Pesquisa Qualitativa Em Sade

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    25-Jun-2015

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PESQUISA QUALITATIVA EM SADE: Algumas reflexesProf. Dr. Luciana Morais Silva (Departamento de Medicina Social)

FONTE: www.mec.gov.mz/eueosida/media/duvida%5B1%5D.jpg

FONTE: nexus.futuro.usp.br/blog/~anamarysa/1627

DEFINIO:Os mtodos qualitativos de pesquisa no tm qualquer utilidade na mensurao de fenmenos em grandes grupos, sendo basicamente teis para quem busca entender o contexto onde algum fenmeno ocorre; Permitem a observao de vrios elementos simultaneamente em um pequeno grupo; A abordagem capaz de propiciar um conhecimento aprofundado de um evento, possibilitando a explicao de comportamentos.(VCTORIA; KNAUTH; HASSEN, 2000)

EXEMPLOS DE TEMAS PARA ESTUDOS QUALITATIVOS

FONTE: saudementalpsicob.blogspot.com

Estudo sobre como os indivduos representam a doena e o corpo para si prprios e sobre as especificidades que atribuem a essa representao em relao ao seu status social ou gnero;(VCTORIA; KNAUTH; HASSEN, 2000)

EXEMPLOS DE TEMAS PARA ESTUDOS QUALITATIVOSInvestigao das lgicas dos sistemas etiolgicosteraputicos em determinadas situaes.(VCTORIA; KNAUTH; HASSEN, 2000)

FONTE: benzedeirasdecuritiba.blogspot.com

EXEMPLOS DE TEMAS PARA ESTUDOS QUALITATIVOSFONTE: floripanews.com.br FONTE: bibliotecavirtual.sp.gov.br FONTE: pedrocolombro.blogspot.com

Investigaes das representaes sociais da doena em relao aos diferentes recursos de cura disponveis na sociedade.

FONTE: hsm.min-saude.pt

FONTE: ojornalweb.com

FONTE: feal.com.br

CARACTERSTICAS DA PESQUISA QUALITATIVASo formuladas para fornecerem uma viso de dentro do grupo pesquisado (viso mica); Trabalha-se com elevado nmero de questes em um grupo pequeno de pessoas selecionadas segundo critrios previamente definidos, conforme os objetivos do estudo; A coleta de dados depende do estabelecimento de uma relao entre o pesquisador e o pesquisado (snowball/bola de neve); A anlise dos dados assume as caractersticas de uma interpretao dos eventos pesquisados.(VCTORIA; KNAUTH; HASSEN, 2000)

POTENCIALIDADES As tcnicas utilizadas permitem o registro do comportamento no verbal e o recebimento de informaes no esperadas em razo de no se prender a um roteiro fechado; Novos dados, no previstos anteriormente, podem ser coletados e analisados para a compreenso do objeto.(VCTORIA; KNAUTH; HASSEN, 2000)

LIMITAES Aplicao de questionrios a um nmero expressivo de pessoas oriundas de diferentes camadas scio-culturais; Investimento no fator tempo; Pesquisadores devem ser bem treinados para ter capacidade em campo, devendo compreender a metodologia qualitativa como um todo.(VCTORIA; KNAUTH; HASSEN, 2000)

PESQUISA QUALI E QUANTI: complementaridade Do quantitativo ao qualitativo: O levantamento da prevalncia de uma doena em dada populao constata uma prevalncia diferenciada entre os diferentes grupos scioeconmico-culturais; Ex.: como se d a combinao de fatores sociais, econmicos e culturais que podem estar predispondo disseminao da doena entre a populao?

(VCTORIA; KNAUTH; HASSEN, 2000)

FONTE: blogdofavre.ig.com.br

AS TCNICAS DE PESQUISA TCNICAS DE COLETA DE DADOS; TCNICAS DE REGISTRO; TCNICAS DE ANLISE/INTERPRETAO DE DADOS

TCNICAS DE COLETA DE DADOS Observao participante; Entrevista; Grupo focal; Histria de vida; Rede de relaes; Elaborao de desenhos;

OBSERVAO PARTICIPANTE

Observar, na pesquisa qualitativa, significa examinar com todos os sentidos de um evento, um grupo de pessoas, um indivduo dentro de um contexto, com o objetivo de descrev-lo.

