So Cristvo e Santo Andr

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  • - Revista dos Alunos do Programa de Ps-graduao em Cincia da Religio - UFJF

    Sacrilegens,Juiz de Fora,v. 6, n.1,p.41-59, 2009-Andr Fonseca-http://www.ufjf.br/sacrilegens/files/2010/04/6-5.pdf 41

    So Cristvo e Santo Andr: os debates sobre a normatizao

    dos usos e costumes nas convenes gerais das Assemblias de Deus no

    Brasil (1930-1980)

    Saint Christopher and Saint Andre: The discussions about the

    standardization of the habits and customs in the generals conventions of the

    Assemblies of God in Brazil (1930-1980)

    Andr Dioney Fonseca

    [andredioney@yahoo.com.br] Resumo

    Conforme Pierre Bourdieu, a estrutura do campo est intimamente ligada

    relao de poder que permeia o contato entre os agentes. Por isso, no interior dessa

    estrutura formam-se grupos de agentes que ao acumularem o capital especfico,

    passam a ser especialistas ou peritos em sua produo, apreciao e distribuio. Com

    base nessas consideraes, este estudo tem por objetivo analisar as relaes de poder

    no interior da igreja Assemblia de Deus no tocante luta pelo monoplio do controle

    dos usos e costumes entre 1930 e 1990, partindo da chamada Resoluo de So

    Cristvo, primeira tentativa de normatizao dos usos e costumes, chegando at a

    Resoluo de Santo Andr, que apresentava os principais ditames que deveriam ser

    observados por todos os membros das igrejas Assemblias de Deus no Brasil.

    Palavras-Chave: Assemblia de Deus; Usos e Costumes; Resolues Convencionais.

    Este artigo resultado dos estudos realizados no projeto de pesquisa O pentecostalismo no Brasil: abordagens e discusses tericas entre 2005 e 2008 na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) sob a coordenao do professor Diogo da Silva Roiz a quem agradeo a orientao. Verso desse trabalho foi apresentada no 1. Encontro do Ncleo Paran do GT Histria das Religies e das Religiosidades ANPUH-PR e 1. Encontro do Ncleo Santa Catarina do GT Historia das Religies e das Religiosidades ANPUH-SC. Agradeo, dessa forma, aos estudantes e professores que contriburam com sugestes que dentro do possvel foram acrescentadas. As eventuais falhas presentes nesse estudo so de responsabilidade nica do autor. Mestrando pelo Programa de Ps-Graduao em Histria da Universidade Federal da Grande Dourados (PPGH/UFGD). Bolsista CAPES. Membro do Grupo de Trabalho em Histria das Religies e Religiosidades da Associao Nacional de Professores Universitrios de Histria (ANPUH) e do Grupo de Pesquisa em Histria Religiosa e das Religies cadastrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico (CNPq).

    mailto:andredioney@yahoo.com.br

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    Abstract

    According to Pierre Bourdieu, the "field structure" is closely linked to the

    relation of power that permeates the contact between the agents. Thus, within this

    structure are formed groups of "agents" for to accumulate the "specific capital", become

    "experts" or experts in their production, evaluation and distribution. Based on these

    considerations, this study propose is to analyze the "power relations" within the

    Assemblies of God Church with regard to the fight for monopoly of the customs and

    habits between 1930 and 1990, based on the resolution called of Saint Cristvo, first

    attempt standardization of habits and customs, until the resolution of Saint Andr, who

    presented the main dictates that should be observed by all members of the churches

    Assemblies of God in Brazil.

    Key words: Assembly of God; Habits and Customs; Resolutions Convention.

    Introduo

    Pierre Bourdieu, recusando a definio da sociedade como uma totalidade

    nica, possuidora de uma cultura comum e integrada por funes sistemticas,

    considerou-a como um conjunto de campos, ou seja, um coletivo de espaos de jogos,

    detentores de uma relativa autonomia; como um sistema estruturado de posies. Para o

    autor, esses espaos formam totalidades sociais nas quais os agentes atuam movidos

    por interesses especficos que variam conforme sua natureza, que pode ser poltica,

    literria, religiosa, etc. (Bourdieu, 2004).

    O campo tambm um espao de relaes de poder, uma vez que em seu

    interior que se trava a luta pelo monoplio do capital pertinente ao campo, terminando

    por alocar os atores em posies distintas (Bourdieu, 1983). Deste modo, a estrutura do

    campo est intimamente ligada relao de poder que permeia o contato entre os

    agentes. Por isso, no interior dessa estrutura formam-se grupos de agentes que ao

    acumularem esse capital especfico, passam a ser especialistas ou peritos em sua

    produo, apreciao e distribuio (Bourdieu, 1983, p. 89-94).

    No espao social do campo religioso, a luta dos especialistas pelo

    monoplio do controle dos bens de salvao. Se neste processo se concretiza o acmulo

    exclusivo, dar-se- a violncia legtima, ou seja, a desapropriao objetiva da

    participao dos demais agentes no especialistas na administrao do sagrado. Estes

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    excludos esto, portanto, destitudos de capital religioso e da possibilidade de

    relacionar-se com o sagrado sem mediao e so, por isso, transformados em leigos

    (Bourdieu, 1992).

    Os especializados no interior do campo, procuram diferenciar-se dos laicos a

    fim de justificar a legitimidade que detm sua posio de domnio, fruto do trabalho

    religioso acumulado. Para tal, buscam expressar uma distino entre eles e os leigos

    atravs da expresso de uma multiplicidade de fatores, tais como, procedimento

    especfico ante a propriedade, a dedicao exegese bblica, comportamento sexual,

    etc. (Bourdieu, 1992).

    Assim, as anlises de Pierre Bourdieu servem como instrumental, quando se

    analisa o fenmeno religioso, sobre o prisma de agncia fomentadora de bens

    simblicos a serem consumidos pela sociedade. A religio, como instituio social,

    cria e comercializa produtos capital simblico: econmico, cultural, poltico cujo

    objetivo a legitimao de suas prticas como verdades indelveis (Bourdieu, 1992).

