SISTEMATIZAO DA ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM A ...

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  • SISTEMATIZAO DA ASSISTNCIA DE ENFERMAGEM A ADOLESCENTES

    PORTADORES DE LINFOMA NO-HODGKIN

    Roselaine Clementino da Silva (relatora)

    Adrielly Lunia Alves de Souza

    Leiliane Teixeira Bento Fernandes

    Menacela Oliveira Domingues4

    Mrcia Bastos Lima5

    RESUMO

    Objetivo: Relatar a experincia de acadmicas de enfermagem ao identificar os principais

    diagnsticos e intervenes de enfermagem CIPE relacionados ao Linfoma no- Hodgkin em

    adolescentes a fim de incentivar sua aplicao na Sistematizao da Assistncia de Enfermagem no

    cotidiano do enfermeiro. Metodologia: Relato de experincia vivenciado pelas discentes da

    disciplina Sade da Criana e do Adolescente II, do Curso de Graduao em Enfermagem da

    Universidade Federal da Paraba, no perodo de dezembro de 2013 a maro de 2013, no Hospital

    Universitrio Lauro Wanderley (HULW), localizado na cidade de Joo Pessoa-PB.. Resultados e

    discusses: No contexto do adoecimento, o enfermeiro deve realizar e desenvolver competncias

    tcnico-cientficas que contribuam e favoream a organizao e sistematizao do cuidado. Diante

    da importncia da temtica imprescindvel a construo de protocolos de assistncia que venham a

    embasar as aes do enfermeiro. Neste estudo foram elencados 16 diagnsticos de enfermagem

    CIPE so eles: Apetite prejudicado, Baixo peso, Obstipao, Diarria, Nusea, Vmito, Dispnia,

    Sistema imunolgico prejudicado, Integridade da pele prejudicada, Disria, Dor oncolgica, Sono e

    repouso prejudicados, Atividades recreativas interrompidas, Baixo nvel de conhecimento do

    processo patolgico, Autoimagem comprometida, Angstia espiritual; suas respectivas intervenes

    e resultados esperados. Consideraes Finais: A elaborao de um plano de enfermagem de

    extrema importncia, pois ajuda na individualizao do paciente, elaborando e executando o

    cuidado, tornado a assistncia de enfermagem adequada para o cliente, de modo eficiente, atingindo

    as metas e aumentando a qualidade de vida do mesmo.

    Descritores: linfoma no-Hodgkin; adolescente; enfermagem.

    1 INTRODUO

    A adolescncia uma fase da vida entendida como fase de crescimento e desenvolvimento,

    relacionada boa condio fsica, ao apetite exacerbado, ao vigor, aos exerccios, esportes e lazer.

    Ou seja, a adolescncia associada ao bem-estar, sade e vida. provvel que em virtude

    desses fatores torne-se difcil para a sociedade associar juventude a adoecimento e hospitalizao.

    Graduanda em Enfermagem pela UFPB. E-mail: roh_laine@hotmail.com

    Graduanda em Enfermagem pela UFPB. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisa em Sade da Criana e do Adolescente - GEPSCA. HULW. E-mail: adriellyluenia@hotmail.com

    Graduanda em Enfermagem pela UFPB. Pesquisadora da Iniciao Cientfica na rea de Obstetrcia. E-

    mail: leilianeufpb@gmail.com 4 Graduanda em Enfermagem pela UFPB. E-mail: menacela@hotmail.com

    5Enfermeira Assistencial. E-mail: mercialima1@hotmail.com.

  • H alguns anos atrs, os adolescentes podiam considerar-se um grupo saudvel e com um

    nmero reduzido de internaes. No entanto, com o desenvolvimento das cincias da sade, a

    criana que morria precocemente, portadora de patologias predominantes da infncia, hoje

    consegue alcanar a adolescncia, o que altera o perfil de morbi-mortalidade, elevando o percentual

    de adolescentes que se hospitaliza. Um outro agravante determinado pelas dramticas

    transformaes da sociedade, configurando o risco caracterizado por acidentes e violncia

    (ALMEIDA; et al, 2007).

    Os sentimentos gerados pela hospitalizao independem da faixa etria, pois em qualquer

    poca da vida a hospitalizao se constitui em fonte de estresse. Contudo, esse processo mais

    grave na adolescncia, exacerbado pelos sentimentos comuns dessa fase de transformaes e

    mudanas. A presena do acompanhante pode amenizar os sentimentos negativos gerados pela

    hospitalizao e favorece a aceitao do tratamento pelo adolescente (TOLEDO, 2000).

