O Processo de enfermagem na enfermagem em sade mental

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    18-Jul-2015

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  • O Processo de enfermagem na enfermagem em sade mentalME . E NF. A R O L DO G AVI O LI

  • Hildegard Peplau

    Enfermeira, mdica e educadora 10/09/1909 -Reading, Pensilvnia, USA.

    A teoria de enfermagem de Peplau: teorias de interao.

    Seu trabalho terico e tcnico conduziu ao desenvolvimento da enfermagem psiquitrica

    Me da Enfermagem Psiquitrica.

  • Subpapis da(o) enfermeira(o) - Peplau

    Me/pai adjunta(o): satisfaz as necessidades bsicas.

    Tcnica(o): realiza com competncia e eficincia tcnicas de procedimentos;

    Administrador(a)/gestor(a): controla e manipula o ambiente para melhorar as condies de recuperao do cliente.

    Agente socializante: participa de atividades sociais com o paciente;

    Instrutor(a) de sade: identifica necessidades de aprendizado e fornece informaes necessrias ao cliente ou seus familiares para melhorar a situao de sade;

    Conselheira(o): ajuda os clientes a aprender a se adaptar nas dificuldades da vida.

  • Dinmica de uma relao teraputica

    Na percepo do outro como um ser humano que a relao teraputica ocorre

    Travelbee: relao ser humano - ser humano

    A relao teraputica orientada por metas que so decididas em conjunto (entre a enfermeira e o cliente.

    A meta: aprendizado e crescimento, mudana na vida do paciente, podendo se basear no modelo de resoluo de problemas.

  • Exemplo: Meta: o cliente vai demonstrar estratgias de ajuste mais adaptativas para lidar com uma situao vital especfica.

    identificar o que est perturbando o cliente neste momento;

    encorajar o cliente a discutir as alteraes que gostaria de fazer;

    discutir com o cliente quais so as alteraes possveis e as no possveis;

    debater estratgias alternativas para criar as alteraes que o cliente deseja;

    ajudar o cliente a selecionar uma alternativa e encoraj-lo a realiza-la

    Ajudar o cliente a avaliar os resultados da alterao e a fazer modificaes necessrias.

    Intervenes:

  • Uso teraputico do EU

    Exige que a enfermeira tenha maiores autoconscincia e autocompreenso.

    Crena filosfica em relao vida, morte e condio humana.

    Compreenso da sua capacidade pode ajudar os outros.

    Aceitao das diferenas.

    Intrinsicamente relacionado a crenas, atitudes e valores.

  • Uso teraputico do EU - Crenas

    So ideias com evidncias objetivas de sua veracidade. uma tomada de posio em que se acredita que algo seja verdadeiro;

    Crenas racionais: ideias que comprovam sua veracidade.

    Ex.: o alcoolismo uma doena;

    Crenas irracionais: ideias que o indivduo afirma serem verdadeiras apesar das evidncias contrrias.

    Ex.: depois da desintoxicao eu posso beber socialmente;

    F ou crenas cegas: ideias que o indivduo considera verdadeiras sem ter delas evidncias. Ex.: um poder superior ajuda na cura do alcoolismo.

  • Uso teraputico do EU

    Estereotipo: impresso padronizada.

    Todo alcoolista vagabundo e sem vergonha.

    Atitudes: maneira organizada e coerente de pensar e agir em relao a grupos, questes ou outros seres humanos.

    Cuidado pois todo doente mental perigoso.

    Valores: conceitos que adquirimos ao longo da vida e que norteiam nossa forma de ver o mundo.

    Podem ser cognitivos, emocionais e comportamentais.

  • Condies para o desenvolvimento de uma relao teraputica.

    harmonia

    Capacidade verdadeira de importar-se com os outros, ocorrendo entre o enfermeiro e o cliente.

