N 3 Edio: Jul/Ago/Set 2014

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    07-Jan-2017

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  • Geriatria & Gerontologia

    Revista

    Sociedade Brasileira de

    Geriatria & Gerontologia

    rgo Oficial de Publicao Cientf ica

    EDITORIALA importncia do exerccio fisico e cognitivo

    ARTIGOS ORIGINAISEfeitos do treinamento da memria de trabalho na cognio e no equilbrio em idosos

    Um estudo de denncias infundadas e violncia com pessoas idosas

    Associao entre doena de Parkinson, fora muscular respiratria e intensidade da tosse

    Prevalncia da hipotenso ortosttica em idosos ambulatoriais e institucionalizados

    Barreiras percebidas para a prtica regular de atividade fsica de idosos

    Nvel de atividade fsica, potncia aerbica e percepo subjetiva de perda de memria de mulheres ps-menopausicas

    Envelhecimento e incluso digital: significado, sentimentos e conflitos

    ARTIGO DE REVISORelao entre tratamento da insuficincia cardaca e peptdeo natriurtico do tipo-B

    RELATO DE CASOMtodo mirror visual feedback como recurso teraputico ocupacional na reabilitao do idoso hemiplgico: relato de caso

    ARTIGO ESPECIALDiretrizes da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia sobre contedo de disciplinas/mdulos relacionados ao envelhecimento (Geriatria e Gerontologia) nos cursos de medicina

    ISSN 1081-8289

    Volume 8Nmero 3

    Jul/Ago/Set 2014

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  • EDITORIAL

    A importncia do exerccio fisico e cognitivo | Maysa Seabra Cendoroglo .................................

    ARTIGOS ORIGINAIS

    Efeitos do treinamento da memria de trabalho na cognio e no equilbrio em idosos | Vanessa

    Novaes Barros, Camila de Assis Porto, Jos Virgilino Negro ...................................................

    Um estudo de denncias infundadas e violncia com pessoas idosas | Vania Aparecida Gurian

    Varoto, Renata Belentani ..........................................................................................................

    Associao entre doena de Parkinson, fora muscular respiratria e intensidade da tosse | Ana

    Paula Gama Vieira, Cristiely Ribas Padilha, Jean Felipe Baptistim, Amanda Barbosa Trentini,

    Silvia Valderramas .....................................................................................................................

    Prevalncia da hipotenso ortosttica em idosos ambulatoriais e institucionalizados | Juliana

    Heliodoro Fonseca, Alessandra Tieppo, Livia Terezinha Devens, Renato Lirio Morelato .............

    Barreiras percebidas para a prtica regular de atividade fsica de idosos | Jacilene Guedes de

    Oliveira, Sabrina Pereira de Frana ...........................................................................................

    Nvel de atividade fsica, potncia aerbica e percepo subjetiva de perda de memria de

    mulheres ps-menopausicas | Rafael Mancini, Sandra Matsudo, Monica Pereira, Rosangela

    Villa Marin, Victor Matsudo .......................................................................................................

    Envelhecimento e incluso digital: significado, sentimentos e conflitos | Michele Marinho da Silveira,

    Mirna Wetters Portuguez, Adriano Pasqualotti, Eliane Lucia Colussi .......................................................

    ARTIGO DE REVISO

    Relao entre tratamento da insuficincia cardaca e peptdeo natriurtico do tipo-B |

    Grace Silva Barbosa, Fernanda Veloso Pereira, Eloange Alkmim Lima, Gabriel Bispo De

    Morais, AnaBeatris Czar Rodrigues Barral, Galeno Hassen Sales .......................................

    RELATO DE CASO

    Mtodo mirror visual feedback como recurso teraputico ocupacional na reabilitao do idoso

    hemiplgico: relato de caso | Rafael Arajo Lira, Vanina Tereza Barbosa Lopes da Silva ...........

    ARTIGO ESPECIAL

    Diretrizes da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia sobre contedo de disciplinas/mdulos

    relacionados ao envelhecimento (Geriatria e Gerontologia) nos cursos de medicina | Siulmara Cristina

    Galera, Elisa Franco de Assis Costa, Silvia Regina Mendes Pereira, Nezilour Lobato Rodrigues ............

    INSTRUES AOS AUTORES

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    ISSN 1081-8289

    Volume 8Nmero 3

    Jul/Ago/Set 2014

  • Editora-chefeMaysa Seabra Cendoroglo So Paulo, Brasil (Unifesp)

    CONSELHO EDITORIAL NACIONAL

    Editores AssociadosJoo Macdo Coelho Filho Fortaleza, Brasil (UFC)Jlio Csar Moriguti Ribeiro Preto, Brasil (USP-RP)Milton Luiz Gorzoni So Paulo, Brasil (FCMSC-SP)Rosngela Correa Dias Belo Horizonte, Brasil (UFMG)Wilson Jacob Filho So Paulo, Brasil (USP)

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    CONSELHO EDITORIAL INTERNACIONAL

    Revista GeRiatRia & GeRontoloGia

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    Silvia Regina Mendes Pereira (RJ)Comisso de tica e Defesa ProfissionalPresidente: Silvia Regina Mendes Pereira (RJ)Adriano Cesar Gordilho (BA)Carlos Roberto Takayassu (MT)Cristiane Ribeiro Maus (PA)Emylucy de Paiva Paradela (RJ)Gelson Rubem A. Almeida (MG)Janana Alvarenga Rocha (ES)Joo Senger (RS)Jussimar Mendes de Aquino (MS)Katuscia Karine Martins da Silva (AL)Marcelo Azevedo Cabral (PE)Marcelo de Faveri (DF)Mariste Mendes Rocha (PB)Rangel Osellame (SC)Rodolfo Augusto Alves Pedro (PR)Rosina Ribeiro Gabriele (CE)Tassio Jos D. Carvalho Silva (SP)Yara Maria Cavalcante de Portela (MA)Comisso de ComunicaoPresidente: Salo Buksman (RJ)Fabio Falco de Carvalho (BA)Ivete Berkenbrock (PR)Leila Auxiliadora Jos SantAna (MT)Leani de Souza M. Pereira (MG)Marcela Guimares Assis (MG)Renato Moraes A. Fabbri (SP) Comisso de Cuidados Paliativos Presidente: Daniel Lima Azevedo (RJ)Isadora Crosara Alves Teixeira (GO)Claudia Burl (RJ)Johannes Doll (RS)Jos Francisco Pinto de Almeida Oliveira (RJ)Josecy Maria S. Peixoto (BA)Laiane Moraes Dias (PA)Ligia Py (RJ)Lucia H.Takase Gonalves (SC)Maristela Jeci dos Santos (SC)Toshio Chiba (SP)Comisso de Ttulo de GeriatriaPresidente: Elisa Franco de Assis Costa (GO)Adriano Cesar Gordilho (BA)Karlo Edson Carneiro Santana Moreira (PA)Livia Terezinha DEVENS (ES)Maira Tonidandel Barbosa (MG)Maria do Carmo Lencastre de M.E C. D.Lins (PE) Paulo Jos Fortes Villas Boas (SP)Rodolfo Augusto Alves Pedro (PR)Veronica Hagemeyer Santos (RJ)Comisso de Ttulo de GerontologiaPresidente: Cludia Fl (SP)

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    DiRetoRias Das sees estaDuais Da sBGG

    ALAGOAS Presidente: Helen Arruda Guimares2o Vice-Presidente: Ana Elizabeth LinsDiretor Cientfico: Oswaldo da Silva LiberalBAHIA Presidente: Rmulo Meira2o Vice-Presidente: Fbio FalcoDiretor Cientfico: Lucas Kuhn PradoCEAR Presidente: Joo Bastos Freire Neto2a Vice-Presidente: Lucila Bonfim Lopes PintoDiretor Cientfico: Jarbas de S Roriz FilhoDISTRITO FEDERAL Presidente: Marco Polo Dias Freitas2o Vice-Presidente: Vicente de Paula FaleirosDiretor Cientfico: Leonardo PittaESPRITO SANTO Presidente: Roni Chaim Mukamal2o Vice-Presidente: Neidil Espinola da CostaDiretora Cientfica: Daniela Souza Gonalves BarbieriGOIS Presidente: Isadora Crosara Alves Teixeira2a Vice-Presidente: Viviane Lemos Silva FernandesDiretor Cientfico: Ricardo Borges da Silva

    MARANHOPresidente: Jacira do Nascimento Serra2o Vice-Presidente: Adriano Filipe Barreto GrangeiroDiretores Cientficos: Herberth Vera Cruz Furtado Marques Jnior e Margareth de Pereira de PaulaMATO GROSSO DO SUL Presidente: Jos Roberto PelegrinoDiretora Cientfica: Marta DreimeierMATO GROSSO Presidente: Roberto Gomes de Azevedo2a Vice-Presidente: Roseane MunizDiretora Cientfica: Janine Nazareth Arruda MINAS GERAIS Presidente: Rodrigo Ribeiro dos Santos2a Vice-Presidente: Marcella Guimares AssisDiretora Cientfica: Maria Aparecida Camargos BicalhoPAR Presidente: Karlo Edson Carneiro Santana Moreira2a Vice-Presidente: Maria Izabel Penha de O. SantosDiretor Cientfico: Joo Sergio Fontes do NascimentoPARABA Presidente: Arnaldo Henriques Gomes Viegas2a Vice-Presidente: Mirian Lucia TrindadeDiretor Cientfico: Joo Borges Virgolino

    PARAN Presidente: Debora Christina de lacantara Lopes2a Vice-Presidente: Rosemary RauchbachDiretor Cientfico: Breno Barcelos FerreiraPERNAMBUCO Presidente: Alexsandra Siqueira Campos2a Vice-Presidente: Luisiana Lins LamourDiretor Cientfico: Sergio Murilo FernandesRIO DE JANEIRO Presidente: Rodrigo Bernardo Serafim2a Vice-Presidente: Maria Anglica dos S. Sanchez Diretor Cientfico: Tarso Lameri SantAnna MosciRIO GRANDE DO SUL Presidente: ngelo Jos Bos2a Vice-Presidente: Vania HerediaDiretor Cientfico: Paulo Roberto Cardoso ConsoniSANTA CATARINA Presidente: Paulo Cesar dos Santos Borges2a Vice-Presidente: Silvia Maria Azevedo do SantosDiretora Cientfica: Nagele Belettini HahnSO PAULO Presidente: Renato Moraes Alves Fabbri2a Vice-Presidente: Valmari Cristina AranhaDiretora Cientfica: Maisa Carla Kairalla

    DiRetoRia nacional Da sBGG

  • Base Editorial

    Av. Copacabana, 500 sala 609/610, Copacabana 22020-001 Rio de Janeiro.

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    EDITORIAL

    a iMPoRtncia Do eXeRccio Fisico e coGnitivo

    Barros et al. (Efeitos do treinamento da memria de trabalho na cognio e no equilbrio), Pereira et al. (Nvel de atividade fsica, potncia aerbica e percepo subjetiva de perda de memria), Silveira et al. (Envelhecimento e incluso digital) e Lira et al. (Mtodo mirror visual fee-dback como recurso teraputico) discutem sobre treina-mentos e estmulos relacionados cognio. Idososcom ou sem comprometimento cognitivo tm se beneficiado de treinos baseados em: estratgias; multidomnio video-game; processos velocidade de processamento ou funo executiva incluindo memria, memria de trabalho e inibio da flexibilidade cognitiva; e exerccio fsico (melhora da ateno, velocidade de processamento e funo executiva) (Angevaren et al., Physical activity and enhanced fitness to improve cognitive function in older people without known cognitive impairment); Karbach et al., Making Working Memory Work: A Meta-Analysis of Executive-Control and Working Memory Training in Older Adults).

    Voss et al. observaram em idosos, aps um ano de ativi-dade de caminhada aerbica, que houve associao da pro-tena brain-derived neurotropic factor (BDNF), insulin-like growth factor type 1 (IGF-1) e vascular endotelial growth factor (VEGF) com o aumento da conectividade do lobo temporal, assim como entre o parahipocampo bilateral e o giro temporal medial bilateral (Voss et al., Neurobiological markers of exercise-related brain plasticity in older adults). Os resultados de Suzuki et al. mostraram que o exerccio melhora a memoria lgica e que o BDNF alto foi predi-tor de melhora da funo cognitiva em idosos (Suzuki et al., A Randomized Controlled Trial of Multicomponent Exercise in Older Adults with Mild Cognitive Impairment). Weinstein et al., no TheFramingham Heart Study, suge-rem que altos nveis sricos de BDNF podem prote-ger contra ocorrncia futura de demncia e doena de

    Alzheimer, especialmente em mulheres longevas e com escolaridade mais elevada (Weinstein et al., Serum Brain-Derived Neurotrophic Factor and the Risk for Dementia. The Framingham Heart Study). Anderson-Hanley et al. encontraram benefcios no controle executivo e nas fun-es do lobo frontal (planejamento, ateno dividida e inibio de respostas) em cybercyclists (23% de reduo do risco relativo e interao com BDNF; maior neuro-plasticidade) (Anderson-Hanley et al., Exergaming and older adult cognition: a cluster randomized clinical trial).

    A literatura cientfica apresenta resultados cada vez mais consistentes de que o exerccio regular, fsico e cog-nitivo tem efeitos positivos sobre a cognio de idosos, especialmente longevos, e de que o BDNF est envolvido nesta relao.

    Maysa Seabra CendorogloEditora-chefe

  • Artigo Original

    eFeitos Do tReinaMento Da

    MeMRia De tRaBalHo na coGnio

    e no eQuilBRio eM iDosos

    vanessa novaes Barrosa, camila de assis Portob,

    Jos virgilino negroc

    aLaboratrio de Neurobiologia, Universidade Federal de So Paulo (Unifesp) So Paulo (SP), Brasil. bInstituto Dante Pazzanese (IDCP) So Paulo (SP), Brasil.cCentro Universitrio do Par (CESUPA); Universidade do Estado do Par (UEPA) Belm (PA), Brasil.

    Dados para correspondnciaVanessa Novaes Barros Rua Loefgreen, 2034 Vila Clementino CEP: 04040-003So Paulo (SP), Brasil E-mail: barros.novaes@hotmail.comConflito de interesses: no h.

    Palavras-chave

    Idoso Transtornos da memria Memria de curto prazo

    Keywords

    Aged Memory disorders

    Memory, Short-term memory

    RESUMOObjetivo: Este trabalho visou identificar as repercusses do treinamento da memria de trabalho na cognio como um todo e relacion-las otimizao do equilbrio em idosos. Mtodos: O treinamento da memria de trabalho se deu por meio do Simon Task e do Digit Span durante 12 sesses. Os 13 idosos da pesquisa foram submetidos a avaliaes cognitivas (Miniexame do Estado Mental (MEEM), teste do relgio e fluncia verbal) e de equilbrio (escala de equil-brio de Berg e ndice dinmico da marcha) antes e aps o treinamento para comparao. Os idosos foram subdivididos em dois grupos conforme pontuao do MEEM idosos sem transtorno cognitivo e idosos com transtorno cognitivo. Resultados: No grupo dos idosos sem transtorno cognitivo, pode-se observar um aumento estatisticamente signifi-cante na avaliao do MEEM, teste de fluncia verbal e ndice dinmico da marcha. No grupo dos idosos com trans-torno cognitivo apenas o Miniexame do Estado Mental apresentou melhora estatisticamente significante. Concluso: O treinamento da memria de trabalho otimizou o desempenho de outros componentes cognitivos, principalmente a ateno e o clculo, e a prpria memria de trabalho em si em ambos os grupos. O treinamento da memria de tra-balho foi capaz de otimizar o equilbrio dinmico do grupo dos idosos sem transtorno cognitivo.

    eFFects oF WoRKinG MeMoRY tRaininG on coGnition anD Balance in elDeRlY

    ABTRACTObjective: This study aimed at identifying the effects of working memory training in cognition as a whole, and relate them to optimize the balance in elderly people. Methods: The training was done thought Simon Task and Digit Span during 12 sessions. Thirteen elderly people underwent cognitive (Mini-mental state examination (MMSE), clock test and verbal fluency) and balance evaluations (Berg balance scale and Dynamic gait index) before and after training to compa-rison. They were divided in two groups, according to the score of MMSE elderly people without cognitiveimpairment and elderly people with cognitive impairment. Result: In the group of elderly people without cognitive impairment, we observed a statistically significant increasing in Mini-mental State score, verbal fluency test and dynamic gait index. Inthe group of elderly people with cognitive impairment, only the Mini-mental State Examination showed a statistically significant improvement. Conclusion: The working memory training optimize the performance of other cognitive com-ponents, especially attention and calculation, and of the own working memory in both groups. Theworking memory training was able to optimize the dynamic balance in groups of elderly without disorder.

  • Treinamento da memria de trabalho em idosos | 141

    INTRODUOEstima-se que daqui a 10 anos seremos o sexto pas do mundo com o maior contingente populacional de ido-sos, superior a 30 milhes de pessoas. No pas, o nmero passou de 3 milhes em 1960 para 7 milhes em 1975 e 17milhes em 2006, o que representa um aumento de 600% em menos de 50 anos; em 2014, h previso de aumento para 58,4 milhes at 2060. Com isso, estimam-se maiores ndices de doenas relacionadas ao envelhecimento, da a importncia de pesquisas que busquem criar alternativas para tratamento ou preveno de doenas como doenas cardacas, cncer, doenas respiratrias crnicas e doena de Alzheimer, as quais representam ao todo 69,5% de todas as mortes. Este ltimo vem crescendo substancialmente como principal fator de morte em idosos, subindo de 7 causa de morte em 2000 para 5 causa de morte em 2003.1-3

    A doena de Alzheimer e demais demncias so doenas progressivas e degenerativas que inicialmente comprometem regies cerebrais como o crtex pr-frontal responsvel pelas funes executivas que nada mais so do que operaes mentais que organizam e direcionam os diversos domnios cognitivos para que funcionem de maneira biologicamente adaptativa. Essas funes se manifestam em ambientes que demandam criatividade, respostas rpidas a problemas novos, pla-nejamento e flexibilidade cognitiva.4

    As funes executivas so partes mais complexas da cognio por envolverem integrao de grande quantidade de informao nova com aquelas j memorizadas, planeja-mento de aes, monitoramento e flexibilidade cognitiva. Entre as funes executivas mais estudadas, a memria de trabalho (MT) uma das que mais recebem enfoque.5

    A MT a representao transitria de informaes relevantes para uma determinada tarefa, ou seja, a MT retm a informao no crtex pr-frontal at que seja processada posteriormente por outros circuitos neuro-nais, para serem armazenadas a longo prazo.5,4

    Infelizmente, os processos mnemnicos vo decres-cendo medida que os indivduos envelhecem. O enve-lhecimento traz consigo alteraes como diminuio da densidade do encfalo e das conexes sinpticas ativas que contribuem para o declnio da capacidade cognitiva geral. Porm, estudos afirmam que o idoso que aproveita todo o espectro mnemnico pode postergar esse declnio por meio de utilizao compensatria da rea tecidual menos utilizada pelos idosos com declnio mnemnico.4-6

    Estudos comprovam que em humanos e camundon-gos a eficcia do processamento da MT interfere de forma positiva no desempenho dos animais durante pratica-mente todas as tarefas cognitivas.7 Outra caracterstica observada nas pesquisas de Light etal. que, aps o trei-namento da MT, foi observado um aumento da capaci-dade exploratria dos camundongos, processo que, por si s, otimiza a aprendizagem do animal. Existem dados cientficos consistentes de que um treinamento de uma

    tarefa que demanda eficincia da MT de maneira regu-lar e em tempo apropriado promove alterao no crtex frontal, parietal, gnglios basais, bem como mudanas na densidade dos receptores de dopamina.8

    Com base nisso, pode-se notar que os domnios cogni-tivos no s utilizam conexes afins (chamadas de cone-xes frontoparietais, envolvidas tanto durante MT quanto durante ateno seletiva) como podem tambm utilizar os mesmos mecanismos de transmisso sinptica, o que explica a melhora do desempenho nos demais domnios cognitivos que no haviam sido treinados.8,4

    Em um idoso, h progressivas perdas sensoriais e lentificao das sinapses. Observa-se tambm algum tipo de alterao do equilbrio, mais grave nos indiv-duos com perda cognitiva, pois processamentos cogni-tivos podem lanar mo de mecanismos cerebrais que compensam alteraes menores de um ou mais compo-nentes de controle postural. Diante de uma perturbao postural, um indivduo com perda cognitiva apresenta significante retardo das respostas motoras.9

    O controle do equilbrio depende da resposta do indivduo perante a dificuldade da atividade a ser rea-lizada, bem como das caractersticas do meio ambiente e da capacidade individual. Por isso, a funo cognitiva torna-se to importante na manuteno do equilbrio corporal, tendo em vista que uma desordem nesse sen-tido gera oscilaes, instabilidades e quedas, resultando na reduo de autonomia e funcionalidade, ocasionando a instalao de incapacidades.10,11

    Estudos de Morris etal.12 demonstram que idosos com algum tipo de deficincia cognitiva caem 25% mais que idosos normais. A cognio no deve ser medida apenas por testes que detectam indivduos com possvel demn-cia. Percepo, memria, ateno, processamento de infor-mao, raciocnio e capacidade de solucionar problemas tambm devem ser considerados. A funo executiva constituda pelas trs ultimas e controlada pelo crtex pr-frontal, responsvel pela tomada de deciso. H evi-dncias de que essa regio seja mais afetada pelo enve-lhecimento do que outras reas enceflicas.13

    Com isso, a MT est intimamente ligada aos demais domnios cognitivos, e a cognio, de uma forma geral, est inter-relacionada com alguns aspectos do equilbrio, podendo exercer mudanas significativas nos ndices de quedas em idosos. No foram encontrados trabalhos que abordassem a interferncia de um treinamento da memria de trabalho no equilbrio em idosos. Portanto, algumas perguntas permanecem sem a devida resposta: a otimizao da cognio pode exercer influncia posi-tiva sobre o equilbrio corporal em idosos? Um treina-mento da memria de trabalho poderia melhorar outros domnios cognitivos relevantes para que haja melhora do equilbrio? Se sim, quais so esses domnios cognitivos e quais os aspectos do equilbrio (dinmico ou esttico) que podem ser melhorados com o treinamento da MT?

  • 142 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    MTODOSA pesquisa foi realizada aps a aprovao do projeto pelo Comit de tica em Pesquisa do Centro Universitrio do Par, sendo todos os sujeitos da pesquisa submetidos ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Oestudo foi conduzido na instituio pblica de sade e lazer de ido-sos (denominada Casa do Idoso) no perodo de janeiro a abril de 2011 no municpio de Belm, Par. Ainstituio um centro comunitrio regional de promoo sade, em que so oferecidas aos idosos do municpio de Belm algumas atividades de lazer, esporte e consultas mdicas.

    Tivemos como critrios de incluso pacientes que estavam cadastrados na instituio, com idade entre 65 e 80anos, de ambos os sexos, sem doenas incapacitantes que impedis-sem o treinamento ou as avaliaes do equilbrio, que no utilizavam dispositivos para auxlio da marcha (bengalas e outros), que apresentassem menos de 10 (dez) pontos na escala geritrica de depresso, que tivessem estudado por um perodo entre 4 e 8 anos, e queno estivessem utilizando medicamentos ansiolticos e antidepressivos.

    Os idosos foram divididos em 2 grupos seleciona-dos por meio do score inicial do Miniexame do Estado Mental (MEEM) de cada idoso: o grupo dos idosos nor-mais (7idosos, destes 6 mulheres e 1 homem) e grupo dos idosos com transtorno cognitivo (6 idosos, destes 4mulheres e 2homens). A diviso foi feita com o ponto de corte segundo Brucki etal.14, que definem 26,5 o pontode corte do MEEM para classificao da presena ou ausncia de transtorno cognitivo em indivduos de baixa e mdia escolaridade.

    Os idosos participantes da pesquisa receberam o tra-tamento por aproximadamente 2 meses, no perodo de 2vezes por semana, e cada atendimento teve durao de60minutos, nas dependncias da Casa do Idoso; no total, cada idoso foi submetido a exatamente 12 sesses de treinamento. Destas, 6 sesses com o treinamento por meio das cores15 e 6 sesses de treinamento com o Digit Span.8

    Foram colhidas informaes a respeito dos dados gerais do paciente para a construo do perfil clnico e epidemiolgico dos pacientes com dficit de equilbrio da instituio. Inicialmente, os indivduos foram avalia-dos por meio de um questionrio segundo Yasavage,16 a escala geritrica de depresso, que visa identificar essa patologia nos sujeitos. Cada sujeito da pesquisa recebeu uma ficha individual com 30 perguntas.

    Para avaliao do equilbrio dinmico e esttico, os pacientes foram submetidos a dois testes: ndice da Marcha Dinmica e Escala de Equilbrio de Berg, respectivamente, ambos segundo Shumway-cook etal.17,18 Para a avaliao da cognio, os idosos foram submetidos a trs testes: MEEM,19 o teste de fluncia verbal20 e o teste do relgio.21,22

    Ressalta-se que os pacientes foram submetidos a esses testes duas vezes. A primeira antes do perodo detreina-mento cognitivo, e a segunda aps o perodo de trei-namento cognitivo, para melhor avaliao da eficcia

    do treinamento da memria de trabalho no equilbrio corporal e na cognio dos idosos.

    A avaliao do equilbrio dinmico por meio do ndice dinmico da marcha consiste em diversas tarefas que se resumem em 8 atividades: caminhada na velo-cidade normal, caminhada na velocidade diferente, caminhada com movimentos horizontais da cabea, cami-nhada com movimentos verticais da cabea, mudan-as de velocidade de maneira brusca, caminhada com desvios de objetos, caminhada com passagem por cima de objetos e subir escadas. Para cada tarefa uma pon-tuao era selecionada de acordo com a avaliao dos fisioterapeutas, sendo 0 impossibilidade de executar a tarefa, 1 moderado dficit de equilbrio, 2 leve dficit de equilbrio e 3 sem dficit, normal. Ao final, as pontuaes eram somadas. Um indivduo que exe-cuta todas as tarefas perfeitamente obtm 56 pontos.17,18

    Para a avaliao do equilbrio esttico, a escala utili-zada (escala de equilbrio de Berg) consiste na avaliao do equilbrio durante as seguintes tarefas: transferncia de sentado para em p e em p para sentado, permanncia sentado e em p sem suporte, em p com os olhos fecha-dos, Romberg com os olhos abertos, inclinao do tronco em p sem apoio, pegar objetos que esto no cho a partir do posicionamento em p, olhar ao redor na posio em p, rotao de 360 graus, posio em p com apenas um p apoiado ao cho. A pontuao para cada tarefa varia de 0 (incapaz de realizar a tarefa) a 4 (capaz de realizar nor-malmente). O score mximo para o indivduo que realiza todas as tarefas perfeitamente 56 pontos.17,18

    Para a avaliao da funo cognitiva, o teste do MEEM foi utilizado. Esse teste avalia diversos dom-nios cognitivos, so eles: orientao temporal e espa-cial, memria imediata e de evocao, ateno/clculo, linguagem/nomeao, repetio, compreenso, escrita e cpia de desenhos. A pontuao varia de 0 (no realiza-ram nenhuma atividade corretamente) a 30 (realizaram todas as atividades corretamente).19

    Durante o teste de fluncia verbal, o idoso foi instrudo a falar o maior nmero de frutas que viessem a mente em um perodo de at 60 segundos. Para cada fruta falada, um ponto era computado.20

    Para o teste do relgio, um lpis e uma folha A4 em branco eram entregues ao idoso e era solicitado que desenhasse um relgio indicando 11 horas e 10 minutos. Foram includas escalas de qualidade para cada uma das caractersticas do desenho do relgio: integridade do mostrador do relgio, os nmeros e os ponteiros. Esse sistema atribui entre 0 e 4 pontos para cada uma das referidas caractersticas.21,22

    Aps as avaliaes supracitadas, o treinamento cog-nitivo teve seu incio. Os idosos foram submetidos a dois programas. O primeiro denominado Digit Span, que consiste na apresentao de nmeros; cada nmero permanece por um perodo de um segundo na tela do

  • Treinamento da memria de trabalho em idosos | 143

    computador, e, aps a apresentao dos nmeros, o idoso precisava repetir verbalmente todos os nmeros na sequncia em que foram mostrados. medida que o idoso acertava os nmeros na sequncia exata em queforam mostrados, a lista de nmeros aumentava progressivamente na proporo de um nmero a mais a cada sequncia de nmeros falados corretamente.8

    O segundo treinamento cognitivo se deu por meio do Teste das Cores,15 segundo Simon. O treinamento foi reali-zado por intermdio do monitor de um notebook; um objeto redondo composto por quatro cores diferenciadas entre si era projetado na tela, e disposio do indivduo estava um mouse de computador. Em determinado momento, o objeto piscava uma das cores, e o sujeito da pesquisa devia reproduzir a sequncia exata da cor que piscou; medida que acertava, mais uma cor era adicionado sequncia. Conforme o indivduo acertava a ordem das cores, o nvel de dificuldade aumentava, tanto pelo aumento da sequncia das cores que acendiam quanto pelo aumento da velocidade com que a sequncia de cores era mostrada.

