Revoluo Industrial - Uma Visao Liberal

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    01-Sep-2015

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Revoluo Industrial

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  • GRUPO DE ESTUDOS LIBERALISMO E DEMOCRACIA

    G.E.L.D.

    REVOLUO INDUSTRIAL:

    UMA VISO LIBERAL

    2014

  • HUGO CASSAROTTI1

    1 Graduado em Histria pela Universidade Norte do Paran (Unopar) e graduando em Cincias Sociais

    pela Universidade Estadual de Londrina (UEL).

  • SUMRIO

    1.INTRODUO..............................................3

    2. O PROCESSO HISTRICO DO DESENVOLVIMENTO DO

    INDUSTRI..................................................3

    2.1. OS ANTECEDENTES DA DITA REVOLUO

    INDUSTRIAL...............................................3

    2.2. A DIVISO DO

    TRABALHO..................................................4

    2.3. O PIONEIRISMO

    BRITNICO.................................................6

    2.4. AS DIFICULDADES ENFRENTADAS PELA BURGUESIA PARA O

    DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA

    FABRIL....................................................7

    3. CONSIDERAES SOBRE O IMPACTO SOCIAL DA REVOLUO

    INDUSTRIAL................................................8

    3.1. HISTRIA E

    INTERPRETAO.............................................8

    3.2. A CONDIO DE VIDA DOS TRABALHADORES

    URBANOS...................................................8

    3.3. UMA NOVA VISO SOBRE OS

    FATOS.....................................................9

    4.CONCLUSO..............................................11

    REFERNCIAS

    BIBLIOGRFICAS...........................................13

  • 1. INTRODUO

    O presente trabalho tem por objetivo resgatar o

    processo histrico do desenvolvimento do sistema fabril,

    resultando na dita Revoluo Industrial, buscando

    reinterpreta-la sob uma tica distinta. Basicamente, ser

    feito um revisionismo acerca das consequncias sociais aps

    o estabelecimento do industrialismo moderno.

    Efetivamente, boa parte da historiografia de

    influncia marxista, d grande destaque Revoluo

    Industrial como sendo uma evidncia emprica do carter

    explorador do sistema capitalista. Nesse sentido, este

    trabalho busca uma nova interpretao dos fatos, pautada no

    revisionismo histrico sobre o tema feito pelo economista

    austraco Ludwig von Mises.

    2. O PROCESSO HISTRICO DO DESENVOLVIMENTO DO

    INDUSTRIALISMO

    2.1. Os antecedentes da dita Revoluo Industrial

    Durante os reinados de George III e George IV,

    nos anos de 1760 a 1830, convencionou-se entre os

    historiadores, que este perodo demarca temporalmente a

    dita Revoluo Industrial. Inobstante, como ser

    demonstrado neste trabalho, a histria do industrialismo

    moderno, ou melhor, a transio do modelo medieval de

    produo para o sistema de livre iniciativa, foi um longo e

    lento processo.

    A partir do sc. XIII na Europa ir surgir um

    terceiro grupo margem das relaes entre senhores e

    servos do modelo feudal da poca, que mais tarde se tornar

    o mais influente da sociedade europeia. Tomando-se de

    emprstimo a terminologia marxista, trata-se da

  • burguesia. Inicialmente, este grupo se dedicou,

    sobretudo, ao comrcio e atividades financeiras muitos

    burgueses eram banqueiros.

    Por meio de atividades comercias e financeiras, a

    burguesia mercantil enriqueceu-se, alcanando posio de

    destaque na sociedade. Com certo capital acumulado, os

    burgueses passaram a fazer ainda que timidamente neste

    momento alguns investimentos no processo produtivo.

    Destarte, num primeiro momento, compravam matrias-primas e

    entregavam-nas a artesos em suas oficinas, fazendo-lhes

    encomendas, para posteriormente revend-las.

    Este estgio de produo, ainda pr-industrial

    explica-se pelo fato de as condies institucionais

    vigentes, no possibilitarem uma produo mais dinmica.

    Dito de outro modo, existiram no perodo medieval

    associaes que organizavam e regulamentavam o processo

    produtivo, eram chamadas de guildas ou corporaes de

    ofcio2. Eram responsveis por: determinar as regras para o

    ingresso nas profisses; regulamentar as relaes

    hierrquicas entre mestres e subordinados; determinar a

    qualidade e preo das mercadorias, entre outras

    atribuies.

