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    Rev. Cinc. Sade Nova Esperana Set. 2013;11(2):55-71

    SISTEMATIZAO DA ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM PARA PACIENTES ACOMETIDOS POR HRNIA DE DISCO

    Glaydes Nely Souza da Silva1

    Patrcia Barbosa Monteiro2 Nereide de Andrade Virgnio3

    Cludia Germana Virgnio de Souto4 Mrcia Virgnia Andrade Virgnio de Oliveira5

    RESUMO A hrnia de disco uma patologia frequente na coluna lombar e acomete estruturas articulares, alterando o funcionamento biomecnico da regio e das propriedades naturais dos tecidos adjacentes. Sua sintomatologia se estende de acordo com a situao das estruturas comprometidas, que variam de sintomticas a assintomticas. O estudo teve como objetivos: Elaborar proposta para sistematizao da assistncia de enfermagem para pacientes com Hrnia de Disco; Coletar dados acerca do estado de sade do paciente; Identificar os diagnsticos de enfermagem baseados na Taxonomia da NANDA; Estabelecer, a partir da priorizao dos diagnsticos de enfermagem, intervenes de enfermagem de acordo com a NIC; Discutir o plano assistencial de enfermagem estabelecido para cada paciente de acordo com a literatura pertinente. Trata-se de uma pesquisa exploratria descritiva, tipo estudo de caso com abordagem qualitativa, realizada em uma clnica de neurologia na cidade de Joo Pessoa. A amostra foi composta por dois pacientes, um do sexo feminino e outro do sexo masculino, de idade entre 30 a 50 anos, com diagnsticos confirmados de Hrnia de disco. A entrevista foi composta por questes objetivas e subjetivas, atendendo aos objetivos propostos. Para viabilizar a anlise dos dados foram criadas duas histrias clnicas. Verificou-se, aps analisar os dados, que apenas dois dos diagnsticos de enfermagem traados para os pacientes em estudo so semelhantes: Fadiga relacionada ao estado de doena e Mobilidade fsica prejudicada, relacionada a prejuzos neuromusculares. Conclui-se, portanto, que, apesar de se tratar de pacientes com mesma patologia, persiste a individualidade de cada paciente na resposta doena, fato confirmado pela diferena observada no plano assistencial de enfermagem.

    1 Enfermeira. Mestre em Terapia Intensiva. Docente das disciplinas Enfermagem em

    Urgncias e Emergncias e Metodologia da Assistncia de Enfermagem na Faculdade de Enfermagem Nova Esperana/FACENE. Servidora concursada do Hospital Universitrio Lauro Wanderley/HULW/UFPB. Rua Maria Cndida de Sena, 100, Bairro dos Estados. Joo Pessoa-PB. Tel.: 9920-9255. E-mail: glaydesnely@hotmail.com. 2 Enfermeira. Graduada pela Faculdade de Enfermagem Nova esperana. Enfermeira do

    Hospital Valentina Figueiredo. E-mail: path_maionese@hotmail.com 3 Enfermeira. Mestre em Enfermagem Fundamental pelo Programa de Ps-Graduao em

    Enfermagem da UFPB. Coordenadora de Curso e Docente da Faculdade de Enfermagem Nova Esperana/FACENE. Enfermeira concursada do Hospital Universitrio Lauro Wanderley/HULW/UFPB. E-mail: nereideav@uol.com.br. 4 Enfermeira. Especialista em Metodologia do Ensino Superior e Educao. Coordenadora de

    Estgios e Sub-Coordenadora da Faculdade de Enfermagem Nova Esperana/FACENE. E-mail: claudiagermana1@hotmail.com. 5 Enfermeira. Especialista em Metodologia do Ensino Superior. Coordenadora de Monografias

    e Estgio Supervisionado VII e VIII da Faculdade de Enfermagem Nova Esperana/FACENE. Gerente de Risco do Hospital Universitrio Lauro Wanderley/HULW/UFPB.

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    Dessa forma, pondera-se que os profissionais de enfermagem devem buscar aprendizado contnuo que os capacite a atuar de modo sensvel e competente, que possibilite o desenvolvimento de aes assistenciais individualizadas e resolutivas aos pacientes sob os seus cuidados. Palavras-chave: Assistncia de Enfermagem. Dor lombar. Diagnstico de enfermagem.

    INTRODUO

    A coluna vertebral pode ser definida como sendo o verdadeiro eixo do corpo

    humano, pois cabe mesma uma responsabilidade imensa; ela exerce papel de

    suporte ao tronco e cabea, dotada de flexibilidade, permitindo movimentos do

    tronco nos trs planos, projetando a medula espinhal. estabilizada intrinsecamente

    pelos ligamentos e discos intervertebrais e extrinsecamente pelos msculos1.

    Estudos epidemiolgicos demonstram que cerca de 50% a 90% de indivduos

    adultos apresentam quadros de dor na coluna vertebral, em especial na regio

    lombar, em algum momento de suas vidas, sendo a principal causa de incapacidade

    em sujeitos com menos de 45 anos de idade. As leses degenerativas da coluna

    vertebral so disfunes de relevncia socioeconmica, pois apresentam alto ndice

    de incapacidade e morbidade em indivduos economicamente ativos2.

