TCC - Jornalismo Esportivo Segmentado - Uma anlise da revista online Warm Up

  • Published on
    22-Mar-2016

  • View
    218

  • Download
    0

DESCRIPTION

Trabalho de Concluso de Curso de Jornalismo, uma anlise da revista online Warm Up e do Jornalismo Segmentado no Brasil.

Transcript

  • FACULDADE PITGORAS UNIDADE DIVINPOLIS

    JORNALISMO ESPORTIVO SEGMENTADO: UMA ANLISE DA REVISTA ONLINE WARM UP

    Lincow Clvis da SilvaRoberto Eleotrio da Silva JniorSrgio da Silva Santiago Jnior

    Spartacus Alexandre Silva

    DIVINPOLIS2011

  • LINCOW CLVIS DA SILVAROBERTO ELEOTRIO DA SILVA JNIOR

    SRGIO DA SILVA SANTIAGO JNIORSPARTACUS ALEXANDRE SILVA

    JORNALISMO ESPORTIVO SEGMENTADO: UMA ANLISE DA REVISTA ONLINE WARM UP

    Trabalho de Concluso de Curso apresentado Faculdade Pitgoras Unidade Divinpolis como requisito parcial para a obteno do ttulo de bacharel em Jornalismo.

    Orientador: Prof. M.e Ricardo Nogueira

    DIVINPOLIS 2011

  • FOLHA DE APROVAO

    Autores: Lincow Clvis da Silva Roberto Eleotrio da Silva Jnior Srgio da Silva Santiago Jnior Spartacus Alexandre Silva

    Ttulo: Jornalismo esportivo segmentado: uma anlise da revista online Warm Up

    Conceito:

    Banca Examinadora

    Prof. M.e Ricardo Nogueira (Orientador)

    Assinatura:______________________________________________________

    Prof. Laura Nvea Dias

    AguiarAssinatura:______________________________________________________

    Prof. Leonardo Marcos Rodrigues

    Assinatura:______________________________________________________

    Data da aprovao:

  • DEDICATRIA

    A Deus pela conquista, aos pais por acreditarem e nos incentivarem na realizao de nossos sonhos e aos mestres pelo conhecimento passado.

  • AGRADECIMENTO

    Ao dedicado e compreensivo professor Ricardo Nogueira, que nos orientou de forma mpar na concluso deste trabalho. Ao pessoal da Revista Warm Up, principalmente ao Victor Martins

    pela ateno dispensada. A todos vocs, o nosso muito obrigado.

  • RESUMO

    Trabalho de concluso de curso realizado com o objetivo de analisar a produo jornalstica

    esportiva segmentada no Brasil, uma vez que a imprensa esportiva nacional dedica a grande

    maioria do seu espao para a cobertura do futebol. Como objeto de pesquisa foi feita uma

    anlise emprica da revista online Warm Up, que trata exclusivamente de automobilismo. Os

    meios de comunicao mais utilizados, a forma de seleo de notcias e o processo de

    cobertura jornalstica das modalidades esportivas tambm foram abordados. Com base nos

    autores estudados e por meio da anlise do material emprico da revista, os resultados da

    pesquisa mostram que a internet configura-se hoje como um importante espao para a

    publicao de notcias do jornalismo esportivo segmentado e que, neste meio, possvel fazer

    jornalismo esportivo alm do futebol.

    Palavras-chave: Jornalismo Esportivo, Automobilismo, Segmentao.

  • ABSTRACT

    This graduation conclusion article was produced in order to analyze the production of

    segmented sports journalism in Brazil, since the national sporting press devotes most of its

    space to the coverage of soccer. As the object of research was made an empirical analysis of

    the online magazine Warm Up, which deals exclusively with motor sports. The media most

    commonly used, the news selection process and the journalistic coverage were also discussed.

    Based in the authors studied and by analyzing the empirical material of the magazine, the

    research results show the internet today as an important space for the publication of news

    from segmented sports journalism and that it is possible to do journalism besides soccer.

    Keywords: Sports Journalism, Motor Sports, Segmentation.

  • LISTA DE FIGURAS

    Figura 01 Capas das trs primeiras edies da Revista Warm Up ........................................42

    Figura 02 Capas das edies 17, 18 e 19 da Revista Warm Up ............................................45

  • LISTA DE TABELAS

    Tabela 01 Nmero de reportagens por modalidade de automobilismo na Revista Warm Up

    ...................................................................................................................................................48

    Tabela 02 Nmero de colunas por modalidade de automobilismo na Revista Warm Up ....48

  • SUMRIO

    1. INTRODUO...................................................................................................................10

    2. JORNALISMO...................................................................................................................12

    2.1. Jornalismo Segmentado .................................................................................................12

    2.2. Jornalismo Esportivo no Brasil .....................................................................................14

    2.2.1. Jornalismo Esportivo no Rdio ..................................................................................17

    2.2.2. Jornalismo Esportivo na TV........................................................................................18

    2.2.3. Jornalismo Esportivo na Web......................................................................................20

    3. A SEGMENTAO NO JORNALISMO ESPORTIVO...............................................23

    3.1. A Especializao .............................................................................................................24

    3.2. A Cobertura de Esportes Especializados.......................................................................29

    4. ANLISE DE CASO REVISTA WARM UP..................................................................37

    4.1. Metodologia. .....................................................................................................................38

    4.2. Warm Up e Grande Prmio. ...........................................................................................39

    4.2.1. A Revista Warm Up .....................................................................................................40

    4.3. Anlise do Material Emprico.........................................................................................42

    4.4. Resultados ........................................................................................................................47

    5. CONCLUSO ....................................................................................................................51

    REFERNCIAS....................................................................................................................53

    ANEXOS ...............................................................................................................................57

  • 1. INTRODUO

    O Brasil conhecido internacionalmente como o pas do futebol pelas vitrias

    internacionais, por ser o pas que mais xito obteve em Copas do Mundo e pela imensa

    produo de dolos neste esporte, como Pel, Garrincha, Romrio e Ronaldo. Devido a paixo

    do brasileiro por futebol e pelas alegrias que o esporte proporciona a toda populao, a sua

    cobertura jornalstica tende a ganhar sempre um espao maior em todos os noticirios.

    Mas o Brasil se destaca-se tambm em outros esportes. O pas tem formado

    geraes vitoriosas em esportes que tm formao olmpica, como o basquete, bi campeo

    mundial na dcada de 1960; vlei, com vitrias significativas em Copas do Mundo e

    medalhas de ouro em Olimpadas; e tambm o automobilismo, que revelou ao mundo dolos

    como Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna. Isso fez com que os noticirios

    esportivos tivessem que abrir mais espao para tratar de tais competies que ficavam em

    evidncia.

    No entanto, percebe-se que este espao ainda pequeno nos veculos de

    comunicao tradicionais, que dedicam a grande maioria do espao no noticirio esportivo

    cobertura do futebol.

    O surgimento e consolidao da internet como veculo de comunicao de massa

    propiciou a jornalistas especializados em esportes que no o futebol e fs destas modalidades

    esportivas criar e manter espaos para a disposio e troca de informaes. Acompanhando a

    tendncia da segmentao na cobertura esportiva, j bem definida em veculos como revistas

    e TV a cabo, a internet configura-se hoje como um importante ambiente para a circulao de

    informaes referentes aos esportes que, tradicionalmente, no tm tanto espao nos

    noticirios de veculos como jornal impresso, rdio e TV.

    Esta pesquisa tem como objetivo analisar como feita a cobertura jornalstica

    esportiva fora do futebol, ou seja, nos esportes que tradicionalmente no tm grande espao

    nos noticirios, no chamado jornalismo esportivo segmentado. Pretende, ainda, analisar a

    relao dolos e Popularidade, e verificar a dependncia da presena de um dolo nacional

    ou de uma sequncia de vitrias, para que os esportes, que no o futebol, mantenham-se em

    evidncia na cobertura da imprensa.

    A metodologia utilizada neste trabalho foi a reviso de literatura em obras que

    discutem o processo de produo jornalstica nos diferentes veculos, alm de autores que

  • 11

    tratam as especificidades do jornalismo esportivo e da cobertura de modalidades nem to

    populares no Brasil. Foi realizado ainda, um estudo emprico nas edies da Revista online

    Warm Up, objeto desta pesquisa, para analisar o seu contedo e verificar como os assuntos e

    informaes so trabalhadas nesta publicao. Para se chegar a um resultado satisfatrio,

    foram realizadas entrevistas, por email, com profissionais envolvidos na produo da revista,

    para verificar, atravs de sua experincia, as rotinas produtivas e as dificuldades para manter

    ativa uma publicao de jornalismo esportivo segmentado.

    O primeiro captulo trata do jornalismo segmentado, o conceito de segmentao

    no jornalismo e aprofunda uma editoria especfica: a esportiva, mostrando como se deu o

    desenvolvimento do jornalismo esportivo no Brasil nos diversos meios de comunicao, como

    rdio, TV e internet.

    O segundo captulo discute a forma como a produo jornalstica foca um pblico

    ainda mais especfico, como os fs de esportes olmpicos por exemplo. A seguir, pontua sobre

    a especializao necessria dos profissionais para a cobertura de esportes olmpicos e

    apresenta a relao entre a presena de dolos e a popularidade de um esporte, elementos

    necessrios para a ateno da imprensa. Logo aps relaciona a histria do basquete, do vlei e

    do automobilismo no Brasil com o espao destinado a estas modalidades esportivas na

    imprensa nacional, e termina focando na especializao que os profissionais do jornalismo

    automobilstico precisam ter para realizarem uma cobertura satisfatria.

    O terceiro captulo apresenta, detalhadamente, a metodologia utilizada para a

    realizao desta pesquisa, com base na obra de Duarte (2005), e a forma como foram

    analisadas as edies da revista Warm Up. Em seguida, conta a histria da Warm Up, desde o

    surgimento da Agncia de notcias Warm Up, at a criao da revista, hoje uma das principais

    publicaes sobre o automobilismo esportivo no Brasil. Por fim, apresenta os dados

    resultantes da pesquisa emprica com as edies selecionadas para anlise e faz a discusso

    dos resultados.

  • 2. JORNALISMO

    O jornalismo possui diversas faces. Desde seu surgimento vem evoluindo de

    forma a sempre se reinventar e de encontrar novas maneiras de transmitir informaes. Esta

    pesquisa aborda o Jornalismo Segmentado, que trata de assuntos especficos para nichos de

    pblicos especficos. Para isso, demanda profissionais com entendimento do assunto e que

    tenham facilidade em transmitir as informaes de modo gil e claro, at mesmo para o

    pblico leigo, que no tem costume de acompanhar intensamente tais informaes. Falaremos

    sobre como a segmentao jornalstica tratada e como ela se d at mesmo dentro de reas

    especficas, como o esporte.

    2.1. Jornalismo Segmentado

    Ao processo de dividir os assuntos com a produo de matrias especficas e a

    criao de veculos direcionados, somente com um tipo de tema e voltado para um

    determinado pblico, denominamos, nesta pesquisa, segmentao ou especializao. O

    desenvolvimento do jornalismo especializado caminha lado a lado com a lgica econmica,

    visando atingir grupos especficos, e pode ser considerado como uma estratgia de mercado,

    que gera lucros respondendo a uma demanda por informaes direcionadas. Toda estratgia

    de segmentao, tanto no jornalismo quanto em qualquer rea do mercado, desenvolvida a

    fim de atingir a preferncia de um pblico que deseja cada vez mais produtos personalizados.

    No jornalismo, no incio da especializao, o melhor caminho para as informaes

    segmentadas foi a publicao em revistas.

    Notcias para pblicos especficos ou selecionados, que se situam numa classificao de especializadas, encontram seu melhor formato na revista. Fora do mercado de assuntos gerais, publicaes tcnicas, dirigidas, house organ, etc. dedicados aos mais variados temas, se realizam no padro Standard da revista (BAHIA,1990, p. 401).

    Na dcada de 1970, as transformaes da sociedade tambm influenciam a

    produo editorial da imprensa. Comeam a ser consumidas em larga escala as revistas

    informativas no Brasil, tendo como principal exemplo a revista Veja, fundada em 1968.

  • 13

    Antes, no entanto, vrias outras publicaes direcionadas j haviam sido criadas, como a

    revista Cigarra, em 1933, e Cludia, em 1961, ambas voltadas ao pblico feminino.

    A aceitao das produes segmentadas indica que os indivduos necessitam encontrar um fator de unio e de identificao entre si. O que pode ser conseguido atravs da partilha de interesse com o segmento que busca o mesmo tipo de informao (ABIAHY, 2000, p.4).

    Para um processo de segmentao, os assuntos so divididos em editorias.

    Segundo Ferreira (2004, p.251), Editoria a atividade editorial de planejar e executar,

    intelectual e graficamente, livros, enciclopdias, preparando textos, ilustraes, diagramao

    etc; cada uma das sees dos rgos de imprensa. De acordo com Amaral (1982, p.73) dois

    tipos de notcias deram origem ao aparecimento dos jornais e foram responsveis pela

    segmentao: poltica e economia.

    A editoria econmica tem outro grande crdito a seu favor, alm de ter

    contribudo para a formao dos jornais e da segmentao como conhecemos hoje. A ela se

    deve tambm o aparecimento das agncias noticiosas internacionais. A Havas, antecessora

    da France-Presse, era no incio um escritrio de tradues de informaes exclusivamente

    econmicas. (AMARAL, 1982, p.81)

    Com o tempo, outras editorias especializadas foram surgindo, como o caso da de

    Polcia, para onde eram enviados os jornalistas recm formados para uma espcie de

    tratamento de choque que os fazia perder, em questo de dias, as idias lricas que porventura

    tivessem da vida jornalstica. (AMARAL, 1982, p.85)

    H ainda diversos outros tipos de editorias, como Cultura, Cidades e Feminino,

    entre outras, que trazem assuntos especficos. Cada segmento ou especializao na editoria

    vem de encontro tambm rea que o jornalista tem mais intimidade ou conhecimento,

    podendo assim informar e repassar fatos com maior clareza e qualidade. Por mais

    competente e inteligente que seja, no consegue bons resultados ao redigir sobre um assunto

    que ignora. (ERBOLATO, 1981 p. 11-12) Para Rossi (1991, p.75), a frmula correta para a

    boa informao jornalstica deveria ser a especializao dos jornalistas e no especialistas

    praticando jornalismo.

    Nilson Lage (2005, p. 109) vem complementar o pensamento de Rossi, e defende

    que, se as redaes se dividem em editorias, e se cada uma dessas reas pressupe

    conhecimento especco, por que no transformar especialistas [...] em jornalistas e no o contrrio? O autor defende que para escrever sobre um determinado assunto especfico, o

  • 14

    trabalho no deve apenas ser feito por um especialista, pois cabe ao jornalista, como agente do

    pblico, relatar e repassar as informaes, seguindo todos os critrios jornalsticos. Um

    professor de primeiro grau no precisa ser criana para comunicar-se com seus alunos, nem

    um mdico abandonar o que sabe para expor um diagnstico a algum. (LAGE, 2005, p.

    109-110)

    A segmentao jornalstica ocorre em todos os tipos de mdia, como a TV a cabo,

    com a criao de canais dedicados a apenas um assunto, como esportes, outros somente com

    filmes, outros voltados ao pblico infantil ou puramente informativos. As revistas continuam

    sendo um meio bastante utilizado para a comunicao segmentada, porm hoje encontramos

    canais de TV, sites e at emissoras de rdio voltadas para um pblico-alvo especfico. No

    raro encontrarmos veculos impressos, eletrnicos e digitais para todo e qualquer nicho de

    mercado, atraindo assim aquele pblico especfico e dando a ele informaes com maior

    aprofundamento e clareza no assunto que se prope.

    2.2. Jornalismo Esportivo no Brasil

    Segundo Bahia (1990), um dos primeiros registros de uma publicao esportiva

    no Brasil teria data de 1856, com O Atleta, que trazia ensinamentos para o aprimoramento

    fsico dos moradores da cidade do Rio de Janeiro. J em 1886 circula a revista Sport, que traz

    conceitos cientficos sobre corpo e mente. Para Paulo Vincius Coelho (2003), o esporte

    comeou a ganhar espao nos jornais a partir da primeira dcada do Sculo XX, sendo uma

    das principais publicaes o jornal Fanfulla, voltado para o pblico italiano em So Paulo. O

    jornal no trazia matrias elaboradas nem detalhadas com informaes sobre equipes e

    torneios, como conhecemos hoje, eram apenas relatos e informaes esportivas.

    O Fanfulla, por exemplo, serve de acervo histrico ainda hoje, pois ele registrou

    diversas informaes como quando surgiu o futebol no Flamengo, ou o primeiro jogo do

    Santos, do Corinthians e do Palestra Itlia, hoje Palmeiras. Apesar do registro, o futebol ainda

    ocupava pouco espao no noticirio, sendo o remo e o turfe os mais destacados, por serem os

    esportes mais populares da poca.

