Vozes Silenciadas - Pesquisa

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    16-Mar-2016

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Intervozes - Estudo realizado sobre a visualidade do MST na mdia.

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  • A cobertura da mdia sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem

    Terra durante a Comisso Parlamentar Mista de Inqurito

  • Relatrio

    Vozes silenciadasA cobertura da mdia sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais

    Sem Terra durante a Comisso Parlamentar Mista de Inqurito

    Realizao

    Apoio

    So Paulo, 2011

  • Vozes silenciadasA cobertura da mdia sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem

    Terra durante a Comisso Parlamentar Mista de Inqurito

    Pesquisa e redao Mnica Mouro

    Colaborao Douglas Moreirarica Daiane Gsio Passos Helena Martins Joo Brant Jonas Valente Mayr Lima Paulo Victor Reviso Bia Barbosa rica DaianeGsio PassosJacson Segundo Projeto grfico e diagramao Ana Rita CunhaCapa - Gsio Passos

    FotosAgncia Brasil Agradecimentos Alan Santiago Fernanda Papa Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)FITERT - Federao Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifuso e Televiso Apoio Fundao Friedrich Ebert StiftungC3- Centro de Competencia de Comunicacin para Amrica LatinaFITERT - Federao Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifuso e Televiso

    Intervozes - Coletivo Brasil de Comunicao Socialwww.intervozes.org.brRua Rego Freitas, 454 - Cj 122 - 12 andar - Repblica So Paulo - SPCEP: 01220-010 - Tel: 11 3877.0824

  • Sumrio

    1. Introduo

    2. Metodologia

    3. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)

    4. Veculos analisados

    5. Miniglossrio de termos jornalsticos

    6. Lista de siglas

    7. Dados ms a ms

    7.1. FEVEREIRO

    7.2. MARO

    7.3. ABRIL

    7.4. MAIO

    7.5. JUNHO

    7.6. JULHO

    8. Anlise da cobertura

    9. Consideraes finais

    10. Bibliografia

    11. Anexo

    6

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    13

    15

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    58

  • Vozes silenciadas

    7

    Introduo

    Quem atua em movimentos sociais ou sen-

    svel s suas causas tem a impresso de

    que a mdia no os trata como deveria. J

    se tornou uma expresso comum a criminalizao

    dos movimentos sociais pela mdia, que reflete esse

    incmodo com a cobertura da imprensa acerca das

    aes dos movimentos.

    esse incmodo que move a presente pesquisa.

    Para saber se isso realmente acontece, necessrio

    fazer uma anlise que no demonize, mas compre-

    enda a lgica dos veculos da imprensa massiva. Por

    isso, a pergunta a responder : como a mdia de refe-

    rncia nacional constri sentidos acerca dos movi-

    mentos sociais?

    O presente estudo de caso aborda o Movimento

    dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O pr-

    prio MST reflete sobre a atuao da grande imprensa.

    Seu conflito com a mdia expresso no documento

    Linhas Polticas para a Assessoria de Imprensa. Nele,

    diz-se que a grande imprensa atua com a finalidade

    de cooptar os militantes atravs de trs estratgias:

    personificao da luta; diviso do movimento atravs

    da contraposio de declaraes de dirigentes; e

    criminalizao, com a criao do estigma de movi-

    mento violento, clandestino e ilegal. Para o Movimento

    Sem Terra, essas aes possuem um sentido claro:

    desmoralizar e desvirtuar o verdadeiro sentido da or-

    ganizao dos movimentos1.

    Para dar conta do tema, foram utilizadas refern-

    cias metodolgicas que permitam ir alm da dicotomia

    interesses das empresas de comunicao x interess-

    es dos movimentos sociais. O seguinte relatrio, resul-

    tado da anlise de 301 matrias que mencionaram o

    MST ao longo do perodo em que ele foi alvo de uma

    Comisso Parlamentar Mista de Inqurito (CPMI) no

    Congresso Nacional, traz a metodologia utilizada para

    a pesquisa; um pouco da histria do MST; a relao

    dos veculos que fizeram parte do universo pesquisa-

    do; um miniglossrio de termos jornalsticos e das

    principais siglas usadas no documento. Esses tpi-

    cos contextualizam a pesquisa para que o leitor tenha

    acesso, em seguida, aos dados numricos de cada

    ms e, por fim, aos dados gerais com uma anlise da

    cobertura.

    1 Trecho escrito a partir de colaborao de Helena Martins do R. Barreto.

  • Vozes silenciadas

    8

    Metodologia

    O objeto a ser pesquisado foi recortado de

    forma a se trabalhar com um movimento

    nacional consolidado e que tem sido pauta

    constante da mdia: o Movimento dos Trabalhadores

    Rurais Sem Terra (MST). No ano de 2010, o MST foi

    objeto de uma Comisso Parlamentar Mista de Inqu-

    rito (CPMI) no Congresso Nacional, realizada entre os

    meses de fevereiro e julho. O perodo a ser pesquisa-

    do vai, portanto, de 10 de fevereiro, data da primeira

    reunio da CPMI, a 17 de julho, dia da votao do

    relatrio final da referida Comisso.

    O corpus da pesquisa formado por trs jornais

    de circulao nacional (Folha de S. Paulo, O Estado

    de S. Paulo e O Globo); trs revistas tambm de circu-

    lao nacional (Veja, poca e Carta Capital); e os dois

    telejornais de maior audincia no Brasil: Jornal Na-

    cional, da Rede Globo, e Jornal da Record. O corpus

    considera apenas matrias que citam explicitamente

    o MST. Para localiz-las, partiu-se do prprio clipping

    do Movimento, exceto no caso de telejornais, em que a

    palavra-chave MST foi pesquisada nos sites do Jor-

    nal Nacional e do Jornal da Record, totalizando um

    universo de 301 matrias.

    Matria, neste caso, qualquer unidade de

    produto jornalstico em formato de texto ou audiovisu-

    al. O nome genrico pode significar textos de gneros

    diferentes e que, por isso mesmo, estabelecem com

    o leitor/ telespectador contratos de leitura diferentes.

    Assim, verifica-se se o texto uma carta do leitor, um

    artigo ou uma notcia e cada formato analisado de

    forma diferenciada especialmente quando fazem

    parte do jornalismo informativo ou opinativo.

    Essas especificidades sero melhor explicadas ao

    longo da anlise. Por agora, importante acrescentar

    que do texto opinativo no se exige certos cuidados,

    por exemplo, em relao ao uso de adjetivos. Uma

    regra dos textos jornalsticos informativos que esse

    tipo de palavra no deve ser usado quando representa

    um juzo de valor, enquanto nos textos que apresen-

    tam claramente a opinio do autor esse recurso seria

    aceitvel. Vale lembrar que o jornalismo informativo

    tem pretenso verdade. Portanto, ao invs de afir-

    mar que um evento foi grandioso, por exemplo, cita

    o nmero de participantes. O resultado talvez seja o

    mesmo, mas a forma como o discurso construdo faz

    com que o texto se apresente para o leitor/ telespecta-

    dor como um fato ou uma opinio.

    Em relao metodologia empregada, ela en-

    volve a anlise de enquadramento, anlise do dis-

    curso e anlise de contedo. O objetivo de analisar

    a construo de sentidos acerca do MST parte do

    entendimento de que o jornalismo no nem po-

    deria ser retrato objetivo da realidade. Ao contrrio

    do que afirma a chamada teoria do espelho, segun-

    do a qual as notcias refletem a realidade, apesar de

    constiturem um discurso centrado no referente, elas

    so construes sociais que dependem de inmeros

    fatores, como contexto scio-histrico, ao pessoal

  • Vozes silenciadas

    9

    e diretrizes institucionais das empresas de comuni-

    cao. Dessa forma, a deciso sobre o que notcia

    ou como os acontecimentos passam forma de not-

    cia no deve ser atribuda apenas realidade, nem

    deciso subjetiva de uma ou algumas pessoas, nem

    s imposies das instituies produtoras de notcias

    (White apud Traquina, 1993). As notcias so fruto de

    contradies e consensos que envolvem todas as

    questes citadas acima, alm de algumas outras.

    O jornalismo formado, portanto, por prticas

    discursivas que tm pretenso verdade. Embora,

    como afirmado, essa nunca possa ser alcanada,

    a pretenso verdade aparece na linguagem e nas

    fontes procuradas pelos jornalistas para dar respaldo

    s notcias.

    As fontes autorizadas ou dignas de crdito cos-

    tumam ser representantes da sociedade (como inte-

    grantes do Executivo, do Legislativo ou do Judicirio)

    e especialistas. No primeiro caso, h fontes que, teo-

    ricamente, falam em nome do povo ou que tomam

    decises com potencial para se tornar notcia, j que

    interessam a uma grande quantidade de pessoas. No

    segundo caso, esto aqueles que se consideram mo-

    vidos por interesses cientficos e, portanto, numa ideia

    positivista de cincia, no teriam interesses pessoais.

    Assim, suas declaraes seriam confiveis (Hall et. al.

    apud Traquina, 1993).

    Stuart Hall chama essas fontes de primary

    definers e atribui a elas grande influncia na escolha

    das pautas e no enfoque das matrias. De acordo com

    Hall,

    os argumentos contrrios a uma interpre-

    tao primria so obrigados a inserirem-se

    na sua definio de o que est em questo

    devem ter como seu ponto inicial esta es-

    trutura de interpretao. [...] Efetivamente, a

    definio primria estabelece o limite de to-

    das as discusses subsequentes atravs do

    seu enquadramento do problema (Ibidem, p.

    230, com grifos no original).

    Esses definidores primrios ajudam a com-

    preender por que o jornalismo, em sua maioria, a-

    dequa-se s ideologias dominantes numa sociedade.

    Embora tenhamos no Brasil um modelo de mdia con-

    centrada em poucas empresas privadas que, normal-

    mente, so parte de conglomerados de comunicao

    social ou mesmo de empresas que atuam com outros

    produtos, Hall considera pobre fazer uma associao

    automtica entre esse fato e o enquadramento domi-

    nante dado s notcias. Por isso, enfatiza que os me-

    dia no criam automaticamente as notcias; melhor,

    esto dependentes de assuntos noticiosos espec-

    ficos oferecidos por fontes institucionais regulares e

    credveis (Ibidem, 228).

    Essa observao de Hall conduz a no reduzir

    a postura ideolgica das matrias simplesmente ao

    fato de que, em sua maioria, os interesses dos pro-

    prietrios dos meios de comunicao social no Brasil

    coincidem com as ideias dominantes contrrias s

    dos movimentos sociais. Porm, o prprio autor que

    faz uma ressalva em relao autonomia relativa da

    cultura, que significa no haver uma relao de deter-

    minismo entre os mbitos econmico e cultural.

    Segundo Hall, uma das formas pelas quais o

    poder opera na esfera aparentemente descentrada

    da cultura atravs da luta por seu aproveitamento

    a fim de sobrep-la, regular e cercar suas diversas

    formas e energias transgressivas dentro da estrutura

    e da lgica de um duplo movimento cannico (Idem,

  • Vozes silenciadas

    10

    2008, p. 224). Assim, consideramos que, embora as

    relaes econmicas no determinem as demais

    relaes numa sociedade, a esfera que detm o poder

    busca controlar os diferentes espaos social, polti-

    co, cultural, entre outros.

    Parte-se tambm da compreenso de que dis-

    cursos produzem sentidos e que tais sentidos criam

    ou enquadram olhares acerca dos acontecimentos e

    atores sociais. Como atravs da mdia que a maio-

    ria dos fatos pblicos so conhecidos, a forma como

    ela constri essa realidade a principal motivao

    desse trabalho. Considerando-se que o real algo a

    que se tem acesso somente atravs da mediao da

    linguagem, a pesquisa foca sua ateno nos termos

    usados e na maneira como so tecidos os discursos

    miditicos.

    Para isso, so utilizadas algumas tcnicas de

    anlise do discurso. A metodologia empregada no

    uma anlise do discurso pura; no trabalha com for-

    maes e sequncias discursivas nem com o rigor exi-

    gido neste caso. Mas uma das principais inspiraes

    para a pesquisa, visto que a anlise do discurso leva

    em considerao diversas das questes que movem

    esse trabalho.

    Dentre as preocupaes do estudo esto o

    mapeamento das vozes e a identificao dos sentidos:

    saber quem so os locutores, a quem dado direito

    voz nas matrias analisadas e tambm que sentidos

    so construdos atravs delas.

    O dizer produz um efeito de literalidade, que

    a impresso do sentido-l (ORLANDI,

    2001), a impresso de algo que natural,

    bvia e evidentemente s poderia significar

    isto, como se o sentido existisse de forma

    independente e pudesse simplesmente ser

    acessado ou no. [...] A pretenso de desam-

    biguizar o mundo (MARIANI, 1998), que sus-

    tenta o jornalismo a partir de seu objetivo de

    relatar fielmente os acontecimentos, releva-

    se frgil e ilusria sempre que problematiza-

    da pelo vis da linguagem (Benetti, 2007, p.

