Saramago, uma vida, uma obra

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    12-Apr-2017

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  • ...mas uma sombra, ao menos,do que no fundo do nosso esprito sabemos bem ser intraduzvel,por exemplo...

  • Estamos numa aldeia chamada Azinhaga, no Alentejo portugus, a regio sul do pas onde se produzem azeitonas, cortia e trigo.

  • E nesta pequena aldeia, modestas plantaes e criao de porcos o que h para ser feito.

  • Jernimo e Josefa esto particularmente felizes hoje, 16 de novembro de 1922, pois o dia que viu nascer o seu mais novo neto, a quem o destino conferiu o nome de Jos Saramago.

  • Livros e letras no fazem parte da rotina deste casal de camponeses, bem como de tantos outros vizinhos.As poucas palavras faladas lhes servem aos propsitos, e o seu mundo o quintal que em breves minutos percorremos.

  • Na primavera de 1924, os pais de Saramago,

    Maria da Piedade e Jos de Sousa,abandonam o seio do campo e se mudam para Lisboa,

    onde ele conseguiuum novo trabalho como policial do trnsito.

  • Em Lisboa,

    Maria da Piedade passa a cuidar dos afazeres domsticos,

    e se dedica aos filhos, Francisco, de quatro anos, e Jos Saramago, que conta com dois anos de idade.

  • Uma dor que Maria da Piedade carregar pelo restante dos seus dias.

  • Sua me o envia nas frias para Azinhaga, para o contato com o campo e com os avs maternos.

  • E nas temporadas que passa na aldeia dos avs, o pequeno Jos sente-se feliz como um pssaro livre.

  • O contato com a Natureza a inocncia, cheia de beleza e serenidade, das coisas puras.

  • Os peixes que, nadando velozes, mantm-se, por vezes, imveis contra a fora da corrente...

  • Anos mais tarde, recordar Saramago algumas lembranas do av Jernimo:...

  • Recordo daquelas noites mornas de Vero,

    quando dormamos debaixo da figueira grande,

    ouo-o falar da vida que teve,

    das histrias e lendas da sua infncia distante.

  • Adormecamos tarde,

    bem enrolados nas mantas por causa do fresco da madrugada...

  • As lembranas da pequena aldeia e o tempo passado na companhia dos avs

    as grandes referncias morais e sentimentais na sua vida

    acompanharo o pequeno Jos pelosanos e dcadasvindouros.

  • Por falta de recursos, Saramago no chega a concluir o secundrio,

    trocando os estudos acadmicos pelo curso de serralharia mecnica numa escola tcnica de Lisboa.

  • Aos dezenove anos passa a trabalhar num hospital, fazendo a manuteno do maquinrio.Com o trabalho a consumir as horas do dia, cultiva a rotina de dedicar a noite leitura.

  • Todas as noites, depois de jantar, vai a p, apesar da longa distncia, at a biblioteca pblica de Lisboa,

    onde permanece at a hora de fechar, lendo tudo o que pode.So estas leituras as suas aulas, o seu professor,o seu mestre...

  • Como gostava de, um dia, comear a escrever, afinal, ser um escritor!

    E ser escritor era para o jovem Jos

    uma reflexo sobre a vida e os seus absurdos...Sobre esta fase, recordar anos mais tarde:...

  • Em 1944, aos 22 anos de idade, casa-se com a pintora Ilda Reis,sendo que trs anos mais tarde, em 1947, nasce a filha, que recebe o nome Violante. Neste ano tambm publica o seu primeiro livro, Terra do Pecado.

  • Jos Saramago, Ilda Reis e a filha Violante, 1951

  • Pais e filhos a convivncia gera laos; no entanto, o amor, a admirao e o carinho necessitam ser construdos.

  • Leva tempo, ateno e cuidado arar a terra que fecunda afeio e ternura, respeito e carinho.

  • Leva tempo, ateno e cuidado arar a terra que fecunda afeio e ternura, respeito e carinho.Jos Saramago e Violante

    s margens do rio Almonda Azinhaga, 1951

  • A expresso vocabular humana no sabe ainda e provavelmente no o saber nunca,conhecer, reconhecer e comunicar

  • A expresso vocabular humana no sabe ainda e provavelmente no o saber nunca,conhecer, reconhecer e comunicarJos Saramago e Violante

    Azinhaga, 1953

  • A sua paixo pela literatura leva-o a conseguir posies de certo destaque no meio editorial,

    atuando comocolunista, revisor, tradutor ecrtico literrio.

  • Com aproximadamente quarenta anos de idade,

    seu nome comea a ser conhecido no campo da literatura e cultura em Portugal.

  • Em 1970, Saramago e Ilda Reis se divorciam.E em 1975, ao deixar afuno de editorialista do jornal onde trabalha,

    resolve dedicar-se exclusivamente literatura.

