Estratgias para a Segurana do Paciente - Manual para Profissionais da Sade

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Estratgias para a Segurana do Paciente - Manual para Profissionais da Sade

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  • 1. Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente REBRAENSP/Polo RS RedeBrasileiradeEnfermagemeSeguranadoPaciente REBRAENSP/PoloRS ESTRATGIAS PARA A SEGURANA DO PACIENTE ESTRATGIASPARAASEGURANADOPACIENTE ManualparaProfissionaisdaSade Manual para Profissionais da Sade Osautoresdomanualso enfermeirosqueintegram,de forma voluntria, a Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente no Rio Grande do Sul (REBRAENSP/Polo RS). Atuam em instituies de ensino, assistncia ou pesquisa em vrias cidades do Estado e contribuem de forma efetiva para o desenvolvimento da cultura de segurana do paciente em nosso pas. Este manual compreende 12 es- tratgias que visam preveno de danos e promoo da cultura de segurana do paciente. As estratgias foram selecionadas a partir dos de- safios globais formulados pelaAliana Mundial para a Segurana do Pacien- te e do julgamento dos integrantes dos Ncleos da REBRAENSP/Polo RS, com base na sua extensa e s- lida experincia em diversos tipos de servios de ateno sade e na formao de profissionais. A Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente (REBRAENSP) uma estratgia de vinculao,cooperao e sinergia entre pessoas,instituies,organizaes e programas interessados no desenvolvimento dos cuidados de sade,gesto,pesquisa,informao e educao inicial e permanente da enfermagem, com a finalidade de contribuir para a promoo e a proteo da sade humana e a melhoria constante da qualidade dos servios, assim como de promover o acesso universal e equitativo sade no Brasil. A REBRAENSP se baseia na convico de que o trabalho em redes supe solidariedade,confiana e respeito pelos conhecimentos interculturais e experincias;de que a excelncia e a responsabilidade na participao so imperativos ticos; de que o cuidado humano essencial para a vida plena dos indivduos e das sociedades; e de que a contribuio dos enfermeiros imprescindvel para o desenvolvimento sustentvel das naes. Acordo Bsico de Constituio da REBRAENSP, So Paulo, 14 de maio de 2008. ISBN 978-85-397-0355-5 CAPA_ESTRATGIAS.indd All Pages 24/09/2013 17:40:12
  • 2. ESTRATGIAS PARA A SEGURANA DO PACIENTE Manual para Profissionais da Sade FOLHA_DE_ROSTO.indd 1 24/09/2013 16:07:53
  • 3. FOLH
  • 4. Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente REBRAENSP Polo RS ESTRATGIAS PARA A SEGURANA DO PACIENTE Manual para Profissionais da Sade FOLHA_DE_ROSTO.indd 2 24/09/2013 16:07:54
  • 5. 2013, EDIPUCRS, Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP) Ficha Catalogrfica elaborada pelo Setor de Tratamento da Informao da BC-PUCRS. TODOS OS DIREITOS RESERVADOS. Proibida a reproduo total ou parcial, por qualquer meio ou processo, especialmente por sistemas grficos, microflmicos, fotogrficos, reprogrficos, fonogrficos, videogrficos. Vedada a memorizao e/ou a recuperao total ou parcial, bem como a incluso de qualquer parte desta obra em qualquer sistema de processamento de dados. Essas proibies aplicam-se tambm s caractersticas grficas da obra e sua editorao. A violao dos direitos autorais punvel como crime (art. 184 e pargrafos, do Cdigo Penal), com pena de priso e multa, conjuntamente com busca e apreenso e indenizaes diversas (arts. 101 a 110 da Lei 9.610, de 19.02.1998, Lei dos Direitos Autorais). EDIPUCRS Editora Universitria da PUCRS Av. Ipiranga, 6681 Prdio 33 Caixa Postal 1429 CEP 90619-900 Porto Alegre RS Brasil Fone/fax: (51) 3320 3711 E-mail: edipucrs@pucrs.br www.pucrs.br/edipucrs R314e Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente Estratgias para a segurana do paciente : manual para profissionais da sade / Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente. Porto Alegre : EDIPUCRS, 2013. 132 p. ISBN 978-85-397-0355-5 1. Sade. 2. Segurana do paciente. 3. Assistncia em Sade. I. Ttulo. CDD 610.696 Capa Shaiani Duarte DIAGRAMAO Jorge Meura Reviso Textual Patrcia Arago impresso e acabamento Edio revisada segundo o novo Acordo Ortogrfico da Lngua Portuguesa.
  • 6. v REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente REBRAENSP Polo RS Organizao e Reviso Final Janete de Souza Urbanetto Integrante da Equipe de Coordenao da REBRAENSP Nacional. Coordenadora da REBRAENSP Polo RS. Professora-Doutora do Curso de Enfermagem da Faculdade de Enfermagem, Nutrio e Fi- sioterapia (FAENFI) da Pontifcia Universidade Catlica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Luiza Maria Gerhardt Integrante do Ncleo de Porto Alegre REBRAENSP/Polo RS. Professora-Doutora do Curso de Enfermagem da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Reviso Tcnica Olga Rosaria Eidt Professora-Doutora do Curso de Enfermagem da Faculdade de Enfermagem, Nutrio e Fi- sioterapia (FAENFI) da Pontifcia Universidade Catlica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
  • 7. vi REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Colaboradores REBRAENSP Polo RS/ Ncleo de Santa Maria Anamarta Sbeghen Cervo Enfermeira Hospital Universitrio de Santa Maria (HUSM) Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Bruna Pereira Chagas Acadmica Graduao em Enfermagem Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Carmen Rosa Enfermeira Hospital Casa de Sade Caroline Zottele Enfermeira Hospital Casa de Sade Cristiana Schuck Enfermeira Hospital Casa de Sade Eveline do Amaral Antonello Enfermeira Hospital Geral da UNIMED de Santa Maria Fernanda Stock da Silva Enfermeira Hospital Geral da UNIMED de Santa Maria Coordenadora do Ncleo Santa Maria REBRAENSP/Polo RS Fabiana Tedesco Schirmer Corra Enfermeira Hospital So Francisco de Assis Flaviana Stock Rodrigues Enfermeira Clnica SEFAS Associao Franciscana de Assistncia Sade Gisele Flores Heringer Enfermeira Helena Carolina Noal Enfermeira Professora do Curso de Enfermagem Faculdades Integradas de Santa Maria (FISMA) Jnifer da Silva Mello Rossi Enfermeira Hospital Casa de Sade Karla Cristiane Oliveira Bertolini Enfermeira Professora do Curso de Enfermagem Centro Universitrio Franciscano (UNIFRA) Luciana Tronco Chielle Enfermeira Hospital Universitrio de Santa Maria (HUSM) Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Marcia da Silva Bevilaqua Enfermeira Hospital So Francisco de Assis Mara Glarete Rodrigues Marinho Enfermeira Professora do Curso de Enfermagem Centro Universitrio Franciscano (UNIFRA)
  • 8. vii REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Mari Angela Meneghetti Baratto Enfermeira Hospital Universitrio de Santa Maria (HUSM) Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Niura Cimara Ferreira dos Santos Tcnica de Enfermagem Hospital Universitrio de Santa Maria (HUSM) Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Noeli Terezinha Landerdahl Enfermeira Hospital Universitrio de Santa Maria (HUSM) Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Roberta Dalenogari Rodrigues Enfermeira Hospital de CaridadeAstrogildo de Azevedo Renata Teresinha da Rosa Enfermeira Unidade de ProntoAtendimento (UPA) Sandra Mrcia Soares Schmidt Enfermeira Professora do Curso de Enfermagem Faculdades Integradas de Santa Maria (FISMA) Tnia Solange Bosi de Souza Magnago Enfermeira Professora do Curso de Enfermagem Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Thiana Sebben Pasa Enfermeira Aluna Ps-Graduao de Enfermagem Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Vagner Costa Pereira Enfermeiro Unidade de ProntoAtendimento (UPA) REBRAENSP Polo RS/ Ncleo de Porto Alegre Adriana Ferreira da Rosa Enfermeira Hospital Divina Providncia Ana Cristina Anzolin Bordin Enfermeira Hospital So Lucas Pontifcia Universidade Catlica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Ana Maria Mller de Magalhes Enfermeira Professora do Curso de Enfermagem Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)/Hospital de Clnicas de Porto Alegre (HCPA) Ana Paula Vanz Enfermeira Instituto de Cardiologia/ Fundao Universitria de Cardiologia (IC/ FUC) Anaeli Brandelli Peruzzo Enfermeira Hospital Nossa Senhora da Conceio Grupo Hospitalar Conceio (GHC)
  • 9. viii REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Angela Maria de Oliveira da Silva Enfermeira Hospital da Criana Conceio Grupo Hospitalar Conceio (GHC) Cassiana Gil Prates Enfermeira Hospital Ernesto Dornelles Christian Negeliskii Enfermeiro Hospital Nossa Senhora da Conceio Grupo Hospitalar Conceio (GHC) Professor do Curso de Enfermagem da FEEVALE Cynthia C. Majewski Enfermeira Professora da Factum Escola Tcnica e Superior Daniela Tenroller de Oliveira Enfermeira Hospital Moinhos de Vento Dbora Rosilei M. de Freitas Cunha Enfermeira Hospital Me de Deus Emiliana dos Santos Costa Enfermeira Hospital Ernesto Dornelles Eva Jaqueline da Silva Cardoso Enfermeira Hospital da Criana Santo Antnio Irmandade da Santa Casa de Misericrdia de Porto Alegre (ISCMPA) FernandadeMenezesGuimares Enfermeira Hospital Me de Deus Gisela Maria Schebela Souto de Moura Enfermeira Professora do Curso de Enfermagem Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Hospital de Clnicas de Porto Alegre (HCPA) Grabriela Manito Guzzo Enfermeira Hospital da Criana Conceio Grupo Hospitalar Conceio (GHC) Graciela Wendt Barbosa Enfermeira Hospital Moinhos de Vento Graziella Gasparotto Baiocco Enfermeira Hospital Nossa Senhora da Conceio Grupo Hospitalar Conceio (GHC) Heloisa Helena Karnas Hoefel Enfermeira Professora do Curso de Enfermagem Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Hospital de Clnicas de Porto Alegre (HCPA) Isis Marques Severo Enfermeira Hospital de Clnicas de Porto Alegre (HCPA) Isonia Timm Muller Enfermeira Hospital Moinhos de Vento Coordenadora do Ncleo de Porto Alegre REBRAENSP/Polo RS
  • 10. ix REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Janice Teresinha Kunrath Brustolin Enfermeira Hospital Moinhos de Vento Janete de Souza Urbanetto Enfermeira Professora do Curso de Enfermagem Faculdade de Enfermagem, Nutrio e Fisioterapia (FAENFI) Pontifcia Universidade Catlica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Coordenadora da REBRAENSP Polo RS Jaqueline Eilert Fagundes Enfermeira Instituto de Cardiologia da Fundao Universitria de Cardiologia (IC FUC) Juliane Cabral Enfermeira Hospital da Criana Santo Antnio Grupo Hospitalar Conceio (GHC) Louise Viecili Hoffmeister Enfermeira Hospital Divina Providncia Lovani Lohmann Enfermeira Hospital Nossa Senhora Conceio Grupo Hospitalar Conceio (GHC) Luciana Galo Enfermeira Hospital Santa Rita Irmandade da Santa Casa de Misericrdia de Porto Alegre (ISCMPA) Luiza Maria Gerhardt Enfermeira Professora do Curso de Enfermagem Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Maria Cristina Lore Schilling Enfermeira Curso de Enfermagem da Faculdade de Enfermagem, Nutrio e Fisioterapia (FAENFI) Pontifcia Universidade Catlica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Maria Ins Marques Voigt Enfermeira Hospital Materno Infantil Presidente Vargas Marilene Bock Enfermeira Hospital Divina Providncia Michele Santos Malta Enfermeira Hospital Me de Deus Paula Kullmann dos Passos Enfermeira Irmandade da Santa Casa de Misericrdia de Porto Alegre (ISCMPA)
  • 11. x REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Renata Pereira Silva Enfermeira Hospital Moinhos de Vento Rita B. Timmers Townsend Enfermeira Instituto de Cardiologia da Fundao Universitria de Cardiologia (IC/ FUC) Rosana Spolidoro da Silva Lopez Ramos Enfermeira Hospital Dom Vicente Scherer Irmandade da Santa Casa de Misericrdia de Porto Alegre (ISCMPA) Semia de Oliveira Corral Enfermeira Irmandade da Santa Casa de Misericrdia de Porto Alegre (ISCMPA) Silvia Goldmeier Enfermeira Instituto de Cardiologia da Fundao Universitria de Cardiologia (IC/ FUC) Simone Pasin Enfermeira Hospital de Clnicas de Porto Alegre (HCPA) Taiana Kessller Gomes Saraiva Enfermeira Hospital Moinhos de Vento Terezinha Valduga Enfermeira Associao Brasileira de Enfermagem RS Vnia Rohsig Enfermeira Hospital Moinhos de Vento Wiliam Wegner Enfermeiro Professor do Curso de Enfermagem Universidade Federal de Cincias da Sade de PortoAlegre (UFCSPA) Centro Universitrio Metodista (IPA) REBRAENSP Polo RS/Ncleo da Regio dos Vales Andreza Maria Schuster Enfermeira Hospital Santa Cruz Aracli Bernhard Enfermeira Hospital Santa Cruz Catia Barcelos Enfermeira Hospital Caridade e Beneficncia de Cachoeira do Sul Dagmar Herberts Enfermeira Hospital de Pronto Socorro (HPS) de Canoas Eliane Carlosso Krummenauer Enfermeira Hospital Santa Cruz Gilciane Bolzan Wansing Enfermeira Hospital Santa Cruz
  • 12. xi REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Janine Koepp Enfermeira Professora do Curso de Enfermagem Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC) Coordenadora do Ncleo da Regio dos Vales REBRAENSP/Polo RS Miriam Giehl Borges Enfermeira Hospital Santa Cruz Rodrigo DAvila Lauer Enfermeiro Hospital Ana Nery REBRAENSP Polo RS/Ncleo de Passo Fundo Liege Dutra Enfermeira Hospital So Vicente de Paulo Coordenadora do Ncleo de Passo Fundo REBRAENSP/Polo RS REBRAENSP Polo RS/Ncleo da Regio do Vale do Paranhana Alessandra Soares Santos Enfermeira Hospital Bom Jesus, Sistema Me de Deus, Taquara Clarissa Fonseca Volbrath Possmaser Enfermeira Hospital Bom Jesus, Sistema Me de Deus, Taquara Claudia Capellari Enfermeira Professora do Curso de Enfermagem Faculdades Integradas de Taquara (FACCAT) Coordenadora do Ncleo Regio do Vale do Paranhana REBRAENSP/Polo RS Emanuela Ramos Enfermeira Hospital Bom Jesus, Sistema Me de Deus, Taquara Gabriele Cristine Schonardie Gonalves Enfermeira Secretaria Municipal de Sade de Rolante Leila Schmidt Acadmica Enfermagem Faculdades Integradas de Taquara (FACCAT) Lucineia da Silva Cardias Enfermeira Centro Nefrolgico de Taquara Rosangela de Quadro Moura Enfermeira Hospital de Rolante Vilma Fioravante Santos Enfermeira Professora do Curso de Enfermagem Faculdades Integradas de Taquara (FACCAT)
  • 13. xiii REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS LISTA DE ILUSTRAES Figura 1 Passos da higienizao simples/antissptica das mos...............................19 Figura 2 Passos da frico antissptica das mos......................................................20 Figura 3 Os cinco momentos para higienizao das mos........................................21 Quadro 1 Morse Fall Scale............................................................................................42 Quadro 2 Fatores de risco para lceras por presso (UPs).......................................46 Quadro 3 Escala de Braden para adultos...................................................................50 Quadro 4 Objetivos da Campanha Cirurgia Segura Salva Vidas............................74 Quadro 5 Trs momentos de verificao: SIGN IN, TIME OUT e SIGN OUT...........75
  • 14. xiv REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ANVISA Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria CDC Centers for Disease Control and Prevention ISMP Instituto para Prticas Seguras no Uso de Medica- mentos (Institute for Safe Medication Practices) JCI Joint Commission Internacional OMS Organizao Mundial da Sade PICC cateter central de insero perifrica PNSP Programa Nacional de Segurana do Paciente PROFAPS Programa de Formao de Profissionais de N- vel Mdio para a Sade PROQUALIS Centro Colaborador para a Qualidade do Cuidado e a Segurana do Paciente PR-SADE Programa Nacional de Reorientao da Formao Profissional em Sade REBRAENSP Rede Brasileira de Enfermagem e Seguran- a do Paciente SBAR tcnica ou metodologia SBAR (situao, backgrou- nd, avaliao e recomendao) SNH Sistema Nacional de Hemovigilncia UP lcera por presso
  • 15. xv REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS SUMRIO REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE........1 APRESENTAO......................................................................................................5 INTRODUO...........................................................................................................7 ESTRATGIAS PARA SEGURANA DO PACIENTE..........................................15 ESTRATGIA 1: HIGIENIZAO DAS MOS....................................................17 ESTRATGIA 2: IDENTIFICAO DO PACIENTE.............................................26 ESTRATGIA 3: COMUNICAO EFETIVA.......................................................31 ESTRATGIA 4: PREVENO DE QUEDA.........................................................38 ESTRATGIA 5: PREVENO DE LCERA POR PRESSO............................45 ESTRATGIA 6: ADMINISTRAO SEGURA DE MEDICAMENTOS.............53 ESTRATGIA 7: USO SEGURO DE DISPOSITIVOS INTRAVENOSOS............64 ESTRATGIA 8: PROCEDIMENTOS CIRRGICOS SEGUROS........................74 ESTRATGIA 9: ADMINISTRAO SEGURA DE SANGUE E HEMOCOMPONENTES.......................................................................................79 ESTRATGIA 10: UTILIZAO SEGURA DE EQUIPAMENTOS.....................88 ESTRATGIA 11: PACIENTES PARCEIROS NA SUA SEGURANA................92 ESTRATGIA 12: FORMAO DE PROFISSIONAIS DA SADE PARA O CUIDADO SEGURO............................................................................................99 CONSIDERAES FINAIS.................................................................................. 111
  • 16. 1 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE A ideia da Rede Brasileira de Enfermagem e Segu- rana do Paciente surgiu da criao da Rede Internacional de Enfermagem e Segurana do Paciente, em novembro de 2005, em Concepcin, no Chile, a partir de reunies promo- vidas pelo Programa de Enfermagem da Unidade dos Recur- sos Humanos para a Sade da Organizao Pan-Americana da Sade. Nessas reunies foram analisadas as tendncias e as prioridades no desenvolvimento da enfermagem na rea de Enfermagem e Segurana do Paciente, foram discutidas as prioridades de cooperao tcnica e de intercmbio de informaes e as necessidades de estudos que fortaleam o cuidado de enfermagem, a sua gesto, investigao, informa- o e educao inicial e na rea da Enfermagem e Segurana do Paciente1:2 . A Rede foi formalmente constituda no dia 14 de maio de 2008, em So Paulo, como meio de potencializar o conhecimento e esforos entre atores comprometidos com o desenvolvimento permanente desta rea no Brasil. A Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente (RE- BRAENSP) a estratgia de vinculao, cooperao e si- nergia entre pessoas, instituies, organizaes e programas interessados no desenvolvimento dos cuidados de sade, gesto, pesquisa e informao, e educao inicial e perma- nente da Enfermagem, com a finalidade de contribuir para a promoo e proteo da sade humana, melhoria permanen- te da qualidade dos servios e promover o acesso universal e equitativo dos cuidados de sade no Brasil1 . So objetivos da REBRAENSP: compartilhar infor- maes e conhecimentos relacionados rea de Enfermagem
  • 17. 2 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS e Segurana dos Pacientes; promover a articulao entre os membros, para ampliar e fortalecer as suas atividades de cui- dado, ensino, pesquisa e cooperao tcnica; compartilhar metodologias e recursos tecnolgicos destinados s ativida- des de cuidado, gesto, educao, investigao, informao e cooperao tcnica relacionada enfermagem e segurana do paciente; e promover o acesso equitativo e universal s fontes de informao tcnico-cientficas e referenciais em matria de enfermagem e segurana do paciente, entre ou- tros1 . Em todo o Brasil, a REBRAENSP organiza-se em Polos (geralmente estaduais) e Ncleos (em regies ou ci- dades de cada estado), que atuam de forma a implementar e desenvolver os objetivos firmados com a Rede Nacional. No Rio Grande do Sul, a REBRAENSP foi estruturada em 11 de setembro de 2008, em reunio na Pontifcia Univer- sidade Catlica do Rio Grande do Sul, com a participao de 49 enfermeiros, representando 13 microrregies de sade do Estado, sendo ento denominada de Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente Polo Rio Grande do Sul (REBRAENSP Polo RS). Atualmente a REBRAENSP Polo RS possui cinco Ncleos (Ncleo de Porto Alegre, Ncleo de Passo Fundo, Ncleo da Regio dos Vales, Ncleo da Regio do Paranhana e Ncleo de Santa Maria) e 85 pro- fissionais de enfermagem integrantes. A logomarca da REBRAENSP (abaixo) representa a unio das regies do pas em torno da defesa pela segurana do paciente.
  • 18. 3 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS REFERNCIA 1 REBRAENSP. Acordos Bsicos de Cooperao na Rede Bra- sileira de Enfermagem e Segurana do Paciente. So Paulo, SP: Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente; 2009. 4 f. Digitado.
