Sucesso Na Agricultura Familiar

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    UNIVERSIDADE ESTADUAL DO RIO GRANDE DO SUL

    UNIDADE EM ERECHIM

    CURSO DE ADMINISTRAO - BACHARELADO

    SRGIO LUIZ KOCZICESKI

    SUCESSO NA AGRICULTURA FAMILIAR: PROBLEMTICA SOCIAL E DESAFIOS PARA A GESTO

    PBLICA EM PAULO BENTO/RS.

    ERECHIM

    2007

  • 2

    SRGIO LUIZ KOCZICESKI

    SUCESSO NA AGRICULTURA FAMILIAR: PROBLEMTICA SOCIAL E DESAFIOS PARA A GESTO

    PBLICA EM PAULO BENTO/RS.

    Trabalho de Concluso de Curso apresentado como requisito parcial para a obteno do ttulo de Bacharel em Administrao na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. Prof.a Ms. Rosane Menna Barretto Peluso Orientadora.

    ERECHIM

    2007

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    SRGIO LUIZ KOCZICESKI

    SUCESSO NA AGRICULTURA FAMILIAR: PROBLEMTICA SOCIAL E DESAFIOS PARA A GESTO

    PBLICA EM PAULO BENTO/RS.

    Trabalho de Concluso de Curso apresentado como requisito parcial para a obteno do ttulo de Bacharel em Administrao na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul.

    Aprovado em......./........./.........

    BANCA EXAMINADORA ______________________________________ Prof.a Dra. Silvia Santin Bordin Universidade Estadual do Rio Grande do Sul Prof.a Ms. Rosane Menna Barretto Peluso Universidade Estadual do Rio Grande do Sul Prof.a Dra. Bernardete Maria Popoaski Universidade Estadual do Rio Grande do Sul

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    AGRADECIMENTOS

    Aos agricultores familiares de Paulo Bento que contriburam com o estudo,

    manifestando suas opinies.

    A Prof. Ms. Rosane Menna Barreto Peluso, pela orientao e entusiasmo.

    A Prof. Dra. Silvia Santin Bordin, pela compreenso.

    A minha esposa Claudette, filhos Leonardo e Bruno, pela compreenso de

    que o tempo reduzido de convvio se deve a uma boa causa.

    A todos os professores que me ajudaram na construo de novos

    conhecimentos e com isso alargaram os horizontes a serem vislumbrados.

    A colega de trabalho Maricruz Salete Montemezzo pelo apoio na pesquisa.

    A todos os colegas da EMATER/RS-ASCAR, que de uma ou outra forma,

    apoiaram e incentivaram a iniciativa do estudo.

    A todos os meus colegas de turma pela convivncia e incentivo.

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    RESUMO

    O presente estudo teve por objetivo verificar a forma pela qual a sucesso hereditria na agricultura familiar no municpio de Paulo Bento/RS est ocorrendo, sua influncia e impactos na economia e sociedade. As famlias rurais foram estratificadas e classificadas de acordo com a renda e o tamanho das propriedades em descapitalizadas, em transio e consolidadas. Atravs de pesquisa de opinio, usando-se questionrios estruturados com questes de mltipla escolha, identificou-se o interesse profissional dos jovens nascidos no meio rural e suas correlaes, com conflitos entre geraes e relaes de gnero. Atravs de consulta a bibliografia especfica caracterizou-se a agricultura familiar e a forma pela qual se processa a sucesso hereditria e as formas de acesso a terra no Canad, Frana, Polnia, Tunsia e em diversas regies do Brasil. Buscou-se inserir informaes sobre a influncia das rendas no-agrcolas (pluriatividade) nestes pases. Fez-se, tambm, referncia a conceitos de gesto de unidades de produo agropecuria. Constatou-se que em Paulo Bento/RS a mdia de filhos por casal de agricultores varia de 2,0 a 2,5 e que, nas famlias em processo de transio esta mdia apresenta-se declinante, devido a preocupao destas em manter uma faixa patrimonial mnima para ser transferida aos filhos por herana. Da mesma forma, identificou-se que a populao rural, principalmente entre as famlias descapitalizadas, est em processo de envelhecimento, que os nascimentos masculinos superam os femininos e que, as filhas moas so preparadas desde a infncia para trabalhos urbanos. Ainda, constatou-se que, entre os rapazes das famlias descapitalizadas e em transio, o trabalho no-agrcola conjugado com o trabalho agrcola das propriedades, os tem mantido por mais tempo no meio rural. Entre os agricultores descapitalizadas a indisponibilidade de rea agricultvel para a instalao de toda a prole e o baixo nvel de escolaridade tem estimulado o processo de venda das propriedades, cujos moradores transferem-se para os centros urbanos prximos. Constatou-se, ainda, que para ser ungido como sucessor hereditrio nas unidades de produo, h preferncia por sucessores do sexo masculino com a menor escolaridade. Finalmente, prope-se polticas de gesto pblica para minimizar os efeitos contrrios a permanncia dos jovens no meio rural, como a introduo da policultura atuando como fonte geradora de renda e de remunerao mais justa a mo-de-obra rural; a introduo de atividades que valorizem social e economicamente o trabalho feminino, como o turismo rural; a valorizao do ensino formal entre os agricultores e programas de educao informal que, busquem a qualificao profissional do agricultor nas atividades produtivas e, principalmente, nas atividades de gesto das propriedades; melhores condies nos processos de financiamentos fundirios, com adequao do valor teto a regio e a possibilidade de contemplar a aquisio das

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    partes co-herdeiras; a criao do servio municipal de inspeo sanitria com a adeso ao sistema unificado nacional; a continuidade da pesquisa iniciada, aplicando-a a regio geogrfica estabelecida ao Norte do Rio Grande do Sul, como forma de potencializar o conhecimento regional nos assuntos relativos a sucesso hereditria na agricultura familiar, at este momento, pouco explorado e conhecido.

    PALAVRAS CHAVE: Agricultura familiar, Sucesso hereditria, sucesso na agricultura familiar.

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    ABSTRACT

    The present study it had for objective to verify the form for which the hereditary succession in familiar agriculture in the city of Pablo Bento/RS is occurring, its influence and impacts in the economy and society. The agricultural families had been estratificadas and classified in accordance with the income and the size of the descapitalizadas properties in, transistion and consolidated. Through opinion research, using itself questionnaires structuralized with questions of multiple choice, identified to the professional interest of the young born in the agricultural way and its correlations, as conflicts between generations and relations of sort. Through consultation the specific bibliography characterized it familiar agriculture and the form for which if it processes the hereditary succession and the forms of access the land in Canada, France, Poland, Tunisia and in diverse regions of Brazil. One searched to insert information on the influence of the incomes not-agriculturists (pluriatividade) in these countries. One became, also, reference the concepts of management of units of farming production. This average was evidenced that in Pablo Bento/RS the average of children for couple of agriculturists varies of 2,0 the 2,5 and that, in the families in transistion process presents declining, due the concern of these in keeping a minimum patrimonial band to be transferred to the children for inheritance. In the same way, it was identified that the agricultural population, mainly between the descapitalizadas families, is in aging process, that the masculine births surpass the feminine ones and that, the young children is prepared since infancy for urban works. Still, one evidenced that, it enters the youngsters of the descapitalizadas families and in transistion, the work not-agriculturist conjugated with the agricultural work of the properties, has kept them for more time in the agricultural way. The non-availability of agricultvel area for the installation of all enters the descapitalizadas agriculturists the offspring and the low level of escolaridade has stimulated the process of venda of the properties, whose inhabitants move to the next urban centers. One evidenced, still, that to be ungido as successive hereditary in the units of production, it has preference for successors of the masculine sex with the lesser escolaridade. Finally, one considers politics of public administration to minimize the contrary effect the permanence of the young in the agricultural way, as the introduction of the policultura acting as generating source of income and remuneration more joust the agricultural man power; the introduction of activities that value social and the feminine work economically, as the agricultural tourism; the valuation of formal education between the agriculturists and programs of informal education that, searchs the professional qualification of the agriculturist in productive activities e, mainly, in the activities of management of the properties; better conditions in the processes of agrarian financings, with adequacy of the value ceiling the e region the possibility to

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    contemplate the acquisition of the parts co-heiresses; the creation of the municipal service of sanitary inspection with the adhesion to the unified system national; the continuity of the initiated research, applying it it established geographic region to the North of the Rio Grande Do Sul, as form of potencializar the regional knowledge in the relative subjects the hereditary succession in familiar agriculture, until this moment, little explored and known.

    WORDS KEY: Familiar agriculture, hereditary Succession, succession in familiar agriculture.

  • 9

    SUMRIO

    1 INTRODUO........................................................................ 11

    2 REFERENCIAL TERICO...................................................... 14

    2.1 Agricultura Familiar................................................................. 14

    2.2 Formas de acesso a terra na agricultura familiar.................... 15

    2.3 A renda no-agrcola nas propriedades rurais familiares....... 19

    2.4 As perspectivas dos jovens na agricultura familiar................. 20

    2.5 Gesto das propriedades rurais familiares.............................. 22

    3 METODOLOGIA...................................................................... 25

    4 RESULTADOS E DISCUSSES............................................ 28

    4.1 Caracterizao das famlias participantes da pesquisa.......... 28

    4.2 Pensando a sucesso na agricultura em Paulo Bento........... 37

    4.3 Proposies............................................................................. 40

    4.3.1 Trabalhando a gerao de renda e a adequada

    remunerao da mo-de-obra rural........................................

    41

    4.3.2 Trabalhando a questo de gnero.......................................... 42

    4.3.3 Trabalhando a questo educacional....................................... 43

    4.3.4 Trabalhando o acesso a terra................................................. 45

    4.3.5 Trabalhando a agregao de valor a produo primria........ 47

    4.3.6 Proposies para as entidades apoiadoras e

    organizacionais: assistncia tcnica e extenso rural,

    universidades, sindicatos e associaes................................

    48

    5 CONSIDERAES FINAIS.................................................... 50

    6 REFERNCIAS BIBBLIOGRFICAS..................................... 52

  • 10

    APNDICE A........................................................................... 55

    APNDICE B........................................................................... 59

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    INTRODUO

    Muito tem se falado sobre o envelhecimento da populao rural, das questes

    de gnero e dos conflitos de geraes que influenciam as decises nos

    empreendimentos agropecurios. Diz-se tambm, que est difcil convencer os

    jovens, filhos de agricultores familiares, detentores de pequenas reas a darem

    continuidade a atividade dos pais, em virtude da pouca disponibilidade de rea

    agricultvel e da expectativa de retorno financeiro muito baixa. Neste estudo,

    procurou-se levantar a discusso com os agricultores do tipo familiar no municpio de

    Paulo Bento/RS e seus filhos, provveis sucessores na atividade, estes aspectos e,

    atravs de pesquisa estratificada por renda bruta das propriedades, levantar

    informaes sobre esta problemtica social. O conhecimento da realidade municipal

    forneceu subsdios para discutir com maior propriedade os destinos que se

    vislumbram para estes empreendimentos e, verificar, de acordo com o caso, as

    possibilidades de interveno.

    Estudos recentes tm demonstrado, pelo mundo afora, que herdar a

    propriedade dos pais a forma mais usual entre as populaes camponesas para

    garantir a reproduo social, cultural e econmica das famlias. No entanto, a forma

    pela qual a sucesso acontece nas diferentes partes do mundo difere de acordo com

    os componentes econmicos, polticos e culturais das Naes.

    Lamarche (1993) coordenou estudos relacionados a estes aspectos da

    agricultura familiar em cinco pases: Canad, Frana, Polnia, Brasil e Tunsia.

    Evidenciou as particularidades destas Naes e demonstrou que de uma forma

    geral, a transmisso de patrimnio na agricultura leva em considerao muito mais

    os aspectos culturais, cuja tradio encontra-se enraizada nas famlias camponesas,

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    do que os meramente jurdicos e legais. Desta forma, dificilmente acontece a

    sucesso igualitria.

    No Brasil, por tratar-se de pas com vasta extenso territorial, formao tnica

    diversificada e estratificada regionalmente, da mesma forma, a sucesso na

    agricultura familiar tem tratamento diversificado e diretamente influenciado por estes

    fatores. Brumer (1993) avalia que a transmisso do patrimnio por hereditariedade

    muito comum na regio Sul, tem menor intensidade no Nordeste e no significativa

    no Sudeste. Abramovay (2001) em pesquisa realizada no Oeste Catarinense

    confirma as afirmaes de Brumer (1993) em relao a regio Sul e vai mais alm

    afirmando que parcela importante dos empreendimentos rurais familiares de

    pequeno porte sofrem com a falta de sucessores que queiram continuar a atividade

    dos pais.

    Procurou-se por trabalhos similares que contemplassem a regio do Alto

    Uruguai, onde se encontra localizado o municpio de Paulo Bento/RS, objeto deste

    estudo, mas no obteve-se xito nesta tarefa. Certamente, estudos desta natureza,

    ainda no contemplaram esta regio. Este fator, antes de ser um empecilho para a

    realizao deste trabalho de pesquisa, tornou-se fator de estmulo.

    Para a realizao da pesquisa de campo estratificou-se as propriedades

    rurais do municpio em trs categorias: descapitalizadas1, em transio2 e

    consolidadas3. Foi determinado o nmero da amostragem a ser utilizada e os

    entrevistados, previamente agrupados e caracterizados, foram selecionados atravs

    de sorteio. A pesquisa de campo foi realizada no ms de junho de 2007.

    Assim, o objetivo geral deste estudo verificar a forma pela qual a sucesso

    na agricultura familiar no municpio de Paulo Bento est ocorrendo, sua influencia e

    impactos na economia e sociedade. A sociedade precisa conhecer os mecanismos

    que afetam, de alguma forma, positiva ou negativamente, o processo de

    desenvolvimento local. A economia local, da mesma forma, est intimamente ligada

    1 Quando a renda bruta anual inferior a dezesseis mil reais, a rea agricultvel disponvel pequena

    e a viabilidade econmica do empreendimento comprometida. Geralmente so agricultores de poucos esclarecimentos, apresentam dificuldades relativas ao poder de anlise e discernimento e o nvel tecnolgico e de produtividade so deficientes (BLUM, 2001). 2 Quando a renda bruta anual superior a dezesseis mil reais e inferior a quarenta e cinco mil reais.

    So pessoas de esclarecimentos, poder de anlise, discernimento e influencia comunitria de nvel mediano (BLUM, 2001). 3 Quando a renda bruta anual superior a quarenta e cinco mil reais. So agricultores que usam alta

    tecnologia e apresentam demanda crescente por insumos e mquinas modernas. Geralmente so esclarecidos, com boa liderana nas comunidades e detentores de bom poder de anlise e discernimento (BLUM, 2001).

