Construcao coletiva de uma horta escolar

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    22-Apr-2015

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  • 1. Cludia Maria Barth PetterCONSTRUO COLETIVA DE UMA HORTA ESCOLAR: REPERCUSSES ENTRE OS ALUNOS PARTICIPANTES Porto Alegre 2004
  • 2. 2 Cludia Maria Barth PetterCONSTRUO COLETIVA DE UMA HORTA ESCOLAR: REPERCUSSES ENTRE OS ALUNOS PARTICIPANTES Dissertao apresentada como requisito parcial para a obteno do grau de Mestre, pelo Programa de Ps- Graduao em Educao em Cincias e Matemtica, linha de pesquisa Educao em Cincias, na Pontifcia Universidade Catlica do Rio Grande do Sul. Orientadora Dr Regina Maria Rabello Borges. Porto Alegre 2004
  • 3. 3 Cludia Maria Barth PetterCONSTRUO COLETIVA DE UMA HORTA ESCOLAR: REPERCUSSES ENTRE OS ALUNOS PARTICIPANTES Dissertao apresentada como requisito para a obteno do grau de Mestre, pelo Programa de Ps- Graduao em Educao em Cincias e Matemtica, linha de pesquisa Educao em Cincias, na Pontifcia Universidade Catlica do Rio Grande do Sul. Aprovada, em _________________________, pela banca examinadora. Banca examinadora: ______________________________________ Orientadora: Dr Regina Maria Rabello Borges _______________________________________ Dr. Roque Moraes _______________________________________ Dr. Joo Batista Siqueira Harres
  • 4. 4Dedico este trabalho a meus pais Jos Roque Barth e Clair Miria Barth e ao meu marido Fabio Petter.
  • 5. 5 AGRADECIMENTO equipe diretiva da Escola Estadual de Ensino Fundamental Moinhos, aos colegas professores e aos funcionrios. minha orientadora prof Dr. Regina Maria Rabello Borges. Ao professor Dr. Roque Moraes. professora Dr. Valderez Marina do Rosrio Lima. Ao apoio da minha colega Mariel Hidalgo Flores. amiga Cristiane Antonia Hauschild Nicolini. Ao estmulo da professora Rosane Maria Cardoso.E em especial aos alunos da quinta, sexta, stima e oitava sries da Escola Moinhos, por acreditarem que seria possvel...
  • 6. 6 Cada pessoa, em sua existncia, pode ter duas atitudes: construir ou plantar. Os construtores podem demorar anos em suas tarefas, mas um dia terminam aquilo que estavam fazendo. Ento param, e ficam limitados por suas prprias paredes. A vida perde sentido quando a construo acaba. Os que plantam sofrem com astempestades, as estaes e raramente descansam. Mas, ao contrrio de um edifcio, o jardim jamais pra de crescer. E, ao mesmo tempo em que exige a ateno do jardineiro, tambm permite que, para ele, a vida seja uma grande aventura. Paulo Coelho
  • 7. 7 Resumo Esta pesquisa foi realizada na Escola Estadual de Ensino Fundamental Moinhos,em Estrela, com alunos das sries finais (5a a 8a), com o objetivo de detectar como aconstruo coletiva de uma horta escolar poderia repercutir nos hbitos de higiene esade dos alunos participantes. A partir de uma pesquisa prvia sobre os problemasmais significativos da comunidade de Moinhos, em que foi apontado o consumo dedrogas como o maior problema, foi desencadeado um debate quanto utilizaoprodutiva e prazerosa do tempo livre, como forma de prevenir riscos de sua utilizaoinadequada em situaes prejudiciais. Houve um consenso, que resultou na deciso deconstruo conjunta de uma horta escolar. A pesquisa, que envolveu a implementaoe repercusses desse trabalho colaborativo, teve abordagem essencialmentequalitativa, conforme a metodologia de anlise textual. Entre as repercussesidentificadas entre os alunos, quanto aos hbitos de higiene e sade, nos aspectosfsico, mental e social, destacam-se: mudanas na dieta alimentar, com incluso dehortalias nas refeies; construo de hortas em suas residncias; maior envolvimentoem atividades escolares e extraclasse, especialmente em Cincias; participao maisativa e diminuio da agressividade nas relaes interpessoais em sala de aula; maiorcompromisso com trabalhos em grupo. Alm disso, houve superao das expectativas,pelo envolvimento gradual de outros educadores e das demais turmas, o que resultouna extenso da proposta a toda comunidade escolar. Palavras-chave: horta escolar, higiene e sade, planejamento cooperativo,construo coletiva.
  • 8. 8 Abstract This research was accomplished at the State School of Basic Teaching Moinhos,in Estrela, with students of the final grades (fifth and eighth) with the aim of detectinghow the collective construction of a school vegetable garden could rebound in theparticipants habits of hygiene and health. Starting from the previous research about themost significant problems of the community of Moinhos in that the consumption of drugswas pointed as the largest problem, a debate was triggered about a pleasant andproductive use of the free time as to prevent from the hazards of its inadequate use intoharmful situations. There was a consense upon that, which resulted in a jointconstruction of a vegetable garden. The research, which involved the implementationand backwash of this collaborative work, had one es-sentially qualitative approach,according to the mothodology and textual analysis. Among the feedback identified uponthe habits of hygiene and health, in the fisic aspects, mental and social, appear changesin the nutritional habits, with the inclusion of vegetables in the diet; construction ofvegetable gardens by the students at their homes; more involvement in extra-classschool tasks; increased interest in the study of Sciences; more active taking part in theclassroom; more engagement with group work and less agressivity. Furthernore, therewas an overcoming of the expectations, due to the gradual involvement of the othergroups and the teachers, which resulted in the extention of the proposal to the wholeschool community. Key Words: School Vegetable Garden, Hygiene and Health, CooperativePlanning, Collective Construction.
  • 9. 9 SUMRIO 1 CONTEXTUALIZANDO A PESQUISA ............................................................. 11 2 SADE, SISTEMA IMUNOLGICO E HIGIENE CORPORAL.................. ..........19 3 OS ALIMENTOS E A HORTA ESCOLAR.............................................................24 4 CONSTRUO COLETIVA DE UMA HORTA COMO FORMA DE PREVENO AO USO DE DROGAS .............................................................................................34 5 FUNDAMENTOS EDUCACIONAIS.................................................................... 45 6 METODOLOGIA DA PESQUISA................................................................... .....51 7 ANALISANDO E INTERPRETANDO OS RESULTADOS DAPESQUISA..................................................................................................................... 58 7.1. Pesquisa diagnstica..........................................................................................63 7.2. Auto-Avaliao dos alunos..................................................................................65 7.3. Avaliao dos resultados da pesquisa ...............................................................69
  • 10. 108 REPERCUSSES DA CONSTRUO DA HORTA NA VIDA DOS ALUNOS8.1. Sade do corpo e da mente............................................................................... 718.2. Importncia de trabalho coletivo.........................................................................738.3. Competncia na construo da horta.................................................................768.4. Construo de uma horta fora do ambiente escolar...........................................808.5. Economia familiar................................................................................................829 CONSIDERAES FINAIS.................................................................................. 84Referncias.............................................................................................................. 90Apndices................................................................................................................ 93Anexo..................................................................................................................... 100
  • 11. 111 CONTEXTUALIZANDO A PESQUISA Antes de contextualizar esta pesquisa na comunidade em que foi realizada, voutentar situ-la na minha vida. Consegui realizar um de meus projetos pessoais ao longo desta caminhada,sendo professora. Lembro-me quando pequena, as aulinhas ministradas por mim aosmeus vizinhos, desde os cinco anos de idade. Sempre estive determinada a seguir a carreira de professora, aquela que seempenha para que seus educandos consigam aprender a aprender, aprender aconhecer, aprender a ser, aprender a fazer, como retrata Paulo Freire, em Os QuatroSaberes Necessrios Educao (FREIRE, 1996). Cabe, neste momento, registrar que leciono h cinco anos e tenho histrias paracontar. Fico feliz, pois a cada ano que passa me sinto melhor como profissional domagistrio. O incio de um novo ano, novos alunos, uma expectativa agradvel. Poristo, fazer o Mestrado em Educao em Cincias e Matemtica veio em meu benefcio,como tambm em benefcio de meus alunos. Para realizar o projeto de ser professora, tive influncias positivas de professoresdo Ensino Fundamental, mas foi no Ensino Mdio, realizado no Centro de Formao eAperfeioamento de Professores, em Estrela, que decidi prosseguir meu objetivo. Almde decidir ser professora, tambm decidi ser biloga. A professora de Biologia e a deMetodologia da Cincia, durante o magistrio, tiveram importncia fundamental naminha escolha, pois as aulas eram dinmicas, prticas, atuais. Elas nos encantavamcom formas simples de fazer a nossa turma aprender a aprender, aprender a fazer. Isto
  • 12. 12me preparou para que, no incio de minha caminhada, eu estivesse preparada paracolocar em prtica o que vivenciei. Escolhi prestar vestibular na UNIVATES, em Lajeado. Nessa instituio, alm deestudar e participar das atividades de campo propostas pelos professores (atividadesrealizadas nos finais de semana), tive a oportunidade de ir para o Cear pelaUniversidade Solidria. Foram meses de treinamento. Muitos alunos tinham se inscrito,foi preciso novamente selecionar, pois somente dez alunos poderiam participar. O trabalho realizado no Municpio de Jardim (CE) foi uma experincia incrvelpara mim. Na parte da manh visitvamos as famlias nos stios (que aqui chamamosde bairro) e pela parte da tarde proferamos palestras, divididos em quatro grupos:sexualidade e sexo; lixo e seus problemas; doenas em geral; recreao com ascrianas. Ficamos nesse local dezoito dias e pude constatar que muito bom viver noRio Grande do Sul. Por isto, desde ento, estou investindo muito mais em meusprojetos junto comunidade em que trabalho. A troca de experincias que tive noCear serve muito para as minhas aulas, pois sempre que posso levo as fotos aosmeus alunos para melhor relatar o que vi e o que aprendi com eles. Foi uma grandetroca de experincias, lembrando que este trabalho um trabalho voluntrio. Citeiapenas alguns aspectos que mais marcaram minha vida acadmica, e tenho certezaque continuarei nesta busca de aprender a aprender. J relatei o que mais me marcou durante minha vida acadmica e agorapretendo descrever como ela teve uma influncia positiva para minha atuaoprofissional. No incio do ano de 1997 me inscrevi para contrato emergencial em escolamunicipal, fui chamada e assumi, me sentindo muito feliz, pois esta seria minha primeiraoportunidade de colocar algumas atividades em prtica. Na escola municipal realizei,
  • 13. 13por dois anos, o Projeto de Recolhimento de Lixo e posterior venda. No primeiro ano,com o material arrecadado e vendido, conseguimos comprar uma pracinha para aescola e tambm oferecer uma viagem para as turmas vencedoras. J no segundo anoa coleta foi ainda melhor, a direo da escola e os professores resolveram premiar atodos com uma bela excurso. Passaram dois anos e fui chamada para ser professora no Magistrio PblicoEstadual, pelos concursos que havia realizado. Minha primeira nomeao, que emoo,mais um desafio em minha vida profissional. Lembro-me, como se fosse hoje, oprimeiro ms em que dei aula na Escola Estadual de Ensino Fundamental Moinhos.Parecia tudo to difcil, os alunos estavam habituados a ler o captulo no livro e emseguida responder as questes propostas. Eu vim com uma proposta totalmentediferente para eles. O primeiro ms foi de adaptao e depois os assuntos foramfluindo. Determinadas colegas de trabalho diziam: eu nunca vi os alunos to animadospara terem aula de Cincias. Ento, cada vez mais, fui aprofundando e exigindo delesaquilo que julgo importante, que fazer com que eles entendam como a naturezafunciona, se organiza, para assim os alunos ajudarem na sua conservao, na suapreservao. Percebo que, ao longo dos cinco anos em que estou nesta escola, osalunos melhoraram muito, tanto no relacionamento interpessoal como na confiana naprofessora e na amiga que sou. Utilizo, quando posso, os filmes Os Desafios da Vida, dependendo, claro, doque estamos estudando. Eu sempre exijo relatrio do vdeo assistido e hoje, fazendoesta reflexo, percebo o quanto os alunos melhoraram na parte escrita. Eles prestammais ateno em todos os detalhes apresentados pelo vdeo, que representa o assuntocom o qual tratamos em sala de aula, ou seja, a compreenso da aula fica bem mais
  • 14. 14fcil quando pode ser visualizada. Realizo tambm atividades de campo com os alunos:coleta para identificao, visita ao aterro sanitrio, visita ao Jardim Botnico (noesquecendo que todos estes trabalhos necessitam de relatrio, que s vezes individual e outras vezes coletivo); ou s vezes um simples passeio para curtir oambiente. Sinto que meus alunos precisam ser ainda mais acompanhados por mim esempre estou em busca de algo novo para trazer para eles. Por isto a importncia desteMestrado. No livro Educar pela Pesquisa (DEMO, 2002) est escrito que no adiantaentrar na sala de aula e dizer que agora vamos aprender pesquisando se eu no estiverpreparada para isto e nem mesmo a minha escola. Assim, no decorrer destes doisanos, pude vivenciar o aprender a pesquisar e colocar isso presente em minha prtica,percebendo que no ser mais possvel retroceder e sim somente avanar cada vezmais. Meu propsito antes, durante e agora, no trmino desta dissertao, estrelacionado com a necessidade que tenho de ir sempre em busca de algo mais. Tenhocomo objetivo melhorar minha prtica docente a cada momento, conhecer e aplicarnovas metodologias de trabalho. Tenho necessidade de trocar experincias e construirnovos conhecimentos, pois sei que a formao profissional permanente, no acabacom um simples diploma. Acredito que o trabalho de construo da horta escolarauxiliar a comunidade, na busca de uma vida mais digna e feliz. Tambm acredito naimportncia de reconstruir, de reler a minha prtica, de estar sempre me reconstruindocomo pessoa e como profissional. Escolhi o assunto Higiene e Sade por se tratar de um problema da comunidadeescolar de Moinhos-Estrela. Os habitantes do bairro so pessoas simples. A maioriatem situao precria de habitao, emprego, alimentao. Eles tm casa pequena,
  • 15. 15mas se vierem mais alguns parentes todos ficam naquele ambiente. Aos visitantes oferecido o que se tem naquele momento. Considero que fazer este trabalho com eles pode ser fundamental para que asituao de vida melhore e que os alunos sintam-se co-autores da mudana no bairro.Quando falo da importncia de participar em projetos comunitrios, sinto que os alunosse empolgam, percebo que na prtica isso tambm acontecer. Fazendo a leitura de alguns textos produzidos pelos alunos, percebi que amaioria deles frisa que a sade uma questo social, intimamente ligada qualidadede vida. Para se ter qualidade de vida preciso trabalhar, para conseguir ter uma casa,alimentos, roupas, e a situao de muitos moradores a falta de emprego. Muitosmoram margem do Rio Taquari, ou seja, nas cheias a maioria perde tudo, ou por noter tido tempo suficiente para retirar, ou por querer perder tudo para ganhar do poderpblico. Mesmo assim, acredito que seja fundamental trabalhar com atividades prticascom os alunos, e estas podem ser tanto dentro como fora da escola. Tento, sempre quepossvel, fazer visitas ao bairro. Convido a turma, caminhamos e enquanto isto osalunos mostram onde moram. lindo ver os olhos brilhando ao mostrarem suas casas,e se algum parente estiver por ali, os alunos fazem a minha apresentao. Ou seja,eles sentem-se bem ao entender que eu me importo com o bem-estar deles. O bairro foi criado nos anos 80. Conheo pessoas que foram trazidas de vriosmunicpios aqui do Estado e ali depositadas, no sendo dadas a elas condiesdignas de vida. Mesmo assim as famlias adaptaram-se, pois naquele perodo eramdistribudos alimentos e cargas de areia para construo de casas. Concordo com
  • 16. 16Demo (2000) quando afirma que o maior problema do ser humano no o passar fomee sim ser massa de manobra. o que vem ocorrendo em comunidades isoladas comoa do bairro Moinhos, onde pessoas so iludidas com promessas de melhorias,principalmente na poca das eleies e depois observam que as mesmas no socumpridas, pois o mais importante j foi adquirido, que o voto. Portanto, necessriodesconstruir a inconscincia da comunidade. Dessa forma ela poder fazer umareleitura da realidade em que est inserida, bem como intervir com autonomia para queassim progrida e seja capaz de mudar a situao em que vive. Hoje vejo o reflexo do passado, pois as pessoas so pacficas, acham quealgum deve lhes dar tudo e no se sentem parte integrante do bairro. Por isso o meuinteresse em incentiv-los a realizar mudanas pelo seu prprio esforo. As condies de moradia no bairro so preocupantes, pois existem muitas casasde madeira, de tamanho pequeno, no h espao para todos na casa. Isso ocorre maispara aqueles que no trabalham e esto desanimados quanto possibilidade deprogredir. Percebo que muitas famlias j melhoraram a sua forma de entender emodificar o seu mundo, buscando mais condies de sade e higiene. A higiene est intimamente ligada sade, pois no adianta somente saber quese deve escovar os dentes trs vezes ao dia se em casa existe uma nica escova, queser utilizada por mais de trs pessoas, e o creme dental est no final. O que fazernuma situao assim? Durante meus passeios no bairro, com os alunos, vejo certascasas por dentro e retorno s minhas aulas e me pergunto: o que estou fazendo aqui?Estou influenciando em algum aspecto nesta comunidade? Como estou influenciando,se no h recursos, espaos? O que meu aluno pensa quando estudamos que preciso cada um ter sua toalha de banho e tem, em sua casa, apenas uma toalha de
  • 17. 17banho ou pano de cho? Vejo que quanto mais prxima trabalhar da realidade, maisinfluncias positivas poderei exercer sobre eles. Acredito que esse o caminho damudana: trabalhar a realidade dos alunos, tentando fazer com que eles percebam que possvel melhorar, bem como a importncia do compromisso, das atitudes, para quepossam superar as dificuldades e no precisem viver sempre assim. Uma forma de contribuir foi envolver os alunos nesta pesquisa. O meu objetivo, durante a construo de minha proposta, era identificar, entre eles,as repercusses da construo coletiva de uma horta escolar, a partir do problema:Que influncia a construo coletiva de uma horta escolar pode ter sobre oshbitos de higiene e sade dos alunos participantes? Conforme vou descrever, os resultados do trabalho foram significativos, sobretudono aspecto nutricional, pois as verduras que agora esto sendo plantadas e colhidas nahorta tm auxiliado no desenvolvimento fsico e mental dos alunos. A dieta alimentardos alunos era pobre em vitaminas e sais minerais, com excesso de carboidratos.Sabe-se que a alimentao necessita estar em equilbrio, ou seja, de fundamentalimportncia ingerir protenas, glicdios, lipdios, vitaminas, gua e sais minerais nasrefeies. Tal aspecto no ocorria em todas as famlias do Bairro Moinhos, onde selocaliza a escola em que atuo. A partir desta construo que alguns alunos tmorganizado o seu terreno abandonado para cultivar hortalias e dali retirar alimentossem agrotxicos e muito saudveis para o bem-estar de suas famlias. A realizao desta pesquisa foi desafiadora. Atravs deste trabalho, permanecemosem constante movimento e foi possvel formar parcerias com instituies do municpio.Acredito que os alunos, e por meio deles a comunidade, estejam percebendo a
  • 18. 18importncia de viver de forma saudvel e acreditando que o que se sonha pode setornar real, se houver interesse, persistncia e muito amor. Passarei agora aos fundamentos tericos da dissertao, apresentados nos trscaptulos seguintes, envolvendo: sade, sistema imunolgico e higiene corporal; osalimentos e a horta escolar; sade do corpo e da mente.
