PLANEJAMENTO DE UM SISTEMA DE GESTO ? IV Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental Salvador/BA

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  • IV Congresso Brasileiro de Gesto Ambiental Salvador/BA 25 a 28/11/2013

    IBEAS Instituto Brasileiro de Estudos Ambientais 1

    PLANEJAMENTO DE UM SISTEMA DE GESTO AMBIENTAL PARA UM CONDOMNIO HORIZONTAL FECHADO LOCALIZADO EM GOINIA, GOIS

    Thais Teodoro dos Santos Cordeiro Graduada em Tecnologia em Saneamento Ambiental pelo Instituto Federal de Educao, Cincia e Tecnologia de Gois (IFG). Email: thais.ttsc@gmail.com. RESUMO Este estudo traz o planejamento de um Sistema de Gesto Ambiental com base nos requisitos da norma ISO 14004, para a Associao Jardins Florena, um condomnio horizontal fechado localizado no municpio de Goinia, Gois. Os condomnios horizontais fechados so uma tipologia habitacional que vem chamando a ateno devido a sua grande disseminao pelo Brasil h alguns anos, e vm causando transformaes nas cidades, reestruturando o meio ambiente artificial. Conforto, comodidade, ausncia de poluio, proximidade da natureza e preservao do meio ambiente so algumas das qualidades associadas a esse tipo de moradia, porm uma parcela significativa de impactos ambientais identificada nas suas fases de parcelamento urbano, construo e operao. Inicialmente, foi realizado um levantamento bibliogrfico sobre o tema, seguido da anlise dos documentos nos arquivos da organizao em estudo, sendo estes suportes para os estudos em campo. Foram verificados que impactos ambientais significativos foram causados durante a construo do condomnio e, sobretudo na execuo de suas atividades atualmente. Porm, a gerncia administrativa elabora e executa aes, como gesto dos resduos slidos, recuperao das margens do crrego presente no local e atividades de educao ambiental para a minimizao dos problemas ambientais. Por fim, aes corretivas para as no conformidades encontradas bem como metas e objetivos foram propostos para a parte interessada. Considera-se, portanto, que a organizao deve ser estimulada a implantar o Sistema de Gesto Ambiental proposto e a criar um departamento administrativo que trate exclusivamente dos aspectos ambientais da organizao.

    PALAVRAS-CHAVE: SGA, Meio Ambiente, ISO 14004, Aspectos ambientais, Impactos ambientais.

    INTRODUO

    A gesto ambiental parte integrante do sistema geral de uma organizao, um processo contnuo e interativo (ABNT, 2005, p.5). Para Seiffert (2008), a gesto ambiental :

    um processo adaptativo e contnuo, atravs do qual as organizaes definem e redefinem seus objetivos e metas relacionados proteo do meio ambiente, sade de seus empregados, bem como clientes e comunidade, alm de selecionar estratgias e meios para atingir estes objetivos num tempo determinado atravs de constante avaliao de sua interao com o meio externo. (SEIFFERT, 2008, p. 23)

    A norma ISO 14004:2005 define Sistema de Gesto Ambiental como sendo a parte de um sistema de gesto de uma organizao utilizada para desenvolver e implementar sua poltica ambiental e para gerenciar seus aspectos ambientais. (ABNT, 2005, p.2) O planejamento de um Sistema de Gesto Ambiental (SGA) a primeira fase do Ciclo de Deming ou Ciclo PDCA (Plan-Do-Check-Act) utilizado pela norma e se d pelo interesse de uma organizao em obter um certificado de qualidade ambiental ou quando se deseja gerir de forma ambientalmente correta suas atividades, produtos e servios.

    O principal objetivo desta pesquisa apresentar o planejamento de uma forma de gerenciar os aspectos ambientais dos condomnios horizontais de forma a integrar a gesto ambiental de carter aplicvel desse tipo de organizao s demais questes administrativas a fim de aliar um bom desempenho econmico reduo dos impactos ambientais, uma vez que essa uma modalidade habitacional muito utilizada em Gois. Segundo a Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo, existem atualmente em Goinia 21 condomnios fechados, totalizando cerca de 10.000 lotes (SEPLAM, 2012).

    METODOLOGIA

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    Para a realizao deste estudo, foram consultados legislaes, documentos governamentais, livros e trabalhos cientficos, bem como a srie de normas ISO 14000, com destaque para a ISO 14004:2005, a qual foi o documento norteador do estudo.

    Atravs de reviso bibliogrfica foi possvel realizar a caracterizao fsico-bitica da regio do condomnio e, atravs de visitas in loco e entrevistas com funcionrios foram identificados os setores existentes e suas respectivas atividades, sendo possvel verificar os aspectos e impactos ambientais relevantes relacionados aos resduos slidos, aos efluentes domsticos e as emisses atmosfricas, baseado na ISO 14004:2005 e na metodologia proposta por Seiffert (2008). Em seguida, atravs do levantamento de dados e documentos na administrao do condomnio, de entrevistas com moradores e funcionrios do local, foram verificadas as aes previamente realizadas de minimizao dos impactos ambientais do condomnio.

    E, finalmente, o estudo estabelece os objetivos, as metas e os programas a serem realizados a fim de promover o melhoramento ambiental das atividades identificadas.

    ASSOCIAO JARDINS FLORENA

    CARACTERIZAO DA ORGANIZAO

    A Associao Jardins Florena uma associao civil, sem fins lucrativos, polticos ou religiosos, pessoa jurdica de direito privado que regida por regulamentos aplicveis a seu contexto e pelo Estatuto e Regulamento Internos.

    Est localizada na Avenida Domiciano Peixoto, s/n rea 1, bairro Jardim Vila Boa, Goinia, Gois. Possui uma rea total de 513.892 m, onde 424.895,98 m so reas urbanizveis e 88.906,32 m destinados proteo ambiental. H 408 lotes distribudos em 23 quadras, e atualmente, habitam cerca de 1.100 moradores.