  • 13

    aos movimentos que se processam na sociedade e, por estes, so determinados

    seus rumos, sendo desejvel que sejam favorveis no apenas aos ndices

    econmicos e financeiros, mas, e, principalmente, aos ndices, muitas vezes, de

    difcil mensurao, de crescimento e desenvolvimento social. Os objetivos

    especficos consistem em conhecer a realidade das famlias rurais de acordo com a

    renda e o tamanho das propriedades localizadas no municpio de Paulo Bento/RS;

    identificar o interesse profissional dos jovens nascidos no meio rural e suas

    correlaes, como conflitos entre geraes e relaes de gnero e, por ltimo,

    propor aes de gesto pblica para facilitar o processo sucessrio. Durante o

    estudo, foi dedicada ateno especial na identificao do interesse profissional dos

    jovens descendentes de agricultores familiares, pois acredita-se que o fato de

    nascerem no meio rural no determinante e condicionante para a sua continuidade

    e, sim, a sua identificao e preferncia pelas atividades agropecurias. Dentro da

    mesma linha de pensamento, as aes de gesto pblica propostas levam em

    considerao a aptido profissional e o desejo de permanncia no meio rural, pois

    como pas democrtico que, publicitariamente somos, seria desumano e

    antidemocrtico condicionar o jovem a permanecer na propriedade rural, quando

    esta no a sua opo pessoal.

    O trabalho est dividido em captulos distintos: no primeiro capitulo apresenta-

    se o estudo bibliogrfico que embasou o trabalho; no segundo apresenta-se a

    metodologia da pesquisa; no terceiro captulo apresenta-se o resultado da pesquisa,

    faz-se consideraes e ponderaes sobre o mesmo prope-se procedimentos de

    gesto pblica consideradas pertinentes; o quarto captulo foi destinado as

    consideraes finais do autor e, no quinto captulo apresentam-se as referencias

    bibliogrficas consultadas no transcorrer do estudo. Ainda constam em apndice os

    formulrios utilizados na pesquisa de campo.

  • 14

    2. REFERENCIAL TERICO

    Este captulo destina-se a registrar, de maneira breve, as informaes

    colhidas antes e durante o estudo, de autores diversos e que ajudaram a embasar a

    pesquisa e as discusses dos resultados desta.

    2.1 Agricultura familiar

    Conceituar a agricultura familiar trabalho rduo, tendo em vista os diversos

    entendimentos. Para Lamarche (1993) a agricultura familiar, ou agricultura enquanto

    atividade familiar, a idia de uma identidade entre famlia e explorao. Na sua

    avaliao corresponde a uma unidade de produo agrcola onde propriedade e

    trabalho esto intimamente ligados a famlia. Relaciona ainda a interdependncia

    dos fatores ligados a propriedade, trabalho e meios que propiciam noes abstratas

    e complexas, como a transmisso do patrimnio e a reproduo da explorao. Para

    Costabeber & Caporal (2003) a agricultura familiar , ao mesmo tempo, unidade de

    produo, de consumo e de reproduo e, portanto, funciona mediante uma lgica

    de produo combinada de valores de uso e de mercadorias, objetivando sua

    reproduo. Evidenciam os autores que a lgica familiar diferente da lgica que

    impulsiona a agricultura capitalista. A definio de Tedesco (2001) tambm

    bastante abrangente: a famlia como proprietria dos meios de produo, o trabalho

    na terra, modalidades de produo e manifestao de valores e tradies

    (patrimnio sociocultural) em torno da e para a famlia. Ressalta ainda a

    complexidade analtica, cujos processos envolvem as relaes de trabalho, o

    sentido de agrupamento e sua multifuncionalidade em espaos de trabalhos

    diferenciados.

  • 15

    Para Wanderley (2001) a conceituao de agricultura familiar assume ares de

    novidade e renovao para designar conceitos j enraizados na sociedade brasileira

    como o tradicional campons, agricultor de subsistncia e pequeno produtor rural e

    incorpora conceitualmente os desafios da modernidade. Afirma a autora que a

    agricultura familiar que se reproduz nas sociedades modernas deve adaptar-se a

    um contexto socioeconmico prprio dessas sociedades, as quais obrigam a realizar

    modificaes importantes em sua forma de produzir e em sua vida social

    tradicionais. As transformaes a que se refere autora, no entanto, no produzem

    uma ruptura total e definitiva com as formas anteriores e acrescenta ao agricultor

    familiar moderno a capacidade de adaptar-se s novas exigncias da sociedade,

    sem desvincular-se das tradies camponesas.

    2.2 Formas de acesso a terra na agricultura familiar

    Segundo Abramovay (2001) apenas nos ltimos anos o Brasil tem adotado

    polticas pblicas, de interesse social e econmico, para a agricultura familiar,

    estabelecendo mecanismos de acesso ao crdito e a terra. Este retardamento em

    atender as necessidades das famlias do meio rural tem criado na grande maioria

    dos jovens herdeiros de pequenas parcelas de terras, o desejo de abandonar a

    atividade e buscar no meio urbano oportunidades mais promissoras de gerao de

    renda. Da mesma forma, sendo o mercado de terras, um mercado imperfeito, cujo

    valor venal est diretamente associado s possibilidades mecanicistas e

    tecnolgicas, bem como aos resultados econmicos obtidos na produo

    agropecuria, na grande maioria dos casos inviabiliza a expanso da agricultura

    familiar, de modo geral fragilizada economicamente. Estes fatores tm levado a

    conseqncias srias como o envelhecimento e a masculinizao celibatria da

    mo-de-obra rural e deixadas parcelas importantes de pequenas propriedades sem

    sucessores, segundo pesquisa realizada pelo autor no Oeste de Santa Catarina.

    O acesso a terra no Brasil se d de formas diferenciadas de acordo com a

    localizao geogrfica e com o componente cultural e formao tnica de suas

    populaes. Estudos de Brumer (1993) apontam que na regio do Cariri (PB) 28 %

    dos proprietrios rurais obtiveram suas terras por herana, enquanto que na regio

  • 16

    de Iju (RS) este percentual eleva-se a 70%. Por outro lado, na regio de Leme (SP)

    praticamente inexistem casos de sucesso por herana, sendo as vendas de terras

    uma constante, tendo em vista os incentivos do governo para a produo de lcool

    combustvel e a conseqente expanso dos canaviais, geralmente pertencentes a

    conglomerados agroindustriais de grande porte. Na opinio de Carneiro (2006), nas

    questes relativas a herana patrimonial entre os agricultores familiares brasileiros

    predominam as regras culturais sobre o regramento jurdico, quando modificam-se

    as leis em favor dos interesses coletivos da famlia. Os cdigos costumeiros ou

    usuais estabelecem o smbolo da unidade e da identidade familiar sobre o

    patrimnio, que dever ser reproduzido no tempo atravs dos laos familiares e da

    partilha desigual. Este regramento cultural no reconhece todos os filhos com

    direitos iguais, selecionando um entre todos, normalmente homem, para dar

    continuidade a manuteno do patrimnio familiar, cabendo aos irmos excludos da

    partilha buscar sua sobrevivncia normalmente fora do meio agrcola. Como forma

    de compensao aos excludos normalmente reduzido ao enxoval e alguns bens

    para as moas que se casam com outro agricultor ou aos demais revertida em sua

    manuteno na cidade enquanto estuda e se prepara para a insero no mercado

    de trabalho urbano.

    Quanto ao tamanho das propriedades familiares nas regies de Leme (SP) e

    Iju (RS) predominam as propriedades com rea entre 20 e 50 hectares, enquanto

    que no Cariri (PB) estas so menores, geralmente com menos de 20 hectares

    (BRUMER, 1993). Segundo Costabeber & Caporal (2003) a agricultura familiar no

    Rio Grande do Sul ocupa 32,90% da rea total das exploraes agropecurias e

    representam 92,13% do nmero total de propriedades, ocupando 87,45% da mo-

    de-obra agrcola.

    Sendo esta obra uma discusso sobre os problemas sucessrios da

    agricultura familiar em nvel de Brasil, aguou-se a curiosidade em conhecer esta

    realidade em outras partes do mundo. No Canad, por exemplo, onde a mdia de

    rea das propriedades bem superior as das regies coloniais brasileiras, a

    transmisso da propriedade acontece, geralmente, de forma paulatina. So criadas

    empresas familiares, aonde o pai vai vendendo aos filhos, partes do

    empreendimento, em forma de aes. So propriedades com alto grau de

    tecnificao e o tamanho mdio varia conforme a regio. Na regio do Baixo So

    Loureno (Quebec), onde a produo leiteira predomina, cerca da metade das

  • 17

    propriedades tem, em mdia, 172 hectares, sendo consideradas pequenas as

    propriedades com rea de 60 hectares. Na regio de Emerald a maioria das

    propriedades rurais dedica-se a cultura cerealista extensiva e a rea mdia de 500

    hectares, podendo contudo chegar a 2.500 hectares (STANEK, 1993).

    Ocorre, muitas vezes, segundo Stanek (1993), que devido ao elevado ndice

    de endividamento destas propriedades a transmisso de patrimnio do pai para os

    filhos acelera ainda mais o processo de endividamento, pois os sucessores precisam

    recorrer a financiamentos para poder adquirir a rea da famlia e que, segundo

    Lamarche (1993), so constrangidos a comprar a explorao da gerao mais

    velha.

    Na Frana, as propriedades rurais so menores em extenso do que no

    Canad e igualmente variam de acordo com a localizao geogrfica. Estudos de

    Lamarche (1993) apontam que na regio da Bretanha as propriedades rurais tm

    reas de superfcie entre 20 e 50 hectares e dedicam-se a um sistema de criao de

    gado intensivo e especializado. Na regio de Marais variam entre 20 e 100 hectares

    e a forma de explorao consiste em sistemas de policultura, de criao de gado e

    grandes culturas. No Causse, as reas das propriedades so de 200 a 500 hectares

    explorados em sistema de criao de gado ovino extensivo, podendo ser

    encontradas algumas propriedades menores. A transmisso da posse das

    propriedades pode acontecer, principalmente, de trs maneiras: a compra de terras

    entre membros da famlia, a herana igualitria entre os descendentes ou a compra

    por terceiros com vistas ampliao de rea das unidades de produo. A ordem

    preferencial a apresentada.

    Consta ainda que, apenas um quinto das propriedades rurais tem a garantia

    de ter um sucessor e que dois teros esto em situao indefinida, no se sabendo

    precisar de que forma ocorrer a sucesso. A quantidade de proprietrios de reas

    rurais do sexo masculino solteiros e sem sucessores na descendncia

    considervel, ou seja, cerca de 20%. Da mesma forma, identifica-se que a mo-de-

    obra rural esta envelhecida e com perspectivas pouco provveis de haver sucesso

    familiar nos negcios agrcolas, tendo em vista, a preferncia preponderante entre

    os prprios agricultores de incitar seus filhos ao estudo e ao trabalho urbano

    (LAMARCHE, 1993).

    Na Polnia as reas das propriedades so sensivelmente menores que nos

    outros pases, segundo estudos de Halamska (1993). Na regio de Drobin, 20,8%

  • 18

    das propriedades rurais tem rea inferior a 5 hectares, 50,2% tem uma superfcie de

    explorao entre 5 e 10 hectares e 29% tem rea superior a 10 hectares. Na regio

    de Steszew onde se encontram as maiores propriedades sendo que 44,1% tem

    uma superfcie de explorao que conta com mais de 10 hectares, 16,5% tem uma

    rea de 5 a 10 hectares e 39,4% tem rea inferior a 5 hectares. A concentrao de

    propriedades menores se d na regio de Zator onde 93,4% das famlias possuem

    reas inferiores a 5 hectares, 6% tem propriedades com rea entre 5 e 10 hectares

    e, apenas, 0,6% contam com uma rea maior que 10 hectares. Quanto aos

    sistemas de produo podem ser definidos como um sistema nico, onde se pratica

    em todas as unidades de produo a policultura e a criao de animais.

    O apego a terra pelos agricultores poloneses demonstrada atravs dos

    nmeros. Em mais de 80% dos casos, os atuais proprietrios de exploraes

    agrcolas as receberam por herana e apenas 3% dos agricultores venderam parte

    da propriedade aps as ter herdado. Como so reas pequenas, para evitar a

    disperso do patrimnio fundirio, a pratica corrente a poca da sucesso a

    partilha desigual entre os descendentes, com a compra, pelo que assume a

    explorao, das partes co-herdeiras (HALAMSKA, 1993).

    Os agricultores poloneses tm boa formao profissional e esta condio

    essencial para poder herdar a propriedade, segundo dados de Halamska (1993).

    Geralmente, os jovens recebem qualificao para serem agricultores e aguardam a

    oportunidade para tomar posse da explorao em trabalhos urbanos, formando uma

    espcie de reserva a espera da oportunidade de assumir a propriedade rural. A

    profisso de agricultor e o estatuto social da propriedade so uma tradio familiar.

    A mobilidade social tambm muito baixa na Polnia. As famlias

    camponesas moram h muitos anos no mesmo vilarejo. Identifica-se uma pequena

    mobilidade atravs das geraes entre comunidades rurais compostas por vrias

    aldeias ou dentro da mesma regio. Tambm inexistem problemas matrimoniais e

    freqente encontrar mulheres frente das exploraes (Halamska, 1993).

    Na Tunsia, a posse da terra tem carter de patrimnio e meio de prestigio

    social mais solidificados do que como instrumento de produo. Estudos de Gana

    (1993) apontam para um fraco dinamismo fundirio, onde as propriedades rurais so

    transferidas quase que exclusivamente atravs de processos hereditrios. Por esta

    razo a incerteza quanto sucesso bem fraca, representando apenas 5% dos

  • 19

    casos. No h apoio oficial para aquisio de terras, ou seja, inexistem formas de

    financiamento ou qualquer outra forma de estimular o acesso a terra.

    O porte das exploraes tambm bastante reduzido, sendo cerca de 88%

    constitudas de propriedades com reas inferiores a 20 hectares. Mas, na regio de

    Rs Djebel, o problema ainda mais critico apresentando 67% das propriedades

    com rea inferior a 5 hectares. Nesta regio o sistema de cultivo predominante a

    horticultura intensiva. Nas demais os sistemas predominantes so os das grandes

    culturas associadas s criaes de gado extensivas, embora a horticultura semi-

    intensiva esteja presente em 32% das exploraes (GANA, 1993).

    2.3 A renda no-agrcola nas propriedades rurais familiares

    A pluriatividade no Brasil, entendida como o exerccio de uma atividade

    externa remunerada por algum membro da famlia que coabitam sobre o mesmo

    teto, mais significativa na regio do Cariri (PB), onde 67% das unidades de

    produo usam esta estratgia para a complementao da receita. Na regio de Iju

    (RS) atividade igualmente importante, sendo praticada por 55% das famlias. J na

    regio de Leme (SP) menos freqente e praticada por 22% das famlias de

    agricultores (BRUMER, 1993). No Oeste de Santa Catarina a busca de renda fora

    da propriedade praticada por 20% das famlias (ABROMOVAY, 2001). No

    Assentamento Annoni (RS) 40% das famlias complementa a renda com trabalhos

    remunerados realizados fora da propriedade (BAVARESCO, 2001). A pluriatividade

    na maioria dos casos uma necessidade estrutural, ou seja, a renda obtida nesse

    tipo de trabalho vem a ser indispensvel para a reproduo no s da famlia como

    do prprio estabelecimento familiar (WANDERLEY, 2001). Contrariamente a esta

    afirmao, Fialho (2000) afirma que a pluriatividade causa de desagregao da

    agricultura familiar, porque os valores monetrios adquiridos sob forma de trabalho

    no-agricola geralmente so destinados a melhoria da qualidade de vida, em

    detrimento do aperfeioamento ou manuteno das atividades agrcolas do

    estabelecimento. Segundo o autor, este procedimento leva ao processo de

    sucateamento dos equipamentos e benfeitorias usadas na atividade agrcola e, por

    conseqncia, a um crescente desinteresse pela incorporao de inovaes

  • 20

    tecnolgicas, causando a sada paulatina dos membros mais jovens da famlia e a

    desarticulao da capacidade produtiva. Entretanto, avaliando a atividade pluriativa

    sob o vis sob das condies sociais de gnero, Carneiro (2006) afirma que um

    elemento importante para contribuir com a permanncia da mulher no meio rural e

    para resolver crises de sucesso.