  • 19. 5 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS APRESENTAO Com a publicao de Estratgias para a Segurana do Paciente: Manual para Profissionais da Sade, o objetivo da Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Pacien- te REBRAENSP Polo RS oferecer aos profissionais e servios de ateno sade informaes teis, baseadas em evidncias e atualizadas, que sejam aplicveis e exequveis na rotina diria e que subsidiem o cuidado seguro a todos os pacientes. O Manual compreende 12 estratgias que visam preveno de danos e promoo da segurana do paciente. As estratgias foram selecionadas a partir dos desafios glo- bais formulados pela Aliana Mundial para a Segurana do Paciente Uma Assistncia Limpa Uma Assistncia Mais Segura e Cirurgias Seguras Salvam Vidas, respectivamente em 2005-2006 e 2007-2008. A escolha resultou, tambm, do julgamento dos integrantes dos Ncleos da REBRAENSP Polo RS, com base na sua extensa e slida experincia pro- fissional em diversos tipos de servios de ateno sade e na formao de profissionais. As estratgias que compem o Manual so as se- guintes: Higienizao das Mos; Identificao do Paciente; Comunicao Efetiva; Preveno de Queda; Preveno de lcera por Presso; Administrao Segura de Medicamen- tos; Uso Seguro de Dispositivos Intravenosos; Procedimen- tos Cirrgicos Seguros; Administrao Segura de Sangue e Hemocomponentes; Utilizao Segura de Equipamentos; Pacientes Parceiros na sua Segurana; e Formao de Profis- sionais da Sade para a Segurana do Paciente. Cada estratgia est estruturada em trs sees e complementada pelas referncias. A seo inicial, Aspec- tos Relevantes, traz informaes bsicas sobre o tema e sua
  • 20. 6 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS contextualizao na Segurana do Paciente. Na seo de Re- comendaes, apresentam-se aes de preveno de danos e promoo da segurana reconhecidamente eficazes; e, na ltima, Lembre, acrescentam-se informaes que servem de suporte ou so requisitos para o sucesso das aes recomen- dadas. Quanto s referncias utilizadas nas sees, impor- tante informar que se buscou fundamentar o Manual no po- sicionamento e nas recomendaes de instituies e autores nacionais e internacionais com reconhecida credibilidade na rea da Segurana do Paciente, como a Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (ANVISA), Organizao Mundial da Sade (OMS), Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e Joint Commission Internacional (JCI), entre outras. O Manual ainda oferece aos leitores a oportunidade de conhecer a histria da formao, bem como o modo de trabalho da Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente, alinhada com o movimento mundial iniciado pela Organizao Mundial da Sade, em 2004, com o lanamento da Aliana Mundial para a Segurana do Paciente. AAliana conclama no s profissionais e servios de ateno sade, mas tambm os pases e seus governos a darem ateno ao tema e desenvolverem iniciativas para a segurana do pa- ciente. Tanto o Manual como um todo quanto as estratgias em particular no tm a pretenso de serem exaustivos, mas de serem uma fonte de consulta confivel e rpida para pro- fissionais e servios de ateno sade. um documento que se soma a outros j existentes no Brasil, ampliando os recursos disponveis para subsidiar a construo da cultura de segurana na ateno sade. REBRAENSP Polo RS
  • 21. 7 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS INTRODUO Na ateno sade, a segurana um princpio bsi- co e um requisito para a qualidade do cuidado1 . A seguran- a do paciente definida como a reduo do risco de danos desnecessrios associados ateno sade, at um mnimo aceitvel2 , pois, considerando-se a complexidade de procedi- mentos e tratamentos, o potencial para o dano real. O cuidado seguro resulta tanto de aes corretas dos profissionais de sade, como de processos e sistemas ade- quados nas instituies e servios, assim como de polticas governamentais regulatrias, exigindo um esforo coordena- do e permanente. A preocupao com a segurana j se mos- tra implcita no modelo brasileiro de ateno sade, que pautado na defesa da vida3:9 . Em toda a Rede de Ateno Sade, que se configura como um conjunto de aes e servios, com densidades tec- nolgicas distintas e focados na integralidade e qualidade do cuidado3 , a segurana deve ser valorizada como um direito do paciente e um compromisso tico do profissional de sa- de. Assim, os mltiplos pontos de ateno sade como, por exemplo, domiclios, unidades bsicas de sade, servios de hemoterapia e hematologia, centros de apoio psicossocial e hospitais3 devem proporcionar cuidados e servios segu- ros populao atendida. No entanto, a ampla variedade e os diferentes nveis de complexidade das aes e servios da Rede de Ateno Sade apresentam caractersticas e necessidades especfi- cas quanto segurana do paciente. O hospital ainda est no centro das atenes de profissionais e instituies de sade, rgos governamentais e pesquisadores. A ateno primria, por sua vez, tem especificidades quanto segurana do cui- dado que precisam ser identificadas e adequadamente abor-
  • 22. 8 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS dadas4 . Desse modo, ser possvel melhorar suas estruturas, modelos e mtodos e oferecer cuidados mais seguros5 . Estudo realizado no Canad revelou dois grandes te- mas da segurana na ateno primria: as falhas ou demoras nos diagnsticos e o manejo de medicamentos. Tais temas estavam estreitamente relacionados a trs aspectos caracte- rsticos da ateno primria, descritos como comunicao, processos administrativos e conhecimento e habilidades dos profissionais5 . A ateno bsica se constitui como o principal ponto de acesso ao Sistema nico de Sade brasileiro e deve coor- denar a comunicao com toda a Rede de Ateno Sade6 . Um sistema de ateno sade bem planejado, que consi- dera que o ser humano pode errar, se antecipa na identifica- o de riscos antes que atinjam o paciente e causem danos5 . Muito do que j se conhece e faz pela segurana do paciente no meio hospitalar pode ser aproveitado na ateno bsica, mas suas caractersticas e necessidades peculiares devem ser contempladas para que se possa oferecer o cuidado seguro em toda a Rede de Ateno Sade. Para que o cuidado seja seguro, tambm necessrio construir uma cultura de segurana do paciente, em que pro- fissionais e servios compartilhem prticas, valores, atitudes e comportamentos de reduo do dano e promoo do cui- dado seguro. preciso que medidas de segurana sejam sis- tematicamente inseridas em todos os processos de cuidado7 . O conceito de cultura de segurana tem sua origem em outras reas, como aviao e energia nuclear, nas quais o trabalho se caracteriza pela complexidade e pelo risco. Na rea da sade, um conceito ainda em construo, mas al- guns de seus aspectos bsicos j esto identificados8 : reconhecimento da natureza de alto risco das atividades da organizao e a determinao de alcanar consistentemente
  • 23. 9 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS operaes seguras; um ambiente livre de culpabilizao, no qual os indivduos so capazes de relatar erros que resultaram em incidente com dano ao paciente, bem como erros que tinham o potencial para causar dano ao paciente (erros que no ocorreram por acaso ou porque foram interceptados intencionalmente), sem medo de repreenso ou punio; incentivo colaborao entre profissionais e reas do conhecimento para buscar solues para problemas de segurana do paciente; comprometimento organizacional de recursos para lidar com questes de segurana. A segurana do paciente tornou-se um movimento mundial, exigindo o estabelecimento de uma linguagem co- mum, acordada internacionalmente, e que contribua para o processo de comunicao efetiva em sade. Com o intuito de padronizar as terminologias, foi realizado um grande estudo, publicado em 2009, denominado International Classifica- tion for Patient Safety9 . Entre os 48 conceitos-chave e termos principais, destacam-se os listados a seguir, traduzidos pelo Centro Colaborador para a Qualidade do Cuidado e a Segu- rana do Paciente PROQUALIS10 . Paciente a pessoa que recebe cuidado de sade, sendo este definido como servios recebidos por indivduos ou comunidades para promover, manter, monitorar ou res- taurar a sade. Os pacientes so referidos como pacientes, preferencialmente a consumidores ou clientes. Segurana a reduo, a um mnimo aceitvel, de risco de dano desnecessrio. Segurana do Paciente a reduo, a um mnimo aceitvel, do risco de dano desnecessrio associado ao cuida- do de sade. Incidente de Segurana do Paciente (incidente) o evento ou circunstncia que poderia ter resultado, ou resul- tou, em dano desnecessrio ao paciente.
  • 24. 10 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Incidente sem dano um evento que atingiu o pa- ciente, mas no causou dano discernvel. Incidente com dano (evento adverso) um inci- dente que resulta em dano ao paciente. Dano associado ao cuidado de sade o dano sur- gido por ou associado a planos ou aes realizadas durante o cuidado de sade ao invs de a uma doena de base ou leso. Near miss o incidente que no atingiu o paciente. Erro definido como uma falha em executar um plano de ao como pretendido ou aplicao de um plano in- correto. Pode ocorrer por fazer a coisa errada (erro de ao) ou por falhar em fazer a coisa certa (erro de omisso) na fase de planejamento ou na fase de execuo. Resultado para o paciente* o impacto em um pa- ciente que total ou parcialmente atribuvel a um incidente: Leso: dano para os tecidos causado por um agente ou um evento. Sofrimento: experincia de algo subjetivamente de- sagradvel. Inclui dor, mal-estar, nusea, vmito, depres- so, agitao, medo e aflio. Incapacidade: qualquer tipo de limitao relacionada estrutura ou funo do corpo, limitao de atividade e/ ou restrio de participao na sociedade, associado a um dano passado ou presente. A Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente Polo RS (REBRAENSP Polo RS) oferece este * Diferentemente do PROQUALIS, optou-se por traduzir o termo Patient Outco- me como resultado para o paciente e no como resultado do cuidado. todo e qualquer indivduo que de forma voluntria ou remunerada permanece junto do paciente por um perodo de tempo consecutivo e sistemtico, proporcionando companhia, suporte emocional e que, eventualmente, realiza cuidados em prol do paciente mediante orientao ou superviso da equipe de sade12:12 .
  • 25. 11 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Manual aos profissionais da sade em momento particular- mente significativo para a Sade no Brasil o lanamento do Programa Nacional de Segurana do Paciente (PNSP). Institudo pelo Ministrio da Sade, por meio da Portaria n 529, de 1 de abril de 2013, o PNSP, visa contribuir para a qualificao do cuidado em sade em todos os estabeleci- mentos de sade do territrio nacional11:43 . Os objetivos do PNSP, definidos no Artigo 3, reve- lam que a perspectiva sistmica e processual est caracteri- zando o esforo nacional pela segurana do paciente11:43 : I promover e apoiar a implementao de iniciativas voltadas segurana do paciente em diferentes reas da ateno, organizao e gesto de servios de sade, por meio da implantao da gesto de risco e de Ncleos de Segurana do Paciente nos estabelecimentos de sade; II envolver os pacientes e familiares nas aes de segurana do paciente; III ampliar o acesso da sociedade s informaes relativas segurana do paciente; IV produzir, sistematizar e difundir conhecimentos sobre segurana do paciente; e V fomentar a incluso do tema segurana do paciente no ensino tcnico e de graduao e ps-graduao na rea da sade. Neste Manual, o familiar e/ou o cuidador so desig- nados pelo termo acompanhante, definido como REFERNCIAS 1 WHO. Fifty-fifth World Health Assembly. A55/13. Quality of care: patient safety. Geneva: WHO; 2002 [acesso em 2013 Mar 10]. Disponvel em: http://www.who.int/patientsafety/about/wha_ resolution/en/index.html
  • 26. 12 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS 2 WHO. Marco conceptual de la clasificacin internacional para la seguridad del paciente. Versin 1.1. Informe tcnico definitivo. Geneva: WHO; 2009 [acesso em 2013 Mar 5]. Disponvel em: www.who.int/.../icps/icps_full_report_es.pdf 3 Ministrio da Sade (BR). Portaria n 4.279, de 30 de dezembro de 2010. Estabelece diretrizes para a organizao da Rede deAten- o Sade no mbito do Sistema nico de Sade (SUS). Bras- lia; 2010 [acesso em 2013 Maio 5]. Disponvel em: http://bvsms. saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2010/prt4279_30_12_2010.html 4 Brasil. Conselho Nacional de Secretrios de Sade - CONASS. Ateno primria e promoo da sade. Braslia: CONASS; 2011 [acesso em 2013 Maio 19]. Disponvel em: www.conass.org.br/ colecao2011/livro_3.pdf 5 Kingston-Riechers J, Ospina M, Jonsson E, Childs P, McLeod L, Maxted J. Patient Safety In Primary Care. Edmonton, Alber- ta (CA): Canadian Patient Safety Institute and BC Patient Safety & Quality Council; 2010 [acesso em 2013 Maio 19]. Disponvel em: http://www.patientsafetyinstitute.ca/English/toolsResources/ patientSafetyPublications/Pages/default.aspx 6 Brasil, Ministrio da Sade, Secretaria de Ateno Sade, De- partamento de Ateno Bsica. Poltica Nacional de Ateno B- sica. Braslia: Ministrio da Sade; 2012 [acesso em 2013 Maio 19]. Disponvel em: 189.28.128.100/dab/docs/publicacoes/geral/ pnab.pdf 7 Kohn LT, Corrigan JM, Donaldson MS, editors. To err is human: building a safer health system. Washington, DC (US): National Academy Press; 2000. 8 Agency for Healthcare Research and Quality AHRQ (US). Sa- fety culture. Rockville, MD; [data desconhecida] [acesso em 2013 Mar 5]. Disponvel em: http://psnet.ahrq.gov/primer.aspx?prime- rID=5
  • 27. 13 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS 9 Runciman W, Hibbert P, Thomson R, Schaaf TVD, Sherman H, Lewalle P. Towards an international classification for patient safety: key concepts and terms. Int J Qual Health Care. 2009 February;21(1):1826. Disponvel em: http://www.health.fgov. be/internet2Prd/groups/public/@public/@dg1/@acutecare/do- cuments/ie2divers/16534534.pdf 10 Centro Colaborador para a Qualidade do Cuidado e a Seguran- a do Paciente (PROQUALIS) (BR), Instituto de Comunicao e Informao Cientfica e Tecnolgica em Sade (Icict), Fundao Oswaldo Cruz (Fiocruz). Taxonomia - Classificao Internacional para a Segurana do Paciente (ICPS) [slide]. Rio de Janeiro, RJ: PROQUALIS; 2010 [acesso em 2013 Mar 18]. Disponvel em: http://pesquisa.proqualis.net/index.php?detail=1&q=taxonomi- a&sort=creation_date+desc&bvs_logo=&bvs_link=&banner_ image=&banner_text=&home_text=&home_url=&css=&disp- lay_banner=&addfilter=id:000000656 11 Ministrio da Sade (BR). Portaria n 529, de 1 de abril de 2013. Institui o Programa Nacional de Segurana do Paciente (PNSP). Dirio Oficial da Unio 02 abr 2013 [acesso em 2013 Maio 5]; Seo 1,(62):43. Disponvel em: http://www.in.gov.br/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=43&- data=02/04/2013 12 Prochnow AG, Santos JLG, Pradebon VM, Schimith MD.Aco- lhimento no mbito hospitalar: perspectivas dos acompanhantes de pacientes hospitalizados. Rev Gacha Enferm. 2009;30(1):11-8.
  • 28. ESTRATGIAS PARA SEGURANA DO PACIENTE
  • 29. 17 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS ESTRATGIA 1: HIGIENIZAO DAS MOS ASPECTOS RELEVANTES A higienizao das mos , com certeza, uma das prticas de maior relevncia no cuidado sade das pessoas. Estudos realizados em todo o mundo tm mostrado a asso- ciao das infeces adquiridas no ambiente hospitalar pr- tica inadequada de higienizao das mos. Estima-se que 1,7 milho de infeces esteja associado ao cuidado em sade e, deste, 100.000 mortes associadas a infeces1 . Esses dados e a comprovao de que o paciente adquiriu uma infeco hos- pitalar tm provocado a recusa de pagamento de tratamentos por parte dos planos de sade2 . As recomendaes da Organizao Mundial de Sa- de (OMS)3 para a higienizao das mos, endossadas no Brasil pela Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (AN- VISA), indicam a utilizao de gua e sabonete lquido ou solues alcolicas4-5 . A possibilidade de higienizar as mos com lcool e a praticidade dessa medida na rotina de cuidado resultaram em aumento da adeso dos profissionais de sa- de6 . A prtica da higiene das mos simples, embora seja considerada repetitiva e maante. Os profissionais de sade raramente associam as infeces adquiridas pelos pacientes nos hospitais inadequada higienizao das mos da equipe. Barreiras comuns efetiva prtica da higienizao das mos esto relacionadas com a falta de acesso a materiais e equi- pamentos, tempo insuficiente, irritao da pele, ignorncia sobre o problema, entre outras7 . A higienizao simples das mos (Figura 1), com gua e sabonete lquido, tem a finalidade de remover os mi- crorganismos que colonizam as camadas superficiais da pele,
  • 30. 18 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS assim como o suor, a oleosidade e as clulas mortas, retiran- do a sujidade propcia permanncia e proliferao de mi- crorganismos. A higienizao antissptica das mos (Figura 1) ocorre da mesma forma que a simples, mas utiliza um pro- duto antissptico no lugar do sabonete lquido, reduzindo a carga microbiana das mos. A frico antissptica das mos (Figura 2) com preparaes alcolicas reduz a carga micro- biana, mas no remove a sujidade. Assim, pode-se substituir a higienizao com gua e sabonete lquido apenas quando as mos no estiverem visivelmente sujas4 .
  • 31. 19 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Figura 1 Passos da higienizao simples/antisspti- ca das mos, conforme recomendao da ANVISA4 . Fonte: Fotos autorizadas, conforme a Resoluo 196/96 do Con- selho Nacional de Sade.
  • 32. 20 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Figura 2 Passos da frico antissptica das mos, conforme recomendao da ANVISA4 . Fonte: Fotos autorizadas, conforme a Resoluo 196/96 do Con- selho Nacional de Sade. A ANVISA adota as recomendaes da OMS quan- to aos cinco momentos para a higienizao das mos (1) antes de contato com o paciente, (2) antes da realizao de procedimento assptico, (3) aps risco de exposio a fluidos corporais, (4) aps contato com o paciente e (5) aps contato com as reas prximas ao paciente e disponibiliza mate- riais informativos para utilizao pelas instituies (Figura 3)8 .