  • 19. 192 SADE, SISTEMA IMUNOLGICO E HIGIENE CORPORAL Sade refere-se ao bem-estar fsico, social e emocional, conceito estabelecidopela Organizao Mundial da Sade (OMS). O bem-estar fsico est associado aofuncionamento harmonioso e integrado de todo o organismo, de tal modo que no opercebemos. Por exemplo, em geral, no nos damos conta da respirao. Isto sacontece quando o sistema respiratrio no est funcionando bem, devido a uma gripeou outra disfuno. Deste modo o bom funcionamento do corpo humano envolvediferentes funes, responsveis tanto pela preservao da vida individual do ser comopela perpetuao da espcie. Entre as primeiras temos o sistema imunolgico, que,conforme Baggish, um conjunto intrincado de clulas, cuja misso identificar edestruir invasores estranhos antes que qualquer mal seja feito ao corpo (1998 p. 54).Cabe salientar que o sistema imunolgico, que tem a funo de reconhecer e destruiros vrus e bactrias que possam atac-lo, est diretamente relacionado a condiesemocionais e afetivas. Por essa razo tem uma importncia especial nesta pesquisa eser um pouco mais comentado a seguir. De acordo com Janeway (2000), os microrganismos que causam doenas nohomem e nos animais penetram nos tecidos em diferentes locais. Essas invases socontidas inicialmente, em todos os vertebrados, por mecanismos de defesa inatos, quepreexistem em todos os indivduos e atuam dentro de poucos minutos aps a infeco.Somente quando as defesas inatas forem ultrapassadas, enganadas, requerida umaresposta do sistema imunolgico, ou seja, o agente que pode prejudicar a sade. Sabe-se que as superfcies epiteliais do corpo servem como barreira aos microrganismos e
  • 20. 20somente quando o micrbio ultrapassar essa barreira haver uma infeco, que poderser uma patologia, ou seja, uma doena. Conforme Cobra (2001), isso pode acontecerdevido falta de higiene do indivduo, ou devido a sua fraqueza imunolgica. Cadapessoa tem mais ou menos resistncia a determinada patologia, pois no somente omeio que interfere. Quanto aos agentes que causam doenas (vrus, bactrias, fungos,protozorios, vermes), cada um deles poder agir de forma diferente e cabe ao sistemaimunolgico destru-los. Reafirmando o que disse Janeway (2000), as superfcies corporais soprotegidas por epitlios, que proporcionam uma barreira fsica entre o meio interno e omundo externo que contm os patgenos. Os epitlios compreendem a pele e osrevestimentos das estruturas tubulares do corpo, como os tratos gastrintestinais,respiratrios e geniturinrios. Infeces ocorrem quando o microrganismo coloniza ouatravessa tais barreiras. A importncia dos epitlios bvia, pois quando a barreira rompida a infeco pode causar doena ou morte. Pessoas com defeito na secreode muco ou inibio dos movimentos ciliares, em que as bactrias podem colonizar asuperfcie do epitlio, podem desenvolver infeco. H, no corpo humano trs barreirasepiteliais: - Mecnicas: clulas epiteliais unidas por junes fortes; fluxo longitudinal de ar; movimento de muco pelos clios. - Qumicas: cidos graxos (pele); enzimas digestivas do trato gastrintestinal: lisozima (saliva, suor, lgrimas) e pepsina (intestino delgado); potencial de hidrognio do estmago.
  • 21. 21 - Microbiolgicas: a flora normal compete por nutrientes e por adesividade ao epitlio e pode produzir substncias antibacterianas. O que influi decisivamente na patologia humana a imunodeficincia, que ocorrequando um dos componentes do sistema imunolgico defeituoso. A causa maiscomum a desnutrio, principalmente em pases sub-desenvolvidos, pois as pessoasdesnutridas ficam mais expostas aos ataques dos microrganismos. Outro fator que interfere na sade e higiene dos humanos o convvio social,pois, conforme Goleman (1995), os hormnios liberados no estresse (adrenalina,noradrenalina, cortisol e prolactina) so todos liberados durante a estimulao doestresse. Cada um deles tem impacto sobre as clulas imunolgicas, o que facilita aentrada de doenas. Goleman afirma: Ajudar as pessoas a lidar melhor com sentimentos incmodos como a raiva, ansiedade, depresso, pessimismo e sensao de solido uma forma de prevenir doenas; (...) Muitos pacientes podem auferir imensos benefcios quando a assistncia clnica acompanhada de assistncia psicolgica.(GOLEMAN, 1995, p. 199). A relao entre aspectos psicolgicos e as condies imunolgicas doorganismo, destacadas por Goleman, precisam ser enfatizadas nesta pesquisa. Mas importante tambm conhecer outros aspectos relacionados ao sistema imunolgico,como as condies de higiene corporal. O ser humano tem dois tipos de glndulas sudorparas: as glndulas crinas, queproduzem apenas lquido refrescante para o corpo, e as glndulas apcrinas, cujasecreo transporta gorduras e protenas das clulas para o exterior do corpo. Asglndulas sudorporas tm grande influncia em nosso organismo, pois as glndulas
  • 22. 22crinas se distribuem por todo o corpo e se abrem para a superfcie. Elas respondemprontamente a tenses ou ao calor. O suor, por sua vez, produzido e filtrado noplasma, que composto de 99% gua e 1% outras substncias qumicas, comocompostos de sdio, cloro, potssio, clcio, fsforo e cido rico. J as glndulasapcrinas, ao contrrio, concentram-se em certas reas peludas: nas axilas, na partecabeluda da cabea e nas regies umbilical, pubiana e anal. O suor que produzem vazapara os folculos capilares (raiz dos cabelos) e no diretamente sobre a pele. Essasecreo das glndulas apcrinas alimento para as bactrias que esto na epiderme,e os produtos do metabolismo das gorduras e protenas secretadas, digeridas pelasbactrias, que produzem o cheiro do suor. Portanto, o banho dirio necessrio paratirar o acmulo das impurezas que o corpo secreta naturalmente. Alm do mencionado, a higiene corporal est ligada auto-estima, ou seja, devome amar para que atravs do meu corpo possa demonstrar isto s pessoas. Se a pessoa no se valoriza, ento no se cuida; se no d trato a si mesma e se a sua prpria figura e os seus modos ofendem pela inadequao o sentimento de sociabilidade de seus semelhantes, cai por terra toda possibilidade de que seus gestos possam significar deferncia e respeito para com os outros... Manter o corpo asseado e perfumado, e as roupas limpas so o primeiro preceito a ser ensinado s crianas e jovem. Sabe-se que o cheiro do corpo pode afetar o ambiente social, como o caso do cheiro de suor, a bromidrose, (suor malcheiroso) e do mau hlito, ou pode afetar apenas o relacionamento entre duas pessoas, como o caso dos odores em partes ntimas. (COBRA, 2001, p.2). Portanto, os aspectos fsico, social e mental devem estar em harmonia para queo ser humano esteja saudvel e possa exercer bem suas atividades na sociedade. Concordo com a afirmao de Schaedler e Almeida (2001), quando afirmam que sade no est para a educao como um contedo a ser transmitido e ensinado nos espaos restritos e restritivos das salas de aula, pois ela precisa
  • 23. 23 fazer parte do dia-a-dia dos alunos, deve ser vivenciada sempre e no no momento que se pr estabelece na escola. A escola precisa ser um espao de inovao, de construo, de dilogo, de formao de pessoas crticas e para tanto ela precisa ser capaz de afetar-agenciar-produzir um novo significado para a sua funo. (Schaedler e Almeida, 2001, p. 59). Tenho convico de que, atravs de uma prtica pedaggica, como o trabalhocom a sade transversalizando a educao, pode-se chamar reflexo, criao deum espao na escola, para que a comunidade escolar busque a reconstruo e asoluo de seus prprios problemas, atravs da unio, com envolvimento dacoletividade. Outro aspecto a ressaltar a higiene alimentar desenvolvida na comunidade deMoinhos, pois a alimentao foi favorecida pelo trabalho coletivo na horta escolar queconstrumos. o que ser apresentado no prximo captulo desta dissertao.
  • 24. 243 OS ALIMENTOS E A HORTA ESCOLAR Os alimentos fornecem ao organismo as substncias necessrias ao seusustento. Para isto ocorrer necessrio observar a qualidade e quantidade dealimentos ingeridos para que assim o nosso corpo se mantenha saudvel. necessrioobservar a influncia que os mesmos exercem sobre as vrias funes orgnicas,especialmente as que se referem aos processos de absoro, metabolismo e excreo(EVANGELISTA, 2002). Os alimentos so divididos em grupos, e o corpo humano precisa dedeterminadas quantidades de cada grupo para se manter em equilbrio. Esses gruposso as protenas, glicdios ou carboidratos, lipdios ou gorduras, vitaminas, gua e saisminerais. Cada grupo exerce uma determinada funo no nosso corpo: - As Protenas ajudam a estruturar o corpo. Participam da formao e crescimento da estrutura corporal. Os alimentos mais comuns ricos em protenas so: carne, aves, peixe, ovos, leite, lentilha, feijo, soja, amendoim. - Os Glicdios fornecem energia, sendo o combustvel que faz funcionar os rgos e msculos construdos pelas protenas. Exemplos de alimentos que os contm: massas, pes, farinhas, mandioca, batata, arroz, trigo, beterraba, mel, banana. - Os Lipdios formam reservas de energia. Sustentam a pele e funcionam como isolantes trmicos, protegendo o organismo contra o frio e o calor.
  • 25. 25 Alguns exemplos de alimentos que compem este grupo: abacate, amendoim, manteiga, banha, castanha, outras gorduras. - As Vitaminas regulam e protegem o organismo. Atuam no metabolismo celular, evitando que excessos de gorduras se transformem em placas no nosso corpo. Principais fontes de vitaminas: verduras e frutas. - A gua e os sais minerais auxiliam na hidratao do corpo, aceleram o metabolismo e previnem a desidratao. J os sais minerais so de fundamental importncia para a formao dos ossos, dos dentes e do sangue. Exemplos: clcio e fsforo (leite, queijo, casca do ovo); ferro (fgado, rins, feijo, lentilha, carnes, ovos, verduras de folhas verde-escuras); iodo (peixes, sal iodado). Necessitamos ingerir um pouco de cada grupo, pois a falta de um nutriente emdeterminado rgo provocar uma srie de complicaes. Oliveira (1999) ressalta que a alimentao balanceada, incluindo frutas,verduras e legumes, a primeira etapa para a plena atividade cerebral, pois fornece aenergia para a atividade fsica regular. A atividade fsica aumenta a oxigenao dosangue, o que fundamental para o funcionamento do crebro. Os exerccios mentais,como ler, estudar, refletir sobre uma notcia, planejar metas para o futuro, so formasde manter ativas as conexes cerebrais. Todos esses aspectos reforam a importnciade construir uma horta escolar em uma comunidade como a de Moinhos, para obenefcio do corpo e da mente dos educandos. Como esta pesquisa busca compreender as repercusses que a construo dahorta exerce sobre os hbitos de higiene e sade dos alunos, considero fundamental
  • 26. 26perceber se ocorreram mudanas nos seus hbitos alimentares, pois a sade mental ecorprea est ligada alimentao equilibrada. Por isto, a necessidade de ingeriralimentos vegetais, como: cenoura, beterraba, pepino, alface e repolho, entre outros.Aqui cito aquelas que esto sendo cultivadas na horta escolar, objeto da presentepesquisa. Para cultivar essas hortalias necessrio que o solo seja adequado. O solocontm muitos organismos vivos por centmetro cbico. um ecossistema complexo,no qual as substncias essenciais para a vida transitam em ciclos, passando dasplantas para os animais e destes para o esterco, para as bactrias do solo e de volta splantas. As bactrias existentes no solo realizam vrias transformaes qumicas ,como o processo de fixao do nitrognio, que torna o nitrognio atmosfrico acessvelaos vegetais. J as minhocas contidas no solo revolvem a terra e a deixam mais solta emais frtil para o cultivo devido a sua fabricao de hmus. Assim, todo o ciclo inicianovamente. Hoje se fala muito em agricultura orgnica e em agricultor orgnico, pois aquantidade excessiva de agrotxicos tem ocasionado problemas ambientais ealimentares, enquanto que o uso de esterco e de restos de vegetais devolve a matriaorgnica ao solo para que o ciclo biolgico reinicie (CAPRA, 2002). O solo a base do trabalho orgnico.Vrios resduos so reintegrados ao solo,como esterco, restos de verduras e folhas, que so devolvidos aos canteiros para quesejam decompostos e transformados em nutrientes para as plantas. Essa fertilizao ativar a vida no solo. Os microorganismos, alm detransformarem a matria orgnica em alimento para as plantas, tornaro a terra porosa,solta, permevel gua e ao ar. O grande valor da horticultura orgnica promover
  • 27. 27permanentemente o melhoramento do solo. Ao invs de mero suporte para a planta, osolo ser sua fonte de nutrio. Vale salientar algumas influncias dos produtos orgnicos:-Evitam problemas de sade causados pela ingesto de substncias qumicas txicas:pesquisas e estudos tm demonstrado que os agrotxicos so prejudiciais ao nossoorganismo e os resduos que permanecem nos alimentos podem provocar reaesalrgicas, respiratrias, distrbios hormonais, problemas neurolgicos e at cncer.-Alimentos orgnicos so mais nutritivos: os solos ricos e balanceados com adubosnaturais produzem alimentos com maior valor nutritivo. Ou seja, o uso de esterco defrango com serragem favorece o desenvolvimento das hortalias e permite o sabornatural dos alimentos.-Alimentos orgnicos so mais saborosos: o sabor e o aroma so mais intensos - emsua produo no h agrotxicos ou produtos qumicos que possam alter-los.-Protege futuras geraes de contaminao qumica: a intensa utilizao de produtosqumicos na produo de alimentos afeta o ar, o solo, a gua, os animais e as pessoas.A agricultura orgnica exclui o uso de fertilizantes, agrotxicos ou qualquer produtoqumico; e tem como base de seu trabalho a preservao dos recursos naturais.-Evita a eroso do solo: atravs das tcnicas orgnicas, tais como rotao de culturas,
  • 28. 28plantio consorciado, compostagem, o solo se mantm frtil e permanece produtivo anoaps ano.-Protege a qualidade da gua: o uso de agrotxicos utilizados nas plantaes prejudicaa qualidade da gua, pois atravessam o solo e alcanam os lenis dgua, poluindorios e lagos. Enquanto o esterco fertiliza o solo, sem causar prejuzos ambientais.-Restaura a biodiversidade, protegendo a vida animal e vegetal: a agricultura orgnicarespeita o equilbrio da natureza, criando ecossistemas saudveis. A vida silvestre,parte essencial do estabelecimento agrcola, preservada e reas naturais soconservadas.-Economiza energia: o cultivo orgnico dispensa os agrotxicos e adubos qumicos,utilizando intensamente a cobertura morta, a incorporao de matria orgnica ao soloe o trato manual dos canteiros. A conservao da matria orgnica importante para manter o solo em boascondies fsicas, pois contm a reserva integral de nitrognio, bem como quantidadessignificativas de outros nutrientes, como fsforo e enxofre. Os nutrientes mais necessrios para o crescimento correto das plantas sonitrognio, potssio, fsforo, ferro, clcio, enxofre e magnsio todos presentes namaioria dos solos em quantidades variveis. O conjunto horta um ecossistemacomplexo no qual as substncias essenciais para a vida transitam em ciclos, passandodas plantas para os animais e destes para o esterco, para as bactrias do solo e de
  • 29. 29volta s plantas. Cabe ressaltar a influncia da energia solar como combustvel naturalque pe em movimento esses ciclos. A realizao desta pesquisa junto comunidade de Moinhos leva emconsiderao o que Kaufman (1998) comenta: as cidades esto cada vez mais longe domeio natural e os ciclos da natureza so longos, lentos e pouco cotidianos para a vidadas pessoas. A horta escolar, em compensao, um espao onde ns - alunos eprofessora - compartilhamos as mesmas emoes ao capinar, fazer covas, plantar ecolher. A horta um sistema, ou seja, um conjunto de elementos que se relacionam. preciso observar a reteno da gua pelo solo para averiguar se possvel plantarcenouras, por exemplo. Outro aspecto a observar a qualidade do solo, se rico emmatria orgnica. Tambm necessrio plantar hortalias conforme a estao do ano,pois nem todas podem ser plantadas em qualquer poca. Ao longo da pesquisa, todosestes fatores foram analisados coletivamente para que assim pudssemos melhorarcada vez mais a horta de nossa escola. Alm de fatores fsico-qumicos-biolgicos que se integram com o trabalho emuma horta importante citar a autonomia e a solidariedade que vo sendo construdascom o grupo de educandos envolvidos neste processo. Conforme Kaufmann (1998), ahorta um espao onde os alunos podem trabalhar de maneira espontnea, comautonomia, o que foi ocorrendo ao longo desta pesquisa. Outro aspecto a considerar que os alunos esto muito mais interessados emaprender assuntos relacionados com a horta escolar que ajudaram a construir. Por istoo grupo de professores est trabalhando e desenvolvendo unidades de aprendizagem,onde diversos contedos so envolvidos no processo. Junto a isto, concordo com Morin(2002) quando afirma que preciso trabalhar de forma integrada ao longo do processo
