Unidade 16 e 17

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    07-Jan-2017

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  • Cincias da Natureza e suas

    Tecnologias

    BIOLOGIA

    Mdulo 4

    Unidades 16 e 17

  • 2

    Unidade 16

    A energia do dia a dia

    Para incio de conversa

    A Fsica define energia,

    dentre outras formas, como a capacidade de realizar

    trabalho, como aquele

    realizado por um carro

    quando se movimenta, ou

    um forno quando se aquece. Para a Biologia, no entanto,

    o trabalho que interessa no um movimento ou uma

    radiao, mas sim o

    metabolismo, ou seja, a vida.

  • 3

    Voc j deve ter parado para refletir um pouco sobre

    a vida. Existem muitas

    formas diferentes de

    abordar este fenmeno

    curioso da natureza. Desde explicaes filosficas a

    religiosas, a vida pode ser

    encarada de vrios ngulos. A Biologia a cincia que

    tem como principal objeto de estudo o fenmeno da

    vida. Sem dvida um

    fenmeno to complexo

    quanto encantador. E

    delicado, muito delicado!

    Do ponto de vista da

    Biologia, um dos quesitos

    para considerar um ser

    vivo ele possuir

  • 4

    metabolismo. Ou seja, que funciona consumindo

    matria e energia, alm de

    der capaz de transmitir suas

    caractersticas para seus

    descendentes.

    Nos organismos, as

    reaes qumicas que

    compreendem o

    metabolismo se alternam de tal forma que a energia

    liberada em uma usada na outra. Assim, a energia

    percorre os sistemas vivos

    seguindo um fluxo contnuo. A energia flui atravs dos

    sistemas vivos assim como

    flui por toda parte do

    universo.

    E a matria circula

    eternamente do ambiente

  • 5

    para a cadeia alimentar e, ao longo da cadeia

    alimentar, de um ser para

    outro, at voltar para o

    ambiente pela ao dos

    seres decompositores que fecham o ciclo sem fim.

    A histria que veremos a

    seguir sobre como os

    seres vivos obtm e usam a matria e a energia que os

    mantm vivos.

  • 6

    Figura 1: J parou para pensar em como a energia

    do Sol chega at ns?

  • 7

    Objetivos de aprendizagem:

    .Relacionar as Leis da

    termodinmica s Leis que

    regem a vida;

    .Apresentar as duas diferentes estratgias de

    obteno de alimento: o auto e heterotrofismo;

    .Definir cadeia e teia alimentar;

    .Representar graficamente

    as quantidades de energia

    potencial encontradas em

    diferentes nveis trficos.

    Seo 1

    A energia flui

  • 8

    Como dissemos, uma das definies de energia a

    capacidade de produzir

    trabalho. O comportamento

    da energia descrito pelas

    seguintes leis:

    .A primeira lei da

    termodinmica observa que

    a energia pode se

    transformar de um tipo em outro; ela jamais criada ou

    destruda. A luz, por exemplo, pode transformar-

    se em calor ou ser

    convertida em energia nas ligaes qumicas em

    molculas orgnicas, como a

    glicose. Nos dois casos, a

    energia consumida, mas

    no destruda; ela , sim, transformada.

  • 9

    .A segunda lei da termodinmica refere-se ao

    fato de que as

    transformaes energticas

    no so 100% eficazes, pois

    parte da energia se dissipa na forma de calor. E as

    reaes que consomem

    energia no ocorrem de forma espontnea.

    Dos organismos aos

    ecossistemas, toda a biosfera possui a

    caracterstica

    termodinmica de criar e manter um grau bem

    elevado de ordem interior.

    Todas as manifestaes da

    vida so acompanhadas por

    trocas de energia, ainda que

  • 10

    no se crie ou destrua energia alguma. Sem

    transferncia de energia,

    no haveria vida. Assim, as

    relaes entre plantas

    produtoras e animais consumidores, entre

    predador e presa e toda a

    infinidade de relaes alimentares que se

    estabelecem so governadas pelas mesmas

    leis bsicas que regem os

    sistemas no vivos, como os

    motores eltricos.

    Continuamente, a luz e

    outras radiaes saem do

    Sol e passam para o espao.

    Uma parte desta radiao

    chega Terra, atravessa a atmosfera e alcana

  • 11

    oceanos, florestas, lagos, desertos, campos cultivados

    e muitos outros ecos-

    sistemas de nosso planeta.

    Verbete

    Ecossistema

    um sistema natural onde

    interagem entre si os seres

    vivos (fatores chamados de biticos) e o ambiente

    (fatores abiticos, como temperatura, nutrientes,

    gua).

    ******

  • 12

    Figura 2: A radiao solar

    atravessa a atmosfera e atinge uma srie de

    ecossistemas na Terra.

    O alimento resultante da fotossntese dos produtores

    contm energia armazenada

    com potencial para se

    transformar em outras

    formas de energia e realizar trabalho quando o alimento

  • 13

    usado pelos organismos. Somente uma poro muito

    pequena da energia

    luminosa absorvida pelos

    produtores transformada

    em energia alimentar ou energia potencial. A maior

    parte dela sai do sistema

    vivo (um organismo, um ecossistema ou toda a

    biosfera), dissipando-se na forma de calor. A cada passo

    da transferncia de energia

    de um organismo para

    outro, grande parte da

    energia degradada em calor.

    Vamos conhecer mais a

    fundo essa histria...

  • 14

    Atividade 1

    Transformaes energticas

    Antes de voc conhecer

    como a energia flui dentro de sistemas vivos, vamos

    dar uma olhada em como

    isso acontece no ambiente ao seu redor.

    Assim, complete o quadro

    a seguir registrando e

    identificando

    transformaes energticas

    que voc presencia no seu dia a dia, como no exemplo:

  • 15

    Situao De

    energia...

    Para

    energia...

    Ligar um

    rdio

    para

    ouvir msica

    Eltrica Sonora

    Seo 2

    Autotrficos x

    heterotrficos

    Todos os seres vivos precisam de energia para

    manter as atividades de suas clulas, como a

    realizao de movimentos, a

    fabricao e o transporte de substncias. Sem esse fluxo

  • 16

    de energia, as reaes qumicas que envolvem o

    processo metablico param,

    deixam de acontecer.

    Em geral, as clulas dos seres vivos tm a

    capacidade de aproveitar a

    energia armazenada nas

    ligaes qumicas de

    molculas orgnicas, como a glicose (C6H12O6). Para

    isso, suas clulas precisam romper as ligaes qumicas

    entre os tomos desta

    molcula, degradando esta substncia em molculas

    menores. O processo

    metablico que estamos

    descrevendo a respirao,

    um conjunto de reaes qumicas que a maioria dos

  • 17

    seres vivos fazem, usando o gs oxignio.

    H, porm, outra forma de se obter energia sem o

    uso de oxignio, que

    chamado anaerbico (como a fermentao), embora

    tenha um rendimento muito menor de energia se

    comparado com o primeiro processo, o aerbio.

    Diante de toda a diversidade de formas de

    vida que existe, podemos

    identificar algumas

    estratgias dos seres vivos

  • 18

    para conseguir a energia necessria para a

    manuteno de suas

    atividades vitais. Todas as

    formas de obteno de

    energia podem ser divididas em dois grupos:

    1. Seres que captam

    energia do ambiente e

    sintetizam molculas orgnicas a partir das

    molculas inorgnicas (autotrficos);

    2. Seres que, sendo incapazes de sintetizar seu

    prprio alimento, obtm-no a partir de outros seres

    (heterotrficos).

    Os seres autotrficos

    normalmente usam a

  • 19

    energia luminosa, captada do ambiente, para sintetizar

    seu prprio alimento

    atravs da fotossntese.

    Nesse processo metablico,

    a luz usada para sintetizar uma molcula orgnica (a

    glicose) a partir de

    molculas inorgnicas, mais simples (gs carbnico e

    gua). A equao a seguir representa essa reao

    qumica.

    Gs Carbnico + gua +

    luz Glicose + Gs Oxignio

    Mais que uma simples estratgia de sobrevivncia,

    a fotossntese modificou

    profundamente a histria da vida em nosso planeta.

  • 20

    Primeiro porque ela a principal entrada de energia

    nas comunidades de seres

    vivos, isto , graas fotos-

    sntese que a energia fsica

    (a luz proveniente do Sol) transformada em energia

    qumica (a molcula

    orgnica glicose). Segundo porque o gs oxignio, o

    resduo da fotossntese, mudou radicalmente a

    composio da atmosfera

    terrestre. No incio, tal gs

    foi uma ameaa aos seres

    vivos por causa do seu grande poder corrosivo

    (baseado no seu potencial oxidante, propriedade de

    arrancar eltrons das outras substncias). Com o passar

  • 21

    do tempo, houve uma seleo natural de organis-

    mos que passaram a usar

    esse poder corrosivo a seu

    favor. Surgiram, ento, os

    seres aerbicos, capazes de usar o poder oxidante do

    gs oxignio de forma

    direcionada para degradar a glicose, liberando boa parte

    da energia armazenada em suas ligaes qumicas

    (lembra-se da respirao

    aerbia?).

  • 22

    Figura 3: J viu alguma cena parecida com essa? Pois ,

    as plantas constituem um

    grupo de seres vivos

    capazes de fazer fotossntese e, por isso,

    suas folhas esto sempre

    expostas ao ambiente a fim

    de captar energia!

  • 23

    Os seres heterotrficos adotam quatro estratgias

    bsicas para conseguir seu

    alimento, j que so incapazes de produzi-lo:

    1. Os PREDADORES

    matam outros seres para consumir a matria orgnica

    de seus corpos. Incorporando a matria (o

    corpo) de suas presas, constroem seus prprios

    corpos e produzem energia

    para faz-los funcionar.

    2. Os PARASITAS consomem matria e/ou

    energia do corpo de outros

  • 24

    seres ainda em vida. Seus hospedeiros so

    prejudicados nesta relao e

    eventualmente at morrem

    por causa disso.

    3. Os MUTUALISTAS

    desenvolvem uma relao

    de troca de favores com

    outros seres, recebendo a

    matria orgnica que precisam para sobreviver

    em troca de algum benefcio

    que fazem a outros seres. O

    benefcio mtuo e o

    interesse em manter a relao tambm. E existem

    diferentes graus de

    dependncia entre os seres

    desta relao. Desde seres

    que so bem independentes dos seus parceiros

  • 25

    (protocooperao) a seres totalmente dependentes a

    ponto de no conseguirem

    sobreviver sem a relao de

    benefcio mtuo (simbiose).