  • 33. 21 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Figura 3 Os cinco momentos para higienizao das mos. Fonte: Ministrio da Sade (BR), Agncia Nacional de Vigiln- cia Sanitria, Sistema nico de Sade; Organizao Mundial da Sade; Organizao Pan-Americana da Sade; World Alliance for Patient Sa- fety. Os 5 momentos para a higienizao das mos. Braslia: ANVISA; [data desconhecida] [acesso em 2013 fev. 24]. Disponvel em: http:// www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/higienizacao_oms.htm RECOMENDAES A tcnica de higienizao simples das mos (uso de gua e sabonete lquido) deve ter durao de 40 a 60 segundos, seguir rigorosamente os passos de execuo (Figura 1) e ser aplicada nas seguintes situaes4 : 99 ao iniciar e terminar o turno de trabalho; 99 quando as mos estiverem visivelmente sujas ou contaminadas com sangue e outros fluidos corporais;
  • 34. 22 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS 99 antes e aps ir ao banheiro; 99 antes e aps as refeies; 99 antes do preparo de alimentos; 99 antes do preparo e manipulao de medicamentos; 99 antes e aps contato com paciente colonizado ou infectado por Clostridium difficile; 99 aps vrias aplicaes consecutivas de produto alcolico; 99 aps a remoo de luvas. A tcnica de frico antissptica das mos (com preparao alcolica na forma gel ou lquida com 1-3% de glicerina) deve ter durao de 20 a 30 segundos, seguir rigorosamente os passos de execuo (Figura 2) e ser aplicada quando as mos no estiverem visivelmente sujas, em todas as situaes descritas a seguir4 : 99 antes de contato com o paciente; 99 aps contato com o paciente; 99 antes de realizar procedimentos assistenciais e manipular dispositivos invasivos; 99 antes de calar luvas para insero de dispositivos invasivos que no requeiram preparo cirrgico; 99 aps o risco de exposio a fluidos corporais; 99 ao mudar de um stio corporal para outro, contaminado ou no, durante o cuidado ao paciente. importante manter parceria com o Servio de Controle de Infeco quanto vigilncia e educao para efetividade da higienizao das mos. As instituies podem utilizar a Estratgia Multimodal da OMS, recomendada pelas Diretrizes do Desafio Global para a Segurana do Paciente sobre Higienizao das Mos em Servios de Sade9 . LEMBRE ;; Intervenes isoladas para promover adeso
  • 35. 23 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS higienizao das mos pelos profissionais tm impacto de curta durao4,10 . ;; Lembretes (psteres, cartazes) tm um efeito modesto, mas sustentado4,10 . ;; O feedback aos profissionais eleva as taxas de adeso, mas deve ser realizado regularmente4,10 . ;; Preparaes alcolicas disponveis em rea prxima ao paciente aumentam a frequncia de higienizao das mos pelos profissionais de sade4,10 . ;; Abordagens multifacetadas, combinando educao com material escrito, lembretes e feedback do desempenho dos profissionais, tm um efeito mais marcante sobre a adeso e taxas de infeco4,10 . ;; O uso de adornos, como anis, pulseiras e relgio, no permitido11 . As unhas devem estar curtas e com o esmalte ntegro. ;; O uso de luvas no substitui a necessidade de higienizao das mos. ;; Oriente e estimule o acompanhante a higienizar suas mos antes e aps entrar em contato com o paciente e ao entrar e sair do servio de sade. REFERNCIAS 1Klevens RM, Edwards JR, Richards CL, Horan TC, Gaynes RP, Pollock DA, Cardo DM. Estimating health care-associated infec- tions and deaths in U.S. hospitals, 2002. Public Health Rep. 2007 Mar-Apr;122(2):160-6. 2 Centers for Medicare and Medicaid Services (CMS) (US). Me- dicare program; changes to the hospital inpatient prospective pa- yment systems and fiscal year 2008 rates. Fed Regist. 2007 Aug 22;72(162):47129-8175. 3 World Health Organization. The WHO guidelines on hand hygie- ne in health care (advanced draft). Global patient safety challenge 2005-2006: Clean care is safer care. Geneva: WHO Press; 2006
  • 36. 24 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS [acesso em 2013 Fev 24]. Disponvel em: http://www.who.int/pa- tientsafety/information_centre/ghhad_download_link/en/ 4 Ministrio da Sade (BR), Agncia Nacional de Vigilncia Sa- nitria. Segurana do paciente: higienizao das mos. Braslia: ANVISA; 2009 [acesso em 2013 Fev 24]. Disponvel em: http:// www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/paciente_hig_maos.pdf 5 Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (BR); Organizao Mundial da Sade; Organizao Pan-Americana da Sade, World Alliance for Patient Safety. Diretrizes da OMS sobre higienizao das mos em servios de sade (verso avanada): as 9 recomen- daes-chave para a melhoria das prticas de higienizao das mos. Braslia: ANVISA; [data desconhecida] [acesso em 2013 Fev 24]. Disponvel em: http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/ controle/higienizacao_oms.htm 6 Earl ML, Jackson MM, Rickman LS. Improved rates of com- pliance with hand antisepsis guidelines: a three-phase observatio- nal study. Am J Nurs. 2001 Mar;101(3):26-33. 7 Haas JP, Larson El. Compliance with hand hygiene. AJN. 2008 Aug;108(8):40-4. 8 Ministrio da Sade (BR), Agncia Nacional de Vigilncia Sa- nitria, Sistema nico de Sade; Organizao Mundial da Sade, World Alliance for Patient Safety, Organizao Pan-Americana da Sade. Os 5 momentos para a higienizao das mos. Braslia: ANVISA; [data desconhecida] [acesso em 2013 Fev 24]. Dispo- nvel em: http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/higie- nizacao_oms.htm 9 Organizao Pan-Americana da Sade; Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria. Manual para observadores: estratgia multi- modal da OMS para a melhoria da higienizao das mos. Bras- lia: Organizao Pan-Americana da Sade; Agncia Nacional de
  • 37. 25 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Vigilncia Sanitria; 2008 [acesso em 2013 Fev 24]. Disponvel em: http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/higieniza- cao_oms/manual_para_observadores-miolo.pdf 10 Nairoba S, Hayward A. The effectiveness of interventions ai- med at increasing handwashing in healthcare workers systematic review. J Hosp Infect. 2001 Mar;47:173-80. 11 Brasil, Ministrio do Trabalho. NR 32 - segurana e sade no trabalho em servios de sade. Portaria GM n. 939, de 18 de no- vembro de 2008. Braslia: Ministrio do Trabalho; 2008 [acesso em 2013 Mar 15]. Disponvel em: portal.mte.gov.br/data/files/.../ NR-32%20(atualizada%202011).pdf
  • 38. 26 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS ESTRATGIA 2: IDENTIFICAO DO PACIENTE ASPECTOS RELEVANTES Para assegurar a qualidade e segurana do cuidado no servio de sade, indispensvel a prtica da identifi- cao correta do paciente. O atendimento em sade consti- tui-se num processo composto por vrias etapas, que envol- vem mltiplos procedimentos de diagnstico e tratamento executados por diferentes profissionais. Essa complexidade, caracterstica da ateno sade, exige que profissionais e servios estabeleam prticas seguras de identificao do pa- ciente. Falhas no atendimento podem ocorrer em virtude de ausncia ou duplicidade de informaes, ou mesmo de im- precises nos dados de cadastro do paciente. Estas situaes podem repercutir, na prtica, em erros associados ao uso de medicamentos, erros na transfuso sangunea, erros na reali- zao de procedimentos cirrgicos e exames diagnsticos e, at mesmo, na troca de bebs em maternidades1 . A identificao do paciente pode ser feita por diver- sos meios, mas sempre necessrio considerar e minimizar a ocorrncia de falhas, independente da forma utilizada. O uso de pulseiras de identificao, bastante difundido, um sistema que apresenta limitaes. Informaes incorretas ou pacientes sem pulseira, bem como a falta de padronizao do cdigo de cores utilizadas pelos servios/instituies, tm sido causas de erros na ateno sade2 . Sistemas automatizados, como cdigo de barras, identificao por radiofrequncia e biometria, reduzem con- sideravelmente a ocorrncia de erros1 . No entanto, por serem
  • 39. 27 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS operados por pessoas, podem ocorrer violaes do processo, como omisso de etapas, no adeso sequncia de passos recomendados ou realizao de aes no autorizadas como, por exemplo, o desligamento de sistemas de alarme de equi- pamentos destinados confirmao dos dados de identifica- o do paciente3 . A introduo de tecnologias requer planejamento institucional e treinamento dos profissionais para que sejam utilizadas como se pretende e com segurana. No caso de pulseiras com cdigo de barras, por exemplo, devem-se con- siderar as restries para uso em recm-nascidos, por terem as extremidades muito pequenas e sensveis; em crianas, pelo risco de sufocao; e em pacientes em precauo de contato3 . Alm da identificao do paciente, justifica-se tam- bm, na perspectiva do cuidado seguro, a identificao de riscos, como, por exemplo, alergias e quedas. A prtica da identificao de risco por meio de pulseiras coloridas est se tornando comum e, embora sirva como um mecanismo de alerta valioso, traz riscos implcitos caso no se utilize um cdigo de cores padronizado, no s dentro de um servio, mas, principalmente, entre servios e instituies de ateno sade. RECOMENDAES Adotarinstitucionalmentepelomenosdoisidentificadores paraopaciente(nomeedatadenascimento,porexemplo). O nmero do quarto/enfermaria do paciente no deve ser utilizado como um dos identificadores1 . Adotar protocolos para identificao de pacientes sem documentos de identificao/identidade e daqueles com nomes iguais1 . Pacientes com nomes idnticos no devem
  • 40. 28 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS ficar no mesmo quarto/enfermaria. Estabelecer em norma institucional a quem cabe a responsabilidade de colocar a(s) pulseira(s) no paciente e que todos os profissionais tenham o compromisso de corrigir imediatamente erros ou omisses de identificao2 . Ressaltar aos profissionais de sade que sua responsabilidade fundamental conferir, previamente a qualquer procedimento/tratamento, a identidade do paciente, de modo que o paciente correto receba o cuidado correto1 . Implementar programas admissionais e de capacitao, abordando os procedimentos para a identificao correta do paciente, direcionados aos profissionais que atuam nos servios de sade1 . Estabelecer protocolos de identificao para pacientes que se encontrem sem condies de comunicao verbal adequada, como pacientes peditricos, sedados, comatosos e/ou desorientados. Reconfirmar periodicamente com o paciente e acompanhante as informaes da(s) pulseira(s). Os erros devem ser corrigidos imediatamente. So momentos importantesparaareconfirmao:antesdeprocedimentos invasivos, na transferncia do paciente para outra unidade e no encaminhamento para a realizao de exames e tratamentos2 . Solicitar ao paciente que se identifique antes de receber um medicamento e de ser submetido a intervenes para diagnstico ou tratamento1 . Incentivar a rotulagem de frascos de sangue e outros materiais para exames na presena do paciente1 . Esclarecer ao paciente/acompanhante a importncia do processo de dupla checagem na identificao do paciente,
  • 41. 29 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS bem como estimular sua participao, transmitindo assim segurana e corresponsabilidade. Na dupla checagem o profissional deve: 99 solicitar que o paciente/acompanhante verbalize os dois identificadores; e 99 conferir com os dados nos documentos do paciente. No caso de instituies que adotem o uso de pulseiras, a Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente Polo RS recomenda que estas sejam em nmero limitado2 e nas seguintes cores: 99 pulseira de cor branca: para identificar o paciente; 99 pulseira de cor vermelha: para alerta de alergias; 99 pulseira de cor amarela: para alerta de risco de quedas. Padronizar o significado das cores das pulseiras utilizadas pelos servios de ateno sade e utilizar somente cores primrias e secundrias, evitando o uso de diferentes tons de uma mesma cor em pulseiras com diferentes finalidades2 . Orientar o paciente e o acompanhante quanto pulseira que colocada no seu brao. Alm de ser uma oportunidade para a interceptao de erros, demonstra e refora o compromisso da instituio com a cultura de segurana por meio do estmulo participao do paciente e acompanhante2 . Estabelecerprotocoloparaquestionamentodolaboratrio e outros servios quando os resultados de exames no so consistentes com a histria clnica do paciente1 . LEMBRE ;; Mantenha vigilncia constante quanto integridade da pele do membro onde se encontra a pulseira de identificao. ;; Em caso de no aceitao do uso da pulseira de
  • 42. 30 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS identificao, ou de impossibilidade do seu uso em virtude das condies clnicas do paciente, utilizar outrosmeiosdeidentificao,comoetiquetas,folhade identificao beira do leito, placa no leito contendo dados de identificao, cartes sinalizadores de riscos, entre outros. Nessas situaes tambm imperativa a confirmao da identidade com o prprio paciente ou com o seu acompanhante. ;; A limitao do nmero de cores e pulseiras contribui para evitar que profissionais que trabalham em mais de um servio/instituio se confundam na interpretao de significados2 . ;; Instrues impressas sucintas nas pulseiras podem contribuir para a interpretao correta do significado da cor. A escrita manual deve ser utilizada somente em situaes de emergncia2 . REFERNCIAS 1 WHO Collaborating Centre for Patient Safety Solutions. Solu- tion 2: patient identification. Patient Safety Solutions. 2007 May [acesso em 2013 Mar 12];1:8-11. Disponvel em: http://www. jointcommissioninternational.org/WHO-Collaborating-Cen- tre-for-Patient-Safety-Solutions/ 2 Emergency Care Research Institute (ECRI); Institute for Safe Medication Practice (ISMP). Use of color-coded patient wris- tbands creates unnecessary risk. Patient Safety Advisory. 2005 Dec 14 [acesso em 2013 Mar 15];2 Suppl, 2:4p. Disponvel em: http://www.psa.state.pa.us/psa/lib/psa/advisories/v2_s2_sup__ad- visory_dec_14_2005.pdf 3 Koppel R, Wetterneck T, Telles JL, Karsh BT. Workarounds to barcode medication administration systems: their occurrences, causes, and threats to patient safety. Am Med Inform Assoc. 2008 Jul-Aug;15(4):408423.
  • 43. 31 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS ESTRATGIA 3: COMUNICAO EFETIVA ASPECTOS RELEVANTES A comunicao permeia todas as atividades que in- tegram a assistncia ao paciente. Quanto mais especializado for o servio, maior a necessidade de informaes tcnicas, especializadas e precisas1 . O hospital, por exemplo, con- siderado uma organizao de alta complexidade devido ao grande fluxo de informaes que transpem as diferentes reas da organizao. O termo comunicao, em sua acep- o mais fundamental, refere-se ao processo de compartilhar um mesmo objeto de conscincia2:14 , pressupe relao, tro- ca. J a informao pode ser considerada uma parte desse processo. Pode-se dizer que a informao uma comuni- cao em potencial. Ela pode ser estocada e armazenada, e tambm pode ser codificada e depois reconvertida num se- gundo momento (decodificada). Assim, no temos comuni- cao sem informao2 . No ambiente hospitalar, predomina a comunicao tcnica pela alta especificidade caracterstica deste setor. Num mundo onde a necessidade contnua de infor- mao se impe, existe uma ideia de que informar comu- nicar, de que a informao se transforma instantaneamente em comunicao, sem o esforo consciente dos envolvidos3 . Mas, no momento em que as informaes tornam-se cada vez mais numerosas e especficas, ofertadas por diversos meios, necessrio que as pessoas estejam preparadas para receber e usar essas informaes4 . Entende-se que ocorre uma comunicao eficaz quando o significado pretendido da fonte e o significado percebido pelo receptor so virtual- mente o mesmo5:241 . Para que as informaes clnicas sejam consistentemente transmitidas, so necessrios conhecimen-
  • 44. 32 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS tos, habilidades e atitudes da equipe e, particularmente, uma comunicao adequada6 . A comunicao ineficaz est entre as causas-razes de mais de 70% dos erros na ateno sade7 . Interrupes na comunicao ou a falta de trabalho em equipe so fato- res que contribuem para a ocorrncia de eventos adversos e resultados insatisfatrios de tratamentos. Entre as conse- quncias das falhas na comunicao encontram-se o dano ao paciente, aumento do tempo de hospitalizao e uso ineficaz de recursos6 . Problemas podem surgir na comunicao verbal, escrita, eletrnica, entre os membros da equipe, com a ad- ministrao do servio/instituio e com o paciente ou sua famlia7 . A complexidade do cuidado sade pode exigir o envolvimento de profissionais de diversas reas, servios e nveis de ateno. O cuidado realizado, muitas vezes, por equipes que trabalham em turnos e tais caractersticas au- mentam o potencial de risco segurana do paciente8 . Um requisito essencial para a continuidade do cui- dado e a segurana do paciente a comunicao consistente entre os profissionais, de uma equipe para a prxima e entre profissionais, paciente e familiar8,9 . Enquanto os profissio- nais se alternam, o paciente e a famlia so os mesmos e, nessa perspectiva, esto em posio-chave para, em parceria com a equipe, assegurar a continuidade do cuidado8 . RECOMENDAES Avaliar o processo de comunicao do servio de sade, identificando os pontos crticos que possam levar ocorrncia de eventos adversos. Estabelecer um sistema padronizado de informaes, utilizando instrumentos que facilitem o processo de
  • 45. 33 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS comunicao, como, por exemplo: protocolos, nota de internao, nota de alta. Realizar auditorias sistematizadas e peridicas nos pronturios, identificando possveis falhas no processo comunicacional. Estabelecer estratgias de educao permanente para a utilizao efetiva de instrumentos de comunicao, como o pronturio e relatrios. Capacitar a equipe para aprimorar a comunicao com o paciente e acompanhante, garantindo a participao destes no processo do cuidado10 . Capacitar a equipe para uma adequada comunicao entre os profissionais, utilizando estratgias que facilitem a compreenso das mensagens. A tcnica ou metodologia SBAR (situao, background, avaliao e recomendao) um modo padronizado e simples de comunicar informaes importantes, de forma clara e concisa. Pode ser utilizada em vrias situaes como, por exemplo, na passagem de planto e transferncia do paciente de uma unidade para outra. Na tcnica SBAR, situao corresponde ao enunciado conciso do problema; background, informao pertinente e breve acerca da situao/problema; avaliao, anlise e opes de resoluo/encaminhamento e recomendao ao necessria/recomendada8,11,12 . Colocar data e horrio nos registros feitos no pronturio do paciente13,14 . Identificar o registro efetuado no pronturio com assinatura do profissional e o carimbo com nome legvel e nmero de registro no respectivo conselho profissional14,15 . Proporcionar condies adequadas para a passagem de planto, minimizando interrupes e rudos que
  • 46. 34 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS interfiram na concentrao e apreenso das informaes transmitidas. LEMBRE ;; A comunicao efetiva bidirecional. Para que ela ocorra com segurana, necessrio que haja resposta e validao das informaes emitidas. A tcnica leia de volta (read-back), ou repita o que foi dito, pode ser utilizada, por exemplo, para validar as informaes transmitidas na passagem de planto entre os turnos de trabalho: o profissional anota a informao recebida e repete para a pessoa que a transmitiu, de modo a confirmar que a compreendeu corretamente8 . ;; Todos os procedimentos, transferncias, exames ou quaisquer situaes que ocorram com o paciente devem ser registrados no pronturio, e o mesmo deve estar sempre na unidade onde o paciente se encontra. ;; As informaes devem ser registradas no pronturio de forma clara, objetiva e completa15 . Deve-se tambm garantir a legibilidade da letra do profissional16 . ;; As siglas, smbolos e abreviaturas devem ser evitados14,17 .Utiliz-lossomentequandopadronizados pela instituio14 . ;; O paciente e o acompanhante tm papel fundamental no processo do cuidado, e as informaes recebidas destes devem ser valorizadas e registradas. ;; Deve ser garantido o direito do paciente, ou pessoa legalmente estabelecida, de conhecer as informaes que constam em seu pronturio18 . ;; A alta hospitalar uma etapa do cuidado em que a comunicao efetiva com o paciente e acompanhante fundamental8 : ambos devem receber e compreender informaes que possibilitem o autocuidado seguro e adequado no domiclio.
  • 47. 35 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS REFERNCIAS 1 Joint Commission Resources (JCR) (US). Temas e estratgias para liderana em enfermagem. Porto Alegre: Artmed; 2008. 2 Martino LC. De qual comunicao estamos falando? In: Ho- hlfeldt A, Martino LC, Frana VV, organizadores. Teorias da co- municao: conceitos, escolas e tendncias. 11 ed. Porto Alegre (BR): Vozes; 2011. p.11-25. 3 Wolton D. Informar no comunicar. PortoAlegre: Sulina; 2010. 4 Mumby DK. Reflexes crticas sobre comunicao e humaniza- o das organizaes. In: Kunsch MMK, organizadora. A comuni- cao como fator de humanizao nas organizaes. So Caetano do Sul, SP: Difuso; 2010. p.19-39. 5 Schermerhorn JJR, Hunt JJ; Osborn RN. Fundamentos do com- portamento organizacional. Porto Alegre: Bookman; 1999. 6 Oluborode O. Effective communication and teamwork in pro- moting patient safety. Lagos, Nigeria: Society for Quality in He- alth Care in Nigeria; 2012 [acesso em 2013 Mar 12]. Disponvel em: http://sqhn.org/web/articles/9524/1/Effective-Communica- tion-and-Teamwork-in-Promoting-Patient-Safety/Page1.html 7 The Joint Commission (US). Sentinel event data root causes by event type 2004-2012. Oakbrook Terrace, IL: The Joint Commis- sion; 2012 [acesso em 2013 Mar 12]. Disponvel em: http://www. jointcommission.org/Sentinel_Event_Statistics/ 8 WHO Collaborating Centre for Patient Safety Solutions. Communication during patient hand-overs. Patient Safety So- lutions. 2007 [acesso em 2013 Mar 12];1:12-5. Disponvel em: http://www.jointcommissioninternational.org/WHO-Collabora- ting-Centre-for-Patient-Safety-Solutions/
  • 48. 36 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS 9 International Council of Nurses. Patient safety: ICN position. Geneva: ICN; 2012 [acesso em 2013 Mar 12]. Disponvel em: http://www.icn.ch/publications/position-statements/ 10 World Health Professions Alliance. Patient safety: fact sheet. Geneva: World Health Professions Alliance; 2002 [acesso em 2013 Mar 12]. Disponvel em: http://www.whpa.org/factptsafety. pdf 11 Instituto de Medicina Hospitalar (BR). Comunicao efetiva. So Paulo: IMH; [data desconhecida] [acesso em 2013 Mar 13]. Disponvel em: http://www.medicohospitalista.com.br/pagina. php?id=11 12 Institute for Healthcare Improvement (US). SBAR toolkit. Cambridge, MA: IHI; 2011 [acesso em 2013 Mar 13]. Dispon- vel em: http://www.ihi.org/knowledge/Pages/Tools/SBARToolkit. aspx 13 Conselho Regional de Enfermagem do Estado de So Paulo (BR); Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente REBRAENSP Polo So Paulo. 10 passos para a segurana do paciente. So Paulo, SP: COREn-SP; 2010 [acesso em 2013 Mar 13]. Disponvel em: http://inter.coren-sp.gov.br/livretos 14 Ito EM, Santos MAM, Gazzi O, Martins SAS, Manenti SA, Rodrigues VA. Anotao de enfermagem: reflexo do cuidado. So Paulo, SP: Martinari; 2011. p. 73-76. 15 Conselho Federal de Enfermagem (BR). Cdigo de tica dos profissionais de enfermagem. Rio de Janeiro, RJ: COFEN; 2007 [acesso em 2013 Mar 17]. Disponvel em: http://www.portalcofen. gov.br/sitenovo/node/4158 16 Conselho Federal de Medicina (BR). Resoluo CFM n 1.638, de 10 de julho de 2002. Define o pronturio mdico e torna obri-
  • 49. 37 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS gatria a criao da Comisso de Reviso de Pronturios nas ins- tituies de sade. Braslia, DF: CFM; 2002 [acesso em 2013 Mar 17]. Disponvel em: http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/ cfm/2002/1638_2002.htm 17 Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal. Pronturio mdico do paciente: guia para uso prtico. Braslia, DF: Conselho Regional de Medicina; 2006 [acesso em 2013 Mar 22]. Disponvel em: http://www.crmdf.org.br/sistemas/biblioteca/files/7.pdf 18 Brasil, Ministrio da Sade, Conselho Nacional de Sade. Carta dos direitos dos usurios da sade. 3 ed. Braslia, DF: Ministrio da Sade; 2011 [acesso em 2013 Fev 16]. Disponvel em: http:// portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/area.cfm?id_area=1114
  • 50. 38 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS ESTRATGIA 4: PREVENO DE QUEDA ASPECTOS RELEVANTES A queda definida pela Sociedade Brasileira de Ge- riatria, com base em vrios autores, como o deslocamento no intencional do corpo para um nvel inferior posio inicial com incapacidade de correo em tempo hbil, deter- minado por circunstncias multifatoriais comprometendo a estabilidade1:3 . Alguns fatores esto associados com um risco au- mentado de quedas, portanto, h a necessidade de avaliao multifatorial do risco de queda, que consiste na identificao de fatores predisponentes da pessoa (intrnsecos) e do am- biente (extrnsecos)1,2 . Existe ainda a definio de um grupo de fatores comportamentais1 . Desta forma, explicitam-se es- tes fatores1 : intrnsecos: histria prvia de quedas, idade, sexo feminino, medicamentos, condio clnica, distrbio de marcha e equilbrio, sedentarismo, estado psicolgico, estado nutricional deficiente, declnio cognitivo, diminuio da acuidade visual, condies ortopdicas, estado funcional; extrnsecos: iluminao insuficiente, superfcies molhadas/escorregadias, tapetes, degraus inadequados (altos/estreitos), obstculos (mveis, objetos), ausncia de barras de apoio em corredores e banheiros, prateleiras de altura inadequada, roupas e sapatos inadequados, via pblica com irregularidades, rteses inadequadas; comportamentais: o grau de atividade est associado ao risco de queda, seja pela fragilidade de pessoas menos ativas, seja pela maior exposio de pessoas mais ativas. A histria de quedas de um paciente deve envolver a
  • 51. 39 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS descrio detalhada de suas circunstncias (a frequncia, os sintomas no momento da queda, leses, outras consequn- cias); a reviso de medicamentos em uso e suas dosagens; as alteraes agudas ou crnicas de sade (por exemplo, os- teoporose, incontinncia urinria, doena cardiovascular); as funes das extremidades (marcha, equilbrio e nveis de mobilidade); alteraes cognitivas; a fora muscular (em es- pecial, de membros inferiores); o status cardiovascular (por exemplo, frequncia cardaca e presso arterial); e a acui- dade visual2 . As recomendaes incluem a avaliao dos ps e cal- ados, da atividade e habilidades da vida diria, o uso de bengalas, muletas e andador, da capacidade de percepo do indivduo quanto s suas restries funcionais e s do ambi- ente3 . As quedas esto entre as principais causas de inca- pacidades e dependncia em pessoas acima de 60 anos4 . A queda pode ter consequncias como o aumento do tempo de internao e do custo do tratamento, alm de causar descon- forto ao paciente5 . RECOMENDAES Estabelecer um programa de avaliao do risco de quedas, tanto os relacionados pessoa quanto ao ambiente, ou utilizar escalas de avaliao de risco. Como exemplo de escalas para pacientes adultos, a Morse Fall Scale, traduzida e adaptada transculturalmente para a lngua portuguesa6 (Quadro 1). Individualizar a preveno de quedas para cada paciente, com base na triagem ou avaliao7 . Toda a equipe de sade deve desempenhar um papel ativo na preveno de quedas dos pacientes.