    Para anlise estatstica, foi contabilizada a diferena da pontuao em todos os testes avaliativos antes e depois do perodo de treinamento cognitivo. A anlise estatstica foi feita no programa BioEstat 5.0, e foi realizado o teste aplicado de Wilcoxon, bicaudado (p

  • 144 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    crescente bastante discreta referente mdia das pon-tuaes ao longo das sesses Digit Span, e um aumento brusco nas trs primeiras sesses com o Simon Task. Talresultado evidencia mais uma vez que idosos com transtorno ainda apresentam capacidade de aprendiza-gem e seu dficit mnemnico pode ser retardado com um treinamento apropriado e duradouro.

    Quando analisada a evoluo das pontuaes do grupo normal juntamente com o grupo com transtorno cognitivo no Simon Task, observa-se que, como esperado, durante as primeiras sesses, o grupo com transtorno pontuou menos quando comparado ao grupo normal, porm a diferena da pontuao da primeira sesso ltima no grupo com transtorno maior que a do grupo normal

    *p

  • Treinamento da memria de trabalho em idosos | 145

    (grupo comtranstorno 2,8/grupo normal 2,3). Noentanto, na pontuao do Digit Span esse padro inverte, o grupo normal apresenta diferena entre a pontuao da primeira sesso e a ltima maior que a pontuao do grupo com transtorno cognitivo (grupo com transtorno 1,8/grupo normal 2,3) (Grficos 3 e 4).

    DISCUSSO Segundo estudo de Lord etal.23, foi demonstrado que 30% da populao idosa acima de 65 anos cai pelo menos uma vez por ano, podendo esse percentual aumentar para 50% quando consideradas idades mais avanadas ou idosos que no residem com famlia. Isso condizente com os resul-tados do presente trabalho, visto que, embora 69,2% dos idosos da amostra tenham mais de 65 anos e, portanto, estatisticamente apresentem mais chances de serem vti-mas de queda, apenas 30% dos idosos relataram episdios de quedas, contra 69,2% dos idosos que no relataram queda. Isso pode ser explicado pelo fato de que quase 70% da amostra reside com familiares, o que reduz as chances de quedas em razo dos cuidados redobrados da famlia.23

    Outros estudos afirmam que, alm desses fatores, a baixa funo executiva tambm interfere nas alte-raes de equilbrio, visto que a cognio possui efei-tos diretos sobre o controle postural em razo de sua relao com a capacidade de julgamento e resoluo de problemas, desorientao vsuo-espacial e altera-es comportamentais associadas. Alm disso, idosos com algum transtorno cognitivo tm duas vezes mais chances de apresentar dficit de equilbrio (40 a 60%) do que idosos com funo cognitiva preservada.24-26

    Esse padro tambm foi evidenciado nos resultados obtidos a partir do questionrio que todos os idosos responderam antes do tratamento. Apenas 14,2% dos idosos do grupo normal relataram episdios de queda (1 idoso de 7), contra 50% do grupo com transtorno cognitivo, que afirmaram episdio de queda nos lti-mos 6 meses (3 idosos de 6).

    Em comunho com os estudos de Spirdusso27, dos 8 idosos da amostra deste trabalho que praticam algum tipo de exerccio fsico, 2 relataram episdios de queda, o que equivale a 25% do grupo que pratica exerccio fsico. Dos 5 idosos que relataram ser sedentrios, 2 afir-maram ter cado pelo menos uma vez no ltimo ano, o que equivale a 40% dos idosos sedentrios.28

    A relao entre a otimizao do equilbrio e a cog-nio comprovada em funo do aumento dos sco-res dos idosos sem transtorno cognitivo na escala que avalia o equilbrio dinmico (ndice dinmico da mar-cha). Ouseja, um treinamento da MT pode melhorar o equilbrio corporal dinmico e, consequentemente, prevenir quedas pelo menos em idosos sem transtorno cognitivo. O mesmo no aconteceu nos idosos com transtorno provavelmente por causa da necessidade de maior nmero de sesses no grupo com transtorno cog-nitivo. No entanto, a melhora do equilbrio dinmico no grupo normal (mdia20,7 antes do treinamento e 27,4 depois do treinamento, p

  • 146 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    funo executiva eram menos propensos alteraode equilbrio. A perda da capacidade executiva pode resul-tar na diminuio da capacidade de organizar estrat-gias motoras, influenciando inclusive na velocidade da marcha, principalmente associada a outras tarefas como andar e conversar. Isso se deve ao fato de a funo exe-cutiva ser um componente crtico no desempenho de tarefas motoras de membros inferiores, sendo parte do processo de locomoo direcionada a um objetivo.13

    Outra hiptese que bastante levantada em alguns estudos que correlacionam cognio e equilbrio que a funo executiva talvez seja mais importante que o prprio escaneamento visual e o sequenciamento de um ao motora, por exemplo, levantar a perna para subir um degrau, ficar em p sobre uma perna, colo-car um p na frente do outro, passar de uma cadeira a outra sem auxlio das mos.13

    No entanto, importante salientar que so inmeros os fatores, tanto fsicos quanto psicolgicos, para a perda de equilbrio. E justamente por esse leque de possibili-dades que o real papel da cognio no equilbrio fica de certa forma obscuro. Estudos indicam que o medo de cair influencia significativamente na interao equilbrio-cog-nio. Assim, a capacidade de resoluo de problemas e a tomada de deciso quanto ao melhor lugar ou melhor estratgia motora para transpor obstculos fica comprome-tida. Isso explica o porqu de a maior quantidade de indi-vduos que caram, dos 13 idosos da amostra, ter sido a de sujeitos pertencentes ao grupo com transtorno cognitivo (75%) contra apenas 25% pertencentes do grupo normal.27

    Outra correlao importante objetivada por este trabalho a inter-relao entre a memria de traba-lho (componente da cognio) e outros componentes cognitivos. Acredita-se que a memria de trabalho esteja envolvida em vrias tarefas cognitivas; logo, ao se treinar a memria de trabalho, consegue-se otimi-zar outros componentes no treinados. Uma das expli-caes para isso que os componentes cognitivos por vezes utilizam as mesmas conexes frontoparietais no crtex frontal, as quais so multimodais, ativadas para mais de um tipo especfico de cognio.8,29

    A amostra demonstrou aumento significativo da pontua-o do MEEM aps o treinamento da memria de trabalho tanto o grupo sem transtorno (26,9 antes do treinamento, 28,7 depois do treinamento, p

  • Treinamento da memria de trabalho em idosos | 147

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  • Artigo Original

    uM estuDo De Denncias inFunDaDas

    e violncia coM Pessoas iDosas

    vania aparecida Gurian varotoa, Renata Belentanib

    aProfessora Adjunta do Curso de Gerontologia do Departamento de Gerontologia, Universidade Federal de So Carlos (UFSCar) So Carlos (SP), Brasil.bMembro do Grupo de Pesquisa Gesto em Envelhecimento, UFSCar So Carlos (SP), Brasil.

    Dados para correspondnciaVania Aparecida Gurian Varoto Universidade Federal de So CarlosUFSCar-DGero Rodovia Washington Lus, km 235 CEP: 13565-905 So Carlos (SP), Brasil E-mail: vaniav@ufscar.brConflitos de interesses: no h.Subvencionado pela agncia financiadora: Fundao de Amparo Pesquisa do Estado de So Paulo FAPESP (Auxlio IC) processo no2011/07424-5, e aprovao pelo Comit de tica em Pesquisa da Universidade Federal de So Carlos (CEP/UFSCar) no 144/2011.

    Palavras-chave

    Envelhecimento Violncia

    Sade do idoso Servios de assistncia social

    Organizao social

    Keywords

    Aging Violence

    Health of the elderly Social services

    Social organization

    RESUMOObjetivo: Identificar e analisar junto aos registros de uma Diviso de Polticas de Atendimento ao Idoso a ocorrncia de denncias infundadas e os motivos delas. Metodologia: Estudo retrospectivo, descritivo, documental, com abor-dagem quantiqualitativa. A coleta foi efetuada junto aos registros da Diviso de Polticas de Atendimento ao Idoso e Pessoa com Deficincia, em So Carlos (SP), desde a sua implementao, em fevereiro de 2003, at dezembro de 2010. Resultados: Foram avaliados 1.301 registros de denncias, sendo 169 (13%) delas infundadas. As vtimas eram mulhe-res em 102 (60%) casos. A maior frequncia foi de idosos entre 71 a 80 anos (49; 29%) e predominaram a viuvez (77; 45%) e os casados (35; 21%). Quanto ao tipo de denncia, observamos a negligncia em 61 casos (36%) e abandono em 48 (28%). Apenas em 21% (36) constava a identificao dos sujeitos. Dos 36 (21%) registros com identificao dos sujeitos verificou-se que os profissionais e servios da rea de sade e de proteo ao idoso tiveram destaque, dentre eles: vigilncia sanitria, promotoria, delegacia da mulher, urgncia e emergncia, e polcia municipal. Concluso: Aocorrncia das denncias infundadas foi significativa. Observou-se que existe relao com os denunciantes (profis-sionais e servios da sade e proteo social ao idoso), que pode ser explicada pela escassez de qualificao profissio-nal sobre o tema e da limitao de um trabalho intersetorial entre a Diviso e os outros servios de proteo ao idoso. Melhorias na sistematizao dos registros devem ser efetuadas nesta Diviso uma vez que grande nmero dos regis-tros foi identificado incompleto e sem informao suficiente para averiguao da denncia.

    a stuDY oF unFounDeD accusations anD violence aGainst elDeRlY PeoPle

    ABSTRACTObjective: To identify and to analyze the records of an Elderly Division in order to check the occurrence of unfounded accusations and the reason for these. Methods: A retrospective, descriptive, documentary study with a quantitative and qualitative approach. The data collection was done through the records of the Policy Assistance to the Elderly People andDisabled People Division, in So Carlos city, So Paulo state, since its implementation, in February 2003, until December 2010. Results: 1.301 records of complaints, with 169 (13%) of them were evaluated unfounded. The victims were women in 102 (60%) cases. The highest frequency was elderly between 71 and 80 years (49; 29%), predominated

  • Denncias de violncia contra idosos X denncias infundadas | 149

    INTRODUONa atualidade notam-se grandes avanos tecnolgicos, os quais possibilitam maior qualidade de vida e sade, e con-tribuem para o envelhecimento populacional em todo o mundo. As pessoas e instituies enfrentam novas formas de se organizar e se situar no mbito social, biolgico e psquico, integrando as variveis do processo de envelheci-mento e podendo gerar um conjunto de fatores positivos, ou nem tanto, em quem vivencia os aspectos da velhice.1

    Na medida em que o envelhecimento populacional amplia, o fenmeno da violncia contra os idosos tam-bm cresce. Durante muito tempo os diversos atos de violncia contra os idosos foram tidos como problemas particulares de cada famlia, embasados por contextos culturais, no sendo captada a sua relevncia pelo olhar do profissional de sade, e nem cabendo, portanto, qual-quer interveno por parte do Estado.2

    Os idosos so vtimas dos mais diversos tipos de vio-lncia: desde insultos e agresses fsicas causadas pelos prprios familiares a outros maus-tratos sofridos em transportes pblicos e instituies pblicas e privadas. Observa-se tambm a violncia decorrente de polticas econmicas e sociais, que aumentam ou mantm as desi-gualdades socioeconmicas, ou de normas socioculturais que legitimem o uso da violncia.3

    As formas de violncia contra o idoso podem ser decorrentes de conflitos de interesses entre as geraes jovem e idosa. Ainda se observa em muitos municpios a figura da pessoa idosa como um peso para uma socie-dade capitalista, em que a produtividade ganha destaque no meio social. Por outro lado, a velhice ativa e sau-dvel aponta situaes, e s vezes condies, de maior incentivo de participao social, envolvimento familiar e manuteno da sade como um todo. Entretanto, em se tratando de uma velhice com fragilidade, os aspectos de ser improdutivo, ser dependente ou semidependente em uma ou diferentes reas (econmica, do autocui-dado, da sade fsica, da sade mental) pode favore-cer aspectos da marginalizao e excluso do idoso na comunidade e no contexto familiar.2-4

    A violncia um conceito referente aos processos, s relaes sociais e interpessoais, de grupos, classes e gneros ou identificada dentro das instituies, quando empregam diferentes formas e mtodos de aniquilamento

    ou de sua coao direta ou indireta, causando danos fsicos, morais e mentais.4,5

    Segundo a Organizao Mundial da Sade (OMS), os tipos mais prevalentes de violncia contra idosos so: abusos fsico, psicolgico, sexual e financeiro, abandono, negligncia e, por fim, a autonegligncia.5

    difcil estimar em nmeros, inclusive mundialmente, o peso da violncia contra os idosos, pois so escassas as fontes de dados confiveis e expressivas. Isto porque o fato, na maioria das vezes, oculto pelas famlias, e tambm por muitos profissionais de sade desviarem o seu olhar clnico para a deteco deste tema. Como produto, podem ser gerados registros imprecisos nos pronturios hospitalares, fazendo com que os dados de uma determinada regio no sejam condizentes com a realidade de sofrimento que ela enfrenta. Ainda no h uma conscincia coletiva de denncia dos abusos, assim como no so disponibilizados em todas as cidades ser-vios destinados receptao de tais informaes como o SOS Idoso implantados em muitas localidades.3,5

    O municpio de So Carlos, no interior de So Paulo, conta com diversos programas destinados populao idosa. Levando em conta que esta pesquisa foca o tema violncia contra a pessoa idosa, neste trabalho destaca-se o Centro de Referncia Especializado de Assistncia Social (CREAS), vinculado Secretaria Municipal de Cidadania e Assistncia Social e no qual funciona a Diviso de Polticas e Atendimento ao Idoso e Pessoa com Deficincia. Uma vez registrada a denncia nela, a sua verificao anali-sada por meio de visitas e busca-se a resolutividade dos aspectos que produziram a violncia, quando verdadeira.6

    A Diviso de Polticas de Atendimento ao Idoso e Pessoa com Deficincia de So Carlos foi implantada em 2003. O contato dela com o curso de Graduao em Gerontologia da Universidade Federal de So Carlos (UFSCar) tem ampliado a discusso de mais possibilidades de trabalho, assim como de investigaes de novas deman-das na prpria Diviso e nos servios articulados a ela.

    Esta Diviso vem observando empiricamente o aumento de denncias tidas como infundadas, o que mostra a necessidade de fundamentar cientificamente o assunto para direcionamentos futuros.

    Diante do tema violncia contra a pessoa idosa, pouco abordado pela literatura cientfica, os objetivos deste

    and widowhood (77, 45%) and married (35; 21%). Regarding the type of complaint, we observe negligence in 61 cases (36%) withdrawal in 48 (28%). Only 21% (36) included the identification of subjects. Of the 36 (21%) records identifying the subject was found that professional services and health care and protection of the elderly were highlighted, including: surveillance, prosecution, police woman, and emergency and municipal police. Conclusions: The occurrence of unfounded complaints was significant and it was observed that there is a relationship with the complainant (profes-sional services and health and social welfare services of the elderly), which can be explained by the lack of professional qualification on the subject, and the limitation of an interaction between sectors, the Division and other care services to the elderly. Improvements in systematizing the records should be made in this Division since large number of records was identified incomplete and insufficient information to investigate the complaint.

  • 150 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    trabalho foram identificar e analisar as denncias infun-dadas relacionadas violncia contra os idosos junto aos registros e fontes oficiais da cidade de So Carlos, levan-tar a frequncia e o motivo das denncias caracterizadas como infundadas, identificar o perfil dos denunciantes e indicar possveis motivos da denncia infundada de acordo com os registros efetuados pela Diviso de Polticas de Atendimento ao Idoso e Pessoa com Deficincia.

    MTODOSEste estudo do tipo anlise documental, retrospec-tivo, e foi desenvolvido em uma instituio de refern-cia situada na cidade de So Carlos (SP), que recebe, registra, acompanha e encaminha as denncias de vio-lncia contra os idosos.

    Trata-se de uma pesquisa de cunho quantitativo e qualitativo. Quantitativo porque busca traar a frequn-cia das caractersticas que se repetem no contedo do texto, mostrando a necessidade de se levantar e reunir informaes em contextos identificados como essenciais para o material de anlise; e qualitativo por considerar a presena ou ausncia de uma dada caracterstica ou um conjunto de caractersticas num determinado fragmento da mensagem, tendo interesse na busca pelo significado da existncia dessas denncias infundadas, alm de verificar o teor do material selecionado para anlise.7-9

    Os registros das denncias de violncia na Diviso de So Carlos so armazenados por ela e foram utiliza-dos nesta pesquisa. Analisaram-se todos os registros a partir da implementao desta Diviso, ou seja, de feve-reiro de 2003 at dezembro de 2010.

    A coleta iniciou aps todos os princpios ticos em pes-quisa terem sido cumpridos conforme Resoluo 196/96, e com a aprovao do Comit de tica de Seres Humanos da Universidade Federal de So Carlos (n 144/2011). Tambm foi autorizada anteriormente pela Secretaria Municipal de Cidadania e Assistncia Social de So Carlos, por meio do documento Termo Fiel Depositrio, visando garantir o sigilo de todas as informaes coletadas.10

    A Diviso de Polticas de Atendimento ao Idoso e Pessoa com Deficincia utiliza para o registro da denn-cia uma ficha padronizada e desenvolvida pela equipe cujos dados so registrados manualmente. Esta ficha conta com itens como a identificao da vtima, idade, endereo, caracterizao da denncia e informaes gerais do denunciado e do denunciante.

    Os dados deste pronturio comearam a ser registra-dos em uma planilha do MS-Excel/2007 em 2011. Alguns de seus itens foram modificados com o tempo, e outros foram acrescentados ao corpo desta ficha, como o caso da classificao das denncias, que antes eram divididas em: maus-tratos fsicos; violncia psicolgica; abandono; negligncia; apropriao indbita e outros. Foram inseri-das duas novas opes: orientao e auxlio assistencial.

    Na verificao de todos os registros de denncias da Diviso de Polticas de Atendimento ao Idoso e Pessoa com Deficincia, buscou-se identificar as denominadas e classificadas como infundadas de acordo com a classifi-cao e entendimento da equipe da Diviso.

    Um roteiro de campo foi utilizado como norteador para a coleta. Ele foi adaptado junto planilha do MS-Excel/2007, de acordo com os itens que compreendem a caracteriza-o geral do perfil da vtima (idoso), o tipo de violncia registrado, o perfil do denunciante e questes abertas que indicam os possveis motivos da denncia infundada de acordo com os dados registrados no momento da denn-cia e o encaminhamento denominado denncia infun-dada pela Diviso de Polticas de Atendimento ao Idoso e Pessoa com Deficincia. Avtima foi identificada como pessoa idosa quando tinha idade igual ou superior a 60 anos de acordo com o Estatuto do Idoso (Lei 10.741/2003).11

    A anlise dos dados foi desenvolvida tendo como base as informaes coletadas e sistematizadas na planilha do MS-Excel/2007, ampliada e averiguada segundo o refe-rencial terico e a anlise de contedo.8,9

    RESULTADOSO trabalho constituiu na anlise de 1.301 registros arma-zenados pela Diviso de Atendimento do Idoso e Pessoa com Deficincia. Verificaram-se todos os documentos sendo como foco a indicao de denncias denominadas infundadas aps a sua averiguao e encaminhamento. Na maioria dos registros em que se observou a indica-o de infundada, a nomenclatura mais utilizada pela equipe foi denncia vazia.

    Em um panorama geral, dentre os 1.301 registros verificados, o perfil apresentado pelas principais vti-mas de violncia de mulheres analfabetas, vivas e com renda mdia em torno de um salrio mnimo. A idade prevalente mostra-se entre 71 a 80 anos. J a maior parte dos agressores de acordo com os apontamentos so os filhos e a principal forma de violncia denunciada foi a de negligncia. O perfil do denunciante predominante de pessoas que esto envolvidas em situaes em que o idoso necessita de assistncia, mas no necessaria-mentede vnculo familiar (profissionais de diferentes servios de assistncia sade, social e religioso).12,13

    O nmero de denncias infundadas mostrou-se rele-vante, totalizando 169 (12,99%) ocorrncias. Em 102 (60,00%) destes casos, as vtimas eram mulheres.

    Em relao faixa etria, verificou-se prevalncia de idosos entre 71 a 80 anos, totalizando 49 (29%) dos regis-tros. Tambm foram observadas 46 (27%) vtimas entre 60 e 70 anos; 37 (22%) entre 81 a 90 anos; e 15 (9%) acima de 90 anos. Em 22 (13%) dos documentos, esta informa-o no foi registrada (informao ausente).

    Considerando o estado civil das vtimas, foi possvel avaliar que 77 (45%) delas so vivas e 35 (21%) casadas.

  • Denncias de violncia contra idosos X denncias infundadas | 151

    Quanto aos aspectos do grau de escolaridade, o ndice de analfabetismo mostra-se em evidncia, totalizando 54(32%) dos idosos. Na sequncia, 36 (21%) deles indica-ram ter ensino fundamental incompleto; 27 (16%), ensino fundamental completo; 7 (4%), o ensino mdio; e, por fim, 5(3%) haviam ingressado no curso superior. Em 40(24%) dos registros a informao estava ausente. A Tabela 1 ilustra o perfil da vtima quanto ao grau de escolaridade.

    Em relao a com que as pessoas idosas vtimas de violncia residem, dentre os 169 (100%) registros averi-guou-se que 47 (28%) moram com os familiares (filhos e cnjuge; filhos e netos; genro; nora; sobrinhos; netos; enteados). Na sequncia aparecem vtimas que residem sozinhas (39 pessoas; 23%) e as que vivem apenas com os filhos (34; 20%). Os idosos que moram com seus cnjuges computaram total de 15 (9%), os que residem com os irmos apresentaram-se em 8 (5%) dos regis-tros, e apenas 3 (2%) residem em instituies, dentre eles, dois em instituies de longa permanncia para idosos e o outro estava hospitalizado no momento da denncia. Para finalizar, em 22 (13%) dos pronturios as informaes eram inexistentes.

    Quanto avaliao do perfil dos agressores, ilustrada na Tabela 2, em 95 (56,0%) dos casos trata-se do filho. Emsegundo lugar est categorizado como outros junto aos registros, que somam 20 (12,0%), seguido pelo cn-juge (8; 5,0%) e os irmos, com mesmo ndice, pelos netos (7; 4,0%), sobrinhos (5; 3,0%), o prprio idoso (5; 3,0%), noras (2; 1,0%), e instituio de cuidados com as pessoas idosas (1; 0,5%). Salienta-se novamente um nmero em destaque de 18 (10,5%) registros em que a informao quanto ao perfil dos agressores esteve ausente.

    Sobre o perfil do denunciante, verifica-se a prevalncia dos denominados outros, os quais foram verificados com profundidade e classificados como profissionais e servios da rea de sade e de promoo social, tais como: vigiln-cia sanitria, promotoria, delegacia de defesa da mulher, pronto-atendimento, unidade bsica de sade e polcia municipal, totalizando 49 (29%) registros. Em segundo plano, 18 (11%) foram identificados entre os filhos e 12 (7%), algum outro membro da famlia. Na continuidade, identificaram-se 8 (5%) registros de denncias realizadas por vizinhos e em apenas 4 (2%) as denncias foram fei-tas pelos prprios idosos, que eram vtimas e agressores. A funo de cuidador ou acompanhante na condio de contratado pelo idoso ou pela famlia tambm foi identi-ficada em 2 (1%) pronturios enquanto denunciantes, e, por fim, houve 1 (1%) registro de denncia pelos irmos da vtima. Observaram-se 75 (44%) registros, nmero elevado que no possua esta informao.

    Entre os tipos de denncia categorizados e classificados pela Diviso foram identificados: negligncia (61regis-tros; 36%); abandono (48 registros; 28%); auxlio assis-tencial (15; 9%); denncias sem especificao (15;9%); maus-tratos fsicos (12; 7%); violncia psicolgica (6; 4%);

    Tabela 1 Grau de escolaridade da vtima

    Grau de escolaridade n (%)

    Analfabeto 54 (32)

    Fundamental incompleto 36 (21)

    Fundamental completo 27 (16)

    Mdio 7 (04)

    Superior 5 (03)

    Informao ausente 40 (24)

    Total 169 (100)

    Tabela 2 Perfil dos agressores

    Agressores n (%)

    Filhos 95 (56,0)

    Cnjuge 8 (5,0)

    Irmos 8 (5,0)

    Netos 7 (4,0)

    Sobrinhos 5 (3,0)

    Prprios idosos 5 (3,0)

    Noras 2 (1,0)

    Instituies 1 (0,5)

    Informaes ausentes 18 (10,5)

    Outros 20 (12,0)

    Total 169 (100,0)

    Tabela 3 Registros de casos de denncias infundadas segundo os tipos de violncia registrados na Diviso de Atendimento ao Idoso e Pessoa com Deficincia, entre fevereiro de 2003 e dezembro de 2010

    Tipos de denncia n (%)

    Negligncia 61 (36,0)

    Abandono 48 (28,0)

    Auxlio assistencial 15 (9,0)

    Maus-tratos 12 (7,0)

    Violncia psicolgica 6 (4,0)

    Apropriao indbita 6 (4,0)

    Autonegligncia 4 (2,0)

    Orientao 2 (1,0)

    Outros 15 (9,0)

    Total 169 (100,0)

    apropriao indbita (6; 4%); autonegligncia (4; 2%) e a orientao (2; 1%), indicando que a pessoa necessitava apenas de orientao acerca de um determinado assunto e no especificamente caracterizada por violncia. Todos estes resultados so ilustrados na Tabela 3.

  • 152 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    Considerando as regies nas quais os idosos sofreram violncia ou maus-tratos, a regio de Redeno apresenta 53 (31%) registros, seguida pela regio Vila So Jos (32; 19%).

    DISCUSSOAspectos relacionados ao gnero tm sido identificados e integrados a fatores de risco de violncia, destacando, em alguns estudos, que a mulher, por questes histri-cas e culturais, considera vtima em decorrncia de sua fragilidade e, quando idosa, pode ser considerada dupla-mente frgil em funo das mudanas advindas com o envelhecimento.14-16 claro que esta concepo ao longo dos anos tem mostrado que algumas variveis podem fortalecer esta compreenso, mas que no se pode, de forma alguma, haver generalizao sobre elas, uma vez que a figura feminina na sociedade tem demonstrado o fortalecimento de outros papis sociais. Desta forma, tambm no se pode afirmar a generalizao neste estudo.

