Piraj-Um Bairro e Um Parque: A Vegetao como fator de aumento da biodiversidade

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Dissertao de Mestrado em Arquitetura e Urbanismo (UFBA) com metodologia de planejamento ambiental participativo de espaos pblicos e privados. Key-words: ecologia urbana; arborizao urbana; quintais; planejamento participativo

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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA FACULDADE DE ARQUITETURA MESTRADO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Piraj: Um Bairro e Um ParqueA vegetao como fator de aumento da biodiversidade e da qualidade de vida nos biomas urbanos.

Dissertao submetida ao Programa de Ps Graduao da Universidade Federal da Bahia, Mestrado em Arquitetura e Urbanismo, rea de concentrao Desenho Urbano, como parte dos requisitos par obteno do ttulo de Mestre.

Fbio Henrique Soares Angeoletto Orientador: Professor Doutor Angelo Serpa

SALVADOR, BAHIA 2000

ANGEOLETTO, Fbio. Piraj: Um Bairro e um Parque A Vegetao Como Fator de Aumento da Biodiversidade nos Biomas Urbanos. Mestrado em Arquitetura e Urbanismo da UFBA. XXX p. ilust.

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BANCA EXAMINADORA:

Prof. Dr. Angelo Serpa (Orientador)

Prof Dr Evelyn Hartoch (UFBA)

Prof. Dr Slvio Soares Macedo (USP)

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Pgina par avaliao: ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ................................................................................................................................... ...................................................................................................................................

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AGRADECIMENTOSListas de agradecimentos so muito difceis de se elaborar. H um risco de chafurdar-se em uma pieguice lacrimosa, ou, o que pior, esquecer de algum cujo auxlio foi valioso. Corramos o risco. Encabeando esse rol, agradeo ao professor, educador e ex-reitor da Universidade Federal da Bahia, Luis Felippe Perret Serpa, pela participao em minha banca de defesa de projeto de dissertao. Ele me fez compreender que meu discurso era bipartido (ecologia / urbanismo), e que o grande desafio dessa dissertao era unir temas aparentemente opostos num todo coerente. Muitos so os colegas, poucos os amigos: a arquiteta Ida Matilde Pela, companheira de mestrado, revelou-se uma amiga rara. Quase sempre nos deixvamos levar em conversas mui produtivas, no importando o lugar. O croqui do projeto inicial de uma praa em Piraj foi talentosamente desenhado por ela. Sua ajuda na insero de mapas e fotos neste trabalho foi fundamental. Ida um dos poucos seres humanos com os quais conviver vale a pena. Com Francisco Amaral, um apaixonado pelas rvores, tambm travei dilogos bastante estimulantes, que resultaram em algumas das idias aqui expostas. Minha histria aqui na Bahia bastante ligada ao professor Angelo Serpa, orientador desta dissertao, que conheci assim que cheguei, em 1994. Para mim, o Angelo um exemplo de jovialidade acadmica, que, com suas finas idias, vem disseminando mudanas. Solange Albuquerque, meu reconhecimento ao seu trabalho, superando as muitas difculdades em fazer trabalhar a contento uma biblioteca com problemas, como a falta de um fichrio. Jandira Borges, secretria acadmica do Mestrado, um outro exemplo de profissionalismo, resolvendo com presteza e agilidade os problemas burocrticos comuns aos mestrandos. colega de mestrado Liliane Arajo, professora Lectcia Scardino Scott Faria

5 (UFBA) e ao professor Roberto Lus de Monte-Mr (UFMG) pelas dezenas de importantes referncias bibliogrficas gentilmente cedidas. Aos estudantes do Colgio Estadual Alberto Santos Dumont, que participaram dos plantios de mudas nos quintais de Piraj; e aos moradores de Piraj, especialmente aos situados no entorno do "Buraquinho" pelo entusiasmo e perseverana. Ana Marcia Domingues, pelo auxlio na formatao do texto. professora Evelyn Hartoch, pela participao na banca de defesa de projeto e de defesa pblica da dissertao; e ao professor Slvio Soares Macedo, da Universidade de So Paulo, pela participao na banca de defesa pblica. Maria, e Bebel, pela inspirao. Ao Tinoco por ser o que , e Lena, por ser seu oposto, meus reconhecimentos.

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Esta dissertao dedicada s rvores

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RESUMOA dissertao Piraj: Um bairro e um Parque - A Vegetao como fator de Aumento da Biodiversidade e da Qualidade de Vida nos Biomas Urbanos dividida em duas partes. Na primeira, realizada uma discusso terica sobre o iderio que classifica as cidades como a anttese da natureza, e as conseqncias negativas desse iderio no planejamento urbano. Procura-se demonstrar que essa oposio falsa, uma vez que as cidades tambm so ecossistemas, e que, apesar destes sistemas ocuparem uma rea nfima da biosfera - cerca de 3% - seus impactos sobre os demais sistemas so bastante grandes, pois as aglomeraes urbanas importam uma mirade de materiais (cuja obteno via de regra descaracteriza o meio ambiente) e exportam grandes quantidades de dejetos e outros poluentes causadores de diversos impactos ao ambiente. Tambm discutida a importncia da presena de vegetao - sobretudo rvores - aos ecossistemas urbanos, pelos inmeros benefcios proporcionados pelos vegetais (eles atuam retirando poluentes do ar, proporcionando microclimas mais aprazveis, estruturando espaos livres. H ainda outras benesses); bem como a freqentemente incorreta e insuficiente utilizao de vegetao nos projetos arquitetnicos e paisagsticos. Na segunda parte so apresentados os resultados de um estudo de caso realizado no bairro de Piraj (Salvador, BA). Os dados nortearam um plano de arborizao para os quintais (dados obtidos atravs de mapeamento dos quintais) e para espaos livres (dados obtidos atravs do mtodo de sintaxe espacial). Piraj, um bairro habitado por moradores de baixa renda, contguo ao Parque Metropolitano de Piraj, uma rea de mata atlntica com cerca de 1550 ha. A vegetao utilizada nos quintais e espaos livres foi selecionada pela maior capacidade de atrao e manuteno de polinizadores e dispersores de sementes - animais imprescindveis recomposio de reas desmatadas no interior do Parque (alm de, obviamente, redundarem nos benefcios acima comentados). Os moradores participaram do planejamento de pequenas praas arborizadas, sendo que uma foi de fato executada. Espera-se que esses moradores contribuam para a gesto da praa, uma vez que o bairro perifrico e pouco assistido pelos poderes pblicos. Palavras chave: planejamento urbano, planejamento ambiental, planejamento participativo, ecologia urbana, paisagismo, arborizao urbana, gesto participativa de espaos pblicos, educao ambiental.

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ABSTRACTThe thesis Piraj: a District and a Park - The Vegetation like a Tool to the Increase of Biodiversity and life Quality in the Cities is divided into two parts. The first part is a theorical discussion on this the common/traditional classification of cities and nature as opposing entities, and the resultant negative consequences to urban planning. It has demonstrated that antagonism is false.

Cities are also ecosystems and (these systems occupy a small area in the planet, bur their impacts over other ecosystems are to large. The importance of arborization to cities is also addressed.

The forest the

second Parque presence

part

shows Brazil), trees and the

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realized the case quality urban, was of

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Piraj tropical increase life of

(Salvador,

Bahia, of

district district,

Metropolitano.

improve birds

Piraj's

residents,

insects,

and

bats:

animals

indispensable to

Park's reforestation

Key-words:

urban

planning,

environmental

planning,

urban

arborization,

environmental education.

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SUMRIOINTRODUO...................................................................................................................................9SALVADOR, BAHIA.........................................................................................................................1 2000.................................................................................................................................................1

5.1 O MTODO DE SINTAXE ESPACIAL.................................................................................................121 5.2 AS CATEGORIAS SINTTICAS .......................................................................................................122 5.2.1 Espao Convexo Mdio (Y)...................................................................................122 5.2.2 Integrao dos espaos convexos pelas linhas axiais (C / L)...............................123 5.2.3 Conectividade (Co)................................................................................................123 123 5.2.4 Relativa assimetria do sistema axial (RA).............................................................123 5.2.5 ALGUMAS OBSERVAES SOBRE O USO DO MTODO DE SINTAXE ESPACIAL COMO FERRAMENTA PARA O PLANEJAMENTO DA ARBORIZAO URBANA.............................................................................................125

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INTRODUOA reproduo de modelos urbanos que ignoram ou menosprezam fatores biolgicos tem ocasionado diversos impactos ambientais e m habitabilidade, em parte devido ao despreparo de planejadores, e a atuao de foras polticoeconmicas s quais a observao desses fatores um empecilho. Um outro motivo para a repetio desses modelos est no iderio que classifica as cidades e a natureza como entidades separadas. De acordo com esse iderio, a natureza situaria-se fora dos limites das cidades, ou no mximo, encontraria-se somente em enclaves, cerceada pelo urbano. Essa anttese traduz-se na execuo de planos que, ao desconsiderarem premissas ambientais, provocam impactos negativos, cuja escala varia do local ao global. As Cincias Biolgicas, em particular a Ecologia, renegam essa oposio, ao classificar as cidades como ecossistemas, cujos ambientes de entrada e de sada provocam substanciais alteraes na biosfera. Dada a crescente complexidade das cidades, propusemos que as cidades sejam classificadas como biomas, isto , no como ecossistemas, mas como mosaicos de ecossistemas com diversidade biolgica varivel. No segundo captulo discutiram-se as foras scio-econmicas que influenciam o crescimento das cidades. Estas desenvolvem-se sobretudo atravs da urbanizao da pobreza e da riqueza, cada qual produzindo impactos ambientais diversos. Tambm debateu-se as atuais tendncias de urbanizao, no mundo e no Brasil. No terceiro captulo, defendeu-se o uso da arborizao urbana como um instrumento para a resoluo de desequilbrios ecolgicos causados pelas cidades, e para a obteno de maior qualidade de vida. Aps essas consideraes tericas, um estudo de caso apresentado, tendo

11 como objeto o bairro de Piraj (Salvador, Bahia). Inicialmente procedeu-se a descrio do subrbio ferrovirio, regio onde est inserido o bairro. A seguir foi descrito o bairro, principalmente sob o ponto de vista da arborizao. O Parque Metropolitano de Piraj (contguo ao bairro), e sua importncia so discutidos; bem como os projetos e tentativas de sua preservao por parte dos governos municipais e organizaes no governamentais. Apresentado o objeto de estudo, os resultados da aplicao de uma abordagem metodolgica que possibilitou a elaborao de estratgias de aumento da diversidade vegetal em Piraj so expostos e discutidos. Finalmente, a aplicao dessas estratgias (plantio de rvores nos quintais e planejamento participativo para a execuo de uma praa arborizada no bairro) so detalhadas e discutidas.

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CAPTULO 1Cidades e Natureza: Uma Anttese?A natureza na cidade uma brisa noturna, um redemoinho girando contra a fachada de um edifcio, o sol e o cu. A natureza na cidade so ces e gatos, ratos no poro, pombos nas caladas, ratazanas nos bueiros, falces encastelados nos arranha-cus. a consequncia de uma complexa interao entre os mltiplos propsitos e atividades dos seres humanos e de outras criaturas vivas e dos processos naturais que governam a transferncia de energia, o movimento do ar, a eroso da terra e o ciclo hidrolgico. A cidade parte da natureza. (Anne Whiston Spirn, 1995) Cidades no so naturais. (Lester Brown, fundador e diretor do World Watch Institute, 2000)

1.1 A oposio entre cidades e natureza Os ltimos anos registram um crescente interesse por um corolrio de questes conhecido como Problemtica Ambiental. Ressalte-se que tal interesse no manifestado apenas por parte das universidades e dos institutos de pesquisa, mas tambm por outros setores da sociedade, como as ONG's (organizaes no governamentais). No discurso dessas entidades ambientalistas, uma grande nfase dada s questes ecolgicas globais, como a destruio da camada de oznio, o desmatamento das florestas tropicais, entre outras. Entretanto, predomina um senso comum que classifica as cidades como a negao da natureza. Essa oposio parece balizar as aes do Poder Pblico Federal. O Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), do Governo Federal instituiu um fundo para financiar propostas quedevem buscar a recuperao, manuteno ou melhoria da qualidade ambiental e o uso racional e sustentvel dos recursos naturais. Espera-se que desenvolvam, de

13forma clara e objetiva, aes que utilizem sustentavelmente o potencial natural de uma regio e que contribuam para solucionar e/ou minimizar problemas ambientais relevantes, visando contribuir com a Poltica Nacional do Meio Ambiente (FNMA, 1999).

O Projeto Espao Livre1 (ao qual esse trabalho de pesquisa est vinculado) solicitou ao Fundo Nacional - que os negou - recursos para a instalao de um viveiro - escola com capacidade de produzir 6 mil mudas / ano. As mudas seriam usadas para aumentar a presena de vegetao nos bairros contguos ao Parque Metropolitano de Piraj, um fragmemento florestal com cerca de 1550 hectares, localizada na capital da Bahia, e assim dinamizar a presena de polinizadores e dispersores de sementes, vetores que poderiam auxiliar a recuperao de reas degradadas no interior do Parque. A justificativa do Fundo para a recusa da liberao dos recursos foi o fato de tratar-se de um projeto de arborizao urbana. Diante dos benefcios da presena de vegetao qualidade ambiental urbana, e dos inmeros estudos que atestam a importncia de corredores de vegetao nas cidades para a manuteno de espcies da flora e fauna que muitas vezes tem papis relevantes em paisagens ecolgicas (vide classificao de GILBERT, neste captulo) fica transparente a negao da cidade como parte da natureza na poltica ambiental federal. A anlise das pginas na rede mundial de computadores do Greenpeace e do World Wildlife Fund (WWF), que so organizaes no governamentais com ramificaes em todo o planeta, bastante reveladora. Em nenhum dos "sites" encontra-se qualquer meno s cidades como ecossistemas. A WWF (1999) descreve todos os principais sistemas ecolgicos brasileiros, menos as cidades. Elas s aparecem em discursos vagos sobre desenvolvimento sustentvel.1

Nas palavras do professor Angelo Serpa, coordenador do projeto, o Projeto Espao Livre de

Pesquisa-Ao se insere nas atividades de pesquisa do Mestrado em Geografia e do Programa de Ps-Graduao em Arquitetura e Urbanismo da UFBA, e visa experiementar novas possibilidades de interveno no espao construdo para habitao, em Salvador. O projeto integra estudantes de graduao, ps-graduao e pesquisadores com atuao em reas de urbanizao popular (SERPA, 1999-e).

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No stio do GREENPEACE (1999-a; GREENPEACE, 1999-b), h inclusive uma campanha que sugere que os visitantes enviem mensagens eletrnicas ao Presidente da Repblica Federativa do Brasil pedindo o fechamento da Estrada do Colono. Com aproximadamente 17 km, ligando Capanema e Serranpolis do Iguau, a Estrada atravessa o Parque Nacional do Iguau. Por presses de movimentos ambientalistas, foi fechada em 1986, atravs de uma deciso da Justia Federal. Em 12 de janeiro de 1998 ela foi reaberta ao trfego, permanecendo assim at hoje (SINCRO, 1999) . O Greenpeace enumera vrias razes para o fechamento da Estrada, como a possibilidade de morte de animais no seu percurso, a caa e a extrao de espcies da flora; e a presena de venenos como agrotxicos e aqueles provenientes dos motores dos veculos. Estranho, em se tratando de uma ONG ambientalista, no haver nenhuma meno ao fato de que os veculos, ao passarem pela Estrada, deixam de circular cerca de 150 Km, em estradas prximas ao Parque, evitando assim a emisso de centenas de toneladas anuais de poluentes que afetariam-no mais amide (ANGEOLETTO, 1999-a). Tambm no se discutem os benefcios da Estrada para a populao da regio oeste paranaense, particularmente para a micro-regio do entorno da Estrada, nem as iniciativas das prefeituras vizinhas ao Parque para preserv-lo, como por exemplo a criao de duas entidades, a Associao dos Municpios Pr Reabertura da Estrada do Colono, que fiscaliza as reas do Parque que so contguas s cidades-membro; e o Movimento Amigos do Parque, que estabeleceram normas para a utilizao da estrada e fiscalizao2. Pouco se discute sobre as cidades, como se seus problemas no guardassem relao com a preservao do ambiente: seriam problemas urbanos; inerentes urbanizao, e no problemas ambientais. ainda corrente a idia de natureza2

cuidam da sua

Para BUSARELLO (1990), embora a crise ambiental do planeta venha sendo amplamente

discutida, questes inerentes ao ambiente urbano so relegas a segundo plano pelos movimentos ambientalistas.

15 como natureza bruta ou museu natural (SERPA, 1995, p. 114; SERPA, 1998, p. 49, 50). Ocorre que, como afirma ELLEN (1989 in DIEGUES, 1996, p. 14), SPIRN (1995, p. 20) e SERPA (1995, p. 114; SERPA, 1998, p. 49, 50), no existe natureza em estado puro, e mesmo os mais recnditos ecossistemas sofrem influncia antrpica direta ou indireta. O cidado comum partilha desse iderio: para ele, a natureza situa-se fora dos limites da cidade, natureza so as praias paradisacas que o recebem nas frias, ou a mais inatingvel floresta tropical, salva da mcula do urbano. Assim, no imaginrio da sociedade brasileira a questo ambiental refere-se a problemas de uma ordem distante (a camada de oznio, as chuvas cidas, etc. RODRIGUES, 1998, p. 136). Esse imaginrio alimentado pelos meios de comunicao, que veiculam reportagens sobre esses problemas, aparentemente desconexos da realidade urbana, ou sobre pitorescas viagens natureza, que sempre est situada fora dos limites das cidades. Essa maneira de abordar os problemas, que repercutida constantemente pelo mass media, alimenta tendncias polticas e ideologias de carter fortemente conservador, e obscurecem a aceleradssima devastao ambiental urbana que vem ocorrendo sobretudo nas metrpoles do 3 mundo (PACHECO & LOUREIRO, 1992, p. 47). H tambm poucas publicaes abordando os problemas ambientais urbanos do terceiro mundo, geralmente os livros sobre ambiente discutem apenas o desmatamento das florestas tropicais dos pases em desenvolvimento, o buraco da camada de oznio, etc, isto , a maior parte do debate ambiental concentra-se nas questes globais que ameaam o planeta e os grandes ecossistemas, deixando-se num plano secundrio, os efeitos nefastos da degradao ambiental no contexto scio-urbano (JACOBI, 1993 in SILVA & FERNANDES, 1996, p. 54;

16 ENVIRONMENT and URBANIZATION, 1989, p. 76). CAMPBELL (1992, p. 191) e FRANCO (1997, p. 212) no escondem a ironia dessa situao distorcida: enquanto que problemas imediatos, circunscritos ao ambiente mais prximo (a casa / o bairro), como a falta de saneamento3, so freqentemente ignorados por grupos ambientalistas e poderes pblicos; as atenes internacionais voltam-se para questes como o buraco na camada de oznio e etc. Quando o tema Ecologia mencionado, salta aos olhos o fato de que poucas referncias so feitas ao problema rboreo nas cidades, como se os problemas ecolgicos s estivessem circunscritos fora do permetro urbano. Quando h, o planejamento pouco eficiente no tocante ao aumento e conservao das rvores urbanas (KNIJNIK, 1985, p. 199). Em suma, enquanto cresce a preocupao com o ambiente, ainda enxerga-se a cidade como um lugar de negao da natureza, ou como o local onde sua presena restrita a poucos espaos. provvel que essa percepo, que classifica a cidade e seu entorno como categorias antagnicas, seja explicada em parte pela ruptura dos estreitos vnculos e compromissos que unem os citadinos ao meio ambiente. O indivduo independente em um nvel sem precedentes da luz do dia e das condies metereolgicas, das estaes do ano e das matrias primas autctones, assim como de quase todos os ciclos naturais. evidentemente uma independncia ilusria. As cidades sobreviveriam poucos dias se o fluxo de matria e energia vindo de ecossistemas prximos e distantes cessasse (QUEIJO & MONTAEZ, 1989, p. 69).

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Ou no caso de Salvador, a falta de uma adequada arborizao nas encostas. O

desmoronamento de encostas acarreta tragdias previsveis e que se repetem, como a de maio de 1999, quando toneladas de terra soterraram a Av. Suburbana, matando vrias pessoas. claro que a ateno no deve ser desviada das questes globais, o fato que elas necessariamente sero resolvidas partir das cidades.

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H outras explicaes plausveis para a desvinculao entre os habitantes das cidades e a natureza. Na histria da relao das sociedades com a natureza quase sempre tem estado presente a idia de que esta deva ser dominada para servir ao homem. A natureza tida como recurso exterior ao homem, que criado imagem e semelhana de Deus, e, portanto, superior natureza, que deve serv-lo (RODRIGUES, 1998, p. 18, 40). Esse iderio est implcito inclusive nos programas dos partidos polticos brasileiros. Para RODRIGUES (1998, p. 34), tanto a esquerda como a direita brasileiras enxergam a natureza como um recurso a ser explorado, ou ento como um mero obstculo a ser transposto. A aparente independncia do urbanita em relao aos ciclos naturais est materializada no urbanismo moderno (HAHN, 1998), cujo iderio prega um absoluto desprezo pelo meio fsico: ele apenas um substrato a ser moldado. O CIAM (Congresso Internacional de Arquitetos Modernistas ) de 1951 declara que a natureza do ncleo urbano uma paisagem cvica, que produto do homem, e, portanto, oposta paisagem natural4. E ainda que na paisagem cvica em alguns casos os elementos naturais - rvores inclusive - estariam fora de lugar (sic) (CIAM, 1951 in SIMEOFORIDIS, 1997, p. 11). Nas palavras da biloga Maria Angela Faggin Pereira LEITE (1994, p.140):As prticas do urbanismo (...) no fazem uso do conjunto de caractersticas naturais e sociais de um lugar - da natureza desse lugar - para avaliar, selecionar, emitir juzo ou implantar concepes de organizao urbana, mas parecem procurar perpetuar, numa atitude temerria, a reproduo de modelos parciais, generalizantes e dogmticos, que apesar de reduzir a natureza ao urbano, no tm a capacidade de integrar o natural e o construdo (...)

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No perodo modernista, a arquitetura de exteriores era considerada uma atividade perifrica. Os

arquitetos dessa poca estavam ligados s idias de progresso, geometria, ordem, e a imagem da mquina, o que tornava difcil incorporar a natureza orgnica paisagem construda. Infelizmente, at hoje o termo paisagismo carrega uma conotao cosmtica em relao ao projeto arquitetnico (FRANCO, 1997, p. 9, 19; LEITE, 1996, p. 62, SOARES, 1984, p. 91).

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Le Corbusier previa que os arranha-cus seriam a salvao da paisagem, separando a populao do solo e permitindo que a paisagem se espalhasse por debaixo dos edifcios. A partir dessa formulao corbusiana se desenvolveu uma viso ideolgica da paisagem, considerada como o cenrio passivo da escultura (o edifcio). Esse modelo simplista, inflexvel e destrutivo da paisagem, que separa o edifcio em artificial e a paisagem em natural, ainda persiste na prtica da Arquitetura. Freqentemente projetos paisagsticos com formas deliberadas so criticados por "competirem" com a forma esculptrica dos edifcios prximos (SCHWARTZ in ROSSEL, 1997 p. 125, 126). Mesmo os arquitetos e planejadores que procuraram introduzir a natureza na cidade, atravs de parques e jardins, entendiam a cidade como algo estranho natureza, e seus projetos como enclaves naturais na urbe (SPIRN, 1995, p. 21). A oposio entre cidades e natureza ecoa na prtica da arquitetura, cuja relao com a paisagem ainda dominada pelas tradies do desenho modernista: os edifcios so concebidos como artefatos esculptricos isolados, como se no trocassem energia e materiais com o meio. Quanto vegetao, parece haver um receio de que a folhagem prejudique a arquitetura, da sua sub-utilizao 5. Isso refora a viso da natureza como um local para onde os citadinos dirigem-se nos finais de semana, mas nunca como algo associado s edificaes de uma cidade. As implicaes estticas negativas que decorrem desta viso so bvias, e mais dramticas so as conseqncias para a sade6 das populaes urbanas (WINES 1997, p. 32). Uma pequena digresso faz-se necessria, na discusso da relao entre o desenho urbano modernista e a natureza. No sculo XIX, nos Estados Unidos, havia uma percepo muito forte que ligava a poca herica dos pioneiros imagem de uma natureza intocada. Por isso, inicia-se uma tradio antiurbana com Thomas Jefferson. Outros intelectuais levam adiante as idias de Jefferson,5

pertinente ressaltar que o paisagismo modernista ao menos no Brasil contrape-se a essa

postura. Vide por exemplo a obra de paisagistas como Rosa Kliass ou Roberto Burle Marx.6

Os benefcios da arborizao no ambiente urbano sero tratadas no captulo 3.

19 como R. Waldo Emerson, Thoreau, Henry Adams, entre outros. Esses autores criticam a cidade, sob diferentes perspectivas, e defendem a restaurao de um estado rural compatvel com a sociedade industrial (CHOAY, 1992, p. 17). As idias antiurbanas cristalizam-se no sculo XX, em um novo modelo, a Broadacre City, proposto pelo arquiteto americano Frank Lloyd Wright. Influenciado por Emerson, Frank Lloyd acusa a cidade de alienar o indivduo no artifcio, e afirma que s o contato com a natureza pode permitir um desenvolvimento humano harmonioso. Apesar do nome "city", a proposta de Wright, elimina no s as metrpoles, mas tambm a idia de cidade em geral, pois a natureza volta a ser um meio contnuo, onde as funes urbanas encontram-se dispersas (CHOAY, 1992, p. 29). A tentativa de Wright de no negar a diversidade topogrfica, mas, ao contrrio, procurar preservar a natureza em suas particularidades (CHOAY, 1992, p. 31), louvvel. Porm nota-se claramente em suas idias a anttese cidade / natureza, cujos ecos ainda so percebidos nos discursos de planejadores. O que Lloyd Wright defendia era a reintroduo da natureza na vida dos citadinos, sem aperceber-se que ela nunca esteve ausente. interessante que, apesar de Wright entender que a arquitetura est

subordinada natureza (CHOAY, 1992, p. 31), no h no seu esforo terico contribuies da Ecologia (cincia constituda desde o sculo XIX), que permitamno descrever tcnicas urbanas de menores impactos ambientais. Impactos que invariavelmente estariam presentes caso Broadacre City tivesse sido realmente adotada como modelo de cidade, pois Wright defendia o automvel, o avio, e tcnicas de comunicao para vencer o isolamento das funes urbanas (CHOAY, 1992, p. 31). Em suma, apesar dos equvocos, houve entre os modernistas quem pregasse uma outra relao entre arquitetura e natureza, diferente daquela materializada nas obras de Le Corbusier e seguidores. Em grande medida, os arquitetos comungam do iderio o qual preconiza que as cidades so forjadas principalmente por foras sociais e econmicas, e que a natureza desempenha um papel meramente esttico, de embelezamento da urbe,

20 atravs da criao de parques e espaos arborizados (SPIRN, 1995, p. 17). preciso esclarecer que felizmente tem crescido o nmero de profissionais arquitetos, urbanistas e planejadores, cuja atuao pautada em premissas ambientais. No obstante, preciso generalizar o modus operandi desses profissionais. Entre os urbanistas persiste a crena de que cidades so a anttese da natureza. Essa crena dominou a forma pela qual a cidade percebida e continua a afetar a forma como ela construda (SPIRN, 1995, p. 21). Poucas vezes a cidade pensada como parte do ambiente natural onde est inserida: uma pesquisa realizada no URBANDATA, que agrupa mais de dez mil referncias de pesquisas urbanas, encontrou apenas 97 classificveis como ambientais (TORRES, 1995, in RODRIGUES, 1998, p. 111). A negao da cidade como uma parte da natureza constitui o que DIEGUES (1996, p. 13) classifica como mito moderno da natureza intocada, uma tentativa de reedio do paraso perdido. O conceito de natural/selvagem fundamentalmente uma percepo urbana. Da a dicotomia urbano/natural, sendo o natural reas que devem ser preservadas como templos intocveis, segundo esse iderio (DIEGUES, 1996, p. 53). O iderio a que se refere Diegues transparece na anlise feita por aquele autor em documentos do IBAMA dos anos 80, onde descobriu-se que este Instituto propunha at mesmo a retirada de populaes tradicionais (como ribeirinhos, caiaras e indgenas) das reservas ecolgicas, ignorando que esses povos contriburam para o aumento da biodiversidade dos sistemas que eles tm habitado h sculos (segundo OLIVEIRA, 1992, in DIEGUES, 1996 h vrios estudos que apontam nesse sentido). 1.2 Conseqncias da oposio entre cidades e natureza para o planejamento O iderio da cidade como um artefato, em oposio natureza, evidentemente tem ocasionado erros na conduo do planejamento das cidades. A UNESCO (1981 in DIAS, 1994, p. 96) preconiza o planejamento de base ecossistmica como um pr-requisito essencial para a sobrevivncia e o bem estar das

21 populaes humanas no futuro. Enquanto que a estabilidade dos ecossistemas "naturais" aumenta com o crescimento de sua complexidade, o oposto ocorre com os sistemas urbanos. Parte dessa vulnerabilidade deve-se ao fato do no reconhecimento das comunidades urbanas como ecossistemas: o planejamento das cidades carece de uma viso sistmica (DASMANN 1972, in DIAS, 1994, p. 19). O planejamento urbano tem sido feito muito mais a partir dos critrios econmicos do que os ecolgicos (MOTA in LIMA, 1993, p. 19; ZAREMBA, 1986, p. 80). Para LOMBARDO (1997, p. 46), preciso repensar os conceitos ambientais no urbano, visando o estabelecimento de novas metodologias e tcnicas aplicveis ao planejamento do ambiente urbano. Ao desconsiderar critrios ambientais, o planejamento das cidades agravou alguns problemas e mesmo causou outros: gua e ar poludos, recursos dilapidados, demandas crescentes de energia. Na verdade, os problemas ambientais urbanos no so diferentes daqueles que afetavam as cidades antigas, exceto quanto ao grau e extenso de terra urbanizada (SPIRN, 1995, p. 21). Um exemplo de como a desconsiderao de critrios ambientais podem ser prejudiciais: recentemente a cidade de Boston inaugurou um centro de compras e uma torre de escritrios. Investidores esperavam um lucro macio obtido por uma exploso de vendas. Esse retorno no ocorreu, pois as speras condies de vento, criadas pela torre, afastaram os consumidores. A parte aberta do shopping era sistematicamente fustigada por ventos fortes que atiravam partculas de areia nas pessoas. A maioria das lojas do shopping foram fechadas (SPIRN, 1995, p. 44, 45). Outro bom exemplo de um planejamento equivocado, que desconsidera processos naturais est materializado na barragem de Assu. Ao ser erigida no alto do rio Nilo, no Egito no foi levada em conta a ecologia do caramujo transmissor da esquistossomose. Antes da barragem, os caramujos eram levados pelas guas do Nilo. Com a barragem aumentou o nmero de canais onde os

22 caramujos puderam proliferar, e a doena espalhou-se rapidamente pelo Egito (SPIRN, 1995, p. 261). Para a arquiteta e paisagista Anne W. Spirn, no comum que arquitetos e urbanistas projetem para a economia de energia e diminuio de danos a sade (poluentes, etc). Arquitetos, paisagistas, engenheiros muitas vezes no tm noo de como seus projetos iro afetar o ambiente da cidade como um todo (SPIRN, 1995, p. 76, 79, 255). A maioria dos arquitetos e planejadores tm demonstrado desconhecer (ou desconsiderar) a dependncia de nossa espcie em relao aos ecossistemas da biosfera, bem como o inter-relacionamento entre esses sistemas (FITCH, 1976, in NERY, 1992, p.1). Embora o nmero de profissionais, cuja prtica da profisso leva em considerao critrios ambientais venha aumentando, frequentemente no conseguem levar as suas idias e conceitos integrados a termo. Muitas vzes eles se esbarraram em decises contrrias, baseadas menos em premissas tcnicas do que em consideraes de ordem poltico-econmica, tanto de grupos de interesse fortes, como tambm por parte das instituies que os empregam. Contribui para essa prtica de planejamento equivocada a falta de compreenso de aspectos ecolgicos da urbanizao (SILVA, 1996, p. 310; ZAREMBA, 1986, p. 96), bem como uma insuficincia de instrumentos e polticas mobilizadoras para entender, intervir, e transformar a realidade ambiental (PAULA & BRITO, 1997). Uma boa parte da mo de obra qualificada no est preparada para as realidades e problemas do ambiente urbano. Alm disto, h uma falta de comunicao entre a comunidade cientfica e os responsveis pelo planejamento, gesto e tomada de decises, por isso, apenas uma pequena parte da pesquisa ambiental

23 aplicada em planejamento e gesto (CELECIA, 1994, p. 3; CELECIA, 1997, p. 6). Outro fato preocupante o carter quase sempre corretivo, e no antecipativo, das polticas urbanas (ALVA ,1995, p. 40, 46), o que contribui para agravar os problemas ambientais enfrentados especialmente pelas grandes cidades. Felizmente, no campo das polticas urbanas vem ganhando espao, ainda que de maneira incipiente, a idia de que uma abordagem integrada dos problemas urbanos, enfocados sob a ptica do meio ambiente, pode gerar uma nova agenda de questes a serem contempladas no planejamento e gesto das cidades. SPIRN (1995, p. 21) preconiza uma nova atitude para com a cidade. Esta precisa ser reconhecida como parte da natureza e ser projetada de acordo com isso. Essa desconsiderao dos processos naturais tem sido onerosa e perigosa. Houston devastada por enchentes, causadas pela urbanizao das nascentes, as rvores de Boston e Detroit morrem pelo excesso de poluio, tornando cara a sua reposio (SPIRN, 1995, p. 26). 1.3 A cidade do ponto de vista ecolgico ODUM (1985, p. 45) desarma a separao cidade / natureza quando classifica a cidade como um ecossistema7 heterotrfico. Isso significa que, sob o prisma da Ecologia, as cidades8 esto para a natureza assim como esto as mais recnditas florestas tropicais.

7

Ecossistemas ou sistemas ecolgicos, segundo ODUM (1985, p. 10-11) so sistemas abertos

compostos pr: (1) substncias inorgnicas; (2) compostos orgnicos, que ligam os fatores abiticos (ambiente) e os biticos (seres vivos); (3) os ambientes atmosfrico, hidrolgico e do substrato, incluindo o regime climtico e outros fatores fsicos; (4) produtores; (5) consumidores; e (6) decompositores8

Diversos autores corroboram ODUM: FORATINNI, DIAS, GILBERT, CESTARO, ULTRAMARI,

CIUDADES PARA UN FUTURO MS SUSTENIBLE.

24

Anne Spirn defende a idia de uma natureza contnua, com diferentes gradaes que vo da floresta cidade. A autora prossegue afirmando que o conceito de ecossistema uma ferramenta poderosa pois permite a cada morador perceber seu impacto cumulativo sobre a cidade, e ao arquiteto de cada edifcio ou parque perceber o lugar de seus projetos no todo (SPIRN, 1995, p. 269). Todos os ecossistemas so sistemas abertos, ou seja, representa parte importante dos estudos de um sistema ecolgico reconhecer que existe um ambiente de entrada (entrada no sistema de energia, materiais e organismos) e um ambiente de sada (exportao de energia e materiais processados e emigrao de organismos). Assim, no to importante a delimitao da caixa central de um ecossistema, at porque, se a caixa fosse um recipiente impermevel (um lago ou uma cidade, por exemplo), o seu contedo vivo no sobreviveria a um fechamento dessa natureza. Um ecossistema, para que seja funcional, precisa de uma entrada para que sejam mantidos os processos vitais e um meio para exportao da energia e materiais processados. Atualmente, com o planeta se urbanizando rapidamente, as cidades sero melhor compreendidas do ponto de vista ecolgico se forem classificadas como biomas9, ou seja, como conjuntos de sistemas ecolgicos freqentemente bastante variados, que abarcam desde o quintal de uma residncia at reservas de mata, reas verdes, e tambm paisagens com um alto grau de edificao, mas que abrigam diversas formas de vida alm da humana.

9

RAVEN & EVERT (1996, p. 612) definem um bioma como um conjunto de ecossistemas

terrestres, climaticamente controlados, que so caracterizados por uma vegetao prpria e entre os quais existe um intercmbio de gua, nutrientes, gases e componentes biolgicos, incluindo pessoas.

25 GILBERT (1989, p. 2) identifica 3 tipos principais de ecossistemas no ambiente urbano: a paisagem tecnolgica, onde a paisagem biolgica foi substancialmente trocada por substitutas artificiais; a paisagem jardim, onde elementos biolgicos podem subsistir desde que haja um contnuo manejo e a paisagem ecolgica onde elementos naturais persistem sem qualquer interveno. Um aspecto surpreendente dos biomas urbanos, que estes apresentam um maior nmero de espcies vegetais e animais que sistemas agrcolas e reflorestados, perdendo apenas para biomas "naturais". A grande Londres, por exemplo, apresenta cerca de 1850 espcies de vegetais e 200 de aves. mister afirmar que essa biodiversidade no necessariamente corresponde a uma riqueza ecolgica, j que baixa a percentagem de espcies raras ou de ambientes especficos (CESTARO, 1985, p. 54). Os assentamentos humanos sempre se constituram em alguma forma de transformao do meio natural preexistente. Desde a pr-histria o meio natural vem sendo modificado, transformado ou comprometido10 (MOHR, 1985, p. 31).