  • 52. 40 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Informar e orientar o paciente e seus acompanhantes quanto ao(s) risco(s) de queda, utilizando linguagem de fcil compreenso. Certificar-se de que, na deambulao, o paciente use calado antiderrapante. Desencorajar o uso de chinelos e deambulao apenas com meias ou props7 . Revisar e estar atento ao uso de medicamentos, como sedativos,antidepressivos,antipsicticos(pordiminurem as habilidades sensoriais) e anti-hipertensivos/diurticos (hipotenso postural)7 . Avaliar, de forma sistematizada e peridica, os fatores de risco para quedas dos pacientes e manter a comunicao (escrita, verbal e visual) dos achados7 . Manter pacientes com risco de quedas em leitos ou quartos prximos ao posto de enfermagem7 . A Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente Polo RS recomenda, no caso de a instituio optar pelo uso de pulseira colorida de alerta para o risco de quedas, que esta seja de cor amarela. Tornar o ambiente seguro, garantindo: 99 altura adequada da cama que permita que o paciente consiga apoiar os ps no cho, e com sistema de travas nas rodas ativado7 ; 99 organizao e boa iluminao do ambiente, evitando a presena de objetos ou mobilirio fora do lugar. Manter os objetos de uso frequente em locais usuais e de fcil acesso ao paciente7 ; 99 piso, de material antiderrapante, limpo e seco; 99 camas e macas com grades de proteo; 99 banheiros e reas de deambulao dos pacientes com pontos/barras de apoio; 99 manuteno de dispositivo de chamada para auxlio (campainha ou interfone, entre outros) ao alcance do paciente; 99 cinto de segurana em cadeiras de rodas.
  • 53. 41 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Criar um indicador institucional de quedas a partir de um sistema de notificao e gerenciamento deste evento adverso. LEMBRE O paciente e seu acompanhante precisam estar inse- ridos nas estratgias de preveno de quedas, sendo escla- recidos sobre os fatores de risco e orientados acerca de sua participao neste processo.
  • 54. 42 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Quadro1MorseFallScaletraduzidaeadaptadatransculturalmenteparaalngua portuguesa6 .
  • 55. 43 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS REFERNCIAS 1 Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (BR). Proje- to diretrizes: quedas em idosos: preveno [Internet]. So Paulo; 2008 [acesso em 2013 Fev 21]. Disponvel em: www.projetodire- trizes.org.br/projeto_diretrizes/082.pdf 2 The American Geriatrics Society; British Geriatrics Society. AGS/BGS clinical practice guideline: prevention of falls in older persons. New York, NY: AGS; 2010 [acesso em 2013 Fev 21]. Disponvel em: http://www.americangeriatrics.org/files/documen- ts/health_care_pros/Falls.Summary.Guide.pdf 3 American Geriatrics Society; British Geriatrics Society (AGS/ BGS). Summary of the updated American Geriatrics Society/Bri- tish Geriatrics Society clinical practice guideline for prevention of falls in older persons. J Am Geriatr Soc. 2010 [acesso em 2013 Fev 21] Disponvel em: http://www.americangeriatrics.org/health_care_professionals/cli- nical_practice/clinical_guidelines_recommendations/2010/ 4 Blyth FM, Cumming R, Mitchell P, Wang JJ. Pain and falls in older people. Eur J Pain. 2007;11(5):564-71. 5 Diccini S, Pinho PG, Silva FO. Avaliao de risco e incidncia de queda em pacientes neurocirrgicos. Rev. Latino-Am. Enfer- magem. 2008 Jul-Aug;16(4):752-757. 6 Urbanetto JS, Creutzberg M, Franz F, Ojeda BS, Gustavo AS, Bittencourt HR, Steinmetz QL, Farina VA. Morse Fall Scale: traduo e adaptao para a lngua portuguesa. Rev Esc Enferm USP. 2013 Jun; 47(3): prelo. 7 Australian Commission on Safety and Quality in Health Care. Preventing falls and harm from falls in older people: falls facts for
  • 56. 44 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS nurses. Sydney, AU: ACSQHC; 2009 [acesso em 2013 Mar 16]. Disponvel em: http://www.safetyandquality.gov.au/publications/ preventing-falls-and-harm-from-falls-in-older-people-falls-fac- ts-for-nurses/. Adaptado de Preventing falls and harm from falls in older people: best practice guidelines for Australian hospitals 2009. 8 Morse JM. Preventing patient falls. Thousand Oaks, CA: Sage Publications; 1997.
  • 57. 45 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS ESTRATGIA 5: PREVENO DE LCERA POR PRESSO ASPECTOS RELEVANTES As lceras por presso (UPs) constituem um dos principais eventos adversos encontrados em servios e ins- tituies de ateno sade. Para os pacientes, trazem dor e sofrimento, podem contribuir, em associao com outras causas, para a morte. Para as instituies, implicam o au- mento de custos e do tempo de internao. Nos Estados Uni- dos, os planos de sade j no reembolsam mais os custos do tratamento de UPs adquiridas durante o perodo de cui- dado na instituio. Por suas consequncias e implicaes, tanto para o paciente como para as instituies, a preveno das UPs associadas ao cuidado em sade uma das Metas Nacionais de Segurana do Paciente estabelecidas pela Joint Commission1 . A UP toda leso na pele e/ou nos tecidos subjacen- tes, geralmente desenvolvida sobre uma proeminncia ssea, como resultado da presso isolada, ou da presso em com- binao com a frico e/ou cisalhamento2 . A European Pres- sure Ulcer Advisory Panel (EPUAP) e a American National Pressure Ulcer Advisory Panel (NPUAP) classificam as UP em cinco estgios2 : Estgio I: Pele intacta com eritema no branquevel. Estgio II: Perda parcial de tecido, envolvendo epiderme e derme. Pode tambm apresentar-se como flictena fechada ou aberta, preenchida por lquido seroso ou sero- hemtico. Estgio III: Perda total da epiderme e derme. O tecido subcutneo pode estar visvel, sem exposio de ossos, tendes ou msculos.
  • 58. 46 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Estgio IV: Perda total da epiderme, derme e tecido subcutneo com exposio de ossos, tendes e/ou msculos. Atualmente est sendo adotada uma nova categoria, a lcera no estagivel, cuja avaliao da profundidade real no possvel devido presena de tecido necrtico (ama- relo, acastanhado, cinzento, verde ou castanho) e/ou escara (tecido necrtico amarelo escuro, castanho ou preto) no leito da ferida2 . As causas da UP costumam ser multifatoriais, neces- sitando, portanto, de condutas de preveno multiprofissio- nais. Os fatores de risco para o desenvolvimento de UP so apresentados no Quadro 2. Quadro 2 Fatores de risco para lceras por presso (UPs)3 . RECOMENDAES Desenvolver, implementar e monitorar um protocolo institucional de avaliao de risco, preveno e tratamento de UP. Desenvolver programas de educao permanente para
  • 59. 47 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS as equipes multiprofissionais, com vistas avaliao do risco e preveno de UP. Utilizar uma escala de avaliao para identificao de pacientes com risco para o desenvolvimento de UP. A escala mais utilizada a Escala de Braden, que existe em duas verses validadas para a lngua portuguesa: a escala de Braden4,5 para adultos (Quadro 3) e a escala de Braden Q para aplicao em crianas6 . Utilizar o horrio do banho para avaliar diariamente as condies da pele do paciente. Proteger a pele do paciente do excesso de umidade, ressecamento, frico e cisalhamento e presso exercida por dispositivos (cateteres, sondas, drenos etc.). Usar emolientes para hidratar a pele seca, a fim de reduzir o risco de dano1 , conforme protocolo institucional. No utilizar massagem para preveno de lceras por presso2 . Manter os lenis secos e sem salincias (dobras nos tecidos, migalhas, pequenos objetos etc.). Utilizar colches adequados, de acordo com o protocolo institucional, para o paciente acamado. Proteger reas corporais de risco, principalmente as proeminncias sseas, conforme protocolo institucional. Estabelecer a frequncia do reposicionamento do paciente em um protocolo institucional, lembrando que os pacientes de alto risco para o desenvolvimento de UP devem ser reposicionados a cada duas horas, no mnimo. Individualizar o reposicionamento, afixando uma escala de horrios e posies prxima ao leito do paciente. Sempre que possvel, fazer esse planejamento junto com o paciente/acompanhante. Utilizar recursos para realizar a transferncia/ mobilizao/reposicionamento do paciente (elevador,
  • 60. 48 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS trapzio, rolamento, lenol etc.), evitando frico e cisalhamento da pele. Lembrar que o decbito elevado acima de 30 graus favorece a frico e/ou o cisalhamento da pele. Alternar, sempre que possvel, perodos no leito e na poltrona. Estimular e avaliar a aceitao da dieta por via oral. Monitorar a administrao da nutrio enteral e/ou parenteral quanto ao tempo e volume, de modo a reduzir as interrupes. LEMBRE ;; A presso dos dispositivos utilizados nos tratamentos tambm possibilita a formao de UP (cateteres, tubos, sondas, colares cervicais, talas, materiais de fixao). Portanto, deve-se utilizar proteo entre eles e a pele e vigiar para que o paciente no fique posicionado sobre algum desses dispositivos. ;; Havendo o aparecimento de UPs, deve-se trat-las conforme protocolos institucionais, monitorando e documentando sua evoluo. ;; AsUPsemestgioIsosubdetectadas,principalmente em pessoas de pele escura, pois a rea de vermelhido no facilmente visvel. Portanto, deve-se ficar atento e observar as reas com descolorao, endurecimento, calor e edema, considerando a possibilidade de ser UP em estgio I, e implementar medidas de alvio da presso2,3. ;; Dar ateno especial s pessoas com alteraes da percepo neurossensorial da dor, como pacientes com leso medular, comatosos, pacientes em transoperatrio, entre outros. ;; Reavaliar o risco para UP conforme a frequncia estabelecida no protocolo institucional e sempre que houver mudana das condies de sade do paciente.
  • 61. 49 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS ;; Registrar o resultado da avaliao do risco (Escala de Braden) e/ou evoluo da UP, alm das medidas adotadas, no pronturio do paciente, para subsidiar a assistncia multiprofissional. ;; A utilizao de escalas de avaliao de risco no substitui a avaliao clnica sistemtica dos profissionais. ;; Motivar e orientar o paciente e o acompanhante a atuarem como parceiros da equipe multiprofissional na preveno de UP. Na escala de Braden original7 , os escores de risco para UP para adultos so classificados em: risco baixo, de 15 a 16; risco moderado, de 12 a 14; e risco elevado, abaixo de 11. Na validao desses escores na populao brasileira, o escore 13 foi definido como de risco para o desenvolvi- mento de UP4,8 . Na verso para crianas, a variao vai de 7 a 28 pontos, sendo que o escore 28 definido como sem risco de lcera de presso, e o escore 7, de risco mximo6 .
  • 62. 50 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Quadro3EscaladeBradenparaadultos. Fonte:BradeneBergstron(1995).AdaptadaparaalnguaportuguesaporCaliri(1998)5:151-3 .
  • 63. 51 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS REFERNCIAS 1 Joint Commission International. Pressure ulcers (stage III and IV decubitus ulcers). Oakbrook Terrace, IL: The Joint Commis- sion [data desconhecida] [acesso em 2013 Mar 16]. Disponvel em: http://www.jcrinc.com/Pressure-Ulcers/ 2 European Pressure Ulcer Advisory Panel; National Pressure Ul- cer Advisory Panel. Prevention and treatment of pressure ulcers: quick reference guide. Washington, D.C.: National Pressure Ulcer Advisory Panel; 2009 [acesso em 2013 Maio 31]. Disponvel em: http://www.epuap.org/guidelines/QRG_Prevention_in_Portugue- se.pdf 3 Royal College of Nurses. Pressure ulcer risk assessment and prevention: recommendations. London, GB; 2001 [acesso em 2012 Fev 19]. Disponvel em: www.rcn.org.uk/__data/assets/ pdf_file/0003/78501/001252.pdf 4 Paranhos WY, Santos VLCG. Avaliao de risco para lceras de presso por meio da escala de Braden, na lngua portuguesa. Rev Esc Enferm USP [Internet]. 1999 [acesso em 2012 Fev 19];33(es- pecial):191-206. Disponvel em: www.ee.usp.br/reeusp/upload/ pdf/799.pdf 5 Fernandes LM. lcera de presso em pacientes crticos hospita- lizados. Uma reviso integrativa da literatura [dissertao]. Ribei- ro Preto, SP: Escola de Enfermagem de Ribeiro Preto, Universi- dade de So Paulo; 2000. 6 MaiaACAR, Pellegrino DMS, Blanes L, Dini GM, Ferreira LM. Traduo para a lngua portuguesa e validao da escala de Braden Q para avaliar o risco de lcera por presso em crianas. Rev Paul Pediatr [Internet]. 2011[acesso em 2013 Mar 09];29(3):406-14. Disponvel em: http://www.scielo.br/pdf/rpp/v29n3/a16v29n3. pdf
  • 64. 52 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS 7 Bergstrom N, Braden B, Laguzza A. The Braden scale for predi- cting pressure sore risk. Nurs Res. 1987;36:205-210. 8 Serpa LF, Santos VLCG, Campanili TCGF, Queiroz M. Validade preditiva da Escala de Braden para o risco de desenvolvimento de lcera por presso em pacientes crticos. Rev. Latino-Am. Enfer- magem [Internet]. 2011[acesso em 2012 Out 22];19(1):[08 telas]. Disponvel em: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v19n1/pt_08.pdf
  • 65. 53 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS ESTRATGIA 6: ADMINISTRAO SEGURA DE MEDICAMENTOS ASPECTOS RELEVANTES Os medicamentos so utilizados para tratar e prevenir doenas, manejar sinais e sintomas, auxiliar no diagnstico e para o alvio da dor e do sofrimento das pessoas1,2 . O uso seguro, eficaz e tico de medicamentos exige conhecimen- to, habilidades e julgamento dos profissionais da sade, bem como estruturas e sistemas adequados dos ambientes de cui- dado3 . Pacientes e acompanhantes tambm desempenham um papel central no uso seguro de medicamentos. O envol- vimento e a participao ativa no cuidado implicam o escla- recimento de suas dvidas e preocupaes4,5 , assim como o conhecimento dos medicamentos que utilizam e o porqu6 . Compreende, ainda, prestar informaes apropriadas (como a presena de alergias) e utilizar o medicamento conforme a prescrio7 . necessrio que reconheam que a adeso ou a no adeso s orientaes da equipe de sade esto estreita- mente relacionadas segurana4,7 . Os erros associados ao uso teraputico de medica- mentos podem ser classificados em erros de prescrio, dis- pensao e administrao8 . Em instituies hospitalares, a ocorrncia de erros frequente, especialmente aqueles re- lacionados prescrio e administrao de medicamentos9 . So considerados fatores potenciais de risco de ocor- rncia de eventos adversos relacionados a medicamentos10,11 : nomes de medicamentos com sons ou grafia semelhantes aos de outras drogas; prescries com letra ilegvel e/ou uso de siglas e abreviaturas;
  • 66. 54 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS embalagens ou rotulagem semelhantes; deficincia na padronizao de medicamentos nas instituies; aprazamentos incorretos e/ou no respeitados; conhecimento parcial dos profissionais sobre drogas (nomes, efeitos, interaes, vias de administrao, velocidade de infuso, diluio e reconstituio, entre outras). Dentre os fatores potenciais de risco, a existncia de medicamentos com nomes parecidos uma das causas mais comuns de erros de medicao e uma preocupao em todo o mundo12,13 . O problema deve ser visto numa perspectiva sistmica, exigindo aes corretivas desde as agncias regu- latrias at o profissional que administra o medicamento ao paciente11 . A lista de pares de nomes de medicamentos com gra- fia ou som semelhantes extensa14 , mas importante lembrar que cada instituio/servio utiliza uma lista padro com um nmero restrito de drogas, o que facilita a implantao de medidas de preveno desse tipo de erro. No Brasil, entre os medicamentos com nomes com grafia ou som semelhantes, passveis de confuso e com graves danos ao paciente, po- dem ser citados Lasix (furosemida)/Losec (omeprazol), Keflin (cefalotina)/Quelicin (succinilcolina) e predniso- na/prednisolona12,15 . Ateno especial deve ser dada aos medicamentos potencialmente perigosos, tambm denominados medica- mentos de alta vigilncia, medicamentos de alto risco ou high-alert medication. Os medicamentos designados como potencialmente perigosos so aqueles que possuem risco aumentado de provocar danos significativos aos pacientes em decorrncia de falha no processo de utilizao16:1 . So
  • 67. 55 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS agrupados em classes teraputicas, que podem incluir alguns medicamentos de uso controlado, como entorpecentes e psi- cotrpicos16 . Alm de serem potencialmente perigosos, os medicamentos de uso controlado s podem ser adquiridos mediante Notificao de Receita devidamente preenchida pelo mdico, acompanhada da receita, e devem ser mantidos em gavetas chaveadas17 . RECOMENDAES Todos os medicamentos devem ser organizados e preparados em ambiente limpo e seguro (boa iluminao, baixo nvel de rudos, boa ventilao, espao fsico e mobilirio/materiais adequados). A manipulao de medicamentos deve ser precedida de higiene correta das mos e de tcnicas asspticas para a respectiva administrao. A administrao segura de medicamentos requer a utilizao da regra dos certos. Existem publicaes citando a utilizao de 5 certos18 , 6 certos 19, 20, 21 , 7 certos22 , 8 certos3,23 e 9 certos 24,25 . Devem-se implementar protocolos clnicos multiprofissionais e prescries informatizadas que minimizem as confuses geradas por prescries ilegveis ou por ordens verbais/por telefone12 . O nmero de pacientes que recebem os medicamentos corretos em hospitais aumenta quando esses hospitais implementam, de forma bem planejada, um mecanismo robusto de prescrio informatizada26 . A necessidade de ler atentamente o rtulo cada vez que um medicamento acessado e novamente antes da administrao deve ser enfatizada12 . Para diminuir o risco de confuso, usar letras em negrito
  • 68. 56 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS e cor nos rtulos, caixas de armazenamento e prateleiras, e dispositivos automticos de distribuio12 . Deve-se ampliar a divulgao das interaes medicamentosas para profisionais da sade e usurios de medicamentos. essencial assegurar que todas as etapas da gesto de medicamentos sejam realizadas por pessoal qualificado e competente12 . Quanto ao horrio, a administrao dos medicamentos deve seguir a regra dos 30 minutos: os medicamentos podem ser administrados at 30 minutos antes ou at 30 minutos aps o horrio aprazado. A regra no se aplica a situaescomo:primeiradose/dosedeataque,dosenica, administrao pr-cirrgica de antibitico, sedao pr- procedimento, medicamentos de uso concomitante ou sequencial27:1 . A educao sobre medicamentos semelhantes12 e/ou de alta vigilncia16,28 deve ser incorporada aos currculos dos cursos e capacitaes de profissionais da rea da sade. Medicamentos de alta vigilncia16,28 devem ser identificados de forma diferenciada dos demais (devem ser de fcil identificao atravs da cor do invlucro ou da etiqueta) e armazenados separadamente e em gavetas chaveadas17 . So recomendaes do Instituto para Prticas Seguras no Uso de Medicamentos ISMP Brasil29:2 : 99 estabelecer e divulgar a lista dos medicamentos potencialmente perigosos na instituio de sade; 99 padronizar prescrio, dispensao, preparao, administrao e armazenamento; 99 utilizar etiquetas auxiliares com cores ou sinais de alerta diferenciados nas embalagens; 99 implantar prticas de dupla checagem na dispensao,
  • 69. 57 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS preparo e administrao; 99 limitar o nmero de apresentaes e concentraes disponveis, particularmente de anticoagulantes, opiceos e insulinas; 99 retirar das enfermarias e ambulatrios solues concentradas de eletrlitos, particularmente cloreto de potssio injetvel; 99 estabelecer e divulgar as doses mximas desses medicamentos; 99 fornecer e melhorar o acesso informao sobre estes medicamentos; 99 utilizar indicadores para gerenciamento dos erros de medicao; 99 incorporar alertas de segurana nos sistemas informatizados de prescrio e dispensao. O processo de reconciliao de medicamentos deve ser implementado de forma a garantir a continuidade da teraputica medicamentosa. Este aspecto remete comparao dos medicamentos usados pelo paciente no domiclio ou outra instituio, com os prescritos na internao ou consulta, a fim de identificar omisses, duplicao, contradio, erros de administrao e possveis interaes30 . LEMBRE ;; O envolvimento dos pacientes e seus acompanhantes, sustentado pela educao contnua, contribui para a reduoderiscosassociadosaousodemedicamentos12 . Antes da administrao, deve-se informar sobre o tipo de medicamento e motivo da prescrio. Pode-se dizer, por exemplo, este o antibitico para tratar sua infeco urinria24 . ;; vedado ao profissional de enfermagem aceitar, praticar, cumprir ou executar prescries medicamentosas/teraputicas, oriundas de qualquer
  • 70. 58 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS profissional da rea de sade, atravs de rdio, telefonia ou meios eletrnicos, em que no conste a assinatura do mesmo. Esse veto no se aplica s situaes de urgncia, nas quais haja, efetivamente, iminente e grave risco de vida para o paciente31:153 . ;; As solues eletrolticas concentradas devem receber ateno especial devido sua grande utilizao e ao alto risco de dano ao paciente, inclusive morte, associado ao uso inadequado. Devem, portanto, ser armazenadas e manipuladas de forma controlada e segura32 . ;; Opacientetemodireito,apsodevidoesclarecimento, recusa de medicamento/tratamento, revogvel a qualquer momento7 . O profissional deve registrar no pronturio o medicamento recusado e o respectivo horrio. O medicamento deve ser oferecido ao paciente em todos os horrios prescritos, bem como a informao necessria a sua tomada de deciso. ;; Os erros decorrentes da confuso gerada por pares de nomes de medicamentos com grafia ou som semelhantes podem ser fatais. Prescries ilegveis, dispensao de medicamentos de uso restrito a um servio, como o centro cirrgico, para unidades de internao, conferncia inadequada pelo profissional no preparo e na administrao so alguns fatores associados a esse tipo de erro. A instituio deve fazer um esforo conjunto especificamente para reduzir os erros relacionados confuso de nomes de medicamentos, contemplando as etapas de prescrio, dispensao e administrao. A Organizao Mundial da Sade recomenda que as instituies revisem anualmente sua lista de medicamentos cujos nomes sejam potencialmente indutores de confuso12 . REFERNCIAS 1 Centers for Disease Control and Prevention (US). Medication safety program. Atlanta, GA: CDC; [data desconhecida] [acesso
  • 71. 59 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS em 2013 Fev 21]. Disponvel em: http://www.cdc.gov/medica- tionsafety/ 2 Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria ANVISA (BR). O que devemos saber sobre medicamentos. Braslia, DF: ANVISA; 2010 [acesso em 2013 Fev 20]. Disponvel em: http://portal.anvi- sa.gov.br/wps/content/Anvisa+Portal/Anvisa/Inicio/Medicamen- tos 3 College of Nurses of Ontario (CA). Practice standard: medica- tion. Toronto (CA); 2008 [acesso em 2013 Fev 21]. Disponvel em: http://www.cno.org/en/learn-about-standards-guidelines/pu- blications-list/list-of-all-publications/ 4 Entwistle VA, Mello MM, Brennan TA. Advising patients about patient safety: current initiatives risk shifting responsibility. Jt Comm J Qual Patient Saf. 2005;31(9):48394. 5 Institute of Medicine (US). What you can do to avoid medica- tion errors. Fact sheet. Washington, DC: IOM; 2006 [acesso em 2013 Fev 21]. Disponvel em: http://www.iom.edu/Reports/2006/ Preventing-Medication-Errors-Quality-Chasm-Series.aspx 6 The Joint Commission (US). Facts about speak up initiatives. Oakbrook Terrace, IL; 2002 [acesso em 2013 Fev 21]. Dispon- vel em: http://www.jointcommission.org/assets/1/18/Speak_Up_ Oct_2012.pdf 7 Ministrio da Sade (BR), Conselho Nacional de Sade. Carta dos direitos dos usurios da sade. 3 ed. Braslia, DF: Ministrio da Sade; 2011 [acesso em 2013 Fev 16]. Disponvel em: http:// portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/area.cfm?id_area=1114 8 Costa LA, Valli C, Pimentel AA. Erros de dispensao de medi- camentos em um hospital pblico peditrico. Rev Latino-am En- fermagem. 2008;16(5):812-17.
