Versus Magazine #17 Dezembro/Janeiro 2012

  • Published on
    11-Mar-2016

  • View
    212

  • Download
    0

DESCRIPTION

DOWNLOAD: www.mediafire.com/?543kldd3qlp8gl5 Edio n17 da Versus Magazine c/ Esoteric, Krisiun, Lantlos, Farsot, Vallenfyre, Mythological Cold Towers, Tsjuder, Einherjer, Echidna, Thy Catafalque, Diesel Humm!, Spiros Antoniou e muito mais.

Transcript

  • anunciaaqui

  • VERSUS MAGAZINE

    A/C Ernesto MartinsVERSUS MAGAZINEAlameda da Azenha de Cima,116 - 3D4460 - 252 Senhora da HoraPortugal

    Telem.: 918 481 127E-Mail: versusmagazinept@gmail.comWeb: BREVEMENTE MySpace: /versusmagazineFacebook: BREVEMENTE

    PUBLICAO BiMESTRALDownload Gratuito

    DIRECOErnesto MartinsAndr Monteiro

    GRAFISMOA.Monteiro - Design & Multimdia www.amonteiro.net

    EQUIPAAndr MonteiroCarla FernandesCarlos FilipeCristina SDaniel GuerreiroDicoEduardo RamalhadeiroEliana NevesEmanuel MarquesErnesto MartinsJorge CastroLus JesusPaulo EirasPaulo MartinsRenato ConteiroSrgio PiresSrgio TeixeiraVictor Hugo

    FOTOGRAFIACrditos nas Pginas

    PUBLICIDADEgeral@versus-magazine.com

    Todos os direitos reservados. A VERSUS MAGA-ZINE est sob uma licena Creative Commons Atribuio-Uso No-Comercial-No a Obras De-rivadas 2.5 Portugal.

    O utilizador pode:copiar, distribuir, exibir a obra

    Sob as seguintes condies:Atribuio - O utilizador deve dar crdito ao au-tor original, da forma especificada pelo autor ou licenciante.

    Uso No-Comercial. O utilizador no pode utili-zar esta obra para fins comerciais.

    No a Obras Derivadas. O utilizador no pode alterar, transformar ou criar outra obra com base nesta.

    E assim nos despedimos deste que foi um fantstico ano para o Metal e para a VERSUS Magazine! Das doze entrevistas presentes nesta edio macia salientamos as conversas que tivemos o praz-er de registar com os Krisiun, os Tsjuder, os Lantls, que tambm assinam o lbum do ms, e, claro, os doomsters Esoteric, que distinguimos na capa deste nmero. O espao j habitual de entrevista a um artista grfico dedicado desta vez ao recon-hecidssimo Spiros Antoniou, dos Septicflesh, e na retroVERSUS invocamos o in-esquecvel Mr. Death, figura seminal e incontornvel da msica extrema que faleceu h exactamente uma dcada. Para vos arrancar um sorriso neste perodo ensomb-rado por todas as crises, passamos a publicar Shots de Catequese, uma divertida tira de banda desenhada, e terminamos este nmero #17 com uma seco de reporta-gens ao vivo, de cara lavada e mais recheada do que nunca.E com este esprito que nos lanamos de cabea em mais um ano de edies, para continuar a dar-vos conta do melhor que se vai fazendo no underground do Metal.Parafrasendo Chuck Schuldiner: Let the METAL flow! Some more, acrescento eu.Votos de um fantstico 2012 para todos vocs. Escrevam-nos para versusmaga-zinept@gmail.com.

    Ernesto Martins

  • Thee Orakle - Smooth Comforts False previsto para 2012Aqui fica o comunicado que a banda fez chegar at ns:Podemos desde j anunciar que o segundo lbum dos Thee Orakle Smooth Comforts False ir ter o selo da portuguesa Ethereal Sound Works (http://www.eswlabel.com), com edio prevista para Fever-eiro de 2012.Registado nos UltraSoundStudios em Braga, com produo e mas-terizao a cargo de Daniel Cardoso, este lbum conta com as honro-sas participaes de Yossi Sassi dos israelitas Orphaned Land, Adolfo Luxria Canibal dos Mo Morta e Marco Benevento dos italianos The Foreshadowing!O Artwork do disco, foi criado por Phobos Anomaly Design!A editora Ethereal Sound Works est neste momento a aceitar pr-encomendas de uma edio limitada do lbum (CD + T-Shirt).

    Epica em Portugal com novo lbumOs holandeses EPICA esto entre os mais aplaudidos e destacados representantes do female fronted metal, uma tendncia que tem vin-do a ganhar uma fora e exposio considerveis durante os ltimos anos. Prestes a comemorar a primeira dcada de existncia, so j uma das mais aplaudidas e bem-sucedidas propostas dentro do estilo e, com quatro discos de sucesso no fundo de catlogo, preparam-se para dar incio a um novo captulo da sua carreira.Requiem For The Indifferent, o quinto lbum do sexteto, a editar em Maro de 2012, um registo conceptual baseado nas adversidades que a humanidade atravessa, mas que carrega uma forte mensagem de unio e abertura mudana. essa luz ao fundo do tnel que os msicos vm mostrar ao pblico nacional nos dias 21 e 22 de Abril, nos palcos da Incrvel Almadense e do Hard Club.

    Evergrey - Glorious Collision em vinil A banda sueca Evergrey acaba de lanar uma edio especial de seu ltimo lbum, o Glorious Collision, em formato de vinil.O mais recente trabalho do grupo est disponvel em vinil duplo de cor azul na loja do site oficial da banda em http://evergrey.net/

    Lacuna Coil - Novo lbum em Janei-roA banda de Metal Alternativo, Lacuna Coil, lanaram recentemente o seu novo vdeo do tema Trip The Darkness.

    Este o primeiro single do prximo lbum do colectivo italiano com o nome de Dark Adrenaline, produzido por Don Gilmore e que ser lanado pela Century Media Records a 24 de Janeiro de 2012.O video foi realizado pela Sitcom Soldiers e os efeitos especiais apelam aos fs da banda a entrarem numa realidade alternativa meldica e sensual.

  • Lamb Of God - Novo lbum no inicio do anoOs Lamb Of God apresentaram o seu primeiro tema em indito na es-tao de rdio online SiriusXM (http://www.siriusxm.com/liquidmetal).Ghost Walking faz parte do novo lbum da banda americana, com o nome de Resolution.O disco foi gravado em vrios estdios na Virgnia e Nova Iorque, nova-mente pelas mos do produtor Josh Wilbur e ser lanado em Janeiro de 2012 pela editora Roadrunner Records.Resolution contarcom 14 faixas e estar disponvel em formato digi-pack com artwork da autoria do director de arte Ken Adams.

    Daemogorgon - Novo lbum e passa-tempo no FacebookOs Daemogorgon vo anunciar nome do prximo album. Para celebrar esto a oferecer, juntamente com a Raising Legends Records, exem-plares do EP CHAOS.THROUGH.PHOBIA, para isso s tm de ir pagina oficial da banda no Facebook e fazer like, os likes 666, 700, 800, 900 e 1000 recebem CDs, basta enviar email para raisinglegendsrecords@gmail.com com print screens, nome e morada! Ao like 1000 o nome do album ser anunciado!

    Napalm Death - Data de lanamento de novo lbum anunciadaOs Napalm Death, preparam-se para lanar o seu 14 lbum de estdio. O lanamento acontecer dia 27 de Fevereiro a nvel mundial e a dia 28 do mesmo ms para o mercado norte-americano, segundo site oficial da banda.O nome do novo lbum chamar-se- Utilitarian e contar com a colab-orao do artista dinamarqus Frode Sylthe, para a ilustrao da capa, que colaborou tambm com os The Haunted sendo autor da ilustrao que adorna a capa do lbum rEVOLVEr.

    Sepultura - Eloy Casagrande o novo baterista do grupoOs Sepultura oficializaram a entrada do baterista Eloy Casagrande (Acl-la), para ocupar o lugar deixado por Jean Dolabella.Quando recebi o convite para entrar nos Sepultura, fiquei em choque, conta Eloy. Sou f da banda h anos, ser uma honra tocar com eles. Eloy, que tem 20 anos, foi o vencedor do prmio Modern Drummers Un-discovered Drummers Contest (maior festival de bateristas do mundo) em 2006.

  • Shadowsphere - Novo lbum em MaroOs Shadowsphere, banda oriunda do Seixal, j tm data para o lanamento daquele que ser o suc-essor de Hellbound Heart.Em Lisboa, o colectivo ir mostrar os seus novos temas no dia 03 de Maro de 2012, no Cinema S. Jorge. Os portuenses tero igual sorte no HardClub a 10 de Maro.O novo trabalho dos Shadowsphere, ainda sem nome revelado, foi gravado nos Poison Apple Studios, em Lisboa, com produo a cargo de Tiago Canadas.

    Flagellum Dei - Apresentam o seu novo trabalhoSeguiram-se quatro anos de silncio, aps o lanamento de Under The Might em 2007. O quarteto de Sepulchral Winds est de volta com um novo line-up(Marinha Grande e Caldas da Rainha), bastante dinmico , trabalhador e com um black-metal surpreendente! O poderoso lbum Order of the Obscure, acaba de ser lanado hoje e tem a assinatura da editora alem Pestilence Records. a ambiciosa proposta que os Flagel-lum Dei tm para vos oferecer!

    Lusitania Old School junta Ibria, Tarntula e Gar-gulaQuando aos Ibria se juntam os Tarntula e os Gargula para dois concertos emblemticos, isso ... o Lusitania Old School! j em Fevereiro do prximo ano que estas 3 bandas se vo apresentar ao vivo na Caixa Econmica Operria e no Hard Club para espalhar o seu som old school, mas sempre to actual.Os bilhetes custam 10 Euros e j esto disponveis nos locais habituais.O incio das hostilidades ser s 21h30m de dia 4 de Fevereiro em Lisboa e mesma hora a 11 de Fevereiro no Porto.

    Dream Theater, Megadeth e Mastodon nomeados para os Grammy AwardsNo passado dia 30 de Novembro os Dream Theater, Mastodon, Megadeth e Foo Fighters foram oficial-mente nomeados para a 54 edio dos Grammy Awards, que ser realizada no dia 12 de Fevereiro de 2012 no Staples Center em Los Angeles, na categoria de Best Hard Rock/Metal Performance.A novidade vai para os Dream Theater que concorrem pela primeira vez na sua [longa] carreira a um prmio Grammy, com o tema On The Backs Of Angels retirado do seu ltimo lbum A Dramatic Turn Of Events.Curiosamente, a ltima banda a concurso nesta categoria so os punk-rockers Sum 41 (?) com a faixa Blood In My Eyes retirado do disco Screaming Bloody Murder.

  • anunciaaqui

  • Esta banda Brasileira volta em 2011 com o seu novo disco The Great Execution. Passados cerca de 20 anos desde a sua formao, esta irmandade do metal carrega no acelerador com a mesma eficincia dos seus primrdios. E deixa o adje-tivo velho arrumado no dicionrio, pois na realidade o ful-gor e entusiasmo com que fazem msica, aliada a uma vasta experincia de palco e estdio, so marcas bem vincadas no genoma destes brasileiros. O baterista Max Kolesne respondeu a algumas questes que publicamos aqui, dando-nos assim a oportunidade de conhec-er um pouco melhor esta banda de trs irmos que esto cada vez mais slidos nos palcos do Death-Metal Brutal.

    Da Amrica do Sul para o Mundo

    Um dos factos mais relevantes e distintivos que caracterizam os Krisiun enquanto formao a longevidade e coeso da banda. Porm, tendo surgido em 1990, o vosso som tem naturalmente evoludo ao longo dos anos at aos dias de hoje. Quais os fatores mais relevantes que vos influen-ciaram nessa evoluo? Max Kolesne: O fato de termos mantido a mesma formao ajudou muito a forjar um estilo prprio e criar uma qumica muito forte como banda. Tambm, nossa paixo pela msica Brutal nos mantm em con-

    stante evoluo, sempre procurando aprimorar musi-calmente e fazer boas composies. O sentimento o principal, a essncia da msica, quando se perde isso, no se tem mais nada.

    Atualmente so uma banda mais de estdio e composio ou o palco a vossa principal razo de existir enquanto msicos?Ambos so muito importantes, um ciclo, compor, gravar, lanar o lbum e iniciar longas tournes pelo mundo, uma coisa est ligada a outra. O disco novo

  • jamais mudaria qualquer coisa na histria da banda, a nossa essncia nasceu do dio e da pura brutalidade

    traz a renovao, e os shows ao vivo so o que man-tm a banda viva e forte.

    Uma das questes que muitas vezes se coloca a muitas bandas a no utilizao da lngua ma-terna, e de facto a regra, em 99% dos casos, a utilizao do Ingls nas letras. No entanto, no vosso ltimo lbum tm a faixa Extino em massa a reavivar o Portugus fruto da colabo-rao com Joo Gordo (Ratos de Poro). Como foi essa colaborao? Acho que a utilizao da lngua inglesa se deve ao fato de que o ingls acabou se tornando a lngua mun-dial e isso une as pessoas de pases e culturas total-mente diferentes, a forma mais fcil e dinmica de se comunicar e se expressar. Com certeza ter feito esta msica em Portugus foi algo muito interessante, somos muito fs do Ratos de Poro, e foi uma grande honra ter a participao do Gordo no disco. A ideia inicial era fazermos uma cov-er do Ratos, mas como estvamos a meio das com-posies do disco, o Moyses teve a ideia de convidar o Gordo para cantar uma msica com o Krisiun, uma composio nova, uma mistura de Ratos e Krisiun, fizemos uns trs ensaios com o Gordo e a msica estava pronta.

    Pelo que vi em recentes entrevistas vossas, neste ltimo lbum - The Great Execution - houve a preocupao de criar msicas no apenas brutais

    e pesadas mas alternando com partes compassa-das e ritmadas formando estruturas bem coesas e homogneas. Na minha humilde opinio ob-tiveram com isso o vosso melhor lbum at hoje. Podem falar-nos um pouco do processo de com-posio deste vosso disco e se esperam chegar com ele a novos patamares de projeco inter-nacional?Muito obrigado pelas palavras! Com certeza quera-mos fazer um disco diferente dos anteriores, algo mais variado, e que as msicas fossem diferentes umas das outras. O processo de composio basicamente o mesmo de sempre, construmos as msicas juntos na nossa sala de ensaio, na maioria das vezes o Moyses apresenta alguns riffs e a partir da vamos juntando os instrumentos guitarra, bateria e baixo criando os grooves e arranjos e mais tarde o Alex coloca os vo-cais. Na poca das composies estvamos escutando coisas mais antigas, muito Metal clssico, como Black Sabbath, Iron Maiden,Savatage, Judas Priest, Slayer, e isso com certeza nos influenciou, ao mesmo tempo que um disco Brutal e veloz, tem esse lado mais pico e cadenciado. E com certeza nossa inteno continuar crescendo e conquistando novos fs pelo mundo inteiro.

    Estiveram em Portugal a 11 de Junho no Festival Metal GDL. Como foi a recetividade do pblico na vossa atuao? A receptividade em Portugal sempre tima! sem-

  • pre uma honra tocar em Portugal! Temos muitos ami-gos portugueses, as pessoas a so muito fixes!

    Esto a pensar visitar novamente o pblico Por-tugus em breve?Sim, j estamos com a tourn de lanamento marcada para Janeiro de 2012 na Europa, as datas ainda no foram divulgadas, mas com certeza haver um show em Portugal.

    Se tivessem de comear hoje a fazer msica, fari-am algo de diferente? Isto , em funo das duas dcadas de experincia, o que fariam de difer-ente? Que conselhos dariam a quem comea at-ualmente com a ambio de vir a ser no futuro uma banda de Heavy-Metal?Com certeza seria diferente. Se fssemos comear hoje, com o conhecimento e experincia que te-mos, lanaramos discos melhores produzidos e com composies mais elaboradas. Mas jamais mudaria qualquer coisa na histria da banda. A nossa essncia nasceu do dio e da pura brutalidade. Black Force Domain nossa raiz e foi da que criamos nosso es-tilo, seguindo nossos instintos. E isso que as bandas novas devem fazer, seguir os instintos e no tentar soar como as outras, pois msica algo muito pes-soal, cada um tem uma personalidade e isso expres-sado na msica. A msica Metal quando feita com sentimento e honestidade, mesmo que mal produzida e com imperfeies vai atingir as pessoas. O prob-lema de hoje que muitos iniciantes quando gra-

    vam seus primeiros CDs abusam dos recursos digitais para consertar os erros de execuo, perdendo todo o feeling, honestidade e atitude. melhor ser honesto e tocar o que sabe, mesmo com imperfeies, s assim a msica ter personalidade prpria.

    Provavelmente nunca houve como hoje tantas bandas a fazer e a produzir discos de Death-Met-al. Acham que ainda h margem para surgirem bandas suficientemente inovadoras para atin-girem patamares de projeco como os Krisiun conseguiram? Com certeza sempre haver margem para novas ban-das se destacarem, como eu disse antes, aqueles que forem honestos e seguirem os instintos vo conseguir seu espao.

    Mais uma vez gostaria de dar os parabns pelo vosso excelente trabalho The Great Execution que de certeza ir ser bem acolhido pelo pblico Portugus. Tm alguma mensagem adicional que queiram deixar aos nossos leitores?Um grande salv para todos os nossos amigos Portugueses. Em breve estaremos por a tocando as msicas do The Great Execution e tomando muita cerveja portuguesa!Praise Metal!

    Entrevista: Srgio Teixeira

    O sentimento o principal, a essncia da msica, quando se perde isso, no se tem mais nada.

  • Agape est disponvel, ouvi-o e espetacu-lar. Como foi o processo de composio do teu novo trabalho?Herbst: difcil responder a essas perguntas. Porque eu no planeio as coisas, nem me sento para compor um lbum, apenas acontece. No suporto estar no meu quarto e no fazer nada e, por isso, pego na guitarra e, instantaneamente, comeo a gravar as faixas ou fazer Demos. Mas ests apenas interessado em saber como decorre o processo de composio ou pretendes tambm saber de onde me vem a inspirao?

    Essa era precisamente a minha prxima

    questo: onde vais buscar inspirao? Este novo trabalho diferente do anterior, com mais mo-mentos lentos e at algum doom.Sabes, quando escrevi os lbuns anteriores, eu tive uma srie de experincias de ndole psictica. Sen-tia o cho a escapar-se-me debaixo dos ps, via-me num vazio, a minha mente estava sempre mergul-hada numa bruma. E isso foi muito importante para o fluxo dos dois primeiros lbuns. Com o Agape, tudo correu de forma diferente. Perdi essa sensao de vertigem permanente e de viver mergulhado numa bruma e comecei a procurar um novo comeo, que foi de alguma forma um sen-timento absoluto. Na verdade, no foi positivo, foi

    Em 2010 .neon marcou pela sua obscuridade e beleza, tal como pela presena do j reconhecido Neige, alma dos Alcest. Este ano chega-nos Agape, um trabalho que nos tenta transmitir a ideia de afeto e de amor incondicional num cenrio de contraste, onde esses senti-mentos se cruzam com a fealdade. A VERSUS Magazine ligou para Herbst, o jovem alemo responsvel por tudo isto, e descobriu muito mais sobre o estado de espirito de Lantls.

    Sentimento visceral

  • alis bastante negativo. Mas foi algo muito especial e que deixou uma marca em mim. Agora, quando componho, tento lembrar-me sempre desse mo-mento e procuro estados de esprito absolutos. No pretendi fazer o mesmo lbum, j os meus estados de esprito eram diferentes dos dessa altura. Mesmo assim, procurei, tambm, algo que me desse algum tipo de obscuridade. Da que seja mais lento, penso eu. Para mim, um lbum muito poderoso, que me d esse tipo de sentimento absoluto, como lhe cos-tumo chamar no sei, algo csmico, verdadeira-mente poderoso. Mas, ter tocado partes mais lentas, ou doom, no foi planeado. Elas apenas surgiram. Quanto inspirao foi busc-la aos filmes Eraser-head, ao primeiro Alien e tambm ao livro The Never Ending Story, de Michael Ende, um famoso escritor alemo. Deste vieram algumas imagens, tais como a referncia a uma cidade de cristais e a estre-las cintilantes, que me deixaram todo arrepiado de emoo. E tambm da personagem Eribo, que fig-ura no ttulo da faixa Eribo I Collect The Stars. Os dois filmes inspiraram-me por lidarem com o horrvel, com o sentimento de amor pela fealdade. Se pensarmos na Ripley, do filme Alien, ela car-rega a criatura consigo e desesperante revolt-ante porque ela sente amor pela criatura. Tambm no Eraserhead, o bb, apesar de horripilante, foi algo que surgiu do amor.

    Curiosamente sinto que o Agape mais fo-togrfico, ou idlico, do que os teus trabalhos

    anteriores. Concordas?Sim. Tambm fiz o artwork para este lbum, porque foi fcil idealiz-lo. Normalmente, no costumo ter imagens na minha cabea quando escrevo. Mas, desta vez, foi diferente isto por causa das letras, que so fotogrficas, como tu disseste. Se bem que seja muito difcil para um msico dizer isso, porque material muito pessoal e ele, o artista, est muito prximo dos seus lbuns.

    Qual o conceito de Agape? Existe alguma linha que una .neon e Agape, ou este um lbum completamente afastado do teu trabalho anterior?Comeando pelo conceito, agape retirado da an-tiguidade grega. Vou tentar esquecer as conotaes crists, mas, por acaso, delas que deriva a palavra. O conceito est associado afeio, a dar e receber, ao amor. Mas, do conceito de agape fazem parte as ideias de isolamento e fealdade. Em Eribo I Col-lect The Stars, por exemplo, h uma personagem que recolhe a luz das estrelas e a converte em estru-turas de cristal, para receber algo que faa com que a vida valha a pena. to intenso sentir e ansiar isso que a personagem Eribo acaba por enlouquecer. Arranca a sua lngua, toma-a na sua mo, aponta-a para o cu e diz: Toma a minha lngua, para que tu possas sempre ouvir as minhas aflies. Faz o mes-mo s orelhas e diz: Toma as minhas orelhas, para que eu possa ouvir a tua consolao. E, no final, retira a sua pele, para mostrar a sua dedicao. J no

  • primeiro tema, que se chama Intrauterin, h uma personagem que ama to intensamente a sua me que deseja degenerar-se, ou dissolver-se, e regressar ao estado celular para estar o mais prximo possv-el dela. Isto lida com o forte e puro ideal de amor, pelo qual darias tudo mesmo o teu corpo. este o conceito-chave Isto o conceito-chave de Agape. muito diferente do .neon, que foi totalmente inspirado pelas tais disposies obscuras. Agora o sentimento quase csmico e to grandioso que ainda no consigo entender, mesmo quando escrevo e toco msica sobre isso. Eu apenas tenho um sen-timento que no consigo explicar. Isto realmente diferente do que fiz nos dois primeiros lbuns. Con-tudo Agape no totalmente livre ou solto dos meus trabalhos anteriores, porque, como disse pro-curo estados absolutos de esprito que me orientam, mas nunca consigo explic-los, nem descrev-los, nem entend-los completamente. So como fantas-mas que me direcionam, tais como as psicoses que tive nos dois primeiros lbuns. Mas estas disposies atuais so muito mais maduras, talvez mais racionais.

    Sei que a tua vida a fonte de Lantls. J consid-eraste estar noutra banda, ou terminar Lantls e criar outro projeto?Por acaso, mesmo antes de teres ligado, eu acabei de escrever a ltima msica para um projeto novo. Tenho dois novos projetos: um deles de crust punk e o outro de new wave. So como projetos paralelos, com os quais me divirto. Mas Lantls o principal,

    a msica mais importante que fao e no terminarei com ele.

    Neige novamente o responsvel pela voz. Ele apenas um convidado ou j se pode afirmar que faz parte de Lantls?No, na verdade um elemento permanente. Quan-do o conheci, foi incrvel perceber o quo similar ramos nos pensamentos, nos sentimentos e tam-bm nas tais psicoses de que j falei. Nunca conheci algum que fosse assim, que tivesse estas caracters-ticas tambm, que estivesse to sintonizado com o que sinto e com o que penso. por isso que o con-sidero como um membro permanente dos Lantls e no apenas um msico de sesso. uma colabo-rao muito prxima e familiar.

    Para terminar gostaria de saber se, no prximo ano, poderei ver Lantls ao vivo.Por acaso, estamos a comear a ensaiar. Procuro mesmo fazer concertos. Definitivamente, haver concertos em 2012. Mas no posso adiantar nada, por causa de negcios e essas merdas do mundo da msica.

    Entrevista: Victor Hugo

    Isto lida com o forte e puro ideal de amor, o qual darias tudo por ele mesmo o teu corpo. Isto o conceito de Agape

  • Da bestialidade humana

  • Para comear, gostaria de ter mais alguma infor-mao sobre a banda. Como apareceram na cena black metal germnica?3818.w: Farsot teve o seu incio em 1999, com uma formao diferente da atual. Os primeiros meses de ensaios conduziram primeira demo intitulada Im Zwielicht meines glanzlos Lebens in 2001. O pero-do que decorreu entre este lanamento e o da nos-sa primeira demo oficial 042103freitod, em 2004, contribuiu para a formao pessoal e a estabilizao da banda, porque finalmente conseguimos um baix-ista e um segundo guitarrista. A partir da, pudemos concentrar-nos na definio das nossas vises music-ais e no seu desenvolvimento. Essa auto-descoberta e a delineao de um plano de atuao para a banda conduziram a uma grande melhoria na composio. Assim, pudemos comear a trabalhar no nosso lbum de estreia, para mim muito importante. As gravaes foram feitas com V. Santura, dos Dark Fortress, e deixaram-nos a todos muito satisfeitos. Ao lanamen-to de IIII, em 2007, seguiram-se duas digresses eu-ropeias e muitos concertos. O trabalho que conduziu a Insects comeou nessa altura e demorou dois anos e meio.

