o Método Da Teologia Da Libertação

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    05-Nov-2015

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Método TdL.

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O MÃTODO âVER-JULGAR-AGIRâ PROMOVIDO PELA TEOLOGIA DA LIBERTAÃÃO (TdL) O VER. O ponto de partida é o seguinte: para poder falar teologicamente de determinada situação, precisamos primeiro conheça-la em todos os seus aspectos. à preciso ver. Para ver a situação é, quer dizer, conhecê-la exatamente, é preciso analisá-la â e isso requer um método cientificamente reconhecido. Esse método, em geral, encontra-se nas ciências sociais, assim como elas hoje estão sendo desenvolvidas nas universidades. O JULGAR. à situação assim compreendida O AGIR. -- O MÃTODO âVER-JULGAR-AGIR-REVERâ Textos Ãureos: Jo 15,5; Mt 7,24ss; Lc 14,28ss. VER â MARCO SITUACIONAL (PASTORAL FUNDAMENTAL) - Olhar a realidade. - Analisar. - Perceber. - Descobrir. - Fazer o levantamento. JULGAR â MARCO DOUTRINAL (PASTORAL ESPECIAL) - Iluminar a realidade com: 1. A Palavra de Deus. 2. A Doutrina da Igreja e as Ciências Sociais. - Formar a consciência crítica. AGIR â MARCO OPERATIVO (PASTORAL APLICADA) - Princípios (Pistas) da ação. - Ação transformadora. - Vida prática (Minha vida e vida da Sociedade). REVER â COBRAR-AVALIAR - Corrigir. - Modificar. - O que foi feito? - Como foi feito? - O que não foi feito? - Porque não foi feito? - Como corrigir o erro? REFLEXÃO Quando o VER é vesgo; o JULGAR, hipóteses; o AGIR, boas intenções e o AVALIAR não mais que opiniões = Consciência Crítica Zero... -- O método VER-JULGAR-AGIR-AVALIAR foi a chave encontrada e utilizada pela Ação Católica para agilizar sua missão evangelizadora nos diferentes segmentos da sociedade. Recomendado por bispos e qualificados agentes de pastoral, foi consagrado como um método facilitador do amadurecimento de uma consciência crítica cristã e de prática da doutrina social da Igreja pelo Papa João XXIII (Encíclica Mater et Magistra, 236-238). Os Bispos da América Latina adotaram-no a partir das Conferências de Puebla e Santo Domingo. Pois bem, à vista de minha experiência de muitos anos de acompanhamento de Assembléias pastorais em seus diferentes níveis - nacionais, regionais e locais - e em muitas outras oportunidades, cheguei a algumas conclusões que, se não podem e nem devem ser generalizadas, são mais recorrentes do que deveriam. Vejamos em maiores detalhes como o método incorreta ou parcialmente aplicado, pode levar a distorções ou a interpretações equivocadas. O VER é vesgo, isto é, sofre de desvio de um ou de ambos os olhos, quando: a) prefere o lusco-fusco. Não enxerga com clareza. Mistura os horizontes. Confunde os focos. Embaralha objetivos, tomando o essencial pelo acidental e privilegiando o acidental como se fora essencial. Complica o que é simples e relativiza o que é fundamental. b) mascara a realidade. Não que diga mentiras, não. Mas utiliza-se de meias-verdades. Com certeza não quer enganar. Mas esmera-se em enfeitar os fatos dando-lhes tonalidades e cores neles inexistentes. Afinal... âquem conta um conto, aumenta um ponto!â. c) navega entre as águas da incerteza dos fatos, em geral lidos apressadamente, e as do receio de chocar a audiência com a realidade concreta. Assim, nunca se sabe, efetivamente, a verdade verdadeira ou as cores da fotografia. Fica pairando no ar a dúvida entre aquilo que é verdade, o que exprime a autenticidade dos fatos e o que é âsantamenteâ inventado ou aumentado. Tudo para impressionar. Ou pelo pudor de não decepcionar. E para que não se julgue negativamente as situações que se quer fotografar. Conseqüência: O JULGAR será não mais que hipóteses quando: a) o olhar de Deus é substituído