    4. Os SAPRFITAS

    consomem a matria

    orgnica presente nos

    restos dos outros

    organismos, como, por exemplo, folhas e troncos de

    plantas cadas no solo, fezes

    e cadveres de animais.

    Evidentemente no causam

    prejuzo algum ao explorar esses recursos, pelo

    contrrio, agindo desta

    forma atuam como

    decompositores e

    contribuem para a

  • 26

    reciclagem dos nutrientes. O papel dos decompositores

    fundamental na natureza,

    como veremos um pouco

    mais adiante.

    Figura 4: Est servido?

    bem possvel que esta

    imagem lhe d gua na

  • 27

    boca. E no para menos, pois ns nos alimentamos

    de outros seres vivos para

    construir o nosso corpo,

    assim como para produzir

    energia.

    Atividade 2

    Autotrfico ou heterotrfico?

    Toda espcie de ser vivo

    precisa obter matria para construir seu corpo e

    coloc-lo em

    funcionamento. Os tipos de estratgia para isso so o

  • 28

    autotrofismo e o heterotrofismo.

    Baseado no que voc

    estudou, leia os hbitos dos

    seres vivos a seguir e aponte nos parnteses (A)

    se ele for autotrfico ou (H)

    se for heterotrfico.

    ( ) fincada no cho

    pelas razes, mas suas folhas encontram-se no alto,

    sempre em busca da melhor posio para receber a

    energia do Sol.

    ( ) Formigas, no vero,

    procuram abastecer os seus ninhos de folhas, restos de

    animais ou de comida, afinal

  • 29

    a populao precisa se desenvolver.

    ( ) O cuidado maternal da

    mame passarinho tanto

    que ela sai caa de pequenos insetos para que o

    seu filhote, no ninho, cresa

    e aprenda a voar.

    ( ) Certas bactrias que

    vivem no solo, longe da luz solar, utilizam-se de

    substncias inorgnicas para manterem-se vivas.

    Elas no dependem de

    outros seres vivos para isso.

    ( ) Um fitoplncton vive na massa dgua ocenica,

    flutuando. Ele tem uma

  • 30

    estratgia interessante para sobreviver: durante

    perodos claros do dia, ele

    flutua prximo superfcie

    da gua, pois precisa captar

    luz solar; mas, de noite, a fim de fugir de predadores,

    ele submerge, ficando

    prximo ao fundo marinho. ******

    Seo 3

    A energia dentro dos seres

    vivos...

    Os seres autotrficos e heterotrficos, no ambiente,

    desempenham papis

  • 31

    complementares no que diz respeito produo e ao

    consumo de energia. Os

    primeiros, graas (inclusive)

    ao fenmeno da

    fotossntese, produzem matria orgnica. Isso

    significa que so os seres

    vivos responsveis por promover a entrada de

    energia dentro dos sistemas orgnicos na forma de

    molculas qumicas, ou seja,

    matria. Os seres

    autotrficos so, por isso,

    chamados de produtores.

    Como nenhum tipo de

    energia criada, os

    heterotrficos no so

    capazes de produzir energia

  • 32

    qumica a partir do ambiente e precisam capt-

    la de outro lugar.

    Adivinhem, ento, de onde

    essa energia captada?

    Est certo quem apontou

    que ela provm dos

    autotrficos! Realmente,

    seres heterotrficos se

    alimentam dos produtores, obtendo boa parte da

    matria necessria para construir e abastecer o

    prprio corpo. Pelo fato de

    heterotrficos consumirem energia qumica dos

    produtores, eles so

    chamados de consumidores.

    Observe que h um fluxo de energia dentro do

    sistema produtores-

  • 33

    consumidores, o qual unidirecional (possui apenas

    um sentido). Esse fluxo

    demarcado pelas relaes

    alimentares travadas entre

    os seres vivos, muitas vezes dispostas em uma sequncia

    linear de organismos,

    caracterizando a cadeia alimentar (ou cadeia

    trfica).

    Importante

    Podemos definir cadeia

    alimentar em um

    ecossistema como a transferncia de energia

    qumica alimentar, produzida inicialmente pelos

    produtores, de organismo

  • 34

    em organismo, em uma sequncia linear.

    ******

    Os organismos, dentro da

    cadeia alimentar, ocupam nveis trficos, dependendo

    de suas respectivas funes

    alimentares. Estes,

    portanto, podem ser, na

    ordem:

    .produtores;

    .consumidores primrios

    - aqueles que se alimentam diretamente dos produtores;

    .consumidores secundrios alimentam-se

    dos consumidores

    primrios;

    .consumidores tercirios devoram os consumidores

    secundrios;

  • 35

    .e assim por diante...

    Existe ainda um nvel trfico importantssimo, os

    decompositores, que obtm matria orgnica a partir

    dos restos orgnicos tanto de produtores quanto de

    compositores.

    Vamos exemplificar uma

    cadeia alimentar?

    Se voc andar por uma

    trilha na Mata Atlntica pode presenciar diversos

    episdios que compem, ao

    seu todo, o fenmeno da

    cadeia alimentar. Logo ao

  • 36

    entrar na trilha, ver diversas rvores, de

    diversos tamanhos, como a

    embaba. Esses so os

    principais produtores desse

    ambiente!

    Figura 5: Vamos adentrar a

    trilha? Nesta aqui, possvel observar rvores de

  • 37

    embaba, aquelas mais altas, de tronco claro

    Se voc tiver um olhar

    bem atento, poder ver que

    em muitas folhas das rvores h furos ou mesmo

    bichinhos brancos. Esses

    bichos so larvas de insetos

    e os furos so causados por eles, que predam as folhas,

    buscando matria a fim de

    crescerem e formarem os

    seus corpos de adultos. Eles

    so, portanto, os consumidores primrios.

  • 38

    Verbete

    Larva

    uma fase da vida de determinados insetos.

    ******

    Esses insetos, em formas

    jovens ou adultas, so

    fontes alimentares para a perereca, o que a

    caracteriza como

    consumidor secundrio.

    Como consumidor tercirio

    dessa cadeia, possvel apontar o lagarto-tei, um

    rptil bastante encontrado

    na Mata Atlntica que se

    alimenta da perereca.

  • 39

    Figura 6: Nessa cadeia alimentar, a energia fsica

  • 40

    (luz) captada e transformada em energia

    qumica. Esta, por sua vez,

    transferida de organismo

    em organismo em uma

    sequncia linear e em nico sentido. Observe o sentido

    apontado pelas setas. Elas

    representam o sentido do fluxo de energia entre um

    nvel trfico e outro. (Adaptao: Aline Beatriz

    Alves.)

    Essa cadeia alimentar, no entanto, apenas uma das

    muitas possveis relaes

    alimentares presentes na

    Mata Atlntica. Os frutos e

    folhas da embaba podem servir de alimentos para o

  • 41

    lagarto-tei, o que o torna consumidor secundrio e

    no mais tercirio. Esse

    mesmo lagarto e a perereca

    podem servir de alimento

    para algumas espcies de cobras, sendo elas

    consumidores secundrios,

    tercirios ou quaternrios, dependendo do caso...

    As cadeias, dessa forma,

    podem se entrelaar entre si, formando uma

    verdadeira teia de

    interaes, fenmeno conhecido como teia

    alimentar.

  • 42

    Figura 7: Em um

    ecossistema, as diversas cadeias podem se

    interconectar em um ou

    mais de seus componentes. Com suas vrias ligaes,

    eis um exemplo de teia alimentar. Nesta, interagem

    seres como a embaba, o macaco bugio, a cobra-cip,

  • 43

    o lagarto-tei, a perereca, a lagarta, o gavio carcar.

    Observem bem as setas,

    pois elas apontam o

    caminho da energia.

    (Adaptao: Aline Beatriz Alves.)

    Atividade 3

    Voc o personagem!

    Observe esses seres vivos:

    1. O boi um herbvoro, alimentando-se

    basicamente de plantas conhecidas como capins.

    2. O porco come de tudo

    um pouco, desde carne de

  • 44

    outros animais at gros e frutas.

    3. A ma uma fruta

    doce de uma rvore

    chamada macieira. Ela cresce sempre a favor da

    luz, pois precisa da energia

    solar.

    4. O capim atinge baixas

    e mdias alturas, mas um dos primeiros organismos a

    ocupar o solo de determinados ambientes.

    5. O champignon um

    fungo considerado iguaria

    culinria em muitos lugares, mas tambm um dos

    organismos responsveis pela decomposio de

  • 45

    restos de animais e vegetais.

    6. O gafanhoto um

    inseto que se alimenta de folhas verdes de vegetais.

    Mas, acredite, na China, ele

    uma iguaria apreciada por muitas bocas humanas!

    Agora, coloque-se como o

    stimo ser vivo dessa histria e monte 3 cadeias

    alimentares, em cada qual voc ocupa um nvel trfico

    diferente.

    ******

  • 46

    Seo 4

    Pirmides ecolgicas

    Voc j sabe que a

    direo do fluxo de energia em uma cadeia ou uma teia

    alimentar tem apenas um

    sentido: ela se inicia nos

    produtores e segue at o ltimo nvel trfico

    (consumidores ou

    decompositores). Mas ainda

    h uma questo envolvendo

    esse fluxo energtico: quanta energia passada de

    um nvel para o outro?

    A fonte primordial de

    energia na Terra o Sol, uma estrela cuja energia

    produzida a partir da fuso

  • 47

    nuclear de tomos de hidrognio. Uma pequena

    parte dessa energia atinge o

    nosso planeta; desse todo,

    uma boa porcentagem

    refletida na Terra, outra absorvida por substncias e

    seres que se encontram na

    atmosfera e na superfcie do planeta. Sendo assim, de

    toda energia solar que chega superfcie terrena,

    uma nfima parte,

    aproximadamente 2%,

    captada e usada pelos seres

    autotrficos.

  • 48

    A luz usada no processo

    de fotossntese , como

    voc sabe, transformada em energia qumica (molculas

    de glicose), assim como transformada em energia

    trmica. Isso porque parte

    da energia que chega s folhas das plantas, por

  • 49

    exemplo, dissipada na forma de calor. Observe,

    ento, que j h um

    desperdcio da energia

    inicial

    nesse processo. Ainda, do total de energia produzida

    pela planta, boa parte usada por ela prpria em

    seus processos metablicos e fisiolgicos, como o

    transporte de substncias

    dentro do seu corpo ou os movimentos que ela faz em

    busca da luz.

  • 50

    Por isso, podemos pensar que existe uma diferena na

    quantidade de energia

    produzida pelos produtores

    para a consumida pelo

    consumidor primrio.

