Coletanea habitare volume_4_parte_06

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  • 1. 124 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional 124 5. Claudio de Souza Kazmierczak engenheiro civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul UFRGS. Obteve os ttulos de mestre em Engenharia Civil (na rea de Construo) pela UFRGS, em 1990, e de doutor em Engenharia Civil pela Universidade de So Paulo, USP, em 1995. professor titular da Universidade do Vale do Rio dos Sinos UNISINOS, onde coordena o Laboratrio de Materiais de Construo Civil. Atua nas reas de Materiais e Componentes de Construo. Tem diversos artigos publicados em peridicos nacionais e em congressos nacionais e internacionais na rea de Engenharia Civil. E-mail: claudio@euler.unisinos.br Andrea Parisi Kern engenheira civil pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos UNISINOS (1995). Mestre em Engenharia Civil, na rea de Construo, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS (1999). Atualmente doutoranda no Curso de Engenharia Civil da UFRGS. professora do curso de graduao em Engenharia Civil da UNISINOS. Atua nas seguintes reas: Materiais e Componentes de Construo, Avaliao de Imveis, Gerenciamento e Economia das Construes, e Processos Construtivos. E-mail: apkern@euler.unisinos.br Ivana Suely Soares dos Santos engenheira civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN (1978). Mestre (1984) e doutora (1987) em Engenharia Civil pela Universidade de So Paulo - USP. professora da Universidade do Vale do Rio dos Sinos UNISINOS, desde 1992. Atua na rea de materiais e componentes para construo civil, com nfase em materiais cermicos e resduos. E-mail: ivana@euler.unisinos.br. Marcus Vincius Veleda Ramires engenheiro civil pela Universidade Catlica de Pelotas - UCPEL (1985). Mestre em Engenharia Civil, na rea de Construo, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul- UFRGS (1993). Doutor em Engenharia, na rea de Cincia dos Materiais pela UFRGS (1997). Foi professor da Universidade Luterana do Brasil ULBRA e atualmente professor da Universidade do Vale do Rio dos Sinos UNISINOS. Atuas nas reas de Materiais Cermicos, e Materiais e Componentes de Construo. E-mail: marcus@euler.unisinos.br Heitor da Costa Silva arquiteto pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, 1982. Obteve os ttulos de Especialista em Arquitetura Habitacional (PROPAR-UFRGS, 1986) e Doutor em Arquitetura, pela Architectural Association, School of Architecture, em Londres, em 1994. Atuou como professor e pesquisador na Universidade do Vale do Rio dos Sinos, entre 1996 e 2002. Atualmente professor do Departamento de Arquitetura e do Programa de Pesquisa e Ps-graduao em Arquitetura, no Curso de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E-mail: heitor@portoweb.com.br Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional

2. 125 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista 5.Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Claudio de Souza Kazmierczak, Andrea Parisi Kern, Ivana Suely Soares dos Santos, Marcus Vincius Veleda Ramires e Heitor da Costa Silva Sobre o resduo O processo de gerao do resduo N este trabalho apresentada uma tecnologia para a reciclagem de resdu- os de contrafortes termoplsticos laminados e impregnados, gerados pela indstria coureiro-caladista, em compsitos com matriz de gesso refor- ada com partculas de contraforte modo. O contraforte um componente base de polmeros utilizado na regio do calcanhar do calado, com a finalidade de armar, reforar, dar forma, beleza e segu- rana, e buscar a perfeita reproduo da forma do sapato (LUZ, 1987). Os contrafor- tes termoplsticos so fabricados a partir de uma manta de tecido ou no-tecido, fornecida em rolos de um metro de largura, que impregnada por resinas e recebe uma camada de adesivo hot melt em sua superfcie. O material resultante cortado em placas de 1,00 m de largura por 1,20 m de comprimento e possui gramatura varivel, atendendo s necessidades dos vrios tipos de calados. O resduo gerado durante a operao de corte das placas com as navalhas. Como estas tm formato irregular, no possvel aproveitar a totalidade da placa, 3. 126 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional gerando-se um resduo entre um corte e outro denominado esqueleto. Esse mate- rial no reaproveitado no processo, o que representa uma perda de mais de 20% da rea inicial das placas e torna-se um resduo slido para a indstria. Nas Figuras 1 a 6 pode-se visualizar o processo de fabricao das peas de contraforte e a conseqente gerao de resduos. Figura 1 Placa de contraforte termoplstico impregnado Figura 2 Navalhas para corte das peas de contraforte Figura 3 Operao de corte das peas de contraforte em balancim manual 4. 127 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Caracterizao do resduo Os contrafortes podem ser confeccionados a partir de vrios materiais, tendo sido os contrafortes de ativao trmica (termoplsticos) os preferidos em todo o mundo (NIEWOHNER et al., 1991). Os contrafortes termoplsticos so classifica- dos em dois grupos, em funo do tipo de material de estruturao: impregnados (no-tecidos), produzidos em todas as empresas pesquisadas no mbito do projeto, e laminados (tecidos), produzidos por poucas empresas, mas com crescente penetra- o no mercado. Figura 4 Vista em detalhe das peas de contrafortes Figura 5 Resduo das placas de contraforte gerado na operao de corte das peas Figura 6 Destino: aterro de resduos industriais localizado na Regio do Vale dos Sinos, Rio Grande do Sul, Brasil 5. 128 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional No Brasil, a manta no tecida que estrutura os contrafortes impregnados 100% polister, de filamentos contnuos e de baixa densidade. A coeso interna obtida por processo mecnico (agulhagem), ou qumico, por meio da adio de resi- nas. A matria de base um tereftalato de polister obtido por policondensao de derivados do petrleo. O principal fornecedor a empresa Bidim, que o fornece pela denominao Bidim IR. Utiliza-se como impregnante o Ltex SBR (resina de estireno- butadieno), e como hot-melt (adesivo que aplicado na superfcie do contraforte) o etil-acetato de vinila (EVA) com taquificante (em geral, polietileno). Segundo Scherer (1994), a manta tecida (utilizada em contrafortes laminados) composta de fios obtidos a partir de fibras torcidas naturais, sintticas ou mistas, dispostos de maneira a se obter um entrelaamento entre os fios, formando uma base de armao. Os fios so processados em mquinas conhecidas como teares. Rece- bem, posteriormente, tratamento com as finalidades de tingimento e impregnao. No Brasil, o uso desse tipo de material recente, sendo utilizado por poucas empre- sas. Devido ao uso restrito, a composio da manta tecida considerada segredo industrial. Seu uso, entretanto, vem aumentando significativamente e estima-se que venha a dominar o mercado. Segundo o CTCCA (1994), como resinas de impregnao dos contrafortes termoplsticos, pode-se usar uma grande variedade de substncias. As frmulas de impregnao fazem parte do know-how dos fabricantes e no so reveladas. Entre as resinas utilizadas, podemos citar as acrlicas, elastmeros lineares, poliestireno (mo- dificado por solvente), nitrocelulose, poliuretano e poliamidas. Caracterizao qumica e microestrutura A caracterizao qumica dos resduos de contrafortes utilizados na pesquisa foi baseada nas normas tcnicas NBR 10004 - Resduos slidos, NBR 10005 - Lixiviao de resduos, e NBR 10006 - Solubilizao de resduos, e resultou na clas- sificao dos resduos de contraforte como pertencentes Classe II - Resduos no inertes, que, segundo a NBR 10004, podem ter propriedades tais como: combustibilidade, biodegrabilidade ou solubilidade em gua. Os resultados obtidos e os teores mximos permitidos pelas normas para cada elemento determinado so apresentados na Tabela 1. 6. 129 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Tabela 1 - Resultados dos ensaio de lixiviao e solubilizao 7. 130 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional Pode-se constatar que os teores de elementos lixiviados e/ou solubilizados nas amostras de resduos de contrafortes esto, em geral, abaixo dos limites especifi- cados por norma. Os elementos que se encontram em quantidade superior permi- tida so o fenol, sdio (Na) e surfactantes (detergentes), que se caracterizam por no serem biodegradveis. A presena desses elementos nas quantidades encontradas, entretanto, no torna os resduos de contrafortes txicos ou imprprios para uso em algum material de construo civil. A microestrutura dos resduos foi analisada com auxlio de microscpio ele- trnico de varredura (MEV) com imagens de eltrons secundrios. Procurou-se ana- lisar o material antes e aps a moagem em moinho de facas, verificando se o proces- so de moagem modifica as caractersticas da estrutura do material. Foram prepara- dos quatro tipos de amostras para anlise: - amostra de placa de contraforte termoplstico impregnado (CTI), Figura 7; - amostra de placa de contraforte termoplstico laminado (CTL), Figura 8; - amostra de resduo de contraforte termoplstico impregnado modo, Figura 9; e - amostra de resduo de contraforte termoplstico laminado modo, Figura 10. A Figura 7 permite observar a microestrutura da placa de contraforte termoplstico impregnado, que formada por uma manta no tecida com fibras dispostas de forma aleatria, impregnada em resinas sintticas. Observa-se que na superfcie de anlise possvel identificar algumas fibras sem orientao, embebidas na resina, que forma uma pelcula contnua. A imagem da Figura 8 mostra a microestrutura do contraforte termoplstico laminado. V-se nitidamente a estrutura deste material, que um tecido laminado por resina. O desenho padro do tecido facilmente identificado, formado por fios (obtidos por fibras torcidas) entrelaados entre si. Nesse caso, a resina de laminao est, na maior parte, no espao entre o entrelaamento dos fios. As Figuras 9 e 10 mostram a estrutura dos materiais aps a moagem, realizada em moinho de facas, visando a adicion-los posteriormente na matriz de gesso. Em ambos os casos, fica evidenciado que a estrutura alterada em decorrncia da moa- gem sofrida. O contraforte termoplstico impregnado modo, mostrado na Figura 9, apre- senta grande exposio de fibras desorientadas devido quebra da resina de im- pregnao, que deixa de formar uma pelcula contnua, descaracterizando totalmente a estrutura original do material da placa visualizada na Figura 7. A moagem do contraforte termoplstico laminado (Figura 10) tambm provoca alterao na es- 8. 