Ok net citao revista artigo de jos vieira da cruz

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1. REVISTADO INSTITUTO HISTRICOE GEOGRFICO DE SERGIPE Edio em homenagem professora Maria Thetis Nunes No 39 2009 2. REVISTADO INSTITUTO HISTRICOE GEOGRFICO DE SERGIPEF undado em 1912, reconhecido como de utilidade pblica pela Lei Estadual no 694, de 9 de novembro de 1915, considerado deutilidade continental pela Resoluo no 58, do Congresso Americanode Bibliografia e Histria, ocorrido em Buenos Aires, em 1916, reco-nhecido de utilidade pblica pelo Decreto Federal no 14.074, de 19 defevereiro de 1920, reconhecido de utilidade pblica pelo Governo doEstado de Sergipe, pela Lei 5.464 de 11de novembro de 2004, ereconhecido de utilidade pblica pela Prefeitura Municipal de Aracaju,pela Lei 3.203 de 06 de outubro de 2004. 3. 2009 Revista do Instituto Histrico e Geogrfico de SergipeEDITORSamuel Barros de Medeiros AlbuquerqueCONSELHO EDITORIAL(Comisses de Histria e Geografia do IHGSE)Adelci Figueiredo Santos (UFS)Ana Maria Fonseca Medina (Academia Sergipana de Letras)Antnio Fernando de Arajo S (UFS)Beatriz Giz Dantas (UFS)Neuza Gis Ribeiro (UFS)Vera Lcia Alves Frana (UFS)EDITORAO ELETRNICAAdilma Menezes (CESAD/UFS)Imagem da CapaBraso do Instituto Histrico e Geogrfico de SergipeTiragem400 exemplares Ficha Catalogrfica elaborada pela Biblioteca Central da UFS Revista do Instituto Histrico e Geogrfico de Sergipe/ Instituto Histrico e Geogrfico de Sergipe. Vol. 1, n. 1 (1913) . Aracaju: Instituto Histrico e Geo- grfico de Sergipe, 1913- 1. Histria de Sergipe. 2. Geografia de Sergipe. CDU 91+94(813.7) (05) 4. INSTITUTO HISTRICO E GEOGRFICO DE SERGIPE Rua Itabaianinha, 41 Aracaju - Sergipe, 49010-190 Fundado em 06 de agosto de 1912PRESIDENTE DE HONORRIO ORADOR OFICIAL:Governador do Estado de Sergipe Jos Vieira da CruzMarcelo Dda Chagas 1O TESOUREIRO:PRESIDENTE DE HONRA Saumneo da Silva NascimentoMaria Thetis Nunes 2 O TESOUREIRO:DIRETORIA Ancelmo de OliveiraPRESIDENTE DIRETOR DO MUSEU E DAJos Ibar Costa Dantas PINACOTECA Vernica Maria Meneses NunesVICE-PRESIDENTETerezinha Alves de Oliva DIRETOR DO ARQUIVO E DA BIBLIOTECASECRETRIO GERAL Sayonara Rodrigues do NascimentoLenalda Andrade Santos1O. SECRETRIOTereza Cristina Cerqueira da Graa2O. SECRETRIOJos Rivadlvio Lima 5. REVISTA DO INSTITUTO HISTRICO E GEOGRFICO DE SERGIPECOMISSES SCIOS BENEMRITOS Antnio Carlos ValadaresCOMISSO DE HISTRIA Edvaldo NogueiraAna Maria Fonseca Medina Joo Alves FilhoAntnio Fernando de Arajo S Joo Fontes FariasBeatriz Gis Dantas Joo Gomes Cardoso Barreto Jos Carlos Mesquita TeixeiraCOMISSO DE GEOGRAFIA Jos Eduardo Barros DutraAdelci Figueiredo Santos Lourival BaptistaNeuza Gis Ribeiro Luiz Eduardo MagalhaesVera Lcia Alves Frana Marcelo Dda Chagas Maria do Carmo Nascimento AlvesCOMISSO DE ADMISSO DE SCIOSEdnalva Freire Caetano SCIOS HONORRIOSGilton Feitosa Conceio Jackson da Silva LimaPetrnio Andrade Gomes Josu Modesto dos Passos SubrinhoCOMISSO DE DOCUMENTAO E SCIOS EFETIVOSDIVULGAO Adelci Figueiredo SantosCristina de Almeida Valena Afonso Barbosa de SouzaSamuel Barros de M. Albuquerque Agla DAvila FontesVanessa Santos de Oliveira Airton Bezerra Lcio de Carvalho Amncio Cardoso dos Santos NetoCOMISSO DE FINANAS E Ana Conceio Sobral de CarvalhoPATRIMNIOJos Hamilton Maciel Silva Ana Maria Fonseca MedinaLuz Eduardo de Magalhes Ancelmo de OliveiraNilton Pedro da Silva Adailton dos Santos Andrade Anita Rocha Paixo SoteroCOMISSO DE ESTATSTICA E Antnio Bittencourt JniorINFORMTICA Antnio Carlos dos SantosAntnio Bitencourt Jnior Antnio Carlos Nascimento SantosAntnio Porfrio de Matos Neto Antnio Fernando de Arajo SSuely Gleide Amncio da Silva Antnio Lindvaldo Sousa 6 6. REVISTA DO INSTITUTO HISTRICO E GEOGRFICO DE SERGIPEAntnio Ponciano Bezerra Jos Hamilton Maciel Silva FilhoAntnio Porfrio de Matos Neto Jos Ibar Costa DantasAntnio Samarone de Santana Jos Lima SantanaAntnio Vieira da Costa Jos Maria do NascimentoArionaldo Moura Santos Jos Rivadlvio LimaAristela Arestides Lima Jos Thiago da Silva FilhoBeatriz Gis Dantas Jos Vieira da CruzBemvindo Salles de Campos Neto Josefa Eliana SouzaCristina de Almeida Valena Juvenal Francisco da Rocha NetoDjaldino Mota Moreno Lauro Cruz dos SantosDomingos Pascoal de Melo Lenalda Andrade SantosEdnalva Freire Caetano Lourival Santana SantosEduardo Antnio Seabra Lcio Antnio Prado DiasEugnia Andrade Vieira da Silva Luiz Alberto dos SantosEvande dos Santos Luiz Vieira LimaFernando Jos Ferreira Aguiar Manfredo Ges MartinsFrancisco Jos Alves dos Santos Manoel Alves de SouzaGerson Vilas Boas Marcelo Batista SantosGilberto Francisco Santos Marcelo da Silva RibeiroGilton Feitosa Conceio Mrcio Carvalho da SilvaHlio Jos Porto Marcos Antnio Almeida SantosIgor Leonardo Moraes Albuquerque Maria Glria Santana de AlmeidaIlma Mendes Fontes Maria Lgia Madureira PinaItamar Freitas de Oliveira Maria Lcia Marques Cruz e SilvaJean Marcel DAvila Fontes de Alencar Maria Neide Sobral da SilvaJoo Costa Mary Nadja Freire de Almeida SeabraJoo Francisco dos Santos Murilo MelinsJoo Hlio de Almeida Neuza Maria Gois RibeiroJoo Oliva Alves Newton Pedro da SilvaJos Alberto Pereira Barreto Petrnio Andrade GomesJos Anderson do Nascimento Ricardo de Oliveira Lacerda de MeloJos Antnio Santos