    Entendendo o campo religioso como estrutura de relaes objetivas

    (Bourdieu, 2004, p. 66) Pierre Bourdieu, compara as relaes no espao deste campo s

    relaes de mercado, onde as instituies religiosas mercadejam e concorrem entre si no

    comrcio de bens simblicos (Bourdieu, 1992). Por estarem em freqente disputa, as

    religies competem na busca de apoio dos mais variados setores populares a procura de

    suas clientelas. Por isso, no campo religioso, a forma de organizao das religies

    resultado direto da evoluo das instituies econmicas, quando surge a necessidade de

    organizao financeira e do lucro para a expanso de seus domnios.

    Todavia, num campo concorrencial, a luta pelo monoplio do poder simblico

    no se d somente entre as diferentes instituies que compem o campo religioso, ela

    ocorre tambm no interior de cada organizao religiosa. Os especialistas tm a funo

    de manter o monoplio total dos instrumentos de salvao sendo que, qualquer tentativa

    de interferncia por parte do clero aos ditames impostos por aqueles que detm o poder

    de definir o certo e o errado, deve ser considerado uma heresia e tratada como tal. Nas

    palavras de Bourdieu:

    Uma forma particular da luta pelo monoplio que se instaura quando a igreja detm o monoplio total dos instrumentos de salvao consiste na oposio entre a ortodoxia e heresia (homloga da oposio entre a igreja e o profeta) que desenvolve segundo um processo mais ou menos constante. O conflito pela autoridade

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    propriamente religiosa entre os especialistas (conflito teolgico) e/ou o conflito pelo poder no interior da igreja conduz a uma contestao da hierarquia eclesistica que toma a forma de uma heresia do momento em que, em meio a uma situao de crise, a contestao da monopolizao do monoplio eclesistico por parte de uma frao do clero depara-se com os interesses anticlericais de uma frao dos leigos e conduz a uma contestao do monoplio eclesistico enquanto tal (Bourdieu, 1992, p. 62).

    Amparando-se nas consideraes do socilogo Pierre Bourdieu, este estudo

    tem por objetivo compreender as relaes de poder no interior da igreja Assemblia

    de Deus no tocante luta pelo monoplio do controle dos usos e costumes1 entre 1930 e

    1990, partindo da chamada Resoluo de So Cristvo, primeira tentativa de

    normatizao dos usos e costumes, por iniciativa da igreja Assemblia de Deus de So

    Cristvo, chegando at a Resoluo de Santo Andr, documento que apresentava os

    principais ditames que deveriam ser observados por todos os membros das igrejas

    Assemblias de Deus no Brasil.2

    Assemblia de Deus no Brasil

    A Assemblia de Deus veio na primeira onda3 do pentecostalismo brasileiro

    (incio de sculo XX) fundada no pas por dois missionrios suecos vindos dos EUA,

    que aportaram em Belm, capital do Estado do Par, em 19 de novembro de 1910:

    Daniel Hgberg (que ficou conhecido no Brasil por Daniel Berg) e Gunnar Adolf

    Vingren.

    Berg e Vingren se conheceram em uma conveno de igrejas batistas

    reavivadas em Chicago em 1909. Berg j havia conhecido o pentecostalismo no ano de

    1 Por doutrinas de usos e costumes, entenda-se: normas que versam sobre aspectos cotidianos dos fiis, como: trajes, maquiagens, corte de cabelo, utilizao de certas tecnologias, etc. 2 Nesse estudo utilizou-se como fonte o livro Histria da Conveno Geral das Assemblias de Deus no Brasil organizado pelo pastor Silas Daniel com o amparo de uma equipe da Casa Publicadora das Assemblia de Deus (CPAD). Nas pginas desse impresso encontram-se ricas informaes sobre as principais discusses entre os lderes assembleianos, com um grande nmero de documentao histrica, com nfase em um importante conjunto de documentos das Convenes Gerais: a transcrio integral de resolues formuladas em cada encontro da liderana assembleiana. Sobre a importncia dos impressos institucionais publicados pelas igrejas pentecostais livros de histria escritos por memorialistas, manuais de doutrinas, dirios de lderes, biografias, entre outros para as pesquisas em Histria ver: (Fonseca, 2009). 3 O pentecostalismo no Brasil foi recentemente dividido por pesquisadores em trs ondas: Pentecostalismo Clssico (abrange o perodo de 1910 a 1950 com a fundao da Congregao Crist no Brasil (1910) e Assemblia de Deus (1911). Pentecostalismo neoclssico (a partir da dcada de 50 com a criao da Igreja do Evangelho Quadrangular (1951) e logo Brasil Para Cristo (1955) e Deus Amor (1962) e muitas outras de menor porte). Pentecostalismo Neopentecostal (a partir da metade dos anos 70 com a Universal do Reino de Deus (1977), Internacional da Graa de Deus (1980), Comunidade Evanglica Sara Nossa Terra (1976) e Renascer em Cristo (1986) entre outras). Ver: (Freston, 1994. p. 68-69).

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    1908, quando voltou de frias ao seu pas e assistiu a pregao do pastor pentecostal

    Lewi Petrhus. Vingren, por sua vez, alm do trmino de seus estudos no Seminrio

    Teolgico dos Batistas Suecos, j havia tido contato com o pentecostalismo norte-

    americano. A partir do encontro em Chicago ambos descobriram o ideal missionrio e

    comearam a se reunir para viglias de orao. Foi durante uma dessas viglias que eles

    receberam, por intermdio de um participante, a profecia de que deveriam ir a um

    lugar chamado Par.4 E assim o fizeram em 5 de novembro de 1910.5

    As dificuldades eram muitas, pois Vingren e Berg no vieram ao Brasil em

    misso pela Igreja Batista norte-americana, nem mesmo pela Assemblia de Deus dos

    EUA e no receberam nenhum apoio institucional, sendo que at mesmo o dinheiro de

    suas passagens foi fruto de doao de uma pequena igreja sueca de Chicago. Foram

    nestas condies que os dois jovens missionrios chegaram ao Brasil na 3 classe do

    navio Clement no ano de 1910.