10

bastante significativo que a primeira grande crise ambiental registrada historicamente tenha

ocorrido na regio onde pela primeira vez surgiu uma aglomerao urbana, em 3500 a.C., na Baixa Mesopotmia (POITING,1992 in TUR, 1997).

26 Porm, a rpida urbanizao que temos assistido nos ltimos 50 anos tem mudado a fisionomia do planeta mais do que qualquer outra atividade humana. Para WHITE (1985, p. 13) a urbanizao atualmente a maior fora ecolgica, que envolve amplas transformaes do solo, gua, ar, recursos energticos e de populaes humanas; suficientes para influenciar o clima e os ciclos biogeoqumicos globais. Essa constatao da fora de influncia da urbanizao pode parecer um equvoco, quando verifica-se que a rea ocupada pelos biomas urbanos situa-se entre somente 1 e 5% da parte terrestre do globo11. Ocorre que, por possurem extensos ambientes de entrada e sada, estes sistemas alteram sobremaneira a natureza de rios, florestas, campos, oceanos e a prpria atmosfera. Segundo JOHNSON (1999), WORLDWATCH INSTITUTE (1999) e GIRARDET (1997, p. 9), as cidades ocupam cerca de 2% da superfcie terrestre, mas contribuem para o consumo de 76% da madeira industrializada e 60% da gua doce12. Isto significa que embora as cidades sejam descritas como entidades geogrficas isoladas, elas dependem dos recursos naturais de vastas regies muito alm de suas fronteiras. Para quantificar o volume de recursos consumidos pelas cidades, REES & WAKERNAGEL criaram um conceito, a pegada ecolgica (ou ecological footprints) para medir a dependncia entre as cidades e seus hinterlands. A pegada ecolgica definida como o total da rea de terra produtiva e gua requeridos permanentemente para produzir todos os recursos consumidos e absorver todos os dejetos produzidos por uma determinada populao. Desde o11

Mesmo aps a intensa urbanizao ocorrida nos ltimos 100 anos, a rea ocupada pelos

espaos urbanos uma pequena frao da superfcie dos continentes. Os EUA, por exemplo, tm 53% de sua populao ocupando apenas 0,7% do territrio nacional (DAVIS, 1977, in SERRA, 1987, p. 7). 50% da populao mundial vive em cidades com mais de 20 mil habitantes, e ocupam uma rea inferior a 2% dos continentes. No Brasil, em apenas 9 regies que ocupam menos de 5% do territrio nacional, vivem aproximadamente 45% da populao (CESTARO, 1985, p. 51).12

Para se ter uma idia da magnitude do ambiente de sada dos biomas urbanos: cientistas que

estudam a neve da Antrtida, os peixes de mares profundos e as guas subterrneas encontram resduos qumicos feitos pelo homem (SANTOS, 2000)

27 comeo deste sculo, a pegada ecolgica cresceu 5 vezes nos pases industrializados (ALBERTI, 1997, p. 3). A pegada ecolgica de cidades como Los Angeles ou Londres provavelmente possui rea entre 100 e 300 vezes maior do que a rea ocupada pelos prprios assentamentos. A pegada ecolgica de Londres, com 12% da populao britnica, estende-se hoje por cerca de 20 milhes de hectares, o que equivale ao total de terras produtivas da Gr-Bretanha (GIRARDET, 1999, p. 11). Se o padro dos londrinos fosse estendido ao resto das populaes urbanas do mundo, seriam necessrios trs planetas Terra para sustentarem a todos (JOHNSON, 1999). DARLING & DASMANN (1972, in DIAS, 1994, p. 19) defendem que as cidades ocupam o mesmo nicho global dentro da biosfera, explorando os mesmos recursos, das mesmas maneiras. Isso gera uma competio muito forte, que fomenta crescentes presses ambientais, ao mesmo tempo em que a qualidade de vida de boa parte dos citadinos deteriora-se. 1.4 Impactos dos biomas urbanos sobre a biodiversidade Um impacto dos biomas urbanos sobre a biosfera, a contnua perda de biodiversidade, merece especial ateno, pelas conseqncias deletrias que podero advir. reas urbanas so sinnimos de perturbao de ecossistemas e de eroso de diversidade biolgica (MURPHY, 1997, p. 89-97) aqui entendida como o grau de variedade na natureza, incluindo tanto o nmero quanto a freqncia de gens, espcies e ecossistemas em determinada regio. normalmente considerada em trs nveis diferentes: diversidade gentica, de espcies e de ecossistemas (PAULA, 1997, P. 246)]. Historicamente, as reas urbanas foram as primeiras regies onde houve matana excessiva de vida selvagem para obteno de alimento, peles e penas. Essas reas foram pioneiras tambm no sentido de terem programas de derrubadas e erradicao de "ervas daninhas". Outro fator de reduo de biodiversidade a introduo de espcies animais exticas que caam as

28 populaes nativas, competem por recursos limitados e agem como vetores de doenas e parasitas para os quais os organismos nativos muitas vezes so bastante suscetveis. A biodiversidade pode ser impactada de outros modos atravs da emisso de poluentes na atmosfera e em cursos dgua. Esse conjunto de fatores contribui para perturbaes nos ecossistemas presentes em reas urbanas e para o desaparecimento de populaes de organismos nessas e em outras reas. A taxa natural de extino de espcies, que durante os ltimos 600 milhes de anos foi de cerca de uma espcie por ano, hoje cerca de 100 vezes ou talvez milhares de vezes maior (EHRLICH & EHRLICH, 1981; MYERS, 1986; SOUL, 1986; RAVEN, 1987; WESTERN & PEARL, 1987, WILSON, 1987 in MYERS, 1997, p. 36). Com a reduo da biodiversidade, servios ecolgicos essenciais, como a regulamentao da qualidade e quantidade da gua, a regenerao de plantas e animais, a ciclagem de nutrientes e a excluso de extremos climticos podem ser prejudicados ou totalmente perdidos (BRADY, 1997, p. 522), o que preocupante. Essa a razo antropocntrica mais importante para a preservao da biodiversidade: o papel que os microrganismos, as plantas e os animais desempenham no fornecimento de servios livres sem os quais no possvel a sobrevivncia da humanidade, assim a manuteno de reservas de gua doce, estabilizao climtica global, a polinizao de lavouras, a manuteno da fertilidade dos solos pelos microrganismos, a diminuio da poluio atmosfrica so exemplos desses servios aos ecossistemas, inclusive s cidades [EHRLICH, 1997, p. 28, 31]). So consensos comunidade cientfica: a necessidade imperiosa da manuteno da biodiversidade, bem como a dificuldade imposta pelas atividades antrpicas nessa manuteno (CHALLINOR, 1997, p. 629). medida em que os servios dos ecossistemas comearem a faltar, a mortalidade de doenas epidmicas e respiratrias, os desastres naturais e

29 especialmente a fome diminuiro a expectativa de vida humana, que entrar em colapso e provavelmente desaparecer em algum ponto antes do final do sculo XXI. A extrapolao das tendncias atuais na reduo da biodiversidade implica em um desfecho para a civilizao nos prximos 100 anos, algo similar a um inverno nuclear (EHRLICH, 1997, p. 28, 32). As afirmaes do professor Paul Ehrlich, da Universidade de Standford, apesar de serem deveras apocalpticas, no so fruto de nenhuma profecia visionria de Nostradamus, mas simplesmente de suas observaes cientficas (derivadas das conseqncias da diminuio dos servios ecolgicos). Talvez a humanidade no perea, dada sua notvel capacidade de adaptao aos mais diversos habitats e situaes. No obstante, caso continue em vigncia as atuais relaes econmicas frente aos processos scio-ambientais, certo que a qualidade de vida ser cada vez mais restrita a poucos. Os biomas urbanos influenciam negativamente a biosfera, mas h tambm diversos aspectos positivos a serem destacados. A idia da cidade como um conjunto de ecossistemas torna possvel visualiz-la como um lugar em que uma grande variedade de recursos - naturais, humanos e sociais - so entrelaados, criando-se uns, consumindo-se outros, enquanto alguns so deixados como resduos (CAMPBELL, 1992, p. 183). portanto uma idia valiosa para as prticas de educao ambiental, pois contribui para a negao da oposio cidade / natureza. Do ponto de vista ecolgico, melhor que as pessoas concentrem-se em cidades, pois suas necessidades so atendidas mais facilmente. O uso de energia mais eficaz nas cidades do que em assentamentos dispersos (ALBERTI, 1997, p. 3; SPIRN, 1995, p. 272, de la BARRA, 1999). Tambm mais fcil corrigir eventuais impactos ambientais, bem como melhorar a qualidade de vida dos urbanitas

30 (LUGO, 1991, p.34). despeito das muitas vantagens da concentrao de pessoas nas cidades, preciso contudo discutir seus limites. O arquiteto Slvio Soares MACEDO (1987, p. 14) lista uma srie de desvantagens na adoo de torres de apartamentos como o principal padro de habitao, entre eles: perda definitiva do jardim e do quintal particular e perda da rua como espao de "estar", pois esta passa a servir quase que exclusivamente como eixo de circulao de veculos. A verticalizao uma soluo interessante s grandes cidades, mas questionvel sua adoo em pequenas e mdias cidades. Do ponto de vista da sociedade, as cidades produzem uma grande quantidade de informaes, conhecimento, cultura e tecnologia, exportando-os para outros sistemas (CELECIA, 1994, p. 2; CELECIA, 1997, p. 5). O gigantismo das cidades no em si um problema. Na medida em que seus citadinos podem aproveitar os recursos de informao disponveis nas cidades, nelas onde podem ser encontradas as solues para uma boa parte de seus problemas (CAMPBELL, 1992, p. 182). E as ferramentas disponveis para enfrentar os problemas ambientais urbanos so variadas e sofisticadas, preciso apenas que sejam aplicados (SPIRN, 1995, p. 27). Essas afirmaes contradizem totalmente o ambientalismo romntico e ingnuo que prega a "volta" natureza atravs da ruralizao da sociedade. Populaes difusas seriam muito mais difceis de serem sustentadas, e as insdias aos ecossistemas provavelmente seriam maiores. A filosofia do "preservar a qualquer custo", comum nesse categoria de ambientalismo, muito difcil de ser implementada, quando a humanidade depara-se com um crescimento contnuo de sua populao, que precisa de recursos para sobreviver (LUGO, 1991, p. 27, 34).

31

Para concluir, o problema no est nas cidades em si, mas na maneira ecolgica e socialmente desequilibrada pela qual so construdas. Urge que sejam abandonadas formulaes simplistas como a de EDE (1999) e SOBRAL (1994), que classificam as cidades como um cncer, como uma doena progressiva e sem cura, que se espalha pelo mundo. Pens-las como compartimentos destacados da natureza contribui para o agravamento de seus impactos, pois corrobora uma inrcia dos planejadores, preocupados apenas em verificar as condies tcnicas para a execuo de uma obra, e no em discutir, por exemplo, limites ecossistmicos para a urbanizao ou a elaborao de tcnicas arquitetnicas que permitam uma coexistncia entre diversos ecossistemas que compem os biomas urbanos. Tambm desanimadora a posio dos bilogos13 e ambientalistas ao insistirem numa ideologia onde o humano aparece sempre como vilo, como um destruidor, necessariamente incompatvel com qualquer outro sistema que no os urbanos, sendo necessrio sempre criar reservas que o excluam. Afinal, com a expanso do fenmeno urbano (vide discusso sobre as atuais tendncias de urbanizao no captulo 2), torna-se impossvel a compreenso (e resoluo) dos grandes temas nacionais (entre eles a questo ambiental) sem relacion-los com a questo urbana (FERREIRA, 1995, p. 74). Para corrigir essa viso distorcida dos problemas ambientais, CAMPBELL (1992, p. 192) prope a adoo de um novo ethos ambiental, que leve em conta tanto o bem estar de populaes humanas quanto a importncia da preservao da diversidade biolgica. Na prtica da arquitetura e do urbanismo essa ethos poderia traduzir-se em combinaes mais adequadas entre as trs categorias de sistemas ecolgicos mais comuns nas cidades (MONTE-MR,1994, p. 178).

13

Essa posio influenciada por falhas no ensino de graduao. Na minha graduao tive 180

horas de Ecologia, repartidas em trs cadeiras e no fazia parte do currculo de nenhuma delas o tpico ecossistemas urbanos. Em 1997 e 1999 ministrei dois cursos em Encontros de Estudantes de Biologia, um nacional e um regional e mesmo alunos oriundos de graduaes em Biologia consideradas excelentes ignoravam a noo de cidade como ecossistema.

32 Afinal, a urbanizao no uma catstrofe a ser evitada, mas um processo a ser dirigido e regulado dando-se prioridade organizao do ambiente humano. Atitudes ecolgicas em relao prtica do urbanismo no devem ser identificadas como uma restrio ao crescimento urbano. A Ecologia deve criar com a Tecnologia novas formas de urbanizao favorveis ao homem e seu bem estar (ZAREMBA, 1986, p. 70, 104), bem como a seus parceiros responsveis pela manuteno da vida: os microrganismos, plantas e animais.

CAPTULO 2Urbanizao e Degradao AmbientalVejo o mundo como um organismo vivo do qual somos parte, no os donos, no os inquilinos, sequer os passageiros. Explorar esse mundo na escala que fazemos seria to tolo quanto considerar supremo o crebro e dispensveis as clulas dos outros rgos. Seramos capazes de minerar nosso fgado em busca de nutrientes para algum benefcio de curta durao? (James Lovelock, 1997)

Cidades so conjuntos de ecossistemas onde no apenas influem dinmicas naturais, mas sobretudo dinmicas sociais. Essas dinmicas ou foras so determinantes para a existncia de inmeros problemas ambientais que manifestam-se por toda a biosfera, como ficou explicitado no captulo anterior.

33 Mas as foras scio-econmicas que promovem a urbanizao tambm so responsveis por problemas ambientais inerentes ao mbito urbano. Para Patrcia BORJA (1997, p. 18), as cidades tm crescido segundo duas lgicas distintas: a social e a econmica. A primeira - e mais representativa - produz as cidades dos excludos, a cidade informal, produto do processo de apropriao do espao por um extrato populacional que no tem acesso terra, moradia, emprego e renda, atravs da ocupao de reas geralmente pobres e insalubres. A segunda est a merc dos interesses do capital imobilirio. A classificao de Patrcia Borja, que divide as foras de urbanizao em sociais e econmicas, no totalmente adequada. A urbanizao realizada pela pobreza tambm tm uma importncia econmica relevante, pois permite a manuteno, dos trabalhadores nas cidades, que, obviamente, so as peas fundamentais de qualquer sistema produtivo. 2.1 A urbanizao da pobreza A urbanista Erminia MARICATTO (1996, p. 16) observa que nas cidades brasileiras a ocupao ilegal de terras informalmente consentida, e mesmo incentivada pelo Estado, que no entanto no admite o acesso formal terra e cidade. Isso se d por conta da articulao entre legislao, mercado e renda imobiliria. Permite-se a ocupao em reas de proteo ambiental, de modo oficioso, ao no exercerem-se represlias14 (KOWARICK, 1979, p. 89). Isto raramente ocorre em reas valorizadas pelo mercado imobilirio baseado em relaes capitalistas. Quer dizer: setores mais pauperizados da populao habitam reas mais sujeitas aos agravos ambientais (JACOBI, 1996, p. 19, de la BARRA, 1999).

14

Os assentamentos empobrecidos em beiras de mananciais, parques, fundos de vale, margens

de crregos tm recrudescido, segundo SACHS (1989 in SILVA & FERNANDES, 1996).

34

MARICATTO (1996, p. 26) conclui que enquanto os imveis no tm valor como mercadoria, ou tm valor irrisrio, a ocupao ocorre sem interveno do Estado. Este s interfere, atravs da legislao e do direito oficial, quando as reas adquirem valor de mercado, isto , as leis do mercado so mais efetivas que as normas legais. comum a remoo de bairros sub-normais15 pelo poder pblico, quando seus terrenos adquirem valor de mercado ou causem algum tipo de constrangimento a bairros abastados que situem-se nas proximidades (KOWARICK, 1979, p.79). exatamente o que tem ocorrido no Alto de So Joo, um bairro sub-normal, e que est literalmente encravado dentro de uma rea de Mata Atlntica - o Parque de Pituau. O Parque situa-se prximo orla, faz divisa com diversos bairros de classe mdia. Moradores do bairro denunciam presses da prefeitura para que desocupem a rea, usando inclusive expedientes ilegais, como a demolio de barracos, noite, por pessoas no identificadas. A Prefeitura argumenta que se trata de uma rea pblica e de proteo ambiental16. Se esta realmente a razo, pergunta-se: por que as sucessivas administraes municipais no tm dado a mesma ateno imensa rea de Mata Atlntica que um Parque Metropolitano desde 1978? Esta rea - o Parque Metropolitano de Piraj, est completamente cerceado por mais de 36 bairros e ocupaes, onde impera a pobreza e em alguns casos, a pobreza crtica. Houve inclusive uma proposta, idealizada pelo prefeito Renan Baleeiro, de derrubada da mata (sic) para a construo de bairros populares17 (ANGEOLETTO, 1999). Em tempo: no se defende aqui a retirada de moradores, mas a negociao. Os dois Parques tm populaes consolidadas, que tm ou deveriam ter direitos sobre o solo que ocupam. De outro ngulo, no aceitvel que os Parques simplesmente15

PELLEGRINI (1982, p. 16) define bairros sub-normais como aqueles onde o nvel de vida Para a retirada de moradores de baixa renda instalados nos arcos da Av. Contorno, prximos ao

decisivamente mais baixo do que o da cidade no qual se inserem.16

Solar do Unho, ponto turstico de Salvador, a prefeitura usou como argumento a falta de conforto ambiental, e mesmo com um laudo do Laboratrio de Conforto Ambiental da UFBA atestando o contrrio, eles foram relocados (HARTOCH, 1997).17

Uma discusso sucinta sobre este episdio encontrada no captulo 4.

35 desapaream. O assentamento de moradores em terras imprprias, encostas, manguezais, matas, uma caracterstica das grandes cidades. Esses assentamentos so gerados pelos altos preos da terra urbana, que obrigam os pobres a estabelecerem-se em reas marginais, que via de regra so importantssimas do ponto de vista ambiental. H, portanto, uma conexo evidente entre problemas ambientais e sociais das cidades. As classes populares buscam moradia mais barata, avanando sobre reas frgeis, enquanto na cidade h infra-estrutura j instalada, mas inacessvel a elas, porque as cidades crescem excluindo as classes populares (TAGNIN, 1999, in LOPEZ, 1999). Para se ter uma idia dessa inacessibilidade, dados da cidade de So Paulo so bastante esclarecedores. Na capital paulista, nos ltimos cinco anos, foram lanados cerca de 61 mil apartamentos de mdio e alto padro, mais de R$ 75 mil a unidade, contra 47,5 mil unidades para pessoas de "baixa renda" at R$ 75 mil a unidade, segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimnio. Enquanto isso, o nmero de favelados subiu de 1,07 milho,11% da populao em 91, para 1,9 milho, 19% da populao em 93 (FLORESTA, 1999). Os que no participam das condies adequadas de qualidade de vida so aqueles que partilham dos "resduos" do processo de urbanizao brasileira: habitam em situao precria, muitas vezes em bairros que no contam com fornecimento adequado de gua, luz e esgotamento sanitrio (RODRIGUES, 1998, p. 108; FERNANDZ, 1998; EHRLICH, 1974, p. 190, 192; JACOBI, 1996, p. 19). Outros equipamentos imprescindveis, como praas, reas verdes e ruas arborizadas so raras ou inexistentes. o que ocorre nas cidades indianas (CENTRE FOR SCIENCE AND ENVIRONMENT, 1989, p. 13), como em Bangkok (PHANTUMVANIT & LIENGCHARERNSIT, 1989, p. 38), Accra (capital de Ghana), So Paulo (STEPHENS & AKERMAN, 1997, p. 196), Bogot (CASTAEDA, 1989, p. 18), bem como na esmagadora maioria dos centros urbanos dos pases em "desenvolvimento", e em menor proporo nas cidades do primeiro mundo.

36 Se fossem confeccionados mapas das cidades do 3 mundo mostrando os ndices de perigos para a sade ocasionados por variveis ambientais, certamente na maioria das cidades, as reas de maior risco seriam aquelas ocupadas pelas populaes de menor renda (SATTERTHWAITE, 1993, p. 103). Segundo PEDRO (1996, p. 18), as grandes cidades sofrem com o agravamento da tenso ambiental, causada pela concentrao industrial e pela urbanizao da pobreza. Evidentemente h um preo h pagar pelas calamidades desse tipo de urbanizao, um preo que maior para os pobres urbanos, que s vezes o pagam com as prprias vidas, seja quando toneladas de terra de uma encosta desabam sobre eles, ou quando a proximidade com fontes de poluio vo aos poucos minando sua sade. Porm, as demais classes sociais tambm pagam um preo. A depredao ecolgica e urbana refletem-se negativamente no processo de expanso do capital, pois implicam na canalizao de recursos que poderiam ser dirigidos para investimentos produtivos e sociais (KOWARICK, 1979, p.52). 2.2 A urbanizao da riqueza A relao entre moradia pobre e degradao ambiental evidente, o que no significa que a produo do ambiente construdo pela iniciativa privada ou pelo Estado no provoque danos. A construo do Conjunto Habitacional Jos Bonifcio, em So Paulo (SP) com mais de 250 mil habitantes, um excelente exemplo da insipincia estatal no que tange ao ambiente urbano: para seu assentamento, o relevo foi arrasado, resultando em gigantescos movimentos de terra (MACEDO, in SERPA, 1996-b, p. 162). Na esfera privada so comuns os aterramentos de mangues para a construo de condomnios de luxo (MARICATTO, 1996, p. 65), j que a especulao imobiliria ignora os impactos ambientais e scio-econmicos do crescimento urbano que ela promove (CELECIA, 1994, p. 2; CELECIA, 1997, p. 5). Arembepe, no litoral norte baiano um exemplo de prticas de especulao imobiliria que resultam em empobrecimento dos ecossistemas e paisagens

37 locais. O balnerio, bem como outros pontos do litoral norte, vem experimentando um processo de urbanizao qualificado pela arquiteta Eline MENEZES (1999, p. 102) como convenientemente mal ordenada ou, em termos ainda mais explcitos, ordenada para o lucro, no qual o aterramento de lagoas de gua doce prximas s praias para fins de construo uma constante. Uma prtica comum dos especuladores a reteno de terrenos, o que contribui para um processo de produo de espaos urbanos segregados. Os vazios (lotes) so um dos principais fatores de crescimento desordenado das cidades, pois criam periferias cada vez mais distantes. E a valorizao desses vazios est associada implementao de melhorias promovidas pelo poder pblico, que desempenha um papel fundamental na dinmica da especulao imobiliria. (KOWARICK, 1979, p. 80, 81). A construo do Shopping Center Iguatemi, em Fortaleza, um exemplo extremamente representativo da urbanizao promovida pela riqueza. E mais do que isso, descreve com perfeio a subordinao completa do poder pblico esfera privada, e ainda, a linha cada vez mais tnue que separa o pblico e o privado, quando interesses particulares prevalecem sobre a esfera pblica. O Shopping foi construdo no manguezal banhado pelo Rio Cc, numa zona de expanso de classe mdia. de propriedade do ento governador Tasso Jereissati. Aps o trmino das obras, Jereissati conseguiu aprovar uma lei estadual impedindo que qualquer outra edificao se instalasse naquela imediao, usando a argumentao de "proteo ambiental". Depois de promulgada a lei, o prprio governador infringiu-a, ao construir a via Sebastio de Abreu, que liga o Shopping aos bairros de Papicu e Dunas, onde localizam-se residncias de classe mdia alta e manses. Enquanto isso, em um imenso manguezal banhado pelo Rio Cear, numa zona de expanso da pobreza, centenas de pessoas esto continuamente instalando-se sobre o mangue, sem que haja uma lei de proteo ou qualquer ao do poder pblico nesse sentido (Jos Clewton Nascimento, comunicao pessoal, 1999).

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2.3 A urbanizao extensiva A urbanizao promovida por ricos especuladores ou por aqueles que muitas vezes vivem abaixo da linha da pobreza hoje um fenmeno planetrio (BORJA, 1997, p. 16; BORJA, 1996, p. 81). Segundo MONTE-MR (1994, p. 171), vivemos, atualmente, uma urbanizao extensiva dos territrios, definida pelo professor mineiro como aurbanizao que estende-se para alm das cidades, em redes que penetram virtualmente todos os espaos, integrando-os em malhas mundiais, o que representa a forma scio-espacial dominante que marca a sociedade de Estado contempornea (...).

Em outra oportunidade, este autor aprimora esse conceito, ao afirmar queformas contemporneas de produo do espao (...) tm gerado um processo de extenso das condies gerais de produo para alm dos limites das cidades e reas urbanas. Tal extenso pode dar-se de modo contguo s reas urbanizadas, por crescimento extensivo do tecido urbano, ou por fragmentos concentrados no territrio regional, urbano e rural. H uma ubiqidade de servios e prticas, antes restritas vida urbana, o que faz com que diversas caractersticas do consumo coletivo humano existam quase indiscriminadamente tanto nas reas rurais como urbanas. (MONTE-MOR & COSTA, 1997, p. 109).

Para MILTON SANTOS,designaes como "regio urbana" ou "zona rural" ganham um novo contedo. Numa rea onde a composio orgnica do capital elevada, onde quantidade e qualidade das estradas favorece a circulao e as trocas, onde a proximidade de uma grande cidade e a especializao produtiva e espacial conduz a complementariedades, o campo se industrializa, torna-se objeto de relaes capitalistas avanadas (...). (SANTOS, 1992, p. 69).

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O arquiteto e poltico italiano Giulio Carlo Argan, conseguiu, de maneira sucinta e potica, explicitar como as cidades, com a globalizao, espalham suas ramificaes por sobre toda a biosfera ao afirmar quea natureza no esta mais alm dos muros da cidade; as cidades no tm mais muros, mas estendem-se em desesperadores labirintos de cimento, desfiam-se nas srdidas periferias de barracos e, para l da cidade, ainda cidade, a cidade das auto estradas e dos campos cultivados industrialmente (ARGAN, 1993).

Outrossim, no mais possvel sustentar a distino entre meio ambiente natural e construdo, uma vez que as paisagens ecolgicas tendem a ser ilhadas pelas redes da urbanizao extensiva (ANGEOLETTO & SERPA 1997, p. 84). 2.4 Alguns dados reveladores O crescimento em nmero e extenso das cidades, sem que seus benefcios fossem estendidos a todos os urbanitas, e com um aumento espantoso da excluso social e espacial - uma caracterstica marcante da urbanizao extensiva - pode ser melhor visualizado nos dados compilados nos pargrafos que se seguem. A partir da fundao de Jeric, a populao urbana demorou cerca de 9 mil anos para chegar a 38% do total mundial, em 1975. Desde ento, j saltou para 47% e, segundo projees das Naes Unidas, chegar a 55% em 2015 e a 61% em 2025, sendo que na Amrica Latina essa proporo ser de 77% (ONU, 1991, p. 9-11). Ou seja: em apenas 50 anos, os moradores das cidades tero sido multiplicados de 1,5 bilho para 5 bilhes de pessoas - o equivalente a 500 cidades de So Paulo. No incio do prximo milnio, em 2006, pela primeira vez na histria da humanidade a quantidade de pessoas morando em cidades ser maior do que a populao rural do planeta. (TOLEDO, 1999). As cidades esto

40 crescendo em nmero e tamanho. A tendncia urbanizao, que hoje presenciamos, vem acompanhada de uma outra, manifestada principalmente no terceiro mundo18, onde vivem 75% da populao mundial: a marginalizao social e cultural de uma significativa parcela dos habitantes dos centros urbanos (DIAS, 1994, p. 13; VERAS, 1996, p. 556). Um bilho de pessoas vo morar em barracos de madeira, amontoadas em cortios ou em instalaes sem as mnimas condies de higiene. Esse o prognstico urbano menos pessimista para o prximo sculo, segundo a ONU e a WATER-AID (organizao inglesa de desenvolvimento sanitrio). Esse cenrio deve predominar em pases em desenvolvimento, onde estima-se que 50% da populao urbana passe a viver em sub-habitaes. (FLORESTA, 1999). H 800 milhes de famintos no mundo e, a cada ano, a populao famlica aumenta em 25 milhes (TOGNOLLI, 1999, p. 30). Dados do relatrio do Banco Mundial, intitulado "Poltica Urbana e

Desenvolvimento Econmico - Uma Agenda para os Anos 90", indicam que: 1) at o ano 2000, 20 dos 25 maiores ncleos urbanos mundiais se encontraro no Terceiro Mundo; 2) a OMS calcula que nos anos 90 cerca de 30 milhes de crianas tero morrido de diarria e pneumonia, provavelmente a maior parte nas grandes cidades (SERVA, 1993, in SILVA, 1996, p. 314)19. No Brasil, em pouco mais de 50 anos, a populao urbana praticamente triplica, saltando de 26,35% para atuais 75% (SANTOS, 1994, p. 135). No 2000, estima-

18

De acordo com uma projeo das Naes Unidas, apenas 7% da populao do 3 o mundo ser Segundo clculos da ONU, 1 bilho de crianas podero tornar-se adultos incapacitados em

rural em 2010 (CAMPBELL, 1992, p. 184).19

2020, a menos que uma agressiva campanha de alimentao seja lanada em todo o planeta (ZEEK!CLIP, 2000) .

41 se que 80% da populao viver em centros urbanos. Esse percentual deve chegar a 88% em 2025 - segundo projees das Naes Unidas (FOLHA de SO PAULO, 1999-b). Em 1996, 66% dos urbanitas brasileiros (cerca de 75 milhes) no dispunham de esgoto sanitrio, 18% no contavam com gua encanada e 47% no dispunham de coleta de lixo. Somente 3% do lixo coletado tem disposio final adequada, enquanto outros 63% so lanados em cursos d'gua e 34% a cu aberto. (SILVA, 1996, p. 314). Atualmente 70,8% dos pobres e 57,6% dos indigentes brasileiros concentram-se nas cidades e metrpoles (RODRIGUES, 1998, p. 107). 2.5 A urbanizao extensiva e a globalizao econmica A sustentabilidade ecolgica das metrpoles dificultada pela aceitao cega das regras do mercado internacional, que militam contra os interesses da maioria das populaes das cidades (ALVA, 1995, p. 53). SANTOS (1994, p. 79) afirma com preciso que o planejamento urbano, obediente aos parmetros das cidades internacionais, comandantes da economia globalizada, termina por estabelecer as condies para uma modernizao que negligencia a maior parte das cidades e de suas populaes. O Estado, com a globalizao econmica, redefine-se para a satisfao das exigncias do sistema econmico mundial, mostrando-se(...) em conseqncia, ineficiente para a satisfao das demandas que tradicionalmente a sociedade dele espera. (FIGHERA, 1994, p. 112). Nesses espaos de racionalidade, o mercado tornado tirnico e o Estado tende a ser impotente. Tudo disposto para que os fluxos hegemnicos corram livremente, destruindo e subordinando os demais fluxos. Por isso, tambm, o Estado deve ser enfraquecido, para deixar campo livre ao soberana do mercado. (SANTOS, 1994,

42p. 33-34)

No mundo globalizado, as metrpoles subdesenvolvidas concentraro no apenas populao, mas tambm misria. Crescendo num ritmo veloz, tero muitas dificuldades para administrar as necessidades bsicas de tanta gente, multiplicando as carncias de habitao, transportes e saneamento bsico. Mas no sero as nicas a enfrentar esses dilemas. Mesmo metrpoles do topo da hierarquia da rede global de cidades, como Nova Iorque, tambm sofrem com congestionamentos, poluio e violncia (FOLHA de SO PAULO, 1999-a). 2.6 Urbanizao versus superpopulao Dezenas de autores, dos mais ilustres queles que opinam sem qualquer base cientfica, em diversas publicaes, que abarcam desde livros, artigos em peridicos at publicaes em revistas e jornais, tm expressado sua preocupao com o aumento contnuo da populao, o que ocasionaria um aumento quantitativo e qualitativo dos impactos ambientais, sobretudo num perodo no qual a humanidade experimenta uma urbanizao nunca antes vivida. De fato, a partir dos anos 1990, os seres humanos tm gastado apenas 11 anos para dobrar sua populao20 (SUPERINTERESSANTE, 1993, p. 28, 29). Entretanto, essa discusso est fora de foco. Quase sempre quando o tema superpopulao vem tona, h uma mensagem subliminar (ou, s vezes, explcita) que diz: interrompa-se o crescimento da populao humana. Ora, o crescimento vegetativo da humanidade per se no o problema, e risvel

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Porm, a reproduo da populao urbana apenas uma das causas da exploso urbana. Na

mdia mundial, 40% do crescimento da urbanizao se deve migrao do campo para a cidade (TOLEDO, 1999). E ao que parece, o crescimento populacional caminha para um cenrio de estabilizao. As projees sobre crescimento da populao vm sendo revisadas para baixo pela ONU, porque a taxa de fecundidade tem cado rapidamente (LEITE, 1999).

43 atribuir natureza (isto , capacidade reprodutiva do Homo sapiens sapiens) a culpa pelos inmeros desastres scio-ambientais que temos continuamente produzido e reproduzido . E este precisamente o foco: estamos crescendo num sistema que prima pelo desperdcio e pela desigual distribuio de recursos, onde cada recm-nascido ou um novo perdulrio ou um novo miservel, e, ambos, cada qual a seu modo, iro contribuir para a destruio daquilo que LOVELOCK (1997, p. 622) afirma ser nossos rgos externos, to importantes quanto os internos: os sistemas ecolgicos. Felizmente, a idia do crescimento populacional como o maior fator de pobreza e degradao ambiental aos poucos vem sendo substituda por uma viso que incorpora a tecnologia e a distribuio de recursos. Se 25% da populao mundial consome 75% da energia e 89% da produo de madeira do planeta, a relao populao/ambiente deve ser vista sob uma perspectiva mais complexa (HOGAN, 1993, in RODRIGUES, 1998, p. 120). As cidades do hemisfrio Norte so responsveis pela utilizao de grande parcela dos recursos, consumo de energia e poluio ambiental, enquanto que no hemisfrio Sul as cidades sofrem com a pobreza (MMA, 1988 in BORJA, 1997, p. 16, 170). No terceiro mundo, a acelerada urbanizao e o aumento da pobreza propiciam demandas que dificilmente so resolvidas pelo Poder Pblico. Tanto os padres de consumo no Norte como a pobreza gritante do Sul so comprovadamente insustentveis do ponto de vista ecolgico (ALBERTI, 1997, p. 3). No por acaso, pesquisa do historiador Arnold TOYNBEE (1972, in SAHTOURIS, 1996, p. 289; SAHTOURIS, 1998) demonstrou que o declnio de 27 civilizaes

44 teve em comum a inflexibilidade frente a situaes de estresse social, ambiental, econmico e a concentrao de recursos. evidente que as cidades globais21, aquelas que concentram poderio econmico, tentaro impedir, inclusive pelo uso da fora, que o resto do mundo alcance o mesmo padro de consumo, o que alis seria impossvel, pois viveramos um colapso de recursos e energia. Muito tem se alardeado que o consumo per capita de energia mundial permaneceu quase estvel na ltima dcada, querendo-se indicar com isso que o sistema global estaria comeando a corrigir suas disfunes. Mas, sem dvida, como assinalou ESTEVAN (1998, in ESP, 1998), uma anlise mais meticulosa dos dados disponveis demonstra que o consumo per capita de energia cresceu nos pases "desenvolvidos" cerca de 10%, enquanto que os pases pobres foram obrigados a reduzi-lo em 7% (ESP, 1998). As afirmaes de Mariano Vsquez Esp traduzem-se em uma equao muito simples: menos recursos e energia para os pases em desenvolvimento, menores possibilidades de resoluo de seus problemas urbanos e ambientais. 2.7 Algumas concluses Os problemas ecolgicos parecem se referir apenas aos homens e s suas relaes com a natureza, e no s relaes dos homens entre si (RODRIGUES 1998). O fato que os problemas ambientais no esto circunscritos nem geogrfica, nem socialmente. Diferentes em escala, em conseqncias, em poder de difuso, h problemas ambientais gerados pela opulncia e pela misria (PAULA & BRITO, 1997, p. 206). Os agressores do ambiente urbano podem ser tanto uma determinada indstria quanto o conjunto de proprietrios de veculos de um municpio (PACHECO &

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Nova Iorque, Londres e Tquio so exemplos de cidades globais.