    108, com grifos no original).

    Assim, a anlise do discurso prope uma des-

    construo, para que se chegue a algo anterior for-

    ma como os sentidos aparecem que, segundo esse

    mtodo, seria a ideologia (ou formaes ideolgicas).

    A ideologia no aparece apenas de forma consciente.

    Os discursos no se formam plenamente de maneira

    intencional, mas so o dizer possvel em determinado

    contexto.

    No caso do jornalismo, assim como faz a anlise

    de enquadramento, a anlise do discurso precisa levar

    em conta tambm os constrangimentos organizacio-

    nais, ou seja, as relaes de trabalho nas redaes,

    a necessidade de referenciar o discurso atravs de

    fontes legtimas, a posio da empresa jornalstica na

    sociedade.

    A anlise do discurso trabalha no s com o dis-

    curso dito, mas tambm com o no-dito, com o silen-

    ciamento. Para isso, o pesquisador precisa ter conhe-

    cimento sobre o tema em questo, para que confronte

    suas referncias externas ao discurso e, assim, possa

    localizar e interpretar o que est ausente.

    Quanto ao mapeamento de vozes, o jornalismo

    afirma-se como uma prtica discursiva polifnica, que

    permite a audincia de uma pluralidade de locutores e

    enunciadores. Uma matria que traz diversos pontos

    de vista seria um discurso polifnico. Contudo, nem

  • Vozes silenciadas

    11

    Os trs tipos de metodologia empregados surgem

    no questionrio elaborado para ser aplicado em cada

    matria do corpus. As perguntas feitas foram:

    VECULO:

    EDIO/ DATA:

    TTULO:

    01. Qual o tema da matria?

    02. Qual o tamanho da matria?

    03. Caso o MST no seja o tema central, qual

    o tamanho do trecho que se refere ao MST?

    04. Qual o tipo de matria?

    05. Quais as fontes ouvidas?

    06. As fontes ouvidas apresentam posies

    divergentes:

    a) entre elas?

    b) com a posio do autor da matria (caso

    seja possvel perceb-la)?

    07. A matria posiciona o MST e suas aes

    num campo de sentidos negativo, positivo,

    equilibrado ou no possvel perceber?

    08. Qual o espao dados s fontes (em carac-

    teres ou em minutos)?

    09. Alguma das fontes citada no primeiro

    pargrafo (lide), no caso dos veculos impres-

    sos, ou na chamada da matria televisiva (ca-

    bea)? Qual?

    10. Foram usados termos negativos em refe-

    rncia ao movimento, suas causas ou aes?

    Quais?

    11. So usados adjetivos nos trechos que

    sempre se atinge a polifonia ouvindo uma grande

    variedade de fontes. Isso porque possvel ter vri-

    as fontes que se situam numa mesma posio. Para

    complexificar a diversidade de posicionamentos ideo-

    lgicos num discurso, a anlise do discurso diferencia

    locutor de enunciador.

    O enunciador pode ser entendido como a

    pessoa de cujo ponto de vista so apresen-

    tados os acontecimentos (Ducrot, 1987, p.

    195). O locutor quem fala, o enunciador

    aquele a partir de quem se v. Ou seja: o

    enunciador deve ser identificado, na anlise

    das vozes, como a perspectiva a partir da

    qual o enunciador enuncia. Essa perspectiva

    est diretamente associada a uma posio

    de sujeito, conformada tambm por in-

    scries culturais, sociais e histricas, que

    podemos (...) reunir nas formaes ideolgi-

    cas (Ibidem, p. 119).

    Assim, interessa no apenas a quantidade de lo-

    cutores presentes numa matria, mas tambm se eles

    se posicionam em formaes ideolgicas diferentes.

    Em geral, os locutores de uma matria jornalstica so

    as fontes, o jornalista-indivduo (matria assinada), o

    jornalista-instituio (texto no assinado), o leitor que

    assina a carta publicada (Ibidem, p. 116).

    Com relao anlise de contedo, foi utilizada

    especialmente a relao entre anlise quantitativa e

    qualitativa e a preocupao com a frequncia com

    que situaes, pessoas e lugares aparecem na mdia

    (Shoemaker; Reese apud Herscovitz, 2007, p. 123).

    Dessa forma, foi feita uma contagem de frequncia

    do contedo manifesto e uma avaliao do contedo

    latente a partir do sentido geral dos textos (Ibidem, p.

    126, 127).

  • Vozes silenciadas

    12

    tratam do MST? Quais? A que atores sociais

    ou fatos eles se referem?

    12. A matria cita resultados de pesquisas e

    dados estatsticos?

    13. A matria cita legislao? Qual?

    14. O ngulo da matria de conflito ou

    soluo?

    15. A matria cita atos violentos?

    16. Se sim, o MST vtima ou autor?

    17. O autor da matria utiliza a primeira ou a

    terceira pessoa verbal?

    18. O MST est no ttulo da matria?

    19. Se sim, de forma direta ou indireta?

    20. Se sim, o ttulo coloca o MST num campo

    positivo ou negativo de sentidos, ou no

    possvel perceber?

    A escolha das perguntas desse questionrio leva

    em conta tanto aspectos importantes para as metodo-

    logias selecionadas quanto para os critrios do que

    seria jornalismo de qualidade. H uma subjetividade

    envolvida nesse conceito, porm, se o jornalismo se

    autorreferencia como espao de pluralidade, um crit-

    rio para considerar a matria de qualidade seria, por

    exemplo, a diversidade de fontes. Alm disso, quando

    se trata de textos informativos, todo dado que colabore

    com a acuidade dessa informao bem-vindo. Por

    isso, importante saber se os textos citam dados es-

    tatsticos, resultados de pesquisas, legislaes. Sig-

    nifica que o autor cercou-se de cuidados ao contar e

    interpretar aqueles acontecimentos para seus leitores/

    telespectadores. Em textos opinativos, no se faz esse

    tipo de exigncia, mas se deve tambm levar esses

    critrios em considerao, pois eles fortalecem os ar-

    gumentos do autor.

    A referncia ao autor da matria leva em conta

    que esse autor no um nico ser dotado de todo o

    poder para a construo de sentidos, mas sim uma im-

    bricao entre as relaes de trabalho nas redaes,

    a poltica editorial dos veculos e os acontecimentos

    da realidade em construo. Alm disso, como j cita-

    do, o autor pode ser o jornalista-indivduo, o jornalista-

    instituio, o leitor que assina uma carta ou o colabo-

    rador que escreve um artigo. Mesmo no caso de textos

    feitos por autores de fora da redao, como os colabo-

    radores e os leitores, no se pode perder de vista que

    a publicao de todo material uma deciso daque-

    les que fazem o veculo. Portanto, tambm dizem algo

    acerca do jornal ou revista em questo.

    So consideradas fontes ouvidas em uma mat-

    ria algum com voz ou algum documento citado, cujo

    posicionamento relatado de forma direta ou indireta.

    A fonte citada de forma direta quando se utiliza o dis-

    curso direto, com recurso das aspas ou do travesso

    para marcar que aquela fala de outro locutor que no

    o autor da matria. Mas tambm so consideradas

    fontes ouvidas quando, mesmo atravs do discurso

    indireto (usando construes como segundo ou de

    acordo com) aquele ator social tem suas ideias repro-

    duzidas de forma explcita.

    Questes que se referem ao tamanho da mat-

    ria, ao espao dado ao MST e s fontes, presena

    de fontes no primeiro pargrafo ou do MST no ttulo

    visam perceber qual a relevncia que o Movimento

    tem naquela matria. Assim, analisa-se se o MST

    aparece prioritariamente de forma tangencial ou de

    forma principal e se existe espao para seu posiciona-

    mento. Considera-se que o MST aparece no ttulo de

  • Vozes silenciadas

    13

    forma indireta quando so usados termos que se re-

    ferem ao Movimento (como sem-terra, por exemplo),

    permitindo ao leitor ou telespectador identific-lo. No

    caso de palavras como eles ou lder a pesquisa no

    considerou que o MST estava no ttulo.

    Quando a pergunta a responder se determinada

    matria cita adjetivos nos trechos referentes ao MST,

    foram considerados apenas os adjetivos que represen-

    tam juzo de valor. Por exemplo: em reforma agrria ou

    propriedade rural no so mencionados adjetivos. Por

    outro lado, em partido radical ou instituies incompe-

    tentes, considerou-se o uso de adjetivos.

    Quanto s perguntas sobre os termos utilizados, a

    construo de sentidos e o posicionamento dos locu-

    tores, a pesquisa se aproxima das anlises de conte-

    do e do discurso. uma busca por compreender o sig-

    nificado subjacente do contedo veiculado e, portanto,

    de que forma ele constri sentidos para os leitores e

    telespectadores em relao ao MST.

    A questo sobre atos violentos procura confirmar

    ou rejeitar a percepo tida a priori: a de que os meios

    de comunicao de massa, em geral, criminalizam os

    movimentos sociais. Com relao ao MST, isso feito

    frequentemente associando o Movimento a aes vio-

    lentas, como invaso e destruio de propriedades.

    O ngulo da matria reflete uma preocupao

    em perceber se o texto apenas relata conflitos ou se

    apresenta solues a eles. Sabe-se que a maioria das

    matrias jornalsticas vira notcia justamente por ser

    algo que foge normalidade, que explode em meio

    aos assuntos cotidianos. Contudo, o jornalismo pode

    apresentar esses acontecimentos incomuns de modo

    a apontar para sadas e consensos. Uma matria pode

    apresentar questes de violncia no campo, mas seu

    tom de soluo quando mostra como esses conflitos

    podem ser resolvidos.

    Saber qual a pessoa verbal usada pelo autor da

    matria significa verificar se os sentidos foram cons-

    trudos de forma pessoal ou impessoal. Faz-lo de

    forma impessoal, apagando as marcas do narrador,

    uma das estratgias dos discursos que tm preten-

    so verdade. Dizer eu acho certamente tem menos

    fora do que afirmar que . Ao optar pela segunda

    forma, o jornalismo d pouco espao contestao e

    deixa pequena a margem para se perceber que, assim

    como qualquer outro discurso, o jornalstico tambm

    construdo e, portanto, no significa a verdade.

  • Vozes silenciadas

    14

    O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

    2

    A histria do MST

    comea antes ainda

    de sua formao,

    como herdeiro de outros

    movimentos brasileiros pela

    distribuio de terra na rea

    rural. Um desses movimen-

    tos foram as Ligas Campone-

    sas, que comearam a ser

    organizadas na dcada de

    1950 e foram reprimidas pela

    ditadura militar brasileira. J

    nos anos 1960, o Movimento

    dos Agricultores Sem Terra

    (MASTER), ligado ao Partido

    Comunista Brasileiro (PCB) e esquerda do Partido

    Trabalhista Brasileiro (PTB), integrou as lutas dos

    camponeses no pas.

    Com o golpe militar de 1964, os movimentos ru-

    rais foram sufocados. Os programas de colonizao

    na Amaznia deviam responder aos excedentes do

    campo. Porm, o retorno de colonos que haviam par-

    ticipado de vrias lutas sociais no Brasil e a recusa de

    outros em aceitar terras fora do Estado teriam sido os

    primeiros sinais para a reorganizao dos campone-

    ses sem-terra.

    Tambm teve papel importante nessa reorgani-

    zao a criao, em 1975, da Comisso Pastoral da

    Terra (CPT), entidade ligada Igreja Catlica e, mais

    especificamente, Teologia da Libertao. A CPT con-

    centra sua atuao na denncia da violncia no cam-

    Protesto do MST em 14 de junho de 2007. Foto: Wilson Dias/ABr

    2 Esse tpico foi escrito a partir de colaborao de Helena Martins do R. Barreto.

  • Vozes silenciadas

    15

    po e na defesa dos direitos humanos. Os encontros

    promovidos pela CPT colaboraram para a articulao

    dos militantes que fundariam, em 1984, o Movimen-

    to dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), com

    abrangncia nacional. J no princpio, havia a com-

    preenso de que o principal inimigo dos sem-terra era

    o modelo de desenvolvimento econmico, que privile-

    giava os grandes empresrios.

    Desse modo, os objetivos do movimento so no

    apenas garantir o direito terra, mas tambm uma

    Reforma Agrria que implique numa mudana estru-

    tural no campo, com uma poltica de Estado voltada

    para a sustentabilidade da produo de pequenas pro-

    priedades. Tambm desde o incio do movimento foi

    elencada como objetivo a construo de uma socie-

    dade mais justa, sem explorados e sem exploradores.

    Assim, o MST compreende a luta pela terra como um

    dos princpios para se alcanar essa sociedade mais

    justa, por relacionar a propriedade da terra ao poder.

