Uma horta para ser feliz

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    07-Apr-2016

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Uma horta para ser feliz de Marc Estevez Casabosch

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  • , NA CIDADE OU NO CAMPO,UM QUINTAL OU NUMA VARANDA!

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  • Voc pode faz-lo!Pode andar sobre cimento e asfalto, mas a terra oontlnua viva por baixo dos seus ps, esperando pacientemente uma greta na tf]oleira, um raio de luz que nela penetre, uma semente levada pelo vento que se converta em erva fresca. Voc terra, ns somos terra, e a natureza encarregar-se- de fechar o ciclo, aproveitando a matria que agora nos d forma para a ceder, quem sabe se a uma bonita planta aromtica de outro tempo. Saboreie todo o trajeto de vida que ela lhe ofereceu. Mastigue bem o presente e alimente o futuro, o seu e o de todos. Vivemos todos aqui debaixo do mesmo teto! Cuide dos valores, das emoes, da vontade de viver e de todas essas coisas que, felizmente, no tm preo. A sua horta uma delas.

    Com este livro pretendo abrir-lhe uma porta, oferecer-lhe uma oportunidade. Nada de lies nem de doutrinas. livre e tem o dever de se mostrar, de criar novos projetos que tenham a sua essncia gravada. Vim para lhe contar as minhas experincias e, principalmente, para lhe recordar o valor imenso das pequenas mudanas. H anos que investigo e semeio, que vivo ao ritmo da horta, mas recordo a primeira vez como se fosse ontem. Todos passmos por uma primeira vez. Porm, a produo biolgica fcil e divertida e, uma vez que comece, nada nem ningum o ir deter. Esquea a imagem buclica do campons eremita! At h pouco tempo, as grandes metrpoles estavam cheias de hortas muito frteis!

    Pode fazer uma horta a onde estiver. Na cidade, numa aldeia ou no campo. Num apartamento, numa casa com jardim ou num casario perdido. Que floresam alimentos por toda a parte! Deixe-se levar e faa tudo o melhor que puder, com pacincia e bom humor. Siga o seu instinto. Haver sementes que no germinam, ventanias e granizo inoportunos, mas ter sempre um sorriso nos lbios, desses que geram uma s inveja. Um sorriso de boa sade.O jardim comestvel que vai criar fornecer os melhores alimentos que alguma vez tenha sonhado e contribuir tambm com nutrientes e conhecimento para os tempos que esto para vir. Tempo para valorizar quem e at onde quer ir. Tempo de mudanas. Tempo para regressar terra e reencontrar as nossas raizes.

  • 9 Voc pode faz-lo!

    i3 Um pequeno gesto, uma grande revoluo

    21 Ponha uma horta na sua vida

    23 O calendrio da horta em PortugalMapas e anotaes para conhecer os perodos de semeadura, transplante e colheita de cada planta.

    24 Zona 1. Uma horta perto do mar

    2(> Zona 2. Caminhando rumo ao pr-litoral, mas ainda com vista para o mar

    2H Zona 3. O inverno teimoso do interior

    30 Zona 4. L onde a altitude e alatitude permitem geadas tardias

    32 Zona 5. E, por fim, os arquiplagos

    35 Desenho e planificao da hortaComea a parte mais divertida do jardim comestvel: imaginar e criar o nosso pequeno paraso.

    53 Uma vida autossuficienteJohn Seymour e os seus artefactos: reutilizemos um antigo barril de vinho como jardineira para morangos.

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    Que possibilidades de rega temos?Do regador clssico ao gota a gota automtico, para procurar a eficincia e o conforto.

    A fertilidade da terraCinco passos imprescindveis para desfrutar de uma terra s, frtil e equilibrada em nutrientes.

    Trabalhar com a Lua: o poder das influncias csmicas chega a todo o lado, at s alfaces!

    O acolchoamento: muito mais do que uma camada protetora e nutritiva

    A rotao: o equilbrio de que as suas hortalias necessitam

    A associao de produes: procura da relao perfeita, seja um par, trio ou orgia de plantas

    E, por fim, ter bons amigos debaixo da terra!

    Terras, ferramentas e fertilizantesSe adubar bem a terra, vai precisar de poucas ferramentas!

    O que posso plantar?Um jardim de hortaliasApresento-lhe algumas das espcies hortcolas que pode fazer crescer no seu jardim comestvel.

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  • Abbora/Aipo/Alcachofra/Alface/Alho / Alho-ftancs/ Batata/ Beringela / Brcolos/ Cannigos/ Cebola/ Cenoura/ Couve/ Couve-flor/ Curgete/Ervilha/Espargo/ Espinafre / Fava/ Feijo/ Melancia/ Melo / Morango/ Pepino/ Pimento/ Rabanete/Tomate

    133 A semeadura e o transplanteUm processo mgico e delicado: da semente s primeiras folhas.

    138 O sexo das plantasContemple a apaixonante vida sexual dos seus pepinos e junte-se festa!

    144 Ervas boas ou ms: eis a questoAs tarefas mnimas de manuteno do jardim comestvel.Corriola / Escorcioneir a

    148 Solues ecolgicas para prevenir pragas e doenas das plantasInsetos, fungos e outros elementos que o podem infernizar, e alguns conselhos para os despistar.

    154 Ervas aromticas, flores e outras plantas teisPlantas que curam outras plantas, flores que se comem, espcies medicinais... O complemento indiscutvel para a sua horta.

    Alecrim/ Amor-perfeito/ Borragem/ Calndula/ Capuchinha, Erva-cidreira/Hortel/Lavanda/ Malva/Maxyerico/Rom/ Salva/ Tomilho/ Tulipa

    176 A colheitaColher os frutos da esperana e da constncia.

    185 Fechando crculos186 Tesouro de sementes

    Como guardar as sementes para semear mais tarde e para novas temporadas.

    191 A compostagemRecicle os seus resduos orgnicos e consiga o melhor alimento para a horta.

    197 D u as g a lin h a s p a ra se r fe liz

    203 Devolva terra o que da terraE deixe que o ciclo feliz volte a comear!

    205 A horta em famlia!Um espao para aprender e partilhar com os mais pequenos da casa.

    210 Guia prtico de moradas e recursos teis

  • A produo biolgica j no uma opo, uma necessidade. Se quiser obter alimentos saudveis e conseguir que o seu jardim seja um osis de fertilidade, deve respeitar o ambiente, a terra e todos os organismos benficos que nela vivem.

    E incrvel ver como uma ao simples com milhares de anos de histria, as hortas de autoconsumo, se est a posicionar como um dos pilares bsicos da sociedade ps-capitalista que comeamos a construir. Gosto muito que seja assim e, acima de tudo, tranquiliza-me, porque nos faz saber que a vida, apesar de fazermos tudo o que possvel por complic-la, muito mais simples do que parece.

    Comer o que cultiva com as suas mos tem sido desde sempre um desafio revolucionrio para o ser humano. Contudo, agora a abordagem diferente! As hortas tradicionais, que antes eram um espao de trabalho quase forado, perfilam-se hoje como um espao de cio, um campo de aprendizagem para desfrutar e saborear a essncia da vida, enquanto nos oferecem alimentos saudveis. A horta, tal como a entendo, um espao criativo que nos ensina a ser pacientes, a trabalhar com serenidade e constncia, a tratar todos os elementos do nosso ambiente com a sensibilidade que merecem.

    So os pequenos gestos individuais que do forma realidade de todos. Se acredita que outro mundo possvel, comece por si prprio e crie uma horta. Pode plantar uma alface ou 50, no interessa. O que conta a inteno!

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  • Contemple a harmonia do ciclo feliz!A terra nutre as suas plantas, que, bem ouidadas, lhe ofereoem os seus frutos, folhas, flores e razes. Quando voc e os seus tiverem comido os manjares que ela oferece, os restos orgnicos passaro a satisfazer as necessidades nutritivas de duas galinhas encantadoras. As galinhas, agradecidas, poro os melhores ovos biolgicos do mundo. A partir daqu com os resduos orgnicos do galinheiro e toda a matria vegetal que tive (folhas secas, ramos e restos de poda, ervas espontneas, relva cortada., j pode elaborar um magnfico composto caseiro que lhe servir para adubar a terra. Finalmente, esta terra regenerada e frtil estar pronta para acolher novas plantas que crescero ss e fortes. Um ciclo favorvo que gira sem nunca parar! A sustentabilidade em estado puro, em sua ca

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  • Voltar natureza no significa abandonar as cidades para regressar ao campo. Pelo contrrio! H que reaproveitar os espaos em desuso. Uma varanda, uma janela, uma parcela de terreno abandonada, uma aoteia, um parque pblico, um jardim... Porqu semear relva onde podemos fazer crescer abboras e feijes?

    Atualmente, fala-se dos alimentos biolgicos como se fossem produtos especiais, produzidos de uma maneira diferente e carregados de propriedades virtuosas. So-no realmenteP Provavelmente, se a agricultura convencional no tivesse entrado numa espiral txica, cheia de elementos nocivos para a sade e substncias qumicas sintticas, virando costas aos processos biolgicos que acontecem pelo meio, hoje no poderamos definir o conceito biolgico. Se no nos tivssemos deixado seduzir, durante o sculo xx, por herbicidas, inseticidas e fertilizantes enganosos, criados por multinacionais envenenadas, talvez nunca tivessem existido sbios como Masanobu Fukuoka ou Rudolf Steiner, pais da agricultura natural e da biodinmica, respetivamente - ambos os mtodos so considerados variantes da produo biolgica. Ou talvez sim, mas no ,(r'am transcendido. O que lhes tento explicar que h io ooo anos que cultivamos alimentos, e que durante os primeiros 9900 dedicmo-nos produo biolgica, sem o saber nem querer. Era a nica maneira de cultivar que os nossos antepassados conheciam. Foi nos ltimos 100 anos, com o uso e abuso de produtos qumicos, que tivemos de criar um nome, uma denominao especial para poder reconhecer os alimentos saudveis c diferenci-los dos que no o so tanto. Mas parece que nos bastaram 100 anos de enganos e falsidade, e a produo biolgica, respeitadora do meio ambiente e sustentvel, est a espalhar-se como uma mancha de azeite.

    Os benefcios da horta salpicam todo o seu ambiente e vo para l dos alimentos nutritivos que lhe oferece. O trabalho que faz, a gente que o rodeia, as ideias que passeiam pela sua cabea, a natureza que respira...De uma ao pessoal nasce um benefcio global!

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  • Orvia Uorfca KuYvia. varanda pec|ueKa.,

    O livro que tem nas mos est estruturado em quatro blocos e pretende oferecer-lhe as diretrizes e os conselhos bsicos para que possa arrancar com xito o projeto da sua horta. Uma horta a que podemos chamar, pan sermos mais precisos, jardim comestvel. Gosto desta denominao! Ac que se ajusta mais realidade, j que no vamos plantar apenas hortali tambm flores comestveis, ervas aromticas e plantas teis de todo o tif partilharo o espao com tomates, ervilhas e alfaces.

    Este o primeiro bloco, umas pginas de boas-vindas que resumem a essncia do livro. Estou certo de que encontrar um bom lugar para comear a produzir! Ponha a imaginao ao servio dos neurnios, insph -se, olhe para tudo com uma nova perspetiva e deixe que as ideias fluam Entre recantos e possibilidades, que no falte nada! Quanto tiver a ment bem aberta, s fica a faltar o desejo e a vontade de dar o primeiro passo: desenhar e adequar o espao. \i- / ; ' i ...

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  • A felicidade autntica chega quando passa a aceitar os contratempos; a aceitar que nem todos os anos sero bons para o tomate, e que de vez em quando vai cair granizo que lhe dar cabo da colheita; a conviver com a fora da natureza, respeit-la e ter uma mente flexvel para se adaptar a qualquer situao. Esta a grande aprendizagem que a horta lhe proporciona.

    Um dos mitos que oio com frequncia e quero destruir agora mesmo aquele que diz que uma horta d muito trabalho. Uma horta requer uma certa constncia e um bom planeamento, tal como explicarei, mas nada mais. Sublinho-o desde o princpio porque, se tiver uma casa de fim de semana com jardim, ainda que no viva nela de uma forma permanente, no tem desculpa para recusar a minha proposta. Se se organizar bem, quando chegar a casa na sexta-feira noite, ter um prato de verdura fresca sua espera.

    Neste sentido, tenho de confessar-lhe que aquilo que mais gosto na horta de passear por ela. a primeira coisa que fao ao levantar-me de manh. H sempre alguma coisa para colher, cheirar ou bisbilhotar. Trabalho? Sim, claro, meia hora de vez em quando para arrancar quatro ervas daninhas inoportunas, fazer uma reviso geral para comprovar que est tudo em ordem e pouco mais. O resto contemplao.

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    Saltar ct- alegruIa

  • O calendrio da horta em Portugal

    Mapas e anotaes para conhecer os perodos de semeadura, transplante e colheita de cada planta.

    A planificao da horta pode variar significativamente em funo do lugar ou da localidade onde pretende instal-la. O frio que se faz sentir nas terras altas, durante fevereiro, pouco tem a ver com a suavidade trmica que se vive no Sul durante o mesmo perodo do ano. Ordeno o territrio em quatro grandes reas, da mais quente mais fria, enumerando os distritos que partilham das mesmas caractersticas climatricas; esta delimitao geogrfica no muito rigorosa, dado que o mesmo distrito pode revelar diferentes caractersticas, pelo que o melhor fazer a sua prpria avaliao considerando as condies descritas. Tenha em conta que as aldeias e cidades do litoral so as que permitem desfrutar de ciclos de produo mais longos, ainda que deva pensar tambm que uma alface depende de muitos outros fatores, para alm da temperatura. Contudo, temos de nos situar no mapa e adaptar a nossa poro de paraso s possibilidades que nos oferece o clima da zona. Este um captulo importante da sua aventura hortcola e ser tambm um guia que o ajudar a programar as principais produes.

    Para ser ainda mais preciso, procure vizinhos horticultores, generosos e experimentados, que queiram partilhar conhecimentos, teorias, xitos e fracassos. Far um pouco de coscuvilheiro, o que sempre divertido, receber informao til e prxima, e com uma dose de sorte ter feito um novo amigo. E ainda lhe direi mais! Se dispuser de mais tempo livre, v espreitando sempre que possa as previses meteorolgicas.

    Entre o nascimento de um tomateiro e a colheita dos seus frutos passam uns quatro ou cinco meses, em qualquer lugar, mas a disposio no calendrio varia em funo das particularidades climticas de cada zona.

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  • Zona 1

    'Um a horta perto do mar

    Situaiho-nos nma extensa, embora estreita, rea do territrio que compreende os setores costeiros, penetrando em terras interiores em toda a zona do Sul. So espaos de invernos suaves, ambientes martimos, hmidos e abafados.

    ():. ciclos de produo em toda a franja especificada so longos, devido bonana trmica e elevada mdia anual de dias com sol. Na varanda, no lerrao, na aoteia, no ptio ou no jardim, s nos falta o sonho e a vontade paia saborear verdadeiras saladas de quilmetro zero. Situando a horta no lugar mais adequado e proporcionando-lhe gua com regularidade durante os meses de vero, menos chuvosos do que no resto do ano, seremos a inveja s da vizinhana.

    i >i s l ii l (is: faixa costeira de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria; Lisboa; Santarm; Setbal; Beja; Faro.

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  • Brcolos

    Calndula

    Cannigos

    Capuchinha

    Cebola seca

    Cebola tenra n e cebolinbo

    Cenoura e beterraba

    Couve

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    Semeadura O TransplantePode cultivar todo o ano

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  • Zona Z

    Caminhando rumo ao pr-litoral, mas ainda com vista para o mar

    Nestas zonas, encontramos um clima temperado, ainda que com claras influncias continentais que lhe conferem um carcter de extremos: calor seco e contundente no vero e frio marcado no inverno. E durante o inverno, nalguns setores, nevoeiro persistente que pode limitar o desenvolvimento de diversas plantas da horta.

    Desde os primeiros dias de novembro, os termmetros podem descer abaixo dos zero graus, e o risco de geadas mantm-se ativo at meados do ms de abril, f: necessrio que tenha isso em conta no momento de fazer a programao de semeaduras e transplantes das hortalias de vero.

    I )istritos: zona interior de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra e Leiria; Viseu; Santarm; Castelo Branco; Portalegre; vora; Beja.

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    Semeadura O TransplanteColheita Pode cultivar todo o i

  • Zona 3

    0 inverno teimoso do interior

    Avanmos rumo ao interior, a mais um passo de distncia do azul dos mares e oceanos. Aqui preciso comear a ser cauteloso durante a poca mais fria do ano. De finais de novembro at meados de fevereiro, pode ser sur preendido por algumas geadas bastante ligeiras, embora s vezes persistentes, que encurtam um pouco o ciclo de produo de algumas plantas.

    1 in linhas gerais, falamos de uma faixa ainda relativamente prxima das guas martimas, pelo que conta com uma certa suavidade trmica, minimizando com isso as oscilaes do termmetro.

    I >isl i iIos Vila Real; Viseu; Coimbra; Castelo Branco.

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  • ian. fev. mar. abr. mal. Jun. Jul.out. nov. dez.

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  • Zona 4

    L onde a altitude e a latitude perm item geadas tardias

    No tero norte do territrio, quando nos situamos pelos 600 ou 700 m de altitude acima do nvel do mar, o perodo de produo de uma boa parte das plantas do nosso jardim comestvel bastante encurtado. Convm saber que so poucos os horticultores profissionais que desenvolvem o seu trabalho nestas cotas, excetuando casos locais, porque os riscos de sofrer uma geada lardia inoportuna ou um inverno rigoroso j so elevados. Mas esta realidade no assusta nem afeta o horticultor familiar, que d prioridade diversidade de culturas e experimentao, deixando para segundo plano a produo e o rendimento econmico. Por isso, se semear variedades autctones que estejam adaptadas ao bioclima da sua rea, os resultados sero muito satisfatrios.

    Aqui, convm transplantar tanto as hortalias de vero como o tomate, os pimentos ou as beringelas para a horta de exterior a partir do primeiro dia de maio.

    I )istritos: Guarda; Bragana.

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    Semeadura O Transplante Colheita & Pode cultivar todo o ano

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  • Zona 8

    E, por fim, os arquiplagos

    Os perodos de cultivo nestas ilhas atlnticas so mais longos que os da zona i, devido aos seus invernos suaves e veres temperados, para alm da elevada mdia anual de dias de sol, que tambm contribui para a vida saudvel da flora. So zonas conhecidas pela intensa e frequente precipitao (exceto no vero), o que nos permite ser um pouco mais relaxados com a rega durante muitos meses do ano, exceto entre junho e agosto, quando teremos de fornecer terra toda a humidade necessria. Hortalias como os tomates ou os pimentos, que quando cultivados ao ar livre podem comear a ser colhidos desde finais de maro, podero ser consumidas durante todo o ano, se reforarmos um pouco as condies com uma estufa; a ausncia de geadas far com que o cultivo protegido no inverno seja generoso e interessante de considerar.

    t evidente que, tratando-se de espaos de origem vulcnica, apresentam uma topografia de carcter montanhoso que permite a existncia de particularidades notveis dentro de uma mesma ilha. Assim, por exemplo, na ilha da Madeira existe uma cordilheira que divide o territrio em duas vertentes, a norte e a sul, que, em conjunto com as diferentes altitudes, exposio solar e ventos dominantes em cada setor, originam um conjunto de microclimas que tm pouco em comum entre si; na vertente norte, contamos com uma mdia anual de mais de 140 dias nublados, a< ima dos 600 m. Fatores como este tero de ser considerados na altura da planificao do cultivo, adaptando as margens que o calendrio nos d realidade do lugar.

    Aores Madeira

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  • Jan. fev. j mar. abr. mal. Jun. jul. N il out.nov. dez.

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  • Desenho e planificao da horta

    Comea a parte mais divertida do jardim comestvel: imaginai1 e criar o nosso pequeno paraso.

