Resistencia Nr. 3 1895

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    02-Dec-2015

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Jornal Republicano Resistencia publicado entre 1895 e 1909. Impresso em Coimbra.

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  • Dspotas e cobardes Continua a ser vivamente esli-

    gmatisado por lodos os liberaes, sem distinco de partido, o acto ignbil da demisso do nosso que-rido amigo dr. Cerqueira Coimbra, do iogar de secretario da Universi-dade. A indignao causada por essa brutal prepotencia d'um go-verno que tem abusado constante-mente do poder para praticar as mais vis infamias, vibra ainda com uma intensidade que d'estranhar no meio do tremedal immundo em que a nao v immersas as classes^ dirigentes, dominadas pelo interesse sordido e egoisla, sem crenas po-liticas nem virtudes cvicas.

    E, ao mesmo tempo que ha frmitos d'indignao contra o go-verno d 'uma monarchia perjura que lem falseado completamente a sua misso, lecem-se os mais calorosos elogios ao nobre e altivo procedi-mento do nosso illustre correligio-nrio, que preferiu ser ignobilmente expulso d 'um c:>rgo exercido sem-pre com o maior zelo e lealdade, e com a mais elevada distinco, a mentir sua conscincia, deixando de affirmar publicamente as suas convices politicas. Elle, que so-mente vivia do modesto ordenado que eslava recebendo pelo seu tra-balho honrado e assduo, moslra-se inquebrantvel na sua f poli li ca, quando a aristocracia da fortuna se vende no exerccio dos mais eleva-dos direitos polticos, quando a mo-narchia se mantm custa das maiores torpezas! Medile-se bem no exemplo; allenle se no effeito que produziu.

    A nao, que parecia haver per-dido com a monarchia o seu brio tradicional, a sua histrica altivez; que parecia, oluscada j a cons-cincia, ler entrado com ella na agonia, sente um abalo er.orme, e louva a nobreza de caracter do nosso querido correligionrio, ver-berando a perfdia do governo. A prpria imprensa, que no lem lido pejo de defender as infamias do governo, curva-se reverente perante o procedimento coherenle e digno do nosso querido collega!

    O governo, que num momento de fria resolve censurar os profes-sores que haviam publicamente ma-nifestado as suas idas republica-nas, que os ameaa com a demis-so se persistirem no seu procedi-mento, cede perante a revolta pro-duzida no espirito publico pelo acto infame que praticou. Aos lentes da Universidade no dado conheci-mento official da circular por que o governo pretendia mais uma vez impor-se brutalmente, calcando o direito que lhes concedido pelas nossas leis de manifestarem livre-mente, como cidados, as suas idas politicas.

    Diz-se, e assim o cremos, que os professores republicanos da aca-demia polylechica e da escola me-dica do Forio declararam que s ouviam lr a inepta circular por considerao pessoal para com os di-rectores d'essas esclas; alguns d'el-les affirmam em documentos nola-veis pela sua energia, que no cedem

    perante as brulaes imposies d'um governo sem conscincia nem digni-dade. E o governo limila-se a man-dar mentir a imprensa assalariada, referindo-se a autos e officios que, ou no existem, ou, se existem, dizem o que no existiu.

    No viu meio de sujeitar s suas prepotncias as classes mais iluslradas do paiz, e por isso cedeu sem vergonha, sem brio, porque nunca os leve. Forte quando pode commetler impunemente crimes re-voltantes, revela a sua extrema co-bardia quando sente que vae pro-vocar resistencia. Tem vivido assim, e assim morrer sem remorsos, por-que no susceptvel d'elles quem esl completamente pervertido.

    Mas ha de chegar o momento em que a cobardia no possa evitar que se desencadeie o movimento revolucionrio., As enormes respon-sabilidades que pesam sobre a mo-narchia ho de liquidar se. Uma nao no morre como nm indivi-d u o ; manifesta muitas vezes uma energia herica quando se julga que a dissolvente anarchia feriu de morte as suas energias vitaes.

    Revelam no d'um modo evi-dente as grandes revolues de que nos falia a historia.

    Pensem, que grave C r e m o s q u e n a f a c u l d a d e d e Di-

    r e i t o s e c o n t i n u a a i n d a a lr p e l a d e -c a n t a d a C a r t a C o n s t i t u c i o n a l . C o m o , p o r m , el la e s t a b o l i d a d e f a c t o , c o n s t i t u e u m a t a q u e d i r e c t o a o s p o -d e r e s c o n s t i t u d o s , q u e o s p r o f e s s o -r e s j u r a r a m d e f e n d e r , e x p o r a s nor-m a s q u e ne l la se a c h a m c o n s i g n a d a s

    M e d i t e m o s i n t e r e s s a d o s s o b r e o a s s u m p t o , q u e p d e o r i g i n a r s r i o s c o n f i i c t o s .

    Agencia funeraria de D. Jesus & C.a

    El Adelanto, j o r n a l d e S a l a m a n c a , a r m o u u l t i m a h o r a e m c h r o n i s t a d e J o o F r a n c o , a q u e m f a z , n o seu u l t i m o n u m e r o , u m a e p o p e i a d e p r o s a chi l ra e c a s t e l h a n a .

    V e m a i n s p i d a d r o g a s o b a rubri -ca d e u m s e n h o r q u e se a s s i g n a J e s u s de q u a l q u e r c o i s a , e q u e , p a r a n o d e s m e n t i r a c a t e g o r i a q u e lhe i m p r i -m e o n o m e , a n d a p o r a h i , p o r C o i m -b r a , c r u c i f i x a n d o - s e n a s h o m b r e i r a s d a s p o r t a s c o m o o s v a l d e v i n o s d a A r c a d a .

    A f i n a l l o g i c o . O n u m e r o d o p e r i o d i c o a q u e n o s r e f e r i m o s r o m p e p o r u m a n n u n c i o m o r t u r i o , p a s s a a a n n u n c i a r o a n n i v e r s a r i o d a m o r t e d e u m G o n z a l e z q u a l q u e r , q u e p e l o s m o d o s e r a a m i g o l d a c a s a , e c a h e e m s e g u i d a d e c o c o r a s p e r a n t e a s s a b i a s p l a n t a s d o n o s s o v e l h o J o o F r a n c o .

    C o m o v e e m , a q u i l l o c h e i r a a sa-chr is t ia e a m o f o d e f a b r i c a d e E g r e j a . P o r isso t a m b e m o tal J e s u s se a p r e -s e n t a c o m u m a r u n t u o s o d ^ m Je-sus d e e x p o r t a o , q u e , p e l a s b a r b a - a s e n o v e l a d a s e p e l o s o r r i s o mel i -fluo, p a r e c e , e n t r e n s , a r e s u r r e i o d o s v e l h o s icliacorvos.

    E' triste C o r r e u ha t e m p o s q u e o s r .

    re i tor da U n i v e r s i d a d e , c o n s c i o d o s e x c e l l e n t e s s e r v i o s q u e n o d e s e m -p e n h o d o s e u c a r g o p r e s t o u s e m p r e o n o s s o q u e r i d o a m i g o d r . C o i m b r a , h a v i a a f f i r m a d o q u e c o n t i f t u a r i a de-p o s i t a n d o nel le a c o n f i a n a q u e s e m -p r e lhe m e r e c e r a e q u e , c o n s i d e r a n -d o i l legal , i n o p p o r t u n a e in just i f i c-vel a s u a d e m i s s o , se e x o n e r a r i a i m m e d i a t a m e n t e u m a v e z q u e o doi-d o J o o F r a n c o p e r s i s t i s s e n o s e u c r i m i n o s o p r o p o s i t o .

    C o m o se v , p o r m , t u d o se pas-s o u de m o d o a b s o l u t a m e n t e d i v e r s o .

    O s r . d r . C o s t a S i m e s , c u j a l a r g a f o l h a d e s e r v i o s s c i e n c i a e U n i v e r s i d a d e e s t a v a c o m p l e t a , e c u j o s a l t o s s e n t i m e n t o s d e r e c t i d o c o n q u i s t a r a m t a n t a s s y m p a t h i a s p a r a o n o m e q u e d i s f r u c t a e , m e s m o , p a r a o a l t o c a r g o q u e e x e r c e , n o q u i z h o n r a r o s e u p a s s a d o e c u r v o u s u b s e r v i e n t e m e n t e a c a b e a p a r a dei-x a r c u m p r i r s e m p r o t e s t o u m a infa-m i a q u e e n v e r g o n h a a s c i e n c i a , a c i v i l i s a o e s o b r e t u d o a U n i v e r s i d a -d e , n a p r p r i a p e s s o a d e s. e x . a , q u e o s e u r e p r e s e n t a n t e .

    A o fim d ' u m a v i d a d e d i g n i d a d e e v i r t u d e s , b e m p o d e r i a o s r . d r , C o s t a S i m e s p r e p a r a r - s e p a r a re-p o u s a r a s u a f r o n t e m u i t o a l v a s o b r e o s s e r v i o s p r e s t a d o s a o p a i z . M a s p r e f e r e d e i x a r e n x o v a l h a r a U n i v e r -s i d a d e , t r a n s f o r m a l - a e m c h a n c e l l a v e r g o n h o s a d a s e p i l e p s i a s d ' u m far- a n t e e a c a r r e t a r s o b r e si u m o d i o s o , q u e ( c o m s e n t i m e n t o p r o f u n d o o d i z e m o s ) n u n c a m a i s p o d e r s e r a p a g a d o , p e l a m e s m a f r m a q u e d ' u m m u r o a l v i n i t e n t e i m p o s s v e l a r r a n c a r a s s o m b r a s q u e u m a m a n -c h a n e g r a nel le d e i x o u .

    Os Arroyos M a l a g r a d e c i d o s a o J o o F r a n c o

    e a o H i n t z e , q u e a c a b a m d e i n t e r n a r o m a n o J o o M a r c e l i n o na c o m p a -hia r e a l d o s c a m i n h o s d e f e r r o c o m a g o r g e t a d e laia contos e quatro-centos mil ris anniiaes, o s A r -r o y o s , d o P o r t o , d e s p e j a m n o Jor-nal de Noticias u m a d i s f a r a d a d ia-tr ibe c o n t r a a pol i t i ca g o v e r n a m e n -tal . E , e m c e r t a a l f r a d a e s t o p a n t e c a r g a , e s c r e v e m :

    O governo dissolveu a eamara eleita pelo sr. Jos Dias Ferreira, apezar de ter ahi maioria. Elegeu outra eamara fazendo os accrdos que quiz com os contrrios, e con-seguindo constituir uma maioria dedicada como no ha exemplo. Vae dissolver tambem esta eamara. Kefortna o codigo administra-tiva e a lei eleitoral, tudo para obter uma nova eamara que som duvida lhe no ser mais dedicada de que a actuai. Isto tudo etn menos de um anuo. De que servem en-to os correligionrios e amigos do governo, se mesino unidos indissoluvelmente em enor-me maioria lhe no agradam para defeza?

    Sobre o partido regenerador pde cahir portanto a accusaode que o que o governo deseja mauter-so 110 poder, custe o que custar, deixando de governar constitucional mente.

    E ' b e m c l a r o q u e n o q u e r e m o s a p r o v e i t a r p a r a a r g u m e n t o s n o s s o s a s p a l a v r a s d o s e x p l o r a d o r e s m a i s a u d a c i o s o s d a p o l i t i c a m o n a r c h i c a .

    Q u a n d o q u e r e m o s f a l l a r , f a z e -m o l - o p o r n s , s e m c a r n c i a d e a lhe ia f o r a .

    M a s f o l g a m o s d e m o s t r a r a o s in-c a u t o s , q u e p o r ahi a i n d a p a i r e m d e s v a i r a d o s , q u e e s s e s r e g e n e r a d o -res c o n s t i t u e m u m a m a l t a i n f a m e , e m q u e n e m a p a r t i l h a d o s r o u b o s a v u l t a d o s p r o d u z u m a c o h e s o du-r v e l .

