VERGARA, Sylvia Constant - Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração

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Descreve a metodologia, conceitua e instrui o pesquisador na formatação e conclusão dos tópicos de uma pesquisa.
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001.8 tp N.Cham.658:001.8 V494p 2.ed. Autor: Vergara, Sylvia Constant Título:Projetos e relatórios de pesquis lllllll lllll lllll llllllllll llllllllll lllllllllllllllllll 1111 201 1789 PUCMinasPC . I PONTIFICIA UNIVERSIDADECATÓLICA DE MINAS GERAIS B I B L IOTECA SYLVIACONSTANTVERGARA Projetose RelatóriosdePesquisa em Ad.ministraçâo 2nedição N.Cham.001.8 V494p 2.cd. AutorVergara, Sylvia Constant TítuloProjeros e relatórios de pesquisa em administração 11111I11111111111 PUCMinas- PC02011789 ~ ' ' " " ' '-. , SÃO PAULO EDITORA ATLAS S.:A-. -- --1998 . ., As minbasjilbas 'Jânia,1:;/"tine e ,'>:vtvinba que me provocam aaprendizagem da complexa arte de renascer acada dia. Aos meus al11nos q11eme let'am a 1·euer e reconstmir as prálicns do meu o.{fcio. ..··' SUMÁRIO APRESENTAÇÃO,9 1DELIMITANDOOTRABALHOCIENTÍFICQ,11 1.1Demarcação científica,11 1.2Método científico,12 1.3Formalização da pesquisa científica,15 2COMEÇODO PROJETODE PESQUISA,17 2.1Modelo,17 2.2Folha de rosto,18 2.3Sumário,19 2.4Introdução,20 2.5Oproblema de pesquisa científica,20 2.6Objetivo finaleobjetivosintermediários,25 2.7Questões aserem respondidas,26 3DO PROBLEMA AOREFERENCIAL TEÓRICO,28 3.1Hipóteses ou suposições,28 3.2Delimitação do estudo, "30 3.3Relevância do estudo,31 3.4Definiçãodostermos,32 3.5Referencialteórico,34 4COMEÇANDOA DEFINIR A METODOLOGIA,44 4.1Tipo de P.esquisa,44 4.2Universoeamostra,48 4.3Seleção dos sujeitos,50 5TERMINANDOOPROJETODE PESQUISA,52 5.1Coleta de dados,52 .·. , ::' ' ! ~ • r- 8I'HOJETOSERELI\'I'ÓIUOSDEPESQUISAEM AOMINfSTRAÇi\0 5.2Tratamentos dosdados,56 , 5.3Limitações do método,59 5.4Cronograma,61 5.5Bibliografia,62 5.6Anexos,65 5.7Tratamento verbalna redação enumeraçãodaspáginas, 65 5.8Sugestões adicionais,66 6ORELATÓRIODA PESQUISA,68 6.1Agradecimentos,68 6.2Apresentação,68 6.3Resumo,70 6.4Listade símbolos eabreviaturas,72 6.5Listade ilustrações,72 6.6Sumário,73 6.7Introdução,75 6.8Desenvolvimento,75 6.9 76 6.10 Conchrsões,78 G.ll SugL..;tÔl::;.::r...:comcnch çõcs, 80 UMAPALAVRAFINAL,83 ANEXO:Relação daspessoas àsquais se devem os exemplos apresentados, 85 REFERÊNCIASBIBLIOGRÁFICAS,87 BIBLIOGRAFIA,89 APRESENTAÇÃO Há maisdecincoanos, nota didáticadenominadaSu- gestão pam estruturaçãodeum projetode pesquisa,naqualapresentavaum modelodeprojetoeodiscriminava.Aspartesfundamentaisdomodelo eram em número de três:oproblema,oreferencialteórico,ametodologia. Anotadestinava-seameusalunosdeMetodologiadaPesquisa.Sua natureza era de ordem prática;não tinha a intenção de discutir questões onto- lógicaseepistemológicas,nemasdecisõesmetodológicasdaidecorrentes. Motivou-aminha de .osalunosnem sempretinhamfacilidade . em concatenar um projeto de pesquisa eficariam satisfeitos se alguém maisse dispusesse aajudá-los. Otextoincorporavaconceitoseexemplos,apartirdacrençadeque estes são úteispara clarificaraqueles.Os exemplos foramretiradosde exercí- cios,de projetos ede dissertaçõesde mestrandoscom os quaistinhaconvivi- do desde1988,sejaemsituaçõesdeclasse,sejaemorientaçãodeprojetose dissertaçõesouembancasexaminadorasdedissertações.Mestrandosforam todosco-autores. Até onde posso admitir,duranteessesanosanota tem sido úti,lnãÓsó para meus alunos,comotambém para outraspessoas.