    Se fizermos bem o nosso trabalho e conseguirmos criar uma horta prtica, inspiradora e funcional, teremos dado um passo de gigante, e j teremos conquistado uma das quatro chaves do xito hortcola. Por isso s nos faltar conseguir uma terra ou substrato frteis, dar s plantas a gua de que necessitam e esperar que o tempo acompanhe e seja um bom ano para o tomate. Quatro apoios bsicos, trs dos quais so da nossa responsabilidade e um deles, o ltimo, est a cargo da natureza. Com a convergncia de todos eles, o resto dos trabalhos da pequena horta so apenas detalhes e complementos que nos conduziro colheita.

    A luz direta ou, mais bem dito, a falta de luz direta, o nico elemento que nos pode impedir a implantao de uma horta em casa. Para poder garantir a boa vida das hortalias, precisamos de um mnimo de cinco horas de luz solar direta, durante os meses de vero. A partir da, e como regra geral, quantas mais horas de luz, melhor. Por outro lado, o espao no nos deve preocupar. Em varandas, janelas e terraos, podemos pr desde recipientes que aproveitam o espao de uma parede para criar uma horta vertical, at vasos, jardineiras e todo o tipo de recipientes capazes de armazenar um bom volume de substrato. Em ptios, aoteias, jardins e parcelas de terreno, recomendo que cultive diretamente no solo, em canteiros frteis bem organizados. E as mil possibilidades iniciais aumentam com a combinao de vrios elementos. Quer viva num pequeno apartamento de uma grande cidade, quer tenha decidido instalar-se numa casa em pleno campo, no h desculpas vlidas. As alfaces e os rabanetes esperam por si!

    As cidades e as aldeias, com muitas construes que favorecem os lugares sombra, podem dificultar a disponibilidade de luz direta; aproveitar as aoteias para o cultivo uma das muitas solues possveis.

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  • a horta, nem tudo so >mates e alfaces ! Plante todo tipo de hortalias, flores,'vas aromticas e, se tiver ipao suficiente, algum . busto ou rvore de fruto lar um jardim de sensaes' ipetacular. Pense que as )rtalias de flor tambm ns -, erecem bonitas imagens, too as alcachofras da tografia. Em casa, muitas , >zes me fao de distrado e 'Ixo algumas na planta, sem oolher, para que acabem de abrir e possam mostrar os us caractersticos tons oleta.flor dura muitos dias > espetacular!

  • Pelo contrrio, se vivemos num espao aberto, seja uma casa de campo ou um chal com jardim num lote, custar pouco a encontrar um bom lugar para instalar a horta. Procure a luz e acertar!

    A importncia da luz diretaChegou a hora de procurar a melhor localizao para a sua horta. Embora ainda no tenhamos falado disso, tem de pensar que, se quiser criar uma pequena selva com uma vasta quantidade e diversidade de espcies, a rega manual com regador converter-se- num quebra-cabeas, em vez de ser um prazer. Por isso, em primeiro lugar, procure escolher um espao que disponha de uma torneira prxima que torne possvel a instalao de rega automtica num futuro prximo ou, pelo menos, que haja um ponto de gua perto para instalar a torneira quando fizer falta. Dito isto, e deixando a questo da rega para mais adiante, ocupemo-nos da luz.

    Traga memria as aulas de Cincias na escola e recordar-se- de abordar a fotossntese. Ora bem, a fotossntese permite que os vegetais produzam oxignio e matria orgnica, mas, para que este mecanismo funcione, necessrio que haja luz direta. Poderamos dizer que a luz a energia que faz crescer as plantas e, por isso, quanto mais luz chegar sua horta mais possibilidades ter de obter uma colheita generosa. No entanto, tudo tem um limite, e uma jardineira situada numa aoteia de uma cidade, em pleno vero e com sol direto todo o dia, sofrer stresse, a menos que reduzamos o impacto do astro rei atravs de sombra e regas constantes. Os terraos, janelas e varandas orientadas a sul, este e oeste permitem uma entrada suficiente de luz solar, desde que nenhum edifcio lhes faa sombra. Nos casos mais complicados, como as orientaes a norte, pode tentar a sorte na aoteia e contemplar a possibilidade de se juntar a alguns vizinhos, buscar espaos e encontrar solues; criar um jardim comestvel comunitrio pode ser uma boa opo. Seja como for, tente conseguir um lugar que receba, no mnimo, cinco ou seis horas de luz direta durante os meses de vero. Se for um privilegiado e tiver por onde Jescolher, instale a sua horta no local mais soalheiro que tiver sua disposio.

    37

  • O melhor lugar para cultivar uma planta diretamente no solo. No entanto, nem todos dispem de espao suficiente, e o cultivo em recipientes ou contentores oferece muitas possibilidades.

    Deve adequar o espao com lecipientes ou contentores que correspondam s medidas do jardim que vai criar e, ao mesmo tempo, adaptar as medidas das hortalias s dos recipientes onde tero de viver.O volume de uma planta aproxima-sehastante ao das suas razes. Assim, -----uma planta grande, como a aboboreira,necessita de uma jardineira grande, e uma planta pequena, como o manjerico, pode viver perfeitamente num vaso de dimenses reduzidas.Seja qual for a estrutura escolhida, deve procurar que o seu desenhofacilite o aproveitamento da luz disponvel e no origine sombras sobre oIet ieno de jogo das suas escarolas. De qualquer maneira, tente sempre quens recipientes sejam o maior possvel, porque incrementar a variedade deculturas. Plantas grandes, como a aboboreira, a beringela, o melo ea melancia precisam de viver em contentores com uma capacidademnima de entre 35 e 601 de substrato. .

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    Quando trabalhamos com recipientes e no diretamente no solo, chamamos substrato terra que pomos para levar a cabo as culturas. Ao contrrio do solo, o substrato deve conter, em proporo, muito mais matria orgnica do que a terra de um campo ou de um bosque. No solo, as plantas procuram a vida, mas num recipiente limitado no o podem fazer e, por isso, somos ns que as alimentamos com quantidades substanciais de composto.

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    L38

  • AAdapta a hortalia ao recipiente. Uma alface cabe num vaso com o seu mesmo volume, que de uns 21. Um tomateiroprecisar de um vaso muito maior, com uns 20 1 de volume.

  • Construa o seu recipiente de cultivo...Toda a estrutura que permita armazenar substrato e que, uma vez cheia, ihe oferea uma superfcie apta para a vida das plantas ser um bom recipiente. Se quisermos constru-lo ns prprios e gastar pouco dinheiro, podemos reutilizar paletes e caixas de madeira, que forramos na parte Interior com uma malha geotxtil, permevel, com o objetivo de melhorar u reteno de gua e o substrato. A malha a mesma que se usa para limitar

    aPario de erva no desejada nos parques e jardins, e pode ser comprada mn qualquer estabelecimento que venda produtos de jardinagem. Ou mais loll ainda: recorte um garrafo de plstico de 5 1 de gua mineral, pela l'ai'l,(l Ina s^ larga. Faa-lhe quatro furinhos na parte inferior para que possa I Utrar a gua excedente, encha-o de substrato e pla.nt.fi uma alface!

  • Leia com muita ateno o captulo em que falo da fertilidade da terra, porque na produo em vasos, jardineiras ou qualquer outro tipo de recipiente aquilo que faz crescer as plantas saudveis e fortes a aplicao de um bom substrato, e no tanto as caractersticas do prprio recipiente.

    Se optar por comprar recipientes, saiba que atualmente h muitos produtos no mercado que satisfazem um extenso leque de necessidades, dos vasos e jardineiras de todas as medidas s clssicas mesas de cultivo que a empresa Tarpuna comeou a comercializar h anos, passando pelas cmodas hidrojardineiras que mantm o substrato sempre hmido, os chamados bacsacs de geotxtil, o sistema minimalista e ligeiro de horta Leopoldo ou as estruturas de plstico modulares que lhe permitem fazer uma horta-jardim vertical aproveitando uma parede. H um sem-fim de possibilidades sua escolha, que deve ser feita em funo do espao disponvel, do seu oramento e das suas preferncias pessoais. Avalie o seu canto, imagine como quer que seja e pense que tambm existem algumas plantas que podem crescer em condies de sombra, apesar da importncia da luz que expliquei antes.

    O^OOOOOOC^OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOCKXXXXX:

    Distribua as plantas em funo da luz de que necessitam. Pense que uma boa parte delas se adapta bem sombra!

    Muita luz...Alho, manjerico, alcachofra, beringela, brcolos, curgete, abbora, calndula, capuchinha, cebola seca, cebola tenra e calot, espargo, lavanda, morango, funcho, feijo, manjerona, melo, pepino, salsa, pimento, alecrim, salva, melancia, tomate e cenoura.

    Sombra parcial...Brcolos, calndula, cannigos, capuchinha, cebola tenra, chicria, framboesa, morango, ervilha, fava, milho, menta, orgo, batata, salsa, alho-francs, beterraba e cenoura.

    Sombra...Acelga, aipo, borragem, cannigos, cebolinho, couve, couve-flor, espinafre, morango, fava, alface, nabo, rabanete e rcula.

    41

  • O material com que fabricado o recipiente de cultivo ou a jardineira no determinante. Pode ser de madeira, cermica, vrios tipos de plstico, ao galvanizado... Se viver numa zona com temperaturas extremas, muito fria no inverno e muito quente no vero, ou se quiser cultivar em recipientes pequenos, os materiais mais adequados so a madeira e a cermicas, devido ao isolamento trmico que proporcionam s razes da planta. De qualquer maneira, um dos fatores mais importantes para manter a boa sade da planta procurar a drenagem tima do recipiente, e deixar assim escorrer o excesso de gua e evitar a asfixia das razes, que causada pelo excesso de humidade.

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  • O ambiente em que vive no condiciona o tipo d* horta ou jardim que pode desenhar. Se morar num ambiente urbano
  • Se cultivar no solo, o mtodo dos canteiros frteis simplifica^ planificao das culturas e as tarefas de manuteno da horta-jardim e, alm disso, converte-se num regenerador constante e natural de vida para o solo. Alguns horticultores praticam um mtodo semelhante, o dos canteiros profundos, com o qual partilha uma boa parte dos procedimentos.

  • llm;i horta em canteiros no solo, ou ento no telhado! Num momento de extrema lu< idcz, o meu amigo Pera decidiu que queria uma cobertura verde no telhado da sua rasa, num stio onde a maioria pe telhas. O primeiro passo para ter uma cobertura vegetal procurar uma boa impermeabilizao e vrias condutas de ilienagem, para que o escoamento da gua no afete a habitao que est por baixo com infiltraes e humidades. como se quisssemos construir uma piscina na aoteia, como h tantas, mas em vez de gua a enchssemos de terra para nela podermos plantar. Cerca de dois palmos de espessura, uns 50 cm no mximo, bastaro para fazer uma horta.

    t. incrvel a capacidade de isolamento que a cobertura vegetal proporciona.Ao fim e ao cabo, como viver debaixo da terra, numa caverna; e se as cavernas se destacam por alguma coisa, por estarem quase todo o ano mesma temperatura. Estas duas perspetivas da horta, situada no planalto catalo de Moyans, do-lhe uma ideia de como pode ser divertido colher couves-de- bruxelas com o mundo a seus ps.

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    Aproveitar o telhado para fazer uma horta em canteiros frteis tem duas vantagens: a produo de alimentos e o isolamento trmico da habitao. A grossura de dois palmos de terra que repousa na cobertura mantm o calor no interior da casa durante o inverno, e proporciona um ambiente fresco no vero.

  • ao aparentemente simples e fcil, como pegar no regador e dar gua s plantas da horta, converte-se num momento de dilogo, de plena conscincia do ambiente e de ns mesmos.

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  • Sem dvida que uma das aprendizagrnN qu .1 Ih m Iii biolgica nos proporciona a possibilidade de melliorar n iiohmii cupncidade de observao, se estivermos atentos as manifestaes das espcies que nela vivem. No nenhum segredo que a natureza nos ensina a olhar para o ambiente com profundidade e, se estivermos recetivos, consegue despertar a nossa empatia. Uma empatia que agradecer no seu ritmo de trabalho dirio, de vida familiar e de espao pessoal, uma vez que lhe permitir enfrentar com serenidade possveis conflitos e tenses. Convm regar as plantas, se vir que h falta de humidade no solo, ou reorganizar o desenho do espao, se vir que os ventos dominantes na sua localidade as prejudicam. Procurar solues imaginativas e estar atento, com constncia, so manifestas virtudes dos bons jardineiros e horticultores.

    Notas sobre o cultivo em hidrojardineirasUma hidrojardineira no mais do que um recipiente com um depsito de gua na parte inferior, que proporciona uma humidade constante ao substrato por capilaridade e permite esquecer a rega durante dias, semanas, ou quase para sempre, se o depsito estiver ligado a uma torneira, e uma vlvula de boia mantiver o nvel nos limites, como no autoclismo. A partir da, pode ser pequena ou grande, mais ou menos sofisticada, pode compr-la ou constru-la voc mesmo. Muito bem, deve ter presente que uma boa opo para a produo de hortalias, mas nefasta para as plantas aromticas. As ervas mediterrneas, como o alecrim ou a lavanda, preferem substratos bastante pobres, e precisam de perodos de seca para gerar mais essncias e potenciar sabores e aromas.

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  • Em varandas e outros espaos muito pequeno onde apenas caibam vasos e recipientes de pouco volume, optaremos por plantas que se adaptem a eles. O tomate-cereja, neste caso de uma variedade rasteira, e frutos amarelos que possam prescindir de tutores so uma magnfica possibilidade. Na imagem abaixo, pode ver a composio de uma jardineira cheia de morangueiros, um vaso com lavanda e outro recipiente com salsa.I la muitas outras hortalias e ervas aromticas que podem crescer bem em vasos de dimenses reduzidas: cannigos, alface, espinafre, manjerico,( oontros, calndula, alho ou rabanete so uma pequena amostra de tudo o que poder cultivar com xito. Insisto: no interessa o espao que tem! hasta um pouco de imaginao, um bom substrato de cultivo e muita vontade de saborear a experincia.

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  • Uma vida autossuficiente

    John Seymour e os seus artefactos: reutilizemos um antigo barril do vinho como jardineira para morangos.

    Qualquer desculpa boa para homenagear a figura de um londrino pioneiro, mestre dos mestres, que h mais de meio sculo conseguiu explicar conceitos to atuais como o ambientalismo, a sustentabilidade, a reciclagem ou a agricultura biolgica, atravs de todo o tipo de projetos de divulgao. Sonhador incansvel, viajante, ativista, escritor, locutor, criador de gado, agricultor... O seu toque humorstico na hora de relatar vivncias denunciava-o. Pessoalmente, quando estou preocupado com alguma coisa, seja qual for o motivo, leio algum dos seus escritos publicados e automaticamente recupero a calma e a esperana.

    Num dos seus valiosos livros aparece o artefacto que hoje lhe proponhorecriar. No se trata de nada extraordinrio, mas justamente a simplicidade de base que d valor ao barril convertido em jardineira.Pense que os morangos precisam de um bom alimento para funcionar! No poupe no substrato e enriquea-o com muito composto, se quiser saborear a doura dos frutos no final da primavera.

    John Seymour (1914-2004).Autor de estilo

    inconfundvel, que se destacou pelo seu livro

    The Self-Sufficient Gardener, de 1978.

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  • Convm que os morangos fiquem pendurados no recipiente de cultivo e no toquem no substrato.

  • John Seymour foi uma personagem-chave da autossuficincia, um movimento social com uma longa histria que prega a total autonomia pessoal e coletiva, desvinculando-se de qualquer apoio externo. Apesar da utopia do conceito, demasiado genrico para ser tangvel, podemos aproximar-nos dele criando uma horta em casa para o autoconsumo, se possvel hem carregada de morangos.

    A jardineira para morangos criada por Seymour tem a vantagem de ser de madeira grossa; mantm o substrato bem isolado e as razes das plantas ficam protegidas das oscilaes trmicas. Alm disso, num ptio, t e 11 s < > < u i jardim converte-se num elemento rstico, decorativo e funcional.

    Encontrar um velho barril de vinho fcil e tem um custo muito baixo, em comparao com qualquer outro recipiente de cultivo que possa ter .1 mesma utilidade. Para o adequar, precisa de um berbequim com duas brocas, uma com 7 a 8 mm de dimetro e outra com uns 40 mm, um pouco de cascalho e i m d e malha de arame galvanizado. Retira a tampa superior do barril e faz cinco ou seis furos de drenagem na parte inferior, com o berbequim e a broca pequena. Em seguida, faz uns 14 a 16 furos bem repartidos por toda a superfcie lateral, com a broca de maior dimetro; sero os orifcios onde vai plantar os morangos. Faz um tubo com a malha e coloca-o centrado no interior do barril: uma vez cheio de cascalho,

    ajud-lo- a distribuir bem a rega por todos os cantos do recipiente. Tambm convm depositar uma camada de

    cascalho na base interior para melhorar a drenagem. Depois de o fazer, encha-o com um

    bom substrato, medida que vai pondo as plantas; na parte superior ainda pode plantar mais quatro ps.

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  • Que possibilidades de rega temos?

    Do regador clssico ao gota a gota automtico, para procurar a eficincia e o conforto.

    A disponibilidade de gua para os vegetais da sua horta um dos pontos essenciais que complementam o desenho funcional e a planificao do espao. A terra ou o substrato so os motores das plantas, mas a gua e o combustvel que faz funcionar esse motor. Se a chuva no quiser fazer o trabalho, deve ser voc a faz-lo! Nas zonas onde o genuno clima mediterrneo faz das suas e nos oferece veres muito secos, a rega fundamental para a sobrevivncia da nossa pequena selva tropical.

    Pequenas torneiras que permitem otimizar o sistema.

    Embora a imagem de um regador nos evoque um mundo idlico que nos leva de volta infncia, o certo que, dependendo da quantidade e das dimenses das plantas que necessitam de rega, a tarefa manual pode converter-se numa travessia pelo mais inspito dos desertos: dura, longa e montona. O regador uma opo para os espaos mais pequenos com vasos e para os momentos de inspirao buclica e familiar. As mangueiras tornam as coisas mais fceis, mas tambm requerem a nossa presena. Se pretendemos ir uns dias de frias ou o trabalho no nos permite dedicar horta todo o tempo que gostaramos, mas queremos que as hortalias sigam o seu ciclo, a rega automtica a soluo. Dos vrios sistemas existentes, o de gota a gota atravs de um tubo perfurado uma das opes mas eficientes e eficazes, tanto nos cultivos em recipientes como no solo em canteiros. Em casos pontuais, pode contemplar-se a possibilidade de instalar aspersores ou de fazer uso das chamadas mangueiras porosas.

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  • Plante ervas aromticas, como a lavanda ou o alecrim, que no precisam de muita gua, porque esto adaptadas ao nosso bioclima.

    tt piogrumadores facilitam ti roga e proporcionam a

    humidade constante terra ou ao substrato.

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    As plantas precisam de gua para poder respirar e absorver os nutrientes, e tanto a falta como o excesso desta molcula no substrato podem gerar problemas. A rega converte-se na chave do cultivo em recipientes de muitas hortas urbanas, pois quanto mais pequena for a jardineira onde cultivamos mais frequentemente teremos de lhe proporcionar humidade. Por outro lado, medida que aumenta o volume do recipiente, a humidade mantm-se durante mais horas ou dias, desde que a ao solar seja pouco notria. Ao regar, devemos ser observadores e curiosos, e arranhar a terra com o dedo para verificar se a humidade se aprofunda; as regas superficiais no so favorveis.

    Durante o vero, h que evitar as horas mais quentes do dia e regar logo pela manh ou ao cair da noite, quando a terra ou o substrato no estejam demasiado quentes. De qualquer maneira, o mais importante para gerir bem a rega seguir com ateno as previses meteorolgicas, todos os dias, e ter bom olho para ser proativo. Se for chover amanh, no regue hoje.