    Bene trovato O n o s s o c o l l e g a o Jornal do

    Commercio, e m q u e t m s i d o p u b l i -c a d o s m a g n f i c o s a r t i g o s s o b r e as p r e p o t n c i a s d o g o v e r n o e o a p o i o i n c o n d i c i o n a l q u e o s r . D . C a r l o s lhe t e m d a d o , d e c l a r a q u e axiomatico p a r a elle q u e o rei p r o c e d e n d o a s s n j u l g a proceder para maior bem do pai{. N o h a m a n e i r a m a i s fidalga p a r a d i z e r a o c h e f e d o E s t a d o q u e elle n o t e m inte i l igenc ia s u f f k i e n t e p a r a c o n h e c e r as n e c e s s i d a d e s d o p a i z . F a l t o u - l h e a c c r e s c e n t a r q u e , q u a n d o a t i v e s s e , t u d o c o r r i a d o m e s m o m o d o , p o r q u e elle p e n s a e m t u d o , m e n o s n o s i n t e r e s s e s d a n a o . O s n e g o c i o s d o E s t a d o p a r a e l l e ' s o u m a m a s s a d a . E a i n d a b e m q u e a s -s i m p e n s a . S e q u i z e s s e g o v e r n a r a v a l e r , a i n d a ficaramos p e i o r d o q u e e s t a m o s .

    I B a g r , t e l l a , s

    C a d a u m p a r a o q u e s e r v e ! T a l o c a s o d o p i l r i t e i r o n o c o n c e i t o po-p u l a r .

    I n c i t a d o s p e l o m e s m o i n s t i n c t o f e r i n o , o c a p i t o G e r a r d m a t a v a l e e s p o r b r a v u r a , e o i m p e r a d o r E l i o g a b a l o t r u c i d a v a m o s c a s p o r d e s -f a s t i o .

    E u s i n t o - m e p r o p e n s o t inta d a s b u g i a r i a s ; e m q u a n t o o u t r o s m a i s p r o f u n d o s se e n t r e g a m a o s g r a -v e s p r o b l e m a s , q u e i m p o r t a m sal-v a o d ' u m p a i z c a r c o m i d o e d e s a r -v o r a d o , p r e s t e s a ir a p i q u e , n u m a t e m e r o s a d e m e n c i a , q u e t e m t a n t o d e b u r l e s c a c o m o d e t r a g i c a .

    N e s t e m a l e s t a r , i n t e r m i t t e n c i a s d e p r o s t r a o e d e r e v o l t a i n v a d e m t o d o s o s e s p r i t o s ; e n o ha t h e r a -p e u t i c a d e j a l a p a c a p a z d e c u r a r e s t a e n f e r m i d a d e d o fgado, d e q u e p a d e -c e m t o d o s o s q u e p e n s a m s o b r e o s o s d e s t i n o s d o p a i z .

    N o s p r o p r i o s d o c u m e n t o s d e ori-g e m e c h a n c e l l a of f ic ia l e s t e s d e s a b a -f o s s o i n c o m p r e s s i v e i s . D e b a i x o d o s o l h o s t e n h o u m r e l a t o r i o m o d e r n o , o n d e se l e m c o m u m a c m i c a e m -p h a s e d e c o n c l u s o l g i c a e s t a s p a -l a v r a s : O titulo de civilisado dado a este pai\ mais do que contestvel!

    O d o c u m e n t o o f f i c i a l , s e n h o -r e s ! . . . M a s u m a u d a c i o s o t r a o d e s i n c e r i d a d e !

    A g o r a m e s m o p a s s e i p e l a v i s t a a u l t i m a o r a o d e s a p i n c i a rec i ta-d a n a s a l a d o s c a p e l l o s p o r u m p r o f e s s o r h o n e s t s s i m o e u m d o s m a i s b e l l o s c a r a c t e r e s . S o b f r m a m o d e r a d a e c o m p l a c e n t e a r a p i d a o b s e r v a o d a f u n c o g o v e r n a t i v a soDre a. n o s s a i n s t r u c o s e c u n d a r i a e s u p e r i o r , d a g e n t e f u g i r ! . . .

    S a c o n c l u s o n o l e g i t i m a , p o r q u e d e r i v o u s o b r e a d ire i ta a n t e s d e c h e g a r a o fim...

    N e s t e m o m e n t o a n d a d e n o v o a a g i t a r - s e na tela da discusso, c o m o se c o s t u m a d i z e r , q u a e s o s m e i o s d e f o r t a l e c e r a a n e m i a e c o n o m i c a d o p a i z , c o m b a t e n d o d i r e c t a m e n t e a s c a u s a s q u e m o t i v a r a m a d e c a d e n c i a .

    D e v e z e m q u a n d o ^ o s e s p r i t o s a l v o r o a d o s e n t r e v e m c l a r o . E foi n e c e s s r i o q u e s e f i z e s s e m sent i r o s e f f e i t o s d a d e r r o c a d a g e r a l , p a r a q u e o e s t r e m e c i m e n t o l h e s a b r i s s e o s o l h o s !

    E ' a g o r a , a d o i s p a s s o s d o c a t a -c l i s m o final, q u e o s c o n s p c u o s e o b e s o s a m i g o s d a o r d e m fingem r e c o -n h e c e r a s c a u s a s d a runa !

    A i n d a a g o r a d e s c o b r i r a m q u e e s t n o p a r a s i t i s m o i l l u s t r a d o , q u e v e m d e s d e l o n g e d e p a u p e r a n d o a s e i v a e e s t e r i l i s a n d o as f o r a s v i v a s d a n a o !

    E ' a g o r a q u e se r e c o n h e c e q u e o d e f i n h a m e n t o p r o v m d a s u p e r a b u n -d a n c i a d e b a c h a r i s e d o d e s p r e z o s y s t e m a t i c o p e l o s g o v e r n o s v o t a d o , a o d e r r a m a m e n t o d a i n s t r u c o p r o -fissional e p r o t e c o a o t r a b a l h o ! D a fa l ta d e o r g a n i s a o d e e n s i n o s e n s a t a , f e c u n d a , util e p e r s i s t e n t e -m e n t e d e r r a m a d o n a m o c i d a d e d a s c l a s s e s m e d i a s .

    I n s t r u c o i n d u s t r i a ; i n s t r u c o a g r i c u l t u r a . M a s i n s t r u c o s o l i d a , a v a l e r , s e m d e c o r a e s d e p a p e l p i n t a d o e s e m a s p a r l a p a t i c e s phi-i o s o p h i c a s d o s p e q u e n o s p r o d g i o s d e r e p u t a o u n i v e r s a l .

    H o n r a r o t r a b a l h o e e l e v a l - o , d a r -lhe v a l o r e p r e s t i g i o , a m p a r a l - o c o m l e g i s l a o p r o t e c t o r a e d a r - l h e c r e d i -t o , f a c i l t a n d o - l h e c a p i t a e s e a b r i n d o -lhe m e r c a d o s

    M a s e s t e m o v i m e n t o d e v e r i a t e r c o m e a d o h a v i n t e a n n o s , p e l o m e -n o s , e m d e s e n v o l v i m e n t o e c o n s o l i -d a o p r o g r e s s i v a .

    A c t u a l m e n t e , p a r a i m p r o v i s a o , c o m o p a n a c a m a n i p u l a d a p r e s s a , b a s t a o q u e h a . E e s t b e m ! . . .

    O t r a b a l h o ! N u n c a e m P o r t u g a l n i n g u m n i s s o p e n s o u a s e r i o , a n o s e r c o m o m a t r i a c o l l e c t a v e l , p a r a o s e f f e i t o s d a c o n t r i b u i o . Q u a n d o a a z a f a m a a g i t a v a t o d a s a s n a e s ,

    q u e n e s s a s v e r d a d e i r a s e g r a n d e s l u c t a s d a s e x p o s i e s i n t e r n a c i o n a e s m e d i a m c o m a n c i a o s r e c u r s o s d a s u a p r o s p e r i d a d e e d o s e u f u t u r o , a n o s s a m a n d r i i c e f o l i a v a , c o m o n a v e l h a R o m a , o n d e o t r a b a l h o p e r t e n c i a c o n d i o v i l d o s e s c r a v o s .

    P e l o fim, n e s t a s a l t u r a s d o epi-l o g o , q u e e s t a m o s v e n d o o s c o n s e -l h e i r o s e os p a t r i o t a s d ' a l u g u e r , a p o r e m a m o s o b r e o p e i t o I . . . Q u e c o r j a !

    E o p o b r e d o p a i z ! . . . e s s e p d e c o m p a r a r - s e a u m v i a j a n t e n o c o m -b o y o d o P r o g r e s s o , t e r c e i r a c l a s s e e a l f o r g e . C a h i u l inha , c o i t a d o ! e a g o r a d e i t a a c o r r e r e a b e r r a r , s u p -p o n d o q u e o t r e m v a e p a r a r p a r a o r e c e b e r !

    A.

    rcades ambo T e r m i n o u e m s a n t a p a z a p e n -

    d e n c i a e n t r e o s r . F e r r e i r a d e A l -m e i d a e o s r . N a v a r r o . A i n d a b e m !

    S e r i a g r a n d e o n o s s o p e z a r se o s r . N a v a r r o , q u e t o d o n o s s o e s n o s s o , m o r r e s s e s m o s d o s r . F e r r e i r a d e A l m e i d a !

    As incompatibilidades L e m b r a r e m o s a o s r . J o o F r a n c o ,

    v i s t o q u e e s t c o m a m o na m a s s a d a s i n c o m p a t i b i l i d a d e s , q u e ha p r o -f e s s o r e s d a U n i v e r s i d a d e q u e e s t o e m L i s b o a e x e r c e n d o c o m m i s s e s i n c o m p a t v e i s c o m o e x e r c c i o d o p r o f e s s o r a d o , e q u e , s e g u n d o a le i , d e v e m o p t a r p e l o l o g a r d e p r o f e s s o r o u pe la c o m m i s s o .

    F a a c u m p r i r a lei, s r . m i n i s t r o d o r e i n o , p a r a m e r e c e r , p e l o m e n o s u m a v e z , o s n o s s o s a p p l a u s o s .

    A Montanha Publicamos com sunimo jubilo a se-

    guinte declarao do nosso collega e va-lente correligionrio, a Montanha, de Trancoso :

    A einprezn do Jornal A TIOX-T V\ 11 t , de Trancos, faz saber que n terminou a sua publi-cao, desmentindo assim o te-legcaauina que d'esta villa foi enviado redaco das NOVI-DADES.

    A JVIOlVTAjVlEA no acabar nem deixar de seguir o parti-do em que et iiia.so.

    A redaco

    A attitude da Montanha perante o regimen monarchico continuar sendo, como at hoje, de intransigente e formal condemnao aos miserveis processos da politica portugueza.

    Gomo algum falsamente propalou que o auctor do artigo incriminado tinha fugido sua responsabilidade, a Monta-nha muito cathegoricamenie declara que Brissos Calvo no se furtou a responsa-bilidade alguma; o autograpbo do arligo est junto ao processo, que vae correndo os termos a que o obriga a iufamissima lei das rolhas. Nem Brissos Galvo, jor-nalista intemerato e republicano devota-do realisao do nosso ideal, seria capaz de interpor subterfgios ou pre-textos de qualquer ordem para fugir s responsabilidades que lhe impe a sua nobilssima e integra prolisso de jorna-lista republicano.

    No costumam proceder assim alguns dos jornalistas monarchicos.

    Comcio N o dia 3 d e m a r o r e a l i s a r - s e - h a

    u m c o m c i o e m O d e m i r a , p r o m o v i d o p e l a c o l l i g a o l i b e r a l c o n t r a a m a r -c h a c a b r a l i n a d o g o v e r n o d o s r . D . C a r l o s , o p r i m e i r o , . .

  • .N. 1

    K - j e S i H S I i r r K T W O a j m . Q u i n t a feira, 88 de fevereiro de 189

    Associao dos Artistas N o t e m o s o p r o p o s i t o d e c r i t i c a r

    a s i n d i g n i d a d e s p r a t i c a d a s p e l o s m e m -b r o s m a i s i n f l u e n t e s d o p a r t i d o g o -v e r n a m e n t a l e m C o i m b r a . A s s u m p t o b o m p a r a g a z e t i l h a s , n o l h e l i g a m o s a i m p o r t a n c i a d e o d i s c u t i r n o n o s s o j o r n a l . N o q u e r e m o s e n t r a r e m re-l a e s corn q u e m se a c h a e m i n t i m o c o n v v i o c o m c r i m i n o s o s d e t o d a s a s c a t e g o r i a s e a n n u l l a c o n t r i b u i e s s p a r a a u g m e n t a r a s u a i n f l u e n c i a elei-t o r a l .