É claroque seucaráter prático não exime ousuário do estudo de quesções epistemológicasemetodo- lógicas, epor conta dessa exigência autilização. da nota deixa de ter caráter de "receita de bolo". A nota está aqui agora revista no que conceme à estruturação de projetos de pesquisa eampliada, pois passoua incluir sugestões para elaboração de rela- tóriode pesquisa. Assume ofom1atode livro,· masnão só continua tendo caráter prático,comotambémutilizaamesmalinguagemparaacomunicaçãocomo leitor:simples,praticamente coloquial.É como se forauma conversa com -olei- tor.Tambémcontinua valendo-sedacontribuiçãode mestrandoseex-mestran- dos,cujosnomesaparecem notextoecujasinstituiçõestêmseusnomesapre- sentados anexos, nos exemplos que apresenta.Elessão,ainda, co-autores. 10l'llOJETOSEllEI.AT(ltuOS1>1'I'ESQliiS.\EMt\llMINISTilt\C.'\0 Seus capítulos são em número de seis. O primeiro pretende apenas con- textualizarosque lheseguem,fazendocertademarcaçãonoquesereferea um trabalho científico.Nãotem maiores.Osegundo capítulo apre- senta. como sugestão,omodelo para estruturaçãode um projetode pesquisa, composto detrêsgrandespartes,einícioàdiscriminaçãodomodelo.No terceirocapítulo,éfinalizadaadiscriminaçãodaprimeirapartedomodelo, referida ao problema de investigação e apresentada a segunda, concernente ao referencialteórico.Questõesquedizemrespeitoàterceirapartedomodelo, isto é,àmetodologia de pesquisa, começam a ser abordadas· no quarto capítu- lo.Taisquestões sãofinalizadasno quintocapítuloque encerra,então,adis- criminaçãodo modeloproposto para oprojetode pesquisa.Osexto capítulo apresenta conceitos edicaspara orelatório da pesquisa,deixando de discutir o que já ofoinos capítulos concernentesao projeto eprivilegiando aquiloque é acrescentado no relatório. Umapalavra flnalé,então,dirigida aos leitores . . AAUTORA i '•, ... .... 1 DELIMITANDOOTRABALHO CIENTÍFICO Estecapítulo levantaquestõescomoademarcaçãocientífica.Oqueé científico? Também trata da metodologia científica. Temos opções? Finaliza com a sinalização para osmomentosde formalizaçãoda pesquisa científica. 1.1CIENTÍFICA Nãosãopoucasasdefiniçõesediscussõesem tornodoque sejaciên- cia.Estelivronãotemaintenção dereacender odebate.DavidBohn,Edgar Morin,ErnestCassirer,Fritjof Capra,GastonBachelard,IlyaPrigogine, Jürgen Habermas,KarlPopper,Robert Pirsig,ThomasKuhneoutrostãoconhecidos dequemsededicaafazerciênciabrindam-noscomfecundaeprovocante discussão.Conhecê-lséaquitomadocomofato.Acessá-lossempre quene- cessárioétomado como prática. Para efeito do que no momento se pretende, basta recordar que ciência éuma dasformasde se ter acessoàoconhecimento.Outrasformassão afilo- sofia,amitologia,areligião,áarte,o comum,porexemplo. Em muitos pontos essasformasinteragem,mas são diferentesem seu núcleo central. A atividade básica da ciência éapesquisa. Todavia,convém não esque- cer que as lentesdo pesquisador,como asde qualquer mortal,estão impregna- dasde crenças,paradigmas,valores.Negar issoénegar aprópria condiçãohu- mana de existir.Refuta-se,portanto,atão decantada"neutralidade científica". Para finsdo que aqui se pretende,bastatambém recordar que a busca oferecer explicações acerca de um fenômeno,masnão édogma;logo,é discutível.