Gesto ambiental unidade VI

  • Published on
    05-Jun-2015

  • View
    188

  • Download
    9

DESCRIPTION

Gesto ambiental e responsabilidade social

Transcript

  • 1. Responsvel pelo Contedo: Prof. Dr. Silvio Pinto Ferreira Junior Reviso Textual: Profa. Ms Magnlia Gonalves Mangolini

2. 5 Para realizar a unidade, acesse o item Material Didtico. Em primeiro lugar, voc acessar o Contedo Terico da unidade. Ler o texto que apresenta Questes ticas contemporneas e tica profissional. Em seguida, teste seus conhecimentos respondendo s perguntas das Atividades de Sistematizao acerca do assunto abordado. Voc encontrar tambm dicas de Materiais Complementares, que enriquecero ainda mais seu estudo sobre o tema. Por fim, realize a Atividade de Aprofundamento da unidade. Ela o levar a refletir acerca da teoria estudada, a partir da produo de um texto analtico de cenas de filmes, msicas, textos, notcias etc. Ento, bom estudo e lembre-se que em caso de dvidas estarei em contato com voc atravs do ambiente virtual. Individualismo e tica Profissional tica e Trabalho: Evoluo Histrica do Trabalho A tica do Consumo O objetivo proposto aqui o de refletir a respeito da sociedade contempornea valorizadora dos comportamentos que diminuem drasticamente a possibilidade de cultivo de relaes ticas. fcil verificar que o desejo obsessivo na obteno, possesso e consumo da maior quantidade possvel de bens materiais o valor central na nova ordem estabelecida no mundo e que o prestgio social concedido, na maioria das vezes, para quem consegue esses bens. O sucesso material passou a ser sinnimo de sucesso social e o xito pessoal deve ser adquirido a qualquer custo. Prevalecem o desprezo ao tradicional e o culto massificao e mediocridade que permitem a manipulao fcil das pessoas. 3. 6 No mundo atual, onde o individualismo prevalece como consequncia de um modelo econmico globalizado como o capitalismo, imprescindvel que os valores ticos e morais que se adaptaram a este cenrio de extrema competitividade sejam revistos e reavaliados em todas as esferas poltica, econmica, social, cultural, etc. A educao, neste caso, tem um papel fundamental para que o homem no venha a ser vtima de sua prpria conduta e comportamento. Vamos iniciar o estudo sobre Questes ticas contemporneas e tica profissional, refletir e discutir a respeito para compreender o momento atual e suas rpidas transformaes. 4. 7 Qual a causa do mal? Todo esse problema atormentou os filsofos, e suas tentativas de resolv-lo nunca tiveram muito sucesso. O mal parece pertencer quelas coisas sobre as quais at os homens mais cultos e inventivos no podem saber quase nada. Hannah Arendt O filsofo Aristteles j afirmava que tudo que o homem precisava para ter uma vida confortvel j havia sido descoberto ou inventado e, estando realizado materialmente restaria somente dedicar-se elevao do esprito. Porm, Aristteles apontava tambm para o momento que o homem sentiria uma insatisfao absoluta assim que tivesse conquistado todos os bens materiais que desejasse. Em meados do sculo XX, os economistas se mostraram preocupados com a possibilidade de chegar o dia em que as famlias seriam proprietrias de todos os bens disponveis no mercado, colocando assim o sistema capitalista predominante em colapso. Como se v nos dias de hoje, praticamente impossvel o ser humano sentir-se plenamente satisfeito, o que resulta numa economia de mercado a pleno vapor, disponibilizando uma imensa variedade de produtos e servios para o consumo que se renovam e se descartam numa velocidade nunca antes imaginada. A ideia da realizao frequentemente esteve ligada satisfao material. Essa satisfao, no cenrio das economias de mercado, se reduz, de maneira geral, ao consumo de bens materiais, ou para proporcionar mais lazer, ou para ostentar um poder de aparncia e de status social. 5. 