  • 15

    Nos primeiros anos de cobertura esportiva era assim. Pouca gente acreditava que o futebol fosse assunto para estampar manchetes. A rigor, imaginava-se que at mesmo o remo, o esporte mais popular do pas na poca, jamais estamparia as primeiras pginas de jornal. Assunto menor. Como poderia uma vitria nas raias ou nos campos, nos ginsios, nas quadras valer mais do que uma importante deciso poltica do pas? (COELHO, 2003, p.10).

    Para Antnio Alcoba (2005 apud SILVEIRA, 2009, p.21), os primeiros jornalistas

    esportivos foram escritores subjugados pela emoo da competio, impressionados com os

    feitos dos atletas. Quando o esporte como competio comeou a figurar nas pginas dos

    jornais, era uma editoria que ocupava pouqussimo espao e dispunha de baixo prestgio. A

    partir da dcada de 1920, o esporte comea a ganhar um pouco mais de espao no noticirio.

    Em 1925, o futebol j era considerado o esporte nacional, movido pelos sucessos da Seleo

    Nacional nos torneios sul-americanos de 1919 e 1922. Porm, seu espao ainda era reduzido

    se comparado ao turfe, por exemplo. O Correio Paulistano liberava apenas uma coluna para

    as matrias que incluam futebol. E duas para o turfe. (COELHO, 2003, p. 11)

    Na dcada de 1930, o futebol se profissionalizou no Brasil, deciso que provocou

    grandes polmicas nos clubes existentes. O Paulistano, maior vencedor estadual de So Paulo,

    no quis mais manter equipes de futebol, por considerar absurdo pagar jogadores para que

    entrassem em campo e jogassem futebol. Paralela profissionalizao do futebol, surge no

    Rio o Jornal dos Sports, fundado por Mrio Filho, o primeiro dirio exclusivamente dedicado

    aos esportes no pas. Alis, Mrio Filho que hoje batiza o estdio do Maracan

    considerado por muitos jornalistas como o pai do jornalismo esportivo como conhecemos

    hoje, com informaes e matrias detalhadas sobre todos os acontecimentos esportivos.

    A Mrio Filho deve-se a criao e a valorizao do jornalismo esportivo enquanto gnero no Brasil, no incio dos anos 30. Depois de organizar um caderno totalmente dedicado aos esportes nos jornais A Manh e Crtica, ambos de propriedade de seu pai, ele fundou o Mundo Esportivo e, posteriormente, o Jornal dos Sports, primeiros jornais totalmente dedicados aos esportes no Brasil (ANTUNES, 1999, p.186).

    Em 1931 registrada a primeira transmisso de um jogo de futebol pelo rdio no

    Brasil. No dia 19 de julho, Nicolau Tuma, da Rdio Educadora de So Paulo,

    narrou de forma ininterrupta a partida entre as selees Paulista e Paranaense. Os jogadores

    no possuam numerao e no havia comentarista nem reprter de campo, o que obrigava o

    narrador a falar sem parar.

  • 16

    O jornal A Platia (de 20/7/1931, p.2) registrou que somente s 15:20 surgem os paulistas no gramado. Pouco depois vm os paranaenses. H troca de flores e, s 15:25, se alinham as turmas [...] Sem transmisses anteriores que lhe sirvam de modelo, o jovem radialista tem de criar um estilo. Opta por uma descrio fotogrfica que d ao ouvinte a imagem exata do campo e do jogo (SOARES, 1994, p. 29).

    Na dcada de 1940 j era possvel realizar, via rdio, transmisses internacionais

    e, ao final da dcada de 1950, a transmisso esportiva no rdio comea a ganhar um padro.

    Havia muita limitao tcnica e os custos eram reduzidos ao mximo. Os locutores

    enfrentavam muitas dificuldades, por causa da falta de recursos tcnicos e suas irradiaes

    raramente saam perfeitas. A tecnologia tinha pouco a oferecer. (SOARES, 1994, p. 32).

    No incio da dcada de 1960, com o segundo ttulo mundial da Seleo Brasileira

    de Futebol na Copa do Mundo do Chile, em 1962, os jornais comearam a dispensar cada vez

    mais espao para o esporte e, principalmente, para o futebol. A aceitao crescente deste

    esporte em nosso pas fez com que os jornais, superando a fase inicial de certa indiferena, o

    reconhecessem como um contedo prprio difuso de massa. (FERNANDEZ, M., 1974,

    p.71).

    Em 1970 surge a revista Placar, da Editora Abril, que at hoje uma das maiores

    e mais influentes publicaes esportivas do pas. A Copa do Mundo de 1982 foi outro marco

    na histria do jornalismo esportivo. Transmitida com exclusividade pela TV Globo, a

    competio mobilizou mais de 150 profissionais da emissora, que fizeram a cobertura in loco,

    na Espanha, sede do evento. Segundo Roberto Ramos, Houve a montagem de uma infra-

    estrutura enorme. A Globo no se esqueceu do mnimo detalhe. Teoricamente, tudo estava

    perfeito. (RAMOS, 1984, p.42) J no rdio, a emissora paulista Record tambm mandou

    profissionais Espanha, com o intuito de trazer mais informaes aos ouvintes. A Rdio

    Record AM e FM desafiou o monoplio da Globo. Lutou pela conquista do som. (RAMOS,

    1984, p.43)

    Hoje, o jornalismo esportivo divide espao nos noticirios com as outras editorias

    de forma igualmente importante, tendo inclusive canais exclusivos para tratamento do tema.

    Na mdia impressa destacam-se os jornais Lance e Jornal dos Sports. No rdio, surgiu em

    2011 a Rdio Estado ESPN, com uma proposta de programao com esportes e notcias. Na

    TV a cabo, os canais ESPN, SporTV e BandSports e, na TV aberta, a TV Esporte Interativo.

  • 17

    2.2.1 Jornalismo Esportivo no Rdio

    De acordo com Edileuza Soares (1994, p. 38), a iniciativa da irradiao

    sistemtica de futebol coincidiu com a profissionalizao desse esporte no Brasil, ocorrida em

    janeiro de 1933. O rdio foi fator determinante para o surgimento de clubes e o aumento do

    interesse das torcidas pelo esporte. Depois de Nicolau Tuma e a primeira transmisso, vrias

    outras rdios entraram no ramo e mais profissionais surgiram no cenrio nacional. No incio

    das irradiaes esportivas em So Paulo, a Rdio Record foi a que mais se destacou. A

    emissora passou a se dedicar aos esportes aps ser comandada pelo empresrio Paulo

    Machado de Carvalho.

    Ainda de acordo com Soares (1994), alm de Tuma, outro grande pioneiro das

    narraes esportivas foi Gagliano Neto. Ele narrou pela primeira vez um jogo direto da

    Europa, quando transmitiu Brasil x Polnia. Depois, narrou a Copa do Mundo de 1938,

    disputada na Frana, onde transmitiu na ntegra os cinco jogos do Brasil para a cadeia das

    Emissoras Byington, em So Paulo e Rio de Janeiro.

    As transmisses de longa distncia, como as realizadas por Neto na Copa de 1938,

    demandaram por uma modernizao no sistema de rdio. Soares (1994) destaca a importncia

    do rdio esportivo na evoluo do rdio como um todo, a partir da necessidade de ampliar o

    alcance das informaes transmitidas ao pblico.

    O rdio esportivo tambm em grande parte responsvel pela incorporao no Brasil das inovaes tecnolgicas que surgiram na radiodifuso mundial. Seu desenvolvimento passa ainda pela apropriao de tcnicas de planejamento e de organizao, resultando na implantao e funcionamento de departamentos especializados (SOARES, 1994, p.14).

    A partir da dcada de 1950, as transmisses passaram a se modernizar, com as

    emissoras dedicando cada vez mais espao em sua programao para transmisses de eventos

    esportivos. Mesmo com a chegada da televiso, que passou a ser a principal concorrente do

    rdio, as emissoras investiram cada vez mais para tornar as transmisses mais profissionais.

    Atualmente, mesmo com a concorrncia da TV e da internet, o rdio permanece

    firme e cada vez mais investe para a sofisticao das transmisses esportivas. Exemplo disso

    o surgimento, no incio de 2011, da Rdio Estado ESPN em So Paulo, que entrou no

    mercado com uma proposta de rdio 24h com notcias e esportes. Destacam-se ainda, em So

    Paulo, a Jovem Pan, Bandeirantes, Transamrica e Globo/CBN. No Rio de Janeiro, Rdio

  • 18

    Globo/CBN e Rdio Tupi. Em Porto Alegre, Rdio Gacha e Rdio Guaba e, em Belo

    Horizonte, as Rdios Itatiaia, Inconfidncia e Globo/CBN.

    2.2.2. Jornalismo esportivo na TV

    O primeiro registro do jornalismo esportivo na televiso brasileira de 1950,

    quando a extinta TV Tupi exibiu uma reportagem sobre uma partida realizada entre

    Portuguesa e So Paulo. Em 1955, mais precisamente em 18 de setembro, a TV Record

    realizou a primeira transmisso de um jogo de futebol. Santos e Palmeiras jogaram na Vila

    Belmiro.

    No gramado, a equipe da Record fazia milagres para agradar o chefe. O reprter de campo no tinha retorno na base s sabia a hora de entrar no ar depois que o motorista do nibus de externas da emissora, Geraldo Campos, acenava com a mo para Silvio Luiz iniciar as entrevistas. Durante a partida, dois fotgrafos, cada um atrs de um gol, registrava os lances mais perigosos e polmicos. No comeo do intervalo corriam para revelar as fotos que minutos depois eram exibidas na televiso. Era replay caseiro inventado pelos diretores de TV, Tuta e Salvador Tredice, o Dod (GUERRA, 2000, p. 106).

    At o incio dos anos 1970, as experincias em jornalismo esportivo na televiso

    eram como parte integrante do noticirio geral. Em especial a TV Globo j levava para o

    vdeo reportagens com a proposta incorporada a partir dos modelos que comeavam a chegar

    dos Estados Unidos.

    Inspirado no modelo do programa norte-americano ABC Sports, a Globo colocou

    no ar, em 1973, o programa semanal Esporte Espetacular, com uma proposta editorial que se

    mantm at hoje com algumas alteraes proporcionadas, sobretudo pela tecnologia: unir

    jornalismo e entretenimento no noticirio esportivo. A matria-prima do Esporte Espetacular

    era basicamente notcias relacionadas majoritariamente ao futebol e suas celebridades. Em

    1978, a TV Globo lana o jornal esportivo Globo Esporte, que continua no ar at hoje.

    Na dcada de 1980, a hegemonia nas transmisses esportivas ficou por conta da

    TV Bandeirantes, que travava com a TV Record grandes disputas para os direitos de

    transmisso das competies esportivas. A Bandeirantes, como destaca Coelho (2003, p. 64),

    se intitulou o Canal dos Esportes e transmitiu jogos do Campeonato Brasileiro, com

    exclusividade, de 1986 a 1993, alm de outros torneios. Destaque na programao esportiva

  • 19

    da Bandeirantes, o Show do Esporte que ia ao ar todos os domingos com apresentao de Elia

    Junior e Silvia Vinhas, tinha em mdia de 8 horas de durao e abordava, alm dos

    campeonatos de futebol nacional, torneios internacionais e outros esportes como o

    automobilismo e tnis.

    A Bandeirantes ocupa horrios estratgicos nos fins de semana. No sbado, a partir das 17 horas acontece a desmobilizao das pessoas geralmente. Os trabalhadores esto de folga e j desincumbiram de seus esparsos compromissos. [...] No domingo existe mais ostensividade no objetivo (RAMOS, 1984, p. 69-70).

    A partir da, percebendo os grandes ndices de audincia que a Bandeirantes vinha

    obtendo com o esporte, a TV Globo entrou na briga para aquisio dos direitos de transmisso

    de diversos campeonatos, porm com exclusividade. A partir de 1995, a Rede Globo investiu

    pesado para aquisio nica dos direitos de transmisso do Campeonato Brasileiro de Futebol,

    passando a investir tambm em transmisses mais elaboradas, recheadas de efeitos visuais,

    replays, tira-teimas e recursos grficos. Com o princpio de exclusividade por parte da Globo,

    por diversos momentos, como relata Coelho, o direito informao passou a ser prejudicado.

    [...] o show produzido depois das compras de direitos no pode acabar como jornalismo de outras emissoras. Nos tempos em que no pagava somas absurdas de dlares para transmitir seus campeonatos, a Globo mostrava imagens feitas dentro dos estdios por seus prprios reprteres. Em julho de 2002, a TV Alterosa, de Minas Gerais, enviou duas equipes para as sedes da Copa dos Campees torneio (hoje extinto) que d uma vaga para a Copa Libertadores e disputado nas cidades de Belm, Fortaleza, Teresina e Natal. Surpreendentemente, para os diretores da emissora, afiliada do SBT, a Globo alegou que tinha os direitos e que, por isso, nenhuma outra poderia entrar no estdio, nem se quer para produzir material jornalstico. A direo da Alterosa decidiu processar a TV Globo. Mas no teve direito de receber nem mesmo as imagens dos gols do torneio (COELHO, 2003, p.65-66).

    Atualmente quase todo o calendrio do futebol brasileiro reservado

    exclusividade da TV Globo (Campeonatos Estaduais, Copa do Brasil, Taa Libertadores e

    Campeonato Brasileiro). Alm do futebol, a emissora tambm tem na grade a Frmula 1,

    Stock Car e algumas competies de vlei. A TV Bandeirantes detm tambm os direitos de

    transmisso do Campeonato Brasileiro, em parceria com a Globo, que determina a grade de

    programao. A Bandeirantes ainda mostra o Campeonato Brasileiro da Srie B, aos sbados,

    a Frmula Indy, e possui diversos programas jornalstico-esportivos em sua grade de

    programao, como o Terceiro Tempo, o Jogo Aberto e o Band Esporte Clube.

  • 20

    A TV Record, que atualmente investe pesado na programao esportiva, adquiriu

    com exclusividade os direitos de transmisso das Olimpadas de Inverno de 2010, dos Jogos

    Pan-americanos de 2011 e dos Jogos Olmpicos de 2012. A Rede TV, aps perder a briga para

    a TV Globo pelos direitos de transmisso do Campeonato Brasileiro de Futebol, investe na

    exibio de outros esportes, como o UFC (Ultimate Fighting Championship) e tambm exibe

    jogos dos campeonatos Ingls e Italiano. Na TV aberta ainda se destaca o canal Esporte

    Interativo, que dedica toda sua programao ao mundo esportivo, exibindo jogos dos

    campeonatos Ingls, Italiano e Espanhol de futebol, tnis, NBA, alm de esportes americanos

    como a NFL (futebol americano), MLB (baseball) e NHL (hockey no gelo).

    Na TV a cabo, a Globo mantm dois canais exclusivos para esportes, o SporTV e

    o SporTV 2. Nesse ramo tambm se destacam os canais ESPN, de propriedade da Disney, que

    possui trs canais no Brasil. A Bandeirantes tambm possui um canal exclusivo de esportes, o

    BandSports, fundado em 2002.

    2.2.3. Jornalismo esportivo na Web

    O surgimento da internet se deu no final da dcada de 1950 e incio dos anos de

    1960, nos Estados Unidos, quando da criao da rede de comunicao militar denominada

    ARPA (Advanced Research Projects Agency), no perodo da Guerra Fria. J a Web, que o

    modelo de internet que conhecemos hoje, com sua diversidade de pginas e assuntos, surgiu

    apenas nos meados dos anos 1990.

    Embora a Internet tivesse comeado na mente dos cientistas da computao no incio da dcada de 1960, uma rede de comunicaes por computador tivesse sido formada em 1969, e comunidades dispersas de computao reunindo cientistas e hackers tivessem brotado desde o final da dcada de 1970, para a maioria das pessoas, para os empresrios e para a sociedade em geral, foi em 1995 que ela nasceu (CASTELLS, 2003, p. 19).

    A informao digital teve seu incio anterior ao surgimento da Web, na dcada de

    1980, tambm nos Estados Unidos. Neste perodo, a American Online j produzia contedo

    jornalstico para internet disponvel ao setor pblico. (CONFORTIN, SPRANDEL e WOLFF,

    2010, p. 4)

  • 21

    O aparecimento da Web e a rpida popularidade que ela atingiu suscitou a velha

    discusso de substituio de meios de comunicao, como j havia ocorrido quando do

    surgimento da TV em relao ao rdio. Por utilizar de uma instantaneidade e rapidez s

    possvel no jornalismo radiofnico, porm acrescido da possibilidade de conjugar imagens e

    textos, agregando assim os meios impressos e televisivos, a Web desencadeou diversas

    discusses sobre o futuro da comunicao.

    O boom dos dirios digitais foi entre 1995 e 1996, e desde ento muitos tericos das mais diversas reas (filosofia, informtica, comunicao, sociologia, etc.) discutem sobre a extino do jornal impresso. So tertlias sem fim que terminam quase sempre em estreis exerccios de futurologia. Normalmente, apresentam previses do que j est ocorrendo. Talvez pelo fato do bvio ululante ser to presente em muitas delas, como: o jornal no vai acabar, apenas sofrer mudanas, tal como sempre ocorre quando surge um novo meio. Outros, no menos cansativos, continuam a fazer previses apocalpticas sobre o fim do jornal. A frase de Nicholas Negroponte, diretor do MIT, os tomos sero transformados em bits, foi incorporada em muitos discursos, como prova de erudio digital (DE QUADROS, 2002 apudCONFORTIN, SPRANDEL E WOLFF, 2010, p.5).