    Se levarmos em considerao a situao dos agricultores familiares

    franceses, veremos que as atividades pluriativas tambm naquele pas so uma

    constante. Lamarche (1993) afirma que na Bretanha est consolidada, no Marais

    encontrada de forma moderada e menor na regio do Causse. De qualquer forma,

    a explorao agrcola no mais o lugar exclusivo do desenvolvimento das

    atividades profissionais da famlia.

    Entre os agricultores poloneses, a pluriatividade, atividade corrente. No

    apenas os filhos que esto aguardando a posse da explorao moram na

    propriedade e realizam atividades externas, mas tambm comum os chefes da

    explorao e seus cnjuges possurem outra atividade. O mercado de emprego fora

    da agricultura vasto e capaz de absorver toda a mo-de-obra excedente nas

    exploraes agrcolas, segundo relatos de Halamska (1993).

    A questo relacionada a pluriatividade para os agricultores tunisianos

    praticamente no tem importncia, pois a grande maioria trabalha em turno integral

    nas lides agrcolas. Ao mesmo tempo, estudos de Gana (1993), demonstram que

    92% das exploraes declaram poder explorar uma rea maior da qual so

    detentores, ficando evidenciado que h excedente de mo-de-obra. Diante desta

    perspectiva o trabalho das mulheres nas atividades agrcolas tambm so

    dispensadas e, estas participam mais ativamente nas produes animais.

    2.4 As perspectivas dos jovens na agricultura familiar

    Sob outro ngulo a pesquisa de Brumer (1993) avalia a possibilidade dos

    filhos destas famlias continuarem nas atividades agrcolas e afirma que 54% dos

    filhos homens na regio do Cariri (PB) so declarados como agricultores e apenas

    18% das filhas mulheres. Na regio de Iju (RS) a agricultura ocupa a maior parte

    dos filhos, sendo 54% dos filhos homens e 51% das filhas mulheres. Em Leme (SP)

  • 21

    a profisso de agricultor predomina entre os filhos homens, onde 72% continuaro

    na atividade, em contrapartida, apenas 13% das filhas sero agricultoras. No Oeste

    de Santa Catarina segundo Abramovay (2001) mais de dois teros dos filhos

    homens desejam permanecer na agricultura e, em contrapartida, apenas 32% das

    moas fazem esta opo. Da mesma forma, pesquisa realizada por Bavaresco

    (2001) indica que no Assentamento Annoni no Rio Grande do Sul 64% dos filhos

    homens permanecem na agricultura, enquanto que entre as mulheres este

    percentual cai para 36%. Ainda informa o autor que a sada da propriedade dos pais

    acontece com a mdia de idade de 21 anos.

    No entanto, para Wanderley (2001) os agricultores brasileiros no se opem a

    mobilidade espacial e, freqentemente, a migrao a soluo para resolver os

    problemas fundirios das famlias, principalmente no sul do pas, entre os

    descendentes masculinos.

    Como se viu pelos dados apresentados mais freqente a busca pelo

    trabalho no-agricola entre as mulheres jovens, fato atribudo por Weisheimer (2006)

    pela diviso sexual do trabalho nas unidades de produo do tipo familiar, impondo

    condies subalternas e de invisibilidade do trabalho feminino. Desta forma, elas

    dificilmente tm possibilidades de acesso aos rendimentos financeiros advindos da

    agricultura, nem vislumbram entre as suas possibilidades suceder aos pais na

    gesto da unidade familiar e terem a propriedade da terra para o exerccio autnomo

    da agricultura.

    A questo educacional foi estudada por Abromovay (2001) no Oeste de Santa

    Catarina e constatou que 74% dos filhos homens tem formao igual ou inferior a 8

    srie do ensino fundamental e apenas 3% so formados como tcnicos agrcolas.

    Para as filhas mulheres o nvel mais freqente de escolaridade encontrado foi o da

    formao com o segundo grau com um ndice de 56%. Perguntados sobre o nvel

    mnimo de instruo que consideram ideal para desenvolver bem a profisso de

    agricultor apenas 9% consideraram a formao em tcnicas agrcolas como a ideal e

    57% consideram que ter formao igual ou inferior a 8 srie do ensino fundamental

    o suficiente. Por outro lado, o 1 Censo da Reforma Agrria, realizado pelo

    INCRA/UNB, indica que entre os beneficirios o nvel de analfabetismo ou semi-

    analfabetismo (aqueles que no concluram a 1a srie) de 11,1% no Rio Grande

    do Sul e 42,6% no Brasil e que 78,8% possui escolaridade igual ou inferior a 8 srie

    (RS), sendo que a nvel nacional este ndice cai para 49,6%. Ainda, o referido censo,

  • 22

    informa que apenas 3,8% dos beneficirios gachos possuem instruo superior ao

    ensino fundamental e que a nvel nacional este ndice de 2,7% (BAVARESCO,

    2001).

    2.5 Gesto das propriedades rurais familiares

    Blum (2001) afirma que o gerenciamento das unidades familiares de produo

    deixa a desejar por ser espontneo e realizado com muita superficialidade. Este fato

    ocasionado pela escassez e pobreza da terra, pela mo-de-obra de baixa

    qualificao e pela conseqente descapitalizao dos agricultores que exploram

    propriedades em regime de economia familiar. Como conseqncias so apontadas

    as formas precrias de comercializao, baixa escala de produo, falta de

    agregamento de valor a produo, diversificao excessiva, tecnologias

    incompatveis, pouca disponibilidade de formao e informao, relaes de troca

    desfavorveis e a inexistncia de poltica agrcola. Outra conseqncia apontada

    pelo autor o associativismo, que muito pouco utilizado e quando o faz-se mau

    uso desta prtica. Para Pinheiro (2001) as associaes de agricultores podem ser

    um tipo de organizao ideal, quando combinam entre si participao democrtica

    de todos os membros e capacidade de presso na busca por benefcios para o

    grupo. No entanto, alerta que so alvos de prticas clientelistas de outras

    organizaes como sindicatos, prefeituras, igrejas e at de polticos locais.

    Uma das formas para buscar a equidade ou igualdade, dentre as maneiras

    exgenas a de injetar no sistema rural financiamentos e subsdios, obedecendo

    princpios participativos, sem distino, cooperativo, democrtico, de viso

    sistmica e com superviso, orientao e treinamentos educativos informais. Outra

    maneira de buscar o desenvolvimento das famlias e comunidades rurais e que

    requer seja feita a mdio e longo prazo, a disponibilizao de ensino fundamental

    e mdio e dar-se condies efetivas para que possam ser usufrudos pela populao

    rural (BLUM, 2001). Tremea (2001) elenca um terceiro fator de desenvolvimento da

    agricultura familiar : a agregao de valor sobre a produo, atravs da implantao

    do processo de agroindustrializao, criando uma nova organizao social no

  • 23

    campo, de parceria associativa entre os produtores e seus familiares, de gerao de

    emprego e renda....

    Os problemas relacionados com a capacidade empresarial dos agricultores

    familiares apontados por Blum (2001) so os seguintes: falta de administrao,

    gerenciamento e viso empresarial; falta de anlise de custos, margens brutas,

    lucratividade e anlise de investimentos; falta de associativismo e de viso

    sistmica; desconhecimento das melhores formas de comercializao e agregao

    de valor; uso de tecnologias inapropriadas para o tamanho do estabelecimento.

    Estes problemas, para o autor, tm origem na assistncia tcnica, que os produtores

    no recebem ou se a recebem no est preparada para atuar desta forma. Afinal,

    fazendo-se a anlise econmica nas propriedades rurais, conhece-se a propriedade

    como um todo e sistematicamente; determinam-se os pontos de estrangulamento, o

    fluxo de caixa, os riscos e flexibilidades da propriedade,...e os objetivos do

    agricultor. Este pensamento compartilhado por Lima et. al. (2001) ao afirmar que

    diante da complexidade da agricultura moderna no pode mais se admitir que o

    agricultor administre sozinho sua unidade de produo. H a necessidade, segundo

    o autor, de a assistncia tcnica incorporar a assistncia gerencial, levando ao

    agricultor uma viso empresarial da agricultura, para torn-los mais eficientes e

    competitivos. E continua, ao afirmar que uma slida formao econmica e

    gerencial condio bsica para a prtica de uma agricultura que a cada dia torna-

    se mais complexa e em constante transformao.

    Lacki (1995) apud Blum (2001) afirma que

    necessrio introduzir inovaes tecnolgicas, gerenciais e organizacionais e, alm disso faze-lo em todos os elos da cadeia agroalimentar; isto no acesso aos insumos, na produo, na administrao da propriedade, na transformao dos produtos e na comercializao dos excedentes. (TEDESCO, 2001, p.74)

    A temtica do gerenciamento ambiental nas unidades familiares de produo

    levantada por Campos (2001) ao afirmar que necessrio buscar novas

    metodologias de planejamento ambiental que atenuem os impactos dos processos

    produtivos depredatrios do meio ambiente. Na avaliao do autor quanto menor e

    mais fragilizadas economicamente forem as propriedades rurais maior ser a

  • 24

    presso sobre as terras marginais, definidas como ecologicamente sensveis que,

    embora no sejam imprprias para o cultivo, so altamente suscetveis a

    deteriorao ecolgica.

  • 25

    3. METODOLOGIA

    Visando dar forma e contedo ao tema proposto e com a finalidade de obter

    resposta aos objetivos especificados decidiu-se por fazer uma pesquisa de campo

    no municpio de Paulo Bento/RS, por ser a localidade de maior facilidade de contato

    deste autor com o publico alvo do estudo.

    Inicialmente consultou-se o cadastro das famlias beneficirias do Programa

    Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar PRONAF, onde se constatou

    que 407 famlias esto inscritas no mesmo, acessando crditos e benefcios (MDA,

    2005)4. Consultou-se ainda a agencia do SICREDI5 na cidade para obter-se a

    informao do nmero de famlias tomadoras de financiamentos agropecurios e

    que no esto cadastradas no PRONAF. Obteve-se a informao de que so 20

    famlias.

    De posse destas informaes, estratificou-se previamente as famlias em trs

    categoriais a saber: consolidados, em transio e descapitalizados6. Levou-se em

    considerao as argumentaes de Abramovay (2001), Blum (2001) e Garcia Filho

    (1999), em contraponto ao declarado pelos prprios agricultores nos seus dados

    cadastrais que geram os diversos enquadramentos nas linhas de crdito

    disponveis7. H de se salientar que, devido seca ocorrida em 2004/2005, mesmo

    4 Esta pgina de consulta na internet atualizada periodicamente pela Secretaria da Agricultura

    Familiar SAF, rgo vinculado ao MDA. 5 O municpio conta com esta nica agencia bancria, no entanto, comum, pela proximidade, os

    agricultores financiarem seus empreendimentos agropecurios em outros bancos nas cidades vizinhas de Erechim, Baro de Cotegipe, Jacutinga e Campinas do Sul. Mas, a parcela no abrigada sob o manto do PRONAF bastante fiel ao sistema cooperativo do SICREDI e, mantm, ao menos, um empreendimento vinculado a esta organizao pois, isto gera credibilidade na comunidade e respalda pleitos de ordem social e poltica. 6 Ver pginas 12 e 26 deste estudo. 7 No se acessou diretamente os dados cadastrais de cada agricultor e, sim, o resultado final destas

    informaes que geram o posterior enquadramento.

  • 26

    aqueles agricultores que no costumam contrair financiamentos cadastraram-se no

    PRONAF para poder acessar o programa denominado Bolsa Estiagem 20058

    (MDA, 2005) fazendo com que todos os agricultores do municpio possuam um

    cadastro oficial e esto devidamente registrados. Este fator gerou a confiana de

    que o universo a ser pesquisado abrange a totalidade dos empreendimentos

    agropecurios do municpio. Enfim, dos 427 estabelecimentos agropecurios sob

    regime de economia familiar identificados chegou-se a concluso de que 10%

    pertencem a categoria dos agricultores consolidados, 34% esto em processo de

    transio e 56% esto descapitalizados.

    Elaborou-se ento dois questionrios especficos para a realizao de

    entrevista padronizada, com questes de mltipla escolha, que permitiu a opo por

    uma ou mais alternativas, possibilitando captar as opinies divergentes entre o casal

    ou a dualidade da opinio. A base do questionrio foi inspirada em Abramovay

    (2001) e adaptada aos objetivos do estudo e a realidade do municpio. O primeiro

    (Apndice A) foi aplicado aos proprietrios do empreendimento ou, como chamados

    neste estudo, de pais. O segundo (Apndice B) foi aplicado aos filhos dos

    proprietrios, rapazes ou moas, quando ainda residentes com os pais e solteiros. O

    universo a ser pesquisado constitudo de 427 famlias foi estratificado e distribudo

    em trs subgrupos. Dentro dos subgrupos a amostragem foi aleatria decidida em

    sorteio prvio do qual participaram as famlias com filhos cuja idade, de pelo menos

    um deles, estivesse na faixa de 13 a 30 anos, na condio de solteiro, vivendo ou

    no na unidade de produo. A estratificao foi realizada da seguinte forma.

    1. Agricultores consolidados considerou-se todos aqueles inscritos no

    PRONAF, Grupo E, cuja renda bruta anual superior a quarenta e cinco mil reais e

    os demais que no se enquadram nesta faixa por ter renda bruta anual superior a

    oitenta mil reais (MDA, 2005). Neste sistema de produo os produtores usam alta

    tecnologia. H uma demanda crescente por insumos9 e mquinas modernas, so

    esclarecidos, com boa liderana nas comunidades, bom poder de anlise e

    discernimento (BLUM, 2001). Foram identificadas 41 famlias e a amostragem

    constitui-se de 2 famlias.

    8 Auxlio emergencial financeiro para minimizar os prejuzos da seca ocorrida em 2004/2005,

    disponibilizado pelo Governo Federal. 9 Fertilizantes, corretivos, sementes certificadas, inseticidas, fungicidas, herbicidas, raes

    balanceadas, medicamentos, etc.

  • 27

    2. Agricultores em transio considerou-se todos os inscritos no PRONAF,

    Grupo D, tendo renda bruta anual superior a dezesseis mil reais e inferior a quarenta

    e cinco mil reais (MDA, 2005). Estes produtores usam tecnologias medianas, tendo

    mquinas com maior tempo de uso10. A demanda por insumos menor que no

    grupo anterior, so pessoas com menor esclarecimento que o grupo anterior e, em

    conseqncia, a liderana nas comunidades mediana. Da mesma forma, o poder

    de analise e discernimento tambm so medianos (BLUM, 2001). Nestas condies

    foram identificadas 145 famlias e a amostragem constitui-se de 6 famlias.

