Revista Agro&Negocios 26 Edio

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    01-Apr-2016

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    editorial

    Por Tssia Fernandes e Luana Loose Pereira

    Seis meses j se passaram e parece que foi on-tem. A frase clich, mas, quem nunca lamentou a rpida passagem do tempo? Como questionaria Kerry Johnson: Precisamos de mais tempo ou precisamos ser mais disci-plinados com o tempo que temos?...

    Talvez a impresso da passagem acelerada da primeira etapa do ano seja por conta da quantidade de eventos registrados no calendrio. Carnaval, Pscoa con-jugada com o feriado de Tiradentes e Corpus Christi. Pela frente ainda temos Copa do Mundo e Eleies.

    Como afirmaria um velho conhecido: Com tantas pausas, 2014 parece ser um ano facultativo. Felizmente, apenas modo de falar. Na prtica, segue bem movimenta-do. Alis, um ano que comeou embalado pelas manifes-taes de 2013, no poderia fugir do compasso e, nesta edio, ns mostramos que os questionamentos, as dvi-das e as reivindicaes continuam.

    O grito que ecoou nas ruas, agora vem do campo. Queremos um agronegcio padro Fifa. Entre os gar-galos que so recorrentes todos os anos, a qualidade da distribuio de energia eltrica o destaque desta vez e voc confere nas prximas pginas uma matria comple-ta sobre o assunto.

    A chegada do meio do ano para os agricultores a reta final de mais uma etapa de cultivo. Enfim, o ano agrcola vira e o planejamento comea a ser direcionado para a safra 2014/15. De um lado, o alvio para a classe, que nos primeiros meses do ano enfrentou alguns percal-os, desde a estiagem prolongada at o excesso de chuvas em perodos que prejudicaram a safra de vero. Do outro, mais um motivo para questionar: a divulgao do Plano Safra, que agradou poucos e desagradou muitos e est entre os assuntos abordados nesta edio.

    Voc tambm confere uma anlise do mercado de gros, no artigo de Liones Severo; da pecuria de corte, por Lygia Pimentel; novidades sobre o combate ferru-gem da soja, no artigo do professor Luis Henrique Carre-gal; sobre o mofo branco do feijo, pela equipe do Labora-trio Farroupilha e a viso da dra. Lorena Ragagnin, sobre o Marco Civil da internet. No Caf com o Empresrio, um bate-papo com o presidente da Comigo, Antnio Chavaglia e, para completar o recheio, uma matria especial sobre a criao de rs.

    Boa Leitura a todos! E que venha o prximo semes-tre!

    ndice

    direTor adminisTraTivo: Francis Barros

    direo de arTe: allan Paixo

    rePorTagem e edio:Tssia Fernandes | 2703/goLuana Loose Pereira | 15679/rs

    arTe e design: dayner Costa

    ComerCiaL:Juliana FoersterWilliam garcia

    edio 26 | ano 2014 | a&F ediTora

    64 3636-4113rua napoleo Laureano, n 622st. samuel graham - Jata - goisCnPJ: 13.462.780/0001.33

    arTigos:Jose Luis TejonLygia PimentelLiones severoFesurv - rio verde.

    ConTaTo: contato@agroenegocios.com.brcomercial@agroenegocios.com.brluana@agroenegocios.com.brtassia@agroenegocios.com.brallanpaixao@vozpropaganda.com.brfrancisbarros@vozpropaganda.com.br

    impresso: PoligrficaTiragem: 5.000

    distribuio dirigida: Jata, rio verde, mineiros, Chapado do Cu, montividiu, goinia, acrena e Quirinpolis.

    a revista agro&negcios no se responsabiliza pelos conceitos e opinies presentes nos encartes publicitrios, anncios, artigos e colunas assinadas.

    siTe e rede soCiaL:www.agroenegocios.com.brfacebook.com/agroenegocios

    64 3636 4113Anuncie!

    contato@agroenegocios.com.br

    giro de noTCias | 12CaF Com emPresrio: anTnio ChavagLia | 16FeiJo: ao ConTra o moFo BranCo | 32CaPa: agronegCio Padro FiFa? | 38Criao de rs: negCio LuCraTivo | 50energia eLTriCa: FaLTa de invesTimenTos | 60

    ARTIGOS

    soJa: anLise ConTexTuaLizada da CommodiTy | 20

    Ferrugem: ProBLema de segurana naCionaL | 56

    merCado do Boi: em 2014, merCado no Tem Freio, ser? | 66

    agronegCio: Crise na euroPa CoLoCa o seTor em evidnCia | 70

    PaineL JurdiCo: marCo CiviL enTra em vigor | 72

    Leve essa ideia com voc:

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    aGenda

    AGROemPreender a sada

    Escrito por Jos Mrio Schreiner, ex-presidente da Federa-o da Agricultura e Pecuria de Gois (Faeg), o livro trata da importncia da fora de vontade e da determinao para superar as dificuldades a partir da inteligncia. Com lingua-gem simples, o livro dividido em 50 histrias que podem ser lidas de forma individual. As dicas so para quem preten-de se arriscar a empreender, independente da idade ou da situao financeira. A distribuio da edio gratuita.

    Onde encontrar: http://www.sistemafaeg.com.br

    NeGcIOSa menina do vaLe

    O Livro escrito por Bel Pesce, fenmeno da internet, com mais de 500 mil downloads da verso on-line em um ms, agora est disponvel na verso impressa. No livro, Bel con-ta o que tem aprendido em sua jornada empreendedora e cita diversos casos de sucesso. So histrias cativantes, que mostram que tudo possvel quando h uma boa ideia e muita dedicao.

    Onde encontrar: http://www.ameninadovale.com

    conectado

    42 exPaJa

    Quando: 16 a 22 de junho de 2014Onde: Parque de Exposies de Jata/GOMais informaes: http://www.expaja.com.br

    35 exPomineirosQuando: 28 de junho a 06 de julho de 2014Onde: Parque de Exposies de Mineiros/GOMais informaes: http://www.srmineiros.com.br

    56 exPo rio verde

    Quando: 10 a 20 de Julho de 2014Onde: Parque de Exposies de Rio Verde/GOMais informaes: http://www.exporioverde.com.br

    mega LeiTe 2014

    Quando: 13 a 20 de julhoOnde: Parque Fernando Costa, em Uberaba (MG)Mais informaes: http://www.girolando.com.br

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    Meio aMbienteComigo de JaTa Premiada

    Durante a Tecnoshow, realizada em Rio Verde/GO, a Co-migo promoveu mais uma edio do Prmio Gesto Am-biental Rural. Dez produtores rurais foram premiados por terem desempenhado as atividades agropecurias de ma-neira sustentvel e em equilbrio com a natureza. Jata/GO foi destaque durante a ocasio, por ter a maior quan-tidade de propriedades inscritas. Como reconhecimento pela participao dos produtores, a unidade da Comigo foi premiada, em nome do gerente Reginaldo Martins Pires.

    Foto: Divulgao Comigo

    Foto: Fredox Carvalho

    Pib Goianodez Primeiros CoLoCados reCeBem Premiao

    Os dez municpios com o maior PIB de Gois foram pre-miados em evento realizado pelo Jornal O Popular, em parceria com a Faeg. Os municpios classificados foram, respectivamente, Goinia, Anpolis, Aparecida de Goi-nia, Rio Verde, Catalo, Senador Canedo, Itumbiara, Jata, Luzinia e So Simo. Os mais representativos do agro-negcio tambm foram premiados: Rio Verde, Jata, Cris-talina, Chapado do Cu, Mineiros, Ipameri, Quirinpolis, Morrinhos, Montividiu e Catalo. Durante o evento, o ex-ministro da agricultura, Roberto Rodrigues, proferiu pa-lestra com o tema: O Agronegcio e seu impacto no PIB municipal e estadual.

    Giro de notciasPor Tssia Fernandes

    Vazio SanitrioPerodo J Comeou em aLguns esTados

    O Vazio Sanitrio da Soja uma medida adotada para ga-rantir o controle sanitrio das lavouras durante a entres-safra da cultura e prevenir o ataque precoce da ferrugem asitica. Durante o perodo, o produtor fica proibido de cultivar soja e todas as plantas da oleaginosa devem ser eliminadas, at as sojas tigueras, plantas involuntrias que surgem, principalmente, s margens das rodovias. O produtor que descumprir a norma poder pagar multas. Em Mato Grosso, o vazio comeou dia 15 de junho e vai at 15 de setembro. Em Gois, deve comear 1 de julho, seguindo at 30 de setembro.

    Cana de aCarProCessadas 37,98 miLhes de ToneLadas na segunda Quinzena de maio

    O volume de cana-de-acar processado na regio Centro-Sul do Brasil totalizou 37,98 milhes de toneladas na se-gunda quinzena de maio, segundo levantamento da Unio da Indstria de Cana-De-Acar (Unica). Este volume 6,85% superior ao registrado na mesma quinzena da safra 2013/2014 (35,54 milhes de toneladas).De acordo com a Unica, no acumulado desde o incio da atual safra at 1 de junho, a moagem alcanou 117,50 milhes de toneladas de cana-de-acar, praticamente o mesmo valor observado em igual perodo de 2013. Segun-do o diretor tcnico da entidade, Antnio de Pdua Rodri-gues, o recuo do processamento de cana decorre do me-nor nmero de usinas em operao quando comparado safra anterior, aliado s chuvas ocorridas ao final de maio.

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    Agro&Negcios: Em sua opinio, o que o cooperativismo representa hoje para o Brasil?

    Antnio Chavaglia: O cooperativismo no Brasil ele muito importante, porm no ainda to grande como em outros pases. Ns ainda temos algumas regies do pas muito carentes de esclarecimento cooperativista. O centro-oeste muito carente de informao sobre o papel do cooperativismo, mas pode evoluir, vai evoluir cada vez mais, porm precisa de muito trabalho para vislumbrar essa evoluo.

