UMA ANLISE DA QUALIDADE DA GUA DO ? VI Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental Porto Alegre/RS

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  • VI Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental

    Porto Alegre/RS 23 a 26/11/2015

    IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 1

    UMA ANLISE DA QUALIDADE DA GUA DO RESERVATRIO POES NO PERODO DE ESCASSEZ DE CHUVAS

    Ricardo Alves dos Santos (*), Dbora Thais Rodrigues de Arajo, Whelson Oliveira de Brito

    * Instituto Federal de Educao, Cincia e Tecnologia da Paraba IFPB, Campus Monteiro, b4boa313@hotmail.com.

    RESUMO Em meio escassez hdrica que afeta boa parte do semi-rido nordestino, e pelo fato da gua ser essencial a vida, de grade importncia a criao de ferramentas de gesto capazes de administrar e montar planos voltados para a manuteno desse recurso, tanto em quantidade, como em qualidade. Nessa perspectiva, este trabalho faz uma abordagem sobre a qualidade da gua do Reservatrio Poes, situado no municpio de Monteiro, estado da Paraba. A gua desse reservatrio no a principal fonte de abastecimento desse municpio, no entanto, largamente utilizada pela populao rural que vive no seu entorno, e como no h uma recarga significativa em seu volume desde 2012, e como no existe um tratamento dessa gua ao ser captada no reservatrio, acarretando a aplicao direta de produtos, como o cloro nas prprias residncias, e sendo a gua desse reservatrio, tambm utilizada para o cultivo agrcola e abastecimento de animais, este trabalho ir analisar os parmetros qumicos e fsicos da qualidade dessa gua com base na legislao CONAMA N. 357 de 17 de maro de 2005.

    PALAVRAS-CHAVE: Regio Nordeste, Reservatrios Artificiais, Qualidade. INTRODUO

    A Terra possui trs quartos de sua extenso composta por gua, sendo que aproximadamente 97% gua salgada, encontrada nos oceanos e mares, e 2% formam geleiras inacessveis, ou seja, apenas 1% de toda a gua doce, e o Brasil possui uma parcela significativa desse recurso, correspondendo a 50% do total dos recursos da Amrica do Sul, e 11% dos recursos mundiais. fato que o Pas tem um enorme potencial hdrico, o que faz parecer absurdo discutir o problema da escassez. No entanto, esta fartura brasileira muito mal distribuda, tanto socialmente quanto geograficamente (REBOUAS, 1999).

    As variaes climticas, aliada ao crescimento populacional, crescimento da expectativa de vida da populao e da falta de investimentos na preservao das fontes hdricas, vem contribuindo para a formao de um cenrio que levar a uma crise mundial devido escassez de gua doce a partir dos anos de 2050, e o Brasil como detentor de grandes reservas hdricas, sofrer com essa perspectiva. Por isso o racionamento da gua doce, e a preservao da qualidade dessa gua so de extrema importncia. Fazendo-se necessrio no s um controle do consumo de gua doce como tambm um controle da qualidade dessa gua (CAMPOS et all. 2001).

    No Brasil, a falta ou m distribuio de recursos financeiros dificulta um melhor gerenciamento dessa gua doce, no entanto, a Poltica Nacional dos Recursos Hdricos, criada pela Lei N0. 9433/97 e a Resoluo CONAMA N0. 357/2005 instituram respectivamente os instrumentos de gesto, como a cobrana e outorga de direito de uso da gua, e os parmetros de qualidade da gua, conforme o seu uso preponderante.

