Produo de Milho na Agricultura Familiar

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  • Sete Lagoas, MG Setembro, 2011

    159

    ISSN 1679-1150

    Autores

    Jos Carlos Cruz1Israel Alexandre P. Filho1

    Marco Aurlio G. Pimentel1

    Antnio Marcos Coelho1Dcio Karam1

    Ivan Cruz1Joo Carlos Garcia1 Jos Alosio Alves

    Moreira1Maurlio F. de Oliveira1

    Miguel M.Gontijo Neto1Paulo Emlio P. de

    Albuquerque1Paulo Afonso Viana1

    Simone Martins Mendes1Rodrigo Veras da Costa1Ramon Costa Alvarenga1

    Walter Jos Rodrigues Matrangolo1

    Pesquisadores da Embrapa Milho e Sorgo. Cx. Postal 151. 35701-970 Sete Lagoas, MG

    zecarlos@cnpms.embrapa.br

    Produo de Milho na Agricultura Familiar

    Introduo

    A agricultura familiar incorpora grande diversidade cultural, social e econmica. A maioria das definies da agricultura familiar est vinculada ao nmero de empregados e ao tamanho da propriedade. As principais caractersticas dos agricultores familiares so o menor uso de insumos externos propriedade e o fato de a produo agrcola estar direcionada s necessidades do grupo familiar. No entanto, diversas outras caractersticas esto associadas a esse tipo de agricultor: o uso de energia solar e da fora muscular animal e humana; a pequena dimenso da propriedade; a grande autossuficincia; a fora de trabalho familiar ou comunitria; a alta diversidade ecogeogrfica, biolgica, gentica e produtiva, e a predominncia dos valores de uso que se baseiam no intercmbio ecolgico com a natureza e o conhecimento holstico, emprico e flexvel.

    Um grande nmero dos produtores de milho caracteriza-se como agricultores familiares que conduzem lavouras com baixa utilizao de insumos e em condies desfavorveis, seja do ponto de vista tcnico, econmico, poltico e social (AGRICULTURA..., 2011). Com tal diversidade, nem todos os agricultores tm acesso, via instituies de extenso e pesquisa, aos recursos fitotcnicos adequados sua realidade. A despeito do caracterstico baixo uso de insumos, no h falta de tecnologia nas propriedades familiares. Os saberes construdos por geraes mobilizam plantas e animais da regio ou a ela adaptados, tendo como base energtica o Sol e a fora muscular (humana ou animal). Complementarmente, no que tange ao aspecto ambiental, muitas tecnologias pouco presentes (controle biolgico de pragas e adubao verde) so capazes de ampliar a produtividade e a resilincia econmica e ambiental das propriedades familiares.

    O milho na agricultura familiar

    A importncia econmica do milho caracterizada pelas diversas formas de sua utilizao, que vai desde a alimentao animal at a indstria de alta tecnologia. O uso do milho em gro na alimentao animal representa a maior parte do consumo desse cereal no mundo. No Brasil, varia de 70 a 90%, dependendo da fonte da estimativa e da regio geogrfica. Embora a utilizao do milho na alimentao humana no seja muito grande no Brasil, esse cereal com essa finalidade importante em regies com baixa renda. Por exemplo, no Nordeste do Brasil, o milho a fonte de energia para muitas pessoas que vivem no Semirido (DUARTE et al., 2010). Embora na regio Nordeste sejam plantados 22,57% de todo o milho no Brasil (3,07 milhes de hectares na safra 2010/11), a produo de 6,1857 mil t representa apenas 10,8% do total colhido no Brasil de toda

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    a produo esperada para a safra 2010/11. O rendimento de 2.015 kg/ha, cerca de 25% superior ao obtido na safra 2009/10, ainda um dos mais baixos verificado no Pas (Tabela 1).

    Esse baixo rendimento tem sido atribudo s condies climticas adversas, ao baixo nvel de capitalizao dos produtores e consequente baixa quantidade de insumos utilizados. Segundo dados da APPS1, a percentagem de utilizao de sementes melhoradas no Nordeste, em 2010, foi de cerca de 11%, portanto bem abaixo da mdia brasileira, que varia de 80 a 85%. Portanto, a divulgao e a utilizao de cultivares de milho adaptadas regio podero ser poderosos instrumentos visando a segurana alimentar no

    Nordeste.

    Regio/UF

    rea(em mil ha)

    Produtividade(Kg ha-1)

    Produo (em mil t)

    MA 477,6 2.106 1.005,8PI 350,8 2.016 707,2CE 638,4 1.225 782,0RN 73,6 740 54,5PB 175,9 710 124,9PE 273,9 640 175,3AL 57,7 713 41,1SE 218,5 4.683 1.023,2BA 803,6 2.827 2.271,7Nordeste 3.070,0 2.015 6 .185,7Brasil 13.602,1 4.200 57.122,9

    Fonte: CONAB (2011)

    Um dos fatores do baixo nvel de produtividade mdia, no Brasil, o grande nmero de pequenos produtores de baixo nvel tecnolgico que cultivam esse cereal. Para se ter uma ideia, segundo os dados do Censo Agropecurio do IBGE de 1996, 94,3% dos produtores de milho so responsveis por 30% da produo, usando 45,63% da rea destinada ao cultivo desse cereal no pas. Por outro lado, 2,4% dos produtores cultivam 43,91% da rea e produzem 60,08% do milho colhido no Brasil. Os dados demonstram a participao dos

    Tabela 1. rea, rendimento e produo de milho nos estados da regio Nordeste e no Brasil em 2011.

    pequenos produtores no processo produtivo: aqueles que cultivam menos de um hectare de milho representam 30,8% dos produtores e colhem apenas 1,89% da produo.

    A importncia do milho ainda est relacionada ao aspecto social, pois grande parte dos produtores no altamente tecnificada, no possui grandes extenses de terras, mas depende dessa produo para viver. Isso pode ser constatado pela quantidade de produtores que consomem o milho na propriedade. Segundo os dados do IBGE, cerca de 59,84% dos estabelecimentos que produzem milho consomem a produo na propriedade. Apesar do alto percentual de estabelecimentos que consomem o gro internamente, esses

    representam apenas 24,93% da produo nacional de milho. Pode-se, portanto, afirmar que h uma clara dualidade na produo de milho no Brasil. Uma grande parcela de pequenos produtores no se preocupa com a produo comercial e com altos ndices de produtividade e uma pequena parcela de grandes produtores com alto ndice de produtividade usa mais terra, mais capital e mais tecnologia na produo de milho.

    Embora quase toda tecnologia utilizada pelos grandes produtores tambm possa ser utilizada pelos pequenos produtores, uma srie de fatores diferencia o sistema de produo da agricultura familiar:

    1Informao da APPS disponvel para associados em agosto de 2010

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    1) Normalmente estes produtores no dispem de mquinas e equipamentos prprios e ficam na dependncia de terceiros, seja pblicos (prefeituras, associaes comunitrias) ou privados (prestadores de servio). Tal situao, muitas vezes associadas falta de treinamento dos operadores de mquinas, gera problemas quanto qualidade dos servios prestados (geralmente, o manejo de solos, a incorporao de corretivos e plantio, a colheita) e quanto melhor poca de se realizar as operaes;

    2) As sementes muitas vezes so obtidas de programas de doaes, ou troca-troca governamentais, ou o produtor utiliza sementes de paiol, ou segunda gerao de hbridos;

    3) Geralmente as reas escolhidas para a implantao das lavouras de milho apresentam mdia a alta fertilidade natural, mas so pequenas, muitas vezes menores do que 1 hectare e s vezes de topografia que dificulta a mecanizao. Normalmente o produtor no realiza anlise de solo e tanto a correo quanto a adubao, quando realizadas, so menores do que o recomendado. O tamanho da lavoura e o acesso rea tambm dificultam algumas operaes, como o transporte e a distribuio de calcrio;

    4) O controle de plantas daninhas geralmente mecnico e muitas vezes realizado tardiamente. Baixa densidade de plantio frequente, o que facilita a ocorrncia do mato. Normalmente a colheita realizada manualmente e sempre com atraso, aumentando as perdas no campo e a infestao de insetos. A maioria da produo consumida na propriedade gerando pouca renda, o que tambm dificulta a aquisio de insumos para serem utilizados na lavoura;

    5) Principalmente no Nordeste, comum a utilizao de consrcio do milho com vrias culturas. Geralmente a estrutura de armazenamento precria e improvisada;

    6) O milho no uma fonte direta de renda, participando na propriedade como fonte de alimentao animal e humana;

    7) No que diz respeito ao emprego de mo de obra, cerca de 14,5% das pessoas ocupadas nas lavouras temporrias e cerca de 5,5% dos trabalhadores do setor agrcola esto ligados produo de milho. No setor agropecurio, a produo de milho s perde para a pecuria bovina em termos de utilizao de trabalhadores, apesar de as tecnologias modernas utilizadas na produo desse cereal serem poupadoras de mo de obra.

    Como se pode notar, a importncia do milho no est apenas na produo de uma cultura anual, mas em todo o relacionamento que essa cultura tem na produo agropecuria brasileira, tanto no que diz respeito a fatores econmicos quanto a fatores sociais. Pela sua versatilidade de uso, pelos desdobramentos de produo animal e pelo aspecto social, o milho um dos mais importantes produtos do setor agrcola no Brasil.

    recomendado que toda a produo siga as normas das Boas Prticas Agrcolas (BPA), que so um conjunto de princpios destinados a tornar a agricultura menos dependente do produtos qumicos, menos agressiva ao meio ambiente, mais socialmente correta e, por conseguinte, mais sustentvel.

    Manejo e conservao do Solo

    importante usar corretamente as tcnicas de preparo do terreno para evitar a progressiva degradao fsica, qumica e biolgica do solo. A utilizao constante do mesmo equipamento, como a grade aradora ou o arado de discos, trabalhando sempre numa mesma profundidade, provoca compactao logo abaixo da camada preparada. o chamado p-de-grade ou p-de-arado. Essa camada compactada diminui a infiltrao da gua no solo, com o consequente aumento do escorrimento superficial, causando eroso (a eroso um processo natural, que ocorre a despeito das atividades antrpicas, que podem ampliar seus impactos negativos quando h destruio da cobertura e/ou eliminao da matria orgnica). Os sistemas radiculares das

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    culturas ficam mais superficiais, explorando menor volume de solo e tornando as plantas mais suscetveis ao veranico, comum em vrias regies.

    Uma das maneiras de reduzir a compactao alternar anualmente a profundidade de preparo do solo. importante tambm atentar para as condies de umidade do terreno por ocasio de seu preparo. O ponto de umidade ideal aquele em que o trator opera com o mnimo esforo, produzindo os melhores resultados na execuo do servio. Com o solo muito mido aumentam os problemas de compactao. A terra gruda com mais fora nos implementos, chegando a impedir a operao. Em solo muito seco preciso um nmero maior de passadas de grade para obter o destorroamento do solo. Com isso, o custo de produo fica maior e o solo pulverizado. Como um dos objetivos do preparo do solo o controle de plantas invasoras, faz-se a ltima gradagem niveladora imediatamente antes do plantio.

    Nos ltimos anos tem aumentado substancialmente o uso do sistema de plantio direto, sendo que no Brasil, mais de 25 milhes de hectares j so cultivados com este sistema.

    Alm de cuidados no preparo do terreno e no plantio, outras tcnicas, como a construo de terraos e faixas de reteno, so fundamentais para a conservao do solo e da gua e a obteno de altas produtividades. Para sua execuo convm ao agricultor buscar informaes junto a tcnicos especializados da extenso rural das cooperativas e da assistncia tcnica pblica e privada.

    Embora o milho responda interao de todos os fatores climticos, podemos considerar que a radiao solar, a precipitao e a temperatura so os de maior influncia, pois atuam eficientemente nas atividades fisiolgicas interferindo diretamente na produo de gros e de matria seca.

    Temperatura - Considera-se as temperaturas de 10-25-30 e 42C como os limites mnimo, timo e mximo, para cultivo do milho.

    Precipitao - Como regra geral, o milho deve ser cultivado em regies que tenham um mnimo de 350-500 mm de precipitao.

    O milho, por razes principalmente econmicas, plantado na maioria das regies no perodo chuvoso, ou seja, uma cultura tpica de sequeiro. Portanto, conhecer o nmero de dias secos consecutivos de muita importncia na determinao da poca de plantio. Dias secos so aqueles em que a precipitao inferior a 5 mm. A expriencia tem mostrado que as mximas produtividade ocorrem quando o consumo de gua durante todo o ciclo est entre 500 e 800 mm e que a cultura exige um mnimo de 350-500 mm para que produza sem necessidade de irrigao. Na cultura do milho, nas condies de clima quente e seco, o consumo de gua raramente excede a 3 mm/dia quando a planta apresenta em torno de 30 cm de altura, e no perodo que vai da iniciao floral maturao pode atingir valores de 5 a 7 mm/dia. Vale a pena ressaltar que a quantidade de gua extrada pela planta depende do tipo de solo, ou seja, da capacidade de reteno de gua nele, da profundidade efetiva do solo e da idade da planta.

    Calagem e adubao

    A conduo de uma agricultura em bases tradicionais, com pequeno uso de insumos, especialmente de corretivos e fertilizantes comum no Brasil, resultando nos baixos nveis de produtividade. Nos ltimos anos, os produtores tm se conscientizado da necessidade de se executar um programa racional de correo e adubao do solo, de modo a melhorar a competitividade de suas lavouras. Para tanto, podem ser utilizados os vrios instrumentos de avaliao da fertilidade, como a anlise de solo e a anlise foliar.

    A amostragem a primeira etapa do diagnstico da fertilidade do solo, o que permitir a determinao da quantidade de calcrio e de adubos a aplicar, de modo a sanar deficincias. Convm lembrar que a

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    retirada de amostras deve ser bem feita para evitar distores sobre a fertilidade do solo. A anlise , com certeza, permitir indicar uma adubao mais balanceada, de acordo com as caractersticas do solo e da planta. Permitir tambm orientar o agricultor no sentido de um melhor aproveitamento dos solos de sua propriedade, de modo a obter deles maior produtividade e renda.

    Necessidade de correo

    A aplicao de calcrio objetiva basicamente reduzir a solubilidade de certos elementos txicos (alumnio e mangans), que em determinadas concentraes limitam a produo. Visa tambm fornecer clcio e magnsio, dois nutrientes essenciais s plantas.

    Escolha do calcrio:

    A indstria coloca no mercado corretivos da acidez dos solos, com ampla variao nos teores de clcio, magnsio e poder relativo de neutralizao total (PRNT). Cabe ao tcnico, com base na anlise de solo, na exigncia da cultura ao clcio e ao magnsio e, no preo do calcrio, analisar as vrias alternativas oferecidas e decidir qual a soluo mais tcnica e econmica.

    Na escolha do calcrio leva-se em considerao a anlise qumica do calcrio com relao aos teores de clcio e magnsio, o poder relativo de neutralizao total (PRNT) e o preo por tonelada efetiva, o qual pode se calculado pela frmula: Preo por tonelada efetiva = Preo na propriedade/PRNT x 100. Deve-se considerar tambm a distncia entre o local de compra do corretivo e o de sua aplicao, uma vez que o carreto pode onerar bastante o preo final do produto.