    Protesto de mulheres do MST contra o ento presi-dente norte-americano George Bush em 8 de maio de

    2007. Foto: Marcello Casal Jr/ABr

  • Vozes silenciadas

    16

    representantes afirmam-se contra extremismos tanto

    de esquerda, quanto de direita. Porm, o jornal prefe-

    ria pender para esta ltima se o caso fosse combater

    o comunismo. Segundo editorial do prprio jornal, de

    15 de julho de 1927: Somos conservadores. Entre os

    regimes coletivistas ou comunistas que abolem a pro-

    priedade privada e os outros que a mantm, no va-

    cilamos, somos pelos outros (Capelato, Prado, 1980,

    p. 105). Em 2010, O Estado publicou editorial apoiando

    a candidatura de Jos Serra (PSDB) Presidncia da

    Repblica.

    Folha de S. Paulo

    Sua histria se inicia em 1921, com a criao do jor-

    nal Folha da Noite. Nos anos seguintes (1925 e 1949,

    respectivamente) foram criadas tambm a Folha da

    Manh e a Folha da Tarde. Apenas em 1960 os trs

    peridicos foram fundidos em um s: Folha de S. Pau-

    lo. Em 1962, o jornal foi vendido para Octavio Frias

    de Oliveira e Carlos Caldeira Filho. Nelson Werneck

    Sodr, autor de obra de referncia para a histria do

    jornalismo brasileiro, considera-o o primeiro jornal do

    pas a surgir organizado como empresa (Silva, 1988,

    p. 39). Esse carter empresarial foi reforado durante a

    dcada de 1980, com a implementao do Projeto Fo-

    JORNAIS IMPRESSOS

    O Globo

    Foi fundado em 1925, no Rio de Janeiro, pelo jorna-

    lista Irineu Marinho, que faleceu 21 dias depois da cri-

    ao do peridico. O jornal seguiu administrado por

    sua famlia. Em seu surgimento, foi considerado pela

    imprensa carioca moderno, com o feitio de um dirio

    europeu, desapaixonado e muito noticioso3, embora

    esse no fosse o tom de suas matrias durante seus

    primeiros anos de histria (Barbosa, 2007, p. 96). A-

    tualmente, faz parte das Organizaes Globo, que

    congregam tambm emissoras de rdio e TV, portais

    na internet e revistas. O jornal apresenta linha edito-

    rial conservadora, assim como os demais veculos das

    Organizaes Globo.

    O Estado de S. Paulo

    Fundado em 1875, o jornal propriedade exclusiva da

    famlia Mesquita desde 1902. Atualmente, seus donos

    tambm possuem emissoras de rdio, agncias de

    notcias e de publicidade. O Estado de S. Paulo se

    posiciona como um jornal liberal, que defende a fam-

    lia, a propriedade e a liberdade de expresso. Seus

    Veculos analisados

    3 Texto do jornal Dirio do Povo citado em O Globo em 31 de julho de 1925 (Barbosa, 2007, p. 96).

  • Vozes silenciadas

    17

    hegemnicas no mercado, como Veja e Isto. Inici-

    almente, tinha periodicidade mensal, que depois pas-

    sou a ser quinzenal. Desde 2001, tornou-se semanal.

    Sua tiragem mdia de 75 mil exemplares. Durante a

    gesto Lula, Carta Capital se posicionou claramente a

    favor do governo Federal.

    TELEJORNAIS

    Jornal Nacional

    O Jornal Nacional est no ar desde 1969, quando era

    apresentado por Hilton Gomes e Cid Moreira. Trans-

    mitido de segunda a sbado, desde 1998 tem frente

    o casal Ftima Bernardes e William Bonner. O JN

    veiculado, desde sua criao, pela Rede Globo, in-

    tegrante das Organizaes Globo. A TV foi fundada

    pelo jornalista Roberto Marinho, em 1965, a partir de

    concesso cedida pelo governo militar, apoiado pela

    emissora.

    Jornal da Record

    Estreou em 1972 e vai ao ar de segunda a sbado.

    Atualmente, apresentado por Celso Freitas e Ana

    Paula Padro. o telejornal noturno e de abrangn-

    cia nacional da TV Record, canal aberto fundado por

    Paulo Machado de Carvalho em 1953. Na dcada de

    1980, a emissora paulista, que fazia parte do grupo Sil-

    vio Santos, foi vendida para Edir Macedo, empresrio

    e bispo da Igreja Universal do Reino de Deus.

    lha, que visava justamente imprimir uma organizao

    industrial na redao. Em 2010, foi alvo de crticas

    de leitores e da ombudsman Suzana Singer por sua

    cobertura contrria candidata petista Presidncia

    da Repblica.

    REVISTAS

    Veja

    Seu projeto comeou a ser elaborado em 1959, mas

    o primeiro nmero da revista s viria a ser lanado

    nove anos depois, no dia 11 de setembro de 1968, com

    o ttulo Veja e leia. Os responsveis pela criao do

    peridico foram os jornalistas Victor Civita e Mino Car-

    ta. A revista Veja publicada pela Editora Abril, con-

    glomerado de propriedade da famlia Civita. Hoje com

    mais de 350 ttulos, a Editora existe desde a dcada

    de 1950. A revista atualmente conhecida por suas

    matrias editorializadas ou seja, que apresentam

    a opinio do peridico especialmente contrrias ao

    governo Federal encabeado pelo Partido dos Traba-

    lhadores (PT).

    poca

    publicada pela Editora Globo, fazendo parte assim

    do conglomerado Organizaes Globo. A revista

    semanal, e seu primeiro nmero data de 25 de maio

    de 1998. Atualmente, a tiragem de mais de 400 mil

    exemplares.

    Carta Capital

    Fundada em 1996 pelo jornalista Mino Carta, a Carta

    Capital foi criada como uma alternativa s revistas

  • Vozes silenciadas

    18

    Miniglossrio de termos jornalsticos

    LIDE

    o nome dado ao primeiro pargrafo de matrias

    jornalsticas informativas. Vem do ingls, do verbo to

    lead, que significa guiar. O lide deve responder a seis

    perguntas que resumiriam toda a notcia: quem?, o

    qu?, onde?, quando?, como? e por qu?.

    CABEA

    o primeiro pargrafo do texto de jornalismo televi-

    sivo. lido pelo apresentador, na bancada, antes da

    veiculao da matria feita pelo reprter. Em geral,

    responde a algumas das questes do lide.

    NOTA PELADA

    uma nota lida pelo apresentador de telejornal. Na

    nota pelada, aparece a imagem e a voz do apresenta-

    dor, sem imagens externas ao estdio.

    NOTA COBERTA

    Nota lida pelo apresentador de telejornal, mas coberta

    por imagens dos acontecimentos. Na nota coberta,

    assim como na nota pelada, no h a presena do

    reprter.

  • Vozes silenciadas

    19

    Lista de siglas

    CNA

    Confederao Nacional da Agricultura e Pecuria

    CPT

    Comisso Pastoral da Terra

    INCRA

    Instituto Nacional de Colonizao e Reforma Agrria

    MST

    Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

    UDR

    Unio Democrtica Ruralista

  • Vozes silenciadas

    20

    Dados ms a msApresentamos, neste tpico, os nmeros referentes a

    cada ms de cobertura. A anlise dos dados pode ser

    conferida no prximo captulo.

    FEVEREIRO

    tema

    EleiesDissidentes

    do MSTManifesta-

    o do MSTCorrupo

    CPI do MST4

    Questo agrria/ fundiria

    Reforma agrria

    Total 9 07 05 05 03 03 03

    Poltica externa/ outros pases

    Processo ou deciso judicial so-bre MST

    Conflito no campo

    Campanha da fraternidade do CNBB5

    JudicirioEduca-

    o Questo indgena

    03 03 02 01 01 01 01 474 Apesar de a CPI do MST ter sido uma comisso parlamentar mista, ou seja, uma CPMI, foi utilizada a nomenclatura empregada pela imprensa. 5 Confederao Nacional dos Bispos do Brasil.

    relevncia do mstMST assina a matria MST tema central MST no tema central Total

    0 30 17 47

    tipo de matriaNotcia Artigo Carta do leitor Coluna Editorial Nota Total

    28 06 04 04 03 02 47

  • Vozes silenciadas

    21

    campo de sentidosNegativo Positivo Equilibrado No possvel perceber Total

    30 02 03 12 47

    termos negativosSo usados No so usados Total So usados pelo autor

    27 20 47 21

    adjetivos

    So usados No so usados Total So usados pelo autor

    24 23 47 18

    dados estatsticosSo citados No so citados Total

    11 36 47

    legislao

    citada No citada Total

    05 42 47

    ngulo da matriaConflito Soluo No possvel perceber Total

    45 01 01 47

    atos violentos

    MST autor MST vtimaMST autor e

    vtima

    No so citados atos

    violentos

    Atos violentos no envolvem

    MSTTotal

    17 01 03 25 01 47

  • Vozes silenciadas

    22

    fontes ouvidasFonte

    N de matrias

    FonteN de

    matrias

    Advogado 01 MST 09

    Advogado de trabalhador rural 04 No h fontes ouvidas 07

    Caixa Econmica 03 Organismo internacional 01

    Candidata Dilma 02 Partido poltico 01

    CNA 04 Pessoa fsica 01

    Dissidente do MST 07 Polcia 04

    Empresa de agronegcios 01 Poltico 04

    Especialista 04 Proprietrio rural 01

    Executivo Federal 07 Partico Poltico (PT) 06

    Igreja 01 Sem-terra 01

    INCRA 10 Sindicato/ entidade de classe 01

    Instituto 01 Terceiro setor 01

    Judicirio 04 Trabalhador rural 03

    Legislativo Federal 04 UDR 01

    Mdia 03 Via Campesina 01

    divergncia de posiesH posies divergentes entre

    as fontesH posies divergentes entre

    fonte e autorNo h posies divergentes

    22 10 13

    espao das fontesMST tem mais espao MST tem menos espao Espao equilibrado

    0 02 06

  • Vozes silenciadas

    23

    relevncia das fontesMST est no lide Outra fonte est no lide No h fontes no lide

    0 02 07

    pessoa verbalTerceira pessoa Terceira e primeira pessoa Total

    41 06 47

    ttulo

    Presena no ttulo Sentido do ttulo

    MST est no ttulo de forma

    direta

    MST est no ttulo de forma

    indireta

    MST no est no ttulo

    MST est no ttulo de forma negativa

    MST est no ttulo de forma positiva

    MST est no ttulo de forma que

    no possvel perceber

    09 04 34 09 0 04

    tema

    Manifes-tao do

    MSTEleies

    Dissiden-tes do MST

    Reforma agrria

    Manifes-tao

    Abril Verme-

    lho6

    Meio am-biente

    Cor-rupo

    Total de

    temas

    07 06 05 04 03 02 02 02

    SadeAo da

    CNA

    Processo ou deci-so judi-cial sobre

    MST

    Presiden-te Lula

    Direito PolticaPoltica

    externa/ ou-tros pases

    Edu-cao

    02 01 01 01 01 01 01 01 406 Jornada anual de lutas do MST para lembrar o Massacre de Eldorado dos Carajs, em abril de 1996, quando 19 militantes sem-terra foram assassinados pela Polcia Militar no sul do Par.

    MARO

  • Vozes silenciadas

    24

    relevncia do mstMST assina a matria MST tema central MST no tema central Total

    01 27 12 40

    tipo de matria

    Notcia ArtigoCarta do

    leitorColuna Editorial Nota Citao Entrevista

    Comen-trio

    Total

    16 05 08 02 01 05 01 01 01 40

    campo de sentidosNegativo Positivo Equilibrado No possvel perceber Total

    21 04 03 12 40

    termos negativosSo usados No so usados Total So usados pelo autor

    24 16 40 22

    adjetivos

    So usados No so usados Total So usados pelo autor

    15 25 40 10

    pesquisas e dados estatsticosSo citados No so citados Total

    05 35 40

    legislao

    citada No citada Total

    05 35 40

  • Vozes silenciadas

    25

    ngulo da matriaConflito Soluo No possvel perceber Total

    36 02 02 40

    atos violentos

    MST autor MST vtimaMST autor e

    vtimaNo so citados atos violentos

    Atos violentos no envolvem MST

    Total

    15 02 03 18 02 40

    fontes ouvidasFonte

    N de matrias

    FonteN de

    matrias

    Candidato Serra 01 No h fontes ouvidas 16

    CNA 02 Partido poltico (PR) 01

    Comisso Pastoral da Terra 01 Partido poltico (PT) 02

    Dissidentes do MST 03 Personalidade/ artista 01

    Empresa 01 Proprietrio rural 01

    Especialista 02 Sem-terra 01

    Executivo Estadual 01 Sindicato/ entidade de classe 01

    Executivo Municipal 04 Sindicato de proprietrios rurais 01

    INCRA 03 Sociedade Rural Brasileira 01

    Mdia 02 Universidade 01

    Ministrio Pblico 01 Via Campesina 01

    MST 07

    divergncia de posiesH posies divergentes entre

    as fontesH posies divergentes entre

    fonte e autorNo h posies divergentes

    05 04 15

  • Vozes silenciadas

    26

    espao das fontesMST tem mais espao MST tem menos espao Espao equilibrado

    0 01 03

    relevncia das fontesMST est no lide* Outra fonte est no lide No h fontes no lide

    04 01 02

    * Num dos casos tabulados, a fonte dissidente do MST.