  • 72. 60 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS 9 Aspden P, Wolcott JA, Bootman JL, Cronenwett LR, editors. Preventing medication errors. Washington, DC: Institute of Me- dicine; 2007. 10 McCoy LK. Look-alike, sound-alike drugs review: include look-alike packaging as an additional safety check. Jt Comm J Qual Patient Saf. 2005 Jan;31(1):4753. 11 Hoffman JM, Proulx SM. Medication errors caused by confu- sion of drug names. Drug Safety. 2003;26:445452. 12 Joint Commission International; World Health Organization; Collaborating Centre for Patient Safety Solutions. Look-alike/ sound-alike medication errors. Patient Safety Solutions. 2007 [acesso em 2013 Mar 9];1,Solution 1. Disponvel em: http://pt. jointcommissioninternational.org/enpt/WHO-Collaborating-Cen- tre-for-Patient-Safety-Solutions/ 13 Lambert BL, Lin SJ, Chang KY, Gandhi SK. Similarity as a risk factor in drug-name confusion errors: the look-alike (ortho- graphic) and sound-alike (phonetic) model. Med Care. 1999 Dec;37(12):121425. 14 Institute for Safe Medication Practices (US). ISMPs list of confused drug names. Horsham, PA: ISMP; 2011 [acesso em 2013 Fev 21]. Disponvel em: http://www.ismp.org/Tools/confused- drugnames.pdf 15 Conselho Regional de Enfermagem So Paulo (BR), Cma- ra de Apoio Tcnico. Solues para a segurana do paciente. So Paulo, SP: COREn-SP; 2010 [acesso em 2013 Fev 21]. Disponvel em: inter.coren-sp.gov.br/.../solucoes_para_a_seguranca_do_pa- ciente.pdf 16 Instituto para Prticas Seguras no Uso de Medicamentos (ISM- P-Brasil). Medicamentos potencialmente perigosos. Boletim
  • 73. 61 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS ISMP Brasil. 2013 [acesso em 2013 Fev 20];2(1):1-3. Dispon- vel em: http://www.ismp-brasil.org/faq/medicamentos_potencial- mente_perigosos.php 17 Ministrio da Sade (BR), Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria. Portaria n 344, de 12 de maio de 1998. Aprova o re- gulamento tcnico sobre substncias e medicamentos sujeitos a controle especial. Braslia, DF: ANVISA; 1998 [acesso em 2012 Set 18]. Disponvel em: http://www.anvisa.gov.br/legis/porta- rias/344_98.htm 18 Haebler J. Legislating assistive personnel to administer me- dication. Capitol Update/American Nurses Association. Silver Spring, MD: ANA; 2007 [acesso em 2013 Mar 9];5(4). Dispo- nvel em: http://www.rnaction.org/site/PageServer?pagename- =CUP_Arch_043007_st1&ct=1 19 Potter PA, Perry AG.Fundamentos de enfermagem. 5 ed. Rio de Janeiro:Guanabara Koogan;2004. 20 Clayton BD, Stock YN. Farmacologia na prtica de enferma- gem. 13 ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2006. 21 Santos L, Torriani MS, Barros E. Erros na administrao de medicamentos. In: Torriani MS, Santos L, Echer IC, Barros E, or- ganizadores. Medicamentos de A a Z: enfermagem: 2011-2012. Porto Alegre, RS: Artmed; 2011. p. 61-64. 22 State of Oregon (US), Department of Human Services. Aging and people with disabilities. State operated community program. State operated community program medication administration curriculum. [local desconhecido]: Department of Human Servi- ces; 2012 [acesso em 2013 Fev 16]. Disponvel em: www.dhs.sta- te.or.us/spd/.../socp-med-manual.pdf 23 Nursing drug handbook. 32nd ed. Philadelphia, PA: Lippincott
  • 74. 62 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Williams & Wilkins; 2012. 24 Elliot M, Liu Y. The nine rights of medication administration: an overview. Br J Nurs. 2010 Mar 11-24;19(5):300-305. 25 Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (BR). Voc sabia que pode colaborar para um cuidado mais seguro e com qualidade nos servios de sade? Braslia, DF: ANVISA; 2012 [acesso em 2013 Fev 22]. Disponvel em: http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/ anvisa+portal/anvisa/sala+de+imprensa/menu+-+noticias+a- nos/2012+noticias/ pacientes+poderao+contribuir+com+a+qualidade+do+atendi- mento 26 Institute of Medicine (US). Health IT and patient safety: buil- ding safer systems for better care: report brief. Washington, DC: IOM; 2011 [acesso em 2013 Mar 16]. Disponvel em: http://www. iom.edu/Reports/2011/Health-IT-and-Patient-Safety-Building-Sa- fer-Systems-for-Better-Care.aspx 27 Institute for Safe Medication Practices (US). ISMP acute care guidelines for timely administration of scheduled medications. Horsham, PA: ISMP; 2011 [acesso em 2013 Fev 20]. Disponvel em: http://www.ismp.org/ 28 Institute for Safe Medication Practices (US). ISMPs list of hi- gh-alert medications. Horsham, PA: ISMP; 2012 [acesso em 2013 Fev 16]. Disponvel em: www.ismp.org/tools/highalertmedica- tions.pdf 29 Instituto para Prticas Seguras no Uso dos Medicamentos (ISMP Brasil). Medicamentos potencialmente perigosos. Belo Horizonte (BR): ISMP Brasil; 2011 [acesso em 2013 Abr 6]. Disponvel em: www.ismp-brasil.org/faq/artigos/folder_ISMP_OK.pdf 30 Joint Commission International; World Health Organization;
  • 75. 63 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS WHO Collaborating Centre for Patient Safety Solutions. Assuring medication accuracy at transitions in care. Patient Safety Solu- tions. 2007 [acesso em 2013 Mar 9];1,Solution 6. Disponvel em: www.who.int/entity/patientsafety/solutions/patientsafety/PS-So- lution6.pdf 31 Conselho Federal de Enfermagem (BR). Resoluo COFEN 225/2000. Dispe sobre cumprimento de prescrio medicamen- tosa / teraputica distncia. Rio de Janeiro, RJ: COFEN; 2000 [acesso em 2013 Jun 2]. Disponvel em: www.portalcoren-rs.gov. br/docs/docs_oficiais.doc 32 Joint Commission International; World Health Organization; WHO Collaborating Centre for Patient Safety Solutions. Control of concentrated electrolyte solutions. Patient Safety Solutions. 2007 [acesso em 2013 Mar 9];1;Solution 5. Disponvel em: www. who.int/entity/patientsafety/solutions/patientsafety/PS-Solution5. pdf
  • 76. 64 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS ESTRATGIA 7: USO SEGURO DE DISPOSITIVOS INTRAVENOSOS ASPECTOS RELEVANTES A utilizao da via intravenosa para adminis- trao de medicamentos, solues, suporte nutricional parenteral, sangue e hemocomponentes constitui um importante recurso no cuidado sade. Essa prtica predomina em hospitais, mas tambm pode ser requi- sitada em ambulatrios, clnicas, nas unidades bsicas de sade e nos prprios domiclios. Atualmente, exis- te uma grande variedade de dispositivos intravenosos (cateteres venosos perifricos ou centrais), conexes e acessrios para infuso intravenosa disponveis no mer- cado. Como outros procedimentos utilizados no cui- dado sade, o uso de dispositivos intravenosos tem o potencial de causar dano ao paciente e est associa- do morbidade e mortalidade, especialmente durante a internao hospitalar. Nesse sentido, tanto cateteres como conexes e acessrios utilizados na instalao e manuteno de um acesso venoso, como equipos, per- fusores, conectores e dnulas, devem ser rigorosamente manuseados para evitar contaminao direta ou indireta do paciente por microrganismos1 e infeco, que uma das principais e mais graves complicaes do uso de dispositivos intravenosos. As principais complicaes locais da terapia in- travenosa so infiltrao (substncias no vesicantes) e extravasamento (substncias irritantes e vesicantes), flebite, trombose, ocluso do cateter e hematoma2 . A
  • 77. 65 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS flebite pode ser mecnica, qumica ou infecciosa. A flebite mecnica decorre de falhas na tcnica de puno, da inade- quao do cateter ao vaso ou da fixao incorreta, que per- mite a movimentao do cateter. A infuso de substncias irritantes, com pH baixo, diluio ou associao inadequada de medicamentos e tipo de cateter podem causar a flebite qumica. Entre os fatores que levam flebite infecciosa esto tcnica no assptica na insero e manuteno do cateter e o uso de dispositivos cuja embalagem no esteja ntegra3 . As complicaes sistmicas incluem embolia gasosa ou por fragmentos do cateter1,6 e, particularmente no caso de cateteres centrais, a infeco4 . Por interromperem a integri- dade da pele, os cateteres centrais possibilitam infeces por bactrias e fungos, com disseminao para a corrente sangu- nea. A spsis causa alteraes hemodinmicas e disfunes de rgos, podendo resultar na morte do paciente4 , estando ainda associada ao prolongamento da hospitalizao e au- mento dos custos1,5 . O uso seguro de dispositivos intravenosos compreen- de, tambm, a preveno de erros de conexo, que podem levar a eventos graves e at fatais se ocorrer a administrao de substncias no parenterais na rede venosa/arterial do pa- ciente6 . RECOMENDAES Gerais Realizar a higiene das mos antes do manuseio de qualquer dispositivo de acesso intravenoso. Manusear com a mxima ateno e cuidado os equipos conectados ao dispositivo intravenoso no momento de administrar medicamentos: certificar-se de que a via certa para o medicamento certo.
  • 78. 66 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Manusear com a mxima ateno e cuidado os equipos conectados ao paciente no momento de administrar medicamentos intravenosos: certificar-se de que a via certa para o medicamento certo. Entre as recomendaes para a preveno de erros de conexo destacam-se: 99 promover a capacitao contnua dos profissionais para a utilizao correta de sondas, cateteres e seringas7 ; 99 verificar todos os dispositivos conectados ao paciente, partindo de sua insero no corpo do paciente at a conexo final (frasco, bolsa, seringa), antes de realizar as reconexes, desconexes ou administrao de medicamentos e solues8,9 ; 99 manter o ambiente bem iluminado no momento de conectar ou reconectar tubos ou dispositivos6 ; 99 separarosdiferentessistemasdeinfuso.Porexemplo, posicionar os sistemas de infuso intravenosa na poro superior do leito e os de infuso de dietas enterais, prximos poro inferior do leito8,9 ; 99 orientar pacientes e familiares sobre a administrao de dieta por via enteral e o risco de uma conexo incorreta de dispositivos. Incentivar sua participao na verificao dos certos (via, medicamento, por exemplo)8,9 ; 99 orientar pacientes e familiares sobre a necessidade de chamar um profissional para qualquer manuseio dos dispositivos: conexes, desconexes ou reconexes8,9 ; 99 assegurar que alunos e estagirios realizem o manuseio de dispositivos intravenosos somente sob a superviso do professor6 . Reduzir o risco de contaminao realizando a desinfeco das conexes, antes de abri-las, com uma soluo antissptica adequada (clorexidina, iodo povidine, soluo com iodo ou lcool 70%), seguindo o protocolo da instituio/servio, e utilizar somente materiais esterilizados para acessar o cateter1 . Avaliar rotineiramente todos os pacientes com cateter
  • 79. 67 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS venoso central ou perifrico, observando o stio de insero quanto presena de sinais flogsticos, drenagem, infiltrao e permeabilidade. Registrar a avaliao no pronturio do paciente. Identificar precocemente a flebite e registrar a evoluo desse evento adverso ao longo da hospitalizao do paciente. As flebites podem ser classificadas em quatro graus: Grau 0: ausncia de sintomas; Grau 1: eritema na insero do cateter com ou sem dor; Grau 2: dor no local de insero do cateter com eritema e/ou edema; Grau 3: dor no local de insero do cateter com eritema e/ou edema, endurecimento, cordo fibroso palpvel; Grau 4: dor no local de insero do cateter, eritema e/ou edema, endurecimento e cordo fibroso palpvel maior que 1 cm de comprimento, com drenagem purulenta10 . Para dispositivos intravenosos perifricos Manter tcnica assptica na insero e manuseio de dispositivos intravenosos. Usar luvas de procedimento para a insero de dispositivos intravenosos perifricos, desde que o local no seja tocado aps o preparo da pele com a soluo antissptica11 . Utilizar precaues mximas de barreira para o cateter central de insero perifrica (PICC): gorro, mscara, avental estril, luvas estreis e campos estreis para cobrir todo o corpo do paciente11 . Avaliar rotineiramente o local de insero do dispositivo intravenosoeotrajetodaveiaquantopresenadeedema, dor, rubor, calor, secreo e endurecimento palpao da veia (ver graus de flebite descritos anteriormente). Registrar a avaliao no pronturio do paciente. Remover imediatamente o dispositivo se houver sinais
  • 80. 68 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS de flebite, infeco ou mau funcionamento1 . Selecionar o dispositivo intravenoso de acordo com o objetivo e durao do uso, considerando, tambm, a experincia profissional. Dar preferncia para dispositivos com calibres menores3 , sempre que possvel, pois diminuem a flebite mecnica e qumica. Em adultos, dar preferncia rede venosa das extremidades superiores. Substituir o acesso venoso em membro inferior o mais rpido possvel para um local no membro superior11 . Em crianas, pode ser utilizada a rede venosa das extremidades superiores ou inferiores. Nos recm- nascidos e bebs, tambm pode ser utilizada a rede venosa da cabea11 . Trocar o local de insero do dispositivo intravenoso perifrico de acordo com as normas da instituio. Em adultos, no necessrio trocar o local de insero de cateteres perifricos antes de 72-96 horas para reduzir o risco de infeco e flebite. Nos pacientes peditricos, a troca de stio de insero deve ser feita somente quando h uma indicao clnica1 . Realizar a avaliao da rede venosa perifrica no sentido distal-proximal, escolhendo, preferencialmente, sempre que possvel, os segmentos mais distais dos vasos das extremidades. A puno de um segmento distal de um vaso que j tem punes prvias de seu segmento proximal pode ocasionar infiltrao. Ter prudncia e cautela quanto ao nmero de tentativas para obteno do acesso venoso perifrico, considerando as habilidades tcnicas e a experincia do profissional envolvido.