Éaefervescênciadereflexões,discussões,contradições,sistemati- zações eresistematizações que lhe dão vitalidade. Ciência éumprocesso. Um processopermanente de busca da verdade, desinalizaçãosistemáticadeerrosecorreções,predominantementeracional. 12I'ROJI!TOSEHELATÓRIOSDE PESQUISAEMADMIN!STHAÇÀO NãoqueintuiÇão,sentimentoesensaçõesnãoestejampresentes.Elesestão. Afinal,como nosensinou Jung,eles são nossas funçõespsíquicas básicas. Mas oque predomina éabusca da racionalidade. Como distinguir essa formade se ter acessoao conhecimento das outras formas?Nãoétarefafácil,masexistemalgumascaracterísticasquevêmem nossoauxílio.Popper (1972)enfatizou· aquestão da falseabilidade.Urnacon- clusãocientíficaéaquelapassívelderefutação.Outracaracterísticalevantada pelosestudiososéaconsistência.Umtrabalhocientíficotemderesistiràfal- seabilidadeapontadapor Popper.Tem tambémeleser coerente. Pode discutir asambigüidades,ascontradições,asincoerênciasdeseuobjetodeestudo, massuadicussãotemdetercoerência,obedeceracertalqgica.Igualmente, não seimaginaum trabalho científicoque não sejaarevelaçãode um estudo profundo.Aqui,não vale surfar.Característicascomo essasconformam origor metodológico,nabuscaincessantedelidarcorretamentecom asubjetividade elopesquisador.E rhais:um trabalho científicotem de ser aceito como tal pela comunidade científica.Ela olegitima,portanto. Ciênciaétambémuma construçãoque revela nossassuposiçõesacerca do que se está construindo.ParaBurreleMorgan (1979),temos quatrotipos de suposições:ontológicas,epistemológicas, da natureza humana emetodológicas. Suposiçõesontológicas são aquelas que dizem respeito àprópria essên- ciadosfenômenossobinvestigação.Suposiçõesepistemológicasestão referi- elasao conhecimento, acomo ele pode ser trransmitido. Pode oconhecimento sertransmitidodeformatangível,- concreta,maisobjetiva?Oupodesê-lode formamais espiritual,mais transcendental, maissubjetiva,maisbaseada na ex- periênciapessoal?Suposiçõesrelativasànaturezahumanadizemrespeitoà visão que se tem do Homem.É ele produto do ambiente?Ouéseu produtor? As· suposiçõesontológicas,epistemológicaseda naturezahumana têm implicaçõesdiretasde ordem metodológica,valedizer, encaminham opesqui- sador na direçãodessaou daquelametodologia.·· 1.2MÉTODO CIENTÍFICO Métodoéum caminho,umaforma,umalógicade pensamento.Basica- mente,hátrêsgrandesmé,odos:(a)hipotético-dedutivo;(b)fenomenológico; (c)dialético.Para ' usarumâmetáfora,serian1métodosdevendaporatacado. Outros,como agrou.nded-theory, aetnografia,aanáliseeleconteúdo,atécnica Delphi,ométodo osistêmico,aquelesque se utilizam de técnicas estatísticasdescritivas ou iriferenciais etantos outros, seriam de vendas avarejo. Ométodohipotético-dedutivoéaherançada correnteepisteh1ológica denominada positivismo, que vê omundo como existindo,independentemen- DI!LIMITANDO OTll'\J3ALHO CIENTÍfiCO13 te da apreciaçãoque alguém façadele,independentemente do olho do obser- vador.Deduz alguma coisaapartir da formulaçãode hipótesesque são testa- das,ebuscaregularidadeserelacionamentoscausaisentreelementos.Acau- salidadeéseu eixo de explicaçãocientífica.Enfatizaarelevânciada técnicae daquantificação,daíseremosprocedimentosestatísticossuagrandeforça. Questionáriosestruturados,testeseescalassãoseusprincipaisinstrumentos decoletade dados.Elespermitem que os:dadoscoletadossejamcodificados emcategoriasnuméricasevisualizadosemgráficosetabelasquerevelama fotografiade um momento específico,ou de um período de tempo. Segundo Popper 0975),toda discussão científicadevesurgir combase em