    Figura 1: Vista area e mapa da regio do condomnio. Fonte: Acervo fotogrfico do condomnio, 2006.

    CARACTERIZAO FSICO-BITICA DA REGIO

    O municpio de Goinia, em geral, possui clima mido caracterizado pelo perodo seco e perodo chuvoso e, a temperatura mdia anual de 23,2 C.1

    A rea em estudo formada por solos profundos de baixssima fertilidade e alta toxidez e acidez. Os tipos de solos predominantes so latossolos vermelho-escuro e vermelho-amarelo, sem nenhum afloramento rochoso ou reas de deslizamento na rea edificada. H predomnio de Floresta Estacional Semidecidual nas matas ciliares e matas de galeria e a presena do cerrado Sensu Stricto. 2

    1 Dados retirados do Estudo de Impacto Ambiental do projeto Macambira- Anicuns. 2 Dados retirados do Programa de Recuperao de reas Degradadas realizado pelo responsvel tcnico Mardem Emdio Rezende.

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    Em seu parcelamento, a Associao Jardins Florena ocupou a rea de uma nascente do crrego Buriti, sendo esta uma das nascentes do crrego Macambira, pertencente bacia do rio Meia Ponte. Alm disso, foi necessrio suprimir a vegetao local, e atualmente existem gramneas, vegetao ciliar e espcies nativas e exticas na rea de Preservao Permanente (APP) no cercada.

    LIMITES DA ORGANIZAO SUJEITOS AO SGA

    Os limites da organizao Associao Jardins Florena os quais o planejamento do sistema de gesto ambiental se aplica foram dispostos no fluxograma (Figura 2) que demonstra as atividades relacionadas a cada setor identificado.

    Figura 2: Fluxograma operacional das atividades/setores contemplados pelo SGA. Fonte: Autora

    POLTICA AMBIENTAL DA ASSOCIAO JARDINS FLORENA

    A poltica ambiental parte do pr-planejamento do SGA, porm ela se faz necessria devido a sua importante funo de orientar o estabelecimento dos objetivos e metas a serem estabelecidos para o gerenciamento dos aspectos/impactos identificados.

    A ISO 14004:2005 define a poltica ambiental como sendo o conjunto de intenes e princpios gerais de uma organizao em relao ao seu desempenho ambiental, conforme formalmente expresso pela alta administrao (ABNT, 2005, p.3). Assim, a organizao em estudo possui a seguinte poltica ambiental:

    O condomnio horizontal fechado de mdio porte e alto padro Associao Jardins Florena um empreendimento residencial que oferece servios de jardinagem mensais e demais manutenes, monitoramento e segurana, reconhece que a sua construo s margens de uma nascente, assim como a execuo de suas atividades, ainda que no industriais gerem impactos ambientais. Rumo a uma posio de destaque quanto a sua responsabilidade ambiental em relao aos outros condomnios residenciais, tendo em vista a recuperao, preservao ambiental e preveno da poluio, tm sido elaboradas medidas mitigadoras, controles operacionais e monitoramentos ambientais. Atravs da criao e execuo de programas de gerenciamento de

    Recepo/ Portarias

    Segurana/ Monitoramento

    Administrao

    Rondas constantes com carros e motocicletas

    Monitoramento 24 horas com circuito fechado de TV

    GESTO AMBIENTAL

    Limpeza em Geral

    Manuteno de parques e jardins

    Coleta do lixo/ Coleta do leo

    residual de fritura

    Recolhimento de resduos de jardinagem de massa verde

    Varrio de ruas

    Lavagem diria: refeitrio, banheiros,

    salas administrativas (2)

    Poda de rvores/ Aparo de gramneas (residncias e

    APMs)

    Pinturas em geral (cavaletes, meio-fio, campos esportivos,

    ruas)

    Irrigao

    Armazenamento de agrotxicos/ Controle de pragas

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    resduos slidos, efluentes domsticos, emisses atmosfricas, das atividades de educao ambiental para moradores e funcionrios, e da constante reviso dos objetivos e metas, busca-se o comprometimento com a melhoria contnua, de forma a construir um local agradvel e seguro para se viver e trabalhar.

    ASPECTOS E IMPACTOS AMBIENTAIS DA ORGANIZAO

    Segundo a ISO 14004:2005, aspecto ambiental o elemento das atividades, produtos ou servios de uma organizao que pode interagir com o meio ambiente, sendo significativo quando tem um impacto ambiental significativo. Por sua vez, este definido como qualquer modificao do meio ambiente, adversa ou benfica, que resulte, no todo ou em parte, dos aspectos ambientais de uma organizao. 3

    a. RESDUOS SLIDOS

    A NBR 10004:2004 define resduos slidos como (...) resduos nos estados slido e semisslido, que resultam de atividades da comunidade de origem: industrial, domstica, comercial, agrcola, de servios e de varrio. (ABNT, 2004, p.1-2)

    Os resduos podem ser classificados de acordo com sua origem e periculosidade. Resduos slidos domiciliares so aqueles gerados em residncias ou que possuem caractersticas parecidas com esses. De acordo com os padres de consumo da poca em determinada cidade e ao longo do tempo a composio dos resduos domiciliares se alteram. (AGUIAR, 2005, p.279).

    Na organizao em estudo, os resduos so gerados em todos os setores, porm o que requer maior ateno so as Residncias. Setores administrativos como Portarias, Sala de Monitoramento e Administrao geram baixas quantidades de resduos comerciais.

    A coleta dos resduos realizada uma vez ao dia em todos os setores da organizao, acondicionados em sacos pretos comuns de 60 litros, exceto do setor Residncias que so recolhidos 2 vezes ao dia pelo caminho de lixo do condomnio. Os moradores so orientados a realizarem a separao do lixo em orgnicos e reciclveis em sacos transparentes de diferentes tamanhos (fornecidos pela organizao).

