Programas de Reabilitao Auditiva para Idosos: Uma ... ? programas de reabilitao auditiva,

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  • PONTIFCIA UNIVERSIDADE CATLICA DE SO

    PAULO PUC/SP

    Christiane Mara Lombardi

    P r o g r a m a s d e R e a b i l i t a o A u d i t i v a

    p a r a I d o s o s : U m a P r o p o s t a A l t e r n a t i v a

    d e A v a l i a o d e E f i c c i a

    MESTRADO EM FONOAUDIOLOGIA

    SO PAULO

    2008

  • PONTIFCIA UNIVERSIDADE CATLICA DE SO

    PAULO PUC/SP

    Christiane Mara Lombardi

    P r o g r a m a s d e R e a b i l i t a o A u d i t i v a

    p a r a I d o s o s : U m a P r o p o s t a A l t e r n a t i v a

    d e A v a l i a o d e E f i c c i a

    MESTRADO EM FONOAUDIOLOGIA

    Dissertao apresentada Banca examinadora da Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo, como exigncia parcial para obteno do ttulo de Mestre em Fonoaudiologia, sob a orientao da Prof. Dr. Regina Maria Ayres de Camargo Freire.

    SO PAULO

    2008

  • BANCA EXAMINADORA

    _____________________________

    _____________________________

    ______________________________________

  • "Embora ningum possa voltar atrs e fazer um novo comeo, qualquer um pode comear

    agora e fazer um novo fim."

    Chico Xavier

  • DEDICATRIA

    Braz, Bia e Biaggio, minha inspirao.

  • AGRADECIMENTOS

    O presente do conhecimento

    A Professora Dra. Regina Maria Ayres de Camargo Freire, pela oportunidade, pela dedicao e

    determinao.

    A Professora Dra. Maria Tereza M. dos Santos, pelo exemplo de dedicao.

    A Professora Leda V. Tfouni, pela disponibilidade.

    A Professora Maria Claudia de Cunha.

    A Professora Suzana Maia.

    Ao Professor Dr. Jarbas Vargas do Nascimento.

    Ao Professor Dr. Manoel Tosta Berlinck.

    O presente do trabalho.

    Ao Hospital Paulista pela oportunidade de realizar este trabalho.

    Ao meu sogro, Dr. Braz, por me incentivar, apoiar e confiar a mim seus pacientes.

    A Dra. Sheila Tamiso, Dr. Luiz Augusto Barreto, Dra.Cristiane Dias por confiarem a mim seus

    pacientes.

    A Juliana Romero, pela parceria e a oportunidade de trabalharmos juntas.

    O presente da amizade.

    Ao amigo Daniel Zetune, por todo suporte no computador, por estar presente do primeiro ao

    ltimo dia deste trabalho.

  • Aos queridos amigos e companheiros de viajem Lisete e Marcio, Claudia e Lu.

    A Mrcia de F. Afonso, minha amiga de infncia, que mora no meu corao.

    O presente da gratido

    A Ccera Tereza da Silva, minha ajudante que nunca faltou, nunca chegou atrasada e cuidou

    da minha casa e dos meus filhos nestes anos de ausncia.

    Ao Sr. Irineu, por me auxiliar na logstica com meus filhos.

    A Virgnia, secretria do Ps por toda sua disponibilidade.

    Ao Joo bibliotecrio da DERDIC, por toda pacincia de me introduzir na pesquisa eletrnica.

    A Fonoaudiloga Rose , do grupo fala e escrita, pela valiosa contribuio na minha pr

    qualificao.

    Ao Fonoaudilogo Carlos Tamba, pelo auxilio na pr qualificao.

    A Fonoaudiloga Mestre Hedilamar Bortolotto, do grupo fala e escrita, pela sua disponibilidade.

    A Fonoaudiloga Claudia Perrotta, pela reviso do texto.

    A Sirlei Gomes, por toda pacincia na digitao e disponibilidade em me ajudar.

    Ao Sr. Dito da recepo da PUC, pelo sorriso que me acolheu nestes dois anos de ida a PUC.

    A Marisa, Nutricionista, pelo seu carinho na preparao do lanche do GAUAA.

    A Alessandra Biaggioni, pelo auxlio com meus pacientes.

    A Vanda, Carina e Ftima, por todo auxlio no agendamento dos pacientes.

    Aos meus queridos pacientes, obrigada pela confiana e oportunidade de atend-los.

  • O presente da famlia

    A minha sogra, Maria Apparecida, por ter me aberto os braos na adolescncia e ter sido uma

    companheira amorosa.

    A minha querida cunhada Maria Luiza, pelas leituras e contribuies neste trabalho.

    Ao meu tio Nino, por estar sempre presente na minha vida.

    Ao meu irmo Christian,pela confiana na vida.

    A saudade da tia L, V Parmo, V Nico, V Nelson e minha amada Bisa, que foram

    estruturantes na minha vida.

    A minha av Juca, por estar sempre pronta.

    A minha me Eliana, minha fiel companheira.

  • AUTORIZAO

    Autorizo, exclusivamente para fins acadmicos e cientficos, a reproduo total

    ou parcial desta dissertao por processos de fotocopiadoras ou eletrnicos.

    Christiane Mara Lombardi _________________________ .

    So Paulo, de de 2008.

  • RESUMO

    Tema: possveis benefcios de um grupo de apoio voltado a idosos com

    presbiacusia e usurios de auxiliar auditivo.

    Objetivo: por meio da articulao entre dados quantitativos e dados

    qualitativos, localizar a origem da eficcia de um programa de reabilitao

    auditiva em grupo de idosos. No geral, embora a literatura sobre o tema

    aborde esse aspecto, no h ainda estudos que propem parmetros de

    atuao e estratgias que levem ao uso sistemtico do auxiliar auditivo por

    parte dessa populao.

    Mtodo: participaram deste estudo 30 sujeitos com perda auditiva de grau

    moderado a severo, na faixa etria de 70 a 92 anos, usurios de auxiliar

    auditivo com adaptao monoaural e participantes do Grupo de Apoio ao

    Usurio de Auxiliar Auditivo GAUAA, criado em um hospital privado de So

    Paulo, sendo o trabalho desenvolvido em quatro encontros mensais. Foram

    analisadas duas situaes: a Situao I, em que foi aplicado o questionrio QI-

    AASI (Questionrio Internacional-Aparelho De Amplificao Sonora Individual),

    antes e depois do programa, para avaliar o grau de satisfao do usurio. Os

    achados foram submetidos ao mtodo de anlise dos Testes dos Postos

    Sinalizados de Wilcoxon e Anlise de Correlao de Spearman. A situao II

    foi dividida em duas etapas: na 1 etapa procedeu-se coleta e anlise de

    depoimentos dos usurios aps o programa, e na 2 etapa, anlise dos

    dizeres dos participantes durante as reunies do GAUAA. Esses dados foram

    analisados luz da metodologia de Anlise de Discurso de linha francesa,

    articulada tipologia do discurso proposta por Orlandi(1996).

    Resultados: Os achados da situao I mostraram-se estatisticamente

    significantes, mas, clinicamente, no indicaram o que provocava as respostas

    positivas sobre a participao no GAUAA. J a situao II, em que foi utilizada

    a metodologia qualitativa, possibilitou observar a singularidade dos sujeitos,

    sugerindo que a eficcia de um programa de reabilitao auditiva se d pela

    identificao entre os participantes e pela transferncia sustentada pela

    posio do coordenador. Concluiu-se que a eficcia do GAUAA deriva da

  • dominncia do discurso ldico, cujos efeitos promovem a efetividade do uso do

    auxiliar auditivo.

    Palavras-chave: Presbiacusia, Auxiliar Auditivo, Programas de Reabilitao

    Auditiva, Discurso, Questionrio.

  • ABSTRACT Theme: The majority of the elderly people with presbycusis can benefit from group

    hearing rehabilitation. The literature on this subject evaluated those programs as

    effective. Therefore, the literature does not point the origin of this effectiveness. Based

    on the information collected from these literature, a private hospital located in So

    Paulo created the Hearing Aid User Support Group GAUAA, which consists of four

    monthly meetings. Purpose: To find out the effectivness of a group hearing

    rehabilitation program for the elderly through shifting from quantitative data to

    qualitative data.

    Method: Thirty subjects, hearing aid users with monoaural adaptation, showing

    moderate to severe hearing loss with ages between seventy and ninety-two years old

    have participated in this research. This study provided two situations: on situation I, the

    International Outcome Inventory for Hearing Aids questionnaire (IOI-H) was applied

    before and after the program. The objetive was to evaluate the user degree of

    satisfaction. The collected data were submeted to the Wilcoxon test method analysis

    and analysed through the Spearman correlation method. The situation II was divided in

    two phases: on phase I, the subjects statements were collected and analysed after the

    program. At phase II, the subjects statements were analysed during the GAUAA

    meetings. These data were analysed by the french line of the speech analysis

    proposed by Orlandi(1996).

    Results: The data found at situation I were statistically significant, but they could not

    indicate what would be the reason for the positive effectiveness responses from the

    clinical perpective. Thus, the situation II through the qualitative analysis, made possible

    to observe the subjects singularities, which suggested that the effectiveness of a

    hearing rehabilitation program is due to the identification among the participants and by

    transference, sustained by the coordinators position. The GAUAA effectiveness

    derives from the ludical speech dominance, which its effects promote the effectiveness

    of the hearing aid use.

    Key-words: Presbycusis, Hearing Aid, Hearing Rehabilitation Program, Speech,

    Questionnaire.

  • SUMRIO INTRODUO ......................................................................................................

    1. PRESBIACUSIA................................................................................................

    1.1 Etiologia.....................................................................................................

    1.2 Histopatologia............................................................................................

    1.3 Sintomatologia...........................................................................................

    1.4 Diagnstico................................................................................................

    1.5 Efeitos psicossociais .................................................................................

    1.6 Como lidar com o idoso...................................................................................

    2. PROGRAMA DE REABILITAO AUDITIVA..................................................

    2.1 Programas de reabilitao auditiva ............................................................

    2.2 Proposta de avaliao de programas de reabilitao auditiva ...................

    3. MTODO ..........................................................................................................

    3.1 Seleo e caracterizao da populao estudada.....................................

    3.2 Descrio do Grupo de Apoio aos Usurios de Auxiliar Auditivo GAUAA .

    4. APRESENTAO E DISCUSSO DOS RESULTADOS .................................

    4.1 Situao I: procedimento quantitativo .......................................................

    4.2 Anlise estatstica do questionrio internacional QI-AASI ........................

    4.3 Resultados .................................................................................................

    4.4 Situao II: procedimento qualitativo .........................................................

    4.5 Discurso polmico......................................................................................

    4.6 Discurso ldico...........................................................................................

    4.7 Discurso autoritrio ....................................................................................

    .........................................................................................................................

    5. SITUAO II 1 ETAPA.................................................................................

    5.1 Situao II: 1 etapa: anlise dos depoimentos sobre o GAUAA ..............

    5.2 Sobre os discursos dos sujeitos e a situao grupo .................................

    5.3 Anlise quantitativo X qualitativo: primeira concluso ...............................

    6. SITUAO II 2 ETAPA.................................................................................

    6.1 Discusso e Anlise de recortes da 1 reunio ........................................

    6.2 Discusso e Anlise de recortes da 2 reunio ........................................

  • 6.3 Discusso e Anlise de recortes da 3 reunio ........................................

    CONCLUSO E ANLISE ENTRE OS ACHADOS DA SITUAO I E II.............

    CONSIDERAES FINAIS ..................................................................................

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS......................................................................

    BIBLIOGRAFIA .....................................................................................................

    ANEXO 1 Modelo do questionrio universal ......................................................

    ANEXO 2 Carta de informao ao paciente.......................................................

    ANEXO 3 Consentimento livre para pesquisa....................................................

    ANEXO 4 Depoimentos gravados da Situao II parte I ....................................

    ANEXO 5 Grupo de Apoio ao Usurio de Auxiliar Auditivo ................................

  • INTRODUO

    Ousa pensar Kant.

    Em funo da progressiva elevao da expectativa mdia de vida,

    decorrente da diminuio das taxas de mortalidade e natalidade, observamos

    que, nos dias de hoje, o envelhecimento populacional faz parte do cenrio

    mundial. No Brasil, de acordo com o ltimo Censo do IBGE, realizado em

    2000, a populao idosa correspondia a 5,85% da populao (20 milhes de

    pessoas), representando um crescimento de 1,02% em relao ao Censo

    anterior, de 1991 (BARALDI et al., 2004).

    Com o aumento da idade, cresce o nmero de doenas crnicas, como a

    hipertenso arterial sistmica - um dos mais importantes fatores de risco

    cardiovascular, que acomete cerca de 20% da populao idosa acima de 65

    anos de idade - e a diabete (LESSA, 1999). Ambas so agravadas pelo estado

    emocional do paciente, como a depresso, que tambm pode estar

    relacionada ao isolamento social decorrente de outro quadro clnico, qual seja,

    a perda auditiva, problema que atinge 63% dos idosos (TAVARES, 2001).

    A perda auditiva tem um efeito adverso no estado funcional, na

    qualidade de vida, na funo cognitiva e no bem-estar emocional,

    comportamental e social do indivduo idoso (BARALDI et al., 2004).

    No sentido de cuidar da sade auditiva dos cidados, a portaria 2073 do

    Ministrio da Sade, instituda em outubro de 2004, sugere a necessidade do

    uso sistemtico do auxiliar auditivo e, ainda, que haja acompanhamento

  • teraputico aps a sua indicao, recomendando ao menos quatro sesses de

    reabilitao, em grupo ou individual.

    Na clnica, porm, observamos que, aps a adaptao de auxiliar

    auditivo, grande parte dos pacientes idosos convocados a comparecer aos

    servios de reabilitao relata no fazer uso do aparelho. Com o objetivo de

    mudar esse resultado, a rea fonoaudiolgica tem buscado estruturar formas

    de acompanhamento desse processo.

    Um desses programas de acompanhamento foi criado no setor de auxiliar

    auditivo1 de um hospital particular na cidade de So Paulo, sendo denominado

    Grupo de Apoio ao Usurio de Auxiliar Auditivo (GAUAA). O objetivo efetivar

    o uso desse dispositivo durante o processo de reabilitao auditiva, por meio

    de encontros mensais, distribudos ao longo de quatro meses.

    A proposta deste estudo justamente avaliar os resultados desse

    programa e adequ-lo s demandas dos usurios, tendo tambm como

    referncia a literatura especializada na rea. Para tanto, aplicamos o

    questionrio internacional QI-AASI (Questionrio Internacional-Aparelho de

    Amplificao Sonora Individual), tradicionalmente usado para avaliar os

    programas de reabilitao auditiva, complementado por entrevistas que,

    gravadas em fita K7 e transcritas, foram analisadas e discutidas de acordo os

    diferentes modos de funcionamento do discurso, a partir da anlise de discurso

    de linha francesa. Assim, foi possvel articular um procedimento metodolgico

    quantitativo a outro, de natureza qualitativa, permitindo avaliar e explicar os

    resultados obtidos com o programa e estabelecer as bases de sua eficcia.

    Portanto, o objetivo desta pesquisa apontar o alcance e as limitaes

    de cada um desses procedimentos para circunscrever a efetividade de um 1 Auxiliar Auditivo (AA) termo sugerido pelo DECS da BIREME

  • programa de reabilitao auditiva voltado ao sujeito idoso usurio de auxiliar

    auditivo, e, a partir da anlise dos achados, propor nova formatao do

    programa, para que este atinja seus objetivos com maior eficcia.

    O trabalho est organizado da seguinte forma:

    O primeiro captulo traz um breve histrico da presbiacusia,

    denominao atribuda perda auditiva decorrente do envelhecimento,

    segundo os critrios mdicos do CID-10. So tambm abordados os seguintes

    aspectos: etiologia, histologia, diagnstico, sintomatologia e efeitos

    psicossociais.

    O segundo captulo dedicado apresentao de programas de

    reabilitao auditiva individual e em grupo e de formas de avaliao de

    eficcia, recomendadas pela rea.

    O terceiro captulo introduz a proposta metodolgica e detalha as

    diferentes situaes de coleta de dados que integram a pesquisa quanti-

    qualitativa.

    No quarto, descrevemos as duas situaes propostas para os sujeitos

    da pesquisa, bem como apresentamos e discutimos os resultados, tendo como

    referncias: anlise estatstica do questionrio internacional QI-AASI, anlise

    de discurso de linha francesa e a proposta metodolgica de Orlandi.

    E nas consideraes finais delineamos as bases de uma nova proposta

    para programas de reabilitao auditiva.

  • Captulo I PRESBIACUSIA

    Trate de velhice enquanto jovem.

    Lgia F. Telles., 1980.

    Trabalhos recentes apontam uma forma de deficincia auditiva que

    acomete em torno de 70% de pessoas com mais de 65 anos

    (aproximadamente 10 milhes de pessoas em nosso pas, segundo os dados

    do IBGE2), tornando-se uma questo de sade pblica.

    Segundo os critrios mdicos do CID-103, esse tipo de perda auditiva

    decorrente do envelhecimento, denominada presbiacusia ou audio do idoso,

    caracteriza-se por afetar, inicialmente, as freqncias altas, tanto na conduo

    area quanto ssea.

    A presbiacusia tambm descrita como sendo bilateral e simtrica, de

    tipo neurossensorial e configurao descendente (Jeger, 1981).

    A seguir, apresentamos um levantamento bibliogrfico sobre essa

    deficincia auditiva, abordando os seguintes aspectos: etiologia, histopatologia,

    sintomatologia, diagnstico e efeitos psicossociais.

    1.1 Etiologia

    Zwaardemaker, em 1891, foi o primeiro estudioso a relatar que a

    diminuio da audio para freqncias altas coincidia com o aumento da

    idade de seus pacientes e, mais tarde, a utilizar o termo presbiacusia.

    Em 1955, Schucknecht concluiu ento que a presbiacusia ocorre a partir

    da quarta dcada de vida e classificou o problema em quatro categorias:

    sensorial, neural, metablica e mecnica. A partir da, deu-se incio

    investigao das causas desse distrbio.

    Porm, a etiologia da presbiacusia ainda incerta. Vrios estudos a

    relacionam dieta, ao metabolismo, estresse, rudo excessivo,

    arteriosclerose e at mesmo hereditariedade, mas no h concluses

    definitivas nesse aspecto, pois os inmeros fatores que lesam o sistema

    auditivo durante toda a vida produzem um efeito cumulativo, gerando um 2 IBGE; instituto brasileiro de geografia e estatstica. 3 CID-10: cdigo internacional de doena/ 10 reviso: 26/09 a 02/10 de 1989.

  • estado patolgico bastante heterogneo, caracterizado, principalmente, pela

    perda auditiva neurossensorial simtrica e bilateral, que compromete as

    freqncias altas (ARNST et al,1984).

    Em pesquisa feita na dcada de 80, Russo (1988) encontrou perda

    auditiva bilateral progressiva em indivduos com faixa etria entre 65 e 90

    anos.

    No ano seguinte, Bess et al (1989) relataram uma deteriorao

    progressiva na sensibilidade auditiva aps os 50 anos, e perceberam que essa

    perda mais rpida em homens do que em mulheres, talvez como reflexo de

    atividades recreativas e profissionais realizadas em ambientes ruidosos.

    Em 2003, essa constatao se confirmou no trabalho de Caso e Carvallo.

    Comparando os achados audiomtricos quanto ao gnero, as autoras tambm

    detectaram que os homens apresentam nveis auditivos piores que os das

    mulheres nas altas freqncias, e relacionaram esse achado ao rudo a que

    esses sujeitos esto expostos por desempenhar trabalhos em condies, s

    vezes, adversas. As autoras tambm encontraram vrias alteraes

    histopalgicas no ouvido, especialmente degenerao de clulas ciliadas.

    J Hungria (1991) definiu a presbiacusia como deficincia auditiva que

    surge com a idade mais avanada, pois, assim como outros rgos, o ouvido

    tambm envelhece, sofrendo com as alteraes da orelha interna e das vias

    nervosas auditivas centrais.

    Portmann e Portmann (1993) tambm trataram a presbiacusia como um

    fenmeno biolgico inevitvel. Segundo os autores, a diminuio da audio

    inicia-se normalmente a partir dos 20 e 30 anos de idade, tornando-se

    socialmente incmoda a partir dos 50 anos.

    Mansur e Viude (1996) referiram que a audio a primeira dos sentidos

    a apresentar perda funcional detectada objetivamente.

    Resultado de uma somatria de fatores negativos extrnsecos e

    intrnsecos que influenciam o sistema auditivo na populao idosa, a

    presbiacusia pode ser clinicamente caracterizada por uma degenerao

    coclear que atinge a parte basal da cclea, afetando a percepo auditiva nas

    freqncias altas (MEGIGHIAN; MARCKINCUK, 2000).

  • 1.2 Histopatologia

    Schuknecht (apud Katz, 1999) relatou quatro tipos de histopatologia da

    presbiacusia, que podem apresentar-se isolados ou combinados, sendo que

    cada um deles possui caractersticas audiolgicas e clnicas distintas:

    Sensorial: atrofia de evoluo lenta das clulas ciliadas e de

    sustentao do rgo de Corti. Na configurao audiomtrica caracteriza-se

    por perda abrupta acima de 2000 Hz, discriminao de fala boa, recrutamento

    presente e possibilidade de ausncia do reflexo do estapdio nas freqncias

    altas.

    Neural: leso degenerativa dos neurnios cocleares, sendo mais

    acentuada na espira basal. Este tipo de presbiacusia caracteriza-se pela

    presena de manchas atrficas nas espiras mdias e apical da estria vascular,

    sendo que a configurao audiomtrica caracteriza-se pela perda acentuada

    da discriminao da fala. Para este tipo de presbiacusia os benefcios da AA

    podem ser limitados.

    Metablica (estria): caracterizada pela presena de manchas atrficas

    nas espiras mdias e apicais da estria vascular, apresenta a seguinte

    caracterstica audiolgica: curva plana com excelente discriminao de fala.

    Estes pacientes podem obter benefcio com o AA.

    Condutiva (mecnica): decorre de processos atrficos da cclea

    aumentando a rigidez do ducto coclear e alterando o movimento mecnico da

    membrana basilar. As caractersticas audiomtricas so: linha descendente da

    conduo ssea e discriminao de fala boa, o que torna satisfatrio o uso do

    AA. O fenmeno do recrutamento com freqncia est ausente.

    Marchiori et al publicaram, em 2006, um estudo sobre a hipertenso

    como fator associado perda auditiva e detectaram que a surdez

    neurossensorial que ocorre com a idade tem relao com uma insuficincia

    micro circulatria de uma ocluso vascular por embolia, hemorragia ou vaso

    espasmos. Estes, por sua vez, seriam decorrentes de uma sndrome de

    hiperviscosidade ou micro angiopatia por diabetes ou hipertenso, sendo que a

    hipertenso poderia provocar, por meio desses fatores histopatolgicos, perda

    de audio neurossensorial. Pela constatao de que a hipertenso arterial

    um fator de risco independente para a perda auditiva neurossensorial, os

  • autores salientam a importncia de processos preventivos que minimizem os

    mecanismos de degenerao do aparelho auditivo ocasionados por problemas

    circulatrios.

    No ano seguinte, 2004, Baraldi et al relataram que a perda de audio do

    idoso resulta de muitas variedades de degenerao fisiolgica, incluindo

    prejuzos causados pela exposio ao rudo e agentes ototxicos. As autoras

    identificaram, ainda, que indivduos do sexo masculino apresentam limiares

    auditivos mais rebaixados nas freqncias de 4000Hz em comparao com os

    do sexo feminino.

    1.3 Sintomatologia

    A queixa mais freqente dos sujeitos com presbiacusia : eu ouo, mas

    no compreendo. Isso acontece devido a uma diminuio da sensibilidade

    auditiva e reduo na inteligibilidade da fala, o que compromete a

    comunicao verbal (RUSSO, 1988).

    Para esses pacientes, a amplificao sonora gera intolerncia a sons de

    grande intensidade, outra queixa freqente e que indica a presena de

    recrutamento, principalmente nas leses sensoriais.

    O recrutamento definido como o aumento desproporcional da sensao

    de intensidade em relao ao aumento da intensidade fsica, implicando na

    reduo do campo dinmico de audio (SANTOS e RUSSO, 1993).

    H tambm o zumbido, que pode vir associado perda de audio, e

    ainda duas outras conseqncias importantes, apontadas pela Organizao

    Mundial de Sade (1980): incapacidade auditiva e desvantagem (handicap).

    Como incapacidade auditiva entende-se qualquer restrio ou falta de

    habilidade para desempenhar uma atividade dentro de uma faixa considerada

    normal para o ser humano. Esse problema auditivo vivenciado pelo indivduo

    principalmente no que diz respeito percepo de fala em ambientes ruidosos,

    como: televiso, rdio, cinema, teatro, igreja, sinais de alerta, msica e sons

    ambientais. J a desvantagem (handicap) relaciona-se aos aspectos no

    auditivos, resultantes da deficincia e da incapacidade auditiva, os quais

    limitam ou impedem o indivduo de desempenhar suas atividades dirias e

    comprometem suas relaes na famlia, no trabalho e na sociedade. Essa

  • desvantagem grandemente influenciada por idade, sexo e por fatores

    psicossociais e culturais (W.H.O,1980).

    Para Rnnberg (2003), h consenso quanto ao fato de que os declnios

    sensoriais e cognitivos esto de alguma forma relacionados, pois a informao

    perifrica ir interagir com um sistema cognitivo envelhecido e, desta forma,

    ganhar significado; logo, a qualidade desse processo individual e depende de

    uma srie de fatores.

    1.4 Diagnstico

    Os exames para se detectar a presbiacusia so: audiometria tonal,

    audiometria vocal, teste do limiar de inteligibilidade de fala, reconhecimento de

    fala e imitncia acstica.

    Porm, de acordo com Weinstein (1997), no basta o mdico diagnosticar

    a presbiacusia e encaminhar o indivduo ao servio de reabilitao auditiva,

    pois a ausncia de informaes e orientaes sobre os benefcios dos

    auxiliares auditivos pode afastar o paciente do processo de reabilitao. Alm

    disso, geralmente, o indivduo demora em mdia sete anos entre a deteco

    da perda auditiva e a busca de auxlio para resolver o problema. Ento,

    necessrio reaprender a ouvir, tirando o melhor partido possvel dos aparelhos

    auditivos.