(VCTORIA; KNAUTH; HASSEN, 2000)

OBSERVAO PARTICIPANTE Caractersticas: envolvimento do pesquisador com o objeto de pesquisa (distante e prximo da observao); Vive conforme o grupo com o objetivo de compreender melhor o fenmeno nvestigado;

Vantagens: Riqueza da coleta de dados (quantidade de informaes);

Desvantagens: Fazer da observao-participante uma participao-observante.(LAKATOS; ANDRADE, 2007)

OBSERVAO PARTICIPANTE: elementos para uma observao Ambientes internos e externos; Relao das pessoas com o espao; Distncia com relao ao pesquisador; Comportamentos das pessoas no grupo; Postura corporal; Normas de condutas implcitas e explcitas; Linguagem; Verbal e no verbal, tom de voz e vocabulrio mico; Relacionamentos; Tempo em que ocorreram os processos observados(LAKATOS; ANDRADE, 2007)

ENTREVISTASA entrevista no uma simples conversa. conversa orientada para um objetivo definido: recolher, por meio do interrogatrio do informante, dados para a pesquisa. (CERVO; BERVIAN, 2002, p. 46) Critrios: Planejar a entrevista focando o objetivo a ser alcanado Obter antecipadamente um conhecimento prvio sobre o entrevistado Marcar com antecedncia hora e local para a entrevista Selecionar os entrevistados segundo a relevncia do objeto a ser estudado Aplicar um maior nmero possvel de entrevistas(LAKATOS; ANDRADE, 2007)

Entrevista dirigida ou diretivaElabora-se um certo nmero de questes objetivas e toda a entrevista pauta-se nica e exclusivamente nas questes previamente estabelecidas. Vantagensrpida e objetiva

Desvantagens No permite que informaes importantes sejam levantadas no momento da entrevista, em razo do rol de questes j estar fechada Relao entrevistador/entrevista assimtrica(LAKATOS; ANDRADE, 2007)

Entrevista semi-dirigida ou semidiretivaElabora-se um roteiro de assuntos que envolvem o objeto de estudo.

Vantagens Relao entrevistador/entrevistado mais simtrica O estabelecimento de roteiro e no de questes fechadas permite a formulao de perguntas que possibilitam ao pesquisador coletar informaes no pensadas anteriormente

DesvantagensDemanda um pouco mais de tempo para ser realizada(LAKATOS; ANDRADE, 2007)

Entrevista Livre ou Histria de vida inexistente a elaborao de roteiro ou questes fechadas. definida como autobiografia onde o entrevistado quem determina quais informaes gostaria de relatar. (Histrias de vida)

Vantagens Riqueza da coleta de dados (quantidade de informaes) Definida pelo olhar do entrevistado

DesvantagensDemanda muito tempo So necessrias mais de uma entrevista com a mesma pessoa assimtrica (monlogo)(LAKATOS; ANDRADE, 2007)

HISTRIA DE VIDA Busca compreender o desenvolvimento da vida do sujeito investigado e traar com ele uma biografia que descreva sua trajetria at o momento atual. Ex.: Histria de vida com pessoas portadoras de HIV com o objetivo de focar a rede de relaes de que essas pessoas participam.

(VCTORIA; KNAUTH; HASSEN, 2000)

GRUPO FOCAL Tema especfico: captar as diferentes vises sobre o mesmo. Ex.: verificar, junto a um programa de preveno de Aids, a necessidade de compreender as representaes de pessoas de diferentes idades e sexos sobre o uso de preservativo.

(VCTORIA; KNAUTH; HASSEN, 2000)

GRUPO FOCAL Um grupo: captar sua viso de mundo ou determinados temas. Ex.:para elaborar um programa de promoo e proteo da sade do idoso, pesquisa-se um grupo de terceira idade a respeito de temas relativos a sua vida, com o intuito de obter indicadores de qualidade de vida.

(VCTORIA; KNAUTH; HASSEN, 2000)

GRUPO FOCAL Ambos (tema e grupo): quando se pretender entender em profundidade um comportamento dentro de um grupo determinado. Ex.: a partir da deteco de um elevado nmero de casos de gravidez entre adolescentes em uma certa rea, entrevista-se um grupo de jovens que tiveram filhos no perodo da adolescncia.VCTORIA; KNAUTH; HASSEN, 2000)

REDE DE RELAES Rede de relaes sociais: Conjunto especfico de vnculos entre um conjunto especfico de pessoas; as caractersticas desse conjunto podem ser usadas para interpretar o comportamento social das pessoas envolvidas. Ao pesquisador interessa: A organizao das redes; Os intercmbios realizados (formais, informais, implcitos ou explcitos); Formas de trocas socialmente aceitveis(VCTORIA; KNAUTH; HASSEN, 2000)

REDE DE RELAES: o que observar nesse tipo de estudo O que trocado? = contedo dos vnculos

Ex.: drogas, bens materiais, favores sexuais, relaes de amizade, cumplicidade, hostilidade;

Com quem trocado?