    A viuvez est presente em todos os momentos da vida desde a existncia de casais. Novas formas de organizar a vida se fazem presentes frente a situaes de luto e viuvez, como manter uma vida social e saudvel, adversidades econmicas e disfunes emocionais, e para enfrentar essa nova realidade necessrio buscar estratgias de adap-tao. No entanto, esse perodo pode ser acompanhado por grandes conflitos que exigem reorganizao da vida. Verifica-se que as mulheres tornam-se mais vulnerveis ao luto uma vez que tm maior probabilidade de permanece-rem vivas por mais tempo em relao aos homens. Essa imagem da mulher foi consolidada na sociedade por conta de questes histricas e sociais. Em alguns casos, vivas tornam-se dependentes de familiares ou outras pessoas, j que este apoio uma das estratgias para superar esse processo. Porm todo esse vnculo familiar dependente pode acarretar situaes de violncia e considerado uma das hipteses de desencadeamento de maus-tratos.14,15

    Os idosos mencionados neste estudo residem prin-cipalmente com os familiares, que so os seus principais agressores. Esta integrao pode ser explicada levando-se em conta as relaes entre os membros da famlia que podem no ter sido fortalecidas da forma mais positiva ao longo da vida, assim como ao longo do processo do envelhecimento aspectos de fragilidade funcional doidoso podem ser advindos de dificuldades nas formas de cui-dado e de orientaes mais adequadas. Essas variveis so capazes de afetar o cotidiano familiar e gerar situa-es de violncia ao longo do tempo.4,14,15

    A dependncia de uma pessoa idosa no contexto familiar pode se tornar, ao longo dos anos, uma relao de dependncia mtua entre todos os envolvidos e gerar maior ou menor estresse de acordo com as concepes de vida e cuidado dos envolvidos. A essncia do cuidar muitas vezes est contida na relao de obrigao e res-ponsabilidade pela pessoa dependente e na proximidade e

    intimidade que a situao envolve, e essa tarefa de cuidar baseia-se em expectativas sociais. Desempenhar a tarefa de cuidar pode trazer reconhecimento na relao fami-liar e social, assim como pode melhorar a autoestima do cuidador. No entanto, quando essa atividade perdura por muito tempo ou o cuidado no fundamentado em pre-parar-se para o desempenho, o cuidador pode se sentir sobrecarregado e desconfortvel, desencadeando situa-es de maus-tratos contra a pessoa idosa.16,17

    As regies em que os idosos sofreram violncia ou maus-tratos notificadas e em evidncia na Diviso foram as da Redeno e Vila So Jos. As averiguaes das regies mostram-se relevantes para os resultados desta pesquisa, pois o nmero de denncias infundadas pode ter relao com os seus aspectos socioculturais. As regies destaca-das neste estudo so indicadas pelo municpio como as de agrupamento de conjuntos habitacionais populares e possuem caractersticas socioeconmicas de vulnerabili-dade social, alm de serem as mais antigas neste municpio e com nmero significativo de idosos. Tambm obser-vada nessas regies a implementao de equipamentos de suporte e proteo ao cuidado formal populao.6,18

    No possvel afirmar que as regies de destaque so consideradas de maior violncia neste municpio, mas pode-se indicar que o maior nmero de ocorrncias nelas em relao violncia contra a pessoa idosa est em evidncia e se faz necessrio averiguar com maior profundidade o que vem causando essa caracterstica,. Por outro lado, essa indicao pode ser resultado de um trabalho mais detalhado e efetivo por parte das notifica-es de possveis casos de violncia, por meio das uni-dades de sade e de seus profissionais, das populaes ali presentes que possuem maior esclarecimento sobre o Estatuto do Idoso e os direitos dessa populao. Desta forma, denncias so feitas com o intuito de banir situa-es como essas ou as regies mencionadas necessitam de mais compreenso por parte dos profissionais da rea da sade sobre violncia e os tipos de violncia que se encontram na literatura cientfica, assim como sinais de identificao acerca de possveis situaes de maus-tratos e violncia, uma vez que se verificou que o maior nmero de denunciantes so os profissionais de equipa-mentos da rea de sade, indicando possveis hipteses que efetivaram as denncias infundadas.19-21

    Ainda notvel a carncia em relao a estudos mais aprofundados sobre o tema, o que acarreta denncias infundadas que podem estar relacionadas a uma com-preenso de possveis fundamentos de violncia e aspec-tos decorrentes de uma velhice fragilizada assim como a efetividade de polticas pblicas e direitos humanos, aspectos que necessitam de aprimoramento e maior conscientizao na comunidade.20-22

    Dentre as verificaes das denncia em maior evi-dncia (negligncia e abandono) entende-se que os tipos esto relacionados denncia infundada, uma

  • Denncias de violncia contra idosos X denncias infundadas | 153

    vez que a negligncia e o abandono podem indicar direta ou indiretamente as concepes e compreenses da velhice e dos aspectos do envelhecimento esperados no curso da vida, ora identificados como normal ora como patolgico. Esses podero apontar correlaes em relao ao contexto de ficarem ss, de terem um nico responsvel por todos os cuidados necessrios da vida diria, de terem que se cuidar por si mesmos e serem confundidos como abandonos ou negligncias por pessoas que veem as relaes familiares sob outro ponto de vista.22,23 Neste sentido ser que as atividades de cuidado formal e informal esto devidamente fun-damentadas nos princpios tcnicos cientficos do tema estudado em relao heterogeneidade da velhice?

    Vale ressaltar, como apontam alguns autores, que viver s, ou no ter familiares que possam contribuir no dia a dia, no significa ter uma qualidade de vida com prejuzo e, portanto, esses aspectos de abandono e negligncia neces-sitam ser melhor investigados sobre as suas condies.17

    Muitos estudos apontam que os profissionais de sade identificam os familiares tendo influncia direta no bem-estar dos idosos, e quando encontram a pessoa sem suporte julgam a falta de cuidados ou abandono por parte da famlia. Neste mbito, necessria viso mais ampliada da dinmica familiar e verificao com mais detalhes da denncia efetuada para que no haja controvrsias no ato do recebimento da denncia com a realidade em que as pessoas vivem.

    Sabe-se que o envelhecimento pautado num pro-cesso multifatorial e que para entender o universo em que a pessoa est inserida necessrio avaliar os sinais biopsicossociais. Assim, os profissionais devem estar instrumentalizados para construrem melhor concepo da situao e do contexto dos quais o idoso faz parte.21 Neste sentido, o profissional bacharel em Gerontologia certamente pode contribuir no trabalho de uma equipe como a Diviso para ampliar o olhar gerontolgico e contribuir na investigao mais detalhada de causas e perfis da populao idosa vtima de violncia, articular e direcionar com maior propriedade as polticas pbli-cas neste municpio e multiplicar aes mais efetivas para municpios com similaridades.24

    Um dos focos mais importantes desse estudo foi avaliar o perfil dos denunciantes, pois isso pode trazer explicaes para o elevado nmero de denncias infun-dadas recebidas pelo servio. No entanto, esses dados esto escassos nos registros, e um dos aspectos que pode indicar a ausncia de informaes a preservao da identidade dos denunciantes, alm deles terem medo de represlias, principalmente quando possuem algum vnculo familiar. Neste sentido, os denunciantes ten-dem a compactuar com o segredo familiar, assim como a denncia efetuada por uma pessoa idosa contra seu agressor baixa, no caso de ser algum da famlia, e por medo dos efeitos que pode causar no dia a dia de todos.

    Esses aspectos podem explicar a ausncia de dados nas fichas registradas junto Diviso, assim como, a rotati-vidade dos profissionais da equipe, impedindo averigua-o mais detalhada e aprofundada e no uniformizao dos registros efetuados nas fichas, caracterizando alto nmero de registros ausente, ou sem informao.18,19

    O fortalecimento dos aspectos de cuidar de uma pessoa idosa no contexto familiar deve ser trabalhado junto s famlias neste municpio. Identifica-se carncia nas rela-es familiares quando necessrio o cuidado com um idoso mais frgil, assim como a discusso e compreenso no contexto familiar acerca do envelhecimento de cada membro e do coletivo. Neste sentido, aes educativas e intergeracionais deveriam ser ampliadas nos municpios, favorecendo mudanas sociais e culturais relacionadas ao envelhecimento e principalmente o aprendizado de enve-lhecer com mais conscincia sobre possveis mudanas. Ossegmentos de atuao e desenvolvimento de aes estratgicas para favorecer esses itens so certamente reas de atuao do bacharel em Gerontologia.24

    Foi difcil coletar os aspectos que envolvem o denun-ciante e o denunciado, pois no constavam nos registros, mas foi possvel verificar a ligao que esse denunciante possua com a vtima. Verificou-se que a frequncia maior dos denunciantes est vinculada a setores e profissionais de proteo e/ou atendimento ao idoso, dentre eles pro-fissionais que atuam nos servios da rea de sade como hospitais, unidades bsicas de sade e unidades de pron-to-atendimento. A guarda noturna, vigilncia sanitria, a promotoria, a delegacia de defesa da mulher foram desta-ques. Os resultados podem ser analisados de acordo com o que a literatura j aponta sobre a qualificao dos pro-fissionais de sade, ou aqueles que se envolvem ou aten-dem aos idosos, que ainda encontram-se escassos para a identificao ou esclarecimento dos sinais e sintomas relacionados s situaes de violncia ou maus-tratos. Osdados apresentados parecem indicar que a escassez de qualificao neste municpio se faz presente.4,19 Aqua-lificao de cuidadores formais e informais acerca da rea da Gerontologia se faz emergente e o profissional bacharel no assunto pode atuar neste segmento de tra-balho, tanto no que diz respeito organizao de cursos quanto na coordenao de palestras e programas sobre este tema, contribuindo com um olhar mais ampliado das dimenses do dia a dia que envolvem a pessoa idosa em sua dinmica individual e do coletivo.24

    possvel notar a falta de sensibilidade e de conhe-cimento sobre a violncia contra o idoso, e a escassez de estudos nesse meio frente relevncia do problema. A ampliao dos programas de investigao visando ao detalhamento das caractersticas de situaes de violncia necessria, j que eles auxiliam para um melhor plane-jamento de aes efetivas e de enfretamento diante dessa problemtica, possibilitando rpida percepo de que o idoso realmente est sendo vtima de maus-tratos.15

  • 154 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    Vale ressaltar que os denunciantes esto vinculados ou so dos setores de promoo ou garantia dos direitos das pessoas idosas. A obrigatoriedade dos profissionais da rea da sade e de setores que asseguram assistn-cia social e de promoo da vida deve seguir a orienta-o e os procedimentos da tica organizacional e pro-fissional e efetuar denncias em que se identifique ou suspeite de casos de violncia ou maus-tratos aos idosos. Este aspecto pode justificar e explicar o alto ndice de denncias registrado pelas organizaes de atendimento ao idoso e dos profissionais formais de diferentes seto-res.21 Por outro lado, apenas cumprir a legislao, se exi-mindo da responsabilidade tica de reportar denncia, no justifica a denncia em si, uma vez que foi identifi-cado que a prevalncia inclui o contexto das denncias infundadas, no verdadeiras. Certamente o reporte da denncia foi positivo, entretanto, a sua veracidade no. Isso pode ser explicado pela no identificao com pro-priedade de sinais e sintomas de violncia ou maus-tra-tos, indicando anlise empobrecida da situao.

    O levantamento do perfil do denunciante tambm pode direcionar novas formas de compreender causas de violncia ou maus-tratos e/ou outros aspectos por parte do denunciante. Como foi visto, alto o ndice de denunciantes de possveis instituies nas quais estes idosos passaram, como hospitais e prestadores de servi-os sociais e de sade de forma geral, o que pode indi-car que as denncias tenham relao com o contexto de vida e do social onde esto inseridos, e do perfil profis-sional que identifica a possibilidade de atos ou maus-tratos aos idosos com veracidade ou no.3

    Na formao e qualificao dos profissionais que atuam em reas vinculadas aos diferentes servios pbli-cos salientam-se a necessidade e a importncia da inclu-so da temtica da violncia e formas de identificao e notificao da sua veracidade. Inserir o assunto no con-tedo programtico das escolas de formao de profissio-nais da sade e em discusses sobre o tema nos servios voltados para o atendimento de sade se faz necessrio e pode ser um caminho promissor a avanar nessas melho-rias. J que a violncia expressa de mltiplas formas, e muitas vezes pode ser confundida com sinais e sinto-mas relacionados a diversas patologias prevalentes na velhice, aprofundar sobre aspectos do envelhecimento e de sinais e sintomas patolgicos e a diferenciao dos possveis sinais e sintomas decorrentes de atos de vio-lncia poderiam auxiliar nestas melhorias em diferentes comunidades. Portanto, torna-se importante um olhar mais afinado e sistematizado que permita levantar a suspeita e/ou confirmao de abuso contra o idoso.21

    A reciclagem do conhecimento das equipes favorece aes que visam identificao de idosos em situao de risco, na medida em que os profissionais tm contato com eles, em especial os agentes de sade que realizam visitas domiciliares, resultando em relacionamento mais

    direto e frequente, tendo acesso a situaes que no so aparentes durante consultas e podem passar despercebi-das; e os que possuem contato mais rpido para poder identificar por meio de uma anlise gil se o idoso est sendo vtima de qualquer tipo de violncia.21

    Nessa relao de profissionais para a identificao, preveno e identificao em casos de violncia tambm podemos incluir pessoas que atuam nas reas social e de direito. Portanto, necessria a criao de protocolos deatendimento ao idoso que incluam o rastreamentode situaes de violncia e de redes de apoio para os ido-sos vitimados, alm da divulgao de servios dentro da comunidade voltados para o atendimento e encami-nhamento desses casos.23

    CONCLUSOAs denncias infundadas tambm foram efetuadas por vizinhos, os prprios idosos ou entes da famlia. Nesses casos, alguns aspectos podem justificar a no veraci-dade da violncia, como a falta de conhecimento sobre o tema, a falta de sensibilidade de saber diferenciar o que um momento de conflito(s) familiar(es) em rela-o a ato(s) de violncia propriamente dita, a falta de compreenso de alguns comportamentos decorrentes de patologias que podem ser confundidas com neglign-cia no ato de cuidar, etc. Sabe-se que o contexto socio-cultural em que cada pessoa pertence pode influenciar positiva ou negativamente nas concepes de cuidado e atos de violncia, j que compe a viso de mundo e de necessidades de cada indivduo. Neste sentido, aes educativas junto comunidade podem proporcionar e ampliar discusses em prol da melhoria de vida das pes-soas, englobando temas como a violncia e formas de maus-tratos aos idosos e fundamentando e ampliando uma discusso sobre direitos e deveres dos cidados, assegurando e/ou direcionando melhorias das polti-cas pblicas.21 Certamente, nesta dimenso, o bacharel em Gerontologia tem grande habilidade para somar em aes de sensibilizao e fortalecimento.24

    Vale ressaltar que a proteo da vtima gera a neces-sidade de ampliao de interveno dos profissionais principalmente da rea da sade, que devem ter conhe-cimento dos direitos e das leis asseguradas ao idoso. Este conhecimento deve estar associado fcil identificao de risco de violncia, avaliando se ele realmente est sendo vtima de maus-tratos.16

    A execuo da denncia e os procedimentos que se seguem para verificao e resoluo das variveis que a causaram refletem os conceitos e valores sobre o ato de violncia e as aes que podero san-lo, pois incorpo-ram, nesse princpio, mecanismos do ato propriamente dito das variveis de registro e da identificao da denn-cia, assim como das formas de gerenciamento desta informao nos servios de apoio e na comunidade.22,23

  • Denncias de violncia contra idosos X denncias infundadas | 155

    A relao com o denunciante pode ser produto da escassez de qualificao profissional. Como foi mostrado, a falta de conhecimento sobre a problemtica da violn-cia e certos sinais so confundidos e mal interpretados, gerando denncias sem base verdica, alm dos registros dos dados que no conferem classificaes indicadas pela literatura sobre o tema. Esta pesquisa foi realizada com o intuito de contribuir com diretrizes e aes mais especfi-cas para a Diviso, facilitando na interpretao das denn-cias existentes, mostrando a importncia da capacitao dos profissionais para melhor sensibilidade e percepo dos sinais de maus-tratos e polticas pblicas.

    importante assinalar que o trabalho apresenta limita-es associadas falta de pesquisas cientficas e tambm escassez de dados, o que dificultou anlise mais aprofundada.

    Deforma geral, o trabalho trouxe a problemtica das denn-cias infundadas dentro de um servio que as recebe, indi-cando a necessidade do conhecimento da temtica violncia e os desdobramentos que pode causar quando no bem assimilada. Assim, busca-se contribuir junto literatura cientfica sobre o assunto em questo e, quem sabe, ampliar este estudo para outros municpios, integrando mecanismos comparativos sobre o tema e aes diretivas de atuao.

    AGRADECIMENTOS FAPESP, pelo apoio da pesquisa. A Diviso de Atendimento ao Idoso e Pessoa com Deficincia que possibilitou o desenvolvimento deste trabalho e a todos que contriburam para a construo do mesmo.

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  • Artigo Original

    associao entRe Doena De PaRKinson,

    FoRa MusculaR ResPiRatRia

    e intensiDaDe Da tosse

    ana Paula Gama vieiraa, cristiely Ribas Padilhaa, Jean Felipe Baptistima, amanda Barbosa trentinia, silvia valderramasb

    aDepartamento de Fisioterapia da Faculdade Dom Bosco Curitiba (PR), Brasil.bDepartamento de Fisioterapia da Universidade Federal do Paran (UFPR) Curitiba (PR), Brasil.

    Dados para correspondnciaAna Paula Gama Vieira Rua Carlos de Laet, 4.606 Boqueiro CEP: 81730-030 Curitiba (PR), Brasil E-mail: paula_gvieira@hotmail.comConflito de interesses: no h.

    Palavras-chave

    Tosse Doena de Parkinson

    Testes de funo respiratria Idoso

    Keywords

    Cough Parkinson disease

    Respiratory function tests Aged

    RESUMOObjetivo: Avaliar a intensidade da tosse e sua associao com a fora dos msculos respiratrios, os sinais e sintomas motores em pacientes com doena de Parkinson (DP). Mtodos: Em um estudo transversal, foram includos 107 pacientes com DP (65,439,47 anos) e 107 idosos sem DP (65,329,34 anos). Avaliaram-se o pico de fluxo de tosse (PFT), a presso inspiratria mxima (Pimx), a presso expiratria mxima (Pemx) e os sinais e sintomas da DP (The Unified Parkinsons Disease Rating Scale UPDRS). Resultados: O grupo DP mostrou diminuio do PFT em l/s (425,14160,78 versus 481,74148,28, p

  • Doena de Parkinson, Fora Muscular Respiratria e Tosse | 157

    INTRODUOAs disfunes respiratrias so caractersticas comuns da doena de Parkinson (DP),1-5 e as complicaes decorrentes destas alteraes, particularmente as pneu-monias aspirativas, esto associadas elevada morbi-mortalidade nesta doena.6

    A tosse um mecanismo importante de defesa das vias areas, mantendo-as livres de secreo e de corpos estranhos por meio da gerao de um fluxo expiratrio elevado.7 No entanto, para que este mecanismo acontea de forma satisfatria, necessrio haver atividade neu-romuscular intacta e coordenao efetiva.7

    O comprometimento da intensidade da tosse foi demonstrado em doenas neuromusculares como dis-trofia muscular,8,9 esclerose lateral amiotrfica9,10 e leso medular,11 e tambm foi observado em idosos.12

    Em pacientes com DP, o estudo da eficcia da tosse foi demonstrado por meio da monitorizao eletromiogrfica dos msculos abdominais durante a tosse voluntria e reflexa, diminuio da sensibilidade para gerar a tosse reflexa, fora muscular expiratria mxima13 e pico de fluxo de tosse.14

    Como a pneumonia aspirativa acomete os pacien-tes em estgio avanado da DP, e a tosse um eficiente mecanismo de proteo das vias areas, possvel que exista forte associao entre o comprometimento da tosse e a durao, sinais e sintomas da doena. Alm disso, a musculatura inspiratria exerce importante funo na fase inspiratria da tosse, e a capacidade de insuflao pulmonar aparece alterada no paciente com DP.

    MTODOSNeste estudo observacional de corte transversal foram ava-liados pacientes com diagnstico clnico de DP, de acordo com o Parkinsons Disease Society Brain Bank criteria for idiopathic PD (UK-PDSBB),15 entre 40 e 80 anos de idade, estgio I a III da doena, segundo a escala de Hoehn e Yahr Modificada.6 Eles foram recrutados na Associao Paranaense de Portadores de Parkinson, em Curitiba (PR) no perodo de agosto a dezembro de 2012. Para o grupo controle foram convidados indivduos pareados por sexo e idade, sem parentesco com parkinsonianos e sem hist-ria de outras doenas neurolgicas. Excluram-se pacientes com demncias ou dficit do estado cognitivo (Mini exame do Estado Mental < 24),16 tabagistas (consumo de pelo menos 1 cigarro por semana durante 6 meses), e que possuam doen-as respiratrias associadas, como asma, Doena Pulmonar Obstrutiva Crnica (DPOC), fibrose cstica, bronquite, rinite, sinusite e insuficincia cardaca, entre outras.

    O estudo foi aprovado pelo Comit de tica Institucional (parecer n 225.797/2013), e todos os participantes assi-naram um termo de consentimento.

    Aps a incluso no estudo, os participantes foram submetidos a uma avaliao funcional respiratria e de intensidade da tosse, e os pacientes com DP foram

    avaliados na fase on da medicao quanto durao, sinais e sintomas da doena.

    Intensidade da tosseA avaliao do pico de fluxo da tosse foi realizada por meio do aparelho Peak Flow Meter (PFT ASSESS; Health Scan Products Inc., Cedar Grove, NJ, USA), de acordo com o Consenso Brasileiro de Espirometria.17

    Para realizar-se a manobra foi solicitada uma tosse voluntria (realizada por meio de uma inspirao mxima, at a capacidade pulmonar total, seguida de expirao forada mxima, curta e explosiva, com a glote fechada) junto ao bocal do aparelho supracitado. A manobra do PFT se assemelha muito da Pemx, porm a diferena est no fechamento da glote, que ocorre somente durante a manobra da Pemx. Outra diferena que ainda no foram estabelecidos valores de referncia para este parmetro.18

    A tcnica foi repetida at que os valores de pelo menos trs manobras aceitveis fossem obtidos, com variao menor que 10% entre elas e em intervalos de 30 segundos entre cada uma delas, sendo o valor analisado o mais alto entre eles.

    Fora muscular respiratriaA fora muscular inspiratria e expiratria foi avaliada por meio das presses inspiratria e expiratria mxima (Pimx e Pemx) utilizando-se um manovacumetro ana-lgico (Comercial Mdica, Porto Alegre, Brasil), com faixa operacional de cerca de 300 cm/H2O e seguindo as recomendaes da American Thoracic Society.19

    As manobras foram realizadas com o paciente sentado e as narinas ocludas com um clipe nasal. A Pimx foi aferida durante esforo inspiratrio sustentado por dois segundos a partir do volume residual. A tcnica foi repe-tida at que os valores de pelo menos 3 manobras aceit-veis fossem obtidas, com variao menor que 10% entre eles e em intervalos de 1 minuto de descanso. Para Pemx foram adotados a mesma postura e ajuste de equipamen-tos, e o paciente foi orientado a realizar esforo expiratrio mximo a partir da capacidade pulmonar total.

    Os valores de referncia para a populao brasileira esto de acordo com Neder etal.20

    Unified Parkinsons Disease Rating ScaleA Unified Parkinsons Disease Rating Scale (UPDRS), ou Escala Unificada de Avaliao da DP, partes I, II e III, foi utilizada para avaliar os sinais e sintomas motores dos pacientes por meio do autorrelato e da observao cl-nica. Trata-se de uma escala composta por 42 itens divi-didos em quatro partes:

    1) atividade mental, comportamento e humor;2) atividades de vida diria (AVDs);3) explorao motora;4) complicaes da terapia medicamentosa.

  • 158 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    A pontuao em cada item varia de zero a quatro, sendo que o valor mximo indica maior comprometimento pela doena, e o mnimo, normalidade.21

    Anlise estatsticaA anlise dos dados foi realizada por meio do programa estatstico Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) software, verso 16.0 para Windows.

    O tamanho da amostra foi calculado admitindo-se confiabilidade de 95%, poder de teste de 85% e erro amostral mximo de 6%.

    Utilizou-se o Teste de Kolmorov-Smirnov e o Teste de Levene para verificar a distribuio e a homogenei-dade dos dados para as variveis contnuas. A anlise estatstica descritiva (frequncia, mdia, desvio-pa-dro, mediana, intervalo interquartlico) foi utilizada para a caracterizao demogrfica, antropomtrica e clnica dos pacientes avaliados, a depender do tipo de varivel e da distribuio dos dados.

    Analisaram-se as diferenas entre grupos por meio do Teste de Mann Whitney e Teste t de Student, e para as cor-relaes foram utilizados os Testes de Pearson e Spearman, a depender do tipo de varivel e da distribuio dos dados. O nvel de significncia estatstica adotado foi p

  • Doena de Parkinson, Fora Muscular Respiratria e Tosse | 159

    DISCUSSOOs resultados deste estudo demonstraram que pacientes com DP apresentaram diminuio da intensidade da tosse e da fora muscular inspiratria e expiratria. Alm disso, a alterao da intensidade da tosse indicou correlao com a fraqueza muscular respiratria, e sinais e sintomas da doena.

    A efetividade da tosse dependente da magnitude do pico de fluxo e velocidade gerados durante ela.7 A presso intrapulmonar elevada alcanada a partir de inspirao

    profunda (primeira fase da tosse), do fechamento da glote (segunda fase da tosse) e da contrao da musculatura expiratria (terceira fase da tosse) proporciona altos flu-xos na fase explosiva da tosse.22,23 Assim, alteraes em qualquer uma das suas fases, como a incompetncia no fechamento da glote e/ou a inabilidade para abri-la rapi-damente,24 e a fraqueza da musculatura inspiratria e/ou expiratria24 podem gerar reduo da sua eficcia.

    O PFT tem sido frequentemente utilizado para avaliar a intensidade da tosse, o que justifica a aplicao deste instrumento em nosso estudo. Os resultados demonstra-ram reduo da intensidade da tosse em pacientes com DP, sendo os autores especuladores de que estes resul-tados se apoiam em estudos comprobatrios de que o paciente com DP apresenta alterao no fechamento da glote (atraso no fechamento),14 bem como em um com-prometimento da musculatura respiratria.3-5

    Em relao fora muscular respiratria, os resulta-dos demonstraram diminuio da fora muscular (FM) inspiratria e expiratria, o que corrobora diversos estu-dos publicados anteriormente.1-5,25,26

    Alm disso, nossos resultados demonstraram que a diminuio do pico de fluxo de tosse apresentou correla-o moderada com a queda da fora muscular inspirat-ria e expiratria, o que vai de encontro com o que foi dito anteriormente em relao s fases da tosse, sendo que a inspiratria e a expiratria dependem diretamente da fora muscular respiratria.27 O paciente com DP, devido rigi-dez e baixa complacncia da parede torcica, apresenta dis-trbio ventilatrio restritivo e, portanto, capacidade para inflar os pulmes reduzida, diminuindo, assim, o poten-cial para gerar fluxo de ar expirado necessrio para uma tosse efetiva.28 Os autores especulam que isso fundamenta os resultados deste estudo em relao diminuio da FM respiratria e, consequentemente, da intensidade da tosse.

    O presente estudo tambm demonstrou correlao fraca, porm significante, entre a diminuio do PFT e os sinais e sintomas motores da doena avaliados por meio da escala UPDRS. Pressupe-se que a fraca correla-o encontrada deve-se ao fato deste estudo ter avaliado pacientes no estgio inicial da doena (H&Y, I a III), j que os com maior comprometimento da doena no fre-quentavam a associao em que o estudo foi realizado. No entanto, Ebihara etal. avaliaram pacientes dos estgios I a V e no encontraram diferena entre o inicial e o avanado no que diz respeito avaliao da intensidade da tosse. Alm disso, foram avaliados no perodo on da medica-o, o que faz com que os sinais da doena sejam menos frequentes, alterando a percepo do avaliador. Cabe res-saltar que h grande dificuldade em avaliar pacientes na fase off , e talvez, por isso, a grande maioria dos estudos so realizados na fase on da medicao.

    Visto que a principal causa de mortalidade na DP est relacionada pneumonia aspirativa, e sendo a tosse o meio mais efetivo para a eliminao de secreo

    Figura 1 Correlaes entre intensidade da tosse e fora muscular inspiratria e expiratria

    PFE

    (L/s

    )

    Pemx (cm/H2O)

    0 50 100 150

    r2=0,30

    200

    1000

    800

    600

    400

    200

    0

    PFE: pico de fluxo expiratrio; Pemx: presso expiratria mxima.

    Figura 2 Correlaes entre intensidade da tosse e sinais e sintomas da doena

    PFE

    (L/s

    )

    UPDRS

    0 10 20 40

    r2=0,02

    605030

    1000

    800

    600

    400

    200

    0

    PFE: pico de fluxo expiratrio; UPDRS: The Unified Parkinsons Disease Rating Scale.

  • 160 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

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    e higienizao brnquica, recomenda-se fortemente a avaliao da intensidade da tosse na prtica clnica do fisioterapeuta, e principalmente nas doenas neurolgi-cas, neurodegenerativas e neuromusculares.

    CONCLUSOObservamos correlao do pico de fluxo de tosse com diminuio da fora muscular respiratria e sinais e sin-tomas motores em idosos com DP.

  • Artigo Original

    PRevalncia Da HiPotenso

    oRtosttica eM iDosos aMBulatoRiais

    e institucionaliZaDos

    Juliana Heliodoro Fonsecaa, alessandra tieppob, livia terezinha Devensb, Renato lirio Morelatob,c

    aClnica Mdica do Hospital Santa Casa de Misericrdia de Vitria (HSCMV) Vitria (ES), Brasil.bHSCMV Vitria (ES), Brasil.cEscola Superior de Cincias da Santa Casa de Misericrdia de Vitria (HSCMV) Vitria (ES), Brasil.

    Dados para correspondnciaJuliana Heliodoro Fonseca Avenida Fortaleza, 1300, apto. 201 CEP: 29101-574 Itapo Vitria (ES), Brasil E-mail: fonseca.jhf@gmail.comConflito de interesses: no h.

    Palavras-chave

    Hipotenso ortosttica Idoso

    Sade do idoso

    Keywords

    Hypotension orthostatic Aged

    Health of the elderly

    RESUMOObjetivos: Estudar a relao da hipotenso ortosttica em idosos ambulatoriais e institucionalizados. Mtodos: Estudo transversal, sobre idosos com 65 anos ou mais de idade, atendidos em Ambulatrio de Geriatria e residentes em instituio de longa permanncia (ILPI). Resultados: Foram avaliados 135 indivduos, 38 da ILPI com 789anos de idade (50% de homens) e 97 atendidos no Ambulatrio de Geriatria com 787 anos (78,4% mulheres). Afre-quncia de hipertenso arterial foi de 55,3% na ILPI e 78,4% na comunidade (p=0,01). Observamos hipotenso ortosttica em de 7,9% na ILPI e 3,1% nos idosos da comunidade. Os frmacos associados hipotenso ortosttica foram: os antidepressivos odds ratio (OR=10,18 (IC95% 1,3079,52), p=0,02 e anticonvulsivantes OR=251 (IC95% 1,5567,44), p=0,01. A presena de quedas nos ltimos seis meses foi de 26,3% na ILPI e 27,8% dos pacien-tes ambulatoriais. No observamos associao de quedas com hipotenso ortosttica, OR=1,34 (IC95% 0,237,66). Concluso: A hipotenso ortosttica foi mais frequente nos idosos institucionalizados; estava associada a antide-pressivos e anticonvulsivantes, e no foi associada a quedas nesta populao estudada.