    No Estado da Paraba, a Agncia Executiva de Gesto das guas o rgo fiscalizatrio da qualidade e consumo das guas, entretanto, ainda existe uma carncia muito grande de dados envolvidos com o consumo e com a anlise de qualidade de gua. Isso um fato de extrema gravidade considerando a rede de reservatrios presentes neste Estado. Sendo necessrios a implantao e gerenciamento de programas de monitoramento ambiental, que consistem essencialmente em medies contnuas e/ou peridicas que visam verificar a ocorrncia de determinados impactos ambientais, dimensionar a sua magnitude e avaliar a eficcia de medidas preventivas adotadas (CEBALLOS et all. 2006). Desta forma, o monitoramento ambiental torna-se uma importante ferramenta para o gerenciamento de recursos hdricos, uma vez que os reservatrios so meios lnticos e que sofrem bastante com os longos perodos de estiagem no Nordeste do Brasil, causando em muitos casos a eutrofizao do manancial, o que pode inviabilizar ou dificultar o tratamento dessa gua para o abastecimento humano (ESTEVES, 2011).

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    Partindo da necessidade de analise de qualidade, esta pesquisa ir avaliar a qualidade da gua do reservatrio Poes, situado no municpio de Monteiro, estado da Paraba, cujo barramento forma um lago que cobre uma rea com 773,41 ha e acumula um volume de 29.861.562 m. Sua bacia hidrogrfica tem 656 Km e a regio apresenta uma precipitao mdia de 588 mm. A finalidade principal do reservatrio o aproveitamento do potencial hdrico para irrigao, cujo uso excessivo de fertilizantes vem contribuindo para a eutrofizao do corpo hdrico. Dentre outros usos, destaca-se a dessedentao de rebanhos, pesca e lazer, alm da retirada da mata ciliar margem do aude, processo esse que causa eroso. No entanto, ele ser o receptor das guas do canal de transposio do eixo leste do rio So Francisco para o Estado da Paraba, e desde o ano de 2012 no sofre uma recarga significativa em seu volume, alm de continuar como fonte de abastecimento para a populao rural que vive no seu entorno. OBJETIVOS

    No intuito de montar uma base de dados com padres de qualidade, esta pesquisa tem por finalidade analisar os parmetros qumicos e fsicos da qualidade da gua do reservatrio Poes com base na legislao CONAMA N. 357 de 17 de maro de 2005. Para isso, ser necessrio tambm:

    Identificar os usos preponderantes da gua desse manancial; Avaliar o nvel de tratamento que essa gua deve receber se vier a ser utilizada no abastecimento publico; Montar uma base de dados que servir como instrumento de gesto da qualidade da gua desse manancial.

    MATERIAIS E MTODOS

    Foram realizadas analises fsico-qumicas da gua do Reservatrio Poes entre os meses de fevereiro julho de 2012, de janeiro a junho de 2013 e de fevereiro julho de 2014. As amostras foram retiradas de pontos especficos, sendo um deles prximo captao de gua para abastecimento da cidade de Monteiro e um segundo prximo s margens, com respectivas profundidades de 20 e 30 cm.

    As coletas das amostras seguiram os padres sugeridos pela CETESB (1987) e foram realizadas quinzenalmente. As anlises foram realizadas nos laboratrios da Estao de Tratamento Biolgico de Esgotos (EXTRABES) e do Programa de Pesquisa em Saneamento Bsico (PROSAB), em parceria com as universidades UFCG Universidade Federal de Campina Grande e UEPB Universidade Estadual da Paraba, aplicando as normas do Standard Methods for theExaminationofWaterandWastewater (APHA et al.,2005), com exceo do parmetro DBO5 que foi determinado atravs do mtodo de Winkler modificado pela azida sdica. Em seguida as analises foram comparadas com os parmetros de qualidade da Resoluo CONAMA N. 357/05. RESULTADOS

    Por meio dos resultados apresentados nas tabelas inseridas nas pginas seguintes, entre os anos analisados, para ambos os pontos de coleta, a DBO5 manteve-se acima do limite estabelecido pela Resoluo CONAMA N. 357/05, indicando elevada concentrao de matria orgnica no reservatrio poes.