    Sobre essas discusses, h vises otimistas como a do filsofo Pierre Levy

    (1993)1, que afirma que a internet um dos temas filosficos e polticos do nosso tempo at

    os mais pessimistas, como o socilogo francs Jean Baudrillard (1997)2 que cr que ela

    reforar a dominao e o controle exercido pelos grandes grupos econmicos.

    Fato que, atualmente, quase impensvel o mundo do jornalismo sem a

    utilizao de computadores e internet. A Web cumpre hoje um papel de protagonista, ao lado

    da TV e ainda do Rdio, como uma das principais fontes de informao ao grande pblico.

    Entramos, definitivamente, na era digital. Recebemos informao por meio de bits em vez de tomos. No preciso ir exclusivamente banca para comprar jornal. Navegamos no ciberespao jornalstico com uma linha telefnica, um modem e um computador. O jornal est agora disponvel sob a forma de bits (MOHERDAUI, 2000, p. 15).

    O jornalismo esportivo tambm encontrou na Web uma possibilidade muito

    grande de desenvolvimento e divulgao, principalmente para assuntos relacionados aos

    esportes especializados. Atualmente os espaos dedicados exclusivamente a esportes como

    vlei, tnis, basquete ou automobilismo bem menor em veculos tradicionais, como rdio,

    1 apud CONFORTIN; SPRANDEL; WOLFF, 2010, p.4. Weblog: alternativa para o jornalista online. 2010. Disponvel em: . Acesso em 03.nov.2011.2 apud CONFORTIN; SPRANDEL; WOLFF, 2010, p.4. 2010. loc. cit.

  • 22

    TV e jornais, se comparado com o futebol, o que no acontece na internet. Sobre o

    automobilismo, que teve amplo espao principalmente na dcada de 1980, o jornalista Flvio

    Gomes destaca que, aps a morte do piloto Ayrton Senna, em 1994, o interesse da cobertura

    no Brasil, pelos veculos tradicionais, diminuiu consideravelmente, deixando nos fs uma

    lacuna pela busca de informaes.

    E veio a internet a partir de 1996, para preencher uma lacuna nas necessidades do pblico consumidor de informaes dalm mar. Hoje, pra os brasileiros, a internet a maior fonte de notcias da categoria, dado o espao reduzido nos jornais, na prpria TV, que tem a exclusividade dos eventos e a inexistncia de peridicos especializados (GOMES In VILLAS BOAS, 2005, p. 149).

    Alguns sites se destacam pela cobertura ampliada de esportes, como o ESPN.com

    e o GloboEsporte.com. Ambos, apesar de terem o futebol como carro chefe, mantm pginas

    dedicadas inteiramente a outros esportes como vlei, tnis, basquete e automobilismo. O

    portal de notcias IG tambm possui vrias pginas especializadas, com profissionais

    dedicados somente ao assunto tratado, como o caso de Fbio Sormani (basquete), Flvio

    Gomes (automobilismo) e Rogrio Romero (natao). Para Gomes, a sada encontrada por

    estes esportes para a divulgao a adaptao e a necessria migrao para uma cada vez

    mais em voga modalidade de jornalista, o tal do multimdia. Atuar em apenas um tipo de

    veculo de comunicao j no basta. Interagir as mdias algo absolutamente vital.

    (GOMES In VILLAS BOAS, 2005 p. 149)

  • 3. A SEGMENTAO NO JORNALISMO ESPORTIVO

    Dentro da segmentao jornalstica, tratada no captulo anterior, o Jornalismo

    Esportivo permite a criao de ainda mais segmentaes dentro de seus prprios assuntos.

    Isso porque percebe-se que o Jornalismo Esportivo tem como principal assunto o futebol,

    esporte que move milhes de fs espalhados por todo o mundo. No Brasil, considerado

    popularmente como o pas do futebol, os noticirios dedicados ao esporte tm um espao

    grande destinado ao futebol. Os fs de futebol raramente ficam sem notcias do seu clube de

    corao e sobre o que est acontecendo no pas ou no exterior. Mas e os fs dos outros

    esportes, como Vlei, Basquete, Tnis e Automobilismo? neste ponto que surge a

    segmentao no Jornalismo Esportivo.

    O jornalista pea fundamental na construo da notcia. Para que ela acontea,

    preciso do fato e do profissional. Um complementa o outro na divulgao da informao. O

    jornalista deve apurar os fatos, coletando o mximo de informaes possveis, pois ele a

    ligao da notcia ao pblico. O acontecimento pode se tornar um assunto pblico, desde que

    jornalistas o apurem e o transformem em uma notcia, pois nem todo acontecimento notcia.

    De acordo com Rodrigues (1999, p. 29) a notcia no mundo moderno o negativo da

    racionalidade. O racional o previsvel. O acontecimento imprevisvel, um reflexo

    inesperado. por isso que se diz que um co que morde um homem no um fato

    jornalstico, mas se um homem morder um co passa a ser uma notcia.

    O acontecimento jornalstico , por conseguinte, um acontecimento de natureza especial, distinguindo-se do nmero indeterminado dos acontecimentos possveis em funo de uma classificao ou de uma ordem ditada pela lei das probabilidades, sendo inversamente proporcional probabilidade de ocorrncia (RODRIGUES, 1999, p. 28).

    Outra forma de se pensar na seleo dos fatos noticiados, tendo em vista a

    estrutura empresarial dos meios de comunicao, a busca de notcias que satisfaam o gosto

    do pblico. Pode-se dizer, ento, que h uma seleo regulada pelos interesses do consumidor.

    H uma escala terica j relativamente bem estabelecida: Seja na perspectiva das emoes primrias que exigem certos contedos, na esfera racional que pede informaes originais ou no mbito da vontade de um pblico que quer estar informado para participar, os interesses representam para a notcia um termmetro indispensvel (MEDINA, 1988, p. 20).

  • 24

    Devido a este interesse do pblico, a forma de selecionar as notcias e classific-

    las teve que estabelecer outros padres para se fazer o jornalismo, abrindo um leque de

    possibilidades e situaes, que interessam o leitor, fazendo com que o jornalismo se tornasse

    um veculo mais voltado ao capital e ao interesse. De acordo com Medina (1988, p. 21), foi o

    argentino Felipe Tarroba Quiros, em 1968, que estabeleceu uma pirmide de assuntos que

    poderiam ser levados em conta, quando uma notcia for selecionada em detrimento de outra:

    proeminncia; celebridade das pessoas envolvidas nos fatos; importncia das conseqncias;

    raridade do acontecimento, animao vital e interesse humano; rivalidade, conflito ou luta que

    o fato pressupe; utilidade imediata do servio informativo; entretenimento que proporciona.

    3.1. A Especializao

    Para Srgio Xavier Filho, editor da revista Placar, no Brasil assim mesmo, s

    existem dois esportes: o futebol e o levantamento de medalhas3, referindo-se ao interesse que

    o pblico brasileiro tem apenas em quem est vencendo, quando se trata de outros esportes

    que no o futebol. Mas nem sempre foi assim. Como destacado no captulo anterior, o futebol

    s comeou a estampar as manchetes aps a dcada de 1930, sendo o turfe e o remo os dois

    esportes que tinham o maior espao nos noticirios at ento.

    Com o cenrio invertido, passa a ser dos outros esportes a responsabilidade de se

    fazer notar. Para a jornalista Claudia Coutinho, um desafio fazer com que os demais

    esportes ganhem notoriedade em relao ao futebol. Como convencer o editor de Esportes,

    na maioria das vezes com uma bagagem conquistada nos gramados de futebol, de que as

    demais modalidades tm seus encantos, suas histrias, seus dolos? (COUTINHO In

    VILLAS BOAS, 2005, p. 105).

    Coelho (2003) destaca que, apesar do espao menor de divulgao, os esportes

    especializados podem ser uma boa opo para jornalistas. Alguns comearam a ver nos

    esportes fora do futebol um mercado promissor e cheio de possibilidades.

    3 In Jornalismo Esportivo no s futebol. Disponvel em: Acesso em: 11 out. 2011.

  • 25

    Os atletas carecem de divulgao e muitas vezes ajudam aos que chegam aos ginsios com finalidade de aprimorar-se. Em pouco tempo, o reprter ganha respeitabilidade, menos pelo conhecimento tcnico de que dispe e mais pelo reconhecimento dos atletas pelo fato de ele estar l, disposto a aperfeioar-se. Uma legio de grandes jornalistas se formou assim. Outros, como Jorge Luiz Rodrigues, brilhante reprter de O Globo, investiram na cultura de todos os esportes [....] Especializar-se nunca demais. A questo quando se trata de esportes olmpicos, de pouca divulgao no Brasil, saber esperar pela hora certa de o trabalho aparecer (COELHO, 2003, p.49-51).

    O autor defende ainda que, para isso, o profissional deve estar bastante preparado.

    necessrio um estudo detalhado e conhecimentos das regras, competies e caractersticas

    dos esportes para a informao ser passada com clareza. O conhecimento de quem faz a

    pergunta precisa existir. [...] E quem demonstra mais conhecimento acaba levando a melhor.

    (COELHO, 2003, p. 50)

    O despreparo ou o desconhecimento de esportes especializados por parte dos

    jornalistas, alis, um assunto bastante discutido entre os prprios profissionais de

    comunicao. Numa cobertura de um torneio de Tnis, por exemplo, corre-se o risco de

    encontrar reprteres que, embora com razovel tempo de profisso so verdadeiros focas

    naquele assunto. (COUTINHO In VILLAS BOAS, 2005, p. 111)

    A popularidade de tais esportes com o pblico tambm influencia na maneira

    como os profissionais fazem a sua cobertura.

    A popularidade de um esporte ajuda e muito o trabalho [...] Quem sabia o que era um duplo twist carpado antes da ginasta gacha Daiane dos Santos conquistar a medalha de ouro em 2003 e depois errar por duas vezes na sua apresentao nos jogos olmpicos de Atenas em 2004? Quantos imaginavam o que seria uma escapada no iatismo quando Robert Scheidt conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olmpicos de Atlanta-1996 e, oito anos depois conquistou o bi em guas gregas? E termos como drop shot, slice, tie-breakse Guga no ganhasse em Roland Garros? (COUTINHO In VILLAS BOAS, 2005, p. 112, grifo do autor).

    Para a jornalista venezuelana Eumar Essa, isso no pode servir de desculpa para

    uma falta de conhecimento do assunto. Um correspondente de guerra por exemplo, tem um

    background especfico de determinado conflito. Um jornalista esportivo nos Jogos Pan-

    Americanos deve ter conhecimentos mais que bsicos desde o nado sincronizado at o

    basquete. (ESSA apud LINHARES, 2006, p.52)

    As coberturas de eventos que envolvem modalidades que no s o futebol, como

    o caso dos Jogos Olmpicos e os Jogos Pan-Americanos, so atividades geralmente

    realizadoras para qualquer jornalista de esportes. Porm, desafiadoras e repletas de

    responsabilidades. Como destaca Juca Kfouri (apud LINHARES, 2006, p. 13), no h nada

  • 26

    que os jornalistas esportivos disputem mais do que ser escalados para uma cobertura

    internacional.

    Para Linhares (2006, p. 15), cobrir qualquer que seja o evento esportivo requer

    preparao e disposio. So horas passadas a procura do detalhe, do inusitado, do ngulo

    novo da histria a ser contada. O jornalista Andr Kfouri, em seu livro Aqui Tem, que

    conta a biografia do tenista Fernando Meligeni, ao descrever como conheceu o atleta, acaba

    tambm por descrever um pouco das dificuldades que teve na cobertura das Olimpadas de

    Atlanta, em 1996.

    A ESPN Brasil fazia uma cobertura na raa, narrando os eventos do Brasil, com reprteres trabalhando in loco, mas sem credenciais. [...] Minha misso era ficar ali, do outro lado da rua, esperando. Quando algum atleta voltava dos treinos ou das competies eu pedia uma entrevista. Muitos atletas entenderam a situao e saram para falar. Alguns, vrias vezes. E houve os que, por saber que estaramos de planto dia e noite, vieram sem que fosse preciso pedir (KFOURI,A. In KFOURI; MELIGENI, 2008, p.17).

    A preparao e o conhecimento dos assuntos por parte dos profissionais voltam a

    ser discutidos aqui. Para o jornalista Andr Plihal, a preparao do profissional deve ser muito

    bem feita para a cobertura de um evento de tais propores.

    Normalmente a cobertura esportiva realizada sob a forma de um grande evento em que o jornalista tem o trabalho facilitado pela estrutura do local. Existem dificuldades, lgico, mas se o profissional viajar preparado, com uma boa noo do que vai encontrar, no ter muitos problemas (PLIHAL apud LINHARES, 2006, p.55-56).

    O interesse do pblico brasileiro nos esportes que no o futebol est diretamente

    ligado ao bom desempenho de representantes compatriotas em cada modalidade. O fator de

    identificao faz com que o cidado comum se sinta representado nas vitrias atravs do

    esporte, como diz Frana (2006, p. 16): muitos dos valores nacionais podem ser analisados

    em grande escala, como a auto-estima de seus cidados, o patriotismo e o relacionamento

    externo com outras naes do planeta. O fato que o bom desempenho de um patrcio em

    alguma modalidade, mesmo que desconhecida, volta as atenes da mdia para tal esporte, o

    que traz uma divulgao ao esporte, mas no garantia de sucesso a longo prazo.

  • 27

    No h dvida, as vitrias dos atletas brasileiros em importantes competies internacionais so essenciais para a popularidade do esporte, para o aumento no espao da mdia [...]. O basquete feminino um excelente exemplo. Apesar da medalha de prata nos Jogos Olmpicos de Atlanta-1996 e do ttulo do campeonato mundial na Austrlia, em 1994, o esporte das estrelas Hortncia, Paula e Janeth no conseguiu se desenvolver em nvel profissional fora de So Paulo (COUTINHO In VILLAS BOAS, 2005, p. 112).

    O esporte quase sempre est ligado ao orgulho patritico, sendo os atletas

    verdadeiros representantes do orgulho nacional, quando do confronto contra estrangeiros.

    Essa devoo, apesar de contribuir s vezes para a popularizao do esporte, pode ser

    compreendida tambm como uma falta de organizao social que deposita nos dolos todos os

    anseios e esperanas de vitrias de um pas.

    O espetculo esportivo mescla sonho, poltica e pragmatismo, na medida em que as competies, sejam elas regionais ou internacionais, revelam no balano do quadro de medalhas as discrepncias que diferenciam as naes, tanto em nvel econmico, poltico-ideolgico quanto scio cultural (RUBIO, 2001, p. 97).

    O jornalista Victor Martins, editor-chefe do site Grande Prmio e da Revista

    Warm Up, tem uma viso particular para tal fenmeno, citando a identificao do brasileiro

    com o automobilismo aps o aparecimento de Emerson Fittipaldi e suas conquistas em

    circuitos europeus.

    At os anos 70, o brasileiro era sempre visto como pobrezinho, aquele complexo de inferioridade que vez ou outra aparece, s um brasileirinho naquele mundo. Quando Emerson deu o pontap para os ttulos e Piquet e Senna mantiveram a boa fase, o brasileiro passou a se achar como no futebol e, de novo, a TV fazendo a lavagem cerebral ajudou muito: era o melhor do mundo. Qualquer derrota no esporte passou a ser vista como um absurdo. Como um alemo pde ter passado Senna? Como agora a Alemanha passou o Brasil em menos de 20 anos em termos de ttulos mundiais? claro que em todos os pases seus povos admiram mais esportistas locais do que os de fora, mas no Brasil se ensinou que estrangeiro inimigo. O brasileiro nunca erra. O brasileiro no desonesto. O outro, se ganha, tem um pormenor. Foi roubado (MARTINS, 2011)4.

    A imprensa tem grande parcela de influncia na construo de dolos e tambm

    contribui para o rpido esquecimento dos mesmos. O que pode ser notado tambm na

    ausncia de legados em esportes em que o Brasil teve recentemente um grande dolo, como o

    caso do Tnis, com Gustavo Kuerten. Em reportagem do jornal Folha de So Paulo de 08 de

    4 MARTINS,Victor. So Paulo: 15/10/11. Entrevista concedida Spartacus Alexandre Silva

  • 28

    junho de 2007, os reprteres Fernando Itozaku e Luis Ferrari descreveram a no continuidade

    do sucesso do tnis nacional na era ps-Guga.

    Atletas, dirigentes e os principais personagens do mercado nacional do tnis so unnimes na avaliao: dez anos depois de o cabeludo surfista do saibro colocar o Brasil no mapa da modalidade, o legado para o tnis nacional quase nulo [...] Se algo foi feito, no est dando resultado. Entre os profissionais, o ltimo ttulo relevante na ATP foi em setembro de 2004 (ITOZAKU; FERRARI, Folha de So Paulo, 08 jun. 2007)5.