    3. Agricultores descapitalizados - considerou-se todos os inscritos no

    PRONAF, Grupos A, B, C e A/C, cuja renda bruta anual inferior a dezesseis mil

    reais (MDA, 2005). Este grupo de produtores trabalha em pequenas reas e a

    viabilidade econmica do empreendimento comprometida, dificultando o acesso ao

    crdito. So agricultores de poucos esclarecimentos e apresentam muitas

    dificuldades relativas ao poder de anlise e discernimento e, portanto, o nvel

    tecnolgico e de produtividade so deficientes (BLUM, 2001). Foram identificadas

    241 famlias pertencentes a este grupo e a amostragem constitui-se em 9 famlias.

    As entrevistas foram realizadas no perodo de 11 a 21 de junho de 2007.

    O passo seguinte consistiu em tabular as informaes colhidas e fazer-se

    anlise das mesmas conforme est descrito no capitulo seguinte.

    10 Este grupo de produtores geralmente adquire mquinas e equipamentos usados, descartados pelos

    agricultores consolidados por sua obsolencia.

  • 28

    4. RESULTADOS E DISCUSSO

    4.1 Caracterizao das famlias participantes da pesquisa

    Participaram da pesquisa 17 famlias das diversas localidades que compe o

    municpio de Paulo Bento sendo que, destas, 9 so classificadas como

    descapitalizadas, 6 em processo de transio e 2 consolidadas, todas

    representativas em sua respectiva classificao. Percebeu-se que, entre os

    agricultores descapitalizados a idade mdia dos proprietrios sensivelmente maior

    que naquelas consideradas em transio ou consolidadas, conforme demonstrado

    na tabela 1.

    Tabela 1 Caracterizao das famlias de agricultores de Paulo Bento/RS quanto idade dos proprietrios, nmero e sexo dos filhos, em junho de 2007.

    Classificao das famlias

    Idade mdia dos pais (anos)

    Idade mdia das

    mes(anos)

    Numero de filhos por

    casal

    Percentual de filhos homens

    Percentual de filhas mulheres

    Descapitalizadas

    54,1 52,1 2,4 54,5 45,5

    Em transio

    51,5 47,3 2,0 66,7 33,3

    Consolidadas 47,5 44,0 2,5 60,0 40,0 FONTE: Pesquisa de campo.

    Informao importante contida nesta tabela o indicativo que a idade da

    mulher em relao ao homem no casamento, na mdia, sempre inferior em todos

    as faixas de classificao. Mesmo assim temerrio afirmar que isto seja uma

    norma rgida e convencional, pois excees foram detectadas na pesquisa de

    campo, embora no traduzam em nmeros como possvel tendncia de reverso.

  • 29

    Quanto ao nmero de filhos por casal a mdia muito semelhante nas famlias

    consolidadas e descapitalizadas, ou seja, 2,5 e 2,4 respectivamente, apresentando

    uma leve tendncia declinante nas famlias em processo de transio. A pesquisa

    demonstrou que estas famlias (em transio) mostram-se mais preocupadas na

    manuteno de uma faixa patrimonial mnima a ser transferida para os filhos.

    Outro fator importante a ser destacado, ainda reportando-se a tabela 1 o

    fato de os nascimentos masculinos superarem numrica e expressivamente os

    nascimentos femininos, o que aliado conhecida tendncia das filhas mulheres

    abandonarem as unidades de produo com maior freqncia que os homens, como

    ser visto mais detalhadamente no decorrer do presente estudo, deixa o meio rural

    do municpio de Paulo Bento bastante masculinizado. E a dvida que ocorre, neste

    momento, a de saber se algumas retornaro ao meio rural atravs do casamento

    ou se existem mulheres urbanas dispostas a enfrentar as agruras da roa. Diante

    das circunstancias, pode-se conjecturar que ser mais fcil a elas atrarem os

    homens para as cidades ou estabelecer-se a masculinizao celibatria nas

    unidades de produo, conforme preconiza Abramovay (2001). Neste sentido, a

    tabela 2 nos fornece elementos surpreendentes. A mdia de idade das filhas

    mulheres nas propriedades consideradas em transio e consolidadas inferior a

    idade a qual so consideradas aptas ao trabalho, ou seja, 14 anos. Da constatao

    deste fato possvel formar raciocnio de que as mesmas saem em idade tenra da

    propriedade para estudar e galgar sua posio social nos meios urbanos. Por outro

    lado se, h uma idade mdia superior entre as filhas dos agricultores

    descapitalizados, isto se deve ao fato de que, algumas ainda, aceitam o casamento

    com um homem agricultor. Neste caso, em particular, a pesquisa apontou que 20%

    das filhas de agricultores descapitalizados encontram-se casadas e permanecem no

    meio rural.

    dedutvel atravs desta tabela que a permanncia das moas no meio rural

    superior nas famlias em processo de transio e naquelas que esto

    consolidadas. No entanto, deve ressaltar-se que a metodologia da pesquisa,

    antepe a condio da existncia de ao menos um possvel herdeiro na faixa etria

    dos 13 aos 30 anos, solteiro, no importando o sexo, desta forma, limitando o

    universo a ser pesquisado, o que levou a pesquisa de campo a estes dados,

    levando-se em considerao que o enfoque do estudo no tinha este objetivo

    especfico.

  • 30

    Tabela 2 Idade mdia, ndice de solteiros e de permanncia no meio rural dos jovens filhos de agricultores em Paulo Bento/RS, em junho de 2007.

    Agricultores descapitalizados

    Agricultores em transio

    Agricultores consolidados

    Rapazes Moas Rapazes Moas Rapazes Moas Idade mdia (em anos de idade)

    23,1

    21,5

    25,6

    13,5

    17,7

    11,0

    ndice de solteiros (%)

    91,7

    80,0

    62,5

    100,0

    100,0

    100,0

    Permanecentes no meio rural (%)

    78,6

    60,0

    87,5

    75,0

    100,0

    100,0

    FONTE: Pesquisa de campo.

    Mas, em uma anlise mais aprofundada, percebe-se que a idade mdia

    destas muito baixa e, pelos indicativos, tanto bibliogrficos, quanto de vivncia,

    levam a crer que to logo se passem alguns poucos anos, considerados vitais na

    formao de carter e retido, cuja valorizao as famlias consideram importantes,

    seguiro os rumos da urbanizao. Por estes resultados, pretende-se que, num

    futuro prximo, a pesquisa seja aprofundada com uma amostragem mais

    representativa e delineada especificamente para estudar este fenmeno.

    A pesquisa tambm avaliou o grau de escolaridade dos filhos dos agricultores

    alvos da pesquisa podendo-se verificar, conforme a tabela 3, que tambm neste

    detalhe h preferncia em dar-se melhor nvel escolar as filhas, principalmente entre

    as famlias descapitalizadas e em transio. O fato se deve a condio de os pais

    vislumbrarem para as mesmas o futuro no mundo urbanizado, onde as exigncias

    educacionais formais, acreditam, sejam maiores que no meio rural.

    Tabela 3 Nvel de escolaridade dos filhos de agricultores em Paulo Bento/RS, em junho de 2007.

    Agricultores descapitalizados

    Agricultores em transio

    Agricultores consolidados

    Rapazes Moas Rapazes Moas Rapazes Moas At 4a Srie (Ensino Fundamental) - %

    25,0

    10,0

    50,0

    25,0

    -

    -

    5a a 8a Srie (Ensino Fundamental) - %

    58,3

    60,0

    12,5

    25,0

    66,7

    100,0

    Segundo Grau - %

    16,7 30,0 25,0 50,0 - -

    Nvel universitrio - % - - 12,5 - 33,3 - (-) No foram identificadas, na amostragem, pessoas com este nvel de escolaridade. FONTE: Pesquisa de campo.

  • 31

    Por outro lado, ao analisar-se a faixa etria dos rapazes (17 a 25 anos) que

    permanecem com as famlias no meio rural (tabela 2) percebe-se que maior do

    que a idade mdia das moas (11 a 21 anos). Da mesma forma, a taxa de

    permanncia tambm superior (variando de 78 a 100% entre os rapazes e 60 a

    100% entre as moas). Pelas informaes da tabela 3 percebe-se que a

    escolaridade menor, especialmente entre as famlias descapitalizadas e em

    transio. Levou-se, ento, em considerao as informaes da tabela 4 por onde

    pode verificar-se que a exportao de mo-de-obra para as cidades ocorre com

    maior freqncia nas famlias consideradas descapitalizadas.

    Tabela 4 Ocupao da mo-de-obra dos filhos de agricultores em Paulo Bento/RS, em junho de 2007.

    Agricultores descapitalizados

    Agricultores em transio

    Agricultores consolidados

    Rapazes Moas Rapazes Moas Rapazes Moas Trabalho agrcola na unidade de produo (%)

    41,7

    30,0

    37.5

    50,0

    66,7

    50,0

    Pluriativos (%)

    28,6 - 37,5 - - -

    Empregados agrcolas (%)

    -

    10,0

    -

    -

    -

    -

    Trabalho urbano (%)

    33,3

    40,0

    12,5

    25,0

    -

    -

    Sem idade para o trabalho (%)

    8,3

    20,0

    12,5

    25,0

    33,3

    50,0

    (-) No foram identificadas, na amostragem, pessoas exercendo estas atividades. FONTE: Pesquisa de campo

    Considerou-se como trabalho agrcola na unidade de produo o trabalho

    daqueles jovens agricultores que permanecem trabalhando exclusivamente na

    unidade de produo familiar. Os pluriativos so aqueles que, alm de desenvolver

    estas atividades, tambm possuem um servio externo a propriedade, geralmente na

    indstria, comrcio ou servio pblico, funes tipicamente urbanas, mas realizadas

    por estes jovens que permanecem morando na rea rural com seus pais. Os

    empregados agrcolas so aqueles que prestam servios a outras unidades de

    produo na rea agrcola, mas desvincularam-se da propriedade paterna. Como

    trabalho urbano consideraram-se todos aqueles jovens que deixaram as unidades

  • 32

    de produo familiar para fixar residncia e gerar sua reproduo econmica e social

    atravs do trabalho nas cidades. E, finalmente, considerou-se sem idade para o

    trabalho as crianas e adolescentes com idade inferior a 14 anos.

    Para saber-se qual a influncia dos pais em relao a permanncia dos

    jovens no meio agrcola perguntou-se aos mesmos se eles, pais, estimulavam seus

    filhos a serem agricultores, cujos resultados so apresentados na tabela 5.

    Tabela 5 Respostas dos agricultores de Paulo Bento/RS, a questo: Voc estimula seus filhos a serem agricultores:?, em junho de 2007.

    Agricultores descapitalizados

    Agricultores em transio

    Agricultores consolidados

    Estimula todos os filhos a serem agricultores (%)

    22,2

    -

    100,0

    Estimula s um filho a ser a agricultor (%)

    44,5

    33,4

    -

    Desestimula os filhos a serem agricultores (%)

    33,3

    33,3

    -

    No influencia (%) - 33,3 - (-) No houve respostas positivas, nestes casos. FONTE: Pesquisa de campo.

    Percebe-se pelas respostas que entre os agricultores descapitalizados e os

    que se encontram em transio, o maior percentual est com os que estimulam

    apenas um filho a ser agricultor (33 a 44%) e um tero em cada uma das

    classificaes desestimula todos os filhos a serem agricultores. Se levarmos em

    considerao que o ndice de filhos por casal de 2,4 nos agricultores

    descapitalizados e 2 nos agricultores em transio (Tabela 1) e que, em nmeros

    absolutos so 241 e 145 famlias respectivamente, pode-se estimar que

    aproximadamente 500 filhos de agricultores esto recebendo estmulo dos pais para

    abandonarem a atividade. Ainda, pelas informaes fornecidas pela tabela 5, deduz-

    se que uma parcela pequena dos agricultores descapitalizados (22,2%) estimula

    todos os filhos a serem agricultores, enquanto que entre os agricultores

    consolidados o desejo que todos permaneam na unidade de produo, mesmo

    tendo maior ndice de escolaridade (Tabela 3).

    As temticas at aqui relatadas tambm foram abordadas com os jovens,

    para verificar-se a percepo que os mesmos tem sobre este foco da abordagem. A

  • 33

    tabela 6 reflete as informaes sobre a idade mdia e nvel de escolaridade dos

    entrevistados.

    Tabela 6 Mdia de idade e nvel de escolaridade dos filhos de agricultores entrevistados na pesquisa de campo em Paulo Bento/RS, em junho de 2007.

    Jovens oriundos das famlias

    descapitalizadas

    Jovens oriundos das famlias em

    transio

    Jovens oriundos das famlias consolidadas

    Idade mdia em anos

    20,5 21,5 20,5

    At 4a Srie Ensino Fundamental (%)

    22,2

    16,7

    -

    5a a 8a Srie Ensino Fundamental (%)

    55,6

    16,7

    50,0

    Segundo Grau (%)

    22,2 66,6

    Nvel Universitrio (%) - - 50,0 (-) No foram identificadas, na amostragem, pessoas com este nvel de escolaridade. FONTE: Pesquisa de campo.

    Tendo-se presente que a metodologia da pesquisa previu a entrevista de

    filhos de agricultores com idade superior a treze anos e inferior a trinta, a idade

    mdia dos entrevistados no poderia ser muito diferente da que est apresentada na

    tabela 6. Da mesma forma, o nvel de escolaridade pretende reproduzir as

    declaraes dos pais com relao a este aspecto. Devidamente qualificados os

    entrevistados, procurou-se obter informaes referentes s aspiraes e a viso de

    futuro deste pblico. As perguntas bsicas buscaram reproduzir as indagaes de

    Abramovay (2001) no Oeste Catarinense. Em relao ao futuro desejvel e o futuro

    provvel, segundo a viso dos entrevistados, os resultados so apresentados na

    tabela 7. Para obter-se este resultado os entrevistados responderam a duas

    perguntas bsicas: Qual o futuro que voc deseja? e, Qual o seu provvel futuro

    profissional?.

    Esta tabela reflete, sem sombra de dvida, que os jovens do meio rural esto

    sendo empurrados para a urbanizao por conta de discursos sensacionalistas de

    que ningum mais quer ficar na agricultura. A reflexo que o momento nos impe

    se, como visto na tabela 7, os jovens desejam ser agricultores, proprietrios de

    unidades produtivas, por que vislumbram um provvel futuro longe das lides

    agropecurias as quais esto acostumados e preparados?

  • 34

    Tabela 7 Representao do futuro desejvel e provvel dos filhos de agricultores em Paulo Bento/RS, em junho de 2007.

    Jovens oriundos das famlias

    descapitalizadas

    Jovens oriundos das famlias em

    transio

    Jovens oriundos das famlias consolidadas

    Desejvel Provvel Desejvel Provvel Desejvel Provvel

    Permanecer na agricultura como proprietrios (%)

    44,5

    33,3

    66,6

    33,4

    100,0

    100,0

    Morar no meio rural com atividades agrcolas e no-agrcolas (%)

    22,2

    11,1

    16,7

    33,3

    -

    -

    Morar e trabalhar na cidade (%)

    33,3

    55,6

    16,7

    33,3

    -

    -

    (-) No houve respostas positivas, nestes casos. FONTE: Pesquisa de campo.