  • Em 1980, aos 58 anos de idade,

    Saramago publica o seu segundo romance, chamado

    Levantado do Cho.

  • Desta vez, a acolhida bem diferente;

    a obra recebida com xito, tanto pela crtica, quanto pelo pblico, em Portugal.

  • Aos sessenta e poucos anos de idade

    Saramago d incio a uma tardia e improvvel carreira literria.

  • Separado, com a filha j adulta.

    Realizou o sonho de escrever e ser lido.Com um sucesso considervel em Portugal , parece um homem satisfeito com a vida que lhe fora destinada.

  • Aos 63 anos de idade, o que um homem pode ainda esperar da vida?...afirmaria numa entrevista, No muito....

  • Mas o futuro ainda lhe reserva algumas surpresas...( fim da primeira parte desta apresentao )

  • Uma jornalista espanhola, nos seus trinta e poucos anos, passeia por uma livraria procura de ttulos interessantes.

  • Ao passar por uma estante que contm alguns livros separados para serem devolvidos editora, se depara com um ttulo que chama sua ateno.

  • Mesmo sem ter ouvido falar do autor, ela resolve comprar o livro, sem poder imaginar as consequncias que tal deciso, aparentemente trivial, poder ter.

  • Coincidncias da vida, diro alguns,enquanto outros atribuiro o ocorrido ao destino, ao acaso, ao inevitvel...

  • O livro se chama Memorial do Convento.E a jovem jornalista que o acaba de adquirir, Pilar del Ro.

  • Blimunda, a protagonista de Memorial do Convento, ocupa um lugar especial dentre todos os personagens femininos criados por Saramago.

  • Ela procura outros livros de Saramago, e diante da revelao e fascinao sentida aps cada leitura, resolve entrar em contato com o autor.

  • E eu queria dizer-lhe: completou-se o ciclo, li-o e entendi.

  • Uma bela tarde, toca o telefone na casa de Saramago.Pilar se identifica, dizendo ser uma leitora e admiradora.Conversam sobre os livros de Saramago, sobre a literatura, sobre a vida...

  • Por ocasio do encontro, aproveitam para passear pela cidade de Lisboa, e falam de quase tudo.Depois, ela retorna para Sevilha.Com uma estranha paz.

  • No dia seguinte, Saramago retribui a visita de Pilar a Lisboa, enviando-lhe uma carta, acompanhada de rosas.

  • Caminhos que se entrecruzam, vidas prestes a se mudar para sempre...

  • Coincidncias da vida, diro alguns.O destino, o acaso, o inevitvel, afirmaro outros...

  • H quem afirme que as histrias de amor, todas elas, desde o incio dos tempos, se parecem, se repetem.

  • O que muda so os nomes, os detalhes, os coraes...

  • As idas e vindas entre Sevilha e Lisboa, onde Pilar e Saramago residem, respectivamente, passam a se tornar cada vez mais frequentes.

  • Os 28 anos de vida que separam Pilar, com 34 anos, e Saramago, 63, se tornam um mero detalhe diante do amor que sentem.

  • Em outubro de 1988 celebram o casamento.

  • Ao lado de Pilar, Saramago inicia o que chama de sua segunda vida.

  • Saramago observa que aos 63 anos, quando j no se espera nada, encontrou o que faltava para passar a ter tudo Pilar.

  • Ela, espanhola: sonhadora, lutadora, vive a batalha de mudar o mundo; Ele, portugus: melanclico, sereno...

  • Uma combinao perfeita.

  • A Pilar, os dias todosA Pilar, at ao ltimo instante...A Pilar, minha casa

  • a primeira leitora dos textos de Saramago, e a tradutora das obras do marido para o espanhol.

  • Em 1992, a Secretaria de Cultura de Portugal veta a inscrio do livro na disputa do Prmio Literrio Europeu, por consider-lo ofensivo para o catolicismo do povo portugus.

  • Em reao a tal veto, que considera censrio, Saramago se muda de Portugal, passando a fixar residncia na ilha de Lanzarote, Ilhas Canrias.

  • Escrito em 1995, prximo virada do milnio, o romance aborda uma epidemia de cegueira repentina que acomete a inteira populao de uma cidade.

  • A cegueira como uma alegoria para o estado de crise por que passa a atual sociedade, onde, frequentemente, os limites entre civilizao e barbrie so rompidos.

  • A cegueira como uma alegoria para o estado de crise por que passa a atual sociedade,...A cegueira descrita no livro uma cegueira branca, pastosa, como se algum tivesse mergulhado de olhos abertos num mar de leite.

  • Trevas brancas a anuviar o olhar daqueles que, tendo olhos, no conseguem (ou se recusam a) enxergar.