    Coutinho destaca que o trabalho dos jornalistas de outras modalidades seria

    facilmente influenciado e teria tido mais espao com o aparecimento de dolos.

    O primeiro dos trs ttulos de Guga em Roland Garros, em 1997, era o sonho e qualquer jornalista que trabalhasse com Tnis no Brasil nos anos de 1970. [...] seguindo a trilha de tantos outros esportes, olmpicos ou no, o tnis brasileiro se ressentia de um dolo, e com ele, de maior popularidade o que resultaria em espao diretamente proporcional na mdia (COUTINHO In VILLAS BOAS, 2005, p.95).

    Em 2011, o nico tenista brasileiro entre os 100 mais bem colocados no ranking

    da ATP (Associao de Tnis Profissional) Thomas Belucci, que ocupa a 35 posio6. Os

    outros esportes tambm sofrem com a inexistncia de um dolo e, com isso, a falta de

    popularidade entre o pblico em geral. O Boxe, que ganhou destaque nas eras Maguila, no

    final da dcada de 1980, e Acelino Pop Freitas, final da dcada de 1990, hoje possui apenas

    um brasileiro nos rankings da WBA (World Boxing Association): Laudelino Barros, que

    ocupa a 8 posio na categoria Cruiserweight7.

    Gomes contesta o comportamento do brasileiro, destacando como a Frmula 1,

    que perdeu interesse no pas aps a morte de Ayrton Senna, ainda consegue ser atrativa em

    diversas partes do mundo.

    5 ITOZAKU, Fernando, FERRARI, Lus. Tnis do Brasil no v legado de Guga. 2007. Folha de So Paulo. 08/06/07. Disponvel em: . Acesso em: 15 out. 2011.6 Rankings. ATP, 2011. Disponvel em;< http://www.atpworldtour.com/Rankings/Singles.aspx>. Acesso em: 13 out. 2011.7 WORLD BOXING ASSOCIATION. Official Ratings as of September 2011. 2011. Disponvel em: http://wbanews.com/artman/uploads/1/WBA_09-11_2.pdf. Acesso em: 13 out. 2011.

  • 29

    O interesse por ela (pela modalidade), no mundo todo, no condicionada nacionalidade dos vencedores. Claro que ajuda. O dia em que a Malsia tiver um piloto ganhando corridas provvel que o autdromo de Sepang fique mais cheio do que habitualmente. Mas a frmula 1 corre na Malsia mesmo assim. Isso vale para qualquer pas. Nunca um japons venceu um GP. Mas Suzuka, todos os anos, recebe multides para sua corrida (GOMES InVILLAS BOAS, 2005, p. 151).

    Para Martins, a tendncia dos esportes que no produzem dolos despencar na

    preferncia do pblico, devido cultura do brasileiro, j destacada, de se interessar pelas

    modalidades que tm compatriotas em alta, diminuindo assim o espao de cobertura e

    divulgao de tais modalidades.

    No produzir dolos, nesta cultura j dita, representa perda de interesse. E quando o interesse se vai, o jornalista tem um pblico menor pra escrever. E o veculo de comunicao comea a destinar menos espao e demanda para tal. A F1 na Globo comea minutos antes das corridas. A Stock Car mal tem sua temporada passada ao vivo. A Indy, absurdamente, no ter transmisso ao vivo nem da Bandeirantes nem do Bandsports. [...] A TV est acabando com sua cobertura de automobilismo, a verdade. E a tendncia essa, mesmo, at que no surja algum interessante (MARTINS, 2011)8.

    Pode-se concluir que a cobertura de esportes no Brasil, que no o futebol, est

    estritamente ligada ao aparecimento de figuras de referncia em tais modalidades.

    3.2. Cobertura de Esportes Especializados no Brasil

    Trs esportes tiveram grande destaque na concorrncia com o futebol durante

    algumas dcadas, seja devido ao nmero de vitrias, dolos ou a conquista de fs e

    consumidores de tais modalidades. O Basquete, o Volei e o Automobilismo, foram alguns dos

    esportes alm do futebol em que o Brasil conquistou notoriedade e grandes resultados

    internacionais, consolidando por um bom tempo o espao que cada um recebeu nos veculos

    de comunicao.

    O basquete surgiu no Brasil no incio do sculo XX, aps ter sido inventado pelo

    professor canadense James Naismith, em Massachussets, nos Estados Unidos. O esporte

    chegou no Brasil por intermdio do norte-americano Augusto Shaw que, aps se graduar em

    8 MARTINS, Victor. So Paulo. 15 out.2011. Entrevista concedida Spartacus Alexandre Silva.

  • 30

    artes em seu pas de origem, veio lecionar no Mackenzie College em So Paulo. Em 1912,

    tem-se notcia dos primeiros torneios de basquete, no Rio de Janeiro.

    Ao final da dcada de 1950, o esporte viveu seus momentos de glria, quando a

    gerao comandada por Wlamir Marques conquistou o primeiro ttulo mundial, em 1959, no

    Chile. O Jornal do Brasil dedicou a capa e boa parte do caderno de esportes ao feito em solo

    chileno.

    Vencendo ontem noite o Chile por 73 a 49, o Brasil sagrou-se campeo mundial de basquetebol [...]. O Brasil iniciou o jogo com sua equipe titular Algodo, Edson, Amauri, Wlamir e Waldemar. Os brasileiros no incio pareciam sentir o peso da responsabilidade de um ttulo mundial, mas aos poucos a equipe foi se firmando (BARROS, Jornal do Brasil, 1 fev. 1959, p. 13)9.

    Aps o ttulo no Chile, o esporte voltaria a brilhar quatro anos mais tarde,

    pegando carona no sucesso do futebol, bi-campeo mundial em 1958 e 1962. Nos anos

    seguintes, o basquete tambm conquistava ttulos que o firmavam como o segundo esporte na

    preferncia dos brasileiros. Em matria do Jornal do Brasil de 24 de maio de 1963, na fase

    final do campeonato mundial disputado no Brasil, fica clara a popularidade do esporte no

    pas.

    A renda de ontem no Maracanzinho, apesar do televisionamento da partida, foi recorde absoluto de arrecadao para Basquetebol no Brasil: Cr$ 5.500 mil. Brasileiros e Soviticos jogaram para o maior pblico de basquetebol registrado no pas: 20 mil pessoas, lotao mxima do Maracanzinho. Na entrada do ginsio, pouco antes de comear a partida preliminar entre Estados Unidos e Itlia, cambistas vendiam arquibancadas a Cr$ 2 mil e encontravam fregueses a quantidade, apesar de ser Cr$ 400 o preo normal (ALMEIDA, Jornal do Brasil, 24 mai. 1963, p. 12)10.

    Aps a gerao bi-campe mundial, na dcada de 1980 outra gerao marcou

    poca e popularidade no esporte, revelando dolos como Oscar, Marcel e Demetrius, que

    levaram a Seleo Brasileira a um ouro indito nos Jogos Pan Americanos de 1987,

    derrotando os Estados Unidos na final. Na dcada de 1990 o basquete feminino que ganhou

    notoriedade, com o surgimento da gerao de Paula, Hortncia e Janeth, campes mundiais 9 BARROS, Clio. Brasil o novo campeo mundial de basquete. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 fev. 1959. p.13. Disponvel em: . Acesso em: 12 out. 2011.10 ALMEIDA, Dcio. Brasil venceu Unio Sovitica por 90 79. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 mai. 1963. p.12. Disponvel em:0.Acesso em: 12 out. 2011..

  • 31

    em 1994. Mas ao final da dcada de 1990 o esporte sofreria grandes abalos em popularidade,

    com a no participao em Jogos Olmpicos.

    Para o jornalista Fabio Balassiano, do blog especializado em basquete, Bola na

    Cesta, do Portal UOL, a queda da popularidade do basquete nos ltimos tempos se d devido

    a no produo de dolos e aos fracos resultados internacionais.

    H menos clubes, menos atletas de nvel, mas em termos jornalsticos isso bom, porque voc pode se debruar sobre os motivos que levaram a isso nos ltimos anos. Acho que o que mais tento fazer no blog. Focar menos naquesto tcnica da coisa, e mais na questo estrutural. [...] (o interesse do pblico) pequeno. O nvel de interesse varia sempre de acordo com os resultados internacionais obtidos. O basquete no tem ido bem, o pblico esquece da modalidade. Se classifica para Londres, o pblico lembra. natural e bem simples (BALASSIANO, 2011, grifo nosso)11.

    Atualmente, as principais ferramentas de divulgao do basquete no Brasil esto

    na internet. Apesar da falta de resultados internacionais, vrios portais de notcias mantm

    sites especializados na modalidade, como o caso do Bala na Cesta, do Portal UOL. O

    ESPN.com mantm uma pgina sobre o tema, mas no um profissional especfico. Os

    jornalistas/comentaristas Jos Roberto Lux, Paulo Antunes e Everaldo Marques falam sobre o

    esporte em seus blogs. No Portal IG destaca-se o blog do jornalista Fabio Sormani e no

    GloboEsporte.com os blogs Rebote, do jornalista Rodrigo Alves, e Lance Livre, de Byra

    Bello. Balassiano destaca a fora que a internet tem no processo de informao do esporte,

    mas chama a ateno para a forma da cobertura.

    Existe um movimento sem igual no basquete que a proliferao de blogs/sites/tumblrs/facebooks na internet sobre o assunto, mas ainda h muita imaturidade jornalstica em relao a contedo, noticirio e formas de lidar com atletas e entidades. At os grandes portais e jornais acabam se curvando ao diz que me diz e no apuram como deveriam. Na internet, o nmero de sites muito bom, mas o contedo, no (e eu me incluo a). Existe, hoje em dia, um "teso" pelo furo que irritante demais. Acho que esse "teso" pssimo para uma modalidade que precisa muito pouco de informaes rpidas e muito de informaes bem dadas. Ao invs de ns, conteudistas, nos preocuparmos em darmos a melhor notcia, o que se v uma turma querendo dar a notcia mais rpida, como se isso fosse o "melhor do jornalismo. (BALASSIANO, 2011)12.

    Muito da cobertura de basquete no Brasil tambm vem da NBA (National

    Basketball Association), a liga Norte-Americana, que o campeonato mais popular do

    mundo. Em 2011 so quatro brasileiros atuando na NBA: Anderson Varejo (Cleveland

    11 BALASSIANO, Fbio. Rio de Janeiro. 15 out. 2011. Entrevista concedida Spartacus Alexandre Silva.12 BALASSIANO, Fbio. Rio de Janeiro. loc. cit.

  • 32

    Cavaliers), Nen Hilrio (Denver Nuggets), Leandrinho Barbosa (Toronto Raptors) e Tiago

    Splitter (San Antonio Spurs). O Brasil possui atualmente uma liga de clubes, o NBB (Novo

    Basquete Brasil), que tem crescido em popularidade diante do pblico de basquete. Para

    Balassiano, este crescimento e organizao do esporte no pas podem ser fundamentais para a

    mudana de foco quase exclusiva que se tem hoje.

    A criao de uma Liga Nacional e o desenvolvimento das ligas europias fazem com que o foco mude um pouco e no se restrinja apenas NBA. Isso muito bom para o leitor, e muito bom para o jornalista, que no precisa ficar "parado" em apenas um tema (BALASSIANO, 2011)13.

    A classificao da Seleo Brasileira Masculina de basquete para a disputa dos

    Jogos Olmpicos de Londres em 2012, aps ficar de fora das trs edies anteriores, devolve a

    empolgao aos fs e tambm a jornalistas especializados no assunto.

    O Voleibol considerado hoje, no Brasil, o segundo esporte em popularidade e

    aceitao perante o pblico. Por possuir times extremamente vitoriosos nas duas modalidades,

    masculino e feminino, o vlei, dos anos de 1980 at hoje, passou a produzir diversos dolos e

    profissionais respeitados no s no pas, mas tambm em todo o mundo.

    As primeiras aes para a profissionalizao do vlei no Brasil datam de 1975,

    com a entrada de Carlos Arthur Nuzman na presidncia da Confederao Olmpica Brasileira.

    O esporte ento comeou a ser encarado no como complemento das modalidades esportivas

    do pas, mas como um esporte que poderia sim estar entre as grandes paixes do brasileiro.

    Coerentemente, Nuzman tratou de solidificar sua base de apoio poltico-conservador e empresarial, buscando estratgias que propiciassem uma lgica na forma de administrao da instituio esportiva de sua responsabilidade (MARCHI JR, 2001, p.123).

    Todo o trabalho comeou a dar resultado no incio dos anos 1990, quando nos

    Jogos Olmpicos de Barcelona, em 1992, a Seleo Masculina, com uma gerao que tinha

    Marcelo Negro, Tande, Giovane e Maurcio, conquistava uma medalha de ouro indita para

    o Brasil. Demais sucessos viriam a seguir, consolidando de vez o Volei no hall dos esportes

    mais bem sucedidos do Brasil.

    13 BALASSIANO, Fbio. Rio de Janeiro. loc. cit.

  • 33

    Nenhum pas no mundo possui ambos os selecionados (masculino e feminino) com posicionamento to bom em nvel internacional, como o Brasil. O nosso voleibol , hoje, o melhor do mundo, graas ao empenho e capacitao de tcnicos, atletas e dirigentes.O nosso esporte tem um apelo popular muito forte (BOJIKIAN, 1999, p.39).

    No Brasil, j houve tentativas de se implantar uma imprensa especializada em

    Volei, como no lanamento da revista Saque, que durou de 1984 at o final da dcada,

    quando deixou de ser publicada. (COELHO, 2003, p. 36)

    Um dos grandes nomes do esporte no pas o treinador Bernardo Rocha de

    Rezende, ou simplesmente Bernardinho, como popularmente conhecido. Autor do livro

    Transformando Suor em Ouro, ele conta uma parte da histria deste esporte no pas. Antes

    dos anos de 1970, no s o Volei, como qualquer outro esporte olmpico no Brasil, no era

    visto como profisso, pelo baixo nvel de profissionalizao do esporte.

    verdade que o voleibol brasileiro estava a quilmetros de distncia do profissionalismo ento a caminho [...] Ao mesmo tempo em que meus pais me incentivaram a praticar esporte, no viam com bons olhos a possibilidade de faz-lo como atividade nica, exclusiva, quase como um meio de vida. Nos anos 1960 e na maior parte dos 1970, futebol parte, o esporte no Brasil estava longe de ser profisso. Por isso eles exigiam que eu pusesse os estudos em primeiro lugar, deixando em segundo plano minha paixo pelo voleibol (REZENDE, 2006, p.31 e 37).

    Atualmente, diversos sites possuem pginas especializadas em Volei, alguns

    destacando profissionais para fazer a cobertura de eventos esportivos e campeonatos ao redor

    do mundo. No ESPN.com, destaca-se o blog do jornalista Mauricio Jahu. No

    GloboEsporte.com, o Sexto Set, assinado pelo jornalista Alexandre Oliveira, e no Portal IG,

    o blog Mundo do Volei, mantido pela ex-atleta e jornalista Aretha Martins, todos dedicados

    exclusivamente ao esporte. Na TV a cabo, a ESPN Brasil possui o noticirio semanal Por

    Dentro do Volei, enquanto a SporTV transmite diversas partidas da Superliga Masculina e

    Feminina de clubes, alm de jogos espordicos das selees. Na TV aberta, a Rede Globo

    transmite as finais das Superligas de clubes, alm de jogos espordicos das Selees.

    O automobilismo surgiu no Brasil no incio do sculo XX, com seu primeiro

    registro acontecendo em So Paulo, em 1902, no hipdromo da Mooca, como destaca Paulo

    Scali, em sua obra Autdromo de Interlagos14. Em 1908, logo aps a fundao do

    Automvel Clube do Brasil, foi realizada uma das primeiras competies oficiais que se tem

    notcia: uma corrida que se iniciava no Parque Antrtica, em So Paulo, ia at o centro da

    14 SCALI, 2004, p.13 apud FRANA, 2006, p.34.

  • 34

    Itapecerica da Serra e voltava ao Parque Antrtica. De acordo com Scali15, cerca de 10 mil

    espectadores acompanharam o espetculo, que fora vencido por Sylvio lvares Penteado,

    considerado o primeiro vencedor de uma corrida de automveis no pas.

    Na dcada de 1930, mais precisamente em 8 de outubro de 1933, o Brasil

    promoveu o primeiro evento internacional de automobilismo, o Grande Prmio Cidade do Rio

    de Janeiro, que contou com pilotos argentinos, italianos, portugueses e franceses entre os

    participantes. (FRANA, 2006) O primeiro piloto brasileiro a correr na Europa foi Chico

    Landi, inclusive o primeiro a correr pela Frmula 1, que teve o primeiro campeonato

    disputado com este nome em 1950.