Ricardo Nascimento AbreuJos Arajo Filho Ricardo Santos Silva LeiteJos de Oliveira Brito Filho Robervan Barbosa de SantanaJos de Oliveira Jnior Rmulo de Oliveira SilvaJos Francisco da Rocha Ruy Belm de ArajoJos Hamilton Maciel Silva Samuel Barros de Medeiros Albuquerque 7 7. REVISTA DO INSTITUTO HISTRICO E GEOGRFICO DE SERGIPESaumneo da Silva Nascimento Francisco de AlbuquerqueSayonara Rodrigues do Nascimento Hlio MeloSuely Gleide Amncio da Silva Joo Carlos Paes de MendonaTadeu Cunha Rebouas Joo Feltre MedeirosTereza Cristina Cerqueira da Graa Joo Fontes de FariaTerezinha Alves de Oliva Joo Justiniano da FonsecaVanessa dos Santos Oliveira Jorge Alecantro de Oliveira JniorVera Lcia Alves Frana Jos Arthur da Cruz RiosVernica Maria Meneses Nunes Jos Otvio de MeloVilder Santos Jos Passos NetoWagner da Silva Ribeiro Jos Sebastio WitherWanderlei de Oliveira Menezes Josu Modesto PassosWaldefrankly Rolim de Almeida Santos Lilian Salomo Lus Mott Luiz de Arajo PereiraSOCIOS CORRESPONDENTES Luiz Paulino BonfimAcrsio Torres Arajo Manuel Correia de AndradeAdilson Cezar Mrcio PolidoroAdirson Vasconcelos Marco Antnio Vasconcelos CruzAgnaldo Marques Marcus OdilonAlmir de Oliveira Maria Helena HesselAntnio Vasconcelos Nassim Gabriel MehedffBrcio Cardoso Lemos Nazir MaiaCleonice Campelo Nonato MarquesClvis Meira O Mon AlegreConsuelo pond de Sena Ovdio MeloDino Willy Cozza Ricardo Teles ArajoDionysia Brando Rocha Rui Vieira da CunhaEdvaldo M. Boaventura Salime AbdoElodia Ferraz Macedo Srgio SampaioElza Regis de Oliveira Snia Van DickEno Teodoro Wanke Stela LeonardosEsther Caldas Guimares Bertoletti Ulisses PassarelliEwerton Vieira Machado Victorino Coutinho C. de MirandaFbio da SilvaFrancisco C. Nobre de Lacerda Filho 8 8. REVISTA DO INSTITUTO HISTRICO E GEOGRFICO DE SERGIPEQUADRO DE FUNCIONRIOSFUNO FUNCIONRIOOficial Administrativo ngela Nickaulis Corra SilvaAuxiliar Administrativo Gustavo Paulo BomfimMensalista Maria Fernanda dos SantosExecutor de Servios Bsicos Jos Carlos de JesusEstagirio Alisson Fabiano Silva FerroEstagirio Anne Caroline Santos LimaEstagirio Gilsimara Andrade TorresEstagirio Jos Alberto Caldas JniorEstagirio Kleckstane Farias e Silva LucenaEstagirio Lucas Galindo Santos PintoEstagirio Rafael Coelho Santana 9 9. APRESENTAO E ste o segundo nmero da Revista do IHGSE produzido no ano de 2009. dedicado professora Maria Thetis Nunes,Presidente de Honra da Casa de Sergipe, que a presidiu por 31 anos.Falecida em 25.11.2009, destinamos-lhe aqui um sumrio artigonecrolgico. Nesta publicao, acatamos a contribuio de novos autores e deconsagrados historiadores, resultando numa srie de trabalhos sobrevrios temas, tais como genealogia, escravido, tenentismo, movimen-to estudantil, instituio de ensino e a dinmica da economia sergipanaem perodo recente. O artigo sobre Famlias Sergipanas no PerodoColonial, publicado no nmero 37, est sendo reeditado em face dehaver sado com defeito grfico. Seguem as homenagens. A Florentino Menezes, o socilogo pio-neiro e fundador do IHGSE, a propsito do cinquentenrio de seufalecimento. A Felte Bezerra, pelo centenrio de seu nascimento em2008. Aproveitamos o ensejo para levar ao conhecimento dos leitoresum texto que apresentamos no ano passado, enfocando algumas ver-tentes historiogrficas sobre a emancipao poltica de Sergipe. Porfim, aparece nosso Relatrio do ltimo ano de gesto na presidnciado IHGSE. 10. Encerrando o perodo de seis anos de superao de desafios,deixamos este nmero 39, lembrando os setenta anos da inauguraodo prdio da Casa de Sergipe, em 1939, como singela homenagem nossa Presidente de Honra recm-falecida. Agradecemos a todos que emprestaram seu apoio material e/oumoral nossa gesto, especialmente ao Magnfico Reitor da UFS, pro-fessor Dr. Josu Modesto dos Passos Subrinho que, entre numerosasaes, por meio de convnio assegurou a publicao de quase todosnmeros desse perodo. Reconhecemos tambm a disponibilidade epresteza de Adilma Menezes e a eficincia do professor Samuel Barrosde Medeiros Albuquerque, editor desta Revista, que acaba de ser elei-to presidente do IHGSE e a quem desejamos profcua administrao. Aracaju/SE, 23 de dezembro de 2009. Jos Ibar Costa Dantas 11. SUMRIOAPRESENTAO- MARIA THETIS NUNES (06.01.1923 a 25.10.2009) 13 Ibar DantasARTIGOS- FAMLIAS SERGIPANAS DO PERODO COLONIAL (IV) 23 Ricardo Teles Arajo- COMRCIO DE ESCRAVOS NA PROVNCIA DE SERGIPE (1850-1888) 39 Josu Modesto dos Passos Subrinho- UMA DISPUTA BURGUESA: HOMENS E MULHERES ESCRAVOS LUTAM POR SUA LIBERDADE NA JUSTIA, LAGARTO-PROVNCIA DE SERGIPE, 1850-1888 63 Joceneide Cunha- AUGUSTO MAYNARD GOMES E O JULGAMENTO DE PRESTES EM 1940 95 Adailton dos Santos Andrade 12. - APESAR DO AI-5: A (RE)ORGANIZAO DO MOVIMENTO ESTUDANTIL UNIVERSITRIO EM SERGIPE (1969-1985) 109 Jos Vieira da Cruz- A BIBLIOTECA EPIFNIO DRIA 129 Gilfrancisco- A CONTRIBUIO EDUCACIONAL E SOCIAL DO COLGIO ESTADUAL MURILO BRAGA EM SEUS 60 ANOS DE EXISTNCIA 157 Jos Rivadlvio Lima- ESTRUTURA E DINMICA DA ECONOMIA SERGIPANA (1970-2002) 165 Ricardo Oliveira Lacerda de Melo Aldemir do Vale SouzaHOMENAGENS- FLORENTINO TELES DE MENEZES, O SOCILOGO PIONEIRO 205 Ibar Dantas- FELTE BEZERRA E A FASE HERICA DA ANTROPOLOGIA EM SERGIPE: 1950-59 227 Beatriz Gis DantasPALESTRAS- FELTE BEZERRA E A