    No campo das patologias crnicas passveis de internao o linfoma uma doena que

    atinge todos os membros da famlia, pois acarreta preocupaes decorrentes da doena, exigindo

    readaptaes frente nova situao e estratgias para o seu enfrentamento. Esse processo depende

    tanto da complexidade e gravidade da doena quanto da fase em que a famlia se encontra e das

    estruturas disponveis para satisfazer suas necessidades e readquirir o equilbrio. (MARCON et. al,

    2007).

    Os linfomas representam um grupo de neoplasias malignas com origem de clulas linfides,

    e que se diferem da leucemia linfoctica por se apresentarem na forma de massas tumorais slidas e

    se originarem de tecidos linfides como os linfonodos, j que as leucemias iniciam-se na medula

    ssea e atingem o sangue perifrico, no formando massas tumorais. Os linfomas podem ser

    divididos em dois grupos principais: Linfoma No-Hodgkin (LNH) e Linfoma de Hodgkin ou

    doena de Hodgkin (DH) (BORBA et. al, 2007).

    Os LNH correspondem cerca de 80% dos casos de linfoma. Podem ter origem de clulas B

    ou T, sendo que cerca de 85% dos casos so de clulas B. A incidncia deste tumor vem

    aumentando no mundo inteiro nas ltimas dcadas, atingindo mais homens do que mulheres, numa

    relao de 1,5:1. Os LNH tm um padro de crescimento difuso ou multicntrico e tendem a se

    disseminar nos estgios iniciais da doena. A etiologia dos LNH discutida, e alguns casos podem

    estar associados a vrus como o EBV (Epstein-Barr) (POTSIO et. al, 2009).

    A doena ou linfoma de Hodgkin aproximadamente 5 vezes menos comum que o LNH.

    Esta doena pode ocorrer em qualquer faixa etria; no entanto, mais comum na idade adulta

    jovem, dos 15 aos 40 anos, atingindo maior frequncia entre 25 a 30 anos. Em contraste com os

    LNH, a DH origina-se sempre num linfonodo, nunca num tecido extranodal, e dissemina-se de

    modo caracterstico para os linfonodos anatomicamente contguos (SOUZA et. al, 2010).

  • Neste contexto do adoecimento, o enfermeiro deve realizar e desenvolver competncias

    tcnico-cientficas que contribuam e favoream a organizao e sistematizao do cuidado. A

    Enfermagem atual deve utilizar os conhecimentos e procedimentos organizados com base em teoria

    e reformulados para implementar a Sistematizao da Assistncia de Enfermagem, conhecida como

    SAE (SANTOS e RAMOS, 2012).

    No entanto, COLLET et. al (2010), afirma que a equipe de enfermagem tem realizado um

    cuidado centrado em tarefas, que compreende ser de sua competncia, tendo ainda como modelo

    assistencial um cuidado centrado apenas no processo de cura da doena. Diante da sistematizao

    desse trabalho os profissionais no conseguem estabelecer um vnculo junto ao paciente e sua

    famlia. Desta forma a equipe est cada dia mais distante do binmio paciente-famlia e, portanto,

    de atender integralmente as suas necessidades, ficando estas muitas vezes de responsabilidade da

    famlia, j que ambos, recebem por parte da equipe um cuidado espordico e superficial.

    Neste embasamento, o enfermeiro tem um papel preponderante de buscar promover o bem

    estar do ser humano, considerando sua liberdade, unicidade e dignidade, atuando na promoo da

    sade, preveno de enfermidades, no transcurso de doenas e agravos, nas incapacidades e no

    processo de morrer (CARVALHO et. al, 2009; BURILLE et. al, 2007).

    A Sistematizao da Assistncia de Enfermagem (SAE) o modelo metodolgico ideal para

    que o profissional de enfermagem possa aplicar seus conhecimentos tcnico-cientficos na prtica

    assistencial, favorecendo o cuidado e a organizao das condies necessrias para que ele seja

    realizado de maneira integral (NASCIMENTO et. al, 2011; GARCIA e NBREGA, 2000).