    O pioneirismo da cobertura jornalstica do automobilismo no Brasil atribudo a

    Wilson Fittipaldi, o Baro, que l pelo fim da dcada de 1940 j se aventurava na Europa

    para transmitir corridas para a Rdio Panamericana, hoje Jovem Pan. (GOMES In VILLAS

    BOAS, 2005, p.142) Ainda de acordo com Gomes, Wilson foi o jornalista que percebeu

    antes de todos o que era automobilismo, e quanto aquelas provas de velocidade podiam ser

    interessantes para o pblico.16

    A cobertura do automobilismo s ganhou fora mesmo no pas a partir do final da

    dcada de 1960, quando Emerson Fittipaldi despontou como um grande talento da

    modalidade, vencendo corridas no exterior. Mas antes disso, como destaca Gomes,j havia

    alguma cultura automobilstica na imprensa nacional, pelo menos desde o final da dcada de

    1950. Em agosto de 1960 surge a revista Quatro Rodas, da Editora Abril. Em seu primeiro

    editorial, assinado pelo jornalista Victor Civita, diz

    Quatro Rodas aparece por trs motivos. Primeiro porque a indstria automotiva brasileira brotou e se expandiu to rapidamente nos ltimos quatro anos, que o nosso pas j se tornou um dos grandes produtores de automveis e caminhes. Este progresso, este mercado, exigem a cobertura jornalstica de uma publicao sria e objetiva. Segundo porque os proprietrios e compradores de carros no Brasil necessitam de uma publicao que lhes fornea informaes completas e compreensveis sobre manuteno, [...] etc. Terceiro porque belssimos recantos do nosso pas esto esperando para serem descobertos ou valorizados turisticamente por aqueles que possuem carro e esprito de aventura (CIVITA, 1960, p.5).17

    15 SCALI, 2004. loc cit16 GOMES In VILLAS BOAS, 2005, p. 14217 CIVITA, Victor. 1960, Carta do Editor. p.5. QUATRO RODAS. So Paulo: Editora Abril,1960. Disponvel em: . Acesso em: 15 out. 2011.

  • 35

    Quando a revista completou 50 anos, em 2010, seu editorial destacava o esprito

    de pioneirismo que Civita teve, em lanar a primeira publicao dedicada exclusivamente a

    um mercado em processo de consolidao no pas.

    Seu Victor teve a ousadia de vislumbrar e de fazer acontecer uma revista especializada em carros e turismo na poca em que os modelos nacionais no passavam de sete e as rodovias eram raras. No tem carro e no tem estradas neste pas e voc vai fazer uma revista sobre carros?, era a pergunta inevitvel. Nem preciso dizer que a resposta chegou em altssima velocidade: logo no ano de estria foram vendidas 63000 unidades (BEREZOVSKY, 2010, p.5).18

    Quatro Rodas foi a precursora de outras publicaes, como a AutoEsporte, mas

    como fica claro nos editoriais, no era uma revista voltada a competies automobilsticas, e

    sim focada no mercado de consumo e que se aventurava at no turismo. A partir da dcada de

    1970, mais precisamente em 1972, quando Emerson Fittipaldi ganhou seu primeiro ttulo na

    Frmula 1, que as publicaes passaram a dar maior visibilidade s competies a motor.

    Os anos de 1970, assim, acompanharam o nascimento de geraes. Primeiro, de admiradores e seguidores da formula 1; depois de jornalistas especializados naqueles carros e pilotos, conhecedores de um universo ainda inexplorado. Emerson seria bicampeo em 1974. Outros pilotos surgiram como Jos Carlos Pace e Nelson Piquet. Era um caminho sem volta (GOMES In VILLAS BOAS, 2005, p.145).

    O interesse do pblico pelo esporte passou a crescer cada vez mais, e a imprensa

    j no podia mais ignorar a modalidade.

    Dos esportes fora do futebol, o automobilismo talvez seja o que exija o maior grau

    de especializao e conhecimento por parte dos profissionais. Como destacado por Coelho

    (2003, p. 36), Quem faz automobilismo tem bom nvel de especializao. [...] O fato de

    obrigar quem trabalha com o esporte a conhecer coisas especficas o motor, por exemplo

    obriga maior nvel de dedicao.

    Devido ao alto nmero de detalhes envolvidos e ao contexto completamente

    diferente de um esporte de massa, como o futebol, o nvel de especializao deve ser ainda

    maior do que em outros esportes, como Volei ou Basquete, por exemplo. Como destaca

    Gomes:

    18 BEREZOVSKY, Sergio. 2010, Passado, Futuro e Presentes... p.5. QUATRO RODAS. So Paulo: Editora Abril, 2010. Disponvel em: . Acesso em: 15 out. 2011.

  • 36

    Explicar o resultado de uma corrida era tarefa mais difcil do que dizer que o Flamengo ganhou do Vasco porque jogou melhor. Era preciso entender de motores, pneus, estratgias, cmbios, conhecer os bastidores, os negcios, o dinheiro envolvido, detectar tendncias, imergir num mundo muito particular em suas relaes e interesses (GOMES In VILLAS BOAS, 2005, p.146).

    Porm, assim como em todos os outros esportes, o automobilismo tambm sofre

    com a falta de preparao e conhecimento de alguns profissionais. Para Martins,

    A maior parte dos jornalistas de automobilismo, diria que 70% dela, no entende do que est falando. Tem gente que nunca guiou um carro na vida. No que seja imprescindvel, mas ter conhecimento de um carro muito mais valioso do que voc transformar um boleiro em comentarista de futebol. Se voc precisar de um comentrio tcnico, importante (MARTINS, 2011)19.

    A falta desse profissional no mercado possibilita o aparecimento cada vez maior

    de pessoas que j trabalharam no meio do esporte como comentaristas e analistas de

    determinado assunto especfico. Exemplos so ex-pilotos que comentam a Frmula 1 ou ex-

    jogadores que viraram comentaristas de futebol.

    19 MARTINS, Victor. So Paulo. 14 out. 2011. Entrevista concedida Spartacus Alexandre Silva.

  • 4. ANLISE DE CASO REVISTA WARM UP

    Como esta pesquisa tem por objetivo analisar a segmentao dentro do Jornalismo

    Esportivo, tomou-se como objeto de estudo a Revista Warm Up20, publicao online, voltada

    exclusivamente ao automobilismo. Como relatado no captulo anterior, o automobilismo

    uma modalidade esportiva que j atingiu seu pice no Brasil, com as geraes de Emerson

    Fittipaldi (dcada de 1970), Nelson Piquet e Ayrton Senna (dcadas de 1980 e incio de 1990)

    na Frmula 1, e hoje vive uma grande escassez de ttulos e dolos. Alm da Revista,

    abordaremos tambm o site Grande Prmio e a Agncia Warm Up, que deram origem

    publicao.

    Atravs deste estudo, pretende-se mostrar como uma publicao que trata de um

    esporte que no o futebol mantm-se viva e com contedo sempre atualizado, e como convive

    com a falta de dolos e popularidade do grande pblico.

    De acordo com Duarte (2005, p. 219) o estudo de caso deve ter preferncia

    quando se pretende examinar eventos contemporneos, e a revista Warm Up encaixa-se nesta

    contemporaneidade pelo fato de a publicao ser online, destinada apenas a leitores que

    possuem acesso a internet, seja por meio de estaes fixas, como computadores e notebooks

    ou em aparelhos mveis, como tablets e celulares.

    O estudo de caso uma inquirio emprica que investiga um fenmeno contemporneo dentro de um contexto da vida real, quando a fronteira entre o fenmeno e o contexto no claramente evidente e onde mltiplas formas de evidncia so utilizadas (YIN, 2001, p. 32 apud DUARTE, 2005, p. 216).

    A segmentao do pblico (pelo assunto e pelo modo de distribuio) fez com que

    a anlise fosse vivel e interessante, pois aborda todos os assuntos tratados nos captulos

    anteriores.

    20 WARM UP Expresso em ingls que significa aquecimento no sentido de preparao para algum evento esportivo. Disponvel em: . Acesso em 01 dez. 2011

  • 38

    4.1 Metodologia

    Para se realizar a anlise da Revista Warm Up, foram utilizados alguns mtodos

    para se chegar a um resultado satisfatrio. O primeiro dos mtodos empregados para a anlise

    de dados foi a consulta a todo o arquivo da Revista, disponvel integralmente na internet, no

    site da mesma. A consulta aos blogs dos profissionais envolvidos na publicao, Flvio

    Gomes 21 Victor Martins 22 e Ivan Capelli 23, tambm serviu como fonte de informao, j que

    trazia a palavra dos jornalistas envolvidos diretamente na confeco da revista online.

    O estudo de caso utiliza para a coleta de evidncias, principalmente, seis fontes distintas de dados: documentos, registros em arquivo, entrevistas, observao direta, observao participante e artefatos fsicos, cada uma delas requerendo habilidades e procedimentos metodolgicos diferenciados (DUARTE, 2005, p. 219).

    Alm da consulta em arquivo e coleta de dados e textos da revista, foram ouvidos

    tambm, separadamente, os jornalistas Flvio Gomes, criador da Agncia Warm Up e chefe

    geral de redao da Revista Warm Up e Site Grande Prmio, e Victor Martins, editor-chefe da

    Revista e Site Grande Prmio. As entrevistas foram realizadas por email, em variadas datas, e

    esto publicadas anexas a esta pesquisa, para uma anlise mais pertinente do universo de

    pesquisa delimitado e cruzamento das informaes.

    A entrevista em profundidade um recurso metodolgico que busca, com base em teorias e pressupostos definidos pelo investigador, recolher respostas a partir da experincia subjetiva de uma fonte, selecionada por deter informaes que se deseja conhecer (DUARTE, 2005, p. 62).

    Com todos estes dados em mos e a seleo das evidncias, cruzam-se os dados

    para obter um resultado satisfatrio.

    Para garantir a qualidade da pesquisa, Yin aponta ainda trs princpios a serem empregados na atividade de coleta de dados, tambm fundamentais para essas seis fontes: (1) a utilizao de vrias fontes de evidncias; (2) a criao de um banco de dados para o estudo de caso; e (3) a manuteno de um encadeamento de evidncias (DUARTE, 2005, p. 219).

    21 http://colunistas.ig.com.br/flaviogomes/ e http://flaviogomes.warmup.com.br/.22 http://colunistas.ig.com.br/victormartins/ e http://victormartins.warmup.com.br/.23 http://blogdocapelli.warmup.com.br/.

  • 39

    Ainda de acordo com Duarte (2005, p. 230), a entrevista em profundidade

    considerada uma das mais importantes fontes de informaes para um estudo de caso.

    Assim, para o conhecimento do dia a dia da redao e a forma de trabalho e distribuio da

    Warm Up, este mtodo tambm foi utilizado nesta pesquisa.

    O universo de pesquisa delimitado para este estudo, por restries de tempo e

    espao, compreende a anlise de seis das dezenove edies j publicadas da revista Warm Up,

    sendo elas: Maro (Edio Zero), Abril (Edio Um) e Maio (Edio Dois) de 2010, e as de

    Agosto (Edio Dezessete), Setembro (Edio Dezoito) e Outubro (Edio Dezenove) de

    2011. Optou-se por analisar as trs primeiras edies e as trs mais recentes, para notar as

    principais diferenas desde o seu lanamento e quais as modalidades mais citadas e que detm

    o maior espao na revista.

    4.2 Warm Up e Grande Prmio

    A histria da Warm Up comeou em 1994, quando o jornalista Flvio Gomes

    criou a agncia de notcias homnima, especializada em automobilismo, a fim de abastecer

    jornais brasileiros e internacionais com notcias da Frmula 1 (F1). Na poca, Gomes fazia a

    cobertura da modalidade pela Rdio Jovem Pan de So Paulo, viajando o mundo todo, e

    distribua as notcias aos jornais utilizando os mtodos de transmisso de informaes da

    poca. De acordo com Gomes, a Agncia atendia, em 1994, a 55 jornais no pas inteiro.

    Viajava, cobria as corridas pela Pan e mandava matrias para 55 jornais por fax. Na verdade mandava pelo computador para uma empresa, a ProdutoBrasil, que usava trs linhas simultneas para retransmitir para os jornais. Era uma operao cara e primitiva, quando se v as possibilidades atuais. Mas era o que havia disponvel (GOMES, 2011)

    24.

    Em 1996, com a consolidao da internet no pas, surgiu o site Warm Up 25 e,

    com ele, a maneira de distribuio adaptada e passa a ter a cobertura ampliada. De acordo

    com Gomes, em 1996 comeamos a transmitir por BBS. Depois, por e-mail e, mais tarde,

    atravs de um site aos quais os jornais tinham acesso atravs de senha26. O site Warm Up foi

    um dos primeiros especializados em Frmula 1 no Brasil.

    24 GOMES, Flvio. So Paulo. 7 nov. 2011. Entrevista concedida Spartacus Alexandre Silva.25 http://www.warmup.com.br.26 GOMES, Flvio. loc. cit.

  • 40

    No ano 2000, o site Warm Up tornou-se Grande Prmio 27. A mudana do nome

    se deu porque o site passou a integrar o portal IG, que exigiu o nome em portugus. O site

    ento ampliou sua cobertura jornalstica, que at ento era somente de Frmula 1, para as

    demais modalidades do automobilismo, como Frmula Indy, Stock Car, GP2 e Moto-GP.

    Hoje, na pgina inicial do site, constam, alm das modalidades citadas, links com notcias de

    Rali, Frmula Turismo, F-2, F-3, F-Superliga, F-Renault, A1 GP e Kart. De acordo com

    Victor Martins, a Agncia Warm Up ainda fornece hoje contedo a 8 jornais, todos no Brasil.

    4.2.1 A Revista Warm Up

    Concomitantemente mudana do nome do site de notcias, a Agncia Warm Up

    continuou existindo e, em maro de 2010, lanava o mais novo projeto, chamando-o de o

    brao eletrnico do site Grande Prmio: a Revista online Warm Up, com periodicidade

    mensal. Como relatado pelo jornalista Ivan Capelli, na edio do 1 aniversrio da revista, a

    Warm Up foi uma idia que apareceu um dia, numa despretensiosa conversa por MSN entre

    mim e o Bruno Mantovani [...] Logo em seguida adicionamos o Victor Martins conversa e,

    surpreendentemente, o projeto ganhou rapidamente o apoio e o incentivo do Grande

    Prmio.28

    Como revelado no primeiro editorial da Revista, a idia passou a ser divulgada

    como projeto secreto nas redes sociais, at ser, de fato, lanada em maro de 2010. A

    equipe na poca contava com Flvio Gomes, Victor Martins, Evelyn Guimares, Marcelo

    Ferronato, Marcus Lellis, Luana Marino, Felipe Paranhos, Joo Paulo Borgonove, Ivan

    Capelli (editor) e Bruno Mantovani (arte).

    De acordo com Flvio Gomes, a revista fez-se necessria porque a natureza do

    (site) Grande Prmio de 'hard news', noticirio dirio, quente, de leitura rpida e puramente

    informativa."29 Pela periodicidade mensal da Warm Up, as matrias passariam a ser mais

    trabalhadas e profundas, como destacou Gomes. "Mal comparando, o (site) Grande Prmio

    27 http://grandepremio.ig.com.br/.28 Revista Warm Up, edio 12. p.12. Disponvel em: < http://www.revistawarmup.com.br/edicoes/12/>. Acesso em 08.nov.201129 Grande Prmio lana brao eletrnico pioneiro na internet, Revista Warm Up. 2010. Disponvel em grifo nosso.

  • 41

    um jornal, que precisava ter sua revista 'dominical', digamos assim. Material de leitura mais

    demorada, temas mais aprofundados, com tratamento grfico diferenciado."30

    De maro de 2010 a outubro de 2011, a revista teve 19 edies, abordando os

    mais variados temas dentro do automobilismo. Em dados fornecidos pelo editor-chefe Victor

    Martins, a Revista Warm Up tem uma mdia de 110 mil acessos por ms. A edio campe de

    acessos foi a de setembro de 2010, com 172 mil acessos. Ela trazia na capa o caso da sada do

    piloto brasileiro Nelson Angelo Piquet, o Nelsinho, da Frmula 1, aps o escndalo com

    Flavio Briattore, chefe da equipe Renault. Gomes considera que a edio trouxe o maior

    escndalo de todos os tempos na F-131, por isso o grande nmero de acessos.

    A especializao no automobilismo, de todos os profissionais envolvidos, um

    dos principais diferenciais da Warm Up. No editorial da edio 12 (maro 2011), Martins cita

    que a Warm Up feita por gente que gosta do que faz, cada um a seu modo e estilo.32

    fcil se acomodar nas "hard news" [...] Uma revista online tornou-se uma descoberta. Uma redescoberta. No tenho dvidas de que a revista, por mais trabalhosa e quase filantrpica que parea ser, trouxe a mim e a meus companheiros de trabalho, um jornalismo que a gente sonha em fazer, com a independncia que a casa nos permite.

    33

    Na mesma edio, Flvio Gomes vai alm: Editorialmente a melhor publicao

    sobre automobilismo em lngua portuguesa do mundo. Falo isso sem falsa modstia. Temos

    pauta, criatividade, competncia e gente que entende do assunto fazendo.34 O

    aprofundamento das matrias da Warm Up mostra o conhecimento dos reprteres e editores

    no assunto.

