Zezo | Zipper Galeria

  • Published on
    01-Apr-2016

  • View
    217

  • Download
    4

DESCRIPTION

De 14 de Junho a 2 de Agosto, 2014. Fotos Gui Gomes. Mais infos em: http://zippergaleria.com.br/pt/#exposicao/zezao/

Transcript

  • Rua Estados Unidos, 1494CEP 01427 001So Paulo - SP - Brasil+55 (11) 4306 4306www.zippergaleria.com.br

    2a a 6a 10:00 - 19:00sbados 11:00 - 17:00

  • Zezo14 de Junho a 2 de Agosto de 2014

  • Diante de uma vassoura

    Conheci a arte do Zezo inadvertidamente. Antes de ouvir falar do artista, antes de saber que os arabescos pintados de azul pelos muros da cidade eram uma arte ( assim que o artista diz: minha arte), sem a menor ideia de que um dia nossos destinos iriam se cruzar. O fato, por si s, j merece considerao. De alguma forma, atesta a fora de uma produo que chegou a pblico sem a mediao do circuito artstico.

    Vi sua arte, um desenho azul turquesa com contornos mais escuros, espcie de estilizao de sua assinatura, trao que guarda algo de uma caligrafia na qual as letras separadas, ntidas, claras no existem, saindo de bueiros, buracos e inscrita em muros da cidade. Sempre o mesmo, mas sempre diferente. Mais do que marcar uma passagem (fulano esteve aqui), seus desenhos sempre chamavam a ateno para os espaos onde se instalavam. Ao menos para mim, a mensagem era clara: a ocupao de Zezo de espaos como o esgoto, os subterrneos, os espaos esquecidos ou deixados deriva para serem valorizados no processo especulativo que hoje veio a ser amplamente discutido pela ao de movimentos sociais era uma operao extremamente inteligente e contundente. Mostrava que havia uma voz annima falando uma linguagem prpria, fosse a do grafite ou a da pichao, que no iria se calar. Colocava para todos: os pedestres, os usurios de transporte pblico, os donos de carros, que a cidade um espao de uso comum.

    Fazer isso por meio de um desenho que contornava as tampas de bueiros e transbordava para a rua, como a dizer que ali dentro se escondiam muito mais coisas do que os olhos poderiam ver, que os espaos invisveis e abandonados da cidade poderiam ser um terreno frtil, sempre foi visto por mim como um ato esttico e poltico. Depois que vieram as discusses sobre aquilo ser ou no ser arte. Discusses imensas, pois o que estava em jogo era o prprio conceito de arte que, sendo historicamente formado, est sempre em transformao e talvez no possa ser integralmente apreendido no presente.

    Zezo, h algum tempo, se v s voltas com a transposio de sua arte para lugares fechados: museus, galerias e centros culturais. Sobre suas exposies em galerias, ele diz que o que faz nesse contexto fine art (em contraposio, talvez, quilo que ele faz nas ruas: street art). Na visita que fiz a seu ateli, ele postou-se diante de mim, com um p na frente e outro atrs, dizendo que vive entre esses dois mundos. No uma posio cmoda. Mas acredito que seja a posio de todos aqueles que participam do sistema das artes hoje: aceitar a parte business sem abrir mo das questes fundamentais que mobilizam nosso trabalho.

    O lado fine art de Zezo segue seu prprio caminho. Encontrei, nesta mesma visita, um trabalho que me chamou a ateno. Tratava-se de algo que eu, com olhos treinados em aulas de arte na universidade, algumas visitas a museus e leituras de textos tericos, aprendi a chamar de assemblage. A obra era feita com materiais retirados de uma caamba de lixo: muitas madeiras velhas (e envelhecidas pelo artista: tem que ter um acabamento), placas de sinalizao urbana, molduras velhas e uma vassoura gasta. Estes mesmos olhos adestrados me fizeram ver ali ecos da obra Fools House, 1962, de Jasper Johns. Perguntei, mas Zezo no conhecia o trabalho do artista americano. Sou autodidata, parei de estudar na 5a. srie, ele respondeu. Talvez por isso ele no saiba que, na arte contempornea, a assinatura do artista no entra mais na frente dos quadros. Talvez justamente por isso ele tenha sido capaz de fazer com esse desenho, que nasce da sua assinatura, uma arte. Ele era motoboy e morava numa penso enquanto eu estava na universidade juntando dinheiro para ver um Jasper Johns ao vivo. Foi uma alegre surpresa ter encontrado aquela vassoura pendurada. Era como se sua presena me dissesse que, por mais diferentes que fossem nossos caminhos, ns dois ainda pudssemos nos encontrar. Ali, diante daquele utenslio de cabo longo e fios desgrenhados, espcie de pincel agigantado, como j sugeria Johns o instrumento adequado para trabalhar no espao urbano de Zezo.

