Nmero 119 Out/Nov/Dez 2013

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  • Revista de Educao Continuada do CRMV-MG: valorizao profissional,

    um compromisso com voc.

    Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 119 - ISSN: 2179-9482

    V&Z EM MINAS

  • NDICE

    Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 119 | 03

    04 ||||| Normas para Publicao / Expediente

    05 ||||| Editorial

    06 ||||| Matria de Capa Minas sinnimo de excelncia em sanidade aqucola

    21 ||||| Balano Financeiro 12 ||||| Artigo Tcnico 1Hemorragia ocular em co associado erliquiose: relato de caso 19 ||||| Artigo Tcnico 2Epidermlise bolhosa hereditria em co: relato de caso

    22 ||||| Artigo Tcnico 3Doena articular degenerativa (dad) emces: perspectivas de tratamento com acupuntura permanente Reviso de literatura

    29 ||||| Artigo Tcnico 4Impactos produtivos e econmicos da integrao lavoura-pecuria-floresta no sistema de produo de bovinos de corte

    35 ||||| Artigo Tcnico 5Aspectos legais, morais e ticos da eutansia de ces sorologicamente positivos para leishmaniose visceral

    40 ||||| Artigo Tcnico 6Percia forense associada traumatologia e toxicologia em Medicina Veterinria Reviso de literatura

    45 ||||| Artigo Tcnico 7tica na comunicao do veterinrio-proprietrio na clnica mdico-veterinria: reviso de literatura

    50 ||||| Artigo Tcnico 8Doenas transmissveis por smen e embries bovinos

    58 ||||| Movimentao de Pessoas Fsicas

  • NORMAS PARA PUBLICAO

    Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 11904 |

    Os artigos de reviso, educao continuada, congressos, seminrios e pa- lestras devem ser estruturados para conter Resumo, Abstract, Unitermos, Key Words, Referncias Bibliogrficas. A diviso e subttulos do texto principal fi-caro a cargo do(s) autor(es).

    Os Artigos Cientficos devero conter dados conclusivos de uma pesquisa e conter Resumo, Abstract, Unitermos, Key Words, Introduo, Material e Mtodos, Resultados, Discusso, Concluso(es), Referncias Bibliogrficas, Agradecimento(s) (quando houver) e Tabela(s) e Figura(s) (quando houver). Os itens Resultados e Discusso podero ser apresentados como uma nica seo. A(s) concluso(es) pode(m) estar inserida(s) na discusso. Quando a pesquisa envolver a utilizao de animais, os princpios ticos de experimentao animal preconizados pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentao Animal (CONCEA), nos termos da Lei n 11.794, de oito de outubro de 2008 e aqueles contidos no Decreto n 6.899, de 15 de julho de 2009, que a regulamenta, de-vem ser observados.

    Os artigos devero ser encaminhados ao Editor Responsvel por correio eletrnico (revista@crmvmg.org.br). A primeira pgina conter o ttulo do tra-balho, o nome completo do(s) autor(es), suas respectivas afiliaes e o nome e endereo, telefone, fax e endereo eletrnico do autor para correspondncia. As diferentes instituies dos autores sero indicadas por nmero sobrescrito. Uma vez aceita a publicao ela passar a pertencer ao CRMV-MG.

    O texto ser digitado com o uso do editor de texto Microsoft Word for Windows, verso 6.0 ou superior, em formato A4(21,0 x 29,7 cm), com espao entre linhas de 1,5, com margens laterais de 3,0 cm e margens superior e in-ferior de 2,5 cm, fonte Times New Roman de 16 cpi para o ttulo, 12 cpi para o texto e 9 cpi para rodap e informaes de tabelas e figuras. As pginas e as linhas de cada pgina devem ser numeradas. O ttulo do artigo, com 25 palavras no mximo, dever ser escrito em negrito e centralizado na pgina. No utilizar abreviaturas. O Resumo e a sua traduo para o ingls, o Abstract, no podem ultrapassar 250 palavras, com informaes que permitam uma ade-quada caracterizao do artigo como um todo. No caso de artigos cientficos, o Resumo deve informar o objetivo, a metodologia aplicada, os resultados prin-cipais e concluses. No h nmero limite de pginas para a apresentao do

    artigo, entretanto, recomenda-se no ultrapassar 15 pginas. Naqueles casos em que o tamanho do arquivo exceder o limite de 10mb, os mesmos podero ser enviados eletronicamente compactados usando o programa WinZip (qualquer verso). As citaes bibliogrficas do texto devero ser feitas de acordo com a ABNT-NBR-10520 de 2002 (adaptao CRMV-MG), conforme exemplos:

    EUCLIDES FILHO, K., EUCLIDES, V.P.B., FIGUEREIDO, G.R.,OLIVEIRA, M.P. Avaliao de animais nelore e seus mestioscom charols, fleckvieh e chianina, em trs dietas l.Ganho de peso e converso alimentar. Rev. Bras. Zoot.,v.26, n. l, p.66-72, 1997.

    MACARI, M., FURLAN, R.L., GONZALES, E. Fisiologia aviria aplicada a frangos de corte. Jaboticabal: FUNEP,1994. 296p.

    WEEKES, T.E.C. Insulin and growth. In: BUTTERY, P.J., LINDSAY,D.B., HAY-NES, N.B. (ed.). Control and manipulation of animal growth. Londres: Butter-worths, 1986, p.187-206.

    MARTINEZ, F. Ao de desinfetantes sobre Salmonella na presena de ma-tria orgnica. Jaboticabal,1998. 53p. Dissertao (Mestrado) - Faculdade de Cincias Agrrias e Veterinrias. Universidade Estadual Paulista.

    RAHAL, S.S., SAAD, W.H., TEIXEIRA, E.M.S. Uso de fluorescenana identi-ficao dos vasos linfticos superficiaisdas glndulas mamrias em cadelas. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE MEDICINA VETERINRIA, 23, Recife, 1994. Anais... Recife: SPEMVE, 1994, p.19.

    JOHNSON T., Indigenous people are now more combative, organized. Mi-ami Herald, 1994. Disponvel em http://www.submit.fiu.ed/MiamiHerld-Sum-mit-Related.Articles/. Acesso em: 27 abr. 2000.

    Os artigos sofrero as seguintes revises antes da publicao: 1) Reviso tcnica por consultor ad hoc; 2) Reviso de lngua portuguesa e inglesa por revisores profissionais; 3) Reviso de Normas Tcnicas por revisor profissional; 4) Reviso final pela Comit Editorial; 5) Reviso final pelo(s) autor(es) do texto antes da publicao.

    EXPEDIENTEConselho Regional de Medicina Veterinria do Estado de Minas GeraisSede: Rua Platina, 189 - Prado - Belo Horizonte - MGCEP: 30411-131 - PABX: (31) 3311.4100E-mail: crmvmg@crmvmg.org.brPresidenteProf. Nivaldo da Silva - CRMV-MG N 0747Vice-Presidente Dra. Therezinha Bernardes Porto - CRMV-MG N 2902Secretria-GeralProfa. Adriane da Costa Val Bicalho - CRMV-MG N 4331TesoureiroDr. Joo Ricardo Albanez - CRMV-MG N 0376/ZConselheiros EfetivosDr. Adauto Ferreira Barcelos - CRMV-MG N 0127/ZDr. Affonso Lopes de Aguiar Jr. - CRMV-MG N 2652 Dr. Demtrio Junqueira Figueiredo - CRMV-MG N 8467Dr. Fbio Konovaloff Lacerda - CRMV-MG N 5572 Prof. Joo Carlos Pereira da Silva - CRMV-MG N 1239Dr. Manfredo Werkhauser - CRMV-MG N 0864 Conselheiros SuplentesProfa. Antnia de Maria Filha Ribeiro - CRMV-MG N 0097/ZProf. Flvio Salim - CRMV-MG N 4031Dr. Jos Carlos Pontello - CRMV-MG N 1558 Dr. Paulo Csar Dias Maciel - CRMV-MG N 4295Prof. Renato Linhares Sampaio - CRMV-MG N 7676 Superintendente ExecutivoJoaquim Paranhos Amncio

    Delegacia de Juiz de ForaDelegado: Marion Ferreira GomesAv. Baro do Rio Branco, 3500 - Alto dos PassosCEP: 36.025-020 - Tel.: (32) 3231.3076E-mail: crmvjf@crmvmg.org.br Delegacia Regional de Tefilo OtoniDelegado: Leonidas Ottoni Porto Rua Epaminondas Otoni, 35, sala 304Tefilo Otoni (MG) - CEP: 39.800-000Telefax: (33) 3522.3922E-mail: crmvteot@crmvmg.org.brDelegacia Regional de UberlndiaDelegado: Sueli Cristina de AlmeidaRua Santos Dumont, 562, sala 10 - Uberlndia - MG CEP: 38.400-025 - Telefax: (34) 3210.5081E-mail: crmvudia@crmvmg.org.brDelegacia Regional de VarginhaDelegado: Mardem DonizettiR. Delfim Moreira, 246, sala 201 / 202Centro - CEP: 37.026-340Tel.: (35) 3221.5673E-mail: crmvvag@crmvmg.org.brDelegacia Regional de Montes ClarosDelegada: Silene Maria Prates BarretoAv. Ovdio de Abreu, 171 - Centro - Montes Claros - MGCEP: 39.400-068 - Telefax: (38) 3221.9817E-mail: crmvmoc@crmvmg.org.brVisite nosso site: www.crmvmg.org.brRevista V&Z em Minas

    Editor ResponsvelNivaldo da SilvaConselho Editorial CientficoAdauto Ferreira Barcelos (PhD)Antnio Marques de Pinho Jnior (PhD)Christian Hirsch (PhD)Jlio Csar Cambraia Veado (PhD)Liana Lara Lima (MS)Nelson Rodrigo S. Martins (PhD)Nivaldo da Silva (PhD)Marcelo Resende de Souza (PhD)

    Assessoria de ComunicaoNatlia Fernandes Nogueira - Mtb n 11.949/MGEstagiriaAna Paula Gonalves de MoraesDiagramao, Editorao e Projeto GrficoGria Design e Comunicaocontato@giria.com.brFotosArquivo CRMV-MG e Banco de ImagensTiragem: 10.000 exemplaresOs artigos assinados so de responsabilidade de seus autores e no representam necessariamente a opinio do CRMV-MG e do jornalista responsvel por este veculo. Re-produo permitida mediante citao da fonte e posterior envio do material ao CRMV-MG.ISSN: 2179-9482

  • EDITORIAL

    Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 119 | 05

    Prezados Colegas,

    O ano de 2013 ficar marcado na histria recente deste pas por

    causa das manifestaes populares em busca de mudanas que, infe-

    lizmente, ainda no aconteceram. Notas destoantes como os atos de

    vandalismos, entretanto, no retiraram da populao brasileira, seu

    apoio a estas manifestaes. Mesmo diante de um cenrio econmico

    preocupante para 2014, no qual a volta da inflao uma previso de

    muitos, todos os brasileiros tm a esperana que dias melhores viro

    e, otimistas como devemos ser, que o Brasil caminha em direo ao

    seu futuro, apesar das dificuldades que sempre se apresentam diante

    dos olhos de todos.

    Em relao Medicina Veterinria e Zootecnia brasileiras o

    balano de 2013 positivo. As duas profisses esto cada vez com

    maior projeo junto sociedade, sendo reconhecidas pela sua impor-

    tncia e, mais do que isto, pela competncia dos profissionais que as

    exercem. Esta competncia foi destacada pelos deputados federais,

    quando em outubro, o Congresso Nacional realizou Sesso Solene em

    comemorao aos 45 anos de criao do Sistema CFMV/CRMVs. Vrios

    deles discursaram no Plenrio da Casa destacando o papel represen-

    tado pelos mdicos veterinrios e pelos zootecnistas em prol do de-

    senvolvimento nacional.

    Neste ano foi significativo o aumento do nmero de novos profis-

    sionais inscritos e das empresas fiscalizadas. Hoje so mais de 14.200

    mdicos veterinrios e quase 2.000 zootecnistas inscritos no CRMV-

    MG, alm de mais de 8.000 empresas em atividade registradas. As

    aes fiscalizadoras do CRMV-MG puderam constatar, tambm, que

    os nmeros de responsabilidades tcnicas assinadas por mdicos

    veterinrios e por zootecnistas, aumentaram consideravelmente. As

    aes de marketing profissional mostraram sociedade o valor e a

    importncia das duas profisses, fruto do trabalho pela Valorizao e

    Respeito Profissional, duas das principais bandeiras desta gesto. Os

    investimentos em Educao Continuada possibilitaram que milhares

    de colegas pudessem participar dos inmeros eventos patrocinados

    pelo CRMV-MG, alm de receberem os Cadernos Tcnicos (fruto da

    parceria do CRMV-MG com a Escola de Veterinria da UFMG), a Revis-

    ta V&Z em Minas, Manuais Tcnicos, Boletins Informativos on-line,

    alm da modernizao de nosso portal eletrnico (www.crmvmg.org.br).

    Nossas pginas no facebook e twitter so acompanhadas diariamente

    pela comunidade miditica, tornando-se canais de comunicao entre

    o Conselho e os colegas. Outra ao importante foi da criao da Ouvi-

    doria para estreitar as comunicaes com o CRMV-MG.

    Inauguramos a sede prpria da Delegacia Regional de Juiz de

    Fora, anseio expressado pela maioria dos colegas da Zona da Mata,

    fato marcante para as relaes entre o conselho de classe e os cole-

    gas que atuam naquela regio. L mais uma das casas dos mdicos

    veterinrios e zootecnistas de Minas Gerais.

    Em Passos-MG j iniciamos as obras de reforma das salas onde

    funcionar a Delegacia Regional naquela regio do Sudoeste mineiro.

    A inaugurao desta nova sede administrativa ocorrer em fevereiro-

    maro de 2014, quando realizaremos mais uma reunio plenria itine-

    rante do CRMV-MG.

    Aes em defesa da Medicina Veterinria e da Zootecnia foram

    realizadas por este Conselho Regional em 2013. A maioria delas

    foi vitoriosa, tanto do ponto de vista poltico como do jurdico, onde

    prevaleceram as teses defendidas pelo CRMV-MG em prol das duas

    profisses. o CRMV-MG trabalhando pelas duas profisses, fiscali-

    zando, mas, tambm, realizando uma firme defesa das mesmas. Res-

    saltamos que a atual gesto quando assumiu a direo do Conselho,

    fez um compromisso de fazer uma gesto harmnica, cumprindo todas

    as promessas de campanha e onde os interesses das duas profisses

    esto acima dos interesses pessoais e, assim o estamos fazendo. Afi-

    nal, o Conselho de todos.

    Em nome da Diretoria, Conselheiros e dos Funcionrios do CRMV-

    MG desejamos a todos os mdicos veterinrios e zootecnistas e suas

    famlias, um Natal feliz e 2014 pleno de realizaes.

    Atenciosamente,

    Prof. Nivaldo da Silva

    CRMV-MG n 0747 Presidente

  • MATRIA DE CAPA

    Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 11906 |

    MINAS SINNIMO DE EXCELNCIA EM SANIDADE AqUCOLANAtlIA FErNANdES NoguEIrA*

    A cada ano a Aquicultura vem ganhando mais espao no cenrio econmico nacional. A crescente expanso do setor fez surgir a necessidade de estruturao e implantao de melho-rias, para o aumento da produtividade e alcance de qualidade de produtos. Segundo dados da FAO, a produo aqucola brasileira passou de menos de 100.000 toneladas em 1995, para cerca de 300.000 em 2007, saltando para cerca de 630.000 toneladas em 2011.

    O crescimento da atividade demandou uma ateno especial, de forma que em junho de 2009, a Lei n 11.958 criou o Ministrio da Pesca e Aquicultura (MPA), ao qual foi atribuda a sanidade de animais aquticos, anteriormente competncia ex-clusiva do Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento (MAPA). O Decreto 7.024, de dezembro do mesmo ano, estabe-leceu quais seriam os papeis de cada um dos ministrios no que se refere sanidade de animais aquticos. Desde ento, o MPA responsvel por todo o sistema de produo, ou seja, das fazendas at a entrada dos animais aquticos nos frigor-ficos ou revendedores, passando pelo controle de doenas nas propriedades, nos ambientes naturais, pelo monitoramento de contaminantes qumicos no cultivo, alm de ser o responsvel pelo fomento e avanos da atividade. O MAPA continuou com a responsabilidade de realizar a inspeo sanitria do pescado destinado ao cosumo humano.

    A estrutura do MPA contempla a sede do Ministrio em Braslia e Superintendncias Federais, distribudas pelos 27 estados brasileiros. Alm disso, o MPA tem buscado parceiros regionais para integrar suas aes, como explica o analista de Comrcio Exterior da Superintendncia Federal de Pesca e Aquicultura, Renato Silva Cardoso. Estamos trabalhando em conjunto com universidades federais, com a Embrapa Pesca e Aquicultura, a Codevasf, por exemplo. Alm disso, est em ne-gociao um convnio com o Instituto Mineiro de Agropecuria (IMA), atravs do qual ser possvel ampliar nossa atuao no

    mbito da fiscalizao sanitria. Ser uma via de mo dupla, com benefcios para ambos os rgos, explica Cardoso. Segundo o analista, a cooperao entre os dois rgos est diretamente ligada fiscalizao de trnsito, com as barreiras sanitrias. Estamos analisando a possibilidade de formalizao do convnio seguindo modelos que j esto em funcionamento, por exemplo, nos estados do Cear e Santa Ca-tarina, grandes produtores de pescado no pas, esclarece. O objetivo , com foco na sanidade, levar aos consumidores cada vez mais pescados de qualidade, complementa.

    A garantia da sanidade dos produtos e processos relacionados a peixes, crustceos e moluscos considerada um dos pilares para o desenvolvimento da pesca e aquicultura no pas, onde o produtor por verificar a sanidade de seu plantel antes que uma doena se espalhe e o consumidor ganha pela garantia de qualidade.

    Renato Silva Cardoso , Analista de Comrcio Exterior da SFPA-MG

    PARCERIAS ESTRATGICAS PARA FORTALECIMENTO DE AES

    Produo brasileiraHoje a produo de peixes no Brasil mais continen-tal do que marinha. As principais espcies so a Tilpia do Nilo (253 mil toneladas em 2011), seguida do Tam-baqui. Acredita-se que nos prximos quatro anos haja um maior equilbrio produtivo entre as duas espcies, devido aos grandes investimentos que vm ocorrendo.

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    Fonte: FAo, 2012.

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 119 | 07

    GESTO, PESqUISA E DESENVOLVIMENTO COMO ALIADOS DA SANIDADE

    A gesto dos processos, que envolve monitoramento e controle; e a pesquisa e desenvolvimento de novas metodo-logias, tcnicas e ferramentas, aparecem como as principais caractersticas da RENAQUA. Criada em abril de 2012, a Rede formada por um laboratrio central e outros dois laboratrios oficiais. O central, denominado Aquacen, est localizado em Belo Horizonte, junto Escola de Medicina Veterinria da Uni-versidade Federal de Minas Gerais e cordenado pelos pro-fessores Henrique Csar Pereira Figueiredo e Carlos Augusto Gomes Leal. As outras unidades esto localizadas nos estados de Santa Catarina e Maranho, com o apoio de instituies locais, respectivamente Companhia Integrada de Desenvolvi-mento Agrcola de Santa Catarina (CIDASC) e Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC); e a Universidade Estadual do Mara-nho (UEMA). O critrio utilizado pelo Ministrio da Pesca e Aqui-

    cultura para a escolha das instituies componentes da RE-NAQUA foi a presena de pesquisadores especialistas em cada modalidade laboratorial, bem como a proximidade com grandes reas de produo em aquacultura no pas. Por exemplo, na CI-DASC, o foco so as doenas em moluscos bivalves, no IFSC a anlise qumica das biotoxinas marinhas. J a UEMA est dire-cionada ao diagnstico de doenas de camares. J o Aquacen, como Laboratrio Oficial Central, tem a funo de implementar todos os mtodos de diagnstico em cada unidade, bem como realizar auditorias peridicas em todos os laboratrios compo-nentes da RENAQUA, como modo de garantir a harmonizao dos mtodos e confiabilidade dos resultados. O funcionamento da rede baseado na utilizao de um banco de dados nico para todas as unidades laboratoriais, na implementao de novos mtodos e na anlise das infor-maes obtidos com os resultados dos testes. Assim, amostras processadas em cada um dos laboratrios da RENAQUA podem ter seus resultados confirmados pelo Aquacen, o que aumenta a segurana sanitria. Ainda, como explica o coordenador da

    O MPA tem como um de seus principais parceiros, a Universidade Federal de Minas Gerais, que atualmente abriga a sede da Rede Nacional de Laboratrio do Ministrio da Pesca e Aquicultura (RENAQUA), responsvel pela realizao de diag-

    nsticos e anlises oficiais, bem como o desenvolvimento con-tnuo de novas metodologias analticas e de ferramentas de epidemiologia molecular para o controle de doenas de animais aquticos.

    o peixe vem ganhando cada vez mais espao no prato dos brasileiros

  • MATRIA DE CAPA

    Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 11908 |

    Rede, Henrique Figueiredo: no monitoramos somente se h uma doena ou no, mas tambm se novos variantes do agente causador dessa doena esto surgindo ou no, se eles entram por meio de algum produto importado e da por diante, explica. Devido s regras sanitrias e mercadolgicas exis-tentes nos diversos pases com os quais o Brasil mantm re-laes comerciais, o diagnstico e controle de doenas e a anlise de amostras antes da exportao mostram-se funda-mentais. O trabalho do Aquacen fundamental na medida em que, ao exportarmos, precisamos garantir que o produto co-mercializado est isento de contaminantes. H casos em que o pas de destino exige diagnstico negativo de determinadas doenas antes de receber a carga, so os chamados requisitos sanitrios, esclarece. Assim, mostra-se cada vez mais necessria a evo-luo da sanidade aqucola, amparada por tecnologia e inova-o, neste caso, promovida pelo MPA com a consolidao da RENAQUA.

    COMBINAO ADEqUADA: EXPERTISE E TECNOLOGIA DE PONTA

    Os nmeros mostram a diferena que a implantao da RENAQUA j representou para a sanidade aqucola. At o ano de 2009, o Brasil dispunha de Mtodos de Diagnstico para apenas 03, do total de 26 Doenas de Notificao Obrigatria

    da Organizao Mundial da Sade Animal (OIE). Em 2013, com a RENAQUA, o nmero saltou para 38, atendendo totalidade exigida pela OIE, acrescido de outras 12 doenas consideradas de grande relevncia para a aquicultura brasileira, por trazerem impactos aos produtores. A Rede tambm tem capacidade de deteco de quatro biotoxinas marinhas, atravs de processos analticos qumicos. O avano rpido resultado da reunio de profis-sionais altamente capacitados e especializados em aquicultura, amparados por laboratrios bem estruturados, com equipamen-tos de ltima gerao. O investimento do MPA na RENAQUA da ordem de R$ 60 milhes, distribudos em quatro anos. O diferencial da rede e os resultados j apresenta-dos so justamente sua forma de estruturao. Todas as uni-dades laboratoriais que compem a Rede o fazem justamente pelo fato de cada uma reunir os maiores especialistas em cada assunto, por rea especfica. A RENAQUA tem como premissa ir alm do diagnstico e desenvolver novos mtodos e pesquisas aplicadas s respostas que a defesa sanitria necessita. Para isso faz-se necessrio um ambiente que envolva pesquisa, ensino, tecnologia e inovao, ou seja, tipicamente caractersticas das universidades e centros de pesquisa, pon-tos estes que esto alicerando as unidades da Rede, explica Figueiredo. Para o coordenador, o benefcio no se restringe Rede. A universidade ou instituto que a abriga, recebe em troca um laboratrio de referncia com toda a estrutura e equi-pamentos de ponta, que ajudam a difundir cincia e tecnologia dentro da instituio, trazem o assunto da defesa sanitria tona, eleva a expertise e permite que professores e pesquisa-dores participem de organismos internacionais da rea sani-tria. So benefcios mtuos, tanto para o Governo, quanto para a instituio, destaca. A busca por qualidade constante, mais especifi-camente a busca pela certificao ISO 17025. De forma que o MPA vem aportando recursos na RENAQUA para que nos prxi-mos trs anos todas as unidades alcancem a qualificao. Uma consultoria para foi licitada para assessorar no estabelecimen-to de mtodos e na padronizao do controle de qualidade. No momento atual, est sendo feita a avaliao dos Procedimentos Operacionais Padro (POPs).

    Mesmo com toda a estrutura e expertise, para que a RENAQUA tenha um funcionamento pleno preciso estar cada vez mais prximo da realidade das propriedades produtoras, ampliando o conhecimento quanto aos problemas sanitrios que as acometem. Consciente dessa necessidade, o MPA pu-

    blicou em novembro a Instruo Normativa n 18, que estabele- ce normas para que mdicos veterinrios que atuam no setor privado credenciem-se para a coleta e o envio de amostras ofi-ciais para a RENAQUA, visando defesa sanitria de animais aquticos no mbito de atuao do Ministrio.

    AMPLIAO DE COLETAS COMO OPORTUNIDADE PARA PROFISSIONAIS AUTNOMOS

    Com equipamentos de ponta, o Aquacen publicou este ano o primeiro sequenciamento gentico completo de uma bactria de peixes

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  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 119 | 09

    Alm do crescimento acentuado, ns ainda temos um agronegcio bem difundido pelo territrio nacional, o que muito importante. Isto tambm riqueza em diferentes regies, diversidade, matria prima de qualidade, carne branca na mesa do brasileiro e, segurana alimentar

    Henrique Figueiredo, coordenador da RENAQUA

    INTERFACE INTERNACIONAL

    Oficialmente, o Aquacen tem a funo de fazer a in-terface internacional da Rede, atravs do coordenador Henrique Figueiredo. ele o representante do Brasil junto OIE para os assuntos relacionados aos animais aquticos. Desse modo a representao do governo brasileiro na OIE feita de manei-ra cooperativa entre o Ministrio da Pesca e Aquicultura e o Ministrio da Agricultura. Isso d ao Brasil a possibilidade de

    propor, ou se manifestar, quanto a novas propostas de legisla-es internacionais envolvendo a sanidade animal. O coordenador conta que em agosto houve uma reu-nio da OIE para as Amricas, especificamente sobre animais aquticos, no Mxico. Na oportunidade, o Brasil levou oficial-mente a proposta para as Amricas de oferecer a nossa Rede para os pases fazerem diagnsticos. Pases como Estados Uni-dos e Canad j tm suas redes, mas existe uma srie de pases da Amrica Central e do Sul que dispem de estrutura muito

    tilpia do Nilo principal produto da aquicultura mineira.

