Mancha anular do cafeeiro

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ISSN 1983-0513Fevereiro, 2011 369Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV) Documentos 369Alessandra de Jesus BoariMancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)Embrapa Amaznia OrientalBelm, PA2011ISSN 1983-0513Fevereiro, 2011Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuriaEmbrapa Amaznia OrientalMinistrio da Agricultura, Pecuria e AbastecimentoExemplares desta publicao podem ser adquiridos na:Embrapa Amaznia OrientalTv. Dr. Enas Pinheiro, s/n.Caixa Postal 48. CEP 66095-100 Belm, PA.Fone: (91) 3204-1000Fax: (91) 3276-9845http://www.cpatu.embrapa.brsac@cpatu.embrapa.brComit Local de EditoraoPresidente: Moacyr Bernardino Dias-FilhoSecretrio-Executivo: Walkymrio de Paulo LemosMembros: Ana Carolina Martins de Queiroz, Clia Regina Tremacoldi, Luciane Chedid Melo BorgesReviso Tcnica: Elliot Watanabe Kitajima Esalq/USP Superviso editorial: Luciane Chedid Melo BorgesReviso de texto: Narjara de Ftima Galiza da Silva PastanaNormalizao bibliogrfica: Andra Liliane Pereira da SilvaEditorao eletrnica: Euclides Pereira dos Santos FilhoFoto da capa: Alessandra de Jesus Boari1a edioVerso eletrnica (2011)Todos os direitos reservados.A reproduo no autorizada desta publicao, no todo ou em parte, constitui violao dos direitos autorais (Lei n 9.610).Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)Embrapa Amaznia Oriental Boari, Alessandra de Jesus Mancha anular do cafeeiro (Coffe ringspot virus CoRSV) / Alessandra de Jesus Boari. - Belm, PA : Embrapa Amaznia Oriental, 2011.43 p. : il. ; 21 cm. - (Documentos / Embrapa Amaznia Oriental, ISSN 1983-0513 ; 369).1. Caf. 2. Doena. 3. Vrus. I. Ttulo. II. Srie. CDD 633.73 Embrapa 2011AutoresAlessandra de Jesus BoariEngenheira-agrnoma, Doutora em Fitopatolo-gia, Pesquisadora da Embrapa Amaznia Oriental, Belm, PA.ajboari@cpatu.embrapa.brApresentaoO cafeeiro (Coffea arabica L.) uma das principais plantas cultivadas no Brasil. A cafeicultura, economicamente, uma das principais commodi-ties do pas, pois gera divisas pela exportao e socialmente a cultura demanda grande contingente de mo de obra.Entretanto, a cultura pode ser atacada por fungos, bactrias, nematoides e vrus. O Coffee ringspot virus foi relatado pela primeira vez causando a mancha anular em 1936, mas somente a partir de 1995 a doena foi observada em altas incidncias causando perdas na produo, principal-mente, no Estado de Minas Gerais.A alta incidncia dessa doena, disseminada pelo caro Brevipalpus phoenicis, gerou certa preocupao porque o controle difcil ou mesmo impossvel, aps o estabelecimento do vrus na planta.Este documento tem como objetivo revisar os principais trabalhos de pesquisas sobre a mancha anular do cafeeiro no Brasil.Claudio Jos Reis de CarvalhoChefe-Geral da Embrapa Amaznia OrientalSumrioMancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV) ......... 9Introduo ..........................................................................................9Importncia do caf .......................................................................10Mancha anular do cafeeiro ..........................................................12Local de descrio ..........................................................................12Distribuio ....................................................................................12Sintomas ........................................................................................13Etiologia .........................................................................................16Transmisso ..................................................................................18Propriedades fsicas ........................................................................19Taxonomia ......................................................................................19Diagnose .........................................................................................21Estudos citopticos .........................................................................21Gama de hospedeiros ....................................................................23Purificao do CoRSV ....................................................................24Produo de antissoro e relacionamento sorolgico .......................26RNA do CoRSV ..............................................................................27Preservao do vrus ......................................................................27Vetor Brevipalpus phoenicis .........................................................28Epidemiologia ..................................................................................29Danos e perdas ...............................................................................31Efeito do CoRSV no peso de gros de caf .....................................32Controle ..........................................................................................33Referncias ......................................................................................35IntroduoO cafeeiro (Coffea arabica L.) uma das principais plantas cultivadas no Brasil. A cafeicultura, economicamente, uma das principais commodi-ties do pas, pois gera divisas pela exportao e socialmente a cultura demanda grande contingente de mo de obra. No Brasil, havia previso para a produo nacional de aproximada-mente 47,5 milhes de sacas (60 kg) de caf beneficiado, no ano de 2010, somando as produes de caf arbica e robusta. A produtivi-dade mdia do Brasil de dez sacas beneficiadas por hectare, poden-do ser influenciada por diversos fatores, dentre eles a ocorrncia de pragas e doenas (ABIC, 2010).A cultura pode ser atacada por fungos, bactrias, nematoides e vrus. Este ltimo grupo de patgeno foi relatado pela primeira vez causan-do a mancha anular em 1936, mas somente em 1995 foi observada em altas incidncias em lavouras na regio do Alto Paranaba e no Tringulo Mineiro, no Estado de Minas Gerais (FIGUEIRA et al., 1995; JULIATTI et al., 1995). Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)Alessandra de Jesus Boari10 Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)A mancha anular do cafeeiro foi primeiramente descrita em 1938 por Bitancourt, que a encontrou em plantas isoladas em cafezais localizados no Municpio de Caapava, SP, e quando ento foi sugerida a etiologia viral. Kitajima e Costa (1972) foram os primeiros a observar as presu-mveis partculas desse vrus (Coffee ringspot virus CoRSV) em for-ma de bastonetes curtos, ao microscpio eletrnico com dimenses de 3540 nm x 100110 nm. A alta incidncia dessa doena, disseminada pelo caro Brevipalpus pho-enicis, gerou certa preocupao porque o controle difcil ou mesmo impossvel, aps o estabelecimento do vrus na planta (CHAGAS, 1978; FIGUEIRA et al., 1996). Este documento tem como objetivo revisar os principais trabalhos de pesquisas sobre a mancha anular do cafeeiro no Brasil.Importncia do cafO cafeeiro Coffea arabica L., pertencente famlia Rubiaceae, origin-rio do continente africano, das regies altas da Etipia (Cafa e Enria), podendo ser a regio de Cafa responsvel pela origem do nome caf. uma cultura de clima tropical de altitude, adaptado a clima mido e tem-peraturas amenas (GRANER; GODOY JUNIOR, 1967). C. arabica uma das espcies mais cultivadas no Brasil.Os maiores produtores mundiais de caf arbica so: Brasil, Colmbia, Eti-pia, Mxico, Guatemala e Peru. Em relao ao caf robusta (C. canepho-ra), os pases da sia vm aumentando a produo em ritmo acelerado, sendo o Vietn o maior produtor mundial, seguido pelo Brasil, Indonsia e ndia. O Brasil se destaca como o maior produtor (40%) e exporta-dor mundial, com rea cultivada de 2,30 milhes de hectares, dos quais 2,14 milhes esto em produo e 169 mil em formao (CONAB, 2008). No Brasil, a produo de caf na safra de 2007/2008 foi de cerca de 46 milhes sacas beneficiadas, das quais 69,04% foram de caf arbica e 30,96% de caf robusta (CONAB, 2008).11Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)A cultura do caf destaca-se historicamente no desenvolvimento do pas. As riquezas geradas possibilitaram o desenvolvimento e industria-lizao de muitas regies no Brasil. Como exemplos citam-se a criao de rede ferroviria, o asfaltamento de estradas, a expanso de energia eltrica e da industrializao nos estados de So Paulo e Paran (GUIMA-RES et al., 2002). O Sudeste a principal regio cafeeira do Brasil sendo que os estados de Minas Gerais, So Paulo, Esprito Santo, Bahia e Paran so respon-sveis por 92% da produo nacional de caf. Minas Gerais destaca-se no cenrio da cafeicultura nacional pela amplitude de suas regies pro-dutoras e condies climticas favorveis ao cultivo do cafeeiro, com consequente produo de caf de boa qualidade, contribuindo com 45% da produo nacional. As maiores regies produtoras de Minas Gerais so Jequitinhonha, Tringulo Mineiro/Alto Paranaba e Zona da Mata (CONAB, 2008).O consumo nacional anual de cerca de 16,9 milhes de sacas de caf, o que torna o Brasil o maior consumidor mundial de caf. No Brasil, o caf tem sido um dos principais produtos de exportao brasileira, gerando empregos e renda nacional. Estima-se que existam cerca de 370 mil propriedades de caf em 2 mil municpios de 18 estados onde o caf a principal fonte de renda e que mais de 4 milhes de pessoas dependam diretamente da cafeicultura. Diversas doenas causadas por diferentes patgenos podem afetar o cafeeiro no Brasil e no mundo. Dentre elas destacam-se o amarelinho (Xylella fastidiosa), a ferrugem (Hemileia vastatrix), a cercosporiose (Cercospora coffeicola), a mancha de Phoma (Phoma sp.), a mancha aureolada do cafeeiro (Pseudomonas syringae pv. garcae) e as meloido-ginoses (Meloidogyne coffeicola, M. incognita e M. javanica) (GODOY et al., 1997; ZAMBOLIM et al., 1997). A partir de 1995, a virose passou a ser considerada potencialmente importante para a cafeicultura, em razo das altas incidncias de plantas infectadas pelo CoRSV em vrias lavou-ras de importncia econmica em Minas Gerais (BOARI et al., 2004, 2006; FIGUEIRA et al., 1996, 1998; JULLIAT et al., 1995). 12 Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)No mundo, s foram relatados dois vrus, o Coffee ringspot virus (CoRSV), tentativamente classificado como pertencente famlia Rha-bdoviridae (BITANCOURT, 1938; CHAGAS, 1978); e o Coffee clorotic ringspot Caulimovirus (CoCRSV) (MARTINEZ, 2003; OCAMPO et al., 2003). O CoCRSV que foi relatado na Colmbia transmitido por en-xertia, inoculao mecnica e pulgo Toxoptera aurantii Boyer. CoCRSV constitudo de partculas isomtricas de 5060 nm de dimetro, com uma gama de hospedeiro limitada.Mancha anular do cafeeiroLocal de descrioA doena foi pela primeira vez descrita no Brasil no cafeeiro em Caapa-va, SP (BITANCOURT, 1938). Distribuio No mundo, a mancha anular foi relatada no Brasil e Costa Rica (RODRI-GUES et al., 2002). Em Filipinas foi relatada uma doena semelhante (REYES, 1959, 1961), mas no existem informaes sobre sua relao com CoRSV. No Brasil, a mancha anular j foi relatada nos estados de So Paulo (BI-TANCOURT, 1938), Minas Gerais (FIGUEIRA et al., 1995; JULIATTI et al., 1995), Paran (RODRIGUES; NOGUEIRA, 2001), Bahia (KITAJIMA; CHAGAS, 2009), Esprito Santo (conforme comunicado por Hlcio Cos-ta1) e no Distrito Federal (BRANQUINHO et al., 1988).Em Minas Gerais, a doena foi constatada em vrios cafezais localizados nas regies do Tringulo Mineiro: Araguari (JULIATTI et al., 1995); Alto Paranaba: Coromandel, Paracatu e Patos de Minas (FIGUEIRA et al., 1995, 1996); Zona da Mata: Teixeiras (conforme observado por Boari2); e Sul de Minas: Varginha, Trs Pontas, Lavras, Ijaci, Boa Esperana, Al-fenas e Nepomuceno (BOARI et al., 1999, 2004). 