    Vimos anteriormente (Tabela 5) que os pais, quer por conta da sua falta de

    preparo, quer por conta das dificuldades impostas ao meio produtivo agropecurio,

    vislumbram e impe, de certa forma at autoritariamente, que os filhos busquem no

    meio urbano aquilo que eles, como profissionais, no conseguiram no meio rural.

    Mal se do contas de que a competitividade urbana a cada limiar de novo dia impe

    condies mais restritivas a quem, teve educao formal fragilizada e que, por

    ordem de necessidades pessoais, precisa trabalhar para prover o seu sustento, em

    detrimento da especializao profissional.

    Com a finalidade de aprofundar-se a questo fez-se outra pergunta aos

    jovens pesquisados, solicitando-se a opinio dos mesmos sobre a viso de futuro

    como provveis agricultores, sucessores de seus pais na atividade. Os resultados

    so apresentados na tabela 8.

    Os resultados apresentados por esta tabela mostram dois fatores potenciais a

    serem analisados: conforme a renda da unidade de produo vai subindo h maior

    interesse em permanecer na mesma e, que a viso de dificuldades esto presentes

    de forma marcante entre os jovens oriundos das famlias descapitalizadas e em

    transio. Atribui-se o primeiro fato a melhor infraestrura produtiva e reas de terra

    explorveis maiores, o que pode propiciar retorno financeiro imediato a quem a

    explorar. O segundo fato, vem em contraponto ao primeiro, pois como so reas

    pequenas e infraestrura fragilizada ou quando existente envelhecida e, muitas

  • 35

    vezes, sucateada faz com que a quem se dedicar a explora-las necessita de capital

    externo para viabiliza-la e, desta forma, iniciar na atividade j com dvidas.

    Tabela 8 Opinio dos filhos de agricultores em Paulo Bento/RS, sobre o seu provvel destino, em junho de 2007.

    Jovens oriundos das famlias

    descapitalizadas

    Jovens oriundos das famlias em

    transio

    Jovens oriundos das famlias consolidadas

    Gostaria de ser e certo que ser agricultor (%)

    11,1

    28,6

    100,0

    Prefere outra profisso mas provavelmente ser agricultor (%)

    11,1

    -

    -

    Deseja ser agricultor, mas v dificuldades (%)

    44,5

    57,1

    -

    No quer ser agricultor (%) 33,3 14,3 - (-) No houve respostas positivas, nestes casos. FONTE: Pesquisa de campo

    Um terceiro ponto que chama a ateno e, de certa forma, surpreende o

    fato de que se pode considerar baixo o ndice de rejeio pela agricultura,

    confirmando as consideraes anteriores quando afirmou-se que os jovens saem do

    meio agrcola mais por falta de condies e pelo estmulo familiar que recebem, do

    que por interesse prprio.

    Quando analisou-se o nvel de escolaridade (Tabela 3) foi evidenciado que a

    maior parte dos jovens rurais de Paulo Bento/RS possui como teto educacional o

    Ensino Fundamental, muitas vezes incompleto. Alguns estudam at o segundo grau,

    principalmente entre as moas e, poucos, possuem ou ambicionam o nvel

    universitrio. Dentro deste cenrio formulou-se outra questo: considerando o seu

    grau de instruo, onde voc acha que tem as melhores oportunidades? As

    respostas esto graficamente dispostas na tabela 9.

    Baseando-se nestas respostas pode-se afirmar que o jovem rural tem

    convico de que o grau de instruo uma adversidade para as atividades urbanas

    e que, por esta razo, tambm, ter melhores oportunidades na agricultura. No

    entanto, no tem o mesmo nvel de exigncia educacional para o gerenciamento e

    trabalho nas unidades de produo agrcolas, pecurias ou mistas (agropecuria).

  • 36

    Tabela 9 Opinio dos filhos de agricultores em Paulo Bento/RS, sobre as melhores oportunidades que podem ter, considerando seu grau de instruo, em junho de 2007.

    Jovens oriundos das famlias

    descapitalizadas

    Jovens oriundos das famlias em

    transio

    Jovens oriundos das famlias consolidadas

    No meio rural e na agricultura (%)

    44,5

    50,0

    100,0

    No meio rural com atividades agrcola e no agrcolas (%)

    33,3

    33,3

    -

    Na cidade, em atividades urbanas (%)

    22,2

    16,7

    -

    (-) No houve respostas positivas, nestes casos. FONTE: Pesquisa de campo

    Perguntou-se a estes jovens Na sua opinio, qual o nvel mnimo de

    instruo para desempenhar a funo de agricultor?. As respostas obtidas so

    apresentadas na tabela 10.

    Tabela 10 Opinio dos filhos de agricultores em Paulo Bento/RS, sobre o nvel mnimo de instruo para desempenhar a profisso de agricultor, em junho de 2007.

    Jovens oriundos das famlias

    descapitalizadas

    Jovens oriundos das famlias em

    transio

    Jovens oriundos das famlias consolidadas

    Saber ler e escrever (%)

    10,0 - 25,0

    At 4a Srie do Ensino Fundamental (%)

    30,0

    28,6

    -

    Ensino Fundamental completo (%)

    40,0

    -

    -

    Segundo grau (%)

    10,0 14,3 -

    Curso tcnico agrcola (segundo grau) (%)

    10,0

    42,8

    50,0

    Graduao universitria - 14,3 25,0 (-) No houve respostas positivas, nestes casos. FONTE: Pesquisa de campo.

    Observa-se que entre os filhos de agricultores descapitalizadas 80%

    acreditam que o Ensino Fundamental, mesmo que no seja completo, seja suficiente

    para viabilizar um empreendimento rural. Os jovens oriundos das famlias em

    transio e consolidadas j so mais exigentes em relao ao grau de escolaridade

  • 37

    e aparece com maior freqncia a citao do curso tcnico agrcola a nvel de

    segundo grau como exigncia preferencial. Verifica-se ainda, dentro destes grupos,

    tambm a citao da graduao universitria como forma de viabilizar a unidade de

    produo agrcola. Surpreende a informao de que alguns ainda consideram a

    exigncia de saber ler e escrever como suficiente para formar-se um agricultor.

    Houve tambm, principalmente entre os jovens das famlias em transio (50%) e

    das famlias descapitalizadas (33,3%), a afirmao de que a participao em cursos

    de preparao de mo-de-obra rural e outros afins, que tratem de transferncia de

    tecnologias e processos, so importantes para viabilizar um agricultor.

    4.2 Pensando a sucesso na agricultura familiar em Paulo Bento

    Como a sucesso hereditria nos empreendimentos agrcolas de Paulo

    Bento/RS a razo principal deste trabalho, procurou-se saber dos agricultores e

    seus filhos quem ficar na propriedade, de que forma e quando isto vai acontecer e

    colher a percepo que fazem do prprio processo sucessrio. Perguntou-se a pais

    e filhos com quem ficar a propriedade. As respostas obtidas so apresentadas na

    tabela 11.

    Observando-se a tabela 11, de imediato percebe-se que entre pais e filhos

    no h sintonia nas respostas. O que para os pais est definido, para os filhos j no

    bem assim. Para os pais cresce a certeza na sucesso medida que cresce o

    rendimento da unidade de produo. Para os filhos a escala de valores crescentes

    a mesma, s que em menor intensidade. Percebe-se entre as famlias

    descapitalizadas que h mais filhos (44,5%) interessados na venda da propriedade,

    enquanto que entre as famlias em transio e consolidadas esta possibilidade no

    nem cogitada, chegando-se apenas a admissibilidade do arrendamento. O grau de

    incertezas semelhante entre pais e filhos das famlias descapitalizadas,

    considerando-se que no saber quem ficar na propriedade, ou se algum ficar e

    que os filhos so muito jovens para fazer a escolha so respostas que no fornecem

    firmeza na afirmao, sugerindo a duvida. Este mesmo grau de incerteza menor

    entre os pais das famlias em transio e maior nos filhos. Nas famlias consolidadas

    a incerteza inexiste para os pais, mas, quanto aos filhos, estes esto divididos.

  • 38

    Tabela 11 Opinio dos agricultores e seus filhos sobre quem ficar na propriedade rural atualmente explorada pela famlia em Paulo Bento/RS, em junho de 2007.

    Famlias descapitalizadas

    Famlias em transio

    Famlias consolidadas

    Pais Filhos Pais Filhos Pais Filhos

    J est definido (%)

    44,5 22,2 66,6 33,2 100,0 50,0

    Algum ficar mas no sabem quem (%)

    -

    11,1

    -

    16,7

    -

    -

    No sabem se algum ficar na propriedade (%)

    22,2

    11,1

    16,7

    16,7

    -

    -

    Ningum ficar e no sabem o que fazer com a propriedade (%)

    -

    11,1

    16,7

    -

    -

    -

    A propriedade ser vendida (%)

    22,2

    44,5

    -

    -

    -

    -

    A propriedade ser arrendada (%)

    -

    -

    -

    16,7

    -

    -

    Os filhos so muito jovens para fazer a escolha (%)

    11,1

    -

    -

    16,7

    -

    50,0

    (-) No houve respostas positivas, nestes casos. FONTE: Pesquisa de campo.

    O estudo tambm buscou saber o que pensam os agricultores, tanto os pais

    quanto os filhos, sobre quem dever ser o sucessor hereditrio na unidade de

    produo e identificar as preferncias. As respostas obtidas so apresentadas na

    tabela 12.

    Percebe-se pelas respostas apresentadas na tabela 12 que no h critrio

    predominante em se tratando de sucesso hereditria do patrimnio dos pais na

    agricultura familiar de Paulo Bento/RS. As opinies entre pais e filhos so muito

    parecidas no evidenciando sinais de conflito, apenas aparecem sinais de pequenas

    divergncias quanto interpretao. Tem atrado a ateno o fato de uma pequena

    parcela dos filhos mencionar o gosto pela agricultura como um fator de deciso,

    enquanto que para os pais no parece ser relevante esta preocupao.

  • 39

    Tabela 12 Opinio dos agricultores e seus filhos sobre quem ser o sucessor na unidade de produo agrcola explorada pela famlia em Paulo Bento/RS, em junho de 2007.

    Famlias descapitalizadas

    Famlias em transio

    Famlias consolidadas

    Pais Filhos Pais Filhos Pais Filhos

    O mais velho (%)

    22,2 11,1 14,3 12,5 50,0 -

    O mais novo (%)

    22,2 11,1 14,3 12,5 - -

    Haver mais de um sucessor (%)

    22,2

    22,3

    28,5

    25,0

    50,0

    50,0

    O que tem mais afinidade com os pais (%)

    11,2

    22,2

    14,3

    12,5

    -

    50,0

    O que mais gosta de agricultura (%)

    -

    11,1

    -

    12,5

    -

    -

    No h outro herdeiro (%)

    22,2 22,2 14,3 12,5 - -

    Ainda no foi escolhido (%)

    -

    -

    14,3

    -

    -

    -

    (-) No houve respostas positivas, nestes casos. FONTE: Pesquisa de campo.

    Como mencionou-se no referencial terico a afirmao de Weisheimer (2006)

    de que as filhas de agricultores no vislumbram entre as suas possibilidades

    suceder aos pais na gesto da unidade familiar, o que sugere que h discriminao

    em relao a gnero, perguntou-se aos pais e as filhas qual a possibilidade destas

    serem as sucessoras. A questo no foi formulada para filhas de agricultores

    consolidados porque no esto representadas na pesquisa. As respostas so

    apresentadas na tabela 13.

    Se ao analisar-se a questo anterior no foram encontrados sinais claros de

    conflitos e tendncias, a tabela 13 traduz em nmeros a evidencia do quanto s

    filhas mulheres podem ser discriminadas na hora da partilha de bens. Os pais das

    famlias em transio e consolidadas no escondem a preferncia pelos filhos

    homens. J nas famlias descapitalizadas o processo praticamente o mesmo, no

    entanto camuflado. Ao afirmar-se que as filhas receberiam terra se esta fosse

    suficiente para atender a demanda de todos os filhos, coloca-se a condio feminina

    na condicionante e, ento, ter-se- a justificativa para o ato de privilegiar os filhos

    homens. Resta as filhas mulheres o conformismo por uma situao j consolidada

  • 40

    ou a esperana de conflito entre pais com os filhos homens para que possam ter o

    seu direito de igualdade resguardado.

    Tabela 13 Opinio dos agricultores de Paulo Bento/RS e suas filhas sobre a possibilidade destas virem a herdar a propriedade rural, em junho de 2007.

    Famlias descapitalizadas

    Famlias em transio

    Famlias consolidadas

    Pais Filhas Pais Filhas Pais Filhas

    Quando existe terra para todos os filhos (%)

    37,5

    -

    -

    50,0

    -

    -

    Tem as mesmas chances que os homens (%)

    12,5

    -

    -

    -

    -

    -

    Nenhuma filha ser sucessora (%)

    25,0

    50,0

    -

    -

    -

    -

    Prefere os filhos (%)

    25,0 - 100,0 - 100,0 -

    Quando h conflitos entre os pais e os filhos (%)

    -

    50,0

    -

    50,0

    -

    -

    (-) No houve respostas positivas, nestes casos. FONTE: Pesquisa de campo.

    4.3 Proposies

    Sabe-se que qualquer interveno pblica sobre os fatos anteriormente

    citados torna-se extremamente delicada. Antes de tudo, precisa-se trabalhar em

    questes que esto enraizadas na sociedade rural e so transmitidas de gerao a

    gerao desde que se estabeleceu a agropecuria na regio trazida pelos primeiros

    imigrantes. Diante deste fato as proposies que se fazem a seguir precisaro de

    ampla anlise antes da implantao, serem executadas por profissionais qualificados

    e preparados para o trabalho junto s unidades de produo agrcola de economia

    familiar e, acima de tudo, desprendimento poltico, social e econmico para que as

    aes possam realmente beneficiar a toda a sociedade. No teria sentido investir-se

    recursos pblicos em projetos que tenham como fim uma parcela ou casta social,

    sem que isto represente ganhos para a sociedade como um todo.

  • 41

    4.3.1 Trabalhando a gerao de renda e a adequada remunerao da mo-de-obra rural

    No h possibilidade de qualquer que seja o projeto dar certo se as pessoas

    as quais so determinadas como beneficirias principais (a sociedade deve ser o

    beneficirio fim) no forem adequadamente remuneradas vendo-se pelo prisma

    econmico. Sob outro ngulo de viso, o lado social, fundamental que se tenha a

    concepo enquanto indivduo de crescimento e aprimoramento social e a

    sensibilidade do coletivo seja positiva para com os atos e os fatos e a sensao de

    sucesso e progresso percebida e compartilhada por todos. H de se ter presente

    ainda, que no se constri uma sociedade nova sem que sua cultura seja

    respeitada, as tradies preservadas, gerando no indivduo a sensao de respeito

    por sua condio de ser humano e, portanto, ser social. Ainda, considerar o meio em

    que vive o homem, preservando-o e adequando-o a nova realidade, sem que haja

    necessidade de destruio da natureza, mas ao contrrio, incluindo a sua

    preservao como aliada ao projeto, atrai o sentimento pblico de incentivo.