    Martins destaca ainda que um dos pontos fortes da revista a linha editorial, que

    no segue a padres pr-estabelecidos e d aos profissionais total liberdade para criar,

    investigar e publicar qualquer assunto relevante. Aqui na Warm Up temos uma liberdade

    editorial irrestrita e fazemos um trabalho investigativo, sem estarmos amarrados a ningum.

    Pagamos um preo pela independncia, mas recompensador ver que se trata de algo bem

    feito e diferenciado.35

    30 Grande Prmio lana brao eletrnico pioneiro na internet, Revista Warm Up. 2010. loc. cit31 GOMES, Flvio. So Paulo. 7 nov.2011. Entrevista concedida Spartacus Alexandre Silva.32 Revista Warm Up, edio 12. p.4. Disponvel em: < http://www.revistawarmup.com.br/edicoes/12/>. Acesso em 08.nov.201133 Revista Warm Up, edio 12. loc. cit34 Revista Warm Up, edio 12. p.9. Disponvel em: < http://www.revistawarmup.com.br/edicoes/12/>. Acesso em 08.nov. 201135 MARTINS,Victor. So Paulo. 14 out.2011. Entrevista concedida Spartacus Alexandre Silva.

  • 42

    O caso de doping do piloto Tarso Marques, que foi capa da edio de abril de

    2011, foi a maior sequncia de reportagens da revista e, para Gomes, a mais trabalhosa.

    Segundo ele, foram mais de seis meses apurando, cruzando informaes, ouvindo todos os

    lados possveis.36

    Em outubro de 2011, a equipe conta com Flvio Gomes, Victor Martins, Evelyn

    Guimares, Fernando Silva, Felipe Paranhos, Felipe Giacomelli, Juliana Tesser, Paula

    Gondim e Mauro de Bias, alm de Ivan Capelli e Bruno Mantovani.

    4.3 Anlise do Material Emprico

    Em maro de 2010 surgiu a Revista Warm Up e, como capa da primeira edio,

    veio a reportagem F1 Retr, assinada por Felipe Paranhos e Marcelo Ferronato. A edio

    tem 60 pginas. Das 6 reportagens apresentadas, 5 falavam sobre a Frmula 1 e uma sobre a

    Frmula Indy. As colunas de Victor Martins, Ivan Capelli e Flvio Gomes, alm da charge

    inicial, tambm abordavam temas referentes Frmula 1.

    FIGURA 01 Na ordem as capas das trs primeiras edies da Revista Warm Up.

    A sequncia do contedo da Edio Zero da Warm Up a seguinte: Pilotoons

    (Charge); Coluna Primeira Pessoa, de Marcelo Ferronato, O exlio que priva a encheo,

    relatando os problemas na cobertura dos treinos e GP de Barcelona, na Frmula 1. Seo

    Contraponto, onde os jornalistas da equipe respondem a questionamentos em 140 caracteres

    (limite da rede social Twitter). Reportagem Whatever Stefan Wants, Stefan Gets, assinada

    36 GOMES, Flvio. So Paulo. 7 nov.2011. Entrevista concedida Spartacus Alexandre Silva.

  • 43

    por Victor Martins, sobre as vrias tentativas do empresrio srvio Zoran Stefanovic de ter

    uma equipe na F1. Coluna de Victor Martins, sobre a matria anterior. Reportagem Virgin

    Rocks, assinada por Evelyn Guimares e Marcelo Ferronato, sobre a apresentao da mais

    nova equipe da Frmula 1, a Virgin Racing. Coluna de Ivan Capelli, sobre a reportagem

    anterior. Perfil Kamul Kobayashi, assinado por Marcelo Ferronato, com um perfil da

    carreira do piloto japons que estreava na Frmula 1 naquela temporada. Reportagem de capa

    F1 Retr, por Felipe Paranhos e Marcelo Ferronato, que aborda a nostalgia que a Frmula 1

    vivia ao receber de volta vrias equipes antigas. Coluna de Flvio Gomes sobre a reportagem

    anterior. As Curvas da Asa Delta, assinada por Joo Paulo Borgonove, sobre as mudanas

    que a Frmula Indy pode passar na temporada 2012. E fechada com a seo Click, que traz

    fotos exticas de alguma modalidade do automobilismo. Nesta edio, uma foto dos treinos

    para o GP da Blgica, na Frmula 1. A revista teve 97 mil acessos, at a data de 09 de

    novembro de 2011.

    Em abril de 2010 foi publicada a segunda edio. Como matria de capa, Michael

    Schumacher, o maior campeo da Frmula 1, que, aps anunciar a aposentadoria, retornou s

    competies em 2010. Como no obteve os mesmos resultados, o ttulo da capa Ele no

    mais o mesmo?, assinada por Victor Martins. A edio tem 106 pginas. Das 9 reportagens

    apresentadas, 5 falavam sobre Frmula 1. Duas matrias falavam da Stock Car e duas sobre a

    Frmula Indy. Nas colunas de Flvio Gomes, Ivan Capelli e Victor Martins, somente a de

    Martins fala sobre a Frmula 1. A de Gomes complementa a sequncia de matrias sobre

    Automobilismo e Futebol e a de Capelli trata de um assunto fora do automobilismo. A charge

    inicial Pilotoons tambm tem como tema a F1.

    A primeira srie de reportagens da revista Automobilismo Futebol Clube, que

    trata da insero de clubes de futebol em modalidades do automobilismo. Devagar se vai ao

    longe, de Luana Marino, que fala sobre o Flamengo na Frmula Superliga. Logo aps, 100

    anos, 1 meta, assinada por Marcus Lellis, que trata da entrada do Corinthians, em

    modalidades como a GT Brasil e Frmula Truck. O Ba-Vi fora dos estdios a matria

    assinada por Felipe Paranhos, que trata dos dois clubes rivais de Salvador (BA) e suas

    categorias no automobilismo. Paulisto em quatro rodas vem na sequncia, por Marcus

    Lellis, Victor Martins e Evelyn Guimares, abordando a entrada dos quatro grandes times de

    futebol de So Paulo (Corinthians, Palmeiras, So Paulo e Santos) no automobilismo. A

    coluna de Flvio Gomes faz um apanhado geral do assunto e mostra como a relao futebol-

    automobilismo comeou.

  • 44

    A matria Duas corridas, um mesmo personagem, por Evelyn Guimares, fala

    sobre o piloto Cac Bueno, da Stock Car. Voltar ou no voltar, eis a questo, fala sobre a

    possvel volta de Ingo Hoffman (maior campeo da Stock Car) s pistas aps a aposentadoria

    (link com a matria de capa, sobre a volta de Michael Schumacher).

    O assunto Frmula 1 abordado de forma consistente, na sequncia de anlises

    dos primeiros GPs da temporada (Bahrain, Austrlia e Malsia). A reportagem de capa O

    que acontece com Schumacher?, assinada por Victor Martins. A Frmula Indy aparece pela

    primeira vez em reportagem de Joo Paulo Borgonove, Foca [nem to] fora dgua, que

    relata a experincia de cobertura do GP de So Paulo. Na sequncia, Victor Martins traz

    Nota... Dez (o que falta para), uma anlise da etapa brasileira da Indy. A revista se encerra

    com a seo Click. A revista teve 112 mil acessos, at a data de 09 de novembro de 2011.

    Em maio de 2010 a capa trazia a manchete Interlagos 70 anos, em referncia ao

    aniversrio do principal autdromo do Brasil e que sedia as etapas da Frmula 1. A edio

    tem 108 pginas e 12 reportagens, sendo 4 sobre Frmula 1 (alm da sequncia de

    reportagens de capa, que falam sobre a modalidade e o autdromo de Interlagos). Uma

    matria sobre Stock Car, uma sobre automobilismo em geral e uma sobre Super GT. As

    colunas de Ivan Capelli, Victor Martins e Flvio Gomes falam sobre Frmula 1, a de Gomes

    sobre o autdromo.

    A charge Pilotoons abre a revista, com o tema Frmula 1. Depois um especial

    sobre Ayrton Senna, em que jornalistas da revista e comentaristas convidados opinavam sobre

    qual o maior feito e o maior fracasso de Ayrton nas pistas. Logo aps, Na Fila do

    desemprego, de Felipe Paranhos, sobre pilotos de vrias modalidades que tm dificuldades

    para se empregarem. Morte e vida gacha, de Ivan Capelli, fala sobre a Stock Car. Coluna

    de Ivan Capelli. Sequncia de anlises dos GPs da China e Espanha, na Frmula 1. A

    sequncia de reportagens de capa comea com Interlagos, um setento enxuto, por Victor

    Martins. Sobre o mesmo tema, A experincia de quase-morte e o renascimento, de

    Fernando Silva e Joo Paulo Borgonove; Plstica, Botox e Lipo e Arena Interlagos, por

    Marcus Lellis; Do Lado de Fora, por Luana Marino e Evelyn Guimares; A Casa de

    Barrichello, por Evelyn Guimares. A coluna de Flvio Gomes fecha a sequncia.Um

    nasce, o outro renasce, por Luana Marino e Joo Paulo Borgonove, fala sobre a GT Brasil. A

    revista encerra-se com a seo Click. A edio teve 88 mil acessos at a data de 09 de

    novembro de 2011.

    Segue agora a anlise das trs edies mais recentes (Agosto, Setembro e Outubro

    de 2011).

  • 45

    FIGURA 02 Na ordem as capas das edies 17, 18 e 19 da Revista Warm Up.

    Em agosto de 2011, a Warm Up chegava a sua 18 edio (nmero 17 na capa). A

    reportagem de capa, Michael Schumacher, 20 anos de F1, aborda o tempo de carreira do

    maior campeo da histria da categoria. A edio tem 94 pginas. So 9 reportagens, sendo

    somente a sequncia de reportagens de capa sobre a Frmula 1. Uma matria fala sobre o

    aniversrio da CBA (Confederao Brasileira de Automobilismo), uma sobre o piloto

    brasileiro Raphael Matos, uma sobre a Frmula Indy, uma sobre a Nascar, uma sobre a Moto

    GP, uma sobre a WRC, uma sobre o piloto de kart Kevin Felippo e uma sobre Rali. As

    colunas de Fernando Rees e Flavio Gomes e a charge Pilotoons falam sobre Frmula 1.

    Na abertura, uma entrevista com o ex-piloto canadense Jacques Villeneuve. Na

    sequncia a reportagem A CBA faz anos. E o azar?..., por Juliana Tesser. Poeira

    Sacodida, por Evelyn Guimares, fala sobre o piloto brasileiro Raphael Matos que luta por

    uma vaga na Frmula Indy. Outra reportagem na edio Com provas decididas na

    canetada, Indy mancha campeonato e caminha para o limbo, por Victor Martins. Logo aps

    aparece uma sequncia de anlises de outras categorias, como Nascar, por Felipe Giacomelli,

    Moto GP, por Evelyn Guimares, e WRC, por Fernando Silva. A sequncia com o assunto de

    capa comea com Respeito acima de tudo, de Evelyn Guimares, Felipe Giacomelli e

    Felipe Paranhos. Logo depois, o arquivo com o grid da primeira corrida de Michael

    Schumacher na F1 e o que aconteceu com cada um dos pilotos. A coluna de Flvio Gomes

    encerra a sequncia.

    Problema de gente grande, por Felipe Giacomelli, fala sobre o piloto argentino

    Kevin Felippo e seu destaque no kart. Depois, O rali da famlia brasileira, por Fernando

    Silva, que fala sobre o Rali Mitsubishi Motorsport. A seo Click fecha a edio, que teve 78

    mil acessos at a data de 09 de novembro de 2011.

  • 46

    Em setembro de 2011 foi lanada a dcima nona edio (nmero 18) com a capa

    O Brasil sem F1, sobre os 20 anos sem ttulos de pilotos brasileiros na Frmula 1. So 100

    pginas e 13 reportagens, sendo 4 sobre Frmula 1. Duas sobre Moto GP, uma sequncia de

    reportagens sobre autdromos do Brasil: Braslia, Santa Luzia-MG e Rio de Janeiro, uma

    sobre Indy, uma sobre GP2, uma sobre WRC e uma sobre Nascar. A coluna de Fernando Rees

    fala sobre Frmula 1.

    A edio aberta com a charge Pilotoons, que no fala de nenhuma modalidade

    especfica. Na sequncia tem a entrevista com o engenheiro que trabalhou na F1, Fernando

    Paiva. Depois, coluna de Fernando Rees. Logo aps, a reportagem Sem Base, Sem Corrida,

    por Juliana Tesser, sobre a Moto GP. Jogo das Pistas, de Felipe Giacomelli, fala sobre o

    autdromo Nelson Piquet em Braslia. Autdromo com tempero de folia, de Paula Gondim,

    fala sobre o autdromo de Santa Luzia-MG. Vettel espera ponto de ouro para coroar a maior

    campanha da histria da F1, por Victor Martins, uma anlise da temporada 2011 em geral,

    com foco em Sebastian Vettel, campeo da temporada. Power se recupera e termina fase dos

    mistos a frente de Franchitti, por Evelyn Guimares, fala sobre a Indy. Aps, uma sequncia

    de anlises de outras categorias, comeando com a GP2, por Felipe Paranhos, WRC, por

    Fernando Silva, Moto GP, por Juliana Tesser, e Nascar, por Felipe Giacomelli.

    A sequncia de capa comea com A Ptria de Rodas, por Felipe Paranhos.

    Depois, Ser bom no basta, por Juliana Tesser, e Os ttulos que ningum nunca viu, por

    Felipe Paranhos, completam. Filme Triste, por Fernando Silva e Felipe Paranhos, fala sobre

    o autdromo de Jacarepagu no Rio de Janeiro. A edio fechada pela seo Click. Foram

    69 mil acessos at a data de 09 de novembro de 2011.

    A vigsima edio (numero 19) saiu em outubro de 2011 e trouxe na capa o ttulo

    Impacto Profundo, sobre a morte do piloto Dan Wheldon na ultima etapa da Frmula Indy,

    em Las Vegas. So 110 pginas, com 9 reportagens, em que 3 falam sobre Frmula 1 (duas

    indiretamente). Uma das matrias aborda a Indy, duas sobre Moto GP, uma sobre WRC e uma

    sobre Nascar. As colunas de Fernando Rees e Victor Martins falam sobre Frmula Indy.

    A edio comea com a entrevista com Eric Granado, jovem piloto brasileiro de

    Motovelocidade. Na sequncia, coluna de Fernando Rees sobre a Indy. Uma base que no d

    base, por Juliana Tesser, fala sobre as categorias inferiores da MotoGP. Super Carros, por

    Fernando Silva, uma anlise dos carros que dominaram a Frmula 1 em pocas diferentes.

    Impacto Profundo, por Victor Martins, a matria de capa, sobre a morte do piloto Dan

    Wheldon, na ltima etapa da Indy. A coluna de Victor Martins fala sobre Dan Wheldon. Na

    sequncia vm as anlises das modalidades: Indy, por Evelyn Guimares; MotoGP, por

  • 47

    Juliana Tesser; WRC, por Fernando Silva, e Nascar, por Felipe Giacomelli. A raiz do

    problema, assinada por Paula Gondim e Evelyn Guimares, uma sute da matria de capa

    da edio anterior, sobre os 20 anos sem ttulos de brasileiros na Frmula 1, na viso de 3

    pilotos de modalidades diferentes. Quando a F1 no tudo, por Fernando Silva, fala sobre a

    deciso de pilotos brasileiros correrem por outras diversas modalidades. A edio se encerra

    com a seo Click. Foram 63 mil acessos at a data de 09 de novembro de 2011.

    4.4 Resultados

    Nota-se que houve diversas mudanas na Warm Up desde as primeiras edies.

    Tanto em algumas sees da revista, que foram criadas com o tempo como o caso das

    entrevistas, que abrem as trs edies mais recentes, e que no eram utilizadas anteriormente

    , quanto no espao das publicaes de cada modalidade do esporte. A Frmula 1, que era

    quase hegemnica nas trs primeiras edies (nota-se que na primeira, das 6 reportagens, 5

    so sobre a modalidade), j comea a dividir cada vez mais espao com outras modalidades,

    como a Nascar, a Indy e a Moto GP. No total de 51 reportagens, nas seis edies analisadas,

    so 22 reportagens sobre Frmula 1, 8 genricas (sem focar uma categoria especfica), 5 sobre

    Moto GP, 4 sobre Frmula Indy, 3 sobre WRC, 3 sobre Nascar, 3 sobre Stock Car, uma sobre

    GP2, uma sobre Rali e uma sobre Super GT.

  • 48

    Reportagens Revista Warm Up Edies 0, 1, 2 17, 18, 19

    Assunto Quantidade

    FRMULA 1 22

    Genricas 8

    Moto GP 5

    Indy 4

    WRC 3

    Nascar 3

    Stock Car 3

    GP 2 1

    Rali 1

    Super GT 1

    TABELA 01 Nmero de reportagens da Revista Warm Up por assunto

    Ao analisar as colunas individuais dos jornalistas (Flvio Gomes, Victor Martins,

    Ivan Capelli, Fernando Rees e Marcelo Ferronato), a Frmula 1 tem quase a unanimidade.

