Populao em Situao de Rua: Pesquisa Qualitativa

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    05-Nov-2015

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Trata-se de uma pesquisa qualitativa, relalizada no municpio de Montes Claros, Minas Gerais, com 5 moradores em situao de rua, homens ou mulheres, na faixa etria a partir de 18 anos sem limite mximo de idade e que se enquadrem com o Decreto n 7.053, de 23 de dezembro de 2009 que considera populao em situao de rua um grupo que possui em comum a pobreza extrema, os vnculos familiares interrompidos ou fragilizados e a inexistncia de moradia convencional regular, e que utiliza os logradouros pblicos e as reas degradadas como espao de moradia e de sustento, de forma temporria ou permanente, bem como as unidades de acolhimento para pernoite temporrio ou como moradia provisria.A coleta de dados foi realizada no ms de maio de 2015, por estudantes do curso de Psicologia, previamente orientados pela professora coordenadora da pesquisa. No procedimento para coleta de dados foi realizado entrevistas individuais com moradores de rua abordando a primeiro momento 10 (dez) perguntas abertas para cada sujeito. Assim, a anlise de dados foi realizada visando as vivncias e experincias de cada indivduo atravs do exame do discurso, buscando compreender um conhecimento detalhado sobre as entrevistas. Por questes ticas, os nomes dos entrevistados foram substitudos por nmero, que vo de S (Sujeito) 01 a S05. Objetivou-se nesta Pesquisa compreender a percepo de qualidade de vida e as motivaes que levaram o indivduo aquela situao. Conclui-se, portanto, que as variveis onde o indivduo est inserido influenciam em sua percepo de mundo, fazendo com que ele seja subjugado e consequentemente leva-lo atual situao de rua. Drogas ilcitas formaram unanimemente o grupo de entrevistados. Esse quadro de vcio leva o sujeito ao desentendimento familiar e a excluso da sociedade.Os crculos sociais de um usurio de drogas vo se desgastando, dificultando assim todo tipo de relao, seja com a famlia ou sociedade. Essa convivncia se torna ainda pior no decorrer do tempo de quadro vicioso e a mudana de comportamento, criando uma barreira do ponto de vista da sociedade ao sujeito, e do sujeito a sociedade. Outro dado percebido o pouco empenho para com o estado onde o indivduo encontra-se, por parte dos conviventes e familiares.A participao familiar na assistncia ao indivduo, bem como a necessidade de cuidado por parte da equipe multiprofissional e de polticas pblicas que se interessem e sejam efetivas para esse grupo de suma importncia para a recuperao do sujeito.

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  • ASSOCIAO EDUCATIVA DO BRASIL SOEBRAS

    FACULDADE DE SADE IBITURUNA FASI

    CURSO DE GRADUAO EM PSICOLOGIA

    GUSTAVO VICTOR DA SILVA LOPES

    AGNO STEFANNY OLIVEIRA DE JESUS

    DIEGO DANIEL RIBEIRO

    JOSIANE LUCAS S

    JOO PAULO SOARES BATISTA

    JSSICA LORENA RODRIGUES LOPES

    NELIZE SOUSA FONSECA

    SARISSA LAUDIANE CUNHA RODRIGUES

    POPULAO EM SITUAO DE RUA: PESQUISA QUALITATIVA

    MONTES CLAROS - MG

    2015

  • GUSTAVO VICTOR DA SILVA LOPES

    AGNO STEFANNY OLIVEIRA DE JESUS

    DIEGO DANIEL RIBEIRO

    JOSIANE LUCAS S

    JOO PAULO SOARES BATISTA

    JSSICA LORENA RODRIGUES LOPES

    NELIZE SOUSA FONSECA

    SARISSA LAUDIANE CUNHA RODRIGUES

    POPULAO EM SITUAO DE RUA: PESQUISA QUALITATIVA

    Trabalho acadmico apresentado disciplina de Psicologia Social. Como requisito parcial para obteno de nota. Professora: Me. Jaciany Serafim.