    Corroborando a idia de Weinstein (1997), Veras e Mattos (2007)

    assinalaram que a avaliao audiolgica para a pessoa idosa deve ir alm dos

    exames objetivos e subjetivos que visam definir o limiar audiolgico.

    importante avaliar tambm o processamento central da informao perifrica

    auditiva, considerando a percepo do paciente em relao a sua prpria

    perda auditiva no aspecto funcional, ou seja, nas atividades sociais, familiares

    e dirias.

    1.5 Efeitos Psicossociais

    Alm de ser considerado externo pessoa, o envelhecimento no bem-

    vindo em nossa cultura. O idoso se sente solitrio, e a diminuio de funes

    fsicas, como agilidade e coordenao motora, torna-se ainda mais complicada

  • com as falhas na viso, audio e no paladar. Como resultado, a pessoa de

    idade sente que perdeu seu lugar na sociedade, na famlia, no trabalho

    (ROSENHALL, 2002).

    Mas o que mais se evidencia no processo de envelhecimento so as

    alteraes da comunicao, especialmente aquelas causadas pela perda da

    audio (CHEN, 1994). Essas dificuldades marginalizam ainda mais o idoso,

    levando-o a uma vida inativa, isolada, favorecendo a deteriorao das

    condies psquicas e fsicas, no s pela reduo das atividades fsicas e

    intelectuais que este fato gera, como tambm pela solido, ansiedade e

    desgaste da imagem pessoal.

    O idoso passa a ter uma auto-imagem negativa, sentindo-se um

    incmodo por no compreender as pessoas, por estas terem de repetir

    frequentemente o que dizem, levando-o a sentir-se surdo, velho ou incapaz.

    Assim, isola-se cada vez mais para evitar constrangimento, fica depressivo,

    perde a alegria de viver e de compartilhar experincias. Podemos dizer ento que, dentre as privaes sensoriais que acometem

    o idoso, a dificuldade de comunicar-se causada pela surdez a que mais isola

    o sujeito do convvio social, proporcionando um efeito de desagregao no seu

    dia-a-dia (COSTA et al, 2006).

    A comunicao necessidade vital para qualquer ser humano. Atravs

    dela adquirimos conhecimentos e experincias que nos mantm ativos no

    meio social e familiar. Quando a comunicao prejudicada, pode ocorrer

    frustrao diante dos relacionamentos interpessoais, levando o indivduo ao

    isolamento e depresso (BOECHAT,1992; ALMEIDA E IRIO,1996;

    FERREIRA e SIGNORI, 2006; TEIXEIRA et al, 2005).

    Embora a depresso possa ser definida como um distrbio do humor ou

    afetivo, geralmente de natureza multifatorial e que pode ser diagnosticado em

    qualquer faixa etria, Gordilho (2002) e Teixeira et al (2005) concluram que os

    idosos com deficincia auditiva no usurios de AA apresentam sintomas de

    depresso e ansiedade, quadro este que pode ser revertido, justamente, com o

    uso desse dispositivo. As autoras demonstraram em seu estudo que houve

    uma diferena estatisticamente significante entre o nmero de indivduos com

    sintomatologia depressiva no perodo pr e ps-adaptao de AA, o que

    demonstra a pertinncia da interveno fonoaudiolgica.

  • Russo j havia relatado, em 1988, que fatores psicossociais como

    abandono de atividades, sentimentos de vida vazia, aborrecimento, mau

    humor, infelicidade, desinteresse por novas atividades, problemas de memria

    e desesperana seriam os responsveis pelo dficit na comunicao, mais do

    que os problemas auditivos relacionados aos sentimentos e atitudes negativas

    encontradas nos sujeitos mais velhos.

    Musiek e Rintelmann, em 2001, corroboraram o trabalho de Teixeira et al

    (2005), demonstrando que a deficincia auditiva est associada depresso e

    demncia. Desta forma, privado de sua audio e diante das grandes

    dificuldades para se comunicar, este sujeito vai se isolando pouco a pouco,

    afastando-se das situaes de interao social.

    Tambm Kricos e Lesner (2000) relataram vrias implicaes da

    presbiacusia como: dificuldades para acompanhar atividades em igrejas,

    teatros, cinema, rdio e TV; isolamento social na interao com famlia e

    amigos; alteraes psicolgicas como depresso, embarao, frustrao, raiva

    e medo; reduo na percepo de fala em vrias situaes e ambientes

    acsticos; problemas de alerta e defesa devido incapacidade para ouvir

    pessoas e veculos se aproximando ou para ouvir panelas fervendo, alarmes,

    telefone e campainha da porta.

    Para Couto-lenzi (2007), quando um adulto habituado a ouvir

    normalmente perde sua audio, ou a tem diminuda, o desconforto imediato.

    As dificuldades comeam em relao comunicao com as pessoas

    prximas e depois em tantas outras situaes sociais.

    Na populao idosa, a perda auditiva est relacionada, inclusive,

    depresso e demncia (MUSIEK E RIENTELMANN, 2001). Mas apenas adotar

    o uso da prtese auditiva no suficiente. necessrio um programa de

    reabilitao para que o idoso saiba tirar o mximo proveito do aparelho.

    De fato, Rosentall (2002) descreve as conseqncias psicossociais da

    presbiacusia e a dificuldade de adaptao ao auxiliar auditivo devido falta de

    conhecimento de seus benefcios e devido falta da reeducao auditiva. Para

    o autor, a perda auditiva tem sido associada a impacto psicossocial negativo,

    como inabilidade para realizar tarefas domsticas e aumento de acidentes

    ocupacionais que acontecem devido diminuio da audio .

  • Geralmente, so os familiares que percebem a dificuldade de audio a

    partir de algumas situaes, como colocar o volume da televiso muito alto.

    Tambm so os familiares que se referem ao idoso como distrado, esquecido,

    muitas vezes chegando concluso de que ele tem dificuldades de se

    organizar e realizar tarefas independentemente.

    Esse mecanismo gerado na famlia vai aumentando a presso sobre o

    idoso para que este compreenda bem o que lhe dito, o que gera ansiedade

    e, consequentemente, medo de falhar na compreenso, levando a um

    isolamento social (VERAS e MATOS, 2007).

    Como lidar com o idoso?

    Art. 3o obrigao da famlia, da comunidade, da sociedade e do Poder Pblico assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a

    efetivao do direito vida, sade, alimentao, educao,

    cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, cidadania, liberdade,

    dignidade, ao respeito e convivncia familiar e comunitria. LEI No

    10.741, DE 1 DE OUTUBRO DE 2003.

    Assim como bebs, crianas, adolescentes e adultos, os idosos tm

    necessidades e caractersticas prprias que devem ser atendidas pelos

    profissionais que com eles atuam. Para tanto, necessitamos conhecer o

    processo de envelhecimento sadio.

    Carvalho Filho (2007) define envelhecimento como um processo dinmico

    e progressivo, no qual alteraes morfolgicas, funcionais e bioqumicas vo

    influenciando progressivamente o organismo, tornando-o mais suscetvel s

    agresses intrnsecas e extrnsecas que terminariam ou terminaro por lev-lo

    morte.

    J Papaleo Neto (2007) afirma que a velhice deve ser abordada de uma

    maneira mais ampla; alm do prisma biofisiolgico, deve-se levar em

    considerao os fatores ambientais, sociais, culturais, os quais esto

    intimamente vinculados autonomia e independncia. O bem estar funcional ,

    de fato, de extrema importncia nessa fase da vida. O autor faz ainda uma

    distino entre envelhecimento (processo), velhice (fase da vida) e velho ou

    idoso (produto final), sendo que os trs componentes se relacionam.

  • Para Berlinck (2008), a envelhescncia um momento muito especfico

    que pode ser vivida de mltiplas maneiras. Da mesma forma que na

    adolescncia o sujeito se percebe diante de um futuro desconhecido, na

    envelhescncia ele se surpreende pensando na proximidade da morte; o corpo

    j no responde a certos estmulos do desejo, e o sujeito se v na contingncia

    de recriar sua rotina diria adequando-se s novas exigncias corporais. Para

    o autor, a envelhescncia um ato de subjetivao; isto , produz-se no

    imaginrio do sujeito uma real modificao de seu lugar no mundo. O sujeito

    descobre-se sozinho, seus antepassados j no existem, seus filhos se

    afastaram porque se tornaram adultos, as memrias no so mais

    compartilhveis, j que no h mais uma comunidade de referncia - essa

    memria torna-se um fato histrico.

    A envelhescncia se distingue do envelhecer porque este considerado,

    em nossa sociedade, como um estgio da vida que desprezvel; j a

    envelhescncia a arte de viver a velhice e requer engenho e muito empenho

    (BERLINCK 2008, p. 197). Trata-se, pois, de uma recriao do eu diante das

    exigncias pulsionais e das novas exigncias de um corpo que se aproxima da

    morte, sendo uma boa oportunidade para a flexibilizao do eu e, portanto,

    para a sade mental do sujeito.

    No que se refere linguagem do envelhecer, Tbero (1999) tambm

    ressalta a importncia de nos atermos ao processo de envelhecimento normal,

    pois desta forma estaremos preparados para atender s demandas dessa

    populao.

    Tendo em vista que a linguagem um campo de estudo de vrias reas

    e uma vez que a interao entre as disciplinas crescente, devemos nos

    manter em rede para que possamos, juntos, atender cada vez mais as

    necessidades dos sujeitos idosos. Pretti (1991), professor de lngua

    portuguesa, pioneiro no estudo da linguagem dos sujeitos idosos sadios,

    enfoca a anlise da conversao, enfatizando as marcas lexicais do discurso

    do idoso, que sempre remetem ao passado, o que acaba dificultando a

    compreenso de um ouvinte mais jovem. Porm, esse entrave contornado

    pelas repeties e contextualizaes que os falantes se dispem a fazer.

  • Assim observa-se uma estrutura comparativa do passado com o presente, o saudosismo uma marca dos discursos dos idosos e ela vista como uma forma de representar os momentos bons da vida na poca da juventude em contraposio condio atual em que vivem os narradores (PRETTI,1991, p.38).

    Tambm Brando e Parente (2001) realizaram estudo sobre a linguagem

    dos idosos no ltimo sculo. As autoras relataram que, no geral, os estudos

    voltados a esse tema buscam identificar transformaes e detectar as causas

    das possveis mudanas que ocorrem no processo de envelhecimento, sendo

    que, atualmente, a tendncia buscar a promoo de uma melhor qualidade

    de vida nessa etapa.

    Segundo as autoras, tambm abordado nos estudos o aspecto

    fonolgico da linguagem na velhice, sendo identificado um dficit na

    compreenso de fonemas distorcidos ou apresentados com rudo de fundo;

    esse dficit muitas vezes est ligado a uma diminuio da audio. Entretanto,

    a anlise dos aspectos semnticos e lexicais da linguagem do idoso mostra

    que nem sempre so encontradas perdas ou prejuzos em relao a faixas

    etrias mais jovens. Dessa forma, perdas de rapidez e de articulao podem

    ocasionar perdas na fluncia e na inteligibilidade das mensagens de idosos,

    mas no refletem a evoluo semntica, provavelmente proporcionada pela

    maior experincia lingstica no decorrer da vida.

    O idoso apresenta, ainda, uma percepo de tempo diferente daquela

    apresentada pelo jovem, conferindo certa prioridade aos objetos relacionados

    s emoes, que se reflete no desejo de encontrar o sentido da vida e a

    intimidade emocional. Essas caractersticas so demonstradas no seu

    discurso, predominando a atribuio de um papel mais destacado emoo

    em suas narrativas.

    As autoras concluem que o pesquisador que se ocupa deste campo deve-

    se voltar para a valorizao dos idosos, sendo importante destacar que a

    linguagem sofre a influncia de possveis processos cognitivos em declnio na

    velhice, e por isso no deve ser negligenciada e sim valorizada pela habilidade

    de produzir narrativas marcadas pela riqueza na expresso de emoes.

    O processo de envelhecimento pode ser, ento, uma fonte inestimvel de

    autoconhecimento. Sendo assim, aqueles que trabalham com idosos devem

    ter uma viso mais coerente, integral da autoestima do idoso e auxili-lo a

  • perceber que ele ocupa um lugar no mundo. Nessa perspectiva, a construo

    de vnculos significativos com outras pessoas essencialmente eficaz

    (SANTOS, 2005).

    Por fim, destacamos que a pior maneira de enfrentar os desafios do

    envelhecimento negar as grandes dificuldades que lhe so inerentes. Assim,

    para aprimorar o conhecimento sobre o processo de envelhecer, profissionais

    que lidam com o segmento idoso devem estar preparados para trabalhar,

    enfrentar e conduzir a questo da dor, causada pelas perdas no processo de

    envelhecimento (CORTE E MEDEIROS, 2005).

  • Captulo 2 PROGRAMAS DE REABILITAO AUDITIVA

    Sabores, cores e cheiros s existem na ser que sente

    Galileu Galilei

    Considerando o impacto da presbiacusia sobre a qualidade de vida do

    idoso e a possibilidade de recuper-la por meio do uso sistemtico do auxiliar

    auditivo, trazemos neste captulo os programas que se propem a esse

    objetivo, a reabilitao auditiva, e os instrumentos mais utilizados para avaliar

    sua eficcia.

    Os trabalhos aqui apresentados foram extrados de um conjunto de

    artigos publicados nos ltimos quinze anos, tanto no Brasil como no exterior,

    que tomaram como tema os programas de reabilitao auditiva para idosos e

    novos usurios de auxiliar auditivo. So estudos que se destinam a quantificar

    a desvantagem (handicap) auditiva causado pela perda da audio nos

    sujeitos da terceira idade e a dar condies tcnicas para a manuteno dos

    auxiliar auditivo. Abordam, ainda, estratgias de comunicao para que os

    usurios enfrentem suas limitaes e busquem alternativas para minimizar os

    danos causados pela falta de audio.

    Esta reviso apresenta dois focos, a saber: propostas de programas

    para a reabilitao do usurio de auxiliar auditivo - individual e em grupo - e

    propostas de avaliao de programas de reabilitao de auxiliar auditivo.

    2.1 Programas de reabilitao auditiva

    Os programas de reabilitao auditiva foram criados a partir da dcada

    de 80, pela rea de Audiologia, com o objetivo de atenuar o impacto causado

    pela deficincia auditiva, promover a aceitao da nova condio fsica e

    incentivar o uso do auxiliar auditivo.

  • Abordagem individual

    Boechat, (1992) prope que, aps o processo de seleo, indicao e

    adaptao do AA, os profissionais envolvidos com a reabilitao auditiva

    instrumentalizem seus pacientes com estratgias para melhorar a percepo

    auditiva. O autor categoriza essas estratgias por sua natureza, e conclui que

    a experincia vivenciada com o sujeito do seu estudo indica a necessidade de

    uma maior conscientizao por parte da populao em geral sobre a

    deficincia auditiva, possibilitando conhecimentos para que os pacientes

    superem suas dificuldades tornando-se agentes transformadores de sua

    performance de comunicao.

    Carlos (1994) realizou um estudo em uma Unidade de Sade na Zona

    Norte de So Paulo, com 71 idosos, e chegou concluso de que a indicao

    de auxiliar auditivo por si s no suficiente para que o idoso faa uso do

    mesmo. necessrio haver um programa de reabilitao aural para que o

    paciente possa se adaptar ao uso do auxiliar auditivo. Por outro lado, a

    orientao do mdico otorrinolaringologista, ao apoiar e incentivar o uso do

    auxiliar auditivo, de grande relevncia no comprometimento entre os

    profissionais envolvidos, desencadeando um sentimento de segurana e

    confiana no idoso. Apoiada em seus achados, a autora conclui que so

    necessrios atendimentos individuais aps o perodo de indicao do AA para

    que os usurios faam uso apropriado do mesmo.

    Com o objetivo de melhorar a qualidade de vida dos novos usurios de

    auxiliar auditivo, Freire (1995) props um modelo de reabilitao aural para

    idosos a ser desenvolvido em nove sesses individuais, focando em temas

    como estratgia de comunicao, orientao aos familiares em sua lida com o

    deficiente auditivo, conversas informais e at proposta de lazer, obtendo,

    assim, uma satisfao na efetividade do uso dirio do auxiliar auditivo.

    Em 1999, Lders afirmou a importncia da presena de familiares no

    programa de reabilitao auditiva para os usurios de auxiliar auditivo, por

    mediarem dificuldades auditivas do paciente em seu relacionamento social.

    Lewkowicz (2006) relatou a necessidade da criao e implementao de

    programas de reabilitao que auxiliem o idoso usurio de auxiliar auditivo,

  • bem como os seus familiares, a lidar com as vantagens geradas pela

    adaptao do AA.

    Ruschell, Carvalho e Guarnello, em 2007, relataram que, aps a

    adaptao, necessrio um acompanhamento para auxiliar o idoso quanto ao

    uso do AA, para que este no deixe de utiliz-lo. Desta forma, criaram um

    programa com seis sesses, sendo a primeira dedicada orientao quanto

    ao uso e manuteno do AA e as demais sobre estratgias de comunicao e

    acompanhamento de familiares. O estudo foi realizado com trinta sujeitos,

    colocados em dois grupos, de quinze sujeitos cada. Comparando-se o grupo

    controle, que recebeu apenas uma sesso, com o grupo experimental,

    constataram que os idosos tm necessidade de acompanhamento

    fonoaudiolgico focado em orientaes sobre cuidado e manuseio, bem como

    o auxilio de estratgias/dicas para a comunicao aps a adaptao.

    Abordagem em grupo

    Brickley et al. (1994) realizaram pesquisa junto universidade de

    Southamptom, Inglaterra, para os novos usurios de auxiliar auditivo com

    perda neurosensorial, buscando investigar se o atendimento individual ou em

    grupo seria mais eficiente na reabilitao auditiva e obter informaes quanto

    ao uso, performance auditiva e satisfao com o auxiliar auditivo. Para atingir

    esses objetivos, aplicaram um questionrio que foi enviado para 98 pacientes,

    dos quais metade recebeu atendimento em grupo e a outra metade

    atendimento individual.

    Os resultados encontrados entre aqueles que receberam atendimento

    em grupo mostraram ter havido uma melhora significativa no desempenho

    auditivo em relao aos que receberam atendimento individual. Os primeiros

    referiram maior satisfao no uso dirio com auxiliar auditivo, com menor

    nmero de retornos ao consultrio e melhor aproveitamento da audio em

    diferentes tipos de ambiente acstico. O estudo tambm demonstrou que o

    atendimento em grupo tem um custo mais baixo do que o atendimento

    individual. No entanto, o acompanhamento em grupo pode ser uma opo

    menos atrativa do que o atendimento individual para alguns dos novos

    usurios.

  • Lesner (1995) desenvolveu o HOP (The Hearing Aid Orientation

    Program), um programa de orientao para usurios adultos de auxiliar

    auditivo, que tem o objetivo facilitar o ajuste desse auxiliar e melhorar o

    desempenho comunicativo. Conforme o autor, o nmero de integrantes do

    grupo pode ser de at 10 sujeitos para facilitar a interao entre os

    participantes, incluindo um acompanhante quando necessrio. O programa

    oferece cinco sesses, nas quais so abordados diferentes tpicos, como

    cuidados, ajustes, dicas para se comunicar melhor, alm de serem acolhidas

    as sugestes dos pacientes, o que levaria a um compromisso entre os

    usurios, terapeutas e famlia, viabilizando, dessa forma, o sucesso da

    reabilitao.

    Noronha Souza (1997), apoiado nos estudos de Lesner (1995), realizou

    um estudo com 12 sujeitos, organizados em dois grupos com seis participantes

    cada um. O primeiro grupo recebeu atendimento de acordo com programa do

    HOP, enquanto o segundo recebeu o aparelho e apenas uma sesso de

    orientao, j que houve maior reduo na auto-percepo do handicap

    auditivo. Os pacientes recuperaram sua autoestima e foram motivados,

    compreendendo melhor sua deficincia auditiva e aproveitando de forma

    satisfatria os benefcios que o ASSI lhe proporcionava.

    Marques et al (2004) propuseram a reabilitao auditiva em sete

    sesses grupais com durao de uma hora semanal, concluindo que, por meio

    dos programas de reabilitao auditiva, possvel reduzir a percepo do

    handicap auditivo da populao idosa, com reflexos na melhora de qualidade

    de vida, promoo de contatos sociais e diminuio do isolamento.

    Heydebrand et al (2005) relataram que a estrutura de grupo interfere na

    melhora da comunicao e nas habilidades auditivas de reconhecimento de

    fala de adultos usurios de implante coclear.

    No IV Encontro Internacional de Prteses Auditivas, realizado em junho

    de 2007 em So Paulo, foram apresentados vrios trabalhos sobre propostas

    de atendimento em grupo. O grupo de trabalho da UNIFESP, organizado por

    Ribas et al. (2007), concluiu que a formao de grupos facilitou a interveno

    junto aos idosos, permitindo esclarecimentos das dvidas e estratgias de

    comunicao e favorecendo o processo de adaptao dos auxiliar auditivo.

  • Calais et al (2007), em seus relatos de experincia do servio SOS

    Prtese Auditiva, outro servio vinculado UNIFESP, chegaram concluso

    de que a situao em grupo evidenciou resultados eficazes na adaptao de

    auxiliar auditivo.

    2.2 Propostas de avaliao de programas de reabilitao auditiva

    Radini, em 1994, realizou um estudo para verificar o uso e efetividade

    dos auxiliares auditivos analgicos e programveis em indivduos adultos e

    idosos e afirma que os questionrios de auto avaliao so simples, rpidos e

    eficientes, permitindo avaliar a adaptao do indivduo ao uso do aparelho e a

    efetividade dos programas de reabilitao.Concluindo seu trabalho sobre a

    aplicao de questionrios para quantificar o grau de satisfao do indivduo

    usurio de AA, o autor relaciona vrios procedimentos (ganho funcional, ganho

    in situ, testes de reconhecimento da fala), mas enfatiza confiar mais nas

    informaes subjetivas do usurio do que nas demais Souza e Russo (1998) relataram o resultado da anlise de um programa

    de reabilitao audiolgica para idosos, novos usurios de auxiliar auditivo,

    seguindo o modelo proposto por Lesner (1995). A partir da aplicao de um

    questionrio antes e depois do programa, compararam os resultados de dois

    grupos: o que participou da reabilitao e outro, grupo controle, que no se

    submeteu a ela. Concluram que os participantes do primeiro grupo

    apresentaram maior reduo na auto-percepo do handicap auditivo do que

    os do grupo controle, apesar do tamanho da amostra no ser estatisticamente

    relevante.

    Nunes (1999) aplicou um programa de reabilitao audiolgica em um

    grupo de seis sujeitos deficientes auditivos idosos usurios de auxiliar auditivo

    entre 69 e 87 anos de idade. O programa consistiu em cinco sesses de uma

    hora semanal, sendo que, para avaliar o programa, foi aplicado o questionrio

    HHIE-S (Hearing handicap Inventory for the Elderly) na verso reduzida. Esse

    questionrio, constitudo por 10 itens relacionados identificao do problema

    auditivo, foi desenvolvido por Ventry e Weinstein (1992) para avaliar o impacto

    da perda auditiva nos aspectos emocional e social do sujeito idoso. A autora

    concluiu que s o auxiliar auditivo no suficiente para que o sujeito idoso

  • diminua suas dificuldades de comunicao, sendo necessrio um

    acompanhamento peridico durante a seleo e adaptao do auxiliar auditivo.

    O estudo mostrou a importncia da participao desses indivduos no trabalho

    de reabilitao auditiva, quer em grupo ou individualmente.

    Rosa et al. (2006) descreveram a importncia de programas de

    orientao aos usurios de auxiliar auditivo e de questionrios de auto-

    avaliao como instrumentos fundamentais para uma adaptao auditiva

    efetiva. O trabalho permitiu verificar que a situao de orientao em grupo

    minimizou as dificuldades de manuseio do auxiliar auditivo e confirmou a

    eficcia dos questionrios de auto-avaliao.

    At este momento podemos verificar que os programas de reabilitao

    auditiva tanto individual como em grupo so necessrios, mas notamos uma

    tendncia favorvel ao formato grupo.

    Seguindo neste questionamento, Freire (1999) props um protocolo

    para a seleo do candidato a programas de reabilitao, e concluiu ser de

    grande importncia avaliar as necessidades dos candidatos antes de se iniciar

    um programa de reabilitao aural para definir os aspectos a serem

    abordados.

    Conforme exposto em outros artigos, como os de Amorim e Almeida

    (2007) e Couto e Lichtig (2007), so poucos os trabalhos que estudam tanto os

    efeitos da amplificao sonora no comportamento comunicativo do usurio

    como no de seu interlocutor.

    Quanto avaliao, o trabalho de Romero (2003) relata que os

    questionrios traduzidos e aplicados no Brasil, embora de forma cuidadosa e

    exaustiva, preocupam-se mais com a utilizao do questionrio do que com o

    procedimento de reabilitao propriamente dito.

    Segundo Weinstein (1996), os resultados de mensurao objetiva do

    auxiliar auditivo e/ou exames especficos para sua medio deixam uma

    lacuna, enquanto que aqueles trazidos pelas avaliaes subjetivas vm

    crescendo na aceitao clnica e transformando-se em um componente crtico

    no processo de adaptao de AA.

    Todos os programas aqui identificados elegem algum tipo de

    questionrio a ser aplicado antes e depois do programa de reabilitao

  • auditiva, para avaliar o processo de adaptao de prteses auditivas

    juntamente com avaliaes objetivas da audio.

    O questionrio internacional - The International Outcome Inventory for

    Hearing Aids- (IOH-HA) foi desenvolvido por Cox et al (2002) para qualificar a

    satisfao do usurio de qualquer programa de reabilitao auditiva. Os

    autores (2007) relataram que este instrumento pode ser usado para averiguar

    o desempenho de um servio, como mostram ao avaliar seu trabalho na clnica

    Mayo, nos EUA, onde o questionrio aplicado depois da adaptao e aps

    um ano de uso.