45 LOUREIRO, 1992, p. 49), ou ainda famlias miserveis que ocupam terras do Parque Metropolitano de Piraj, em Salvador. No h maniquesmos na questo ambiental: atores e interesses interpenetram-se numa teia ambgua. Tambm h uma ambigidade, no que concerne a atribuio de

responsabilidades pelos problemas ambientais urbanos. Geralmente o citadino responsabilizado e punido (RODRIGUES, 1998, p. 31, 32), quando na verdade grande parte da responsabilidade pertence ao poder pblico e ao capital. Um exemplo bastante ilustrativo desse desvio de responsabilidades pode ser obtido numa rpida anlise dos freqentes desmoronamentos de encostas em Salvador. So comuns declaraes de tcnicos de nvel superior da prefeitura, que se dizem perplexos com a insistncia dessas pessoas em construrem seus barracos nas encostas (sic)22. Quando, em maio de 1999, seis dias consecutivos de chuva provocaram a morte de 12 pessoas na Regio Metropolitana de Salvador, os prefeitos da regio culparam a intensidade das chuvas, o dobro da mdia de maio, e as invases pelos deslizamentos que provocaram as mortes (REVISTA POCA, 24/05/1999). Novamente, como no caso da superpopulao, atribui-se natureza a culpa por dcadas de no ao, de abandono, como se chover fosse uma aberrao, uma fatalidade contra a qual no h remdio nem preveno. E possvel prevenir: cerca de 95 a 99% dos danos causados por deslizamentos de solo poderiam ser evitados por um melhor planejamento e projetos e construes apropriados. Os elementos bsicos para a preservao de deslizamentos so conhecidos a sculos (SPIRN, 1995, p. 120, 131). Entretanto, como foi dito acima, no cabe aqui nenhum maniquesmo: os moradores das encostas tm uma parcela de responsabilidade, ao desmatarem as encostas, deixando o solo vulnervel ao da gua das chuvas.

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A respeito da enchente que desabrigou milhares de pessoas em janeiro de 2000, na regio

Sudeste, o coordenador da Defesa Civil do estado de So Paulo, coronel Jorge Lopes, declarou: "O poder pblico (...) no mandou ningum construir sua casa de forma irresponsvel", referindose s moradias localizadas prximas ao rio Paraba do Sul (FOLHA DE SO PAULO, 10/01/2000).

46 Mesmo assim, preciso que fique claro que o capital - e no a sua fora de trabalho, e muito menos os elementos naturais - o grande responsvel pela deteriorao da vida metropolitana (KOWARICK, 1979, p. 53). O capital deteriora a metrpole, ao no dar acesso cidade para as classes trabalhadoras e ao promover diretamente a urbanizao da especulao e, indiretamente, aquela realizada pela pobreza, ambas cegas s premissas ambientais. Contando com a participao da populao, os planejadores poderiam ao menos consolidar bairros instalados sobre manguezais, reas verdes, matas, reas prximas a mananciais, promovendo melhorias urbanas, e traar com seus moradores limites para o seu crescimento, protegendo deste modo o valor ambiental desses ecossistemas, a exemplo do que foi feito em um bairro construdo sobre um manguezal em Vitria, Esprito Santo. Na capital capixaba, uma parceria slida entre prefeitura e ocupantes de um manguezal, cuja rea ocupa cerca de 10% do territrio do municpio, possibilitou a preservao do sistema ecolgico, com a concomitante melhoria da qualidade de vida dos envolvidos. Todas as aes do projeto tiveram a participao da populao local. A aliana permitiu que se estabelecesse um limite ocupao, e em troca, o bairro foi urbanizado (PREFEITURA MUNICIPAL DE VITRIA, 1997). Todavia, desafortunadamente, o controle do uso do solo e o desenvolvimento urbano tm sido insatisfatrio, pois seus instrumentos - destaca-se a o planejamento - so enfraquecidos nos pases em "desenvolvimento" pela corrupo, pelo poder da demanda de novos assentamentos (especulao imobiliria) e por interesses diversos (CAMPBELL, 1992, p. 195, 196). Disso resulta que os problemas ambientais urbanos tm se avolumado a passos gigantescos, enquanto sua resoluo assaz lenta (JACOBI, 1996, p. 20), ou nem mesmo ocorre. Multiplicam-se os problemas urbano-ambientais na mesma proporo em que assistimos a ingerncia dos poderes pblicos sobre eles. Por um lado, assiste-se a disseminao de prticas administrativas incrementalistas que, maquiando a cidade, do a impresso de dinamismo e operncia aos gestores urbanos. Troca-

47 se um planejamento integrado pela construo de um urbanismo pontual e fragmentado, muitas vezes erigido para corroborar aes demaggicas em vsperas de eleies (PAVIANI, 1994, p. 182-183, 187). Nos anos 90, a urbanizao brasileira tem tomado novos rumos. Estudo indito mostra que h uma interiorizao do crescimento: as cidades mdias, entre 100 mil e 500 mil habitantes, foram as que registraram o maior crescimento absoluto nos anos 90, superando as metrpoles (FOLHA de SO PAULO, 1999-a; FOLHA de SO PAULO, 1999-b). Essa tendncia pode ser bastante positiva, se as municipalidades conseguirem tramar uma slida parceria entre os diversos segmentos do poder pblico, includas a as universidades, organizaes civis e populao, pois as cidades mdias que contarem com esse pacto podero obter significativos progressos atravs do planejamento participativo, inclusive a reduo de custos na implantao e manuteno de projetos. A urbanizao extensiva impe desafios colossais aos profissionais interessados em contribuir para a obteno de cidades mais equilibradas, do ponto de vista social e ambiental. H muito o que fazer. Uma medida que no custosa e que d resultados em pouco tempo a arborizao urbana. No apenas o ato de arborizar caladas e passeios, mas de usar a vegetao como elemento de projetos paisagisticos, visando estruturar, nos bairros com problemas de infra-estrutura e ambientais, espaos pblicos densamente arborizados, que sirvam ao lazer e socializao, onde antes haviam apenas vazios que acumulavam lixo. A vegetao, sobretudo as rvores podem, se adeqadamente usadas, proporcionar vrios benefcios aos biomas urbanos, e s populaes humanas, como a reduo da poluio e atrao de vida silvestre.

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CAPTULO 3Arborizao Urbana: Uma Ferramenta para a Melhoria da Qualidade de Vida e Atrao de Biodiversidade"A umbaba uma rvore que no serve para nada" (Declarao de um engenheiro civil reportagem do jornal A Tarde (edio de 7/2/1988), quando questionado da derrubada de uma mata de umbabas no bairro de Brotas, revelia do IBDF, que previa a preservao de 30% dessas rvores).

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GREY & DENEKE (1978, in MILANO, 1994, p. 210) definem a arborizao urbana como o conjunto das terras pblicas e privadas revestidas de vegetao predominantemente arbrea que uma cidade apresenta. Para Sattler, arborizao urbana o conjunto da vegetao arbrea natural e cultivada que uma cidade apresenta. (SATTLER, in SANCHOTENE, 1994, p.16). Os vegetais so seres complexos, que por suas caractersticas biolgicas e ecolgicas desempenham uma srie de funes sumamente importantes para uma maior qualidade de vida dos urbanitas. fato que a arborizao contribui para a melhoria da sade fsica e mental das populaes urbanas. Caractersticas artificiais do ambiente urbano, como microclimas, qualidade do ar e paisagem geralmente determinam a ocorrncia de aspectos negativos qualidade de vida humana; estes problemas podem ser bastante minimizados pela arborizao (MILANO, 1994, p. 209, 210; DETZEL, 1994, p. 50). So impressionantes os benefcios oriundos da presena de vegetao no ambiente urbano. No obstante, ainda majoritrio entre os arquitetos, paisagistas e planejadores o uso decorativo dos vegetais, talvez pela falta de informaes a respeito dessas benesses. Em geral a vegetao ocupa espaos residuais dos projetos arquitetnicos, e sua presena tmida impede a maximizao dos benefcios. Nem mesmo as vrias possibilidades de uso das plantas como estruturadoras de espaos, atravs da manipulao de um cabedal de tcnicas que, teoricamente, deveria ser de domnio dos arquitetos - parecem ser convenientemente exploradas. Seu mal (pouco) uso vem ocasionando deseconomias, como desastres ecolgicos, aumento da poluio sonora, atmosfrica e visual e danos sade (MACEDO, 1997, p.38). 3.1 Pequeno histrico da arborizao O burgo medieval ou a pequena cidade renascentista caracterizavam-se pela total ausncia de rvores em seus espaos abertos, o que era justificvel, pois a "natureza" era encontrada praticamente intacta a poucas centenas de metros das cidades daqueles momentos histricos. Com o advento das grandes cidades essas transformaes passam a ser permanentes, acentuando-se a partir da

50 Revoluo Industrial. Nesse momento, a virtual ausncia de vegetao passa a constituir-se em um problema. (MOHR, 1985, p. 31). Para MEIRA FILHO, 1976; WALLACE, 1939 e BLOSSFELD, 1983 (in LIMA, 1993, p. 5) a primeira notcia sobre arborizao no Brasil data do sculo XVIII, onde o arquiteto e naturalista Antnio Jos Landi teria plantado mangueiras em Belm do Par. Estes autores tambm assinalam como data provvel o incio do sculo XIX, no Rio de Janeiro, poca em que os plantios de rvores nas cidades difundiam-se pelo mundo. De qualquer sorte, j no incio do sculo XX, os projetos de reforma urbanstica atribuam grande importncia vegetao na composio urbana (MARX, 1980, in LIMA, 1993, p. 6) No obstante, de um modo geral, h pouco tempo as plantas passaram a fazer parte da imagem do espao pblico das cidades brasileiras. At o sculo XIX a vegetao era limitada pelos muros dos quintais, pois seria uma atitude incoerente reintroduzi-la no tecido urbano, depois de "rduas batalhas" para manter as ruas e praas livres do "mato". No incio do sculo XX, estas cidades so bem cuidadas e arborizadas, com um nmero impressionante de parques, praas e jardins. Infelizmente esse conjunto se perde com a introduo da "ditadura do automvel", com o previsvel e conseqente alargamento das vias pblicas, redundando na retirada da arborizao e destruio de parques. A diminuio das reas verdes tambm se deu pela implantao de sistemas de distribuio eltrica e de bondes (GOYA, 1994). Como consequncia deste processo de desenvolvimento, em inmeras cidades brasileiras, a arborizao foi gradativamente extinguindo-se, relegada ao abandono, ou sequer chegou a compor efetivamente os ecossistemas urbanos (VERAS, 1985, p. 189). 3.2 Benefcios da vegetao aos biomas urbanos 3.2.1 Possibilidades de uso arquitetnico A vegetao proporciona melhoria esttica do ambiente urbano (MILANO, 1984;

51 MILANO 1988) e mitiga a poluio visual (DETZEL, 1994, p. 50). Os arbustos e rvores so formas arquitetnicas que podem reforar funcional e esteticamente o projeto urbanstico. Tambm contribuem dando um aspecto mais estvel e consolidado s intervenes recentes (GREATER LONDON COUNCIL, 1985, p. 15). Para SERPA & MUHAR (1996, p. 19-25), as caractersticas visuais das plantas, podem alterar a percepo de um usurio no espao aberto. Plantas de textura fina, por exemplo, aparentam ser maiores e estarem mais distantes do observador, deste modo dando a impresso de um espao ser maior do que de fato . Essa iluso de tica pode ser usada a favor do planejador, quando este seleciona vegetao adequada aos espaos para os quais planeja, evitando que os usurios possam desenvolver sensaes de claustrofobia devido ao pouco espao ou de desolao por estarem em rea muito grande. A vegetao urbana pode ser usada como cortina, bloqueando vistas indesejadas, ou separando espaos que possuem utilizaes diversas. (REETHOF & HEISLER, 1976, in SMARDON, 1988, p. 90; LEMENHE, 1997, p. 165-166; CAVALHEIRO, 1994, p. 228; MILANO, 1994, p. 209, 210). Os vegetais podem direcionar o movimento atravs da paisagem. A arborizao de vias pblicas pode orientar motoristas, fornecendo-lhes perspectiva (LIMA, 1993, p. 206). Entre os principais usos arquitetnicos da vegetao (de acordo com BOOTH, 1983, p. 69-82; LEMENHE, 1997, p. 165-166; SANTOS & CARVALHO, 1997 e LACOMBE, 1993 p. 1) esto a organizao do ambiente externo e a criao de espaos. A vegetao pode ser usada como muros, tetos e pisos numa paisagem, pode definir e organizar o espao. O senso de espao depende de delimitaes criadas por modificaes, seja no nvel do solo ou em outro plano. Sem uma definio fsica por barreiras, pode-se criar, no nvel do solo, espaos implcitos com o uso de grama ou arbustos de pequeno porte. No plano vertical, as plantas podem influenciar a percepo do espao de

52 diversos modos. Conjuntos de rvores com troncos largos podem criar muros, to perceptivos quanto maior for a largura dos troncos. A folhagem das rvores outra maneira de criao desses muros. A densidade e altura das folhas afeta a sensao de cerceamento. Quanto mais altas forem as rvores, e mais prximas e grandes suas folhas, maior essa sensao. No plano areo, acima da altura mdia de um ser humano, podem ser criados tetos que obstruem total ou parcialmente a viso do cu, afetando a escala vertical do espao. A sensao de teto mais forte quando a copa das rvores esto sobrepostas. Outro uso interessante da vegetao no ambiente construdo a estruturao de espaos. No caso dos espaos semi-abertos, o campo de viso do usurio parcialmente obstrudo, de um ou mais ngulos, a partir do uso de plantas de maior porte, atuando como muros que remetem viso precisamente aos ngulos desejados. Esses espaos so apropriados para residncias, onde a privacidade requerida em uma direo, e no em outras. Os espaos fechados so obtidos pelo uso de conjuntos de rvores com copas densas. Deste modo obtemos tetos fechados, com a vista orientada para as aberturas entre os troncos. Pode ser criado um tnel de rvores ao longo de uma estrada, contribuindo para a orientao do trfego. Para obteno de privacidade, arbustos podem ser plantados entre as rvores de copas densas, obstruindo a viso do usurio e de observadores externos a ele. Espaos verticais so criados com rvores de copas afiladas, que orientam a vista para o cu. Em resumo, o paisagista pode criar diferentes tipos de espao usando plantas como elemento de definio. Ele pode ainda usar as plantas para criar espaos seqenciais interligados. Podem negar ou acentuar espaos criados pelo relevo. As plantas podem ser usadas para modificar espaos criados pelas edificaes, originando subespaos em uma escala mais aprazvel e humana, o que recomendvel para grandes espaos abertos. As plantas tambm podem ser usadas como pontos focais dominantes, como

53 conexes visuais entre espaos. Podem ser usadas para complementar a definio espacial e/ou organizao de edificaes. Destaca-se neste caso o cerceamento, que o cercamento de espaos prximos a edificaes. Vegetais podem conectar espaos, ao defini-los e separ-los de espaos mais externos ao entorno da edificao. Conjuntos de edificaes podem ligar-se atravs do plantio no seu entorno imediato (BOOTH, 1983, p. 69-82; LEMENHE, 1997, p. 165-166). 3.2.2 Benefcios fsicos Talvez o benefcio proporcionado pela arborizao mais conhecido a sua capacidade de alterar o clima das cidades. O clima urbano um sistema que abrange o clima de um dado espao terrestre e sua urbanizao, sendo constitudo por um conjunto de microclimas existentes no interior do espao urbano (MONTEIRO, 1976, in HASENACK, 1985, p. 47). Dentre as principais modificaes climticas produzidas pela urbanizao destacam-se: 1) a alterao das caractersticas trmicas da superfcie pela substituio de reas verdes por reas construdas, que absorvem mais energia trmica e impermeabilizam a superfcie, gerando uma menor evaporao das guas da chuva, que escorrem rapidamente pelo sistema de esgoto pluvial; 2) o aumento da rugosidade urbana que dificulta a penetrao do ar da periferia para o interior da cidade, e 3) as atividades humanas: processos produtivos, deslocamentos dirios dos habitantes, climatizao dos prdios que adicionam calor e materiais particulados atmosfera, alterando-a, e contribuindo para a intensificao do efeito estufa. Isto explica a diferena de temperatura entre as cidades, que pode chegar a 6 graus celsius ou mais em dias de sol (HASENACK, 1985, p. 48, 49; SPIRN, 1995, p. 67; HEISLER, 1974; LOMBARDO, 1985; in LIMA, 1993, p. 7).

54 A vegetao contribui significativamente ao estabelecimento de microclimas mais aprazveis, reduzindo variaes climticas induzidas pelas atividades urbanas, entre outros fatores, pelo processo de fotossntese, que auxilia na umidificao do ar atravs do vapor d'gua que libera. Geralmente a vegetao tende a estabilizar o clima sobre seus arredores imediatos, nivelando extremos ambientais (ROMERO, 1988, p. 31; SATTLER, in SANCHOTENE, 1994, p.16; MILANO, 1984, 1988; TAKAHASHI & MARTINS, 1987; BARTEINSTEIN, 1981; GREY & DENEKE, 1978; SMITH & DOCHINGER, 1976; BERNATZKI, 1980; IN DETZEL, 1994 p. 50; NAGINO, 1995, p. 27; GATTI, 1999, p. 76; SPIRN, 1995, p. 189; SILVA & BRANCO, 1987, p. 208; BRASIL, 1997, p. 57; ANDRADE, 2000; LOMBARDO, 1997; DUARTE, 1997; BUENO & LABAKI, 1997; LOMBARDO & NETO, 1990). SATLLER, 1992 (in LIMA, 1993, p. 9) indica 30% de cobertura vegetal como ndice recomendado para um adequado balano trmico na urbe. comum, em regies de clima quente e baixos ndices de umidade relativa do ar, o surgimento de infeces no aparelho respiratrio. As rvores mitigam essas infeces, pois funcionam como bombas hidrulicas, absorvem gua do solo e liberam-na na atmosfera, aumentando a umidade do ar. Uma nica rvore pode transpirar, desde que suficientemente suprida de gua no solo, at 400 litros de gua por dia / m2 de rea, resultando no mesmo efeito trmico produzido por 5 condicionadores de ar com capacidade de 2500 kcal / h cada um funcionando 20 horas por dia (KRAMER & KOSLOWSKI, 1972, in LIMA, 1993, p. 10; SPIRN, 1995, p. 195; MACEDO, 1997, p. 38; CAVALHEIRO, 1994, p. 230). A vegetao pode reduzir as despesas com condicionamento trmico nos ambientes construdos (MASCAR 1996, p. 67; SANCHOTENE, 1994, p.16). Em outras palavras, uma arquitetura de exteriores conseqente contribui efetivamente para a economia de energia eltrica. A demanda crescente de energia produz impactos, representados pela construo de hidroeltricas e pelos milhares de hectares de terras de interesse agrcola, social e ecolgico que so inundadas.

55

A vegetao urbana possui grande capacidade de alteraes de microclima, pois produz sombra (MELLO FILHO, 1985, p. 119) e filtra ou bloqueia claridade do sol, uma grande produtora de vapor dgua, contribuindo para manter o ar dos ecossistemas urbanos mais midos; e ainda, as grandes massas de vegetao, por exemplo as florestas urbanas - caso do Parque Metropolitano de Piraj - tm a capacidade de atuarem como termostato, amenizando altas e baixas temperaturas. A influncia da vegetao na temperatura do ar est relacionada ao controle da radiao solar, do vento e da umidade do ar. Sob grupamentos arbreos, a temperatura do ar menor que nas reas expostas a radiao solar direta. A diferena se acentua com o aumento do porte da vegetao. A vegetao tambm altera a concentrao da umidade na atmosfera e nas superfcies adjacentes. A umidade dos ambientes vegetados est relacionada com a evapotranspirao. A umidade relativa do ar sob a vegetao maior que nos espaos sem ela, entre 3 e 10%, sendo os maiores valores obtidos no vero, devido a maior densidade foliar verificada nessa estao e os menores valores verificados na primavera, devido existncia de vazios nas copas (perodo de florao). O sombreamento da vegetao ajuda a atenuar condies extremas de frio e calor intenso nos espaos urbanos (MASCAR, 1996, p. 77, 79, 86) Outra alterao microclimtica provocada pela vegetao urbana a reduo da velocidade do vento (SMARDON, 1988, p. 87; MASCAR, 1996, p. 82). A vegetao pode atuar como uma barreira natural ao vento. H quatro efeitos bsicos de barreira: obstruo, onde a barreira bloqueia o fluxo do ar; deflexo, onde a direo do fluxo do ar alterada; a filtragem, que reduz a velocidade do

56 vento conforme a permeabilidade da barreira e a conduo, que direciona o fluxo do ar, modificando sua velocidade (MASCAR, 1996, p. 82, 199; DIAS, 1994, p. 57); FOX & KOEPPEL, 1985, p. 10, 11; CAVALHEIRO, 1994, p. 230; MILANO, 1994, p. 209-210). O fenmeno ilha de calor urbana, assim denominado porque em geral as temperaturas decrescem do centro para a periferia, ocorre com maior intensidade com o cu lmpido e sem vento. A destruio das matas, aliada ao irregular alinhamento de ruas e construes, favoreceu a alterao do relevo e clima, gerando a formao de ilhas de calor (ROCHA, 1996, p. 3, 4). Durante o dia, os materiais de que so feitos os edifcios absorvem enormes quantidades de energia que liberada noite. As superfcies pavimentadas ou edificadas refletem de 15 a 50% da radiao de onda longa sobre ela incidente. (SPIRN, 1995, p. 71; SATTLER, 1992; in LIMA, 1993,p. 6). As reas verdes, pela menor energia armazenada23, e tambm pela utilizao de parte daquela para a realizao da evapotranspirao, liberam menos energia que as superfcies pavimentadas, o que explica as temperaturas mais amenas registradas nas reas vegetadas (HASENACK, 1985, p. 48; SPIRN, 1995, p. 68). At mesmo em grandes edificaes como shopping centers com grandes estacionamentos asfaltados e em geral, desprovidos de rvores, j foram verificadas ilhas de calor. (LIMA, 1993, p. 7) Pequenas ilhas de calor foram

23

A pavimentao irradia 50% a mais de calor que a grama (SPIRN, 1995, p. 71). Idias simples

e pouco onerosas, como a utilizao de blocos entremeados por grama na pavimentao de estacionamentos, podem reduzir as ilhas de calor (SPIRN, 1995).

57 detectadas at em pequenos ptios (SPIRN, 1995, p. 69). Isto quer dizer que as ilhas no esto circunscritas a grandes ou pequenas escalas. Mesmo um pequeno quintal sepultado pelo concreto pode gerar uma ilha de calor. AKBARI (1988, in KIELBASO, 1994, p. 5-6) demonstrou que as rvores tem um efeito positivo no fenmeno das ilhas urbanas de calor. SPIRN (1995, p. 67) relaciona as ilhas de calor com um aumento dos derrames cerebrais e mortes, no vero, quando as cidades so atingidas por prolongadas ondas de calor. Alm disso, as rvores proporcionam conforto lumnico, pois protegem as pessoas do ofuscamento, comuns em dias de acentuada luminosidade (LIMA, 1993, p.11). No somente as reas vegetadas, mas tambm a arborizao viria pode abrandar as ilhas. rvores de copa rala interceptam at 80% da radiao solar, e as de copa espessa, 98% (HEISLER, 1974, in LIMA, 1993, p. 7). Para abrandar o calor das ilhas, SATLLER, 1992 (in LIMA, 1993, p. 7) recomenda que as rvores sejam locadas o mais prximo possvel das superfcies refletoras. Um estudo desenvolvido em Piracicaba verificou que, em ruas arborizadas, o interior das residncias tende a mostrar uma menor temperatura, nas manhs e tardes, em relao s casas de ruas no arborizadas (CARVALHO, 1982, in LIMA, 1993, p. 8). Ruas arborizadas no somente proporcionam proteo da radiao solar, como

58 tambm protegem as pessoas das radiaes de ondas longas emitidas pelas construes. Tal proteo particularmente importante durante as tardes de vero (HEISLER, 1974, in LIMA, 1993, p. 9). Outro fenmeno relacionado ao clima que tem conseqncias diretas aos urbanitas aquele conhecido como inverso trmica. As inverses so ocasionais e breves em todas as cidades, mas freqentes e prolongadas em cidades com predisposio climtica ou topogrficas. Podem ocorrer na escala de uma metrpole ou mesmo de uma rua desfiladeiro. Muitas vezes, inverses formadas nessas ruas prendem os poluentes ao nvel da respirao durante horas, sobretudo nas cidades mais frias (SPIRN, 1995, p. 64, 72) As reas verdes diminuem o escoamento superficial de reas impermeabilizadas, embora esse efeito seja de pequeno alcance (CAVALHEIRO, 1994, p. 230; FOX & KOEPPEL, 1985, p. 10, 11). 3.2.3 Melhoria das condies do ciclo hidrolgico e do solo Perdas por eroso so atenuadas na maioria dos solos devido proteo representada pela cobertura vegetal. A manuteno dessa cobertura pode reduzir as perdas por eroso em 98%, em relao ao solo descoberto, proteger rios e mananciais, estabilizar o solo e renovar a gua subterrnea. (MACEDO, 1997, p.38; TEIXEIRA & SILVA, 1994, p. 156). 3.2.4 A vegetao no combate poluio

59 A capacidade da vegetao em bloquear rudos controversa, pois existem autores que a defendem e outros que a negam. SATTLER (in LIMA, 1993, p.11) descreve um mecanismo que atua na amortizao de rudos. Segundo este autor, em ruas arborizadas, ocorrem inverses de temperaturas sob a copa das rvores e isto determina a refrao das ondas sonoras e a interao dessas ondas com o solo, resultando em reduo de rudos. Em conseqncia rudos podem ser reduzidos em at 50%. (DETZEL, 1994, p. 50; MILANO, 1994, p. 209, 210; MILANO, 1984; MILANO, 1988; MESQUITA, 1996, p. 6; LEMENHE, 1997, p. 165, 166; MELLO FILHO, 1985, p. 119; CAVALHEIRO, 1994, p. 228, 230; KIELBASO, 1994, p. 4). Segundo HERRINGTON, 1974; REETHOF & HEISLER, 1976 in SMARDON

(1988, p. 87) a vegetao urbana no eficiente para reduzir ou bloquear barulhos indesejveis. Entretanto, para MILANO (1988, p. 6) (que cita os mesmos autores lidos por Richard SMARDON), para MESQUITA (1996, p. 6) e para LEMENHE (1997, p. 165, 166) os vegetais so efetivamente capazes de diminuir a poluio sonora. Para Angelo Serpa (comunicao pessoal, 2000), a capacidade da vegetao em neutralizar rudos sobretudo psicolgica. Muito importante a capacidade da vegetao urbana em interceptar e reduzir a presena de partculas slidas em suspenso no ar (SMARDON, 1988, p. 88; SCHUBERT, 1979; SMITH & DOCHINGER, 1976, IN MILANO, 1988, P. 5; MILANO, 1994, p. 209, 210).

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A vegetaco no ambiente urbano tem a capacidade de fixar poluio e poeira, atravs do processo de fotossntese e a partir de seus prprios elementos constitutivos: materiais oleosos em suspenso nas folhas. Cortinas vegetais implantadas dentro das cidades indicam que as rvores so capazes de diminuir em 10% o teor de poeira do ar. Estima-se em 68,2 e 31,9 toneladas de p por hectare a capacidade de remoo dos gneros Fagus e Picea, respectivamente. Cada hectare das folhas de rvores, arvoretas e arbustos pode fixar dezenas de quilogramas de poeira/ano. Ruas arborizadas apresentam at 70% menos poeira em suspenso em relao s ruas no arborizadas. Quanto aos poluentes qumicos, as espcies vegetais tm a capacidade de biofiltrao e mesmo metabolizao de compostos tais como SO2, NO2, O3 e derivados de cloro e flor.24 SPIRN (1995, p. 86) recomenda a criao de uma zona tampo formada por rvores entre reas residenciais e ruas, como forma de diminuir a concentrao de poluentes no ar. prefervel que as rvores estejam plantadas em reas no pavimentadas, pois o solo tambm um eficiente absorvente de poluentes. Estudos franceses indicam que a arborizao pode diminuir a taxa de CO2 na atmosfera25, bem como a quantidade de nquel, cloro, azoto, cdmio; alm de reter de 30 a 40% de poeiras e fumaas no ar. (MACEDO, 1997, p.38; FOX & KOEPPEL, 1985, p. 10, 11; FELDMANN, 1996, p. 1; SATTLER, 1992 in LIMA, 1993, p. 12; SMITH & DOCHINGER, 1976; ROBERTS, 1980, in LIMA, 1993, p.12; MELLO FILHO, 1985, p. 119; CESTARO, 1985, p. 54; CAVALHEIRO, 1994, p. 228; BERNATZKY (1980); GREY & DENEKE (1978); HEISLER (1974); JENSEM & Outros (1976); LAPOIX (1979); POLYNGTON (1977) e SCHUBERT (1979); in MILANO 1994, p. 209-210; MILANO, 1984, 1988; TAKAHASHI & MARTINS,24

evidente que h um limite capacidade dos vegetais em biofiltrar o ar. Na madrugada do dia

8 de maro de 2000, resduos txicos lanados pela Caraba Metais, empresa situada no plo petroqumico de Camaari, provocaram a morte de dezenas de rvores e de plantaes de aipim, andu e coentro em Leandrinho, distrito de Dias D'avila, Bahia (A TARDE, 12/03/2000).25

Cerca de 200 rvores so suficientes para absorver o CO2 expelido por um carro que percorra

16 mil quilmetros anuais em jornadas para o trabalho, compras, etc.(VALE & VALE, 1996, p. 174)

61 1987; BARTEINSTEIN, 1981; GREY & DENEKE, 1978; SMITH & DOCHINGER, 1976; BERNATZKI, 1980; IN DETZEL, 1994 p. 50; YOKOHARI & KATO, 1995, p. 19; SMARDON, 1988, p. 88; LAPOIX (In: MILANO, 1988, p. 6); JENSEN (In: MILANO, 1988, p. 6); ROBERTS, 1980 (In: MILANO, 1988, p. 6); CESTARO, 1987 (In: MILANO, 1988, p. 6); SPIRN 1995, p. 75; KIELBASO, 1994, p. 4; VALE & VALE, 1996, p. 174; DIAS, 1994, p. 57; ROMERO, 1988, p. 97; CAVALHEIRO, 1994, p. 228; FOX & KOEPPEL, 1985, p. 10, 11; LOVELOCK, 1991, p. 151;LOMBARDO, 1990; FIRKOWSKI, 1990; ANGEOLETTO, 1999-b; CIUDADESPARA UN FUTURO MS SOSTENIBLE,

1998-A).

rvores com pecolos grandes, numerosas folhas, e folhas com pelos tm uma maior capacidade de absoro de poluentes. rvores e folhas mais velhas ou rvores de folhas largas resistem mais a poluio (LIMA, 1993, p. 21). Uma reduo do nvel mdio de poluio por partculas inalveis26 na atmosfera at o patamar de 50 g / m3 implicaria evitar a morte de 6,7% pessoas que hoje morrem por doenas respiratrias (FELDMANN, 1996, p. 1). Alm da capacidade de retirar poluentes da atmosfera, LAPOIX (1979, In:

26

Para FELDMANN (1996, p. 1), a indstria j no a principal responsvel pela degradao

atmosfrica. O ex-secretrio de meio ambiente de So Paulo sustenta que atualmente as emisses veiculares so responsveis por cerca de 90% da poluio do ar, em parte pelo planejamento (inconseqente) que estimulou o transporte individual em detrimento do coletivo. KOSLOWSKI (1980, in LIMA, 1993, p.20) aponta outros dados: so 30% da poluio seria causada pelas indstrias e 28% pelos veculos.

62 MILANO, 1988, p. 6) afirma que as rvores possuem tambm uma ao antimicrobiana. Comparando a quantidade de germes no ar de uma floresta em Fontainnebleau, com a quantidade existente no ar de uma grande loja de Paris, o autor chegou as seguintes cifras: 50 germes / m3 na floresta, contra 4.000.000 germes / m3 na loja. 3.2.5 Benefcios psicolgicos Desde o passado remoto, dos tempos em que o primata homem apenas iniciava seu afastamento do tronco central dos homindeos, existe uma relao clara entre humanos e rvores, inclusive com implicaes de natureza psicolgica (MELLO FILHO, 1985, p. 117). As nuances psicolgicas da convivncia entre humanos e plantas podem ser esboadas nos trabalhos de pesquisa que se seguem. GETZ et al. (1982. In: ULRICH, 1986) pesquisando moradores de Detroit de etnia negra e branca constatou que ambos os grupos demonstraram extrema simpatia pela presena de rvores na cidade. Grupos de rvores de uma mesma espcie podem possuir um valor simblico bastante intenso, tornando-se imediatamente associadas a certos lugares - o que ocorre no litoral do nordeste brasileiro, sempre lembrado pelos seus coqueirais. A vegetao considerada pela maioria dos usurios de espaos pblicos esteticamente e psicologicamente importante (KAPLAN & KAPLAN. In: CARR, 1995, p. 11). Vistas naturais tendem a ser teraputicas, quando comparadas a

63 cenas tipicamente urbanas. Vises de vegetao reduzem significativamente o medo e potencializam outros sentimentos como a afeio. Ao contrrio, paisagens urbanas agravam a ansiedade e o stress. Estas implicaes so vlidas para ambos os sexos, e tambm para populaes rurais e urbanas (SMARDON, op. cit., ULRICH, 1986). Grupos de adultos pesquisados por ULRICH (1986, p. 29-44) demonstraram preferncia por paisagens naturais em relao s urbanas, sobretudo se essas ltimas apresentam escassez de vegetao. Para CESTARO (1985, p. 54), a vegetao proporciona satisfao psicolgica. ULRICH (1984. In: SMARDON, 1988; ULRICH, 1986; ULRICH, 1990, in KIELBASO, 1994, p. 4) submeteu observao pares de pacientes que haviam sofrido um mesmo tipo de operao, e que tinham em comum variveis como sexo, idade, uso de tabaco e hospitalizao anterior. Cada um dos pares foi colocado em 2 quartos absolutamente idnticos, exceto pela vista que se tinha da janela: um muro de tijolos no primeiro e rvores no segundo. Os pacientes do segundo quarto tiveram um perodo ps-operatrio menor, menos complicaes ps-cirrgicas e precisaram de menos doses de analgsicos, o que sugere que a vista da vegetao teve influncia teraputica nestes pacientes.

64

ULRICH (op. cit., 1986) estima que os pacientes submetidos vista com rvores tiveram um perodo ps-operatrio 8,5% menor do que aqueles submetidos a outra vista, o que representa um benefcio econmico inquestionvel, recomendando a adoo de um planejamento paisagstico que leve em conta esse fator. Muito dinheiro pode ser economizado, se o arquiteto optar por um projeto que no trate a edificao como algo descolado do seu entorno. MOORE (In: CARR, 1995, p. 227) constatou que prisioneiros cujas celas tinham vistas para paisagens naturais precisavam de menos cuidados mdicos do que aqueles prisioneiros que no tinham acesso quelas vistas. Essas pesquisas reforam o senso comum, segundo o qual elementos naturais podem relaxar, acalmar e refrescar o esprito, especialmente quando a experincia diria de um usurio envolva estresse, super estimulao, trnsito por ruas abarrotadas de pessoas etc. A sensao de relaxamento fortalecida se o cenrio natural do parque ou praa "remova" o usurio, ainda que temporariamente, dos rudos da sua agitada vida urbana.