    Para tal a CIPE (Classificao Internacional para a Prtica de Enfermagem) se faz uma

    ferramenta integrada de linguagem no processo de enfermagem organizada em eixos que permitem

    a criao de diagnsticos elencados por foco de ateno, em que, para cada um deles, so

    incorporadas as intervenes de enfermagem de reabilitao compreendidas como as necessrias

    para o tratamento/recuperao ou manuteno do bom estado geral do paciente (ICN, 2011).

    Portanto, a reconstruo das prticas em sade no contexto do cuidado ao indivduo

    hospitalizado e sua famlia, que se pretendem integral e humanizadas, assumem um carter poltico.

    Para alm do contedo tcnico- cientifico do significado e importncia das relaes pessoais entre

    paciente-famlia-equipe, do estabelecimento de vnculos e responsabilizaes, da escuta e do

    dilogo como produtores de sujeitos. (COLLET et. al, 2010).

    Baseado o que foi proposto, o presente estudo objetiva relatar a experincia de acadmicas

    de enfermagem ao identificar os principais diagnsticos e intervenes de enfermagem CIPE

    relacionados ao Linfoma no-Hodgkin em adolescentes a fim de incentivar sua aplicao na

    Sistematizao da Assistncia de Enfermagem no cotidiano do enfermeiro.

  • 2 METODOLOGIA

    Este estudo consiste em um relato de experincia vivenciado pelas discentes da disciplina

    Sade da Criana e do Adolescente II, do Curso de Graduao em Enfermagem da Universidade

    Federal da Paraba, no perodo de dezembro de 2013 a maro de 2013, no Hospital Universitrio

    Lauro Wanderley (HULW), localizado na cidade de Joo Pessoa-PB.

    No que se refere sistematizao desse processo, o estudo foi organizado com base nas

    seguintes etapas operacionais:

    1 etapa: inicialmente ocorreram s aulas terico-prticas da disciplina, posteriormente houve a

    escolha da situao problema, onde foram escolhidos os pacientes portadores de linfoma no-

    Hodgkin aos quais foi prestada a assistncia de enfermagem e a seleo dos diagnsticos e

    intervenes mais frequentes nesta amostra. A populao e amostra selecionada foram os 3

    pacientes internados na Clnica durante o perodo de aulas terico-prticas, com idade entre 12 a 18

    anos, conforme a determinao do ECA (Estatuto da Criana e do Adolescente) sobre a

    adolescncia (BRASIL, 1990); e que possuam diagnstico mdico de linfoma no-Hodgkin

    2 etapa: Aps isto foi realizada a reviso literria sobre o tema, onde foram selecionados 20

    trabalhos, compreendendo os seguintes critrios de incluso: texto completo em portugus; artigos,

    monografias, teses; manuais; alm de 3 livros impressos e sites do governo brasileiro. No houve

    como critrio de eliminao o perodo de publicao dos mesmos. A busca foi realizada na

    Biblioteca virtual em Sade e os trabalhos foram selecionados a partir das bases de dados Scielo e

    Lilacs. Os descritores utilizados foram: linfoma no-Hodgkin; adolescente; enfermagem.

    3 etapa: identificao, a partir dos documentos selecionados, dos artigos mais relevantes inerentes

    temtica. Nesta etapa, foram extrados artigos relacionados que continham a sistematizao da

    assistncia consolidada a pacientes adolescentes portadores de linfoma no-Hodgkin, bem como

    utilizada a CIPE verso 2.0 para construo dos diagnsticos e intervenes e resultados de

    enfermagem.

    4 etapa: construo do texto, visando ao alcance do objetivo proposto pela investigao. Nesta

    etapa, foi elaborada a redao final do texto, contemplando a elaborao do plano de cuidados com

    base na CIPE e na literatura.

    RESULTADOS E DISCUSSES

    Na infncia, o LNH mais comum do que o DH, sendo a terceira neoplasia em indivduos

    com menos de 16 anos de idade, depois da leucemia e dos tumores do sistema nervoso central.

    Existe predominncia de soropositividade no sexo feminino e, paradoxalmente, maior

    acometimento de doena no sexo masculino, numa razo de 1,4:1. Os sinais clnicos mais

  • encontrados ao exame fsico so a adenomegalia (60%), hepatomegalia (26%), esplenomegalia

    (22%) e leses de pele (39%). Sintomas de desconforto abdominal, diarria, clica, ascite e tosse

    esto associados com determinados subtipos de Linfoma/Leucemia de cluas T do Adulto (L/LTA)

    (BORBA et. al, 2007).

