PROPOSTA DE MATERIAL DIDTICO A REVOLTA DOS MAL - Material Didtico... PROPOSTA DE MATERIAL

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    08-Nov-2018

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  • UNIVERSIDADE DE SO PAULO

    Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas Departamento de Histria

    Disciplina: Brasil Independente I (Noturno)

    Prof.. Dra. Zilda Mrcia Grcoli Iokoi

    Eduardo Aparecido Nakamura N USP: 6885711 Flvio Landim N USP: 6518422

    Michelle Taborda N USP: 7618418 Renan Biller N USP: 7620189

    Yukio Takada N USP: 7665721

    PROPOSTA DE MATERIAL DIDTICO

    A REVOLTA DOS MALS

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    Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas Departamento de Histria

    INTRODUO

    A Semana da Conscincia Negra

    A proposta de trabalho para o material didtico que ser apresentado busca uma ao conjunta com a Semana da Conscincia Negra, evento oficial do

    calendrio escolar brasileiro. Durante a semana so realizadas diversas

    atividades para resgatar e promover a luta do negro pela busca de sua insero na sociedade.

    Diante de uma programao especial para celebrar a Semana da Conscincia

    Negra, que comear na segunda-feira da semana do feriado (20 de novembro) e se estende at a sexta-feira, as atividades sero desenvolvidos

    atingindo as mais diversas expresses artsticas e culturais: msica, cinema, entrevistas, artes e histria.

    Tudo para comemorar a data que simboliza a luta contra o preconceito e a

    discriminao, bem como estimula a reflexo sobre a importncia africana na formao econmica, social e cultural do Brasil.

    Programao Especial para a Semana da Conscincia Negra

    Abertura da Semana da Conscincia Negra

    Apresentao de dana tpica

    Oficinas Confeco de mscaras, adornos e amuletos

    Maquiagem facial e tranas Poesias

    HQs Histrias em Quadrinhos e Grafitagem

    Msica Coral

    Anlise de letra e obra Rafael Pond: Revolta dos Mals

    Exposio Mscaras e Poesias

    HQs Histrias em Quadrinhos: a Revolta do Mals

    Dana Oficina e apresentao de Capoeira

    Festa de Nossa Senhora do Rosrio

    Cinema Filmes nacionais e internacionais

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    ATIVIDADE 01

    VISITANDO O MUSEU AFRO BRASIL

    Esta atividade dever ser desenvolvida entre o final do primeiro semestre e incio do segundo. Para a conduo da atividade prope-se utilizar a catlogo

    Uma Visita ao Museu Afro Brasil, disponvel como recurso didtico

    facilitador da visitao ao Museu e distribuda no local ou para acesso atravs do link:

    http://www.museuafrobrasil.org.br/editor/assets/uma_visita_ao_museu.pdf

    O Museu Afro Brasil, localizado no Parque do Ibirapuera, em So

    Paulo, convida a uma reflexo sobre a afrobrasilidade.

    Fonte: Afroeducao

    Painel do ncleo Histria e Memria Em uma das pontas da marquise do

    Parque Ibirapuera, um prdio de linhas arrojadas e inconfundveis, traadas

    por Oscar Niemeyer, encontra-se uma

    rica narrativa da histria do negro no Brasil e no mundo.

    L, o negro aparece como sujeito e objeto, como v e como visto, num

    movimento que possibilita a reflexo sobre a negritude de cada um. o

    Museu Afro Brasil, com 11 mil m e cerca de 4.500 obras expostas.

    O artista plstico Emanoel Araujo o diretor, curador e proprietrio de boa parte do acervo. Ele j organizou exposies com a temtica afro no mundo

    inteiro. Uma de suas maiores intenes era ter, em So Paulo, um espao artstico permanente e aberto a todos para discutir a afrobrasilidade. Os

    negros no tm hbito de frequentar museus porque ns vivemos numa sociedade racista, sexista e com outros tipos de preconceitos, que afastam

    as pessoas da arte, da cultura. E esse nosso projeto uma forma de

    aproximar o museu do seu pblico, afirma o curador. O Museu Afro Brasil existe desde 2004, quando foi criado, por decreto, pela

    ex-prefeita Marta Suplicy. Como no houve a elaborao de um Projeto de Lei na Cmara Municipal, aconteceu um desentendimento: o museu existia,

    embora no estivesse regulamentado. Isso quer dizer, por exemplo, que no havia oramento destinado ao museu pela prefeitura. Por isso, tornou-se

    uma OSCIP (Organizao da Sociedade Civil de Interesse Pblico), em agosto de 2005, e deixou de ser administrado pela Secretaria Municipal de

