O mordomo da casa branca

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    24-Mar-2016

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O livro que originou a megaproduo cinematogrfica com Forest Whitaker, Oprah Winfrey, Robin Williams, John Cusack e Cuba Gooding Jr. Wil Haygood, jornalista do Washington Post, escreveu, durante a eleio de Obama, uma srie de artigos sobre Eugene Allen, mordomo negro que serviu a oito presidentes, de Truman a Reagan. Um smbolo de como os negros estiveram to prximo, e ao mesmo tempo, to distante do poder no perodo da segregao racial. Antes de falecer Eugene Allen se orgulhou de ver a posse do primeiro presidente negro dos Estados Unidos da Amrica. Hoje, alm do filme que liderou as bilheterias, a histria ganhou as pginas deste livro que emocionar milhes de pessoas.

Transcript

  • O MORDOMODA CASA BRANCA

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  • A histria real que originou o filme com Forest Whitaker e Oprah Winfrey

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  • A histria real que originou o filme com Forest Whitaker e Oprah Winfrey

    Wil HAygOOd

    O MORDOMODA CASA BRANCA

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  • The ButlerCopyright 2013 by Wil Haygood

    Foreword copyright 2013 by Lee DanielsCopyright 2013 by Novo Sculo Editora Ltda.

    All rights reserved.

    Editor-assistente Coordenao editorial

    TraduoCapa e diagramao

    Reviso

    Texto de acordo com as normas do Novo Acordo Ortogrfico da Lngua Portuguesa (Decreto Legislativo n 54, de 1995)

    2013IMPRESSO NO BRASILPRINTED IN BRAZIL

    DIREITOS CEDIDOS PARA EDIO NOVO SCULO EDITORA LTDA.

    CEA Centro Empresarial Araguaia IIAlameda Araguaia, 2190 11 Andar Bloco A Conjunto 1111

    Tel. (11) 3699-7107 Fax (11) 3699-7323www.novoseculo.com.br

    atendimento@novoseculo.com.br

    Daniel LameiraMateus Duque ErthalCaio PereiraFlavio FranceschiniMarina Ruivo / Letcia Tefilo

    Haygood, WilO mordomo da Casa Branca : a histria real que baseou o filme

    com Forest Whitaker e Oprah Winfrey / Wil Haygood ; [traduo Caio Pereira]. -- Barueri, SP : Novo Sculo Editora, 2013.

    Ttulo original: The butler

    1. Allen, Eugene, 1919-2010 2. Direitos civis - Estados Unidos 3. Mordomos - Estados Unidos - Biografia 4. Presidentes - Estados Unidos - Funcionrios - Biografia I. Ttulo.

    ndices para catlogo sistemtico:

    1. Estados Unidos : Casa Branca : Mordomos : Biografia 920

    13-11266 CDD-920

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)(Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

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  • Este livro dedicado memria de Laura Ziskin

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  • Prefcio: lee daniels

    A jornada do mordomo

    imagem em movimento

    Cinco presidentes vo luta

    Agradecimentos

    9

    15

    69

    113

    137

    sumrio

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  • Ainda que o filme O mOrdOmO da Casa BranCa seja baseado em eventos histri-cos, o protagonista e sua famlia so obras de fico. desde o momento em que li o artigo de Wil Haygood no Washington Post, fiquei muito co-movido com a vida de Eugene Allen. lembro-me de Wil Haygood compartilhando comigo sua inspi-rao para escrever o artigo original. Bem no incio da campanha eleitoral de Obama, ele tentava encon-trar um mordomo afrodescendente que tivesse sido testemunha, em primeira mo, do movimento pelos direitos civis, de perspectivas tanto de fora quanto de dentro da Casa Branca. Wil bateu porta do Sr. Allen e foi recebido por um homem elegante e hu-milde e por sua graciosa esposa. Passaram, ento, as tardes compartilhando histrias e tesouros em for-

    prefcio

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    ma de lembranas, que repousavam discretamente na parede de seu poro.

    Quando li, pela primeira vez, o roteiro escrito por danny Strong para O mordomo da Casa Branca, soube que tinha que dirigir o filme. Era inspirado por ttulos como E o vento levou, e achei que, se eu pudesse captar pelo menos metade do que esse filme captou, teria em mos uma coisa mgica. Mas o mais importante foi ter encontrado um jeito de enquadrar a histria: contrastar os eventos da poca, especialmente a luta pelos direitos civis de igualdade, com o que viria a ser o corao do filme, a evoluo de um relacionamento entre pai e fi-lho. Enquanto o pai testemunhava diretamente o papel que cada presidente representava ao ditar o curso dos direitos civis, o filho se rebelava contra o que entendia como a subservincia de seu pai. Ele chegou a levar sua luta pela igualdade s ruas, ainda que isso significasse sacrificar a prpria vida. No fim das contas, uma his-tria de cura, tanto da nao americana quanto, mais importante, de um pai e de um filho, conforme cada um passa a respeitar o papel essencial que o outro re-presentava em um momento de grande transformao histrica. essa a ncora emocional e universal do fil-me, e o tema que eu tanto queria explorar.