131 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Figura 7 Contraforte termoplstico impregnado. Aumento de 35x em MEV Figura 8 Contraforte termoplstico laminado. Aumento de 35x em MEV Figura 9 Contraforte termoplstico impregnado modo. Aumento de 35x em MEV Figura 10 Contraforte termoplstico laminado modo. Aumento de 35x em MEV 9. 132 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional trutura do material, percebendo-se desorientao das fibras que formam os fios do tecido. No entanto, a alterao da estrutura desse material parece ser menor, pois ainda possvel identificar, numa parte da amostra, a orientao dos fios do tecido. A anlise microscpica dos materiais permite constatar a diferena de estrutu- ra dos dois tipos de contraforte entre si, seja antes ou aps a moagem, levando expectativa de distinto comportamento dos compsitos com adio de resduo de contraforte termoplstico impregnado com relao aos compsitos com adio de resduos de contraforte termoplstico laminado. Resistncia a trao Os ensaios de caracterizao da resistncia trao dos contrafortes foram baseados na norma DIN 53328, uma vez que no existe norma brasileira. No ensaio, os corpos-de-prova so submetidos a esforo de trao, at a ruptura. A deformao no centro da rea do corpo de prova controlada mediante determinao da espes- sura. O ensaio foi realizado em trs sentidos de carregamento: vertical, horizontal e oblquo, nos contrafortes termoplsticos laminados; e vertical e horizontal nos con- trafortes impregnados, conforme indicado na Figura 11. Figura 11 Sentido de corte dos corpos de prova nas placas de contrafortes para a realizao do ensaio de resistncia trao As Tabelas 2 e 3 demonstram os resultados de resistncia trao e o alonga- mento na ruptura obtidos. Os resultados mostram que os contrafortes dos tipos laminado e impregnado apresentam comportamento distinto quando submetidos ao ensaio de resistncia trao. 10. 133 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Tabela 2 Resistncia trao e alongamento do contraforte termoplstico laminado Tabela 3 Resistncia trao e alongamento do contraforte termoplstico impregnado 11. 134 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional Observa-se que o contraforte termoplstico laminado apresenta tenses de rup- tura semelhantes quando a carga aplicada nas direes vertical e horizontal, enquan- to, na aplicao de carga no sentido oblquo, as tenses de ruptura se apresentam inferiores, cerca de 60% menores. Apresenta maior alongamento no sentido vertical, e menor alongamento nos demais sentidos. O comportamento pode ser explicado pelo material de estruturao desse tipo de contraforte, que composto de manta tecida, com disposio dos fios nos sentidos horizontal e vertical, correspondendo aos senti- dos de aplicao do carregamento que apresentaram maiores tenses de ruptura. A disposio dos fios nas duas direes facilmente identificada na Figura 8. O contraforte termoplstico impregnado, por sua vez, apresenta o mesmo alon- gamento em ambos os sentidos de aplicao da carga. Entretanto, a tenso de ruptura cerca de 50% maior no carregamento horizontal, comparada tenso de ruptura verificada no carregamento vertical. Esse fato contraria as expectativas anteriores realizao do ensaio, baseadas nos dados encontrados na bibliografia e na descrio do material de estrutura desse tipo de contraforte, tido como uma manta no tecida, ma- nufaturada com fibras aleatoriamente distribudas. Essa distribuio aleatria das fi- bras, sem orientao preferencial, no indica sentido de maior ou menor resistncia trao, levando a supor que o material resiste de forma similar quando solicitado em qualquer direo. Tendo em vista os resultados obtidos, procurou-se o departamento tcnico da empresa fabricante do material, o qual revelou informalmente que a manta utilizada para a fabricao dos contrafortes manufaturada pelo processo de filamento contnuo, o qual induz de forma sensvel a um direcionamento das fibras no sentido do comprimento do rolo, podendo, por isso, conferir maior resistncia trao quando o carregamento realizado nesse sentido. No processo de reciclagem proposto neste trabalho, devido forma aleatria como o resduo adicionado matriz de gesso, no possvel conhecer de antemo o sentido de trao a que sero solicitados. Sob esse ponto de vista, os resultados obtidos mostram que ambos os tipos de contrafortes podem romper por trao quando sub- metidos a um carregamento superior a aproximadamente 9 N/mm2 , e apresentam alongamento mnimo de 14%. Absoro de gua A determinao da absoro de gua foi realizada em uma amostra de resduo modo, forma utilizada para adio na matriz de gesso, tendo em vista que o proces- so de moagem provoca a quebra da pelcula das resinas de impregnao e laminao dos contrafortes, expondo as fibras de estruturao, conforme verificado na anlise 12. 135 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista microscpica. Experimentalmente, verificou-se que a exposio das fibras modifica de for- ma significativa o comportamento do material ante a absoro de gua, se compara- do placa de contraforte, justificando a realizao do ensaio em uma amostra de contraforte modo. Na Figura 12 possvel acompanhar a absoro de gua dos dois tipos de contrafortes ao longo de dez minutos. Tabela 4 Absoro das amostras de contrafortes dos tipos impregnado e laminado Figura 12 Grfico do percentual de absoro de gua dos resduos O contraforte termoplstico laminado modo absorve mais gua, sendo o percentual total de absoro at o final do ensaio de 28,03%, enquanto o percentual total de absoro do contraforte termoplstico impregnado modo de 20,35% nas 13. 136 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional mesmas condies. Em ambos, a absoro ocorre, quase na sua totalidade, nos dois primeiros minutos em contato com a gua, concluindo-se que na moldagem do compsito a absoro de gua ir ocorrer durante a mistura dos materiais. Biodeteriorao Alm da determinao das propriedades fsicas e mecnicas do contraforte, foi realizado um estudo visando a determinar a durabilidade desse material. Essa anlise exige, alm do conhecimento de suas caractersticas qumicas e de microestrutura, a identificao das caractersticas do ambiente ao qual o produto estar exposto, permi- tindo identificar os agentes que podem causar sua degradao. Para essa identificao, partiu-se do pressuposto de que o material ser utilizado em componentes de vedao interna em edificaes, no estando sujeito ao direta da gua ou intemprie. A partir de pesquisa bibliogrfica, selecionaram-se os fungos encontrados com maior freqncia em materiais sintticos, em especial aqueles que podem deteriorar esses materiais. Tambm foram identificados e cultivados outros tipos de fungos filamentosos, incorporados por contaminao durante o processo de gerao de res- duos de contrafortes. Amostras de 1 cm2 de contrafortes dos tipos laminado e impregnado (contami- nadas e sem aparente contaminao) foram colocadas sobre meio de batata-dextrose- gar (BDA) em placas de Petri e incubadas a 28 C e fotofase de 12 h por oito dias. Os fungos filamentosos que cresceram sobre o meio de cultura foram transferidos para novas placas BDA com a finalidade de se obterem culturas axnicas. Aps a replicagem, as placas foram colocadas em estufa de cultura por oito dias a 28 C e fotofase de 12 horas para, ento, serem identificadas. Constatou-se contaminao de diferentes microorganismos em todas as amos- tras analisadas, indicando que ela ocorre nas diferentes etapas do processo industrial de fabricao, corte e moagem de contraforte. A Tabela 5 apresenta a relao dos fungos isolados e identificados em placas com meio de cultura de batata-dextrose-gar. Embora na maioria das amostras no houvesse contaminao aparente antes do ensaio, seus esporos deveriam estar em fungiastase, pois assim que entraram em contato com o meio de batata-dextrose-gar comearam a desenvolver-se. O meio forneceu um substrato para os fungos e, ao mesmo tempo, um estmulo a seu cresci- mento sobre a maioria das amostras. 14. 