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    Ns j temos muitos dados, mas queremos nos aprofundar mais e tambm estender os benefcios aos produ-tores. A Rede est amadurecendo e os laboratrios esto com maior capacidade instalada, assim, podemos ampliar nossas anlises. preciso esclarecer que a RENAQUA em si no tem a funo de coleta, mas sim de diagnstico. Entretanto, para que se tenha resultado com qualidade, necessria uma coleta ordenada e oficial. Ento, preciso contar com as parcerias com as agncias estaduais de defesa agropecuria e com profissio-nais autnomos devidamente habilitados, explica Figueiredo.

    O benefcio de ter as amostras analisadas ser con-cedido a qualquer produtor interessado, desde que a coleta seja feita pelo profissional habilitado. A habilitao ser concedida aps a realizao de curso preparatrio, onde sero transmi-tidas informaes sobre a coleta e as principais doenas que acometem os animais aquticos. O primeiro curso ocorre neste ms de dezembro, destinado a 18 mdicos veterinrios do SEBRAE Nordeste, que esto fazendo projetos de expanso dos cultivos.

  • MATRIA DE CAPA

    Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 11910 |

    Panorama MG Parques AqucolasEm Minas Gerais, a maior produo tambm de Tilpia do Nilo. Atualmente, est em alta o licenciamento dos parques aqucolas de Trs Marias e Furnas, onde esto sendo colocados tanques de rede de Tilpia, o que promete grandes mudan-as no perfil produtivo no estado para os prximos trs anos.

    Como funciona?O Governo Federal estabelece chamadas para cesso no onerosa do uso da gua. Ou seja, o produtor ganha o direito de produzir naquela gua por um determinado perodo de tempo. O pblico primrio formado por pequenos produtores. Feita a primeira rodada, os lotes restantes so disponibilizados para as empresas interessadas, atravs de licitao onerosa.

    *Com colaborao de Ana Paula gonalves de Moraes.

    o perfil produtivo de Minas deve mudar muito nos prximos anosCr

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    EPA

    MIglimitada e que se mostraram interessados em enviar

    suas amostras. Com isso podemos ampliar o conhe-cimento sanitrio com relao aos pases vizinhos e tambm expandir a influncia do Brasil na Amrica Latina de uma maneira geral, pondera. Apesar do pouco tempo de estabelecimento o Laboratrio Oficial Central (Aquacen) j participou de teste de proficincia internacional. Esses testes so coordenados pelos laboratrios de referncia da OIE e tem como objetivo fazer a validao interna-cional da confiabilidade dos resultados emitidos por laboratrios oficiais de diferentes pases. Nesse caso o laboratrio da OIE envia para cada laboratrio ofi-cial participante um conjunto de amostras cegas (sem resultado conhecido). Essas amostras devem ser pro-cessadas, analisadas e os resultados emitidos em um prazo mximo de sete dias. O Aquacen foi avaliado quanto ao diagnstico de cinco enfermidades virais de camares. Alm de conseguir emitir os resultados com 100% de acerto, o tempo gasto para a concluso das anlises foi de apenas quatro dias. Alm disso, o Aquacen est inserido em um programa da OIE chamado Laboratory Twinning, atravs do qual foi estabelecida uma cooperao com laboratrios da Noruega e Estados Unidos. O programa tem como objetivo ampliar o nmero de laboratrios Referncia da OIE. Assim, no perodo de dois a trs anos feita troca tcnicos, so realizados testes de proficincia e capacitao, uma espcie de treinamento para o laboratrio que deseja ser refe-rncia, at que o mesmo nvel seja alcanado e ento, o Brasil possa pleitear sua prpria posio como labo-ratrio de referncia para a OIE, esclarece.

  • HEMORRAGIA OCULAR EM CO ASSOCIADO ERLIqUIOSE: RELATO DE CASO

    RESUMOA erliquiose canina uma doena infecciosa de distribuio mundial, transmitida por um vetor, o carrapato Riphicephalus sanguineus cujo controle seria essencial para reduo da prevalncia da doena. causada pela Ehrlichia canis, que afeta o sistema imune dos animais infectados, podendo se apresentar nas formas aguda crnica. A E. canis muito sensvel as tetraciclinas, dentre elas a doxiciclina que o antibitico de primeira escolha para o tratamento, alm da terapia de suporte, como fluidoterapia, vitaminas, e em alguns casos, transfuso de sangue. Seu prognstico geralmente favorvel quando diagnosticada nas fases iniciais, sendo mais reservado na apresentao crnica. Tambm se trata de uma zoonose, acarretando um risco para mdicos veterinrios e outros profissionais que tem contato com ces parasitados por carrapatos. O objetivo do presente trabalho foi relatar um caso de hemorragia ocular associada erliquiose canina. Palavras-chave: carrapato, erliquiose, hemorragia.

    BlEEdINg EYE dog ASSoCIAtEd WItH EHrlICHIoSIS: A CASE rEPort

    AUTORESElaine da Silva Soares, Thiago Oliveira de Almeida, Leonardo Candido Moraes3, Marcos Azevedo Moulin4

    ABSTRACTThe canine ehrlichiosis is an infectious disease of worldwide distribution, transmitted by a vector, the tick Riphicephalus san-guineus, whose control would be essential to reducing the prevalence of the disease. The disease it is caused by Ehrlichia canis, which affects the immune system of infected animals, which may present in the acute to chronic forms. E. canis is very sensitive to tetracycline and the doxycycline is the antibiotic of choice in the treatment, as well as supportive therapy fluid as vitamins, and in some cases a blood transfusion. The prognosis is usually favorable when diagnosed in the early stages, being more reserved in chronic presentation. Also it is a zoonosis, causing a risk to veterinarians and other professionals who have contact with infected dogs by ticks. The aim of this study was to report a case of ocular haemorrhage associated with canine ehrlichiosis.Key-words: tick, ehrlichiosis, bleeding.

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    1| INTRODUOEm grande parte, as alteraes clnicas que levam animais

    domsticos aos ambulatrios veterinrios correspondem s doenas infecciosas. A erliquiose canina, se destaca por sua prevalncia, principalmente em regies tropicais e subtropicais (MOREIRA et al., 2003),

    A erliquiose foi descrita pela primeira vez em um co Pastor Alemo, na Arglia, por Donatien e Lestoquard, em 1935, porm s foi classificada como Ehrlichia canis, em 1945, por Mash-kovsky. No Brasil, o primeiro relato de erliquiose canina ocorreu em Belo Horizonte - Minas Gerais, em 1973 (MACHADO, 2004).

    A Erliquiose Canina, cujo agente etiolgico primrio Eh-rlichia canis uma doena transmitida pela picada do carrapato Rhipicephalus sanguineus. O parasita um organismo intraci-toplasmtico obrigatrio que se localiza em macrfagos mono-nucleares, linfcitos e eventualmente em neutrfilos (CORRA & CORRA, 1992). O perodo de incubao da enfermidade de oito a 20 dias. A mesma se apresenta sob trs formas clnicas: aguda, subaguda e crnica (CORRA & CORRA, 1992).

    Os ces infectados com E. canis apresentam alteraes cl-nicas, hematolgicas e bioqumicas bastante inespecficas, o que dificulta o diagnstico. Portanto, o diagnstico presuntivo deve ser firmado com base nos sinais clnicos e nos exames laboratoriais. Porm, o diagnstico conclusivo depende da vi-sualizao de mrulas em moncitos e linfcitos, da determina-o de altos ttulos de anticorpos anti-E. canis ou da deteco de DNA de E. canis pela PCR (reao em cadeia da polimerase) (UENO et al., 2009).

    A resposta ao tratamento geralmente positiva, com exce-o dos ces com Erliquiose Crnica grave, nos quais a resposta ao tratamento mnima. Vrios so os medicamentos que po-dem ser utilizados, como a tetraciclina, doxiciclina, cloranfeni-col e o dipropionato de imidocard, sendo que a recuperao depende da severidade do caso clnico e do perodo em que se inicia a medicao (TROY & FORRESTER, 1990).

    A doena uma zoonose que pode ser transmitida ao ho-mem da mesma forma que transmitida ao co, tendo, portan-to, uma importncia relevante na sade humana (BARR, 2003). O presente estudo tem como objetivo relatar o caso de um co da raa Rottweiler com trs anos de idade, apresentando he-morragia ocular associada erliquiose.

    2| REVISO DE LITERATURA - ERLIqUIOSE CANINA2.1 | AGENTE ETIOLGICOO gnero Ehrlichia, pertencente famlia das Rickettsiace-

    ae, constitudo por bactrias intracelulares obrigatrias dos leuccitos (moncitos e polimorfonucleares) ou trombcitos (DAVOUST, 1993).

    A Ehrlichia canis um micro-organismo pequeno, pleomr-

    fico, que se localiza nas clulas reticuloendoteliais do fgado, bao e ndulos linfticos, replicando-se na membrana citoplas-mtica dos leuccitos circulantes do hospedeiro por difuso binria, no interior dos moncitos, linfcitos e raramente neu-trfilos. A princpio so observados corpsculos elementares iniciais, que depois se multiplicam por diviso binria formando uma incluso. Estes corpos moruliformes que recebem o nome de mrula, quando esto maduros, se dissociam em novos cor-psculos elementares, que deixam as clulas brancas por exo-citose ou rompimento das mesmas, indo parasitar novas clulas (CORRA & CORRA, 1992).

    Os agentes etiolgicos da Erliquiose Canina so a Ehrlichia canis (cepa mononuclear), E. equi (cepa neutroflica), E. platys (cepa plaquetria) e E. risticii (cepa mononuclear) (COUTO, 1998). No entanto, apenas a infeco por E. canis possui importn-cia epidemiolgica, por levar a um quadro clnico mais severo (WARNER et al., 1995).

    2.2 | O CARRAPATO TRANSMISSOR um carrapato africano que se espalhou para todo o mun-

    do, infectando principalmente os ces (FERNANDES et al., 2001). Os carrapatos adultos possuem quatro pares de patas, corpo dividido em cabea, trax e abdmen, so dotados de peas bu-cais, juntamente com a base do capitulo que hexagonal, olhos e festes esto presentes. So membros da famlia Ixodidae tambm conhecidos como carrapatos duros por possurem uma carapaa, ou escudo no ornamentado que recobre parte da su-perfcie dorsal da fmea, e toda superfcie dorsal do macho que tambm possuem placas adanais e acessrias salientes (BOW-MAN et al., 2006).

    O carrapato se torna portador da Rickettsia somente quan-do suga um animal contaminado, s podendo adquirir o agente da Ehrlichia quando em sua fase adulta parasitria e o animal infectado apresentar-se na fase aguda da doena (ETTINGER et al., 2004). O Rhipicephalus sanguineus em seu ciclo de desen-volvimento prefere como hospedeiro o co, mas pode tambm ser encontrado em equinos e bovinos. Geralmente localizado no pescoo, orelhas ou patas do animal, mas havendo infesta-o macia pode ser encontrado em qualquer parte do corpo. Em regies de clima fresco aparecem o ano inteiro, e uma vez es-tabelecido em um canil podem residir durante o inverno (SLOSS et al.,1999). Os adultos no alimentados podem sobreviver por mais de um ano. originalmente uma espcie de regio tropi-cal que se disseminou para as zonas temperadas (BOWMAN et al., 2006).

    2.3 | TRANSMISSOA contaminao do animal por E. canis ocorre atravs da

    picada do carrapato R. sanguineus, que ao ingerir sangue do

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    hospedeiro canino contaminado alberga agente infeccioso o liberando via saliva contaminada durante ou ps-suco san-gunea em animal saudvel, ou ainda atravs de transfuses sanguneas provenientes de animais infectados. Depois que o carrapato adulto se torna reservatrio da doena, ele capaz de transmiti-la por no mnimo 155 dias aps se separar do hospe-deiro. Foi observado que o mesmo carrapato capaz de trans-mitir ao mesmo tempo a Babesia canis e o Hepatozoon canis (ETTINGER et al., 2004).

    2.4 | EPIDEMIOLOGIATendo distribuio mundial maior prevalncia em regies

    tropicais e subtropicais, a gravidade da doena est na depen-dncia do estado imunolgico do hospedeiro, faixa etria, raa, ou alguma afeco pr-existente (VINASCO et al., 2007).

    O animal uma vez tratado da doena no se torna imuni-zado estando sujeito a reinfeco. Em infeco reincidente o animal pode apresentar-se assintomtico devido tratamento anterior a base de antibioticoterapia. Algumas das alteraes hematolgicas podem persistir durante anos, os nveis de anti-corpos contra a E. canis se mantm altos, porm no evitando ocorrncias de recidivas (ETTINGER et al, 2004).

    2.5 | PATOGENIAA infeco do co sadio se d no momento do repasto do

    carrapato infectado (DAVOUST, 1993). Aps um perodo de in-cubao de oito a vinte dias, o agente se multiplica nos rgos do sistema mononuclear fagoctico (fgado, bao e linfonodos) (GREGORY et al., 1990). A mesma se apresenta sob trs formas clnicas: aguda, subclnica (subaguda) e crnica (CORRA & CORRA, 1992).

    A fase aguda da Erliquiose varivel quanto durao (duas a quatro semanas) e severidade (suave severa). O microrganismo replica-se nas clulas monucleares, principal-mente no sistema fagocitrio monuclear (SFM) dos linfonodos, bao, e medula ssea, resultando em hiperplasia dessa linha-gem celular e organomegalia (linfadenopatia, esplenomegalia e hepatomegalia). A trombocitopenia (devido destruio peri-frica de plaquetas) com ou sem anemia e leucopenia (ou leu-cocitose), comum durante essa fase (COUTO, 1998).

    Na fase subclnica, a E. canis persiste no hospedeiro, pro-movendo altos ttulos de anticorpos (HARRUS et al., 1998). Esta fase pode perdurar por vrios anos, sendo que ir acarretar apenas em leves alteraes hematolgicas, no havendo sin-tomatologia clnica evidente (DAVOUST, 1993).

    A fase crnica ocorre quando o sistema imune ineficaz e no pode eliminar o microrganismo (COUTO, 1998). Nesta fase, pode-se desenvolver pancitopenia, e os mecanismos respon-sveis no esto, todavia, totalmente elucidados. Vrias teorias

    procuram explicar o fato, entre elas: mecanismos autoimunes associados hiperglobulinemia que causariam depresso da medula ssea, ou mesmo exausto da mesma aps ter tentado compensar a destruio das plaquetas (CORRA & CORRA, 1992). A principal caracterstica desta fase o aparecimento de uma hipoplasia medular levando a uma anemia aplstica, monocitose, linfocitose e leucopenia (GREGORY et al., 1990).

    2.6 | SINAIS CLNICOSOs sinais clnicos variam nas diferentes fases da doena

    (COUTO, 1998).2.6.1 | FASE AGUDA:A fase aguda ocorre aps um perodo de incubao que

    varia entre oito e vinte dias e perdura por dois a quatro sema-nas. caracterizada principalmente por hipertermia, anorexia, perda de peso e astenia. Menos frequentemente observam-se outros sinais inespecficos como febre, secreo nasal, anore-xia, depresso, petquias hemorrgicas, epistaxe, hematria, ou ainda edema de membros, vmitos, sinais pulmonares e in-suficincia hepato-renal (GREGORY et al., 1990).

    Na hematologia observa-se frequentemente uma tromboci-topenia entre dez a vinte dias ps-infeco, em consequncia da destruio imunolgica perifrica das plaquetas. Em alguns casos temos tambm uma leucopenia progredindo para leucoci-tose e, raramente, observa-se uma anemia aplstica (GREGORY et al., 1990).

    2.6.2 | FASE SUBCLNICA:Os pacientes ficam assintomticos. Podem-se identificar alte-

    raes hematolgicas e bioqumicas suaves (COUTO, 1998). Po-dem ser encontradas algumas complicaes como depresso, hemorragias, edema de membros, perda de apetite e palidez de mucosas (WOODY et al., 1991). Esta fase se inicia em seis a nove semanas, podendo-se prolongar por at dezessete sema-nas (CORRA & CORRA, 1992).

    2.6.3 | FASE CRNICA:Os sinais clnicos podem ser suaves ou severos, desenvol-

    vendo de um a quatro meses aps a inoculao do microrganis-mo e refletir hiperplasias do sistema fagoctico monocitrio e anormalidades hematolgicas. Pode-se observar perda de peso, pirexia, sangramento espontneo, palidez devido anemia, lin-fadenopatia generalizada, hepatoesplenomegalia, quase todas as estruturas oculares podem ser afetadas, podendo ocorrer petquias e equimoses conjuntivais ou na ris, uvete anterior ou posterior, panuvete, edema de crnea, hifema, glaucoma secundrio, hemorragia retiniana e descolamento de retina, sinais neurolgicos causados por meningoencefalomielite e e-dema de membro intermitente (COUTO, 1998).

    Em 35% dos casos ocorre epistaxe, e este fato de mau prognstico para o enfermo. A epistaxe pode ser devida ao

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    sangramento dos cornetos nasais ou nos pulmes. A ictercia vista raramente, mas quando se apresenta indica que o animal est concomitantemente com Babesiose. Podem ser encontra-das hemorragias no abdmen, nas mucosas genitais, conjunti-val e bucal (CORRA & CORRA, 1992).

    2.7 | DIAGNSTICOOs sinais clnicos podem ser considerados com os resulta-

    dos hematolgicos e pela sorologia, estabelecendo-se um diag-nstico definitivo (CORRA & CORRA, 1992).

    2.7.1 | HEMATOLOGIA: Geralmente ocorre anemia arregenerativa, porm, a anemia

    pode ser regenerativa quando houver hemlise como no caso de infeco concomitante com B. canis ou ocorrncia de exten-siva hemorragia. Pode ser evidente uma suave leucopenia, trs quatro semanas aps a fase aguda da infeco, seguida por leucocitose e monocitose (HOSKINS, 1991).

    As mrulas so visualizadas com maior frequncia no sangue retirado da veia marginal das orelhas e vistas no final do esfrega-o sanguneo realizado em lmina. Elas so coradas em verme-lho-prpura pelo mtodo de Giemsa (CORRA & CORRA, 1992).

    2.7.2 | BIOqUMICA: A atividade da alanina aminotransferase e fosfatase alca-

    lina podem estar aumentados nos ces com Erliquiose, espe-cialmente durante a fase aguda. O aumento de bilirrubina total durante a fase aguda e uma suave ictercia pode ser relatado em uma baixa porcentagem de ces com Erliquiose (TROY & FORRESTER, 1990).

    A trombocitopenia presente no quadro clnico no permite que se confirme o diagnstico da doena, mas em reas sabi-damente endmicas, a Erliquiose deve ser considerada como a primeira suspeita. A confirmao do diagnstico pode ser refor-ada se for encontrada hipoalbuminemia e hiperglobulinemia associada trombocitopenia (DAVOUST, 1993).

    2.7.3 | TESTES DE COAGULAO: Ces com problemas hemorrgicos e com tempo de san-

    gramento prolongado so observados com frequncia, porm o tempo de ativao da coagulao, tempo de protrombina e o tempo de ativao parcial de tromboplastina no apresentam alteraes. O prolongamento do tempo de sangramento evi-dente por causa da trombocitopenia ou m funo plaquetria (HOSKINS, 1991).

    2.7.4 | SOROLOGIA: Pode-se realizar o diagnstico por imunofluorescncia indi-

    reta, que constitui um mtodo sensvel e muito especfico, per-mitindo o diagnstico preciso da Erliquiose (DAVOUST, 1993).

    2.8 | TRATAMENTOSo utilizados diferentes frmacos antimicrobianos no

    tratamento, como tetraciclinas, doxiciclina e clorafenicol. A trombocitopenia e os achados clnicos devem ser rapidamente solucionados. Se as alteraes no tiverem bons resultados num perodo de sete dias de tratamento, deve se optar por um diagnstico diferencial (NELSON et al.,2010).

    A tetraciclina ou a oxitetraciclina so consideradas as dro-gas iniciais de escolha. A Erlichia sp sensvel s tetraciclinas em doses de 60mg/kg, divididas em trs doses dirias, por via oral, durante trs semanas, podendo, entretanto ter recidivas (TROY & FORRESTER, 1990). Destas, a doxiciclina constitui a droga de eleio no tratamento da erliquiose em todas as suas fases. A droga absorvida com rapidez quando administrada por via oral. Mediante o exposto, tem sido proposto que a doxi-ciclina o frmaco de escolha, em uma dose de 2,5 a 5 mg/kg, via oral a cada 12 a 24h por 10 a 14 dias. Outros autores suge-rem a mesma posologia, porm feita por um perodo mnimo de 21 dias (ETTINGER; FELDMAN, 2004).

    Os critrios para o tratamento variam de acordo com a pre-cocidade do diagnstico, da severidade dos sintomas clnicos e da fase da doena que o paciente se encontra quando do incio da terapia. O tratamento pode durar de trs a quatro semanas nos casos agudos e at oito semanas nos casos crnicos.

    O cloranfenicol pode ser usado em ces com infeces per-sistentes que so refratrias a terapia com a tetraciclina, na dose de 15 a 20mg/kg a cada oito horas durante 15 dias, por via oral, intravenosa ou subcutnea. Contudo o seu uso em ces com anemia ou pancitopenia deve ser evitado quando possvel (TROY & FORRESTER, 1990).

    O dipropionato de imidocard (IMIZOL), administrado em dosagem de 5 mg/kg, via subcutnea, e repetido em 15 dias, altamente efetivo em ces com Erliquiose refratria e em ces com infeces mistas por E. canis e a B. canis (COUTO, 1998).

    Frequentemente dever ser fornecido um tratamento de su-porte, principalmente nos casos crnicos. Assim, deve-se cor-rigir a desidratao com fludoterapia e as hemorragias devem ser compensadas pela transfuso sangunea. Terapia a base de glicocorticides e antibiticos pode tambm ser utilizada nos casos em que a trombocitopenia for importante e nos casos de infeces bacterianas secundrias, respectivamente (PASSOS et al., 1999).

    O tratamento de suporte com fluidoterapia e transfuso sangunea necessrio para corrigir desidratao e compensar hemorragias. Em casos de ces anorxicos indicada adminis-trao de vitaminas do complexo B, estimulante de apetite bem como Diazepan via intravenosa ou oral antes da alimentao. O mecanismo imunomediado pode ser a causa da trombocito-penia e o uso de glicocorticides pelo perodo de dois a sete dias pode ser de grande ajuda no restabelecimento fisiolgico (CONTI, 2010).

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    2.9 | PROGNSTICOO prognstico depende da fase em que a doena for diag-

    nosticada e do incio da terapia. Quanto antes se inicia o trata-mento nas fases agudas, melhor o prognstico. Nos ces, no incio da doena, observa-se melhora do quadro em 24 a 48 horas, aps o incio da terapia (WOODY et al., 1991).

    O prognstico excelente quando se usa o tratamento a-propriado, a menos que a medula ssea se encontre severa-mente hipoplsica (COUTO, 1998).

    O prognstico bom quando se tem o diagnstico rpido, pois a E. canis sensvel as tetraciclinas, sendo, reservado, quando a amostra muito virulenta e causa hemorragias e leses severas (CORRA & CORRA, 1992).

    2.10 | PROFILAXIAPor no ser uma molstia que transmitida de forma

    transovariana no carrapato, esses por sua vez se eliminados do ambiente ajudam no controle. De modo geral se recomenda combater os carrapatos no ambiente bem como no corpo do animal, com o uso de coleiras carrapaticidas, banhos com ami-traz, carbaril ou clorfenvinfs, e pulverizao do ambiente para controle dos carrapatos no meio (CONTI, 2010).

    O R. sanguineus vetor da erliquiose, possui hipostomios curtos, para compensar secretam cimento no qual as peas bucais so embebidas fazendo-as fixarem melhor a pele do hospedeiro, por isso a remoo do ectoparasita deve ser feita cuidadosamente para que o capitulo no permanea inserido na pele como corpo estranho, pois produzem feridas profundas e dolorosas, podem inflamar e causar infeces secundarias por bactrias e bicheiras. (BOWBAM et al., 2006).

    Podem-se utilizar doses baixas de tetraciclina ou de doxi-ciclina nas reas endmicas durante a estao dos carrapatos (tetraciclinas, 3mg/kg, por dia, via oral; ou doxiciclina, 2mg/kg, por dia, via oral) (COUTO, 1998).

    2.11 | ZOONOSEA doena uma zoonose que pode ser transmitida ao ho-

    mem da mesma forma que transmitida para o co, tendo, por-tanto, uma importncia relevante na sade humana (TROY & FORRESTER, 1990).

    Evidncias sorolgicas indicam que o E. canis ocorre em seres humanos, que se infectam a partir da exposio a carra-patos. Os sinais clnicos incluem febre, dor de cabea, mialgia, dor ocular e desarranjo gastrintestinal. O tratamento com tetra-ciclinas resulta em recuperao rpida (BARR, 2003).

    3| RELATO DE CASOFoi atendido no Hospital Veterinrio da Faculdade de Cas-

    telo (FACASTELO/ES) um macho canino, da raa Rottweiler, de trs anos de idade, 41 kg de peso, apresentando intensa hemor-ragia no globo ocular direito.

    Segundo relato do proprietrio o animal apresentava his-trico de ectoparasitismo por carrapatos, e que h aproximada-mente cinco dias o animal apresentava-se hiporxico e aptico. Durante a anamnese relatou que o animal ficava em um quintal amplo, informando que no tinha como hbito de uso de produ-tos ectoparasiticidas no ambiente nem no animal. Informou tambm que no havia animais contactantes em sua residncia e que no tinha como hbito passear com o co. O proprietrio declarou tambm que o animal no havia recebido nenhum me-dicamento (antibiticos, aines, corticosterides) e que anteri-ormente o co nunca manifestara anteriormente episdios de sangramentos.

    Durante o exame fsico constatou-se que a hemorragia ocu-lar era unilateral (olho direito), entretanto o porte e tempera-mento agressivo do paciente no permitia uma adequada visua-lizao com segurana das estruturas acometidas, portanto s seria possvel uma satisfatria explorao clnica do paciente, utilizando protocolo para conteno qumica.

    Todavia em uma avaliao inicial e superficial, no fora constatado presena de marcas de presas compatveis com acidente ofdico, tampouco a presena de edema, petquias, equimoses ou sufuses espalhadas pelo corpo.