    pessoa verbalTerceira pessoa Terceira e primeira pessoa Total

    37 03 40

    ttulo

    Presena no ttulo Sentido do ttulo

    MST est no ttulo de forma

    direta

    MST est no ttulo de forma

    indireta

    MST no est no ttulo

    MST est no ttulo de forma negativa

    MST est no ttulo de forma positiva

    MST est no ttulo de forma que

    no possvel perceber

    08 05 27 05 0 8

    tema

    Abril Vermelho EleiesManifestao

    do MSTAo da CNA

    Conflito no campo

    40 25 08 03 03

    AbRIL

  • Vozes silenciadas

    27

    Governo Lula Reforma agrria PTPoltica externa/ outros pases

    Judicirio

    03 03 02 02 02

    Ao do Judicirio sobre conflito agrrio

    Educao Poltica Cultura Mdia

    01 01 01 01 01

    Regulamentao fundiria urbana

    Comisso Pastoral da Terra

    Presidente Lula

    Questo agrria/ fundiria

    Ao da CNA

    01 01 01 01 01

    MST Meio ambiente Total de temas

    01 01 103

    relevncia do mstMST assina a matria MST tema central MST no tema central Total

    0 61 42 103

    tipo de matria

    Notcia ArtigoCarta

    do leitorColuna Editorial Nota Comentrio Entrevista

    Nota coberta

    Total

    53 08 18 08 03 06 01 03 03 103

    campo de sentidosNegativo Positivo Equilibrado No possvel perceber Total

    76 07 04 16 103

    termos negativosSo usados No so usados Total So usados pelo autor

    71 32 103 66

  • Vozes silenciadas

    28

    adjetivos

    So usados No so usados Total So usados pelo autor

    61 42 103 39

    pesquisa e dados estatsticosSo citados No so citados Total

    13 90 103

    legislao

    citada No citada Total

    04 99 103

    ngulo da matriaConflito Soluo No possvel perceber Total

    98 02 03 103

    atos violentos

    MST autor MST vtimaMST autor e

    vtimaNo so citados atos violentos

    Atos violentos no envolvem MST

    Total

    55 0 10 35 03 103

    fontes ouvidasFonte

    N de matrias

    FonteN de

    matrias

    Candidata Dilma 12Movimento de Atingidos por

    Barragens01

    Candidata Marina 02 Movimento dos Sem Teto do Centro 01

    Candidato Serra 08 MST 32

    Candidatos polticos 01 No h fontes ouvidas 27

    CNA 09 Partido Poltico (DEM) 01

  • Vozes silenciadas

    29

    Comisso Pastoral da Terra 04 Partido Poltico (PMDB) 01

    Dissidente do MST 02 Partido Poltico (PT) 01

    Empresa do setor rural 05 Partidos polticos 01

    Especialista 07 Personalidade/ artista 01

    Executivo Estadual 02 Pessoa fsica 02

    Executivo Federal 04 Polcia 03

    Executivo Municipal 03 Poltico 04

    Frente da Luta por Moradia 02 Proprietrio rural 02

    INCRA 07 Sindicato de empresa 01

    Judicirio 06 Trabalhador rural 01

    Legislativo Estadual 01 UDR 01

    Lder indgena 01 Universidade 01

    Mdia 05

    divergncia de posiesH posies divergentes entre

    as fontesH posies divergentes entre

    fonte e autorNo h posies divergentes

    21 14 42

    espao das fontes MST tem mais espao MST tem menos espao Espao equilibrado

    03 04 09

    relevncia das fontesMST est no lide Outra fonte est no lide No h fontes no lide

    09 01 19

  • Vozes silenciadas

    30

    pessoa verbalTerceira pessoa Terceira e primeira pessoa Total

    96 07 103

    ttulo

    Presena no ttulo Sentido do ttulo

    MST est no ttulo de forma

    direta

    MST est no ttulo de forma

    indireta

    MST no est no ttulo

    MST est no ttulo de forma negativa

    MST est no ttulo de forma positiva

    MST est no ttulo de forma que

    no possvel perceber

    32 05 66 22 0 15

    tema

    EleiesRedemocrati-zao

    Aes do Executivo Estadual

    ManifestaoConflito no campo

    PNDH-37Aes do ExecutivoFederal

    Manifes-tao do

    MST

    23 02 01 01 05 02 01 02

    Poltica ex-terna/ outros

    pasesFutebol

    Questo agrria/ fundiria

    Sindicatos/ entidades de classe

    MSTCPI do

    MST

    Reforma agrria

    Presidente Lula

    Total

    02 01 03 01 01 01 02 03 517 Terceira verso do Programa Nacional de Direitos Humanos, construdo com a sociedade civil organizada e lanado pelo governo Federal no fim de 2009.

    relevncia do mstMST assina matria MST tema central MST no tema central Total

    01 11 39 51

    MAIO

  • Vozes silenciadas

    31

    tipo de matriaArtigo Carta do leitor Citao Coluna Entrevista Nota Notcia Total

    02 18 01 03 01 02 24 51

    campo de sentidosNegativo Positivo Equilibrado No possvel perceber Total

    32 03 0 16 51

    termos negativosSo usados No so usados Total Autor usa termos negativos

    27 24 51 24

    adjetivos

    So usados No so usados Total Autor usa adjetivos

    25 26 51 18

    dados estatsticosSo citados No so citados Total

    03 48 51

    legislao

    citada No citada Total

    12 39 51

    ngulo da matriaConflito Soluo No possvel perceber Total

    47 02 02 51

  • Vozes silenciadas

    32

    atos violentos

    MST autor MST vtimaMST autor e

    vtimaNo so citados atos violentos

    Atos violentos no envolvem MST

    20 03 01 21 06

    fontes ouvidasFonte N de matrias Fonte N de matrias

    Candidata Dilma 04 Legislativo Federal 02

    Candidata Marina 03 Mdia 04

    Candito poltico 01 Movimento Social 01

    Candidato Serra 03 MST 04

    CNA 03 No h fontes ouvidas 15

    Comisso Pastoral da Terra 01 Personalidade/ artista 01

    Empresa 01 Pessoa fsica 01

    Empresa de agronegcios 06 PNDH-3 01

    Especialista 02 Polcia 01

    Executivo Estadual 04 Poltico 05

    Executivo Federal 05 Proprietrio de terra 01

    Executivo Municipal 02 Partido Poltico (PT) 01

    Foras Armadas 01 Sindicato/ entidades de classe 04

    Igreja 01Sindicato de proprietrios

    rurais01

    INCRA 01Sistema Nacional de Infor-

    mao (SNI)01

    Instituto 03 Trabalhador rural 02

    divergncia de posies H posies divergentes entre

    as fontesH posies divergentes entre

    fonte e autorNo h posies divergentes

    11 09 18

  • Vozes silenciadas

    33

    espao das fontesMST tem mais espao MST tem menos espao Espao equilibrado

    01 01 01

    relevncia das fontesMST est no lide Outra fonte est no lide No h fontes no lide

    03 01 01

    pessoa verbalTerceira pessoa Terceira e primeira pessoa Total

    48 03 51

    ttulo

    Presena no ttulo Sentido do ttulo

    MST est no ttulo de forma

    direta

    MST est no ttulo de forma

    indireta

    MST no est no ttulo

    MST est no ttulo de forma negativa

    MST est no ttulo de forma positiva

    MST est no ttulo de forma que

    no possvel perceber

    3 2 46 3 0 2

    tema

    Dissidentes do MST

    EleiesDesigualdade

    socialEducao

    Reviso do Cdigo Florestal

    Manifestao CPI do MST

    01 11 01 01 01 01 01

    junhO

  • Vozes silenciadas

    34

    Manifestao do MST

    Cultura Meio ambiente CorrupoQuesto agrria/ fundiria

    Reforma agrriaTotal de temas

    02 01 01 03 05 02 31

    relevncia do mstMST assina matria MST tema central MST no tema central Total

    01 09 21 31

    tipo de matriaArtigo Carta do leitor Coluna Editorial Nota Nota coberta Notcia Total

    04 05 01 01 04 01 15 31

    campo de sentidosNegativo Positivo Equilibrado No possvel perceber Total

    19 03 01 08 31

    termos negativosSo usados No so usados Total Autor usa termos negativos

    15 16 31 12

    adjetivos

    So usados No so usados Total Autor usa adjetivos

    13 18 31 10

    dados estatsticosSo citados No so citados Total

    07 24 31

  • Vozes silenciadas

    35

    legislao

    citada No citada Total

    09 22 31

    ngulo da matriaConflito Soluo No possvel perceber Total

    24 02 05 31

    atos violentos

    MST autor MST vtimaMST autor e

    vtimaNo so citados atos violentos

    Atos violentos no envolvem MST

    Total

    11 0 01 19 0 31

    fontes ouvidasFonte N de matrias Fonte N de matrias

    Candidata Dilma 01 Movimento social 02

    Candidato Serra 02 MST 03

    Dissidentes do MST 01 No h fontes ouvidas 08

    Empresa 01 Personalidade/ artista 03

    Empresa de agronegcios 01 Pessoa fsica 02

    Especialista 04 Polcia 02

    Executivo Federal 02 Sindicato/ entidade de classe 03

    INCRA 02 Sindicato de empresa 01

    Instituto 03 Terceiro setor 01

    Judicirio 02 Trabalhador rural 01

    Legislativo Federal 03 UDR 02

    Mdia 02 Universidade 01

    Ministrio Pblico 02

  • Vozes silenciadas

    36

    divergncia de posiesH posies divergentes entre

    as fontesH posies divergentes entre

    fonte e autorNo h posies divergentes

    08 05 13

    espao das fontesMST tem mais espao MST tem menos espao Espao equilibrado

    0 01 02

    relevncia das fontesMST est no lide Outra fonte est no lide No h fontes no lide

    0 0 03

    pessoa verbalTerceira pessoa Terceira e primeira pessoa Total

    28 03 31

    ttulo

    Presena no ttulo Sentido do ttulo

    MST est no ttulo de forma

    direta

    MST est no ttulo de forma

    indireta

    MST no est no ttulo

    MST est no ttulo de forma negativa

    MST est no ttulo de forma positiva

    MST est no ttulo de forma que

    no possvel perceber

    04 04 23 04 01 03

  • Vozes silenciadas

    37

    tema

    Eleies CPI do MSTReviso do Cdigo

    FlorestalPoltica externa/ outros pases Total de temas

    23 03 01 02 29

    relevncia do mstMST assina matria MST tema central MST no tema central Total

    0 05 24 29

    tipo de matriaArtigo Carta do leitor Citao Coluna Entrevista Nota Notcia Total

    02 06 01 04 01 02 13 29

    campo de sentidosNegativo Positivo Equilibrado No possvel perceber Total

    20 02 02 05 29

    termos negativosSo usados No so usados Total Autor usa termos negativos

    14 15 29 07

    adjetivos

    So usados No so usados Total Autor usa adjetivos

    16 13 29 11

    juLhO

  • Vozes silenciadas

    38

    dados estatsticosSo citados No so citados Total

    0 29 29

    legislao

    citada No citada Total

    06 23 29

    ngulo da matriaConflito Soluo No possvel perceber Total

    29 0 0 29

    atos violentos

    MST autor MST vtimaMST autor e

    vtimaNo so citados atos violentos

    Atos violentos no envolvem MST

    Total

    10 0 02 17 0 29

    fontes ouvidasFonte N de matrias Fonte N de matrias

    Candidata Dilma 05 MST 02

    Candidato poltico 02 No h fontes ouvidas 10

    Candidato Serra 10 Outros pases 01

    CNA 01 PDT 01

    Especialista 01 Poltico 01

    Executivo Federal 03 PT 02

    Legislativo Federal 03

  • Vozes silenciadas

    39

    divergncia de posiesH posies divergentes entre

    as fontesH posies divergentes entre

    fonte e autorNo h posies divergentes

    05 05 11

    espao das fontesMST tem mais espao MST tem menos espao Espao equilibrado

    01 0 0

    relevncia das fontesMST est no lide Outra fonte est no lide No h fontes no lide

    01 01 0

    pessoa verbalTerceira pessoa Terceira e primeira pessoa Total

    28 01 29

    ttulo

    Presena no ttulo Sentido do ttulo

    MST est no ttulo de forma

    direta

    MST est no ttulo de forma

    indireta

    MST no est no ttulo

    MST est no ttulo de forma negativa

    MST est no ttulo de forma positiva

    MST est no ttulo de forma que

    no possvel perceber

    04 0 25 04 0 0

  • Vozes silenciadas

    40

    Apresentamos aqui as tabelas referentes a

    cada pergunta do questionrio, abrangendo

    o universo total de 301 matrias analisadas.

    TEMA

    O tema predominante so as eleies (97 inser-

    es), com uma grande diferena em relao ao se-

    gundo lugar, o Abril Vermelho (42 inseres).