pelo olhar puramente humano. b) o âachismoâ prevalece sobre os dados supostamente concretos apresentados no VER. c) critérios individuais e parciais substituem os critérios e valores buscados no Evangelho e nos Documentos da Igreja. d) está mais para a condenação dos fatos do que para a análise desapaixonada de suas causas e raízes. e) resvala nas escorregadias encostas da crítica negativa às pessoas, condenando-as, em vez de criticar as causas que, eventualmente, podem estar envolvendo até o próprio analista. Diante disso... O AGIR fica nas boas intenções quando: a) está mais do que claro o que deve ser feito, mas alega-se que não se compreendeu a proposta. b) não se tem a cultura do trabalho em equipe, grupo ou núcleo, isto é, não se sabe com quem contar (individualismo, egoísmo, egocentrismo, isolamento, sensação de impotência, etc.). c) falta clareza quanto ao planejamento do trabalho enquanto sobra improvisação quanto às ações e instrumentos a se empregar. d) não se estabelece uma agenda séria para o trabalho e sua implementação não prevê nem dia nem hora para começar e terminar. e) o compromisso com a causa é não mais que um fio de teia de aranha ou somente teórico (ou folclórico...) e, portanto, débil, inconseqüente e inoperante. f) ocultando-se em algumas atitudes fundamentais de um cristão consciente â âabandonar-se nas mãos de Deusâ (o que, aliás, é conditio sine qua non) ou âdeixemos que o Espírito Santo cuide distoâ, encontra-se aí justificativas bastante para a acomodação e a incompetência. Afinal, Deus cuidado de tudo, é melhor âdeixar tudo como está pra ver como é que fica...â. Assim sendo... O AVALIAR não passa de meras opiniões ou de mirabolantes teorias quando: a) não se conheceu suficientemente a realidade ou porque não foi exposta em toda a sua crueza ou porque a ela não se deu a devida atenção. b) inexiste o hábito de estar atento aos âsinais dos temposâ. c) não se têm claros os critérios e valores a serem utilizados como parâmetros do VER, do JULGAR e do AGIR. d) o olhar é predominantemente crítico sobre pessoas ao invés de ser fraterno, compreensivo, compassivo e misericordioso com as falhas humanas (confundidas, intencionalmente ou não, com má vontade e incompetência!). e) desconhecem-se alguns critérios científicos de avaliação racional e, portanto, imparcial. Concluindo: a) jamais diga que o método não funciona se você não o aplica corretamente. b) não pré-desvalorize ou subestime aquilo que você não teve peito para experimentar: âé... é muito bonito, só que isso não vai dar certo!â. c) Ao discursar sobre o método, tentando explicá-lo, e sobre as maravilhosas transformações que ele pode operar, não complique: dê exemplos pessoais (testemunhos vivenciais) ou do seu grupo ou comunidade. d) se não acertou a primeira vez, não desanime: o acerto virá com o exercício dos erros! e) Certifique-se de que aplicar corretamente o VER-JULGAR-AGIR-AVALIAR traduz-se em COMPROMISSO CONCRETO com Jesus Cristo, com sua causa, com seu Reino, com a Igreja. CONFIE sempre na graça de Deus, na força e no amor do Filho e na iluminação do Espírito Santo. Mas não esqueça: BUSQUE A EXCELÃNCIA FAZENDO A SUA PARTE COM COMPETÃNCIA! -- VER. Analisar aspectos que formam a realidade (p. ex., aspectos pessoais, sociais, políticos, econômicos, religiosos, experiências anteriores, interferências externas, etc.). JULGAR. Tendo como base a Palavra de Deus, a Tradição, os valores da nossa Fé, etc. O QUE SOMOS/TEMOS (VER). Marco da realidade. O QUE QUEREMOS SER/TER (JULGAR). Marco doutrinal. AGIR. Agir na realidade. AVALIAR. à fundamental uma atitude de abertura às críticas, sugestões, etc. VER. Perguntar o que sabem ou pensam sobre o tema do encontro. JULGAR. Desenvolvimento do tema. --