    Cox e Alexander (2002) atriburam ao questionrio a anlise por fator,

    ou seja, o fator 1 refere-se ao conjunto de respostas 1, 2, 4 e 7 (relao do

    usurio com o AA) e o fator 2, ao conjunto de respostas 3, 5 e 6 (relao do

    usurio com o outro). A pontuao mnima para o fator 1 4 e a mxima 20 e

    para o fator 2 a mnima 3 e a mxima 15. Uma pontuao mais alta

    representa maior adaptao ao AA.

    Esse questionrio , ainda, utilizado em situaes de investigao para

    facilitar a comparao dos dados entre diferentes estudos e tambm tem

    aplicaes para avaliar os resultados clnicos com usurios de auxiliar auditivo.

    No Brasil, o questionrio foi traduzido para o portugus por Bevilacqua,

    em 2004, e denominado Questionrio Internacional para Aparelho de

    Amplificao Sonora Individual (QI-AASI). Vem sendo adotado por ter uma

    aplicao rpida e fcil, sendo dispensada a presena do aplicador, j que se

    trata de um questionrio auto-explicativo.

    Costa & Irio (2006) realizaram um estudo comparativo entre usurios

    de amplificao linear (prteses em que a amplificao a mesma para todas

    as intensidades sonora de entrada) e no linear (alterao automtica nos

    parmetros de amplificao, principalmente do ganho) por meio de avaliaes

    objetivas e subjetivas, sendo estas obtidas por meio do QI-AASI. Os resultados

    no foram estatisticamente significantes, mas as autoras afirmaram que as

    mdias obtidas nas anlises por item foram positivas.

    Mello et al (2005) realizaram estudos aplicando o questionrio em 50

    pacientes usurios de auxiliar auditivo para comparar os fatores 1 e 2, que

    abordam uso e satisfao. Os fatores 1 relacionam o sujeito ao auxiliar auditivo

    (questes 1, 2, 4 e 7), e os fatores 2 (questes 3, 5 e 6) relacionam o sujeito ao

  • seu interlocutor. As autoras apresentaram resultados estatisticamente

    significantes.

    Esse questionrio tambm foi utilizado tanto por Prates e Irio (2006),

    em trabalho sobre a aclimatizao4, considerando o uso, benefcio e satisfao

    do usurio ao longo do tempo aps um perodo de seis a doze semanas de

    uso da amplificao, como por Almeida (2003), que o aplicou para averiguar se

    os resultados dos testes audiolgicos eram compatveis com o que referiam os

    pacientes adaptados com o AA. Os resultados de ambos os estudos no foram

    estatisticamente significantes em funo do nmero de sujeitos, mas os

    achados com a aplicao do questionrio so positivos.

    Uma vez que h consenso sobre a necessidade de programas de

    reabilitao, considerando que o avano tecnolgico privilegiado pelas

    pesquisas realizadas e a qualidade sonora dos aparelhos auditivos cada vez

    mais aprimorada, por que ainda alto o nmero de usurios que abandonam o

    auxiliar auditivo?

    Essa pergunta motivou a busca por novas alternativas metodolgicas

    para entender as razes que subjazem as escolhas dos idosos e para, de

    posse de informaes novas, propormos outro programa de reabilitao

    auditiva, mais eficaz e confivel, no sentido de atingirmos a meta de uso

    sistemtico do auxiliar auditivo pelos usurios.

    4 Fenmeno natural e inerente ao processo de adaptao.

  • Captulo 3 MTODO

    Se buscas realmente a verdade, deves ao menos uma vez em tua vida, duvidar tanto quanto possvel de todas as coisas Descartes.

    A presente investigao consistiu em um estudo quanti-qualitativo, de

    carter descritivo/interpretativo, realizado no servio de adaptao de auxiliar

    auditivo de um hospital particular de Otorrinolaringologia na cidade de So

    Paulo, de agosto a novembro de 2007, com usurios de auxiliar auditivo,

    participantes do GAUAA - Grupo de Apoio ao Usurio de Auxiliar Auditivo.

    De acordo com as normas preconizadas para experincias utilizando

    seres humanos, este estudo foi aprovado pelo Comit de tica em Pesquisa

    da PUC, conforme resoluo CEP n. 0669/03 do Conselho Nacional de Sade

    sendo aprovado em junho de 2007 (Anexo 1). Foram esclarecidos os objetivos

    e os procedimentos do estudo aos sujeitos participantes da pesquisa, e estes

    manifestaram seu aceite por meio de um termo de consentimento (Anexo 2).

    3.1 Seleo e caracterizao da populao estudada

    Foram selecionados trinta novos usurios de AA (auxiliar auditivo), cuja

    idade variou entre 70 e 92 anos, sendo 17 do sexo feminino e 13 do sexo

    masculino, todos atendidos e acompanhados no servio do hospital particular

    de otorrinolaringologia em So Paulo. Os critrios de elegibilidade para a

    composio da amostra foram:

    Apresentar perda auditiva neurossensorial bilateral, de grau leve

    a severo5;

    Estar usando o AA na orelha com menor perda auditiva;

    Estar adaptado com o AA h pelo menos um ms;

    Estar na terceira idade (60 anos ou mais, de acordo com a

    Organizao Mundial de Sade);

    No apresentar demncia.

    5 A classificao audiomtrica da perda auditiva foi segundo as normas do BIAP, Sociedade Cientfica de Fonoaudiologia, fundada em 1967 na Blgica.

  • A partir dos critrios acima descritos, esses indivduos foram convidados

    a participar das reunies atravs de contato telefnico feito pela prpria

    pesquisadora.

    3.2 Descrio do Grupo de Apoio aos Usurios de Auxiliar Auditivo GAUAA

    O GAUAA um programa de reabilitao auditiva com enfoque na

    perda auditiva e tendo como objetivo dar suporte aos idosos que apresentaram

    dificuldades durante o perodo de adaptao do auxiliar auditivo. So

    realizados quatro encontros, um por ms, com aproximadamente duas horas

    de durao.

    A pesquisadora deste trabalho responsvel pela indicao, seleo e

    adaptao do auxiliar auditivo, que, aps a experincia domiciliar de 15 dias,

    poder levar aquisio do AA. Cabe-lhe o encaminhamento do paciente para

    o grupo de reabilitao, quando h alguma dificuldade de adaptao ou

    dvidas referentes ao uso, manuseio e eficcia do aparelho, ou quando

    observa isolamento social.

    No primeiro encontro, a fonoaudiloga/investigadora recebe os

    participantes na hora marcada, cumprimentando cada um pelo seu nome.

    Conduz a primeira reunio introduzindo o assunto inicial e apresenta o

    programa. Est presente em todos os encontros, recepciona participantes e

    convidados e responde a perguntas, dando um suporte ao programa.

    Cada encontro inicia-se com um relaxamento corporal, seguido de um

    trabalho de diferenciao de sons graves e agudos e termina com a

    participao dos presentes na declamao de uma poesia ou no cantar de

    uma msica. Esse trabalho dirigido pela musicoterapeuta.

    No segundo momento, especialistas convidados discorrem sobre os

    seguintes temas:

    o Anatomia, fisiologia e patologia do ouvido; o Problemas auditivos comuns terceira idade: definio, identificao e

    tratamento; o Auxiliar auditivo: benefcios, usos, limpeza e cuidados; o Prticas de comunicao verbal;

  • o Reabilitao auditiva: treinamento com sons graves e agudos com diferentes tipos de sinos;

    o Orientao para leitura orofacial; o Como diminuir o risco de acidentes dentro de casa (fisioterapeuta).

    Os participantes recebem uma apostila com os temas das reunies e,

    ao final de cada encontro, so encorajados a resolver dvidas. Os encontros

    so encerrados com um lanche, quando h um momento de descontrao que

    favorece a socializao e integrao dos presentes.

  • Captulo 4

    Se quisermos alcanar o conhecimento puro de alguma coisa,

    devemos nos afastar do corpo e contemplar as coisas com a alma

    por si mesmo Teolon 66 AC.

    APRESENTAO E DISCUSSO DOS RESULTADOS Neste captulo so descritas e discutidas as duas situaes propostas

    neste estudo, bem como os diferentes procedimentos metodolgicos utilizados

    na anlise: anlise estatstica do questionrio internacional QI-AASI, anlise de discurso de linha francesa e a proposta metodolgica de Orlandi.

    4.1 Situao 1: procedimento quantitativo

    Nesta situao participaram sujeitos de trs grupos do programa de

    reabilitao auditiva, um com onze e dois com dez sujeitos cada um, que aqui

    chamamos, respectivamente, de grupo um (G1), grupo dois (G2) e grupo trs

    (G3). Essa diviso, meramente metodolgica, indica que grupos de at 10

    sujeitos so desejveis do ponto de vista pedaggico. No G1 havia nove

    sujeitos com adaptao monoaural e um com adaptao bilateral. No G2 havia

    cinco com adaptao bilateral, quatro com adaptao monoaural, pois houve

    uma desistncia, e no G3 havia sete sujeitos com adaptao monoaural e trs

    com adaptao bilateral. Os usurios de aparelho monoaural foram orientados

    a direcionar o lado com auxiliar auditivo para a fonte sonora visando melhor

    captao das reunies. Os aparelhos dos participantes foram verificados

    quanto higiene e efetividade da pilha antes do incio de cada reunio.

    Participaram desta etapa 29 dos 30 sujeitos dos trs grupos do GAUAA

    (G1,G2,G3), dado ter havido uma desistncia. Os sujeitos receberam as

    informaes sobre a pesquisa e assinaram o termo de livre consentimento.

    O instrumento para avaliar o programa de reabilitao auditiva - o

    Questionrio Internacional - Aparelho de Amplificao Sonora Individual - QI-

    AASI6 - foi escolhido por ser auto-explicativo, ter uma aplicao rpida e fcil,

    66 QI-AASI - escolhido por ser auto-explicativo, ter uma aplicao rpida e fcil, sem exigir a presena do aplicador e por ter sido endossado pela literatura apresentada anteriormente

  • sem exigir a presena do aplicador e por ter sido endossado pela literatura

    apresentada anteriormente.

    Esse questionrio contm sete questes sobre a adaptao do AA que

    abordam: uso, benefcios, limitao de atividades dirias; satisfao; limitao

    social, limitao com o interlocutor e qualidade de vida. H cinco opes de

    respostas, de forma que a de menor valor pontuada com um e a de maior,

    com cinco. A pontuao total mxima de 35 pontos e a mnima, de sete

    pontos.

    Antes do inicio do primeiro encontro do GAUAA e ao final do quarto e

    ltimo, os participantes foram orientados a responder sozinhos ao questionrio,

    utilizando apenas lpis e recorrendo pesquisadora em caso de dvidas. O

    questionrio foi aplicado na sala onde ocorriam as reunies, para os

    participantes de cada grupo.

    Anlise estatstica do questionrio internacional QI-AASI

    Aplicamos o Teste dos Postos Sinalizados de Wilcoxon7, para as sete

    variveis do instrumento QI-AASI, com o intuito de verificar possveis

    diferenas entre os dois momentos em anlise, ou seja, antes e depois do

    programa. Este teste foi escolhido por ser o mais indicado para este tipo de

    estudo.

    A Anlise de Correlao de Spearman8 foi utilizada para verificao do

    nvel de relacionamento entre os pares formados pelas variveis do QI-AASI,

    por grau de perda e por idade.

    Para a anlise estatstica dos dados colhidos, utilizamos o programa

    SPSS (Statistical Package for Social Sciences), verso 13.01, sendo que

    adotamos o nvel de significncia de 5% para a aplicao dos testes

    estatsticos; ou seja, quando o valor da significncia calculada (p) menor do

    que 5% (0,050), observa-se uma diferena dita estatisticamente significante,

    6 Teste no paramtrico, utilizado para comparar dois grupos pareados com escala mnima ordinal, nvel de mensurao 3 e 4. 7 Teste no paramtrico, utilizado para comparar dois grupos pareados com escala mnima ordinal, nvel de mensurao 3 e 4. 8 Correlao significa a relao entre os dois sentidos usados em estatstica para designar a fora que mantm unidos dois conjuntos de valores, sendo o grau de relao para significncia igual ou maior que 5% ou p=0,05.

  • e quando o valor da significncia calculada (p) igual ou maior do que 5%

    (0,050) observa-se uma diferena dita estatisticamente no-significante.

    Resultados Na avaliao inicial, antes da participao no programa de reabilitao

    quando comparamos ambas as adaptaes (mono e bilateral) para as

    variveis do QI auxiliar auditivo, verificamos que a adaptao tendeu a ser

    mais difcil para os pacientes com adaptao bilateral (P0,05) entre os pacientes com diferentes

    adaptaes para os outros tpicos do questionrio.

    Depois da participao nas reunies do GAUAA, os pacientes com

    adaptao mono e bilateral relataram percepes semelhantes (P>0,05) em

    relao aos tpicos abordados pelo questionrio.

    Observamos que a participao no programa aumentou

    significativamente o tempo de uso dirio e a efetividade, diminuindo o grau de

    dificuldade do auxiliar auditivo (Tabelas 1, 2 e 3 - P

  • No entanto, as mesmas respostas so encontradas em freqentadores

    de uma grande variedade de programas9, e, como todos demonstram xito,

    como saber qual o melhor programa? Ou, ainda, qual a melhor forma de

    desenvolver um programa de reabilitao auditiva? E, ainda, onde se localiza o

    xito: no contedo, na metodologia, nos temas que o integram, no nmero de

    aulas, no coordenador, na instituio que o promove.

    Enfim, a abordagem objetiva dos usurios no acrescentou saberes ao

    j sabido e no respondeu questo inicial desta pesquisa, qual seja: o que

    deve conter um programa de reabilitao auditiva para que o uso do AASI seja

    eficaz e permanente?

    Motivados por esta pergunta, em confronto com as respostas obtidas

    pelo uso do questionrio, conclumos que os resultados quantitativos no

    respondiam questo sobre o funcionamento do programa. Isto nos motivou a

    dar prosseguimento pesquisa, desta vez, propondo uma outra situao que,

    por seu perfil metodolgico, favorecesse a emergncia de opinies pessoais

    sobre o programa. Para tanto, propusemos a situao II, que foi realizada em

    duas etapas.

    4.2 Situao II: procedimento qualitativo

    A arte de escutar equivale quase a de bem dizer

    Lacan.

    Na situao II utilizamos como procedimento metodolgico a anlise de

    discurso de linha francesa AD, e a proposta tipolgica de Orlandi (1996).

    A AD surgiu em meados dos anos 70, tendo como fundador Michel

    Pcheux (1938-1983). O objetivo estudar o discurso do sujeito pela

    interdisciplinaridade das Cincias Sociais, da Lingstica e da Psicanlise.

    Para Pcheux, a linguagem uma forma material de ideologia, sendo que o

    autor utiliza o termo discurso para enfatizar a natureza ideolgica do uso

    lingstico. Nessa perspectiva, a lngua um sistema que se encontra

    contraditoriamente ligado histria e aos sujeitos falantes.

    9 Marques et a (2004)l, Heydebrand et al(2005), Ribas et al(2007) e Calais et al(2007).

  • Pcheux (1969) afirma que um tipo de discurso resulta do

    funcionamento discursivo, isto , atividade estruturante de um discurso

    determinado, por um falante determinado, com finalidades especficas, sendo

    que o determinado no se refere nem ao nmero, nem presena fsica, ou

    situao objetiva dos interlocutores, como descrito pela sociologia; so

    formaes imaginrias, de representaes, que se referem posio dos

    sujeitos no discurso.

    No interior dessas dicotomias (do eu locutor, o da produo, o contexto,

    o lugar de onde se fala etc.), o sentido que ser sedimentado aquele de

    estatuto dominante, sendo que sua institucionalizao lhe atribui legitimidade.

    Nessa perspectiva, a posio do sujeito apenas o efeito de uma regra que

    dependente do enunciado; ou seja, em termos estritamente semnticos, as

    palavras mudam de sentido de acordo com as posies de quem as usa,

    sendo que as relaes que determinam o sentido. A lngua estudada ento

    enquanto trabalho simblico e entendida como constitutiva do homem e da

    histria. A linguagem materializa o discurso, que possibilita a interao do

    homem com o mundo e com a sociedade em que vive. Nesse sentido, o sujeito

    do discurso se manifesta numa posio enunciativa singular. Sendo assim,

    cada posio determinada em relao exterioridade, o que implica num

    movimento de apagamento da indeterminao que constitutiva do sujeito.

    Como condies de discurso para as formaes discursivas, as

    formaes ideolgicas fornecem as representaes necessrias para ver e

    dizer o mundo. A partir dessas formaes ideolgicas, as formaes

    discursivas interpelam o indivduo em sujeito, colocando-o em certa posio.

    Pelo processo discursivo o sujeito ser observado em seu lugar (idealista) e

    pela fala (social), sendo que isso est inscrito dentro de uma ideolgica de

    classe. Esse apagamento que observamos no processo discursivo ser o

    efeito do pr-construdo, que a memria do dizer, levando o sujeito de sua

    existncia singular a uma instncia universal.

    As formaes discursivas (FD) permitem a manifestao das formaes

    ideolgicas, nas quais observamos as formaes imaginrias (FI)10 a contidas.

    Assim, as formaes discursivas, aquilo que se deve e se pode dizer em

    10 As FI fornecem como condies de discurso para as FD as representaes necessrias para ver e dizer o mundo. As FD interpelam o indivduo em sujeito, que ser observado em seu lugar (idealista) e pela fala (social).

  • determinadas condies de produo (como um conceito mediador), so

    configuradas por certas marcas, certos traos formais ao mesmo tempo em

    que definido por sua relao com as FI (Orlandi, 1996, p.232).

    Logo, As FD so caracterizadas pelas marcas estilsticas e tipolgicas que se constituem na relao de linguagem com as condies de produo, sendo a FD definida por sua relao com a formao ideolgica (ORLANDI, 1996, p.132).

    Essas formaes ideolgicas so analisadas luz da concepo de

    sujeito ideolgico de Pcheux, aquele interpelado pelo discurso. Desse modo,

    pela ideologia, atravs do hbito e do uso, que se designa, ao mesmo

    tempo, o que e o que deve ser, aspectos que podem ser observados nos

    dizeres dos sujeitos por desvios linguisticamente marcados entre a

    constatao e a norma, funcionando como um dispositivo de retomada. Logo,

    o sentido de uma palavra, uma expresso, no existe em si mesmo; ele

    determinado pelas posies ideolgicas que esto em jogo no processo scio-

    histrico no qual palavras, expresses so reproduzidas.

    Neste estudo, ento, as formaes discursivas foram observadas na

    relao entre a base (lingstica) e o processo discursivo (ideolgico),

    lembrando que o sentido se constitui em cada formao discursiva.

    Consideramos, ento, as parfrases (um mesmo sentido apresentado de

    vrias maneiras) e a polissemia (palavras, expresses podem ter o mesmo

    sentido sendo literalmente diferentes). E nessa tenso harmnica entre ambas

    observamos que o sujeito se reconhece a si mesmo (em si mesmo e em

    outros sujeitos), o que nos leva a concluir que a formao discursiva o lugar

    da constituio do sentido.

    Considerando que existe no dizer dos sujeitos algo que nos escapa num

    primeiro instante, optamos ento por gravar seus depoimentos para analisar

    com vagar aquilo que desejam, isto , o que no se mostra enquanto dizem.

    Tambm utilizamos aqui a proposta elaborada por Orlandi em 1996,

    qual seja, a Tipologia do Discurso, que tem sua base na relao da formao

    discursiva (FD) com a ideologia e deriva da considerao sobre enunciao;

    ou seja, da interao entre locutor e ouvinte, da relao do dizer com o objeto

    do discurso e atravs dele com o mundo como analisaremos na Situao II.

  • Para a autora, o discurso um efeito de sentido expresso na relao

    entre interlocutores, tendo como perspectiva a reversibilidade; isto , a

    presena e ausncia do referente e a possibilidade de dizer o novo

    (polissemia) em contraposio a repetir o j dito (parfrase). Este um critrio

    valioso para o reconhecimento dos tipos discursivos. As tipologias so criadas

    porque existe uma necessidade metodolgica para AD e tem a ver com os

    objetivos especficos. Isso quer dizer que as tipologias so de aplicao

    relativa, podendo ter uma maior ou menor generalidade.

    A tipologia um princpio organizador, sendo que a proposta de Orlandi

    est focada em relao ao funcionamento do discurso, como frisamos

    anteriormente. Ela determina a relevncia de certos fatores que constituem as

    condies de significao da linguagem. Os tipos de discurso no existem na

    sua forma pura, h uma mistura de tipos, um jogo de dominncia; sendo

    assim, devemos analisar o funcionamento discursivo para determinarmos a

    dominncia dos tipos e us-la como matria de conhecimento.

    Os critrios que Orlandi (1996) propem para estabelecer a tipologia do

    discurso a partir do DP (discurso pedaggico) derivam da relao da

    parfrase/polissemia e apiam-se no conceito de interao, que incorpora a

    dimenso histrica e social da linguagem, dando idia da pluralidade de

    formas de sentidos diferentes da linguagem e de outros segmentos

    enunciativos, que, como uma espcie de comentrio, incidem sobre os

    primeiros, modalizando o dizer dos estados subjetivos no momento mesmo em

    que esse dizer se realiza.

    As marcas ideolgicas lexicais indicam formaes discursivas distintas.

    Essas tipologias, alm do nvel da generalidade, apiam-se na dimenso

    histrica e social, abarcando o conceito de interao; sendo assim, sua

    condio de produo tem como caractersticas a polissemia e a interao.

    Nessa perspectiva, as tipologias criadas so as seguintes: discurso

    ldico, polmico e autoritrio - que so os dizeres institucionalizados.

    Discurso Polmico

    Reversibilidade: se d sob certas condies. O objeto do discurso est presente, mas sob perspectivas particularizantes dadas pelos

  • participantes, que procuram lhe dar uma direo. A polissemia

    controlada. O exagero a injria.

    Referncia: respeitada Ato: de perguntar; o discurso entre os interlocutores se d sob a

    forma de questionamentos.

    Processo parfrase (o mesmo)/polissemia (o diferente): neste discurso se observa melhor a tenso entre parfrase/polissemia;

    existe um equilbrio.

    Relaes de dominncia: so disputados sentidos, privilegiando-se um ou outro.

    Polissemia: controlada. Discurso Ldico Reversibilidade: total. O objeto do discurso se mantm como tal

    na interlocuo, resultando disso a polissemia aberta. O exagero

    o non sense.

    Referncia: o que menos importa. Ato: de dizer; h possibilidade de dilogo. Processo parfrase (o mesmo) /polissemia (o diferente):

    prevalece o plo da polissemia, a multiplicidade de sentidos.

    Relaes de dominncia: a relao de dominncia de um sentido sobre os outros se faz preservando ao mximo os ecos.

    Polissemia: aberta.

    Discurso Autoritrio

    Reversibilidade: a interao dialgica entre os sujeitos tende a ser zero. O objeto do discurso oculto pelo dizer, havendo um agente

    exclusivo. A polissemia contida, e o exagero a ordem no

    sentido militar, o assujeitamento ao comando. Referncia: exclusivamente determinada pelo locutor; a verdade

    imposta.

    Ato: de ordenar - isto como se d o dizer do sujeito.

  • Processo parfrase (o mesmo) /polissemia (o diferente): prevalece o plo da parfrase; ou seja, o sentido nico.

    Relaes de dominncia: um sentido nico absolutizado. Polissemia: contida.

    4.2.1 Situao II 1 etapa

    Os participantes do G3 foram convidados a conceder depoimentos

    informais sobre o trabalho coordenadora do grupo de apoio (GAUAA) e

    investigadora desta pesquisa, no mesmo local onde foram realizadas as

    reunies. A coleta total de dados atingiu 18 minutos de gravao em udio,

    sendo realizada em encontros individuais agendados aps o trmino da quarta

    reunio. Os depoimentos foram ento transcritos literalmente, respeitando-se,

    inclusive, pausas e silncios.

    Uma primeira leitura deles levou escolha dos recortes, assentada

    sobre a presena de metforas, metonmias e parfrases. A seguir, foi

    realizada a anlise do discurso de linha francesa (AD), orientada pela

    identificao da viso ideolgica de mundo, pelas injunes da realidade

    social, histrica e cultural de cada falante.

    A seguir, foi realizada a anlise do discurso de linha francesa (AD),

    orientada pela identificao da viso ideolgica de mundo, pelas injunes da

    realidade social, histrica e cultural de cada falante.

    Esse procedimento metodolgico composto de trs etapas. Na

    primeira, a superfcie lingstica (corpus bruto, dado emprico) convertida em

    discurso, sendo ento observadas as parfrases, as sinonmias, a relao do

    dito e no dito (o implcito, o pressuposto e o subentendido). Nessa fase

    tambm so observadas questes referentes exterioridade do discurso

    como: contexto, situao emprica, interdiscurso, condies de produo,

    circunstncias de enunciao, entre outras.

    A segunda etapa se caracteriza pela passagem do objeto discursivo

    para a formao discursiva, quando so delimitados os processos de

    significao observados na metfora com a formao ideolgica que rege

  • essas relaes, constituindo da os processos discursivos responsveis pelos

    efeitos de sentido produzidos naquele material simblico. So aqui analisados,

    portanto, os efeitos metafricos (relao do discurso com a lngua),

    considerando que a metfora funda a produo de sentidos e a constituio do

    sujeito, sendo vista como transferncia; logo, o efeito metafrico provoca um

    deslizamento de sentidos, dando lugar interpretao e histria.

    Na terceira etapa, que se estende do processo discursivo formao

    ideolgica, ao dado emprico transformado em objeto terico atribuda uma

    abordagem analtica, que trata criticamente a impresso da realidade do

    pensamento, iluso que sobrepe idias e coisas.

    A partir desse momento, comeamos a analisar a discursividade, que

    o nosso objetivo neste estudo. Penetramos nos processos do discurso, nos

    efeitos que nos afetam lingstica e ideologicamente, e no em seu produto

    acabado.

    A anlise visa deslocar o sujeito em face desses efeitos. Procuramos

    compreender como um objeto simblico produz sentido. As palavras refletem

    sentidos de discursos j realizados, imaginados ou possveis; desse modo, a

    histria se faz presente na lngua.

    Trabalhando essas etapas da anlise, podemos observar os efeitos da

    lngua como um sistema sujeito a falhas e ideologia, que constitutiva tanto

    do sujeito quanto da produo dos sentidos (ORLANDI, 2000).