HISTORIOGRAFIA SERGIPANA 259 Antnio Fernando de Arajo S- D. JOO VI E A EMANCIPAO POLTICA DE SERGIPE VERTENTES HISTORIOGRFICAS* 273 Ibar DantasRELATRIO ANUAL DE 2009 299Ibar Dantas 13. MARIA THETIS NUNES (06.01.1923 a 25.10.2009) Ibar Dantas* Com o desaparecimento da professora Maria Thetis Nunes, a so-ciedade sergipana perdeu uma desbravadora e uma das maiores ex-presses de sua intelectualidade. Filha de famlia de poucos recursos erf do pai, Jos Joaquim Nunes, em plena infncia, desde cedo assu-miu uma autonomia de ao admirvel. Aos 11 anos deixou sua cidade natal, Itabaiana (SE), para conti-nuar seus estudos em Aracaju e, a partir dos exemplos de sua me,Anita Barreto, e de sua av Emlia, foi-se revelando uma jovem intr-pida. Como um ser obstinado, enfrentou preconceitos, venceu obst-culos, mas recebeu tambm o estmulo de parentes e de alguns mes-tres que se tornariam inesquecveis, como o professor Artur Fortes.* Jos Ibar Costa Dantas historiador. Presidiu o Instituto Histrico e Geogrfico de Sergipe no perodo de 19.12.2003 a 19.01.2010. 14. REVISTA DO INSTITUTO HISTRICO E GEOGRFICO DE SERGIPE Ao concluir o curso secundrio no Atheneu Sergipense, foi paraBahia, onde se graduou em Histria e Geografia. De volta a Sergipe,prestou concurso, em 1945, para o mesmo colgio em que haviaestudado, apresentando a tese Os rabes, sua influncia na civiliza-o ocidental e, como a nica mulher da congregao do estabeleci-mento, iniciou seu percurso de professora estudiosa, sria e respon-svel. Enquanto ocupava a direo do Colgio Atheneu (1951/1954),deu aulas na Faculdade Catlica de Filosofia de Sergipe, que ajudou acriar. Em 1956, foi designada pelo governo Leandro Maciel para re-presentar o Estado no curso do ISEB (Instituto Superior de EstudosBrasileiros), que congregava uma elite de intelectuais dedicada a estu-dar a realidade brasileira. No Rio de Janeiro, ampliou sua formao demarxista mesclada com a tendncia nacionalista. Aproximou-se deNelson Werneck Sodr, Cndido Mendes e tantos outros, tendo opor-tunidade de escrever ensaio sobre a ideologia nacionalista dos pensa-dores sergipanos Manoel Bomfim e Slvio Romero. Em face do seu talento e dos relacionamentos desenvolvidos, em1961, foi para a Argentina como adida cultural dirigir o Centro deEstudos Brasileiros na provncia de Rosrio, administrando a entidadee lecionando disciplinas relacionadas Histria do Brasil. Com a mudana poltica no nosso pas, em 1965 retornou aSergipe e, com sua formao humanstica, com sua experincia e suapostura republicana, dedicou-se s atividades docentes e propiciou aoseu Estado uma inestimvel contribuio cultural. Retomou a ctedrano Ateneu, inseriu-se no meio intelectual com uma participao desta-cada. Participou das discusses em torno da criao da UniversidadeFederal de Sergipe e afirmou-se como uma das fundadoras de realce. Na nova instituio, ensinou Histria do Brasil, Histria Contem-pornea, Cultura Brasileira, entre outras disciplinas e, com sabedoria,senso de responsabilidade e postura tica, marcou geraes de alunos.Alm das aulas, participou de todos os conselhos superiores da UFS(Ensino e Pesquisa, Universitrio e Diretor). Como decana, exerceu ocargo de Reitora em alguns perodos no curso de 1976 e 1977. Ade- 16 15. MARIA THETIS NUNES (06.01.1923 A 25.10.2009)mais, integrou os Conselhos Estaduais de Educao (1970/1981) e deCultura (1982/1994) do Estado de Sergipe. No obstante a diversidade de suas atuaes, anualmente em-preendia pelo menos uma viagem ao exterior, ilustrando seus conheci-mentos de Histria e Geografia, do Ocidente ao Oriente, tendo co-nhecido quase todos os continentes. Sempre ativa, participante e dotada de esprito pblico, em20.11.1972 assumiu a presidncia do Instituto Histrico e Geogrficode Sergipe, que passava por uma fase de dificuldades. A permaneceupor 31 anos empenhando-se pela melhoria de suas condies, tendoconseguido empreender importantes reformas, razo por que, ao deix-lo, foi agraciada com o ttulo de Presidente de Honra da entidade.Ingressou na Academia Sergipana de Letras e foi reconhecida comelevadas condecoraes de mrito cultural por parte da Prefeitura deAracaju, do Governo do Estado de Sergipe, pela Academia Sergipanade Letras e pela Universidade Federal de Sergipe, que lhe concedeu osttulos de Professora Emrita e de Doutor Honoris Causa. Coroandoesse reconhecimento, foi escolhida pela sociedade como a mulher dosculo do Estado. Se, na esfera do ensino, foi grande o seu contributo para umaeducao orientada para ampliao da cidadania dentro dos parmetrosrepublicanos, no menos importante revelou-se como historiadora,voltada para a construo da identidade do sergipano. Depois de ensaios sobre a legislao do ensino e a construo denossa nacionalidade, aps sua aposentadoria em 1993, intensificou aspesquisas e ampliou os estudos de Histria de Sergipe de forma siste-mtica e sequencial da Colnia at o incio da Repblica, produzindo aobra mais abrangente e mais importante de historiografia sergipana.Seu projeto era concluir seu ltimo livro chegando at 1930. Neletrabalhava quando a morte chegou. Apesar disso, sua bibliografia omaior testemunho de sua grandiosidade. Alm dos numerosos artigos em revistas e jornais, publicou osseguintes livros ou opsculos, alguns dos quais lhe valeram prmiosnacionais: 17 16. REVISTA DO INSTITUTO HISTRICO E GEOGRFICO DE SERGIPE- A Civilizao rabe, sua influncia na civilizao ocidental. Ara- caju, 1945.