    Apesar de no serem designados como missionrios batistas, foram aqui

    recebidos por um missionrio dessa Igreja, o tambm sueco: Erik Nillson (ou Eurico

    Nelson) e passaram a congregar e a residir no poro da congregao:

    Combinamos que passaramos a residir no poro da Igreja, local estreito e quente demais, onde colocaram uma s cama para ns dois. Em princpio era muito difcil dormir com o forte calor, mas pouco a pouco tudo foi melhorando (Berg, 1997, p. 47-48).

    Apesar de estarem congregando em uma Igreja que no tinha costumes

    pentecostais, Vingren e Berg no se intimidaram em propagar essas novas doutrinas e

    propuseram-se a aplic-las na Igreja Batista de Belm do Par. No entanto, a

    interpretao bblica de Vingren e Berg sobre a doutrina do batismo com o Esprito

    Santo e as manifestaes de glossolalia no foram aceitas pelos pastores batistas e a

    dissidncia logo ocorreu.

    Apesar de outras novidades que tambm desagradavam aos batistas como, por

    exemplo, a nfase nos dons de cura, foi a doutrina do batismo com o Esprito Santo

    4 Segundo Freston, havia certa lgica na indicao do lugar na profecia uma vez que j havia no Brasil um Pastor batista chamado Erik Nilsson que desde 1897 j fundava igrejas na Amaznia. Ou seja, certamente o nome Par j era conhecido na comunidade batista sueca nos EUA atravs dos relatrios de Nilsson (Freston, 1994, p. 115). 5 Nos dirios dos fundadores encontra-se grande nmero de relatos sacralizados, no que tange escolha do Brasil para suas atividades evangelsticas. Afirmam somente, que vieram ao Brasil seguindo uma ordem de Deus (Berg, 1997; Vingren, 2000).

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    (...) o elemento catalisador da discrdia entre missionrios suecos e a liderana local

    (Campos, 1995, p. 31). No entanto, se o descontentamento entre os batistas era grande,

    dezenove desses no pensavam assim:

    quando Erikc [pastor batista] dirigiu a palavra aos outros [membros presentes na reunio que discutia a expulso dos missionrios] e quis saber: quantos esto de acordo com essas falsas doutrinas? Sem vacilar dezenove mos se levantaram (Oliveira, 1997, p. 50).

    Em face dessas discrdias, Vingren e Berg foram expulsos da Igreja Batista de

    Belm do Par no ano de 1910, e juntamente com os membros excludos, fundaram a

    Misso da F Apostlica que viria a se chamar em 1914, de Igreja Evanglica

    Assemblia de Deus, que mesmo sendo homnima da Assemblia de Deus dos EUA,

    no tinha qualquer ligao institucional com esta.

    A irredutibilidade dos missionrios suecos frente aos batistas do Par d idia

    da importncia atribuda s doutrinas pentecostais pelos jovens missionrios, sendo

    que esse fator marcaria profundamente a trajetria das Assemblias de Deus no Brasil.

    As Assemblias de Deus e os primeiros passos rumo institucionalizao

    Conforme afirma Antonio Gouva Mendona, da experincia da posse do

    Esprito Santo com o sinal da glossolalia [a Assemblia de Deus percorreu] um longo

    caminho de institucionalizao at chegar (...) a ocupar o lugar de maior igreja

    evanglica do Brasil (Mendona, 2004, p. 42). O incio dessa institucionalizao se

    deu no momento de grande aumento de igrejas por variados estados da federao e

    tambm de crescimento do movimento pentecostal no Brasil, principalmente com a

    presena da Igreja Congregao Crist, nos trinta primeiros anos do sculo XX.

    Com o aumento no nmero de igrejas, os lderes assembleianos atentaram para

    importncia das reunies peridicas de alcance nacional, que tratassem de temas ligados

    manuteno da identidade, da unidade doutrinria e demais assuntos administrativos;

    pois perceberam a necessidade de uma nova maneira de organizao, num momento em

    que a Igreja experimentava um extraordinrio crescimento e chegava aos mais variados

    estados brasileiros.

    Foram, assim, realizados entre 1930 e 2005, mais de quarenta encontros entre a

    liderana da Assemblia de Deus, no intuito de discutir assuntos doutrinrios

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    administrativos, teolgicos, ministeriais, entre outros. Foram 37 encontros chamados de

    Conveno Geral (CGADB) e 4 semanas bblicas (que igualmente privilegiavam o

    carter de discusso). Para os lderes assembleianos a Conveno Geral das

    Assemblias de Deus no Brasil, era fruto de uma percepo que pouco a pouco foi

    cristalizando-se no seio da liderana pentecostal em todo pas, [mas reconheciam que]

    como acontece com toda a idia, ela teve seus catalisadores (Daniel, 2004, p. 19).

    De fato, no eram poucos os debates realizados nessas Assemblias Gerais.

    Sempre muito concorridos, os temas levantados pelos convencionais eram debatidos,

    votados e aps o consenso eram redigidas as resolues com as diretrizes que

    valeriam a todas as congregaes espalhadas pelo Brasil.

    O incio dessa movimentao em prol de uma maior institucionalizao e

    organizao da Igreja se deu com o primeiro encontro em 1921, na vila de So Luiz,

    localizada no municpio de Igarap-Au, no estado do Par. Reunidos na casa do pastor

    Joo Pereira de Queiroz, os presentes trataram de temas variados como evangelizao, o

    andamento dos trabalhos e tambm algumas dvidas teolgicas. Entretanto, os

    primeiros passos para a realizao da primeira Conveno Geral s foram dados em

    1929, por iniciativa dos obreiros nacionais do Norte e Nordeste (Daniel, 2004).