    No Brasil, existe o conceito generalizado para o uso de calcrio dolomtico, visando manter no solo uma relao de Ca : Mg de 3:1 a 5:1. Para a cultura do milho esta relao pode ser mais ampla (Ca : Mg = 10:1), sem prejuzo da produo, desde que o teor de magnsio

    no solo esteja acima de 0,5 cmolc/dm3 de solo (COELhO, 2008). Essa informao importante, pois ela possibilita a escolha entre os diferentes tipos de corretivos da acidez do solo que normalmente contm quantidades variveis de clcio (Ca) e magnsio (Mg).

    Escolha do calcrio:

    Aplicao do calcrio:

    De modo geral, as recomendaes de calagem indicam que a incorporao seja feita na profundidade de 20 cm. O corretivo deve ser bem misturado com o solo, permitindo uma reao maior e mais rpida. Doses de calcrio superiores a 2,0 t/ha devem ser aplicadas em duas vezes, metade antes da arao e metade depois. Desse modo, consegue-se uma distribuio mais uniforme em profundidade. Em solos sob plantio direto consolidado (> 5 anos) possvel aplicar o calcrio na superfcie, sem a necessidade de revolvimento (arao e gradagem). Nesta situao as quantidade recomendadas so menores: a) Solos argilosos: 1/3 a 1/2 da necessidade de calcrio pelo mtodo de saturao de bases para a camada de 0 - 20 cm. Se maior que 2,5 t/ha, adotar o valor limite; b) Solos de textura mdia e arenosos: 1/2 da necessidade de calcrio pelo mtodo de saturao de bases para a camada de 0 - 20 cm. Se maior que 1,5 a 2,0 t/ha, adotar o valor limite. A necessidade de nova aplicao de calcrio deve ser monitorada pela saturao por bases do solo. Com saturao por base igual ou superior a 50%, no aplicar.

    O agricultor deve ter em mente que todas as recomendaes de corretivos so efetuadas com base no valor de PRNT de 100%. Caso o calcrio adquirido possua valor superior ou inferior a 100%, necessrio fazer o ajuste da quantidade recomendada. Normalmente h um efeito residual do calcrio no solo, que varia de trs a cinco anos. A incorporao do corretivo se faz profundidade de 20 a 30 cm, com antecedncia de no mnimo sessenta dias do plantio, para propiciar condies de reao do calcrio com o solo. Essa reao tanto mais

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    rpida quanto mais fino o corretivo e somente se processa na presena de umidade no solo.

    Critrios para recomendao de gesso:

    A tomada de deciso sobre o uso do gesso agrcola deve sempre ser feita com base no conhecimento das caractersticas qumicas e na textura do solo, das camadas subsuperficiais (20 a 40 cm e 40 a 60 cm). haver probabilidade de resposta ao gesso quando as camadas sub superficiais do solo apresentarem as seguintes caractersticas: saturao por Al3+ da CTC efetiva maior que 30%, ou o teor de Ca 0,4 cmolc/dm3 de solo. Constatadas as caractersticas das camadas subsuperficiais do solo que justifiquem o uso do gesso agrcola, sugere-se as seguintes doses: a) solos de textura arenosa (< 15% de argila) = 0 a 0,4 t/ha; b) solos de textura mdia (15 a 35% de argila) = 0,4 a 0,8 t/ha; c) solos argilosos (36 a 60% de argila) = 0,8 a 1,2 t/ha; d) solos muito argilosos (> 60% de argila) = 1,2 a 1,6 t/ha A aplicao de gesso agrcola deve ser feita a lano e na mesma poca em que se proceder a calagem.

    Adubao de plantio

    Adubao com macronutrientes (N, S, P, K):

    O produtor deve adquirir no mercado as formulaes que mais se aproximam dos valores recomendados. Se necessrio, a

    mistura poder ser feita pelo prprio agricultor para compor as propores desejadas. Em algumas regies aconselhvel que a frmula de adubao a ser adquirida contenha zinco. De preferncia utilizar frmulas granuladas, pela facilidade e uniformidade de aplicao. Quando a adubao de semeadura feita com frmulas NPK concentradas, por exemplo, 4-30-10, 8-28-16 de N, P2O5 e K2O, ou similares, utilizar em cobertura o sulfato de amnio, de modo a fornecer no mnimo 30 kg de S/ha cultura. Por sua mobilidade no solo e pelas necessidades da planta de milho, a adubao nitrogenada parcelada com o uso de 20 a 40 kg/ha de nitrognio na semeadura, sendo o uso de doses maiores no sistema de semeadura direta e o restante, dependendo da textura do solo, em uma ou duas coberturas.

    As quantidades de fsforo e de potssio so recomendadas com base nos nveis desses nutrientes, obtidos por meio da anlise do solo, e de acordo tabelas fornecidas pelas Comisses de Fertilidade do Solo dos diferentes estados brasileiros.

    A Tabela 2 foi fornecida pela COMISSO DE FERTILIDADE DO SOLO DO ESTADO DE MINAS GERAIS (1999).

    Tabela 2. Adubao mineral para a produo de gros de milho.

    RendimentoN no

    plantioDisponibilidade de

    Fsforo*Disponibilidade de

    Potssio*N em

    coberturabaixa mdia alta baixa mdia altaDose de P2O5 Dose de K2O

    t/ha ..................................kg/ha.............................................................4-6 10-20 80 60 30 50 40 20 606-8 10-20 100 80 50 70 60 40 100>8 10-20 120 100 70 90 80 60 140

    *A definio da disponibilidade tanto do fsforo como do potssio ser determinada pela anlise do solo. Fonte: Alves et al. (1999)

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    Adubao com micronutrientes:

    A sensibilidade deficincia de micronutrientes varia conforme a espcie de planta. O milho tem alta sensibilidade deficincia de zinco, mdia de boro, cobre, ferro e mangans e baixa de molibdnio. No Brasil, o zinco o micronutriente mais limitante produo do milho, sendo a sua deficincia muito comum na regio central do pas, onde predominam os solos sob vegetao de cerrado. As recomendaes de adubao com zinco para o milho no Brasil variam de 2 kg de Zn/ha para solos com Zn (DTPA) de 0,6 a 1,2 mg/dm3 a 4 kg de Zn/ha para solos com Zn (DTPA) menor que 0,6 mg/dm3. Com relao aos mtodos de aplicao, os micronutrientes podem ser aplicados no solo, na parte area das plantas atravs da adubao foliar, nas sementes e atravs da fertirrigao. importante ressaltar que a no resposta aos outros micronutrientes pode estar relacionada com nveis adequados de disponibilidade no solo ou com o fornecimento indireto destes atravs de outras fontes como, por exemplo, a aplicao de calcrio. Contudo, no se exclui a possibilidade de vir a ocorrer resposta do milho aos demais micronutrientes, principalmente em solos are nosos e com baixos teores de matria orgnica e cultivos irrigados com altos nveis de produtividade.

    Adubao Nitrogenada e Potssica de Cobertura

    Nitrognio:

    Na tomada de deciso sobre a necessidade de adubao nitrogenada alguns fatores devem ser considerados, tais como: condies edafoclimticas, sistema de cultivo (plantio direto e convencional), poca de semeadura (poca normal e safrinha), responsividade do material gentico, rotao de culturas, poca e modo de aplicao, fontes de nitrognio, aspectos econmicos e operacional. Isso enfatiza a regra de que as recomendaes de nitrognio devem ser cada vez mais especficas e no generalizadas.

    As doses recomendadas do nutriente variam de 60 a 150 kg de N/ha, dependendo da capacidade de suprimento de N do solo e do potencial de produtividade. A Tabela 3 apresenta algumas sugestes para aplicaes parceladas de doses de nitrognio em cobertura na cultura do milho. A maior demanda de nitrognio pela planta ocorre cerca de duas a trs semanas antes do florescimento e a aplicao do nutriente aps esse perodo tem pouca ou nenhuma eficcia para o milho. Deve-se usar maior nmero de parcelamento sob as condies: a) altas doses de nitrognio (>120 kg/ha), b) solos de textura arenosa e c) reas sujeitas a chuvas de alta intensidade. Uma nica aplicao deve ser feita sob as seguintes condies: a) doses baixas ou mdias de nitrognio (

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    Condies de solo e climaDose de N

    (kg/ha)

    Estdios fenolgicos do milho1

    (nmero de folhas totalmente emergidas)

    3 a 4 6 a 7

    Solos argilosos (36 a 60% de argila) e regies no muito chuvosas

    60 a 1203 50% 50%

    Solos textura mdia (15 a 35% de argila) e regies no muito chuvosas

    60 a 1203 50% 50%

    Solos textura arenosa (< 15% de argila) e condies de alta percolao de N

    60 a 1203 40% 60%

    parcelada do potssio pode ser feita nas seguintes situaes: a) solos altamente deficientes nesse nutriente, em que so necessrias altas doses de fertilizante e b) quando o milho for cultivado para produo de forragem, em que normal mente so necessrias doses mais altas de potssio devido maior exportao desse nutriente.

    As seguintes consideraes devero ser seguidas :

    1. Adubao nitrogenada em cobertura, no solo ou via gua de irrigao, quando as plantas apresentarem 4-6 folhas completamente desenvolvidas.

    2. Em solo arenoso a adubao nitrogenada deve ser parcelada em duas aplicaes.

    3. Plantio em sucesso e/ou rotao com soja, reduzir 20 kg de N/ha/ano da recomendao de adubao nitrogenada em cobertura.

    4. No plantio direto, recomenda-se aumentar a adubao nitrogenada de plantio para 30 kg de N/ha.

    Tabela 3. Sugestes para aplicaes parceladas de doses de nitrognio em cobertura na cultura do milho.

    1 Se as plantas apresentarem sintomas de deficincia, pode-se fazer aplicao suplementar de nitrognio, em perodo anterior ao indicado.

    2 Em plantios mecanizados, quando a dose de N for < 60 kg/ha a aplicao pode ser toda na semeadura.

    3 Em milho irrigado por asperso, a aplicao de nitrognio via gua, possibilita maior flexibilidade no nmero de parcelamento que pode ser realizado at 10 a 12 folhas.

    Fonte: Coelho (2007).

    Potssio:

    A absoro mais intensa de potssio pelo milho ocorre nos estdios iniciais de crescimento. Quando a planta acumula 50% de matria seca (60 a 70 dias), esta absorve cerca de 90% da sua necessidade total de potssio. Assim, normalmente recomenda-se aplicar o fertilizante no sulco por ocasio da semeadura do milho. Isso mais importante para solos deficientes, em que a aplicao localizada permite manter maior concentrao do nutriente prximo das razes, favorecendo maior desenvolvimento inicial das plantas. Entretanto, em anos com ocorrncia de dficit hdrico aps a semeadura, a aplicao de uma alta dose de potssio no sulco pode prejudicar a germinao das sementes. Para evitar o problema, recomenda-se aplicar parte dela em cobertura para doses superiores a 80 kg/ha. Entretanto, ao contrrio do nitrognio, em que possvel maior flexibilidade na poca de aplicao, sem prejuzos na produo, o potssio deve ser aplicado no mximo at 30 dias aps o plantio. Assim, a aplicao

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    5. Quando o fertilizante nitrogenado for a ureia, deve ser aplicado com o solo mido e incorporado a uma profundidade de cerca de 5 cm ou via gua de irrigao.

    6. Quando o solo for arenoso ou a recomendao potssica exceder 80 kg/ha, deve-se aplicar at 80 kg no plantio e o restante da dose junto com a cobertura nitrogenada. Esta dever ser realizada no mximo at 30 dias aps o plantio.

    7. Nos solos deficientes em zinco, aplicar de 1 a 2 kg de Zn/ha ano.

    8. Aplicar no plantio ou em cobertura, 30 kg de S/ha, quando se utilizarem adubos concentrados.

    O nitrognio o nutriente mais exigido pelo milho, responsvel pelo desenvolvimento vegetativo e pelo verde intenso das folhas. Sua deficincia comum em solos desgastados e com baixos teores de matria orgnica. As doses recomendadas do nutriente variam, dependendo da capacidade de suprimento de N do solo e do potencial de produtividade da lavoura.

    Para maiores detalhes de interpretao de anlise de solo e recomendaes de calagem e adubao, o produtor deve recorrer a tcnicos e pesquisadores de sua regio.

    Adubao Orgnica

    Segundo Konzen (1999), os resultados da adubao orgnica na produo de gros tm demonstrado produtividade igual ou superior aos da adubao qumica equivalente. Os dejetos animais para utilizao como fertilizantes devem ser estabilizados previamente durante um perodo mnimo de 90 a 120 dias. O sistema de distribuio dos dejetos animais por asperso mais econmico do que o de tanques mecanizados. As doses econmicas de dejetos de sunos para a produo de milho em reas de cerrado variaram de 50 a 100 m3/ha, para produtividades de 6,70 a 8,40 t/ha. As reas onde se fazem adubaes orgnicas por

    vrios perodos culturais manifestam forte atividade de minhocas nativas. Essas, por sua vez, representam um grande benefcio para a qualidade fsica, biolgica e da fertilidade do solo. Segundo o autor, a adubao com compostos orgnicos deve sempre ser equivalente adubao qumica recomendada, considerando-se a eficincia relativa dos compostos em 60 a 70%.

    A adubao orgnica considerada de uso restrito em grandes culturas pois gera grandes problemas de execuo, principalmente com relao quantidade e forma de aplicao no solo, embora se reconhea que resduos orgnicos representam forma equilibrada de nutrio mineral para as plantas, proporcionando melhor condicionamento do solo, tornando-o a longo prazo menos propenso aos efeitos depauperantes do cultivo intensivo (GALVO, 1998).

    Dentro das alternativas econmicas e ambientais para manejo de nutrientes visando a produo de gros, a adubao orgnica incluindo a adubao verde, ocupa lugar de destaque (ALVARENGA,1993). Adubao verde ideal preconiza a consorciao entre leguminosas, gramneas e as plantas nativas. As leguminosas so importantes por fornecerem nitrognio atravs do processo de fixao simbitica das bactrias. As gramneas devem ser includas como produtoras de biomassa que, por fornecerem carbono, mantm e aumentam o teor de matria orgnica e favorecem a microbiota benfica do solo.

    A adubao verde realizada, geralmente, com uma leguminosa cultivada e cortada no incio, ou antes de seu florescimento, e deixada sobre a superfcie do solo ou a ele incorporada. A terminologia adubos verdes vem sendo substituda por cobertura verde do solo ou, simplesmente, plantas de cobertura, em algumas regies do pas.

    As plantas de cobertura de solo tm como objetivo final beneficiar em produtividade as culturas econmicas sem aumentar os custos,

  • 10 Produo de Milho na Agricultura Familiar

    por meio de todos os seus efeitos (MONEGAT, 1991).

    Na escolha da espcie que ser utilizada como adubo verde, deve-se considerar as condies do solo, a poca do ano, o tipo de cultura e a regio climtica. Dentre outras, so muito utilizadas como cobertura de solo na regio do Brasil Central, a mucuna-preta (Mucuna aterrima); o guandu-ano (Cajanus cajan); a crotalria (Crotalaria juncea).

