Preconceito Linguc3adstico Marcos Bagno

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    11-Jan-2016

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Preconceito linguistico brasileiro

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  • Ana Clarice Neves dos Santos (2784937);

    Fbio Serra de Souza (6794672);

    Gabriel Levy Tura Nunes (5890858);

    Iacy Batista Garcia (6793945);

    Maria Cristina B. Ennser (1427213);

    Tanna Li Pinni (1810725);

    Vernica M. P. E. Pereira (6794817)

  • A palavra no foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi

    feita para dizer.

    Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras l de Alagoas fazem seu ofcio. Elas comeam com uma primeira lavada, molham a

    roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no

    novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma,

    duas vezes. Depois enxguam, do mais uma molhada, agora jogando a

    gua com a mo. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e do mais

    uma torcida e mais outra, torcem at no pingar do pano uma s gota.

    Somente depois de feito tudo isso que elas dependuram a roupa

    lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever

    devia fazer a mesma coisa. A palavra no foi feita para enfeitar, brilhar

    como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.

    [Graciliano Ramos, em entrevista concedida em 1948]

  • http://www.youtube.com/watch?v=Sp3NnkpBqJc

    Tonico e Tinoco

  • http://www.youtube.com/watch?v=akZY0-6Rs0A

    Criolo

  • Biografia e algumas obras

    - Incio da carreira de escritor em 1988 quando recebeu o IV Prmio Bienal Nestl de Literatura pelo livro de contos A Inveno das Horas (Ed. Scipione). Publicou outros livros voltados para o pblico infanto-juvenil, tendo alguns de seus livros, recebido classificao de Altamente Recomendvel pela Fundao Nacional do Livro Infantil e Juvenil. - A Lngua de Eullia (Ed. Contexto, 1997) o primeiro trabalho na linha crtica da lngua portuguesa nos moldes tradicionais. - Preconceito Lingustico: o que , como se faz (Ed. Loyola, 1999). - Tese de doutorado: Dramtica da lngua portuguesa (Ed. Loyola, 2000). - Portugus ou brasileiro? Um convite pesquisa (Parbola Editorial, 2001). - A Norma Oculta: Lngua & Poder na Sociedade Brasileira (Parbola Editorial, 2003). - Foi coordenador-adjunto da avaliao dos livros didticos de portugus para o ensino mdio (PNLEM) no ano de 2004. - Atuou no PNLD-Dicionrios (2005) e o PNLD (2008) (5a a 8a sries). -Nada na lngua por acaso: uma pedagogia da variao lingustica (Parbola Editorial, 2007).

    - Marcos Bagno tradutor, escritor e linguista. - Doutor em Filologia e Lngua Portuguesa pela Universidade de So Paulo (USP). - Nasceu em Cataguases (MG) em 21/08/1961. - Viveu em Salvador, Rio de Janeiro, Braslia, Recife e, em 1994 foi para a capital de So Paulo, onde viveu at 2002. Foi para Braslia como professor do Instituto de Letras da Universidade de Braslia (UNB). Atuou no Departamento de Lingustica, Portugus e Lnguas Clssicas da UNB. Em 2009 se transferiu para o Departamento de Lnguas Estrangeiras e Traduo.

  • Importante saber - Bagno substituiu o termo norma culta por outros como, por

    exemplo, norma-padro. - Modelo idealizado de lngua certa. - Modo de falar e escrever de brasileiros urbanos, letrados e de

    status socioeconmico elevado. - Anlise da realidade sociolingustica sob trs focos: * o da norma padro; * o conjunto das variedades prestigiadas; * o conjunto das variedades estigmatizadas. - Norma padro no um modo de falar autntico. Ex.:

    Imperativo negativo na segunda pessoa do singular. - Lngua: a atividade lingustica real dos falantes em suas interaes sociais. - Interpretaes diferentes da inteno do autor. Ento, apresenta: * Insero dos aprendizes na cultura letrada em que vivem. Critica, assim, decorebas e anlises sintaxes e morfolgicas. * Todos os aprendizes devem ter acesso s variedades lingusticas urbanas de prestgio. Direito do cidado.