    Cultura. Segundo Ana Lcia Lopes, coordenadora do ncleo de educao do museu, o maior desafio da gesto conseguir verba. Fizemos um projeto

    http://www.museuafrobrasil.org.br/editor/assets/uma_visita_ao_museu.pdf

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    para trazer a populao para c, com um nibus que partia de diversos pontos de cultura da cidade. Trouxemos cerca de 8 mil pessoas, mas no

    conseguimos continuar por falta de dinheiro, explica ela.

    Metforas

    As exposies temporrias do Museu Afro Brasil abrem espao para artistas

    do mundo inteiro com temas que, por vezes, no se relacionam diretamente com a negritude, mas, de alguma forma, dialogam com o museu. J o

    acervo permanente divide-se em seis ncleos: frica, Trabalho e escravido, O Sagrado e o Profano, Religiosidade Afro-Brasileira,

    Histria e memria e Arte. A disposio do acervo dentro do museu foi concebida de forma proposital, construindo uma narrativa histrica. No

    existe uma seqncia lgica, mas uma simultaneidade de relaes. Todos os ncleos tm interfaces entre eles, explica Ana Lcia.

    Obras do ncleo O Sagrado e o Profano Os educadores que coordenam as visitas ao

    museu tm que tentar reverter, em 75 minutos tempo de durao das visitas guiadas ,

    preconceitos culturais arraigados h anos pela sociedade. Muitas escolas se recusam a vir aqui

    ou pedem para pular a parte de religiosidade,

    revela Juliana Ribeiro, historiadora e educadora do museu, referindo-se s reaes que

    presencia quando alguns estudantes e professores passam pelas vestimentas e

    adornos usados no candombl, que fazem parte do acervo. Temos que lidar com o preconceito,

    mesmo em crianas muito pequenas e at em idosos. O papel do educador aproveitar para

    desconstruir essas coisas que esto na cabea das pessoas.

    De acordo com ela, muito difcil os visitantes entenderem o fio condutor do Afro Brasil sem a presena do educador. Ao contrrio de muitos outros

    museus, ele no de fcil compreenso. Muitas pessoas saem daqui dizendo que acharam muito confuso, que no entenderam a proposta, conta. A

    historiadora destaca a riqueza de metforas na concepo artstica do

    curador para dispor as obras como causadora da dificuldade de compreenso. Mas, mesmo sem mediao, ela afirma que dificilmente

    algum sai de l sem se sensibilizar, de alguma forma, com as obras e o resgate histrico ali presentes.

    Biblioteca afro-brasileira

    O museu abriga a biblioteca Carolina Maria de Jesus, com 6 mil ttulos, entre

    livros, teses, revistas e artigos, em sua maioria, voltados para a temtica do negro. Tem arte africana e brasileira, cultura brasileira, muitas coisas sobre

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    o trfico de pessoas, a escravido, a abolio e religiosidade, define a bibliotecria Romilda Silva. O acervo no pode ser emprestado, mas a

    consulta livre durante o horrio de funcionamento do museu.

    Para agendar a visita: Servio Museu Afro Brasil

    Rua Pedro lvares Cabral, s/n - Pavilho Manoel da Nbrega

    Parque do Ibirapuera, Porto 10 Horrio de funcionamento: das 10h s 17h (o museu no abre s segundas-

    feiras) Telefones: 5579-8542 / 5579-7716 / 5579-6399

    UTILIZANDO A CATLOGO UMA VISITA AO MUSEU AFRO BRASIL

    O catlogo distribudo no Museu Afro Brasil ser nosso facilitador para a utilizao do material didtico apresentado. Encontraremos nas pginas 16 e

    17 do material o estmulo inicial para uso do recurso proposto, assim havendo a possibilidade de trabalhar a temtica Revolta dos Mals.