    Antes de proceder sedao do animal foi coletado sangue para avaliao hematolgica e, aps a coleta percebeu que o local da venopuno sangrava persistentemente. O animal foi sedado com Clorpomazina e anestesiado brevemente com o Propofol em bolus. Com a adequada conteno qumica e aps limpeza com soluo fisiolgica notou-se que no havia sinal de hemorragia intraocular (hifema), e hemorragia era originada da mucosa conjuntival. Durante a explorao oftalmolgica no se verificou nenhum indcio de traumatismo. Com o animal contido farmacologicamente foi possvel assegurar que a crnea estava ntegra bem como as demais estruturas anatmicas pertencen-tes ao globo ocular e seus anexos, portanto mesmo a hemorra-gia sendo unilateral a mesma no estava associada a processo traumtico.

    Aps uma minuciosa avaliao oftalmolgica realizou-se manobras para obteno de hemostasia por compresso com o uso de gazes e compressas, diante do insucesso, optou-se pelo uso de compressas geladas com vistas a estimular vaso-constrico, dessa forma foi obtido um sucesso parcial, sendo somente obtida a completa interrupo da hemorragia quando

  • 4| CONSIDERAES FINAISA Erliquiose Canina uma doena grave de carter mun-

    dial que acomete ces de todas as idades independente do sexo ou raa, sendo que a prevalncia de animais infectados alta. Transmitida pela picada do carrapato, vetor de difcil er-radicao, geralmente a manifestao aguda, mas, ocorrem tambm casos subagudos ou crnicos. Pode tambm afetar os humanos.

    O diagnstico definitivo para a doena pode ser dificultado pela natureza inespecfica das manifestaes clnicas, porm existem vrios mtodos para a confirmao diagnstica, sendo o mais utilizado na prtica clnica a associao do resultado do hemograma (principalmente as alteraes tromcitopnicas) com os sinais clnicos. O tratamento de eleio com a Doxici-clina a cada 12 horas, via oral, durante 21 dias, associado com a terapia de suporte. O prognstico bom na maioria das vezes.

    importante que o clnico esteja atento para as manifesta-es menos usuais da erliquiose, pois na prtica clnica os sinais mais frequentemente associados a trombocitopenia em

    fora administrada topicamente adrenalina, com a finalidade de obter vasoconstrio perifrica.

    O hemograma do paciente indicou apenas trombocitopenia (55.000 plaquetas/mm3). Os demais parmetros hematolgicos encontravam-se dentro dos valores de referncia para a espcie.

    Durante a conteno qumica aproveitou-se para confec-cionar uma lmina de esfregao sanguneo obtido da ponta da orelha. O esfregao sanguneo revelou a presena de mrulas

    em moncitos, confirmando o diagnstico de erliquiose.Dessa forma foi instituda terapia com o Cloridrato de Dox-

    iciclina (5 mg/Kg BID), durante 21 dias e recomendado suple-mentao com produto polivitamnico mineral. Com o trata-mento prescrito o paciente recuperou-se, no apresentando mais episdios de sangramentos, tendo seu apetite e nvel de atividade normalizado aps o terceiro dia de terapia.

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    Figura 2 | Paciente ainda em recuperao anestsica, aps mano-bras para obteno da hemostasia (compressas, gelo e adrena-lina, administrados topicamente). Fonte: arquivo pessoal

    Figura 1 | Aspecto da exuberante hemorragia ocular durante a admisso do paciente ao servio de clnica mdica do Hospital Veterinrio da FACASTELO. Fonte: arquivo pessoal

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    erliquiose incluem: petquias e equimoses na pele, sangramen-to persistente em locais de venopuno, e epistaxe.

    Hemorragias oculares como consequncia de erliquiose j foram descritas na literatura, entretanto o caso relatado nesse trabalho destaca-se pela apresentao isolada de hemorragia ocular espontnea unilateral, fato que poderia, num primeiro momento, induzir o clnico a pensar em hemorragia associada a eventos traumticos.

    A abordagem diagnstica para pacientes com episdios de sangramentos incluem diferenciais como: traumatismos, Doena de Von Willebrand, acidentes ofdicos, intoxicaes com produtos rodenticidas.

    A Doxiciclina mostrou-se eficaz na teraputica da erliquiose e o uso de vasoconstritor perifrico como a Adrenalina, admi-nistrada topicamente, tambm mostrou bastante efetivo no controle imediato da hemorragia ocular.

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS: BARR, S. C. Erliquiose. In: TILLEY, L. P. SMITH, F. K. Consulta veterinria em 5 minutos espcies canina e felina. Ed. Manole, p. 665, 2003.BOWMAN, D. D., et al., Artrpodes. In: Parasitologia Veterinria de Georgis. 8. Ed. New York: Elsevier Inc., 2006. Cap. 1.CONTI, B. J., Erliquiose Monoctica Canina. In: Revista Ces e Gatos. Ano 25/Mar 132. Ed. So Paulo: Curuca, 2010. p. 12 16.CORRA, W. M.; CORRA, C..N. M. Outras rickettsioses. Enfermidades infecciosas dos mamferos domsticos. 2 ed. Rio de Janeiro, 1992, cap.48, p.477-83.COUTO, C. G. Doenas Rickettsiais In: BIRCHARD, SHERDING, Manual Saunders: Clnica de pequenos animais. Ed. Roca: p. 139-42, 1998.DAVOUST, B. Canine Ehrlichiosis. Point Vt., v.151, p.43-51, 1993.ETTINGER, S. J.; FELDMAN, E. C. Riquetsioses: Erlquias. In: Tratado de Medicina Interna Veterinria. 5. Ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara Koogan S.A., 2004. p. 424 426.FERNANDES, G. M., et al. Analysis of the use of fenthion via epicutaneous in dogs for rhipicephalus sanguineus control. Disponvel em http//: www.scielo.br/scielo.php?pid=S003786822001000400005&script=sci_arttext/. Acesso em: 03 de set. 2013.GREGORY, C; FORRESTER, S..O. Ehrichia canis, E. equi, E. risticci infections. In: GREENE, C.E. Infectious diseases of the dog and cat. Philadelphia: W.B. Saunders. p. 404-14, 1990.HARRUS, S.; WARNER, T.; AIZENBERG, I.; FOLEY, J.; POLANO, A.M.; BARN, H. Amplification of Ehrlichial DNA from dogs 34 months after infection with Ehrlichia canis . Journal of Clinical Microbiology, v.36, p.40-2, 1998.HOSKINS, J. D. Tick-Borne Zoonoses: Lyme Disease, Ehrlichiosis, and Rocky Montain Spotted Fever. Small Animal. v.6, p.236-43, 1991.MACHADO, R. Z. Erliquiose Canina. XXIII Congresso Brasileiro de Parasitologia Veterinria & I Simpsio Latino-Americano de Rickettsioses. Ouro Preto MG. 2004.MOREIRA, S.M.; BASTOS, C.V.; ARAJO, R.B.; SANTOS, M.; PASSOS, L.M.F. Retrospective study (1998-2001) on canine ehrlichiosis in Belo Horizonte, MG, Brazil. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinria e Zootecnia, v.25, n.2, p.141-147, 2003NELSON, R. W.; COUTO, C. G. Medicina Interna de Pequenos Animais. Editora Guanabara Koocan, 2 edio, 2001.PASSOS, L. M. F; ANDEREG, P. I; SAMARTINO, L. E. Ehrlichiosis Canina. Vet. Arg., v.153, p.16, 1999.TROY, G. C.; FORRESTER, S.D. Canine Ehrlichiosis. Infection Disease of Dog and Cat. Philadelphia: W. B. Saunders, 1990. Cap 37, p.404-14UENO, T. E. H. et al. Ehrlichia canis em ces atendidos em hospital veterinrio de Botucatu, Estado de So Paulo, Brasil. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinria, So Paulo, v. 18, n. 3, p. 57-61, 2009.WANER, T.; HARRUS, S.; WEISS, D. J.; BARK, H.; KEYSARY, A. Demonstration of serum antiplatelet antibodies in experimental acute canine ehrlichiosis. Veteri-nary Immunology and Immunopathology, Cap.48 p.177-82, 1995.WOODY, B.J.; HOSKINS, J.D. Ehrlichial diseases of the dog. Veterinary Clinical North America: Small animal practice, Cap.21, p.45-98, 1991.WOUK, F. Uvetes. Disponvel em http:// www.eadveterinaria.com.br/material/270/2952/Uveites_em_Animais_Domesticos.pdf/. Acesso em: 02 set. 2013.

    AUTORES: 1- Elaine da Silva SoaresEstudante de graduao do curso de Medicina Veterinria da Faculdade de Castelo - FACASTELO/ES - elainesoares_ita@hotmail.com2- Thiago Oliveira de AlmeidaMdico veterinrio - CRMV-ES n 0950 - Mestre Clnica Mdica de Ces e Gatos - Professor Clnica Mdica de Ces e Gatos Faculdade de Castelo - FACASTELO - coordvet@facastelo.br3- Leonardo Candido MoraesEstudante de graduao do curso de Medicina Veterinria da Faculdade de Castelo - FACASTELO/ES - leomoraes.vet@hotmail.com 4- Marcos Azevedo MoulinEstudante de graduao do curso de Medicina Veterinria da Faculdade de Castelo - FACASTELO/ES - marcos_moulin@hotmail.com

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 119 |19

    ARTIGO TCNICO 2

    EPIDERMLISE BOLHOSA HEREDITRIA EM CO: RELATO DE CASO

    RESUMOEpidermlise bolhosa expressa um grupo de doenas mecanobolhosas de etiologias variveis, reconhecidas em seres humanos, ces, gatos, cavalos, bovinos e ovinos. Apresentam-se na forma adquirida e hereditria, sendo que esta ltima resulta em perda da integridade epitelial, formao de bolhas e uma doena clnica de gravidade varivel. Amostras da leso foram encaminhadas ao Laboratrio de Morfologia e Patologia Animal (LMPA) da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), para exame histopatolgico. Estas estavam fixadas em formalina tamponada neutra a 10%. O paciente era um canino, fmea, da raa pastor canadense com apenas quatro meses de idade, cujo histrico clnico era lacnico (de leso em pele). O material foi proces-sado segundo tcnicas histolgicas de rotina, corado pela Hematoxilina e Eosina e analisado por microscopia ptica, sugerindo o diagnstico de epidermlise bolhosa hereditria.Palavras-chave: histopatologia, co, hereditariedade, epidermlise bolhosa.

    HErEdItArY EPIdErMolYSIS BulloSA IN dog: A CASE rEPort

    AUTORESRachel Bittencourt Ribeiro, Raphael Mansur Medina, Maria Aparecida da Silva3, Letcia Rebelo4, Hassan Jerdy Leandro5, Eulgio Carlos queirz de Carvalho6

    ABSTRACTEpidermolysis bullosa describe a group of mechanobullosas diseases of variables etiologies, recognized in humans, dogs, cats, horses, cattle and sheep. Are shown in acquired and hereditary form, the latter of which results in loss of epithelial integrity, blis-tering and clinical disease of varying severity. Therefore, it was received at the Laboratory of Animal Morphology and Pathology (LMPA) of UENF, fixed with formalin neutral buffered 10%, for histopathological examination of a canine, female, Canadian Shep-herd breed and only four months old, whose history was laconic (injury of skin). The material was processed second routine histo-logical techniques, stained for hematoxylin and eosin and examined by light microscopy, suggesting the diagnosis of hereditary epidermolysis bullosa.Key-words: histopathology, dog, heredity, epidermolysis bullosa.

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 11920 |

    ARTIGO TCNICO 2

    1| INTRODUOEpidermlise bolhosa descreve um grupo de doenas me-

    canobolhosas de etiologias variveis que so reconhecidas em seres humanos, ces gatos, cavalos, bovinos e ovinos (JUBB et al., 1993; GROSS et al., 2009; ZACHARY & McGAVIN, 2013).

    Apresentam-se na forma adquirida e hereditria, sendo que nesta ltima ocorrem defeitos estruturais na camada de clulas basais ou em diferentes nveis da zona da membrana basal, re-sultando em perda da integridade epitelial, formao de bolhas e uma doena clnica de gravidade varivel (JONES et al., 2000; GROSS et al., 2009). Os defeitos estruturais so decorrentes de mutaes nos genes responsveis pela sntese de uma varie-dade de componentes estruturais da mesma regio anatmica da pele e inclui anormalidade nos filamentos intermedirios de ceratina, nas protenas associadas aos hemidesmossomos e nas fibrilas de ancoramento, como o colgeno tipo VII (ZACHARY & McGAVIN, 2013).

    As leses podem apresentar-se ao nascimento ou logo aps (JONES et al., 2000; ZACHARY & McGAVIN, 2013) e variam na forma de hereditariedade, manifestaes clnicas e na localiza-o anatmica das bolhas. Os animais afetados comumente morrem em razo da inabilidade em obter alimento, da perda de fluido e protena e infeces secundrias que causam bacte-remia (ZACHARY & McGAVIN, 2013).

    Microscopicamente, a epiderme separa-se claramente da derme subjacente, causando a formao de uma bolha ou ve-scula. Esta evolui para uma lcera que, secundariamente in-

    fectada, apresenta um exsudato fibrinosupurativo e inflamao neutroflica drmica (GROSS et al., 2009).

    Devido gravidade das leses presentes em animais com epidermlise bolhosa hereditria objetivou-se com este trabalho relatar os achados histopatolgicos da doena em um canino.

    2| RELATO DE CASOFoi recebido no LMPA da UENF, material para exame his-

    topatolgico de um canino, fmea, da raa pastor canadense e de apenas quatro meses de idade, com um histrico clnico de dermatopatia. O material foi fixado em formalina tamponada neutra a 10% e aps processado por incluso em parafina, corado pela Hematoxilina e Eosina (H/E), foi analisado por mi-croscopia ptica.

    O resultado da histopatologia revelou ntida e completa separao dermo-epidrmica levando a formao de vescu-las, ocasionalmente, achatadas e contendo hemcias. A derme apresentava discreto infiltrado inflamatrio, edema e focos de material mucinoso. Os achados no so especficos de nenhuma doena vesculo-bolhosa ou acantoltica da epiderme, porm so compatveis com epidermlise bolhosa hereditria. Os diag- nsticos diferenciais incluem diversas doenas, porm o fato do animal em questo ser muito jovem, o caso passa a ser suges-tivo do diagnstico supracitado, pois esta geralmente afeta o animal ao nascimento ou muito jovem, o que raramente ocorre em outras doenas (que cursam com o quadro histopatolgico semelhante ou s vezes idntico).

    A B

    Figura 1 | Epidermlise bolhosa hereditria em co. A. Nota-se grande bolha subepidrmica (seta). H/E. Objetiva 10X. B. Aumento da imagem anterior, onde nota-se bolha com as clulas basais permanecendo intactas em sua poro superior (seta). Derme (*) e epiderme ( ). H/E. Objetiva 20X.

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS: GROSS, T. L.; IHRKE. P. J.; WALDER, E. J.; AFFOLTER, V. K. Doenas de Pele do Co e do Gato. 2 ed. So Paulo: Roca, 2009. 889 p.JONES, T. C.; HUNT, R. D.; KING, N. W. Patologia veterinria. 6 ed. Manolo: So Paulo, 2000. 1415 p. JUBB, K. V. F.; KENNEDY, P. C.; PALMER, N. Pathology of domestic animals. 4 ed. V. 3. Academic Press: San Diego, 1993.ZACHARY, J. F.; MCGAVIN, M. D. Bases da patologia em veterinria. 5.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. 1324p.

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 119 | 21

    AUTORES: 1- Rachel Bittencourt RibeiroPs graduanda em Cincia Animal pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro - rachel_bittencourt@hotmail.com2- Raphael Mansur MedinaPs graduando em Cincia Animal pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.3- Maria Aparecida da Silva Ps graduanda em Cincia Animal pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.4- Letcia RebeloMdica veterinria autnoma - CRMV-RJ n 62635- Hassan Jerdy LeandroPs graduando em Cincia Animal pela Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.6- Eulgio Carlos queirz de CarvalhoMdico veterinrio - CRMV-RJ n 0793 - Professor associado I da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro.

    BALANO FINANCEIRO

    RECEITA DESPESA

    Receita Oramentria

    Receitas Correntes

    Receitas de ContribuiesReceita PatrimonialReceita de Servios

    Transferncias CorrentesOutras Receitas Correntes

    Receitas de Capital

    Operaes de CrditoAlienao

    Amortizao de EmprstimosTransferncias de Capital

    Outras Receitas de CapitalReceita Extra-Oramentria

    Saldo do Exerccio Anterior

    5.303.657,80

    5.303.657,80

    4.477.970,93504.082,06172.129,570,0080.760,090,00

    0,000,000,000,000,006.731.657,26

    4.133.388,78

    Despesa Oramentria

    Despesas Correntes

    Pessoal Encargos e BenefciosUso de Bens e Servios

    Despesas FinanceirasTributrias Contributivas

    Demais despesas CorrentesDespesas de Capital

    Material Permanente

    Pagamentos Extraoramentrios

    Saldos para o Exerccio Seguinte

    3.526.190,07

    3.333.726,87

    1.806.167,181.473.956,6581,146.735,9246.785,98192.463,20

    192.463,20

    6.782.075,71

    5.881.854,26

    Total 16.168.703,84 Total 16.168.703,84

    Conselho Regional de Medicina Veterinria do Estado de Minas Gerais - CRMV/MGBalano Financeiro - Perodo: Janeiro a Setembro de 2013

    Nivaldo da SilvaPresidente

    CRMV-MG n 0747

    Joo Ricardo AlbanezTesoureiro

    CRMV-MG n 0376

    Walter Fernandes da SilvaContador

    CRC-MG n 21.567

  • DOENA ARTICULAR DEGENERATIVA (DAD) EM CES: PERSPECTIVAS DE TRATAMENTO COM ACUPUNTURA PERMANENTE REVISO DE LITERATURA

    RESUMOA artrose ou osteoartrose uma doena articular degenerativa (DAD) que induz deteriorao progressiva da cartilagem articular, levando perda da funo. As apresentaes mais frequentes da DAD em ces so as displasias coxo-femural e de cotovelo e a ruptura do ligamento cruzado cranial. Os sintomas clnicos da DAD so: dor e reduo da amplitude de movimento articular, claudi-cao leve severa, alteraes posturais reflexas, dificuldade, em graus variveis, em levantar-se, caminhar, correr ou subir escadas e at impotncia do membro comprometido. A DAD tem carter progressivo crnico e considera-se no ter tratamento curativo. So adotadas a analgesia com anti-inflamatrios no esteroidais, administrao de nutracuticos para o retardo da degenerao da cartilagem articular e, em alguns casos, a estabilizao articular cirrgica. Recentemente, o uso de fisioterapia e acupuntura tem mostrado resultados promissores. A acupuntura permanente feita com implantes metlicos e utilizada em doenas articulares crnicas consideradas irreversveis. Na acupuntura permanente com fragmentos de ouro ocorre liberao local de sais de ouro. Esses sais so inibidores da exploso respiratria e da liberao de superxidos pelos neutrfilos e moncitos e controlam a proliferao de linfcitos e a resposta inflamatria e a apoptose celular, diminuindo ou eliminando a inflamao e a dor e prevenindo as alteraes artrticas caractersticas da DAD. Testes clnicos com acupuntura permanente em ces portadores de DAD demonstram a melhora na mobilidade articular e na deambulao, com reduo na dor. Essa tcnica tambm reduz a demanda pelo tempo do proprietrio e os custos do tratamento da DAD em ces.Palavras-chave: osteoartrose, ces, acupuntura, tratamento.

    dEgENErAtIvE joINt dISEASE (djd) IN dogS: tHE WAY oF ACuPuNCturE trEAtMENt WItH PErMANENt - lItErAturE rEvIEW

    AUTORASMrcia Valria Rizzo Scognamillo Szab1, Andrezza Groppo2, Luana Castela3

    ABSTRACTArthrosis or osteoarthrosis is a degenerative joint disease (DJD) which induces progressive deteriora-tion of articular cartilage, leading to loss of function. The most common presentations of DJD in dogs are hip and elbow dysplasia and ruptured cranial cruciate ligament. Clinical symptoms of DJD are pain, reduced articular mobility, mild to severe lameness, secondary postural changes, difficulty on getting up, walking, running or climbing stairs. The DJD is a chronic progressive disturbance and it is consid-ered without therapeutic possibilities. The management includes nonsteroidal anti-inflammatory drugs for analgesia, nutraceuticals for delaying cartilage degeneration, and in some cases, articular surgery. Recently, the use of physiotherapy and acupuncture has shown promising results. Permanent acupunc-ture is done with metallic implants and recommended for chronic untreatable articular diseases. Gold bead implantation acupuncture stimulates local release of gold salts. These salts are inhibitors of the respiratory burst and of the release of superoxide by neutrophils and monocytes and controls lympho-cyte proliferation and inflammatory response and apoptosis, decreasing or eliminating inflammation and pain and preventing arthritic changes characteristics of DJD. Clinical trials with gold bead implan-tation acupuncture in dogs with DJD demonstrate the improvement in joint mobility and ambulation and pain reduction in pain. This technique also reduces the demand for owners time and the cost of treatment of DJD in dogs.Key-words: osteoarthrosis, dogs, therapy, acupuncture.

    ARTIGO TCNICO 3

    Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 11922 |

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    1| INTRODUOA tomada de deciso para a escolha de uma teraputica

    considera as possibilidades econmicas e disponibilidade de tempo do proprietrio e, principalmente, as evidncias prove-nientes dos resultados de pesquisas clnicas e experimentais (LOPES, 2000; UEDA, 2010). Testes clnicos em ces demons-tram que a adoo da tcnica de acupuntura permanente com implante de fragmentos de ouro em ces portadores de doena articular degenerativa (DAD) melhora a qualidade de vida do animal ao mesmo tempo em que reduz o tempo despendido com o tratamento, proporcionando reduo do custo final (JAEGER et al., 2006; JAEGER et al., 2007; SCOGMILLO-SZABO et al., 2010). Testes laboratoriais demonstram que os fragmentos de ouro implantados liberam aurocianido, um sal com ao anti-inflamatria e anti-lgica (DANSCHER, 2002; DANSCHER, 2003; DURKES, 1992, DURKES, 1999; PATTERSON et al., 2005; VO-SKERICIAN et al., 2004). Portanto, a acupuntura permanente desponta como um tratamento capaz de prevenir as alteraes artrticas caractersticas da DAD.

    A artrose ou osteoartrose uma DAD no inflamatria que induz deteriorao progressiva da cartilagem articular, neo-formaes sseas e alteraes nos tecidos moles circundan-tes, levando perda da funo (BENNETT e MAY, 1995; FOS-SUM, 2008). O tratamento clnico da DAD consiste no uso de suplementos nutricionais base de condroitina, glucosamina e mega-3, anti-inflamatrios no esteroidais, fisioterapia e acu-puntura (FERREIRAet al., 2007; JAEGER et al., 2007; MCLAUGH-LIN, 2003; XIE e PREAST, 2007).

    Uma pequena parcela dos ces portadores de alteraes osteomusculares no evolui satisfatoriamente aps o tratamen-to farmacolgico. Esses casos no responsivos acabam por for-mar cerca de 50% da rotina de atendimento com acupuntura (UEDA et al., 2010). Ces com DAD, cujo carter degenerativo progressivo, podem necessitar de sesses de acupuntura (AP) por toda vida. Nesses casos, adota-se a tcnica de AP perma-nente com implante de fragmentos de ouro nos pontos de AP. Essa tcnica permite a estimulao constante do ponto de AP e seu resultado perdura por anos ou mesmo at o fim da vida do animal (ALTMAN, 1992; ALTMAN, 1997; ALTMAN, 2006, DURKES, 1992; HIELM-BJORKMAN et al., 2001; JAEGER et al., 2005 ; JAEGER et al., 2007; SCOGNAMILLOSZAB et al., 2010)

    2| A DOENA ARTICULAR DEGENERATIVA (DAD) EM CES

    O co desenvolve doenas osteo-musculares com maior frequncia que gatos e por isso ces representam a grande maioria de atendimentos na clnica de reabilitao. As apresen-taes mais frequentes da DAD em ces so as displasias coxo-

    femural e de cotovelo e a ruptura do ligamento cruzado cranial (TILLEY & SMITH, 2003; UEDA et al., 2010). O termo osteoar-trite mais comumente adotado na literatura e, por definio, uma DAD acompanhada de inflamao da membrana sinovial. Entretanto em ces nem todas as apresentaes clnicas so acompanhadas dessa inflamao na membrana sinovial e o ter-mo DAD , ento, o mais adequado (ALTMAN & GRAY, 1985; BENNETT & MAY, 1995; VAUGHAN-SCOTT & TAYLOR, 1997).

    PREVALNCIA DA DAD EM CESNo Brasil, no existem informaes precisas sobre a pre-

    valncia de DAD em ces. No Reino Unido e nos Estados Unidos da Amrica, cerca de 20% da populao canina sofre de DAD (Moore et al., 2001). Entretanto, dados da Finlndia sugerem um painel preocupante: 44% dos Pastores Alemes, 39%, dos Golden Retrievers e 52% dos Bernese Mountain Dog tm dis-plasia coxo-femural, a DAD mais frequente em ces (THE FINN-ISH KENNEL CLUB, 2011).

    FISIOPATOGENIA DA DADA DAD pode comprometer uma ou mais articulaes e apre-

    senta duas formas: primria e secundria. A DAD primria pouco comum em ces. Trata-se de uma doena sistmica, onde distrbios no metabolismo lipdico resultam em um defeito na estrutura e biossntese da cartilagem articular (ASPDEN et al., 2001; BENNET & MAY, 1995). Na DAD secundria ocorre des-gaste da cartilagem articular, porm em consequncia ao de foras anormais sobre a articulao sadia (sobrepeso, fraturas, luxao, infeces, etc) ou decorrente de foras normais sobre a articulao alterada (conformao anormal, osteocondrose, displasia). Os sintomas clnicos da DAD so: dor e reduo da amplitude de movimento articular, claudicao leve severa, alteraes posturais reflexas (cifose, andar incoordenado) e di-ficuldade, em graus variveis, em levantar-se, caminhar, correr ou subir escadas. Podem ainda estar presentes: abraso das unhas, hipotrofia muscular e at impotncia do membro com-prometido (Fig 1). Com frequncia sua evoluo lenta e est associada ao envelhecimento, sobrecarga mecnica pelo so-brepeso ou instabilidade articular pela m formao (BEN-NETT & MAY, 1995; INNES et al., 2005). Seu diagnstico se baseia no exame fsico, em testes funcionais e exame radiogr-fico (PEDRO, 2006).