    PRevalence oF oRtHostatic HYPotension in elDeRlY Patients FRoM aMBulatoRY anD institutionaliZeD

    ABSTRACTObjectives: To study the relationship of orthostatic hypotension in outpatients and institutionalized ones. Methods: Cross-sectional study of elderly aged 65 or older, who were attended in a geriatric ambulatory and resi-dents in long-stay institutions (ILPI). Results: They were evaluated 135 individuals, 38 of ILPI with 789years of age (50% men) and 97 geriatric outpatient clinic with 787 years (78.4% women). The frequency of hyperten-sion was 55.3% in ILPI and 78.4% in the community (p=0.01). Orthostatic hypotension was observed in 7.9% in ILPI and 3.1%in elderly in the community. The drugs associated with orthostatic hypotension were: anti-depressants odds ratio (OR=10.18 (95%CI 1.3079.52), p=0.02 and anticonvulsants OR=251 (95%CI 1.5567.44), p=0.01, 01. The presence of falls in the last six months was 26.3% in the ILPI and 27.8% of outpa-tients. Noassociation between falls and orthostatic hypotension, OR=1.34 (95%CI 0.237.66). Conclusion: Theorthostatic hypotension was more frequent in elderly in institutions; it was associated with antidepressants and anticonvulsants, and was not associated with falls in this population.

  • 162 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    INTRODUODe acordo com Gupta, a prevalncia aproximada de hipotenso arterial em ortostase (HO) na populao ambulatorial de 20% em maiores de 65 anos e 30% nos maiores de 75 anos. Foi descrita, tambm, uma importante prevalncia de HO (50%) em pacientes ins-titucionalizados. Essa prevalncia de HO em pacientes de uma Instituio de Longa Permanncia de Idosos (ILPI) e o aumento desta no grupo de idade mais avanada, cujos idosos so considerados mais frgeis e portadores de mltiplas patologias, indicam que a institucionalizao e as mudanas do envelhecimento so grandes facilitadores de HO.1

    A hipotenso arterial ortosttica caracterizada pela diminuio da presso arterial sistlica (PAS) de no mnimo 20 mm Hg ou pela reduo da presso arterial diastlica (PAD) de no mnimo 10 mmHg durante um perodo de 1 a 3 minutos em ortostase. Pode-se classifi-car a HO em assintomtica ou sintomtica. Os sintomas so causados pela m perfuso cerebral decorrente da HO, sendo os mais frequentes: vertigem, sncope, turva-o visual, fraqueza, fadiga, quedas, nuseas, confuso, palpitaes, tremores, cefaleia ou dor cervical.2

    O objetivo deste estudo foi estudar a relao da hipo-tenso ortosttica em idosos ambulatoriais e institucio-nalizados com frmacos e quedas.

    MTODOSEstudo transversal, em uma amostra por convenincia de indivduos com 65 anos ou mais de idade, de ambos os sexos, do servio de Geriatria do Hospital Santa Casa Misericrdia de Vitria e residentes de uma instituio de longa permanncia, Lar de idosos AVEDALMA, locali-zado em Cariacica, Esprito Santo. Consideramos para este estudo o perodo de maio de 2011 a maio de 2012. Foram excludos os pacientes portadores de sndrome de imobi-lidade, de Doena de Parkinson e de insuficincia renal crnica. Aps a leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) para os pacientes ou seu respons-vel e o aceite em participar do estudo, foi preenchido um questionrio pelo pesquisador e realizada a avaliao do paciente. O projeto aprovado no CEP-EMESCAM em 29 de maro de 2011 (sob o nmero 2011/007).

    Foram realizadas trs aferies da PA (sentada e em ortostase), e considerada a mdia aritmtica dos valores obtidos. O esfigmomanmetro automtico utilizado foi o OMRON (modelo HEM-711 CINT).3

    Alm das aferies, questionou-se sobre a sintoma-tologia da hipotenso arterial ortosttica. Os principais sintomas investigados foram: vertigem, turvao visual, fraqueza, fadiga, nuseas, palpitaes, tremores, cefaleia ou dor cervical.

    Considerou-se HO uma reduo da PAS de pelo menos 20 mmHg ou uma reduo da PAD de pelo menos 10mmHg no perodo mximo de 3 minutos de postura ereta.

    Anlise estatstica: para comparar as mdias e o des-vio padro das variveis contnuas, empregou-se o teste t para amostras independentes, e para as categricas, por meio de percentagem, o teste 2. Para testar a hiptese de associao com frmacos, sintomas clnicos ou incidn-cia de quedas entre os grupos, usou-se o modelo multiva-rivel de regresso logstica com o mtodo passo a passo para frente (Foward: LR), com modelo de aderncia de Hosmer-Lemeshow, para avaliar quo bem o modelo esco-lhido se ajusta. Foi empregada estatstica paramtrica ou no paramtrica, de acordo com a distribuio da amostra, mtodo de Kolmogorov-Smirnov, para comparar os gru-pos de pacientes da ILPI e atendidos no Ambulatrio de Geriatria. Valores p

  • Hipotenso ortosttica em idosos | 163

    No observamos associao dos frmacos empregados com as quedas nos ltimos seis meses (Tabela 4).

    DISCUSSOA amostra ambulatorial foi predominantemente formada por mulheres (78,4%), e a amostra da ILPI foi paritria.

    O maior contingente feminino j era esperado, visto que, no censo populacional de 2010 da cidade Vitria, Esprito Santo, a populao idosa constituda por, aproximada-mente, 38% de homens e 62% de mulheres. Alm disso, sabido que a populao feminina busca mais por aten-dimento mdico e apresenta maior expectativa de vida.4

    Segundo dados de 2009 do Ministrio da Sade, a prevalncia de HAS em Vitria, Esprito Santo, foi de 55,6%.5 Nota-se que a amostra ambulatorial apresentou maior taxa de frequncia de HAS que a populao geral, e a amostra da ILPI, taxa compatvel de prevalncia de HAS. Observou-se uma importante adeso medicamen-tosa aos anti-hipertensivos na populao estudada, pos-sivelmente em razo da periodicidade das consultas no Ambulatrio de Geriatria, acrescida do incremento das polticas pblicas na conscientizao da populao e na facilitao da aquisio dos medicamentos para HAS. Mesmo com a grande adeso, existe o vis de qualidade da adeso, pois se sabe que os pacientes so corretamente orientados a fazer uso da medicao, mas no temos con-trole sobre o seguimento das recomendaes prescritas.

    De acordo com Lipsitz, citado por Vishal, a prevalncia aproximada de hipotenso arterial em ortostase em pessoas idosas que buscam atendimento ambulatorial de 20% em maiores de 65 anos e 30% nos maiores de 75 anos.1 Porm, segundo Romero-Ortuno, a prevalncia em idosos pode variar entre 5 e 30%, e o segundo distrbio pressrico mais comum, perdendo apenas para HAS. Essa prevalncia maior de HO em pacientes de ILPI indica que a institucionaliza-o, local com grande contingente de idosos frgeis, e as mudanas do envelhecimento so grandes facilitadores de HO. Os demais fatores de risco so: uso de medicamentos, hipertenso arterial sistmica mal controlada, cardiopatias, diabetes, sndrome de fragilidade, comuns em indivduos idosos.6 Adiscrepncia entre a literatura e os valores de prevalncia citados, possivelmente, so decorrentes dos poucos estudos sobre o tema, da dificuldade de analisar uma amostra grande e dos vieses presentes. Dos estudos avaliados, a maioria foi realizada em pases desenvolvidos, com uma realidade totalmente diferente da nossa, tanto quanto aos aspectos constitucionais dos indivduos como quanto aos aspectos socioeconmicos e educacionais.7,8 Alm disso, as amostras eram muito especficas, contem-plando apenas uma parcela da populao idosa. Os prin-cipais frmacos associados hipotenso arterial em idosos foram: antidepressivos e anticonvulsivantes.

    Independentemente da associao com hipotenso ortosttica, os frmacos mais prevalentes na populao estudada foram: antipisicticos, nos idosos instituciona-lizados, e benzodiazepnicos, nos idosos ambulatoriais. Aao sedativa muito benfica durante a noite, mas deve-se lembrar do possvel efeito rebote ou da continua-o dos efeitos durante o dia. A prevalncia de uso de ben-zodiazepnicos encontrada nos idosos da comunidade foi muito superior quando comparada literatura. Hanlon

    Tabela 4 Associao de frmacos com quedas nos seis meses anteriores

    OR IC95% Valor p

    Benzodiazepnicos 1,53 0,593,93 0,37

    Antipsicticos 1,36 0,404,64 0,62

    Antidepressivos 2,42 0,757,84 0,13

    Anticonvulsionantes 0,84 0,144,84 0,85

    Tiazdicos 0,45 0,201,08 0,06

    Inibidores adrenrgicos

    0,37 0,151,24 0,10

    BloqCanalCalcio 1,20 0,463,15 0,70

    IECA 1,47 0,593,64 0,39

    BRA 1,48 0,583,74 0,40

    *Teste de regresso logstica; OR: odds ratio; IC95%: intervalo de confiana de 95%; IECA: inibidores da enzima conversora de renina-angiotensina; BRA: bloqueatores da angiotensina.

    Tabela 3 Regresso logstica mltipla

    Frmacos em uso contnuo

    OR IC95% Valor p

    Anticonvulsivantes (8 pacientes)

    10,25 1,5567,44 0,01

    Antidepressivos (13 pacientes)

    10,18 1,3079,52 0,02

    *Teste de regresso logstica binria, com modelo de aderncia de Hosmer-Lemeshow; OR: odds ratio; IC95%: Intervalo de confiana 95%.

    Tabela 2 Comparao da prescrio dos frmacos na Instituio de Longa Permanncia de Idosos e Ambulatrio de Geriatria

    ILPIn=38

    Ambulatoriaisn=97

    Valor p

    Benzodiazepnicos 15,8% 21,6% 0,63

    Antipsicticos 34,2% 3,1%

  • 164 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    REFERNCIAS

    1. Gupta V, Lipsitz LA. Orthostatic hypotension in the elderly: diagnosis and treatment. Am J Med. 2007;120(10):841-7.

    2. The Consensus Committee of the American Autonomic Society and the American Academy of Neurology. Consensus statement on the definition of orthostatic hypotension, pure autonomic failure, and multiple system atrophy. Neurology. 1996; 46(5):1470.

    3. Sociedade Brasileira de Cardiologia. VI Diretrizes Brasileira de Hipertenso. Rev Bras Hipertens. 2010;17(1):4.

    4. Prefeitura Municipal de Vitria. Censo 2010. http://legado.vitoria.es.gov.br/regionais/Censo_2010/dados_sinopse_populacao.asp. (Acessado em: 27/2/2012)

    5. Ministrio da Sade. DATASUS. http://www2.datasus.gov.br/DATASUS/index.php. (Acessado em: 27/2/2012)

    6. Romero-Ortuno R, Cogan L, Foran T, Kenny RA, Fan CW. Continuous noninvasive ortostatic bloond pressure measurements and their relationship with ortostatic intolerance, fall, and frailty in older people. J Am Geriatr Soc. 2011;59(4):655-65.

    7. Hajjar I. Postural blood pressure changes and orthostatic hypotension in the elderly patient: impact of antihypertensive medications. Drugs Aging. 2005;22(1):55-68.

    8. Hanlon JT, Horner RD, Schmader KE, Fillenbaum GG, Lewis IK, Wall WEJ, etal. Benzodiazepine use and cognitive function among community-dwelling elderly. Clin Pharmacol Ther. 1998;64(6):684-92.

    etal. estudaram 2.765 idosos, nos EUA, e encontraram uma prevalncia de uso de benzodiazepnicos de 9,5%.8

    No observamos associao entre hipotenso arterial ortosttica e quedas, nem associao entre os frmacos empregados e as quedas nos ltimos seis meses. Acredita-se que tais fatos sejam justificados pelo tamanho da amostra e por se tratar de uma amostra com mdia de idade infe-rior a 80 anos, ainda pouco acometida pela fragilidade.

    Entre as limitaes observadas neste estudo, destacamos o fato de ser uma amostra por convenincia em um ambula-trio de referncia, a amostra ser pequena na ILPI e a dificul-dade de inferncia estatstica por ser um estudo transversal.

    CONCLUSOA HO foi mais frequente nos idosos institucionalizados; estava associada a antidepressivos e anticonvulsivantes. e no foi associada a quedas nesta populao estudada.

    AGRADECIMENTOSAo Dr. Renato Lirio Morelato, Dra. Livia, Terezinha Devens e Dra. Alessandra Tieppo, ao Hospital Santa Casa de Vitria e ILPI AVEDALMA, bem como ao APOIO CNPQ/Programa Institucional de Bolsas de Iniciao Cientfica (PIBIC).

  • Artigo Original

    BaRReiRas PeRceBiDas PaRa a PRtica

    ReGulaR De ativiDaDe Fsica De iDosos

    Jacilene Guedes de oliveiraa, sabrina Pereira de Franab

    aPrograma de Residncia Multiprofissional de Interiorizao de Ateno Sade da Famlia, Centro Acadmico de Vitria, Departamento de Educao Fsica, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Vitria de Santo Anto (PE), Brasil.bCentro Acadmico de Vitria, Departamento de Educao Fsica, UFPE Vitria de Santo Anto (PE), Brasil.

    Dados para correspondnciaJacilene Guedes de Oliveira Rua Delfim Moreira, 143 Vrzea CEP: 50740-220 Recife (PE), Brasil E-mail: jaci_guedes@hotmail.comConflito de interesses: no h.

    Palavras-chave

    Atividade motora Idoso

    Ateno primria sade

    Keywords

    Motor activity Aged

    Primary health care

    RESUMOObjetivo: Identificar as barreiras para a prtica regular de atividade fsica dos idosos cadastrados nas Unidades de Sade da Famlia do municpio da Vitria de Santo Anto, Pernambuco. Mtodos: A amostra foi composta por 88idosos cadastrados em oito Unidade de Sade da Famlia. A coleta dos dados foi realizada atravs da aplicao de questionrios para obteno das caractersticas gerais, comorbidades, fatores de risco, percepo de sade e bar-reiras para a prtica regular de atividade fsica. Para a anlise dos dados foi utilizada a anlise descritiva e o teste do qui-quadrado, foi adotado p

  • 166 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    INTRODUONo sentido de proporcionar melhores condies de vida aos anos adicionais, tem sido sugerida a prtica regular de atividade fsica (AF) durante 3 a 5 dias por semana, de intensidade leve a moderada, com dura-o de 30 minutos.1 As atividades para o pblico idoso devem incluir exerccios aerbicos, de fortalecimento muscular, equilbrio, coordenao e flexibilidade,1 com o propsito de auxiliar na preveno e no tratamento de doenas crnicas, contribuindo para reduo das taxas de mortalidade e morbidade.2 Alm disso, pode retardar os declnios funcionais, diminuir o ndice de quedas, aumentar a independncia, melhorar o con-tato social e a sade mental.3

    Apesar desses benefcios, a maioria dos idosos leva uma vida sedentria,3,4 e esse comportamento pode ter relao com a idade e com as alteraes que acometem os idosos em vrios sistemas (fisiolgicos, anatmicos, psicolgicos). O aumento da idade, assim como outros fatores de diversas ordens (fsicos, comportamentais, ambientais e culturais) podem influenciar de maneira negativa a prtica regular de AF, sendo considerados barreiras ou determinantes negativos.5 A investigao das barreiras associadas prtica regular de AF tem sido uma preocupao da comunidade cientfica, uma vez que a compreenso das mesmas fornece importan-tes informaes para a elaborao e o desenvolvimento de estratgias mais efetivas para o estmulo prtica.6

    Existem diversas barreiras para a prtica regular de AF, e estas parecem ter relao com o tipo de popu-lao estudada. Em estudo realizado com homens e mulheres idosos do Reino Unido foi evidenciado que as principais barreiras foram a falta de tempo de lazer e a falta de motivao.7 J o estudo realizado com indi-vduos diabticos verificou que as principais barreiras foram o cansao, a falta de tempo e a falta de instala-es locais para a prtica.8

    Em face das consideraes anteriores, algumas aes tm sido desenvolvidas no sentido de promover a prtica de AF em idosos.9 No municpio da Vitria de Santo Anto, em Pernambuco, o Ncleo de Apoio a Sade da Famlia (NASF) que d suporte s Unidades de Sade da Famlia (USF) vem desenvolvendo diversas atividades de promoo sade. Dentre elas existem alguns grupos de AF que so realizados nas comunida-des (praa, igreja, escola e nas USF ), e que so abertos a toda a populao. No entanto, percebe-se uma baixa adeso da populao idosa.

    Diante disso, sentiu-se a necessidade de compreen-der quais barreiras impedem a prtica regular de AF por esses idosos. Sendo assim, este estudo teve como objetivo identificar as barreiras para a prtica regular de AF por idosos cadastrados nas USF do Municpio da Vitria de Santo Anto, Pernambuco.

    MTODO

    Caracterizao do estudo e recrutamento dos participantesTrata-se de um estudo descritivo transversal. O recru-tamento dos idosos foi realizado na rea de cobertura do NASF que abrange oito USF do Municpio da Vitria de Santo Anto, a saber: USF do Ldia Queiroz, USF do Maranho, USF de Redeno, USF de Dr. Alvinho, USF de Mrio Bezerra, USF de Jardim Ipiranga, USF de Loteamento Conceio e USF de Cidade de Deus. Durante o perodo de julho a novembro de 2013 foram selecionados 88 ido-sos que atenderam aos seguintes critrios de incluso: idade maior ou igual a 60 anos, ser cadastrado na USF e apresentar interesse em participar do estudo.

    Previamente coleta de dados, os participantes foram informados sobre os procedimentos envolvidos na reali-zao do estudo e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Este estudo foi aprovado pelo Comit de tica em Pesquisa da Universidade Federal de Pernambuco, sob protocolo n 16668413.3.0000.5208 e cumpriu com os princpios ticos contidos na Declarao de Helsinque.

    Caractersticas gerais, comorbidades, atividade fsica e fatores de riscoPara obteno dos dados sociodemogrficos foi utilizado um questionrio que contemplou dados referentes a idade, nvel socioeconmico, escolaridade e estado civil. Alm disso, foram identificadas a presena de comorbidades (hipertenso arterial, diabetes, dislipidemia e cardiopatias), fatores de risco cardiovascular (tabagismo e consumo de lcool) e se praticava AF trs ou mais vezes na semana.

    Percepo de sadeA percepo de sade foi avaliada atravs da seguinte per-gunta: De um modo geral, em comparao com pessoas da sua idade, como o(a) Sr.(a) considera o seu prprio estado de sade?. Essa pergunta foi realizada de forma direta e possibilitou medir a autoavaliao do estado de sade numa escala de cinco categorias (muito bom, bom, regular, ruim ou muito ruim).10

    Barreiras para a prtica regular de atividade fsicaPara obteno das informaes sobre as barreiras pessoais para a prtica regular de AF foi utilizado o Questionrio sobre Barreiras para Prtica de Atividades Fsicas para Idosos (QBPAFI).11 Nesse questionrio apresentada uma lista de 22 possveis barreiras e pede-se ao participante para indicar com que frequncia cada barreira se apre-senta em uma escala Likert de cinco pontos: 1 (sempre); 2 (muitas vezes); 3 (algumas vezes); 4 (poucas vezes); 5(nunca). O mtodo de escala permite avaliar quantita-tivamente a percepo de barreiras, o que confere maior preciso importncia de cada barreira separadamente.

  • Barreiras para atividade fsica | 167

    Os questionrios foram aplicados atravs de entre-vistas diretas na prpria USF e nos grupos de promoo sade realizados pelo NASF e USF. Os demais idosos, que no participavam de nenhum grupo, receberam visi-tas domiciliares da entrevistadora, atravs dos agentes comunitrios de sade (ACS).

    Anlise estatsticaOs dados foram tabulados no programa Microsoft Office Excel 2010 e analisados no programa estatstico SPSS (verso 18). A anlise descritiva incluiu mdia, desvio padro, frequncia relativa e absoluta, enquanto que para anlise inferencial foi aplicado o teste qui-quadrado para avaliar a associao entre as variveis.

    RESULTADOSParticiparam do estudo 88 idosos cadastrados em oito USF do municpio da Vitria de Santo Anto, Pernambuco. NaTabela 1 so descritas as caractersti-cas gerais dos sujeitos. A mdia de idade dos indivduos foi de 68,86,01anos e mais da metade da amostra foi composta por mulheres (86,4%), solteiras (65,9%) e com escolaridade at o ensino fundamental I incompleto (67,1%). Aausncia da prtica regular de AF foi repor-tada por 62,5% dos entrevistados. Em relao renda familiar, a maior parte da amostra encontrava-se na classe D (93,1%). A comorbidade de maior prevalncia foi a hipertenso arterial (76,1%), seguida da dislipidemia, diabetes e cardiopatia. Quanto percepo de sade, 44,3% dos idosos consideraram sua sade como regular.

    Na Tabela 2 so apresentados os dados referentes s frequncias absolutas e relativas quanto percepo de barreiras dos idosos. Foram assumidas duas cate-gorias dentre a escala Likert de 5 pontos: 1 (sempre), 2 (muitas vezes), 3 (algumas vezes), 4 (poucas vezes) e 5 (nunca). As categorias foram: alta percepo, quando reportada como sempre, muitas vezes ou algu-mas vezes, o que indica que a barreira exerce alguma influncia sobre prtica regular de AF; e baixa percep-o, quando assinalada como poucas vezes ou nunca, o que indica que a barreira exerce pouca ou nenhuma influncia sobre a prtica regular de AF. Os dados referentes ao questionrio indicaram duas barreiras predominantes (acima de 30%): tenho uma doena (52,3%) e sem tempo livre (30,6%). J as menos per-cebidas foram: crer que atividade fsica no faz bem (98,4%), experincias desagradveis (96,6%), muito gordo/magro (96,6%), roupa/equipamento (95,5%) e incontinncia urinria (95,5%).

    Ao analisar a percepo das barreiras entre o grupo que pratica AF regularmente (PAFR) e aquele que no pratica AF regularmente (NPAFR), Tabela 3, verificou-se para o grupo PAFR apenas duas barreiras mais prevalen-tes: tenho doena (42,4%) e sem tempo livre (30,3%).

    J o grupo NPAFR considera um maior nmero de barrei-ras, sendo que aquelas com maiores prevalncias foram: tenho doena (58,2%), instalaes inadequadas (40%), sem tempo livre (39,9%), medo de cair (38,2%), pre-ciso relaxar (34,5%) e tenho preguia (34,5%).

    Dessas, apenas sem tempo livre e tenho doena no apresentaram diferena entre os grupos, para todas as outras houve diferena entre os grupos, com valores de p

  • 168 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    Tabela 3 Prevalncia de percepo das barreiras segundo a prtica de atividade fsica. Vitria de Santo Anto, 2013

    Barreiras percebidas

    PAFR NPAFR

    Valor pAlta Percepo Baixa Percepo Alta Percepo Baixa Percepo

    n (%) n (%) n (%) n (%)

    1. Sem tempo livre 10 (30,3) 23 (69,7) 17 (39,9) 38 (69,1) 1,000

    2. Suficientemente ativo 2 (6,1) 31 (93,9) 12 (21,8) 43 (78,2) 0,071

    3. Falta de companhia 3 (9,1) 30 (90,9) 16 (29,1) 39 (70,9) 0,033*

    4. Sem dinheiro 33 (100) 13 (23,6) 42 (76,4) 0,001*

    5. Sou muito velho 33 (100) 8 (14,5) 47 (85,5) 0,023*

    6. Tenho doena 14 (42,4) 19 (57,6) 32 (58,2) 23 (41,8) 0,188

    7. Tenho sade ruim 1 (3) 32 (97) 6 (10,9) 49 (89,1) 0,248

    8. Sou tmido 2 (6,1) 31 (93,9) 10 (18,2) 45 (81,8) 0,198

    9. M experincia 1 (3) 32 (97) 2 (3,6) 53 (96,4) 1,000

    10. Instalaes inadequadas 1 (3) 32 (97) 22 (40) 33 (60) 0,000*

    11. Preciso relaxar 4 (12,1) 29 (87,9) 19 (34,5) 36 (65,5) 0,025*

    12. Tenho preguia 3 (9,1) 30 (90,9) 19 (34,5) 36 (65,5) 0,010*

    13. Medo de cair 5 (15,2) 28 (84,8) 21 (38,2) 34 (61,8) 0,030*

    14. No gosto de atividade fsica 33 (100) 13 (23,6) 42 (76,4) 0,001*

    15. No tenho roupa 33 (100) 4 (7,3) 51 (92,7) 0,292

    16. Vou desistir logo 33 (100) 7(12,7) 48 (87,3) 0,042*

    17. Sou muito gordo/magro 33 (100) 3 (5,5) 52 (94,5) 0,289

    18. Sem energia 3 (9,1) 30 (90,9) 13 (23,6) 42 (76,4) 0,152

    19. Atividade fsica no faz bem 33 (100) 1 (1,8) 54 (98,2) 1,000

    20. Ambiente inseguro 2 (6,1) 31 (93,9) 14 (25,5) 41 (74,5) 0,024*

    21. Clima ruim 3 (9,1) 30 (90,9) 8 (14,5) 47 (85,5) 0,526

    22. Incontinncia urinria 33 (100) 4 (7,3) 51 (92,7) 0,292

    PAFR: pratica atividade fsica regularmente; NPAF: no pratica atividade fsica regularmente; *p

  • Barreiras para atividade fsica | 169

    DISCUSSOO presente estudo se props a identificar as barreiras para a prtica regular de AF percebidas pelos idosos cadastrados nas USF do municpio da Vitria de Santo Anto, em Pernambuco. As informaes foram obti-das atravs de questionrios na prpria USF, nos gru-pos de promoo sade realizados pelo NASF e USF e atravs de visitas domiciliares com apoio dos ACS. Pode-se observar que os idosos adscritos nas reas de abrangncia do NASF apresentaram caractersticas bem homogneas quanto ao gnero, nvel socioeconmico e escolaridade, revelando uma populao de baixa renda e com pouca ou nenhuma escolaridade.

    Os principais achados deste estudo foram: mais da metade dos idosos cadastrados nas USF (62,5%) no realizam AF regularmente, ou seja, no se encontravam engajados nos programas de AF ofertados pelo NASF; as barreiras tenho uma doena e sem tempo livre foram as mais percebidas entre os idosos que praticam ou no AF; o comportamento inativo dos idosos foi associado a cinco barreiras mais prevalentes: instalaes inadequa-das, medo de cair, preciso relaxar e tenho preguia.

    A participao de idosos em programas de AF regu-lares tem sido bastante recomendada na literatura,3,12 uma vez que proporciona benefcios em diversos aspec-tos durante o processo de envelhecimento.3 Embora os benefcios da AF regular em idosos sejam comprovados, esse grupo etrio tem sido considerado o menos ativo fisicamente.3 Esse comportamento foi verificado tam-bm no presente estudo, uma vez que mais da metade da amostra (62,5%) no pratica AF regularmente, mesmo esta sendo ofertada em algumas das USF avaliadas e em algumas praas do municpio.

    Esse resultado corrobora com o estudo realizado por Nascimento etal.4 na cidade de Rio Claro, So Paulo, com 129 idosos (51 homens e 78 mulheres), onde 74% da populao reportou nenhuma prtica regular de AF. Outro estudo identificou que, dos 79 idosos residentes de uma cidade de mdio porte de So Paulo, 64% deles no praticavam AF regularmente e nem tinham inteno de praticar.13 Esse comportamento pode estar atrelado a diversos fatores como gnero, discriminao com a idade, falta de suporte familiar, hbitos adquiridos durante a vida e instalaes que no propiciam a prtica de AF.14

    A presena de doena foi a barreira mais percebida pelos idosos adscritos nas USF. Tal achado tambm pode ser identificado no estudo realizado com idosos residen-tes da cidade de So Paulo, onde a presena de doena foi reportada em ambos os gneros e nos grupos ativos e menos ativos.4 O processo de envelhecimento muitas vezes acompanhado pela presena de doenas, o que pode limitar a mudana do estilo de vida do idoso, tor-nando-o inseguro e dependente.3 As limitaes impostas pela presena de doenas podem explicar a alta preva-lncia dessa barreira na populao estudada.