  • 81. 69 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Para dispositivos intravenosos centrais Adotar, preferencialmente, o pacote de medidas ou care bundle5,12 para preveno da infeco da corrente sangunea associada via intravenosa. O mtodo bundle para reduo de infeco de corrente sangunea relacionada ao cateter venoso central compreende cinco intervenes: (1) higienizao das mos, (2) precaues mximas de barreira na insero do cateter, (3) antissepsia da pele com clorexidina, (4) escolha do melhor local para insero do cateter, evitando a veia femoral em pacientes adultos e (5) reavaliao diria da necessidade do acesso com a pronta remoo de cateteres desnecessrios5 . Consideradas individualmente, cada medida do pacote pode melhorar a assistncia, mas a adoo conjunta que proporciona melhores resultados12 . Utilizar precaues mximas de barreira para insero do cateter central: gorro, mscara, avental estril, luvas estreis e campos estreis para cobrir todo o corpo do paciente11 . Realizar as trocas de curativos com gaze a cada dois dias. Os curativos transparentes devem ser trocados a cada sete dias, exceto no caso de pacientes peditricos, nos quais os benefcios da troca no compensam o risco de deslocamento do cateter. O curativo transparente de cateteres tunelizados ou totalmente implantados deve ser trocado somente uma vez por semana, a menos que esteja sujo ou solto, at que o stio de insero esteja cicatrizado1 . Trocar os equipos e conexes conforme protocolo da instituio. No caso de administrao de sangue, hemocomponentes, lipdios, aminocidos e glicose, as trocas devem ser feitas a cada 24 horas. Ainda
  • 82. 70 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS no h uma recomendao para a troca de equipos e conexes utilizados para a administrao intermitente de medicamentos/solues, bem como para a troca da agulha de manuteno do acesso aos cateteres totalmente implantados1 . Monitorar periodicamente a eficcia das medidas de preveno de infeco associada ao cateter venoso central4 . Proteger o stio de insero do cateter central com plstico durante o banho no chuveiro. LEMBRE ;; Os procedimentos de insero de cateter e de sua puno, no caso dos totalmente implantveis, causam dor ao paciente1,13 . A avaliao da dor e o seu manejo devem ser includas no planejamento do procedimento de obteno do acesso venoso. ;; A abordagem de medidas ou care bundle no consiste apenas em uma lista exaustiva de cuidados relacionados ao cateter venoso central: recomendado o manuseio mnimo do dispositivo, com pequeno nmero de intervenes essenciais, com mtodo e regularidade12 . ;; Antes da insero e durante a manuteno do cateter central, deve-se orientar o paciente/acompanhante sobre a preveno de infeco7, 14 , enfocando os seguintes itens: a manipulao dos dispositivos intravenosos permitida apenas aos profissionais habilitados; a necessidade de que o acompanhante higienize as mos com gua e sabo ou gel/soluo alcolica antes e aps a visita; a importncia de estarem atentos e sinalizarem falhas/ limitaes no processo de higienizao das mos
  • 83. 71 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS realizado pelos profissionais de sade. se o curativo se desprender, ficar mido ou manchado com sangue, avisar imediatamente; a certificao de que o local de insero do cateter avaliado diariamente quanto presena de sinais de infeco5 . ;; A educao permanente essencial para instrumentalizar a equipe de sade e promover a adeso aos protocolos e a medidas seguras para a insero, a manuteno e o uso de dispositivos intravenosos. REFERNCIAS 1 OGrady NP, Alexander M, Burns LA, Dellinger EP, Garland J, Heard SO et al. Guidelines for the prevention of intravascular catheter-related infections. Atlanta, GA: Centers for Disease Con- trol; 2011 [acesso em 2012 Set 23]. Disponvel em: http://www. cdc.gov/hicpac/bsi/bsi-guidelines-2011.html 2 Phillips LD. Manual de terapia intravenosa. 2 ed. Porto Alegre: Artmed; 2001. 3 Harada MJCS, Rgo RC. Complicaes locais da terapia intra- venosa. In: Harada MJCS, Pedreira MLG, organizadoras. Terapia intravenosa e infuses. So Caetano do Sul, SP: Yendis Editora; 2011. p. 419-443. 4 How-to guide: prevent central line-associated bloodstream in- fections. Cambridge, MA: Institute for Healthcare Improvement; 2012 [acesso em 2012 Set 9]. Disponvel em: www.ihi.org 5 Institute for Healthcare Improvement (US). Implement the IHI central line bundle. Cambridge, MA; 2012 [acesso em 2012 Set 9]. Disponvel em: http://www.ihi.org/knowledge/Pages/Changes/ ImplementtheCentralLineBundle.aspx
  • 84. 72 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS 6 Silva AEBC, et al. Erros de conexo: prticas seguras e riscos na administrao de solues por sondas enterais e cateteres vascula- res. Boletim ISMP-Brasil. 2013 [acesso em 2013 Abr 6];2(3):1-4. Disponvel em: http://www.boletimismpbrasil.org/boletins/bole- tim.php?bolId=18 7 National Patient Safety Agency (NHS) (UK). Patient Safety Alert 19. Promoting safer measurement and administration of li- quid medicines via oral and other enteral routes. 2007. London: NHS; 2007 [acesso em 2013 Abr 7]. Disponvel em: http://www. npsa.nhs.uk/nrls/alerts-and-directives/alerts/liquidmedicines/ 8 Joint Commission (US). Tubing misconnections - a persistent and potentially deadly occurrence. Sentinel Event Alert. 2006 Apr [acesso em 2013 Abr 7];36. Disponvel em: https://www.premie- rinc.com/safety/topics/tubing-misconnections/downloads/jcaho- sentinel-event-issue-36.pdf 9 Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (ANVISA) (BR). N- cleo de Gesto do Sistema Nacional de Notificao e Investigao em Vigilncia Sanitria Unidade de Tecnovigilncia. Alertas de Tecnovigilncia. 2012 Out [acesso em 2013 Abr 7];1195. Dispo- nvel em: http://www.anvisa.gov.br/sistec/alerta/RelatorioAlerta. asp?NomeColuna=CO_SEQ_ALERTA&Parametro=1195 10 Infusion Nursing Society. Infusion nursing standards of practi- ce. Journal of Infusion Nursin. 2011;34(1S):S65-S66. 11 Centers for Disease Control (US). Frequently asked questions (FAQs) about catheter-associated bloodstream infections. Atlan- ta, GA: CDC; 2011 [acesso em 2012 Set 9]. Disponvel em: http:// www.cdc.gov/HAI/bsi/bsi.html 12 Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (BR), Unidade de Investigao e Preveno das Infeces e dos Efeitos Adversos, Gerncia Geral de Tecnologia em Servios de Sade. Corrente
  • 85. 73 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS sangunea: critrios nacionais de infeces relacionadas assis- tncia sade. Braslia, DF: ANVISA; 2009 [acesso em 2012 Set 10]. Disponvel em: www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/ correntesanguinea.pdf 13 Chanes DC. Cateteres venosos centrais de longa permanncia. In: Harada MJCS, Pedreira MLG, organizadoras. Terapia intrave- nosa e infuses. So Caetano do Sul, SP: Yendis Editora; 2011. p. 251-270. 14 The Joint Commission (US). National patient safety goals effec- tive January 1, 2012: Hospital Accreditation Program. Oakbrook Terrace, IL; 2011 [acesso em 2012 Set 9]. Disponvel em: http:// www.jointcommission.org/standards_information/npsgs.aspx
  • 86. 74 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS ESTRATGIA 8: PROCEDIMENTOS CIRRGICOS SEGUROS ASPECTOS RELEVANTES Estima-se que mais de 234 milhes de grandes cirur- gias sejam realizadas anualmente em todo o mundo, dado que evidencia a relevncia da segurana do cuidado cirrgi- co para a sade pblica1 . Estudo feito em um grande centro mdico norte-americano mostrou que 5,4% dos pacientes submetidos cirurgia apresentaram complicaes, e quase metade delas foram atribudas a um erro2 . A magnitude do problema dos erros associados aos procedimentos cirrgicos levou a Organizao Mundial da Sade (OMS) a lanar, em 2008, a campanha Cirurgia Se- gura Salva Vidas. Para alcanar os objetivos da campanha (Quadro 4), necessrio considerar que, nos procedimentos cirrgicos, a segurana no se restringe ao ato cirrgico. A segurana compreende uma rotina de eventos em sequncia: avaliao pr-operatria dos pacientes, interveno cirrgi- ca e preparo para o cuidado ps-operatrio adequado3 . Quadro 4 Objetivos da Campanha Cirurgia Segura Salva Vidas3 .
  • 87. 75 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Para mobilizar instituies e profissionais da sade para o desafio de reduzir os riscos associados ao procedi- mento cirrgico, a campanha divulga diretrizes e listas de verificao (checklists), adaptveis s particularidades do servio. Devem ser aplicadas em trs momentos: antes da induo da anestesia, antes da inciso na pele e antes de o paciente sair da sala de operao (Quadro 5)3 . Quadro 5 Trs momentos de verificao: SIGN IN, TIME OUT e SIGN OUT3,5 A reduo dos danos e o desenvolvimento de uma cultura de segurana nos ambientes cirrgicos so possveis, como mostrou um estudo internacional publicado em 2009. A pesquisa revelou que a utilizao de listas de verificao
  • 88. 76 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS (checklists) recomendadas pela OMS possibilitou uma redu- o de 36% das complicaes e 46% da mortalidade4 . RECOMENDAES Implantar o uso das listas de verificao recomendadas pela OMS3,4 com a participao de toda a equipe (Quadro 5). Registrar as verificaes realizadas e os nomes dos profissionais participantes no pronturio do paciente. LEMBRE ;; Preveno da infeco no stio cirrgico, anestesia segura e equipes cirrgicas seguras so fundamentais para salvar vidas3 . ;; Elementos bsicos da infraestrutura devem ser considerados,monitoradoseavaliadoscontinuamente: pessoal treinado, qualidade da gua, fontes de iluminao, equipamento para aspirao, fonte suplementar de oxignio, equipamento cirrgico em condies de uso e disponibilidade de instrumentos esterilizados3 . ;; A aceitao das listas de verificao pelas equipes e sua introduo nas salas cirrgicas requerem tempo e prtica. ;; Experincias de implantao das listas de verificao em hospitais tm demonstrado a utilidade de estratgias como3 : Formar uma equipe com as pessoas mais interessadas, que apoiam a mudana. importante dar destaque aos benefcios da reduo de complicaes e, potencialmente, dos custos associados. Iniciar a implantao em apenas uma sala cirrgica. medida que os problemas forem resolvidos e a equipe
  • 89. 77 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS estiver satisfeita, expandir gradualmente para as demais. Os profissionais que tm uma boa experincia com a implantao das listas de verificao tornam-se seus promotores e defensores. Acompanhar as mudanas e melhorias por meio do monitoramento dos resultados cirrgicos e complicaes. ;; O desenvolvimento de listas de verificao especficas como, por exemplo, lista de montagem de sala cirrgica, lista de conferncia dos documentos em pronturio e lista de verificao do carrinho de emergncia e de anestesia, contribuem para a obteno de melhores resultados e otimizao do tempo. ;; O local da cirurgia deve ser demarcado em todos os casos que envolvam lateralidade (direito/esquerdo), mltiplas estruturas (dedos das mos/ps, leses) ou mltiplos nveis (coluna vertebral). ;; A segurana dos procedimentos cirrgicos requer monitoramento contnuo para assegurar a qualidade. Por isso, a capacitao da equipe deve ser permanente. ;; O uso das listas de verificao pode ser estendido para outras reas, especialmente em procedimentos e cuidados complexos, assegurando que cada etapa seja completada, sem omisses ou esquecimentos, antes de se prosseguir para a prxima. A padronizao proporcionada pelas listas de verificao, aplicadas a todos os pacientes, em todas as situaes, resulta em mais segurana e melhores resultados clnicos6 . REFERNCIAS 1 Weiser TG, Regenbogen SE, Thompson KD, Haynes AB, Lip- sitz SR, Berry WR, Gawande AA. An estimation of the global volume of surgery: a modeling strategy based on available data. Lancet. 2008 Jul 12;372(9633):139-44. 2 Kohn LT, Corrigan JM, Donaldson MS, editors. To err is human:
  • 90. 78 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS building a safer health system. Washington, D.C.: National Aca- demy of Sciences, Institute of Medicine; 2000. 3 World Health Organization. WHO guidelines for safe sur- gery 2009: safe surgery saves lives. Geneva; 2009 [acesso em 2011 Fev 22]. Disponvel em: whqlibdoc.who.int/publica- tions/2009/9789241598552_eng.pdf 4 Haynes AB, Weiser TG, Berry WR, Lipsitz SR, Breizat AHS, Dellinger EP et al. A surgical safety checklist to reduce morbidity and mortality in a global population. N Engl J Med. 2009;360:491- 499. 5 Word Alliance for Patient Safety. Implementation manual WHO surgical safety checklist - safe surgery saves lives. Geneva; WHO; 2008 [acesso em 2013 Jan 24]. Disponvel em: http://www. who.int/patientsafety/safesurgery/ss_checklist/en/index.html 6 WHO. The checklist effect. Geneva; [data desconhecida] [aces- so em 2013 Fev 20]. Disponvel em: http://www.who.int/patient- safety/implementation/checklists/background/en/index.html
  • 91. 79 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS ESTRATGIA 9: ADMINISTRAO SEGURA DE SANGUE E HEMOCOMPONENTES ASPECTOS RELEVANTES A transfuso de sangue e hemocomponentes um su- porte essencial a muitos tratamentos e pode salvar vidas1,2 . As transfuses so realizadas para aumentar a capacidade do sangue de transportar oxignio, restaurar o volume sangu- neo do organismo, melhorar a imunidade ou corrigir distr- bios da coagulao3,4 . um recurso teraputico valioso, mas o alto custo4 e o risco de eventos adversos, como erros, reaes transfusio- nais e transmisso de infeces5 , exigem que sua utilizao seja criteriosa e reduzida ao mnimo, adotando-se estrat- gias, tais como: preveno de condies que possam resul- tar na necessidade de transfuso (por meio da promoo da sade e rastreamento para deteco precoce), diagnstico e tratamento adequados, boas tcnicas cirrgicas e anestsicas e uso de tratamentos alternativos transfuso de sangue6 . Amaioria dos pacientes no apresenta reaes trans- fuso. As reaes mais frequentes so as alrgicas e as febris. Ainfeco causada por contaminao bacteriana e as reaes imunes decorrentes de erros da tipagem sangunea entre doa- dor e receptor, embora raras, so eventos graves e podem ser fatais7 . A Organizao Mundial da Sade (OMS) recomenda o uso racional do procedimento, com base na avaliao clni- ca e/ou laboratorial, pois riscos imediatos ou tardios existem mesmo quando se seguem altos padres de qualidade em to- das as etapas do processo transfusional6,4 . Sempre que pos- svel, deve ser transfundido apenas o hemocomponente que suprir a necessidade especfica do paciente. A administra- o de um hemocomponente especfico mais segura e evita
  • 92. 80 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS o desperdcio de componentes no necessrios ao paciente4 . Atransfuso de sangue e de hemocomponentes carac- teriza-se como um processo complexo, com vrias etapas in- terconectadas, de natureza repetitiva e do qual participam di- ferentes profissionais e servios. No h um grupo especfico de profissionais que responda inteiramente pelo processo. A complexidade do processo explica o potencial para erros em alguns pontos crticos. A utilizao do sangue sem cuidados com a segurana aumenta o risco de morbimortalidade para o paciente e implica maiores custos1 . Para promover a segurana do paciente, a OMS reco- menda que o processo de coleta, testagem, processamento, armazenamento e distribuio seja coordenado a nvel na- cional, por meio de uma poltica e de um sistema/programa8 . O Brasil instituiu a Poltica Nacional de Sangue e Hemoderi- vados, regulamentada pela Lei n 10.205, de 21 de maro de 20019 , e complementada pelo Regulamento Tcnico para os procedimentos hemoterpicos, Portaria n 1.353 do Minist- rio da Sade, de 13 de junho de 201110 . O pas tambm mo- nitora as reaes transfusionais por meio do Sistema Nacio- nal de Hemovigilncia (SNH), criado em 2001 e coordenado pela Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (ANVISA), com o objetivo de aperfeioar o processo hemoterpico e au- mentar a segurana do paciente11 . RECOMENDAES Observar que a solicitao para transfuso de sangue ou de hemocomponentes seja feita em formulrio especfico, com as informaes necessrias para a identificao correta do receptor12 . Certificar-se da prescrio mdica da transfuso no pronturio do paciente, devidamente assinada e com
  • 93. 81 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS o nmero do registro profissional. Tambm devem ser registrados os nmeros e a origem dos hemocomponentes transfundidos e a data da realizao do procedimento12 . Fazer constar na etiqueta de cada bolsa de sangue ou de hemocomponente a ser transfundido: o nome completo do receptor, registro do hospital, leito e enfermaria/quarto, grupo sanguneo e fator Rh do doador e do receptor, a concluso da prova cruzada maior e a data de envio do hemocomponente para a transfuso12 . Utilizar, para a transfuso, equipos descartveis e livres de pirgenos com filtro de 170, que retm cogulos e agregados4 . Verificar a integridade da bolsa e a cor/aspecto do hemocomponente em dois momentos: ao receber a bolsa na unidade de internao ou centro cirrgico e antes de instalar no paciente. Devem-se observar sinais de hemlise e a presena de cogulos. Um vazamento ou alterao de cor podem indicar que o sangue est contaminado por bactria, havendo risco de causar uma reao grave ou fatal se for administrado ao paciente5,13 . Verificar o tempo mximo de permanncia da bolsa em temperatura ambiente, antes do incio da transfuso (o tempo varia conforme o componente). Ultrapassado esse tempo, o produto deve ser descartado4,12 . Orientar o paciente a informar imediatamente qualquer reao como tremores, rubor, dor ou dificuldade para respirar e ansiedade13 . Identificar o paciente receptor antes de instalar a bolsa com o hemocomponente: perguntar seu nome completo e confirmar com a prescrio o nome completo do paciente e um segundo identificador determinado pela instituio. Caso o paciente no possa colaborar, confirmar o nome com o seu acompanhante13 .
  • 94. 82 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Verificar e registrar os sinais vitais: antes da instalao de sangue e hemocomponentes, 15 minutos aps o incio e ao trmino14 . Observar que a febre no constitui contraindicao absoluta transfuso. No entanto, necessrio tomar medidas para que a temperatura retorne ao valor normal antes de iniciar a transfuso, porque a febre pode ser um sinal de uma reao transfusional4 . Permanecer com o paciente nos primeiros 10 minutos da transfuso12 para identificar prontamente sinais de possveis reaes. Os sinais e sintomas de uma reao hemoltica grave podem se desenvolver rapidamente, dentro de minutos, aps a infuso de volumes entre 5 ml e 10 ml de sangue13 . Observar o paciente a intervalos regulares, durante todo o perodo de transfuso, quanto a sinais e sintomas de uma reao adversa, velocidade de infuso correta e dor ou edema no local ou em volta do acesso venoso12,14 . Conhecer os sinais e sintomas das reaes mais comuns (alrgicas e febris): febre, com ou sem calafrios (elevao de 1C na temperatura corprea), associada transfuso; calafrios com ou sem febre; dor no local da infuso, torcica ou abdominal; alteraes sbitas na presso arterial, tanto hipertenso como hipotenso; alteraes respiratrias como: dispneia, taquipneia, hipxia, sibilos; alteraes cutneas como: prurido, urticria, edema localizado ou generalizado; nusea, com ou sem vmitos4 . Observarqueproibidaaadiodequalquermedicamento bolsa de hemocomponente. O acesso venoso e o equipo devem ser exclusivos para a transfuso, exceto em casos excepcionais e por prescrio mdica, para a administrao de cloreto de sdio a 0,9%12 .
  • 95. 83 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Interromper imediatamente a transfuso na vigncia de sinais de reaes transfusionais, verificar os sinais vitais e conferir os dados no rtulo da bolsa e a identificao do paciente4 . Deve ser mantido o acesso venoso com soluo de cloreto de sdio 0,9%14 . Ao mesmo tempo, chamar o mdico com urgncia e notificar o servio de hemoterapia. Devem-se manter bolsa e equipo intactos e encaminhar ao servio de hemoterapia para anlise. Se confirmada a reao transfusional, deve ser feita a notificao para a ANVISA4 . Observar que o perodo mximo de infuso do contedo de uma bolsa, independentemente do produto, de quatro horas, aps o qual a transfuso deve ser suspensa e a bolsa descartada de acordo com as normas da instituio para descarte12,13 . Registrar no pronturio do paciente no final do procedimento: indicao da transfuso, produto e volume transfundido, horrio de incio e trmino, nmero do produto e qualquer reao apresentada. Registrar tambm o monitoramento do paciente antes, durante e aps a transfuso: aspecto geral, temperatura, pulso, presso arterial, frequncia respiratria, balano hdrico (ingesta oral e infuso intravenosa e diurese)13 . Descartar a bolsa de sangue e o equipo de infuso conforme as normas da instituio e a Resoluo n 306 da Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (ANVISA)15 . Orientar o paciente sobre a transfuso de sangue: riscos, estratgias para evitar a transfuso e necessidade de ser identificado corretamente em todas as etapas do processo de transfuso2 .