    A tcnica do acolchoaxnento, alm de melhorar a terra ou o substrato, reduz notavelmente a evaporao. Desta forma conseguimos espaar as regas durante o vero, ainda que no seja to eficaz em recipientes como no solo. Na fotografia pode ver um canteiro frtil com cultura de batatas, acolchoado com folhas de^faia.

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  • A fertilidade da terra

    Cinco passos imprescindveis para desfrutar de uma terra s, frtil e equilibrada em nutrientes.

    Qual o ciclo favorvel da fertilidade? Para que tenha uma ideia clara sobre isto, visualize por um momento a imagem de um bosque. Como bom horticultor que vai ser, o ciclo que dever escolher baseia-se na imitao escala domstica dos processos naturais que tm lugar num bosque, onde as folhas e parte dos frutos que caem das rvores e dos arbustos se integram na terra sob a forma de matria orgnica. Esta mesma matria, por sua vez, humidifica e converte-se em alimento e foco de atrao para os vermes da terra e outros animais, que libertam nutriente:; atravs dos seus excrementos, e mantm a estabilidade e a boa estrutura da camada superficial. Nunca se esquea de que a terra frtil apenas isso, uma camada fina e superficial de matria, mas to valiosa que deve consider-la sagrada. Ao fim e ao cabo, a vida no nosso planeta possvel graas a ela. Tal como dizia o sbio filsofo Rudolf Steiner, uma terra saudvel produz alimentos saudveis, e os alimentos saudveis, por sua vez, mentes saudveis. Nuances e vises parte, o que deve procurar dar alimento ao substrato de cultivo, e no s plantas cultivadas. As plantas tero tudo o que necessitam para crescer saudveis e fortes, se antes voc tiver feito bem o trabalho.

    O que distingue o bosque do seu jardim comestvel que, em casa, seja em vaso, jardineira ou qualquer outro meio de cultivo, pode intervir e, portanto, melhorar a qualidade da terra. Isto evidente quando se trata de recipientes, uma vez que voc quem cria a mistura de componentes que formam o substrato. No entanto, se cultivar diretamente no solo, em canteiros, deve saber que at os terrenos mais duros, compactos e pobres podem converter-se num osis de vida permanente. A terra do seu terreno ser, finalmente, como voc quiser que seja, e os cinco passos que se seguem so as diretrizes essenciais que lhe posso oferecer depois de ter experimentado mil teorias na horta de minha casa. Adapte-os como puder e quiser, mas integre-os, quer viva numa cidade ou num ambiente rural. Alguns dos passos, como a rotao ou o acolchoamento, no tm muito sentido se cultivar em recipientes, mas se o fizer no solo no salte nenhum, uma vez que todos so imprescindveis.

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  • y < T

    Trabalhar com a Lua: o poder das influncias csmicas chega a todo o lado, at s alfaces!Quando comecei o meu projeto de horta, estava aberto e recetivo a qualquer ideia, desde que fosse respeitadora do meio ambiente. Para qu ter preconceitos, se ainda no tinha posto em prtica nenhuma teoria? Por sorte, as minhas aventuras botnicas noutros terrenos, como o dos cogumelos, ajudaram-me na hora de juntar as peas e relacionar conceitos. Qualquer pessoa que tenha dedicado parte da sua vida a observar a natureza sabe que os astros modulam todo o tipo de energias e radiaes, que acabam por se repercutir subtilmente em todos e cada um dos seres vivos que habitam o planeta. No necessrio ter f nas grandes teorias astronmicas; basta observar e tomar nota.

    Podm ooinoidlr as luas descendente e orescente?Claro I Costumamos confundir a lua ascendente com a crescente, e a lua descendente com a minguante, mas trata-se de dois fenmenos que no tm nada a ver um com o outro.A Lua cresce no perodo compreendido entre a lua nova e a lua cheia, e faz aumentar progressivamente a vitalidade das plantas; minguante entre a lua cheia e a nova do ciclo seguinte, e ento diminui a vitalidade mas faz aumentar as propriedades nutritivas e de frutificao. Este ciclo tem uma durao aproximada de 29 dias e meio, e o mais evidente vista desarmada.Por outro lado, o movimento ascendente e descendente tem a ver com a posio da Lua no cu, mais alta ou mais baixa, durante os pouco mais de 27 dias que dura o processo, chamado revoluo sideral lunar. A lua descendente faz com que a atividade das plantas se concentre mais na parte subterrnea, as razes; ao passo que a lua ascendente, pelo contrrio, concentra energias na parte area, da superfcie de cultivo para cima.

    Deve evitar que as constelaes e os signos do zodaco, as revolues lunares, os apogeus e perigeus, e os aspectos planetrios lhe compliquem a vida. Com o tempo comprovei que trabalhar com a Lua apenas um dos muitos parmetros que o bom jardineiro deve seguir. Se a melhor noite para plantar cebolas coincidir com um jantar com o seu par, confie em mim, v jantar! As cebolas compreendero que s as plante amanh.

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  • Para semear, transplantar, podar e acrescentar composto ou acolchoamentos no solo:Lua descendente e crescente ao mesmo tempo (perodos secos), ou lua descendente e minguante ao mesmo tempo (perodos hmidos). Nas zona costeiras, os perodos secos costumam coincidir com o inverno e o vero, e os perodos hmidos so habituais durante a primavera e o outono. Polo contrrio, nalgumas zonas montanhosas, o vero bastante hmido.

    Para aplicar tratamentos preventivos e ecolgicos nas plantas:Se for possvel, leve a cabo esta tarefa durante a manh, faa coincidir a lua ascendente com a minguante e evite, se possvel, os signos de fogo (Carneiro, Leo; Sagitrio).

    Dias em que no convm trabalhar a terra, semear nem colher:Coincidem com os ns ou o perigeu, e a experincia pessoal fez-me ver que as supostas influncias negativas e as perturbaes que se lhes atribuem so certas. Se colher uma batata, vai-se logo estropiar, e se semear ervilhas v custar a germinar.

    Para a imensa maioria dos mortais, conhecer todos estes parmetros csmicos quase uma utopia. Mas acalme-se e ponha-se confortvel, porque h todo o tipo de sbios no mundo, e alguns deles decidiram pavimentar-lhe o caminho para o cu.

    Pode encomendar em qualquer livraria online o Calendrier Lunaire, de Michel Gros, ou o The Biodynamic Sowlng and Planting Calendar que Maria Thun publica h meio sculo. Em Portugal, temos tambm o muito popular Borda dgua. De hoje em diante sero os calendrios anuais que marcaro a sua agenda ecolgica diria!

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    , *63

  • folka.ge.irvi so ctuas boas opoes para

    acolekoar e proteger a terra, -

  • O acolchoamento: muito mais do que uma camada protetora e nutritiva

    aqui que se torna mais evidente o plgio descarado que fazemos da natureza. Naquele bosque imaginrio que tem em mente, as rvores e os arbustos perdem folhas e frutos que, uma vez no solo, acabam por se transformar em hmus e vida regenerada. Infelizmente, a sua pequena horta no exatamente um bosque, e torna-se necessria a interveno humana para simular o efeito desejado. Ao fim e ao cabo, acolchoar no mais do que cobrir a superfcie de cultivo com uma camada de matria, normalmente orgnica, com uns io a 12 cm de grossura. Pode usar palha, folhas secas (tendo em conta que as folhas de faia, pinho e outras conferas acidificam o substrato), ramos e restos de poda bem desfiados, relva cortada, aparas de casca de rvore... Olhe sua volta e utilize o que tiver ao seu alcance. No meu caso, uma vez que vivo rodeado de campos de trigo e azinheiras, uso palha e folhas que colho volta da casa. Se vivernum ambiente urbano, faa-se amigo de um jardineiro para que lhe oferea relva cortada, ou aplique uma camada fina de composto com uns 2 cm de grossura.

    O trabalho que poupa com o acolchoamento

    Facilitar-lhe o trabalho a sua principal vantagem. Oferece nutrientes e sombra terra que protege, e limita a germinao de ervas espontneas, a evaporao de gua e o impacto da radiao solar direta sobre o substrato. Melhora a estrutura do solo, evita que se compacte e, se procurarmos repor o acolchoamento com constncia, conseguiremos um substrato esponjoso que lhe poupar trabalho. Ele faz com que os pequenos organismos que degradam a matria orgnica e produzem nutrientes, especialmente bactrias e vermes, possam instalar-se na terra e contribuam para a boa sade do ciclo favorvel da fertilidade.

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    Trs excees que confirmam a regra1. Nas semeaduras diretas, as sementes precisam da terra despida e bem exposta luz. Nestes casou, tm quiser acolchoar, ter de faz-lo quando as plantas tiverem alcanado uns quantos centmetros de altura.

    2. Em zonas de chuvas fracas e escassas, se no se dispuser de um bom sistema de rega, as poucas precipitaes que caem apenas humedecem o acolchoado orgnico, sem chegar a penetrar no substrato. Se for 0 seu caso, tente acolcho-lo com pedras com uns 25 a 35 cm de dimetro. Proporcionam humidade e sombra terra que protegem.

    3. Nas zonas montanhosas mais frias e hmidas, convm que a radiao solar possa aquecer a terra de cultivo. Prescindiremos do acolchoamento, sobretudo no que se refere s culturas de vero de origem tropical, comoo tomate ou os pimentos.

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  • Se cultivar em vasos, jardineiras ou qualquer outro tipo de recipiente, as rotaes de culturas no so viveis e apenas poder fazer uso das associaes favorveis que explico nas pginas seguintes. # V

    A rotao: o equilbrio de que as suas hortalias necessitamSc cultivar diretamente no solo, em canteiros, as rotaes so o sistema ideal para 111 i n i (' r o equilbrio dos nutrientes e limitar a apario de ervas adventcias - l uilneas, alm de evitar possveis pragas de insetos, j que, se no se repetir uma ciillum num mesmo espao enquanto no tiverem passado vrios anos, esses .munais no se podem estabelecer com conforto, de maneira que vo para outro lado c no causam grandes inconvenientes. Teoricamente, numa rotao perfeita, deveria tcnlar no cultivar sucessivamente plantas que pertenam mesma famlia botnica, mas numa horta familiar isto pode converter-se numa odisseia, uma vez que existem muitas famlias e difcil encontrar a combinao mais adequada. Desde as solanceas (tomate, pimento, beringela, batata) at s umbelferas (cenoura, aipo, cherovia), passando pelas cucurbitceas (abbora, curgete, pepino, melo, melancia), pelas liliceas (alho, cebola, alho-francs, espargo), pelas crucferas (couve, couve-flor, brcolos, nabo, rabanete), pelas compostas (alface, escarola, alcachofra), pelas leguminosas (fava, ervilha, feijo) ou pelas quenopodiceas (espinafre, acelga, beterraba). Demasiado complicado para tom-lo possvel!

    I m c asa decidimos simplificar para no enlouquecer. Fizemos uma rotao de quatro anos, baseando-nos mais nas necessidades nutritivas das plantas do que em qualquer ou Iro parmetro. At ao momento tem funcionado; toda a gente vive em paz e harmonia. Ns, as plantas e os animaizinhos que vm comer. Se no lugar de quatro canteiros tiver oito, dedique dois a cada grupo de plantas, e se tiver i6, quatro a cada um. O mais importante considerar quatro grupos de base, j que o ciclo quadrienal.

    A n o 1 A n o 2 A n o 3 A n o 4

    Canteiro 1 Muito exigentes Pouco exigentes E xigncia m d ia Culturas m elhoradorasCanteiro Z Culturas melhoradoras Muito exigentes Pouco ex igen tes E x igncia m diaCanteiro 3 Exigncia mdia Culturas melhoradoras Muito exigentes Pouoo ex igen tesCanteiro 4 Pouco exigentes Exigncia mdia Culturas m elhoradoras Multo exigentes

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  • Aqui tem uma classificao das plantas do seu jardim comestvel, segundo as suas necessidades de fertilizante. Adapte a rotao das culturas ao seu espao, segundo esta proposta; comece o ciclo oferecendo grandes quantidades de composto ao primeiro grupo e, sobretudo, no se preocupe demasiado, porque se for um bom ano para o tomate, comer tomate!

    Hortalias muito exigentes em nutrientes: tomate, pimento, beringela, batata, melo, melancia, abbora, curgete, pepino, milho.

    Hortalias de exigncia mdia:acelga, espinafre, cherovia, beterraba, aipo, couve, couve-flor, brcolos. Tambm pertencem a este

    grupo plantas que, pelo facto do serem plurianuais (morango, alcachofra, espargo, ervas aromticas como o alecrim, a lavanda ou a salva...), no se podom incluir na rotao anual.

    Hortalias pouco exigentes: alho, cebola, alho-francs, rabanete, cannigos, cenoura, nabo, alface, escarola.

    Culturas mellioradoras que oferecem nitrognio ao substrato:todas as leguminosas, quer sejam favas, ervilhas, feijo verde, feijo, lentilhas, gro, amendoins e soja. Tambm pertencem a este grupo outras culturas de fertilizante verde, como o trevo, o confrei, o centeio ou a alfafa.

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  • A associao de produes: procura da relao perfeita, seja um par, trio ou orgia de plantasNa sua horta biolgica, as plantas que cultiva vivem em contnua interao entre elas por uma razo evidente: a proximidade. Num espao de dimenses limitadas, pode agrupar facilmente mais de 40 ou 50 espcies com necessidades e caractersticas variadas, e a convivncia nem sempre fcil. H plantas que se ajudam quando esto em contacto, outras que vivem em concorrncia direta e se picjudicam mutuamente, e outras que se mostram indiferentes. Nos melhores casos, a associao de produes e a combinao de hortalias e ervas aromticas I na mitem afastar alguns insetos indesejados, criando um ambiente confuso de chciios e cores que no os favorece. Este seria o caso da cebola, que capaz de icpclii a mosca da cenoura, ou o do manjerico, que evita a proliferao do pulgo nos lomateiros e nos pimenteiros.

    I )uas ou mais plantas tambm podem agradecer a companhia mtua, pela simples questo do aproveitamento de recursos, quer sejam nutrientes, luz ou gua. Este seria o caso do famoso trio formado pelo milho, feijo e abbora. No caso das hortalias de folha grande, como a couve ou a couve-flor, podemos aproveitar o espao prximo para plantar favas, ervilhas ou feijes; as leguminosas oferecero o nitrognio de que as suas companheiras necessitam para produzir folhas saudveis e enrgicas. Por outro lado, quando juntamos plantas de diferentes dimenses, temos de ter em conta os seus ciclos de crescimento para otimizar o espao: plantas de ciclo curto, como o rabanete, a rcula, o nabo ou a alface podem npmveitar os espaos livres deixados pelas plantas de ciclo longo (tomate, couve, brcolos, fava...), durante as primeiras etapas do seu crescimento. Se tivermos em conta que, em funo da zona, da variedade da planta cultivada ou do tipo de substrato podem existir variaes, recomendo-lhe a experimentao como mtodo .1 seguir. Proponho-lhe tambm algumas das combinaes com sucesso que pude tentar na horta da minha casa...

    Em geral, quando se faz uma horta em recipientes, as plantas incompatveis que no convm cultivar juntas ~ so as que pertencem mesma botnica. H tambm algumas associaes desfavorveis que convm ter presente: o alho-francs no convive bem com nenhuma leguminosa, a batata detesta partilhar o espao vital com o pepino ou o tomate, e o feijo no quer cebolas nem alhos ao seu redor. ^

    JMr

    08

  • Em casa, costumamos plantar feijo, milho e abbora no mesmo canteiro. Os bons agricultores aproveitaram esta famosa simbiose, desde h sculos, para beneficiar as culturas. O feijo fornece nitrognio terra, o milho serve de tutor ao feijo, e as abboras revestem o solo e mantm a humidade do substrato graas sombra que proporcionam. Se no tivermos espao suficiente, plantamos curgetes.

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  • ri rarviadlft frtil. (> tvrvi 20 crvi d, roasura. Cuide *fvi deLa!

    Uma amizade para toda a vida!

    Oh vermes da terra, humildes minhocas que a agricultura mecanizada e convencional desprezou durante dcadas, so os verdadeiros jardineirosacolchoam esondldos na camada inferior do substrato, debaixo do ucolchoamento e dos primeiros centmetros frteis. Se cuidar deles Pporclonando-lhes matria orgnica e humidade, poup^-me 1 L e fa a

    P0UC0 gratas como lavrar ou usar mquinas pesadas. Para tratar da er Pa como ela mrece, no deve nunca ar-la nem remov-la demasiado

    muito menos esmiud-la at extremos Imprevisto 0 ^ 7 ^ d

    S i r 1 Alna me lembp dor PMmelros vermes da1 u a 7 7 egaKUn 4 mtolla h0rta' l* - maa moo A sua Dresenna a rm/riro __i , . v "

    L _

  • E, por Am, ter bons amigos debaixo da terra!O ltimo passo para sermos fiis ao nosso modelo de natureza deixar que todos os processos favorveis que levmos a cabo no terreno se vo integrando sem interveno humana. Chegado a este ponto, j no voc quem vai continuar a trabalhar.

    Deve pensar que num pedao de terra frtil vivem milhes de microrganismos, sejam fungos ou bactrias, e tambm um bom bando de macrorganismos, como os vermes da terra, os caros, os colmbolos ou os nemtodos. Os vermes da terra so os mais conhecidos, mas todos contribuem para a regenerao e a restaurao da vida, e para o equilbr io do solo. Na verdade, o popular hmus de minhoca que se vende em sacos nas lojas no mais do que um monte de excrementos nutritivos do veimr em questo: neste caso trata-se de excrementos de minhoca da temi americana, e no autctone, mas para o caso indiferente. Por isso, se ) tiver vermes no solo do seu jardim, vai poupar uma despesa. I.embro llir que em vasos ou jardineiras, as regras do jogo so diferentes pelo uinplrn facto de o substrato ser limitado e os nutrientes se irem esgotando, neste caso, voc quem deve reequilibrar o meio de cultivo, aplicando o lininus ou o composto necessrio.

    Para que no existam interferncias no processo, nem se maltratem esses seres musculosos, deve procurar que a terra onde cultiva seja uma esp cie de santurio. No tem de a lavrar, nem pisar - aqui est mais uma virtude dos canteiros frteis -, nem revolver. Deve manter-se intacta a ordem das camadas, e totalmente proibido o uso do motocultivador e de outros aparelhos mecnicos agressivos. Se ao iniciar o seu projeto de horta lhe parecer que a terra est demasiado argilosa, ou demasiado compacta, no se preocupe! Cubra-a toda com um ou dois palmos de matria orgnica,

    regue-a de vez em quando e espere pacientemente. Alguns meses mais tarde, quando tudo se tiver integrado, o seu substrato ter ganhado muitos pontos e, mais importante ainda, ter uma textura mais esponjosa!

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  • Terras, ferramentas e fertilizantesSe adubar bem a terra, Tvai precisar de poucas ferramentas!

    s ferramentas que mais vo trabalhar na horta biolgica so as suasmos. Que sensao to reconfortante e telrica apalpar a terra e

  • OTenOcascalho

    terreno argiloComposto: matria, orgnica a loo% que se converte no motor da sua

    Terra argilosa: substrato calcrio ' muito compacto... para melhorar as suas propriedades, deve acrescentar

    cascalho de granito decomposto e muita matria /A

    orgnica.

    Terra da sua hort deve ser um

    substrato equilibrado que

    contenha elemenb orgnicos e

    minerais. A

  • va.ru>

    A K c iK k o n. p k q u evvo p a r a

    j a O u K ^ a s '

    Sacko, Kao para sackar Mas para >, ar^jar e

    a terra

    74

  • *i;jvvxada \ cie pointas,, caso tpreclse

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    allar a superfcie de cuLfclv, cbrlr assemenres, efcc.