    Thais Rivitti

  • Standing before a broom

    I came across Zezos art inadvertently. Before hearing about the artist, before discove-ring that the arabesques painted blue throughout the city walls were an art (as the artist calls them: my art), without the slightest idea that one day our destinies would cross. This fact on its own already deserves consideration. In one way or another, it attests to the strength of a production which reached the public without the mediation of the art circuit.

    I saw his art, a turquoise drawing with darker contours, a sort of stylization of his sig-nature, a trait resembling of a sort of handwriting in which the letters - separate, sharp, clear - do not exist, coming out of potholes, manholes, and portrayed on walls throughout the city. Always the same, yet always different. More than just recording a visit (so and so was here), they always drew attention to the spaces in which they settled. At least to me, the message was clear: the occupation by Zezo of spaces such as sewers, undergrounds, forgotten spaces - or left to be only to gain value in the speculative process (which today has come to be wi-dely discussed by social movements) was an extremely intelligent and poignant operation. It showed that there was an anonymous voice speaking its own language, whether it was spray painting or graffiti, it would not be silenced. It would tell all users: pedestrians, users of public transportation, car owners, that the city was a space for common use.

    To do this through a drawing that contoured the manhole covers and spilled out of them, so as to say that inside there lurked a lot more than meets the eye, that the invisible and abandoned city spaces could be fertile ground, is something which has always seemed to me as an aesthetic and political act. Not until later did discussions arise on whether or not this was art. Immense discussions, since what was at stake was the very concept of art, which - being historically formed - is always changing and may not be fully grasped in the present.

    For some time Zezo has been grappling with transposing his art to enclosed spaces: museums, galleries and cultural centers. He describes his exhibitions in galleries as fine art (perhaps as opposed to what he does in the streets: street art). During my visit to his studio, he stood before me, with one foot in front and one behind, explaining that lives between those two worlds. Not a comfortable position. But I believe it is the position of all those who par-ticipate in the system of the arts today: to accept the business aspect without sacrificing the fundamentals which mobilize our work.

    The fine art side of Zezo follows its own path. In that same visit I came across a work that caught my attention. It was something that I - with eyes trained in art classes in University, in a few visits to museums and in readings of theoretical texts - would call an assemblage. The work was created with materials collected from a dumpster: many old pieces of wood (and aged by the artist: they must have a finishing touch to them), urban road signs, old frames and a worn-off broom. These same eyes, trained to look at works of art, saw therein echoes of the book Fools House, 1962 Jasper Johns. I asked, but Zezo did not know the work of the American artist. I am self-taught, I stopped going to school in the 5th grade he replied. Maybe he does not know that, in contemporary art, the artists signature no longer goes in front of the frames. Perhaps this is precisely why he has been able to make of this design - which stems from his signature - an art. He used to be a courier and lived in a boarding house while I was in college saving up money to see Jasper Johns live. It was a joyful surprise to have found that hanging broom. It was as if his presence would tell me that, however different our paths may be, we would still be able to find each other - there, in front of that long-handled utensil and tangled wires, a sort of gigantic brush, as suggested by Johns, suitable for working in Zezos urban spaces.

    Thais Rivitti

  • 1. Hamburgo - Alemanha 2013, 2. So Paulo - 2013, 3. Barra Funda - So Paulo 2011, 4. Zona Norte de So Paulo - 2012,

    6

  • 5. Favela do Moinho - So Paulo 2010, 6. Obra 2014, 7. Lugar abandonado - Brs, So Paulo 2009, 8. Kassel - Alemanha 2013.

