Uma lngua, uma ortografia

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No existe nenhuma razo lgica para que uma mesma lngua mantenha tantas divergncias ortogrficas Uma lngua, uma ortografia Textos de divulgao do Acordo Ortogrfico (AO) Vital Moreira in Pblico, de 18 de Dezembro de 2007

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Escola Secundria Abel Salazar Textos de divulgao do Acordo Ortogrfico (AO)

Uma lngua, uma ortografia

No existe nenhuma razo lgica para que uma mesma lngua mantenha tantas divergncias ortogrficas()So grandes as vantagens da uniformizao ortogrfica(). Primeiro, a nova ortografia aproxima a lngua escrita da lngua falada (caso da eliminao das consoantes mudas no portugus europeu), o que bem-vindo. Segundo, no existe nenhuma razo lgica para que uma mesma lngua mantenha tantas divergncias ortogrficas entre duas normas nacionais, quando elas no correspondem a uma divergncia real na sua expresso oral. Terceiro, na era da Internet e dos contedos por ela disponibilizados, em que se torna essencial promover contedos em portugus, a existncia de duas normas ortogrficas com numerosas diferenas obriga a duplicaes e dificulta a expanso e globalizao da nossa lngua. Quarto, com o crescimento do intercmbio no espao lusfono, nos planos econmico, turstico, acadmico, das emisses televisivas, etc., a existncia de duas normas ortogrficas introduz um "rudo" comunicacional que perturba a criao de um espao lusfono sem barreiras lingusticas. Quinto, a convergncia ortogrfica numa nica norma oficial facilita a aprendizagem do portugus como lngua estrangeira, independentemente do pas onde ela ocorra.

Alis, se a reforma criticvel (e no existem reformas perfeitas...), s-lo- porventura por ser minimalista e pouco ambiciosa, no faltando aqueles (e entre eles me incluo) que defendem uma reviso mais abrangente da ortografia oficial, de modo a reduzir a sua enorme dificuldade e falta de coerncia, incluindo a uniformizao da correspondncia grfica de certos sons, a eliminao da versatilidade fontica de certos grafemas, sem esquecer de equacionar a supresso do h inicial, entre ns sempre mudo (como sucedeu no italiano). evidente que uma reforma desta envergadura tem poucas (ou nenhumas...) possibilidades de alguma vez vir a ser concebida. Mas sem ela dificilmente se deixar de cavar o fosso entre a verso oral da lngua e a sua verso escrita.

No considero procedentes os argumentos que tm sido lanados contra a reforma ortogrfica. No existe nenhuma ortografia sacralizada pela tradio, tendo havido vrias reformas ortogrficas nos ltimos cem anos. No faz sentido acusar a reforma de ser uma cedncia do "portugus" ao "brasileiro": primeiro, porque o Brasil de longe o principal "dono" da lngua; depois, porque as mudanas so bilaterais; por ltimo, porque na falta de unificao ortogrfica ser a norma brasileira a impor-se, dado o maior peso populacional do pas. No convincente o argumento sobre a dificuldade de adaptao das pessoas a uma nova ortografia, pois a experincia entre ns e l fora mostra que a transio para uma nova norma ortogrfica se faz sem grandes dificuldades para a generalidade dos utentes da lngua. Tampouco tem razo o argumento de que algumas alteraes, como a eliminao das consoantes mudas (de "projecto" para "projeto", por exemplo), cria o risco de provocar uma mudana na respectiva pronncia, ensurdecendo a vogal associada, pela simples razo de que a presena dessas consoantes no tem impedido esse resultado entre ns, como sucede hoje com a pronncia das palavras "actual", "actriz", etc., normalmente pronunciadas como "tual" e "triz".

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A ratificao portuguesa essencial, no somente para que o acordo entre efectivamente em vigor, mas tambm porque isso poder incentivar a ratificao do acordo ortogrfico e do protocolo adicional por parte de outros pases ainda em falta. altura de Portugal assumir as suas responsabilidades e obrigaes em relao lngua, sem tergiversaes nem duplicidades.

Vital Moreira in Pblico, de 18 de Dezembro de 2007 Actividade Promovida pela biblioteca da ESAS e pelo Departamento de Lnguas no mbito do Plano Nacional de Leitura (PNL) 2010-11

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