    Os vossos nomes artsticos suscitaram-me uma grande curiosidade. Por que apostaram em com-binaes de letras e nmeros?v.03/170: Queremos que o ouvinte se concentre na nossa msica e nas letras. No queremos que esteja atento s pessoas que esto por detrs dessa arte. Podamos usar os nossos verdadeiros nomes, mas isso eliminaria uma parte do mistrio. Podias ir fazer uma pesquisa na net, descobrir pormenores de que no gostasses e ficarias a pensar no idiota que par-ticipou no lbum de que tanto gostas. Isso acabaria por destruir o teu gosto pela msica. Tambm no

    gostamos de pseudnimos relacionados com temas mitolgicos, religiosos.

    O que significa Farsot?v.03/170: Farsot uma palavra sueca antiga. Sig-nifica doena/epidemia. Tem uma pronncia seca que nos agradou. uma palavra curta, mas cativante e pode ser vista como uma aluso ao nosso apareci-mento. Viemos devagar, mas ningum nos pode resi-stir, haha.

    A vossa discografia inclui dois lbuns, ambos lan-ados pela Lupus Lounge, associada Prophecy Productions. Andei a fazer uma pesquisa e vi que tm excelente companhia nesta editora. Como se sentem entre bandas como Alcest, Secrets of the Moon, Helrunar e Negra Bunget?v.03/170: Somos fs das Prophecy Productions desde sempre. Assim, quando comemos a pensar quem iria lanar o nosso lbum de estreia, no demormos a en-contrar a resposta adequada. Tm sempre excelentes bandas a trabalhar com eles. Ficmos encantados por nos juntarmos a essa famlia musical, integrando-nos na super especializada Lupus Lounge.

    O vosso lbum de estreia muito mais black met-al do que este, mas j tem muitas partes ambien-tais. Concordam com esta afirmao?v.03/170: claro que concordamos. IIII serviu so-bretudo para explorarmos sentimentos e abismos a eles ligados. Por isso, ambiental, mas mais no gnero dos clssicos do BM. J nessa altura experimentmos combinar elementos antigos e novos, isto , procur-mos articular entre si elementos da velha escola e for-mas modernas de tocar.

    Deram um nome sinistro sua banda e usam pseudnimos compostos por letras e nmeros que lhes conferem uma aura de mistrio. Afirmaram-se inicialmente como cultores de um black metal, que combinava harmoniosamente elementos old school e outros bem modernos. Atualmente, pretendem de-marcar-se dessa matriz, mas no sabem exatamente onde a sua deriva os conduzir. Conseguem combinar uma cultura de alta erudio com uma cultura dita popular e paraliterria.Estas so razes de peso para termos chegado conversa com os Farsot. Recebemos respostas de trs membros da banda: 3818.w (guitarrista), v.03/170 (baixo e teclados) e 10.XIXt (vo-calista). Rendemo-nos fascinao que exala das suas pala-vras, complementando a que experimentamos ao ouvir a sua msica.

  • [No segundo lbum] Deixmo-nos de sentimentalismos e procurmos conferir ao esqueleto da nossa msica uma es-

    trutura mais negra e apocaltica.

    Mas este segundo lbum bastante diferente, no ? A msica pesada, mas no tem a mesma carga de desespero. frentica, contudo est imbuda de um sentimento de fatalismo quase calmo. Como diferen-ciam os dois lbuns? E por que os fizeram diferentes?v.03/170: So diferentes. No segundo, o som, o con-ceito lrico e a prpria msica so mais speros, mais secos. Deixmo-nos de sentimentalismos e procur-mos conferir ao esqueleto da nossa msica uma es-trutura mais negra e apocaltica. No foi exatamente propositado, aconteceu assim que comemos a com-por para o lbum. Parece-nos uma espcie de evoluo lgica. Detestamos a estagnao, por isso andamos sempre procura de novas maneiras de fazer as coisas, seja em que campo for. No sabemos bem onde va-mos parar, porque ainda estamos a ver se compreen-demos os resultados que temos obtido.

    Gostam de insetos? Ou foi o facto de estes nor-malmente suscitarem repulsa que vos levou a escolherem-nos como foco para o vosso lbum?v.03/170: No gostamos deles, mas admitimos que eles nos fascinam. H 400 milhes de anos que h insetos no nosso planeta. Ns, os humanos, s c estamos h 200000 anos. A sua populao tem uma diversidade muito superior nossa. Por isso nos inter-rogamos sobre se os humanos so realmente a glria da criao, ou se, pelo contrrio, esse ttulo lhes cabe a eles, que nos parecem muito mais aptos para sobre-viver em quaisquer circunstncias.

    O artwork de Insects fantstico. Faz lembrar uma ilustrao de um livro de cincia do sc. XIX, de um tratado de anatomia. Que significa esta imagem simultaneamente repelente e fasci-nante que usaram na capa do vosso lbum?10.XIXt: A imagem foi mesmo tirada de um livro de

  • anatomia. Data do sc. XVII e foi publi-cado por Govard Bidloo, um anatomis-ta [e artista] dos Pases Baixos. A ilus-trao foi feita por Gerard De Lairesse [um pintor holands], em 1685. Eu manipulei-a para lhe associar uma refer-ncia aos insetos. E h mais imagens do mesmo estilo no livrinho que acom-panha o lbum. No sei se tens uma cpia do lbum. Penso que s poders compreender a essncia da sua arte, se vires todas as ilustraes e procurares relacion-las com as letras.A imagem da frente do lbum parece repugnante primeira vista. Mas, se olhares mais uma vez, vais reparar que se torna esteticamente muito atraente, principalmente se atentares nas partes de pele repuxadas e viradas para baixo. Ilustra perfeitamente o conceito do l-bum: o inseto no homem, a comparao entre as duas espcies e os seus padres de comportamento, a degradao do ser humano que o rebaixa ao estatuto de verme. A capa at consegue reproduzir a essncia do som do lbum: terreno, sinistro, remoto mas direto, spero mas cheio de beleza.

    Por que razo as letras deste lbum foram escritas em Ingls, quando a banda sempre usou o Alemo? H alguma razo em especial, para alm do facto de haver mais pessoas que dominam o Ingls do que o Alemo?v.03/170: Estaria a mentir se dissesse que no pensmos nesse aspeto, mas no foi essa a principal razo para ad-otarmos o Ingls. Esse idioma surgiu espontaneamente, quando comemos a escrever as canes. Alm disso, tam-bm sentimos que o Alemo no ia ser-vir desta vez, porque a nossa lngua no tem as mesmas qualidades musicais que o Ingls. Sentimos que as letras soariam muito dramticas e afetadas. Foi essa a principal razo.

    As letras de algumas canes (por exemplo, Adamantine chains) evocam poetas como William Blake

    ou Charles Baudelaire, que fizeram da morte e da podrido/decadncia a ela associada assuntos poticos. H alguma relao entre as vossas letras e a literatura do sc. XIX?10.XIXt: No. Fomos influenciados por autores do sc. XX, como Herbert, Kafka, Gass e Brown. Mas tambm tivemos outras fontes de inspirao para alm da literatura. Inspirei-me no livro de Herbert intitulado Hellstrom Hive, que se baseia parcialmente num documentrio. O filme Hellstrom Chronicles um documentrio sobre insetos combinado com elementos de fico-cientfica. Estas ideias foram in-tegradas em teorias e vises de um cien-tista psictico fictcio que guia o leitor/ouvinte atravs do documentrio. Este procura demonstrar que os insetos so-brevivero destruio da Humanidade. Adamantine Chains baseia-se discre-tamente na Metamorfose, de Kafka, e descreve o curto momento de tempo em que Gregor Samsa acorda sem ter conscincia da sua transformao. Foi por essa razo que demos o nome de 7 cano que precede esta.

    Do concertos ao vivo? Se sim, o que previram para a promoo de In-sects?v.03/170: Sim. Trata-se de uma parte essencial da nossa existncia como Far-sot. Ainda no fizemos planos para pro-mover Insects, exceo de alguns concertos. Mas esperamos participar em festivais e queremos fazer uma di-gresso com alguns parceiros de peso.Obrigados pela entrevista.

    Entrevista: CSA

    Detestamos a estagnao (). No sabe-mos bem onde vamos parar, porque ainda es-tamos a ver se compreendemos os resultados

    que temos obtido.

  • Das vrias abordagens que poderia ter feito na escrita deste artigo, es-colhi a pessoal. E porqu? Chuck Schuldiner teve (e tem) uma grande influncia na minha vida musical. Foi um Gnio, exmio tecnicista, o pai do Death Metal (Meldico) e penso que continuar a ser uma grande influncia. Daquelas que na adolescncia nos leva a cometer a loucura de criar uma banda porque, simplesmente, queremos ser iguais a ele. Os Death e Chuck Schuldiner so uma estranha forma de vida.

    Como no sei o dia de amanh, vou aproveitar esta oportunidade que me foi concedida e tentar pre-star o meu tributo e hom-enagem a um dos msicos que mais me influenciou. Penso que no vou dizer

    nada que os fs mais an-tigos j no saibam e por-tanto, vou tambm direc-cionar o artigo para quem em ainda no conhece o trabalho de CS.No me lembro da primei-ra vez que ouvi os Death,

    Chuck Schuldiner mor-reu cedo... muito cedo. E com um sentimento de frustrao e grande mgoa ter que escrever sobre al-gum que tanta influncia teve na nossa vida e que nos deixou aos 34 anos.

  • um pronuncio para o dest-ino que CS estaria a pensar em dar sua msica e aos Death. Como j disse na review publicada na VER-SUS #13, o melhor lbum de Death Metal jamais fei-to na histria do Metal. Foi sob a influncia de TSoP que, juntamente com o meu grande amigo Z, for-mamos o projecto parale-lo mais curto na histria das bandas de garagem!

    Por estas razes sempre com alguma emoo que ouo este lbum e sempre com o pensamento de ter sido o ltimo gravado ao servio dos Death. Depois de ouvido vezes sem con-ta chegou a altura de de-vorar e descobrir o resto da discografia dos Death. Symbolic aparece como o antecessor de TSoP. Mais pesado, progressivo, igual-mente tcnico mas no to emotivo ou meldico. Human e Individual Thought Patterns surgem um pouco mais crus e rudes curioso que ou-vindo toda a discografia dos Death, nota-se uma clara evoluo, tanto a nv-

    el de sonoridade como da prpria voz de CS passan-do do Gore at ao Death Metal mais meldico de TSoP. A voz acompanha a evoluo, passando de um registo mais grave e caver-noso at uma voz um pou-co mais limpa, melodiosa e emotiva que teve o seu cul-minar no derradeiro TSoP. Estamos em 1996 e CS dedica-se ao seu projecto paralelo, chamado Control

    D e n i e d . No ni-co lbum lanado The Frag-ile Art of

    Existence - CS no canta. Em vez disso convidado Tim Aymar (TA). Dizem as ms lnguas que CS

    lembro-me sim, que o primeiro lbum que ouvi foi o The Sound of Per-severance (TSoP) e quem mo emprestou foi o E.. Devo dizer que no o con-segui ouvir primeira... bem vistas as coisas at foi algo normal. Nessa altura no suportava ou no sabia - ouvir e apreciar o Death Metal Tcnico Meldico. O lbum ficou espera... qual obra de arte perdida na sombra do e s q u e c i -m e n t o . Q u a n d o decidi dar uma segunda oportuni-dade poderei, seguramente afirmar que foi esse um dos trs momentos que transformaram a minha vida musical - O outro foi quando pela primeira vez ouvi o Master of Pup-pets e o terceiro no inter-essa para este artigo visto tratar-se de um lbum de Hard Rock... - De toda a discografia dos Death, e atrever-me-ei a afirmar, de todos os lbuns que ouvi at hoje, foi o lbum onde melhor ouvi a combinao de tcnica, harmonia, bru-talidade e melodia. para mim o lbum mais emo-tivo dos Death. Visto a esta distncia, ter sido, talvez,

    Death Metal, Black Metal, Speed Metal, Thrash Metal.

    Tire a primeira palavra de todas elas e deixe uma s: Metal!

  • estava a preparar o fim dos Death como banda, para se dedicar a 100% a este projecto. Musicalmente falando, este lbum asse-melha-se muito a TSoP. No entanto, como todas as mudanas so alvo de crti-cas, infundadas ou no, a voz de TA nunca gerou consenso. Para mim, en-caixa que nem uma luva.

    Sendo uma voz mais verstil e limpa permite outro tipo de harmonias que enriquecem ainda mais as composies dos temas.Em 1999 -lhe diagnos-ticado um tipo de tumor cerebral e aps vrios tratamentos, CS continua, mesmo assim, a trabalhar no 2 lbum dos Control Denied chamado When Man and Machine Collide

    que por supostas guerras de direitos ainda no viu a luz do dia. J h vrios anos que aguardo e anseio por este lanamento.Pessoalmente, CS sem-pre soube rodear-se dos msicos mais talentosos: Richard Christy/Gene Hoglan (Bateria), Steve DiGiorgio/Scott Clend-enin (Baixo) ou Shannon Hamm (Guitarra). Era apelidado do Perfecci-

    onista do Metal e por esta razo que a sua relao com antigos membros da banda no era a melhor le-vando CS a trabalhar com msicos contratados. CS foi O inovador e per-cursor do Death Metal em particular, um ponto de referncia pelo qual so regidos todos os l-buns deste estilo. (Prin-cipalmente) os 3 ltimos trabalhos por ele deixa-

    Lembro-me de ler a notcia da morte de Chuck Schuldiner. Fiquei chocado pela forma como sucedeu, numa idade to jovem. Person-

    alidade incontornvel do Death Metal, Schuldiner foi precursor do gnero na sua vertente mais crua e bruta mas tambm mais tcnica, sem esquecer a melodia. Poucos msicos do gnero foram to influentes. Obrigado por tudo, Chuck Dico

    Os monstros com forma humana esto fora de controlo.

    Os Death foram daquelas bandas que ti-veram a coragem de levar a sua msica um tanto mais frente. Passando do to

    sonante som mais pesado a um espln-dido final de carreira em que mudaram o mundo do Metal tal como o conhecamos at ento. de referir o clich os Homens que mudam, que fazem uma diferena, morrem sempre antes do seu tempoNocturnus Horrendus (Corpus Christii)

    O tempo passa mas a memria fica. Os pri-meiros trabal-hos dos Death acompanharam-me ao longo

    de toda a minha vida e tero sempre um lugar especial no corao de todos os fs de metal. Chuck, onde quer que este-jas, hoje bebemos em teu nome!Ash (Nargaroth)

    O meu pri-meiro contacto com os Death, foi quando vi o vdeo do tema Lack of comprehen-sion, tinha eu

    15 anos de idade. Desde a tornei-me um grande f de Death, e posso dizer que o a msica do Chuck inspirou-me muito artisticamente. O seu desaparecimento foi mesmo uma grande perda para o mundo do metal. Ele foi um dos msicos mais honestos que conheci e foi exactamente essa honestidade e essa simplicidade que usei como modelo para mimSahil The Demonstealer Makhija (De-monic Resurrection)

  • do Symbolic, The Sound of Perserverance e The Fragile Art of Ex-istence funcionam como barmetro e termo de comparao para tudo o que ouo, principalmente dentro deste estilo. A sua herana est a ser gerida pela me e irm e o stio www.emptywords.org uma paragem obrigatria, um santurio de emoes onde nos podemos inteirar de todo o legado deixado por este verdadeiro gnio. Fez no passado 13 de Dezembro, 10 anos que o mundo da msica ficou mais pobre. Outros g-nios igualmente partiram, mas foi CS que mais me influenciou. Ainda , e ser sempre, com emoo e um sentimento especial que ouo o seu contribu-to! A sua herana uma forma de vida e a minha homenagem para ele a divulgao da msica, em particular do Metal, qualquer que seja o estilo! OBRIGADO!

    Termino este artigo como sempre:

    Support music, not ru-mors Chuck Schuldiner (13/05/67 13/12/01)

    Eduardo Ramalhadeiro

    DEATHIndividual Thought Pat-terns (2 CD Deluxe reissue)(Relapse Records)Toda a discografia dos Death tem vin-do a ser re-lanada, e neste nmero da VERSUS a vez de escrever um pouco sobre Individual Thought Patterns (ITP). Como sempre, Chuck Schuldin-er (CS) mestre. Em 1991 era lanado Human (VERSUS #15) e enquanto se esperava o lanamento de ITP as expectativas em torno deste eram el-evadas. Como ficou provado em todos os seus anos de actividade, CS sempre soube superar todas as expectativas. Em ITP, CS continua a expandir as ideias j apresentadas em Human e o resultado um lbum mais tcnico e progressivo e igualmente pesado - sem dvida dos melhores lbuns de Death Metal. No de admirar, pois, que o lbum se chame Symbolic... Ao contrrio dos outros lbuns, em ITP que CS divide mais vezes os so-los com o segundo guitarrista, neste caso, Andy LaRoque. Como sempre disse, CS sempre se soube rodear dos mais talentosos. De referir que este o primeiro lbum dos Death em que Gene Hoglan participa e o ltimo de Steve DiGiorgio que diga-se de pas-sagem tem uma prestao, simples-mente, fenomenal...!! Das melhores que j ouvi at hoje. Remasterizado por Alan Douches (profundo conhecedor do trabalho dos Death que remaster-izou, tambm, The Sound of Pers-erverance e Human), esta edio, tal como todas as outras que tm vindo a ser remasterizadas, conta com mais um CD. Este composto por 11 temas ao vivo, gravados no dia 13/04/1993. Muitas vezes nestas re-edies e temas ao vivo de material ainda no editado, o som no da melhor qualidade, no entanto, o trabalho desenvolvido na masterizao excelente. Este um CD extra que realmente uma mais-valia para esta edio de Individual Thought Patterns. Support music, not rumors Chuck Schuldiner (13/05/67 13/12/01)[10/10] Eduardo Ramalhadeiro

    As letras e os riffs do Chuck Schul-diner tocaram os coraes dos fs de Metal em todo o mundo, inclu-indo os fs aqui do

    Mdio Oriente. Ao ouvir Death percebe-se facilmente que se trata, no s de msica pura e honesta, mas tambm de msica frente do seu tempo. Nunca tive a sorte de ver os Death ao vivo, mas o seu legado fi-car para sempre como uma grande influn-cia nos Nervecell. Longa vida lenda!Barney Ribeiro (Nervecell)

    A dimenso visceral e es-magadora dos primeiros acordes do Scream Bloody Gore conduziram

    o metal pesado a uma nova dimenso, at ento desconhecida. Chuck Schuldiner, mais que um msico, mais que o fundador dos Death, representou um estilo, uma gerao e uma tendncia musical com futuro!Pedro Pedra (Grog)

    curioso con-statar que muitos midos, assim que abraam este sub-mundo, sentem uma enorme curio-sidade em desco-

    brir o legado de Chuck Schuldiner. Quando me pedem informaes sobre o assunto, a reaco imediata passa por sugerir que se ouam os primeiros segundos do lbum The Sound of Perseverance. Pura classe e um sucesso instantneo!Guilhermino Martins (ThanatoSchizo)

    Os primeiros lbuns dos Death foram uma grande fonte de inspira-o para mim. O Spiritual Healing saiu na altura em

    que eu ainda estava a aprender a tocar gui-tarra, e foi esse disco que me fez ficar vrias vezes em casa noite, a tentar descobrir como tocar algumas partes (cheguei a fazer uma cover do Beyond the unholy grave com a minha primeira banda, na escola secundria). A verdade que os Death no tinham par no que toca tcnica, groove, brutalidade e singularidade do seu som. A voz do Chuck e o seus riffs so algo que ai-nda considero pessoalmente inspirador. Um grande hail para o Chuck um verdadeiro visionrio e pioneiro no Death Metal!Rune Eriksen (Ava Inferi, ex-Mayhem)

  • So mestres no que fazem e dificilmente nenhuma banda se exprime da forma como os Esoteric se exprimem. Por serem to nicos e ex-emplares carregam o fardo de se superarem lbum aps lbum. E o mais espantoso que conseguem com uma naturalidade que s a eles inerente. Quisemos saber mais sobre o que esconde Paragon of Dissonance, a nova proposta destes ingleses, e para isso convers-mos com Greg Chandler, vocalista e guitarrista.

    Escurido sonante

    Aps o genial The Maniacal Vale, Esoteric apresenta-nos um soberbo Paragon of Dis-sonance. incrvel como a tua banda consegue ser melhor l-bum aps lbum. Qual o vosso segredo?Greg Chandler: Obrigado! A ver-dade que no h nenhum segredo; apenas tentamos progredir e desen-volver a msica da banda com o passar do tempo. Creio que apren-demos com as coisas com as quais no estamos satisfeitos de cada vez que compomos e gravamos um l-bum, das coisas que podemos aper-feioar, e tentar melhorar na prxi-ma vez.

    Olhando para o vosso lbum de estreia e seguintes, fantstico observar a vossa evoluo mes-mo sabendo que todos os trabal-hos so masterpieces. Como que descreves o Paragon of Dissonance musicalmente e conceptualmente?Com este lbum tentmos no adi-cionar demasiadas camadas sonoras para que os elementos chave das composies pudessem estar mais definidas na mistura final. Musical-mente , consequentemente, um pouco mais claro de identificar as partes das msicas do que nalguns lbuns anteriores. Emocionalmente tambm um pouco mais diversi-ficado, com atmosferas e emoes

    mais abrangentes, desde a melodia e tranquilidade at seces muito extremas, negras, tristes e agressi-vas. Conceptualmente um pouco vazio, muitas vezes introspetivo onde lido com os recessos mais profundos e negros da psique. importante que os sentimentos das letras e das vozes tambm se ad-equem msica, e acho que ambas se retratam uma outra muito bem.

    Como que trabalham nos Eso-teric? Todos os msicos partici-pam com ideias?Qualquer um na banda bem-vin-do para contribuir no processo de composio - mas este varia. Neste lbum h 3 compositores principais,

  • eu, o Jim e o Gordon. Mas todos os membros da banda so livres para contribuir com as suas prprias ideias e acrescentar malhas. Penso que ter diferentes compositores contribui para a diversidade de cada lbum. Ns ensaiamos e ex-perimentamos cada msica por uns tempos antes de gravarmos, depois a verso do lbum que gravmos tornar-se- na verso definitiva que futuramente tocaremos ao vivo.

    Onde que tu (ou vocs todos) vo buscar tanta inspirao para comporem temas to longos quanto geniais?Penso que depende de cada indi-vduo. Mas para mim, pessoalmente, eu acho que o melhor momento para compor quando te sentes le-vado a criar algo emoes, pen-samentos, sentimentos; quando se est num intenso e inspirado estado de esprito. Somos inspirados pelo lado negro da mente, e isso o que tentamos recriar em forma de msi-ca. Uma parte de ns, algo perto de ns que poderemos nos apaixonar.

    O teclista Olivier Goyet aban-

    donou os Esoteric? Quem com-ps as partes dos teclados no lbum?Sim, Olivier deixou a banda em Ju-lho de 2009 logo aps o Supersonic Festival, onde tocamos como banda de apoio Jarboe tal como Esoteric. Basicamente ele mudou-se para a Frana e no iria ser possvel para ele continuar na banda. No lbum atual o principal compositor com-ps as partes dos teclados para cada msica, como era costume no pas-sado, e mesmo algumas vezes du-rante o tempo do Olivier na banda. Eu compus e toquei as partes de teclado para as msicas que escrevi, o Jim e o Gordon fizeram-no nas suas. Mark Lockett gravou a maioria das partes de piano porque quera-mos um verdadeiro pianista para to-ca-las, e deu-nos a sua prpria inter-pretao dessas partes. Queramos algum cujo primeiro instrumento fosse o piano. Mark um grande msico, algum a quem j gravei vrios lbuns ao longo dos anos, de msica muito variada e de estilos inovadores. Ele tambm gosta da nossa msica, por isso quando pen-smos em algum que iria tocar as

    partes de piano, pensmos nele.

    E o Jim Nolan juntou-se banda. Ele participou na composio do Paragon of Dissonance? verdade, e o Jim contribuiu para as msicas do lbum, compondo trs dos sete temas. Eu escrevi trs e o Gordon contribuiu com uma. O estilo de tocar guitarra e de solar do Jim diferente do estilo do Gordon e do meu mais meldico - e isso gerou um contraste ainda maior diversidade inerente ao lbum, e sentimos que encaixou muito bem. Ele um msico muito bom e tam-bm com experincia em criar sons e efeitos, e tambm em gravao de estdio. Tnhamos estado procu-ra de um terceiro guitarrista per-manente desde que o Steve Peters deixou a banda em 2007, e o Jim juntou-se a ns em 2009.

    Concordas se eu disser que a msica dos Esoteric no para toda a gente? Que necessrio algum tipo de disposio e de humor para ouvir a vossa msi-ca?Sim, concordo. Requer alguma

    Somos inspirados pelo lado negro da mente, e isso o que tentamos recriar em forma de msica.

  • () tambm um pouco mais diversificado, com atmos-feras e emoes mais abrangentes, desde a melodia e tranqui-lidade at seces muito extremas, negras, tristes e agressi-

    vas.

    dedicao e precisa de ser ouvida com cuidado e frequentemente antes de um estreante conseguir compreender o que realmente est a acontecer na msica e paisagens. E sim, a disposio e o feeling so muito fortes; por isso a msica tem de ser ouvida no momento quando verdadeiramente conseguires rela-cionar-te com ela e aprecia-la. No fcil ouvi-la e no funciona muito bem como msica de fundo.

