Seminrio Nacional de Pesquisa em Enfermagem (16. : ? Title: Seminrio Nacional de Pesquisa em Enfermagem

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    29-Sep-2018

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  • O DOENTE RENAL CRNICO NO CUIDADO COM A FSTULA ARTERIOVENOSA1

    REINAS, Camila Aoki 2

    MATTOS, Magda de 3

    INTRODUO: A doena renal crnica (DRC) considerada um problema de sade pblica, diante do

    aumento progressivo de pessoas que diariamente se defrontam com o diagnstico e a necessidade de iniciar o

    tratamento dialtico (1). Um dos mtodos utilizados a hemodilise, que consiste em um procedimento no qual

    o doente renal crnico conectado a uma mquina, ou seja, um rim artificial, e que para isso depende de um

    acesso vascular eficiente (2). A fstula arteriovenosa (FAV), a via de acesso vascular definitivo de maior

    durabilidade e segurana, sendo a mais comum em pacientes submetidos hemodilise (3), porm para

    garantir sua sobrevida preciso que a pessoa realize os cuidados necessrios, evitando possveis

    complicaes e perda da FAV. Nesse contexto torna-se essencial a ao educativa com o doente renal crnico,

    para que o mesmo possa conviver dentro dos seus limites, de forma que no seja contrria ao seu estilo de

    vida e que consiga conviver com a doena e com o tratamento hemodialitico. OBJETIVOS: Conhecer os

    cuidados com a fstula arteriovenosa realizados pelo doente renal crnico e a atuao do enfermeiro nesses

    cuidados; caracterizar os sujeitos do estudo; identificar quais orientaes de cuidados com a fistula

    arteriovenosa so recebidas pelo paciente e analisar a importncia do enfermeiro frente s orientaes sobre o

    cuidado com a fistula arteriovenosa aos doentes renais crnicos. METODOLOGIA: Trata-se de um estudo

    descritivo e exploratrio, de abordagem qualitativa, realizado em uma clinica de dilise, de natureza pblica,

    que atende toda a regio sul do estado de Mato Grosso. Os sujeitos dessa pesquisa foram 20 pacientes em

    tratamento por hemodilise, cujos critrios de incluso para a participao na pesquisa foram: ser paciente

    com doena renal crnica e realizar tratamento dialtico na modalidade de hemodilise; idade superior a 18

    11 Parte do trabalho de concluso de curso O doente renal crnico no cuidado com a fistula arteriovenosa apresentado ao Curso de

    Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso.2 Acadmica do 9 semestre do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso. Campus Universitrio de

    Rondonpolis. E-mail: mila_reinas@hotmail.com3 Docente do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Mato Grosso, Mestre em Enfermagem pela Universidade Federal

    de Mato Grosso, Especialista em Enfermagem em Unidade de Terapia Intensiva pela Pontifcia Universidade Catlica de Gois,

    Especialista em Sade Publica pela Universidade Federal de Mato Grosso.

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  • anos; tempo mnimo maior ou igual que 6 meses e tempo mximo de 2 anos de confeco da FAV; possuir a

    primeira fstula arteriovenosa; possuir condies hemodinmicas estveis e de verbalizao, e concordarem

    em participar da pesquisa. A coleta de dados ocorreu no perodo de 03 a 19 de fevereiro de 2011 em todos os

    turnos de funcionamento da clnica de dilise, sendo realizada entrevista individual atravs de um

    questionrio semi-estruturado com perguntas abertas e fechadas. A abordagem aos pacientes ocorreu

    individualmente no interior das salas de hemodilise e na sala de espera, sendo que aps o convite para

    participar da pesquisa e mediante o esclarecimento dos objetivos e finalidade da pesquisa foi entregues o

    termo de consentimento livre e esclarecido para a assinatura, sendo que uma via ficou em posse do

    entrevistado e a outra via, com as pesquisadoras. Foram utilizados tambm para a coleta de dados dos

    pacientes, o pronturio eletrnico e o sistema de informao NEFRODATA a fim de complementar as

    informaes clinicas dos pacientes. Para preservar o anonimato dos sujeitos da pesquisa, seus nomes foram

    substitudos por uma letra e um nmero seguindo a ordem cronolgica das entrevistas, sendo assim os

    sujeitos identificados de E-01 a E-20. A organizao e anlise dos dados deste estudo se deram por meio dos

    pressupostos da anlise de contedo na forma categorial preconizado por Bardin (4), na qual se identificou as

    categorias: perfil epidemiolgico dos sujeitos, conhecimento sobre a confeco da fistula arteriovenosa e o

    autocuidado com a fstula arteriovenosa. O desenvolvimento do estudo foi realizado de acordo com as

    recomendaes da Resoluo 196/96 (5) que dispe sobre as diretrizes e normas de pesquisa de seres humanos

    e foi apreciado e aprovado pelo Comit de tica em Pesquisa (CEP) da Universidade de Cuiab (UNIC), de

    acordo com o protocolo 2010/222 CEP/UNIC, e tambm autorizado pelo gestor da instituio. O material do

    estudo ser guardado por cinco anos, a partir da publicao dos resultados da pesquisa, conforme a Lei dos