  • xxoooo

    Deve ter em conta que nem todos os fertilizantes orgnicos so iguais. Para comear, convm saber que se dividem em dois grandes grupos...

    Resduos orgnicos frescos, no oompostados: deitam maus cheiros porque no acabaram de se (logradar. Quando os aplicamos no nutJHtrato de cultivo, libertam os nutrientes muito rapidamente e, portanto, o seu efeito benfico a curto prazo. Alm disso, nem todas as plantas os toleram, e s so propcias para as culturas muito exigentes em nutrientes, como as solanceas (tomate, pimento,

    beringela, batata), as cucurbitceas (abbora, curgete, melo, melancia, pepino) ou o milho.

    Resduos orgnicos maduros, compostados: cheiram sempre bem, j que o processo de fermentao est completo. Podem ser restos de alimentos ou do jardim, qualquer tipo de estrume (galinha, cavalo, vaca, ovelha...) ou hmus de minhoca, que ao fim e ao cabo nn deixa de ser estrume. o fertilizante mais recomendado como base nutritiva equilibrada para o substrato. O seu efeito duradouro e geram vida, alm de melhorar a estrutura e a reteno de gua.

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  • Vai precisar de canas ou outro tipo de tutores, como as redes sintticas de cor verde que se vendem nos centros de jardinagem, para empar pepinos e algumas variedades de tomate, ervilha e feijo. Pense nisso!

    Alm das ferramentas citadas, se pretender remover grandes quantidades de matria, convm ter um empilhador e tambm um cesto para se entreter a arrancar ervas adventcias espontneas ou fazer pequenos transvases do substrato e composto. J que falamos de composto, pense no compostoi! Encontrar vrios tipos e medidas, e tambm pode construir um poi si Se tiver espao suficiente, um compostor com i m3 de volume (i m de laigwin x i m de comprimento x i m de altura) facilita a dinmica do procev:, iiimla que possa conseguir compostar at num caixote. Se tiver espao paia In .....

    oo^^

    O melhor substrato para cultivar em vasos e jardineirasA opo mais recomendada para que as suas hortalias cresam saudveis e fortes, na sua varanda ou no seu terrao, fazer uma mistura com uns 25% de composto, se possivel elaborado em casa, uns 70% de fibra de coco ou casca de pinheiro compostada, e uns 5% de elemento mineral, com preferncia pelo cascalho de granito decomposto, muito usado na jardinagem. Nas lojas especializadas, encontrar substratos preparados para o cultivo de hortalias. Se comprar, no se fie demasiado e acrescente um pouco de composto para evitar carncias nutritivas. Em qualquer caso, a textura esponjosa e o bom cheiro, semelhante ao da terra de bosque humidificada, devem ser duas propriedades do substrato definitivo.

    compostor de i m , qniilio

  • 0 que poggQM p la n t a r ?

    1 0 que quiser! Hortalias, ervas aromticas medicinais, flores comestveis... Uma viagem 7l| | semeadura colheita, com tudo o que procl.Ma| |de saber para saborear este processo mgico] Sobretudo, sempre que for possvel, procnrr

    1 cultivar variedades locais. Estar a fazer um Ifavor ao seu territrio e, por arrasto, , natureza I

  • Toirviabedlos

    A n d e s

    f \ m

    Tomate d e Mura

    TomateR af i

    /

  • Um jardim de hortalias

    Apresento-lhe algumas das espcies hortcolas que pode fazer crescer no seu jardim comestvel.

    Com um catlogo de possibilidades muito extenso e centenas de variedades disponveis, convm que pense muito bem em como fazer a seleo, tendo em conta as suas preferncias, o espao disponvel e a planificao do calendrio de semeaduras e colheitas. Deve tentar conseguir uma produo de alimentos variada e escalonada que lhe permita consumir produtos frescos durante todo o ano, se o clima da sua zona o permitir, claro est. Caso contrrio, trata-se de otimizar ao mximo o perodo de cultivo e consumir hortalias que se conservem bem na despensa durante as semanas em que a horta no d frutos, como poi exemplo, cebola seca, abbora, batatas, meles ou tomate de pendm .u

    Conheo muitos horticultores que relacionam a horta com o veiao, um grande erro, porque durante o inverno, em boa parte das zonas climticas, podemos desfrutar de suculentos brcolos, couves, couve. Ilm, alhos-franceses, alhos tenros, cannigos, espinafres... Talvez essa associao mental errada provenha do desconhecimento, ou dos desejos viscerais de plantar quando chega a primavera, muito mais evidentes do que em qualquer outra poca do ano. No entanto, o pequeno esforo da constncia muito gratificante, porque as tarefas de manuteno do jardim comestvel so mnimas durante os meses mais frios do ano, e a horta converte-se numa despensa ao ar livre, que se mantm estvel devido paragem biolgica de inverno. S tem de fazer os deveres a tempo para dar s plantas as semanas de bonana de que necessitam para se desenvolverem, seja a produzir folhas, flores, frutos ou razes. Por exemplo, se quiser brcolos bem formados em janeiro, procure plant-los entre agosto e setembro; se fizer a semeadura desde a semente, ainda tem de antecipar mais e comear o processo de cultivo entre maio e junho. Nesta fase, na qual vai decidir o que vai plantar, uma boa planificao vai poup- -lo a muitas dores de cabea.

    Pegue em papel e lpis, e faa uma lista do que quer plantar, tendo em conta o que lhe tenho contado e o que vou explicar nas prximas pginas. Se quiser manter-se fiel sustentabilidade, aposte forte na variedade, e no tanto na quantidade.

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  • As abboras conservam-se frescas ao longo de todo o inverno, num lugar fresco da oasa. Existem em muitas variedades, mas as de tamanho pequeno, como a abbora-menina da fotografia, so perfeitas para armazenar, j que gastamos uma abbora em cada refeio.

  • Abbora

    Nome cientfico:Cucurbita maxima / moschat

    Conhecida nalguns lugares como abbora de inverno, inclui diferentes espcies e variedades que tm em comum a poca de colheita, o outono, sendo uma cultura indispensvel se quisermos saborear o seu creme nutritivo ou a deliciosa abbora no forno nos meses frios do ano, e aproveitar tambm o seu poder antioxidante e vitamnico. Se a cultivar num terreno ou jardim, aproveite uma das bordas, onde encontrar o espao de que a abbora necessita para crescer com conforto. Se quiser cultiv-la em recipientes, faa-o em jardineiras ou mesas de cultivo que tenham, no mnimo, uns 70 ou 801 de bom substrato.

    Cada aboboreira costuma produzir entre uma e uma dzia de abboras, sobretudo em funo do tamanho dos seus frutos; quanto mais pequenos forem, maior a quantidade que produz. Com exigncias semelhantes s da

    curgete, do melo ou da melancia, requer uma terra frtil com grande disponibilidade de

    nutrientes, muita gua e luz abundante, em especial durante as primeiras semanas do ciclo de cultivo. Convm aproveitar a sua associao favorvel com o feijo, que lhe fornece parte do nitrognio que a sua grande massa foliar consome, ainda que tambm possamos limit-la um pouco atravs de podas peridicas dos brotos secundrios, depois de os primeiros frutos terem rebentado. A semeadura da semente pode fazer-se diretamente no lugar definitivo onde queremos que cresa, com uma separao entre plantas de aproximadamente 1 m.

    As aboboreiras precisam de muito espao para se estenderem ou de tutores para trepar.

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  • Aipo

    Nome cientfico:Apium graveolens

    I >;i mesma famlia que a cenoura, o aipo oignico um anticancergeno potente, i iro em vitamina C e cido flico, queconverte as saladas de outono-inverno mima iguaria celestial. Ao consumi-lo em caldo ou creme, por exemplo, perde uma boa parte do seu poder vitamnico,embora conserve os minerais e os leosessenciais. Pessoalmente, recomendo que o consuma em saladas e sem branquear.Talvez saiba que uma das verduras quetradicionalmente se protege uns dias da luz solar para as branquear, mas o verde da clorofila to nutritivo e saudvel que convm no o desaproveitar.

    Precisa de uma terra muito hmida para poder crescer energicamente, agradece as temperaturas frescas, resiste s geadas quando j est crescido e o outono a melhor poca para o seu desenvolvimento. Pode lanar a semente, tendo em conta que todas as plantas desta famlia, as umbelferas, germinam lentamente. Ao cabo de uns dois meses j ter a muda preparada para ser transplantada para o lugar definitivo. Tenha picsente que, para o consumo familiar, bastam quatro ou cinco aipos plantados a uns dois palmos de distncia entre si. Em casa, ao contrrio dos cultivos comerciais, pode ir colhendo folhas de aipo medida que precise; assim permite que a planta v produzindo durante toda a temporada.

    Se vir que o arbusto d flores prematuras, corte os talos florais e deixe que continue a criar folhas novas, como se nada se tivesse passado. Para manter o pulgo afastado, plante aipos perto das alfaces e dos alhos--franceses.

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  • Alcachofra

    Nome cientfico:Cynara scolymus

    A alcachofra uma planta perene, de cultivo plurianual, que, bem cuidada e com um pouco de sorte, lhe pode oferecer as suas preciosas flores durante seis ou sete anos, ainda que os cultivos comerciais apenas lhe alonguem a vida at aos trs, porque a partir desse momento a sua produo vai diminuindo progressivamente. Estreitamente relacionada com o cardo, uma planta vigorosa que precisa de bastante espao no solo, caso seja cultivada em jardim, ou de recipientes com um grande volume do substrato, como, por exemplo, as paletes recicladas ou as caixas Combox.

    Convm que a separao entre as plantas seja de uns 6o cm, e podemos fazer a reproduo atravs da semente - recomendvel plantar mudas de viveiro, onde pode encontr-las em bandejas apropriadas para a germinao - ou por diviso de plantas adultas. Esta segunda opo vai sei a que levar a cabo a partir do segundo ano de cultivo, para replantar alguns rebentos ou estacas que tero nascido da planta velha, e deixar um par no seu lugar. Cada rebento d uma alcachofra principal e depois aparecem algumas laterais, cada vez mais pequenas.

    Para manter uma boa produo, faa uma nova introduo de composto a partir da terceira alcachofra.

    Colhida no momento ideal, quando pequena e tenra, a alcachofra pode ser consumida praticamente inteira. medida que a flor se torna maior, as folhas vo endurecendo, at ao ponto em que a nica parte comestvel passa a ser a base e o corao, logo antes de se abrir numa magnfica exploso de tons de violeta. Em qualquer caso, se quiser comer boas alcachofras, colha- -as bastante jovens, cortando o talo uns 2 ou 3 cm abaixo.

    Nas zonas 1 e 2, as alcachofras tomam conta da horta durante os meses de inverno e primavera, mas medida que nos deslocamos para as terras do interior e de montanha, mais frias, o seu ciclo produtivo fica compreendido entre a primavera e o vero.

  • Alface

    Nas zonas mais frias do pas podemos ter alfaces frescas todo o ano. De cultivo fcil, tanto se pode plantar diretamente no solo como em recipientes. Quando planificar a sua horta, se for para consumo familiar, deve ser prudente e no plantar mais do que uma dzia de alfaces de uma vez s. O que procuramos com a alface uma colheita escalonada, e isso significa, por exemplo, plantar io ou 12 de trs em trs semanas, e no 50 no mesmo dia.Existem tantas variedades de forma, tamanho,

    A endvia (Chicorium endiuu)

  • Alho

    Nome cientfico:

    No deixe de plantar alhos! uma das iguarias da sua horta biolgica que possui mais

    propriedades medicinais: reduz o colesterol mau, mlicancergeno, refora o sistema imunitrio... Uma vasta lista de virtudes (l,l(' convm incluir na sua dieta diria. Os dentes de alho semeiam-se com duas finalidades. A primeira, e mais rpida, consumir os alhos tenros, deliciosos, antes que o bolbo comece a engordar. A segunda deixar completar o processo de formao do bolbo, com a correspondente diviso em dentes, e colh-lo seco para o guardar e usar como alimento ou condimento. Existem dois grupos de alhos, os brancos e os roxos, com diversas variedades em cada grupo. Todos seguem o mesmo processo, mas os brancos so melhores para guardar, uma vez que se conservam durante mais tempo, e os roxos para serem consumidos tenros.

    I. uma planta gratificante, pouco exigente em gua e nutrientes. Se a cultivarmos com a inteno de consumir os alhos tenros, podemos semear os dentes muito juntos para aproveitar melhor o espao. Por outro lado, com a chegada do calor, logo antes de colher os bolbos para secar, Irequente a apario do talo floral. Se isto lhe acontecer, corte-o mas no o deito fora! O talo que d a flor delicioso e vale a pena lev-lo para a cozinha!

  • Alho-francs

    Nome cientfico:Allium porrum

    Pertence famlia das liliceas, como o alho e a cebola. Protege de doenas cardiovasculares, e d corpo a sopas e cremes to delicados e saborosos como a porrusalda ou a vichyssoise. Desenvolve-se muito melhor nas zonas e perodos frios e hmidos, escapando ao calor do vero em todos os mbitos de influncia mediterrnea e continental marcada. Na zona 4, concentrada nos lugares montanhosos mais frescos, podemos consider-lo uma cultura de vero, mas no resto das zonas recomendo que aproveite o outono e o inverno se quiser tirar o mximo proveito.

    Em minha casa plantamos uma vez por ano e a colheita estende-se escalonadamente durante vrios meses. Fazemos a semeadura em qualquet vaso ou canto de terra, por volta de abril ou maio, e ao cabo de dois meses e meio tratamos de transplantar os pequenos alhos-franceses para a sua localizao definitiva, que habitualmente um dos canteiros destinados s culturas de outono-inverno. Transplantamos entre 150 e 200 alhos-franceses, suficientes para abastecer um agregado familiar de trs ou quatro pessoas durante um ano, e comeamos a colher a partir de outubro ou novembro, conforme evolurem as chuvas e as temperaturas. O alho-francs, depois de ter crescido, resiste a todas as geadas da poca fria e mantm-se intacto, de modo que a terra da horta se converte numa verdadeira despensa ao ar livre. Vamos recolhendo os alhos-franceses at ao ms de maro, altura em quearrancamos os que sobram para evitar que se espiguem com a primavera,

    congelando-os em pedaos, por cozinhar, para continuar a apreci- -los durante o vero.

    com um bom acolchoamento poupa a tarefa de os calar, porque dispem de profundidade suficiente para o branqueamento da parte mais tenra. Mas no deite fora as folhas verdes e duras! Aproveite- -as como condimento para caldos e sopas, por exemplo.

    Alm disso,

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  • Poderia alimentar-se apenas de batatas e teria uma boa sade, mas convm saber que as partes emergentes da planta, como as folhas, o talo, as flores... so txicas!A ingesto da solanina que ela contm muito perigosa e pode provocar a morte. A planta da batata tem, portanto, algumas surpreendentes particularidades.

  • Batata

    Nome cientfico:Solanum tuberosum

    uma das iguarias mais antigas, nutritivas e valiosas que o ser humano utiliza como base da sua alimentao desde tempos imemoriais. Proveniente da Amrica do Sul, uma cultura imprescindvel se tiver espao suficiente, s dispensvel em varandas e terraos muito pequenos. muito mais fcil produzir batatas diretamente no solo, em canteiros frteis, mas tambm admitem recipientes. Esta segunda opo muito interessante para os jiudins mais pequenos, e requer um recipiente profundo, como por exemplo um bido ou uma palete de fruta reaproveitada. Deposita-se uma camada rmn uns 30 cm de bom substrato e planta-se a semente. medida que vai crescendo e gerando folhas, vamos acrescentando progressivnmento mais substrato, forando a planta a crescer verticalmente e a criar razes btmi profundas. Quando a massa vegetal secar, esvaziamos o contedo e lemnnuma a surpresa: a partir de duas ou trs batatas iniciais obteremos uns I.....quilos.

    Em matria de batata, ao falar da semente referimo-nos aos exemplitirs d< batata que deixamos germinar para serem usados como semente, Ou sejn, no se trata de uma reproduo sexual, mas de uma muda da prpria planta

    que gera uma nova. Na verdade, as balatas no so razes, mas sim a parte gioss.i d< 1 talo subterrneo! O mtodo mais simplificado de cultivo no solo consiste em plant-las em trincheiras debaixo de uma camada com uns 10 cm de composto ou estrume, mais um acolchoamento de palha na superfcie, tal como pode ver na fotografia. Quando tiver de escolher variedades, descobrir um incrvel muni li > de formas, cores, sabores e texturas de

    A verdura da planta da batata nu etapa de crescimento, quando ainda

    no formou os tubrculos

    9:

  • Nome cientfico:Solanum melongena

    Pouco antes de o fruto crescer, poder contemplar a sua bonita

    flor de tons violeta.

    Amante do sol e do calor, chegou Pennsula com os rabes durante a Idade Mdia, proveniente do continente asitico. Desde ento, converteu-se numa das culturas mediterrneas por excelncia. Ainda que no se trate de uma hortalia com grandes propriedades nutritivas, o seu sabor caracterstico tornou-a merecedora de um lugar privilegiado nas cozinhas dos pases onde se cultiva: desde a musaka grega ao ratatouille francs, passando pela escalivada catal ou o tombet das Baleares.Diferentes nomes para se referir a pratos muito semelhantes, nos quais a beringela a protagonista.

    Precisa de terra muito frtil, hmida e carregada de nutrientes, e no cultivo em recipientes preciso ser generoso com o composto. Se formos podando a planta medida que cresce, favorecemos a formao e o crescimento dos seus frutos. Para colher as beringelas, preciso cort-las com as tesouras de podar, sem esperar que tenham crescido e amadurecido ao mximo, evitando assim que amarguem e tenham demasiadas sementes. Nos perodos chuvosos e ambientes muito hmidos, a planta pode ser afetada por fungos que estragam folhas e frutos; nesse caso, o extrato fermentado de cavalinha ou o leite podem ajudar-nos a salvar a colheita.

    Habitualmente, trata-se de uma cultura anual, de vero, ainda que em zonas sem risco de geadas de inverno se possa cultivar como arbusto plurianual, fazendo uma poda geral no inverno com a esperana de que volte a brotar na primavera. No territrio peninsular, inclusivamente no litoral, difcil que essa opo prospere, mas deve ser tida em conta se a plantarmos num lugar protegido do frio.

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  • Existem diferentes variedades de beringela, em funo do tamanho, l a cor dos frutos - que podem ser pretos, brancos ou com riscas violeta - e da forma - alongada ou arredondada. Pela doura da sua carne e pela textura de mel, recomendo-lhe a beringela branca, cultivada na regio catal de Bages desde a antiguidade e que tem vindo hojea ser fortemente redescoberta.

  • Brcolos

    Nome cientfico:Brassica oleracea var. italica

    Confesso que os brcolos so uma das minhas plantas preferidas, na horta e na cozinha. Primos direitos da couve-flor, so mais rsticos e sofridos no que se refere ao cultivo, mas extremamente delicados e saborosos no prato. Em minha casa, durante o inverno, no so raras as geadas em tomo dos -io C, e os brcolos da horta resistem estoicamente ao frio intenso. Alm disso, a caracterstica que os distingue mais marcadamente da couve-flor uma grande virtude: depois de cortada a flor principal, a central, voltam a brotar pequenas flores laterais entre o talo e as folhas da planta, que nos oferecem uma colheita escalonada, estendida por vrios meses at a primavera ja In entrado com a sua suavidade trmica, momento em que a flor se abre num fabuloso espetculo cromtico de tons amarelos, que limita, nesta fase, a mui qualidade gastronmica. Portanto, trata-se de uma cultura de outono invei i n >, que podemos estender at ao incio da primavera, mas que no de mnd< i algum apreciadora das temperaturas altas.