    Aceitao, calor, amizade, interesses comuns, confiana e atitude no crtica.

    confiana

    base de uma relao teraputica

    Oferecer o que o cliente precisa, cumprir com o prometido por exemplo. Considerar suas opinies.

    Respeito

    Ato de no fazer para os outros aquilo que no gostaramos que fizessem conosco.

    Chamar pelo nome, permitir o tempo de resposta, no usar clichs.

    Autenticidade

    Ser franco e honesto.

    Cuidado para no ultrapassar o papel de enfermeiro.

    Empatia

    Tendncia para sentir o que sentiria se estivesse na situao experimentada por outra pessoa.

  • Impasses teraputicos: bloqueios na progresso do relacionamento enfermeiro-cliente

    Motivos variados.

    Criam barreiras no relacionamento teraputico.

    Provocam sentimentos intensos entre enfermeiro e cliente.

    Ansiedade, frustao, mor ou raiva intensa.

    3 tipos: resistncia, transferncia e contratransferncia.

  • Resistncia

    E uma tentativa do paciente de no perceber os aspectos que geram ansiedade nele prprio.

    Relutncia natural ou uma defesa.

    Resulta da m vontade do paciente em mudar quando se reconhece a necessidade de mudana.

    Exemplo: represso de informaes pertinentes; autodepreciao e viso negativa do futuro.

    Comportamento teatral, inibio intelectual, falta ou atraso a consulta.

  • Caso:

    Jas, 28 anos, usurio de crack inicia tratamento no Caps AD, falta ao atendimento, a enfermeira entra em contato telefnico para reagendamento e o pai do cliente explica que a esposa estava doente e ele no pode levar JAS at o Caps-ad.

    A enfermeira ento pergunta ao ai se ele v algum impedimento para o paciente vir de transporte pblico, haja vista, no morarem to longe e o paciente estar perfeitamente em condies de faze-lo.

    Observa-se resistncia do paciente, que somente pode vir ao servio de sade se for trazido pelo pai.

    Observa-se ainda comportamento de coodependncia do pai.

  • Transferncia

    uma resposta inconsciente em que o paciente experimenta sentimentos e atitudes do enfermeiro que estavam originalmente associados a figuras significativas em sua vida.

    O termo refere-se a um conjunto de reaes que tentam reduzir ou aliviar a ansiedade.

    Essas reaes de transferncia s so perigosas para o processo teraputico quando permanecem ignoradas, sendo os principais tipos as reaes hostis e as dependentes.

  • Contratransferncia

    um impasse teraputico criado pelo profissional, frequentemente em resposta a uma resistncia do paciente.

    Refere-se a uma resposta emocional especfica dada pela enfermeira ao paciente, as quais no so justificadas pelos fatos reais, mas sim um conflito prvio experimentado com tpicos como autoridade, afirmao sexual e independncia.

    Ex.: dificuldade de criar empatia com o paciente em determinados aspectos do problema;

  • Transgresso dos limites

    Ocorre quando o profissional sai dos limites do relacionamento teraputico e estabelece uma relao social, comercial ou pessoal com o paciente.

    Exs.: sai com o paciente para almoar; vai a uma festa a convite dele; aceita presentes vindos do paciente.

  • Superao de impasse

    Exposio de sentimentos e emoes.

    Reconhecer os impasses.

    Enfoque objetivo.

    Rever os objetivos do relacionamento teraputico.

    Criar um pacto teraputico compatvel

  • Fases do relacionamento profissional-cliente

    Fase Pr-interao: envolve a preparao pra o encontro com o paciente, coleta de dados do pronturio e dos familiares. Avaliar pontos fortes e fracos do relacionamento teraputico.

    Fase Introdutria ou de orientao: determinar o motivo da busca de ajuda e estabelecer relao de confiana.

    Fase de trabalho: o trabalho teraputico realizado nesta fase; promover o desenvolvimento da percepo da realidade pelo paciente.