8 Quem nunca ouviu dizer que uma pessoa realizada aquela que venceu na vida. E esse "vencer", para muitos, basicamente acumular bens materiais e ostentar poder. Vencedor aquele sujeito que teve a possibilidade de adquirir o carro do ano, aquele que usa roupas das melhores grifes, frequenta lugares badalados, viaja para lugares paradisacos, enfim. Essa nova forma de encarar o mundo passou a ser corriqueira em nossa sociedade e j est interiorizada em cada um de ns, dentro de nosso processo de socializao. Por conta dos meios de comunicao de massa, essa dinmica social ainda mais reforada. A obsesso pelo vencer que a mesma pelo poder uma das principais caractersticas das sociedades modernas. Esse consumismo egocntrico dita a regra pois acaba tendo maiores chances de alcanar essa felicidade de fachada quem for mais rpido, mais forte e mais esperto. No mundo individualista atual, a tica pode muito facilmente se transformar em "o que no prejudica ningum est OK", ou, "o que os outros conseguem fazer impunemente deve estar certo", ou mesmo "se ningum souber, est tudo bem". J notou como cada vez mais comum as pessoas aceitarem normalmente que alguns atletas usem drogas (anabolizantes) para aumentarem sua performance? Se no esto prejudicando ningum, alm deles mesmos que mal h nisso? Para muita gente tambm no h nada de errado em receber seguro desemprego e trabalhar ao mesmo tempo: no o governo que paga por isso...? O que h de errado em contratar um engenheiro s para assinar um projeto? Todo mundo faz isso e sai to mais barato...qual o problema? Mesmo que aceitssemos como vlido esse estilo de vida, j pensou como seria a vida das pessoas em nossa sociedade? que para a maioria da populao, a possibilidade de vencer uma iluso construda e incentivada pela prpria sociedade de consumo. Essa expectativa criada esconde um fato fundamental: o "paraso dos vencedores" no tem lugar para todos, somente para uma minoria. Com certeza para os cinco ou dois por cento mais ricos da populao. Bem, mas ser que esses "vencedores" encontram verdadeiramente a sua realizao no consumismo, ou apenas se submetem a uma angstia? No seria, nos pases ricos, essa a causa principal dos desajustes sociais? No universo empresarial, o objetivo do lucro a qualquer custo para sobreviver num mercado extremamente competitivo, que as consideraes ticas so as primeiras a perder o valor, pois, infelizmente, nem sempre a conduta tica pode ser a melhor para os negcios. 6. 9 1.1. Mudana de paradigmas Essa viso individualista que provoca atitudes compulsoriamente competitivas fez com que a tica voltasse a ser discutida na rea da educao, nas aulas de filosofia e sociologia certamente. Nos cursos universitrios voltados rea de negcios, por exemplo, falar sobre tica se tornou cada vez mais frequente e urgente. Percebe-se uma preocupao no mundo todo em discutir questes de interesse geral, que requer a participao de todos e uma viso global de cooperao. As inmeras conferncias internacionais sobre ecologia, fome e direitos humanos so exemplos significativos da necessidade de uma mudana tica em todos os campos da vida social. Nos ltimos anos, o debate sobre a tica na poltica, nas questes sociais e econmicas, ressurgiu com muita fora. crescente e cada vez mais comum, o lanamento de livros sobre a "tica nas Empresas" e de cursos de Gesto de Negcios que agora esto incluindo em seus currculos a disciplina "tica e cidadania". A Sociedade capitalista e industrializada se expandiu arraigada no materialismo e na supremacia do homem sobre a natureza, trazendo uma preocupao maior para problemas atuais como poluio, o armazenamento de resduos slidos, a violncia familiar, o crime, o terrorismo internacional, a extino de animais, a devastao das florestas, os buracos na camada de oznio e as milhares de pessoas que morrem de inanio todos os dias por conta do crescimento populacional fora de controle e de uma severa e injusta forma de distribuio de riquezas. Por tudo isso, de hoje em diante s teremos chances de sobrevivncia se dedicarmos algum tempo a olhar por cima de nossos prprios ombros, se de fato nos preocuparmos com os outros e vivermos alm dos limites de nossas prprias famlias e instituies. E a palavra para definir essa nova atitude de um homem preocupado com o seu futuro solidariedade, que exige unio, comprometimento e um alargamento do espao de dilogo entre todos: sociedade civil, poder pblico e a esfera privada. So urgentes as necessidades de mudanas que nos conduzam a uma nova viso de mundo e, de certa forma, j esto ocorrendo. Hoje em dia, por exemplo, as exigncias do cidado no recaem apenas sobre produtos ou servios de qualidade, mas so tambm de natureza tica. Ou seja: ao comprar um carro, um alimento, um computador, uma pea de roupa ou um servio financeiro procura-se saber se aquela empresa recolhe seus impostos, oferece remunerao justa aos seus empregados, no polui o meio ambiente, leal com a concorrncia, atende as eventuais reclamaes da sua clientela e participa de forma positiva de sua comunidade. Muitas pessoas, em especial jovens, esto dispostas a contribuir com boas causas e comeam a optar por empresas no apenas voltadas para a produo e lucro, mas que tambm estejam preocupadas com a soluo de problemas mais amplos, como a preservao do meio ambiente e bem estar social. 