    Os resduos de massa verde provenientes da jardinagem em todas as residncias e reas comuns realizada pelo servio de manuteno do condomnio (poda e corte de rvores, aparo de gramneas, roagem) tambm so recolhidos pelo caminho de lixo da organizao diariamente.

    Os resduos orgnicos e de massa verde so levados pelo condomnio para o Aterro Sanitrio de Goinia, que se localiza h cerca de 15 quilmetros da Associao Jardins Florena. A Prefeitura de Goinia realiza a cobrana deste servio. Os resduos reciclveis so dispostos no depsito temporrio de resduos localizado na rea externa do condomnio em terreno cedido pela Prefeitura.

    Segundo dados da Companhia de Urbanizao de Goinia, 95% de todos os resduos produzidos em Goinia so destinados ao Aterro Sanitrio do municpio. (COMURG, 2011)

    Os grficos resultantes de algumas pesagens dos resduos orgnicos, reciclveis e de massa verde em determinado perodo de tempo, realizadas pela organizao e pela prefeitura esto dispostos na figura 3.

    3 ABNT, 2005, p.2

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    9.000

    9.500

    10.000

    10.500

    11.000

    11.500

    12.000

    12.500

    set/

    12

    out/

    12

    nov/

    12

    dez/

    12

    Orgnicos (Kg)

    Massa Verde

    (Kg)

    5.400

    5.450

    5.500

    5.550

    5.600

    5.650

    dez/09 jan/10 fev/10

    Reciclveis (Kg)

    Figura 3: Quantidade em kilos dos resduos orgnicos e massa verde produzidos em 2012 e dos resduos

    reciclveis produzidos em 2010. Fonte: Administrao da Associao Jardins Florena, 2012.

    Como previsto pela lei n 7.802/1989, - dispe sobre a pesquisa, a experimentao, a produo, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercializao, a propaganda comercial, a utilizao, a importao, a exportao, o destino final dos resduos e embalagens, o registro, a classificao, o controle, a inspeo e a fiscalizao de agrotxicos, seus componentes e afins, - os usurios de agrotxicos devem devolver as embalagens vazias dos produtos aos estabelecimentos comerciais em que foram comprados no prazo de at um ano. A organizao em estudo realiza a devoluo das embalagens de forma correta, comprovando a ao atravs de documentos emitidos pelo estabelecimento responsvel pela venda e recolhimento.

    As embalagens de agrotxicos quando abandonadas no ambiente ou jogadas em aterros e lixes, se tornam uma fonte de contaminao, pois seus resduos txicos, sob a ao da chuva podem migrar para o solo e para guas superficiais e subterrneas (BARREIRA e PHILLIPI, 2002).

    Atualmente o condomnio usa os agrotxicos especificados na figura 4:

    Figura 4: Nome dos agrotxicos utilizados na organizao juntamente com suas respectivas classificaes

    de periculosidade ambiental e toxicolgica. Fonte: Adaptado de bulas dos agrotxicos (ADAPAR).

    Com base nestes itens, a tabela 1 traz os aspectos e impactos ambientais referentes gerao de resduos slidos pela Associao Jardins Florena.

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    Tabela 1: Setores, atividades e respectivos aspectos e impactos ambientais referentes aos resduos slidos da organizao. Fonte: Autora.

    Sada Setores Atividades Entrada

    Aspectos Impactos

    Administrao

    Impresses; Operaes

    administrativas; Reunies c/ lanches;

    Uso de copos descartveis.

    Material reciclvel; Alimentos.

    Refeitrio (p/funcionrios) /

    Lavanderia Refeies; Alimentos

    Gerao de resduos

    reciclveis e orgnicos.

    Aumento de resduos no aterro;

    Contaminao do solo.

    Galpo

    Armazenamento de agrotxicos; Descarte

    de embalagens (inclusive de agrotxicos).

    Agrotxicos; Embalagens

    Gerao e armazenamento

    de resduos perigosos; Gerao de reciclveis.

    Aumento de resduos no aterro;

    Contaminao do solo; Risco de vazamentos; Contaminao do solo.

    Aparo de gramneas; Poda de rvores; Uso

    de sanitrios.

    Pessoas; Energia; Combustvel; Fios de nylon.

    Gerao de massa verde; Gerao de

    resduos orgnicos,

    reciclveis e provenientes de limpeza pblica.

    Aumento de resduos no aterro. reas Pblicas

    Municipais (APMs)

    Controle de pragas Agrotxicos Gerao de

    resduos perigosos;

    Contaminao do solo.

    Residncias Aparo de gramneas;

    Poda de rvores; Coleta de lixo.

    Fios de nylon; Combustvel; Embalagens; Alimentos; Materiais.

    Gerao de massa verde, de resduos

    orgnicos e reciclveis.

    Aumento de resduos no aterro; Proliferao de insetos e roedores.

    Depsito Temporrio de

    Resduos

    Entrada e sada de caminhes; Deposio

    de resduos reciclveis e Resduos

    de Construo e Demolio (RCD).

    Veculos pesados; Resduos

    reciclveis; RCD.

    Deposio de resduos

    reciclveis e provenientes de

    entulhos diretamente no

    solo; Permanncia de resduos no

    local.

    Contaminao do solo; Proliferao de insetos e roedores; Mau cheiro;

    Incmodo s residncias prximas; Compactao do solo.

    a. EFLUENTES LQUIDOS/ CRREGO BURITI

    O uso da gua envolve o abastecimento pblico e industrial, atividades agropastoris, inclusive a irrigao e a dessedentao de animais, alm da gerao de energia eltrica, navegao, recreao, preservao da fauna e da flora aqutica e diluio e transporte de efluentes.

    O barramento do crrego Buriti existente no condomnio possui um espelho dgua de 1.116,58 m, um volume acumulado de 558,29 m e, conforme dados de anlises feitas por um laboratrio especializado, seu uso est enquadrado para fins recreativos, de navegao, valor paisagstico e para preservao da microfauna e flora local por se tratar de uma APP. A gua do crrego tambm usada para irrigao de cerca de dois hectares de gramneas das reas Pblicas Municipais (APMs) - reas de paisagismo e campos esportivos -, onde um

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    caminho-pipa do condomnio capta cerca de 84,3 m/ms de gua. A Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hdricos de Gois dispensou a outorga do uso da gua para este fim.