    Essa predominncia de um tema que no se rela-

    ciona diretamente com o Movimento se d tanto pelo

    interesse pblico da pauta, gerando procura da mdia

    quanto s eleies, como tambm por conta do poder

    de insero na mdia dos envolvidos com essa tem-

    tica: os chamados primary definers (Cf. Metodologia).

    Assim, durante o perodo em que ocorria a chama-

    da CPI do MST (08 inseres), ela ficou ofuscada

    do debate pblico pelas eleies. Esse fato, de certa

    forma, seria natural se falssemos da cobertura geral

    dos peridicos. Mas devemos lembrar que, mesmo no

    universo de matrias que mencionam o MST, as elei-

    es obtiveram maior relevncia.

    Caso esse fenmeno fosse analisado apenas

    numericamente, poderia se pensar que o MST um

    tema importante para o debate eleitoral. Contudo, no

    foram suas causas ou propostas que apareceram nes-

    Anlise da cobertura

    sas matrias. O MST surge aqui como um elemento

    negativo usado pela campanha de Jos Serra, que

    tenta aproximar o Movimento do Executivo Federal e,

    por conseguinte, da candidata representante da con-

    tinuidade, Dilma Rousseff. A candidatura da atual pre-

    sidenta, por sua vez, rejeitava essa aproximao ide-

    olgica, o que gerava ainda mais matrias sobre sua

    suposta vulnerabilidade. Nas matrias sobre eleies,

    portanto, o MST no aparece nos debates sobre pol-

    ticas agrrias, mas sim como ator social mencionado

    de forma negativa pelos dois principais candidatos do

    pleito nacional. Serra, por exemplo, critica o fato de

    Dilma ter usado o bon do Movimento e depois rejei-

    tar identificao com ele. Dilma, por outro lado, para

    afastar-se dessa suposta ligao com o MST, afirmou

    que movimento movimento, governo governo e

    que no toleraria ilegalidades, frases repetidas em

    diversas matrias.

    O segundo lugar no ranking de temas, o Abril

    Vermelho, tambm foi abordado, em sua maioria, de

    forma negativa ou descontextualizada. Poucas foram

    as matrias que citaram o Massacre de Eldorado dos

    Carajs na cobertura sobre a jornada anual de lutas,

    predominando a ideia de que o MST um movimento

    violento, que comete destruies e invases, em de-

    trimento da explicao de que o Abril Vermelho surgiu

    como protesto a uma violncia praticada pelo Estado

    contra os sem-terra. Das 42 inseres sobre o Abril

    Vermelho, 24 citam atos violentos em que o MST

    autor; em oito casos, o MST autor e vtima de violn-

    GERAL

  • Vozes silenciadas

    41

    cia; uma matria cita atos violentos que no envolvem

    o MST; e apenas nove inseres no citam violncia.

    Pela variedade de temas presentes, pode-se per-

    ceber que o MST aparece em muitas matrias que

    no dizem respeito diretamente ao Movimento. Muitas

    vezes, surge a ttulo de comparao com algum ato

    considerado pela mdia violento ou ilegal e cometido

    por outros atores sociais. Apenas 25 matrias tratam

    de temas relevantes para o Movimento, como a refor-

    ma agrria e a questo agrria ou fundiria. Esses

    nmeros deixam claro que as reivindicaes, causas

    e propostas do MST pouco aparecem no espao mi-

    ditico. Observamos tambm que alguns temas so

    claramente negativos para o Movimento (como corrup-

    o, CPI do MST, processo ou deciso judicial sobre o

    MST), totalizando 12 inseres.

    O termo Abril Vermelho refere-se jornada de lu-

    tas do MST que acontece no ms de abril. As mesmas

    aes poderiam ser denominadas e contabilizadas na

    categoria manifestao do MST. Contudo, devido

    relevncia de um conjunto especfico de manifesta-

    es, agrupado sob o nome Abril Vermelho e citado

    assim pela imprensa, a opo foi por criar uma catego-

    ria especfica de contabilizao de matrias.

    Outro tema que poderia ser abarcado por um mais

    geral Reforma Agrria. Certamente, ele faz parte de

    questo agrria/ fundiria; porm, devido importn-

    cia da Reforma Agrria para o Movimento, a opo foi

    diferenci-lo de outras questes relativas terra ou s

    polticas de agricultura, mas que no tratam especifi-

    camente de Reforma Agrria.

    Os temas que se referem a aes do Executivo

    Estadual ou Federal constituem aes desses mbi-

    tos que no necessariamente seguem uma coerncia

    temtica nem tem relao com questes ligadas ao

    MST, mas que so o foco de matrias onde o Movi-

    mento acabou sendo citado.

    importante destacar que a deciso de que no-

    menclatura utilizar na pesquisa resultado principal-

    mente dos temas efetivamente identificados nas mat-

    rias e da forma como a imprensa os trata.

    Reviso do Cdigo Florestal 02 ou 0,6% Cultura 02 ou 0,6%

    Eleies 97 ou 32,2% PT 02 ou 0,6%

    Abril Vermelho 42 ou 13,9% Sade 02 ou 0,6%

    Manifestao do MST 24 ou 7,9% Poltica 02 ou 0,6%

    Reforma agrria 14 ou 4,6% Redemocratizao 02 ou 0,6%

    Corrupo 10 ou 3,3% PNDH-3 02 ou 0,6%

    Dissidentes do MST 13 ou 4,3% MST 02 ou 0,6%

    Questo agrria/ fundiria 12 ou 3,9% Mdia 01 ou 0,3%

    Poltica externa/ outros pases 10 ou 3,3%Regulamentao fundiria

    urbana01 ou 0,3%

    Conflito no campo 10 ou 3,3% Comisso Pastoral da Terra 01 ou 0,3%

    CPI do MST 08 ou 2,6% Ao do Executivo Federal 01 ou 0,3%

    Manifestao 05 ou 1,6% Ao do Executivo Estadual 01 ou 0,3%

  • Vozes silenciadas

    42

    Presidente Lula 05 ou 1,6% Sindicato/ entidade de classe 01 ou 0,3%

    Ao da CNA 05 ou 1,6%Ao do Judicirio sobre

    conflito agrrio01 ou 0,3%

    Educao 04 ou 1,3% Futebol 01 ou 0,3%

    Processo ou deciso judicial sobre MST

    04 ou 1,3% Desigualdade social 01 ou 0,3%

    Meio ambiente 04 ou 1,3% Direito 01 ou 0,3%

    Judicirio 03 ou 0,9% Campanha da fraternidade 01 ou 0,3%

    Governo Lula 03 ou 0,9% Questo indgena 01 ou 0,3%

    Total 301 ou 100%

    RELEVNCIA DO MST

    A tabela seguinte refora o argumento anterior.

    Embora com uma pequena diferena, na maioria dos

    casos estudados o MST no tema central, sendo irri-

    sria a quantidade de matrias assinadas por ele: 03,

    em um universo de 301.

    MST no tema centralMST assina a

    matria

    155 ou 51,5% 03 ou 1%

    MST tema central Total

    143 ou 47,5% 301 ou 100%

    TIPO DE MATRIA

    Quanto ao tipo de matria que cita o MST, a no-

    tcia preponderante, com grande distncia em rela-

    o ao segundo lugar no ranking: as cartas de leitores.

    Embora, obviamente, escritos por leitores, esses tex-

    tos tambm entram no universo da pesquisa por faze-

    rem parte do material disponibilizado pelo jornal para

    seu pblico e, portanto, selecionado pela redao.

    Not-cia

    Carta do leitor

    ArtigoColu-

    naEditorial

    149 ou 49,5%

    59 ou 19,6%

    27 ou 9%

    22 ou 7,3%

    8 ou 2,6%

    NotaEntrevis-

    ta Nota

    cobertaCita-o

    Comen-trio

    21 ou 7%

    06 ou 2%

    04 ou 1,3%

    03 ou 1%

    02 ou 0,7%

    Total301 ou 100%

    CAMPO DE SENTIDOS

    Esse item do questionrio , talvez, o mais sub-

    jetivo. Procurou-se, entretanto, embasar a classifica-

    o entre negativo, positivo, equilibrado e no

    possvel perceber em algumas evidncias concretas,

    como presena de termos pejorativos, escolha do t-

    tulo e das fontes. A matria foi considerada equilibra-

  • Vozes silenciadas

    43

    da quando no foi possvel diferenciar um maior peso

    para as evidncias negativas ou positivas contando

    com fontes e posicionamento do autor da matria. So

    casos em que existe sim posicionamento, mas ele

    diverso e ocupa os dois plos. Essas inseres so

    diferentes daquelas em que no foi possvel perceber

    o campo de sentidos. Essas so matrias que citam o

    MST de forma to superficial que nem se pode com-

    preender se h algum tipo de posicionamento.

    Negativo Positivo Equilibrado

    198 ou 65,7% 21 ou 7% 13 ou 4,3%

    No possvel perceber

    Total

    69 ou 23% 301 ou 100%

    TERMOS NEGATIVOS

    Os termos negativos foram uma das importantes

    evidncias que colaboraram para a compreenso do

    campo de sentidos das matrias. Ao final deste relat-

    rio, encontra-se um anexo com a lista de termos usa-

    dos. A maioria deles claramente negativa. O termo

    que predominou e elevou o nmero de matrias que

    utilizam expresses negativas foi invaso e seus

    derivados, como invasores ou o verbo invadir em

    suas diferentes flexes, que traz consigo uma carga

    violenta. Ao todo, foram usados 192 termos negativos

    diferentes, entre expresses que procuram qualificar o

    prprio MST ou suas aes. O autor cita termos nega-

    tivos em 63 notcias, oito notas e duas notas cobertas,

    totalizando 73 inseres de termos negativos no cha-

    mado jornalismo informativo. Somando as referncias

    negativas em artigos e carta de leitores, chega-se a

    178 inseres.

    So usados No so usados Total

    178 ou 59,1% 123 ou 40,9% 301 ou 100%

    So usados pelo autor

    152 ou 50,4%

    ADJETIVOS

    A pesquisa considerou os adjetivos utilizados nos

    trechos das matrias que tratam do MST, mas no ne-

    cessariamente usados em referncia ao Movimento.

    Buscou-se mostrar que a autorreferenciao do jorna-

    lismo como uma atividade que produz textos objeti-

    vos no se sustenta quando os dados so verificados.

    Dentre as matrias em que o autor usou adjetivos, 28

    so notcias.

    So usados No so usados Total

    154 ou 51,2% 147 ou 48,8% 301 ou 100%

    So usados pelo autor

    102 ou 33,8%

    PESQUISAS E DADOS ESTATSTICOS/

    LEGISLAO

    As duas tabelas seguintes servem como um pa-

    rmetro para compreender at que ponto as matrias

    analisadas tiveram uma preocupao em contextuali-

    zar os relatos para seus leitores. Foram selecionadas

    duas formas de faz-lo que, acredita-se, podem qua-

    lificar a cobertura jornalstica. Os resultados mostram

    uma tendncia que pela observao no-metdica

  • Vozes silenciadas

    44

    veculos abordam o MST. A maioria dos textos do uni-

    verso pesquisado cita atos violentos, o que significa

    que a mdia faz uma ligao direta entre o Movimento

    e a violncia. No bastasse essa evidncia, dentre as

    inseres que citam violncia, quase a totalidade colo-

    ca o MST apenas como autor. Dentre as matrias em

    que o Movimento aparece como vtima, em sua maio-

    ria ele tambm autor. Esse grande nmero se deve

    tanto aos casos em que so citados atos violentos de

    forma direta, com termos como destruir ou quebrar,

    mas tambm aqueles em que usada a palavra inva-

    dir e suas variaes. Como afirmado anteriormente,

    esse termo j traz embutida a noo de violncia. Pa-

    lavras como crime ou ilegalidade no foram compu-

    tadas como referentes violncia, pelo fato de nem

    todo crime ou ato ilegal implicar em violncia.

    MST autor MST vtimaMST autor e

    vtima

    128 ou 42,5% 06 ou 2% 20 ou 6,6%

    No so citados atos

    violentos

    Atos violentos no

    envolvem MST

    Total

    135 ou 44,9% 12 ou 4% 301 ou 100%

    FONTES OUVIDAS

    As fontes ouvidas refletem tambm as principais

    temticas abordadas. Nos cinco primeiros lugares

    do ranking, esto os dois candidatos Presidncia

    da Repblica que polarizaram a disputa eleitoral em

    2010: Dilma Rousseff e Jos Serra. Em primeiro lugar,

    no entanto, com uma grande distncia em relao aos

    demais, esto as matrias que no ouviram nenhuma

    do dia-a-dia pode ser caracterstica tambm de ou-

    tras coberturas. No caso pesquisado, comprovou-se

    que a imensa maioria das matrias no respalda suas

    informaes em resultados de pesquisas, dados esta-

    tsticos ou legislaes.