7. 10 A palavra trabalho deriva do latim tripalium, que era o nome de um instrumento formado por trs paus aguados, com o qual os agricultores batiam o trigo, as espigas de milho, o linho, para rasg-los e desfi-los. Na maioria dos dicionrios, contudo, se encontra a palavra tripalium relacionada a um instrumento de tortura. O fato que este termo est, geralmente, ligado ideia de tortura e sofrimento, algo obrigatrio e nada prazeroso. O trabalho, de uma forma muito simplificada, pode ser compreendido como sendo a disposio da energia humana (fsica e mental) voltada para uma atividade determinada e til. O homem, colocando-se ao servio do trabalho, capaz de modificar a prpria natureza. Profisso o nome que se d ao trabalho exercido de forma qualificada, mediante um preparo tcnico-cientfico especfico para determinada atividade e supe tambm status social. A atividade de um arquiteto, por exemplo, uma profisso, pois exigiu a capacitao de algum para exerc-la. Na linguagem bblica, a ideia de trabalho tambm est ligada a de sofrimento e de punio: "Ganhars o seu po com o suor de seu rosto" (livro do Gnese). Assim, por um esforo doloroso que o homem sobrevive na natureza. Os gregos consideravam o trabalho como a expresso da misria do homem, os latinos opunham o otium (lazer, atividade intelectual) ao vil negotium (trabalho, negcio). Ser que o trabalho sempre foi visto dessa forma? H sculos, desde que surgiu a propriedade privada e os meios de produo, a prtica dominante nas relaes de trabalho ocidentais foi o escravismo, ou seja, o emprego de trabalho forado existiu no desenvolvimento da agricultura, pecuria, extrao mineral e no comrcio. Para os gregos antigos, o trabalho era desprezado, ficando a cargo dos escravos, pois assim se valorizava a nica atividade considerada digna de um homem livre: o cio dos filsofos. Buscavam inclusive inmeras justificativas ticas para a escravido. Para Aristteles a diferena entre os homens era natural, no havendo qualquer contradio na diviso existente entre o trabalho manual e as atividades intelectuais e polticas. O cidado grego no exercia o trabalho braal porque tinha que ter tempo livre para se dedicar filosofia e ao exerccio da cidadania. Para que isso fosse possvel os escravos executavam todas as atividades inferiores determinadas pela vontade das classes superiores, da o surgimento da diviso de classes. Fonte: http://goo.gl/o3Ezt1. Acesso em 05/02/2012. 8. 11 A decadncia do Imprio Romano culminou na ascenso do perodo que vamos conhecer como a Idade Mdia, cujas relaes de produo na Europa Ocidental evoluram do escravismo puro ao servilismo, ou seja, da sujeio do indivduo mais fraco ao trabalho, passando para o servo prisioneiro da terra e trabalhador explorado que produzia com suas prprias mos quase tudo de que necessitava. Naquele tempo, a partir de meados do sculo XII, a Igreja Catlica, pregando a adorao a Deus, defendia o desapego s riquezas terrenas. Para a Igreja manter o seu poder, ela condenava o trabalho como forma de enriquecimento, pois, este deveria ser visto apenas como meio de subsistncia, de disciplina do corpo e purificao da mente. Assim, o trabalho servia como instrumento de dominao social e de condenao a qualquer rebeldia contra a ordem estabelecida. Era para se dedicar funes consideradas nobres, como a poltica, a caa, a guerra, o sacerdcio e o exerccio do poder, que se valorizava o cio entre as classes senhoriais, assim como ocorrera na Grcia antiga. A ociosidade no era sinnimo de preguia, mas de absteno s atividades manuais. Essa ordem feudal, fundada na subsistncia e na servido, juntamente com o desenvolvimento do comrcio e das atividades manufatureiras que dar origem base de uma nova estrutura social: a sociedade capitalista. O surgimento de um mercado consumidor no s ir conviver por algum tempo com antigas formas de servido, como far renascer a escravido: o trabalho