    1

    3

    7 8

    5

    2

    4

  • ZezoSo Paulo, Brasil [Brazil], 1971

    Vive e trabalha em [lives and works in] So Paulo, Brasil [Brazil]

    Exposies Individuais [Solo Exhibitions]2014 Zezo. Zipper Galeria, So Paulo, BrasilConexes. Galeria Athena Contempornea, Rio de Janeiro, Brasil2013 Zezo. Brasilea Galerie - Basileia, Sua [Switzerland]Lembranas de um Passado Adormecido - Galeria Athena Contempornea - Rio de Janeiro, Brasil2011 Alm do Submundo - Galeria Athena Contempornea - Rio de Janeiro, Brasil2010 VariAes Urbanas - Choque Cultural - So Paulo, Brasil2007 Cidade Limpa - Choque Cultural - So Paulo, Brasil2005 Subterrneos - Choque Cultural - So Paulo, Brasil

    Exposies Coletivas [Group Shows]2013 Restrospektive - Die Stiftung Brasilea - Basileia, Sua [Switzerland] Street-Art Brazil Schirn Kunsthalle - Frankfurt, Alemanha [Germany]2012 Urban Masters - Opera Gallery - Londres, Inglaterra [England]Manobras Poticas - Galeria Athena Contempornea - Rio de Janeiro, Brasil2011 Street Art und Graffiti Aus So Paulo - Die Stiftung Brasilea - Basileia, Sua [Switzerland] Fuera de la Lnea - Museo de Arte Contemporneo de Rosario - Rosrio, Argentina Street Art - Von der Heydt Museum - Wuppertal, Alemanha [Germany]Wash Festival - Millerntor Gallery - Hamburgo, Alemanha [Germany]2009 So Paulo - Scion Gallery - Los Angeles, Estados Unidos [USA]Coletivo Choque - Choque Cultural - So Paulo, Brasil Une Estivale - LJ Galerie - Paris, Frana [France]Mon Amour - Maison des Mtallos - Paris, Frana [France]De Dentro para Fora, de Fora para Dentro - Museu de Arte de So Paulo [MASP] - So Paulo, Brasil2008 Fresh Air Smell Funny - Kunsthalle Dominikanerkiche Museum - Hamburgo, Alemanha [Germany]2007 Ruas de So Paulo - Jonathan Levine Gallery - Nova York, Estados Unidos [USA]Fabulosas Desordens - Caixa Cultural - Rio de Janeiro, BrasilMunny - Galeria Plastik - So Paulo, BrasilCor da Rua - OContemporary Gallery - Brighton, Inglaterra [England]Colees - Galeria Luisa Strina - So Paulo, Brasil2006 Ruas de So Paulo - Memorial da Amrica Latina - So Paulo, Brasil2005 Cata Lixo - Choque Cultural - So Paulo, Brasil2004 Coletivo Rua - Museu de Arte Contempornea de Sorocaba - Sorocaba, BrasilCalaveras - Choque Cultural - So Paulo, Brasil

    Special Projects2013 City Leaks - Colonha, Alemanha [Germany]The Canals Project - Londres, Inglaterra [England]2003 Painel Coletivo - Museu de Arte Contempornea da Universidade de So Paulo - So Paulo, Brasil

    Colees Pblicas [Public Colections]Museu de Arte do Rio [MAR] - Rio de Janeiro, Brasil Museu de Arte de So Paulo [MASP] - So Paulo, Brasil

  • Variaes urbanas [Urban Variations] 2013acrlica sobre madeira [acrylic on wood]185 x 290 x 17 cm [72 x 114 x 6.6 in]

    Sem ttulo [Untitled] 2014acrlica sobre madeira [acrylic on wood]155 x 260 x 12 cm [61 x 102 x 4.7 in]

    Sem ttulo [Untitled] 2014acrlica sobre madeira [acrylic on wood]145 x 270 x 12 cm [57 x 106 x 4.7 in]

    Sem ttulo [Untitled] 2013acrlica sobre madeira [acrylic on wood]135 x 150 x 12 cm [53 x 59 x 4.7 in]

    Sem ttulo [Untitled] 2013acrlica sobre madeira [acrylic on wood]110 x 145 x 4 cm [43 x 57 x 1.5 in]

    Alma gravada pelo tempo[Soul engraved by time] 2013

    acrlica sobre madeira [acrylic on wood]110 x 145 x 4 cm [43 x 57 x 1.5 in]

    Conexes #3 [Conections #3] 2014acrlica sobre madeira e black tape [acrylic on wood and black tape]

    200 x 302 x 5 cm [78.7 x 118.9 x 2 in]

    Conexes #2 [Conections #2] 2014acrlica sobre madeira e black tape [acrylic on wood and black tape]

    68 x 271 x 5 cm [26.8 x 106.7 x 2 in]

    Conexes #1 [Conections #1] 2014acrlica sobre madeira e black tape [acrylic on wood and black tape]

    263 x 170 x 5 cm [103.5 x 66.9 x 2 in]

    Realizao I Accomplished by

    Impresso I Printed by

    Projeto Grfico l Graphic Design

    Fotos | Photos byGuilherme Gomes

    julho 2014