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  • INSTITUTO MILITAR DE ENGENHARIA SEO DE ENGENHARIA E FORTIFICAO

    CURSO DE ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA

    RODRIGO BELCHIOR BERALDO

    UMA ABORDAGEM QUANTITATIVA PARA A DEFINIO DA CRITICIDADE DE OCORRNCIAS FERROVIRIAS NA VALE

    RIO DE JANEIRO 2008

  • INSTITUTO MILITAR DE ENGENHARIA SEO DE ENGENHARIA E FORTIFICAO

    CURSO DE ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA

    Eng RODRIGO BELCHIOR BERALDO

    UMA ABORDAGEM QUANTITATIVA PARA A DEFINIO DA CRITICIDADE DE OCORRNCIAS FERROVIRIAS NA VALE

    RIO DE JANEIRO 2008

    Monografia apresentada ao Curso de Especializao em Transporte Ferrovirio de Carga do Instituto Militar de Engenharia, como requisito para diplomao. Orientador: Professora Vnia Gouveia Barcelos Campos Tutor: Eng. Gustavo Mucci

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 3 -

    INSTITUTO MILITAR DE ENGENHARIA Praa General Tibrcio, 80 Praia Vermelha Rio de Janeiro - RJ CEP: 22290-270

    Este exemplar de propriedade do Instituto Militar de Engenharia e da Vale,

    que podero inclu-lo em base de dados, armazenar em computador, microfilmar

    ou adotar qualquer forma de arquivamento.

    So permitidas a meno, reproduo parcial ou integral e a transmisso

    entre bibliotecas deste trabalho, sem modificao de seu texto, em qualquer meio

    que esteja ou venha a ser fixado, para pesquisa acadmica, comentrios e

    citaes, desde que sem finalidade comercial e que seja feita referncia

    bibliogrfica completa.

    Os conceitos expressos neste trabalho so de responsabilidade do(s)

    autor(es) e do(s) orientador(es).

    Beraldo, Rodrigo Belchior Uma abordagem quantitativa para a definio da criticidade de ocorrncias ferrovirias na Vale Rodrigo Belchior Beraldo. - Rio de Janeiro : Instituto Militar de Engenharia, 2008. 99 f. Dissertao (especializao) - Instituto Militar de Engenharia, 2008.

    1. Acidentes ferrovirios; 2. Gravidade; 3. Criticidade.

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    INSTITUTO MILITAR DE ENGENHARIA

    RODRIGO BELCHIOR BERALDO

    UMA ABORDAGEM QUANTITATIVA PARA A DEFINIO DA CRITICIDADE DE OCORRNCIAS FERROVIRIAS NA VALE

    Monografia apresentada ao Curso de Especializao em Transportes Ferrovirio de Carga do Instituto Militar de Engenharia, como requisito para diplomao.

    Orientador: Professora Vnia Gouveia Barcelos Campos Tutor: Eng. Gustavo Mucci Apresentada no dia 14 de Outubro de 2008, para a seguinte banca examinadora:

    Professora Vnia Gouveia Barcelos Campos

    Professora Maria Cristina de Fogliatti Sinay

    RIO DE JANEIRO 2008

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    Ao IME pelos conhecimentos e estrutura disponibilizados durante a especializao e Vale pela oportunidade de atuar no ramo ferrovirio.

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    Lista de termos, siglas e abreviaturas utilizadas no estudo:

    ALL: Amrica Latina Logstica S.A.

    AMV: aparelho de mudana de via;

    ANTF: Associao Nacional dos Transportadores Ferrovirios;

    ANTT: Agncia Nacional de Transportes Terrestres;

    Benchmarking: termo utilizado para descrever o processo de boas prticas;

    CCO: Centro de Controle Operacional;

    CPIA: Comisso Permanente de Investigao de Acidentes;

    Commodities: termo utilizado para referncia s mercadorias e produtos negociados a preo fixo em algumas bolsas de valores no mundo, tais como o minrio de ferro, todos os tipos de minerais e produtos agrcolas;

    DAC: Departamento de Aviao Civil;

    EFC: Estrada de Ferro Carajs;

    EFVM: Estrada de Ferro Vitria-Minas;

    FCA: Ferrovia Centro Atlntica SA;

    GACFA: Gerncia de Concesses e Arrendamentos;

    GEDFT: Gerncia Geral de Desenvolvimento e Servios Tcnicos Ferrovirios;

    GEPQT: Gerncia Geral de Sade, Segurana e Meio Ambiente;

    GOFER: Sistema de Gesto de Ocorrncias Ferrovirias;

    IATA: International Air Transport Association;

    ICAO: International Civil Aviation Organization;

    PRO: procedimento operacional da Vale;

    REG: regulamento da Vale;

    RFFSA: Rede Ferroviria Federal SA;

    ROF: Regulamento de Operaes Ferrovirias;

    SIADE: Sistema de Acompanhamento do Desempenho das Concessionrias de Servios Pblicos de Transportes Ferrovirios

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    SSO: Sade e Segurana Ocupacional;

    THP: Trem hora-parado;

    Vale: Companhia Vale do Rio Doce SA;

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    1 INTRODUO ...................................................................................................15

    1.1 CONDIO INICIAL ..........................................................................................15 1.2 OBJETO DO ESTUDO .......................................................................................16 1.3 JUSTIFICATIVA ...............................................................................................17 1.4 ESTRUTURA DA MONOGRAFIA..........................................................................18

    2 CONCEITOS E GESTO DO PROCESSO .......................................................19

    2.1 VISO GERAL DAS FERROVIAS DA VALE ............................................................20 2.2 CONCEITOS ...................................................................................................21

    2.2.1 Tipos de acidentes ferrovirios ............................................................24 2.2.1.1 Natureza dos acidentes ferrovirios .................................................24 2.2.1.2 reas de responsabilidade ...............................................................27 2.2.1.3 Outros tipos de ocorrncias ..............................................................28 2.2.1.4 Critrio de gravidade atual................................................................30

    2.3 GESTO NA VALE ...........................................................................................31 2.3.1 Investigao e preveno de acidentes - CPIA....................................31 2.3.2 Estruturas auxiliares .............................................................................33 2.3.3 Sistema de gesto de informaes GOFER .....................................34 2.3.4 Seqncia de eventos (comunicao apurao fechamento) ..............36 2.3.5 Gesto dos resultados .........................................................................40

    2.3.5.1 Controles internos da Vale ...............................................................40 2.3.5.2 Indicador de acompanhamento da ANTT .........................................42

    3 HISTRICO GERAL ..........................................................................................43

    3.1 HISTRICO DAS FERROVIAS AMERICANAS .........................................................47 3.2 DETALHAMENTO DO HISTRICO NAS FERROVIAS DA VALE ..................................48

    3.2.1 Histrico da FCA de 2005 a 2007 ........................................................48 3.2.2 Histrico da EFVM de 2005 a 2007 .....................................................49 3.2.3 Histrico da EFC de 2005 a 2007 ........................................................49 3.2.4 Anlises do histrico ............................................................................50

    4 FATORES DE GRAVIDADE ..............................................................................52

    4.1 CONSEQNCIAS DOS ACIDENTES FERROVIRIOS .............................................52 4.2 O FATOR CUSTO DOS ACIDENTES FERROVIRIOS ..............................................53 4.3 IMPORTNCIA DOS CRITRIOS DE GRAVIDADE ...................................................55

    4.3.1 Descrio dos critrios de gravidade ...................................................57 4.3.1.1 Fatores propostos para clculo da gravidade ...................................58 4.3.1.2 Descrio dos fatores Danos e extenso ......................................60 4.3.1.3 Descrio dos fatores Interrupo da via ......................................62 4.3.1.4 Descrio dos fatores Danos ao Meio Ambiente: mercadoria e rea atingida 63 4.3.1.5 Descrio dos fatores Vtimas envolvidas .....................................65

    4.3.2 Frmula de clculo da gravidade .........................................................66 4.4 APLICAO ...................................................................................................67

    4.4.1 Histrico de ocorrncias de 2008 .........................................................67 4.4.2 Aplicao dos critrios de pontuao no histrico ...............................70 4.4.3 Anlises comparativas .........................................................................73

    4.4.3.1 FCA ..................................................................................................76 4.4.3.2 EFC ..................................................................................................77

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    4.4.3.3 EFVM ...............................................................................................78 4.4.3.4 Participao dos pesos na pontuao total ......................................79 4.4.3.5 Anlise do histrico com a pontuao com grficos de disperso ...80 4.4.3.6 Anlise das ocorrncias mais crticas ...............................................83

    4.4.4 Problemas na base de estudo..............................................................86

    5 CONCLUSES ..................................................................................................88

    5.1 PROPOSTAS PARA O DESENVOLVIMENTO DE NOVOS TRABALHOS ........................91 5.1.1 Sistema de gesto de ocorrncias ferrovirias GOFER 2 .................91 5.1.2 Tratamento dos quase-acidentes ferrovirios ......................................91 5.1.3 Direcionamento de recursos e investimentos.......................................92

    6 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ...................................................................93

    7 ANEXOS ............................................................................................................95

    7.1 RELAO DE PRODUTOS PERIGOSOS TRANSPORTADOS PELAS FERROVIAS DA VALE 95 7.2 RELAO DOS PRODUTOS TRANSPORTADOS PELA VALE ....................................97 7.3 BASE DE OCORRNCIAS FERROVIRIAS VALE 2008 JAN A AGO ......................99

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    Lista de figuras

    FIG. 2.1 Fluxograma acidente ferrovirio x ocorrncias desclassificadas. .............23 FIG 2.2 Foto de um abalroamento. .........................................................................24 FIG 2.3 Foto de um esbarro. ...................................................................................25 FIG 2.4 Foto de um descarrilamento. ......................................................................25 FIG 2.5 Foto de um tombamento. ............................................................................26 FIG. 2.6 Estrutura das Comisses Permanentes de Investigao de Acidentes. ...32 FIG. 2.7 Tela inicial do GOFER. .............................................................................36 FIG. 2.8 Estrutura organizacional de atendimento ocorrncias ferrovirias na

    Vale. ...................................................................................................................38 FIG. 2.9 Tela com o controle dirio de ocorrncias ferrovirias (Alerta Mximo) ...40 FIG. 2.10 Telas do controle mensal de ocorrncias (Book Segurana Operacional)

    ...........................................................................................................................41 FIG. 3.1 Quantidade de ocorrncias ferrovirias na Vale. ......................................43 FIG. 3.2 Participao das ferrovias no total apurado na Vale.................................44 FIG. 3.3 Quantidade de ocorrncias nas ferrovias da Vale. ...................................45 FIG. 3.4 Evoluo do indicador acidentes por milho de trem-quilmetro nas

    ferrovias da Vale. ...............................................................................................46 FIG. 4.1 Custos (R$ mil) e quantidade de ocorrncias ferrovirias na Vale. ..........55 FIG. 4.2 Quantidade total de acidentes ferrovirios na Vale em 2008. ..................67 FIG. 4.3 - Quantidade total de acidentes ferrovirios na FCA em 2008. ...................68 FIG. 4.4 - Quantidade total de acidentes ferrovirios na EFC em 2008. ...................68 FIG. 4.5 - Quantidade total de acidentes ferrovirios na EFVM em 2008. ................69 FIG. 4.6 Grfico com a pontuao mdia das ocorrncias por rea de

    responsabilidade ................................................................................................73 FIG. 4.7 - Histrico de ocorrncias Vale e a pontuao mdia mensal. ....................74 FIG. 4.8 Grfico com a pontuao mdia mensal das ocorrncias por ferrovia. ....74 FIG. 4.9 - Histrico de ocorrncias Vale e a pontuao mensal. ..............................75 FIG. 4.10 - Histrico de ocorrncias na FCA e a pontuao mensal. ........................77 FIG. 4.11 - Histrico de ocorrncias na EFC e a pontuao mensal. ........................78 FIG. 4.12 - Histrico de ocorrncias na EFVM e a pontuao mensal. .....................79 FIG. 4.13 Distribuio dos fatores da equao no peso total das ocorrncias da

    Vale. ...................................................................................................................79 FIG. 4.14 Grfico de disperso entre a pontuao e o custo das ocorrncias de

    2008 na Vale. .....................................................................................................81 FIG. 4.15 Grfico de disperso entre o peso da interrupo e os custos das

    ocorrncias. ........................................................................................................81 FIG. 4.16 Grfico de disperso das ocorrncias com custo menores que R$ 10.000

    e o peso da interrupo. .....................................................................................82 FIG. 4.17 Grfico de disperso entre a pontuao e o peso da causa. ..................83

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    Lista de tabelas

    TAB. 1 - Evoluo do indicador de ocorrncias ferrovirias nos EUA no perodo de 1980 a 2005. ......................................................................................................47

    TAB. 2 Histrico de ocorrncias ferrovirias da FCA de 2005 a 2007. ...................48 TAB. 3 Histrico de ocorrncias ferrovirias da EFVM. ..........................................49 TAB. 4 Histrico de ocorrncias ferrovirias da EFC. ............................................49 TAB. 5 - Principais fatores causais de ocorrncias nas ferrovias da Vale .................50 TAB. 6 Pesos das causas dos acidentes................................................................60 TAB. 7 Pesos dos danos e tipo de ativo envolvido .................................................61 TAB. 8 Pesos da extenso de via danificada por tipo de ativo envolvido ...............61 TAB. 9 Pesos dos trechos de acordo com a movimentao diria de trens ...........62 TAB. 10 Peso por grupo de mercadoria .................................................................63 TAB. 11 Peso por volume e estado da mercadoria transportado ...........................64 TAB. 12 Pesos para o tipo de rea atingida ...........................................................64 TAB. 13 Peso dos efeitos em empregados prprios ou contratados ......................65 TAB. 14 Histrico de ocorrncias por natureza em 2008. ......................................69 TAB. 15 Quantidade de ocorrncias por rea de responsabilidade. ......................70 TAB. 16 Estratificao da pontuao e quantidade de ocorrncias por natureza. .71 TAB. 17 Mdias para a pontuao de acordo com a natureza das ocorrncias

    ferrovirias. .........................................................................................................72 TAB. 18 Pontuao total das ocorrncias por rea de responsabilidade. ..............72 TAB. 19 - Distribuio dos fatores da equao no peso total das ocorrncias da Vale.

    ...........................................................................................................................80 TAB. 20 Descrio e pontuao da ocorrncia 2296/2008 da EFC. ......................84 TAB. 21 Descrio e pontuao da ocorrncia 7930/2008 da EFVM. .......................85 TAB. 22 - Descrio e pontuao da ocorrncia 2794/2008 da FCA. .......................86 TAB. 23 - Quantidade de ocorrncias com campos sem preenchimento ..................87

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    Lista de equaes

    EQ. 1 Indicador Milho de Trem Quilmetro ..........................................................42 EQ 2 Frmula para clculo da gravidade das ocorrncias ferrovirias utilizada pela

    ALL. ....................................................................................................................57 EQ 3 Frmula para clculo da gravidade das ocorrncias ferrovirias ..................66 EQ 4 - Frmula para clculo dos danos causados pelos ativos e a extenso ...........66 EQ 5 Frmula para clculo dos danos causados nos vages ................................66 EQ 6 Frmula para clculo dos danos causados nas locomotivas .........................66 EQ 7 Frmula para clculo dos danos causados na linha ......................................66 EQ 1 - Frmula para clculo do impacto da interrupo de trfego...................66 EQ 9 Frmula para clculo do impacto devido aos danos ambientais ...................66 EQ 10 Frmula para clculo do impacto em relao vtimas com ferimentos leves

    ...........................................................................................................................67

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    Resumo

    BERALDO, Rodrigo Belchior (2008). UMA ABORDAGEM QUANTITATIVA

    PARA A DEFINIO DA CRITICIDADE DE OCORRNCIAS FERROVIRIAS

    NA VALE. Rio de Janeiro RJ, 99 p. Monografia (Especializao em Transporte

    Ferrovirio de Carga) Instituto Militar de Engenharia

    Os riscos para a ocorrncia de um acidente ferrovirio so anomalias que

    esto presentes na rotina operacional de uma ferrovia, e cabe s reas

    operacionais e de engenharia trabalharem para que eles sejam mitigados,

    chegando ao nvel do acidente zero.

    O presente estudo vai abordar o processo de gesto de acidentes ferrovirios

    na Vale, detalhando desde os conceitos bsicos do processo at as estruturas

    que a empresa montou para o atendimento e preveno de acidentes.

    Hoje este processo de gesto atende s premissas definidas pela ANTT,

    sendo focado no processo de apurao dos quantitativos de acidentes, e tambm

    na relao entre a quantidade de ocorrncias ferrovirias e a movimentao da

    ferrovia.

    Os processos internos da Vale so eficazes e mobilizam todas as reas das

    ferrovias em aes para a constante reduo da quantidade de acidentes.

    Porm, ainda falta um indicador para avaliao da gravidade destes acidentes

    ferrovirios em relao ao impacto nas empregados envolvidos, ativos

    danificados, local de ocorrncia, extenso dos danos e perda de mercadoria e

    contaminao do meio ambiente.

    Este estudo desenvolver tambm uma proposta para um novo modelo de

    anlise quantitativa das ocorrncias ferrovirias, atravs de um indicador de

    gravidade.

    Palavras chaves: acidentes ferrovirios, criticidade, gravidade.

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    Abstract

    BERALDO, Rodrigo Belchior (2008). A quantitative approach for the definition

    of railway accidents criticality in Vale. Rio de Janeiro RJ, 99 p. Monografia

    (Especializao em Transporte Ferrovirio de Carga) Instituto Militar de

    Engenharia

    The risks for the occurrence of a railway accident are abnormalities that are

    present in the routine operation of a railroad, and fits the areas of operational and

    engineering work for which they are mixed, reaching the level of zero accidents.

    This study will address the management of rail accidents in Vale`s railway,

    from detailing the basics of the process until the structures that the company built

    for the care and prevention of accidents.

    Today this management process meets the premises set by ANTT, being

    focused on the process of verification of the quantity of accidents, and also the

    relationship between the quantity of events and the handling of the railroad.

    Vale`s internal processes are effective and mobilize all areas of railways in

    the constant action to reduce the amount of accidents. However, there isn`t still

    an indicator to evaluate the severity of these accidents in relation to the impact on

    employees involved, damaged assets, place of occurrence, extent of damage and

    loss of products and contamination of the area affected.

    And the main objective of this study is the development of a proposal for a

    new model of quantitative analysis of events, through an indicator of gravity.

    Key words: rail accidents, criticality, gravity.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 15 -

    1 Introduo

    1.1 Condio inicial

    A logstica da Vale uma rea estratgica para os objetivos da companhia

    em relao ao competitivo mercado transocenico de commodities. A ferrovia

    parte integrante da cadeia produtiva do minrio de ferro, assim como o porto na

    embarcao do produto. Os custos destes dois processos, adicionados ao custo

    de extrao do minrio e ao fator qualidade do produto, fundamentam o

    diferencial competitivo da Vale no mercado internacional.