    No existem causas especficas para o aparecimento do linfoma, porm as literaturas

    apontam como predisponentes a hereditariedade, fatores ambientais e ocupacionais, hbitos

    alimentares, Sndromes de imunodeficincia e alguns agentes infecciosos como o Epstein-Barr,

    herpes vrus, vrus da hepatite C e Helicobacter pylori (ARAJO et. al, 2008).

    A preveno constitui-se em um mtodo simples e comum na preveno de outros tipos de

    cncer, seria a mudana de hbitos alimentares incluindo na dieta verduras e frutas que poderiam

    dar esse efeito protetor, sobretudo contra os LNH (INCA, 2013).

    Os LNH envolvem doenas relacionadas com problemas na maturao das clulas linfoides

    B e T das quais se originam (INCA 2001).

    Existem vrios subtipos de LNH, mas os especialistas dividem de acordo com a velocidade

    de crescimento em: baixo grau com velocidade de crescimento lenta e alto grau com velocidade de

    crescimento rpida (MANUAL ABRALE, 2013). Os linfomas de baixo grau possuem tambm

    baixa agressividade apesar de formarem grandes massas linfonodais a partir da multiplicao lenta

    de clulas pequenas, j os de alto grau a multiplicao celular ocorre em maior nmero e

    caracterizado por linfadenopatias localizadas de alta agressividade. O primeiro caso quando no

    tratado ainda h sobrevida, mas o segundo a sobrevida seria de semanas a meses (ARAJO et. al,

    2008).

    Os sinais e sintomas vo depender da localizao do tumor, no geral h presena aumentada

    de linfonodos (em maioria no pescoo, axilas ou virilha), febre, suor noturno, fadiga, perda de peso

    ou perda de apetite. Se o local de gnese da doena for um local sem linfonodo como, por exemplo,

    ossos, pulmo ou pele, os sinais/sintomas so dores nos ossos, tosse, dor no peito, erupes ou

    ndulos na pele (MANUAL ABRALE, 2013).

    Para confirmao diagnstica se faz necessria a histria clnica do paciente, dados colhidos

    no exame fsico, exames complementares (hemograma com plaquetometria, exames sorolgicos

    para Sfilis, hepatite e HIV, parasitolgico e fezes) e bipsia da regio acometida (INCA, 2001).

    Exame fsico torna-se essencial, pois dele emergem os sinais e sintomas que podem sugerir a

    presena de um linfoma.

    Mais da metade dos casos de LNH estudados foi na regio intra-abdominal e o local

    primrio foi quase absoluto no trato gastrointestinal, sendo o intestino delgado mais presente.

    Dentre os sinais e sintomas comuns nesses casos so: dor abdominal, vmitos, massa abdominal

    palpvel, febre, distenso abdominal, emagrecimento e enterorragia (PORTA, 1981).

  • O tratamento feito por meio da quimioterapia, que so drogas usadas isoladas ou em conjunto

    com outras que visam destruir ou impedir o crescimento das clulas tumorais at levar a remisso

    completa da doena. A escolha do tratamento vai depender do tipo de linfoma (que varia conforme

    atinja a clula B ou T), estgio da doena, envolvimento extranodal, idade e sintomas (MANUAL

    DA ABRALE, 2013).

    No geral os efeitos colaterais aos tratamentos vo depender da regio do linfoma, idade do

    paciente e condies mdicas coexistentes. Dentre os efeitos colaterais esto: Anemia (causa

    palidez e cansao), diminuio das plaquetas (leva a risco de sangramento), diminuio de glbulos

    brancos (aumenta o risco de infeco evidenciado por febre e calafrios), pode ocorrer inflamao no

    local da pele onde a quimioterapia foi aplicada, dor de garganta, dor para urinar, diarreia,

    constipao, feridas na boca, nuseas, vmitos, fadiga, febre, tosse, comprometimento da funo

    normal do pulmo, perda de cabelo, sensaes de formigamento. So efeitos passageiros que

    desaparecem com o termino da quimioterapia (MANUAL ABRALE, 2013).

    Estudos mostram que a combinao de quimioterapia e radioterapia muito eficaz no

    tratamento, devendo ser levado em considerao a idade e a maturidade do paciente na hora da

    escolha teraputica para diminuir o nmero de sequelas deixadas pela radioterapia, sendo esse um

    dos motivos para alguns quererem retira-la do tratamento.

