x Planet of Slums

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    16-Aug-2015

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Cartilha de resumos: Resumo PLANET OF SLUMS. Mike DavisLondon, New York: Verso, 2006, 228p.Edio brasileira: Planeta Favela. Trad. de Beatriz Medina.Posfcio de Erminia Maricato.So Paulo: Boitempo Editorial, 2006.

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RESENHASPLANET OF SLUMSMike DavisLondon, New York: Verso, 2006, 228p.Edio brasileira: Planeta Favela. Trad. de Beatriz Me-dina. Posfcio de Erminia Maricato. So Paulo: Boitempo Editorial, 2006.Hernn Armando MamaniUFFPlanet of Slums uma viagem a um mundo fami-liar:odasfavelasemexpanso,doempobrecimentodasclassesmdiasurbanasedafugadesesperadadaselitesparaqualquerlugarquelhesprometaescapardaviolncia,dosengarrafamentosedapoluioparaobterqualidadedevida.Umacidadeimpulsionadapelo negcio imobilirio, em que as foras de mercado,difundidas como nunca, tudo controlam. No se trata,noentanto,donossoplaneta,danossacidadeemparticular, mas do universo urbano em geral e, mais es-pecificamente, das metrpoles do terceiro mundo.Nosculopassado,acreditava-sequeahumani-dade estava caminho da cidade e que essa urbaniza-o,comomodernizao,eraumfenmenopositivo.Talcrenaparecenomaisexistireoprocessocont-nuo de urbanizao mostra-se como catstrofe mun-dial.Asmetrpoles,policntricasecomplexas,tor-nam-semegalpoles:extensasreasconurbadasqueperdemosencantosdavidanocampo,semobter,em troca, as vantagens da vida na cidade, causando,por fim, a degradao, graas ocupao desordenada.Os fenmenos que motivam essa falta de otimis-moeaperdadautopiaurbanaqueaparentementeparalisaoplanejamentoeasaesgovernamentaisno so novos. A pobreza, a decadncia e a insalubrida-de de reas segregadas e sua estigmatizao, a predomi-nncia do trabalho informal e a proliferao do crime,bem como a expulso dos pobres para a periferia, soaspectos do capitalismo. Fazem parte dos lugares e dascidades, distante das que servem como modelos de ur-banismo. Oque h de novo na urbanizao contempo-rnea so os efeitos negativos concentrados no terceiromundo, principalmente na frica e no sul da sia. O quadro pintado por Mike Davis, em cores for-tes,odaurbanizaops-moderna,globalizadaeneoliberalqueemergiudepoisdedcadasdeajuste101R. B. ES TUDOS URBANOS EREGI ONAI S V. 8, N. 1/ MAI O2006econmico. Recorrendo a um vastssimo corpo de in-formaes,olivroapresentaindicadoresmundiaisdecrescimento populacional, de pobreza, de insalubrida-de,demortalidadeinfantiletc.,comosefossemdosmesmoslugares.Quidadosdafavelaglobalque,segundo ele, est sendo construda e sobre a qual ain-da faltam informaes. Este exerccio, que nos faz via-jar a cada pargrafo de Bangalore na ndia a Lagos naNigria, e da ao Rio de Janeiro, ao Mxico ou a San-tiago, no chega a ser problema. Grave a falta de con-ceituao do termo slums, traduzido na edio brasi-leira como favelas. DaviscriticaadefiniooficialdaONU sobreslums por permanecer restrita s caractersticas fsicas elegais dos assentamentos superlotao, casas pobresouinformais,comacessoinadequadoguaesanea-mento bsico, sem segurana de posse o que dificul-tasuamensuraosocial.Contudo,suadescriodoque, no Cone Sul, denominamos favelas, villas miseriasou cantergilles engloba, alm das favelas, o aluguel pa-ra pobres, os cortios, as invases de terras e casas, osloteamentosirregulares,bemcomoosmoradoresderua...Ouseja,todasasformasdemorardospobresque, como sabemos, nem sempre ocorrem nas favelas.A pobrezaeospobresurbanossooverdadeiroobjeto deste trabalho. Ele retoma, assim a problemti-cadamarginalidade,talcomocriticadaporCastellsnos anos 1960, isto , como relao entre moradia emfavelaseinseronummercadodetrabalhoprecrioou informal. Para Davis, aquela crtica no mais se sus-tenta, pois a partir dos anos 1990 a informalidade re-tornou com violncia. O crescimentourbanosemcrescimentoecon-mico e sem industrializao, ou melhor, com recesso,tem sido a tnica do processo contemporneo de urba-nizao, em boa parte do terceiro mundo. Trata-se deum processo de involuo urbana. Este termo difundi-do entre ns a partir do uso feito por Milton Santos,dotermocunhadoporGeertznosanos1950,serveaquiparadenunciarqueoretrocesso social,econ-micoeurbanodascidadesdoterceiromundo,noobedeceaumafatalidadetcnica:efeitodasdvidasexternase,principalmente,daspolticasdeajustees-truturalpromovidaspeloFundoMonetrioInterna-cional