  • 30. 30ensino-aprendizagem. Sabe-se que as disciplinas so compartimentadas, com isto difcil obter um resultado significativo tanto para o aluno como para o professor, por istoa necessidade de reconstruir, de entrar em sintonia com o contexto dos educandos, euma possibilidade atravs de uma unidade de aprendizagem. A escola precisa inovar. Esta inovao pode assumir uma forma de pesquisa-ao, que conforme Perrenoud (2000) a oportunidade de ouvir todas as vozes dacomunidade escolar e, nesta perspectiva, ir em busca de fatores que venham aobenefcio dos envolvidos. No necessrio criar novas leis para que o processo ocorra, fundamental que a comunidade crie novas prticas pedaggicas para evoluir. E comono trabalho de construo da horta as vrias vozes se envolveram, foi possvelinvestigar as repercusses de higiene e sade dos alunos participantes, bem como oenvolvimento dos demais membros da comunidade escolar no processo. Isto mostraque possvel fazer um trabalho coletivo e de valorizao da vida. Perrenoud (2000) afirma a necessidade de dar sentido ao trabalho escolar, deincentivar os alunos a criarem e participarem de projetos vinculados aos seusinteresses. A escola precisa estar aberta para a vida, tornar o dia-a-dia escolar maisativo e participativo. Desta maneira, ser possvel contribuir para a construo docarter de nossos alunos, pois estaro formando sua cidadania, sendo maiscooperativos e humanos.Tambm sero pessoas sentimentais, que tero empatia aoque ocorre com o seu semelhante. Tiba (1998) destaca que a integrao da informao pode se transformar emconhecimento. No incio da pesquisa, o que significava para os alunos a reeducaoalimentar, atravs de uma horta? Este era um dos problemas presentes no teste-piloto.No incio, parecia no significar nada, mas quando iniciamos debates sobre os
  • 31. 31problemas da comunidade em funo da maior pontuao obtida pela drogatizao, foiconstatada a dificuldade em sanar este problema, ento se iniciou o estudo do que vema ser uma horta e como ela pode interferir na preveno ao uso de drogas. isto queTiba (1998) trata como informao que se transforma em conhecimento, principalmentese estiver relacionada ao interesse dos participantes. Por isto integramos a construoda horta ao desenvolvimento de uma Unidade de Aprendizagem. A Unidade de Aprendizagem prope uma nova forma de planejar os contedosde ensino em nossas aulas. Ela possibilita que essa nova forma de ensino-aprendizagem seja mais significativa aos alunos, pois a partir das dvidas e ou certezas que a unidade dever ser construda. Conforme Gonzlez: La unidad didctica: s un conjunto de ideas en forma de hiptesis de trabajo. Est muy condicionada por la manera de pensar del equipo de profesores que la elabora. Busca organizar la prctica de la enseanza y el aprendizaje de manera eficiente. Puede ser disciplinar o transversal. (GONZLEZ, 1999 p.19) A unidade de aprendizagem tem como um dos objetivos interligar outras reasnum mesmo estudo, ela uma nova forma de estruturar o currculo. Ou seja, para queocorra com melhor desempenho interessante a participao de mais de um professor. Uma nova estrutura exige a participao ativa de todos, portanto a unidade deaprendizagem sobre a horta teve o interesse de envolver todo o conjunto escolar. Outrofator de fundamental importncia o que eu, como educadora, pretendia que meualuno soubesse para ser usado nos seus problemas dirios, bem como com as relaesafetivas, pois: O significado essencial para os seres humanos.(CAPRA, 2002, p. 96).
  • 32. 32 A busca do significado um aspecto relevante no trabalho com os educandos.Cabe ao educador conhecer a realidade dos alunos, em seguida averiguar com osmesmos quais so os seus interesses junto a uma determinada disciplina. Fazendo istoo educador tornar o seu trabalho significativo, atraente e desafiador, pois o educando a pea fundamental para que o processo ensino-aprendizagem ocorra. Trabalhardesta forma uma possibilidade de o educando interpretar o seu entorno com as vriasexperincias adquiridas durante as aulas. Buscar integrao tambm facilita oentendimento do aluno, pois, conforme Morin (2002), o compartimento das disciplinasgera no aluno atrofia mental, o que faz com que ele no compreenda, no interprete enem influencie no contexto em que vive. Portanto, o trabalho de construo da horta veio ao encontro da seguinteafirmao: todo desenvolvimento verdadeiramente humano significa odesenvolvimento conjunto das autonomias individuais, das participaes comunitrias edo sentimento de pertencer espcie humana (MORIN, 2002. p. 55). isto que buscoperceber e compreender as repercusses da construo desta horta nos hbitos dehigiene e sade dos alunos e a isto se vincula cooperao, comprometimento,satisfao, empatia, trabalho coletivo e valorizao da vida. No se trata, portanto,apenas de higiene alimentar e de sade fsica, mas tambm de aspectos emocionais,comportamentais e sociais. Conforme Golemann (1995), aprendemos mais quando temos alguma coisa quenos interessa e sentimos prazer quando nos empenhamos nela. Assim tem sido notrabalho com a horta escolar, que relaciona-se necessria criao de comunidadessustentveis. importante fazer com que as pessoas percebam que fazem parte dabiosfera e que vivam de acordo com ela, pois:
  • 33. 33 ... Em virtude das necessidades essenciais de respirar, comer e beber, estamos sempre inseridos nos processos cclicos da natureza. Nossa sade depende da pureza do ar que respiramos e da gua que bebemos, e depende da sade do solo a partir do qual so produzidos os nossos alimentos.(CAPRA, 2002, p.240). Concordo com Capra (2002), quando afirma que o ser humano no deve sepreocupar em querer controlar a natureza e sim tentar aprender com ela, tendo-a comoaliada e no como uma mercadoria onde a teia da vida s usada, explorada, poluda,sem lhe dar a devida importncia. Neste passo entra o trabalho coletivo da hortaescolar, pois Freire (1996) j mencionava que a verdadeira aprendizagem constri ereconstri os educandos e educadores, tornando-os igualmente sujeitos do processo noqual esto inseridos. Com o trabalho na horta, acontece a interao entre sistemasvivos, com destaque aos humanos da comunidade escolar, na qual o respeito, asolidariedade, o estudo e a pesquisa tm sido fatores essenciais. algo realmentesignificativo, porque, segundo Capra, A alfabetizao ecolgica - a compreenso dos princpios de organizao que os ecossistemas desenvolveram para sustentar a vida - o primeiro passo no caminho da sustentabilidade. O segundo passo o projeto ecolgico. Precisamos aplicar nossos conhecimentos ecolgicos a uma reformulao fundamental de nossas tecnologias e instituies sociais, de modo a transpor o abismo que atualmente separa as criaes do ser humano dos sistemas ecologicamente sustentveis da natureza.(CAPRA, 2002, p.241). Esta pesquisa, desenvolvida na Escola de Moinhos, integra-se a um movimentode alfabetizao ecolgica por ser a nossa horta escolar um sistema ecologicamentesustentvel que construmos em integrao com a natureza. assim que o processoocorre quando os humanos respeitam e valorizam o trato com a terra, sem para istoprecisar destruir e sim cultivar, preservar e cuidar.
  • 34. 344 CONSTRUO COLETIVA DE UMA HORTA COMO FORMA DE PREVENO AO USO DE DROGAS interessante refletir por que os alunos no acreditavam que seria possvel fazerum trabalho de preveno s drogas na comunidade de Moinhos. Um aluno comentouque quem usa drogas o faz por opo e no por falta de conhecimento, o que foiaceito pelos demais. Desde ento, venho me questionando e lendo sobre isto. Conforme Sanvito (1991), a conscincia est constantemente mudando, osarranjos nervosos so continuamente diferentes devido aos impactos do cotidiano.Acredito que o comportamento humano vai sendo modificado, melhorado ou no devidoaos contatos familiares e escolares, entre outros que o indivduo vai tendo ao longo desua trajetria. Na escola em que foi realizada esta pesquisa, um dos desafios para oseducadores fazer com que os alunos escutem as diversas opinies, respeitem unsaos outros. Durante a atividade da pesquisa diagnstica realizada com a comunidadeescolar e aps divulgao do resultado da pesquisa, ocorreram muitos debates at quese decidiu o que encaminhar. Ao longo desta construo, os alunos perceberam queera necessrio argumentar para que outros confiassem e acreditassem no que estavamfazendo. Cada aluno pode observar que o meio tem influncia sobre ele, bem como eleexerce influncia tambm sobre o meio. Isto se relaciona, ainda que indiretamente, aouso de drogas, sejam elas lcitas ou ilcitas. As drogas fazem com que o indivduovenha a fugir de suas responsabilidades perante a sociedade, podendo se tornar um
  • 35. 35indivduo sem opinies, dependendo somente da quantidade e do tipo de droga queusa. Cabe pensar: que tipo de humanos vamos construir? Ento, volto a enfatizar as grandes melhorias que a construo coletiva da hortaescolar teve perante os alunos mais agressivos, um dos quais afirmou: a horta mudoutudo na minha vida. No momento em que li esta frase, tive a confirmao de que possvel melhorar e crescer intelectualmente. O aluno que a escreveu era um dosalunos com maior problema de relacionamento com colegas de sua turma e com osprofessores. Mas, ao longo do trabalho, ele foi um dos destaques, pois ajudava emtudo, desde limpar o terreno at plantar as sementes. Conforme Boff: No busquemos o caminho da cura fora do ser humano. O ethos est no prprio ser humano, entendido em sua plenitude que inclui o infinito. Ele precisa voltar-se sobre si mesmo e redescobrir sua essncia que se encontra no cuidado. (BOFF, 1999. p. 191) A frase mencionada retrata muito bem o que ocorreu com os educandos daEscola Estadual de Moinhos, em Estrela/RS. Conforme Tiba (2002), a sade social est relacionada a trs tipos decomportamento, onde a tendncia a evoluo de uma fase para a outra, ou no,dependendo dos fatores externos que me influenciam. O primeiro comportamento seriao estilo vegetal, que significa esperar em vez de agir; o segundo comportamento seria oestilo animal, onde repito os mesmos erros, ajo impulsivamente, no assumo meusatos; e o terceiro seria o comportamento estilo humano, que integra cidadania, tica ecarter no convvio com o outro. neste processo de estilo vegetal, animal e humanoque percebo a evoluo dos meus educandos no processo de construo da horta
  • 36. 36escolar, pois foi necessrio respeitar opinies, saber pedir desculpas, falar a verdadequanto ao desenvolvimento do trabalho e em especial tornar-se independente frente aproblemas que surgiram na construo coletiva da horta, sabendo argumentar e guiaroutros colegas. Outro fator abordado por Tiba (2002), a sade social est vinculada asaber o que posso fazer e o que no posso fazer. Aqui entra outro aspecto relevante:respeitar o outro com quem convivemos e ter limites perante os nossos atos. Destaforma, Tiba (2002) sugere que educandos e educadores parem, ouam, olhem, penseme ajam, reafirmando o que Goleman (1995) retrata sobre a importncia de solucionarsituaes no momento em que ocorrem e no permitir que o problema vire uma bola deneve que, quanto maior, mais estragos fsicos e emocionais poder ocasionar. Quando me refiro s mudanas que ocorreram com os alunos mais agressivos,durante o desenvolvimento desta pesquisa, lembro-me do que Golemann (1995) retrataem seu livro Inteligncia Emocional, ou seja, as trs aptides necessrias para apreveno de drogas: a emocional, a cognitiva e a comportamental. A aptido emocional se refere em especial ao controle dos sentimentos e dosimpulsos. A cognitiva se refere tomada de decises usando sua autoconscincia,tendo empatia para entender tanto o sofrimento como a alegria do outro, no julgandosem antes entender as razes do outro. E a comportamental trata do saber ouvir,recebendo a crtica como algo a ser melhorado em nossas atitudes, no permitindoinfluncias negativas nas tomadas de decises pessoais. Essas aptides soestratgias que devem ser ingredientes para melhorar o nosso convvio com o grupocom o qual vivemos. Golemann (1995) deixa claro que precisamos ser pessoas ouvintes equestionadoras. No necessrio sempre ter uma resposta pronta dvida que surge,
  • 37. 37pois muitas vezes a pessoa que realiza uma pergunta a faz, pois j tem uma resposta esomente quer receber o apoio do outro, por isto a necessidade de saber ouvir. Outro fator relevante retratado por Golemann (1995) o semforo emocional: novermelho: pare, se acalme e pense antes de agir; no amarelo: diga o problema e comovoc se sente, pense em solues; no verde: siga e tente o melhor plano. assim quepercebo a caminhada desta pesquisa com meus alunos. Havia um tempo em que umsimples olhar causava agresses fsicas, discusses entre turmas dentro e fora daescola. Ao longo desta pesquisa, que resultou na construo coletiva da horta escolar,percebo o quanto evoluram os pontos pare, observe, olhe, escute e aps sua anlise,tome a atitude que julgar melhor. Agora percebo o quanto a inteligncia emocional demeus educandos est evoluindo, pois reconhecem que no brigando e se agredindoque iro resolver seus problemas. Por exemplo, h problemas como: algum escondeu o lpis, o bon, algumolhou para mim, outro inventou uma fofoca e os envolvidos na confuso noconversaram e, sim, fizeram o que os fofoqueiros armaram. So problemas deadolescentes? Sim, sabe-se que pequenos desentendimentos ocorrem, em especialpara chamar a ateno dos pais, dos professores. Por isso os educadores, alm defazerem dilogos na sala de aula e usarem tcnicas para restabelecer relaes decarinho, afeto entre eles, tambm podem auxiliar na hora do recreio. A hora do recreio de fundamental importncia para o professor, pois pode buscar dilogo com aquelealuno que muitas vezes em sala de aula quieto demais, ou aquele que explosivocom seus colegas e professores. Outro fator que Golemann (1995) afirma que a hora tudo, ou seja, se ocorreum problema em sala de aula que tumultua, ningum mais presta ateno, sendo
  • 38. 38necessrio, ento, estabelecer a confiana e parceria entre alunos e professor. Elerecomenda que se pare a aula, escute a todos os envolvidos e junto a eles crieestratgias para sanar o problema. Assim, numa prxima vez sabero resolver por siprprios a situao. Que situao? As drogas ilcitas foram as mais pontuadas entre os problemasda comunidade. Mas foi ouvido o aluno que disse: quem entra nesta por opo eque o melhor seria trabalhar naquilo que no se conhece e que somente teve doisvotos, a horta. O dilogo que se estabeleceu e a deciso tomada em conjunto, bemcomo o envolvimento durante e fora das aulas de Cincias, vm ao encontro do saberouvir, ter empatia, tolerar o que falam de negativo, tomar decises, ser comprometido. Outro aspecto observado ao longo desta pesquisa foi a possibilidade de ocupar otempo ocioso dos alunos participantes, pois eles auxiliam no trabalho junto a horta noperodo da tarde tambm, evitando o contato com as drogas. Alm de ocupar o tempoocioso, o trabalho proporcionou o aprendizado de algo desconhecido para osmoradores deste bairro, que foi a construo da horta. O tempo ocioso e o convvio compessoas viciadas podem ocasionar nos educandos muita angstia, medo de no ternada de til para fazer, e como conseqncia imitar o erro dos outros. Alm disso, Golemann (1995) comenta que as pessoas que sofrem deperturbao emocional tm tendncia a serem usurias de alguma substncia que criedependncia, sendo que existem duas situaes. Na primeira situao podemosencontrar pessoas ansiosas, revoltadas consigo e com os outros, pois estaria faltando oneurotransmissor chamado serotonina. A sua falta estaria ligada depresso e a faltade motivao. J o excesso de serotonina levaria a outro extremo: a agressividade. Ocomportamento agressivo em humanos costuma andar de mos dadas com o excesso
  • 39. 39de serotonina e de noradrenalina no crebro. Para buscar o equilbrio, existem asdrogas antidepressivas que afetam o sistema lmbico, auxiliando no equilbrio do serhumano novamente. Mas, na falta de serotonina, a pessoa poderia usar um certo tipo de droga comoforma de fuga, para aliviar suas tenses e ansiedades. Como o prazer assim provocadotem pouca durao, isso estimularia a usar com mais freqncia a droga necessriapara repor a sua falta. A segunda situao, seria a predisposio biolgica dependncia qumica, poisa serotonina, estando em falta, pode induzir a busca de uma determinada droga, quetende a viciar para sempre. Mas a produo de serotonina pelo organismo pode serestimulada de outras formas, por atividades prazerosas. Ento, a sugesto de trabalhar na construo da horta surgiu como uma formade preveno ao uso de drogas pela possibilidade de ocupar o tempo ocioso,oportunizando uma forma de prazer em construir algo com suas prprias mos. Entrariam neste momento, os aspectos abordados por Capra (2002) e Boff(1999), sobre os cuidados com a terra e a sua influncia no ethos, ou seja, o serhumano se integrando novamente vida, observando mais o mundo que o cerca epercebendo que capaz de construir. Isto se relaciona necessidade de existiremFazendas de Recuperao para a reabilitao de adolescentes dependentes, poisnelas se usa o trato com a terra para aliviar tenses, como tambm oportunizar oequilbrio entre a pessoa e o ambiente. Aqui cabe ressaltar a higiene mental, pois a pessoa torna-se responsvel pelocuidado com a semente que plantou e que ir germinar conforme o afeto a elarepassada, enfatizando, desta forma, um aspecto relevante que a valorizao da vida.