compulsrio de africanos nas colnias das Amricas um fato. Para as elites que moldavam esse sistema novo capitalista o trabalho livre assalariado passava a ser o ideal para estimular o consumo. Essa a concepo burguesa da liberdade individual do homem: ele livre para usar a fora de seu corpo como quiser, portanto, se ao escravo na Amrica no era dada a oportunidade da escolha, ao trabalhador europeu era concedido o direito soberano da liberdade. Dessa forma, o trabalhador passa a se submeter ao capital para sobreviver. Podemos, dessa forma, afirmar que a essncia do sistema capitalista est na separao do capital e do trabalho. Essa separao criou dois tipos de homens livres: o trabalhador livre assalariado, que vive exclusivamente de seu trabalho, ou seja, da venda de sua fora de trabalho, e o burgus, ou capitalista, proprietrio dos meios de produo. Em relao aos modelos anteriores de sociedade, o que aparecia de novo ao se conceder a liberdade para todos os indivduos, seria o estabelecimento de direitos e deveres atravs de um Contrato Social. Dessa forma, ficam definidos os compromissos de ambas as partes - Estado e Sociedade para garantir um desenvolvimento poltico e econmico com base na produo e no consumo, desenhando a sociedade atual, que vir a ser conhecida como - sociedade moderna. 9. 12 2.1. A tica capitalista do trabalho Se antes a riqueza era vista como pecado agora no mais, passando a ser vista como um estado relacionado vontade de Deus. Max Weber, em sua "tica Protestante e o Esprito do Capitalismo" diz que esta necessidade de acumulao de riquezas ultrapassou os limites do bom senso comercial e passou a ser um fim em si mesmo, uma concepo de vida, um ethos. O homem dominado pela produo do dinheiro, pela aquisio encarada como finalidade ltima de sua vida. A aquisio econmica no mais est subordinada ao homem como meio de satisfazer as suas necessidades materiais. Esta inverso do que poderamos chamar de relao natural, to irracional de um ponto de vista ingnuo, evidentemente um princpio orientador do capitalismo, to seguramente quanto ela estranha a todos os povos fora da influncia capitalista. Mas, ao mesmo tempo, ela expressa um tipo de sentimento que est inteiramente ligado a certas idias religiosas" (WEBER, 1974, p.187). Dentre as classes mais abastadas, a ociosidade passou a ser sinnimo de negao de Deus. A f era demonstrada atravs da submisso ao trabalho incessante e produtivo. A partir do momento em que a produo se torna mecanizada, o trabalho glorificado como a essncia da sociedade do trabalho. No se concebe mais a possibilidade de existir ordem social fora da moral do trabalho produtivo. As sociedades, convivendo com seus impulsos egostas, obrigaram-se a elaborar regras e leis morais para regular as aes humanas. Essas regras so construdas tendo como base uma espcie de "jogo de interesses". A tica capitalista d margem ao pensamento de que o bem estar da coletividade no se deve a um comportamento altrusta das pessoas, mas sim pela defesa do interesse prprio para melhor solucionar os problemas de um grupo social. Dessa forma, construiu-se uma ideia de um comportamento disciplinar que envolvesse todos os indivduos dentro e fora da fbrica, ideia essa que relacionava o uso do tempo de forma til e produtiva que dignificava o homem. Por outro lado, o cio passou a ser sinnimo de preguia e degenerao. A empresa dos dias atuais obriga o indivduo, na medida em que ele envolvido no sistema de relaes de mercado, a se conformar s regras de ao capitalistas. O fabricante que permanentemente se opuser a estas normas ser economicamente eliminado, to inevitavelmente quanto o trabalhador que no puder ou no quiser adaptar-se a elas ser lanado rua sem trabalho (WEBER, 1974, p.188). Para imperar a nova ordem, procurou-se eliminar qualquer forma de resistncia, impondo-se um modelo de sociedade em que s o trabalho produtivo fabril tinha valor e quem se encontrasse fora desse modelo era expurgado da sociedade. Fonte: Saad Akhtar - Flickr.com 10. 