    Agro&Negcios: Fomentar o desenvolvimento das pe-quenas propriedades rurais, principalmente voltadas atividade leiteira um dos objetivos da cooperativa. Para o senhor, que momento estes pequenos produtores de lei-te vivem hoje?

    Antnio Chavaglia: O produtor de leite, no ano passado e este ano, est tendo certo equilbrio na questo de pre-os, mas todos os produtores, seja agricultor ou produtor de leite, tem que saber trabalhar e aplicar as tecnologias que esto disponveis, sem isso ele vai ficar fora da ativi-dade. O pequeno produtor tem condies de sobreviver

    bem, porm tem que estar com a rea bem conduzi-da. Como ele tem muitos animais por hectare, en-

    to precisa fazer piquetes, fazer os tratos para a seca, como a silagem. O produtor deve estar

    preparado para exercer a atividade, parti-cipar das discusses atravs de cursos

    e palestra sobre novas tecnolo-

    gias que esto disposio

    no mercado. possvel se

    manter na atividade possvel, porm os produtores tm que ter na ponta do lpis os custos da atividade, fazen-do isso bem feito todos tem possibilidade de crescer e ter uma boa renda.

    Agro&Negcios: A pecuria de corte tambm o foco da cooperativa. Como o senhor analisa o contexto atual vivido por este setor e quais so as perspectivas para o decorrer deste ano de 2014?

    Antnio Chavaglia: A Pecuria de corte passou por algu-mas grandes dificuldades no decorrer dos ltimos anos. Os preos ficaram deprimidos e o custo foi se elevando e cresceu muito. Alm disso, rea agrcola avanou em rea de pastagens degradadas, no s em Gois, mas em todo o pas o que deu oportunidade dos preos das commodities se elevarem e os produtores mesmo distantes dos portos acabaram entrando na agricultura. Porm agora os preos evoluram um pouco, dando uma condio melhor tanto para quem cria o bezerro como tambm para quem est engordando o animal. Toda a atividade se ela no tiver renda a tendncia ir acabando, ento a cadeia tem que funcionar, o pecuarista tem que ter renda e independen-te do ramo toda a atividade voltada ao agronegcio tem muito risco.

    Agro&Negcios: Na agricultura, as deficincias em logs-tica ainda so alguns dos principais gargalos enfrentados pelos produtores rurais. Em sua opinio, qual seria a so-luo mais vivel para amenizar, a curto, mdio e longo prazo, os impactos da falta de investimentos e recursos para a manuteno da alta produtividade goiana, princi-palmente advinda do sudoeste do estado?

    Antnio Chavaglia: Eu no acredito que em curto prazo, o problema da logstica seja resolvido no pas. Infelizmente,

    o foco das autoridades no este. Ns temos visto a que os investimentos so focados e pressionados, s vezes por acordos, como o caso da copa do mundo, onde o governo j investiu bilhes, trilhes de reais nas estruturas em todo pas e ns produtores continuamos com deficincias por-turias, nas hidrovias e ferrovias e nas prprias rodovias que so de pista simples causando inmeros acidentes. No Mato Grosso fretes que poderiam custar R$ 200,00, paga-mos R$ 300,00 e em Gois, o que poderia ser R$ 120,00 cobrado R$ 180,00, tudo isso est tirando renda do pro-dutor e da sociedade, pois estamos deixando de gerar ren-da aqui na regio. Por todos esses gargalos, o Brasil pode perder condies de competir, ainda mais agora que o go-verno inventou mais uma medida provisria querendo ta-xar as exportaes de soja em 9,35 isso o maior absurdo que eu j ouvi falar dentro do pas, o que representa mais um entrave a ser enfrentado pelo setor que hoje um dos maiores responsveis por sustentar a economia do pas.

    Agro&Negcios: A falta de energia eltrica tem afetado diretamente o desenvolvimento de algumas regies agr-colas. Como o senhor, como gestor, encara esta situao?

    Antnio Chavaglia: Lamentavelmente esta irresponsabi-lidade est muito grande em todo o setor e o eltrico um deles, que traz custo para o produtor que se no tiver um motor perde o leite, perde aves e sunos. A questo ener-gtica deveria ser prioridade h muito anos no Brasil, s vezes, ns at temos energia, mas no temos rede de dis-tribuio e nem subestao. uma vergonha para o pas e eu no acredito que teremos solues em curto prazo.

    Agro&Negcios: Em relao a sobrecarga de taxas e en-cargos sobre o setor agrcola, qual o posicionamento da cooperativa?

    Antnio Chavaglia: A Cooperativa sempre foi contra to-das as cobranas que oneram o produtor e no trazem be-nefcios para a sociedade. Eu sou radicalmente contra es-sas taxas. Essa taxa por rea de soja o maior absurdo, o governo no possui equilbrio e faz gastos descontrolados e a tem que arrecadar mais e vem em cima do setor que

    vem se destacando, com o supervit de 90 bilhes de dla-res, que geramos em 2013, para poder dar o equilbrio na balana comercial. Infelizmente o governo fecha os olhos para isso e vive criando essas taxas inadequadas que so completamente abusivas.

    Agro&Negcios: O clima nas ltimas temporadas vem se mostrando varivel. Em sua opinio, o que os produtores devem esperar para as prximas safras e como a coope-rativa tem se preparado para enfrentar as adversidades climticas?

    Antnio Chavaglia: Em relao questo climtica, ns temos que investir muito ainda em cultivares resistentes seca com enraizamento maior. Essas questes so ainda muito complexas no Brasil, ns vamos demorar um pou-co mais para ter essas cultivares que tenha uma condio de enraizamento melhor. No caso do milho muito srio, porque a raiz da planta muito superficial e perde nutrien-tes muito mais rpido do que a soja, que hoje j possui tecnologia para permitir o enraizamento mais profundo. muito importante ns termos investimentos em tecnolo-gia para dar uma segurana maior para o produtor.

    Agro&Negcios: Este ano um ano poltico, onde sero escolhidos os governantes em nvel estadual e nacional. Qual o posicionamento que o senhor, como representan-te da classe produtora, espera dos polticos a partir deste novo mandato que ir iniciar no prximo ano?

    Antnio Chavaglia: A classe produtora sempre espera que tenha condies de trabalhar e ter renda e, muitas vezes, os dirigentes entram com a fome de arrecadar e deixam em dificuldades os setores que movimentam a economia. Ns esperamos responsabilidade de gesto com foco na sociedade, no com foco poltico, se isso acontecesse no Brasil nos teramos uma sociedade muito bem organizada tanto na rea de educao, sade e tambm de logstica. Se ns tivssemos pelo menos um pouco disso, acredito que a sociedade, seja ela agrcola ou urbana, teria uma condio de vida melhor e isso que esperamos.

    CaF Com emPresrioantnio

    chavaGlia

    Produtor rural desde 1960, Antnio Chavaglia, veio para o estado de Gois com o objetivo de cultivar algodo, logo depois optou por investir tambm em outras culturas, como soja e milho. Com vocao para o agronegcio e esprito coo-perativista, se destacou na administrao da cooperativa COMIGO, a qual ajudou a fundar. Seis anos depois, indicado para se tornar presidente, aceitou o posto, mantendo o compromisso de continuar gerando desenvolvimento e renda para todos os produtores associados. Hoje considerado um cone no setor agropecurio, Antnio Chavaglia, fala sobre os desafios e as perspectivas da atividade no sudoeste do estado de Gois.

    Uma voz de liderana na gesto cooperativa

    Por Luana Loose Pereira

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    uma resenha praGmticado mercado

    soJa

    LIONeS SeveRO

    operador de mercado de commodities agrcolas, consultor de mercado, administrador de risco e palestrante.

    So muitas as perguntas que afligem os produtores rurais, de como se posicionar na atividade com relao s safras futuras e como decidir sobre os altos investimentos ne-cessrios para cada safra que plantam e colhem, alm das preocupaes inerentes da atividade que expe os dois maiores riscos: preo e clima. A histria contempornea das commodities agr-colas se desenha a partir de 1996, com a imposio de uma forte poltica norte-americana de subsdios agri-cultura. Foi uma grande e persistente derrocada dos pre-os para as commodities agrcolas na Bolsa de Chicago, principalmente para a soja, at o ano de 2002, quando terminou aquela poltica de subsdios. Foi um grande e te-nebroso perodo para agricultura brasileira, vencida pela fora e a raa de nossos produtores. Aqueles seis anos de preos deprimidos reduziu o plantio de produtos agrcolas em muitos pases do mun-do. Formou-se, ento, o consenso que os preos elevados para as commodities agrcolas no mais aconteceriam, era uma condio que pertenceu ao passado. Essa m-xima se fortaleceu com advento do mundo global, onde haveria um domnio mais efetivo dos pases desenvolvidos sobre os pases em desenvolvimento. O resultado contra-riou a concepo do mundo global, com mais informaes, os pases emergentes se fortaleceram e na esteira dos preos deprimidos provocados pela poltica americana, que disponibilizou a soja e sua valiosa protena a preos insignificantes para a produo de alimentos base de protena. Favoreceu as populaes que estavam emergin-do, principalmente no eixo do pacfico, onde j havia uma forte recuperao dos tigres asiticos, depois da grande crise econmica de 1997. O ano de 2000 ficou marcado como a primeira vez na histria que o crescimento dos pases emergentes superou o crescimento dos pases de-senvolvidos, fato que permanece at os dias atuais. Nessa esteira, a partir de 1996 no perodo de preos deprimidos, surge a China como importador de soja, que at aquele ano era um modesto exportador. Naquele ano de 1996/7 a China iniciou importando 900.000 t de soja do oci-dente e, atualmente, suas importaes deve-

    ro alcanar cerca de 70 milhes de toneladas, numa cur-va de crescimento que dever se prolongar por algumas dcadas. Em 2002, com a reao dos preos a partir do trmino da poltica de subsdios americana, os chineses me con-trataram. Estavam surpreendidos com o desempenho dos preos da soja, que j no eram to baratos de quando iniciaram a importao de soja em 1996/7. Tornando uma longa histria curta, foram mais de 10 anos de convvio, tendo negociado um volume acima de 20 milhes de tone-ladas de soja, executando com eficcia o complexo proces-so negocial e a administrao desses negcios internacio-nais. A china possui cerca de 120 milhes de hectares de terras agricultveis, totalmente utilizadas. Se optassem em produzir soja, ocupariam 1/3 de sua rea agrcola para produzir 70 milhes de toneladas, porm, em optar por importar a soja, ocupam aquelas reas na cultura do mi-lho, trigo e arroz, cujo volume somado atinge 160 milhes de toneladas de gros. A dcada de 70 j havia provado o gosto amar-go da escassez, que impactou os preos das commodi-ties agrcolas que permaneceram com forte volatilidade durante muitos anos, por absoluta falta de estoques de segurana alimentar. No entendimento tcito do mercado global, j no haveria outra possibilidade de preos ele-vados para as commodities agrcolas. Surge, ento, uma grande escassez de soja no ano de 2004, talvez semelhan-te a que instala neste ano com o esgotamento prematuro dos excedentes exportveis de soja norte americano. No foi difcil superar aquela escassez porque seria uma situa-o pontual. Os governos disponibilizaram suas reservas dos estoques de garantia que no foram suficientes, por-que, mesmo assim, os preos alcanaram US$ 10,66 por bushel, no final de maro de 2004.