  • 96. 84 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS LEMBRE 99 Devido ao risco potencial do procedimento, o paciente ou seu acompanhante deve ser informado e esclarecido sobre a deciso mdica4 . 99 Para a administrao segura de sangue e hemocomponentes so essenciais: identificao precisa do paciente, rotulagem correta da amostra de sangue para o teste pr-transfuso e verificao final da identidade do paciente e da bolsa de sangue (o sangue certo para o paciente certo)13 . 99 As reaes imediatas, do tipo febril ou hemoltica, podem ocorrer at 24 horas aps o incio da transfuso12 . 99 As instituies devem ter procedimentos operacionais escritos para a administrao de sangue e hemocomponentes, especialmente para a verificao final do paciente, bolsa de sangue, compatibilidade e documentao13 . 99 Caso indicado, o aquecimento de um produto hemoterpico deve ser feito em equipamento especial, com temperatura controlada e com orientao de profissional responsvel do servio de hemoterapia4 . 99 Para todos os pacientes que recebem uma transfuso de sangue e de hemocomponentes, fundamental que os profissionais envolvidos saibam Reconhecer, Responder e Relatar reaes transfusionais (os trs R)16 . 99 A falha na identificao do paciente uma das principais causas de erros nos procedimentos realizados em hospitais. As instituies devem ter um sistema padronizado de identificao do paciente, que inclui o uso de pulseiras, para que os profissionais possam identific-lo corretamente antes de iniciar um procedimento5 . ;; A verificao final junto ao paciente, imediatamente antes de iniciar a transfuso, a ltima oportunidade para constatar um erro de identificao que
  • 97. 85 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS pode ser fatal. A transfuso de sangue ou de um hemocomponente incorreto ainda , isoladamente, o problema grave mais frequente desse procedimento teraputico1,13, ;; O paciente que est recebendo uma transfuso no deve ser transportado para outra unidade/servio, particularmente se a infuso foi recm-iniciada, salvo em situaes crticas. Nesse caso, h recomendaes especiais para o transporte14 . ;; As transfuses devem ser realizadas, de preferncia, durante o dia12 . ;; A educao permanente de todos os profissionais envolvidos no processo de transfuso da rea clnica e do servio de hemoterapia essencial para a administrao segura de sangue e hemocomponentes2 e deve integrar o programa de qualidade da instituio. ;; No paciente inconsciente ou sob efeito de anestesia, a hipotenso e o sangramento incontrolvel podem ser os nicos indicadores de uma transfuso incompatvel13 . ;; Todos os cuidados recomendados para a segurana do processo transfusional devem ser repetidos para cada bolsa a ser instalada, incluindo a monitorao inicial e continuada do paciente13 . REFERNCIAS 1 WHO. WHO inter-regional consultation on strengthening the role of nurses and midwives in ensuring safe clinical transfusion and patient safety: concept paper for the consultation. Dubai; 2010 [acesso em 2013 Fev 17]. Disponvel em: http://www.who.int/ bloodsafety/events/consultation_irc_nurses/en/index.html 2 United Kingdom, Department of Health, Health Service Cir- cular. Better blood transfusion: safe and appropriate use of blood. London; 2007 [acesso em 2013 Fev 18]. Disponvel em: http:// www.transfusionguidelines.org/Index.aspx?Publication=NTC-
  • 98. 86 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS &Section=27&pageid=1368 3 Razouk FH, Reiche EMV. Caracterizao, produo e in- dicao clnica dos principais hemocomponentes. Rev. Bras. Hematol. Hemoter. 2004 [acesso em 2013 Fev 17],26(2):126- 134. Disponvel em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid- =S1516-84842004000200011&script=sci_arttext 4 Ministrio da Sade (BR), Secretaria de Ateno Sade, De- partamento de Ateno Especializada. Guia para o uso de hemo- componentes. Braslia, DF: Ministrio da Sade; 2010 [acesso em 2013 Fev 16]. Disponvel em: bvsms.saude.gov.br/bvs/publica- coes/guia_uso_hemocomponentes.pdf 5 WHO. Clinical transfusion process and patient safety. Geneva; 2010 [acesso em 2013 Fev 17]. Disponvel em: http://www.who. int/bloodsafety/clinical_use/en/index.html 6 WHO. Global forum for blood safety: patient blood manage- ment: concept paper. Dubai; 2011 [acesso em 2013 Fev 17]. Disponvel em: http://www.who.int/bloodsafety/events/gfbs_01_ pbm/en/index.html 7 Centers for Disease Control and Prevention (US). Blood safety basics. Atlanta, GA; 2013 [acesso em 2013 Fev 17]. Disponvel em: http://www.cdc.gov/bloodsafety/basics.html 8 WHO. Blood safety and availability. Fact sheet n 279. Geneva; 2012 [acesso em 2013 Fev 17]. Disponvel em: http:// www.who.int/mediacentre/factsheets/fs279/en/index.html 9 Brasil. Lei 10.205, de 21 de maro de 2001. Braslia, DF; 2001 [acesso em 2013 Fev 16]. Disponvel em: http://www.anvisa.gov. br/legis/leis/10205_01.htm 10 Brasil, Ministrio da Sade. Portaria n 1.353, de 13 de junho de 2011. Aprova o regulamento tcnico de procedimentos hemote-
  • 99. 87 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS rpicos. Braslia, DF: Ministrio da Sade; 2011 [acesso em 2013 Fev 16]. Disponvel em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudele- gis/gm/2011/prt1353_13_06_2011.html 11 Brasil, Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria. Hemovigi- lncia. Braslia, DF: ANVISA; [data desconhecida] [acesso em 2013 Fev 17]. Disponvel em: http://portal.anvisa.gov.br/wps/con- tent/Anvisa+Portal/Anvisa/Pos+-+Comercializacao+-+Pos+-+U- so/Hemovigilancia 12 Brasil,Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria. Resoluo-R- DC/ANVISA n 153, de 14 de junho de 2004. Braslia, DF: AN- VISA; 2004 [acesso em 2013 Fev 17]. Disponvel em: www.sbpc. org.br/upload/noticias_gerais/320100416113458.pdf 13 WHO. The clinical use of blood: handbook. Geneva: WHO; 2002 [acesso em 2013 Fev 17]. Disponvel em: http://www.who. int/bloodsafety/clinical_use/en/index.html 14 London Health Sciences Centre (CA), St. Josephs Health Care London. Blood transfusion resource manual. London, CA: St. Jo- sephs Health Care London; 2012 [acesso em 2013 Fev 18]. Dis- ponvel em: http://www.lhsc.on.ca/ 15 Brasil, Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria. Resoluo da Diretoria Colegiada RDC n 306, de 07 de dezembro de 2004. Dispe sobre o regulamento tcnico para o gerenciamento de re- sduos de servios de sade. Braslia, DF: ANVISA; 2004 [acesso em 2013 Fev 17]. Disponvel em: http://portal.anvisa.gov.br/wps/ content/Anvisa+Portal/Anvisa/Inicio/Servicos+de+Saude/Assun- to+de+Interesse/Legislacao/Residuos 16 WHO. WHO inter-regional consultation on strengthening the role of nurses and midwives in ensuring safe clinical transfusion and patient safety: recommendations. Dubai: WHO; 2010 [acesso em 2013 Fev 17]. Disponvel em: http://www.who.int/bloodsafe- ty/events/consultation_irc_nurses/en/index.html
  • 100. 88 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS ESTRATGIA 10: UTILIZAO SEGURA DE EQUIPAMENTOS ASPECTOS RELEVANTES O termo Tecnologias em Sade definido como medicamentos, materiais, equipamentos e procedimentos, sistemas organizacionais, educacionais, de informaes e de suporte, e programas e protocolos assistenciais, por meio dos quais a ateno e os cuidados com a sade so prestados populao1:1 . Essa estratgia est estruturada com foco na utiliza- o de equipamentos utilizados no cuidado sade, como monitores, desfibriladores, oxmetros, aparelhos de verifi- cao de presso arterial/glicemia, ventiladores mecnicos, entre outros, com o intuito de tornar visvel a importncia destes para a segurana do paciente. Quando os equipamentos so de qualidade reconhe- cida, utilizados corretamente e submetidos manuteno sistemtica, contribuem para a segurana do paciente, bem como com o bom desempenho dos profissionais de sade e com a reduo de custos operacionais. No entanto, no se pode desprezar o potencial de riscos que a utilizao de equi- pamentos no cuidado sade pode trazer ao paciente, profis- sional e ambiente. RECOMENDAES A equipe de sade deve exigir da instituio/servio responsvel pela instalao/manuteno o planejamento de aes sistemticas voltadas ao uso seguro dos equipamentos2:64 : 99 as instrues de uso de um equipamento devem conter
  • 101. 89 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS todas as informaes que possibilitem comprovar se o produto encontra-se bem instalado e pode funcionar corretamente e com segurana; 99 devem acompanhar o produto informaes sobre a instalao, manuteno corretiva, manuteno preventiva e calibrao. A instituio deve promover capacitaes sistemticas dos profissionais, em parceria com o Servio de Engenharia ou de Manuteno, quanto utilizao segura dos equipamentos, principalmente os de uso espordico. A instituio deve realizar ampla divulgao quando da incluso de novos equipamentos. Nos primeiros meses de utilizao, deve supervisionar o manejo e funcionamento adequado para identificar incongruncias entre a utilizao segura, recomendada pelo fabricante, e a praticada pelos profissionais. Deve-se estabelecer uma lista com os passos para confirmar a instalao e programao corretas do equipamento antes de conect-lo ao paciente. Sempre que possvel, utilizar ilustraes para orientar o uso dos equipamentos. Devem-se manter os equipamentos em locais adequados, predeterminados e estratgicos para os casos de urgncia. Cabos e conexes sobressalentes devem estar disponveis para evitar que imprevistos impeam o uso do equipamento. Deve-se utilizar planilha de controle individual para os equipamentos que necessitam de manuteno preventiva e/ou calibraes peridicas. Os equipamentos que apresentem problemas de funcionamento devem ser separados dos demais, identificados com etiqueta de proibio de uso e providenciado o pronto encaminhamento ao setor responsvel pela manuteno.
  • 102. 90 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Deve-se orientar o paciente e seu acompanhante para no fazerem alteraes na programao do equipamento e sobre os riscos associados, e incentiv-los a chamar o profissional sempre que tiverem dvidas. Os sistemas de alarme no podem ser desativados, tanto por membros da equipe de sade como pelo paciente e/ ou acompanhante. O paciente e seu acompanhante devem ser orientados a comunicar a equipe de sade sobre situaes/aspectos de risco, como, por exemplo, incio de alarmes (sonoro, luminoso). LEMBRE ;; A introduo de novos equipamentos deve ser acompanhada por divulgao, capacitao dos profissionaiseverificaodaadesosrecomendaes para o uso seguro, bem como da avaliao do impacto no sistema de sade3 . REFERNCIAS 1 Brasil, Ministrio da Sade, Secretaria de Cincia, Tecnologia e Insumos Estratgicos. Portaria N 2.510, de 19 de dezembro de 2005. Institui comisso para elaborao da poltica de gesto tec- nolgica no mbito do Sistema nico de Sade - CPGT. Braslia, DF: Ministrio da Sade; 2005 [acesso em 2013 Mar 17]. Dispo- nvel em: http://dtr2001.saude.gov.br/sas/PORTARIAS/Port2005/ GM/GM-2510.htm 2 Brasil, Ministrio da Sade, Agencia Nacional de Vigilncia Sanitria. Manual para regularizao de equipamentos mdicos na ANVISA. Braslia, DF: Ministrio da Sade; 2010 [acesso em
  • 103. 91 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS 2013 Mar 17]. Disponvel em: http://portal.anvisa.gov.br/wps/ content/Anvisa+Portal/Anvisa/Inicio/Produtos+para+Saude/As- sunto+de+Interesse/Publicacoes/manual+para+regularizacao+- de+equipamentos+medicos+na+anvisa 3 Brasil, Ministrio da Sade, Secretaria de Cincia, Tecnologia e Insumos Estratgicos, Departamento de Cincia e Tecnologia. Poltica nacional de gesto de tecnologias em sade. Braslia, DF: Ministrio da Sade; 2009 [acesso em 2013 Mar 17]. Disponvel em: portal.saude.gov.br/portal/.../pdf/politica_tecnologia_setem- bro09.pdf
  • 104. 92 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS ESTRATGIA 11: PACIENTES PARCEIROS NA SUA SEGURANA ASPECTOS RELEVANTES A Organizao Mundial da Sade recomenda que uma das iniciativas para garantir a segurana do paciente seja o desenvolvimento da autonomia e corresponsabilidade do prprio paciente/acompanhante no processo de tratamento, recuperao e cura1 . Em consonncia com essa recomenda- o, a Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria (ANVISA), que coordena as aes nacionais pela segurana do paciente e qualidade em servios de sade, lanou em 2012 o Projeto Pacientes pela Segurana do Paciente em Servios de Sa- de2 . Os pacientes esperam e acreditam que os profissio- nais de sade vo lhes oferecer um cuidado apropriado e se- guro conforme as suas necessidades. Proporcionar e receber cuidados de sade deve ser um ato de parceria e confiana entre os pacientes e profissionais da sade. Assim, o envol- vimento do paciente e do seu acompanhante uma medida para fortalecer o cuidado seguro3 . Aos usurios dos servios de ateno sade esto assegurados, por lei, seus direitos preservao da autono- mia na defesa de sua integridade fsica e moral e s infor- maes sobre sua sade4 . Alm do reconhecimento de seu direito participao, importante que os pacientes tambm compreendam que compartilham com os profissionais da sade a responsabilidade pelo cuidado adequado e seguro5 . Para os profissionais da sade, a parceria com os pa- cientes possibilita o oferecimento de um cuidado individua- lizado, ajustado s suas necessidades e condies peculiares. J, para o paciente, o desempenho de um papel ativo permite
  • 105. 93 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS combater a impotncia e a desesperana, possibilita-lhe per- ceber que no simplesmente uma vtima de erros e falhas na segurana e que tem capacidade para efetuar mudanas6 . Por meio da parceria com o paciente, a equipe de sade fo- menta sua autonomia, reconhece seu direito participao na tomada de decises e restitui seu papel de protagonista no cuidado a sua sade, alm de prepar-lo para o autocuidado. essencial valorizar a estreita relao entre crenas e valores culturais e o modo como o paciente percebe a doen- a, compreende e aceita os cuidados e o tratamento recomen- dado. Diante das diversidades de etnia, gnero, orientao sexual, nvel socioeconmico, idade, crenas religiosas e po- lticas, entre outras, o profissional de sade deve reconhecer a individualidade de cada paciente e demonstrar aceitao e respeito7 . A participao do paciente, que deve perpassar todas as reas da segurana e da ateno sade, inclui indagar sobre suas preferncias, promover o seu relacionamento com a equipe de sade, elaborar materiais sobre segurana do pa- ciente, criar comits de aconselhamento para as famlias, formular polticas e pleitear mudanas por meio de parcerias com agncias reguladoras e de acreditao1 . RECOMENDAES Incentivar os pacientes e acompanhantes a se tornarem parceiros da equipe de sade. A participao contribui para o cuidado seguro e pode evitar erros. Educar os pacientes e acompanhantes sobre a sua participao no cuidado adequado e seguro. Informar sobre sua responsabilidade de prestar informaes, esclarecer sempre suas dvidas, seguir o tratamento recomendado e comunicar e assumir a responsabilidade
  • 106. 94 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS pela recusa de procedimentos, exames, tratamentos, entre outros5 . Divulgar aos pacientes e acompanhantes as recomendaes do Projeto Pacientes pela Segurana do Paciente em Servios de Sade, lanado pela ANVISA em 2012, constantes no flder Voc sabia que pode colaborar para um cuidado mais seguro e com qualidade nos servios de sade?8 : 99 Nas consultas, faa perguntas at certificar-se de que compreendeu bem o que est sendo explicado/ recomendado pelo profissional da sade. 99 No caso de necessitar de uma cirurgia, solicite ao cirurgio informaes sobre como a cirurgia, qual o preparo pr-operatrio, tempo de durao, resultados esperados e possveis complicaes. Informe ao cirurgio, anestesiologista, farmacutico e enfermeiro sobre alergias a medicamentos e reaes adversas anestesia. 99 No caso de exames diagnsticos, informe-se sobre como feito o exame, qual o preparo necessrio e o recebimento dos resultados. Esclarea com o mdico o resultado do exame e a relao com seu estado de sade. 99 Quanto ao uso de medicamentos, informe ao profissional todos os medicamentos em uso e sobre alergias a medicamentos e alimentos. Pergunte se existem riscos em combinar medicamentos, alimentos e suplementos alimentares. Verifique se a prescrio mdica est clara e legvel, e se a receita obrigatria para a compra dos medicamentos. Leia o rtulo e as advertncias na bula dos medicamentos em uso. 99 No caso de internao, assegure-se de que a instituio hospitalar: est regularizada junto Vigilncia Sanitria local e seus profissionais portam identificao pessoal e visvel (crach); identifica seus pacientes (por exemplo, com pulseira de identificao); realiza a administrao segura de medicamentos; previne quedas dos pacientes e lceras
  • 107. 95 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS por presso. Lembre que o manuseio de cateteres, sondas e equipamentos deve ser feito somente por profissionais da instituio. O hospital deve manter o seu pronturio em local seguro e permitir o seu acesso a ele sempre que necessrio. Na alta hospitalar, tenha certeza de que recebeu e compreendeu todas as orientaes e prescries, para dar continuidade aos cuidados de modo seguro em sua casa. 99 Quanto ao controle de infeces hospitalares, verifique se a instituio tem sua Comisso de Controle de Infeco Hospitalar. Certifique-se de que os profissionais de sade higienizam as mos nos cinco momentos recomendados: (1) antes de tocar em voc, (2) aps tocar em voc, (3) antes de realizar procedimentos asspticos (por exemplo, administrao de medicamentos, puno venosa, realizao de curativos, insero de sondas), (4) aps contato com sangue e lquidos corporais e (5) aps tocar superfcies e objetos prximos a voc (por exemplo, lenis, cobertores, cama, mesa de cabeceira, mesa auxiliar). Dedicar um tempo para conversar com o paciente/ acompanhante e, assim, conhecer suas percepes sobre o ambiente de prestao de servios, identificando precocemente riscos e pontos de vulnerabilidade. Utilizar linguagem de fcil compreenso para o paciente/ acompanhante, explicando termos tcnicos e utilizando figuras ou manuais explicativos destinados educao para o autocuidado. Manter-se alerta para as diferenas culturais que possam interferir na comunicao adequada. Tanto na comunicao verbal como no verbal, o significado pode variar conforme a cultura. Estar alerta para as possveis barreiras na comunicao fundamental para evitar mal- entendidos, falta de cooperao e ofensas7 . Devem-se observar crenas e atitudes, ouvir e identificar diferenas
  • 108. 96 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS em significados de palavras. Perguntar ao paciente: ele quem melhor conhece suas especificidades culturais9 . Preservar o sigilo e a confidencialidade das informaes com vistas ao estabelecimento de uma relao de confiana da equipe com os pacientes. Estimular o paciente e o acompanhante a fazerem perguntas e esclarecerem suas dvidas previamente realizao do cuidado/exame. Essa pode ser a ltima oportunidade para identificar e interceptar um erro. LEMBRE ;; O paciente e seu acompanhante tm o direito de participar do seu cuidado. ;; O acompanhante deve ser orientado e preparado para participar dos cuidados juntamente com a equipe de sade. ;; A parceria entre a equipe de sade e o paciente/ acompanhante promove e subsidia o autocuidado, contribuindo tambm para a adeso s recomendaes dos profissionais. ;; Valorizar a comunicao com os pacientes, ouvir suas preocupaes e viabilizar sua participao ativa no cuidado so aspectos essenciais da segurana10 . ;; A parceria entre a equipe de sade e o paciente/ acompanhante implica a aprendizagem de novas perspectivas e comportamentos para todos os envolvidos, exigindo pacincia e sensibilidade da equipe multiprofissional. ;; A parceria com o paciente contribui para o cuidado seguro e pode evitar erros, mas a responsabilidade pela segurana dos pacientes dos profissionais da sade11 .
  • 109. 97 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS REFERNCIAS 1 World Health Organization, World Alliance for Patient Safety. Forward programme 2008-2009. Geneva: WHO; 2008 [acesso em 2013 Fev 24]. Disponvel em: http://www.who.int/patientsa- fety/information_centre/documents/en/ 2 Brasil, Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria. Projeto pa- cientes pela segurana do paciente em servios de sade. Bras- lia, DF: ANVISA; 2012 [acesso em 2013 Fev 22]. Disponvel em: proqualis.net/higienizacao/files/2013/01/Projeto-Pacientes.pdf 3 World Health Organization, World Alliance for Patient Safe- ty. Patient safety workshop: learning from error. Geneva: WHO; 2010 [acesso em 2013 Fev 24]. Disponvel em: http://www.who. int/patientsafety/education/vincristine_download/en/ 4 Brasil, Presidncia da Repblica. Lei N 8.080, de 19 de setem- bro de 1990. Dispe sobre as condies para a promoo, prote- o e recuperao da sade, a organizao e o funcionamento dos servios correspondentes e d outras providncias. Braslia, DF; 1990. [acesso em 2013 Fev 23] Disponvel em: http://www.planal- to.gov.br/ccivil_03/Leis/L8080.htm 5 Brasil, Ministrio da Sade, Conselho Nacional de Sade. Carta dos direitos dos usurios da sade. 3 ed. Braslia, DF: Ministrio da Sade; 2011 [acesso em 2013 Fev 16]. Disponvel em: http:// portal.saude.gov.br/portal/saude/cidadao/area.cfm?id_area=1114 6 Nelson J, Hellyer JMH. The patients responsibility: nurses need to reject the temptation to blame and judge. AJN. 2011 Feb;111(2):11. 7 International Council of Nurses. ICN position: cultural and lin- guistic competence. Geneva: ICN; 2007 [acesso em 2013 Fev
  • 110. 98 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS 24]. Disponvel em: http://www.icn.ch/publications/position-sta- tements/ 8 Brasil, Agncia Nacional de Vigilncia Sanitria. Voc sabia que pode colaborar para um cuidado mais seguro e com qualidade nos servios de sade? Braslia, DF: ANVISA; 2012 [acesso em 2013 Fev 22]. Disponvel em: http://portal.anvisa.gov.br/wps/con- tent/anvisa+portal/anvisa/sala+de+imprensa/menu+-+noticias+a- nos/2012+noticias/pacientes+poderao+contribuir+com+a+quali- dade+do+atendimento 9 Australia, Victorian State Government, Department of Health. Enhancing communication and clinical practice to help realise he- althcare rights. Melbourne: Department of Health; 2010 [acesso em 2013 Fev 24]. Disponvel em: http://www.health.vic.gov.au/ patientcharter/services/clinical.htm 10 Vincent CA, Coulter A. Patient safety: what about the patient? Qual Saf Health Care. 2002 Mar;11(1):7680. 11 Davis RE, Jacklin RMRCS, Sevdalis N, Vincent CA. Patient involvement in patient safety: what factors influence patient par- ticipation and engagement? Health Expect. 2007 Sept;10(3):259 267.