    Por conseguinte, a burguesia no contou com a

    liberdade mercantil necessria no incio de suas atividades

    concernentes produo. Enfrentou as barreiras impostas

    pelas guildas, principalmente com a inviabilidade da

    concorrncia de mercado, j que estas determinavam um mesmo

    padro de qualidade aos produtos e fixavam os preos.

    No obstante s dificuldades impostas pelas

    guildas, paulatinamente a burguesia conseguiu dinamizar a

    produo. Comearam a reunir artesos num mesmo local,

    fornecendo-lhes as matrias-primas e as ferramentas

    2 Surgidas a partir do sc. XII, eram associaes que se prestavam a regulamentar o processo de

    produo artesanal.

  • necessrias produo dos itens encomendados.

    Consequentemente, estabeleceram-se mesmo que de forma

    embrionria as primeiras relaes trabalhistas, visto

    que, esses artesos passaram a ser trabalhadores, pois j

    no vendiam mais seus produtos, mas sim trabalhavam por um

    salrio. Assim, pois, a burguesia conseguiu aumentar a

    produtividade e reduzir custos, maximizando seus lucros.

    Com efeito, este novo modelo de produo deu

    origem s primeiras manufaturas, dizer, s primeiras

    unidades de produo capitalista, com emprego de mo-de-

    obra assalariada. Embora tenha variado temporalmente e de

    um lugar para outro, por volta do sc. XVI, na Inglaterra,

    j existiam manufaturas com mais de seiscentos

    trabalhadores3.

    2.2. A diviso do trabalho

    O processo de transio do modelo de produo

    medieval para o modelo industrial passando pelo estgio

    das manufaturas foi lento, gradual. Entretanto, um fator

    ir alterar drasticamente os processos produtivos.

    Aos poucos, os capitalistas vo introduzir uma

    nova organizao do trabalho. Ao invs de produzir

    integralmente o artigo, o trabalhador se encarregar apenas

    de uma das etapas da produo. Tem-se, portanto, da diviso

    social do trabalho.

    Inegavelmente, a diviso social do trabalho

    trouxe prosperidade material sem procedentes s economias

    assim organizadas. Desse modo, a produo se tornou muito

    mais eficiente, com aumento exponencial de produtividade,

    melhorias significativas de qualidade, menores preos e

    maior lucratividade.

    3 SERIACOPI, Gislane Campos Azevedo. Histria: volume nico. 1. Ed. So Paulo: tica, 2005.

  • Alm disso, o vindouro processo de mecanizao a

    motor com o advento da mquina a vapor, tendo como marco

    sua utilizao pela The Foudry Soho4, em 1775 na Inglaterra

    que revolucionar decisivamente o processo produtivo,

    promovendo ainda mais produtividade em menos tempo, maior

    lucratividade e menores preos, s foi possibilitado graas

    diviso do trabalho, sendo sua consequncia, no sua

    causa.

    Como demonstra von Mises (von MISES, 2010, pg.

    205):

    A diviso do trabalho divide os vrios processos de

    produo em tarefas mnimas, muitas das quais

    podendo ser realizadas por dispositivos mecnicos.

    Este fato tornou possvel o uso de mquinas e

    provocou o assombro progresso das tcnicas de

    produo. A mecanizao fruto da diviso do

    trabalho, sua consequncia mais benfica, e no sua

    causa e sua fonte. A maquinaria especializada

    movida a motor s poderia ser empregada num

    ambiente social onde predominasse a diviso do

    trabalho. Cada avano na direo do uso de mquinas

    exige uma maior especializao das tarefas.

    Desta forma, no foram as mquinas que promoveram

    a diviso do trabalho, como afirmam historiadores grande

    parte embasados no materialismo histrico-dialtico. Esta

    fruto da ao humana consciente visando o bem-estar e maior

    conforto material ante multiplicidade de condies

    naturais

    Contudo, a diviso do trabalho ainda produziu

    outros efeitos benficos sociedade. Provocou a expanso

    do mercado de trabalho, que por sua vez, reduziu o

    desemprego e aumentou a circulao de dinheiro na economia,

    proporcionando o consumo das mercadorias produzidas.

    Outrossim, a diviso do trabalho tornou o

    trabalhador um especialista, de acordo com von Mises (von

    MISES, 2010, pg. 205):

    4 [...] a primeira mquina a vapor saiu das fbricas de Soho, em 1775, destinando-se a uma mina de

    carvo. (NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso do direito do Trabalho: histria e teoria geral do direito: relaes individuais e coletivas do trabalho . 18. Ed. Ver. Atual. So Paulo: Saraiva, 2003, pg. 10.)