    As tentativas de reconstruir os estoques pouco acrescen-tou nos anos que se seguiram. Em 2008 surge uma nova crise de escassez e com estoques governamentais j re-duzidos pela escassez de 2004, no evitou que o merca-do registrasse um novo preo recorde na ordem de US$ 16,66 por bushel, no ms de julho de 2008. Estavam, as-sim, praticamente esgotados os estoques de segurana dos governos ou pases em nvel mundial. Os anos subsequentes a 2008, pouco ou nada acrescentaram em estoques de segurana alimentar dos pases. Uma nova escassez de produtos agrcolas surge em 2012 e j no havia os estoques de segurana ca-paz de impedir uma escalada de preos para a soja no objetivo de racionar a demanda global. O resultado foi um novo recorde de preo para a soja, na ordem de US$ 17,9475 por bushel, no ms de setembro de 2012. Esta-ria assim comprovado que os mercados e governos esta-vam descapitalizados de estoques de produtos agrcolas, principalmente de soja. Inclusive o Brasil, que somente agora retoma a construo de estoques de alguns produ-tos agrcolas. Nos anos de 2012 e 2013, crises de escassez de soja pontuais se instalaram em alguns mercados produ-tivos e consumidores, como no Brasil, nos Estados Uni-dos e na China. Os preos para soja escalaram preos elevados para racionar o consumo. No Brasil se insta-laram duas crises nos meses de setembro e outubro de 2012 e 2013, com preos recordes praticados em nvel de mercado domstico, completamente descolados dos preos da Bolsa de Chicago e dos mercados fsicos inter-nacionais. Nos Estados Unidos, uma crise de escassez de suprimento interno durante os meses de agosto a agosto de 2013 elevou os preos da Bolsa de Chicago para n-

    veis de US$ 15.00 e US$ 16.00 por bushel, agregando um prmio de US$ 3.20 por bushel, acima dos preos dos futuros da Bolsa de Chicago, para adequar uma oferta escassa a uma demanda robusta, que permanece at os dias atuais. Neste ano de 2014 ainda persiste o desiquilbrio entre a capacidade de produzir e a elasticidade do consu-mo. A evidncia realista desse fenmeno tem sido o forte assdio pela soja norte-americana, cujos excedentes ex-portveis foram vencidos em apenas trs meses do ano safra 2013/14, uma situao indita de difcil soluo no curto prazo. Os mercados no atuam essencialmente por fundamentos, porque fundos de investimentos so im-portantes participantes dos mercados de derivativos agrcolas. Portanto, no existe uma formao compacta de entendimento da incapacidade de no ter solues no curto prazo. Esta situao sugere uma alta volatilidade nos preos e o mercado tem demonstrado que as que-das de preos para a soja tem tido rpida reverso, pelo menos, at a definio do tamanho e da disponibilidade colheita da soja safra sul-americana.

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    um projeto tcnico /econmico/financeiro nada mais do que um plano de negcios de viabilidade eco-nmica financeira, ou seja, um material que visa auxiliar o empresrio no planejamento e execuo de um determinado investimento, pois contm informaes tais como o fluxo de caixa, projees financeiras e planejamento de negcios.

    O projeto financeiro tambm ajuda o empresrio a dimensionar a sua necessidade de recursos ao longo do tempo, estimando seu crescimento, suas despesas e recei-tas, mensurando seus retornos e por fim demonstrando a viabilidade do banco para aprovao de propostas de finan-ciamento.

    Dentro do projeto bancrio h vrias linhas de cr-dito, vou citar algumas onde o empresrio, o agricultor, o pecuarista se encaixam.

    CUSTEIO AGRCOLA/ PECURIO PR - CUSTEIO INVESTIMENTO PRONAF

    CUSTEIO AGRCOLA: So para produtores rurais e empresas que precisam obter recursos para pagamento de despesas correntes comuns aos setores de atividades agrcolas. Atende as despesas com preparo de solo, plantio, tratos cul-turais e colheita e se necessrio ainda o beneficiamento primrio e armazenagem. A operao sujeita a anlise e a aprovao do crdito.

    PR CUSTEIO: Se financia somente insumos, tendo a opo de se financiar posteriormente os ser-vios aps o ms de julho, desde que o projeto fique claro a inteno do produtor financiar.

    INVESTIMENTO: a aplica-o de algum tipo de recurso ( di-nheiro ou ttulos) com a expectativa de receber algum retorno futuro su-

    meio amBienTe

    RIcARDO cARvALHO v. MAcHADOengenheiro agrnomoCrea: 12.146 / d - Go

    perior ao aplicado compensando inclusive a perda de uso desse recurso durante o perodo de aplicao ( juros ou lucros, em geral, a longo do prazo). Num sentido amplo, o termo aplica-se tanto a compra de mquinas, equipamen-tos e insumos.

    PRONAF: Financia projetos individuais ou cole-tivos, que gerem renda aos agricultores familiares e as-sentados da reforma agrria. O programa possui as mais baixas taxas de juros dos financiamentos rurais.

    > Geralmente o pleito para financiamento ao qual o projeto ser justificado para aquisio de matria-prima, insumos, bens, produtos e/ou servios. Cabe ao projetista ( Engenheiro Agrnomo) dar mritos ao projeto que tange.

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    financeiras, de forma unilateral, sem qualquer oportuni-

    dade para os agropecuaristas discutirem o que ali lhes era

    cobrado. E, ainda por cima, as demandas foram propos-

    tas com base na Lei de Execuo Fiscal, o que gerou ainda

    mais prejuzos aos produtores, que tiveram bens e terras

    penhoradas.

    Ao invs de fazer valer os mecanismos de proteo e es-

    tmulo atividade rural, as instituies financeiras agem

    visando unicamente o lucro, deixando muitas vezes de

    resguardar os direitos dos produtores e at inviabilizan-

    do suas atividades, ao negarem, por exemplo, o acesso ao

    crdito, que direito do produtor e no mera faculdade da

    instituio.

    Dessa forma, preciso que as instituies se conscien-

    tizem e passem a analisar a situao sob um prisma social,

    deixando de lado apenas a busca desenfreada pelos lucros,

    entendendo que a atividade desenvolvida pelos produtores

    alm de alavancar a economia, tem sim um carter social,

    que imprescindvel para o desenvolvimento de uma so-

    ciedade mais forte, justa e democrtica.

    inForme JurdiCo

    dvidas dos produtores rurais: aBuso do sistema Financeiro

    64 36321067 - 64 36321084www.carvalhoenaves.jur.adv.br

    Rua Castro Alves , 931 , Centro.Jata - GO | CEP: 75800-021

    Eduardo Jailton Prado Naves OAB: 25.184

    Luiz Renato Garcia de Carvalho OAB: 23507

    Ricardo de Assis Morais OAB: 35.426

    Estagirio: Brasil de Carvalho Neto OAB: 23.533-E

    agronegcio representa praticamente um tero

    do PIB brasileiro, razo pela qual deveria ser

    considerado o setor mais importante da economia

    nacional. Contudo, o que se observa uma realidade bem

    diferente, com a maioria dos setores ligados ao agroneg-

    cio no contando com o apoio devido por parte do gov-

    erno.

    Apesar de amparados por lei, inclusive pela Constituio

    Federal, os mecanismos de apoio e incentivo ao desen-

    volvimento rural nunca foram verdadeiramente imple-

    mentados. Muito pelo contrrio, na realidade o que se v,

    na maioria das vezes, so os mecanismos que foram cri-

    ados para proteger os produtores e as reais necessidades

    da classe produtiva serem utilizados de forma dissociada

    de sua finalidade, para atender exclusivamente s neces-

    sidades de lucro do sistema financeiro.

    Exemplo claro disso, a medida provisria apresentada

    como o Programa de Fortalecimento das Instituies

    Financeiras Federais, pelo qual a Unio recebeu das in-

    stituies financeiras a cesso de crdito proveniente de

    operaes de crdito rural que haviam sido renegociadas

    ou alongadas pela Lei de Securitizao.

    A Unio, ento, ajuizou milhares de aes contra os pro-

    dutores, amparada em ttulos cedidos pelas instituies

    o

    Texto de: Dr. Luiz Renato Garcia de Carvalho

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    cuidados extras

    Como qualquer ser vivo, o Trichoderma sofre com os efeitos da radiao ultravioleta. Existem formulaes no mercado que oferecem o produto com proteo UV, mas, aqueles que no contam com essa opo, devem ser aplica-dos aps as 15 horas, quando a incidncia dos raios solares menor, no inibindo a germinao dos esporos, relata Alan Pomella.

    custo-BeneFcio

    Caro, para Alan Pomella, tudo aquilo que no d re-torno, o que no o caso do Trichoderma. O custo do trata-mento por hectare varia entre R$ 25,00 a R$ 80,00 depen-dendo do fabricante e formulao. Nas lavouras de feijo que utilizam Trichoderma notei uma reduo drstica do mofo branco, reduzindo consequentemente a utlizao de fungi-cidas, sendo que dependendo das condies ambientais, o controle qumico nem necessrio. Por isso garanto que a utilizao do Trichoderma vale, realmente, a pena, relata o agrnomo.