  • 40. 40 neste ponto que a escola entra, pois na realidade em que atuo, sobretudo ela, aescola, propicia momentos de prazer e aprendizado. Alm do trabalho na parte damanh junto construo da horta, alguns alunos auxiliam no perodo da tarde. Destaforma, ocupam o tempo ocioso e evitam seguir exemplos de pessoas que, ao invs deirem em busca do que fazer, ficam em bares do bairro bebendo e fumando, e isto ummau exemplo aos alunos. Portanto, a construo da horta uma forma de prevenir ouso de drogas, reafirmando o que Boff (1999) afirma, ou seja, que o contato com a vida,a auto-estima, a valorizao do trabalho que voc est construindo constituem formasrelevantes de preveno. Neste aspecto, cabe ressaltar o que Golemann (1995) retratacomo a necessidade de valorizar cada vez mais o eu dos alunos, ou seja, incentivar,elogiar todo o crescimento que o aluno vem demonstrando ao longo do processo, pois na escola que proporcionado o convvio entre os diferentes, e esta diferena quedeve ser respeitada e valorizada como grupo que cresce, se desenvolve e compartilha. A pesquisa realizada transformadora e desafiadora, pois os contedos deCincias so trabalhados junto com a construo da horta, o que faz terem significadopara a vida do aluno. Reafirmando o que Capra (2002) comenta: o significado aessncia do humano. Todo o processo, desde o teste-piloto, o debate sobre o resultadoobtido, a deciso tomada pelo grupo em construir uma horta como uma forma depreveno ao uso de drogas e a sua construo reforam o que foi afirmado,trabalhando com o que vem do grupo. Dando valor a cada idia construdacoletivamente se tem um ensino-aprendizagem com significado. Este significado aquele que marca os alunos, tornando-os mais confiantes e participativos, poispercebem que so capazes de construir algo proveitoso para suas vidas, bem comorespeitar as diferenas do grupo para caminharem juntos.
  • 41. 41 Para que a escola seja um lugar prazeroso, em que ocorra cumplicidade esolidariedade em relao s atitudes e ao ensino-aprendizagem significativo, Perrenoud(2000) salienta que preciso envolver os alunos em atividades de importncia e quetenham uma certa durao, garantindo, desta forma, o seu envolvimento em algo quepara eles importante. Alm disso, necessrio que percebam que no podem ser imediatistas. Oexemplo que trago da construo conjunta da horta, que exigiu pacincia epersistncia. E neste processo de esperar a semente germinar, de retirar o ino, osalunos observam as mudanas que ocorreram ao longo da pesquisa. Cabe a mimressaltar-lhes os momentos fortes vivenciados, bem como as dificuldades enfrentadas,fazendo-os criticar para assim o coletivo progredir, avanar. Tambm Perrenoud (2000)comenta a importncia de ter um grupo que trabalhe em torno de um projeto comum, eisto vem ocorrendo desde o incio da pesquisa. Hoje, os alunos esto conscientes de que o trabalho de construo da hortaescolar s foi possvel porque se envolveram integralmente no processo e, na medidaem que foram percebendo que estava dando certo, outros, que no haviam ainda seenvolvido, ingressaram e o grupo conseguiu receb-los e respeitar as diferenas.Perrenoud (2000) afirma que ouvir, opinar e chegar a um consenso algo difcil, masque faz o educando junto a seus educadores se desenvolver e se tornar um ser crtico. A escola deve ser o centro de mudana, reorganizando a aprendizagem porcompleto.(DEMO, 2000. p. 45). nesta busca que a Escola Estadual de EnsinoFundamental Moinhos vem se estruturando, pois acredito que pelo educar pelapesquisa podemos melhorar o processo ensino-aprendizagem.
  • 42. 42 A presente pesquisa, que partiu dos problemas mais relevantes do bairro, geroupolmica, dilogo e construo. Nesta construo pode-se observar fatores individuaise grupais. Os fatores individuais se referem ao que Golemann (1995) tratou comoaptides que, ao longo do trabalho, permitiram que houvesse a expresso dossentimentos, o lidar com as diferenas pessoais em relao ao grupo; e as grupaisretratam o comprometimento em realizar a construo da horta coletivamente, o saberouvir a opinio dos colegas, a auto-estima que o grupo foi adquirindo ao longo doprocesso. Nesse processo, envolvendo a formao do carter, Golemann (1995) afirmacomo fator relevante o trabalho escolar, ou seja, a escola deve oportunizar estaconstruo, para que assim o indivduo possa viver em sociedade, avaliando,interpretando e interagindo com o mundo que o cerca, mas mantendo a suapersonalidade, o seu argumento perante o contexto vivenciado. Outro fator, abordadopor Capra (2002), diz respeito tica, ou seja, a minha conduta humana deriva deminha insero num determinado grupo. O grupo escolar pode e deve agir sobre asatitudes dos educandos, oportunizando momentos de dilogo, de construo, dediscusso e de reconstruo, para que assim o indivduo no perca a sua identidade,mas que aprenda a valorizar e respeitar os outros nas suas diferenas. Acredito que desta forma que tornaremos os educandos mais preparados para a compreenso domeio em que vivem, s que, alm de compreender, eles tambm podem influenciarrumo mudana. Capra (2002) comenta a necessidade de se criar comunidades sustentveis.Assim, um trabalho vinculado com a necessidade e o interesse dos educandos provocae estimula a comunidade escolar, fazendo com que mais pessoas abracem esta causa.
  • 43. 43O grupo percebeu que possvel realizar um trabalho com o apoio de todos, desde quecada membro exera a sua funo. Todos esses pontos refletem o que ocorreu durante o andamento da pesquisa.Agora mais fcil e produtivo estabelecer dilogos com os alunos, pois elesconseguem argumentar quanto aos seus sentimentos, suas frustraes, suas alegrias etambm justificar o porqu de no serem usurios de alguma droga. Outro ponto importante a considerar que ser usurio de drogas representauma fuga de responsabilidades e uma certa indiferena com os outros e consigomesmo, enquanto utilizar o tempo ocioso com o cuidado, o plantio e a limpeza da hortafaz com que o amor e a ternura permitam superar pensamentos tristes. O aluno,trabalhando cooperativamente na horta escolar, a cada dia est sendo responsvel pormais uma semente que germinou, graas ao cuidado e ao afeto que a ela transmitiu.Por isto o trabalho junto horta vem reforar a importncia de estar em constanteconvvio com a natureza, sentindo-se assim parte integrante dela. fundamental buscar uma alternativa para melhorar a qualidade de vida. Capra(2002) sugere a alfabetizao ecolgica como uma das formas de manter nossa sadee o nosso bem-estar, afirmando que, ao tirar do solo o nosso sustento, gerandooportunidade de trabalho, isso d incio a uma era baseada no no que podemosextrair da natureza, mas no que podemos aprender com ela (CAPRA, 2002, p. 241). Percebe-se que a horta envolve uma pedagogia diferenciada cuja importncia a compreenso do que a vida, uma experincia de aprendizado no mundo real. Dessaforma poderemos criar comunidades sustentveis, aquelas que buscam alternativaspara melhorar a qualidade de vida. Para isto ocorrer, a escola precisa ser o local deacolhida e de ambiente facilitador para reestruturar o currculo em busca do que
  • 44. 44significativo. Considero como significativo o conhecimento relacionado a umaprendizado terico e prtico, que proporciona prazer por ser algo que vem ao encontrodas necessidades locais.
  • 45. 455 FUNDAMENTOS EDUCACIONAIS O professor fez uma pergunta e pretende ter a sua resposta, necessrio,porm escutar o aluno. Ouvir toda a resposta que ele quer dar e no cortar a sua fala,isto demonstra a humildade do professor perante os alunos. neste questionar e ouvira resposta que ocorre a vantagem de aprender sempre. O inverso tambm necessrio, ou seja, se o aluno faz uma pergunta, que pode no ter nada a ver com oassunto de aula, mas que gerou polmica no grupo, primordial que o professorresponda, ou juntos busquem a resposta. isto que comento com o grupo deprofessores, sanar a dvida do aluno no momento. Aqui entra o que Tiba (1998)comenta, que necessrio o educador ter a humildade de dizer se no sabe aresposta, ou melhor, sugerir que juntos encontrem a resposta atravs da pesquisa. Na busca de melhoria da qualidade de ensino fundamental que o professoresteja bem consigo, nos fatores fsicos, financeiros e emocionais, para ir sempre embusca do melhor para o conjunto escolar. Como educador, deve compreender o alunona fase de seu desenvolvimento, mas que exija o mximo deste aluno nas suashabilidades, pois no adianta entender a realidade do aluno e no fazer com que elereaja, tente melhorar e tambm conhea a realidade do bairro, da situao que osalunos vivem. Tiba (1998) acredita que estes so fatores relevantes para que oeducador-pesquisador consiga compreender a realidade e ajude a interferir emmudanas significativas para os alunos. neste processo que entra a construocoletiva da horta escolar, pois a pesquisa no surgiu ao acaso, foram necessrios cincoanos para conhecer e aceitar esta comunidade. Quando me refiro a aceitar, no se trata
  • 46. 46de no querer ver mudanas, mas de respeitar sua forma de vida e junto com elesbuscar outras alternativas, se assim eles entenderem serem necessrias para o seubenefcio. Respeitando o ambiente e a situao de vida dos educandos, o professorconquista seus alunos. Esta conquista leva-os a realizar trabalhos de sala de aula commais prazer, e o prazer de ensinar o que sabem torna-os mais humanos. Por isto que otrabalho coletivo de construir a horta escolar deu certo, cada um realizou pesquisas,argumentou o que sabia e nesta troca que construmos o nosso caminho. Os alunoscontinuam engajados neste trabalho. Agora uma das metas atingir mais mes e pais.Conforme Tiba (1998) necessrio dizer pai e me, pois a estrutura familiar no sempre a mesma, ou seja, me, mas os outros trs filhos pertencem a outro pai, evice-versa. neste meio que convivem os nossos alunos, por isto a necessidade detraz-los para a participao nas festas, na limpeza da horta, nas reunies, ou seja,faz-los pertencer escola e que todos juntos formemos um time afetivo e eficiente,conforme comenta Tiba (1998). Sabe-se que o envolvimento do pai ou da me naescola muda a atitude e o desempenho escolar do filho, pois o mesmo percebe o valorque seu pai ou me do escola, ao seu desenvolvimento como pessoa. Alm do mencionado, cabe citar que, na realidade escolar do bairro Moinhos,ocorre o Conselho de Classe Participativo, que conforme Freire (1996) um espaopara a construo da autonomia dos educandos. Junto a isto entra a preocupao dogrupo em trabalhar coletivamente, facilitando o processo ensino-aprendizagem, bemcomo unindo as disciplinas em um mesmo objetivo, trabalhando com focos de interessedos alunos. isto que possibilita a construo do ser humano, como aquele que saberespeitar os outros nas suas diferenas, que trabalha em equipe sem se esquivar, que
  • 47. 47sabe ser humilde e aceita sugestes, mostrando que est construindo a suapersonalidade e o seu carter, conseguindo compreender e melhorar o contexto emque vive. Concordo com Morin (2002): necessrio aprender a estar aqui no planetaTerra. Aprender a estar aqui significa: aprender a viver, a dividir, a comunicar com oshumanos... Devemos, pois nos dedicar no s dominar, mas melhorar e compreender(MORIN, 2002 p. 76). o fator que torna ainda mais relevante o trabalho de construoda horta escolar, estar em harmonia com o que nos cerca, tirar da terra o nossoalimento, mas respeitando-o, sem colocar agrotxico. Ou seja, tiro proveito do que estno ambiente de forma respeitosa, valorizando a vida. Neste aspecto de respeito, Morin(2002) apresenta quatro tipos de conscincia para uma vida mais digna no planeta. Aprimeira se refere conscincia antropolgica, que reconhece o eu de cada ser. Asegunda se refere conscincia ecolgica: se eu me aceito agora j posso e devopermitir habitar este planeta com outros e dividir com eles a biosfera, vivendo emharmonia. A terceira se refere conscincia cvica terrena: se eu aceito dividir abiosfera com meus semelhantes, devo agir de forma responsvel e solidria. E a ltima,a conscincia espiritual da condio humana, se refere ao exerccio do convvio emgrupo, onde devemos criticar e compreender o porqu da crtica, o que gera respeito sdiferenas e vem a formar o carter de cada ser envolvido. Percebo que uma se une outra, uma evoluo que ocorre com cada um de ns, em tempos diferentes ou no. neste processo de avanos e retrocessos que fomos construindo a horta escolar eobservando como ela influenciou os alunos nos seus hbitos alimentares e higinicos.Mas a abrangncia desta pesquisa foi maior, pois houve melhoria no relacionamento
  • 48. 48entre os educandos, bem como o melhor empenho nas tarefas escolares, tanto emnvel individual quanto coletivo. Os alunos interpretam o conhecimento tendo em vista suas vivncias. Dessaforma, para trabalhar na escola ou realizar uma pesquisa cientfica deve-se levar emconsiderao as mltiplas experincias dos envolvidos, pois elas interferem diretamentena interpretao dos resultados obtidos. Concordo com Feyerabend (1975), no existe uma verdade absoluta, portantoem sala de aula o ideal seria que mostrssemos aos alunos que o conhecimento hoje resultado de um caminho que j foi trilhado, mas amanh podero ocorrer novasconstrues, que possibilitem uma viso diferenciada. Outro aspecto a ser referenciado sobre as idias de Feyerabend (1975) que oautoritarismo do professor nas relaes escolares provoca uma limitao nas idias dosalunos, pois enquanto o docente apenas transmite o conhecimento dentro da suaconcepo, o estudante recebe tudo pronto e acabado, sem possibilidade de construirsua prpria verso dos fatos, o que na maioria das vezes leva ao esquecimento dasuposta aprendizagem. Portanto, importante que o professor procure trabalhar deforma mais integrada e receptiva s contribuies de seus alunos em sala de aula,dialogando, debatendo, procurando dar significado ao conhecimento, pois aaprendizagem depender da forma que o estudante percebe os fatos, que sodiretamente influenciados pelos aspectos scio-culturais. Mas as pessoas necessitamestar abertas ao novo, terem criatividade para reestruturar formas e modelos j prontos. Trabalho numa escola estadual, localizada num bairro carente do municpio deEstrela. Nessa escola necessrio tomar atitudes, como tratar os alunos de formaespecial, pois l cada um diferente. O grito que acalma um, pode ao mesmo tempo
  • 49. 49irritar o outro. O que venho realizando na escola a conquista desse aluno para queele goste de vir s minhas aulas, pois sabe que ser respeitado em suas diferenas eque o trabalho s ter um bom aproveitamento se ele participar ativamente. Morin (2002) fala muito da complexidade penso que meu ambiente de trabalho um local assim. A falta de ateno, a falta de carinho, a situao das drogas, daprostituio, das brigas, das fofocas torna o local desafiador. Desafiador, pois nsprofessores fomos formados para o ambiente que uma certa vez era dito correto. Ehoje, o que correto? Sei que o conjunto de professores vem buscando formas parasanar essas faltas e fazer com que os alunos busquem caminhos diferentes e seguros. Outro aspecto relevante apontado por Morin (2002) que a educao oferecidapela escola deve visar compreenso humana, ou seja, ensinar a compreenso entreas pessoas como condio e garantia da solidariedade intelectual e moral dahumanidade (MORIN, 2002, p. 93). Ele deixa claro que no basta entender e resolverproblemas matemticos ou saber que as folhas realizam fotossntese, se o humano deixado de lado. preciso envolver o educando em pesquisas que tenham significadopara ele, mas alm de significativas devem ser estmulo para garantir a melhoria nosaspectos fsicos, sociais e emocionais. A palavra compreender, conforme Morin (2002),significa apreender em conjunto, ou seja, o trabalho coletivo na construo da hortaescolar demonstra que possvel abraar junto uma determinada causa ou objetivo,como foi a caso da presente pesquisa. Alm disso, Morin (2002) afirma quecompreender permitir abraar-se em luta a um determinado objetivo, o que requer umprocesso interno de empatia, de identificao com os demais membros do grupo. Ento Morin (2002) comenta que, se soubermos compreender certas atitudesantes de conden-las, estaremos caminhando na busca da melhoria da qualidade de
  • 50. 50vida e das relaes interpessoais. Para Morin (2002), existem duas formas de seconseguir que as pessoas apreendam a compreender: o bem pensar, em que permitoque outro me ensine, me ajude; e a introspeco, em que no necessito ser juiz peranteo que me foi dito, pois eu tambm necessito de compreenso. Estas duas formasmostram que quando julgo posso tambm ser julgado pelo outro. E tambm que no hnecessidade de sempre entender o que foi feito por algum, pois o mesmo posso vir afazer no caso de uma necessidade. Este um dos princpios abordados por Morin(2002) para a educao do futuro, a habilidade de compreender. Outro aspecto abordado por Morin (2002) que como no conhecemos aschaves que abririam as portas de um futuro melhor, aqui e agora que devemosmelhorar o contexto que nos cerca. Cada dia deve ser nico e especial na buscaconstante da felicidade.