- Ensino Secundrio e Sociedade Brasileira. MEC / ISEB, 1962.- Sergipe no Processo da Independncia do Brasil. UFS, 1972.- Slvio Romero e Manoel Bomfim: Pioneiros de uma Ideologia Nacional. UFS, 1976.- Histria de Sergipe a partir de 1820. Editora Ctedra / MEC, 1978.- Geografia, Antropologia e Histria em Jos Amrico. Joo Pes- soa, 1982 (Manuel Correia de Andrade, Maria Thetis Nunes, Jos Otvio Melo).- Histria da Educao em Sergipe. Paz e Terra / Governo do Estado de Sergipe / UFS, 1984.- Manuel Lus Azevedo drajo, Educador de Ilustrao, INEP/ MEC, Braslia, 1984.- Sergipe Colonial I. Tempo Brasileiro / UFS. 1989.- Ocupao Territorial da Vila de Itabaiana. Separata dos Anais do VIII Simpsio dos Professores Universitrios de Histria. So Pau- lo, 1976.- A Poltica Educacional de Pombal e sua repercusso no Brasil- Colnia. Separata dos Anais da II Reunio da Sociedade Brasi- leira de Pesquisa Histrica (SBPH), 1983.- Manoel Bomfim (1868/1932). Separata da Revista do Instituto Histrico e Geogrfico do Brasil, no 155, 1994.- O Poder Legislativo e a Sociedade Sergipana. Anais da XIV Reu- nio da Sociedade Brasileira de Pesquisa Histrica (SPBH), 1994.- As Cmaras Municipais. Sua atuao na Capital de Sergipe DEl Rey. Sociedade Brasileira de Pesquisa Histrica (SBPH), 1995.- O Brasil Nao, de Manoel Bomfim, na Historiografia Brasileira. Separata dos Anais da XVII Reunio da Sociedade Brasileira de Pesquisa Histrica (SBPH), 1997.- A Contribuio de Felisbelo Freire Historiografia Brasileira. Se- parata dos Anais da XVI Reunio da Sociedade Brasileira de Pesquisa Histrica (SBPH), 1996. 18 17. MARIA THETIS NUNES (06.01.1923 A 25.10.2009) - Sergipe Colonial II, Tempo Brasileiro, 1996. - Catlogo dos Documentos Avulsos da Capitania de Sergipe (1619 - 1822). Arquivo Histrico Ultramarino, UFS, 1999. - Sergipe Provincial I, Tempo Brasileiro, 2000. - Sergipe Provincial II, Tempo Brasileiro, 2006. FONTES CONSULTADASMaria Nely Santos. Professora Thtis: uma vida. Aracaju: Grfica Pontual,1999.A Historiografia de Maria Thetis Nunes. Anais da VII Semana de Histria.So Cristvo, UFS, 2004Instituto Histrico e Geogrfico de Sergipe Brasileiro. Dicionrio Biogrfico.Maria Thetis Nunes. http://www.ihgb.org.brMaria Thetis Nunes. Entrevista a Glauco Vincius e Raquel Almeida, infonet. 19 18. ARTIGOS 19. FAMLIAS SERGIPANAS DO PERODO COLONIAL (IV)* Ricardo Teles Arajo**RESUMOEste estudo tem por objetivo analisar as origens da famlia Faro Leito. Apartir das anlises efetuadas possvel inferir que provavelmente os primeirosmembros da famlia eram portugueses oriundos da cidade do Faro. Dessaforma, acredita-se que Joo Leito de Faro deve ter sido o primeiro membroda famlia que chegou em Sergipe, ainda no perodo da sua proto-histria(1590-1645).PALAVRAS-CHAVE: genealogia, famlia Faro Leito, Sergipe.* Artigo publicado originalmente no nmero 37 da Revista do IHGSE, com alguns problemas de impresso.** Genealogista 20. REVISTA DO INSTITUTO HISTRICO E GEOGRFICO DE SERGIPE FARO LEITO O sobrenome Faro remete a cidade de Faro, no Algarve, Portu-gal. Provavelmente os primeiros membros da famlia em Sergipe eramportugueses oriundos da cidade do Faro e, embora l no usassem otopnimo em seu sobrenome, ao chegarem no Brasil acrescentaramaos seus sobrenomes de famlia o nome da cidade de origem. Faro uma antiga cidade de origem romana. No tempo dos Ro-manos chamar-se-ia Ossonoba, embora haja quem discorde, alegan-do que no tempo do domnio rabe Santa Maria e Ossonoba (xantmaria e okxonuba em rabe) seriam cidades vizinhas, a primeira ser-vindo de porto segunda. Santa Maria seria a hoje Faro. Ossonobaera tambm o nome dado regio aonde se situava Santa Maria1.Sobre a adoo do topnimo Faro aos sobrenomes j no tempo dodomnio rabe, escreveu Cludio Torres: A velha Ossnoba, denominada Santa Maria durante o sculo XI, passa a chamar-se Santa Maria de Faro, devido ao fato prov- vel de ter sido construdo nessa altura um farol, tornado necessrio devido ao assoreamento da ria. Assim cremos que o nome Faro no advm de um antropnimo e sim, ao contrrio, foi a cidade a dar o seu nome a uma importante famlia local, Ibn Harun, que durante dezenas de anos a governou. Era vulgar entre os muladis, os conversos ao islamismo, a incorporao do topnimo natal ao nome cornico, adotado no momento de abraar a nova f.2 Concordamos com Cludio Torres. O nome Harun em rabe querdizer luz, chefe, protetor, guarda ou mensageiro3, justamente o que faz1 MACHADO, Jos Pedro. Ensaios arbico-portugueses. Lisboa: Editorial Notcias, 1997, p. 24.2 MATOSO, Jos (coord.). Histria de Portugal. Lisboa: Editorial Estampa, 1993. 8v. V.1, p. 398.3 GANDHI, Maneka e HUSAIN, Ozair. The Complete Book of Muslim and Parsi Names. New Delhi: HarperCollins, 1994. 