137 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Entre os gneros de fungos encontrados, os mais representativos foram Penicillium (nas amostras de contraforte laminado) e Trichoderma, que cresceram sobre maior quantidade de amostras. Para determinar a influncia da umidade na velocidade de crescimento das colnias, amostras de 1 cm2 de contraforte foram colocadas em cmaras midas previamente esterilizadas e mantidas temperatura de 28 C e fotofase de 12 horas durante seis a oito dias. Aps esse perodo iniciaram-se observaes. Foi constatado que em todas as amostras de contraforte colhidas aps a moagem houve crescimento de fungos sobre o papel filtro da cmara mida, entretanto, sobre as amostras em si, o crescimento dos fungos no foi expressivo. Ficou evidente que o aumento da umidade e da temperatura favoreceram o crescimento dos referidos fungos. Em continuidade pesquisa, amostras sem contaminao aparente foram co- locadas em cmara tropical constituda de uma camada de 2 cm de solo, na qual foram adicionados 10 ml de suspenses (106 condios/ml) de cada um dos fungos isolados das amostras: Cladosporium, Penicillium, Gliocladium, Trichoderma, Nigrospora e Rhizopus. Tambm utilizaram-se os fungos Aspergillus niger e Aspergillus flavus. A cma- ra foi mantida temperatura de 28 C e fotofase de 12 horas, e a partir do oitavo dia iniciaram-se as observaes dirias. Aps dezessete dias de exposio em cmara tropical, foi averiguada ocorrn- cia de manchas causadas por fungos em todas as amostras. Verificou-se tambm que Tabela 5 Fungos isolados e identificados em placas com meio de cultura BDA 15. 138 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional h uma diferena expressiva no tipo de fungo e na velocidade de crescimento entre os dois tipos de contrafortes utilizados. Entre os fungos identificados, os que mais preocupam so os fungos do tipo Cladosporium sp., que degradam tintas, epxi, polietileno e polipropileno, os do tipo Fusarium, que decompem plsticos, epxi, polietileno e polipropileno, e os Penicillium, que podem decompor epxi, polietileno, polipropileno e poliester (WAINWRIGHT, 1995). Com o objetivo de verificar se a proliferao de fungos pode deteriorar os resduos de contraforte, analisaram-se algumas amostras de contraforte aps a cultu- ra. Nessa anlise, procurou-se verificar como ocorre o crescimento das colnias e seus efeitos na microestrutura do material. A Figura 13 mostra o aspecto de uma amostra de contraforte impregnado contaminado por fungos. Figura 13 Micrografia de contraforte termoplstico impregnado contaminado por fungos Observa-se que os fungos, presentes na amostra de contraforte impregnado modo, se desenvolvem em colnias, localizando-se preferencialmente na pontas das fibras da manta de estruturao do material. Entretanto, no foi possvel constatar qualquer interao entre o contraforte e os microorganismos cultivados que pressu- ponham um comprometimento das propriedades mecnicas do material. Em um estudo posterior, realizado com compsitos de gesso com adio de contrafortes, determinou-se o comportamento de corpos-de-prova flexo, antes e depois do crescimento de colnias. Foi constatado que, aps seis meses de cultura, a resistncia flexo sofreu uma pequena queda, sempre inferior a 5% com relao aos corpos-de-prova de referncia. Considerando-se que as condies de ensaio fo- ram extremamente agressivas, estima-se que, como os componentes fabricados com o compsito sero utilizados apenas para o fim de vedao interna em edificaes, 16. 139 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista no estando sujeitos ao direta da gua, o desenvolvimento de fungos e o conse- qente decrscimo de resistncia nos componentes sero muito inferiores ao obser- vado no ensaio acelerado. Sistema atual de gesto do resduo Segundo informaes das empresas fabricantes de contrafortes, sua reciclagem no prprio processo produtivo no vivel devido aos custos e a restries tecnolgicas. Em conseqncia, a quase totalidade do resduo produzido descartado. Apesar do esforo contnuo dos rgos de fiscalizao ambiental municipais, estadual (FEPAM) e federal (IBAMA), no h dados sistematizados sobre o montante de resduos produzidos e a forma de sua destinao. Um fator que muito contribui para a inexistncia de dados confiveis a grande quantidade de empresas de pequeno e mdio portes que adquirem o contraforte na forma de placas e geram o resduo em seu processo de manufatura de calados, sem declarar o destino do resduo. Sabe-se que a grande maioria dessas empresas no utiliza centrais de resduos para o descarte. Entre as empresas que se utilizam de aterros de resduos para seu descarte (grupo onde se incluem todas as empresas fabricantes de placas de contrafortes, quando j fornecem o contraforte cortado pelas navalhas fornecidas por seus clien- tes), algumas realizam uma moagem dos esqueletos e acondicionam o material modo em sacos plsticos, enquanto outras prensam o material e o arranjam em fardos antes de realizar o descarte. Esse cuidado objetiva a diminuio de volume do resduo a ser transportado e depositado. Preocupados com a situao do setor, o Centro Tecnolgico do Couro, Cala- dos e Afins (CTCCA) em conjunto com as principais empresas produtoras de contra- fortes do Vale do Rio dos Sinos (Artecola, Boxflex e Classil) e com a fornecedora de mantas no tecidas para a confeco de contrafortes (Bidim) propuseram Universida- de do Vale do Rio dos Sinos a realizao de um projeto de pesquisa visando a identifi- car o potencial de reciclagem desse resduo na indstria da Construo Civil. Alternativas de Reciclagem ou Reutilizao Um dos setores com maior potencial para absorver os resduos slidos indus- triais a indstria da Construo Civil (CINCOTTO, 1988). A reciclagem de resdu- os na forma de materiais e componentes para a Construo Civil tem sido uma alternativa bem-sucedida em diversos casos, gerando sociedade uma srie de be- 17. 140 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional nefcios, como a reduo do volume de matrias-primas extradas da natureza, a reduo do consumo de energia na produo de materiais e a diminuio na emisso de poluentes. Na pesquisa desenvolvida, partiu-se da hiptese de que o resduo de contra- forte modo, devido sua forma lamelar, adicionado a matrizes de materiais normal- mente utilizados na Construo Civil, como o cimento e o gesso, teria o comporta- mento semelhante ao de uma fibra, proporcionando melhorias em certas proprieda- des mecnicas. Segundo Savastano Jr. et al. (1994), os materiais reforados com fibras, pelas suas propriedades mecnicas adequadas e pelo aumento da ductilidade da matriz, tm apresentado uso crescente na construo civil, e prev-se um aumento conside- rvel de seu uso no Brasil, visto que empresas de grande porte esto comeando a adotar esses produtos em seus sistemas construtivos. Outras vantagens do uso de fibras em matrizes frgeis so citadas por John (1999), como um melhor desempe- nho ante os esforos dinmicos, a diminuio da velocidade de propagao das fissuras e o comportamento ps-fissurao, podendo apresentar uma considervel deforma- o plstica. Num primeiro momento, esse resduo foi adicionado a uma matriz base de cimento, no obtendo-se, no entanto, resultados satisfatrios nos ensaios realizados. A pesquisa prosseguiu adicionando-se o resduo de contraforte modo a uma matriz de gesso, o que gerou resultados muito promissores. O gesso um material de construo civil com uso crescente no pas, em funo de propriedades peculiares a este material, como relativa leveza, pega rpida (adequada aos processos de produo industrializados), inexistncia de retrao por secagem e isolamentos trmico e acstico adequados (SANTOS, 1988). As empresas produtoras de contrafortes para calados tm interesse direto na pesquisa de alternativas para aproveitamento dos resduos de contrafortes, pois h uma tendncia a responsabilizar as empresas geradoras da matria-prima pelo desti- no dos resduos criados a partir de sua utilizao. Como essas empresas no esto inseridas no setor da Construo Civil, foi realizado um levantamento de possveis parceiros para a transferncia da tecnologia desenvolvida. Na etapa final da pesquisa, foram selecionadas algumas empresas fabricantes de artefatos de gesso no estado do Rio Grande do Sul, com as quais foi firmado um contrato para repasse e aperfeio- amento da tecnologia de fabricao do compsito. A principais aplicaes do produ- 18. 141 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista to desenvolvido foram a fabricao de placas de gesso para forro rebaixado e com- ponentes de gesso para paredes divisrias. Como resultado final da pesquisa, com- provou-se a viabilidade tcnica e econmica da reciclagem dos resduos de contra- fortes. O incio de sua comercializao depende, na etapa atual de pesquisa, da defi- nio de uma estratgia de coleta, moagem e transporte dos resduos at as empresas de componentes de gesso, e de uma estratgia de marketing para divulgao do novo material. Dados Estatsticos A regio do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, considerada o principal plo caladista do pas e gera aproximadamente 65% dos resduos da in- dstria coureiro-caladista, segundo estimativa do Centro Tecnolgico do Couro, Calados e Afins. O volume de resduos de contraforte, objeto de estudo nesta pes- quisa, estimado em 80 t/ms somente nesta regio (ano-base 1999), equivalendo a um volume de 550 m3 /ms. Apenas uma pequena parte desse resduo reaproveitado no processo indus- trial, e grande parte tem como destino final o depsito em aterros de resduos, de controle pblico e/ou privado, ou o descarte clandestino. A primeira etapa da pesquisa realizada consistiu na identificao das princi- pais empresas geradoras de resduos na regio do Vale do Rio dos Sinos, considerado o maior polo coureiro-caladista do pas, e dos aterros de resduos industriais da regio. Aps entrevistas com essas empresas, contatou-se que: - no h dados quantitativos e qualitativos sobre os resduos obtidos de forma sistmica; - h elevada rotatividade no nmero de empresas do setor, e tanto os rgos de fiscalizao quanto os rgos representativos do setor no conseguem manter um arquivo atualizado sobre as empresas existentes; - de modo geral, as empresas do setor no tm interesse em identificar e quantificar os resduos gerados; e - h uma tendncia a responsabilizar as empresas fornecedoras da matria-prima nas quais os contrafortes so gerados pelo destino dos resduos. As principais empresas fornecedoras de contrafortes na Regio Sul so a Artecola, Boxflex, Duvinil, Classil e Quimiplan. Estima-se que essas empresas sejam responsveis por mais de 90% do mercado. A partir de visitas realizadas Artecola, 19. 