    A crotalria uma leguminosa anual, de rpido crescimento, elevada produo de massa verde e boa adaptao a diferentes regies. Possui efeito supressor e/ou aleloptico de plantas daninhas e tem apresentado bom comportamento em solos argilosos e arenosos. Seu manejo deve ser feito na fase de plena florao, aos 110 a 140 dias aps a semeadura. (AMABILE et al., 2000). Como desvantagens, citam-se os problemas fitossanitrios intensificados em reas cultivadas por muito tempo e o tombamento de plantas causado por ventos fortes (COSTA, 1992).

    O guandu uma leguminosa rstica, anual, bianual ou semiperene de clima tropical e subtropical, de dias longos. Resiste bem seca, pois possui sistema radicular pivotante capaz de penetrar em solos compactados e adensados, alm de reciclar nutrientes. Apresenta elevada produo de biomassa e grande capacidade em fixar nitrognio, e se desenvolve bem em solos arenosos e argilosos. No tolera umidade excessiva nas razes. pouco exigente quanto fertilidade do solo, desenvolvendo-se em solos com ph entre 5,0 e 8,0. As variedades de porte ano devem ser manejadas entre 90 e 100 dias (aps o florescimento), e seu ciclo completo de, aproximadamente, 140 dias (COSTA, 1992).

    A mucuna-preta uma leguminosa de clima tropical e subtropical, bastante agressiva e precoce. Resiste bem seca, sombra e a altas temperaturas, no tolerando geadas. Desenvolve-se bem em solos com baixa fertilidade e alta acidez. Controla o crescimento

    de plantas daninhas, pois promove uma rpida e eficiente cobertura do solo. O manejo deve ser feito no florescimento enchimento de vagens, aos 140 a 170 dias aps a semeadura (COSTA, 1992).

    Essa leguminosa no apresenta problemas com ataque de pragas, alm de impedir a multiplicao, de acordo com Costa (1992), de populaes de nematoides, sendo, porm, susceptvel cercosporiose e a algumas viroses. Uma limitao da mucuna-preta est na poca de manejo, que se no for seguida rigorosamente poder ocorrer rebrota.

    A mucuna-preta pode ser semeada intercalada ao milho, quando esse estiver com 40 at 60 dias de idade. Recomenda-se, tambm, a semeadura a lano sobre a palhada do milho, incorporando as sementes com gradagem. O consrcio de mucuna-preta com o milho uma prtica bastante utilizada pelos paranaenses, sendo a melhor poca de plantio na regio Sudoeste do Paran aquela que coincide com o florescimento do milho (COSTA, 1992). A avaliao da produo de milho em sistema orgnico de produo mostrou que o plantio de milho entre fileiras de leucena, espaadas de 5 m, alm de permitir o plantio mecanizado do milho, ainda resultou em produtividades muito superiores ao milho plantado sem a leucena. No primeiro ano de avaliao o rendimento do milho consorciado com a leucena produziu 1.630 kg/ha a mais do que o milho solteiro. No segundo ano de avaliao esta diferena foi de 719 kg/ha. A vantagem da leucena atribuda tanto ao aspecto nutricional do milho quanto no controle das plantas expontneas. (PEREIRA FILhO et al., 2008).

    Recomendaes de cultivares

    Dois tipos de cultivares de milho so utilizados no Brasil: as variedades e os hbridos. As cultivares comerciais so tambm classificadas, quanto ao ciclo, em normais, precoces e superprecoce. Essa caracterstica deve ser considerada pelo produtor ao comprar sementes. Embora sejam classificadas por

  • 11Produo de Milho na Agricultura Familiar

    tamanho, no h diferena gentica entre sementes pequenas e grandes de uma mesma cultivar. Alm do aspecto, uma boa semente deve apresentar pureza, altos ndices de germinao, vigor e boa classificao. Muitos agricultores no usam sementes melhoradas e isso pode ser considerado como uma das causas da baixa produtividade. Uma opo importante para pequenos e mdios produtores o uso de sementes de variedades.

    Na escolha da semente dever ser levado em conta : o objetivo da explorao, isto , se o milho ser para consumo in natura (milho-verde) para a produo de forragem (silagem), ou para a produo de gros. Para cada uma destas finalidades, o milho dever apresentar caractersticas peculiares; o sistema de produo do agricultor: a semente de milho poder ser hbrida ou uma variedade melhorada de polinizao aberta. Os hbridos apresentam maior potencial de produo, mas o preo da semente maior. Resultados de unidades de observao de hbridos e variedades de milho, em dois nveis de adubao, mostraram que, embora os hbridos fossem mais produtivos que as variedades em todas as situaes, na ausncia de fertilizantes no plantio e em cobertura, as maiores receitas lquidas foram proporcionadas pelas variedades (ACOSTA et al., 2001). As variedades podero ser reutilizadas em outras safras sem perderem seu potencial produtivo, se alguns cuidados forem tomados para preservarem sua pureza gentica. Esta uma grande vantagem para agricultores descapitalizados e para regies onde a disponibilidade do insumo sementes precria. Independentemente do plantio de hbridos ou variedades, a cultivar dever

    ser adaptada regio, apresentar tolerncia a doenas, apresentar boas caractersticas agronmicas, como tolerncia a acampamento e quebramento e apresentar ciclo adequado ao tipo de explorao.

    Variedades locais ou crioulas ainda so utilizadas em algumas regies e preferidas em alguns sistemas de produo. Algumas delas se destacam e tm demonstrado potencial produtivo igual ou superior ao de variedades melhoradas de alto rendimento, confirmando a importncia das variedades locais, sobretudo como fonte de germoplasma, embora possuam s vezes caractersticas indesejveis, principalmente aquelas relacionadas ao porte das plantas, ciclo e susceptibilidade ao acamamento e quebramento.

    Mais de 480 cultivares so hoje comercializadas. Outras informaes sobre cultivares especficas podero ser conseguidas junto a empresas produtoras de sementes, seus representantes e revendedores, cooperativas e escritrios de assistncia tcnica rural. A Tabela 4 mostra as variedades de milho disponveis no Brasil e recomendadas para o Nordeste.

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    Variedade Ciclo1 Uso2 Cor3DensidadeMil plantas/

    ha

    Alt.Esp.(m)

    Alt. Pl.(m)

    Empresa

    BR 106 SMP G/SPI AM 40-50 1,40 2,40 Embrapa

    BR 451 P GROS branco 40-50 1,20 2,20 Embrapa

    BR 473 P GROS AM 40-50 1,40 2,40 Embrapa

    BRS Caatingueiro SP GROS AM 40-50 0,90 1,90 Embrapa

    BRS 4154 Saracura

    P G/SPI LR 40-50 1,20 2,20 Embrapa

    BRS 4157 Sol-da-manh

    P GROS AL 40-50 1,20 2,30 Embrapa

    BRS 4103 P GROS AM/AL 50-55 1,02 2,10 Embrapa

    BRS Caimb SMP G/SPI AM/AL 50-55 1,10 2,15 Embrapa

    BRS Gorutuba SP GROS AM/AL 40-50 0,79 1,70 Embrapa

    BR 5011 Sertanejo P GROS SI 45-50 1,20-1,502 , 0 0 -2,30

    Embrapa

    BRS Assum Preto SP GROS AM/AL 50 0,90 1,80 Embrapa

    SHS 3031 P G/SPI AL 50-55 1,30 2,40 ShS

    AL Piratininga SMP G/SPI/MV AM/AL 45-50 1,25 2,32 CATI

    AL 25 SMP G/SPI AM/AL 45-50 1,30 2,35 CATI

    AL 34 SMP G/SPI AL 45-50 1,30 2,35 CATI

    AL Avar N G/SPI AL 50-60 1,18 2,22 CATI

    AL Bandeirante SMP G/SPI AL 50-55 1,20 2,25 CATI

    Cativerde 02 SMP SPI/MV AM 40-45 1,30 2,30 CATI

    AL Bianco SMP GROS branco 45-50 1,30 2,30 CATI

    IAC AIRAN P G/SPI AM/AL 55-60 1,25 2,35 IAC

    UFVM 100 Nativo SMP G/SPI/MV AM/AL 50-55 1,00-1,152 , 0 0 -2,30

    UFV

    ROBUSTO P G/SPI AL 50-55 1,40 2,60 Selegros

    Ipanema N G/SPI AM 50 1,36 2,38 Di Solo

    Tabela 4. Caractersticas agronmicas de variedades de milho indicadas para o Nordeste.

    1 SP-Superprecoce; P- Precoce; SMP- Semiprecoce e N- Normal2 G Gros; SPI Silagem de planta Inteira; MV Milho Verde3 AM Amarela; AL Alaranjada; LR Laranja;

    Fonte: Adaptado de Cruz et al. (2011)

  • 13Produo de Milho na Agricultura Familiar

    Prticas culturaispoca de plantio

    O plantio de milho na poca correta, embora no tenha nenhum efeito no custo de produo, seguramente afeta o rendimento e, consequentemente, o lucro do agricultor.

    Para lavouras no irrigadas, a poca de plantio determinada pelo incio das chuvas, pois as sementes precisam de gua no solo para germinar. Convm ainda escolher a poca de modo que se faa coincidir a florao do milho e a fase de enchimento dos gros com os perodos mais chuvosos, porquanto aquelas so as fases culturais mais exigentes de gua.

    A produtividade geralmente mais alta quanto as condies do tempo permitem o plantio em outubro. Depois disso h uma reduo no ciclo da cultura e queda no rendimento por rea.

    O milho irrigado poder ser plantado durante o ano todo, entretanto, haver uma variao no seu ciclo, que ser maior quando plantado nas pocas mais frias, o que poder afetar a poca de plantio de culturas subsequentes.

    Objetivando estabelecer a poca de plantio de milho de sequeiro para as diferentes regies, foi desenvolvido um estudo para recomendao das pocas de plantio em funo dos perodos crticos da cultura a estresse hdrico. Nesse trabalho, alm de ser considerado o fator climtico precipitao (intensidade e distribuio) e os elementos temperatura e radiao na estimativa da demanda de gua pela planta, levaram-se tambm em considerao aspectos fisiolgicos da planta e caractersticas fsico-hdricas dos solos. As pocas de plantio de menor risco para a cultura do milho, nas diferentes regies do Brasil, podem ser vistas no zoneamento agrcola de risco climtico disponibilizado pelo Ministrio da Agricultura (BRASIL, 2011). Plantio

    Um aspecto importante da cultura do milho a densidade de plantio. A baixa densidade de plantio ou estande (nmero de plantas por

    unidade de rea) um dos fatores responsveis pela reduzida produtividade do milho. A densidade tima, que promover o rendimento mximo da lavoura, varia, basicamente, com a cultivar e com a disponibilidade de gua e nutrientes.

    A densidade recomendada pode variar de 40.000 a 80.000 plantas por hectare. Com relao disponibilidade de gua e de nutrientes, observa-se que a densidade deve ser aumentada sempre que os nveis destes fatores aumentarem, para que seja atingido o mximo rendimento de gros . No caso das variedades, as densidades de plantio mais comuns so de 40 a 55 mil plantas por ha (Tabela 5).

    Solos de maior fertilidade e com maiores nveis de adubao suportam maior densidade de plantio. Quanto maior disponibilidade de gua, maior deve ser a densidade de plantio. Em lavoura irrigada, o estande no deve ser inferior a 55 mil plantas por hectare. Cultivares precoces, de menor porte, suportam maiores densidades do que as tardias e de porte maior.

    Associado densidade de plantio est o espaamento entre fileiras. Pesquisa mostram vantagens do espaamento reduzido (45 a 50 cm entre fileiras) comparado ao espaamento convencional (80 a 90 cm), especialmente quando se utilizam densidades de plantio mais elevadas. Entre as vantagens potenciais da utilizao de espaamentos mais estreitos, podem ser citados o aumento do rendimento de gros, em funo de uma distribuio mais equidistante de plantas na rea, aumentando a eficincia de utilizao de luz solar, gua e nutrientes, melhor controle de plantas daninhas, devido ao fechamento mais rpido dos espaos disponveis, diminuindo, dessa forma, a durao do perodo crtico das plantas daninhas, reduo da eroso, em consequncia do efeito da cobertura antecipada da superfcie do solo, melhor qualidade de plantio, atravs da menor velocidade de rotao dos sistemas de distribuio de sementes e maximizao da utilizao de plantadoras, uma vez que diferentes culturas, como, por exemplo, milho

  • 14 Produo de Milho na Agricultura Familiar

    e soja, podero ser plantadas com o mesmo espaamento, permitindo maior praticidade e ganho de tempo. Tem sido tambm mencionado que os espaamentos reduzidos permitem melhor distribuio da palhada de milho sobre a superfcie do solo, aps a colheita, favorecendo o sistema de plantio direto.

    Para se conseguir a densidade desejada, a regulagem da plantadora deve ser cuidadosa. Muitas vezes, so necessrios discos especiais. O produtor deve usar no plantio 20% mais de sementes para compensar possveis perdas por dano mecnico, m germinao e ataque de pragas e doenas no solo. Baseada nesse percentual de perdas, a Tabela 5 indica o nmero de sementes por 10 metros lineares a ser obtido na regulagem da plantadora. Em plantios manuais, as fileiras devero ser espaadas de 80 a 90 cm, e as covas espaadas de 40 a 50 cm, deixando de 2 a 3 sementes por cova.

    Espaamento entre fileiras (m)

    Estande desejado (plantas/hectare)40.000 45.000 50.000 55.000 60.000 65.000

    0,70 34 38 42 46 50 550,80 38 43 48 53 58 620,90 43 49 54 60 65 70

    Vrias marcas e modelos de semeadoras-adubadoras so disponveis hoje no mercado brasileiro, que basicamente utilizam os seguintes sistemas de distribuio de sementes: * Pratos ou Discos: utiliza discos rotativos perfurados, que devem ser trocados conforme as dimenses das sementes. A quantidade a ser distribuda no solo dever ser feita atravs da troca das engrenagens. * Dedinhos: caracteriza-se por um disco onde se fixam uma srie de pequenas chapas curvas, pivotadas, que, sob o efeito de molas, ao mergulhar dentro do leito de sementes, fecham-se, prendendo uma nica semente, elevando-a at a cavidade de distribuio. mais utilizado para sementes gradas, como

    o caso do milho. Este tipo de semeadora tambm deve ser regulado, a exemplo dos outros sistemas.

    * Pneumtico: opera tambm com discos dosadores perfurados rotativos, verticais, nos quais as sementes aderem a cada furo devido ao vcuo criado por uma corrente de ar que os atravessa, causando a suco atravs de um ventilador, sendo as sementes liberadas, quando o vcuo neutralizado por um obturador, e captadas por tubos distribuidores. Como nos outros sistemas, para cada tipo de semente, deve-se dispor de um disco dosador e fazer uma regulagem de velocidade do disco adequada.