    Os consumidores, assim

    como o primeiro nvel

    trfico, usam a energia das

    molculas orgnicas em prol da construo e do

    abastecimento do seu prprio corpo. Essa energia,

    portanto, utilizada para

    realizar trabalho. con-sidervel tambm a

    eliminao de matria

    alimentar na forma de fezes.

  • 51

    Importante

    No difcil pensar, ento,

    que, em uma cadeia alimentar, a quantidade de

    energia transferida de um nvel trfico para outro seja

    gradativamente menor em

    relao quantidade

    inicialmente captada pelos

    produtores. ******

    Essas diferenas

    energticas podem ser

    representadas em forma de grficos de pirmide, cujo

    conjunto constitui as pirmides de energia.

    Para comparar os diferentes nveis trficos

    entre si, precisamos usar

  • 52

    uma caracterstica comum a todos os seres vivos que

    esteja relacionada

    quantidade de energia que

    ele possui. Por isso, um dos

    grficos mais usados para tal representao o que

    leva em considerao a

    biomassa presente no nvel trfico de uma comunidade,

    ou seja, a quantidade de matria orgnica viva dos

    organismos que representa

    cada um deles.

    Observe, ento, a pirmide de biomassa de

    uma dada comunidade:

  • 53

    O nvel trfico que ocupa a base da pirmide aquele

    que possui a maior

    biomassa por rea ocupada

    (a unidade de biomassa g/m ou Kcal/m). Por esse

  • 54

    motivo, os produtores ocupam esse lugar.

    Apesar de a biomassa ser uma medida calculada por

    bilogos em laboratrio a partir de dados coletados

    em campo, no difcil

    imaginar que realmente os

    produtores so os

    organismos com maior representatividade em um

    ambiente. Volte quela trilha da floresta de mata

    atlntica, onde buscamos,

    pginas atrs, por uma cadeia alimentar. Basta

    olhar o entorno que voc

    constatar que o verde das

    folhagens, nessa

    comunidade, vai saltar aos olhos!

  • 55

    Acima dos produtores, na pirmide de biomassa, esto

    os consumidores primrios,

    seguidos pelos consu-

    midores secundrios, que,

    por sua vez, so seguidos pelos consumidores

    tercirios e assim por

    diante, enquanto a cadeia alimentar apresentar nveis

    trficos.

    importante apontar, nesse contexto, que quanto

    menos nveis trficos

    houver em uma cadeia alimentar, menor ser a

    dissipao de energia

    orgnica total do processo.

    Estudar os tipos de cadeias e teias alimentares

  • 56

    nos ecossistemas algo fundamental se estivermos

    interessados em conservar o

    ambiente onde vivemos. O

    ambiente composto por

    diversas espcies, com suas caractersticas intrnsecas,

    interagindo entre si em um

    sutil equilbrio. Modificar esse equilbrio significa,

    muitas vezes, a extino de espcies, o que pode

    culminar em modificaes

    de toda a teia alimentar de

    um ecossistema.

    E voc acha que tais

    modificaes no chegam

    at ns?

    Sim, chegam, afinal somos consumidores!

    importante termos em

  • 57

    mente que uma plantao o mesmo que a modificao

    de um ambiente natural em

    prol de produzir

    determinado alimento para

    ns.

    Para, por exemplo, um p

    de alface chegar s nossas

    mesas, os agricultores

    desmataram uma dada rea, ou seja, eles retiraram os

    produtores nativos desse ecossistema. Em retorno, no

    novo ambiente, eles

    precisam evitar que pragas (insetos, fungos ou mesmo

    outros tipos vegetais)

    impeam o crescimento ou

    matem a populao de

    alfaces plantadas.

  • 58

    Ao saber disso, aposto que voc no olhar para a

    sua comida com os mesmos

    olhos!

    Resumo

    .Todas as manifestaes da vida so acompanhadas por

    trocas de energia, ainda que

    no se crie ou destrua energia alguma.

    .O alimento resultante da

    fotossntese dos produtores contm energia armazenada

    com potencial para se

    transformar em outras formas de energia e realizar

    trabalho quando o alimento usado pelos organismos.

  • 59

    .Diante de toda a

    diversidade de formas de vida que existe, podemos

    identificar algumas estratgias dos seres vivos

    para conseguir a energia

    necessria para a

    manuteno de suas

    atividades vitais: autotrofia e heterotrofia.

    .Os seres autotrficos

    normalmente usam a

    energia luminosa, captada do ambiente, para sintetizar

    seu prprio alimento atravs da fotossntese.

    .Os seres heterotrficos adotam estratgias para

    conseguir seu alimento, j

  • 60

    que so incapazes de produzi-lo, como a

    predao.

    .Os seres autotrficos e

    heterotrficos, no ambiente, desempenham papis

    complementares no que diz

    respeito produo e ao

    consumo de energia; so

    eles: produtores e consumidores (primrios,

    secundrio, tercirios...).

    .Cadeia alimentar, em um

    ecossistema, a transferncia de energia

    qumica alimentar, produzida inicialmente pelos

    produtores, de organismo

    em organismo, em uma sequncia linear.

  • 61

    .As cadeias alimentares de um ecossistema podem se

    entrelaar, formando uma

    verdadeira teia de intera-

    es, fenmeno conhecido

    como teia alimentar.

    .Em uma cadeia alimentar, a

    quantidade de energia

    transferida de um nvel

    trfico para outro gradativamente menor em

    relao quantidade inicialmente captada pelos

    produtores.

    .Pirmide de biomassa

    uma representao grfica da diferena de energia

    potencial orgnica

    encontrada de um nvel trfico para outro, sendo

  • 62

    maior nos produtores e menor nos mais altos nveis

    trficos.

    Veja ainda...

    .H filmes que apresentam

    tambm a temtica da cadeia alimentar.

    Surpreenda-se com esse

    pequeno trecho de O Rei Leo:

    http://educadores.diaadia.p

    r.gov.br/modules/debaser/

    singlefile.php?id=18128

    .Quer entender um pouco

    mais sobre cadeia alimentar e fluxo de energia? D uma

    olhada nessa animao: http://www.educadores.dia

    adia.pr.gov.br/arquivos/File

    /2010/simuladoreseanimac

  • 63

    oes/2011/biologia/ cadeia_alimentar.swf

    Referncias

    .ODUM, Eugene. Fundamentos de ecologia.

    7 ed. Lisboa: Fundao Calouste Gulbenkian, 2004.

    927 p.

    .AMABIS, Jos Mariano;

    MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia das

    populaes. 2 ed. So

    Paulo: Moderna, 2004. Vol.

    3. 438 p.

    Respostas das atividades

  • 64

    Atividade 1

    Voc pode pensar em diversas possibilidades,

    dentre as quais esto:

    Situao De energia Para

    energi

    a

  • 65

    Ligar um

    rdio

    para

    ouvir

    msica

    Eltrica Sonor

    a

    Usar o

    forno do fogo

    Qumica Trmic

    a (calor

    ) e qumic

    a

    (gases so

    libera-dos a

    partir da

  • 66

    combu

    s-to)

    Ligar o

    computador

    Eltrica Trmi-

    ca e lumin

    o-sa

    Falar ao

    celular

    Eletroqum

    ica (bateria)

    Lumi-

    nosa, sonora

    e trmi-

    ca

    Atividade 2

  • 67

    ( A ) O ser vivo uma planta, cujas folhas so os

    rgos responsveis por

    captar a energia solar e, a

    partir da, produzir

    molculas orgnicas.

    ( H ) As formigas, em

    lugares com inverno

    rigoroso, abastecem seus ninhos para alimentar toda

    a populao.

    ( H ) Pssaros so seres que se alimentam de outros

    insetos ou pequenos frutos.

    Sem essa matria orgnica, no conseguem sobreviver.

  • 68

    ( A ) Esse tipo de bactria produz seu prprio alimento

    a partir de molculas

    inorgnicas, processo

    chamado de quimiossntese.

    ( A ) O fitoplncton um

    grupo de seres vivos que

    fazem fotossntese para

    obter alimentos, por isso precisa captar energia solar.

    Atividade 3

    Existem algumas

    possibilidades de resposta, vejamos:

    1. Macieira (ma) voc

    (nessa, voc o consumidor primrio);

  • 69

    2. Capim boi voc (se voc se alimenta de carne

    bovina, com certeza

    representa o papel de

    consumidor secundrio);

    3. Macieira gafanhoto

    fungo (alimentando-se dos

    restos do gafanhoto) voc

    (consumidor tercirio).

    O que perguntam por a?

    Questo 1 (ENEM 2011)

    Os personagens da figura

    esto representando uma

    situao hipottica de

    cadeia alimentar.

  • 70

    Suponha que, em cena

    anterior apresentada, o

    homem tenha se alimentado

    de frutas e gros que conseguiu coletar. Na

    hiptese de, nas prximas cenas, o tigre ser bem-

    sucedido e, posteriormente,

    servir de alimento aos abu-

    tres, tigre e abutres

  • 71

    ocuparo, respectivamente, os nveis trficos de

    a. Produtor e consumidor primrio.

    b. Consumidor primrio e consumidor secundrio.

  • 72

    c. Consumidor secundrio

    e consumidor tercirio.

    d. Consumidor tercirio e

    produtor.

    e. Consumidor secundrio

    e consumidor primrio.

    Gabarito: Letra C.

    Comentrio: Nessa situao

    apresentada, o homem

    consumidor primrio, alimentando-se dos

    produtores (frutas e gros,

    ou seja, vegetais

    autotrficos). Em

    consequncia, se o tigre alimentar-se do homem, ele

  • 73

    seria o consumidor secundrio, e o abutre, por

    sua vez, o consumidor

    tercirio.

    Questo 2 (UFRJ 2011)

    Nos mercados e peixarias, o preo da

    sardinha (Sardinella

    brasiliensis) oito vezes menor do que o preo do

    cherne (Epinephelus

    niveatus). A primeira

    espcie de porte pequeno, tem peso mdio de 80

    gramas e se alimenta

    basicamente de fitoplncton

    e zooplncton. A segunda

    espcie de porte grande, tem peso mdio de 30.000

  • 74

    gramas e se alimenta de outros peixes, podendo ser

    considerado um predador

    topo.

    Considerando a eficincia do fluxo de energia entre os

    diferentes nveis trficos

    nas redes trficas marinhas

    como o principal

    determinante do tamanho das populaes de peixes,

    justifique a diferena de preo entre as duas

    espcies.