    No ests preocupado com as cpias ilegais? Tens alguma opinio sobre isso?Bem, no h muito interesse em preocupar-me com isso. Piratear e copiar msica j existe h dcadas. bastante mais fcil agora e rpido com os downloads na internet, per-mitindo a qualquer um que queira possuir um lbum gratuitamente. Eu acho que as pessoas que verda-deiramente gostam da msica con-

    tinuaro a compra-la, e todos os que entendem que as bandas simples-mente no conseguem lbuns a no ser que algum os compre. Mas cla-ro, todas as bandas e editoras dizem que a ameaa geral que vendem menos lbuns nos dias de hoje do que no passado. Pessoalmente eu continuo a preferir ouvir CDs, vinil e comprar os lbuns das bandas que gosto. Eu cresci a comprar lbuns e continuo a gostar de ouvir msica dessa maneira. Aprecio muito mais ter a embalagem completa, com art-work, letras, etc, do que ter apenas um MP3.

    Perguntei-te isso precisamente pelo facto de que ter um original muito mais do que ter msica. Neste caso, Paragon of Disso-nance tem novamente um art-work fantstico. Quem o fez?O artwork foi criado pela Kati As-traier eo layout e o design grfico

    foi feito pelo Mauro Berchi, o mes-mo que nos ltimos lbuns. Kati uma artista muito boa e foi por isso que escolhemos trabalhar com ela novamente. Mauro timo com o grafismo e o layout, e fez todo o tra-balho muito bem.

    E quanto a concertos e Tours? Vo promover o vosso novo tra-balho no palco?Sim, temos algumas tours e concer-tos alinhados para o prximo ano. Anunciaremos essas datas quando elas estiverem confirmadas.

    Entrevista: Victor Hugo

  • Eis que nos chega s mos uma criao de um dos mais importantes compositores de Gothic/Doom Metal da dcada de 90: Gregor Mack-intosh, guitarrista dos Paradise Lost. Vallenfyre a sua outra casa, com memrias, fantasmas e sentimentos que no conseguiria abordar nos Paradise Lost. A VERSUS Magazine quis saber que sentimentos so esses, que fazem de A Fragile King um lbum to negro e to atrativo.

    O fogo do rei

    A minha primeira questo bastante bvia. Quais so as razes para a criao de Vallenfyre?Gregor Mackintosh: O principal catalisador para a cri-ao de Vallenfyre foi a doena e a morte do meu pai. Eu precisei de alguma coisa na altura e acabou por ser isto. Quem diria?

    A banda tem muitos bons msicos, e todos com crditos firmados. Foi difcil de junta-los? Afinal de contas, alguns tm bandas muito ativas. Mas Scoot e Mully no tm tanta atividade como os

    outros tm nos Paradise Lost e My Dying Bride.Todo o pessoal de Vallenfyre so apenas muito bons amigos. Por causa disso foi bastante fcil para mim saber a quem pedir para se juntar banda. A parte mais difcil foi ter todo o pessoal num local o tempo suficiente para gravar um lbum. Por acaso o Scoot at estava ocupado com outras bandas quando est-vamos a fazer o lbum. Se ele no estivesse nos Esta-dos Unidos com os Doom, estaria no Japo com os Extinction of Mankind. Nessa altura os Paradise Lost estavam a fazer alguns concertos. Demorou cerca de

  • Algumas coisas que influenciaram inicialmente os Paradise Lost influenciaram o A Fragile King, mas tambm influen-

    ciou muito material recente.

    4 meses, no total, para terminar, mas divertimo-nos muito a faze-lo.

    Scoot trouxe algumas influncias msica dos Vallenfyre?Eu escrevi quase tudo antes de ter formado a banda, por isso no posso afirmar que tenha trazido algumas influncias. Mas, crescemos em circunstncias msi-cas muito parecidas, no punk, no crust e na cena do Metal extremo, e certamente que ele ajudou ao dar ao lbum uma qualidade mais crusty com a soa sonori-dade e estilo de tocar.

    E acerca do Mully?Ele um grande amigo meu dos copos. Todas as quintas-feiras vou casa dele e ouvimos Metal e em-bebedamo-nos. Ele foi a escolha perfeita.

    Porque que decidiste ser o vocalista? No en-contraste um?No consegui pensar em nenhum amigo cujas vozes eu gostasse para este lbum, e as letras eram to pes-soais que apenas eu poderia dar-lhes voz. Sou como um vocalista acidental.

    Como que trabalhaste na composio do A Fragile King? Todos contriburam com ideias?Como disse h pouco, escrevi praticamente tudo an-tes de ter os outros envolvidos, porque quando com-ecei isto no fazia a menor ideia que se tornaria numa banda ou que um lbum seria lanado. Apenas tomei um dia de cada vez e fiz o que senti que estava correto.

    Quem que convidaste para gravar e misturar o lbum?Gravamos as guitarras na casa de um engenheiro de som amigo meu chamado de James Dunkely. Grava-mos a bateria e as vozes nos Parlour Studios UK, e depois e tive o Russ Russell (Napalm Death) a mistu-ra-lo.

    A tua msica tem um selo, ou mesmo uma mar-ca, do feeling da tua guitarra. Alguma vez pen-saste em tocar outro estilo de msica, como por exemplo Thrash Metal ou mesmo Power Metal?Eu gostei de algumas bandas de Thrash Metal nos anos 80, mas nunca o suficiente para querer toca-lo. Mas nunca gostei de Power Metal. Ugh demasiado piroso para mim.

    Na primeira experincia com o A Fragile King apanhamos o feeling dos trabalhos antigos dos Paradise Lost. Mas h muito mais que Doom em Vallenfyre, no verdade?Sim. Algumas coias que influenciaram inicialmente

    Paradise Lost influenciaram o A Fragile King, mas tambm influenciou muito material recente. Qualquer coisa desde Amebix a Autopsy, Nihilist a Saint Vitus e muitos mais. Basicamente todo o material que gosto entre os anos 84 e 90.

    E quanto s letras, o titulo do lbum e o nome da banda? O que que significam?As letras so 60% acerca dos meus sentimentos em relao ao que o meu pai passou, e o resto trata a so-ciedade, religio e afins. O ttulo do lbum foi inspira-do no meu pai, mas poderias aplica-lo a algum que idolatrasses e pensasses que seria invencvel apenas para descobrires que so vulnerveis como qualquer outro. O nome da banda so apenas duas palavras do velho dialeto Ingls. Vallen significa forte e fyre significa fogo. Gostei do modo como soavam.

    Tenho certeza que ests muito satisfeito com o produto final. Tens algumas expetativas de grande sucesso?Estou satisfeito mas estamos a fazer isto para nos di-vertirmos. No tenho expetativas e no vejo realmente um mercado em massa para algo to extremo. Apenas quero divertir-me com os meus amigos a tocar msica que ouvamos a crescer.

    Como vs o flagelo do MP3 e a indstria da msi-ca? Acreditas que a mentalidade das pessoas que fazem downloads ilegais poder mudar?Detesto downloads. Pura e simplesmente roubar. Mais, cresci numa poca em que ter o artwork era im-portante. Eu tinha o hbito de observar as capas dos lbuns durante horas e ler as letras. Se os midos nun-ca souberam o que isso, como podem eles mudar a sua mentalidade? No tenho respostas.

    Podemos ver os Vallenfyre no palco?Comearemos por fazer alguns espetculos no incio de 2012 e alguns festivais de Vero. Se formos a Por-tugal depender se pessoas suficientes nos querem ver e se os promotores locais nos agendaro. Por isso, comecem a incomodar os vossos promotores locais e poderemos estar no palco perto de vocs.

    Entrevista: Victor Hugo

  • Seis anos depois, os brasileiros Mythological Cold Towers esto de volta com Immemorial - o ressurgimento de uma nova torre que termina a trilogia sobre cidades, povoaes, mundos perdidos, ini-ciada em 2000. Um mundo sombrio, obscuro cheio de mitologia re-tratado num doom/death metal que coloca estas torres num patamar qualitativo muito alto.O guitarrista Shammash fala-nos abertamente do novo lbum, das vrias temticas que abordam e deste curioso projecto que est numa fase ascendente e anseia por um salto para os maiores palcos conhe-cidos.

    Ressurgimento de uma nova torre

  • Os Mythological Cold Towers (MCT) no so uma banda do chamado mainstream. Podes nos contar em que circunstncias surgiu a banda?Shammash: Saudaes! O MCT surgiu no incio dos anos 90, numa poca em que o doom Metal estava em seu apogeu na Europa. A cena doom metal no Brasil surgiu tambm nessa poca, mesmo que tenha sido com poucas bandas. Sentimos uma rajada de ventos frios e densos vindos de l e aquilo fez-nos diferen-ciar dos estilos convencionais do Metal que existiam e ainda existem no Brasil. Por incrvel que parea, Mythological Cold Towers conseguiu ter um certo im-pacto no underground mundial com o lanamento do Sphere Of Nebaddon em 1996, que considerado um lbum cult do doom/death. A questo de ser ou no mainstream relativa, porque mesmo no tendo uma projeco semelhante aos grandes nomes do g-nero, somos considerados uma banda marcante e de culto pelos fs de doom Metal underground.

    Normalmente o doom metal est imbudo de referncias a questes existenciais de um in-divduo. No vosso caso referem-se, de facto, a questes existncias, mas de cidades/civili-zaes perdidas. Como surgiu a ideia de abordar este tipo de temas? A ideia surgiu desde o incio, como o prprio nome da banda j sugere. Sempre fomos apreciadores de histria, civilizaes perdidas, mistrios, lendas fants-ticas, enfim, tudo que se refere ao passado enigmtico da raa humana. Alm disso, a nossa msica tambm emana uma aura de poder e mistrio que se conecta perfeitamente com essa temtica, fazendo com que o ouvinte visualize gigantescos monlitos e cidades per-didas de eras antigas.

    Seis anos distam entre o The Vanished Panthe-on e o Immemorial. Alguma razo para este longo perodo de tempo sem novos discos?Os MCT nunca tiveram como prioridade lanar dis-cos anualmente. Preferimos lanar poucos lbuns, mas que possuam uma caracterstica marcante e uma temtica diferenciada. A elaborao sempre foi cuida-dosa e complexa, visando sempre o melhor resultado possvel. Como consequncia deparamo-nos com grandes problemas como os altos custos de uma boa gravao e isso tem sido um dos principais motivos da demora entre nossos lbuns. Certamente agora com o nosso contrato com a Cyclone Empire, esse problema ser solucionado e poderemos gravar em menores perodos de tempo.

    Falando um pouco do vosso ltimo lbum e com-parando com o anterior, v-se um lbum vocal-mente mais forte e mais negro e a nvel in-strumental mais lento, mas com arranjos mais arrojados e com uma maior dose de pormenores. Esta diferena a vossa evoluo natural? Con-tem-nos como surgiu esta mudana.Sim, evoluo, amadurecimento e objectividade. A

    banda est estabilizada e convicta dos seus objectivos, ento criamos um lbum que reflectisse todo nosso apreo pelo doom metal e toda a tradio que temos dentro deste estilo, incorporando elementos picos, monumentais e desoladores, que so caractersticos dos Mythological Cold Towers. O resultado foi o lan-amento de um lbum de doom metal coeso e con-sistente.

    Acham que com este lbum j encontraram o vosso El Dorado? Ou neste caso, a Akakor na vossa experincia musical? Ou ainda esto em busca de algo por encontrar?Achamos que nossa msica est definida desde o l-bum Sphere Of Nebaddon, mas com o Immemo-rial, a banda conseguiu moldar ainda mais sua per-sonalidade e manteremos esse nvel, podendo criar atmosferas sempre picas e lgubres para os prximos lbuns. A caracterstica dos antigos lbuns do MCT ser sempre mantida tambm.

    Visto que as capas dos vossos lbuns esto sem-pre carregadas de simbolismos, expliquem-nos o significado da capa do Immemorial?Trata-se de um ritual misterioso e sombrio de uma tribo indgena do Alto Xing, uma regio localizada na Amaznia. A imagem a capa de um livro cham-ado Apapaatai: Rituais de Mscaras no Alto Xing,

    a nossa msica () emana uma aura de poder e mistrio

  • escrito por um antroplogo brasileiro, Dr. Aristteles Barcelos, que actualmente mora na Inglaterra. Essa imagem reproduz bem o tema do lbum Immemo-rial e condiz com a msica que o MCT toca, ou seja, algo bastante assombroso, misterioso e obscuro.

    Algo que me intriga , tendo vocs j cerca de 17 anos como banda, e apesar de grande parte da critica fazer bons comentrios vossa sonori-dade, porque que ela continua esquecida dos grandes festivais e das grandes tournes inter-nacionais? Trata-se de uma deciso pessoal ou de facto de um esquecimento dos organizadores?Nem uma coisa nem outra. Ns sempre tivemos inter-esse em fazer parte do circuito internacional, tocando em festivais do gnero. O problema que, durante a maior parte da trajectria dos MCT, no tnhamos es-trutura adequada para isto. Hoje em dia diferente. O novo lbum est ajudando a banda a ser mais conheci-da na Europa, graas ao grande trabalho de divulgao do selo Cyclone Empire. Alm disso, nosso baterista Hamon mora na Irlanda, facto este que poder ajudar a banda nesse sentido, j que ele est mais prximo do circuito europeu do que o resto dos elementos da ban-da, contactando possveis organizadores de festivais.

    H vrias bandas de doom na Europa, e sendo vocs Brasileiros, j alguma vez vieram a Portu-gal? Olham para Portugal como um bom ponto de partida para entrarem no mercado de espec-tculos europeus? E o que que as pessoas po-dem encontrar nos vossos concertos?Nunca estivemos em Portugal antes, infelizmente. Te-mos interesse em conhecer o pas de origem do nosso idioma e de costumes que ainda fazem parte da nossa cultura. Alm do mais, conheo boas bandas portu-guesas como Insaniae, Moonspell, Desire, Thrage-dium, entre outras e isso me faz pensar o quanto a cena doom portuguesa parece ser grande! Durante

    um concerto dos MCT, faremos com que as pessoas sintam a essncia do doom metal pesado, pico, nos-tlgico e denso. Iremos transport-las a antigas eras de raas atlnticas que ergueram seus enormes e coloss-ais megalticos e contaremos antigas lendas de cidades enterradas nas profundezas das florestas amaznicas.

    Como j que se fala muito disto actualmente, e visto ser um assunto do vosso interesse, j pen-saram nalgum tema que aborde o tema do fim do calendrio Maia? O que acham que ir acontecer em 21 de Dezembro de 2012?Ns j abordamos o tema pr-colombiano no lbum anterior, The Vanished Pantheon, assim, com o lbum Immemorial fecharemos a trilogia sobre as Amricas, iniciada pelo segundo lbum Remoti Me-ridiani Hymni. Quanto ao 2012, h uma grande ten-so criada pelos media, por trs das profecias Maias. No meu ponto de vista, o mundo j est acabando desde muito tempo, desde o surgimento da Revoluo Industrial que a terra est sendo castigada e explorada para o interesse das grandes indstrias. A Natureza j est dando seu sinal de vingana h muitas dcadas. O grande exemplo disso so os vrios cataclismos e tragdias naturais ocorridas nos ltimos anos. 2012 apenas uma data simblica que marca a agonia desta terra amaldioada pela ambio humana.

    Muito obrigado e que Quetzacoatl vos acompan-he!Obrigado caro amigo Srgio, pelo espao cedido ao Mythological Cold Towers. Fora e honra ao doom metal, sempre!

    Entrevista: Srgio Pires

  • Eis a expresso usada por esta banda a fim de manifestar a sua dis-ponibilidade para responder s nossas perguntas. Tal resposta diz muito sobre a perspectiva Black Metal que os Tsjuder tm no s so-bre a msica, mas tambm sobre a vida.Aproveitando tal abertura, a VERSUS Magazine mobilizou-se para preparar uma interessante conversa com os veteranos noruegueses, que acabam de lanar o seu segundo lbum pela Season of Mist (quar-to na sua carreira), depois de um longo interregno de cinco anos.

    666% disponvel

    A primeira pergunta para a banda diz respeito a um detalhe que me intrigou bastante. Por que razo decidiram adotar o nome de uma lendria tribo russa de um filme dos anos 80 para designar a vossa banda?Nag: S um pequeno nmero de pessoas sabem que originariamente a banda se chamava Ichor. Esse

    nome pareceu-nos muito menos pessoal e, por con-seguinte, decidimos mud-lo. Parece-me que Tsjud-er assenta muito bem banda. Esse povo tambm vivia na Noruega e era impiedoso, brutal. Portanto, temos o nome de um povo brutal para uma banda que faz msica brutal.

  • E que tal falarmos um pouco da histria da ban-da? Por que razo a dissolveram, quando estavam a ter tanto sucesso que tinham obtido um con-trato com uma editora como a Season of Mist? Li crticas ao vosso lbum anterior, que lanaram nessa altura, e eram todas excelentes.Nunca tivemos a inteno de nos tornarmos famosos e sermos uma grande banda. Portanto, quando sentimos que precisvamos de nos separar, fizemo-lo (embora a Season of Mist tivesse achado a nossa atitude uma perfeita estupidez). Estvamos a tocar juntos h 13 anos e, muito naturalmente, j estva-mos fartos. Precisvamos de tempo para procurar in-spirao e motivao, para podermos continuar este nosso projeto musical.

    Pressuponho que a Season of Mist confiava na banda, uma vez que esperou sete anos pelo vosso

    segundo lbum. O que justifica que depositem tanta f em vocs?Sempre trabalhamos muito bem com a SoM e man-tivemos o contacto, apesar de a banda estar inativa. Suponho que essa confiana deriva do facto de ser-mos uma banda com quem fcil trabalhar. Temos uma relao muito boa com os profissionais da edi-tora.

    Por que s tm 4 lbuns editados, tendo em conta o facto de que a banda surgiu nos anos 90? Ter sido uma consequncia da vossa histria movi-mentada?Nunca tivemos pressa. Preferimos gastar mais tempo a criar um bom lbum do que stressarmo-nos todos para produzir dois lbuns medianos. E, de facto, as constantes mudanas de formao no nos ajudaram nada.

    Ser noruegus uma vantagem, quando se faz black metal, ou, pelo contrrio, uma desvan-tagem? Que novas ideias trouxe a vossa banda cena BM do vosso pas?No me parece nem uma vantagem, nem uma desvan-tagem. H bom BM (e metal em geral) em inmeros pases pelo mundo inteiro. Tambm no estamos preocupados em trazer novas ideias ou experincias. Tentamos manter-nos fiis s nossas razes e, muito provavelmente, isso que nos torna um pouco espe-ciais comparados com muitas das outras bandas.

    O que mudou na banda nesta sua segunda vida? Ou sentem-se iguais ao que sempre foram?Continuamos a ser os mesmos. No tentmos mudar nada, nem queremos faz-lo.

    A primeira impresso que tive a propsito Le-gion Helvete de que recorda bandas cls-sicas de BM que esto agora no apogeu: por exemplo, Dark Funeral ou Marduk. Que pensas disto? curioso que menciones essas bandas. Fomos mui-to inspirados pelos Marduk, mas no vejo qualquer relao entre ns e os Dark Funeral. Francamente, penso que nos aproximamos mais de Immortal dos velhos tempos ou Gorgoroth.O que significa o ttulo do vosso lbum? Reparei que uma das faixas do vosso lbum anterior [De-sert Northern Hell, 2004] se chama Helvete, mas, como as letras esto escritas na vossa lngua materna, que eu desconheo, no pude l-las. A traduo simples: Hells Legion [Legio do In-ferno].

    A esttica deste lbum muito diferente da arte que caraterizava os vossos lanamentos anteri-

  • ores, que me fazia lembrar lbuns de bandas antigas como Darkthrone e Mayhem. Esta mudana de imagem foi propositada? Queriam modernizar a imagem da banda?Pretendamos usar uma fotografia na capa do lbum, como nos anteriores, mas no tnhamos nenhuma foto que servisse. Por outro lado, queramos trabalhar o conceito de demnio e a sua representao simblica. E saiu o que viste! No me parece uma esttica muito moderna. A nica coisa moderna no lbum o facto de a verso digipack ser colorida.

    Onde podemos ir ver-vos tocar? O que diriam, se vos convidassem para tocar no nosso pas cheio de sol?De momento, temos 6 ou 7 concertos confirmados, na Noruega, na Sua, na Alemanha e em Portugal. Mas podem convidar-nos sempre que quiserem. Temos bastantes ofertas e, se tivermos tempo e disposio, no fal-taremos.

    Entrevista: CSA

    Parece-me que Tsjuder assenta muito bem banda. [] temos o nome de um povo brutal para uma banda que faz

    msica brutal.

  • Einherjer uma banda que bem merece o nome que escolheu: tal como os mticos guerreiros, cados no campo de batalha, que aguar-dam no Valhalla a chamada para o ragnarok e continuam a lutar, vendo as suas feridas sempre curadas, esta banda norueguesa est a conhecer uma verdadeira ressurreio. Assim, em 2011, lanaram um novo lbum Norrn , sendo de referir que o anterior Blot data de 2003.Depois de alguma espera, conseguimos chegar fala com Gerhard Storesund, o baterista da banda, para discutirmos um pouco o rumo que a banda norueguesa pretende seguir, na sua nova vida.

    Da importncia da flexibilidade e das razes

  • O nome Einherjer assenta mesmo bem banda, porque esta se desmembrou e depois ressuscitou. Por que razo este vosso pro-jecto musical est a conhecer duas vidas?Gerhard Storesund: Apesar dos trs membros de Einherjer tambm fazerem parte de Bat-tered, h uma grande diferena entre estas duas bandas. Retrospetivamente, podemos dizer que Battered nos serviu para recarregar baterias. essencialmente uma banda de thrash metal, um estilo com o qual todos crescemos. A msica de Einherjer corresponde mais a uma espcie de pintura musical do que a meras canes. Ein-herjer uma mistura de muitos estilos diferentes e, para fazer a sua msica, vamos buscar influn-cias a inmeras fontes. Pessoalmente, gosto mais de compor para Einherjer. Battered um pro-jeto divertido, Einherjer uma espcie de estilo de vida. E agora est de volta cena.

    Vocs parecem ser uma banda muito con-troversa, com frequentes mudanas de al-inhamento. O que gerou todas essas con-vulses? E como alcanaram a estabilidade que parecem estar a viver agora? verdade que tivemos um bom nmero de membros durante o nosso percurso. Penso que h tantas razes para essas mudanas quantos os membros que a banda teve e tem. Duas das razes mais fortes para todas as alteraes reg-istadas ao longo da histria de Einherjer so o grau de compromisso com a banda que cada um se sentia capaz de assumir e as suas opes quanto direco musical a seguir. Neste mo-mento, estamos bem juntos.

    Agora a banda s conta com trs membros. Como conseguem fazer tanto barulho com to pouca gente?Nos concertos ao vivo, temos mais um elemen-to: um baixista de sesso. Alm disso, tambm recorremos muito a samples. Queremos que a msica de Einherjer ao vivo soe to prxima da das gravaes quanto possvel. Portanto, nos concertos ao vivo, tambm inclumos a maioria dos elementos sinfnicos que possvel encon-trar nos nossos lbuns de estdio.

    Imagino que escrevem juntos a msica e as

    letras. Como se organizam para fazer este trabalho?Na realidade, escrevemos sempre a msica primeiro. Como para mim a voz tambm um instrumento rtmico, vamos pensando nela quando estamos a compor a estrutura rtmica das nossas canes. Acontece o mesmo relati-vamente estrutura meldica. As letras surgem depois e so adaptadas msica.

    Consideram-vos como uma banda de Vi-king/pagan metal. Mas, ao ouvir a vossa msica, fcil detetar que esta inclui tam-bm outro tipo de elementos. Quais so os ingredientes que utilizam para cozinhar a vossa arte musical?Bem, ns vamos buscar inspirao a todo o tipo de msica. Somos trs msicos com gos-tos diferentes. Na sua essncia, Einherjer uma banda de heavy metal e gostamos de valorizar a parte de metal acima da parte folk. Tambm nos inspiramos muito na msica clssica e em ban-das sonoras de filmes. Temos ainda um grande apreo pelo folclore noruegus, mas usmo-lo para dar sabor nossa msica, para lhe dar mais paladar, no como elemento dominante da mesma.

    E como entraram em contacto com a In-die Recordings. Sentem que encontraram a parceria ideal para as vossas aventuras mu-sicais?J no tempo em que ramos membros de Bat-tered estvamos em contacto com a Indie Re-cordings, que queria lanar lbuns de Einherjer. Agora cresceu e uma editora muito forte, com muitas bandas de prestgio no seu catlogo. Alm disso, conta com profissionais muito dedicados. Por conseguinte, sentimos que seria difcil en-contrar uma editora mais adequada a Einherjer neste momento.

    H algum conceito subjacente a Norrn? O que significa essa palavra? Em Ingls, Norrn significa Nrdico. um termo usado para designar a antiga cultura nrdica. Refere-se aos povos que dela faziam parte, sua f, verso pr-crist dessa cultura.

    A msica de Einherjer corresponde mais a uma espcie de pintura musical do que a meras canes. Einherjer uma

    mistura de muitos estilos diferentes []

  • E quais so os grandes temas abordados neste lbum? Infelizmente, no percebo nada de Noruegus.No h nenhum tema especfico em Norrn. Nunca sou eu que escrevo as letras das nossas canes, por isso no gosto de dar pormenores relativamente a elas. Foi o Frode que escreveu to-das as letras para este lbum. No entanto, posso dizer que o tema base tem a ver com velhos mitos nrdicos e com a nossa cultura pr-crist.