    As dores lombares inferiores so um significativo transtorno de sade pblica

    nos Estados Unidos, embora seja difcil quantificar sua prevalncia. As estimativas

    atuais so de que entre 22 e 65% das pessoas tm um episdio de dores nas costas

    numa idade qualquer e entre 11 e 84% dos adultos tm episdios durante a vida. As

    dores lombares inferiores agudas duram menos de 3 meses, enquanto a doena

    crnica ou degenerativa tem durao de 3 meses ou mais3.

    A lombalgia uma das grandes causas de morbidade e incapacidade

    funcional, tendo incidncia apenas menor que a cefaleia entre os distrbios

    dolorosos que mais acometem o homem. De acordo com vrios estudos

    epidemiolgicos, de 65% a 90% dos adultos podero sofrer um episdio de

    lombalgia ao longo da vida, com incidncia entre 40 e 80% da maioria das

    populaes estudadas4.

    A hrnia de disco uma patologia frequente na coluna lombar e acomete

    estruturas articulares, alterando o funcionamento biomecnico da regio e das

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    propriedades naturais dos tecidos adjacentes. Sua sintomatologia se estende de

    acordo com a situao das estruturas comprometidas, que variam de sintomticas a

    assintomticas. O diagnstico clnico associado ao exame de imagem fundamental

    para a identificao da regio envolvida. Identificar o processo lesivo de grande

    importncia para determinar o tratamento adequado, podendo ser de carter

    conservador ou cirrgico5.

    uma doena comum que pode acarretar dor lombar e citica, podendo

    causar incapacidade laborativa de seus portadores. Estima-se que 30% a 40% da

    populao apresentam hrnia de disco assintomtica; sintomtica em 2% a 3% dos

    pacientes; 80% dos casos em homens, na faixa etria de 30 a 50 anos, porm pode

    acometer mulheres, adolescentes, idosos e uma minoria de crianas. Ela rara

    antes dos 25 anos e pouco frequente depois dos 60 anos. Cerca de 80% dos

    pacientes so do sexo masculino6.

    O tratamento conservador da hrnia de disco tem como objetivo o alvio da

    dor, o aumento da capacidade funcional e o retardamento da progresso da doena.

    Porm, quando este tratamento falha a opo o tratamento cirrgico. A cirurgia de

    hrnia de disco na regio lombar um dos procedimentos mais comuns, sendo

    indicada quando a dor e os dficits neurolgicos no tiverem remisso significativa

    no decorrer de 4 a 12 semanas, ou por diminuio progressiva da fora motora,

    distrbios vesical e intestinal e dor radicular incapacitante, sem melhora ao

    tratamento conservador7.

    A Enfermagem, enquanto cincia do cuidar, que necessita de um leque de

    conhecimentos e habilidades para desenvolver a assistncia, tambm precisa

    mensurar para poder cuidar. Assim, o cuidado prestado com qualidade,

    direcionando as necessidades a fim de contribuir com a recuperao de quem

    assistido8. Para qualificar a assistncia de enfermagem, conferindo validade

    cientfica e planejamento individualizado e coerente com as necessidades dos

    indivduos atendidos, os enfermeiros devem lanar mo da aplicao do processo

    de enfermagem (sistematizao da assistncia), de modo a proporcionar aos

    mesmos o maior bem estar possvel durante todo o tratamento.

    De acordo com o Cdigo de tica dos Profissionais de Enfermagem, os

    enfermeiros devem estar comprometidos com a oferta do melhor tratamento possvel

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    aos indivduos sob seus cuidados. Para tanto, a Resoluo COFEN 358/2009

    aponta que as cinco etapas do processo de enfermagem esto inter-relacionadas,

    so interdependentes e recorrentes, sendo elas: coleta de dados, diagnsticos de

    enfermagem, planejamento das aes ou intervenes de enfermagem e a

    avaliao dos resultados de enfermagem alcanados9.

    A relevncia dos estudos sobre hrnia de disco lombar tem aumentado nos

    ltimos anos, principalmente, porque ela causa dor e dficit neurolgico, impedindo

    a execuo das atividades cotidianas e incapacitando para o trabalho. possvel

    observar, alm da prevalncia de casos, as angstias, os medos, a falta de

    conhecimento acerca do problema e, principalmente, a necessidade da interveno

    de um enfermeiro para contribuir com a assistncia aos pacientes.

    Neste contexto, buscou-se neste estudo elaborar proposta para

    sistematizao da assistncia de enfermagem para pacientes com Hrnia de Disco,

    atravs da coleta de dados acerca do estado de sade do paciente; identificao

    dos diagnsticos de enfermagem baseados na Taxonomia da NANDA10; priorizao

    dos diagnsticos de enfermagem e planejamento de intervenes de enfermagem

    de acordo com a NIC11.

    METODOLOGIA

    Trata-se de uma pesquisa exploratria e descritiva, do tipo estudo de caso,

    com abordagem qualitativa. Foi realizada no Centro de Neurologia e Mtodos

    Diagnsticos Ltda-NEUROCENTRO, na Torre, municpio de Joo Pessoa Paraba.