  • Uma cegueira por vezes associada ao avano irrefreado do consumismo e do materialismo,que faz com que os homens percam a conscincia de si, se deformem, se massifiquem e se barbarizem.

  • Uma cegueira que promove a ruptura com a nossa prpria essncia

    a compaixo, o cuidado, a solidariedade...

  • Penso que estamos cegos,

  • Se podes olhar, v. Se podes ver, repara.(epgrafe do livro Ensaio sobre a Cegueira)

  • Somos a memria que temos e a responsabilidade que assumimos.

  • 1995 Saramago recebe o Prmio Cames, o mais importante da literatura da lngua portuguesa.

  • 1998 Recebe o Prmio Nobel de Literatura, tornando-se o primeiro autor da lngua portuguesa a receber a homenagem.

  • 1998 Recebe o Prmio Nobel de Literatura, tornando-se o primeiro autor da lngua portuguesa a receber a homenagem.

  • Ao receber o prmio, Saramago inicia seu discurso com uma homenagem ao av, o campons Jernimo Melrinho, o que tambm pode ser visto como uma crtica pompa das instituies literrias:...

  • O homem mais sbio que conheci em toda minha vida no sabia ler nem escrever...

  • E passa a discorrer sobre memrias de sua infncia, suas fontes de inspirao e formao, e sobre alguns de seus principais livros e personagens.

  • Com a conquista do prmio Nobel, inicia-se uma nova fase na vida de Saramago e Pilar.

  • Com a conquista do prmio Nobel, inicia-se uma nova fase na vida de Saramago e Pilar.

  • Com a conquista do prmio Nobel, inicia-se uma nova fase na vida de Saramago e Pilar.

  • Acho que na sociedade actual nos falta filosofia...

  • Falta-nos reflexo, pensar, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem idias, no vamos a parte nenhuma.

  • Falamos muito ao longo destes ltimos anos dos direitos humanos; simplesmente deixamos de falar de uma coisa muito simples,...

  • ...que so os deveres humanos, que so sempre deveres em relao aos outros, sobretudo. E essa indiferena em relao ao outro, essa espcie de desprezo do outro,...

  • ...que eu me pergunto se tem algum sentido numa situao ou no quadro de existncia de uma espcie que se diz racional.

  • ...que eu me pergunto se tem algum sentido numa situao ou no quadro de existncia de uma espcie que se diz racional.

  • ...que consiste em estar no mundo e no ver o mundo ou s ver dele o que, em cada momento, for susceptvel de servir os nossos interesses.

  • E fazendo uso do espao, da ateno e notoriedade conferidos pelo prmio Nobel,Saramago denuncia as injustias sociais, e defende com corao e alma as causas que abraa:...

  • Os cuidados com a infncia;A educao de qualidade;Os direitos dos povos nativos da Amrica Latina;O combate violncia domstica;A luta pelo fim dos maus-tratos contra animais;A questo dos refugiados;O sofrimento do povo palestino;dentre tantas outras.

  • Aos oitenta anos de idade, guarda o vigor juvenil de se revoltar contra toda injustia, e no permite que se morra nele o desejo de mudar o mundo.O engajamento sempre em prol do humanismo.

  • Em 2007, aos 85 anos, Saramago agraciado como prmio Amigo das Crianas, concedido pela fundao Save the Children.

  • Segundo a fundao, o prmio um reconhecimento ao grande empenho na procura de um mundo melhor em que todas as crianas tenham esperana e oportunidades,...

  • ...salientando, ainda, o compromisso ativo pela paz e o apoio continuado s campanhas e projectos relacionados com a infncia e com os mais desfavorecidos.

  • Dentre os livros de Saramago encontra-se um dedicado ao pblico infantil

    A Maior Flor do Mundo.

  • Foto tirada em novembro de 2005.

  • Pilar uma companhia constante nosinterminveis compromissos e viagens.

  • Igualmente defensora de inmeras causas humanitrias, atua como confidente, conselheira, tradutora e quem organiza a agenda do marido.

  • Esto sempre juntos em Lisboa e Lanzarote ou pelo mundo e de mos dadas.

  • Esto sempre juntos em Lisboa e Lanzarote ou pelo mundo e de mos dadas.Um amor e uma admirao singulares a aura envolvente que raros casais emitem...

  • Pilar, se eu tivesse morrido aos 63 anos, antes de te conhecer, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora.Jos Saramago

  • Pilar, se eu tivesse morrido aos 63 anos, antes de te conhecer, morreria muito mais velho do que serei quando chegar a minha hora.Jos SaramagoEm meio s constantes viagens, na residncia em Lanzarote, com vista para o mar, que Saramago recompe as energias e se restabelece.