  • 51. 516 METODOLOGIA DA PESQUISA importante destacar que existem pressupostos da pesquisa-ao envolvidosnesta pesquisa. Conforme Thiollent (2002), um dos aspectos principais aoportunidade de participar. Os participantes se tornaram responsveis por solucionar ouamenizar determinada situao. A pesquisadora e os educandos tiveram uma relaoparticipativa, ou seja, um apoiou o outro em busca do melhor para a comunidadeescolar. Com o tempo, os educandos pesquisadores se tornaram mais ativos e unidospara sanar outros problemas da sua realidade. Mas, embora apresente algunspressupostos de pesquisa-ao, pois foi construda em conjunto com os alunos epossibilitou mudanas na sua realidade, no se caracteriza plenamente como talporque os alunos no participaram do processo de anlise dos depoimentos. A presente pesquisa apresenta uma abordagem qualitativa/construtiva, podendoser entendida como processo integrado de aprender, comunicar e interferir. A pesquisa com abordagem qualitativa, segundo Minayo (1998), pretendeaprofundar os significados das aes e relaes entre os seres humanos, ou seja, temcomo objetivo central compreender os atos, as atitudes, as melhorias ou no do pblicoque est sendo investigado. Ela tambm deixa claro que uma pesquisa somente temvalor quando significativa para o pesquisador e o pblico alvo. Isto ocorreu junto construo da horta, pois todo processo de averiguar o problema, enfrent-lo ecompreend-lo exigiu o envolvimento de toda a comunidade escolar. Outro fatorrelevante que a pesquisa qualitativa trabalha com a vivncia, e tambm com acompreenso dos atos dos envolvidos. atravs do dia-a-dia que o pesquisadorconsegue observar avanos e retrocessos tanto em si como no pblico envolvido na
  • 52. 52pesquisa, esta abertura que d consistncia a uma pesquisa com abordagemqualitativa. Para que a observao de avanos e retrocessos no fosse perdida, foinecessrio utilizar um dirio de bordo para fazer os registros dirios desta construocoletiva da horta escolar. O dirio de bordo tambm pode servir como instrumento depesquisa, num enfoque mais claro do que a pesquisadora observou e analisou. Neleencontram-se as anotaes do que foi ocorrendo em todo o processo. Conforme Alves-Mazotti (2001), a pesquisa qualitativa no envolve regrasprecisas para a sua realizao. Nesse tipo de abordagem, no se define o estudo apriori. Assim, nesta pesquisa, a realidade a ser investigada iniciou a partir da escolha,pelos alunos participantes, de um dos assuntos-problema que sugeri na pesquisadiagnstica. Esses alunos (sujeitos da pesquisa), conforme j mencionei, correspondema uma das minhas turmas de sexta srie na escola. A coleta de informaes ocorreu do ms de junho de 2002 at o ms de marode 2003. O tempo para a coleta de dados foi suficiente. Como j havia descrito, todasas turmas da manh auxiliaram no processo de construo da horta, mas, como erammais de 95 alunos, no conseguiria realizar a pesquisa com todos, por isto optei pelotrabalho apenas com a sexta srie, composta por 25 alunos e que no presente anoesto na stima. Sendo que em 2003 somente 17 alunos daquela turma esto nestasrie, os demais so alunos novos na escola. importante registrar que os alunos queno fazem mais parte desta turma foram para outra cidade, outros comearam aestudar a noite, outros pararam de estudar. Este um dos aspectos que prejudicam obairro, muitos no conseguem emprego e mudam para outra cidade, voltando para
  • 53. 53casa de parentes; outros, pela falta de incentivo de seus pais, abandonam a escola; eoutros, que precisam ajudar nas finanas, param de estudar. Conforme os instrumentos para coleta de dados que utilizei, a pesquisa foiestruturada em trs momentos:- o primeiro momento foi a pesquisa diagnstica para averiguar o maior problema dacomunidade;- o segundo foi uma auto-avaliao escrita pelos alunos quanto ao trabalho emandamento;- o terceiro foi a obteno de depoimentos escritos pelos alunos sobre asrepercusses desse trabalho participativo em suas vidas. Como metodologia de anlise, optei pela Anlise de Contedo. Para fazer aAnlise de Contedo a partir dos instrumentos de pesquisa aplicados segui asrecomendaes de Moraes (1999): no primeiro momento faz-se a leitura do todo decada texto, em seguida divide-se o todo em partes. Isto se chama unitarizao. Depoisde ter dividido o todo em partes, as idias semelhantes so agrupadas. Isto constitui acategorizao, agrupar as idias semelhantes que foram unitarizadas. ConformeMoraes (1999), com base no processo de categorizao que se pode compreender eexplicar o que estamos investigando. Desta forma as respostas fornecidas soreinterpretadas, para atingir desta forma a compreenso do que foi mencionado. nessa perspectiva que os depoimentos realizados junto aos alunos foramunitarizados. Aps ler e organizar todos os depoimentos, realizei o processo deunitarizao, fragmentando o texto e assim identificando e destacando os aspectos a
  • 54. 54serem submetidos categorizao. Em seguida organizei as unidades semelhantesem grupos, ou categorias. Na Anlise de Contedo, os processos de unitarizao e categorizaoencaminham a uma produo que pode ser descritiva, e depois interpretativa. Napresente dissertao resolvi fazer a descrio e a interpretao ao mesmo tempo,integrando subsdios tericos e comentrios meus descrio de cada categoria. Alm de compreender o que foi escrito precisei criar subsdios para averiguar odesenvolvimento textual dos envolvidos, pois em minha pesquisa utilizei trs momentosde coleta de dados, sendo que a segunda e a terceira parte da coleta exigiram, alm dareleitura, uma nova interpretao a partir do processo que foi desenvolvido ao longo dedois anos. Outro fator relevante que, como pesquisadora e participante, no souneutra no processo, por isto no seria possvel fugir do contexto de descrever einterpretar com o meu olhar. Portanto, o mtodo de anlise pelo qual a presente pesquisa foi estruturadaseguiu a seguinte ordem: preparao dos instrumentos de pesquisa, unitarizao dasinformaes coletadas, categorizao das unidades de significado e, aps, descrio einterpretao. Trabalhei com categorias emergentes, que surgiram dos depoimentos, ou seja, aconstruo das categorias foi um desafio, pois trabalhei com o que o aluno escreveu aolongo do processo e no com categorias elaboradas por mim, onde o envolvido deveriase encaixar ou no no que j estaria pr-definido. Por ser uma pesquisa qualitativa, para cada categoria foi produzido um texto emque tentei expressar as idias mais relevantes. Para tanto utilizei, sempre quenecessrio, citaes dos educandos. J a interpretao ocorreu paralelamente
  • 55. 55descrio, pois ao mesmo tempo estou colocando as idias referidas pelos educandose fazendo a devida interpretao sobre os aspectos relevantes abordados por eles sobo meu ponto de vista. Outro aspecto importante, abordado por Alves-Mazotti (2001), que umapesquisa qualitativa, que visa compreenso de fenmenos ou de diferentes situaes,no pode se eximir de contribuir para a formao do conhecimento, ou seja, narealidade em que esta pesquisa foi desenvolvida, o conhecimento parte integrante esignificativa de todo o processo de anlise, bem como da construo conjunta da horta.Cabe ressaltar que a pesquisa qualitativa exige a observao dos fatos, doscomportamentos, do ambiente em que a investigao ocorre, por isto Alves-Mazzotti(2001) destaca que a pesquisadora precisa ser participante, se expressar com o quev, sente e observa, enquanto procura entender o que o outro est sentindo oudesejando naquele momento. Ento, a valorizao do humano um ponto relevantepara que a pesquisa se desenvolva de forma a abranger sentimentos, empatia,cooperao, confiana entre pesquisadora e pesquisados, segundo aquela autora.Considero que isto aconteceu ao longo desta pesquisa. Agora, relatarei como todo o processo ocorreu nos anos de 2002 e 2003. 1) Pesquisa diagnstica abril 2) Debate sobre o resultado maio 3) Incio das atividades na horta junho 4) Trabalho na horta julho, agosto Registro do que foi ocorrendo em cada ida a horta Se chovia a turma realizava trabalho de pesquisa relacionado com Botnica ou Zoologia (dependendo do assunto de interesse dos alunos)
  • 56. 56 Setembro, outubro e novembro no foi possvel trabalhar na horta devido a chuva5) Setembro foi aplicado o segundo instrumento de pesquisa6) Maro de 2003 foi aplicado o terceiro instrumento de pesquisa7) Trabalho com os alunos do turno da manh abril a julho8) Incio dos trabalhos com os alunos do turno da tarde com o auxlio de alguns alunos do turno da manh agosto9) Trabalho coletivo com os professores de pr at oitava srie referente ao trabalho desenvolvido na horta. Citarei o que o grupo trabalhou, sendo respeitados o nvel escolar dos educandos (conforme faixa etria e srie): Religio: pensamentos e sentimentos sadios; Educao fsica: funcionamento do corpo, preveno de acidentes e hbitos saudveis; Matemtica: unidade de medida, comprimento, rea, volume e equaes de 1 Grau; Portugus: relatrios e receitas usando as verduras cultivadas; Histria e Geografia: modos de produo, tipos de solo e clima Cincias: desenvolvimento da planta, alimentao saudvel, transgnicos, agrotxicos e qualidade de vida; Educao artstica: massa de biscuit para fazer m de geladeira; Palestras com profissionais da Emater e Nutricionista
  • 57. 5710) Gincana escolar, com o tema PAZ. A equipe organizadora incluiu uma tarefa sobre o trabalho na horta, ou seja, cada equipe teve que construir uma poesia Outubro.
  • 58. 587 ANALISANDO E INTERPRETANDO OS RESULTADOS DA PESQUISA Antes de analisar e interpretar os instrumentos de pesquisa coletados evivenciados ao longo destes dois anos gostaria de fazer a seguinte reflexo. Acredito ser importante caracterizar a turma que iniciou o trabalho junto horta.Nesta turma havia vinte e cinco alunos, treze meninos e doze meninas. Por ser umasexta srie, existem fatores relevantes sobre o relacionamento entre eles, suas aflies,a luta por um lugar no grupo. Inicio pelo relacionamento: uma turma agitada, agressivaentre si e com alguns professores. Como estavam no incio da adolescncia, muitostentavam conquistar seu espao perante os grupos que havia dentro da turma. Outrosestavam preocupados com o namoro. Enfim eram muitos os obstculos que elesprecisariam superar. E neste emaranhado de dificuldades surgiu a oportunidade deconstruir coletivamente uma horta, a qual trouxe desafios para o grupo que tentava seformar, mostrar a sua persistncia e a sua unio. Conforme Tiba (1998), esses sofatores essenciais para a formao do carter e da personalidade de uma pessoa. O cantor e compositor Renato Russo, em uma de suas canes, retrata: quem acredita sempre alcana, mas claro que o sol vai voltar amanh, mais uma vez eu sei, escurido j vi pior de endoidecer gente s, espera que o sol j vem, nunca deixe que lhe digam que no vale a pena acreditar no sonho que se tem ou que seus planos nunca vo dar certo ou que voc nunca vai ser algum, quem acredita sempre alcana... Neste momento, tendo que descrever todo um trabalho realizado ao longo destesdois anos sobre a construo coletiva de uma horta escolar, estou me percebendo
  • 59. 59dentro dos trechos desta cano. No foram somente momentos de prazer e sim deesperana que o sol realmente nasceria no outro dia, para que o trabalho continuassecom o grupo de alunos. Todo o grupo envolvido na pesquisa teve que acreditar queesta construo da horta se tornasse realidade, num bairro onde as perspectivas devida so precrias, para alguns sem sentido. Nesta perspectiva, o trabalho coletivo deconstruo se reflete no trecho: quem acredita sempre alcana. Hoje, os alunos estomais confiantes em suas capacidades e tambm esto percebendo que atravs daunio, da participao, do respeito mtuo e do amor ao que fazemos que podemos serpessoas que lutam por dias melhores, atravs de simples conquistas como o trabalhode construo da horta escolar. O trabalho coletivo de construo da horta escolar, que analisou as repercussesda mesma sobre os hbitos de higiene e sade dos participantes, fez com que o serenvolvido encontrasse a sua identidade com a biosfera terrestre. No vista como algolonge, fora do ser, e sim presente fsica e biologicamente em cada educando envolvidoneste processo. Com base em Morin (2002), somos seres originados do cosmos, da natureza,mas devido nossa cultura, nossos valores, nossos objetivos nos tornam estranhos aoambiente que nos circunda. Sabemos que o mundo fsico existe, mas nos distanciamosdele. S o percebemos quando ele se mostra atravs do efeito estufa, do buraco nacamada de oznio; problemas que nos fazem, s ento, perceber que o ambiente noest fora das nossas atitudes e sim ele a conseqncia do que fazemos. O trabalho na horta empreendeu uma ao. Esta ao implicou interaes como meio ambiente que se apossou do ser humano envolvido nesta construo e, nestesentido, a inteno inicial do trabalho pode ser modificada. Este processo se relaciona
  • 60. 60ao que Morin (2002) define como a ecologia da ao: A ecologia da ao , em suma,levar em considerao a complexidade que ela supe, ou seja, o aleatrio, acaso,iniciativa, deciso, inesperado, imprevisto, conscincia de derivas e transformaes.(MORIN, 2002, p. 87). O trabalho coletivo de construo da horta correspondeu ecologia da ao,pois, durante o seu desenvolvimento, apresentou diversos momentos de avaliaosobre o andamento do processo, que pode avanar ou retroceder a cada ao aplicada. Durante o andamento do trabalho, a turma composta de 25 alunos se deslocavaat a horta e levava consigo dezesseis ferramentas. Em conjunto decidimos quehaveria revezamento dos alunos, pois no havia ferramentas suficientes. Ao longo dosprimeiros meses, o grupo que trabalhava se envolvia. Mas aps quatro meses deefetiva ao na construo da horta, tivemos o seguinte problema: alunos ficavam narua conversando sem opinar o porqu de no querer trabalhar, se envolver. Masquestionavam: vamos horta hoje? Durante algumas semanas no fomos mais nahorta devido a esta atitude. Os alunos questionavam o porqu de no irmos trabalhar, eeu os lembrava das combinaes que havamos feito sobre o compromisso do trabalhocoletivo, da unio e parceria que deveria existir conosco. Ao longo deste perodo, oseducandos se deram conta de que a ao no trabalho junto horta era umcompromisso e uma ao que viria em seu benefcio. Ento, em maro de 2003, foipossvel reconstruir o trabalho na horta, que tem ocorrido com envolvimento ecompromisso. Este processo se encaixa com o que Morin (2002) descreve como ocircuito ao/contexto, ambiente que possibilita a reflexo onde as inter retro aesocorrem em vista do amadurecimento de um processo coletivo.