    MONTES CLAROS MG

    2015

  • INTRODUO

    Uma pesquisa realizada pelo Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate

    Fome (MDS) entre os anos de 2007 a 2008 realizada em 71 municpios brasileiros

    com populao superior a 300.000 habitantes e em todas capitais (com exceo de

    Belo Horizonte, So Paulo e Recife) foi totalizado 31.922 adultos em situao de rua.

    Segundo o Terceiro Censo de Populao em Situao de Rua e Migrantes de Belo

    Horizonte, realizado em 2014, foi concludo no municpio 1.827 pessoas categorizadas

    em situao de rua. De acordo com o Censo da Populao em Situao de Rua da

    Cidade De So Paulo, realizado em 2015, o nmero de sujeitos analisados na cidade

    de 15.905.

    Ainda segundo o MDS (2008), algumas caractersticas das pessoas adultas em

    situao de rua identificadas pela Pesquisa so que 82% dos sujeitos so do sexo

    masculino; 53% com idade entre 25 e 44 anos; 67% negros; 70,9% exercem alguma

    atividade remunerada; 69,6% costuma dormir na rua; 88,5% no atingida pela

    cobertura dos programas governamentais. Onde as principais razes para estarem

    em situao de rua so o alcoolismo e outras drogas (35,5%), o desemprego (29,8%)

    e desavenas com pai/me/irmos (29,1%).

    Partindo desses dados, podemos perceber que indivduos em situao de rua

    uma realidade em nosso pas e que inegvel que a cada ano mais indivduos

    utilizam as ruas como moradia, fato desencadeado em decorrncia de vrios fatores,

    como a ausncia ou atritos com vnculos familiares, desemprego, violncia, perda da

    autoestima, alcoolismo, uso de drogas, etnia, entre outros fatores (Ministrio do

    Desenvolvimento Social e Combate Fome, 2008).

    Este trabalho, trata-se de uma pesquisa qualitativa, realizada na cidade Montes

    Claros, Minas Gerais, com 5 moradores em situao de rua, homens ou mulheres, na

    faixa etria a partir de 18 anos sem limite mximo de idade e que se enquadrem com o

    Decreto n 7.053, de 23 de dezembro de 2009 que considera populao em situao

    de rua um grupo que possui em comum a pobreza extrema, os vnculos familiares

    interrompidos ou fragilizados e a inexistncia de moradia convencional regular, e que

    utiliza os logradouros pblicos e as reas degradadas como espao de moradia e de

    sustento, de forma temporria ou permanente, bem como as unidades de acolhimento

    para pernoite temporrio ou como moradia provisria.

  • A coleta de dados foi realizada no ms de maio de 2015, por estudantes do

    curso de Psicologia, previamente orientados pela professora coordenadora da

    pesquisa. No procedimento para coleta de dados foi realizado entrevistas individuais com

    moradores de rua abordando a primeiro momento 10 (dez) perguntas abertas para

    cada sujeito. Assim, a anlise de dados foi realizada visando as vivncias e experincias

    de cada indivduo atravs do exame do discurso, buscando compreender um

    conhecimento detalhado sobre as entrevistas. Por questes ticas, os nomes dos

    entrevistados foram substitudos por nmero, que vo de S (Sujeito) 01 a S05.

    Objetivou-se nesta Pesquisa compreender a percepo de qualidade de vida e as

    motivaes que levaram o indivduo aquela situao.

    DESENVOLVIMENTO

    RELATO 1

    S01, 39 anos, ensino fundamental completo, vive em situao de rua h 2 anos,

    veio de Belo Horizonte por problemas familiares e deciso prpria. usurio de crack

    e lcool. No tem nenhuma perspectiva de vida e atribui seu futuro religiosidade,

    afirmando que est na mo de seu deus pois a vida traioeira. Tem 5 filhos que no

    moram em rua, mas em situao de pobreza na capital. No recebe nenhum apoio do

    Governo e vive de doaes de uma entidade religiosa afirmando que a maior parte do

    dinheiro que consegue com as ocupaes que realiza (catador de material reciclvel,

    gesseiro e servios gerais) para ajudar os filhos. Para ele, no h muita dificuldade

    de morar na rua e que se sente livre. A famlia como um todo aceita sua escolha e no

    interveem em sua vida. Tentou voltar para a famlia, ficou 3 meses com ela, mas

    acabou voltando para a rua por problemas familiares e o uso de drogas: O meu jeito

    de viver esse, minha vida um jogo aberto, eu fui criado no mundo. Dorme em um

    estacionamento e faz sua higiene pessoal no Mercado Municipal da cidade, mas

    geralmente hostilizado pelos comerciantes e clientes que se encontram.