    Gabarito comentado: Espcies que se alimentam

    nos nveis trficos mais baixos, nos quais h muita

    energia disponvel, formam populaes com grande

  • 75

    nmero de indivduos. J as espcies que se alimentam

    em nveis trficos mais

    altos, nos quais h menos

    energia disponvel, formam

    populaes com poucos indivduos. Os preos desses

    peixes no mercado esto

    relacionados a essas diferenas no nmero de

    indivduos: quanto menos indivduos, maior tende a

    ser a escassez e maior o

    preo.

  • 76

    Caia na rede!

    O que voc sabe sobre os

    consumidores?

    Teste seu conhecimento sobre os seres vivos que

    precisam consumir

    alimentos a partir de outros:

    http://skoool.pt/content/biology/animals_as_consu

    mers/index.html

    http://skoool.pt/content/biology/animals_as_consumers/index.htmlhttp://skoool.pt/content/biology/animals_as_consumers/index.htmlhttp://skoool.pt/content/biology/animals_as_consumers/index.html

  • 77

  • 78

    Unidade 17

    Interaes Ecolgicas A

    Teia da Vida

    Para incio de conversa

    Uma das caractersticas

    mais importantes do fazer cientfico a busca pelos

    padres da natureza. A

    observao, a experimentao e a

    interpretao dos dados so

    as principais formas que os

    cientistas tm para reconhecer e compreender

    os padres.

  • 79

    Quando buscam uma definio para a vida, os

    cientistas procuram pelos

    padres, configuraes que

    aparecem repetidamente.

    Uma delas o fato de que todos os seres vivos so

    formados por clulas, tm

    um metabolismo que consome matria e energia,

    se reproduzem, evoluem e se relacionam com outros

    seres vivos.

    Todos os membros de

    uma comunidade ecolgica so interligados em uma

    vasta rede de

    relacionamentos: a Teia da

    Vida! Cada um deles

    consegue atender s suas

  • 80

    necessidades de obter matria e energia para

    manter-se vivo a partir dos

    seus relacionamentos com

    todos os outros.

    Interdependncia a natureza de todos os

    relacionamentos ecolgicos.

    Na invisvel Teia da Vida,

    cada ser vivo interfere na existncia de todos os

    outros seres. O Ser Humano, em especial, interfere de

    forma muito intensa nessa

    Teia, desde que surgiu no planeta.

    Nesta Unidade, vamos

    aprofundar um pouco mais o

    olhar sobre as interaes ecolgicas, as relaes que

    sustentam as comunidades

  • 81

    de seres vivos. Tornar visvel a Teia da vida e

    compreender a delicadeza

    do equilbrio dessas

    relaes pode ser um

    pequeno passo para voc, mas um passo gigante

    para a humanidade em

    busca da sua prpria sobrevivncia.

  • 82

    Figura 1: No planeta Terra, todos os seres vivos

    relacionam-se entre si. Como uma aranha fiandeira,

    a vida molda a sua Teia,

    interligando os seres vivos em uma dinmica complexa,

    que toma formas belssimas!

  • 83

    Vamos observar essas formas com olhos mais

    atentos?

    Objetivos de aprendizagem

    . Analisar as interrelaes e

    interdependncias entre os diferentes organismos e

    com os fatores abiticos do

    meio, explicando como essas relaes contribuem

    para a estabilidade do

    ecossistema.

    . Investigar como as

    mudanas nas condies

    ambientais afetam os organismos e as dinmicas

    populacionais.

  • 84

    . Reconhecer a importncia da evoluo nos processos

    biolgicos e no surgimento

    da biodiversidade.

    . Exemplificar a Seleo Natural.

    Seo 1

    Decifrando os padres

    Observando atentamente

    as interaes entre os seres vivos, os cientistas

    reconheceram vrias formas

    pelas quais eles podem

    interagir. As interaes

    ocorrem tanto entre seres da mesma espcie (Relaes

    Intraespecficas) como

  • 85

    entre seres de espcies diferentes (Relaes

    Interespecficas).

    Alm disso, podem ser

    classificadas como Harmnicas ou

    Desarmnicas (caso pelo

    menos um dos participantes

    da relao seja prejudicado

    de alguma forma com a relao). Assim, as

    possibilidades de interaes podem ser resumidas pelas

    combinaes: neutras (0),

    positivas (+) e negativas (-), como se segue para os

    organismos envolvidos nas

    relaes:

    (0) (0), (-) (-), (+) (+),

    (+) (0), (-) (0) e (+) (-).

  • 86

    As combinaes que so observadas na natureza

    esto representadas na

    Tabela 1.

    Tabela 1: Na Natureza, os seres podem interagir entre

    si de diversas maneiras.

    Aqui, esto representados

    os diversos tipos de

    interaes ( direita), as quais podem ser neutras,

    harmnicas ou desarmnicas e ocorrerem

    dentre seres da mesma

    espcie ou de espcies diferentes.

  • 87

    Relaes

    Neutras

    Neutra-

    lismo (0) (0)

    Relaes

    Harmnicas

    Intraespe

    cfica

    Colnia

    (+) (+)

    Socie-dade

    (+) (+)

    Interes-

    pecfica

    Simbi-

    ose (+) (+)

    Proto-

    coope-

    rao (+) (+)

    Comen-

    salismo

    (0) (+)

  • 88

    Relaes

    Desarm-nicas

    Interespe

    -cfica

    Amen-

    salismo (0) (+)

    Parasi-

    tismo

    (-) (+)

    Preda-

    o

    (-) (+)

    Compe-tio

    (-) (-)

    Intra-

    especfica

    Compe-

    tio (-) (-)

    Caniba-

    lismo

    (-) (+)

  • 89

    Dizer que uma relao

    neutra o mesmo que dizer

    que no h relao direta entre as populaes.

    Estudaremos a seguir os casos em que a relao se

    d de forma positiva, ou seja, uma populao afeta

    outra, de alguma forma,

    favorecendo-se entre si.

    SEO 2

    Relaes Harmnicas

    Intraespecficas

  • 90

    Nas relaes harmnicas no h prejuzo para

    nenhum dos participantes

    da relao. Nesta seo

    veremos casos de relaes

    harmnicas entre seres da mesma espcie.

    Colnias

    Se voc j mergulhou alguma vez com

    equipamento de mergulho

    prximo a um costo

    rochoso, voc j deve ter visto um coral! Os corais so

    colnias formadas por

    vrios plipos, ou seja,

    pequenos animais do filo

    dos cnidrios.

  • 91

    Verbete

    Cnidrios

    seres vivos, pertencentes ao Reino dos animais,

    caracterizado por viverem exclusivamente em

    ambientes aquticos;

    possurem corpos simples;

    apresentarem clulas

    especiais, os cnidocistos, especializadas em capturar

    presas, injetando uma toxina nelas.

    ******

    Saiba Mais

    Colnias so agrupamentos de indivduos da mesma

    espcie, unidos anatomicamente. Os

    indivduos de uma colnia

  • 92

    dependem tanto do conjunto que eles so

    incapazes de viver

    isoladamente.

    ******

    A costa brasileira

    repleta de formaes

    coralinas, como o Atol das

    Rocas e o recife de corais da

    praia de Boa Viagem, em Recife, capital de

    Pernambuco. No menos belas e famosas so as

    barreiras de corais de Porto

    Seguro, no sul da Bahia. Os recifes so considerados os

    ecossistemas que tm a

    maior biodiversidade em

    nosso planeta, to grande

    o nmero de espcies que vivem associadas aos corais.

  • 93

    Tambm formam colnias seres como bactrias,

    protozorios, algas, alm de

    um outro cnidrio, a

    caravela, que tem forma de

    medusa.

  • 94

    Figura 2: Um coral (

    esquerda) e uma caravela (

    direita), ambos so colnias

    de cnidrios, um dos

    animais mais simples do Reino.

    Saiba Mais Quando foi Lua, o Homem

    fez muitas fotografias da

  • 95

    Terra. Estvamos curiosos para conhecer o nos-so

    planeta de um novo ngulo.

    Onde no est co-berto de

    nuvens possvel ver

    detalhes da nossa geografia, como cordilheiras e

    oceanos. O estudo atento

    das fotografias revelou que h apenas duas coisas

    construdas por seres vivos que podem ser identificadas

    da Lua: a Muralha da China

    e a Grande Barreira de

    Corais da Austrlia

    (formada por diversos minsculos plipos de cni-

    drios, seres parentes da gua-viva). D uma olha-da

  • 96

    nessa fotografia tirada por um satlite:

    ******

    Sociedades

    Abelhas, formigas e cupins

    so insetos sociais.

  • 97

    Importante As sociedades so

    agrupamentos de indivduos

    que, embora no

    apresentem qualquer tipo

    de ligao anatmica, desenvolveram o

    comportamento gregrio, ou

    seja, tm uma grande tendncia de viverem

    juntos.

    comum que nas sociedades ocorra uma

    diviso de tarefas entre os

    seres associados. Em alguns

    casos, os seres da

    comunidade apresentam

  • 98

    diferentes formas corporais de acordo com a tarefa que

    desempenham. Por

    exemplo, nas sociedades

    dos cupins, os operrios so

    formados por machos e fmeas estreis. Os

    soldados tambm so ma-

    chos e fmeas estreis, s que apresentam mandbulas

    e patas bem mais fortes para proteger a sociedade.

    Machos e fmeas frteis

    apresentam asas poca do

    acasalamento e a rainha

    tem seu abdmen aumentado centenas de

    vezes e pode botar milhares de ovos por dia. Em uma

    mesma sociedade, cada grupo fisicamente diferente

  • 99

    forma o que conhecido como casta.

    Verbete

    Estril

    aquele indivduo que no pode se reproduzir.

    Esterilidade o contrrio de

    fertilidade. Frtil aquele

    que pode se reproduzir.

    ******

    Tambm apresentam o comportamento gregrio de

    formao de sociedades animais como peixes

    (formam cardumes), aves

    (bandos), ces (matilhas),

    lobos (alcateias), bfalos e

    elefantes (manadas) e primatas, como os micos,

  • 100

    macacos, gorilas e o homem.

  • 101

  • 102

    Figura 3: A diviso de tarefas nas sociedades de

    cupins to forte que

    moldou seus corpos ao

    longo da evoluo. Aqui, de

    cima para baixo, vemos um operrio, um soldado, e em

    seguida uma rainha com o

    abdmen repleto de ovos. Repare que o exoesqueleto

    no consegue cobrir completamente seu corpo e

    forma plaquinhas que do

    ao seu abdmen o aspecto

    rajado.