    M a s , s e m q u e r e r d i s c u t i r o s mi-randaceos, n o p o d e m o s d e i x a r d e p e d i r a o s h o m e n s s r i o s d ' e s t a m a l -f a d a d a t e r r a q u e p e n s e m n a s c o n s e -q u n c i a s q u e h o d e d e r i v a r n e c e s s a r i a m e n t e d a s i n q u a l i f i c v e i s p r e p o -t n c i a s q u e se e s t o p r a t i c a n d o .

    J n o f a l a r e m o s d a t r i s t i s s i m a p r o v a q u e e s t d a n d o d a s u a ser ie-d a d e , b o m s e n s o e i l l u s t r a o u m a c i d a d e q u e se d e i x a d i r i g i r p o r p e s -s o a s d e ta l l a i a , p o r q u e j u l g a m o s q u e n o c o l h e r a m o s r e s u l t a d o a l g u m .

    C o m o e s t a m o s , p o r m , n u m a p o c a a c c e n t u a d a m e n t e e g o s t a , p e -d i r e m o s e m n o m e d o s i n t e r e s s e s in-d i v i d u a e s p a r a q u e se p r o t e s t e e n e r -g i c a m e n t e c o n t r a a s a r b i t r a r i e d a d e s q u e p o r ?.hi p u l l u l a m .

    D i r i g r - n o s - h e m o s h o j e a o s s o c i o s d a Associao de soccorros mtuos dos artistas de Coimbra.

    H a d o i s m e z e s q u e a A s s o c i a o e s t s e n d o a d m i n i s t r a d a p o r indiv -d u o s q u e s e m a n t m a b u s i v a m e n t e n o e x e r c c i o d a s s u a s f u n c e s , e a t h o j e a i n d a n o p r o t e s t a r a m c o m e n e r -g i a c o n t r a e s s e a b o m i n a v e l p r o c e d i -m e n t o .

    A m a i o r i a , q u e s o u b e d e r r o t a r p e r a n t e a u r n a a s i n f l u e n c i a s miran daceas, p e r m i t t e a g o r a q u e e l l a s se r i a m d a s u a v i c t o r i a , q u e p r e t e n d e m a n n u l l a r d e f a c t o . O u v e m d i z e r q u e a d i r e c o e l e i t a p o r e l la n o e n t r a r e m e x e r c c i o , e c r u z a m o s b r a o s e m b e a t i f i c a a t t i t u d e .

    M a i s d o q u e d , c a u s a i n d i g n a o e s t a i n d f t e r e n a .

    S e n o e n c o n t r a m a p o i o e m q u e m l h ' o d e v i a d a r p a r a q u e se c u m p r a a le i , a i n d a t m o u t r o s m e i o s l e g a e s p a r a e v i t a r a c o n t i n u a o d o e s t a d o a n o r m a l e m q u e s e a c h a a A s s o c i a - o . E n e c e s s r i o q u e u s e m d ^ l l e s j , s o b p e n a d e v e r e m p e r e c e r a A s s o c i a o e c o m el la a s g a r a n t i a s d o s e u f u t u r o n a s m o s d e i n d i v d u o s p a r a q u e m a lei e a c o n s c i n c i a s o p a l a v r a s s e m s e n t i d o .

    Dr. Paulo Falco T e m e s t a d o e m C o i m b r a , r e t i r a n

    d o h o j e p a r a o P o i t o , n o c o m b o y o d a s 3 d a m a d r u g a d a , o n o s s o q u e r i d o a m i g o e t a l e n t o s o a d v o g a d o , d r . P a u l o F a l c o . S . e x . a s e m p r e b e m v i n d o a e s t a c i d a d e , o n d e , a l m d o s a m i g o s q u e a s finssimas q u a l i d a d e s d o s e u b e l l o c a r a c t e r lhe t m g r a n g e a d o , c o n t a u m a m i g o e m c a d a u m d o s a d m i r a d o r e s d e s e u p a e , e s s e h o m e m e x t r a o r d i n r i o , q u e e m v i d a f o i a s y n t h e s e c o l l o s a l d e t o d a s a s e s -p e r a n a s d a P a t r i a p o r t u g u e z a .

    REPUBLICANOS PORTUGDEZES NO BRAZIL A c a b a m o s d e r e c e b e r o Boletim

    do Centro Republicano Portugue, n o P a r . P u b l i c a o m e n s a l , c o r r e s -p o n d e o n u m e r o q u e t e m o s p r e s e n t e a o m e z d e j a n e i r o . O i t o p a g i n a s i m -p r e s s a s e m p a p e l - r o s a . N a p r i m e i r a p a g i n a u m m a g n i f i c o r e t r a t o d e A l -v e s d a V e i g a . N o t e x t o v r i o s a r t i -g o s b r i l h a n t e s , a l g u n s firmados p o r i l l u s t r e s c o r r e l i g i o n r i o s , c o m o Tei-x e i r a B a s t o s , M a g a l h e s L i m a , F e -l i z a r d o d e L i m a , e t c .

    *

    O Centro Republicano d o P a r u m a a g g r e m i a o a l t a m e n t e p r e s t i -m o s a q u e a l g u n s p o r t u g u e z e s f u n d a -r a m n a q u e l l a c i d a d e b r a z i l e i r a .

    E ' e n o r m e a f o r a d e e x p a n s o d a s u a p r o p a g a n d a , e j h o j e s e a v a l i a p o r f r u c t o s m u i v a n t a j o s o s o s e u e s f o r o e m f a v o r d o s d i r e i t o s a d q u i r i d o s p e l a c o l o n i a p o r t u g u e z a n a g r a n d e R e p u b l i c a S u l - A m e r i c a n a . T e n d o e m v i s t a e s t e s d o i s fins: f o -m e n t a r o d e s e n v o l v i m e n t o d a c o n -v i c o r e p u b l i c a n a n o s n o s s o s c o m -p a t r i o t a s q u e v i v e m n o B r a z i l , e c r e a r , p e l o e s t a b e l e c i m e n t o d u m a

    s i n c e r a a f f e c t u o s i d a d e , a m e l h o r p e r m u t a d e s e n t i m e n t o s e n t r e p o r t u g u e -z e s e b r a z i l e i r o s , p o n d o a s s i m u m e n t r a v e c o r r e n t e d o nativismo, o Centro Republicano d o P a r e s t pi e s t a n d o a s s i g n a l a d o s s e r v i o s c a u s a d a D e m o c r a c i a e a l e n t a n d o n o s c o -r a e s e n f r a q u e c i d o s a e x p l o s o d o p a t r i o t i s m o p o r t u g u e z .

    T e n d o e s s a a g g r e m i a o o c o n -c u r s o d e p o r t u g u e z e s i l l u s t r e s res i -d e n t e s n o P a r , o b e n e m e r i t o Centro, se t e m a f o r a i m p u l s o r a d a s g r a n -d e s c o n v i c e s a a n i m a l - o , t e m t a m -b m o p r e s t i g i o d e r e s p e i t v e i s p e r -s o n a l i d a d e s a c o u r a a l - o n u m a inca l -c u l v e l f o r a m o r a l .

    A s s i m o Centro Republicano d o P a r e s t r e a l i s a n d o u m a g r a n d e o b r a p a r a q u e d a m o s a s n o s s a s p a l -m a s e a p p l a u s o s o b r a q u e s e c u n -d a d a p o r o u t r a s i n s t i t u i e s d o m e s -m o g e n e r o q u e n o B r a z i l s e t e m f u n d a d o , d e e n t r e a s q u a e s q u e r e m o s d e s t a c a r , n e s t e m o m e n t o , o Centro Republicano Portugue\ d o R i o d e J a n e i r o , h a t a n t o t e m p o a n i m a d o p e l a p o d e r o s a a l m a d e p r o p a g a n d i s t a e d e c o m b a t e n t e d ' e s s e i l l u s t r e p o r -t u g u e z q u e s e c h a m a C a r r i l h o V i -d e i r a .

    Crise ministerial O n o s s o s o l i c i t o c o r r e s p o n d e n t e

    d a c a p i t a l r e f e r e - s e s n o t i c i a s q u e c o r r e m c e r c a d a q u e d a d o g a b i n e t e . N o n o s p a r e c e q u e , a c o n f i r m a r - s e o b o a t o , a n a o t e n h a m u i t o a lu-c r a r c o m a s u b s t i t u i o q u e a e s t a s h o r a s s e e s t a r e n s a i a n d o e n t r e a c a m a r i l h a d o p a o .

    Q u a l q u e r s i t u a o q u e n o s e j a p r o g r e s s i s t a h a d e m o s t r a r - s e d i g n a c o n t i n u a d o r a d o s c e l e b r e s m i n i s t r i o s n e p h e l i b a t a s . U m a s i t u a o p r o g r e s -s i s t a h a d e e n c o n t r a r s r i o s e m b a r a o s , e m v i r t u d e d o s a c t o s u l t i m a -m e n t e p r a t i c a d o s p e l o p a r t i d o . V e -r e m o s o q u e s a e d ' e s t e e m b r o g l i o .

    Roubos e mentiras O c o r r e s p o n d e n t e d ' e s t a c i d a d e

    p a r a a Folha do Povo, a p r o p o s i t o d ' u m a l a d r o e i r a i n s i g n e , q u e a i n d a n o a v e r i g u m o s d e v i d a m e n t e p a r a s o b r e e l la d i s s e r t a r m o s c o m v a g a r , e s c r e v e o s e g u i n t e :

    Mas que querem? E ' costume, nesta terra de palitos, arrufadas e bacharis, rou-bar-se todas as pessoas que vestem batina e pem c a p a . . . E como os estudantes hespa-nhoes estavam nas condies, roubaram-n'os I

    N o t e e m o s c i d a d o s d e C o i m -b r a c u l p a a l g u m a d a s r o u b a l h e i r a s q u e v r i o s i n d u s t r i o s o s e s t r a n h o s a q u i p r a t i c a m .

    E , p e l a n o s s a p a r t e , c o n s i d e r a m o s t o c e n s u r v e l a m e n t i r a c a l u m n i o s a a c e r c a d e q u e m n o t e m c u l p a s , co-m o o r o u b o d e q u e s e f a l i a .

    O u n o ?

    Dr. Jos Bruno T i v e m o s o p r a z e r d e r e c e b e r

    n e s t a redaco a v i s i t a d o n o s s o c o l l e g a e q u e r i d o a m i g o d r . J o s B r u n o d e Cabedo e L e n c a s t r e , q u e f e l i c i t a m o s c o r d e a l m e n t e p e l o s e u r e s t a b e l e c i m e n t o .

    A Gerao Nova A c h a - s e p u b l i c a d a a 2 . a e d i o d o

    Numero de Natal e Anno Novo d ' e s t e j o r n a l d e a r t e e l i t t e r a t u r a q u e s e p u b l i c a n o P o r t o s o b a d i r e c o d e H e l i o d o r o S a l g a d o e J u l i o L o b a t o . E s t e n u m e r o a b r i l h a n t a d o n a p a r t e l i t t e r a r i a p o r p r o s a s e v e r s o s d e A l -b e r t i n a P a r a i z o , A l b e r t o O s o r i o d e C a s t r o , A n t o n i o d a C o s t a e S i l v a , A n t o n i o F e i j , A u g u s t o M o r e n o , G o -m e s L e a l , E d u a r d o P a c h e c o , H e l i o -d o r o S a l g a d o , H u g o D i n i z , J o o C h a g a s , J o o d e D e u s , J o o D i n i z , J o o P e n h a , J o o d a Rocha, J . L o -b a t o , L u i z G u i m a r e s , filho, L u i z T t i g u e i r o s , M r i o A l v e s , X a v i e r d e C a r v a l h o . A c o l l a b o r a o a r t i s t i c a f i r m a d a p o r A c c a c i o L i n o , E r n e s t o M e i r e l l e s e R a u l P e r e i r a .

    O Numero de Natal e Anno Novo d e A Gerao Nova t e m 1 6 p a g i -n a s e c u s t a 5 o r i s .

    A ' v e n d a n o s e s t a b e l e c i m e n t o s d o s s r s . P a u l a e S i l v a e F r a n a Amado.