142 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional Boxflex e Classil, participantes do projeto de pesquisa, constatou-se que no h dados consistentes disponveis sobre a gerao de resduos de contrafortes. Em fun- o dessa dificuldade, foi realizado um levantamento visando a quantificar os resdu- os gerados a partir da operao de corte. Nesse levantamento foram identificados os principais tipos de contrafortes existentes e determinada a quantidade mdia de res- duos gerada na operao de corte das placas de contraforte. A anlise procurou verificar o percentual de perda sobre cada placa de contraforte, e a metodologia adotada foi a medio, em massa, de resduos de placas logo aps o corte com modelos de peas de contraforte em balancim de comando manual. Os resultados demonstraram que os percentuais de resduo gerado variam de 13% a 23,2% em relao ao material-base (placa), ou seja, at um quinto do material no pode ser aproveitado para a confeco das peas de contrafortes, tornando-se um resduo slido para a empresa. Sabendo-se que os contrafortes so utilizados em todos os tipos de calados fechados e que a quantidade de material perdido na operao de corte dos contrafor- tes elevada (conforme verificado na pesquisa realizada), pode-se estimar que a quantidade de resduos gerada significativa. Processo de reciclagem proposto Descrio, vantagens e desvantagens do produto A adio do resduo de contraforte modo a uma matriz de gesso resulta em um compsito com maior ductilidade que a matriz de gesso, uma vez que os resdu- os de contraforte modo incorporados matriz comportam-se como fibras. Foi de- senvolvido um produto que possui elevada resistncia mecnica ao impacto e tra- o na flexo, alm de possuir alta capacidade de suporte de cargas suspensas, e as matrias-primas utilizadas e a tecnologia necessria para a fabricao indicam que o custo do produto venha a ser competitivo, quando comparado ao de outros materiais existentes no mercado (componentes convencionais de gesso e placas de gesso acartonado). No processo de fabricao de componentes tradicionais de gesso, a adio do resduo diminui significativamente as perdas decorrentes de quebras nas etapas de fabricao e transporte de componentes, que em geral so superiores a 5% do total. O processo de fabricao dos componentes, entretanto, precisa ser adaptado ao novo 20. 143 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista material, sendo necessrio o desenvolvimento de um procedimento especfico para moldagem com o compsito, uma vez que sua consistncia menos fluida que a da matriz. O produto final, em funo da adio, no frgil e permite a fixao de buchas e parafusos, fatores que ampliam o mercado original de componentes de gesso. A transformao do resduo de contraforte em um produto reciclado implica as seguintes atividades: estruturao de uma logstica para a coleta e a moagem dos resduos de contrafortes; adaptao dos equipamentos da empresa produtora de com- ponentes de gesso em funo das caractersticas do compsito no estado fresco, estruturao de um sistema para controle de qualidade de produo e elaborao de uma estratgia de marketing para divulgao do novo produto ao mercado. Projeto experimental, materiais e mtodos A primeira etapa do trabalho experimental consistiu na caracterizao dos materiais empregados, especialmente os resduos de contrafortes, tendo em vista o uso destes em materiais de construo civil. O gesso foi caracterizado qumica e fisicamente, e os resduos foram caracterizados quanto periculosidade (NBR 10004), resistncia trao, absoro de gua e proliferao de fungos. Tendo em vista essa caracterizao indicar que o gesso e os resduos so aptos ao uso como materiais de construo, partiu-se para o estudo de dosagem. Numa primeira etapa, o compsito foi analisado em seu estado fresco, procu- rando identificar qual a metodologia de moldagem mais adequada, a quantidade de gua necessria, a quantidade e granulometria dos resduos para adio, etc. Em seguida, realizaram-se ensaios em corpos-de-prova moldados com o compsito. Os ensaios adotados foram de resistncia compresso, ao impacto e trao na flexo. Com base nos resultados dos estudos desenvolvidos, verificou-se que a incor- porao dos resduos de contrafortes em matriz de gesso resulta em um compsito com um incremento significativo da ductilidade da matriz. Esse comportamento permite que o material desenvolvido seja indicado para a fabricao de componentes pr-moldados, como blocos para alvenarias de vedao e painis para forros. Tomando como premissa que o compsito ser utilizado na fabricao de painis e blocos, foram realizados ensaios com o objetivo de determinar o comporta- mento desses componentes. Foi determinado o comportamento do compsito dian- te do fogo (ensaios de propagao superficial de chama e de densidade tica especfi- 21. 144 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional ca de fumaa), a capacidade de fixao de parafusos do material (realizado por meio de ensaio de arrancamento de parafusos por trao direta (em blocos de compsito), e a capacidade de suporte de cargas suspensas (realizado em uma parede construda com blocos de compsito). Seleo do gesso utilizado como matriz Os critrios estabelecidos para selecionar o gesso a ser utilizado como matriz do compsito foram: produto nacional, disponvel no mercado e com tempo de incio de pega lento, permitindo a adio de resduos e moldagem do compsito sem o uso de aditivos retardadores. Para tal, foram realizados ensaios de incio e fim de pega, determinao da consistncia normal e a caracterizao qumica do gesso (pre- vistos pela MB 3469/91). Foram testados dois tipos de gesso, considerados como gessos de pega lenta, provenientes da Regio de Araripina, PE. Anlise do compsito no estado fresco A primeira etapa do estudo de dosagem teve como objetivo verificar experi- mentalmente as propriedades do compsito no estado fresco. A mistura dos materiais foi realizada com argamassadeira mecnica. Foram realizadas diversas moldagens em formas horizontais utilizando-se diferentes se- qncias de mistura, teores de adio e granulometrias de resduos, mantendo-se a relao gua/gesso determinada no ensaio de consistncia normal do gesso (a/g = 0,57). Os teores de adio de resduos foram de 5%, 10%, 15%, 20%, 25% e 30% em massa, em relao massa de gesso, em duas faixas granulomtricas distintas (com mdulos de finura equivalentes a 4,3 e 5,9, determinados conforme a NBR 7211/83). Num segundo momento, foram realizadas outras moldagens, testando-se as mesmas variveis, porm alterando-se a relao gua/gesso para 0,60 e 0,70, em funo da necessidade de adequar a trabalhabilidade do compsito quando moldado em outros tipos de formas. Anlise do compsito no estado endurecido Para estudar o comportamento mecnico do compsito foram realizados en- saios de resistncia compresso, ao impacto e trao na flexo. 22. 145 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Todos os corpos-de-prova foram moldados observando-se as mesmas vari- veis identificadas na anlise do compsito no estado fresco, mantendo-se o mesmo procedimento de mistura dos materiais, cura e desmoldagem, que obedece seqn- cia descrita a seguir: 1) mistura dos materiais - gua e resduo - 1 minuto de agitao mecnica - adio do gesso - 2 minutos de agitao mecnica; 2) colocao do material em forma untada com leo vegetal; 3) adensamento com golpes de soquete (manual) ou atravs de vibrao em mesa vibratria (mecnico); 4) desmoldagem aps 45 minutos da moldagem; 5) cura por 24 h; 6) secagem em estufa a (35 2) C at estabilizao da massa. A adoo da temperatura de (35 2) C teve como objetivo padronizar o tempo de estabilizao de massa dos compsitos, sendo considerada a pior situao, que a moldagem das peas no vero. Esse procedimento tambm visou a minimizar a influncia da variao da umidade relativa do ar ao longo do ano. Resistncia compresso A resistncia compresso dos compsitos foi determinada de acordo com a MB 3470/91, sendo utilizados, para cada varivel estudada, trs corpos-de-prova cbicos com 5 cm de aresta. Neste ensaio analisou-se a influncia do teor de adio de resduo (10%, 15% e 20%), do tipo de resduo (contraforte laminado e impregnado), do adensamento (manual e mecnico) e da relao gua/gesso (0,57, 0,60, 0,65 e 0,70). Em funo das dimenses dos corpos-de-prova, o teor mximo de adio de resduos foi de 20%. Acima desse limite, as caractersticas do compsito fresco no permitiram a moldagem de corpos-de-prova com bom acabamento. Foram utilizados resduos com MF=4,3, uma vez que os resduos com MF=5,9 se mostraram inadequados para a moldagem de corpos-de-prova muito pequenos. Resistncia ao impacto O mtodo de ensaio utilizado foi desenvolvido a partir do projeto de norma 2:02.10.084 - Piso cermico: determinao da resistncia ao impacto - mtodo de 23. 