    4.2.2. Situao II 1 etapa : anlise dos depoimentos sobre o GAUAA

    Iniciamos esta seo com a anlise do enunciado da pesquisadora,

    responsvel tanto pelo GAUAA como pela coleta dos depoimentos. A

    importncia desta anlise e seus efeitos sobre a fala dos participantes

    demonstrada mais adiante.

    Bom dia! Estamos aqui com o senhor X e ele vai dar seu depoimento

    sobre o Grupo de Apoio; o que ele trouxe de benefcios e o que ele

    promoveu de melhor na sua qualidade de vida.

    As formaes ideolgicas contidas no segmento benefcios remetem

    quilo que todo mundo sabe; isto , aos contedos de pensamentos do sujeito

  • universal, suporte de identificao. Em uma situao dada, esse espao de

    reformulao da polissemia se constitui como a iluso necessria de uma

    subjetividade e do falante, em que o outro vai pensar e dizer, sendo que cada

    um reproduz o discurso do outro. Ou seja, palavras simples do nosso cotidiano

    j chegam at ns carregadas de sentidos que nem sempre sabemos como se

    constituram, mas que significam em ns e para ns (ORLANDI, 2005).

    Portanto, embora o enunciado convite seja, em realidade, uma ordem

    materializada em um imperativo futuro, sua modalizao suaviza o carter que

    o marca, sem, no entanto, deixar de indicar a posio que toma o investigador,

    como eixo central ao qual deve responder o falante, em seus dizeres.

    Iniciamos, agora, a anlise dos depoimentos dos participantes do

    GAUAA, ou seja, dos dizeres que emergiram como efeito da fala convite da

    pesquisadora. Optamos por analisar os depoimentos de cada sujeito, pois os

    textos so curtos e pontuais. Os sujeitos foram identificados por nmeros

    seqenciais, segundo a ordem cronolgica em que os depoimentos foram

    colhidos.

    Para situar o leitor, trabalhamos com recortes, uma operao que,

    segundo a AD, representa a maneira de instaurar a pertinncia, a relevncia.

    dos depoimentos. O recorte a relao da parte com o todo, uma unidade

    discursiva, fragmento correlacionado de linguagem e situao, embora no

    mensurvel em sua linearidade.

    O gesto analtico de recortar visa o funcionamento discursivo, buscando

    compreender o estabelecimento de relaes significativas entre elementos

    significantes. Assim, como ponto de partida da anlise, isolamos os recortes

    que podem ser visualizados nos dizeres dos sujeitos, por meio do texto

    sublinhado.

    Os recortes dos depoimentos so, ento, os pontos de partida para a

    anlise e se apresentam sublinhados nos textos abaixo.

    SUJEITO 1 Sujeito 1: Eu tenho que agradecer, antes do grupo de apoio, que foi timo pra mim, a Dra. C., que tambm tem um carinho to grande, que a gente acha(1) como uma mdica dessa a

  • gente tem (2) mais que obrigao de usar, de conversar com ela, foi o que aconteceu comigo,

    at o encontro... que ela fazia com a gente todo sbado.

    Em primeiro lugar... eu sempre usei o meu aparelho, respeitei muito, eu acho que a gente tem

    obrigao de faze(3)r, mas (...) eu no sabia conviver com as pessoas a minha volta. Uns

    falavam comigo com a mo na boca, outros falavam voc surda!. Eu no sou surda(4)! Eu

    uso o aparelho ento voc precisa falar direitinho(5) comigo, ento (pausa curta(6)) eu aprendi

    a ter coragem de falar com as pessoas que uma deficincia como uma qualquer outra, ento

    foi assim eu fui me realizando, voltou minha autoestima e eu no tinha vergonha de falar que

    no era surda, mas que usava o aparelho e era 50% e que eu no tenho o lado direito(7)! T

    apagado, n(8)? Ento eu aprendi como conviver e me acostumei tanto com o aparelho que s

    vezes me perguntam como era antes, e eu nem me lembro mais, porque eu uso de amanh

    at a noite, e graas a Deus que sou assim que eu uso e me comunico com as pessoas. As

    pessoas no tm obrigao de t aprendendo a falar com o surdo, ento a gente tem que usar

    o aparelho e depois a gente ensina como que usa e funciona uma pessoa com o aparelho.

    Os segmentos: que a gente acha, uma mdica dessa a gente tem e a

    gente tem obrigao de faze(3) remetem o a gente ao pronome ns: aqueles

    com problema de audio, o que pode indicar a possibilidade de incluso no

    grupo. De fato, Braga (2003) refere que, quando se trata de grupo, o uso da

    fala pronominal a gente privilegiada pelos falantes em detrimento de ns.

    O uso do coletivo tambm designa incluso, fazer parte. So processos

    discursivos em que se pode reconhecer as formaes ideolgicas que

    apontam os efeitos da situao grupal sobre o sujeito

    Podemos, ento, abstrair as formaes ideolgicas contidas nesses

    processos discursivos, que mostram o efeito promovido pela situao grupo no

    sujeito 1. As formaes ideolgicas que foram mostradas se referem idia do

    que ser idoso e baixa autoestima, aspectos que, aps o grupo, mostraram

    uma nova tomada de posio, como observado na anlise.

    Notamos ainda a modalizao do discurso autoritrio em falar

    direitinho, no tenho o lado direito, t apagado, n, que sugere abertura do

    discurso para a subjetividade e para a interpretao. J o uso do ento,

    segundo Braga (2003), remete ao tempo que sequencialmente ordenado no

    texto, na construo da interao. O ento expressa um efeito, uma

    conseqncia, uma concluso. Por esse processo discursivo, observamos um

    apagamento do sujeito, que vai se mostrando por sua interpelao, indicando a

    construo de uma ideologia sobre o que ser surdo.

  • O marcador negativo antes do verbo em: no sabia, no era, no tem,

    segundo Fonseca (2004), mostra uma modalidade no discurso que, ao tomar a

    forma declarativa, d um tom de baixa importncia ao dizer, que podemos

    chamar de no-cltico por se referir a um processo de apagamento de um

    sujeito. Esse apagamento mostra o sujeito assujeitado ao que da ordem do

    universal. Nessa situao, o sujeito-falante resulta em um retorno do sujeito,

    de modo que a no coincidncia subjetiva caracteriza a dualidade

    sujeito/objeto. Observamos nesses segmentos o efeito da exterioridade no

    sujeito.

    O uso do gerndio em realizando mostra deslizamento de posio - a

    emergncia de uma subjetivao que torna possvel a interpretao.

    Em pessoas, com a referncia subentendida de ouvintes, notamos a

    presena da metonmia marcando os deslizamentos realizados pelo sujeito.

    Observamos certos estados subjetivos em segmentos como (A): ento, no

    sou surda, no sabia conviver com as pessoas, e uma espcie de comentrios

    em segmentos como (B): eu aprendi, sempre usei. Os enunciados (A)

    representam certo estado psquico experimentado pelo sujeito, sendo que os

    comentrios (B) os modalizam.

    Esses deslizamentos mostram como o sujeito se v antes e aps o

    grupo, apontando para uma mudana de posio do sujeito. O sujeito

    enquanto diz se mostra; portanto, pela anlise destes recortes, notamos que,

    antes do grupo, a autoestima da paciente era baixa e que, aps a participao

    no grupo, ela consegue compreender sua limitao e a identifica, explicando

    ao outro como este deve falar com ela. Emerge, de forma aberta, a mudana

    de posio antes/aps o grupo.

    A reversibilidade do discurso total, resultando em uma polissemia

    aberta; seu ato o dizer e na relao polissemia/parfrase predominou a

    polissemia, caracterizando o discurso como ldico.

    SUJEITO 2 Sujeito 2: Eu ... melhorei..., e agora... a segunda vez estou me sentindo muito melhor. Agora o primeiro no estava bom, agora o segundo est muito melhor, ento acredito que vale a pena

    usar.

  • Coordenadora: E assim...a dificuldade que o senhor tinha antes...e agora? Sujeito 2: A dificuldade que eu tinha antes que ficava apitando, eu, por exemplo, t lhe falando, conversando, est normal.

    Coordenadora: E assim...a dificuldade que o senhor tinha antes...e agora? Sujeito 2: Estou sentindo que est bem melhor. Dra. Christiane agora com o segundo aparelho eu t ouvindo normal, t me sentindo que est bem melhor.

    Coordenadora: Entendi. Pode falar seu X. Sujeito 2: Dra Cristina...agora...com o segundo aparelho...eu t ouvindo normal, muito melhor que antes do que do tava ouvindo, a Televiso, converso com as pessoas, muito melhor,

    ento sinal que estou me adaptando melhor com ele.

    Coordenadora: Que bom. E a senhora sente diferena? Em casa... [dirige-se esposa] Esposa: Com o aparelho... ele escuta bem, seno no escuta nada. E agora com o aparelho ele escuta bem. T ouvindo bem.

    Coordenadora: Ento t bom, obrigada viu.

    Nesse trecho observamos algumas pausas, silncios demarcados por

    reticncias, que, segundo Orlandi (1992), so marcas de no transparncia,

    mas que podem ser interpretadas, pois, para a autora, o silncio fundador.

    Logo, o silncio um elemento de subjetivao.

    J o ditico agora refere uma situao de diferenciao entre antes -

    depois, como em: muito melhor que antes, que um marcador de mudana.

    Os advrbios muito, melhor, bom abrem para a subjetivao, sendo que na

    relao parfrase/polissemia podemos notar os seus deslizamentos, bem

    como observar o dizer, como tambm ocorre no discurso do acompanhante:

    muito melhor, me adaptando melhor. Esses segmentos so restos

    metonmicos do discurso do outro.

    Pcheux (1997) apela para a noo de sistemas inconscientes para

    caracterizar o esquecimento n 1, segundo o qual o sujeito falante no pode,

    por definio, se conectar ao exterior das formaes discursivas que o

    dominam, remetendo ao recalque inconsciente, ao exterior que determina a

    formao discursiva em questo.

    Assim, a presena do advrbio melhor pode ser vista como um resto

    metonmico do discurso do outro, o que demonstra um apagamento do sujeito

    inconsciente, que tem a iluso de estar enunciando esse dizer por si; porm,

    trata-se do j dito.

  • Segundo Edward (1999), a relao da linguagem com os estados

    afetivos em termos de como as pessoas descrevem suas emoes nas

    narrativas apontam para a necessidade de ter algum na situao de escuta.

    Os estados afetivos compreendem estados emocionais manifestos em reaes

    aos eventos do curso da vida e determinam o bem-estar subjetivo.

    A formao ideolgica fica demarcada pelo ditico agora. O segmento

    com o segundo aparelho marca uma modalizao do discurso, uma mudana

    de posio, e mostra que, aps a passagem pelo programa, houve uma

    mudana em relao manuteno e adaptao do AA. Podemos notar a

    formao ideolgica que se instalou atravs das formaes discursivas

    observadas a partir da posio do sujeito, que est articulada aos restos

    metonmicos da fala do outro.

    Tambm observamos a relao parfrase/polissemia, como em: a

    dificuldade de antes, agora com o segundo aparelho, ouvindo melhor. Por

    esses elementos diticos, podemos dizer que h tenso entre parfrase e

    polissemia, com os sentidos e o sujeito se constituindo pelas formaes

    imaginrias (simbolizao), e o processo scio-histrico sendo reproduzido em

    um espao vindouro.

    J no discurso da esposa observamos a dominncia da polissemia, o

    que sugere um deslocamento de posio.

    As parfrases observadas no discurso do usurio de AA remetem-nos

    tambm ao conceito do esquecimento n 211.

    A reversibilidade nesse discurso total. A polissemia aberta, o ato de

    dizer possibilita que o sujeito se coloque frente a uma questo, sendo

    promovido pela reversibilidade, caracterizando o discurso ldico. SUJEITO 3 Sujeito 3: Melhorou porque muitas coisas que a gente no sabe e no tm no manual, no tem nada, vocs falaram a, a gente passou a entender melhor, inclusive para as pessoas que

    11 Isto , o sujeito falante seleciona no interior da formao discursiva o que foi proposto pelo enunciado e o reformula na sua formao discursiva; exemplo: a dificuldade que eu tinha antes. Nesse momento importante destacar a iluso do sujeito, uma vez que evidencia o efeito da ideologia que podemos notar sobre um j dito (Orlandi, 1995).

  • convivem com a gente e no sabem conviver com pessoas que tm (...) demoram pra

    aprender. E tm uma pessoas que...falam por trs de mim (risos).

    Coordenadora: E depois do Grupo, com as orientaes que a gente deu... Sujeito 3: T melhorando bem. Eu acho importante inclusive, n... com um psiclogo. Tenho uma amiga que psicloga que ela d...ela faz esse tipo de apoio porque se no a pessoa

    no vai aprender a usar.

    Coordenadora: Ento t bom, obrigada. Notamos nesse discurso restos metonmicos da fala do outro, como

    ocorreu no segmento melhor; sendo que a anlise aqui segue a mesma

    efetuada para o sujeito 2, como apontamos a partir de Orlandi (1995).

    A presena do no antes do verbo como marcador nesse contexto pode

    sugerir uma projeo e gerar uma interpretao; exemplo: no tem no manual.

    Esse segmento abre para uma subjetivao porque no podemos saber o que

    realmente no tem no manual; ou seja, essa subjetivao deixa um espao

    aberto para a interpretao, devido tenso entre parfrase/polissemia que

    podemos encontrar no discurso do sujeito 3.

    No sabe, no tem podem tambm sugerir o apagamento do sujeito,

    enquanto pausas e silncios so considerados como marcadores de

    subjetivao que no podemos interpretar, mas sofrer seus efeitos.

    No enunciado: muitas coisas que a gente no sabe, o advrbio muitas

    tambm leva subjetivao, porque no se define o que no se sabe, h um

    espao aberto para a interpretao. Por esse segmento, podemos observar a

    iluso de que sempre se pode saber do que se fala; esta iluso pode ser

    entendida pelo apagamento do sujeito, que retorna em: no tem, nada, sendo

    que esses deslizamentos da polissemia mostram que houve uma mudana de

    posio do sujeito.

    O elemento ditico este, como definidor de tipo de apoio, marca tambm

    o retorno da polissemia, que uma caracterstica desse discurso. J o ditico

    depois sugere dois momentos, antes/depois, que so indcios discursivos de

    mudana do sujeito. O uso do pronome a gente, coletivo de ns, nesse caso

    no se refere ao grupo e sim a gente - aqueles que so surdos. Houve um

    apagamento da deficincia auditiva, que foi substituda por a gente

    demonstrando a uma ideologia, a de que estar entre pessoas com as

    mesmas dificuldades um veiculo para que surja a sensao de pertencer ao

  • grupo. Podemos observar a formao ideolgica materializada pelo processo

    discursivo.

    Na relao entre parfrase/polissemia predomina a polissemia; o ato o

    de dizer, a reversibilidade do discurso total, caracterizando o discurso ldico.

    SUJEITO 4 Sujeito 4: Segundo essa sua colocao inicial... eu s posso dizer que este dentro da concepo filosoficamente, gradativamente, no seguimento do programa que coloca os

    problemas dos sentimentos dos seres humanos e nessa reunio isso perfeitamente possvel

    e de certa forma isso para mim esclarecido. Como poder conversar melhor com a minha

    fonoaudiloga C..

    Coordenadora: Ah, muito obrigada.

    Observamos aqui o uso excessivo do advrbio, que sugere ser um

    operador de articulao que demonstra a estrutura discursiva do seu

    funcionamento.

    Orlandi (1996) refere que o advrbio pode ser uma manifestao para

    dar realce, abrindo espao, dessa forma, para uma indeterminao do sujeito,

    assim como o uso do pronome pessoal mim leva a uma subjetivao do

    sujeito.

    H tambm um breve silncio (...), que pode ser um elemento

    constitutivo de sentido. No sentido da dialogia, pensar em silncio significa

    pensar a relao com o Outro como sendo contraditria. Para Orlandi (1992), o

    silncio no interpretvel, mas pode ser compreendido.

    Observamos ainda na fala do sujeito 4 restos metonmicos da fala do

    outro - ele desliza, mas no muda de posio, no h circularidade de seu

    discurso, como em isso, que remete ao vazio; isto , ele no enuncia quais so

    os problemas do homem. Trata-se de um conjunto de dizeres que no se

    ligam, no deixando clara a posio do sujeito, o que podemos tambm

    observar pelo tom e pela no circularidade do discurso.

    O uso excessivo de elementos diticos parece apontar que, para o

    sujeito, o palestrante est na posio de suposto saber; isto , este outro sabe

    sobre o sujeito, nele proporcionando a iluso necessria para a constituio

    da transferncia. No entanto, analisando os processos discursivos, isto no

    ocorreu, porque o sujeito apenas reproduziu um dizer. O processo discursivo e

  • de certa forma isso mostra uma posio do sujeito no sedimentada; h

    deslizes polissmicos, mas estes no mudam de posio. Esse segmento no

    esclarece o que significa para o sujeito 4. No h uma ideologia marcada

    nessa posio, por isso podemos observar que a situao grupo no o

    deslocou de posio.

    No h circularidade neste discurso, e a parfrase domina, o que pode

    caracteriz-lo como discurso autoritrio.

    SUJEITO 5 Sujeito 5: Sobre o grupo de apoio? Coordenadora: Isso...o que qu ? Sujeito 5: Esse Grupo de Apoio me ajudou, no sei se muito, mas ajudou bastante porque eu ouo como os outros colegas se viram como manter o aparelho, a limpeza, muitas coisas,

    ento foi bom.

    Coordenadora: Voc acha ento...que ele melhorou na sua qualidade de vida...? Sujeito 5: No sei se muito, mas melhorou. Coordenadora: E voc tem algum ponto que a gente possa melhorar, alguma sugesto que voc possa dar pra gente?

    Sujeito 5: Em relao ao uso do aparelho...como deve ser...se o novo aparelho...at em que ponto ajuda, em que sentido...essas coisas...sobre a cera do ouvido. Eu acho que o meu, no

    sei se est fora da faixa ou....gostaria que funcionasse melhor...ento talvez seja a... a ltima

    audiometria que eu fiz, voc mesma disse que tinha chances de apagar minha audio piorou.

    Coordenadora: O Grupo em si...ele promoveu uma mellhora assim...na sua qualidade de vida? Voc sentiu que foi bom? Voc aprendeu alguma coisa com o Grupo?

    Sujeito 5: Aprendi...aprendi...aprendi porque muita coisa que eu nem percebia, eu ficava pensando que no tem jeito...o sofrimento era s meu, que no tem jeito, que eu tinha que me

    virar sozinha e no, ento o grupo me mostrou o que as outras pessoas sentem, que eu me

    comportando de um jeito ou de outro, meu sofrimento menor.

    Coordenadora: T certo, obrigada. Vamos ouvir agora.

    Aqui, o esse, elemento ditico, apresenta um tom objetivo para definir o

    grupo, mas foi enfraquecido pelo segmento no sei se muito, pois este

    fragmento subjetivo deixa um espao aberto interpretao, que podemos

    qualificar com uma modalizao do discurso. Essa modalizao diminui o

    impacto da no certeza do sujeito, que qualifica o seu prprio dizer, como em

  • aprendi... aprendi, o grupo me mostrou, me comportando de um jeito... meu

    sofrimento menor.

    O ento surge como um marcador de constituio de subjetividade e de

    instanciao de sentidos. Segundo Tavares (2004), trata-se de um conector

    que possibilita analisar o jogo de sentidos instaurado pelo processo de

    inferncia. Alm disso, esse conector no fruto de expresso individual, pois,

    quando o sujeito usa ento, observamos a interpelao pela ideologia, que por

    essa formao discursiva fica aparente; isto , antes do grupo, o sujeito

    acreditava que o problema era s dele, e depois, ouvindo os outros, pde

    considerar sua dificuldade e lidar melhor com ela.

    Podemos observar tambm a relao de constituio entre a lngua

    (social) e aquilo que exterior a ela; ou seja, a historicidade, que marcada

    em sofrimento era s meu, o grupo me mostrou, tinha que me virar sozinha e

    no. Esses enunciados marcam um deslizamento na posio do sujeito,

    indicando um antes/depois implcito no discurso - anteriormente, a dificuldade

    era maior, e agora, aps o grupo, o sujeito 5 aprendeu a super-la.

    Na relao entre parfrase/polissemia predomina a polissemia, o ato

    de dizer e a reversibilidade do discurso total, caracterizando o discurso

    ldico.

    SUJEITO 6 Sujeito 6: Bom, gostei muito da palestra... O pessoal muito unido, e prestava muita ateno, mas no telefone ele apita muito e eu tiro para falar

    Coordenadora: Isso uma limitao desse aparelho que o senhor t usando mesmo, porque a maioria dos aparelhos...ahn de circuito assim analgico...quando a gente aproxima o

    aparelho do telefone, ele vai apitar.

    Sujeito 6: Ento tem que distanciar? Coordenadora: Tem que distanciar. Sujeito 6: Mas a eu no ouo, n? Coordenadora: Entendi. Sujeito 6: O que eu fao, tiro o aparelho, encosto o telefone bem e converso com as pessoas. Christiane: Entendi. E assim no seu dia-a-dia o senhor achou que foi proveitoso o Grupo, seu X?

    Sujeito 6: Foi muito proveitoso. Tem muitas coisas que me falavam que verdade mesmo. Coordenadora: Ajudou?

  • Sujeito 6: Ajudou. Coordenadora: Ai, que bom, obrigada, seu X. Esposa: Foi muito importante porque eu aprendi a lidar com ele e suas limitaes, podendo ajudar, ter pacincia ou compreender melhor ... seu sofrimento, dele porque muito triste ser

    surdo.

    Na fala da esposa, no segmento porque eu aprendi a lidar com ele,

    podemos observar que a presena no grupo de um membro do crculo familiar

    do sujeito com deficincia auditiva possibilita que esse familiar entenda o

    sofrimento que decorre da doena. A esposa se colocou em diferentes

    posies, como se pode observar pelo deslocamento do pronome seu para o

    dele, para chegar a esse entendimento.

    No incio da fala do sujeito 6, observamos o uso de pessoal, grupo,

    marcadores de lugares sociais que indicam como o espao do grupo de apoio

    favoreceu o relacionamento, possibilitando deslocamentos na posio do

    sujeito. O sujeito pde observar que as suas dificuldades eram reais, mas que

    poderiam ser compartilhadas com os outros. Uma nova forma de lidar com a

    situao possvel, porque agora ele sabe se posicionar diante da sua

    dificuldade.

    O encontro entre sujeitos que se identificam pela mesma falta promove

    uma mudana, um movimento, e por meio deles uma nova proposta de

    conviver com o problema oferecida.

    Tambm notamos no discurso do sujeito 6 uma srie de argumentaes

    sinalizadas por perguntas, que se modalizam com ento, n, sugerindo um

    apagamento do sujeito, porque o Outro um suposto saber. O discurso

    modalizado justamente pelo apagamento do sujeito por parte da ideologia,

    sendo a relao entre parfrase/polissemia disputada, ora privilegiando o

    grupo como espao vindouro, ora privilegiando a limitao do AA. Podemos

    afirmar que a situao grupo desencadeia a formao do lao social. Este lao

    fomenta a reversibilidade, caracterizando o discurso como polmico.

    SUJEITO 7 Sujeito 7: Sinceramente eu gostei, n...fui muito bem recebido. Coordenadora: Pode falar!

  • Sujeito 7: Sinceramente eu...foi, como se diz... a gente chegou aqui e achou muito interessante todo esse sistema de ouvir e toda esta explicao foi muito boa, eu gostei muito,

    n.

    Coordenadora: Que bom...e voc? Filha: Todas as informaes de como feito, de onde vem, como vem, como tem que ser feito, isso muito til para gente.

    Coordenadora: Ento te ajudou? Filha: Muito. Coordenadora: T bom, muito obrigada.

    O uso do advrbio sinceramente cria um espao de subjetivao. De

    acordo com regras de conversao de Grice12, quando dialogamos, j est

    subentendido que devemos ser sinceros.

    O n seguido de pausa cria um espao vazio que no possibilita

    retornar a lugar algum.

    As pausas seguem a mesma observao feita da anlise do Sujeito 2. O

    ditico aqui um marcador de espao, que, seguido do segmento achou muito

    interessante, abre para a subjetivao e interpretao - algo aconteceu com

    ele aqui, porque achou muito interessante; no entanto, como no h retorno,

    fica um espao vazio, no podendo ser interpretado, mas observado. Outros

    segmentos que abrem para a subjetivao so: muito boa, gostei muito, n,

    sistema de ouvir, sugerindo uma repetio, conforme j analisado no Sujeito 3

    e no enunciado da pesquisadora.

    Esses processos discursivos sugerem que a situao grupo no foi

    agente de transformao para este sujeito, uma vez que nele no identificamos

    uma ideologia marcada por essa situao, qual seja: a possibilidade de

    reversibilidade do seu dizer, que se caracterizou como discurso pedaggico.

    Porm, este sujeito compareceu em todas as reunies com a filha, o

    que pode sugerir que, quando o idoso tem o apoio da famlia, sente-se parte

    integrante dela, mais confiante, com a autoestima preservada. O apoio da

    famlia parece ser essencial nessa fase da vida. E onde h vnculo, ento

    podemos falar em ideologia, em lao. O apoio da filha nas reunies e

    possivelmente em outras situaes marcam este sujeito.

    12 As mximas de Grice so leis para a corrente francesa de AD, o princpio geral o Princpio Cooperativo e as quatro categorias: da quantidade, qualidade da relao e do modo. Orlandi pg 164, 1996.

  • Em relao ao discurso da filha, notamos tenso entre parfrase/

    polissemia, dominando a polissemia; o ato o de dizer, caracterizando o

    discurso como ldico.

    SUJEITO 8 Sujeito 8: Eu gostei de participar do seminrio, ele me ajudou em tudo, e a organizao, os cuidados, as dvidas que a gente tem foram sendo esclarecidas e o grupo tambm se sentia

    amparado nas suas dvidas. Foi uma experincia muito boa e pra mim foi esclarecedor,

    inclusive pelas pessoas que foram convidadas a participar, esclarecendo e mesmo da utilidade

    do aparelho e a gente, com mais esclarecimento, a gente utiliza de uma forma mais condizente

    com as nossas necessidades.

    Coordenadora: Imagine, obrigada X.