    Diante da importncia da temtica para garantir a confiabilidade assistncia de

    enfermagem a pacientes com essa patologia, por meio de procedimentos seguros, baseados em

    aes as mais cientficas possveis, imprescindvel a construo de protocolos de assistncia. Por

    protocolos de assistncia entende-se aqui um conjunto de dados que permitem direcionar o trabalho

    e registrar oficialmente os cuidados executados na resoluo ou preveno de um problema.

    (BARROS et. al, 2003).

    Vale enfatizar ainda que o enfermeiro tambm responsvel pela parte burocrtica

    relacionada ao controle de material e suprimentos, gerenciamento e coordenao da equipe de

    Enfermagem, alm de registros feitos de forma no sistematizada, dessa forma, a no realizao de

    uma assistncia com base em sistematizaes pode tornar-se desqualificada, pois a assistncia de

    enfermagem visa o preparo do paciente para procedimentos diagnsticos, cirrgicos e clnicos, a

    explicao dos efeitos colaterais do tratamento, a realizao de procedimentos que minimizem

    sinais e sintomas da doena, alm de suporte ao paciente e a famlia (COLLET et. al, 2010).

    A SAE proporciona o direcionamento da assistncia, garantindo segurana do usurio do

    sistema de sade e dos profissionais, representando assim, o instrumento de trabalho do enfermeiro

    (MENEZES et. al, 2011). Esta sistematizao organizada em cinco etapas inter-relacionadas:

  • Coleta de dados ou Histrico de Enfermagem, Diagnstico, Planejamento, Implementao e

    Avaliao.

    A inter-relao das etapas deve ser preservada, pois, uma coleta mal feita, deficiente, leva a

    achados incorretos ou inexistentes alm de determinao de intervenes, solues errneas e

    inapropriadas (AMANTE et. al, 2009). Ao se registrar no pronturio, torna-se necessrio a

    utilizao de terminologias de enfermagem. Elas propem estruturas classificatrias para diferentes

    etapas da metodologia da assistncia (FULY et. al, 2008; PIRES, 2008).

    Com base na literatura e nos sinais e sintomas apresentados por pacientes portadores de

    LNH internados no Hospital Universitrio elaborou-se um plano de cuidados para norteamento das

    aes do enfermeiro, visando a seleo dos diagnsticos de enfermagem CIPE mais frequentes

    neste pblico-alvo e elaborao das respectivas intervenes e resultados esperados. O plano de

    cuidados uma ferramenta que permite ao enfermeiro a implementao de suas aes, sendo

    tambm passvel de modificaes respeitando sempre a individualidade do cliente.

    Na tabela a seguir so descritos os diagnsticos, intervenes e resultados de enfermagem

    CIPE selecionados:

    Tabela 1 Plano de cuidados aos pacientes portadores de linfoma no-Hodgkin

    Diagnsticos de

    Enfermagem

    Resultados

    Esperados

    Intervenes de Enfermagem

    Apetite

    prejudicado

    Apetite melhorado

    Identificar problemas relacionados

    com a alimentao;

    Estimular o paciente a escolher os

    alimentos que lhe paream

    apetitosos;

    Avaliar a capacidade do paciente de

    mastigar, engolir e sentir sabores;

    Orientar sobre a importncia da

    dieta alimentar para recuperao do

    estado de sade;

    Planejar o atendimento para que

    procedimentos desagradveis no

    ocorram antes das refeies;

    Controlar o peso diariamente ou em

    intervalos pr-estabelecidos;

  • Baixo peso

    Baixo peso

    melhorado

    Investigar hbitos alimentares;

    Investigar sobre a ingesto calrica

    diria;

    Administrar frmulas de

    alimentao por sonda, conforme

    necessidade e prescrio;

    Obstipao

    Ausncia de

    obstipao

    Estimular deambulao;

    Encorajar maior ingesto liquida e

    de alimentos ricos em fibra;

    Investigar se existem fatores

    causadores para constipao;

    Registrar as eliminaes intestinais

    quanto frequncia, consistncia,

    volume e cor;

    Instruir balanceamento de

    alimentos formadores de volume

    fecal;

    Avaliar a utilizao de frmacos e

    averiguar as interaes ou os

    efeitos colaterais;

    Avaliar a existncia de impaco

    fecal, quando for o caso;