  • Mais importante ainda o fato de que a diviso do

    trabalho intensifica a desigualdade inata dos

    homens. O treinamento e a prtica de tarefas

    especficas ajustam melhor os indivduos s

    exigncias de suas atividades; os homens

    desenvolveram algumas de suas faculdades inatas e

    tolhem o desenvolvimento de outras. Surgem s

    vocaes, as pessoas se tornam especialistas.

    Factualmente, somente por meio de um sistema de

    produo organizado sob a diviso social do trabalho,

    possvel ao indivduo especializar-se em determinada

    atividade e, em ltima anlise, podendo desempenhar uma

    funo de acordo com suas vocaes, talentos e

    potencialidades.

    2.3. O pioneirismo britnico

    Uma das grandes questes suscitadas no tocante

    Revoluo Industrial o fato de ela ter se iniciado da

    Inglaterra, quais seriam as causas, pois, do pioneirismo

    britnico?

    No incio do sc. XVIII a Inglaterra era o pas

    mais rico do Mundo. Dispunha de jazidas de carvo e ferro

    commodities essncias ao desenvolvimento do industrialismo

    alm de contar com boa infraestrutura, como estradas

    interligando seu territrio e portos para escoar a

    produo.

    Outro fator de destaque, que o pas contava com

    a mais poderosa marinha do planeta, garantindo-lhe

    supremacia naval, o que lhe proporcionava supremacia sobre

    demais pases competidores no comrcio internacional.

    Tambm, a Inglaterra possua mercados consumidores em suas

    colnias na Amrica e sia e frica no sculo seguinte.

    Outro fator importante de aspecto religioso,

    desde o rompimento do rei Henrique VIII com o papado e a

    criao do anglicanismo, a burguesia no enfrentou os

  • empecilhos que a Igreja Catlica impunha atividade

    empresarial, condenando os lucros e juros.

    2.4. As dificuldades enfrentadas pela burguesia para o

    desenvolvimento do sistema fabril

    Embora a Inglaterra tenha reunido condies

    favorveis ao desenvolvimento do industrialismo, isso no

    significa que para aos primeiros proprietrios de fbricas

    tenha fcil estabelecer sua atividade.

    O sistema fabril se desenvolveu tendo de

    enfrentar inmeros obstculos. Por ser uma atividade nova,

    os primeiros proprietrios de fbricas no tinham

    experincia muitos deles por este motivo faliram , e a

    obteno de crdito era difcil. As guildas tambm

    impuseram grandes entraves no desenvolvimento fabril.

    Conforme von Mises (von MISES, 2010, pg. 706):

    O sistema fabril desenvolveu-se, tendo de lutar

    incessantemente contra inmeros obstculos. Teve de

    combater o preconceito popular, os velhos costumes

    tradicionais, as normas e regulamentos vigentes, a

    m vontade das autoridades, os interesses

    estabelecidos dos grupos privilegiados, a inveja da

    guildas. O capital fixo das firmas individuais era

    insuficiente, a obteno de crdito extremamente

    difcil e cara. Faltava experincia tecnolgica e

    comercial. A maior parte dos proprietrios de

    fbricas foi bancarrota; comparativamente, foram

    poucos os bem-sucedidos. Os lucros, s vezes, eram

    considerveis, mas as perdas tambm o eram. Foram

    necessrias muitas dcadas para que se

    estabelecesse o costume de reinvestir a maior parte

    dos lucros e a consequente acumulao de capital

    possibilitasse a produo em maior escala.

    Nesse sentido, inobstante estas dificuldades, o

    desenvolvimento do industrialismo e o conseguinte

    capitalismo industrial pode ser atribudo s teorias dos

    economistas adeptos da filosofia do laissez-faire, que

    comearam a demonstrar que um sistema econmico baseado na

    liberdade mercantil, diviso do trabalho, contratualismo,

    entre outros fatores, era mais eficiente que o

    mercantilismo.

  • 3. CONSIDERAES SOBRE O IMPACTO SOCIAL DA REVOLUO

    INDUSTRIAL

    3.1. Histria e interpretao

    A histria social nada mais que um compilado de

    fatos e dados relativos ao humana e social. No

    obstante, so as teorias no histricas por exemplo, a

    filosofia, a economia, poltica, sociologia, direito,

    cincias naturais, etc. que fornecero histria

    explicaes causais dos fatos histricos. Dito de outro

    modo, uma narrativa histrica baseada to somente em fatos

    como a historiografia tradicional pode mostrar apenas

    aquilo da forma que , mas no diz nada sobre o porqu de

    ser dessa maneira.