  • 61. 61 Conforme Perrenoud (2000), Para que uma atividade seja geradora, necessrio que a situao desafie o sujeito, que ele tenha necessidade de aceitar essedesafio e que isso esteja dentro de seus meios, ao preo de uma aprendizagem novamais acessvel (PERRENOUD, 2000, p. 48). Concordo com o autor, pois com odesafio em trabalhar no que no conhecemos que nos sentimos desafiados a agir. Oseducandos do bairro Moinhos percebem que este um avano na sua aprendizagem,serem desafiados em algo que eles ajudaram a diagnosticar. No somente odiagnstico, mas a oportunidade de resolver o problema com o auxlio de todos. Outro aspecto abordado por Perrenoud (2000) como envolver meu aluno.Trata-se no somente do aspecto cognitivo, pois inclui a comunicao, o entendimento,o sentimento de cumplicidade que deve haver entre educador e seus educandos. Nobasta carregar muitos conhecimentos se o educador no envolver e deixar-se envolverpela realidade dos educandos. neste contexto que percebo que o envolvimento comos alunos especial, pois fao com que eles se sintam bem ao meu lado e assimconsigo guiar, auxiliar, cativar para que o processo ensino-aprendizagem torne-sesignificativo. Por isto acredito que a tarefa do professor deve estar comprometida com oeducar para a vida. Existe, claro, o conflito entre o real e a teoria; as diferenas e orespeito que se deve ter com os alunos problemas. Qual ser o seu problema? Algummotivo existe. No pretendo entrar na rea da Psicologia, quero somente analisar opapel que exero dentro da carreira que escolhi seguir. importante para o aluno sair do seu mundinho, conhecer outras realidades eperceber que muitas pessoas fazem e acreditam no trabalho que realizam. Assimdesejo que os alunos com quem trabalho possam ver o ambiente de uma forma maisampla e assim lutarem por seus sonhos.
  • 62. 62 Outro ponto a ser exposto, a relao com os saberes e a sua utilizao, ouseja, o que a horta trouxe de contedo para esta pesquisa. O trabalho coletivo deconstruo da horta escolar envolveu vrios aspectos significativos: o solo, os vegetais,a gua, o efeito solar. Todos eles pertencem a um ciclo natural do ambiente, mas quejunto com os alunos foi analisado, para que assim eles pudessem ter a noo do todojunto a esta construo. Concordo com Perrenoud (2000), necessrio abrir espao para o alunoconstruir sua histria na escola e o seu projeto pessoal de vida. este caminho queestamos trilhando. Esta tarefa no to simples, pois exige persistncia de ambas aspartes, educadores e educandos. necessrio compreender o sentido do que estsendo estudado, e isto favorecido por um trabalho prtico como a construo da hortaescolar vinculada s condies de higiene e sade dos educandos. Todo o processotorna-se claro e importante para a vida do aluno. A seguir, irei descrever os resultados do processo, a comear pela pesquisadiagnstica.
  • 63. 63 7.1. Pesquisa diagnstica O primeiro momento para a coleta de dados foi a realizao da pesquisadiagnstica. Os noventa e oito alunos, onze professores e trs funcionriosresponderam a um questionrio. Entre os problemas de sade listados, eles marcaramo mais urgente para a comunidade escolar tentar minimizar (APNDICE A). Das 112 pessoas que responderam a pesquisa, somente duas marcaram areeducao alimentar, atravs da horta, enquanto oitenta e trs marcaram as drogascomo maior problema. Aps esta constatao dialoguei com todos os envolvidos e umdos alunos disse que o problema das drogas seria difcil de enfrentar diretamente:Acredito ser necessrio trabalhar aquilo que no conhecemos, como por exemplo, ahorta que s teve dois votos. A turma concordou e a partir desta fala foi-se dialogandocomo ento poderamos iniciar este trabalho. Durante os debates, pude perceber que quando permitimos espao parasugestes sobre algo concreto como a pesquisa diagnstica e o seu resultado, oseducandos ficam motivados, interagem, pois a situao real. O mais interessante que normalmente a opo que tem mais votos aquela que deve ser cumprida e comeles isto no ocorreu, pois muitos alunos acreditam que no exista uma explicao paraos que querem se drogar e ns, como escola, s poderamos aconselhar. Enquantoque o trabalho na horta algo concreto, possvel tocar, sentir e admirar. Os alunosconseguem observar os resultados do seu esforo, da sua dedicao.
  • 64. 64 Aps o processo inicial, de anlise dos resultados da pesquisa diagnstica,estruturei o segundo momento da anlise, envolvendo a avaliao dos alunos sobre oandamento do trabalho.
  • 65. 65 7.2. Auto-Avaliao dos alunos sobre o andamento do trabalho O segundo instrumento de pesquisa foi aplicado no dia 24 de setembro de 2002.Ele foi organizado em trs questionamentos: 1) Qual a importncia da horta? 2) Como me avalio no trabalho? 3) Como eu avalio o trabalho da professora Cludia? Iniciarei pela questo um, que trata da importncia da horta para os alunos. Emum dos depoimentos, foi citado: a horta importante, pois plantamos coisas que fazembem para nossa sade, para o nosso corpo e nossa pele. Quando nos referimos afazer bem, significa que o valor nutricional das hortalias de fundamental importnciapara o funcionamento do nosso corpo. So as hortalias que, por possurem gua esais minerais em quantidade adequada, favorecem o funcionamento dos sistemas donosso corpo, o que permite manter nosso corpo sempre bem, pois elas auxiliam nadigesto e eliminao de resduos para que assim possamos equilibrar nossas funesvitais, como a eliminao da urina e das fezes. Ou seja, as hortalias regulam o nossocorpo, pois com uma dieta somente de carboidratos, glicdios e lipdios, no h serhumano que agente tamanha massa corporal, se no regular com frutas, hortalias egua, para equilibrar o peso e permitir o funcionamento de todos os sistemas de nossocorpo. Outro aspecto citado: a horta importante, pois tem vrios tipos de saladas.Como este trabalho tem experimentado momentos de prazer e de redescoberta...
  • 66. 66Muitos dos alunos no faziam idia do que era uma horta e do que ali poderia sercultivado, e ao longo dos meses foram observando e plantando cenoura, beterraba,pepino, alface. Por isto que alguns alunos citaram a importncia de ter um local ondepossamos cultivar vrias hortalias. Este ponto foi importante para observarmos qualhortalia se desenvolveu mais rpido, qual precisava de mais gua, qual precisava demais energia solar. Na mesma questo ainda foi apontado o seguinte: a forma ideal de se teralimento saudvel e sem altos custos. Foi agradvel ler esta frase, pois aqui est umdos elementos para o trabalho prosseguir, que a unio e o compromisso de cada umcom o trabalho de construo da horta, o que possibilitou usar as hortalias na merendada escola e tambm tornou possvel levar hortalias para casa. Assim, alguns alunos jiniciaram a construo de hortas em suas residncias, pois viram que um pacote desementes rende muitas hortalias. uma atividade que pode ser feita na nossa casa. s vezes no se sabe o quefazer com o terreno que est vazio. Assim, posso afirmar que o trabalho j vemcolhendo os frutos, pois isto que quero que os alunos percebam, que um terrenodesocupado pode ser til, e agora que eles j esto mais confiantes na sua capacidade,o trabalho ter continuidade tambm em algumas residncias do bairro Moinhos. O segundo ponto analisado foi como os alunos se avaliam no trabalho deconstruo da horta escolar. A partir dessa questo, os alunos, em suas respostas, sedividiram em trs grupos. O primeiro grupo aquele que trabalha um pouco, logo cansae fica observando os outros. O segundo grupo aquele que trabalha do incio ao fimsem reclamar. E o terceiro grupo so os que sentam, reclamam e observam os outros.Neste momento, cabe comentar o quanto foi difcil mudar o grupo um e o grupo trs em
  • 67. 67relao s atitudes na horta. Tenho insistido em uma mudana de atitude, ou seja, quetodos ajudem, descansem, mas que no fiquem somente alguns alunos trabalhando otempo todo. Posso afirmar que este processo ainda existe, pois nem todos ajudam, maso comportamento no trabalho na horta j melhorou. Para que no houvesse discussesentre os que trabalham e os que no querem ajudar, tive que criar um momento detrabalho em sala de aula para os que no pretendiam ajudar, a direo me apoiou euma de minhas colegas ficava com eles e os demais vinham trabalhar na horta. Depoisde alguns dias, os que no pretendiam ajudar mudaram de idia e passaram a ajudar.No incio do trabalho alguns alunos acreditavam que isto no daria certo. Ento, porque ajudar? Mas quando perceberam que o trabalho era algo srio e que no iria pararresolveram auxiliar. No ltimo ponto, como avaliam a professora, busquei analisar os reflexos do quefazemos como: cativar, escutar, elogiar e impor limites nos nossos alunos. Um alunocitou o seguinte: a professora nos incentiva, ensina a fazer a horta e o principal, elanunca fica parada, est sempre trabalhando. Acredito que seja um dos motivos queeles gostam do trabalho junto horta, pois o incentivo fundamental nesta realidade. Analisando o que foi apontado no texto acima, no incio do trabalho e em marode 2003 j era possvel perceber que os alunos conseguiam escrever melhor suasopinies. Eles ficaram mais crticos e mais confiantes, reafirmando Goleman: Isso revela o sentido mais geral em que canalizar emoes para um fim produtivo uma aptido mestra. Seja no controle de impulsos e adiamento da satisfao, no controle de nossos estados de esprito para que facilitem, em vez de impedir, o pensamento, motivando-nos a persistir e tentar de novo apesar dos reveses seja na descoberta de formas para entrar em fluxo e com isso atuar com mais eficincia tudo indica o poder da emoo na orientao do esforo eficaz (GOLEMAN, 1995, p. 108).
  • 68. 68 Isto ficou bem claro no terceiro momento da anlise, em que foi realizada umaavaliao do trabalho pelos alunos a qual ser apresentada a seguir.
  • 69. 69 7.3. Avaliao dos resultados da pesquisa No incio de 2003 apliquei o ltimo instrumento de pesquisa, que correspondeuao terceiro momento da anlise. Ele questionou os alunos sobre a influncia que aconstruo da horta teve em suas vidas, fora das aulas de Cincias. Analisando as respostas dos alunos quanto influncia da construo da hortaem suas vidas, as unidades significativas identificadas foram organizadas em cincocategorias (APNDICE B): sade do corpo e da mente; importncia do trabalhocoletivo; competncia na construo da horta; construo de uma horta fora doambiente escolar e economia familiar. Por ser esse o foco principal da presente pesquisa, as repercusses do trabalhona vida dos alunos sero apresentadas no prximo captulo. Portanto, a pesquisa diagnstica serviu para fazer o diagnstico do que poderiaser pesquisado, como o resultado obtido no foi visto como uma maneira de sersanado, o grupo optou por um trabalho preventivo as drogas, atravs da construo dahorta escolar. Logo, os instrumentos de pesquisa se referiram mais aos hbitos dehigiene e sade dos participantes, j que a construo de uma horta era algodesconhecido dos educandos. No segundo instrumento de pesquisa tem-se comoprincipal objetivo averiguar e compreender o comportamento e a atitude dos educandosperante a construo da horta. A pessoa precisa envolver-se no processo, desenvolver a percepo doambiente, captar os fluxos energticos e os ritmos da natureza (BOFF, 1999, p.186).
  • 70. 70Durante o processo de organizao da horta, os alunos demonstraram a suasensibilidade no restabelecimento de um contato maior do ser humano com o que estvivo, ou seja, a biosfera. importante salientar que nesta compreenso de atitudes doseducandos, perante a construo coletiva da horta, posso observar que medida quea estrutura muda no decorrer do desenvolvimento do organismo muda tambm seucomportamento (CAPRA, 2002, p. 103). Este um dos aspectos j mencionados napresente dissertao, que o aluno vai se realizando junto ao trabalho da horta, vaiadquirindo pacincia, persistncia e reestruturando o seu convvio com os seussemelhantes. No terceiro instrumento de pesquisa o objetivo foi verificar como esta construoinfluenciou na vida dos educandos fora das aulas de Cincias. Foi possvel averiguarque ela interferiu tanto na economia familiar, como na utilizao de hortalias na dietada famlia, revelando que a sade e higiene se tornaram pontos relevantes na vida dosalunos. Portanto, se o ser humano quer ser feliz, deve desenvolver a topofilia, o amor aolugar onde mora e onde constri seu jardim (BOFF, 1999, p. 186).
  • 71. 718 REPERCUSSES DA CONSTRUO DA HORTA NA VIDA DOS ALUNOS As categorias construdas ao analisar os depoimentos dos alunos a partir doterceiro instrumento de pesquisa, enriquecidas com as anotaes do dirio de bordo epoesias produzidas pelos alunos sobre a horta, sero descritas a seguir. 8.1. Sade do corpo e da mente Esta categoria enfatizou a repercusso da horta coletiva nos hbitos de higiene esade dos alunos. Conforme um dos depoimentos, plantamos coisas que fazem bemao nosso corpo e mente. Essa observao importante principalmente se aliada aotrabalho conjunto em busca dos resultados. Sabe-se que as hortalias so defundamental importncia para o metabolismo do nosso corpo para que excessos degordura no se tornem placas adiposas. A grande maioria das hortalias so ricas emvitaminas e sais minerais, que regulam e protegem o organismo. Outro aspecto queso utilizadas como remdios naturais para o combate de anemia, fadiga, estresse eprincipalmente para a hidratao do corpo. Uma vida melhor, esta horta nos garante, uma vida com sade, para seguirmosavante. Para que isso ocorra, necessrio observar a qualidade e quantidade dealimentos ingeridos para que assim o nosso corpo se mantenha saudvel. necessrioobservar a influncia que os mesmos exercem sobre as vrias funes orgnicas,especialmente as que se referem aos processos de absoro, metabolismo e excreo.
  • 72. 72 As funes qumicas de muitas das vitaminas que ingerimos so conhecidasapenas de modo parcial, mas pelos efeitos fisiolgicos decorrentes de sua falta nadieta, pode-se citar: a vitamina A contida na cenoura, beterraba, couve usada para asntese de pigmento retiniano sensvel luz, a rodopsina, bem como dos pigmentossensveis s cores, usados pelos bastonetes e pelos cones, na viso. Conforme Guyton(1998), a falta desta vitamina no permite o crescimento de todos os tecidos do corpo,acarretando na descamao da pele, infertilidade, endurecimento da crneaocasionando cegueira. Cito o exemplo da vitamina A que est presente nas hortaliasque cultivamos, entre outras. Cabe ressaltar que a nutrio se refere ao fornecimentode alimentos necessrios a manuteno da vida e da sade. Esses alimentos incluemos carboidratos e gorduras, que fornecem energia ao corpo, e protenas, vitaminas esais minerais. Aprendi que comer hortalias faz bem a sade, como um aluno afirmou,ressalta Oliveira : a glicose e a frutose repem a energia cerebral e corporal(OLIVEIRA, 1999, p.133), pois frutas e verduras auxiliam no metabolismo realizadopelo nosso corpo. Ento, como esta pesquisa buscou compreender as repercussesque a construo da horta exerceu sobre os hbitos de higiene e sade dos alunos, istoaconteceu quando eles perceberam que a sade cerebral e corprea est ligada alimentao equilibrada, visto que as hortalias possuem gua e sais minerais, o quefacilita o equilbrio corpo e mente para uma vida mais saudvel. Por isto plantamosalface, cenoura, repolho, beterraba, usamos a enxada. No usamos agrotxicos, pois oque ns queremos verduras bem saudveis, o que vem favorecer o funcionamentoharmonioso do nosso corpo e da nossa mente.