    Ricos em vitaminas B5, B9, C e K, convertem-se tambm num potente anticancergeno, que no pode faltar no seu pedacinho de paraso, ainda que em espaos reduzidos seja necessrio dar-lhes um recipiente grande, com ; I ou mais de volume de substrato, e talvez tenhamos de nos conformar com menos plantas do que as desejadas. Mas se tiver uma horta com medidas razoveis e quiser desfrutar do inverno no prato, considere a possibilidade quase necessidade - de incluir uma vintena de brcolos por temporada, que chegaro para abastecer uma unidade familiar e at lhe proporcionaro um pequeno excedente para oferecer nos jantares da quadra natalcia.

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  • Cannigos

    O seu nome remete-nos para os mosteiros, onde os cannigos nunca deixaram de ser cultivados. H sculos, quando os humanos ainda no tinham sido capazes de conseguir alfaces resistentes ao frio, os cannigos ou erva dos cannigos eram considerados as alfaces de inverno. De origem selvagem, caram no esquecimento durante mais de um sculo, e h poucas dcadas a cozinha europeia reincorporou-os no receiturio populai

    uma planta rstica e pequena, pouco apreciadora do calor. Talvez pela sua fragilidade e pelo escasso rendimento econmico, tendo em conta o seu tamanho e o seu peso, no cultivada em grande escala. Mas na sua casa no pode faltar! A semente planta-se diretamente no solo ou cm qualquer recipiente, at num pequeno vaso de i ou 2 1 de volume, na segunda metade do vero ou no princpio do outono, e vai-se colhendo c limpando escalonadamente ao longo de todo o inverno, at chegada do calor primaveril, que favorece a planta espigada - faz flor - e, portanto, o fim do ciclo. Pode fazer um cultivo associado com couve, alho-francos ou alface, aproveitando os espaos livres deixados por essas espcies de maior

    Saladas de inverno Os cannigos so um bom recurso para desfrutai1 de folhas verdes e frescas durante os meses frios do ano, combinadas em saladas com espinafres tenros e escarola. Se fizer a horta nas zonas 1 e 2, tambm dispor de alfaces, mas no interior e nas zonas montanhosas no ter tanta sorte.Os cannigos so uma fonte importante de vitaminas A (betacaroteno), B9 (cido flico) e C, alm de serem diurticos e purificantes.

    tamanho. Manifesta mais ou menos as mesmas exigncias que a alface ou o espinafre, e gosta de uma terra bem rica em hmus, com boa drenagem mas humidade constante.

  • Cebola

    Nome cientfico:Allium cepa

    Em primeiro lugar, preciso perceber o que a cebola seca e a cebola tenra. Todas as cebolas so tenras e secas nalguma altura do seu cultivo, ainda que falemos de cebolas secas quando cultivamos variedades especialmente pensadas para guardar durante vrios meses depois da colheita. Em minha casa, por exemplo, cultivamos as cebolas valencianas como cebolas secas - ver fotografia grande - e temo-las guardadas na despens;i paia ir consumindo aos poucos durante o outono e inverno.

    A cebola uma das culturas de mbito mediterrneo mais antigas, u m a pI a 111 a da famlia das liliceas com numerosas propriedades nutritivas o medicinar,, antisstica, diurtica, rica em glcidos, fibra e vitaminas... Pode encoiiliai sementes e mudas de variedades que se colhem no vero, outras que se colhem no outono, umas com o bolbo vermelho, como a cebola de Figueies, e outras com o bolbo branco, amarelo ou roxo. preciso procurar as variedades que melhor se adaptem sua zona e estabelecer um calendrio anual para poder ter sempre cebolas na horta e na despensa. Se fizer a semeadura com sementes, calcule que ter de esperar trs ou quatro meses at ser a altura de fazer o transplante definitivo. Quando as transplantar, deixe um espao de cerca de io cm entre cebolas, e a uma profundidade quase superficial de apenas i cm.

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  • Aqui pode ver a cebola tenra por excelncia, o calot Neste caso, volta a plantar-se no final do vero uma cebola seca de variedade branca tardia de Lrida, que neste segundo ciclo vital nos oferecer entre quatro e oito rebentos doces que estaro prontos a ser consumidos entre os meses de janeiro e maro. Portanto, se quiser produzir calots tem duas opes: semear esta variedade concreta de cebola branca no primeiro ano, para obter os bolbos, ou comprar diretamente os bolbos; esta segunda opo a mais utilizada pela maioria dos horticultores. Por outro lado, o calot recebe este nome porque tradicionalmente calado com terra para se conseguir rebentos compridos, mas eu nunca o calcei e garanto-lhe que comemos uns rebentos esplndidos. Com o acolchoamento e uma terra frtil suficientemente esponjosa, enterram-se os bolbos a uma profundidade de uns 20 cm; demoram bastantes dias at mostrar a cabea, mas acabam por brotar energicamente, e assim poupamos a tarefa de os calar e, ao mesmo tempo, mantemos as camadas do solo intactas.

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  • 0 grande valor das cenouras, para alm do seu excelente sabor, o seu elevado contedo de caroteno, que o nosso organismo transforma em vitamina A. Apenas 100 g de cenoura oferecem-nos, em mdia, as necessidades dirias desta vitamina, essencial para o bom funcionamento da pele e da pigmentao dos olhos. Se quiser sabore-las cruas em saladas, recomendo-lhe que as apanhe bem verdes e pequenas. Se forem maiores e preferir com-las cozinhadas, prepare-as ao vapor durante no mais do que quatro ou cinco minutos. Se as cozer demasiado em gua, perdero uma boa parte do seu potencial nutritivo.

    As sementesde cenoura demoram umas duas semanas a germinar, e como precisam de terra despida, sem acolc^pamento, aparecem muitas vezes ervas inoportunas entre as culturas. No se preocupe! Quando distinguir bem quais so as cenouras e quais no so, faa uma seleo manual e elimine as plantas indesejadal.

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  • Cenoura

    Nome cientfico:Daucus carota

    a rainha das razes comestveis do jardim. Doces e suculentas, as variedades de cor laranja que mais conhecemos atualmente foram introduzidas no territrio peninsular pelos rabes, h coisa de 900 anos. Semeiam-se diretamente, porque no toleram o transplante, a partir de fevereiro nas zonas quentes, embora encontremos variedades adaptadas a cada perodo do ano. Resistem s geadas moderadas, desde que a raiz esteja bem formada, de maneira que a melhor despensa de inverno paia a cenoura costuma ser a prpria terra da horta; assim, podemos consumi-las medida que precisarmos. Da semeadura colheita, costumam decorrer dois ou trs meses, em funo da variedade r do tamanho desejado. Se vir que as plantas crescem muito juntas r nau lem espao suficiente para desenvolver corretamente as razes, faa cliireiinri e aproveite as pequenas cenouras que retirar para as suas saladas

    Convm no aplicar muito composto. Se 0 usar, verifique se est bem maduro, de modo a evitar que as cenouras rachem e percam um pouco do seu sabor e textura. Como o resto das hortalias de raiz, as suas necessidades nutritivas resumem-se ao fsforo e ao potssio, pelo que a aplicao de cinzas residuais de foges, lareiras e caldeiras de biomassa converte-se num bom adubo, desde que tenhamos queimado madeira pura, sem aditivos.

    As diferentes variedades de cenoura distinguem-se pela forma, pelo tamanho e pela cor da raiz. Convm escolher em funo das suas preferncias climticas e adapt-las ao perodo anual mais favorvel para conseguir colheitas variadas e constantes. Com um bom planeamento, ter cenouras frescas nos 12 meses do ano. Os possveis ataques da mosca da cenoura, com larvas que perfuram as razes, so facilmente controlveis se fizermos uma associao de cultivo com cebolas ou alhos-franceses, que tm um notvel e benfico efeito repelente sobre o inseto em questo.

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  • Couve

    Nome cientfico:Brassica oleracea

    Embora possa ser cultivada durante grande parte do ano, escolhendo as variedades mais adequadas para cada poca, recomendo-lhe que a trate como uma cultura de outono-inverno. Apetece mais com-la, resiste s geadas moderadas e permite-lhe complementar um perodo com possibilidades mais limitadas que o vero. Alm disso, nos meses de dezembro e janeiro, afetada pelo frio intenso, deliciosa. Na horta da minha casa aproveitamos o espao e a terra melhorada deixada pelas leguminosas (feijes, ervilhas, favas...), a partir de julho e agosto, paia plant-las juntamente com outros membros da famlia, como a couve flui e os brcolos.

    Entre o transplante e a colheita costumam decorrer mais de dois ou lies meses, sendo plantas que gostam de grandes doses de hmus e de nutrientes. Existem de vrios tipos! Desde as mais comuns, como a:; couves-de-milo e os repolhos, at s variedades mais chamativas, como a couve-lombarda, ou s muito saborosas, como a catal paperina (ver olo) ou a corao-de-boi, sem esquecer as pequenas couves-de-bruxelas ou as forrageiras, estas ltimas sem corao. Para os mais impacientes,

    scomendo as couves de sete semanas, que, como o seu nome indica, so as mais precoces.

    Cultivada j na antiguidade por egpcios e romanos, bons conhecedores do _seu pito valor nutritivo, um alimento extraordinrio que no pode faltar

    na sua pequena horta. Rica em vitaminas, fsforo, clcio,potssio e fibra, convm aproveitar tambm as suas folhas

    verdes, e no apenas os coraes, porque onde concentra as suas melhores propriedades.

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  • TJouve^nor

    Nome cientfico:Brassica oleracea var. botrytis

    A couve-flor est relacionada com os brcolos, com os quais apresenta gm nde semelhana. A planta composta por uma massa branca,verde ou violeta, segundo a ' .varic'dade cultivada, rodeada delolhas verdes grossas. Trata-se de couves selecionadas para que desenvolvam essas grandes massas florais, que so as partes que consumimos habitualmente. Alm da variao de cor, do-se tambm variaes de formas e medidas. A mais interessante do ponto de vista gastronmico e morfolgico talvez seja o romanesco, que, como pode ver na fotografia da pgina ao lado, tem um linda flor em forma de espiral logartmica, de geometria fractal.

    Os primeiros romanescos que plantmos em minha casa, h alguns anos, seduziram-nos, e desde ento acompanham-nos todos os invernos. Alm disso, ao contrrio das restantes couves-flor, resistem bem s geadas e tm um sabor to delicado que at se podem comer cruas, em saladas. Ao contrrio dos brcolos, depois de a couve-flor ter feito a inflorescncia principal e de a termos colhido, podemos cortar tudo o que fica e d-lo s galinhas ou p-lo no compostor, j que a produo ter acabado. Para o resto das caractersticas do cultivo, pode aplicar couve-flor tudo o que expliquei a propsito dos brcolos.

    Durante o outono e a primavera, as couves-flor, os brcolos e todo o tipo de couves podem acabar devorados pelas lagartas da borboleta da couve, incansveis e vorazes desfolhadoras. Se esta borboleta branca aterrar na sua horta, aplique B a cillu s th u rin g en sis e A n a cy clu s p y reth ru m nas folhas de 15 em 15 dias, tal como explico no captulo das Solues ecolgicas.

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  • Curgete

    Nome cientfico:Cucurbita pepo

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    I ('iiha calma! uma cultura fcil e generosa, com diversas variedades que se diferenciam pela cor da pele dos frutos, mas preciso ser sensato e no cultivar mais do que duas ou trs plantas. Ter curgetes para a famlia inteira e ainda lhe sobraro para oferecer. Se tiver um pequeno excedente de colheita, pode cortar a curgete em pedacinhos para a congelar crua e consumi-la durante todo o ano, ou ento cortar em rodelas finas para as desidratar e guard-las em potes.

    Irm da abbora, partilha com ela exigncias nutritivas e tcnicas de cultivo, at ao ponto de nalguns lugares lhe chamarem abbora de vero. Ao contrrio da abbora, deve-se colher a curgete o mais tenra possvel, a fim de evitar o excesso de sementes, conseguir frutos saborosos e promover a produo da planta; se permitirmos que as curgetes cresam demasiado (mais de 25 a 30 cm), a planta enfraquece e deixa de produzir. Dia sim, dia no, vou colher curgetes, e incrvel ver e comprovar a rapidez do crescimento dos seus frutos. A produo constante e escalonada, durante quatro ou cinco meses, at que o ambiente hmido do outono faa com que toda a planta seja afetada por fungos, concretamente pelo odio, facilmente visvel pelo aparecimento de manchas esbranquiadas nas folhas, o que pe um ponto final ao seu ciclo de vida.

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    Flores que se comem!Pois : as flores da curgete - e tambm as da abbora - so uma iguaria deliciosa, nutritiva e divertida, e consomem-se cruas, panadas, recheadas ou de qualquer outra maneira imaginvel. Estamos diante de uma planta que produz flores masculinas e femininas (as femininas so as que do fruto, as masculinas as que costumamos colher para consumo). No entanto, convm deixar alguma flor na planta para que possa polinizar, porque caso contrrio ficaremos sem curgetes.Em minha casa, para evitar estes conflitos, deixamos em paz as flores masculinas e colhemos as curgetes muito cedo, quando ainda so pequenas e tm a flor pegada. Desta maneira, garantimos um bom fruto e uma boa flor ao mesmo tempo.

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  • Ervilha

    Nome cientfico:Pisum sativum

    H mais de 9000 anos que os europeus cultivam boas ervilhas, e continuamos a consider-las um dos alimentos vegetais mais apreciados do ponto de vista nutritivo e gastronmico. Fonte importante de protenas e vitaminas A, B e C, algumas das suas qualidades so o controlo dos nveis de acar no sangue e a diminuio do colesterol, alm de um alto poder antioxidante. Se tenras so deliciosas, secas so timas para ter de reserva na despensa. Convm coz-las a vapor, escald-las durante um par de minutos, ou ento consumi-las cruas ou salteadas. Em qualquer caso, evite os longos tempos de cozedura, pois destroem boa parte das suas valiosas vitaminas.

    O seu cultivo melhora a estrutura da terra ao enriquec-la com nitrngi mn, como acontece com o resto das leguminosas. As variedades de ervilhas classificam-se em dois grandes grupos. Tal como os feijes, podemos semear as rasteiras, prticas e muito produtivas, ou optarmos pelas trepadeiras, que requerem algum tipo de tutor, malha ou estrutura para se desenvolverem favoravelmente. Recomendo-lhe efusivamente as ervilhas -midas, uma variedade de ervilha de sabor muito fino e textura melada que se consome com a vagem inteira, sem debulhar, como se fosse feijo verde. Se fizer cultivo em recipientes, escolha ervilhas rasteiras, de outra forma converter a varanda ou o terrao numa espcie de selva impenetrvel.

    A semeadura faz-se diretamente por semente no lugar definitivo, enterrando cinco ou seis em buracos separados uns 35 ou 40 cm entre si. uma cultura de final de primavera, por isso no costuma precisar de rega muito constante. Um excesso de humidade antes da germinao pode fazer com que as sementes enterradas apodream facilmente.

  • Uma das minhas plantas preferidas! Os espargos comeam a dar o ar da sua graa nos meses de

    Espargo

    Nome cientfico:Asparagus officinalis

    primavera, momento em que agradecemos os primeiros manjares suculentos depois de termos devorado os brcolos e as couves invernais. Os espargos so deliciosos e fceis de cultivar, porque emergem de repente da terra, quando uma pessoa j quase se tinha esquecido de que os tinha plantado. Mas h que ter em conta que precisam de algum espao e no toleram o cultivo em recipientes. Por isso, so uma cultura adequada para jardins ou ptios com disponibilidade de terra, e convertem-se num recurso muito vlido para aproveitar as margens de um terreno. importante ter em mente que, no stio onde os plantar, no poder fazer mais nada durante os 15 ou 20 anos que dura o seu ciclo de produo. , assim, uma planta plurianual que requer uma localizao bem pensada e definitiva. Uma vez escolhido o lugar e feita a plantao, apenas tem de acrescentar composto e acolchoamento medida que a terra os v consumindo e, sobretudo, desfrutar dos espargos!

    A ttulo de curiosidade, digo-lhe que h plantas de espargo masculinas e femininas; as masculinas costumam produzir rebentos mais grossos porque acumulam a fora nas razes, e as femininas do rebentos mais finos porque dedicam mais energia produo da semente. No se preocupa: plante o que lhe venderem e logo ver o que sai; ao fim e ao cabo no determinante porque todos os espargos so igualmente bons, sejam grossos ou finos. Destaco tambm que quando falamos em comprar a planta do espargo, na verdade estamos a referir-nos sua parte subterrnea em estado de repouso, durante o inverno. Far-se- entender melhor nos viveiros se pedir garras de espargos, em vez de coroas, rizomas ou outras palavras tcnicas.

    H quem branqueie os rebentos, calando-os com terra medida que vo crescendo mas, como todos os branqueamentos de hortalias, pouco recomendado do ponto de vista nutritivo. Convm saborear os espargos verdes bem frescos e tenros, e manter a terra hmida durante o perodo produtivo. Assim, a partir do vero podemos suprimir as regas para favorecer o perodo de repouso, e no outono cortar a dois dedos da terra a folhagem seca que ainda tenha.

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    A maneira malB antiga, e tambm a mais prtica, de preparar o terreno para os espargos consiste em escavar uma vala com uns 30 cm de fundo e 40 cm de largura; o comprimento ser em funo do espao disponvel e das plantas que cultivarmos, pode ser S m (se quisermos plantar trs ou quatro) ou 20 m (se pretendermos aproveitar uma margem do jardim e conseguir boas colheitas).Depois de feita a vala, depositamos uma camada bem fina de composto maduro e, por cima, perfeltamenti i estendidas, as coroas subterriuiuM da planta. A seguir cobrimo-la toda com outra camada de composto maduro, desta vez com uns SO cm, e acabamos de encher a vala com algum tipo de acolchoamento (relva cortada, palha, folhas cadas de azinheira...). A partir daqui, so um ou dois anos de pacincia at desfrutar dos espargos primaveris I

    Pode semear sementes de espargo ou comprar as plantas num viveiro de confiana, em fevereiro ou maro, que quando convm transplantar. Pessoalmente, recomendo-lhe a segunda opo.

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  • Espinafre

    Nome cientfico:Spinacea oleracea

    Embora possa cultiv-la durante todo o ano, prefervel semear no outono e na primavera. Na zona 4, convm fazer uma boa previso e seme-lo, o mais tardar, no final de setembro ou princpios de outubro, para lhe dar tempo de germinar e se desenvolver; depois de a planta ter largado algumas folhas, j no se incomoda com o frio do inverno e mantm-se em timas condies at ao incio da primavera. Na verdade, encontramos diversas variedades que se adaptam tanto ao frio como ao calor, ainda que as temperaturas elevadas no sejam o ponto forte do espinafre.

    Alm de ser uma cultura que se d bem em terrenos frteis, adapta se perfeitamente a qualquer tipo de recipientes. Semeia-se diretamente com semente no lugar definitivo e, por isso, preciso retirar um pouco de acolchoamento para permitir a chegada da luz solar terra, o que iacilitam a sua germinao. uma espcie rstica, de exigncia de nutrientes mdia, mas preciso ter cuidado para que a terra ou o substrato de cultivo no seque muito. Isso provocaria um florescimento prematuro da planta, o que no nos interessa nada; com a flor espigada, a folha perde rapidamente textura e sabor.

    Embora nos mercados costumemos ver a planta do espinafre inteira, pela raiz, em minha casa fazemos de outra maneira: vamos colhendo folhas medida que vamos precisando. Para que a planta produza durante vrias semanas, temos de cortar regularmente as folhas exteriores; se forem tenras, podemos p-las nas saladas. a melhor maneira de aproveitar o seu potencial vitamnico e antioxidante. De qualquer maneira, a ideia de que 0 espinafre rico em ferro um mito e uma confuso... Se quiser ser como o Popeye, recomendo-lhe antes as protenas dos feijes e das favas do que as dos espinafres.