146 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional ensaio, da ABNT e da JIS 6745, tendo sido utilizado inicialmente por Savastano Jr. (1987) e Santos (1988), e consiste na determinao da resistncia ao impacto de um corpo-de-prova submetido a sucessivas quedas de uma esfera de ao, observando-se o eventual surgimento de fissuras. As Figura 14 mostram detalhes do equipamento utilizado para o ensaio. Figura 14 Equipamento utilizado para a realizao do ensaio de impacto A altura inicial de queda da esfera de ao de 15 cm, medidos entre a face inferior da esfera e a face superior do corpo-de-prova. Em seguida queda, a face inferior do corpo-de-prova deve ser inspecionada, verificando-se se houve fissurao e anotando-se a abertura da fissura medida com auxlio de um fissurmetro (neste estudo foi utilizado um fissurmetro ptico com preciso de leitura de 0,1 mm). Aumenta-se sucessivamente a altura de queda em 5 cm, repetindo-se aps cada que- da da esfera a inspeo das fissuras do corpo-de-prova, at a altura de queda de seu rompimento, ou a altura mxima de 200 cm. Aps o ensaio, determina-se a energia correspondente aos impactos sucessi- vos. Pode-se admitir que a mxima energia aplicada igual energia potencial da esfera metlica, antes de ser lanada em queda livre, conforme a equao: 24. 147 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista onde: E = energia de impacto, resultante de n impactos (em Joules); m = massa da esfera metlica (m = 623g); g = acelerao da gravidade (adotado g = 9,8m/s2 ); n = nmero de golpes sofridos pelo corpo-de-prova; e h = altura de queda da esfera. Foi realizado um estudo preliminar com o objetivo de verificar se a adio de resduos efetivamente incrementa a resistncia da matriz ao impacto, e quais vari- veis exercem maior influncia. As variveis do estudo foram o teor de adio (0%, 10%, 15%, 20% e 25%), o tipo de resduo (contraforte impregnado ou laminado) e a granulometria do resduo (mdulo de finura 4,3 ou 5,9). A relao gua/gesso ado- tada foi a necessria para atingir a consistncia normal (gua/gesso = 0,57). A partir das observaes obtidas no estudo preliminar, foram moldados no- vos corpos-de-prova com o objetivo de ampliar o estudo do comportamento do compsito ante o impacto. Tendo em vista o bom comportamento dos compsitos com maiores teores de adio de contraforte modo, e considerando a necessidade de reciclagem da maior quantidade possvel desse resduo, os teores de adio estudados nesta etapa foram de 20% e 25%. Nestes teores observa-se uma pequena queda na resistncia compresso, compensada pelo ganho de resistncia ao impacto, que muito significativo. Mesmo considerando que a utilizao de resduos com maior mdulo de finu- ra melhora a resistncia ao impacto do compsito, optou-se pelo uso de resduos com mdulo de finura menor (MF = 4,3). Tal deciso deve-se necessidade de garantir uma trabalhabilidade adequada para a moldagem de componentes de peque- na espessura e um melhor acabamento superficial das peas. O adensamento foi realizado por meio de vibrao mecnica. Nesta etapa foram moldadas sries de trs corpos-de-prova, para anlise da influncia do tipo de resduo (contraforte laminado e contraforte impregnado), da relao gua/gesso (0,57, 0,60, 0,65 e 0,70) e do teor de adio (20% e 25%). 25. 148 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional Em vista do diferente comportamento dos compsitos com adio de resdu- os de contraforte laminado e impregnado, foi estudado tambm o comportamento de compsitos moldados com adio mista de resduos. Foram adotados os seguin- tes teores de adio: - teorde20%:(50%CTL+50%CTI),(25%CTL+75%CTI)e(75%CTL+25%CTI); - teorde25%:(50%CTL+50%CTI),(25%CTL+75%CTI)e(75%CTL+25%CTI). Resistncia trao na flexo A determinao da resistncia trao na flexo teve como objetivos determi- nar as caractersticas elsticas do compsito com a adio de resduos e a relao entre tenso e deformao diante da aplicao de incremento de carregamento contnuo. A resistncia trao na flexo dos compsitos foi determinada baseando-se na metodologia especificada na ASTM C78-94, com a utilizao de corpos-de-prova com dimenses de 25x5 cm, com 2,5 cm de espessura. Os corpos-de-prova subme- tidos a este ensaio foram moldados do mesmo modo utilizado no ensaio de impacto, e utilizados resduos modos com a mesma granulometria (mdulo de finura = 4,3). O adensamento foi realizado por meio de vibrao mecnica. Foram moldadas sries de trs corpos-de-prova, para anlise da influncia do tipo de resduo (contraforte laminado, contraforte impregnado e adio mista dos dois tipos de resduos), da relao gua/gesso (0,57, 0,60, 0,65 e 0,70) e do teor de adio (20% e 25%). Nos contrafortes com adio mista de resduos, foram utilizadas as seguintes combinaes: - teorde20%:(50%CTL+50%CTI),(25%CTL+75%CTI)e(75%CTL+25%CTI); - teorde25%:(50%CTL+50%CTI),(25%CTL+75%CTI)e(75%CTL+25%CTI). Ensaios de desempenho de componentes elaborados com o compsito desenvolvido Resistncia ao fogo Para a determinao do comportamento do compsito quando submetido ao fogo, foram realizados os ensaios de determinao do ndice de propagao super- ficial de chama, segundo a NBR 9442/86, e de determinao da densidade tica especfica da fumaa, segundo a ASTM E 662-92. 26. 149 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista O ndice de propagao superficial de chama foi determinado em placas de compsito moldadas com relao gua/gesso de 0,60 e adio de 20% de contrafor- te impregnado e em placas com a mesma relao gua/gesso e adio de contraforte laminado. A densidade tica especfica de fumaa foi determinada em placas de compsito moldadas com relao gua/gesso de 0,60 e adio de 20% de contraforte impregna- do e em placas com a mesma relao gua/gesso e adio de contraforte laminado. Arrancamento de parafusos por trao A determinao da tenso de arrancamento de parafusos por trao foi reali- zada em blocos moldados com o compsito, de dimenses 40 cm x 40 cm x 4,5 cm, com furos. Para a fabricao dos blocos para o ensaio, adotou-se um compsito com adio de 20% de resduo laminado e relao gua/gesso de 0,60. Aps a secagem, foram realizados seis furos em cada bloco, com o auxlio de uma furadeira eltrica, e fixados parafusos com buchas plsticas tipo fischer n 6 e n 8. Trs parafusos foram fixados na parte macia do bloco (espessura de 4,5 cm) e trs parafusos foram fixados perpendicularmente aos furos dos blocos (espessura de 2,5 cm). O ensaio consiste na medio da tenso necessria para ocorrer o arrancamento dos parafusos. Capacidade de suporte de cargas suspensas A capacidade de suporte de carga suspensa foi realizada em um painel-prot- tipo, construdo com blocos fabricados com o compsito. O ensaio seguiu as especificaes da NBR 11678/90, parafusando-se um suporte do tipo mo france- sa no prottipo e, posteriormente, aplicando-se a este suporte uma carga de 80 kg por 72 horas. O painel-prottipo foi construdo na forma de uma parede divisria compos- ta de seis fiadas de trs blocos moldados com o compsito de gesso reforado com contraforte. Utilizou-se um compsito com adio de 20% de resduo laminado e relao gua/gesso de 0,60. O ensaio consiste na determinao da resistncia ao esforo de arrancamento dos dois parafusos que suportam a estrutura na qual a carga aplicada. Observa-se, 27. 150 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional durante o ensaio, se h deslizamento das buchas que servem para fixao dos parafu- sos. A Figura 15 ilustra o ensaio durante sua execuo. Figura 15 Realizao do ensaio de capacidade de suporte de cargas suspensas Caracterizao trmica do compsito A caracterizao trmica dos compsitos desenvolvidos nesta pesquisa serve como subsdio para a definio do tipo de elemento construtivo, parede divisria ou forro, que ser posteriormente desenvolvido. A caracterizao dos compsitos de gesso baseou-se em trs ensaios: calor especfico, condutividade trmica e massa especifica aparente. Para os ensaios de calor especfico mdio foram utilizados trs corpos-de- prova de compsito de gesso com resduo de contraforte termoplstico laminado e um com resduo de contraforte termoplstico impregnado. As amostras com resduo contraforte termoplstico laminado diferenciavam-se pelo teor e granulometria, como mostra a Tabela 6. 28. 151 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Tabela 6 Relao das amostras para ensaio de calor especfico Para os ensaios de condutividade trmica e massa especfica aparente foram utilizados trs corpos-de-prova de compsito de gesso com resduo contraforte termoplstico laminado e contraforte termoplstico impregnado. As amostras dife- renciavam-se pelo teor de contraforte utilizado, como mostra a Tabela 7. Tabela 7 Relao das amostras para ensaio de condutividade trmica e massa especfica aparente As amostras ensaiadas diferiam pelo tipo de material adicionado, resduo con- traforte termoplstico laminado ou contraforte termoplstico impregnado, e quanto ao teor, em propores de 20% e 25%. Em todos os compsitos, utilizou-se uma relao gua/gesso de 0,60. Para a determinao do calor especfico mdio o procedimento de ensaio baseado na norma ASTM C 351/92 Standard Test method for mean specific heat of thermal insulation. Para a determinao de condutividade trmica o procedimento de ensaio segue anormaASTMC177/97 Standardtestmethodforsteadystatethefluxmeasurements and thermal transmission properties by means of the guarde-hot-plate apparatus. Foram utilizadas placas quentes protegidas e sistema de aquisio de dados. 