  • * As variedades lingusticas urbanas de prestgio no correspondem integralmente s formas prescritas pelas gramticas normativas. Grande nmero de regras obsoletas. * Necessidade de se produzir uma nova gramtica de referncia do portugus brasileiro contemporneo para substituir as gramticas normativas. * A prtica da reflexo lingustica importante para a formao intelectual do cidado. Estudo explcito da gramtica, mas no com um fim em si mesmo. * importante considerar a variao lingustica e que esta no ocorre somente nos meios rurais e menos escolarizados.

  • Primeiras palavras

    - A obra fruto de palestras ao longo de 1998. - Um dos fatores para o preconceito lingustico: confuso entre lngua e gramtica normativa. - [...] tratar da lngua tratar de um tema poltico, j que tambm tratar de seres humanos. (BAGNO, 2005, p.9). - A lngua est sempre em movimento. - A gramtica normativa precisa ser revista. - O livro apresenta uma linguagem mais acessvel. - Sobre a capa e contracapa do livro.

  • O preconceito lingustico poderoso pelo fato de ele ser invisvel para a maioria das pessoas.

    Declarao Universal dos Direitos Lingusticos, patrocinada pela Unesco

    desde 1996:

    [...] Todo pas que se pretenda genuinamente democrtico tem que estabelecer uma poltica lingustica racional e transparente, voltada

    para o bem de todos os cidados. [...] (BAGNO, 2009, p. 25)

  • Mitologia do preconceito lingustico:

    Mito n 1 - O portugus do Brasil apresenta uma unidade surpreendente * no reconhece a diversidade do portugus falado no Brasil; * poucos tem acesso s formas prestigiadas de uso da lngua: os sem-lngua.

    Ministrio da Educao em 1998 Parmetros curriculares nacionais:

    * A variao constitutiva das lnguas humanas, ocorrendo em todos os nveis. Ela sempre existiu e sempre existir, independentemente de qualquer ao normativa. Assim, quando se fala em Lngua Portuguesa est se falando de uma unidade que se constitui de muitas variedades. [...] A imagem de uma lngua nica, mais prxima da modalidade escrita da linguagem, subjacente s prescries normativas da gramtica escolar, dos manuais e mesmo dos programas de difuso da mdia sobre o que se deve e o que no se deve falar e escrever, no se sustenta na anlise emprica dos usos da lngua. (Ministrio da Educao, Parmetros curriculares nacionais, Lngua Portuguesa, 5 a 8 sries, p. 29)

  • Mito n 2 - Brasileiro no sabe portugus/S em Portugal se fala bem portugus.

    * o brasileiro sabe portugus, sim: portugus brasileiro; * por exemplo: o uso do pronome o/a, eu o vi, eu a conheo.

    Mito n 3 - Portugus muito difcil

    * regras de uma lngua que no falamos; * exemplo: a regncia verbal: - o professor ensina - assisti ao filme; - o aluno: continua falando assisti o filme; - verbo assistir: no verbo transitivo direto, no admite voz passiva; - nas pginas dos jornais: esse mesmo verbo na voz passiva: o jogo foi assistido por vinte mil pessoas. Mito n 4 As pessoas sem instruo falam tudo errado

    * qualquer manifestao que no respeite o tringulo escola-gramtica-dicionrio considerada errada. * Exemplo: a transformao de L em R nos encontros consonantais Crudia, chicrete, praca, broco, pranta.

  • Formao da norma-padro da lngua portuguesa:

  • uma questo social e poltica: um preconceito social (A lngua de Eullia).

    * novelas da Rede Globo: personagens nordestinos retratados de forma caricata * Exemplo: - a pronncia do T no Sudeste: tch seguida de um [i]: titia = tchitchia; - zona rural nordestina pronuncia o OITO: oitchu; - um fenmeno denominado pela Lingustica por palatalizao!