    E, embora pai, filho e sua famlia sejam personagens fictcios no filme, pudemos emprestar alguns momen-tos extraordinrios da vida real de Eugene, tecidos

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    malha do enredo como o pesar de Jacqueline Ken-nedy ao dar uma das gravatas do presidente assassinado ao mordomo, e o convite feito por Nancy Reagan a ele e sua esposa para um jantar diplomtico. Eugene Allen era um homem notvel, e fico muito feliz por Wil Haygood ter tido a paixo e a perseverana de en-contr-lo e dado vida a sua histria, no artigo e neste livro, que o amplia.

    Lee Daniels

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  • Cartaz do filme no Brasil

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  • A jORNADA DO MORDOMO

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  • Ele estava l fora, em algum lugar. devia ser um senhor de idade atualmente. Trabalhara durante dcadas na Casa Branca. Talvez ti-vesse morrido praticamente sozinho, e prestaram-lhe apenas uma curta nota nos obiturios. Mas ningum era capaz de confirmar se seria esse o caso. Eu podia estar procurando um fantasma. Na verdade, procurava um mordomo. E no conseguia parar de procurar.

    Sim, um mordomo. um termo to antiquado e anacrnico: o mordomo.

    Algum que serve as pessoas, que v sem ver; algum que sabe decifrar o humor das pessoas que serve. A fi-gura nas sombras. Os amantes do cinema se apaixona-ram pelo mordomo como figura cinematogrfica no filme Irene, a Teimosa, de 1936, no qual William Powell estrelava como o mordomo de um lar catico. Mais

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  • Wil haygood18

    recentemente, a figura do mordomo e de outras perso-nalidades dos bastidores foram popularizados na amada srie de TV Downton Abbey. O meu mordomo era um cavalheiro chamado Eugene Allen. durante 34 anos, ele serviu na casa localizada em Washington, d.C., na avenida Pensilvnia, 1600, uma que o mundo inteiro conhece como a Casa Branca.

    Finalmente, depois de conversar com muitas, muitas pessoas, em ambas as costas dos Estados Unidos, e de fazer dzias e dzias de ligaes, encontrei o homem. E ele estava bem vivo. Morava com a esposa, Helene, numa rua quieta da regio Nordeste de Washington. Eugene Allen trabalhara como mordomo durante oito administraes presidenciais, de Harry Truman a Ronald Reagan. Foi tanto uma testemunha da histria quanto um desconhecido para ela.

    Vamos entrar disse ele, abrindo a porta de sua casa naquele dia frio de novembro, em 2008. Tinha acabado de tomar as medicaes da manh. J tinha servido caf da manh esposa. Contava 89 anos de idade, e estava prestes a revelar para mim sua histria (e a do pas) de um jeito totalmente novo.

    Foi assim que a vida de um mordomo da Casa Bran-ca que viraria notcia no mundo depois que um ar-tigo escrito por mim apareceu na capa do Washington Post, trs dias aps a eleio histrica de Barack Oba-ma, em 4 de novembro de 2008 se desenrolou.

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    Tudo comeou numa noite de vero de 2008 em Chapel Hill, Carolina do Norte. J passava da meia- -noite, e o discurso tinha sido terminado, analisado e comentado. Mais um candidato democrata presidn-cia pregava a diversos estudantes e eleitores sobre por que deveriam votar nele. As arquibancadas do dean dome, na Universidade da Carolina do Norte, estavam abarrotadas. O candidato, que detinha uma disposio delicada, mas confiante, estava a caminho. A plateia era composta por gente de diversas etnias e idades. A voz gutural de Stevie Wonder foi reconhecida instan-taneamente quando saltou para fora dos alto-falantes. Alguns dos presentes mais velhos eram veteranos do movimento no caso, o movimento pelos direitos ci-vis: anos 1960, segregao, almas corajosas assassinadas e enterradas em todo canto do Sul. Agora, l estava o candidato, perante o pblico, mangas da camisa dobra-das, segurando o microfone.

    Estou concorrendo devido ao que o dr. King chamou de urgncia ardente do presente, porque acre-dito que isso significa que j tarde o suficiente, e esse momento, Carolina do Norte, est se aproximando.

    As palavras tinham um movimento todo tpico de igreja, e o ento senador Barack Obama levantava a

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    multido das arquibancadas sem grande esforo. O ba-rulho e os aplausos indicavam aceitao. Mas estavam no Sul, ele era negro, a Casa Branca parecia ainda um sonho distante. A histria e seus demnios estavam em todo lugar, embora o candidato parecesse inacessvel a eles.