    A populao corresponde aos pacientes atendidos no ambulatrio dessa instituio,

    Foram selecionados como amostra dois pacientes, um do sexo masculino e um do

    sexo feminino, na faixa etria de 30 a 50 anos de idade, com diagnstico confirmado

    de Hrnia de Disco, que concordaram em participar da pesquisa assinando o Termo

    de Consentimento Livre e Esclarecido. A coleta foi realizada no ms de setembro de

    2011.

    O instrumento utilizado nesta pesquisa foi um roteiro de entrevista estruturado

    com questes objetivas e subjetivas relacionadas ao tema em foco. Para anlise dos

    dados foram construdas duas histrias clnicas com base nas informaes

    coletadas junto aos pacientes selecionados. Em seguida, foram definidos, de acordo

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    com os fatores relacionados, os diagnsticos de enfermagem prioritrios, baseados

    na taxonomia da NANDA10. Foi elaborado um plano de cuidados para cada

    participante, cujas intervenes foram estabelecidas com a utilizao da NIC11. Para

    finalizar a anlise, que adotou o mtodo qualitativo, os resultados obtidos foram

    discutidos luz da literatura pertinente.

    Esta pesquisa foi desenvolvida obedecendo aos princpios ticos da pesquisa

    com seres humanos, conforme Resoluo CNS 196/96 CNS/MS12, bem como a

    Resoluo COFEN 311/2007, que institui o Cdigo de tica dos Profissionais de

    Enfermagem13. Aos participantes, foram garantidos o anonimato, privacidade e o

    direito desistncia em qualquer etapa da pesquisa.

    APRESENTAO E DISCUSSO DOS RESULTADOS

    HISTRIA CLNICA I

    Paciente adulta, sexo feminino, casada, 32 anos, tcnica de enfermagem, 3

    grau completo, residente no municpio de Joo Pessoa-PB. Mora em rea urbana,

    casa de tijolo, utiliza gua encanada, tratada e em sua residncia tem energia

    eltrica. O lixo coletado, possui saneamento bsico, cria animal domstico

    (cachorro). O Exame de imagem, Ressonncia Magntica, respaldou confirmao

    do diagnstico Discopatia degenerativa em L5-S1 Hrnia de Disco h cerca de 7

    meses, tendo como tratamento infiltrao de medicaes base de corticoide e

    analgsico na regio lombar e a utilizao de frmacos orais (Etna e Flancox).

    Comunicativa, expressa bem as respostas, possui conhecimento sobre a patologia.

    Relata realizar seis refeies ao dia, com restries de gorduras e massas. Ingesta

    Hdrica satisfatria, em mdia 2000 ml por dia. Relata que, por aconselhamento

    mdico, teve que fazer uma reeducao alimentar e atravs dela e com atividades

    fsicas teve uma diminuio do peso; pesava 87 Kg e atualmente 70 Kg, no refere

    dor no momento. Atividade e mobilidade fsica com restries devido patologia,

    porm no necessita de ajuda para o autocuidado e consegue realizar suas

    atividades dirias. Tem motivao para seguir seu tratamento. Revela fazer

    exerccios fsicos de acordo com suas necessidades, procurando no fazer esforos

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    que possam lhe prejudicar. Relata no ser tabagista, bebe algumas vezes, comeou

    a prtica de atividade fsica aps a patologia, faz fisioterapia, natao 3 vezes por

    semana, pilates 2 vezes por semana e hidroginstica por aconselhamento mdico.

    Afirma que o seu problema de sade interfere na sua profisso. Aps a descoberta,

    passou a ter algumas restries, como no pegar peso. Por trabalhar em bloco

    cirrgico, muitas vezes, necessita transferir pacientes sedados de uma maca para

    outra, ficando, portanto, restrita a algumas atribuies, necessitando de ajuda da

    equipe. Considera no sofrer interferncia na vida pessoal. Seu Estado Geral

    Regular (EGR), consciente, orientada, cooperativa, respondendo com clareza s

    solicitaes verbais com nvel de resposta boa, deambulando sem auxlio,

    normocorada, sono e repouso preservado, estado nutricional satisfatrio, higiene

    oral e corporal preservada, turgor e elasticidade da pele preservada. Cabea: couro

    cabeludo sem anormalidades, ausncia de massa palpvel na cabea. Higiene

    satisfatria. Face: normal. Olhos: viso normal, teste de direcionamento dos olhos

    satisfatrio. Nariz: sem anormalidades. Ouvidos: normais, com audio preservada,

    com boa identificao sonora, Boca: Arcada dentria completa, sem presena de

    cries, higiene preservada. Pescoo: com ausncia de massa, linfonodos e tireoide

    palpveis. Eupneica, trax tpico, expansibilidade normal e murmrios vesiculares

    presentes sem rudos adventcios. Mamas: simtricas, ausncia de inflamao ou

    secrees papilares. Ritmo cardaco regular (RCR) em 2T, bulhas cardacas

    normofonticas, sem edema nos membros superiores e inferiores. Abdome plano,

    flcido, indolor palpao superficial e profunda, RHA ausentes, eliminaes

    intestinais presentes. Eliminao vesical presente de colorao clara (SIC).