  • RELATO 2

    S02, 34 anos, ensino fundamental completo, veio do interior da Bahia, vive em

    situao de rua h 10 anos por deciso prpria aps atritos familiares decorrentes

    principalmente ao uso de drogas ilcitas e lcool. Sua perspectiva para o futuro

    conseguir um servio registrado e uma casa, aps isso voltar para sua famlia em sua

    cidade natal. Relata que um segurana ajudou ele a encontrar o nmero telefnico de

    um parente, ligou mas afirmou que no ir voltar enquanto no sair dessa situao

    por conta prpria. A famlia se importa com sua atual situao, mas no tem condies

    financeiras para ajudar. Vive de doaes de uma entidade religiosa e trabalha como

    catador de materiais reciclveis. Mora debaixo de uma ponte juntamente com outro

    S04. Para ele, morar na rua difcil, no pela falta de comida, pois isso fcil

    encontrar, mas pelas dificuldades encontradas no cotidiano (brigas com outros

    moradores de rua ou funcionrios de comrcios, fatores ambientais como frio ou

    chuva). usurio de crack, j tentou vrias vezes largar o vcio, mas no conseguiu,

    foi internado 2 vezes para reabilitao, mas acabou fugindo. Faz sua higiene pessoal

    em qualquer lugar e toma banho em dia alternados, de madrugada, em uma torneira

    numa praa perto do local onde vive. Afirma que recebe eventualmente ajuda de

    assistncia social, mas segundo ele, os mesmos assistentes sociais que o ajudam,

    tambm colocaram fogo 3 vezes no local onde vive. Para ele, na sociedade existem

    pessoas boas, mas tambm muitos o criticam, tem preconceito e se afastam dele

    quando passa.

    RELATO 3

    S03, 33 anos, ensino mdio completo, vive em situao de rua h 4 anos,

    natural de Montes Claros, veio morar na rua por deciso prpria aps atritos com a

    famlia. usurio de crack, mas parentes no tem cincia disso. Afirma que no se

    importam com sua situao. Internou-se 6 meses para reabilitao, mas fugiu.

    Trabalha como catador de materiais reciclveis e pedreiro e vive de doaes de

    entidades religiosas. Com exceo da tentativa de reabilitao, no recebe nenhuma

    ajuda governamental atualmente. Faz sua higiene pessoal em lugares aleatrios e

    que se banha eventualmente em torneiras ou fontes de praas. Sua perspectiva para

    o futuro vaga, mas que pensa em voltar a morar com familiares.

  • RELATO 4

    S04, 34 anos, ensino fundamental completo, vive em situao de rua h 6 anos

    e mora com S02 h 6 meses. Viciado em cigarro (no quis relatar qual substncia

    continha) e lcool. Veio morar na rua por brigas familiares. Parentes no se importam

    com sua situao, tem 4 filhos que moram com a famlia e se emociona ao falar deles.

    Assim como seu companheiro, higieniza-se em locais pblicos e tambm pensa em

    conseguir uma casa e um servio registrado. Trabalha como catador de materiais

    reciclveis. Relata que sofre com hostilizaes recorrentes de funcionrios de

    restaurantes prximos e de assistentes sociais. No recebe atualmente nenhuma

    ajuda governamental.

    RELATO 5

    S05, 36 anos, ensino fundamental incompleto, natural de Montes Claros, vive

    em situao de rua h 13 aps ser expulsa de casa por ser usuria de drogas. Se

    higieniza no Mercado Municipal da cidade, e dorme em um estacionamento. Afirma

    relacionar-se por dinheiro se e catar materiais reciclveis para sobreviver, alm de

    receber doaes de entidades religiosas. No recebe ajuda governamental. Para ela,

    as dificuldades que encontra na rua e a situao em que ela chegou no deseja a

    ningum. Relata que a sociedade v, tem pena de sua situao, mas dificilmente

    ajuda. No tem perspectiva para seu futuro e afirma que vai morrer na rua, porque foi

    a nica coisa que a quis.