    Politica estrangeira

    O p r e d o m n i o d o s i n g l e z e s n o E g y p t o , i n j u s t i f i c v e l p e r a n t e a s na- e s c i v i l i s a d a s p o r q u e n e n h u m a c o n -s i d e r a o a l t r u s t a m o v e u a I n g l a t e r r a a e s t e n d e r a s u a g a r r a d o m i n a d o r a t e r r a d o s P h a r a s , p a r e c e t e r o s s e u s d i a s c o n t a d o s .

    A p o l i t i c a a n g l o p h o b a d o a c t u a l K h e d i v a , p a r a q u e m s o b o a s t o d a s a s o c c a s i e s d e m o s t r a r a o l e o p a r d o i n g l e z o seu p r o p o s i t o d e l h e s a c c a r d a s f a u c e s a r e g i o s a g r a d a d o N i l o , q u e e l le o r a p a c e c a r n v o r o tra i- o e i r o h a t a n t o s a n n o s p r o c u r a d e v o r a r , t e m u m a u x i l i o p o d e r o s o e e f f i c a z n a g u e r r a s u r d a q u e , p e l o s b a s t i d o r e s d a d i p l o m a c i a , s e v a e m o -v e n d o I n g l a t e r r a e x e c r a d a .

    V e r d a d e , q u e d e m u i t o l o n g e v e m a p r e o c c u p a o i n g l e z a d o d o -m n i o e g y p c i a c o . . . l e v a d a , a l m d o s s e u s i n t e r e s s e s p a r t i c u l a r e s q u e a I n g l a t e r r a a n t e p e a t o d o s o s p r i n c -p i o s d e J u s t i a e a t o d a s a s c o n s i d e -r a e s d a M o r a l , p e l a r i v a l i d a d e s e -c u l a r , q u e s e t e m a f i r m a d o e d e s e n -v o l v i d o a t r a v e z d a H i s t o r i a p a r a c o m o p o v o v i s i n h o d o o u t r o l a d o d o C a n a l a F r a n a .

    J n o c o m e o d ' e s t e s c u l o a In-g l a t e r r a , p a r a q u e o E g y p t o n o v i e s s e a p e r t e n c e r F r a n a , c o n q u i s -t o u - o e d e u - o S u b l i m e P o r t a , q u e p a r a alli m a n d o u u m g o v e r n a d o r t u r c o . E q u a n d o M h m e t - A l i , u m a l b a n e z d a e s c o l t a d o g o v e r n a d o r , d e p o i s d o m a s s a c r e d o s m a m e l u k o s , s e t o r n o u s e n h o r a b s o l u t o d o E g y p t o , e c o n s e g u i u d o S u l t o d e C o n s t a n t i -n o p l a , p e l o a u x i l i o q u e l h e p r e s t o u p a r a s u b m e t t e r a G r c i a , na g u e r r a d e 2 5 - 2 8 , q u e o g o v e r n o d o E g y p t o f i c a s s e h e r e d i t r i o na s u a f a m l i a , o E g y p t o f i c o u , d e f a c t o , i n d e p e n d e n t e d o g o v e r n o t u r c o , s e b e m q u e , na a p p a r e n c i a , c o n t i n u a s s e o b e d e c e n d o a o s u l t o , o c h e f e d o s m u s s u l m a n o s o r t o d o x o s .

    F o i e n t o , e m 1 8 2 9 , q u e o s in-g l e z e s , s e m p r e amigos d o E g y p t o , p r o p o s e r a m a M h m e t - A l i r e c o n h e -c e l - o c o m o s o b e r a n o i n d e p e n d e n t e

    N o e s c a p o u a M h m e t a i n s i d i a q u e s e o c c u l t a v a na p r o p o s t a c a p c i o -s a , e r e s p o n d e u a o e n v i a d o d a I n g l a -t e r r a d e m o d o a m o s t r a r - l h e q u e , c o m o b o m m u s s u l m a n o , s e r i a fiel s e m p r e a o c h e f e d o s c r e n t e s , a o s u l t o d e C o n s t a n t i n o p l a .

    M a s u m d o s s u c c e s s o r e s d e M -h m e t - A l i , I s m a i l , e n t r o u e m re-l a e s c o m u m f r a n c e z , o g l o r i o s o L e s s e p s , p a r a a a b e r t u r a d o c a n a l d e S u e z ,

    S o b r e s a l t o u - s e a I n g l a t e r r a ; n o f o s s e e s c a p a r - s e p a r a a F r a n a o p r e d o m n i o a n c e a d o s o b r e a f e r t i l i s -s i m a r e g i o q u e o N i l o n n u n d a , en-r i q u e c e n d o - a .

    E a d i p l o m a c i a i n g l e z a , s e m p r e a s t u t a , h y p o c r i t a s e m p r e , f e z s e n t i r a o S u l t o , q u e o K h e d i v a , m a n c o -m u n a d o c o m o s f r a n c e z e s , i a , n a s u a p o l i t i c a d e e n c o n t r o a o s i n t e r e s s e s d a S u b l i m e P o r t a .

    A a d v e r t e n c i a d o S u l t o n o se f e z e s p e r a r , l e m b r a n d o a o K h e d i v a a s u z e r a n i a t u r c a ; e a I n g l a t e r r a , c o m a f o r a d a s s u a s e s q u a d r a s e a s b a l a s d o s s e u s c a n h e s , s u s t e n t o u b e m a l t o a s r e c l a m a e s d o t u r c o . E o K h e d i v a o b e d e c e u .

    F i c a r a m e m l u c t a n o E g y p t o a s i n f l u e n c i a s d a I n g l a t e r r a e d a F r a n -d a . P a r a g a r a n t i a d a d i v i d a p u b l i c a e g y p c i a , c r e o u a d i p l o m a c i a o con-trole financeiro f r a n c o - i n g l e z M a s o n d e a I n g l a t e r r a l a n a a g a r r a , p r e z a di f f ic i l d e l a r g a r . . . ; a F r a n a r e t i r o u - s e ; f e r i d a , s i m , n o s s e u s in-t e r e s s e s , m a s g r a n d e e a l e v a n t a d a n a s u a g e n e r o s i d a d e . F i c o u I n g l a -t e r r a a o d i o s a p r e p o n d e r n c i a .

    M i s e r v e l p r o d u c t o d a m a c h i a v e -lica p o l i t i c a i n g l e z a , q u e a f e i o a a o s i n t e r e s s e s d o s e u e g o s m o t o d o s o s m e i o s c o m q u e d e p a r a , h a n o s lt i-m o s a n n o s d a h i s t o r i a d o E g y p t o A r a b i - p a c h , q u e , v e n d i d o I n g l a -t e r r a , l e v a n t o u a i n s u r r e i o d e 1 8 8 2 , s o b r e a s p e r t u r b a e s d a q u a l o s in-g l e z e s c i m e n t a r a m o s e u p o d e r es-t r a n g u l a d o r d a v i d a e c o n o m i c a e p o l i t i c a d o s e g y p c i o s . E i m p o s e r a m e n t o a o E g y p t o a lei o r g n i c a d o i . d e m a i o d e 1 8 8 3 , e l a b o r a d a s o b a i n f l u e n c i a e i n d i c a e s d o r e p r e -s e n t a n t e d a I n g l a t e r r a , l o r d D u f f e r i n .

    E a I n g l a t e r r a ficou d o m i n a n d o e x c l u s i v a m e n t e . . . o d i a d a p e l o s e g y -

    p c i o s e s c r a v i s a d o s e r e n e g a d a d a E u r o p a c i v i l i s a d a , p a r a q u e m a p o -l i t ica i n g l e z a u m a p o l i t i c a d e b a n -d i d i s m o .

    M a s p a r e c e e s t a r p r x i m a d o s e u t e r m o e s s a d o m i n a o .

    R u m o r e s d e r e v o l t a c h e g a r a m d o E g y p t o , b o a t o s q u e a I n g l a t e r r a m a n d o u d e s m e n t i r p e l a Havas.

    N o d e s c o n h e c i d a , p o r m , a m v o n t a d e d o a c t u a l K h e d i v a c o n t r a o g o v e r n o d e S u a M a g e s t a d e B r i t a n i -c a , n e m c o r r e m m u i t o s e r e n o s o s e s p r i t o s p e r a n t e o p a t e r n a l p r o t e c t o -r a d o d a I n g l a t e r r a a m i g a .

    E e m c o n f i r m a o d ' e s t a a t t i t u d e h a a u l t i m a i m p o s i o i n g l e z a a o g o -v e r n o d o C a i r o , q u e m o s t r a n o c o r -r e r e m p o r l f a v o r a v e i s a s c o i s a s i n g l e z a s . C r e o u - s e u m t r i b u n a l e x -c e p c i o n a l p a r a j u l g a r o s c r i m e s e d e l i c t o s d o s indgenas c o n t r a o exer-cito i n g l e z . O t r i b u n a l c o m p o s t o d e d o i s j u i z e s ingleses e um indgena e d e u m o f f i c i a l ingle\ c o m o r e p r e -s e n t a n t e d o m i n i s t r i o p u b l i c o , s o b a p r e s i d e n c i a d o m i n i s t r o d a j u s t i a ; j u l g a r s u m m a r i a m e n t e e sem appel-lao, e p o d e r p r o n u n c i a r t o d a s a s c o n d e m n a e s , at a de morte.

    C o m o se v , n e s t e t r i b u n a l d e e x c e p o , c o m p o s t o d e 5 m e m b r o s , -h a 3 i n g l e z e s , q u e p o d e r o a p p l i c a r a o s p r o p r i o s e g y p c i o s , q u e p a t r i o t i -c a m e n t e se r e v o l t a r e m c o n t r a a p r e -p o t n c i a i n g l e z a , a p e n a d e m o r t e e m p r o c e s s o s u m m a r i o . . .

    E ' a s s i m q u e a I n g l a t e r r a v a e r a -d i c a n d o o s e u d o m n i o , o n d e o s es-p r i t o s n o , s o d o m v e i s e s u b s e r -v i e n t e s , ahi o f e r r o e o f o g o . . . d e -p o i s d o s i m u l a c r o d ' u m a j u s t i a r e g u i a r e p r a g m a t i c a .

    M a s f r g i l o p o d e r q u e e m t a e s b a s e s a s s e n t a .

    O c o n s e l h o l e g i s l a t i v o h a d e a p -p r o v a r a c r e a o d o t r i b u n a l o m i n o -s o . . . p o r q u e a I n g l a t e r r a a s s i m o q u e r . M a s s u p e r i o r s i m p o s i e s d a f o r a , d e s p t i c a e d e g r a d a n t e , h a a r e v o l t a d o e s p i r i t o p u b l i c o i n d i g n a d o , q u e i r g r a d u a l m e n t e a u g m e n t a n d o d e t e n s o , a t e x p l o d i r a u d a z m e n t e , c e g a m e n t e . . .

    E e n t o I n g l a t e r r a , q u e t e m a a n a t h e m a t i s a l - a a c o n d e m n a o d e t o d o s o s p o v o s g e n e r o s o s e h u m a -n i t r i o s , n o lhe v a l e r o a s e s q u a -d r a s d o s s e u s n u m e r o s o s c o u r a a -d o s , n e m a v o z p o d e r o s a d o s s e u s c a n h e s d e g u e r r a p o d e r d o m i n a r o g r i t o o m n i p o t e n t e d ' u m p o v o q u e se l i b e r t a .

    *

    O n o s s o f o l h e t i m

    D a revoluo ao imprio t e m d e s p e r t a d o i n d e s c r i p t i v e l e n t h u -s i a s m o . O u s a m o s s u p p o r q u e a e f f e r -v e s c e n c i a d o s n o s s o s l e i t o r e s a u g m e n -t a r a i n d a , q u a n d o , p a s s a d o s o s pr i -m e i r o s c a p t u l o s , a a c o d r a m a t i c a d o r o m a n c e s e a p r e s e n t a r c o m t o d o o f o g o q u e a p e n n a b r i l h a n t e d e

    TONY RV ILLON lhe i m p r i m i u , e q u e n o fo i e s m o r e -c i d o , a n t e s se a l a r g o u e r a d i c o u , c o m a t r a d u c o q u e d ' e l l e t e m f e i t o u m n o s s o c o i l e g a , e s m e r a d o e m s u m m o g r a u e v e r d a d e i r a m e n t e f a n a t i c o p e l o s e u t r a b a l h o .