    Dados Estatsticos

    So citados No so citados Total

    39 ou 13% 262 ou 87% 301 ou 100%

    Legislao

    citada No citada Total

    41 ou 13,6% 260 ou 86,3% 301 ou 100%

    NGULO DA MATRIA

    Com relao ao ngulo da matria, tambm foi ob-

    servada uma tendncia que parece ser quase inerente

    atividade jornalstica. Em geral, um acontecimento

    vira notcia por conter algum conflito. A cobertura jor-

    nalstica, no entanto, seria enriquecida caso os textos

    apresentassem tambm possveis solues para os

    problemas expostos, em vez de apenas relat-los.

    Conflito Soluo

    279 ou 92,7% 09 ou 3%

    No possvel perceber Total

    13 ou 4,3% 301 ou 100%

    ATOS VIOLENTOS

    A prxima tabela oferece um indicador bastante

    concreto para a compreenso da maneira como os

  • Vozes silenciadas

    45

    fonte. Ou seja, a cobertura priorizou o posicionamento

    dos autores. Em segundo e quarto lugar, respectiva-

    mente, esto dois atores sociais relevantes para temas

    relacionados ao MST: o prprio Movimento e o INCRA,

    respectivamente. Apesar de a segunda colocao po-

    der levar a pensar que o MST foi bastante ouvido pela

    mdia, isso aconteceu em apenas 57 matrias em um

    universo de 301.

    Fontes especficas foram associadas a catego-

    rias mais amplas. Por exemplo, em vez de tabular o

    nome do prefeito X, contabilizou-se uma fonte do Exe-

    cutivo Municipal.

    Diante da relevncia do INCRA para as temticas

    ligadas ao MST, a opo foi consider-lo uma catego-

    ria parte de instituto. Nesse caso, na categoria Exe-

    cutivo Federal foi considerado qualquer representante

    ou rgo desse poder (Presidente da Repblica, Mi-

    nistros ou secretarias federais), exceto o INCRA.

    Outro caso que merece ateno o de movimen-

    tos sociais. Foram listados de forma especfica apenas

    os movimentos que tm ligao mais prxima com o

    MST, como a CPT ou os que tratam de questes fundi-

    rias. Os demais aparecem como movimento social,

    tenham sido citados de forma direta ou apenas como

    movimento de maneira geral.

    Em relao aos partidos polticos, apenas alguns

    foram especificados. A classificao genrica partido

    poltico foi adotada quando foi atribuda a mesma in-

    formao para um grupo de partidos; ento a especifi-

    cidade no foi levada em considerao. Para todos os

    demais casos, a categoria usada foi o nome do prprio

    partido, independente de qual seja e da quantidade de

    vezes que tenha sido mencionado. Por conta da polari-

    zao durante as eleies entre a candidata do PT e o

    candidato do PSDB, esses dois foram os partidos que

    mais apareceram.

    A categoria poltico foi usada nos casos em que

    so ouvidas pessoas que tiveram cargos pblicos ou

    atuao poltico-partidria, mas que no esto, no mo-

    mento, representando qualquer instituio. Em geral,

    foi a categoria utilizada para classificar ex-governan-

    tes.

    H ainda uma diferena entre proprietrio rural

    e empresa de agronegcios. Quando a matria ouvia

    uma pessoa ou famlia dona de propriedade rural, foi

    usada a primeira categoria. A segunda foi adotada nos

    casos em que foi citado que a propriedade pertencia a

    uma empresa ou nela eram feitas atividades de car-

    ter empresarial (como a empresa de laranjas Cutrale).

    O ngulo da matria foi predominante neste caso.

    Mesmo sendo pblico que a famlia X dona de uma

    fazenda que exerce atividade de agronegcio, a fon-

    te foi considerada apenas como proprietrio rural se

    essa foi a informao transmitida pela matria.

    Esse tambm foi o critrio para classificar decla-

    raes de fontes com dupla representatividade, como

    a senadora e presidente da CNA Ktia Abreu. Ela apa-

    rece em Legislativo Federal apenas nos casos em

    que fala como senadora; como fonte da CNA, quando

    representa a Confederao.

    Fonte N de matrias Fonte N de matrias

    No h fontes ouvidas 83 ou 27,5% Ministrio Pblico 03 ou 0,9%

    MST 57 ou 18,9% Caixa Econmica 03 ou 0,9%

    Candidato Serra 24 ou 7,9% Universidade 03 ou 0,9%

  • Vozes silenciadas

    46

    Fonte N de matrias Fonte N de matrias

    Candidata Dilma 24 ou 7,9% Empresa 03 ou 0,9%

    INCRA 23 ou 7,6% Sindicato de proprietrios rurais 03 ou 0,9%

    Executivo Federal 21 ou 6,9% Terceiro setor 02 ou 0,6%

    Especialista 21 ou 6,9% Frente da Luta por Moradia 02 ou 0,6%

    CNA 19 ou 6,3% Sindicato de empresa 02 ou 0,6%

    Poltico 16 ou 5,3% Via Campesina 02 ou 0,6%

    Mdia 16 ou 5,3% Corrente do PT 02 ou 0,6%

    Empresa de agronegcios 13 ou 4,3% Igreja 02 ou 0,6%

    Dissidentes do MST 13 ou 4,3% Sem-terra 02 ou 0,6%

    Legislativo Federal 12 ou 3,9% Legislativo Estadual 01 ou 0,3%

    Judicirio 12 ou 3,9% Lder indgena 01 ou 0,3%

    Polcia 10 ou 3,3% Partido poltico (PDT) 01 ou 0,3%

    Partido poltico (PT) 10 ou 3,3% Foras Armadas 01 ou 0,3%

    Sindicato/ entidade de classe 09 ou 2,9% PNDH-3 01 ou 0,3%

    Executivo Municipal 09 ou 2,9%Sistema Nacional de Informao

    (SNI)01 ou 0,3%

    Instituto 07 ou 2,3% Partido Poltico (DEM) 01 ou 0,3%

    Trabalhador rural 07 ou 2,3%Movimento dos Sem Teto do

    Centro de So Paulo01 ou 0,3%

    Executivo Estadual 07 ou 2,3% Partido poltico (PMDB) 01 ou 0,3%

    Pessoa fsica 06 ou 1,9% Outros pases 01 ou 0,3%

    Personalidade/ artista 06 ou 1,9% Sociedade Rural Brasileira 01 ou 0,3%

    CPT 06 ou 1,9% Partido poltico (PR) 01 ou 0,3%

    Candidata Marina 05 ou 1,6% Advogado de trabalhador rural 01 ou 0,3%

    UDR 04 ou 1,3% Partido poltico 01 ou 0,3%

    Candidatos polticos 04 ou 1,3% Organismo internacional 01 ou 0,3%

    Proprietrio rural 04 ou 1,3% Advogado 01 ou 0,3%

    Movimento social 03 ou 0,9%Movimento dos Atingidos por

    Barragens01 ou 0,3%

  • Vozes silenciadas

    47

    DIVERGNCIA DE POSIES

    No caso em que h fontes ouvidas, foi observado

    se essas fontes apresentam posies divergentes. Ve-

    rificou-se que, na maioria dos casos, so consultadas

    mais de uma fonte para dizer o mesmo ou para reafir-

    mar a posio do autor. Alm disso, mesmo entre as

    inseres que apresentam divergncia, h casos em

    que o autor utiliza uma opinio contrria dele apenas

    como recurso para construir sua argumentao.

    H posies divergentes

    entre as fontes

    H posies divergentes entre fonte e

    autor

    No h posies

    divergentes

    72 ou 23,9% 47 ou 15,6% 112 ou 37,2%

    ESPAO DAS FONTES

    Quando as matrias citam o MST e tambm ou-

    tras fontes, foi considerado importante verificar qual o

    espao dado para cada uma delas. Em apenas cinco

    matrias, o MST recebeu mais espao do que as de-

    mais fontes ouvidas.

    Dentre os casos em que o espao foi considera-

    do equilibrado, h cinco em que o MST est em po-

    sio de equilbrio com uma fonte, mas de desequil-

    brio com outra. Em um deles, est em equilbrio com

    o Movimento de Libertao dos Sem Terra (MLST) e

    com menor espao que um trabalhador rural. Em ou-

    tro, est em equilbrio com um trabalhador rural, mas

    tem mais espao que o Executivo Municipal. Em mais

    um, est em equilbrio com o INCRA, mas tem mais

    espao que a CNA. Em outro est em equilbrio com

    todas as demais fontes, mas tem menos espao que o

    INCRA. E, ainda, existe uma insero em que est em

    equilbrio com a CNA, mas tem mais espao que um

    proprietrio rural.

    MST tem mais espaoMST tem menos

    espao

    05 ou 14,3% 09 ou 25,7%

    Espao equilibrado Total

    21 ou 60% 35 ou 100%

    RELEVNCIA DAS FONTES

    No caso de matrias que ouvem o MST, na maior

    parte dos casos, nenhuma fonte aparece no lide da

    matria. Quando h alguma, em sua maioria o pr-

    prio MST, o que significa estar numa posio de re-

    levncia na matria. Numericamente, contudo, esse

    caso tem pouco impacto: foram apenas 16 inseres

    em que a opinio do Movimento foi retratada no incio

    das matrias.

    MST est no lide Outra fonte est no lide

    17 ou 29,9% 08 ou 14%

    No h fontes no lide Total

    32 ou 56,1% 57 ou 100%

    PESSOA VERBAL

    Os textos que tm pretenso verdade usam

    como ferramenta o apagamento do autor. No caso, o

  • Vozes silenciadas

    48

    autor emprico no se coloca no texto, no deixa mar-

    cas de sua subjetividade. Desse modo, no utilizar a

    primeira pessoa uma das formas de fazer parecer

    que o texto apenas reflete a verdade, e no uma

    verso sobre ela. Essa estratgia usada no jorna-

    lismo de forma geral, no constitui uma tendncia

    exclusiva dessa cobertura. A pretenso verdade

    percebida atravs da pessoa verbal utilizada pode

    parecer contraditria, no entanto, com as marcas de

    subjetividade deixadas pelo uso de termos negativos

    e adjetivos. Essa mistura de tendncias faz com que

    a opinio do autor (expressa, por exemplo, pelos ter-

    mos negativos e adjetivos) parea ser a verdade. No

    caso, como visto, uma verdade que transmite imagem

    negativa do MST.

    Terceira pessoa

    Terceira e primeira pessoa

    Total

    278 ou 92,4% 23 ou 7,6% 301 ou 100%

    TTULO

    O ttulo o chamariz da matria. Nos veculos

    impressos, aparece em fonte de destaque e muitas

    vezes a nica informao lida. Da a grande impor-

    tncia da forma como o MST aparece nos ttulos8 e,

    em sua maioria, isso acontece de maneira negativa.

    Ainda assim, considerando o universo total, na maior

    parte das inseres o MST no est no ttulo, o que

    demonstra que o ngulo das matrias busca privile-

    giar outros enfoques, que no so os aspectos relati-

    vos ao Movimento.

    Presena no ttulo

    MST est no ttulo de forma direta

    MST est no ttulo de forma

    indireta

    MST no est no ttulo

    60 ou 20% 20 ou 6,6% 221 ou 73,4%

    Sentido do ttulo

    MST est no ttulo de forma

    positiva

    MST est no ttulo de forma

    que no possvel perceber

    MST est no ttulo de forma

    negativa

    01 ou 0,3% 32 ou 10,2% 47 ou 15,6%

    JORNAIS IMPRESSOS

    A anlise que pode ser feita em relao

    cobertura dos jornais impressos no diferente da

    feita no tpico anterior. So os jornais impressos que

    tm a maioria (95%) das matrias do universo total

    da pesquisa e do o tom da cobertura completa.

    Seguem, nas prximas tabelas, os dados exclusivos

    das matrias dos jornais O Estado de S. Paulo, Folha

    de S. Paulo e O Globo.