    Dissipadores de energia e contenes localizados ao longo do crrego permitem a minimizao de processos erosivos.

    Segundo a Companhia de Saneamento de Gois (SANEAGO), os esgotos domsticos apresentam em mdia 0,08% de matria slida e 99,92% de gua e, cerca de 70% dos slidos no esgoto domstico so de origem orgnica. A matria inorgnica so areias e substncias minerais (SANEAGO, 2007).

    Atravs de entrevistas realizadas com moradores e/ou funcionrios no condomnio em novembro de 2012, contatou-se que, de 150 residncias visitadas, 45 possuam trituradores de resduos orgnicos, sendo 30% do total pesquisado.

    O triturador de resduos orgnicos um aparelho instalado na cozinha, onde as sobras de alimentos so levadas por uma corrente de gua fria e transformadas em partculas finas e lanadas na caixa de gordura da residncia. O uso deste aparelho sem a devida infraestrutura provoca: desperdcio de gua, aumento dos ndices de DBO e DQO do efluente, aumento da poluio dos corpos hdricos, menor intervalo do tempo de limpeza das caixas de gorduras das residncias e dos equipamentos das Estaes de Tratamento de Esgotos (ETEs) e o aumento do consumo de energia eltrica tanto para a triturao quanto para o processo de tratamento deste efluente.

    As embalagens vazias de agrotxicos podem ser persistentes, mveis e txicos no solo, na gua e no ar. Seus resduos podem chegar s guas de superfcies, s subterrneas e tendem a acumular-se na natureza. A exposio ambiental e humana a essas sustncias associa-se a problemas de sade pblica em consumidores e trabalhadores que lidam diretamente com essas substncias. (SEBRAE, 2004)

    Segundo Bassoi e Guazelli (2004), quando produtos qumicos so lanados em guas superficiais sem tratamento prvio, esses causam dureza, corroso, sabor, odor, cor e espumas. (BASSOI e GUAZELLI, 2004, p. 68). Nas embalagens de agrotxicos utilizadas pelo condomnio realizada a trplice lavagem, conforme previsto na lei n 7.802/ 1989.

    Assim, com base em todos os dados citados, os aspectos e impactos ambientais relativos gerao de efluentes e a sua APP esto listados na tabela 2.

    Tabela 2: Setores, atividades e respectivos aspectos e impactos ambientais referentes aos efluentes domsticos e a APP da organizao. Fonte: Autora.

    Sada Setores Atividades Entrada Aspectos Impactos

    Galpo

    Lavagem de caminhes; Lavagem

    de embalagens de agrotxicos;

    Armazenamento de produtos qumicos

    orgnicos e inorgnicos.

    gua; Produtos de limpeza; Produtos

    qumicos orgnicos e inorgnicos.

    Consumo de gua; Lanamento de contaminantes

    txicos no corpo hdrico.

    Presso sobre o recurso natural;

    Poluio de corpos hdricos;

    Contaminao de guas superficiais e do lenol fretico;

    Poluio do solo e do ar.

    APMs

    Lavagem de banheiros; Irrigao;

    Aplicao de inseticidas.

    gua; Produtos de limpeza; Produtos

    qumicos orgnicos e inorgnicos.

    Consumo de gua; Efluentes domsticos;

    Lanamento de poluentes no corpo

    hdrico; Carreamento de resduos perigosos para o corpo hdrico.

    Presso e escassez do recurso natural;

    Poluio de corpos hdricos; Poluio do

    solo.

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    Sada Setores Atividades Entrada

    Aspectos Impactos

    Residncias

    Limpeza de piscinas; Irrigao de jardins;

    Uso sanitrio; Aplicao de agrotxicos e inseticidas;

    Triturao de resduos orgnicos;

    Lavagem de utenslios com

    resduos orgnicos e lavagens em geral.

    gua; Produtos de limpeza; Produtos

    qumicos orgnicos e inorgnicos;

    leos.

    Consumo de gua; Efluentes domsticos;

    Lanamento de poluentes no corpo

    hdrico; Carreamento de resduos perigosos para o corpo hdrico;

    Descarte do leo residual de frituras.

    Presso sobre o recurso natural;

    Poluio de corpos hdricos;

    Contaminao de guas superficiais e do lenol fretico;

    Poluio/ Contaminao do

    solo e do ar; Eutrofizao dos corpos hdricos.

    APP

    Jardinagem de residncias prximas; Retirada de gua do crrego com bomba;

    Pescas eventuais; Cooper.

    Pessoas; Mquinas de jardinagem;

    Bombas sugadoras.

    Consumo de gua; Lanamento de

    resduos slidos em reas de preservao;

    Presso sobre o recurso natural;

    Poluio de corpos hdricos; Processos

    erosivos; Afugento da fauna local.

    b. EMISSES ATMOSFRICAS E RUDOS

    Segundo Assuno, poluente atmosfrico qualquer forma de matria slida, lquida, gasosa ou de energia que pode tornar a atmosfera poluda ao estar presente nela. Assim, qualquer processo, equipamento, sistema, mquina, empreendimento que possa liberar ou emitir matria ou energia para atmosfera tornando-a poluda considerado uma fonte de poluio do ar, fixa ou mvel. (ASSUNO, 2004).

    Na Associao Jardins Florena foram identificadas as seguintes fonte de poluio: veculos e mquinas de jardinagem, atravs da queima de combustveis fsseis; obras/construes com poeira fugitiva; armazenamento de produtos como gasolina, solventes e agrotxicos; equipamentos de refrigerao e ar-condicionado; pinturas; e, rea prxima ao condomnio utilizada para deposio de resduos slidos.