    Fase de encerramento: metas alcanadas, o paciente recebeu alta

  • Algumas tcnicas de comunicao teraputicaUsar o silncio: d tempo para o cliente parar, pensar e organizar o pensamento;

    Aceitar: comunica uma atitude de receptividade e considerao. Ex.: , eu entendo o que voc diz;

    Dar reconhecimento: reconhecer indica percepo consciente, melhor do que elogiar. Ex.: vejo que voc arrumou sua cama;

    Oferecer-se: colocar-se disponvel de modo incondicional. Ex.: vou fi car com voc um pouquinho;

    Fazer aberturas amplas: possibilita ao cliente ter iniciativa em introduzir o tema da conversa. Ex.: sobre o que voc gostaria de conversar hoje?;

    Oferecer dicas gerais: d ao paciente coragem para continuar. Ex: continue...;e depois, o que aconteceu?;

    Situar o evento no tempo ou em sequncia: esclarece a relao dos eventos com o tempo. Ex.: isso foi antes ou depois?, quando isso aconteceu?;

  • Algumas tcnicas de comunicao teraputicaFazer observaes: verbaliza o que observado ou percebido pela enfermeira. Ex.: voc parece tenso; vi que est andando muito de um lado a outro;

    Encorajar descries de percepo: pedir ao cliente para verbalizar o que est sendo percebido. Essa tcnica muito usada para pacientes que apresentam alucinaes. Ex.: essas vozes que voc ouve so boas ou so ms?; o que elas dizem?;

    Encorajar comparaes: pedir ao paciente para comparar semelhanas e diferenas entre ideias, vivncias ou relaes interpessoais. Ex.: qual foi sua resposta da ltima vez que isso ocorreu?;

    Recolocar: a ideia principal do que o cliente disse repetida. Ex.: Paciente: No posso pegar aquele emprego agora, e se eu no der conta dele?. Enfermeira: Voc tem medo de fracassar de novo?;

    Refletir: perguntas e sentimentos so enviados de volta ao cliente. Essa uma boa tcnica para ser usada quando o paciente pede conselhos para a enfermeira. Ex: Paciente: O que voc acha que devo fazer quanto ao problema da minha esposa?Enfermeira: O que voc acha que deveria fazer?;

  • Algumas tcnicas de comunicao teraputicaFocalizar: dirigir a observao para uma nica ideia ou uma mesma palavra. Ex.: talvez voc e eu possamos ver isso com mais calma;

    Explorar: aprofundar-se em um tema ou ideia. Ex.: ser que voc poderia explicar essa situao com maiores detalhes?;

    Buscar esclarecimento e validao: tentar explicar o que est vago ou incompreensvel e procurar a compreenso mtua, esclarecendo o signifi cado do que foi dito. Ex.: no estou certa de ter entendido. Voc poderia me explicar novamente ou diga-me se eu entendi o mesmo que voc...;

    Apresentar a realidade: quando o paciente tem uma percepo incorreta do ambiente, a enfermeira define a realidade ou indica-lhe sua percepo da situao. Essa tcnica muito importante para trazer o paciente para a realidade. Ex.: vejo que as vozes parecem reais para voc, mas eu no escuto voz nenhuma...;

  • Algumas tcnicas de comunicao teraputicaExpressar dvida: expressa incerteza quanto realidade das percepes do cliente. Muito usado com pacientes delirantes. Ex.:no h mais ningum na sala, a no ser voc e eu;

    Verbalizar o implcito: indica palavras que o cliente s deixou implcitas ou disse indiretamente.

    Tentar traduzir palavras em sentimentos: quando os sentimentos so expressos indiretamente, a enfermeira tenta compreender o que foi dito e encontrar indicaes para os verdadeiros sentimentos subjacentes. Ex: Paciente: Estou no meio do oceano agora. Enfermeira: Voc deve estar se sentindo muito sozinho;

    Formular um plano de ao: quando um cliente tem um plano em mente para lidar com o que considerada uma situao estressante. Ex.: o que voc poderia fazer para botar para fora sua raiva sem maiores danos? Da prxima vez que isso acontecer, o que voc pode fazer para lidar de modo mais apropriado?