umproblemaaoqualsedeveoferecerumasoluçãoprovisóriaaquese devecriticar,de modo aeliminar oerro. Oproblema surgepor conta de con- fHtosentre asteoriasexistentes.A soluçâo deveser submetidaaotestede fal- seamento,geralmenteutilizandoobservaçãoeexperin1entação.Seahipótese resistir aos testes, fica provisoriamente corroborada,isto é, confim1ada enquanto nãoapareça umnovotesteque aderrube;senão,érefutada,exigindonova formulaçãoelahipótese. Falseada ounão,ahipótese desencadeia um processo que serenova,dando surgimento anovosproblemas. Ométodofenomenológicoopõe-se à correntepositivista,para· afirmar que algosó pode ser entendido apartirdoponto de vistadaspessoasque o estãovivendoeexperimentando;tem,portanto, carátertranscendental,subje- tivoou,como diria Pirandellono títulode sua famosapeça teatral,Assim é,se vos parece. Na visãode Husserl,omestre da fenomenologia,épróprio do mé- todo oabandono,pelopesquisador, de idéiaspreconcebidas. Seépróprio. dométodofenomenológico· oabandonodetaisidéias, vale alertar que oHomem não étabularasa;logo,suas crenças,suas suposi- ções,seusparadigmas,seus valoresestãopresentesno olhar que lança ao fe- nômeno Combaseem suahistóriadevida,elebuscaentendero fenômeno,intt::rpretá-lo,perceber seu significado,tirar-lheumaradiografia.É assim que ométodo fenomenológicopratica ahermenêutica. Etimologicamente,vemdeHermes,damitologiagrega. Paratransmitir amensagem dosdeuses,Hem1estinhaduplatarefa:entender- lhes alinguagem,assin1 como ados mortais,para quem asmensagens se des- tinavam.Um olhar hermenêutica busca,então,acompreensão de significados, muitos delesocultos. A compreensão exigea leitura do contexto.Diários,bio- grafias,relatoscentradosno cotidiano,estudos de caso,observação, conteúdo detextospara análise são asprincipaisfontesde dados para opesquisador. Como ofenomenológico, ométodo dialéticoigualmente opõe-se àcor- rente positivista e sua linearidade,evê as coisas em constante fluxoe 'transfor- mação.Seufocoé,portanto,oprocesso.Dentro dele,oentendimento de que ,a sociedade constrói ohomem e,ao mesmotempo,épor eleconsttuícla. .. 14PRQII!TOS 1!lll!LATÓIUOSDEEMADMINISTnt.ÇÀO Conceitoscomototalidaéle,contradição,mediação,superaçãolhesão própr,ios.Longede isolar um fenômeno,estuda-odentro de um contexto,que configura atotalidade.Nesta,observa que tudo,de algumaforma,mutuamen- . tese relaciona eque há forçasque se atraeme,ao mesmotempo,contradito- riamente,se repelem.Éacontradição que permite asupera"çãode determina- da situação,ou seja,amudança. Tantonométodofenomenológico,quantonodialéticoopesquisador obtém os dados de que necessitana observação, em entrevistas equestionários não estmturados, nas históriasde vida,ep.1conteúdos de textos,nahistória de países,empresas,organizaçõesem geral,enfim,em tudoaquiloque lhe per- mitarefletir sobre processos e Osmétodos"devarejo"sãoinúmeroseoleitorinteressadopode con- sultaraliteratura,queéfarta.Bibliotecas,basesdedadosespecializadose Internetestãoàdisposiçãodopesquisador.Valecitar,aqui,apenasalgumas indicações econceituações, arbitrariamente escolhidas. Grounded theory,por exemplo,éum método que objetiva captar osim- bólico egerar teoria,com base nos dados coletados pelopesquisador,no cam- po.É,portanto,um método indutivo.