    Mito n 5 - O lugar onde melhor se fala portugus no Brasil o Maranho Viso determinista influenciada por uma tradio de subservincia em relao ao portugus de Portugal - influenciada pelo fato de ser comum, na regio o uso do pronome tu e de formas verbais clssicas em contraposio reorganizao do sistema pronominal, mas, no se percebe que na mesma regio se h uma tradio em utilizar o pronome ti na forma de sujeito.

  • Mito n 6 - O correto falar assim porque se escreve assim A supervalorizao da lngua escrita, combinada com o desprezo da lngua falada, no leva em considerao que nenhuma lngua falada do mesmo jeito em todos os lugares, assim como nem todas as pessoas falam a prpria lngua de modo idntico.

    Mito n 7 - preciso saber gramtica para falar e escrever bem. A ideia de que a Gramtica instrumento fundamental para o domnio padro culto da lngua, no permite visualizar que a norma culta existe independente da gramtica. Esse mito refora a confuso histrica entre lngua e gramtica normativa.

    Mito n 8 - O domnio da norma culta um instrumento de ascenso social. Se este mito fosse verdadeiro, seriam os professores a ocupar o topo da pirmide social, econmico e poltica do pas. Faz-se necessrio garantir meios para que todos os brasileiros reconheam a variao lingustica, j que o mero domnio da norma culta no garantia para a resoluo de problemas sociais, mas se estiver alinhado aos bens culturais, ao acesso necessidades bsicas, vida digna de cidado merecedor de todo respeito, podemos acreditar na possibilidade de transformao da sociedade como um todo.

  • O crculo vicioso do preconceito lingustico

    - composto por trs elementos: gramtica tradicional, mtodos tradicionais de ensino, e os livros didticos. - Como se forma este crculo? - A gramtica tradicional inspira a prtica de ensino, que por sua vez provoca o surgimento da indstria do livro didtico, cujos autores recorrem gramtica normativa. - Apesar de continuar firme e forte, podemos observar algumas mudanas significativas que estimulam uma postura menos dogmtica e preconceituosa. - Um quarto elemento: comandos paragramaticais. - Arsenal de livros, manuais de redao de empresas jornalsticas, programas de rdio e televiso, colunas de jornais e revistas, consultrios gramaticais, etc. - Essas manifestaes s fazem perpetuar as velhas noes de que brasileiro no sabe falar portugus e de que portugus muito difcil. - Crticas grandes perpetuadores do preconceito lingustico. - Napoleo Mendes de Almeida. - Luiz Antnio Sacconi. - Josu Machado.

  • A desconstruo do preconceito lingustico

    Subvertendo o preconceito - Reconhecer que o preconceito existe e para que ele deixe de existir ser necessria uma transformao radical da sociedade. - Podemos praticar pequenos atos subversivos para combater o preconceito: 1. Atuar como cientista e investigador, produzindo o prprio conhecimento lingustico terico e prtico rompendo com o ato de reproduzir e repetir uma doutrina gramatical contraditria e incoerente; 2. Ensinar o que exigido pela sociedade, mas de forma crtica, esclarecendo aos alunos que esse conhecimento no tudo e que h muito mais a saber respeito da lngua; 3. Mostrar aos que exigem, que a cincia da linguagem, assim como as outras cincias, evolui. E que os PCNs, j sinalizam novas maneiras de ensinar.

  • 4. Assumir uma nova postura, usando como matria de reflexo DEZ CISES, conscientizar-se que: 1) Todo falante nativo de uma lngua um usurio competente dela. 2) No existe erro de portugus, existem diferenas de uso ou alternativas de uso em relao regra nica proposta pela gramtica normativa. 3) Erro de ortografia no erro de portugus. Lnguas sem escrita no deixam de ter gramtica. 4) Tudo que a Gramtica Tradicional chama de erro na verdade um fenmeno com explicao cientfica demonstrvel. 5) Toda lngua muda e varia. O que visto como erro hoje pode no ser no futuro.