    O lbum tem uma capa muito interessante, intrigante mesmo. Podes dizer-nos quem a fez e explicar-nos que relao mantm com a essncia de Norrn?Foi feita por Renathe H. Bryn. O sentido que se lhe pode atribuir depende inteiramente de quem estiver a olh-la. um desenho aberto a muitas interpretaes. Podemos relacion-la com o facto de se dizer habitualmente que os povos que no conhecem a sua histria passada, as suas origens, a sua cultura so como rvores desenraizadas. Alm disso, a rvore ocupa um lugar muito importante na mitologia nrdica: para ns, o mundo uma rvore, a que chamamos Yggdrasil.

    Li uma crtica em que, a propsito de Nor-rn se falava de guitarras preguiosas acompanhadas por fantsticos vocais. Que te parece este comentrio sobre o vosso l-bum? difcil comentar semelhante observao, quan-do surge fora do respetivo contexto. Nem sequer consigo perceber se positiva ou negativa. De qualquer modo, a base da msica de Einherjer nunca foram os riffs extravagantes, nem nunca ser. H que avaliar o que fazemos na sua globali-dade. Seria estranho escrever, a propsito de uma obra de Beethoven qualquer coisa como os coros so fantsticos, mas no gostei dos trompetes.

    Quais so os vossos planos para a promoo deste lbum?Temos j algumas iniciativas previstas. Uma delas participar no Ragnarok Festival, na Alemanha, e tambm no Full Force e no Norwegian Inferno Festival, entre outros.

    Entrevista: CSA

    Em Ingls, Norrn significa Nrdico. um termo usa-do para designar a antiga cultura nrdica. Refere-se aos pov-os que dela faziam parte, sua f, verso pr-crist dessa

    cultura.

  • Retomando o ttulo do lbum de estreia da banda Insidious Awak-ening(2008) -, podemos usar esse epteto para os qualificar, porque, pouco a pouco, mas com segurana, vo conquistando as boas graas da cena metal portuguesa.Associados a uma editora nacional, a Rastilho Records, fazem msica que em nada fica atrs do que se faz l fora (cortejando o velho hbito portugus de estar sempre a olhar para o umbigo alheio). Voltaram em 2011, com um lbum que tem como tema a sociopatia Dawn of the Sociopath. Sempre pronta para promover boa msica portugue-sa, a VERSUS Magazine foi averiguar o que h de marginal (ou no) nesta banda portuguesa radicada no Norte do pas. Tiago Cardoso (baterista) disponibilizou-se para responder s nossas questes.

    Insidiosos mas sociveis

    Para comear, gostava de ter alguma infor-mao sobre a histria da banda vista por quem a est a viver.Tiago Cardoso: Para ns, o percurso, desde que formmos a banda at hoje, uma vitria, por vrias razes. As principais tm forosamente a ver com o facto de termos hoje 2 lbuns edita-dos, marcado presena em muitos eventos e par-

    tilhado palcos com grandes bandas nacionais e internacionais, o que nos ajudou a crescer imen-so como msicos e artistas. Mas tambm porque h hoje pessoas a gostar da nossa msica, o que para ns motivo de grande orgulho. Se nos perguntassem h 10 anos se nos imagi-naramos num futuro a partilhar palcos com os Arch Enemy ou os Amon Amarth e a ter reviews

  • Insidiosos mas sociveisComo funcionam os Echidna? Quem com-pe a msica? Quem faz as letras? Funcionamos em democracia. A banda no tem algum que seja o songwiter. Os temas so cri-ados e desenvolvidos por todos ns. Surge uma ideia, um riff, que vai evoluindo com os con-tributos criativas de cada um de ns at achar-mos que est no ponto. Claro que tem de haver cedncias de parte a parte: o objectivo sempre fazer algo que seja do agrado de todos. No caso de Dawn of the Sociopath, bem como em Insidious Awakening, as letras foram escritas pelo nosso amigo Pedro Fonseca, ex-vocalista da banda.

    H mais algum trabalho que seja feito por elementos da banda (por exemplo, no que se refere s gravaes ou arte)?Para alm da criao dos temas, os Echidna foram parte integrante de todo o processo, des-de a captao at mistura dos temas, sendo que o principal obreiro de todo este trabalho foi o Daniel Carvalho, da Fbrica de Som, com quem j trabalhmos vrias vezes. J conhece-mos o Daniel h muito tempo e, basicamente, falamos a mesmo lngua. H um grande von-

    internacionais a reconhecer o nosso trabalho, provavelmente diramos que no. Mas fomos construindo calmamente um caminho, sempre com os ps bem assentes na terra, cientes das nossas dificuldades e limitaes, com o objec-tivo de fazer boa msica, que para ns o mais importante, e isto deixa-nos sem dvida satis-feitos.

    E, mais uma vez, no resisto tentao de perguntar o que significa o nome da banda e que relao mantm com a vossa msica.Para quem no sabe, Echidna um monstro da mitologia grega, considerada a me de todos os monstros. Lembro-me da altura em que and-vamos a tentar encontrar o nome para a banda: procurvamos algo que, para alm de soar bem, fizesse algum sentido. Nomes de bestas e mon-stros conjugam bem com o universo musical do metal, por isso, depois de alguma investigao, quando surgiu este nome, achmos que era o ideal. H uma particularidade que tem a ver com o facto de a besta Echidna ser descendente de Gaia, a Me Terra, assim como ns, os membros da banda, somos descendentes da cidade de Vila Nova de Gaia.

  • o mesmo nvel de impacto e agresso. Quando terminmos o tema Dawn of the Sociopath, que foi o primeiro a ser criado depois de finda a tour do lbum anterior, percebemos que o seu contedo lrico seria um bom ponto de partida para a criao do personagem e da histria geral do novo lbum. E assim foi! Tema aps tema, a narrativa foi ganhando um fio condutor, que acabou por transformar este registo num tra-balho mais concetual, se que assim pode ser chamado.

    So dois captulos de uma narrativa? Ou mera coincidncia? mera coincidncia. No houve em momento algum essa inteno. No entanto, percebemos a tua questo, porque podemos efectivamente encontrar alguns pontos ou referncias em co-mum, principalmente na parte lrica. Mas s. O nosso objectivo foi sempre, desde o incio, fazer, acima de tudo, um bom lbum de metal.

    Associam aos Echidna uma combinao de death e thrash metal. A mim parece-me so-bretudo death metal. Quem tem razo? difcil responder a essa questo, at porque

    tade, que nos permite dar e receber qualquer ideia e opinio, sem restries, e isso foi meio caminho andado para que tudo tenha corrido da melhor maneira.O artwork do lbum ficou a cargo do Joo Dio-go, da Coma Visions, tal como aconteceu com o lbum anterior. Explicmos o que pretendamos e ele gostou da ideia de imediato. O resultado o que se v.

    Tm dois lbuns no vosso ativo, ambos com ttulos inquietantes: Insidious Awakening e Dawn of the Sociopath. Por que se in-teressam tanto por estes temas? um co-mentrio sociedade actual ou um gosto da banda? um pouco das duas coisas. No que tenha sido premeditado, mas sem dvida que te-mos uma predileo por temas que envolvam o estado mental e social do Homem, o estado das sociedades e o produto resultante desta relao. Quando comeamos a compor o nosso ltimo trabalho, queramos que fosse mais tc-nico e, principalmente, mais agressivo que o an-terior e essa agressividade no podia vir apenas da parte instrumental. A parte lrica teria de ter

    Neste lbum, tudo est melhor []. E o facto de sermos in-divduos com gostos musicais diversificados ajuda a que esta

    simbiose seja cada vez [] mais variada [].

  • deirinho (Rastilho), pudemos comprovar que ele uma pessoa dedicada ao seu ofcio, que gosta de trabalhar com boas bandas e, acima de tudo, no quer prejudicar ningum. A Rastilho faz muito pela msica portuguesa. Visto isto tudo, para ns motivo de orgulho fazer parte do seu catlogo musical e esperamos poder continuar a trabalhar com o Pedro.

    Onde vos vamos poder ouvir em Portugal?Vo poder ouvir-nos um pouco por todo o pas. J demos vrios concertos desde o lanamento do novo trabalho e j estamos a preparar os con-certos para a tour de 2012. O prximo concerto j no dia 17 de Dezembro, mas em Vigo.

    Tm planos para atuaes no estrangeiro ou at alguma digresso?Ora bem, um plano elaborado e pronto a ser posto em prtica no. Mas estamos a trabalhar nesse sentido. Com o outro lbum no o con-seguimos fazer, mas com este novo trabalho va-mos tentar ir mais alm. Se no conseguirmos fazer uma digresso internacional, pelo menos iremos fazer trs ou quatro datas em territrio europeu.Muito obrigado.

    Entrevista: CSA

    essas associaes de estilos partem sempre de uma perspetiva pessoal. Ou seja, tu vais con-seguir dizer se uma banda mais death ou black metal, dependendo daquilo que j ouviste e das bandas que conheces. Felizmente, temos vindo a conseguir desenvolver um estilo mais prp-rio. Isso o mais importante e tambm o mais difcil. Sabemos que as associaes a um certo gnero ou estilo musical so inevitveis e j esta-mos habituados a viver com elas. Por isso, prefe-rimos que sejam as pessoas a decidir se Echidna death ou thrash metal. Para ns, este lbum est mais death, mais sombrio, obscuro. Agora quem tem razo

    Ouvi os vossos dois lbuns e, por com-parao, o segundo pareceu-me mais vari-ado que o primeiro, a nvel de instrumentos e de voz. Que tem a banda a dizer a isto?Temos a dizer que tens razo na tua observao e isso fruto do nosso crescimento musical individual e colectivo, que acaba por ser uma evoluo natural. Neste lbum, tudo est melhor: a parte instrumental, a voz, as letras, a produo e a mistura. E o facto de sermos indivduos com gostos musicais diversificados ajuda a que esta simbiose seja cada vez melhor e mais variada, aliando isso a um conjunto de experincias, que tm como base os concertos, o contacto com novas bandas, novos msicos, e, fundamental-mente, com a nossa capacidade de ouvir e apren-der ouvindo. Para alm disto, a contribuio da voz do Bruno Capela neste lbum foi funda-mental para o resultado final. E como outro vocalista, automaticamente notam-se diferenas que geram logo comparaes.

    Como trabalhar com a Rastilho? J me apercebi de que uma editora portuguesa com alguma histria e bons lanamentos. Comprei vrios lbuns dessa editora, numa loja de msica em segunda mo, e tomei conscincia de que j c anda h uns tem-pos e lana msica com qualidade que justi-fica investir nos seus ttulos/bandas.Tal como tu te apercebeste, ns tambm. E, quando comemos trabalhar com o Pedro Vin-

    [] temos uma predileo por temas que envolvam o es-tado mental e social do Homem, o estado das sociedades e o

    produto resultante desta relao. []

  • DIESEL-HUMM!Collapsing World(Audioplay Records)O STOP The War mostrou uns Diesel-Humm! com a garra de um Hard Rock positivo e bem disposto, e passados trs anos esto de volta com mais Hard Rock mas desta vez um pouco diferente. Collapsing World composto por seis temas, nos quais poderemos ouvir uns Diesel-Humm! com uma atitude igualmente bem disposta e com mensagens positivas, mas com um registo musical diferente - igualmente Hard Rock, mas no to Heavy; com uma boa combinao das guitarras com teclados discre-tos; e destaque para a vocalista Sara que acompanha o Lus em alguns momentos e que d uma outra tonalidade s msicas.[7.5/10] Victor Hugo

    DRACONIANA Rose for the Apokalypse(Napalm Records) com apreo que assisti evoluo musical dos Draconian como banda, e posso afirmar que esta nova proposta no uma rosa para o apoc-alipse, mas sim uma rosa para a maturidade! Este lbum consegue solid-ificar a sua caracterstica Gothic Doom Metal, colocando-os no caminho da excelncia. Evidentemente que h um preo a pagar: Tal como no l-bum anterior, os Draconian no conseguem surpreender-nos mais musi-calmente. Mas, antes isto e continuar na veia certa do que comear a in-ventar como muitas outras bandas que ns conhecemos por a. A Rose for the Apokalypse um slido e bem conseguido lbum dos Draconian.[8.5/10] Carlos Filipe

    EBONYLAKEIn Swathes of Brooding Light(LADLO Productions)Surgiram promissores no final dos 90s quando publicaram On the Eve of the Grimly Inventive mas rapidamente desapareceram sem deixar rasto. Doze anos depois ei-los que voltam para desempoeirar esta negra entidade gothic/black metal de contornos avantgarde, com um novo reg-isto que inclui tanto de inditos como de material antigo. Sofisticado na abordagem lrica e difcil no que toca msica: claustrofbica e catica, rica em cadencias repetitivas e dissonantes, por vezes cinemtica; este um trabalho com algumas ideias excelentes e originais, mas com out-ras claramente a pedirem mais algum refinamento. Esperemos que este retorno da banda se concretize, em breve, em algo mais substancial.[7.5/10] Ernesto Martins

    HOLY GRAILSeasons Bleedings(Prosthetic Records)Primeiro quero dizer que a nota mnima no reflecte a msica dos Holy Grail, mas sim a inutilidade deste lanamento, um MCD de 500 ex. com duas covers (Holy Grail dos Rainbow e No Present For Christmas do King Diamond ) ou, se adquirido digitalmente, com mais duas out-ras covers (Exciter dos Judas Priest e Fast as a shark dos Accept) j apresentadas no 1 EP Improper Burial. Seasons Bleedings s isto, numa edio que uma balbrdia: H 500 exemplares em CD, 250 vermelhos e 250 verdes, e uma edio digital com os temas extra. Quanto msica, aquilo que esperamos dos Holy Grail: grande pujana de puro Heavy Metal![1/10] Carlos Filipe

  • INKILINA SAZABRAA Divina Maldade(Edio de autor)O projecto Inkilina Sazabra nasce em 2010 com a juno entre a banda Inkilina Morte e o escritor Pedro Sazabra. Este trabalho, intitulado Divi-na Maldade, apresenta-nos um rock industrial fazendo lembrar o Mal-doror dos Mo Morta, no tanto a nvel de sonoridade mas pela ideia de musicar um livro, neste caso o Liberdade, Obscuridade de Pedro Sazabra. Este lbum tem a curiosidade de poder ser adquirido individ-ualmente ou juntamente com o livro. Um trabalho interessante para se seguir com ateno.[7.5/10] Srgio Pires

    MOURNING CARESSDeep Wounds, Bright Scars(MDD / Alive)De Deep Wounds, Bright Scars sobressai toda uma garra, segurana e atitude, as quais, j estamos habituados dos Mourning Caress. O ponto alto do lbum est em Staring into the abyss, que a meu ver consegue equilibrar tudo na perfeio, pondo em evidncia o binmio que os cara-cteriza: melodia e death metal, som limpo e sujo o qual no agradar a todos. Deep Wounds, Bright Scars uma boa proposta de Melodic Death Metal que se enquadra perfeitamente no gnero, sem levantar grandes ondas, feita essencialmente para arrasar ao vivo. Talvez um pouco mais de arrojo fosse bem-vindo.[7/10] Carlos Filipe

    THRONE OF KATARSISVed Graven(Candlelight Records)Da Noruega, normalmente, s podemos esperar uma coisa: Black Metal nu e cru, como alguns puristas gostam de ouvir. Ved Graven, primei-ra audio, no foge regra e segue estes pergaminhos, mas... Musical-mente, com este terceiro lbum, os Throne of Katarsis no acrescentam nada de novo, nem sua discografia nem ao gnero e muito menos ao panorama Noruegus; como os ToK devem haver centenas de bandas por l. Ainda mais, o som mais cru das guitarras e a gritaria de Infam-roth caractersticas do puro Black Metal no conseguem escamotear a falta de originalidade, de inspirao e vulgaridade de Ved Graven. [4/10] Carlos Filipe

    VISION OF ATLANTISMaria Magdalena(Napalm Records)Mais valiam estar quietos e calados. Depois de um bem sucedido Delta eis que os Vision of Atlantis (VoA) lanam um MCD com 5 temas. Mais do mesmo, sem qualquer mais-valia para o que quer que seja. Aps ter dado o benefcio da dvida ao album anterior, j no h pachorra para ouvir mais imitaes, ainda por cima quando os originais so muito mel-hores. Os VoA tocam um Power Metal Sinfnico e poderiam ter utilizado este MCD para dar um passo em frente ao mesmo tempo que desco-lavam o rtulo de imitao dos Nightwish. A verso que d o nome ao lanamento Maria Magdalena no traz nada de novo, como tudo... mais do mesmo. Digamos que prefiro, mesmo assim, ouvir o original.[4/10] Eduardo Ramalhadeiro

  • Da Hungria, vem-nos Thy Catafalque, uma banda pouco conhecida, mas com muito que contar. Neste momento, est convertida numa one man band a cargo de Tams Ktai, um dos fundadores do projecto mu-sical. O lanamento de Rengeteg, em meados de Novembro, pela Season of Mist, deu-nos ocasio de contactar o msico hngaro. No nos arrependemos, porque, como podero ver, tratou-se de uma longa e interessante conversa.

    Da insustentvel leveza no metal

    A Hungria um pas miste-rioso para os Portugueses e, normalmente, no o associa-mos cena metal. Portanto, esta entrevista parece partic-ularmente interessante.Tams: De facto, no somos uma super potncia do metal.

    Thy Catafalque no uma banda muito conhecida, mas o que li mostrou-me que j tm uma bela histria. Como teve incio esse projeto musi-cal?Comecei a tocar em 1993, com o meu prprio projeto: Dark-

    light. Gravei muitas demos e, finalmente, um lbum duplo e um EP, em 1999. Era um one-man project, em que tudo era criado num computador. En-tretanto, em 1996, juntei-me a Gire, a banda de metal de um amigo, e, em 1998, fundei Thy

  • Catafalque com Jnos Juhsz. Gire est inativa desde 2007, mas Thy Catafalque est mais que viva, embora Jnos tenha sado este ano. Portanto, voltei a estar sozinho e convido out-ros msicos.

    O que pode a Hungria dar aos msicos de metal? Como a cena metal no teu pas?Aqui h muitas bandas de met-al, boas e ms, tal como em qualquer outro pas. O que afe-ta a cena realmente a situao econmica. Como sabes, quan-to mais dinheiro as pessoas tm, mais fcil disporem-se a gastar algum para ir a um concerto ou comprar CDs. Os tempos atuais so duros. Mas, francamente, penso que a Hun-gria tem algumas bandas muito interessantes. No que diz res-peito cena metal, recomendo-te Korog, Aebsence, Tyrant Goatgaldrakona, Ahriman, Watch My Dying, OneHeaded-Man.

    E o que que Thy Cata-falque d Hungria? Deve ser uma banda de referncia no pas. mais conhecida no estrangei-ro do que na Hungria. A banda hngara mais internacional Ektomorf e tambm temos Sear Bliss, que goza de uma bela reputao. E tambm te deves lembrar dos Tormentor, que fizeram furor nos anos 80. Os TC [Thy Catafalque] so uma das bandas que conseguiram um contrato com uma grande editora estrangeira. Mas h out-ras to boas como esta e talvez at com mais fs. Somos muito underground.

    Antes de ler alguma coisa sobre a banda, ouvi a sua msica. A sua qualidade e originalidade constituram uma agradvel surpresa. O

    que d tanta riqueza vossa msica?Obrigado! Tenho dificuldade em emitir juzos sobre a quali-dade do meu trabalho. Em termos tcnicos, tudo muito simples. Fao tudo em casa, no meu PC. Tenho uma gui-tarra e um velho sintetizador Korg N5. s o que eu uso. Nunca nenhum estdio partic-ipou num lbum de TC. Penso que o trunfo da banda reside no facto de eu ter tempo para desenvolver a msica como quero. No preciso de estar a olhar para o relgio enquanto trabalho. Posso gravar, veri-ficar o que fiz, voltar a fazer, acrescentar mais uns detalhes ou mudar tudo o que eu quis-er, sempre que me apetece. E isso d-me a liberdade criativa indispensvel para se produzir um lbum decente.

    Tens algumas influncias a referir?Neste momento, estou a ouvir uma variedade incrvel de msi-ca. E isso constitui uma grande fonte de inspirao. Tenho uma mente muito aberta e es-tou sempre disposto a dar uma oportunidade a qualquer tipo de msica. E no me importa nada a forma como feita. No me interessa se foi criada com algum software ou com verda-deiros instrumentos, escrita por uma pessoa ou uma orquestra, tocada ao vivo ou elaborada a partir de fragmentos. Para mim s conta o produto final. No sou um metaleiro fanti-co. Acho que nem sequer sou um metaleiro. Adoro esse tipo de msica, mas tambm muita outra msica. Ultimamente, tenho andado a ouvir muita msica clssica e tambm ando fascinado pela msica eletrni-ca experimental. E no gosto s de msica. Tambm sou influenciado por outras artes:

    pintura, fotografia, belas artes, arquitectura. Adoro tudo o que arte!

    Que mudanas ocorreram na tua msica desde o incio? Fiquei com a impresso de que agora as faixas so mais curtas do que nos primeiros lbuns e de que a msica se est a tornar cada vez mais complexa.Sim, agora fao canes mais curtas. So mais concentradas, o que as pode tornar mais aces-sveis. Sinto que houve grandes alteraes de lbum para lbum, no que se refere composio e forma. Mas no tenho a im-presso de ter dado um grande passo em frente com este l-timo lbum. Limitei-me a limpar a forma, a esfolear a pele. E, com este material, sinto que atingi um ponto em que no posso ir mais longe, sem me repetir. Portanto, vou ter de seguir noutra direco. Preparem-se para mudanas verdadeiramente radicais! Para alm disso, Attila Bakos, que faz todos os vocais limpos masculinos nos ltimos dois lbuns de TC, decidiu deixar de participar como convidado no trabalho de outros artistas e concentrar-se na sua prpria msica. Esse facto tambm me vai obrigar a repensar o meu trabalho.

    Havia algumas letras em In-gls nos primeiros lbuns da banda. Por que decidiram usar s o Hngaro posteri-ormente?Apenas porque tenho mais fa-cilidade em me exprimir na minha lngua materna. Penso que o Ingls nos dois primeiros lbuns ficou muito mal. Acho que essas letras esto muito ms, no me fazem sentir nada de especial quando as leio. J com a lngua hngara difer-

  • ente: a minha lngua materna, d-me uma sensao de confor-to que nenhuma outra me pode dar. No vejo mal nenhum ni-sso. verdade que ningum vai compreender nem uma slaba, mas eu e os meus compatriotas percebemos.

    Em 2011, a banda assinou contrato com a Season of Mist e Jnos Juhsz saiu. H alguma relao entre estes dois factos?No, de modo nenhum. Ele no participou nem na com-posio, nem na gravao de Rengeteg por vrias razes, portanto eu assumi total re-sponsabilidade pelo lbum. E ele decidiu abandonar a ban-da definitivamente. Por isso, no lhe interessava nada saber quem ia lanar o lbum. TC j no o entusiasmava, da a sua passividade. Eu, pelo contrrio, estava sempre cheio de ideias

    novas. Ele tambm j no tinha feito nada criativo em Rka Hasa Rdi. O facto de viver-mos em pases diferentes h 5 ou 6 anos tambm teve a sua influncia. Comemos a ficar separados por uma grande dis-tncia, tanto geogrfica como musical. Foi uma pena, mas tambm um percalo que tive-mos de enfrentar. No entanto, estou-lhe profundamente gra-to pelo seu contributo efetivo para os trs primeiros lbuns. Tenho a certeza que no teria chegado onde estou sem a sua ajuda.

    O que significa Rengeteg? De que trata o lbum?Rengeteg uma palavra do Hngaro antigo que designa uma floresta vasta e inexplora-da. Floresta uma palavra cheia de simbolismo. Representa o mistrio, o desconhecido, a es-curido em que nos perdemos.

    Mas tambm tudo o que an-tigo, um espao sem fim. A flo-resta o antdoto para a vida demasiado acelerada da socie-dade atual. Tem o seu prprio sistema de vida, vive ao seu prprio ritmo, no desperdia nada e assim conserva a nossa histria e cultura nos seus lim-ites. Ns, humanos, precisa-mos de voltar para a floresta no nosso esprito, humilharmo-nos perante ela e aprender no-vamente a respeitar a natureza. Em atitudes, em pensamento. assim que penso atualmente e essa ideologia transparece nas palavras e na msica deste l-bum.

    Podes dizer-nos algo sobre o lbum suficientemente apel-ativo para fazer com que os nossos leitores enfrentem a crise para o comprar?Penso que, hoje em dia, nin-gum compra um lbum sem

    [] temos uma predileo por temas que envolvam o es-tado mental e social do Homem, o estado das sociedades e o

    produto resultante desta relao. []

  • o ouvir pelo menos uma vez. Portanto, aconselho-vos a procur-lo na net. Ouam-no e, assim, podero decidir se querem mesmo compr-lo. O digipak tem excelente aspeto e o som muito melhor do que na net, sem dvida. Penso que estes aspetos so trunfos para o lbum. E, desta forma, po-dem ajudar-nos a mantermo-nos acima da linha da gua, en-quanto nos preparamos para o prximo lanamento.

    Onde encontraste os exce-lentes msicos que colabo-ram contigo em Rengeteg?Attila Bakos um velho amigo. Tem os seus prprios proje-tos: o Woodland Choir e Tara-nis. gnes Tth conhecido por causa de The Moon And The Nightspirit. Tambm so-mos velhos amigos, porque ela tambm tocou violino no l-bum de Gire. Ocasionalmente, canta nos lbuns de TC. Mihly Simk-Vrnagy o solista de violoncelo da Ern Dohnnyi Symphonic Orchestra, de Bu-dapeste. Nunca o vi pessoal-mente, mas encontrei muitos vdeos dele no YouTube, con-tactei-o e ele aceitou partici-par em trs canes. So todos grandes msicos e pessoas maravilhosas.