    Desse modo, a teoria que dar vida histria,

    por meio da teoria que explicaes causais so obtidas.

    a teoria o elo entre os fatos. Por consequncia, a

    historiografia a interpretao dos fatos histricos

    permeada por teorias no histricas.

    Nesse sentido, os historiadores vo divergir,

    majoritariamente, no sobre os fatos histricos embora o

    possam , mas sim sobre as teorias utilizadas e

    interpretaes subsequentes.

    Isso posto, este trabalho tem por objetivo uma

    nova interpretao dos fatos relativos Revoluo

    Industrial e seus impactos sociais.

    3.2. A condio de vida dos trabalhadores urbanos

  • Nas primeiras dcadas da Revoluo Industrial,

    o padro de vida dos trabalhadores das fbricas era de

    penria. Submetidos a jornadas de trabalho que variavam de

    14 a 16 horas dirias, recebiam salrios baixos que lhes

    garantia o mnimo para sua subsistncia. Muitas vezes, um

    trabalhador no tinha condies de sustentar sua famlia,

    assim, sua mulher e seus filhos tambm precisavam trabalhar

    recebendo salrios inferiores ao do homem.

    O excedente de mo-de-obra advinda do campo

    reduzidos extrema misria com a apropriao das terras

    foi absorvido nas cidades pelas modernas fbricas. Com

    efeito, as condies de vida nas cidades se tornaram

    deplorveis. Suas habitaes no tinham condies

    sanitrias mnimas, favorecendo a contrao e propagao de

    doenas.

    O ambiente de trabalho, outrossim, era insalubre

    e de alta periculosidade para os que manejavam as mquinas.

    Muitos acidentes ocorriam com os trabalhadores no

    desempenho de suas atividades sendo dispensados, caso no

    pudessem trabalhar mais.

    3.3. Uma nova viso sobre os fatos

    deplorvel que tal situao existisse. No

    obstante, suas causas remontam no ao sistema capitalista

    em si, mas ao perodo pr-capitalista, onde a situao era

    ainda pior.

    As condies de vida que antecederam Revoluo

    Industrial eram insatisfatrias. A produo pr-

    capitalista j no atendia a uma demanda crescente, em

    virtude do aumento populacional. Nem o campo, nem as

    guildas conseguiam absorver o excedente de mo-de-obra.

    Como demonstra von Mises (von MISES, 2010, pgs.

    705-706):

  • O sistema social tradicional no era

    suficientemente elstico para atender s

    necessidades de uma populao em contnuo

    crescimento. Nem a agricultura nem as guildas

    conseguiam absorver a mo de obra adicional. A vida

    mercantil estava impregnada de privilgios e

    monoplios; seus instrumentos institucionais eram

    as licenas e as cartas patentes; sua filosofia era

    a restrio e a proibio de competio, tanto

    interna como externa. O nmero de pessoas margem

    do rgido sistema paternalista de tutela

    governamental cresceu rapidamente; eram

    virtualmente prias. A maior parte delas vivia,

    aptica e miseravelmente, das migalhas que caam

    das mesas das castas privilegiadas. Na poca da

    colheita, ganhavam uma ninharia por um trabalho

    ocasional nas fazendas; no mais, dependiam da

    caridade privada e da assistncia municipal.

    Milhares dos mais vigorosos jovens desse estrato

    social alistavam-se no exrcito ou marina de Sua

    Majestade; muitos deles morriam ou voltavam

    mutilados dos combates; muitos morriam, sem glria,

    em virtude da dureza de uma barbada disciplina, de

    doenas tropicais e de sfilis.

    Com a Revoluo Industrial e o sistema fabril,

    as fbricas proporcionaram trabalho s massas pobres, que

    conseguiam garantir seu sustento.

    Um fato muito importante a se destacar, que os

    proprietrios de fbricas no tinham poderes para obrigar

    ningum a aceitar trabalho em suas instalaes. Apenas

    podiam contratar pessoas que aceitassem trabalhar pela

    quantia que lhes era oferecida. Contudo, mesmo que os

    salrios fossem baixos, eram mais que poderiam ganhar do

    que em outro lugar. Noutras palavras, as fbricas foram a

    salvao dessas pessoas de literalmente morrer de fome.