65 Caractersticas da natureza - o cu, a floresta, uma rea selvagem, uma praia, gua, desertos - tm significados especiais para as pessoas, pois elas sentem-se vinculadas a essas caractersticas (CARR, 1995, p. 227). H uma considervel evidncia que, uma vez dada a oportunidade aos usurios para que escolham as qualidades de futuros espaos pblicos, eles iro solicitar a presena de elementos naturais (BALLING & FALK, 1982; BUKER & MONTARZINO, 1983; DRIVER & GREENE, 1977; KAPLAN, 1983. In: CARR, 1995, p. 225). Um estudo sociolgico de plantio de rvores urbanas descobriu que residentes participantes de um projeto de plantio de rvores nas ruas de um bairro de baixa renda em Oakland, EUA, sentiram um aumento do senso de comunidade, um melhor entendimento entre seus vizinhos e um maior controle sobre seu prprio ambiente (AMES, 1980, in KIELBASO, 1994, p. 4). LEWIS (1990, in KIELBASO, 1994, p. 4) reportou vrios desses projetos em Chicago, Filadlfia, Boston e Nova

66 Iorque, e concluiu que essas atividades melhoram a auto-imagem e auto-estima dos moradores. 3.2.6 Benefcios econmicos As rvores contribuem significativamente para o aumento do valor de venda dos imveis, representando cerca de 6 a 9% de seu preo final (MORALES, 1980; in DETZEL, 1994 p. 51; SANCHOTENE, 1994, p.16). Nos EUA, cerca de 5 a 15% do valor de propriedades so atribudos presena de rvores, o que contribui para o aumento da taxa de propriedade (no Brasil, IPTU) (KIELBASO, 1994, p. 4) Segundo GOLD (in: MILANO, 1988, p. 6) e BOOTH (1983, p. 70) as rvores nas cidades aumentam a satisfao dos usurios de parques e praas e contribuem para o aumento do valor das propriedades. H uma relao direta entre o aumento de preo de lotes residenciais e a proximidade de reas verdes, parques

67 e espaos abertos. Geralmente, quando confrontados com a possibilidade de espaos abertos destitudos de, ou com vegetao, seus usurios preferem a segunda hiptese. reas comerciais com falta de vegetao geralmente so preteridas por aquelas com vegetao abundante. Construes cujo entorno vegetado so freqentemente mais lembradas pelos passantes, pois isto aumenta sua

68 atratividade, tornando-as mais notveis (SMARDON, op. cit.; ULRICH, op. cit., 1986). ULRICH (op. cit., 1986) argumenta que paisagens construdas tal qual reas residenciais tendem a ser valorizadas quando contm rvores proeminentes e que h preferncia por vias de circulao residenciais que contenham abundncia de vegetao. Praas, ruas e outros espaos que incluem em seu desenho combinaes de

69 rvores, flores, grama e outras plantas, podem atrair um maior nmero de transeuntes. A atrao popular por caractersticas naturais so um bom suporte vida pblica. Vegetao, ruas arborizadas e jardins so partes altamente valorizadas das cidades (FRANCIS, 1987b; SPIRN, 1984; ULRICH, 1979. In: CARR, 1995, p. 41-42). rvores localizadas estrategicamente entre os edifcios podem reduzir o consumo de energia utilizada para refrigerao em 50%. Cada 100 milhes de rvores

70 plantadas perto de residncias podem poupar eletricidade correspondente a 22 bilhes de kilowatts / hora, o que traduzem-se em US$ 2,3 bilhes anuais e 9 milhes de toneladas de CO2 retirados da atmosfera (KIELBASO, 1994). 3.2.7 Benefcios ecolgicos A diversidade vegetal um aspecto benfico aos ecossistemas urbanos. Quanto maior o nmero de espcies vegetais, maior ser a chance de instalao definitiva de uma fauna mais diversificada, pois a vegetao oferece abrigo e alimento uma fauna variada, que inclui insetos, pssaros, morcegos e organismos que habitam o solo. Tambm maior ser a capacidade das plantas de resistir a variaes e de absorver impactos negativos como a poluio ou as adversidades climticas. Ao mesmo tempo, uma maior diversidade diminui a possibilidade de pragas e doenas que afetam fauna e flora. Quanto mais heterognea for a vegetao usada na arborizao, menor ser a probabilidade de monotonia na paisagem urbana27 (CESTARO, 1985, p. 54; MELLO FILHO, 1985, p. 119; MILANO, 1984, 1988; TAKAHASHI & MARTINS, 1987; BARTEINSTEIN, 1981; GREY & DENEKE, 1978; SMITH & DOCHINGER, 1976; BERNATZKI, 1980; IN DETZEL, 1994 p. 50; VOSS, 1985, p. 113; SANCHOTENE, 1994, p. 16, 22; ZELAZOWSKI, 1985, p. 186). Estimular o aumento da diversidade e da abundncia da vida silvestre positivo. Alm dos servios ecolgicos prestados (vide captulo 1), um maior nmero de espcies nas cidades determina uma competio com animais nocivos pombos28, baratas, ratazanas, etc - diminuindo a disponibilidade de alimentos e27

Contudo, o que em geral ocorre nas cidades brasileiras uma baixa diversidade vegetal (LIMA,

1993, p. 64; SOUZA, 1994-a, p. 8). Em Curitiba 18 espcies representavam 92% da populao arbrea total (MILANO, 1984) e em Maring, 15 espcies representavam 96% (MILANO, 1988). Em Piracicaba, 20 espcies representavam 90% da populao arbrea total, sendo que a espcie mais comum representava 52,3% dos 4904 indivduos levantados (LIMA, 1993, p. 138). Em Vitria, em levantamento realizado pela Prefeitura, apenas 3 espcies no atingiam mais de 15% dos indviduos da populao de rvores (PREFEITURA MUNICIPAL DE VITRIA, 1992, p. 15).28

Os pombos so hospedeiros de vrios parasitas e do toxoplasma gondi, protozorio causador

da toxoplasmose, uma infeco que pode atingir vrios rgos, inclusive do sistema nervoso central e do aparelho da viso (RAMOS, 2000). Sua proliferao um entrave conservao do patrimnio arquitetnico

71 reduzindo a populao desses animais (SPIRN, 1995, p. 240). A presena per si de muitas reas verdes podem ter pouco valor diversidade biolgica, se melhorias para atrao de fauna e flora no forem um objetivo do planejamento (NATURE CONSERVANCY COUNCIL, 1989, p. 39). Logo, o paisagista no pode negligenciar a oportunidade de "construir" ambientes especficos ou aproveitar fragmentos de ecossistemas em seus projetos, viabilizando a permanncia e o aumento da vida silvestre. sempre essencial saber para quais espcies da vida selvagem se est projetando, a fim de que o habitat inclua os organismos e os requisitos espaciais apropriados (SPIRN, 1995, p. 245). Entretanto, isso particularmente difcil, pois os dados sobre a vida na Terra so ainda escassos e inconclusos. No se conhece nem o nmero total de espcies vivas do planeta - as estimativas variam entre 5 e 30 milhes - e muito menos se sabe sobre sua ecologia. Geralmente, no processo de urbanizao, a vegetao nativa derrubada e novas plantas so introduzidas. Disso resulta que, ao redor do mundo, cidades com climas semelhantes abrigam virtualmente as mesmas espcies vegetais (SPIRN, 1995, p. 29). Esse fato evidentemente pouco interessante para a atrao e manuteno de biodiversidade nas cidades e nos ecossistemas circunvizinhos a elas. A variabilidade de espcies nativas brasileiras, de suas cores e formas, surpreendente. Infelizmente sua utilizao em projetos limitada porque falta pesquisa bsica no Brasil, sobre o uso de nossas espcies para fins urbansticos e paisagsticos (IRGANG, 1985, p. 57). Existem na flora brasileira cerca de 5 a 6 mil rvores merecedoras de estudos, visando sua introduo na arborizao urbana no Brasil. Menos de 100 espcies so usadas com essa finalidade (MELLO FILHO, 1985, p. 123; MELLO FILHO, 1994, p. 75) e 80% das rvores plantadas nas cidades brasileiras so exticas

72 (LORENZI 1992 in RODRIGUES & BREDT, 1994, p. 312). Para MAGNUSSON & LIMA (1999)Grande parte das rvores plantadas nas cidades brasileiras, em parques e ruas, no nativa, mas importada de outros continentes. Essa estratgia de paisagismo impede que os prprios brasileiros conheam a riqueza de sua flora e que os turistas identifiquem o local em que esto. Selecionar e utilizar espcies nativas, ornamentais ou frutferas, poderia trazer uma srie de vantagens para as cidades beneficiadas e valorizaria a natureza brasileira aos olhos das futuras geraes.

3.3 Presses urbanas sobre rvores

73 Nas cidades, as plantas so submetidas condies prejudiciais, como: compactao e impermeabilizao do solo, o que dificulta a penetrao das razes; deficincias minerais do solo; poluio do solo por metais pesados como chumbo, nquel e cdmio provenientes da queima de combustvel e de resduos de pneus; poluio do ar excessiva por poluentes como SO2, NO2, O3, CO2, CO e Cl2; impactos mecnicos (podas, vandalismo29, construo de edifcios, etc); grandes aglomerados de construes, que funcionam como barreiras biogeogrficas difceis de serem transpostas por organismos silvestres nos seus movimentos de polinizao e disperso de sementes (CESTARO, 1985, p. 55; MOTTA, 1985, p. 64). O calor emitido por ruas asfaltadas aquece a superfcie das rvores e pode at mat-las, se as plantas estiverem sob condies de pouca drenagem (ANDRESEN, 1976, in LIMA, 1993, p. 24). Pequenas diferenas no ambiente fsico das ruas fazem uma enorme diferena na taxa de sobrevivncia. As ruas poderiam ser projetadas para fornecer, s razes, espao, ar e gua. Em vez disso, prticas correntes agravam as condies j hostis. As ruas do centro so pavimentadas de uma fachada a outra. A pavimentao diminui a quantidade de gua que chega s razes. Nessas ruas, as rvores so plantadas em pequenas covas, que em caso de chuvas prolongadas podem ficar inundadas, apodrecendo as razes (SPIRN, 1995, p. 194, 196). Ao invs de plantadas em espaos pavimentados, SPIRN (1995, p. 210) sugere que substitua-se o concreto por p de pedra poroso, que um subproduto da britagem. A faixa de p de pedra permite um maior acesso de ar e gua s razes das rvores.29

BIONDI (1985, in LIMA, 1993, p. 35) constatou que Recife, mais 1 / 3 das rvores plantadas nas

ruas e avenidas apresentavam danos fsicos causados por atos de vandalismo, embora a autora tenha constatado posteriormente uma melhora do quadro (BIONDI, 1990). Em Curitiba, 37% das 2750 mudas plantadas em 1999 foram arrancadas; esse percentual chegou a 60% em alguns bairros (GAZETA DO POVO, 22/12/1999).

74 Os vrios fatores de estresse a que as rvores urbanas esto submetidas provoca a sndrome de resposta das rvores urbanas ao estresse, cujos sintomas so: menor crescimento, amadurecimento prematuro, menor tempo de vida, maior suscetibilidade ataques de fungos, vrus e insetos (FOSTER, 1977 in LIMA, 1993, p. 26). Isto traduz-se em diminuio dos benefcios supracitados e gastos na recomposio dos vegetais mortos ou senescentes. 3.4 Problemas causados pela arborizao Os principais problemas originados pela prtica da arborizao so o escurecimento noturno e diurno de ruas jardins e fachadas de casas; entupimento de calhas e quebra de telhas; ruas caladas e propriedades com o piso destrudo; canalizaes deslocadas, obstrudas ou quebradas; avarias em fios da rede

75 eltrica (em algumas cidades as rvores representam cerca de 50% das causas de interrupo do fornecimento de energia e de telefonia); emboloramento e danos nas fachadas da edificaes e encobrimento de letreiros e placas de sinalizaes. importante salientar que esses problemas no podem ser atribudos aos vegetais e sim ao planejamento, que falho ou mesmo inexistente (FERREIRA, 1985, p. 92; MAGALHES 1990 in LIMA 1993, p. 43; PEDROSA, 1983; SANTINI & BUENO, 1987 in LIMA, 1993, p. 33; HOEHNE, 1944, in LIMA, 1993, p. 33; MELLO FILHO, 1985, p. 120).

76 O entupimento de bueiros, por exemplo, pode ser evitado com a coleta regular dos resduos orgnicos das rvores: esses resduos podem ser aproveitados em programas de compostagem. Toneladas de composto orgnico seriam produzidos anualmente nas cidades e poderiam ser utilizados na prpria arborizao, na adubao das mudas. 3.5 Algumas reflexes HUDSON (1994, in KIELBASO, 1994, p. 5) calculou que somente os benefcios

77 oriundos da mitigao da poluio cobrem cerca de 60% dos custos de manuteno das rvores urbanas. Somando-se a isto a capacidade da arborizao urbana em reduzir o consumo de energia, este percentual eleva-se para 72%, o que por si s j justifica economicamente o plantio e manuteno da arborizao urbana. bastante provvel que o percentual de retorno aos cofres pblicos seja ainda maior, se forem includos nos clculos de Kielbaso os servios ecolgicos prestados pela arborizao.

78

Os benefcios so incontestveis, contudo, o planejamento da arborizao incipiente. Mesmo nos EUA, que tm uma slida tradio em arborizar suas cidades, apenas 38% delas podiam estimar o nmero de suas rvores, e 17% possuam um plano de manejo (KIELBASO, 1990, in KIELBASO 1994, p. 8). No Brasil, apesar de existirem publicaes sobre arborizao urbana datando de

79 1944, s a partir da segunda metade dos anos 1980 comeam a se organizar encontros e sistematizar as informaes (SANCHOTENE, 1994, p. 23). No leviano afirmar que a situao brasileira, no que refere-se ao planejamento e manuteno da vegetao urbana, mais desalentadora do que a norteamericana. A falta de planejamento origina mitos relacionados arborizao, como aquele que diz que a melhor medida para a avaliao de um sistema de reas verdes o ndice de quantidade de espao verde por habitante30. Mais importante que a rea total do sistema de espaos verdes o potencial de oportunidades que esses espaos oferecem, sendo que a magnitude deste potencial depende da facilidade de seu acesso visual e fsico ao pblico. Nesse sentido, as reas verdes ao longo de corredores terrestres de transporte contribuem bem mais que blocos macios de florestas na periferia (WHITE, 1968, in GRIFFITH & SILVA, 1987, p. 37). A proposio de White correta. Porm preciso no esquecer que apesar da importncia da vegetao em estruturar espaos livres para o lazer, ela tambm cumpre outros papis igualmente importantes, como demonstramos nesse captulo.

CAPTULO 4Piraj: Um Bairro e um ParqueIlusora de pessoas de outros lugares A cidade e sua fama vo alm dos mares E no meio da esperteza internacional, A cidade at que no est to mal E a situao, sempre mais ou menos30

Para MACEDO (1997, p. 38) o ndice da ONU de 12 metros quadrados de rea verde por

habitante defasado, pois no esclarece critrios de clculo, distribuio espacial e de caractersticas climticas. preciso que ele seja substitudo por parmetros onde o clima tropical e a realidade das cidades (adensamento, circulao de veculos, poluies e morfologia) sejam criadores de critrios que definam melhorias ambientais eficientes.

80Sempre uns com mais, e outros com menos A cidade no pra, a cidade s cresce O de cima sobe e o de baixo desce... (Francisco de Assis Frana, o Chico Science)

A

cidade

do

Salvador, 18%

com da

cerca

de

2.300.000 Dois

habitantes, fatores

detm

aproximadamente

populao

baiana.

principais

determinaram o crescimento urbano da cidade: a expanso do capital imobilirio, coordenada pelo poder pblico; e o povoamento de baixa renda, realizado de modo informal, pelos fluxos migratrios de reas rurais ou da prpria cidade, o que resultou num elevado contingente de assentamentos espontneos (CENTRO DE ESTUDOS SCIO AMBIENTAIS, 1997). Salvador reflete a pobreza que predomina na Bahia, que ocupa a 20 posio no ranking de ndice de desenvolvimento humano (IDV) da ONU, em comparao com as outras 26 unidades da Federao. Se fosse um pas, a Bahia ocuparia o 106 lugar, num ranking de 174 pases (FOLHA DE SO PAULO, 9/9/1998). As elevadas taxas de subemprego e desemprego e a questo habitacional esto entre os principais problemas da cidade (CENTRO DE ESTUDOS SCIO AMBIENTAIS, 1997, p. 4). A primeira invaso de Salvador, a do Corta Brao, hoje o bairro do Pero Vaz, surgiu em 1946. Desde ento a ocupao informal do solo urbano ampliou-se continuamente e se tornou soluo de moradia para grande parte da populao segregada economicamente. Com a ampla consolidao das reas habitacionais ocupadas informalmente, acentuaram-se as diferenas sociais no espao construdo, mantendo-se a gnese da desigualdade social (GORDILHO TARDE, 12/12/1999-c). Com cerca de 80% de sua rea constituda por encostas, Salvador vem experimentando um crescimento acentuado. Diariamente surgem novas ocupaes pauprrimas, sem esgoto sanitrio, coleta de lixo ou gua tratada, muitas das quais localizadas em reas de declividade acentuada. Cerca de 70% in A

81 da rea urbana ocupada de forma oficiosa31 (SERPA, 1996-d, p. 279; SERPA & SERPA, 1990, p. 36). Nesse conjunto de reas moram atualmente cerca de 73,1% da populao, afirma a professora Angela Gordilho (GORDILHO in BANDEIRA, 2000). BRITO (1995, p. 98-99), observa que, com o crescimento acelerado de Salvador, especialmente a partir dos anos 70, a urbanizao foi se adequando como era possvel demanda crescente por novas moradias e servios. Essa demanda implicou (implica ainda) em dois padres de construo opostos. Um aquele feito por profissionais, os quais, geralmente, procedem menosprezando o entorno e as oportunidades oferecidas por ele, prevalecendo a construo como nico elemento a ser valorizado na paisagem. E h a arquitetura sem arquitetos, causadora de problemas diversos, tais como, ocupao irracional das encostas, insuficincia de espaos abertos nos bairros, entre outros. realizada pela populao de baixa renda e dominante em Salvador32. Como comum a todas as metrpoles brasileiras, o crescimento urbano de Salvador deu-se atravs de um planejamento parcial, que contemplava alguns loci em detrimento de outros, aliado a um desenvolvimento econmico de base industrial que atraiu uma corrente migratria contnua. Desta feita, Salvador apresenta hoje um desenho urbano problemtico, com o solo sendo ocupado de maneira desordenada, com a diminuio de reas verdes e aumento da poluio sonora e das praias, pela grande deposio de esgotos (SILVA & FERNANDES, 1996, p. 57).

31

O termo oficiosa significa que a lei do uso do solo raramente aplicada: a legislao exige que,

para cada construo, elaborem-se um perfil topogrfico, clculo de volume de desmonte, relatrios de sondagem, projetos geotcnicos e de escoamento de guas pluviais (SERPA & SERPA, 1990, p. 36).32

mister esclarecer que nos bairros populares residem muitos pedreiros, que, apesar da pouca

escolaridade, so competentes na construo de moradias. Assim, parte dos problemas citados pela arquitetura popular, podem ser explicados pelas dificuldades topogrficas ou outras peculiaridades que desvalorizam uma rea, tornando-a possvel de ser ocupada por famlias de baixa renda.

82 Apesar das condies ecolgicas originalmente excelentes, no tocante temperatura, pluviosidade, insolao e luminosidade, umidade relativa, textura e fertilidade dos solos, que permitem uma variada e luxuriante vegetao paisagstica, a arborizao de Salvador deveras modesta. H uma escassez de arborizao em numerosas avenidas e bairros, principalmente os perifricos (FARIA, 1987, p. 80, 81). 4.1 O subrbio ferrovirio de Salvador (baseado em PEDRO, 1998, p. 76 93, salvo onde indicado). O Subrbio Ferrovirio de Salvador, onde localizam-se o bairro de Piraj e o Parque Metropolitano de Piraj, um dos vetores de expanso de pobreza da cidade. Do ponto de vista urbanstico, o subrbio caracteriza-se por possuir habitaes em geral precrias33; pela ausncia de um sistema de saneamento bsico; pela baixa qualidade dos servios pblicos, principalmente educao, sade, transporte coletivo e coleta de lixo; altas taxas de desemprego e subemprego e renda familiar mdia de dois salrios mnimos (CENTRO DE ESTUDOS AMBIENTAIS, 1997, p. 4). Localizado na parte ocidental de Salvador, prximo Baa de Todos os Santos, o Subrbio Ferrovirio tem uma rea de aproximadamente 4145 ha, bordeando a Baa de Todos os Santos. O censo do IBGE de 1991 apontava uma populao de 217.361, com projeo de 285.500 pessoas para 200034. O subrbio uma rea de concentrao de pobreza, que redunda nas agresses ambientais (discutidas no captulo 2), sendo Salvador. Sua ocupao foi inicialmente promovida pelos engenhos de cana-de-acar nos ncleos de Paripe, Plataforma e Periperi. At a implantao da rede ferroviria, a rea onde est assentado o Subrbio pouco diferenciava-se do restante do Recncavo, onde imperava a produo aucareira.33

considerada a regio urbana mais problemtica de

A precariedade do subrbio traduz-se na pouca valorizao de seu solo urbano, cujo metro A FABS (Federao das Associaes de Bairros de Salvador) estima, no entanto, que a

quadrado o mais barato da cidade do Salvador (BRITO, 1997).34

populao atual do subrbio gire em torno de 600.000 habitantes.

83

A transio da economia agro-exportadora para a industrial marca o primeiro impulso de urbanizao da rea. O setor agrcola desestruturado, e desenvolvese o setor secundrio. Esses fatos, aliados a transformaes na infra-estrutura rodoviria do Subrbio, como a construo da avenida Suburbana em 1969, originam uma corrente migratria a partir de 1955, a qual reflete-se em uma expanso significativa da mancha urbana inicial, composta pelos bairros de Plataforma, Periperi, Coutos e Paripe. Nos anos 80 implanta-se o loteamento Fazenda Coutos, para onde foram relocados os invasores das "Malvinas" e surgem duas grandes invases: a de "Bate Corao" e "Nova Constituinte". Nesta dcada fica evidente a falta de espao para grandes iniciativas habitacionais. A partir de ento intensificam-se as ocupaes de reas muito acidentadas ou encharcadas, imprprias para habitar, realizadas por grupos de pobreza extrema. A designao "Subrbio Ferrovirio" no precisa, pois projeta uma falsa impresso de unidade, de homogeneidade da mancha urbana, quando o que se

84 verifica o oposto: trata-se de uma regio urbana com espaos bastante diferenciados, de bairros estruturados a invases, onde predomina a quase total ausncia de infra-estrutura urbana. Reiteradas presses de degradao, decorrentes da predominncia da pobreza, tm tornado esta parte da cidade do Salvador progressivamente inadequada ao habitar. O Subrbio vem perdendo progressivamente seu valor, pois ficou margem de investimentos pblicos e privados, que elevaram os preos da terra e dos espaos urbanizados na parte leste da cidade (orla martima), com a previsvel desvalorizao da parte oeste. A falta de investimentos reflete-se na deficincia de infra-estrutura e na conseqente impossibilidade de desenvolvimento de um setor de comrcio e servios, o que caracteriza o subrbio como uma regio predominantemente de baixa renda. Nos bairros do subrbio predomina um padro de ocupao construtiva quase total do territrio, o que resultou em uma quase ausncia de reas verdes; estas

85 so poucas e concentradas, localizadas basicamente nas fronteiras do subrbio, destacando-se o Parque Metropolitano de Piraj (PMP) e a rea da Base Naval de Aratu (que rea vedada circulao de populares). Essa "m distribuio" dificulta a maximizao dos benefcios da presena de espaos vegetados. O Subrbio Ferrovirio compartilha problemas ambientais comuns a outras periferias brasileiras: a coleta de lixo inexistente ou deficiente e a rede de esgoto no contempla todos os bairros. O parcelamento irregular dos lotes, bem como a freqente inexistncia de caladas, problemas caractersticas das periferias brasileiras (ULTRAMARI & MOURA, 1996, p. 1, 3) dificultam e desestimulam a arborizao.35 4.2 O bairro de Piraj Piraj um bairro perifrico, outrossim, dado o conceito de periferia ser nebuloso, cabe aqui breve conceituao.

35

Segundo SANTANA (1996, p. 79), as ruas dos bairros perifricos de Salvador quase sempre

so estreitas, e no esto devidamente preparadas para desempenhar suas funes.

86

O dicionrio MICHAELIS apresenta vrias definies para o vocbulo periferiape.ri.fe.ri.a sf (gr periphreia) 1 Geom Contorno de uma figura curvilnea. 2 Estereometria. 3 Superfcie de um slido. 4 Circunferncia. 5 Anat Superfcie externa do corpo ou de um rgo. 6 Bot Extremidade marginal da folha. 7 Urb Regio distante do centro urbano, com pouca ou nenhuma estrutura e servios urbanos, onde vive a populao de baixa renda (DICIONRIO MICHAELIS ON LINE, 1999).

Em todas as definies est explicita a oposio centro / arredores. Contudo, a distncia no o melhor critrio para a definio de reas perifricas da urbe. BONDUKI & ROLNIK (1979, p. 84, 85) definem periferia como as parcelas do territrio que tm baixa renda diferencial. Apresentar baixa renda diferencial significa uma srie de caractersticas conjugadas, onde a distncia apenas uma delas. Quanto maior o nmero de melhorias, maior ser a renda diferencial, o que explica a valorizao dos

87 terrenos. Ao relacionar espao a preos, a renda de terra impe padres de ocupao que segregam o territrio urbano, produto do trabalho coletivo. A elevao da renda diferencial de um terreno torna-o cada vez menos acessvel s parcelas menos remuneradas da fora de trabalho, que acabam por ser "expulsas" para periferias cada vez menos urbanizadas (BONDUKI & ROLNIK, 1979, p.77, 79, 80). Segundo PAVIANI (1994, p. 183), atualmente nem sempre a periferia ocupa os anis mais externos da metrpole. Paviani afirma que, em muitas grandes cidades, os empobrecidos ocupam espaos intercalares do tecido urbano. Ao mesmo tempo, processos recentes tem gerido periferias nobres, ou, no linguajar dos empreendedores imobilirios, condomnios fechados, villages ou cidades jardins, que so ocupados pela classe mdia ou alta, com capacidade de pagar pela qualidade ambiental em pontos diferenciados da metrpole. Para VILLAA:Nossa histria urbana no s a histria da espoliao da maioria popular, mas tambm a da participao do Estado nessa espoliao, por intermdio das obras pblicas que privilegiam os bairros dos mais ricos; da transferncia dos rgos pblicos para esses bairros; da legislao urbanstica que privilegia esses mesmos bairros; da histria das prioridades na destinao dos recursos pblicos (VILLAA, 1999).

Na evoluo urbana do subrbio ferrovirio houve uma ausncia de planejamento dos espaos pblicos de uso coletivo, como caladas, pontos de nibus, praas, ou seja: ausncia de planejamento, ausncia ou insuficincia de injeo de recursos, como afirmou Villaa no pargrafo anterior (PEDRO, 1998). O bairro de Piraj adequa-se viso clssica de periferia, sendo, deste modo, o registro visvel no espao, dos mecanismos de segregao e excluso, que traduzem-se em: habitaes insuficientes e de m qualidade, inexistncia de infra-estrutura bsica e transporte coletivo deficiente (PAVIANI, 1994, p. 182; GROSTEIN, 1990, p. 33). Alm da falta de infra-estrutura, o bairro sofre com os altos ndices de criminalidade, sendo considerado o mais violento do subrbio

88 (Projeto Ecoscmbio, in ANGEOLETTO; SERPA & SOUZA, 1996, p. 18) O termo Piraj significa chuva ou garoa mida em linguagem indgena. No sculo XVI j existiam Engenhos de cana na regio onde hoje est situado o bairro de Piraj, a exemplo do Engenho de Simo de Andrade. L travou-se a batalha de Piraj, ganha pelo exrcito dos libertadores, em novembro de 1822 (TEIXEIRA, 1999). Nessa batalha, decisiva para a definitiva expulso das tropas portuguesas, um episdio peculiar garantiu a vitria dos brasileiros. Foi nela que o corneteiro Lus Lopes teve uma marcante e anedtica participao, dando o toque de "Avanar Cavalaria e Degolar", ao invs do toque de recuar, como havia sido ordenado. Com o ataque renovado dos brasileiros, os portugueses debandaram (CORREIO DA BAHIA, 2/7/1998-a). A histria do bairro marcada pela excluso scio-espacial comum s periferias brasileiras. Falta de arborizao, de equipamentos de consumo coletivo, de emprego, de saneamento bsico so problemas que resistem aos anos, e que tm sido reportados pela imprensa soteropolitana (FOTOS 01 e 02) {TRIBUNA DA BAHIA (8/5/1988-a);TRIBUNA DA BAHIA (8/5/1988-b); TRIBUNA DA BAHIA (8/5/1988-c); A TARDE (8/2/1988); A TARDE (12/7/1982-a); A TARDE (9/7/1982b); A TARDE (20/6/1975); A TARDE (7/3/1972)}. segregao espacial e s carncias somam-se as poucas opes de lazer. Parece haver, segundo a FOLHA DE SO PAULO de 27-08-1996, uma relao entre a falta dessas opes e o aumento da violncia urbana. A paisagem bastante rida e escassos so os espaos pblicos, h no bairro somente duas praas. Em contraposio exuberncia da vegetao do Parque contguo ao bairro (o Parque Metropolitano de Piraj - PMP), este apresenta grande parte dos seus eixos de circulao desprovidos de arborizao. O bairro pode ser subdividido em trs tecidos urbanos distintos: um de crescimento no planejado (Piraj) e dois planejados e construdos pela URBIS (Companhia de Habitao e Urbanizao da Bahia) (Piraj I e II). Entretanto, dada a homegeneidade e a origem comum dos tecidos planejados, e para efeito de comparao com o tecido espontneo, resolvemos agrup-lo em uma s massa,

89 doravante chamada de Piraj I. Tanto em Piraj, quanto em Piraj I, flagrante a escassez de arborizao e de espaos de lazer e socializao. Se no tecido espontneo essa escassez em grande parte conseqncia da produo no planejada das moradias e de seus espaos livres (FOTOS 03, 04, 05, 06), em Piraj I no houve qualquer preocupao da URBIS em arborizar as ruas. Quando entregue aos moradores, em 1981, coube aos mesmos as iniciativas para arborizao do tecido planejado (FOTOS 07,08, 09, 10).

Piraj tem apenas uma praa (FOTOS 11, 12) assim como Piraj I (FOTOS 13, 14), com o agravante de ser mal localizada, em mais um erro grave da URBIS. Estranhamente, a URBIS reproduz em Piraj I problemas comuns no tecido espontneo: grande parte das ruas so vielas estreitas - o que dificulta a arborizao - e uma boa parte das residncias no tm quintal ou ao menos uma nesga de terra que pudesse comportar alguma vegetao. Muitos moradores abriram a golpes de picareta o concreto que revestia a poro de rea livre de suas casas, com o intuito de cultivar plantas medicinais, ornamentais e mesmo frutferas. Em Piraj, grande parte dos lotes de propriedade da famlia Martins Catharino36, e foram ocupados. Com a despoluio da Baa de Todos os Santos, at 2003, atravs das obras de saneamento do Governo do Estado da Bahia (projeto conhecido como Bahia Azul), espera-se uma valorizao das praias do subrbio (SERPA, 1999-C, p. 18; PEDRO, 1998 P. 84). Este fato tem causado preocupao moradores cujos lotes esto em situao irregular. Com a valorizao, possvel que muitos moradores sejam obrigados a comprar os terrenos ou abandon-los (SERPA, 1999-C, p. 18). 4.3 O Parque Metropolitano de Piraj36

A situao fundiria dos bairros do subrbio em grande medida irregular. A famlia Martins

Catharino vem reclamando o direito de posse de uma propriedade cuja rea engloba Plataforma e estende-se a outros bairros, inclusive Piraj (SERPA, 1999-c, p.18)

90 O Parque Metropolitano de Piraj, contguo ao bairro, possui rea de 1.550 hectares (FOTOS 15, 16). Seu valor ecolgico elevado. Uma das ltimas grandes reas verdes do Salvador, o PMP caracteriza-se por apresentar uma grande variedade de ambientes: floresta ombrfila densa (mata atlntica, com aproximadamente 900 ha), ecossistemas fluviais e marinhos, pntanos e manguezais. O PMP contm um subespao de 75 ha, conhecido como Parque So Bartolomeu (PSB). Estimativas preliminares para a Mata Atlntica indicam uma diversidade vegetal mnima de 10.000 espcies, das quais 53% das rvores, 74% das bromlias e 64% das palmeiras so endmicas. Tambm so endmicas, ou seja, s ocorrem neste ecossistema 214 espcies de aves, das 940 registradas e 73 espcies de mamferos (260 espcies registradas); bem como 92% das 183 espcies de anfbios (IEF, 1994 in FONSECA, 1997, p. 456). Em um nico hectare de Mata Atlntica no sul da Bahia, podemos encontrar 454 diferentes espcies de plantas, enquanto nas florestas temperadas registram-se apenas 10 espcies por hectare. um dos biomas mais ricos em biodiversidade e tambm o segundo mais ameaado do planeta. Calcula-se que 70% da populao brasileira vivem em reas de ocorrncia de Mata Atlntica. " uma floresta que est no nosso quintal e seu processo de degradao contnuo e contemporneo. Acontece hoje em ritmo duas vezes mais acelerado do que o registrado na Amaznia'', alerta Mrio Mantovani, diretor da SOS Mata Atlntica (MUNIZ, 1999)37. A manuteno das florestas tropicais (como o caso daquela presente no parque), segundo LOVELOCK (1991 p. 170-171; 1997, p. 622) imprescindvel, pois elas atuam na regulao climtica global, bombeando atmosfera fantsticas quantidades de gua em estado gasoso, formando-se nuvens que amenizam o calor nos trpicos e aquecem regies distantes (frias) pela liberao da energia contida no vapor dgua.37

Estudo realizado pela organizao ambiental americana Conservation International (CI), sobre

os pontos biologicamente mais atingidos do planeta, aponta a Mata Atlntica como a rea mais ameaada do Brasil e a quinta em todo o mundo (REVISTA GALILEU, 1999).

91

Parte da Bacia do Rio do Cobre tambm compe esse bioma. A EMBASA (Empresa Baiana de guas e Saneamento) mantm uma estao de tratamento no interior do Parque, sendo responsvel pelo abastecimento dirio de cerca de 110.000 pessoas. a mais importante reserva de gua potvel do Subrbio Ferrovirio38 (CENTRO DE ESTUDOS SCIO AMBIENTAIS, 1997, p. 2), de cuja existncia depende, evidentemente, a preservao do Parque. Uma digresso pertinente neste ponto. H uma importncia estratgica na manuteno de reservas de gua nos ecossistemas urbanos. As cidades importam mais gua do que todos os outros bens e matrias primas combinados (SPIRN, 1995, p. 145). Por manejo inadequado, a oferta desse recurso diminui rapidamente, sendo provavelmente o principal problema ambiental a ser enfrentado pelas cidades do planeta, nos prximos 30 anos, segundo pesquisadores das Universidades de Cambridge e Standford (NOVAES, 1996, p. 52). Segundo a Revista do CREA paranaense (1998, p. 18), a ONU estima que, em 2005, dois teros da populao mundial sofrero com a falta de gua. O Brasil, a despeito de sua notvel disponibilidade de gua (cerca de 8% da gua doce disponvel no planeta), corre riscos de enfrentar crises de abastecimento em virtude da acelerada degradao dos recursos hdricos, principalmente nas regies metropolitanas (PAULA. In: PAULA, 1997, p. 208). O abastecimento de gua problema grave em grande parte das metrpoles do terceiro mundo, ou porque o recurso no existe ou porque difcil traz-lo para o usurio (CAMPBELL, 1992, p. 197). Outra razo para a conservao dos fontes de gua doce o custo de tratamento para garantir o suprimento de gua potvel: US$ 2,00 para tratar 1000 m3 de gua de boa qualidade contra US$ 8,00 para tratar o mesmo volume de gua degradada (TUNDISI & BARBOSA, 1995 in BARBOSA & PAULA, 1997, p. 260). Alm disso, lagoas e rios so uma fonte importante de alimentos (BARBOSA &38

PARS & BORJA (1996, p. 85), em pesquisa no bairro de Ilha Amarela, dectaram que a quase

totalidade dos esgotos do bairro despejada no rio Man Dend, efluente do Rio do Cobre, e formador da Cachoeira de Oxum , no interior do Parque.

92 PAULA, 1997, p. 260). Distribuda de forma desigual pelo planeta, a gua chega a ser motivo de conflito entre pases. O mais crtico deles envolve israelenses e palestinos, cujos mananciais disponveis dependem de acordos entre Jordnia, Sria, Lbano, Egito e Arbia Saudita (LOPES, 1999; B, 1999). Entre os decnios de 70/80 e 80/90, enquanto que a cidade do Salvador apresentou, para os mesmos perodos, taxas de crescimento de 48,79% e 38,58%; o subrbio apresentou taxas de crescimento de 87,41% e 68,07%, respectivamente (CENTRO DE ESTUDOS SCIO AMBIENTAIS, 1997, p. 4). evidente que o crescimento do subrbio torna o Parque Metropolitano de Piraj (caracterizado adiante) um vetor preocupante de ocupao. De fato, fmbrias do bairro de Piraj estendem-se sobre a mata ( FOTOS 17, 18) (ANGEOLETTO; SERPA & SOUZA, 1996 p. 18). Em 1996, 3 hectares de mata ciliar do Rio do Cobre foram derrubadas39, nas proximidades da barragem da EMBASA. Para PEDRO (1998, p. 82)(...) a realidade do Parque hoje a diria ameaa de seu contorno atual, devido, por um lado, demanda de solo para habitao, e por outro lado intensificao de ocupao lindeira BR 324 (localizada a leste do parque), principalmente de equipamentos industriais (...)

Alm de possuir uma reserva de gua estratgica, o parque detm um precioso fragmento de floresta ombrfila densa - ecossistema cuja biodiversidade est entre os maiores do planeta. As florestas tropicais so o lar de dois teros dos organismos do mundo (RAVEN, 1997, p. 153), e seu patrimnio gentico pode vir39

As agresses ao patrimnio hdrico do Parque no partem apenas dos excludos que derrubam

mata ciliar para construir. A URBIS (Urbanizao e Habitao da Bahia S/A) foi acionada pelo Ministrio Pblico da Bahia e Ministrio Pblico Federal, devido a construo de um conjunto habitacional s margens do Rio do Cobre. Tambm foram acionadas empresas que exploram arenoso na regio da Lagoa da Paixo, nascente do Rio do Cobre (TRIBUNA DA BAHIA, 09/10/1999).