Énoprocesso.de investigação que con- ceitosehipóteses são formulados,nãoa priori.Opesquisadorbusca aemer- gência de categoriaseas ·relações entre elas,notadamente no que diz respeito adiferenças,demodo apoder construir umateoria.A estruturadométodoé flexível;funcionacomonum jogo elexadrez,em quecadapasso depende do anterior. Etnográfico éométodo que, apropriado da Antropologia,exige do pes- quisador cotj.ato direto eprolongado com seuobjeto de estudo.Vale-se,pre- dominantemente,daobservaçãopaFtieipanteeelaentrevistanãoestruturada paraobter dados pessoas,espaços,interações,símbolosetudoomais que interessar a sua investigação.Er.nboraparta de algum referencialteórico, o pesquisador não éaele escravizado.Confronta teoria eprática otempo todo e vai reconstruindoateoria. Análise de conteúdo refere-se ao estudo de textos edocumentos. Éuma técnicadeanálisedecomunicações,tantoassociadaaossignificados,quanto aos significantesdamensagem.Utilizatantoprocedimentossistemáticosedi- tosobjetivosdedescriçãodosconteúdos,quantoinferências,deduçõeslógi- cas.Pratica tantoahermenêutica,quanto categoriasnuméricas. AtécnicaDelphibuscafazeremergirconsensoentreespecialistas,ge- ralmenteemtornode10a30pessoas,sobre algum assunto.Osespecialistas atuam sem que um saiba da existência do outro.É realizada em rou.ndo;,geral- mentededoisacinco.Umquestionárioé ,aplicadoaosespecialistasnopri- meirorou.nd;osdemais osão nosrouncls se'gulntes.Oprimeiro questionário é elaborado previamente pelo pesquisador;a elaboração dos demais vai depen- DEU.MITt.NDO OTRA13t.UIO Cll!N'IÍFICO15 der do resultado obtido naanálise do anterior.Osjulgamentosindividuais são agregadosedelestomamconhecimentotodososespecialistas,acadaround. Sãousadas medidasque expressem atendência central edescrevam ograude dispersãooude polarização. Ométodo comparativobuscaressaltarsimilaridadesediferençasentre pessoas, padrões de comportamento efenômenos.Não são rarosestudos que comparam,por exemplo, semelhanças ediferenças entre culturas,como aame- ricanaeajaponesa,ou padrões de comportamento entreempresas eloinícioe deste fim de século. O método sistêmico procura identificar as relações do todo com aspar- tes edas partes entre si.Otodo pode ser, por exemplo,um ambiente de negó- cioseaspartes,asempresasqueoviabilizam;oupodeserumaempresae suas partesinternas. Ométodoprivilegia processos eseumovimentona dire- çãode umaevolução.Descarta,noeniantõ,apossibilidaded6lcontradições, como formade superação de uma situação. Conformeométodoescolhido,utiliza-setal .ouqualprocedimentode coletadedadosnocampo.Questionário,entrevista,formulário,observação sãoprocedimentosgerais.Masveja-se,por exemplo,que,seométodoeleito tiver sidoofenomenológico,ouodialético,oquestionário fechadoéinapro- priado. .. • 1.3FORMALIZAÇÃO DA PESQUISA CffiNTÍFICA ., .:· Noqueconcerneàformalizaçãf>,apesquisacientíficatemumafase antecedente eoutra consolidaclora. Afaseantecedente revela-senoprojeto de pesquisa;aconsolicladora,no relatório. Qualquerpesquisaparaserdesenvolvidanecessitadeumprojeto,e bem-feito,que aoriente.Elepode não garantirosucesso dainvestigação,mas suainadequação,ou sua ausência,certamente, garantem o Umprojeto é,em últimainstância,uma cartadeintenções.Seéassim, deve definir com clarezaoproblemamotivadordainvestigação,oreferencial teóricoque asuportaráeametodologia aser empregada. Tambémnãopode .. deixar de apresentar ocronogramada pesquisa,bem como abibliografia. Todos esses elementos estarão presentes novamente no relatório da pes- quisa,relatadosna maneira como foramefetivamentetrabalhados eutilizados. Aqui,jánão se trata de uma