POR UMA OUTRA COMUNICAO - ? Por uma outra Comunicao ... Isso possibilita uma globalizao

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    19-Nov-2018

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Revista de Economa Poltica de las Tecnologas de la Informacin y Comunicacin www.eptic.com.br Vol.V, n.2, Mayo/Ago. 2003 81Por uma outra Comunicao Amilton Glucio de Oliveira* Surge no mercado editorial uma coletnea organizada por Dnis de Moraes, intitulada Por uma outra comunicao mdia, mundializao cultural e poder, que reflete tensionamentos que contextualizam a perspectiva crtica e as possibilidades de reelaborar novos caminhos contra-hegemnicos. No direcionamento crtico, Benjamim Barber, David Harvey, Ren Dreifuss, Dnis de Moraes discorrem apreciveis questionamentos derivados da economia poltica dos quais se destaca o contexto da mundializao, cultura, globalizao e explorao da cultura. Destaca-se aqui a concepo de mundializao, por permear a pretenso de unificao de diferenas. uma concepo europia, sobretudo francesa. Isto contempla Ren Dreifuss, que entende mundializao como um processo mundializante, um fenmeno de afirmao de variadas etnias, naes, religies e culturas, trazendo consigo a interlocuo e o choque dos diferentes. So os novos modos de vida que circulam e se ampliam pelo planeta. Encontra-se nessa disseminao o predomnio do sentido de viver particular e singular de sentir e desfrutar, e da tica que o referencia, questionando ou recolocando a dimenso da civilizao no centro do debate.1Pe em evidncia o sentido da diferena e singularidade numa identificao possvel de construir uma comunidade de sentido pautada numa tica universal permeando as particularidades2. Decorre desse contexto uma solicitao tica, em que a comunicao torna possvel que homens reconheam outros homens em pleno direito fundamental, que transformem os direitos de pensar, dizer e fazer reconhecendo a diferena como o sentido de se justificar e defender-se, reconhecendo a imanncia do outro, j que nesse mesmo direito est o prprio. a tica que se encarrega do valor da diferena, articulando a universalidade humana dos direitos particularidade de seus * Professor no Centro de Comunicao Social da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e doutorando do Programa de Ps-graduao em Cincias da Comunicao pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). 1 DREIFUSS, Ren Armand. Tecnobergs globais, mundializao e planetarizao. MORAES, Dnis de(org.). Por uma outra comunicao. Rio de Janeiro, Record, 2003, p. 126. 2 DREIFUSS, Ren Armand. Op. Cit., p. 126. Revista de Economa Poltica de las Tecnologas de la Informacin y Comunicacin www.eptic.com.br Vol.V, n.2, Mayo/Ago. 2003 82modos de percepo e expresso.3 Mais adiante, destaca a tica da comunicao, tratada por Habermas e Vattimo, que viabiliza possibilidades de encontro e de luta contra a excluso social, poltica e cultural. Em Cultura McWorld, Barber trata da tendncia da americanizao da cultura, via consumo, inclusive em pases que se contrapem, como a Frana: o sucesso repentino de Halloween, como nova festa francesa para estimular o comrcio no perodo de marasmo que antecede o Natal, no seno o exemplo mais consternador dessa americanizao.4 Esta realidade pe sempre em tenso perspectivas alvissareiras, como a de Barbero e outros que acentuam ainda o predomnio da ideologia do capital como Barber, que vincula e inter-relaciona a americanizao com a globalizao. Circulando com essas contradies e contrapondo-se a globalizao hegemnica, reflete-se, em vrios outros autores dessa coletnea, a solidariedade como sentido de movimento, como produo de sentido, atravs de movimentos como as ONGS, movimentos ecolgicos e os fruns mundiais, como o de Porto Alegre. Habermas tem destacado esses movimentos como possibilidades contra a excluso e como espaos pblicos que se contrapem ideologia de mercado global dominante, na medida em que a fora contrria que determina a globalizao indiferente ao destino das naes, no qual o capitalismo desafia as fronteiras, os mercados e as diferenas culturais. Resultante desse contexto, Barber considera as multinacionais como ps-nacionais, ou antinacionais. O autor se refere a Marcuse, destacando o problema e como ele se renova. Hoje, a capacidade do mercado de assimilar diferenas e contestaes e embaralhar as oposies ideolgicas, graas impreciso criada entre informao e espetculo, recoloca os temores de Marcuse na ordem do dia5. O consumismo mundial faz rondar o perigo de uma sociedade na qual o consumo se transforma na nica atividade humana e, portanto, naquilo que define a essncia do indivduo. Barber recorre a Marcuse, destacando que: a unidimensionalidade adquire uma realidade geoespacial palpvel na arquitetura das galerias mercantis, onde as praas pblicas foram substitudas por espaos privados destinados a otimizar o comrcio.Elas so emblemticas da Pivatopia, esta nova cidade 3 MARTN-BARBERO, Jess. Globalizao comunicacional e transformao cultural. MORAES, Dnis de (org.), op. cit., p. 74. 4 BARBER, Benjamim R. Cultura McWorld. MORAES, Dnis de. (org.). Op. cit., 2003, p. 44. 5 BARBER, Benjamim R. Op. cit., p. 46 Revista de Economa Poltica de las Tecnologas de la Informacin y Comunicacin www.eptic.com.br Vol.V, n.2, Mayo/Ago. 2003 83margem da sociedade da maioria vulgar, multinacional e perigosa que oferece um universo de calma e segurana, colocado sob vigilncia mxima6. Da se cooptam, englobam, comercializam e rentabilizam as diferenas culturais com o fito de se explorar a criatividade originrias dessas culturas para o benefcio econmico de outrem7, inclusive mercantilizando suas histrias para atingir o rendimento monoplico. Tal termo foi tirado da linguagem da economia poltica, que Harvey exemplifica e retira em Marx com o vinhedo que produz vinho de qualidade extraordinria, que pode ser vendido a preo monoplico: o preo monoplico cria a renda8. Indo na contramo da globalizao neoliberal referenciada, de Seattle a Davos, Harvey destaca o Frum Social Mundial Porto Alegre, no qual as foras da cultura e da histria esto sendo mobilizadas por um movimento poltico que busca uma poltica oposta ao capitalismo multinacional e a favor de alquimia alternativa mais atraente baseada em relaes sociais e ecolgicas alternativas9. Isso possibilita uma globalizao alternativa originria de mltiplos espaos locais diferenciados culturalmente, que solicita uma dimenso tica universal que viabiliza a incluso, minando o rendimento monoplico das foras da globalizao. 6 BARBER, Benjamim R. Op. cit., p. 27. 7 BARBER, Benjamim R. Op. cit., p. 127. 8 HARVEY, David. A arte de lucrar: globalizao, monoplio e explorao da cultura. MORAES, Dnis de. (org.). Op. cit., p. 141. 9 HARVEY, David. Op. cit., p. 168.

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