29. 152 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional Para a determinao de massa especfica aparente, o procedimento de ensaio baseado na norma ASTM 303/97 Standard test method for dimensions and density or preformed block type thermal insulation. Resultados e discusso Determinao dos tempos de incio e fim de pega do gesso Os ensaios realizados para selecionar o gesso foram os previstos pela MB 3469/9 Consistncia normal e Tempo de pega. O Gesso 1 requer uma relao gua/gesso de 0,57 para adquirir a consistncia normal. O incio de pega se d aos 22 min, e o final, aos 35 min, enquanto o Gesso 2 necessita de uma relao gua/gesso de 0,58, e o incio de pega se d aos 15 min e 30 s, e o final aos 28 min. O Gesso 1, que comercialmente conhecido por gesso sublime, foi sele- cionado para o trabalho por possuir maior tempo de incio de pega. Essa proprieda- de foi considerada necessria em funo da absoro de gua dos contrafortes e alterao esperada na trabalhabilidade da matriz com sua incorporao, uma vez que necessrio garantir um tempo adequado para a incorporao do resduo matriz, seu transporte, deposio em uma forma e adensamento. Caracterizao qumica do gesso selecionado A caracterizao qumica do gesso selecionado consta nas Tabelas 8, 9 e 10. Tabela 8 Resultados da anlise qumica do gesso 30. 153 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Tabela 9 Composio mineral do gesso, calculada a partir da anlise qumica Tabela 10 Resultados de pH, (Cl- ) solvel, CO2 e P2 O5 e flor (F) Anlise do compsito no estado fresco O estudo realizado demonstrou que a mistura dos materiais possvel e que a moldagem do compsito no exige tecnologia sofisticada. Verificou-se que, entre as seqncias de misturas testadas, o procedimento mais adequado consiste na mistura preliminar da gua com o resduo modo, por um minuto, com agitao mecnica, e na adio posterior de gesso, continuando a mistura mecnica por mais dois minutos. A moldagem do compsito se mostrou possvel para todas as relaes gua/ gesso testadas, para teores de adio de resduos de at 25%, sendo as relaes gua/ gesso maiores as que conferem maior trabalhabilidade pasta, principalmente em dias de moldagem com temperatura elevada. 31. 154 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional O compsito se mostrou adequado para a moldagem nos diversos tipos de formas adotados na pesquisa, independentemente da granulometria de resduo utili- zada. Os compsitos moldados com resduos com mdulo de finura 4,3 apresenta- ram acabamento superficial uniforme (com aspecto de superfcie lisa) at adies no teor de 10%. Na medida em que se aumenta o teor de adio e/ou a granulometria do resduo, a superfcie superior se mostra rugosa, para todas as relaes gua/gesso testadas. Anlise do compsito no estado endurecido Resistncia compresso A Figura 16 apresenta a mdia dos resultados obtidos no ensaio de resistncia compresso dos corpos-de-prova moldados com relao a/g = 0,57, variando-se os teores de adio (0%, 10%, 15% e 20%) e a forma de adensamento (manual e mecnica). A Figura 17 apresenta a mdia dos resultados obtidos no ensaio de resistncia compresso de corpos-de-prova moldados com adio de 20%, variando-se a rela- o gua/gesso (0,57, 0,60, 0,65 e 0,7). Figura 16 Resistncia compresso mdia das sries de corpos-de-prova com diferentes teores de adio de resduos (a/g 0,57) Figura 17 Grfico da resistncia compresso mdia das sries de corpos- de-prova com diferentes relaes gua/ gesso e 20% de contraforte Para identificar as diferenas entre os compsitos ensaiados, foi realizada uma anlise estatstica de varincia (ANOVA), considerando a influncia das variveis testadas, sendo estipulada uma confiabilidade de 95%. 32. 155 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Constatou-se que os teores de adio (0%, 10%, 15% e 20%) e o tipo de contraforte so significativos, influenciando diretamente na resistncia compresso do compsito. Observou-se tambm que nas sries com adensamento manual o teor de adio de resduos no apresenta varincia significativa, independentemente do tipo de resduo adicionado, enquanto as sries com adensamento mecnico apresen- tam varincia significativa entre os teores testados. Existe uma diferena significativa entre os resultados das sries sem adio e com adio de resduos, apresentando as sries sem adio de resduos resistncia compresso superior s sries com adio de resduos. Por outro lado, foi observado que o teor de adio s influencia a resistncia compresso de forma significativa nas sries com adensamento mecnico, pois este mais eficaz na expulso do ar aprisionado na pasta. Verifica-se que o tipo de resduo adicionado influencia, de maneira significativa, a resistncia compresso do compsito, independentemente da forma de adensamento empregada. Outra varivel analisada a relao gua/gesso, com os resultados de ensaios em corpos-de-prova com relao gua/gesso de 0,57, 0,60, 0,65 e 0,70. A relao gua/gesso apresentou varincia significativa nas duas sries analisadas (srie de corpos-de-prova com adio de resduos de contraforte laminado e de corpos-de- prova com resduos impregnados). Observa-se que nas duas sries a resistncia compresso diminui medida que a relao gua/gesso aumenta. Entretanto, a varincia no significativa nas sries de corpos-de-prova moldados com relao gua/gesso superior a 0,65. Os resultados dos ensaios de resistncia compresso indicam que o compsito apresenta comportamento compresso similar aos materiais fibrosos, mostrando resistncia compresso inferior resistncia da pasta-matriz. Esse comportamento explicado devido ao aumento de porosidade do compsito conferido pela incorpo- rao das fibras. O decrscimo de resistncia observado, entretanto, est dentro dos parmetros esperados. Resistncia ao impacto As Figuras 18 a 21 mostram o comportamento das sries de corpos-de-prova no ensaios de impacto. Os resultados do ensaio dos corpos-de-prova sem adio de resduo (referncia) no so mostrados nessas figuras porque todos apresentaram um comportamento frgil, com ruptura brusca, na primeira queda da esfera, que 33. 156 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional corresponde energia de 0,94 Joules. Essa energia de ruptura muito pequena, sendo impossvel sua visualizao na escala utilizada nos grficos. A matriz de gesso sem a adio de resduo apresenta rompimento brusco, sempre ocorrendo na primeira queda da esfera, que corresponde a uma energia de 0,94 J. Este resultado comprova a fragilidade da matriz de gesso. O compsito, por sua vez, apresentou um acrscimo de resistncia ao impacto substancialmente maior que a matriz. Tambm apresentou maior ductilidade, com uma deformao plstica considervel. Figura 18 Resistncia ao impacto do conjunto de corpos-de-prova com adio de resduo de CTI com mdulo de finura igual a 4,3 Figura 19 Resistncia ao impacto do conjunto de corpos-de-prova com adio de resduo de CTI com mdulo de finura igual a 5,9 Figura 20 Resistncia ao impacto do conjunto de corpos-de-prova com adio de resduo de CTL com mdulo de finura igual a 4,3 34. 157 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Figura 21 Resistncia ao impacto do conjunto de corpos-de-prova com adio de resduo de CTL com mdulo de finura igual a 5,9 Constatou-se que os compsitos com resduo de contraforte impregnado ab- sorvem mais energia at o surgimento da primeira fissura, porm os compsitos com resduo de contraforte laminado apresentam menor propagao e aumento de aber- tura das fissuras, aps o surgimento da primeira fissura. A propagao e abertura de fissuras menor medida que o teor de adio aumenta, e os compsitos com resduos com maior mdulo de finura (5,9) possuem maior resistncia ao impacto. Foi realizada uma segunda anlise do comportamento dos compsitos ao impacto, utilizando-se corpos-de-prova com teores de 20% e 25% de adio. Foram adotados dois critrios para a anlise dos resultados: a) o comportamento do corpo- de-prova durante o ensaio (Figura 22a); e b) a energia na qual ocorre a primeira fissura e energia acumulada no final do ensaio (Figura 22b). A Figura 22a apresenta a mdia dos resultados de resistncia ao impacto das sries de corpos-de-prova moldados com adio de resduo de contraforte termoplstico impregnado e laminado (CTI e CTL), em teores de 20% e 25%. Figura 22a Resistncia mdia ao impacto das sries de corpos-de-prova com adio de 20% e 25% de resduos 35. 158 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional Figura 22b Representao da energia na qual ocorre fissura e energia acumulada no final do ensaio As Figuras 23 e 24 apresentam, respectivamente, a mdia dos resultados de resistncia ao impacto das sries de corpos-de-prova moldadas com adio de res- duo de contraforte termoplstico impregnado e laminado, em teor de 20%, varian- do-se a relao gua/gesso. As Figuras 25 e 26 apresentam, respectivamente, a mdia dos resultados de resistncia ao impacto das sries de corpos-de-prova moldadas com adio mista de resduo de contrafortes em teores de 20% e 25%. Figura 23a Resistncia mdia ao impacto das sries de corpos-de-prova com adio de 20% de resduos de CTI, variando-se a relao gua/gesso (0,57 a 0,70) 36. 