    Em relao barreira sem tempo livre, em alguns casos ela esteve relacionada permanncia nas atividades laborais e ao cuidado que os idosos prestavam famlia. Essa situao tambm foi observada no estudo de Souza etal.,15 que avaliou idosos participantes de um grupo de AF desenvolvido na Universidade Federal do Paran e verificou que os compromissos familiares, como cuidar de parentes adoentados e ajudar os filhos em tarefas cotidianas, impe-diam a permanncia dos idosos no projeto. Em relao s atividades laborais, o estudo de reviso da literatura rea-lizado por Vanzella etal.16 mostrou que a busca por uma renda adicional, a ocupao do tempo ocioso e a vontade de permanecer ativos levam os idosos a permanecerem tra-balhando, o que por sua vez acaba minimizando o tempo livre, que poderia ser destinado prtica de AF regulares.

    Para os idosos que no praticam AF regularmente foi observada uma maior prevalncia de barreiras em rela-o ao grupo PAFR. Tal fato pode sugerir que os idosos que no se encontravam engajados em programas de AF regular possuem uma maior resistncia prtica em rela-o queles que j esto engajados. Essa realidade corro-bora com o estudo realizado por Nascimento etal.,4 que verificou que os idosos ativos da cidade de Rio Claro, So Paulo, superavam de maneira eficiente as barreiras, j os menos ativos mostraram sofrer maior influncia dos fato-res ligados a possveis normas culturais e apresentaram uma maior percepo das barreiras.

    A barreira instalaes inadequadas foi a mais per-cebida entre os idosos do grupo NPAFR, visto que as condies das caladas e ruas no favorecem a prtica, bem como a ausncia de um espao para realizar AF den-tro da comunidade e a segurana do local esto entre os problemas mais relatados pelos idosos. Esse resultado corrobora com o estudo de Rasinaho etal.,17 que igual-mente encontrara barreiras relacionadas ao ambiente fsico (falta de equipamentos, custo e falta de infraes-trutura). Percebe-se a necessidade de construo de caladas e ruas que viabilizem a locomoo dos idosos, facilitando seu ir e vir, assim como espaos nas comu-nidades de periferia que possibilitem a prtica de AF.

    As seguintes barreiras tambm foram percebidas pelo grupo NPAFR. A barreira medo de cair pode ter rela-o com a incidncia de quedas nessa populao, o que gera, em alguns casos, dependncia para realizao das atividades.18 As barreiras preciso relaxar e tenho pre-guia podem estar atreladas insnia reportada pelos idosos, uma vez que uma noite de sono insatisfatria pode repercutir em sonolncia durante o dia, causando indisposio para as atividades.19

    CONCLUSOOs resultados desse estudo indicam que a maioria da popu-lao idosa atendida nas USF do municpio da Vitria de Santo Anto no realizam AF regularmente. Entre os

  • 170 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    idosos que realizam AF e os que no realizam, as princi-pais barreiras percebidas para prtica so a presena de doenas e no dispor de tempo livre. Para os idosos que apresentaram comportamento inativo foi percebido um maior nmero de barreiras (instalaes inadequadas, medo de cair, preciso relaxar e tenho preguia) em comparao aos idosos que realizavam AF regularmente.

    Diante dos achados percebe-se a necessidade de criar estratgias de incentivo e sensibilizao para prtica de AF, uma vez que so inmeros os benefcios para essa populao. Para isso, pode-se realizar atividades de

    promoo sade ressaltando os benefcios da prtica regular da AF para idosos, dentro do ambiente das USF, bem como ampliar os grupos de AF nas USF, a fim de assegurar maior equidade na adoo de comportamentos saudveis. Sugere-se tambm a elaborao de polticas pblicas voltadas a melhorar e adaptar a infraestrutura de locais pblicos e privados. Alm desses aspectos, importante que haja uma maior integrao dos programas de AF com outras reas e profissionais da sade, propi-ciando um ambiente interdisciplinar com propsito de eliminar as barreiras de diversas ordens para a prtica.

    REFERNCIAS

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  • Artigo Original

    nvel De ativiDaDe Fsica, Potncia

    aeRBica e PeRcePo suBJetiva

    De PeRDa De MeMRia De

    MulHeRes Ps-MenoPausicas

    Rafael Mancinia, sandra Matsudob, Monica Pereirac, Rosangela villa Marind, victor Matsudoe

    aMestrando em Sade Coletiva pela Faculdade de Cincias Mdicas da Santa Casa de So Paulo So Paulo (SP), Brasil; Centro de Estudos do Laboratrio de Aptido Fsica de So Caetano do Sul (CELAFISCS) So Caetano do Sul (SP), Brasil.bPs-doutorado (CELAFISCS) So Caetano do Sul (SP), Brasil; Escuela de Medicina, Universidad Mayor Las Condes, Santiago de Chile, Chile.cProfissional de Educao Fsica (FEFISA) Santo Andr (SP), Brasil.dDoutoranda do Programa de Ps-graduao em Medicina, Universidade Federal de So Paulo (UNIFESP) So Paulo (SP), Brasil.eLivre Docente do CELAFISCS So Caetano do Sul (SP), Brasil.

    Dados para correspondnciaRafael Mancini Rua Heloisa Pamplona, 269, sala 31 Fundao CEP: 09520-320 So Caetano do Sul (SP), Brasil E-mail: rafael@celafiscs.org.brConflito de interesses: no h.

    Palavras-chave

    Envelhecimento Memria

    Condicionamento fsico humano Aptido fsica

    Keywords

    Aging Memory

    Physical conditioning, human Physical fitness

    RESUMOObjetivo: Verificar a relao entre o nvel de atividade fsica e a potncia aerbica com a percepo subjetiva de perda de memria de mulheres ps-menopusicas no sedentrias. Mtodos: Participaram deste estudo 131 mulheres que praticavam atividade fsica duas vezes na semana. Para avaliar a memria foram utilizados os instrumentos: Memory Assessment Clinics-Self-Ralf (MAC-Q) e Prospective and Retrospective Memory Questionnarie (PRMQ). O nvel de atividade fsica foi identificado pelo Questionrio Internacional de Atividade Fsica (IPAQ) e pelo uso de pedmetros. O indicativo de potncia aerbica foi obtido pelo Teste de Marcha Estacionria de 2 minutos. Para verificar a normalidade dos dados foi utilizado o teste Kolmogorov-Smirnov e realizada a correlao de Spearman (rho). Foi utilizado o teste Kruskal-Wallis para comparar o nvel de ati-vidade fsica entre os grupos. O nvel de significncia adotado foi p

  • 172 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    INTRODUOA palavra memria tem origem etimolgica no latim e significa a capacidade de armazenar e evocar informaes adquiridas por meio de nossas experincias, sendo essa habilidade essencial sobrevivncia.1

    Assim como em outros sistemas do nosso organismo, o sistema nervoso central (SNC) e consequentemente a memria so atingidos pelas degeneraes e alteraes decorrentes do processo de envelhecimento.2 No que se refere a sua morfologia, o crebro do idoso tem tamanho e peso menores do que o crebro de um indivduo jovem, devido perda de tecidos neuronais. Tambm apresen-tam giros mais finos e sulcos mais abertos, um nmero maior de cavidades cerebrais e de espao extracelular. Alm disso, existe uma queda no nmero de sinapses, protenas cerebrais e enzimas que sintetizam e degradam neurotransmissores, substncias essenciais aos mecanis-mos de memria. A partir da terceira dcada de vida, o SNC sofre uma diminuio da densidade tecidual nos crtices frontal, parietal e temporal, e como consequn-cia ocorre o declnio do desempenho cognitivo.3

    Todas essas alteraes morfolgicas, anatmicas e fisiolgicas no SNC do indivduo idoso provocam lap-sos de memria, diminuio da velocidade de racio-cnio e episdios de confuso mental, que podem se acentuar com o avano da idade. Conforme descrito na literatura,4 um indivduo com 50 anos de idade tem seu desempenho em testes padronizados de memria, pelo menos um desvio padro, mais baixo do que a mdia para adultos jovens normais.

    A queda do desempenho da memria diminui a qua-lidade de vida e aumenta a possibilidade de doenas com caractersticas de demncia. Estudos mostram que ido-sos com declnio cognitivo, em particular aqueles com dficit de memria episdica, apresentam maior risco de desenvolver doena de Alzheimer.5

    Pesquisas cientficas enfatizam que para um envelheci-mento saudvel essencial praticar exerccios com regu-laridade. Os benefcios incluem o aumento da aptido fsica e da densidade mineral ssea, reduzindo o risco de doenas crnico-degenerativas,6 diminuindo ansiedade e depresso e melhorando o humor de idosos.7,8 Um estilo de vida com comportamento sedentrio aliado ao envelheci-mento pode resultar em doenas cardiovasculares, hiper-tenso arterial, diabetes e declnio da funo cognitiva.9

    Estudos tm demonstrado que aspectos cognitivos, incluindo a memria, poderiam ser melhorados com

    aumento da capacidade aerbica.10-14 Nesse sentido, um estudo retrospectivo analisou a atividade fsica prati-cada por idosos de 65 anos durante a adolescncia, aos 30 e aos 50 anos, sendo que quando a atividade fsica era praticada com regularidade em qualquer idade havia um menor risco de desenvolver debilidades mentais durante a velhice; ainda, a proteo era maior quando a atividade fsica era praticada na adolescncia.15

    J os estudos que envolvem treinamento de fora e aspectos cognitivos tm demonstrado melhoras cogni-tivas em grupos de idosos submetidos a programas de exerccios resistidos,16,17 podendo ser explicado pela fun-o cognitiva, que pode estar associada ao processo neu-romuscular, afetando diretamente a fora muscular.18

    Apesar do assunto ser muito discutido, no esta-belecido na literatura qual a intensidade e a durao do exerccio para promover melhores resultados na cogni-o e na memria. Exerccios de intensidade moderada e vigorosa, de longa durao, poderiam ter maior probabili-dade de facilitar a evocao da memria.13 Porm, devido a diferentes metodologias utilizadas nos trabalhos cient-ficos, os prprios autores sugerem mais investigaes na relao entre memria, exerccio fsico e atividade fsica.

    Considerando que poucos estudos que enfatizam ati-vidades fsicas do cotidiano no focalizam de maneira especfica a memria, o objetivo do presente estudo foi verificar a relao entre o nvel de atividade fsica (NAF) e a potncia aerbica com a percepo subjetiva de perda de memria de mulheres ps-menopusicas no sedentrias.

    MTODOS

    AmostraO estudo teve incio com 131 mulheres participantes. Todas realizavam aulas de ginstica no Centro Social e Recreacional para a Terceira Idade e fazem parte do Projeto Longitudinal de Envelhecimento e Aptido Fsica de So Caetano do Sul. As aulas de ginstica tinham dura-o de 50 minutos e eram realizadas 2 vezes na semana, sendo compostas por ginstica aerbica, fortalecimento muscular, alongamento e relaxamento.

    Os critrios de incluso foram: pertencer ao gnero feminino e ter idade igual ou acima de 50 anos. Os crit-rios de excluso foram: limitaes para a realizao das atividades fsicas, alteraes cognitivas, menos de seis meses de participao nas aulas de ginstica, depresso

    performed the Spearman correlation (rho). We used the Kruskal-Wallis test to compare physical activity levels between groups. The level of significance was p

  • Nvel de atividade fsica, potncia aerbica e memria | 173

    e ansiedade ou uso de medicamentos para controle das mesmas. Sendo assim, uma das participantes foi excluda, pois fazia uso de antidepressivos e apresentava sinais de confuso mental, restando 130 participantes.

    O estudo foi aprovado pelo Comit de Pesquisa da Fundao Municipal de So Caetano do Sul sob o nmero 028/2010-A.

    Dessas 130 mulheres participantes, 59 fizeram uso do pedmetro. Das 59, foram excludas 4 por no terem realizado as anotaes na folha de registro corretamente, conforme as orientaes. Uma adoeceu. Portanto, da amostra total do estudo, restaram 54 mulheres que uti-lizaram esse instrumento.

    Deste modo, a amostra total do presente estudo foi cons-tituda por 130 mulheres ps-menopusicas e no seden-trias, com idade entre 50 e 87 anos (69,08,0) que foram separadas de acordo com a faixa etria: 50 a 59 anos (n=20), 60 a 69 anos (n=46), 70 a 79 anos (n=51) e 80 anos(n=13). Dessas 130 mulheres, 54 utilizaram o pedmetro.

    Protocolo do estudoForam aferidas as medidas de massa corporal (kg) e esta-tura (cm) das participantes do estudo. Foi calculado o ndice de massa corporal (IMC), dividindo o valor da massa corporal total pelo quadrado da estatura (kg/cm2).

    Percepo de memriaPara avaliar a memria foram utilizados os instrumentos: Memory Assessment Clinics-Self-Ralf (MAC-Q)4 e Prospective and Retrospective Memory Questionnarie (PRMQ)19 apli-cados individualmente pelo mesmo avaliador no perodo da manh (entre 7:30 e 10:45).

    O MAC-Q um questionrio que tem como finali-dade avaliar o declnio de memria mediante a prpria percepo do indivduo. um dos poucos instrumentos que relaciona perda de memria e idade, considerando o envelhecimento como um fator influente no declnio de aspectos cognitivos. Tem a vantagem de ser breve, com-posto por seis itens, baseados na experincia clnica e em dados empricos relativos idade e ao padro de perda de memria. Os cinco primeiros itens so situaes espe-cficas do dia-a-dia e o ltimo uma percepo geral do declnio da memria, que deve ser comparada com a per-cepo de memria aos 40 anos de idade. Todos os itens so classificados em uma escala de Likert, no intervalo de 1 (muito melhor agora) a 5 (muito pior agora), gerando uma pontuao entre 7 e 35. A pontuao 25 ou acima foi definida como indicativo de declnio de memria.4

    O PRMQ20 um questionrio que tem como objetivo avaliar falhas de memria que ocorrem em situaes do cotidiano, podendo ser utilizado em portadores de dfi-cits cognitivos ou em populaes saudveis. composto por 16 itens, sendo 8 de memria prospectiva (intenes futuras) e 8 de memria retrospectiva (informaes de eventos passados).20 Cada item deve ser respondido em

    uma escala de Likert de cinco pontos: 1 (nunca), 2(rara-mente), 3 (algumas vezes), 4 (frequentemente) e 5 (quase sempre). A pontuao mxima de 80 pontos ereflete um alto ndice de autorrelato de falhas na memria. Apontuao mnima de 16 pontos que reflete um baixo ndice de autorrelato de falhas de memria.

    Nvel de atividade fsicaO NAF foi identificado pelo Questionrio Internacional de atividade fsica (IPAQ) e pelo uso de pedmetros. OIPAQ foi desenvolvido para estimar o NAF e o sedentarismo em populaes de diferentes pases e foi validado para a populao brasileira.21 Tem a caracterstica de autoad-ministrao ou de entrevista, na qual o indivduo relata as atividades fsicas da ltima semana ou de uma semana tpica. considerado um instrumento simples e de baixo custo, ideal para ser aplicado em grandes populaes. No presente estudo foi utilizado o IPAQ curto, verso 8, sob a forma de entrevista. Foram considerados os critrios de frequncia (dias/semana) e durao (minutos/dia) das atividades fsicas de caminhada e quanto s intensidades moderadas e vigorosas. Atravs da frequncia (F) e da durao (D) identificamos o volume semanal (VS) dos diferentes tipos de atividades, sendo VS=F x D.

    Foram utilizados pedmetros da marca Yamax SW-200 (Digi-Walker), posicionados na linha intermediria da coxa direita, prximo cintura, fixado roupa que esti-vesse sendo usada. Os pedmetros foram testados atravs de um procedimento de calibrao em que 20 passos eram dados em um tempo de 17 segundos com cada um e con-ferindo com o registro do monitor. Os valores de passos de 18 a 23 foram julgados aceitveis. Todos os pedmetros passaram pelo teste de calibrao antes de serem utilizados. Assenhoras foram orientadas a anotar o nmero de passos durante sete dias consecutivos, retirando o aparelho apenas para dormir e tomar banho. Essas anotaes foram feitas em uma folha registro, entregue para todas as participan-tes, que continha maiores esclarecimentos sobre o uso do aparelho. Aps o uso do instrumento e atravs das anota-es na folha de registro foi calculada a mdia de passos por dia, a mdia da semana (segunda a sexta), do final de semana (sbado e domingo) e o total da semana.

    Todas as participantes do estudo receberam orien-taes de como responder corretamente o questionrio e sobre a utilizao do pedmetro, podendo esclarecer dvidas sobre esses instrumentos durante o desenvol-vimento da pesquisa.

    Potncia aerbicaO indicativo de potncia aerbica foi obtido pelo Teste de Marcha Estacionria de 2 minutos. Nesse teste, o indi-vduo deve flexionar os joelhos em uma altura mnima determinada (ponto mdio entre a parte superior da patela e a crista ilaca), simulando o movimento de mar-cha, sem sair do lugar, iniciando com a perna direita e

  • 174 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    completando a maior quantidade possvel de passadas em dois minutos. Deve-se contar apenas o nmero de vezes que o joelho direito alcana a altura determinada. O resultado do teste o nmero total de vezes que o joelho alcana a altura mnima estipulada.22

    Anlise estatsticaA anlise estatstica foi realizada com a utilizao do programa estatstico SPSS for Windows, verso 15.0. Para verificar a normalidade dos dados foi utilizado o Teste Kolmogorov-Smirnov e realizada a correlao de Spearman (rho) para dados no paramtricos. Foi usado o teste Kruskal-Wallis para comparar o NAF entre os gru-pos. O nvel de significncia adotado foi p 80 anos.

    Na Tabela 2 esto descritos os resultados do NAF obtido aps o uso do pedmetro em uma parte da amostra (n=54). Foi calculada a mdia de passos de segunda sex-ta-feira, do final de semana, o total da semana e a mdia de passos por dia. Conforme a recomendao de 6.000 a

    Tabela 1 Caractersticas gerais e descritivas da idade, variveis antropomtricas, memria, nvel de atividade fsica e nmero de passos das mulheres ps-menopusicas. So Caetano do Sul, 2009

    Varivel MdiaDP Mnimo Mximo n

    Idade (anos) 69,08,0 50 87 130

    Massa corporal total (kg) 66,313,8 37,3 103 130

    Estatura (cm) 156,46,4 145 168,7 130

    ndice de massa corporal (kg/m2) 27,85,0 16,66 46,09 130

    MAC-Q (score) 244,00 7 34 130

    Nvel de atividade fsica

    Caminhada (min/sem) 531,2395,0 20 1260 130

    Moderada (min/sem) 709,0514,5 80 2100 130

    Vigorosa (min/sem) 145,2170,5 0 600 130

    Nmero de passos

    Segunda a sexta-feira 40.95913,305 14.652 73.967 54

    Final de semana 6.2012,605 2.161 12.610 54

    Total por dia 7.6232,441 2.969 14.170 54

    Total por semana 53.36217,086 20.782 99.187 54

    DP: desvio padro; MAC-Q: questionrio Memory Assessment Clinics Self-Ralph.

    Tabela 2 Classificao do nvel de atividade fsica de mulheres ps-menopusicas. So Caetano do Sul, 2009

    Muito ativas Ativas Irregularmente ativas

    % f % f % f

    Nvel de atividade fsica 72 94 23 30 5 6

    > 6.00 passos < 6.00 passos

    Pedmetro 67 37 33 18

    f: frequncia.

  • Nvel de atividade fsica, potncia aerbica e memria | 175

    Tabela 3 Valores de correlao entre potncia aerbica e memria (MAC-Q) de mulheres ps-menopusicas. So Caetano do Sul, 2009

    Potncia aerbica30 s 60 s 90 s 120 s

    Mdia DP r Mdia DP r Mdia DP r Mdia DP r

    50 a 59 anos 27 4 0,22 54 8 0,18 80,5 12,3 0,24 104 17,6 0,3

    60 a 69 anos 26 4 0,07 53 8 -0,03 79,8 12,6 -0,01 105,8 17 0,02

    70 a 79 anos 28 4 -0,27 57 8 -0,31 85,7 11,5 -0,28 114 13,06 -0,36

    > 80 anos 29 4 -0,12 57 7 -0,28 85 10,01 -0,28 113,5 14,4 -0,19

    Todas as participantes 27 4,2 -0,05 55 8,3 -0,12 82,8 12,1 -0,1 110 16 -0,11

    MAC-Q: quetionrio Memory Assessment Clinics Self-Ralph; n=130; p80 anos 0,1 -0,27 0,03

    Total -0,03 -0,09 -0,12

    IPAQ: questionrio Internacional de Atividade Fsica; MAC-Q: questionrio Memory Assessment Clinics Self-Ralph; n=130.

    Tabela 5 Correlao Sperman rho entre nmero de passos total por semana, potncia aerbica e score memria (MAC-Q). So Caetano do Sul, 2009

    Faixa etria IPAQ N passos Marchas

    (min/sem) (total/sem) (repeties/2 min)

    50 a 59 anos (n=9) -0,18 -0,14 0,3

    60 a 69 anos (n=16) -0,39 -0,13 0,08

    70 a 79 anos (n=24) -0,26 -0,18 -0,24

    >80 (n=4) 0,95 -0,11 -0,11

    Total -0,09 0,02 -0,06

    MAC-Q: questionrio Memory Assessment Clinics Self-Ralph; IPAQ: questionrio Internacional de Atividade Fsica; p

  • 176 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    DISCUSSOA literatura cientfica acerca do processo de envelheci-mento enfatiza a importncia do exerccio fsico e das atividades fsicas dirias nas variveis antropomtricas e de aptido fsica, bem como suas influncias nos aspec-tos psicossociais e cognitivos.9

    Apesar do envelhecimento ser acompanhado por um estilo de vida inativo, que favorece as incapacidades e a dependncia,23 ns no encontramos diferenas significan-tes no NAF entre os grupos etrios analisados em nosso estudo (50 a 59, 60 a 69, 70 a 79 e 80 anos), sendo que 72% da nossa amostra foi classificada como muito ativa. Levando em considerao que nossa amostra faz parte de um projeto longitudinal, isso talvez demonstre a importn-cia do engajamento de idosos em programas de exerccios fsicos sistematizados a fim de aumentar e manter o NAF.

    Ao analisar as tendncias temporais na atividade fsica no estado de So Paulo de 2002 a 2008, foi constatada diminuio da atividade fsica de 9,6% em 2002 para 2,7% em 2008, enquanto que a proporo de indivduos abaixo do limite de 150 minutos diminuiu de 43,7% em 2002 para 11,6% em 2008. Essas tendncias foram explicadas principalmente pelo aumento na atividade de caminhada de intensidade moderada. O aumento da atividade fsica foi ligeiramente maior entre mulheres em comparao aos homens.24

    importante notar que o fato da amostra gastar um tempo maior com atividades fsicas moderadas, isso est relacionado com o tempo que essas mulheres dedicam a tare-fas domsticas, que questionado pelo instrumento IPAQ.

    claro e bem estabelecido na literatura que o exerccio fsico provoca alteraes fisiolgicas, bioqumicas e psico-lgicas, diminuindo os riscos de doenas crnicas e melho-rando a qualidade de vida de idosos.8 Estudos sugerem que pessoas moderadamente ativas tm menores riscos de serem acometidas por desordens mentais do que pessoas sedentrias.25 No entanto, os dados do presente estudo no mostraram associaes significativas entre a percepo de memria e o NAF de mulheres ps-menopusicas.

    Dentre os poucos estudos que associaram o NAF e a sade mental, em uma amostra de 721 idosos foram encontrados altos NAF associados a nveis reduzidos de comprometimento cognitivo: para idade, sexo, nvel edu-cacional, com odds ratio (OR) ajustada de 0,58; intervalo de confiana de 95% (IC95%) 0,410,83; para doena de Alzheimer com OR=0,50 e IC95% 0,280,90; e para qual-quer tipo de demncia com OR=0,63 e IC95% 0,400,98.26

    Um estudo verificou associao estatisticamente sig-nificante e inversa de demncia com atividade fsica total e de lazer. A OR ajustada para demncia entre os sujeitos sedentrios para atividade fsica total comparada dos ati-vos foi de 2,74 (IC95% 1,854,08), reforando a importn-cia de um estilo de vida ativo para prevenir problemas de sade mental em idosos, embora os autores coloquem que no se pode afirmar que atividade a fsica evita demncia.27

    Com relao ao tipo e intensidade da atividade fsica, nossos dados demonstraram correlaes baixas, fracas e no significantes com caminhada. Nota-se uma tendncia de melhores associaes com atividades moderadas e vigorosas.

    Nesse sentido, ao investigar o impacto do exerccio resistido com duas intensidades diferentes utilizando uma amostra de 62 idosos distribudos em um grupo experi-mental que treinou com intensidade alta, um grupo expe-rimental que treinou com intensidade moderada e um grupo controle, verificou-se que o exerccio fsico resis-tido promoveu melhora na funo cognitiva de idosos e que ambas intensidades, moderada (50% de 1 repetio mxima) ou alta (80% de 1 repetio mxima), tiveram impacto na funo cognitiva igualmente benfico e diferente estatisticamente quando comparadas ao grupo controle.16

    Outro estudo,28 com 36 idosos (entre 60 e 85 anos) foram distribudos em trs grupos: experimental, que treinou fora muscular (60 a 80% 1 repetio mxima), experimental aerbico (50 minutos de caminhada, 70% da frequncia cardaca mxima, 3 vezes na semana) e controle. Foi verificada uma melhora na funo cog-nitiva em relao ao grupo controle, mas no houve diferena estatstica significante entre os grupos expe-rimentais. Isso demonstra que os dois tipos de exer-ccios com intensidades moderadas foram capazes de melhorar o desempenho cognitivo.

    Em um estudo de reviso29 foi observada uma forte correlao entre o aumento da capacidade aerbica e a melhora das funes cognitivas. Esse fenmeno ocorre devido a mecanismos diretos, como melhora da circu-lao cerebral e alteraes na sntese e degradao de neurotransmissores, e indiretos, como diminuio da presso arterial, decrscimos nos nveis de LDL e de triglicrides no plasma sanguneo.

    O fato de no temos encontrado associaes significan-tes entre a percepo de memria e a potncia aerbica no est de acordo com grande parte dos estudos encontrados na literatura.10-12 Um estudo submeteu 23 mulheres idosas (64,33,3 anos) a um programa sistematizado de exerc-cio aerbico, baseado no limiar ventilatrio 1, 3 vezes na semana durante 60 minutos. Aps 6 meses de interveno, foi notada uma melhora significante na memria imediata e tardia, ateno, depresso e humor em relao ao um grupo controle de 17 mulheres sedentrias.12

    Diante de tal comparao, devemos considerar que esses so estudos experimentais, com amostra de pes-soas sedentrias e que utilizaram instrumentos diferentes para testes neuropsicolgicos, muitos deles considerando aspectos gerais da cognio. Este um estudo transversal, com amostra de pessoas no sedentrias e que analisou a percepo da memria em mulheres ps-menopusicas e podemos concluir que no houve associao significante entre a durao total por semana de caminhada, ativi-dade fsica moderada e vigorosa e a percepo subjetiva de perda de memria em mulheres ps-menopusicas.

  • Nvel de atividade fsica, potncia aerbica e memria | 177

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  • Artigo Original

    envelHeciMento e incluso DiGital:

    siGniFicaDo, sentiMentos e conFlitos

    Michele Marinho da silveiraa, Mirna Wetters Portuguezb, adriano Pasqualottic, eliane lucia colussic

    aDoutoranda em Gerontologia Biomdica pela Pontifcia Universidade Catlica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) Passo Fundo (RS), Brasil.bDocente da Faculdade de Medicina do Curso de Ps-Graduao em Neurocincias e de Gerontologia Biomdica da PUC-RS Porto Alegre (RS), Brasil.cDocente do Programa de Ps-Graduao em Envelhecimento Humano da Universidade de Passo Fundo (UPF) Passo Fundo (RS), Brasil.

    Dados para correspondnciaMichele Marinho da Silveira Rua Carlos Gomes, 336/1.004 Vila Rodrigues CEP: 99070-060 Passo Fundo (RS), Brasil E-mail: mm.silveira@yahoo.com.br Conflito de interesses: no h.

    Palavras-chave

    Envelhecimento Tecnologia

    Aprendizagem Informtica

    Keywords

    Aging Technology

    Learning Informatics

    RESUMOObjetivo: Este estudo buscou compreender o significado e os sentimentos que envolvem o processo de aprendi-zagem, o vnculo com o computador e a associao das palavras tecnologia, computador e informtica para parti-cipantes de um grupo de convivncia. Mtodo: Tratou-se de uma pesquisa quantiqualitativa com 20 sujeitos com idade igual ou superior a 50 anos. Os dados quantitativos foram descritos por meio de estatstica descritiva. Os de cunho qualitativo foram analisados pelo mtodo de anlise de contedo. Resultados: Constatou-se que o processo de aprendizagem, mediado pelo computador, proporcionou mudanas positivas na vida desses sujeitos, promo-vendo o aprendizado, a interao, a formao de crculo de amizades e elevao da autoestima. Alm disso, reve-lou-se que a associao das palavras tecnologia, computador e informtica representam um grande avano e facili-dade na vida das pessoas. Concluso: Da interao com o computador se promoveu a incluso digital, a conquista de um espao sociodigital, de novas amizades e a valorizao do idoso enquanto pessoa.

    aGinG anD DiGital inclusion: MeaninG, FeelinGs anD conFlicts

    ABSTRACTObjective: This study aims to understand the meaning and feelings that involve the learning process, the link with the computer and the association among the words technology, computer and computing technology for some participants of a group of seniors. Methods: It was a quantitative and qualitative research with 20 subjects aged 50 years old and over. Quantitative data were described using descriptive statistics. The ones of quality type were analyzed by content analysis method. Results: It was found that the learning process, mediated by computer, provided positive changes in the lives of these individuals, fostering learning, interaction, forming circle of friendships and increased self-esteem. Moreover, it revealed that the association of the words technology, computer and computing technology represents a major breakthrough and ease the lives of people. Conclusion: The interaction with the computer is promoted by digital inclusion, by the conquest of a digital social space, new friendships and appreciation of the elderly as a person.