    O tratamento de sementes de milho com inseticidas, utilizado para combater pragas de solo, altera a rugosidade da superfcie delas, pelo aumento do ngulo de repouso, afetando o desempenho da semeadora, pela dificuldade de movimentao no depsito e tambm nos sistemas distribuidores (discos ou

    Tabela 5. Nmero de sementes/10 m para o estande desejado.

    dedos prensores). Uma maneira de contornar este problema de escoamento pode ser o uso de uma substncia inerte lubrificante, como o grafite, que diminui tanto o coeficiente de atrito entre as sementes como destas com a parede do reservatrio. A dose de grafite indicada para uso no depsito de no mnimo , 4 g/kg de sementes.

    Profundidade plantio

    Deve-se fazer um plantio mais superficial em solos mais pesados, geralmente mais argilosos, que dificultam a emergncia, ou quando a poca de plantio mais fria: 3 a 5 cm. Em solos mais leves ou arenosos, a profundidade pode ser maior, aproveitando as condies mais favorveis de umidade do terreno: 5 a 7 cm.

  • 15Produo de Milho na Agricultura Familiar

    Tamanho da Semente

    Para uniformizar e facilitar a semeadura, as sementes de milho so classificadas quanto forma em redondas, chatas e oblongas, as quais so separadas em diversos tamanhos e comprimentos. Muitos agricultores acreditam que sementes menores ou com formas arredondadas no germinam bem e resultam em menores rendimentos. Entretanto, o tamanho e a forma das sementes no afetam o rendimento das lavouras de milho. Sementes menores pode acarretar uma economia na quantidade de sementes no plantio de at 44%, em relao a sementes maiores.

    Irrigao

    Quando se usa a irrigao como uma tecnologia a mais para aumento da produtividade da cultura do milho, salienta-se que os outros fatores do sistema de produo (como uso de sementes adequadas, adubao, controle fitossanitrio, etc.) tambm devero ser usados em seus potenciais timos, pois, devido ao aumento do custo de produo, o risco de quebra de safra deve ser minimizado. Para a deciso de irrigar a lavoura, deve-se levar em conta as condies climticas locais para o perodo de desenvolvimento da cultura e o retorno econmico esperado da atividade. Por exemplo, haver necessidade de irrigao se o ciclo da cultura coincidir com perodos de seca prolongados ou em regies de clima rido e semirido. Por outro lado, cultivos especiais, como produo de milho doce ou verde, minimilho, milho pipoca ou sementes, que podero gerar um lucro maior ao agricultor, devero ser priorizados na deciso de irrigar.

    A partir do momento em que se toma a deciso de irrigar o milho, alguns fatores bsicos devem ser levantados:

    a) Quantidade e qualidade da gua;

    b) Mtodo mais adequado ou adaptado;

    c) Eficincia no uso da gua de modo a racionalizar e causar menor impacto ambiental.

    A quantidade de gua disponvel na propriedade deve ser suficiente para cobrir o consumo total necessrio cultura. Sem considerar as perdas, a cultura do milho consome de 400 a 700 mm de gua. Esses limites foram impostos em funo da demanda evaporativa local e da cultivar utilizada, ou seja, maior demanda (clima mais seco) requer maior consumo e vice-versa, assim como haver menor consumo por cultivares mais resistentes e/ou adaptadas ao dficit hdrico.

    Para a seleo de um mtodo de irrigao cultura do milho, alguns fatores so considerados: vazo disponvel na propriedade, topografia da rea, qualidade e custo da gua, caractersticas do solo (reteno e infiltrao de gua, fertilidade e variabilidade espacial), clima (chuva, vento e demanda evaporativa atmosfrica) e cultura (sistema e densidade de plantio, profundidade do sistema radicular e valor econmico). Dependendo da anlise desses fatores, tanto os mtodos por superfcie ou subsuperfcie quanto os por asperso podem se adaptar muito bem cultura do milho, entretanto, na maioria das vezes, a irrigao localizada no se adapta e invivel economicamente para a cultura (ANDRADE; BORGES JNIOR, 2008).

    Para tornar mais eficiente o uso da gua de irrigao, de modo a causar tambm menor impacto ao meio ambiente, de fundamental importncia realizar o monitoramento da umidade do solo e da evapotranspirao da cultura, visando um manejo que aplica gua no momento oportuno e na quantidade correta, minimizando as perdas (ALBUQUERQUE, 2008).

    Controle de plantas daninhas

    Basicamente, o controle de plantas invasoras visa evitar que estas concorram com o milho durante o perodo crtico - as primeiras seis a sete semanas aps a emergncia. Atravs da competio por gua, luz, nutrientes e de aes indiretas como a hospedagem e a transmisso de pragas e doenas, as plantas

  • 16 Produo de Milho na Agricultura Familiar

    ditas daninhas ocasionam perdas na produo do cereal. Tais perdas variam de ano a ano, conforme as condies climticas, em funo das variaes do solo, populao de invasoras, etc. h diferentes mtodos de controle dessas invasoras.

    Ao contrrio das pragas e doenas que aparecem eventualmente, as plantas espontneas aparecem todo ano e seu controle se faz sempre necessrio. Enquanto o ataque de pragas ou doenas ocasionado normalmente por uma ou poucas espcie, a infestao de plantas espontneas representada por muitas espcies, emergindo em pocas diferentes, dificultando sobremaneira o seu controle.

    Controle mecnico

    Atravs do uso de enxadas ou cultivadores, o homem tem enfrentado as plantas espontneas que diminuem a produo agrcola, contudo, sem obter um resultado completo. Os mtodos mecnicos de controle nem sempre so efetivos por causa das condies climticas adversas. No dia seguinte capina ou cultivo, as plantas espontneas podem reinfestar a rea atravs de sementes, repega ou rebrota.

    Pesquisas tm demonstrado a eficincia do uso de prticas integradas de manejo no controle de plantas espontneas. A combinao de espaamento, densidade de semeadura, cultivares com diferenas nos ciclos e arquiteturas mais eretas e nveis nutricionais, especialmente o nitrognio, podem constituir um sistema em que o milho seja mais competitivo com as plantas espontneas.

    O uso de enxada e principalmente os cultivadores (tracionados por animal ou trator) ainda so os mtodos mais comuns de controle de plantas espontneas na cultura do milho. O controle do mato com uso da enxada ainda comum em muitas lavouras, no caso de pequenos produtores que no possuem meios mais eficientes, onde o tamanho da explorao no compensa financeiramente ou porque a topografia um obstculo para o

    uso de outras tcnicas de manejo de plantas espontneas. Esse um mtodo que deve ser usado apenas nas condies descritas ou, ento, como um meio complementar, devido ao seu pequeno rendimento. O cultivo de um hectare utilizando apenas a enxada requer cerca de 10 homens.dia-1, comparado com cerca de 1 a 2 dias para o cultivo com trao animal ou 1 a 2 horas usando com trao motora.

    A trao animal muito empregada para o cultivo do milho, pois apresenta um eficiente controle de plantas espontneas, bom rendimento de trabalho e no requer alto investimento. Alm disso, o perodo de realizao dos cultivos normalmente coincide com os meses em que h vrios dias de chuva (outubro, novembro e dezembro). Nessas condies, a utilizao do cultivo com a enxada dificultado, porque h necessidade de a operao ser realizada o mais rpido possvel para aproveitarem-se os dias em que h possibilidade de trabalho. Por outro lado, o uso do trator depende do estdio de desenvolvimento da lavoura, pois a partir de certa altura as plantas de milho so danificadas pela entrada das mquinas. O primeiro cultivo, realizado normalmente entre 14 e 21 dias aps a emergncia do milho, pode ser mais profundo porque as razes ainda no se espalharam completamente. No segundo cultivo, realizado normalmente entre 28 e 35 dias aps a emergncia, a profundidade no deve ultrapassar 5 a 6 cm, evitando-se dessa forma danos mecnicos ao sistema radicular da cultura.

    Deve ser salientado que as plantas espontneas que nascem junto fileira do milho so aquelas que mais competem com a cultura, devendo ser controladas sob pena de causarem perdas na produo. Os cultivadores no so eficientes no controle de tais plantas. O repasse manual deve ser praticado sempre junto com o cultivo nas entrelinhas, capinando-se as plantas no arrancadas pelo cultivador e chegando-se terra aos ps de milho (amontoa).

  • 17Produo de Milho na Agricultura Familiar

    Numa perspectiva agroecolgica, plantas infestantes devem ser manejadas como parte do sistema. Desse modo, a tarefa no elimin-las indistintamente, mas definir o limiar econmico da infestao e compreender os fatores que afetam o equilbrio entre plantas infestantes e as culturas. Nesse sentido, o cultivo de plantas de cobertura, assim como o de plantas intercalares durante o desenvolvimento das culturas, busca reduzir a emergncia das espontneas ou at suprimi-las, alm de melhorar as propriedades fsico-qumicas do solo (ERASMO et al., 2004). A utilizao de palhada no manejo de espontneas (Figuras 1e 2), prtica comum, impedindo o crescimento das plantas tanto por impedimento fsico quanto por, em algumas situaes, efeitos alelopticos (FAVERO et al., 2001; QUEIROZ et al., 2008).

    Figura 2. Cultivo consorciado milho + feijo de porco e efeito visual do controle das plantas espontneas.

    Controle qumico

    Alguns produtores, principalmente aqueles que cultivam reas maiores, tm aumentado o uso de herbicidas no controle do mato. h boas razes para tanto: os mtodos mecnicos nem sempre so efetivos (por causa das condies climticas adversas e, principalmente, porque no apresentam efeito residual) e, por vezes, falta mo de obra.

    Os herbicidas em milho tm dado bons resultados tcnicos e econmicos quando se trata de lavouras de alta tecnologia. Em lavouras de produtividade baixa, o uso desses produtos quase sempre antieconmico, uma vez que, em mdia, o culto e sua aplicao corresponde ao valor de 10 a 12 sacas (600 a 720 kg) de milho.

    grande a lista de herbicidas comerciais que podem ser usados na cultura do milho (Tabela 6 e 7). A escolha do produto, do mtodo de aplicao e da dose a ser empregada funo do conjunto das plantas daninhas presentes na rea, do sistema de produo, do equipamento disponvel na propriedade, etc. O produtor deve recorrer a um tcnico para auxili-lo no uso desses produtos qumicos.

    Figura1. Cultivo consorciado milho + Crotalaria juncea e efeito visual comparativo do controle das plantas espontneas.

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  • 18 Produo de Milho na Agricultura Familiar

    Tabela 6. Alternativas de herbicidas pr-emergentes para o controle de plantas daninhas na cultura do milho.

    1 Utilizar a maior dose em solos com teor de matria orgnica superior a 5%.

    2 No aplicar em solos arenosos que recebam calagem pesada no intervalo de 90 dias, e em hbridos e variedades de milho branco, milho pipoca e linhagens.

    3 Utilizar a maior dose em solos com teor de matria orgnica superior a 4%.

    4 Utilizar em solos com teor de matria orgnica superior a 2% e com baixa infestao de capim marmelada.

    5 Utilizar a maior dose em solos com teor de matria orgnica superior a 3%

  • 19Produo de Milho na Agricultura Familiar

    Tabela 6. Alternativas de herbicidas pr-emergentes para o controle de plantas daninhas na cultura do milho. (Continuao)

  • 20 Produo de Milho na Agricultura Familiar

    1 Utilizar nas entrelinhas aps o estdio de 50 cm de altura do milho. Adicionar adjuvante.2 Aplicar quando as gramneas estiverem no estdio de 3 folhas e as folhas largas no estdio de 6 folhas.3 Aplicar com o milho com no mximo 4 folhas, antes da formao do cartucho.4 No utilizar em misturas com inseticidas organofosforados. Verificar susceptibilidade de cultivares.5 Aplicar nas entrelinhas quando o milho estiver com mais de 8 folhas.6 Utilizado para o controle de folhas largas com at 4 folhas. Pode ser aplicado at a 4 folha do milho.

    Tabela 7. Alternativas de herbicidas ps-emergentes para o controle de plantas daninhas na cultura do milho.

    Nome Comum Nome Comercial Concen-trao (g/L ou

    g/kg

    i.a kg/ha Comercial (kg ou l/ha)

    alachlor + atrazine Agimix 260 + 260 3,12 4,16 6,0 8,0 ametryne1 Ametrina Agripec

    Gesapax 500 Metrimex 500 SC Gesapax GRDA

    500 500 500 785

    1,5 2,0 1,5 2,0 1,5 2,0 1,57 1,96

    3,0 4,0 3,0 4,0 3,0 4,0 2,0 2,5

    Carfentrazone-ethyl Aurora 400 EC 400 400 0,025 0,312 atrazine + S-metolachlor2

    Primestra SC Primestra Gold

    200 + 300 370+ 290

    3,0 4,0 2,145 2,970

    6,0 8,0 3,25 4,50

    atrazine + leo vegetal2

    Posmil Primleo

    400 + 300 400 + 300

    2,0 2,8 2,0 2,4

    5,0 7,0 5,0 6,0

    atrazine + simazine Extrazin SC Herbimix SC Primatop SC Triamex 500 SC Controller 500 SC

    250 + 250 250 + 250 250 + 250 250 + 250 250 + 250

    1,8 3,4 3,0 - 3,5 1,75 3,25 1,75 3,0 1,75 3,0

    3,6 6,8 6,0 7,0 3,5 6,5 3,5 6,0 3,5 6,0

    Bentazon Basagran 600 Banir 480

    600 480

    0,72 0,72 1,2

    1,2 1,5 2,5

    2,4-D3 Aminol 806 Capri Deferon DMA 806 BR Esteron 400 BR Herbi D-480 Tento 867 CS U 46 D Fluid 2,4-D

    670 720 400 670 400 400 720 720

    0,3 1,0 0,7 0,9 0,2 0,4 0,3 1,0 0,2 0,4 0,2 0,4 0,7 0,9 0,7 0,9

    0,5 1,5 1,0 1,3 0,6 0,9 0,5 1,5 0,6 0,9 0,6 0,9 1,0 1,3 1,0 1,3

    Glyphosate Agrisato 480 CS Glifosato 480 Agripec Glifosato Fersol Gliz 480 SaqC Round up

    360 360 360 360 360

    0,36 2,16 0,36 2,16 0,72 1,80 0,36 2,16 0,18 2,16

    1,0 6,0 1,0 6,0 2,0 5,0 1,0 6,0 0,5 6,0

    imazapic + imazapyr Onduty 525 + 175 52,0 + 17,5 100 Nicosulfuron4 Sanson 40 Sc 40 50 60 1,25 1,50 paraquat5 Gramoxone 200 200 0,3 0,6 1,5 3,0 simazine + cyanazine6

    Blazina SC 250 + 250 2,4 4,0 4,8 8,0

    Sulfosate Zapp 480 0,48 2,88 1,0 6,0

  • 21Produo de Milho na Agricultura Familiar

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    Manejo de pragas

    As pragas de maior importncia na cultura do milho podem ser divididas em dois grupos: iniciais e da parte area.

    Pragas Iniciais

    Pelas caractersticas do grupo e a dificuldade de controle, atualmente o grupo que causa maior preocupao entre os produtores. Incluem-se nesse tipo as pragas subterrneas, a lagarta-elasmo (Elasmopalpus lignosellus), a lagarta-rosca (Agrotis spp) e a cigarrinha-das-pastagens (Deois flavopicta).