    O especialista destaca, entretanto, que o tratamento deve ser preventivo, para evitar maiores prejuzos.

    ao do Trichoderma

    Alan Pomella salienta que o trichoderma no tem ao sobre o mofo branco, que a doena propriamente dita. A doena ocorre na parte area da planta. O efeito do Tricho-derma no manejo do mofo branco, ou seja, ele atua sobre os esclerdios no solo, diz.

    Se o Trichoderma barra ou reduz o inculo inicial, consequentemente haver menor incidncia de doenas na parte area. Tudo isso acontece porque o Trichoderma, um fungo originalmente de solo, utiliza os esclerdios como fonte de nutrientes, pontua o agrnomo.

    o Trichoderma no mane-jo do moFo Branco

    Alan Pomella garante que o Trichoderma uma exce-lente ferramenta no manejo do mofo branco, especialmen-te quando aplicado de forma preventiva no incio da cultura. No entanto preciso salientar que os resultados positivos advindos da aplicao de Trichoderma nem sempre so vi-sualizados no primeiro ano, haja visto que o Trichoderma pode reduzir em mdia 50% dos esclerdios da superfcie do solo por aplicao, no entanto, se imaginarmos uma rea com 100 esclerdios por metro quadrado, mesmo com 50% de redu-o, os que restaram viveis, ainda causaro danos muito se-veros, por isto a eficincia desta estratgia deve ser avaliada ao longo dos anos. Neste sentido a utilizao de fungicidas qumicos no descartada, porm com o uso do Trichoder-ma o fungicida ter uma maior eficincia, pois haver menos doena a ser controlada, informa.

    Assim, a ideia de se trabalhar com o Trichoderma vem do restabelecimento do equilbrio do solo, que foi degradado pelo cultivo sucessivo.

    manejo

    A aplicao de Trichoderma via tratamento de se-mentes tem pouco ou quase nenhum efeito no manejo do mofo branco, No tratamento de sementes o produto funciona como um protetor, ou seja, um fungicida contra Fusarium spp. e Rhizoctonia, que so patgenos causadores de tomba-ment em diversas culturas. recomendada a aplicao do Trichoderma por pulverizao, para que ocorra uma lavagem biolgica nesse solo, j que no se sabe exatamente onde esto os esclerdios, ensina o agrnomo especialista no as-sunto.

    Ainda segundo ele, o solo deve ser sempre o alvo. A indicao de que a aplicao do Trichoderma acontea no momento do plantio, e que outra aplicao seja realizada an-tes do florescimento e do fechamento da cultura.

    O mofo branco apresenta estruturas de resistncia no solo, chamados esclerdios, que permanecem ali por mais de 15 anos. Em condies climticas favorveis, que seriam temperaturas amenas, por volta de 20C, e elevada umidade relativa formam-se cogumelos denominados de apotcios, que produziro esporos e infectaro as plantas no momento da florao.

    Depois que o fungo coloniza a planta ele forma um mi-clio branco, semelhante a um algodo, o qual vai matando, aos poucos, a estrutura da planta. Isso feito pelo estrangu-lamento do caule, tambm causando abortamento de flores, o que vai prejudicar a produo, com reduo de at 70%, dependendo da severidade da doena

    eFicincia de Trichodermano manejo do moFo Branco do Feijoeiro

    como detectar a doena na lavoura

    Detectado o miclio branco, que pode ser considerado o corpo do fungo, nas vagens e/ou haste, o produtor j pode ter a certeza da presena da doena no campo. O aspecto cotonoso nas vagens e no caule da planta confirmam o mofo branco na planta de feijo. J o solo apresentar os escler-dios, que so estruturas enegrecidas, que garantem a sobre-vivncia do fungo no solo na ausncia do seu hospedeiro, no caso o feijoeiro, explica Alan Pomella, Ph.D. em Fitopatologia, pesquisador e professor da UNIPAM-Universidade de Patos de Minas.

    Mofo branco tem causado prejuzos de at 70% na produo de feijo. A soluo ecologicamente correta tem sido o uso de Trichoderma

    mofo Branco no feijoeiro

    esclerdeos no solo

    evoluo para micelio cotonoso

    Fonte: Assessoria de Imprensa Lab. Farroupilha.

    Fo

    tos:

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    FeiJo

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    aGroneGcio padro FiFa?

    No d para negar que a maioria dos brasileiros

    gosta de um bom futebol. Alis, esta uma das ca-

    ractersticas do pas fronteiras a fora. No d

    para negar que desde 1950, quando foi rea-

    lizada a ltima copa no Brasil, a expec-

    tativa para que o mundial retornasse

    ao solo verde e amarelo era grande.

    No d para negar a importncia do

    esporte na vida do cidado. Afinal,

    inmeros brasileiros devem o suces-

    so atividade, responsvel por tirar

    crianas da rua e afastar jovens do

    envolvimento com o crime e com as

    drogas. Mas diante de tantos pontos

    positivos, o que faz o brasileiro questio-

    nar a Copa do Mundo de 2014?

    Fazendo uma retrospectiva, em 2013,

    durante a Copa das Confederaes, as manifestaes

    tomaram conta do pas em, praticamente, todos os es-

    tados. De acordo com o levantamento da Secretaria Ex-

    traordinria de Segurana de Grandes Eventos (Sesge),

    em torno de 864 mil pessoas participaram da srie de

    movimentos nas cidades-sede do campeonato: Bras-

    lia, Belo Horizonte, Fortaleza, Recife, Rio de Janeiro e

    Salvador.

    A frase que virou smbolo das manifestaes

    fazia referncia direta ao mundial: Queremos melho-

    rias padro FIFA. A cobrana por mais investimentos

    na sade, na educao e no transporte pblico estava

    entre as principais reivindicaes. O combustvel que

    movia os manifestantes estava na cifra dos valores dis-

    ponibilizados para as adequaes que precisavam ser

    realizadas no Brasil para viabilizar a Copa. Voltando

    lista dos pontos positivos... no d para negar que

    os benefcios permanecero no pas, mesmo depois

    da competio, como, por exemplo, as obras nos por-

    tos e aeroportos e os investimentos em mobilidade e

    transporte urbano. Entretanto, a pedra no sapato dos

    brasileiros tem sido a verba destinada para a reforma

    e construo dos estdios. As edificaes tambm vo

    permanecer por aqui, mas, questiona-se a necessidade

    de tanto dinheiro empregado nas obras.

    O custo atual j quase quatro vezes maior que

    o valor informado pela CBF Fifa, quando foi apresen-

    tado o projeto para sediar o Mundial no pas. O primei-

    ro levantamento, divulgado em 2007, informava que as

    arenas custariam US$ 1,1 bilho, ou seja, em torno de

    R$ 2,6 bilhes. Entretanto, a ltima estimativa oficial

    aponta que o valor chegar a R$ 8,9 bilhes. A espe-

    culao de que a verba destinada supere os R$ 10

    bilhes at a concluso de todos os estdios.

    CaPa

    Quando o assunto so os nmeros e os valores

    destinados para investimentos, no meio rural a pauta

    do dia o Plano Safra 2014/2015. Anunciado no ms

    de maio, o documento no correspondeu s expectati-

    vas do setor e a classe produtora tomou para si a rei-

    vindicao: Queremos agronegcio padro Fifa.

    Comparada aos valores destinados para a refor-

    ma e construo dos estdios, a verba pode ser conside-

    rada alta. Sero disponibilizados R$ 156,1 bilhes para

    o setor, o que corresponde a um aumento de 14,7% em

    relao a 2013. Entretanto, diante dos problemas que

    ressurgem a cada safra, referentes infraestrutura,

    distribuio de energia eltrica, estradas, seguro rural,

    taxas cobradas e outros, a verba torna-se insuficiente,

    como refora Reginaldo Martins Pires, gerente regio-

    nal da Comigo em Jata/GO. O plano apresentado no

    contempla as necessidades do produtor e foi recebido

    com crticas, pois os principais pontos questionados

    no foram atendidos. Em relao ao valor anunciado,

    por exemplo, a sugesto das entidades de classe era de

    que deveria ser de, no mnimo, R$ 180 bilhes.

    Entre o que era esperado pelos produtores ru-

    rais est a questo do seguro rural. De acordo com as

    informaes divulgadas pelo Ministrio da Agricultura,

    o Programa de Subveno ao Prmio do Seguro Rural,

    que trabalha com a reduo de custos no momento da

    contratao da aplice, se manteve em R$ 700 milhes.

    Para o Ministrio, volume adequado para alcanar em

    torno de 10 milhes de hectares e mais de 80 mil pro-

    dutores. Para Reginaldo, volume insatisfatrio. 80 mil

    produtores so responsveis por, aproximadamente,

    12% das reas cultivadas no Brasil, o que significa que

    88% das lavouras estaro por conta e risco do produ-

    tor, sem o apoio do seguro.

    Reginaldo tambm destaca o preo mnimo e a

    insegurana no campo, no que se refere s invases de

    terra que tm acontecido com frequncia, temas que

    no foram abordados pelo documento, alm da buro-

    cracia para obteno do benefcio. Nem todo recur-

    so anunciado chega aonde deveria. Muitas vezes, fica

    parado no banco, exatamente por conta do excesso de

    burocracia.

    Mas, apesar das falhas, Reginaldo reconhece que

    o Plano Safra tem seu lado positivo, como a Poltica Na-

    cional de Florestas Plantadas. Segundo o documento,

    a pretenso de estimular o setor, com investimentos

    em pesquisas, assistncia tcnica e extenso rural e

    crdito especfico para fomentar a prtica.