    Atividade sexual ativa. Sensibilidade preservada nos membros superiores (MMSS),

    tnus e fora motora preservada, pulsos perifricos palpveis. J nos membros

    inferiores (MMII), sensibilidade preservada, tnus e fora muscular prejudicada

    devido patologia, no necessitando de ajuda para a sua locomoo. PA 120 x 80

    mmhg; P: 78 bpm; Tax: 36,7C; R: 18 ipm. FC: 80 bpm.

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    Diagnsticos de enfermagem

    Quadro 1 - Distribuio dos diagnsticos de enfermagem identificados no caso 01 de acordo com a taxonomia da NANDA10.

    DIAGNSTICO DE ENFERMAGEM

    FATOR RELACIONADO CARACTERSTICAS DEFINIDORAS

    1- Disposio para aumento do AUTOCUIDADO

    - Fora de vontade -Expressa desejo de aumentar a independncia na manuteno da sade;

    -Expressa desejo de aumentar o conhecimento de estratgias de autocuidado.

    2- CONTROLE eficaz do REGIME TERAPUTICO

    - Desejo de no sentir dor e de prevenir sequelas.

    - Escolhas apropriadas de atividades dirias para atingir os objetivos de um programa de preveno;

    - Sintomas da doena dentro de uma variao normal de expectativas;

    - Verbaliza inteno de reduzir fatores de risco de progresso da doena e de suas sequelas.

    3 FADIGA - Estado de doena - Incapacidade de manter as rotinas habituais;

    - Incapacidade de manter o nvel habitual de atividade fsica.

    4 - MOBILIDADE fsica prejudicada

    - Prejuzos neuromusculares - Amplitude limitada de movimento;

    - Capacidade limitada para desempenhar as atividades motoras grossas.

    Os principais diagnsticos de enfermagem para pacientes acometidos por

    Hrnia de Disco podem ser: Dor aguda relacionada com a rea de compresso;

    Comprometimento da Mobilidade Fsica relacionada com a dor e fisiologia da

    doena; Dficit de conhecimento devido cirurgia iminente; Risco de leso

    relacionado com procedimentos cirrgicos14.

    A mobilidade fsica prejudicada a limitao no movimento fsico

    independente e voluntrio do corpo ou de uma ou mais extremidades10. Dos

    diagnsticos definidos pelas autoras supracitadas, apenas um foi percebido na

    paciente do caso em questo, mobilidade fsica prejudicada. Tal fato confirma a

    individualidade de cada paciente na resposta doena.

    Fatores como a idade, sexo, traumatismo, gentica, obesidade, tabagismo,

    atividades profissionais, sedentarismo, conhecimento sobre seu estado de sade e o

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    fator psicossocial influenciam no desenvolvimento da hrnia de disco4. O quadro

    clssico de hrnia de disco uma dor, de incio agudo na regio da coluna lombar e

    que vai se irradiar em direo perna at chegar ao p, podendo o paciente

    queixar-se de formigamento e falta da fora na perna afetada1.

    Dentre os fatores citados, encontramos alguns na paciente, como

    sedentarismo, idade, obesidade, atividades profissionais, coincidindo com a

    literatura. O motivo que levou a paciente a procurar atendimento mdico foi a

    paresia em membro inferior direito, a dor na coluna irradiando para a perna direita

    at o p. No momento da entrevista, a paciente no referia dor, confirmando o que

    os autores relatam.

    Plano assistencial de enfermagem

    Quadro 2 - Plano assistencial de enfermagem com intervenes estabelecidas de acordo com a NIC11.

    DIAGNSTICOS DE ENFERMAGEM

    INTERVENES DE ENFERMAGEM

    RESULTADOS ESPERADOS

    1- Disposio para aumento do AUTOCUIDADO

    - Orientar quanto ao regime teraputico.

    - Que a paciente mantenha o aumento da disposio para o autocuidado.

    2- CONTROLE eficaz do REGIME TERAPUTICO

    - Orientar sobre o sistema prximo de cuidados de sade, funcionamento e o que a paciente pode esperar;

    - Determinar o conhecimento da paciente sobre a condio e as necessidades teraputicas;

    - Conversar sobre os recursos atuais utilizados pela paciente.

    - Verbalizar que compreende o regime teraputico para a doena;

    - Demonstrar que consegue solucionar com eficcia os problemas encontrados na integrao do regime teraputico ao seu estilo de vida;

    - Ficar isenta de complicaes evitveis da progresso da doena e suas sequelas.

    3- FADIGA - Determinar as limitaes fsicas da paciente;

    - Identificar atividades para as quais h necessidade de ajuda, e definir conjuntamente com a paciente as formas de resoluo;

    - Identificar alteraes no estilo de vida, conflitos relacionados com o trabalho;

    - Encorajar a verbalizao dos sentimentos sobre as limitaes.

    - Dir que sente mais energia;

    - Identificar a causa da fadiga e as reas sob controle pessoal;

    - Saber encaminhar solicitao de ajuda sempre que necessrio;

    - Participar das atividades desejadas de acordo com sua capacidade.