    Eu era um dos escritores que cobriam a campanha de Obama naquela noite para o Washington Post, voan-do de estado a estado ao longo de um perodo de sete dias. Aps o comcio e discurso em Chapel Hill e de-pois de entrevistar algumas pessoas l dentro , era hora de ir para o nibus que levaria os jornalistas de volta ao hotel. O ar estava doce e adorvel. de repente, ouvi algo muito estranho: algum chorava, e estava por per-to. Virei o rosto e procurei enxergar em meio escuri-do. Pouco frente, num banco, estavam sentadas trs moas, universitrias. Fui em direo a elas e perguntei se havia algo errado, se havia algo que eu podia fazer.

    Nossos pais no esto falando mais com a gen-te disse uma delas, entre soluos , porque estamos apoiando aquele homem.

    Todas estiveram dentro do dome. As amigas confir-maram a histria com a cabea, os olhos vermelhos de tanto choro. Ela prosseguiu:

    Eles no querem que a gente apoie um negro, mas no podem mais nos impedir.

    Essas palavras me acalmaram. Fiquei sentado, conver-sando com elas, por um tempo. Os soluos cessaram, e

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    o olhar no rosto delas voltou logo a ser uma espcie de desafio, cheio de brilho. Pretendiam enfrentar seus pais; seriam parte do movimento que levaria aquele homem negro Casa Branca. Talvez eu estivesse um pouco exaus-to, talvez estivesse sonhando acordado, talvez aquelas l-grimas tivessem me tocado mais profundamente do que eu imaginara. Mas bem ali, naquela noite sulista como se eu tivesse levado um tapa na cara eu prometi a mim mesmo que Barack Obama chegaria avenida Pensilv-nia, 1600. Prometi que ele chegaria Casa Branca.

    Poucos dias depois dessa noite em Chapel Hill, eu disse a Steve Reiss, meu editor, que Barack Obama ga-nharia a presidncia, e que, j que ele ia ganhar, eu precisava encontrar algum da poca da segregao, e o mais rpido possvel, para escrever sobre o que esse ainda futuro evento importante na histria da Amrica significaria para tal pessoa.

    E queria algum que tivesse trabalhado dentro da Casa Branca eu disse a Steve. Ele arqueou as sobran-celhas:

    Hmmm soltou.Ele no acreditava que Obama ganharia, mas acre-

    ditava nas minhas intenes. Queria que eu terminasse algumas tarefas pendentes, mas eu poderia, em seguida, sair em busca dessa pessoa fantasma. Ele se perguntava at que ponto eu iria para procurar por esse empregado da Casa Branca.

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    Est pensando na dcada de 1960? Bem antes disso respondi.Eu queria encontrar um negro ou uma negra que

    tivesse trabalhado e servido dentro da Casa Branca, que tivesse lavado a loua l, que tivesse bebido gua no bebedouro para negros na Amrica da era Jim Crow. No me importava que as pessoas ao meu redor in-sistissem em afirmar que a Amrica no elegeria um negro presidncia.

    Um empregado negro da Casa Branca dos anos 1950? Uma atendente da residncia presidencial me disse que no podia revelar nomes de ex-empregados, e que no conhecia ningum na Casa Branca que pudesse me aju-dar nessa empreitada. Sempre surgem obstculos, blo-queios no caminho no trabalho de reprter, e eu disse a mim mesmo que isso no era motivo para aflio. Alm disso, eu tinha uma fonte em Capitol Hill, no escritrio de um congressista, algum que poderia ajudar. Mas de-pois de muito tentar, a fonte tambm no teve sucesso com a Casa Branca. Outros me lanavam olhares vazios ou me deixavam esperando ao telefone; nada de nomes, nem de pistas. Ento, enquanto eu me perguntava se essa pessoa poderia ser encontrada, algum me contou a respeito de uma senhora da Flrida que trabalhara na Casa Branca e poderia conhecer quem eu procurava.

    Essa mulher da Flrida, ex-empregada da Casa Branca, me disse um nome.

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    Se ele tivesse falecido, eu teria ouvido falar disse ela. Na ltima vez em que eu vi Eugene Allen, ele estava na entrada do nmero 1600 da avenida Pensil-vnia, entrando num txi. Tinha participado de uma reunio na Casa Branca. Trabalhou l por muitos anos como mordomo.

    Ela no sabia dizer exatamente por quanto tempo.Se Eugene Allen ainda estava vivo, eu tinha que en-

    contr-lo. Se ele estava entrando num txi quando foi visto pela ltima vez pelo meu contato da Flrida, isso significava que ele devia morar na regio de Washing-ton, d.C., Maryland e Virgnia. A lista telefnica esta-va recheada de pessoas com o nome de Eugene Allen. depois de fazer quarenta ligaes, ainda sem encontrar esse Eugene Allen especfico, comecei a imaginar se o homem ainda morava na regio. As pessoas envelhecem e comeam a imitar os pssaros. Mudam-se para regies mais quentes, como Califrnia, Arizona, Flrida. E, cla-ro, morrem. As ligaes continuavam a amontoar-se, sem sucesso.

    Al, estou procurando o Sr. Eugene Allen, que tra-balhava como mordomo na Casa Branca. Essa devia ter sido a ligao de nmero 56.

    Est falando com ele mesmo.

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