    Os motivos que levaram cada sujeito a situao de rua foram, indistintamente

    o uso de drogas ilcitas (principalmente o crack) e a no aceitao da famlia. Para

    Donoso et al. (2013) esses vnculos familiares quebrados esto quase sempre

    relacionados ao uso de lcool (S01, S02, 204) e outras drogas (S01, S02, S03, S04,

    S05) pelo indivduo, causando brigas e discusses constantes com familiares. Essa

    utilizao do crack por pessoas em situao de rua explicada pelo seu fcil acesso

    e baixo custo. Mesmo que essa droga tenha se dissipado para vrios tipos de classes

    sociais, ainda frequentemente associada o conceito de moradores de rua com essa

    substncia.

  • Sobre a forma de enfrentar a realidade da rua por meio dessas dificuldades do

    cotidiano que os indivduos confrontam, esto ligadas ao instinto bsico de

    sobrevivncia, onde eles buscam maneiras de se manter, como a alimentao e local

    para dormir (DONOSO et al. 2013). Exemplos dessa afirmao a ocupao de

    catador de materiais reciclveis que todos eles tm em comum, alm de outros

    servios como gesseiro e servios gerais (S01), pedreiro (S03) e profissional do sexo

    (S05).

    Em nossos dados levantados, todos os sujeitos que foram entrevistados

    afirmaram que trabalham, principalmente como catadores de materiais reciclveis.

    Segundo Jesus et al. (2012, p.2) esses indivduos

    [...] desenvolve essa atividade por questes de sobrevivncia e se sentem desvalorizados e envergonhados socialmente pelo fato de trabalharem com o lixo. Pessoas que lidam direta ou indiretamente com os resduos slidos esto expostas aos riscos fsicos, qumicos, biolgicos, mecnicos e ergonmicos que se traduzem como perigo. A situao de pobreza em que vivem os catadores e a necessidade de garantir a sua sobrevivncia, muitas vezes, os levam a ignorar tais riscos considerados integrantes do trabalho de catao.

    Percebemos nos relatos que as perspectivas de vida variam para cada sujeito.

    Enquanto alguns no tem qualquer perspectiva (S01 e S05), outros tem planos como

    voltar para familiares (S02 e S03) e conseguir um emprego melhor ou construir uma

    casa (S02 e S04). Essa falta de perspectiva, ou essa perspectiva futura, mas que no

    realizado de imediato se deve para Escorel (1999, apud VARANDA; ADORNO,

    2004) pela a excluso social, no qual esta um processo em que os indivduos so

    subjugados condio de animal laborans, onde o objetivo central a preservao

    biolgica, na qual impossibilita o a atividade plena das potencialidades humanas.

    Nascimento (p.237) afirma que o emprego tambm importante para a perspectiva

    de vida do sujeito, ela relata sobre esse animal laborans que

    [...] na sociedade dos homens que trabalham (animal laborans) ficar destitudo do trabalho significa suspender o direito vida. perder a garantia que justifica a transferncia da liberdade natural para o soberano. Nesse caso, em situaes-limite, em que a vida no est segura em absoluto, os homens passam a estar sujeitos aniquilao, ao desaparecimento, cumprindo, assim, a mesma lgica do ciclo natural do consumo.

    Analisamos tambm que, instituies religiosas so grandes fontes de

    assistncia para a populao em situao de rua. Donoso et al. (2013) ainda afirma

    que essa ajuda religiosa so umas das principais fontes de apoio s pessoas em

    situao de rua.

  • Os indivduos tambm relataram que no recebem atualmente (S01, S03, S04,

    S05) ou recebem pouca assistncia governamental (S02). De acordo com Costa

    (2005) no pas existe um modelo econmico que gerou indivduos subjugados, seja

    pessoalmente ou socialmente. Outrora, os diferentes governos estabelecidos

    inseriram aes de natureza focalista, enfrentando alguns problemas sociais

    isoladamente, resultando assim uma ineficcia na situao e condio de vida da

    populao. Exemplo dessa realidade uma Pesquisa realizada pelo Ministrio do

    Desenvolvimento Social e Combate Fome (2008) realizada em 71 municpios com

    31.922 moradores categorizados em situao de rua onde afirma que 88,5% no

    recebem qualquer tipo de benefcio dos rgos governamentais. Mostrando assim que

    as polticas voltadas para esse grupo de pessoas no tm surtido o efeito esperado.