  • 73. 73 A sade do corpo e da mente est vinculada importncia que a escola exercena construo do carter dos educandos. Capra (2002) coloca que a tica s construda quando estou inserido num grupo, pois com ele terei que me justificarperante meus atos. Este justificar significa dar valor e importncia ao grupo ao qual euperteno. Para isto, precisamos dar valor s duas comunidades s quais pertencemos:somos da raa humana e fazemos parte da biosfera global. Respeitando eestabelecendo limites de convivncia conseguiremos manter as relaes, que Capra(2002) chama de teia da vida. A vida humana engloba necessidades biolgicas,cognitivas e sociais (CAPRA, 2002, p. 224). Estas necessidades vm ao encontro doque trato como sade, que ocorre no fsico, social e mental de cada indivduo. Tendoento um lar, alimentos sadios e saudveis, o respeito vida, o direito educao e aliberdade de expresso, o ser humano consegue, alm de construir o seu carter,oferecer dignamente a vida a outros que o cercam, e aos seus descendentes. Por isto anecessidade de criar comunidades sustentveis, aquelas que trabalham de formacoletiva, retirando para si o alimento de forma ecologicamente correta. 8.2. Importncia do trabalho coletivo A construo da horta escolar estabeleceu atitudes no dia-a-dia em que fomostrabalhando. Um dos principais critrios foi a atividade em conjunto. Durante as idas horta, cada aluno percebeu que um dependia do outro para que o trabalho tivesseresultado, como uma das alunas salienta: aprendi como importante lidarmos emgrupo. Se nos unirmos, sair um trabalho perfeito. Pretendo contar que no foi na
  • 74. 74primeira semana de trabalho que isso foi percebido, cada vez que se falava em hortadentro da sala ou fora dela, resgatava-se a importncia de trabalhar em equipe. Aospoucos, os educandos deram-se conta de que todos precisavam auxiliar, o queprovocou outra constatao relevante: Aprendemos a trabalhar em grupo sem estragarnada. A participao coletiva na construo da horta escolar exigiu que cada ser alipresente se envolvesse por inteiro no trabalho. A atitude de cada um dentro do grupofez com que os alunos ficassem mais unidos, mais cooperativos, pois esta turma eraconsiderada por muitos dos professores a pior turma para trabalhar. E conforme Boff: Cuidar mais que um ato; uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de ateno, de zelo e de desvelo. Representa uma atitude de ocupao, preocupao, de responsabilizao e de envolvimento afetivo com o outro. (BOFF, 1999. p. 33) Com a construo da horta, isto foi melhorando, os laos afetivos entre os alunosforam fortalecidos, bem como o envolvimento deles nas outras disciplinas. Eu aprendi a trabalhar em conjunto. O entrosamento conquistado pelos alunosao longo do trabalho fez com que percebessem a importncia de viver em grupo, derealizar trabalhos em equipe. Averiguar que todos dentro de uma equipe tem funes eque, falhando um, o grupo torna-se frgil. Reafirmando Capra, A vida no tomou contado planeta pela violncia, mas pela cooperao, pela formao de parcerias e pelaorganizao em redes (CAPRA, 2002, p.239). Hoje possvel observar a mudana de comportamento que ocorreu, tanto comos professores como com os alunos, ao longo desta pesquisa, pois com esforosunidos esta vitria vencemos, construmos esta horta e dela cuidaremos (estrofe
  • 75. 75retirada de uma poesia), o que vem demonstrar a responsabilidade adquirida pelosalunos ao longo do trabalho de construo da horta. Alm disto, ocorreu em Estrela no ms de novembro de 2003 a ConfernciaInfanto-Juvenil que tratou de questes ambientais. O grupo de alunos da EscolaMoinhos se organizou para fazer a conferncia no ms de setembro. Os alunos leram oregulamento e chegaram concluso de que poderiam expor o trabalho que j estavaem andamento, ou seja, a horta. Fizemos a leitura do texto de Miriam Kaufmann (1998)- A Horta: um sistema Ecolgico -, que trata de alguns aspectos semelhantes aosdesenvolvidos no trabalho. A partir da leitura e das reflexes sobre os instrumentos depesquisa que os alunos j haviam respondido para a presente dissertao, fizemos aseguinte proposta para ser apresentada: A horta nos proporciona vida mais saudvel,aprendizagem e conhecimentos prticos (uma das exigncias era que a propostapoderia ter at trs linhas). Em seguida fizemos o processo de votao dos delegados que nosrepresentariam. O delegado escolhido foi um aluno da stima srie, Ezequiel Luis daSilva, e sua suplente a aluna da oitava srie, Patrcia dos Reis Nardes. No ms deoutubro ocorreu a Conferncia Regional, no municpio de Estrela. Havia 29 trabalhosinscritos e somente um poderia representar a nossa regio. Os alunos representarammuito bem a nossa escola, um pouco nervosos no incio, mas aps relaxaram econseguiram se expressar de forma clara e objetiva. Oportunidades como estaprecisam ser aproveitadas, pois os alunos necessitam conviver e conhecer outrasrealidades, para assim confiarem e acreditarem no que esto fazendo.
  • 76. 76 O resultado foi muito significativo, pois de vinte e nove escolas inscritas nsficamos em terceiro lugar, pena que somente um trabalho foi representar nossa regioem Braslia. A iniciativa dos alunos em participar resulta do trabalho realizado junto horta,demonstrando que possvel trabalhar coletivamente, em busca de um mesmoobjetivo. Pois hoje temos uma bela horta, com muito trabalho e dedicao, paramostrarmos a todos, a fora da nossa unio. O trabalho coletivo de fundamental relevncia, pois faz com que o indivduotrabalhe e respeite os seus colegas. Alm do respeito, necessrio que o grupo entreem consenso, no aceitando tudo o que outro solicita, mas utilizando o argumento paraconseguir questionar o trabalho do grupo. Este aspecto mencionado por Golemann(1995) como parte da alfabetizao emocional, pois se caracteriza no envolvimento deeducadores e comunidade escolar na busca de oportunizar meios para que oseducandos socializem suas idias, como forma de construo da sua identidade, comconscincia da sua prpria capacidade e competncia. 8.3. Competncia na construo da horta No incio do trabalho, alguns alunos diziam que o trabalho no iria dar certo, poisos outros iriam estragar. Mas ao longo do tempo foram percebendo o contrrio. Todasas turmas vinham trabalhar, principalmente as turmas da manh. Aps deciso coletiva do que trabalhar, a sexta srie foi em busca do terreno, eaps alguns contratempos conseguimos um terreno emprestado, a duas quadras de
  • 77. 77nossa escola. Durante a negociao do terreno, fui pedir emprestadas ferramentas doantigo CIE (Centro Interescolar). Consegui dezesseis ferramentas emprestadas. Comelas foi possvel iniciar as atividades na horta no ms de junho de 2002. O primeiro diafoi de limpeza do terreno, havia muito capim, mato alto, ino. Os alunos ficaram commedo, pois poderia haver algum animal peonhento entre o matagal. Fiquei realizadacom a demonstrao de entusiasmo por parte dos alunos em limpar, ou seja, arrancar omato mais alto. Depois deste rduo momento, solicitei junto diretora a vinda daroadeira para limpar e afofar o solo. Na mesma semana l estava o senhor que faria asegunda etapa da limpeza. Depois de ter passado a roadeira, iniciamos a marcao dos canteiros, aabertura das estradas entre um canteiro e outro. Este trabalho foi interessante, poishavamos conversado e lido em livros algumas sugestes de como fazer, mas foidurante esta construo que surgiram alguns lderes que foram guiando este trabalho. Claro que neste processo de limpeza, organizao, nem todos os alunos seenvolveram, foram necessrios outros meios de interao. Toda vez que retornvamosa sala de aula fazamos avaliao oral sobre o andamento do trabalho. Os alunos queno colaboravam justificavam o seu cansao, a sua preguia. S que ao longo dosmeses tive que tomar medidas mais rgidas, pois os mesmos sempre estavamcansados e no seria correto permitir isto enquanto outros se esmeravam com aconstruo da horta. Ento fiz alguns momentos onde aqueles cansados ficavam comoutra professora trabalhando em sala de aula, enquanto os demais prosseguiam otrabalho. Precisei usar este mtodo trs semanas, at que eles perceberam o quantoestavam perdendo em no auxiliarem no trabalho junto horta.
  • 78. 78 Nos meses de agosto e setembro houve momentos de muita chuva, o queprejudicou o desenvolvimento das sementes e em conseqncia, no ano de 2002,colhemos somente cenoura e pepino. Alm do contratempo da chuva, foi necessriosolicitar a uma das vizinhas do terreno que mantivesse as galinhas presas, pois asmesmas estavam comendo as sementes plantadas. No processo de unitarizao, feito pela pesquisadora, a maioria dos alunossalientou aprendemos a capinar, plantar, fazer canteiros. Para a realidade em quetrabalho, esse aprender de fundamental importncia aos educandos, reafirmando oque Boff salienta: O rgo da carcia , fundamentalmente, a mo: a mo que toca, a mo que afaga, a mo que estabelece relao, a mo que acalenta, a mo que traz quietude. Mas a mo no simplesmente mo. a pessoa humana que atravs da mo e na mo revela um modo-de-ser carinhoso. A carcia toca o profundo do ser humano, l onde se situa seu centro pessoal. Para que a carcia seja verdadeiramente essencial precisamos afagar o eu profundo e no apenas o ego superficial da conscincia. (BOFF, 1999. p. 120) Acredito que restabelecer a relao humana com a natureza faz com que oindivduo retome a sua origem, o seu eu interior. Algumas frases dos alunos expressamisso: aprendi a limpar os canteiros sem machucar as verduras. O contato com a terrafaz com que o ser humano adquira um vnculo maior com o ambiente, pois, dedicandoespecial ateno ao que faz, perceber que a semente que plantou ir germinar, aplanta ir se desenvolver devido a processos qumicos, biolgicos e tambm com oafeto da mo que afagou a semente. Alm da parte afetiva, de importncia esclarecer aos educandos que o queaprendemos durante as aulas deve ser suporte para melhor entender a nossa vida, etentar melhor-la cada vez mais. Concordo com a citao:
  • 79. 79 A alfabetizao ecolgica - a compreenso dos princpios de organizao que os ecossistemas desenvolveram para sustentar a vida - o primeiro passo no caminho para a sustentabilidade. O segundo passo o projeto ecolgico. Precisamos aplicar nossos conhecimentos ecolgicos a uma reformulao fundamental de nossas tecnologias e instituies sociais, de modo a transpor o abismo que atualmente separa as criaes do ser humano dos sistemas ecologicamente sustentveis da natureza. (CAPRA, 2002, p.241). Um aluno salientou que essa obra no pode parar, pois os benefcios fsicos,sociais e mentais trazidos para a vida dos educandos, da comunidade e doseducadores tm sido de grande valia para o processo de ensino-aprendizagem. No ano de 2003 as atividades iniciaram em abril. Conseguimos parceriasimportantes, como com a 3 Coordenadoria de Educao/Estrela, que auxiliou nasdespesas com a empresa que passa a roadeira, destacando ainda que um professor euma funcionria da escola doaram cerca e postes de concreto que no mais usavamem suas casas. Ento, todo o processo de limpeza iniciou novamente. A motivao dealgumas turmas era excelente, outras nem tanto; mas todos estavam preocupados emprosseguir as atividades junto horta. Tambm foi em agosto que conseguimos mais uma parceria, a do CNPq,atravs do Projeto: Preparando Cidados para a Realidade Cientfica e Tecnolgica doNovo Milnio, coordenado pelo Professor Roque Moraes. Com o auxlio financeirodeste projeto, adquirimos o kit horta com vinte e cinco ferramentas e o kit primeirossocorros. O auxlio incentivou o trabalho, pois agora todos os alunos tinham umaferramenta para trabalhar e com este auxlio os alunos ficaram mais motivados aprosseguir com o trabalho junto horta. Aprendemos a fazer horta... o que antes era desconhecido gerou prazer eaprendizagem, por isto a maioria dos alunos escreveu ns aprendemos, que est
  • 80. 80vinculado satisfao pessoal e grupal. O trabalho na horta escolar tornou-se umespao de criatividade e de vida. Ela tambm serve como fonte de alimento aos alunos,pois atravs de uma salada bem colorida que as funes orgnicas se realizammelhor e evitam o aparecimento de doenas. Como ressalta a estrofe: ento comeou a realizao de um sonho, o sonho deplantar, cultivar e colher. Crianas em aula trabalhando, e vendo na sua frente o sonhonascer. Em versos como este os alunos expressaram sua alegria, que os levou aexpandirem o trabalho com a horta. 8.4. Construo de uma horta fora do ambiente escolar Ao longo do trabalho, os alunos e eu conversvamos sobre como seriaimportante ter uma horta na casa de cada um dos alunos. No incio, muitos diziam queno seria possvel, pois no sabiam como fazer. Como a construo da horta escolarexigiu que cada aluno auxiliasse, eles perceberam que no seria to difcil construiruma em casa, como um dos alunos afirma: trabalhar na horta da escola foi muito bom,pois s assim eu pude fazer uma hortinha na minha casa. Aqui, percebo que a falta deconhecimento e a falta de estmulo podem ser obstculos para realizar nossosobjetivos. Depois, estimulados pela escola, alguns dos alunos se arriscaram e o trabalhodeu certo. Salientando o que Boff diz: A relao com a realidade concreta, com seus cheiros, cores, frios, calores, pesos, resistncias e contradies mediada pela imagem virtual que
  • 81. 81 somente imagem. O p no sente mais o macio da grama verde. A mo no pega mais um punhado de terra escura. O mundo virtual criou um novo habitat para o ser humano, caracterizado pelo encapsulamento sobre si mesmo e pela falta do toque, do tato e do contato humano. (BOFF, 1999. p. 11). O trabalho realizado com os alunos na construo participativa da horta escolarvem ao encontro do que refiro acima. As pessoas esto presas ao seu prprio mundo, oadmirar, o observar, o tocar deixam de existir. O ser humano necessita estar emconstante contato com a natureza, j que faz parte dela, pois a horta importante paravoc e para mim, algo interessante e de valor sem fim. Percebo que o trabalho nahorta resgatou em muitos alunos o afeto, a sensibilidade, a cooperao, pois estomais sensveis ao ambiente em que vivem. Tambm conseguiram perceber que nada impossvel de se realizar, mas cabe a mim dar o mximo para que o trabalho d certo. Alm do que j foi mencionado, Capra (2002) afirma ser necessrio construircomunidades sustentveis, e desta forma que o faremos. O aluno trabalha naquiloque no conhecia e percebe que pode fazer o mesmo em sua casa: j fiz canteiros emcasa organizei-os como na horta e plantei hortalias. isto que gera influnciaspositivas, tanto na sua alimentao quanto na valorizao da sua vida, pois se sente tile capaz de construir. Outro fator relevante, tratado por Freire (1996), que a escola auxilie oeducando na construo do seu carter, e para conseguir este objetivo necessrioque o aluno tenha autonomia para reconstruir o que ouviu, o que observou e o queaprendeu junto com a escola. Por isto fizemos uma horta l em casa e deu certo. Aquiaparece uma das repercusses do trabalho coletivo de construo da horta, anecessidade de ter a prpria horta e mostrar aos demais membros da famlia que temcapacidade para construir alguma coisa que vir em benefcio de todos que ali vivem.
  • 82. 82 Dos dezessete alunos da sexta srie que iniciaram o trabalho no ano de 2002,em 2003, no ms de junho, seis deles j possuam horta em suas residncias. Acreditoque um nmero significativo, para uma realidade que no fazia idia do que poderiaser uma horta e nem dos benefcios que ela poderia trazer para a sade fsica, mental esocial da comunidade escolar de Moinhos. 8.5. Economia familiar Durante o trabalho de organizao da horta escolar, falvamos muito dos preosdas hortalias vendidas em supermercados e fruteiras. Alguns alunos comentavam queno seria possvel ter uma alimentao balanceada incluindo frutas e verduras, pois afamlia no poderia arcar com as despesas. Um aluno que construiu uma horta no ptiode sua casa verificou ser possvel poupar e fazer uma alimentao que veio embenefcio de todos em casa: A horta mudou tudo na minha vida. Esse aluno, desde aquarta srie, em sala de aula, era agitado, respondia agressivamente, mas durante todoo trabalho realizado na construo da horta demonstrou atitudes diferentes das quetinha em sala de aula. Portanto, a horta mudou a vida dele, pois ele conseguiu melhoraro seu comportamento dentro da sala de aula e isto pode ser confirmado no seu modode agir, ressaltando o que apresenta Boff: O cuidado , na verdade, o suporte real dacriatividade, da liberdade e da inteligncia (BOFF, 1999. p. 11). De modo geral, percebo que os alunos mais agressivos e irrequietos, ao longodo trabalho desenvolvido na horta escolar, acalmaram-se e aliviaram tenses, dores erevoltas, pois o trabalho de limpar, fazer cova, plantar as sementes e irrigar exigiu de
  • 83. 83cada um ateno especial. Esse cuidado demandou afeto, criatividade e harmonia parafazer com que as plantas viessem a germinar. Outro aluno salientou que o que tnhamos que comprar, agora, podemoscolher. Com esta afirmao possvel perceber a repercusso do trabalho deconstruo da horta na escola, que veio como forma de ocupar o terreno e o tempoocioso em algo prazeroso e que tem custos baixos. Alm de mant-los ocupados etrabalhando em algo que lhes d prazer, auxilia na economia da famlia. Conclui-se quenos tempos atuais mais vantajoso produzir hortalias em casa do que ter que pagarvalores exorbitantes nas feiras. Alm do benefcio ao bolso familiar, uma forma demanter a vida de forma saudvel, pois sabemos o que estamos colhendo, enquanto quecomprando de outros no sabemos o que nelas pode ter sido colocado para crescerem.