13 2.2. A Nova tica Empresarial Se antes as empresas tinham que ganhar mercado a qualquer custo, ignorando o que hoje conhecemos como direitos trabalhistas e a prpria tica, pois o lucro era a meta mais importante a ser atingida, com a evoluo dos tempos o trabalho passou a ser relacionado ao comportamento, e as empresas tiveram que estabelecer altssimos padres de integridade e depois aplic-los sem incertezas. Dada a concorrncia de mercado, as empresas tiveram obrigatoriamente que retomar uma conduta tica para sobreviver se quisessem manter ou conquistar a fidelidade dos seus clientes. Tambm, no clima organizacional, quando o esprito da defesa do interesse prprio o mais forte dentro de uma empresa, impossvel criar o esprito de equipe, um item hoje considerado fundamental para quem almeja o aumento da produtividade, to necessria num mercado competitivo. Diante de tais problemas, os executivos e os tericos da administrao se viram obrigados a se debruar sobre questes ticas para garantir a sobrevivncia no s das empresas, mas de seus prprios empregos. Como se v, o instinto de sobrevivncia fala mais alto do que qualquer teoria aprendida na escola. Afinal, que empresa teria condies de sobreviver e prosperar num clima de falncia econmica, social e ambiental? Nunca antes se falou tanto em recursos naturais e sua preservao, ou na preocupao com as geraes futuras e a garantia de sua qualidade de vida, aspectos estes discutidos nos grandes encontros locais e globais sobre a temtica do Desenvolvimento Sustentvel. Hoje, para toda empresa, a referncia comum que norteia suas preocupaes o seu impacto sobre o meio ambiente. Desviando a tica que antes estava no lucro e ganho de mercado para a perpetuao da existncia da empresa com a garantia de matria prima para continuar atuando, o que gera uma preocupao mais consciente e que envolve no s as empresas privadas, mas o poder pblico e a sociedade civil. Quando uma empresa se preocupa com as questes ambientais e bem estar social, preocupaes evidentemente ticas, aumenta suas chances de sobrevivncia, pois a sociedade desenvolve uma imagem positiva em relao a este tipo de organizao. como se as empresas, ao aplicarem anteriormente a "tica do egosmo", conseguissem, como efeito colateral, atingir de forma benfica o conjunto da sociedade, trazendo a tona um movimento chamado de "responsabilidade social" de empresas e organizaes. 11. 14 Ocorrem srios problemas quando o ser humano coloca em primeiro lugar seus interesses prprios. Por conta disso, a conscincia de grupo tem surgido e ocupado um espao importante dentro das grandes organizaes. Para que no haja choque no quadro interno das empresas de todos os portes, a maioria delas vem desenvolvendo o seu prprio cdigo de conduta tica. Como j vimos anteriormente, a conduta do ser humano pode tender ao egosmo, mas, para os interesses de uma classe, de toda uma sociedade, preciso que se acomode s normas, porque estas devem estar apoiadas em princpios de virtude. Como as atitudes virtuosas podem garantir o bem comum, a tica tem sido o caminho justo e adequado para o benefcio geral. Sendo assim, algumas virtudes profissionais passaram a ser extremamente observadas e valorizadas dentro do quadro funcional de uma empresa, como veremos a seguir. 3.1. Virtudes profissionais Sabemos dos deveres que cabem a cada profissional, em qualquer rea de trabalho, e que devem ser cumpridos da melhor maneira possvel, porm, alm dos deveres, os quais so obrigatrios, devem ser levadas em conta as qualidades pessoais que tambm concorrem para o enriquecimento de sua atuao profissional, algumas delas facilitando o exerccio da profisso. As qualidades profissionais podero, obviamente, ser adquiridas com esforo e boa vontade, o que aumentaria o mrito do profissional que, no decorrer de sua atividade, consegue incorpor-las sua personalidade, procurando vivenci-las ao lado dos deveres profissionais. Podemos considerar como virtudes fundamentais, tomando como base de raciocnio, o ambiente empresarial e o mercado de trabalho, a lealdade, a responsabilidade e a iniciativa, imprescindveis para a formao de recursos humanos. Um profissional que almeja uma carreira de sucesso pode depender dessas virtudes. Vejamos: 12. 