    Ao considerar-se importantes as reflexes acima expostas e julgar-se

    importante que sejam observadas, sugere-se como atenuante ao problema social,

    onde verificou-se que as reas produtivas esto ficando cada vez menores, tendo

    em vista, as sucessivas partilhas, que projetos visando a elevao de renda por rea

    sejam implementados pela gesto pblica. Sabe-se que, muitas at aqui foram s

    tentativas e quase todas foram fadadas ao insucesso. Por isso, fez-se as

    consideraes iniciais e que devem estar presentes na concepo dos projetos.

    A proposta no de projetos acabados e prontos para serem executados. Ao

    contrrio, o que prope-se que sejam identificados nichos de mercado, onde

    possa-se trabalhar a cadeia produtiva como um todo, desde a fase pr-porteira at a

    entrega do produto final acabado. Para tanto a gesto pblica deve enfrentar o

    desafio de aglutinar as foras em torno de suas diferentes esferas, apoiar-se na

    assistncia tcnica e extenso rural e nas organizaes sociais dos agricultores,

    promovendo um debate amplo e respeitoso de onde podero surgir as idias

    prticas para a execuo e monitoramento dos projetos. Sabe-se que em pequenas

    reas pode-se obter altos rendimentos quando cultivadas com culturas ou criaes

    no tradicionais, mas de alto valor econmico no mercado. Por serem no

  • 42

    tradicionais imperativo que tenham adequada assistncia tcnica na produo.

    Mas de nada adiantar a produo se a forma de chegar ao consumidor final no

    estar garantida. Neste sentido, recomenda-se detalhada anlise mercadolgica de

    viabilidade dos empreendimentos, o que demandar profissionais capacitados em

    administrao e marketing com experincia e viso das particularidades da

    agropecuria e das famlias dos agricultores, tendo em vista, que trata-se de forma

    de produo e pblico diferenciados, cuja lgica de reproduo no encontra

    precedentes na administrao comercial ou industrial, entendidos como tal, os

    processos produtivos tipicamente urbanos da produo e comercializao de bens

    de consumo.

    Diante do exposto, recomenda-se ento, a criao de associaes de

    agricultores, pequenas e enxutas, com a finalidade de produzir e comercializar

    produtos especficos. No quer-se aqui discutir a forma de organizao, mas sugere-

    se que estas associaes ou pequenas cooperativas sejam assessoradas e

    orientadas no sentido de optar pela inovao, produzir com qualidade e respeito ao

    consumidor e, na medida do possvel, promover o intercambio entre as duas partes,

    respeitando-se as opinies de cada segmento, procurando-se a equivalncia. Da

    mesma forma, a gesto publica deve prover inicialmente meios de administrao e

    gesto dos empreendimentos de forma que o xito possa transformar-se com o

    transcorrer do tempo em independncia do projeto e das famlias envolvidas.

    4.3.2 Trabalhando a questo de gnero

    Na forma de trabalho proposta anteriormente muito pode ser feito para

    minimizar-se os efeitos tradicionais da cultura machista que impera na agricultura

    familiar que, como viu-se nos resultados da pesquisa cria o filho homem para a

    agricultura e a filha mulher para as atividades urbanas. Ao incorporar-se as rotinas

    da unidade de produo uma atividade nova e rentvel deve-se prever a

    participao da mulher em igualdade de condies com o homem, seja nas

    atividades de produo, gesto ou comercializao, sem descuidar-se das

    diferenas fisiolgicas que fazem de cada indivduo um ser diferente, mas com

    habilidades particulares. Assim como em qualquer processo produtivo prev-se a

  • 43

    aptido para o exerccio da tarefa, nas questes relativas a produo agropecuria,

    o mesmo principio deve ser aplicado. Desta forma, dentro de uma famlia de

    agricultores, encontram-se pessoas com habilidades diferenciadas e a quem couber

    a tarefa de propor a introduo de uma atividade no tradicional deve ser capaz de

    identificar o potencial e as habilidades pessoais.

    A forma de valorizao do trabalho feminino nas unidades de produo

    atribuir-se a ele valores que possam ser percebidos como importantes inclusive para

    a reproduo econmica da famlia. Desta forma, propor trabalhos femininos que

    liberem o lado artstico das pessoas como o artesanato e as prendas domsticas

    devem ser apenas complementares e no a finalidade como costumeiramente se

    faz. A incluso do trabalho feminino produtivo e a diviso das tarefas domsticas

    entre homens e mulheres no eram considerados importantes at pouco tempo

    atrs, inclusive nas cidades, onde hoje ganha espao e passa a ser considerado

    forma imperiosa de desenvolvimento familiar. Por esta razo recomenda-se que

    este debate tambm seja realizado com as famlias de agricultores, no como forma

    da causa feminista, mas de sobrevivncia e aglutinao dos empreendimentos

    agrcolas e familiares.

    V-se, neste sentido, um potencial inexplorado e de possibilidades de xito no

    municpio de Paulo Bento/RS, a cerca do desenvolvimento do turismo rural. Tendo

    localizao regional privilegiada, cultura diversificada e a agricultura familiar

    passando por crises econmicas e existenciais, o momento propcio a propostas

    de largo alcance social. E, esta uma das atividades, onde a condio feminina

    encontra valorizao plena e ganha importncia e reconhecimento social.

    4.3.3 Trabalhando a questo educacional

    Percebeu-se no desenrolar do presente estudo que a educao para os

    agricultores familiares do municpio de Paulo Bento percebida em dois momentos

    distintos: em menor grau para quem optar por ser agricultor e mais esmerada para

    os que optarem pelos trabalhos urbanos. Embora encontre-se jovens com o

    segundo grau completo e at, alguns cursando graduao universitria, nas

    propriedades e dispostos a continuarem l, principalmente nos grupos das famlias

  • 44

    em transio e consolidadas, o normal para quem permanece na agricultura cursar

    o ensino fundamental, habitualmente abandonado antes da concluso do mesmo.

    Ao reportar-se ao nvel educacional de outros pases chama a ateno o fato

    de que, segundo Halamska (1993), entre os agricultores poloneses, sabendo-se que

    ficar apenas um herdeiro na propriedade paterna devido s reas das propriedades

    serem muito pequenas, a necessidade imposta pelos pais e pela tradio agrcola

    local de estudarem agricultura como elemento essencial de deciso na

    hereditariedade da terra. Desta forma, escolhido o sucessor aquele que, melhor

    tem se preparado para o exerccio da profisso de agricultor.

    Neste sentido, este estudo prope a gesto pblica da agricultura familiar de

    Paulo Bento/RS maiores cuidados com a educao daqueles filhos de agricultores

    que querem permanecer na agricultura e sero os sucessores de seus pais nas

    atividades agropecurias. Propem-se ento, maiores esforos do poder pblico

    para que todos os filhos de agricultores concluam o ensino fundamental

    obrigatoriamente e, no currculo, incluam-se disciplinas destinadas no s a tcnicas

    agropecurias de produo, mas e, principalmente de gesto de propriedades,

    mesmo que para isso, tenha-se que usar turno inverso ao do currculo programtico

    formal.

    Entretanto, considerando-se que grande parte dos atuais possveis

    sucessores na agricultura familiar j esto fora da idade escolar, prope-se ainda, a

    transformao do Centro Ambiental da Linha Quatro em Escola de Agricultores que

    num primeiro momento dever atuar na educao informal dos jovens e agricultores,

    promovendo cursos prticos nas reas sugeridas acima, sendo de fundamental

    importncia que promova-se ao menos um curso, com durao mnima de um ano,

    com aulas presenciais concentradas em um nico dia do ms, tendo como tema as

    prticas de gesto de propriedades que, como demonstrou a pesquisa, so

    totalmente ignoradas entre os agricultores descapitalizados, pouco conhecidas e

    quando aplicadas nos outros dois grupos, totalmente inadequadas, muitas vezes

    seguindo padres gerenciais e contbeis criados para as atividades tipicamente

    urbanas, onde no leva-se em considerao a gesto de riscos inerentes as

    peculiaridades da agricultura e da pecuria e, muito menos, do carter familiar da

    produo.

    Por outro lado, v-se como possibilidade real, buscar-se no ensino formal

    uma oportunidade de formar gestores de propriedades rurais, aproveitando-se o

  • 45

    mesmo espao. Prope-se, ento, que num prazo um pouco mais longo, transforme-

    se o local em uma escola tcnica de segundo grau, em cujo currculo estejam

    previstas, alm dos contedos programticos oficiais, disciplinas voltadas gesto e

    produo nas unidades agrcolas de produo de economia familiar. Acredita-se,

    que para este fim, pela localizao do Centro Ambiental da Linha Quatro, possa

    haver parcerias entre as Prefeituras Municipais de Paulo Bento, Ponte Preta,

    Jacutinga e Quatro Irmos.

    4.3.4 Trabalhando o acesso a terra

    Quer-se, neste espao, registrar o apoio que o Programa Nacional de Crdito

    Fundirio recebe por parte dos agricultores que foram pesquisados e, ao mesmo

    tempo, fazer crticas e proposies concernentes a dois aspectos limitantes: a

    amplitude de abrangncia e o valor teto de crdito.

    Em referencia a amplitude de abrangncia, tendo como base este estudo,

    bem como outros estudos na rea e, especialmente, a pesquisa realizada por

    Abromovay (2001) no Oeste Catarinense, regio de caractersticas semelhantes ao

    Alto Uruguai Gacho, onde est inserido o municpio de Paulo Bento, prope-se que

    o mesmo passe a financiar a um ou mais herdeiros as partes co-herdeiras daqueles

    que no pretendem continuar em atividades agrcolas. Sabe-se que da diviso

    igualitria destas propriedades entre os herdeiros, resultariam propriedades cujas

    reas inviabilizam a permanncia de todos os filhos na atividade agrcola. Tambm,

    sabe-se que as propriedades de pequeno porte, em sua grande maioria, salvo raras

    excees, pertencem a famlias descapitalizadas e, que, o herdeiro que sucederia

    aos pais, no tem condies econmicas de adquirir as demais reas de seus

    irmos. Estes, por sua vez, aguardam ansiosamente o momento da partilha para

    melhorar suas condies de vida em um novo local, normalmente no espao urbano.

    Aos pais, cabe ento, fazer valer a partilha no igualitria, quando normalmente so

    excludas do processo sucessrio as filhas mulheres, ou deixar transcorrer uma

    partilha igualitria, quando normalmente, a propriedade vendida para agricultores

    consolidados ou empresas agropecurias. O resultado obtido com a venda,

    normalmente, dividido de forma igualitria entre os irmos que, no conseguem

  • 46

    com o dinheiro obtido adquirir um novo pedao de terra para estabelecer-se na

    agricultura e, ocorre, ento o chamado xodo rural e todos vo procurar a

    reproduo social e econmica de suas famlias em espaos urbanos, mesmo no

    querendo ou no estando preparados para o exerccio de atividades no-agrcolas.

    Deste modo, se a gesto publica governamental, disponibilizar crdito

    facilitado e em longo prazo, aos moldes do Programa Nacional de Crdito Fundirio

    para a transao destas reas entre as partes co-herdeiras, um ou mais membros

    da famlia, de acordo com o tamanho da rea e interesse dos sucessores, poderiam

    permanecer no espao agrcola familiar, dando continuidade e aperfeioando o

    projeto produtivo, sem descaracterizar o meio rural. Pelos motivos expostos, sugere-

    se ento, que as autoridades competentes autorizem estudos de forma a viabilizar

    mais este instrumento para que a agricultura familiar tenha realmente uma maneira

    acessvel de encontrar forma de reproduo social, econmica, cultural e ambiental

    na rea da propriedade familiar, que no significa apenas um ativo econmico, mas

    tem histrias e tradies a serem mantidas e perpetuadas.

    Por outro lado, o teto financivel pelo Programa Nacional de Crdito

    Fundirio, no valor de R$ 40.000,00, para a realidade do mercado imobilirio do

    municpio de Paulo Bento/RS muito baixo e, portanto, somente permite a aquisio

    de reas muito pequenas ou de terras, muitas vezes, imprprias para a explorao

    agropecuria por sua condio de alta declividade ou de afloraes rochosas e

    pedregosidade. Estes fatores tornam a viabilidade econmica duvidosa ou, no

    mnimo, de difcil projeo e comprovao nos projetos financiados pelo programa

    no municpio. Tendo-se em vista que o mercado imobilirio atual cota entre R$

    8.000,00 e R$ 10.000,00 por hectare de terra com bom potencial agricultvel em

    Paulo Bento/RS e que o mdulo fiscal11 para o municpio de 20 ha, o ideal seria

    trabalhar com valores tetos entre R$ 150.000,00 e R$ 200.000,00. Dadas s

    peculiaridades de cada regio e a admissibilidade destas pelos rgos oficiais e

    governos, prope-se que os valores teto financiveis em programas de crdito

    fundirio para a agricultura familiar leve em considerao o mdulo fiscal e o valor

    mdio do mercado de imveis rurais no municpio de aquisio do imvel. Acredita-

    11 O mdulo fiscal, segundo Augusto (2005), definido por municpio, de acordo com o Estatuto da

    Terra, em funo da explorao predominante, da renda obtida por esta explorao, de outras exploraes existentes no municpio que, embora no-predominantes sejam expressivas em funo da renda ou da rea utilizada e do conceito de propriedade familiar. Em tese, a rea mnima para o desenvolvimento satisfatrio das exploraes agropecurias familiares.

  • 47

    se que estas solicitaes devam fazer parte do rol de reivindicaes das formas

    representativas dos agricultores familiares e das autoridades locais.

    4.3.5 Trabalhando a agregao de valor a produo primria

    A agricultura familiar em Paulo Bento/RS tem demonstrado que sabe produzir,

    no somente commodities12 agropecurios, mas tambm transformar a produo

    em produtos acabados e com qualidade muito boa e apreciada. Prova disto o

    sucesso que fazem as queijarias e os embutidores de derivados de carne suna, que

    trabalham sob o regime de inspeo sanitria realizado pelo municpio de Erechim13.

    Este trabalho de transformao das matrias-primas apresenta-se amplo e com

    possibilidades variadas. Pode-se trabalhar na transformao no apenas de

    produtos de origem animal como o leite, as carnes e os ovos, mas tambm na

    transformao dos produtos de origem vegetal como as farinhas, as hortalias, os

    legumes, as frutas e os cereais, de um modo geral. O comrcio regional oferece

    boas oportunidades e o ambiente, entre os agricultores de economia familiar,

    oportuniza a implantao de projetos que visem a agregao de valor aos produtos,

    tendo em vista a baixa remunerao obtida pelos commodities, as freqentes

    frustraes de safras e os problemas de insolvncia das cooperativas e empresas,

    potenciais compradoras da produo obtida.