    DO CAMPO URBANO AO CAMPO RURAL

    Por Tssia Fernandes

    Em um ano excepcional, com Copa do Mundo e Eleies no Brasil, os agricultores se deparam com mais do mesmo, diante da apresentao do Plano Safra 2014/2015

    Gasto previsto: R$ 2,6 bilhes

    Gasto atual: R$ 8,9 bilhes

    2013/2014

    R$ 180 bilhes

    R$ 136 bilhes

    R$ 156,1 bilhes

    Verba disponibilizada pelo Plano Agrcola e Pecurio

    2014/2015

    Expectativa dos produtores rurais e das entidades declasse que representam o setor

    PROGRESSO DO PLANO SAFRA

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    H aproximadamente trs meses ocupando o

    cargo de Ministro da Agricultura, Pecuria e Abasteci-

    mento, Neri Geller, at ento responsvel pela Secre-

    taria de Poltica Agrcola, afirma reconhecer a necessi-

    dade de ampliao dos recursos do Plano Safra, tendo

    em vista o aumento das reas de plantio e dos custos

    de produo. Fizemos um grande esforo para tornar a

    Secretaria de Poltica Agrcola bastante ativa na forma-

    o do Plano e, como ministro, pretendo tornar nossas

    aes ainda mais efetivas e entre elas est o fortaleci-

    mento do Plano Agrcola e Pecurio, especialmente na

    quantidade de recursos, j prevendo um aumento na

    produo.

    A entrevista foi concedida Revista Agro&Neg-

    cios dias antes do anncio oficial do documento e Neri

    Geller comentou a respeito das expectativas em rela-

    o s mudanas e melhorias do Plano. O Ministrio

    da Agricultura trabalha no sentido de viabilizar uma

    boa disponibilidade de recursos e condies de finan-

    ciamentos adequados para o custeio da safra e a sus-

    tentao do ritmo dos investimentos em infraestrutura

    produtiva das propriedades. Avanos tambm devero

    ser registrados no mecanismo do seguro rural. O supor-

    te comercializao e defesa agropecuria completa

    as prioridades estabelecidas pelo Ministrio da Agricul-

    tura.

    Neri Geller tambm fez questo de citar aspec-

    tos como os incentivos direcionados agricultura de

    baixa emisso de carbono, construo e ampliao de

    armazns, agricultura irrigada, inovao tecnolgica

    na agropecuria e a cultivos protegidos. So avanos

    que foram alcanados no Plano Agrcola e Pecurio

    (PAP) em curso 2013/14 e que sero consolidados no

    PAP 2014/15.

    Diante do lanamento do Plano, realizado pela

    presidente Dilma Rousseff no dia 19 de maio, em Bra-

    slia, possvel perceber que nem todas as expectati-

    vas do ministro, assim como as dos produtores rurais,

    foram atendidas. Para o gerente regional da Comigo,

    Reginaldo Martins, isso acontece devido falta de au-

    tonomia do Ministrio. O Neri Geller produtor rural e

    conhece os gargalos enfrentados pela classe. Esta no

    a primeira vez que percebemos a falta de autonomia.

    Na histria recente tivemos um dos maiores conhe-

    cedores do setor agropecurio no Brasil e no mundo,

    o Roberto Rodrigues, que foi ministro da agricultura

    e tambm no conseguiu fazer nada pelo setor agro-

    pecurio. preciso que os governantes vejam a pasta

    como estratgica e tomem decises que possam im-

    pulsionar o setor e atender as necessidades da classe.

    Da lavoura Esplanada dos Ministrios

    Como ministro, pretendo tornar nossas aes ainda mais efetivas e entre elas est o fortalecimento do Plano agrcola e Pecurio, especialmente na quantidade de recursos, j prevendo um aumento na produo.

    o neri geller produtor rural e conhece os gargalos enfrentados pela classe. esta no a primeira vez que percebemos a falta de autonomia.

    Reginaldo MartinsGerente regional da Comigo

    Neri GellerMInistro da Agricultura e Pecuria

    Reginaldo lembra, ainda, que a melhoria do se-

    tor no depende, apenas, de aes do Ministrio da

    Agricultura, mas est diretamente relacionada a ou-

    tras instncias, como o Ministrio de Minas e Energia,

    Ministrio dos Transportes, Ministrio da Fazenda, do

    Planejamento e do Meio Ambiente. preciso ter uma

    ao conjunta, pois tambm dependemos de logstica,

    de um fornecimento de energia eltrica adequado, de

    estabelecer um dilogo sobre as questes ambientais

    que ainda travam o desenvolvimento do agronegcio e,

    por fim, da liberao efetiva das verbas.

    Para Reginaldo, a disponibilizao do recurso

    outro entrave e a comparao com a Copa do Mundo

    inevitvel. Para liberar verbas que vo financiar a

    construo de estdios, a ao imediata e procedi-

    mentos como licitaes e oramentos so agilizados.

    Quando para atender as necessidades do campo, o

    produtor fica na mo. Mas, segundo ele, mesmo dian-

    te das dificuldades e insatisfaes, preciso manter a

    unio. O produtor precisa continuar cobrando e estar

    cada vez mais ligado s entidades de classe, porque so-

    zinho ainda mais difcil de conseguir mudanas.

    Por falar em unio, s vsperas da Copa do Mun-

    do e em ano eleitoral, vdeos institucionais divulgados

    na televiso aberta tentam despertar o torcedor no ci-

    dado brasileiro. Mas, o receio, principalmente dos go-

    vernantes, de que o gigante, aquele que acordou em

    2013, que seja despertado novamente e volte s ruas

    para questionar. Se acontecer, que o mundo possa ver

    e vivenciar manifestaes legtimas, em prol de melho-

    rias, pacficas e com respeito ao prximo.

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    de olho na criao

    A r considerada um animal rstico, mas, segundo os empresrios, isso no significa ausncia de cuidados e de investimentos. Apesar de terem outras atividades profis-sionais na cidade, os scios garantem que possvel con-ciliar as duas rotinas. Dividimos as tarefas e quando um no pode ir at a fazenda o outro comparece, enfatiza Reginaldo. Durante a semana eles cuidam dos empreen-dimentos urbanos e os finais de semana esto reservados para o campo. Se voc no estiver presente, o negcio no prospera, afirma Nides. Na propriedade, eles contam com os funcion-rios, responsveis por monitorar as rs. Para reforar o time, as esposas e os filhos marcam presena e participam ativamente de todos os procedimentos. As mulheres so muito cuidadosas e o negcio est indo bem nas mos de-las, garante Reginaldo.

    No que se refere aos gastos, Nides destaca que qualquer empreendimento requer cuidados e investimen-tos, do contrrio no ter sucesso. Entre os fatores que elevam o custo de produo est a logstica. O produto final vendido para um frigorfico de So Paulo e a rao utilizada vem de Minas Gerais, portanto, os gastos com transporte correspondem grande parte das despesas. Alm disso, apenas um dos ranrios mantido com gua proveniente de queda natural. No outro a gua bombea-da e a despesa ainda mais alta, pontua Reginaldo.

    Fugindo do tradicional, os empresrios Nides Bar-ros Cordeiro e Reginaldo Martins de Assis optaram por uma atividade que tem poucos adeptos na regio. Nada de cultivar lavouras ou partir para a criao de gado. A opo dos scios foi a criao de rs. A carne extica ainda no est entre as preferncias dos brasileiros, mas vem ga-nhando espao no mercado, devido ao sabor e qualidade. O aumento da demanda favorvel e contribui para que a atividade se torne um bom negcio.

    A deciso de trabalhar com os anfbios surgiu a par-tir da anlise de diversos fatores, como o custo dos inves-timentos a serem realizados, a rusticidade do animal, a possibilidade de utilizar mo de obra familiar e, principal-mente, a rea necessria para a instalao dos ranrios. Devido ao tamanho, nossa propriedade imprpria para o cultivo de gros, por exemplo. Nas visitas iniciais que realizamos, percebemos que o ranrio podia ser constru-do em um local pequeno e foi isso que nos motivou ainda mais. Queramos agregar valor nossa rea, otimizando o espao disponvel, explica Nides.

    passo a passoNa Fazenda gua Limpa, localizada em Jata/GO,

    a rea total dos dois ranrios de um hectare. As instala-es compreendem os setores de reproduo, desenvolvi-mento embrionrio, girinagem, metamorfose e engorda. Ns trabalhamos com todas as etapas, desde a manuten-o das matrizes e obteno dos ovos, at o abate, desta-ca Reginaldo. A espcie comercial utilizada para a produ-o em cativeiro a r-touro (Rana catesbeiana). Segundo

    salto lucrativoEmpresrios decidem diversificar e investem na criao de rs

    Nides, entre as diferenas em relao r nativa est a ausncia de substncias venenosas.

    Para comear a atividade, algumas matrizes foram adquiridas. Agora, h dois anos no ramo, os empresrios selecionam as melhores rs para o posto de reproduto-ras. A escolha feita a olho nu, a partir da observao de caractersticas especficas, como o porte do animal. As rs tambm vo sendo separadas conforme o desenvol-vimento. Nas baias do ranrio a diviso por tamanho, para evitar o canibalismo.

    Segundo Nides, a agresso uma prtica comum entre as rs. Por serem carnvoras e instintivamente ca-adoras, elas tm preferncia por alimentos vivos. O ca-nibalismo acontece, principalmente, no perodo de tran-sio da alimentao natural para a administrao da rao. Uma dica de profissionais especialistas na criao de rs acrescentar junto rao larvas de moscas ou colocar o alimento sobre cochos vibratrios.

