Zumbido ( ) Surdez ( ) Secreo ( ) dolorido ( ) Outros: ___________________________________ Boca: ( )Desvio de comissura ( )Halitose ( )Falhas dentrias ( )Lngua saburrosa ( )Prtese ( ) Outros:_________________________________________________ Nariz: ( ) Rinorragia ( ) Epistaxe ( ) Sem alteraes Pescoo: ( ) Sem anormalidades ( ) Com anormalidades ___________________ Trax: ( ) Atpica ( ) Tpico Expanso Torcica: ( ) Normal ( ) Diminuda Mamas: ( ) Assimtricas ( ) Presena de ndulos palpveis ( ) Secreo SISTEMA RESPIRATRIO: ( ) Eupnico ( ) Bradipnico ( ) Taquipnico ( ) Uso de O2 ______ l/min ( ) Contnuo ( ) intermitente Tosse ( ) ________________Secreo ( ) _____________________________ 133. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 134 Ausculta Pulmonar: ( ) Normal ( ) Murmrio vesicular diminudo ( ) Roncos ( ) Sibilos ( ) Estertores ( ) Outros ________________________ SISTEMA CARDIO-VASCULAR: Ausculta Cardaca: ( )Regular ( ) Irregular Freqncia: ( )Bradicardia ( ) Taquicardia Pulso: ( )Filiforme ( ) Normosfigmico ( )Bradisfigmia ( )Taquisfigmia Rede Venosa: ( ) Edemas__________ Perfuso Perifrica: ____________________ Venclise:( )Perifrico ______( ) Profundo ______( ) Scalp heparinizado ______ SISTEMA DIGESTIVO/ABDOME: ( ) Nuseas ( ) Vmitos ( ) Pirose ( ) Plenitude Ps-Prandial ( ) Drenos ( )Colostomias ( ) Disfagia ( ) Outros:__________________________ SNG ( ) SNE ( ) : ( ) Para Gavagem ( ) Para Lavagem ( ) Para drenagem Rudos Hidroareos: ( ) Presentes ( ) Ausentes Palpao: ( ) Flcido ( ) Doloroso ( ) Hepatomegalia ( ) Ascite Eliminaes Intestinais: ( )Presentes ( )Ausentes h ____dias ( )Diarria ( )Constipao GENITO URINRIO: ( )Sem alteraes ( )Mices espontneas ( )Incontinncia ( )Re- teno ( ) Disria ( ) Poliria ( )Polaciria ( )hematria ( )Oligria ( ) Anria ( )Polaciria ( ) Colria ( ) SVD ( ) Uso de fraldas Aspecto da urina _____________________________Volume:__________ ( ) Prurido ( ) Corrimento ( ) Leses aspecto: ___________________________ Atividade Sexual: ( ) Tem atividade ( ) No tem atividade ( ) Uso de preservativo Ciclo Menstrual: ( )Regular ( )Menopausa ( )Dismenorria ( )Amenorria ( )Hipermenorria MEMBROS SUPERIORES: ( ) Sensibilidade preservada ( ) Parestesia ( ) Cimbras ( ) Varizes Fora Motora: ( ) Preservada ( ) Paresia ( ) Plegia MEMBROS INFERIORES: ( ) Sensibilidade preservada ( ) Parestesia ( ) Cimbras ( ) Varizes 134. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 135 Fora Motora: ( ) Preservada ( ) Paresia ( ) Plegia PRESCRIES MDICAS: EVOLUES DE ENFERMAGEM: 135. Clnica Mdica Prof Aretusa Delfino de Medeiros 136 BIBLIOGRAFIA BRASIL. Ministrio da sade. Diabetes Mellitus. Cadernos de Ateno Bsica - n. 16. Srie A. Normas e Manuais Tcnicos. Braslia/DF. 2006. BRASIL. Ministrio da Sade. A, B, C, D, E de hepatites para comunicadores. Departamento de Vigiln- cia Epidemiolgica. Braslia: Ministrio da Sade, 2005. 24 p. (Srie F. Comunicao e Educao em Sade). BRASIL. Ministrio da Sade. Manual de aconselhamento em hepatites virais. Departamento de Vigiln- cia Epidemiolgica. Braslia : Ministrio da Sade, 2005. 52p. (Srie A. Normas e Manuais Tcnicos) BRASIL. Ministrio da Sade. Instituto Nacional do Cncer. Estimativa 2008: incidncia de cncer no Brasil. Rio de Janeiro; 2007. CARPENITO LJ. Manual dos diagnsticos de enfermagem. 8 ed. Porto Alegre: Artes Mdicas; 2002. KUDO, A. Y; ABREU, E. S.; ALFREDO, M. L. Hepatite. 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