  • Envelhecimento e incluso digital | 179

    INTRODUOA incluso e a participao social das pessoas mais velhas constituem, inegavelmente, nos dias de hoje, um novo desafio para a educao. O tempo do idoso neste sculo deve ser reinventado, pois a longevidade humana um novo desafio.1 De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica,2 o Brasil tem registrado redu-o significativa na participao da populao com idade at 25 anos e aumento no nmero de idosos. Observa-se que a populao de at 4 anos menor (13,8milhes) que a de idade acima de 65 anos (14,0 milhes).

    Estima-se que em 2030 o nmero de idosos poder chegar a 70 milhes nos pases desenvolvidos. No Brasil, as projees para o ano de 2025 indicam que a popu-lao total aumentar 5 vezes em relao de 1950, enquanto o nmero de indivduos acima de 65 anos ter crescido 15 vezes. Segundo dados do Ministrio da Sade, a populao brasileira idosa, em 1996, era de 7,8 milhes; entre 1950 e 2020, esta estatstica ser 16 vezes maior no pas.3,4

    O idoso deixou de ser uma pessoa que vive de lem-branas do passado, recolhido em seu aposento, pas-sando a assumir postura mais autnoma e ativa, capaz de produzir e consumir produtos e servios que, no passado, no estavam sua disposio. A sociedade defronta-se com um idoso-cidado que se sente res-ponsvel pelas mudanas sociais e polticas.1

    Cabe, por isso, aos educadores a responsabilidade de pesquisar e criar espaos de ensino-aprendizagem que promovam atividades para essa populao aps a apo-sentadoria numa dinmica participativa na sociedade e atendam ao desejo do ser humano de aprender.5

    A gerao de idosos tem revelado dificuldades em entender a nova linguagem tecnolgica e em lidar com esses avanos at na realizao de tarefas bsicas como, por exemplo, operar eletrodomsticos, celulares e caixas eletrnicos instalados nos bancos.6

    Nesse sentido, buscando oportunizar os adultos e idosos que fazem parte do Departamento de Ateno ao Idoso (DATI) do Municpio de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, foi proposta a realizao de uma ofi-cina de informtica, visando incluso digital, con-quistade um espao sociodigital, interao e formao de crculo de amizades, valorizao do idoso enquanto pessoa e elevao da autoestima.

    Contudo, a incluso digital no pode ser entendida apenas como oferecer um computador ou qualquer outro instrumento, mas sim ensinar a utiliz-los. Os adultos e/ou idosos, embora estejam passando por uma fase de mudanas fisiolgicas, ainda buscam sua atualizao e crescimento intelectual por meio de um processo de apren-dizagem apoiado pela tecnologia sob a tica daincluso digital. Grande parte dos idosos desfruta de boa sade fsica e mental e, embora algumas habilidades possam diminuir nas pessoas, fsica e intelectualmente ativas, elas

    podem manter-se muito bem na maioria dos aspectos e at mesmo melhorar a sua competncia.7

    Alm disso, pesquisadores8 revelam que o idoso busca no s conhecer computadores e dominar a sua lgica, mas apropriar-se, ser parte, incluir-se como parte ativa e motivada em fazer acontecer na sociedade. Assim, bus-cam e acreditam que as ferramentas computacionais so uma forma de se mostrarem necessrios, teis e atuantes.9

    Observa-se, assim, que a informtica, juntamente com um conjunto de outras tecnologias, uma ferramenta importante e que estar cada vez mais presente no coti-diano das pessoas. Os indivduos que no se encontram familiarizados com essa linguagem podero, de certa forma, estar mais expostos excluso social. Portanto, o processo de aprendizagem, mediado pela informtica para adultos e idosos, pode proporcionar novas formas de incluso, tanto no mundo digital, quanto na sociali-zao e interao entre computador, professor e alunos.

    Pensando nisso, foi desenvolvida a presente pesquisa cujo o objetivo descrever a percepo desses sujeitos pertencentes ao DATI de Passo Fundo, frente aos signifi-cados e sentimentos que envolvem o processo de apren-dizagem em oficinas de informtica e o vnculo com a tecnologia computacional.

    METODOLOGIAA pesquisa um estudo de cunho quantiqualitativo, longitudinal, de natureza descritiva, desenvolvido no perodo de maio a julho de 2011, com o intuito de pro-mover a oficina de informtica e tendo como instru-mentos um questionrio estruturado com perguntas fechadas, abordando questes sociodemogrficas, apli-cado inicialmente para conhecer o perfil dessa popula-o. Aofinal de oito encontros durante dois meses, com durao de duas horas cada, nas teras-feiras de manh, foi aplicado outro questionrio estruturado, com per-guntas abertas e fechadas, abordando os significados e sentimentos que envolveram o processo de aprendiza-gem, o vnculo com o computador e a associao das palavras tecnologia, computador e informtica.

    A pesquisa foi realizada com uma coorte de adultos e idosos com idade igual ou superior a 50 anos do grupode convivncia DATI, vinculado Prefeitura Municipal dePasso Fundo por meio da Coordenadoria do Idoso.

    No houve aleatorizao da populao, isto , as pessoas primeiramente foram convidadas no grupo de terceira idade a se inscreverem na oficina, sem nenhum custo, e das 21 que inscritas para as aulas de inform-tica, permaneceram 20, que que no faltaram s aulas. Destas, todas responderam aos instrumentos e partici-param assiduamente da pesquisa.

    Os itens bsicos abordados nas aulas foram: introduoinformtica:ocomputador,ligando,

    desligando, teclado e mouse;

  • 180 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    sistemaoperacional:introduo,readetrabalho,menus e atalhos, minimizando, maximizando e fechando, iniciando uma aplicao, pasta e desli-gando o computador;

    editordetexto:introduo,barradeferramentas,barra de menu, barra de rolagem e fechar.

    Simple Paint: um jogo feito para ensinar a manu-sear o mouse, usando a criatividade para colorir e criar paisagens;

    internet:introduo,utilizaodonavegador,osprin-cipais servios da internet, navegando na internet (site de busca Google, site de visualizao de vdeos Youtube), e-mail (criando uma conta de e-mail, enviando men-sagem, lendo mensagens recebidas, utilizando o chat do e-mail e interagindo com os colegas).

    Alm disso, no primeiro dia de aula, durante uma hora, como introduo, um tcnico em informtica abriu uma mquina para demonstrar aos participantes da pesquisa para que serve cada pea e como funciona um computador e a internet.

    Os dados quantitativos foram organizados em planilhas do programa Microsoft Excel 2010 para anlise estatstica des-critiva. Realizou-se uma anlise de estatstica descritiva para caracterizar o perfil sociodemogrfico da amostra pesquisada.

    Os dados qualitativos foram verificados com base em seus contedos e significados. As questes foram desmembradas em categorias para melhor entendimento das percepes dos sujeitos dessa pesquisa. A anlise dos dados qualitati-vos se baseou na metodologia de Anlise de Contedo de Bardin,10 que no visa somente um procedimento tc-nico, visto que se apresenta como uma busca constante entre teoria e prtica no campo das investigaes sociais. A anlise de contedo pode ser definida como um conjunto de tcnicas de anlise de comunicao visando obter, por procedimentos sistemticos e objetivos de descrio do contedo das mensagens, indicadores (quantitativos ou no) que permitam a inferncia de conhecimentos relati-vos s condies de produo/recepo destas mensagens.

    Existem vrias tcnicas de anlise de contedo que podem ser utilizadas para analisar as informaes coleta-das, no entanto, optou-se pela temtica, por ser a forma mais adequada para uma investigao com delineamento qualitativo, como se prope o presente estudo. Para outro autor,11 ela se baseia na noo de tema, compor-tando uma rede de relaes que pode ser apresentada por meio de uma palavra, uma frase ou resumo. Com esta tcnica, possvel revelar os ncleos de sentido que compem uma comunicao.

    A anlise temtica est relacionada diretamente a um determinado assunto, que ser representado, neste caso, por escritas em um questionrio, baseando-se na frequncia das unidades. Fazer uma anlise temtica11 consiste em descobrir os ncleos de sentido que com-pem uma comunicao, cuja presena ou frequncia

    signifique alguma coisa para o objeto analtico visado. Ela comporta um feixe de relaes e pode ser apre-sentada por uma palavra, uma frase ou um resumo. Aexplorao do material se divide em categorias e subcategorias que permitem a constatao de que os idosos abordam sobre esses temas relacionados.

    As categorias podem ser estabelecidas antes do trabalho de campo, na fase exploratria da pesquisa, ou a partir da coleta dos dados. As estabelecidas antes so conceitos mais gerais e abstratos e as estabelecidas a partir da coleta dos dados so mais especficas e concretas.12 Ascategorias so:

    i) Mudanas ocorridas em decorrncia do vnculo com o computador;

    ii) A associao das palavras tecnologia, computador e informtica

    iii) Significados e sentimentos que envolveram o pro-cesso de aprendizagem.

    Com relao aos aspectos ticos da pesquisa, em observncia s diretrizes da resoluo 196/96 do Conselho Nacional de Sade do Ministrio da Sade, bem como da portaria 251/97, atende-se s diretrizes no que se refere ao consentimento, sigilo e anonimato, benefcios e propriedade intelectual.

    A pesquisa foi aprovada pelo Comit de tica em Pesquisa da Universidade de Passo Fundo no dia 7 de dezembro de 2010 com o parecer 401/2010 e com o ndo protocolo 0228.0.398.000-10, e tambm foi autorizada pelo coordenador do DATI, responsvel por esse grupo de con-vivncia. Todos os participantes do estudo assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido em duas vias, autorizando a sua participao voluntria na pesquisa, assegurando-lhes o direito de retirarem o consentimento em qualquer fase da pesquisa, sem nenhuma penaliza-o ou prejuzo. Ainda foi-lhes assegurada a privacidade quanto aos dados confidenciais obtidos na investigao.

    RESULTADOSA amostra contou com 20 sujeitos, 14 (70%) mulheres e 6(30%) homens com mdia de idade de 65,656,65anos (Tabela 1).

    A prevalncia feminina tambm foi encontrada em outros estudos, como por exemplo, na pesquisa desen-volvida no Programa Terceira Idade da Federao de Estabelecimentos de Ensino Superior em Novo Hamburgo (Feevale),8 em que o curso de informtica tem 60% de pblico feminino e 40% masculino.

    Dos sujeitos desta pesquisa, a maioria esto casados e tem renda mensal de at 1 salrio mnimo (35%) ou 2 salrios mnimos (40%). No estudo de Arajo etal.,13 55% dos idosos viviam com renda de 2 salrios mni-mos e 31% com 1 salrio mnimo, corroborando esta pesquisa, na qual demonstrado que esses indivduos no tm um boa condio financeira.

  • Envelhecimento e incluso digital | 181

    Quanto escolaridade, nenhum cursou ensino supe-rior e a maioria estudou apenas as sries iniciais. Em outro estudo, pesquisadores14 analisaram 660 idosos da cidade de Joinville (SC) e verificaram que 72,9% no completa-ram o ensino fundamental.

    Dos participantes desta pesquisa, 10 (50%) relataram ter computador em casa e 7 (35%) tm acesso internet, mas apenas 5 (25%) fazem uso do computador em casa. Quando questionados sobre a utilizao de e-mail, ape-nas 3 (15%) j tinham um endereo eletrnico e, ao longo da vida, 5 (25%) fizeram curso de informtica bsica. Em outro estudo,8 observou-se que 44% dos sujeitos tm acesso ao computador em casa, 15% no trabalho, 15% na casa de amigos, 22% na casa de parentes (irmos/filhos) e 4% em outro local, corroborando esta pesquisa, que apresenta 50% dos participantes com acesso ao equipamento em casa.

    Aps a leitura minuciosa de cada depoimento escrito pelos participantes da pesquisa, procurou-se fazer uma interpretao que possibilitasse compreender os signifi-cados e sentimentos que envolvem o processo de apren-dizagem, o vnculo com o computador e a associao das palavras tecnologia, computador e informtica.

    Mudanas ocorridas em decorrncia do vnculo com o computadorEsta categoria temtica foi construda a partir da perspec-tiva qualitativa com a aplicao de um questionrio que

    teve como objetivo sistematizar as percepes a respeito da participao dos sujeitos no processo de aprendizagem sobre os seus significados e sentimentos.

    Dentre os depoimentos, os mais significativos quanto ao que os participantes observaram sobre o processo deaprendizagem mediado pelo computador, no sentidode mudanas e aprendizado, foram:

    Deu uma viso de que nunca tarde para apren-der (Participante 1, 60 anos).

    Muita vontade de aprender. Temos que aprender sempre (Participante 2, 71 anos).

    Muita coisa mudou sim na minha vida, at ao manusear o celular e me comunicar com quem eu quero sem nenhum custo (Participante 3, 73 anos).

    Muita coisa mudou na minha vida. Desde que comecei a brincar com o computador, aprendi a gostar de ler e escrever para pessoas. Pena que foram poucas as aulas (Participante 7, 68 anos).

    Mais experincia e conhecimento. Gostei muito (Participante 5, 66 anos).

    Pra mim foi muito bom porque eu nunca tinha ligado um computador e agora j sei ligar (Participante 10, 68 anos).

    Mais confiana e segurana em relao ao compu-tador (Participante 4, 65 anos).

    Gostei muito. Ele (o computador) traz comunicao. Passo horas que nem se v passar (Participante5, 75 anos).

    Mudou bastante e estou aprendendo algo diferen-te(Participante 10, 68 anos).

    Mudou muito, pois mesmo tendo computador em minha residncia no possua conhecimentos sobre este. Pensava ser muito mais difcil manuse-lo. Ter aulas especficas melhor do que algum explicar informtica em casa (Participante 13, 51 anos).

    Silveira etal.15 realizaram um estudo em oficinas de informtica para idosos do municpio de Passo Fundo (RS) para compreender o significado que os ambientes de aprendizagem proporcionam na vida de 39 idosos. Osautores constataram que so geradas mudanas posi-tivas na vida desses sujeitos, pois h promoo de novos conhecimentos e aprendizado, alm de serem provocados sentimentos de felicidade, de sentir-se mais realizado, melhorando a autoestima e o bem-estar.

    Tabela 1 Perfil dos participantes da oficina de informtica realizada em Passo Fundo (RS)Variveis sociodemogrficas n %

    Sexo

    Masculino 6 30

    Feminino 14 70

    Faixa etria

    5059 anos 4 20

    6069 anos 10 50

    7079 anos 6 30

    Estado civil

    Casado 12 60

    Solteiro 1 5

    Separado 1 5

    Vivo 5 25

    Divorciado 1 5

    Escolaridade

    Sries iniciais 9 45

    Ensino fundamental 5 25

    Ensino mdio 6 30

    Renda mensal

    Sem renda 2 10

    At um salrio mnimo 7 35

    At dois salrios mnimos 8 40

    At trs salrios mnimos 2 10

    At quatro salrios mnimos 1 5

  • 182 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    Para dois participantes, as aulas de informtica foram vistas como dificuldade e pouca mudana:

    Foi muito pouco tempo. Tive muita dificuldade, mas mudou, pois dei os primeiros passos com o computador (Participante 6, 57 anos).

    Pouca coisa (Participante 8, 61 anos).

    Na incluso digital, deve-se estar atento aos obstcu-los que se interpem entre o idoso e a tecnologia, pois muitas vezes ele no se apropria corretamente da tec-nologia em razo da velocidade com que muda e, pela angstia resultante desse movimento tecnolgico, acaba desistindo de participar.9

    A associao das palavras tecnologia, computador e informticaNesta parte do estudo foi possvel constatar, por meio dos depoimentos escritos, que as palavras tecnologia, computador e informtica tm significados diversifi-cados, tanto como uma forma de facilitao, quanto de dificuldade, como se pode verificar abaixo.

    um meio de comunicao muito importante. Lgico que tem que saber o que certo e o que errado (Participante 1, 56 anos).

    Mudana, rapidez, mais informao, conhecimento (Participante 1, 60 anos).

    Tecnologia uma revoluo no mundo. O com-putador veio para facilitar o trabalho no mundo todo. A informtica est ajudando em todo tipo de trabalho (Participante 3, 73 anos).

    Para mim, tecnologia o desenvolvimento avanado trazendo evoluo pratica e rpida no mundo do trabalho e facilitando o progresso. E a tecnologia possibilitou o desenvolvimento do computador e o computador possibilitou informao de dados, conhecimentos a redes sociais, facilitando a vida das pessoas (Participante 3, 73 anos).

    Tecnologia para mim avano de coisas novas. Associo essas trs palavras (tecnologia, computador e infor-mtica) ao desenvolvimento (Participante 4, 69 anos).

    Primeiro radio, televiso, computador para nos man-ter informado. Segundo uma palavra s que serviu para facilitar nossa vida. (Participante 5, 66 anos).

    Tecnologia significa experincia enquanto melhoria e agilidade para o dia a dia. Associo a estas pala-vras (Participante 7, 68 anos).

    Tecnologia e facilidade de se comunicar com as pessoas. O interessante que mais barato (Participante5, 75 anos).

    Seriam ferramentas para uma nova gerao e todos tendem a acompanh-las (Participante 9, 73 anos).

    Tecnologia, computador e informtica ficam asso-ciados com equipamentos, conhecimentos com o mundo todo (Participante 6, 57 anos).

    A tecnologia muito importante. Hoje em dia ningum vive sem ela (Participante 10, 68 anos).

    Tecnologia relaciona-se com modernizao e com tudo que inventado para facilitar a vida das pessoas. O mundo atualmente requer tecno-logia, pois evolui muito a partir disso. Os com-putadores e tudo o que ligado informtica torna tudo mais fcil e rpido, com economia de tempo (Participante13, 51 anos).

    Os idosos relatam que preferem saber usar as tecnologias para no pedir ajuda a ningum para pesquisar na inter-net, ter mais desenvoltura nos caixas dos bancos e acom-panhar a comunicao entre amigos e filhos.16 Deacordo com Teixeira e Monteiro,17 a incluso digital considerada uma das principais ferramentas de distribuio de sabe-res, oportunidades, renda e participao social, e a maior parceira da cidadania. Representa um canal privilegiado para solucionar a desigualdade, proporcionando atuao integrada que visa combater a misria e elevar o nvel de bem-estar social de maneira sustentvel.

    Apenas para um participante, a associao das trs palavras foi descrita como dificuldade:

    Coisas complicadas (Participante 8, 61 anos).

    Se, por um lado, as novas geraes apresentam fami-liaridade com o uso das inovaes tecnolgicas que surgem aceleradamente, as geraes mais velhas, dos idosos, por sua vez, encontram-se no extremo oposto, sentindo-se no meio de um bombardeio tecnolgico que lhes causa estranheza, medo e/ou receio. Essa gera-o sente-se analfabeta diante das novas tecnologias, revelando dificuldades em entender a nova linguagem e em lidar com os avanos tecnolgicos.5

    Significados e sentimentos que envolveram o processo de aprendizagem no computadorOs ambientes de aprendizagem em oficinas de inform-tica proporcionam mudanas positivas na vida desses sujeitos, pois promovem novos conhecimentos e aprendi-zado, alm de provocarem sentimentos de felicidade e de mais realizao, melhorando a autoestima e o bem-estar.18

  • Envelhecimento e incluso digital | 183

    Por meio de suas respostas ao instrumento, os partici-pantes deram visibilidade s mltiplas percepes cons-trudas a partir da entrada para oficinas de informtica, descrevendo suas redescobertas nesse mundo novo a ser explorado nessa fase da vida.

    Saber mexer na internet e se comunicar com os outros (Participante 1, 56 anos).

    Representou um avano. Gostei de aprender a mandar e receber e-mails (Participante 1, 60 anos).

    Trabalhar na computao, tentar aproveitar ao mximo. Tudo foi bom... Os colegas, tudo foi timo (Participante 2, 71 anos).

    Foi um grande incentivo poder acompanhar o avano, a evoluo o desenvolvimento tendo a oportunidade de entrar na tecnologia. E o que mais gostei foi aprender o modo de se comunicar com facilidade e rapidez. E, ainda, diverses e o lazer, como: jogos, desenhos, pinturas, etc. E isso sem sair de casa (Participante 3, 73 anos).

    Representou um grande avano na minha vida. J me chamam em casa de a v da informtica. Gostei de todas as aulas, principalmente de conversar com meus colegas pelo computador, chat, a unio dos cole-gas, um ajudando o outro (Participante 4, 69 anos).

    Representou conhecimento. Gostei de tudo e, princi-palmente, navegar na internet (Participante 6, 68 anos).

    Gostei muito do bate-papo com os amigos. Gostei por-que agora eu tenho um e-mail (Participante 7, 69 anos).

    O clima de amizade e camaradagem. Conhecimento dos componentes dos computadores (Participante4, 65 anos).

    Representou o primeiro passo. Eu nunca tinha instruo. Foi pouco, mas serviu muito, e todas as instrues foram muito importantes para mim (Participante 5, 75 anos).

    Foi o conhecimento para lidar com o computador e a oportunidade de ter acesso internet. Gostei muito do que eu aprendi, da integrao com os colegas, o carisma da professora e a pacincia com que teve com cada um de ns, pois, sendo assim, faz muita diferena (Participante 6, 57 anos).

    Representou o primeiro passo para me envolver na rea da computao, deixando o caminho aberto para que eu possa aprender mais a partir de agora. Gostei de tudo, pois foi uma noo bsica que eu no possua. Fazer meu e-mail foi algo de grande utilidade (Participante 13, 51 anos).

    Aps a realizao de um estudo, pesquisadores7 con-cluram que h, por parte dos idosos, forte tendncia de estarem conectados com o mundo digital, acrescen-tando que eles so estimulados a comprar seus compu-tadores aps ingressarem em oficinas de incluso digital e a buscarem aperfeioamento no uso do computador, principalmente para na comunicao com amigos e familiares. Isso foi observado na pesquisa em questo, pois grande nmero dos participantes se sentiu mais familiarizado com a tecnologia. Todos relataram que gostariam de continuar aprendendo no computador.

    A aula de informtica para idosos pode ser um momento agradvel, de entretenimento e de troca de experincias.19 Para outro autor,20 a utilizao do com-putador traz benefcios para pessoas de todas as idades, em especial as idosas que, por meio de seu uso, podem ter acesso a novos conhecimentos, atualizar-se com faci-lidade, manter contato com pessoas, melhorar seu lazer, criatividade e autoestima, promovendo maior partici-pao social, o que pode minimizar a solido e o isola-mento, alm de estimular a memria e a concentrao.

    CONCLUSOO presente trabalho teve como objetivo descrever as concepes de adultos e idosos a respeito dos signi-ficados e sentimentos que envolvem o processo de aprendizagem mediado pelo computador. Buscou-se a anlise dos sentimentos e dos significados das expe-rincias por meio do vnculo com o computador e a associao das palavras tecnologia, computador e infor-mtica. Em concordncia com o objetivo proposto e os resultados deste estudo, concluiu-se que o uso do computador por pessoas pertencentes a um grupo da terceira idade promove a incluso digital, a conquista de um espao sociodigital, interao e formao de crculo de amizades, valorizao do idoso enquanto pessoa e a elevao da autoestima.

    J com relao associao das palavras tecnolo-gia, computador e informtica, verificou-se, por meio dos depoimentos, que a maioria revelou ser um grande avano que surgiu para facilitar a vida das pessoas no sentido da comunicao, agilidade e integrao entre todos que fazem uso dessa inovao.

  • 184 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

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  • Artigo de Reviso

    Relao entRe tRataMento

    Da insuFicincia caRDaca e

    PePtDeo natRiuRtico Do tiPo-B

    Grace silva Barbosaa, Fernanda veloso Pereiraa, eloange alkmim limaa, Gabriel Bispo De Moraisa,

    ana Beatris czar Rodrigues Barralb, Galeno Hassen salesc

    aAcadmicos de Medicina do 10 perodo, Faculdades Integradas Pitgoras de Montes Claros (FIPMoc) Montes Claros (MG), Brasil.bProfessora, FIPMoc. Mestre em Ginecologia, Obstetrcia e Mastologia, Universidade Estadual Paulista Jlio de Mesquita Filho (UNESP) Montes Claros (MG), Brasil.cProfessor, FIPMoc. Residncia mdica em Geriatria e Gerontologia, Instituto de Previdncia dos Servidores do Estado de Minas Gerais - Montes Claros (MG), Brasil.

    Dados para correspondnciaGrace Silva BarbosaAvenida Osvaldo Souto, 41 Ibituruna CEP: 39401-278 Montes Claros (MG), Brasil E-mail: gracejab@yahoo.com.brConflito de interesses: no h.

    Palavras-chave

    Insuficincia cardacaTeraputica

    Peptdeos natriurticos

    Keywords

    Heart failureTherapeutics

    Natriuretic peptides

    RESUMOIntroduo: O peptdeo natriurtico do tipo-B (BNP) um marcador de insuficincia cardaca (IC), sndrome que representa um srio problema de sade pblica. Esse marcador til no diagnstico, no prognstico estimado e na orientao teraputica na IC. Objetivo: Revisar as publicaes cientficas que estabelecem a relao entre o tratamento farmacolgico da IC e o BNP. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa bibliogrfica de artigos cientfi-cos publicados no perodo de 2009 a 2013, disponveis nas lnguas portuguesa e inglesa. Resultados: 100 artigos foram analisados, sendo que 15 com temtica e metodologia pertinentes foram utilizados nesta reviso. Concluso: Aconduta destinada a reduzir as concentraes plasmticas de BNP para concentraes dentro de intervalos de referncia reduz eventos cardiovasculares. O uso de losartana associado hidroclorotiazida comparado com o uso de anlodipina em altas doses demonstra eficcia similar a esta droga na reduo dos nveis de BNP; j os betablo-queadores causam queda dentro de semanas a meses, sendo os mais efetivos.

    RelationsHiP BetWeen tReatMent oF HeaRt FailuRe anD B-tYPe natRiuRetic PePtiDe

    ABSTRACTIntroduction: The B-type natriuretic peptide (BNP) is a marker of heart failure (HF), which represents a serious public health problem. This marker is useful in the diagnosis, in estimating the prognosis and therapeutic guidance of HF. Objective: To review the scientific publications that establish the relationship between the pharmacological treatment of HF and the BNP. Methodology: This is a bibliographical research of scientific articles published in the period from 2009 to 2013, available in Portuguese and English. Results: 100 articles were analyzed, 15 of which, with pertinent thematic, were used in this review. Conclusion: The conduct intended to reduce plasma concentra-tions of BNP for concentrations within ranges of reference reduces cardiovascular events. When comparing the use of Losartan associated with hydrochlorothiazide with Anlodipina in high doses have similar efficacy in reducing levels of BNP, the beta blockers cause fall in weeks to months, being the most effective.

  • 186 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    INTRODUOA insuficincia cardaca (IC) constitui-se em uma das prin-cipais causas de incapacidade, pois provoca limitao de atividades da vida diria dos idosos e pode ser agravada quando associada depresso, representando um grave problema de sade pblica e sendo considerada uma pan-demia do sculo XXI. Continua a ser um importante e crescente problema social, apesar dos avanos diagns-ticos e teraputicos.1

    O corao no tem apenas uma funo de bomba, fun-ciona igualmente como rgo endcrino. Em situaes fisiolgicas, o peptdeo natriurtico do tipo-B (BNP), alm de ser produzido nos trios, tambm o no crebro e nos micitos ventriculares, tem os efeitos diurtico, natriu-rtico e vasodilatador, possuindo ainda efeito inibitrio sobre o sistema nervoso simptico (SNS). OBNP pode ser confiavelmente dosado.2

    Mecanismos fisiopatolgicos especficos podem expli-car a ligao entre doenas cardacas e nveis de peptdeo no plasma. Destes, o estiramento mecnico do micito o mais importante, refletindo em aumento de volume ou de presso, os quais podem ser vistos na IC.3,4

    O BNP e o N-terminal pr-hormnio (NT-pr-BNP) tornaram-se aceitos como marcadores de IC com signifi-cado fisiopatolgico superior queles mtodos tradicio-nais, sendo teis no diagnstico, na estimao do prog-nstico e na orientao de sua terapia.5

    A farmacoterapia guiada por nveis de BNP reduz os eventos cardiovasculares e o tempo de atraso para o pri-meiro evento cardiovascular, em comparao com a tera-pia clinicamente orientada.6,2,4

    Com a teraputica para IC h a reduo de nveis plas-mticos de BNP; entretanto, quanto aos nveis do pept-deo e ao perodo de ao, h uma diferena na ao de cada medicamento usado. Sendo assim, este trabalho teve como proposta verificar a relao entre o tratamento far-macolgico da IC e os nveis de BNP.