24 21. FAMLIAS SERGIPANAS DO PERODO COLONIAL (IV)o farol. Alm do significado de Harun ser o mesmo de farol, a raizlingustica das duas palavras a mesma. Harun tem a mesma raiz lin-gustica de Faros, a ilha egpcia aonde existia o famoso Farol deAlexandria, uma das sete maravilhas do mundo antigo, e que deu ori-gem ao nome farol. Faros era oriundo do grego phars, este por suavez oriundo, provavelmente, do antigo egpcio, pois phars parece tera mesma raiz do termo egpcio pre que significa grande casa e apartir do Novo Imprio (1500 A.E.C.), fara4. Apesar da lngua ra-be e da grega pertencerem a troncos lingusticos distintos, respectiva-mente afro-asiticos e indo-europeus, ocorreram emprstimos de am-bos os lados, devido ao intenso comrcio mediterrnico, desde o tem-po dos fencios, povo semita que nem o rabe, cerca de 1000 A.E.C.Do topnimo phars ou harun (em rabe), poderia vir sem dificulda-de um antropnimo Harun, assim como ocorreu muitas vezes em Por-tugal, como por exemplo, com o antropnimo Guimares vindo dacidade de Guimares, Viana da cidade de Viana do Castelo, Almeidada vila de Almeida e Oliveira dos inmeros lugares e freguesias com onome de Oliveira. A troca da letra rabe h pela letra f era comum nosemprstimos rabes no portugus, como, por exemplo, na palavra re-fm, que vem do rabe rahan5. As mais antigas fontes onde encontramos referncias pessoas dafamlia Faro Leito em Sergipe, se encontram no Livro de Notas 1735/38 do Cartrio de So Cristvo, em alguns documentos avulsos de1718, 1720 e 1724, existente nas caixas referentes a Sergipe do Ar-quivo Histrico Ultramarino, e em uma carta do Conde de Vimieiro,de 13/11/1718, ao capito Francisco de Faro Leito, fora a carta dedoao de sesmaria de Joo Leito de Faro, de 08/10/1606, apresen-tada por Felisbelo Freire, Histria de Sergipe.4 HOOKER, J.T. (introduo). Lendo o passado. So Paulo: Edusp, 1996, p. 148.5 SOUSA, Joo de. Vestgios da lingoa arabica em Portugal. Lisboa: Academia Real das Sciencias, 1830. 25 22. REVISTA DO INSTITUTO HISTRICO E GEOGRFICO DE SERGIPE 26 23. FAMLIAS SERGIPANAS DO PERODO COLONIAL (IV) 27 24. REVISTA DO INSTITUTO HISTRICO E GEOGRFICO DE SERGIPE Joo Leito de Faro deve ter sido o primeiro da famlia que che-gou em Sergipe, ainda no perodo da sua proto-histria (1590-1645).Recebeu uma sesmaria de uma lgua por uma lgua do capito-morNicolau Faleiro de Vasconcelos, em 08/10/1606, na margem sul doRio Sergipe, vizinho de Antonio Lopes Pereira6. Joo Leito de Farofoi ouvidor de Sergipe em 25/09/16167. Em 31/03/1657, Manoel Leito era sargento da companhia docapito Antonio Coelho do limite de Lagarto. Encontrava-se preso nacadeia de So Cristvo, por ter-se envolvido na expulso do vigriode So Cristvo, Sebastio Pedroso de Ges. possvel que esse sar-gento fizesse parte da famlia Faro Leito8. Francisco de Faro Leito era capito de cavalos de uma das tro-pas da Ordenana de que era coronel Antonio Martinho de Barbuda,que alis no morava em Sergipe e foi acusado pelo capito-mor Cus-tdio Rebelo Pereira de ausente e de no ser conhecido das pessoasdo seu prprio regimento. A ausncia do coronel levou as tropas a umtal desligamento que mesmo passando bando para avisar que haveriamostra, em 12/02/1718, apenas dez soldados compareceram de umtotal de 51 que havia na companhia do capito Francisco9. Francisco de Faro Leito era primo de Joo de Faro Leito, quetinha um irmo chamado Gaspar Pacheco. Joo de Faro Leito, rece-be o ofcio e carta-patente de capito-mor da Freguesia de Nossa Se-nhora da Piedade do Lagarto, em 8 de agosto de 172010. Os trs pa-rentes foram acusados de um crime gravssimo, em 1724: a morte dofilho e do neto do capito Mendo de S Souto Maior, respectivamen-te, Claudio Maciel e Artur de S. Feita devassa pelo ouvidor da comarcade Sergipe, ningum fora acusado e o infeliz capito pede Sua Ma-6 FREIRE, Felisbelo. Histria de Sergipe. 2 ed. Petrpolis: Vozes, 1977, p.404.7 Livro primeiro do governo do Brasil.8 AHU, Sergipe doc 9.9 AHU Sergipe doc 10510 AHU, Sergipe, doc. 39. 28 25. FAMLIAS SERGIPANAS DO PERODO COLONIAL (IV)jestade o Rei D. Joo V que mande tirar nova devassa, pois, segundoele, o seu filho e o seu neto teriam sido assassinados pelos irmos Joode Faro Leito e Gaspar Pacheco, seu primo Francisco de Faro e amulata Luzia. El Rey, ouvindo o parecer favorvel do Vice-Rei VascoFernandes Cesar de Menezes, em 12/06/1725, mandou fazer novadevassa11. Francisco de Faro (talvez o mesmo acima) foi acusado peloOuvidor Antonio Soares Pinto de ter atentado contra a vida do seuantecessor pelo fato de o mesmo ter executado uma dvida sua com osdefuntos e ausentes12. No Livro de Notas, hoje existente no Arquivo Judicirio do Esta-do de Sergipe, h uma escritura de terras e mais pertences do enge-nho Taperagua, passada em 22/05/1738, em que Isabel de S SoutoMaior, viva de Manoel Pacheco Leito, e seus filhos Bernardo CorreaLeito, Leonarda de S Souto Maior, Joo de Faro Leito, Maximianode Faro Leito, Antonio Maciel de S Souto Maior, Joana Bernarda deS, Crdula Pacheco de S e Francisca Xavier de Nazareth para o co-ronel Jos Pacheco da Paz, a fim de o mesmo se casar com a sua filhae irm Maria de Faro Souto Maior. Estas terras foram institudas comofideicomisso pelo bisav dos filhos, o sargento-mor Bernardo CorreiaLeito, usando de sua tera, e com a morte do seu pai Manuel PachecoLeito sucederam todos igualmente. O fideicomisso era uma proprie-dade que herdava o primognito de duas geraes, sendo o primeiroherdeiro chamado de fiducirio e o segundo de fideicomissrio. Nocaso do engenho Taperagua, Manuel Pacheco Franco, av dos doado-res, era o fiducirio do fideicomisso e o pai, Manuel Pacheco Leito, ofideicomissrio. 