  • Comunicao no teraputicaDar conselhos: dizer ao paciente o que ele deve fazer, indicando que a enfermeira sabe o que melhor. Ex.: acho que voc deveria aceitar.... O certo : o que voc acha que deveria fazer?;

    Sondar: interrogar o paciente de modo persistente, forando respostas de problemas que ele no quer discutir. Ex.: conte-me como aconteceu o seu primeiro abuso sexual?. O certo perceber a resposta e interromper quando houver sinal de mal-estar.

    Defender: tentar defender algum. Defender algum que o cliente criticou faz com que ele no tenha direito de expressar suas ideias e sentimentos. Defender no melhora os sentimentos do paciente;

    Fazer pouco dos sentimentos expressos: julgar erroneamente o grau de desconforto do paciente. Ex.: todo mundo fica por baixo s vezes, at eu me sinto assim.... O certo : voc deve estar muito preocupado ou aborrecido, diga-me o que est sentindo agora.

    Introduzir um tpico no relacionado: mudar de assunto faz a enfermeira assumir o controle da direo da discusso. Ex.: Paciente: No tenho nenhuma razo para viver. Enfermeira: Voc teve visitas nesse fim de semana? O correto permanecer aberta e livre para ouvir o cliente, aceitar tudo o que comunicado, tanto verbal como no verbalmente.

  • O processo de enfermagem em sade mental

    Ele e dinmico, continuo e consiste em seis etapas, usando-se a abordagem de resoluo de problemas.

    As etapas so: avaliao, diagnostico, identificao dos resultados, planejamento, implementao e evoluo.

  • O processo de enfermagem em sade mental

    Avaliao:

    coleta de dados para estabelecer o melhor cuidado possvel ao paciente.

    Os dados so coletados do exame do paciente, dos seus familiares e amigos e do pronturio multiprofissional.

  • Processo de enfermagem em sade mental

    Diagnstico:

    diagnsticos e problemas so postos em ordem de prioridade.

    Os diagnsticos mais utilizados e aceitos so os da North American Nursing Diagnosis Association(NANDA).

  • Processo de enfermagem em sade mental

    Identificao dos resultados:

    So derivados a partir do diagnostico, devendo ser mensurveis e estimar um tempo para serem atingidos.

    Devem ser realistas quanto as capacidades do cliente e so mais eficazes quando formulados juntamente ao cliente, a famlia e a equipe interdisciplinar.

  • Processo de enfermagem em sade mental

    Planejamento:

    a enfermeira elabora um plano de cuidados com as prescries das intervenes para atingir os resultados esperados.

    O plano deve ser individualizado em relao a problemas, condio ou necessidades do paciente.

    Para cada diagnostico so selecionadas as intervenes mais apropriadas, juntamente com as instrues ao paciente e os encaminhamentos necessarios.

  • Processo de enfermagem em sade mental

    Implementao:

    costume utilizar grande variedade de intervenes, que visam prevenir doenas mentais e fsicas e restaurar as sades mental e fsica.

    O plano de cuidados serve como uma planta baixa para a realizao de intervenes seguras, ticas e apropriadas.

  • Referncias

    Lippincott Willians & Wilkins. Enfermagem Psiquitrica. I. Ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2005. 510 p.(Reviso tcnica de Mrcia Tereza Luz Lisboa. Srie Incrivelmente fcil).

    Oliveira Alice G. Bottaro de, Alessi Neiry Primo. O trabalho de enfermagem em sade mental: contradies e potencialidades atuais. Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2003; 11( 3 ): 333-340.

    Sarat. CNF et al., Enfermagem. Anhanguera Publicaes. Valinhos-SP, 2010.