    A alimentao dos animais regrada, podendo chegar a at quatro vezes por dia. A rao utilizada a mesma destinada aos peixes. A maioria dos raniculto-res utiliza uma composio com 44% de protena, desen-volvida para as trutas, explica Reginaldo. O manejo foi sendo aprimorado com a prtica e com o conhecimento adquirido durante as visitas realizadas a criadores expe-rientes, em diversas regies do pas. Aprendemos, por exemplo, que a rao deve ser disponibilizada na medi-da certa, pois a sobra no consumida depois, podendo acumular fungos e bactrias e causar prejuzos sade do animal.

    CarneS CaLoriaS ProteinaS (g)Boi - carne magra 146 21,5Galinha - carne magra 124 22Peixe - gua doce 75 16,6 R 88 19,9

    Fonte: estudo nacional da despesa Familiar - iBGe.

    Por Tssia Fernandes

    TABeLA De vALOReS NUTRIcIONAIS

    parcerias vista A prtica da ranicultura na regio desperta o interesse de diversos segmentos, inclusive da educao. Uma parceria com professores e acadmicos da Universi-dade Federal de Gois/Campus Jata est sendo planeja-da. Os animais serviro de matria prima para trabalhos realizados em laboratrio. A Universidade vai nos auxiliar com a classificao das rs, realizao de melhoramento gentico, entre outras aes, e em contrapartida vamos contribuir com as pesquisas que podero ser realizadas, utilizando os animais vivos e tambm os subprodutos, como a pele e as vsceras, complementa Nides. As parcerias vo alm da instituio de ensino. Os empresrios entraram em contato com o SEBRAE, que garantiu apoio em relao aos tramites burocrticos, como orientao em relao aos documentos necessrios e legislao vigente, alm de auxiliar na identificao do mercado consumidor e na elaborao de planilhas de custos. Para desempenhar a atividade legalmente, preci-samos cumprir diversos requisitos, como obter a outorga da gua, que permite a utilizao do recurso natural; ade-quar s determinaes do novo cdigo florestal; retirar autorizao para realizar o transporte dos animais; obter selos de comercializao e de abate, entre diversos outros documentos. Por conta de toda essa burocracia, a parce-ria vai ser fundamental, ressalta Reginaldo.

    Agora, o contato est sendo com proprietrios de bares e restaurantes da regio. O propsito incentivar o consumo da carne de r nos estabelecimentos. Para isso, esto buscando a parceria com um frigorfico goiano, que dever abater e embalar os animais. A vantagem que a

    r

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    comercializao do animal pronto para consumo mais rentvel e reduz os gastos com logstica. O preo do quilo da r viva, por exemplo, gira em torno de R$ 12, en-quanto a carne pronta comercializada, em mdia, a R$ 30 no atacado e R$ 35 no varejo, explica Nides.

    Segundo ele, o principal trabalho a ser feito o de desmistificao do consumo da carne de r, que ainda rejeitada por parte da populao. As mulheres, principal-mente, tm receio em experimentar o prato e acreditam que a r um sapo. Precisamos divulgar mais o produto e estimular o consumo, para que percebam que o alimento mais saudvel e at mais saboroso do que a carne bovi-na ou de frango, afirma.

    planos para o Futuro

    Visando comercializao da carne pronta para consumo, o sonho dos empresrios a instalao de um frigorfico em Jata/GO. Entretanto, a quantidade de carne produzida atualmente no justifica o projeto. A previso inicial produzir, em mdia, cinco mil quilos de carne por ms e, posteriormente, chegar a dez mil quilos. O plane-jamento para o futuro tambm inclui o estabelecimento de um sistema de integrao, envolvendo diversos produ-tores que forneceriam o animal para o frigorfico, suprin-

    do a demanda e viabilizando o processo. Para que isso acontea, a primeira etapa estruturar o nosso ranrio e, ento, incentivar mais produtores a investirem na criao de rs, esclarece Nides.

    Apesar do interesse em ampliar a atividade na regio, os empresrios garantem que no levam falsas expectativas aos futuros criadores. um trabalho que requer tempo, ateno e investimento. Em um primeiro momento no possvel viver s do empreendimento, o criador deve ter conscincia de que uma renda comple-mentar. Acredito que para ter uma estrutura consolidada, como em qualquer outro negcio, leva em torno de cinco anos, avalia Reginaldo.

    Mas o sonho sem fronteiras e vai alm da re-gio. J conversamos muito sobre as possibilidades de exportao, e por que no sonhar? Estamos novos e ainda d para correr atrs, afirma Nides. Para Reginaldo, o desejo no impossvel de ser realizado. Ele refora que a car-ne de r tem mais aceitao fora do pas, o que j um estmulo para continuar fazendo planos e apostando na atividade.

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    proBlema de seGurana nacional

    PROf. LUS HeNRIqUe cARReGAL

    Faculdade de agronomiauniversidade de rio Verde

    O agronegcio o principal setor responsvel pelo crescimento da economia brasileira, sendo que a soja destaca-se como a commodity mais importante. Es-tima-se um aumento de rea com soja totalizando mais de 42 milhes de hectares nos prximos 10 anos. Mas, possvel imaginar o Brasil sem uma produo estvel de soja? Esse o risco que vivemos atualmente em vir-tude dos problemas fitossanitrios e das estratgias de controle recomendadas de forma equivocada, principal-mente em relao Ferrugem Asitica. A doena, causada pelo fungo Phakopsora pa-chyrhizi, destaca-se como a maior ameaa aos altos ren-dimentos da cultura, pela agressividade do fungo, alta

    capacidade de produo de propgulos e variabilidade gentica. Normalmente, as mutaes ocorridas so de-letrias ao patgeno, mas, por outro lado, podem favore-c-lo em relao resistncia (ou menor sensibilidade) a produtos qumicos, tornando-os mais virulentos ou pos-

    sibilitando-o de quebrar a resistncia gentica de uma determinada variedade. As estratgias mais efetivas para o controle da doena so: vazio sanitrio, plantio no incio da poca recomendada, uso de variedades de ciclo mais curto e aplicao de fungicidas. No entanto, um problema tem surgido nos ltimos anos: o cultivo de soja safrinha. Para a maioria dos agricultores, a soja safrinha uma alternativa vivel, principalmente para produo de sementes e por ser mais lucrativa que o milho ou sorgo em algumas situaes. Mas, entre os problemas, est a menor estruturao qumica, fsica e biolgica do solo. O aumento na incidncia de pragas, plantas daninhas e doenas notrio. Com a soja cultivada na safrinha sob

    os restos culturais da soja vero, o dese-quilbrio causado no sistema produtivo total e existe maior dependncia de uso dos produtos qumicos. Ao longo dos anos, o contro-le qumico tem sido utilizado como es-tratgia principal de controle da doena, mas, desde a safra 2006/07, os trabalhos conduzidos na Universidade de Rio Verde demonstraram a menor sensibilidade do fungo aos triazois, o que foi comprovado pelos Ensaios Cooperativos coordenados pela EMBRAPA SOJA em 2009. At a sa-fra 2012/13, apenas dois grupos qumi-cos de stio bioqumico especfico (triazis e estrobilurinas) foram adotados a campo. A partir da safra 2013/14 houve a libe-rao de mais um grupo, tambm stio especfico, que so as carboxamidas. Vale salientar que as novas molculas carboxa-

    midas esto sendo registradas em misturas com estro-bilurinas e ou triazis, grupos qumicos que j exerceram a presso de seleo no fungo. Pelo que sabido at o momento, no h possibilidade do desenvolvimento de novos grupos qumicos, os quais apresentem modo de

    ao bioqumico diferente dos conhecidos atualmente, at 2020. E, com o cultivo da soja em condies de safrinha, onde sero requeridas pelo menos oito aplicaes, a expo-sio dos produtos ser ainda maior. Considerando-se os cultivos de safra e safrinha de soja, o agricultor realizar, em mdia, de 10 a 12 aplicaes com produtos de stio de ao especfico e com resistncia comprovada, a cada sete ou oito meses em cultivos sucessivos. J imaginaram o Brasil sem produo estvel de soja? O mesmo pode ocorrer em relao ao uso de inseti-cidas para controle de mosca branca e lagartas, principal-mente referente Helicoverpa spp. E quais seriam as solu-es para garantir a continuidade da soja como principal commodity brasileira? As solues dependem de atitudes drsticas e de adoo imediata, como proibio da soja safrinha atravs de medida legislativa de mbito estadual ou nacional; fis-calizao mais rgida do vazio sanitrio, principalmente em reas licenciadas para produo de sementes; proibi-o do uso de fungicidas isolados (estrobilurinas ou tria-zis) e a introduo de fungicidas protetores (multisstios)

    nos sistemas de aplicao de defensivos. Fungicidas multissitios inibem o desenvolvimen-to dos fungos em diferentes stios bioqumicos, tornando praticamente impossvel que o mesmo desenvolva resis-tncia ao fungicida. Alguns, amplamente utilizados em hortalias desde a dcada de 60, continuam efetivos, no havendo nenhum relato de resistncia ou menor sensibi-lidade. Nas ltimas safras, os resultados de pesquisa da Agro Carregal Pesquisa e Proteo de Plantas, em par-ceria com a Universidade de Rio Verde, comprovam que a adio de um fungicida protetor melhora o controle da doena, aumentando em at 60% a eficcia dos fungicidas tradicionais. Alm disso, os fungicidas protetores sero fundamentais para preservar a vida til dos novos produ-tos. Para que esta tcnica seja adotada pelos produtores, torna-se necessrio que tais produtos sejam, primeira-mente, registrados junto ao Ministrio da Agricultura, Pe-curia e Abastecimento. No caso especfico da soja safrinha, o primeiro passo a conscientizao dos agricultores brasileiros, que no devem, em hiptese alguma, realizar o cultivo.