    O segmento participar do seminrio deixa explcito o formato

    pedaggico do GAUAA, apontando a formao ideolgica na qual o sujeito

    pode supor o saber no outro, j demarcando a uma certa posio de sujeito.

    O Sujeito 8 relata haver dvidas, por parte dele e do grupo, o que

    parece indicar que a experincia de adaptao com auxiliar auditivo e os

    encontros individuais no foram suficientes para san-las, e que, para tanto,

    seria necessria outra situao.

    Podemos pensar no uso de a gente, que se refere a ele mesmo (eu) e

    tambm integra ele e o grupo quando analisamos o contexto. Esses

    deslizamentos foram possibilitados pela situao, em que o sujeito se sentiu

    fazendo parte de um todo. Identificamos a incluso em um segmento social

    neste momento de sua vida, conforme j analisado nos sujeitos 2, 6 e 7. De

    fato, a formao do lao social, ou o grupo como facilitador de incluso social

    um instrumento para que pessoas com dificuldades semelhantes possam ter a

    oportunidade de se encontrar, refletir e discutir sobre elas. Outro fator

    importante o intervalo entre um encontro e o outro, que fornece ao sujeito um

    tempo para refletir.

    H ainda que se destacar que as mltiplas formas que esclarecer toma

    durante o texto, parecendo mostrar certa redundncia; porm, essa repetio

    de parte da palavra, acompanhada de mudana do sufixo, pode, segundo

    Fairclough (2001), indicar uma forma declarativa do processo de aceitao da

    deficincia auditiva. Essas repeties provocam cruzamentos entre os eixos

  • sintagmtico e paradigmtico, levando a formaes discursivas - esclarecidas

    esclarecendo esclarecimento - que se associam ao contexto, propiciando uma

    nova ideologia, qual seja, a possibilidade de aprendizagem favorecida pela

    situao, um movimento social que favorece uma mudana de posio. Nesse

    discurso, as dvidas no so apenas do sujeito, mas do grupo, o que parece

    indicar uma relao de contigidade entre os membros pela mesma dificuldade

    auditiva; assim, um problema vivenciado por um deles compartilhado pelos

    outros, tidos como, supostamente, iguais.

    Trata-se aqui da reao de espelho proposta por Kes (1997), isto ,

    um indivduo v sua parte recalcada refletida nas interaes com outros

    membros do grupo e pode v-los reagir do mesmo modo que ele ou em

    confronto consigo, aprendendo a conhecer-se.

    Na tenso entre parfrase e polissemia, o segmento ele me ajudou em

    tudo deixa o espao aberto, promovendo o retorno para organizao,

    cuidados, dvidas, predominando assim a polissemia.

    O segmento a gente se refere deficincia auditiva, e apagado pelo

    lxico deficincia auditiva; constitui-se como uma formao ideolgica que

    indica a negao do problema, observada pelo processo discursivo, como

    tambm notamos no segmento nossas necessidades.

    O segmento pessoas, referindo-se aos palestrantes, abre um espao de

    interpretao, proporcionando um retorno no dizer do sujeito e apontando para

    a circularidade do discurso. A reversibilidade total, caracterizando o discurso

    como ldico.

    SUJEITO 9 Sujeito 9: Eu pensei que fosse muito mais fcil usar o aparelho e... s consegui resolver a usar e melhorar minha situao com o apoio dessa equipe... esse acompanhamento que tem

    tido...no s individualmente, mas tambm com as reunies mensais que so feitas, onde a

    gente aprende a usar e compreende o aparelho que vai no nosso ouvido e tem me ajudado

    muito, me sinto bem melhor. Eu acho que... se no fosse esse apoio... que eu tenho, eu no

    estaria usando o aparelho. Eu uso porque tenho esse acompanhamento... ento eu acho isso

    muito importante para quem vai usar... tem essa deficincia auditiva. Agora, eu acho tambm

    que no uma coisa que, agora que eu me acostumei, deve parar, no, deve continuar. Isto

    tem que ser contnuo para que a gente possa ter um aproveitamento melhor. Agora quero

  • deixar registrado tambm... que pelo que eu sinto, e no sou s eu, os outros companheiros

    que eu converso nessas reunies, que o mais importante que essa equipe tem, ela tem muito

    respeito e carinho pelo nosso problema. Realmente ns somos idosos, ento isso nos ajuda e

    o trabalho dessa equipe, elas no esto vendo, so grandes profissionais que trabalham com

    amor e no somente no interesse pessoal e isso que vale para ns, no s a parte tcnica,

    mas a parte do relacionamento que nos d esta segurana e esta condio de estar vivendo

    melhor e muito feliz.

    Coordenadora: Muito obrigada!

    O uso do ditico dessa situa o espao onde o grupo se encontra, abre

    para a subjetivao e interpretao. Onde, advrbio de lugar, identifica o

    ditico acima e refora a importncia de se promover relacionamentos

    permitindo que os sujeitos se confrontem uns com os outros pelos seus dizeres

    e silncios. Outro ditico - agora - marca o antes e depois e sugere a

    importncia do grupo na sua adaptao, porque antes indica que o sujeito no

    estava acostumado e agora est acostumado.

    O segmento melhor, como resto metonmico da fala do outro, sugere um

    assujeitamento pela ideologia de encontrar aqui a possibilidade de ouvir

    melhor, que, ali, instituda. O segmento ns somos idosos abre para a

    subjetivao. Ento, isso nos ajuda so enunciados que se referem faixa

    etria idosos, sendo formaes imaginrias que podemos observar nos

    processos discursivos acima descritos e que marcam o idoso como aquele

    que tem limitaes fsicas, o que fica implcito pelo segmento ento. Este

    segmento mostra a fragilidade que pode existir no segmento isso nos ajuda. A

    articulao entre os segmentos somos idosos e isso nos ajuda de

    continuidade e promove a circularidade do discurso.

    O segmento no s uma negao que afirma - modaliza o ato de dizer

    do sujeito.

    O segmento onde, advrbio de lugar, situa o espao como promotor de

    conhecimento; isto , um ambiente de aprendizagem, como relata Semiotti et al

    (2004). Os segmentos no fosse, no estaria, no , no, deve continuar e no

    s, que caracterizam uma subjetivao, deixam espao para interpretao,

    indicando o retorno do discurso e, assim, o predomnio da polissemia. Por

    esses processos discursivos, fica evidente a ideologia que interpelou este

    sujeito, qual seja, a incluso na situao grupo foi essencial para que mudasse

  • de posio, como observamos acima, caracterizando o discurso como ldico.

    Antes, a ideologia era que o auxiliar auditivo no ajudaria, que seria muito

    difcil, e agora, depois do grupo, a nova ideologia que, com o apoio recebido,

    ele consegue usar o dispositivo.

    SUJEITO 10 Sujeito 10: A srie de palestras envolvendo desde a entonao aos ritmos meldicos, de treinamento do ouvido e os exerccios simples que ajudam a relaxar, como ouvir som de violino

    e flauta, mais agudos para treinar nossa percepo. importante para o aposentado e para

    quem tem este problema e a prtica de recitar poesias, exercitando o corpo em p

    importantssimo e ajuda a relaxar, possibilitando ouvir melhor os sons. As recomendaes

    sobre a manuteno dos aparelhos, principalmente os do molde, foi o mais importante que eu

    depreendi. Treinar a audio de sons agudos e graves... ouvindo msica foi uma

    recomendao muito boa... no foi um curso s de partes tcnicas ou das perdas, teve

    tambm exerccios para a articulao dos sons /l/, /s/, /ch/, /r/, sugerindo srie de palavras para

    a pessoa se exercitar ou pedindo para outros repetirem quando no ouvir. Por exemplo, a idia

    do CD para treinar... dando o processo auditivo com os aparelhos com a dona Maria convocar,

    checar... o funcionamento por uma profissional os benefcios. Deveria haver um custo para o

    treinamento dentro do canal auditivo, esse, o desenho apresentado foi muito bom. Seria

    interessante, numa prxima vez, mostrar detalhadamente como o som aprendido pelo

    aparelho. Enfim, uma... iniciativa de grande importncia, acredito que no se faz muito

    comumente; isso importantssimo para apoiar quem vai usar o aparelho.

    Coordenadora: Muito obrigada.

    O discurso do sujeito 10 no apresenta reversibilidade; o objeto oculto

    pelo dizer, h um assujeitamento, a referncia a reproduo de um dizer e o

    retorno ao dito, havendo, ainda, um deslizamento sobre o mesmo,

    predominando o plo da parfrase.

    Nos segmentos importante para o aposentado, para quem tem este

    problema, para apoiar quem vai usar o aparelho no h sujeito, sendo que

    podemos retornar s formaes imaginrias observadas no sujeito 9. Notamos

    tambm que no apenas as palavras, mas tambm as construes, o estilo e o

    tom tambm significam, como observa Orlandi (1996). Aqui, a parfrase

    predomina, o sujeito desliza, mas no retorna, fica no vazio, o que Orlandi

  • (2005) denomina lngua de espuma, tambm observado no discurso do sujeito

    7.

    A polissemia aberta, mas no h retorno; isto , seu discurso no

    reversvel, porque pelo retorno que o sujeito assujeitado interpelado pela

    ideologia. O segmento no foi um curso abre para a subjetivao, mas tambm

    no retorna, isto , deixa um espao para a interpretao demonstrando o

    carter pedaggico do programa.

    Pelo processo discursivo do sujeito 10, notamos que no houve

    reversibilidade no seu dizer. A referncia a reproduo de um dito anterior

    que se caracteriza por uma verdade; isto , ele ouviu e reproduziu.

    O dizer desse sujeito modalizado, o que pode ser observado pelos

    verbos empregados no infinitivo, como relaxar, ouvir, recitar, treinar, convocar,

    checar, haver, apoiar e usar, que caracterizam o ato de ordenar, reforando a

    idia de carter pedaggico.

    No segmento eu depreendi, observamos a presena do sujeito, mas,

    como houve tantas modalizaes, estas promoveram seu apagamento. O tipo

    de discurso pode ser considerado como autoritrio, pelo excesso de verbos

    empregados no imperativo. Sobre os discursos dos sujeitos e a situao grupal

    Considerando que h algo alm do dizer, a proposta metodolgica da

    AD, segundo Orlandi (1996), cria as tipologias dos discursos justamente para

    caracterizar esses dizeres, permitindo analisar o que as palavras, o tom e as

    marcas significam, criando uma tipologia do discurso de carter metodolgico.

    Nessa perspectiva, Pcheux (2006) caracteriza o sujeito pragmtico

    como aquele que podemos observar face s diversas urgncias de sua vida,

    que, por isso, chamam por uma homogeneidade lgica; isto , a marca pela

    existncia da multiplicidade de situaes do nosso dia-a-dia. Nessa

    homogeneidade lgica h um espao de necessidade que envolve coisas e

    pessoas, processos tcnicos e decises morais, da colocam-se em jogo as

    posies enunciveis. Isso comea com a relao de cada um com seu prprio

    corpo e seus arredores, bem como com a construo de laos de dependncia

  • diante das mltiplas coisas-a-saber, o que pode ser observado nos discursos

    dos sujeitos 1, 2, 3, 5, 8 e 9.

    No caso do sujeito 10, o funcionamento do discurso foi caracterizado

    pela tenso entre parfrase e polissemia.

    Alm disso, a anlise dos discursos do sujeito 10 e tambm do sujeito 4

    aponta que, para estes, a situao grupo no foi efetiva. Na ocasio do estudo,

    ambos utilizavam aparelhos por mais de oito horas ao dia, como foi detectado

    pelo questionrio QI-AASI, o que indcio de adaptao satisfatria. E dai?a

    efetividade do grupo s seria observada caso ele no usasse o AASI????prof

    no entendi esta colocao.

    Quanto situao grupal, observamos que ela promove a

    movimentao do sujeito de uma posio para outra. Sampaio (2002) relata

    que isso possvel porque as pessoas esto naquele momento reunidas com

    um propsito comum e reconhecem o limite de cada membro do grupo. Para o

    autor, o grupo uma ferramenta que capacita o sujeito a enfrentar seus

    deslocamentos internos e lidar com eles, sendo que se constitui como trabalho

    teraputico quando cada um adquire conhecimentos e experincia sobre os

    fatores que contribuem para seu desenvolvimento.

    Joo et al (2005) afirmam que o que se observa no grupo no o tipo

    de atividade/mtodo o que passa a ter relevncia, em especial na faixa etria

    aqui em foco, a possibilidade de reconstruir relaes atravs do vnculo com

    outros indivduos da mesma idade e que apresentam uma histria de vida com

    o mesmo contexto.

    Esse vnculo, segundo Douville (2004), o que forma o lao social que

    expresso em discurso; isto , o lao social o modo de comunho do sujeito

    subjetivo, a possibilidade de um lugar aberto. Aberto no sentido de ser capaz

    de sustentar a perda, aquilo que falta ao sujeito, e dar corpo a esse sentimento

    pelo corpo do outro.

    O encontro entre sujeitos que se identificam pela mesma falta promove

    uma mudana, um movimento, e por meio deles uma nova proposta de

    conviver com o problema oferecida. Ento, podemos dizer que, pelos

    relacionamentos inter e intrapessoais, ocorre a formao do lao social,

    quando as pessoas se identificam com os problemas dos outros e, apoiadas

  • pelos programas e pela presena do coordenador, reorganizam-se para

    superar suas limitaes. Nesse sentido, Celes (2005) faz um paralelo com a psicanlise,

    relatando que este um trabalho de fazer falar e fazer ouvir, talking cure, mas

    tambm que capaz de justificar e dar sustentao, sendo que seus discursos

    so desdobramentos prticos e tericos, incluindo desdobramentos histricos.

    O fazer falar promove o caminho para vencer as resistncias, e o fazer ouvir,

    a interpretao e a construo, que possibilitam o deslocamento do sujeito de

    uma posio para outra; logo, a fala faz o sujeito circular sobre seus

    pensamentos.

    Ainda para Celes (op. cit.), interpretar tem o propsito de revelar a fala

    do paciente no sentido que lhe prprio, tendo a finalidade de lhe revelar o

    desejo particular. Interpretar , pois, explicitar o desejo, sendo que a fala do

    sujeito singular. O objetivo fazer o sujeito ouvir a sua prpria fala.

    Voltando nosso pensamento ao grupo de idosos usurios de AA,

    tambm destacamos que o tempo entre um encontro e outro pode promover

    uma adaptao, no sentido de que o sujeito, ao transformar-se, modifica o

    meio e, ao modificar o meio, modifica-se a si mesmo, configurando-se assim

    uma espiral permanente. Observamos que se constitui, ento, o vnculo entre

    os participantes do grupo e destes com a coordenadora.

    Por fim, destacamos que os sujeitos 6 e 7 compareceram s reunies

    com seus acompanhantes. Em seus depoimentos, podemos observar a

    importncia da famlia nessa etapa do processo de reabilitao.

    Anlise quantitativa x qualitativa: primeiras concluses

    A anlise quantitativa, realizada a partir da Situao I, ou seja, da aplicao do questionrio QI-AASI, permitiu concluir que o programa

    desenvolvido pelo GAUAA, como apontado anteriormente, levou, de um lado, a

    um incremento do tempo de uso dirio do auxiliar auditivo, acompanhado de

    um aumento no grau da satisfao com o mesmo, e, de outro, a uma reduo

    no comprometimento das atividades dirias, como conseqncia da

    presbiacusia.

  • Porm, como esses achados no se diferenciaram daqueles

    encontrados na literatura sobre a avaliao de programas cujas estruturas

    metodolgicas no so coincidentes, permanecemos sem critrios para

    escolher o programa de reabilitao auditiva mais adequado demanda.

    Perguntamos, ento: a que atribuir a adequao do programa, estrutura

    metodolgica adotada ou a outras variveis, tais como a ao do grupo e/ou do

    coordenador ou de ambos? Resumindo, a questo sobre o sucesso de um

    programa de reabilitao auditiva permaneceu obscura.

    Diante dos fatos, conclumos que os resultados advindos da anlise

    quantitativa no respondiam s questes que nos incomodavam, o que nos

    motivou a prosseguir a pesquisa, desta vez, propondo uma outra situao que,

    por seu perfil metodolgico, favorecesse a emergncia de opinies pessoais

    sobre o programa. Supusemos que o acesso direto ao usurio pudesse trazer

    outros fatos luz. Para tanto, arquitetamos a Situao II. Os depoimentos de dez participantes do GAUAA, analisados sob a

    vertente francesa de Anlise de Discurso delineada por Orlandi, a partir de

    Pcheux, apontaram uma tendncia discursivo-ideolgica que apresenta o

    usurio como um queixoso, vitimado pela surdez, pela falta de apoio dos

    familiares, privado de conhecimentos sobre a perda auditiva e com dificuldades

    de relacionamento. Esse discurso se apresentou sob a forma dita ldica,

    aquela que possibilita a reversibilidade; isto , a interlocuo entre os sujeitos,

    resultando em polissemia aberta, cuja referncia ao que se diz o que menos

    importa, valendo o ato de dizer. Na relao entre parfrase e polissemia

    prevalece a segunda, favorecedora da multiplicidade de sentidos, pois a

    relao de dominncia de um sentido em relao a outros se faz preservando

    ao mximo os ecos; logo, a polissemia aberta (Orlandi,1996).

    Esse tipo de discurso na proposta de atendimento em grupo possibilita

    deslizamentos de posio do sujeito que lhe permitem ver, pensar e dizer o

    mundo sob uma nova perspectiva. Isso pode ser comprovado pelos achados

    quantitativos, que mostraram que a situao grupo foi estatisticamente

    relevante, embora o instrumento no identificasse as razes disso.

    Observamos, ainda, que, mais do que o contedo didtico das reunies

    do GAUAA, o que mobilizou os sujeitos foi a situao grupal e os dizeres que

    ali transitaram, gerando efeitos sobre os participantes. Ou seja, a 1 etapa

  • Situao II sugeriu que o funcionamento do grupo ocorreu de maneira significativa e foi promovido pela predominncia do discurso ldico. Isso foi

    observado na atitude dos usurios, que, antes do grupo, se mostravam inibidos

    em expressar suas limitaes, em colocar-se diante dos outros, e, aps o

    grupo, comearam a se posicionar, a compreender suas limitaes e a orientar

    aqueles que desconheciam as limitaes dos deficientes auditivos e a lida com

    idosos.

    Essa estratgia de ao, operada pelo coordenador, propiciou uma

    mudana de posio desses sujeitos. Podemos apontar, ento, como primeira

    vantagem desta anlise sobre a anterior a emergncia do sujeito singular. Por

    outro lado, entendemos essa emergncia como efeito do discurso do

    coordenador, que atravessa os encontros, tanto ao longo das quatro reunies,

    como no decorrer de cada uma delas. Para dar sustentao a nossa

    afirmao, voltamos a um acontecimento sobre o qual j falamos

    anteriormente, e que nomeado pela psicanlise como transferncia.

    Queremos dizer que, sem a iluso por parte dos usurios de que o

    coordenador um sujeito com suposto saber, as mudanas de posio

    poderiam no ocorrer.

    Dada a surpresa desses primeiros achados e seu ineditismo na

    literatura, consideramos fundamental buscar sustentao para nossas

    primeiras concluses. Propusemos, ento, uma 2 etapa para a Situao II, que, por sua estrutura, pde atestar as afirmaes sobre os achados, como

    mostramos adiante. Trata-se da anlise das gravaes em vdeo de algumas

    reunies do GAUAA e da forma como os dizeres circulantes foram enunciados,

    luz da tipologia do discurso proposta por Orlandi (1996).

    4.2.3 Situao II 2 etapa

    Nesta 2 etapa da Situao II realizamos a anlise discursiva dos dizeres que ocorreram durante trs das quatro reunies do GAUAA. Essas

    reunies foram gravadas em vdeo, por uma cmera modelo 450 digital 8

    Sony, totalizando 41 minutos de gravao em vdeo e udio. O momento da

    recepo aos pacientes, o lanche e o bate papo final no foram registrados. As

  • gravaes foram transcritas em ortografia regular e podem ser encontradas,

    em sua ntegra, no anexo X.

    Os dados so aqui analisados a partir das descries das

    materialidades discursivas, isto , dos recortes, sendo que descrever para

    Pcheux j interpretar. O recorte, objeto da lingstica, ser atravessado pela

    pedagogia e transformao de sentido, o que quer dizer que todo enunciado

    linguisticamente descritvel oferece lugar de interpretao.

    Nos intervalos entre os dizeres, observamos a presena do outro, e da

    razo pela qual h esse outro, caracterstica do ato linguajeiro. H uma relao

    que abre possibilidade de interpretao, ponto nodal do espao de

    transferncia e de identificao, o que d ao sujeito a iluso de saber sobre o

    que falado.

    Discusso e Anlise de recortes da 1 reunio

    A primeira reunio introduz o programa com o tema - Pequenas

    Dvidas e Grandes Problemas e aborda, por 45 minutos, a temtica da

    presbiacusia no que se refere anatomia do ouvido e fisiologia da audio,

    tendo sido proferida neste grupo pela autora desta pesquisa com o apoio de

    outra fonoaudiloga. A palestra foi iniciada com a fala abaixo:

    Coordenadora: Se algum quiser me interromper, falar, fazer algum comentrio s me parar, t bom? Ento, vamos l.

    A fala da coordenadora marcada pelo discurso autoritrio, que, ao

    longo da reunio, sofre modalizaes que enfraquecem seu carter

    pedaggico, levando os participantes a se sentirem convidados a expressar

    suas opinies. Observamos o discurso autoritrio nos segmentos interromper,

    falar, fazer, parar, caracterizados pelo verbo no infinitivo, definindo o ato de

    ordenar. O segmento ento mostra um conhecimento universal, que se refere

    a uma verdade j sabida. Nesse processo discursivo, podemos observar a

    formao imaginria a implcita, qual seja, a relao entre os sujeitos marcada

    por uma determinao histrico-social e ideolgica

  • O discurso autoritrio modalizado pelos segmentos t bom, ento

    vamos l, o que marca o dizer, como observado na Situao II nos depoimentos dos sujeitos 2, 3, 5 e 6.

    Vejamos outras falas que se seguem:

    Palestrante C.: Hoje tem uma tecnologia nova, que se chama Intel, que o aparelho no apita mais. No apita quando voc pe, no apita quando voc tira e no apita mais ao telefone. Pra

    diminuir esse efeito de microfonia nesses casos, t certo? Quando algum at se aproxima pra

    abraar, s vezes pode apitar.

    Idoso 1: Ai apita! Palestrante C.: Apita. Ento, hoje j tem essa tecnologia pra ele no apitar mais. Pra resolver esse problema, t certo? O efeito de ocluso. O efeito de ocluso essa sensao de voz

    abafada, ahhh, t falando com uma lata na cabea, essa dificuldade a que algum paciente se

    refere. Ento esses so alguns mecanismos...

    Idoso 2: O meu aparelho foi feito. Palestrante C.: Foi feito, e melhorou? Idoso 2: , logo no comeo. Melhorou muito, mas no comeo no, a voc mandou e eles fizeram, e a diminuiu bem.

    Palestrante C.: Diminuiu bem! Se no diminusse, a gente teria que trocar o molde dela, fazer um molde mais comprido pra minimizar ou tirar...

    Idoso 3: Fez mais um orifcio. Palestrante C.: Fez mais um orifcio que a ventilao. Idoso 3: Isso.

    Prximo ao final da palestra, surge a primeira participao, a do Idoso 1:

    ai apita, resto metonmico da fala do outro, manifestao de parfrase. Mas, a

    partir dessa primeira participao, a palestrante retoma o comentrio com um

    tom que a valoriza, utilizando o ento, inferidor de subjetividade que prorroga o

    retorno e abre para a polissemia, que podemos observar em essa tecnologia,

    resolver esse problema, referentes ao tema do apito, que mobiliza a fala de

    outro participante do grupo, o Idoso 2. Neste momento, o sujeito se manifesta

    relatando sua prpria experincia com o AA. Observamos, ento, na relao

    entre parfrase/polissemia, o domnio da polissemia, caracterizando seu

    discurso como ldico, pelos seguintes dizeres: logo no comeo (fez a

    ventilao), no comeo no (antes no incio no tinha ventilao). A oposio

    entre esses dois segmentos ocorre porque existe um conhecimento prvio

    entre o Idoso 2 e a palestrante, que fez a adaptao do AA dele. No segmento

  • do Idoso 3 a parfrase fica em aberto, h deslizamentos, mas estes no

    apontam para lugar algum.

    Ao concluir com uma pausa/silncio, a palestrante abre novamente

    espao para que outro sujeito se manifeste. Quando isso ocorre, ela retoma o

    resto metonmico da fala do sujeito, foi feito, e faz uma pergunta para

    problematizar a situao e promover uma discusso entre os idosos, sendo

    que, na relao parfrase/polissemia, domina a polissemia.

    O retorno promovido pela parfrase com o domnio da polissemia

    possibilitou a outro sujeito, o Idoso 3, uma interpretao, ali, naquele espao,

    auxiliado pelo tom e contexto do discurso. Ele participa do dilogo, e prevalece

    a polissemia, dando um tom de autoridade ao seu dizer, e com o isso, ditico,

    abre para a subjetivao. Mas por no retornar, podemos caracterizar o

    discurso, neste momento, como autoritrio. Idoso 4: C,,esse tampo til pra piscina, por exemplo? Palestrante C.: Muito til, desde que voc tenha problema.

    O idoso 4 anuncia sua participao com o segmento C., dando um

    tom ao seu discurso que mostra uma relao de interlocuo com a palestrante

    marcada pelo sincretismo. Neste caso, a no diferena de posio entre eles

    marca um efeito de sentido estruturante para o processo de significao, no

    qual a lngua materializa uma ideologia, qual seja, a possibilidade de dizer e

    manifestar pensamentos. Idoso 5: Eu, quando deixo um volume, um volume casual que possa ouvir qualquer voz, quando eu vou comer, por exemplo, pra comer eu sou obrigada a diminuir.

    Palestrante C.: E quando voc diminui, melhora? Idoso 5: Diminuindo, deixando baixo, a no apita. Mas a, em consequncia, eu no ouo bem o que a pessoa est falando.

    O Idoso 5, no incio da enunciao, apresenta um discurso em que, na

    tenso entre parfrase/polissemia, domina a polissemia, caracterizando a

    reversibilidade do discurso, ou seja, o ato de dizer promove a circularidade;

    trata-se de um discurso ldico.