    12 Definio segundo Sandroni (1994): Nas relaes comerciais internacionais, o termo designa um tipo particular de mercadoria em estado bruto ou produto primrio de importncia comercial, como o caso do caf, algodo, estanho, cobre, etc ... 13:A legislao brasileira no permite que um produto inspecionado por um municpio seja

    comercializado em outro, de acordo com a Lei N 7.889, de 23 de novembro de 1.989, Art. 4 (Senado Federal, 1989). Desta forma, caso fosse instalado um servio de inspeo pelo Municpio de Paulo Bento, a agroindstria perderia o seu principal reduto consumidor, ou seja, os mais de cem mil habitantes da cidade de Erechim, cuja economia baseia-se, principalmente, na indstria, comrcio e na prestao de servios. Por um acordo de cavalheiros entre as administraes dos dois municpios a inspeo sanitria continuou sendo feita pelo segundo, possibilitando assim a comercializao. Porm, a situao no gerou segurana nem a agroindstria, nem as prefeituras das duas cidades, pois sob o ponto de vista do aspecto legal todos estavam cometendo irregularidades se no pela ao, ao menos pela omisso. (KOCZICESKI, 2007, p. 16-17).

  • 48

    Mas, para que este fato torne-se uma realidade municipal, prope-se

    criao de estruturas de apoio. E a primeira e mais urgente a criao do sistema

    municipal de inspeo sanitria. Somente produtos inspecionados podem ser

    comercializados. E no h razo para produo se no houver comercializao.

    Com a mudana nas leis brasileiras, hoje possvel realizar a operao de venda

    dos produtos sob inspeo sanitria municipal em qualquer cidade ou estado

    brasileiro14. Esta possibilidade deve estar presente nas razes dos gestores da

    poltica agrcola municipal e, no podem mais negligenciar sobre este assunto, sob

    pena de serem acusados futuramente de conduzir a agricultura familiar extino.

    Pensando-se nas estruturas de apoio, a gesto pblica como um todo, deve

    proporcionar as famlias interessadas apoio logstico, que vai desde a fase de

    planejamento de implantao da unidade de processamento agroindustrial at a fase

    de comercializao dos produtos acabados. E ao falar-se em apoio logstico, quer-se

    que a dimenso desta forma de apoio seja compreendida desde a preparao das

    famlias, passando pelas fases de planejamento e instalao, pelo aperfeioamento

    das atividades produtivas, administrativas e gerenciais, bem como na organizao

    de estruturas associativas para fins de distribuio e comercializao.

    4.3.6 Proposies para as entidades apoiadoras e organizacionais: assistncia tcnica e extenso rural, universidades, sindicatos e associaes.

    O trabalho das entidades de apoio como a EMATER/RS-ASCAR, Secretaria

    Municipal de Agricultura, Inspetoria Veterinria e bancos tm proporcionado certo

    alento a prosperidade dos agricultores e, em conseqncia, facilitado a sucesso em

    diversas unidades de produo. No entanto, este apoio, revela-se insuficiente diante

    das adversidades crescentes sucesso hereditria, especialmente, entre os

    agricultores descapitalizados.

    Da mesma forma, os sindicatos de trabalhadores rurais e as diversas

    associaes de agricultores contribuem para minimizar os efeitos catastrficos da

    14 A possibilidade de conquistar novos mercados, em qualquer parte do pas, est contemplada no

    Decreto No 5.741, de 30 de maro de 2006 (PRESIDENCIA DA REPUBLICA, 2006), que institui o Sistema Unificado de Ateno a Sanidade Agropecuria SUASA (KOCZICESKI, 2007, p. 53).

  • 49

    crescente tendncia de concentrao de renda e, conseqente, excluso do sistema

    produtivo das pessoas mais vulnerveis economicamente.

    As universidades instaladas na regio, embora no discuta-se a importncia

    na acumulao do conhecimento regional sobre as peculiaridades da agricultura de

    economia familiar, ainda deixam a desejar, quanto a distribuio e extenso destes

    mesmos conhecimentos. Especialmente, ao citar-se a Universidade Estadual do Rio

    Grande do Sul UERGS, por ter-se o domnio sobre sua atuao, considera-se

    lamentvel, que tantos trabalhos produzidos com qualidade pela comunidade

    acadmica, no adquiram visibilidade por absoluta falta de interesse no investimento

    em ensino superior pblico e gratuito, por parte das lideranas regionais e

    autoridades estaduais.

    Levando-se em considerao os motivos expostos e, que no encontrou-se

    literatura sobre o processo sucessrio na agricultura familiar na regio do Alto

    Uruguai, prope-se que, forma similar do presente estudo, seja realizado em nvel

    regional. A pesquisa sempre gera informaes que auxiliam na tomada de decises

    e de fundamental importncia a quem se prope a orientar, executar ou estudar

    polticas pblicas. Portanto, v-se, neste tema, importncia grandiosa para orientar

    os trabalhos da executora oficial da assistncia tcnica e extenso rural no Estado, a

    EMATER/RS-ASCAR, bem como para a UERGS, criada com a finalidade de dispor

    conhecimentos ainda no gerados por outras instituies. Por esta razo, prope-se

    que estas instituies, de forma conjunta ou isolada, viabilizem a execuo de

    estudo semelhante a este, que ora apresenta-se, abrangendo todos os municpios

    que compe a regio e tem na agricultura de economia familiar base importante,

    para a prpria reproduo social, cultural, econmica e ambiental do municpio.

    Para as demais entidades citadas, prope-se que emprestem seu auxilio as

    executoras do estudo, dem apoio logstico e apresentem a fatura de cobrana,

    exigindo a realizao do mesmo. Salienta-se, ainda, que as informaes geradas por

    este estudo podem pautar reivindicaes fundamentadas e tomadas de decises

    mais adequadas realidade regional.

  • 50

    5. CONSIDERAES FINAIS

    Ao finalizar-se a apresentao do presente estudo, tem-se a sensao de

    haver mexido num vespeiro e as primeiras vespas invocarem seu direito defesa,

    ou seja, atacarem o possvel agressor, mesmo que este tenha os bons propsitos de

    facilitar a sua reproduo, enquanto comunidade. Desta forma, acredita-se que

    apenas um pequeno passo foi dado em relao ao conhecimento do processo

    sucessrio na agricultura de economia familiar e, que muito ainda tem-se a descobrir

    e conhecer.

    Procurou-se conhecer em que condies acontecem sucesso hereditria

    nas economias agropecurias sob regime economia familiar no municpio de Paulo

    Bento/RS e constatou-se que, alm das obviedades, fatores relacionados cultura,

    a tradio, as condies econmicas dos herdeiros e a forma de administrao

    praticada nas unidades de produo agropecuria, tem influenciado, de

    sobremaneira, o processo sucessrio. Alis, processo este, que devido a

    precariedade econmica das famlias rurais mais empobrecidas est levando a

    concentrao das terras agricultveis junto as famlias j consolidadas no processo

    produtivo ou para a agricultura de porte empresarial.

    Os jovens do meio rural, embora desejam, em sua maioria, dar continuidade

    as atividades tradicionais de seus pais na propriedade rural encontram dificuldades

    em adquirir as partes co-herdeiras dos irmos que decidiram abandonar a agricultura

    e, desta forma, a unidade de produo acaba sendo vendida e a seus moradores

    no resta outra alternativa, seno buscar a reproduo familiar nos centros urbanos.

    Esta tendncia muito alta entre as famlias descapitalizadas e no se reproduz nas

    famlias em transio ou j consolidadas no processo produtivo. Nestas, mais

    comum, a partilha das terras serem no igualitrias, privilegiando os filhos do sexo

  • 51

    masculino, sendo as filhas preparadas para a vida urbana. Desta forma, o meio rural,

    est cada vez mais masculinizado e so poucas as moas que querem permanecer

    no meio rural, contribuindo para o processo de xodo rural tambm entre os

    homens.

    Diante deste quadro, props-se aes para minimizar esta problemtica

    social, as quais constituem-se em desafio para os planejadores, organizadores e

    operadores da gesto pblica, quer seja, a nvel municipal, estadual ou federal.

    Tem-se proposto a implantao de culturas ou criaes no tradicionais, com maior

    valor agregado por rea, para fortalecer a renda agrcola, principalmente, para as

    famlias descapitalizadas e, desta maneira, buscar melhor remunerao pelo

    trabalho agrcola. Props-se, tambm, investimentos e incentivos ao turismo rural,

    como forma de valorizao social e econmica do trabalho feminino. Considerou-se

    que a melhoria do nvel educacional dos futuros agricultores fator determinante

    para o sucesso dos novos investimentos, propondo-se o preparo das pessoas no

    setor produtivo, mas tambm e, principalmente, no setor de gesto e gerenciamento

    dos empreendimentos, atuando-se para tal fim, ora com o ensino formal, ora com o

    ensino informal. Fez-se sugestes para a melhoria da poltica nacional de crdito

    fundirio que, sendo regionalizada, poder contemplar os anseios dos agricultores e,

    realmente viabiliz-los, na produo agropecuria. Ainda, considerando-se que a

    pluriatividade no municpio expressiva e que fator de reteno das pessoas mais

    jovens nas propriedades, props-se a criao de um sistema municipal de inspeo

    sanitria vinculado ao sistema unificado nacional, buscando, desta forma, a

    agregao de valor a produo primria e a facilidade de comercializao destes

    produtos em qualquer parte do pas, a partir de estruturas municipais de apoio

    logstico. Finalmente, props-se que modo similar desta pesquisa seja realizada de

    forma regionalizada, buscando ampliar o conhecimento das razoes que impedem o

    avano da agricultura familiar na regio norte do Estado do Rio Grande do Sul.

    Desta forma, acredita-se que foi dado, embora de forma bastante restrita,

    ainda, um passo inicial na busca das reais razoes que travam o crescimento e a

    multiplicao de unidades familiares de produo agropecuria, no municpio de

    Paulo Bento/RS.

  • 52

    6. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    ABROMOVAY, Ricardo (Coord.). Impasses Sociais da Sucesso Hereditria na Agricultura familiar. Braslia, Nead/Ministrio do Desenvolvimento Agrrio, 2001. AUGUSTO, Eduardo Agostinho Arruda. Georeferenciamento de imveis rurais: a gratuidade legal. So Paulo, Irib, 2005. Disponvel em: . Acesso em: 27 jun. 2007. BAVARESCO, Pedro Antonio. Uma anlise das condies socioeconmicas das famlias do Assentamento Annoni (fase IV) no Rio Grande do Sul. In: TEDESCO, Joo Carlos (Org.). Agricultura familiar: realidades e perspectivas. 3 ed. Passo Fundo, UPF, 2001. BLUM, Rubens. Agricultura familiar: estudo preliminar da definio, classificao e problemtica. In: TEDESCO, Joo Carlos (Org.). Agricultura familiar: realidades e perspectivas. 3 ed. Passo Fundo, UPF, 2001. BRUMER, Anita. A explorao familiar no Brasil. In: LAMARCHE, Hugues (Coord.). Traduo: ngela Maria Naoko Tijiwa. A Agricultura familiar: comparao internacional. Campinas, UNICAMP, 1993. CAMPOS, Gines Leopoldo R. de. Agricultura familiar, gerenciamento ambiental e agroecologia: algumas questes provocativas a serem pesquisadas. In: TEDESCO, Joo Carlos (Org.). Agricultura familiar: realidades e perspectivas. 3 ed. Passo Fundo, UPF, 2001. CARNEIRO, Maria Jos. Acesso a terra e condies sociais de gnero: reflexes a partir da realidade brasileira. Rio de Janeiro, CPDA/UFRJ, 2006. Disponvel em: . Acesso em: 28 abr.2007. COSTABEBER, Jos Antonio & CAPORAL, Francisco Roberto. Possibilidades alternativas do desenvolvimento rural sustentvel. In: VELA, Hugo (Org.) et. al. Agricultura familiar e desenvolvimento rural sustentvel no mercosul. Santa Maria, UFSM, 2003. FIALHO, Marco Antonio Verardi. Agricultura familiar e as rendas no-agrcolas na regio metropolitana de Porto Alegre: um estudo de caso dos municpios de

  • 53

    Dois Irmos e Ivoti RS. Dissertao de mestrado em Economia Rural, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2000. (no publicado) GANA, Alia. A explorao familiar na Tunsia. In: LAMARCHE, Hugues (Coord.). Traduo: ngela Maria Naoko Tijiwa. A Agricultura familiar: comparao internacional. Campinas, UNICAMP, 1993. GARCIA FILHO, Danilo Prado. Anlise diagnstico de sistemas agrrios: guia metodolgico. Braslia: Projeto de Cooperao Tcnica INCRA/FAO/051/BRA, 1999. HALAMSKA, Maria. A explorao familiar na Polnia. In: LAMARCHE, Hugues (Coord.). Traduo: ngela Maria Naoko Tijiwa. A Agricultura familiar: comparao internacional. Campinas, UNICAMP, 1993. KOCZICESKI, Srgio Luiz. Industrializao, comercializao e distribuio da carne suna: o caso da Associao dos Agricultores Familiares de Erechim/RS. Relatrio de estgio supervisionado, Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. Erechim, 2007. (no publicado). LAMARCHE, Hugues (Coord.) et.al. Traduo: ngela Maria Naoko Tijiwa. A Agricultura familiar: comparao internacional. Campinas, UNICAMP, 1993. LIMA, Arlindo Prestes de et. al. Administrao da unidade de produo familiar: modalidades de trabalho com agricultores. 2.ed. Iju, Uniju, 2001. MDA, Ministrio do Desenvolvimento Agrrio. Brasil. Portal da Secretaria da Agricultura Familiar. Braslia, MDA, 2005. Disponvel em: . Acesso em: 07 jun.2007. PINHEIRO, Digenes. A agricultura familiar e suas organizaes: o caso das associaes de produtores. In: TEDESCO, Joo Carlos (Org.). Agricultura familiar: realidades e perspectivas. 3 ed. Passo Fundo, UPF, 2001. SANDRONI, Paulo. Novo dicionrio de economia. So Paulo, Best Seller, 1994. Disponvel em: . Acesso em: 28 jun. 2007. STANEK, Oleg. A exploracao familiar no Canad. In: LAMARCHE, Hugues (Coord.). Traduo: ngela Maria Naoko Tijiwa. A Agricultura familiar: comparao internacional. Campinas, UNICAMP, 1993. TEDESCO, Joo Carlos (Org.). Agricultura familiar: realidades e perspectivas. 3 ed. Passo Fundo, UPF, 2001. TREMEA, Oddir. Uma proposta para viabilizar a agricultura familiar: o pacto novo Rio Grande. In: TEDESCO, Joo Carlos (Org.). Agricultura familiar: realidades e perspectivas. 3 ed. Passo Fundo, UPF, 2001. WANDERLEY, Maria de Nazareth Baudel. Razes histricas do campesinato brasileiro. In: TEDESCO, Joo Carlos (Org.). Agricultura familiar: realidades e perspectivas. 3 ed. Passo Fundo, UPF, 2001.

  • 54

    WEISHEIMER, Nilson. Jovens agricultores: interseces entre relaes sociais de gnero e projetos profissionais. Porto Alegre, UFRGS, 2006. Disponvel em: . Acesso em: 27 abr.2007.