    So 15 colunas, sendo 11 sobre a modalidade. Duas falam sobre a Indy e duas sobre assuntos

    genricos.

    Colunas Revista Warm Up Edies 0, 1, 2 17, 18, 19

    Assunto Quantidade

    FRMULA 1 11

    Genricas 2

    Moto GP -

    Indy 2

    WRC -

    Nascar -

    Stock Car -

    GP 2 -

    Rali -

    Super GT -

    TABELA 02 Nmero de colunas da Revista Warm Up por assunto

  • 49

    Martins destaca o porqu deste acontecimento.

    O carro-chefe do automobilismo a F1, no adianta. porque foi a categoria mais difundida e que o Brasil se deu melhor. Agora que os brasileiros no ganham nada que diminuiu um pouco a diferena para as demais categorias no que o interesse pelas outras tenha aumentado consideravelmente. A quantidade de gente que v F1 pela TV quase que caiu pela metade em 4 anos, e isso muito significativo.37

    Percebe-se que a cultura do dolo segue pautando as publicaes que tratam de

    esportes especializados, e o f de automobilismo, que antes tinha na Frmula 1 sua nica

    opo, comea a migrar para as demais modalidades, porm no com tanta intensidade.

    Brasileiro, em geral, gosta de ver vitria de um igual seu. Ainda no h a cultura de se amar o esporte ou um dolo xeno (sic) pela massificao que os meios de comunicao, [...] fazem para que o pachequismo sobreviva.38

    Em relao s matrias de capa, a Frmula 1 segue sendo a maioria. Das seis

    edies analisadas, quatro tem como tema a modalidade: F1 Retr, Ele no mais o

    mesmo?, O Brasil sem F1 e Michael Schumacher 20 anos de F1. Uma outra

    reportagem trata indiretamente sobre o tema, pois fala sobre o autdromo de Interlagos, que

    sedia a etapa brasileira da F1 e somente a edio 19 entre as analisadas, tem como capa a

    Indy, devido ao trgico acontecimento com o piloto Dan Wheldon, na ltima corrida da

    temporada.

    O numero de acessos somado das edies analisadas, totalizam 507 mil acessos

    (at a data de 09 de novembro de 2011), atingindo um pblico que, de acordo com Gomes, se

    a publicao fosse impressa, no atingiria

    A revista eletrnica gratuita, por isso tem tantos acessos. Quando as pessoas tm de pagar, esse nmero cair drasticamente. No vivel economicamente. As tiragens das revistas especializadas em automobilismo so irrelevantes. Jamais vo atingir o pblico que atingimos no meio eletrnico.39

    A Warm Up segue trabalhando com um esporte que atravessa um momento

    complicado, com a falta de dolos e de vitrias brasileiras. Esse cenrio, com a cultura de

    37 MARTINS, Victor. So Paulo. 14 out. 2011. Entrevista concedida Spartacus Alexandre Silva.38 MARTINS, Victor. loc. cit.39 GOMES, Flvio. So Paulo. 7 nov. 2011. Entrevista concedida Spartacus Alexandre Silva.

  • 50

    dolos da populao brasileira, j divulgada anteriormente, faz com que o automobilismo

    venha a perder cada vez mais espao nos noticirios, dando aos profissionais um cenrio no

    qual preciso se reinventar sempre e usar cada vez mais a criatividade e a especializao a

    favor da boa cobertura jornalstica.

    Por um tempo, chegou a se pensar que o automobilismo poderia conviver com o futebol enquanto esporte prioritrio no Brasil. Hoje o vlei j passou, o MMA vai passar fcil, se o basquete se reorganizar, tambm vai pra frente, e o automobilismo s tende a cair. No produzir dolos, nesta cultura j dita, representa perda de interesse. E quando o interesse se vai, o jornalista tem um pblico menor pra escrever. E o veculo de comunicao comea a destinar menos espao e demanda para tal. [...] E a tendncia essa, mesmo, at que no surja algum interessante.40

    Para os verdadeiros fs do automobilismo e, principalmente, da Frmula 1,

    Martins destaca que, para a prxima temporada, a revista prepara uma surpresa: Ns estamos

    buscando patrocnios para cobrir a temporada inteira da F1 in loco. Julgamos importante

    fazer 1) uma cobertura diferenciada e 2) uma cobertura honesta, ao nosso pblico fiel, em

    respeito a ele.41

    40 MARTINS,Victor. So Paulo. 14 out.2011. Entrevista concedida Spartacus Alexandre Silva.41 MARTINS,Victor. So Paulo. loc. cit

  • 5. CONCLUSO

    Percebe-se que o interesse do pblico pelas coberturas esportivas jornalsticas

    alm do futebol est diretamente ligado ao nmero de vitrias expressivas que cada um

    consegue. Nos esportes individuais, nota-se que ainda necessria a figura de um dolo, que,

    teoricamente, representa toda a nao, carregando consigo a alcunha de heri nacional.

    Diferentemente do futebol que, mesmo passando por dcadas sem vitrias expressivas, no

    sai da primeira posio na preferncia dos brasileiros. Exemplo disso que, de 1970 a 1994, a

    Seleo Brasileira de Futebol no venceu uma Copa do Mundo sequer, mas o esporte cresceu

    cada vez mais em popularidade e paixo por parte do pblico em geral, o que no acontece

    com os outros esportes coletivos no Brasil.

    Este fator evidenciado no captulo 2, que mostra que o basquete nacional viveu,

    de 1996 a 2010, seu maior jejum de vitrias expressivas, com a ausncia nas Olimpadas de

    2000, 2004 e 2008. Isso contribuiu bastante para que o vlei que, ao contrrio, colecionou

    ttulos importantes no perodo passasse frente na preferncia do pblico.

    O fator Popularidade, que define se o esporte ter mais ou menos espao na mdia

    e, consequentemente, se atrai mais a ateno do pblico, d-se ento pelos fatores: dolo +

    Vitrias = Popularidade, quando se pensa em esportes individuais, e Vitrias = Popularidade,

    quando se trata de esportes coletivos.

    As vitrias significativas, conquistadas nas dcadas de 1970, 1980 e incio de

    1990, e a presena de trs dolos individuais que, durante quase trs dcadas, foram figuras

    principais do esporte, contribuem para que a Frmula 1 ainda seja o principal assunto quando

    se trata de automobilismo no Brasil. Isso notado no grande nmero de reportagens que

    tratam de Frmula 1 na Revista Warm Up, em relao s outras modalidades de

    automobilismo.

    A substituio quase imediata de um dolo por outro tambm contribui na

    expectativa que o pblico tem de continuar a saga de vitrias expressivas que o pas

    colecionou nas dcadas passadas. Na Frmula 1, desde o incio da popularidade e a

    descoberta do esporte pelo pblico em geral, sempre a figura de um dolo foi substituda por

    outra, quase que instantaneamente: Fittipaldi foi substitudo por Piquet e Piquet substitudo

    por Senna. Aps a morte de Senna, em 1994 e, consequentemente. a perda do cone, nenhum

    outro piloto conseguiu obter os resultados que os trs anteriores haviam conquistado, apesar

  • 52

    de vrios deles terem passado pela modalidade. O grande nmero de brasileiros que ainda

    participam da Frmula 1 segue mantendo a curiosidade e a expectativa do brasileiro, de ver o

    surgimento do novo Senna.

    Outros esportes individuais que tiveram a forte presena do dolo durante um

    tempo, mas no tiveram a substituio imediata do mesmo, no vivem a mesma situao da

    Frmula 1 no Brasil. Como so os casos do Tnis e do Boxe, por exemplo. No Tnis, aps o

    aparecimento de Maria Esther Bueno, na dcada de 1950, o esporte viveu um hiato de

    popularidade at a dcada de 1990, quando Gustavo Kuerten surgiu. A queda do interesse e da

    cobertura pelo esporte caiu justamente pelo pblico imaginar que um novo Guga s poder

    surgir daqui a algumas dcadas.

    O boxe, que viveu dias de glria com Maguila, na dcada de 1980, e com Acelino

    Pop Freitas, no final da dcada de 1990, teve uma queda acentuada de popularidade no s

    no Brasil, mas no mundo todo. A modalidade acabou sendo substituda pelo MMA, que

    tambm sempre teve a participao de brasileiros, porm s virou o fenmeno de mdia e

    popularidade que atualmente aps o aparecimento de competidores vitoriosos como

    Anderson Silva, Mauricio Shogun e Junior Cigano. No entanto, a longo prazo, nada garante

    que o MMA, esporte novo na preferncia do pblico brasileiro, continuar sendo o sucesso

    que , caso a fase dos atletas nacionais venha a no ser mais de vitrias.

    Conclui-se que somente o futebol resiste, como assunto predominante na mdia, a

    um grande perodo sem vitrias. Qualquer outro esporte depende de dolos e de bons

    resultados para continuar popular no Brasil.

    Desta forma, percebe-se que a internet , hoje, um importante instrumento para a

    publicao de informaes do jornalismo esportivo segmentado, que no possui a garantia de

    espao nas pautas dos veculos tradicionais como jornal impresso, rdio e TV, dependendo de

    forma excessiva da presena de dolos e vitrias para ter popularidade e, consequentemente,

    espao na mdia. A possibilidade de levar at o pblico interessado informaes sobre

    esportes no to populares no Brasil, aliada liberdade editorial propiciado pelo espao

    democrtico da internet, faz com que publicaes como a Warm Up mantenham-se ativas e

    abre um horizonte para os profissionais que almejam trabalhar com este importante, mas no

    to valorizado lado do jornalismo esportivo.

  • REFERNCIAS

    ABIAHY, Ana Carolina de Arajo. O jornalismo especializado na sociedade da Informao, 2000. 27f. Ensaio (Graduao em Jornalismo) - Universidade Federal da Paraba, Paraba, 20002000, p.4. Disponvel em .

    ALMEIDA, Dcio. Brasil venceu Unio Sovitica por 90 79. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 24 mai. 1963. p.12. Disponvel em: 0. Acesso em: 12 out. 2011.

    AMARAL, Luiz. Jornalismo matria de primeira pgina. 3.ed. Fortaleza:UFC, 1982.

    ANTUNES, Ftima Martin Rodrigues Ferreira Nelson Rodrigues e a emancipao do homem brasileiro: de vira latas a moleque genial. In:COSTA, Mrcia Regina da (org.). Futebol: espetculo do sculo.So Paulo: Musa, 1999.

    BAHIA, Juarez. Jornal, Histria e Tcnica - Histria da Imprensa Brasileira. So Paulo: tica, 1990.

    BALASSIANO, Fbio. (fabio.balassiano@gmail.com) Rio de Janeiro. Entrevista concedida Spartacus Alexandre Silva, recebida por alexandre.silva86@gmail.com em 15 out. 2011.

    BARROS, Clio. Brasil o novo campeo mundial de basquete. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 2 fev. 1959. p. 13 Disponvel em: < http://news.google.com/newspapers?nid=0qX8s2k1IRwC&dat=19590202&printsec=frontpage&hl=pt-BR>. Acesso em: 12 out. 2011.

    BEREZOVSKY, Sergio. 2010, Passado, Futuro e Presentes... p.5. QUATRO RODAS. So Paulo: Editora Abril, 2010. Disponvel em: . Acesso em: 15 out. 2011.

    BOJIKIAN, Joo Crisstomo Marcondes. Ensinando Voleibol. Guarulhos: Phorte, 1999.

    CASTELLS, Manuel. A Galxia da Internet. Jorge Zahar, Editora, 2003. Disponvel em: < http://books.google.com/books?id=nCKFFmWOnNYC&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false>.

    CIVITA, Victor. 1960, p.5. Carta do Editor. QUATRO RODAS. So Paulo: Editora Abril,1960. Disponvel em: . Acesso em: 15 out. 2011.

    COELHO, Paulo Vincius. Jornalismo Esportivo, So Paulo: Contexto, 2003.

  • 54

    CONFORTIN, Angela Ceclia, SPRANDEL, Michelle, WOLFF, Fernanda. Weblog: alternativa para o jornalista online. 2010. Disponvel em: . Acesso em 03.nov. 2011.

    DUARTE, Jorge; BARROS, Antonio (org.). Mtodos e tcnicas de pesquisa em comunicao. 2. ed. So Paulo: Atlas, 2006.

    ERBOLATO, Mrio. Jornalismo especializado: emisso de textos no jornalismo impresso.So Paulo: Atlas, 1981.

    FERNANDEZ, Maria do Carmo Leite de Oliveira. Futebol: fenmeno lingstico. Rio de Janeiro. Editora Documentrio, 1974.

    FERREIRA, Aurlio Buarque de Holanda, Novo Dicionrio Aurlio da Lngua Portuguesa, 3. ed., Curitiba: Positivo, 2004.

    FILHO, Srgio Xavier In Jornalismo Esportivo no s futebol. 2008. Disponvel em: Acesso em: 11 out.2011.

    FRANA, Jnia Lessa; VASCONCELLOS, Ana Cristina de. Manual para normatizao de publicaes tcnico-cientficas. 8. ed. rev. e ampl. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2007. 255 p 2007.

    FRANA, Rodrigo. Ayrton Senna e o jornalismo esportivo. Dissertao (Mestrado) Escola de Comunicao e Artes da Universidade de So Paulo, So Paulo, 2006. Disponvel em < http://www.pos.eca.usp.br/sites/default/files/file/bdt/2006/2006-me-cunha_rodrigo.pdf>.

    GOMES, Flvio. (flaviog@warmup.com.br) So Paulo. Entrevista concedida Spartacus Alexandre Silva, recebida por alexandre.silva86@gmail.com em 07 nov. 2011.

    GOMEZ, Dimas. Reforma do Estado. 2009. Disponvel em: . Acesso em 13.out.2011.

    GUERRA, Mrcio de Oliveira. Voc, ouvinte, a nossa meta: a importncia do rdio no imaginrio do torcedor de futebol. Rio de Janeiro: ETC Ed., 2000.

    ITOZAKU, Fernando; FERRARI, Luis. Tnis Brasileiro no v o legado de Guga. Folha de So Paulo, 08/06/07. Acesso em 15/10/11). Disponvel em .

    LAGE, Nilson. A reportagem - Teoria e tcnica de entrevista e pesquisa jornalstica, Rio de Janeiro: Record, 2001.

    LAGE, Nilson. Teoria e tcnica do texto jornalstico. Rio de Janeiro: Campus-Elzevier, 2005.

    LINHARES, Marcos. Nos bastidores do jornalismo esportivo. A magia da cobertura esportiva mundial. So Paulo: Celebris, 2006.

  • 55

    LUSTOSA, Elcias - O texto da notcia, Braslia, EdUNB.1996.

    MARCHI JR, Wanderley. Sacando o voleibol: do amadorismo a espetacularizao da modalidade no Brasil (19702000). Campinas, 2001, 235 f. Dissertao (Doutorado) Faculdade de Educao Fsica, Universidade Estadual de Campinas. Disponvel em < http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/diaadia/diadia/arquivos/File/conteudo/artigos_teses/EDUCACAO_FISICA/teses/Marchi_Junior_Tese.pdf>.

    MARTINS,Victor. (victor@warmup.com.br) So Paulo: 15/10/11. Entrevista concedida Spartacus Alexandre Silva, recebida por alexandre.silva86@gmail.com em 14 out. 2011.

    MEDINA, Cremilda. Notcia: um produto a venda: jornalismo na sociedade urbana e industrial. 3. ed. So Paulo: Summus, 1988.

    MELIGENI, Fernando, Aqui Tem. Fernando Meligeni com Andr Kfouri So Paulo. Ediouro, 2008.

    MOHERDAUI, Luciana. Guia de estilo da web, produo e edio de notcias on-line. So Paulo: Editora Senac, 2000. Disponvel em < http://books.google.com.br/books?id=3C3q_tdWPZkC&pg=PA282&dq=MOHERDAUI,+Luciana.+Guia+de+estilo+da+web,+produ%C3%A7%C3%A3o+e+edi%C3%A7%C3%A3o+de+not%C3%ADcias+on-line&hl=pt-BR&ei=Z37EToL8E8mpgweimLH4Dg&sa=X&oi=book_result&ct=book-thumbnail&resnum=1&ved=0CDMQ6wEwAA#v=onepage&q=MOHERDAUI%2C%20Luciana.%20Guia%20de%20estilo%20da%20web%2C%20produ%C3%A7%C3%A3o%20e%20edi%C3%A7%C3%A3o%20de%20not%C3%ADcias%20on-line&f=false >.

    PENA, Felipe. Teoria do Jornalismo. So Paulo: Contexto, 2006.

    RAMOS, Roberto. Futebol, ideologia do poder. Rio de Janeiro, Editora Vozes, 1984.

    Rankings. ATP, 2011. Disponvel em; < http://www.atpworldtour.com/Rankings/Singles.aspx>. Acesso em: 13 out. 2011.

    REZENDE, Bernardo Rocha de. Transformando suor em ouro. 3.ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2006.

    RODRIGUES, Adriano Duarte. O acontecimento. In: TRAQUINA, Nlson (org.). Jornalismo: questes, teoria e estrias. 2. ed. Lisboa: Vega, 1999. p. 27-33.