    At o ano de 1930, a liderana da Assemblia de Deus estava a cargo dos

    missionrios suecos, uma vez que, aps a sua implantao no Brasil, tanto os

    fundadores Berg e Vingren, como outros missionrios vindos da Sucia e dos EUA,

    mantinham as igrejas sem autonomia, ainda que grande maioria delas fossem dirigidas

    por obreiros brasileiros. Por motivo da hegemonia missionria, antes de 1930,

    somente os sacerdotes estrangeiros se reuniam para decidir os assuntos inerentes

    Igreja e seu andamento. Somente em 1929, os obreiros nacionais, encorajados pelo

    desejo de maior participao e liberdade nas decises passaram a organizar reunies. O

    que podemos observar nas palavras de Silas Daniel:

    ... na conduo dos trabalhos j estabelecidos nas regies Norte e Nordeste, (...) se reuniram de 17 a 18 de fevereiro (...) em Natal (RN), para tomarem uma deciso. Ao final da reunio, resolveram marcar um outro encontro, tambm em Natal, mas desta vez reunindo tanto pastores nacionais como missionrios suecos. O objetivo era expor aos missionrios o desejo de ganhar autonomia (Daneil, 2004, p. 23).

    Foi ento que em 1930, embalada pelo novo esprito de participatividade,

    ocorreu, entre os dias 5 e 10 de setembro, a primeira Conveno Geral das Assemblias

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    de Deus. Missionrios e pastores nacionais deliberaram sobre diversos assuntos:

    discusso em torno do relatrio do trabalho dos missionrios, a criao de um nico

    jornal para a instituio, a polmica questo do ministrio feminino, e a transferncia da

    direo dos trabalhos aos pastores nacionais (sacramentada pela vitria do pastor

    nacional Ccero Canuto de Lima para a presidncia da Conveno Geral das Igrejas

    Assemblias de Deus no Brasil6).

    A primeira conveno, j cercada de polmicas doutrinrias e de acentuada

    preocupao da liderana assembleiana com a identidade e unidade da Assemblia de

    Deus, marcava o tom das subseqentes CGADBs que, a partir desse ano, passaram a ser

    palco de variadas discusses: sobre questes doutrinrias, criao de fundos,

    organizao de eventos, at mesmo a criao do hinrio oficial da Igreja chamado de

    Harpa Crist de uma editora prpria, de institutos teolgicos, etc.

    J na CGADB de 1931, realizada no Rio de Janeiro entre os dias 16 e 31 de

    agosto, o tema santificao foi objeto de estudo e debates entre os convencionais. Os

    estudos basearam-se em vrios pontos que reforavam a necessidade de destaque do

    fiel assembleiano ante a sociedade: andar na luz de tal forma que se manifeste em

    nossa vida um reflexo da mesma luz, e o mundo leia em ns a palavra de Deus.7 Ainda

    nesse encontro, foi realizado um estudo lanando as principais atribuies de um

    obreiro assembleiano com a seleo de 17 pontos imprescindveis vida e conduta do

    mesmo. O Obreiro, segundo o estudo, deveria:

    a) Aprender de Jesus b) Ficar na vocao em que foi chamado; c) presidir com cuidado na igreja de Deus; d) guardar-se da falsa sabedoria, da v filosofia, das palavras persuasivas do orgulho, da altivez; enfim, das raposinhas que fazem mal s vinhas; e) julgar sua prpria casa - no fazendo acepo de nenhuma pessoa; f) possuir o martelo uma vida de santidade, para poder pregar bem os pregos a Palavra; g) ser em tudo dirigido pelo esprito santo; h) um despenseiro fiel em tudo; i) ter seu seminrio aos ps de Jesus, de joelhos esperando a mensagem do Esprito Santo; j) perdoar seus irmos na f para poder receber as beno de deus; l) ser renovado pelo Esprito Santo diariamente; m) entregar a direo do culto ao Esprito Santo; n) aproveitar as oportunidades; o) ter controle de pregao, saber quanto tempo o Esprito Santo quer que ele fale;

    6 Doravante CGADB. 7 Sntese dos estudos da CGADB de 1931, publicado no jornal Mensageiro da Paz. Transcrio integral

    (Daniel, 2004, p. 47).

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    p) permanecer na doutrina dos apstolos; q) saber que as bnos esto ligadas a responsabilidades; r) orar e vigiar em todo tempo8.

    Entretanto, mesmo que as discusses sobre as doutrinas sempre estivessem

    presente nas CGADBs, a liderana da Igreja sempre encontrava dificuldade em redigir

    uma resoluo que conseguisse abarcar os principais pontos das normas de usos e

    costumes de seus membros (por mais que na prtica a aplicao fosse categrica na

    maioria das congregaes).

    A principal dificuldade estava nas divergncias entre os pastores, quando da

    discusso deste tema que, alm de ser sempre muito concorrido, no raro, acabava em

    srias discusses e at mesmo rompimentos entre os pastores. Enfrentava-se, assim,

    duplo problema: primeiramente, de interpretao do texto bblico e luta entre

    convencionais liberais e conservadores. Em contrapartida havia a preocupao da

    liderana da CGADB em pr freios nos pastores radicais, uma vez que na falta de

    uma resoluo de alcance nacional, cada pastor aplicava, ao seu modo, as normas de

    usos e costumes em suas respectivas congregaes.

    A resoluo de So Cristvo

    Assim o foi quando o presbitrio da Assemblia de Deus de So Cristvo/RJ

    igreja-sede de todas as congregaes do Rio de Janeiro e do Distrito Federal

    pastoreada pelo sueco Otto Nelson, publicou na pgina 03 do Jornal Mensageiro da Paz

    da primeira quinzena de 1946, uma resoluo tratando das prticas de usos e costumes

    das mulheres.