    Opostamente, poder-se-ia culpar os donos das

    fbricas por esta deplorvel situao. No obstante, como

    j mencionado anteriormente, a situao foi gerada pelo

    sistema que antecedeu Revoluo Industrial.

    Na verdade, a ideologia do laissez-faire e a

    Revoluo Industrial romperam com as instituies que

    impediam o progresso das massas. Demoliram a ordem social

    na qual um nmero cada vez maior de pessoas estava

    condenado a uma pobreza e a penria humilhante. (von Mises,

    2010, pg. 707)

  • Logicamente, este progresso e o bem-estar geral

    promovidos pela Revoluo Industrial foram paulatinos.

    Com efeito, a melhoria do padro de vida se explica no fato

    de que o sistema fabril produzia para as massas. Os donos

    de fbricas s poderiam lucrar e enriquecer, caso

    conseguissem atender as necessidades das massas, oferecendo

    produtos ao menor preo possvel.

    Conforme von Mises (von MISES, 2010, pg. 708):

    Mas eis que surge um novo princpio: com o sistema

    fabril, tinha incio um novo modo de

    comercializao e de produo. Sua caracterstica

    principal consistia no fato de que os artigos

    produzidos no se destinavam apenas ao consumo dos

    mais abastados, mas ao consumo daqueles cujo papel

    como consumidores era, at ento, insignificante.

    Coisas baratas, ao alcance do maior nmero possvel

    de pessoas, era o objetivo do sistema fabril.

    O fato que as fbricas que supostamente

    exploravam os trabalhadores pagando-lhes salrios de

    subsistncia, produziam justamente para atender as demandas

    dos prprios trabalhadores. A Revoluo Industrial,

    portanto, ficou marcada na histrica por ter dado inicio a

    uma produo massiva para atender s necessidades das

    massas.

    A melhoria exponencial do padro de vida das

    massas deve-se filosofia do liberalismo clssico e da

    Revoluo Industrial. Na lgica do capitalismo laissez-

    faire a prosperidade gerada atravs do aumento da

    produtividade marginal. Isto possvel apenas com acumulo

    privado de capital, e o aumento de investimentos em bens de

    capital e o progresso tecnolgico consequente.

    O sindicalismo e as leis trabalhistas no foram

    responsveis pelo aumento gradativo do padro de vida das

    massas. Os sindicatos, enquanto exigiam o justo, eram

    suprfluos. A partir do momento que pressionavam por

    salrios maiores e demais benefcios, o conseguiam

    artificialmente. Em outras palavras, o empresrio no era

    onerado com os aumentos de salrios, ele repassava o

  • montante referente ao aumento salarial e benefcios, ao

    preo final de seus produtos. Seus concorrentes procediam

    da mesma maneira. Finalmente, no resultava em ganho real

    aos trabalhadores, j que mesmo com os salrios maiores, os

    preos tambm subiam. dizer, o trabalhador tambm

    consumidor.

    4. CONCLUSO

    Inegavelmente a Revoluo Industrial e o

    capitalismo promoveram prosperidade geral sem precedentes

    para humanidade. Igualmente inegvel o fato de que em

    seus primrdios, a condio de vida dos trabalhadores era

    deplorvel. Infelizmente, muitos historiadores, socilogos,

    economistas, enfim, interpretaram este fato como sendo uma

    caracterstica intrnseca do capitalismo, tendo

    supostamente por prova emprica a dita Revoluo

    Industrial.

    Por outro lado, economistas adeptos da filosofia

    do liberalismo laissez-faire e com novas abordagens

    metodolgicas, como o austraco Ludwig von Mises,

    procuraram fazer um revisionismo deste momento histrico,

    demonstrando que foram justamente o liberalismo, a diviso

    do trabalho, a Revoluo Industrial, entre outros

    fatores, que possibilitaram a libertao das massas,

    outrora subjugadas por relaes servis, onde mal tinham

    liberdade sobre si mesmas.

    Pelo exposto, a partir da Revoluo Industrial,

    com a lgica do liberalismo laissez-faire, de produo

    massiva, ao menor preo possvel, que promoveu uma quase

    ininterrupta melhoria de vida das massas. Mais alm,

    promoveu prosperidade geral crescente que permitiu um

    aumento demogrfico sem precedentes.

  • 5. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Curso do Direito do trabalho:

    histria e teoria geral do direito: relaes individuais e

    coletivas do trabalho. 18. ed. rev. e atual. So Paulo:

    Saraiva, 2003.

    von MISES. Ao Humana: um tratado de economia. 3.1 ed.

    So Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010.