    METODOLOGIARealizou-se uma pesquisa bibliogrfica do tipo exploratria. Utilizou-se como fonte bibliogrfica artigos publicados em peridicos cientficos, no perodo de 2009 a 2013, referentes ao tema IC e BNP. O levantamento bibliogrfico ocorreu por meio de consulta s bases de dados SciELO e PubMed, no perodo de fevereiro de 2013 a agosto de 2013, utilizando como descritores os termos: IC, peptdeos natriurticos, BNP e teraputica da IC, alm dos seus correspondentes em lngua inglesa. Utilizou-se como fonte primria para a pesquisa os artigos publicados nas lnguas portuguesa e inglesa que abordassem aspectos do tratamento medica-mentoso da IC e sua relao com o BNP. Aps a obteno do material realizou-se leitura exploratria dos estudos, seguida de seleo do material, conforme os objetivos do artigo, e de leitura analtica.

    RESULTADOSForam analisados cerca de 100 artigos cientficos que apre-sentavam temtica pertinente a IC e peptdeos natriurticos. Do total, 15 foram selecionados e fichados para fazer parte desta reviso. Apresentavam metodologias diversas e 10 dis-corriam sobre nveis sricos de BNP versus teraputica da IC.

    DISCUSSOAo lado dos marcadores clnicos, a dosagem de BNP se tornou um importante instrumento no subjetivo de iden-tificao dos pacientes com IC mais grave.7

    A titulao ou adaptao do tratamento destinado a reduzir as concentraes plasmticas de BNP para con-centraes dentro de intervalos de referncia pode resultar em melhores resultados do que o tratamento convencio-nal (com base na aplicao do padro de algoritmos de tratamento e gesto reativa de sintomas e sinais).8

    Quando o paciente descompensa, os valores de BNP se elevam proporcionalmente distenso dos ventrculos sendo os nveis deste marcador to mais altos quanto maior a disten-so ventricular que, portanto, se relaciona com a manifesta-o clnica e a intensidade da descompensao do paciente.7

    Na fase hospitalar, o BNP no deve ser utilizado para guiar o tratamento, visto que as dosagens dirias no acres-centariam impacto nos resultados e s aumentariam os custos; entretanto, no contexto ambulatorial, a hiptese de se ajustar as doses dos medicamentos de acordo com os valores de BNP pode auxiliar no ajuste de dose de medica-o, havendo reduo de morte e hospitalizaes por IC.7,9

    A terapia medicamentosa na IC guiada por BNP tem sido proposta para melhorar o resultado comparado com a terapia convencional (baseada em sintomas) em pacientes com IC cr-nica, principalmente em pacientes mais velhos: menos ativos fisicamente, com sintomas menos confiveis e mais suscet-veis aos efeitos adversos relacionados com os medicamentos.10

    A resposta terapia anti-IC se reflete em mudanas rapidamente aparentes na dosagem plasmtica de BNP. O uso de diurticos e vasodilatadores tem a capacidade de conduzir as concentraes plasmticas de peptdeos para baixo durante o aumento da terapia vasodilatadora. No caso dos betabloqueadores a resposta inicial um aumento no plasma de peptdeos B, e aps semanas ou meses h uma queda, quando estabelecida a remodela-o benfica e transmural do ventrculo distendido e os gradientes de presso so melhorados.8

    Com o uso de diurticos de longa durao de atividade, como o azosemide (10 a 12 horas), os nveis de BNP reduzem significativamente aps 3 meses, em comparao com o uso de diurticos de atividade curta (6horas), como o furosemida.11

    A maioria dos medicamentos utilizados para tratar a IC reduz significativamente os nveis de BNP. Para pacientes com nveis mais altos de BNP, os betabloqueadores (em especial o metropolol e carvedilol) so muito benficos para a reduo de tais nveis, sendo o uso de espironolactona tambm favorvel.12

  • Relao entre IC crnica e BNP | 187

    Para corrigir sintomas refratrios teraputica otimi-zada da IC, h a indicao do uso de altas doses de diur-tico, infuso contnua de diurtico e associao de diferentes classes de diurticos. Em pacientes com IC crnica hipona-trmicos e refratrios ao tratamento clnico pode-se usar soluo hipertnica (150 mL de 1,44,6% NaCl), associada a altas doses de furosemida (5001.000mg/dia), havendo rpida compensao do quadro clnico desses pacientes, com diminuio do tempo de hospitalizao, menor taxa de readmisso hospitalar e reduo mais acentuada dos nveis de BNP em 30 dias.13

    Tratamento anti-hipertensivo com dois tipos de drogas com diferentes mecanismos rende eficcia anti-hiperten-siva potente com segurana e diminuio de nveis plas-mticos de BNP. Estudo avaliando o uso de losartana e hidroclorotiazida por 12 meses demonstrou que a mdia das presses arteriais (sistlica e diastlica) diminuiu de 15213/8710mmHg para 12814/7410 mmHg, respec-tivamente, e os nveis de BNP no plasma diminuram signi-ficativamente de 46,083,0 pg/mL para 40,868,0 pg/mL.14

    O uso de hidroclorotiazida associado losartana reduz o nvel plasmtico do peptdeo igualmente ao uso de anlo-dipina isoladamente em altas doses, havendo efeitos simi-lares na clnica do indivduo.15

    Observa-se que, quando um grupo em que avaliada a teraputica pelo acompanhamento dos nveis de BNP

    comparado com os mtodos convencionais (por sintomas e sinais), o primeiro grupo apresenta mudanas no trata-mento com maior frequncia, havendo em tal grupo uma otimizao da terapia, com menor risco de morte relacio-nada IC ou de internao hospitalar por IC.12

    CONSIDERAES FINAISDiante do exposto, conclui-se que o BNP um bom marcador para o diagnstico, o prognstico e a orienta-o de terapia da IC, sendo vivel seu uso ambulatorial. Constatou-se que a conduta destinada a reduzir as con-centraes plasmticas de BNP para concentraes dentro de intervalos de referncia reduz eventos cardiovasculares. Ao se comparar o uso de losartana associado hidrocloro-tiazida com anlodipina em altas doses, foi verificado que ambos possuem eficcia similar na reduo dos nveis de BNP. Inicialmente, o uso de betabloqueadores aumenta no plasma o peptdeo B, havendo queda subsequente dentro de semanas a meses; todavia, tais componentes so os mais efetivos. A partir deste estudo fica evidente que todos os medicamentos usados na terapia anti-IC tm capacidade de reduzir o BNP, e que este, quando comparado com a terapia guiada apenas pelos sinais e sintomas (conven-cional), otimiza a terapia, minimizando o risco de morte relacionada IC ou de internao hospitalar por IC.

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  • Relato de Caso

    MtoDo MiRRoR visual FeeDBacK coMo

    RecuRso teRaPutico ocuPacional na

    ReaBilitao Do iDoso HeMiPlGico:

    Relato De caso

    Rafael arajo liraa, vanina tereza Barbosa lopes da silvab

    aTerapeuta Ocupacional, Universidade Potiguar (UnP). Especialista em Gerontologia, UnP Natal RN, Brasil.bTerapeuta Ocupacional, Universidade Estadual do Cear (UECE). Especialista em Sade do Idoso, UECE. Mestre em Sade Coletiva, Universidade de Fortaleza (UNIFOR) Fortaleza CE, Brasil.

    Dados para correspondnciaRafael Arajo Lira Rua Santana dos Matos, 10 Inocoop CEP: 59380-000 Currais Novos (RN), Brasil E-mail: rafaellira51@hotmail.comConflito de interesses: no h.

    Palavras-chave

    Acidente vascular enceflicoHemiplegia

    Terapia ocupacional

    Keywords

    StrokeHemiplegic

    Occupational therapeutic

    RESUMOCom o aumento da longevidade, observa-se, nos ltimos anos, uma crescente preocupao com as doenas crebro-vasculares como o acidente vascular enceflico (AVE), doena que acomete com maior frequncia os indivduos idosos, representando um grande nus em termos socioeconmicos, pela alta incidncia e prevaln-cia de quadros com incapacidade fsica. O presente trabalho objetivou descrever um caso sobre a experincia com o mtodo mirror visual feedback (MVF) como recurso teraputico ocupacional na reabilitao de um paciente idoso hemiplgico, em fase crnica, no perodo de janeiro a fevereiro de 2013. Pde-se observar um progresso significativo na funo motora e na execuo das atividades de vida diria (AVD), com desenvolvi-mento do bom uso funcional da mo. O presente relato de caso sugere que a reabilitao por meio do mtodo referido acima um modo efetivo e coadjuvante na reabilitao teraputica ocupacional.

    MiRRoR visual FeeDBacK MetHoD as occuPational tHeRaPeutic ResouRce on HeMiPleGic elDeRlY ReHaB: case RePoRt

    ABSTRACTWith the longevity increasing, it is noticed in recent years, a growing concern with cerebrovascular diseases such as strokes, disease that affects the elderly more often, which represents a big onus in socioeconomic terms due to the high incidence and prevalence of frames with physical disabilities. The present study describes the experience over the mirror visual feedback (MVF) method as a therapeutic occupational resource in a rehabilitation of an elderly patient with a functional impairment of the superior member, in chronicle phase, after an encephalic vascular acci-dent, in a rehab, from January to February of 2013. It can be observed a significant improvement in motor function and the execution of daily activities, developing a good functional usage of the hand. This experience report, sug-gests that rehabilitation through MVF method is an effective and adjuvant method in the occupational therapeutic.

  • Mtodo mirror visual feedback como recurso teraputico | 189

    INTRODUOSegundo as estimativas da Organizao Mundial da Sade (OMS), entre 1950 e 2025, o nmero de idosos no Brasil dever aumentar em 15 vezes, ocupando o 6pas em con-tingente de idosos, em 2025, com cerca de 32 milhes de pessoas com 60 anos ou mais.1

    Nos ltimos anos, com o aumento da longevidade e da expectativa de vida, a populao mundial cresceu de forma significativa; consequentemente, h aumento no nmero de pessoas acometidas por doenas, entre elas as enfermidades crebro-vasculares, com destaque para o acidente vascular enceflico (AVE), definido como um dficit neurolgico sbito, originado por uma leso vas-cular, compreendido por complexas interaes nos vasos e elementos sanguneos.

    Por meio das manifestaes clnicas, as principais queixas desses indivduos que sofreram tal acidente vas-cular so as alteraes motoras no membro superior do lado plgico/partico, visto que h comprometimento da destreza necessria para a execuo de atividades de vida diria (AVD).2 Segundo Carvalhido (p. 140):

    Os pacientes que sofreram AVE podem apresentar incapacidades, as quais podem ser temporrias ou permanentes. Estas incapacidades iro dificultar a realizao das atividades da vida diria, como na alimentao, higiene, no vestir, na mobilidade; na relao familiar e com a sociedade, no campo profis-sional e na rea de lazer. Sobre esta viso o processo de reabilitao em pacientes com AVE torna-se de fundamental importncia para ajudar a readquirir a funo fsica, psicossocial e profissional.

    Tomando por base a citao da autora possvel com-preender que a otimizao da funo de um paciente com AVE depende de diversos fatores, tais como: grau de recuperao neurolgica, preveno de complicaes secundrias, capacidade individual de aprender novas habilidades, do tempo de espera da reabilitao aps o surgimento desse acidente vascular e da fora de von-tade do indivduo em atingir os seus objetivos em curto e longo prazo.

    No contexto da reabilitao neurolgica do indivduo com o membro superior afetado pelo AVE, atualmente o tratamento tem sido bastante focado na reduo das incapacidades motoras e na minimizao da deficincia fsica.3 Na busca incessante no que se refere contribuio metodolgica sobre a utilizao do MVF na reabilitao dos pacientes, estudos como o de Altschuler etal.4 tm se baseado em novos modelos de controle motor e na teo-ria de aprendizagem, na busca de respostas que possam recuperar funcionalmente o membro superior afetado. A tcnica mirror visual feedback (MVF), proposta por Ramachandran (p. 368-73),

    visa a recuperao motora do membro superior hemipartico, integrando estmulos sensoriais resposta motora, remodelando conexes corticais e promovendo modificaes das reas de repre-sentao cortical.5

    A tcnica descrita acima foi inicialmente aplicada em pacientes amputados com dor fantasma e, logo em seguida, com pacientes que apresentavam sequelas de AVE, sem funo motora no membro superior.6 A MVF consiste na utilizao de um espelho colocado na posio verti-cal sobre uma mesa. O paciente deve posicionar sua mo no afetada em frente ao espelho, realizar movimentos e observ-los, enquanto sua mo plgica permanece atrs do espelho. A visualizao da mo no afetada no espe-lho oferece ao crebro, embora ilusrio, um novo input visual, sugerindo movimentos na mo afetada.

    Ainda so poucos os estudos no Brasil sobre a utili-zao do MVF no servio da terapia ocupacional. Sendo assim, este estudo objetivou relatar a experincia clnica do mtodo MVF como recurso teraputico ocupacional na reabilitao de um paciente idoso com comprometimento funcional do membro superior ps-AVE, em fase crnica.

    Identificao do caso e relato de experinciaJ.F.S., 65 anos, sexo masculino, mecnico, foi atendido, no perodo janeiro a fevereiro de 2013, no Centro de Reabilitao Infantil e Adulto (CRI/CRA), no municpio de Caic, no Rio Grande do Norte. Foi encaminhado por um neurologista, pois tinha o diagnstico de acidente vas-cular enceflico isqumico (AVEI), apresentando hemi-paresia esquerda, com movimento de brao, porm sem atividade funcional da mo.

    A faixa etria corroborou o estudo realizado em uma populao de idosos na cidade de Portland, Estados Unidos, para avaliao de AVE. Nessa pesquisa, nos grupos de idade de 6574 e 7584 anos, as taxas de prevalncia entre os homens foram superiores s taxas entre as mulheres.7

    Inicialmente foi realizada com a esposa e o paciente uma anamnese, na qual foi possvel colher informaes importantes sobre o histrico ocupacional do paciente, verificando-se que o paciente apresentava dificuldade para realizar as suas atividades de vida diria (AVD).

    A partir das queixas sobre as dificuldades para rea-lizar suas atividades cotidianas descritas pelo paciente, J.F.S. foi submetido s avaliaes de Katz e Lawton, para verificar o grau de incapacidade nas AVD e instrumen-tais. Foi possvel observar que na escala Katz obteve um escore total de 4 pontos (dependncia parcial), e na escala de Lawton apresentou um escore de 13 pontos, eviden-ciando a necessidade de ajuda para realizar as atividades instrumentais de vida diria.

    Dentre as diversas ocupaes que podem ser prejudica-das em decorrncia do AVE esto as AVD,8 definidas como:

  • 190 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    Tarefas de desempenho ocupacional que o indiv-duo realiza diariamente. No se resume somente aos auto-cuidados de vestir-se, alimentar-se, arru-mar-se, tomar banho, e pentear-se, mas englobam tambm as habilidades de usar telefone, escrever, manipular livros, etc. alm da capacidade de virar-se na cama, sentar-se, mover-se e transferir-se de um lugar a outro. (p. 629)

    No que se refere ao controle de punho e mo, foi obser-vado que o sujeito apresentou dificuldade na realizao ativa das AVD, como tomar banho, enxugar-se, pentear os cabelos, escovar os dentes, vestir e tirar a camisa, calar a sandlia e manipular objetos com as duas mos, bem como atividades que exigissem coordenao global, como jogar bola, empilhar caixas etc. Com relao aos movi-mentos mais precisos, tais como pina, movimentos alter-nados, pianotagem e sensibilidade, o paciente apresentou dificuldade de moderado a grave, visto que foi verificada interferncia nas suas AVD.

    Segundo De Carlo etal.,9 o terapeuta ocupacional pode avaliar, auxiliar e orientar o paciente em suas atividades, para que alcance o grau mximo de desempenho e de autonomia nas vrias situaes do cotidiano.

    Aps a apresentao dos resultados das avaliaes, o paciente foi esclarecido sobre o mtodo MVF como recurso teraputico ocupacional, durante o perodo de reabilitao. A partir dessa sesso foi iniciado o processo teraputico.

    O relato de caso consta em 12 sesses utilizando o mtodo MVF realizadas 3 vezes por semana, com dura-o de 30 minutos. O paciente foi atendido no setor de terapia ocupacional da referida instituio. Realizaram-se atividades bimanuais na postura sentada, com o sujeito ergonomicamente posicionado com adequada altura da cadeira e da mesa, sobre a qual foi colocado o espelho (45 x 60 cm), interposto entre seus membros superiores em frente ao trax.

    Para melhor entendimento sobre o caso, sero expla-nados os ganhos e o processo de interveno detalhado por sesso, bem como a descrio dos objetivos alcana-dos durante as quatro semanas de interveno por inter-mdio do mtodo proposto neste trabalho.

    Ainda referente ao assunto, Ramachandran etal. (p.489-90)10 apontam que:

    Durante a primeira semana de interveno, com-preendido como perodo de familiarizao, onde o sujeito conhece a tcnica e seu funcionamento, o momento em que o mesmo concentra suas estra-tgias na modificao da aprendizagem para iden-tificar a mo refletida no espelho como sendo sua extremidade hemiplgica movendo-se livremente.

    O paciente recebeu comandos verbais para que realizasse movimentos que simulassem suas atividades cotidianas,

    como escovar os dentes, pentear os cabelos, lavas e secar as mos, cortar os alimentos, levar o talher boca etc.

    Autores como Byl etal.11 citam que nas semanas sub-sequentes, j classificadas como perodo de interveno, nas quais ocorreram vrias repeties, foram realizados movimentos de membro superior isolado, como movi-mentos de prono/supinao do antebrao e flexo dorsal e palmar do punho, seguidos de movimentos conjugados, de crescente complexidade, levando-se em considerao, ainda, as possibilidades de variabilidade de prtica.

    Da terceira a quinta semana de tratamento com o espe-lho, o paciente relatou sentir a mo e o brao movendo e tremendo, mas no conseguia identificar qual dedo estava se movimentando. Ainda relatou ter a sensao de movimento nos dois braos, quando pedido para imagi-nar que estava lavando as mos, chegando at mesmo a sentir o cheiro da gua. De acordo com Ramachandran (p. 1321-710),12

    o estmulo visual associado prtica fsica poss-vel modificar o desempenho de uma tarefa motora. Essas alteraes apresentadas pelo sujeito podem estar associadas s mudanas fisiolgicas e plsti-cas em nvel cerebral.

    Comparando com estudos descritos por Ramachandran e Altschuler,13 o paciente no apresentou cefaleia ao reali-zar os movimentos, uma vez que este sintoma corrobora os achados normais em suas pesquisas sobre a utiliza-o da tcnica. No decorrer do tratamento, o paciente relatou melhor participao nas suas AVD (vestir-tirar a camisa, escovar os dentes, enxugar-se e segurar objetos com as duas mos).

    Os ganhos relatados acima vo de encontro com o estudo realizado por Sathian etal.,14 no qual foi pos-svel obter recuperao da preenso em garra e movi-mentos da mo em um paciente ps-AVE. A tcnica de MVF demonstra ser uma nova possibilidade neuro-lgica, uma vez que apresenta uma srie de vantagens sobre os mtodos de reabilitao fsica, alm, claro, de ser confeccionada com materiais de baixo custo, ser um equipamento acessvel e ter a possibilidade de ser aplicada em domiclio, favorecendo, precocemente, o retorno do sujeito realizao das suas AVD, de forma independente e funcional.

    No que tange ao comprometimento motor decor-rente das sequelas ocasionadas pela patologia, pde-se observar, por intermdio das escalas de Katz e Lawton, um aumento significativo na independncia funcional na realizao das AVD.

    No que se refere ao controle de punho e mo, foi observado um aumento significativo na realizao ativa nas AVD, como tomar banho, enxugar-se, pentear os cabelos, escovar os dentes, vestir e tirar a camisa, calar a sandlia e manipular objetos com as duas mos, bem

  • Mtodo mirror visual feedback como recurso teraputico | 191

    como atividades que exigissem coordenao global, como jogar bola, empilhar caixas. Com relao aos movimen-tos como pina, movimentos alternados, pianotagem e sensibilidade, no foi possvel obter ganhos significativos.

    Aps quatro semanas de interveno com a utilizao do mtodo MVF, foi realizada uma nova avaliao (Katz e Lawton), com o objetivo de comparar os resultados ini-ciais e finais do estudo. No incio da pesquisa, o paciente apresentou 4 pontos na escala de Katz e 13 na escala de Lawton; no final do estudo, foi observada uma melhora quantitativa e qualitativa, 5 pontos na escala de Katz e 25 pontos na escala de Lawton, servindo como base para comparao evolutiva, demonstrando independncia nas AVD e nas atividades instrumentais de vida diria, melhora significativa no desenvolvimento e na realizao das atividades cotidianas e adaptao do paciente no seu cotidiano familiar e social.

    O processo teraputico ocupacional funciona como potencializador e facilitador de autonomia e indepen-dncia do sujeito, pois a terapia ocupacional tem como objeto de interveno a ocupao humana; dessa forma, a especificidade do processo teraputico pode ser entendida

    como o trabalho com as AVD, as atividades da vida pr-tica (AVP), a criao de projetos prxicos,9 a avaliao, a reorganizao, a ressignificao, a instrumentalizao e o fortalecimento da vida ocupacional do sujeito nas suas dimenses de trabalho, lazer, automanuteno.15

    CONSIDERAES FINAISO presente relato teve como finalidade evidenciar a impor-tncia do mtodo MVF, utilizado como recurso teraputico ocupacional, apresentando-se satisfatrio e significativo na reabilitao funcional do idoso acometido por AVE em fase crnica, proporcionando melhoras evolutivas no membro superior hemipartico, visto que foi possvel res-tabelecer seu retorno ao convvio familiar e social como um ser til e produtivo, capaz de realizar suas AVD e seu trabalho de forma independente.

    No entanto, possvel constatar que o mtodo aqui mencionado, pelo seu mecanismo de ao, pode ser uma alternativa valiosa na reabilitao do paciente acome-tido por AVE, sendo necessrios os estudos controlados para estabelecer a evidncia do seu benefcio.

    REFERNCIAS

    1. World Health Organization (WHO). Envelhecimento ativo: uma poltica de sade. World Health Organization; traduo Suzana Gontijo. Braslia: Organizao Pan-Americana da Sade; 2005. 60 p.: il.

    2. Carvalhido T, Pontes M. Reabilitao domiciliria em pessoas que sofreram um acidente vascular cerebral. Revista da Faculdade de Cincias da Sade. 2009;(6):140-50.

    3. Page SJ, Gater D, Bach-Y-Rita P. Reconsidering the motor recovery plateau in stroke rehabilitation. Arch Phys Med Reahabil. 2004;85(8):1377-81.

    4. Altschuler EL, Wisdom SB, Stone L, Foster C, Galasko D, Llewellyn DME etal. Rehabilitation of hemiparesis after stroke with a mirror. The Lancet. 2009;353(9169):2035-6.

    5. Ramachandran VS. Plasticity and functional recovery in neurology. Clin Med. 2005;5(4):368-73.

    6. RamachandranVS, Blakeslee S. Fantasmas no crebro: uma investigao dos mistrios da mente humana. 2a ed. Rio de Janeiro: Record; 2004.

    7. Barker WH, Mullooly JP. Stroke in a defined elderly population, 1967-1985: a less lethal and disabling but no less common disease. Stroke. 1997;28:284-90.

    8. Trombly C. Restaurao do papel de pessoa independente. In: Trombly C. Terapia Ocupacional para as disfunes fsicas. 5 ed. So Paulo: Santos Editora; 2005. p. 629-63.

    9. De Carlo MMRP, Bartolotti CC, Palm RDCM. A terapia ocupacional em reabilitao fsica e contextos hospitalares: fundamentos para a prtica. In: De Carlo MMRP, Luzo MCM. Terapia Ocupacional: reabilitao fsica e contextos hospitalares. So Paulo: Roca; 2004. p. 3-27.

    10. Ramachandran VS, Rogers-Ramachandran D, Cobb S. Touching the phantom limb. Nature. 1995;377(6549):489-90.

    11. Byl N, Roderick J, Mohamed O, Hanny M, Kotler J, Smith A etal. Effectiveness of sensory an motor rehabilitation of the upper limb following the principles of neuroplasticity: patients stable poststroke. Neurorehabil Neural Repair. 2003;17(3):176-90.

    12. RAMANCHANDRAN, V. S; HIRSTEIN, W. The perception of phantom limbs. Brain, 1998;121:p.1603-30.

    13. Ramachandran VS, Altschuler EL. The use of visual feedback, in particular mirror visual feedback, in restoring brain function. Brain. 2009;132(Pt 7):1693-710.

    14. Sathian K, Greenpan AL, Wolf SL. Doing it with mirror: a case study of a novel approach for rehabilitation. Neurorehabil Neural Repair. 2000;14(1):73-6.

    15. Ferigato S, Ballarin MLGS. A alta em terapia ocupacional: reflexes sobre o fim do processo teraputico e o salto para a vida. Cad Ter Ocup UFSCar. 2011;19(3):361-9.

  • Artigo Especial

    siulmara cristina Galeraa*, elisa Franco de assis costab*, silvia Regina Mendes Pereirac*, nezilour lobato Rodriguesd*

    aProfessora do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza Fortaleza (CE), Brasil. Membro titulado da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).bProfessora do curso de Medicina da Universidade Federal de Gois Goinia (GO), Brasil. Membro titulado da SBGG.cProfessora do curso de Medicina da Universidade Estcio de S Rio de Janeiro (RJ), Brasil. Diretora de Defesa Profissional e tica da SBGG na gesto 2012-2014.dPreceptora da Residncia Mdica em Geriatria do Hospital Universitrio Joo de Barros Barreto da Universidade Federal do Par Belm (PA), Brasil. Presidente da SBGG na gesto 2012-2014.*Comisso da SBGG responsvel pela elaborao e apresentao deste documento.

    DiRetRiZes Da socieDaDe BRasileiRa De

    GeRiatRia e GeRontoloGia soBRe conteDo De

    DisciPlinas/MDulos RelacionaDos ao envelHeciMento

    (GeRiatRia e GeRontoloGia) nos cuRsos De MeDicina

    GuiDelines oF tHe BRaZilian GeRiatRics anD GeRontoloGY societY on tHe content oF suBJects/MoDules RelateD to aGinG (GeRiatRics anD GeRontoloGY) in MeDicine couRses

    Diretrizes apresentadas, discutidas e aprovadas no Frum de Ensino em Geriatria e Gerontologia realizado no XIX Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, no dia 2 de maio de 2014, na cidade de Belm, Par.

    Guidelines presented, discussed and approved at the Education Forum in Geriatrics and Gerontology held in the 19th Brazilian Congress on Geriatrics and Gerontology, on May 2nd, 2014 in the city of Belm, Par.

  • Diretrizes da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (XIX Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia) | 193

    CICLO BSICO 1 AO 8 SEMESTRE

    Competncias Contedos

    Ao final da Unidade I, o aluno dever ser capaz de: Conhecerostermoseconceitosbsicosutilizadosnoestudodo

    envelhecimento e sua insero histrica. Compreenderoconceitodesadenoprocessodeenvelhecimentoque

    ocorre no Brasil e no mundo. CompreenderaepidemiologiadoenvelhecimentonoBrasilenomundo.

    Unidade I Introduo Estudodavelhice:histricoeconceitos. Epidemiologiadoenvelhecimento. Promoodesadeequalidadedevidadoidoso.

    Ao final da Unidade II, o aluno dever ser capaz de: Compreenderasteoriasbiolgicasdoenvelhecimentohumano. Identificarasprincipaismodificaesanatmicas,funcionaise

    psicolgicas que ocorrem com o envelhecimento humano e correlacionar com a dificuldade de avaliao do indivduo idoso.

    Conhecerociclosono-viglianoidosoeasdiferenascomasoutrasfaixas etrias.

    Compreenderaineficciadaterapiaantienvelhecimento.

    Unidade II Biologia do envelhecimento Teoriasbiolgicasdoenvelhecimento. Modificaesanatmicas,funcionaisepsicolgicasnoprocessode

    envelhecimento. Imunossenescncia. Estresseoxidativoeenvelhecimento. Farmacologianoprocessodeenvelhecimento. Ciclosono-viglianoidoso. Terapiaantienvelhecimento:ineficciacomprovadapelamedicina

    baseada em evidncias.

    Ao final da Unidade III, o aluno dever ser capaz de: Compreenderasprincipaissndromesgeritricasesuasprincipais

    consequncias.