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    4- MOBILIDADE fsica prejudicada

    - Determinar os limites de movimento articular e o efeito sobre o funcionamento;

    - Encaminhar e Colaborar com o fisioterapeuta no desenvolvimento e execuo de um programa de exerccios;

    - Estimular participao da paciente e famlia no plano teraputico previsto;

    - Determinar o nvel motivacional da paciente para manter ou restaurar o movimento das articulaes.

    - Verbalizar disposio de participar e demonstrar participao nas atividades;

    - Verbalizar que compreende a situao/fatores de risco e o regime teraputico e as medidas de segurana especficas para o seu caso;

    -Demonstrar tcnicas e comportamentos que possibilitem a retomada das suas atividades.

    HISTRIA CLNICA II

    Adulto, sexo masculino, 50 anos, casado, motorista, 2 grau incompleto,

    residente no municpio de Joo Pessoa-PB. Mora em rea urbana, casa de tijolo,

    utiliza gua encanada, tratada. O lixo coletado, possui saneamento. Procurou

    atendimento mdico por sentir dores constantes na coluna, cefaleia, tonturas, atrofia

    em membros superiores, dormncia em MMSS e MMII e perda de fora nos MMII.

    Atravs de exames de Tomografia Computadorizada da Coluna e Ressonncia

    magntica teve confirmao do diagnstico Mdico de Hrnia de Disco Cervical C5-

    C6 e Hrnia de Disco Lombar L5-S1 h cerca de 4 anos. Tem como tratamento

    medicamentoso o Flancox 400mg, 2 vezes ao dia, e o Flotac 70 mg, 2 vezes ao

    dia para o resto da vida, e fisioterapia motora. Bastante comunicativo, expressa bem

    as respostas, possui conhecimento sobre a patologia, refere muitas dores no

    momento. Relata no ser tabagista, ex-etilista. Revela fazer 6 refeies ao dia, com

    reeducao alimentar, com dieta pobre em gorduras, frituras, massa, dieta

    hipossdica, por conta da presso. No conseguiu diminuir peso, pesava no incio

    70 Kg e atualmente 83 Kg, dificultando o tratamento. Ingesta hdrica satisfatria, em

    mdia 2000 ml por dia. Atividade e mobilidade fsica com restries devido

    patologia, necessitando de ajuda; no consegue realizar sozinho algumas de suas

    atividades, como vestir-se. Tem bastante motivao para seguir seu tratamento, mas

    no tem condies fsicas, devido s dores. No faz exerccios, caminha um pouco

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    dentro de suas limitaes, sente muitas dores na coluna, principalmente na cervical.

    A interveno cirrgica contraindicada, pois a hrnia est comprimindo a medula,

    representando alto risco para cirurgia. Relata que sente cansao fsico aos

    pequenos esforos e muita dormncia nos MMII, chegando a cair algumas vezes. As

    dores na coluna, de acordo com o paciente so lancinantes. Procura no fazer

    esforos que possam lhe prejudicar. Relata que seu problema de sade interfere na

    sua vida profissional, pois como sua profisso motorista, aps descobri-lo teve que

    afastar-se do trabalho por incapacitao, estando em licena at o momento, pois

    devido perda de sensibilidade MMII e dormncia nos MMSS, no pode dirigir por

    perodo prolongado. Na vida pessoal, refere sofrer interferncia, pois como no

    pode, muitas vezes, desenvolver de modo independente suas atividades, fica

    irritado, deprimido, angustiado, sentindo-se impotente. Apresenta EGR, consciente,

    orientado, cooperativo, respondendo com clareza s solicitaes verbais com nvel

    de resposta boa, deambulando sem auxlio, normocorado, sono e repouso

    prejudicado por conta das dores na coluna cervical, estado nutricional satisfatrio,

    higiene oral prejudicada e corporal preservada, turgor e elasticidade da pele

    preservada. Cabea: alopecia, couro cabeludo sem anormalidades, ausncia de

    massa palpvel na cabea. Higiene satisfatria. Face: normal. Olhos: viso normal

    preservada, teste de direcionamento dos olhos satisfatrio. Nariz: sem

    anormalidades. Ouvidos: normal com audio preservada com boa identificao

    sonora. Boca: Arcada dentria incompleta, com presena de cries, higiene

    prejudicada. Pescoo: com ausncia de massa, linfonodos e tireoide palpvel.

    Eupneico, trax tpico, expansibilidade normal sem rudos adventcios. Mamas:

    simtricas, ausncia de inflamao ou secrees papilares. RCR, bulhas cardacas

    normofonticas, sem edema nos MMSS e MMII. Abdome globoso, tenso, indolor

    palpao superficial e dolorido profunda. RHA ausentes, eliminaes intestinais

    presentes. Eliminao vesical presente de colorao clara (SIC). Atividade sexual

    ativa. Sensibilidade preservada nos MMSS, com presena de dormncia, tnus e

    fora motora prejudicados, pulsos perifricos palpveis. MMII, sensibilidade

    prejudicada, tnus e fora muscular prejudicados devido patologia, necessitando

    de ajuda. PA 160 x 100 mmhg; P: 98 bpm; Tax: 36,5C; R: 20 ipm. FC: 94 bpm.

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    Diagnsticos de enfermagem

    Quadro 3 - Distribuio dos diagnsticos de enfermagem identificados no caso 02, de acordo com a taxonomia da NANDA10.