    1 Na pgina 16 encontramos o trecho: A maior rebelio escrava de que

    se tem notcia, no Brasil, foi a Revolta dos Mals, acontecida em Salvador,

    na Bahia, em janeiro de 1835.

    2 Na pgina 17, a ilustrao Livrinho encontrado preso ao pescoo de um negro morto durante a insurreio dos Mals, na Bahia, em 1835.

    A partir destes dois elementos provocadores, o professor dever propor

    discusses em sala de aula, apresentando o contedo de forma abrangente,

    atravs de textos dos pesquisadores que se aprofundaram no tema da Revolta, o professor dever estimular uma profunda reflexo acerca do

    tema: A Revolta dos Mals: maior rebelio escrava de que se tem notcia no Brasil.

    Um plano de aula bem elaborado ser fundamental para abordagem do

    assunto e investigao dos fatos que contriburam para a significao e desenvolvimento da Revolta dos Mals.

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    ATIVIDADE 02

    COMO FAZER SUA HISTRIA EM QUADRINHOS

    Antes de iniciar, voc dever planejar como vai conduzir toda a sua histria, uma dica interessante para o desenvolvimento de seu roteiro decidir quem

    so os personagens.

    1. Criao dos personagens

    O ideal ter em mente cada personagem:

    personalidade, aspecto fsico, estilo das roupas, virtudes, entre outras. Desenhe cada um dos personagens em

    vrias posies e expresses faciais bem marcadas. Alm de desenhar os personagens de perfil, de frente,

    olhando de cima, bom desenh-los em posies de ao para que o desenhista se familiarize com os traos

    do personagem. Usando como exemplo o cavalo; bom desenh-lo cavalgando, dando coice, relinchando etc.

    Para desenhar, utilize lpis de 2B a 6B, folha de papel A4 branca. Os quadrinistas utilizam papel A3.

    As linhas de todos os elementos das pginas so

    marcadas, com lpis: quadros, personagens, cenrios, bales, etc.

    Aps fazer o rascunho do desenho, coloque a folha sobre uma mesa de vidro transparente com uma lmpada embaixo, coloque outra folha em branco

    sobre o rascunho e passe a limpo o desenho finalizando-o com lpis. Aps finalizar o desenho a lpis pinte-o com tinha nanquim preta, utilize

    caneta nanquim para detalhes e pincel para preenchimento. Para deixar o seu desenho mais profissional, voc poder optar por colorir.

    Faa a digitalizao da imagem e trate-a com o Photoshop.

    2. Argumento e roteiro

    Argumento a ideia geral da histria (comeo, meio e fim). O

    roteiro deve ser planejado

    quadro a quadro. Aqui ocorre a diagramao das pginas com

    cenas descritas e os dilogos definidos. Voc poder trabalhar

    em dupla, deixando um responsvel pela escrita nos

    quadrinhos, chamado letrista, ele utilizar tinta nanquim nos

    textos dos bales e nas onomatopeias.

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    3. Diagramao

    Outra forma de fazer a diagramao utilizando um

    software grfico. No desenho ao lado, para desenhar o balo e a

    escrita foi utilizado o CorelDraw.

    Tambm possvel diagramar com o Indesign ou PageMaker.

    Fonte: http://www.osca.com.br/quadrinhos.htm

    AGORA COM VOC!

    Diante de todo o contedo consultado e investigado sobre a Revolta do Mals, desenvolva a sua histria. Ser de sua responsabilidade a seleo

    dos personagens que participaro da trama, importante tambm, recontar

    os fatos oficialmente conhecidos.

    Voc poder ter o auxlio do professor de Artes.