    Alguma coisa mudou na msica de Thy Catafalque desde que o Jnos saiu?A nica diferena que agora sou s eu que toco guitarra.

    Quando tencionas vir a Por-tugal e mostrar-nos que s realmente bom? Se no po-

    des vir em breve, onde po-deremos ir ouvir-te a apre-sentar este lbum?Infelizmente, TC no faz con-certos ao vivo. Nunca fizemos nenhum e agora que o Attila j no vai colaborar, essa ideia est completamente fora de questo. Nunca tive a capaci-dade nem a ambio necessri-as para levar a banda aos pal-cos. Seria muito stressante para

    mim, tanto mais que agora es-tou completamente sozinho. E, de qualquer modo, eu sou um compositor, no um intrprete.

    Entrevista: CSA

    Ns, humanos, precisamos de voltar para a floresta no nosso esprito, humilharmo-nos perante ela e aprender novamente a

    respeitar a natureza.

  • So uma das bandas mais Hard & Heavy do distrito de Aveiro, com mais de 10 anos de carreira, e com dois trabalhos lanados. STOP The War foi o primeiro e mostrou a garra e a atitude deste coletivo da Ponte de Vagos. Collapsing World, o segundo, como um virar de pgina sem esquecer a anterior. A VERSUS Magazine esteve conversa com o guitarrista Jimmy e com o vocalista Lus, para descor-tinar o que esteve por detrs dessas pginas.

    A fuga ao colapso

    Collapsing World o vosso novo trabalho, um disco com seis temas. ap-enas um aquecimento para um lbum com mais temas? Vai haver algo maior a curto prazo?J: Podemos considerar que o Collapsing World seja um preview daquilo que poder vir. Agora em termos especficos, se vai ter a ligao ao disco ou se vamos lanar algo comemo-rativo em que juntamos esses

    seis temas com outros numa outra temtica isso que ainda no sabemos. Mas com certeza uma ligao a outra coi-sa que vir.

    Ento, a curto prazo podero lanar um lbum de longa durao.J: A curto prazo, sim. J existem alguns temas que poderiam ter ficado neste EP, mas que no ficaram; e estamos a contar com uma participao num dos

    temas do STOP - The War com uma Banda Filarmnica, que partida ter de ficar num prximo trabalho.

    verdade, vocs tocaram um tema vosso com uma Banda Filarmnica. Como que isso aconteceu?J: A Banda Filarmnica de Va-gos fez as gravaes no mesmo estdio onde gravmos o disco. Eles j conheciam alguns temas e alguns msicos, e estavam cu-

  • riosos na hiptese de nos jun-tarmos. Acabmos por fazer o convite para um dos concertos de estreia do disco para to-carmos um tema em conjunto. Foi fcil porque tivemos sorte de eles tocarem no mesmo dia que ns e no mesmo local. Aproveitmos a situao.

    Decerto que haver leitores que no vos conhecem e, por isso, pedia-vos que fizessem um apanhado biogrfico dos Diesel-Humm!J: Resume-se tudo a concertos, muitos concertos c em Portu-gal. Comemos a tocar covers e depois comearam a aparecer os originais. Entretanto form-mos, ou melhor, assumimos a banda de originais, j com um bom bocado de estrada feita. Depois de assumir a banda de temas originais, comearam a aparecer os concertos de maior dimenso e depois os concer-tos l fora. Resume-se tudo a concertos em Portugal e no es-trangeiro; experincias de est-dio no Rec n Roll, o tributo aos Tarntula a primeira Demo so tudo experincias que fi-cam; e ao longo desse tempo alguns momentos igualmente bons, como participaes na televiso (Sic 10 horas, Fora de Srie e um destaque na MTV Portugal). Foi engraado porque nesse tempo estvamos com uma formao em acs-tico eu, o Lus e a violinista nessa altura [NR: Ana Mota] e acabmos por fazer muita estrada nesse formato e tocar em stios muito interessantes. Depois surgiram esses convites e formmos o resto da banda. Houve uma fase de transio em que tivemos s trs elemen-

    tos, e depois entraram o Andr e o Ppe que o atual baterista.

    Vocs ainda continuam a to-car e a fazer concertos com a banda de covers?J: Sim, decidimos separar as bandas pelos nomes e adiciona-mos mais um elemento. Temos um teclista. A banda chama-se Rocks.

    E fazem covers de que ban-das?J: De tudo um pouco. Guns n Roses, Metallica, Bon JoviL: mais Rock!

    No primeiro lbum, STOP - The War, tiveram uma s-rie de convidados para co-laborarem convosco. Como foi trabalhar com eles?J: Sim, tivemos um baterista convidado e o Lino. Bem, o Lino nem bem convidado porque fez comigo a produo e acabou por ser um contributo ao gravar solos em alguns te-mas. O baterista foi o Afonso, dos Anger. Gravou algumas coisas connosco e foi um bom apoio na parte rtmica que pre-cisvamos na altura.L: Na voz tivemos o Zim dos NAD e tivemos uma par-ticipao na voz feminina na Falling deep inside pela Ana Patrcia. Ela est no Canad, mas estava c de frias e fize-mos essa msica participou nela a cantar comigo.

    Antes de gravarem o STOP The War vocs tinham uma violinista a tocar con-vosco. O que aconteceu com ela?L: Ela esteve na banda at pou-co depois da gravao. Quando

    comemos a Tour foi quando ela decidiu sair tivemos de improvisar.

    Esse trabalho foi masteriza-do por Mika Jussila nos est-dios Finnvox, na Finlndia. Notaram-se as diferenas no resultado final? Ficaram sat-isfeitos?J: Esse disco foi um trabalho longo, e chegmos a um ponto em que o processo de masteri-zao no era simplesmente masterizar eram sim umas orelhas novas para ouvir aq-uilo. E o Mika ajudou nesse aspeto. Estava tudo a soar bem e no queramos que o material se estragasse no processo de masterizao, que muitas vezes no ajuda porque pode com-plicar; e queramos, tambm, algum que tivesse experincia na rea e no estilo, e que pode-ria dar uma opinio musical.

    Pode ser s impresso min-ha, mas sinto que o lbum tem um toque finlands nas melodias.J: Isso poder vir das influn-cias desse lbum.L: Para esse lbum ns fo-mos buscar as msicas de uma Demo da Tribial Society que tnhamos lanado dois ou trs anos antes, na qual tambm houve participao de alguns msicos alemes que andaram em tourne connosco, tanto c em Portugal como na Ale-manha, e que ajudaram-nos nesse tempo a seguir um certo caminho um caminho mais nrdico.

    J neste recente disco no h colaboraes, mas h um elemento novo no grupo: a

    Estar a criar algo parecido no seria muito interessante para ns enquanto msicos.

  • Sara, que canta com o Lus. Por que que decidiram adi-cionar voz feminina?J: A Sara um elemento novo. No foi fcil chegar a ela. Fize-mos castings a experimentar al-ternativas e a Sara acabou por ficar. J a conhecia por ter can-tado em bares e fiquei impres-sionado, mas nunca consegui o contacto dela, e como ela no muito ligada s tecnologias no foi fcil de a encontrar. Descartmos essa possibili-dade porque ela participava em musicais, era o trabalho dela, e como era preciso disponibi-lidade foi difcil. Mas surgiu a hiptese, e como queramos uma pessoa com a qual nos identificaramos, principal-mente o Lus a cantar, ento se fosse teria que ser ela ou no valia a pena pois teria que ser algum que encaixasse e de-cidimos contacta-la por outros meios. E ela aceitou.L: Nesta rea do Metal apesar de haver muitas fs, h poucas que tenham disponibilidade para participar tanto a tocar como a cantar. E tivemos sorte em encontrar uma aqui perto, porque um dos requisitos era esse (risos).

    Collapsing World igual-mente um disco de Hard Rock, mas diria que o feel-ing um pouco diferente do STOP - The War. Quais so as verdadeiras diferen-as entre os dois discos?J: O STOP The War surgiu num espao de tempo maior, portanto foi criado durante mais tempo. Juntou muitas in-fluncias dos msicos anteri-ores, dos novos msicos e por tudo por onde passmos, ou seja, ficou no lbum muitas marcas. Para fazer um novo trabalho e manter a linha do STOP The War no seria difcil, porque se utilizsse-mos o mesmo critrio de com-posio conseguiramos fazer um disco bastante semelhante. Mas penso que seria um bocado desinteressante, e naquele mo-mento o Andr e o Ppe queri-am o desafio de um disco difer-ente. Estar a criar algo parecido no seria muito interessante para ns enquanto msicos. E achmos que para os fs se-ria a mesma situao. Agora, h sempre essa expectativa de pensar se ser melhor ou pior. Fizemos este disco para evitar

    isso, porque se fizssemos um semelhante estvamos sujei-tos a esses juzos e assim no, toda a gente est a dar a mesma opinio: est diferente! Te-mos orgulho do STOP The War, pois todas as pessoas que nos do feedback do disco dizem que no se cansam de o ouvir. O CD roda, roda, metem no leitor e no para de rodar. E isso muito bom de ouvir. De-pois decidimos fazer uma coisa diferente, porque j temos o legado de um disco que rodou muito.

    Eu diria que existe mais Hard Rock e um esprito mais livre no primeiro tra-balho do que no segundo. J este mais introspetivo.L: O STOP The War foi um lbum feito praticamente na estrada. Sempre. Fazamos msica e tocvamo-la logo ao vivo. E nesse tempo tocvamos praticamente todos os fins-de-semana, se no eram originais eram covers. Fazamos uma msica, tocvamo-la e tent-vamos dar sempre aquele ar de festa. No entrando no gnero do Punk Rock que sempre festa (risos), mas o STOP

  • The War um lbum de festa. Enquanto este demorou um ano e alguns meses a faze-lo, o Collapsing World foi um lbum em que parmos, en-trmos em estdio e pratica-mente foi feito em menos de dois meses. No foi um lbum feito a correr, mas foi sem ex-perimentar como soaria l fora em palco.

    Como que foi trabalhar no Collapsing World?J: O Collapsing World foi um disco instantneo, como o Lus disse.L: Foi metido no micro-ondas (risos).J: Temos de ser realistas, todos ns temos uma carga de trabal-ho pessoal muito grande e de-veramos ter feito um lbum h dois anos atrs para comemorar 10 anos de carreira. Era a que deveria ter sado um trabalho, h dois anos atrs. Vamos faze-lo agora, juntando o Collaps-ing World mais alguns temas e fazer uma edio especial de aniversrio. Existem momen-

    tos ideais para lanar um disco, e para ns no Vero. Con-seguimos quatro concertos de apresentao sem esforo nen-hum. Surgiram propostas para tocarmos e apresentar o disco. Se fosse agora teramos de es-tar a pedir s salas para apre-sentar um disco. Fizemos con-certos com casa cheia - tivemos muito pblico. Se fizssemos por nossa iniciativa noutros lo-cais no teramos pblico por causa da realidade do mercado da msica. Isto tudo fez com que fizssemos o disco o mais rpido possvel. O processo de composio foi simples - debi-tar guitarras para o metrno-mo, tal como no STOP The War mas como no foi feito na estrada foi tudo despejado para a mquina. Depois o dis-co foi feito j no processo de gravao a surgiram as linhas de baixo e da bateria com mais pormenor; surgiram os por-menores da voz (a Sara tinha entrado na banda e no con-seguiu margem de manobra para ensaiar, e foi feito tudo

    j em estdio). um processo que se no fosse feito em Jun-ho/Julho seria mais um ano de espera. Dois anos que passar-am j foram muito - em relao ao STOP The War foram quatro anos comea a pesar e as pessoas no esperam. Neste momento sabemos que esta gerao clicar e ter a ger-ao do agora. E se no fizs-semos o lbum estvamos su-jeitos a ser prejudicados.

    Olhando para os ttulos de ambos os lbuns, para os t-tulos das msicas e para as capas, facilmente captamos vrias mensagens. Querem falar um pouco disso?J: Ns sempre fomos uma ban-da com temticas relacionadas com aquilo que nos rodeia, se bem que alguns temas so in-trospetivos, tm um toque pes-soal. Mas a maior parte deles so temas gritantes. Quere-mos tentar que isto no seja s msica e que seja uma men-sagem que se transmita, e tanto um lbum como o outro tm

    Estamos aqui para durar e haveremos de morrer a tocar Heavy Metal.

  • isso.

    Creio que no ganham a vida com a msica, e devem ter empregos normalssimos. O que pensam do cenrio mu-sical em Portugal? Obvia-mente gostariam de viver da msica.L: o sonho de qualquer ado-lescente, viver da msica (risos). Eu e o Jimmy j c andamos no seio da msica praticamente h 20 anos. O meu irmo [NR: Andr, baixista] no como msico mas como acompan-hante tambm desse tempo. Mas h 20 anos atrs ns con-seguamos viver da msica. No havia entraves nenhuns nos compromissos. Era sem-pre a tocar para ganhar alguns tostes para comprar instru-mentos. Os anos foram pas-sando, continumos a gostar da msica e isso o que nos faz persistir nesta rea e cena mu-sical. Estamos aqui para durar e haveremos de morrer a tocar Heavy Metal.J: O panorama musical est muito diferente. Por exemplo, ns neste momento estamos a planear uma digresso com outras bandas, e noutros tem-

    pos conseguamos agendar 23 concertos non-stop com trs ou quatro bandas, tratva-mos da logstica de bandas es-trangeiras que c vieram, com cache e direito a tudo. E agora com cinco bandas de calibre difcil de arranjar espaos.

    J tu, Jimmy, tu trabalhas aqui no estdio Audioplay Records, certo?J: Eu acabo j por no con-seguir isso. J somos uma eq-uipa grande no total somos cinco colaboradores. Duas pes-soas encarregues do estdio, uma pessoa a tempo inteiro no design e outra a fazer CDs. Portanto, a mquina ligada msica felizmente j roda, e para mim muito gratificante. Foi sempre um objetivo de vida tentar e conseguir viver em qualquer coisa ligada msica. Embora o pudesse ter feito a tocar mas no nos moldes que eu queria. Eu prefiro ter tempo e condies para criar coisas do que estar simplesmente a tocar, pois da maneira que estava a to-car e a viver da msica era algo cansativo. E h sempre a ne-cessidade de compor e ter con-dies para isso. Ento, surgiu

    o estdio e o resto da empresa; eu e o Lus temos a empresa de aluguer de som ao vivo e e isso mantem-nos ligados msica.

    Para terminar, queremos saber se podemos ver os Diesel-Humm! mais vezes no palco. Vocs so uma banda de palco e no para estar aqui metidos dentro (risos).L: Isso pura realidade. O pal-co o que nos move. Se no fosse o palco se calhar j no estvamos aqui. O que nos leva a subsistir continuarmos com uma banda de covers. Quando pensamos que estamos cansa-dos, e o pblico tambm, de ouvir Diesel-Humm! fazemos uns meses de Rocks, de covers, para a malta lembrar aqueles velhos temas. Depois fartamo-nos de Rocks e voltamos aos Diesel-Humm!, e temos j no-vas histrias para contar, no-vas msicas para gravar e isso vai-nos mexendo. Porque se no fosse isso eramos iguais ao resto da malta e com poucos stios para tocar acabaramos por entrar em colapso.

    Entrevista: Victor Hugo

  • J entrevistei os Septicflesh a propsito do lanamento de The Great Mass. Responderam s minhas perguntas Sotiris Vagenas (vocais limpos) e Christos Antoniou (guitarras e teclados). Nessa ocasio, falou-se da arte grfica de Seth (Spiros Antoniou, vocais speros e baixo) associada msica extrema. Da me veio a ideia de entrevistar Spiros sobre essa sua outra faceta artstica. Paralelamente, por essa via, o artista grego est relacionado com Portugal, j que da sua au-toria a arte do ltimo lbum dos Moonspell at data (Night Eter-nal, de 2009).

    A desconstruo do humano e do divino

  • s o quarto artista grfico que entrevisto para a VERSUS Magazine e o primeiro artista es-trangeiro. O facto de ter comprado a edio especial do ltimo lbum de Septicflesh, por cuja arte s responsvel, reforou muito a minha inteno de te entrevistar. Como tiveste a ideia de combinar msica extrema e artes grficas? Qual delas es-teve na origem da outra?Seth: Eu sou um artista portanto fao da Arte em geral o meu alimento espiritual e a minha salvao. A disciplina caraterstica das artes permite-te trazer vida tudo o que sai diretamente do teu mundo esotrico.A Arte um componente essencial da minha vida. Em vez de fazer coisas est-reis e repetitivas, decidi passar tanto tem-po quanto possvel a fazer coisas criativas. Sinto-me muito feliz por viver mergul-hado em Arte. Todas as minhas atividades artsticas so vitais para mim. A Arte lida com emoes. Portanto, a msica que pen-etra a minha alma despertando nela emoes fortes pode levar-me a querer converter essas emoes em algo visual.

    Que influncia o facto de seres grego tem na tua carreira artstica? Hoje em dia, as pes-soas associam a Grcia a uma grande crise econmica. Mas eu prefiro pensar no teu pas como o bero de uma grande herana cultural que afetou toda a Europa. evidente que sou muito influenciado pela cultura grega da Antiguidade. Tudo comeou com a civili-zao sumria e assria. No se sabe quase nada so-bre as razes que fizeram com que, sada do nada, em 10000 AC, esta civilizao tivesse florescido de forma to sbita. Construram ziggurats, desenvolveram as cincias e as artes, deram origem a uma cultura avan-ada, ao mesmo tempo que definiam os contornos do seu mundo metafsico. Tudo isto faz pensar que algo de extraordinrio se passou que originou uma alterao do cdigo gentico do ADN deste povo. H quem acredite na interveno de uma raa extraterrestre superior. Mais tarde, temos as civilizaes do Egipto e da Grcia Antiga. Esta ltima conduziu ao Classicismo e ao Renascimento, movi-mentos que me influenciam fortemente.A minha inspirao vem-me sobretudo da Alemanha do ps-guerra e do expressionismo norte-americano. A vida e obra do grande pintor Francis Bacon constituem uma das minhas grandes influncias. Alm disso, penso que todos os artistas tenebrosos, categoria de que eu fao parte, foram influen-ciados pelos trabalhos do fotgrafo Joel Peter Witkin, que, de uma forma simultaneamente doce e cruel, despe o subconsciente humano. Tambm admiro as obras de Da Vinci, Rembrandt, El

  • Greco, Picasso, Matisse e Hieronymus Bosch.

    Essa tendncia para a arte de famlia? Afinal o teu irmo no s msico, mas tambm compositor clssico. Sim. Provavelmente, fomos muito influenciados pelo facto de o nosso av adorar pintura e msica clssica. Portanto, posso dizer que perpetuamos a tradio e mantemos viva a sua alma artstica.

    De que feita a tua arte grfica?A minha formao de base foi adquirida na Faculdade de Belas Artes e combina pintura, fotografia e design digital. Um dos problemas do arte grfica que tu tens muito pouco tempo para criar e desenvolver uma com-posio, comparando com a pintura. Eu optei por combinar pintura analgica base de tin-tas acrlicas com grandes impresses de alta resoluo, recorrendo a software de edio digital (como o Photo-shop ou o Corel Painter). Fazer a sntese de todos estes elementos um trabalho muito complexo. Tens de re-solver todos os dilemas relativos composio e forma quando ests a trabalhar na tela. O produto final puro e primitivo combinando, de forma muito harmoniosa, pinceladas bruscas e imagens impressas em suporte digital. Apesar de, nestes ltimos tempos, a arte digital ter atingido padres de grande sofisticao, ainda no capaz de tra-duzir a verdadeira expresso da alma humana de forma to completa como as pinceladas polimrficas.A figura humana nua sempre me despertou um grande in-teresse. Na minha opinio, no h nus feios nem boni-tos. Por exemplo, uma mulher disforme com um cozinho pequeno pode dar origem a uma imagem mais bonita do que um manequim. Afinal, o objetivo da arte pr em causa, mol-dar a realidade virtual criando novos padres de sensualidade, apoiando-se no que h de mais vulgar na vida quotidiana. Parece-me que esta a base da minha capacidade para expres-sar o estado catico da natureza humana. Moldo, deformo, dis-

    tendo a forma normal da face humana nos limites de um dado espao, o que lhe confere uma dimenso metafsica. As formas que crio esto suspensas no tempo com uma espcie de tranqui-lidade irnica. O angustiante grito de desespero que emana dessas formas pressagia uma futura mutao da Humanidade e o advento de algo superior, a nvel da realidade palpvel e espiritual. No por acaso que Francis Bacon uma das minhas maiores influncias, tendo em conta o facto de que deve ter sido o artista mais clarividente que at agora deixou a sua marca na arte.

    Posso pedir-te que faas uma sntese dos principais momentos da tua carreira at agora e que menciones os trabalhos mais importantes que resultaram de cada um deles? Na entrevista que fiz tua banda, Sotiris sublinhou o importante papel que a tua arte grfica sempre desempenhou nos lbuns dos Septicflesh.Trabalhei sem descanso durante quatro meses para combinar os elementos que com-pem a capa de The Great Mass. Alis, considero esse trabalho como um dos meus melhores at ao momento. Queria criar algo muito especial, nico, combinando uma

    Moldo, deformo, distendo a forma normal da face hu-mana nos limites de um dado espao, o que lhe confere

    uma dimenso metafsica.

  • infinidade de smbolos e de significados. Qualquer pessoa deveria poder descodificar, sua maneira, essa Pirmide que constru a partir das imagens de deuses, culturas, corpos, numa grande amlgama canibal de elementos divinos e humanos.O principal objetivo desse meu trabalho mos-trar como, nos tempos atuais, Deus perdeu a sua originalidade. E, a cada dia que passa, morre um pouco mais, devorado pela criatura que produziu sua imagem e semelhana: o ser humano.

    Passando agora tua relao profissional com os Moonspell, como que isso aconteceu?Foi uma grande honra para mim ter feito a arte de Night Eternal. Considero os Moonspell como uma das grandes bandas de Metal-Gothic dos anos 90 e admiro-os pelo seu grande sucesso. So tambm bons amigos e a nossa amizade data do tempo em que fizemos juntos uma digresso eu-ropeia com Cradle of Filth e Gorgoroth. Dou-me particularmente bem com o Fernando e sinto-me muito orgulhoso desta amizade. uma pessoa maravilhosa e um grande filsofo.

    A arte para Night Eternal foi o nico tra-balho que fizeste para a banda portuguesa, ou h outras pedras nesse caminho?Esse foi o meu primeiro trabalho para os Moon-spell. Eles adoraram o produto final, sobretudo a imagem na capa do lbum. Sobre futuras colabo-raes, o tempo o dir.

    J trabalhaste para outras bandas portugue-sas? Conheces artistas grficos portugueses que trabalhem para bandas de metal como tu?No, nunca trabalhei para outra banda portugue-sa.E sim, conheo muitos artistas portugueses, mas sobretudo na rea da tatuagem, no nas Belas Ar-tes ou no design grfico.

    J pensaste em aproveitar as digresses dos Septicflesh para organizar exposies dos teus trabalhos e dos do teu irmo Christos?Ora a est uma ideia que vou concretizar um dia destes.

    Eu sou um artista portanto fao da Arte em geral o meu alimento espiritual e a minha salvao.

  • Eu sou um artista portanto fao da Arte em geral o meu alimento espiritual e a minha salvao.

    Queres deixar-nos alguma mensagem final?Obrigado pelo interesse na minha arte.

    Entrevista: CSA

  • Face mstica que envolve o Som Eterno portugus dos anos 80, acabou por se revelar b-vio que esta no poderia ser a ltima parte deste ambicioso texto, como anunciei na edio anterior. Com efeito, encerro aqui o enfoque nos anos 80, abordando a dcada seguinte ap-enas na prxima edio. Tudo em prol do detalhe e do rigor histrico. Embarquem comigo em mais esta fabulosa viagem ao nosso passado metlico.

    A segunda metade dos anos 80 contrastou com a primeira no que se refere aos espetculos de grandes nomes do Heavy Metal internacional realizados em terras lusas. De facto, desde 1984 at ao final da dcada, Portugal apenas assistiu a concertos dos Iron Maiden + WASP, Century (agrupamento francs de Hard Rock maioritariamente praticante de baladas), Bon Jovi + Dan Reed Network, Gary Moore + Cruise, Motorhead + Girlschool + Destruction, Iron Maiden + Helloween, Gun e Saxon. Alm destes eventos, poucos mais tiveram lugar. Entre 1988 e 1989, como que prevendo a queda do Muro de Berlim, estrearam-se em Por-tugal algumas bandas oriundas da Cortina de Ferro, cujos espetculos foram maioritariamente organizados pelo Partido Comunista Portugus (PCP). O primeiro desses espetculos aconteceu em janeiro de 1988 no antigo Cinema Alvalade, em Lisboa, com os Sculo XX (apresentados em Portugal sob esta designao, devido dificuldade de pronncia do seu

    nome real), provenientes da ento URSS. O quinteto, desconhecido em Portugal, atuou perante uma sala

    repleta, com nveis de histerismo inimaginveis. Assistia-se expresso mxima da rebeldia fer-

    vilhante de uma juventude ansiosa por espe-tculos de bandas estrangeiras.