    DIAGNSTICO DE ENFERMAGEM

    FATOR RELACIONADO CARACTERSTICAS DEFINIDORAS

    1-ANSIEDADE -Mudana no estado de sade.

    -Preocupaes expressas em razo de mudanas em eventos da vida.

    2-Dficit no AUTOCUIDADO para vestir-se.

    - Dor; - Prejuzo msculo - esqueltico.

    - Incapacidade de colocar roupas na parte superior do corpo; -- Incapacidade de tirar roupas na parte superior do corpo.

    3- DOR crnica (na regio cervical)

    - Incapacidade fsica crnica. - Relato verbal de dor; Agitao; Irritabilidade; - Respostas mediadas pelo sistema simptico p.ex. hipersensibilidade.

    4- DENTIO prejudicada. -Higiene oral ineficaz; -Conhecimentos deficientes a respeito da sade dental.

    - Cries; - Ausncia de dentes.

    5- FADIGA - Estado de doena. - Cansao; - Incapacidade de manter o nvel habitual de atividade fsica;

    6- Sentimento de IMPOTNCIA

    - Regime relacionado doena.

    - Dependncia de outros que pode resultar em irritabilidade; - Expresses verbais sobre o autocuidado, situaes.

    7- INSNIA - Ansiedade; - Dor.

    - Paciente relata dificuldade para adormecer.

    8- MOBILIDADE fsica prejudicada

    - Prejuzos neuromusculares. - Relato verbal de sensibilidade para mobilidade; - Relato verbal de dor; - Amplitude limitada de movimento.

    Os principais diagnsticos de enfermagem identificados em pacientes com

    Hrnia de Disco podem ser: Dor aguda e crnica relacionada a problemas

    musculoesquelticos; Mobilidade fsica prejudicada relacionada dor, espasmos

    musculares e flexibilidade diminuda; Dficit de conhecimento relacionado a tcnicas

    de mecnica corporal que preservem as costas; Risco de baixa autoestima

    situacional relacionada mobilidade alterada, dor crnica e alterao do

    desempenho de papis; Nutrio alterada: mais do que as necessidades corporais

    em relao obesidade3. Dficit de conhecimento devido cirurgia iminente; Risco

    de leso relacionado com procedimentos cirrgicos15.

    Dor crnica a experincia sensorial e emocional desagradvel que surge de

    leso tissular real ou potencial ou descrita em termos de tal leso, de incio lento ou

    sbito, de intensidade leve a intensa, constante ou recorrente, sem um trmino

    antecipado ou previsvel e com uma durao de mais de seis meses13. A ansiedade

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    Rev. Cinc. Sade Nova Esperana Set. 2013;11(2):55-71

    afeta a capacidade do indivduo em tolerar e lidar com a dor14. um sentimento

    vago e inquietante de desconforto ou pavor, acompanhado de apreenso, causado

    pela previso de algum perigo eminente que permite que o indivduo tome as

    medidas para lidar com ameaa15.

    Porm, dos diagnsticos citados pelos autores acima, apenas dois foram

    percebidos no paciente do caso em questo, dor crnica e mobilidade fsica

    prejudicada. Observou-se que o paciente em estudo apresenta o controle da

    cabea, do pescoo e tem fora no ombro, porm, sua capacidade de flexionar o

    cotovelo diminuda, portanto, apresenta dificuldade em vestir-se, mas consegue

    alimentar-se sem auxlio; sente dormncia e atrofia nos membros superiores.

    O quadro clssico de hrnia de disco uma dor na regio da coluna lombar e

    que vai se irradiar em direo perna at chegar ao p1. Fatores como a idade,

    sexo, traumatismo, gentica, obesidade, tabagismo, atividades profissionais,

    sedentarismo, conhecimento sobre seu estado de sade e o fator psicossocial

    influenciam no desenvolvimento da hrnia de disco4. Dentre esses fatores, foram

    encontrados no paciente em questo apenas alguns como idade, sexo, obesidade e

    atividades profissionais coincidentes com a literatura pertinente.

    Foi observado no paciente que a sua dor compromete seu trabalho, do qual

    teve de se afastar por incapacidade. Tem insnia, depresso, e o controle da dor

    difcil. Faz uso de frmacos, fisioterapia e a cirurgia no seu caso contraindicada,

    pois sua hrnia de disco est comprometendo a medula espinhal, podendo causar

    srios riscos, conforme exposto na literatura.

    Devemos lembrar que, para este paciente, encontramos os indicativos de um

    diagnstico mdico para o qual a enfermagem dever desenvolver aes

    colaborativas; referentes hipertenso, para a qual, segundo relatos do paciente, j

    havia sido realizado o encaminhamento para acompanhamento de cardiologista e

    havia o uso de medicao antihipertensiva.

    Sistematizao da assistncia...