    G e n e r o n o v o e m f o l h e t i n s , a b s o -l u t a m e n t e a p p r o p r i a d o a o c a r a c t e r d e s t e j o r n a l e a o p a l a d a r d o s s e u s l e i t o r e s , o r o m a n c e

    Da revoluo ao imprio

    m e r e c e c o m v e r d a d e o s a p p l a u s o s q u e l h e c h e g a m d e t o d a a p a r t e e a q u a l i f i c a o d e grandioso, q u e u m n o s s o a m i g o e a l t o l i t t e r a t o lhe a c a b a d e d a r m e s a d a n o s s a r e d a c o .

    E s s e s s o o s m o t i v o s p o r q u e h o j e d a m o s f o l h e t i m e m d u a s p a g i n a s e n o s c o n s i d e r a m o s o b r i g a d o s , p a r a c o r r e s p o n d e r d o m e l h o r m o d o c r e s c e n t e a n c i e d a d e d o s l e i t o r e s , a f a z e r o m e s m o s e m p r e q u e n o s f r p o s s v e l ,

    Camara de commercio e industria de Lisboa R e c e b e m o s e a g r a d e c e m o s o re-

    l a t r i o e c o n t a s d o c o n s e l h o d i r e c t o r d ' e s t a a s s o c i a o , r e l a t i v o g e r e n c i a d e 1 8 9 4 .

    V a m o s l r e n u m d o s p r o x i m o s n -m e r o s e m i t t i r e m o s a n o s s a o p i n i o .

    CONFRONTOS

    O c a r n a v a l d o s p o b r e s

    O c a s e b r e i n f e c t o , a s t r a v e s d o t e c t o s o n e g r a s , m a s p e l a p o r t a , a b e r t a d e p a r e m p a r , e n t r a u m a c h u v a d e l u z a b e n o a d a . P o r e l la v - s e u m a g r a n d e f a c h a d e c e u a z u l , u m a l i s t ra d e c a m p o s d i s t a n t e s , u m r i o s i t o n o h o r i s o n t e .

    E ' u m a m a n h t r i u m p h a l e m q u e t o d a s a s c a s i t a s d ' a l d e i a m e r g u l h a d a s n o c l a r o d o u r a d o , r u t i l a m c o m o b r a z a s .

    O s p a e s , o s t r a b a l h a d o r e s v e l h o s , l f o r a m c u i d a r d o s c a m p o s , e a s s u a s s o m b r a s p e q u e n a s j s e p e r d e m n o c a r r e i r o d a m o n t a n h a .

    E a c a s a . . . s i l e n c i o s a . . . . M a s , s u b i t a m e n t e , u m a e x p l o -

    s o d e r i s o s a n i m a t u d o e u m a c r e a n c i t a e n t r a , c o r a d a p e l a c o r r i d a , c o b e r t a d e flores, t o d a u m a c h u v a d e p a p o u l a s q u e o M a n u e l , o c o m -p a n h e i r o d e f o l g u e d o s , lhe a t i r o u s o -b r e o s c a b e l l o s . . . e p a r e c e q u e c o m e l la e n t r o u a a l e g r i a . . . ; a p r -p r i a c a s a , a v e l h a c a b a n a p a r e c e s o r r i r . . .

    *

    O g r a n d e c a r n a v a l

    O s s a l e s s c i n t i l l a m , a f o g a d o s e m m e l o d i a e e m l u z . . .

    O s Pierrots c r u z a m - s e c o m o s p a g e n s d a c o r t e o u c o m f e r o s r e i s m e d i e v a e s .

    D a m a s d e g r a n d e s v e s t i d o s p h a n -t a s t i c o s p a s s a m e m f u l g u r a e s d e s e d a s . . .

    P o i i c h i n e l l o s e x o t i c o s , d e c h a p u s d e d o i s b i c o s e e n o r m e s c o r c u n d a s d o o b r a o a p a s t o r i n h a s d e W a s -s e a u e , d o t u m u l t u a r c o n f u s o d a m u l t i -d o p i n t a l g a d a , r e s a l t a m c o r e s v i b r a n -t e s d e b a i x o d o s d e r r a m a m e n t o s lu-m i n o s o s d o s g r a n d e s c a n d e l a b r o s d e c h r y s t a l . . .

    Bouquets e n o r m e s d e i t a m p a r a o a r u m a c a n o d e p e r f u m e s . . .

    E a m u s i c a , p a l p i t a n d o a t r a z d e d e z e n a s d e p a l m e i r a s v e r d e s , e s p a -l h a - s e n a s s a l a s , n u m a e r u p o d e h a r m o n i a s .

    A s m a s c a r a s d e s e t i m d e i x a m s v e z e s f u g i r t u f o s d e c a b e l l o s l o u r o s a d o r a v e i s e d e i x a m e n t r e v e r f u g i t i v a -m e n t e f r a g m e n t o s e n c a n t a d o r e s , l -b i o s v e r m e l h o s , b o c a d o s d e p e l l e s a s s e t i n a d a s . . .

    R o m p e - s e u m a w a l s a e t o d o u m r e f l u x o s e f a z n a t u r b a .

    C o m b i n a m - s e o s p a r e s , d e s e m -p e d e m - s e a s v a s t i d e s d o parquet p o l i d o , e e m b r e v e , n o s s a l e s g i g a n -t e s c o s c u j a s j a n e l l a s a a u r o r a c o m e a a p r a t e a r , j t u d o d a n a , c h e i o d ' u m d e l r i o e x t r a o r d i n r i o .

    *

    O c a r n a v a l c e l e s t e

    O c u p l m b e o : u m a p o e i r a v a g a d e n v o a i n n u n d a - o d u m a c o r -t i n a m o n o t o n a .

    O v e n t o r .as a l t u r a s p a s s a c o r -t a n t e e f r i o e a l g u n s r a i o s d o s o l a c u s t o filtram p e l a s n u v e n s c o m p a -c t a s . G o t t a s d ' a g u a a r r a n c a d a s p o r u m a b r i s a m a i s f o r t e e s v o a a m e c a e m . . .

    A o l o n g e a c c u m u l a e s n e g r a s d e v a p o r e s p a r e c e m a m e a a r t e m -p e s t a d e g r a n d e .

    M a s a c i m a , m u i t o a c i m a d e t u d o , o s o l b r i l h a , e o s p u n h a d o s d e s t r e l l a s e n t o a f o g a d a s na s u a l u z l e m b r a m -m e m o n t e s d e f a r i n h a q u e o s m u n -d o s e n t h u s i a s m a d o s a t i r a s s e m u n s a o s o u t r o s . . .

    Jos Julio Rodrigues.

    + .

    P o r q u e m a n d a r i a o s r . F e r r o f o r m a r t o d a a p o l i c i a p o r t a d o s P a o s M u n i c i p a e s , n a n o i t e e m q u e c h e g o u a t u n a c o m p o s t e l l a n a ?

    A l g u m d i z q u e foi c o m r e c e i o d e q u e a liydra s e a p o s s a s s e d o c o f r e d a c a m a r a .

    N s j u l g a m o s q u e ella p o d e r i a t o m a r c o n t a d a cabea d a p o l i c i a .

    Tres, dois, u m ! . , . DispersemI J o g a - s e a cocolte p o r t a d a C a s a

    H a v a n e z a . A p p a r e c e u m d o i d o . T o -d o s f o g e m . A r u a fica d e s e r t a .

    _

  • - $ u i n t a f e i r a , 8 d e f e v e r e i r o d e 1 8 0 5

    CARTA DE LISBOA

    26 de fevereiro de i8g5.

    Que misria de carnaval I Chuva, lama, coices e vinho Mas-

    caras pedindo esmola, tudo aborrecido, mais triste toda a gente que o sr. Ilintze.

    O resumo d'estes tres dias est 110 facto que lhes conto :

    D a s j a n e l l a s da Avenida Palace, al-guns estrangeiros lanaram cdulas de tosto e meio tosto. Primeiro acudiu ao chamariz a gaiatada mas d e p o i s . . . toda a gente. Passou por brincadeira de entrudo a confuso em que se atropellu-va m todos, mas quantos se aproveitaram das cdulas 1 Depois d'esta caada ao dinheiro ouvi a seguinte conversa : Dez tostes! Vamos ao baile da Trin-dade !

    Resposta : No era melhor jantar-mos ?

    E aqui esta o carnaval de Lisboa. Se se janta no ha pagode, se ha pago-de o estomago que espere. Aquelles es-trangeiros foram uma mina. E ja muita gente depois do que se passou quer a administrao estrangeira.

    Ha cdulas para o b a i l e . . . A politica est embrulhada. Todos

    os jornaes faliam de crise. Os boatos so desencontrados. Uns faliam de re-composio, outros de queda ministerial completa. Uns dizem que ir outro mi-nistrio regenerador, outros que ser um nephelibata, mas eu j vejo muitos progressistas d izendo: que o rei afinal bom rapaz e com o Eduardo d'Abreu no se faz nada.

    Por mim no sei que diga: se o mi-nistrio cae, ou se os progressistas so-bem. O que vejo que a monarchia fica.

    E s nisto que os republicanos teem de pensar.

    As noticias que chegam dos es-tragos causados pela chuva, so aterra-dores. Vamos ver muita misria. Mas ningum 9e importa com isso, nem os miserveis.

    Este paiz chegou triste condio de causar d.

    Se ainda os qu o amam podessem salva l-o?!

    Quem sabe? Um esforo heroico tal-vez lizesse renascer uma esperana. Se o partido republicano quizer, pde fa-zel-o.

    Basta s coragem. Que o partido seja todo como o do Norte e provvel que todos se animem. A impresso pro-duzida pela mensagem enviada ao dr. Antonio Coimbra, pela commisso do Porto enorme. O facto da mensagem assignada por dois lentes provocou en-thusiasmo. E o governo no procede j. Talvez porque esteja para morrer, talvez porque tenha medo I E ha ainda quem lenha medo d ' e l l e ?

    Bem faziam todos os que seguissem completamente o exemplo do dr. Coim-bra e dos drs. Duarte Leite e Amndio Gonalves. Assim, sem evasivas, sem hesitaes, sem medo, que se ha de vencer!

    E o velho dr. Manso Preto! Como elle d lices a tantos novos. Para ven-

    cer a monarchia basta que se unam to-dos os homens honestos.

    Se houver noticia de ultima hora mando telegramma Claro que menos importantes q u e as do Tribuno Popular, mas sempre hei de dizer alguma coisa.

    E vamos a ver os progressistas. L voltam os troves de lata para o baliu. E o barrete phrygio, substitudo pelo barrete de dormir, dar aos filhos de Passos Manuel a consolao do po-d e r . . .

    Que ainda ha papel em II4mburgo!

    Jocelli.

    Como se faz a historia U m j o r n a l j u r d i c o d ' e s t a c i d a d e

    i n s e r e u m c a l o r o s o e l o g i o o b r a r e c e n t e d o s r . F e r r e i r a A u g u s t o , a j u d a n t e d o p r o c u r a d o r r g i o d a r e l a o d o P o r t o , s o b r e Alienados criminosos, cadeias, e t c . O e n c o m i o c o n c l u e a s s i m :

    Se os nossos governos ouvissem este distincto magistrado, e se os nossos legisla-dores lessem esta sua obra, no j a z e r i a m em tamanho abandono os tribunaes cr iminaes e os servios que lhes dizem espeito.

    P a r e c e - n o s , p a r a h o n r a d o juris-c o n s u l t o q u e s u b s c r e v e e s t a s l i n h a s , q u e o l i v r o e m q u e s t o n o fo i p o r s. e x . a l i d o . A l g u m , q u e p e r t e n c e r e d a c o d a Resistencia, v i u se o b r i g a d o a c o n s u l t a l - o ha p o u c o t e m -p o e p o d e r p r o v a r , s e n d o n e c e s s -r io , q u e elle p a d e c e d e g r a v e s d e f e i -tos e e s t e i v a d o d e e r r o s , c o n t r a c e n -s o s , i n c u r i a s de r e d a c o e c o n t r a d i -c e s , q u e p o r i a m d e s o b r e a v i s o o il lustre r e d a c t o r d a Revista de Le-gislao e de Jurisprudncia, s e a s u a , a l is , a u c t o r i s a d a o p i n i o s ti-v e s s e a p p a r e c i d o a p u b l i c o d e p o i s d u m a , a i n d a q u e f u g i t i v a , l e i t u r a .