    Em setembro desse ano os thrashers Par-adox, oriundos da Repblica Federal

    da Alemanha (RFA), atuavam na Festa do Avante, no Seixal, su-

    cedidos no mesmo evento, no ano seguinte, pelos Everest,

    oriundos da URSS. Multi-des uivantes e fanti-

    cas marcaram essas

  • atuaes memorveis, assinalando um momento nico na histria do Metal em terras de Cames. Em 1989 tambm os Minotaur, conterrneos dos Paradox, atuaram em Lisboa. parte estes agrupa-mentos, apenas os franceses Agressor e os holan-deses Thanatos, numa vertente mais underground, subiram aos palcos nacionais na segunda metade dos anos 80, durante a qual passavam vrios meses sem que bandas estrangeiras tocassem em Portugal. A oferta de espetculos ao vivo de grupos nacio-nais fervilhava, percorrendo os agrupamentos o circuito constitudo pelo mtico Rock Rendez Vous (RRV), coletividades, sociedades recreativas, liceus (hoje designados escolas secundrias), juntas de freguesia e a Voz do Operrio, em Lisboa.Por volta de 1983/1984 o termo Heavy Metal era j bastante usado. Surgiram pela primeira vez os con-ceitos de underground, que define um movimen-to musical oposto ao mainstream, muito menos vi-svel (alis, a traduo do termo para portugus

    subsolo), ideologicamente oposto ao comercialismo e alimentado por nichos de mercado cujos agentes atuam apaixonadamente numa lgica do it yourself.

    Surge ainda o tape-tradding (gravao e troca de cassetes udio e vdeo com fs de todo o mundo), o record-tradding (troca de vinis para qualquer zona do planeta) e a reproduo comercial macia, embora ilegal e amadora, de concertos gravados em vdeo e posteriormente reproduzidos, a pedido, em cassetes VHS. Eram milhares os ttulos disponveis nesses catlogos, abrangendo espetculos de inmeras bandas, das maiores estrelas mundiais aos mais obscuros coletivos underground. Estes documentos eram imensamente procurados, contendo em geral verdadeiras raridades. Extremamente populares, estas formas de intensa divulgao impulsionaram o Underground de forma exponencial numa altura em que a Internet no passava de fico cientfica para as populaes, embora j fosse usada de forma experimental nos meios acadmicos e militares norte-americanos. O termo demo-tape, que significa cassete de demonstrao vulgar-iza-se a partir de 1983/1984 com a adoo macia do formato (em que os grupos mostravam o seu potencial). Com efeito, a demo-tape veio permitir que os grupos amadores mostrassem o seu trabalho em cassete numa altura em que apenas os Tarntula, Ibria e poucos mais gravavam discos no Portugal metlico.

  • A cena ao rubro

    A 15 de dezembro de 1984 realiza-se em Santo Antnio dos Cavalei-ros o primeiro festival portugus de Heavy Metal, sucedido a 4 de ou-tubro de 1986 pelo Metal Stage, na Amadora. Outros se lhes seguiram. Desde 1984 at ao final da dcada o Underground metlico portugus sofreu um desenvolvimento imenso, com o surgimento de inmeras bandas - Sepulcro, Alkateya, Blizzard, Valium (mais tarde conhecidos como Casablanca), Satans Saints, Battalion, Devil Across, STS Para-noid, Cruise, Asgarth, The Vowers, Ibria, Samurai, Thornado, After-death, Shrine, Necrophiliac, Tao, Comme Restus, Dove, W.A.D.S., Un-silent, Massacre (pr- Enforce), Dissafected, Sepulchral (pr-Bowelrot e Disembowel), V12, Black Cross, Silent Scream, Agon, Fallen Angel, Massive Roar, Shrine, Necrophilia, Mercilles Death, Mortfera, Har-um, Paranoia, Metal Brains, Procyon, The Coven, Ramp, Web, Wreck Age, Mantron, Thormentor, WC Noise, Dinosaur, Logon, Jarojoupe, Bachterion (pr-Filli Nigrantium Infernalium) ou Angel Sinner, entre muitas outras.Na poca surgiram tambm vrios clubes de fs, entre os quais a Briga-da Metal Power, o Guardians of Metal, o Imprio Metlico e o Heavy Metal Zombies Paranoid, alm de numerosos fanzines (alguns deles editados pelos clubes), como o Metal Power, Profundezas do Metal, Algema Metlica, Metal Invaders, ltimo massacre, Devastao Metlica, Abismo, HardnHeavy Fanzine, Caminhos Metlicos, Purgatrio do Heavy Metal, Metal Bible, Nuclear Mosh, Renascimento do Metal, Met-alkraft, etc. Alis, parte o jornal portugus Blitz, fundado em 1984, e as revistas estrangeiras Bravo (alem), Rock Brigade (brasileira), Heavy Rock e Metal Hammer (espanholas), que che-gavam a Portugal com um atraso de meses, o f portugus no tinha acesso a qualquer outro ttulo no que se refere imprensa profissional. Encontrar edies inglesas da Metal Hamer ou da Kerrang! era rarssimo.O Rock Rendez Vous tornou-se palco de incontveis espetculos de Metal e no s ao longo de toda a dcada de 80 at encerrar, em 1990. Nalgumas matins de domingo a programao ao vivo era substituda pela exibio de telediscos (como ento se dignavam os agora chamados clips, ou videoclips) da MTV, num ecr gigante, oportunidades nicas de que na poca os fs dispunham para aceder visualmente a temas dos Kreator, Iron Maiden, Helloween, Metallica ou Nuclear Assault, entre muitos outros. essencial recordar que, ento, no existia TV por cabo em Portugal. O programa Lana-chamas, do mtico Antnio Srgio, tornou-se uma imensa escola de fs, msicos, radialistas e jornalistas especializados no Som Eterno. Aproveitando o advento das irreverentes rdios-pirata, surgidas s centenas em meados da dcada, os programas de autor

  • especializados em Metal inspirados na genialidade de Antnio Sr-gio multiplicaram-se, impulsionando o movimento Underground. Formou-se toda uma nova escola radiofnica, independente e ou-sada. O Underground nacional encontrava-se ao rubro em todas as reas. No final da dcada emergiram novos programas radiofnicos, como Boca do Inferno, Caminhos de Ferro ou Alta Tenso. Na mesma altura o mercado viu surgir vrias editoras independentes, como a Slime Records, a Skyfall, a Mortuary ou a MTM, que nos primeiros anos da dcada de 90 lanaram discos histricos como a dupla compilao em vinil The Birth of a Tragedy (MTM). Nas lo-jas de discos ( poca designadas discotecas, embora em nada se relacionassem com os espaos danantes do mesmo nome) reina-vam as importaes, embora a oferta editorial j fosse significativa em quantidade e qualidade. Alis, as discotecas One-off e Bimotor constituam os principais santurios para os fs adquirirem vinis, demo-tapes, fanzines e bilhetes para concertos, mesmo a nvel un-derground. Era a que passvamos inmeras tardes a olhar embev-ecidos para as novidades na Dcada Dourada.

    DicoTextos detalhados em www.soundzonemagazine.blogspot.com Texto redigido ao abrigo do novo Acordo Ortogrfico

  • LANTLSAgape(Lupus Lounge / Prophecy Productions)O fio que conduz esta nova proposta de Lantls no tem nada a ver com o anterior .neon, que caracte-rizou uma (sur)realidade negra e psictica. Em Aga-pe essa bruma desaparece para dar lugar a novos estados de espirito e outras descobertas fomentadas por outros modos de perceo e pensamento. O ttulo, Agape, que significa afeio ou amor pelo prximo,

    d de antemo uma ideia do que o lbum prope. Longe, portanto, das ver-tigens dos lbuns anteriores, Herbst explora esses sentimentos e atravs da msica deslinda-os na tentativa de os traduzir e de os compreender. Com a ajuda da voz de Neige so gritados temas como Intrauterin, onde se pode escutar as novidades desta nova proposta: a presena do ritmo lento do Doom. Mas, apesar de todo o lbum ser mais lento que os anteriores, no significa que seja totalmente composto por Doom. H tambm pitadas ambientais de post-qualquer-coisa que so bastante familiares ao ouvido e que soam mara-vilhosamente bem. Bliss acelera o ritmo para algo mais familiar ao .neon, e onde est tambm presente uma certa cadencia rtmica que d uma singu-laridade ao tema, ao ponto de ser, talvez, o melhor do lbum. You feel like memories uma composio instrumental com um ritmo de baixo acompa-nhado por sons etreos. E Eribo I collect the stars um tema inspirado num personagem do livro The Neverending Story, de Michael Ende. Embora o lbum seja curto, ele vai exigir do ouvinte vrias audies. Isto\ porque a temtica dele bastante densa e o interessado vai querer sentir e entender as ligaes da ideia de agape com as msicas, com as letras e mesmo com a capa que retrata muito bem esse sentimento. Herbst anda muito inspirado e fez um belo trabalho no qual todos se podem identificar.[9/10] Victor Hugo

  • 3The Ghost You Gave To Me(Metal Blade Records)Joey Eppard mentor e principal compositor dos 3 traz-nos at data, o seu registo mais progressivo, no s ao nvel da msica como tambm das letras. The Ghost You Gave To Me (TGYGtM) nasce na sequncia do tambm excelente Revisions e aps vrias tournes com os Porcu-pine Tree ou da j famosa Progressive Nation Tour, onde se juntaram a bandas como Dream Theater ou Opeth. Isto por si s j um excelente carto de visita e atesta a qualidade deste quarteto. TGYGtM um l-bum de rock/metal progressivo com uma sonoridade muito prpria, bem distinta e muito bem produzido. A principal caracterstica que o distingue

    9MMDem Teufel ein Gebet(Napalm Records)Esta banda Alem, j com cinco anos de experincia, surge em 2011 com um lbum que se pode catalogar como Deutschrock / Punk. E a est praticamente tudo o que se pode dizer em relao ao estilo que pre-domina durante todo o lbum. Tudo o que ouvimos, identificamos clara-mente como punk, complementado com umas fortes doses de rock, can-tado na lngua Germnica, a complementar a frmula que os 9MM usam para fabricar os seus discos. Bom, no conhecendo esta banda e tendo em conta o nome julgava que poderia contar com um killer record; poder ser considerado nesses termos para quem realmente apreciar o

    estilo rock/punk. As letras valem o que valem, e ouvi-las cantadas em Alemo j no mete confuso a ningum especialmente tendo em conta o legado dos Rammstein. As composio no so de todo maudas, pois as sequncias dos riffs so suficientemente dinmicas e diferentes para energizar o contedo deste disco. As vocalizaes so quase sempre em tom de rebelio e os coros a replicar as palavras de ordem (ou desordem) que porventura as letras queiram transmitir. Tudo somado para dar um tom alegro a este disco bem animado e cheio de adrenalina. Como referi um disco que poder fazer sentido ouvir para quem for adepto do punk/rock e quiser espreitar para algo bem produzido, bem tocado e cantado em Alemo. Tirando isso este no um lbum para mudar a histria da msica, mas constituir uma boa base para uns concertos ao vivo electrizantes que certamente estes 9MM iro proporcionar s suas audincias. [7/10] Srgio Teixeira

    ABSUAbzu(Candlelight)Neste sexto registo de estdio Proscriptor McGovern e Cia apresentam--nos um trabalho que se pauta pelo essencial do black-o-thrash spe-edado e estridente que sempre caracterizou a sonoridade da banda, mas numa verso desta vez ainda mais crua e directa do que tem sido habitual. Sem surpresas, somos fustigados por um tornado incessan-te de riffs rasgados, percusses diablicas e vocalizaes rspidas, que concorrem para produzir os momentos verdadeiramente contagiantes a que banda Texana h muito nos habituou. Como temas de destaque podemos apontar Circle of the oath, Abraxas connexus e muito espe-

    dos demais o timbre e as harmonias da voz de Joey Eppard suave, misteriosa, emotiva e quando os temas pedem... agressiva. Relativamente aos temas esto todos praticamente ao mesmo nvel, no entanto destaco React que um tema com vrias mudanas de ritmo perfeitamente encadeados. O coro melodioso fica facilmente no ouvido e o interldio que antecede o solo faz lembrar Porcupine Tree. O 1 single do lbum, Numbers, uma das melhores faixas do lbum e comea normal, poderemos dizer algo pop, para a partir dos 3 minutos acabar num monstruoso riff do mais puro Thrash groove. Its Alive comea com um riff muito 70s para acabar num coro fortssimo onde a voz mais calma de J. Eppard d lugar a um Its Alive bem agressivo. Para finalizar os destaques, Only child, o tema mais forte em termos lricos e tambm o mais progressivo, com um fantstico trabalho de bateria e baixo para mim o melhor tema do lbum. Os 3 conseguem passar de temas pop Afterglow ou The Barrier para temas fortes, progressivos e complexos. Este estar, certamente, no meu Top 10 de 2011.[9/10] Eduardo Ramalhadeiro

    cialmente o pico de 15 minutos A song for Ea, apesar desta se apresentar, estruturalmente, como uma colagem desconchavada de segmentos algo incoerentes, em lugar duma pea fluente como seria

  • BLACK SUN AEONBlacklight Deliverance(Cyclone Empire)Apresentado como o lbum da banda a solo de Tuomas Saukkonen (Be-fore The Dawn), Blacklight Deliverance j o terceiro lbum de uma banda que conheceu os seus dias em 2008. Inserindo-se no contexto Dark-Doom/Death Metal, os Black Sun Aeon (BSA), musicalmente, no acrescentam nada de novo a este panorama, a no ser de termos mais uma excelente banda deste to particular estilo. Blacklight Deliveran-ce tem tudo aquilo que se espera: Voz feminina angelical, a cargo de Janica Lnn (Lunar Path), voz masculina limpa na voz de Mikko Heikkil (Sinamore) e a vocalizao mais obscura e gutural de Tuomas Saukko-

    ANIMAL AS LEADERSWeightless(Prosthetic Records)Confesso que no conhecia estes Americanos antes deste lbum. Des-cobri-os por acaso num fraco vdeo no youtube, ao vivo e com som no muito bom. O que me despertou mais ateno foi o facto de serem s 3 membros e sem voz. Quando apareceu a oportunidade de escrever sobre Weightless, realizei uma pequena pesquisa: banda com 3 membros, sem baixo, totalmente instrumental e dois guitarristas com guitarras de... 8 cordas!? Pois, eu volto a escrever: Ambos os guitarristas tocam com guitarras de 8 cordas! Tosin Abasi o principal guitarrista solo e Javier Reyes tambm principal mas no que diz respeito guitarra rt-

    mica. Mas que tipo de msica pode sair deste trio, no mnimo sui generis? partida poderemos pen-sar: Como vamos aguentar ouvir 12 temas s com 2 guitarras? Ou isto muito bem feito ou o lbum vai redundar em tragdia, pura e simples! A minha resposta: Weightless no bem feito... uma ode ao virtuosismo! Os Animal As Leaders tocam uma espcie de rock/metal progressivo instrumental misturado com jazz de fuso e djent (Meshuggah, Periphery, TesseracT ou Textures). Com esta con-figurao, entenda-se, 2x oito cordas, o som no s sai muitssimo potente, grave e distorcido como limpo e agudo. A tcnica utilizada soberba; arpejos, tapping, solos fantsticos, riffs e composies complexas. Tosin Abasi simplesmente virtuoso e muito bem apoiado por J. Reyes. Para acompanhar msicos deste calibre e interpretar os complexos temas, o baterista (Navene Koperweis) tem que ser, igualmente, muito evoludo tecnicamente. E o que de facto acontece. Os temas so diversificados e ao contrrio do que se possa pensar, no se vo cansar de ouvir Weightless.[9.5/10] Eduardo Ramalhadeiro

    nen. Balanceando entre os riffs mais pesados mas pouco doom, e ritmos mais avassaladores a roar o Death com partes mais limpas onde os teclados mandam, os BSA conseguem de facto acrescentar aquela dinmica que caracteriza o Dark Doom Metal, mas sem qualquer melancolia associada, nem mesmo quando a voz feminina vem ao de cima. Blacklight Deliverance um lbum mais Dark do que Doom, onde cada faixa tem a sua textura musical prpria e pontos de interesse, mas no global apresenta-se com pouca melancolia associada, num conjunto de sete temas bem conseguidos e pro-duzidos, onde todos eles contribuem ao mesmo nvel, fazendo deste um lbum bastante homogneo, que vale pelo seu todo. Este lbum -nos mostrado como o mais pessoal a todos os nveis do seu mentor, Tuomas Saukkonen. Para admiradores e fs deste gnero Dark-Doom/Death Metal.[8.5/10] Carlos Filipe

    de esperar. Em suma, sem dvida um lbum altura do estatuto dos Absu, conquanto no esteja ao nvel dos dois ltimos discos. A insistncia em ritmos sempre muito rpidos, sem alguns andamentos mais refreados a criar algum contraste, no ajuda a agarrar a ateno, e o resultado um disco j de si curto para os padres da banda que termina quase sem nos apercebermos. Claramente, fal-tou o engenho e a inspirao patentes em Absu e Tara, havendo vrias alturas em que o disco perde parte do interesse, como o caso da segunda metade da citada A song for Ea. Quem conhece a banda norte-americana sabe bem que so capazes de melhor. E se o prximo registo for deveras o lbum derradeiro da carreira dos Absu como o prprio McGovern sugeriu recentemente , ento no se exige nada menos do que uma despedida em grande.[7.5/10] Ernesto Martins

  • BLUT AUS NORD777 The Desanctification(Debemur Morti)Se no primeiro captulo da trilogia 777 os Blut Aus Nord devanearam pelo existencialismo, destacando o niilismo e a iluso lgico-racional, neste segundo captulo ilustrado o pnico logo aps a tomada de cons-cincia do Nada. Deus est morto, no h qualquer suporte existencial que justifique a existncia e o Homem encontra-se sozinho embrenha-do no medo e na solido, livre dos dolos de outrora e da cultura, sem qualquer propsito para viver. O Mundo um vazio de sentido, sem poltica, sem religio e sem filosofia. O que poder ser o Homem nesse vazio? Assim se podem preparar para esta segunda parte recheada de

    texturas ambientais que ilustra, claro est, a temtica dessantificada pelos Blut Aus Nord. Epitome VII mostra uma sonoridade caracterizada pelos ambientes industriais, uma pitada de electro, mas com as tais dissonncias que estes franceses j nos habituaram. Em Epitome VIII vem ao de cima a excelncia desta banda: o Black Metal toma lugar, a complexidade sobressai-se ora dando lugar a uma aura negra e sufocante, ora dando lugar a uma certa textura meldica e, qui, clarividente. neste registo que se movem os Blut Aus Nord na sua nova proposta, numa mistura de industrial com Black Metal que por vezes compassado por um certo Doom, e pitadas de harmonias e desarmonias. Pode parecer uma salada, mas estes tipos sabem faze-lo de um modo brilhante e refrescante. Alm do mais, todas estas comunhes so uma ilustrao genial da temtica a que se propem, como se estivssemos perante uma obra de arte tal como a primeira parte da trilogia 777 sugeriu uma obra para meditar e sentir.[9.5/10] Victor Hugo

    ECHIDNADawn of the Sociopath(Rastilho Metal Records)Depois do trabalho de estreia intitulado Insidious Awakening, os gaienses Echidna (no confundir com a banda grega nem com a banda brasileira) surgem com o novo lbum chamado Dawn of the sociopath onde retratam, com recurso aos vrios instrumentos, a mente de um sociopata. O lbum vem de encontro minha opinio de que em Portu-gal faz-se de facto muito boa msica basta tentar encontr-la. O quinte-to apresenta onze faixas cheias do poder caracterstico do death metal, muito bem acompanhado por um som progressivo com poli-ritmos que d um toque de requinte ao lbum. A msica Synaptic entropy oferece

    um pr-aviso sobre o que a vem porque de facto o lbum s comea com a The antagonist, que mostra que h uma evoluo enorme do primeiro para o segundo trabalho, sucedida de um chorri-lho de msicas de altssima qualidade que confirmam a ideia inicial. Torna-se injusto destacar algum elemento em especial visto que as guitarras esto muito bem conseguidas com riffs pesados e solos tecnicamente evoludos, sempre bem suportadas por uma bateria e um baixo de alta rotao. A voz rasgada do Bruno Capela fura a nossa cabea, passando de forma perfeita a mensagem pretendida. Em suma a banda funciona (e bem) como um todo. Quero realar a msica Obscuring my reason que demonstra todos os predicados que referi ao longo desta anlise. O meu desejo que esta banda continue a mostrar-nos coisas boas e c estarei para as ouvir. [9/10] Srgio Pires

    ESOTERICParagon of Dissonance(Season of Mist)Estes mestres do Doom mais extremo parecem s lanar um lbum quando ele j tiver as caractersticas de uma obra-prima. Se fizermos uma retrospetiva e ouvirmos novamente os lbuns, daremos conta com outros ouvidos que a banda vai-se aperfeioando e otimizando a qua-lidade lbum aps lbum. Paragon of Dissonance no exceo e demonstra um trabalho notvel destes ingleses. sabido que para se ouvir uma obra dos Esoteric necessrio uma certa disposio para tal, vontade e estmago para carregar com Doom fnebre, lento, psicadli-co e longo. J nesta nova proposta esses requisitos podero estar mais

    acessveis aos ouvintes. Isto porque os temas deste lbum so menos densos e no to longos. Para tal os Esoteric apresentam-nos msicas com uma carga meldica do melhor que j fizeram. Logo a abrir, Abandonment poder agarrar o mais distrado dos ouvintes com a sua estrutura simples, a voz profunda e negra do Greg, e uma guitarra em constante harmonizao que acaba por se lanar num

  • FARSOTInsects(Lupus Lounge / Prophecy Productions)Os Farsot, aps a edio de duas demos, lanaram o seu lbum de es-treia em 2007 com o qual obtiveram uma considervel notoriedade nos meios musicais mais ligados ao Black-Metal. Normalmente quando as estreias so de grande nvel, a expectativa grande quanto sequela e no caso dos Farsot, esta surge precisamente este ano. Insects o ttulo deste segundo disco que para quem conhecia o primeiro trabalho no estranhar o que ouve. Este material portanto com grande quali-dade e com reforo da componente intimista e meldica ao longo dos 55 minutos de durao deste disco. Como ponto mais relevante temos uma

    FALLOCHWhere Distant Spirits Remain(Candlelight)Os Falloch so uma banda escocesa criada em 2010 e constituda ape-nas por dois membros, Andy Marshall (baixo, guitarra e voz) e Scott McLean (bateria e teclados). Este Where Distant Spirits Remain o seu lbum de estreia que anda em torno de registos entre o metal, folk e post-rock sendo impressionante a qualidade j demonstrada. Ao longo deste trabalho no se ouvem grandes distores nem vozes mui-to pesadas, antes pelo contrrio. Trata-se de um som atmosfrico e emotivo, com uma voz bastante meldica, daqueles lbuns que pode tocar perfeitamente num bar quando se vai tomar um caf sem nin-

    gum se queixar. A nvel instrumental o lbum est bem conseguido, com bons arranjos por vezes com presena de elementos como flautas e violas acsticas. A voz nasalada do Andy uma caracte-rstica das msicas e cria um ambiente sonhador em torno delas como que transportando-nos para outra realidade. Destaco a msica To walk amongst the dead, visto que demonstrativa de toda a qualidade criativa destes dois rapazes e com a presena de todos os elementos que se podem encon-trar ao longo de todo o lbum. A minha curiosidade em torno da banda prende-se com a dvida de como estes sons iro sair/aparecer ao vivo se forem apenas duas pessoas a faze-los, e qual vai ser o caminho a seguir daqui para a frente para o projecto no cair numa monotonia difcil de digerir. Para j esto de parabns.[8/10] Srgio Pires

    sonoridade bastante ntida; consegue-se perceber claramente a execuo de cada uma das guitarras e baixo, aliadas bateria e voz numa mistura em que as formas estticas dos vrios riffs so claramente vivas e definidas o que um ponto que marca esta obra. As composies transmitem ideias prprias e medida que se avana no disco temos um banquete composto de passagens pesadas adicionadas de momentos puramente meldicos e de descompresso, interligados por uma superior capacidade de homogeneizao meldica e rtmica. Isto resulta num lbum que constitui uma excelente base para performances ao vivo seguras. Julgo que o tema Perdition uma excelente porta de entrada e no qual fiquei particularmente impressionado com o modo como a introduo de simples slides podem re-novar e prolongar uma msica para mais uns soberbos momentos de Black-Metal. Mas se globalmente o lbum tivesse um pouco mais de expansividade seria ouro sobre azul.[9/10] Srgio Teixeira

    solo totalmente ambiental. Se continuarem hipnotizados aps o primeiro disco, mudem para o segun-do e de certeza que no final sabero destacar algumas das partes que mais gostaram. Em suma, este Paragon of Dissonance apresenta argumentos muito bons. A sua acessibilidade um trunfo e por isso sugere uma maior abertura a mais ouvintes; e a sonoridade est simplesmente de gnio e parece ter sido evocada do que de mais negro existe, com boas combinaes de ambientes das guitarras e teclados com os ritmos da bateria e do baixo. Um lbum para as listas de melhor do ano.[10/10] Victor Hugo

    HACKNEYEDCarnival Cadavre(Lifeforce Records)Os Germnicos Hackneyed regressaram este ano com o seu terceiro lbum cujo ttulo Carnival Cadavre. Apesar de ter ficado um pouco esquecido no cofre-forte da Versus, no seria justo deixar de dedicar umas linhas a falar um pouco deste disco de Death-Metal. Afinal de contas quando temos um disco com boas composies aliado a uma produo de alto nvel, no se pode deixar de realar a energia devota-da pelos elementos de determinada banda a conseguir uma obra que pode ser do agrado de muitos. Julgo que os crticos tm de certo modo subestimado esta banda que apesar de no marcar radicalmente a dife-