cartadeintenções,do verbono futuro;ant6S,do relato do realizado, do verbono pretérito. Aoselementos c(t!e fizeram parte do projeto serão adicionadososresultadoseconclusões aque. ainvestigação per- mitiuchegar,bem como sugestõespara outras pesquisas sobre omesmotema. Ii l:. · 16PROJETOSI! Rl..'l.ATÓRIOSI)F.PllSQlllSAEM· ADM1N1SrRI\ÇÃO Valeacrescentarqueaformalização,tantodoprojetoquantodorela- tório,deveobedeceràsnormasprescritaspelaAssociaçãoBrasileiradeNor- mas'Técnicas-ABNT.Algumasdelassãolembradasnocapítuloseguinte,refe- renteaoProjetodePesquisaeoutrasmaissão·relacionadasnabibliografia destelivro. Neste capítulo,busquei oferecer algumas características da ciência,deli- mitando seucampo de ação. Dado que p a r a ~ a realização de qualquer trabalho científicoháde seterummétodo, .procure'ialertarquesuaescolharecaiem suposições quetemosarespeito da essência dosfenômenos sob in':estigaçào, de como o. conhecimento pode ser transmitido,bem como da natureza htrma- na.Apresenteitrêsgrandesmétodosde pensamento eoutros daí decorrentes. Finalmente,mencioneiqueapesquisacieqtíficatemumaf ~ s e antecedente, consubstanciadanoprojeto,eoutra, consolídadora,revelada norelatório. ... . ' 2 COMEÇODO PROJETODE .. PESQUISA Comoelaborar um projeto de pêsquisa?Nãohá um modeloúnicopara tal. Aescolhaentreasváriasalternativaspossíveisdependedanaturezado problema,dométodopeloqualsedesenvolveráotrabalho,dotipodepes- quisa,da visão de mundo do pesquisador e detantosoutros fatores.No entan- to,hácertositensquenãopodemdeixarde sercontempladosemqualquer projeto,adespeitodasdiferençasentreeles.Oquevaivariaréoconteúdo desses itens.Por ser assim,estecapítulo dedica-seàsugestão de umprojeto. É estruturadoapartirdeummodeloque,emseguida,édiscriminadonestee nos capítulosseguintes. MODELO Omodeloproposto está assim definido: (FOLHA DE ROSTO) SUMÁRIO O PROBLEMA 1.1Introdução 1.2Objetivos (final e intermediários) 1.3Questõesa seremrespondidas (sefor o caso) 1.4Hipóteses,.ousuposições (se for o caso) 1.5Delimitação do estudo 1.6Relevância do estudo 1.7Definição dos termos (se fór o caso) 2REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 2.2 ,:. ~ ' I ~ : if:,... '..:·~ .. . . : : . ~ ... , :I• .,·.;: .. • 18PROJI"I'OSlliU!L.ATÓRIOSDll PESQUISAt:MADMINIS'I'RAÇÀO· 2.3 2.4 etc. 3METODOLOGIA 3.1Tipo de pesquisa 3.2Universo e amostra (se for o caso) 3.3Seleção dos sujeitos (se for o caso) 3.4Coleta de dados 3.5Tratamento dos dados 3.6Limitações do método 4CRONOGRAMA 5BIBLIOGRAFIA ANEXOS (se for o caso) Cadaum dositensdo modelo será,aseguir,explicitado.Algunsestão maisdetalhadosdoqueoutros.Nãoéaleatório.Talvezestejanessesitensa maior partedosequívocosdosque têm de elaborar um projeto.Logo,parece pertinente dar a esses itens atençãoespecial. 2.2FOLHA DE ROSTO Seguindo-seàcapa,queéaproteçãoexternadoprojeto,afolhade rostoéaprimeiradoprojetoenãoénumerada.Deladeverãoconstar asse- gtlintesinfom1ações:otítulQ .doprojeto,onome do autor,aquem será apre- sentado,onomedoorientadordoprojeto(setiver)eomêseanodesua conclusão. Otítulo do projeto deve dar ao leitor aidéia do que será desenvolvido·. Nãoérelevante que otítttlo seja um pouco extenso.Importante éque oleitor percebacom facil idadedoquetrataoprojeto.