    A DAD leva fragmentao, perda e alterao qumica da cartilagem articular, com perda de proteoglicanos A cartilagem torna-se, ento, incompetente na proteo do osso subcondral. Isso desencadeia alteraes de remodelao nas superfcies articulares, com formao de ostefitos e perda da capacidade de adequao biomecnica do osso (DAUBSet al.,2006; KEALY

  • Revista VeZ em Minas - Abr./Mai./Jun. 2013 - Ano XXII - 11722 |

    ARTIGO TCNICO 3

    Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 11924 |

    e MCALLISTER, 2005). Pode ocorrer ainda a presena de linfci-tos e a liberao de citocinas pr-inflamatrias que tambm in-terferem negativamente na sntese de proteoglicanos, induzem apoptose de condrcitos e tambm colaboram para reduo na funcionalidade da cartilagem e para a leso progressiva da ar-ticulao (YIM et al., 2007) (Fig 2).

    MANEJO DA DADA DAD tem carter progressivo crnico e considera-se no

    ter tratamento curativo. O objetivo do manejo controlar os sinais clnicos e retardar sua progresso (KAPATKIN et al., 2002; PEDRO, 2006). Para tal, so adotadas a analgesia com anti-inflamatrios no esteroidais, introduo de nutracuticos para o retardo da degenerao da cartilagem articular e, em alguns casos, a estabilizao articular cirrgica. Recentemente, a adoo de fisioterapia e acupuntura tem mostrado resultados promissores (UEDA et al., 2010). Em todas as abordagens, imperioso evitar o sobrepeso e fazer exerccios regulares mode-rados para fortalecimento da musculatura (FRANSEN et al., 2003) (Fig. 3).

    3| USO DA ACUPUNTURA NA DADA acupuntura (AP) faz parte da Medicina Tradicional Chine-

    sa, um conjunto de conhecimentos terico-empricos que inclui tambm tcnicas de massagem (Tui-Na), exerccios respirat-rios (Chi-Gung), orientaes nutricionais (Shu-Shieh) e a fitote-rapia (Zhongyao-Xue). A chave da AP a ideia de equilbrio in-tra-corporal e do corpo com o meio. A harmonia intra-corporal pode ser traduzida como sendo a sade depende das funes psico-neuro-endcrinas, sob influncia do cdigo gentico. Na relao do corpo com o meio os fatores nutricionais, tempera-tura e umidade, qualidade do ar, patgenos no ambiente e in-fluncias sazonais so levados em considerao (SCOGNAMIL-LO-SZAB e BECHARA, 2001).

    A AP se desenvolveu em uma cultura oriental, utilizando o mtodo de tentativa e erro. Por isso seu raciocnio classificado como pensamento pr-cientfico, o que restringe sua aceitao no meio cientfico (SCOGNAMILLO-SZAB e BECHARA, 2001). Entretanto os testes clnicos realizados com animais demons-tram sua eficcia para distrbios diversos como cinomose, do- ena de disco intervertebral toraco-lombares convulses e dis- plasia coxo-femural (COLE, 1996; DURKES, 1992; HAYASHI E MATERA, 2007; JAEGER et al., 2007; SCOGNAMILLO-SZAB et al., 2006). No Brasil cerca de 70% dos casos encaminhados para tratamento com AP consistem em quadros nervosos e/ou msculo-esquelticos. E essas so as categorias de doenas que apresentam o melhor ndice de recuperao quando trata-das com AP (UEDA et al., 2010). Ces portadores de DAD sub-

    metidos acupuntura mostram melhora na mobilidade articular e na marcha (DURKES, 2001).

    TCNICA DE ACUPUNTURA PERMANENTEA sesso de AP tem durao mdia de 30 minutos e, para

    os casos agudos, deve ser repetida cada trs dias e uma vez por semana em pacientes crnicos. Vrias tcnicas de estmulo do ponto de AP podem ser utilizadas, tais como: agulhamento, estimulao eltrica, injees de vitaminas ou de subdoses de frmacos, implantes, laser ou ultra-som (FARIA e SCOGNAMIL-LO-SZAB, 2008; SCOGNAMILLO-SZAB e BECHARA, 2001; SCHOEN, 2006; SCOGNAMILLO-SZAB et al., 2006; XIE & PREAST, 2007). A AP permanente feita com implantes metli-cos ou de fio cat gut e utilizada em doenas crnicas, progres-sivas ou no, e consideradas irreversveis. A AP permanente re-duz a demanda pelo tempo do proprietrio e tambm os custos do tratamento (ALTMAN, 1992; ALTMAN, 1997; ALTMAN, 2006; DURKES, 1992; HIELM-BJORKMAN et al., 2001; JAEGER et al., 2005; JAEGER et al., 2007; SCOGNAMILLO-SZAB et al., 2010). A tcnica foi inicialmente aplicada em ces com convulses, na dcada de 1970. Em 1999, o implante de ouro em pontos de AP foi introduzido no Brasil e desde ento vem sendo utilizado com sucesso para o tratamento de DAD e outros distrbios em ces (DURKES, 1992; DURKES, 1999; JAEGER et al., 2007; SCOGNAMILLO-SZAB & BECHARA, 2001; SCHOEN, 2006; SCOGNAMILLO-SZAB et al., 2006; SCOGNAMILLO-SZAB et al., 2010; BARZOTTO, 2012).

    O implante de ouro um procedimento cirrgico-ambula-torial, onde fragmentos de ouro 750 (18 K) especialmente mol-dados para tal1 so implantados em pontos de AP (Fig. 4) com auxlio de seringa carpule adaptada (Fig 5)2. A tcnica simples e segura, est bem descrita na literatura e deve ser precedida de trs a cinco sesses de AP (SCOGNAMILLO-SZAB et al., 2010, SOUSA et al., 2010; BARZOTTO, 2012 ).

    MECANISMO DE AO DO IMPLANTE DE OURO EM

    PONTOS DE ACUPUNTURA (AP)No organismo, a correo natural da acidez da resposta in-

    flamatria feita com a chegada de ons Na+, Ca++ e H+. O on Ca++ tem um papel predominante nesse ajuste dentro das articu-laes, induzindo o surgimento de ostefitos. Clinicamente isso se traduz por presena de alteraes radiogrficas de grande magnitude sem, entretanto, haver dor nas mesmas propores. Por outro lado, em animais jovens a mobilizao dos ons Ca++ pode ainda no ter ocorrido, gerando dor intensa com leses radiogrficas mnimas. De fato, em 25% dos ces displsicos, o lado do quadril que mostra leses radiogrficas mais pronun-ciadas no corresponde ao mais sensvel dor (DURKES, 1992).

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 119 | 25

    O ouro extremamente resistente corroso, caractersti-ca que lhe confere biocompatibilidade. Entretanto, a reao orgnica local aos fragmentos de ouro implantados nos pontos de AP estimula a liberao de quantidades mnimas de sais como o aurocianido. Est demonstrado que os sais de ouro so inibidores da exploso respiratria e da liberao de superxi-dos pelos neutrfilos e moncitos. Controlam tambm a pro-liferao de linfcitos, atenuando a resposta inflamatria e a apoptose celular (DANSCHER, 2003; PATTERSON et al., 2005; PEDERSEN et al., 2012; VOSKERICIAN et al., 2004).

    Estudos experimentais demonstram a presena de acmulo citoplasmtico de sais ouro em macrfagos, mastcitos e fibro-blastos localizados num raio mximo de um centmetro do frag-mento de ouro implantado. Assim, os sais de ouro so capazes de diminuir ou eliminar a inflamao e a dor, prevenindo as alteraes artrticas caractersticas da DAD (DANCHER, 2002; DANSCHER, 2003; DURKES, 1992; PATTERSON et al., 2005; VO-SKERICIAN et al., 2004).

    TESTES CLNICOS COM IMPLANTE DE OURO EM PONTOS DE ACUPUNTURA (AP)Em trabalho pioneiro, Durkes (1992) relata melhora na de-

    ambulao em 250 ces portadores de displasia coxo-femural e submetidos ao implante. A evoluo favorvel aps a AP perma-nente foi alcanada em 80% dos animais com idade at 12 anos e em 50% dos ces acima de 12 anos. Um estudo observacional com 65 ces que no respondiam ao uso de anti-inflamatrios revelou que 70% apresentaram melhora na mobilidade e deam-bulao aps tratamento com AP permanente com fragmentos de ouro (SCHOEN, 2006). Por outro lado, Hielm-Bjorkman et al (2001) no obtiveram o mesmo resultado em um estudo duplo-cego, onde ambos os grupos tratado e controle apresentaram alta taxa de sucesso. Esse resultado pode se dever ao fato de ambos os grupos terem sido rigidamente acompanhados na

    reduo de peso. No entanto, testes clnicos melhor elaborados e com acompanhamento por dois anos de 73 ces portadores de displasia coxo-femural confirmam estatisticamente a reduo na dor e a melhora na disfuno de 83% dos ces que rece-beram implante de ouro (JAEGER et al., 2005; JAEGER et al., 2006; JAEGER et al., 2007).

    Em pessoas, os estudos com implante de ouro em pontos de AP so raros, mas testes clnicos controlados demonstram que a acupuntura permanente eficaz no tratamento da osteoartrite de joelho em humanos (NEJRUP et al., 2008).

    4| CONCLUSES Em ces, a DAD frequentemente secundria ao sobre-

    peso ou a alteraes na conformao articular. A DAD tem alta prevalncia em ces EUA e Europa. No

    existem dados precisos no Brasil, mas pode-se presumir uma situao similar em nosso pas.

    A DAD tem carter progressivo crnico e considera-se no ter tratamento curativo, objetivando-se o retardo em sua progresso.

    A AP trabalha com a ideia de equilbrio do corpo e de sua relao com o meio. Seu raciocnio classificado com pr-cien-tfico, o que restringe sua aceitao no meio cientfico.

    O ouro implantado nos pontos de AP estimula a liberao de aurocianido, que inibe a exploso respiratria e a liberao de superxidos pelos neutrfilos e moncitos, controlando a pro- liferao de linfcitos, atenuando a resposta inflamatria e a apoptose celular.

    A tcnica de AP permanente com implante de fragmentos de ouro utilizada para doenas crnicas, progressivas ou no, muitas consideradas irreversveis. Sua adoo promove analge-sia e reduo na inflamao local, no tempo despendido e nos custos do tratamento.

  • ARTIGO TCNICO 3

    Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 11926 |

    Figura 1 | Formas de doena articular degenerativa (DAD) em ces.

    Figura 2 | Fisiopatogenia da doena articular degenerativa (DAD) em ces.

    Figura 3 | Manejo da doena articular degenerativa (DAD) em ces.

    Figura4 | Fragmentos de ouro para implante em pontos de acupuntura: fraes de filamentos de ouro 750 (18 K) inseridos em bisel de agulha hipodrmica (foto do arquivo VetCar, gentilmente cedida pelo mdico veterinrio Eduardo Diniz da Gama).

  • Revista VeZ em Minas - Jul./Ago./Set. 2012 - Ano XXII - 114 | 29Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 119 | 27

    Figura 5 | Seringa carpule adaptada para o implante de fragmentos de ouro em pontos de acupuntura (foto gentilmente cedida pela mdica veterinria Katia Bragagnolo Bicudo Ferraro).

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  • ARTIGO TCNICO 3

    Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 11928 |

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    AUTORAS: 1- Mrcia Valria Rizzo Scognamillo SzabMdica veterinria pela UFRRJ. Mestrado e doutorado pela FCAV-UNESP/Jaboticabal. Ps doutorado pela FMVZ-UNESP/Botucatu - CRMV-MG n 90052- Andreza Cristina Groppo Mdica veterinria pelo Centro Universitrio Anhanguera. Ps-graduao em Acupuntura Veterinria - CRMV-SP n 271563- Luana Castela de Tacia dos Anjos Mdica veterinria. Participao em estgios no Hospital Veterinrio da Universidade Federal de Uberlndia e no Hospital Veterinrio da USP - CRMV-MG n 13115

    NOTAS: 1- Lunardi Jias Ltda - ME - Rua Gaspar Ricardo Jr, 104 - Botucatu, SP. 2- Sem patente

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 119 | 29

    ARTIGO TCNICO 4

    IMPACTOS PRODUTIVOS E ECONMICOS DA INTEGRAO LAVOURA-PECURIA-FLORESTA NO SISTEMA DE PRODUO DE BOVINOS DE CORTE*

    RESUMONeste artigo os autores buscam contextualizar os impactos produtivos e econmicos decorrentes da adoo de sistemas de produ-o integrados na pecuria de corte (Lavoura-Pecuria-Floresta- iLPF), demonstrando que essas estratgias podem viabilizar a produo de carne bovina de maneira sustentvel, sem necessitar de grande avano territorial para produo de alimentos.Palavras-chave: pecuria de corte, produo, integrao.

    ProduCtIvE ANd ECoNoMIC IMPACtS oF CroP-lIvEStoCk-ForESt ProduCtIoN SYStEM IN BEEF CAttlE

    AUTORESRoberto Guimares Junior1, Raphael Amazonas Mandarino2, Camila Fernandes Lobo3, Lourival Vilela4, Luiz Gustavo Ribeiro Pereira5

    ABSTRACTIn this article the authors seeks to contextualize productive and economic impacts resulting from the adoption of integrated produc-tion systems in beef cattle (Agriculture- Livestock-Forest), demonstrating that these strategies can enable the production of beef in a sustainable way without require major territorial advance for food production.Key-words: beef cattle, production, integration.

    * PUBLICADO NOS ANAIS DO V SIMPSIO NACIONAL SOBRE PRODUO E GERENCIAMENTO DA PECURIA DE CORTE, 2012 REPRODUO

    AUTORIzADA PELO EDITOR PROF. FABIANO ALVIM BARBOSA.

  • Revista VeZ em Minas - Jul./Ago./Set. 2012 - Ano XXII - 114 32 | Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 11930 |

    ARTIGO TCNICO 4

    1| INTRODUONo contexto da produo pecuria, o Brasil ocupa posio de

    destaque no mundo. Atualmente, o pas possui o maior rebanho comercial bovino, com 185,3 milhes cabeas, aproximadamente 50% do total de bovinos na Amrica Latina e detm aproximada-mente 20 % do mercado mundial da carne (USDA, 2010).

    No cenrio mundial, o aumento da populao e a crescente demanda por matrias primas, alimentos, agroenergia, entre outros, proporciona influencia direta sobre os preos desses produtos e o risco de desabastecimento (KLUTHCOUSKI et al., 2003). De acordo com a FAO (2009), as mudanas que ocorrero no padro da produo agrcola e pecuria nas prximas dca-das sero decisivas para promover a segurana alimentar de um bilho de famintos no mundo e tambm para dobrar a produo de alimentos para atender 9,2 bilhes de pessoas em 2050.

    Apesar de o Brasil ser um dos principais fornecedores de protena de origem animal para o mundo, as produtividades da bovinocultura, desenvolvida essencialmente a pasto, ainda so baixas. Tal situao pode ser atribuda ao fato que grande parte das pastagens cultivadas do pas se encontra abaixo do seu potencial de produo.

    A integrao lavoura-pecuria-floresta (iLPF) surge como al-ternativa dentro de um contexto onde o grande desafio da agro-pecuria desenvolver e utilizar tecnologias que consigam aliar adequao socioambiental com maior eficincia produtiva, bus-cando produtividades superiores s existentes na atualidade, sem necessitar de grande avano territorial para produo de alimentos.

    Face ao exposto, o objetivo deste manuscrito contextua-lizar os impactos produtivos e econmicos decorrentes da a-doo de sistemas de produo integrados na pecuria de corte, demonstrando que essas estratgias podem viabilizar a produo de carne bovina de maneira sustentvel.

    2| SISTEMAS DE PRODUO INTEGRADOSPara atender crescente demanda por produtos e alimentos

    se faz necessrio o aumento da produtividade e/ou aumento de rea cultivada. No entanto, a busca por sistemas de produo agropecurios efetivamente sustentveis, que visem utilizao racional dos recursos naturais e que sejam capazes de impri-mir ganhos em produtividade, so cada vez mais exigidas pela sociedade (RODRIGUES, 2010). Otimizar o uso de reas que j so destinadas produo agropecuria, atravs de atividades complementares, que promovam a renovao e recuperao de pastos, tem sido apontada como uma das alternativas. Segundo os dados do IBGE (2009), no Brasil, as reas de pastagens culti-vadas so de aproximadamente 101 milhes de hectares. Desse total estima-se que cerca de 50 a 60% apresentam algum grau

    de degradao (VILELA et al., 2011a). Essas reas apresentam grande potencial para serem recuperadas por meio da adoo de sistemas integrados de produo, como a ILPF.

    A iLPF um agroecossistema que maximiza a produo e, ao mesmo tempo, conserva os recursos naturais, porque inte-gra atividades agrcolas, pecurias e florestais, numa mesma rea, a partir da sincronizao de suas etapas produtivas, que se retroalimentam. Quatro tipos de sistemas de produo, cujos componentes podem ou no estar presentes ao mesmo tempo, so englobados na iLPF: integrao lavoura-pecuria, integra-o pecuria-floresta, integrao lavoura-floresta e integrao lavoura-pecuria-floresta. Cada modalidade definida em fun-o de seu aspecto socioeconmico e ambiental nos diferentes sistemas (RANGEL et al., 2010).

    Na integrao pecuria-floresta ou sistema silvipastoril h interao entre componentes pecurio (pastagem e animal) e florestal, em consrcio. J na integrao lavoura-floresta ou sistema silviagrcola, h interao entre componentes agrcola e florestal, atravs da consorciao de espcies arbreas com cultivos agrcolas. E a integrao lavoura-pecuria-floresta ou sistema agrossilvipastoril, os componentes agrcola, pecurio e florestal, so integrados, numa mesma rea, por meio da rota-o, consrcio ou sucesso (BALBINO et al., 2012).

    Inmeros so os benefcios proporcionados pela adoo des-ses sistemas integrados, com destaque para: recuperao de reas de pastagens degradadas, recuperao da fertilidade do solo com a lavoura nas reas de pastagens, a reduo dos custos da atividade agrcola e da pecuria, aumento da estabilidade de renda para o produtor, reduo na presso por desmatamento de novas reas, diminuio da emisso de gases de efeito estufa, reduo na ocorrncia de doenas e desenvolvimento de plantas daninhas (ALVARENGA et al., 2007).

    3| EFICINCIA PRODUTIVA E ECONMICA EM ILPComo a maioria do rebanho bovino nacional criada exten-

    sivamente, o emprego de tecnologias que viabilizem o restabe-lecimento da capacidade produtiva das pastagens cultivadas determinante para o sucesso da atividade. O impacto de aes dessa natureza no refletir somente sobre o setor pecurio, mas em todo o setor agrcola envolvido na produo de alimentos, biocombustveis, fibra e outros produtos de interesse ao homem. Ainda, a melhoria da capacidade de suporte das pastagens pos-sibilitaria a maximizao da explorao bovina e, portanto, a libe-rao de terras para explorao agrcola, sem a necessidade de abertura de novas reas. Nesse contexto, os benefcios auferidos pelo sinergismo potencial entre pastagens e culturas anuais tor-nam a integrao lavoura-pecuria uma das alternativas susten-tveis para produo de bovinos a pasto (VILELA et al., 2008).

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    Uma das principais causas de baixa produtividade no setor agropecurio a degradao de reas de pastagens. Segundo Bernardi et al. (2009), o custo para formao e reforma de pasto elevado e por isso, encontrar estratgias que possam reduzir esses custos so de grande valia. Os autores avaliaram a viabili-dade tcnica e econmica da reforma de pastagem de braquiria num sistema ILP com plantio de milho e sorgo consorciados aos capins Brachiaria brizantha cv. Marandu e Piat, para engorda e terminao de novilhos. O estudo foi conduzido por trs anos seguidos, de 2005 a 2008, sendo que no primeiro ano foi utilizado o milho e nos anos seguintes o sorgo. Os animais utilizados no primeiro ano foram Nelore e Nelore cruzados com gado euro-peu, no segundo ano, animais da raa Canchim com aproxima-damente 24 meses e no terceiro ano, garrotes sobreano da raa Canchim. Em todos os anos, os animais recriados foram termi-nados em confinamento at atingirem o peso de abate. Como passar dos anos, observou-se aumento considervel na taxa de lotao da rea de pastagens, que passou de 0,64 para 2,4 UA/ha. Esse ganho foi significativo, quando comparado mdia das pastagens brasileiras no ano de 2006, em torno de 1,08 UA/ha (IBGE, 2009). Durante o perodo da seca, a pastagem renovada foi utilizada nos meses de junho e agosto, possibilitando ganhos de 0,390; 0,400 e 0,800 kg/cab./dia e lotao animal de 2,0, 1,3 e 1,4 UA/ha, respectivamente para os anos 1, 2 e 3. No confinamento, os animais atingiram peso de abate antes de completarem 30 meses e o sistema adotado (pasto renovado e confinamento) pos-sibilitou produtividades de 3.555 kg, 5.621 kg e 4.340 kg de peso vivo nos anos 1, 2 e 3, respectivamente. A anlise econmica considerou as receitas e os custos do sistema integrado lavoura-pecuria tanto para a produo de silagem e renovao da pas-tagem como para a aquisio e venda dos animais. Os autores observaram que o empreendimento apresentou margem bruta de R$ 251,82/ha no primeiro ano e alcanou o valor mximo no terceiro ano de R$ 923,41. Ao longo dos anos, a margem lquida tambm aumentou substancialmente, passando de R$ 4.227,20/ano no primeiro ano para R$ R$ 18.126,90/ano no terceiro ano. Em todos os anos, a compra de animais foi o componente de maior relevncia no sistema de produo, dando a entender que a quantidade de animais e o valor de compra tm forte impacto sobre a avaliao econmica. Concluiu-se que houve viabilidade tcnica e econmica na utilizao do sistema de integrao la-voura-pecuria para a renovao de pastagens e terminao de bovinos em confinamento e que essa uma prtica que produz retornos econmicos favorveis de mdio a longo prazos.

    De acordo com Martha Jr et al. (2007a), o desempenho produtivo em pastagens estabelecidas em reas plantio com e-levada produtividade, sem adubao dos pastos, pode variar de 20 a 40 @/ha no primeiro ano, de 12 a 18 @/ha no segundo ano e de 9 a 15 @/ha no terceiro ano, decrescendo para 4,5 @/

    ha/ano em reas com 4 a 6 anos de formao. Esses valores so bem superiores produtividade mdia existente no Brasil, de aproximadamente 3@/ha/ano. Os ganhos em produtividade observados na iLP impactam diretamente a economicidade de sistemas pecurios. Em um estudo simulado do desempenho econmico, analisando as fases de recria e engorda, em diferen-tes sistemas de produo na regio do Cerrado, Martha Jr et al. (2007b) observaram ntida vantagem para a pecuria praticada na iLP quanto aos indicares margem bruta (R$ 468,36/ha/ano) e lucro operacional (R$ 358,33) das atividades, quando comparada com a recria-engorda praticada em pasto degradado ou em um sistema de baixa tecnologia (4,96@/ha/ano). Os autores tambm evidenciaram o significativo impacto da compra de animais para reposio sobre o custo dos sistemas avaliados, variando de 66,53% a 78,95% do custo total em pastagens degradadas e iLP, respectivamente.

    Barcellos et al. (1999) avaliaram o desempenho de bovinos em pastagens recuperadas por diferentes estratgias e submeti-das a uma mesma presso de pastejo. Os maiores ganhos de peso (P

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    possvel se produzir, numa mesma rea, diversos produtos, como gros, carne, leite e madeira, agregando renda para o produtor. Alm dessas vantagens, a incluso do componente florestal a sistemas de iLP favorece a melhoria do bem-estar animal, o au-mento da biodiversidade, alm de reduzir a presso por extrao de madeiras nativas (GUIMARES JUNIOR et al., 2010).

    A presena de rvores nas pastagens proporciona um micro-clima favorvel ao aumento do ndice de conforto trmico para os animais sombra, ao contrrio da exposio insolao direta. Essa caracterstica alm de proporcionar melhoria no bem-estar dos animais, tambm influencia diretamente no desempenho a-nimal. Segundo o NRC (1981), uma queda de 8% no consumo de matria seca (18,1 Kg/MS/dia para 16,7 Kg/MS/dia) e de 33% na produo de leite (26,9 L/dia para 18,0 L/dia) pode ocorrer em va-cas leiteiras da raa holandesa, quando a temperatura ambiente aumenta de 20 C para 35 C. No trabalho desenvolvido por Silva et al. (2011), onde avaliou-se o efeito de um sistema silvipastoril no conforto trmico de 20 bubalinas da raa Murrah, das quais 10 foram criadas numa rea sem sombra (SS) e outras 10 com sombreamento (CS), observou-se que parmetros como: frequn-cia cardaca (FC), temperatura de globo negro (TGN), temperatura do ar (TA), frequncia respiratria (FR), temperatura retal (TR) e umidade relativa do ar (UR) apresentaram correlaes entre si em funo do perodo do dia (7h e 13h) em que foram mensu-rados. Os valores de TR, TSC, FR e FC apresentaram maiores va-lores para o grupo SS no perodo da tarde. No perodo menos chuvoso, a TR, TSC e FR apresentaram correlao linear positiva com a TA e negativa com a UR. Tanto na estao mais chuvosa quanto na menos chuvosa, a FC apresentou correlaes positivas com a TA e ndice de temperatura e umidade ITGU e negativas com a UR, apenas no perodo mais chuvoso. A arborizao da pastagem mostrou-se eficiente para melhorar o conforto trmico das bfalas Murrah, principalmente no perodo da tarde.

    A diversificao de atividades agropecurias por meio do plantio de rvores incrementa a renda na propriedade e reduz o risco da atividade como um todo. Muller et al. (2011), avaliando a viabilidade econmica de um sistema agrossilvipastoril, com-pararam diferentes alternativas de comercializao da madeira (Eucalyptus grandis e Acacia mangium) do segundo desbaste. O sistema agrossilvipastoril tinha dez anos de idade, implantado em rea de quatro hectares. Como critrios de avaliao para a anlise de viabilidade econmica, foram utilizados os mtodos do valor presente lquido e o da taxa interna de retorno, ambos cal-culados para a taxa de juros de 6%. Apesar da pouca diferena, a agregao de valor ao produto florestal aumentou a atratividade do sistema. Considerada isoladamente, a atividade agrcola se mostrou invivel, enquanto a silvicultura e a atividade pecuria foram independentemente viveis. Os autores ainda mencionam que o sistema estudado foi igualmente tolerante a variaes nos

    preos do produto florestal e do produto pecurio, assim como fortemente tolerante a variaes nos custos de produo. A sen-sibilidade da pecuria diminui quando se adicionam os produtos florestais, o que gera maior rentabilidade para o sistema inclu-indo uma diminuio de riscos.

