O Juramento de Dragon

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    18-Mar-2016

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ANTES QUE ZOEY FOSSE MARCADA E CHEGASSE MORADA DA NOITE, HOUVE DRAGON LANKFORD, TRANSFORMADO PELO AMOR E ASSOMBRADO POR UMA PROMESSA. CERTAS ESCOLHAS JAMAIS SERO ESQUECIDAS. O misterioso passado de Dragon revelado neste primeiro livro de uma nova srie das premiadas autoras best-seller do New York Times e do USA Today. Nos primeiros anos do sculo XX, bem antes de se tornar professor na Morada da Noite de Tulsa, Bryan Lankford um adolescente humano cheio de si, seguro de que pode sair bem de qualquer situao... At que seu pai, cansado do filho problemtico, decide expuls-lo para a Amrica. Quando Bryan marcado por um vampiro nas docas, dada a ele uma escolha que mudar seu destino: seguir em um navio sombrio para o continente americano ou permanecer na Morada na Noite de Londres.

Transcript

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  • 9Captulo um

    Oklahoma, dias atuais

    Raiva e confuso se remexiam em Dragon Lankford. Estaria Neferet realmente os deixando, logo aps a morte do menino e da visita cataclsmica de sua Deusa?

    Neferet, e o corpo do novato? Devemos conti-nuar a viglia?

    Com certo esforo, Dragon Lankford mantinha sua voz calma e seu tom seguro, enquanto se dirigia Suprema Sacerdotisa. Neferet fixou seus lindos olhos de esmeralda nele. Ela sorriu suavemente.

    Voc est certo em me lembrar, Mestre Espadachim. Aqueles de vocs que honraram Jack com velas prpura de esprito, atirem-nas pira quando sa-rem. Os guerreiros Filhos de Erebus faro viglia junto ao corpo do pobre novato pelo resto da noite.

    Como desejar, Sacerdotisa.Dragon curvou-se vigorosamente para ela, pergun-

    tando-se por que sua pele coava tanto, como se esti-vesse coberto em sujeira e lodo. Ele sentiu um desejo sbito e inexplicvel de se banhar em uma gua muito,

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    muito quente. a Neferet, sua conscincia lhe disse suavemente. Ela no est normal desde que Kalona se libertou da terra. Costumava-se sentir... Dragon balan-ou a cabea e cerrou os dentes. Eventos secundrios no importavam. Sentimentos no eram mais impor-tantes. O dever era arrebatador, a vingana urgia. Foco! Devo manter minha mente no servio! ordenou a si mesmo e, ento, fez sinal com a cabea rapidamente para alguns guerreiros especficos.

    Dispersem a multido!Neferet parou para falar com Lenobia antes de dei-

    xar o centro do campus e se dirigir aos aposentos dos professores. Dragon quase nem olhou para ela. Em vez disso, sua ateno foi atrada para a pira flamejante e para o corpo em chamas do menino.

    A multido est se dispersando, Mestre Espada-chim. Quantos de ns devem permanecer ao lado da pira com voc? perguntou Christophe, um dos guar-das superiores.

    Dragon hesitou antes de responder, levando algum tempo para colocar a cabea no lugar, bem como para absorver o fato de que os novatos e professores que andavam a esmo, de forma incerta, em volta da pira brilhante que queimava, estavam obviamente agitados e completamente aborrecidos. Dever. Quando todo o resto falha, volte-se ao dever!

    Faa que dois dos guardas escoltem os professo-res de volta a seus quartos. O restante de vocs deve ir com os novatos. Tenham certeza de que todos retor-

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    nem aos seus aposentos. Ento, fiquem perto dos dor-mitrios pelo restante desta terrvel noite.

    A voz de Dragon estava rouca de emoo. Os alunos devem sentir a presena protetora

    dos guerreiros Filhos de Erebus para que possam, ao menos, ter certeza de sua segurana, ainda que parea no acreditarem.