    A resoluo fazia um alerta ao esprito de mundanismo que invadia as

    Assemblias de Deus no Brasil e no mundo naquele perodo. Afirmavam os pastores de

    So Cristvo, que se a Igreja estava sendo invadida, as atenes das lideranas

    deveriam se voltar quelas que desde o princpio foram apontadas por Deus, como a

    parte mais fraca e mais facilmente inclinada vaidade: a mulher. Com vistas a

    normatizar os costumes destas que eram verdadeiros canais de entrada do pecado na

    Igreja, no dia 04 de junho de 1946, em sesso ordinria, os lderes de So Cristvo

    decidiram:

    8 Estudo bblico Como ser um obreiro, transcrio integral (Daniel, 2004, p. 52-53).

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    1) No ser permitido a nenhuma irm membro desta igreja raspar sobrancelhas, cabelo solto, cortado, tingido, permanente ou outras extravagncias de penteado, conforme usa o mundo, mas que se penteiem simplesmente como convm s que professam a Cristo como Salvador e Rei. 2) Os vestidos devem ser suficientemente compridos para cobrir o corpo com todo o pudor e modstia, sem decotes exagerados e as mangas devem ser compridas. 3) Se recomenda s irms que usem meias, especialmente as esposas dos pastores, ancios, diconos, professoras de Escola Dominical, e dos que cantam no coro ou tocam. 4) Esta resoluo reger tambm todas as congregaes desta igreja. 5) As irms que no obedecerem ao que acima foi exposto sero desligadas da comunho por um perodo de trs meses. Terminando este prazo, e no havendo obedecido resoluo da igreja, sero cortadas definitivamente por pecado de rebelio. 6) Nenhuma irm ser aceita em comunho se no obedecer a estas regras de boa moral, separao do mundo e uma vida santa com Jesus.9

    Todavia, a Resoluo de So Cristvo, como ficou conhecida, causou uma

    grande polmica entre as Assemblias de Deus no pas e sua extrema rigidez e

    intolerncia, no passaram despercebida na 8 CGADB, realizada entre os dias 21 e 28

    de outubro de 1946, na cidade de Recife, a ponto de mobilizar, pela primeira vez na

    histria da Conveno, uma sesso extraordinria no perodo da noite. Nessa sesso,

    aps comentarem e reprovarem o contedo do artigo em forma de lei, publicado no

    jornal Mensageiro da Paz, os convencionais, conforme atesta a ata redigida pelo 1

    secretrio Jos de Menezes, solicitaram uma retratao dos ministros da Assemblia de

    Deus de So Cristvo, a ser divulgada no Mensageiro da Paz.

    A reao da CGADB Resoluo de So Cristvo

    No achando a medida satisfatria, o pastor John Peter Kolenda que era

    missionrio de origem sueca10, queria uma resposta mais pontual para a questo que

    tomava a plenria e props que se redigisse um artigo/resposta para ser publicado no

    jornal Mensageiro da Paz, onde a Resoluo de So Cristvo fosse no s invalidada

    como tambm rebatida luz da Bblia. Secundando-o, o pastor Jos Bezerra da Silva

    props que fosse nomeada uma comisso para confeco do artigo para a devida

    anulao dos princpios propostos pela Assemblia de Deus de So Cristvo.

    A vontade de refutar a Resoluo de So Cristvo era quase unnime entre os

    pastores presentes na sesso, j a preparao da resposta para ser publicada no Jornal

    Mensageiro da Paz parecia no ser tarefa atraente aos convencionais que trataram de

    9 Resoluo da Igreja de So Cristvo, Rio de Janeiro. Transcrio integral (Daniel, 2004, p. 218-219). 10Biografia de Joo Peter Kolenda Lemos (Arajo, 2007, p. 421).

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    transferir esta responsabilidade, nica e exclusivamente, ao presidente da CGADB:

    missionrio Samuel Nystrn. Se a polmica Resoluo de So Cristvo nasceu no seio

    de uma congregao dirigida por um missionrio sueco, ningum melhor e mais

    preparado, para refutar as leis da igreja so-cristovense, do que um conterrneo, que

    alm de possuir a mesma base de formao teolgica e desenvoltura, era salvaguardado

    pelo poder que a presidncia lhe dava. 11

    Entretanto, a desenvoltura de Erik Nystrn no correspondeu s expectativas

    de uma resposta rpida Resoluo de So Cristvo. Entre os dias 22 e 28, foram

    muitos os reclames por parte dos convencionais que, no contentes com a demora na

    concluso do texto confiado ao presidente, acusavam-no de parcialismo para com a

    igreja de So Cristvo.

    De fato, contestar a resoluo rubricada por um missionrio da importncia de

    Otto Nelson exigia muita cautela. Otto realizava no Brasil trabalhos de evangelizao

    desde o ano de 1915, fundou importantes igrejas, como a sede da Assemblia de Deus

    em Macei em 1922, ento o terceiro maior templo do Brasil, havia ocupado o cargo de

    presidente da CGADB em 1935.12 Some-se a isso o peso da igreja de So Cristvo por

    sua abrangncia e nmero de membros.13

    Todavia, aps o mal-estar causado pela demora e sob forte presso, o artigo

    fora apresentado na manh de 28 de outubro na penltima reunio da conveno. O

    texto, intitulado Dando lugar operao do esprito, tinha carter de repreenso com

    fundamentao em vrias passagens bblicas. Nele Nystrn fez crticas Resoluo de

    So Cristvo, abrindo o artigo com a citao do livro de Zacarias captulo 4 versculo

    6: nem por fora nem por violncia, mas pelo meu esprito diz o senhor dos exrcitos

    (Daniel, 2004, p. 223). Samuel Nystrn reprovou a preocupao excessiva de alguns

    lderes em formularem leis:

    Em qualquer tempo, lugar ou circunstncia, devemos lembrar-nos que no se consegue fazer a obra do Senhor por fora nem por meios violentos, resolues ou imposies, mas a obra do Senhor se realiza pela interveno criativa de Deus e pela lei do crescimento externo da obra do Senhor, mas igualmente quando se tratar do

    11 Biografia de Lars-Erik Samuel Nystrn (Arajo, 2007, p. 508). 12 Biografia de Otto Nelson (Arajo, 2007. p. 503). Todas as mesas diretoras e juntas executivas da CGADB, e mesas da Semana Bblica e das Sesses Convencionais especiais (Daniel, 2004, p. 681). 13 Sobre a Assemblia de Deus de So Cristvo (Arajo, 2007, p. 31).