    Outro benefcio de se introduzir o componente florestal no sistema de produo a importante contribuio na reduo dos GEE. No trabalho desenvolvido por Pulrolnik et al. (2009), objetivou-se avaliar estoques de carbono em reas de plantio de eucalipto, de pastagens e do cerrado. Os resultados mostra-ram aumento no estoque de carbono orgnico, em funo dos cultivos mencionados, em comparao as amostras de Cerrado. Segundo os autores, os resultados mais expressivos foram na camada de solo de 0 a 100 cm de profundidade e justificaram que esse aumento foi provavelmente pelo sistema radicular de ciclagem rpida da pastagem e maior produo de serapilheira no eucalipto.

    A reconhecida capacidade das rvores em crescimento para sequestrar carbono e, consequentemente, mitigar a emisso de GEE, tornam sistemas de iLPF relevantes para a regio do Cerra-do. Nas duas ltimas dcadas, o eucalipto tem sido estabelecido no Cerrado, em combinao com culturas do arroz e da soja nos primeiros dois anos, seguido de pastagens de braquiria e gado de corte, a partir do terceiro ano. Estudos recentes indicam que os sistemas agrossilvipastoris armazenam maior quantidade de carbono do que o recorte nico de espcies e sistemas de pasto-reio, na superfcie e em subsuperfcie (NAIR et al., 2011).

    Em 2010, o Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abasteci-mento (MAPA) instituiu o Programa ABC, ou Agricultura de Baixo Carbono. O principal objetivo deste programa difundir uma nova agricultura, que reduza o aquecimento global e a liberao de carbono para a atmosfera. Dentre as possveis formas de re-duo dos GEE, o programa incentiva por meio de uma poltica de crdito, a adoo de diversas prticas agrcolas sustentveis, dentre as quais sistemas de integrao lavoura-pecuria-floresta se encontram intimamente relacionados em sua maioria, como: plantio direto na palha; a recuperao de pastagens degrada-das; o plantio de florestas comerciais e a fixao biolgica de nitrognio (N2).

    5| MITIGAO DE GASES DE EFEITO ESTUFADe acordo com OMara (2011), a pecuria responsvel por

    aproximados 18% dos gases de efeito estufa emitidos no mundo. A sia a maior produtor da maioria do metano (CH4) entrico, sendo a Amrica Latina, frica, Europa e Amrica do Norte fon-tes significantes para este CH4 produzido no mundo. Dentre os gases de efeito estufa produzidos pela agropecuria, os real-mente significativos so o CO2, CH4 e N2O.

    A produo de metano por bovinos conhecida por meta-

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    nognese, onde o CH4 produzido pelo uso de energia proveni-ente da dieta, pelo animal, e representa uma perda em eficincia. As emisses de metano pelos bovinos esto entre 2 a 12% da energia bruta ingerida e se representam aproximadamente 150 a 300 litros de metano por dia, cerca de 16% a 20% do metano entrico global (OKINE, 2003).

    Algumas alternativas para a reduo de metano so: a re-duo do rebanho, mantendo o mesmo nvel de produtividade; a melhoria da qualidade da dieta, atravs da suplementao com concentrado ou melhoria da digestibilidade das forragens; o au-mento de protena na dieta, a manipulao da microbiota ruminal pelo uso de aditivos alimentares, entre outras (OHARA et al., 2003; CLARK et al., 2001).

    O trabalho desenvolvido por Esteves et al. (2010), estimou a emisso de metano por bovinos criados a pasto em sistema de integrao Lavoura-Pecuria e terminados em confinamento, durante os anos de 2005 a 2008, em So Carlos. Foi realizado substituio de capim braquiria por milho ou sorgo, gradati-vamente, a cada 7 ha por ano, totalizando 21 ha. Na poca de adubao da cobertura do milho, foi realizada semeadura do capim-marandu e, no plantio do sorgo, o plantio do capim Pia-t. Foram utilizados animais da raa Nelore e cruzado Nelore x Angus, Nelore x Canchim (2006), Canchim (2007) e cruzados three cross-breed (Nelore x Canchim e Angus) e Canchim (2008), tanto a pasto quanto em confinamento e avaliados para ganho de peso. Os resultados obtidos neste experimento quanto ao de-sempenho dos animais mostraram que, medida que houve a substituio gradativa da pastagem degradada por pasto renova-do, houve aumento na produo, com ganhos de 1.477, 4.542 e 4.330 kg. Houve aumento na produo de carne com ganhos de peso vivo total de 3.723, 7.854 e 6.221 kg e de produtividade de 177, 374 e 296 kg de peso vivo por hectare, respectivamente para os anos de 2006, 2007 e 2008. As emisses de metano durante o perodo experimental mostraram que, quanto maior o ganho de peso vivo dirio menor a emisso de metano por quilo de peso vivo ganho.

    Assim, a intensificao de sistemas de produo de carne pode diminuir a produo de metano por quilo de carne produ-zida, pois animais que obtiveram maior mdia de ganho de peso vivo dirio produziram menor quantidade de metano. Os autores concluram que animais com melhor desempenho tanto a pasto quanto em confinamento, juntamente com sistema de produo mais intensivo, mantiveram a emisso de metano (g/animal/dia) a nveis semelhantes ao sistema extensivo com pasto de capim-braquiria degradado.

    Barioni et al. (2007) simularam a produo de carne bovina durante os anos de 2007 a 2025, correlacionando a produo de CH4 por peso de carcaa equivalente, e sugeriram um aumento na produo de carne sem aumento no numero de vacas, apre-sentando inclusive uma reduo de 3,6%, variando de 64,3 para 62 milhes de animais. Ocorrera aumento no numero de animais de 208 milhes de cabeas para 223,4 milhes, com um aumento acima de 25% na produtividade, saindo de 8,83 milhes de tone-ladas em equivalente carcaa (MMTEqC) em 2007 para 11,08 MMTeqC em 2025. O aumento esperado na produo de carne bovina foi relacionado com melhoria na qualidade da alimenta-o e da produtividade animal, o que levou ao aumento da taxa de abate de 20,7% para 24,9%. A quantidade de metano por kg de eq. carcaa diminui de 1,08 para 0,89., sendo assim apresen-tar uma reduo de 18% no perodo de 2007-2025, mesmo com o pequeno aumento de 2,9% na emisso de metano/ano.

    6| CONSIDERAES FINAISSistemas de produo integrados como a iLPF apresen-

    tam grande potencial para intensificao da produo pecuria, proporcionando ganhos produtivos, econmicos e ambientais, sendo, portanto, uma alternativa para produo sustentvel de bovinos de corte.

    7| AGRADECIMENTOS FINEP e Embrapa (projeto PECUS e RumenGases) pelo

    apoio financeiro.

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS: ALVARENGA, R. C.; GONTIJO NETO, M. M.; RAMALHO, J. H.; GARCIA, J. C.; VIANA, M. C. M.; CASTRO, A. A. D. N. Sistema de Integrao Lavoura-Pecuria: O modelo implantado na Embrapa Milho e Sorgo. Sete Lagoas MG: Embrapa Milho e Sorgo, 2007 (Circular Tcnica 93).BALBINO, L.C.; BARCELLOS, A.O.; STONE, L.F. (Ed.). Marco referencial: integrao lavoura-pecuria-floresta. Braslia: Embrapa, 2011.130p.BALBINO, L. C.; CORDEIRO, L. A. M.; OLIVEIRA, P. de ; KLUTHCOUSKI, J. ; OLIVEIRA, P. de ; GALERANI, P. R. ; VILELA, L. . Agricultura sustentvel por meio da integrao lavoura-pecuria-floresta (iLPF). Informaes Agronmicas, v. 138, p. 1-18, 2012. BARCELLOS, A. O.; VIANNA FILHO, A.; BALBINO, L. C. OLIVEIRA, I. P. de; YOKOYAMA, L. P. Restabelecimento da capacidade produtiva e desempenho animal em pastagens renovadas na regio do Cerrado. Planaltina: Embrapa Cerrados, 1999. 4p. (Comunicado Tcnico/Embrapa Cerrados, n 22)BARIONI, L. G.; LIMA, M. A.; ZEN, S. et al. A baseline projection of methane emissions by the brazilian beef sector: preliminary results. In: GREENHAUSE GASES AND ANIMAL AGRICULTURE CONFERENCE, 2007, Christchurch. Proceedings... Christchurch, New Zealand, 2007. p.32-33.BERNARDI, A. C. C.; VINHOLIS, M. M. B.; BARBOSA, P. F . Renovao de pastagem e terminao de bovinos em sistema de integrao lavoura-pecuria em So Carlos, SP: resultados de 3 anos de avaliaes. So Carlos - SP: Embrapa Pecuria Sudeste, 2009 (Boletim de Pesquisa & Desenvolvimento, 24).CLARK, H.; KLEIN, C.; NEWTON, P. Potential management practices and technologies to reduce nitrous oxide, methane and carbon dioxide emissions from New Zealand Agriculture. Ngaherehere, NZ: Ministry of Agriculture and Forestry, 2001.

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 11934 |

    ARTIGO TCNICO 4

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    AUTORES: 1- Roberto Guimares JuniorDSc. - Mdico veterinrio - CRMV-MG n 6479 - Pesquisador da Embrapa Cerrados2- Raphael Amazonas MandarinoMSc - Engenheiro Agrnomo - Doutorando em Zootecnia (UFMG)3- Camila Fernandes LoboMestranda em Cincias Animais (UnB)4- Lourival VilelaMSc - Engenheiro agrnomo - Pesquisador da Embrapa Cerrados5- Luiz Gustavo Ribeiro PereiraDSc - Mdico veterinrio - CRMV-MG n 5930 - Pesquisador da Embrapa Gado de Leite

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 119 | 35

    ARTIGO TCNICO 5

    ASPECTOS LEGAIS, MORAIS E TICOS DA EUTANSIA DE CES SOROLOGICAMENTE POSITIVOS PARA LEISHMANIOSE VISCERAL

    RESUMOA leishmaniose visceral atualmente uma das principais zoonoses mundiais, tanto por seu aspecto cosmopolita quanto pela gravidade de seus sinais clnicos e elevados ndices de morbidade e mortalidade. O co domstico participa do ciclo biolgico da Leishmania como o principal reservatrio do parasita no meio urbano, e por esta razo, as aes de controle da doena envolvem diretamente esta espcie animal. No Brasil, a eutansia de ces considerados sorologicamente positivos , legalmente, indicada como mtodo de controle da leishmaniose visceral. Este artigo discute os aspectos legais, morais e ticos desta medida quando aplicada baseada apenas na sororeatividade.Palavras-chave: leishmaniose visceral, doenas dos ces.

    tHE lEgAl, MorAl ANd EtHICAl ASPECtS oF EutHANASIA oF dogS SErologICAllY PoSItIvE For vISCErAl lEISHMANIASIS

    AUTORESMarina de Melo e Silva Cora1, Adriane Pimenta da Costa Val Bicalho2

    ABSTRACTVisceral leishmaniasis is currently one of the worlds major zoonosis, as for its cosmopolitan aspect and the severity of their clinical signs and high morbidity and mortality rates. The domestic dog participates in the life cycle of Leishmania as the main reservoir of the parasite in the urban environment, and for this reason, the efforts to control the disease involves directly these animals. In Brazil, euthanasia of dogs serologically positive is legal and indicated as a method of control of visceral leishmaniasis. This article discusses the legal, moral and ethical aspects of this measure when applied solely based on serological examination.Key-words: diseases of the dogs, visceral leishmaniasis.

  • ARTIGO TCNICO 5

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    1| INTRODUOA Leishmaniose Visceral (LV) uma importante zoonose e

    est classificada entre as seis principais epidemias do mundo (FIGUEIREDO et al.., 2010). No Brasil, a grande distribuio da doena, o elevado nmero de casos e a severidade dos sinais clnicos torna esta uma enfermidade de muita importncia den-tro da sade publica (FIGUEIREDO et al., 2010).

    Dentre os dois tipos de leishmaniose, visceral e tegumen-tar, observa-se maior severidade nos casos de leishmaniose visceral, devido ao fato de ocasionar, em sua fase grave, febres prolongadas, perda de peso, anemia, hepatoesplenomegalia e infeces bacterianas secundrias (NUNES et al., 2008).

    No Brasil, a LV causada pela Leishmania infantum, cujo vetor Lutzomyia longipalpis, e o reservatrio domstico e pe-ridomiciliar o co (Canis familiaris) (SILVA et al, 2010). Rapo-sas e coiotes so conhecidamente reservatrios silvestres, e outros mamferos no domiciliados podem tambm estar en-volvidos no ciclo (QUINNEL e COUTERNAY, 2009).

    Os insetos transmissores da doena pertencem a espcies do gnero Phlebotomus (Europa) e Lutzomyia (Amricas), que se reproduzem em matria orgnica em decomposio e esto cada vez mais adaptados ao convvio urbano. Desta forma, a distribuio dos vetores corresponde diretamente distribuio geogrfica da doena (DANTAS-TORRES, 2009).

    No Brasil, os primeiros relatos da doena e medidas preven-tivas implantadas so da regio nordeste, por volta da dcada de 50 (GUIMARAES et al., 2005). Nesta poca se inicia de forma organizada o controle da leishmaniose visceral baseado em modelos chineses e asiticos, que englobavam o tratamento de pessoas doentes, a utilizao de inseticidas em larga es-cala e a eliminao de ces considerados portadores (ROMERO e BOELAERT, 2010). Atualmente, ainda se seguem no pas as diretrizes legais que apontam a eutansia em massa de ces considerados positivos para LV como uma medida efetiva do controle da doena (COSTA, 2011).

    O presente trabalho tem por objetivo discutir de forma tica a escolha da eutansia em massa de ces como medida de con-trole contra a leishmaniose visceral, e em especial, questionar at que ponto deve-se tomar tal deciso embasada em mtodos diagnsticos unicamente sorolgicos, permitindo a classifica-o errnea de caninos domsticos como soropositivos e nega-tivos, e assim, a deciso entre a vida e a morte destes animais.

    2| REVISO BIBLIOGRFICANo contexto da sade pblica brasileira, a LV considerada

    doena reemergente, apresentando crescente incidncia nos locais onde ocorria tradicionalmente e expanso significativa para estados ao sul do Brasil (ALVES e BEVILACQUA, 2004).

    Inicialmente, a LV era caracterizada como uma doena da

    regio semirida do pas, e por isso restringindo-se principal-mente regio Nordeste; com a crescente urbanizao do pas a partir da dcada de 80, ocorreu a migrao e carreamento dos vetores para outras regies at ento consideradas livres (COSTA, 2011).

    Desde a dcada de 50, quando inicialmente foram implan-tadas as medidas de controle para a leishmaniose no pas, tem-se discutido os mtodos em uso e sua efetividade frente ao nmero de casos humanos e animais. Ainda na dcada de 60, cria-se um decreto federal para o combate LV no Brasil: decreto 51.838 de 14 de maro 1963 - Normas Tcnicas Espe-ciais para o Combate as Leishmanioses no Pas, assinado pelo presidente Joo Goulart, que refere:

    Art 1 O combate s leishmanioses tem por objetivo a in-terrupo da transmisso da doena do animal ao homem, e ou inter-humana.

    Art 2 Ao Departamento Nacional de Endemias Rurais com-pete a execuo das medidas profilticas necessrias obten-o do que estabelece o art. 1.

    Art 3 O Departamento Nacional de Endemias Rurais exe-cutar as seguintes medidas profilticas:

    a) investigao epidemiolgica;b) inquritos extensivos para descoberta de ces infectados;c) eliminao dos animais domsticos doentes;d) campanhas sistemticas contra os flebtomos nas reas

    endmicas;e) tratamento dos casos humanos. Art 4 O Instituto Nacional de Endemias Rurais realizar

    isoladamente, ou em conjunto com outros rgos de pesquisas, as seguintes atividades:

    a) inquritos para a descoberta de animais reservatrios;b) investigao das espcies transmissoras, sua bionomia e

    distribuio geogrfica. Art 5 A educao sanitria ser realizada com objetivo de

    esclarecer a populao sobre a importncia do co na epide-miologia da doena, ressaltando a necessidade da eliminao do animal doente.

    Art 6 De acordo com a lei compulsria a notificao autoridade sanitria da ocorrncia de casos de Leishmaniose, positivos ou suspeitos.

    Art 7 Para o cumprimento do que estabelecem os Artigos 3 e 4, as autoridades sanitrias e seus auxiliares tero livre ingresso em todos os locais que forem julgados de interesse para o combate doena.

    Art 8 Nas reas endmicas ser obrigatrio o exame dos ces, visando manter o controle da zoonose na populao acima.

    Art 9 Os ces encontrados doentes devero ser sacrifica (Brasil, 1963).

    Atualmente, o Ministrio da Sade por intermdio da Fun-

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    dao Nacional de Sade (FUNASA) e de Secretarias Estaduais e Municipais de Sade, realiza o Programa de Controle da Leish-maniose Visceral centrado nas seguintes medidas: diminuir a densidade populacional do vetor, identificao e eliminao dos ces infectados e identificao e tratamento das pessoas doen-tes (ALVES e BEVILACQUA, 2004).

    A legislao brasileira de 1963 at os dias de hoje diretriz para o controle da leishmaniose e, segundo o decreto 51.838 assinado por Joo Goulart, todos os caninos considerados soro-positivos e/ou sintomticos devem ser eutanasiados, e a popu-lao instruda por meio de campanhas governamentais sobre os riscos do convvio com ces em reas endmicas de forma a haver consentimento dos proprietrios com tais medidas.

    O Brasil o nico pas no mundo que adota a eutansia em massa de ces como programa de controle da LV (COSTA, 2011), e um dos principais questionamentos quanto a esta medida de controle a confiabilidade dos testes sorolgicos realizados para que se possa, no mnimo, identificar verdadeiramente ani-mais positivos e negativos, no permitindo assim a morte de fal- sos positivos (DANTAS-TORRES, 2009; COSTA, 2011).

    Os testes sorolgicos so os preconizados para identificao de animais positivos para LV no Brasil, e a Reao de Imunofluo-rescncia Indireta (RIFI) e o Ensaio Imunoenzimtico (ELISA) so os de eleio. Tanto a RIFI quanto o ELISA apresentam sensi-bilidade e especificidade relativamente elevadas, e mesmo as-sim, esto sujeitos a erros como todos os mtodos diagnsticos (ALVES e BEVILACQUA, 2004).

    Silva et al. (2011) e Figueiredo et al. (2010) avaliaram os testes diagnsticos para LV canina realizados pelas prefeituras de cidades do Rio de Janeiro e apontam os mtodos de coleta das amostras sanguneas dos caninos domsticos testados como uma das causas de erro nos resultados sorolgicos; o mtodo preconizado pelas prefeituras municipais o armaze-namento de gota de sangue em papel filtro, e posteriormente, a utilizao deste sangue total para as provas imunolgicas.

    No estudo realizado por Silva et al. (2011), 155 ces foram eutanasiados pela prefeitura local aps apresentarem resulta-dos sorolgicos positivos ao teste de RIFI a partir de sangue total coletado em papel filtro. Os autores acompanharam os animais momentos antes da eutansia para coleta de sangue total, e em momento post morten realizou-se coleta de tecidos para cultura parasitolgica. Este estudo realizou testes sorolgicos ELISA e RIFI a partir de soro centrifugado do sangue total, alm de Rea-o em Cadeia de Polimerase (PCR) e cultura parasitolgica em amostras de pele e bao. Dos 155 animais eutanasiados, 59% foram negativos em todos os testes realizados.

    Em estudo realizado por Figueiredo et al.. (2010), tambm no estado do Rio de Janeiro, foram acompanhados 305 ces encaminhados ao servio do Centro de Controle de Zoonoses

    por apresentarem sorologia positiva para LV realizada pela pre-feitura local o mtodo preconizado foi a coleta de gota de sangue em papel filtro, e o teste diagnstico realizado pelo ser-vio pblico local foi a RIFI. Neste estudo os autores utilizaram como testes para a contra prova os mtodos RIFI e ELISA, sendo o sangue total coletado e somente o soro utilizado para reali-zao de ambos os testes. Como resultado, observou-se que 38,4% (117,12) dos 305 ces foram soronegativos em todos os testes.

    Na cidade de Belo Horizonte, o mtodo de coleta de amos-tras para avaliao da soropositividade de caninos domsticos preconizado pela prefeitura , tambm, a gota de sangue total em papel filtro (SILVA et al., 2009).

    Alm das alteraes citadas quanto aos mtodos de co-leta, Alves e Bevilacqua (2004) levantam um ponto de extrema importncia dentro do contexto de animais soropositivos: a possibilidade de determinado percentual dos ces testados sorologicamente apresentarem elevados ttulos imunolgicos devida infeco por outros parasitas, e afirmam que reaes cruzadas com outros tripanossomatdeos que no a L. infantum podem ocorrer. Dentro de estudo realizado pelos autores, rela-ta-se a possibilidade de reaes cruzadas com Trypanossoma cruzi, agente etiolgico da doena de Chagas, e L. braziliensis, agente etiolgico da leishmaniose tegumentar americana (LTA); somente aps identificao da espcie de Leishmania envolvida foi possvel diferenciar ces verdadeiramente soropositivos para L. infantum de caninos infectados por outros parasitas. Tanto a Doena de Chagas quanto a LTA podem ser tratadas em ces, no sendo legalmente indicada a eutansia destes animais.

    Silva et al. (2010) afirmam tambm a existncia de reaes cruzadas e testes sorolgicos falso positivos para LV em reas onde h ocorrncia endmica de Trypanosoma caninum.

    O Ministrio da Sade do Brasil preconiza a eutansia de ces sorologicamente positivos para LV, mas no para a LTA, Doena de Chagas ou tripanossomase canina; infelizmente, a tcnica de RIFI no capaz de diferenciar estes tripanosso-matdeos (ALVES e BEVILACQUA, 2004; SILVA et al., 2010)

    O teste ouro para confirmao da LV o parasitolgico identificao do parasita isolado de medula ssea, puno de linfonodos, fgado, bao ou ainda, de leses de pele ou pele ntegra (FIGUEIREDO et al. 2010; PALATINIK-DE-SOUSA et al. 2011; COSTA et al, 2011). No entanto, sabe-se que a realiza-o da busca parasitolgica requer mo de obra qualificada, recursos laboratoriais e tempo, fatores que no condizem com a realidade do grande fluxo de amostras de ces recebidos dia-riamente pelos laboratrios credenciados.

    3| CONSIDERAES FINAISApesar da realizao de diversos mtodos diagnsticos

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    para confirmao da infeco pela L. infantum em ces sub-metidos a inquritos epidemiolgicos no seja uma realidade, o questionamento tico que se faz at quando ser aceito, e de comum acordo, que animais sejam eutanasiados tendo-se em mos exames laboratoriais no confiveis?

    E se j est em discusso a no confiabilidade destes tes-tes, seja por reaes cruzadas com outros parasitas, seja por mtodos de coleta no eficientes ou outros motivos, como no cessar a eutansia em massa de ces diariamente julgados como soropositivos?

    Diversos trabalhos cientficos atualmente reconhecidos a-pontam as falhas nos mtodos diagnsticos preconizados para a identificao de animais soropositivos para LV, e que tais fa-lhas podem levar permanncia de ces reservatrios em uma comunidade ou ainda morte em massa de animais que no esto verdadeiramente infectados.

    A discusso tica em torno da eutansia de ces no contex-to da leishmaniose envolve muito mais do que as temeridades de se manter um animal possivelmente infectado, e os riscos que este co pode trazer a pessoas ao seu redor; a discusso acerca da eutansia em massa tem como ponto crtico tambm o poder dos seres humanos sobre o destino de vidas de seres de outras espcies.

    Se as vidas em julgamento fossem vidas humanas, poderia-se questionar a veracidade das acusaes, e assim, o objeto de denncia (neste caso o co suspeitamente positivo para LV) teria o direito dvida da inocncia e a um inqurito investiga-tivo antes de uma sentena final condenatria; a Constituio Brasileira de 1988 em seu artigo 5, inciso LVII afirma: ningum ser considerado culpado at o trnsito em julgado de sentena penal condenatria, e desta forma, o acusado dever ser trata-do com dignidade enquanto no se solidificam as acusaes, uma vez que h possibilidade de inocncia (BRASIL, 1988).

    A partir do momento em que se tem conhecimento das fa-lhas nos mtodos diagnsticos de identificao de animais so-ropositivos para L. infantum, no se pode simplesmente aceitar

    a continuidade da eutansia em massa sem que se questione a tica, a falta de tratamento digno e o respeito vida destes animais.

    No se tem por objetivo no presente trabalho questionar diretamente a escolha da eutansia como medida de controle da doena no pas, uma vez que h trabalhos cientficos tanto negando quanto ratificando a reduo do nmero de casos hu-manos de LV aps identificao e eliminao de caninos so-ropositivos; no entanto, questionam-se os mtodos utilizados para identificao de soropositivos atualmente, e o descaso, a negligncia e o fechar de olhos frente a animais possivelmente negativos para a doena e que so submetidos eutansia.

    A necessidade de se realizar medidas de controle para a LV seja por real preocupao para com a populao ou no intuito de se obter mritos polticos, pode muitas vezes ofuscar bases cientficas e estudos que contradizem as polticas pblicas at ento adotadas. A grande endemia que se tornou a leishmanio-se no Brasil faz com que se necessite de medidas eficazes, em larga escala e no menor tempo possvel contra esta doena; no intuito de buscar estas solues, nosso sistema de sade muitas vezes acaba por subjugar outras espcies. A elimina-o em massa dos caninos domsticos apontada atualmente como medida de controle da endemia, em meio a cobranas por solues imediatas e desconhecimento da real importncia destas medidas no ciclo biolgico da Leishmania. A falta de tica est em se tomar por correto, por comum, ou por aceitvel a morte de ces em larga escala sem que se possa, no mnimo, afirmar com segurana a infeco por L. infantum.

    O respeito vida, independente da espcie animal, deve ser a base do conceito tico humano; que as vidas perdidas de ces erroneamente classificados como soropositivos sejam tomadas como exemplo e forma de aprendizado, para que em um futuro prximo, se possa mudar as bases de pensamento, os cdigos morais e assim, exercer a tica em seus princpios mais fundamentais.