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    Rev. Cinc. Sade Nova Esperana Set. 2013;11(2):55-71

    Plano Assistencial de Enfermagem

    Quadro 4 - Plano assistencial de enfermagem com intervenes estabelecidas de acordo com a NIC. DIAGNSTICO DE ENFERMAGEM

    INTERVENES DE ENFERMAGEM

    RESULTADOS ESPERADOS

    1- ANSIEDADE - Compreender sua perspectiva sobre a situao temida; - Oferecer informaes reais sobre diagnstico, tratamento e prognstico; - Ouvir atentamente; - Encorajar a verbalizao de sentimentos e medos; - Encaminhar para um psiclogo.

    - Parecer relaxado e a ansiedade atenuada a um nvel suportvel; - Expressar conscincia dos sentimentos de ansiedade; -Demonstrar habilidades necessrias para solucionar problemas.

    2- Dficit no AUTOCUIDADO para vestir-se.

    - Identificar reas que o paciente necessita de ajuda para vestir-se; - Estimular sua participao na identificao do problema e no processo de deciso; - Ajudar para identificao de ajuda.

    - Identificar reas especficas de necessidade; - Demonstrar alteraes do estilo de vida para atender s necessidades de autocuidado.

    3- DOR crnica - Determinar o impacto da dor sobre o sono; - Avaliar com o paciente e equipe as medidas de controle da dor que tenham sido utilizadas; - Analisar tipo e fonte da dor ao selecionar uma estratgia para seu alvio;

    - Dir que a dor foi aliviada ou controlada; - Verbalizar que entende a dinmica que afeta o problema da dor; - Descrever as medidas que lhe proporcionam alvio.

    4- DENTIO prejudicada. - Orientar quanto necessidade de uma rotina diria de cuidado oral; - Orientar quanto importncia de solicitar auxlio durante a escovao dos dentes, respeitando as limitaes de autocuidado; - Orientar o paciente quanto necessidade de consultar um dentista.

    - Compreender a importncia da manuteno da higiene; - Apresentar higiene oral satisfatria; - Aceitar auxlio durante a escovao.

    5- FADIGA - Identificar as causas da fadiga e monitorar se advm da dor ou do uso de medicamentos; - Monitorar o padro e nmero de horas de sono do paciente; - Estimular perodos alternados de repouso e atividade.

    - Identificar a causa da fadiga e as reas sob controle pessoal; - Participar de atividades de vida diria dentro de suas capacidades - Participar do programa teraputico recomendado.

    6- Sentimento de IMPOTNCIA

    - Analisar o conhecimento do paciente sobre sua condio

    - Expressar sentimento de controle sobre sua situao atual e o

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    Rev. Cinc. Sade Nova Esperana Set. 2013;11(2):55-71

    e o plano de tratamento; - Avaliar a resposta do paciente ao regime teraputico; - Determinar se houve alteraes nos relacionamentos com familiares.

    desfecho futuro; - Identificar reas sobre as quais pode ter controle; - Reconhecer a realidade de que algumas reas esto fora do seu controle.

    7- INSNIA (padro do sono perturbado)

    - Determinar efeitos de medicamentos sobre o sono; - Auxiliar e eliminar situaes estressantes antes de dormir; - Ouvir queixas subjetivas referentes qualidade do sono; - Identificar o que interrompe o sono e a frequncia que ocorre.

    - Verbalizar que entende o distrbio do sono; - Identificar as intervenes apropriadas para promover o sono; - Dir que houve melhora do padro de sono, que se sente melhor e mais descansado.

    8- MOBILIDADE fsica prejudicada

    - Orientar sobre uma boa postura enquanto realiza qualquer atividade; - Determinar o nvel motivacional do paciente para manter ou restaurar o movimento das articulaes.

    - Verbalizar disposio para participar das atividades de acordo com suas necessidades; - Verbalizar que compreende a situao, o regime teraputico e as medidas de segurana para seu caso.

    CONSIDERAES FINAIS

    Aps a anlise dos dados, observa-se que, apesar de se tratar de pacientes

    com a mesma patologia, apenas dois diagnsticos de enfermagem traados para os

    pacientes em estudo foram semelhantes. A elaborao do plano de cuidados de

    enfermagem, como consequncia da individualidade percebida e respeitada de cada

    paciente estudado, teve semelhanas e particularidades.

    Tais aspectos so compatveis com todos os propsitos estabelecidos para a

    aplicao do processo de enfermagem (sistematizao da assistncia de

    enfermagem), que objetiva a individualizao da assistncia, de forma a considerar

    as necessidades especficas de cada indivduo, concebendo planejamento resolutivo

    que venha ao encontro das suas demandas objetivas. Para tanto, as diferenas

    esboadas na identificao dos diagnsticos de enfermagem, nos planejamentos

    das intervenes e nos resultados esperados deste estudo so plenamente

    compatveis com a qualidade das aes de enfermagem.

    As diferenas e similaridades encontradas, portanto, comprovam a riqueza de

    aspectos que o enfermeiro deve considerar quando atende aos pacientes, tanto na

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    rea ambulatorial, como nesse estudo, como na rea hospitalar. Neste contexto,

    entende-se que os profissionais de sade devem descobrir formas e estratgias que

    resultem em melhor assistncia aos seus usurios. Nesse aspecto, a estruturao

    da assistncia de enfermagem com base na SAE se mostra um caminho efetivo

    para a promoo de aes qualificadas, com base cientfica.