    Os custos de uma empresa de transporte ferrovirio podem ser

    estratificados, de maneira geral, em duas principais reas, desconsiderando os

    custos da sua construo: a operao e a manuteno do sistema. A operao

    envolve diretamente os custos para manter os trens em circulao, provendo o

    sistema com a capacidade de transporte para atendimento demanda. A

    manuteno tem seus custos voltados diretamente para o suporte da operao,

    direcionados para a via de circulao, os ativos envolvidos (veculos ferrovirios

    em geral) e a sinalizao do sistema.

    O diferencial competitivo para as ferrovias est justamente na otimizao dos

    seus custos totais. Focando no custo de manuteno, temos a caracterstica

    especfica do sistema ferrovirio brasileiro, onde as concessionrias so

    responsveis tambm pela via de circulao (fato que no se repete em outros

    modais no Brasil). As ferrovias da Vale seguem este modelo de responsabilidade

    em relao ao custo de manuteno.

    O aumento da utilizao dos ativos reflete na maior diluio dos custos

    operacionais. Este aumento permite tambm que o retorno dos investimentos

    realizados na aquisio de novos ativos, modernizao e aumento de capacidade

    ocorram em menor prazo.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 16 -

    Aliada a esta otimizao, a confiabilidade da via de circulao (que tambm

    considerada um ativo) ponto crtico para a continuidade das operaes de uma

    ferrovia, e conseqentemente, tem impacto direto na rentabilidade do negcio

    ferrovia e os processos atrelados a ele.

    O ponto crtico para a confiabilidade da via so as ocorrncias operacionais,

    relacionadas com eventos tais como descarrilamentos, abalroamento e

    atropelamentos. Eles impactam diretamente na continuidade das operaes das

    empresas ferrovirias, alm de causarem um alto custo de recuperao da linha

    e dos ativos envolvidos. Estes fatores, aliados aos impactos diretos na segurana

    das pessoas, na segurana do meio ambiente e na produtividade da ferrovia,

    caracterizam os acidentes ferrovirios como item crtico para a viabilidade do

    transporte ferrovirio.

    1.2 Objeto do estudo

    Este estudo abordar o processo de gesto das ocorrncias ferrovirias na

    Vale e o modelo de acompanhamento do indicador destes acidentes, com o

    objetivo especfico de propor um novo modelo de anlise qualitativa dos eventos,

    atravs de um indicador de gravidade, que contemple os diversos tipos de

    conseqncias que um acidente causa e tambm o peso de cada uma delas.

    Porm nesta proposta sero consideradas apenas os eventos definidos como

    ocorrncias ferrovirias ou acidentes ferrovirios dentro da viso da Agncia

    Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A delimitao para este estudo

    necessria, pois dentro do ambiente ferrovirio existem diversos tipos de

    eventos, desde incidentes, quase-acidentes, ocorrncias que acontecem devido

    falhas de terceiros na operao dos ativos, at os acidentes ferrovirios. Como

    se trata de um novo modelo de anlise, o estudo ser focado nos eventos que

    realmente so contabilizados para a performance das ferrovias, tais como os

    descarrilamentos, tombamentos, abalroamentos, atropelamentos (eles sero

    descritos no captulo 2.2.1.1). Os outros tipos de eventos, que so tambm so

    tratados pelas empresas, sero abordados e direcionados para propostas de

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 17 -

    novos estudos a partir da fundamentao e validao desta proposta a ser

    apresentada.

    1.3 Justificativa

    A segurana dos empregados e das operaes premissa bsica dentro da

    Vale. A busca por ndices de excelncia em segurana um dos objetivos da

    companhia. A Diretoria de Logstica possui uma lista de prioridades que os

    empregados devem observar antes de executarem qualquer atividade. Estas

    orientaes esto includas no ROF (Regulamento de Operaes Ferrovirias):

    a) Segurana e Sade Ocupacional; b) Segurana Ambiental; c) Segurana Operacional; d) Produo e Produtividade.

    Ou seja, clara a orientao da companhia em relao s questes de

    segurana, e especificamente na segurana operacional, j que os efeitos

    causados pelos acidentes nas ferrovias so inmeros: perda de produtividade,

    com a descontinuidade das operaes e gerao de trens hora parados (THP),

    custos envolvidos com pessoal, com possibilidade de vidas perdidas, devido

    questo de segurana, e em relao ao impacto ambiental, como conseqncia

    direta das restries ambientais existentes hoje (multas e compensaes

    ambientais), alm do custo para restabelecimento do trfego e ativos.

    Dessa forma, de extrema importncia o entendimento dos fatores causais

    de cada tipo de acidente (que os sistemas utilizados e a gesto atual dos

    acidentes j fornecem com qualidade) e das conseqncias envolvidas em cada

    um desses tipos, permitindo assim aes para que essas ocorrncias sejam

    evitadas ou com conseqncias com ndice de gravidade menor.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 18 -

    1.4 Estrutura da monografia

    O estudo ser elaborado a partir de uma estrutura de cinco captulos, sendo

    o primeiro captulo abordando a introduo ao assunto, objetivos e justificativa do

    tema definido e a estrutura do trabalho.

    O segundo captulo inicia com uma viso geral das ferrovias da Vale,

    abordando os conceitos envolvidos no processo de gesto dos acidentes

    ferrovirios, a estrutura e regras definidas pela ANTT e toda a estruturao que a

    Vale montou para suportar este processo em suas ferrovias, desde a parte de

    atendimento aos acidentes, at a gesto efetiva do indicador.

    O terceiro captulo apresentar o estudo do problema, mostrando um breve

    histrico do indicador de ocorrncias ferrovirias e algumas anlises do

    comportamento histrico em cada ferrovia, mostrando os fatores de gesto atual

    do processo.

    O captulo quatro mostrar todos os aspectos de gravidade de cada item a

    ser considerado no clculo da pontuao dos acidentes. Ele tambm descrever

    e a aplicao dos fatores propostos em um determinado perodo histrico, e as

    anlises comparativas frente aos resultados apurados na gesto existente do

    indicador de ocorrncias ferrovirias na Vale.

    O quinto captulo mostrar as concluses apuradas pelo estudo e tambm

    propostas de continuidade para novos projetos envolvendo o indicador de

    gravidade para acidentes ferrovirios.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 19 -

    2 Conceitos e Gesto do Processo

    Dentro do processo de concesso dos direitos de transporte ferrovirio, uma

    das grandes preocupaes do governo foi garantia de investimentos na malha

    para aumento da capacidade de transporte.

    Remetendo dcada de 80, a recente gesto da Rede Ferroviria Federal,

    os recursos empregados para a manuteno da malha brasileira estavam em

    declnio constante, devido reduo gradativa de aportes financeiros com este

    objetivo.

    Aliado a outros motivos estratgicos, a melhoria do nvel de servio das

    ferrovias brasileiras foi um dos impulsionadores para o movimento de concesso

    dos direitos de transporte para a iniciativa privada. E diretamente ligado ao nvel

    de servio est a regularidade do servio prestado.

    O nvel de servio diretamente afetado por um acidente ferrovirio.

    Segundo Walter Vidon Jr (2008) , o acidente a manifestao pblica do

    fracasso da ferrovia. Ou seja, a percepo do cliente e da comunidade

    diretamente impactada pela imagem do trem parado devido um descarrilamento,

    esbarro ou abalroamento. E os resultados tambm: o ciclo de vages

    diretamente impactado devido o aumento do tempo de trnsito das composies

    em caso de retenes da circulao causadas por acidentes ferrovirios.

    necessrio um estudo mais profundo das ocorrncias ferrovirias, indo

    mais alm da simples contabilidade numrica e relao com a movimentao da

    ferrovia, que so os indicadores monitorados pela ANTT. Assim, as empresas

    ferrovirias estaro com o foco real para a garantia da reduo constante de

    acidentes ferrovirios e o aumento da confiabilidade do servio de transporte

    prestado.

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    2.1 Viso geral das ferrovias da Vale

    A Vale a maior operadora ferroviria nacional em movimentao de carga.

    Ela a responsvel pela operao da Estrada de Ferro Carajs (EFC), a Estrada

    de Ferro Vitria-Minas e pela concesso e operao da Ferrovia Centro-Atlntica

    (FCA).

    A Estrada de Ferro Vitria a Minas (EFVM), com 905 quilmetros de

    extenso, uma das mais modernas e produtivas ferrovias do Brasil. Transporta

    37% de toda a carga ferroviria nacional.

    A Ferrovia Centro-Atlntica (FCA), com 8.066 km de extenso, percorre os

    estados de Minas Gerais, Gois, Rio de Janeiro, Esprito Santo, Bahia e Sergipe,

    alm do Distrito Federal.

    A Estrada de Ferro Carajs (EFC), com 892 km de extenso, liga o interior do

    Par ao principal porto martimo da Regio Nordeste, em So Lus, no Maranho.

    Transporta principalmente minrio e carga geral, alm de passageiros.

    Alm do transporte de minrio de ferro e carga geral a Vale ainda possui o

    transporte de passageiros na EFC e EFVM. Na EFVM o trem dirio,

    movimentando um total de trs mil pessoas por dia. Na EFC o trem tem a

    freqncia de sada a cada dois dias, sendo um importante instrumento

    integrador das comunidades do interior do Maranho e Par. A FCA possui duas

    concesses para o transporte de passageiros na modalidade de trem turstico: a

    linha So Joo Del Rei Tiradentes e Ouro Preto Mariana. Estas duas rotas

    so pontos tursticos movimentados, reconhecidos internacionalmente, que

    alavancam o potencial atrativo das comunidades que ele abrange.

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    2.2 Conceitos

    Sendo uma anomalia especfica do processo da ferrovia, as ocorrncias

    ferrovirias possuem uma gama de conceitos que devem ser esclarecidos e

    nivelados, principalmente em relao sua aplicabilidade dentro da Vale.

    Quando uma anomalia em qualquer processo acontece, denotada uma

    situao de emergncia. Esta situao uma combinao de fatos, decorrente

    de defeitos em equipamentos, falhas no controle do processo, fenmenos

    naturais (tempestades, enchentes, raios), ou falhas humanas, que podem resultar

    em incndio, exploso, derramamento ou vazamento de produtos qumicos,

    emisso atmosfrica acidental, descarga acidental na gua e no solo, ou

    qualquer acidente com leso, dano a propriedade, ao meio ambiente e at

    mesmo comunidade.

    Uma situao de emergncia pode ser elevada a uma situao crtica, que

    uma ocorrncia que foge do controle ou extrapola os limites da empresa. Esta

    situao envolve prejuzos financeiros e pode causar danos ao meio ambiente,

    sociedade, aos empregados, aos clientes, aos acionistas, ao mercado e,

    conseqentemente, ao seu negcio como um todo. Alem disso, caracteriza-se

    por atrair a ateno da mdia, de polticos, das autoridades governamentais e de

    ONGs (organizaes no-governamentais), alm de ganhar visibilidade local,

    regional, nacional e.ou internacional, dependendo de sua abrangncia. Quando

    ocorre, a imagem da empresa perante a opinio pblica que est em jogo.

    Assim, um acidente ferrovirio pode ser simples, dependendo apenas de um

    tratamento interno para correo de suas conseqncias. Mas tambm pode ser

    caracterizado como uma situao de emergncia e at mesmo uma situao de

    crtica, cuja atuao da ferrovia vai extrapolar os limites tcnicos operacionais,

    atingindo tambm aes para conter os prejuzos causados rea atingida e

    tambm os efeitos colaterais que o evento causou.

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    A ANTT fornece uma conceituao bsica para o acidente ferrovirio

    conforme o Artigo 2o da Resoluo no 1431 ANTT:

    Art. 2 Para efeito desta Resoluo, considera-se acidente ferrovirio a ocorrncia que, com a participao direta de veculo ferrovirio, provocar danos a este, a pessoas, a outros veculos, a instalaes, a obras-de-arte, via permanente, ao meio ambiente e, desde que ocorra paralisao do trfego, a animais.

    Acidente uma ocorrncia inesperada que interfere ou interrompe os

    processos normais de uma atividade, ocasionando perda de tempo til, leses

    nos trabalhadores, perda materiais, danos propriedade e ao meio ambiente.

    Segundo a VOC- Vernalha & Oliveira Consultoria de Investigao Bsica de

    Acidente e Incidente Ferrovirio (Oliveira, 2007), um acidente "geralmente o

    resultado de um contato com uma fonte de energia superior resistncia das

    estruturas envolvidas.

    Um acidente ferrovirio raramente o resultado de nico evento. Ele

    causado por uma combinao de eventos no relacionados que ocorrem

    simultaneamente ou em seqncia. O elemento humano , na maioria dos casos,

    o responsvel ou parte ativa destes eventos. Um levantamento em relao s

    ocorrncias ferrovirias na Vale em 2008, que ser detalhado no captulo 4.4.1,

    mostra que dos 182 acidentes registrados, temos um total de 97 que tm

    influncia direta com o fator humano, seja no motivo causador (33 falhas

    funcionais), ou seja no fator de participao (30 atropelamentos e 34

    abalroamentos). A descrio destes eventos ser detalhado no captulo 2.2.1.1.

    Porm nem todo evento pode ser considerado uma ocorrncia ferroviria ou

    um acidente ferrovirio, sob a tica do rgo regulador. A ANTT define alguns

    quesitos que o evento deve atender, para que ela seja considerada um acidente

    ferrovirio, e classificado para constar no resultado da empresa responsvel. O

    nico evento que diretamente classificado como acidente ferrovirio aquele

    causado por falha funcional de qualquer empregado prprio ou a servio da

    ferrovia que tenha provocado danos, paralisao da circulao ou atrasos na

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    partida de trens. A FIG. 2.1 retirada do Procedimento de Investigao e Gesto

    dos Acidentes Ferrovirios PRO 0801 GEDFT, contm todas as etapas e

    consideraes a serem analisadas para a classificao ou desclassificao do

    evento.

    FIG. 2.1 Fluxograma acidente ferrovirio x ocorrncias desclassificadas.

    Fonte: PRO 0801 GEDFT Procedimento de Investigao e Gesto de Acidentes Ferrovirios.

    Todas os eventos classificados como acidentes ferrovirios so informados

    mensalmente a ANTT, atravs do SIADE Sistema de Acompanhamento do

    Desempenho das Concessionrias de Servios Pblicos de Transportes

    Ferrovirios -, a fim de apurar o cumprimento da meta contratual de reduo do

    indicador de segurana.

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    2.2.1 Tipos de acidentes ferrovirios

    So diversos tipos de eventos que podem ser classificados como acidentes

    ferrovirios. Existem dois grandes grupos de eventos em relao ao local de

    ocorrncia: ptio ou circulao. Ocorrncias de ptios so todos os eventos que

    o veculo ferrovirio envolvido esteja manobrando, independente do local que ele

    esteja fisicamente (por exemplo, pegar e deixar vages, trocar locomotivas,

    formar e desmembrar trens, carga e descarga, estacionar material rodante, etc.).

    Ocorrncias de circulao so todos os eventos em que o veculo ferrovirio est

    circulando ou com caractersticas de circulao, ou seja, se o ativo envolvido est

    em trem formado circulando ou parado em ptio.

    2.2.1.1 Natureza dos acidentes ferrovirios

    Os acidentes ferrovirios tambm so classificados quanto sua natureza. A

    Vale segue a conceituao definida no Artigo 3o da Resoluo 1431, que

    estabelece os procedimentos para a comunicao de acidentes ferrovirios a

    ANTT pelas concessionrias e autorizatrias de servio pblico de transporte

    ferrovirio. Para um melhor esclarecimento, segue abaixo a classificao de

    acidentes ferrovirios utilizada internamente na Vale, contida no PRO 0801

    GEDFT:

    Abalroamento: coliso de veculos ferrovirios ou trens, circulando ou manobrando, com qualquer veculo, exceto outro veculo ferrovirio;

    FIG 2.2 Foto de um abalroamento. Fonte: PRO 0801 GEDFT Procedimento de

    Investigao e Gesto de Acidentes Ferrovirios.

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    Atropelamento: acidente ferrovirio que ocorre, quando um trem ou veculo ferrovirio colide com pessoas e/ou animal, provocando leso ou morte;

    Coliso: ocorrncia ferroviria resultante de impacto indevido de veculos ferrovirios contra um obstculo sua livre circulao;

    Choque: coliso de veculos ferrovirios ou trens circulando no mesmo sentido, na mesma via, podendo um deles estar parado;

    Encontro: coliso de veculos ferrovirios ou trens circulando em sentidos opostos na mesma via, podendo um deles estar parado;

    Esbarro: coliso de veculos ferrovirios ou trens circulando ou manobrando em vias distintas, podendo um deles estar parado;

    FIG 2.3 Foto de um esbarro.

    Fonte: Arquivo pessoal

    Descarrilamento: ocorrncias ferrovirias em que uma ou mais rodas do veculo ferrovirio saltam do boleto (parte interna do topo) do trilho;

    FIG 2.4 Foto de um descarrilamento. Fonte: Arquivo pessoal

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    Tombamento: descarrilamento que resulte na inclinao lateral total do veculo ferrovirio;

    FIG 2.5 Foto de um tombamento.

    Fonte: PRO 0801 GEDFT Procedimento de Investigao e Gesto de Acidentes Ferrovirios.

    Semi-tombamento (adernamento): descarrilamento que resulte na inclinao lateral parcial do veculo ferrovirio;

    Exploso: acidente ferrovirio ocorrido por exploso, em trem ou veculo ferrovirio;

    Incndio: acidente ferrovirio ocorrido por incndio em trem ou veculo ferrovirio.

    O fator causal dos acidentes ferrovirios definido a partir da sua causa raiz.

    Segundo Walter Vidon Jr (2008), a causa raiz aquele fator causal do acidente

    que se for eliminado, jamais e em tempo algum o acidente ocorreria. Ou seja, o

    fator alavancador do acidente, sendo o ltimo desvio que ocorre no processo

    antes do seu acontecimento.

    Em alguns processos de apurao de acidentes ferrovirios, a definio da

    causa raiz um trabalho complexo, pois um evento pode ter sido causado por

    diversos fatores. Estes fatores recebem a denominao de causas

    contribuitrias, ou seja, so causas atuantes para o acontecimento do acidente,

    porm se o fator de alavancagem no tivesse atuado (causa raiz), provavelmente

    o acidente no teria ocorrido. A apurao e estudo destas causas so

    fundamentais para a definio de aes preventivas e recomendaes que tm o

    objetivo fim deste processo: evitar a recorrncia de acidentes ferrovirios. Caso

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    uma ocorrncia tenha sido causada por duas falhas crticas acontecendo

    simultaneamente, denomina-se como causa combinada o fator acionador do

    acidente. Porm, na maioria dos processos de apurao possvel definir a falha

    ou anomalia de maior magnitude, chegando assim causa raiz do acidente.