    Costa (2005, p. 5) afirma que Em nosso pas, a ateno do Poder Pblico com

    esse segmento populacional recente em consequncia de lutas sociais ocorridas

    nos ltimos anos. O desinteresse do Estado pelas pessoas em situao de rua reflete

    a contradio com que a sociedade e a opinio pblica tratam o tema, ora com

    compaixo, preocupao e at assistencialismo, ora com represso, preconceito e

    indiferena.

    Para o MDS (2008) essa populao em situao de rua sofre diversos tipos de

    discriminaes, como por exemplo a proibio de entrar em locais especficos

    (estabelecimentos comerciais, shopping centers, transporte coletivo, bancos, rgos

    pblicos, atendimento sade e retirada de documentos). E no somente isto, O

    preconceito, a estigmatizao e a hostilizao mostraram-se tambm presentes nos

    discursos dos sujeitos.

    Strey et al. (2013) em seu livro Psicologia Social Contempornea afirma que a

    subjetividade humana composta por diversas relaes que ele vai estabelecendo no

    decorrer de sua vida, entendendo ele como um ser dialgico e relacional. Matias

    (2013. p. 544) afirma que podemos entender assim que

    [...] identidade se constri dentro de relaes sociais, isto , a construo das formas identitrias se instala no interior dos processos de subjetivao e estes processos, por sua vez, ocorrem nas mais diversas modalidades de interao social. Isso implica uma dualidade fundamental, o carter relacional e subjetivo tanto do social como psquico.

    Sendo assim, podemos entender que essa identidade o conceito que o

    prprio indivduo tem de si. Percebemos que, no decorrer dos discursos vemos

  • pessoas com suas identidades obscurecidas pela situao em que eles vivem os

    colocam.

    Desde a terceira revoluo industrial, o modelo capitalista de produo traz

    consigo a transnacionalizao da misria, da falta de emprego, do isolamento poltico

    das relaes de trabalho, da instabilidade e insatisfao sociais, excluso e

    descompromisso com as populaes, formando uma vertente de fatores que

    contribuem para acentuao das desigualdades e assimetrias sociais. Em

    contraponto, Mancebo (2002) diz que a desigualdade possibilita o equilbrio, a

    integrao de funes e impulsiona a competio promovendo o desenvolvimento.

    Para Ibaez (1996; apud STREY, 2013), o ser humano socialmente construdo,

    sendo sua autonomia uma iluso e que no existe natureza humana a resgatar.

    A cincia vem fazendo uso de dois tipos de abordagem - opostas em vrias

    caractersticas - para intervir e entender. Uma tende a diminuir a vasta diversidade de

    fatores que coincidem a um determinado fenmeno, alegando que, por ser algo

    complexo, o seu conhecimento determina que sejam analisados os pontos mais

    simplificados, dando prioridade apenas o que necessrio para elaborar uma

    explicao de um modo mais reducionista. A outra busca a valorizao da essncia

    do dado fenmeno, valorizando tanto complexidade do fenmeno quanto situao

    de ignorncia de quem analisa, levando em conta as metodologias que podero

    contribuir aptido do conhecimento, permitindo a compreenso de uma maneira

    antirreducionista (FALCADE, 2014).

    Entendemos que existe uma ligao entre a cultura moderna e as conturbadas

    situaes contemporneas, dentre elas, a questo dos moradores em situao de rua.

    Portanto, o estudo dos mtodos de subjetivao caractersticos da Modernidade

    apresenta caminhos adequados para a procura de dados faltantes que, integrados

    para a percepo e explicao da situao dos moradores de rua, concederiam uma

    interveno mais conveniente e decisiva da problemtica (FALCADE, 2014).