1 Entrevista concedida pelo Dr. Hlcio Costa, da Encaper-ES, Salvador (Ba), Dra. Alessandra de Jesus Boari, bolsista Prodoc do CNPq, em 08.08.98.2 Observao de campo feita pela Dra. Alessandra Boari, pesquisadora da Embrapa Amaznia Oriental, em 06.09.1998.13Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)No Estado do Paran, a doenca foi relatada nos municpios de Maring, Ura e Palotina (RODRIGUES; NOGUEIRA, 2001).Em So Paulo, observou-se a doena em Caapava (BITANCOURT, 1938), Campinas (KITAJIMA et al., 2007a), Taubat e Piracicaba (CHA-GAS, 1978).Em 1978, Chagas considerou o estudo do CoRSV importante porque, com a crescente expanso da cultura do caf em reas de cerrado, as novas tcnicas de manejo adotadas poderiam contribuir para um dese-quilbrio ecolgico, favorecendo o desaparecimento do inimigo natural do caro vetor, seu aumento populacional nos campos produtores de caf e, consequentemente, a disseminao do CoRSV (CHAGAS, 1978).SintomasEssa doena afeta os cafeeiros em qualquer idade do seu desenvolvi-mento (CHAGAS, 1978). Os sintomas provocados por esse vrus se ca-racterizam por manchas clorticas nas folhas (Figura 1a, b), geralmente em forma de anis concntricos, e nos frutos manchas amareladas em forma de anis ou irregulares e deprimidas (Figura 2) (BITANCOURT, 1938; CHAGAS, 1973, 1978; SILBERSCHMIDT, 1941). Quando as fo-lhas entram em senescncia os anis verdes ficam mais evidenciados com a folha amarelada. Nos frutos da cultivar Catua Amarelo tambm h a maturao irregular, ficando a rea infectada esverdeada e a res-tante amarelada. O tamanho das manchas varia com a fase de desen-volvimento em que o rgo foi infectado, ou seja, quanto mais novo o tecido maiores sero as manchas. Alm disso, as manchas podem se co-alescer. O CoRSV pode tambm provocar queda severa de folhas e fru-tos nas plantas infectadas (FIGUEIRA et al., 1996, 1998; RODRIGUES et al., 2002). Boari et al. (2001a) relataram a ocorrncia de manchas arredondadas ou elpticas na poro verde dos ramos (Figura 3), onde foram constatadas presenas de partculas virais por meio da microsco-pia eletrnica. No cafeeiro, no foram observadas partculas virais fora dessas manchas amareladas, indicando assim a infeco localizada e no sistmica como ocorre na maioria das viroses de plantas. Observam-14 Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)-se tambm necroses no centro das manchas clorticas (Figura 1c), que coincidem com os pontos de inoculao pelo caro e provavelmente so causadas pelo caro e no pelo vrus. Recentemente, Chagas et al. (2007) relataram a ocorrncia de um iso-lado distinto em plantas de caf de um parque pblico na cidade de So Paulo, que causava leses foliares mais avermelhadas (Figura 1d), e se referiram a este como CoRSV-SP. Matiello et al. (1995) relataram que plantas infectadas pelo CoRSV ficam bastante desfolhadas, de dentro para fora, ficando ocas na copa.Os sintomas persistem nas plantas quando os caros virulferos esto presentes (CHAGAS, 1978).1bFigura 1. (a, b) Folhas de caf exibindo sintomas de mancha anelar; (c) necrose da nervura e pontos necrticos de inoculao pelo caro B. phoenicis; (d) leses foliares mais avermelhadas causadas pelo CoRSV-SP.1a1c 1dFotos 1a, 1b e 1c: Alessandra de J. Boari e Foto 1d: Elliot W. Kitajima15Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)2aFigura 2. (a) Frutos de caf sadio e (b,c,d) exibindo sintomas de mancha anelar, depresso na casca e maturao irregular.2b2c 2dFotos: Alessandra de J. BoariFoto: Alessandra de J. BoariFigura 3. Ramo de caf com sintomas de mancha causada pelo CoRSV.16 Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)Etiologia A mancha anular causada pelo vrus da mancha anular do cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV), cujas partculas tm forma de bastonetes (35-40 nm x 100-110 nm) (Figura 4), so encontradas no ncleo e tam-bm no citoplasma, comumente associadas com uma massa de baixa den-sidade aos eltrons, referida como viroplasma (Figura 5). Tambm podem estar associadas perpendicularmente s membranas do invlucro nuclear e do retculo endoplasmtico, das clulas epidermais e parenquimatosas das leses das folhas e dos frutos, mas no tm sido detectadas em regio vascular (KITAJIMA; COSTA, 1972). Segundo Kitajima e Chagas (2009), as partculas podem ser detectadas ocasionalmente pela microscopia ele-trnica utilizando a contrastao negativa do extrato de plantas infectadas.Em preparao purificada de CoRSV (Figura 6), observaram-se partculas com dimetro de 40 nm, canal axial de 22 nm e estriaes transversais espaadas de 4 nm (BOARI et al., 2004).Foto: Elliot Watanabe KitajimaFigura 4. Partculas baciliformes de CoRSV dentro do ncleo. 