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    crescimento interno desta, tanto individual como coletivamente.14

    Segundo Nystrn, Cristo veio com a graa fazendo com que a Dispensao da

    Lei15 se encerrasse. Desta maneira, em lugar do mandamento prvio, que foi substitudo

    por sua fraqueza e inutilidade, j que a lei nada fez de perfeito, foi introduzida uma

    melhor esperana: Jesus Cristo.

    Mesmo durante a Dispensao da Lei, a Lei no conseguiu outra coisa seno descobrir e pr o pecado em atividade, tendo como resultado a morte (...) enquanto a f no tinha vindo, a Lei teve um alvo como pedagogo: conduzir homens a Cristo. Mas, tendo vindo a f, no estamos mais debaixo do pedagogo (a Lei), e nem devemos fazer ressuscitar leis ou inventar outras leis para que no fiquemos no lugar dos glatas, que foram chamados insensatos e a respeito dos quais Paulo temia que todo o seu trabalho se tornasse vo (...) Cristo veio com a graa e, ento, a Dispensao da Lei se encerrou. Em lugar do mandamento prvio. que foi ab-rogado por sua fraqueza e inutilidade, pois 'a Lei nada fez perfeito', foi introduzida uma melhor esperana, pela qual nos chegamos a Deus: Cristo, que nosso Sacerdote, segundo o poder de uma vida indissolvel (...) Portanto, o que realmente tem valor para ns a f que opera por amor, por isso no nos justificamos pela Lei ou leis, para no sermos decados da graa e separados de Cristo (Gl 5.6). 16

    Em resposta ao peso dado pela resoluo de So Cristvo aos usos e costumes

    das mulheres o missionrio advertiu ainda que, tanto o homem como a mulher, deveria

    procurar no se exibir nem com vestimentas, nem com a sabedoria, ou talentos, e com

    o que possusse materialmente, e ainda menos com os seus dons e posies espirituais, o

    que seria, de fato, um exemplo do cmulo da vaidade.

    As ordenanas para manifestar humildade e servidade com o corpo servem para satisfazer a carne, o erro, e elas com facilidade arranjam os que se julgam mais santos do que outros, e isto resulta em inchao v e cria esprito de fariseu, que o maior impedimento para as bnos de Deus.17

    14 Artigo/resposta redigido por Samuel Nystrn, publicado na 1 quinzena do ms de janeiro de 1947. Transcrio integral (Daniel, 2004, p. 223). 15 Na teologia assembleiana a dispensao da lei refere-se, grosso modo, ao momento histrico do Velho Testamento com os Dez Mandamentos revelados no Monte Sinai. Um perodo em que os pecados eram cobrados duramente pelo Deus Jeov. J a Dispensao da graa teve incio aps a pregao de Joo Batista, pelo advento de Cristo estendendo-se do dia de Pentecostes at o arrebatamento. durante esta dispensao que o evangelho ser pregado a todos, momento em que se tem a oportunidade de ter os pecados perdoados. (At 2.1 v. 4; 1 Ts 4.13 v.18). Informaes retiradas do artigo Em que dispensao vivemos? de Emlio Conde, publicado em maro de 1930 no Jornal Som Alegre (precursor do Jornal Mensageiro da Paz). Transcrio integral (Mesquita, 2004, p. 54). 16Artigo/resposta redigido por Samuel Nystrn, publicado na 1 quinzena do ms de janeiro de 1947. Transcrio integral (Daniel, 2004, p. 223). 17 Artigo/resposta redigido por Samuel Nystrn, publicado na 1 quinzena do ms de janeiro de 1947. Transcrio integral (Daniel, 2004, p. 223).

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    Acrescentou ainda que o cristo no poderia ser um apaixonado por moda,

    mas, sim, ser discreto em sua aparncia, procurar vesturios que no chamassem a

    ateno pela sua extravagncia e sensualidade, nem mesmo pelo modelo esquisito.

    Prosseguiu Nystrn:

    H muitos pases e muitas formas de se trajar neste mundo, bem como muitos climas diferentes, e tudo isto deve ser considerado, mas como a Palavra de Deus diz: com modstia e sobriedade. O que a Escritura ensina em relao a este assunto que as mulheres devem ser castas e tementes a Deus, tanto as que so casadas como as moas (...) lembremo-nos tambm que h muitas outras coisas que so igualmente perigosas para a obra do Senhor, que s pelo Esprito Santo podero ser removidas, como o amor ao dinheiro (...) o homem ostentado justia prpria, criticando tudo e todos, um indivduo perigoso para o avano da unidade da obra do Senhor.18

    Como havia sido combinado na reunio convencional, a Assemblia de Deus

    de So Cristvo encarregou-se de formular um comunicado onde seria invalidada a

    Resoluo publicada em 1946 no Jornal Mensageiro da Paz. E assim foi feito. Sem

    maiores explicaes e com economia de palavras, os ministros de So Cristvo

    publicaram na segunda quinzena de janeiro de 1947, no jornal Mensageiro da Paz um

    pequeno texto que dirimia as regras da polmica Resoluo com as seguintes palavras:

    O Ministrio da Assemblia de Deus no Rio de Janeiro deseja fazer pblico que, de acordo com a igreja, retira as regras publicadas no Mensageiro da Paz da 1 quinzena de julho, estabelecidas para as irms membros da igreja, pois sem elas as irms obedecem a Palavra de Deus.19