e pelo Banco Mundial. O ponto forte do livro consiste exatamente emmostrarcomoapolticadasagnciasinternacionais controladas pelos Estados Unidos e orientadas porcritrioseconmicosneoclssicostemsidocapazde forar, progressivamente, o fim de polticas inclu-sivasdedesenvolvimentoeconmico,socialeurba-no. E como impe uma poltica internacional contraa pobreza atravs do que Davis denomina Tringu-lodeFerro.Profissionaistransnacionaisbaseadosem ministrios governamentais-chave, especialmentefinanas, agncias de desenvolvimento lateral e mul-tilateraleOngsinternacionais,promovempolticasdeerradicaodapobreza,visandoademocratiza-o, a ajuda mtua, o desenvolvimento do capital so-cial e o fortalecimento da sociedade civil. Sua susten-taoinstitucionalnoterceiromundosoOngslocais e regionais.Naprtica,essesarranjos,talcomoasorganiza-es patrocinadoras da luta contra a pobreza nos Esta-dos Unidos dos anos 1960, so brilhantes em cooptaras lideranas locais, bem como em homogeneizar o es-pao ocupado tradicionalmente pela esquerda ... Salvoraras excees, a revoluo da sociedade civil tem con-duzido burocratizao e ao enfraquecimento dos mo-vimentos sociais urbanos. digno de nota que as agncias e seus operado-res locais tm sido muito eficazes em combinar discur-sos acirrados e aes conservadoras. A defesa da auto-ajuda e do empreendedorismo, por exemplo, ao invsde promover uma economia solidria e o desenvolvi-mentoautnomo,nofazemmaisqueaumentaraconcorrnciaentre ospobres,radicalizandoaecono-mia de mercado e legitimando-a. O arranjo promovi-do pelas agncias internacionais elimina, ento, a pers-pectivadequalquersadadetiposocialdemocrtica.Seus funcionrios e representantes locais agem, agora,tal qual funcionrios coloniais do passado.Ofenmeno da urbanizao mundial e da expan-so da pobreza, mais que desconhecimento, revela o ci-nismo e a ausncia de perspectivas do pensamento do-minante,que,antesdeestimularpolticaseficazesdelutacontraapobrezaeaprecariedadeurbana,prev,paraumfuturoprximo,aescaladadosconflitosnascidades. Portanto, prepara-se o caminho para a milita-rizao da questo urbana, que no seno a existn-cia de um exrcito de reserva que espera lugar no pro-cessodetrabalhotornando-seestigmatizado:umamassa redundante permanente. Assim, o processo defavelizao mundial a real crise do capitalismo.R. B. ES TUDOS URBANOS EREGI ONAI S , V. 8, N. 1/ MAI O 2006102R E S E N H A SUM MURAL PARA A DOR: MOVIMENTOS CVICO-RELIGIOSOS PORJUSTIA E PAZPatricia Birman e Mrcia Pereira Leite (orgs.)Porto Alegre: Ed. UFRGS/Pronex-CNPq, 2004.Lidia MedeirosUERJO vocabulrio utilizado para designar os fenme-nos relativos ao amplo conjunto de eventos usualmen-te designados como violncia urbana vem sofrendo, aolongodotempo,umalentaegradualtransformao.Os debates em torno do tema, sobretudo no Rio de Ja-neiro,tmcotejadotemasdosmaisdistintos:crime,banditismo,marginalidade,aodapolcia,controlesocial, desordem, vadiagem, linchamento, homicdios,entre outros. A partir do incio da dcada de 1990, avisodoRiocomoumacidadepartida,conformenosinformaZuenirVenturaemCidadepartida(1994), marcada pela separao e pela segregao, pas-sa a tomar conta das interpretaes sobre o fenmenoe do imaginrio social dos moradores da cidade. As no-esquepassaramapovoarnoticirios,textosacad-micos e conversas informais foram as de terror, cruel-dade,trficodedrogas,guerra(oumetforadaguerra(MrciadaSilvaPereiraLeite,Paraalmdametfora da guerra, 2001), violncia policial, conflito,criminalidadeviolenta,sociabilidadeviolenta.Essamudana de foco nas preocupaes a respeito da tema-tizaodoproblemadizrespeitoaoqueMachadodaSilva (Sociabilidade violenta, 2004, p.291-2) identificacomo uma das expresses atuais do desenvolvimentohistrico do individualismo, ou seja, uma de suas for-mas cristalizadas, que resulta nas formas contempor-neasdeorganizaosocialdasrelaesdeforaqueso legal e administrativamente definidas como crimecomum violento.Paralelamente, as anlises relativas aos movimen-tossociaisapontamparaumamudanadefoconassuas formas de tematizao e ao. De um perfil reivin-dicativo e combativo, que cultivava uma cultura pol-ticadeprotestovinculadasesquerdastradicionais(cf. Birman, neste volume) na luta contra uma situaode marginalidade social, os movimentos sociais ps-di-tadura militar passaram a preocupar-se com a supera-