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  • Fava

    Com mais de 3000 anos de cultivo mediterrneo, esta fonte de protenas vegetais por excelncia uma das plantas que tm a capacidade de melhorar as

    Nome cientfico:Vicia faba

    pmpriedades da terra onde se desenvolvem. Como o resto das leguminosas, lixa o nitrognio do ambiente atravs de uns pequenos ndulos que forma nas razes, e por isso no convm arrancar a planta depois de terminado o ciclo produtivo, mas sim cort-la pela base e deixar que a raiz se integre na terra.

    Semeia-se diretamente no lugar definitivo e enterram-se de uma s vez duas ou trs sementes a uns 3 cm de profundidade e com um espao de separao de 30 a 35 cm entre si. Por outro lado, no preciso preocupar-se com o acolchoamento, porque todas as leguminosas o atravessam sem dificuldade. Nos climas quentes podem colher-se favas desde o ms de fevereiro, mas no interior e em zonas montanhosas os frutos chegam entre abril e junho; as favas so por excelncia um dos alimentos da horta primaveril.

    As diversas variedades de favas que pode cultivar classificam-se segundo o tamanho que a planta atinge e a durao do seu ciclo vital. Sabendo isso, experimente e selecione as que se adaptem melhor s suas necessidades.No entanto, todas elas so atacadas pelo pulgo preto; neste sentido, a nica coisa que tem de fazer manter o inseto afastado com a aplicao de Anacycluspyrethrum e um pouco de sabo potssico, e, se a planta j tiver a flor rebentada, eliminar os rebentos infetados.

    Uma forma divertida de saborear as favas escald-las durante meio minuto, debulhadas e com um pequeno corte nas pontas. Lavamo-las com gua fria e j temos uma nutritiva tapa de aperitivo.O corte serve para que, ao pression-las, saia a parte tenra do interior, que a mais saborosa.

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  • Feijo

    Nome cientfico:Phaseolus vulgaris

    Al,pn

    Vicioso, o feijo fonte de

    vitaminas e sais minerais.

    Tal como acontece com as favas, as ervilhas,a soja e o resto das leguminosas, o feijo tem a capacidade de aproveitar o nitrognio atmosfrico como nutriente, graas bactria Rhizobium. Portanto, uma cultura de vero melhoradora da terra, muito adequada para anteceder as couves, as couves-flor e os brcolos de outono e inverno. Semeia-se diretamente na sua localizao definitiva, com trs ou quatro sementes por buraco, situadas a uma distncia de uns 35 ou 40 cm. Prefere os terrenos esponjosos, bem drenados e ricos em hmus, o que no ser um problema para a sua horta, uma vez que, se tiver seguido os meus conselhos, essa terra boa constituir toda a sua rea de cultivo. Se procuia obter uma produo equilibrada para o consumo familiar, recomendo-lhe que faa semeaduras escalonadas todos os meses. Ns, tendo em conta que a nossa horta est na zona 4, semeamos os feijes a 15 de maio, 15 de junho e 15 de julho. apenas uma referncia, porque na zona 1 pode semear as primeiras a partir de maro.

    Podemos escolher entre um monte de variedades que se costumam classificar em dois grandes grupos: 0 feijo-trepador, de produo escalonada e generosa, e o rasteiro. A partir daqui, existem mil formas e cores, desde feijes de seco redonda at aos de tipo plano, como o feijo verde, de vrios tamanhos. Tambm pode escolher entre variedades de cor verde, amarela, branca, com listras roxas..., cada uma com o seu sabor e textura particular. Se, em vez de colher os feijes quando esto verdes, deixarmos que acabem de engordar e desidratar na prpria planta, podemos sabore-los secos durante todo o ano, aproveitando o seu alto contedo de protenas.

    As variedades rasteiras no precisam de tutores e tm ciclos de cultivo mais curtos. So os feijes mais recomendados para espaos pequenos e recipientes, embora em canteiros tambm sejam mais cmodos e prticos.

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  • Melancia

    Nome cientfico:Citrullus lanatus

    Com o regresso da primavera, um sonho recorrente ataca-me noite aps noite. As mordidelas nas doces e suculentas melancias que amadurecero la para julho e agosto comeam a passear pela minha mente, de uma maneira totalmente inconsciente. o incio do calor, que desperta a minha imaginativa, mas visceral necessidade de frescura no corpo e no paladar. Que prazer colher uma boa melancia, abri-la e devor-la vontade, depois de ter estado um bocado a trabalhar na horta de vero!O ltimo a chegar nem sequer a provar.

    As diversas variedades de melancia que podemos plantar distinguem-se pela forma do fruto, oval ou redondo, a cor da casca e da polpa, e o tamanho que possa alcanar. Muitas vezes, quando vamos buscar mudas a um viveiro, um mercado ou uma loja, oferecem-nos plantas de melancia enxertadas com um p de abbora, para assim se obter frutos de peso e medida um bocado exagerados, mas igualmente saborosos, se a terra que as acolher for rica e equilibrada em nutrientes. Tambm se foram popularizando as melancias sem sementes - na verdade, com pequenas sementes enfraquecidas - que produzem plen estril e precisam de uma variedade convencional frtil nas proximidades para produzir fruto. Kecomendo-lhe que abandone o requinte e as invenes de ltima hora, e que se centre nas variedades tradicionais; pense que as sementes de melancia so ricas em vitamina E e ajudam a regular o trnsito intestinal.

    Se viver numa zona de veres bastante curtos e frescos, acima dos 800 ou 900 m de altitude, prefira as variedades que produzem frutos de dimenses modestas, porque, caso contrrio, as melancias no amadurecero a tempo. evidente que isto se pode aplicar a qualquer outro fruto, quer seja de uma cucurbitcea ou de outras famlias botnicas. Quanto mais pequeno for o fruto, mais rapidamente consegue amadurecer.

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  • 0oc>o
  • mmNome cientfico:Cucumis melo

    Outra cucurbitcea suculenta de cultura de vero. Ricos em acares e vitamina C, os meles podem semear-se por semente diretamente no lugar definitivo, ou ento atravs de uma muda, que dever ser transplantada ao fim de aproximadamente um ms. Gostam de terrenos ricos em hmus e temperaturas que oscilem entre os io C e os 30 C, que permitam o bom desenvolvimento da planta e o mximo amadurecimento dos seus frutos.Se no dispusermos de muito espao, podemos tutor-los, mas devemos construir uma estrutura firme que resista ao peso dos meles. Para os cultivar em recipientes, devemos ter muito volume de substrato, calculando uns 25 ou 301 por planta, com um espao de separao entre exemplares de 70 cm. De carcter muito voraz, como todos os membros da sua famlia, o melo aceita que o composto ou o estrume que o alimenta ainda esteja fresco, embora, se for maduro, a planta cresa mais saudvel e forte, mantendo afastadas possveis pragas, como os pulges ou a mosca branca.

    O momento da colheita

    Convm apanhar os meles no momento ideal de amadurecimento, caso contrrio so um pouco indigestos. Claro que reconhecer primeira vista o estado de amadurecimento de um melo ou de uma melancia no tarefa fcil. Habitualmente, um dos indicadores mais fiveis esperar que rachem um pouco na zona prxima ao talo, momento em que se desprendem facilmente da planta. Conheo algumas pessoas experientes a quem basta o cheiro. Tambm h quem se dedique a dar-lhes golpezinhos e ouvir; se parecerem ocos, significa que j esto maduros.

    H variedades de melo de diferentes formas e tamanhos. Os pequenos e arredondados, de tipo Cantaloup ou francs, tm ciclos mais acelerados e so muito recomendados para a zona 4, com veres mais curtos e temperaturas menos elevadas. Nas restantes zonas desenvolvem-se bem os ovais, quer tenham a pele verde, como os pele de sapo, muito conhecidos, ou a pele amarela, como os meles canrios. Todos eles, se se cultivarem em seco, ou seja, com pouca rega, conservar-se-o trs ou quatro meses na despensa.

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  • Morango

    Nome cientfico:Fragaria sp.

    H quem no faa distino entre plantas e fale de morangos em todos os casos. Para sermos precisos, convm ter claro que uma coisa o morango pequeno, fruto da Fragaria vesca, seja selvagem ou cultivado, e outra so os morangos da Fragaria x ananassa e outras variedades semelhantes, uma planta mais robusta e produtiva, de origem americana. Pode cultivar osdois tipos, embora atualmente o segundo se tenha imposto. Tambm iviln que pode encontrar morangos pequenos nos bosques hmidos e na beiin dos caminhos de boa parte do nosso pas; ao passo que, pelo contrrio, pode saborear os morangos maiores se os cultivar, j que no enconti amou a planta em estado selvagem.

    Morangos na horta du minha cunu,

    acolchoados com palhii

    Colher os seus morangos, frescos e vitamnicos, uma das experincias mais gratificantes que a horta lhe proporciona. Este um cultivo divertido que se pode fazer tanto no solo como em qualquer tipo de recipientes. Em vasos e jardineiras, como pode ver na fotografia, os frutos ficam pendurados e nunca tocam no substrato de cultivo, uma vantagem notvel uma vez que o contacto direto com a humidade da terra os estraga com frequncia. Caso cultive diretamente no solo, recomendo-lhe um bom acolchoamento com palha ou folhas secas de pinheiro, que manter os frutos secos e a terra hmida durante mais tempo.

    So espcies muito exigentes em nutrientes e matria orgnica, preferem os terrenos cidos e tm um ciclo de cultivo recomendado de trs anos. A partir da, a planta produz muito pouca fruta e convm substitu-la. Quando as plantar pela primeira vez, ser mais prtico ir ao viveiro no inverno e comprar algumas mudas; deste modo saber que todos os ps so do primeiro ano. A partir daqui, pode multiplic-las e obter novas plantas ano aps ano. Os morangos so espcies que caminham, isto , que se multiplicam criando novos rebentos laterais, chamados estolhos, que no so mais do que plantas novas prontas a criar razes. Tenha mo vasos pequenos, cheios de bom substrato, e plante os escolhos sem os cortar da planta-me; depois de terem enraizado, ao cabo de cinco ou seis semanas, corte a ligao e transplante-os para o lugar definitivo, e assim sucessivamente. Deste mddo, tgr sempre plantas a produzir sem ter necessidade de as comprar.

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  • m mNome cientfico:Cucumis sativus

    Como acontece com a curgete, est diante de uma cucurbitcea muito produtiva que exige sensatez ao planificar o seu cultivo, se no quiser ficar larto dos seus frutos. Por isso, calcule apenas duas ou trs plantas para satisfazer o consumo familiar. Quando comecei a cultivar pepinos, deixei que as plantas se espaassem livremente pelo solo, mas, alm de ocuparem muito espao, via-se claramente que o contacto direto e constante com a humidade favorecia um fungo, o odio. Assim, convm pr tutores nos pepinos para que estejam bem ventilados e no invadam mais espao do que o necessrio.

    Pode encontrar sementes e mudas de diversas variedades de pepino: grande ou pequeno, alongado ou arredondado, verde ou amarelo... Prove e escolha a que se adapte melhor sua zona e s suas preferncias culinrias.A separao entre plantas pode ser de uns 50 ou 60 cm, e preciso ter em conta que consomem muita gua. No deixe os seus frutos crescerem muito antes de os apanhar, porque ficam amargos e com muitas sementes.

    (iontm muita vitamina C, como a maioria das plantas da sua horta, o bastante potssio, mas no se destaca por ter um alto valor nutritivo.Mas nos dias quentes de vero uma alegria refrescante que complementa gaspachos e saladas como nenhum outro. Tambm pode fazer tsatsiki, uma especialidade grega que combina pepino ralado e iogurte com umas gotas de vinagre e azeite, para formar um dos molhos mais leves, saudveis e suculentos da gastronomia mediterrnea.

  • p i m e n t o v e r w e l K o ,p
  • Pimento

    Nom e cientfico:Capsicum annum

    Da mesma famlia que a batata e o tomate, os pimentos aterraram no nosso pas provenientes de zonas semitropicais da Amrica. Pode plantar muitssimas

    O sabor doce e refrescante do pimento amarelo excelente para as saladas de vero.

    variedades. Desde os clssicospimentos para assar, que se apanham muito vermelhos, quando j esto muito maduros e so carnudos e doces, at aos pequenos e picantes, passando pelos pimentos italianos, muito adequados para fritar e guardai no congelador, os pimentos amarelos, os habaneros, os Califrnia, os piquillo... As variedades so quase infinitas e a classificao difcil. Por isso, tal como recomendmos para as outras plantas, experimente e saboreie muitos tipos diferentes, e escolha em funo dos seus gostos pessoais o do clima da sua zona. Sempre que possa, procure sementes ou mudas de variedades locais adaptadas ao territrio, que daro sempre resultados ma is satisfatrios, no tanto ao nvel da produo, mas quanto resistncia face a possveis pragas e doenas.

    Precisa de terras frteis e bem ventiladas, carregadas de nutrientes, e gosta de doses grandes de composto, entre 3 e 4 kg por metro quadrado que mais tarde nos serviro para cultivos posteriores na rotao quadrienal. Como soluo ecolgica preventiva, podemos intercalar algumas plantas de manjerico que repelem pulges e outros insetos indesejados. O modo de cultivo segue os mesmos passos que no caso das beringelas e do tomate; semeia-se a partir de fevereiro-maro, transplanta-se para o lugar definitivo dois meses mais tarde e comea-se a colher os primeiros frutos a partir de junho-julho.

    Quando se trata de planificar o cultivo, tenha em conta que so necessrios espaos com muita luz e temperaturas elevadas para se obter uma grande e saborosa produo.

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  • Rabanete

    Nome cientfico:Raphanus sativus

    No h desculpas vlidas para recuar no cultivo de rabanetes! Qualquer pessoa encontrar um cantinho ideal que os possa acolher gentilmente, quer seja no jardim, num pequeno espao entre culturas ou num vaso numa varanda. um cultivo muito gratificante, entre a semeadura e a colheita passam apenas cinco ou seis semanas. Pode escolher entre os conhecidos rabanetes vermelhos, como os da fotografia, por vezes com manchas ou listras brancas, ou os impressionantes e alongados rabanetes de Maiorca.Tmbm h variedades de origem japonesa de cor negra e muitas outras formas prximas, todas elas com propriedades digestiva e vitamnicas, e carregadas daquele matiz picante que complementa to bem as saladas. As folhas da planta, embora poucas pessoas as consumam, so tambm excelentes em saladas, tortilhas e salteados de verduras.

    No assimilam bem as grandes concentraes de composto, que provocam deformaes e gretas no tubrculo, alm de um sabor excessivamente picante. Assim, uma cultura residual e basta aproveitar os nutrientes deixados pelas culturas anteriores. Como se trata de uma semente pequena, a semeadura deve ser superficial e em solo despido, sem acolchoamento; pode fazer-se durante todo o ano, exceto nas zonas de maior altitude, onde no convm seme-lo durante a poca mais fria porque no conseguiremos fazer com que germine.

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    Um par ideal!Plante-os perto das alfaces, porque so duas culturas simples que tm a virtude de se favorecerem mutuamente. Convm vigi-los durante as primeiras etapas do crescimento para evitar que as lesmas e os caracis matem a sua futura colheita. Se isso acontecer, ponha

    perto um copo cheio de cerveja para desviar a sua ateno e faz-los cair na armadilha; o cheiro vai atra-los e faz-los cair no interior. Lesmas e caracis tambm detestam a cinza, que atua como repelente e adubo ao mesmo tempo; se tiver fogo ou lareira, aproveite o resduo espalhando-o volta das hortalias.

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  • Lavanda

    Nome cientfico:Lavandula angustifolia

    Nem que seja apenas para contemplar e cheirar as suas espigas florais no final da primavera e durante todo o vero, j vale a pena t-la bem prxima. Tambm denominada de alfazema, rica em aromaso leos essenciais, a lavanda prefere os terrenos pobres e pouco nutritivos, mas bem drenados, com regas ocasionais e no muito generosas, sobretudo na poca de florescimento. Gosta muito de sol! Considere que uma espcie do clara vocao mediterrnea, muito bem adaptada falta de humidade dos nossos veres. Se viver num lugar muito frio, com invernos longos, escolha o stio com mais sol que tiver. Magnfica para separar espaos e criar ambientes de relaxamento, adapta-se bem ao cultivo em recipientes, seja em pequenos vasos ou em jardineiras com muito volume de substrato.Neste caso, o volume do recipiente determinar o tamanho da planta.A reproduo por sementes difcil; recomendo que compre um exemplar de viveiro e que, em qualquer caso, v criando novas plantas a partir de estacas.

    As suas flores, de tons azulados e sabor ligeiramente picante, podem ser adicionadas com moderao aos nomes e saladas. Depois de secas e esmigalhadas, so um condimento magnfico para fazer gelados, arrozes ou pratos de carne e peixe. Alm disso, a lavanda um bom repelente de mosquitos e pulges, e uma grande amiga de insetos polinizadores.

    Se quiser que a florao seja mais longa e o arbusto seja compacto, depois de as primeiras flores murcharem pode as espigas principais uns 10 ou 15 cm; desta maneira, favorecer uma segunda florao e conseguir engrossar uma planta lenhosa que, por natureza, costuma ser deselegante.

    160

  • Malva

    Nome cientfico:Malva sylvestris

    H .Humilde e cosmopolita, a malva uma planta que aparece em qualquer pedao de terra, sem pedir autorizao. uma dessas abundantes, oportunistas e pioneiras plantas s quais se aplica o infeliz epteto de ervas _ daninhas. mais uma demonstrao do egosmo humano: s vezesparece que os nicos vegetais que merecem a nossa aprovao so aquulcr. que decidimos cultivar, mesmo sabendo que provm sempre de variedade:; selvagens. Somos muito estpidos! Por sorte, a malva no se deixou convencer pela nossa m influncia e continuou a ser ela mesma, rebelde

    e fiel ao seu carcter.

    Numa horta urbana em recipientes, se quiser ter malvas recomendo-lhe que colha alguma na beira de um caminho, no campo ou em qualquer pedao de terra, e a transplante em sua casa. J se tiver um pedacinho de terra no jardim, como lhe dizia, basta ir busc-la e no arranc-la, porque estou certo de que j a tem plantada, talvez sem o saber. Aproveitamos os seus frutos, folhas e flores, muito boas para saladas, molhos ou sopas. Aparece e desenvolve-se entre a primavera e o vero, e preciso colher as flores de dia, porque noite esto fechadas. uma planta com infinitas propriedades, entre as quais se destacam as de fixar o clcio no organismo, combater resfriados e melhorar o funcionamento intestinal.

    Egpcios, gregos e romanos j consumiam as folhas de malva como verdura. E o nome ingls da planta, ch eese flo w e r - flor de queijo -, faz referncia ao delicioso sabor amanteigado dos seus frutos, redondos e achatados, que aparecem logo a seguir florao.

    167

  • muito sensvel ao frio! Recomendo-lhe que semeieas sementes num lugar protegido, a partir de fevereiro, e que faa o transplante definitivo quando tiver desaparecido o risco de geadas.

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  • Manjerico

    Nom e cientfico:Ocimum basilicum

    Imprescindvel e bem conhecido pelos bons jardineiros e horticultores ecolgicos, o manjerico uma planta que convm plantar perto de tomates, pimentos e beringelas, porque os protege de insetos indesejados, como os pulges, e, ao mesmo tempo, incrementa a produo de bons frutos. Graas ao seu efeito repelente, se esfregar a pele com as suas folhas tambm ficar protegido, neste caso da incmoda picada dos mosquitos.