Ébomlembrarqueéotítulo que promove oprimeirocontato do leitor com qualquer obra.Vejaoexemplo a seguir: PONTIFICIA UNIVERSIDAOE CATÓLICA DE MINAS GERAIS BIBLIOTECA COMEÇODOI'Rq)ETODEl'l;sQlJISt\ OS IMPACTOS DA TENTATIVA DE MUDANÇA DE CULTURA DE UM BANCO DE VAREJO por SandraRegina da Roch.estudo podemserpreviamentedefinidos .Mencion.aqueoreferencialteóri. WI"S E1\ELATÓIUOSDEI'I ' SQliiSi\EMi\DMii--IISTRi\ ÇÀO incluirentrevistas,aplicaçãodequestionários,testeseobservaçãoparticipante ounão.Exemplo: levantarcom tadualdé PolíticaSàlarial.Certa·mente, nesseslocaisseráoencontradosregulamentosinternos,circulm-es, parece1-es,despachosetn relatórioseoutrosdocumentos nâo publicados.·· · ,. ;Jspesqi;tisas bibliográfica e documentaljustVicam-se,àmedida que con- para·o levantçtmentodas divergênciasent1'ea fonnulaçàOe aimple1nentação das políticas de reC1t.rsoshumanos. ... .c.Pe:5qu.isade ·campo,com entrevistas semi-:estru.tu)-adas com osocu- P4ntesdoscargosindicadosnaseçàoSeleçâo dosSti:J'eitos,hem comqcom q1testioná1'ios aplicados Uossemidqrespúblicos,selecio- nados deacordo .t;om(;espec{ficadona seçãoUniversoe Amostra. Para efeito ctemini1nizaçâo de.tempo,os questionários poderão ser aplicadosna Escolade Seruiços Ptl.blicosque congrega,constante- mente,grande ariwstra de servid01'es. Caso necessidade,poderãotcunbémser utilizadosdadoscoletado.,· no Serviçode Atendimentó aoCidadào,clenominado ProjetoSaci . i:J\·seServiço tem o propósito dé ouvir as recla'!Ji'açi5ese solicitaç6es dacmnunidadefeitas por ou por urn serv!ço eletn)rrico. Combase·nasconclusôesalcançadas pelas pesquisasbibliográfica,do- ctnnentaledecámpo,procurar-se-á .estabelecer acompamçàoentre ção de políticas,implementaçào e-desempenho do servidm-. oTítulo: ... . Estudo das atitudes do:'>.formandosda PUC-RiB em relaçãOàtecnologia c;oletadedados: Na pesquisabihliop,r{lfica,buscar-se-àof:!Studossobre atitudes,aprendi- zado, · rnu.dançaserelaçãoentre pessoase tecnologia. Serão pesquisado.,·livros, periódicos,edissertaçàes.Comoresultadodessapesquisa,espera-seuina compreensão 'maior dofenôme,no da relaçãOent1'e o homem e a tecnologia,.bem como a geraçâo deum quadro depara o leva·ntamento no cçtmpo. Nocampo,serãorealizadasentrevistassemi-estruturadascomosestu- dantesselecionados,de .formaquedecada11mdeles possaohte1'asseguintes ·l .I ·,· .. 56PROJETOSEllELATÓHIOSDEI'ES()li!SA .EMAlJMINISTlli'.ÇÃO a . ·. b. c. d. e. f qual suavisâodetecnologia: oque é,qual suaimportância,que impactos p,erana sociedade e ?Zavida das cornocitecnologia afeta sua vida cotidiana; que experiências passadasfcwanz no tratocom atec- nologia; quais sâo suas C1'ençase sentimentos enzrelaçào àtecnologia; co1no .fimciona Sf!Upmcesso deaprendiz ado,ecomo se1'elaciona cmn mudanças;· oque em sua1'elaçZ{ocomatecnologia·nàoécomo gostarià,q11.e sentimentos sào gerados,e o que é feito para :nu rdar. Antesdecadaentrevistaseriniciada,seráexplicadoaoentrevistadoo objetivoeareleuâru;iadapesquisa,aimportânciadesuacolabortJ.çào,bem comoserá garantidaaWl1fiden. cialidctde.Nasentrevistas,.será o feitcts pe,.rgun- ta:,· abertas,b1t.scandocaptar asnuançasda1'elaçci.'r;do:,entrevistadoscoma tecnologia.SerádadaatençârJ Y,wdiscursodos bemcornosobre st t.aexpres:...-âocmpoml, tonalidade davoz e ê11{aseem detenninadas pa- lauras ou e.xpressôes.·• Osentreuistados seràó. a ();'l(ra1: em detalhes,aexp:;-imir sen- ti1nentose cren.ças,arelatarcaracterísticas ee.xperiências"passctdas. Busccir-se-ácQrnpreenderouniverso _vivÚlopelosre.,pondentes.ComB_ote.fl (7984: 57),wnsideJ:a-se que·• ..(. . .)