93 a ser uma fonte importante de divisas ao Brasil. Os benefcios da preservao do parque so inmeros. Diante da evidente importncia da sua manuteno, qual tem sido a atuao do poder pblico municipal e das organizaes no governamentais? Como no caso da falta de infra-estrutura em Piraj, a imprensa baiana tambm tem registrado o abandono do Parque So Bartolomeu, bem como sua progressiva descaraterizao (A TARDE, 9/2/1978; DIRIO DE NOTCIAS, 6/11/1975; A TARDE, 17/7/1979; TRIBUNA DA BAHIA, 24/1/1988-e; JORNAL DA BAHIA, 10/12/1987; A TARDE, 16/8/1987; A TARDE, 2/8/1982-e; A TARDE, 11/9/1988; CORREIO DA BAHIA, 8/8/88; TRIBUNA DA BAHIA, 28/5/1988-e; TRIBUNA DA BAHIA, 21/10/1992; A TARDE, 9/9/91; A TARDE, 26/8/1991; A TARDE, 17/2/1973). A municipalidade, desde que o Parque foi criado, atravs do Decreto 5363 de 28/04/1978, apresentou vrias propostas para a preservao do Parque, das quais 4 so aqui analisadas. Em maro de 1982 a Superintendncia de Parques e Jardins (SPJ), vinculada Secretaria de Urbanismo e Obras Pblicas da prefeitura municipal do Salvador publicou um documento com propostas para a questo do parque, entre as quais destacam-se: a eliminao na rea do Parque de uma faixa de aproximadamente 100 metros, em sua poro sudoeste; a construo de uma cerca observando-se a nova delimitao proposta; definio de espaos especficos reservados s manifestaes do candombl; A justificativa da 1 proposta era relocar os moradores para fora do Parque, sem dispender recursos para tanto. Nas palavras dos autores do documento:A PMS (Prefeitura Municipal do Salvador) estar, de uma forma realista, atingindo o objetivo de evitar moradias na rea do PSB (Parque So Bartolomeu), sem dispender recursos financeiros significativos (SUPERINTENDNCIA DE PARQUES E

94JARDINS, 1982, p. 7).

Fica ntida nessa proposio a ingenuidade de fiar-se apenas em medidas do poder executivo para estancar a prtica de ocupao de solo do Parque. Em todo o caso, redefinindo-se os seus limites legais, a SPJ defendeu o cercamento, para, com essa medida, garantir a proteo do Parque contra qualquer futura invaso. Poucos meses depois da elaborao do documento da SPJ, o ento prefeito Renan Baleeiro props que o Parque fosse loteado para a construo de moradias. Percebe-se aqui uma contradio entre as proposies da SPJ, um rgo da prefeitura, e a proposta do prefeito Baleeiro. O fato que sua idia despertou muitas controvrsias. Houve muita presso contrria, mas provvel que tenha pesado muito mais o fato dos prprios beneficirios do loteamento se negarem a ocup-lo, pois segundo eles o Parque era moradia de Orixs - divindades do candombl, e os mesmos no queriam correr o risco de uma profanao (SERRA, 1984, p. 106). O jornal A TARDE (11/8/1982-c) noticiou o affair :Objeto de muita polmica, o Parque foi ameaado de desapropriao para dar lugar instalao de famlias sem residncia, mas os representantes dos cultos afro lutaram para preservar o que consideram um local sagrado para suas prticas religiosas, chegando agora ao convnio que dar condies a que seja construdo o Templo dos Orixs40, no local.

O convnio foi assinado entre a FEBACAB - Federao Baiana dos Cultos Afro e o prefeito Renan Baleeiro. Provavelmente visando reparar sua imagem, arranhada com a proposta de loteamento do Parque, alm de assinar o convnio, o prefeito Baleeiro criou o Conselho de Administrao do Parque So Bartolomeu, tendo como presidente Me Menininha do Gantois, e como vice o escritor Jorge Amado. O objetivo do Conselho era analisar, estudar, sugerir e40

O Templo no foi construdo.

95 viabilizar normas para a regulamentao do uso do Parque. O Conselho era composto por: 1 membro do Centro de Estudos Afro-Orientais; 1 membro do rgo Central de Planejamento;1 membro da Superintendncia de Parques e Jardins; 1 membro da FEBACAB; 1 membro da Fundao Museu da Cidade do Salvador (A TARDE, 23/8/1982-d). No h nos peridicos notcias de alguma deliberao do Conselho. Na gesto da prefeita Ldice da Mata (1993 - 1996), a Secretaria Municipal de Planejamento (SEPLAN, s/d) tornou pblico um documento com diversas propostas para o Parque So Bartolomeu. No h meno ao Parque Metropolitano de Piraj. Entre as principais propostas cita-se: a construo de uma cerca de arame farpado visando impedir qualquer invaso futura instalao de equipamentos urbanos de apoio ao turismo e s prticas rituais do candombl recuperao da cobertura vegetal da zona oeste do Parque, numa extenso de 85 hectares. Essas propostas, bem como outras menos significativas e no comentadas aqui, tm carter endgeno, isto , dizem respeito ao Parque, ou melhor dizendo uma poro nfima do Parque Metropolitano, o Parque So Bartolomeu, com seus 75 hectares, que perfazem apenas 4,84% da rea total do Parque. No h meno ao cinturo de pobreza que o margeia, e no h propostas que atentem para a melhoria da qualidade das vidas dos moradores do seu entorno. Tambm no h indicativo da metodologia para a recuperao da cobertura vegetal. importante ressaltar que a completa recuperao de um ecossistema complexo como a floresta presente no Parque no se obtm apenas plantando-se rvores, preciso estimular a sucesso de grupos de plantas que culminem na "arquitetura" original da mata, um processo de muitos anos. E afinal, o que garantiria o cessar dos desmatamentos? So pontos no abordados pela SEPLAN.

96 As propostas da gesto seguinte, do prefeito Antonio Imbassahy (1997 - 2000), abrangem o Parque Metropolitano de Piraj, e no apenas seu fragmento mais significativo para o turismo - o Parque So Bartolomeu. O documento (PMS, 1997) apresenta propostas especficas ao Parque Metropolitano e ao Parque So Bartolomeu. Para o Parque Metropolitano foram propostas as seguintes aes: reflorestamento das reas desmatadas; implantao de um horto para o cultivo de mudas visando o reflorestamento e instalao de um apirio, com utilizao da mo de obra local nas duas atividades; implantao de lojas para a venda de produtos diversos, cuja renda seria revertida para a manuteno do parque; cercamento da rea do Parque Metropolitano; Para o Parque So Bartolomeu foram propostas as seguintes aes: remoo de 427 famlias do interior do parque; retirada de barracas de comrcio prximas a Cachoeira de Oxum; cercamento da rea do Parque So Bartolomeu. As propostas da gesto Imbassahy, ao contrrio das anteriores, aborda o Parque como um todo, e reconhece que preciso intervir tambm em seu entorno, gerando emprego e renda. No entanto, a proposta da prefeitura no apresenta alternativas nesse sentido PELA & ANGEOLETTO (1998). Em suma, so proposies insuficientes, que no alterariam as presses antrpicas que a rea vem sofrendo. Quanto ao candombl, no h qualquer proposta que estimule e garanta sua prtica, apesar deste ser um dos objetivos do projeto. A partir do anos 80, a sociedade, atravs das organizaes no governamentais, vem apresentando propostas para a preservao do Parque. Em 1987, a AMPLA (Associao dos Moradores de Plataforma, bairro do entorno do Parque) promoveu um seminrio sobre os problemas do Parque. No documento publicado

97 (AMPLA, 1987), reconhece-se a impossibilidade de preservao do Parque sem a adoo de medidas que garantam melhores condies de vida aos moradores do subrbio. Entre as propostas defendidas no seminrio destacam-se: o cercamento do Parque; aes educativas (educao ambiental) nos bairros; promoo sistemtica de eventos culturais que garantissem a freqncia dos moradores do subrbio. A promoo de eventos culturais no Parque no visa apenas atender demanda dos moradores por cultura. A ex-coordenadora e uma das fundadoras da AMPLA, Antonia Garcia, enftica ao defender que a apropriao do Parque pelos moradores do subrbio a medida mais importante para a sua preservao (Antonia Garcia, comunicao pessoal, 1999). Para ela, preciso que os suburbanos adotem o Parque como seu, descubram seus encantos e possibilidades de lazer, pois essa forma de apropriao contribuiria enormemente para inibir a violncia no Parque; bem como facilitaria o desenvolvimento de projetos para sua preservao. Em 1991, a ASSOCIAO AMIGOS PARQUE SO BARTOLOMEU / PIRAJ, inicia a

DOS

DO

formao de um corpo de guias e guardies do Parque. Foram selecionados 35 adolescentes de escolas pblicas do subrbio. Estes adolescentes eram remunerados e freqentavam palestras onde evidenciavam-se aspectos sociais, ecolgicos e culturais relativos ao Parque. A atuao dos guias e guardies deveria envolver: educao ambiental junto comunidade e usurios; vigilncia sistemtica do Parque; levantamento de flora e fauna; participao em projetos de produo de mel e mudas para a recomposio de reas desmatadas O documento da Associao permeado pelo discurso de integrao

98 moradores / Parque. Contudo, tambm esse conjunto de propostas marcado pelo seu carter endgeno, no h propostas para a resoluo dos problemas do entorno, e claro o que LEONARDI (1996, p. 18, 19) classifica como ingenuidade, o fato dos educadores da Associao defenderem a educao ambiental como a soluo para todos os problemas do parque. Mesmo no campo em que a Associao dispe-se a atuar - a educao ambiental - bastante questionvel sua proposta dos guias como difusores do conhecimento adquirido em sua formao. evidente a necessidade de difuso dos conhecimentos relativos ao Parque, mas pouco plausvel confiar essa tarefa a poucas dezenas de adolescentes, que habitam um universo de milhares de pessoas. Quanto ao intento de vigilncia por parte dos menores, ele francamente risvel. Participei da formao de um grupo desses adolescentes em 1995, como educador, e meus pedidos para excursionar com os "guias e guardies" dentro do Parque eram negados, por questes de segurana. Nas poucas vezes que educadores e coordenadores do projeto caminharam pelo parque, sempre havia uma escolta da polcia militar. O GERMN (Grupo de Recomposio Ambiental) tornou pblico, em 1993, um projeto de recuperao ambiental destinado ao parque. De todos os documentos aqui analisados, este o nico onde h a real inteno - embasada por uma metodologia e contratao de pessoal qualificado - de se realizar um diagnstico das reais condies scio-ecolgicas do Parque. Por isso, o projeto bastante evasivo quanto a propostas de aes, estas so relegadas a um segundo momento, quando os dados do diagnstico norteariam intervenes. Em 1994, a ASSOCIAO AMIGOS PARQUE SO BARTOLOMEU / PIRAJ lana o

DOS

DO

Projeto So Bartolomeu / Memorial Piraj. O objetivo da Associao foi o de construir uma proposta de Educao Ambiental ampliada, ou seja, no s com adolescentes mas tambm com professores e estudantes das escolas pblicas do subrbio.

99 Indubitavelmente constata-se um avano na tentativa de difuso das

caractersticas e problemas do Parque a um nmero maior de pessoas, embora a defesa da educao ambiental como soluo para todos os problemas do Parque continue transparecendo neste segundo projeto da Associao. Mais recentemente, a partir de 1996, o Centro de Educao So Bartolomeu (CEASB) inicia suas atividades. Como est explcito em sua denominao, o CEASB dedica-se a projetos de educao ambiental, em escolas pblicas do subrbio ferrovirio de Salvador. Outra rea de atuao do CEASB a promoo de atividades de "sensibilizao da mdia" (segundo declaraes de seus membros, em matria de A TARDE de 23/11/96) para os problemas do parque. No intuito de alertar a populao baiana acerca dos problemas do Parque, o CEASB levou ao Parque Carlinhos Brown e Margareth Menezes, em outra ocasio havia levado Daniela Mercury, que se declararam aliados de sua preservao. Em outra reportagem (CORREIO DA BAHIA, 24/8/1996), o CEASB afirmou que a segurana atualmente o principal e mais urgente problema do Parque. A segurana, ou melhor dizendo, a falta dela, certamente um problema, mas no o principal nem o mais urgente. A insegurana somente um reflexo das condies aviltantes a que esto submetidos os moradores do entorno do Parque. Em 1999, uma passeata e um abaixo assinado foram promovidos pelo CEASB. Ambas manifestaes tinham como objetivo o reconhecimento do Parque como Patrimnio Cultural da Humanidade pela UNESCO (CORREIO DA BAHIA, 21/8/1999). Cabem aqui duas perguntas. Quais sero os resultados prticos dessa campanha? Qual a diferena entre ser um Parque Metropolitano, Federal ou Patrimnio da Humanidade quando h um histrico de propostas no realizadas por vrios governos municipais desde que o Parque foi fundado? A proposta do prefeito Renam Baleeiro, acima comentada, demonstra com perfeio a pouca ateno que o mesmo recebe por parte do poder pblico. Nas aes do Associao dos Amigos do Parque So Bartolomeu, e mais

100 recentemente do CEASB, a maioria dos problemas ambientais do parque est ocultada pela idia de que educao ambiental preserv-lo; est implcita a idia de que quem destri o Parque so os soteropolitanos, e a eles remetida a responsabilidade por sua preservao. No atenta-se para o processo de produo e reproduo da cidade, que originou o quadro de bairros sub-normais margeando o Parque41. Essas prticas, que contribuem para obnubilar as reais responsabilidades e

possibilidades de atuao de cidados e poderes pblicos, no podem ser classificadas como educativas. Paula BRGGER (in RODRIGUES, 1998, p. 136, 202) define esse tipo de "educao" como adestramento ambiental. 4.4 Algumas concluses sobre a atuao de poderes pblicos e ong's no Parque Em tese, no h soteropolitano contrrio preservao do Parque, a no ser, talvez, os excludos que habitam suas entranhas. O que se constata, porm, o isolamento do subrbio, e a virtual desconsiderao do Parque pelos cidados de classe mdia. Por isso, sensibilizaes da mdia ou qualquer outro nome que se d tentativa de chamar a ateno daqueles que esto social e geograficamente de costas para o subrbio - concentrados na parte leste da cidade, voltados para a orla atlntica - so tentativas vs de resoluo dos problemas do Parque. Tampouco se resolvero esses problemas em atividades tpicas de educao ambiental em escolas. fcil convencer escolares e professores sobre a importncia da preservao do Parque. Muito mais complexo envolver a esmagadora maioria da populao do subrbio que est fora das escolas em um trabalho de educao permanente, consorciada melhoria da qualidade de suas vidas, atravs de mltiplas aes, como a estruturao de espaos arborizados de lazer, to escassos no subrbio, ou a estabilizao de encostas com o uso de vegetao arbrea.

41

Em tempo: a Associao foi financiada pela prefeitura do Salvador e o mesmo d-se quanto o

CEASB, da a ausncia de crticas por parte dessas organizaes quanto a omisso das gestes municipais, cujos planos para o Parque no se concretizaram.

101 Ao invs de maquinar planos que quase sempre no so executados, as gestes municipais poderiam selecionar projetos e estabelecer parcerias que redundassem em benefcios permanentes aos moradores do entorno do Parque. Ressalta-se que muitas das aes de melhoria das condies de vida dos suburbanos so de baixo custo. Ao contrrio do que s vezes transparece nos discursos de poderes pblicos e ong's, no h uma "fragilidade ecolgica" inerente aos ecossistemas do Parque. Estancando-se as presses antrpicas, em alguns anos reestabeleceriam-se as reas desmatadas, o mangue, a potabilidade das guas. Da a ineficcia de propostas de recomposio da flora que ignoram a enorme demanda por solo urbano para a construo de moradias, presente no subrbio. Uma interveno defendida tanto pelas gestes municipais quanto pelas ong's o cercamento do parque. O fato que a idia da cerca , por si s intil: ela no ir deter invasores. Mas o cercamento com alambrado ou a colocao de marcos regulares que delimitassem o parque pode ser uma iniciativa interessante, desde que se trabalhe com o entorno um contrato natural (fao uso aqui de uma idia do filsofo Michel SERRES): os moradores atuariam na fiscalizao desse limite (que, afinal, faz o parque "existir", pois o d forma) e parcerias diversas desenvolveriam projetos distintos: arborizao de espaos livres, reciclagem de lixo, teatro, saneamento, educao ambiental42. Isso atingiria o tambm aquele cidado que est fora das escolas. SERPA (1996-d, p. 281) defende uma alternativa original para o cercamento do Parque. No lugar de arame, seriam criados pomares de uso coletivo que funcionassem como "zona tampo", protegendo a mata do interior. H cerca de 10 anos a FEBACAB sugeriu que grandes esttuas de orixs circundassem o Parque, demarcando seus limites (Angelo Serpa, comunicao pessoal, 2000). So idias interessantes, que poderiam ser fundidas. 4.5 O candombl e o Parque42

A

exemplo

das

experincias

do

Projeto

Espao

Livre

de

Pesquisa

/

Ao

(www.ufba.br/~esplivre) nos bairros de Plataforma e Piraj.

102 Outra proposta recorrente nos documentos acima analisados a garantia de espao e infra-estrutura que garantam a prtica do candombl no Parque. Uma proposta coerente, dada a importncia do candombl para a preservao do PMP. O Parque So Bartolomeu (FOTOS 19, 20) a maior referncia dos cultos afro-brasileiros da cidade e do Estado. A floresta, as nascentes, as cachoeiras Nan, Oxum e Oxumar - e as rochas - Pedra do Tempo e Pedra de Omolu - so consideradas reas sagradas, objeto de culto e peregrinao dos praticantes do candombl (FOTO 21) desde a metade do sculo XIX (CENTRO DE ESTUDOS SCIO AMBIENTAIS, 1997, p. 2). Segundo Angelo Serpa, as aes dos praticantes do candombl no Parque exprimem um profundo sentido esttico, religioso e at mesmo ecolgico, uma vez que os sacrifcios e oferendas aos orixs; romarias s cachoeiras sagradas e a coleta de plantas rituais no interior do Parque demonstram uma ligao muito forte do candombl com a natureza. Assim, para seus praticantes, a mata e outros elementos naturais do parque so a morada de vrios orixs: Oxumar, orix do arco ris; Nan, orix da lama, das guas subterrneas e dos pntanos; Oxum, orix da gua doce e da fertilidade; Obaluai, orix das doenas que mantm estreitas ligaes com a terra e os troncos das rvores; e Tempo, orix bantu da caa. Ocorre uma sacralizao do espao fsico, a natureza humanizada. (SERPA, 1996-c, p. 181, 185; MAMNBA, 1982) No por acaso, disse certa feita a ialorix Ob Biyi (in RISRIO, 1993) queEnquanto catlicos adoram imagens, a gente do candombl adora a natureza.

O coordenador do Instituto Nacional de Tradies e Culturas Afro-Brasileiras, Francelino de Shapanan, afirma que(...) diferentemente do que muitos pensam, estamos muito preocupados com a natureza, porque sem ela no h como cultuar os orixs (CABRERA, 1999).

O Candombl uma religio que privilegia a natureza, que considera, integra, incorpora a natureza ao seu repertrio simblico. rvores, matas e fontes so

103 monumentos, so referncias sagradas (SERRA, 1984, p. 101). uma religio que tem como elemento importante a existncia de reas verdes (SERPA & CORREIA, 1999), da todo terreiro possuir um espao com plantas litrgicas. Essa caracterstica do Candombl maximiza a presena de vegetao na cidade do Salvador, que tem cerca de 3500 terreiros registrados na FEBACAB (Federao Baiana dois Cultos Afro-Brasileiros). Por sua singular caracterstica de possuir um vasto espao natural contguo ao bairro, Piraj , sem dvida, um laboratrio promissor para a criao de uma nova relao entre o ambiente construdo e o natural , atravs de um estudo de caso. Seus dados permitiro a elaborao de um plano de arborizao composto de espcies que aumentem o conforto ambiental no bairro e que possuam compatibilidade ecolgica com a floresta ombrfila densa do Parque, no sentido de atrao e sustentao de vetores ecolgicos - polinizadores e dispersores de sementes, contribuindo dessa maneira para a recomposio de reas desmatadas.

FOTOS 01 e 02: Problemas de infra-estrutura no bairro de Piraj FONTE: Fbio H. S. Angeoletto, 1999

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FOTOS 03 e 04: Escassez de arborizao no tecido espontneo. FONTE: Fbio H. S. Angeoletto, 1999.

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FOTOS 05 e 06: Escassez de arborizao no tecido espontneo. FONTE: Fbio H. S. Angeoletto, 1999.

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FOTOS 07 e 08: Escassez de arborizao no tecido planejado.

107FONTE: Fbio H. S. Angeoletto, 1999.

FOTOS 09 e 10: Escassez de arborizao no tecido planejado.

108FONTE: Fbio H. S. Angeoletto, 1999

109FOTOS 11 e 12: Praa General Labatut. FONTE: Fbio H. S. Angeoletto, 1999.

FOTOS 13 e 14: Praa do tecido planejado.

110FONTE: Fbio H. S. Angeoletto, 1999.

FOTO 15 : O Parque visto do bairrro FONTE: Fbio H. S. Angeolleto, 1999

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FOTO 16: O bairro visto do Parque FONTE: Fbio H. S. Angeolleto, 1999

FOTOS 17 e 18: Ocupaes no interior do Parque.

112FONTE: Fbio H. S. Angeoletto, 1999.

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FOTO 19 e 20: Cachoeira de Oxumar no Parque So Bartolomeu. FONTE: Fbio H. S. Angeoletto, 1999.

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FOTO 21: Ritual do Candombl no Parque So Bartolomeu. FONTE: Fbio H. S. Angeoletto, 1999.

CAPTULO 5Abordagem Metodolgica Neste captulo sero discutidas as abordagens metodolgicas utilizadas no bairro de Piraj, com o intuito de obter dados que norteadores para a elaborao de um

115 plano de maximizao da vegetao no bairro. Nos ecossistemas urbanos h dois tipos de espaos onde preferencial a introduo de vegetao: os espaos livres de edificaes pblicos (ruas, praas, largos etc), quer dizer, qualquer espao onde no h barreiras fsicas que impeam a movimentao; e os quintais (espaos privados). Sabendo que Piraj extremamente pobre em espaos pblicos de lazer e socializao, decidiu-se pela aplicao do mtodo de sintaxe espacial como forma de descobrir vazios urbanos no bairro, que tivessem "vocao" para serem transformados em pequenas praas arborizadas. As centralidades dos bairros so as que geralmente sofrem intervenes por parte do poder pblico, pois so reas que concentram um grande nmero de pessoas, e as obras realizadas tm "visibilidade". O mesmo no se verifica em outros espaos de carter local, isto , cujos usurios so principalmente moradores, pessoas cujas casas esto prximas a esses espaos. No obstante, a construo de praas locais pode contribuir para desafogar o uso de espaos centrais. Para descobrir esses espaos, que so em geral contguos s edificaes de seus usurios, lanou-se mo do mtodo de sintaxe espacial. O pioneiro na utilizao deste mtodo como uma ferramenta para o planejamento paisagstico e ambiental foi o professor Angelo Serpa, em um estudo de caso nos bairros de Plataforma e Cajazeiras [(Salvador, Bahia), SERPA, 1998, p. 189-216]. Uma digresso necessria para que fiquem claras as razes, motivaes e limitaes da utilizao desta abordagem metodolgica. O mtodo derivado da Teoria de Sintaxe Espacial. Esta teoria prope que determinadas condies de contato social no espao pblico e a apropriao social do espao urbano so, em grande parte, condicionadas por arranjos morfolgicos, ou seja, a maneira como se dispem e se relacionam entre si os diversos elementos arquitetnicos, que abrigam as atividades humanas e o

116 espao pblico, espao de relao. Esses arranjos morfolgicos, dependendo de suas regras compositivas propem, eles mesmos, um certo potencial de contato social (RIGATTI, 1991, IN RIGATTI, 1995, p. 144). As premissas da sintaxe espacial tem sido desenvolvidas pela Bartlett Scholl of Graduated Studies, da University College of London (UCL), capitaneados sobretudo pelos arquitetos Bill HILLIER e Julienne HANSON, desde a dcada de 70. O principal objetivo investigar e compreender melhor a relao entre o comportamento humano e o ambiente construdo. Para os tericos da sintaxe espacial, a compreenso do movimento e a comunicao so essenciais para o sucesso de espaos pblicos e privados e para tanto a configurao do espao, sobretudo, quem determina o movimento e a interao das pessoas no ambiente construdo. Atualmente, os pesquisadores do Space Syntax Laboratory, na UCL, usando tcnicas computacionais, podem simular e predizer, por exemplo, os efeitos mais desejveis no que concerne a movimentao de pedestres e veculos nos centros urbanos. Para Bill Hillier, a maneira como os espaos esto conectados determina o quanto eles sero usados, e esta relao pode ser prevista matematicamente (NEW SCIENTIST, 1999). Segundo PEPONIS (1992, p. 81), a teoria de sintaxe espacial surgiu primeiro como uma tentativa de descrever as propriedades significativas do espao urbano. Dados os constituintes elementares do sistema espacial, a sintaxe define e mede o padro de suas relaes. O objetivo descrever como o sistema como um todo se relaciona a cada uma de suas partes constituintes, e como a multiplicidade dessas relaes produz uma estrutura subjacente. A propriedade fundamental envolvida a integrao. Pesquisas citadas por PEPONIS (1992, p. 82) em vrias cidades mundo afora Londres, Braslia e cidades-satlite, Porto Alegre, algumas cidades gregas, algumas cidades suecas - demostram que o forte grau de integrao de um espao est correlacionado com o nmero de pessoas que se movem nele. Assim, a movimentao pelos eixos de circulao tem uma lgica espacial probabilstica. As pessoas tem liberdade para escolher seus percursos. Sem uma outra coordenao, a estrutura espacial parece gerar padres de difuso,

117 modulao e convergncia que assimilam os percursos individuais a uma lgica global. A lgica espacial do movimento tambm possui uma dimenso social, pois a movimentao gera uma interface entre pessoas para quem um dado percurso a origem ou o destino do seu trajeto, e pessoas para quem ele apenas um local de passagem. Segundo HOLANDA (1988), h duas classes de fatores que contribuem para a utilizao, pelas pessoas, dos espaos abertos de uso coletivo. Existem os fatores extra-morfolgicos - como por exemplo o controle policial sobre determinado espao, o que impede a circulao de pessoas - e fatores morfolgicos relacionados com a presena ou ausncia de pessoas em espaos abertos. So os fatores morfolgicos que interessam teoria de Sintaxe Espacial. Dos vrios nveis de anlise derivados desse fatores destacam-se trs, que relacionam-se: a morfologia fsica de determinado locus; a categorizao social de um espao e os modos de apropriao de um locus. A morfologia fsica compreende o estudo da forma fsica da cidade (ou frao estudada). Proximidade ou vizinhana, circunscrio, continuidade ou descontinuidade, permeabilidade, separao. Esses so os aspectos que, segundo a teoria, relacionam-se mais diretamente com a constituio de uma determinada ordem social a partir e em funo da arquitetura urbana. Por categorizao social de um espao, entende-se as categorias sociais prticas e agentes - que se encontram impressas nos arranjos espaciais: uma casa, uma escola so exemplos de categorias sociais espacializadas e justamente a estruturao espacial dessas categorias que interessa ao desenvolvimento da teoria. Quanto aos modos de apropriao de um locus, eles esto bastante relacionados com os nveis anteriores, uma vez que, se outros fatores no intervierem, a morfologia fsica e a categorizao social do espao implicam num sistema de co-presena - em outras palavras, um sistema de encontros que permita a fluidez das relaes sociais - nos espaos abertos de uso coletivo. A maior ou menor co-presena em uma cidade ou frao depende diretamente de

118 sua sintaxe seu sistema de barreiras e permeabilidades ao movimento (HOLANDA, 1997-a, p. 147). Normalmente, o sistema de encontros congruente com a morfologia fsica que o sanciona. Em caso de incongruncia, ou seja, uma forma de assentamento incoerente com as prticas sociais que ali vicejam, o que comumente ocorre uma adaptao do espao rede de relaes existentes. De acordo com os postulados da Teoria de Sintaxe Espacial, s haver um bom desempenho da forma urbana em relao aos grupos sociais que nele encontram-se se existir uma congruncia entre os estilos de vida dos agentes sociais e sua capacidade de desenvolverem, nos espaos abertos do assentamento, um sistema de encontros interpessoais que produza e reproduza aqueles estilos. A ausncia dessa congruncia traduz-se em custos scioeconmicos elevados, com o caso por exemplo de problemas de desertificao de espaos livres de uso coletivo, causados por problemas morfolgicos (HOLANDA, 1988). H, desta feita, uma interdependncia clara entre as prticas sociais cotidianas e os lugares onde estas ocorrem. Em Sintaxe Espacial, define-se prticas sociais como o campo de encontros das pessoas de um locus. A co-presena pode dar-se entre pessoas de categorias diferentes. Distingue-se os habitantes e os visitantes pessoas estranhas ao lugar. importante esclarecer que o habitante no somente o morador dos edifcios residenciais, mas tambm os professores de uma escola, funcionrios de um mercado etc. Tem-se portanto trs tipos distintos de co-presena: habitante habitante, habitante estranho e estranho estranho. Os atributos morfolgicos da frao estudada que determinaro o predomnio de um ou outro tipo. Alm dos diferentes nveis de co-presena, percebe-se nos assentamentos humanos dois tipos de integrao entre as categorias sociais. A integrao espacial ocorre quando um certo nmero de pessoas se identifique com o "grupo" pelo fato de ocuparem uma mesma poro do territrio, um bairro residencial, por exemplo.

119 Desta feita, a continuidade do territrio promove a integrao. o tipo de integrao que verifica-se em Piraj; e da qual, evidentemente, derivam numerosas redes formadas a partir do tecido social comunitrio que necessariamente devem ser contactadas, uma premissa para o xito do planejamento ambiental participativo que prope-se para o bairro (cuja discusso realizada no 6 captulo). No caso da integrao transpacial, as pessoas integram-se antes pelos relacionamentos de classe do que pela continuidade do territrio. Segundo PEPONIS (1992, p. 82), em geral os atores sociais pertencem no a uma, mas a vrias comunidades, baseadas no local de residncia, de trabalho, ou ainda em valores e interesses culturais. Exemplificando: os atores sociais de uma universidade - professores, funcionrios, acadmicos - ali se integram transpacialmente, pois o grupo no se identifica pelo locus, e sim pelas relaes ali desenvolvidas. Evidentemente, todo grupo social integra-se das duas maneiras, quer ocupem ou no uma parcela continua do territrio. Todavia, para a produo e reproduo da vida cotidiana de determinada classe social, a tendncia de predomnio de um ou outro tipo de integrao, e para o desenrolar desta, fundamental uma morfologia fsica adequada. Frederico de HOLANDA (1997-B) analisa os aspectos de co-presena de maneira bastante esclarecedora, primeiro, ao longo da histria, citando HOBSBAWN (1977) que, em um texto no qual lida com as relaes entre comportamentos sociais e estruturas urbanas, comenta que: "as revolues surgem de situaes polticas, e no porque as cidades so estruturalmente adequadas a elas". Mas imediatamente acrescenta que as barricadas de maio de 1968 em Paris aconteceram nas mesmas ruas daquelas de 1944, 1871, 1848 e 1830. Em outras palavras, ele afirma que a arquitetura e o urbanismo no comandam a vontade de ningum, mas que a organizao espacial das cidades tambm funciona como varivel independente, ou seja, os padres espaciais de Paris no determinaram eles prprios as insurreies, mas sim determinaram os locais onde as barricadas foram levantadas.

120 pertinente reproduzir aqui alguns aspectos de co-presena pesquisados por HOLANDA (1997-b) em Braslia. O bordo cidade sem esquinas, traduz-se, luz da sintaxe espacial, em poucos pontos de acessibilidade onde possa haver uma condensao de urbanidade. Quase no h diferenciaes de acessibilidade para o pedestre, o que ocasiona um nmero elevado de fluxos fracos de pedestres, mesmo nas reas mais densas e centrais da cidade. Os eixos de circulao so entendidos como estradas, no como ruas e avenidas, ou seja como espaos que permitam uma utilizao ambgua - movimento + permanncia, tornando tais espaos e seu entorno mais imediato extremamente ridos, e mesmo perigosos, para um passante ocasional. Apesar de HILLIER & HANSON terem proposto uma radical reduo da semntica sinttica da arquitetura (no livro The social logic of space), evidentemente, sintaxe, superpe-se um conjunto de regras e convenes que, em geral, no so inteligveis, aparentes, na configurao espacial. Um exemplo dado por HOLANDA (1997-b) dessa semntica arquitetnica o fato de algumas culturas preferirem orientar a entrada principal de suas edificaes em direo ao nascente, outras ao poente, o que implica obviamente em configuraes diferenciadas. Desta feita, as implicaes sintticas dos espaos abertos de uso coletivo independem da semntica desses loci, ou seja, mesmo que esses espaos adquiram outra semntica, a aridez a que se refere Holanda tende a persistir. Uma das premissas bsicas da Teoria de Sintaxe Espacial, segundo a qual a maior ou menor co-presena em um assentamento est inerentemente relacionada com a sua configurao espacial, traz tona o espectro do determinismo arquitetnico - a forma moldando as relaes sociais, um tema recorrente na literatura relacionada arquitetura e ao urbanismo, segundo HOLANDA (1997-B). Outrossim, cabem aqui, ainda que de maneira breve, algumas consideraes a respeito. Para PEPPONIS (1992, p. 82), a configurao do espao importante, no porque produza diretamente este ou aquele aspecto da cultura, mas porque o tecido urbano joga um papel fundamental relacionado com a deciso de como

121 identidades diferenciadas coexistem, expem-se a comparaes e formam parte da conscincia cvica. As propriedades configurativas globais dos arranjos urbanos ocasionam encontros, no necessariamente interaes, entre pessoas reconhecidamente diferentes, ocasiona a experincia do contato com outros modos de vida. Em outras palavras, a configurao espacial determina o "notar potencial dos outros", o que o pano de fundo para uma sociedade ativa. Logo, o papel do espao limitado, mas no negligencivel, do ponto de vista cultural, se entende-se o espao no apenas como um direito poltico abstrato, mas tambm como algo disponvel como fato da experincia cotidiana. HILLIER (1984) prope que "a forma espacial cria um campo de encontros e co-presena provvel". Para HOLANDA (1997-b) o debate sobre o determinismo arquitetnico tem sido colocado de maneira imprecisa, bem como o estudo das relaes entre sociedade e espao. Para este autor, espao significa a sintaxe das configuraes urbansticas, o que quer dizer essencialmente o sistema de barreiras e permeabilidades ao movimento sobre o cho. Por outro lado, sociedade significa modos de utilizao dos espaos abertos de uso coletivo dos assentamentos humanos. Tem-se acumulado muitas evidncias que apontam para claras determinaes entre a sintaxe dos lugares e a maneira pela qual eles so utilizados. 5.1 O mtodo de sintaxe espacial RIGATTI (1995, p. 144) argumenta que a sintaxe espacial "tem-se mostrado como importante instrumento tanto de anlise como de intervenes urbansticas pelas possibilidades de estabelecer relaes entre as instncias sociais e espaciais." Disto deriva que o mtodo de sintaxe espacial tem sido aplicado por pesquisadores de reas distintas, tais como: planejamento urbano e ambiental, antropologia, sociologia, geografia urbana. Nas linhas que seguem-se, o mtodo de sintaxe espacial ser detalhado, bem como sua aplicao, para a obteno de dados que permitam a elaborao de um plano de vegetao para o bairro de Piraj. Para a aplicao do mtodo

122 utilizaram-se cartas cartogrficas da CONDER, 1:2000. A sintaxe do bairro ser estudada em dois momentos distintos, utilizando-se cartas de 1976 e 1992. Espera-se que a aplicao do mtodo nas cartas de 76 e 92 aponte, entre outros dados, qual a direo de crescimento tomado pelo bairro. O mtodo de sintaxe espacial prope uma anlise bidimensional da estrutura espacial urbana baseado no sistema de espaos abertos de edificao existentes em cada frao estudada, bem como a sua integrao por eixos de circulao linhas axiais. a profundidade e a largura de cada unidade de espao aberto denominado espao convexo - bem como a disposio dessas unidades na frao estudada que definem os critrios bsicos para anlise da forma espacial urbana (SERPA, 1996-a). De acordo com o mtodo, cada ponto do sistema analisado possui uma dimenso local e uma global, podendo estar mais ou menos integrado aos demais pontos da frao. Cada frao possui, portanto, um grupo de espaos melhor integrados e um grupo de espaos mais segregados do todo (HILLIER, 1984, in SERPA, 1996-a). 5.2 As categorias sintticas Para o desenvolvimento deste mtodo so propostas vrias categorias de anlise: as categorias sintticas. Segue-se um detalhamento das diversas categorias utilizadas na anlise da morfologia do bairro de Piraj, de acordo com HOLANDA (1988). 5.2.1 Espao Convexo Mdio (Y) O sistema de espaos abertos pode ser dividido em unidades elementares, obtidas a partir da insero do menor nmero possvel dos maiores polgonos convexos possveis, na planta baixa da frao, obtendo-se um mapa de convexidade. Cada espao convexo uma poro de espao aberto definida pelos espaos fechados. Y a rea mdia dos espaos convexos de um assentamento estudado. Piraj apresenta dois tecidos morfolgicos distintos, segundo as cartas cartogrficas de 1992: uma rea planejada pelo poder pblico (A); e outra de crescimento espontneo (B). Em A, temos Y=523 m2, e em B,

123 Y=177 m2. Estes dados indicam que preferencial o uso de vegetao de grande porte para os espaos livres do tecido planejado. O oposto ocorre em B: prefervel o uso de vegetao de pequeno e mdio porte para os espaos abertos do tecido espontneo (ANGEOLETTO, 1998). Em 1976, a extenso planejada de Piraj ainda no existia, e a rea mdia de seus espaos convexos era de 354 m2. A constatao bvia: o crescimento da poro "espontnea", que se deu sem um input de planejamento, em pouco mais de 15 anos reduziu metade a rea mdia de seus espaos, reduzindo as possibilidades de arborizao e da realizao de projetos paisagsticos que perpetuassem espaos livres em espaos pblicos, e portanto no passveis de ocupao para a construo de moradias. A realizao destes projetos so de extrema importncia, j que h uma demanda intensa por solo no subrbio (vide captulo 4).