    2.2.1.2 reas de responsabilidade

    O Artigo 3o da Resoluo 1431 tambm define o grupo de causas para os

    acidentes ferrovirios quanto ao fator causal: falha humana, via permanente,

    material rodante, sistemas de telecomunicao, sinalizao e energia, atos de

    vandalismo e casos fortuitos ou de fora maior. Internamente a Vale atende esta

    classificao, porm, para uma melhor estratificao das informaes e maior

    aprofundamento na gesto das ocorrncias junto s reas responsveis, os

    fatores causais dos acidentes so definidos pelos motivos a seguir:

    Falha Funcional: acidente causado por falha direta de um empregado, geralmente atrelado ao descumprimento de alguma regra operacional da ferrovia;

    Operao (falha gerencial): acidente causado por falha de descumprimento, originada em falta de treinamento, no alinhamento de informaes a partir da superviso/gesto da rea para o empregado envolvido;

    Mecnica Locomotiva: acidente causado por alguma falha da locomotiva ou algum dispositivo diretamente ligado a ela;

    Mecnica Vago: acidente causado por alguma falha do vago ou algum componente diretamente ligado a ele;

    Via Permanente: causa do acidente diretamente ligado a um problema na infra-estrutura, super-estrutura e equipamentos diretamente ligados rea de via permanente;

    Sinalizao/Eletroeletrnica: causa do acidente ligado problemas nos equipamentos da sinalizao ferroviria ou equipamentos da eletroeletrnica de campo ou embarcados nas locomotivas;

    Abalroamento: o acidente causado quando algum veculo rodovirio atinge a locomotiva ou algum vago da composio.

    Vandalismo: acidente causado por algum motivo diretamente ligado a ao de terceiros sobre a composio ou ativo da ferrovia;

    Atropelamento: causa devido o atropelamento de pessoas pela locomotiva ou por algum vago;

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    Atropelamento Animais: causa devido o atropelamento de animais pelo ativo ferrovirio envolvido;

    Casos fortuitos / Fora maior: so os acidentes causados por qualquer motivo no listado anteriormente.

    2.2.1.3 Outros tipos de ocorrncias

    Quando um evento no classificado como ocorrncia ferroviria de acordo

    com o fluxograma mostrado na FIG. 2.1, a Vale definiu duas classificaes

    bsicas: os quase-acidentes e incidentes.

    2.2.1.3.1 Quase-acidentes

    Os quase-acidentes so todos os fatos ou acontecimentos no desejados

    que por questo de espao e/ou tempo no resultou em leses pessoais ou

    danos materiais aos recursos ferrovirios. Classificam-se tambm como quase-

    acidentes as ocorrncias que no constituem um acidente ferrovirio, causado

    pela transgresso das normas e regulamentos da ferrovia, contidas no

    Regulamento de Operaes Ferrovirias ROF, tais como:

    Avano de Sinal;

    Desrespeito sinalizao;

    Excesso de velocidade;

    Licenciamento irregular;

    Erro de macro;

    Circulao irregular;

    Transposio de aparelho de mudana de via (AMV) com chave ao contrrio sem descarrilamento;

    Carregamento irregular;

    Disparo de Trem;

    Corrida de veculo;

    Manobra seca (sem ar no sistema de freio dos vages movimentados);

    Manobra solta (sem o completo engate dos vages);

    Anormalidade na descarga;

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    Choque com cancela;

    Deseixamento de Rodas sem Descarrilamento;

    Fracionamento de Trem;

    Invaso de faixa de segurana;

    Perturbao do trfego;

    Vandalismo;

    Quebra de trilho detectada pelo trem;

    Iminncia de abalroamento/atropelamento/coliso;

    Defeito no AMV detectado pelo trem;

    2.2.1.3.2 Incidentes

    Os incidentes podem ser definidos como ocorrncias no desejadas ou no

    programadas que venham a deteriorar ou diminuir a eficincia operacional. So

    eventos que no so classificados como acidente ferrovirio, avaria ou quase

    acidente, acarretando ou no danos pessoais e/ou materiais. A classificao dos

    incidentes utilizada na Vale ocorre pela rea responsvel, facilitando a

    organizao e tratamento. Abaixo alguns exemplos de incidentes:

    Incidente Operao: acionamento indevido dos freios de emergncia do trem sem descarrilamento;

    Incidente - Via permanente: obstruo da via por intemprie, quebra de trilho detectada pelo auto / ronda, defeito no AMV detectada pelo auto / ronda;

    Incidente Vago: vazamento de carga/combustvel sem danos ambientais;

    Incidente Terceiros: incndio nas margens da linha, falta de energia de origem externa, animal a beira da linha, pessoa a beira da linha, encontro de cadveres;

    Alm destes citados acima, temos tambm os incidentes causados pelos Clientes, devido a Eletroeletrnica, Equipamentos de Via e Locomotivas.

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    2.2.1.4 Critrio de gravidade atual

    O rgo regulador tambm define alguns critrios para a gravidade da

    ocorrncia ferroviria conforme o Art 4 da Resoluo n 1431 ANTT. Aps a

    ocorrncia de um acidente ferrovirio, e a verificao do atendimento de uma das

    condies de gravidade, a ferrovia responsvel tem que comunicar o rgo

    regulatrio em no mximo duas horas. Aps esta primeira comunicao, a

    ferrovia dever formalizar o Formulrio de Comunicao de Acidente Ferrovirio

    Grave em at vinte e quatro horas da ocorrncia. Todos os detalhes do processo

    de comunicao esto descritos no documento Comunicao de Acidentes

    Graves a ANTT PRO-0003 GACFA. O conceito de gravidade atual est descrito

    a seguir.

    Art 4 Considera-se acidente ferrovirio grave aquele que envolve o transporte ferrovirio de passageiros, de produtos perigosos, conforme Decreto n 98.973/90 e Resoluo ANTT n 420/04, ou acarrete uma das seguintes conseqncias:

    I - morte ou leso corporal grave que cause incapacidade temporria ou permanente ocupao habitual de qualquer pessoa.

    II - interrupo do trfego ferrovirio: a) por mais de 2 (duas) horas em linhas compartilhadas com o servio de transporte ferrovirio urbano de passageiros; b) por mais de 6 (seis) horas no servio de transporte ferrovirio de passageiros de longo percurso ou turstico; c) por mais de 24 (vinte e quatro) horas em linhas exclusivas para o transporte de cargas;

    III - prejuzo igual ou superior a R$ 1.000.000,00 (um milho de reais);

    IV - dano ambiental; e

    V - outros danos de impacto populao atingida.

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    2.3 Gesto na Vale

    Conforme j mostrado neste trabalho, o processo de gesto de ocorrncias

    ferrovirias ponto essencial na agenda de qualquer empresa ferroviria que

    preze pela qualidade e aumento contnuo na sua capacidade de transporte.

    Esta gesto compreende os processos desde o acionamento de equipes

    para atendimento ao acidente, passando pelos procedimentos durante o

    atendimento para liberao do trecho ou ativo envolvido, pelo processo de

    investigao da ocorrncia, at o processo de gesto dos indicadores

    operacionais envolvidos.

    Na Vale, o processo de gesto das ocorrncias era descentralizado entre as

    trs ferrovias, e internamente tambm se encontravam diferenas em relao aos

    procedimentos de caracterizao e principalmente, nos processos de apurao e

    gesto do indicador. Entende-se como apurao de uma ocorrncia ferroviria o

    processo de verificao das causas raiz e contribuintes, definio da rea

    responsvel pelo evento, e gerao de aes organizadas em um plano, com

    prazo e responsveis, a fim de corrigir o problema, e tambm aes com carter

    preventivo. O processo de gesto se refere ao indicador de quantidade de

    ocorrncias ferrovirias nas trs ferrovias, cujas condies para considerao ou

    no de determinado evento variavam de acordo com a gesto local.

    2.3.1 Investigao e preveno de acidentes - CPIA

    Tendo em vista a necessidade de implantao de uma equipe especializada

    em tratamento e investigao de ocorrncias ferrovirias na Vale, e tambm um

    processo nico para a gesto do indicador, foi criado em 2001 o conceito da

    CPIA Comisso Permanente de Investigao de Acidentes. Esta comisso

    formada por uma equipe corporativa, dentro da rea de Desenvolvimento Tcnico

    Ferrovirio (GEDFT), que coordena as atividades das comisses de cada

    ferrovia. Internamente nas reas operacionais, tambm temos uma estrutura

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 32 -

    responsvel pela coordenao das comisses regionais em cada Diretoria (EFC,

    EFVM e FCA). A sua estrutura por ser observada na FIG. 2.6.

    Membros

    CPIA - EFVM CPIA EFC

    CPIA - FCA

    GEDFT CPIA Corporativa

    Membros Membros

    Coordenao e acompanhamento de prazos e qualidade tcnica das

    apuraes

    Execuo das aes de bloqueio

    Coordenao das atividades de campo e

    acompanhamento detalhado de cada

    apurao.

    FIG. 2.6 Estrutura das Comisses Permanentes de Investigao de Acidentes.

    Fonte: Plano Diretor de Operaes da EFVM, 2007.

    O objetivo macro desta estrutura estabelecer as diretrizes para

    constituio, organizao e funcionamento das CPIA`s, orientando os usurios

    que analisam as informaes cadastradas no sistema de registro de ocorrncias

    ferrovirias (GOFER Gesto de Ocorrncias Ferrovirias).

    A CPIA regional estabelece a funcionalidade e operao destas comisses

    em relao composio (garantindo que todas as reas operacionais estejam

    presentes), s responsabilidades dos integrantes, prazos para execuo das

    atividades de rotina (reunies semanais, mensais e reunies para apurao de

    eventuais ocorrncias) e garante a gesto das aes propostas, cobrana de

    prazos e a disseminao dos indicadores envolvidos. Ela atua como interface

    entre as reas operacionais e a gesto corporativa da CPIA, no que tange a

    verificao da qualidade das apuraes, planos gerados, considerao e

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 33 -

    desconsideraes de ocorrncias, alm de outros. O Gerente Geral define o

    coordenador da CPIA da unidade operacional (EFC, EFVM e FCA), delegando a

    ele autonomia para acompanhar as atividades de preveno de acidentes

    ferrovirios, quase acidentes e incidentes. O coordenador da CPIA, em conjunto

    com os Gerentes de rea, definem os membros da equipe de CPIA de cada

    rea.

    A CPIA corporativa, alm das funcionalidades de gesto e uniformizao do

    processo, promove a constante mobilizao das diretorias para o assunto

    segurana, servindo como agente de incentivo para campanhas de sensibilizao

    (envolvendo a rea de comunicao, segurana patrimonial e tambm agentes

    externos, tais como as comunidades ao longo das linhas).

    A composio tpica de uma CPIA possui representantes de todas as reas

    que tm interferncia direta com a operao de uma ferrovia:

    01 integrante da Operao + Suplente

    01 integrante da rea de Vages + Suplente

    01 integrante da rea de Via Permanente + Suplente

    01 integrante da rea de Eletroeletrnica + Suplente

    01 integrante da rea de Locomotiva + Suplente

    01 integrante da rea de Equipamentos de Via + Suplente

    01 integrante do Centro de Controle Operacional (CCO)

    01 integrante da rea de Comunicao

    01 integrante da rea de Segurana Empresarial

    01 integrante da rea de Sade e Segurana Ocupacional (SSO)

    desejvel ter um integrante da rea de implantao de projetos, nas reas aplicveis.

    2.3.2 Estruturas auxiliares

    Alm da CPIA, as reas operacionais contam com outras estruturas para

    garantir o atendimento s ocorrncias ferrovirias com foco corretivo e tambm

    preventivo:

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    Bases de atendimento a emergncias: so locais pr-definidos ao longo da malha, que possuem equipamentos de pronto atendimento para minimizao dos efeitos do acidente. Elas esto distribudas ao longo da malha das trs ferrovias, agilizando a mobilizao e reduzindo o tempo de atendimento aos acidentes;

    Equipes de Socorro Ferrovirio: so equipes multidisciplinares que atuam corretivamente, provendo o atendimento imediato s ocorrncias ferrovirias, possibilitando a liberao da via para a circulao dos trens. Alm das equipes, o socorro possui equipamentos especializados para o atendimento aos acidentes e retirada dos ativos envolvidos (guindastes, aparelhos de encarrilamento, macacos hidrulicos, etc).

    Brigada de atendimento a emergncias: atua no atendimento a emergncias qumicas, combate a incndio e primeiros socorros, em conjunto com a empresa contratada para atendimento a emergncia qumica. Os empregados que dela participam recebem um treinamento especfico para a mobilizao referente a acidentes com produtos qumicos e potencial contaminao. Todas as rotinas de funcionamento destas equipes so regidas pelo Plano de Atendimento de Emergncia (PAE), programa interno da Vale, conduzido pela rea de Meio Ambiente.

    Os processos e estruturas acima descritos no sero abordados neste

    estudo.

    2.3.3 Sistema de gesto de informaes GOFER

    At o final da dcada de 90, o processo de gesto das ocorrncias

    ferrovirias na Vale no eram padronizados, e dependiam da gesto de cada

    ferrovia. No havia automao nos processos, pois todos os registros eram feitos

    em planilhas de Excel, processo que acarretava muita digitao e passvel de

    erros de consolidao. O controle de prazos de apurao e aes geradas era

    falho, o que impactava diretamente na qualidade das apuraes.

    Com esta estrutura frgil, a cultura de tratamento das anomalias e problemas

    identificados nos processos de apurao no era disseminada, ficando restritos

    ao processo de investigao e em algumas poucas iniciativas isoladas para

    estudos preventivos.

    Estes desvios estruturais acarretavam problemas internos e tambm

    ameaavam a Vale frente aos rgos regulatrios em suas rotinas de inspeo,

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 35 -

    que acontecem periodicamente junto s concessionrias. A vulnerabilidade de

    um processo no uniforme e sem a proteo de um sistema para consolidao

    das informaes e dos nmeros referentes s ocorrncias, se constitua em

    ponto de risco nas auditorias da ANTT e Ministrios dos Transportes.

    A partir deste cenrio, era clara a necessidade da padronizao do

    tratamento dos acidentes ferrovirios nas ferrovias da Vale. Assim, a partir de

    2001, a rea corporativa responsvel pelo processo de segurana operacional

    das ferrovias iniciou um projeto pioneiro para a construo de um sistema nico

    para registro, apurao e tratamento das informaes e apurao das

    ocorrncias ferrovirias. Ele foi denominado Gesto de Ocorrncias Ferrovirias

    (GOFER), sendo desenvolvido por uma empresa especializada em sistemas a

    partir dos conhecimentos de diversos especialistas da Vale, e foi implantado em

    2002.

    O GOFER tem o objetivo de unificar e padronizar os processos de

    investigao de ocorrncias ferrovirias, controlar os planos de ao e

    automatizar todo processo, evitando acompanhamentos paralelos e extravio de

    informaes. A partir da padronizao dos dados de entrada referentes

    ocorrncia em apurao, atravs de campos de preenchimento obrigatrios

    (informaes essenciais, tais como o local, data, hora, tipo, prefixo do trem,

    quantidade de vages, locomotivas, tipo de mercadoria transportada, volume,

    etc) e outros no-obrigatrios (informaes complementares, tais como a

    quantidade de rodeiros descarrilada, posio final dos vages aps o acidente,

    tipo, condio da infra-estrutura do local do acidente, e outras informaes mais

    detalhadas), consegue-se a uniformidade nos dados coletados em campo, no

    local da ocorrncia. A partir desta uniformidade dos dados de entrada, as

    concluses, estudos decorrentes e necessrios para a apurao da causa raiz e

    causas complementares so mais bem direcionados para as equipes de campo.

    A partir da implantao do GOFER o processo de gesto da segurana

    operacional ganhou robustez e a prioridade necessria para mobilizao geral

    das lideranas e todo o corpo de empregados.

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    FIG. 2.7 Tela inicial do GOFER.

    2.3.4 Seqncia de eventos (comunicao apurao fechamento)

    Para melhor ilustrar o objeto deste estudo, a seguir ser descrito a seqncia

    de eventos que compe o processo de gerenciamento do acidente ferrovirio

    dentro da Vale. Todo este processo est descrito no Regulamento para

    Atendimento as Ocorrncias Ferrovirias REG 0500 GEDFT.

    A primeira comunicao do evento ocorre a partir do operador de campo para

    o Centro de Controle Operacional (CCO) da ferrovia. A partir do nivelamento

    desta rea, o processo direcionado para o Centro de Controle de Emergncia

    (CCE), rea do CCO responsvel pelo registro da comunicao no GOFER,

    acionamento gerencial dos responsveis no campo e das equipes de

    atendimento para o evento (socorro ferrovirio). O REG 0500 GEDFT define a

    classificao do evento em relao prioridade de atendimento, o grupo de

    empregados cuja presena no atendimento obrigatria, define a figura do dono

    da ocorrncia (empregado que ser o responsvel pela conduo do

    atendimento ao acidente), caracterizao dos empregados no local de

    atendimento, orientaes em relao postura frente imprensa e comunidades

    afetadas e aborda todos os quesitos e passos a serem seguidos para que o

    atendimento ocorrncia seja realizado de maneira segura, sem riscos para os

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    empregados e equipamentos utilizados, e garantindo todos os recursos para a

    efetividade da liberao do local e ativos envolvidos.

    Como cada acidente ferrovirio um evento que pode ser considerado nico,

    as atividades necessrias para a normalizao e retirada dos ativos envolvidos

    varia de acordo com o cenrio. O PRO 0500 GEDFT possui uma srie de

    orientaes para garantir a segurana destas atividades, compreendendo desde

    a postura do empregado na rea do acidente, at atividades mais complexas tais

    como operao com o guindaste, remoo de lastro, soldagem de trilhos e

    tambm uma descrio detalhada do atendimento em acidentes com vages

    carregados com todos os produtos perigosos movimentados pelas ferrovias, de

    acordo com a tabela da ONU, mostrada no captulo 7.1.

    A partir do registro da ocorrncia no GOFER, uma mensagem automtica

    enviada via e-mail: esta mensagem direcionada para uma extensa lista de

    empregados que esto direta ou indiretamente envolvidos com a operao da

    ferrovia onde aconteceu o evento. Um outro formato de aviso o envio

    automtico da primeira comunicao do acidente via mensagem de celular, que

    funciona como um timo sinalizador para as ocorrncias que ocorrem de

    madrugada ou nos finais de semana. Assim os gestores entram em contato com

    as reas operacionais a fim de um melhor nivelamento e direcionamento de

    recursos para garantir o atendimento ocorrncia.

    O atendimento ocorrncia responsabilidade das equipes de socorro

    ferrovirio. De acordo com o grau de complexidade do acidente, o atendimento

    pode ser conduzido por um Coordenador Local, que o representante direto do

    Dono do Acidente. Ambos so definidos de acordo com o REG 0500 GEDFT. A

    estrutura organizacional de um atendimento pode ser vista na figura abaixo, onde

    se busca representar todas as reas presentes e as interfaces presentes,

    garantindo o alinhamento de responsabilidades no processo.

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    FIG. 2.8 Estrutura organizacional de atendimento ocorrncias ferrovirias na

    Vale. Fonte: Regulamento para atendimento a acidentes ferrovirios (RAOF), REG 0500

    GEDFT

    Durante o atendimento ao acidente, um outro processo muito importante

    tambm iniciado: a investigao do acidente. Segundo Walter Vidon Jr (2008),

    a investigao de uma causa de acidente exige uma abordagem multidisciplinar.