    No mesmo perodo se percebe uma reduo e posterior crescimento nos nveis do oxignio dissolvido (OD), mas ficando sempre em nveis aceitveis. Essa pequena variao ocorre devido ao fato de que a determinao do oxignio dissolvido fundamental para avaliar as condies naturais da gua e detectar os impactos ambientais como a poluio e o nvel trfico. Geralmente, o ndice de OD se reduz ou cessa quando o corpo dgua recebe grandes quantidades de resduos orgnicos e esgotos domsticos. Ento, esses resduos orgnicos despejados so decompostos por microrganismos que usam o oxignio na respirao. Assim, quanto maior a matria orgnica despejadas no corpo dgua, maior o nmero de microrganismos decompositor, e conseqentemente, maior o consumo de oxignio por estes. Assim ocorre a morte de peixes em rios poludos, mas no somente devido presena de substncias txicas como tambm falta de oxignio.

    Quanto concentrao de coliformes termotolerantes, os elevados valores podem est diretamente relacionadas com a entrada de esgoto domstico e atividade pecuria no entorno do reservatrio, tornando a gua um veculo de transmisso de seres patognicos.

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    Tabela 01 Anlise da Qualidade da gua do Reservatrio Poes no Ano de 2012 Fonte: Prpria.

    Parmetros OD

    (mg/L O2) DBO5

    (mg/L O2) Coliformes

    Termotolerantes

    Perodo/Ponto 2012

    Fevereiro P1 6,6 5,7 1650

    P2 6,6 5,7 1630

    Maro P1 5,9 6,6 2540

    P2 5,6 6,1 2200

    Abril P1 5,4 7,5 2800

    P2 5,9 7,8 2200

    Maio P1 5,2 6,5 2350

    P2 5,4 6,7 1520

    Junho P1 5,1 6,7 2720

    Junho P2 5,4 6,9 1200

    Julho P1 6,0 6,5 1500

    P2 6,1 6,5 1800

    CONAMA >5

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    Tabela 03 Anlise da Qualidade da gua do Reservatrio Poes no Ano de 2014 Fonte: Prpria.

    Parmetros OD (mg/L

    O2) DBO5

    (mg/L O2) Coliformes

    Termotolerantes

    Perodo/Ponto 2014

    Fevereiro P1 6,6 5,7 1650

    P2 6,76 5,8 1640

    Maro P1 5,9 6,6 2540

    P2 5,6 6,1 2200

    Abril P1 5,5 7,5 2800

    P2 5,9 7,8 2200

    Maio P1 5,2 6,5 2360

    P2 5,4 6,7 1520

    Junho P1 5,1 6,7 2720

    Junho P2 5,4 6,9 1200

    Julho P1 6,20 6,6 1500

    P2 6,1 6,7 1890

    CONAMA >5

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    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    1. AESA Agncia Executiva de Gesto das guas. <

    http://site2.aesa.pb.gov.br/aesa/volumesAcudes.do?metodo=listarAcudesUltimaCota>. Acesso em 07 de

    setembro de 2015.

    2. ANA. Agncia Nacional das guas. gua Subterrneas. Disponvel em < http://portalpnqa.ana.gov.br/indicadores-indice-aguas.aspx>. Acesso em 07 de setembro de 2015.

    3. CAMPOS, N., STUDART, T.; Gesto das guas, princpios e prticas. ABRH. Fortaleza, 2001.

    4. CEBALLOS, B. S. O.; AZEVEDO, S. M. F. O.; BENDATE, M. M. A. Fundamentos Biolgicos e Ecolgicos

    Relacionados s Cianobactrias. In:Contribuio ao Estudo da Remoo de Cianobactrias e

    MicrocontaminantesOrgnicos por Meio de Tcnicas de Tratamento de gua para Consumo Humano.

    Coordenador Valter Lcio de Pdua, SERMOGRAF Artes Grfica e Editora LTDA PROSAB, 4. Rio de

    Janeiro RJ, 2006.

    5. CONAMA Conselho Nacional do Meio Ambiente. Resoluo n 357, de 17 de maro de 2005. Disponvel . Acesso em 07 de setembro de 2015.

    6. ESTEVES, F. D.; Fundamentos de Limnologia (3 ed.). Rio de Janeiro: Intercincia, 2011.

    7. REBOUAS, A. guas Doces no Brasil: Capital ecolgico, uso e conservao.1 edio. So Paulo: Escrituras editora, 1999.