  • HELDER OLIVEIRAFor Eternity(edio de autor)C por Portugal os guitarristas que se lanaram a solo para fazer lbuns instrumentais foram poucos. Um grande exemplo foi o Gonalo Pereira, e agora temos este jovem guitarrista, Helder Oliveira. No tradicional por c haver este tipo de registos, e por isso, um lanamento deste g-nero merece a ateno do nosso seio Metal. Totalmente produzido por ele, com a ajuda do Campino que para alm de ter co-gravado, mis-turado e masterizado o lbum no Estdio Singular, em Viseu, tambm colaborou nos arranjos da bateria e das orquestraes For Eternity apresenta-se como um trabalho interessante, realizado com dedicao

    e com qualidade. Isto porque curioso notar que apesar de ser um estilo pouco batido nas nossas terras, ele consegue agarrar o ouvinte mais curioso e, claro, este registo do Helder no exceo. Depois da intro Final hope, somos projetados com dezenas de acordes sonantes a uma velocidade jeitosa, encantados com harmonias clssicas e derrotados pela fora do Metal ora nos riffs pesados, ora nos solos deliciosos. Ningum ficar indiferente estrutura de Illusions paradise, na qual todos trautearo a malha neo-clssica l pelo meio por ser to bvia e to bem colocada. E mesmo a Tears of my soul que soa a balada, tem um final pesado quanto baste, suficiente para agitar o corpo. Na sua totalidade For Eternity um trabalho coeso, e apesar dos seus clichs soa maravilhosamente bem e no se esgota facilmente. A combinao das estruturas clssicas com o toque Metal so muito boas, e as harmonias criadas so viciantes. Esperamos que uma editora o agarre para termos um sucessor.[7.5/10] Victor Hugo

    ILLOGICISTThe Unconsciousness of Living(Hammerheart Records/Willowtip)H quem crie seguindo referncias dispersas e h quem recrie usando uma norma um tanto ou quanto convencional. Formada em 1997, esta banda italiana j editou trs demos e trs lbuns. Se o seu primeiro CD, Subjected 2004, provou que era um agrupamento em ter em conta no Death-Metal tcnico, o seu segundo, The Insight Eye 2007, uma besta multi-facetada e abrasiva, cativou as massas devido a uma composio superior. Anos mais tarde, Illogicist convida-nos, com este seu terceiro lbum, a entrar num recinto onde as notas musicais so arremessadas de forma ainda mais enlouquecida. Estas, embrulhadas

    por uma certa apoteose composicional, trituradas por turbilhes de mestria musical e envoltas em ca-madas de inconstantes melodias, mostram uma direco artstica que recolhe elementos do passado (Chuck Schuldiner e os seus Death; uma referncia omnipresente em Illogicist). Ouvindo vrias vezes este lbum, fiquei com a ideia de que a elevada homenagem sua influncia principal no foi to feliz assim pois podiam ao menos ter tentado esquivar-se da pouca originalidade de The unconsciouness of living com alguns outros elementos (por exemplo, tendo em conta os vocais mais thrashy, somos logo remetidos para The Sound of Perseverance). Apesar disso, este um lbum com uma prepon-derante composio que de certeza ir agradar a quem gosta de velocidade e virtuosismo.[8/10] Jorge Ribeiro de Castro

    rena no cenrio do Death da actualidade demonstra que esto cada vez mais maduros. E o porqu tem precisamente a ver com a consistncia das composies que fazem um somatrio de elementos claramente Death, com originalidade q.b. de um modo em que se pode ouvir o lbum sem termos a sensao de estar-se a misturar alhos com bugalhos. Death-Metal e ponto final. A produo rigorosa faz o resto do trabalho, finalizando a misso de colocar o lbum no limiar de peso e agressividade que as composies pediam. Tanto nas guitarras mega-pesadas como na voz que certamente teve um tratamento especial com umas pitadas de efeitos pelo meio a dotar as linhas vocais de poder suficiente para disparar uns aterradores decibis de plvora snica. O resultado um lbum em que se ouve a primeira msica e simplesmente pra-se na ltima. Concluindo, enquanto houver bandas como os Hackneyed, pode-se considerar que o Death-Metal est de boa sade e recomenda-se.[9/10] Srgio Teixeira

  • KVELERTAKKvelertak (special_edition)(Indie Recordings)Para quem no conhece, os Kvelertak so uma banda Norueguesa que editou o lbum de estreia homnimo em 2010 e que surge em 2011 com uma edio especial com um punhado de extras (temas ao vivo no CD, um DVD de vdeos, duas demos, um poster, etc.). Ao ouvir esta banda fiquei a perceber o porqu de to fulminante reedio deste ex-celente lbum de heavy-metal. Porm dizer apenas heavy-metal no de facto o suficiente para adjectivar este conjunto de msicas que ultra-passam a barreira do facilmente catalogvel; temos Rock, Hard-Rock, Heavy-Metal, Punk e umas pitadas de Black-Metal tudo misturado numa

    KRISIUNThe Great Execution(Century Media Records)Ao fazer a review deste lbum dos Krisiun, fui anotando parte alguns dos adjectivos que me vinham mente para classificar a sonoridade, composio e demais atributos que se podem encontrar neste excelente lbum de Death-Metal Brutal: mestria, densidade, acidez, brutalidade. Os Krisiun do assim o salto para a excelncia de composio que as grandes bandas nos conseguem proporcionar. Desde o artwork at s letras e sonoridade, parece que este lbum foi cozinhado num cenrio infernal de altas temperaturas necessrias para a produo do melhor metal. Indo mais concretamente ao contedo deste disco, temos os

    primeiros quatro temas a transportar a sonoridade para cenrios apocalpticos, seguindo-se as res-tantes faixas a manter a elevao das composies bem encaixadas no Death Brutal, concluindo o lbum com o excelente tema Shadows of betrayal. De referir apenas que temos a faixa Extino em massa com a colaborao de Joo Gordo (Ratos do Poro) a dar uma forte componente Thrash e quebrando um pouco por a a homogeneidade de estilo do disco. Quanto sonoridade, a utilizao quase integral de equipamentos de gravao analgicos d tambm uma textura prpria ao lbum como um todo. Isto reflecte-se no som cru mas muito bem produzido das guitarras e bateria. Os riffs so suficientemente distintos e diversificados para, mesmo indo beber elementos do Death clssico, conferir ao lbum a originalidade necessria. As variaes nos ritmos e compassos complementam este lbum que no posso de deixar de recomendar a quem aprecia Death Metal.[9.5/10] Srgio Teixeira

    combinao que no deixam esta obra no patamar da indiferena. de facto quase uma obrigao civilizacional saber que existe na Noruega um conjunto de seis senhores que fazem da criao musical um verdadeiro exerccio de criatividade. Quanto ao essencial, neste disco temos uma excelente pro-duo, 3 guitarras a preencher todo o espao sonoro e o baixo a no ficar minimamente para trs. As linhas de bateria cumprem o exigido, o que no pouco, pois tocar bateria sendo capaz de dar conta do recado com a versatilidade que a mistura de todos os estilos exigem de facto algo de realar. A voz rouca e estridente est l a marcar posio e mais um ponto a somar. Para quem quer ouvir algo mais hard-rock com as guitarras a abrir, com adrenalina q.b. e uma mistura que parece que temos um msico de cada canto do planeta mas que juntos percebem da poda como ningum, ento tenho de fazer jus aos prmios que estes noruegueses j receberam e destacar aqui a reedio deste lbum.[9/10] Srgio Teixeira

    LANDMINE MARATHONGallows(Prosthetic Records)O elemento que mais se destaca nesta banda sem dvida a vocalista Grace Perry, uma das melhores intrpretes do Death Metal da atualida-de. Neste disco temos ainda a particularidade de os Landmine contarem com um novo baterista, Andy York, que no deixa os seus crditos por mos alheias. Mas ser que esta banda Norte-Americana sobressai de alguma maneira do standard? Tendo em conta este lbum, podemos dizer que est muito perto de ser apenas mais um lbum de Death--Metal. Para alm das excelentes vocalizaes guturais h ainda um ou outro detalhe que de realar. O primeiro a sonoridade das guitarras

  • MYTHOLOGICAL COLD TOWERSImmemorial(Cyclone Empire)Apesar de desconhecidos por estas paragens, os brasileiros Mythological Cold Towers contam j com dezassete anos de actividade, tendo assina-do em 1996 um lbum Sphere of Nebaddon que marcou a vaga doom/death da poca e que adquiriu, com o tempo, um certo estatuto de culto. Chegados agora ao quarto registo de originais, a formao de So Paulo continua to interessante como outrora, mostrando que con-tinua a dominar como poucos os recantos snicos mais sombrios e mais belos do som eterno. Lost path to Ma-Noa e Akakor, os magnficos dois primeiros temas deste Immemorial, reflectem da melhor manei-ra essa capacidade artstica da banda, sendo faixas que ficam gravadas

    na mente logo primeira audio tal o dramatismo quase Pink Floydiano das suas passagens. J a seguinte, Enter the halls of petrous power, surge com uma queda acentuada nas melodias pegajosas estilisticamente mais death e menos gtica, mudana que enriquece o lbum na sua variedade , exigindo, por conseguinte, mais algum tempo para soar confortvel ao ouvido. The shrines of Ibez regressa ao apelo e qualidade do incio com uma linha central de guitarra muito l My Dying Bride, e Like an ode forged in immemorial eras segue atroadora e brilhantemente pesarosa, num esprito que faz lembrar os Theatre of Tragedy da na fase Velvet Darkness They Fear. Avassalador nos seus riffs e trgico nas suas belas melodias, este um disco com o dom de nos transportar, como que por magia, numa viagem de sonho atravs das runas de antigas civilizaes pr-colombianas h muito desaparecidas. Obrigatrio para fs de doom.[8.5/10] Ernesto Martins

    NIGHT IN GALESFive Scars(Lifeforce Records)Conhecendo este agrupamento alemo desde 1997 com o seu primeiro lbum, Towards the Twilight, um excelente debut que vomita uns dos melhores riffs que j ouvi no Death-Metal meldico, tive o custi-co prazer de ouvi-los em Thunderbeast, o seu segundo lbum, este apresentando uma boa dose de razes para quase partir o pescoo. Se aos dois lbuns seguintes no prestei muita ateno, tal no foi por desconhecimento de causa, mas porque h muito que se pode ou no fazer nesta vida de altos e baixos. No entanto, descobrindo que tinham editado recentemente um novo lbum, apressei-me a ouvi-lo e claro que sorri ao descobrir que a banda ainda possui aquela vontade de cor-

    tar qualquer obstculo com instrumentos afiados pela perseverana e uma qualidade muito superior a certos agrupamentos menos iluminados pela inspirao. Embora os membros tenham participado em outros projectos (Deadsoil, The Very End, Grind Inc, In Blackest Velvet), os Night in Gales estiveram afastados da edio de lbuns desde 2001, tendo editado em 2005 um Ep Ten Years of Tragedy (do-wnload gratuito) celebrando os 10 anos de existncia. Com este novo lbum, surge outra vez aquela libertinagem enraivecida que nos arrepia como a neve e as letras to surreais quanto Dali embriagado. As msicas so habilmente contempladas com diversos apontamentos melanclicos que seduziriam qualquer alma penada a assombrar com maior eloquncia mas, o que mais inspira a rasgar a cara com sorrisos, saber que a banda est de volta. E, claro, a comunidade Metal agradece!!![9/10] Jorge Ribeiro de Castro

    sidade e peso. Apesar de as composies no transbordarem originalidade, tm algumas sequncias e riffs que podem ficar na memria auditiva. A produo nada fica a dever qualidade como seria de esperar numa banda que j comea a ser conceituada no meio. Porm gostaria que o som da tarola estivesse um pouco menos oco e que no geral tivessem feito algo que amarrasse mais quem escuta ao lbum uma ou duas vezes. No entanto fica aqui a nota de que escutar este Gallows poder ser algo a considerar.[7.5/10] Srgio Teixeira

  • SKYPHOSame Old Sin(Edio de autor)Com 10 anos de existncia, o ano de 2011 o ano escolhido pelos Sky-pho para darem o salto para aventuras maiores com o lbum Same old sin (SOS). Trata-se de um trabalho difcil de caracterizar, j que esta banda oriunda de Albergaria-a-Velha, no est quieta num estilo mu-sical. Passeiam por uma onda grunge fazendo lembrar os Blind Zero h 15 anos atrs, entram pela fuso entre metal/hip-hop caracterstico dos Rage Against the Machine, de repente colocam mais peso nas guitarras e na voz entrando num thrash metal, com passagem pelo didgeridoo dando um aspecto mais tribal. Este lbum est bem conseguido, apesar

    de no ser muito consistente devido s alternncias de entre os vrios gneros musicais, com letras em ingls e em portugus por vezes nas mesmas msicas, surpreendendo pela qualidade em fundir os vrios estilos de forma harmnica. A percurso do Hugo Oliveira merece uma palavra de destaque j que d um toque diferenciador a esta banda. Este SOS o ponto de partida para outro tipo de exign-cia que tero no futuro, tanto a nvel musical como da prpria critica. Queria dar os meus parabns pela masterizao feita, j que, sendo um lbum com edio de autor, nem sempre fcil gravar de forma decente os vrios instrumentos e depois mistur-los de maneira a suarem todos bem e de forma equilibrada. O artwork do CD tambm est muito bom e para quem diz que a msica portu-guesa no tem qualidade tem aqui um bom exemplo que refuta essa afirmao. [7.5/10] Srgio Pires

    STEPHAN FORTThe Shadows Compendium(Listenable Records)The Shadows Compendium o projecto de estreia a solo do virtuoso guitarrista da banda francesa de metal progressivo neo-clssico Ada-gio. Talhado numa vertente guitar hero, ao bom estilo de Jeff Loomis, Eddie Ojeda, Patrick Rondat ou mesmo James Murphy, afastando-se claramente do estilo de um Yngwie Malmsteen, Joe Satriani ou Steve Vai. The Shadows Compendium um slido lbum de metal pro-gressivo na vertente Guitar Hero, onde em cada msica o solo rei e senhor como seria de esperar, deixando-nos apenas um curto espao para respirar entre eles, ou seja, quando o riff sobressai e agrega tudo.

    Muito pouco de neo-clssico uma deciso acertada para assim se demarcar de Adgio; nada de letras e cantores, somente puro instrumental, e que instrumental! The Shadows Compendium vale pelo seu todo e o virtuosismo demonstrado em cada msica por Stephan Fort vejam a Stephan Fort Leon no youtube a par da slida composio demonstrada em cada msica: Tudo parece ter sido talhado com um rigor tal, que se encaixa na perfeio. No h momentos calmos, nem banais, e uma vez soltado a palheta, o ritmo sempre forte, agressivo e pesado bateria includa! A lista de convi-dados enriquece ainda mais o lbum: Jeff Loomis (Nevermore), Derek Taylor, Rusty Cooley (Shrapnel) e Phil Campbell (Motorhead). The Shadows Compendium um daqueles lbuns e Stephan Fort um guitarrista que qualquer apaixonado da guitarra deve ter em considerao na sua discografia. Quem no conhece Stephan Fort, tem aqui neste trabalho, uma boa e excelente oportunidade.[9/10] Carlos Filipe

    THE MAN-EATING TREEHarvest(Century Media Records)Melancolia em doses reforadas, numa certa atmosfera intimista, esta banda Finlandesa de Atmospheric Gothic Metal consegue neste trab-alho, lanado em 28 de Novembro, um registo bem em sintonia com o Inverno que no s na Finlndia que se comea a faz sentir. Julgo que estes The Man-Eating Tree so de facto uma banda a ouvir e a conhecer. Alis no por acaso que vo para a estrada com os Amorphis e Lep-rous fazer 18 concertos at meados de Janeiro de 2012. Tambm no ser por acaso que esto neste momento a fazer discos sob a chancela da Century Media. Muitas vezes os bons lbuns e as bandas no se de-

    stacam devido extrema originalidade ou unicamente por causa de produo ou porque os solos de guitarra so de uma execuo tcnica divinal. Muitas vezes os lbuns so bons porque o todo maior do que a soma das partes. E assim este Harvest enquadra-se nessa anlise; tem boas composies, uma boa produo, bons solos de guitarra, teclados discretos mas essenciais para criar o ambiente de-

  • THY CATAFALQUERengeteg(Season of Mist)Para fazer a devida justia a este lbum de estreia do projecto a solo de impressionante sentir o resultado final deste trabalho, por ser to disperso na sua sonoridade e por ser ao mesmo tempo to coeso. Tams Ktai j nos foi habituando com o seu Metal Avantgarde dos lbuns an-teriores, e este Rengeteg consegue agarrar o ouvinte e superar todas as expetativas. Podemos esperar muito groove logo a abrir com Fekete mezk, um tema longo para logo de seguida sermos surpreendidos pela aura rock da msica Kel keleti szl, que tem como base um riff de gui-tarra que vai sendo acompanhado por teclados simples mas brilhantes. O ambiente e melodia so uma constante, como poderemos comprovar

    nos temas K koppan, que simplesmente brilhante, e tambm no Vashegyek onde participa a vocalista gnes Tth, dos The Moon And The Nightspirit, e no qual h uma variedade simplesmente incrvel do inicio bastante meldico e ambiental somos levados at ao final por um trilho brutal e pesado mesclado com melodias tangveis, no s proporcionadas pelos instrumentos como tambm pelo trabalho das vozes. J no tema Holdkomp o industrial presena ritmado por uma batida a roar o Pop. No fecho ficou reservado o tema mais pesado que vai recuperar a sonoridade primordial dos Thy Catafalque: o Black Metal misturado, claro est, com as diversas sonoridades que fomos ouvindo. Depois de escutar isto tudo ficamos com a certeza que Rengeteg um trabalho muito bom. As misturas so boas; as vozes tambm, ora limpas, ora embebidas em folk, ora agressivas; e a estrutura dos temas demonstra um trabalho impressionante. Pena a bateria ser programada, que retira aquela caracterstica orgnica do ritmo.[9/10] Victor Hugo

    sta obra. Vocalizaes limpas e meldicas e bateria a cumprir os requisitos mnimos. As composies foram desenhadas a rgua e esquadro mas preenchidas com o mnimo de originalidade. Dentro do g-nero Atmospheric Gothic temos assim um excelente lbum ainda que em alguns temas falte uma certa dose de sal e pimenta. Resumindo, os fs deste gnero de metal vo de certeza apreciar e mesmo os menos dados a sonoridades gticas podero escutar este lbum sem se arrependerem.[8.5/10] Srgio Teixeira

    TRANSATLANTICMore Never Is Enough(InsideOut Music)Fazer reviews a este tipo de projectos/lbuns deve ser das coisas mais fceis de avaliar e opinar. O que dizer de um projecto cujos elementos so os seguintes: Roine Stolt (The Flower Kings) guitarra/voz; Pete Trewavas (Marillion) Baixo/voz, Neal Morse (Ex-Spocks Beard) Teclas/guitarra acstica/voz; Mike Portnoy (Ex-Dream Theater) Bateria/Voz e Daniel Gildenlw (Pain of Salvation) Guitarra/Teclas/percurso/voz? O ttulo deste lanamento diz tudo: Muito nunca demais! De facto, tudo o que est envolvido neste lanamento soberbo. Desde ao artwork at ao concerto em si. Seno vejamos: More Never Is Enough consti-tudo por 3 CDs e 2 DVDs. Nos CDs est todo o concerto gravado em

    Manchester (2010): O primeiro CD com um s tema de 1h20m, Whirlwind, pertencente ao lbum com o mesmo nome de 2009; o segundo CD com 3 temas perfazendo aproximadamente, 73 minutos e o terceiro CD com 40 minutos. Num total temos cerca de 3h30m do mais puro rock progressivo. Os dois DVDs trazem-nos o concerto na cidade de Tilburg Holanda. O setlist composto por todos os temas que esto nos trs CDs e ainda, uma verso dos Genesis do tempo do Peter Gabriel, The Return Of The Giant Hogweed. De referir que este tema conta com o prprio Steve Hackett na guitarra. Face a msicos deste calibre acho que no vale a pena comentar a parte tcnica, composio ou virtuosismo. Que me lembre, de todos os supergrupos quem tenho ouvido, ser este o melhor Bem... se que neste nvel poderemos falar de melhores. Mas penso ter passado a ideia... Para os fs do rock pro-gressivo, no obrigratrio, imperial e uma heresia no contar com esta edio na discografia. Entre udio e vdeo, so aproximadamente, 7h de arte musical. Por tudo isto... nota mxima![10/10] Eduardo Ramalhadeiro

  • VALE OF PNATHThe Prodigal Empire(Hammerheart Records/Willowtip)Quem conhece a majestosa obra de H. P Lovecraft de certeza que se lembra de uma novela ( procura de Kadath) onde aparece uma refer-ncia ao Vale de Pnath, um lugar preenchido com uma grandiosa pilha de ossos e para onde seres repugnantes levam as suas vtimas de modo a que morram. Bem, dada montanha de influncias e de qualidade que esta banda possui, podemos no deixar esta realidade mas de certeza que, aps a audio deste seu primeiro lbum, ficaremos extremamente contentes. Afinal, quando se l que recomendada a amantes de Death, Dark Tranquility, Arsis, Necrophagist e Meshuggah, algo maquiavlico

    desperta. Aps a edio, em 2009, do EP Vale of Pnath atravs da Tribunal Records, a fama desta banda de Denver, Colorado, aumentou dada boa recepo por parte dos meios de comunicao e dos fs. Com The Prodigal Empire (editado em Agosto de 2011 pela Willowtip e prestes a ser editado em Janeiro de 2012 pela Hammerheart Records), as expectativas no foram goradas pois a ambincia que faz jus ao nome da banda concebida por diversos elementos, estes to tcnicos quanto soturnos, que lembram a maravilhosa escrita de Lovecraft, a sua arrepiante jornada pela descoberta dos feitos de deuses to antigos quanto o tempo e de seres humanos enlouquecidamente curiosos. A ampla sinfonia de perdio que ouvimos prdiga em sinuosidades melanclicas, rudes e tecnicistas quanto basta, sendo, sem sombra de dvida, um excelente agrupamento a ter em conta. [9/10] Jorge Ribeiro de Castro

    VALLENFYREA Fragile King(Century Media)J no dever surpreender a ningum aquelas reunies de msicos com crditos firmados. Ocorrem com alguma frequncia, no s para eles se divertirem e fazerem o que gostam, mas tambm para agarrar a aten-o dos ouvintes. Alm do mais esse fenmeno no tem gerado grandes espectativas e por vezes, nalguns casos, a desiluso acaba por preval-ecer. Mas no , de todo, o caso destes Vallenfyre. Foi na mente do Sr Gregor Mackintosh (Paradise Lost) que tudo volta de Vallenfyre deu origem, e at convidou alguns amigos para participar (como o Adrian Erlandsson, ex-At The Gates, e o Hamish Hamilton My Dying Bride), e

    TYRANT WRATHTorture Deathcult(Battlegod Productions)Por mais que se goste de Black Metal nem sempre somos surpreendi-dos pelos demais lanamentos do estilo que aparecem mensalmente. O caso destes suecos Tyrant Wrath um exemplo disso. No significa que o trio seja composto por maus msicos decerto que todos tero ap-tido para fazerem melhor do que nos apresentam em Torture Death-cult (pelo menos quero acreditar que sim) mas o resultado no brilhante. Msicas como Deaths Lair no deveriam ver a luz do dia. Existem blastbeats, sim, mas aborrecido, e ao longo de 5 minutos no se ouve nada que nos faa mexer a nica coisa que nos mexe so os nervos. This dark past e The ravens are rising parecem que-

    rer mostrar um pouco mais, mas mesmo assim o resultado no suscita otimismo embora o tema The ravens are rising apresente um ritmo melhorado. Mas eis que a esperana compensada com a msica Hellfuck, que apesar de no ser uma bomba de Black Metal, consegue ser um tema mini-mamente aceitvel. Surpreendentemente a segunda metade do disco bastante melhor, com ritmos mais cativantes e at com alguns solos de guitarra at a msica I, above, com 10 minutos, con-segue ser positiva. Os Tyrant Wrath que dem graas a satans por terem composto 4 ou 5 msicas com jeito, porque seno o resultado final seria desastroso. Esperemos que o sucessor seja otimizado com ritmos mais cativantes, com mais solos e mais maturidade. Pois se tornarem a fazer mais um Torture Deathcult mais vale estarem quietinhos.[5/10] Victor Hugo

  • XERATHII(Candlelight)2011 traz-nos o segundo e mais recente trabalho dos Xerath intitulado de II (dois). Tendo como carto-de-visita a qualidade do lbum de estreia, havia curiosidade sobre o que estes ingleses poderiam fazer no futuro e eis que aparecem com este excelente trabalho que os coloca num patamar de elevada qualidade. Mostram uma enorme evoluo a nvel musical, com um metal progressivo impregnado de poliritmos bem ao estilo de Meshuggah, mas no se ficam por aqui, j que ao longo do lbum podem ouvir-se vrios arranjos sinfnicos e orquestrais sempre bem centrados nas msicas. A passagem definitiva do Owain Williams

    para a guitarra incrementou a qualidade e originalidade dos riffs e dos solos, apesar de ter deixado de existir uma guitarra de acompanhamento. A alternncia de ritmos da bateria um ponto a destacar deste trabalho. A nvel vocal existe tambm uma notria evoluo fazendo incurses no black metal, mas conjugando muito bem com partes vocais limpas. Ao ouvirmos as msicas deste lbum, estas no soam individualmente mas sim como uma pea do puzzle que se vai completando e termina com a The glorious death que alm de dizer um adeus d ideia de nos dizer tambm um at j. Estamos perante uma banda em clara evoluo mas que j uma certeza de bons momentos musicais para os nossos ouvidos e este II , na minha opinio, um dos grandes trabalhos deste ano.[10/10] Srgio Pires

    para se defenderem da brutalidade de algum Death Metal (como o tema A divine have fled) e mesmo de algum Grind/Crust acutilante (como os fabulosos temas Ravenous whore e Humanity wept. Para harmonizar as estruturas musicais est presente uma clarividente melodia ora nos riffs sonantes das guitarras, ora nos solos simples mas sempre bem-vindos. J a voz, ela est responsabilidade do mentor da banda que nos apresenta um gutural bem marcante e bem aplicado no ritmo das msicas. Gregor no se limitou a transcrever os Paradise Lost, e surpreendeu-nos com temas muito inspirados nas suas bandas preferidas dos anos 80 e 90. Ainda por cima, apesar de no ser nada de original, tem o selo estilstico do toque de guitarra que to bem soou nos Paradise Lost.[8.5/10] Victor Hugo