    Verbete

    Exoesqueleto

    esqueleto que recobre a

    superfcie do corpo de certos animais, tais quais os insetos

  • 103

    e crustceos (siris, camares,

    dentre outros)

    Atividade 1

    O mundo secreto das

    formigas Voc j deve ter

    reparado que as formigas

    doceiras, aquelas que

    andam pelas paredes de nossas cozinhas, caminham

    sempre em fila indiana

    como se seguissem uma

    trilha invisvel. Procure uma trilha de formigas e

    esfregue o dedo

    perpendicularmente ao caminho delas quando elas

    no estiverem passando e

  • 104

    observe o que acontece a partir da. Sabendo que as

    formigas possuem um

    cheiro que somente elas

    sentem e que responsvel

    por identific-las, mantendo-as prximas,

    descreva o comportamento

    das formigas e elabore uma hiptese para explic-lo,

    levando em considerao o seu hbito gregrio e as

    suas diferentes castas.

    Seo 3 Relaes Harmnicas

    Interespecficas

    Desta vez, vamos no debruar sobre as relaes

  • 105

    harmnicas entre seres de espcies diferentes.

    Simbiose

    A alimentao dos cupins baseada em fontes de

    origem vegetal, como a madeira e o papel. Acontece

    que os cupins, como os

    outros animais, no possuem enzimas capazes

    de digerir a celulose

    presente na parede celular

    que reveste as clulas vegetais. Ento, como os

    cupins conseguem retirar os

    nutrientes das clulas dos

    vegetais? A arma secreta

    dos cupins uma parceria com protozorios que vivem

  • 106

    em seu tubo digestivo. Os protozorios so capazes

    de digerir a celulose, e

    quando fazem isso para

    alimentar-se desmancham o

    revestimento das clulas

    vegetais permitindo que as enzimas digestivas do cupim

    faam a digesto das clulas vegetais.

    J foi observado que quando nascem os cupins

    so alimentados por cupins operrios babs com

    pelotas de fezes de cupins

    adultos. Em experimentos onde larvas de cupim eram

    isoladas da colnia e

  • 107

    alimentadas somente com madeira aps nascerem,

    ficou claro que a coprofagia

    fundamental para

    colonizar seus tubos

    digestivos com protozorios que os ajudam a digerir

    seus alimentos. Porque as

    larvas de cupim que no comiam as fezes dos adultos

    simplesmente morriam por falta de alimentao mesmo

    comendo madeira

    vontade. Sem os

    protozorios, eles sim-

    plesmente no conseguem sobreviver.

  • 108

    Verbetes

    Larva um estgio de vida pelo

    qual alguns seres vivos passam antes de chegar

    fase adulta.

    Coprofagia:

    ato de ingerir fezes.

    ******

    Mas essa relao tambm

    fundamental para os

    protozorios que recebem,

    no tubo digestivo dos

    cupins, abrigo e alimentao. A relao entre

    os cupins e os protozorios que digerem celulose para

    eles conhecida como

    simbiose.

  • 109

    Saiba Mais A simbiose um tipo de

    mutualismo (existe

    benefcio mtuo, ou seja,

    para as duas espcies

    envolvidas) em que a interdependncia to

    grande a ponto de eles no

    serem capazes de viver isoladamente.

    ******

    H muitos outros belos

    exemplos de simbiose.

    Dentre eles se destacam:

    .Liquens associaes de

    algas com fungos. Os

    fungos, que so seres

    incapazes de produzir seu alimento (heterotrficos),

  • 110

    garantem para as algas a umidade da qual elas

    dependem para viver fora

    dgua. Em troca, as algas

    dividem com os fungos

    parte dos alimentos que elas produzem na fotossntese.

    No porque elas sejam

    justas, mas sim porque elas precisam manter os fungos

    vivos para a sua prpria sobrevivncia.

    .Micorrizas associaes

    de fungos com razes de

    plantas. Os fungos aumentam a superfcie de

    absoro de nutrientes,

    facilitando a germinao e a

    nutrio adequada de vrias

    plantas. Como isso interessante para as plan-

  • 111

    tas, elas cultivam os fungos

    com parte dos acares que

    elas produzem na

    fotossntese para mant-los vivos, prestando seus

    servios.

    Protocooperao

    Voc j deve ter visto

    como comum ver aves

    pousadas nas costas de bois

    pastando. E elas no esto ali por acaso, mas sim em

    busca de alimentos no meio

    do pelo. Isso mesmo, elas

    comem carrapatos que

    esto presos pele dos bois, sugando seu sangue.

  • 112

    No preciso nem dizer o quanto isso bom para o

    boi, que fica livre desses

    incmodos parasitas e

    tambm para os pssaros,

    que ficam de papo cheio.

    Figura 4: O bovino aqui da

    foto conta com a ajudinha

    do amigo pssaro para se livrar dos indesejados

    carrapatos. E o pssaro, de

  • 113

    papo cheio, tambm agradece.

    Nessa relao tambm h

    benefcio para os dois (o boi

    e o pssaro). No entanto, o pssaro no depende exclu-

    sivamente dos carrapatos

    do boi para sobreviver, pois

    consegue achar alimentos tambm em outros lugares.

    E o boi tambm consegue

    sobreviver mesmo com os

    incmodos carrapatos.

    Importante

    A protocooperao uma

    relao de mutualismo (de benefcio mtuo entre

    animais de diferentes es-

  • 114

    pcies) em que os seres no dependem dessa relao

    para sua sobrevivncia,

    mesmo ela sendo boa para

    ambas as partes.

    ******

    Figura 4: O bovino aqui

    da foto conta com a

    ajudinha do amigo pssaro

    para se livrar dos indesejados carrapatos. E o

  • 115

    pssaro, de papo cheio, tambm agradece.

    Nessa relao tambm h benefcio para os dois (o boi

    e o pssaro). No entanto, o pssaro no depende exclu-

    sivamente dos carrapatos

    do boi para sobreviver, pois

    consegue achar alimentos

    tambm em outros lugares. E o boi tambm consegue

    sobreviver mesmo com os incmodos carrapatos.

    Importante

    A protocooperao uma relao de mutualismo (de

    benefcio mtuo entre

    animais de diferentes es-pcies) em que os seres no

  • 116

    dependem dessa relao para sua sobrevivncia,

    mesmo ela sendo boa para

    ambas as partes.

    ******

    H muitos exemplos de

    protocooperao. Dentre eles se destacam:

    .Peixe-palhao e

    anmonas-do-mar as

    anmonas so cnidrios que

    se alimentam de animais

    como peixes que, ao tocarem em seus tentculos,

    so paralisados pelassuas toxinas. Os peixes-palhao

    no correm esse risco

    porque possuem uma

  • 117

    proteo contra as toxinas das anmonas, ento eles

    usam as anmonas como

    abrigo, beneficiando-se da

    proteo que elas lhes

    proporcionam contra predadores. As anmonas

    acabam sendo beneficiadas,

    pois os peixes-palhao atraem predadores que

    viram presas para elas.

  • 118

    .Formiga e pulgo os

    pulges alimentam-se de

    seiva de plantas e sofrem com o ataque das

    joaninhas, que so suas

    predadoras. Mas os pulges

    costumam ser protegidos,

    por formigas, contra as joaninhas. O interesse das

  • 119

    formigas em proteger os pulges que elas se

    alimentam do excesso de

    seiva que sai do nus dos

    pulges e precisam deles

    vivos. Como voc pode ver, embora no haja

    dependncia entre formigas

    e pulges, a relao interessante para as duas

    populaes.

  • 120

    Comensalismo

    Muita gente acha que

    toda planta que cresce em

    cima de outra planta

    parasita, ou seja, retira seiva e acaba matando a

    hospedeira. Isso at acontece, com veremos

    mais adiante, mas muitas das plantas que nascem

  • 121

    sobre as outras (chamadas, por isso, de epfitas) esto

    apenas pegando uma

    carona na hospedeira em

    busca de luz. Esse o caso

    das orqudeas e bromlias, que no causam prejuzo

    algum s rvores onde

    crescem. Mas tambm no causam benefcio. Para a

    rvore hospedeira, indiferente a presena ou

    no das epfitas.

    Importante

    Comensalismo essa

    relao em que um ser se

    beneficia da relao com

  • 122

    outro ser, sem lhe causar prejuzo nem benefcio.

    ******

    O mesmo ocorre com

    aqueles pssaros que ficam em volta dos animais que

    esto no pasto, como bois e

    cavalos. H casos em que

    eles no comem os

    carrapatos (que seria uma protocooperao), mas

    apenas insetos que estavam

    no meio da vegetao e que

    pulam ou voam para fugir

    do pisoteio do animal.

    Atividade 2

    O prejuzo do fogo No

    Brasil, ainda muito

    comum o hbito de fazer

  • 123

    a coivara, usar fogo para a lim-peza de uma rea

    que se deseja usar para o

    plantio. Sabendo que as

    sementes de muitas

    plantas dependem de uma simbiose com fungos

    presentes no solo para

    germinar, explique por que o uso do fogo to

    prejudicial. ******

    Seo 4

    Relaes Desarmnicas

    Interespecficas

    Nas relaes

    desarmnicas, pelo menos

    um dos participantes

    prejudicado pela relao.

  • 124

    Nesta seo, vamos conversar sobre as relaes

    desarmnicas entre seres de

    espcies diferentes.

    Amensalismo

    Quando manadas de bfalos ou elefantes se

    deslocam, causam um

    grande estrago por onde passam. Plantas e pequenos

    animais morrem pisoteados.

    Embora a relao seja fatal

    para os pequenos seres, os animais que lhes

    provocaram prejuzos no

    obtiveram, com isso,

    benefcio nem prejuzo.

  • 125

    Importante

    Amensalismo este tipo de

    relao na qual h seres

    prejudicados com a relao sem inteno, benefcio nem

    prejuzo do outro.

    Parasitismo

    Uma boa parte das doenas que podemos ter

    causada por parasitas como vrus, bactrias,

    protozorios, fungos e

    vermes. Insetos e aracndeos tambm usam e

    abusam de outros seres; e,

  • 126

    quem diria, at as plantas podem ser parasitas de

    outras plantas!

    Importante

    Identificamos o parasitismo quando um organismo ataca

    e consome partes de um

    organismo muito maior do

    que ele mesmo. Neste tipo de relao, o hospedeiro

    prejudicado pelo benefcio

    que o parasita tira dele.

    ******

    Embora a maioria dos

    vermes no seja parasita, os poucos do grupo que so

    parasitas fazem a sua m fama: tnias,

    esquistossomos, lombrigas,

  • 127

    filrias, oxiros e ancilstomos so alguns dos

    vermes mais famosos que

    podem atacar seres

    humanos.