  • 84. 849 CONSIDERAES FINAIS Percebo que o trabalho na horta escolar se tornou mais amplo do que eu poderiaimaginar, hoje trabalho tambm com os alunos de primeira a quarta srie na horta. Asalegrias e as frustraes ocorrem na mesma intensidade. A diferena que os alunosdo turno da tarde, ainda crianas, deixam suas emoes transparecerem, enquanto osdo turno da manh, que esto na adolescncia, ficam inibidos, encabulados em permitirque seu corpo e sua alma se emocionem. Posso afirmar que este trabalho foi uma ao cooperativa que exigeenvolvimento e comprometimento dos educandos, pois muitas vezes tive que imporlimites ao grupo que comigo trabalhava. s vezes a forma de punio teve que ser a deno irmos trabalhar na horta. Ao longo do tempo os alunos foram percebendo o quantoeles perdiam em no irem trabalhar e a situao melhorou. Atualmente s vai trabalharna horta quem est com vontade de capinar, plantar, se expor na sujeira e aqueles queno esto com vontade ficam na sala realizando atividades com a professora substituta.Fico admirada que na maioria das vezes todo o grupo quer trabalhar, e realmente seenvolvem. Acredito que a tcnica de deixar outra tarefa mais rdua que o trabalho nahorta fez com que os educandos percebessem o quo significativo o trabalho deorganizar canteiros, dividir tarefas com outros colegas, admirar o crescimento dasemente, arrancar a cenoura, lav-la e degust-la ali no terreno da horta. Este trabalho exige o que Morin (2002) refere como desenvolver a tica dasolidariedade e a tica da compreenso. Foram meses dialogando, interrogando osalunos para que percebessem que o caminho se faz caminhando, ningum atingir as
  • 85. 85suas metas sentado de mos cruzadas. Precisamos arregaar as mangas e trabalhar,nos envolvendo no que proposto em nossa escola, em nossa casa, ou seja, sendoteis e muito felizes em tudo que formos fazer. As conquistas no ocorrem num dia. preciso batalhar dia aps dia, respeitar osque convivem conosco, merecer a confiana e o carinho daqueles com quem vivemos.Sabe-se que a estrada da vida possui pedras, desvios, mas com os pequenos gestosque nos tornamos seres melhores. O trabalho na horta tem muito a nos ensinar, poisuma atitude est vinculada a outra. necessrio que todos os envolvidos almejem omximo, no culpando e nem julgando e sim mostrando, fazendo a diferena para si.Vendo que somos capazes de produzir verduras, pois nossas mos as plantaram,depois germinaram e no amanh sero colhidas e podero matar a nossa fome.Estamos imersos num grande ciclo, o ciclo da vida, onde eu posso me doar e no devoesperar nada de volta e, quando menos eu perceber, j estarei conseguindo colher osfrutos que plantei, atravs do sorriso de uma criana degustando uma cenoura comfabulosa gratido. Retomando o ttulo desta pesquisa - Repercusses da construo coletiva deuma horta escolar sobre os hbitos de higiene e sade dos alunos participantes. Quaisforam as repercusses? Ao longo do processo, percebi os seguintes aspectos como relevantes econsistentes para dar cientificidade presente dissertao: - Os alunos conseguiram expor suas idias sobre o trabalho na horta de forma clara e objetiva. Na escrita, foi possvel perceber os sentimentos que este trabalho proporcionou a eles.
  • 86. 86- O trabalho tambm teve influncia na dieta alimentar que era pobre em verduras, pois no decorrer do trabalho perceberam a importncia de ingerir verduras.- Outro fator interessante que as hortalias cultivadas em nossa horta, quando presentes na merenda escolar, fazem muito sucesso, ou seja, todos querem provar, pois do trabalho dos alunos que foi possvel colh-las;- Ao longo do trabalho, seis famlias iniciaram tambm a sua horta, ocupando o terreno e economizando no bolso os custos das prprias hortalias.- O envolvimento do grupo de professores dos turnos manh e tarde na busca de valorizar a vida atravs do trabalho na horta.- O apoio recebido pela 3 Coordenadoria Regional de Educao, e pela direo da Escola, que acredita que trabalhos como a presente pesquisa transformam a realidade, valorizam a auto-estima de cada um que esteve envolvido.- O apoio financeiro recebido do CNPq, atravs do projeto: PREPARANDO CIDADOS PARA A REALIDADE CIENTFICA E TECNOLGICA DO NOVO MILNIO, coordenado pelo Professor Roque Moraes, fez com que os alunos viessem a acreditar mais ainda no potencial do nosso trabalho;- Os alunos esto mais afetivos, mais comprometidos com os trabalhos dentro da sala de aula, conseguem respeitar as diferenas que existem entre eles, dialogam com mais respeito.- A escrita das poesias pelos alunos mostra o quanto este trabalho junto construo desta horta teve influncia no fsico, social e mental de cada equipe participante do processo.
  • 87. 87 - A queda do alto ndice de agressividade que vivencivamos ao longo de outros anos, onde a nica forma de controle era a suspenso vinculada expulso. Durante estes dois anos de construo da horta este fator diminui significativamente. Agora, cada um sente-se importante, pois a mo que agredia fisicamente agora capaz de construir. Esta construo gera frutos dos quais cada um est tendo a oportunidade de presenciar: a colheita das hortalias, que so o fruto do trabalho coletivo, da valorizao da vida. - Conseguimos formar e consolidar uma identidade para o grupo de Moinhos com persistncia e com o trabalho coletivo que estamos mudando a realidade do bairro. As repercusses da construo coletiva da horta escolar podem ser averiguadasainda pela construo de Poesias, realizadas em outubro de 2003, parte das quaisforam includas na descrio das categorias. O tema da gincana realizada no ms deagosto era sobre a Paz, e a equipe organizadora acreditou ser indispensvel solicitaruma tarefa referente ao trabalho realizado na horta, sugerindo que cada equipe fizesseuma poesia. Apresento estes escritos para a presente pesquisa, como uma forma demostrar e compreender o olhar que foi dado pelos educandos sobre odesenvolvimento desta pesquisa (ANEXO A). Em cada poesia se observa oenvolvimento que os alunos tiveram na construo da horta, bem como conseguiramexpressar seus sentimentos, suas emoes, por terem vivenciado este processo.Como exemplo, apresento a poesia Horta nossa, elaborada pela Equipe Branca:
  • 88. 88 HORTA NOSSA A horta importante Para voc e para mim algo interessante De valor sem fim A nossa horta, ento! Nem consigo explicar Tem um valor sentimental Que no d para comparar. Com esforos unidos Esta vitria vencemos Construmos esta horta E dela cuidaremos. Uma vida melhor Esta horta nos garante Uma vida com sade Para seguirmos avante As verduras que cultivamos Tem um gosto especial Gosto de esforo e unio Do comeo ao final. D valor a nossa horta Vamos dela cuidar Se ns ajudarmos ela Ela pode nos ajudar! Golemann (1995) trata das emoes como sentimentos que a pessoa adquire ouno em aspectos do seu dia-a-dia. Estas emoes variam entre ira at o clmax, quepoderia ser a felicidade total. Mas como este aspecto delicado, Golemann (1995)refora que cada pessoa pode variar e realmente varia entre as diferentes emoes, eque o fundamental conseguir expor os sentimentos de forma a no machucar o outro,tanto em expresses, quanto em aes. Por isto, entendo que as poesias apresentadas
  • 89. 89se referem aos sentimentos nobres que seriam a satisfao, bom humor, alegria,confiana, dedicao e, principalmente, a valorizao do presente mais especial que a prpria vida. A vida sendo ocupada com atividades prazerosas, que resultam em umaconstruo onde a pessoa sente-se til e estimulada a prosseguir em busca de novasmetas.
  • 90. 90REFERNCIASALVES-MAZOTTI, Alda Judith. et al. O mtodo nas cincias naturais e sociais:pesquisa quantitativa e qualitativa. So Paulo. Pioneira Thomson Learning, 2001.BAGGISH, Jeff M. D.Como funciona seu sistema imunolgico. Editora Quark doBrasil, 1998.BOFF, Leonardo. Saber cuidar tica do humano compaixo pela terra.Petrpolis, RJ: Vozes, 1999.BUSETTI, Rocco Gemma, et al. Sade e qualidade de vida. So Paulo: Peirpolis,1998 pg. 98.CAPRA, Fritjof. As conexes ocultas. So Paulo, SP: Cultrix, 2002.COBRA, Rubem Q. Elementos bsicos em higiene pessoal e ambiental: OCorpo.COBRA.PAGES.nom. br, Internet, Braslia, 2001DEMO, Pedro. Conhecer e aprender: sabedoria dos limites e desafios. Porto Alegre:Artes Mdicas Sul, 2000.EVANGELISTA, Jos. Alimentos um estudo abrangente. So Paulo: Atheneu. 2002 pg.450FEYERABEND, Paul K. Contra o Mtodo. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1975.479p.GOLDEMAN, Daniel. Inteligncia Emocional. Rio de Janeiro: Objetiva. 1995GONZLEZ, J.F. et al. Cmo hacer unidades didcticas innovadoras? Sevilha:Dada, 1999.
  • 91. 91JANEWAY, Charles A. et al. Imunologia: o sistema imunolgico na Sade e naDoena.-4.ed.-Porto Alegre:Artes Mdicas Sul, 2000MINAYO, Maria Ceclia de Souza.O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativaem sade-7. ed.-So Paulo: Hucitec; Rio de Janeiro: Abrasco, 2000.-269 p.MINAYO, Maria Ceclia de Souza. et al. Pesquisa social: Teoria, mtodo ecriatividade. Petrpolis: Vozes, 1998.MORAES, Roque. Anlise de Contedo. Educao, Porto Alegre, XXII, n 37, mar1999, p. 7 32.MORIN, Edgar. Os sete saberes necessrios educao do futuro. So Paulo:Cortez, 2002.OLIVEIRA, Maria Aparecida Domingues de.Neurofisiologia de comportamento: umarelao entre o funcionamento cerebral e as manifestaes comportamentais.Canoas: ULBRA, 1999.PERRENOUD, Philippe. Pedagogia diferenciada: das intenes ao. PortoAlegre: Artes mdicas Sul, 2000.PERRENOUD, Philippe. Dez novas competncias para ensinar. Porto Alegre: ArtesMdicas Sul, 2000.RIGATTO, Mario. Palestra: Preceitos Fundamentais para uma maior quantidade e umamaior qualidade de vida, Clube Caixeiral, Santa Maria, RS. 1994SCHAEDLER, Lcia, et al. Prticas pedaggicas em sade: rede comopossibilidade de criao.Revista Divulgao em Sade para Debate, Rio deJaneiro.Nmero 23 ISSN 0103-4383.Ano 2001TIBA, Iami. Ensinar Aprendendo: como superar os desafios do relacionamentoprofessor-aluno em tempos de globalizao. So Paulo: Editora Gente, 1998.TIBA, Iami. Quem ama, educa! . So Paulo: Editora Gente, 2002.
  • 92. 92THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ao. So Paulo. Cortez. 2002.
  • 93. 93APNDICES
  • 94. 94APNDICE A Pesquisa diagnstica
  • 95. 95 Escola Estadual de Ensino Fundamental Moinhos Pesquisa Participante da comunidade escolar ( )Aluno Srie ( )5 ( )6 ( )7 ( )8 ( )Ensino Mdio ( ) Professor ( )Funcionrio Entre os problemas de Sade listados a seguir, qual consideras mais urgente para buscar uma soluo na comunidade escolar? Marque apenas UM. 1 ( ) Doenas da pele 2 ( ) Doenas da boca 3 ( ) Reeducao alimentar (horta) 4 ( ) Drogas ilcitas 5 ( ) Drogas lcitas (lcool e fumo) 6 ( ) Doenas Venreas DST 7 ( ) Desnutrio 8 ( ) Outra. Qual? ________________ Sua participao de fundamental importncia. Desde j agradeo. Professora Cludia Resultado: Pesquisa realizada dia 30 de abril de 2002. Participaram da pesquisa 112 pessoas (cento e doze pessoas da Comunidade Escolar) Sexta Stima Oitava Ensino Mdio Professores Funcionrios TOTAL1 2 1 1 42 2 1 1 43 1 1 24 14 6 9 7 4 405 6 16 3 14 4 436 3 1 1 7 1 137 2 2 2 68
  • 96. 96APNDICE B - Categorias do Terceiro Instrumento de Anlise
  • 97. 97 Sade do corpo e da mente2.1 Ns aprendemos a cuidar dos alimentos que ingerimos.3.1 A horta nos trs coisas que fazem parte da nossa alimentao e que nos fazembem a sade.5.2 Fazer a horta faz bem para nosso corpo e mente.6.2 Plantamos coisas que s fazem o bem ao nosso corpo e mente.10.1 Eu aprendi que comer legumes faz muito bem a sade.12.1 Este trabalho me ajudou a ver como bom plantarmos os vegetais, pois eles sovitaminas.16.3 Aprendemos a fazer horta e percebemos que isto timo para nossa sade. Trabalho coletivo1.3 A colaborao de meus irmos, na construo da horta ajudou a esse trabalhorender.2.2 Aprendemos a trabalhar em grupo sem estragar nada5.4 Foi bom o trabalho na horta porque todos ajudaram a plantar, capinar e fazerbancos.8.2 Aprendemos a trabalhar em conjunto.9.2 Todos os alunos ajudavam uns aos outros.10.3 Tambm foi muito bom porque eu aprendi a trabalhar em conjunto.
  • 98. 9812.2 Tambm aprendi como importante lidarmos em grupo, se nos unirmos sair umtrabalho perfeito.16.1 Atravs da horta aprendemos muitas coisas. Ns com a professora trabalhamos eaprendemos.16.4 Foi muito bom trabalhar em grupo.Competncia na construo da horta2.3 Aprendemos tambm a plantar.4.1 legal trabalhar na horta apesar de algumas confuses.5.1 Aprendemos a plantar verduras.5.3 Aprendemos a capinar.6.1 Aprendemos a capinar a fazer canteiros e a plantar.7.1 Aprendemos a plantar cenoura, pepino, alface, etc.8.1 Ns aprendemos a plantar, fazer horta.9.1 Ns aprendemos a fazer uma horta.11.1 Eu aprendi a fazer uma horta, como plantar as hortalias.11.2 Aprendi a limpar canteiros sem machucar as verduras.11.3 Este trabalho foi ideal para aprender a fazer uma horta escolar.13.1 A gente aprendeu a plantar hortalias.13.3 A construo da horta influenciou muito dentro e fora da escola as pessoas quecolaboraram. Fazer horta muito legal.14.1 Eu aprendi a fazer horta e plantar hortalias.
  • 99. 9915.1 Aprendi a fazer horta.15.2 Aprendi a cuidar das hortalias, e at os chs tem ajudado bastante no cuidado docorpo e mente.16.2 Agora est sendo muito til, pois vrias coisas que no sabamos aprendemos.16.5 Essa obra no pode parar. Temos certeza que pode ser muito melhor.17.1 Sim, porque eu aprendi a fazer horta. Construo de uma horta fora do ambiente escolar1.1 Sim, j fiz canteiros em casa organizei os como na horta e plantei verduras.10.2 Trabalhar na horta foi muito bom porque s assim eu pude fazer uma hortinha naminha casa.13.2 Aprendemos a fazer hortas fora da escola.14.2 E por isto eu estou fazendo uma horta em minha casa.15.3 Fizemos uma horta l em casa e deu certo17.2 Por isto eu fiz uma na minha casa. Economia familiar1.2 A construo da horta em minha casa diminuiu o gasto de dinheiro em verduras.17.3 A horta mudou tudo na minha vida.17.4 Aquilo que ns comprvamos agora ns colhemos.
  • 100. 100ANEXO
  • 101. 101Poesias sobre a horta
  • 102. 102 Equipe Branca: HORTA NOSSAA horta importantePara voc e para mim algo interessanteDe valor sem fimA nossa horta, ento!Nem consigo explicarTem um valor sentimentalQue no d para comparar.Com esforos unidosEsta vitria vencemosConstrumos esta hortaE dela cuidaremos.Uma vida melhorEsta horta nos garanteUma vida com sadePara seguirmos avanteAs verduras que cultivamosTem um gosto especialGosto de esforo e unioDo comeo ao final.D valor a nossa hortaVamos dela cuidarSe ns ajudarmos elaEla pode nos ajudar!
  • 103. 103 Equipe Sol: A HORTAAo ver um terreno desocupadoUm plano foi boladoUma bela horta cultivarPara crianas alimentarUma pessoa legalO terreno emprestouAps cortamos todo o matagalO terreno limpo ficou.Ento comeou a realizao de um sonhoO sonho de plantar, cultivar e colher.Crianas em aula trabalhandoE vendo na sua frente o sonho nascer.Hoje temos uma bela hortaCom muito trabalho e dedicaoPara mostrarmos a todosA fora da nossa unio.
  • 104. 104 Equipe Azul: NOSSA HORTANossa horta importantePlantamos com amor e dedicaoColhemos com alegria paraAlimentar nosso irmo.Trabalhamos unidos neste projetoPara que d tudo certoAs verduras vemos crescerE o nosso conhecimento enriquecer.Vamos todos trabalharNossa fora juntarNosso conhecimento aplicarE a boa verdura saborear.Plantamos alface, cenoura,Repolho, beterraba usamos a enxada.No usamos agrotxicos,Pois o que ns queremos verduras bem saudveis.
  • 105. 105 Equipe Vermelha: HORTAA horta nos ensinaA difcil lioDe os frutos amadureceremCom grande satisfao.Vamos juntar nossas mosPara nossa horta modificarE que um dia dela possamos nos alimentar.Que cada um possa terUma horta como ns temosPara que todos sejam saudveis o que ns desejamos.Que as verduras e legumesVenham desfrutar em um novoAmanhecer para que um diaCresamos fortes e com muito prazer.
  • 106. 106

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