    Abaixo, mais algumas dicas para facilitar o desenvolvimento de sua criao:

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    Fonte: Revista The DFC

    FIQUE POR DENTRO

    A Escola Olodum lanou em novembro de 2010, em sua sede

    no Pelourinho, Bahia, a cartilha Revolta dos Mals - A saga dos

    muulmanos baianos. Os traos do cartunista Mauricio

    Pestana retratam o episdio histrico (Revolta dos Mals)

    nem sempre presente nos livros didticos, mas que se soma a

    muitos outros fatos que demonstram a coragem, a

    determinao e a capacidade dos negros de se insurgirem

    contra a explorao e a opresso. Maurcio Pestana publicitrio,

    cartunista, escritor e roteirista, com trabalhos publicados no

    Brasil e no exterior. Sua obra tem se destacado,

    principalmente pela luta em favor dos direitos humanos e

    cidadania plena das minorias brasileiras.

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    ATIVIDADE 03

    ANALISANDO A MSICA A REVOLTA DOS MALS

    A proposta com esta atividade associar o ensino da leitura e produo de texto msica. Sabemos que o ser humano , por

    natureza, um ser musical, que possui um ritmo. Para tanto, nada melhor do que valer-se desse recurso para atrair, seduzir e

    encantar.

    A atividade dever ser desenvolvida junto a programao da oficina de msica, na temtica, anlise da letra e obra.

    O professor, antes de uma interpretao coletiva da letra da

    msica, dever propor aos participantes que faam uma anlise vocabular das palavras desconhecidas. Depois, incentivar a

    interpretao de cada verso da letra da msica.

    http://www.youtube.com/watch?v=9SpYhdZWtU4

    Composio e interpretao: Rafael Pond CD solo e independente: tomos Palavras Canes, 2004

    http://www.youtube.com/watch?v=9SpYhdZWtU4

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    A REVOLTA DOS MALS

    Perto do Abaet tem um nego mandigueiro

    Descendente do Mals, povo nobre e guerreiro

    Faz dali o seu terreiro

    Na roda de Capoeira ou orando ao Deus Allah

    Veste branco s sextas-feiras

    Usa xale e patu

    (seu av era um Aluf)

    Esse nego um dia fez revolta

    A revolta dos Mals, foi na Bahia que se fez

    A Revolta dos Mals

    O canto de apear o boi

    (foi o Male que trouxe)

    E se voc vestir um abad

    (foi o Male que trouxe)

    O misticismo e a superstio

    (foi o Mal que trouxe)

    A moda de viola do serto

    (foi o Male que trouxe)

    Tapas, Hausss, baribas

    Negos e mandingas

    A Revolta dos Mals, foi na Bahia que se fez

    A Revolta dos Mals

    Questionrio

    1) Quem so os mals?

    2) D que forma a letra apresenta, Deus, o ser humano e a natureza?

    3) Que importncia tem essa msica nos dias atuais?

    4) Em sua opinio, por qu, a msica utiliza tantas palavras pouco

    usuais em nossa linguagem cotidiana?

    5) Selecione trs instrumentos desta tradio religiosa e ilustre na

    oficina de quadrinhos.

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    ATIVIDADE 03

    ESTRUTURANDO A EXPOSIO DE HQS

    HISTRIAS EM QUADRINHOS

    Esta atividade depender de uma seleo dos das histrias em

    quadrinhos desenvolvidas durante a oficina para a proposta: Revolta dos Mals.

    Inicialmente, atravs de seleo prvia, no espao dedicado a

    exposio, devero ser expostos os quadrinhos desenvolvidos em sala de aula.

    A visitao ao Museu Afro Brasil tambm ser fundamental para a

    estrutura e organizao da exposio. Aqui a proposta apreender diferentes momentos histricos, diferentes movimentos e

    linguagens artsticas, e perceber semelhanas e diferenas no modo de ver e de viver de cada povo africano.

    Os alunos durante a visita devero ser orientados a perceber se existe material impresso e se est disposio do pblico, ler as

    informaes que constam nas paredes e nos painis, observar se h presena ou no de guias e se h salas interativas. Diante

    destas informaes, a proposta estruturar uma exposio com dos trabalhos de quadrinhos desenvolvidos, sugerindo inclusive que

    se faa uma reproduo similar a estrutura do Museu visitado.

    Pedir que os visitantes, munidos da letra da msica: A Revolta dos Mals, reconhea nos desenhos, os elementos mencionados pelo

    interprete. Estimular a comparao em as diferentes histrias contadas para a mesma histria fundamental, desenvolver o

    olhar e a percepo do visitante.

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