  • 111. 99 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS ESTRATGIA 12: FORMAO DE PROFISSIONAIS DA SADE PARA O CUIDADO SEGURO A proteo dos pacientes de danos no intencionais uma responsabilidade dos profissionais, da equipe, das insti- tuies e dos servios e do sistema de sade1 . Na construo da cultura de segurana, a formao acadmica e a educao permanente dos profissionais da sade destacam-se como componentes essenciais. A qualidade da ateno sade resulta do trabalho de grupos; a ao isolada de pessoas no suficiente. Cuidados seguros e de qualidade s podem ser alcanados com o es- foro conjunto de servios de ateno sade e academia. O aperfeioamento de sistemas e processos de cuidado sade est intrinsecamente associado ao preparo dos profissionais2 . As formas de vislumbrar o cuidado vinculado a novas polticas de sade nacionais e internacionais trazem tona a viso do cuidado voltado segurana, tanto do ponto de vista de quem cuida como de quem cuidado. Sob esse pris- ma, necessrio discutir as prticas atuais com o intuito de produzir aes que efetivamente sejam capazes de reduzir os riscos segurana do paciente durante a assistncia sade. A formao de profissionais da sade est exigindo uma grande transformao3 para atender s necessidades dos pacientes no sculo 21. Os problemas de sade, os desejos dos pacientes, as expectativas em relao aos sistemas de sade, o dimensionamento de equipes e profissionais, novas tecnologias e a nfase na qualidade, entre outras, so carac- tersticas do cenrio atual de ateno sade4 . E, nesta pers- pectiva de uma grande reforma, tanto o ensino dos estudantes como o preparo dos professores deve receber igual ateno. Recomendaes de mudana no preparo profissional
  • 112. 100 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS tm sido dirigidas s profisses da rea da sade como um todo, destacando o cuidado centrado no paciente, o trabalho em equipe, a prtica baseada em evidncias, a melhora da qualidade e o uso da informtica3 como as cinco reas de competncias a serem integradas na formao. A necessidade de atualizao emerge, tambm, da mobilidade espacial e acadmica caractersticas do mundo globalizado de hoje, em que profissionais da sade estudam, trabalham e buscam aperfeioamento em instituies e ser- vios internacionais. Assim, com a disseminao mundial do movimento pela segurana do paciente, a formao de profissionais da sade est exigindo uma base comum ou um currculo internacional. Em um mundo interdependente, renovar a educao profissional pode fortalecer os sistemas de sade5 . Possivelmente em decorrncia do destaque dado pela mdia aos erros associados aos medicamentos, outros com- ponentes da segurana do paciente no tm recebido ateno adequada no planejamento de um currculo internacional. Componentes como o controle de infeco, segurana no uso de equipamentos, ambiente de cuidado seguro e preveno de quedas, proteo contra riscos ambientais e a prpria per- cepo dos pacientes do que a segurana devem integrar um currculo internacional sobre segurana do paciente6 . A cincia da segurana implica conhecimento sobre trabalho em equipe, utilizao de informaes e da tecnolo- gia da informao, aferio da qualidade e comunicao com pacientes sobre o erro. Falhas na comunicao e relaes de trabalho insatisfatrias so fatores marcantes na maioria dos eventos adversos7 . preciso expor claramente a influncia da colaborao na melhora do trabalho em equipe e, em consequncia, na segurana do paciente8 . Os currculos de formao profissional devem incentivar as abordagens inter-
  • 113. 101 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS profissionais de cuidado e a comunicao9 . A segurana do paciente pode ser entendida, numa viso mais abrangente, como um tema transversal na formao de profissionais da sade10-12 . Em 2008, o Canadian Patient Safety Institute e o The Royal College of Physicians and Surgeons of Canada ela- boraram o documento The Safety Competencies: Enhancing Patient Safety Across the Health Professions, que indica co- nhecimentos, habilidades e atitudes a serem desenvolvidos na formao e aperfeioamento de todos os profissionais da sade. Sua finalidade promover a cultura da segurana do paciente em todos os servios e instituies de cuidado sade. Para tanto, deve ser adaptado e adotado na formao de profissionais da sade e na educao permanente no tra- balho8 . O modelo proposto compreende seis domnios de competncias para a segurana do paciente, com a descrio de seus respectivos conhecimentos, habilidades e atitudes. Os seis domnios so os seguintes8 : Domnio 1: o profissional da sade contribui para a cultura de segurana do paciente, assumindo o compro- misso de aplicar diariamente no seu trabalho os conheci- mentos, habilidades e atitudes bsicos de segurana. Domnio 2: realiza seu trabalho junto com equipes, de modo interdisciplinar, buscando maximizar a segurana do paciente e a qualidade do cuidado. Domnio 3: utiliza a comunicao efetiva. Domnio 4: maneja os riscos segurana, antecipan- do, reconhecendo e manejando adequadamente situaes que colocam o paciente em risco. Domnio 5: maneja a relao entre as caractersticas individuais e ambientais de modo a otimizar a segurana do paciente.
  • 114. 102 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Domnio 6: reconhece a ocorrncia de um evento adverso ou de um incidente que no chegou a atingir o paciente e responde efetivamente para reduzir o dano, as- segurar a revelao e prevenir a repetio. Para que sejam desenvolvidas, as competncias da se- gurana devem estar na linha de frente do ensino, devem ser visveis e comentadas diariamente, beira do leito, nas uni- dades de internao, clnicas, farmcias, ambulatrios, entre tantos outros locais de cuidados sade. Os professores de- vem incorporar as competncias da segurana a sua prtica diria de ensino, de modo a transformar todas as oportuni- dades em momentos de aprendizagem8 . As competncias da segurana tambm precisam ser desenvolvidas pelos profis- sionais j atuantes nos servios de sade8 . Por entender que a educao em segurana do pacien- te necessria na formao de profissionais da sade, e que isso pode ser um grande desafio para instituies de ensino face ao preparo limitado de muitos professores, a Organi- zao Mundial da Sade (OMS) desenvolveu, em 2011, o WHO patient safety curriculum guide: multi-professional edition. O Curriculum Guide foi elaborado por um grupo de mais de 50 profissionais de vrias partes do mundo, ten- do como referncia o Australian Patient Safety Education Framework, validado na Austrlia e internacionalmente e publicado em 2005, e o The Safety Competencies Enhan- cing patient safety across the health professions, produzido no Canad em 2009. Tanto o documento australiano como o canadense esto centrados em conhecimento, habilidades e atitudes/comportamentos exigidos de todos os profissionais da sade13 . As propostas do Curriculum Guide so flexveis e po- dem ser integradas a currculos j existentes. O documento apresenta os temas e o modo como podem ser desenvolvi-
  • 115. 103 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS dos por professores e estudantes. um currculo que visa o estudo das questes de segurana nas diversas situaes de cuidado, desde o momento em que o estudante entra pela primeira vez em um servio de sade. As habilidades e os comportamentos de segurana do paciente do futuro profis- sional devem ser desenvolvidos em cada situao de cuida- do, quando deve aprender a tratar cada paciente como um indivduo nico, com caractersticas e necessidades parti- culares a serem consideradas. A OMS destaca, ainda, que os estudantes, ao aplicarem seus conhecimentos e habilidades de segurana do paciente, podem servir de exemplo para os profissionais j atuantes nos servios de sade13 . Para introduzir a segurana do paciente nos currculos dos cursos, a OMS sugere trs passos: descrever os resulta- dos de aprendizagem esperados, identificar o que o currculo j aborda quanto segurana e realizar as mudanas a partir do que j est sendo contemplado. Devem-se reconhecer e valorizar os vrios aspectos da segurana do paciente que so abordados costumeiramente nos currculos dos profissio- nais da sade, ou seja, no se trata da introduo de um novo tema13 . No Brasil, a partir da implantao do Programa Na- cional de Segurana do Paciente (PNSP), em abril de 2013, o Ministrio da Sade, em conjunto com o Ministrio da Edu- cao e com o Conselho Nacional de Educao, pretende in- centivar a insero de contedos sobre segurana do paciente em cursos tcnicos, de graduao e de ps-graduao na rea da sade14 . No que se refere aos cursos tcnicos, o Programa de Formao de Profissionais de Nvel Mdio para a Sa- de (PROFAPS), voltado para a capacitao de tcnicos nas reas de Radiologia, Patologia Clnica e Citotcnica, Hemo- terapia, Manuteno de Equipamentos, Sade Bucal, Prtese
  • 116. 104 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Dentria, Enfermagem e Vigilncia em Sade, alm de apri- morar os conhecimentos bsicos dos Agentes Comunitrios da Sade e de cuidadores de idosos15 , pode contribuir signi- ficativamente para a construo da cultura de segurana nos servios de sade. Para os cursos de graduao, o Programa Nacional de Reorientao da Formao Profissional em Sade (Pr- Sade), implantado em 2005, embora no seja voltado para a temtica da segurana do paciente, enfatiza o trabalho em equipes multiprofissionais e a abordagem interdisciplinar. O Programa estabelece trs eixos Orientao Terica, Cen- rios de Prtica e Orientao Pedaggica para a formao dos profissionais da sade no Brasil, como estratgia para aproximar teoria e prtica, combater a fragmentao do cui- dado e desenvolver habilidades para o trabalho colaborativo e interdisciplinar. Para o Pr-Sade, no s os estudantes, mas tambm os profissionais esto em permanente proces- so de educao, e as parcerias entre instituies de ensino e servios de sade tm um papel decisivo na qualificao da assistncia16 . Na formao de profissionais, uma questo impor- tante a ser considerada que a segurana do paciente um conceito novo. A preocupao com a segurana do paciente e a qualidade do cuidado so questes mais recentes na sa- de, e preciso lembrar que muitos professores no tiveram, em sua formao, educao para a segurana do paciente2,13 . Por esse motivo, a sua integrao aos currculos ainda in- cipiente17 . No processo de formao dos profissionais da sade, um aspecto essencial que a segurana seja um pressuposto internalizado pelos estudantes como um direito dos pacien- tes18 . Igualmente importante o fato de que a formao do estudante compreende no s contedos e prticas curricula-
  • 117. 105 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS res. O que aprendido informalmente nas interaes, tan- to em sala de aula como em laboratrio e em ambientes de cuidado, exerce forte influncia sobre valores e atitudes do futuro profissional3 . E deve-se lembrar de que o que apren- dido desse modo pode ser o oposto do que formalmente ensinado19 , e isso indica que a segurana do paciente no depende somente de conhecimentos. Os comportamentos de segurana, ou de falta de segurana, observados pelos estu- dantes exercem poderosa influncia na sua formao. Muitos servios de sade esto substituindo o enfo- que na pessoa que comete um erro pela investigao de onde se encontram os riscos de dano ao paciente, e buscando ma- neiras de reduzir as possibilidades de ocorrncia20 . Analoga- mente, a consolidao da cultura de segurana do paciente depende muito do modo como so abordados os erros co- metidos pelos estudantes. Embora seja esperado que os estu- dantes errem durante sua aprendizagem prtica, necessrio considerar tais erros no contexto mais amplo dos sistemas de educao e de prtica profissional. Os currculos e progra- mas de ensino devem assegurar aos estudantes as condies para alcanar os padres de desempenho clnico e que sua prtica seja o mais segura possvel21 . Estratgias de ensino variadas podem ser utilizadas pelos docentes no preparo dos futuros profissionais. Nos la- boratrios de simulao, por exemplo, os estudantes podem aprender a atuar em equipe, praticar a comunicao e fami- liarizar-se com a terminologia da segurana, como o leia de volta (repita o que foi dito) recomendado em situaes de recebimento de informaes por telefone2 . Outra possibilidade a atuao conjunta de docentes e profissionais dos servios de sade, como, por exemplo, os enfermeiros, pois estes recebem educao permanente so- bre segurana. Enquanto os professores enfocam o ensino da
  • 118. 106 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS fundamentao terica, os enfermeiros da rea clnica cola- boram no ensino da segurana aos estudantes nos campos de prtica, constituindo um mtodo que explora, alm dos conceitos, tambm a sua aplicao em situaes reais de cui- dado. Em consequncia, os estudantes podem desenvolver competncias para a segurana do paciente18 . Docentes e profissionais dos servios de sade podem, ainda, realizar estudos de caso conjuntamente. O preparo dos estudantes para as prticas pode incluir os potenciais erros de alto risco para o paciente, e o incentivo ao relato de quais- quer riscos segurana que venham a observar2 . A utilizao de metodologias ativas no processo de formao e educao permanente dos profissionais da sade pode ser particularmente produtiva. A problematizao de situaes de cuidado presentes no cotidiano do fazer pro- fissional e que apresentem risco de ocorrncia de eventos adversos pode ser construda e discutida conjuntamente por estudantes, docentes e enfermeiros. As rodas de conversa so- bre os eventos adversos mais frequentemente notificados ou identificados pela equipe de um servio de sade constituem outra proposta de problematizao e anlise de aspectos re- lacionados segurana do paciente11,12,22 . A segurana do paciente um componente essencial da qualidade do cuidado. Mesmo sendo um conceito relati- vamente novo tanto na rea assistencial como na educao de profissionais da sade, a preocupao com a segurana do paciente j se tornou um expressivo movimento mundial. Os programas de acreditao hospitalar, uma certificao de qualidade especfica para os servios de sade, tm contri- budo muito para difundir princpios e prticas de segurana do paciente, alm de incentivarem mudanas administrativas em todos os setores das instituies de modo a reduzir riscos e potencializar o cuidado seguro dos pacientes.
  • 119. 107 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Servios de sade e rgos governamentais, tanto no exterior como no Brasil, tm feito avanos considerveis na promoo da segurana no cuidado. As instituies e os cur- sos de formao de profissionais da sade, por sua vez, ainda demonstram timidamente, em sua grande maioria, a preo- cupao com o cuidado seguro. necessrio que reconhe- am claramente nos seus currculos o cuidado seguro como um direito do paciente e, portanto, um dever do profissional de sade por eles formado. O compromisso de instituies de ensino e cursos de formao com o preparo de profissionais com conhecimen- tos, habilidades e atitudes necessrios para o cuidado seguro exige uma urgente transformao de currculos e processos de ensino-aprendizagem. Para esse empreendimento, reco- mendam-se os documentos The Safety Competencies, do Ca- nadian Patient Safety Institute (2008)8 , o Curriculum Guide, da OMS (2011)13 e o Programa Nacional de Segurana do Paciente, do Ministrio da Sade (2013)14 . REFERNCIAS 1 Neufeld K. The safety imperative. Canadian Nurse. 2009 Oct;105(8):2. 2 Sherwood G, Drenkard K. Quality and safety curricula in nur- sing education: matching practice realities. Nurs Outlook. 2007 [acesso em 2013 Maio 19];55:151-155. Disponvel em: tahsa. org/.../QS_curricula_in_nursing_education.pdf 3 Greiner AC, Knebel E, editors. Health professions education: a bridge to quality. Executive summary. Washington, DC: Natio- nal Academies Press; 2003 [acesso em 2013 Maio 26]. Disponvel em: http://www.nap.edu/openbook.php?isbn=0309087236
  • 120. 108 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS 4 Crossing the quality chasm: a new health system for the 21st century. Report brief. Washington, DC: Institute of Medicine; 2001 [acesso em 2013 Maio 26]. Disponvel em: www.nap.edu/ html/quality_chasm/reportbrief.pdf 5 Interprofessional Education Collaborative Expert Panel. Core competencies for interprofessional collaborative practice: report of an expert panel. Washington, D.C. (US): Interprofessional Edu- cation Collaborative; 2011 [acesso em 2013 Maio 19]. Disponvel em: https://www.aamc.org/download/186750/data/core_compe- tencies.pdf 6 Vaismoradi, Mojtaba. Nursing education curriculum for im- proving patient safety. Journal of Nursing Education and Prac- tice. 2012 Feb [acesso em 2013 Maio 12];2(1):101-104. Dispo- nvel em: http://www.sciedu.ca/journal/index.php/jnep/article/ view/516/328 7 Kohn LT, Corrigan JM, Donaldson MS, editors. To err is human: building a safer health system. Washington, D.C.: National Aca- demy of Sciences, Institute of Medicine; 2000. 8 Canadian Patient Safety Institute (CA). The safety competen- cies: enhancing patient safety across the health professions. Ot- tawa: Canadian Patient Safety Institute; 2008 [acesso em 2013 Maio 19]. Disponvel em: http://www.patientsafetyinstitute.ca/ English/toolsResources/safetyCompetencies/Pages/default.aspx 9 Kingston-Riechers J, Ospina M, Jonsson E, Childs P, McLeod L, Maxted J. Patient Safety In Primary Care. Edmonton, Alber- ta (CA): Canadian Patient Safety Institute and BC Patient Safety & Quality Council; 2010 [acesso em 2013 Maio 19]. Disponvel em: http://www.patientsafetyinstitute.ca/English/toolsResources/ patientSafetyPublications/Pages/default.aspx 10 Harada MJCS. Segurana do paciente, interface entre o ensino
  • 121. 109 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS e a prtica de enfermagem. [slide]. Campinas, SP: o autor; [2011] [acesso 2013 Maio 26]. Disponvel em: http://foruns.bc.unicamp. br/Arquivos%20Bibioteca%20Virtual/Saude/08-11/arquivosPP6. htm 11 Wegner W. A segurana do paciente nas circunstncias de cui- dado: preveno de eventos adversos na hospitalizao infantil [tese de doutorado]. Porto Alegre (RS): Escola de Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2011. 12 Wegner W, Pedro ENR. Patient safety in care circumstances: prevention of adverse events in the hospitalization of children. Rev. Latino-Am. Enfermagem. 2012;20(3):427-434. 13 WHO. WHO patient safety curriculum guide: multi-pro- fessional edition. Geneva: WHO; 2011 [acesso em 2013 Maio 27]. Disponvel em: http://whqlibdoc.who.int/publica- tions/2011/9789241501958_eng.pdf 14 Ministrio da Sade (BR). Portaria N 529, de 1 de abril de 2013. Institui o Programa Nacional de Segurana do Paciente (PNSP). Braslia: Ministrio da Sade; 2013 [acesso em 2013 Abr 13]. Disponvel em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/ gm/2013/prt0529_01_04_2013.html 15 Ministrio da Sade (BR). Secretaria de Gesto do Trabalho e da Educao na Sade. Educao Profissional e PROFAPS. Bras- lia; [data desconhecida] [acesso em 2013 Maio 5]. Disponvel em: http://www.prosaude.org/ 16 Ministrio da Sade (BR); Ministrio da Educao. Programa nacional de reorientao da formao profissional em sade Pr- Sade : objetivos, implementao e desenvolvimento potencial. Braslia: Ministrio da Sade; 2007 [acesso em 2013 Maio 5]. Disponvel em: http://www.prosaude.org/publicacoes/index.php
  • 122. 110 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS 17 Walton M, Woodward H, Van Staalduinen S, Lemer C, Greaves F, Noble D, Ellis B, et al. The WHO patient safety curriculum gui- de for medical schools. Qual Saf Health Care. 2010;19:542-546. 18 Vaismoradi M, Salsali M, Marck P. Patient safety: nursing stu- dents perspectives and the role of nursing education to provide safe care. Int Nurs Rev. 2011;58:434-442. 19 Maudsley G. What issues are raised by evaluating problem-ba- sed undergraduate medical curricula? Making healthy connections across the literature. J Eval Clin Pract. 2001 Aug[acesso em 2013 Maio 27];7(3):311-324. Disponvel em: http://www-periodicos- capes-gov-br.ez45.periodicos.capes.gov.br/index.php?option- =com_phome 20 On a mission to prevent the preventables. Canadian Nurse. 2009 Oct;105(8):32-33. 21 Gregory D, Guse L, Dick DD, Davis P, Russell CK. What cli- nical learning contracts reveal about nursing education and patient safety. Can Nurse. 2009 Oct;105(8):20-25. 22 Brasil, Ministrio da Sade, Secretaria de Gesto do Trabalho e da Educao na Sade, Departamento de Gesto da Educao em Sade. Poltica nacional de educao permanente em sade. Bras- lia: Ministrio da Sade; 2009 [acesso em 2013 Jun 5]. Disponvel em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/volume9.pdf
  • 123. CONSIDERAES FINAIS
  • 124. 113 REDE BRASILEIRA DE ENFERMAGEM E SEGURANA DO PACIENTE - POLO RS Com a publicao de Estratgias para a Segurana do Paciente: Manual para Profissionais da Sade, a Rede Brasileira de Enfermagem e Segurana do Paciente Polo RS pretende contribuir para a construo da cultura de se- gurana do paciente no Brasil e, desse modo, garantir mais segurana em ambientes, aes e processos de cuidado, tanto para pacientes como para profissionais. A segurana do paciente resulta (a) do esforo e com- prometimento dirio de equipes multiprofissionais, institui- es e servios de ateno sade, pblicos e privados, (b) de processos e sistemas organizados, avaliados e aprimora- dos continuamente quanto preveno e reduo de danos, (c) do reforo contnuo para as boas prticas assistenciais recomendadas por agncias nacionais e internacionais, (d) da formao de profissionais da sade e (e) de uma poltica nacional de segurana no cuidado sade. O lanamento do Programa Nacional de Segurana do Paciente, em abril de 2013, um marco do compromis- so com a assistncia segura no Brasil e destaca a educao permanente como o fio condutor para segurana e qualidade no cuidado sade. Este Manual se constitui em um instru- mento para a educao multiprofissional e, em cada captulo, pontua que ela a pedra angular da segurana do paciente.
  • 125. Anotaes
  • 126. Anotaes
  • 127. Impresso:

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