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS: ALVES, W.A.; BEVILACQUA, P.D. Quality of diagnosis of canine visceral leishmaniasis in epidemiological surveys: an epidemic in Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil, 1993-1997. Cad. Sade Pblica, Rio de Janeiro. 20(1), 259-265, 2004.COSTA, C.H.N. How effective is dog culling in controlling zoonotic visceral leishmaniasis? A critical evaluation of the science, politics and ethics behind this public health policy. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. 44(2), 232-242, 2011.BRASIL. Ministrio da Justia. Constituio federal do Brasil. Decreto 51.838, de 14 de maro de 1963. Dispe sobre Normas Tcnicas Especiais para o Combate as Leish-manioses. Dirio Oficial da Unio. Seo 1. 18/03/1963. p.2865. Disponvel em: . Acesso em 28 de maro de 2013.BRASIL. Ministrio da Justia. Constituio federal do Brasil. Art.5, inciso LVII, 1988. Disponvel em: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 28 de maro de 2013.DANTAS-TORRES, F. Canine leishmaniosis in South America. Parasites & Vectors. 2. Supl 1. 1-8. 2009.

  • FIGUEIREDO, F.B.; MADEIRA M.F.; NASCIMENTO, L.D.; et al.. Canine visceral leishmaniasis: study of methods for the detection of igg in serum and eluate samples. Rev. Inst. Med. Trop. Sao Paulo. 52(4), 193-196, 2010.GUIMARES, K.S.; BATISTA, Z.S.; DIAS, E.L.; et al.. Canine visceral leishmaniasis in So Jos de Ribamar, Maranho State, Brazil. Veterinary Parasitology. 131, 305309, 2005.NUNES, C.M.; LIMA, V.M.F.; PAULA, H.B.; et al.. Dog culling and replacement in an area endemic for visceral leishmaniasis in Brazil. Veterinary Parasitology. 153, 1923, 2008.PALATNIK-DE-SOUSA, C.B.; DAY, M.J. One Health: The global challenge of epidemic and endemic leishmaniasis Review. Parasites & Vectors. 4. 197-207, 2011.QUINNELL, R. J.; COURTENAY, O. Transmission, reservoir hosts and control of zoonotic visceral leishmaniasis. Parasitology - Cambridge University Press. V.136: 19151934. 2009.ROMERO, G.A.S.,; BOELAERT, M. Control of Visceral Leishmaniasis in Latin AmericaA Systematic Review. PLoS Neglected Tropical Diseases. 4(1), e584, 2010.SILVA, D.A.; MADEIRAB, M.F.; TEIXEIRA, A.C.; SOUZA, C.M.; FIGUEIREDO, F.B. Laboratory tests performed on Leishmania seroreactive dogs euthanized by the leishmaniasis control program. Veterinary Parasitology. 179, 257261, 2011.SILVA E.S.; VAN DER MEIDE, W.F., SCHOONE G.J.; GONTIJO, C.M.; SCHALLIG, H.D. Diagnosis of canine leishmaniasis in the endemic area of Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil by parasite, antibody and DNA detection assays. Vet Res Commun. 30, 637643, 2009.

    AUTORES: 1- Marina de Melo e Silva CoraMdica veterinria - CRMV-MG n 12.766 - Residente em Clnica Mdica de Animais de Companhia do Hospital Veterinrio da Escola de Veterinria da Universidade Federal de Minas Gerais - marinacoroa@hotmail.com 2- Adriane Pimenta da Costa Val BicalhoMdica veterinria - CRMV-MG n 4331 - Professora Associada da Escola de Veterinria da Universidade Federal de Minas Gerais - adriane@ufmg.br

  • PERCIA FORENSE ASSOCIADA TRAUMATOLOGIA E TOXICOLOGIA EM MEDICINA VETERINRIA REVISO DE LITERATURA

    RESUMOO mdico veterinrio competente para ser perito, a partir do seu registro em seu conselho de classe. A atuao do perito veterinrio ampla abrangendo causas judiciais, civis e penais. O profissional da rea deve fazer a coleta adequada de provas para produzir um relatrio oficial, que um documento de interesse judicial. O presente trabalho consiste em uma reviso bibliogrfica sobre a importncia do conhecimento do local de crime, da traumatologia e da toxicologia forense, para a realizao da percia em situaes de crimes contra animais.Palavras-chave: percia, medicina veterinria, traumatologia.

    ForENSIC ExPErtISE ANd ASSoCIAtEd trAuMAtologY toxICologY IN vEtErNArY MEdICINE A rEvIEW

    AUTORAAndreia do Esprito Santo

    ABSTRACTThe veterinarian is competent to be an expert, from your registry in your professional council. The role of the veterinary expert is wide covering court cases, civil and criminal. The healthcare professional should make the proper collection of evidence to produce an official report, which is a legal document of interest. This work consists of a literature review on the importance of knowledge of the crime scene, the traumatology and forensic toxicology to achieve expertise in cases of crime against animals.Key-words: expertise, veterinary medicine, traumatology.

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    1| INTRODUOPercia o conjunto de procedimentos mdicos e tcnicos

    que tem como finalidade o esclarecimento de um fato de inte-resse da justia (PAARMANN, 2006).

    O verdadeiro destino da percia informar e fundamentar de maneira objetiva todos os elementos consistentes do corpo de delito e, se possvel, aproximar-se de uma provvel autoria (FRANA, 2011).

    Siqueira (1917) conceitua corpo de delito como o conjunto de elementos exteriores ou a materialidade de uma infrao, no somente o corpo da vtima, mas todo o material relacio-nado a um crime.

    Perito, do latim peritus, so pessoas tcnicas, profissionais e especialistas que, a servio da justia, mediante compromisso, esclarecem a respeito de assuntos pr-prios de suas profisses, emprestando o carter tcnico- cientfico (FRANA, 2011).

    Podem ser oficiais, que objetivam esclarecer crimes, e so realizados por servidores pblicos concursados e, portanto, com vnculo empregatcio e no oficiais, que so peritos nomeados pela autoridade judiciria que tem a liberdade de aceitar ou no a nomeao, porm, no tem vnculo empregatcio com a justia. (PAARMANN, 2006).

    A rea de atuao do perito mdico veterinrio ampla, abrangendo causas judiciais civis (avaliao de animais, arbi-tragem de valores, evoluo de rebanho, fiscalizao de estabe-lecimentos de abate, produtos, medicamentos e vacinas de uso veterinrio, etc) e penais (causas envolvendo crimes cometidos contra animais, como leses traumticas, maus tratos, intoxi-caes e envenenamentos, trfico de animais silvestres, etc) (ZCCARI e SERENO, 2006).

    Essa reviso de literatura tem por objetivo abordar a im-portncia do conhecimento do local de crime, da traumatologia e da toxicologia forense para a realizao da percia, em casos de crimes contra animais.

    2| LOCAL DE CRIMEO local de crime todo aquele que, por ter sido palco de

    acontecimento ou abrigar objeto de interesse justia civil ou criminal, deve ser examinado pelo perito. Deve ser feito o levantamento tcnico pericial ou levantamento do local, que corresponde tcnica utilizada para preservar e perpetuar os vestgios e indcios (CAMPO, 1998).

    Segundo Rabello (1968), vestgios constituem-se, pois, em qualquer marca objeto ou sinal sensvel que possa ter relao com o fato investigado. As evidncias, porm, constituem-se dos vestgios que, aps analisados pelos peritos, mostram-se diretamente relacionados com o delito investigado. J o indcio todo e qualquer fato, sinal, marca ou vestgio, conhecido e provado, a sua relao com o delito.

    Quanto ao lugar em que o crime cometido, divide-se em: Local interno, que so os locais situados em qualquer ambi-ente fechado como, por exemplo, o interior de habitaes. Local externo, que so os stios a cu aberto, em que os indcios e vestgios podem desaparecer com facilidade por exposio s intempries e o local relacionado que so as reas que, embora fisicamente afastadas do local do fato, apresentam vestgios e indcios que guardam relao de interesse com o evento ocor-rido (CAMPO, 2008).

    Quanto ao mbito da percia, os locais podem ser imediatos, mediatos e distantes. O local imediato corresponde ao lugar onde ocorreu o fato, pedindo um exame muito minucioso e cuidadoso. O local mediato corresponde a rea intermediria entre o local que ocorreu o fato e o grande ambiente exterior. O local distante aquele relacionado, que embora separado fisicamente do local do fato, com ele guarda relao probatria (KEHDY, 1963).

    Antes da realizao da percia na cena do crime, deve ser feito o isolamento adequado, pois qualquer alterao, por mnima que seja, deve ser evitada, o motivo do isolamento para preservar e analisar os vestgios que qualificam a infrao penal e auxiliam na identificao do criminoso (DOREA et al., 2012).

    No levantamento do local, o perito faz um estudo sistemti-co do corpo de delito; observa, descreve, colhe, e materializa vestgios fugazes ou no colhveis. A colheita dos vestgios forma a base da investigao criminal que termina expressa na concluso do laudo pericial (PORTO, 1969).

    No cadver dever ser feito um exame preliminar, com o objetivo de anotar os sinais cadavricos presentes, para esti-mar o tempo decorrido aps a morte, e se existem secrees ou perfuraes, devendo nesse ltimo caso, ser mencionado o nmero, dimenses e localizaes. (RIBEIRO e AMARAL, 2010).

    O laudo pericial um documento oficial, que deve estar es-crito detalhadamente tudo o que foi examinado, os resultados obtidos, as concluses a que chegaram, e a resposta aos quesi-tos formulados. Para elaborar um laudo, devem-se atender s formalidades estabelecidas pela lei, que so: o nmero de peritos (devem ser no mnimo dois para assinar), o prazo para emiti-lo (estipulado pelo juiz) e o seu contedo que deve conter fotografias, desenhos, esquemas utilizados para ilustrar leses em cadveres ou materiais examinados em laboratrios e ou-tros documentos, como resultados de exames laboratoriais, ra-diografias, entre outros (MARLET et al., 2012).

    Cada exame pericial enseja uma forma de laudo a ser nor-matizado de acordo com as necessidades especficas do caso, o laudo referente a um exame de local de maus tratos a ani-mais, por exemplo, apresenta contedo distinto de um laudo de exame necroscpico, mas normalmente dividido em: in-

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    troduo, identificao (do objeto, do animal, do cadver), dis-cusso, diagnstico da necropsia, diagnostico macroscpico, concluses, respostas aos quesitos e anexos e complementares (MARLET et al., 2012).

    3| TRAUMATOLOGIAA traumatologia estuda as leses e os estados patolgicos,

    imediatos ou tardios, produzidos por violncia sobre o corpo e das suas implicaes legais. Trata tambm das diversas modali-dades de energias causadoras desses danos, dentre elas esto s energias de ordem mecnica, fsica, fsico-qumica, qumica, bioqumica, biodinmica e mista. (FRANA, 2011).

    3.1 | ENERGIAS DE ORDEM MECNICA So capazes de modificar o estado de repouso ou de movi-

    mento de um corpo, produzindo leses por um todo ou por parte, sendo assim, as caractersticas das feridas causadas pelos di-versos meios mecnicos, se classificam em (CASTILHO, 2011):

    3.1.1 | FERIDAS CONTUSAS PRODUZIDAS POR INSTRUMENTOS CONTUNDENTESOcorre quando usado um instrumento de superfcie rom-

    ba, so os maiores causadores de danos, o perito observar que a parte atingida na vtima apresenta uma compresso dos teci-dos, mas quando atinge a epiderme, a rea atingida pode apre-sentar: rubefao, escoriao, equimose, e ainda, hematoma, quando o derrame de sangue no se difundir e ficar localizado (DOREA et al., 2012).

    Quando em planos mais profundos j atingindo a derme a leso apresenta de forma estrelada, bordas, fundo e vertentes irregulares, presena de pontes de tecido ntegro, pouco san-gramento, retrao das bordas, vasos e nervos ntegros no fundo da ferida e em casos mais graves poder at ocorrer fraturas, luxaes e entorse (FRANA, 2011).

    Os instrumentos mais comuns utilizados na produo de ferimentos contusos so: pedra, basto, barra metlica, marte-lo (DOREA et al., 2012).

    3.1.2 | LESO CORTANTE PRODUZIDA POR MEIO CORTANTEOs instrumentos cortantes com gume, vulgarmente deno-

    minados de instrumentos afiados, provocam feridas incisas, agem por presso e deslizamento produzindo a seco uniforme dos tecidos. Sendo assim, no h vestgios de ao traumtica (FRANA, 2011).

    As caractersticas desses ferimentos, para uma identifica-o preliminar, por parte do perito, so: soluo de continui-dade com bordos regulares, lisos e ntidos (maior extenso de comprimento do que de profundidade); direo retilnea, incio da leso mais curta e abrupta e o fim mais longo e superficial

    e, finalmente, acentuada hemorragia. So exemplos de instru-mentos cortantes: a navalha, faca, bisturi, etc (DOREA et al., 2012).

    3.1.3 | LESO PUNCTRIA PRODUZIDA POR MEIO PERFURANTEEsses instrumentos provocam penetrao acentuada com

    abertura estreita, provocando o afastamento das fibras dos tecidos; geralmente o dimetro da ferida menor que o instru-mento causador e pode dificultar o exame do orifcio de entrada no corpo, dada a elasticidade dos tecidos, o orifcio de sada quando existe mais irregular e de menor dimetro e apresenta pequeno sangramento. Entre os inmeros instrumentos perfu-rantes, podemos citar: estiletes, agulhas, pregos etc (DOREA et al., 2012).

    3.1.4 | LESES PERFUROCONTUSA PROVOCADA POR MEIO PERFURO CONTUNDENTE

    Estas leses so produzidas por um mecanismo que perfura e contunde. Na maioria das vezes, esses instrumentos so mais perfurantes que contundentes e so produzidos quase sempre por projteis balsticos. So caractersticas das leses provo-cadas pelo meio perfuro contundente durante sua trajetria (REGO, 2006):

    3.1.4.1 | TIRO ENCOSTADOOcorre quando a boca da arma se apoia no alvo, os gases,

    o projtil, a fuligem, as partculas e a chama penetram no sub-cutneo e seus gases provocam uma verdadeira exploso da pele, o ferimento de entrada irregular e denteado. Quando h um plano sseo subjacente, os gases do disparo dilaceram os tecidos e refluem. Forma-se assim ferida chamada sinal de Hoffman no so observados caractersticas como a zona de tatuagem, ou de esfumaamento, pois todos os elementos pene- tram na pele (RABELLO, 1982).

    3.1.4.2 | TIRO CURTA DISTNCIA (qUEIMA ROUPA)Os vestgios que podem ser encontrados so:Orla de escoriao: arrancamento da epiderme pelo proj-

    til; halo de enxugo: passagem do projtil que enxuga suas im-purezas sob a pele; zona de tatuagem: impregnao da pele por grnulos de plvora incombustos; zona de esfumaamento: depsito da fuligem sobre a ferida que desaparece quando la-vada; zona de queimadura: provocada por gases aquecidos e arola equimtica (RABELLO, 1982).

    3.1.4.3 | TIRO DISTNCIA O tiro distncia apresenta caractersticas menos expres-

    sivas do que os de menor distncia, uma vez que est livre de seus efeitos secundrios (queimaduras, zona de tatuagem e esfumaamento). Apresenta forma arredondada ou ovalada, orla de escoriao, halo de enxugo, arola equimtica, bordas reviradas para dentro e dimetro da ferida menor que o projtil

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 119 | 43

    (RABELLO, 1982).So caractersticas do orifcio de sada: forma irregular,

    bordas evertidas, maior sangramento podendo conter arola equimtica e no apresenta orla de escoriao e nem halo de enxugo (FRANA, 2011).

    3.2 | ENERGIAS DE ORDEM qUMICA De uma maneira geral as substncias qumicas, do ponto

    de vista da medicina legal, atuam externamente (custicos) ou internamente (venenos). Por envenenamento, entende-se o con-junto de elementos caracterizadores da morte violenta ou do dano sade, ocorridos pela ao de determinadas substncias de forma acidental, criminosa ou voluntria (FRANA, 2011). De acordo com a quantidade, a velocidade da absoro e a sensibi-lidade ao veneno, o envenenamento pode ser agudo, refere-se exposio ao agente toxicante, em um curto espao de tempo, capaz de promover os efeitos indesejveis, desde simples ton-tura at mesmo morte ou crnico, que est correlacionada exposies repetidas, de longa durao e doses frequen-temente insuficientes para provocar uma intoxicao aguda, no qual, apresentar sintomas aps meses ou anos de contato com o agente toxicante, lembrando que uma mesma substncia pode provocar intoxicao aguda e aps certo tempo, desen-cadear uma intoxicao crnica. (OGA, 2003).

    4| TOXICOLOGIAA toxicologia forense tem como objetivo principal delinear

    evidncias consistentes que permitam concluir que um evento ilcito ou crime teve como causa uma substncia qumica (COU-TO, 2010).

    As anlises toxicolgicas englobam as etapas de deteco, identificao e quantificao de substncias e interpretao do resultado obtido na anlise (CHASIN, 2001).

    O estabelecimento da causa mortis de responsabilidade do perito mdico - legista ou patologista, mas o xito em chegar s concluses corretas depende, tambm, dos esforos combi-nados do patologista, do toxiclogo e de provas coletadas pelos investigadores criminais. Em casos de envenenamento, a causa de morte de difcil elucidao sem uma anlise toxicolgica que estabelea a presena do agente txico nos tecidos e flui-dos corporais do cadver (FERRARI, 2012).

    Os frascos com amostras devem ser bem tampados, emba-lados e acondicionados na temperatura necessria, de acordo com a natureza do material biolgico. Os recipientes devem es-tar fixos para que no quebrem ou virem durante o transporte. (LEITE, 1992).

    Uma grande fonte de erro est na contaminao e decom-

    posio da amostra. Os mtodos de deteco de toxicantes usados atualmente so muito sensveis e, mesmo uma pequena contaminao pode ensejar em grandes erros. Os frascos usa-dos na coleta devem estar devidamente lavados, isentos de interferentes, contendo anticoagulante e/ou conservante apro-priado para cada anlise. Vale lembrar que a quantidade de material coletada deve ser em quantidade suficiente para os testes e futuras contraprovas (LEITE, 1992).

    Todos os recipientes de comida e gua devem ser recupera-dos e o seu contedo coletado, alm das amostras de vmito e principalmente urima aonde eliminado a maior parte dos toxicantes, o que ser de extrema importncia na investigao em casos de intoxicao qumica (MERK, 2011).

    Baseado nos indcios da autpsia pode-se assim proceder. Leses sistmicas: a via oral muito utilizada para intoxicao. Analisar o contedo gastrointestinal, uma vez que pode ainda conter quantidade de resduos ainda no absorvidos. Analisar tambm a urina, j que o rim o principal rgo excretor da maioria dos toxicantes. O fgado o primeiro rgo interno a ser analisado, j que aps a absoro, os toxicantes so trans-portados a este rgo antes de cair na circulao sistmica. (RANG et al., 2004).

    Os principais agentes que causam intoxicao em animais so os carbamatos (chumbinho), cumarnicos e estricnina (PAARMANN, 2006).

    5| CONSIDERAES FINAISA percia veterinria forense de suma importncia para

    que crimes contra animais no fiquem impunes, j que, para comear um processo criminal, primeiramente necessria a denncia dos maus tratos polcia ou ao Ministrio Pblico e, como meio de prova do crime, deve-se ter um laudo tcnico, assinado por perito na rea.

    Para que isso acontea, no entanto, necessrio que haja a conscientizao da populao para denunciar e saber como proceder perante um crime cometido contra um animal. Outra forma a insero sistemtica da disciplina de Medicina Vete-rinria Legal, com nfase tambm na percia, no currculo de todos os cursos de Medicina Veterinria. Atualmente ainda h um grande nmero de mdicos veterinrios que saem da uni-versidade sem o conhecimento da profisso. A falta de profis-sionais na rea contribui para que os crimes contra animais permaneam impunes, pois existe a necessidade da presena de um mdico veterinrio no local do crime para avaliar as cir-cunstncias do fato criminoso envolvendo o animal, fazendo valer as leis que protegem os animais contra crimes cometidos pelos seres humanos.

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 11944 |

    ARTIGO TCNICO 6

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS: CAMPO; E.R.A.D. Exame e Levantamento Tcnico Pericial de Locais de Interesse Justia Criminal: Abordagem Descritiva e Crtica. So Paulo, 2008. 268p. Dissertao (Mestrado em Medicina Legal)- Universidade Federal de So Paulo. Faculdade de direito.CAMPO, E.R.A.D. Protocols in Medicolegal Veterinary Medicine. Can Vet J.,v.21, p. 343346, 1998. CASTILHO, V. V. Percia em Medicina Veterinria e Medicina Veterinria Legal. Belo Horizonte: do autor, 2011. 220 slides: color. CHASIN, A. A. M. Parmetros de confiana analtica e irrefutabilidade do laudo pericial em toxicologia Forense. Revista Brasileira de Toxicologia., v. 14, n. 1, p. 40-46, 2001.COUTO, R. C. Percias em Medicina e Odontologia Legal.1.ed. Rio de Janeiro. MedBook ,2011.DOREA, L.E.C, STUMVOLL, V.P, QUINTELA, V. Criminalstica- Tratado de Percias Criminalsticas. 5.ed. Campinas. Editora Millenium, 2102.FRANA, G. V. Medicina Legal. 6. ed. So Paulo.Guanabara Koogan, 2011.FERRARI J.E., Investigao policial - anlise toxicolgica post mortem. In: mbito Ju-rdico, Rio Grande, XV, n. 99, abr 2012. Disponvel em http://ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11400/. Acesso em: 24 out. 2013.KEHDY, C. Elementos de Criminalstica. 1. ed. So Paulo. Luzes Grfica eEditora Ltda, 1968. LEITE, E.M.A. e cols. Guia Prtico de Monitorizao Biolgica, Belo Horizonte: Ergo. 1992.MARLET, E.F.; YOSHIDA, A.S.; GORNIAK, S.L.et.al. Elaborao de Laudo Pericial em Medicina Veterinria. Revista CFMV., Ano XVII, n.55, p.12-19, 2012.MERCK, M. Animal CSI: An Introduction to Veterinary Forensics in the Investigation of Animal Cruelty. Purdue Veterinary Medicine Fall Conference, 2011.Disponvel em http://www.purdue.edu/svmengaged/docs/CE/2011%20PV M%20Fall%20Conference%20Proceedings.pdf. Acesso em: 28 mai. 2012.OGA, S. Fundamentos da Toxicologia. 2 ed. So Paulo. Atheneu, 2003.PAARMANN, K. Medicina Veterinria Legal. So Paulo: Ed.Do Autor, 2006.PORTO, G. Manual de Criminalstica. 2 ed. So Paulo. Sugestes Literrias S.A, 1969.RABELLO, E. Contribuies ao Estudo dos Locais de Crime. Revista de Criminalstica do Rio Grande do Sul, n. 7, p. 51 a 75, 1968.RANG, H.P.; DALE, M.M.; RITTER, J.M.; MOORE, P.K. Farmacologia. 5.ed. Rio de Janeiro. Elsevier, 2004.REGO, A.A.M. Introduo Medicina Veterinria Legal. So Paulo: 2006.p.5-36.RIBEIRO, P.P., AMARAL, J.P., O exame do local de morte. 2010. Disponvel em http://intertemas.unitoledo.br/revista/index.php/ETIC/article/viewFile/1854/1760/. Acesso em: 20 mai. 2012.SIQUEIRA, G. Curso de processo criminal. 2.ed. So Paulo: Livraria e Officinas Maga-lhes, 1917.ZCCARI, C., SERENO, J., Atuao do Mdico Veterinrio como Perito, 2006. Disponvel em http://peritowaltervet.blogspot.com/2010/07/qual-e-o-trabalho-do-perito.html/. Acesso em: 01 out.2011.

    AUTORA: 1- Andreia do Esprito SantoMdica veterinria - CRMV-MG n 13038 - Profissional Autnoma

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    ARTIGO TCNICO 7

    TICA NA COMUNICAO DO VETERINRIO-PROPRIETRIO NA CLNICA MDICO-VETERINRIA: REVISO DE LITERATURA

    RESUMODurante a graduao, o clnico veterinrio aprende a interpretar sinais clnicos e exames diagnsticos, a instituir tratamentos e a estabelecer prognsticos. Porm, a comunicao com o tutor do paciente deixada em segundo plano e pouco praticada, ge-rando muitos equvocos ticos na relao com o proprietrio. O dilogo com o responsvel pelo animal pode fornecer informaes valiosas para o diagnstico, restringindo os diagnsticos diferenciais e orientando os exames que sero necessrios para a confir-mao da doena. Alm disso, uma oportunidade de estabelecer um vnculo com este ser humano, que decidir posteriormente se concorda com aquilo que foi dito pelo veterinrio e se fornecer o tratamento tal qual foi prescrito. Fornecer um atendimento humanizado proporciona maiores informaes sobre o caso apresentado, confiana do cliente no veterinrio e satisfao pessoal do profissional, que tem conscincia de ter feito tudo o que estava ao seu alcance pelo animal e pelo ser humano atendido. Palavras-chave: dilogo, linguagem, cliente, atendimento, animais.

    EtHICS oF vEt-oWNEr CoMMuNICAtIoN IN vEtErINArY MEdICINE AMBulAtorY: A rEvIEW

    AUTORESPatrcia de Castro Duarte*1, Iolanda Gea Kassem2, Maristela Silveira Palhares3, Renata de Pino Albuquerque Maranho4

    ABSTRACTDuring the graduation, the veterinary learns to interpret clinical signs and diagnostic tests, to institute treatments and to establish prognosis. However, communication with the tutor of the patient is left in the background and rarely practiced, generating many misconceptions in the ethical relationship with the owner. The dialogue with the owner of the animal can provide valuable informa-tion for the diagnosis, limiting the differential diagnosis and guiding tests that will be needed to confirm the dis-ease. Moreover, it is an opportunity to establish a bond with this human being, who will decide that agree with what was said by the veterinarian and provide treatment as it was prescribed. Provide a humanized treatment in the practice provides further information on the case presented, customer confidence and self-satisfaction to the veterinary professional, who is aware of having done everything on his scope for the animal and the human being serviced.Key-words: dialogue, language, client care, pets.

  • ARTIGO TCNICO 7

    Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 11946 |

    1| INTRODUOO mdico veterinrio lida com decises que afetam o des-

    tino dos animais, a vida de seus tutores e a comunidade em que esto inseridos, ou seja, a sade pblica (VLISSINGEN, 2001). Estas decises so inerentes profisso, mas, na clnica mdi-ca, elas sero relevantes apenas se o tutor do paciente con-cordar com elas ou as compreender. Na medicina humana, a falta de comunicao tem sido associada a maiores ndices de erros de medicao, insatisfao do paciente, no adeso ao tratamento, resultados psicossociais e biomdicos inferiores e denncias de negligncia (SILVERMAN et al., 2005 apud ADAMS e FRANKEL, 2007).