  • Idoso 6: Como que a gente sente, por exemplo, que eu t sentindo, que parece que o aparelho t..., movimenta, no movimenta, a sensao que eu tenho que ele est largo, que

    ele est pequeno pra largura...

    Palestrante C.: Que ele est pequeno? Idoso 6: impresso. Palestrante C.: Que ele est apertando ento? Idoso 6: No, no est. Palestrante C.: Ele est solto? Ento a gente vai ter que rever e dar um banho de silicone... Idoso 6: No muito, mas... Palestrante C.: Entendi.

    Nesse discurso, o primeiro segmento sublinhado aponta para todos

    aqueles com deficincia auditiva, incluindo o sujeito em um conjunto maior, o

    daqueles que no ouvem. J o segmento eu t sentindo abre para a

    subjetividade, indicando um estado psquico que est em formao, seguido

    pela contradio movimenta, no movimenta, o que evidencia o carter

    oscilante desse discurso, delimitando-o numa ideologia dominante, qual seja, a

    do palestrante que assume seu lugar de suposto saber.

    O Idoso 6 desliza em seu discurso, mas no h fechamento, dada a

    circularidade do dizer que no retorna para o sujeito; a palestrante polemiza,

    mas o sujeito no conclui. Fica claro que no houve transferncia e sim

    interao, pois podemos observar lugares vazios. No entanto, ficou evidente a

    insistncia do outro, marca de posio do sujeito, mostrando a ideologia de

    que, naquele lugar, ele pode dizer, caracterstica do discurso ldico que pode

    promover uma mudana de posio no sujeito, possibilitada pela iluso que

    sempre temos de que sabemos do que falamos.

    Idoso 7: s vezes, eu tenho essa sensao que ele no est preenchendo, e a eu preciso apertar at o fundo, pra ele chegar at o fundo.

    Palestrante C.: Ento, o que que a gente faz?A gente manda dar um banho de silicone, T. Idoso 7: Ahh...

    A posio da palestrante mostrada pelo ato de perguntar, o que

    caracteriza o discurso polmico. Mas, por esse processo discursivo, manifesta-

    se no sujeito um sentido de que, neste espao, ele pode dizer, caracterizando o

    discurso ldico, que permite deslizamentos; isto , o efeito metafrico que

  • possibilita a mudana de posio do sujeito. Segue-se o ento da palestrante,

    que, como j vimos, um marcador de subjetivao que abre espao

    interpretao. No entanto, o idoso 8 entra na discusso e promove uma

    circularidade no discurso:

    Palestrante C.: T certo. Ento pra tudo a gente tem um caminho pra dar conforto. Palestrante C.: A ventilao do molde se tiver mais que um ano, ento, tem que trocar. Eles recomendam que troquem uma vez por ano o molde do aparelho.

    Idoso 8: O molde? Palestrante C.: O molde. T certo?

    Esse discurso enuncia o segmento O molde, que resto metonmico da

    fala do outro, mostrando a a iluso do seu dizer, como foi analisado na 1

    etapa, no discurso do sujeito 2, em que mostramos o funcionamento do

    esquecimento n 2. A tenso entre a parfrase/polissemia dominada pela

    polissemia, como observamos nos exemplos: se no, no ouo nada, que

    move um retorno ao deslizamento do sujeito, caracterizando seu discurso

    como ldico.

    Esses discursos esto marcados por uma caracterstica da palestrante,

    qual seja, a de polemizar seu dizer, o que se caracteriza pelo ato de perguntar.

    Isso proporcionou nos idosos um movimento; isto , eles se sentiram

    vontade para dizer de si. Seus discursos apresentam marcas discursivas que

    ora no fecham seus dizeres, ora so efeitos metafricos que caracterizam

    deslizamentos. Porm, havendo ou no esses deslizamentos, houve a

    participao desses idosos, manifestao de mudana de posio, o que

    geralmente no ocorre.

    Discusso e Anlise de recortes da 2 reunio

    A segunda reunio introduz o tema - O auxiliar auditivo: benefcios,

    usos, limpeza e cuidados e aborda, por 40 minutos, a temtica do auxiliar

    auditivo e seu funcionamento, tendo sido proferida neste grupo pela palestrante

    com o apoio da coordenadora. A palestra foi iniciada com a fala abaixo:

  • Palestrante J.: Bom dia, pessoal. Hoje ns vamos conversar sobre do que que feito o aparelho auditivo. A gente j teve algumas aulas, que a gente j mostrou, mas hoje, como

    vocs pediram, a gente vai esmiuar ainda mais. Acho que agora vocs j tm conhecimento...

    Idoso 1: T. E tambm pra reciclar, que j faz tempo. Palestrante J.: , j faz tempo. E vocs j tm um conhecimento inicial, e agora talvez vocs j conseguem entender cada vez melhor. Ento, quando a gente revisa...

    A palestrante enuncia seu discurso com um tom de intimidade da

    relao, sendo que as marcas: pessoal e vamos conversar so convites para

    que todos participem. O dizer enunciado pelo Idoso 1 tem um tom autoritrio,

    marcado pelo verbo reciclar, no infinitivo, e pela afirmao j faz tempo.

    Podemos observar nesses processos discursivos o efeito metafrico de

    reciclar, para os ditos da palestrante: j teve algumas aulas, vai esmiuar ainda

    mais e vocs j tm conhecimento. O efeito metafrico observado ento, nesse

    segmento do Idoso 1, remete a uma mudana de posio. Embora a fala da

    palestrante seja longa e no estimule o sujeito a participar, a situao grupo

    favorece a participao dos idosos.

    Palestrante J.: ... Porque dependendo do que vocs informam pra gente, a gente consegue regular e chegar mais perto possvel, pra solucionar o problema de vocs...

    Idoso 1: Ento importante a gente observar o que est ocorrendo. Palestrante J.: Sim. Idoso 2: Justamente pra passar pra vocs.

    Na interlocuo entre Idoso 1, palestrante e Idoso 2, notamos a

    participao do grupo, o envolvimento com o programa, embora a resposta

    afirmativa da palestrante seja fechada e no promova uma discusso. O ento,

    inferidor de subjetividade, possibilita a mudana de posio do sujeito, sendo

    tambm um resto metonmico da fala da palestrante, como destacado no

    recorte anterior, e pode ser considerado como o esquecimento n 2. As marcas

    ento e justamente fazem parte de uma formao ideolgica que pode ser

    considerada como o sujeito integrado ao grupo possibilitando o ato de dizer.

    Observamos o efeito metafrico no Idoso 1 - a gente observar - e no Idoso 2 -

    passar para vocs ambos os segmentos referentes ao dizer da palestrante:

    do que vocs informam pra gente; so deslizamentos que marcam uma

    mudana de posicionamento do sujeito.

  • Palestrante J.: ...Esse amplificador, a foto ele t pra fora do aparelho, porque a gente no ia conseguir visualizar dentro... a gente tirou ele, mais ou menos desta parte aqui, t bom?

    Idoso 2: O meu aparelho no tem esse microfone. Coordenadora: Mais tem que ter!...Todo aparelho tem. Palestrante J.: A gente no v... um furinho. Idoso 2: Ah, sim.

    Observamos que, quando a palestrante termina com um t bom,

    elemento inquiridor, promove a participao do sujeito na reunio e cria a

    possibilidade de discusso; mas, quando modaliza seu discurso empregando o

    diminutivo, inibe essa participao, e o sujeito conclui com um Ah, sim, que

    parece uma negao e no uma afirmao. Acreditamos ser esse um

    mecanismo estruturante de significao para o sujeito, que, mesmo no tendo

    sua dvida esclarecida, faz do enunciado um agente de transformao, porque

    o sujeito no teve nenhuma inibio para enunciar sua pergunta, embora esta

    no tenha sido esclarecida. A palestrante fala longamente, o que inibe a

    participao do sujeito e no promove dilogo ou discusso, por no ter se

    deixado afetar pela colocao do Idoso 2. Desta forma, o discurso ldico que

    comeou a surgir foi interditado, e palestrante e coordenadora perderam a

    oportunidade de alar um outro discurso que no o autoritrio e promover, no

    idoso, a descoberta de sua voz e vez no grupo.

    Idoso 3: , mas voc no vai conseguir totalmente isso no aparelho, porque eu j fiz um teste comigo, com um ventilador de teto, que me deixa atordoada, por mais que eu me concentre

    naquilo que estou fazendo, esse ventilador de teto, ele amplia mais no meu ouvido

    Palestrante J.: Algumas pessoas so mais sensveis que outras, ento, por exemplo, tem gente que comea um barulho de ventilador, algumas pessoas se habituam e consegue anular

    aquilo, outras pessoas prestam ateno naquilo. Quando voc presta ateno naquilo, ele

    enfatiza automaticamente.

    Idoso 3: Ento trabalho meu, porque o aparelho est normal, ento uma coisa minha, pessoal.

    Palestrante J.: A gente tambm tem que olhar na regulagem, v se tem mais alguma coisa pra fazer.

    Idoso 3: No, j foi feita a regulagem e depois que foi feita eu ainda no consegui, mas um trabalho meu, o trabalho tem sido meu, pessoal.

    Palestrante J.: Ns vamos falar agora sobre o zumbido...

  • Nesse segmento observamos que houve reversibilidade do discurso. O

    Idoso 3 mostra efeitos metafricos no seu dizer: no vai conseguir totalmente,

    me deixa atordoada, esse ventilador, ele amplia mais so marcadores, pois

    significam para o sujeito, apontando uma ideologia de sua impossibilidade de

    lidar com a surdez. Tambm podem ser observados restos metonmicos da fala

    da palestrante no segmento regulagem, que proporciona no sujeito a

    possibilidade de dar sua opinio, seus argumentos - a oportunidade de

    trabalhar a construo de uma ideologia, abrindo para a compreenso de

    diferentes sentidos e relaes que se estabelecem neste contexto. Nesse

    segmento foi instaurada uma prtica de dilogo, permitindo ao sujeito um gesto

    de interpretao e, consequentemente, um deslocamento de posio. Palestrante J.: s vezes tem a ver com a perda, ento, assim, o agudo pra senhora mais fcil, tem gente que tem perda em agudo e agudo pssimo.

    Idoso 5: Eu no agudo... (confirmando com a cabea). Palestrante J.: N. Idoso 5: T bom, meu amor. Palestrante J.: Pra concluir, o que que a gente tem pra dizer pra vocs....

    Podemos fazer uma anlise similar anterior em relao ao recorte

    acima. Mas vale ressaltar o ltimo segmento do Idoso 5 - T bom, meu amor -,

    que mostra uma relao de afetividade. De fato, para que haja a transferncia

    necessria uma demanda de amor ou de saber; neste caso, fica explcita a

    demanda de amor que marca esse sujeito, demarcando que necessrio dar

    oportunidade aos idosos para falarem de si, esclarecendo sobre o processo de

    envelhecimento.

    Idoso 3: Eu no sei se est na hora de falar isso, mas eu falo que tenho amigas que vo vir pra c que no conseguem usar aparelho a mesma qualidade da minha, que o tal do

    analgico. Eu acho que essa assistncia, essa orientao, esse acompanhamento que vocs

    do mesmo atravs das palestras, no s na consulta, o que t nos ajudando. Isso muito,

    tem que ser valorizada o que vocs fazem. Eu no sei como vocs vo valorizar, somos ns

    que temos que valorizar isso, mas se no fosse isso, eu no conseguiria usar, porque eu tinha

    uma idia que eu ia pr o aparelho e a... nossa, eu ia t normal, eu ia ser maravilhosa, e no

    foi! E diante desses encontros... que eu no sei, no sei se todo mundo sente isso, no sei se

  • t na hora de colocar isso, mas acho que isso que vocs, mesmo agora que ns j sabemos e

    estamos revisando, muito importante, se no a gente no consegue usar.

    Palestrante J.: , mas nosso intuito de tudo isso, de ajudar, fazer o que a gente t fazendo, mostrar o resultado disso em congressos, e escrever artigos em revistas cientficas, pra qu?

    pra gente mobilizar o quanto isso importante.

    Idoso 6: No adianta ir s loja e comprar, cada vez que a pessoa vai l, no t duvidando da capacidade da loja e nem das fonos que esto l, mas a troca muito de fono, e a cada vez

    que ela vai uma fono, ela tem que explicar, no sei o que... Aqui no, aqui um

    acompanhamento, um grupo, diferente. Ento eu acho que isso a muito eficiente. Acho

    que tem que ser difundido isso a que vocs fazem mesmo, porque no tem isso.

    Palestrante J.: Que bom! Ento a nossa idia de que s l no consultrio no o suficiente, porque vocs aprendem muito com o relato um do outro tambm, n? Ento, assim, as

    vivncias, as experincias, por mais que seja eu, a Chris e a senhora, ningum t sabendo o

    que a senhora t falando.

    Idoso 6: Cada um tem um caso. Coordenadora: Cada um tem sua histria. Idoso 3: Ento ela falou uma coisa que eu no tenho. A eu falei que bom, eu no ouo a minha mastigao, de eu no mastigar eu no ouo, ento a gente vai observando o que

    melhor pra gente.

    Idoso 4: E pra isso, essa orientao d uma segurana pra pessoa ter uma idia melhor, aceitar o problema, que tem muita gente que tem....

    Idoso 2: Isso nos deixa mais feliz. Coordenadora: Mas esse o caminho! Mas um caminho n, um aprendizado. Idoso 5: Isso mesmo. um aprendizado. Idoso 4: Isso eu nunca imaginava que ia ter.

    Observamos nas falas do Idoso 3: mas, se no fosse isso, eu no

    conseguiria usar, a gente vai observando, bem como do Idoso 6: no adianta ir

    s na loja, aqui um acompanhamento, do Idoso 4: essa orientao d uma

    segurana, nunca imaginava que ia ter, e do Idoso 5: isso mesmo, marcas

    relevantes nas quais aparecem a demanda de amor e a de saber. O ato de

    enunciao se caracterizou pelo dizer, deixando a polissemia aberta e

    mostrando reversibilidade total do discurso, o que o caracteriza como ldico.

    O marcador ditico isso instrumento inferidor de subjetivao, que leva

    a uma interpretao do sujeito, e de uma ideologia de grupo que se formou

    durante o programa, promovida por este espao de poder dizer e escutar.

  • Discusso e Anlise de recortes da 3 reunio

    A terceira reunio introduz o tema - A reabilitao auditiva: treinamento

    com sons graves e agudos com diferentes tipos de sinos e aborda, por 45

    minutos, a temtica do auxiliar auditivo e seu funcionamento, tendo sido neste

    grupo proferida pela palestrante com o apoio da coordenadora. Observamos

    ampla participao dos idosos, decorrente do discurso ldico operado pela

    familiaridade com a coordenadora e o grupo. A palestra foi iniciada com a fala

    abaixo:

    Palestrante V.: Bom dia a todos, eu sou V., musicoterapeuta. Hoje, ns vamos fazer um trabalho de relaxamento, percepo sonora e exercitar os sons graves e agudos com os

    diferentes tipos de sinos, vamos fazer exerccios de ritmo e depois soltar a voz.Vamos l.

    Idoso(1): Posso trazer algum da prxima vez? Palestrante J.: Claro, aqui aberto a trazer familiar tambm... Idoso(2): difcil. Palestrante V.: Porque olha, enfrentar uma famlia... Palestrante J.: Algumas pessoas trouxeram.... Idoso(3): No meu caso, eu tava convivendo com ele, era uma resistncia muito dura pra usar o aparelho, e outro disse, se ele no aceitou, no adianta. A eu fui aprendendo a conviver.

    Agora eu t caminhando.......... Mas tem coisas...

    Coordenadora: A gente tem de procurar se ajudar. Idoso(4): , as pessoas, as famlias s vezes no entendem. Ah, surda porque ela no quer ouvir, mas no bem assim. O ruim que a pessoa falar e voc no consegue entender o que

    a pessoa falou.

    Coordenadora: E s vezes a pessoa que t falando tambm no tem noo do seu problema. Idoso(2): No tem noo nenhuma. Palestrante Juliana: Por isso sempre importante trazer um acompanhante, pra ele tambm se esclarecer porque s vezes ele tambm no faz por mal, ele faz s vezes por no saber, por

    desconhecimento.

    Idoso(4): Exatamente! Coordenadora: E isso que a gente quer promover pra vocs, e pros acompanhantes e pros cuidadores.

    Coordenadora: Que bom! Idoso(4): realmente um trabalho maravilhoso. Coordenadora: Que bom! Agora a gente vai pra segunda parte, que a gente vai falar mais sobre o treinamento auditivo. Onde vocs vo ouvir determinados sons, para qu? Pra treinar o

  • ouvido. O som grave e o som agudo. claro que aqui pouco, a gente tem que continuar em

    casa e continuar vindo nas reunies, t certo? Muito obrigada; agora com a V..

    Observamos, aps o enunciado da musicoterapeuta, o rumo que

    tomou o dilogo distanciou-se da proposta da palestrante, que a retoma mais

    frente. Aps a sua fala, o Idoso 1 faz uma pergunta, que mobiliza a situao e

    promove uma discusso sobre o tema famlia e acompanhante.

    Nos dizeres do Idoso 3: muito dura, aprendendo a conviver, eu t

    caminhando, e do idoso 4: surda, no quer ouvir, no consegue entender, a

    polissemia predomina sobre a parfrase.

    Nas falas do Idoso 2: difcil, no tem noo nenhuma, esses deslizes

    e retornos possibilitam a mudana do sujeito e a reversibilidade do dizer.

    O segmento surdo, na fala do Idoso 4, desqualifica o sujeito,

    menosprezando a resposta da palestrante J.. Em suas falas: esclarecer, por

    desconhecimento, o uso da parfrase predomina, sendo modalizado no

    discurso por no faz por mal, que atenua o discurso autoritrio dando-lhe um

    tom acolhedor. Mas observamos que esse discurso apresenta formaes

    ideolgicas que o marcam como autoritrio, embora os segmentos (A) por isso,

    (B) s vezes, que se repetem em ele tambm, indiquem uma subjetivao que

    retorna e, ao retornar, pede interpretao. Embora predomine a parfrase,

    marca do discurso autoritrio, os segmentos (A) e (B) modalizam o tom do

    discurso.

    Finalmente, o enunciado do Idoso 4 usa o advrbio na enunciao.

    que, neste caso, no modifica o verbo, mas qualifica o prprio dizer (Fiorin,

    2004).

    A organizadora ento enuncia que ir dar prosseguimento ao

    programa, corta o dilogo e a palestrante reinicia seu trabalho. Essa

    interferncia do corte caracteriza o discurso pedaggico, colocando-a no lugar

    de lder e, por consequncia, de suposto saber.

    Finalizando e articulando a anlise dos trs encontros do GAUAA,

    podemos afirmar que a forma como ocorreu o encaminhamento das atividades,

    do ponto de vista discursivo, deu oportunidade para que dominasse o discurso

    ldico entre os sujeitos participantes. Isso proporcionou uma condio aos

  • palestrantes e idosos de ocuparem lugares que favoreceram a reflexo, prtica

    facilitadora que promove a identificao dos participantes entre si, permite o

    surgimento de uma nova ideologia, qual seja, o grupo captura a singularidade

    dos sujeitos e traz para o universal, fazendo com que eles reproduzam seu

    discurso, sem questionar o efeito de sentido promovido ali.

    Assim, as palestrantes tm a iluso n 1, qual seja, a de achar que so

    a origem do seu dizer, considerando ento a relao entre o simblico (como

    os sujeitos representam a famlia) e as relaes de poder (como a palestrante

    contemporizou a discusso sobre o tema) e promovendo deslizamentos nos

    sujeitos, que so marcadores de posio.

    Orlandi, em 1992, refere que, pela materialidade do discurso, podemos

    intervir na iluso da transparncia do dizer e na manifestao de relaes de

    fora. No grupo aqui em foco, a oportunidade de os idosos dizerem seus

    sentimentos, sendo acolhidos pelas palestrantes, reflete confrontos de natureza

    ideolgica. Sendo assim, com afirma Tfouni (1995), o sujeito do discurso pode

    ocupar um lugar para falar de si mesmo, de suas experincias e

    conhecimentos do mundo, que mobilizam seu dizer pelos efeitos metafricos,

    ocorrendo assim uma mudana de posio do sujeito, o que no pde ser

    explicitado pelos achados da Situao I deste trabalho.

    CONCLUSO DA ANLISE ENTRE OS ACHADOS DA SITUAO I E DA SITUAO II

    Os achados da Situao II, 1 etapa, foram corroborados por aqueles

    encontrados na 2 etapa, j anteriormente detalhados. No entanto, a 2 etapa da Situao II estruturou-se diferentemente em relao 1 etapa.

    Estabeleceu-se, na 2 etapa, uma relao dialgica entre palestrantes e

    idosos, ou entre coordenadora e idosos, que se configurou como uma

    novidade, reafirmando a dominncia do discurso ldico e de seus efeitos sobre

    as mudanas de posio. Mais ainda, desencadeou-se uma diferena nesta

    etapa, em funo dos efeitos da posio do coordenador sobre os usurios e

    vice versa.

  • Apontamos brevemente, em anlise anterior, para o conceito de

    transferncia13 na perspectiva freudiana. No plano terico, Freud designa a

    transferncia como o deslocamento do afeto de uma representao para outra.

    Trata-se de um processo estruturante que, na situao de grupo, afirmamos

    ser o desencadeador do lao social.

    A transferncia classicamente reconhecida como a iluso, para o

    sujeito, de que o outro dono de um suposto saber. Isso quer dizer que o

    discurso ldico ou, ainda, o polmico decorrem da atribuio dessa posio ao

    lder do grupo. Suposto saber sobre os temas das aulas, suposto saber sobre

    deficincia auditiva, suposto saber sobre AASI e, principalmente, sobre as

    demandas dos idosos presentes no GAUAA.

    Podemos acrescentar a esses efeitos aqueles decorrentes do lao

    social formado pelos participantes do grupo, uma vez que esta situao

    promove a identificao dos sujeitos entre si, possibilitando a emergncia da

    transferncia. Por meio das anlises dos depoimentos, pudemos notar que o

    espao um ponto de relevncia por favorecer o encontro de pessoas com

    problemas em comum, por sua abertura para discusses e esclarecimentos,

    em que suas dificuldades so endereadas ao outro que ali est com os

    mesmos propsitos. Vimos, ainda, que o ato sistemtico de perguntar da

    coordenadora foi motivador para a mudana de posio desses sujeitos,

    marcando-os antes/depois do grupo; logo, o tipo de discurso que promove

    mudanas de posio entre os participantes pode ser uma resposta para a

    efetividade do grupo.

    Voltando ao tipo de formao discursiva dos idosos usurios de auxiliar

    auditivo, podemos traar um paralelo com o trabalho de Orlandi (1996) e

    confirmar o grupo aberto como aquele favorecido pelo discurso ldico.

    Pudemos notar o efeito de pertencimento dos membros ao GAUAA por alguns

    de seus dizeres como: equipe, companheiros, isso e a gente, para indicar como

    se vem nesta cena. Esses efeitos no emergem apenas na materialidade do

    13 Segundo Laplanche e Pontalis, o conceito de transferncia designa em psicanlise o processo pelo qual os desejos inconscientes se atualizam sobre determinados objetos no quadro de certo tipo de relao estabelecida com eles e eminentemente no quadro da relao analtica. Trata-se aqui de uma repetio de prottipos infantis vividos com um sentimento de atualidade acentuada. Freud em {(1930)1996} afirma que transferncia a ligao emocional que o paciente desenvolve em relao ao analista. Representa a transferncia do relacionamento que o paciente havia tido com seus pais, que inconscientemente projetada no analista. O impasse que existiu nessa relao infantil criava um impasse na terapia, de modo que Freud considerou a soluo da transferncia o ponto chave para o sucesso do mtodo teraputico.

  • discurso, mas podem ser vislumbrados nos cuidados dos sujeitos com a

    vestimenta, em sua pontualidade e frequncia sistemtica aos encontros.

    Por outro lado, podemos afirmar que a insatisfao com o auxiliar

    auditivo aparece articulada baixa autoestima e ao avano da idade, temas

    que, tocados pela equipe multidisciplinar, apontam a relevncia de sua

    participao nos programas de reabilitao auditiva. Vimos ainda que a

    problematizao de uma situao pelo coordenador promove a discusso entre

    os participantes do grupo, ou seja, as mudanas de posio. Podemos concluir,

    ento, que a participao e a interao entre os participantes do grupo

    dependem da posio em que o coordenador se coloca, e isto pode ser

    observado pelos achados qualitativos que foram analisados luz da AD, tal

    como discutida nos estudos de Orlandi (1999 e 1996).

    Tivemos dificuldades em encontrar trabalhos de reabilitao auditiva em

    grupo que cruzassem a linha da psicanlise, mas atrevendo uma elaborao,

    diremos que o deslocamento do afeto est no caminho entre a escuta e a fala

    do sujeito. Devemos escutar o dizer do paciente, pois nesse processo de dizer

    e escutar d-se o movimento do sujeito. Escuta e fala podem ser cena e

    cenrio que constituem o enquadramento, aqui uma sala dentro de uma

    instituio hospitalar. Tendo como referncia a AD e a proposta metodolgica

    da tipologia do discurso de Orlandi, observamos que fala e escuta podem ser

    evidenciadas pela possibilidade de reversibilidade do discurso. Pelo fato de a

    fonoaudiologia e a psicanlise terem a linguagem no cerne do mtodo clnico,

    essa transversalidade permite um comprometimento entre elas, que

    beneficiador de nossos pacientes na clnica. Na linguagem encontramos em

    ao os operadores de deslocamento, substituies e desvios. Em nosso

    estudo, esses aspectos podem ser observados na relao entre

    parfrase/polissemia analisada nos dizeres dos sujeitos.

    Outro aspecto a ser destacado diz respeito ao fato de os encontros

    serem mensais, totalizando quatro ao final do programa, sendo que o intervalo

    entre eles possibilita uma reflexo, uma acomodao dos assuntos discutidos a

    partir das informaes recebidas, uma introspeco e uma transformao que

    se materializa em novos posicionamentos. Esse tempo de um encontro at o

    prximo pode agir sobre a resistncia de cada um mudana, pois

  • observamos que, a cada encontro, mostram-se mais agrupados, e a presena

    assdua uma constante nas reunies.