    Pertence famlia botnica das labiadas, tal como o alecrim, a salva, a menta e muitas outras ervas aromticas. As labiadas destacam-se pelo seu alto contedo de aromas essenciais e porque as suas flores facilitam a tarefa de polinizao que feita pelos insetos. H variedades de manjerico de folha larga e grande, de folha pequena e at uma muito reluzente com folhas roxas (Ocimum basilicum purpurascens).O manjerico prefere terras esponjosas e ricas em matria orgnica, mas suficientemente resignado para se poder adaptar a quase qualquer situao. Espcie de climas e pocas quentes, preciso proporcionar-lhe a humidade necessria para manter as suas essncias bem concentradas

    Tem muitas aplicaes na cozinha! Pode juntar as suas folhas frescas e aromticas s saladas, molhos, cremes ou pratos de massa. Antes da chegada do frio, colha toda a planta e deixe-a uns dias num lugar com sombra e bem ventilado para que se desidrate. Uma vez seca, esmigalhe-a e guarde-a em potes de vidro bem fechados, para t-la todo o ano disposio, em forma de condimento, ou ento para fazer infuses e aproveitar as suas propriedades digestivas, antiinflamatrias e afrodisacas.

    169

  • Roma

    Nome cientfico:Pnica granatum

    Se tiver de escolher uma rvore de fruto, lendo em conta vrios fatores como a beleza, a quantidade e a qualidade dos frutos, ou a resistncia e adaptabilidade, decida-se por uma romzeira. uma das rvores de fruto mais antigas que se cultiva e d umas flores grandes, vermelhas e formosas, que parecem vir de um paraso perdido. Assim, apresento-lhe uma arvorezinha de ramos com espinhos e folhas duras e brilhantes, que lhe daia nutritivas roms quando chegar o outono, momento ideal do seu amadurecimento. Com os mil gros que se escondem no seu fruto faz-se o xarope de rom, mas so igualmente excelentes em saladas. E sozinhas, consumidas no incio da manh, so um excelente depurativo.

    Claro que a opo de pr rvores de fruto na sua vida depende diretamente do espao disponvel. Falei-lhe da romzeira, mas em terraos e jardins no muito grandes pode at pr uma videira que d parras e lhe proporcione uma sombra fresca, ou ento outras espcies prsperas, como a figueira, a cerejeira, a laranjeira, o limoeiro, o caquizeiro ou o marmeleiro. As possibilidades so infinitas! Pense, imagine, reinvente a distribuio do espao, plante e coma a fruta mais fresca e saudvel do mundo!

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  • Plante rvores de fruto de raiz nua!Pode encontrar durante todo o ano rvores de fruto, romzeiras ou de qualquer outro tipo, em centros de jardinagem, viveiros, feiras e mercados, mas no inverno costumam ser de raiz nua. Muitas vezes tm as razes dentro de um saco de malha para manter um pouco a humidade, havendo at produtores que as vendem com a raiz completamente nua; nestes casos, falamos de rvores com um ou dois anos de vida, e so as que melhor se vo adaptar sua casa, porque ainda so muito jovens, ainda no viram o mundo e, por isso, o seu processo de adaptao mais fcil. Talvez demorem um pouco a produzir o fruto, mas alm de haratas so um bom investimento a mdio e longo prazo. Pelo contrrio, as rvores de fruto quo vm em vaso tm por vezes trs, quatro ou mais anos de vida, despertam o interesse porque algumas j do fruta, mas so mais caras e podem apresentar alguns problemas nas razes e dificuldades para se adaptarem

  • Salva

    Nome cientfico:Salvia officinalis

    Plante-a perto do alecrim e do tomilho, porque elas (avorecem-se e potenciam-se mutuamente, mas no a junte com as hortalias ou rvores de fruto, porque as suas razes geram substncias qumicas que podem ser prejudiciais. Ainda assim, uma das csi relas do cantinho teraputico da pequena horta, que beneficia o conjunto graas ao seu poder de atrao sobre as joaninhas, amigas e convidadas teis que ajudam a manter afastados os pulges e as lagartas.

    Faa uma poda rigorosa

    A salva uma dessas plantas que se descontrolam se no lhes arranjarmos uma boa sesso anual de cabeleireiro. Aps a poca de florao, pelo outono, ou at durante o inverno, d-lhe a forma que lhe parecer oportuna e, sobretudo, limite o seu crescimento. Tal como acontece com a lavanda, pode vir a formar arbustos gigantescos, e sem uma poda peridica vai adquirindo um aspecto lenhoso, um pouco selvagem, talvez em excesso, condicionado pela sua tendncia para dar folhas novas para os lados e para cima, deixando a parte central da planta seca, vazia e sem vida. Lembre-se de que as plantas da sua horta esto sua responsabilidade e voc quem decide por elas. Se as quiser pequenas, faa com que o sejam, e se lhe interessarem formas mais arredondadas e harmnicas, deve ajud-las com as suas intervenes.

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  • Tomilho

    Nome cientfico:Thymus vulgaris

    Pode colh-lo durante todo o ano, mas o seu potencial gastronmico e medicinal aumenta durante as semanas em que floresce, habitualmente entre abril e junho, consoante o clima de cada zona.

    Tambm conhecido por timo, outra das plantas aromticas imprescindveis que servem de condimento e tambm so medicinais. Este pequeno arbusto, que apenas cresce um palmo acima do solo, uma espcie vivaz que, quando bom situada e enraizada, pode viver muitos anos no mesmo lugar, sem necessidade de adubo nem rega. Adaptada vida rstica, s admite um pouco de composto muito maduro e, se lhe for dado a escolher, prefere as terras argilosas aos terrenos mais leves e esponjosos. Nos centros de jardinagem e nos viveiros, encontrar dois tipos: o tomilho autntico e uma variedade de jardim, menos lenhosa, que soltaaromas ctricos e d umas pequenas folhinhas verdes e amarelas. Escolha a que preferir ou plante os dois tipos, mas saiba que o autntico, que da mesma espcie do selvagem, tem muitas virtudes medicinais e adapta-se melhor aridez.

    O tomilho muito benfico para as hortalias, graas ao seu efeito jrepelente de pulges e borboletas da j couve. Na cozinha costuma ser japroveitado como condimento, tanto as folhas como as flores. A infuso digestiva e tem muitas propriedades, tanto serve para desinfetar e curar feridas como para a dor de barriga.A gua de tomilho tambm o melhor colutrio para limpar os olhos e tratar as aftas da boca.

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  • Tulipa

    Nome cientfico:Tulipa spp.

    sempre divertido plantar bolbos e ir vendo como crescem. A flor no dura mais do que duas ou trs semanas, mas no interessa, nem tudo tem de durar eternamente! Pelo contrrio, uma boa maneira de aprender a desfrutar o momento, contempl-la enquanto dura, porque a sua existncia curta e convm que seja intensa.

    H muitssimas variedades de tulipa, com formas, cores e comportamento:; variados. Algumas so precoces, outras so de florao tardia, e outras eslan a meio caminho entre os dois extremos. Gostam de luz, mas precisam de temperaturas baixas para florescer energicamente. Por este motivo, os melhores meses para enterrar os bolbos so novembro e dezembro.As primeiras flores chegam no incio de maro, se forem variedades precoces, e at maio se forem tardias. Se combinarmos vrios tipos poderemos conseguir uma florao escalonada durante mais de dois meses Mas preciso escolher bem os bolbos e fazer um bom planeamento.

    No princpio do vero, quando chega o seu perodo de descanso, convm arranc-las pela raiz. Ver que o bolbo inicial se dividiu em bolbos mais pequenos; escolha os maiores e volte a plant-los quando vier de novo o outono. Para que estes voltem a engordar e cresam saudveis e fortes, convm uma boa aplicao de composto maduro e um bom acolchoamento orgnico, protetor e nutritivo ao mesmo tempo.

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    Sabia que...?Os bolbos e as ptalas das tulipas so comestveis, desde que provenham de agricultura biolgica, para garantir que esto livres de pesticidas. Mas no v a correr florista da esquina comprar um ramo de tulipas para o pequeno- -almoo, porque provavelmente estaro carregadas de produtos txicos. As ptalas cruas do um toque de cor s saladas, e as flores inteiras so timas recheadas com batata cozida, atum e cebola tenra, tudo triturado.

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  • Colher os frutos da esperana e da constncia.

    Neste momento importante continuar a trabalhar com os ritmos que a Lua nos impe e, por isso, folhear o calendrio biodinmico de cabeceira para verificar que o dia no catastrfico para as colheitas. Claro que no estou a falar de apanhar dois tomates para o almoo, nem uns brcolos para o jantar, porque vo ser consumidos de imediato, bem frescos, e por isso no tero tempo para se estragar. Mas quando fizermos colheitas generosas de hortalias ou de plantas em geral, que pretendamos conservar em bom estado durante meses, como no caso das abboras, dos tomates de pendurar ou das batatas, este fator ser determinante. Se for o caso, tentaremos sempre colher as espcies de raiz ou subterrneas na lua descendente, e as de fruto, flor ou folha, que so aquelas que se desenvolvem da superfcie para cima, na lua ascendente.

    Tambm essencial saber distinguir qual o melhor momento para apanhar a fruta e as hortalias em funo do seu estado de amadurecimento. E isso, confesso que aprender, nalguns casos, base do erro, como acontece com as melancias e os meles, que se prestam a confuso porque s vezes tm exteriormente todo o aspecto de ter amadurecido, e ao abri-los descobre que esto muito verdes. Se quiser guardar uma boa semente de qualquer fruto, ter de deix-lo no arbusto at que alcance o seu ponto mximo de amadurecimento e desenvolvimento, mas para o consumo, este extremo ser excessivo. Por exemplo, no caso das curgetes, das beringelas e dos pepinos, tem de os colher quando ainda no esto maduros, sem se preocupar se so demasiado pequenos, porque a etapa na qual as suas propriedades organolpticas so ideais. E com as leguminosas, como a ervilha ou o feijo, acontece o mesmo; se colher as vagens antes de maduras, estimula a sua produo.

    Considere tambm que as espcies de folha, como o espinafre, a alface ou os cannigos, devem ser consumidas antes de florescer; depois de espigadas, as folhas amargam. Nestes casos, o determinante no o tamanho final que a alface tenha alcanado, mas sim as propriedades saudveis que traz e o seu sabor delicioso. Pode ter cultivado uma alface com meio palmo, mas que no quer crescer mais e, no entanto, uma vez no prato, muito melhor do que os exemplares reluzentes do supermercado.

    176

  • As colheitas escalonadas e os excedentes

    Quando penso em excedentes, vm-me muitas coisas cabea, mas nenhuma delas me remete para as colheitas generosas da horta. Muitas vezes, quem no planta v 20 kg de cebolas e automaticamente visualiza um excedente, mas na realidade no o , porque so 20 kg de cebolas que lhe ho de durar uns trs ou quatro meses. Falo por mim, porque h uns anos, quando ainda no tinha descoberto o sabor do tomate, se me tivessem oferecido tantas cebolas juntas ter-me-ia posto a chorar, com toda a razo!

    O jardim comestvel modifica por completo a sua perceo da realidade e faz com que se aproxime do valor da temporalidade. F-lo amar a despensa e o que a natureza lhe oferece em cada momento. evidente que est condicionado pelos ciclos de cultivo de cada planta, e isso acaba por marcar tambm a sua dieta e a maneira de entender a alimentao. Alm disso, com um bom planeamento, ter sempre alimentos frescos disponveis, seja porque esto guardados num cantinho fresco da casa, como acontece com as cebolas secas, as abboras e o tomate de pendurar, ou porque esto na horta. E isso igual, quer viva perto do mar ou no cimo da montanha.

    Com uma disponibilidade escalonada de alimentos, as nicas conservas que nunca devem faltar so os molhos e as compotas. Os primeiros servem-lhe para dar uma exploso instantnea de vida aos pratos de arroz e pasta improvisados ltima hora. As segundas resolvem pequenos-almoos e lanches de inverno, e do-lhe a energia suplementar que o frio tira. Por isso, na poca das colheitas de vero, tenha mo um bom conjunto de potes de vidro com tampas que faam bem o vcuo, e dedique um fim de semana a fazer experincias culinrias.

  • Um tesouro de mil gostos e cores!Experimente adicionar ao molho de tomate, alm da oebola, um pouco de curgete e cenoura; fica mais suave e a acidez do tomate desaparece. Se a colheita de beringelas e pimentos tiver sido suficientemente generosa, faa uns potes de refogado. Quanto s compotas, d rdea solta imaginao! Pode faz-las de cebola tenra, de tomate, de curgete... A compota de melo e melancia, por exemplo, deliciosa!

  • Os frutos da sua colheita contm a energia que lhes tiver dado durante o ciclo de crescimento. Se tiver tratado das plantas com esperana e empatia, os seus frutos sero deliciosos!

    Um sorriso vitamnico

    Tal como lhe fui contando em outras partes do livro, os melhores alimentos do mundo so aqueles que pode cultivar com as suas prprias mos. Esto impregnados da energia, da motivao e da esperana que o inovem, uma condio que se torna to ou mais nutritiva do que as inmeras vitaminas que contm, e no so poucas!

    Tambm acredito firmemente que cada planta est desenhada para ser consumida num determinado momento. Se no, como possvel que a altura em que mais apetece tomate seja precisamente aquela em que ele amadurece na sua zona? Em minha casa, colhemos os primeiros tomates para salada em julho, e, realmente, at chegar esse dia, no sentimos a sua falta. Talvez seja uma dinmica adquirida, ou talvez seja assim por algum motivo, o certo que a horta d-lhe a oportunidade de o experimentar. E essa sensao to terrena, a de viver o momento e no pensar naquilo que vir, uma mensagem que lhe transmitida no s pelas plantas que cultiva, mas tambm por toda a matria viva do seu pequeno paraso.

    I )a mesma forma que o tomate para salada est feito para ser devorado com a mxima frescura e rapidez, os tomates de pendurar, como os que a Mariona est a saborear e que so da variedade mala cara, concretamente, esto preparados para manter intactas as suas propriedades nutritivas durante muitos meses. No caso dos tomates de pendurar, que se colhem em agosto, por exemplo, deve considerar que podem conservar a frescura at pelo menos o ms de maio do ano seguinte. Isso so nove meses!E por muito que o seu nome o diga, no necessrio guard-los pendurados. Na maioria dos apartamentos e das casas, muito mais prtico encontrar um canto fresco e empilhar algumas caixas, das que se usam nas frutarias, do que se dar ao desafio de pr cordas para os ter pendurados no teto; a nica coisa que deve procurar fazer camadas de um ou dois andares de tomate em cada caixa e evitar que fiquem demasiado apertados, para assim permitir a circulao do ar.

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  • Tesouro de sementes

    Como guardar as sementes para semear mais tarde e para novas temporadas.

    H centenas e milhares de anos que ns, os humanos, fomos selecionando e reproduzindo vegetais para o nosso consumo e subsistncia, sem trguas, com o objetivo de ir aumentando o catlogo de variedades disponveis e conseguir a melhor adaptao ao meio e s necessidades do momento. Com toda a certeza, as sementes so o patrimnio mais valioso que temos. E a avareza dos poderosos, que anseiam controlar as pessoas humildes desde que os humanos so humanos, boa conhecedora desta realidade. No ltimo sculo, grandes empresas com intenes obscuras conduziram-nos a um delicado panorama, no qual se procurou reduzir o extenso catlogo de variedades antigas e tradicionais, com o objetivo de conseguir o monoplio e a estandardizao.Tomateiros hbridos que do mais frutos mas produzem sementes estreis, milho geneticamente modificado... Por sorte, toda esta perverso no se conseguiu enraizar no mundo das hortas familiares de autoconsumo, e muitos pequenos agricultores continuam a semear sementes dos seus tetravs. Em todo o caso, o mercado variado, h de tudo, e muitas associaes trabalham incansavelmente para manter e recuperar este patrimnio.

    Quando comear a horta, deve pensar em tudo isto e decidir se prefere ir comprando sementes medida que precisar delas ou fazer o esforo de conservar as prprias. Pessoalmente, a experincia impele-me a dizer que h que optar pelo meio-termo, guardar algumas prprias sempre que possvel, mas sem que isto se torne uma fonte de preocupao, pois muitas vezes apetece mexer nos saquinhos de sementes das lojas e comprar algum. No se trata de modo algum de reprimir essa vontade, mas de se divertir e fazer o que lhe apetece sem nenhum tipo de presso. Por outro lado, tambm tem a opo de trocar sementes com outras pessoas que tenham horta, um recurso barato e proveitoso, sobretudo se for complementado com uma boa conversa hortcola.

    186

  • er* frascos de vidro

    ONTjE AR, AS SEMENT

  • Curgetes com forma de abbora e tomate nicos!Quando reproduzimos uma planta desde a iaiz, as variaes genticas costumam ser um facto habitual, dado que se trata de um tipo de reproduo sexual. Por exemplo, se plantmos num canteiro cinco tipos de tomates diferentes e depois guardmos as sementes de alguns dos frutos obtidos, possvel que, quando (izermos novamente a semeadura, na temporada seguinte nos nasa um tomateiro que misture caractersticas das anteriores. Isso tambm acontece muito com as cucurbitceas, como as melancias, os meles, as abboras, etc. f. por este motivo que recomendvel - caso queira produzir uma planta com a nica finalidade de obter uma semente que seja fiel ao seu patrimnio gentico

    situ-la afastada alguns metros dos outros membros da sua famlia. No entanto, em espaos pequenos pode ser difcil seguir estes procedimentos. De qualquer maneira, o facto de se hibridar duas variedades no tem de ser necessariamente um problema. Talvez saia um indivduo estranho, pouco aproveitvel, ou talvez tenhamos criado, sem saber, uma nova variedade de tomate que valer a pena conservar para o futuro. Se no tentar, nunca o saber!

    As sementes nao duram para sempre!

    Conservar e guardar sementes uma ao louvvel de grande valor prtico e simblico, mas depois de o ter feito deve ter em conta que preciso ir gastandoessas sementes antes que percam a sua capacidade para germinar. O tempo passa e ns somos especialistas em ai u mu lar coisas que depressa esquecemos. Calcule que, em mdia, a sua viabilidade dura uns cinco ou seis anos, mas depende de cada espcie. Por exemplo, no convm guardar mais do que dois anos as sementes de alhos- fianceses, cebolas ou leguminosas,

    como o feijo e a ervilha; por outro lado, as da alface podem conservar-se durante sete ou oito anos. As sementes das abboras, das curgetes, dos pepinos e do resto das cucurbitceas podem durar uns io anos se estiverem bem armazenadas.

    0CONSERVAO DE SEMENTES EM QUATRO PASSOS:

    As sementes tm de estar bem secas,

    E preciso guard-las num recipiente kermtico.

    Convm escolker um espao fresco; pode ser, embora nao necessariamente, o frigorfico,

    T>eve escrever no recipiente a data, a espcie e a origem das sementes.

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  • A compostagem

    Recicle os seus resduos orgnicos e consiga o melhor alimento para a horta.

    A finalidade esta: aproveitar toda a matria orgnica que gera em sua casa. De alguma maneira, deve tentar devolver terra a energia que consumiu para poder produzir os alimentos que o satisfizeram. Penso que uma troca justa e necessria.

    Fruto de um processo de decomposio e transformao, levado a cabo por uma infinidade de microrganismos, surge o composto, um produto rico e equilibrado em nutrientes que a melhor garantia para manter a fertilidade do solo em condies ideais. , assim, claro que no voc quem faz o composto, mas sim uma quantidade de bactrias, fungos, minhocas e outros convidados que vo chegando ao monte de matria para oferecer o seu contributo. O seu trabalho, neste sentido, proporcionar o espao e as condies ideais para que a festa comece e esperar uns meses.

    De certa maneira, ao fazermos composto estamos a imitar os processos de regenerao da natureza, mas de uma forma acelerada e controlada. Em qualquer caso, o produto final solta um cheiro agradvel que lembra a terra hmida de um bosque. Se terminar o processo com xito, fantstico, e se no o conseguir, no se preocupe! Sobra sempre a opo de comprar o composto. Mas se tiver tentado, embora a cor no seja negra, nem a textura fina, nem o cheiro bastante agradvel, espalhe-o pela terra. No duvide que, mais cedo ou mais tarde, ela vai absorv-lo todo.