01/03/1738. Escritura de venda, trespasso, doao e data que faz D. Isabel de S Souto Maior e seus filhos, ela viva de11 AHU Sergipe doc 143.12 AHU Sergipe doc 147. 29 26. REVISTA DO INSTITUTO HISTRICO E GEOGRFICO DE SERGIPE Manuel Pacheco Leito, e seus filhos Bernardo Correia Leito, Leonardo de S Souto Maior, Joo de Faro Leito, D. Maximiana de Faro Leito, Antonio Maciel de S Souto Maior, D. Joana Bar... De S, D. Cordula Pacheco de S, D. Francisca Xavier de Nazar ao coronel Jos Pacheco da Paz, do engenho Taperagua, suas terras e mais pertences [...] de canas obriga- dos ao mesmo engenho. Houveram por ttulo de deissa? Fidei comisso perptuo que instituiu da manufatura de sua tera seu bisav deles vendedores, cedentes e doadores, o defunto sar- gento-mor Bernardo Correia Leito, em [...] sucederam todos igualmente por falecimento do seu pai Manuel Pacheco Leito [...] av Manuel Pacheco Franco [...] ao dito comprador para efeito de casar com sua filha e irm deles vendedores, cedentes e doadores, d. Maria de Faro Souto Maior, com a qual est hoje legitimamente casado [...] e legtima de seu pai posse da legtima que faz adjudicada a Gonalo de S Souto Maior [...] sua me Isabel de S [...]; e outrossim, irmos os ditos vende- dores, cedentes e doadores a saber: d. Joana Barrera? de S, D. Cordula Pacheco de S, D. Francisca Xavier de Nazar senho- res e possuidores etc. etc. Por doao e deixa que fez seu tio o capito-mor Joo de Faro Leito, j defunto, [...] de canas e terra sita no [...] Vaza-Barris em lgua que chamam de [...] que houveram por ttulo de doao que seu tio o capito-mor o de- funto Gaspar Pacheco Leito e sua mulher lhe fizeram. O instituidor do fideicomisso do engenho Taperagua, sargento-mor Bernardo Correia Leito, entrou em litgio com o capito-mor deSergipe Ambrsio Lus de la Penha, solicitando Sua Majestade, em1665, que fosse tirado devassa sobre os maus procedimentos do capi-to-mor, oferecendo, inclusive, uma cauo de sua prpria fazenda,para o caso de o capito-mor sair inocentado da devassa. 30 27. FAMLIAS SERGIPANAS DO PERODO COLONIAL (IV) Senhor, Manda Vossa Majestade por decreto de 18 de novembro pas- sado ... consulta neste conselho uma petio de Bernardo Correia Leito, na qual diz que Ambrsio Lus de la Penha, capito-mor de Sergipe del Rey tem procedido e procede no exerccio do seu cargo com insolncia fazendo e obrando as exorbitncias e excessos que constam dos captulos que ofere- ce e porque vai acabando seu trinio (...) de que fique sem castigo os ditos excessos cometidos no dito cargo contra o ser- vio de Vossa Majestade e de seus vassalos, e ele Bernardo Correia quer depositar a cauo necessria para a devassa no saindo culpado o dito Ambrsio Lus. Pede a Vossa Majestade lhe faa merc mandar passar proviso para que o ouvidor geral do crime que ora (...) ou qualquer outro ministro (...) que Vossa Majestade for servido, v a dita capitania de Sergipe e devasse do contedo nos ditos captulos e pelos mais que der acabdos os tr6es anos do dito capito-mor que se acaba em fevereiro do ano de 666, e proceda contra ele conforme as culpas que resultarem da devassa. Ao conselho parece que Vossa Majestade deve ordenar que o ouvidor geral do crime da Relao do Brasil ou outro qualquer desembargador da mesma Relao de toda inteireza e bons procedimentos, tanto que Ambrsio Lus de la Penha acabar os trs anos porque foi provido do cargo de capito-mor da capitania de Sergipe (...) tirar residncia do dito tempo que serviu o dito cargo, enviando-se-lhe os translados dos captulos oferecidos por Bernardo Correia Leito que ficam neste Conse- lho, para perguntar pelo que se contm neles, e que saindo culpado se proceda contra ele como parecer justia e confomre merecerem as suas culpas. Em Lisboa, 22/12/1665. A combinao Correia Leito apresenta uma similaridade comuma das primeiras famlias do Rio de Janeiro: a de Francisco CorreiaLeito, nascido por volta de 1644, filho de Brs Correia Leito e de 31 28. REVISTA DO INSTITUTO HISTRICO E GEOGRFICO DE SERGIPEMaria de Matos, ambos naturais de Alvarinha, comarca de Leiria. EsseFrancisco casou-se em So Gonalo, em 05/08/1674, com ngela doAmaral, filha de Joo Batista Jordo e de ngela de Aro, da famliaAmaral Gurgel13. Em 07/02/1750, o coronel Jos Pacheco da Paz continuava comodono do engenho Taperagua, quando testemunhou na devassa de resi-dncia de Manuel Francs, que tinha sido capito-mor de Sergipe, de-clarando ter 55 anos, o que deduz que nasceu provavelmente em 1695. Em 04/02/1750, Francisco de Faro Leito aparece como a 25testemunha do auto de residncia de Manuel Francs, que foi capito-mor de Sergipe, declarando morar na Vargem de Nossa Senhora doDesterro, termo de So Cristvo, viver de suas fazendas e ter 40 anosde idade, tendo nascido provavelmente em 171014. Pela sua idade,com certeza esse homem no era o mesmo Francisco de Faro Leitoacima, que foi capito de cavalos em 1718. O capito Gonalo de Faro Leito aparece como capito de umacompanhia de 29 soldados pertencente ao Regimento de Cavalaria docoronel Filipe Pereira do Lago, no Mapa de Regimentos da Capitaniade Sergipe de El Rey enviado pelo capito-mor Francisco da Costa aoRei D. Joo V, em 03/04/173415. Provavelmente o mesmo Gonalo deFaro Leito casado com Eugnia do Esprito Santo. Teve, que desco-brimos, uma filha de nome Ana ou Clara de Faro Leito, que foi casa-da com Dionsio. Ana ou Clara fez testamento, registrado no Livro deRegistro de Testamento de So Cristvo de 1803/1804, folha 52,declarando na ocasio ser nascida na Freguesia de Nossa Senhora daVitria, de So Cristvo, filha dos citados Gonalo e Eugnia, quedeixava de bens o Engenho Massap e que tinha seis filhos: - Francisco, que teve uma filha de nome Maria;13 RHEINGANTZ, Carlos. Primeiras Famlias do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Brasiliana, 1965.14 AHU, Sergipe doc 371.15 AHU Sergipe doc 277. 