    Administrar emolientes fecais e

    enemas, conforme prescrio;

    Diarria

    Ausncia de

    Observar e comunicar sinais de

    desidratao;

    Solicitar avaliao nutricional;

    Realizar higiene corporal e do leito

    sempre que necessrio;

    Conversar com outros profissionais

    para estabelecer o(s) fatores

    etiolgicos;

    Avaliar e anotar a frequncia das

  • diarria evacuaes, observando o aspecto

    das fezes;

    Observar a administrao da dieta

    na sonda nasoentrica, mantendo o

    gotejo em 45 gotas/min e a

    temperatura em aproximadamente

    37C, quando necessrio;

    Nusea

    Ausncia de Nusea

    Manter a cabeceira do leito elevada

    e orientar respirao profunda em

    casos de nsia de vmito;

    Administrar e monitorar a resposta

    aos frmacos que evitam ou

    aliviam a nusea;

    Estimular a criana a ingerir

    refeies fracionadas e intercaladas

    ao longo de todo o dia;

    Aconselhar o paciente a chupar

    cubos de gelo ou balas azedas ou

    duras, se possvel;

    Vmito

    Vmito melhorado

    Administrar medicaes

    antiemticas conforme prescrio

    mdica;

    Observar aspecto, frequncia e

    quantidade das eliminaes e

    registrar;

    Avaliar a eficcia do antiemtico e

    registrar;

    Orientar o cliente a evitar o jejum e

    ingerir menor quantidade de

    alimento em intervalos mais

    frequentes;

    Manter prximo ao cliente,

    recipiente para que possa utilizar

  • nos episdios emticos;

    Dispnia

    Ausncia de

    Dispnia

    Determinar a frequncia e a

    profundidade das respiraes e tipo

    de padro respiratrio;

    Avaliar se o paciente tem tosse;

    Fazer nebulizao conforme

    prescrio;

    Avaliar a resposta a terapia

    respiratria prescrita;

    Sistema

    imunolgico

    prejudicado

    Sistema

    imunolgico efetivo

    Incentivar alimentao adequada;

    Monitorar calendrio vacinal;

    Manter tcnicas asspticas ao

    realizar os procedimentos;

    Manter ambiente isolado;

    Educar paciente e famlia quanto ao

    risco de reaes alrgicas;

    Orientar a famlia a lavar as mos

    antes e aps contato com o

    paciente;

    Orientar o paciente a dar

    preferncia aos alimentos cozidos

    devido ao risco de infeco

    gastrintestinal;

    Manter o acesso salinizado para o

    mesmo permanecer fluente;

    Utilizar tcnicas asspticas;

    Investigar as vias invasivas, como o

    acesso venoso, a cada 72 horas,

    observando sinais de hiperemia e

    flogose;

    Verificar temperatura axilar

    diariamente;

    Orientar a equipe multiprofissional

  • sobre o uso de tcnica assptica em

    todos os procedimentos invasivos e

    administrao de medicamentos

    endovenosos;

    Utilizar EPI (mscara, luvas) ao

    manusear o paciente;

    Integridade da

    pele prejudicada

    Integridade da pele

    melhorada

    Estimular ingesto de lquidos

    (500ml) em doses fracionadas;

    Manter a higiene da pele;

    Promover hidratao da pele por

    meio de cremes e hidratantes 2x

    dia;

    Monitorar as reas ressecadas da

    pele;

    Massagear as proeminncias sseas

    e evitar atrito quando precisar

    movimentar o paciente;

    Trocar a posio no leito/cadeira a

    intervalos regulares;

    Disria

    Ausncia de disria

    Avaliar as caractersticas de

    eliminao urinaria aps cada

    episdio;

    Orientar quanto a importncia de

    higiene intima a cada mico;

    Identificar possveis sinais de

    infeco;

    Indagar as caractersticas da dor de

    modo a incluir os fatores

    precipitantes;

    Orientar o paciente a informar

    equipe a sensao de dor,

    principalmente periumbilical,

    suprapbica;

  • Dor oncolgica

    Dor oncolgica

    melhorada

    Determinar o impacto da dor sobre

    o sono, apetite, cognio e

    atividade de lazer;

    Controlar a luminosidade

    excessiva, capaz de influenciar no

    quadro lgico;

    Administrar analgsicos conforme

    prescrio mdica;