    Mas a pira do menino... Eu ficarei com Jack Dragon falou em um tom que

    no permitia interrupo. No deixarei o garoto at que o brilho avermelhado de suas cinzas torne-se p enfer-rujado. Faa seu dever, Christophe. A Morada da Noite precisa de voc. Eu ficarei com a tristeza que resta aqui.

    Christophe curvou-se e comeou a dar comandos, seguindo as ordens do Mestre Espadachim com fria eficincia.

    Pareciam ter se passado apenas segundos quando Dragon percebeu que estava sozinho. Havia o som da pira queimando, o crepitar e estalar enganosa-mente calmos do fogo. Alm disso, havia apenas a noite e o vasto vazio no corao de Dragon. O Mestre Espadachim olhava fixamente para as chamas, como se pudesse descobrir nelas o blsamo que aliviaria sua dor. O fogo flamejava em mbar e dourado, ferrugem e vermelho, parecendo a Dragon uma delicada joia. A cor do sangue fresco nica, mpar, ligada a um fio de veludo...

    Como se por inteno prpria, sua mo moveu-se para seu bolso. Seus dedos se fecharam em torno do disco oval que encontrou ali. Era fino e suave. Mal

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    se notava a desgastada marca do pssaro que havia sido gravada to bela e claramente em sua face. A pea dourada descansava confortavelmente em sua mo. Ele a apertou, protegeu-a, segurou-a, antes de lenta-mente tirar a mo do bolso, o medalho abrigado nela. Dragon passava o objeto aveludado por seus dedos, esfregando-o com seu dedo em movimentos familia-res, inconscientes, que revelavam mais hbito que pen-samento. Exalando a respirao profundamente, pare-cendo mais um soluo que um suspiro, ele abriu sua mo e olhou para baixo. A luz da pira de Jack refletia contra a superfcie dourada do medalho e bateu no desenho do pssaro azul.

    o pssaro do estado de Missouri Dragon disse em voz alta. Sua voz era privada de emoo, ainda que a mo que segurava o medalho tremesse. Me pergunto se voc ainda pode ser encontrado na natureza, equilibrando-se nos girassis que acom-panham o rio. Ou tero sua beleza e a das flores morrido tambm, junto a tudo mais que amvel e mgico neste mundo? Sua mo se fechou em torno do medalho, apertando-o to firmemente que seus punhos ficaram brancos.

    E ento, to rapidamente quanto havia fechado o punho, Dragon soltou o medalho, abrindo sua mo e girando o objeto dourado de novo e de novo, reve-rentemente.

    Tolo! Sua voz estava rouca. Voc podia t-lo quebrado!

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    Dedos trmulos se atrapalharam com o fecho, mas quando ele finalmente o destravou, o objeto dourado abriu com facilidade, ileso, para mostrar a pequena gravura que, ainda que apagada pelo tempo, ainda mostrava o rosto sorridente da pequena vampira cujo olhar parecia capturar e prender o seu.

    Como possvel voc ter-se ido? Dragon mur-murou. Um dedo deslizava pelo antigo retrato no lado direito do medalho, e ento se moveu para a metade esquerda da joia para tocar a mecha dourada que se aninhava ali no espao vazio em que sua jovem foto-grafia j havia estado. Seu olhar se moveu do medalho para o cu da noite e ele repetiu a pergunta mais alto, do fundo de sua alma, implorando por uma resposta.

    Como possvel voc ter-se ido?Como se em resposta, Dragon ouviu ecoando no

    ar da noite o grito distinto de um corvo. Raiva per-correu o corpo de Dragon, to forte e quente que suas mos mais uma vez tremeram. Mas dessa vez no era dor, nem perda; ela tremia pela vontade contida de atacar, de mutilar, de vingar.

    Eu a vingarei.A voz de Dragon era como a morte. Ele olhou para

    baixo, novamente para o medalho, e disse cintilante mecha dourada que ele continha:

    Seu drago a vingar. Eu tornarei certo o que per-miti dar errado. Eu no cometerei o mesmo erro nova-mente, meu amor, minha querida. A criatura no passar impune. Baseado nisso, fao a voc meu juramento.