    Todo paciente humano tem direito a esclarecimentos sobre a natureza e objetivos dos procedimentos diagnsticos, preven-tivos ou teraputicos a que submetido, bem como da inva-sibilidade, durao e possveis desconfortos ou limitaes do tratamento (ARANTES e MAMEDE, 2003). Segundo o artigo 13, item XI,do Cdigo de tica do Mdico Veterinrio, vedado ao mdico veterinrio deixar de fornecer ao cliente, quando solici-tado, laudo mdico veterinrio, relatrio, pronturio, atestado, certificado, bem como deixar de dar explicaes necessrias sua compreenso (CFMV, 2002). De acordo com artigo 6, item X, dever do veterinrio informar a abrangncia, limites e ris-cos de suas prescries e aes profissionais (CFMV, 2002).

    A habilidade de comunicao do veterinrio crucial para a funcionalidade e preservao da credibilidade de sua profisso. Os maiores problemas enfrentados na clnica veterinria se de-vem falta de confiana e de comunicao entre proprietrios e veterinrios (ADAMS e FRANKEL, 2007). Lue et al. (2008) demonstraram que a comunicao ntima e meticulosa com o veterinrio pode aumentar em mais de 40% o nvel de confi-ana dos proprietrios. A comunicao eficiente importante tanto para a fidelizao do cliente como para a preveno de processos ticos por proprietrios que se sintam lesados moral ou materialmente.

    Assim, o objetivo deste estudo foi realizar uma breve revi-so literria destacando a comunicao do mdico veterinrio com o proprietrio quanto ao contedo e linguagem verbal e corporal. Tambm so discutidas formas de evitar problemas tico-legais que podem decorrer da comunicao falha ou equi-vocada.

    2| REVISO DE LITERATURAAt pouco tempo atrs, as habilidades de comunicao

    eram parte do currculo informal do mdico veterinrio, em que se presumia que a vivncia de situaes prticas automatica-mente levava ao seu desenvolvimento. medida que a Medi-cina Veterinria avana, porm, percebe-se a necessidade da incluso de ferramentas para o aprendizado destas habilidades,

    a fim de serem aplicadas tanto na clnica mdica de pequenos animais como na de grandes animais. A Conferncia Veterinria Norte-Americana (North American Veterinary Conference), por exemplo, oferece, todos os anos, um dia inteiro de workshop sobre habilidades de comunicao na clnica (ADAMS e FRAN-KEL, 2007).

    O problema da comunicao com o proprietrio do animal na clnica veterinria pode ser comparado ao do mdico com o paciente. Em ambos os cenrios observa-se que o excesso de confiana na tecnologia, uma abordagem de prtica mdica centrada na doena e consideraes que enfatizam o lado econmico podem gerar uma relao no satisfatria, o que poderia ser evitado com uma comunicao mais consistente (ADAMS e FRANKEL, 2007). Por outro lado, extrapolar situa-es humanas de conflito tico para os animais no aplicvel, visto que a moral e legislao de uma sociedade so mais im-portantes. Pode-se dizer que a tica veterinria mais com-plexa que a mdica por vrias razes, como: os animais no podem comunicar suas prprias opinies; a manuteno da vida de um indivduo no o objetivo; e, na melhor das hipteses, no desvantajoso para o animal estar sob a guarda de um ser humano (VLISSINGEN, 2001).

    O veterinrio aquele que chama a ateno para a reali-dade e a dimenso das decises tomadas na clnica, o que muito conflitante com a viso do proprietrio, que enxerga seu animal como um indivduo especial na sua vida e frequente-mente o humaniza, no compreendendo claramente os impac-tos, negativos e positivos, de um tratamento ou uma deciso mdica (VLISSINGEN, 2001).

    Segundo Vlissingen (2001), h quatro interesses dentro do processo de deciso na clnica veterinria. O primeiro seria o do animal, que sofrer o tratamento e dor que este poder cau-sar, com determinadas chances de sobreviver e necessidade de conviver com possveis sequelas que afetaro sua qualidade de vida. O segundo o do proprietrio, que leva em considerao a sade e bem estar do animal, mas tambm pensa no custo, no trabalho e na viabilidade do animal para determinada finali-dade, que foi a motivao ao adquiri-lo. O terceiro, do veteri-nrio, a sade e bem estar animal, a relao do animal com o proprietrio e a oportunidade comercial que o caso possa ofe-recer. O quarto o da sociedade, qual interessa os possveis impactos da doena daquele indivduo sobre a comunidade.

    Lue et al. (2008) demonstraram que a maior parte dos pro-prietrios que no seguia os tratamentos e recomendaes dos veterinrios o fazia no pelo custo, mas por no os conside-rarem efetivos para seus animais, ou no compreenderem os benefcios decorrentes dos mesmos.

    Durante a graduao em Medicina Veterinria, o aluno no capacitado para lidar com os responsveis pelos animais.

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 119 | 47

    Teoricamente, a vida prtica o far desenvolver esta habilidade. Os veterinrios recm-formados, ento, aprendem de forma r-dua que todo o conhecimento mdico do mundo no ir salvar os animais, ou salvar seus empregos, se eles no sabem se comunicar com seus clientes (MILANI, 2003).

    Frankel (2006) cita trs tipos de filosofias diferentes que norteiam o trabalho do veterinrio e, independente de qual seja, depende da comunicao com o proprietrio para obter sucesso. A primeira visa publicidade do negcio veterinrio e a tica da valorizao da sua profisso, assegurando que o proprietrio que possui condies e vontade de pagar tenha certeza de que est provendo o melhor possvel para seu ani-mal. Isto aumenta o retorno financeiro para o veterinrio e via-biliza um ganho teraputico ao animal. A segunda abordagem feita pelo veterinrio que coloca o animal acima das condies financeiras do proprietrio e do retorno financeiro pessoal, ou seja, uma tica baseada no bem estar do animal. Neste caso, a boa comunicao leva compreenso do proprietrio sobre os problemas e preocupaes que seu animal desperta na socie-dade em que est inserido. A terceira afirma que, em uma so-ciedade cada vez mais litigante, o veterinrio tem que assumir uma postura de autodefesa a fim de prevenir aes legais con-tra si, praticando uma tica de proteo pessoal em primeiro lugar. A habilidade na comunicao torna-se essencial, ento, para evitar reclamaes dos clientes e problemas legais.

    Um novo conceito, chamado Relationship Centered-Care (RCC), foi sugerido por Beach e Inui (2006) para desenvolver as habilidades de mdico na comunicao com os pacientes du-rante os atendimentos, a fim de que ocorra a formao de um

    vnculo e que a doena seja diagnosticada, tratada e curada com uma parceria entre os mesmos. Este conceito tem quatro princpios bsicos: as relaes devem abranger a personalidade completa dos participantes; as emoes so importantes neste relacionamento; pacientes e mdicos podem se influenciar mu-tuamente, e a formao de relaes genunas na rea da sade moralmente vlida. Baseado neste conceito, Frankel (2006) props o modelo The four Habits, voltado para os veterinri-os. Neste modelo, habilidades de comunicao e hbitos esto profundamente correlacionados.

    O primeiro princpio, ou hbito, investir no incio. Pode parecer pouco proveitoso despender tempo, o que pode ser encarado tambm como uma perda econmica, com conver-sas amenas nos primeiros momentos da consulta. Mas criar uma conexo com o proprietrio logo no incio da consulta uma forma de ganhar sua confiana (FRANKEL, 2006). Um es-tudo mostrou que pouco tempo do veterinrio, 9% aproxima-damente, era gasto em coleta de dados. Fato explicado pela aplicao de questionrios durante a consulta com perguntas fechadas, cujas respostas eram sim ou no, limitando a explanao do proprietrio sobre o histrico e a evoluo do caso (SHAW et al., 2004). Na medicina humana, este tipo de entrevista relaciona-se aos baixos nveis de satisfao do paci-ente com o atendimento, pouca adeso ao tratamento proposto e perda de confiana no mdico (HENBEST e STEWART, 1989). As tabelas 1 e 2 mostram dilogos com uma proprietria com perguntas fechadas e abertas, respectivamente. notria a di-ferena entre as informaes coletadas.

    Tabela 1 | Entrevista clnica entre um mdico veterinrio e o seu cliente, utilizando a tcnica de perguntas fechadas.Fonte: Adams & Frankel, 2007, adaptado.

    Perguntas FechadasVeterinrio Bom dia, Dona Adelaide. Que problemas tem tido a Dolly?

    Proprietria A Dolly est meio desanimada.

    Veterinrio Quando notou isso pela primeira vez?

    Proprietria H cerca de trs dias.

    Veterinrio Aconteceu algo de diferente nesse dia?

    ProprietriaEla foi no quintal, brincou uns minutos e quando voltou foi diretamente para a cama dela se deitar. Esteve desanimada desde ento.

    Veterinrio Come bem?

    Proprietria Sim.

    Veterinrio Notou alguma tosse ou vmito?

    Proprietria No.

    Veterinrio A urina e fezes esto normais?

    Proprietria Sim.

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 11948 |

    ARTIGO TCNICO 7

    Tabela 2 | Entrevista clnica entre um mdico veterinrio e o seu cliente, utilizando a tcnica de perguntas abertas. Fonte: Adams & Frankel,( 2007), adaptado.

    Perguntas Abertas

    VeterinrioBom dia, Dona Adelaide. Tudo bem? H muito tempo que no vem aqui. Lembro-me que da ltima vez que esteve aqui seu marido ia ser operado. Como foi a cirurgia?

    Proprietria Correu tudo bem, Doutor. Est recuperado e bem, obrigada por perguntar.

    Veterinrio Ainda bem que correu tudo bem. Como est nossa amiga, Dolly?

    Proprietria Ela est meio desanimada.

    Veterinrio Desanimada?

    ProprietriaNesse dia ela foi no quintal, brincou uns minutos e quando voltou foi diretamente para a cama dela se deitar. Esteve desanimada desde ento.

    Veterinrio Hum.

    Proprietria Sabe doutor, estou muito preocupada.

    Veterinrio (Silncio)

    Proprietria Tenho medo que tenha sido envenenada e possa morrer.

    Veterinrio Compreendo a sua preocupao. J vamos falar sobre o assunto. Mas antes disso, h algo mais que a preocupa?

    Proprietria No

    O segundo hbito descobrir a perspectiva do cliente. Para tal, este questionado sobre sua opinio e, inclusive, se con-corda com a viso do veterinrio sobre o caso. Esta conduta d liberdade para exposio de novas informaes sobre o caso, excluso e incluso de diagnsticos diferenciais e permite a anlise da viso do proprietrio sobre o papel da doena de seu animal em sua vida. Isto auxilia no planejamento da comunica-o do tratamento e prognstico para o cliente e os membros da famlia (FRANKEL, 2006). Em um estudo realizado por meio de entrevistas foi demonstrado que 40% dos veterinrios no se sentiam seguros em demonstrar incerteza, enquanto menos de 20% dos proprietrios consideraram que isto afetaria a con-fiana no veterinrio (MELLANBY et al., 2009). O mesmo estudo tambm mostrou que, entre vrias frases, frases como eu acho que pode ser..., eu preciso pesquisar mais..., preciso me aconselhar com outro veterinrio e vou te encaminhar pra um veterinrio especialista... eram as menos danosas confiana do cliente. Outro estudo voltado medicina humana mostrou que houve um maior ndice de satisfao entre os pacientes atendidos por mdicos que demonstraram expresses faciais de incerteza (GORDON et al., 2000 apud MELLANBY et al., 2009).

    O terceiro hbito demonstrar empatia. Na era moderna, a tecnologia, a presso econmica e o empirismo na busca por resultados levam ao esquecimento do cuidado e compaixo que deveriam ser inerentes aos profissionais da sade. Alguns pro-fissionais argumentam que no h tempo para alcanar tal sen-timento, porm, um estudo com mdicos mostrou que os me-lhores entre estes utilizavam pequenas oportunidades durante a consulta, atingindo este objetivo sem despender muito tempo

    (BRANCH e MALIK, 1993). Por meio de perguntas chave, tom de voz, silncios, toques em horas apropriadas e linguagem corpo-ral pode-se encorajar o proprietrio a falar mais e compartilhar sua viso dos fatos e sentimentos, obtendo mais informaes, aprofundando o relacionamento e aumentando sua confiana no veterinrio (FRANKEL, 2006).

    O quarto e ltimo hbito investir no final. Neste ponto no h mais coleta de dados, e sim o compartilhamento de infor-maes referentes ao diagnstico, tratamento e prognstico. A entrega de ms notcias durante o diagnstico um desafio e afeta emocionalmente tanto proprietrios quanto veterinrios (FRANKEL, 2006). A forma como o veterinrio trata o tutor de um animal que faleceu ou foi submetido eutansia tem o poder de agravar ou aliviar a dor da perda (SHAW e LAGONI, 2007). Alguns artifcios podem ser utilizados, como: deixar o atendimento com ms notcias por ltimo, para poder se esten-der alm do tempo previsto; descobrir a perspectiva do proprie-trio antes de expor a prpria; no usar linguagem ambgua, ser direto e breve; ficar um tempo em silncio at que o cliente absorva o impacto da notcia (FRANKEL, 2006).

    O prximo passo neste ltimo hbito seria a deciso do tratamento. Na medicina humana, foi observado que compar-tilhar a deciso do tratamento uma forma de aumentar resul-tados funcionais e biomecnicos no mesmo. Convidar o cliente a opinar sobre o tratamento uma oportunidade de analisar a viabilidade deste, a aceitabilidade e a capacidade do proprie-trio em aplic-lo e tambm de desfazer mal-entendidos e es-clarecer dvidas (FRANKEL, 2006).

    As vantagens do quarto hbito so a maior colaborao no

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 119 | 49

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS: ADAMS, C. L.; FRANKEL, R. M. It may be a dogs life but the relationship with her owners is also key to her health and well being: communication in veterinary medicine. Veterinary Clinics Small Animal Practice, v. 37, p. 1-17, 2007.ARANTES, S. L.; MAMEDE, M. V. A participao das mulheres com cncer de mama na escolha do tratamento: um direito a ser conquistado. Revista Latino-americana de Enfermagem, v. 11, n. 01, p. 49-58. 2003.BEACH, M. C.; INUI, T. Relationship centered-care: a reconstructive reframing. Journal of General Internal Medicine, v. 21, n. S1, p. S3-S8, 2006.BRANCH, W. T.; MALIK, T. K. Using windows of opportunities in brief interviews to understand patients concerns. Journal of the American Medical Association, vol 269, p. 16671668, 1993.CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA VETERINRIA (CFMV). Resoluo n 722, de 16 de agosto de 2002, Dirio Oficial da Unio, Braslia, 16 de dezembro de 2002. Seo 1, pg. 162-164. Aprova o Cdigo de tica do Mdico Veterinrio. Disponvel em . Acesso em 1o de Maio de 2013.DUARTE, M. C. V. S. Comunicao na prtica clnica veterinria de animais de companhia. Dissertao de Mestrado. Universidade Tcnica de Lisboa, Faculdade de Medicina Veterinria, Lisboa, 2009.FRANKEL, R. M. Pets, vets and frets: what relationship-centered care research has to offer veterinary medicine. Journal of Veterinary Medical Education, v. 33, n. 01, 2006.HENBEST, R.; STEWART, M. Patient-centredness in the consultation: a method of measurement. Family Practice, v. 06, n. 04, p.249-253, 1989.LUE, T. W.; PANTENBURG, D. P.; CRAWFORD, P. M. Impact of the owner-pet and client-veterinarian bond on the care that pets receive. Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 232, n. 4, 2008.MELLANBY, R. J.; CRISP, J.; DE-PALMA, G.; SPRATT, D. P.; URWIN, D.; WRIGHT, M. J. H.; ZAGO, S. Perceptions of veterinarians and clients to expressions of clinical uncer-tainty. The European Journal of Companion Animal Practice, vol. 19, n. 01, p. 37-42, 2009.MILANI, M. Practitioner-client communication: When goals conflict. Canadian Veterinary Journal, v. 44, n. 08, p. 675-678, 2003.SHAW, J.; ADAMS, C.; BONNETT, B. N.; LARSON, S.; ROTER, D. L. Use of the Roter interaction analysis system to analyze veterinarianclientpatient communication in companion animal practice. Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 225, p. 222229, 2004.SHAW, J. R.; LAGONI, L. End of life communication in veterinary medicine: delivering the bad news and euthanasia decision making. Veterinary Clinics Small Animal Practice, v. 37, p. 95108, 2007.SILVERMAN, J; KURTZ, S.; DRAPER, J. Skills for communicating with patients. 2 ed. Abingdon, Oxon, UK: Radcliffe Medical Press, 2005.VLISSINGEN, M. F. Professional ethics in veterinary science considering the consequences as a tool for problem solving. Veterinary Science Tomorrow, v. 01, 2001.

    AUTORES: 1- Patrcia de Castro Duarte

    CRMV-MG n 13468 - Residente em Clnica Mdica de Equinos pelo Programa de Residncia Integrada em Medicina Veterinria da Escola de

    Veterinria - UFMG - patriciacdvet@gmail.com

    2- Iolanda Gea Kassem

    CRMV-MG n 13258 - Residente em Clnica Mdica de Equinos pelo Programa de Residncia Integrada em Medicina Veterinria da Escola de

    Veterinria - UFMG.

    3- Maristela Silveira Palhares

    Professora Associada - Departamento de Clnica e Cirurgia Veterinria - UFMG

    4- Renata de Pino Albuquerque Maranho

    CRMV-MG n 6386 - Professora Adjunta - Departamento de Clnica e Cirurgia Veterinria - UFMG.

    processo de tomada de deciso e uma consequente reduo dos riscos decorrentes da no aderncia ou falha no tratamen-to. Ao se detalhar o diagnstico, as instrues, as recomenda-es e as dificuldades do tratamento, tendo a preocupao de fazer o proprietrio compreend-los, aumentam-se as chances de um resultado satisfatrio no quadro do animal. Alm disso, h o benefcio da satisfao pessoal do veterinrio, que ter conscincia de ter feito sua parte minimizando o sofrimento do seu paciente e do proprietrio (ADAMS e FRANKEL, 2007).

    3| CONCLUSOA conversa com o proprietrio durante o atendimento vete-

    rinrio subestimada pelos prprios profissionais da rea, que aprendem na academia as bases tecnolgicas e cientficas pa-ra lidar com a sade e a doena, mas no com o pblico. As consequncias desta cultura so a reduo da credibilidade do profissional e da sua classe, e o insucesso no diagnstico e tratamento dos animais. Alm disso, proprietrios insatisfeitos procuram bases legais para responsabilizar o veterinrio pela piora do quadro ou morte do animal sob seus cuidados. O de-senvolvimento de um bom relacionamento com o cliente torna a comunicao mais fluente, evita problemas relacionados insatisfao, aumenta as chances de um tratamento ser bem sucedido e melhora a aceitao de um prognstico ruim.

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    DOENAS TRANSMISSVEIS POR SMEN E EMBRIES BOVINOS

    RESUMOEm contraste com os bem conhecidos e reais riscos de transmisso de doena por uso de smen contaminado, na inseminao ar-tificial, h uma riqueza de evidncias experimentais e de campo que comprovam que, quando so seguidos os protocolos sanitrios aprovados, os riscos de transmitir doenas infecciosas por transferncia de embrio so extremamente pequenos. Estes aspectos so avaliados e discutidos neste artigo.Palavras-chave: smen, embries, patgenos, I.A., transferncia.

    dISEASES trANSMISSIBlE BY SEMEN ANd BovINE EMBrYoS

    AUTORAHariany Seabra Martins

    ABSTRACTIn contrast to the well known and actual risk of transmission of disease by use of contaminated semen in artificial insemination, there is a wealth of experimental and field evidence showing that, when followed protocols approved health, the risks of transmit-ting infectious diseases by embryo transfer are extremely small. Theses aspects are evaluated and discussed in this article.Key-words: semen, embryo transfer, A.I., pathogens.

    ARTIGO TCNICO 8

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    1| INTRODUODurante muitos anos, a introduo de smen e de novos

    animais foi o mtodo utilizado para repor e melhorar as linha-gens genticas nas populaes bovinas. Contudo, na dcada de 70, com os avanos no ramo da biotecnologia reprodutiva tais como a coleta, criopreservao e transferncia de embries de forma no cirrgica, uma soluo alternativa surgiu para a movimentao de germoplasma entre os rebanhos bovinos, trazendo visveis progressos de ordem gentica, econmica e social (STRINGFELLOW e GIVENS, 2000). A utilizao de bio-tcnicas como a inseminao artificial e a transferncia de em-bries permite a introduo de genticas superiores nos plan-teis. Entretanto sua utilizao vem aliada a um crescente temor baseado na introduo de doenas infecciosas nos rebanhos.

    Os distrbios reprodutivos de origem infecciosa em bovi-nos so multietiolgicos, portanto diferentes micro-organismos como bactrias, vrus, protozorios e at mesmo micotoxinas produzidas por fungos, atuam de forma isolada, ou mais fre-quentemente associadas causando enfermidades.

    Em um trabalho realizado pela Sociedade Internacional de

    Transferncia de Embries (IETS) em conjunto com a Organiza-o Internacional de Epizootias (OIE) baseados em dados exper-imentais e de campo com os rgos veterinrio, estes rgos passaram a considerar o embrio no como animal, nem como smen, mais sim como terceira entidade separada das outras duas, resultando na elaborao de normas para a coleta, ma-nipulao e transferncia de embries. Desta forma, introduziu-se a noo que existem riscos diferenciados de transmisso de doenas em relao a animais vivos, de smen e de embries (PARRA et al, 2008).

    Para que um patgeno seja transmitido atravs da trans-ferncia de embries de doadoras vivas, uma ininterrupta srie de eventos deve ocorrer (Fig. 1). Essa cascata de eventos in-clui: exposio do embrio ao patgeno; associao contnua entre o patgeno e o embrio; manuteno da infectividade do patgeno durante a manipulao e processamento e entrega de uma dose infectante do patgeno a uma receptora susceptvel. Fica claro, porm, que uma variedade de fatores limita e previ-nem a ocorrncia desta sequncia de eventos (STRINGFELLOW e GIVENS, 2000).

    Figura 1 | Cadeia de eventos necessria para que um patgeno possa ser transmitido atravs da transferncia de embries (STRINGFELLOW e GIVENS, 2000).

    Mesmo que uma vaca doadora esteja infectada com um agente patognico, ainda sim possvel que os embries permaneam no expostos. Um exemplo clssico uma vaca infectada com Brucella abortus. Ainda que esta bactria seja um patgeno do sistema reprodutivo, vrios estudos j eviden-

    ciavam, nos anos 80, que a exposio bactria no tero in-fectado de vacas superovuladas, de embries pr-implantao altamente improvvel (STRINGFELLOW e WRIGHT, 1989). A primeira explicao que a Brucella no permanece no tero ps-parto aps mltiplos ciclos estrais e s retornar ao tero

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    ARTIGO TCNICO 8

    um longo tempo depois da concepo quando o feto e a pla-centa esto bem desenvolvidos.

    A vaca doadora representa o mais alto mrito gentico da propriedade, normalmente dispondo dos melhores cuidados veterinrios disponveis. Os rebanhos de origem so frequente-mente livres de muitos patgenos por sua participao em programas de controle de doenas e execuo de polticas de substituio do rebanho.

    A legislao brasileira e dos pases do Mercosul referente a normas sanitrias para centro de produo de embries se-vera, pois requer que o rebanho de doadoras no tenha sido afetado por febre aftosa ou estomatites vesiculares nos 90 dias precedentes coleta de embries e que as doadoras sejam tes-tadas contra Brucelose e Tuberculose nos 30 dias subsequente-mente coleta (PARRA et al, 2008).

    Caso os embries fossem expostos a patgenos, vrios fatores tenderiam a prevenir a associao continuada. Estes incluem resistncia inerente do embrio fornecida pela zona pelcida e a limpeza natural ou prescrita associada com a cole-ta e transferncia de embries. Um dos pontos principais de re-sistncia dos embries aos patgenos a zona pelcida, onde a integridade da mesma tem a funo de proteger o embrio da infeco pelos patgenos presentes no trato genital da vaca, por isso, no so aceitveis para a transferncia, do ponto de vista sanitrio, embries com zona pelcida rompida.

    Deste ponto de vista, torna-se especialmente importante a confirmao que a relativamente grossa zona pelcida do em-brio bovino poderia servir como uma barreira efetiva. Em vri-os estudos (Tabela 1), foram confirmados que patgenos no podem penetrar esta barreira, e que s alguns adeririam a ela.

    Tabela 1 | Sumrio de estudos que pesquisaram a presena de patgenos em embries bovinos com zona pelcida intacta, expostos a patge-nos e posteriormente lavados (STRINGFELLOW e GIVENS, 2000).

    No caso dos vrus, se os vulos ou espermatozoides forem infectados sem ser estragados, o patgeno pode ser transmiti-do ento ao zigoto e ao embrio em desenvolvimento. Este sem dvida o mtodo mais lgico e poderoso de transmisso vertical. Mas requer que o vrus seja no somente um vrus no citoptico, mas tambm que o mesmo no interfira com os eventos complexos de fertilizao e desenvolvimento em-briolgico. O vrus tambm tem que se manter nas clulas que rapidamente se dividem no embrio.

    Contudo, ainda resta uma preocupao importante de que aqueles patgenos encontrados nos fluidos corporais ou como contaminantes no meio poderiam permanecer em proximidade ntima com o embrio at o momento da transferncia.

    Tcnicas para coleta, processamento e transferncia de embries originados in vivo variam, mas em cada situao, e-xistem fatores de diluio associados com o volume de recupe-rao e meio de manuteno que servem para diluir qualquer patgeno quel poderia estar presente no ambiente do embrio.

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 119 | 53

    Tambm, procedimentos prescritos de lavagem, com ou sem tripsina, asseguram que certos patgenos sero eliminados por diluio, desalojamento, ou inativao (STRINGFELLOW, 1998). Finalmente, o uso de antibiticos em meios para recuperao, cultura e armazenamento de embries efetivamente detm a expanso de alguns patgenos procariticos e suprime conta-minantes microbianos no patognicos (RIDDELL e STRINGFEL-LOW, 1998).

    Os procedimentos essenciais que so recomendados para se evitar a transmisso de doenas pela transferncia de em-bries so:

    Lavar juntos somente embries de uma nica doadora; Lavar de uma nica vez um nmero inferior a 10 embries; Lavar apenas embries com zona pelcida intacta e isen-

    to de materiais aderentes mesa; Realizar no mnimo 10 lavagens; Utilizar uma pipeta/ponteira estril a cada transferncia

    de embries entre rebanhos; Alm destes procedimentos, pode ser utilizado antibitico

    nos meios de lavagem, e o tratamento com tripsina, que con-siste nas cinco primeiras lavagens com PBS + antibiticos + 0,4% de albumina srica bovina, depois mais duas lavagens com tripsina a 0,25% durante 60 - 90 segundos cada uma. Logo aps, fazer novamente cinco lavagens de PBS + antibiticos + 2% de soro (STRINGFELLOW, 1999). Estes procedimentos foram baseados em protocolos que se mostraram eficiente para a eliminao de agentes patognicos tanto em in vitro como in vivo.