    Para Falcade (2014), na viso da complexidade e nos estudos dos processos

    subjetivos, derivados da Modernidade, a Psicologia Social contribui com esta

    mudana, no sentido de conceder embasamentos tericos que podem ser entendidos

    como instrues prticas para lidar com a questo, pois, como disse Blaise Pascal

    (apud FALCADE, 2014) Tudo o que incompreensvel, nem por isso deixa de existir.

  • CONCLUSO

    Conclui-se, portanto, que as variveis onde o indivduo est inserido

    influenciam em sua percepo de mundo, fazendo com que ele seja subjugado e

    consequentemente leva-lo atual situao de rua. Drogas ilcitas formaram

    unanimemente o grupo de entrevistados. Esse quadro de vcio leva o sujeito ao

    desentendimento familiar e a excluso da sociedade.

    Os crculos sociais de um usurio de drogas vo se desgastando, dificultando

    assim todo tipo de relao, seja com a famlia ou sociedade. Essa convivncia se torna

    ainda pior no decorrer do tempo de quadro vicioso e a mudana de comportamento,

    criando uma barreira do ponto de vista da sociedade ao sujeito, e do sujeito a

    sociedade. Outro dado percebido o pouco empenho para com o estado onde o

    indivduo encontra-se, por parte dos conviventes e familiares.

    A participao familiar na assistncia ao indivduo, bem como a necessidade

    de cuidado por parte da equipe multiprofissional e de polticas pblicas que se

    interessem e sejam efetivas para esse grupo de suma importncia para a

    recuperao do sujeito.

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    BRASIL. Ministrio do Desenvolvimento Social e Combate Fome; Secretaria de Avaliao e Gesto da Informao; Meta Instituto de Pesquisa e Opinio. Sumrio Executivo: Pesquisa Nacional Sobre a Populao em Situao de Rua. 2008. ______. Decreto n. 7.053 de 23 de dezembro de 2009. Institui a Poltica Nacional para a Populao em Situao de Rua e seu Comit Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento, e d outras providncias. Braslia, 23 dez. 2009. ______. Prefeitura de So Paulo; Secretaria de Assistncia e Desenvolvimento Social; Fundao Instituto de Pesquisas Econmicas. Censo da Populao em Situao de Rua da Cidade de So Paulo. 2015 ______. Prefeitura de Belo Horizonte. Terceiro Censo de Populao em Situao de Rua e Migrantes de Belo Horizonte. 2014 COSTA, A. P. M. Populao em Situao de Rua: contextualizao e caracterizao. Revista Virtual Textos & Contextos, n. 4, p. 1-15, dez, 2005

  • DONOSO, M. T. V; et al. Estudo Etnogrfico Sobre Pessoas em Situao de Rua em um Grande Centro Urbano. Revista Mineira de Enfermagem, v. 17, n. 4, p. 894-901, out/dez, 2013 FALCADE, P. R. U. Psicologia, Modernidade e Modos de Subjetivao: a questo do morador de rua. 2014. 124 f. Dissertao (Mestrado em Psicologia Social) Instituto de Psicologia da Universidade de So Paulo, So Paulo, 2014. JESUS, M. C. P.; et al. Avaliao da Qualidade de Vida de Catadores de Materiais Reciclveis. Revista Eletrnica de Enfermagem, v. 14, n. 2, p. 277-285, abr/jun, 2012 MANCEBO, D. Modernidade e produo de subjetividade: breve percurso histrico. Psicologia: Cincia e Profisso, v. 22, n. 1, p. 100-111, mar, 2002 MATIAS, H. J. D. Seduo e Descaminho Narrativas e Identidades de Jovens em Situao de Rua. Psicologia: Reflexo e Crtica, Braslia, v. 26, n. 3, p. 543-551, 2013. NASCIMENTO, M. O lugar do Animal Laborans e as Transformaes no Mundo do Trabalho. Lugar Comum, n. 35-36, p. 233-246. STREY, M. N.; et al. Psicologia Social Contempornea. Petrpolis: Vozes, 2013 VARANDA, W.; ADORNO, R. C. F. Descartveis urbanos: discutindo a complexidade da populao de rua e o desafio para polticas de sade. Sade e Sociedade, v. 13, n. 1, p. 56-59, jan/abr, 2004

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