    Isso explica a composio das equipes da CPIA, que em conjunto com as

    equipes do Socorro Ferrovirio, so os agentes que conduzem o processo de

    definio da causa raiz e contribuintes. A investigao deve ser apoiada em fatos

    e dados, que devem ser coletados no local da ocorrncia, evitando que possveis

    evidncias das causas possam desaparecer, aps a descaracterizao da cena

    com a retirada dos veculos envolvidos. O processo tambm deve ser rpido e

    possuir efeito imediato, pois se for lento e moroso, ele perde o impacto e tambm

    oportunidades de esclarecimentos e estudos mais focados (Vidon, 2008).

    Todas as etapas do processo investigatrio esto descritas no Procedimento

    de Investigao e Gesto de Acidentes Ferrovirios PRO - 0801 GEDFT. Ele foi

    elaborado por especialistas das diversas reas que compes a ferrovia, sendo

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    utilizado no treinamento dos investigadores e material obrigatrio para consulta

    durante o processo de investigao das ocorrncias.

    Em relao metodologia de investigao, o setor ferrovirio segue as

    diretrizes da rea considerada benchmarking: o setor aeronutico sempre

    desenvolveu conhecimento e tecnologia aplicados para garantir que todas as

    investigaes sejam assertivas, gerando aes corretivas eficientes, e o principal,

    gerando aes preventivas e preditivas. Isto essencial neste setor, pois o

    impacto de um acidente areo sempre coloca em risco a vida dos tripulantes e

    passageiros, alm dos prejuzos com a perda de ativos e a imagem da empresa

    envolvida. Este setor formulou algumas premissas para atuao focada nos

    acidentes, que pode ser totalmente aplicada no setor ferrovirio, exemplificando a

    importncia que o processo possui em ambos os modais de transporte.

    Os Mandamentos de Segurana (Vidon, 2008) IATA (International Air Transport Association), ICAO (Iternational Civil Aviation Organization) e DAC (Departamento de Aviao Civil):

    Todo acidente pode e deve ser evitado;

    Todo acidente resulta de uma seqncia de eventos e quase nunca de uma causa isolada;

    Preveno de acidentes uma tarefa que requer mobilizao geral;

    O propsito da preveno de acidentes no restringir o transporte e sim estimular o seu crescimento;

    Todo acidente tem um precedente;

    Diretores, gerentes e supervisores so os principais responsveis pela segurana;

    Em preveno de acidentes no h segredos nem bandeiras;

    Acusaes e punies agem diretamente contra os interesses da preveno de acidentes.

    Todas estas premissas mostram que o processo de gesto de acidentes da

    Vale est alinhado com as melhores prticas mundiais.

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    2.3.5 Gesto dos resultados

    Uma parte essencial do processo das ocorrncias ferrovirias est na gesto

    do indicador, o que garante que os resultados estejam em constante divulgao,

    reiterando o foco das ferrovias em garantir a segurana operacional. Para isso,

    foram definidos alguns informes padronizados, que garantem a uniformidade da

    informao e tambm o alcance do indicador para todos os nveis hierrquicos da

    companhia.

    2.3.5.1 Controles internos da Vale

    O principal informativo o Alerta Dirio, no formato de um grfico mensal,

    com atualizao diria, mostrando a quantidade de ocorrncias ferrovirias

    mensais, e o detalhamento destas ocorrncias no ms corrente. Anexado ao

    controle de ocorrncias, temos tambm o grfico que mostra a situao das

    comunicaes dos quase-acidentes nas ferrovias. Este instrumento essencial

    para o acompanhamento dos acidentes e ferramenta comumente utilizada pelos

    Diretores e Gerentes na mobilizao de determinada rea.

    FIG. 2.9 Tela com o controle dirio de ocorrncias ferrovirias (Alerta Mximo)

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    A consolidao mensal das informaes realizada em um relatrio que

    contm diversas anlises do comportamento do ms em relao s ocorrncias

    ferrovirias, o histrico e as metas de cada rea envolvida, alm das mtricas

    enviadas para a ANTT. O Book de Segurana Mensal disponibilizado para

    todas as reas, e a fonte oficial dos dados referentes a acidentes ferrovirios

    na Vale.

    FIG. 2.10 Telas do controle mensal de ocorrncias (Book

    Segurana Operacional)

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    2.3.5.2 Indicador de acompanhamento da ANTT

    O indicador oficial para mensurar a mtrica referente aos acidentes

    ferrovirios uma relao entre a quantidade de acidentes considerados pela

    ANTT e o total de movimentao de trens apurado em determinado perodo. Ele

    conhecido como Milho de Trem Quilmetro, sendo determinado a partir da

    equao abaixo:

    )(

    )(

    percorridatotalgemQuilometraxTrensdeQuantidadequilmetrotremdeMilho

    QuantidadeosferroviriacidentesdeTotalIndicador=

    EQ. 2 Indicador Milho de Trem Quilmetro

    Este um indicador utilizado no mundo inteiro para avaliao da segurana

    nas operaes de uma ferrovia.

    A ANTT definiu metas para este indicador, com o objetivo de garantir o

    aumento de produo de maneira sustentvel para as concessionrias. Ou seja,

    as concessionrias tm o objetivo e metas para aumentar a capacidade de

    transporte, mas tambm devem priorizar os investimentos para garantir a

    segurana operacional. E existem penalidades para as concessionrias em

    casos de descumprimento destas metas. A Resoluo No 288 da ANTT de 10 de

    setembro de 2003 regulamenta a aplicao de penalidades em face do

    descumprimento das Metas de Produo e de Reduo de Acidentes, no mbito

    dos Contratos de Concesso.

    Porm, insustentvel se pensar em crescimento real e constante, se a

    pauta da segurana no for prioridade nos projetos das ferrovias.

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    3 Histrico geral

    A Vale prioriza a segurana de suas operaes em todos os setores que

    atua. Este fato confirmado pelo comportamento de suas ferrovias, se

    analisarmos o perodo de 1998 a 2007 em relao ao total de ocorrncias

    ferrovirias. Este perodo importante, pois marca o incio do processo de

    concesso das ferrovias da antiga RFFSA, onde a Vale participa atravs da

    concesso na operao da malha da Ferrovia Centro-Atlntica, principalmente

    aps o ano de 1999, onde ela sua aumentou a participao societria, e

    efetivamente passou a gerir esta ferrovia.

    A anlise da FIG. 2.1, mostra a efetividade da gesto da Vale na diminuio

    da quantidade dos acidentes ferrovirios nas malhas das ferrovias por ela

    operadas. Nota-se uma reduo significativa na quantidade de ocorrncias:

    comparando-se o ano de 2007 com 1998, tem-se uma diminuio de 75% no

    total de acidentes ferrovirios registrados.

    1089 1155 1188 1009 947800

    662524

    358 277

    1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007

    FIG. 3.1 Quantidade de ocorrncias ferrovirias na Vale. Fonte: Book Mensal de Ocorrncias Ferrovirias GEDFT - 2008

    A distribuio da participao de cada ferrovia no total de acidentes da Vale,

    mostra algumas informaes interessantes: a FCA se mantm como a maior

    contribuinte para este total, mantendo a mdia de 67% do total; a participao da

    EFVM neste total caiu ao longo do perodo analisado, saindo de um patamar de

    29% para 20%; j a EFC aumentou a sua participao, saindo de 6% em 1998

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    para um total de 16% em 2007. Este comportamento mostra que na EFC o

    aumento do volume transportado impactou tambm na questo do risco

    operacional.

    Participao das ferrovias no total de ocorrncias ferrovirias da Vale

    65% 65% 62%70% 68%

    78% 78%

    60%68%

    29% 29%25% 25%

    18% 16% 19% 20%

    6% 6% 6%

    61%

    32%25%

    7%6% 8% 4%18% 16%6%

    1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007

    % FCA %EFVM %EFC

    FIG. 3.2 Participao das ferrovias no total apurado na Vale.

    Fonte: Book Mensal de Ocorrncias Ferrovirias GEDFT - 2008

    A anlise do comportamento da FCA em relao ao quantitativo de

    ocorrncias ferrovirias mostra uma reduo forte no total apurado, saindo de

    uma mdia de 705 ocorrncias em 98, quase dois acidentes por dia, para um

    total de 189 ocorrncias em 2007. Este comportamento se repete na EFVM, onde

    a reduo alcanou 83% comparando-se 2007 com 1998. J na EFC, a queda no

    total de acidentes no foi to significativa quanto s outras duas ferrovias da

    Vale, atingindo um fator de reduo de 37%. Um fator que prejudicou a efetiva

    reduo naquela ferrovia, foi o comportamento crescente das ocorrncias

    ferrovirias totais desde 2003, principalmente em relao aos atropelamentos e

    acidentes devido causa via permanente.

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    Quantidade de ocorrncias ferroviriasFCA

    705 755 735 705 640 620 514321 215 189

    1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007

    Quantidade de ocorrncias ferroviriasEFVM

    316 334377

    248 234146 107 133 5567

    1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007

    Quantidade de ocorrncias ferroviriasEFC

    68 66 76 5673

    34 41 3863

    43

    1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007

    FIG. 3.3 Quantidade de ocorrncias nas ferrovias da Vale.

    Fonte: Book Mensal de Ocorrncias Ferrovirias GEDFT - 2008

    Analisando as trs ferrovias em relao ao indicador Milho de Trem

    Quilmetro, item de performance diretamente acompanhado pela ANTT, nota-se

    a reduo efetiva das ocorrncias frente ao aumento gradativo na produo e

    volumes transportados. Assim, pode-se concluir que os investimentos da Vale

    para garantia da segurana operacional foram realmente eficazes, destacando-se

    a recuperao da infra-estrutura da via permanente, reforma e aumento da

    capacidade de pontes e tneis, instalao de equipamentos preventivos para

    sinalizao e indicao de descarrilamentos instalados na linha e tambm nos

    vages, e principalmente o foco na segurana operacional dos processos e

    pessoas.

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    92,0 86,0 82,5 80,068,0 62,5 57,5

    49,0

    83,9 91,0 91,6 82,662,1 59,5

    44,829,6 20,1

    88,0

    1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006

    Acidentes/MTkm - FCA

    Meta ANTT

    27,933,8

    22,4

    31,8

    24,6 23,7 23,0 22,1

    27,9 32,033,8

    22,5 21,912,6 8,4 9,3

    32,0

    5,3

    1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006

    Acidentes/MTkm - EFVM

    Meta ANTT

    11,513,4

    9,1

    13,312,2 12,2 12,2 12,2

    11,5 12,6 12,99,1

    11,7

    5,2 5,5 4,87,4

    12,6

    1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006

    Acidentes/MTkm - EFCMeta ANTT

    FIG. 3.4 Evoluo do indicador acidentes por milho de

    trem-quilmetro nas ferrovias da Vale. Fonte: Book Mensal de Ocorrncias Ferrovirias GEDFT

    - 2008

    Uma anlise mais detalhada e estratificada, a partir de um estudo no

    comportamento das ocorrncias ferrovirias por natureza no perodo de 2005 a

    2007, revela alguns pontos de ateno em relao ao aumento de determinados

    acidentes de acordo com a sua causa, mesmo com o total geral em ritmo

    decrescente.

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    3.1 Histrico das ferrovias americanas

    Porm, primeiramente, o estudo far uma comparao com ferrovias norte-

    americanas, para verificar se o comportamento da EFC e EFVM est dentro de

    parmetros mundiais de benchmarking. A comparao com outras ferrovias

    uma ferramenta usual para avaliao da evoluo de indicadores da indstria. Na

    Amrica do Norte, anualmente editado e publicado um reporte da evoluo da

    indstria ferroviria, englobando diversos indicadores. O texto, intitulado de

    Railroad Facts, aborda entre esses muitos indicadores, um de ocorrncias

    operacionais, representado pelo indicador ocorrncias por milho de trem milhas.

    TAB. 1 - Evoluo do indicador de ocorrncias ferrovirias nos EUA no perodo de 1980 a 2005.

    Fonte: Rail Road Facts Magazine, 2005.

    Importante salientar que as ferrovias EFVM e EFC, devido s caractersticas

    intrnsecas (so ferrovias do tipo heavy haul, com alta carga transportada por

    eixo de transporte), no devem ser comparadas com ferrovias que fazem

    transporte de carga geral, que sofrem uma menor solicitao. Para essas

    ferrovias mais adequada a comparao com outras ferrovias do tipo heavy

    haul.

    Em relao a EFVM foi utilizada como comparao a empresa Norfolk

    Southern Corporation. Em 2007 o indicador observado de ocorrncias

    operacionais para essa ferrovia foi de 3,6 ocorrncias/milho de trem.km.

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    Em relao a EFC foi utilizada como parmetro para comparao a empresa

    CSX Transportation. Em 2007 o indicador observado de ocorrncias operacionais

    para essa ferrovia foi de 4,4 ocorrncias/milho de trem.km.

    3.2 Detalhamento do histrico nas ferrovias da Vale

    Embora nas trs ferrovias da Vale o indicador de milho de trem-quilmetro

    tenha, nos ltimos trs anos, cado, nota-se que alguns tipos de ocorrncia no

    tiveram uma melhoria sistemtica numa avaliao percentual dessas ocorrncias.

    Segue abaixo o histrico das ocorrncias em cada uma das ferrovias.

    3.2.1 Histrico da FCA de 2005 a 2007

    TAB. 2 Histrico de ocorrncias ferrovirias da FCA de 2005 a 2007. 2005 2006 2007 Status Natureza N N/Tr.km % N N/Tr.km % N N/Tr.km % Descarrilamento 201 16,38 62,6% 112 10,69 52,1% 107 10,43 56,6% 2 Abalroamento 51 4,16 15,9% 47 4,49 21,9% 36 3,51 19,0% 2 Atropelamento pessoas 43 3,50 13,4% 39 3,72 18,1% 30 2,92 15,9% 2 Descarrilamento com Tombamento 16 1,30 5,0% 10 0,95 4,7% 10 0,97 5,3% 1 Descarrilamento com Tombamento - Parcial 6 0,49 1,9% 5 0,48 2,3% 5 0,49 2,6% 1 Encontro 0 0,00 0,0% 0 0,00 0,0% 1 0,10 0,5% 1 Esbarro 2 0,16 0,6% 1 0,10 0,5% 0 0,00 0,0% 3 Incndio 0 0,00 0,0% 1 0,10 0,5% 0 0,00 0,0% 3 Choque 2 0,16 0,6% 0 0,00 0,0% 0 0,00 0,0% 3 Total 321 26,16 100% 215 20,53 100% 189 18,42 100%

    Fonte: Book Mensal de Ocorrncias Ferrovirias GEDFT 2008

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    3.2.2 Histrico da EFVM de 2005 a 2007

    TAB. 3 Histrico de ocorrncias ferrovirias da EFVM. 2005 2006 2007 Status Natureza N N/Tr.km % N N/Tr.km % N N/Tr.km % Descarrilamento 92 6,96 69,2% 44 3,50 62,0% 24 1,79 43,6% 3 Atropelamento pessoas 15 1,13 11,3% 14 1,11 19,7% 12 0,89 21,8% 1 Abalroamento 8 0,61 6,0% 6 0,48 8,5% 11 0,82 20,0% 1 Esbarro 4 0,30 3,0% 2 0,16 2,8% 3 0,22 5,5% 1 Descarrilamento com Tombamento 5 0,38 3,8% 4 0,32 5,6% 2 0,15 3,6% 2 Descarrilamento com Tombamento - Parcial 3 0,23 2,3% 0 0,00 0,0% 1 0,07 1,8% 2 Encontro 0 0,00 0,0% 0 0,00 0,0% 1 0,07 1,8% 1 Incndio 0 0,00 0,0% 0 0,00 0,0% 1 0,07 1,8% 1 Coliso 1 0,08 0,8% 0 0,00 0,0% 0 0,00 0,0% 3 Choque 5 0,38 3,8% 1 0,08 1,4% 0 0,00 0,0% 3 Total 133 10,06 100% 71 5,65 100% 55 4,10 100%

    Fonte: Book Mensal de Ocorrncias Ferrovirias GEDFT 2008

    3.2.3 Histrico da EFC de 2005 a 2007

    TAB. 4 Histrico de ocorrncias ferrovirias da EFC.

    2005 2006 2007 Status

    Natureza N N/Tr.km % N N/Tr.km % N

    N/Tr.km %

    Descarrilamento 15 1,87 39,5% 37 4,35 58,7% 23 2,45 53,5% 2 Atropelamento pessoas 15 1,87 39,5% 18 2,12 28,6% 9 0,96 20,9% 3 Descarrilamento com Tombamento 2 0,25 5,3% 0 0,00 0,0% 4 0,43 9,3% 1 Abalroamento 4 0,50 10,5% 3 0,35 4,8% 4 0,43 9,3% 2 Choque 0 0,00 0,0% 0 0,00 0,0% 2 0,21 4,7% 1 Incndio 0 0,00 0,0% 0 0,00 0,0% 1 0,11 2,3% 1 Descarrilamento com Tombamento - Parcial 0 0,00 0,0% 0 0,00 0,0% 0 0,00 0,0% 3 Encontro 0 0,00 0,0% 0 0,00 0,0% 0 0,00 0,0% 3 Esbarro 2 0,25 5,3% 5 0,59 7,9% 0 0,00 0,0% 3 Total 38 4,75 100% 63 7,41 100% 43 4,58 100%

    Fonte: Book Mensal de Ocorrncias Ferrovirias GEDFT 2008

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 50 -

    3.2.4 Anlises do histrico

    As tabelas anteriores apresentam uma coluna de status, onde so

    apresentadas as seguintes classificaes:

    Vermelho - Piora % sistemtica devido causa operacional correspondente;

    Amarelo - Comportamento % aleatrio devido a essa causa operacional correspondente;

    Verde - Melhoria % sistemtica devido causa operacional correspondente.

    Verifica-se que alguns poucos itens so os grandes responsveis pelos

    indicadores de ocorrncias operacionais. A tabela abaixo resumo esses itens,

    que embora tenham tido melhorias nos ltimos anos, continuam sendo

    impactantes no total de ocorrncias.

    TAB. 5 - Principais fatores causais de ocorrncias nas ferrovias da Vale Ferrovia Principais fatores causais

    EFVM Descarrilamento Atropelamento de pessoas Abalroamento

    EFC

    Descarrilamento Atropelamento de pessoas Descarrilamento com Tombamento Abalroamento

    FCA Descarrilamento Abalroamento Atropelamento de pessoas

    Em relao s ocorrncias ferrovirias, a EFVM apresentou em 2007 um

    ndice de pouco mais de 4 acidentes por milho de trens quilmetro. Embora em

    2005 esse ndice tenha sido de mais de 10 acidentes por milho de trem

    quilmetro, a EFVM ainda est longe de equiparar-se com a mdia das ferrovias

    americanas, tendo sido observado, para essas ferrovias, tal ndice apenas no

    incio dos anos 80.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 51 -

    Para a EFC foi observado, em 2007, um ndice de 4,58 acidentes por milho

    de trem.km. Esse ndice teve como conseqncia principal trs fatores bsicos,

    descritos na tabela acima. Destaca-se como causa o descarrilamento, com

    influncia direta de problemas estruturais no trilho utilizado em Carajs. Em 2007

    foi iniciado um processo de rastreamento e troca de trilhos que j estavam

    assentados na linha. Outro importante fator causal na EFC relacionado com o

    atropelamento de pessoas.