    Subterrneas - Compem um complexo de pragas incluindo larvas de diabrtica, larva-arame, bicho-bolo, percevejos, larva-angor e cupins, entre outras. Atacam sementes e razes, diminuindo o nmero de plantas por unidade de rea ou tornando as sobreviventes no competitivas. Como ficam sob o solo, muitas vezes, a falha na germinao e a diminuio do nmero de plantas produtivas so atribudas a outras causas. Em nvel experimental, j se observou queda de at 10% no nmero de plantas nascidas.

    Lagarta-elasmo - Tem sido praga severa em milho, sobretudo em condies de baixa pluviosidade. Ataca na base da planta, onde faz um orifcio, e se alimenta do contedo interno do colmo, provocando a sua morte. Resultados de pesquisa na Embrapa mostram retorno de mais de 1.500 kg/ha, quando se utilizam medidas de controle dessa praga.(Figura 3).

    Figura 3. Lagarta-elasmo

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    Lagarta-rosca - Alimenta-se do colmo do milho. Provoca um seccionamento ao redor do colmo at a queda da planta, aps isso, muda para outro p. Plantas muito jovens podem

    recuperar-se do ataque.

    Cigarrinha-das-pastagens - Pode ocorrer em milho recm-germinado, ocasionando perdas elevadas. Injeta toxina na planta e, dependendo da densidade populacional (3 ou mais adultos/planta), pode provocar a morte dela. A sensibilidade da planta aos danos provocados por essa praga vai at os 15 dias aps a emergncia, alm disso, a praga muito sensvel aos inseticidas.

    Mtodos de controle

    Para plantadoras com sistema de distribuio de disco, a adio de grafite modo (0,2 - 0,4% em relao ao peso da semente) favorece a operao.

    O tratamento de sementes com inseticidas sistmicos (Tabela 7 e Figura 4) o mtodo mais eficiente e para o controle de pragas iniciais, sendo que o custo do tratamento gira em torno de 100 kg de milho.

    Quando o tratamento realizado na propriedade, a semente deve ser semeada logo aps receber o inseticida. O produto j vem pronto para uso e deve-se seguir a instruo de uso do fabricante. A semente tratada no serve para consumo humano ou por animais domsticos.

    Figura 4. Tratamento de sementes na propriedade

    Pragas da parte area

    Este grupo inclui uma das mais importantes pragas do milho no Brasil; a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugperda). Outra praga que, embora ocasional, chega a causar

  • 22 Produo de Milho na Agricultura Familiar

    severas perdas o curuquer-dos-capinzais ou lagarta-militar (Mocis latipes). A broca da cana-de-acar ou broca-do-colmo, Diatraea saccharalis, uma praga que tem aumentado de importncia econmica para a cultura.

    Lagarta-do-cartucho - Pode ocasionar perdas de at 38% na produo, sendo que o estdio mais sensvel da planta vai de 8 a 10 folhas, ou at em torno de 40 dias de idade. A fmea faz a postura na folha e cada postura contm cerca de 150 a 200 ovos. As larvas recm-eclodidas se alimentam da planta, sem perfurar a folha, causando o sintoma conhecido como folhas raspadas. Com o desenvolvimento da lagarta, causa perfuraes nas folhas (Figura 5).

    Curuquer-dos-capinzais, Mocis latipes - Esta praga de ocorrncia sazonal em lavoras de milho. Quando registrada sua ocorrncia , normalmente sua populao alcana nveis suficientemente altos para destruir toda a rea foliar da planta. Ao contrrio da lagarta-do-cartucho, que s encontrada em pequeno nmero por planta, o curuquer-dos-capinzais ataca em grande quantidade, podendo ser encontrado em proporo superior a 10 lagartas/planta (Figura 7).

    Figura 5. Lagarta-do-cartucho.

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    Figura 6. Plantas de milho com folhas raspadas

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    Figura 7. Curuquer-dos-capinzais

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    Broca-do-colmo, Diatraea saccharalis - Os adultos desta praga so mariposas que ovipositam na face inferior das folhas do milho e de outras gramneas, sendo tambm praga importante nas culturas da cana-de-acar, do sorgo, do milheto e do arroz. As larvas recm-eclodidas raspam o limbo foliar dirigindo-se para a face interna da bainha das folhas e, pouco acima do n, penetram no colmo. Ao se alimentar no interior do colmo, a lagarta cava uma galeria ascendente, que termina num orifcio para o exterior, por onde sair o adulto aps completar a fase de pupa. A galeria pode tambm ser circular, seccionando o colmo. Esta praga causa quebra da planta, reduo no

  • 23Produo de Milho na Agricultura Familiar

    tamanho das espigas e na produo de gros. O ataque no colmo na fase inicial da lavoura resulta em maior perda de produtividade. Quando a infestao ocorre no incio de desenvolvimento da planta, o dano causa a morte com o sintoma semelhante ao de corao morto, causado pela lagarta-elasmo ou pela lagarta-do-cartucho (Figura 8).

    produtividade esperada, alm da presena de inimigos naturais nas lavouras e do mtodo a ser utilizado.

    As medidas de controle preferenciais variam conforme a praga.

    Lagarta-do-cartucho Ocorrendo o sintoma folha raspada em 20% das plantas, a poca correta de iniciar o controle.

    Controle biolgico: embora existam numerosos inimigos naturais dessa praga, dois so particularmente importantes: o primeiro um predador, denominado vulgarmente de tesourinha (Doru luteipes, Dermaptera) (Figura 9). Localiza-se no cartucho ou na espiga da planta, onde coloca seus ovos. Tanto a forma jovem como os adultos tm hbito de se alimentar da praga (ovos e lagartas pequenas). A densidade de dois predadores por planta suficiente para manter a praga sob controle. Se forem necessrias medidas complementares, produtos base de inseticidas fisiolgicos tm sido seletivos, alm de apresentarem boa eficincia (acima de 80%). O outro agente de controle biolgico dessa praga o baculovrus, com eficincia em campo superior a 77%. Seu emprego especialmente recomendado, pois alm de sua eficincia no afeta outros inimigos naturais.

    Figura 8. Broca-do-colmo

    Pulgo-do-milho, Rhopalosiphum maidis - Esse pulgo pode ser encontrado em gramneas em geral, preferindo as partes novas da planta, como o cartucho ou o pendo, onde podem formar grandes colnias. Esses insetos sugam a seiva da planta e excretam lquido aucarado, podem propiciar o desenvolvimento de fumagina, dificultando a fotossntese. Existem registros de que em altas infestaes podem causar falhas na polinizao. Alm disso so transmissores do vrus do mosaico-comum

    Mtodos de controle

    O monitoramento constante da lavoura essencial para detectar a presena das pragas relacionadas, bem como a necessidade de medida de controle delas. O nvel de controle a ser adotado depende da praga e da Figura 9. Doru luteipes

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  • 24 Produo de Milho na Agricultura Familiar

    Tabela 8. Principais inseticidas utilizados em tratamento de sementes na cultura de milho.

    InseticidasConcentrao(g/litro ou kg)

    Dose p.c./100 kgde sementes

    Comercial Ativo

    Furadan Carbofuran 350 2,00l

    Fnix Carbosulfan 250 2,00-2,80l

    Cropstar Imidacloprid+tiodicrb 150+450300-350

    ml/haSemevin Tiodicarb 350 2,00 l

    Futur 300 Tiodicarb + M1 300 2,00 l

    Furazin 310 FS Carbofuran + Zn2 310 2,25 l

    Marzinc 250 DS Carbosulfan + Zn3 250 2,00 kg

    Gaucho Imidaclorprid 700 0,7 kg

    Cruizer 700WS Thiometoxan 700 0,20 kg

    *Dose por hectare

    1 Micronutrientes: Boro (2 g/l), Molibdnio (10 g/l) e xido de Zinco (250 g/l)

    2 xido de Zinco (210 g/l)

    3 xido de Zinco (200 g/kg)

    Os trabalhos realizados na Embrapa Milho e Sorgo com extrato aquoso da folha de nim permitem o seu emprego como inseticida natural para o controle dessa praga. Apresenta a grande vantagem de a calda inseticida poder ser preparada pelo prprio agricultor na propriedade. O diferencial do uso do extrato de nim, se comparado utilizao de inseticidas sintticos, a larga margem de segurana oferecida tanto para o aplicador quanto para o usurio e para o meio ambiente. A maneira de preparar o inseticida natural est disponvel em Viana et al. (2006). Controle qumico: existem vrios produtos registrados no Ministrio da Agricultura e Abastecimento para uso contra a lagarta-do-cartucho. Atualmente os mais utilizados so base de chlorpirifs, methomil, carbaryl, trichlorphon e piretroides. Devem ter preferncia os produtos de baixa toxidade para o ser humano e os que possibilitem preservar um ou mais inimigos naturais ou insetos benficos. Baseando-se nestes e, levando-se em considerao a percentagem de mortalidade

    da lagarta e o custo do controle por hectare, a Tabela 8 sugere uma lista dos inseticidas mais eficientes para o controle integrado da lagarta do cartucho.

    Atualmente, a utilizao de milho transgnico resistente a insetos da ordem Lepidoptera (la-gartas), o milho Bt, tem sido a principal estra-tgia de controle de lagartas empregada na cul-tura, sobretudo aquelas onde outras tticas de controle tm se mostrado ineficientes, como a broca-do-colmo. Existem disponveis no merca-do brasileiro diferentes tipos de milho Bt contra os insetos da ordem lepidptera, por exemplo, a lagarta-do-cartucho do milho, a broca-do-colmo, a lagarta-da-espiga e a lagarta-elasmo. As cultivares transgnicas hoje comercializa-dos no Brasil no dispensam o tratamento de sementes, o qual continua sendo necessrio para o controle de insetos sugadores e pragas subterrneas.

  • 25Produo de Milho na Agricultura Familiar

    Inseticida Princpio ativo Dose (p.c./ha)Decis 25 CE Deltamethrin 200 mlAlsystin 250 WP Triflumuron 100 gDimilin 250 PM Diflubenzuron 100 gMatch EC Lufenuron 300 mlFury 180 EW Zetacypermethrin 40 mlKarate 50 Zeon CS Lambdacyhalothrin 150 mlDanimen 300 EC Fenpropathrin 100 mlPolythrin 400/40 Profenophos + cypermethrin 300 mlDeltaphos EC Deltamethrin + triazophos 300 mlLannate BR Methomyl 600 mlhostathion 400 BR Triazophos 400 mlLorsban 480 BR Chlorpirifos 600 ml

    Os equipamentos para aplicao tanto dos produtos qumicos quanto do baculovrus so os mesmos. Devem ser utilizados bicos do tipo leque e a pulverizao se inicia quando aproximadamente 20% das plantas apresentarem folhas raspadas, sintoma provocado por lagartas pequenas.

    Curuquer-dos-capinzais - O controle qumico o que tem dado melhores resultados. Como a lagarta muito sensvel, o agricultor pode escolher produtos de baixa toxidade e de custo mais baixo.

    Broca da cana-de-acar O controle qumico muito difcil de ser realizado aps a lagarta penetrar no colmo da planta. O controle biolgico, utilizando Trichogramma spp., tem mostrado grande potencial para manter a populao dessa praga em nveis abaixo do dano econmico.

    Pragas da espiga A espiga do milho, ainda verde, pode ser atacada principalmente por trs espcies de lepidpteros, a lagarta-da-espiga do milho (LEM) - Helicoverpa zea (Boddy), a lagarta-do-cartucho do milho (LCM) Spodoptera frugiperda e pela broca-da-cana-de-acar (BCA) - Diatraea saccharalis (F). Os danos causados pelas duas primeiras espcies citadas so semelhantes, sendo que a LEM prefere a ponta da espiga e a LCM ataca a espiga em qualquer ponto. Os danos diretos causados por essas espcies, na espiga, podem chegar a 8%, mas alm disso,

    Tabela 9. Principais inseticidas para o controle de lagarta-do-cartucho na cultura do milho.

    abrem porta de entrada para outras espcies secundrias, como as moscas do gnero Euxesta e os besouros do gnero Carpophilus que atacam os gros verdes, podendo causar enormes prejuzos. Esses danos na espiga tambm aumentam a contaminao dos gros por fungos que causam podrides e contaminao por micotoxinas. Por outro lado, a BCA abre galerias no colmo e/ou no pednculo da espiga, podendo chegar at ao sabugo, causando quebra e queda de espigas.

    Mtodos de controle

    O controle desse grupo de insetos tem sido bastante ineficiente. Mesmo nas aplicaes de inseticidas via irrigao, a eficincia tem sido baixa, em torno de 50%. A estratgia mais adequada o cuidado no manejo das pragas iniciais, evitando o desequilbrio na lavoura, preservando principalmente a tesourinha, que tem papel preponderante na manuteno do equilbrio dessas espcies. Pulverizaes areas contra esse tipo de praga tm demonstrado ser ineficientes e com grande impacto ambiental, devendo ser evitadas. Alm disso, a utilizao do milho Bt fornece proteo na espiga contra os principais lepidpteros-praga que ocorrem nessa fase de cultivo.

    Manejo de Doenas

    Embora na regio Nordeste as doenas do milho ocorram em menor intensidade do que nas regies Centro-Oeste, Sudeste e Sul, nos ltimos anos, notadamente a partir do final de

  • 26 Produo de Milho na Agricultura Familiar

    dcada de 90, as doenas tm se tornado uma grande preocupao por parte de tcnicos e produtores em quase todo o Pas (COSTA et al., 2010).

    Relatos de perdas na produtividade devido ao ataque de patgenos tm sido frequentes nas principais regies produtoras do pas.

    A cultura do milho est sujeita ocorrncia de vrias doenas que podem afetar a produo, a qualidade, a palatabilidade e o valor nutritivo dos gros e da forragem.

    Dentre as doenas que ocorrem na cultura do milho, merecem destaque, pela sua importncia:

    Doenas foliares

    Ferrugem-comum (Puccinia sorghi) - favorecida por temperaturas entre 16 oC e 23 oC e alta umidade relativa. Por ser um parasita obrigatrio, no sobrevive nos restos de cultura e sim em plantas vivas. Caracteriza-se por formar, na superfcie das folhas e s vezes na bainha, no colmo e nas palhas das espigas, pstulas tipicamente alongadas, de cor marrom-claro, cuja epiderme se rompe longitudinalmente em forma de fenda.

    Controle - utilizao de cultivares resistentes; evitar plantios de milho prximos a culturas de milho infectadas. Pode ser controlada tambm pela aplicao de fungicidas triazois e estrobilurinas . As aplicaes, em cultivares susceptveis, devem comear to logo apaream os primeiros sintomas (COSTA; COTA, 2009).

    Ferrugem-polissora (Puccinia polysora) - favorecida por temperaturas em torno de 27 oC e alta umidade relativa. Por ser um parasita obrigatrio, no sobrevive nos restos de cultura e sim em plantas vivas. Caracteriza-se por formar, na superfcie superior das folhas e s vezes na bainha, no colmo e nas palhas das espigas, pstulas predominantemente circulares, de cor marrom-claro (Figura 10).