    A tabela 3 traz uma mdia de combustveis gastos pelos veculos/mquinas dos setores Administrao e Galpo em suas atividades durante os meses de setembro, outubro e novembro de 2012 e as respectivas substncias emitidas.

    Tabela 3: Mdia mensal da quantidade/tipos de combustveis gastos pelos veculos e mquinas da

    organizao. Fonte: Administrao da Associao Jardins Florena.

    Veculos/Mquinas Km/ Ms

    Litros/ms

    Combustvel utilizado

    Substncia emitida

    Gol 1.774,0 161,28 Moto 1 2.688,7 70,757 Moto 2 2.645,5 69,62 Saveiro 851 77,37

    Gasolina Monxido de carbono, xidos de

    nitrognio, hidrocarbonetos.

    Caminho Pipa 1.134,9 226,98 Gerador - -

    Caminho de Lixo 2.027,9 405,58 Diesel

    xidos de enxofre, xidos de nitrognio e material particulado (fuligem).

    Celta 307,2 30,72 lcool Micro Trator - 50,00 Gasolina

    Pick-up 460,7 41,89 lcool Roadeira - 200,00 Gasolina

    Monxido de carbono, xidos de nitrognio, hidrocarbonetos.

    TOTAL 1.486,2 1.263,4 - -

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    Com base nestas anlises, os aspectos/impactos ambientais relacionados s emisses atmosfricas e rudos produzidos na organizao em estudo esto dispostos na tabela 4: Tabela 4: Setores, atividades e respectivos aspectos e impactos ambientais referentes emisses atmosfricas

    da organizao. Fonte: Autora. Sada Setores Atividades Entrada

    Aspectos Impactos

    Sala de Monitoramento

    Ronda com carros e motocicletas; Uso

    de ar-condicionado.

    Combustvel; Energia.

    Queima de combustveis;

    Emisses atmosfricas (CO2

    e CFC).

    Poluio atmosfrica; Contribuio para a

    reduo da camada de O3 e para o aumento do efeito

    estufa. Administrao

    Sala da Psicloga

    Uso de ar-condicionado.

    Energia Emisses

    atmosfricas (CFC).

    Contribuio para a reduo da camada de O3.

    Galpo

    Armazenamento de agrotxicos e

    demais produtos qumicos (orgnicos

    e inorgnicos).

    Produtos qumicos.

    Volatilizao e/ou possveis

    vazamentos de produtos qumicos.

    Prejuzo qualidade do ar; Poluio atmosfrica.

    APMs

    Jardinagem utilizando roadeiras, aparadores, sopradores,

    cortadores de grama.

    Combustvel; Energia.

    Emisses atmosfricas

    (CO2) e rudos.

    Contribuio para a reduo da camada de O3 e para o aumento do efeito estufa; Incmodo ao bem

    estar dos moradores e funcionrios; Prejuzo

    qualidade do ar; Poluio atmosfrica; Danos fauna

    local; Afugento da fauna local.

    Residncias

    Jardinagem utilizando roadeiras, aparadores, sopradores,

    cortadores de grama; Aplicao de inseticidas; Uso de veculos; Uso de

    ar-condicionado.

    Combustvel; Energia;

    Inseticidas.

    Queima de combustveis;

    Emisses atmosfricas (CO2 e CFC) e rudos;

    Disperso de poluentes na atmosfera.

    Poluio atmosfrica; Contribuio para a

    reduo da camada de O3 e para o aumento do efeito

    estufa; Prejuzo qualidade do ar; Incmodo

    ao bem estar dos moradores e funcionrios;

    Danos fauna local; Afugento da fauna local.4

    PRTICAS E PROCEDIMENTOS DE GESTO AMBIENTAL EXISTENTES NA ORGANIZAO

    Desde o ano de 2007, a administrao da organizao vem planejado e executado aes corretivas e preventivas de no conformidades ambientais identificadas pelo gestor ambiental da organizao.

    Para a recuperao do trecho do crrego Buriti (APP), iniciou-se um Programa de Recuperao de reas Degradadas (PRAD), com aes que vo desde a plantao de espcies nativas at o monitoramento da gua do crrego.

    Em relao ao consumo de energia eltrica, as lmpadas dos banheiros das APMs foram conectadas a censores de presena.

    4 Impactos ambientais referentes fauna local mais relevantes nas residncias localizadas prximas a APP (quadras 1, 4, 6, 8, 10, 12, 14, 17, 18, 19, 20, 21, 22 e 23).

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    A gerao de resduos slidos na administrao foi reduzida pela substituio do uso de copos descartveis por canecas e copos plsticos durveis distribudos aos funcionrios, representando 90% a menos de copos utilizados. Setores como Administrao, Portarias e Almoxarifado utilizam atualmente papel reciclado em suas atividades.

    A partir do ano de 2009, o condomnio iniciou o Programa de Coleta Seletiva nas residncias. Lixeiras identificadas para a coleta foram colocadas nas APMs, todos os meses so distribudos s residncias sacos transparentes para facilitar a separao do lixo e, a fim de avaliar a qualidade da separao dos resduos, o condomnio contratou uma estagiria na rea de meio ambiente para visitar e entrevistar os moradores/funcionrios mensalmente.

    O grfico que expressa o processo evolutivo do Programa da Coleta Seletiva nas residncias est representado na figura 5:

    0%

    33%

    66%

    99%

    dez/1

    1

    jan/

    12

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    mar

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    12ju

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    set/1

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    out/1

    2

    nov/

    12

    dez/1

    2

    Residncias que utilizam ossacos fornecidos para aseparao do lixo

    Residncias onde o lixo foiseparado em "SECO" e"MOLHADO"

    Residncias em que osfuncionrios/moradoresdemonstraram interesse peloPrograma durante a visita

    Figura 5: Evoluo ao longo de um ano do Programa da Coleta Seletiva implantado nas residncias da organizao. Fonte: Administrao da Associao Jardins Florena, 2012.