    8 No caso dos telejornais, foi considerado o ttulo da matria referente disponibilizada na internet.

    CObERTuRA POR MDIA

  • Vozes silenciadas

    49

    Eleies 91 ou 31,8%

    Abril Vermelho 40 ou 13,9%

    Manifestao do MST 21 ou 7,3%

    Dissidentes do MST 13 ou 4,5%

    Reforma agrria 13 ou 4,5%

    Corrupo 9 ou 4,1%

    Questo agrria/ fundiria 12 ou 4,1%

    Poltica externa/ outros pases 10 ou 3,4%

    Conflito no campo 10 ou 3,4%

    CPI do MST 08 ou 2,7%

    Manifestao 05 ou 1,7%

    Presidente Lula 05 ou 1,7%

    Ao da CNA 05 ou 1,7%

    Meio ambiente 04 ou 1,3%

    Processo ou deciso judicial sobre MST

    04 ou 1,3%

    Judicirio 03 ou 1,0%

    Educao 03 ou 1,0%

    Governo Lula 03 ou 1,0%

    Cultura 02 ou 0,6%

    PT 02 ou 0,6%

    Sade 02 ou 0,6%

    Poltica 02 ou 0,6%

    Redemocratizao 02 ou 0,6%

    PNDH-3 02 ou 0,6%

    Reviso do Cdigo Florestal 02 ou 0,6%

    MST 02 ou 0,6%

    Regulamentao fundiria urbana

    01 ou 0,3%

    Comisso Pastoral da Terra 01 ou 0,3%

    Ao do Executivo Federal 01 ou 0,3%

    Ao do Executivo Estadual 01 ou 0,3%

    Sindicato/ entidade de classe 01 ou 0,3%

    Mdia 01 ou 0,3%

    Futebol 01 ou 0,3%

    Direito 01 ou 0,3%

    Campanha da fraternidade 01 ou 0,3%

    Questo indgena 01 ou 0,3%

    Ao do Judicirio sobre conflito agrrio

    01 ou 0,3%

    Total 286 ou 100%

    RELEVNCIA DO MST

    MST assina a matria MST tema central

    02 ou 0,7% 138 ou 48,3%

    MST no tema central Total

    146 ou 51% 286 ou 100%

    TIPO DE MATRIA

    Notcia Artigo Carta do leitor

    142 ou 49,7% 26 ou 9,1% 59 ou 20,6%

    Coluna Editorial Nota

    22 ou 7,7% 08 ou 2,8% 21 ou 7,3%

    Citao Entrevista Comentrio

    02 ou 0,6% 04 ou 1,3% 02 ou 0,6%

    Total

    286 ou 100%

  • Vozes silenciadas

    50

    CAMPO DE SENTIDOS

    Negativo Positivo Equilibrado

    188 ou 65,7% 18 ou 6,3% 12 ou 4,2%

    No possvel perceber Total

    68 ou 23,8% 286

    TERMOS NEGATIVOS

    So usados No so usados Total

    169 ou 59% 117 ou 41% 286 ou 100%

    So usados pelo autor

    144 ou 50,4%

    ADJETIVOS

    So usados No so usados Total

    147 ou 51,4% 139 ou 48,6%286 ou 100%

    So usados pelo autor

    97 ou 33,9%

    PESQUISA E DADOS ESTATSTICOS

    So citados No so citados Total

    35 ou 12,2% 251 ou 87,8% 286 ou 100%

    LEGISLAO

    citada No citada Total

    39 ou 13,6% 247 ou 86,4% 286 ou 100%

    NGULO DA MATRIA

    Conflito Soluo

    269 ou 94,1% 05 ou 1,7%

    No possvel perceber Total

    12 ou 4,1% 286 ou 100%

    ATOS VIOLENTOS

    MST autor MST vtimaMST autor

    e vtima

    119 ou 41,6% 05 ou 1,7% 19 ou 6,7%

    No so citados atos

    violentos

    Atos violentos no envolvem

    MSTTotal

    131 ou 45,8% 12 ou 4,2% 286 ou 100%

    FONTES OUVIDAS

    Fonte N de matrias

    No h fontes ouvidas 80 ou 27,9%

    MST 55 ou 19,2%

    Candidato Serra 23 ou 8,0%

    INCRA 21 ou 7,3%

    Candidata Dilma 21 ou 7,3%

    Executivo Federal 20 ou 6,9%

    CNA 18 ou 6,2%

    Especialista 17 ou 5,9%

    Poltico 14 ou 4,8%

    Mdia 14 ou 4,8%

    Dissidentes do MST 13 ou 4,5%

    Judicirio 12 ou 4,1%

    Empresa de agronegcios 11 ou 3,8%

    Legislativo Federal 11 ou 3,8%

    Polcia 10 ou 3,4%

    Executivo Municipal 09 ou 3,1%

    Sindicato/ entidade de classe

    09 ou 3,1%

    Partido poltico (PT) 08 ou 2,7%

    CPT 06 ou 2,0%

  • Vozes silenciadas

    51

    Fonte N de matrias Fonte N de matrias

    Trabalhador rural 06 ou 2,0% Corrente do PT 02 ou 0,6%

    Executivo Estadual 06 ou 2,0% Igreja 02 ou 0,6%

    Pessoa fsica 05 ou 1,7% Sem-terra 02 ou 0,6%

    Personalidade/ artista 05 ou 1,7% Partido poltico (PDT) 01 ou 0,3%

    Instituto 05 ou 1,7% Foras Armadas 01 ou 0,3%

    Proprietrio rural 04 ou 1,3% PNDH-3 01 ou 0,3%

    UDR 04 ou 1,3%Sistema Nacional de

    Informao (SNI)01 ou 0,3%

    Candidatos polticos 04 ou 1,3% Partido Poltico (DEM) 01 ou 0,3%

    Candidata Marina 04 ou 1,3% Organismo internacional 01 ou 0,3%

    Movimento social 03 ou 1,0% Advogado 01 ou 0,3%

    Ministrio Pblico 03 ou 1,0%Movimento dos Atingidos por

    Barragens01 ou 0,3%

    Empresa 03 ou 1,0% Legislativo Estadual 01 ou 0,3%

    Sindicato de proprietrios rurais 03 ou 1,0% Lder indgena 01 ou 0,3%

    Caixa Econmica 02 ou 0,6% Sociedade Rural Brasileira 01 ou 0,3%

    Via Campesina 02 ou 0,6% Partido poltico (PMDB) 01 ou 0,3%

    Terceiro setor 02 ou 0,6%Movimento dos Sem Teto do

    Centro01 ou 0,3%

    Frente da Luta por Moradia 02 ou 0,6% Outros pases 01 ou 0,3%

    Universidade 02 ou 0,6% Partido poltico (PR) 01 ou 0,3%

    Sindicato de empresa 02 ou 0,6% Partido poltico 01 ou 0,3%

    DIVERGNCIA DE POSIES

    H posies divergentes entre as

    fontes

    H posies divergentes entre

    fonte e autor

    67 ou 32,5% 42 ou 20,3%

    No h posies divergentes

    Total

    107 ou 51,9% 206 ou 100%

  • Vozes silenciadas

    52

    ESPAO DAS FONTES

    MST tem mais espaoMST tem menos

    espao

    05 ou 14,7% 08 ou 23,5%

    Espao equilibrado Total

    21 ou 61,8% 34 ou 100%

    RELEVNCIA DAS FONTES

    MST est no lide Outra fonte est no lide

    17 ou 30,9% 08 ou 14,6%

    No h fontes no lide Total

    30 ou 54,5% 55 ou 100%

    PESSOA VERBAL

    Terceira pessoaTerceira e primeira pessoa

    Total

    265 ou 92,7% 21 ou 7,3% 286 ou 100%

    TTULO

    Presena no ttulo

    MST est no ttulo de forma direta

    MST est no ttulo de forma

    indireta

    MST no est no ttulo

    56 ou 19,6% 19 ou 6,6% 211 ou 73,8%

    Sentido do ttulo

    MST est no ttulo de forma

    positiva

    MST est no ttulo de forma

    que no possvel perceber

    MST est no ttulo de forma

    negativa

    01 ou 0,3% 30 ou 10,4% 43 ou 15,0%

    REVISTAS

    As trs revistas que fazem parte do universo

    da pesquisa representam apenas 2,9% do total de

    matrias analisadas. Vale lembrar, entretanto, que

    so veculos semanais, o que no permite uma

    comparao direta com a quantidade de matrias

    dos jornais impressos dirios. A cobertura das

    revistas apresenta peculiaridades, como a quantidade

    relativa de matrias que colocam o MST num campo

    positivo de sentidos (exatamente um tero do total)

    e a relevncia dada fonte especialista, talvez pelo

    carter menos factual e mais analtico do que o dos

    jornais dirios. Das trs matrias que posicionam o

    MST em um campo de sentidos positivo, duas so da

    Carta Capital sendo uma delas um artigo assinado

    por Joo Pedro Stdile, membro da Coordenao

    Nacional do Movimento e outra da poca.

    Seguem os dados especficos dessa mdia:

    TEMA

    Eleies EducaoDesigualdade

    social

    06 ou 66,7% 01 ou 11,1% 01 ou 11,1%

    Reforma agrria Total

    01 ou 11,1% 09 ou 100%

    RELEVNCIA DO MST

    MST tema centralMST no tema

    central

    0 08 ou 88,9%

    MST assina matria Total

    01 ou 11,1% 09 ou 100%

  • Vozes silenciadas

    53

    TIPO DE MATRIA

    Notcia Entrevista Citao

    05 ou 55,6% 02 ou 22,2% 01 ou 11,1%

    Artigo Total

    01 ou 11,1% 09 ou 100%

    CAMPO DE SENTIDOS

    Negativo Positivo Equilibrado

    05 ou 55,6% 03 ou 33,3% 0

    No possvel perceber Total

    01 ou 11,1% 09 ou 100%

    TERMOS NEGATIVOS

    So usados No so usados Total

    05 ou 55,6% 04 ou 44,4% 09 ou 100%

    Autor usa termos negativos

    04 ou 44,4%

    ADJETIVOS

    So usados No so usados Total

    07 ou 77,8% 02 ou 22,2% 09 ou 100%

    Autor usa adjetivos

    05 ou 55,6%

    PESQUISAS OU DADOS ESTATSTICOS

    So citados No so citados Total

    04 ou 44,4% 05 ou 55,6% 09 ou 100%

    LEGISLAO

    citada No citada Total

    02 ou 22,2% 07 ou 77,8% 09 ou 100%

    NGULO DA MATRIA

    Conflito Soluo

    05 ou 55,6% 04 ou 44,4%

    No possvel perceber Total

    0 09 ou 100%

    ATOS VIOLENTOS

    MST autor MST vtimaMST autor e

    vtima

    05 ou 55,6% 01 ou 11,1% 0

    No so citados atos

    violentos

    Atos violentos no envolvem

    MSTTotal

    03 ou 33,3% 0 09 ou 100%

    FONTES OUVIDAS

    Fonte N de matrias

    Especialista 04 ou 44,4%

    Candidata Dilma 03 ou 33,3%

    Poltico 02 ou 22,2%

    Instituto 02 ou 22,2%

    Partido poltico (PT) 02 ou 22,2%

    Mdia 02 ou 22,2%

    Executivo Federal 01 ou 11,1%

    Universidade 01 ou 11,1%

    Candidato Serra 01 ou 11,1%

    Empresa de agronegcios 01 ou 11,1%

    Personalidade/ artista 01 ou 11,1%

    Legislativo Federal 01 ou 11,1%

    Candidata Marina 01 ou 11,1%

    Executivo Estadual 01 ou 11,1%

    No h fontes ouvidas 01 ou 11,1%

  • Vozes silenciadas

    54

    DIVERGNCIA DE POSIES

    H posies divergentes entre as fontes

    H posies divergentes entre

    fonte e autor

    04 ou 50% 04 ou 50%

    No h posies divergentes

    Total

    02 ou 22,2% 08 ou 100%

    PESSOA VERBAL

    Terceira pessoa

    Terceira e primeira pessoa

    Total

    07 ou 77,8% 02 ou 22,2% 09 ou 100%

    TTULO

    Presena no ttulo

    MST est no ttulo de forma direta

    MST est no ttulo de forma

    indireta

    MST no est no ttulo

    0 01 ou 11,1% 8 ou 88,9%

    Sentido do ttulo

    MST est no ttulo de forma

    positiva

    MST est no ttulo de forma

    que no possvel perceber

    MST est no ttulo de forma

    negativa

    0 0 01 ou 11,1%

    TELEJORNAIS

    O nmero de matrias veiculadas em telejornais

    foi o menor em relao aos demais formatos

    jornalsticos analisados, apesar de a pesquisa ter

    trabalhado com programas que vo ao ar de segunda

    a sbado. Foram constatadas apenas 06 inseres, o

    que significa 1,9% do total da cobertura. Porm, essa

    pequena quantidade tem um grande peso. De acordo

    com pesquisa desenvolvida em 2010 pela Secretaria

    de Comunicao Social (Secom) da Presidncia da

    Repblica, 96,6% dos brasileiros assistem televiso.