    Controle - utilizao de cultivares resistentes; evitar o plantio de milho prximo a culturas de milho infectadas e utilizao de fungicidas triazois e estrobilurinas com as aplicaes se iniciando to logo apaream os primeiros sintomas (COSTA; COTA, 2009).

    Ferrugem-branca ou tropical (Physopella zeae) - Por ser uma doena observada nos mesmos locais de ocorrncia da ferrugem-polissora, provvel que ambas sejam favorecidas pelas mesmas condies climticas. Por ser tambm um parasita obrigatrio, no sobrevive nos restos de cultura. Pode ser facilmente identificada pela colorao creme de suas pstulas, que ocorrem tipicamente em grupos, na superfcie superior das folhas (Figura 11).

    Figura 10. Ferrugem-polissora

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    Figura 11. Ferrugem-branca

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  • 27Produo de Milho na Agricultura Familiar

    Controle - utilizao de cultivares resistentes.

    Mancha Branca do Milho (Pantoea ananatis) A severidade dessa doena favorecida pelo plantio direto; por temperaturas noturnas em torno de 14 oC e principalmente por uma distribuio uniforme das chuvas durante o perodo de desenvolvimento da cultura. O tamanho e o peso dos gros podem ser drasticamente reduzidos, acarretando perdas na produo de at 60%. Os sintomas caracterizam-se pelas presena, nas folhas, de leses necrticas, de cor palha, em nmero varivel, circulares a elpticas, com dimetro variando de 0,3 a 1,0 cm (Figura 12).

    Figura 12. Mancha Branca do Milho

    Controle - utilizao de cultivares resistentes. Aps ocorrncia severa da doena, recomenda-se a rotao de cultura. Uma prtica que tem-se mostrado efetiva, em algumas regies, a realizao dos plantios de milho mais cedo, geralmente nos meses de setembro e outubro. Para cultivares suscetveis recomenda-se a aplicao de fungicidas estrobilurinas nos primeiros sintomas da doena no campo (COSTA; COTA, 2009).

    Mancha por Cercospora (Cercospora zeae-maydis e Cercospora zeina). - Essa doena tem causado perdas considerveis na produo de sementes e gros de milho. Tem sido observada no Sudoeste de Gois, onde tem causado reduo na produo superior a 80%; na regio da Alta Mogiana, SP, em Paracatu, MG, no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul. Essa doena favorecida

    por temperaturas entre 24 oC e 35 oC, pela ocorrncia de dias nublados, com alta umidade relativa, e molhamento foliar. Os sintomas caracterizam-se por leses inicialmente clorticas, retangulares, alongadas, tipicamente limitadas pelas nervuras secundrias, passando a necrticas, de colorao cinza e com extremidades tipicamente retangulares. Esses sintomas so mais visveis em plantas prximo ao florescimento (Figura 13).

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    Figura 13. Mancha por Cercospora

    Controle - utilizao de cultivares resistentes; enterro dos restos de cultura; rotao de cultura, principalmente quando se utiliza o sistema de plantio direto; evitar altas densidades de plantio. A eficincia dessas medidas ser consideravelmente reduzida se houver, nas proximidades, por ocasio do plantio, lavouras severamente infectadas j que a disseminao do patgeno, a longas distncias, se d principalmente pelo vento. Para cultivares suscetveis sob condies favorveis ao desenvolvimento da doena, recomenda-se a aplicao de fungicidas triazois e/ou estrobilurinas no aparecimento dos primeiros sintomas da doena (COSTA; COTA, 2009).

    Enfezamentos - Reduzem significativamente a produo sendo esse efeito influenciado pela susceptibilidade da cultivar, poca de infeo das plantas e temperatura ambiente.

  • 28 Produo de Milho na Agricultura Familiar

    Os sintomas se manifestam, tipicamente, na poca do enchimento dos gros. Os agentes causadores do Enfezamentos so transmitidos pela cigarrinha do milho, Dalbulus maidis.

    Enfezamento-plido (Spiroplasma kunkelii ) - caracteriza-se pela presena, nas folhas, de estrias esbranquiadas que se iniciam prximo insero com o caule. As plantas adquirem aspecto raqutico e morrem precocemente (Fi-gura 14).

    Figura 14. Enfezamento-plido

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    Enfezamento-vermelho (fitoplasma) - caracteriza-se, principalmente, pelo avermelhamento das folhas. Frequentemente as plantas perfilham, produzem pequenas espigas em proliferao e geralmente morrem precocemente (Figura 15).

    Figura 15. Enfezamento-vermelho

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    Controle - As medidas so essencialmente preventivas e incluem a utilizao de cultivares resistentes; a eliminao das plantas de milho infectadas, oriundas da germinao das sementes remanescentes da cultura anterior, evitando, assim, a perpetuao do inculo e da cigarrinha na rea; a interrupo de plantios escalonados por pelo menos trs meses; evitar plantios tardios. At o momento, no h resultados conclusivos mostrando controle efetivo dos enfezamentos atravs do controle qumico da cigarrinha.

    Doenas foliares causadas por bactrias: Essas doenas so muito favorecidas pelo excesso de chuvas ou de gua de irrigao e temperaturas elevadas.

    Queima das folhas (Pseudomonas alboprecipitans) - caracteriza-se por leses de colorao palha, que algumas vezes coalescem, formando grandes reas necrticas.

    Podrido do cartucho (Erwinia chrysanthemi) - a podrido, do tipo aquosa, inicia-se pela base do cartucho. As folhas do cartucho desprendem-se facilmente e exalam um odor desagradvel tpico. Pode ocorrer o apodrecimento dos entrens inferiores e a murcha da plantas.

    Controle - em plantios irrigados, podem ser controladas atravs do manejo adequado da gua de irrigao.

    Podrides do colmo

    Vrios so os patgenos causadores de podrido de colmo em milho, incluindo fungos e bactrias. No Brasil, os principais so Colletotrichum graminicola, Diplodia macrospora, Diplodia maydis, Fusarium graminearum, Fusarium moniliforme e Macrophomina phaseolina. A ocorrncia desses patgenos no Brasil tem aumentado, significativamente, nas ltimas safras em todas as regies de plantio. Os plantios sucessivos, a ampla adoo do sistema de plantio direto sem rotao de culturas e a utilizao de gentipos suscetveis favorecem a ocorrncia da doena em funo da elevada capacidade

  • 29Produo de Milho na Agricultura Familiar

    dos patgenos de sobreviverem no solo e em restos de cultura, resultando no rpido acmulo de inculo nas reas de cultivo (COSTA et al., 2008).

    Controle - No existe uma medida nica recomendada para o controle das podrides de colmo em milho. Para se obter sucesso no manejo dessa doena, um conjunto de medidas deve ser executado de forma integrada. A primeira e, talvez, a mais importante a escolha correta da cultivar. Nesse caso, deve ser dada preferncia para hbridos que apresentem, alm de alta produtividade, satisfatria resistncia no colmo. Resultados obtidos pela Embrapa Milho e Sorgo demonstram a existncia de variabilidade quanto a resistncia podrido de colmo em gentipos de milho. Outros critrios como adubao equilibrada, principalmente quanto relao N/K, manejo de irrigao, controle de pragas, de plantas daninhas e de doenas, densidade de plantas, poca de plantio e colheita so de fundamental importncia e devem ser considerados num programa de manejo das podrides de colmo na cultura do milho.

    Podrides de espiga

    Podrido-branca da espiga

    A podrido branca da espiga causada pelos fungos Stenocarpela maydis (Diplodia maydis) e Stenocarpela macrospora (Diplodia macrospora). Os sintomas so caracterizados pela presena de um crescimento micelial denso e compacto, de colorao branca entre os gros, que iniciam, normalmente, pela base das espigas. As espigas atacadas so mais leves e podem ser totalmente apodrecidas.

    A alta precipitao pluviomtrica na poca da maturao dos gros favorece o aparecimento da doena. A evoluo da podrido praticamente cessa quando o teor de umidade dos gros atinge 21 a 22% em base mida. O manejo integrado para o controle desta podrido de espiga envolve a utilizao de cultivares resistentes, de sementes livres dos patgenos, da destruio de restos culturais

    infectados e da rotao de culturas, visto que o milho o nico hospedeiro destes patgenos (Figura 16).

    Figura 16. Podrido-branca

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    Podrido de Fusarium

    Essa podrido causada por duas espcies de fungos, Fusarium verticillioidese e Fusarium subglutinans. Os gros infectados apresentam, normalmente, uma alterao de cor que varia do rseo ao marrom-escuro e, em algumas situaes, tambm apresentam estrias de colorao branca no pericarpo. Com o desenvolvimento do patgeno, observa-se, sobre os gros, um crescimento cotonoso de colorao clara a avermelhada, correspondente ao miclio do fungo. Quando a infeco ocorre atravs do pednculo da espiga, todos os gros podem ser infectados, mas a infeco s desenvolver naqueles que apresentarem alguma injria no pericarpo. O desenvolvimento dos patgenos nas espigas paralisado quando o teor de umidade dos gros atinge 18 a 19% em base mida. Embora esses fungos sejam frequentemente isolados das sementes, estas no so a principal fonte de inculo. Como estes fungos possuem a fase saproftica ativa, sobrevivem e se multiplicam na matria orgnica, no solo, sendo esta a fonte principal de inculo.

    Podrido de Giberela

    Esta podrido de espiga, causada pelo fungo

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    Gibberella zeae (forma imperfeita Fusarium graminearum), mais comum em regies de clima ameno e de alta umidade relativa. A ocorrncia de chuvas aps a polinizao propicia a ocorrncia desta podrido de espiga, que comea com uma massa cotonosa avermelhada na ponta da espiga e pode progredir para a base. comum as palhas estarem firmemente ligadas s espigas devido ao excessivo crescimento micelial do fungo entre as brcteas e os gros. Chuvas frequentes no final do desenvolvimento da cultura, principalmente em lavoura com cultivar cujas espigas no dobram, aumentam a incidncia desta podrido. Este fungo sobrevive nas sementes na forma de miclio dormente

    Doenas Causadas por Nematoides

    Os nematoides parasitas de plantas de milho reduzem a produo dessa cultura em funo dos danos provocados ao sistema radicular. Esses danos so expressos por enfezamento, amarelecimento e murchamento das plantas. As injrias ocasionadas no sistema radicular impedem a absoro de quantidades adequadas de gua e de nutrientes, alm do efeito da interao dos nematoides com os fungos do solo causadores de podrides de razes e do colmo do milho, principalmente os do gnero Fusarium.

    No Brasil, as espcies de nematoides mais importantes, devido patogenicidade, distribuio e alta densidade populacional, so Pratylenchus brachyurus, Pratylenchus zeae, Helicotylenchus dihystera, Meloidogyne incognita, e Meloidogyne javanica. Ademais, o monocultivo do milho leva a um aumento na densidade das populaes destes nematoides.

    Os sintomas de injrias por nematoides variam com o gnero e a populao do nematoide envolvido, condies do solo e a idade da planta de milho. Os sistemas radiculares parasitados por nematoides so menos eficientes na absoro de gua e nutrientes da soluo do solo. Consequentemente, uma planta parasitada tem seu crescimento reduzido, apresenta sintomas de deficincias

    minerais e a produo reduzida. Uma cultura de milho atacada por nematoides apresenta, em sua parte area, os seguintes sintomas: plantas raquticas e clorticas, sintomas de murcha durante os dias quentes, com recuperao noite, espigas pequenas e malgranadas. Esses sintomas do cultura do milho uma aparncia de irregularidade, podendo aparecer em reboleiras ou em grandes extenses.

    Controle

    O controle dos nematoides que atacam as plantas de milho efetuado, principalmente, pelo uso de cultivares resistentes, rotao de culturas, plantas armadilhas e em ltima instncia pelo uso de nematicidas especficos. Em milho, a utilizao de nematicidas antieconmica at o presente momento, em funo do alto preo dos nematicidas no mercado brasileiro. Assim, a utilizao de cultivares de milho com resistncia aos principais nematoides, a adequada utilizao de sistemas de rotao de culturas e a utilizao de plantas armadilhas so metas que devem ser desenvolvidas e difundidas entre os produtores de milho.

    1 - Cultivares resistentes

    A utilizao de cultivares resistentes a medida mais eficiente e econmica de controle dos nematoides que parasitam as plantas de milho. h gentipos de milho com alta resistncia a Meloidogyne javanica.

    2 - Rotao de culturas

    No sistema de produo de milho, necessrio que se tenha um profundo conhecimento da interao entre a espcie do nematoide e a espcie botnica a ser utilizada. Cita-se como exemplo o milho, que uma excelente planta para controlar Heterodera glycines (nematoide do cisto da soja). Entretanto, a soja tambm parasitada por espcies como Meloidogyne incognita e M. javanica (nematoides formadores de galhas radiculares), existindo cultivares de milho que variam desde a alta resistncia at a alta suscetibilidade a estas duas espcies de nematoides. Assim nem

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    toda cultivar de milho ser adequada para um sistema de rotao com a soja.

    3 - Plantas armadilhas (Crotalaria spectabilis)

    especificamente recomendada para o controle de nematoides do gnero Meloidogyne. As larvas de Meloidogyne penetram nas razes de Crotalaria spectabilis, mas no sobrevivem, morrendo prematuramente. Assim, fica evidenciado que C. spectabilis reduz as populaes desses parasitas no solo.

    4 - Controle qumico de nematides

    Em rea naturalmente infestada com nematoides, a utilizao de carbofuran ou fenamiphos permite um aumento significativo na produo de gros de milho. No entanto, depende da disponibilidade de produtos registrados no Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento, bem como da anlise econmica da utilizao desta tecnologia.

    Cuidados na aplicao de defensivos agrcolas em primeiro lugar, deve-se enfatizar que toda aplicao de defensivo agrcola no Brasil deve seguir rigorosamente as normas contidas no receiturio agronmico. Assim, cada produto deve ser utilizado exclusivamente para os problemas, culturas e nas doses para os quais ele foi registrado. Mesmo assim exige-se uma receita para se adquirir esses produtos. Deve-se ainda ler atentamente o rtulo e seguir todas as orientaes em termos de procedimento, cuidados, carncia e destino das embalagens. No se pode permitir que menores de idade trabalhem na aplicao. Manter a rea a ser tratada livre de crianas, animais domsticos e pessoas desprotegidas. Usar equipamentos de proteo individual (EPIs) que incluem luvas, mscaras, culos, roupa impermevel, chapu e botas. No se deve comer, beber ou fumar durante o manuseio dos defensivos. No desentupir bico, orifcios ou vlvulas com a boca. Evite a contaminao ambiental, no utilizando equipamentos com problemas como vazamentos, descalibrados ou defeituosos. No se deve lavar embalagens

    ou equipamentos em lagos, fontes de gua, rios, etc. As embalagens vazias devem ser lavadas trs vezes e a gua utilizada nessas lavagens deve ser utilizada no tanque de calda antes de completar o volume. Descarte as embalagens vazias depois da trplice lavagem conforme recomendado e no as reutilize para qualquer outro fim. Deve-se evitar a aplicao de defensivos nos dias ou horrios com vento para reduzir a deriva dos jatos de defensivos bem como prximas a cursos dgua para evitar sua contaminao.