    A ameba (causadora da

    amebase), o tripanossomo

    (causador da doena de

    Chagas) e o plasmdio

    (causador da malria) esto entre os protozorios

    parasitas de seres humanos. Mas bom lembrar que

    existem muitas espcies de

    protozorios de vida livre ou com relaes harmnicas

    com outros seres.

    No poderamos deixar de

    falar dos vrus, parasitas obrigatrios de outros

  • 128

    seres, uma vez que no possuem estruturas

    celulares capazes de

    desempenhar as funes

    vitais. Gripe, herpes,

    hepatite e AIDS esto entre doenas humanas causadas

    por vrus.

    Figura 5: Alm dos citados,

    os humanos possuem

    diversos outros parasitas. Dentre os parasitas da pele

  • 129

    humana, esto os carrapatos, como os da

    imagem, as pulgas, os

    piolhos, as larvas de moscas

    e os caros.

    A erva-de-passarinho uma planta parasita de

    outras. Ela nasce de sementes deixadas por aves

    nos galhos das rvores. Quando germina, ela lana

    razes com uma

    especializao para perfurar o caule da outra planta a fim

    de sugar a seiva; so razes sugadoras. A erva-de-

  • 130

    passarinho se desenvolve como um cip, cobrindo a

    copa da outra planta, mas

    ela retira a seiva bruta, que

    contm apenas gua e sais

    minerais, e faz fotossntese para produzir a sua prpria

    seiva elaborada. Por isso, a

    erva-de-passarinho considerada um meio-

    parasita (hemiparasita).

    O cip-chumbo outra planta parasita, mas com

    uma estratgia um pouco

    diferente da erva-de-passarinho. Embora seja um

    vegetal, ele deixou de fazer

    fotossntese e suga seiva

    elaborada. Por isso, o cip-

    chumbo considerado um

  • 131

    parasita completo (holoparasita).

    Predao

    Gavies, entre outras coisas, comem cobras.

    Cobras costumam alimentar-se de sapos.

    Sapos so insetvoros. Entre

    os insetos que os sapos comem esto os grilos, que

    por sua vez so herbvoros.

    Embora aqui esteja

    representada de forma simplificada, esta uma

    tpica cadeia alimentar

    baseada na predao.

    Verbete

    Insetvoro

  • 132

    animal que se alimenta de insetos.

    ******

    Importante Predao uma relao

    desarmnica em que um ser mata o outro para

    alimentar-se dele.

    ******

    Na Natureza, muito

    raramente um predador

    come apenas um tipo de presa, e frequentemente

    mais de um tipo de predador come a mesma presa. Ento,

    a cadeia transforma-se numa teia complexa quando

    traamos todas as relaes

    predadores-presas de uma

  • 133

    comunidade. Essa a Teia Alimentar, que sustentada

    por um delicado e complexo

    equilbrio das relaes entre

    os seres vivos que dela

    participam.

    Saiba Mais

    Plantas carnvoras? Acho

    que no, hein?! Plantas carnvoras, na

  • 134

    verdade, costumam ser insetvoras, e nem por isso

    deixam de ser seres

    autotrficos, produtores de

    seu prprio alimento. Essas

    plantas desenvolveram a capacidade de atrair e

    prender insetos para

    absorver os nutrientes de seus corpos. Essa foi uma

    adaptao dessas plantas a ambientes pobres em

    nutrientes, especialmente

    nitrognio, essencial para o

    crescimento das plantas e

    abundante na protena presente no corpo dos

    animais. As insetvoras no tm um tubo digestivo como

    o dos animais e raramente conseguem capturar

  • 135

    animais maiores que os insetos. Logo, no so

    carnvoras de verdade.

    ******

    Predadores procuram por presas que atendam s suas

    necessidades nutritivas e

    cuja captura no oferea um

    risco muito grande de danos. Por isso, h

    geralmente uma grande

    diferena entre predador e

    presa (de tamanho ou de

    fora). E por isso que geralmente a presa prefere

    fugir a ficar e enfrentar o

    predador. As que

    apresentarem esse

    comportamento tendem a

  • 136

    ser eliminadas, justamente por causa dessa disputa

    desleal.

    Saiba Mais

    O controle biolgico de pragas um mtodo usado

    como alternativa ao uso de

    pesticidas. A ideia

    responder invaso de uma praga com a introduo de

    inimigos naturais dela,

    como predadores ou

    parasitas especficos.

    Embora seja uma tcnica recomendada para a

    agricultura orgnica, a

    introduo de espcies

    sempre gera riscos de

    desequilbrios ecolgicos e deve ser feita com cautela e

  • 137

    sob a orientao de especialistas experientes.

    ******

    Competio Interespecfica

    Todas as plantas precisam

    da luz do Sol para fazer fotossntese. Nas florestas,

    todas as plantas de todas as

    espcies esto disputando por luz o tempo todo.

    Crescer, ramificar-se,

    crescer sobre outras

    plantas, aumentar o tamanho de suas folhas e

    at mesmo produzir uma

    toxina que retarda o

    crescimento das adversrias

    so algumas estratgias usadas entre os

  • 138

    concorrentes de uma verdadeira corrida

    armamentista.

    Entre animais, as disputas

    so ainda mais fervorosas. Disputas territoriais so

    comuns entre vrias

    espcies. O que est em

    jogo a disputa pela

    explorao dos mesmos recursos, no mesmo

    territrio e ao mesmo tempo.

    Um recurso qualquer coisa usada diretamente por

    um organismo que pode levar ao crescimento da

    populao e que tem a

    quantidade reduzida quando usada, como, por exemplo,

    comida, espao, luz, gua

  • 139

    etc.

    como temperatura, umidade, salinidade e pH,

    mesmo que tenham forte influncia sobre o tamanho

    da populao, no so considerados recursos,

    porque no podem ser

    consumidos nem

    monopolizados.

    Cada espcie sobrevive

    explorando certo conjunto

    de recursos. Isso define o seu nicho ecolgico,

    tambm entendido como o papel desempenhado por

    esta espcie no

  • 140

    ecossistema. Se no existissem competidores,

    predadores e parasitas em

    seu ambiente, uma espcie

    seria capaz de viver sob

    maior amplitude de condies ambientais (seu

    nicho fundamental) do que

    faria na presena de outras espcies que a afetam

    negativamente (seu nicho realizado). Por outro lado, a

    presena de espcies

    benficas pode aumentar a

    gama de condies em que

    uma espcie consegue sobreviver.

    Recursos cuja reposio

    menor que o consumo so

    considerados recursos limitantes. Eles influenciam

  • 141

    a abundncia e a distribuio das espcies.

    Os recursos que no so

    limitantes tm uma

    influncia muito pequena

    sobre a dinmica populacional de uma

    espcie. Por exemplo, para

    os animais terrestres a quantidade de gs oxignio

    disponvel para a respirao no um fator limitante.

    Isso porque o oxignio, com

    seus quase 21% na

    composio da atmosfera,

    est sempre acima do nvel mnimo de consumo. No

    ambiente de gua doce, onde a concentrao

    mxima de gs oxignio

  • 142

    dissolvido apenas 0,5%, quase sempre os

    organismos consomem todo

    o gs e este se torna um

    recurso limitante. Eclogos

    de ambientes aquticos, ao contrrio de eclogos de

    ambientes terrestres,

    prestam muita ateno aos nveis de gs oxignio.

    Importante

    A competio uma relao

    de disputa pelo uso de um

    recurso que limitado. Ela ocorre entre seres que

    procuram pelos mesmos

    recursos, no mesmo local e

    ao mesmo tempo, ou seja,

    compartilham o mesmo nicho ecolgico e o mesmo

  • 143

    hbitat. ******

    No haver competio se

    as populaes das

    espcies que usam um mesmo recurso habitam

    lugares diferentes,

    porque evidentemente

    elas no estaro disputando o consumo

    daquele recurso no

    mesmo lugar.

    Atividade 3

    O tempo de cada

    espcie...

  • 144

    Os parasitas usualmente tm tempo de

    gerao muito mais curto

    do que seus hospedeiros.

    Consequentemente, eles

    deveriam ser capazes de evoluir mais rapidamente.

    Pensando em termos

    evolutivos, o que impede que os parasitas evoluam

    a ponto de superarem completamente a

    resistncia de seus

    hospedeiros e extermin-

    los?

    ******

    Seo 5 Relaes Desarmnicas

    entre Seres da Mesma Espcie

  • 145

    Competio Intraespecfica

    Os sapos, pererecas e rs,

    todos do grupo dos anuros

    tm umcomportamento

    reprodutivo muito caracterstico. Os machos

    vocalizam para atrair as

    fmeas. Em regra, quanto

    mais alto um macho

    vocalizar, maiores so as suas chances de

    reproduo. Mas quando

    vocaliza, alm de atrair as

    fmeas, os machos tambm

    atraem predadores.

    Como nas aves, cada espcie de anuro tem uma

    vocalizao caracterstica.

    Por isso, quando um macho

  • 146

    de uma espcie no encontra concorrentes, ele

    vocaliza apenas um pedao

    da sua cano. Assim, ele

    avisa s fmeas da sua

    localizao, mas no se expe tanto predao. Se

    houver um ou mais

    concorrentes, eles disputaro as fmeas voca-

    lizando o mais alto e o mais completo possvel, ainda

    que assim eles corram o

    risco de atrair predadores.

    Importante Seres da mesma espcie

    geralmente exploram os

    mesmos recursos. Como

    desempenham o mesmo nicho ecolgico, quando

  • 147

    dividem o mesmo hbitat onde um recurso

    limitante, competem por

    esse recurso. A competio

    intraespecfica ocorre

    frequentemente por territrio, alimento e

    parceiro sexual.

    ******

    O que est por trs deste

    comportamento competitivo

    a seleo das caractersticas que

    aumentam as chances de

    reproduo e perpetuao

    do seu material gentico.

    Cada ser escolhe o parceiro

  • 148

    que julga trazer mais bene-fcios para seus

    descendentes, garantindo a

    sobrevivncia deles e a

    transmisso do seu material

    gentico adiante.

    Canibalismo

    O louva-deus um inseto

    predador, devora vorazmente outros insetos

    que captura com suas

    tpicas patas dianteiras.

    Estas parecem em prece enquanto esperam a

    oportunidade para dar um

    bote em sua presa. Mas

    durante o acasalamento o

    louva-deus apresenta um comportamento estranho.

    Antes ainda do trmino da

  • 149

    cpula, a fmea comea a devorar o macho. Come-o

    por inteiro, da cabea aos

    ps, ou melhor, s patas.

    Importante Quando a predao

    acontece entre seres da

    mesma espcie, ela

    chamada de canibalismo.