    VANDERBUYSTIn Dutch(Van Records)Em dois anos os Vanderbuyst lanaram dois lbuns e este In Dutch o segundo de originais. Este trio Holands formado em 2008 com-posto pelo guitarrista fundador Willem Verbuyst (ex-Powervice), Barry Van Esbroek na bateria e Jochem Jonkman no baixo e voz. In Dutch foi gravado entre os muitos concertos e toda a sonoridade faz lembrar algumas bandas dos anos 70/80, tais como: UFO, Rainbow, Thin Lizzy, Deep Purple, Van Halen ou ZZ Top. No entanto, falta algo neste lbum, aquele pormenor que faz a diferena. Os temas so todos eles crus, isto , quase sem produo. Talvez seja isto que falta a este grupo, no

    ao nvel da sonoridade, porque gosto deste ambiente que recria a sonoridade dos anos 70/80 mas com uma produo mais refinada, por exemplo, ao nvel da bateria, estes temas podiam ter outro aspecto. J. Jonkman tem um timbre de voz muito parecido ao malogrado Phil Lynott, W. Verbuyst , sem dvida, um excelente guitarrista e o melhor elemento da banda. A seco rtmica cumpre bem a interpretao dos temas. No futuro, com outra disponibilidade na gravao e um produtor que saiba extrair o mximo destes msicos este trio pode dar muito que falar porque talento no falta. Black and Blue, String of Beads e KGB so os temas mais interessantes do lbum.[7/10] Eduardo Ramalhadeiro

  • com todos os efeitos celestiais que a banda j nos habituou nos lbuns. As energias foram bastante positivas, no s proporcionadas pelos instru-mentos mas pelo simptico e enr-gico vocalista Nils K. Rue. De certeza que o pblico no ficou indiferente perante momentos como Back in time, Gods equation, Through Osiris eyes ou mesmo o fantstico Medley instrumental pelo qual a ban-da explorou alguns momentos da sua msica durante uns bons 6 minutos, e onde o baixista Steinar Krokmo bril-hou com o seu poderoso baixo de 6 cordas. E o momento to esperado chegou com a subida dos Symphony X ao palco do Hard Club para um concerto memorvel de Metal Pro-gressivo. Mas, comeou mal. Isto porque o som no estava nada bom; bastante alto e dissonante, confuso e por vezes doloroso at. No d para perceber como que foi possvel uma falha deste gnero. Mas o concerto l decorreu com momentos bons e maus; o vocalista Russell Allen tam-bm no estava no seu melhor, mas conseguiu incendiar os fs; j o maes-

    tro Michael Romeo brilhou em todos os seus momentos e nesses momen-tos em que a sua guitarra era rainha e senhora, as notas dos solos ecoavam pela sala toda. J os teclados pouco se ouviam. Uma pena. Mesmo assim o pblico ficou rendido a estes Srs. do Progressivo que apresentaram um set dedicado ao ltimo trabalho: Icono-clast. Foi com o tema ttulo que o concerto iniciou, para logo de seguida seguir o track list do prprio lbum at Bastards of the machine, saltando depois para a Electric messiah. J no encore, o destaque foi para o l-bum Paradise lost, do qual tocaram a Eve of seduction, The serpents kiss e a Set the world on fire, que mostrou ser, talvez, o melhor mo-mento da banda. No foi o melhor concerto dos Symphony X, pois de certeza que conseguiriam fazer mel-hor (para bem deles assim se espera).

    Reportagem: Victor HugoFotografia: Eduardo Ramalhadeiro

    SYMPHONY X + PAGANS MIND + DGMHard Club Porto15.10.2011

    Sinfonias alta

    Pelas 20:30 os DGM j tocavam com uma sala quase vazia; isto porque, para grande surpresa de muitos, o concer-to deveria ter iniciado s 21:00. Mas, estes italianos j com uma discogra-fia respeitvel, encheram as medidas e apresentaram um Metal Progressivo com laivos de Power Metal bastante modesto e atrativo. Os presentes que foram preenchendo a sala no ficaram desagradados, e o som no estava mau embora um pouco descontrolado e por vezes ruidoso. J os noruegueses Pagans Mind prometiam apresentar um bom espetculo. E sem dvida que foi muito bom. Mais uma vez o som no estava a 100%, mas mesmo assim o set curto deu para saborear os dotes destes msicos. O ambiente criado realmente algo de fabuloso,

    Symphony X Pagans Mind

  • suecos, cuja msica faz a apologia dos antigos deuses nrdicos e da cultura que estes representam.De um lado, temos uma banda cujo frontman (Seth/Spiros Antoniou) um reputado artista grfico e que d o seu concerto num palco decorado de modo a evocar a mensagem que pre-tende passar. Nele podamos ver sm-bolos de vrias religies, particular-mente nos dois estandartes iguais, um de cada lado, cujo elemento central era uma cruz. Do outro, temos uma banda que apenas decora o palco com uma imagem representando a capa do ltimo lbum Surtur Rising, lana-do pela Metal Blade tambm em 2011.De um lado, temos uma banda conhe-cida por um death metal negro, denso, atmosfrico, sinfnico, sofisticado (ou no fosse Christos Antoniou, um dos guitarristas da banda, um compositor clssico!). Do outro, temos uma ban-da exmia em fazer um death metal meldico, em que consegue combi-nar, de forma entusiasmante, o peso da referncia guerra com a quase alegria dos cantos guerreiros, que Jo-

    han Hegg, o carismtico frontman e vocalista dos Amon Amarth encarna, como um verdadeiro entertainer que .Mas, neste concerto, tambm houve pontos de contacto: em cima do pal-co, duas bandas que deram o seu mel-hor e que representam duas formas ambas muito interessantes de ver o metal; do lado de c, um pblico, f deste estilo de msica e bastante nu-meroso, que vibrou embora de for-mas diferentes e com intensidade var-ivel com a exibio dos msicos.Foi, sem dvida, mais um bom mo-mento passado no Hard Club, que j vai sendo paradeiro habitual dos reprteres desta vossa revista de msica extrema.

    Texto: CSAFotos: Eduardo Ramalhadeiro

    Septicflesh + Amon AmarthHard Club Porto2.11.2011

    Metal e contrastes

    Os concertos de Septicflesh e Amon Amarth, que tiveram lugar no Hard Club, no Porto, a 2 de Novembro de 2011, foram um bom exemplo dos contrastes por vezes, bem fortes que o metal pode acolher.Seno vejamos, tendo em conta o facto de que estvamos perante duas bandas europeias, embora de zonas e culturas completamente diferentes que, por vezes, convivem com dificul-dade.De um lado, temos os Speticflesh, uma banda grega, cujo propsito re-afirmado com o lanamento de The Great Mass, em 2011, pela Season of Mist pr em causa todos os deuses e a sua sobrevivncia no mundo mod-erno. Do outro, os Amon Amarth,

    SepticFlesh Amon Amarth

  • teve bastante bom e pesado, a banda fez uma boa prestao mostrando o seu material que caracterizado pelo Metal moderno toques meldicos/agressivos. O auditrio ainda estava pouco cheio e tmido, mas a tempera-tura atingiu nveis bem altos com a presena dos Gates of Hell, banda do Porto tambm com um EP auto-financiado. O som ficou ainda mais pesado graas ao Thrash Metal com laivos de Death, e o povo aqueceu os nimos graas ao Raa, o vocalista que tambm presta servio nos Revo-lution Within. A sala mais composta tomou forma, o mosh pit foi inaugu-rado e nem os degraus do auditrio foram obstculo para a dana. Pelo meio ainda houve tempo para um ponto alto da noite quando os Gates of Hell nos presenteiam com a cov-

    er do tema Fucking Hostile, dos Pantera. O final do concerto ficou a cargo dos Equaleft que mostraram sem reservas de que material so fei-tos. Os casacos e cachecis j estavam espalhados pelos cantos do auditrio, j que a euforia e o calor contami-naram todos os presentes. O mosh pit alargou e ningum ficou indifer-ente prestao da banda. J quase a terminar cantou-se os parabns ao Blindagem momento no qual nem o bolo faltou. No final ficou a sensao que estas pequenas bandas portugue-sas conseguem incendiar plateias pelo simples facto de existir autenticidade no que fazem. Parabns, Blindagem, pelo bom trabalho. At prxima!

    Fotos e reportagem: Victor Hugo

    BLINDAGEM XVI ANIVERSRIOEqualeft + Gates of Hell + BreedunderMercado Negro Aveiro05.11.2011

    Aniversrio Blindado

    O aniversrio do Blindagem um forte argumento para os metaleiros das redondezas de Aveiro sarem de casa, enfrentarem algum frio, e esgal-harem a gadelha durante duas horas no auditrio do Mercado Negro. Os Breedunder, banda de Vale de Cam-bra, apresentou temas do seu EP to-talmente auto-financiado. O som es-

    AMORPHIS + LEPROUS + NAHEMAHHard Club Porto20.11.2011

    Equaleft Gates Of Hell

  • facto o Sr ex-Emperor tem dedo para escolher bons msicos, porque estes Leprous so, mesmo, muito bons. A sala 1 ficou toda atenta prestao destes tipos; e mesmo aqueles que no apreciam o extremo do progressivo aplaudiram no final de cada tema. O lbum Bilateral teve destaque, mas no faltaram alguns temas dos outros trabalhos. De destacar a prestao do baterista que tocou com tanta fora, mas com uma mestria perfeita; e de-vem ser destacadas tambm as super guitarras de oito cordas que fizeram toda a diferena em alguns temas. Para repetir, sem dvida. O melhor ficou reservado para ltimo, que aps uma demorada espera, com a plateia a ficar impaciente, subiram ao palco para ini-ciar o set com a Song of the sage, tema que abre o trabalho mais re-cente dos Amorphis, The Beginning of Times. O som esteve um pouco confuso no incio, mas melhorou sig-

    nificativamente nos seguintes temas como My Enemy, The smoke e Against widows. A banda correu quase todos os lbuns, saltitando de uns para outros, falhando apenas no Tuonela, Far From The Sun e Si-lent Waters. Mesmo assim o set foi bastante bom, do qual se destacam a fabulosa Sky is mine, as obrigatri-as Into hiding e Black winter day, e mesmo a Vulgar necrolaty, cover do tema dos Abhorrence, a qual fez mexer, e muito, o Hard Club, inaugu-rando um pequeno mosh pit. J no fi-nal ficaram reservadas as msicas My kantele e House of sleep, com toda a sala a cantar e com o desejo que no terminar. Fica mais uma vez a prova que estes mestres finlandeses so muito bons ao vivo. Um concerto memorvel e o desejo do prximo.

    Reportagem: Victor HugoFotografia: Eduardo Ramalhadeiro

    Formas Meldicas

    Ainda com a sala 1 bastante vazia, os espanhis Nahemah subiram ao pal-co para tocar para algumas dezenas de pessoas. medida que a sonoridade tpica deste coletivo se espalhava pelo recinto, ora melodiosa, ora agressiva q.b. com alguns toques progressivos, a sala ia-se compondo. Apenas com trs lbuns, os Nahemah souberam muito bem tomar conta da sala durante meia hora. Quem os conhecia ficaram com a certeza que so uma grande banda; quem no os conhecia, de certeza que faro alguma coisa para os conhecer melhor porque sem dvida que de-ram um bom concerto. A segunda parte ficou assegurada pelos jovens noruegueses Leprous. Quem esteve presente no primeiro dia do Vagos Open Air 2011 deve ter reconhecido estes msicos, j que so os mesmos que acompanham Ihsahn ao vivo. E de

    Amorphis

    Leprous

  • do na actuao, a comunicao com o pblico no esmoreceu minimam-ente concluindo a sua actuao com a mesma energia e garra com que inici-aram o espectculo sendo premiados no final com aplausos genunos. Mas os cabeas de cartaz da noite eram os Turisas e a reaco do pblico du-rante o concerto esteve ao nvel da sonoridade. E melhor ainda a perfor-mance dos Finlandeses foi do melhor que se podia esperar. Ao abrirem as hostilidades com The March of the Vangarian Guard seguido de One More deu para perceber que iria ser um concerto memorvel. O pblico no baixou a guarda a partir do 3 tema The Great Escape em que os coros foram acompanhados em uns-sono e foi um no acabar de danas, headbanging, algum mosh e muitas vezes com o pblico aguerridamente a cantar as letras. Neste concerto estas foram muitas vezes fielmente canta-das pela maioria dos fs presentes, o que foi uma das notas mais positivas a marcar a noite. Os temas que mais adeso tiveram foram Stand Up and Fight e Rasputin em que foi difcil perceber se os fs despendiam

    mais energia a cantar as msicas ou a moshar e saltar para marcar a cadn-cia dos riffs picos da banda. Todos os elementos em palco estiveram no seu melhor nvel com o vocalista Mathias Nygard bastante comunica-tivo e a fazer referncia ao momento especial que o concerto representava por ser o ltimo da Tour. Dos ltimos eventos de Metal no Hard-Club este foi provavelmente o que mais puxou pela audincia e s por isso faz todo o sentido dizer que o concerto foi pico desde a performance em palco dos Finlandeses com toda a sua indumen-tria, sonoridade, energia e presena at atitude enrgica de quem estava 100% colado a assistir e, porque no, a participar do espectculo. O nico pormenor menos positivo para um concerto de fim de Tour foi o Set-list que me pareceu algo reduzido. Mais um punhado de msicas no teria sido pior. Mas quem apareceu para ver os Turisas de certeza que deu o seu tem-po por muito bem empregue e no se vai importar de repetir a dose.

    Reportagem: Srgio TeixeiraFotografia: Eduardo Ramalhadeiro

    TURISAS + GWYDIONHard Club Porto27.11.2011

    Metal Medieval

    Os Finlandeses Turisas desta vez no falharam o solo Lusitano; aps a no concretizao do concerto que estava previsto para Maio, o bem mais fresco ms de Novembro foi o eleito para so-noridades picas e cenrios medievais invadirem a, mais pequena, Sala 2 do Hard-Club. E para o aquecimento das hostes que s 21 horas j se encon-travam no local do evento, estiveram a preparar a linha sonora e cnica da noite os Lusos Gwydion. E com toda a razo de ser. Notoriamente seguros em palco os 6 Portugueses foram mui-to bem recebidos com a sua msica a entusiasmar tanto os que conheciam menos bem a banda, como os fs que j conseguiram cativar um pouco por todo o pas - e o Porto no excep-o. Os 6 msicos preencheram bem o palco e medida que iam progredin-

    SETLIST:

    1. The March of the Varangian Guard2. One More3. The Great Escape4. To Holmgard and Beyond5. Sahti-Waari6. Take the Day!7. Hunting P\irates8. 5019. Stand Up and Fight10. Rasputin11. Battle Metal

    Turisas

  • trou bastante energia e entusiasmo, mostrando o seu Metalcore pesado e tambm com alguns momentos mais meldicos; o vocalista Edu mostrou, tambm, uma grande garra e fora na colocao da voz. A banda est para lanar o EP de estreia gravado em Lisboa, do qual tocaram as With our eyes closed, Hope e Medicine, e at houve tempo para uma cover do tema HTML Rulez D00d, dos The Devil Wears Prada. A banda da casa, os Beautiful Venom, deu segui-mento segunda parte do concerto e tambm mostrou uma sonoridade moderna, mais meldica do que os First Class Tragedy, mas tambm com bastante Metal. J com alguns EPs e um lbum, os Beautiful Venom mostraramo seu material de onde no faltaram Juggernaut wings, Sights set north, Everybody is waiting e Sins that we do para finalizar o set. O pblico esteve bastante participa-tivo, ora no mosh pit, ora a apoiar a banda e mesmo a cantar juntamente com o vocalista Cludio e o guitarris-ta/vocalista Andrs Malta. Para termi-nar eis que os My Cubic Emotion se apresentam ao povo de Aveiro. Ori-

    undos de Pombal/Leiria, esta banda com algum estatuto no seio Metalcore nacional iniciam o concerto com a World receiver, msica que at tem um vdeo clip, e que apresentou de imediato a sua sonoridade pesada mis-turada com texturas meldicas apoia-das pela melodiosa voz do guitarrista/vocalista Joo Correia e pelos samples a cargo do vocalista Nuno Sardinha. O set foi basicamente uma viagem pelo lbum de estreia, Its a World Receiver, mas tambm tocaram dois temas do primeiro EP, Its Violent Julliette, Dont Look. O pblico adorou a prestao da banda, e sem dvida que levaro boas recordaes dos aveirenses. No final fica a certeza que mais eventos destes devero gan-har forma, no s para promover as bandas nacionais, mas tambm para se passar um bom bocado com muita animao e muito Metal. Parabns, Bleeding Heart.

    Reportagem e fotografia: Victor Hugo

    MY CUBIC EMOTION + BEAUTIFUL VENOM + FIRST CLASS TRAGEDYMercado Negro, Aveiro27.11.2011

    Sunday Metal!

    A Bleeding Heart dever ter pensado o seguinte: Ora, o que se poder fazer numa tarde de Domingo, fria e chata? Um concerto de Metal para aquecer os nimos, com bandas por-tuguesas! J agora promovemo-las, e vendemos algum merchandise! A Versus Magazine esteve l e pode comprovar que os concertos de Met-al ao final da tarde resultam muits-simo bem. A adeso foi significativa para uma sala como a do Mercado Negro, e mais uma vez tambm se pode comprovar que o Hardcore e o Metalcore so muito apreciados em Aveiro. A abertura do concerto esteve a cargo do First Class Trag-edy, banda de Pombal/Ansio, com o tema Tragedy. O coletivo mos-

    My Cubic Emotion First Class Tragedy

    Beautiful Venom

  • reflexes musicais

    dico

    Como destruir um pas e a sua culturaA 30 de novembro foi aprovado em votao final global o es-pecialmente penalizador Oramento do Estado (OE) para 2012 com os votos favorveis da maioria PSD / CDS, cujo documento inclui a alterao do IVA no setor dos espetculos culturais de seis para 13% em detrimento da proposta inicial do Governo, que apontava este aumento para a taxa mxima de 23%.

    Ou seja, enquanto um ingresso para um espetculo que atual-mente custe 20 euros continua a ter associado o valor de 1,20 euros em IVA, correspondente aos atuais 6% aplicados desse im-posto, em 2012 o aumento para 13% (mais do dobro!) ir corre-sponder a 2,60 euros no custo desse mesmo bilhete no mbito das medidas de austeridade. Ainda assim, esta situao ser menos m do que os 4,60 euros relativos ao aumento de cerca de 400% que o consumidor pagaria se a proposta inicial do Governo pas-sasse. Contudo, o documento aprovado no deixa de ser alta-mente penalizador para os agentes econmicos e sociais da rea. Face a esta realidade iremos assistir retrao das carreiras ao vivo de inmeros grupos e msicos, que vero os seus cachets e afluncia de pblico nos espetculos reduzidos. No fazendo as populaes face s suas necessidades bsicas, os gastos suprfulos (como em bilhetes para concertos) sero obviamente os primei-ros a sacrificar numa altura em que vemos a misria alastrar a cada dia neste pas, obrigando muita gente a fazer duras opes no consumo.

    Com efeito, inmeras bandas, profissionais, amadoras e semi-profissionais, ver-se-o obrigadas a encerrar a carreira, a remet-la a um hiato ad aeternum ou a mant-la de forma pontual e re-sidual, vendo-se os seus msicos forados a encontrar segundos ou terceiros empregos (se tiverem a sorte de os encontrar) que lhes garantam a sobrevivncia.

    Ningum duvida tambm que vrias promotoras, agncias de management e booking, bem como salas de espetculos, incor-rem no risco de fechar ou passar a ter um volume de negcios residual e uma atividade reduzida, lembrando que muitas delas, de pequenas e mdias dimenses, passaro a laborar meramente para se limitarem a manter a atividade, no gerando lucros seq-uer. Resultado: encerramento, a prazo, desses espaos, com con-sequente aumento do desemprego. As promotoras, promotoras e afins que pretenderem sobreviver tero que estabelecer ou aprofundar parcerias vrias com enti-dades e empresas de setores complementares, desenvolvendo novos modelos de negcio que lhes permitam adaptar-se a um contexto econmico-social extremamente adverso e que se prev duradouro. Uma ideia j anunciada o conceito de passe social para concertos, da produtora portuense Lovers & Lollypops, que permite aos fs adquirirem ingressos a 25 euros para cinco espe-tculos na invicta com 12 bandas. Certamente que pelas razes acima enunciadas a oferta de espe-tculos ao vivo de artistas e grupos internacionais de primeira linha ir cair significativamente a partir de 2012, dado que as promotoras vero limitadas as verbas disponveis para pagamen-to de cachets. A qualidade da oferta ir, pois, baixar. Assistiremos ainda a um decrscimo brutal dos j escassos apoi-os, estatais e privados, s entidades do setor, especialmente s mais frgeis e menos visveis, com menor poder econmico, que nalguns casos sero pura e simplesmente obliteradas.

    O esprito do it yourself que intrinsecamente preside ao Un-derground revela-se mais do que nunca uma ferramenta deter-minante no cumprimento de objetivos pessoais e profissionais. Ambos os conceitos so estranhos aos subsidio-dependentes e afins das artes e letras nacionais que sempre viveram sombra do Estado. Aconselho-os a descobrir e aplicar estes preceitos de vida e trabalho agora que se vm impotentes na prossecuo das suas carreiras. Deviam t-lo feito antes, mas preferiram a mama es-tatal, que julgavam vitalcia. Alis, o facto de neste Governo no ter lugar um Ministrio da Cultura mas apenas uma Secretaria de estado reflete bem a gravidade da situao. O futuro mui-to negro no pas cujo estilo musical mais emblemtico agora Patrimnio Cultural Imaterial da Humanidade.

    Dico

    Texto escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortogrfico

  • 2011

    2011, um ano de peso para Portugal, a no ser que seja apenas impresso. Parece que todas as maiores bandas dentro dos vrios gneros de Metal se lembraram que Portugal (ainda) ex-iste, e no me quero estar a queixar, antes pelo contrrio, ter uma banda habituada a correr mundo, a tocar em solo nacional a cada ms que passa algo bastante bom! No entanto deixa a pulga atrs da orelha, o que ser que a indstria musical estrangeira dos sons de peso viu em Portugal para apostar tanto este ano? O constante afundamento da nao? Ou ser que pensaram aqueles gajos l s tm Fado, devem estar um bocado aborrecidos? Certo que fizeram favores a inmeros fs das mais variadas bandas, possivelmente quem l este artigo adora tanto estar na fila da frente de um concerto como quem o escreve, e apenas ns, portugueses, sabemos o quanto estvamos a precisar, primeiro, de entretenimento para fu-gir aos mais variados problemas, e segundo, de uma boa vaga de convvios e moshpits nos quais a raiva se liberta e todos se ajudam. E que bem que sabe! Entre cervejas e gritos, ir at s bancas de merchandise para ver qual ser a nossa nova aquisio, seja ela o novssimo l-bum acabadinho de sair do forno, ou algo j meio esquecido e que nunca tivemos a oportu-nidade de capturar. Seja para vestir, para ouvir, ou apenas para dispor na galeria de exposies que o quarto ou casa de cada um de ns, sempre um pequeno mimo que fazemos a ns prprios e , talvez das poucas vezes, em que podemos considerar que o nosso dinheiro foi bem empregue. E uma vez falando em lbuns novos, possvel reparar na qualidade da maior parte dos lbuns lanados, que, regra geral, no desiludem. As-sistiu-se a uma fora que leva para a frente o mundo do metal e da msica em geral, quer

    tenha sido com lbuns que apenas afirmam que a banda que o lanou est com a pica toda, em-bora no acrescente nada de mais e s reerga o j estabelecido, ou lbuns lanados por bandas dis-postas a arriscar e a dar tudo por tudo para mos-trar ao mundo as suas ideias, sendo estas ltimas bandas mais ou menos recentes, o que importa que tentem e consigam dar o seu contributo e que este traga uma lufada de ar fresco consigo. Em suma, no que toca a lanamentos, foi um ano rico e com alguns bons diamantes a ser recordados no ano que lhe sucede. Tivemos de tudo, para quem gosta e para quem no gosta, lbuns que most-raram a outra faceta de algumas bandas e lbuns que nos fizeram a ns, fs, ver a banda de todo um ngulo de trezentos e sessenta graus!Fica connosco a memria dos momentos pas-sados este ano agora terminado e a esperana de que o prximo seja to bom, ou melhor ainda. Grite comigo quem sente o cheiro a metal no ar! Boas entradas!

    Daniel Guerreiro

  • myspace.com/versusmagazineversusmagazinept@gmail.com