  • 55

    APENDICE A

    QUESTIONRIO PARA PAIS IDADE (PAI):___________________ (ME):_____________________ 1. Quantos filhos vocs tem? _______________________ 2. Situao dos filhos: Idade Sexo Estado civil Grau de

    instruo Profisso

    Filho 1 Filho 2 Filho 3 Filho 4 Filho 5 Filho 6 3. Seu filho saiu da propriedade para fazer o que? Estudar Trabalhar Estudar e

    trabalhar Vai voltar?

    Filho 1 Filho 2 Filho 3 Filho 4 Filho 5 Filho 6 4. Voc estimula seus filhos a serem agricultores? ( ) Estimula todos os filhos a serem agricultores. ( ) Estimula s um filho a ser agricultor. ( ) Desestimula seus filhos a serem agricultores. ( ) No influencia os filhos nem a favor e nem contra. 5. Na sua opinio quem ficar na propriedade? ( ) J foi definido (j sabe quem ficar). ( ) Algum ficar mas ainda no sabe quem. ( ) No sabe se algum ficar na propriedade. ( ) Ningum ficar e no sabem o que fazer com a propriedade. ( ) A propriedade ser vendida. ( ) A propriedade ser arrendada. ( ) Os filhos so muito jovens para fazer a escolha. 6. Na sua opinio, quem ser escolhido como sucessor na sua propriedade? ( ) O mais velho. ( ) O mais novo. ( ) O mais estudado. ( ) O que mais gosta da agricultura. ( ) No h critrio definido.

  • 56

    ( ) Ainda no foi escolhido. ( ) Haver mais de um sucessor. ( ) O que tem mais afinidade com os pais. 7. Na sua opinio, quem participou (ou vai participar) da escolha do sucessor da sua propriedade? ( ) A escolha foi feita (ou vai ser feita) pelos pais. ( ) S os homens participaram (ou vo participar) da escolha. ( ) Toda a famlia participou (ou vai participar) da escolha. ( ) Outra: __________________________________________________ 8. Quando somente um filho herdar a propriedade como ser feita a compensao aos demais irmos? ( ) No tero compensao porque o herdeiro ficar com a responsabilidade de cuidar dos pais. ( ) Atravs de capitais no-agrcolas (lotes, casas, poupana). ( ) Atravs de capitais agrcolas (animais, produtos, etc.). ( ) Atravs de estudo e dinheiro. ( ) Todos ganharo terra da propriedade dos pais. ( ) Ser feito acerto no momento final de transmisso do patrimnio, dependendo da situao econmica de cada filho. ( ) O herdeiro da propriedade compensar os demais (dinheiro, produto, etc.). 9. Em que momento ser feita a transferencia do controle da propriedade? ( ) Quando os pais tiverem uma renda garantida. ( ) Quando o sucessor estiver preparado. ( ) No ser feita enquanto o pai tiver condies de dirigir a propriedade. ( ) No pensaram ainda. 10. Como o gerenciamento do trabalho na unidade familiar? ( ) O pai controla e todos trabalham em todas as atividades. ( ) Todos participam do gerenciamento e do trabalho. ( ) O pai controla todas as atividades e o trabalho dividido. ( ) Cada filho controla uma atividade e trabalha em todas. ( ) Cada filho gerencia e trabalha em uma atividade. ( ) Outra:__________________________________________________ 11. Na sua opinio, qual a possibilidade das filhas serem as sucessoras? (S para quem tem filha do sexo feminino) ( ) Quando existe terra para todos os filhos. ( ) Tem as mesmas chances que os homens. ( ) Nenhuma filha ser sucessora. ( ) Depende do relacionamento do genro com o sogro e a sogra. ( ) Prefere as filhas. ( ) Prefere os filhos. 12. Vocs teriam interesse em fazer um financiamento para adquirir uma propriedade e instalar seus filhos na agricultura? ( ) Sim ( ) No

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    ( ) Os filhos no querem permanecer na agricultura. 13. Vocs teriam interesse em fazer um financiamento fundirio nas condies do Crdito Fundirio? ( ) Tomaria o emprstimo ( ) No tomaria o emprstimo ( ) No tem condies de avaliar 14. Em relao a terra para os filhos: ( ) Ficar mais de um sucessor e a terra suficiente ( ) Ficar mais de um sucessor e a terra no suficiente ( ) S existe um sucessor e a terra suficiente ( ) S existe um sucessor mas a terra no suficiente ( ) S ficar um sucessor e os outros precisaro de terra ( ) S ficar um sucessor e os outros no precisaro de terra ( ) S ficar um sucessor e os outros no querem terra ( ) Nenhum filho quer ficar na propriedade 15. Qual a origem da renda agrcola da propriedade? ( ) Somente da agricultura ( ) Somente da pecuria ( ) Da agricultura e da pecuria ( ) Transformao da produo e produtos frescos 16. Qual a participao da aposentadoria na renda total da propriedade? ( ) Menos de 25% ( ) Entre 25 e 50% ( ) Entre 50 e 75% ( ) Mais de 75%. 17. Quantas pessoas moram na propriedade e trabalham fora? ( ) Nenhuma ( ) Uma ( ) Duas ( ) Trs ( ) Quatro ou mais. 18. Na propriedade de vocs existem registros escritos quanto a: ( ) inventrio de terras (croqui mostrando reas de cultivo, pastagens e as demais). ( ) inventrio de benfeitorias (rea, valor, ano de construo). ( ) inventrio de mquinas e equipamentos. ( ) inventrio de animais (data da compra ou nascimento, raa, valor, partos). ( ) controle de mo-de-obra (tempo destinado a cada atividade, no horas, dias). ( ) controle do uso de mquinas e equipamentos (horas trabalhadas por atividade). ( ) controle do uso de insumos e servios terceirizados (quantidade, datas, preos) ( ) controle nos reparos (concertos/servios) nas mquinas e equipamentos (data, valor, peas trocadas). ( ) controle das despesas gerais (receitas e despesas). ( ) controle dos custos de produo por cultura ou criao.

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    19. rea da propriedade: ( ) Terra prpria: ______________ ( ) Terra arrendada: ______________ ( ) Parceria (reas cultivadas em parceria com terceiros): ________________ ENTREVISTADOR:______________________________________________ OBSERVAES DO ENTREVISTADOR: ( ) Descapitalizado ( ) Transio ( ) Consolidado. Outras:

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    APENDICE B QUESTIONRIO PARA RAPAZES E MOAS IDADE:___________________ SEXO:___________________________ 1. Qual o futuro que voc deseja? ( ) permanecer na agricultura como proprietrio. ( ) trabalhar e morar na cidade. ( ) ficar no meio rural, trabalhando em atividades no-agrcolas. ( ) Outra: _________________________________________________ 2. Qual o seu provvel futuro profissional? ( ) permanecer na agricultura como proprietrio. ( ) trabalhar e morar na cidade. ( ) ficar no meio rural, trabalhando em atividades no-agrcolas. ( ) Outra: _________________________________________________ 3. Na sua opinio, como voc v o seu futuro como agricultor(a)? ( ) Gostaria de ser agricultor e certo que ser agricultor. ( ) Prefere outra profisso, mas provavelmente ser agricultor. ( ) Desejaria ser agricultor, mas v dificuldades. ( ) No sabe se ser agricultor porque ainda no pensou nisso. ( ) No deseja ser agricultor. ( ) Outra:________________________________________________ 4. Considerando o seu grau de instruo, onde voc acha que tem as melhores oportunidades? ( ) no meio rural e na agricultura. ( ) no meio rural com atividades agrcolas e no-agricolas. ( ) na cidade mas com a renda principal de atividades agrcolas. ( ) Na cidade, em atividades das cidades (servios, industria, comercio, etc.) 5. Seu grau de instruo : ( ) No alfabetizado. ( ) At 4a srie ( ) 5a a 8a srie ( ) 2o grau incompleto ( ) 2o grau completo ( ) 3o grau incompleto ( ) 3o grau completo ( ) Ps-graduao. 6. Na sua opinio, qual o nvel mnimo de instruo para desempenhar a profisso de agricultor? ( ) Saber ler e escrever. ( ) Primrio completo (4a srie) ( ) Ginsio (8a srie) ( ) Segundo grau. ( ) Curso tcnico agrcola (segundo grau)

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    ( ) Faculdade ( ) Cursos profissionalizantes educao informal. 7. Em que condies voc aceitaria ser agricultor fora do municpio de Paulo Bento? ( ) Somente com crdito fundirio e de instalao. ( ) Somente atravs da reforma agrria. ( ) Somente em terras de melhor qualidade. ( ) Em qualquer das situaes anteriores. ( ) No aceitaria sair do municpio. 8. Na sua opinio, quem ficar na propriedade de seus pais? ( ) J foi definido (j sabe quem ficar). ( ) Algum ficar mas ainda no sabe quem. ( ) No sabe se algum ficar na propriedade. ( ) Ningum ficar e no sabem o que fazer com a propriedade. ( ) A propriedade ser vendida. ( ) A propriedade ser arrendada. ( ) Os filhos so muito jovens para fazer a escolha. 9. Na sua opinio, quem ser escolhido como sucessor na propriedade de seus pais? ( ) O mais velho. ( ) O mais novo. ( ) O mais estudado. ( ) O que mais gosta da agricultura. ( ) No h critrio definido. ( ) Ainda no foi escolhido. ( ) Haver mais de um sucessor. ( ) O que tem mais afinidade com os pais. 10. Na sua opinio, quem participou (ou vai participar) da escolha do sucessor da propriedade de seus pais? ( ) A escolha foi feita (ou vai ser feita) pelos pais. ( ) S os homens participaram (ou vo participar) da escolha. ( ) Toda a famlia participou (ou vai participar) da escolha. ( ) Outra: __________________________________________________ 11. Quando somente um filho herdar a propriedade como ser feita a compensao aos demais irmos? ( ) No tero compensao porque o herdeiro ficar com a responsabilidade de cuidar dos pais. ( ) Atravs de capitais no-agrcolas (lotes, casas, poupana). ( ) Atravs de capitais agrcolas (animais, produtos, etc.). ( ) Atravs de estudo e dinheiro. ( ) Todos ganharo terra da propriedade dos pais. ( ) Ser feito acerto no momento final de transmisso do patrimnio, dependendo da situao econmica de cada filho. ( ) O herdeiro da propriedade compensar os demais (dinheiro, produto, etc.).

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    12. Na sua opinio, em que momento ser feita a transferencia do controle da propriedade? ( ) Quando os pais tiverem uma renda garantida. ( ) Quando o sucessor estiver preparado. ( ) No ser feita enquanto o pai tiver condies de dirigir a propriedade. ( ) No pensaram ainda. 13. Diante de uma nova idia que voc faa para a organizao da propriedade, qual a reao de seus pais? ( ) No aceitam nem discutir. ( ) Rejeitam quase sempre. ( ) Aceitam quase sempre. ( ) No costuma fazer propostas novas. ( ) Discutem em famlia e aceitam algumas propostas. 14. Voc est de acordo com os ltimos investimentos realizados na propriedade? ( ) No houve investimentos. ( ) Est de acordo com eles. ( ) Concorda em parte. ( ) No concorda. ( ) No participou das decises. ( ) A deciso foi sua. 15. Na sua percepo, como est a sua participao nas decises da propriedade? ( ) Est diminuindo. ( ) Continua igual. ( ) Est aumentando. ( ) responsvel pela propriedade. ( ) No participa das decises. 16. Voc desenvolve atividades individuais para obter seu prprio dinheiro? ( ) Faz plantio ou na criao na propriedade. ( ) Trabalho agrcola fora da propriedade. ( ) Trabalho no-agrcola fora da propriedade. ( ) No desenvolve atividade individual. 17. Qual o principal motivo para voc buscar seu prprio dinheiro? ( ) Est se capitalizando para ter sua propriedade no futuro. ( ) Para seu lazer. ( ) Para comprar bens de uso pessoal. ( ) Para estudar. ( ) Outras:_____________________________________________ 18. Na sua opinio, qual a possibilidade de voc vir a ser a sucessora da propriedade de seus pais? (S para as moas) ( ) No ser sucessora. ( ) Quando existe terra para todos. ( ) Tem as mesmas chances que os homens. ( ) Quando h conflito entre os pais e os filhos. ( ) Depende do relacionamento do genro com os pais.

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    ( ) H preferncia pelas filhas. 19. Qual sua atribuio na propriedade? (S para as moas) ( ) S as atividades domsticas. ( ) Domsticas e esporadicamente na lavoura/criaes. ( ) Domstica e lavoura/criaes. 20. Se voc tivesse recursos disponveis onde aplicaria primeiro? ( ) Na agricultura ( ) Bens urbanos ( ) Comprar terra ( ) Poupana ( ) Uso pessoal ( ) Estudo ( ) Outra atividade na propriedade ( ) Outra atividade fora da agricultura 21. Fora um programa adequado para instalao de jovens agricultores voc acha que h condies de se viabilizar na agricultura? ( ) No h condies de se viabilizar na agricultura. ( ) Atravs de mudana de atividades ( ) Atravs de melhor gerenciamento e melhor tecnologia ( ) Mudando as atividades com melhor gerenciamento/tecnologia ( ) Desenvolvendo atividades que agreguem maior valor ( ) Desenvolvendo outras atividades alm da agricultura ( ) Herdando a propriedade do pai 22. Voc tem interesse em fazer um financiamento fundirio nas condies do Crdito Fundirio? ( ) Tomaria o emprstimo ( ) No tomaria o emprstimo ( ) No tem condies de avaliar 23. Voc tem interesse em fazer um financiamento para adquirir uma propriedade e instalar-se como agricultora? (S para as moas) ( ) Sim ( ) No ( ) Depende das condies 24. Qual sua opinio sobre a quantidade e a qualidade da terra de sua famlia? ( ) A quantidade de terra a ser herdada suficiente e boa. ( ) A quantidade suficiente mas de m qualidade ( ) A quantidade insuficiente e de m qualidade ( ) A quantidade insuficiente mas de boa qualidade ( ) No tem condies de avaliar ENTREVISTADOR:______________________________________________ OBSERVAES DO ENTREVISTADOR: ( ) Descapitalizado ( ) Transio ( ) Consolidado. Outras:

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    K76s Kocziceski, Srgio Luiz

    Sucesso na Agricultura Familiar: Problemtica Social e Desafios

    para a Gesto Pblica em Paulo Bento /RS / Srgio Luiz Kocziceski.

    Erechim, 2007.

    62 f.

    Trabalho de Concluso de Curso (bacharelado) Universidade

    Estadual do Rio Grande do Sul, Administrao, Unidade em Erechim,

    2007.

    Orientadora: Profa. Rosane Menna Barreto Peluso.

    1. Agricultura Familiar. 2. Cincias da Vida e do Meio Ambiente. I.

    Peluso, Rosane Menna Barreto. II. Universidade Estadual do Rio Grande

    do Sul, Administrao, Unidade em Erechim. III. Ttulo.

    CDU 338.43

    UNIDADE EM ERECHIMCURSO DE ADMINISTRAO - BACHARELADOSRGIO LUIZ KOCZICESKIERECHIMSRGIO LUIZ KOCZICESKIAGRADECIMENTOSRESUMOABSTRACT

    SUMRIOINTRODUO6. REFERNCIAS BIBLIOGRFICASAPENDICE AAPENDICE B

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