    O smen constitui a segunda fonte de risco de transmisso de doenas envolvida no processo de transferncia de embrio, podendo influenciar diretamente no sucesso deste processo. O smen tambm pode ser responsvel por introduzir doenas em reas livres.

    Para garantir a qualidade sanitria do smen industriali-zado, as centrais de IA tm adotado procedimentos tais como isolamento de microrganismos em meios de cultura, cultivos celulares, inoculao em animais susceptveis ou, ento, pela deteco indireta atravs de tcnicas sorolgicas, como a soro-neutralizao, fixao de complemento, imunofluorescncia indireta, hemaglutinao, imunodifuso, alm da clssica qua-rentena e controle de todas as partidas de smen que incluem isolamento de bactrias, protozorios e vrus.

    Estas tcnicas, entretanto, apresentam limitaes princi-palmente de ordem prtica, resultantes da sua complexidade, da infraestrutura necessria sua realizao, ou da lentido dos procedimentos laboratoriais necessrios para a deteco e caracterizao dos agentes patognicos. Por outro lado, exis-tem, tambm, limitaes de sensibilidade e especificidade. Por

    estes motivos, nos ltimos anos tm-se intensificado a busca por tcnicas de maior rapidez, preciso e confiana, que pos-sibilitem o diagnstico das doenas infecciosas com um grau de sensibilidade e especificidade similar ou superior aos pro-cedimentos convencionais, e cujos resultados sejam dados no mesmo dia.

    As normas da OIE para avaliao de smen implicam que para utilizao, este seja proveniente de touros que estejam testados para tuberculose e brucelose, para campilobacteriose genital bovina e tricomonose bovina. Tambm necessrio que o touro possua resultado negativo para o isolamento do vrus da diarreia bovina a vrus (BVD) no sangue.

    H uma riqueza de evidncias experimentais e de campo que comprovam que, quando so seguidos os protocolos sani-trios aprovados, os riscos de transmitir doenas infecciosas por transferncia de embrio so extremamente pequenos. Pro-tocolos sanitrios desenvolvidos pela Sociedade de Transfern-cia de Embrio Internacional (IETS) e publicados no Manual da IETS (STRINGFELLOW e SEIDEL, 1998), e tambm publicados como Apndices pelo Escritrio Internacional de Epizootias em seu Cdigo de Sade de Animais Terrestres (2003), tem sido amplamente aceitos e aplicados em nvel de comrcio inter-nacional. Em contraste com os bem conhecidos e reais riscos de transmisso de doena por uso de smen contaminado para inseminao artificial, existem poucas evidncias que o uso de smen contaminado para produzir embries para transfern-cia (especialmente em embries derivados de animais in vivo) ponha em risco o estado de sade desses embries, contanto que eles sejam devidamente processados utilizando os protoco-los sanitrios aprovados. De centenas a milhares de embries bovinos tem sido coletados e transferidos dentro e entre pases sem que tenham sido confirmados relatos de transmisso de doenas por esta rota (WRATHALL et al, 2006).

    Geralmente considerado que embries apresentam um baixo risco de transmisso de doenas infecciosas quando feitos de animais vivos, baseado nos resultados de pesquisas extensas realizadas em embries produzidos in vivo com zona pelcida intacta (GRADIL et al, 1999). Porm, mudanas rpidas esto acontecendo nas tecnologias associadas com transfe-rncia de embrio (TE) que esto complicando a avaliao do estado de sade do embrio. Por exemplo, na fertilizao in vi-tro (FIV) ocorre dos ocitos serem colhidos de ovrios, e ento maturados, fertilizados, e cultivado in vitro. Tambm, embries clonados, sexados, e com o DNA manipulado so habitual-mente cultivados com uma variedade de clulas (por exemplo, as ovidutais) ou em ovidutos substitutos antes da transferncia. Estes procedimentos criam oportunidades para contaminao e infeco destes embries (BIELANSKI, 1997).

  • ARTIGO TCNICO 8

    Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 11954 |

    Muitos patgenos tem sido encontrados no smen de bo-vinos (AFSHAR et al, 1990; EAGLESOME et al, 1997; PHILPOTT, 1993) mas na maioria dos casos eles foram achados livres no plasma seminal, ou em componentes celulares do smen dife-rente do espermatozoide (WRATHALL et al, 2006).

    2| TRANSMISSO DE ALGUNS PATOGENOS PELO SMEN E EMBRIES BOVINOSPatgenos importantes que s vezes podem ocorrer no s-

    men bovino incluem quatro vrus que so de significncia es-pecial para o comrcio internacional: o vrus da leucose enzo-tica bovina (EBLV); herpesvirus tipo 1 bovino (BoHV-1) (tambm chamado de vrus da rinotraquete/vaginite infecciosa pustular bovina); vrus da diarreia viral bovina (BVDV), e vrus da lngua azul (BTV). Estes patgenos causam frequentemente infeces subclnicas, tornando possvel que touros de alto valor estejam infetados e sejam usados como doadores de smen para IA ou para monta natural.

    VRUS DA LEUCOSE ENZOTICA BOVINA (EBLV) O vrus s tem sido achado raramente no smen e quando

    isto ocorre, ele vem provavelmente associado com extravaza-mento de linfcitos infectados no trato genital, e no est incorporado dentro do espermatozide (AFSHAR et al, 1990). Conquanto existam evidncias significativas que o EBLV seja raramente (caso j tenha alguma vez sido) transmitido por IA, a sua transmisso como resultado da inoculao de linfcitos infectados no tero de vacas foi informada por Van Der Maaten and Miller (1978).

    HERPESVRUS BOVINO TIPO 1 (BOHV-1) No touro o vrus se replica com frequncia inicialmente na

    mucosa do prepcio, pnis e uretra, sendo o smen provavel-mente contaminado atravs do contato do vrus com a mucosa infetada durante a ejaculao (WRATHALL et al, 2006).

    Subsequente a infeco primria por BoHV-1, incluindo infeco atravs das cepas vacinais vivas atenuadas, o vrus se move at o gnglio cranial ou espinhal do hospedeiro onde permanece latente, gerando animais clinicamente normais que podem ser portadores do vrus. Embora touros infetados devam ser considerados como excretores vitalcios potenciais do vrus no smen, estudos na Amrica do Norte sugerem que o smen de touros BoHV-1 positivos pode estar livre de vrus por longos perodos de tempo, caso os touros sejam bem manejados em um ambiente de baixo estresse (EAGLESOME e GARCIA, 1997). Desde que foi pensado que a contaminao do smen surgiria do contato com o vrus durante a ejaculao, acreditou-se que o vrus estaria no plasma seminal em lugar do espermatozoide, e Van Engelenburg et al. (1994) usando um ensaio baseado no

    PCR confirmaram isto. Por causa dos muitos estudos registrando transmisso

    negativa, o BoHV-1 foi listado na Categoria IETS 1, isto ... o agente de doena para qual h evidncias suficientes most-rando que o risco de transmisso desprezvel contanto que os embries sejam controlados corretamente entre coleo e transferncia ( Apndice 3.3.5 do Cdigo de Sade Animal Ter-restre, 2003). No caso de BoHV-1, a prpria manipulao dos embries deve incluir o tratamento com tripsina.

    Outros experimentos para avaliar os riscos de transmisso de BoHV-1 tem sido feitos com embries fertilizados in vitro (FIV) e incluem o uso de smen infectado e/ou de ocitos ex-postos ao vrus no momento da fertilizao. Guerin et al. (1990) estudaram o efeito de BoHV-1 em grupos de ocitos expostos ao vrus durante a maturao e fertilizao, lavando 10 vezes os embries antes de serem testados para a presena do vrus. O vrus pareceu no exercer nenhum efeito na maturao dos ocitos mas, significativamente, (P

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    sangue na entrada com provas peridicas para BVDV e anticor-pos anti-BVDV. Os padres recomendados pela OIE exigem para que touros soropositivos produzam smen livre de BVDV que se use prova de isolamento do vrus. Nos E.U.A., os Servios de Certificao do Smen (CSS; uma subsidiria da Associao Nacional de Criadores animais para estabelecer regulamenta-o para as indstrias do ramo) exigem que os touros sejam no virmicos na entrada e mantenham este estado at a sada. Se os touros nos testes forem soronegativos, nenhum teste do s-men requerido. Se os touros forem soropositivos, isolamento de vrus no smen pode no descobrir o BVDV. Ambas as dire-trizes da OIE e CSS previnem a transmisso do BVDV provinda de infeces persistentes, infeces agudas, e infeces de testculo persistentes. Embora estes protocolos de teste no descubram touros com infeces testiculares prolongadas, a transmisso de BVDV devido a este tipo de restos de infeco pode ser demonstrada.

    Em bovinos persistentemente infectados discutido se o BVDV pode ocorrer dentro dos gametas como resultado de uma infeco gonadal na vida pr-natal.

    Uma evidncia pertinente para confirmar se o BVDV pode ocorrer dentro de ocitos veio de tentativas de coletar e trans-ferir embries de novilhas persistentemente infectadas in-seminadas com smen livre de BVDV. Estas tentativas tiveram apenas sucesso limitado, principalmente porque tais novilhas respondem pobremente a superovulao, mas em quatro casos onde foram recuperados embries, lavados e transferidos para receptoras, cinco bezerros nasceram normais e livres de in-feco (BAK et al, 1992; BROCK et al, 1997; SMITH et al, 2000; citados por GARD et al, 2007). Alm disso, quando receptoras soronegativas foram usadas, estas no fizeram soro-converso para o BVDV aps a transferncia de embries, o que indica que os embries de animais persistentemente infectados lavados

    no contm necessariamente uma dose infecciosa de BVDV dentro de suas clulas ou na zona pelcida.

    VRUS DA LNGUA-AZUL (BTV) Muitos vrus pequenos so achados nas secrees e ex-

    crees de animais infetados e a doena no considerada normalmente contagiosa pela rota oral, ou por aerossis. Em-bora o BTV possa ser demonstrado esporadicamente no smen de touros virmicos (BARRAT-BOYES et al, 1995; citado por WRATHALL et al, 2006) sua presena est provavelmente as-sociada com rastros de sangue infectado por vrus proveniente da rea genital, e uma vez que a viremia cessa o vrus j no achado no smen.

    Assegurar que o smen no contm BTV, especialmente quando os touros doadores residem em reas onde os vetores do vrus so ativos de acordo com a estao ou so ativos durante todo o ano, difcil. Caso o smen se destine a ex-portao, especialmente para pases onde o BTV no ocorre, habitual que estes pases exijam que o touro provenha de um pas livre de BTV ou de zonas livres durante pelo menos 100 dias antes, e durante, a coleta do smen, ou de touros que so sorologicamente negativos quando testados entre 28 e 60 dias aps a ltima coleta.

    Embora existam poucas evidncias de transmisso de doenas infecciosas atravs de smen e embries dentro das normas biossanitrias tenham sido encontradas, importante manter conscincia que as tecnologias esto em crescente evoluo conjuntamente com sua aplicao dentro do contexto da sade de nosso rebanho bovino. Portanto o desenvolvimento e aplicao consciente e continuada de testes e procedimen-tos que certifiquem a sade e seguridade destes materiais mostram-se de vital importncia no mbito de impedir a dis-seminao de patgenos entre as populaes.

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS: AFSHAR, A.; EAGLESOME, M.D. Viruses associated with bovine semen. Vet Bull, 60:93109. 1990. BAK, A.; CALLESEN, H.; MEYLING, A.et al. Calves born after embryo transfer from donors persistently infected with BVD virus. Vet Rec,131:37. 1992 BARRATT-BOYES, S.; MAC LACHLAN, N.J. Pathogenesis of bluetongue virus infection in cattle. JAmVetMed Assoc,206:13229. 1995 BIELANSKI, A. A review on disease transmission studies in relationship to production of embryos by in vitro fertilization and to related new reproductive technologies. Biotech Advan, vol 15, n 3/4:633-656, 1997 BROCK, K.V.; LAPIN, D.R.; SKRADE, D.R. Embryo transfer from donor cattle persistently infected with bovine viral diarrhea virus. Theriogen, 47:83744. 1997 EAGLESOME, M.D.; GARCIA, M.M. Disease risks to animal health fromartificial insemination with bovine semen. Rev Sci Tech Off Int Epiz, 16:21525. 1997 GARD, J.A.; GIVENS, M.D.; STRINGFELLOW, D.A. Bovine viral diarrhea virus (BVDV): Epidemiologic concerns relative to semen and embryos. Theriogen, 68: 434442. 2007 GRADIL, C.M.; WATSON, R.E.; RENSHAW, R.W.; GILBERT, R.O.; DUBOVI, E.J. Detection of bovine immunodeficiency vrus DNA in the blood and semen of experimentally infected bulls. Vet Microbiol, 70:2131. 1999 GUERIN, B.; LE GUIENNE, B.; ALLIETTA, M. et al.. Effets de la contamination par le BHV-1 sur La maturation et fecundation in vitro des ovocytes des bovines. Rec Med Vet, 66:9117. 1990 MEE, J.F.; GERAGHTY, T; ONEILL, R.; MORE, S.J. Bioexclusion of diseases from dairy and beef farms: Risks of introducing infectious agents and risk reduction strategies. The Vet Jour, 194:143150. 2012. PARRA, B.C.; PARRA, B.S.; ZANGIROLAMI FILHO, et. al. Aspecto sanitrio da transferncia de embries bovinos. Rev Cient Eletro Med Vet, 10. 2008

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 11956 |

    ARTIGO TCNICO 8

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    AUTORA: 1- Hariany Seabra Martins

    Mestranda do Programa de Ps-Graduao em Cincia Animal da Escola de Veterinria da UFMG

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 11958 |

    MOVIMENTAO DE PESSOAS FSICASMovimentao de Pessoas FsicasPerodo de 25 de setembro de 2013 a 26 de novembro de 2013.

    Inscries: Mdicos(as)-Veterinrios(as): 13908 Stefnia dos Santos Gazzinelli13941 Samuel Franklin Chaves Nascimento13953 Daniel Siqueira Vieira13955 Roberto Alexandre Yamawaki13956 Paulo Loureno Dias Junior13957 Thiago Avelar Torres 13958 Felipe Fonseca Pavo13959 Thais Fernanda da Costa E Silva13960 Antonio Marcos Dures Banchiero Junior13962 Aline Lemos Pimenta13966 Marcela Fonte Boa Rabelo13967 Vinicius Ribeiro Silva13968 Mariana Lamounier Drumond13969 Fabiana Maria Mendes13970 Marcio Vinicius Dias Peixoto13971 Ana Paula Lima Perdigo13972 Tatiana Maciel da Silva13973 Gabriela Fernanda Pierazoli13974 Paula Pereira de Almeida13975 Priscilla Arrais Deliami Dastre13976 Clio Alves Pereira Junior13977 Ilza Moreira Barbosa Prado13978 Cristiane Resende13979 Flvio de Almeida Abud Junior13980 Alexandre Manzi Borges13981 Diogo de Castro Andrade13982 Raffael Vieira Caldeira 13983 Leandro Kiosz Morais 13984 Anne Karenine Bartels Oliveira Neves13985 Lucas Pedroso Sampaio13986 Joana Rodrigues dos Santos13987 Jose Geraldo Pereira de Souza Junior13988 Fernando Pelet Nascimento13989 Renata Dias de Castro13990 Claudia Marques Falagan Diniz13991 Amilto Ribeiro da Silva13993 Isabella Gomes Rocha13994 Marcela Maria Vicente Zanon13996 Jose Guilherme Soares Gonalves13997 Gustavo Reis Laredo13998 Andre Hudson Nascimento Olivetti13999 Helena Alves Fialho Cotta14003 Flavia Cristina Queiroz Rinaldi14004 Maria Silvia Guimares Brando Canan14005 Bruno Miranda de Oliveira14006 Marcelo Franca da Silva

    14007 Lidiane Monteiro Finoti14008 Yasminne Santana Valle14009 Rafaela Lima Miqueletti14010 Andrew Baio Cavalero de Macedo Pessoa14011 Nilton Cezar Barcelos Junior14012 Felipe Anastcio Constancio Rodrigues 14016 Fabiana Leal de Oliveira14020 Beatriz Terenzi Seixas14021 Pedro Paulo de Abreu Teles14022 Rafael Jose Ferreira14024 Sergio Luiz Matioli Junior14025 Igor Rafael Gomes Dutra14027 Gabriela Mendona de Sales Barbosa14028 Samuel Franca Tefilo14030 Mariana Roque de Andrade14031 Marcus Paulo Teixeira Pinho14032 Leonardo Vieira Ferreira14034 Atlio Barbosa Guimares14035 Antonio Carlos Soares Aguiar14036 Ana Paula Alves14037 Daniel Magno Soares Aguiar14039 Thiago Amorim Alkmim de Oliveira14040 Mauricio Brito Matos14041 Rita de Cssia Xavier14042 Daniele Cristina Amlio Freguglia14044 Valeria Lucia Gomes da Costa14045 Marianna Barros de Souza Lima14047 Aline Maisa Espote Bianconi14048 Geancarlo Gonalves Degane14049 Camila Campos de Souza14050 Silvia Vieira Iapicca14051 Ulisses Suaid Porto Guimares Borges14052 Juliana Monteiro dos Santos Freire14056 Samuel Douglas Pereira de Oliveira14057 Douglas Rodrigues Almada de Angelis14058 Nayara Aparecida da Silva Oliveira14059 Allynny Mendes da Silva Vilela14060 Ana Helena Alves Franco14061 Danilo Fernandes Campos14062 Jose Aquiles de Oliveira Tosta Junior14063 Luiza Helena Barnabe de Oliveira14064 Tain Lima Rocha14065 Vanessa Cristina Souza14066 Daniel da Cunha Peixoto14067 Maycon Fuzari14068 Ana Ceclia Ferreira Diniz Rezende14069 Moacyr Ferreira Gomes Junior14070 Pablyo de Freitas Silva14071 Lencio Cordeiro Oliveira14072 Isabela Ribeiro de Lacerda e Barros

    14073 Danielli Gonalves de Marco14074 Marcus Vinicius Coutinho Cossi14075 Elis Roberti Perlato do Lago14076 Amanda Olivia Corcetti de Souza14077 Tcia Cristina de Carvalho Ribeiro14079 Ana Paula Porto Romo14080 Yorrana Carla Martins de Melo14081 Anderson Kloster Munhoz14082 Juliana Ribeiro Lucci14083 Muller Carrara Martins14085 Ludmyla Motta Silva14086 Tharccio Dinelli da Silva14087 Jader de Souza Reis14089 Arnaldo Antonio da Silva Junior14091 Tiago Bispo Freitas14093 Janderci Bastos Azambuja Junior14095 Talita Thamara Faria14096 Cristiane de Oliveira Borges14097 Fernando Figueiredo Correia14098 Silvio Quinto Braga14099 Poliana Ferraz Nunes14100 Bernardo Souto Guimares14101 Hudson Heleno Siqueira Mendes14103 Alexandre dos Santos TeotonioZootecnista(s):1965/Z Adriana Paiva de Paula Pinto1966/Z Antonio Eustquio Filho1969/Z Bernardo Murta Salomo1971/Z Daniel Paolinelli Campos1972/Z Victor Maia Santos

    Inscries secundrias:Mdicos(as)-Veterinrios(as): 13963 S Rafaela Moreira de Castro13992 S Ludmila Esper Monteiro14019 S Luiz Henrique Guimares Oliveira14043 S Alexandre de Carvalho Morais14046 S Jose Augusto Piedade de Medeiros14054 S Bruno Uehara14104 S Pedro Paulo Santos Croisfelt

    Reinscries:Mdicos(as)-Veterinrios(as): 4948 Elaine de Carvalho Araujo Costa8697 Ddalo Perez SoaresZootecnista(s):1529/Z Everton de Sousa Pereira Silva

    Transferncias Recebidas:Mdicos(as)-Veterinrios(as): 3071 Maxwell Richard de Almeida7680 Wilson Carlos Augustini de Lima10515 Wanger Diego Verdi Machado13954 Ana Elisa Amaral de Castro13961 Mario Lucio de Almeida Vilela

  • Revista VeZ em Minas - Out./Nov./Dez. 2013 - Ano XXII - 119 | 59

    13964 Marina Nery Fernandes Vasconcelos13965 Tiago Dalessandro Sabato E Sousa14017 Adriani Ribeiro Dias14018 Paulo Cesar dos Santos14053 Fabiana Maria da Mata Reis14055 Gustavo Carvalho da Costa14078 Marcio Nunes Cordeiro Costa14102 Joo Vitor de Abreu FigueiredoZootecnista(s):1970/Z Gerson Eustquio Lopes

    Inscries Provisrias:Mdicos(as)-Veterinrios(as):13995 Paulo Otavio Medeiros de Deus Vieira14000 Mirian Silvia Braz14001 Mariana de Resende Coelho14002 Fernanda Baldy dos Reis Rossetto14014 Plnio Mendes de Oliveira14015 Talita Lopes Serra14023 Gilsimar de Souza Oliveira14026 Thalita Rage14029 Luisa Motta de Morais14033 Douglas Evangelista Braga14038 Ana Carolina Lemes14088 Aline Medeiros de Oliveira14090 Lilian Bernardes da Silva14092 Ludimila de SouzaZootecnista(s):1967/Z Gustavo Teiji Iwasaki Barbosa1968/Z Joo Ricardo Avelar Leite

    Transferncias Concedidas:Mdicos(as)-Veterinrios(as):5904 Joseane de Menezes Conde5965 Jocymar Bayardo Valente Filho8076 Janice Piazzi Papa8114 Rosangela Antunes Terra9148 Luiz Gustavo Alves Silva9322 Genei Mendona de Freitas9378 Fernanda Assaife de Mello9894 Eduardo Ianino Fortes10195 Thiago Freitas de Almeida Mattos10271 Lorraine Sulaiman Abrao Almeida12709 Janaina de Lopes Martins12972 Felcio Alves Motta13627 Gabriella dos Santos Araujo Dair13763 Pricilla Castro PascoalZootecnista(s):1511/Z Wagner Azis Garcia de Araujo1580/Z Elmo Ribeiro do Val Neto

    Cancelamento de inscrio: Mdicos(as)-Veterinrios(as):354 Massami Nakajima1064 Jose Joaquim Melo Lemos

    5046 Marcelo Guimares Soares5051 Letcia Gomes Pereira Magnago5085 Thais Helena Passos Fonseca5335 Cristiane Diniz Matoso Santos7784 Eduardo de Souza Pinto8647 Vivian Nunes Machado8971 Marina Visentini de Araujo Ramiro9174 S Roberto Cini Gerios9217 Tatiana Tavares Silva9622 S Marcelo Cerutti de Castro9729 S Leandro Silva Ribeiro9950 Renata do Carmo Cruz11208 S Fernanda Martinez Xavier Alves11590 Rafael de Morais Garay11750 Josiane Cristina do Carmo SilvaZootecnista(s):67 /Z Guilherme Nogueira Borges139/Z Odcio Antonio Lara441/Z Antnio Manoel Villela de Carvalho1024/Z Leonardo Vieira de Faria1148/Z Maria Cndida de Oliveira Furtado1378/Z Sandra Lion

    Suspenso por aposentadoria: Mdicos(as)-Veterinrios(as):350 Bemvindo Almeida de Aguiar737 Helio Jose Netto1311 Omar Cyrillo Junior

    Cancelamento com Dbito: Mdicos(as)-Veterinrios(as):3233 Regina Machado de Almeida

    Isentos:Mdicos(as)-Veterinrios(as):36 Ronaldo Manoel Pimenta Ribeiro39 Dulio de Oliveira E Souza55 Marion Ferreira Gomes64 Jose Parreira de Jesus71 Paulo Marcos Ferreira132 Jesus de Coracy Ferreira150 Fernando Cruz Laender180 Jorge Rubinich192 Almir Schieber da Gama202 Roberto Ennio Villela Lamounier214 Ccero Rodrigues232 Jose Maria Pereira285 Walter Azevedo Carvalho341 Joo Lisboa Sobrinho364 Lucio Jose Baptista367 Antonio Cataldo Filho398 Jair Rodrigues da Costa494 Jose Miguel Schettini Henriques510 Gabriel Andrade Pereira Filho513 Quinto Antunes Pereira521 Rodrigo Manuel Donado Martinez

    552 Humberto Antunes de Almeida569 Marcilio Azevedo Moreira dos Santos578 Jose Samuel de Souza581 Joo Otavio Pimentel Amorelli587 Ronaldo da Silva Monteiro589 Manuel Jorge Beltrao de Castro626 Antonio Rodrigues de Andrade629 Almir Ronaldo Barbosa646 Abel Gonalves de Oliveira652 Fernando Antonio Ferreira677 Moises Cataldo Santiago682 Antonio Eustquio Prates701 Duvaldo Eurides751 Elio Barros de Siqueira754 Magno Augusto de Matos761 Maria Jose Reis de Almeida Martins807 Jose Ataliba da Silva815 Vanderley Vieira821 Heitor Vono Silva825 Francisca Gracion Freire Giro846 Elmo Gomes Diniz848 Nelson Geraldo Mendes850 Luis Paulo Pires Conde914 Heleno Jose Pereira Junqueira922 Frederico Heitmann Filho924 Antonio Clever Alves990 Humberto Ribeiro de Faria1037 Antnio Lopes Pereira1072 Maria Odorica de Oliveira Fantini1117 Marcilio Magalhes Vaz de Oliveira1153 Jonas Francisco de Assis1223 Joo Batista de Carvalho1226 Jose Ribeiro Filho1394 Renato Rezende Filho1402 Gilberto Menezes1431 Paulo Cezar de Macedo Martins1468 Edmar Bonifacio dos Santos1477 Maria Das Graas Carvalho Moura e Silva1510 Mary Cla Anchieta1608 Bernadete Miranda dos Santos1758 Joo Luis Teixeira1787 Carlos Jose Magalhes Ribeiro1955 Creuza da Silva Albino2901 Umberto Ferreira Britto

    Falecimentos:Mdicos(as)-Veterinrios(as):715 Nilton Costa

    Militar:Mdicos(as)-Veterinrios(as):8053 Vitor Luiz Farias de Abreu

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