    Direitos Autorais 9610/98 (6). Aps esse perodo sero descartadas. RESULTADOS: Na categoria perfil

    epidemiolgico dos sujeitos, 65% dos entrevistados eram do sexo masculino, 50% na faixa etria de 40 a 59

    anos, 60% eram casados, 35% possuam a FAV entre 12 a 17 meses, 85% tinham a FAV no brao no

    dominante, 95% possuam FAV radioceflica, 50% estavam em tratamento entre 6 a 11 meses, 35% possuam

    como doena base a HAS, 35% possuem o segundo grau completo, 65% recebem o beneficio auxlio-doena

    e 85% no exerciam nenhum tipo de atividade remunerada. Na categoriaconhecimento sobre a confeco da

    fistula arteriovenosa, apenas dois entrevistados souberam definir que a fistula realizada atravs da ligao

    de uma artria com uma veia, oito no souberam responder e os outros dez entrevistados definiram que

    ocorre o ligamento entre duas veias. Diante dos achados, demonstrou-se que o nvel de conhecimento sobre a

    confeco de sua FAV, nesses pacientes baixo, pois 40% deles no sabiam definir como ocorre a

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  • confeco. Em relao s orientaes prestadas pelo enfermeiro acerca da confeco da FAV, apenas dois

    entrevistados o citaram. Na categoria o auto cuidado com a fistula arteriovenosa, 70% receberam orientaes

    a respeito do cuidado com a fistula pelo enfermeiro, porem devemos levar em considerao que ainda 30%

    dos entrevistados disseram no ter recebido nenhuma orientao, o que reflete no bom funcionamento e

    manuteno da fistula. O cuidado mais comumente citado foi o de no pegar peso, com 75%, sendo os outros

    cuidados citados: no aplicar medicao, no aferir presso no brao da fistula, proteger o brao contra

    traumas, no dormir em cima do brao. Estes cuidados foram citados por menos de 25% dos entrevistados, o

    que torna preocupante, visto que so considerados cuidados importantes e fundamentais para durabilidade da

    fistula, sendo que quando foram questionados sobre o motivo de realizar tal cuidado, grande parcela no

    soube explicar, apenas relataram que realizavam para no perder a fistula.

    CONCLUSO/CONTRIBUIO PARA A ENFERMAGEM: As restries impostas pela DRC e pelo

    tratamento so rigorosas e o grau de assimilao e de adeso sempre diferente de uma pessoa para outra,

    dependendo de seus valores individuais, ou seja, depende da sua cultura. Percebemos que grande parte dos

    entrevistados no possui conhecimento acerca da confeco e dos cuidados que devem ser realizados com a

    sua fistula, e que quando estes realizam, no sabem o porqu, bem como das complicaes graves que podem

    ocorrer. A falta de informaes desta populao algo preocupante, principalmente pelo fato da maioria

    estar no inicio do tratamento hemodialtico, e por estarem em contato constante com profissionais da sade

    trs vezes por semana durante cerca de 4 horas por dia. Desse modo, o enfermeiro como cuidador e

    orientador nesse processo, deve desenvolver atividades educativas junto aos doentes renais crnicos,

    principalmente aquelas relativas ao auto cuidado, no intuito de melhorar a sua qualidade de vida. Para isso,

    torna-se necessrio que o enfermeiro utilize uma linguagem acessvel para facilitar a comunicao e o

    aprendizado dessas pessoas. O estudo foi de grande relevncia em nossa formao acadmica, pois nos fez

    refletir sobre a atuao da enfermagem aos doentes renais crnicos, as implicaes, as mudanas, os

    sentimentos e dificuldades relacionadas ao tratamento hemodialtico.

    DESCRITORES: Insuficincia renal crnica; fistula arteriovenosa; enfermagem.

    rea Temtica: Processo de cuidar em Sade e Enfermagem

    REFERNCIAS

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  • 1.ROMO JUNIOR, J. E. Doena renal crnica: definio, epidemiologia e classificao. Jornal Bras Nefrol. [peridico na Internet]. 2004 [citado 2011 Fev 02]; 26(3): 01-03. Disponvel em: http://www.jbn.org.br/detalhe_artigo.asp?id=1183

    2.VELLOSO, Rosana Laura Martins. Efeitos da hemodilise no campo subjetivo dos pacientes renais crnicos. Cogito. [peridico na Internet]. 2001 Oct. [citado 2011 Fev 02]; (3): 73-82. Disponvel em: http://pepsic.bvs-psi.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-94792001000100009&lng=en&nrm=

    3.BERASAB, A.; RAJA, R. M. Acesso vascular para hemodilise. In: DAURGIDAS, J. T.; BLAKE, P. G.; ING, T. S. Manual de dilise. 3a ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2003. p. 68-102.

    4.BARDIN, L. Anlise de contedo. Lisboa: Edies 70; 2010.

    5.BRASIL. Ministrio da Sade. Conselho Nacional de Sade. Resoluo n. 196 de 10 de outubro de 1996. [legislao na Internet]. Braslia; 1996. [citado 23 fev. 2011].Disponvel em: http://dtr2004.saude.gov.br/susdeaz/legislacao/arquivo/Resolucao_196_de_10_10_1996.pdf

    6.BRASIL. Ministrio da Justia. Lei dos direitos autorais: Lei n 9610 de 19 de fevereiro de 1998. [legislao na Internet]. Braslia; 1998. [citado 23 fev. 2011]. Disponvel em: http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/L9610.htm

    COMPROVANTES DE PAGAMENTO DA ANUIDADE DA ABEN

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  • CAMILA AOKI REINAS

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  • MAGDA DE MATTOS

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