  • 6) A lngua portuguesa no vai bem, nem mal, simplesmente segue, evoluindo, transforma-se e no pode ser detida, como um rio. 7) Respeitar a variedade lingustica de todas as pessoas, o que equivale respeitar a pessoa como ser humano, em sua integridade fsica e espiritual, porque: 8) Somos a lngua que falamos, ela nos constitui, molda nosso modo de ver e este modo de ver modifica a lngua que falamos. 9) A lngua est em tudo e tudo est na lngua, por isso o professor de portugus professor de TUDO. 10) Ensinar bem ensinar para o bem. acrescentar e no suprimir, elevar a autoestima do indivduo e no rebaix-lo.

  • O preconceito contra a lingustica e os linguistas

    * Uma religio mais velha que o cristianismo * Portugus ortodoxo? Que lngua essa? * Devaneios de idiotas e ociosos * A quem interessa calar os linguistas?

    Uma religio mais velha que o cristianismo

    * Doutrina gramatical tradicional sculo III A.C - Inclume pela revoluo cientfica do sc. XVI - Imobilizao do tempo, apagamento das condies sociais e histricas - Elemento de dominao de uma parcela da sociedade sobre as demais - Ideal de pureza e virtude, falada e escrita pelos puros e virtuosos

    * Lingustica moderna final do sculo XIX - Objeto passvel de ser analisado e interpretado segundo mtodos e critrios cientficos

    - Desprezada pelos comandos paragramaticais * Revistas, jornais, programas de rdio e tv

  • Crticas

    * A lngua no est em crise e sim a escola * Ignorncia cientfica ou desonestidade intelectual sustentada no preconceito social * A atividade dos linguistas brasileiros vem sofrendo ataques grosseiros por parte de autointitulados filsofos que representam, na verdade, a reao mais conservadora contra qualquer tentativa de democratizao do saber e da sociedade

    Portugus ortodoxo? Que lngua essa?

    * Napoleo Mendes de Almeida - Gramtico autoritrio, conservador e intolerante - Seus textos gotejam preconceitos sociais, raciais e lingusticos

    * Pasquale Cipro Neto - Uma coisa, porm, incontestvel: quem quiser estudar o portugus ortodoxo para prestar concurso pblico, advogar, exercer a magistratura ou carreira diplomtica certamente precisar consultar a obra de Napoleo * Ortodoxia

    - Dogma, intolerncia, inflexibilidade * Heresia

    - Pecado, excomunho, castigo

  • Devaneios de idiotas e ociosos

    * Pasquale Cipro Neto - Folha de S. Paulo 1994-2000 - A palavra linguista vem sempre acompanhada de nota depreciativa * Evanildo Bechara - O mais importante gramtico vivo e membro da ABL - A funo da escola falar melhor e com os melhores * O papel do linguista como investigador de todos os fenmenos da lngua e no s como caador de erros e juiz do uso * Preconceito contra todos os linguistas

    A quem interessa calar os linguistas?

    * Projeto de lei do deputado Aldo Rebelo, 1999 - ABL centro maior de cultivo da lngua portuguesa no Brasil - Guardi dos elementos constitutivos da lngua portuguesa usada no Brasil - 40 x 170 milhes - Napoleo Mendes de Almeida -> Pasquale Cipro Neto -> Aldo Rebelo -> Napoleo

  • * Por que o discurso gramatical tradicional obtm tanta defesa? * Que ameaa ao tipo de sociedade em que vivemos representa a democratizao do saber lingustico? * A quem interessa defender o portugus ortodoxo de uns pouqussimos melhores contra a suposta heresia gramatical de muitos milhes de outros?

  • - reproduo do preconceito lingustico: O que esses acadmicos preconizam que os ignorantes continuem a s-lo - Argumentos de Marcos Bagno; - Veja na contramo da Histria; - PCN de portugus; - [...] vitria da construo eu custo a crer que... - ensino da norma-padro na escola brasileira;

    Carta de Marcos Bagno revista Veja

    O brasileiro tem dificuldade de se expressar corretamente