Ex.: relaes horizontais (dentro de uma mesma gerao ou pessoas do mesmo grupo) e relaes verticais (ex.: pais e filhos)

Quanto trocado? = densidade dos vnculos Ex.: estreitos, fluidos, contnuos ou eventuais(VCTORIA; KNAUTH; HASSEN, 2000)

ELABORAO DE DESENHOS Objetivo da tcnica: propor aos pesquisados que representem uma determinada situao ou concepo. A partir do desenho, pesquisador e pesquisado iniciam um dilogo apoiado nos elementos surgidos no desenho;

Obs.: A tcnica propriada nos casos em que a comunicao oral no se mostra eficiente; Esta tcnica sempre usada como forma complementar a outras.

(VCTORIA; KNAUTH; HASSEN, 2000)

ANLISE DE DOCUMENTOS Trata-se de pesquisa documental: Documentos oficiais (leis, regulamentos, decretos, estatutos); Documentos pessoais (cartas, dirios e autobiografias); Documentos pblicos discursos,etc) (livros, jornais, revistas,

(VCTORIA; KNAUTH; HASSEN, 2000)

TCNICAS DE REGISTRO DE DADOS DIRIO DE CAMPO:

Instrumento mais bsico de registro de dados do pesquisador; Descrio de todas as observaes, experincias, sentimentos.

(VCTORIA; KNAUTH; HASSEN, 2000)

O PROCESSO DA PESQUISA QUALITATIVA1- Formulao do objetivo da pesquisa 2 - Formulao dos objetivos especficos da pesquisa 3 - Formulao dos conceitos norteadores

6 - Avaliao e reformulao de questes especficas da pesquisa

5 - Seleo do mtodo e tcnicas de pesquisa apropriados

4 - Seleo da realidade emprica. Definio do locus de estudo

7 - Coleta de dados

8 - Avaliao e reformulao das questes especficas

9 - Anlise dos dados

11 - Formulao das descobertasFLICK, 2009

10 - Generalizao e avaliao das anlises

TIPO DE PESQUISA

TCNICA DE PESQUISA

TCNICA DE COLETA DE DADOS

TCNICAS DE REGISTRO DE DADOS

Pesquisa Exploratria: Conhecer; Identificar; Levantar; Descobrir Pesquisa Descritiva: Caracterizar; Descrever; Traar; Determinar Pesquisa Explicativa: Analisar; Avaliar; Verificar; Explicar

Tcnica de coleta de observao dados

Dirio de campo

Tcnica de registro

Entrevistas

Etnografia

Grupo focal

Histria de vida Rede de relaes

Relao pesquisador e colaborador ou interlocutor: Mtodo e tica convergem na pesquisa participante (as diferenas no deve consolidar posies hierrquicas); Busca de interlocuo e dilogo, visando compreender o sentido e os significados da experincia do outro; Distribuio democrtica de lugares de escuta, fala e deciso entre os pesquisadores e interlocutores; Empenho no esclarecimento, fidelidade, respeito e solidariedade s formas de viver dos colaboradores; Assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido conforme estabelecido na Resoluo 196/96; Cuidado com suas transposio para o texto;(GUERREIRO; SCHMIDT; ZICKER, 2008)

TICA NA PESQUISA QUALITATIVA

TICA NA PESQUISA QUALITATIVA Relao pesquisador e colaborador ou interlocutor:

Anteviso e preocupao com eventuais efeitos polticos e ideolgicos nocivos imagem pessoal e social de interlocutores individuais e coletivos; Revisar, sempre que possvel, as transcries dos relatos orais e de observaes e os textos interpretativos com os colaboradores; Atribuio dos crditos aos interlocutores; discusso sobre o sigilo e as formas de divulgao dos resultados.(GUERREIRO; SCHMIDT; ZICKER, 2008)

RefernciasBECKER, S. H. Mtodos de Pesquisa em Cincias Sociais. So Paulo: Hucitec, 1994, p. 104-105. FLICK, Uwe. Introduo pesquisa qualitativa. 3 ed. Porto Alegre: Artmed, 2009.

GUERREIRO, Iara Coelho Zito; SCHMIDT, Maria Luisa Sandoval; ZICKER, Fbio (Orgs.) tica nas pesquisas em cincias humanas e sociais na sade. SP: Aderaldo & Rothschild, 2008. LAKATOS, E. M.; ANDRADE, MARINA. Metodologia Cientfica. 5 edio. SP: Atlas, 2007. VCTORIA, Ceres Gomes; KNAUTH, Daniela Rva; HAUSSEN, Maria de Nazareth Agra. Pesquisa Qualitativa em Sade: uma introduo. Porto Alegre: Tomo Editorial Ltda, 2000.