    Promover o alvio da dor e demais

    sintomas estressantes sob avaliao

    individualizada do paciente;

    Melhorar a qualidade de vida do

    paciente, dando-lhe assistncia

    contnua e reabilitadora;

    Avaliar dor segundo escala

    instituda;

    Sono e repouso

    prejudicados

    Sono e repouso

    preservados

    Ensinar ao paciente tcnica de

    relaxamento;

    Monitorar o padro do sono e a

    quantidade de horas dormidas;

    Ouvir as queixas subjetivas

    referentes qualidade do sono;

    Administrar analgsicos prescritos

    1h antes de o paciente dormir;

    Administrar cautelosamente

    barbitricos e outros frmacos

    prescritos para dormir;

    Atividades

    recreativas

    interrompidas

    Atividades

    recreativas

    reestabelecidas

    Rever a histria de

    atividades/passatempos prediletos e

    possveis modificaes;

    Propor atividades recreativas

    mentais;

  • Baixo nvel de

    conhecimento do

    processo

    patolgico

    Conhecimento

    satisfatrio do

    processo patolgico

    Determinar o nvel de

    conhecimento do paciente e do

    acompanhante;

    Conversar para explorar

    conhecimentos existentes;

    Avaliar a dinmica familiar;

    Autoimagem

    comprometida

    Autoimagem

    melhorada

    Aferir autoimagem;

    Ensinar as mudanas fisiolgicas;

    Incentivar a expresso de

    sentimento de insatisfao com a

    imagem corporal;

    Aferir sinais/sintomas de

    depresso;

    Angstia

    espiritual

    Angstia espiritual

    melhorada

    Avaliar as crenas espirituais;

    Investigar o desejo de prtica

    espiritual acessvel;

    Investigar se h prtica hospitalar

    em conflito com suas crenas;

    Oferecer literatura religiosa

    conforme solicitao da cliente e

    disponibilidade do servio;

    Ouvir as necessidades espirituais da

    cliente;

    Proporcionar privacidade e silncio

    necessrios para as oraes dirias;

    Solicitar visita de lder espiritual, se

    o cliente estiver de acordo;

    CONSIDERAES FINAIS

    O recebimento de um diagnstico de linfoma provoca vrios sentimentos, inquietaes e

    preocupaes nas pessoas, justamente porque o futuro torna-se obscuro, muitas vezes sem

    perspectivas, pois a ameaa da vida parece tornar-se mais prxima quando o diagnstico encontra-

  • se estabelecido. Esses sentimentos surgem mesmo com o alcance de cura e da sobrevida de muitos

    tipos de neoplasias, atravs dos avanos tcnico-cientficos conseguidos nessas ltimas dcadas. No

    entanto, a cultura, valores, crenas e preconceitos tambm impostos ao longo do tempo, ainda

    possui forte poder em promover a patologia como estritamente correlacionada terminalidade.

    A importncia da assistncia de enfermagem tem como principal caracterstica a melhor

    compreenso no que diz respeito a esclarecimentos sobre a doena propriamente dita, a dor e aos

    sentimentos por ela desencadeados no paciente. O profissional de enfermagem convive diariamente,

    consciente ou inconscientemente com questes ligadas a morte, dor, sofrimento, tratamentos

    longos, e demais situaes desgastantes, alm de ter que lidar com mltiplas complicaes do

    tratamento e efeitos colaterais, problemas psicossociais, religiosos e conflitos familiares o que exige

    destes profissionais, habilidade tanto tcnico-cientfica, relaes interpessoais, afetividade,

    comunicao, sinceridade, comprometimento e empatia. Tudo isso soma uma boa aceitao do

    paciente ao tratamento, consequentemente uma reposta tambm a altura.

    A elaborao de um plano de enfermagem de extrema importncia, pois ajuda na

    individualizao do paciente, elaborando e executando o cuidado, tornado a assistncia de

    enfermagem adequada para o cliente, de modo eficiente, atingindo as metas e aumentando a

    qualidade de vida do mesmo. Atualmente, a padronizao considerada a mais fundamental das

    ferramentas gerenciais.

    O presente estudo nos possibilitou melhorar as nossas habilidades frente ao processo de

    cuidar em pediatria uma vez que nos proporcionou sistematizar o processo de enfermagem e nos

    aprofundar nos assuntos referentes a este cuidado e a patologia.

    REFERNCIAS

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