15 Manter-se empregado pode depender do senso de responsabilidade. Numa empresa, um indivduo sem responsabilidade no poder demonstrar lealdade e nem esprito de iniciativa. O responsvel pelos resultados de uma determinada equipe ter maior probabilidade de agir de maneira mais favorvel aos interesses da equipe e de seus clientes, dentro e fora da organizao. Sentir-se responsvel e ser reconhecido como tal, fortalece a autoestima de toda pessoa. Essas pessoas sentem um sentido na vida, alcanam metas e se beneficiam com isso tendo mais oportunidades de trabalho, promoo, melhores salrios e podem assumir trabalhos que demandam maior comprometimento. A lealdade de um funcionrio faz com que este se alegre quando a organizao ou o seu departamento bem sucedido, defende a organizao, toma medidas concretas quando a empresa ameaada, tem orgulho de fazer parte da organizao, fala positivamente sobre ela e a defende de crticas. Lealdade no quer dizer obedincia, mas ser leal significa fazer crticas construtivas, agir com a convico de que seu comportamento vai promover os legtimos interesses da organizao, mas tambm pode significar a recusa em fazer algo que voc no considera correto ou acha que poder prejudicar a organizao ou a equipe de funcionrios. As virtudes da responsabilidade e da lealdade so completadas pela iniciativa capaz de coloc-las em movimento. Ter iniciativa ou fazer algo de interesse da organizao significa, ao mesmo tempo, demonstrar lealdade, bem como assumir responsabilidade por essa atitude. Tambm, outras qualidades podem ser consideramos importantes no exerccio de uma profisso, como por exemplo: Honestidade: Ser honesto atrair para si a confiana do outro, sendo verdadeiro. Sigilo: Uma informao sigilosa algo que nos confiada e cuja preservao de silncio obrigatria. Competncia: Competncia, sob o ponto de vista funcional, o exerccio do conhecimento de forma adequada e persistente a um trabalho ou profisso. Prudncia: Todo trabalho, para ser executado, exige muita segurana e deve ser muito bem analisado. A prudncia indispensvel nos casos de decises srias e graves. Coragem: A coragem nos ajuda a reagir s crticas, a no ter medo de defender a verdade e a justia. Perseverana: Todo trabalho est sujeito a incompreenses, insucessos e fracassos que devem ser superados. O profissional deve prosseguir em seu trabalho, sem entregar-se a decepes ou mgoas. Compreenso: Qualidade que facilita a aproximao e o dilogo, imprescindvel no relacionamento profissional. 13. 16 Humildade: Representa a auto anlise que todo profissional deve praticar em funo de sua atividade profissional, a fim de reconhecer melhor suas limitaes, buscando a colaborao de outros profissionais mais capazes, se tiver esta necessidade, dispor- se a aprender coisas novas, numa busca constante de aperfeioamento. Imparcialidade: Destina-se a se contrapor aos preconceitos, a defender os verdadeiros valores sociais e ticos, assumindo principalmente uma posio justa nas situaes que ter que enfrentar. Para ser justo preciso ser imparcial, logo a justia depende muito da imparcialidade. Otimismo: Diante dos desafios que ir encontrar, o profissional precisa e deve acreditar na capacidade de realizao, no poder do desenvolvimento, enfrentando os desafios com energia e bom humor. Obviamente existem outras virtudes que aqui no foram citadas, porm aqui foram apresentadas as principais. Valorize-as, dissemine-as e coloque-as em prtica. Precisamos de uma sociedade que valorize os princpios e as virtudes, pois assim teremos uma vida digna e deixaremos um bom legado para as prximas geraes. 14. 17 Mais informaes acerca do tema Questes ticas contemporneas e tica profissional podem ser encontradas nas indicaes abaixo: Livros: COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia. So Paulo: Saraiva, 2002. CAMARGO, Marculino. tica na Empresa. Petrpolis, RJ: Vozes, 2006. PEGORARO, Olinto. tica dos maiores mestres atravs da Histria. Petrpolis, RJ: Vozes, 2006. Filmes: Documentrio: Ilha das Flores: curta-metragem brasileiro. Direo: Jorge Furtado. Brasil, 1989. O Diabo veste Prada. Direo: David Frankel. EUA, 2006. O Show de Truman. Direo: Peter Weir. EUA, 1998. 15. 18 AGUILAR, Francis J. A tica nas empresas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1996. ALENCASTRO, Mario. A Importncia da tica na Formao de Recursos Humanos. So Paulo, Registrado na Fundao Biblioteca Nacional sob n. 197.147 livro:339 fl:306, artigo publicado em 1997. ARRUDA ARANHA, Maria Lcia de; PIRES MARTINS, Maria Helena. Filosofando: Introduo Filosofia. So Paulo: Moderna, 2 Ed. 1993. PESSANHA, Jos Amrico Motta. Vida e obra de Aristteles: Tpicos dos argumentos sofsticos. So Paulo: Nova Cultural, 1987. 16. 19 _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________

Recommended

View more >