    Os programas de reabilitao auditiva so necessrios, e os

    questionrios validam o trabalho do fonoaudilogo; mas os depoimentos

    evidenciam que, nos dizeres, os sentimentos de cada um so falados e

    acolhidos pelo lao social, favorecendo as mudanas de posies observadas

    nas metforas. Guirado, em 2000, afirma a importncia da instituio e a

    importncia do local como um suporte na fala sendo propulsor de

    deslocamentos de posio do sujeito.

    Promover um espao de circulao de saberes por meio de um discurso

    que prioriza o outro como sujeito da relao, considerando suas expectativas e

    adaptando-as a sua condio de vida, deveria ser, pois, o propsito dos

    programas de reabilitao auditiva de idosos.

    Devemos nos preparar para a compreenso dos fenmenos do

    envelhecimento. H sujeitos que, aps a indicao do AA, necessitam de

    apoio cotidiano para a promoo da autonomia, visando diminuir riscos,

    dependncia e melhora na autoestima.

    necessrio, portanto, que nos apropriemos de conhecimentos alm

    dos tecnolgicos para trabalhar em programas de reabilitao. Assim, aqueles

    que se predispem a trabalhar com idosos devem estudar os processos do

    envelhecimento para adotar uma atitude tica com aquele que se encontra

    cansado e privado fisicamente, socialmente e, algumas vezes,

    financeiramente.

    Os trabalhos de Freire, Iorio, Weinstein, Ribas e outros acertam

    afirmando que programas so essenciais no acompanhamento dos idosos

    usurios de AA. Porm, mostramos que algo diferente ocorre quando

    observamos a singularidade do sujeito que, neste estudo, emergiu pelo

    discurso tramado na situao de grupo.

    Por todas as consideraes feitas nas anlises das Situaes I e II propomos ento uma nova formatao para o GAUAA, qual seja:

    Encontros com intervalos menores;

    Flexibilizao do tempo destinado a cada tema para que as questes

    mais obscuras possam ser esclarecidas;

  • Orientao aos palestrantes para a insero dos participantes na

    discusso, facilitando a reversibilidade dos dizeres e favorecendo o

    discurso ldico, chave mestra para as mudanas de posio dos

    usurios em relao ao grau de satisfao dos AASI;

    Circunscrio e relevo para a posio do coordenador, para que este

    seja interpretado como sujeito com suposto saber pela operao

    transferencial, sem a qual o programa no alcanar os resultados

    desejados.

    Compromisso tico com os sujeitos idosos portadores de perda auditiva.

  • CONSIDERAES FINAIS

    O Ministrio da Sade recomenda que o Setor de Sade Auditiva

    acompanhe os usurios de Auxiliar Auditivo para que seu uso seja sistemtico,

    prevenindo, desta forma, o abandono do dispositivo, o que constatado pela

    literatura e pela clnica. No entanto, os trabalhos encontrados na literatura

    referem-se a estudos realizados no setor pblico o que difere do foco deste

    trabalho, voltado usurios do setor privado.

    Para avaliar os resultados do GAUAA, programa de reabilitao

    auditiva, e adequ-lo s demandas dos usurios, percorremos dois caminhos:

    a Situao I e a Situao II. Na Situao I, aplicamos o questionrio QI-AASI,

    desenhado especialmente para verificar a efetividade de programas de

    reabilitao auditiva, cujos resultados se apresentaram estatisticamente

    significantes em relao ao aumento do nmero de horas de uso de AA, mas

    no permitiram qualquer anlise em relao quais variveis atribuir sua

    eficcia: contedo programtico, estrutura do programa, nmero de reunies,

    responsveis pelo contedo ou ainda, combinao de todas as variveis

    citadas.

    Dado o impasse, propusemos uma forma alternativa de avaliao,

    analisando, Situao II,na etapa 1, os depoimentos dos usurios e, na etapa 2,

    os dizeres que emergiram durante as reunies do GAUAA. Este material foi

    analisado luz da anlise do discurso de linha francesa e articulado uma

    tipologia discursiva. Os achados qualitativos apontaram uma mudana de

    posio do usurio antes/depois do uso do AA e mostraram como o usurio

    afetado pela deficincia auditiva e seus efeitos.

  • Ao final, os achados apontam que um procedimento no exclui o outro

    porque visam diferentes objetivos. Os dados quantitativos so dados fechados

    e no incidem sobre o funcionamento do programa, apenas constatam a

    diferena sem pontuar o que proporcionou esta mudana positiva no sujeito.

    Os dados qualitativos fazem transparecer a singularidade do sujeito e mostram

    o funcionamento do programa o que agrega valor ao trabalho pois possibilita o

    seu redirecionamento para que o programa de reabilitao responda

    eficazmente s necessidades do idoso com presbiacusia.

    Desta forma, conclumos pelos achados qualitativos que o que promove

    a adeso ao AA o funcionamento do grupo, onde predominou o discurso

    ldico. Este discurso favorece a transferncia e ela que se deve a mudana

    de posio do sujeito. A transferncia o centro da eficcia do funcionamento

    do programa. A situao grupo proporcionou, neste estudo, uma identificao

    entre os participantes, cujos efeitos foram potencializados pela transferncia

    decorrente da posio tomada pelo coordenador, materializada no discurso

    ldico que caracterizou este programa de reabilitao.

    Conclui-se pela impossibilidade de avaliar a eficcia de um programa de

    reabilitao auditiva mas sustenta-se que o programa um suporte

    metodolgico que abre um espao de identificao entre os participantes e, se

    atravessado pelo discurso ldico e sustentado pela transferncia, move os

    usurios de sua posio e favorece o uso sistemtico do AA. Outras pesquisas

    so sugeridas para aprofundar estas afirmaes que, como em todo estudo

    cientifico, so parciais e pedem continuidade.

  • REFERNCIA BIBLIOGRFICA

    ALMEIDA, K.; IORIO, M. C. M. Prteses Auditivas: Fundamentos Tericos &

    Aplicaes Clnicas. So Paulo, EDITORA LOVISE, 1996.

    AMORIM, R. M. C.; ALMEIDA, K. Estudo do benefcio e da aclimatizao em

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  • ANEXOS Anexo 1: Modelo do questionrio universal

  • Anexo 2. Carta de informao ao paciente.

    Nome do Participante: Data: 01.04.2007

    Pesquisador: Christiane Mara Lombardi

    Instituio: PUC SP (Pontifcia Universidade Catlica de So Paulo)

    Programa de Estudos Ps-Graduados em Fonoaudiologia

    Rua Monte Alegre, 984 Perdizes SP

    Eu, __________________________recebi as informaes necessrias sobre os dados

    deste estudo sobre audio e linguagem em sujeitos com deficincia auditiva, qual seja, a

    presbiacusia.

    Compreendo no haver riscos ou desconfortos associados a este projeto. Da mesma

    forma, os resultados do mesmo podem beneficiar tanto o pesquisador, no melhor entendimento

    sobre o evento estudado, como o estudo em questo pode reverter-se em benefcios para o

    sujeito desta pesquisa, no que diz respeito evoluo do processo teraputico.

    Sei que no h qualquer ressarcimento pela participao no referido projeto.

    Ser mantido o sigilo de minha identidade no decorrer de todo o projeto.

    Autorizo a realizao de gravaes em vdeo udio tape das terapias realizadas e a

    utilizao de expresses verbais, orais ou grficas durante a execuo do projeto.

    Os resultados deste estudo podero ser publicados em peridicos, livros, anais ou

    outros meios editoriais pertinentes. Os resultados tambm podero ser apresentados em

    congressos e reunies cientficas e profissionais.

    Tenho o direito de me ausentar deste estudo a qualquer momento de seu

    desenvolvimento.

    Recebi uma cpia assinada deste formulrio de consentimento.

    ___________________________________ Data ____/_____/_____

    (Sujeito da pesquisa)

    ___________________________________

    Christiane Mara Lombardi (pesquisadora)

  • Anexo 3. Consentimento livre para pesquisa.

  • Anexo 4. Depoimentos gravados situao II parte I

    Introduo do pesquisador:

    Sr (a)... vamos gravar o seu depoimento sobre as reunies do grupo de apoio ao usurio de

    auxiliar auditivo o que ele promoveu de melhora na sua qualidade de vida:

    SUJEITO 1. Eu gostei de participar do seminrio, ele me ajudou em tudo e a organizao, os

    cuidados, as dvidas que a gente tem foram sendo esclarecidas e o grupo tambm se sentia

    amparado nas suas dvidas. Foi uma experincia muito boa e pra mim foi esclarecedor,

    inclusive pelas pessoas que foram convidadas a participar, esclarecendo e mesmo da utilidade

    do aparelho e a gente, com mais esclarecimento, a gente utiliza de uma forma mais condizente

    com as nossas necessidades.

    SUJEITO 2. Eu pensei que fosse muito mais fcil usar o aparelho e s consegui resolver a us

    e melhor minha situao com o apoio dessa equipe, esse acompanhamento que tem tido

    individualmente e tambm com as reunies mensais onde a gente aprende a usa e

    compreende o aparelho que vai no nosso ouvido e tem me ajudado muito, me sinto bem

    melhor. Eu acho que se no fosse esse apoio que eu tenho, eu no estaria usando o aparelho.

    Eu uso porque tenho esse acompanhamento, ento eu acho isso muito importante para quem

    tem essa deficincia auditiva. Agora, eu acho tambm que no que agora que eu me

    acostumei, deve parar, no, deve continuar. Isto tem que ser contnuo para que a gente possa

    ter um aproveitamento melhor. Agora quero deixar registrado tambm que pelo que eu sinto e

    no sou s eu, os outros companheiros que eu converso que o mais importante que essa

    equipe tem, ela tem muito respeito e carinho pelo nosso problema. Realmente ns somos

    idosos, ento isso nos ajuda e o trabalho dessa equipe, elas no esto vendo, so grandes

    profissionais que trabalham com amor e no somente no interesse pessoal e isso que vale

    para ns, no s a parte tcnica, mas a parte do relacionamento que nos d esta segurana

    e esta condio de estar vivendo melhor e muito feliz.

    SUJEITO 3. A srie de palestras envolvendo desde a entonao aos ritmos meldicos, de

    treinamento do ouvido e os exerccios simples que ajudam a relaxar, como ouvir som de

    violino e flauta, mais agudos para treinar nossa percepo. Isso, para o aposentado e para

    quem tem este problema e a prtica de recitar poesias, exercitando o corpo em p

  • importantssimo e ajuda a relaxar, possibilitando ouvir melhor os sons. As recomendaes

    sobre a manuteno dos aparelhos, principalmente os do molde, foi o mais importante que eu

    depreendi, treinar a audio de sons agudos e graves ouvindo msica, foi uma recomendao

    muito boa, no foi um curso s de partes tcnicas ou das perdas, teve tambm exerccios para

    a articulao dos sons /l/, /s/, /ch/, /r/, sugerindo srie de palavras para a pessoa se exercitar

    ou pedindo para outros repetirem quando no ouvir. Por exemplo, a idia do CD para treinar,

    convocar, checar o funcionamento, os benefcios. Deveria haver um custo para o treinamento

    dentro do canal auditivo, esse, o desenho apresentado foi muito bom. Seria interessante numa

    prxima vez, mostrar detalhadamente como o som aprendido pelo aparelho. uma iniciativa

    de grande importncia, acredito que no se faz muito comumente; isso importantssimo para

    apoiar quem vai usar o aparelho.

    SUJEITO 4. Eu tenho que agradecer antes do grupo a Dra. Christiane, que com uma mdica

    dessa a gente tem obrigao de usar o aparelho e at o trabalho dela de promover o encontro.

    Em primeiro lugar, eu sempre usei o aparelho, eu acho que a gente tem obrigao de fazer,

    mas eu no sabia conviver com as pessoas a minha volta, as pessoas falavam com a mo na

    boca, diziam voc surda. Agora eu falo: eu uso o aparelho e voc precisa falar direitinho

    comigo, ento eu aprendi a ter coragem de falar com as pessoas sobre o meu problema que

    uma deficincia como qualquer outra, ento assim eu fui me realizando, voltou minha auto-

    estima. Aprendi como conviver com o problema e me acostumei tanto com o aparelho que s

    vezes me perguntam como era antes sem o aparelho e eu nem me lembro mais. As pessoas

    no tm obrigao de saber como falar com o surdo, ento ns aprendemos e ensinamos para

    eles.

    SUJEITO 5. Eu melhorei, e agora a segunda vez estou me sentindo muito melhor. O primeiro

    no estava bom, mas agora acredito que vale a pena usar. Antes ele apitava e agora esta

    melhor. Dra. Christiane, eu agora ouo melhor a TV, converso com as pessoas sinal que

    estou adaptado com ele.

    Esposa: Com o parelho ele est escutando muito bem, sem o aparelho ele no escuta nada e

    agora ele est ouvindo bem. As orientaes foram muito boas e facilitou tambm.

  • SUJEITO 6. Depois do grupo melhorou, porque muitas coisas que a gente no sabe e no tem

    no manual, vocs falaram ai, a gente passou a entender inclusive para as pessoas que

    convivem com a gente e aprendem a conviver com a gente, com o problema de audio. Eu

    acho importante tambm um psiclogo.

    Sem esse trabalho a pessoa no vai aprender a usar o aparelho

    SUJEITO 7. Segundo essa sua colocao inicial, eu s posso dizer que este trabalho foi

    importante para mim dentro de uma concepo filosfica que coloca o profissional da sade

    como tendo que entrar nos problemas dos sentimentos dos seres humanos e nessa reunio

    isso perfeitamente possvel e de certa forma isso para mim esclarecido. Como poder

    conversar com a minha fonoaudiloga Christiane.

    SUJEITO 8. O grupo de apoio me ajudou, no sei se muito, mas ajudou bastante porque eu

    ouo como os outros colegas se viram, como manter o aparelho, a limpeza, muitas coisas,

    ento foi bom. O uso do aparelho, como cuidar, os novos modelos. Eu gostaria que

    funcionasse melhor, na ltima audiometria que eu fiz minha audio piorou. Aprendi muita

    coisa que eu nem percebia, eu ficava pensando que o sofrimento era s meu, que no tem

    jeito, que eu tinha que me virar sozinha e no, o grupo me mostrou o que as outras pessoas

    sentem, que eu me comportando de um jeito ou de outro, meu sofrimento menor.

    SUJEITO 9. Sinceramente eu gostei, a gente chegou aqui e achou muito interessante todo

    esse sistema de ouvir e toda esta explicao foi muito boa eu gostei muito n

    Filha: Todas as informaes de como feito, de onde vem, como cuidar do aparelho; isso

    muito til para gente e ajudou muito a lidar com meu pai.

    SUJEITO 10. Gostei muito das palestras, o pessoal era muito unido e prestava muita ateno,

    mas no telefone ele apita muito e eu tiro para falar. O grupo foi muito proveitoso e me ajudou

    bastante em outras situaes.

    Esposa: Foi muito importante porque eu aprendi a lidar com ele e suas limitaes, podendo

    ajudar ter pacincia a compreender melhor seu sofrimento dele porque muito triste ser surdo.

  • Anexo 5. Grupo de Apoio do Usurio de Aparelho Aditivo

    Palestrante Christiane. Esse grupo aqui, a gente est fazendo um trabalho cientfico, a nvel de

    mestrado, que foi at apresentado no congresso, Congresso de Internacional de Aparelho

    Auditivo, ento para vocs saberem que os resultados esto sendo positivos. Ento muito

    importante a freqncia de vocs, t bom...

    Se algum quiser me interromper, falar, fazer algum comentrio s me parar, t bom... Ento

    vamos l.

    Aqui tem pequenas dvidas e grandes problemas. Que referente ao molde do aparelho, a

    microfonia, a quando voc fala assim...parece que eu t com a cabea em malaia, t com um

    eco...Tudo isso o que a gente vai ver hoje.

    Quando a gente vem pra um consultrio, n, voc tem a expectativa que o aparelho vai

    resolver integralmente o problema, o aparelho ele timo, ele ajuda, ele um apoio, e muito

    importante. S que ele tambm amplifica todos os sons. o que eu costumo dizer, ao mesmo

    tempo, que a perda de audio ela muito ingrata, porque ela no di, ela no aparece, ela

    no se manifesta, mas ela causa um isolamento social, aquela dificuldade de vocs se

    comunicarem muito grande. E que vai passando o tempo e a gente vai se isolando e deixa de

    participar, e deixa de perceber o que est acontecendo ao redor.

    Quando vem pro consultrio para colocar o aparelho, j passou um bom tempo entre quando a

    perda se instalou e quando vocs vieram procurar ajuda n. Ento tem a sete, oito, nove anos

    no mnimo j tem trabalhos publicados falando sobre isso, entre a deteco e a procura

    demora um bom tempo. E esse bom tempo, so as ausncias de sons que vocs deixaram, se

    privaram de ter. Quando a gente coloca o aparelho, uma infinidade de sons de novo no

    ouvido de vocs. A gente vai ver o uso que vocs vo ter desse aparelho, e ai a gente coloca

    os recursos tecnolgicos que vo ter. Ento a gente vai adequar o aparelho a sua vida diria,

    ao seu costume, t certo?

    As orientaes que a gente d no perodo de indicao, que a gente vai selecionar a pr

    moldagem, como usar, cuidados e manuteno que precisam ter com o aparelho. Tudo isso eu

    s estou recapitulando o que ns j falamos t bom. A experincia domiciliar que feita por

    quinze dias que aonde a gente vai, e vocs vo ter a oportunidade de estarem vendo quo

  • bom est sendo e o que no est sendo bom, pra gente ir ajustando,regulando e adequando o

    aparelho. E por final, o resultado e a reabilitao que o Grupo de Apoio.

    Informaes importantes na hora da seleo.

    Ento, hoje, o que est se falando muito nesse congresso que teve que est tendo e que

    acaba hoje, assim, aquela loucura pelo menor aparelho. Eu quero o menor, o menor, o

    menor, e todo mundo s quer o menor, n, que se chama CIC, Complic in the Ear, que

    ingls a sigla. Ou Perit Implant que o pequenininho. Todo mundo satisfeito.Agora, tem outros

    problemas, como efeito de ocluso.O que o efeito de ocluso? quando voc sente a voz

    abafada, ehh, ou ento voc fala parece que eu estou falando com a minha cabea dentro de

    uma lata, e isso, s vezes a gente consegue resolver com algumas modificaes que a gente

    faz no molde, que eu vou falar agora em seguida...

    Ento, hoje a gente tem uma adaptao aberta, que um molde aberto com um aparelho

    pequenininho, Retro auricular que um aparelho que vai atrs do ouvido. Isso melhora muito o

    efeito de ocluso. Ento s vezes o paciente tem essa resistncia, mas s vezes isso fica at

    imperceptvel, porque muito fininho esse molde aberto, t certo? E o aparelho tambm

    pequeno.

    Ento, vamos superar essa..., esse complexo, essa dificuldade de aceitao, e testar o que

    bom pra ns, o que bom pra mim, o que vai dar mais resultado e o que vai me deixar mais

    socialmente satisfeito e seguro, n.

    Bom, confeco do molde...

    Quanto mais prximo, mais fundo t o comprimento do molde, diminui esse efeito de ocluso.

    Ento so uns dos mecanismos que a gente faz pra suavizar esse desconforto que s vezes

    pode estar presente em algumas pessoas, t bom.

    Olha,quando a gente tira o aparelho,quando algum se aproxima ou mesmo o telefone, que a

    gente gruda o telefone no ouvido, no, tem que deixar um pouquinho mais distanciado do

    ouvido pra evitar o apito

    Hoje tem uma tecnologia nova, que se chama Intel, que o aparelho no apita mais. No apita

    quando voc pe, no apita quando voc tira e no apita mais

    ao telefone. Pra diminuir esse efeito de microfonia nesses casos, t certo. Quando algum at

    se aproxima pra abraar,as vezes pode apitar.

  • Idoso. Ai apita!

    Palestrante Christiane. Apita. Ento hoje j tem essa tecnologia pra ele no apitar mais. Pra

    resolver esse problema,t certo.

    O efeito de ocluso. O efeito de ocluso essa sensao de voz abafada, ahhh, t falando

    com uma lata na cabea, essa dificuldade a que algum paciente se refere. Ento esses so

    alguns mecanismos...

    Idoso. O meu aparelho foi feito.

    Palestrante Christiane. Foi feito, e melhorou?

    Idoso. , logo no comeo. Melhorou muito, mas no comeo no,ai voc mandou e eles

    fizeram,e a diminuiu bem.

    Palestrante Christiane. Diminuiu bem!Se no diminusse, a gente teria que trocar o molde dela,

    fazer um molde mais comprido pra minimizar ou tirar...

    Idoso. Fez mais um orifcio.

    Palestrante Christiane. Fez mais um orifcio que a ventilao.

    Idoso. Isso.

    Palestrante Christiane. Ahh... A a pea anatmica ela suavizada, que ela feita

    especialmente para vocs. Vocs vo ver que tem muito silicone geralmente atravs do

    auricular ou aquele tampo que a gente faz pra quem tem problema de membrana timpnica

    perfurada ou muita otite externa, quem gosta de nadar e difere o problema, a gente faz um

    tampo de silicone.

    Palestrante Juliana. Olha, esse aqui o de silicone que o molinho, o acrlico e o tampo ta.

    Eu vou passando a vocs vo poder...

    Palestrante Christiane. E o modelo do aparelho, depende da perda, n. A gente fala,todo

    mundo quer o Cic,mas no pra todo mundo!Tem vrios modelos, tem vrios aparelhos que

    vo se adaptar e vo ficar bom.

    Ento, olha esse daqui o tampo que protege t certo, pra gua, nadar, tomar banho. Esse

    pra retro auricular de silicone e retro auricular de acrlico, t.

    Idoso. Christiane, esse tampo til pra piscina, por exemplo?

    Palestrante Christiane. Muito til, desde que voc tenha problema.

    Idoso. que eu fao hidroginstica.

  • Palestrante Christiane. Isso. Se voc tem aquele ouvido crnico, que os mdicos falam NE,

    que vazam...

    Idoso. Vocs que fazem?

    Palestrante Christiane. Somos ns. Ns que fazemos t bom?

    Ahh... Agora os tipos de moldes.

    Ento, esse aqui olha esses dois, so pra retro auricular, aquele aparelho que vai atrs da

    orelha. Que se chama Concha e Canal. Esse canal aqui,e o tampo tambm aquele molde

    pequenininho que a gente faz o Peletimpnico, que tem a uma infinidades de

    tamanhos,dependendo do conduto e do canal da pessoa.

    Ento, a microfonia. O que que pode dar o apito, n. Pode ser cera, muita cera.Por isso a

    gente fala da importncia do acompanhamento pra gente t fazendo uma limpeza melhor do

    seu aparelho,t checando sua orelha pra ver a quantidade de cera que voc tem,ou

    no,porque se voc estiver bloqueando,o aparelho vai ficar apitando sempre.Ento a cera um

    fator que predispe a microfonia tambm.

    Idoso. Eu quando deixo um volume, um volume casual que possa ouvir qualquer voz,quando

    eu vou comer,por exemplo, pra comer eu sou obrigada a diminuir.

    Palestrante Christiane. E quando voc diminui, melhora?

    Idoso. Diminuindo, deixando baixo a no apita. Mas a em conseqncia eu no ouo bem o

    que a pessoa est falando.

    Palestrante Christiane. Entendi. Mas a a gente tem o problema de alterao de ter que pode

    ser tambm que quando a gente mastiga,a gente abre de mais a boca,e mexe.Ento o que que

    a gente pode fazer um canalzinho maior,mais comprido uma concha mais comprida, porque

    assim ele vai ficar bem preso e no vai mexer tanto na hora da sua mordida.Ento a gente teria

    que tirar uma moldagem mais funda dele,t certo,pra minimizar o seu problema.

    Ento, pra falar sobre a flacidez da pele. A pele vai ficando flcida, ento, depois de algum

    tempo, um ano, dois anos, pode ser que a gente tenha que refazer o molde do aparelho de

    vocs.

    Idoso. Como que a gente sente, por exemplo, que eu t sentindo, que parece que o aparelho

    ta..., movimenta, no movimenta, a sensao que eu tenho que ele est largo, que ele est

    pequeno pra largura...

  • Palestrante Christiane. Que ele est pequeno?

    Idoso. impresso.

    Palestrante Christiane. Que ele est apertando ento?

    Idoso. No, no est.

    Palestrante Christiane. Ele est solto?Ento a gente vai ter que rever e dar um banho de

    silicone...

    Idoso. No muito, mas...

    Palestrante Christiane. Entendi.

    Idoso. s vezes eu tenho essa sensao que ele no est preenchendo, e a eu preciso

    apertar at o fundo, pra ele chegar at o fundo.

    Palestrante Christiane. Ento, oque que a gente faz?Agente manda dar um banho de silicone

    Terezinha.

    Idoso. Ahh...

    Palestrante Christiane. T certo. Ento pra tudo a gente tem um caminho pra dar conforto.

    Idoso. Por isso que importante fazer...

    Palestrante Christiane. Por isso que o acompanhamento importante, porque as coisas vo

    aparecendo, e vocs vo aprendendo a lidar melhor com o aparelho com o tempo.

    Ahh... O ganho excessivo. s vezes,se voc pe muito ganho no seu aparelho ele tambm vai

    apitar.E isso no bom,porque alm de apitar,ele ainda vai prejudicar sua audio.Ento a

    gente no pode deixar o aparelho to forte,porque prejudicial.

    Ahhh...O controle do feedback,ahh...Que esse apito,que se est muito forte,o ganho ,a gente

    tem que diminuir,que o feedback acstico.A ventilao do molde,se tiver mais que um

    ano,ento,tem que trocar.Eles recomendam que troquem uma vez por ano o molde do

    aparelho.

    Idoso. O molde?

    Palestrante Christiane. O molde. T certo?

    Palestrante Juliana. O molde ou a caixa. porque quando a gente fala molde dos aparelhos que

    no so retros,ns estamos falando dessa caixinha que ns...

    Palestrante Christiane. Dessa caixinha. Ento a gente pede sim pra vir trocar pra que?Pra

    manter o aparelho satisfatrio pra vocs.