    NOTICIRIO

    U m a f e s t a i n t i m a n o t h e a t r o D . L u i z

    N o v e l h o p a r d i e i r o , q u e q u a s i e s t a c a h i r a o s p e d a o s , p e r p a s s o u na s e g u n d a f e i r a u l t i m a a m o ca-p r i c h o s a d ' a l g u m a e n c a n t a d o r a f a d a .

    R i s o s , flores, d a m a s ga lant ss i -m a s , c a n t o s d e s e r e i a , bouquets for -m o s s s i m o s , d a v a m s a l a d ' e s p e c t a -c u l o s u m t o m a n i m a d o d e v ida e m o c i d a d e .

    R e p r e s e n t o u - s e a o p e r a Fausto, c o n v e n i e n t e m e n t e e c h i s t o s a m e n t e arreglada p e l o n o s s o d e d i c a d o c o r -r e l i g i o n r i o d r . C o s t a P e r e i r a e p e l o i l lustre m e s t r e d a m u s i c a r e g i m e n t a l s r . R i b e i r o A l v e s .

    E s c u s a d o d e s c r e v e r o q u e se p a s s o u . D e s n e c e s s r i o a p o n t a r o s t r o c a d i l h o s , as p a s s a g e n s g a l a n t e s , a a p p r o p r i a o d e c n t i c o s p o p u l a -r e s , f e i t o s c o m t o s u p e r i o r m e s t r i a p e l o s dois i n t e l i g e n t e s arreglantes e s u p e r i o r m e n t e s u b l i n h a d o s p o r g e n -t i l i ss imas s e n h o r a s e i n t e l l i g e n t e s ra-p a z e s , c h e i o s d e v i d a e b o a v o n t a d e .

    Folhetim da RESISTENCIA

    DA REVOLUO A IMPRIO ( R O M A N C E R E V O L U C I O N R I O )

    P R I M E I R A P A R T E : 1 7 8 9 - 1 7 9 2

    I I

    CADET TRICOT

    A l i ! vocemece, minha visinha! disse elle, e faliava to baixo que quasi no se ouvia, vocemec, e vem, sem duvida, pedir-me um remedio para o seu f i l h o . . .

    No esperou pela resposta e comeou a ir e vir, deslocando frascos, pacotes d'hervas, raizes, & fatiando comsigo pro-prio. . .

    Um remedio! Um r e m e d i o ! . . . vem todos pedir-me um remedio, a mim, que vendo hervas. Que d o i d o s ! . . . O re-medio no est aqui. Est alli, direita, em casa do padeiro que vende po; est alli, esquerda, em casa do marchante, q u e v e n d e c a r n e . Est alli em fren-t e , na loja do armeiro que vende espingardas! Mas no, v m aqui por habito, e habiluam-se tambem a vr morrer os i l h o s . . .

    E tinha levantado a voz.

    Est bem! disse a mulher. Saiu bruscamente e tomou esquer-

    da. Em frente do balco, alm do qual estavam em sangue quartos de vacca e de carneiro, parou de novo.

    Fez um movimento para entrar no aougue; depois recuou; e parou ainda uma vez decidida a entrar.

    Jenny seguia-a com o olhar. De repente, dirigiu se a Cadet Tr icot :

    T e n s dinheiro? perguntou-lhe ella. S i m , tenho um escudo. Q u e r e s dar-m'o? Cadet hesitou um p o u c o , n o muito

    tempo, depois procurou na a lg ibe ira : Aqui est! disse elle. Mam, disse Jenny, aqui tem um

    escudo; compre a carne para meu irmo. A Combate saltou sobre a moeda. E' teu, no assim, este di-

    nheiro? E \ E, provavelmente, no tens se-

    no este, No tem duvida; quando o tiver,

    ento m'o restituir. E' justo. A mulher entrou no aougue e saiu

    quasi immediatamente com um pacote na mo. Na dureza do seu rosto, havia agora doura. Os seus gestos eram menos rudes. A sua voz menos ener-gica.

    N i n g u m se e s q u e c e u d e t u d o i s s o , e n e s t a c i d a d e n o se t e m f a l l a d o e m o u t r a c o i s a .

    D i s p e r t a r a m e x t r a o r d i n r i o en-t h u s i a s . n o a l m d o s a u c t o r e s , a s e x >o>as s r > a s D > p a i m y r a d a C u n h a

    ( M a r g a r i d a ) , be l ia v o z , s u p e r i o r m e n -te t i m b r a d a , d u m a c o r r e c o e en-c a n t o r a r o s m e s m o e m a r t i s t a s p r o -fissionaes, e n i c o e m a m a d o r a s D . A u g u s t a B u t l e r ( S i e b e l ) , s e d u c t o r a -m e n t e v e s t i d a , d e v o z m a v i o s a e p e r f u m a d a , e D . M a r i a J o s d e M a -c e d o ( M a r t h a ) , m u i t o a l e g r e e d e s e n -v o l t a n o s e u c a n t o a f i n a d o e p e n e -t r a n t e .

    F o r a m t a m b e m c o b e r t o s d o s m a i s r e p e t i d o s e p r o l o n g a d o s a p p l a u s o s o s s r s . J o o R o q u e ( F a u s t o ) , M r i o G a y o ( M e p h i s t o p h e l e s ) e J o s D o r i a ( V a l e n t i m ) . O s srs . P e d r o N a z a r e t h e F r a n c i s c o M a r t i n s , n o s s e u s p a p e i s d e W a g n e r e A d j u n t o , d e r a m r e l e v o a o c o n j u n c t o .

    O s c r o s , n u m e r o s o s , m u i t o ga-l a n t e m e n t e v e s t i d o s e , n a p a r t e fe-m i n i n a , d e l i c i o s a m e n t e e n c a n t a d o -r e s , d e s e m p e n h a r a m c o m s u p e r i o r c o r r e c o a p a r t e q u e l h e s foi d i s t r i -b u d a .

    A 1 m e i a n o i t e , a c a b a d a a r e c i t a , e m q u e a s p a l m a s e flores n o ces-s a r a m e o s m e l h o r e s t r e c h o s f o r a m b i s a d o s , e m q u e as c h a m a d a s se c o n t a r a m p o r d e z e n a s e o n o s s o q u e r i d o c o r r e l i g i o n r i o A r n a l d o B i -g o t t e t a l h o u e m v e r s o s d e p que-b r a d o u m a a l e g r e c o r a d e l o u r o s a o v e l h o a m i g o d r . C o s t a P e r e i r a , c o m e o u o b a i l e , q u e se p r o l o n g o u , n u m a a n i m a o e x t r a o r d i n a r i a , at as 5 d a m a n h .

    O s e r v i o , m u i t o a b u n d a n t e e t r a n s p o r t a d o c o m g a l a n t e r i a p e l o s p r o m o t o r e s d ' a q u e l l a noite d e v i v a s r e c o r d a e s , p e r c o r r e u v a r i a s v e z e s a s a l a .

    Q u a n d o , na d e b a n d a d a , se a p a r -t a v a m o s g r u p o s , v ia-se a i n d a , n o s b r i l h a n t e s o l h o s d u m a s , n o s l b i o s d ' o u t r o s e n o c o r a o d e t o d o s , e s t a p h r a s e s u p e r i o r m e n t e e n c o m i s t i c a , m a s e m a b s o l u t o m e r e c i d a :

    N o p o d e r i a s o n h a r - s e f e s t a m a i s b r i l h a n t e e q u e m e l h o r e s m o -m e n t o s p r o p o r c i o n a s s e e m noi te d e c a r n a v a l !

    Q u e p r u d n c i a !

    U m i n d i v i d u o d ' e s t a c i d a d e l e v o u , na t e r a fe i ra u l t i m a , e m fcente d a n o s s a r e d a c o , u m a ri ja b o f e t a d a d ' u m a o u t r a p e s s o a d e C o i m b r a , q u e d e i x a n d o lhe u m a o r e l h a a v e r -ter s a n g u e , c o n c l u i u :

    E s t o u s a t i s f e i t o , s e u p u l h a ! O a g g r e d i d o c a l o u - s e , v i r o u cos-

    t a s e . . . m a r c h o u , c o a n d o a o r e l h a e a p a l p a n d o a f a c e .

    E s t a v a p e d i n d o d s e d o b r a d a .

    D r . G a r r i d o

    A p s u m a l o n g a e c r u e l e n f e r -m i d a d e a c a b a d e tal ecer na s u a c a s a d o P a t e o d o C a s t i l h o , nes ta c i d a d e , o i l lustre p r o f e s s o r d a F a c u l d a d e d e P h i l o s o p h i a o d r . C o u t i n h o G a r r i d o .

    O s e u e n t e r r o , q u e foi m u i t o c o n -c o r r i d o , r e a l i s o u - s e h o n t e m p e l a s 11 h o r a s da m a n h .

    A ' s u a e x . m a f a m l i a e n v i a m o s o s n o s s o s p e z a m e s .

    c a m a r m u n i c i p a l

    E ' u r g e n t s s i m o q u e a e a m a r a m u n i c i p a l a t t e n d a a o e s t a d o e m q u e se e n c o n t r a o a r c o d o a q u e d u c t o d e S . S e b a s t i o , j u n t o a o L y c e u . C o m o s l t i m o s t e m p o r a e s , a b a t e u u m p o u c o e a b r i u l a r g a s f e n d a s p o r o n d e c o n s t a n t e m e n t e c a e a g u a a j o r r o s . N o s e r d e a d m i r a r q u e , p o r oc-c a s i o d ' o u t r o t e m p o r a l , o a r c o der-r u a , o q u e p o d e r o c c a s i o n a r incal-c u l v e i s d e s a s t r e s . B a s t a r q u e se l e m b r e m d e q u e p o r alli e s t a c i o -n a m t o d o s o s d i a s d e z e n a s d e e s t u -d a n t e s d o L y c e u , q u e p o d e r o ser a t t i n g i d o s p e l o s e s c o m b r o s d o a r c o , a o a b a t e r .

    P a r e c e - n o s q u e este r e c e i o d e v e s e r m o t i v o s u f i c i e n t e p a r a a e a m a r a m u n i c i p a l sa ir u m p o u c o da sua o l y m p i c a i n d i f f e r e n a , q u e lhe ha-bitual q u a n d o se lhe a p o n t a qual -q u e r s e r v i o d e i n t e r e s s e p u b l i c o u r g e n t e .

    A T h e a t r o C i r c o

    D o e n a

    T e m e s t a d o g r a v e m e n t e d o e n t e e m L i s b o a o n o s s o a m i g o , d e d i c a d o c o r r e l i g i o n r i o e s t r e n u o p r o p a g a n -d i s t a , sr . J o o M o r a e s C r a v e l l a .

    D e s e j a m o s c o m o m x i m o inte-r e s s e o r e s t a b e l e c i m e n t o d a s u a p r e -c i o s a s a d e .

    N o p r o x i m o s a b b a d o , 2 d e m a r - o , r e a l i s a s e n e s t e t h e a t r o , a e s t r e i a d a c o m p a n h i a h e s p a n h o l a e q u e s t r e e a c r o b a t i c a d e D . M i c h a e l a A l e g r i a .

    H a m u i t o e n t h u s i a s m o p o r q u e o s a r t i s t a s v m p r e c e d i d o s d ^ m a g r a n d e f a m a .

    P o r e s t e m o t i v o , a f e s t a a r t s t i c a d o s r . F r a n c i s c o L u c a s , e m q u e to-m a r p a r t e o v e l h o T a b o r d a , f o i t r a n s f e r i d a p a r a o dia 16 d o m e s m o m e z .

    S o i r e s p a r t i c u l a r e s

    A s m a i s b r i l h a n t e s e a s m a i s a n i m a d a s d e s t a s n o i t e s c a r n a v a l e s -c a s f o r a m p a s s a d a s e m c a s a s p a r t i -c u l a r e s .