5.2.2 Integrao dos espaos convexos pelas linhas axiais (C / L) A partir do mapa de convexidade, e atravs da insero do menor nmero possvel das maiores linhas axiais possveis perpassando os espaos convexos, obtm-se o mapa de axialidade. Quanto mais segmentado este mapa, mais segregadas sero as subunidades do bairro. 5.2.3 Conectividade (Co) Considera a intensidade de conexes de cada linha axial. Quanto maior a conectividade, maior a integrao das subunidades do bairro, j que espaos fortemente conectados ao seu entorno, muito provavelmente so espaos onde intensa a movimentao de pessoas. 5.2.4 Relativa assimetria do sistema axial (RA) Categoria obtida por frmula matemtica que divide a profundidade mdia pelo nmero de linhas axiais. Profundidade mdia a mdia das distncias, isto , o nmero mnimo de linhas axiais a serem percorridas entre uma linha qualquer e todas as outras do sistema.

124 Para a Teoria de Sintaxe Espacial, o binmio simetria / assimetria diz respeito maior ou menor integrao entre as vrias partes de um assentamento analisado. A categoria sinttica Relativa Assimetria do Sistema Axial, cujos valores costumam variar entre 0 e 1, revela-nos quais so as fraes mais integradas e as mais segregadas de determinada rea. Um programa de computador 43 calcula a RA de todas as linhas axiais da frao. Em Piraj (tomados o tecido planejado e o "espontneo") , esses valores variaram entre 1,48 e 4,35, o que revela portanto um sistema de espaos livres bastante segregados entre si. Tomando-se os tecidos separadamente temos relativa assimetria real mdia em A= 1,65 e B=2,32, ou seja, o tecido planejado menos segregado que o espontneo, embora ambas as fraes tenham revelado espaos bastantes segregados entre si. Em 1976 os valores de relativa assimetria variavam entre 1,07 e 4,05 (mdia de 1,65), revelando, portanto, um sistema ligeiramente menos segregado, que caminhou progressivamente para uma maior segregao. Cruzando os dados de Co e RA, foi possvel promover a hierarquizao dos eixos de circulao e dos espaos livres que eles percorrem, ou seja, foi possvel selecionar eixos e espaos mais integrados, de importncia global, aqueles que concentram, por exemplo, o trfego mais intenso, e os de importncia local, que conduzem o morador / visitante aos recantos mais segregados do bairro. Para os eixos que perpassam espaos livres mais integrados, cujo nmero de pessoas circulando grande, recomenda-se o uso de espcies arbreas, mais propcias ao fornecimento de sombra. importante lembrar que as pessoas deslocam-se pelo bairro predominantemente a p, e que Salvador apresenta temperaturas elevadas durante todo o ano. Os espaos perpassados pelos eixos locais foram investigados quanto a rea e ao relevo. Alguns espaos com vocao para serem transformados em praas, foram detectados, e um desses espaos foi escolhido para um exerccio de planejamento ambiental participativo (discutido no captulo seguinte) entre43

O programa axial 3, foi desenvolvido pela equipe do professor Frederico de Holanda, na

Universdade de Braslia

125 pesquisadores do projeto Espao Livre e os moradores do local. 5.2.5 Algumas observaes sobre o uso do mtodo de sintaxe espacial como ferramenta para o planejamento da arborizao urbana. A aplicao do mtodo de sintaxe espacial permite a visualizao de todos os espaos livres do bairro, quais so as suas reas, qual o grau de sua integrao / segregao face aos outros espaos. Isto permite um planejamento que articule todas essas reas, respeitando-se suas particularidades. Assim sendo, com essas informaes possvel propor um sistema de espaos vegetados para Piraj. Cabem aqui duas observaes importantes sobre o mtodo de sintaxe espacial. A anlise morfolgica promovida pelo mtodo bidimensional, uma vez que o movimento de usurios no meio ambiente urbano d-se sobretudo num espao que bidimensional (negrito meu) (HILLIER, 1984. In: SERPA, 1996-b). Uma varivel importante esquecida , o relevo. Em Piraj, cujo relevo bastante acidentado, este deve ser levado em conta ao menos como um possvel formador de barreiras que impeam a livre movimentao, ocasionando a formao de ilhas espaciais. MERLIN (1988, in DEL RIO, 1991, p. 80) argumenta que o problema fundamental com o enfoque da teoria de sintaxe espacial que ela compreende a morfologia do espao urbano apenas atravs de suas duas dimenses planares, ignorando fatores essenciais como tipologias arquitetnicas, usos de edificaes e legibilidade, ou seja, a facilidade com que as partes podem ser reconhecidas e definidas em um padro coerente de conjuntos edificados. SERPA (1996-b, p. 167) afirma que:a noo de axialidade sugerida por Hillier & Hanson se revela na prtica incompleta, j que a axialidade do sistema muitas vezes quebrada por barreiras fsicas como ruas e avenidas de trfego intenso, barreiras muitas vezes intransponveis para determinados grupos etrios e no considerados pelos autores no desenvolvimento da metodologia proposta. Na verdade, quando se fala de eixos de acessibilidade, nem sempre clara a distino entre o sistema de percursos motorizados e as vias de pedestres (...).

126 Um eixo fortemente conectado pode canalizar o trfego, mas concentrar poucos pedestres. Pode ocorrer que a aplicao do mtodo revele dados que no encontrem correspondncia no locus estudado, devido a fatores que escapam aos estritamente morfolgicos. O mtodo de sintaxe espacial no pode ser aplicado apenas na prancheta. Visitas de campo so imprescindveis para a confirmao dos dados obtidos. 5.3 Mapeamento dos quintais (De acordo com ANGEOLETTO & SERPA, 1998, p. 250) H uma escassez de espaos livres pblicos em Piraj. Por isso uma estratgia de aumento da presena de vegetao no bairro precisa necessariamente incluir os quintais das residncias. Para tanto, traou-se uma abordagem metodolgica para obteno de dados sobre a presena de espcies vegetais nos quintais (FOTOS 22, 23, 24, 25, 26, 27). Inicialmente optou-se por pesquisar os quintais mais prximos ao Parque Metropolitano de Piraj, pois havia a inteno futura de plantios nos quintais, para a atrao de polinizadores e dispersores de sementes. Contudo, a literatura sobre esses animais descreve uma grande capacidade de movimentao para obteno de alimentos, no ocorrendo portanto a necessidade de concentrar os plantios. Tinhamos como hiptese que os quintais mais prximos ao Parque seriam mais vegetados. Contudo verificamos que no h uma segmentao ntida, ou seja, quintais com alta diversidade vegetal ocorrem prximos e distantes do Parque. Os moradores foram entrevistados em relao a : Vegetao existente nos quintais. Interesse em participarem da proposta de plantio para o aumento da diversidade vegetal nesses espaos. Os quintais visitados foram discriminados quanto presena de vegetao :

127 Quintais com diversidade vegetal inexistente - no mapa em cor preta. Quintais com diversidade vegetal baixa -1 a 5 espcies - no mapa em cor vermelha. Quintais com diversidade vegetal mdia - 6 a 15 espcies - no mapa em cor azul. Quintais com diversidade vegetal alta - mais de 15 espcies - no mapa em cor verde. 142 quintais foram visitados e mapeados; e os resultados obtidos foram os seguintes: 18,3% - 26 quintais - no possuem qualquer espcie vegetal 39,43% - 56 quintais - possuem baixa diversidade vegetal 28,87% - 41 quintais - possuem mdia diversidade vegetal 13,4% - 19 quintais - possuem alta diversidade vegetal 79,57% das famlias entrevistadas - 113 famlias - declararam-se interessadas em receber mudas para plantio em seus quintais (PROJETO ESPAO LIVRE, 1999-b http://www.ufba.br/~esplivre/primeiro.html). significativo o nmero de quintais com nenhuma ou baixa diversidade vegetal 57,73%. Tal fato pode ser explicado em parte pela grande demanda por espao: as famlias crescem e acabam construindo nos espaos ociosos de seus lotes. Em algumas edificaes - sobretudo no tecido planejado - no h nem mesmo quintais. Mas h tambm outras explicaes. A falta de conhecimento dos moradores dos benefcios advindos da presena de vegetao em seus lotes, leva-os a atitudes extremas, como arrancar todas as rvores e arbustos e cimentar as reas livres de seus quintais, o que certamente contribui para um aumento da temperatura das residncias, causando desconforto ambiental e aumento do consumo de energia eltrica. A prtica de cimentar os quintais em parte deve-se ao anseio dos moradores - muitos dos quais so

128 originrios da zona rural - em adquirir um status de citadino, moradores das urbes, da terra do cimento em contraposio ao "mato" que habitavam antes. Tambm importante comentar que parte dos quintais com mdia ou alta diversidade apresentam grande parte das plantas em vasos, isto significa que nesses quintais a rea para plantio de arbreas diminuto ou inexistente. Dada a afinadade desses moradores s plantas, recomenda-se o estmulo ao cultivo de vegetao em vasos, os quais podem contribuir para o abrandamento de pequenas ilhas de calor geradas nas residncias. Foi significativo constatar o grande interesse pelo recebimento de mudas presente em quase 80% dos entrevistados (vide no captulo 6 discusso detalhada sobre o plantio de frutferas nos quintais). Seguramente pode-se estabelecer uma relao entre as famlias entrevistadas que no possuem qualquer tipo de planta (18,3%) e os 20% que declararam no estar interessados em receber mudas, pela falta de espao.

5.4 Mapeamento dos Pomares. Os mapas da CONDER assinalam 180 pomares no bairro de Piraj, ou seja, reas pblicas - algumas so cercadas - onde existem rvores frutferas plantadas. Foi realizada uma pesquisa por amostragem, onde verificou-se que cerca de 60% desses pomares, 108 ainda persistem. Sugere-se que investigue-se em uma outra oportunidade se h um usufruto pblico dessas reas, que, em alguns casos, poderiam receber mobilirio urbano, aumentando a oferta de reas de lazer e socializao. Nem todos os pomares so acessveis. Alguns esto localizados em terreno acidentado, no obstante, pomares privados e pblicos poderiam ser investigados quanto ao nmero de espcies, procedendo-se a seguir o plantio de indivduos de novas espcies, aumentando-se assim a biodiversidade nestes locais.

129

130FOTOS 22 e 23: Quintais com baixa diversidade vegetal. FONTE: Fbio H. S. Angeoletto, 1999.

FOTOS 24 e 25: Quintais com mdia diversidade vegetal. FONTE: Fbio H. S. Angeoletto, 1999.

131

FOTOS 26 e 27: Quintais com alta diversidade vegetal. FONTE: Fbio H. S. Angeoletto, 1999.

132

CAPTULO 6Arborizando Piraj"Se a destinao maior e o objetivo essencial da Universidade, particularmente da Universidade Pblica, produzir conhecimento, no menor nem menos essencial este seu outro e complementar objetivo, que o de socializar o conhecimento produzido (Magda Becker Soares, 1996). No possvel considerar a reestruturao urbana ecolgica apenas de um ponto de vista exclusivamente terico. A obteno de uma soluo factvel depende de uma relao estreita entre a teoria e a prtica, assim como da cooperao entre as diversas disciplinas, e dos principais agentes sociais. Os novos procedimentos de planejamento e as novas tecnologias devem ser desenvolvidos e analisados em situaes urbanas reais (...) (Ekhart Hahn, 1998)

133 Nos captulos anteriores, discutimos os benefcios originados do aumento da vegetao nos biomas urbanos; bem como delineou-se uma abordagem metodolgica, cujos dados permitiram a elaborao de um plano de aes para o aumento da diversidade vegetal no bairro de Piraj. Doravante, sero relatadas as aes de fato executadas, que redundaram em mais de 200 novas rvores plantadas nos quintais de Piraj. As implicaes da manuteno de espaos vegetados sobre a biodiversidade sero explicitadas. Discutir-se-o as vantagens e dificuldades do estabelecimento de parcerias - planejamento participativo e execuo conjunta dos planos - entre planejadores e comunidade, o que possibilitou os plantios nos quintais do bairro. Tambm oportuna uma descrio da situao da presena de vegetao no bairro. No que tange arborizao, uma insuficincia de planificao (cujas causas so abordadadas no captulo 4) facilmente constatada em Piraj, tanto na poro de crescimento espontneo quanto na poro construda pela URBIS. Como foi dito anteriormente, so apenas duas praas, e h uma generalizada falta de espao, em ambos os tecidos, para o plantio de rvores, pois so comuns as vielas estreitas onde no h caladas, ou onde estas so reduzidas. As praas de Piraj so um excelente material didtico para uma aula de procedimentos a serem veementemente evitados pelos urbanistas. A praa General Labatut, na poro "espontnea" do bairro, foi reformulada em 1998, no bojo das comemoraes dos 450 anos da cidade do Salvador. Na praa foi usado cimento importado do Mxico, por ser mais propcio s tcnicas de pigmentao. Na praa, que tem rea total de 1500 m2, a prefeitura plantou duas palmeiras e 144 m2 de rea gramada (CORREIO DA BAHIA,14/9/1998). Quanto ao disperdcio de recursos ao importar-se cimento do Mxico fica evidente o pouco zelo ao errio. Quanto ao paisagismo, a reforma evidencia pouco interesse dos tcnicos por

134 questes inerentes ecologia urbana e ao paisagismo, no que refere-se sua deciso de gramar quase 10% da rea da praa. Grama um tipo de vegetao que requer cuidados intensivos, principalmente regas, grande consumo de gua, e pouco atrativo fauna silvestre (BUGIN & MARTERER, 1990). Frondosas amendoeiras que sombreavam a praa foram arrancadas, e no seu lugar foram plantadas duas tmidas palmeiras, que sucumbiram. O mesmo destino teve grande parte do gramado. A virtual ausncia de vegetao na praa motivou um protesto formal de uma associao de moradores do bairro, denominada Piraj Rumo ao Terceiro Milnio, a qual depois de vrias solicitaes de replantio desconsideradas pela Superintendncia de Praas e Jardins da prefeitura, plantou no dia da rvore de 1999, uma muda de pau-brasil, onde antes fora plantada uma das palmeiras. A praa da rea planificada, construda pela URBIS, por ser mal localizada - no incio da nica via de acesso ao tecido - atrai poucas pessoas, mal arborizada, est abandonada, e os moradores no sabem nem mesmo qual seu nome, ou se h algum. 6.1 Piraj e o Parque Metropolitano: consideraes sobre arborizao, diversidade biolgica e qualidade de vida John Celecia defende que aes ambientais devem ser direcionadas para o aumento da eficincia e da auto-suficincia nas cidades, e para a minimizao de seu impacto sobre o entorno, tanto prximo quanto distante (CELECIA, 1994, p. 2; CELECIA, 1997, p. 5). A maximizao da vegetao em Piraj atende s proposies defendidas por Celecia, uma vez que o aumento da vegetao implica em menor consumo de energia eltrica e contribui para a manuteno de polinizadores e dispersores de sementes, vetores ecolgicos imprescindveis recuperao de reas desmatadas no interior do Parque. Ecossistemas florestais sujeitos a altos nveis de fragmentao e isolamento dos remanescentes esto especialmente susceptveis a um severo processo de eroso de biodiversidade (FONSECA, 1997, p. 458). No entanto, reas cujo solo

135 no foi degradado ao extremo e que fiquem prximas a fontes de colonizadores44, esto aptas a experimentar um vigoroso processo de regenerao. Dados obtidos no campo mostram que matas secundrias sero capazes de abrigar flora e fauna bastante diversificadas aps um perodo mnimo de 10 anos (FONSECA, 1997, p. 466). Promover o aumento da presena de vegetao nos espaos livres das cidades, principalmente com espcies arbreas, contribuir para uma homeostase ecolgica e climtica45. evidente que mesmo uma cidade fartamente arborizada no pode substituir uma floresta, mas preciso que se tenha em mente que sistemas ecolgicos no so compartimentos estanques, h entre eles uma interligao complexa cujo intuito a manuteno da vida (ANGEOLETTO, 1998). mister enfatizar que a proposta aqui defendida para a preservao do Parque inclui a melhoria das condies de existncia dos moradores do bairro 46 , e por extenso, do subrbio ferrovirio, caso um dia outros bairros do entorno do Parque venham a ser beneficiados com um programa de arborizao similar; superando mtodos de priorizao e seleo de reas para preservao de espcies que geralmente excluem populaes humanas. Esses mtodos, que visam apenas minimizar o problema da perda de espcies causada pela fragmentao dos habitats naturais so abordagens limitadas, por no serem capazes de incorporar as atividades antrpicas, e por no considerarem as questes ticas ligadas sobrevivncia das populaes humanas (PAULA. In: PAULA, 1997, p. 224).44

No caso do Parque, prope-se que estabeleam-se tais fontes atravs do adensamento da A ameaa do aquecimento global tem ocasionado o surgimento de propostas de criao de

vegetao em quintais e espaos livres do bairro.45

florestas urbanas, com milhes de rvores a serem plantadas nas prximas dcadas (SCHOEREDER, 1989. In: CARR, 1995 p. 11-12). A fbrica de automveis Peugeot iniciou em 1999, no Mato Grosso, o plantio de 10 milhes de rvores, com o objetivo de retirar da atmosfera 183 mil toneladas anuais de dixido de carbono, durante 40 anos (ZEEK!CLIP, 1999).46

Sylvia Mitraud, coordenadora de diversos projetos do Fundo Mundial para a Natureza, o WWF,

defende que uma das melhores formas de preservar o meio ambiente investir em comunidades locais que, em geral, sempre estiveram margem do desenvolvimento econmico (REVISTA E, 1997).

136

evidente que a conservao da biodiversidade em ambientes urbanos passa pela preservao das maiores extenses possveis de paisagens ecolgicas (de acordo com classificao proposta por GILBERT, vide captulo 1) . A receita simples, mas sua aplicao, complexa. As presses para a diminuio do tamanho de paisagens ecolgicas muito forte, o custo da terra elevado e a grande maioria do espao urbano propriedade particular. Os poucos espaos abertos de uso pblico esto submetidos a usos geralmente no compatveis com a preservao da diversidade biolgica47 (MURPHY, 1997). No trata-se apenas de preencher espaos com rvores e arbustos, mas usar os vegetais como elementos de desenho, para que possam ser criados espaos de lazer, de socializao, onde antes haviam apenas sobras, vazios permeando a massa construda. No entanto, necessrio no ceder tentao da poltica simplista do quanto mais, melhor, pois aparentemente, o plantio de imensas quantidades de vegetao obtm efeitos estticos menos satisfatrios do que nveis mais moderados de rvores e outras plantas (ULRICH, 1986, p. 40). H que se perseguir um ponto de equilbrio, onde todo potencial esttico dos vegetais possa ser explorado, com o plantio do maior nmero possvel de indivduos de variadas espcies. E essa vegetao, escolhida a partir de certas caractersticas que so atrativas a polinizadores e dispersores de sementes, pode contribuir para a manuteno da diversidade biolgica no Parque, como veremos adiante. Uma maior diversificao das espcies vegetais utilizadas garante uma paisagem esteticamente menos montona (WEBSTER, 1971; RHOADS, 1981; TYZNIK, 1981 in LIMA, 1993, p. 62; LEME & ALMEIDA, 1997, p. 32), alm de evitar problemas biolgicos, ecolgicos e por extenso, econmicos48. Cada espcie47

Para uma discusso sobre a importncia da manuteno da diversidade biolgica, vide captulo

1.48

Entre 1955 e 1966, 90% das rvores de Illinois morreram pela pouca diversidade de sua

arborizao (SPIRN, 1995, p. 198).

137 deve ter menos de 5% do total da populao de rvores plantadas (HIMELICK, 1976 in LIMA, 1993, p. 63). Por esses motivos a diversificao fator de fundamental importncia para uma arborizao bem sucedida (SANTAMOUR Jr, 1976; FOSTER, 1977 in LIMA, 1993, p. 62). Maximizar a diversidade vegetal em Piraj significa estabelecer corredores de ligao entre bairro e parque. Esses corredores so reas que possuem uma continuidade na cobertura vegetal, da periferia para o centro, e que possibilitam um livre transitar das aves (VOSS, 1985, p. 113). Ligando ecossistemas, os corredores tm grande potencial para aumentar a biodiversidade, quando permitem o movimento da vida animal da periferia ao centro e entre ilhas de habitats, que, de outro modo, ficariam isoladas (SPIRN, 1995, p. 245). Muitas crticas tm sido feitas aplicao dos corredores verdes urbanos, pois argumenta-se que as zonas edificadas que separam espaos livres vegetados no so uma barreira absoluta, como os oceanos. Contudo, para SUKOPP & WERNER, (1982 e 1987, in NATURE CONSERVANCY COUNCIL, 1989, p. 17), o grau de isolamento de um stio pode determinar uma diminuio do seu nmero de espcies, e, portanto, h uma justificativa ecolgica para a "construo" e manuteno desses corredores - ademais h outros fatores, como os benefcios que a vegetao proporciona. Em Salvador, esses corredores poderiam ser "construdos" ligando as paisagens ecolgicas entre os bairros, e permitindo o fluxo gnico entre elas Todo conhecimento sobre a execuo de espaos livres de edificao densamente arborizados, os quais permitem a atrao e manuteno de uma fauna silvestre mais diversificada, no tem sido aplicado em Salvador. Os novos projetos de parques na capital baiana pecam pela ausncia de vegetao de porte (SERPA, 1998, p. 55; SERPA, 1999-a, p. 15). A pouca considerao

138 premissas ecolgicas em projetos paisagsticos parece, infelizmente, no estar restrita Bahia. A arquiteta norte-americana Anne Spirn, em anlise de projetos recentes de parques, constatou que as rvores tem desempenhado um papel meramente decorativo (SPIRN, 1995, p. 190). A acessibilidade dos usurios aos espaos livres vegetados outro fator ao qual os urbanistas precisam estar atentos. H uma discusso estril, e recorrente, sobre um suposto ndice mnimo de rea verde / habitante que deveria existir nas cidades. O propalado ndice teria sido elaborado pela Organizao Mundial de Sade (OMS), e seria de 16 m2 / habitante. Em Salvador, o ndice estaria na casa dos 5 m2 / habitante (CARVALHO, 1996) No entanto, segundo Angelo SerpaO professor Felisberto Cavalheiro, da Faculdade de Filosofia, Letras e Cincias Humanas, da Universidade de So Paulo, fez, h alguns anos, uma consulta formal OMS e no recebeu nenhuma confirmao sobre a existncia do ndice. Desconhecese tambm a metodologia que permitiu o clculo da to propalada cota de 16 metros quadrados por habitante. Para o professor titular de paisagismo da FAU / USP, Slvio Soares Macedo, no se tem notcia da veracidade de tal ndice, e seu uso irrestrito e irresponsvel como referncia para o planejamento de reas verdes tem levado a equvocos, colocando, por exemplo, canteiros centrais de avenidas e rotatrias em p de igualdade com praas e parques (...) Tais ndices no tm valor algum, se no estiverem associados a critrios de distribuio e acessibilidade, especficos para cada cidade ou lugar (SERPA, 2000).

Em Salvador, a distribuio e o acesso s reas verdes desigual e muitas vezes excludente (SERPA, 1999-A, p. 15). O bairro de Piraj um bom exemplo da inutilidade de tal ndice e da excluso a que se refere Serpa: sua contiguidade com os 1550 hectares do Parque Metropolitano certamente o credenciariam ao ttulo de bairro com a maior metragem de rea verde por habitante de Salvador. O que se verifica o oposto: completamente abandonado, o Parque refgio de latrocidas e estupradores, por isso os moradores do bairro evitam-no. Ademais, no h uma infra-estrutura que permita um fluxo considervel de pessoas.

139 Atrao de vida silvestre e acessibilidade aos usurios: duas idias norteadoras para projetos paisagsticos. Praas e parques com essas caractersticas so excelentes para prticas de educao ambiental. Esses espaos, se adequadamente projetados, bvio, podem ser excelentes oportunidades para educao ambiental de crianas e adultos, pois estes podem acompanhar os ciclos naturais de animais e plantas (EKBLAD, 1993, p. 127). Crianas podem ser ensinadas a compreender as dinmicas de ambientes naturais visitando um jardim ou parque; e podem compreender que os vegetais crescem no solo, e no em latas ou supermercados (FOX & KOEPPEL, 1985, p. 10, 11). Alm do mais, as plantas no manifestam comportamento exigente, raramente so perigosas aos seres humanos, costumam ter aromas agradveis e so culturalmente vistas como benignas, sendo por isso bem aceitas nas cidades (ASHTON, 1997). 6.2 Planejando com e para os moradores de Piraj Dentre os principais problemas enfrentados na implantao e manuteno da arborizao, dois no so resolvidos no mbito tcnico: a omisso da comunidade em relao ao plantio e conservao de reas verdes e a tmida prioridade poltica - poucos recursos - atribuda aos programas de arborizao (MESQUITA, 1996, p. 85). Uma alternativa para contornar a falta de recursos o envolvimento da populao na execuo dos plantios, de modo a estabelecer-se uma relao afetiva entre a comunidade beneficiada e a vegetao plantada, facilitando assim a manuteno do arvoredo (MESQUITA, 1996, p. 87). As proposies de Mesquita esto corretas, porm, desejvel ir alm, e buscar a participao da populao no apenas na execuo, mas tambm no planejamento da arborizao, principalmente quando a vegetao ser usada para estruturar espaos para o usufruto dessas pessoas. FOX & KOEPPEL (1985, p. 80) recomendam que o desenho dos espaos pblicos tenham uma maior participao comunitria.

140 O planejamento deve obedecer a princpios que permitam a apropriao do espao urbano pela populao. O planejador deve atuar fomentando um processo participativo de planejamento. preciso que os planejadores se detenham mais no cotidiano daqueles para quem planejam, e necessria uma linguagem de conciliao de interesses entre os planejadores e membros de uma comunidade (SERPA, 1995, p. 135; SERPA, 1996-d, p. 284). Os planejadores, se atuarem como facilitadores, podem contribuir para que membros da comunidade para a qual se est planejando tenham voz ativa, quer dizer, interfiram de fato na montagem do plano, revelando seus anseios em relao s futuras modificaes que seu bairro sofrer (SERPA, 1999-b, p. 17). A esta categoria de planificao chamaremos planejamento participativo, e os prximos pargrafos sero dedicados sua conceituao, explicitao de suas vantagens e dificuldades. O planejamento participativo constitui um processo poltico, uma ampla discusso da construo do futuro da comunidade na qual participe o maior nmero possvel de membros das categorias que a constituem. Mais do que uma atividade meramente tcnica, um processo poltico vinculado s decises de uma maioria, em benefcio dessa maioria. Assim, o planejamento participativo passa a constituir-se como um conjunto de instrumentos tcnicos a servio de uma causa poltica, pois usam-se essas tcnicas para atingir de modo mais rpido e eficaz os objetivos determinados pela coletividade. Esta passa a ser sujeito da histria, pois compreende que desenvolvimento no um pacote de benefcios dados populao, mas um processo no qual a populao adquire maior domnio sobre seu prprio destino (CORNELY, 1980, p. 1-3). No h paralelo, portanto, entre o planejamento participativo e simples reunies entre planejadores do poder pblico e a comunidade, para que esta legitime determinadas decises tomadas nos gabinetes, sem sua participao. Tampouco participativo um planejamento que contacta setores comunitrios apenas para a execuo de planos previamente preparados sem qualquer participao popular (CORNELY, 1980, p. 1-3).

141

Algumas vantagens do planejamento participativo: 1) proporciona uma imagem favorvel da populao envolvida junto ao plano ou projeto em elaborao; 2) com a participao macia, possvel a obteno de dados qualitativos, evitando que o conhecimento sobre a rea e a comunidade sejam apenas quantitativos, ou seja, retratem apenas parte da realidade; 3) estimula a comunidade a tomar conhecimento de seus problemas reais e desenvolver sua criatividade na busca de solues; 4) como produto de um processo participativo, tem-se um plano de metas mais adaptado realidade que se quer mudar; 5) o risco de abandono do(s) plano(s) por uma posterior administrao municipal diminudo, pois a comunidade, organizada, ter condies de pressionar os administradores a levarem o(s) plano(s) avante. (CORNELY, 1980, P. 4-5) Na execuo dos planos em geral solicitada a participao ativa da comunidade, com trabalho ou materiais, dependendo do tipo de projeto. A descoberta da realidade em que vivem principia a motivao, que um mecanismo psicossocial que faz com que almejem modificar essa situao (CORNELY, 1980, p. 10-12). As principais diferenas entre o planejamento tcnocrtico e o participativo esto delineadas na tabela que se segue. Tabela 1 - Planejamento Tecnocrtico X Planejamento ParticipativoPlanejamento Tecnocrtico 1 - Baseia-se puramente na racionalidade. Planejamento participativo 1 - um processo poltico.

2 - de inspirao funcionalista, com viso de 2 - de inspirao dialtica, de sociedade em sociedade de ordem. 3 - um mtodo de controle social. movimento e em construo. 3 um mtodo de libertao de

potencialidades. 4 - Segue um modelo autoritrio e elitista, 4 - Usa modalidades democrticas, dialogadas, concentrador de decises e excludente das de negociao entre os atores sociais. maiorias.

142

5 - Os tcnicos sabem o que certo e bom, 5 Os tcnicos vo ao povo, debatem os pensam e projetam as decises, o povo deve interesses de diferentes grupos, e dispem seu obedecer e executar saber especfico a servio das causas populares. 6 - verticalista e descendente: a base no tem 6 - horizontal e ascendente: os grupos da formao para decidir sobre a forma mais base aprendem a defender seus interesses e racional de organizar a sociedade. 7 - Diz-se politicamente neutro. participar. Seu contedo pedaggico. 7 - finalista: uma seqncia de aes tcnicas a servio das mudanas sociais. 8 - tecnicamente complicado e pouco 8 - Bem assessorado, altamente eficaz. produtivo FONTE: CORNELY, 1980; CORNELY, s/d

Um bom exemplo de como o planejamento tecnocrtico pouco produtivo: entre 1976 e 1982, o HPD, um rgo do municpio de Nova Iorque, planejou e executou, sem qualquer participao dos futuros usurios, 96 espaos abertos ao custo de US$ 3,6 milhes. O resultado: a maioria desses espaos foi completamente abandonada e / ou sofreu ao de vndalos. Nova Iorque compreendeu que melhor trabalhar com a comunidade do que apenas fazer coisas para ela. O processo de participao popular no simples, mas resulta em maiores benefcios comunidade. As atividades de planejamento de espaos abertos podem ser o germe para outras atividades que requeiram participao popular (FOX & KOEPPEL, 1985, p. 77, 78). A participao popular o fator mais importante para o sucesso dos espaos pblicos arborizados. Em Nova Iorque, 73% dos participantes em projetos de praas, parques, hortas e jardins declararam como principal motivo de seu envolvimento a possibilidade de limpar e embelezar seu bairro. Usando plantas para mudar a imagem dos bairros, os espaos criados desenvolveram um senso de orgulho nos moradores. Pessoas que movimentam-se nesses locais chegaram a mudar suas rotas, caminhando mais apenas para poder passar/passear por esses espaos (FOX & KOEPPEL, 1985, p. 68). Para ARAJO & ARAJO, (1997, p. 25), programas municipais de arborizao que no contem com o apoio

143 e a participao da populao esto fadados ao fracasso. O xito de planos de arborizao de cidades como Maring e Curitiba, cidades paranaenses que esto entre as mais arborizadas do Brasil, so principalmente uma conseqncia do forte apoio popular (MILANO, 1994, p. 212-213). A arborizao de espaos abertos uma tima atividade de organizao da comunidade, porque proporciona um rpido e pouco custoso smbolo visual do esmero comunitrio (FOX & KOEPPEL, 1985, p. 69). As vantagens de proceder-se um planejamento que leve em conta a real participao da populao a ser beneficiada pelo projeto so muitas, e a tabela 1 explicita essas vantagens. O que Mesquita, Cornely, Milano e Fox & Koeppel no explicitam so as dificuldades de se levar a cabo essa categoria de planejamento. Nos anais de Encontros e Congressos sobre arborizao urbana, vrios autores defendem a participao popular na prtica da arborizao, sem contudo delinear um mtodo de trabalho que permita o sucesso na planificao e execuo de projetos de maximizao da diversidade vegetal nos biomas urbanos. Outrossim, entendemos que til registrar a seguir algumas dificuldades inerentes ao planejamento participativo. Tambm pertinente descrever uma experincia de planejamento conjunto entre os pesquisadores do projeto Espao Livre e moradores de Piraj que resultar na execuo de uma pequena praa arborizada (FOTOS 28, 29), como forma de contribuir para o estabelecimento de uma abordagem metodolgica que facilite a adoo do planejamento participativo pelos urbanistas, o que desafortunadamente no tem sido uma constante (YAMADA, 1995, p. 36). A principal dificuldade est na apatia da populao, a qual para Hannah Arendt um fruto do fraco engajamento sociopoltico da moderna sociedade de massas (ARENDT, 1990, in FORATTINI, 1996, p. 332). A apatia tambm tem como causa a relao viciada entre poderes pblicos e comunidades. Os moradores de Piraj j acostumaram-se a promessas abortadas, no cumpridas, feitas pelos poderes pblicos e por candidatos. Isso foi bastante perceptvel nas primeiras aproximaes com aqueles que habitam o entorno da rea escolhida, a partir da

144 aplicao do mtodo de sintaxe espacial, para o planejamento ambiental participativo49. Alm das promessas no concretizadas, comum que os moradores recebam materiais de candidatos - comum a "doao" de cimento para asfaltar vielas do bairro - numa prtica perniciosa: o clientelismo. Conjugadas apatia esto as diferenas culturais entre planejadores - estes vindos de um ambiente acadmico e de bairros onde os problemas que buscam resolver em geral no existem - um outro "mundo", portanto - e os moradores. Os tcnicos tm uma linguagem e uma motivao diferentes daquelas dos grupos locais, pois esto vinculados s esferas de poder, e no s redes locais. Esse desencontro de linguagens torna o relacionamento entre planejador e comunidade superficial (VILLASANTE, in SERPA, 1999-b, p. 17). As distines entre aspiraes e linguagens podem produzir um autntico dilogo de surdos, resultando na no participao da comunidade, o que, bvio, determina o fracasso da planificao conjunta. 6.3 Definindo uma metodologia de planejamento participativo Uma medida fundamental a ser tomada pelo planejador que busca uma real e efetiva participao comunitria na elaborao de um projeto a identificao das redes que determinam as relaes sociais do grupo. vital que uma maior ateno seja dada a estruturas, como redes de parentesco, grupos de trabalhadores, cooperativas, associaes; que so usadas para disseminar informaes e conhecimento, bem como para recrutar participao na melhoria de bairros (CAMPBELL, 1992, p. 182, 194). As relaes sociais so muito complexas e continuamente escapam aos tcnicos, por isso necessitamos entender o jogo de suas redes complexas, com seus49

De fato, na ltima reunio realizada, quando os materiais

tinham sido comprados, e os

trabalhos, iniciados, uma moradora comentou que eu no tinha sido o primeiro a acenar com a possibilidade de uma rea de lazer no local, e que como as outras propostas no se realizaram, os moradores davam como certo o fracasso dos nossos esforos.