32 29. FAMLIAS SERGIPANAS DO PERODO COLONIAL (IV) - Felipe Lus de Faro, que foi o seu primeiro testamenteiro e teve um filho de nome Francisco; - Gonalo; - Joana; - Josefa; - Mariana. Alexandre de Faro Leito, do sculo XVIII teve o filho capitoFrancisco de Faro Leito, nascido em Socorro, SE, provavelmente em1789, pois em 1829 o seu nome aparece como capito da 4 Compa-nhia de Cassadores do Batalho 24, de Laranjeiras, tendo 40 anos e4:000$000 ris de renda anual16. Seu nome completo era AlexandreJos de Faro Leito e era capito das ordenanas da Freguesia de Nos-sa Senhora do Socorro da Cotinguiba em 1785, quando tirou a listadas pessoas que plantaram mandioca na mesma e a enviou para oGoverno da Bahia17. Ele mesmo aparece na listagem como sendo La-vrador de Cana do Engenho Jiqui, de propriedade de Manuel Gomesdos Santos. O capito Alexandre possua 8 escravos e tinha plantadoem suas terras 1000 covas de mandioca. Segue abaixo o resumo da descendncia de Gonalo de FaroLeito e de Eugnia do Esprito Santo: Gonalo de Faro Leito Eugnia do Esprito Santo Teve que descobrimos: I.1 Clara de Faro Leito18 Dionsio Eleutherio de Menezes Teve q.d.:16 APES, Comandante de Batalhes.17 Documento no Arquivo Pblico da Bahia (APEB, 188), cedido gentilmente por Luiz Mott.18 De acordo com o testamento da sua filha Mariana do Sacramento, feito em 15/07/1826 (AJES,S.Cristvo-LRT 1830/42,f.2), e fonte secundria que colhemos no arquivo do Dr. Joo Dantas Martins dos Reis, no Instituto Histrico Geogrfico de Sergipe. 33 30. REVISTA DO INSTITUTO HISTRICO E GEOGRFICO DE SERGIPE II.1 Francisco de Faro Leito (tenente-coronel)19 Comendaroba, Freguesia de N.S. do Socorro, SE, 22/10/1786 II.2 Mariana do Sacramento20 Cotinguiba, SE, ca.1760 Divina Pastora, SE, 21?/08?/1826 (solteira) II.3 Felipe Lus de Faro e Menezes21 1763 Helena de Faro Leito19 Morreu de dois tiros de bacamarte ao sair da igreja da Comandaroba onde tinha ido assistir missa, s 10 horas da manh, em 22/10/1786, a mando de D. Jacinta Maria de Castro, Antonio Pereira da Silva e do sargento-mor Bento Jos de Oliveira. Bento Jos tinha tido dissenses com ele, querendo congra-lo com Antonio Pereira. Morto Francisco, foi preso Antonio Pereira, solto pouco depois por Bento Jos, que para isso arrombou a cadeia e induziu ao Meirinho para lev-lo cadeia de So Cristvo, sendo solto no caminho e se hospedando na sua casa. Para embaraar a investigao, Bento Jos de Oliveira alegou que Felipe Luiz e seus irmos e parentes tinham mandado dar um tiro no preso. O exame de corpo delito nas roupas do falecido foi feito em 31/10/1786 (AHU, Sergipe doc 481).20 Mariana declarou em 1826 que tinha, tambm, a sobrinha Antonia casada com Jos Pinheiro. Este Jos Pinheiro era o ento tenente e depois major Jos Pinheiro de Mendona casada com Antonia de Faro Leito, atestado, inclusive, no testamento de sua filha Joana de Faro Leito, feito em Laranjeiras, SE, 01/06/1856 (AJES Laranjeiras 1-T-c1,doc16). Na ocasio Joana declarou ser nascida na Freguesia de Divina Pastora, SE, filha do Major Jos Pinheiro de Mendona e de Antnia de Faro Leito e que foi casada com Manoel Fernandes Rollemberg Chaves, no tendo filhos. Joana era irm de Manoel Dinis de Faro Leito, Lus de Faro Leito, que tinha um filho Jos, N.N., que foi casada com Manoel dos Santos Silva e teve a filha Ana, e de outra N.N. que foi casada com Francisco de Faro Leito e teve a filha Maria. Seu testamento est registrado no livro de registro de testamentos da comarca de So Cristvo (AJES, SC-LRT-c3).21 Em 05/10/1805, Francisco Muniz Teles, Raymundo Teles Barreto de Menezes, Jos de Barros Pimentel, Manuel da Porcincula Lins e Manuel Pereira Carvalho queixaram-se Sua Majestade dos irregulares procedimentos do sargento-mor Felipe Luiz de Faro e Menezes que, segundo eles, conservava ao seu servio um coito de facinorosos liderados pelos matadores Manuel Cardoso e seu irmo Domingos e mais um soldado desertor da praa de Pernambuco de nome Jos Marinho, que o serviam h mais de oito anos. Por mandado dele mataram Jos Antonio, no lugar do Genipapo, Estcio de tal, no lugar da Terra Dura, e Gonalo de tal, no P do Banco [hoje Siriri], e em todos as 34 31. FAMLIAS SERGIPANAS DO PERODO COLONIAL (IV) filha do capito Jos Ferreira Passos22, Santo Amaro das Brotas, 1729, e de Clara Maria de Almeida; n.p. Gualter Ferreira Passos e de Elena de Andrade. Teve que descobrimos: III.1 Francisco de Faro Menezes III.2 Gonalo de Faro Leito e Meneses23 devassas feitas saram pronunciadas as prprias vtimas, devido ao fato de o ouvidor [Jos Antonio Alvarenga Barros Freire] ser seu parcial e receber infinitos mimos do mesmo. Alm disso, Felipe vexava os povos, destruindo suas