    Sendo o gro de milho muito bem protegido dentro da espiga, principalmente nos milhos bem empalhados, o risco de contaminao desses gros por resduos de defensivos fica bastante restrito. Por outro lado, sendo a cultura do milho cultivada em mais de 13 milhes de hectares a cada ano, o risco de contaminao ambiental pelos defensivos agrcolas devido quantidade aplicada, acaba sendo muito maior. Portanto, para esse tipo de cultura os indicadores de contaminao ambiental devem ter uma peso correspondente a sua importncia dentro do aspecto das Boas Prticas Agrcolas.

    Colheita

    Colheita manual

    Predomina, nas lavouras menores, a colheita manual, com grande necessidade de mo de obra. Normalmente o trabalhador recolhe espiga por espiga, tanto aquelas presas nas plantas quanto aquelas cadas pelo cho.

    A poca mais propcia reconhecida pelas seguintes caractersticas da planta: colmos e folhas praticamente secos, espigas dobradas com a ponta voltada para baixo, palhas secas, espigas facilmente destacveis do colmo e gros secos e firmes suportando as presses da debulha. Em mdia, um operrio quebra e amontoa de 5 a 7 sacas de milho debulhado por jornada de trabalho. A colheita se inicia quando o teor da umidade dos gros estiver ao redor de 18%. Antes de levar o produto ao paiol faz-se uma secagem ao sol para que a umidade chegue a 13%.

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    Em lavouras pequenas aconselha-se a colheita com o uso de carreta ou caminho, em cuja carroaria se estende um pano, no sentido do comprimento desta, que serve de anteparo. A equipe vai atirando as espigas contra o pano para que da caiam na carroaria. Calcula-se que esse mtodo seja 30% mais eficiente do que o de bandeiras (amontoa das espigas em pontos marcados por plantas de milho deixadas em p). A debulha mecnica no se faz quando os gros tm menos de 13% de umidade, a fim de evitar danos.

    Quando o produtor no encontra disponvel em sua propriedade, em cooperativas ou em empresas particulares, infraestrutura de secagem artificial, ele ter que esperar o milho secar naturalmente no campo. O tempo de permanncia do milho no campo por perodo prolongado, ou seja, o atraso na colheita, varia de regio para regio, dependendo das condies climticas, como umidade do ar, temperatura e insolao. Fatores como insetos (gorgulhos e traas), pssaros, chuva e ventos contribuem para aumentar as perdas pelo atraso na colheita. A ocorrncia de chuva na pr-colheita, com a consequente penetrao de gua na espiga, a principal causa de perdas e comprometimento da qualidade por ao de fungos produtores de micotoxinas. Entretanto, nas cultivares em que predominam espigas decumbentes (espigas que se deitam, virando a ponta para baixo, logo aps a maturao fisiolgica), e espigas com a ponta bem fechada as perdas por penetrao de gua de chuva so minimizadas.

    Colheita Mecnica

    A colheita mecnica do milho no Brasil atinge cerca de 60% da produo e, em geral, observam-se perdas totais que variam de 8 a 10%. Essas perdas podem ser reduzidas a um patamar aceitvel de 4%, atravs do treinamento dos operadores, visando uma adequada manuteno e regulagem das mquinas, bem como a escolha da melhor velocidade de trabalho. Calcula-se que somente na operao da colheita mecnica as perdas

    correspondam a 4,0% da produo total de milho no Brasil.

    A colheita mecnica no uma prtica isolada, pois envolve diferentes atividades e operaes no sistema de produo, desde a instalao da lavoura at o transporte e o armazenamento. Grande parte dos agricultores brasileiros comea a se preocupar com a colheita mecnica quando o milho j est no ponto de ser colhido. Nesse momento pouco se pode fazer para interferir no processo de reduo de perdas e qualidade do material colhido, a no ser a regulagem da colhedora. Entretanto, essa regulagem no ajuda a evitar a perda de espigas em plantas quebradas cadas pelo cho e que no chegam a ser colhidas pela mquina.

    Para permitir uma colheita com eficincia operacional adequada, medida em gros colhidos (t/hora) e no em rea (ha/hora), com baixo nvel de perdas e uma boa qualidade dos gros, o agricultor deve preparar o solo, no caso do plantio convencional, para permitir um bom nivelamento e uma boa germinao da semente e permitir uma colheita com menos perdas. importante que a cultivar plantada seja de baixo ou mdio porte e mais resistente ao quebramento e ao acamamento, que resultam em perdas de espigas. A uniformidade na altura de insero das espigas evita as frequentes alteraes da altura do cabeote de colheita. O plantio dever ser feito por semeadoras cujo nmero de linhas seja igual ou mltiplo do nmero de linhas da plataforma de colheita, observando-se idntico espaamento entre linhas de plantio e de colheita.

    O ideal colher o gro com cerca de 18 a 22% de umidade, o que contribui para reduzir perdas de gros e a energia de secagem.

    O operador da mquina deve estar ciente de que para cada teor de umidade do gro existe uma rotao mais apropriada e recomendada do cilindro debulhador.

    Ao iniciar a colheita mecnica, importante entender o funcionamento da mquina, com os seus respectivos componentes, descritos a seguir:

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    corte e alimentao: cabeote para milho;

    debulha: cilindro e cncavo;

    separao: saca-palha;

    limpeza: peneiras superior e inferior e ventilador;

    manuseio do gro: elevador e rosca sem fim.

    Para os diferentes problemas que podem ocorrer durante a colheita, como perdas e danos mecnicos, por exemplo, importante que os agricultores compreendam bem o funcionamento dos componentes que executam as respectivas funes da mquina. Uma descrio dos tipos de perdas, localizao dos problemas e as respectivas causas, como se apresenta a seguir, pode ajudar a compreender os eventuais problemas:

    Fontes de perdas

    Espiga empalhadas cadas pelo cho: cabeote-linhas de plantio com espaamento diferente das linhas de colheita.

    Gros presos ao sabugo: regulagem de cilindro e cncavo, grande abertura entre cilindro e cncavo e velocidade do cilindro debulhador abaixo da recomendada.

    Gros soltos cados pelo cho: rolo espigador e/ou peneiras e ventilador - dimetro de espigas menor que espao entre chapas de bloqueio, as espigas so debulhadas pelos rolos espigadores, peneiras muito fechadas e ventilador soprando forte, excesso de material nas peneiras.

    Dano Mecnico

    A verificao deve ser feita no depsito da colhedora no incio da colheita, constantemente. De modo geral, esse problema causado pela inadequada regulagem da abertura entre o cilindro e o cncavo, assim como da velocidade de rotao do cilindro.

    Regulagem da abertura entre cilindro e cncavo

    Para a debulha do milho deve-se usar somente o cilindro de barras. A abertura entre ele e o

    cncavo regulada de acordo com o dimetro mdio de espigas, para que essas sejam debulhadas sem serem quebradas e os sabugos saiam inteiros ou, no mximo, quebrados em grandes pedaos, transversalmente.

    Rotao do Cilindro e Teor de Umidade

    A rotao do cilindro debulhador ajustada de acordo com o teor de umidade dos gros. Quanto mais midos, maior a dificuldade de serem debulhados, exigindo maior rotao do cilindro debulhador. medida que os gros vo perdendo umidade, tornam-se mais quebradios e mais fceis de debulhar, devendo-se, ento, reduzir a rotao do debulhador.

    Pode-se usar rotaes entre 600 e 800 rpm para gros com teor de umidade acima de 20%. medida que os gros vo secando no campo, recomendam-se rotaes mais baixas, isto porque h maior debulha do gro, assim como maior susceptibilidade deles aos danos mecnicos. A partir de 20%, essa rotao deve ser reduzida, ficando entre 400 e 600 rpm na faixa de 18 a 20%. Abaixo de 16% e com observaes frequentes do depsito, as rotaes podem variar de 300 a 500 rpm. Durante as verificaes de funcionamento do trabalho da mquina de colheita, deve-se prestar ateno aos seguintes lugares:

    depsito graneleiro, quando houver;

    gros quebrados - verificar regulagem do sistema de debulha;

    limpeza inadequada - verificar abertura das peneiras e depois a velocidade do ventilador.

    Obs.: Nunca realizar essa operao de regulagem simultaneamente, mas sim alternadamente.

    no elevador de retrilha, para saber se h muito material voltando para o sistema de debulha.

    Obs.: Nesse caso, verificar a distncia entre peneiras e o sistema de debulha.

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    sada da mquina, para ver se esto saindo gros presos ao sabugo e se o sabugo est muito quebrado.

    Obs.: Verificar a distncia entre o cilindro e o cncavo e a velocidade do cilindro.

    dentro da mquina, para ver se est havendo embuchamento de material no saca-palha ou nas peneiras.

    Obs.: Geralmente ocasionado por excesso de velocidade de colheita e/ou glebas com produtividades diferentes.

    Qualidade sanitria de gros de milho

    A preveno contra a infeco dos gros de milho por fungos toxignicos (causadores de gros ardidos nas espigas no campo e o mofamento dos gros no armazenamento) e contra a contaminao com micotoxinas deve levar em considerao um conjunto de medidas: utilizar cultivares de milho com gros mais resistentes aos fungos toxignicos (consultar os tcnicos de cooperativas agrcolas regionais); realizar rotao de culturas com espcies de plantas no suscetveis aos patgenos (consultar os rgos de pesquisa estadual ou nacional); interromper o monocultivo do milho; promover o controle das plantas daninhas hospedeiras de fungos patognicos (consultar os rgos de pesquisa estadual ou nacional); usar sementes de alta qualidade fisiolgica e sanitria; evitar as altas densidades de plantio (usar as densidades recomendadas para a cultivar); utilizar cultivares de milho com espigas decumbentes (que dobram para baixo); evitar colher espigas atacadas por insetos e pssaros; no colher espigas de plantas acamadas (evitando a contaminao por fungos do solo como Fusarium); ajustar adequadamente a colhedora automotriz (evita danos mecnicos nos gros, os quais tornam-se mais resistentes ao ataque de fungos durante a armazenagem); realizar a pr-limpeza dos gros antes da secagem; no retardar a colheita (pode aumentar o nvel de ataque dos fungos no campo); realizar o enterro de restos culturais de milho; manter a umidade dos gros abaixo do timo para o

    desenvolvimento fngico (acima de 14,5%); manter a temperatura dos gros baixa durante o armazenamento (menor que 25 C); evitar lotes com gros infectados ou infestados por fungos; e evitar unidades armazenadoras infestadas por fungos.

    Os gros de milho podem ser atacados por fungos antes da colheita, com a formao de gros denominados de ardidos; e durante o perodo de armazenagem, com a formao de gros denominados de mofados (embolorados). Estes fungos toxignicos, em seu processo de colonizao dos gros de milho, so produtores de substncias txicas, denominadas micotoxinas, as quais so altamente nocivas sade humana e animal (sunos, aves, equinos, bovinos etc.), produzindo doenas denominadas micotoxicoses. Gros contaminados por micotoxinas causam muitos danos sade, pois elas so carcinognicas (promotoras de cncer), teratognicas (promotoras de anomalias fsicas) e mutagnicas (promotoras de mutaes).

    No Brasil, o limite mximo de aflatoxinas (micotoxinas produzidas principalmente durante a armazenagem) em gros de milho para o consumo humano de 20 ppb - partes por bilho (20 microgramas de aflatoxinas / kg de gros) e de 50 ppb para a alimentao animal, de acordo com portaria oficial do Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento. Tambm, como padro de qualidade em milho tem-se, em algumas agroindstrias, a tolerncia mxima de 6% para gros ardidos em lotes comerciais de milho.

    Armazenamento e controle de pragas de gros armazenados

    Grande parte dos produtores familiares cultiva o milho para ser consumido na propriedade, para alimentao humana e tambm dos animais. A venda da produo mnima, geralmente o excedente produzido comercializado pelos agricultores, preferencialmente para o mercado local. Nas pequenas propriedades familiares, o agricultor geralmente espera o milho secar naturalmente

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    no campo e pode realizar a colheita do milho em etapas, dependendo da mo de obra disponvel, colhendo aos poucos a lavoura conforme sua necessidade e disponibilidade. No entanto, recomenda-se no atrasar muito a colheita porque o milho quando fica muito tempo no campo pode sofrer ataque de carunchos, pssaros e ratos. Dependendo ainda das condies de clima e de chuva, as espigas podem at mesmo mofar antes da colheita.

    Aps realizar a colheita, o milho poder ser armazenado em espigas com palha, principalmente em paiis de alvenaria ou de madeira ou a granel, em sacarias ou silos. Da produo nacional de milho, cerca de 30-40% permanecem armazenado nas propriedades na forma de milho em espigas, em paiis rsticos construdos em madeira. Nestas condies, se no houver combate aos insetos (carunchos e traas), o milho armazenado sofre danos que chegam a atingir, em mdia, 45% dos gros, com perdas de at 15% no peso e grande comprometimento da qualidade (DALPASQUALE, 2006; SANTOS, 2008a).

    Alm das perdas diretas, em peso, a contaminao dos gros por compostos txicos, as micotoxinas, produzidas por fungos presentes nos gros, podem intoxicar o homem e os animais, causando doenas e prejudicando o desenvolvimento normal das criaes. O armazenamento de milho e outros produtos agrcolas por perodos prolongados s pode ser realizado quando se adotam corretamente as prticas de cultivo, colheita, limpeza, secagem, combate a insetos e preveno de fungos. Controlando estes contaminantes, podemos manter a qualidade do milho armazenado e evitar a contaminao dos gros por compostos txicos, como as micotoxinas (LAZZARI, 1997; QUEIROZ et al., 2009).

    Para reduzir as perdas e a contaminao dos gros por micotoxinas, existem algumas medidas que podem ser adotadas independentemente da estrutura armazenadora adotada pelo produtor.

    1. Utilizar cultivares com espigas que apresentam bom empalhamento, decumbentes, com gros duros, e observar a indicao dos fabricantes quanto sanidade dos gros da cultivar utilizada;

    2. Utilizar populao de plantas recomendada para cada cultivar e para cada finalidade desejada da produo;

    3. Ficar atento ao cultivo em pocas e regies muito midas, ou com ocorrncia de chuva durante o processo de secagem natural e durante a prpria colheita;

    4. Evitar o ataque de lagartas e pssaros s espigas durante o desenvolvimento no campo;

    5. Evitar cultivos consecutivos para se evitar aumento no percentual de gros mofados e ardidos;

    6. Separar as espigas colhidas de plantas acamadas ou tombadas, eliminar as espigas mofadas e evitar atrasar em demasia a colheita;

    7. Tipo de colheita: a colheita manual reduz os danos aos gros e espigas. Quando utilizar colheita mecanizada observar a regulagem da colhedora;

    8. Realizar a secagem do milho aps a colheita (quando houver disponibilidade de secador) e no colher e em seguida armazenar gros com alto teor de umidade.