    Em pesquisa avaliativa durante os meses de novembro e dezembro de 2012, onde 51% dos entrevistados moravam na Associao Jardins Florena h 6 e 10 anos, cerca de 64% disseram estar muito satisfeitos com o Programa de Coleta Seletiva e cerca de 8% se mostraram pouco satisfeitos quanto ao momento do recolhimento do lixo e quanto a resistncia dos sacos fornecidos.

    Para a minimizao de gerao de efluentes domsticos, a organizao deu incio ao Programa de Coleta do leo Residual de Fritura nas residncias, onde Biocoletores5 foram distribudos aos moradores. O leo coletado trocado por produtos de limpeza para o condomnio.

    Paralelamente a esses dois programas, em 2009, iniciou-se o Programa de Controle e Monitoramento da Dengue, a fim de combater o mosquito da dengue, durante as visitas mensais, buscam-se por gua parada, larvas e outros possveis criadouros. Aps um ano de visitas de combate, foi possvel gerar um grfico (figura 6) que expressa as pocas crticas, de maior quantidade de criadouros do mosquito que coincidem com as pocas chuvosas da regio.

    0%

    10%

    20%

    30%

    40%

    50%

    dez/

    11

    jan/

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    jun/

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    12

    nov/

    12

    dez/

    12

    Residncias com guaparadaResidncia com larvas

    Figura 6: Representao dos resultados de um ano de visitas s residncias procura de gua parada e

    focos do mosquito da dengue (mdia de residncias visitadas: 265/ ms). Fonte: Administrao da Associao Jardins Florena, 2012.

    5 Recipiente de plstico da empresa goiana Biocoleta que abriga uma garrafa PET 2L para a correta separao do leo residual de cozinha.

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    Juntamente com os investimentos nos programas de coleta e controle de dengue, a educao ambiental tem sido consolidada atravs das visitas mensais de conscientizao e avaliao, da confeco de cartazes, adesivos, banners, placas e da realizao de atividades de cunho ecolgico, como a Semana de Conscientizao Ambiental Interna para funcionrios e comemorao do Dia Mundial da gua. OBJETIVOS, METAS E PROGRAMAS DO SGA a. QUANTO AOS RESDUOS SLIDOS

    Objetivo 1: Extino do Depsito de Resduos

    Meta: Construo de uma Usina de Triagem.

    Programas:

    - Verificar os requisitos legais para a utilizao do terreno indicado junto aos rgos competentes;

    - Verificar a quantidade de resduos reciclveis produzidos diariamente (mdia mensal);

    - Contratar um responsvel tcnico e dimensionar a unidade;

    - Adquirir maquinrio, a saber: triturador de resduos orgnicos, prensa enfardadeira para papis, plsticos e materiais ferrosos, balana eletrnica, esteira rotativa para facilitar a segregao de materiais. Objetivo 2: Aprimoramento do Programa da Coleta Seletiva

    Metas:

    - Tornar obrigatria a separao dos resduos com a aplicao de multas s residncias no participantes;

    - Realizar a separao dos resduos em setores administrativos;

    - Iniciar a campanha de separao de pilhas e baterias;

    - Iniciar uma campanha de doao de lixo eletrnico

    Programas:

    - Realizar campanhas atravs de visitas s residncias, confeco de banners e faixas informando a mudana (aplicao de multas);

    - Efetuar a mudana em Estatuto e Regulamento Internos;

    - Utilizar os sacos transparentes que so entregues s residncias para os setores administrativos;

    - Colocar duas lixeiras em todos os setores administrativos e de uso exclusivo de funcionrios;

    - Adquirir um coletor de pilhas e baterias;

    - Procurar por parcerias com fabricantes de pilhas, baterias para aquisio do coletor especfico, caso no seja possvel, usar um tambor resistente e em boas condies, forr-lo com um saco plstico comum e coloc-lo em local acessvel e de grande fluxo de moradores com a devida identificao.

    - Muitas vezes, ocorre a substituio de um aparelho eletro/eletrnico ainda em condies de uso, assim, para que este no se torne um resduo e possa ser utilizado por outras pessoas, necessrio promover uma campanha de doao de eletro/eletrnicos com banners espalhados pela organizao e durante as visitas de controle mensais.

    - Procurar por entidades que aceitem este tipo de doao.

    Indicador de Desempenho:

    - Pesagem da quantidade de resduos de pilhas, baterias e eletrnicos coletados.

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    b. QUANTO AOS EFLUENTES DOMSTICOS E AO CRREGO BURITI

    Objetivo 1: Aprimoramento do Programa da Coleta leo Residual

    Metas:

    - Tornar obrigatrio a separao do leo atravs do recolhimento peridico (mensal) ou;

    - Promover um desconto na taxa de condomnio para os moradores que realizarem a separao do leo.

    Programas:

    - Incluir no estatuto/regulamento interno a obrigatoriedade da separao sob pena de multas caso no seja realizada ou;

    - Incluir no estatuto/regulamento interno o desconto a ser dado caso a residncia efetue a separao.

    - Promover a conscientizao atravs de placas ou banners prximos ao crrego.

    Indicador de Desempenho:

    - Ao realizar o recolhimento mensal do leo separado, anotar em planilha especfica as residncias no participantes.

    Objetivo 2: Preservao da nascente/ APP

    Meta: Recuperao e preservao da nascente/ crrego Buriti

    Programas:

    - Realizar o plantio bimestral de rvores nativas as margens do crrego e nos arredores do muro da organizao;

    - Monitorar a qualidade da gua semestralmente;

    - Cercar adequadamente a nascente;

    - Estabelecer pontos de Educao Ambiental dentro da APP.

    Indicadores de Desempenho:

    - Realizar a documentao fotogrfica da APP trimestralmente ou semestralmente;

    - Contagem de mudas plantadas.

    c. QUANTO AS EMISSES ATMOSFRICAS E RUDOS

    Objetivo 1: Preveno da Poluio

    Meta: Usar racionalmente agrotxicos/inseticidas e diminuir a quantidade de rudos.