17Ttulo da publicaoFoto: Elliot Watanabe KitajimaFigura 5. Viroplasma induzido pelo CoRSV dentro do ncleo. Figura 6. Preparado parcialmente purificado de CoRSV. Foto: Elliot Watanabe Kitajima18 Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)Em tecidos infectados pelo isolado CoRSV-SP, as partculas virais so baciliformes curtas, com membranas (Figura 7), e ocorrem arranjadas indi-vidualmente e longitudinalmente dentro de cisternas do retculo endoplas-mtico. Raramente so visualizados os viroplasmas (Kitajima et al. 2007a).Transmisso Chagas (1978) relatou que o CoRSV era transmitido pelo caro plano Brevipalpus phoenicis Geijskes (Figura 8). Das fases ovo, larva, ninfa e adulto coletadas de plantas sintomticas, Costa et al. (2009) verificaram por meio da RT-PCR a presena do CoRSV apenas na ninfa e adulto. Chagas (1978) testou vrios hospedeiros, por meio da inoculao me-cnica, utilizando tecidos provenientes de leses de folhas e frutos de cafeeiros infectados, e conseguiu a transmisso mecnica do vrus em plantas de Chenopodium quinoa e C. amaranticolor, nas quais causou leses locais clorticas arredondadas com o centro necrtico. Foto: Csar M. ChagasFigura 7. Partculas virais do CoRSV-SP baciliformes curtas, com membranas arranjadas individualmente.19Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)Figura 8. caro Brevipalpus phoenicis Geijskes (Acari: Tenuipalpida). Propriedades fsicasChagas (1978) determinou a estabilidade in vitro do CoRSV, e relatou que o ponto de inativao trmica (TIP) do vrus era de 70 oC 75 oC, o ponto final de diluio de 10-4 e que o vrus comeava a inativar-se (LIV) a partir do 19o dia aps a preparao do suco do tecido manchado de folhas de caf.TaxonomiaBaseado na forma e tamanho das partculas Orchid fleck virus (OFV), Citrus leprosis virus (CiLV) e CoRSV foram tentativamente colocados como vrus no classificados da famlia Rhabdoviridae na sexta reunio do ICTV (WUNNER et al., 1995). Contudo, estudos ao microscpio ele-Foto: Elliot Watanabe Kitajima20 Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)trnico de transmisso tm mostrado que h dois tipos de vrus trans-mitidos por caros Brevipalpus (VTB), respectivamente o nuclear e ci-toplasmtico. O nuclear (VTB-N), que representado pelo Orchid fleck virus (OFV), tem partculas em forma de bastonetes curtos presentes no ncleo e no citoplasma e produz um viroplasma nuclear. O genoma do OFV conhecido, constituindo-se de dois fragmentos (ca. 6 kb) de ssRNA senso negativo e sua organizao similar a dos rhabdovi-rus, tendo sido proposto um novo gnero Dichorhabdovirus para OFV (KONDO et al., 2006). O citoplasmtico (VTB-C) tem partculas bacili-formes curtas que se acumulam no retculo endoplasmtico e causam um viroplasma denso e vacuolado no citoplasma. Esse grupo repre-sentado pelo vrus da leprose do citros, tipo citoplasmtico (Citrus leprosis virus cytoplasmic type - CiLV-C). Seu genoma constitudo por dois segmentos de ssRNA (5 e 9 kb), senso positivo (PASCON et al., 2006), e sua organizao distinta dos demais vrus conhecidos, tendo sido proposto um novo gnero Cilevirus para este vrus (LOCA-LI-FABRIS et al., 2006). O CoRSV tem muitas caractersticas em comum com OFV: (a) sin-tomas em formas de leses localizadas; (b) transmisso por caros Brevipalpus (CoRSV transmitido por B. phoenicis e o OFV por B. californicus); (c) tm algumas hospedeiras experimentais em comum as quais tm infeco sistmica quando mantidas a alta temperatu-ra; (d) vrions e efeitos citoptico similares (KITAJIMA et al., 2003); (e) embora apenas parte do genoma do CoRSV seja conhecida, esta guarda similaridades com o do OFV (LOCALI-FABRIS et al., 2005); (f) primers especficos para CoRSV e OFV no promovem amplifica-o cruzada em ensaios de RT-PCR; (g) ensaios sorolgicos usando anticorpos recprocos indicam que, embora sejam distintos, OFV e CoRSV teriam alguns eptopos comuns (BOARI et al., 2004). Esses dados em conjunto sugerem fortemente que CoRSV seja distinto de OFV, mas pertenceria ao mesmo gnero Dichorhabdovirus (LOCALI--FABRIS et al., 2006).21Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)DiagnoseOs sintomas causados pelo CoRSV so bastante caractersticos, po-dendo a diagnose ser realizada por meio da sintomatologia. Entretan-to, a virose pode ser identificada por meio de indicadoras de vrus, sorologia - ELISA e MET associado sorologia (BOARI et al., 2004). Recentemente, aps a realizao do sequenciamento nucleotdico parcial do genoma, Locali-Fabris et al. (2005) desenvolveram um par de primer especfico para a diagnose do CoRSV por meio da RT-PCR. Entretanto, esse primer especfico no permitiu a amplificao do isolado CoRSV-SP pelo RT-PCR, indicando uma variabilidade gnica (KITA-JIMA; CHAGAS, 2009).Estudos citopticosAs partculas de CoRSV so encontradas apenas em leses encon-tradas em folhas, frutos (CHAGAS, 1978; CHAGAS et al., 2003; KIAJIMA; COSTA, 1972; RODRIGUES et al., 2002) e ramos (BOARI et al., 2003a). Kitajima e Costa (1972) constataram, por meio da microscpia eletrnica, a presena de partculas em forma de bas-tonetes, medindo de 35 nm a 40 nm de dimetro por 100 nm a 110 nm de comprimento, nas clulas dos tecidos foliares infectados de cafeeiro (Figura 4). Outra caracterstica marcante a presena de uma massa electron-transparente no ncleo, referido como viroplasma (Figura 5). No caso do OFV, demonstrou-se que esse viroplasma con-tm protenas virais, como demonstradas por ensaios de imunoloca-lizao (KITAJIMA et al., 2001). As partculas podem ocorrer no n-cleo, dispersas ou agregadas (Figura 9), no nucleoplasma e/ou no viroplasma e tambm no citoplasma, em geral associadas perpendi-cularmente s membranas do retculo endoplasmtico. Essa associa-o ocasionalmente gera imagens em seces de partculas dispostas radialmente e circundado por membrana dupla, figura conhecida como roda de carroa (spokewheel) (Figura 10), descrita para OFV (LESE-MANN; BEGTRUP, 1971). Em raras ocasies, as partculas em forma de bastonete, envoltas por membrana, podem ser encontradas dispos-tas longitudinalmente no lmen do retculo endoplasmtico (CHAGAS et al., 2003; KITAJIMA; CHAGAS, 2009).22 Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)Figura 9. Partculas do CoRSV agregadas no ncleo.Fotos: Elliot Watanabe KitajimaFotos: Elliot Watanabe KitajimaFigura 10. Estruturas do tipo spokeweel (roda de carroa) formadas por partculas de CoRSV associadas membrana. 23Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)Recentemente, encontrou-se na cidade de So Paulo cafeeiros planta-dos em parques pblicos ostentando sintomas de mancha anular, mas distinto das convencionais. As manchas tm colorao avermelhada, ferruginosa. So tambm transmissveis por caros B. phoenicis, mas estudos citopticos revelaram que raramente induzem viroplasma nucle-ar, e as partculas, no muito abundantes, ocorrem consistentemente no lmen do retculo endoplasmtico. Primers especficos para CoRSV no amplificaram por RT-PCR genoma deste isolado (CHAGAS et al., 2007). O eventual relacionamento e a posio taxonmica dessa forma distinta da mancha anular esto sob investigao.Gama de hospedeiros Chagas (1978) inoculou isolados de CoRSV provenientes de lavouras de caf do Estado de So Paulo em diversas plantas indicadoras de vrus, mas obteve infeco local em apenas C. quinoa e C. amaranticolor (Chenopodia-ceae). Boari et al. (2002, 2004) observaram que sintomas sistmicos podem ser induzidos quando plantas de Chenopodium quinoa, C. amaranticolor e Tetragonia expansa (Figura 11), inoculadas mecanicamente com CoRSV, so mantidas a altas temperaturas (2830 C) por 1014 dias. Na ausncia da temperatura alta, essas espcies reagem somente com leses locais clo-rticas. Efeitos citopticos idnticos aos observados em leses locais foram notados em tecidos infetados sistemicamente (NOGUEIRA et al., 2000). Em 1998, Carvalho e Figueira relataram a infeco sistmica de C. quinoa, mas no conseguiram reproduzi-la.Alm de C. amaranticolor, C. quinoa e T. expansa, o CORSV in-fetou experimentalmente vrias plantas como Alternanthera tenella, N. tabacum White Burley, C. murale, Gomphrena globosa, todas elas respondendo com leso local (Figura 11) (BOARI et al., 2003b, 2004). Erva de Santa Maria (Chenopodium ambrosioides) e o caruru (Amaranthus deflexus) tambm foram infetadas experimentalmente (ALMEIDA et al., 2006, 2008).Recentemente, Kitajima et al. (2007c) relataram a ocorrncia de CoRSV no banco de germoplasma de Coffea e rubiceas afins, mantidas no Centro Apta Caf do Instituto Agronmico (IAC) em Campinas, SP. Por 24 Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)meio de microscopia eletrnica e RT-PCR, verificaram que C. kapakata, C. dewevrei cv. Excelsa, C. arabica x C. dewevrei, C. canephora cv. Robusta e os hbridos Timor (C. arabica e C. racemosa) e C. arabica x C. dewevrei se encontravam naturalmente infectadas pelo CoRSV. Neste levantamento, constatou-se o primeiro caso de uma espcie rubi-cea no Coffea, Psylanthus ebracteolatus, naturalmente infetada pelo CoRSV. Novelli et al. (2009) constataram um caso de infeco natural da ornamental Spatiphylum wallisi pelo CoRSV, resultando em man-chas clorticas. H um caso de infeco experimental de maracujazeiro (Passiflora edulis f. flavicarpa) pelo CoRSV, mas no para citros (MASCARENHAS et al., 2009). Em todos esses casos, a confirmao da infeco pelo CoRSV foi feita por microscopia eletrnica e RT-PCR. Em comunicao pessoal, Hlcio Costa3 do Encaper relatou que a mancha anular ocorre em caf canfora (Coffea canephora Perre & Froenher) no Estado do Esprito Santo, mas este caso requer confirmao por outros ensaios, j que diagnose por sintomatologia apenas no confivel.O isolado CoRSV-SP no pode ser transmitido mecanicamente tanto para mudas de caf como para outras plantas hospedeiras (CHAGAS et al., 2007).Purificao do CoRSV O CoRSV pode ser purificado (BOARI et al., 2004) utilizando os protoco-los de Chang et al. (1976) modificados.Inicialmente, plantas de C. quinoa com dez dias de ps-transplantio so inoculadas mecanicamente e mantidas por uma a duas semanas em c-maras de crescimento a 28 oC e acondicionadas em telado para desen-volvimento dos sintomas por mais dez dias.Cem gramas de folhas de C. quinoa com sintomas de mosaico so tritu-radas com 150 mL de tampo fosfato 0,1M, pH 7,0, contendo 0,01M de Na-DIECA, 0,1% de cido ascrbico e 5% de Triton X-100. Aps 3 Entrevista concedida pelo Dr. Hlcio Costa, da Encaper-ES, Salvador (Ba), Dra. Alessandra de Jesus Boari, bolsista Prodoc do CNPq, em 08.08.98.25Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)Fotos: Alessandra de J. BoariFigura 11. Folhas de C. quinoa (a,b), C. amaranticolor (c,d), A. tenella (e), C. murale (f), G. globosa (g), fumo cv. Samsum (h), T. expansa (i,j) e A. deflexus (k) mostrando sintomas causados pelo CoRSV aps inoculao mecnica. As figuras a, c, e, f, g. h. i e k mostram folhas com leses locais. As figuras b, d e j mostram folhas com infeco sistmica.26 Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)a centrifugao do homogeneizado a 5 mil rpm por 15 minutos, faz--se a centrifugao do sobrenadante em colcho de sacarose (20%) a 29.500 rpm (rotor 30) por 150 minutos. Em seguida, faz-se outro ciclo de centrifugao diferencial e, posteriormente, a centrifugao (90 mi-nutos) em gradiente de sacarose (10% 40%). Fraes do gradiente so coletadas e lida a absorbncia. A frao de maior pico de absor-bncia foi centrifugada a 29.500 rpm por 150 minutos. Aps ressuspenso do pellet com