    As estruturas para o armazenamento de milho em espigas na agricultura familiar devem apresentar algumas caractersticas especiais. Dentre as principais peculiaridades destas estruturas, destacam-se o baixo custo e a durabilidade (aproveitando materiais da propriedade), a construo de barreiras contra a penetrao de ratos, uso de materiais que permitam o bom arejamento das estruturas, facilidade para o controle de pragas e para as operaes de carga e descarga do milho

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    (SANTOS, 2006, 2008b). O armazenamento do milho em espigas empalhadas na propriedade interessante ao agricultor familiar pois apresenta algumas vantagens:

    1. Permite a colheita do milho com teor de umidade acima do recomendado para armazenagem, pois permite a secagem parcial aps a colheita, desde que o paiol seja bem arejado;

    2. Permite o aproveitamento da palha e do sabugo triturados na alimentao de sunos, bovinos e aves, alm dos gros;

    3. A presena de fungos pode ser reduzida, desde que o paiol seja arejado e o milho armazenado com teores de umidade por volta de 13%;

    4. O bom empalhamento da espiga atua como uma proteo natural dos gros contra as pragas enquanto que o mal empalhamento favorece o ataque de pragas;

    5. O armazenamento de milho em espigas atende s necessidades dos agricultores que no dispem de colheitadeiras mecanizadas, que no dispem de secadores para secagem de gros a granel e que tambm no dispem de recursos para construrem silos ou armazns para armazenagem de gros a granel.

    Como desvantagens desse tipo de armazenamento, pode-se citar a maior dificuldade de controle dos insetos nos paiis, o maior espao requerido para armazenamento, devido ao maior volume das espigas com palha e o maior requerimento de mode-obra para manuseio no momento do carregamento e descarga do paiol.

    O armazenamento do milho em espigas empalhadas em paiis de madeira ou alvenaria deve ser realizado seguindo-se algumas recomendaes bsicas. No momento do armazenamento interessante que o produtor classifique as espigas, separando as bem

    empalhadas das mal empalhadas. A palha da espiga serve como uma proteo natural contra insetos, assim o produtor dever utilizar primeiro as espigas que esto com pouca palha ou esto com a palha danificada, guardando separadamente as espigas que apresentam-se bem empalhadas, com a palha cobrindo toda a espiga, sem falhas ou aberturas que permitam a entrada de insetos (Figura 17). As espigas devem ser armazenadas quando os gros apresentarem teor de umidade de 13 a 14% (SANTOS, 2004, 2006) .

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    Figura 17. Detalhe do empalhamento das espigas colhidas, aps seleo das espigas mal e bem empalhadas. Antes de colocar o milho no paiol, o produtor deve estar atento limpeza do local de armazenamento. Alm disso, o produtor deve estar atento limpeza dos equipamentos, do maquinrio e das ferramentas que utiliza para manuseio e acondicionamento do milho. Manter a limpeza uma das principais medidas para armazenar os gros com qualidade. Dependendo da necessidade, o produtor pode reservar diferentes locais para o armazenamento de milho em espigas, contudo, estes locais devem apresentar algumas caractersticas gerais. As estruturas de armazenamento devem ser cobertas, devem apresentar baixo custo e durabilidade (aproveitando materiais da propriedade) e devem ter barreiras contra a penetrao de ratos (chapas de zinco ou chapu chins, por exemplo). As estruturas devem ser bem

  • 37Produo de Milho na Agricultura Familiar

    arejadas, estar localizadas fora de locais midos ou com goteiras, ter capacidade ajustada produo da propriedade, facilidade para o controle de pragas e permitir o carregamento e a descarga do milho de forma simples.

    A Embrapa Milho e Sorgo, em parceria com a Emater-MG, desenvolveu um modelo de paiol, chamado balaio de milho, , o qual rene vrias caractersticas muito desejveis e constitui, no momento, uma interessante opo para o agricultor familiar armazenar o seu milho (Figura 18) (SANTOS, 2008b). O uso do paiol balaio de milho resolve o problema de pragas, como insetos, fungos, ratos, com baixo custo. Informaes mais detalhadas sobre o paiol balaio de milho esto disponvel em Santos (2008b).

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    Figura 18. Paiol balaio de milho, modelo desenvolvido em parceria entre Embrapa Milho e Sorgo e Emater-MG.

    Para a preveno de perdas na armazenagem em espigas, nos paiis, sacarias, ou no armazenamento a granel, deve-se combater insetos e roedores. Os insetos constituem o principal fator de perdas no milho durante o perodo de armazenagem e por isso importante conhec-los e tambm saber como combat-los. So vrias as espcies de insetos que se alimentam dos gros de milho, porm

    o gorgulho ou caruncho, Sitophilus zeamais, e a traa-dos-cereais, Sitotroga cerearella, so responsveis pela maior parte das perdas. Outras espcies-praga podem ter importncia relativa dependendo da regio e das condies de armazenamento, como os besourinhos, Rhyzopertha dominica, Tribolium castaneum, Oryzaephilus surinamensis e as traas, Plodia interpunctella e Ephestia sp (LORINI, 2002).

    Para armazenar o milho por perodos prolongados deve-se adotar algumas medidas preventivas para o controle de insetos. Existem inseticidas registrados para o controle destes insetos (Tabela 9), sendo um deles a fosfina, que comercializada na forma de pastilhas de 3 gramas ou comprimidos de 0,6 gramas e inseticidas na forma lquida e em p. Os inseticidas lquidos podem ser aplicados via pulverizao, diretamente sobre os gros e tambm nas estruturas de armazenamento, nas sacarias, galpes e nos paiis, via pulverizao ou termonebulizao. A aplicao destes inseticidas deve ser realizada aps a completa limpeza das estruturas e quando aplicado diretamente sobre os gros imediatamente antes do armazenamento. O uso de equipamentos de proteo individual obrigatrio e deve ser observado o perodo de carncia para consumo dos gros. O uso de inseticidas deve ser feito de acordo com as doses recomendadas. Estes inseticidas tm ao preventiva, por isso devem ser utilizados para prevenir a infestao de insetos nos gros armazenados (AGROFIT, 1998; ANDREI, 2009).

    O controle curativo dos gros armazenados deve ser realizado utilizando-se inseticida fumigante fosfina. Os comprimidos e pastilhas de fosfina liberam um gs altamente txico para os humanos, por isso deve-se evitar inalar o gs que se desprende dos comprimidos. A aplicao da fosfina conhecida como expurgo e deve ser feita sob lonas plsticas prprias de PVC, com uso de mscara e luvas protetoras (Figura 19). Para o expurgo do milho em espigas com palha, a quantidade recomendada de fosfina de 10 comprimidos de 0,6 gramas

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    por carro de milho (10 comprimidos/m3 ou 10 comprimidos/750 kg de milho) ou 2 pastilhas de 3 gramas para a mesma quantidade de milho.

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    Figura 19. Aplicao da fosfina sob lonas plsticas prprias e com uso de mscara e luvas protetoras.

    Quando o agricultor no atrasa muito a colheita e o milho colhido apresenta baixa infestao, possvel realizar apenas um expurgo, mas quando o milho j vem do campo atacado por carunchos necessrio realizar um expurgo antes do armazenamento, que pode ser realizado no terreiro, amontoando o milho, cobrindo-o com a lona plstica vedada nas laterais com terra ou areia e colocando as pastilhas ou comprimidos de fosfina embaixo da lona e vedando-a totalmente. O milho dever permanecer coberto por no

    mnimo 3 dias. Desta forma, pode-se reduzir a menos da metade o potencial de perdas no armazenamento. J o expurgo repetido a cada trs meses resolve totalmente o problema do ataque de insetos. Quando o milho armazenado em paiol comum de tbua, de tela ou de madeira rolia, a repetio do expurgo requer que o agricultor retire o milho do paiol, faa o expurgo e guarde-o novamente. Por isso interessante utilizar estruturas armazenadoras que permitem realizar o expurgo do milho depois de totalmente colhido e armazenado (SANTOS, 2004, 2006).

    Mesmo com os novos modelos de paiis que facilitam o expurgo, ainda continua existindo interesse de pequenos e mdios agricultores por um inseticida na forma de p, para o tratamento preventivo do milho em espiga. Para isto indicado o uso do deltametrina 0,2%, que deve ser aplicado na dose de meio quilo para 1.000 Kg de gros. Se o milho est em espiga, deve-se fazer camadas de 20 cm e polvilhar cada camada.

    Aps o armazenamento do milho, deve-se realizar o monitoramento peridico para evitar infestaes de insetos, a presena de roedores e pssaros e o desenvolvimento de fungos.

    Tabela 9. Inseticidas utilizados na proteo de gros e sementes de milho armazenado.

    InseticidasIntervalo de

    Segurana

    (dias)

    Concentrao

    (g/litro ou kg)

    Aplicao direta nos

    gros (doses/1000 kg)

    Aplicao em instalaes

    e sacarias (doses/100 m2)Comercial Princpio ativo Gros Sementes Sacarias InstalaesK-Obiol 25EC 1 Deltametrina 30 25,0 14-20 ml 40-80 ml 53-80 ml 53-80 mlK-Obiol 2P 1 Deltametrina 30 2,0 250-500 g 0,5-1,0 kg - -Actellic 500EC 2 Pirimifs-metlico 30 500,0 8-16 ml - 50 ml 100-200 mlActelliclambda 3 Lambdacialotrina 30 50,0 7-10 ml - - -Prostore 25CE 4 Bifentrina 30 25,0 16 ml - - -Piredan 2 Permetrina 60 384,0 10,5 ml - - -Pounce 384EC 1 Permetrina 60 384,0 10,5 ml - - -Starion 5 Bifentrina 30 25,0 16,0 ml - - -

    1 Recomendado para Sitophilus zeamais, Rhyzopertha dominica e Sitotroga cerealella

    2 Recomendado para Sitophilus zeamais e Sitotroga cerealella.

    3 Recomendado para Rhyzopertha dominica.

    4 Recomendado para Sitophilus zeamais e Rhyzopertha dominica.

    5 Recomendado para Sitophilus zeamais

    Fonte: Agrofit (1998) e Andrei (2009).

  • 39Produo de Milho na Agricultura Familiar

    Antnio Marcos Coelho Fertilidade do solo amcoelho@cnpms.embrapa.brDcio Karam Manejo de Plantas Daninhas - karam@cnpms.embrapa.brIsrael Alexandre Pereira Filho Fitotecnia - israel@cnpms.embrapa.brIvan Cruz Entomologia - ivancruz@cnpms.embrapa.brJoo Batista Guimares Sobrinho Mecanizao sobrinho@cnpms.embrapa.brJoo Carlos Garcia Economia - garcia@cnpms.embrapa.brJos Alosio Alves Moreira Irrigao jaloisio@cnpms.embrapa.brJos Carlos Cruz Fitotecnia zecarlos@cnpms.embrapa.brMarco Aurlio Guerra Pimentel Armazena-mento de Gros - mpimentel@cnpms.embrapa.brMaurlio Fernandes de Oliveira Plantas dani-nhas maurilio.oliveira@cnpms.embrapa.br Miguel Marques Gontijo Neto Forragicultura - mgontijo@cnpms.embrapa.brPaulo Afonso Viana Entomologia pviana@cnpms.embrapa.br Paulo Emlio Albuquerque Irrigao - emilio@cnpms.embrapa.brRamon Costa Alvarenga Conservao de Solos ramon@cnpms.embrapa.brRodrigo Veras da Costa - Fitopatologia - veras@cnpms.embrapa.brSimone Martins Mendes Entomologia simone@cnpms.embrapa.brWalter Jos Rodrigues Matrangolo Agroecologia matrangolo@cnpms.embrapa.br

    Consideraes finais

    O milho, por ser tradicionalmente uma cultura tpica de pequenas lavouras e por ser cultivado em todo o pas, apresenta grande versatilidade de uso dentro de uma propriedade, sendo utilizado tanto para alimentao humana como animal, e de grande importncia para a agricultura familiar.

    Alm da produo de gros, poder ser plantado para a produo de silagem, milho verde, milho pipoca, para a confeco de artesanatos de palha e mesmo na forma de conserva alimentcia na forma de minimilho, agregando valor ao produto final.

    O milho apresenta grande flexibilidade, sendo bastante adaptado a sistemas de rotao, sucesso e consorciao de culturas. Alm das variedades crioulas existentes em todo o pas, existe um nmero razovel de variedades melhoradas disposio dos agricultores.

    Embora resultados de pesquisa mostrem o efeito benfico de adubao orgnica no aumento do rendimento do milho, por seu baixo valor de mercado, esses compostos orgnicos devero ser prioritariamente dirigidos a outras exploraes, como as hortalias, as e o caf, embora o milho possa se beneficiar quando em rotao com tais culturas. Especial ateno dever ser dada rotao de culturas e adubao verde com leguminosas, que podero suprir a demanda de nutrientes, principalmente de nitrognio. O controle mecnico de plantas invasoras bem conhecido pelos agricultores, pois o sistema mais utilizado no pas. Entretanto, outros arranjos espaciais devero ser avaliados, principalmente em reas maiores. A produo do milho fundamental em sistemas de agricultura e produo animal onde o cereal essencial na produo de raes e pode se beneficiar do uso de dejetos.

    Para maiores informaes contatar:

  • 40 Produo de Milho na Agricultura Familiar

    Referncias

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  • 42 Produo de Milho na Agricultura Familiar

    Londrina. Agroenergia, produo de alimentos e mudanas climticas: desafios para milho e sorgo: trabalhos e palestras. [Londrina]: IAPAR; [Sete Lagoas]: Embrapa Milho e Sorgo, 2008. 1 CD-ROM.

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    Exemplares desta edio podem ser adquiridos na:Embrapa Milho e Sorgo Endereo: Rod. MG 424 km 45 Caixa Postal 151CEP 35701-970 Sete Lagoas, MG Fone: (31) 3027 1100Fax: (31) 3027 1188E-mail: sac@cnpms.embrapa.br1a edio1a impresso (2011): on line

    Presidente: Antnio Carlos de Oliveira. Secretrio-Executivo: Elena Charlotte Landau. Membros: Flvio Dessaune Tardin, Eliane Aparecida Gomes, Paulo Afonso Viana, Joo Herbert Moreira Viana, Guilherme Ferreira Viana e Rosngela Lacerda de Castro.

    Reviso de texto: Antonio Claudio da Silva Barros.Normalizao bibliogrfica: Rosngela Lacerda de Castro. Tratamento das ilustraes: Tnia Mara A. Barbosa. Editorao eletrnica: Tnia Mara A. Barbosa.

    Comit de publicaes

    Expediente

    Circular Tcnica, 159

    SANTOS, J. P. dos Paiol balaio de milho: preveno contra caruncho e roedores. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2008b. 7 p. (Embrapa Milho e Sorgo. Circular tcnica, 99). Disponvel em: . Acesso em: 11 ago. 2011.

    VIANA, P. A.; PRATES, h. T.; RIBEIRO, P. E. de A. Uso do extrato aquoso de folhas de nim para o controle de Spodoptera frugiperda na cultura do milho. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2006. 5 p. (Embrapa Milho e Sorgo. Circular tcnica, 88). Disponvel em: . Acesso em: 12 ago. 2011.