  • Apllcjueo cowposto *a. s u p e r fc ie SfcW rewover

    ^sba. urvio. C^ d o . f y u * s 2 crw,

    ; ; V ' V / K ' "

    Numa horta no solo, convm espalhar o composto e deix-lo na superfcie, sem remover. Pelo contrrio, se fizer a horta em recipientes importante que o misture com o substrato de cultivo para conseguir uma mistura homognea. \fT

  • O estrume maduro utilizado pelos camponmvi qur tm gado equivale ao seu composto caseiro. Qualquer horticultor, uma vez que no tem ovelhas nem cavalos, deve seguir outros caminhos e aproveitar o que tem ao seu alcance. Mas se colocar o seu galinheiro mvel em contacto direto com o solo, num dos canteiros da sua horta, estar a fazer uma compostagem direta. Neste caso, so as duas galinhas felizes que completam o processo e deixam a terra preparada, bem nutrida, para que plante nela o que quiser. V mudando o galinheiro de lugar passadas algumas semanas. Em quatro dias ter tudo adubado! Alm disso, convm amontoar o resto dos resduos orgnicos para fazer composto. Uma coisa no impede a outra!

    00000Qs 60 C, que so necessrios para eliminar insetos incmodos, agenton patognicos, maus cheiros, sementes e ervas inoportunas.Em compostores pequenos, este o o ponto mais difcil de conseguir; o que no significa que o composto resultante no seja vivel. Talvez no seja to bom, mas no deixa de ser composto! De qualquer maneira, se este inconveniente nos limita, podemos utilizar vermicompostores, recipientes com minhocas vermelhas que comem resduos, excretam nutrientes e seguem um processo mais simples.

    Equilbrio entre resduos: Deve incorporar em partes iguais a matria orgnica fresca, rica em nitrognio, e a matria orgnica seca, rica em carbono. Explico em maior detalhe na pgina seguinte.

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  • Escolher o compostor: dvidas e esclarecimentosUm compostor no mais do que um espao ou recipiente ventilado onde deixa os resduos orgnicos para que se transformem, com a ajuda da uma. mllnidade de microrganismos, no produto mais nutritivo que existe para a tu>rta. Mo mercado vai encontr-los de muitos tamanhos, formas e inn,foniais, mas tambm pode constru-lo voc mesmo; procure que as I ides tenham aberturas para que o composto respire. Se tiver espao no Jardim, duas opes de baixo custo so: fazer o composto numa pilha de pelo monos 1 ms de volume, que a medida de referncia para que tudo funcione, ou pegar em quatro tbuas de madeira e fabricar um recipiente oi >m quatro paredes laterais. A principal dificuldade que os compostores l x iquenos tm que o escasso volume de matria dificulta o xito do I mocesso e no faz aumentar a temperatura no seu interior; um facto i mportante para que saia um produto so e saudvel para a terra. Nas hortas em varanda ou terrao, pequenas e de cultivo em recipientes, a melhor opo ser a compostagem com minhocas ou vermicompostagem.

    O melhor lugar para o colocar *Se puder escolher, quanto mais sombra o puser, melhor. Entre outras razes, porque evitar que o sol e o calor do vero sequem excessivamente a matria e os organismos que ali vivem. Se o tiver junto a uma parede ou a uma cerca, assegurar que fica um pouco protegido do vento forte e seco ou do frio intenso, o que ser uma ajuda para o bom funcionamento do processo.

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  • A opo da vermicompostagemOutra maneira de compostar os seus resduos orgnicos aproveitar a fome voraz das minliocas vermelhas da Califrnia, que se usam precisamente para este fim. Elas comem sem trgua e voc aproveita o apreciado hmus de verme que geram. Quando fizer a horta diretamente no solo, em canteiros frteis, j tem o hmus de verme graas s minhocas que l vivem, mas quando a horta se faz em recipientes no temos vermes no substrato, e nestes casos muito valiosa a entrada do rico e concentrado vermicomposto. Alm disso, os vermicompostores so bastante pequenos e podem colocar-se numa garagem, por exemplo, se no tiver muito espao exterior.

    Com que resduos fazemos o composto?

    Praticamente todos os resduos orgnicos so dignos de compostagem, mas convm tentar manter um equilbrio, em parts iguais, entre os que so ricos em nitrognio e os que so ricos em carbono. Os resduos nitrogenados so os que se decompem com mais rapidez, muitas vezes contm bastante gua e possvel que cheirem mal ao princpio, no incio do processo, quando ainda so frescos; o caso dos excrementos de galinheiro, a relva cortada do jardim, os restos de verdura e fruta da casa, as ervas inoportunas que arrancmos da horta Por outro lado, os elementos ricos em carbono decompem-se mais lentamenlr, do estrutura pilha e facilitam a sua ventilao; considere que o processo que tem lugar no compostor de tipo aerbico, ou seja, que precisa da colaborao do oxignio para se completar. Neste segundo grupo esto as folhas secas, o papel e o carto, os ramos resultantes da poda, a palha, a serradura, etc.

    - No nte: a o 3COMfOSTO..._____

    C a sca s cie frabos secos.

    e plawtas vwasoras, com o a grarwx e acorrloU ..

    rvo5_ e q ^ s A : ----reste.

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  • Para qu comprar ovos quando pode ter um pequeno

    heiro mvel?

    No jardim, no po on no terrao. Ter duas galinhas felizes em casa um investimento, e no apenas pelos ovos que lhe proporcionam dia aps dia, mas tambm pela cooperao que oferecem. No caso de uma horta urbana em recipientes, ajudam-no a enriquecer os resduos orgnicos que depor; servii ao para fazer o composto. E se fizer a horta no solo, adubaro os canteiros em quatro dias e no ter de fazer absolutamente nada. Sem dvida, comem de tudo e so autnomas. V por mim, quando se habituar no saber viver sem elas, e claro que elas no sabero viver sem si. Sero mais dois membros da famlia!

    Talvez para alguns possa parecer uma ousadia, mas no podemos esquecer que h poucas dcadas, nas aoteias e nos ptios interiores de cidades como Madrid e Barcelona, quase toda a gente as tinha, e no apenas duas, mas muitas mais. De qualquer maneira, importante que sejam duas para evitar que lhe saiam ovos pelas orelhas. Sobretudo, nada de galos! Se tiver um galo num ambiente urbano, o mnimo que lhe pode acontecer que o vizinho do lado o denuncie por ser perturbador. E ainda que viva numa casa de campo, duas galinhas no chegam, nem de longe, para satisfazer as desmesuradas necessidades sexuais do galo; ficariam stressadas. No complique! Duas galinhas poedeiras so uma coisa fcil, prtica e barata.

  • Duas galinhas poedeiras, a um ovo por galinha e por dia, so 14 ovos por semana; o suficiente para o consumo familiar.

    importante entender o conceito do galinheiro mvel. Baseia-se num habitculo pequeno, do tamanho necessrio para que as galinhas vivam bem, calculando que cada galinha 1precisa de i m2 de espao vital.Portanto, o galinheiro deve ter uma parte exterior com 2 m2 e uma pequena parte protegida, que o lugar onde as galinhas poro os ovos. Uma boa medida total, bastante padro, so 2,4 m de comprimento poi i m de largura; cabe num ptio ou num terrao e tambm se adapta aos cantcims frteis de uma horta no solo. Tem de ter duas portas de acesso ao interior, uma para tirar os ovos e outra na parte exterior da malha. Como complemento, faz falta um bebedouro e um comedouro. simples de construir, mas se preferir pode compr-lo j feito, porque so cada vez mais fceis de encontrar.

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    Mo.dlei.ra.:

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    e 10 ngulos metlicos

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    Quando as galinhas comearem a pr, deve ter em conta que todos os dias ter um par de ovos. Tambm no completamente matemtico, porque, em perodos ou zonas frias, no inverno, baixam o ritmo e podem passar vrios dias sem produzir.

    Os ovos so dos alimentos mais completos e saudveis que existem. Os seus ainda mais, j que sero biolgicos e de galinhas felizes!

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  • A graa de complementar a horta com iih gulmhuw que todos os talos, folhas, frutos estragados e outros restos orgmicos que nao aproveite sero quase suficientes para as alimentar. Elas esto entre si e o composto, e no so muito esquisitas com a comida: so malucas por tudo o que sobra da cozinha e do jardim comestvel. De qualquer maneira, para que no sofram dfices nutritivos, convm ter um saco de rao biolgica para poedeiras e assim assegura-se de que dispem de uma dose alimentar rica e equilibrada. Procure abastecer-se em lojas que trabalhem com raes biolgicas, saudveis e fiveis. Por outro lado, se com a comida fresca que lhes d esto bem servidas, pode tentar acrescentar apenas milho, mas iecomendo-lhe a rao, que no fundo no mais do que uma mistura de cereais desfeitos.

    Que no lhes falte a gua!

    Tal como nos acontece a ns, uma coisa no comer e outra muito diferente no beber gua. A gua vital para que tudo funcione e, se ficarem um ou dois dias com o bebedouro seco, deixam automaticamente de produzir ovos. Tm de passar por alguns dias de normalidade tecuperada para que voltem a estar altura da tarefa. Para l destes detalhes, o resto ir recolhendo os ovos. O nico trabalho num terrao varrer o que deixam e geram e deit-lo no compostor. No entanto, se l ivermos o galinheiro em cima de um pedao de terra ou num dos ( anteiros de cultivo, no preciso fazer nada, apenas ir trocando de lugar de vez em quando.

    Se vai pr o galinheiro num terrao, aoteia ou ptio pavimentados, convm que tenha um tabuleiro na base para que o cho no se suje e seja fcil retirar os resduos orgnicos para os deitar no compostor.

    2 00

  • Notas sobre raa e variedadesA maioria das galinhas quo se encontram nos mercados e lojas so as chamadas galinhas americanas ou hbridas. So as melhores poedeiras que existem, uma vez que foram selecionadas especialmente com esta finalidade. Em toda a regio peninsular, no entanto, temos raas autctones de galinhas que tambm trabalham a bom ritmo. o caso da galinha de Peneds, da galinha de Prat ouda bonita galinha ampurdanesa, que pe uns ovos de casca escura muito caractersticos.

  • Devolva terra o que da terraE deixe que o ciclo feliz volte a comear!

    Sabe qual a compostagem dos preguiosos? Deixar os restos orgnicos diretamente no solo da horta e esperar que a natureza faa o resto. fascinante observar como capaz de integrar e digerir os resduos para gerar novamente fertilidade. Engole tudo! Dois palmos de estrume, pinhas, folhas de couve e couve-flor... o clmax da facilidade e da simplicidade; a alma e o motor da vida. Por exemplo, na fotografia est a ver um canteiro de minha casa, adubado com um pouco de composto acompanhado poi uns bons punhados de folhas de aipo e alface que no estavam boas para a cozinha.

    Ento, se assim to fcil, porque que nos entretemos a preparar o composto? Certamente que qualquer folha tenra que deixar cair no solo acabar por apodrecer, e logo aparecero as minhocas das camadas inferiores para comer o que ficar e fazer composto de uma maneira automtica, mas isso no tudo. Primeiro, a folha decomposta por bactrias. Depois, estes microrganismos, a fim de alcanarem o seu objetivo, devem absorver parte do nitrognio disponvel no solo. Aqui est o ponto crtico que complica um pouco a situao, porque o nitrognio que de alguma maneira desperdiado durante o processo o que as suas hortalias precisam para crescer. No nada grave, porque a bactria, depois de ter feito o trabalho de decomposio, devolve-o terra, mas entretanto tivemos um perodo de carncia de nitrognio que pode prejudicar as plantas. Isso faz com que a compostagem, tal como a entendemos, seja mais benfica a curto prazo. De qualquer forma, a longo prazo tanto faz, porque a terra acaba sempre por recuperar o que tinha perdido. Basta esperar.

    Os mecanismos que a natureza emprega para se regenerar so teis e complexos; no pretenda entend- -los todos. Deixe que a terra faa o seu trabalho e no se preocupe. Ser sbio, no se esquea, aprender a viver na ignorncia universal.

    so

  • A horta em famlia!

    Um espao para aprender e partilhar com os mais pequenos da casa.

    Se ns, os mais velhos, beneficiamos com a experincia da horta, imagine quantos estmulos positivos retiram dela os pequeninos! preciso aproveitar a primeira etapa da vida para estabelecer potentes vnculos com a natureza e forjar a empatia e a sensibilidade para com o ambiente, o que exige a implicao dos adultos. vital - quase me atrevo a dizer que imprescindvel - que se lhes oferea a oportunidade de brincar com a terra, de esmagar apaixonadamente um tomate para descobrir o seu sumo e as suas sementes, de saborear s escondidas uma flor de capuchinha. Quase no preciso ensinar-lhes nada, apenas deixar que faam das suas, que remexam o solo e as plantas, que brinquem com o que mais precisam: o contacto com a terra e os seus elementos.

    Dependemos da natureza, e no apenas para nos abastecermos. Precisamos dela para poder escolher os caminhos e atalhos da vida, para nos alimentarmos da serenidade que nos faz desfrutar o momento, para no nos perdermos no mundo absurdo e complexo dos pensamentos, e manter viva a essncia do que somos: mais uma pea de uma preciosa engrenagem. necessrio compreend-lo, e quanto antes, melhor. Esta experincia, alm de nos proporcionar alimentos ecolgicos, sos e nutritivos, livres de pesticidas e de petrleo, permite s crianas decifrar a sua mensagem.

    importante proporcionar aos mais pequenos um espao adequado. Um recanto onde se sintam vontade. como se quisssemos deix-los na zona de brincadeira de um parque, s que aqui, em vez de areia, h terra frtil. Se fizer a horta em recipientes na varanda, escolha uma jardineira ou uma mesa de cultivo sua medida. Se a fizer no solo, em canteiros, deixe- -lhes 2 ou 3 m! para que se apropriem deles. evidente que convid-los a plantar 200 cebolas no a melhor opo. preciso comear com uma cebola e deixar que a horta cresa com eles, progressivamente. Talvez quando forem mais velhos decidam que o seu caminho no passa por semear pimentos, mas no faz mal, porque j tero aprendido tudo o que necessitavam. Deixe-me dizer-lhe tambm que, se a experincia for gratificante para eles, muito provvel que durante a vida adulta lhe deem continuidade.

    .10 !

  • Reduza, reaproveite e recicle!

    A horta e o melhor pretexto para comear a agir com conscincia ecolgica or exemplo para fazer as semeaduras de mudas pode utilizar caixas de ovos

    de cartao; cada compartimento deve alojar uma planta, e depois de fazer o seu transplante, como a embalagem orgnica, pode enterr-la; em poucos dias a humidade acabara por elimin-la. Isto brincar. Deixar que a imaginaao o conduza a bom porto e desperte a criatividade de toda a famlia.

  • Esta a herana mais valiosa que pode deixar aos seus filhos. Nada de casas nem de dinheiro, simplesmente o conhecimento e os momentos vividos na horta. Haver quem pense que, ao fim e ao cabo, pouca coisa, mas engana-se. Ser a experincia mais proveitosa da sua infncia, ajud- lo- a encarar o presente e oferecer-lhe- iluses criativas para o futuro. Vai precisar delas, porque vivemos imersos numa profunda mudana de rumo e agora, mais do que nunca, necessria a conscincia de ter os ps na terra e recuperar os valores perdidos. Sim, plantar quatro alfaces proporciona-nos isso, alm de nutrientes e diverso. E o mais importante que estamos a falar de um pequeno gesto ao alcance de qualquer pessoa.

    Sacuda a preguia e comece a andar. No sei se alguma vez veremos um mundo melhor, mais justo, menos egosta, e tambm no acho que isso nos deva preocupar. Apenas sei que, como sociedade, h demasiado tempo que falamos e pensamos, mas no agimos. Proponho-lhe que abandone a queixa e que a troque por tomates com sabor a tomate. Uma aventura que toda a famlia vai saborear e sentir como sua. Uma revoluo silenciosa em favor da felicidade.

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  • Outros livros que no pode perder...

    GROS, Michel. Lunario: calendrio lunar para el huerto y el jardn ecolgicos, y para tu salud. Ed. Arts Porta. editado todos os anos; a partir do ms de novembro j encontrar o do ano seguinte. um complemento imprescindvel.(Ed. original: Calendrier Lunaire, Chene-Bernard, Calendrier Lunaire Diffusions)

    FUKUOKA, Masanobu. La revolucin de una brizna de paja. Ed. GEA Publicaciones. Est disponvel em PDF em www.permacultura-montsant.org.(Ed. inglesa: The One Straiu Reuolution, Londres, Rodale Books, 1978)

    SEYMOUR, John. El horticultor autosuficiente. Ed. Blume. Foram editadas muitas verses, mas todas tm o mesmo contedo. Um clssico!(Edio mais recente e atualizada: The New Complete Book of Self-Sufficiency, Londres, Dorling-Kindersley, 2009)

    BUENO, Mariano. Cmo hacer un buen compost. Ed. La Fertilidad de la Tierra. Depois da primeira edio de 2003, foram impressas mais algumas. O recomendado autor aprofunda o conceito de compostagem, e f-lo de uma maneira fcil e didtica.

    IOLANDA BUSTOS. La mejor cocina con flores, plantas y frutos silvestres. Salsa Books. Magnfico para quem ainda no conhecer todo o potencial das plantas na cozinha.

    Outros endereos de Internet recomendados...

    Jos Antonio um especialista em dar novos usos s humildes madeiras das paletes, e sabe transmiti-lo. Barato e magnfico!

    www.palets-con-vida.blogspot.com

    Mesmo estando em Portugal, inspire-se nas hortas que se escondem em Barcelona - desde a impressionante horta de Joan Carulla, situada num edifcio prximo da praa Maragall, at s hortas comunitrias e municipais espalhadas por aqui e ali.

    www.huertosurbanosbarcelona.wordpress.com

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  • BAH! O coletivo madril.nho "Bojo 1 Asfalto est la Huerta no precisa de

    apresentaes. O seu nome j diz tudo!

    www.bah.ourproject.org

    I ' \

    www.greenguerillas.org

    A associao Slow Food, criada h mais de duas dcadas para contrariar as

    misrias da comida de plstico e da vida acelerada, espalha-se por todo o mundo sem trguas. Na Pennsula Ibrica tem delegaes nas principais cidades, provncias e regies territoriais. A sua enrgica tarefa de divulgao

    no tem preo.

    www.slowfood.es /

    O nosso amigo Pablo Dur, a partir de Vali de Gallinera em Alicante, abre-se ao mundo com uma aventura na Internet cheia de experiences e propostas. Destacam-se, entre muitas outras seces, os galinheiros artesanais moveis

    venda e para aluguer.

    www.lavidaenelcampo.com

    Se quiser contactar o autor, faa-o atravs do seu blogue:

    blogs.descobrir.cat/elsecretmesbenguardat

    Se quiser estar atualizado, torne-se amigo e siga a pgina de

    Un hort per ser feli no Facebook!

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  • Quer transform ar a sua casa num autntico jardim comestvel?

    No importa onde viva ou quanto espao tenha: alfaces na varanda, tomates no terrao, abboras em vasos e morangos no ptio das traseiras, onde haja um pouco de espao, luz - e vontade! -, pode haver uma horta. Hoje em dia, so amplamente reconhecidas as propriedades e os benefcios da horticultura, e multiplicam-se nossa volta as hortas urbanas, familiares, coletivas e escolares. O cultivo ecolgico de alimentos est a espalhar-se como... um p de hortel! Afinal, ter uma horta representa a possibilidade de contemplar os ritmos da natureza, de relaxar, de se divertir e ainda por cima comer alimentos mais saudveis, frescos... e baratos!

    E voc, j comeou a semear a sua felicidade?

    Uma Horta para Ser Feliz um livro muito prtico e acessvel que lhe permitir comear a faz-lo. Quer nunca tenha mexido em terra fresca quer seja j um jardineiro de fim de semana, este livro est recheado de bons conselhos, dicas teis e toda a informao de que vai precisar para obter a melhor comida que alguma vez provou - a cultivada POR SI!