é i11ipm'tantecompreendr;r(..)qual é. o pontodevistados indivídum: oi!.grupossociaisestudadosacercadassituaç6esque vi- ·;;em. Qual á percepçào destes:mbre taissituaçõ.e....-?Comoelesainter- pretmn? Qual seu sistetna de valores? Quais sez rs problernas? Quais s1 ras preocupaçi5és?Aaprender qt wl lógica dos pesquisados (. . .). PoTser assim,otnétodàemprep,ad(;tmito;paraacoletaquanto pÇJ.rao tratamento dos dados sfrá ofenomenolágico.·segimdo Bogdan e Taylor 0975), estemétodo permite entender opnnportamento humano a partir do próprio ator. Permiteconb&cer as pessoas'pessoalnzenteever comoelasestàodesenuolvendo suas próprias visàesdemurulo: Possibilita explorar conceitos cujas essências es- tâó perdidasentoutrasabordagensde pesqui:,:çz,taiscomobeleza,sqji-imento, C011fiança,dor,.fhlstraçâo,desejo,Ci17Un-;: 1 a pcírfir de suas definiçôes e.vtz.iências p(;r pessoas 1"eais. •• .. 5.2TRATAMENTOS. pos DADOS .. ., ..Tratamento dos.claclosrefere-seàquela seção na qual s'e-explicitapara o leitorsepretendeos à justificando por quetaltr:::tta- .•. ·.. ··' ·. ,, l· ,t if .j ·. .. , · •TE!ÜvllNANDOOPROJETODEl'ESC)lllSA57 mentaéadequadoaospropósitoseloprojeto.: Objetivossão alcançadoscom a coleta,otratamentoe,posteriormente,com a ,interpretaçãodosdados;portan- to,nãoseeleveesquecerelefazeracorrelctçãoentre eformasde atingi-los.·· Osdados podem ser tratadosdequantitat;va,istoé,u'tilizando-se procedimentosestatísticos,como otestedehipóteses.Há doisgrandesgrupos detestesestatísticos:paramétricasenãoparamétricas.Entreosparamétricas, épossíveldestacar:an:ilisedec01:relação,testet deStuclent,qui-qua- drado,regressão,:.proporção.Testesnãoparamétricasincluem:Mann-Whitney, Kruskall-Wallis,Wilcoxon. Osdados podemsertràtaclosdeforma .como,por exemplo,codificando-os,formamais. eanali- : Existemoutrasestratégias.Éni ·:verdade,elassãomuitovariadase escolher apropriadaétarefaelopesquisador.· :. Épossíveltratarosdadosquantitativaequalitaüvamentenomesmo es- tudo .. Porexemplo,pode-seusareSk'J-t'ÍSticadescritivaparaapoiarumainter- dita subjetivaou desentacleá-la. Aseguir,vocêtemexemplosdenãoestatístico,oferecidos por ClaudioGurgelePauloDurvalBranco,respectivamente: oProblemá: Como ahordc7r osobjetiz.ioseleeficiêrzcia e eficácia na admiJ:zistraçàO pú- blica brasileira? :1 Tratamentoelosdados: ,I \OsdadoscomosCJ1 wistraball..t7·enuJssão,essendalnzente,levantados jxjr terceirosetrazemre.fle.xiiés,aq-{7 i1Úe1pretaçóes,análiseeum- clus6esdessescmtores.denossaobseruaçâoativaelementos práti- cos de análise,nzas estaremos tnthalhanclo nctnu:ús sistematizada parte do tem- ., iJ :I p'ó,cmn p uhlicaçi)es.·· O tratamento dos dados exige um nuitodo de considerável complexidade, nu1do Cj 11.e possamos trah6tlhar com algu.wia no terreno ideologi:?a- do em qtte seji·eqii.ententente,aliteratu1"adas ciêrtcias sociais . ge tm·t 1nétodo ·que compreendaos problemas e· s11.as fonnulaçôés,como delitni- tados pelascmtdiç6esdeexistência.Portanto,permeados por repre- sentaçôes darealidade e amhigii.idade,ao pe1"e1iemovinzen- toda sociedade,suas lu.tas e .)eus ac,ordos.outras palavras,o trtttamen'to dos dados exige 'I un método quepennita ir uühn do fenômeno dacmnunicaçà·o e dâlinguagem,distinguindo apa1:ênciade essêncü:.,t;que nos chame aatençâo pará ocaráter contraditório das coi:w;ts· edasufii"maçôés do pensamento;·e que nosleveaolhar paraoseas·pmduçôeshwnanascomocoisasquese . ' .- i ·. ... . •'.I•,' '' ' .·.. . __· . . ':· :.·· . :.-; · ' ·•"". , relacioname constituemum processototalizcmte.O ·mét