    Os enfermeiros devem, portanto, buscar a cada dia aperfeioar as suas

    competncias e habilidades para alcanar a eficincia na avaliao do paciente, na

    identificao de diagnsticos de enfermagem, no planejamento da assistncia, e na

    avaliao da assistncia e do alcance dos resultados esperados para cada um

    deles. Torna-se necessrio tambm ressaltar a importncia da educao para o

    autocuidado e o esclarecimento dos pacientes como fundamentais para a sua

    recuperao/reabilitao. A adeso teraputica recomendada , ento,

    extremamente necessria para o sucesso do tratamento multidisciplinar.

    Neste estudo, percebeu-se ainda a importncia da postura na preveno da

    hrnia de disco. Tal percepo leva reflexo de que existe a necessidade de

    estratgias de promoo da sade na rea, envolvendo a participao da equipe de

    sade, inclusive com a mobilizao da comunidade para participar de atividades

    educativas para a adoo de postura adequada, que previna tais problemas.

    Por fim, a garantia do sucesso de qualquer interveno de enfermagem pode

    ser atribuda maneira pela qual so atendidas as demandas fsicas, emocionais,

    sociais e espirituais do paciente. Para atender s necessidades reais de um

    paciente, necessrio que ele seja bem atendido, acolhido e que a equipe de

    enfermagem estabelea uma relao de confiana com ele, pois esses fatores iro

    contribuir para sua recuperao.

    SYSTEMATIZATION NURSING CARE FOR PATIENTS WITH HERNIATED DISC

    ABSTRACT A herniated disc is a frequent condition that affects the lumbar spine and joint structures, altering the functioning of the region and the biomechanical properties of natural tissues. The clinical extends according to the engaged position of structures, ranging from asymptomatic to symptomatic. The study aimed to: Develop a proposal for systematization of nursing care for patients with Herniated Disc; Collect data about the patient's health status; Identify nursing diagnoses based on NANDA Taxonomy; Establish, from the prioritization of diagnoses nursing, nursing interventions in accordance with IAS; Discuss the nursing care plan established for

    Sistematizao da assistncia...

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    Rev. Cinc. Sade Nova Esperana Set. 2013;11(2):55-71

    each patient according to the literature. This is an exploratory descriptive case study with qualitative approach, carried out in a neurology clinic in Joo Pessoa. The sample consisted of two patients, one female and one male, aged 30-50 years with confirmed diagnosis of disc herniation. The interview consisted of objective questions and subjective view of the proposed objectives. To facilitate the analysis of data were created two clinical histories. After analyzing the data, it was found only two strokes of nursing diagnoses for patients in the study are similar. Fatigue-related ill-health and physical mobility harms related to neuromuscular damage. We conclude therefore that although the case of patients with the same pathology, remains the individuality of each patient in response to the disease, confirmed by the observed difference in nursing care plan. Thus, considering that nursing professionals should seek continuous learning that enables them to act sensibly and competently, enabling the development of individualized care actions and resolving to patients under their care. Keywords: Assistance of nursing. Low back pain. Nursing diagnosis. REFERNCIAS 1. Barbosa JA. Hrnia de Disco, 2004. [acesso em: 09 maio 2011] Disponvel em: http://www.wgate.com.br/conteudo/medicinaesaude/fisioterapia/traumato/hernia_de_disco.htm. 2. Andrade SC, Arajo AGR. Back scholl: historical revision and its application in chronic low back pain. Rev. Bras. Reumatol. So Paulo, jul./ago 2005; 45(4). 3. Smeltzer SC, Bare BG, Winkle JL, Cheever KH. Brunner e Suddarth: tratado de enfermagem mdico-cirrgica. 11. ed. v. 4. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2009. 4. Montenegro H. Lombalgia. 2009. [acesso em: 24 mar 2011]. Disponvel em: . 5. Pires EG. Condutas Teraputicas na Hrnia de Disco Lombar. 2005. [acesso em: 10 maio 2011] Disponvel em:

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    9. Conselho Federal de Enfermagem. Legislao. Resoluo 358, em 15 de outubro de 2009. [acesso em: 13 abr. 2011]. Disponvel em: http://www.portalcofen.gov.br/sitenovo/node/4384. 10. North American Nursing Associacion-NANDA. Diagnsticos de enfermagem da NANDA: definies e classificao. 2009-2011. Porto Alegre: Artmed; 2010. 11. Dochterman JMC, Bulechek GM. Classificao das Intervenes de Enfermagem-NIC). 4. ed. Porto Alegre: Artmed; 2008. 12. Brasil. Ministrio da Sade. Conselho Nacional de Sade. Resoluo 196, de 10 de outubro 1996 Diretrizes e Normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Braslia; 1996. 13. Brasil. Ministrio da Sade. Conselho Federal de Enfermagem. Cdigo de tica dos profissionais de enfermagem. Resoluo 311, de 12 maio de 2007. 14. Doenges ME, Moorhouse MF, Murray AC. Diagnsticos de Enfermagem: Intervenes, Prioridades, Fundamentos. 10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2009. 15. Nettina SM. Prtica de Enfermagem. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2007.

    Sistematizao da assistncia...

    Recebido em: 26.06.12

    Aceito em: 29.06.13

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