    O n o s s o q u e r i d o c o r r e l i g i o n r i o e d e d i c a d o a m i g o , s r . d r . M a n s o P r e t o , t e v e o p r a z e r de v r r e u n i d a s na s u a v i v e n d a d e C e l l a s a l g u m a s f a m l i a s d a s u a i n t i m a a m i z a d e , d a n - a n d o - s e n o s a b b a d o e t e r a f e i r a u l t i m a a t m u i t o t a r d e .

    A o a n t i g o e d e d i c a d o r e p u b l i c a -n o , a o d e c a n o d o s d e m o c r a t a s p o r -t u g u e z e s , l e v a n t a r a m c s s e u s c o n v i -v a s s a u d a e s c a l o r o s a s , e m q u e ia u m a h o m e n a g e m m e r e c i d a p e l o s e u c a r a c t e r d i g n s s i m o e u m p r o -t e s t o c o n t r a a s r e c e n t e s i n f a m i a s g o v e r n a m e n t a e s i n q u a l i f i c v e i s .

    H o n r a a o n o s s o q u e r i d o a m i g o , a o s y m p a t h i c o r e p u b l i c a n o , e a o c a r a c t e r i m m a c u l a d o !

    R e c e b e m o s e a g r a d e c e m o s o Re-latorio e contas da Associao Hu-manitaria de Bombeiros Voluntrios de Coimbra, c o r r e s p o n d e n t e ao a n n o de 1894.

    Dep ressa I depressa ! disse ella ; esto a nossa espera.

    Uma viella cortava a rua ; metteu por alli.

    Na extremidade d'esta viella uma grande casa isolada expunha a todos os ventos as suas pereds nuas, as suas janellas sem alisares, os seus vidros que-brados substitudos por papeis.

    Para alm d e s t a casa estendia-se um immenso terreno vago, e, para l d'este terreno, os telhados de Paris fu-megavam ao longe.

    E' aqui que ns moramos, disse Jenny. Subiram tres andares. A mulher levantou a aldrava e abriu.

    Cadet viu um grande quarto cheio de misria. Uma creana jazia sobre um catre, ao p da j a a e l l a ; uma outra, de p a um canto, chorava mordendo os punhos; ao p da meza estava assenta-do um homem, a cabea mettida nas mos, immovel.

    Vamos, Miguel, a p ! exclamou a mulher, accende o lume, deita agua na marmita; trago c a r n e ; o pequenito ter o seu caldo I . . .

    Miguel retirou as m o s ; levantou a cabea e quiz fa l tar; mas a garganta cerrou-se-lhe, as feies contrahiram-se-Ihe, e rompeu num violento soluar. A me comprehendeu. > Precipitou-se sobre o catre." Depois

    A s s e m b l a R e c r e a t i v a

    E ' s u p e r i o r a t o d o o e l o g i o o m o d o b r i l h a n t e c p m o a d i r e c o d a A s s e m b l a R e c r e a t i v a C o n i m b r i c e n -s e r e a l i s o u o s dois b a i l e s q u e p r o m o v e u p e l o c a r n a v a l d ' e s t e a n n o .

    N u m e r o s a e d i s t i n c t a c o n c o r r n -cia d e f a m l i a s a f f lu iu A s s e m b l a n o s d o i s d i a s d e b a i l e , d a n a n d o - s e a n i m a d a e c o n s t a n t e m e n t e a t a o a m a n h e c e r , e sa indj) t o d o s e v i d e n t e m e n t e j u b i l o s o s p l a s d e l i c i o s a s noi-tes q u e p a s s a r a m . D i s t i n g u i a m - s e m u i t a s s e n h o r a s e l e g a n t e m e n t e v e s -t idas e a l g u m a s d e l i c i o s a m e n t e cos-tumes, q u e n a s l o n g a s filas d a s c o n -t r a d a n a s e n o r e d e m o i n h a r d a s v a l s a s p u n h a m a n o t a s c i n t i l l a n t e d o s s e u s t r a j e s g a r r i d o s .

    A A s s e m b l a R e c r e a t i v a e n t r o u ha p o u c o n u m a p h a s e d e v i d a e p r o s p e r i d a d e q u e n o t i n h a , e p o r i s s o d e e s p e r a r q u e , p e l a d e c i d i d a b o a v o n t a d e d o s s e u s c o r p o s diri-g e n t e s , p r e e n c h a e m C o i m b r a a f u n -c o q u e lhe p e r t e n c e , c o m o c e n t r o d ' u m a a g g r e m i a o i l lustre e s e l e c t a .

    caiu por terra; de repente, de p, tor-cendo os braos, tornou a cair, gri-lando :

    Morreu I

    I I I

    A C O M B A T E

    Foi um concerto de gritos, de lagri-mae, de s o l u o s . . .

    Jenny tinha-se approximado de seu p a e ; lanou-se-lhe nos braos e chorava abraada a elle. O pequenito, ao lado, chorava tambem. Cadet Tricot, encosta-do hombreira da porta, soltava suspi-ros capazes de abalar a casa. A me ti-nha caido de joelhos ao p do pequenino cadaver; e fatiava ao filho, como se elle podesse ainda ouvil-a:

    O h ! meu filho, meu querido fi-lho! meu pobre Claudinho! Tu, que eras to querido, que brincavas tanto ! . . . Quem poderia dizer-me que eu te veria ahi um dia, deitado, sem m o v i m e n t o ? . . . Eras tu o mais forte dos tres, e s tu quem p a r t e ! . . . Tu , o mais novo, o mais querido, o Benjamim ! . . .

    E carinhosamente dispoz em volta da cabea da creana os seus anneis loiros, que a agonia tinha empastado e desfeito.

    Como elle formoso ! . . . At pa-rece que est dormindo 1 . . .

    D e s a s t r e

    C a h i u e s t a m a n h a o riu u m filhito d e M a r i a d a P i e d a d e . A p o b r e c r e a n - a , q u e a p e n a s t e m 3 a n n o s , p e r e c e -ria c e r t a m e n t e , se A d e l i n o d e J e s u s , d a r u a N o v a , n o lhe t i v e s s e l o g o a c u d i d o .

    R e g i s t a m o s c o m p r a z e r e s t a b o a a c o .

    R e c e b e m o s h o j e e m u i t o a g r a d e -c e m o s o Relatorio e contas da dire-co da Associao Commercial de Coittibra no exercido de i8g3-i8g4.

    E u m c o n j u n c t o d e d o c u m e n t o s m u i t o i n s t r u c t i v o s , q u e d o a m e d i d a d o d e s e n v o l v i m e n t o a t t i n g i d o a t m e a d o d o a n n o f i n d o p o r e s t a i m -p o r t a n t s s i m a a g g r e m i a o , q u e tan-tos s e r v i o s e s t p r e s t a n d o a o c o m -m e r c i o d e C o i m b r a .

    Despedida C a r l o s A l b e r t o H o m e m C o r t e

    R e a l , s e n d o o b r i g a d o a p a r t i r i n e s . p e r a d a m e n t e p a r a Q u i l i m a n e , e n o p o d e n d o d e s p e d i r - s e p e s s o a l m e n t e d e t o d o s o s s e u s a m i g o s , fa l -o p o r e s t e m e i o e o t l e r e c e o seu p r s t i m o n a -q u e l l a l o c a l i d a d e .

    Cobriu-o; estendeu sobre o peque-nino corpo enimagrecido o farrapo de li-nho que lhe servia de lenol.

    Dorme ! . . . Ests bem, ao meno3, agora ? Est-me parecendo a cada ins-tante que elle vae accordar e responder-me, batendo uma contra a outra as suas pequeninas p a l m a s ! . . . Uecordas-te, Mi-guel , de quando o baplismos? Traba-lhavas ento em Chaillot e possuamos uni dinheirito. Os visinhos vieram f e s t a . Agora tudo ir bem, dizamos n s . Quando se feliz, ha sempre con-fiana. Depois, tudo tem corrido mal . Mas que fazia isso? Possuamos o nosso filho. Fallava j ssinho; dizia pap, mam. Bastava olhares para elle, logo te sentias restaurado, quaudo entravas noite. Eu, supportava tudo por causa d e l l e . No gritava, com medo de o ac-cordar, se elle dormia; se estava accor-dado, ria-me para o fazer r i r . . .

    Levantou-se bruscamente: Sabem de que elle morreu? vocs

    s a b e m ? . . . Morreu de f o m e ! . . . Todos susliverain as lagrimas. . . Ella, ento, dirigiu-se janella e

    abriu-a violentamente: Escuta, tu, que no s d ' a q u i !

    L em baixo! v j , do outro lado de Paris, ha uma quinta, toda ella cheia de palacios, que se chama Y e r s a i l l e s . . .

    Em volta d e s s e s palacios ha jardins

  • R X S S i S S i n C B ^ I V C ^ K i m . Quinta feira, 38 de fevereiro de 1 8 9 5

    RECLAMES E ANNUNCIOS ESTABELECIMENTO

    DE

    u

    n n

    D E

    Joo Gomes Moreira 50 RUA FERREIRA BORGES 52

    ( E m frente no Arco il'Alniedina)

    C O I M B R A

    6 Esta c a s a , s e m d u v i d a , a q u e em Coimbra t e m um s o r t i m e n t o mais c o m p l e t o no s e u g e n e r o , e n c a r r e g a - s e da m o n t a g e m d e

    pra-raiom, teleplionea, campainhas electrieas, etc., se rv io e s t e q u e fei to p e l o s b a b e i s e l e c t r i c i s t a s d e L i s b o a os s r s . l i a m o s & Silva d e q u e m t em a g e n c i a ne s t a c i d a d e .

    P a r a fra da t e r r a q u a e s q u e r i n f o r m a e s q u e l h e s e j a m p e d i d a s s e r o i m m e d i a t a m e n t e d a d a s .

    T e m g r a n d e d e p o s i t o d e Cimento da Companhia Cabo M o n d e g o q u e s u b s t i t u e c o m v a n t a g e m o c i m e n t o i ng l ez e cus t a m u i t o m a i s b a r a l o .

    Alm d a s f e r r a g e n s g r o s s a s t e m t a m b e m um bon i to s o r t i m e n t o d e f e r r a g e n s l i n a s , t e s o u r a s d e t o d a s a s q u a l i d a d e s e para t o d o s os off ic ios , c a n i v e t e s , f a q u e i r o s , r r i s t o f l e , m e t a l b r a n c o p r a t e a d o , c a b o b a n o , m a r l i m , e t c . C o l h e r e s p a r a s o p a e c h , c o n c h a s p a r a t e r r i n a e a r r o z , em m e t a l b r a n c o p r a t e a d o .

    G r a n d e s o r t i m e n t o d e louas de fe r ro e s t a n h a d o e e s m a l t a d o . B a n d e j a s , o l e a d o s , t o r r a d o r e s , m o i n h o s e m a c l i i n a s pa ra c a f . B a l a n a s d e t o d o s os s y s t e m a s , a za s n i k e l a d a s pa ra p o r t a s e c a n c e l l a s .

    7 Experimentada ha m a i s d e 4 0 a n n o s , p a r a c u r a r e m p i g e u s e o u t r a s d o e n a s d e p e l l e .

    V e n d e - s e n a s p r i n c i p a e s p h a r m a c i a s . D e p o s i t o g e r a l P h a r m a c i a R o s a & V i e g a s , rua d e S . V i c e n t e , 3 1 e 3 3 L i s b o a E m C o i m b r a , na d r o g a r i a R o d r i g u e s da S i l v a & C a

    N . B . S v e r d a d e i r a a q u e t i v e r e s t a m a r c a r e g i s t a d a , s e g u n d o a lei d e 4 d e j u l h o d e 1 8 8 3 .

    M O RODRIGUES BRAGA SUCCESSOR

    17, Adro de Cima, 20 (Atraz de S. Bartholomeu)

    C O I M B R A

    8 Armazm d e f a z e n d a s d e a l g o d o , l e s e d a . V e n d a s p o r j u n t o e a r e t a l h o . G r a n d e d e p o s i t o d e p a n n o s c r u s . F a z - s e

    d e s c o n t o n a s c o m p r a s p a r a r e v e n d e r . C o m p l e t o s o r t i d o d e co roas e b o u q u e t s , f n e b r e s e de g a l a . F i t a s

    de fai l le , m o i r g l a c e s e l i m , e m t o d a s a s c r c s e l a r g u r a s . E a s d o u r a d a s pa ra a d u l t o s e c r i a n a s .