  • E mesmo com a agenda corrida, ele reserva tempo para escrever ao menos duas pginas dirias que totalizar um livro ao fim de um ano, conforme observa.

  • Jorge Amado, Chico Buarque, Leonardo Boff, Sebastio Salgado, Lygia Fagundes Telles Paulo Freire, Betinho, Frei Betto, entre tantos outros.

  • Certa vez, diante da cativa platia e da efuso de beijos e abraos que se seguiram, exclama:...

  • Certa vez, diante da cativa platia e da efuso de beijos e abraos que se seguiram, exclama:...Esta gente quer me matar de amor!

  • Frequentemente aceita convites para visitar escolas, proferir palestras e participar de debates.

  • Saramago, rodeado pela famlia foto tirada em 1993, na varanda da casa de Lanzarote.

  • A filha, Violante, e o genro, Danilo; os netos, Ana e Tiago. Pilar e Juan Jose filho do primeiro casamento, (que segura o cozinho Cames).

  • Certa vez, declara gostar da seo de quadrinhos dos jornais.Confesso que gosto muito do Calvin e do Hobbes, do Snoopy, do Garfield,...

  • O homem o nico animal capaz de chorar. diante do mar que o riso e a lgrima assumem uma importncia absoluta.E de sorrir.

  • Dir-se- que mais profundamente a assumiriam diante do universo,mas esse, digo eu, est demasiado longe, fora do alcance duma compreenso comum.

  • To logo se recupera, conclui o livro A Viagem do Elefante,...

  • ...e faz questo de viajar para o Brasil, aos 85 anos de idade, para o lanamento mundial da obra.

  • ...e faz questo de viajar para o Brasil, aos 85 anos de idade, para o lanamento mundial da obra.A escolha do Brasil para o lanamento mundial um presente ao carinho e amizade dos brasileiros.

  • A notria lucidez e a acuidade da sua reflexo filosfica permanecem inabalveis,contrastando cada dia mais com a sade fsica debilitada.

  • A vida como uma vela que vai ardendo,quando chega ao fim lana uma chama mais forte antes de se extinguir.

  • Creio que estou no perodo da ltima chama...,afirma Saramago diante das crescentes limitaes impostas pela sade frgil .

  • Janeiro de 2010 Haiti sacudido por um forte tremor, que deixa milhares de mortos, feridos e desabrigados.

  • Apesar da distncia, desde ailha de Lanzarote, encontra um meio de contribuir, e de lanar o seu incansvel apelo para a humanidade.

  • Ele convence sua editora a publicar uma edio especial do livro Jangada de Pedra, que ter a renda revertida integralmente em prol do povo haitiano.

  • Mais que um gesto de ajuda, um sopro de alento, nestes dias de fria indiferena,

    nestes tempos to desprovidos de compaixo social e caridade.

  • Uma Jangada de Pedraa caminho do Haiti

  • Abril de 2010, a sade fsica de Saramago a tal ponto est debilitada que o seu mdicolhe impe repouso absoluto.

  • O repouso absoluto, observa o mdico, abrange tambm a escrita, ou seja, Saramago dever parar de escrever.

  • Diante da renncia derradeira escritaque acaba de ser imposta ao esposo, Pilar sente que a recuperao ser um milagre.

  • ...enganadora sim a luz do dia,

    faz da vida uma sobra apenas recortada,

  • ...talvez para nosso sossego e descanso,

    paz alma dos vivos.

  • Ms de maio, 2010

  • Durante as ltimas semanas, Saramago quase no fala, mas ri, e segue rindo.

  • Embora participe dos jantares e cafs da manh que Pilar carinhosamente lhe prepara,...

  • ...parece nutrir outras fomes e outras necessidades, anseios que a este mundo j no mais pertencem.

  • Ele est aqui e no est, mas sorri.

  • Ele est aqui e no est, mas sorri....o esprito no vai a lado nenhum sem as pernas do corpo,

  • No dia 18 de junho, depois de uma noite serena e tranquila,Saramago falece na sua residncia em Lanzarote, acompanhado de Pilar e de sua famlia, despedindo-se de forma serena e plcida.

  • estes ganharam uma voz a defend-los e quem se importe com eles...

  • Segundo o amigo e telogo Leonardo Boff,Saramago cultivava a espiritualidade como sentimento do mistrio do mundo,,

    da profundidade humana

    e do amor aos oprimidos.

  • Leonardo Boff descreve a tarde que ele e a esposa, Mrcia, passaram na companhia de Saramago e Pilar como um festim de espiritualidade.

  • Formatao: um_peregrino@hotmail.comTema musical:Primeira Parte: Illumination, White StonesSegunda Parte: Moment musical n.3, Schubert

  • Obrigado, Saramago.

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