    ROSSI, Clvis. O que jornalismo. 9a ed. So Paulo: Brasiliense, 1991. 87p.

    RUBIO, Katia. O imaginrio esportivo contemporneo: o atleta e o mito do heri. 2. ed. So Paulo: Casa do Psiclogo, 2001. Disponvel em < http://books.google.com.br/books?id=tnwc3uK7ABQC&pg=PA139&dq=O+imagin%C3%A1rio+esportivo+contempor%C3%A2neo:&hl=pt-BR&ei=q4DETqKAMcOpgwfUoKDUCA&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=1&ved=0CDEQ6AEwAA#v=onepage&q&f=false>.

  • 56

    SODR, Muniz. Tcnica de reportagem Notas sobre a narrativa jornalstica. 1986. Disponvel em: .

    SILVEIRA, Nathlia Ely da. Jornalismo Esportivo: conceitos e prticas. 2009. Monografia. Faculdade de Biblioteconomia e Comunicao. Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Disponvel em: . Acesso em 30 set.2011.

    SOARES, Edileuza - A bola no ar - O rdio esportivo em So Paulo, So Paulo, Summus, 1994.

    TRAQUINA, Nlson (org.). Jornalismo: questes, teoria e estrias. 2. ed. Lisboa: Vega, 1999.

    TRAQUINA, Nlson. As notcias. In: TRAQUINA, Nlson (org.). Jornalismo: questes, teoria e estrias. 2. ed. Lisboa: Vega, 1999. p. 167-176.

    VILLAS-BOAS, Sergio (org.). Formao e Informao Esportiva, So Paulo: Summus Editorial, 2005.

    WORLD BOXING ASSOCIATION. Official Ratings as of September 2011. 2011. Disponvel em: http://wbanews.com/artman/uploads/1/WBA_09-11_2.pdf. Acesso em: 13 out. 2011.

  • ANEXO 1

    Entrevista com Victor Martins (Jornalista, Editor-chefe Revista Warm Up e Site Grande Prmio).Realizada por e-mail.

    1) Pelo grau de especializao exigida do profissional, o jornalista de automobilismo tem a devida valorizao no mercado? Pelo numero reduzido de profissionais, por atuar como agncia de notcias abastecendo boa parte da mdia nacional, voc acha que a cobertura corre o risco de ficar pasteurizada?

    Alexandre, a maior parte dos jornalistas de automobilismo, diria que 70% dela, no entende do que est falando. Tem gente que nunca guiou um carro na vida. No que seja imprescindvel, mas ter conhecimento de um carro muito mais valioso do que voc transformar um boleiro em comentarista de futebol. Se voc precisar de um comentrio tcnico, importante no duvidaria que, daqui um tempo, inventem um engenheiro nas transmisses, como j acontece na Itlia (RAI), por exemplo. O jornalista de automobilismobom no tem a devida valorizao, esteja certo disso. Tambm porque o automobilismo em si, no caso do Brasil, no tem proporcionado aos bons jornalistas atuao. A maioria deles vai conforme o meio no toa, h muitos jornalistas que so assessores de imprensa, que acabam, vez ou outra, conflitando interesses; exemplo: um piloto da Stock Car que foi punido pela CBA. Tanto ele quanto a entidade tem o mesmo assessor de imprensa.Alm disso, julgo os profissionais que esto fazendo cobertura in loco da F1 atual extremamente falhos na conduo de seus trabalhos. Ao que parece, formaram um pool, em que no defendem seu veculo de trabalho ou sua atuao, mas, sim, os interesses pessoais mtuos. No h furo de reportagem, matrias especiais, pouca coisa trazida. Da ser pasteurizada.Aqui na Warm Up, temos uma liberdade editorial irrestrita e fazemos um trabalho investigativo, sem estarmos amarrados a ningum. Pagamos um preo pela independncia, mas recompensador ver que se trata de algo bem feito e diferenciado.

    2) O pblico atualmente busca mais notcias sobre qual modalidade? Continua sendo a F1 ou outras tm ganhado espao?

    O carro-chefe do automobilismo a F1, no adianta. porque foi a categoria mais difundida e que o Brasil se deu melhor. Agora que os brasileiros no ganham nada que diminuiu um pouco a diferena para as demais categorias no que o interesse pelas outras tenha aumentado consideravelmente. A quantidade de gente que v F1 pela TV quase que caiu pela metade em 4 anos, e isso muito significativo. Brasileiro, em geral, gosta de ver vitria de um igual seu. Ainda no h a cultura de se amar o esporte ou um dolo xeno pela massificao que os meios de comunicao, principalmente a TV Globo, fazem para que o pachequismo sobreviva.

    3) A cobertura na era Piquet-Senna era mais fcil que atualmente? Na sua opinio, porque o brasileiro tende a se interessar apenas por esportes que tem um compatriota em evidncia? Outros pases tambm so assim ou uma caracterstica particular do Brasil?

    Eu realmente teria pouco a acrescentar nisso porque no cobria a F1 na poca dos dois, mas era uma cultura mais puritana, em que se valorizavam a TV e os jornais. Ento eles eram

  • 58

    a expresso da realidade e consumidos a pleno porque a F1 estava muito em alta. Era mais fcil no sentido de que no havia tanta gente cobrindo, no havia uma internet em tempo real para jogar notcias.Sobre o interesse do brasileiro, algo interessante: at os anos 70, o brasileiro era sempre visto como pobrezinho, aquele complexo de inferioridade que vez ou outra aparece, s um brasileirinho naquele mundo. Quando Emerson deu o pontap para os ttulos e Piquet e Senna mantiveram a boa fase, o brasileiro passou a se achar como no futebol e, de novo, a TV fazendo a lavagem cerebral ajudou muito: era o melhor do mundo. Qualquer derrota no esporte passou a ser vista como um absurdo. Como um alemo pde ter passado Senna? Como agora a Alemanha passou o Brasil em menos de 20 anos em termos de ttulos mundiais? claro que em todos os pases seus povos admiram mais esportistas locais do que os de fora, mas no Brasil se ensinou que estrangeiro inimigo. O brasileiro nunca erra. O brasileiro no desonesto. O outro, se ganha, tem um pormenor. Foi roubado.

    4) A Warm Up 18 traz uma reportagem sobre os 20 anos que o Brasil est sem conquistar ttulos no automobilismo. Como voc enxerga o futuro da cobertura no pas, caso esse cenrio persista por mais tempo?

    Por um tempo, chegou a se pensar que o automobilismo poderia conviver com o futebol enquanto esporte prioritrio no Brasil. Hoje o vlei j passou, o MMA vai passar fcil, se o basquete se reorganizar, tambm vai pra frente, e o automobilismo s tende a cair. No produzir dolos, nesta cultura j dita, representa perda de interesse. E quando o interesse se vai, o jornalista tem um pblico menor pra escrever. E o veculo de comunicao comea a destinar menos espao e demanda para tal. A F1 na Globo comea minutos antes das corridas. A Stock Car mal tem sua temporada passada ao vivo. A Indy, absurdamente, no ter transmisso ao vivo nem da Bandeirantes nem do Bandsports. Eu no entendo como que os patrocinadores renovam seus acordos sendo que no esto sendo exibidos no horrio programado. Qual a graa de ver uma corrida em VT? A TV est acabando com sua cobertura de automobilismo, a verdade. E a tendncia essa, mesmo, at que no surja algum interessante.Os jornais devem continuar os mesmos: Folha, Estado e Lance!, em parcerias com rdios (Globo, ESPN e Bandeirantes, respectivamente), alm da rdio Jovem Pan (parceira do site Tazio). Ns estamos buscando patrocnios para cobrir a temporada inteira da F1 in loco. Julgamos importante fazer 1) uma cobertura diferenciada e 2) uma cobertura honesta, ao nosso pblico fiel, em respeito a ele.

    5) Quem pode trabalhar com jornalismo automobilstico e quais as dicas que voc d para quem est comeando na carreira e se interessa pelo assunto?

    Teoricamente, quem tem conhecimento (acompanha corrida, tem bom portugus e ingls, quem se interessa pelo assunto). Na prtica, hoje esto indo muitos jovens (e at nem tanto) que gostam de corrida e se contentam em tirar foto e falar pelo Twitter com os pilotos. A dica que posso dar no deve fugir a nenhuma que qualquer um daria: aperfeioar-se, ser um diferencial, ir atrs, ter fontes confiveis, checar a informao, ouvir os dois lados, jamais inventar algo, as regras bsicas do jornalismo. E procurar saber do que e de quem est falando: mergulhar nas histrias dos pilotos e das equipes, saber o que significam os termos, ter noes bsicas da parte tcnica de um carro, conhecer as pistas. Conhecer. Saber. o que vale. E muito.

  • ANEXO 2

    Entrevista com Fbio Balassiano (Jornalista, blog Bala na Cesta do Portal UOL)Realizada por email.

    1) Como ser um jornalista especializado em basquete no "pas do futebol"? O profissional tem a devida valorizao do mercado? Na sua avaliao, a cobertura bem feita no geral?

    Vamos l, em trs partes: a) No fcil ser jornalista de qualquer coisa diferente de futebol, em termos esportivos, no pas. As informaes no so to "fceis", as assessorias de imprensa ainda esto engatinhando e as divulgaes das entidades tambm. De todo modo, uma adequao que voc precisa fazer - e que boa para o jornalista, que no se acomoda quando a informao no chega a si. preciso correr atrs, fuar, investigar, apurar. divertido.b) Acho que a valorizao dos jornalistas que cobrem os esportes (com exceo do futebol) varia de acordo com os resultados internacionais de suas modalidades. A turma do vlei est bem. A do basquete, menos. cclico e faz parte.c) A resposta padro seria dizer que "sim, bem feita". Mas eu no curto. Existe um movimento sem igual no basquete que a proliferao de blogs/sites/tumblrs/facebooks na internet sobre o assunto, mas ainda h muita imaturidade jornalstica em relao a contedo, noticirio e formas de lidar com atletas e entidades. At os grandes portais e jornais acabam se curvando ao diz que me diz e no apuram como deveriam. E estou falando da CBB, entidade que faz uso ruim de dinheiro pblico e que h 15 anos no faz muita coisa boa pelo basquete.Na internet, o nmero de sites muito bom, mas o contedo, no (e eu me inclui a). Existe, hoje em dia, um "teso" pelo furo que irritante demais. Acho que esse "teso" pssimo para uma modalidade que precisa muito pouco de informaes rpidas e muito de informaes bem dadas. Ao invs de ns, conteudistas, nos preocuparmos em darmos a melhor notcia, o que se v uma turma querendo dar a notcia mais rpida, como se isso fosse o "melhor do jornalismo". bvio, nem todos so jornalistas, mas a questo do contedo e da reverncia s entidades absolutamente preocupante. Jornalismo sempre oposio, como diria Millor Fernandes. No o que se v no basquete, e o que preocupa ainda mais que a massa no consiga diferenciar o que bom e ruim. Pensei que era apenas no futebol...

    2) Quais so hoje os principais meios de divulgao do trabalho?

    Os meus so o UOL, onde meu blog est hospedado, o twitter e os blogs que acabam divulgando o meu trabalho. No tenho uma agncia de marketing para me promover - e nem sei muito bem trabalhar o marketing pessoal.

    3) O Basquete brasileiro teve de 1996 at hoje um perodo complicado, fora das olimpadas e com o enfraquecimento dos clubes. At onde voc acha que isso afetou a cobertura jornalstica da modalidade no pas?

    Atrapalha porque h menos clubes, menos atletas de nvel, mas em termos jornanlsticos isso bom, porque voc pode se debruar sobre os motivos que levaram a isso nos ltimos anos. Acho que o que mais tento fazer no blog. Focar menos na questo tcnica da coisa, e mais

  • 60

    na questo estrutural. D mais trabalho, dolorido porque nem todo mundo quer falar sobre o tema, mas eu julgo absolutamente necessrio.

    4) Qual o nvel de interesse do pblico hoje sobre o basquete no Brasil?

    pequeno. Conforme disse acima, o nvel de interesse varia sempre de acordo com os resultados internacionais obtidos. O basquete no tem ido bem, o pblico esquece da modalidade. Se classifica para Londres, o pblico lembra. natural e bem simples...

    5) A NBA sempre foi o principal assunto da cobertura do basquete no Brasil? Voc v alguma mudana num futuro prximo? Se sim, quais as condies pra isso acontecer?

    Sim, vejo sim. A criao de uma Liga Nacional e o desenvolvimento das ligas europeias fazem com que o foco mude um pouco e no se restrinja apenas NBA. Isso muito bom para o leitor, e muito bom para o jornalista, que no precisa ficar "parado" em apenas um tema.

    6) Quem pode trabalhar com jornalismo focado em esportes especializados, como o basquete, e quais as dicas que voc d para quem est comeando na carreira e se interessa pelo assunto?

    Todo mundo que gosta pode trabalhar. Minhas dicas so:- Leia muito - e de tudo (no s esporte)- Estude o esporte. uma cincia como outra qualquer- Evite clichs- Preocupe-se menos com a rapidez da divulgao da informao, e mais com a qualidade da mesma- No se preocupe em ser "queridinho" por atletas/dirigentes. Preocupe-se em fazer jornalismo srio.- No seja reverente em relao aos "poderes" esportivos- Seja corajoso- Leia muito

  • ANEXO 3

    Entrevista com Flvio Gomes (Jornalista, criador da Agncia Warm Up, chefe de redao da Revista Warm Up e Site Grande Prmio. Comentarista dos canais ESPN).Realizada por email.

    Qual foi a primeira equipe da Warm Up, em 1994?

    [Flavio Gomes-Warm Up] Eu sozinho. Era uma agncia de notcias, eu distribua matrias para jornais, apenas. No existia ainda a internet. Viajava, cobria as corridas pela Pan e mandava matrias para 55 jornais por fax. Na verdade mandava pelo computador para uma empresa, a ProdutoBrasil, que usava trs linhas simultneas para retransmitir para os jornais. Era uma operao cara e primitiva, quando se v as possibilidades atuais. Mas era o que havia disponvel. Em 1996 comeamos a transmitir por BBS. Depois, por e-mail e, mais tarde, atravs de um site aos quais os jornais tinham acesso atravs de senha.

    Quais eram as principais dificuldades da cobertura da F1 na poca pr-internet? Ou nos primrdios da internet (quando o site surgiu em 1996)?

    [Flavio Gomes-Warm Up] A presena fsica nas corridas era essencial, porque no havia o trfego de informaes que h hoje. S sabia o que estava acontecendo quem estava l. Em compensao, o acesso a todos era muito maior e todos falavam sem grandes frescuras. Hoje mais fcil transmitir informao. Mas mais difcil de obt-las. De qualquer forma, as transmisses de todos os treinos e a cultura do press-release facilitou bem as coisas. O que no quer dizer que a cobertura seja melhor. Ao contrrio, pior e chapa branca. Jornalistas mais novos no sabem trabalhar de outro jeito, no apuram, no correm atrs. H um comodismo geral. E no s na F-1.

    Porque a deciso de fazer uma revista somente digital e no do modo tradicional (forma impressa)?

    [Flavio Gomes-Warm Up] Primeiro porque a mdia eletrnica um caminho sem volta. E, evidentemente, por custos. Revista impressa custa muito para fazer e distribuir. invivel.

    Existe alguma idia, no futuro, de montar uma revista impressa? Por qu?

    [Flavio Gomes-Warm Up] No, pelos motivos acima. No mximo faremos o Almanaque duas vezes por ano s para colecionadores.

    Em dados que o Victor me forneceu, so em mdia 110 mil acessos por ms. Acredita que uma edio impressa alcanaria este pblico?

    [Flavio Gomes-Warm Up] No. A revista eletrnica gratuita, por isso tem tantos acessos. Quando as pessoas tm de pagar, esse nmero cair drasticamente. No vivel economicamente. As tiragens das revistas especializadas em automobilismo so irrelevantes. Jamais vo atingir o pblico que atingimos no meio eletrnico.

  • 62

    Ainda com os dados de acesso fornecidos pelo Victor, a edio que mais teve acessos foi a edio 6 (Setembro 2010, com 172 mil acessos) que trazia na capa Nelsinho Piquet e sua sada da F1. Te surpreendeu? Porque?

    [Flavio Gomes-Warm Up] No. Foi o maior escndalo de todos os tempos na F-1. Era natural que fosse assim.

    Nessas 19 edies, qual foi a reportagem mais difcil (trabalhosa ou que exigiu o mximo de toda a equipe) de fazer?

    [Flavio Gomes-Warm Up] A do doping de Tarso Marques, mais de seis meses apurando, cruzando informaes, ouvindo todos os lados possveis.

    Como voc destaca a atuao dos veculos destinados apenas a esportes especializados hoje no Brasil?

    [Flavio Gomes-Warm Up] No acompanho tudo, no teria como avaliar. H nichos, a segmentao evidente. Mas a grande dificuldade viabilizar financeiramente esses veculos menores. No fim das contas, o grosso da mdia continua nas mos de quem sempre esteve, por conta das relaes com o mercado publicitrio.