  • Ento, a nova regulagem em situaes especficas, no telefone e no estetoscpio, s vezes as

    pessoas se do muito bem, outras s vezes no se do bem, questo de adaptar o telefone

    ou comprar um telefone com amplificador de ajuste. Precisa ver se o aparelho de vocs j tem

    uma bobina de induo do telefone pra mexer na mesma freqncia da energia eletro

    magntica de um com o outro convertendo essa energia na mesma sintonia pra voc ouvir

    melhor. Ento tem muitos recursos dentro do aparelho digital e mesmo no analgico que so

    capazes de suavizar esses problemas.

    Idoso. Sobre o aparelho digital?, inicialmente foi muito bom com relao ao telefone, mais

    algum tempo depois, eu sou obrigado a tirar o aparelho, se no eu no ouo nada.

    Palestrante Christiane. Ento, por qu? A gente tem que ver esse acompanhamento. O que

    que tava bom antes que agora no est bom. Ento o senhor tem que vir contar a histria,pra

    gente adaptar, pra gente regular,pra ficar to bom quanto estava,n.No tava bom e ficou ruim,

    se ficou ruim,alguma coisa aconteceu no meio do caminho e que a gente tem que resolver.

    Idoso. T bom. Se eu vou falar no telefone, eu tenho que tirar se no eu no ouo nada.

    Palestrante Christiane. . Ento a gente vai melhorar.O senhor vai ter que voltar aqui.

    Ento o efeito de ocluso. a ressonncia da voz,quando voc escuta aquele eco,quando

    voc mastiga n, a sensao de orelha tampada, quando eu ando eu ouo meus passos.

    Ento tudo isso a gente tem que resolver. ajuste, regulagem,t certo?

    Ahhh.... A ventilao. Aqui, nessa nossa sala, a maioria das pessoas tem uma perda de

    audio chamada Presbiacusia. A Presbiacusia ento, ela mantm os graves, das aulas

    anteriores que eu falei pra vocs, e a queda maior nos agudos. Quando a gente vai regular o

    aparelhinho de vocs, vai dar esse efeito de ocluso, porque a gente tem que manter os

    graves, tem que diminuir os ganhos dos graves, pra melhorar o efeito de ocluso, t certo.

    Ento tem que fazer esses ajustes, tudo isso esperado. No diferente de um pro outro.

    Palestrante Juliana. Ento ns vamos falar agora do que que feito o aparelho auditivo. A

    gente j teve algumas aulas,que a gente j mostrou, mas hoje, como vocs pediram, a gente

    vai esmiuar ainda mais.Acho que agora vocs j tem conhecimento...

    Idoso. T. E tambm pra reciclar,que j faz tempo.

    Palestrante Juliana. j faz tempo. E vocs j tem um conhecimento inicial,e agora talvez

    vocs j conseguem entender cada vez melhor.Ento,quando a gente revisa, nunca a gente

  • fala sobre a mesma coisa,ns estamos sempre com alguma coisa a mais pra complementar

    aquilo que vocs j tinham,t.Ento cada aparelho constitudo por trs partes importantes:

    Uma que o microfone. O que que esse microfone vai fazer, ele vai captar o som do ambiente

    t. (Tossiu.) Desculpa.

    Segunda o amplificador. Ele vai fazer o que, ele vai pegar esse som que o microfone captou

    e vai amplificar. O que que adianta ele amplificar,se no tiver l dentro do aparelho um receptor

    pra receber essa informao e transformar pra chegar dentro do ouvido de vocs.Ento essas

    trs partes so as mais importantes do aparelho: o microfone,o amplificador e o receptor, ele

    vai pegar esse som que o amplificador pegou e vai devolver pra vocs dentro do canal do

    ouvido,t.

    Ento o que aconteceu de muito tempo pra c, que os aparelhos eram aqueles caximbinhos,

    eram aquelas caixinhas, que foram diminuindo, conforme a Chris j falou, dentro deles tambm

    teve uma revoluo da tecnologia. Ento os micros processadores ou chips dentro do

    computador, so quase que um computador dentro do aparelho de cada um, t. E com isso o

    que que a gente ganha?A possibilidade de dar o maior recurso pra vocs de ajuste. Porque

    quando a gente tinha aqueles aparelhos analgicos, aqueles que s tm o botozinho, voc vai

    com o botozinho pra l e vem com o botozinho pra c. Tem regulagem de agudo, de grave,

    n, e de potncia. Quando a gente transforma isso pra digital,a gente tem dentro do

    computador uma infinidade de coisas pra mexer.Ento, o que importante?Vocs tambm

    terem claro o que ruim, n. por isso tambm que a gente pergunta, mais como que

    isso?Como que acontece? o eco, ou no ?Porque dependendo do que vocs informam pra

    gente, a gente consegue regular e chegar mais perto possvel, pra solucionar o problema de

    vocs.

    Idoso. Ento importante a gente observar, o que est ocorrendo.

    Palestrante Juliana. Sim.

    Idoso. Justamente pra passar pra vocs.

  • Palestrante Juliana. Sim. Porque o feedback isso. Vocs passam pra gente, a gente no est

    com vocs o dia inteiro, at o que ela falou desse aparelho novo dessa tecnologia nova, ele

    tem a capacidade de gravar um evento de vocs. Ento vamos l, vocs falam assim: ai

    quando eu vou a tal lugar, insuportvel. Ai a gente pergunta pra vocs, mas como esse

    som? grave? agudo? alto? de intensidade forte? de intensidade fraca? E s vezes

    vocs no sabem direito relatar. Esse novo aparelho, voc grava quando voc est nesse

    ambiente e depois ele mostra pra gente atravs de um grfico, como que era a acstica desse

    ambiente, quais eram os sons que estavam mais, e isso uma tecnologia nova que est a pra

    auxiliar, n. Claro que a gente volta naquela histria do custo benefcio, n, por enquanto a

    gente falava de digital, como uma coisa muito longe, e hoje, digital uma coisa mais comum.

    Ento aqui, um modelo do retro auricular, t. S pra vocs entenderem o que vai dentro.

    Dentro da apostila tem esse deseinho tambm. Ento como a gente t sem o... Ento se vocs

    quiserem acompanhar pela apostila, eu espero vocs chegarem l, t gente.

    Pgina 11, que a fica mais fcil, porque se no eu fico falando daqui e nem todo mundo ta

    enxergando n? Ento esse aparelho o retro auricular o que vai atrs da orelha, t? Ele

    existe o que se chama mini retro, que pequeninho tambm, t... ento em cima bem aqui

    perto da onde faz a curvinha...t o microfone que pra captar o som, t bom? Um pouquinho

    mais abaixo, ta o amplificador e um pouco mais abaixo, ta o receptor. A bateria ta aqui

    embaixo... aqui eu coloquei o controle de volume...hoje em dia os aparelhos no tem controle

    de volume...eles tem esse botozinho que pra mudar o programa n... Ento voc grava

    dentro do aparelho um programa pra ouvir dentro de um ambiente normal do dia-a-dia e o

    segundo programa, normalmente o paciente quem decide... se ele vai querer pra um

    ambiente mais ruidoso ou pro ambiente mais silencioso..a vai da demanda de cada uma ta.

    Ento hoje em dia, no tem muito controle de volume, tem esse botozinho que j do

    programa... Pra mudar o programa. Em alguns casos, a gente s pede quando extremamente

    necessria a bobina telefnica, no um item que vem de fbrica, n... normalmente, vem da

    demanda de vocs tambm, que a bobina telefnica, s que a toda vez que for ouvir o

    telefone tem que mudar o aparelho pra..., a voc s capta o telefone...se voc esquecer isso

    a, voc no vai ouvir mais nada, s o telefone, ta. Aqui um intra auricular que vai dentro do

    ouvido, ento fica bem induzido n, a gente tem o microfone bem aqui na parte onde est

  • captando o som uma bateria, um receptor e um amplificador. Esse amplificador, a foto ele t

    pra fora do aparelho, porque a gente no ia conseguir visualizar dentro... a gente tirou ele, mais

    ou menos desta parte aqui, t bom?

    Idoso. O meu aparelho no tem esse microfone.

    Palestrante Christiane. Mais tem que ter!...todo aparelho tem.

    Palestrante Juliana. A gente no v... um furinho.

    Idoso. Ah, sim.

    Palestrante Juliana. Por onde entra o som. Ns estamos olhando por dentro... t. No maior fica

    mais fcil da gente visualizar, porque ele grando, nesse daqui fica mais difcil... mas tudo

    isso fica dentro do aparelho. Esse furinho o que vai captar ou... e a tem os tipos de aparelho

    que a gente volta a recapitular um pouco...ah, aquele paciente chega e eu quero usar o

    pequeninho, igual a Chris falou, s vezes... Dependendo do ganho e das coisas que vocs

    precisam, no d pra gente adaptar um aparelho pequeno, n? Ento a gente sempre vai

    oferecer pra vocs o melhor... ento ningum quer o cliente insatisfeito, mas eu tambm no

    posso chegar pra pessoa que s quer aquele pequeno e falar que esse pequeno vai resolver o

    problema dela, se esse no for o caso, ta. Ento essa fase importante, da pessoa entender,

    por isso que importante o que vocs esto fazendo aqui, entender o porqu ela tem aquele e

    o outro tem o outro que vai atrs da orelha, cada um, cada perda de um jeito, cada um... tem

    gente que tem perda e consegue a adaptar o pequeno, por exemplo, o meu conduto

    minsculo, se um dia eu precisar de aparelho, eu no vou poder usar o pequeno n, mesmo

    que eu tenha uma perda pequena, porque no tem como eu colocar um microfone, um receptor

    e um amplificador dentro de um conduto pequenininho, entendeu? Ento so esses fatores que

    a gente tem que observar, ta? Ento a gente tem um retro auricular que o que vai atrs da

    orelha e ta tudo na apostila tambm... se vocs virarem mais um, ta a. O intra-auricular que

    aquele que pega toda parte de dentro da concha, ta. Tem o intra canal que um pouquinho

    menorzinho, pega s a metade da concha, e tem o CIC que aquele que a Chris falou que

    completamente dentro do canal ou a pele timpnica que aquele menor ainda, t.

    Tipos de tecnologia: Ento a gente vai ter 3 tipos de tecnologia, hoje em dia a mais a digital,

    que a que se fala, mais ainda existem aparelhos analgicos no mercado, ta. Tecnologia

    analgica programvel e a diferena a gente vai ver depois e digital. Ento eu vou fazer uma

  • pergunta pra vocs... por que a msica do CD soa mais ntida, clara, sem distoro do que a

    msica da fita e do LP? A resposta, pelo menos em parte, a diferena entre o processamento

    do analgico pro digital. A gente tem interferncia, no caso do LP da agulha, que d chiado e

    no CD a gente tem uma leitura tica, ento mais ou menos isso que acontece com o

    processamento do sinal do aparelho analgico pro aparelho digital. A qualidade desse

    processamento que melhor, no que o aparelho melhor que o outro, mas qualidade desse

    processo de ouvir bem melhor.

    Ento porque que a tecnologia digital bem melhor? Pra alguns casos? Tem casos que no se

    adaptam a tecnologia digital, ta. Sempre a gente vai ter exceo, mas normalmente, a

    tecnologia digital melhor por causa da rapidez e eficincia e a agilidade no processamento e

    manipulao desses dados, muito rpido, n. Passa pelo chip, pelo microprocessador, ele

    corta rudo, ele faz isso, ele amplifica aquela parte, ele no amplifica aquela, ele faz tudo isso

    muito rpido, ta? Ele consegue preservar e enfatizar altas freqncias, que so as que a gente

    usa nos sons da fala, como o C em faca sobre o barulho do ambiente... ento assim, mais

    fcil voc perceber os sons da fala porque ele d uma suavizada em outros sons, pra enfatizar

    esse da fala n? Ele tem o equalizador, ento esses sons podem ser divididos em vrios

    canais e a gente consegue pegar aquele canal que voc tem dificuldade de amplificar s

    naquele pedao, ento isso fica bem mais fcil no digital. Preciso e flexibilidade no ajuste pro

    fonoaudilogo... a gente tem muita coisa pra mexer e muita coisa pra ajudar vocs. E o que

    que eles tm tambm, em alguns aparelhos? Eles tm redutor de rudo, n. O que que o

    redutor de rudos faz? Ele gerencia o rudo pela durao dele no ambiente. Ento o que ele

    faz? Ele reduz alguns sons contnuos, ento de repente, a gente ta num lugar e tem um rudo

    de trnsito de fundo... ele pega e reduz isso, com isso ele vai enfatizar a fala. No que

    amplifica a fala n, no sei se vocs conseguem entender essa diferena.

    Idoso. mais, voc no vai conseguir totalmente isso no aparelho, porque eu j fiz um teste

    comigo, com um ventilador de teto, que me deixa atordoada, por mais que eu me concentre

    naquilo que estou fazendo, esse ventilador de teto, ele amplia mais no meu ouvido

    Palestrante Juliana. Algumas pessoas so mais sensveis que outra, ento, por exemplo, tem

    gente que comea um barulho de ventilador, algumas pessoas se habituam e consegue anular

  • aquilo, outras pessoas prestam ateno naquilo. Quando voc presta ateno naquilo, ele

    enfatiza automaticamente.

    Idoso. Ento trabalho meu, porque o aparelho est normal, ento uma coisa minha,

    pessoal.

    Palestrante Juliana. A gente tambm tem que olhar na regulagem, v se tem mais alguma

    coisa pra fazer.

    Idoso. No, j foi feita a regulagem e depois que foi feita eu ainda no consegui, mas um

    trabalho meu, o trabalho tem sido meu, pessoal.

    Palestrante Juliana. Ns vamos falar agora sobre o zumbido, essa coisa de habituao do

    som, tudo isso tambm a gente vai discutir hiperacusia que so as pessoas que so mais

    sensveis aos sons intensos, ta bom... tudo isso a gente tem muito assunto pra falar. Mas isso

    importante... entender que ele reduz os rudos e automaticamente ele enfatiza a fala. Mas

    se a gente continuar prestando ateno no rudo, ele pode continuar reduzindo que a gente vai

    continuar prestando ateno, ta.

    Esse reajuste instantneo, ento assim, surgiu um rudo, ele corta, mas depois ele volta ao

    normal assim que esse rudo acabar, pra no perder a informao de fala, ta?

    Expanso um outro recurso que os aparelhos digitais tm, quando ele no est funcionando

    ele uma ocluso, quer dizer, aquele pouco que voc escuta, ele ta tapando, se ele no ta

    tendo efetivamente o objetivo dele que amplificar o som e te levar o som amplificar, ele ta te

    atrapalhando, ento... por isso que a gente tem que ajustar, entendeu? Essa uma pergunta

    que a gente sempre faz quando um paciente chega e falo, eu no t entendendo a televiso,

    ou alguma coisa... em tal lugar, ou no consigo ouvir nada no restaurante, mas s voc ou

    todo mundo? Isso importante.

    Idoso. o tom de voz da pessoa, n? Falando grosso eu no entendo nada, mas no grave.

    Palestrante Juliana. s vezes .

    Idoso. Grave eu no entendo nada.

    Palestrante Juliana. s vezes tem haver com a perda, ento assim, o agudo pra senhora

    mais fcil, tem gente que tem perda em agudo e agudo pssimo.

    Idoso. Eu no agudo... (confirmando com a cabea).

    Palestrante Juliana. N.

  • Idoso. T bom, meu amor.

    Palestrante Juliana. Pra concluir, o que que a gente tem pra dizer pra vocs, mesmo com toda

    a sofisticao e toda ma tecnologia digital, no consegue saber as palavras que vocs

    precisam ouvir. Ou eliminar de forma mgica o rudo ambiental e isso a gente nunca vai

    conseguir, quer dizer, nunca muito pesado, mas at o momento ainda no existe, ta? Essa

    mgica acontece dentro do crebro, que significa que com a entrada correta, em ambas as

    orelhas, ele seleciona e concentra os sons que a gente quer... os sons desejados...e pode ser

    considerados um milho de vezes mais poderoso que qualquer outro processador feito pelo

    homem, ento aquilo que a gente fala da fase de adaptao importante. De repente voc no

    ouvia nada e passa a ouvir tudo, existe uma fase de adaptao que no seu crebro entender

    tudo aquilo que ta entrando, nomear, fazer outras conexes e se organizar pra dali pra frente

    conseguir oferecer o melhor, ta? Quando uma perda auditiva altera essa entrada, a tecnologia

    digital pode ajudar a melhorar a compreenso controlando determinadas caractersticas do

    sinal ta? Mas o resto com cada um de vocs, tudo que a gente vem dizendo at agora, a

    disposio para aprender as habilidades importante, necessria medida que se adapta ao

    mundo de som amplificado. o fator mais importante no sucesso de cada um de vocs, ta?

    Ento a gente finaliza desta mesma maneira. Tudo que a gente tem recurso, tudo que a gente

    tem disponvel, importante? . Mas se a gente oferece isso pra uma pessoa que no quer

    colaborar, que no se ajuda, no vai adiantar nada. Voc pode ter um aparelho mais caro do

    mundo, mas se voc no tiver disposto a passar por essa fase de adaptao, prestar ateno

    em algumas coisas, a se adaptar ao novo mundo, o melhor aparelho no vai adiantar, ta? Por

    isso que a gente fala que a gente pega alguns casos que a pessoa no quer usar o aparelho e

    ele veio porque a famlia quer, no vai dar certo. A gente vai colocar o aparelho, ele vai ficar,

    mas... no vai dar certo porque ele no quer, no partiu dele. Ento o mais importante o que

    vocs esto fazendo. O interesse pelo que a gente est passando, pela audio, como

    funcionar cada vez mais vocs vo se beneficiar pelo uso do aparelho. Porque cada vez mais,

    vocs vo entender como funciona, vo saber solucionar os problemas, quando acontecerem e

    vo sair daqui mais expert em audio.

    Idoso. Eu no sei se est na hora de falar isso, mas eu falo que tenho amigas que vo vir pra

    c que no conseguem usar aparelho a mesma qualidade da minha, que o tal do analgico.

  • Eu acho que essa assistncia, essa orientao, esse acompanhamento que vocs do mesmo

    atravs das palestras no s na consulta, o que ta nos ajudando. Isso muito, tem que ser

    valorizada o que vocs fazem. Eu no sei como vocs vo valorizar, somos ns que temos que

    valorizar isso, mas se no fosse isso, eu no conseguiria usar, porque eu tinha uma idia que

    eu ia por o aparelho e a... nossa, eu ia ta normal, eu ia ser maravilhosa, e no foi! E diante

    desses encontros... que eu no sei, no sei se todo mundo sente isso, no sei se ta na hora

    de colocar isso, mas acho que isso que vocs, mesmo agora que ns j sabemos e estamos

    revisando, muito importante, se no a gente no consegue usar.

    Palestrante. , mas nosso intuito de tudo isso de ajudar, fazer o que a gente ta fazendo,

    mostrar o resultado disso em congressos, e escrever artigos em revistas cientficas, pra que?

    pra gente mobilizar o quanto isso importante.

    Idoso. No adianta ir s loja e comprar, cada vez que a pessoa vai l, no to duvidando da

    capacidade da loja e nem das fonos que esto l, mas a troca muito de fono, e a cada vez

    que ela vai uma fono, ela tem que explicar, no sei o que... aqui no, aqui um

    acompanhamento, um grupo, diferente. Ento eu acho que isso a muito eficiente. Acho

    que tem que ser difundido isso a que vocs fazem mesmo, porque no tem isso.

    Palestrante Juliana. Que bom! Ento a nossa idia de que s la no consultrio no o

    suficiente, porque vocs aprendem muito com o relato um do outro tambm, n? Ento assim,

    as vivncias, as experincias, por mais que seja eu, a Chris e a senhora, ningum ta sabendo

    o que a senhora ta falando.

    Idoso. Cada um tem um caso.

    Palestrante Christiane. Cada um tem sua histria.

    Idoso. Ento ela falou uma coisa que eu no tenho. A eu falei que bom, eu no ouo a minha

    mastigao, de eu no mastigar eu no ouo, ento a gente vai observando o que melhor pra

    gente.

    Idoso. E pra isso, essa orientao d uma segurana pra pessoa ter uma idia melhor, aceitar

    o problema, que tem muita gente que tem....

    Idoso. Isso nos deixa mais feliz.

    Palestrante Christiane. Mas esse o caminho! Mas um caminho n, um aprendizado.

    Idoso. Isso mesmo. um aprendizado.

  • Idoso. s isso eu nunca imaginava que ia ter.

    Palestrante Valria. Porque olha, enfrentar uma famlia...

    Palestrante Juliana. , aqui aberto a trazer familiar tambm.

    Idoso. difcil.

    Palestrante Juliana. Algumas pessoas trouxeram....

    Idoso. No meu caso, eu tava convivendo com ele, era uma resistncia muito dura pra usar o

    aparelho e outro disse, se ele no aceitou, no adianta. A eu fui aprendendo a conviver. Agora

    eu to caminhando.......... Mas tem coisas...

    Palestrante Christiane. A gente tem procurar a se ajudar.

    Idoso. , as pessoas, a famlias s vezes no entendem. Ah, surda porque ela no quer

    ouvir, mas no bem assim. O ruim que a pessoa fala e voc no consegue entender o que

    a pessoa falou.

    Palestrante Christiane. E s vezes a pessoa que ta falando, tambm no tem noo do seu

    problema.

    Idoso. No tem noo nenhuma.

    Palestrante Juliana. Por isso sempre importante trazer um acompanhante, pra ele tambm se

    esclarecer por que s vezes ele tambm no faz por mal, ele faz s vezes por no saber, por

    desconhecimento.

    Idoso. Exatamente!

    Palestrante Christiane. E isso que a gente quer promover pra vocs, e pros acompanhantes e

    pros cuidadores.

    Idoso. No, no pode falar isso.

    Palestrante Christiane. Que bom!

    Idoso. realmente um trabalho maravilhoso.

    Palestrante Christiane. Que bom! Agora a gente vai pra segunda parte, que a gente vai falar

    mais sobre o treinamento auditivo. Aonde vocs vo ouvir determinados sons para que? Pra

    treinar o ouvido. O som grave e o som agudo. claro que aqui pouco, a gente tem que

    continuar em casa e continuar vindo nas reunies, ta certo? Muito obrigada agora com a

    Valria.

  • Palestrante Valria. preparar o nosso ouvido, para que a gente oua melhor uma msica, pra

    que a gente perceba, todos os nuances de uma msica, ento super importante a gente

    preparar primeiro o que vocs j esto acostumados, que a gente tem feito n, que vocs j

    fizeram, ns vamos preparar nosso corpo, a primeira coisa. Ento eu vou por uma msica de

    fundo e ns vamos preparar o nosso corpo.

    Primeira nossa cabea: (balanando a cabea de um lado pro lado e pro outro). Solta bem.... l

    atrs. Pra frente e pra trs, no se esqueam de respirar importantssimo... girando a cabea,

    se no puder fazer o giro total, gire a metade. Deixando o pescoo bem molinho... bem

    molinho. Girando os braos... vamos inspirar em quatro tempos e soltar em quatro tempos.

    (estalando os dedos).... solta todo o ar. Faz isso todo dia um pouco, mas no deixe de fazer,

    importantssimo. Agora ns vamos fazer a parte rtmica e vamos comear com o compasso

    quatro por quatro, batendo palmas (um, dois, trs, quatro), agora ns j estamos preparados

    pra comear a poesia, ta bom? Vamos fazer a poesia das mos: Mos que abenoam e fazem

    o bem (batendo palmas), mos que trabalham e no se detm (batendo palmas), mos que

    amorosas os fracos amparam (batendo palmas), mos que sim rezam e que sempre rezaram

    (batendo palmas), mos que se elevam num gesto profundo, (batendo palmas) dessas mos

    que precisam o mundo (batendo palmas). Agora ns vamos fazer os gestos. Porque muito

    importante a gente fazer o gesto pra se expressar o que estamos falando. Mos que abenoam

    e fazem o bem (fazendo gesto), mos que trabalham e no se detm (fazendo gesto), mos

    que amorosas os fracos amparam (fazendo gesto), mos que sim rezam e que sempre

    rezaram (fazendo gesto), mos que se elevam num gesto profundo, (fazendo gesto) dessas

    mos que precisam o mundo (fazendo gesto). Muito bem!!! Muito bem legal. Vamos perceber o

    som dele, cada som desses tem um nome.

    (tocando o sino)

    Idoso. uma vaca.

    Palestrante Valria. Muito bem! Esse o sino da vaca.

    (tocando o sino novamente)

    Idoso. um sino.

    Palestrante Valria. Da igreja.

    (tocando o sino novamente).

  • Idoso. Do animal.

    Palestrante Valria. Do elefante. Por que do elefante? Porque esse sino da ndia. Ele tem o

    som diferente.

    (tocando novamente o sino)

    Idoso. Papai Noel.

    Palestrante Valria. Papai Noel!

    (tocando sino novamente).

    Quem lembra esse? do beb, ele um guizo do beb.

    (tocando outro sino).

    Esse aqui do carneirinho.

    Ta bom, outra vez. Voc me ajuda agora? Vou esconder! Ah, ento t bom! (Ela toca o sino

    escondido para todos ouvirem e tentar adivinhar).

    Idoso. Da igreja.

    Palestrante Valria. (Ela continua tocando os sinos)

    Idoso. Da vaca.

    Palestrante Valria. (Ela continua tocando os sinos)

    Idoso. Do elefante.

    Palestrante Valria. Do elefante, muito bem! (Ela continua tocando os sinos)

    Idoso. Papai Noel? Ih, de novo!

    Palestrante Valria. Este?

    Idoso. Do elefante.

    Palestrante Valria. Isso mesmo.

    Palestrante Juliana. Ela no t na ordem.

    Idoso. Carneirinho?

    Palestrante Valria. No, do carneirinho este. Vamos ouvir o do carneirinho.

    Idoso. Do beb?

    Palestrante Valria. Do beb este. (balanando os trs sinos)

    Este o grave, o mdio e o agudo. (ela balana os sinos)

    Idoso. grave.

  • Palestrante Valria. Agora a gente vai fazer um em relao ao outro. Ele grave em relao a

    esse.

    Idoso. Um grave e o outro agudo.

    Palestrante Valria. Outra vez! (Tocando o sino). No, voc precisa primeiro ouvir, depois voc

    fala.

    Tocando uma flauta.

    Todos cantando uma msica de fundo.

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