    C o n t i n u a a e n c a r r o g a r - s e d e f u n e r a e s c o m p l e t o s , a r m a e s f n e -b r e s , e t r a s l a d a e s , t a n t o n e s t a c i d a d e c o m o f r a .

    LECCIONAO F . F E R N A N D E S COSTA,

    quintanista de Direito, confi-r m a a leccionar Philosophia e Litteraura, no Arco da Trai-o, n. 2 1 .

    Do-se o p o r t u g u e z . P r e o s os m a i s b a r a t o s .

    T a m b e m t e m L i s inhas finas e o u t r a s f a z e n d a s p a r a c o b e r t u r a s b a r a t a s .

    No m e s m o e s t a b e l e c i m e n t o v e n d e m - s e e a l u g a m s e c a b e l l e i r a s p r p r i a s p a r a a n j o s e p a r a l l iea-t r o s .

    G A m i u DA SILVA CIRURGIO-DENTISTA

    17 Participa aos s e u s c l i e n t e s q u e a c h a n d o - s e r e s t a b e l e -

    c ido da doena q u e o a c c o m m e l -t e u , c o n t i n u a a d a r c o n s u l t a s , t o -dos os d i a s , d a s 9 h o r a s da m a n h a t s 3 da t a r d e .

    &ESISTENCIA ( P L I B L I C A - S E A O S D O M I N G O S

    E Q U I N T A S F E I B A S )

    R e d a c o e A d m i n i s t r a o

    A R C O D ' A L M E D I N A , 6

    E D I T O R

    Joo Maria da Fonseca Frias

    C o n d i e s d e a s s i g n a t u r a ( P A G A A D I A N T A D A )

    Com estampilha: A n n o 26700 S e m e s t r e i $ 3 5 o T r i m e s t r e . . 6 8 o

    Sem estampilha: A n n o 2 $ 4 o o S e m e s t r e 13&200 T r i m e s t r e 6 0 0

    Cada linha, 3o risRe-peties, 20 ris. Para os srs. assiguantes desconto de 5o %.

    L I V I C O

    Annunciam-se gratuitamen-te, todos aquelles com cuja re-messa este jornal fr honrado.

    TYPOGRAPHIA OPERARIA

    C O I M B K A

    *

    s o b e r b o s , e , n e s t e s j a r d i n s , p e s s o a s v e s t i d a s de ve l l udo , v e s t i d a s d e s e d a , q u e vo , q u e v e e m , q u e no p e n s a m s e n o em g o s a r , d i v e r t i r - s e , c a n t a r , d a n - a r . . .

    E , e n t r e t a n t o , a s e u s filhos no fal ta n a d a . T e e m bom c a l d o , p a s t e i s , b r i n q u e d o s , v e s t i d o s d e p a n n o fino b e m for ra -d o s d e p e i t e s pa ra o i n v e r n o , e ves t idos d e f a z e n d a l eve , f r e s c a , p a r a o ve ro . O s n o s s o s filhos, os nos sos , no teem n a d a . C o m t u d o , se e l l e s n a s c e r a m , a c u l p a n o >ua. No o p e d i r a m ! . . . J u s t i a I J u s t i a pa ra e l les 1 E g u e r r a a o s o u t r o s ! . . . G u e r r a aos a r i s t o c r a t a s , a o s c h a p u s d e p l u m a s , aos ves t i dos de s e d a , a t o d o s a q u e l l e s q u e se d i v e r t e m e g o s a m e m q u a n t o ns m o r r e m o s de fo-m e ! G u e r r a de m o r t e ! O h e r v a n a r i o d i s s e : H a e s p i n g a r d a s no a m i e i r o . . . A ' fal ta de e s p i n g a r d a s , e n c o n t r a r e m o s f e r r o , ns p r o p r i o s o f o r j a r e m o s , f a b r i c a -r e m o s c h u o s e m a c h a d o s I V e r s a i l l e s n o es t l o n g e ! H a v e m o s de ir l a b a i -x o faze l -os d a n a r ! . . .

    E e l l a , d e p , e s t e n d i a o p u n h o fe-c h a d o pela j a n e l l a a b e r t a . O s o u t r o s , ele> i r i s a d o s , e s c u t a v a m na r e p e l i n d o :

    G u e r r a ! g u e r r a ! . . . P o r fim a p e q u e n a J e n n y fez o u v i r

    o s eu Ilepl Ilep I O seu c o r p o db i l o b e d e c e u ao c o m m a n d o , e foi uma ma ravilha ver como em a l g u n s m i n u t o s o

    fogo se a c c e n d e u e a m a r m i t a foi posta ao l u m e .

    E ' v e r d a d e q u e o v a l e n t e C a d e t a j u -dava s e m ge i to e a t r a z a v a um pouco .

    Q u a n d o a ca , dev ida ao e s c u d o do c a m p o n e z d ' A r c i s , foi pos ta s o b r e a m e s a , os m i s e r v e i s d e r a m t r g u a s , por um i n s t a n t e , sua d r . C o m e r a m em s i l enc io , sem s e o l h a r e m .

    O p a e e n c h u g o u a b o c c a , a p e r t o u a blusa c o n t r a o pe i to n , e s a i u . N o era n e c e s s r i o t r a t a r d o e n t e r r o do l i l h o ? . . .

    J e n n y tomou o i rmos i to ao col lo , e m b a l l o u - o pa ra o a d o r m e c e r , e , q u a n d o el le c e r r o u os o lhos , ba ixou a voz pa ra no o a c c o r d a r , f a t i ando com o seu a m i -go C a d e t .

    A C o m b a t e p e g o u em um nove l lo de l e a g u l h a s , a s s e n t o u - s e n u m b a n c o q u e b r a d o ao p do c a d a v e r e poz - se a fuzer meia em s i l enc io .

    Pouco a pouco o sol foi c a i n d o a t r a z dos tec tos d e P a r i s , co lo r indo d e v e r m e -lho o ceu o c c i d e n t a l . As s o m b r a s ca -r a m , a no i te foi d e s c e n d o , a s vozes ca -l a r a m - s e e o s i l enc io no e r a i n t e r r o m -p ida s e n o pelo r u d o d a s a g u l h a s q u e se c h o c a v a m a i n t e r v a l l o s . N o n e c e s -sr io ver p a r a fazer m e i a , e a me ia da C o m b a t e c a m i n h a v a s e m p r e , r e g u l a r como o t r a b a l h o dos d e s g r a a d o s , q u e n e m a p r a p r i a dr i n t e r r o m p e .

    A s l a g r i m a s da m u l h e r l i n h a m - s e s e c c a d o ; o s e u c o r p o t o r n o u - s e de p e -d r a . N e m u m a p a l a v r a saia dos s e u s l-bios c e r r a d o s .

    E m q u e p e n s a v a e l l a ? E m s e u filho. T a l v e z no seu d e s t i n o . E m p e q u e n i n a , no l i n h a ella o u v i d o

    a s u a av q u e , no seu t e m p o , s e c o m i a m e r v a s ? E r a no t e m p o d a s g r a n d e s g u e r -r a s , Ao m e n o s , e n t o , toda a g e n t e e ra p o b r e . O p r o p r i o rei e os s e u s v a s s a l l o s j a n t a v a m com p o n e g r o . . . M a s d e p o i s ?

    S u a m e n o t i n h a c o n h e c i d o o P a -cto da fome ?

    No t inha el la v is to r i cos , q u e s e c o m b i n a v a m p a r a c o m p r a r o t r igo todo , occul ta l -o e p r o d u z i r a f o m e do p o v o , a q u e m faziam p a g a r d e p o i s c a d a g r o pelo p reo d ' u m s a c c o ? . . . As m u l h e r e s e as a m a n t e s d ' e s s e s senhores a n d a v a m de c a r r o , e hav ia i m b e c i s q u e as viam p a s -s a r , d e o lhos a d m i r a d o s e d e bocca a b e r t a ! . . .

    A t raz dos c a r r o s v i n h a m , em c a d e i -r i n h a s , c r e a n a s q u e as m e s m a n d a v a m para o c a m p o ou p a r a a s q u i n t a s .

    E o povo s u p p o r t a v a t u d o . T i n h a m -Ihe d a d o u m a e s p e r a n a . O re i , d i z i a - s e , vae c o n v o c a r os n o t v e i s , e os n o t v e i s r e s o l v e r o os n e g o c i o s do p a i z . O s no-tve i s t i n h a m s e r e u n i d o , mas d a s s u a s r e u n i e s no l i n h a sa ido u m a m i g a l h a d e p o ! . . . .

    N a d a d e t r a b a l h o , n a d a de d i n h e i r o , ma i s n a d a p a r a e m p e n h a r , m a i s n a d a para v e n d e r ! . . .

    Mas o C l a u d i n h o vivia a i n d a , e a m e l i n h a e s p e r a n a .

    Os E s l a d o s G e r a e s t i n h a m a sua as-s e m b l a em V e r s a i l l e s . Q u a n d o e l l e s t i v e r e m fa l l ado s u l i c i e n t e m e n t e da C o n s -t i t u i o , da I n g l a t e r r a , da po l i t i ca , occu -p a r - s e - o t a lvez de n s ? r e p e t i a m e n -t r e si os e s q u e l l e l o s d o s c a m p o s e d a s r u a s . Mas os d e p u t a d o s f a l l a v a m , e a f a r inha n o c h e g a v a , e as c r e a n a s g r i -l a v a m , e as m e s e x t e n u a d a s r e p e t i a m os g r i los dos filhos:

    P o ! po ! T a l v e z a C o m b a t e p e n s a s s e em t u d o

    i s to . T a l v e z el la d i s s e s s e c o m s i g o p r p r i a ,

    q u e e n t r e d u a s c r e a n a s , q u a n d o n a s c e m , s e r diff ic i l d i s t i n g u i r qua l d ' e l l a s o fi-lho do S e n h o r D u q u e e qua l o d e Mi-gue l C o m b a l e .

    P o r q u , e n t o , pa ra um tudo e n a d a para o o u t r o ?

    Mas o seu r o s t o no t r ah i a n e n h u m d o s s e u s s e n t i m e n t o s n t imos . P e r m a n e -cia d u r o , i m p a s s v e l , p e t r i f i c a d o . Os s e u s d e d o s c o n t i n u a v a m o m o v i m e n t o s i l enc ioso d a s a g u l h a s .

    E , m e s m a hora , no a r r a b a l d e im-m e n s o , c e n t e n a s d e m u l h e r o s , a s s e n -t a d a s d e a n t e da c a b a n a vaz ia , ou ao p

    d e seu filho m o r t o , f a z i a m meia , c o m o e l la , d e o lha r f ixo, d e n t e s c e r r a d o s , e s p e r a .

    I V

    M. S A N T E R H E

    No dia s e g u i n t e , p e l a t a r d e , C a d e t T r i c o t sub ia a rua d a n d o a m o pe -q u e n a J e n n y .

    O dia t i nha s ido longo e l r i>te . E m p r i m e i r o l oga r , t i n h a m e n t e r r a d o o C l a u -d i t o , e as l a g r i m a s , por um i n s t a n t e s u s p e n s a s , t i n h a m de novo c o m e a d o a c o r r e r . A' sa da do c e i n i t e r i o , Migue l , s e m p r e m u d o , a p e r t r a a m o do c a m -p o n e z d ' A r c i s e t i n h a - s e a f a s t a d o , p r e s -s a . A C o m b a l e s e g u i u s e u m a r i d o , e J e n n y , c o m p r e h e n d e n d o q u e lhe e n t r e -g a v a m o c u i d a d o da c r e a n a , vol tou p a r a casa pa ra o a d o r m e c e r .

    D e s e m p e n h a d o o s e u p a p e l d e m e d e fam l ia , e n x u g o u os o lhos e , v o l t a n d o -se pa ra o seu a m i g o C a d e t , q u e a n o t inha a b a n d o n a d o n e m um i n s t a n t e :

    Hep! hep! d i s s e e l l a . Q u e v e n s fazer a Pa r i s ?

    V e n h o p r o c u r a r t r a b a l h o . Q u e s a b e s tu f a z e r ?

    (Continua).