    Programas:

    - Substituir o uso de agrotxicos convencionais por agrotxicos orgnicos menos ofensivos;

    - Adquirir mquinas mais modernas de jardinagem que utilizem menos combustvel/energia, que poluam menos e sejam mais silenciosas.

    Indicador de Desempenho:

    - Documentar as notas fiscais de aquisio de tais mquinas e dos novos agrotxicos.

    Objetivo 2: Diminuir a emisso de CO2

    Meta: Estabelecer o Programa Crdito de Carbono Zero.

    Programas:

    - Efetuar os clculos das emisses realizadas pela organizao atravs das calculadoras de pegada de carbono disponveis em stios na internet;

    - Dividir a quantidade de rvores a serem plantadas para compensar as emisses pelas residncias;

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    - Fornecer as mudas aos moradores;

    - Realizar o plantio dessas rvores em suas residncias e/ou APMs.

    Indicadores de Desempenho:

    - Efetuar e documentar os clculos das pegadas de carbono anualmente;

    - Contagem das mudas distribudas;

    - Identificar as rvores plantadas para a execuo do Programa.

    d. QUANTO A EDUCAO AMBIENTAL

    Objetivo: Conscientizao ambiental quanto aos aspectos ambientais identificados neste estudo.

    Meta: Definir o Calendrio de Atividades Ambientais.

    Programas:

    - Utilizar as festas tradicionais da organizao e as datas comemorativas ambientais para a realizao de oficinas, palestras, festas, entre outras formas de interao com moradores e funcionrios;

    - Realizar semestralmente a Semana Interna de Conscientizao Ambiental para os funcionrios da organizao, podendo ser estendida aos funcionrios das residncias, com a finalidade de discutir temas de seu cotidiano de enfoque ecolgico.

    Indicador de Desempenho:

    - Escrever relatrios de cada evento realizado e, entrevistas ou pesquisas de avaliao com participantes. e. DEMAIS AES

    Objetivo 1: Aprimoramento do Programa de Controle de Dengue

    Meta: Reduzir ao mnimo possvel a quantidade de criadouros do mosquito da dengue por visita.

    Programas:

    - Notificar por escrito, no momento da visita, a reincidncia de gua parada/larvas na residncia. Aps trs notificaes assinadas, aplicar multa com prejuzo financeiro ao morador.

    Indicadores de Desempenho:

    - Planilhas de controle de dengue utilizadas nas visitas mensais e o balano trimestral.

    - Quantidade de notificaes emitidas.

    Objetivo 2: Reduo do consumo em todos os setores.

    Metas:

    - Estabelecer percentuais de reduo de consumo de gua, energia e materiais;

    - Conscientizar, principalmente os funcionrios do condomnio e das residncias.

    Programas:

    - Programa de Melhoria do Desempenho Ambiental (SEBRAE, 2004)

    - Instalar caixas acopladas s bacias sanitrias ou vlvulas de descarga com duplo acionamento nos banheiros das APMs;

    - Instalar torneiras com arejadores nos banheiros das APMs;

    - Promover o desligamento de luzes em locais administrativos ociosos e em 30% das APMs em perodos noturnos.

    Indicador de Desempenho:

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    - Anlise e documentao em planilha das contas de gua, energia e de materiais mensalmente.

    Objetivo 3 : Documentar, catalogar, pesquisar e aprimorar os programas ambientais.

    Meta: Criar um setor administrativo de Gesto Ambiental/Sustentabilidade.

    Programas:

    - Contratao de funcionrio para funo de Gestor Ambiental e de, no mnimo, um auxiliar, podendo este ser estudante/estagirio da rea;

    - Sistematizar digitalmente todos os dados referentes aos resduos slidos, efluentes domsticos, emisses atmosfricas, educao ambiental;

    - Delegar ao advogado da organizao a funo de procurar todas as legislaes (federais, estaduais e municipais), decretos, normas e regulamentos pertinentes ao condomnio, s suas atividades e servios. Fazer um arquivo, preferencialmente informatizado, destes arquivos para o que o item REQUISITOS LEGAIS E OUTROS REQUISITOS da norma ISO 14004:2005 seja atendido;

    - Destinar recursos financeiros para este setor para manuteno e o aperfeioamento dos programas, bem como para sustentar sua melhoria contnua; Indicador de Desempenho:

    - Prestao de contas da utilizao/destinao dos recursos financeiros;

    - Relatrios e reunies peridicas (bimestrais) com a alta administrao (gerncia, diretoria, conselheiros) das aes realizadas e respectivos resultados. CONSIDERAES FINAIS

    Para o melhoramento do desempenho ambiental da Organizao Jardins Florena, se faz necessrio um conjunto de aes. Inicialmente, deve-se regulamentar uma poltica interna de reduo do consumo geral do condomnio. O SEBRAE sugere atravs da implantao do Programa de Melhoria de Desempenho Ambiental (PMDA) alguns pontos principais de reduo de consumo: minimizao do uso da gua, minimizao do desperdcio de energia, minimizao de perdas de matria-prima e minimizao da gerao de resduos. Aes que rendero produtividade, economia nas contas de gua, energia e materiais, alm de promover o uso racional de recursos naturais.

    Quanto ao gerenciamento de resduos slidos, para um melhor aproveitamento ambiental e econmico, observou-se que a melhor forma de tratar e dispor os resduos slidos identificados atravs da construo de uma unidade de triagem de lixo no local, onde atualmente localiza-se o depsito temporrio de resduos, e destinar os resduos reciclveis s cooperativas de catadores ou recicladoras promovendo assim aes de cunho social. Alm disso, deve-se investir em uma poltica interna de educao ambiental voltada para a compostagem caseira, que feita dentro das residncias pelos condminos descartando uma menor quantidade de resduos, inclusive do triturador de resduos, e produzindo compostos orgnicos para serem utilizados em seu prprio jardim e nas demais reas do condomnio.