    Para a FCA, a matriz de causas e natureza assemelha-se a EFVM,

    principalmente em relao s ocorrncias ferrovirias com terceiros, devido

    extensa malha e quantidade de cidades atravessadas.

    Destaca-se assim a necessidade de se aprofundar nas naturezas das

    ocorrncias ferrovirias de determinada rea, para um melhor entendimento dos

    fatores causais. Porm esta anlise ainda superficial, no que tange apenas aos

    quantitativos de acidentes ferrovirios. Um melhor estudo das apuraes das

    ocorrncias ferrovirias necessrio para ter o total entendimento do processo

    de segurana operacional, e principalmente, o impacto daquele quantitativo nas

    operaes da ferrovia, na matriz de custos, e principalmente, no esforo

    necessrio para a correo dos seus impactos e consequncias.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 52 -

    4 Fatores de gravidade

    Todos os acidentes ferrovirios analisados anteriormente tm como

    conseqncia direta danos econmicos, sejam pela gerao de custos, que so

    associados com indenizaes, multas, recomposio de via permanente, entre

    outros; ou sejam pela diminuio da receita gerada, diretamente associada com

    gerao de trem hora parado (THP), que tem reflexo direto na descontinuidade

    do transporte na ferrovia.

    4.1 Conseqncias dos acidentes ferrovirios

    Porm, as conseqncias de um acidente ferrovirio so diversas, sendo que

    podemos agrup-los em quatro pilares:

    Conseqncias de um acidente ferrovirio: Danos + Imobilizao da linha + Impactos no Meio Ambiente + Custos de

    Atendimento

    Entende-se por dano, a todo conjunto de efeitos causados pela ocorrncia

    ferroviria, em relao linha, as pessoas e ativos envolvidos.

    A imobilizao reflete o principal efeito para a continuidade das operaes da

    linha, pois o bloqueio do local impede a circulao dos outros trens, at que a

    linha e toda a estrutura sejam recompostas. A este parmetro est diretamente

    correlacionado o total de horas de imobilizao devido s ocorrncias

    ferrovirias.

    Os impactos no meio ambiente compreendem todas as possveis aes

    poluidoras que a ocorrncia ferroviria pode trazer para a rea de entorno do

    evento, focando principalmente no vazamento de mercadorias transportadas ou o

    diesel dos tanques das locomotivas. A estas aes poluidoras da ocorrncia

    ferroviria esto ligadas desde as multas ambientais definidas pelos rgo

    regulatrios de meio ambiente at os termos de ajuste de conduta, que so

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 53 -

    avaliados a partir dos nveis de impacto e conseqncias dos efeitos poluidores

    da ocorrncia ferroviria.

    4.2 O fator custo dos acidentes ferrovirios

    O custo de atendimento uma varivel importante para mensurar o impacto

    da ocorrncia. Ela consolida em termos financeiros todo o esforo realizado para

    devolver a integridade da estrutura do local do acidente e viabilizar o retorno das

    operaes. Existem acidentes cujo custo se resume ao atendimento,

    contabilizando o homem-hora total gasto nas operaes de encarrilamento. So

    geralmente ocorrncias simples, que no dependem de mobilizao de grande

    estrutura de pessoal, j que todo o processo de correo depende apenas do

    retorno do ativo (locomotiva ou vago) linha, sem necessitar de servios de

    correo da estrutura da via permanente ou dos equipamentos ferrovirios

    envolvidos. Porm, existem acidentes cujos impactos operacionais so grandes,

    envolvendo a mobilizao de equipes completas de socorro e todos os

    equipamentos de grande porte necessrios para o encarrilamento dos ativos, ou

    mesmo a retirada dos mesmos do leito da linha, servios de correo completa

    da via permanente atingida, aes para retirada do material contaminante do

    local e das reas atingidas e diversos outros processos. Como os impactos

    operacionais, os custos destas ocorrncias crescem medida que a

    complexidade dos servios de recomposio aumentam.

    Estes custos de atendimento so diretamente proporcionais aos impactos

    que os acidentes causaram. Ainda no h uma padronizao para o processo de

    levantamento de custos das ocorrncias ferrovirias na Vale. Os dados

    registrados no GOFER se referem aos custos apurados a partir do total de

    homem-hora gasto na liberao do local, total de horas de equipamentos

    utilizados e os recursos em geral utilizados para corrigir os defeitos causados.

    Algumas ocorrncias possuem os custos de recuperao dos ativos envolvidos,

    englobando o custo mdio de reparao de alguns defeitos, at mesmo o custo

    mdio de ativos considerados como perda total. Em outros eventos temos

    apurados at mesmo os custos envolvidos com indenizaes, termos de ajuste

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 54 -

    de conduta (TAC) e outros pagamentos efetuados pela ferrovia devido s

    conseqncias do acidente.

    A FIG. 4.1 mostra o comportamento anual da curva de reduo do total de

    ocorrncias na Vale e o comportamento dos custos totais apurados nos

    respectivos anos. A falta de correlao entre a quantidade e os gastos totais com

    os acidentes uma das conseqncias desta falta de padronizao. O esperado

    seria a curva de custos acompanhando a tendncia de queda da quantidade de

    acidentes.

    Um dos motivos para este comportamento anmalo o no apontamento

    dos custos referentes receita cessante dos trechos, devido s interrupes dos

    acidentes. Receita cessante um conceito utilizado para apontamento de perda

    de capacidade momentneo devido uma interrupo em uma linha de produo.

    Na ferrovia, este conceito utilizado para o apontamento da receita referente aos

    fretes dos fluxos de transportes (leia-se, vages carregados) que no circularam

    devido uma interrupo da linha. Ele calculado a partir da receita total gerada

    pelos fluxos que circularam em um determinado trecho, dividido pelo total de

    horas do perodo (geralmente utiliza-se o ano). Porm no h uma metodologia

    na Vale definida para este clculo da receita cessante e o seu apontamento nos

    relatrios de apurao de acidentes, o que prejudica a correlao entre a

    quantidade total de ocorrncias, o tempo total de interrupo causado e o custo

    total referente a esta imobilizao do trecho, e conseqente perda de transporte.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 55 -

    20.158

    37.155

    15.74022.089

    30.77523.747

    12.439

    20.972

    947

    800

    1009

    662

    524

    358

    277

    1188

    0

    5.000

    10.000

    15.000

    20.000

    25.000

    30.000

    35.000

    40.000

    2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007

    0

    200

    400

    600

    800

    1000

    1200

    1400

    Custos Quantidade de Ocorrncias

    FIG. 4.1 Custos (R$ mil) e quantidade de ocorrncias ferrovirias na Vale.

    Fonte: Book Mensal de Ocorrncias Ferrovirias GEDFT 2008

    4.3 Importncia dos critrios de gravidade

    A Vale definiu metas quantitativas para as ocorrncias ferrovirias nas suas

    trs ferrovias, possibilitando o acompanhamento direto do indicador de

    quantidade de acidentes. Este indicador de quantidade um timo referencial

    para sinalizar as condies de manuteno da via permanente, da manuteno

    dos ativos que circulam em determinado trecho e tambm do nvel de

    capacitao dos operadores daquela regio. Como j mostrado neste estudo,

    todos estes fatores podem ser causas diretas ou contribuintes para um acidente.

    Porm os acidentes ferrovirios possuem uma extensa lista de causas, que

    envolvem desde o srio descumprimento de regras operacionais at o impacto

    de eventos climticos, eventos estes que fogem do total controle das reas da

    empresa, passando por problemas de manuteno e tambm os problemas de

    relacionamento com as comunidades limtrofes da linha.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 56 -

    Soma-se a esta lista, a diversidade de impactos e conseqncias que o

    acidente causa aos empregados e terceiros envolvidos, via permanente do

    local da ocorrncia, ao sistema de circulao geral e tambm aos ativos

    (locomotivas e vages) envolvidos diretamente no evento. Ou seja, os danos que

    estes acidentes causam so enormes dentro do sistema produtivo da empresa,

    sem contar no risco de exposio negativa da companhia frente s comunidades

    que atinge e tambm aos clientes que atende.

    O indicador atual de quantidade de acidentes um parmetro limitado se for

    utilizado para avaliao destes impactos no cenrio produtivo das ferrovias da

    Vale. Existe uma pequena correlao entre a quantidade de acidentes e os seus

    impactos, porm esta correlao explicada pela proporcionalidade entre o

    aumento da freqncia de eventos, e os seus conseqentes impactos. E esta

    correlao no plenamente positiva, pois cada evento nico, seja pelos

    fatores causais, ou sejam pelos seus fatores de conseqncia.

    A FIG. 4.1 evidencia esta particularidade das ocorrncias, pois mesmo com a

    tendncia decrescente na quantidade de acidentes, os custos no seguem a

    mesma tendncia. Isto mostra que hoje no temos uma anlise que mostre o

    grau de impacto dos acidentes ferrovirios e dos problemas que so causados a

    partir de sua ocorrncia e esforo de correo. Alm da falta de padronizao

    para o apontamento dos custos dos acidentes, temos clara a necessidade de

    estudarmos os fatores de conseqncia dos acidentes. As concluses e

    parametrizaes advindas do estudo dos principais fatores de conseqncia dos

    acidentes so fundamentais para priorizao das aes de preveno elaboradas

    no processo de apurao das ocorrncias. Pode-se utilizar este modelo para uma

    ferramenta de priorizao de investimentos, a partir do estudo dos locais com

    maior freqncia em ocorrncias de alta gravidade.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 57 -

    4.3.1 Descrio dos critrios de gravidade

    Com o objetivo de mapear os principais fatores de conseqncia das

    ocorrncias ferrovirias, foi elaborada uma frmula para que seja possvel avaliar

    estes fatores e, principalmente, compar-los entre o universo de acidentes

    ocorridos. Este processo de apontamento da gravidade j ocorre em uma

    concessionria ferroviria brasileira de maneira semelhante: a Amrica Latina

    Logstica (ALL) j aplica uma frmula semelhante para apurao da gravidade

    das ocorrncias ferrovirias. A frmula original est descrita a seguir:

    ( ) VDPDPALLGravidade MiLVMCausa +++= EQ 3 Frmula para clculo da gravidade das

    ocorrncias ferrovirias utilizada pela ALL.

    Na frmula utilizada pela ALL, a gravidade funo direta de pesos

    diferenciados pelo tipo de causa da ocorrncia ferroviria que multiplicado

    pelos pesos dos danos e tipo de ativo danificado (locomotivas ou vages) e

    tambm extenso de via danificada pelo ativo causador da ocorrncia. este

    fator, adiciona-se um peso devido ao tempo de interrupo e nvel de

    movimentao do trecho, um peso devido ao tipo, quantidade e local de

    derramamento de mercadoria e um pesos devido acidentes pessoais com

    empregados, que venham a ser conseqncia da ocorrncia ferroviria

    analisada.

    Baseado neste caso a Vale, atravs deste projeto de monografia, tambm

    aplicar um modelo para esta apurao da gravidade dos acidentes ferrovirios

    em suas trs ferrovias.

    A formulao leva em conta os principais fatores de conseqncia dos

    acidentes ferrovirios em relao aos danos e imobilizao, atribuindo pesos

    diferenciados a partir do motivo causal da ocorrncia. Ela no leva em

    considerao os custos dos acidentes, devido os problemas em relao falta de

    padronizao do processo e tambm a no contabilidade do lucro cessante,

    ambos assuntos j abordados no captulo 4. Apesar disso, a equao consegue

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 58 -

    apurar os impactos do derramamento de carga e impacto em diferentes tipos de

    rea, alm de apontar o risco de envolvimento e ferimento de empregados da

    Vale e empresas contratadas. Para cada fator, atribui-se um peso, que define

    uma escala decrescente de valor e impacto. A definio destes pesos

    diferenciada para cada fator da equao.

    A partir da aplicao desta equao nas informaes referentes aos

    processos de apurao das ocorrncias, possvel avaliar o real grau de impacto

    do acidente ferrovirio, e principalmente, comparar as diferentes ocorrncias a

    partir de uma mesma base de mensurao. Esta possibilidade de comparao

    fundamental para melhorar a anlise do panorama de ocorrncias ferrovirias de

    determinada rea, os reais impactos e conseqncias, e principalmente, a

    avaliao dos eventos mais impactantes. Esta avaliao fundamental para a

    melhoria do processo de apurao e conseqentemente a gerao de aes

    corretivas e preventivas, cujo foco gerencial e das equipes das CPIA`s ser dado

    para aquelas ocorrncias ferrovirias com maior pontuao. Isso facilitar a

    gesto destes ltimos em relao ao processo, pois o apontamento das

    ocorrncias mais graves sair do plano subjetivo, para o analtico, atravs da

    comparao dos fatores de gravidade e da pontuao final.

    4.3.1.1 Fatores propostos para clculo da gravidade

    A seguir, o estudo detalhar os fatores de conseqncia que so utilizados

    para o clculo da gravidade das ocorrncias ferrovirias. Para cada fator foram

    definidos pesos que buscam refletir a criticidade do fator considerado. Estes

    pesos foram definidos em uma reunio realizada em junho de 2008, com

    representantes da Vale pertencentes rea responsvel pela gesto da CPIA.

    Neste encontro foram apresentados e validados os fatores e respectivos pesos.

    A metodologia utilizada foi a determinao de pesos compatveis com o grau

    de impacto, custos e controle de determinado fator. A partir disto, determina-se

    um peso numrico para o fator mais crtico, reduzindo-se o peso para os outros

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 59 -

    fatores menos crticos. Assim, possvel parametrizar todos os fatores,

    possiblitando a comparao efetiva entre eles em uma mesma base numrica.

    4.3.1.1.1 Descrio dos fatores - Causas

    O primeiro fator da equao considera pesos para cada tipo de causa das

    ocorrncias ferrovirias, conforme detalhado no captulo 2.2. A idia deste fator

    penalizar a ocorrncia a partir das causas dos acidentes que esto sob o maior

    controle das reas operacionais, que so as responsveis diretas pela execuo

    das atividades de operao e manuteno na ferrovia. Assim, atribui-se o maior

    peso para os acidentes ferrovirios causados por falhas funcionais dos

    empregados, ou seja, erro direto de um empregado, seja por negligncia ou falta

    de cumprimento de determinado procedimento. Este erro considerado

    inadmissvel dentro das reas operacionais da Vale.

    Em seguida aparecem na mesma faixa de peso os motivos causados por

    falhas nos processos das reas operacionais e de manuteno. Estes motivos

    podem ser relativos falta de orientao ou treinamento por parte da gesto da

    rea (falha gerencial), a problemas de manuteno que resultam em problemas

    nos ativos (vages e locomotivas), problemas na execuo da manuteno da

    via permanente e os equipamentos que a ela pertencem, e finalmente problemas

    nos sistemas de licenciamento e sinalizao.

    Aps, temos a faixa de pesos para as ocorrncias que acontecem devido aos

    motivos que fogem ao efetivo controle da ferrovia. So os eventos causados

    devido o contato os pontos de interface com as vias rodovirias (abalroamentos),

    passagem da linha por regies urbanas (vandalismo, atropelamentos) e a

    problemas em relao vedao das propriedades rurais (atropelamentos de

    animais). O menor peso dado para as ocorrncias causadas por motivos que

    fogem totalmente do controle da ferrovia. A TAB. 6 mostra estes motivos e os

    respectivos pesos.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 60 -

    TAB. 6 Pesos das causas dos acidentes Causas Peso

    Falha Funcional 8,0 Operao (falha gerencial) 4,0

    Mecnica - Locomotiva 4,0 Mecnica - Vago 3,0 Via Permanente 3,0

    Sinalizao/Eletroeletrnica 3,0 Abalroamento 2,0 Vandalismo 2,0

    Atropelamento 1,0 Atropelamento - Animais 0,1

    Casos fortuitos / Fora maior 0,0

    A escala definida para os pesos foi elaborada a partir da causa de maior

    criticidade, no caso as falhas funcionais. Para reiterar esta importncia, foi

    atribudo um peso duas vezes maior que o da segunda causa mais crtica que a

    falha gerencial e locomotivas. A partir da, considera-se um escala decrescente

    unitria para os motivos, de acordo com a complexidade do processo e amplitude

    de alcance da rea dentro da ferrovia.

    4.3.1.2 Descrio dos fatores Danos e extenso

    Este fator est diretamente atrelado s conseqncias do acidente ferrovirio

    aos ativos e via permanente, aps os efeitos do acidente, que podem variar

    desde o descarrilamento at a destruio total do ativo.

    Os maiores pesos so atribudos s situaes das locomotivas, sendo

    diretamente proporcional ao custo de recuperao do ativo (destrudas,

    tombadas, adernadas/semi-adernadas) ou ao esforo necessrio para re-

    colocao do ativo na linha (descarriladas). O mesmo feito para os vages,

    porm o peso de cada situao mais baixo, devido os valores envolvidos com a

    recuperao ou encarrilamento serem menores em comparao com as

    locomotivas. O fator dano multiplicado pela quantidade de ativos envolvidos em

    cada tipo de situao.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 61 -

    TAB. 7 Pesos dos danos e tipo de ativo envolvido Detalhe Peso

    Locomotivas destrudas 50,00 Locomotivas tombadas 8,00

    Locomotivas adernadas / semi 4,00

    Locomotivas descarriladas 1,00 Vages destrudos 5,00 Vages tombados 1,00

    Vages adernados / semi 0,50 Vages vazios descarrilados 0,25

    Vages carregados descarrilados 0,40

    interessante mostrar que a relao entre os pesos referentes destruio

    total de uma locomotiva e a destruio de um vago remete aos valores

    envolvidos: o custo mdio de uma locomotiva em operao atualmente nas

    ferrovias da Vale Us$ 1.000 mil, enquanto o custo mdio dos vages fica em

    torno de Us$ 100 mil.

    Outro efeito medido por este fator o impacto do ativo acidentado sobre a via

    permanente. O maior peso atribudo aos efeitos de uma locomotiva ou vago

    carregado e a extenso total do acidente. Leia-se extenso ao comprimento de

    linha destrudo ou danificado pelo ativo em questo. O menor peso atribudo

    aos efeitos e extenso causados por vages vazios. Isto se explica pela

    severidade dos danos causados por vages vazios serem menores que os danos

    causados pelos carregados ou a locomotiva. Este efeito medido a partir do

    ativo causador do acidente e multiplicado pela extenso de danos da via

    permanente em metros.

    TAB. 8 Pesos da extenso de via danificada por tipo de ativo envolvido

    Detalhe Peso Vages carregados ou

    locomotivas 0,001 Vages vazios 0,0001

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 62 -

    Observa-se que o peso do fator ligado locomotivas mantm a mesma

    relao de grandeza dos pesos referentes aos danos nos ativos, quando

    comparado com o peso de vages (dez vezes menor).

    4.3.1.3 Descrio dos fatores Interrupo da via

    Este fator avalia o impacto da interrupo de trfego que o acidente causa

    em diferentes trechos, que so classificados a partir da movimentao diria de

    trens. Assim, possvel avaliar o impacto de uma ocorrncia em um trecho

    altamente saturado em relao capacidade de transporte, com um acidente

    ocorrido em um trecho de densidade de transporte baixa.