    ******

    O canibalismo raro,

    porque a seleo natural

    tende a eliminar esse

    comportamento, afinal, teoricamente, ele reduz o

    nmero de indivduos

    daquela espcie, deixando-a

    mais vulnervel extino.

    Alm disso, como o

  • 150

    canibalismo ocorre entre seres da mesma espcie, a

    igualdade fsica deixa a

    captura da presa pelo

    predador bem arriscada e

    com grandes chances de no ser bem-sucedida ou

    provocar danos srios ao

    predador.

    Mas h casos em que, pelo contrrio, o canibalismo

    aumenta as chances de sucesso evolutivo da

    espcie. No caso do louva-

    deus, a interpretao que, aps cumprir seu papel

    reprodutivo, o macho mais

    til morto alimentando a

    fmea e garantindo recursos

    para o desenvolvimento dos embries e a postura dos

  • 151

    ovos do que vivo, competindo com os

    descendentes por recursos

    alimentares.

    Muitos animais criados presos apresentam o

    canibalismo como um

    distrbio comportamental

    gerado pelo estresse do

    cativeiro.

    Saiba Mais

    Hannibal Na espcie

    humana, o canibalismo considerado um desvio

    grave, como no caso do psicopata Hanni-bal,

    interpretado por Anthony

    Hopkins, no filme Silncio dos Inocentes. Mas a

  • 152

    antropologia j registrou tribos indgenas e

    aborgenas que adotam a

    prtica do canibalismo.

    Mas, nestes casos, o

    canibalismo tem mais a

    ver com aspectos

    religiosos subjetivos do

    que uma estratgia nutricional. Os ndios

    Tupinambs, por

    exemplo, acreditavam

    que ao derrotar um

    adversrio deveria comer a sua carne para

    incorporar a coragem do

    esprito dele. No era

    para matar a fome que

    estas tribos praticavam o canibalismo.

  • 153

    ******

    Seo 6

    Interaes Ecolgicas e

    Evoluo

    Pudemos ver claramente,

    nesta Unidade, que as

    interaes entre os seres vivos so fortes agentes de

    presso evolutiva. Relaes

    ecolgicas estreitas

    favorecem processos de

    seleo natural combinados nas duas populaes que

    interagem, onde a evoluo

    de cada um dependente da

    evoluo do outro. Isso

    acontece, por exemplo,

  • 154

    entre plantas e herbvoros, organismos grandes e os

    respectivos micro-

    organismos simbiontes ou

    parasitas e seus

    hospedeiros.

    Importante

    A coevoluo um tipo de

    evoluo da comunidade, envolvendo interao

    seletiva entre dois grupos

    de organismos com uma

    relao ecolgica estreita.

    ******

    Supe-se que a grande diversidade de plantas nos

    trpicos pode estar relacionada a uma grande

    diversidade de insetos

  • 155

    herbvoros. Atravs de mutaes casuais, as

    plantas produzem

    compostos qumicos que

    tornam suas folhas

    desagradveis para herbvoros. Tais plantas,

    protegidas, entram em uma

    nova zona de adaptao e, eventualmente, aquilo que

    comeou como mutao casual se espalha e pode

    caracterizar uma famlia

    botnica inteira. Se numa

    populao de insetos

    herbvoros surgir um mutante capaz de se

    alimentar de uma planta com paladar desagradvel,

    ele ter uma vantagem

  • 156

    sobre os outros insetos. Melhor alimentado, ele

    tender a crescer e se

    reproduzir melhor que os

    outros, espalhando sua

    caracterstica pela populao. Assim, a

    diversidade de plantas

    tende a aumentar a diversidade de insetos

    herbvoros e vice-versa.

    As relaes simbiontes tambm sugerem processos

    de coevoluo. o que

    parece ocorrer entre embabas e formigas do

    gnero Azteca. As formigas

    vivem em sociedade no

    interior do caule oco das

    embabas, de onde de-fendem ferozmente a rvore

  • 157

    que lhe d abrigo, reduzindo o ataque de outros insetos

    herbvoros. A seleo

    natural age de forma

    conjunta para as duas

    populaes, reforando as caractersticas dessas

    rvores e o comportamento

    das formigas.

    H inmeros exemplos de plantas que so polinizadas

    exclusivamente por uma espcie de inseto ou beija-

    flor. A anatomia da flor

    parece ter sido desenhada exclusivamente para uma

    abelha, mariposa ou beija-

    flor. E os animais, por sua

    vez, parecem ter o encaixe

    perfeito com bicos e

  • 158

    trombas compridos. Essa relao to especfica uma

    forte evidncia de

    coevoluo.

    Outro exemplo de

    coevoluo so o mimetismo e a camuflagem, adaptaes

    contra a predao. A

    diferena entre elas est na

    mensagem transmitida ao

    predador pelas mudanas no corpo da presa. Enquanto

    na camuflagem a presa tente a se confundir com o

    ambiente, no mimetismo a

    estratgia envolve ser visto, mas no identificado.

    Mariposas que se parecem

  • 159

    com folhas fazem camuflagem, pois passam

    despercebidas por pssaros

    que poderiam pred-las.

    Mas para o pssaro ela no

    est l.

    Mariposas que parecem

    ter olhos de coruja

    desenhados em suas asas

    so vistas por pssaros predadores de mariposas,

    mas no so incomodadas por eles porque eles pensam

    estar olhando para uma

    coruja. Geralmente fogem com medo. Estas mariposas

    fazem mimetismo porque

    sua aparncia confunde

    seus predadores. Elas so

  • 160

    vistas, mas eles julgam estar vendo outro ser.

    Um hospedeiro morto um problemo para um

    parasita. A seleo natural que age na evoluo dos

    parasitas segue duas linhas

    principais e estranhamente

    opostas. A primeira

    seleciona as adaptaes que aumentem a eficincia dos

    parasitas em retirar nutrientes de seus

    hospedeiros, como, por

    exemplo, o desenvolvimento de razes sugadoras nas

    epfitas parasitas. A outra

    linha a de reduzir os danos

    causados no hospedeiro, j

    que a sobrevivncia do parasita, muitas vezes,

  • 161

    depende da sobrevivncia do hospedeiro.

    possvel que essa reduo de virulncia possa

    ter levado alguns parasitas a coevoluir para uma

    relao de simbiose,

    quando, alm de reduzir a

    virulncia, passaram a

    contribuir de alguma forma para a sobrevivncia do seu

    ex-hospedeiro, para garantir a sua prpria

    sobrevivncia.

    Verbete

    Virulncia

    a intensidade com que um

  • 162

    organismo causa doena em outro.

    ******

    Os parasitas muito

    virulentos (agressivos) acabam investindo em

    contgio. Se vo esgotar os

    recursos, bom que

    consigam abandonar logo

    aquele hospedeiro e ir para outro, caso contrrio eles

    morrero.

    Atividade 1

    No seu pas tem palmeiras

    onde canta o sabi. Mas e se introduzirmos outro pssaro

  • 163

    que tambm use palmeiras como recursos?

    Espcies exticas so espcies no nativas de um

    ecossistema. Dentro do mesmo pas possvel

    provocar a introduo de

    espcies exticas ao

    transportarmos seres vivos

    de uma regio para outra. Elabore um texto explicando

    o risco da introduo de espcies exticas nos

    ecossistemas levando em

    conta o equilbrio entre predadores-presas,

    parasitas-hospedeiros e

    competidores.

    ******

  • 164

    Nesta Unidade, desvendamos as mais sutis

    relaes entre os seres

    vivos, uma verdadeira Teia

    da Vida. Comprometer a

    fragilidade do equilbrio desta teia refora o

    compromisso que temos

    com a conservao de toda diversidade de vida.

    Questes como Para que servem as baratas? so

    muito comuns. Ainda que

    algum possa questionar a

    importncia de alguns

    seres, agora voc sabe que cada ser desempenha um

    papel importante no equilbrio da vida.

    fcil perceber como as selees naturais entre

  • 165

    seres com relaes ntimas podem contribuir para o

    curso da evoluo no

    sentido da diversidade,

    interdependncia e

    equilbrio da comunidade.

    Talvez, a razo de ser da

    barata seja apenas ser.

    Recursos complementares

    So muito tensas as

    relaes entre o predador e a sua presa, pois a de

    sobrevivncia da populao de um influencia na

    sobrevivncia da populao do outro. Em outras

    palavras, se o nmero de

  • 166

    presas diminuir at se aproximar de zero, o

    nmero de predadores

    tambm vai diminuir, visto

    que a sua fonte alimentar

    secou.

    Ficou difcil de entender

    essa dinmica, ento vamos

    analisar um pouco mais

    profundamente.

    Quando um predador

    captura e come uma presa,

    ele reduz o tamanho da populao de presas. Para

    entender as complexas relaes entre os

    predadores e presas, devemos entender como a

  • 167

    densidade dessas ltimas influencia a facilidade com a

    qual elas so capturadas e a

    velocidade com a qual se

    reproduzem.

    Anlises de como variam

    as populaes de diversas

    relaes predadores-presas

    revelaram um padro muito

    caracterstico de flutuaes entre a populao de

    predadores e a de presas. Esse padro pode ser

    descrito da seguinte forma:

    um predador deve encontrar o suficiente para sobreviver,

    caso contrrio perde peso e,

    eventualmente, morre de

    fome. O nmero de

    predadores pode ser

  • 168

    reduzido pela morte ou pela emigrao, o que daria um

    alvio na populao de

    presas, permitindo um

    crescimento desta

    populao. Esse aumento poder, por sua vez,

    permitir um crescimento da

    populao de predadores. E assim por diante...

    Observe no grfico a

    seguir a flutuao de duas populaes: a da lebre

    (presa) e a da raposa. A

    densidade (nmero de indivduos por rea) da

    populao de lebre sempre

    diminui quando a da raposa

    aumenta. E, ao contrrio,

    quando a densidade de lebres diminui

  • 169

    drasticamente (porque foi muito predada), a de

    raposas tambm decai, pois

    o predador perde a

    abundncia de recurso

    alimentar.

  • 170

    Resumo

    .As interaes ocorrem tanto entre seres da mesma

    espcie (Relaes

    Intraespecficas) como entre seres de espcies

    diferentes (Relaes

    Interespecficas). E as

    interaes podem ser classificadas como

    Harmnicas (caso no haja

    prejuzo para nenhum dos

    participantes da relao) ou

    Desarmnicas (caso pelo menos um dos participantes

    da relao seja prejudicado

    de alguma forma com a

    relao).