    As duras crticas de Samuel Nystrn, a difcil situao dos lderes de So

    Cristvo, criaram sobre o tema usos e costumes uma verdadeira ojeriza, a ponto de

    levarem as reunies convencionais a um silncio nunca antes experimentado no tocante

    a este assunto. Em sete encontros seguidos, conforme atestam as atas, as discusses

    sobre usos e costumes foram deixadas de lado, passando a prevalecer assuntos de

    ordem administrativa.20

    Todavia, isso no significa que as sesses compreendidas nestes anos no

    fossem marcadas pelas contumazes discusses, uma vez que muitas dessas questes

    foram promotoras de rixas extremas, entre os ministros, a ponto de ter sido criada na

    18 Artigo/resposta redigido por Samuel Nystrn, publicado na 1 quinzena do ms de janeiro de 1947. Transcrio integral (Daniel, 2004, p. 224). 19 Retratao do Ministrio da Igreja Assemblia de Deus de So Cristvo/Rio de Janeiro publicada na 2 quinzena do ms de janeiro de 1947. Transcrio integral (Daniel, 2004, p. 222). 20 Conveno Geral de 1948, 1949, 1951, 1953, 1955, 1957, 1959 (Daniel, 2004, p. 231-324).

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    CGADB do ano de 1955 (realizada entre os dias 17 e 22 de outubro em Belm/PA),

    uma Comisso Conciliadora para tratar destes problemas que levavam a rompimentos

    pessoais entre os pastores.21

    A Resoluo de Santo Andr

    Quinze anos de silncio fez com que vrios temas inerentes s normas de

    usos e costumes tomassem corpo. medida que antigas dvidas amalgamavam-se s

    j conhecidas, os convencionais encontravam mais dificuldade em ignor-las. O ano de

    1962 marcou o incio de uma gradativa volta s discusses sobre itens normativos nas

    reunies convencionais. Na 17 CGADB, realizada pela Assemblia de Deus da cidade

    de Recife, foi pauta de debate a utilizao do rdio na evangelizao (Fonseca, 2009a),

    com nfase na criao de um programa oficial da Igreja numa potente emissora, assunto

    de controvrsias e de difcil consenso. Em 1968, os anticoncepcionais22 e a televiso

    foram temas de destaque na CGADB realizada em Fortaleza/CE.

    Semelhante tendncia seguiu a dcada de 1970, principalmente a partir de

    1973, onde novamente a televiso teria lugar de destaque nas sesses convencionais. As

    reunies voltavam a cair nas infindveis propostas, respostas e contra-respostas, to

    dispendiosas ao bom andamento dos trabalhos. Eram querelas como as da reunio de 24

    de janeiro de 1973, ocasio em que alguns pastores rechaaram a oposio to ferrenha

    TV por parte de alguns ministros em enfrentamento a um grupo de opositores que

    provocavam sria polmica ao acusarem alguns pastores que possuam o aparelho em

    suas casas, cobrando medidas duras de punio (Fonseca, 2009).

    Desse modo, em mais de dez anos os encontros da CGADB, viam retornar ao

    bojo das discusses a to indesejada pauta dos usos e costumes. De forma parcelada e

    fragmentada os debates se seguiam sem concluses consensuais e sem a elaborao de

    uma resoluo especfica que pontuasse de maneira detalhada todas as regras que

    compreendesse os usos e costumes assembleianos.

    No entanto, passados 29 anos da publicao do artigo/resposta redigido por

    Samuel Nstron, condenando a criao de leis, os abusos e a rigidez doutrinria,

    21 Conveno Geral das Assemblias de Deus de 1955 (Daniel, 2004, p. 303). 22 Na tarde de 25 de novembro de 1968, foi levantada a questo sobre a utilizao de plulas anticoncepcionais. Conforme atesta a ata desta reunio, ao ser interrogado pelo presidente, o plenrio por unanimidade declarou: que no se permita, absolutamente. (Ata da reunio de 25 de setembro de 1968. Transcrio (Daniel, 2004, p. 391).

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    Geziel Nunes Gomes leu, a pedido do pastor presidente da CGADB, Tlio de Barros

    Almeida, uma resoluo com propostas de normas de usos e costumes das

    Assemblias de Deus no Brasil. O palco desta resoluo foi o encontro de 1975,

    realizado na cidade de Santo Andr, entre os dias 20 e 24 de janeiro, da o nome pelo

    qual ficou conhecido esse documento histrico para a igreja: Resoluo de Santo

    Andr. Seu contedo reunia muito dos debates de 45 anos de encontros da liderana

    assembleiana e vrias regras que j vinham sendo praticadas pelos membros desde os

    primrdios da Assemblia de Deus no Brasil. Dado o desgaste dos temas que a

    integrava, a Resoluo foi aprovada sem grandes dificuldades no dia 22 de janeiro com

    o seguinte contedo:

    E ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e separai-vos dos povos, para serdes meus (Lv 20.26). A Conveno Geral das Assemblias de Deus no Brasil, reunida na cidade de Santo Andr, Estado de So Paulo, reafirma o seu ponto de vista no tocante aos sadios princpios estabelecidos como doutrinas na Palavra de Deus - a Bblia Sagrada - e conservados como costumes desde o incio desta obra no Brasil. Imbuda sempre dos mais altos propsitos, ela, a Conveno Geral, deliberou pela votao unnime dos delegados das igrejas da mesma f e ordem em nosso pas, que as mesmas igrejas se abstenham do seguinte: 1. Uso de cabelos crescidos, pelos membros do sexo masculino; 2. Uso de traje masculino, por parte dos membros ou congregados, do sexo feminino; 3. Uso de pinturas nos olhos, unhas e outros rgos da face; 4. Corte de cabelos, por parte das irms (membros ou congregados); 5. Sobrancelhas alteradas; 6. Uso de mini-saias e outras roupas contrrias ao bom testemunho da vida crist; 7. Uso de aparelho de televiso convindo abster-se, tendo em vista a m qualidade da maioria dos seus programas; absteno essa que justifica, inclusive, por conduzir a eventuais problemas de sade; 8. Uso de bebidas alcolicas. 23

    Evidentemente, a Resoluo de Santo Andr no tinha o mesmo tom carregado

    da Resoluo de So Cristvo. Mas, ao compar-las, pode-se notar que a grande

    mudana est na forma, de certo modo eufmica, em que as regras foram apresentadas.

    recomendao de So Cristvo: No ser permitido a nenhuma irm

    membro desta igreja raspar sobrancelhas, cabelo solto, cortado, tingido, permanente ou

    outras extravagncias de penteado, conforme usa o mundo, mas que se penteiem

    simplesmente como convm s que professam a Cristo como Salvador e Rei. Santo

    Andr substitui pela proibio do Corte de cabelos, por parte das irms (...) uso de 23Resoluo de Santo Andr. Transcrio integral (Daniel, 2004, p. 438).