tampo fosfato 0,02M, pH 7,2 e bai-xa centrifugao, faz-se a observao deste em microscopia eletrnica de transmisso (MET), utilizando contrastao negativa com acetato de uranila (1%) para verificar a qualidade do purificado.Aps o processo de purificao, as partculas se mantiveram infectivas, pois as plantas de C. quinoa reagiram com sintomas de leso local. As partculas se apresentaram quebradas (Figura 6) provavelmente em razo da ao dos reagentes utilizados no processo da purificao.Produo de antissoro e relacionamento sorolgico Boari et al. (2004) produziram antissoro a partir das partculas de CoRSV purificadas por meio da injeo destas no coelho branco da raa Nova Zelndia e um ms aps coletaram o sangue para extrao do antissoro. O antissoro foi testado utilizando o ELISA-PTA contra extrato de folha de caf sadio e infectado pelo CoRSV, folhas de C. quinoa sadias e infecta-das, e espinafre sadio e infectado pelo OFV. Aps adsoro do antissoro com extrato de C. quinoa sadio, realizaram o tes-te Elisa-PTA e verificaram a eficincia deste na deteco do CoRSV, na dilui-o de 1:500, nas amostras de C. quinoa e caf infectadas pelo CoRSV. En-saios sorolgicos comparativos, em ELISA indireto, usando antissoro contra CoRSV e OFV, previamente adsorvidos, demostraram que houve forte reao cruzada, evidenciando eptopo(s) em comum. Em experimentos de imunomar-cao in situ, houve marcao significante sobre o viroplasma nuclear em clulas infectadas pelo CoRSV ou OFV em reaes homlogas, e uma leve marcao nas reaes heterlogas usando antissoros antiCoRSV e antiOFV.27Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)RNA do CoRSV Boari et al. (2004) fizeram a extrao do RNA viral misturando 100 l da preparao viral purificada, 300 l com adio de 100 l de tampo de extrao de RNA (0,2 M glicina, 0,2 M NaCl, 0,02 M EDTA, pH 9,5), 40 l de SDS (20%) e 5,4 l de proteinase K (20 mg/mL). Aps a incubao dessa mistura a 37 oC por 1 hora, o RNA viral foi extrado com um volume igual de fenol/clorifrmio (1:1) e precipitado em 2,5 volumes de etanol absoluto e 1/20 do volume, com 3M acetato de sdio pH 5,5. Em seguida, o pellet foi lavado com lcool 70% e ressuspendido em 50 l de gua tratada com DEPC. O RNA extrado foi observado por meio da eletroforese em gel de agarose (0,8%). Aps a extrao de RNA a partir deste purificado, observou-se por meio da eletroforese a presena de duas bandas de RNA com cerca de 6.000 nts e 6.400 nts, evidenciando a sua semelhana com outros vrus tentativamente classificados como Rhabdovirus (Citrus leprosis virus--CiLV e Orchid fleck virus). Locali (2002), comparando o RNA de fita dupla (forma replicativa dsRNA) do CiLV com CoRSV, verificou que o vrus possua dois geno-mas de cerca de 6.000 pb e 7.000 pb. Parte do genoma do CoRSV pode ser obtido a partir do dsRNA e sequen-ciado, gerando pares de primers que permitiram a deteco especfica do CoRSV por meio de ensaios de RT-PCR (LOCALI-FABRIS et al., 2005). Preservao do vrus O vrus pode ser mantido in vivo em plantas de C.quinoa, C. amarantico-lor e T. expansa inoculadas e expostas por sete dias a 28 oC constante e posteriormente mantida em estufa telada.Tambm pode ser preservado in vitro por meio da dessecao dos cortes das folhas de C. quinoa, C. amaranticolor e T. expansa infectadas siste-micamente pelo vrus, utilizando dessecador contendo slica gel mantidos a 10 oC. Aps sete dias, os dessecados so embalados em envelopes de papel manteiga, dentro de vidros fechados hermeticamente contendo 28 Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)slica gel, e armazenados a -20 oC. O vrus se manteve infectivo por mais de 3 anos, quando foi realizada a ltima inoculao.As folhas infectadas tambm podem ser preservadas em nitrognio lqui-do por tempo indeterminado. Vetor Brevipalpus phoenicisNo Brasil, esse caro tambm foi identificado como vetor da leprose do citros, causada pelo CitLV-C (MUSUMECI; ROSSETTI, 1963); da man-cha verde do maracuj, causada pelo vrus da mancha verde do maracuj (Passion fruit Green spot vrus PFGSV) (KITAJIMA et al., 1997) e de outras doenas (KITAJIMA et al., 2010). Em 1973, Chagas observou que o vrus da mancha anular do cafeeiro era transmitido por populaes do caro B. phoenicis (Acari: Tenuipalpida). Segundo Chagas et al. (2003), a eficincia da transmisso do vrus pelas fmeas adultas foi de 24%, e a transmisso transovariana no ocorreu. A fim de melhor compreender as relaes vrus/vetor, Kitajima et al. (2007b) estudaram seces ultrafinas de caros B. phoenicis coletados em cafeeiros, provenientes de Lavras, MG, e Campinas, SP, exibindo manchas clorticas, nas quais o CoRSV foi detectado em exames histo-lgicos. Efeitos citopticos essencialmente similares aos observados nas clulas parenquimatosas (viroplasmas e partculas arranjadas em forma de roda de carroa) das leses em folhas e frutos de cafeeiro foram observados em algumas clulas das glndulas prosomais de caros pro-cedentes de plantas infectadas, mas no de plantas sadias. Segundo os autores, essa constatao sugere que CoRSV replica-se nos tecidos do caro e, portanto, a relao vrus/vetor seria do tipo circulativo propaga-tivo. Costa et al. (2009) verificaram a presena do CoRSV em diferentes fases de desenvolvimento do caro atravs de ensaios de RT-PCR.O isolado CoRSV-SP tambm transmitido pelo B. phoenicis para mudas de caf que reproduziram os sintomas de anis avermelhados. Segundo Kitaji-ma e Chagas (2009), os estgios larvas, ninfas e adultos foram capazes de transmitir esse isolado aps alimentao por um perodo de 18 a 24 horas. 29Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)No Brasil, esse caro tem sido relatado vivendo em cafeeiros (Coffea spp.) pelo menos desde 1950 (AMARAL, 1951), quando foi relatado no Estado de So Paulo como Tenuipalpus phoenicis Geijskes, 1939, junta-mente com surtos do caro-vermelho.Segundo Childers et al. (2003), B. phoenicis, o caro plano, de dis-tribuio cosmopolita nas regies tropicais e subtropicais e polfago, tendo sido encontrado infestando centenas de plantas, muitas delas de importncia econmica, incluindo o cafeeiro. O ciclo evolutivo do caro compreende as fases de ovo, larva protocrislida, protoninfa, deutocris-lida, deutoninfa, teliocrislida e adulta. Sua reproduo pode ser sexuada ou partogentica deuterotoca, sendo a ltima mais comum. A populao maior nos perodos mais secos do ano e com temperaturas amenas. Por ter reproduo partenogentica e pelo fato de a feminilizao desses caros ser determinada por uma bactria simbionte Cardinium, as popu-laes so predominantemente de fmeas, com raros machos. Em cafeeiro, o caro encontrado nas folhas, ramos e frutos. Nas fo-lhas localizam-se na pgina inferior, prximo s nervuras, principalmente central. Nos ramos so encontrados nas fendas e, nos frutos, na coroa e pednculo. A maior populao concentra-se no tero inferior e inter-namente planta, regio onde se encontram a maioria das folhas com mancha anelar. Nos ramos, se encontra em maior populao na parte verde, onde se concentram as folhas. Na poca da frutificao observou--se que os caros preferem os frutos para ovoposio (REIS, 2002).EpidemiologiaBoari et al. (1999) realizaram uma avaliao epidemiolgica da mancha anular do cafeeiro baseada na distribuio de plantas afetadas em uma lavoura no municpio de Ijaci, MG. A deteco de plantas de caf infecta-das pelo vrus foi feita visualmente pela observao de manchas tpicas em folhas e frutos de caf. Na avaliao da incidncia do CoRSV foram avaliadas 700 plantas, quanto ao nmero de plantas contendo folhas e/ou frutos apresentando manchas tpicas. Para verificar a incidncia de 30 Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)folhas e frutos manchados pelo CoRSV, foram coletados 20 frutos por p, na altura mediana, de cinco plantas, que comps uma amostra de 50 frutos. Foram avaliadas sete fileiras compostas de 100 plantas.Em mdia, observaram-se 50% de frutos manchados pelo CoRSV. Cem por cento das plantas avaliadas apresentaram frutos com sintoma caracterstico de mancha anular do cafeeiro.O mapeamento revelou grande incidncia da mancha anelar CoRSV forman-do um gradiente, tanto no sentido da linha quanto das entrelinhas (Figura 12). A maior incidncia foi observada nas plantas prximas cerca viva. A ocorrncia do CoRSV em altas incidncias na regio sul do Estado de Minas Gerais preocupante, j que essa regio a maior produtora de caf, com 50% da produo estadual e 34% da produo nacional.Figura 12. Mapa da distribuio da mancha anular em uma lavoura no Municpio de Ijaci, MG, com a porcentagem de frutos doentes nesse municpio.Foto: Edson Amplio Pozza31Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)Nos municpios de Coromandel, Boa Esperana, Trs Pontas, Ijac e Var-ginha, do Estado de Minas Gerais, foram observadas lavouras com 100% de plantas doentes. No municpio de Ijac, MG, foram observadas pou-qussimas folhas apresentando manchas de CoRSV. Entretanto, na poca de frutificao observou-se 100% de plantas contendo frutos manchados pelo vrus (BOARI et al., 1999). Segundo Reis et al. (2000), os caros preferem os frutos para ovoposio, o que pode explicar tal fato. Boari et al. (2001b) elaboraram uma escala diagramtica para avaliao da severidade da mancha anular em folha e Giro (2007), em frutos de cafeeiro.Danos e perdasQualidade da bebida produzida por frutos manchados pelo CoRSVBoari et al. (2006) realizaram testes bioqumicos e de xcara (gustao). Em uma lavoura de caf Mundo Novo, no Municpio de Ijac, MG, com 100% de incidncia de plantas com mancha anular, foram coletadas aleatoriamente 22 amostras de frutos sadios e com mancha tpica da do-ena, seguindo o Delineamento Inteiramente ao Acaso. Cada amostra foi coletada de dez plantas e as amostras sadias e doentes foram coletadas das mesmas plantas. Cada amostra consistiu de 3 a 4 litros de frutos frescos, que foram secados em telados e posteriormente analisados.As amostras de caf foram analisadas quanto aos teores de polifenolxi-dases, compostos fenlicos, lixiviao e porcentagem de potssio, a-cares totais, redutores e no redutores e teste de xcara pelo laboratrio de referncia da Epamig. A prova de xcara (PX) foi feita por meio de degustao por especialista da rea, seguindo-se a classificao oficial diferenciando as amostras entre rio, riada, dura, apenas mole, mole e estritamente mole, que receberam, respectivamente, as notas zero, um, dois, trs, quatro e cinco. As mdias foram comparadas pelo teste de comparao mltipla de Newman-Keuls a 5% de probabilidade.32 Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)No que se referem aos compostos fenlicos totais, acares no re-dutores, acares totais e lixiviao de potssio, os autores no ve-rificaram diferena estatstica entre gros de frutos manchados e no manchados. Entretanto, verificou-se que os gros de frutos manchados produziram menos acares redutores e maior condutividade eltrica que os de no manchados. Segundo Prete (1992), a condutividade eltrica e a lixiviao de potssio nos gros de caf com diferentes de-feitos apresentam valores mais elevados para esses parmetros quando as membranas so mais deterioradas. De acordo com Clarke e Macrae (1985), os teores de sacarose (acar