159 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Figura 23b Representao da energia na qual ocorre fissura e energia acumulada no final do ensaio (20% CTI) Figura 24a Resistncia mdia ao impacto das sries de corpos-de-prova com adio de 20% de resduos de CTL, variando-se a relao gua/gesso (0,57 a 0,70) Figura 24b Representao da energia na qual ocorre fissura e energia acumulada no final do ensaio (20% CTL) 37. 160 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional Figura 25a Resistncia mdia ao impacto das sries de corpos-de-prova com adio mista de resduos, em teor de 20% Figura 25b Representao da energia na qual ocorre fissura e energia acumulada no final do ensaio (adio mista, teor 20%) Figura 26a Resistncia mdia ao impacto das sries de corpos-de-prova com adio mista de resduos, em teor de 25% 38. 161 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Figura 26b Representao da energia na qual ocorre fissura e energia acumulada no final do ensaio (adio mista, teor 25%) Como nos ensaios preliminares, as sries com adies de contraforte impreg- nado absorvem maior energia at o surgimento da primeira fissura, mas a propaga- o da fissura ocorre de forma mais veloz, levando ao rompimento dos corpos-de- prova antes do trmino do ensaio, principalmente na srie com teor de adio de 20%. As sries com adies de contraforte laminado, ao contrrio, absorvem menor energia at o surgimento da primeira fissura, porm a propagao muito restringida, e nos dois teores de adio testados no houve ruptura dos corpos-de-prova ao final do ensaio. O comportamento pode ser explicado pela diferena existente entre as propriedades dos dois tipos de contraforte utilizados. Observa-se que a resistncia ao impacto diminui medida que a relao gua/ gesso aumenta. A partir da anlise da energia necessria para fissurar a matriz dos compsitos (Figuras b), pode-se verificar que as sries com menor relao gua/ gesso requerem maior energia para ocorrer fissurao. Com a adio de resduo de contraforte impregnado, quanto maior a relao gua/gesso, mais rpida a propa- gao da fissura e, por conseqncia, mais cedo ocorre a ruptura dos corpos-de- prova. Tal fato tambm observado nas sries com adio de resduo de contraforte laminado, porm apenas apresentaram ruptura as sries com relao gua/gesso de 0,65 e 0,70. Apesar da constatao de que menores relaes gua/gesso aumentam a resistncia ao impacto, a necessidade de se garantir a plasticidade do compsito du- rante a moldagem de componentes impe um limite para essa reduo. Verificou-se 39. 162 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional que as sries de corpos-de-prova moldados com relao gua/gesso de 0,57 e 0,60 no apresentaram diferena de comportamento significativa. Assim, pode-se consi- derar a relao gua/gesso de 0,60 como a mais apropriada, por no comprometer a resistncia ao impacto e propiciar relativa facilidade de moldagem. A adio mista de resduos (uso simultneo de contrafortes impregnados e contrafortes laminados) possvel para todos os teores de adio testados. Nenhuma srie de corpos-de-prova com adio mista de resduos de contraforte rompeu antes do final do ensaio, mesmo na srie com teor de adio de 20%, composta de 75% de resduos de contraforte impregnado, indicando que a adio mista de resduos au- menta substancialmente a resistncia ao impacto do compsito. Em ambos os teores de adio testados, as sries compostas por 50% e 75% de resduo laminado apresen- tam menor propagao de fissura ao longo do ensaio (Figuras a), apesar de se observar que a srie com 75% de resduo impregnado a que necessita de maior energia para ocorrer fissura. De acordo com a bibliografia, sabe-se que a incorporao de fibras em matri- zes de gesso aumenta a resistncia ao impacto, sendo o maior benefcio do reforo das fibras a modificao do comportamento do material aps a fissurao, pela dimi- nuio da propagao das fissuras. Tal comportamento nitidamente percebido nos compsitos ensaiados, pois os corpos-de-prova sem adio de resduo submetidos ao ensaio de impacto obtiveram ruptura brusca, com aplicao de baixa energia. Os corpos-de-prova com adio de resduo, por sua vez, apresentaram deformao pls- tica considervel, tornando-se um material de maior ductilidade, mais adequado para uso em construo civil. Cabe lembrar que o ensaio de impacto depende de muitas variveis, como tipo de equipamento, energia aplicada, velocidade de aplicao de energia, etc., sendo difcil a reproduo de dados e comparao dos resultados com os de outros pesquisadores. Resistncia trao na flexo A Figura 27 apresenta a mdia da resistncia trao na flexo obtida nas sries de corpos-de-prova com adio de resduos de contraforte termoplstico im- pregnado e laminado, em teores de adio de 20% e 25%. Adotou-se como parmetro para trmino do ensaio o final da aplicao da carga ou a ruptura dos corpos-de- prova. 40. 163 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Figura 27 Resistncia mdia trao na flexo das sries de corpos-de-prova com adio de 20% e 25% de resduos As Figuras 28 e 29 apresentam a mdia da resistncia trao na flexo obtida nas sries de corpos-de-prova com adio de resduos de 20% de contraforte termoplstico impregnado e laminado, variando-se a relao gua/gesso. Figura 28 Resistncia mdia trao na flexo das sries de corpos-de-prova com adio de 20% de resduos de CTI, variando-se a relao gua/gesso Figura 29 Resistncia mdia trao na flexo das sries de corpos-de-prova com adio de 20% de resduos de CTL, variando-se a relao gua/gesso 41. 164 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional As Figuras 30 e 31 apresentam, respectivamente, a mdia dos resultados de resistncia trao na flexo das sries de corpos-de-prova moldadas com adio mista de resduo de contrafortes em teor de 20% e 25%. Figura 30 Resistncia mdia ao impacto das sries de corpos-de-prova com adio mista de resduos, em teor de 20% Figura 31 Resistncia mdia ao impacto das sries de corpos-de-prova com adio mista de resduos, em teor de 25% O comportamento flexo dos corpos-de-prova com adio de resduos distinto do comportamento dos corpos-de-prova sem adio de resduos, especial- mente no que diz respeito deformao. Verifica-se na Figura 28 que a srie de corpos-de-prova moldada sem adio de resduo resiste a um carregamento de at aproximadamente 60 kg. Em seguida, ocorre a ruptura dos corpos-de-prova de for- ma brusca. As demais sries moldadas com adio de resduos de contrafortes (sries 42. 165 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista moldadas com resduos de contraforte termoplstico impregnado), ainda que resis- tindo a um carregamento inferior, apresentam considervel deformao, no ocor- rendo a ruptura dos corpos-de-prova, o que indica que a adio de resduos confere ductilidade matriz. Percebe-se tambm que, em alguns corpos-de-prova com adio de resduos, a carga aplicada estabiliza-se em patamares, podendo decrescer e logo aps tornar a crescer, o que indica que h uma redistribuio de esforos nos compsitos. Assim como j verificado no ensaio de resistncia ao impacto, o tipo de res- duo, o teor de adio, a relao gua/gesso e a adio mista de resduos influenciam o comportamento do compsito em relao resistncia flexo. Os compsitos com adio de resduos de contraforte termoplstico laminado resistem a um carre- gamento maior e apresentam maior deformao do que os compsitos com adio de contraforte impregnado. A relao gua/gesso outra varivel com grande influ- ncia nos resultados, conforme mostram as Figuras 29 e 30. Em ambos os ensaios observa-se que a carga suportada e a deformao diminuem conforme a relao gua/gesso aumenta. O teor de adio exerce grande influncia nos resultados. Ob- serva-se que o teor de adio de 25% confere maior resistncia ao compsito, seja na adio simples de resduos ou na adio mista. Os corpos-de-prova com adio mista 75% de resduos impregnados e 25% de resduos laminados em ambos os teores no apresentaram acrscimo significa- tivo de resistncia, se comparada resistncia apresentada pelos corpos-de-prova com adio simples de resduo de contraforte impregnado. No ensaio de impacto, essa composio incrementa significativamente a resistncia do compsito. Conclui-se que o comportamento trao na flexo da matriz bastante modificado com a adio de resduos de contrafortes, apresentando o compsito resultante deformao plstica considervel aps o incio da fissurao da matriz. Ensaios de desempenho de componentes elaborados com o compsito desenvolvido Resistncia ao fogo A resistncia ao fogo do compsito foi avaliada pela determinao do ndice de propagao superficial de chama e da densidade tica especfica de fumaa. 43. 166 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional Na Tabela 11 so apresentados os resultados obtidos para o compsito com contraforte impregnado, e na Tabela 12, para o contraforte laminado. Tabela 12 Determinao do ndice de propagao superficial de chama de compsito com contraforte laminado Segundo a NBR 9442/86, os compsitos ensaiados, representativos dos dois tipos de resduos de contraforte, enquadram-se na classe A, sendo materiais com tima resistncia propagao superficial de chama. Na Tabela 13 so apresentados os resultados obtidos para o ensaio de densi- dade tica especfica de fumaa em compsitos com contraforte impregnado, e na Tabela 14, para o contraforte laminado. Tabela 11 Determinao do ndice de propagao superficial de chama de compsito com contraforte impregnado 44. 