145 variados tipos de vnculos, estes, freqentemente variveis. Em um primeiro olhar, de maneira muito imediata e cotidiana, vemos a existncia de redes primrias (redes familiares de amizade ou vizinhana), vujos vnculos so fortes, e cuja convivncia tem suas prprias regras peculiares (VILLASANTE, 1998). Toms Villasante distingue trs redes: A rede do poder; a dos grupos organizados (ong's, associaes populares etc), que perfazem no mximo 5% da populao; e as redes submersas, onde esto a esmagadora maioria da populao. Estas redes informais, do cotidiano, so facilmente construdas (VILLASANTE, 1996, p. 131). FISCHER (1993 in SCHERER-WARREN, 1996, p. 169), afirma que do tecido social de base informal (vizinhana, parentesco, amizade) podem se formar redes submersas com maior estabilidade e permanncia do que as redes associativistas que tem como unidade focal a associao de moradores. o que se verifica em Piraj, cuja associao de moradores no influencia as redes submersas O planejador, quando aproxima-se dos membros das redes submersas, percebe que no tardam a aparecer os porta-vozes, lderes informais, que falam pelo grupo. Esses comunicadores so essenciais para o desenvolvimento de um processo de participao, de cidadania (VILLASANTE, 1996, p. 131). Ao anunciarmos nossa inteno de estabelecer uma parceria que redundasse na construo de uma pequena praa arborizada, logo se destacou uma moradora, Gorette, que desde o primeiro contato abraou entusiasticamente a idia. A moradora atuou organizando as reunies, sempre que solicitvamos um novo contato com os moradores interessados. Foram 6 reunies, com participao mdia de 13 pessoas (FOTOS 30, 31). Em todas as reunies era majoritria a participao de mulheres. Seus maridos, amigos ou parentes muitas vezes estavam presentes, mas preferiam no participar diretamente. Na primeira reunio, foi apresentado aos presentes um projeto prvio, a sugesto dos planejadores para a rea, um ponto de partida na negociao dos anseios dos tcnicos e da populao envolvida. Cpias do projeto

146 foram distribudas, com as devidas explicaes, para apreciao geral, mesmo daqueles que no haviam participado. Na segunda reunio foram registradas as opinies dos moradores a respeito do projeto prvio; bem como suas idias e desejos para o espao que estava nascendo. Duas reivindicaes prevaleceram neste encontro: que o espao tivesse algum equipamento de lazer infantil e que um crrego poludo que corta a rea da praa fosse canalizado (ANGEOLETTO, 2000-a). As mes declararam-se bastante aflitas com seus filhos pequenos, que muitas vezes costumavam frequentar um descampado onde era comum a presena de usurios de drogas. Tambm as deixava aflitas o contato das crianas com as guas contaminadas do crrego, da a veemncia de suas aspiraes em transformar o espao em um local seguro para seus filhos50. Cpias da planta baixa da frao foram distribudas aos participantes da terceira reunio, para que os mesmos desenhassem o que imaginavam para a praa. Algumas casas da planta foram marcadas, para facilitar o reconhecimento do terreno. Houve uma resistncia considervel dos moradores, pois eles alegaram que "no sabiam desenhar"; "que iria ficar feio", etc. Foi preciso explicar que no importava a beleza do trao, e sim as idias registradas nas cpias. Os participantes ficaram responsveis pelo levantamento da situao fundiria do espao, isto , se a rea no pertencia a um ou mais donos. A maioria dos desenhos contm quadras esportivas, vegetao e equipamentos para o lazer infantil. As quadras esportivas, cimentadas, pelo desejo dos moradores, estava fora das possibilidades financeiras, alm de contrariar as metas do Projeto Espao Livre (maximizao da vegetao em Piraj [SERPA & ANGEOLETTO, et alii, 1997, p. 66, 67]). Planejamento participativo demanda insumos na forma de educao, para a50

Para CAVALCANTE & LIMA (1995), comum a carncia de espaos livres de edificao

privados em bairros perifricos. Isso somado falta de recursos contribuem para que espaos a contguos s residncias sejam usados como rea de lazer. No caso do "Buraquinho" infelizmente a presena do esgoto impossibilitava o brincar.

147 capacitao progressiva dos comunes. bastante provvel que a comunidade cometa erros, cabendo ao tcnico argumentar e defender seus pontos de vista perante a mesma, mas isso dever ser feito de forma didtica, demonstrando claramente o raciocnio e munindo a comunidade de instrumentos que a permitiro decidir melhor (CORNELY, 1980, p. 9). E desta forma procedeu-se, explicando aos participantes a importncia da arborizao, suas vantagens em relao hipottica pavimentao da rea. Boas e ms notcias permearam a quarta reunio. Os participantes foram informados de que haveriam recursos da Unio Europia garantidos para a praa - cerca de US$ 850,00 - o que lhes causou grandes jbilos. Dois "donos" 51 foram identificados. Um permitiu sem problemas a execuo da praa em seu terreno; porm, o outro negou permisso, o que diminuiu a rea livre disponvel 52. No fora a primeira negativa realizao do projeto. Antes de contactarmos os moradores do "Buraquinho" - nome dado por eles ao entorno imediato de suas casas - houve uma tentativa anterior de realizao da praa em um outro espao, cujo "dono" negou-se veementemente a ceder o terreno, a no ser em caso de compra. Na sua argumentao o "proprietrio" questionou a validade de "fazer uma praa para 'vagabundos'" (no caso, seus vizinhos), poucas horas aps esse dilogo tenso, imediatamente cercou sua posse com arame farpado. Vale observar que esse terreno est localizado em uma rea de extrema pobreza do bairro. No precipitado afirmar que naquele locus a misria desagregadora, fragilizando a existncia de redes submersas. A quinta reunio foi a que registrou um maior nmero de participantes, 26. Seu51

o vocbulo donos aparece entre aspas porque na verdade poucos so os reais proprietrios dos Senhor Jos, o proprietrio do terreno, ao notar a movimentao para a limpeza da rea, para a

lotes que habitam. Em geral os terrenos so ocupados.52

execuo da praa, permitiu que seu lote fosse incorporado ao projeto - no para o plantio de rvores e locao de bancos, como estava previsto originalmente - mas ao menos para a colocao de duas pequenas traves de metal para a prtica do "bba" (pelada, futebol) pelas crianas e adolescentes. Essa concesso foi muito importante, pois um espao abandonado num bairro com alta densidade populacional pode rapidamente transformar-se num depsito de lixo (FOX & KOEPPEL, 1985, p. 68).

148 objetivo foi o estabelecimento de um cronograma de aes. Pela primeira vez a presena masculina foi grande (cerca de 10 participantes). Uma surpresa agradvel foi a capacidade de organizao dos interessados. Ao longo das 2 horas de reunio, logo se formou uma comisso de pedreiros, que se responsabilizou pela execuo da canalizao do esgoto e da construo dos bancos. As mulheres tomaram a si a tarefa de limpeza da rea e de auxiliar os plantios, numa etapa posterior canalizao. Ao responsvel tcnico coube a tarefa de comprar os materiais necessrios, cuja lista foi fornecida pela comisso de pedreiros. No final da sexta reunio, onde decidiu-se pela construo de uma gangorra e um balano para o lazer infantil, um dos participantes me perguntou se eu tinha a inteno de candidatar-me a vereador. Diante da minha surpresa, ele se explicou: disse que "nada era de graa", e que portanto algum propsito eu deveria ter. Eu lhe respondi que no ambicionava me candidatar a nada, e que meu prposito era relatar a experincia na minha dissertao de mestrado. Esse dilogo releva o clientelismo ao qual os moradores esto acostumados, onde geralmente a concesso de benefcios est vinculada a uma troca - votos, apoio campanha de determinado candidato. Os moradores pediram a iluminao da praa, j preocupados com possveis aes de vandalismo. Foi interessante constatar que eles mesmos resolveram a questo. Conseguiram a doao de uma lmpada de sdio, e a instalaram. Obtiveram tambm, por meio de doaes, as varas de ferro necessrias canalizao. Trabalharam na canalizao do esgoto sem a minha presena. Segundo seus relatos, foi um trabalho realizado por 16 homens, coordenados pela comisso de pedreiros. Prefiri estar ausente nesta fase, de modo a estimular a auto-organizao dos cmunes. Fica evidente aqui que, se nos primeiros contatos foi necessrio um input de mobilizao (apesar das reunies serem marcadas com antecedncia, era preciso chamar as pessoas em suas casas), a partir do momento em que eles assumiram a parceria, passaram a agir sem a presena do tcnico. Outros fatos corroboram essa afirmao. A deciso de transformar o terreno do

149 senhor Jos em uma quadra de cho batido para a prtica de futebol e volei foi dos dos moradores, e eles construram pequenas traves de madeira e compraram uma rede. uma soluo interessante, pois durante o dia crianas e adolescentes batem o "bba" (futebol) e noite, com a iluminao, os adultos jogam voleibol. Registre-se que esses usos j esto ocorrendo, mesmo antes do trmino das obras, atraindo crianas e adultos de outros recantos do bairro, mesmo dado o carter local da praa. Tambm digna de meno uma festa de inaugurao, que as mulheres esto organizando. Elas arrecadaram algum dinheiro, que ser usado para a confeco de doces e salgados e para a compra de refrigerantes. A preocupao com vndalos e a "auto-organizao" dos moradores sinaliza um comprometimento com a gesto da futura praa, e este na verdade o maior desafio: a manuteno do espao. Mais complexo do que transformar um antigo ponto de lixo em uma praa arborizada, garantir sua permanncia. No relato de uma experincia similar de planejamento urbano participativo ocorrida em Plataforma (Salvador, Bahia), Angelo SERPA (1999-e) demonstra sua preocupao em associar os trabalhos a um morador, pois conflitos latentes entre vizinhos podem originar prticas de retaliao e no participao. Como dissemos anteriormente, a moradora Gorette atuou como porta-voz do grupo, em parte por sua adeso incondicional ao projeto e tambm por ser uma das poucas pessoas da rea com telefone, o que facilitava o andamento dos trabalhos. Inicialmente esta escolha troxe alguns problemas. Surgiu o boato de que a praa, aps concluda, seria cercada com arame farpado, e s Gorette e os demais participantes poderiam utiliz-la. Ato contnuo, sacos de lixo comearam a reaparecer53 na rea. Foi uma clara reataliao possibilidade de "privatizao"53

Durante anos a rea foi um ponto de lixo, pois os moradores preferiam deixar o lixo acumular

prximo s suas casas, do que subir uma ladeira para deposit-lo no container da LIMPURB. Alguns moradores resolveram reverter a situao, e conseguiram, no sem alguns conflitos.

150 do local. Felizmente a questo foi contornada, explicitando-se nas reunies o carter pblico da praa, e esclarendo-se o papel de Gorette. At a finalizao dessa dissertao a situao dos trabalhos era a seguinte: a canalizao do esgoto estava concluda, e a construo dos bancos havia sido iniciada. A artista plstica e acadmica do Mestrado em Belas Artes da UFBA, Sheilla Dias de Souza, far, em carter voluntrio, com as crianas do entorno, mosaicos com pedaos de azulejos coloridos, nos bancos. Resta ainda plantar as mudas de rvores frutferas e de hera, trabalho que ser realizado com as moradoras; e construir a gangorra e o balano. 6.4 Alguns comentrios sobre os aspectos tcnicos da execuo da praa Geralmente, quando existem planos urbanos para reas verdes, eles no proporcionam instrumentos que permitam explorar o potencial da rvore como estruturadora de espaos urbanos nem tampouco a conquista de novos espaos de socializao (MALINSKI, 1985, p. 37). No projeto final da praa, procurou-se explorar no s o potencial arquitetnico da vegetao, mas tambm sua capacidade de propiciar microclimas mais amenos e de atrao e manuteno de polinizadores e dispersores de sementes, vetores ecolgicos imprescindveis recomposio de reas desmatadas no interior do PMP. Algumas populaes de vida selvagem mantidas pelos grandes parques urbanos se estendero s reas residenciais, mas apenas quando o planejamento paisagstico oferecer essa possibilidade. O Rock Creek Park, em Washington, D. C., fica num grande vale ribeirinho. Dois bairros muito diferentes confinam com o parque a leste e a oeste. A oeste ficam ruas arborizadas com casas residenciais e jardins paisagsticos, bem como alguns conjuntos de casas e apartamentos. A leste est um bairro muito mais denso, com poucas rvores e quase nenhum paisagismo. No leste encontram-se pardais, pombos e estorninhos - considerados nocivos - em abundncia, e poucos pssaros silvestres. Nos espaos arborizados do oeste, d-se o oposto: poucas aves nocivas e muitos piscos-de-peito-ruivo, cardeais, tordos e gaios (SPIRN, 1995, p. 243, 244). Para a atrao e manuteno dos vetores ecolgicos, optou-se pelo uso de

151 rvores frutferas. As rvores frutferas, geralmente produzem copiosos suprimentos de plen e nctar, o que atrai vrias espcies de insetos (GILBERT, 1989). Essa grande variedade de insetos um atrativo a mais para pssaros, que tambm so atrados pelas oportunidades de nidificao e acomodao com segurana (GILBERT, 1989, p. 252). A capacidade da vegetao em atrair e manter uma fauna de polinizadores 54 e dispersores de sementes55 deve ser tomado como um critrio de planejamento paisagstico, assim como atenta-se para a cor, textura e forma dos vegetais. Por isso elaboramos duas tabelas de preferncias de polinizadores e dispersores de sementes em relao s flores e frutos, que foram levados em conta na arborizao da praa em Piraj (ANGEOLETTO,1998). Tabela 2 Preferncias dos polinizadores em relao s floresPOLINIZADORES INSETOS CARACTERSTICAS FLORAIS Flores que abrem-se durante o lils, amarelo), odor agradvel, em geral no muito forte, tamanho varivel (pequenas, mdias ou grandes). Geralmente produzem algum recurso floral que oferecido ao polinizador (como por exemplo nctar). QUANTO A FLORAO 1) Produo de flores grande e evidente, por um curto perodo de tempo (polinizao no especfica por variadas espcies de insetos) 2) Pequena e pouco evidente. Produo de flores por um perodo prolongado (polinizao especfica por grandes mariposas, borboletas e PSSAROS54

(especialmente abelhas) dia, tm cores claras (creme, azul,

Flores em geral tubulares, cores

abelhas). Pequena e pouco evidente

Segundo JANZEN (1980, p. 21), do ponto de vista do vegetal, polinizao uma maneira de

aumentar ao mximo o fluxo de genes para as outras flores e a recepo de genes de outras plantas (obviamente de uma mesma espcie). Isso garante a produo de sementes que possibilitam a continuidade da espcie.55

MORELATTO (In: MORELATTO, 1995, p. 64-65, 67) explica que a disperso o transporte das

sementes para longe da planta-me. Este processo de retirada ou sada do disporo (unidade que ser dispersa, seja o fruto ou a semente) da planta me pode ser realizado por animais, vento e mais eventualmente pela prpria planta-me ou pela gua. Na maioria das florestas tropicais, a maior parte das sementes dispersa por animais (cerca de 40,8%). Os dispersores mais comuns so aves, morcegos e macacos.

152(especialmente beija-flores) MORCEGOS variando entre o laranja e o vermelho, e localizadas na superfcie da copa da planta Flores produtoras de nctar, que abrem-se durante a noite, grandes, esverdeadas, brancas ou roxas produo de flores, por um perodo prolongado (polinizao especfica). Pequena e pouco evidente produo de flores, por um perodo prolongado (polinizao especfica).

Tabela 3 Preferncias dos dispersores em relao aos frutosDISPERSORES CARACTERSTICAS DOS FRUTOS DISPERSADOS PSSAROS Geralmente oleaginosos ou aucarados. Cores vivas. Carnosos, suculentos ou frutos secos que, quando abertos, apresentam sementes com arilo (polpa MORCEGOS nutritiva) Geralmente oleaginosos ou aucarados. Verdes ou verde-amarelados. Obs.: os morcegos podem carregam frutos grandes, que normalmente no so consumidos pelo tamanho excessivo, atravs de suas garras. Fonte (T2 e T3): ANGEOLETTO (1998), baseado em JANZEN (1980) e LEITO FILHO & MORELATTO (1995).

No h dvidas sobre a capacidade das rvores frutferas em atrair polinizadores e dispersores, contudo, seu uso na arborizao de espaos pblicos tem defensores e detratores. Para Mello Filho, o uso de frutferas depende do grau de cultura da populao citadina. Assuno, no Paraguai, tem laranjeiras na sua arborizao, na Sua so comuns as cidades arborizadas com macieiras e pereiras (MELLO FILHO, 1985, p. 122). SANCHOTENE (1985, p. 111), defende o uso de frutferas na arborizao de espaos pblicos contrapondo-se a autores que desaconselham a presena dessas rvores, por serem um convite a depredao. A autora argumenta que j hora de viabilizar uma arborizao mais racional, mesmo com a carncia de educao ambiental de grande parte da populao do Brasil. MANICA (1985, p. 102), sugere o uso de frutferas como abacateiros, caquizeiros, caramboleiras, coqueiros, figueiras, jaqueiras, jaboticabeiras, nespereiras, nogueiras, pereiras e goiabeiras na arborizao de praas, parques e jardins.

153

sabido que superfcies de concreto cobertas com vegetao irradiam 50% a menos de calor (SPIRN, 1995, p. 71), o que obviamente torna o clima do entorno mais aprazvel. Sabendo-se que grande parte da rea da praa cerceada por muros, optou-se pela utilizao abundante de hera para cobrir os muros, o que torna o espao mais agradvel, do ponto de vista visual e climtico56. Grande parte dos usurios da praa sero crianas. Outrossim, adotar-se-o as sugestes de FERREIRA, que recomenda que, ao selecionar-se rvores para espaos de recreao infantil, preciso que elas apresentem ramos resistentes, folhas caducas, ausncia de espinhos, razes pivotantes, frutos comestveis, florao vistosa, crescimento rpido, fcil cicatrizao dos ramos, etc (FERREIRA, 1985, p. 90). Espaos de recreao infantil contribuem enormemente para o desenvolvimento das crianas. Estudos com animais jovens e evidncias indiretas provindas de crianas indicam que um ambiente sensorial rico no incio da existncia pode determinar a extenso do futuro desenvolvimento mental (EHRLICH, 1974, p. 192, 193; NATURE NEUROSCIENCE, in FOLHA de SO PAULO, 22/02/2000). As desvantagens das grandes cidades - poluio, falta de infra-estrutura, pouqussimas oportunidades de recreao, entre outros - so bastante intensificados para os pobres. Muitos desses problemas poderiam ser sanados ou abrandados por um projeto mais criativo das casas e seus arredores (EHRLICH, 1974, p. 190, 192)57.56

Espaos livres de edificao tm sido projetados com mais rea pavimentada e menos rvores,

e por isso tm menor potencial em melhorar a qualidade do ar e o conforto climtico (SPIRN, 1995, p. 76).57

O professor de economia da Universidade de Chicago, Alexandre Sheinkman, comparou vrios

indicadores sociais com as taxas de violncia em centenas de cidades americanas. No h nenhuma relao entre renda e crime, constatou. Da o sucesso da tese do capital social, a medida das relaes que um indivduo tem, capazes de integr-lo, evitando a marginalidade. medido pela fora das igrejas, da famlia, da escola, dos centros comunitrios, dos espaos para lazer (DIMENSTEIN, 1999). H, portanto, uma relao entre o fato de Piraj ser considerado o bairro mais violento do subrbio e sua extrema escassez de espaos de socializao.

154

Entretanto, espaos livres de edificao devem ser projetados para atender a mltiplas funes, que no apenas a recreao: as rvores e demais plantas desses espaos podem atuar retirando poluio do ar, contribuindo para diversidade maior de animais selvagens. A integrao de todas as reas livres de uma cidade num plano unificado que inclua praas e parques, corpos d'gua e correntezas, vrzeas, encostas, afloramentos rochosos e at estacionamentos e rodovias podem resultar num sistema de espaos abertos coeso, cuja finalidade ser melhorar o clim a, atrair a fauna silvestre etc (SPIRN, 1995, p. 287). 6.5 Arborizando os quintais de Piraj MELLO FILHO (1985, p. 118, 122), classifica a arborizao de espaos privados como importante, pelo aumento da concentrao de rvores cujo custo de manuteno no onera o errio pblico. H inclusive cidades como Recife, onde a arborizao de quintal, supera em muito a massa vegetal dos espaos pblicos, o mesmo ocorrendo nas pequenas cidades brasileiras. O espao que muitas vezes falta nas caladas e passeios pode sobrar nos espaos privados, da a importncia de plantios nesses loci (KNIJNIK, 1985, p. 199, 200). O primeiro passo para concretizao de plantios de mudas de frutferas nos quintais do bairro foi a elaborao e realizao de um minicurso aos estudantes do ensino mdio do colgio estadual Alberto Santos Dumont, em Piraj. O curso denominado A importncia da vegetao para o nosso bairro, com 6 horas-aula de durao, teve cerca de 60 participantes. Os contedos ministrados versaram sobre a cidade do ponto de vista ecolgico; o Parque Metropolitano de Piraj; sobre os benefcios da arborizao e sobre os resultados da pesquisa sobre diversidade vegetal realizada nos quintais do bairro (captulo 5). o estabelecimento de climas mais amenos (SPIRN, 1995, p. 273), e atraindo uma

155 No final do minicurso os estudantes foram convidados a participar como voluntrios de um plantio de 200 mudas de rvores frutferas (FOTOS 32, 33) (cujas espcies esto discriminadas na tabela 4) em 29 dos quintais pesquisados. Tabela 4 - Espcies plantadas nos quintais Nome popular Abio Abric Ameixa Amora Fruta-do-conde Groselha Graviola Jambo Laranja Manga Pitanga Tamarindo Tangerina Nome cientfico Lucuma sp Prunus sp Prunus sp Morus sp Annona sp Rubus sp Annona sp Jambosa sp Citrus sp Mangifera sp Eugenia sp Tamarindus sp Citrus sp

Cinco estudantes participaram do plantio. O nmero pequeno, diante do grande entusiasmo verificado por ocasio do convite. A evaso provavelmente deu-se pelo pouco tempo de contato com os estudantes - o minicurso teve durao de 3 dias; e tambm pelo temperamento instvel, prprio da adolescncia. Porm o mais importante foi a seriedade dos cinco participantes, sempre pontuais nos compromissos assumidos e desdobrando-se para efetivar os plantios. Um dos adolescentes inclusive dirigiu o veculo que transportou as mudas pelo bairro. A maior dificuldade dos plantios foi o deslocamento das mudas pelo bairro. Mesmo com o aluguel de uma Kombi para o transporte, havia alguns quintais onde s se chegava a p, descendo ladeiras ngremes. Isso limitou os quintais contemplados em 29, de um total de 142 pesquisados. Por outro lado, a receptividade dos moradores foi tima, mesmo que muitos no se lembrassem mais de nossa visita anterior, pois a distncia de tempo entre o final da pesquisa nos quintais e os plantios foi considervel (17 meses). Muitas pessoas nos abordavam, perguntando se ramos do "governo", da "prefeitura" ou

156 do IBAMA. E a maioria dessas pessoas solicitava uma ou mais mudas para plantio em seus quintais. Tais fatos so indicativos de que um programa de plantios nos espaos privados do bairro tero macio apoio popular. 6.6 Comentrios sobre os plantios nos quintais Os quintais com alta diversidade de espcies vegetais, atuam como pequenos fragmentos florestais capazes de cumprir com eficincia as funes atribudas arborizao e s reas verdes urbanas (MACEDO & JOS, 1997, p. 23). Por isso no optou-se somente por plantios em quintais de baixa diversidade, mas tambm naqueles de alta diversidade vegetal. Os quintais e jardins presentes nos espaos livres de edificao privados esto entre os mais frgeis ecossistemas presentes nos biomas urbanos. Eles so compostos em muitos casos por espcies exticas, que vegetam em condies de clima e solo diferentes. A continuidade desses sistemas requer contnua manuteno. A falta de manejo leva a uma extino local, acompanhada de simplificao. No obstante, os jardins e quintais freqentemente so o habitat de dezenas de espcies (GILBERT, 1989, p. 5, 262). Depreende-se das informaes dos pargrafos anteriores, que quintais

arborizados podem atrair uma grande variedade de animais silvestres, com o devido manejo. No caso de Piraj, espera-se que os quintais sejam prdigos na atrao de insetos, aves e principalmente morcegos. Estes mamferos voadores so polinizadores de um conjunto de espcies de plantas, nunca de uma nica espcie. Eles podem viajar grandes distncias em busca de alimento. Os morcegos voam at 16 km em visita s flores. Outro fato interessante que esses animais podem memorizar trajetos, o que permite que eles voltem s mesmas plantas diariamente58 (JANZEM, 1980, p. 24). Vrios estudos demonstram que mais de 95% das sementes de espcies pioneiras e secundrias que chegam s clareiras, ou reas desmatadas, no caso58

Os beija-flores tambm so capazes de percorrer grandes distncias na procura por alimento

(JANZEM, 1980, p. 24, 26).

157 do Parque, so trazidas pelos morcegos, deixando clara a importncia destes animais para a recomposio natural das florestas tropicais (FARIA. In: MORELATTO, 1995, p. 103) Nas cidades de regies tropicais comum a presena de morcegos nectarvoros e frugvoros que utilizam as plantas como abrigo e fonte de alimentos (SAZIMA & SAZIMA, 1977; UIDA, 1980; MULLER & REIS, 1992, in RODRIGUES & BREDT, 1994, p. 312). Sua presena provavelmente deve-se arborizao urbana. RODRIGUES & BREDT (1994, p. 316) alertam para os transtornos que morcegos podem trazer populao, que em geral tem averso aos mamferos voadores, por desinformao. O mesmo ocorre com as corujas, eficientes predadores urbanos de ratos e ratazanas, e que infelizmente so perseguidas em praticamente todo o mundo, inclusive no Brasil, por serem tidas como agourentas (COSTA-NETO, 1999). Cabe aos educadores a tarefa de desmistificar lendas e preconceitos, esclarecendo o papel importante que esses animais desempenham nos biomas urbanos. Nossa inteno inicial era de promover plantios somente em quintais no limite entre o Parque e o bairro, mas dada a grande capacidade de deslocamento dos polinizadores vertebrados, entendemos que qualquer quintal estava apto a receber as mudas. 6.7 Concluses Quanto s reas verdes urbanas, GRIFFITH & SILVA (In: MILANO, 1988, p. 8; MILANO, 1990, p. 62) afirmam que, embora a maioria das cidades brasileiras tenham praas, parques e outras reas verdes, poucas tm estes espaos organizados de modo que no sejam apenas mais uma coleo avulsa de espaos abertos. Muitas reas verdes podem ter pouco valor para a biodiversidade, por isso, melhorias progressivas para atrao de fauna e flora devem ser um objetivo do planejamento (NATURE CONSERVANCY COUNCIL, 1989, p. 39). Uma dessas melhorias a instalao de corredores verdes. Em Salvador, o Parque Metropolitano de Piraj poderia ser ligado a outros fragmentos de mata atlntica, como o Parque de Pituau.

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GILBERT (1989, p. 311, 316) defende a manuteno de paisagens ecolgicas, por exemplo reas de mata, mediante um input de desenho que permita uma congruncia com usos antrpicos, porm com o mnimo de alteraes. MILANO (1994, p. 213) recomenda enfaticamente o emprego de solues alternativas para a preservao do maior nmero de reas verdes possveis, como o aproveitamento de reas "marginais": fundos de vale que foram transformados em parques, ruas de pouco trfego transformadas em reas verdes, aproveitamento de reas de minerao desativadas como espaos livres pblicos, a exemplo do que ocorreu em Curitiba (MILANO, 1994, p. 213). Mesmo as ervas daninhas em terrenos baldios so importantssimas, e deveriam ser mantidas, pois: retm a umidade, protegem o solo contra a evaporao, fertilizam-no com razes, folhas e flores e sementes mortas, apressam a decomposio de restos de argamassa e cascalho e criam um ambiente favorvel aos microrganismos e outras plantas. Se no forem perturbadas, processa-se o fenmeno de sucesso vegetal, e em alguns, anos as rvores estabelecem-se (SPIRN, 1995, p. 206, 218). Uma vez estabelecida a comunidade arbrea, uma manuteno mnima requerida, ou mesmo no necessria qualquer manuteno. (SPIRN, 1995, p. 206, 218). Spirn est certa, o problema no caso dos terrenos baldios a imagem de desleixo - o que pode ser mudado pela prtica de educao ambiental - e o problema da segurana, pois poderiam esconder meliantes. No apenas nos espaos livres deve se planejar para o aumento da biodiversidade. Edifcios no precisam atuar necessariamente como barreiras sua presena. Em reas densamente edificadas, um aumento dos habitats da vida silvestre pode ser obtido pelo cultivo de jardins nos telhados, e do plantio de trepadeiras nos muros. Cavidades para o descanso de morcegos ou para a nidificao de aves podem ser desenhados nos projetos das edificaes (NATURE CONSERVANCY COUNCIL, 1989, p. 25), embora projetos dessa natureza possam sofrer oposio dos incorporadores imobilirios.

159 Muitas fundaes originadas na iniciativa privada tm um papel importante na arborizao de espaos abertos, contribuindo, a fundo perdido, para a execuo de inmeros projetos. Segundo uma diretora da "Vincent Astor Foundation", que financia projetos que variam de grandes parques a jardins e hortas comunitrias em Nova Iorque, compensador observar que pequenas quantias de dinheiro permitem a execuo de um espao comunitrio (FOX & KOEPPEL, 1985, p. 26). Este argumento talvez seja o mais importante na defesa de projetos de arborizao, pois aquele que consegue sensibilizar burocratas. Em Piraj, com os US$ 1193,00 repassados pela Unio Europia, foi possvel executar uma pequena praa arborizada (custo de US$ 850,00) e plantar 200 mudas de rvores frutferas nos quintais (custo de US$ 393,00). Vale ressaltar que, no caso da praa, 54% dos recursos foram utilizados para a canalizao do esgoto, sem o que no seria possvel a execuo do projeto. Se futuramente obtivermos outros recursos, algumas idias poderiam ser postas em prtica no bairro. Em outras reas detectadas pela aplicao do mtodo de sintaxe espacial, poderiam ser transformadas em praas locais, atravs de exerccios de planejamento participativo que estimulassem a gesto comunitria dos espaos. Como o bairro (includa a poro planejada) em geral possui ruas estreitas, o plantio de rvores ou arvoretas nestas vias poderia ser feito em recipientes funcionais e estticos (HOEHNE, 1944; GOLD, 1987; PALERMO Jr, 1987 in LIMA, 1993, p. 83). So comuns edificaes de um ou dois pavimentos com a laje descoberta (FOTOS34, 35).

Como a demanda por solo intensa, o aumento das famlias geralmente

implica no sacrficio da vegetao dos quintais, para a construo de novas unidades habitacionais. Uma campanha poderia ser realizada no bairro, envolvendo os moradores para que eles separassem garrafas plsticas de gua mineral e refrigerantes. As garrafas poderiam ser transformadas em "portamudas", e milhares delas poderiam preencher os espaos das lajes. Uma soluo, entre outras necessrias, para o problema de acmulo de plstico na

160 biosfera, e, sobretudo, uma maneira de amealhar espao para a vegetao, onde este escasso. Em comparao com outras intervenes urbanas, a arborizao possui um baixo custo por habitante, e sua execuo pode contar com apoio e participao comunitria, principalmente no plantio e na fiscalizao e manuteno das mudas plantadas (SOUZA, 1994, p. 233). A participao cidad na vida da comunidade um dos direitos assinalados na Declarao Universal de 1948 (ALVES, 1996, p. 447); e projetos como o executado em Piraj so uma forma de estmulo ao exerccio deste direito.

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FOTOS 28 e 29: rea selecionada para o exerccio de planejamento participativo. FONTE: Fbio H. S. Angeoletto, 1999.

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FOTO 30 e 31: Reunies de planejamento participativo. FONTE: Fbio H. S. Angeoletto, 1999.

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FOTO 32 e 33:.Plantios nos quintais. FONTE: Fbio H. S. Angeoletto, 1999.

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FOTOS 34 e 35: Lajes das edificaes, espaos possveis par o aumento de vegetao no bairro FONTE: Fbio H. S. Angeoletto, 1999.

CONSIDERA ES FINAIS preciso gestar as antteses de Bauci, uma das cidades invisveis de CALVINO (1991). Nessa hipottica urbis, h apenas contato visual com a natureza: a cidade ergue-se sobre longas pernas de flamingos. A fico de Calvino descreve muito bem o iderio que separa o urbano e a natureza, e que acaba por traduzir-se, nas aes ou no aes de arquitetos, planejadores, ambientalistas e moradores, em cidades reais, onde a pouca ateno dada premissas ambientais redundam em desperdcios energticos; destruio de ecossistemas prximos e distantes; e m habitabilidade. A pouca considerao dispensada aos fatores biolgicos no planejamento urbano pode em parte ser explicado pela falta de uma cadeira de ecologia urbana nos cursos de arquitetura, biologia, geografia, administrao, entre outros. Trata-se de

165 uma disciplina que deveria ser introduzida nos currculos no como optativa, mas como obrigatria. O jargo ecolgico, dominado pelos bilogos, precisa ser de uso corrente entre os arquitetos59; assim como os bilogos precisam ter como parte de sua formao noes de planejamento urbano e paisagstico. preciso descartar o raciocnio que enxerga a arquitetura e a biologia como profisses antagnicas, exatamente como enxerga-se cidades e natureza. H um dilogo que precisa ser travado mais amide entre a arquitetura e o urbanismo e as cincias naturais. O aprofundamento desse dilogo contudo dificultado pelo corporativismo e pela excessiva departamentalizao da Cincia. A arquiteta e paisagista Anne Whiston Spirn lamenta a falta de comunicao entre ecolgos, engenheiros civis, planejadores, arquitetos e paisagistas. As barreiras que separam as disciplinas acadmicas so mais fortes que suas ligaes, fato que constitui um obstculo compreenso dos biomas urbanos. Conhece-se muito mais sobre botnica, geologia, sociologia e economia do que sobre as ligaes entre elas. As recompensas por se manter dentro de uma disciplina acadmica e as punies por se trabalhar fora da principal corrente dessa disciplina excedem em muito qualquer vantagem e garantem que qualquer trabalho interdisciplinar ser, antes, uma exceo do que a norma por muito tempo ainda. Uma das metas desta dissertao foi contribuir par a generalizao de um urbanismo atento aos fatores biolgicos, atravs da criao de novas combinaes entre os diversos ecossistemas que compem os biomas urbanos, atentando para o incremento da biodiversidade no ambiente urbano, sem que isso implique necessariamente em prejuzos ao fator antrpico. Sabemos que os vegetais iniciam praticamente todas as cadeias alimentares da biosfera, e as rvores tambm so habitats para dezenas de espcies. A melhoria da qualidade de vida no bairro pode ser obtida em parte com o aumento da vegetao nos seus59

Se fato, como afirma o professor Dcio Pignatari (2000), que mesmo a tecnologia em conforto

ambiental , em grande medida, ignorada pelos arquitetos brasileiros, h muito a se reformular nos currculos dos cursos de arquitetura e urbanismo.

166 espaos abertos. Por sua condio de bairro escassamente arborizado, e pela proximidade com o Parque Metropolitano de Piraj, o bairro de Piraj pode servir de paradigma para um planejamento que procure a maximizao da biodiversidade no bioma urbano e dos benefcios originados da presena de vegetao nestes mosaicos de ecossistemas que so as cidades. Uma grande nfase foi dada importncia da arborizao aos biomas urbanos, e aos vrios dilemas ambientais que a vegetao pode resolver ou ao menos atenuar. Contudo preciso esclarecer que as rvores no so o remdio universal, a panacia para todos os problemas ambientais urbanos. Veja-se por exemplo o caso da poluio atmosfrica. A literatura sobre poluio do ar frtil em artigos que defendem o uso do solo ou das rvores como absorvedores da poluio atmosfrica, sem considerarem o que ser dos contaminantes depois que no mais estiverem em suspenso no ar. Ocorre que os poluentes fluem atravs dos sistemas, do ar para solo, para a gua e para os organismos; do solo para a gua e para os alimentos. A concluso simples: rvores no so a soluo para a poluio atmosfrica urbana, elas so paliativos eficazes. A soluo definitiva est no uso de energias menos poluentes e no estmulo ao transporte coletivo de massa. Do mesmo modo, advogamos enfaticamente o planejamento, e novamente cabe a advertncia: a planificao no soluciona todas as mazelas ambientais urbanas, mas um input de planejamento necessrio; principalmente se vinculado busca de solues no onerosas, e que contribuam para dirimir os impactos causados pelos grandes ambientes de entrada e sada dos biomas urbanos. Defendemos nessa dissertao a maximizao da vegetao nos bairros, de

167 modo a criarem-se corredores de ligao entre as reas verdes (no caso de Salvador, entre o Parque Metropolitano de Piraj; Parque de Pituau; Parque da Cidade, entre outros). Essa idia corrente nos Estados Unidos e Inglaterra. Evidentemente, sua transposio para o Brasil esbarra em alguns porns. Nossa diversidade biolgica muito maior do que aquela encontrada nos pases do hemisfrio norte. Contudo, opostamente a esses pases, grande parte de nossa flora urbana extica, e no possvel simplesmente, retirar espcimes arbreas de nossas matas e plant-las nas cidades. preciso antes testar a resistncia dessas espcies s condies ambientais dos biomas urbanos, que incluem poluio, calor excessivo, solos compactados, entre outros problemas. Tambm preciso estudar caractersticas como crescimento da copa e das razes, de modo a previnir contratempos como rachaduras em caladas e muros.No obstante, trata-se de um campo de pesquisas promissor e necessrio.