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    pinturas nos olhos, unhas e outros rgos da face e sobrancelhas alteradas. Quanto

    aos vestidos suficientemente compridos para cobrir o corpo com todo o pudor e

    modstia, sem decotes exagerados e as mangas compridas fala-se em proibio do uso

    de traje masculino, por parte dos membros ou congregados, do sexo feminino. Se a

    igreja de So Cristvo recomendava s irms o uso de meias, especialmente as esposas

    dos pastores, ancios, diconos, professoras de Escola Dominical os convencionais de

    Santo Andr proibiram o uso de mini-saias e outras roupas contrrias ao bom

    testemunho da vida crist.

    A resoluo de Santo Andr trouxe ainda trs tpicos no mencionados na

    rechaada Resoluo de So Cristvo: a proibio do uso de cabelos crescidos, pelos

    membros do sexo masculino, de aparelho de televiso e bebidas alcolicas.

    Se a idia principal da liderana era afastar das reunies as longas horas de

    debates sobre os temas de usos e costumes e os serissimos embates entre pastores; a

    Resoluo de Santo Andr obteve total xito, pelo menos at o final dos anos 80,

    conforme se pode perceber nas atas das oito convenes que se seguiram, houve uma

    ausncia de discusses acerca de temas normativos (Daniel, 2004). O fato que sobre

    nova roupagem, a Resoluo de Santo Andr mantinha muito dos traos da Resoluo

    de So Cristvo que outrora foram rebatidos pela CGADB, mas diferenciava-se num

    aspecto central: fora desenvolvida por pastores amparados pela CGADB, ao contrrio

    do texto de So Cristvo, assinado por um grupo que, apesar de acumularem prestgio

    junto Conveno Geral, no tinha a liberdade de ditar normas de conduta aos seus

    fiis.

    Consideraes Finais

    Devido ao seu rpido desenvolvimento e multiplicao de igrejas

    proporcionada por seu modelo de evangelizao24 inmeros grupos surgiram no seio da

    Assemblia de Deus. Com isso, as relaes de poder que, conforme aponta Bourdieu,

    permeia o contato entre os agentes, foram gerando disputas entre os pastores que

    24Segundo Fbio Perboni, a prtica movedia de evangelizao desempenhou um papel central na expanso da AD e vem sendo utilizada ainda hoje com sucesso, uma vez que as pessoas, geralmente recm convertidas, so incentivadas a falar das doutrinas da igreja para outros grupos e outros indivduos (...) essa prtica de se reunir na esfera privada domiciliar, convidando parentes e amigos para as oraes, permitiu uma interlocuo direta entre um membro e os virtuais adeptos, criando oportunidades para a insero eclesial e a formao de ncleos baseados numa relao de igualdade entre os dirigentes do culto [que nem sempre era um pastor] e os fiis (Perboni, 2000, p. 165).

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    lutavam pelo controle dos bens de salvao. Assim, a Assemblia de Deus enfrentou

    constantes rixas entre grupos, caracterizando uma forte luta interna, que em muitos

    momentos preocupava a liderana assembleiana muito mais do que a concorrncia

    por parte de outras denominaes.

    Ao tentar implantar um conjunto de normas de usos e costumes revelia da

    CGADB, a liderana de So Cristvo ao mesmo tempo em que buscava demarcar uma

    conduta que caracterizaria o assembleiano congregado igreja de So Cristvo, estava

    se investindo de um poder que cabia somente ao corpo de especialistas devidamente

    reconhecidos pela CGADB. Ou seja, o que estava em jogo era muito mais do que a

    conduta dos fiis, mas sim a luta da liderana pela administrao do sagrado. Ao

    desconsiderar a Resoluo de So Cristvo, a CGADB toma as rdeas do controle

    reafirmando o monoplio da normatizao. Dessa forma, descredenciou a participao

    de grupos isolados nos assuntos relacionados ao sagrado e demonstrou que nenhum

    debate poderia ser empreendido sem o respeito hierarquia eclesistica. J a Resoluo

    de Santo Andr, mesmo que ainda mantivesse muitos traos de conservadorismo da

    Resoluo de So Cristvo, foi aceita em unanimidade, pois foi formulada por agentes

    ligados CGADB, investidos, portanto, do poder de controlar os bons usos e

    costumes dos fiis assembleianos.

    Fontes Artigo/resposta redigido por Samuel Nystrn, publicado na 1 quinzena do ms de

    janeiro de 1947. Transcrio integral In: DANIEL, Silas. Et al. Histria da Conveno

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    Silas. Et al. Histria da Conveno Geral das Assemblias de Deus no Brasil. Rio de

    Janeiro: CPAD, 2004. p. 218-219.

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    Conveno Geral das Assemblias de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. p.

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    Retratao do Ministrio da Igreja Assemblia de Deus de So Cristvo/Rio de Janeiro

    publicada na 2 quinzena do ms de janeiro de 1947. Transcrio integral In: DANIEL,

    Silas. Et al. Histria da Conveno Geral das Assemblias de Deus no Brasil. Rio de

    Janeiro: CPAD, 2004. p. 222.

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