    Ao se tratar dos efluentes lquidos, tornar a separao do leo residual das residncias obrigatrio, previsto em regulamento e estatuto interno e, inclusive efetuar descontos na taxa de condomnio dos participantes ou cobrar multas dos no participantes. Uma medida que tambm pode ser tomada a de reduzir a quantidade de trituradores de orgnicos em uso atravs de campanhas coibidoras do uso de trituradores, a fim de evitar problemas como entupimento de fossas spticas residenciais e o aumento dos custos e a diminuio da eficincia do tratamento de esgotos na ETE. Para a preservao da APP, necessrio que haja um plantio frequente de rvores nas margens do crrego Buriti, que a gua seja monitorada por laboratrio especializado semestralmente e para uma maior efetividade e vivncia ambiental, estabelecer pontos de educao ambiental dentro da APP.

    E, quanto gesto de emisses atmosfricas e rudos, a preveno da poluio a prtica mais barata e satisfatria. Para a diminuio do incmodo sonoro para trabalhadores do condomnio e moradores e, dos danos causados a fauna local, medidas satisfatrias seriam operar equipamentos dentro de sua capacidade nominal; armazenar adequadamente materiais pulverulentos e/ou fragmentados; utilizar equipamentos, matrias-primas, reagentes e combustveis de menor potencial poluidor; adquirir mquinas e equipamentos de jardinagem mais

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    silenciosos, alm de compensar as emisses de CO2, plantando cerca de 260 rvores a cada ano. O melhoramento da qualidade do ar e do microclima, tornando-o mais agradvel e o enriquecimento da fauna local so as principais vantagens destas medidas.

    Em suma, a educao ambiental se mostra como uma medida mitigadora com resultados a mdio e longo prazos, usando a conscientizao e mudana de opinio como bases. importante que o calendrio de atividades ambientais deva se tornar uma tradio para os moradores e funcionrios. Alm disso, o treinamento de uma equipe formada por moradores e funcionrios para agirem como agentes ambientais de fiscalizao no condomnio e que seja criado um departamento administrativo que trate exclusivamente das questes ambientais da organizao atravs da documentao de arquivos/dados e pesquisa de tecnologias e procedimentos mais baratos e ecologicamente mais corretos.

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    1. ASSOCIAO BRASILEIRA DE NORMAS TCNICAS. ISO 14004. Documentao: Sistemas de Gesto Ambiental: Diretrizes gerais sobre princpios, sistemas e tcnicas de apoio. Rio de janeiro. 45 p. 2005.

    2. ______. NBR 10004. Documentao. Classificao dos Resduos Slidos. Rio de Janeiro. 71 p. 2004.

    3. AGUIAR, A. de O. Resduos Slidos: Caractersticas e Gerenciamento. In: PHILIPPI JNIOR, A. (Ed.). Saneamento, Sade e Meio Ambiente. 1 ed. So Paulo. USP. Manole. 2005.

    4. ASSUNO, J. V. de. Controle Ambiental do Ar. In: PHILIPPI JNIOR, A. (Ed.) Curso de Gesto

    Ambiental. 1 ed. So Paulo. USP. Manole. 2004. Cap. 4. p. 101 151.

    5. BASSOI, L. J. GUAZELLI. M. R.: Controle Ambiental da gua. In: PHILIPPI JNIOR, A. (Ed.) Curso de Gesto Ambiental. 1 ed. So Paulo. USP. Manole. 2004. Cap. 3. p. 53 99.

    6. BRASIL. Lei Federal n 7.802. Dispe sobre a pesquisa, a experimentao, a produo, a embalagem e rotulagem, o transporte, o armazenamento, a comercializao, a propaganda comercial, a utilizao, a importao, a exportao, o destino final dos resduos e embalagens, o registro, a classificao, o controle, a inspeo e a fiscalizao de agrotxicos, seus componentes e afins. Braslia. 1989.

    7. GOINIA. Departamento de Estradas de Rodagem do Municpio de Goinia (DERMU). Estudo de Impacto Ambiental do Projeto Macambira Anicuns. 263 p. 2004.

    8. GOINIA. Secretaria de Planejamento e Urbanismo. Anurio Estatstico de Goinia - Condomnios fechados reas, nmero de lotes e decretos de aprovao. 2012. Disponvel em: . Acesso em janeiro de 2013.

    9. ______. ______. Demonstrativo do destino dos dejetos slidos coletados. Disponvel em: < http://www.goiania.go.gov.br/shtml/seplam/anuario2012/_html/su_comurg.html> Acesso em.

    10. ______.______.______. Programa Urbano Ambiental Macambira-Anicuns. 2011. Disponvel em: <

    http://www.goiania.go.gov.br/shtml/seplam/anuario2012/meio%20ambiente/O%20programa.pdf> Acesso em junho de 2013.

    11. PARAN. Agncia de Defesa Agropecuria do Paran. Agrotxicos no Paran. 2013. Disponvel em: < http://celepar07web.pr.gov.br/agrotoxicos/bulas.asp>. Acesso em janeiro de 2013.

    12. PHILLIPI JUNIOR, A. (Ed.). Saneamento, Sade e Meio Ambiente. So Paulo. USP. 2005.

    13. REZENDE E. M. Programa de Recuperao de reas Degradadas para a Associao Jardins Florena. Goinia. 34 p. 2007

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    14. SANEAMENTO DE GOIS S/A. Manual do Cliente. Gois. 2007. Disponvel em: < http://www.sgc.goias.gov.br/upload/arquivos/2011-11/res_106_anexo3_cg.pdf>. Acesso em agosto de 2012.

    15. SEIFFERT M. E. B.: ISO 14001: Sistemas de Gesto Ambiental Implantao Objetiva e Econmica. 3 ed. So Paulo. Atlas. 2008.

    16. SERVIO BRASILEIRO DE APOIO S MICRO E PEQUENAS EMPRESAS (SEBRAE). Curso bsico de Gesto Ambiental. Braslia. 2004. 111 p.

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