    O fator de movimentao e as faixas so os mesmos para as trs ferrovias,

    possibilitando a comparao do impacto na circulao do total das ocorrncias

    entre os sistemas. Este fator importante, pois caracteriza de maneira muito

    assertiva o impacto dos acidentes na reteno da malha, fazendo um paralelo

    direto j citada receita cessante, apesar de no entrar no detalhe da

    rentabilidade dos fluxos prejudicados. A TAB. 9 detalha os tipos de trecho e os

    respectivos pesos utilizados neste estudo.

    TAB. 9 Pesos dos trechos de acordo com a movimentao diria de trens

    Trecho Quantidade diria

    de trens Peso A Maior que 40 5 B Entre 40 e 20 4 C Entre 20 e 15 3 D Entre 15 e 10 2 E Entre 10 e 5 1 F Menor que 5 0

    Os pesos foram definidos a partir do trecho de maior movimentao,

    reduzindo em uma escala unitria a partir da reduo da quantidade de trens nos

    trechos subseqentes.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 63 -

    4.3.1.4 Descrio dos fatores Danos ao Meio Ambiente: mercadoria e rea atingida

    O fator referente ao derramamento de mercadoria mostra o potencial risco

    que um acidente ferrovirio oferece rea de entorno do mesmo. O fator de

    danos ambientais dividido em trs sub-fatores: tipo de mercadoria, volume ou

    peso perdido e rea atingida.

    As mercadorias transportadas foram divididas em grupos para facilitar a sua

    classificao em relao ao risco que oferecem em caso de contato com o meio

    ambiente.

    TAB. 10 Peso por grupo de mercadoria Grupo de mercadorias Peso

    Combustvel 5

    Produto Perigoso 5

    Granel - Alimentcios 3

    Conteiner 3

    Granel - Fertilizante 2

    Granel - Minrio 1

    Produto Manufaturado 1

    Produto Inerte 0

    Sem Vazamento 0

    O detalhamento do grupo de mercadorias transportadas pelas ferrovias da

    Vale consta no anexo 7.2.

    O segundo sub-fator se refere ao estado fsico e quantidade da mercadoria

    transportada, j que o potencial de contaminao do produto transportado varia

    de acordo com estas caractersticas.

    A Vale transporta em suas ferrovias produtos no estado slido e lquido. As

    faixas de volumes foram estratificadas de acordo com os volumes dos vages,

    sendo que a faixa mxima corresponde perda total de carga do vago. Na

    frmula, calculado um peso para cada tipo de mercadoria e volume perdido, ou

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 64 -

    seja, os dois primeiros sub-fatores so multiplicados entre si e pela quantidade

    de vages que perderam a carga. A TAB. 11 mostra os pesos pelo volume e

    estado do produto transportado.

    TAB. 11 Peso por volume e estado da mercadoria transportado Estado do produto Volume derramado por vago Peso

    Slido

    Menor ou igual a 5 toneladas 1 Entre 5 e 25 toneladas 2

    Entre 25 e 60 toneladas 3

    Entre 60 e 100 toneladas 4

    Maior ou igual a 100 toneladas 5

    Lquido

    Menor ou igual a 1.000 litros 1

    Entre 1.000 e 15.000 litros 2

    Entre 15.000 e 60.000 litros 3

    Entre 60.000 e 100.000 litros 4

    Maior ou igual a 100.000 litros 5

    O ltimo sub-fator se refere aos efeitos da mercadoria atingida na rea de

    entorno do acidente ferrovirio. Para possibilitar esta avaliao quantitativa,

    utilizou-se uma classificao ao tipo de rea atingida, principalmente em relao

    ao potencial contaminante de instalaes presentes nela. Assim, estratificam-se

    os locais em relao presena de gua, reas habitadas, sendo o maior peso

    atribudo a derramamentos em reas de proteo ambiental. O total de pontos

    calculados a partir do tipo de mercadoria (1o sub-fator) e volume total derramado

    (2a sub-fator), multiplicado pelos pesos atribudos ao tipo de rea atingida, que

    esto descritos na TAB. 12.

    TAB. 12 Pesos para o tipo de rea atingida rea atingida Peso

    Isolada 1 Habitada sem gua 2

    Desabitada com gua 3

    Habitada com gua 4

    Preservao ambiental 5

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 65 -

    Entende-se por rea isolada ou desabitada (em relao presena humana),

    uma regio sem a presena de moradias e sem corpo de gua. A regio habitada

    se caracteriza pela presena de moradias prximas e reas urbanas. As regies

    com gua so definidas como as reas que possuem ribeires, rios, lagos e

    oceanos prximos ao local do acidente.

    4.3.1.5 Descrio dos fatores Vtimas envolvidas

    O fator que descreve o impacto dos acidentes ferrovirios em relao a

    possveis vtimas se restringe a efeitos apenas nos empregados prprios das

    ferrovias da Vale ou empresas contratadas, e considerando apenas a situao de

    ferimentos leves.

    Em caso de ferimentos graves ou morte, a gravidade ser automaticamente

    considerada como crtica, sem a necessidade do clculo de sua pontuao total.

    No caso de ferimentos leves, o peso multiplicado pela quantidade de

    vtimas envolvidas no acidente. A TAB. 13 mostra o peso envolvido nesta

    situao.

    TAB. 13 Peso dos efeitos em empregados prprios ou contratados

    Impacto Peso Morte Criticidade mxima

    Ferimentos graves Criticidade mxima

    Ferimentos leves 10

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 66 -

    4.3.2 Frmula de clculo da gravidade

    Os parmetros da frmula detalhados anteriormente foram organizados de

    uma forma a sintetizar os efeitos prejudiciais dos acidentes ao processo normal

    do transporte ferrovirio.

    ( ) AMiLVMCausa DDPDPGravidade ++++= 1 EQ 4 Frmula para clculo da gravidade das ocorrncias

    ferrovirias

    A gravidade calculada em pontos, a partir da somatria de todos os

    parmetros da equao EQ 4, cujos constituintes e frmula de clculo esto

    detalhados a seguir.

    Nota-se que o algarismo 1 presente na somatria dos fatores dano tem a

    funo de garantir que esta parcela da equao sempre ser acima da unidade,

    no prejudicando (reduzindo) a multiplicao do peso causa.

    asferrovirisocorrnciadascausassdevidoPesosPCausa =

    asferrovirisocorrnciadascausassdevidoPesosPCausa = EQ 5 - Frmula para clculo dos danos causados pelos ativos

    e a extenso

    danodetipoPesovagesdeQuantidadevagesDanos = EQ 6 Frmula para clculo dos danos causados nos

    vages

    danodetipoPesoslocomotivadeQuantidadeslocomotivaDanos = EQ 7 Frmula para clculo dos danos causados nas locomotivas

    metrosemExtensocausadorativodoTipolinhaadanosdosExtenso =

    EQ 8 Frmula para clculo dos danos causados na linha

    ( )trechodotipodoPesocirculaodaerrupodeTempoerrupodevidoPesoPi == intintEQ 9 - Frmula para clculo do impacto da interrupo de trfego

    ( )atingidareadeTipoperdidaQuantidadeprodutodeTipoDprodutodetoderramamendevidoDanosD

    A

    A

    ==

    EQ 10 Frmula para clculo do impacto devido aos danos ambientais

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 67 -

    levesferidosPesovtimasdeQuantidadeV = EQ 11 Frmula para clculo do impacto em

    relao vtimas com ferimentos leves

    4.4 Aplicao

    Nesta etapa o estudo focar na aplicao dos conceitos mostrados a respeito

    da gravidade nos acidentes ferrovirios da Vale. O perodo utilizado ser o

    histrico do ano de 2008, compreendendo os meses de janeiro at agosto.

    4.4.1 Histrico de ocorrncias de 2008

    Em 2008 a Vale apresenta um histrico de ocorrncias ferrovirias melhor

    que o ano de 2007, porm acima da meta estabelecida para o perodo (185

    acidentes), ficando com um total acumulado de 188 no perodo de janeiro a

    agosto.

    182

    185

    19122

    29 30 29

    17

    22 2123

    22

    29

    1916

    25

    1920

    25

    23 2324

    242426

    23 23

    0

    5

    10

    15

    20

    25

    30

    35

    Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Real ac. Meta ac. 2007 ac.

    180

    184

    188

    192

    196

    Real 2007 - Vale Meta 2008 - Vale Real 2008 - Vale

    FIG. 4.2 Quantidade total de acidentes ferrovirios na Vale em 2008.

    Fonte: Book Mensal de Ocorrncias Ferrovirias GEDFT 2008

    A ferrovia responsvel pelo no alcance da meta da Vale a FCA: a FIG. 4.3

    mostra um realizado de 126 acidentes, para uma meta de 117. Os tipos de

    ocorrncias ferrovirias responsveis por este resultado ruim so os

    descarrilamentos (66 acidentes), abalroamentos (30 acidentes) e os

    atropelamentos (18 acidentes).

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 68 -

    125

    117

    12620

    18

    21

    10 10

    19

    1315

    14 1416 16

    19 19

    1213

    12

    15

    12

    15

    14

    1819

    14

    0

    5

    10

    15

    20

    25

    Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Real ac. Meta ac. 2007 ac.112

    114

    116

    118

    120

    122

    124

    126

    128

    Real 2007- FCA Meta 2008- FCA Real 2008 - FCA

    FIG. 4.3 - Quantidade total de acidentes ferrovirios na FCA em 2008. Fonte: Book Mensal de Ocorrncias Ferrovirias GEDFT 2008

    A EFC tambm est contribuindo para o no alcance da meta da Vale,

    ficando 3 ocorrncias ferrovirias acima de sua meta acumulada. Os principais

    tipos de acidentes ferrovirios responsveis por este resultado so os

    descarrilamentos (18 acidentes), que constituem mais de 64% do total de

    ocorrncias daquela ferrovia.

    28

    31

    27

    1

    3

    5 5

    4

    3 3 3 3

    1

    4

    7

    5

    22

    45

    5 5

    1 1

    6

    3

    5

    0

    1

    2

    3

    4

    5

    6

    7

    8

    Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Real ac. Metaac.

    2007 ac.25

    26

    27

    28

    29

    30

    31

    32

    Real 2007 - EFC Meta 2008 - EFC Real 2008 - EFC

    FIG. 4.4 - Quantidade total de acidentes ferrovirios na EFC em 2008. Fonte: Book Mensal de Ocorrncias Ferrovirias GEDFT 2008

    A EFVM est com um bom resultado em relao aos acidentes ferrovirios:

    est com um total de 28 ocorrncias para uma meta de 37. As principais

    ocorrncias ferrovirias neste perodo foram os descarrilamentos (10 acidentes) e

    os atropelamentos (08 acidentes).

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 69 -

    28

    3739

    6 6

    7

    3

    2

    6

    5

    4

    5 5 5

    4 4

    5

    4

    2

    5

    1

    7

    5

    1

    5

    34

    0

    1

    2

    3

    4

    5

    6

    7

    8

    Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Real ac. Metaac.

    2007 ac.0

    5

    10

    15

    20

    25

    30

    35

    40

    45

    Real 2007 - EFVM Meta 2008 - EFVM Real 2008 - EFVM

    FIG. 4.5 - Quantidade total de acidentes ferrovirios na EFVM em 2008. Fonte: Book Mensal de Ocorrncias Ferrovirias GEDFT 2008

    As ocorrncias ferrovirias com maior impacto em cada ferrovia confirmam

    os dados histricos do perodo de 2005 a 2007 em relao s naturezas mais

    freqentes, citadas no captulo 3: em primeiro lugar os descarrilamentos,

    seguidos pelos abalroamentos e atropelamentos de pessoas.

    TAB. 14 Histrico de ocorrncias por natureza em 2008. Natureza EFC EFVM FCA Vale Descarrilamento 18 10 66 94 Abalroamento 2 2 30 34 Atropelamento pessoas 4 8 18 30 Descarrilamento com Tombamento - Parcial 3 5 8 Descarrilamento com Tombamento 1 2 4 7 Esbarro 1 2 3 Encontro 2 2 Choque 1 1 2 Incndio 1 1 Coliso 1 1 Total 28 28 126 182

    Fonte: Book Mensal de Ocorrncias Ferrovirias GEDFT 2008

    A distribuio do histrico por rea de responsabilidade mostra que os

    acidentes devido o envolvimento com terceiros (abalroamentos, atropelamentos e

    vandalismo) so as mais freqentes na Vale. Porm, estratificando os dados por

    ferrovia, encontra-se uma alta concentrao de ocorrncias com causa devido a

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 70 -

    problemas na via permanente (50 acidentes no total), sendo o primeiro motivo

    mais representativo na EFC e o segundo na FCA e EFC. Os acidentes devido

    falhas funcionais (30 acidentes) e problemas com vages (29 acidentes) tambm

    so freqentes, ocupando o terceiro e quarto lugares no total da Vale.

    TAB. 15 Quantidade de ocorrncias por rea de responsabilidade. rea de responsabilidade EFC EFVM FCA Vale Terceiros 6 10 51 67 Via Permanente 11 9 30 50 Operao 6 4 20 30 Material Rodante - Vages 4 5 20 29 Material Rodante - Trao 3 3 Causa em investigao 2 2 Eletroeletrnica 1 1 Total 28 28 126 182

    Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

    4.4.2 Aplicao dos critrios de pontuao no histrico

    A partir dos conceitos de pontuao mostrados no captulo 4, o estudo vai

    mostrar as principais aplicaes desta nova metodologia de anlise das

    informaes referentes s ocorrncias ferrovirias.

    A metodologia para aplicao dos critrios de gravidade foi utilizao da

    base de informaes das ocorrncias ferrovirias das trs ferrovias da Vale, no

    perodo de janeiro e agosto. Estas informaes foram extradas do sistema

    GOFER, e a partir de planilhas elaboradas em Excel, foram aplicados os critrios

    de pontuao da EQ 4. A base de dados completa, os critrios considerados para

    a aplicao dos fatores de gravidade e a pontuao de cada ocorrncia esto

    contidos no anexo 7.3.

    No total de 182 acidentes ferrovirios deste perodo, a TAB. 16 mostra a

    distribuio quantitativa e qualitativa destes eventos para cada ferrovia, com a

    ordenao a partir da gravidade dos eventos.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 71 -

    TAB. 16 Estratificao da pontuao e quantidade de ocorrncias por natureza. EFC EFVM FCA Vale Natureza Pontos Quantidade Pontos Quantidade Pontos Quantidade Pontos Quantidade Descarrilamento 510,43 18 150,53 10 887,66 66 1.548,62 94 Descarrilamento com Tombamento 263,15 1 318,61 2 287,75 4 869,51 7 Descarrilamento com Tombamento - Parcial 53,65 3 147,37 5 201,02 8 Abalroamento 10,00 2 8,00 2 164,53 30 182,53 34 Atropelamento pessoas 44,00 4 16,00 8 57,76 18 117,76 30 Esbarro 54,80 1 42,46 2 97,26 3 Encontro 77,26 2 77,26 2 Choque 42,00 1 24,00 1 66,00 2 Coliso 32,00 1 32,00 1 Incndio 13,00 1 13,00 1

    Total 956,37 28 648,06 28 1.600,52 126 3.204,96 182 Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

    No histrico da Vale em 2008, os descarrilamentos so 51,6% do total de

    ocorrncias ferrovirias, e tm 48,3% do peso total em relao gravidade (ou

    total de pontos). Os descarrilamentos com tombamento total ou parcial

    (adernamentos) so apenas 8,2% do total de ocorrncias ferrovirias, mas so

    responsveis por 33,4% da gravidade total. Esta realidade se repete na EFC,

    onde apenas 1 descarrilamento com tombamento foi responsvel por 27,5% da

    pontuao total do perodo. Na EFVM, apenas 2 descarrilamentos com

    tombamento foram responsveis por 49% da pontuao total, sendo que eles

    representam 7% do total de acidentes ferrovirios.

    As mdias da pontuao de cada natureza das ocorrncias ferrovirias

    refletem o peso daquelas mais crticas. A TAB. 17 mostra estes valores,

    confirmando os eventos de descarrilamento com tombamento como os acidentes

    mais graves ocorridos em 2008 nas ferrovias da Vale.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 72 -

    TAB. 17 Mdias para a pontuao de acordo com a natureza das ocorrncias ferrovirias.

    Natureza EFC EFVM FCA Vale Descarrilamento com

    Tombamento 263,15 159,31 71,94 124,22

    Encontro 38,63 38,63 Choque 42,00 24,00 33,00 Esbarro 54,80 21,23 32,42 Coliso 32,00 32,00

    Descarrilamento com Tombamento - Parcial 17,88 29,47 25,13

    Descarrilamento 28,36 15,05 13,45 16,47 Incndio 13,00 13,00

    Abalroamento 5,00 4,00 5,48 5,37 Atropelamento pessoas 11,00 2,00 3,21 3,93

    Total 34,16 23,14 12,70 17,61 Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

    A estratificao da pontuao por reas de responsabilidade, mostra que os

    acidentes ferrovirios com causa atrelada a problemas de via permanente so os

    mais graves no perodo de anlise, seguido pelas ocorrncias ferrovirias

    causadas por falhas funcionais ou gerenciais da operao. As duas reas

    respondem por 73% da pontuao total da Vale, sendo 64% (117 acidentes de

    um total de 182) da quantidade das ocorrncias ferrovirias.

    TAB. 18 Pontuao total das ocorrncias por rea de responsabilidade. rea de responsabilidade EFC EFVM FCA Vale Via Permanente 511,97 445,49 393,46 1.350,93 Operao 205,20 125,26 652,44 982,90 Material Rodante - Vages 79,60 53,30 288,59 421,49 Terceiros 54,00 24,00 219,85 297,85 Eletro-Eletrnica 105,60 105,60 Material Rodante - Trao 39,50 39,50 Total 956,37 648,06 1.593,83 3.198,27

    Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

    A pontuao mdia dos acidentes mostra que a operao (32,76 pontos) a

    responsvel pela maior mdia de acidentes ferrovirios graves nas trs ferrovias.

    A via permanente a segunda rea na responsabilidade da gravidade dos

    acidentes ferrovirios (27,02 pontos), porm a responsvel pelas ocorrncias

    mais graves na EFVM (49,5 pontos) e EFC (46,54 pontos). Um ponto de ateno

    se refere mdia das ocorrncias ferrovirias com causa eletroeletrnica, cuja

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 73 -

    mdia alta (105,60 pontos) devido apenas a um acidente na EFC, que causou

    grande interrupo e danos em muitos vages.