    Ferrugem

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  • 60 61www.agroenegocios.com.br

    esperamos que a eletrobrs promova investimentos tanto na gerao, bem como na distribuio de energia, visto que a capacidade instalada est no limite. em curto prazo precisamos de novas redes de distribuio, ampliao de subestaes e tambm investimentos em produo de energia para abastecer o sistema

    energia

    Buscando solucionar os problemas e captar recursos para investimentos na infraestrutura do sistema enrgico goia-no, recentemente o governo estadual assinou um acordo onde repassa 51% das aes da CELG para a Eletrobrs. Rafael Lousa, secretrio de indstria e comrcio do estado de Gois, destaca que os reflexos deste primeiro acordo so positivos. Uma opera-o deste porte no seria formalizada pelo Governo de Gois se o governador e sua equipe no tivessem se cercado de todos os cuidados e garantias que no haveria nenhum desdobramento negativo aos goianos.

    Segundo o secretrio estadual, outras providncias de ordem administrativa tambm esto sendo tomadas. Na ltima ida Eletrobrs, o governador do estado deu mais um passo rumo ao acordo que prev investimentos da ordem de R$ 1,9 bilho, nos prximos dois anos, no setor eltrico. O compromisso foi feito. E a ateno foi redobrada para que as demandas ineren-tes distribuio de energia sejam definitivamente solucionadas. E assim sero beneficiadas no somente a regio Sudoeste, mas todas as regies do Estado. Os resultados aparecero a curto, mdio e longo prazo, esclarece Rafael.

    Representantes do setor empresarial nos municpios se dizem pessimistas em relao aos resultados prticos das dis-cusses realizadas at o momento. Na prtica no temos visto nada ainda e o que nos deixa mais desanimados que o Governo Federal fala que a Eletrobrs no tem recursos. Nossa esperana que passando para o Governo Federal, pelo menos teremos aqum cobrar, porque de imediato ainda no sabemos de quem devemos realmente exigir providncias, declara Amilton Martins Gonalves, secretrio de indstria e comrcio de Jata/GO.

    Duas dcadas de defasagem de investimentos, esta a realidade histrica do sistema energtico no estado de Gois. Ao longo dos anos, com a modernizao e o desenvolvi-mento tecnolgico, tanto no campo como na cidade, o proble-ma se agravou ainda mais. Hoje os representantes de classe somam questionamentos, sem obter respostas efetivas dos rgos competentes.

    Em pesquisa recente realizada pela Agncia Nacio-nal de Energia Eltrica (Aneel), a Celg foi classificada como a pior concessionria de energia entre as 35 maiores empresa que atuam no pas. Para Jos Mrio Schreiner, presidente da FAEG, a falta de energia e a m qualidade dos servios prestados pela concessionria representam um fato gravssi-mo para o desenvolvimento de Gois. O setor agropecurio, que tem sustentado o crescimento da economia brasileira e goiana, um dos que mais sofre com a situao, j que o problema mais grave na zona rural.

    No meio rural ocorrem incoerncias. Segundo Re-ginaldo Pires, gerente da Loja da cooperativa COMIGO em Jata, na prtica as aes propostas pelo governo federal esbaram na realidade da distribuio de energia eltrica em todo o estado. Hoje ns temos recursos disponibilizados por parte do governo federal, com taxas de juro compatveis com a atividade, para construo de novas redes armazenadoras de gros e recursos federais para investimentos em Irrigao agrcola, que possibilita a verticalizao da produo, porm o produtor no tem energia eltrica para efetivar e sustentar estes novos investimentos.

    Cristalina, um dos municpios goianos que mais pos-sui investimentos em irrigao, hoje trabalha com a capaci-dade mxima instalada. Carlos Alberto Sponchiado, secretrio de desenvolvimento econmico e agronegcio de Cristalina, afirma que novos investimentos em irrigao no esto sen-do concretizados, pois no h carga suficiente para atender novas demandas. Os projetos de ampliao da capacidade

    interroG[ao]Representantes do meio rural e urbano clamam por investi-mentos no setor energtico goiano

    Por Luana Loose Pereira

    instalada das empresas no municpio tambm esto sendo postergados at que a demanda seja suprida.

    Uma sada encontra-da por muitos produtores rurais e empresrios investir em geradores de energia. Regi-naldo Pires, afirma, porm, que esta tecnologia, alm de au-mentar o custo de produo, promove a queima de diesel, que combustvel fssil. A cooperativa COMIGO est em 13 municpios da regio, em todos foi necessria a instalao de geradores de energia. Um investimento caro e que vai con-tra as aes de meio ambiente e sustentabilidade. Enquanto o produtor poderia estar investindo em outras tecnologias, est sendo onerado, porque se quiser continuar na atividade leiteira ou secando gros na propriedade, tem que investir primeiro em gerao de energia, pontua Reginaldo.

    No municpio de Mineiros/GO, a situao delica-da e j vem causando grandes prejuzos tambm na zona urbana. A m qualidade dos servios e falta de estrutura na distribuio entrava o desenvolvimento das empresas e do comrcio em geral, sendo que a questo energtica a primeira das anlises feita em um plano de negcios por grandes corporaes. Aqui mesmo em Mineiros/GO, temos alguns conjuntos habitacionais que esto prontos para serem entregues, faltando apenas a rede eltrica, afirma Sergislei Carrijo Silva, secretrio municipal de agropecuria, indstria e comrcio.

    Para Reginaldo Pires, esta uma realidade lamen-tvel e que afeta a agroindustrializao em todos os setores. A agroindustrializao hoje est praticamente paralisada em Gois, ns nos tornamos um estado exportador de matria prima in natura, enquanto poderamos estar transformando os produtos do campo na regio, gerando mais renda, mais divisas, mais empregos. Toda a sociedade est perdendo com a falta de infraestrutura da rede eltrica.

    Carlos Alberto Sponchiado, Secretrio de Desenvolvimento Econmico e Agronegcio de Cristalina

    celG e eletroBrs

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    Outros acreditam que ao invs da infraestrutura, os primeiros investimentos sero utilizados suprir carncias in-ternas. A distribuidora de energia eltrica de Gois tem uma dvida que ultrapassa os R$ 6 bilhes, dos quais R$ 2,4 bilhes com a prpria Eletrobrs. Vejo que a maior preocupao da CELG em colocar o caixa em dia, e no necessariamente fazer novos investimentos, salienta Sergislei Carrijo Silva, se-cretrio de agropecuria, indstria e comrcio de Mineiros/GO. No dia 28 de maro, o conselho de administrao da Celg Distribuio S/A aprovou o oramento para o exerccio de 2014, contemplando plano de investimentos na expanso e melhorias do sistema eltrico da empresa, que atende 237 municpios em sua rea de concesso. Segundo o presidente Leonardo Lins de Albuquerque, a Celg D foi liberada a investir cerca de R$ 456,8 milhes este ano. A CELG D conta com o ingresso de R$ 1,9 bilho, no final deste ms de abril, que a CELGPAR est captando junto Caixa Econmica Federal,

    para aplicao pela CELG D sero tanto para investimentos de 2014 e 2015, como para liquidar e alongar dvidas da Celg D que esto gerando grande presso no caixa da distribuido-ra goiana.

    Para Jos Mrio Schreiner, as discusses em torno dos impasses entre a Celg e Eletrobrs tem se arrastado por muito tempo e a situao bastante grave, a expectativa que as melhorias aconteam em mdio prazo. Os empasses entre a Celg e a Eletrobrs podem demorar at 2015 para serem resolvidos. At l, esperamos poucas melhorias. De certa forma, aps este perodo, os investimentos devem ser retornados e importante que os produtores e empresrios rurais se unam Federao na cobrana por estes investi-mentos, repassando as reais necessidades e problemas do setor. Infelizmente o cenrio um pouco negativo e a busca por um servio de qualidade deve continuar entre as princi-pais pautas dos prximos anos, conclui.

    Descriminao Dos Programas De investimentos 2014 Da ceLg

    * TAC Termo de Ajuste e Condutada CELG

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    merCado do Boi

    em 2014, mercado no tem Freio. ser?

    LyGIA PIMeNTeLMdica veterinria, pecuarista e especialista em commodities pela inTL FCstone

    J so 15% de alta acumulada em 2014 para a ar-roba do boi gordo em So Paulo, em torno de 5% de alta ao ms. Qual investimento rende isso no Brasil hoje? No muitos, certamente.

    Mas aqui estamos falando de produo de carne, e no de um mercado especulativo. Portanto, temos que nos preparar para o que pode acontecer l na frente.

    Temos vivido uma safra muito atpica: pela primei-ra vez na histria o boi subiu em maro. Excelente! Fruto de seca forte e mercado consumidor (interno e externo) aquecido. Entretanto, isso no significa que essa realidade ser eterna. J diziam por a que prudncia e canja de galinha no faz mal a ningum.

    As escalas continuam curtas por enquanto, mas melhoraram em relao ao incio do ms. A safra d as

    caras aos poucos, de maneira bem lenta.O mercado consumidor d sinais de cansao. O

    atacado comea a mostrar dificuldades de repassar novas altas ao consumidor e a carne sobra nos estoques.

    Hoje, 80% dos animais abatidos so inteiros, e no castrados, o que significa que a margem da indstria re-cuou de maneira considervel.

    Outra questo importante que a arroba brasileira j perdeu competitividade frente aos nossos concorrentes, o que pode piorar os embarques em alguns meses. Dlar em queda tambm favorece este cenrio (US$ = 2,3180). Hoje ainda temos que cumprir o que o mercado mostrava h 2-3 meses, mas a partir de agora podemos comear a perder negcios, pois tornamo-nos mais caros.

    Estamos atrs apenas de Argentina (carta fora do baralho sem volume para oferecer), Irlanda e EUA (pases que no compartilham os mesmos clientes que ns no curto-prazo). A concorrncia real est mais barata hoje.

    Juntamos a isso o adiantamento dos ani-mais nos confinamentos em decorrncia da seca e imaginamos a liberao desses mesmos animais entre maio/junho, que dever se unir com o re-sidual de animais nas pastagens, podendo casar tambm com uma demanda menos contundente devido inflao em alta e competio forte da carne de frango.