Talvez nunca tenhamos necessitado tanto de mudanas de mentalidades. De novas maneiras de pensar, para entender que o que est em jogo no a preservao do mico-leo dourado ou dos simpticos ursinhos panda. No a natureza, esta entidade to abstrata, to longe de ns, "escondida" na floresta amaznica ou nas geleiras preferidas dos pinguins antrticos, a ameaada. A diminuio da diversidade biolgica e de seus servios ecolgicos, surpreendentemente, no pe em risco a natureza, mas apenas nossa espcie. Mesmo que alteremos tanto o ambiente a ponto de inviabilizar nossa continuidade na Terra, mesmo que neste caminho suicida levemos milhares de outras formas de vida, a natureza suficientemente dinmica, e responder s nossas alteraes produzindo novos seres, que reestabelecero as condies de clima, fluxos biogeoqumicos, etc, mais propcias manuteno da vida

168 (ANGEOLETTO, 2000). O tempo mdio de recuperao da natureza nos casos de extino em massa de espcies, como a que atualmente temos provocado, de 10 milhes de anos (FERRONI, 2000). Isto significa que os prximos anos sero decisivos, pois se no formos hbeis para estancar imediatamente essa eroso de biodiversidade, os danos tero um carter de perpetuidade. Os problemas dos seres humanos, e que redundam em diminuio da biodiversidade, so problemas biolgicos em sua origem: destruio de habitats, deteriorao do solo, e mesmo a falta de moradia e comida (WILSON, 1997, p. 19; RAMOS, 1997, p. 545). Eles podem ser resolvidos parcialmente ao se fazer com que a biodiversidade seja usada como fonte de riqueza econmica (WILSON, 1997, p. 19). preciso empreender uma restaurao ecolgica em escala planetria. Para isto, a "Ecologia da Restaurao" (uma cincia que ainda ensaia seus primeiros passos) ter que se tornar uma importante atividade econmica. Uma de suas metas ser a proviso de uma ampla variedade de produtos comercializveis como um subproduto da restaurao (TODD, 1997). A recuperao de uma floresta como o Parque Metropolitano de Piraj, poderia ser realizada introduzindo-se espcies que contribuam para a manuteno daquele sistema, e tambm desempenhem papis econmicos. Tal ecossistema seria um cruzamento entre uma floresta e um pomar, e diversas famlias poderiam ser beneficiadas no subrbio. Entre o arcabouo terico para a construo de uma cincia e uma prtica de restaurao de hbitats, TODD (1997, p. 444) cita o paisagismo como um dos campos mais relevantes. De qualquer sorte, est claro que a melhor abordagem metodolgica para maximizar a vida silvestre nas cidades ainda incerta, e

169 requer habilidades que planejadores, paisagistas e eclogos no tm, e que precisam ser buscadas. Este um novo campo cientfico, deveras excitante, que apenas comea a ser praticado, ainda h poucos e incompletos dados (GILBERT, 1989, p. 7, 8). Da a importncia do aprofundamento do dilogo entre arquitetura e cincias naturais, como foi dito acima. Ao mesmo tempo em que a economia abandona progressivamente os limites do Estado nacional, formando blocos que extrapolam seus limites econmicos e polticos, cresce tambm, em importncia, a ao localizada, comunitria, como forma de evitar ou controlar problemas de ordem universal (inclusive, os relacionados ao ambiente) (TENRIO, 1996, p. 106). CAMPBELL (1992, p. 191, 197) sinaliza como positivo o fato de prefeitos brasileiros estarem implementando projetos baseados em fortes alianas entre governos locais e grupos comunitrios. No por acaso, agncias internacionais comeam a focalizar os governos municipais como novo alvo de suas operaes de emprstimo na Amrica Latina. Alianas entre o poder pblico municipal e a iniciativa privada podem significar um impulso na criao ou recuperao de espaos livres arborizados. Em Salvador, j existe um projeto dessa natureza, o Programa de Adoo de Praas, reas Verdes, Monumentos e Espaos Livres, conduzido pela prefeitura de Salvador. O "calcanhar-de-aquiles" do programa a lgica da visibilidade: as empresas escolhem reas para interveno na expectativa de retorno imediato atravs de propaganda e marketing. Obviamente empresas no se interesso por espaos localizados em bairros "perifricos" (SERPA, 1999-d, p. 15). Essa falha, claro, pode ser sanada. A prefeitura poderia estabelecer parcerias especficas com os comerciantes dos bairros populares, que mesmo no tendo a pujana econmica de empresrios abastados, sabem o valor da propaganda. Parcerias tambm poderiam ser estabelecidas com universidades e ong's, no

170 sentido de difundir-se a prtica de planejamento participativo que, mais do que apenas recuperar praas, criasse espaos de lazer e socializao densamente arborizados nos espaos livres desses bairros. Outra falha grave do programa - esta, muito mais difcil de ser sanada, por questes de concepo de projetos paisagsticos - a pouca importncia dada ao aumento da vegetao, principalmente rvores, nas praas "adotadas" por empresas. O bingo Rio Vermelho, adotou parte do Largo da Mariquita, que contguo edificao onde a casa de jogos de azar est localizada. Uma de suas "providncias" foi o corte de algumas rvores que atrapalhavam a visualizao de um letreiro eletrnico que faz a propaganda do bingo (CELESTINO, 2000). preciso que a prefeitura reveja os critrios adotados para a arborizao, se que eles existem. Em pesquisa com 1000 famlias do municpio de So Paulo, JACOBI (1996, p. 19-20), constatou que a maioria dos domiclios, de todos os estratos scioeconmicos, embora esteja ciente tanto das solues e possibilidades existentes para a preveno dos impactos decorrentes da degradao ambiental, geralmente aceitam a convivncia com esses impactos, assumindo uma atitude passiva face existncia do problema. Por outro lado, o autor registra um volume significativo de respostas que enfatizam a relevncia da ao governamental enquanto principal responsvel pela preservao ambiental. Para SILVA & FERNANDES, (1996, p. 61, 62) apesar de uma tmida conscientizao da populao soteropolitana de que a problemtica ambiental no ser resolvida somente atravs de aes do poder pblico, mas tambm atravs de aes da sociedade, onde ainda predomina a crena de que basta a criao de leis para assegurar-se uma adequada preservao ambiental. Essa a opinio de 52,8% dos entrevistados de todas as classes sociais em pesquisa de Silva & Fernandes.

171 bvio que no se pode isentar o Estado de suas obrigaes, mas urgente que os citadinos assumam responsabilidades com seu ambiente mais prximo. Diversificar a cobertura vegetal dos quintais, reciclar o lixo orgnico, dar outras serventias a garrafas e latas, evitar o desperdcio de energia eltrica so atitudes simples, no onerosas, ao alcance de todos. Em grande medida essas aes no so correntes porque falta um input de educao. preciso que discursos abstratos de preservao do meio ambiente dem lugar a aes concretas e cotidianas. um contrasenso os soteropolitanos preocuparem-se com a distante floresta amaznica e ignorarem um dos maiores parque de mata atlntica do Brasil, que fica na sua cidade. Uma das aes que precisam fazer parte do dia a dia das pessoas o plantio de rvores, arbustos e arvoretas. Nos EUA, pas com larga tradio em arborizao urbana, para cada rvore existente nas cidades, uma outra poderia ser plantada. No rtmo atual dos programas de arborizao norte-americanos, dobrar o nmero de rvores nas cidades levaria 267 anos. Somente um ostensivo programa de plantios poderia alterar essa realidade (KIELBASO, 1997, p. 8). No h dados correlatos sobre a situao brasileira, contudo bastante provvel que o dficit de rvores nas cidades brasileiras seja maior.

O mundo se urbaniza velozmente, e a urbanizao mais corrente aquela efetivada pela pobreza, a qual freqentemente ocupa reas de significativo valor ecolgico. Um primeiro olhar sobre essas questes poderia atribuir distribuio perversa da renda e a uma poltica incompetente de saneamento, a responsabilidade por grande parte das mazelas ambientais urbanas. A questo , no entanto, mais complexa. A urbanizao promovida pela riqueza geralmente no atenta preservao de ecossistemas. So comuns os aterramentos de manguezais ou devastao de matas para a construo de grandes complexos urbanos. Alm do mais, as cidades so centros de difuso da

172 cultura do consumo de bens inteis, cuja fabricao provoca alteraes ambientais significativas. Se distribuir renda significar apenas habilitar os pobres ao consumismo e disperdcio de recursos, no ser esta uma soluo para os dilemas ambientais vividos pela humanidade. Do mesmo modo, formas tradicionais de saneamento apenas resolvem o problema da insalubridade para criar outros contratempos. Veja por exemplo o caso de Salvador. O programa Bahia Azul de saneamento tem como meta dotar a maior parte da cidade de sistemas de esgotamento sanitrio. Mas pouco se discute sobre o destino final dos dejetos: o oceano atlntico. Um projeto mais atento questes ambientais daria outro destino aos dejetos. Na China, so comuns sistemas que aproveitam as fezes humanas para a obteno de gs metano, que pode ser usado para cozinhar. As solues existem, mas muitas vezes esbarram em imperativos poltico econmicos. A dcada de 90 marcou uma virada nas tendncias de urbanizao brasileira, com um maior crescimento das cidades pequenas e mdias, em relao s grandes cidades. Muitos dos problemas ambientais freqentes nas metrpoles no existem, ou so incipientes, nas cidades menores. preciso que voltemos nossas atenes estas aglomeraes, desenvolvendo programas e parcerias com os governos municipais e populaes, com o intuito de no repetir as mazelas das grandes cidades. Essas parcerias poderiam inclusive mitigar o desemprego crnico que vm afetando at mesmo trabalhadores com alto grau de escolaridade. Programas de arborizao podem empregar de jardineiros a paisagistas, tm um baixo custo, e os benefcios da maior presena de vegetao nas cidades so muitos. Recomendamos veementemente para as cidades pequenas e mdias o desestmulo a verticalizao. O poder pblico poderia agir estimulando a

173 manuteno de quintais arborizados mediante reduo de IPTU (maior nmero de rvores, maior o desconto), incentivando incorporadores a canalizar investimentos na criao de bairros de residncias com quintais e espaos livres de edificao densamente arborizados e de mltiplos usos. Isso estenderia um pouco os limites das cidades, mas um bom projeto de transporte coletivo de massas solucionaria o aumento das distncias. Sobretudo, recomenda-se o incentivo econmico s prticas ambientalmente corretas. Deste modo outras idias tambm poderiam ser implantadas, como a criao de florestas urbanas para a produo de madeira, como ocorre em Zurique e Frankfurt; a transformao de resduos slidos de esgoto em adubo, como acontece na Filadlfia; e Woodlands, no Texas usou seu sistemas de espaos livres pblicos e privados para a drenagem guas das chuvas e preveno de enchentes (SPIRN,1995, p. 26). Incentivos tambm poderiam ser dados s empresas e ou particulares que construssem casas ecolgicas, definidas por GRECCO (2000), como habitaes construdas com materiais naturais, renovveis e, acima de tudo, no poluentes. Essa prtica recente no Brasil, mas em outros pases ela corrente, como na Austrlia, onde cerca de 20% das novas construes so de taipa de pilo, ou como na Colmbia e Costa Rica, onde o bambu utilizado como estrutura de prdios em lugar de ferro e concreto. Em suma, muitas das atividades antrpicas acabam produzindo ambientes degradados nas cidades, mas com criatividade e respeito ao errio, poderiam ser desenvolvidos projetos que primassem por uma viso ecossistmica, gerando qualidade de vida e renda.

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GLOSSRIO DE TERMOSPlanejamento Espao pblico Espao privado

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NDICE REMISSIVO DE AUTORES ALBERTI, Marina pp. 25, 28, 42, 155 ALVA, Eduardo Neira pp. 39, 155 ALVES, Jos Augusto Lindgren pp. 144, 155 AMPLA (Associao dos Moradores de Plataforma) pp. 84, 155 ANGEOLETTO, Fbio pp. 33, 100, 115, 149, 155 ARAJO, Michiko & ARAJO, Antonio J pp. 123, 155 ARGAN, Giulio Carlo pp. 37, 155 ASHTON, Peter S. ASSOCIAO DOS AMIGOS DO PARQUE SO BARTOLOMEU / PIRAJ PP. 85, 86, 155 A TARDE PP. 46, 67, 68, 73, 80, 82, 86, 156 BANDEIRA, Cludio pp. 68, 156 BARBOSA, Francisco R. & PAULA, Joo Antonio de pp. 69, 156 de la BARRA, Ximena pp.28, 32, 156 B, Dino Dal pp. 79, 156 BGUS, Lcia M. M. pp. 38, 156 BONDUKI, Nabil & ROLNIK, Raquel pp. 77, 156 BOOTH, Norman K. pp. 49, 51, 156 BORJA, Patrcia C. pp. 31, 36, 41, 156 BRADY, Nyle C. pp. 26, 157 BRASIL, Heliana M. S pp. 52, 157 BUGIN, Alexandre & MARTERER, Bernd pp. 114, 157 CABRERA, Valria pp. 91, 157 CALVINO, talo pp. 147, 157 CAMPBELL, Tim pp. 28, 44, 79, 126, 157 CARR, Stephen pp. 59, 60, 61, 157 CARVALHO, Maria Lcia A. M pp. 119, 157 CASTAEDA, Fernando Casas pp. 34, 157 CAVALCANTE, Eundia; LIMA, Vernica pp. 127, 157 CAVALHEIRO, Felisberto pp 49, 52, 53, 55, 56, 57, 119, 157 CELECIA, John pp. 114, 157 CELESTINO, Samuel pp. 150, 157 CENTRE FOR SCIENCE AND ENVIRONMENT pp. 34, 157 CENTRO DE ESTUDOS SCIOAMBIENTAIS pp. 67, 69, 78, 79, 82, 89, 158 CESTARO, Luis Antonio pp. 24, 57, 62, 64, 117, 158

192CHALLINOR, David pp. 27, 158 CHOAY, Francoise pp. 18, 158 CIUDADES PARA UN FUTURO MS SUSTENIBLE pp. 22, 57, 158 CORNELY, Seno pp. 121, 122, 123, 124, 129, 158 CORREIO da BAHIA pp. 73, 80, 87, 113, 158 COSTA-NETO, Eraldo Medeiros pp. 141, 158 DEL RIO, Vicente pp. 103, 158 DETZEL, Valmir pp. 47, 49, 52, 57, 60, 62, 158 DIRIO de NOTCIAS pp. 80, 158 DIAS, Genebaldo Freire pp. 19, 25, 38, 53, 57, 158 DICIONRIO MICHAELIS pp. 110, 111, 158 DIEGO, Margarita de Luxn pp. 21, 158 DIEGUES, Antonio C. pp. 13, 14, 19, 158 DIMENSTEIN, Gilberto pp. 134, 158 EDE, Sharon pp 29, 158 EHRLICH, Paul pp. 26, 27, 33, 133, 159 EKBLAD, Solvig pp 119, 159 ENVIRONMENT and URBANIZATION pp. 15, 159 ESP, Mariano Vsquez pp. 42, 159 FARIA, Lecticia S. S. pp. 69, 159 FELDMANN, Fbio pp. 57, 159 FERREIRA, Lair pp. 65, 133, 159 FERREIRA, Juca pp. 29, 159 FIGHERA, Delfina T. 40, 159 FLORESTA, Cleide pp. 33, 38, 159 FNMA pp. 13, 159 FOLHA de SO PAULO pp. 39, 40, 45, 67, 73, 133, 159 FONSECA, Gustavo pp. 77, 115, 159 FORATINNI, Oswaldo P. pp. 22, 160 FOX, Tom & KOEPPEL, Ian pp. 53, 55, 57, 120, 123, 124, 143, 160 FRANCO, Maria de Assuno R. pp. 15, 147, 160 GATTI, Marcelo pp. 52, 160 GAZETA do POVO pp. 64, 160 GRMEN pp. 86, 160 GILBERT, Oliver pp. 13, 23, 116, 131, 140, 142, 151, 160 GIRARDET, Herbert pp. 24, 25, 160 GOYA, Claudio R. 48, 160 GREATER LONDON COUNCIL pp. 49, 160 GREENPEACE pp. 10, 11, 12, 13, 160 GRIFFITH, James & SILVA Sebastio pp. 66, 141, 160 GRONSTEIN, Marta D. pp. 71, 160 HAHN, Ekhart pp. 16, 110, 160 HASENACK, Heinrich pp. 51, 54, 160 HOLANDA, Frederico pp. 94, 95, 96, 97, 98, 99, 160 IRGANG, Bruno pp. 63, 161 JACOBI, Pedro pp. 14, 32, 33, 44, 151, 161 JANZEM, Daniel H. pp. 141, 161 JOHNSON, Liana pp. 24, 25, 161 JORNAL da BAHIA pp. 80, 161 KIELBASO, J. James pp. 54, 56, 57, 59, 60, 61, 65, 152, 161 KOWARICK, Lucio pp. 32, 34, 35, 44, 161 LACOMBE, Fanny Talice pp. 49, 161 LEITE, Marcelo pp. 41, 161 LEITE, Maria Angela F. P. pp. 16, 161 LEMENHE, Jos Antonio P. pp. 49, 51, 56, 161 LEONARDI, Maria Lucia pp. 85, 161 LOMBARDO, Magda pp. 19, 51, 161 LOPEZ, Immaculada pp. 33, 161 LOVELOCK, James pp. 31, 41, 57, 78, 161 LUGO, Ariel E. pp. 28, 29, 162 MACEDO, Maria I. A pp. 47, 52, 55, 57, 162 MACEDO, Renato L. G. pp. 140, 162 MACEDO, Silvio Soares pp. 3, 28, 34, 119, 162 MAGNUSSON, Willian E. & LIMA, Albertina pp. 63, 162 MALINSKI, Rogrio pp. 130, 162 MAMNBA pp. 90, 162 MANICA, Ivo pp.132, 162 MARICATTO, Ermnia pp. 31, 32, 35, 162 MASCAR, Lcia pp. 52, 53, 162 MELLO FILHO, Luiz E. pp. 52, 56, 57, 58, 62, 63, 65, 132, 134, 162 MENEZES, Eline V. pp. 35, 162 MESQUITA, Liana B. pp. 56, 120, 124, 162 MILANO, Miguel S. pp. 46, 47, 49, 52, 53, 56, 57, 58, 60, 62, 117, 124, 141, 142, 162 MOHR, Udo pp. 24, 47, 162 MONTE-MR, Roberto Lus de M. pp. 30, 36, 163 MORELATTO, Patrcia pp.132, 141, 163 MOTTA, Enio P. pp. 64, 163 MURPHY, Dennis D. pp. 26, 116, 163 MUNIZ, Marize pp. 78, 163 MYERS, Norman pp. 26, 163 NAGINO, Yoshiaki pp. 52, 163 NATURE CONSERVANCY COUNCIL pp. 62, 118, 142, 143, 163 NERY, Jussana Fahel Guimares pp. 20, 163 NEVES, Gervsio pp. 112, 163 NEW SCIENTIST pp. 93, 163 NOVAES, Washington pp. 79, 163 ODUM, Eugene P. pp. 22, 163

193ONU pp. 37, 38, 67, 79, 163 PACHECO, Regina S. & LOUREIRO, Maria R. pp. 14, 21, 43, 163 PARS, Maria Isabel & BORJA, Patrcia C. pp. 78, 163 PAULA, Joo Antonio de & BRITO, Fausto R. pp. 21, 42, 163 PAULA, Joo Antonio de pp. 26, 79, 116, 164 PAVIANI, Aldo pp. 45, 71, 111, 164 PELA, Ida & ANGEOLETTO, Fbio pp. 84, 164 PELLEGRINI, Giacomo C. pp. 32, 164 PESCI, Rubens pp. 21, 164 PEPONIS, John pp. 93, 94, 96, 164 PHANTUMVANIT, Dira pp. 34, 164 PIGNATARI, Dcio pp. 148, 164 PMS (Prefeitura Municipal de Salvador) pp. 81, 83, 164 PREFEITURA MUNICIPAL DE VITRIA pp. 44, 117, 164 QUEIJO, Maria del Carmen & MONTAEZ, Margarita pp. 15, 164 RAMOS, Mrio pp. 150, 164 RAVEN, Peter H. 26, 80, 164 RAVEN, Peter H. & EVERT, Ray pp. 23, 164 REVISTA E pp. 115, 164 REVISTA POCA pp.43, 164 REVISTA do CREA / PR pp. 79, 164 REVISTA GALILEU pp. 78, 164 RIGATTI, Dcio 93, 98, 164 ROCHA, Aristides pp. 63, 164 RODRIGUES, Arlette M. pp. 14, 16, 19, 33, 39, 41, 43, 88, 111, 165 RODRIGUES, Maria G. R. & BREDT, Anglika pp. 63, 141, 165 ROMERO, Marta Bustos pp. 52, 57, 165 ROSSEL, Quim SAHTOURIS, Elisabet pp. 42, 165 SANCHOTENE, Maria do C. C. pp. 46, 52, 60, 62, 66, 132, 165 SANTANA, Marcos Jorge Almeida pp. 71, 165 SANTOS, Aurora G. F. A. & CARVALHO, Adilson de pp. 49, 165 SANTOS, Laymert G pp. 25 SANTOS, Milton pp. 36, 37, 39, 40, 165 SATTERTHWAITE, David pp. 34, 165 SEPLAN 82, 83, 165 SERPA, Angelo pp. 2, 14, 34, 37, 49, 68, 71, 75, 80, 89, 90, 91, 92, 99, 102, 103, 118, 119, 120, 121, 125, 150, 165 SERPA, Angelo & SERPA, Bela pp. 68, 165 SERRES, Michel pp. 89, 166 SERRA, Geraldo pp. 24, 166 SERRA, Olympio pp. 82, 91, 166 SILVA, Jair R. da; BRANCO, Ilda H. D. C.; CESAR, Sebastio F pp. 52, 166 SILVA, Paulo R. G. pp. 21, 39, 69, 152, 166 SIMEOFORIDIS, Yorgos pp. 16, 166 SMARDON, Richard C. pp. 49, 53, 56, 57, 59, 61, 167 SOARES, Magda B. pp. 110, 167 SOBRAL, Helena R. pp. 29, 167 SOUZA, Maria A. L. B pp. 71, 144, 167 SOUZA, Hermes M. pp. 117, 167 SPIRN, Anne W. pp. 10, 14, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 28, 43, 51, 52, 54, 55, 56, 57, 58, 61, 62, 63, 64, 78, 118, 130, 133, 134, 142, 148, 154, 167 STEPHENS, Carolyn & AKERMAN, Marco pp. 34, 167 SUPERINTENDNCIA de PARQUES e JARDINS pp. 81, 82, 114, 167 SUPERINTERESSANTE pp. 41, 167 TAKAHASHI, Leide & MARTINS, S. S. pp. 52, 57, 62, 167 TEIXEIRA, Cid pp. 72, 167 TEIXEIRA, Wenceslau & SILVA JR, Jos P. pp. 55, 167 TENRIO, Fernando pp. 149, 167 TODD, John pp. 150, 151, 167 TOGNOLLI, Cludio pp. 38, 167 TOLEDO, Jos R. 38, 40, 167 TRIBUNA da BAHIA pp. 73, 80, 167 TUR, Antonio Aledo pp. 24, 168 ULRICH, Roger S. pp. 58, 59, 61, 116, 168 ULTRAMARI, Clvis pp. 71, 168 ULTRAMARI, Clvis & MOURA, Rosa pp. 71, 168 VALE, Brenda & VALE, Robert pp. 57, 168 VERAS, Lcia M. S. C. pp. 38, 48, 168 VILLAA, Flvio pp. 111, 112, 168 VILLASANTE, Toms R. pp. 125, 126, 168 VOSS, Walter WHITE, Anne pp. 24, 38, 66, 168 WILSON, Edward pp. 26, 150, 168 WINES, James pp. 17, 168 WORLDWATCH INSTITUTE pp. 24, 168 WWF pp. 10, 168 YAMADA, Takashi pp. 124, 168 YOKOHARI, Makoto pp. 57, 168 ZAREMBA, Piotr pp. 19, 21, 30, 169 ZELAZOWSKI, Valdemar Hugo pp. 62, 169

194

NDICE REMISSIVO DE ASSUNTOS Ao anti-microbiana das rvores pp. 58 Accra pp. 34 Acessibilidade s reas verdes pp. 118, 119 Adestramento ambiental pp. 88 Agrotxicos pp. 11, 12 Alto de So Joo pp. 32 Ambientalistas pp. 10, 11, 15, 29, 147 Ambiente de entrada pp. 22 Ambiente de sada pp. 22 Ambiente urbano pp. 19, 21, 23, 34, 43, 47, 49, 56, 102, 147 Amrica Latina pp. 37, 40, 149 Angela Gordilho pp. 67, 68 Angelo Serpa pp. 2, 89, 92, 119 Antnia Garcia pp. 85 Antnio Imbassahy pp. 83, 84 Antnio Jos Landi pp. 47 Arbia Saudita pp. 79 Arborizao pp. 5, 7, 8, 9, 13, 45, 46, 47, 48, 49,51, 54, 57, 63, 65, 66, 69, 73, 74, 89, 91, 100, 110, 112, 113, 116, 117, 120, 123, 124, 131, 132, 133, 134, 140, 141, 143, 152, 153 reas de proteo ambiental pp. 32 Arembepe pp. 35 Arnold Toynbee pp. 42 Arquitetos pp. 9, 16, 17, 18, 20, 46, 47, 68, 93, 147, 148 Arquitetura pp. 2, 17, 18, 21, 30, 52, 68, 94, 97, 98, 148, 151 rvores pp. 2, 4, 5, 7, 9, 12, 15, 16, 22, 46, 47, 48, 49, 50, 52, 54, 55, 56, 57, 58, 59, 60, 61, 63, 64, 65, 77, 83, 90, 91, 110, 113, 116, 117, 118, 130, 131, 132, 133, 134, 142, 143, 147, 150, 152, 153 Avenida Suburbana pp. 70 Bacia do Rio do Cobre pp. 78 Bahia Azul pp. 75 Baa de Todos os Santos pp. 69, 75 Banco Mundial pp. 39 Barragem de Assu pp. 20 Belm-do-Par pp. 47 Benefcios da arborizao pp. 49, 51, 58, 60, 61, 65 Bill Hillier pp. 93, 97, 98, 99, 102, 103 Biodiversidade pp. 7, 9, 13, 24, 26, 27, 46, 63, 78, 80, 109, 110, 114, 115, 116, 118, 142, 147, 148, 150 Bilogos pp. 29, 46, 148 Bioma pp. 7, 9, 23, 24, 26, 27, 29, 46, 49, 78,

195110, 114, 117, 124, 140, 141, 147 Biosfera pp. 5, 9, 20, 25, 26, 27, 31, 37, 143, 147 Bogot pp. 34 Boston pp. 20, 22, 60 Brasil pp. 10 Braslia pp. 94, 97 Broadacre city pp. 18 Camada de oznio pp. 10, 14, 15 Candombl pp. 7, 81, 82, 83, 84, 89, 90, 91 Capanema pp. 11 Carlinhos Brown pp. 87 Categorias sintticas pp. 99 CEASB pp. 86, 87 Chuva cida pp.14 CIAM pp. 16 Ciclos naturais pp. 15, 16, 24, 58, 119 Clima pp.24, 51, 52, 53, 55, 63, 133, 134, 140, 149 Conjunto Habitacional Jos Bonifcio pp. 34 Corredores de vegetao pp. 13, 66, 118, 142 Corujas pp. 141 Daniela Mercury pp. 87 Degradao ambiental pp. 7, 14, 31, 34, 41, 152 Desenho ambiental pp. 147 Desenvolvimento sustentvel pp. 10 Desmatamento pp. 10, 12, 14, 83 Detroit pp. 22, 58 Direita pp. 16 Dispersores de sementes pp. 5, 91, 115, 116, 130, 131 Diversidade vegetal pp. 9, 61, 77, 104, 110, 117, 118, 124, 135, 140 Ecologia pp. 2, 5, 15, 18, 20, 21, 22, 30, 62, 114, 148 Ecologia da restaurao pp. 148 Ecossistemas pp. 5, 10, 14, 15, 19, 20, 22, 23, 26, 27, 28, 29, 31, 35, 44, 46, 48, 52, 61, 62, 63, 78, 88, 92, 114, 115, 118, 140, 147, 148 Educao ambiental pp. 5, 28, 84, 85, 86, 87, 88, 89, 119, 132, 142 Egito pp. 20, 79 EMBASA pp. 78, 80 Encostas pp. 43, 88 Ervas daninhas pp. 26, 142 Especulao imobiliria pp. 35, 44 Esquerda pp. 16 Esquistossomose pp. 20 Estado pp. 34, 36, 40, 75, 112, 149, 152 Estrada do Colono pp. 10, 12 E.U.A.pp. 17 Evapotranspirao pp. 53, 54 Famlia Martins Catharino pp. 75 Fauna pp. 13, 61, 62, 85, 114, 115, 117, 118, 131, 134, 140, 142, 151 FEBACAB pp. 82, 89, 91 Filadlfia pp. 60, 154 Flora pp.13, 62, 63, 85, 89, 115, 117, 142, 151 Floresta tropical pp. 10, 14, 22, 78, 80, 141 Fortaleza pp. 35 Frank Lloyd Wright pp. 18 Fundo Nacional do Meio Ambiente pp. 13 Gesto pp. 5, 21, 82, 83, 84 Globalizao pp. 37, 39, 40 Governo Federal pp. 13 Homo sapiens sapiens pp. 41 IBAMA pp. 12, 13 IBGE pp. 69 Ilha de calor pp. 53, 54 Impactos ambientais pp. 9, 18, 28, 35, 40 Inverso trmica pp. 55 Jordnia pp. 79 Jos Clewton Nascimento pp. 36 Largo da Mariquita pp. 150 Le Corbusier pp. 17, 18 Lbano pp. 79 Ldice da Mata pp. 82 Londres pp. 24, 25, 94 Los Angeles pp. 25 Margareth Menezes pp. 87 Maring pp. 124, 175 Mata atlntica pp. 5, 13, 32, 75, 76, 77, 78, 142, 152 Maurcio de Nassau pp. 48 Mercado imobilirio pp. 32 Microclima pp. 5, 47, 51, 52, 130 Modernistas pp. 18 Morcegos pp. 6, 132, 140, 141, 143 Nan pp. 89, 90 Natureza pp. 2, 5, 7, 9, 10, 13, 14, 15, 16, 17, 18, 19, 22, 24, 26, 28, 29, 37, 41, 42, 43, 47, 58, 60, 63, 90, 91, 143, 147, 148, 149 Nova Iorque pp. 40, 60, 123, 143 Omolu pp. 89 Organizaes no governamentais (ong's) pp. 7, 10, 88, 89, 126, 150, Orixs pp. 82, 89, 90, 91 Orla pp. 70, 88 Oxum pp. 84, 89, 90 Oxumar pp. 89, 90 Paisagem pp. 16, 17, 23, 47, 49, 62, 68, 73, 117 Paisagem ecolgica pp. 23

196Paisagem jardim pp. 23 Paisagem tecnolgica pp. 23 Paisagismo pp. 63, 119, 151 Parques pp. 17, 18, 48, 60, 61, 63, 119, 123, 130, 133, 134 Parque de Pituau pp. 18, 142 Parque Metropolitano de Piraj pp. 43, 52, 69, 71, 73, 75, 77, 78, 79, 80, 81, 82, 83, 84, 85, 86, 87, 88, 89, 90, 91, 114, 115, 116, 116, 117, 118, 119, 135, 141, 142, 151, 152 Parque Nacional do Iguau pp. 11 Parque So Bartolomeu pp. 76 Pegada ecolgica pp. 25 Periferia pp. 40, 51, 66, 71, 118 Piracicaba pp. 55, 117 Piraj (bairro) pp. 2, 3, 5, 6, 7, 8, 9, 33, 67, 69, 71, 73, 74, 75, 79, 80, 91, 92, 96, 79, 100, 101, 102, 103, 109, 110, 112, 113, 114, 118, 119, 120, 124, 126, 131, 134, 140, 143, 144 Piraj Rumo ao Terceiro Milnio pp. 114 Planejadores pp. 17, 20, 44, 47, 110, 120, 121, 127 Planejamento pp. 5, 7, 8, 9, 15, 19, 20, 21, 39, 43, 44, 45, 59, 62, 65, 66, 68, 82, 92, 96, 99, 100, 102, 110, 112, 114, 119, 120, 123, 124, 125, 130, 131, 142, 147, 148 Planejamento participativo pp. 8, 9, 45, 121, 122, 124, 126, 128, 150 Planejamento tecnocrtico pp. 122, 123 Poder pblico pp. 5, 7, 15, 45, 88, 124 Polinizadores pp. 5, 91, 115, 116, 130, 131 Polticas urbanas pp. 21 Poluio pp. 7, 22, 27, 34, 40, 41, 47, 49, 55, 56, 57, 58, 61, 63, 65, 69, 75, 117, 133, 134 Pomares pp. 8, 89, 109 Porto Alegre pp. 94 Praas pp. 5, 34, 46, 48, 60, 61, 73, 92, 102, 112, 113, 114, 119, 123, 133, 134, 141, 149, 150 Presses urbanas sobre as rvores pp. 7, 63 Problemas causados pela arborizao pp. 7, 65 Problemtica ambiental pp. 10, 152 Programa de adoo de praas Projetos pp. 2, 5, 9, 13, 17, 20, 22, 43, 44, 45, 46, 47, 48, 59, 60, 62, 63, 75, 84, 85, 86, 88, 89, 100, 118, 119, 121, 122, 123, 124, 126, 127, 129, 130, 133, 143, 146, 147, 149, 150, 153, 154 Projeto Espao Livre pp. 13, 102, 104, 124 Quintais pp. 3, 5, 8, 9, 48, 92, 102, 103, 104, 105, 106, 107, 108, 110, 134, 135, 136, 137, 138, 139, 140, 141, 143, 152, 153 Qualidade de vida pp. 7, 8, 9, 25, 27, 28, 33, 44, 46, 47, 103, 112, 114, 147, 154 Qualidade ambiental pp. 13, 111 Questo urbana

R. Waldo Emerson pp. 17, 18 Recursos naturais pp. 13, 25 Redes pp. 36, 37, 96, 126, 129 Renan Baleeiro pp. 33, 81, 82, 87 Reservas ecolgicas pp. 13 Rio de Janeiro pp. 48 Rio do Cobre pp. 78, 80 Rio Iguau pp. 12 Rio Nilo pp. 20 Salvador pp. 5, 6, 7, 9, 13, 43, 67, 68, 69, 70, 81, 82, 86, 91, 92, 102, 103, 118, 119, 142, 149, 150, 176 So Paulo pp. 33, 34, 35, 37, 38, 151 Segregao espacial pp. 73, 112 Serranpolis do Iguau pp. 11, 12 Servios ecolgicos pp. 26, 27, 62, 65, 149 Shopping center pp. 20, 35, 36, 54 Sintaxe espacial pp. 5, 7, 92, 93, 94, 95, 97, 98, 99, 101, 102, 103 Sria pp. 79 Subrbio Ferrovirio de Salvador pp. 7, 69, 86 Superpopulao pp. 7, 40, 41, 43 Tasso Jereissati pp. 36 Tempo (orix) pp. 89, 90 Terceiro mundo pp. 14, 34, 38, 39, 41, 79 Thomas Jefferson pp. 17 Thoreau pp. 17 UNESCO pp. 19, 87 Unio Europia pp. 129, 143 Urbanismo pp. 2, 16, 21, 30, 45, 81, 97, 98, 148 Urbanistas pp. 19, 20, 21, 46, 113, 118, 124 Urbanizao pp. 7, 9, 14, 21, 22, 24, 29, 30, 31, 33, 34, 35, 36, 37, 38, 39, 40, 41, 44, 45, 51, 62, 68, 70, 73, 153 Urbanizao extensiva pp. 7, 9, 36, 37, 39, 45 URBIS pp. 73, 74, 113, 114 Vitria (ES) pp. 44, 117 Washington pp. 130 Woodlands pp. 154 Zurique pp. 154

197

Breve Biografia do AutorNasci em Maring (PR), uma das cidades mais arborizadas do Brasil, em 9 de setembro de 1970. Dois fatores foram decisivos na minha vida: ter estudado em um bom colgio particular (graas aos esforos de minha me, e a uma bolsa parcial), e ter vivido em um ambiente onde a leitura era muito estimulada. A pouca escolaridade dos meus pais no os impediu de gostarem muito de ler, revistas, gibis e jornais, o meu pai, e romances, minha me. Assim, desde cedo me habituei a ler e ser curioso. Entre 1989 e 1994, cursei Biologia na Universidade Estadual de Maring. Anos de aventuras, viagens, posies iconoclastas, primeiros contatos com o fazer Cincia. Trabalhei em projetos de extenso em Maring e em assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, no interior do Paran. Fui bolsista de iniciao cientfica do CNPq, com o projeto Medicina Popular em Bairros de Maring / PR. Logo aps colar grau, diploma na mochila e at logo Paran. Chegando em Salvador, em poucas semanas me deparo, maravilhado, com o amlgama to peculiar entre o Parque

198Metropolitano e o seu entorno de atividades humanas. Conhecer essa mistura mudou minha maneira de agir como bilogo. Essa dissertao um dos frutos dessa mudana.

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