    105,60

    34,20

    46,54

    19,90

    9,00

    31,32

    49,50

    10,66

    2,40

    32,62

    13,12 14,43 13,17

    4,31

    105,60

    32,7627,02

    14,53 13,174,45

    (5)

    20

    45

    70

    95

    120

    Eletroeletrnica Operao Via Permanente MaterialRodante -Vages

    MaterialRodante -

    Trao

    Terceiros -120,00

    -70,00

    -20,00

    30,00

    80,00

    130,00

    EFC EFVM FCA Mdia rea

    FIG. 4.6 Grfico com a pontuao mdia das ocorrncias por rea

    de responsabilidade Fonte: Book Mensal de Ocorrncias Ferrovirias GEDFT 2008

    4.4.3 Anlises comparativas

    A primeira anlise advinda do modelo de pontuao a comparao entre a

    quantidade de ocorrncias ferrovirias e a gravidade das mesmas, obtidas a

    partir da respectiva mdia de pontuao. O grfico a seguir mostra esta

    correlao para o total das 182 ocorrncias da Vale, referentes ao perodo de

    janeiro a agosto de 2008. No eixo X temos os meses do perodo de apurao, e

    no eixo Y temos a quantidade de ocorrncias ferrovirias e a pontuao mdia.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 74 -

    22

    29

    19

    2426

    16

    2323

    32,55

    24,62

    20,74

    16,75

    11,0814,8713,99

    9,75

    0

    5

    10

    15

    20

    25

    30

    35

    40

    Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago

    OF Real 2008 - Vale Pontuao mdia 2008 - Vale

    FIG. 4.7 - Histrico de ocorrncias Vale e a pontuao mdia mensal.

    Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

    A primeira anlise identificar o ms com maior gravidade, ou seja, com a

    maior mdia de pontuao. A partir da FIG. 4.7 pode-se concluir que o ms de

    maior gravidade foi maro, com uma mdia de 32,55 pontos para 19 ocorrncias

    ferrovirias. Utilizando uma anlise puramente quantitativa, a concluso seria o

    ms de fevereiro, com 29 ocorrncias ferrovirias.

    8,03

    19,2

    6

    11,0

    5

    20,7

    6

    9,80 1

    4,70

    8,59

    9,03

    26,5

    2

    6,02

    2,00

    32,6

    8

    14,1

    0

    10,5

    0 17,

    93

    9,00

    17,9

    3

    80,6

    3

    23,0

    8

    26,4

    0

    15,2

    0

    25,2

    6

    21,0

    7

    160,

    21

    16,75

    32,55

    24,62

    11,0814,87 20,7413,99

    9,75

    (5)

    20

    45

    70

    95

    120

    Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago (60,00)

    (50,00)

    (40,00)

    (30,00)

    (20,00)

    (10,00)

    -

    10,00

    20,00

    30,00

    40,00

    Pontuao mdia 2008 - FCA Pontuao mdia 2008 - EFVM

    Pontuao mdia 2008 - EFC Pontuao mdia 2008 - Vale

    FIG. 4.8 Grfico com a pontuao mdia mensal das ocorrncias por

    ferrovia. Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 75 -

    Estratificando as mdias das gravidades de cada ferrovia, melhora-se a

    anlise, pois possvel identificar a rea responsvel pelos eventos de maior

    impacto no total da Vale. A EFC (maro) e a EFVM (agosto) so as ferrovias com

    a mdia mais alta, mesmo a FCA possuindo um quantitativo maior de ocorrncias

    ferrovirias. Ou seja, nos dois sistemas de transporte de minrio da Vale, so os

    locais que possuem os acidentes ferrovirios mais graves em relao aos

    critrios considerados neste estudo.

    Uma outra aplicao interessante a ser adotada a comparao entre o

    comportamento quantitativo das ocorrncias e o qualitativo. Isso somente

    possvel com a aplicao da curva de pontuao total dos acidentes e a

    respectiva quantidade de eventos em um mesmo perodo. A metodologia

    aplicada ser comparar as equaes lineares obtidas a partir das linhas de

    tendncia de cada srie de valores e os fatores de reduo ou crescimento

    obtidos a partir das mesmas. A ferramenta para obteno desta equao ser o

    sistema Excel.

    22

    29

    1924 26

    16

    23 23

    485,69

    618,46 590,98

    254,93

    386,65

    331,80

    214,58

    321,87

    0

    5

    10

    15

    20

    25

    30

    35

    40

    Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago(50)

    50

    150

    250

    350

    450

    550

    650

    OF Real 2008 - Vale Pontuao 2008- ValeLinear (OF Real 2008 - Vale) Linear (Pontuao 2008- Vale)

    FIG. 4.9 - Histrico de ocorrncias Vale e a pontuao mensal. Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

    Em relao quantidade de ocorrncias ferrovirias, o histrico da Vale no

    perodo de janeiro a agosto de 2008 apresenta um comportamento decrescente,

    com equao (y = -0,5476x + 25,214, onde Y representa a quantidade e X o ms

    do acidente ferrovirio) e coeficiente negativo de 11,3%, evidenciando a

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 76 -

    tendncia de diminuio de acidentes observada a partir do ms de julho. J a

    curva de pontuao, segue um padro semelhante em relao diminuio, pois

    tem a equao (y = -10,72x + 448,86, onde Y representa a pontuao e X o ms

    do acidente ferrovirio) e 3,06% de coeficiente de reduo.

    A tendncia de reduo da pontuao total apresentada no perodo do

    estudo menor do que a tendncia de reduo da quantidade de acidentes. Em

    uma anlise puramente numrica, isso evidencia problemas no foco das aes

    preventivas geradas para a reduo dos acidentes, em relao priorizao e

    foco para as ocorrncias mais graves (com maior pontuao). A orientao para

    a investigao e apurao dos acidentes na Vale hoje no define aes

    investigativas mais profundas para o acidente de acordo com os fatores causais.

    Este comportamento mostra que a pontuao, e conseqentemente o fator

    de gravidade dos acidentes ferrovirios, no depende da quantidade de

    ocorrncias e sim, dos fatores causais de cada uma. Estes dados confirmam a

    tese muito difundida no meio, e anteriormente apresentada neste estudo, onde

    cada ocorrncia ferroviria nica.

    E esta falta de correlao direta entre a quantidade e a gravidade se repete

    ao estratificarmos a pontuao e as ocorrncias de cada ferrovia.

    4.4.3.1 FCA

    Na FCA, entre janeiro e agosto de 2008, os acidentes ferrovirios esto

    apresentando um comportamento decrescente, com um fator de reduo de

    19,71% e equao (y = -0,5952x + 18,429, onde Y representa a quantidade e X o

    ms do acidente ferrovirio). A gravidade das ocorrncias tambm possui um

    comportamento de reduo, com um fator de 15,32%, e equao (y = -14,589x +

    265,71, onde Y representa a pontuao e X o ms do acidente ferrovirio). As

    mesmas concluses obtidas a partir da anlise do total de eventos da Vale pode

    ser aplicada no caso da FCA, porm podemos inferir que a eficcia das aes

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 77 -

    corretivas e preventivas maior, pois os dois fatores apresentam uma variao

    de apenas 4,39%.

    19 19

    12 13 14 121819

    365,92

    132,65

    269,93

    186,23

    120,19 108,39

    264,67

    152,55

    0

    5

    10

    15

    20

    25

    30

    35

    40

    Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago(30)

    20

    70

    120

    170

    220

    270

    320

    370

    OF Real 2008 - FCA Pontuao 2008- FCALinear (OF Real 2008 - FCA) Linear (Pontuao 2008- FCA)

    FIG. 4.10 - Histrico de ocorrncias na FCA e a pontuao mensal.

    Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

    4.4.3.2 EFC

    Na EFC, as ocorrncias ferrovirias apresentam um comportamento

    homogneo no perodo de estudo: a quantidade de acidentes apresenta um fator

    de crescimento de apenas 0,54% e a equao (y = 0,0714x + 3,1786, onde Y

    representa a quantidade e X o ms do acidente ferrovirio); j a respectiva

    pontuao destes eventos apresenta uma reduo com fator de 1,49% e

    equao (y = -7,8173x + 154,72, onde Y representa a pontuao e X o ms do

    acidente ferrovirio). Como a diferena entre os fatores de apenas 2,03%,

    pode-se afirmar que na EFC, mesmo com uma tendncia de crescimento da

    quantidade de ocorrncias ferrovirias, a gravidade das mesmas est diminuindo,

    ou seja, o foco das aes corretivas e preventivas est mostrando eficcia, em

    uma anlise puramente numrica.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 78 -

    1

    56

    4

    7

    3

    11

    92,3063,20

    15,20

    9,0026,40

    176,80

    483,81

    89,67

    0

    1

    2

    3

    4

    5

    6

    7

    8

    9

    10

    Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago-

    50

    100

    150

    200

    250

    300

    350

    400

    450

    500

    OF Real 2008 - EFC Pontuao 2008- EFC

    Linear (Pontuao 2008- EFC) Linear (OF Real 2008 - EFC)

    FIG. 4.11 - Histrico de ocorrncias na EFC e a pontuao mensal. Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

    4.4.3.3 EFVM

    A EFVM possui um comportamento interessante para esta anlise

    comparativa. A quantidade de ocorrncias possui padro homogneo no perodo,

    com um fator de aumento de 0,07% e equao (y = -0,0238x + 3,6071, onde Y

    representa a quantidade e X o ms do acidente ferrovirio), e a pontuao

    respectiva estas ocorrncias possui um fator de crescimento de 14,05% e

    equao (y = 11,686x + 28,421, onde Y representa a pontuao e X o ms do

    acidente ferrovirio). Ou seja, a distoro entre o foco das aes corretivas e

    preventivas grande (diferena de 13,98% entre os fatores de crescimento) j

    que a gravidade das ocorrncias est aumentando em maior escala do que a

    quantidade das mesmas.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 79 -

    2

    5

    1

    7

    5

    13

    4

    228,75

    160,21

    30,10

    2,00

    89,66

    42,30

    53,03

    42,00

    0

    1

    2

    3

    4

    5

    6

    7

    8

    9

    10

    Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago-

    50

    100

    150

    200

    OF Real 2008 - EFVM Pontuao 2008- EFVMLinear (Pontuao 2008- EFVM) Linear (OF Real 2008 - EFVM)

    FIG. 4.12 - Histrico de ocorrncias na EFVM e a pontuao mensal.

    Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

    4.4.3.4 Participao dos pesos na pontuao total

    A avaliao dos pesos de cada fator da equao que define a gravidade das

    ocorrncias (EQ 4) uma ferramenta importante para avaliar os respectivos

    graus de impacto.

    47%

    20%

    0%

    33%

    Pc X (1 + DLVM) DA V Pi

    FIG. 4.13 Distribuio dos fatores da equao no peso total das

    ocorrncias da Vale. Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 80 -

    A parcela Pc x (1+ DLVM) representa os fatores responsveis pela

    avaliao dos danos e causa da ocorrncia, e so responsveis por 47% do peso

    total na gravidade dos acidentes da Vale. O fator Pi, representa o peso da

    interrupo e responsvel por 33% do total da gravidade. J o fator DA, que

    representa os efeitos do derramamento de mercadoria, responsvel por 20%

    do peso total das ocorrncias.

    Esta distribuio dos fatores da equao da gravidade se distribuem de

    maneira semelhante em cada ferrovia, conforme mostra a TAB. 19.

    TAB. 19 - Distribuio dos fatores da equao no peso total das ocorrncias da Vale.

    Fatores

    Pc X (1 + DLVM) DA V Pi

    FCA 880,05 434,10 - 286,37 EFC 370,37 101,00 - 485,00 EFVM 258,31 91,00 10,00 288,75

    Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

    4.4.3.5 Anlise do histrico com a pontuao com grficos de disperso

    A anlise de disperso do total de ocorrncias ferrovirias do perodo do

    estudo comparando a respectiva pontuao total de algumas variveis, permite

    algumas concluses interessantes, que antes eram puramente subjetivas ou

    interpretadas a partir de eventos pontuais. Mas agora, com a aplicao da

    metodologia de gravidade, fundamentada a partir de uma base de dados.

    4.4.3.5.1 Pontuao e custo total das ocorrncias

    O grfico a seguir mostra a disperso entre a pontuao total e os custos

    registrados nas ocorrncias ferrovirias. Ele mostra efetivamente o problema em

    relao qualidade das informaes na apurao dos gastos no processo de

    atendimento, e principalmente, no processo de apurao dos custos de correo

    do local e ativos envolvidos.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 81 -

    0

    50

    100

    150

    200

    250

    300

    - 1.000.000 2.000.000 3.000.000 4.000.000 5.000.000 6.000.000 7.000.000 8.000.000 9.000.000

    Custo da ocorrncia (R$)

    Po

    ntu

    ao

    FIG. 4.14 Grfico de disperso entre a pontuao e o custo das ocorrncias

    de 2008 na Vale. Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

    Outra deficincia identificada a partir desta anlise a falta de apontamento

    dos custos referentes receita cessante, devido aos perodos de interrupo das

    ocorrncias. O esperado que para as ocorrncias ferrovirias com maior tempo

    de interrupo, os custos tambm sejam maiores. A FIG. 4.15 mostra este

    problema, pois grande parte das apuraes das ocorrncias ferrovirias no

    apontam o real custo, porm as mesmas possuem pesos considerveis em

    relao interrupo.

    0

    20

    40

    60

    80

    100

    120

    140

    - 1.000.000 2.000.000 3.000.000 4.000.000 5.000.000 6.000.000 7.000.000 8.000.000 9.000.000

    Custo da ocorrncia

    Pes

    o d

    a In

    terr

    up

    o

    FIG. 4.15 Grfico de disperso entre o peso da interrupo e os custos das

    ocorrncias. Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 82 -

    Analisando com maior detalhamento os dados referentes aos custos e

    interrupo, foi elaborado um grfico de disperso reduzindo o intervalo dos

    custos (custo mximo de R$ 10.000) e apurando o peso da interrupo. A partir

    da FIG. 4.16, pode-se chegar concluso que o problema da no contabilidade

    da receita cessante e os custos corretos do evento levam a concluses errneas

    sobre a real gravidade da ocorrncia, se a metodologia no for corretamente

    utilizada. No caso 1, o acidente causou 22,56 horas de interrupo na FCA, na

    regio de Belo Horizonte, e o custo apontado foi de apenas de R$ 480. No caso

    2, o evento causou 21 horas de paralisao circulao na EFVM, e o custo total

    ficou apenas em R$ 6.800. Em ambos os casos os valores referentes aos custos

    das ocorrncias ferrovirias so totalmente fora da realidade, pois so acidentes

    que causaram alto tempo de reteno em trechos de grande movimentao de

    trens.

    0

    5

    10

    15

    20

    25

    30

    35

    40

    45

    50

    - 1.000 2.000 3.000 4.000 5.000 6.000 7.000 8.000 9.000 10.000

    Custo das ocorrncias

    Pes

    o d

    a in

    terr

    up

    o Caso 1

    Caso 2

    FIG. 4.16 Grfico de disperso das ocorrncias com custo menores que R$

    10.000 e o peso da interrupo. Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 83 -

    4.4.3.5.2 Pontuao e causa das ocorrncias

    0

    50

    100

    150

    200

    250

    300

    - 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

    Peso - Causa

    Po

    ntu

    ao

    FIG. 4.17 Grfico de disperso entre a pontuao e o peso da causa.

    Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

    O grfico de disperso entre a pontuao total das ocorrncias ferrovirias e

    o respectivo peso da causa mostra uma concentrao nos eventos causados

    pelos motivos de peso 3 (causa vago, via permanente e

    sinalizao/eletroeletrnica), com 80 eventos com 33,45 pontos em mdia, e as

    ocorrncias de peso 8 (causa falha funcional), com 29 eventos e mdia de 23,48

    pontos. Ambos tm pesos mais altos do que a mdia geral, que est em 17,61

    pontos.

    4.4.3.6 Anlise das ocorrncias mais crticas

    As tabelas a seguir exibem o racional da equao de gravidade, mostrando

    as informaes bsicas cadastradas no sistema na comunicao do acidente

    ferrovirio e em seu processo de apurao, fazendo um paralelo com as

    informaes que alimentam o modelo gerado para clculo da equao de

    gravidade.

    Esta anlise interessante, pois possvel comparar o nvel das informaes

    apuradas e interpretadas no processo atual de gesto dos acidentes, com as

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 84 -

    possibilidades de estratificao e anlises mais aprofundadas, a partir do modelo

    com a equao da gravidade e os fatores de pesos.

    Foram selecionadas as ocorrncias de maior gravidade das trs ferrovias

    analisadas.

    TAB. 20 Descrio e pontuao da ocorrncia 2296/2008 da EFC. Nmero (GOFER) 2296/2008

    Ferrovia EFC Natureza Descarrilamento com Tombamento

    Descrio detalhada Trem de minrio, M06, locomotivas 9014+737+110 GDT+loco 721+110 GDT, circulando no AMV de cima da locao 47, com uma velocidade de aproximadamente 59 km/h, descarrilaram 4 vages e tombou mais 46 ligados a

    trao. Custo (R$) 7.940.000

    Dados da ocorrncia e pontuao PCausa 3 (via permanente) DLVM 45,2 + 0,515 Danos locomotivas 0 Danos vages 45,2 (46 vages tombados + 4 vages descarrilados) Extenso 0,515 (515 metros de extenso) PInterrupo 120 (30 horas em trecho B) DMercadoria 3 PVtimas ferimentos leves 0

    Total 263,145 Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 85 -

    TAB. 21 Descrio e pontuao da ocorrncia 7930/2008 da EFVM. Nmero (GOFER) 7930/2008

    Ferrovia EFVM Natureza DB - Descarrilamento com Tombamento

    Descrio detalhada No dia 23/08/2008 s 04:00 horas, o M087 (OS 40391554) - locos 1156/1251 com 84 vages carregados conduzido pelo

    maquinista Wilson Martins Mat. 283143 descarrilou e tombou no Km 145 - linha singela. Maquinista correu

    composio e informou a seguinte situao: Vago 203394-1( primeiro a descarrilar) 95-0, 215156-1, 57-0(adernado) 204892-8 93-1, 203452-2 53-1, 204366-1 67-0, 201098-4

    99-2, 204458-7 59-5, 205244-0 45-8, 201212-0 13-8, 201130-1 31-0, 205618-6 19-4, 207288-2 89-1 (tombado),

    219110-5 1-3(descarrilado/ adernado). Custo (R$) 1.123.769

    Dados da ocorrncia e pontuao PCausa 3 (via permanente) DLVM 21,90 + 0,17 Danos locomotivas 0

    Danos vages

    21,9 19 vages tombados 5 vages adernados 1 vago descarrilado

    Extenso 0,17 (170 metros de extenso) PInterrupo 88 (44 horas em trecho D) DMercadoria 3 PVtimas ferimentos leves

    Total 160,21 Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 86 -

    TAB. 22 - Descrio e pontuao da ocorrncia 2794/2008 da FCA. Nmero (GOFER) 2794/2008

    Ferrovia FCA Natureza DB - Descarrilamento com Tombamento

    Descrio detalhada O maquinista do trem W192 Alexsandro V Silva com 17 vages carragados por 1.360 tons , locos 3814 e 3886

    circulando no trecho So Joo da Boa Vista Agua ao entrar em trecho de declive no Km 25 fez aplicaes de freio de forma gradativa , no entanto o freio do trem no

    atuou sendo necessrio aplicao de emergncia , vindo o mesmo a alcanar a velocidade de 67 Km / h registrada no

    ROT e 53 Km /h no VDO e tombaram 11 vages carregados com Bauxita e descarrilou 1 truque dianteiro por completo

    do ante penltimo vago.