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    Uma golfada de vento quente da pira soprou repenti-namente forte. Levantou a mecha de cabelo e, enquanto Dragon se atrapalhava sem sucesso para impedi-la, a mecha flutuava para alm de seu alcance, para cima, para o alto da brisa aquecida, quase como uma pena. Ela pairou por ali e, ento, com um som muito parecido com o suspiro surpreso de uma mulher, o vento quente mudou, inalando, puxando a mecha para a pira flame-jante, onde se tornou fumaa e memria.

    No! Dragon gritou, caindo de joelhos e solu-ando. Agora perdi a ltima parte sua. minha culpa... ele disse de corao partido. Minha culpa... Assim como sua morte foi minha culpa.

    Nas lgrimas que enchiam seus olhos, Dragon via a fumaa da mecha de cabelo de sua amada girar e danar sua frente, e ento comear a brilhar magicamente, transformando-se de fumaa em uma combinao de fascas verdes, amarelas e marrons que continuavam a girar e girar at que comearam a se separar e formar partes distintas de uma imagem: as fascas verdes se tornaram um caule longo e grosso, as amarelas, deli-cadas ptalas de uma flor, as marrons formando um crculo por dentro para delimitar seu centro.

    Dragon limpou as lgrimas de seus olhos, quase no acreditando no que via.

    Um girassol?Seus lbios estavam to dormentes quanto seu

    crebro com o choque. Era a flor dela! sua mente gritou. Deve ser um sinal dela!

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    Anastasia! Dragon gritou, enquanto a dormn-cia dava lugar a uma terrvel e maravilhosa onda de esperana. Voc est aqui, minha querida?

    A imagem do girassol brilhante comeou a ondular e se transformar. O amarelo fluiu numa cascata que se tornou douradamente loura. O marrom ficou mais claro, da cor da pele banhada pelo sol, e o verde der-reteu dentro da pele, danando e se transformando em esferas brilhantes que se tornaram olhos cor de tur-quesa, familiares e queridos.

    Oh, minha Deusa, Anastasia! voc!A voz de Dragon se interrompeu ao correr na

    direo dela. Mas a imagem se levantou, uma tenta-o dourada pouco alm da ponta de seus dedos. Ele gritou de frustrao e ento parou com o som de sua misria quando a voz de sua companheira comeou a girar em torno dele como uma onda musical sobre pedrinhas desgastadas pela gua. Dragon segurou sua respirao e ouviu a mensagem fantasmagrica.

    Eu enfeiticei este medalho para voc, meu que-rido, meu companheiro. Chegar o dia em que a morte forar nossa separao. Voc deve saber que eu espe-rarei, para sempre, por voc. Ento, at que nos encon-tremos de novo, guardarei seu amor com segurana no meu corao. Lembre-se: seu juramento foi o de equi-librar a fora com a piedade. No importa por quanto tempo fiquemos separados, prendo-o a esse juramento eternamente... eternamente...

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    A imagem sorriu a ele antes de perder sua forma e voltar a ser fumaa e, ento, nada.

    Meu juramento! Dragon gritou, levantando-se. Primeiro Nyx e agora voc me lembrando disso. Voc no entende que por causa desse maldito juramento que voc est morta? Se eu tivesse feito outra escolha h muitos anos, talvez pudesse ter impedido que isso tudo acontecesse. Fora ponderada pela piedade um erro. Voc no se lembra, minha querida? Voc no se lembra? Eu, sim. Nunca esquecerei...

    Enquanto Dragon Lankford, Mestre Espadachim da Morada da Noite, fazia viglia ao lado do corpo de um novato morto, ele fitou a pira flamejante e deixou as chamas o levarem a outros tempos para que pudesse reviver a dor e o prazer, a tragdia e o triunfo, de um passado que moldara tal futuro avassalador.

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