redutor) dependem de vrios fa-tores como, por exemplo, a maturidade dos frutos. Nos frutos de caf atacados por CoRSV, a maturao irregular, o que pode ter levado reduo de acares redutores.Com relao prova de xcara (sensorial), verificou-se diferena signifi-cativa entre as bebidas provenientes de frutos com e sem manchas. Os frutos manchados tiveram nota 3,63, sendo enquadrados com bebida apenas mole, j os frutos sem manchas alcanaram nota 4,00 dando um padro superior de bebida e sendo enquadrado como bebida mole.Giro (2007) montou uma escala de severidade (0%, 9%, 77% e 90%) da mancha anular em frutos de caf estdio cereja para avaliao da qua-lidade de bebida e verificou que frutos com mais de 90% da rea man-chada pelo CoRSV apresentaram menor atividade de polifenoloxidase, maior teor de compostos fenlicos e acares redutores, sugerindo que pode afetar a adstringncia e consequentemente a qualidade da bebida.Efeito do CoRSV no peso de gros de cafDevido ao sintoma de mancha amarelada na casca do fruto do caf provocado pelo vrus, suspeitou-se que o vrus pudesse interferir no me-tabolismo e, consequentemente, prejudicar a formao do gro. Desse modo, Boari et al. (2006) utilizaram as amostras de frutos de caf co-letadas para o teste bioqumico e de xcara, as quais aps a secagem e descascamento foram pesadas em balana de preciso. Cem gros de cada amostra, proveniente de frutos com e sem manchas, foram pesa-dos e analisados pelo teste de Tukey. Fizeram-se onze repeties.33Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)O peso dos gros derivados de frutos manchados foi cerca de 5% menor quando comparado com frutos no manchados. Essa reduo na produo foi subestimada, pois o teste no levou em considerao os danos causados pela queda de folhas, reduo de fotos-sntese nas reas manchadas das folhas, alteraes do metabolismo, etc. O fato de o CoRSV induzir senescncia precoce das folhas e frutos j sinnimo de dano na fotossntese da planta devido reduo do seu painel fotossinttico. O mesmo pode-se falar das reas clorticas nas folhas onde h uma menor concentrao de cloroplastos e/ou clorofila.A reduo de 5% da produo j mostra a importncia que o CoRSV representa para a cafeicultura brasileira.Obviamente, danos em produo no cafeeiro estaro vinculados po-pulao de caros que se encontra em uma lavoura infectada, uma vez que se trata de um vrus que no sistmico na planta, ou seja, esto presentes apenas nas manchas. A alta incidncia e severidade da man-cha anular verificada no Alto Paranaba: Coromandel, Paracatu e Patos de Minas (FIGUEIRA et al., 1995, 1996) e Sul de Minas: Varginha, Trs Pontas, Lavras, Ijaci, Boa Esperana, Alfenas e Nepomuceno (BOARI et al., 1999, 2004) obviamente coincidiu com a alta populao de caros nas lavouras. ControleMesmo numa plantao que sofrera forte geada, resultando em uma intensa desfolha nos meses de junho e julho, nas brotaes da parte central da planta em agosto, notaram-se sintomas da mancha anular do cafeeiro (RODRIGUES; NOGUEIRA, 2001).Em uma lavoura no Municpio de Coromandel, MG, verificou-se que, em um talho que apresentava um histrico de mancha anular e que fora recepada (corte do caule acima de 30 cm) h dois anos, houve reapare-cimento dos sintomas de manchas em folhas e frutos em muitas plantas aps 1 ano. Por se tratar de um vrus que no infecta o cafeeiro siste-34 Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)micamente, imaginou-se que a recepa seria uma estratgia de controle da doena. A reincidncia da virose, provavelmente, se deve a caros virulferos que se mantiveram na casca do tronco e, aps a brotao, se translocaram para se alimentar e consequentemente transmitiram o CoRSV. Talvez o ideal seja a recepa bem feita sem deixar folhas no tronco e a aplicao de acaricida logo a seguir. Posteriormente, seria realizada a inspeo peridica do plantio para observao de plantas sin-tomticas para proceder a aplicao de acaricidas sistmicos e poda de ramos doentes. Contudo, no se pode descartar a possibilidade de que a fonte de inculo esteja em plantas que crescem no interior ou nas proxi-midades dos cafezais e que possam abrigar o caro e o vrus.Segundo Reis et al. (2004), o controle do caro da mancha anular deve ser feito em funo da incidncia da doena e no do nmero de caros. Caso seja constatada a incidncia da mancha anular, recomenda-se duas aplicaes de acaricidas seletivos aos caros predadores. A primeira apli-cao deve ser feita aps a colheita dos frutos, poca em que o cafeeiro fica mais desfolhado, o que facilita a penetrao dos produtos nas partes mais internas das plantas. A segunda aplicao deve ser feita logo aps o aparecimento dos frutos no estgio chumbinho, pois os caros se diri-gem para os frutos para se alimentar e colocar ovos na regio da coroa.Mineiro (2006) verificou que o acaricida que apresentou redues signifi-cativas na populao de B. phoenicis foi o aldicarb. Enquanto Fernandes et al. (2008) verificaram que abamectina apresentou maior eficincia no controle do caro.A mancha anular do cafeeiro pode levar a um aumento do custo da pro-duo de caf devido necessidade da utilizao de mais de um tipo de acaricida, como est ocorrendo com a citricultura no Estado de So Pau-lo, onde o maior problema da cultura a leprose dos citros disseminada pelo B. phoenicis.35Mancha Anular do Cafeeiro (Coffee ringspot virus CoRSV)RefernciasABIC. 2010. Disponvel em: . Acesso em: 21 jun. 2010.ALMEIDA, J. E. M.; FIGUEIRA, A. R.; COSTA, R. R.; GALVINO, S. B. F.; CAMARGO, V. N.; RABELO FILHO, F. A. C.; OLIVEIRA, C. L. 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