167 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Tabela 13 Determinao da densidade tica especfica de fumaa do compsito com contraforte impregnado, em funo do tempo, para a queima sem chama Tabela 14 Determinao da densidade tica especfica de fumaa do compsito com contraforte laminado, em funo do tempo, para a queima sem chama 45. 168 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional De acordo com consultas a especialistas na rea, os dois tipos de compsitos ensaidos apresentaram resultados similares e no possuem limitao de uso em fun- o dos resultados do ensaio de densidade tica especfica de fumaa. Os valores obtidos no comprometem o uso do material. Arrancamento de parafusos por trao No ensaio de arrancamento de parafusos fixados com bucha fischer n 6, a tenso de arrancamento variou entre 950 e 1.300 KN, independentemente da espes- sura da parede do bloco no qual estava fixada (foram utilizadas espessuras de parede de 2,5 cm e 4,5 cm). No ensaio de arrancamento de parafusos fixados com bucha fischer n 8, a tenso de arrancamento variou entre 1.250 e 4.400 KN, independentemente da es- pessura da parede do bloco no qual estava fixada (foram utilizadas espessuras de parede de 2,5 cm e 4,5 cm. Capacidade de suporte de cargas suspensas O prottipo atendeu especificao da norma, segundo a qual a capacidade de carga dever ser igual ou superior a 80 kg. A capacidade de suporte do compsito superior a 80 kg , e no houve arrancamento dos parafusos aps 72 horas de ensaio. O deslizamento ocorrido nos parafusos em decorrncia da aplicao do carregamento se manifestou apenas nas primeiras horas, tendo atingido, no mximo, 5 mm. Caracterizao trmica do compsito Os resultados obtidos para a caracterizao trmica dos compsitos de gesso esto especificados na Tabela 15. Tabela 15 Caracterizao dos compsitos de gesso 46. 169 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Os resultados apresentados indicam que o compsito tem um desempenho similar ao do gesso comum. Os valores resultantes no apresentam diferenas signi- ficativas do citado na bibliografia. Entretanto, o comportamento do material quando aplicado a um elemento construtivo, parede ou forro, pode apresentar diferenas que somente podero ser examinadas em ensaios em componentes. As medies com elementos construtivos, parede ou forro, considerando sua posio relativa, em relao aos demais elementos, no edifcio, que podero deter- minar o potencial isolante do compsito. Entretanto, possvel antever que sua mas- sa aparente especfica alta vai contribuir para um maior isolamento trmico se for comparado com o gesso comum, porque a adio de contrafortes implica aumento de massa trmica. Na Tabela 16 so mencionados valores de condutividade trmica para gesso, que variam entre 0,50 a 0,25 W/(m.K). Tabela 16 Propriedades trmicas do gesso Processo de produo Os resultados obtidos na pesquisa realizada permitem propor a produo de componentes de gesso reforados com os resduos de contrafortes, em escala comer- cial, havendo viabilidade tcnica e econmica para a reciclagem. Na etapa final da pesquisa, foram selecionadas algumas empresas, fabricantes de artefatos de gesso no Estado do Rio Grande do Sul, com as quais foi firmado um contrato para repasse e aperfeioamento da tecnologia de fabricao do compsito. 47. 170 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional A principais aplicaes do produto desenvolvido foram a fabricao de placas de gesso para forro rebaixado e componentes de gesso para paredes divisrias. O incio de sua comercializao depende, entretanto, da definio de uma estratgia de separao, coleta, moagem e transporte dos resduos at as empresas fabricantes de componentes de gesso, e de uma estratgia de marketing para divulga- o do novo material. Essas atividades dependem de uma ao conjunta do setor coureiro-caladista (gerador do resduo), pois os geradores no tm o costume de separar seus resduos, e a moagem dos resduos deve, preferencialmente, ser realiza- da em uma central, para que no haja contaminao por outros resduos e para que a granulometria necessria para a posterior adio ao gesso seja garantida. No mbito das empresas fabricantes de componentes de gesso, as principais necessidades so de adaptao dos equipamentos e formas em funo das caracters- ticas do compsito no estado fresco, uma vez que ele apresenta maior coeso e menor fluidez que a pasta de gesso sem adio. necessrio, igualmente, a implan- tao de um sistema de controle de qualidade voltado ao novo produto, tendo em vista suas peculiaridades. Os custos envolvidos nessas atividades no so significati- vos. Em virtude das caractersticas do processo proposto, em que a nica atividade prvia para a reciclagem consiste na moagem do resduo de contraforte, e conside- rando-se que as perdas no processo de produo de componentes de gesso (estima- das em 5%) so muito menores quando se utiliza o compsito, pode-se estimar que a gerao de novos resduos com a reciclagem de contrafortes insignificante. Nos ltimos anos, o mercado para os componentes convencionais de gesso tem diminudo devido ao crescimento da comercializao de placas de gesso acartonado, que possuem o diferencial da elevada resistncia ao impacto e cuja tecnologia de produo exclusiva de grandes empresas sob controle internacional. As placas de gesso acartonado so muito competitivas quando utilizadas em grandes vos, devido alta produtividade que proporcionam. Seu custo, entretanto, torna-se elevado em pequenas obras, mercado onde hoje se concentram os pequenos e mdi- os fabricantes nacionais de componentes de gesso. A melhoria das propriedades do gesso, tais como o aumento da resistncia ao impacto e a possibilidade de fixao de buchas, proporciona um diferencial significativo para os novos componentes produ- zidos com esse material, abrindo novas perspectivas para essas empresas. 48. 171 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Concluso Como resultado final da pesquisa, foi desenvolvido um compsito formado por uma matriz de gesso, reforada por partculas de contrafortes de calados, as quais apresentam comportamento semelhante ao de uma fibra. Esse material apre- senta interessantes caractersticas, como alta resistncia mecnica ao impacto, tra- o na flexo, e alta capacidade de suporte de cargas suspensas, e as matrias-primas utilizadas e a tecnologia necessria para a fabricao indicam que o custo do produto competitivo, quando comparado ao de outros materiais existentes no mercado. Para a efetiva implantao do processo de reciclagem, necessrio que sejam solucionadas algumas restries do mercado. No setor coureiro-caladista (gerador do resduo), deve ser desenvolvida uma estratgia para separao, coleta, moagem e transporte dos resduos at as empresas fabricantes de componentes de gesso, alm da elaborao de uma estratgia de marketing para divulgao do novo material. No tocante s empresas fabricantes de componentes de gesso, as principais necessidades so de adaptao dos equipamentos e formas em funo das caractersticas do compsito no estado fresco, e a implantao de um sistema de controle de qualidade voltado ao novo produto. O projeto teve como parceiro principal o CTCCA, que promoveu o intercm- bio entre os pesquisadores e empresas caladistas. As empresas associadas ao CTCCA que tiveram participao efetiva na pesquisa so Artecola e Boxflex, que forneceram os resduos em estudo no projeto, Classil, que realizou a moagem do material e Bidim (ex-Rhodia). Foram realizadas reunies bimensais para acompanhamento do projeto, ao longo de todo o perodo. Na primeira etapa do projeto, foram contatadas, tambm, as prefeituras de Novo Hamburgo (RS) e Campo Bom (RS), para coleta de dados sobre os depsitos de resduos, e a Associao das Industrias Caladistas (Assintecal), para auxlio no contato com as empresas do setor. Para a ltima etapa do projeto, foram selecionadas duas empresas fabricantes de artefatos de gesso, uma localizada em Novo Hamburgo (RS) e outra em Carazinho (RS), com as quais foi firmado um contrato para repasse e aperfeioamento da tecnologia de fabricao do compsito. 49. 172 Coletnea Habitare - vol. 4 - Utilizao de Resduos na Construo Habitacional Alm do auxlio da FINEP e da contrapartida da UNISINOS, o projeto con- tou com participao financeira do CTCCA, que foi subsidiado pelas empresas Artecola, Boxflex, Classil e Rhodia. O projeto tambm contou com a participao de bolsistas de Iniciao Cien- tfica, nas modalidades PIBIC (bolsista do CNPq), bolsista FAPERGS (Fundao de Amparo Pesquisa do RS) e UNIBIC (bolsista da UNISINOS), e foi objeto de dissertao para um aluno de Mestrado. 50. 173 Resduos de contrafortes termoplsticos provenientes da indstria coureiro-caladista Referncias bibliogrficas ABBOTT, S. Legislao ambiental: impacto sobre a indstria caladista. Tecnicouro, Novo Hamburgo, v. 17, n. 6, out. 1995. BARNETT, H. L.; HUNTER, B. B. Illustrated genera of imperfect fungi. Minnesota: Burgess Publishing Company, 1972. 241 p. CINCOTTO, M. A. Utilizao de subprodutos e resduos na indstria da Construo Civil. Tecnologia de Edificaes, So Paulo, PINI, 1988. 708 p. CTCCA. Calados, componentes e matrias-primas. Centro Tecnolgico do Couro, Calados e Afins. Novo Hamburgo, CTCCA, 1994. Srie Couro Calados e Afins, v. 7. 110 p. JOHN, V. M. 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