    .As combinaes que so

    observadas na natureza

  • 171

    esto representadas a seguir:

    Relaes Neutras

    Neutra-lismo

    (0) (0)

    Relaes

    Harmnicas

    Intraespe

    cfica

    Colnia

    (+) (+)

    Socie-

    dade

    (+) (+)

    Interes-

    pecfica

    Simbi-

    ose

    (+) (+)

    Proto-coope-

    rao

    (+) (+)

    Comen-salismo

  • 172

    (0) (+)

    Relaes Desarm-

    nicas

    Interespe-cfica

    Amen-salismo

    (0) (+)

    Parasi-

    tismo (-) (+)

    Preda-o

    (-) (+)

    Compe-

    tio

    (-) (-)

    Intra-

    especfica

    Compe-

    tio

    (-) (-)

    Caniba-lismo

    (-) (+)

  • 173

    .Colnias so agrupamentos de indivduos da mesma

    espcie unidos

    anatomicamente. Os

    indivduos de uma colnia

    dependem tanto do conjunto que eles so

    incapazes de viver

    isoladamente.

    .As sociedades so agrupamentos de indivduos

    que, embora no apresentem qualquer tipo

    de ligao anatmica,

    desenvolveram o comportamento gregrio, ou

    seja, tem uma grande

    tendncia de viverem

    juntos.

  • 174

    .A simbiose um tipo de mutualismo (existe

    benefcio mtuo, ou seja,

    para os dois envolvidos) em

    que a interdependncia

    to grande a ponto de eles no serem capazes de viver

    isoladamente.

    .A protocooperao uma

    relao de mutualismo (de benefcio mtuo entre

    animais de diferentes espcies) em que os seres

    no dependem desta relao

    para sua sobrevivncia, mesmo ela sendo boa para

    ambas as partes.

    .Comensalismo uma

    relao na qual um ser se beneficia da relao com

  • 175

    outro ser, sem lhe causar prejuzo nem benefcio.

    .Amensalismo o tipo de relao em que h seres

    prejudicados com a relao sem inteno, benefcio nem

    prejuzo do outro.

    .Identificamos o parasitismo

    quando um organismo ataca e consome partes de um

    organismo muito maior do

    que ele mesmo. Neste tipo de relao, o hospedeiro

    prejudicado pelo benefcio

    que o parasita tira dele.

    . Predao uma relao desarmnica na qual um ser

  • 176

    mata o outro para alimentar-se dele.

    .A competio uma relao de disputa pelo uso de um

    recurso que limitado. Ela ocorre entre seres que

    procuram pelos mesmos

    recursos, no mesmo local e

    ao mesmo tempo, ou seja,

    compartilham o mesmo nicho ecolgico e o mesmo

    hbitat.

    .Seres da mesma espcie

    geralmente exploram os mesmos recursos. Como

    desempenham o mesmo nicho ecolgico, quando

    dividem o mesmo hbitat

    onde um recurso limitante, competem por

    esse recurso. A competio

  • 177

    intraespecfica ocorre frequentemente por

    territrio, alimento e

    parceiro sexual.

    .Quando a predao acontece entre seres da

    mesma espcie, ela

    chamada de canibalismo.

    . fcil perceber como as selees naturais entre

    seres com relaes ntimas

    podem contribuir para o

    curso da evoluo no

    sentido da diversidade, interdependncia e

    equilbrio da comunidade.

    Veja ainda...

  • 178

    Leia uma interessante reportagem sobre as

    relaes alimentares no

    ambiente marinho.

    .http://super.abril.com.br/mundo-animal/bobeou-

    virou-comida-443852.shtml

    Referncias

    .ODUM, Eugene. Fundamentos de ecologia.

    7 ed. Lisboa: Fundao

    Calouste Gulbenkian, 2004.

    927 p.

    .PURVES, William e outros.

    Vida, a cincia da biologia.

    6 ed. Porto Alegre: Artmed,

    2005. 1044 p.

    .DAWKINS, Richard. O gene

    egosta. So Paulo: Editora

  • 179

    da Universidade de So Paulo, 1979. 230 p.

    Respostas das atividades

    Atividade 1

    Voc deve ter percebido que quando atingem o ponto

    onde voc passou o dedo

    cortando seu caminho, as formigas se espalham,

    perdendo o rastro das que

    j passaram por ali.

    Isso acontece porque as

    formigas usam substncias

    qumicas para se comunicar, os feromnios. Elas

    literalmente deixam um rastro para marcar a trilha

    por onde passaram si-

  • 180

    nalizando o melhor caminho para quem vem atrs.

    Se voc ficar observando o experimento por mais

    tempo, voc notar que as formigas vo procurar uma

    passagem para reconectar

    seu caminho antigo e todas

    as formigas que passarem

    por ali depois seguiro o novo caminho neste trecho.

    Atividade 2

    Alm dos danos bvios

    como a morte de plantas e

    animais das reas queimadas e a poluio

    atmosfrica, a queimada mata tambm boa parte dos

    micro-organismos presentes

    no solo. Alguns deles so

  • 181

    fundamentais para o desenvolvimento das

    plantas por estabelecerem

    relaes simbiontes que

    auxiliam na germinao e na

    nutrio dos vegetais.

    Atividade 3

    Como sua sobrevivncia

    depende do seu hospedeiro, os parasitas tm uma

    seleo natural que leva em

    conta tambm as chances

    de sobrevivncia do hospedeiro. Esse argumento

    foi bem explorado um pouco

    mais adiante na Seo 6,

    que trata da relao entre

    as relaes ecolgicas e a evoluo dos seres

  • 182

    envolvidos na relao. Fica claro que uma tendncia na

    relao parasita-hospedeiro

    a reduo da virulncia,

    podendo o parasitismo, no

    limite, transformar-se numa relao simbionte.

    Atividade 4

    Quando introduzimos uma

    espcie extica em um

    ecossistema, alteramos o equilbrio nas relaes

    ecolgicas deste

    ecossistema. O novo ser

    pode ser uma ameaa s

    outras espcies por ser parasita, predador ou

  • 183

    competir com elas. Mesmo se o invasor estabelecer

    uma relao harmnica com

    alguma espcie preexistente

    no ecossistema, ele vai

    alterar o equilbrio de foras no ecossistema porque vai

    alterar a dinmica

    populacional da espcie beneficiada. No raro, a

    introduo de espcies exticas gera extines nas

    novas reas.

    O que perguntam por a?

    Questo 1 (ENEM 2008)

  • 184

    Um estudo recente feito no Pantanal d uma boa

    ideia de como o equilbrio

    entre as espcies, na

    natureza, um verdadeiro

    quebra-cabea. As peas do quebra-cabea so o

    tucano-toco, a arara-azul e

    o manduvi. O tucano-toco o nico pssaro que

    consegue abrir o fruto e engolir a semente do

    manduvi, sendo, assim, o

    principal dispersor de suas

    sementes. O manduvi, por

    sua vez, uma das poucas rvores onde as araras-

    azuis fazem seus ninhos.

    At aqui, tudo parece bem

    encaixado, mas... justamente o tucano-toco o

  • 185

    maior predador de ovos de arara-azul mais da

    metade dos ovos das araras

    so predados pelos tucanos.

    Ento, ficamos na seguinte

    encruzilhada: se no h tucanos-toco, os manduvis

    se extinguem, pois no h

    disperso de suas sementes e no surgem novos

    manduvinhos, e isso afeta as araras-azuis, que no

    tm onde fazer seus ninhos.

    Se, por outro lado, h

    muitos tucanos-toco, eles

    dispersam as sementes dos manduvis, e as araras-azuis

    tm muito lugar para fazer seus ninhos, mas seus ovos

    so muito predados.

  • 186

    Internet:

    (com adaptaes).

    De acordo com a situao

    descrita,

    a. o manduvi depende

    diretamente tanto do tucano-toco como da arara-

    azul para sua sobrevivncia.

    b. o tucano-toco, depois

    de engolir sementes de manduvi, digere-as e torna-

    as inviveis.

    c. a conservao da

    arara-azul exige a reduo da populao de manduvis e

    o aumento da populao de tucanos-toco.

    d. a conservao das araras-azuis depende

  • 187

    tambm da conservao dos tucanos-toco, apesar de

    estes serem predadores

    daquelas.

    e. a derrubada de

    manduvis em decorrncia do

    desmatamento diminui a disponibilidade de locais

    para os tucanos fazerem seus ninhos.

    Gabarito: Letra D.

    Comentrio: O texto do

    enunciado expe a delicada

    interao entre trs

    populaes diferentes: a de

    manduvis, araras-azuis e

  • 188

    tucanos-toco. Todas elas so interdependentes,

    portanto, para a

    conservao de uma,

    preciso que as outras duas

    sejam tambm conservadas.

    Questo 2 (ENEM 2008)

    O controle biolgico,

    tcnica empregada no combate a espcies que

    causam danos e prejuzos

    aos seres humanos,

    utilizado no combate lagarta que se alimenta de

    folhas de algodoeiro.

    Algumas espcies de

    borboleta depositam seus

    ovos nessa cultura. A microvespa Trichogramma

    sp. introduz seus ovos nos

  • 189

    ovos de outros insetos, incluindo os das borboletas

    em questo. Os embries da

    vespa se alimentam do

    contedo desses ovos e

    impedem que as larvas de borboleta se desenvolvam.

    Assim, possvel reduzir a

    densidade populacional das borboletas at nveis que

    no prejudiquem a cultura.

    A tcnica de controle biolgico realizado pela

    microvespa Trichogramma

    sp. consiste na:

    a. introduo de um parasita no ambiente da

    espcie que se deseja

    combater.

  • 190

    b. Introduo de um gene letal nas borboletas, a fim

    de diminuir o nmero de

    indivduos.

    c. competio entre a borboleta e a microvespa

    para a obteno de

    recursos.

    d. modificao do ambiente para selecionar

    indivduos melhor

    adaptados.

    e. aplicao de inseticidas a fim de diminuir o nmero

    de indivduos que se deseja

    combater.

    Gabarito: Letra A.

    Comentrio: A microvespa

    um parasita da borboleta,

  • 191

    uma vez que ela se beneficia de recursos desse animal

    para se manter vivo. Sua

    ao acaba por exterminar

    os embries da borboleta

    (presentes nos ovos).

    Caia na rede!

    Alimente-se!

    Quem disse que vida de ameba fcil? Alimentar-se

    pode ser um ato muito difcil

    quando mais predadores

    encontram-se prximos ao

  • 192

    seu alimento, ou seja, sua presa.

    Quer sentir isso na pele? Ento jogue:

    http://pt.searchgames.org/deluxes/jogar/food-

    chain_v1