    Custo (R$) 388.455

    Dados da ocorrncia e pontuao PCausa 8 (falha funcional operao) DLVM 11,40 + 0,25 Danos locomotivas 0

    Danos vages

    11,4 11 vages tombados 1 vago descarrilado

    Extenso 0,25 (250 metros de extenso) PInterrupo 0 (30 horas em trecho F)

    DMercadoria

    20 (rea habitada com gua e derramamento de mercadoria

    tipo minrio) PVtimas ferimentos leves

    Total 121,2 Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

    4.4.4 Problemas na base de estudo

    A base de informaes utilizada no estudo apresentou algumas incoerncias

    e erros de preenchimento. Estes erros so causados pela falta de padronizao

    no preenchimento de dados do sistema GOFER. A falta destas informaes

    compromete o clculo dos fatores da equao de gravidade. Este fato

    compromete a definio da pontuao real de cada evento, e conseqentemente

    as anlises referentes ao histrico de ocorrncias ferrovirias.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 87 -

    TAB. 23 - Quantidade de ocorrncias com campos sem preenchimento

    Campo no preenchido Quantidade de ocorrncias HOUVE VTIMAS 144 VITIMAS GRAVE 144 EXTENSO OCORRNCIA 76 MERCADORIA 18 RESIDNCIAS PRXIMAS 110 REA URBANA 122 ELEMENTO HIDROGRFICO PRX 31 Fonte: Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago.

    O maior prejuzo para a anlise deste estudo est na falta de preenchimento

    do campo extenso ocorrncia, pois esta informao premissa diretamente

    responsvel pelo clculo do peso da extenso. So problemticos tambm os

    campos mercadoria, residncias prximas, rea urbana e elemento

    hidrogrfico prximo pois a falta de preenchimento dos mesmos incide em

    incoerncias na apurao dos efeitos referentes ao derramamento de

    mercadoria.

    A relao de registros com problemas de preenchimento sero direcionados

    para as reas responsveis pelos dados (CPIA`s regionais), para preenchimento

    destas pendncias, a acerto da base de dados.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 88 -

    5 Concluses

    O objetivo do estudo era apresentar uma proposta para a anlise da

    gravidade dos acidentes ferrovirios na Vale, atravs de uma frmula que

    envolvesse os diversos fatores de conseqncia e efeitos do evento, atribuindo

    pesos de acordo com seu grau de impacto. Para chegar at a formulao e

    principais aplicaes deste novo conceito, o estudo detalhou pelo processo geral

    ocorrncias ferrovirias na Vale e os principais conceitos envolvidos.

    O estudo mostrou um detalhamento do processo de gesto de ocorrncias

    ferrovirias na Vale, abordando desde os conceitos bsicos a respeito de

    acidentes at uma anlise dos principais tipos de eventos ocorridos nos ltimos

    trs anos. A estrutura para o controle de ocorrncias ferrovirias foi detalhada,

    mostrando a importncia de cada grupo, desde os processos de atendimento a

    um evento at a gesto dos resultados referentes segurana operacional.

    O histrico de acidentes ferrovirios na Vale foi detalhado, focando no

    perodo de 2005 a 2007, analisando a quantidade e o fator de ocorrncias

    ferrovirias por milho de trem-quilmetro. A partir de uma comparao com as

    ferrovias norte-americanas, conclui-se que as ferrovias da Vale ainda no esto

    no mesmo patamar de segurana operacional, porm a EFC e EFVM j esto

    performando ndices muito prximos a eles.

    A formulao geral para as conseqncias de um acidente compreende os

    danos, a imobilizao, o impacto no meio ambiente e os custos de atendimento e

    recuperao envolvidos no evento. A partir disso, foi mostrada a limitao do

    quarto pilar desta equao geral, pois a Vale no tm um processo definido para

    os apontamentos dos custos referentes ocorrncias ferrovirias, impedindo a

    considerao deste fator no estudo da gravidade, o que veio a ser fundamentado

    pelas anlise do captulo 4.4.3.5.1.

    A partir disso, o estudo apresentou os parmetros a serem considerados

    para a formulao e resultado da gravidade das ocorrncias ferrovirias, focando

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 89 -

    nos danos e interrupo, e detalhando cada fator em relao aos conceitos

    prticos e os pesos de cada um, de acordo com a conseqncia real em um

    acidente. A frmula proposta para o clculo da gravidade tambm foi

    apresentada:

    ( ) VDPDPGravidade MiLVMCausa ++++= 1 EQ 4 Frmula para clculo da gravidade das ocorrncias ferrovirias

    necessrio um estudo posterior a respeito da aplicao dos pesos nos

    fatores da equao, para a avaliao dos pesos atuais e possveis alteraes na

    relao entre eles.

    No histrico de ocorrncias ferrovirias de 2008 da Vale, a distribuio das

    ocorrncias se mantm semelhante aos anos anteriores, sendo o

    descarrilamento, abalroamento e atropelamento os eventos mais freqentes nas

    trs ferrovias analisadas.

    Aplicando os parmetros de gravidade apresentados pelo estudo, nota-se a

    falta de uma correlao plena entre a quantidade de ocorrncias ferrovirias e a

    pontuao total apresentada (FIG. 4.9), evidenciando a particularidade de cada

    acidente em relao aos seus fatores causais.

    Detalhando esta anlise para cada ferrovia, nota-se um comportamento

    semelhante entre a quantidade e a gravidade na FCA, ambas com tendncia de

    diminuio em 2008, e com uma correlao mais forte do que o histrico geral da

    Vale. Na EFC, os dois parmetros analisados possuem uma correlao forte e

    interessante j que a quantidade de acidentes possui uma tendncia de

    crescimento e a pontuao possui uma tendncia de reduo. J na EFVM a

    situao particular, pois a tendncia da quantidade de manuteno dos

    resultados (constante) e a gravidade est com um forte ndice de crescimento.

    Os pesos da gravidade dos acidentes ferrovirios de cada ferrovia so

    diferenciados. O estudo mostrou que a EFC e EFVM so as responsveis pelo

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 90 -

    maior peso na gravidade dos acidentes ferrovirios da Vale, mesmo no sendo

    as responsveis pela maior quantidade e freqncia das ocorrncias ferrovirias.

    A anlise a partir de grficos de disperso, mostrou e confirmou as

    incoerncias em relao aos custos dos acidentes na Vale, e os reais impactos

    operacionais dos mesmos, levando em considerao o peso do fator de

    interrupo de trfego. clara a necessidade de um melhor trabalho no

    apontamento dos custos referentes receita cessante e os gastos relativos

    recuperao dos ativos envolvidos.

    Outra concluso interessante foi a estratificao da gravidade a partir dos

    fatores causais dos acidentes ferrovirias, sendo que as ocorrncias com causa

    atrelada falha funcional ou gerencial na operao so as mais graves, seguidas

    pelas ocorrncias causadas por problemas de via permanente. Esta rea a

    responsvel pelas ocorrncias mais graves ocorridas na EFC e EFVM.

    Finalmente o estudo apresentou uma anlise comparativa entre os dados

    reais das ocorrncias ferrovirias e a abordagem e leitura destas informaes,

    para a memria de clculo da respectiva pontuao, mostrando a coerncia do

    modelo para a representatividade dos impactos dos acidentes ferrovirios. Ou

    seja, o modelo representa com assertividade os principais fatores de impacto dos

    acidentes, permitindo uma ampla diversidade de anlises e comparaes, sendo

    as principais apresentadas neste estudo.

    Com este modelo possvel comparar os acidentes a partir de uma base e

    fatores padronizados, e estas anlises de gravidade, anteriormente muito

    embasadas na subjetividade, agora possuem uma fundamentao prtica para a

    serem difundidas e utilizadas pelas ferrovias da Vale.

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    5.1 Propostas para o desenvolvimento de novos trabalhos

    Os conceitos e aplicaes apresentados neste estudo permitem uma srie de

    novos projetos e trabalhos a serem desenvolvidos para desenvolvimento do

    processo de gesto dos acidentes ferrovirios na Vale em outras ferrovias.

    5.1.1 Sistema de gesto de ocorrncias ferrovirias GOFER 2

    A primeira aplicao prtica ser a utilizao da equao para gravidade das

    ocorrncias no projeto do novo sistema de gesto dos acidentes ferrovirios na

    Vale. O GOFER 2 ser totalmente re-desenhado para atender as diretrizes de

    segurana da Vale e o detalhamento de informaes referentes aos acidentes e

    quase-acidentes ferrovirios.

    O processo de clculo da gravidade j foi inserido no projeto, atravs de

    reunies junto equipe de desenvolvimento, sendo que os documentos tcnicos

    necessrios para o detalhamento da equao e os fatores de gravidade e pesos

    mostrados no estudo j foram devidamente mapeados para esta incluso.

    A implantao do sistema est prevista para o 2o semestre de 2009. A

    estratgia da equipe da CPIA implantar os conceitos da pontuao dos

    acidentes j em 2009, para acompanhamento do indicador. Ele ser gerado a

    partir de consultas e consolidaes de informaes do sistema atual (GOFER) e

    divulgado periodicamente para as trs ferrovias. Em 2010 o planejamento

    retirar este indicador do prprio sistema em operao (GOFER 2), transformando

    a pontuao das ocorrncias em metas das reas operacionais.

    5.1.2 Tratamento dos quase-acidentes ferrovirios

    A Vale possui uma metodologia de registro e tratamentos dos quase-

    acidentes mostrada no captulo 2.2.1.3. Os conceitos de gravidade podem ser

    plenamente aplicados nas informaes referentes a estes eventos, que tambm

    so cadastrados no GOFER.

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    A gesto da gravidade dos quase-acidentes registrados muito importante,

    pois possibilita a realizao de um trabalho preditivo em relao aos riscos

    mapeados nas reas, que so fornecidos a partir destes relatos. Ser necessrio

    adequar a frmula de gravidade para as informaes que compreendem o

    processo do quase-acidente.

    O planejamento da CPIA implantar no segundo semestre de 2009 a

    metodologia para clculo da gravidade dos quase-acidentes.

    5.1.3 Direcionamento de recursos e investimentos

    A partir do estudo da gravidade das ocorrncias ferrovirias de uma rea,

    possvel redirecionar os recursos para a correo dos efeitos causais daqueles

    acidentes, transformando a gesto do indicador em mais uma ferramenta para

    anlise de investimentos e verbas de custeio para a manuteno. Esta proposta

    de estudo possvel aps o completo saneamento da base de informaes dos

    acidentes, conforme proposto no captulo 4.4.4.

    Com os dados referentes aos efeitos dos acidentes, possvel fazer um

    estudo de criticidade de trechos das ferrovias e avaliar se os recursos

    direcionados para aquela rea so suficientes para um trabalho corretivo em

    primeira etapa, e em um planejamento de mdio prazo, realmente preventivo.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 93 -

    6 Referncias bibliogrficas

    OLIVEIRA, Cludio Csar Abreu de. Vernalha e Oliveira Consultores:

    Investigao bsica de acidentes e incidentes ferrovirios. Apostila referente

    a Treinamento realizado na Vale. Minas Gerais, 2007.

    VIDON, Walter Jr. Investigao e Apurao de Acidentes Ferrovirios.

    Especializao em Transporte Ferrovirio de Carga. Instituto Militar de

    Engenharia. Rio de Janeiro, 2008.

    BRASIL. Decreto No 1832, de 04 de maro de 1996. DOU de 05 de maro de

    1996. Aprova o Regulamento dos Transportes Ferrovirios. Disponvel em

    http://www.antf.org.br/news/regulamentacao.html [capturado em 04/07/2008]

    BRASIL. Resoluo No 1431, de 26 de abril de 2006. DOU de 28 de abril de

    2006. Estabelece procedimentos para a comunicao de acidentes

    ferrovirios a ANTT pelas concessionrias e autorizatrias de servio pblico

    de transporte ferrovirio. Disponvel em

    http://www.antf.org.br/news/regulamentacao.html [capturado em 04/07/2008]

    BRASIL. Resoluo No 288/ANTT, de 10 de setembro de 2003. DOU de 15 de

    setembro de 2003. Regulamenta a aplicao de penalidades em face do

    descumprimento das Metas de Produo e de Reduo de Acidentes no

    mbito dos Contratos de Concesso de Transporte Ferrovirio de Cargas.

    Disponvel em http://www.antf.org.br/news/regulamentacao.html [capturado

    em 04/07/2008]

    Diretrizes para realizao dos trabalhos das comisses permanentes de

    investigao de acidentes PRO 0002 DILO. Vale. Esprito Santo, Junho

    2006.

    Fluxo de convocao de reunio para comunicao de acidentes graves PRO

    0047 GEPQT. Vale. Esprito Santo, Julho de 2008.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 94 -

    Plano Diretor de Operaes da Estrada de Ferro Vitria-Minas. Vale. Esprito

    Santo, Janeiro de 2008.

    Procedimento de Comunicao de Acidentes Graves a ANTT PRO 0003

    GACFA. Vale. Esprito Santo, Setembro de 2007.

    Procedimento de Comunicao, Investigao e Anlise de Acidentes e Quase-

    Acidentes PRO 0008 DECG. Vale. Esprito Santo, Julho de 2003.

    Procedimento de investigao e gesto de acidentes ferrovirios PRO 0801

    GEDFT. Vale. Esprito Santo, Fevereiro de 2008.

    Regulamento para atendimento s ocorrncias ferrovirias REG 0500 GEDFT.

    Vale. Esprito Santo, Abril 2008.

    Rail Road Facts Magazine 2005. Progressive Railroading. Trade Press

    Publishing. Estados Unidos, Janeiro 2006.

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 95 -

    7 Anexos

    7.1 Relao de produtos perigosos transportados pelas ferrovias da Vale

    Produto N ONU Nome de Embarque Painel de Segurana Rtulo de Risco Pgina

    Amnia 1005 Amnia Anidra 268 1005

    49

    lcool n - Butlico 1120 Butanol 30 1120

    50

    lcool Etlico 1170 Etanol ou soluode Etanol (lcool Etlico)

    30 1170

    50

    Diesel 1202 Gasleo ou leo Diesel 30 1202

    50

    Gasolina Automotiva 1203 Combustvel Auto-motor 33 1203

    51

    lcool Isobutlico 1212 Isobutanol 30 1212

    51

    Xileno (Para) 1307 Xileno 30 1307

    51

    Enxofre 1350 Enxofre 44 1350

    52

    Cianeto de Sdio 1689 Cianeto de Sdio 66 1689

    52

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 96 -

    Soda Custica 1824 Hidrxido de Sdio, Soluo 80 1824

    53

    leo Combustvel 1993 leo Combustvel, Bunker 30 1993

    53

    gua Oxigenada 2015 Perxido de Hidrognio, soluo aquosa

    559 2015

    53

    LAS (Alquilbenzeno Linear Sulfonado) 2586

    cido Linear Alquibenzeno Sulfnico

    80 2586

    54

    LAB (Linear Alquil Benzeno) 2585

    cidos Alquilsulfnicos Slidos

    80 2585

    54

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    7.2 Relao dos produtos transportados pela Vale

    Classificao GOFER

    Classificao para gravidade

    Produto perigoso

    Slido Lquido Gasoso Limpeza Descontaminao

    Aucar ensacado Granel - Alimentcios x x

    Aucar granel Granel - Alimentcios x x

    lcool Combustvel x x

    Antracito Granel - Minrio x x

    Antracito Granel - Minrio x x

    Areia Granel - Minrio x x

    Areia Granel - Minrio x x

    Arroz Granel - Alimentcios x x

    Bauxita Granel - Minrio x x

    Bebidas Produto Manufaturado x x

    Bentonita Granel - Minrio x x

    Biodiesel Combustvel x x

    Bobinas Produto Manufaturado x x

    Bolas de moinho Granel - Minrio x x

    Cal Granel - Minrio x x

    Calcrio Granel - Minrio x x

    Carvo Granel - Minrio x x

    Ctodo de cobre Produto Manufaturado x x

    Ctodo de nquel Produto Manufaturado x x

    Celulose Produto Manufaturado x x

    Cimento Acond. Produto Manufaturado x x

    Cimento Granel Produto Manufaturado x x

    Clinquer Granel - Minrio x x

    Cloreto Granel - Fertilizante x x

    CNTR 20CH Conteiner x x

    CNTR 20VZ Conteiner x x

    Grupo Combustvel x x

    Concentrado de Cobre Granel - Minrio x x

    Concentrado de Zinco Granel - Minrio x x

    Grupo Conteiner x x

    Coque Granel - Minrio x x

    Diesel Combustvel x x

    Dunito Granel - Minrio x x

    Enxofre Granel - Fertilizante x x

    Escria Granel - Minrio x x

    Farelo Granel - Alimentcios x x

    Minrio de Ferro Granel - Minrio x x

    Ferro Gusa Granel - Minrio x x

    Ferro liga Produto Manufaturado x x

    Ferro Nquel Produto Manufaturado x x

    Ferro Nquel - Bag Produto x x

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    Manufaturado

    Fertilizantes - Granel Granel - Fertilizante x x Fertilizantes - Ensacado Granel - Fertilizante x x

    Finos de liga Granel - Minrio x x

    Fio Mquina Produto Manufaturado x x

    Fluoreto de calcio Granel - Fertilizante x x

    Fluorita Granel - Fertilizante x x

    Fosfato Seco Granel - Fertilizante x x

    Fosfato mido Granel - Fertilizante x x

    Gasolina Combustvel x x

    Granito Produto Manufaturado x x

    Ferro Gusa Granel - Minrio x x

    Ilmenita Granel - Minrio x x

    LAB Produto Perigoso x x x

    Lama de Aciaria Granel - Minrio x x

    LAS Produto Perigoso x x x

    Lingoteira Produto Manufaturado x x

    Magnesita Granel - Minrio x x

    Milho Granel - Alimentcios x x

    Ilmenita Granel - Minrio x x

    Minrio de Quartzo Granel - Minrio x x

    Minrio de Ferro Granel - Minrio x x

    Minrio de Cobre Granel - Minrio x x

    Minrio de Cromo Granel - Minrio x x

    Minrio de Mangans Granel - Minrio x x

    Minrio Hematita Granel - Minrio x x

    Minrio de Mangans Granel - Minrio x x

    Olo Combustvel Combustvel x x

    leo Vegetal Combustvel x x Peas off-shore (vages plataforma)

    Produto Manufaturado x x

    Minrio de Ferro Granel - Minrio x x

    Perfil de Ao Produto Manufaturado x x

    Perxido de Hidrognio Produto Perigoso x x x

    Placa de Ao Produto Manufaturado x x

    Grupo Produto Manufaturado x x

    QAV Produto Perigoso x x x

    Minrio de Quartzo Granel - Minrio x x

    Minrio de Ferro Granel - Minrio x x

    Soja Granel - Alimentcios x x

    Sucata Produto Manufaturado x x

    Sulfato de Amnio Produto Perigoso x x x

    Toretes Produto Inerte x x

    Ureia Granel - Fertilizante x x

  • ESPECIALIZAO EM TRANSPORTE FERROVIRIO DE CARGA IME VALE MRS - 99 -

    7.3 Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago

    "Base de Ocorrncias Ferrovirias Vale 2008 Jan a Ago.xls"

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