lavouras com o seu gado e queimando cercas (tinha ele 6 lguas de terra arrendadas a 200 ou 300 rendeiros pobres, de quem ele abusava colocando o seu prprio gado nas terras arrendadas, causando prejuzos aos rendeiros - AHU, Sergipe doc 478). Tirava da cadeia de Santo Amaro at presos com crimes de morte, como fez com Mateuzinho, acusado de matar Antonio Felix. Prendia muitos pobres se ferissem qualquer uma de suas reses e no pagassem em dia a renda de suas terras. Felipe tinha quatro engenhos moentes e correntes. Mantinha preso na cadeia de Santo Amaro dois homens na enxovia e tronco, sem culpa alguma, porque ser Felipe homem muito rico e que fazia tudo quanto queria. Aps a morte do seu sogro Jos Ferreira Passos, passou a usar os soldados das ordenanas [que no recebiam soldo algum] para fazer guarda aos presos de sua paixo, de dia e de noite, enquanto pela lei de 20/10/1763, eles s estavam obrigados a transportar os presos para a cadeia da relao. Quando o governador determinou que a cmara propusesse o nome do capito-mor, com a assistncia do corregedor, Felipe Luiz subornou os vereadores doando-lhes vacas mortas e feixes de acar, para que fosse indicado em primeiro lugar, apesar de ser ele cego e de mau gnio. Como capito-mor aumentou o seu prprio salrio com inquisitrios e outros emolumentos vantajosos. Deixou de tirar devassa do levante do povo contra o vigrio da freguesia de Nossa Senhora do Socorro da Cotinguiba, Antonio Alves de Miranda Varejo, por solicitao de Bento Jose de Oliveira, mentor da sedio, aconselhando e dando agregados para isso. Esse apoio a Bento Jos de Oliveira mostrava que Felipe Luiz de Faro e Menezes esquecera que foi o prprio Bento Jos que mandara matar o seu irmo, o tenente-coronel Francisco, em 1786, quando o prprio Felipe tinha 23 anos de idade (AHU, Sergipe doc 481).22 O capito Jos Ferreira Passos, que foi casado com Clara Maria de Almeida, fez testamento em Santo Amaro das Brotas, em outubro de 1804, e declarou que tinha uma filha de nome Helena de Faro Leito, que casou com o sargento-mor Felipe Lus de Faro de Menezes.23 Foi testamenteiro da sua tia Mariana do Sacramento, em 30/01/1833 (AJES, SC-LRT- c.3). 35 32. REVISTA DO INSTITUTO HISTRICO E GEOGRFICO DE SERGIPE II.4 Gonalo de Faro Leito (capito)24 /05/1793 Eufrsia Vieira de Melo (1 ) filha de Antnio Coelho Barreto e de Quitria Gomes de S; Teve que descobrimos: III.1 Clara de Faro Leito Gonalo Paes de Azevedo Jr.25 Santo Amaro das Brotas, SE /11/1821 filho do Cap. Gonalo Paes de Azevedo e de Antnia de Moura Caldas. III.2 Maria Jos de Faro Leito 1 Manuel Rollemberg de Azevedo 2 Joo Gomes de Mello (Baro de Maroim)24 Gonalo de Faro Leito foi provido por patente do governador da Bahia, dom Rodrigo Jos de Menezes, ao posto de capito da 6 Companhia de Cavalos da Capitania de Sergipe del Rey, do coronel Jos Caetano da Silva Loureiro, em 07/07/1786, devido promoo de Jos Ferreira Passos que ocupava o mesmo posto. Como ele no pediu confirmao da patente Sua Majestade no prazo de seis meses, como determinava o captulo 16 do Regimento do Governo da Bahia, ele solicitou nova patente ao ento Governador Dom Fernando Jos de Portugal, que a concedeu em 16/09/1790, para que ele pedisse confirmao. O coronel do regimento j no era mais Jos Caetano da Silva Loureiro, que se retirara para a vida sacerdotal, e sim, Baltazar Vieira de Mello (AHU, Bahia 15408).25 Gonalo Paes de Azevedo Jr. deixou ao falecer dois engenhos e dinheiro par afilhados e escravos. Era irmo de Francisca Pereira do Lago (AJES, S. Cristvo, LRT 1820/22, f.144). 36 33. FAMLIAS SERGIPANAS DO PERODO COLONIAL (IV) III.3 Joana de Faro Leito ca.1790 Cap.-Mor Jos da Mota Nunes26 Laranjeiras, SE, 11/06/1847 Teve: IV.1 Francisco de Faro Motta Leito (major) Socorro, SE, //18 1 Antnia Leopoldina (de Faro) filha de Manuel Zuzarte de Siqueira e Mello e de Clara Ang- lica de Arajo. 2 Maria de Azevedo Faro (sem gerao) O Major Francisco de Faro Motta Leito teve com a criola Simoa, uma filha natural. IV.2 Cap. Felippe de Faro Motta Leito27 Laranjeiras, SE, 04/07/1871 Maria da Glria de Faro Jurema (sem gerao)26 O Cap.-Mor Jos da Motta Nunes era o dono dos Engenhos Flor da Roda e Tanque do Moura (AJES,Laranjeiras 1-I-c7,doc4). Mota Nunes era uma antiga famlia sergipana atestada desde 1726, quando o tenente Antonio da Mota Nunes, branco, casado, lavrador de tabacos e de idade que disse ser de 40 anos (1686?), deps sobre os comportamentos do capito-mor de Sergipe Jos Pereira de Araujo (AHU, Sergipe doc 152). Em 1756, no mapa da companhia de auxiliares do capito Gonalo Tavares da Mota, do Tero da Vila de Itabaiana, do capito-mor Simo Teles de Menezes, aparecem como soldados Jos da Mota Nunes e Antonio da Mota Nunes, provavelmente irmos por constarem um do lado do outro na lista conforme costume da poca (AHU, Sergipe doc 402). Talvez fossem filhos do j mencionado tenente que tinha 40 anos em 1726.27 O capito Felipe de Faro Motta no teve filhos e por isso seus bens passaram para os seus irmos. era ele dono dos Engenhos Tanque do Moura e Massap (AJES,Laranjeiras 1-I-c7,doc1). 37 34. REVISTA DO INSTITUTO HISTRICO E GEOGRFICO DE SERGIPE IV.3 Major Gonalo de Faro Motta (Engenho So Gonalo das Pedrinhas)28 Antnia de Azevedo Faro Laranjeiras, SE,