    Dentre estes, o telejornal o programa mais importante

    da TV para 64,6%. Seguem os dados especficos

    dessa mdia:

    TEMA

    Manifestao do MST Abril Vermelho

    03 ou 50% 02 ou 33,3%

    Corrupo Total

    01 ou 16,7% 06 ou 100%

    RELEVNCIA DO MST

    MST assina matria MST tema central

    0 05 ou 83,3%

    MST no tema central Total

    01 ou 16,7% 06 ou 100%

    TIPO DE MATRIA

    Nota coberta Notcia Total

    04 ou 66,7% 02 ou 33,3% 06 ou 100%

    CAMPO DE SENTIDOS

    Negativo Positivo Equilibrado

    05 ou 83,3% 0 01 ou 16,7%

    No possvel perceber Total

    0 06 ou 100%

  • Vozes silenciadas

    55

    TERMOS NEGATIVOS

    So usados No so usados Total

    04 ou 66,7% 02 ou 33,3% 06 ou 100%

    Autor usa termos negativos

    04 ou 66,7%

    ADJETIVOS

    So usados No so usados Total

    0 06 ou 100% 06 ou 100%

    Autor usa adjetivos

    0

    PESQUISAS OU DADOS ESTATSTICOS

    So citados No so citados Total

    0 06 ou 100% 06 ou 100%

    LEGISLAO

    citada No citada Total

    0 06 ou 100% 06 ou 100%

    NGULO DA MATRIA

    Conflito Soluo

    05 ou 83,3% 0

    No possvel perceber Total

    01 ou 16,7% 06 ou 100%

    ATOS VIOLENTOS

    MST autor MST vtimaMST autor

    e vtima

    04 ou 66,6% 0 01 ou 16,7%

    No so citados atos

    violentos

    Atos violentos no envolvem

    MSTTotal

    01 ou 16,7% 0 06 ou 100%

    FONTES OUVIDAS

    Fonte N de matrias

    No h fontes ouvidas 02 ou 33,3%

    MST 02 ou 33,3%

    INCRA 02 ou 33,3%

    Trabalhador rural 01 ou 16,6%Advogado de trabalhador

    rural01 ou 16,6%

    Caixa Econmica 01 ou 16,6%

    CNA 01 ou 16,6%

    Empresa de agronegcios 01 ou 16,6%

    Pessoa fsica 01 ou 16,6%

    DIVERGNCIA DE POSIES

    H posies divergentes entre

    fonte e autor

    H posies divergentes entre as fontes

    01 ou 25% 01 ou 25%

    No h posies divergentes

    Total

    03 ou 75% 04 ou 100%

    ESPAO DAS FONTES

    MST tem mais espao

    MST tem menos espao

    0 01 ou 100%

    Espao equilibrado Total

    0 01 ou 100%

  • Vozes silenciadas

    56

    RELEVNCIA DAS FONTES

    MST est no lide Outra fonte est no lide

    0 0

    No h fontes no lide Total

    02 ou 100% 02 ou 100%

    PESSOA VERBAL

    Terceira pessoaTerceira e primeira pessoa

    Total

    06 ou 100% 0 06 ou 100%

    TTULO

    Presena no ttulo

    MST est no ttulo de forma direta

    MST est no ttulo de forma

    indireta

    MST no est no ttulo

    04 ou 66,7% 0 02 ou 33,3%

    Sentido do ttulo

    MST est no ttulo de forma

    positiva

    MST est no ttulo de forma

    que no possvel perceber

    MST est no ttulo de forma

    negativa

    0 01 ou 16,7% 03 ou 50%

  • Vozes silenciadas

    57

    Consideraes finais

    Diante da anlise da vasta cobertura referente ao

    MST durante os meses de fevereiro a julho de

    2010, possvel fazer algumas observaes a

    ttulo de concluso. Em primeiro lugar, chama a aten-

    o a grande quantidade de inseres, o que significa

    que no se pode afirmar que existe uma invisibilidade

    do MST para a grande imprensa. Por outro lado, essa

    quantidade no necessariamente significa que as

    causas e bandeiras do Movimento tenham visibilidade.

    Em muitos casos, o MST citado como referncia

    para baderna, violncia ou relaes de prevaricao

    com o poder pblico. Da a diversidade de temticas

    em que o Movimento aparece, muitas vezes apenas

    como exemplo de comparao para uma atitude radi-

    cal, no sentido pejorativo do termo, de outros grupos

    sociais.

    A CPMI do MST, motivo da escolha do perodo

    analisado, no foi o foco da cobertura. Prevaleceu

    um tema que no tem ligao direta com o MST, as

    eleies, em que o Movimento foi usado como ponto

    negativo para a candidata do PT. Com relao mais

    prxima ao MST, o tema mais abordado foi o Abril Ver-

    melho. Embora, na maioria das vezes, sem citar que

    se trata de uma jornada de lutas para lembrar uma vio-

    lncia sofrida, o Abril Vermelho tem o mrito de trazer

    tona questes relativas Reforma Agrria no pas,

    mesmo que de forma tangencial. O que predomina na

    cobertura jornalstica so as invases de terra pro-

    movidas pelo MST.

    Quanto sensao de que o MST criminalizado

    pela mdia, os nmeros comprovam que o Movimento

    mostrado de maneira negativa. Mesmo que nem

    sempre se refira a crimes de forma direta, a maioria

    das matrias utiliza termos pejorativos ou cita atos

    considerados violentos cometidos por integrantes do

    MST. As bandeiras de luta do MST, em geral, no so

    mencionadas; quando isso acontece, normalmente

    so menosprezadas, em afirmaes de que a Reforma

    Agrria j teria sido feita e que o MST no teria mais

    o que reivindicar. Tacham ainda o Movimento de ter

    se afastado do seu objetivo original, a distribuio de

    terras, e ter se transformado num movimento poltico,

    como se tratassem de conceitos contraditrios.

    Longe de uma cobrana por matrias positivas so-

    bre o MST ou outros movimentos sociais, o que esse

    relatrio mostra que a grande imprensa, em geral,

    recai num negativismo em grande parte panfletrio ao

    tratar desses temas. Vale lembrar que 27,5% das ma-

    trias analisadas no tm fontes ouvidas, e apenas

    18,9% ouvem o prprio ator social de que discorrem:

    o MST.

    Este cenrio de ausncia de pluralidade de vises

    na mdia e da falta de espao ou silenciamento

    dos movimentos sociais, no considerados fontes

    autorizadas nem sobre eles mesmos, simblico da

    violao da liberdade de expresso e do direito co-

    municao de parcela significativa da sociedade bra-

    sileira. O Intervozes espera assim, com este relatrio,

    estimular uma reflexo dos atores sociais e do poder

    pblico sobre esta questo, rumo construo de uma

    sociedade plural e efetivamente democrtica, onde os

    meios de comunicao sejam um espao de livre cir-

    culao e expresso de todas as vozes.

  • Vozes silenciadas

    58

    bibliografia

    BARBOSA, Marialva. Histria cultural da imprensa: Brasil, 1900-2000. Rio de Janeiro: Mauad X, 2007.

    BENETTI, Marcia. Anlise do Discurso em jornalismo: estudo de vozes e sentidos. In: LAGO, Claudia; BEN-

    ETTI, Marcia. Metodologia de pesquisa em jornalismo. Petrpolis, RJ: Vozes, 2007, p. 107-122.

    BERGER, Cristha. Campos em confronto: jornalismo e movimentos sociais. As relaes entre o Movimento Sem

    Terra e a Zero Hora. Tese de doutorado defendida em maio de 1996.

    HALL, Stuart (et. al.). A produo social das notcias: o mugging nos media. In: TRAQUINA, Nlson. (org.)

    Jornalismo: questes, teorias e estrias. Lisboa: Vega, 1993.

    HALL, Stuart. Da Dispora: Identidades e Mediaes Culturais. Organizao: Liv Sovik; Traduo: Adelaine La

    Guardia Resende [et all]. Belo Horizonte, MG: Editora UFMG, 2008.

    HERSCOVITZ, Heloisa Golbspan. Anlise de contedo em jornalismo. In: LAGO, Claudia; BENETTI, Marcia.

    Metodologia de pesquisa em jornalismo. Petrpolis, RJ: Vozes, 2007, p. 123-142.

    MARTINS, Helena do R. B.Onde s vento se semeava outrora. Comunicao: espao de luta poltica. Anlise da

    Rdio 25 de Maio FM, produzida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. Monografia defendida em

    2009.

    SILVA, Carlos Eduardo Lins da. Mil dias: os bastidores da revoluo em um grande jornal. So Paulo: Trajetria

    Cultural, 1988.

    Sites consultados

    http://www.cartacapital.com.br/

    http://www.globo.com/

    http://www.mst.org.br/

    http://www.r7.com/

    http://revistaepoca.globo.com/

    http://veja.abril.com.br/

  • Vozes silenciadas

    59

    Anexo

    Lista de termos negativos usados na cobertura:

    Aes ilegais

    Aes ilegais, destrutivas e hediondas

    Aes predatrias e ilegais

    Aes violentas

    Acusados de furtar

    Afrontar as leis

    Agresso

    Agressores

    Algazarra

    Aloprados

    Ameaar

    Ameaar radicalizar

    Ameaas ao direito de propriedade

    Aprontar

    Arbtrio

    reas invadidas

    Arruaceiros

    Associao ao trfico de drogas

    Atacar

    Atear fogo

    Atitudes ilegais

    Atividades agressivas e criminosas

    Atividades terroristas

    Atos criminosos

    Atos de vandalismo

    Atos ilegais

    Aventuras

    Baderna

    Baderneiro

    Bandidagem

    Banditismo

    Bandos armados

    Bandos do MST

    Brutalidade

    Busca da impunidade

    Caos

    Crcere privado imposto a empregados de fazendas

    Casos suspeitos

    Condenado por crimes de incndio, furto e danos

    Conflitos

    Confuso

    Conspirao acintosa e pblica

    Contendores desabridos

    Contribui para desmoralizao das instituies

    democrticas

    Contumaz desafiante do sistema normativo

    Corrupo

    Crime*

    Crimes de danos

    Crimes de formao de quadrilha

    Crimes de formao de quadrilha, furto e dano quali-

    ficado

    Criminalidade

    Criminalizado

    Criminalizar

    Criminalizar a sua luta poltica

    Criminosos do MST

    Crnica impunidade

    Danos

  • Vozes silenciadas

    60

    Delinquncia pura e simples

    Demolir as bases da lei e da ordem

    Depredao

    Depredaes de equipamentos

    Depredaes de prdios pblicos

    Depredar

    Derrubadas de cerca

    Derrubar

    Desafiar a Justia

    Desordem

    Desrespeitar as determinaes do Judicirio

    Desrespeito ordem jurdica no campo

    Desrespeito ao Judicirio

    Desrespeito s leis

    Destruio

    Destruio de plantaes

    Destruidores

    Destruir

    Devastar fazendas

    Ensanguentar o campo

    Entidade abstrata

    Esbulho

    Esbulho possessrio

    Escria

    Esquerda radical

    Estorvo

    Estrago socioeconmico

    Estragos

    Estratgia criminosa de invases de terras

    Exacerbao de marchas, invases e saques de

    propriedades

    Expectativa de impunidade

    Extrao indevida

    Extrema vassalagem

    Famlias invasoras

    Farc

    Fazendas tomadas de assalto, invadidas com violn-

    cia e depredaes

    Formao de quadrilha

    Fraude

    Furto

    Furto qualificado

    Gente espalhafatosa

    Gente fora da lei

    Grave equvoco poltico

    Grupelho

    Grupo ensandecido e oportunista

    Grupos armados

    Grupos de ativistas polticos radicais

    Hedionda derrubada de ps de laranja

    Ilegal

    Ilegalidade

    Ilcito

    Impunidade

    Impunidade crnica

    Incendiar

    Incndios criminosos

    Incorreto

    Insegurana jurdica

    Insegurana poltica e jurdica

    Instabilidade

    Inutilizar

    Invadida

    Invadir

    Invaso

    Invases ilegais

    Invases polticas

    Invasores

    Invasores de terra

    Irregular

    Irregularidades

    Jornadas de terror

  • Vozes silenciadas

    61

    Lderes desses grupos armados

    Males

    Manipulao poltica

    Matanas de animais

    Mazela

    Mecanismo violento, ilegal e inquietante das invases

    de propriedades produtivas

    Medidas radicais bolivarianas

    Metfora sanguinolenta

    Metodologia delituosa

    Mtodos discutveis e inaceitveis

    Movimento irregular

    Movimentos violentos e intempestivos

    Mudana de natureza revolucionria socialista

    Multas

    Notrios dirigentes de invases de terras

    Ncleo aferrado a valores do conservadorismo

    Objetivo predatrio

    Organizao ilegal

    Organizao poltica de tinturas revolucionrias

    Organizaes criminosas e terroristas

    Parar o Brasil de vez

    Passaporte vermelho da impunidade

    Pau-mandado**

    Perfis exticos

    Porte ilegal de armas

    Possveis irregularidades

    Prtica delituosa

    Praticar esbulhos possessrios

    Prises

    Propriedades invadidas

    Puxa-saco**

    Quadrilha organizada

    Quebra da ordem jurdica no campo

    Quebrar

    Radicalismo

    Roubo

    Saques

    Saquear

    Semiclandestinidade

    Sem-terra made in Paraguai

    Sequestros

    Sindicato armado

    Submissos

    Subservientes

    Suspeita de assassinato

    Terras invadidas

    Terrorismo

    Terroristas

    Tomadores de terra

    Tomar

    Tombar

    Trfico

    Transgressores

    Truculncia

    Tumultuar

    Verdadeira corrupo, institucional e financeira

    Violncia

    Violncia anunciada

    Violncia das invases de terra

    Violncia do MST

    e insegurana jurdica

    Violncia poltica

    Violncias dos mais diferentes tipos

    Vtimas do MST

    *Numa de suas inseres, o termo crime foi utilizado

    propositalmente entre aspas por um leitor que preten-

    dia negar que o MST cometa ilegalidades.

    **Termos utilizados por Joo Pedro Stdile para

    negar que o MST seja pau-mandado ou puxa-saco do

    governo Lula.

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