    Portanto, o que temos um mercado bom, mas com vrios pontos de ateno para o futuro prximo. Ainda temos condio de efetuar neg-cios em patamares muito interessantes. O jeito aproveitar os preos para fazer bons negcios en-quanto o mercado permite, e no caso o cenrio acima se concretize.

    ARROBA EM DLARES NOS DIFERENTES PASESSPREAD ENTRE A CARNE NO ATACADO E A ARROBA DO BOI GORDO: MARGEM BRUTA DOS FRIGORFICOS

    Fonte: Cepea/INTL FCStone * Valores atualizados no dia 25/03/2014Fonte: INTL FCStone

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    crise na europa muda a sociedade e coloca o aGroneGcio em evidncia

    JOS LUIz TeJON MeGIDO

    Publicitrio e Jornalista, ex-diretor da agroceres, da Jacto s/a e do Grupo estado; Top 100 do agronegcio 2013 - revista isTo - dinheiro rural, Coordenador do ncleo de estudos de agronegcio da esPM de so Paulo.

    Quem diria que encontraramos jovens lderes morando em Trs-Os-Montes, norte de Portugal, sados de escolas sofisticadas e deixando a carreira de executi-vos em multinacionais para se dedicarem aos produtos de origem, ao azeite, vinhos, frutas, sidra, ou a uma pe-curia moderna com embutidos e derivados de sabores sensacionais, alm de queijos to espetaculares como dentre uma multiplicidade de apresentaes, os asturia-nos de Espanha ou o queijo da Serra de Estrela de Portu-gal. A linguagem do marketing no agronegcio glo-balizou. Paulo Costa, um desses dinmicos jovens, nasci-do em uma aldeia transmontana portuguesa, regressa sua aldeia, e de l comanda a criao da APMRA - Asso-ciao Portuguesa de Marketing Rural e Agronegcio. No final do ms de janeiro de 2014, nascia essa nova entida-de num evento reunindo mais de 200 autoridades, no sa-lo de conferncias do Museu da Eletricidade, em Lisboa. A promoo do marketing dos hortifrutis den-tro de uma imensido de nichos, desde a promoo dos aspectos culinrios e da sade do brcolis na vida dos consumidores, indo at os silvestres cultivados, como cogumelos embalados em lindas caixinhas de carto, sensveis, estticos e gerenciados por nova categoria de cidados: jovens bem formados com nvel secundrio e universitrio que, ao encararem a crise do desemprego europeu, retornam os olhos para um novo agronegcio, onde turismo, valor, percepo de valor, gastronomia e

    sade caminham de braos dados. Na linguagem da tecnologia, o que gestores de companhias internacionais falam no Brasil o mesmo que est sendo comunicado em Portugal, Espanha ou qualquer parte do mundo. A globalizao do agronegcio, que j vem antiga no antes e no ps-porteira das fazen-das, agora adentra, invade as propriedades rurais e apon-ta para uma nova sociedade agrcola, a Agrossociedade, onde urbano e rural vivem integrados e a capacitao no faz mais a diferena se servir aos escritrios dos servios dos grandes centros financeiros ou a uma quinta, na Aldeia de Faies, Trs-Os-Montes. A jornalista Isabel Martins, portuguesa, com mais de 10 anos de experincia na cobertura do agro portugus, editora da revista Vida Rural, revela: Comea a ser usual ouvir dizer que esta crise foi o melhor que nos podia ter acontecido. E no masoquismo. Ao obrigar o pas a olhar para o seu mago, para os recursos natu-rais, para o que tem de melhor e, mais importante, para o que pode se fazer de melhor, sair da depresso, sabe que vivemos e estamos a criar as bases para um pas mais centrado em atividades estruturantes e no em bolhas da moda. Na pecuria, as mudanas no manejo reprodu-tivo, a inseminao artificial, sincronizao de partos, tudo segue na linha da modernidade para atender as exi-gncias contemporneas do mercado. As organizaes fornecedoras de tecnologia no querem mais ser vistas

    apenas como fornecedores de produto e sim como solu-cionadoras de problemas e como inspirao de caminhos que integrem qualidade com produtividade. A APMRA nasce com um brao aliado da AB-MR&A, a nossa entidade brasileira, nascida em 1979, com uma anteviso quela altura do que iria vir a ser um novo agronegcio, anos depois, como podemos visualizar agora. O valor ao longo da cadeia produtiva, a convico das tomadas de decises pelos executivos do setor da protena animal, por exemplo, de que custo no preo e de que as decises de risco esto hoje espalhadas mui-to alm das plantas frigorficas, significa ingressar nesse novo universo do Agro.

    agronegCio

    Uma Agrossociedade cada vez mais global ao lon-go de todos os elos da cadeia, cada vez com mais jovens e tambm mulheres, que tanto na Europa como no Brasil despontam para a inovao e a gesto de uma das ativi-dades mais estruturantes da histria da civilizao huma-na: a agropecuria, agora na viso de cadeia produtiva, o agronegcio, e amanh, na viso da Agrossociedade, onde cultura, arte, sociologia, educao, sade e valores cami-nharo cada vez mais reunidos. Vida longa para a APMRA, e que Portugal e Bra-sil estabeleam, ao lado dos movimentos lusfonos, dos pases de lngua portuguesa, elos justos e pelo mrito de nossas histrias. Quem quer o comrcio no faz a guerra, escreveu Cames.

  • 72 73www.agroenegocios.com.brpor

    LOReNA RAGAGNIN3631-5296 / lorena.advgo@gmail.com

    Fato inegea-vel: todos ns fazemos parte de um mundo pa-ralelo ao fsico, que o mundo eletrnico, no qual fronteiras no existem, uma terra s. E por ser da histria recente, no sa-bemos onde poderemos chegar. Mesmo assim, no se trata de territrio sem regras. Hoje estamos inter-

    nacionalizados. No existem barreiras fsicas na internet. Ao acessarmos um endereo eletrnico, o fazemos de nossa casa, atravs de um provedor com sede nos Esta-dos Unidos, por exemplo, e toda a sua operao feita na China. uma situao hipottica, mas que j realidade na sociedade! Mas como so regulamentadas essas situa-

    es? E os crimes cometidos pela internet? E a minha, a nossa privacidade: como preservada ante a tanta expo-sio, s vezes feita por ns mesmos?! Para isso que veio o Projeto de Lei 2621/2011, que foi convertido na Lei Ordinria 12.965/2014, o chamado MARCO CIVIL DA IN-TERNET, que entra em vigor no dia 23 de junho de 2014. Como prprio do Estado Democrtico de Direito, o Marco Civil da Internet veio para atender a uma de-manda da sociedade, visto que at ento havia apenas algumas leis no pas referentes a fatos ocorridos no mun-do virtual, como a Lei de Proteo de Dados Pessoais, a Lei que regulamenta os processos judiciais eletrnicos e, mais recentemente, a chamada Lei Carolina Dieckmam, que traz vrias tipificaes de condutas ilcitas. Segun-do o jurista Prof. Luis Flvio Gomes, so mais de cem tipos ilcitos, mas com penas muito tmidas, aplicadas a crimes de menor potencial ofensivo e prescrio muito rpida, o que, por vezes, poder desvi-la da sua funo

    pedaggica - punitiva. O Marco Civil trata e regulamenta princpios, garantias, direitos e deve-res para o uso da Internet no Brasil. Quer ver como voc, leitor, pode j ter sido lesado sem saber? Que ati-re o primeiro mouse quem j leu todo o termo de con-dio de uso de um progra-ma ou aplicativo... Sim, eu tambm j cometi essa fa-lha. Alis, na nsia de libe-rar o acesso a qualquer ser-vio oferecido na internet, marcamos esses termos sem ao menos saber do que se tratam. Pois, a partir de agora, vedado aos provedo-res e desenvolvedores elegerem local fora do Brasil para resolver quaisquer discordncias que envolva os usurios. Por esse termo, tambm se costuma autorizar que o de-senvolvedor do programa ou aplicativo tenha acesso s nossas informaes contidas no aparelho pelo qual roda o produto adquirido (programas, jogos, e-readers, etc). Quem pode garantir o sigilo dessas informaes? De acor-do com o Marco Civil, garantido o sigilo de informaes que circulem na rede, desde que no seja uma autoridade administrativa que detenha competncia para requisio de informaes como qualificao (dados pessoais), ende-reo, filiao... Um ponto que gerou inmeras polmicas, mas que foi superado na aprovao, foi a questo dos data centers, que so centro de dados onde so armazenadas e processadas informaes. Isso porque o texto anterior do projeto de lei previa que esses centros ficassem sediados no Brasil, o que gerou indignao entre os grandes execu-tivos do setor e que acabou derrubado na Cmara, antes mesmo de ir votao no Senado, gerando maior tranqui-lidade s empresas internacionais que operam no Brasil. Uma previso feita pelo Marco Civil da Internet a promoo da incluso digital como garantia do exerccio de cidadania. Mas, ser que preparamos nossas crianas, futuro do pas, para a imerso nesse mundo digital? Te-

    mos uma educao digital para que se tenha incluso? Outro ponto muito polmico a necessidade de pedir judicialmente a retirada de material, potencialmente ofensivo, da rede. Ora, em se tratando do mundo virtual, qualquer ofensa feita pela internet, mesmo que fique no ar por pouco tempo, pode significar uma eternidade, pois uma vez lanado na rede, quanto mais passam as horas, mais difcil se torna o seu controle, pelo alcance que pode ter. Como disse no incio do texto: a abrangncia que a in-ternet pode ter em e sobre nossas vidas inimaginvel e, com certeza, um livro poderia ser escrito sobre cada artigo nele contido, como de fato j h no mercado. Quis, com esta explanao, levantar um debate sobre a tecnologia que cada vez mais presente nas vi-das de todos ns. Levantei alguns pontos sensveis, mas, o importante possuir uma lei que trate desse ambiente on line. Estamos todos aprendendo juntos a lidar com esse novo mundo, que encantador, mas tal qual o mundo real, tambm possui seus perigos e armadilhas.

    internet: marco civil entra em viGor

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