    Unidade III Sndromes geritricas GigantesdaGeriatria. Instabilidadeposturalequedasnoidoso. Incontinnciaurinriaefecal. Iatrogenia. Insuficinciacognitiva. Sndromedeimobilizaoelcerasporpresso.

    Ao final da Unidade IV, o aluno dever ser capaz de: Aplicarastcnicasdecomunicaoverbaljuntoaopacienteidoso. Realizaraanamnesedopacienteidosoconhecendoassuas

    peculiaridades. Realizarexamefsicodoidosoconhecendoassuaspeculiaridades. Aplicareinterpretarescalasetestesutilizadosparatriagemeavaliao

    funcional bsica do idoso. Aplicareinterpretarescalasetestesutilizadosparatriagemeavaliao

    cognitiva bsica do idoso. Realizaravaliaonutricionalbsicanoidoso CompreenderaAvaliaoGeritricaAmplaesuaimportnciana

    avaliao multidimensional do idoso. Discutiradinmicadainterdisciplinaridadenoatendimentoaoidoso.

    Unidade IV Semiologia e atendimento ao idoso Peculiaridadesdacomunicaocomoidoso. Examefsicodoidoso. AtividadesdeVidaDiria:AtividadesBsicasdeVidaDiria(escalasde

    Katz e Barthel) e Atividades Instrumentais de Vida Diria (escalas de Lawton e Pfeffer).

    Avaliaocognitiva:MiniexamedoEstadoMental,Flunciaverbal,Testedo Desenho do Relgio.

    Avaliaodohumor:EscalaGeritricadeDepresso. AntropometriabsicadoidosoeMiniavaliaonutricional. AvaliaoGeritricaAmpla. Multidisciplinaridadeeinterdisciplinaridade.

    Ao final da Unidade V, o aluno dever ser capaz de: Conheceraevoluohistricadapolticasocialdoidosoedosespaos

    pblicos ocupados pela sociedade civil na luta pelos direitos dos idosos. ConheceraPolticaNacionaldeSadedaPessoaIdosa; ConheceraestruturadefuncionamentodaPolticadeAtenoPessoa

    Idosa. Compreendereidentificarsituaesdeneglignciaemaustratosaos

    idosos e os fatores que podem influenci-los. Analisaraconstruoeexperinciadafunodocuidadordeidosos. Compreenderoconceitodesuportesocial; Reconhecerossistemasformaiseinformaisdesuportesocial. Identificarosriscosquepredispemainstitucionalizaodeidosos.

    Unidade V Polticas de ateno ao idoso ConfernciadeSade,ConselhodeIdososePolticasdeAtenoao

    Idoso. EstruturadaassistnciapessoaidosanoBrasil. Maustratosealegislao:leis,portariaseoEstatutodoIdoso. Cuidadordeidosos. Sistemasformaisdesuportesocial:Hospital-dia,Centro-dia,Atendimento

    domiciliar, Instituies de Longa Permanncia. Sistemasinformais:familiares,vizinhosecomunidades. Fatoresderiscoquelevaminstitucionalizao. Modalidadesdeinstituiesdelongapermanncia. Instituiodelongapermannciapadro.

    Ao final da Unidade VI, o aluno dever ser capaz de: Diferenciarosprincipaisconceitosemticaebioticanoenvelhecimento. Abordarosaspectosticos,bioticoselegaisreferentesterminalidade

    da vida. CompreenderoTestamentovitalesuasimplicaesnaprticaclnica. Refletirsobreasquestesdeenvelhecimento,sade,espiritualidadee

    terminalidade.

    Unidade VI tica, biotica e espiritualidade no envelhecimento Ortotansia,eutansia. Mistansia,distansia. Pacientecomdoenaterminal. Cuidadospaliativos. Finitude:ticaebiotica. Testamentovital:consideraesticas. ResoluodoConselhoFederaldeMedicina,CdigodeticaMdica. Sadeeespiritualidade.

  • 194 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    INTERNATO 9 AO 12 SEMESTRE

    Competncias Contedos

    Ao final do internato, o interno dever ser capaz de: Executarumaanamnesedoidoso,examefsicoeosprincipaistestes

    e escalas de triagem de avaliao funcional, cognitiva e nutricional, reforando a importncia da avaliao multidimensional do idoso.

    Executartarefascomequipeinterdisciplinar.

    Unidade I Avaliao do idoso Revisodeanamnese,deexamefsicoedasescalasetestesdeavaliao

    multidimensional do idoso (avaliao funcional, cognitiva bsica, do humor, nutricional bsica, equilbrio e marcha).

    Ao final do internato, o interno dever ser capaz de: Realizaromanuseiocorretodosmedicamentosnoidoso. Identificariatrogeniamedicamentosa,formasdeprevenoeresoluo.

    Unidade II Farmacoterapia no envelhecimento Impactodasalteraesrelacionadasaoprocessodeenvelhecimentona

    seleo e dose de medicamentos. Identificaodasmedicaesconsideradasinadequadasaoidoso

    (critrios de Beers). Prescrioadequadadopacienteidoso. Iatrogeniamedicamentosa.

    Ao final do internato, o interno dever ser capaz de: Identificarpelomenostrsalteraesfuncionaisemcadasistemaeseu

    impacto na reserva funcional do idoso. Realizardiagnsticodiferencialbaseadonaapresentaoatpicadas

    doenas nos idosos. Abordaretratarpacientecomdesidratao,pneumonia,infecodotrato

    urinrio e sndrome coronria.

    Unidade III Apresentao atpica das doenas Reservafuncionaldoidosoeimportncianodesencadeamentode

    doenas. Apresentaoatpicanadesidratao,pneumonia,infecodotrato

    urinrio, incontinncia urinria, abdmen agudo e sndrome coronria aguda.

    Diagnsticoemanuseiodadesidratao,pneumonia,infecourinria,incontinncia urinria e sndrome coronria aguda e crnica no idoso.

    Ao final do internato, o interno dever ser capaz de: Abordarpacientequeapresentadistrbiosdoequilbriodamarchae

    sofre quedas.

    Unidade IV Distrbios da marcha do equilbrio e quedas Testeseescalasdeavaliaodoequilbrio,marchaedoriscodequedas. Exameneurolgicodirecionado. Quedas:fatoresderisco,causas,consequnciasepreveno. Hipotensoortosttica,tonturaesncopenoidoso.

    Ao final do internato, o interno dever ser capaz de: Executaravaliaocognitivabsicaeinterpretarresultados. Avaliaretratarumpacientecomdelirium e/ou depresso. Diagnosticarasprincipaisdemnciasqueacometemoidoso.

    Unidade V Distrbios cognitivos e comportamentais Dficitcognitivo:avaliaoeprincipaiscausasnoidoso. Definioediferenasclnicasentredelirium, depresso e demncia. Formulaodediagnsticodiferencialemumpacientequeexibedelirium,

    depresso ou demncia. Manuseiodeurgncianopacientecomagitaopsicomotora

    (principalmente nos casos de delirium, demncia e depresso, exceto risco importante de suicdio).

    Tratamentofarmacolgicodedepressoedelirium. Tratamentonofarmacolgicodedelirium, demncia e depresso.

    Ao final do internato, o interno dever ser capaz de: Identificarosfatoresderiscoparaodesenvolvimentodedoenascrnicas

    em idosos. Realizarrastreamentodedoenascrnicasemidosos. Realizaravaliaoemanuseiodasprincipaisdoenascardiovasculares,

    diabetes mellitus, dislipidemia e hipotireoidismo clnico e subclnico no idoso.

    Unidade VI Promoo de sade e preveno de doenas Rastreioemidosos:cncer,doenacardiovascularediabetes mellitus. Qualidadedevidanavelhice. Orientaopreventivageritrica. Manuseiodasprincipaisdoenascardiovascularesnoidoso(hipertenso

    arterial, insuficincia coronria aguda e crnica, insuficincia cardaca, acidente vascular cerebral), diabetes mellitus, dislipidemia e hipotireoidismo clnico e subclnico no idoso.

    Ao final do internato, o interno dever ser capaz de: Conhecerasprincipaisdefinieseosprincpiosdoscuidadospaliativos. Indicarpacienteparacuidadospaliativos. AplicarprotocoloSpike para dar m notcia. Avaliaremanusearadoreoutrossintomasprevalentesempacientes

    terminais. Identificarasnecessidadespsicolgicas,espirituaisesociaisdopaciente

    terminal e de seus familiares e atuar com a equipe interdisciplinar. Conhecerabioticaelegislaoemcuidadospaliativos.

    Unidade VII Cuidados paliativos Principaisdefinieseprincpiosdoscuidadospaliativos. Principaisindicaesdecuidadospaliativos. Mnotcia:ProtocoloSpike. Doresintomasprevalentesemcuidadospaliativos. Necessidadesdoidosoaofimdavidaeatuaointerdisciplinar. LegislaobrasileiraeCdigodeticaMdicaemrelaoaoscuidados

    paliativos.

    Ao final do internato, o interno dever ser capaz de: Identificarosriscospotenciaisdahospitalizaoemidososeestratgias

    de preveno. Abordarosprincipaisproblemasrelacionadoshospitalizaodosidosos. ConhecerasindicaesdeinternaodepacientesidososemUnidadede

    Terapia Intensiva. Programaraltahospitalardeidososerealizaroscuidadosdetransio.

    Unidade VIII Cuidados na hospitalizao de idosos Riscosdehospitalizao:imobilidade, delirium, efeitos colaterais de

    medicamentos, m nutrio, lcera por presso, procedimentos, perodos pr e ps-operatrio, infeco hospitalar e estratgias de preveno.

    CritriosdeinternaodeidososemUnidadedeTerapiaIntensiva. Altahospitalareorientaesparacuidadosdatransio.

  • Diretrizes da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (XIX Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia) | 195

    REFERNCIAS

    Bessa OAAC, organizadora. Holanda AA, Lima Neto AS, Ibiapina FLP, S HC, Gomes JMA, Carvalho MVCF etal., Projeto Pedaggico do Curso de Graduao em Medicina. Fortaleza: Universidade de Fortaleza; 2011. 208p.

    Besdine RW, Shield RR, McNicoll L, Campbell SE, Wetle T. Integrating and evaluating geriatrics in medical school: a novel approach for the challenge. Gerontol Geriatr Educ. 2011;32(4):295-308.

    Bollela VR, Machado JLM. Internato baseado em competncias. So Paulo: Medvance; 2010. 99p.

    Conselho Nacional de Educao (Brasil), Cmara de Educao Superior. Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduao em Medicina. Braslia: Conselho Nacional de Educao; 2001.

    Conselho Nacional de Educao (Brasil), Cmara de Educao Superior. Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduao em Medicina. Braslia: Conselho Nacional de Educao; 2014.

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    Ministrio da Sade (Brasil). Cadernos de Ateno Bsica: envelhecimento e sade da pessoa idosa. Braslia: Ministrio da Sade; 2006. 192p.

    Oliveira RA, coordenador. Cuidado Paliativo. So Paulo: Conselho Regional de Medicina do Estado de So Paulo; 2008. 689p.

    Pereira AMVB, Feliz MC, Schwanke CH. Ensino da geriatria nas faculdades de medicina brasileiras. G & G. 2010;4(4):179-85.

  • 196 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    Informaes geraisA revista Geriatria & Gerontologia G&G uma publicao cien-tfica trimestral da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontolo-gia SBGG, cujo objetivo veicular artigos que contribuam para a promoo do conhecimento na rea de Geriatria e Gerontologia, em suas diversas subreas e interfaces. A G&G aceita submisso de artigos em portugus, ingls e espanhol. Seu contedo encontra-se disponvel em verso impressa, distribuda a todos os associados da SBGG, e em verso eletrnica acessada pelo site: www.sbgg.org.br.

    Instrues para o envio dos manuscritosOs trabalhos devem ser enviados por via eletrnica (arquivo word) para o endereo: revistasbgg@gmail.com. Antes de enviar o manus-crito, verifique se todos os itens definidos em Orientaes para a preparao dos manuscritos foram apontados em seu texto. O autor receber mensagem acusando recebimento do trabalho; caso isto no acontea, deve-se entrar em contato. Concomitantemente, o autor de-ver enviar uma declarao de que o manuscrito est sendo submetido apenas revista G&G, a concordncia com a sesso de direitos auto-rais, a declarao de conflito de interesses e o documento de aprovao do comit de tica em pesquisa.

    Avaliao dos manuscritos por pareceris-tas (peer review)Os manuscritos que atenderem poltica editorial e s instrues aos autores sero encaminhados aos editores, que consideraro o mrito cientfico da contribuio. Aprovados nessa fase, os manuscritos sero encaminhados para pelo menos dois revisores de reconhecida competncia na temtica abordada. Os manuscritos aceitos podero retornar aos autores para aprovao de eventuais alteraes no processo de editorao e normalizao, de acordo com o estilo da revista. Manuscritos no aceitos no sero devolvidos, a menos que sejam solicitados pelos respectivos autores no prazo de at trs meses. Os manuscritos publicados so de propriedade da revista, sendo proibida tanto a reproduo, mesmo que parcial, em outros peridicos, como a traduo para outro idioma.

    Pesquisas envolvendo seres humanosResultados de pesquisas relacionadas a seres humanos devem ser acompanhados de declarao de que todos os procedimentos tenham sido aprovados pelo comit de tica em pesquisa da instituio de ori-gem a que se vinculam os autores ou, na falta deste, por um outro co-mit de tica em pesquisa credenciado junto a Comisso Nacional de tica em Pesquisa do Ministrio da Sade. Alm disso, dever constar, no ltimo pargrafo do item Mtodos, uma clara afirmao do cum-primento dos princpios ticos contidos na Declarao de Helsinki (2000), alm do atendimento legislao especfica do pas no qual a pesquisa foi realizada. Os indivduos includos em pesquisas devem ter assinado Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

    Tipos de artigos publicadosA revista G&G aceita a submisso de:Editoriais e comentrios: esta seo destina-se publicao de ar-tigos subscritos pelos editores ou aqueles encomendados a autorida-des em reas especficas, devendo ser prioritariamente relacionados a contedos dos artigos publicados na revista.Artigos originais: contribuies destinadas divulgao de resul-tados de pesquisas inditas tendo em vista a relevncia do tema, o alcance e o conhecimento gerado para a rea da pesquisa. Devem ter de duas a quatro mil palavras, excluindo ilustraes (tabelas, figuras [mximo de cinco]) e referncias (mximo de 30).

    Artigos de reviso: avaliao crtica sistematizada da literatura sobre determinado assunto, de modo a conter uma anlise comparativa dos trabalhos na rea, que discuta os limites e alcances metodolgicos, per-mitindo indicar perspectivas de continuidade de estudos naquela linha de pesquisa e devendo conter concluses. Devem ser descritos os pro-cedimentos adotados para a reviso, bem como as estratgias de busca, seleo e avaliao dos artigos, esclarecendo a delimitao e limites do tema. Sua extenso mxima deve ser de cinco mil palavras e o nmero mximo de referncias bibliogrficas de 50.Comunicaes breves: so artigos resumidos destinados divulgao de resultados preliminares de pesquisa; de resultados de estudos que envol-vem metodologia de pequena complexidade; hipteses inditas de rele-vncia na rea de Geriatria e Gerontologia. Deve ter de 800 a 1.600 pala-vras (excluindo tabelas, figuras e referncias), uma tabela ou figura e no mximo 10 referncias bibliogrficas. Sua apresentao deve acompanhar as mesmas normas exigidas para artigos originais, fazendo-se exceo aos resumos, que no so estruturados e devem ter at 150 palavras.Relatos de caso: so manuscritos relatando casos clnicos inditos e interessantes. O ttulo deve apresentar a doena ou a peculiaridade clnica relato de caso. Devem observar a estrutura de resumo (150palavras) com introduo (justificativa ao leitor o motivo do relato de caso, no se estender na descrio da doena ou particularidade clnica), relato do caso (com descrio do paciente, resultados de exames clnicos, seguimento, diagnstico. ATENO: No utilizar siglas ou notas de rodap), discusso (comparar com dados de semelhana na literatura) e concluso do caso. Devem conter a bibliografia consultada e no podem ter mais de 1.500 palavras e 15 referncias.Artigos especiais: so manuscritos entendidos pelos editores como de especial relevncia e que no se enquadram em nenhuma das categorias citadas. Sua reviso admite critrios prprios, no havendo limite de tamanho ou exigncias prvias quanto s refe-rncias bibliogrficas.Cartas ao editor: seo destinada publicao de comentrios, discusso ou crticas de artigos da revista. O tamanho mximo de 1.000 palavras e at cinco referncias.

    Orientaes para a preparao dos manuscritosOs manuscritos devem ser digitados em Word para Windows (inclu-sive tabelas); as figuras devem ser enviadas em arquivo JPG com no mnimo 300 dpi de resoluo.Devem ser apresentados na sequncia:a) ttulo completo do trabalho, em portugus e ingls, com at 90 caracteres; b) ttulo abreviado do trabalho com at 40 caracteres (in-cluindo espaos), em portugus e ingls; c) nome de todos os autores por extenso, indicando a filiao institucional de cada um; d) dados de um dos autores para correspondncia, incluindo nome, endereo, telefones, fax e e-mail.Resumo: todos os artigos submetidos devero ter resumo em portu-gus e em ingls (abstracts), entre 150 a 250 palavras. Para os artigos originais e comunicaes breves, os resumos devem ser estrutura-dos incluindo objetivos, mtodos, resultados e concluses. Para as demais categorias, o formato dos resumos pode ser o narrativo, mas preferencialmente com as mesmas informaes. No devem conter citaes e abreviaturas. Destacar no mnimo trs e no mximo seis termos de indexao, extrados do vocabulrio Descritos em Ci-ncias da Sade (DeCS www.bireme.br), quando acompanharem os resumos em portugus, e do Medical Subject Headings MeSH (http://www.nlm.nih.gov/mesh/), quando acompanharem os Abs-tracts. Se no forem encontrados descritores disponveis para co-brirem a temtica do manuscrito, podero ser indicados termos ou expresses de uso conhecido.

    instRues aos autoRes

  • Instrues aos autores | 197

    Texto: com exceo dos manuscritos apresentados como Artigos de Reviso, os trabalhos devero seguir a estrutura formal para trabalhos cientficos: Introduo: deve conter reviso da literatura atualizada e pertinente ao tema, adequada a apresentao do problema, e que destaque sua relevncia. No deve ser extensa, definindo o problema estudado, sintetizando sua importncia e destacando as lacunas do conhecimento (estado de arte) que sero abordados no artigo. Mtodos: devem conter descrio clara e sucinta dos procedimentos adotados; universo e amostra; fonte de dados e critrios de seleo; instrumentos de medida, tratamento estatstico, dentre outros. Resultados: devem se limitar a descrever os resultados encontrados sem incluir interpretaes e comparaes. Sempre que possvel, os resultados devem ser apresentados em tabelas ou figuras, elaboradas de forma a serem autoexplicativas e com anlise estatstica. Discusso: deve explorar, adequada e objetivamente, os resultados, discutidos com base em outras observaes j registradas na literatura. importante assinalar limitaes do estudo. Deve culminar com as Concluses, indicando caminhos para novas pesquisas ou implicaes para a prtica profissional. Agradecimentos: podem ser registrados agradecimentos, em pargrafo no superior a trs linhas, dirigidos a instituies ou indivduos que prestaram efetiva colaborao para o trabalho.

    Conflito de interessesDeve incluir relaes com: a) conflitos financeiros, como empregos, vnculos profissionais, financiamentos, consultoria, propriedade, participao em lucros ou patentes relacionados a empresas, produ-tos comerciais ou tecnologias envolvidas no manuscrito; b) conflitos pessoais: relao de parentesco prximo com proprietrios e empre-gadores de empresas relacionadas a produtos comerciais ou tecnolo-gias envolvidas no manuscrito; c) potenciais conflitos: situaes ou circunstncias que poderiam ser consideradas capazes de influenciar a interpretao dos resultados.

    Referncias bibliogrficasAs referncias devem ser listadas no final do artigo, numeradas consecutivamente, seguindo a ordem em que foram mencionadas na primeira vez no texto, baseadas no estilo Vancouver (Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals: Writing and Editing for Medical Publication www.icmje.org). Nas referncias com at seis autores, citam-se todos os autores; acima de seis autores, citam-se os seis primeiros autores, seguindo de et al. As abreviaturas dos ttulos dos peridicos citados devero estar de acordo com o MedLine. A exatido e a adequao das refe-rncias a trabalhos que tenham sido consultados e mencionados no texto do artigo so de responsabilidade do autor.LivrosKane RL, Ouslander JG, Abrass IB. Essentials of clinical geriatrics. 5th ed. New York: McGraw Hill, 2004.Captulos de livrosSayeg MA. Breves consideraes sobre planejamento em sade do idoso. In: Menezes AK, editor. Caminhos do envelhecer. Rio de Janeiro: Revinter/SBGG; 1994. p. 25-8.Artigos de peridicosOuslander JG. Urinary incontinence in the elderly. West J Med. 1981; 135(2):482-91.Dissertaes e tesesMarutinho AF. Alteraes clnicas e eletrocardiogrficas em pacientes idosos portadores de Doena de Chagas [dissertao]. So Paulo: Universidade Federal da SBGG; 2003.Trabalhos apresentados em congressos, simpsios, encontros, seminrios e outrosPeterson R, Grundman M, Thomas R, Thal L. Donepezil and vitamin E as treatments for mild congnitive impairment. In: Annals of the 9th International Conference on Alzheimers Disease and Related Disorders; 2004 July; United States, Philadelphia; 2004. Abstract 01-05-05.

    Artigos em peridicos eletrnicosArajo MAS, Nakatani AYK, Silva LB, Bachion MM. Perfil do idoso atendido por um programa de sade da famlia em Aparecida de GoiniaGO. Revista da UFG [peridico eletrnico] 2003 [citado em 2012 Set 15];5(2). Disponvel em: http://www.proec.ufg.br/ revista_ufg/idoso/perfil.html Textos em formato eletrnicoInstituto Brasileiro de Geografia e Estatstica. Estatsticas de sade: assistncia mdico-sanitria. www.ibge.gov.br (Acessado em: 5/2/2004).

    More SS. Factors in the emergence of infectious diseases. www.cdc.gov/ncidod/EID/eid.htm. (Acessado em: 5/6/1996).

    instRuctions FoR autHoRs

    BackgroundGeriatria & Gerontologia (Brazilian Geriatrics & Gerontology) G&G is a quarterly scientific publication by Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) (Brazilian Geriatrics and Gerontology Society) aim-ing the publication of articles on Geriatrics and Gerontology, including their several subareas and interfaces. G&G accepts article submissions in Portuguese, English, and Spanish. The print content is available for SBGG members and the online content can be accessed at: www.sbgg.org.br

    Instructions for sending the manuscriptPapers should be sent by e-mail to: revistasbgg@gmail.com. Before sending your manuscript, please check if all the items established under Instruction for Manuscript Sending have been fulfilled. Thecorresponding author will receive a message acknowledging receipt of the manuscript. Should this do not occur up to seven working days, the author should get in touch with the journal. Concurrently, the author should send by mail a declaration stating that the manuscript is being submitted only to G&G and that he/she agrees with the cession of copyright.

    Manuscript evaluation by peer reviewManuscripts that regard the editorial policy and the instructions for authors will be referred to editors who will evaluate the scientific merit. Manuscripts will be submitted to at least two reviewers with exper-tise in the addressed theme. Accepted manuscripts might return for authors approval in case of changes made for editorial and standard-ization purposes, according to the journal style. Manuscripts not ac-cepted will not be returned, unless they are requested by the respective authors within three months. The copyright of the published manu-scripts are held by the journal. Therefore, full or partial reproduction in other journals or translation into another language is not authorized.

    Research involving human subjectsArticles related to research involving human subjects should indicate whe-ther the procedures were followed in accordance with the ethical standar-ds of the responsible committee on human experimentation (institutional or regional) accredited by the Comisso Nacional de tica em Pesquisa do Ministrio da Sade (Health Ministry National Research Ethics Commit-tee). In addition, a clear statement of compliance with ethical principles outlined in the Helsinki Declaration (2000) shall appear in the last para-graph of Methods section, as well as fulfillment of specific requirements of the nation the research was performed in. The subjects included in the research should have signed a Free and Informed Consent Term.

    Categories of manuscriptsG&G accepts the following submissions:Original articles: Contributions aiming at the release of unpublished research results considering the themes relevance, its range and the knowledge generated for research purposes. Original articles should contain 2,000 to 4,000 words, excluding illustrations (tables, figures (not exceeding 5) and references (not exceeding 30).

  • 198 | REVISTA GERIATRIA & GERONTOLOGIA

    Review articles: Critical and systematic evaluation of literature on certain subject containing a comparative review of papers in that area, discussing methodological limitations and ranges, indicating further study needs for that research area, and containing conclusions. Theproceedings adopted for the review, as well as search, selection, and article evaluation strategies should be described, informing the limits of the theme. They should not exceed 5,000 words and 50 references.Brief communications: These are summarized articles designed for dissemination of preliminary results, results of studies involving meth-odology of low complexity, and new hypotheses of relevance in the field of Geriatrics and Gerontology. They should contain 800-1600 words (excluding tables, figures and references), one table or figure and a maximum of ten references. Your presentation should follow the same standards of original articles, with exception of the abstracts, which are not structured and should contain a maximum of 150 words.Case Reports: These are manuscripts reporting original and inter-esting clinical cases. The title should have the disease or clinical peculiarity a case report. They must observe the structure of ab-stract (150 words) with introduction (an explanation to the reader for the case report does not extend the description of illness or clinical particularity), case report (with description of the patient, results of clinical tests, follow-up, and diagnosis WARNING: Do not use acronyms or footnotes), discussion (comparison with simi-lar data in the literature), and case outcome. They should contain a bibliography and have no more than 1500 words and 15 references.Letters to the editor: Section designed for publication of com-ments, discussion or any article reviews. They should not exceed 1,000 words and 5 references.

    Instructions for manuscript preparationManuscripts should be typed in Word for Windows [(including ta-bles), figures should be supplied as JPG file and a minimum of 300 dpi resolution]. Manuscripts should be prepared according to the sequence below:a) paper full title in Portuguese and English not exceeding 90 characters, b) paper short title not exceeding 40 characters (spac-es included) in Portuguese and English, c) authors and coauthors complete name, indicating institutional affiliations for each one of them; d) corresponding author data, including name, address, tele-phone and fax numbers, and e-mail. Abstract: All manuscripts should be submitted with an abstract in Portuguese and in English having no more than 150 to 250 words. For original articles and brief communications, abstracts should be structured to include objective, methods, results, and conclusions. For other manuscript categories, abstract models could be narrative, but rather carrying the same information. Abstracts should not contain quotations and abbreviations. At least three and at most six keywords should accompany the Abstracts being extracted from the vocabulary in Descritores em Cincias da Sade (DeCS - www.bireme.br) when accompanying abstracts in Portuguese and from Medical Subject Headings MeSH (http //www.nlm nih gov/mesh/) when accompanying abstracts in English. If no descriptor is available to cover the manuscript theme, words or expressions of known usage might be indicated.Text: except for Review Articles, papers should assume formal structure of a scientific text. Introduction: The introduction should contain updated literature review, being appropriate to the theme, suitable to the problem introduced, and enhancing the theme relevance. The introduction should not be extensive, but define the problem studied, synthesizing its importance and stressing the knowledge gaps addressed in the article. Methods: This section should have clear and brief description of proceedings adopted, sampling, data source and selection criteria, measurement instruments, statistical analysis, among other features. Results: This section should be limited to describing the results found without including interpretation and comparison. Whenever possible, results should be displayed in tables or figures designed

    to be self-explanatory and having statistical analysis. Discussion: The discussion should properly and objectively explore the results, discussed in the light of further observation already registered in literature. It Is important to point out the study limitations. Thediscussion should culminate by conclusions indicating avenues for new research or implications for professional practice.

    Acknowledgements: Acknowledgments may be written in a no more than 3-line paragraph towards institutes or individuals that ef-fectively contributed to the paper.

    Conflict of interestsConflict of interest includes a) financial conflict such as employ-ment, professional liaisons, funding, consulting, ownership, profit or patent sharing related to marketed products or technology in-volved in the manuscript; b) personal conflict: close relatedness to owners and employers in companies connected to marketed prod-ucts or technology involved in the manuscript c) potential conflict: situations or circumstances that could be considered capable of in-fluencing the result interpretation.

    ReferencesShould be listed at the end of the manuscript and numbered in the order they are first mentioned in the text, following Vancouver style (Uniform Requirements for Manuscripts Submitted to Biomedical Journals Writing and Editing for Medical Publication [http://www.icmje org]). List all authors up to 6; if more than six, list the first 6 fol-lowed by et al. The titles of journals should be abbreviated according to style used in Med-Line. Authors are responsible for the accuracy and completeness of references consulted and cited in the text.

    Examples of reference styleBooksKane RL, Ouslander JG, Abrass IB. Essentials of clinical geriatrics. 5thed. New York: McGraw Hill, 2004.

    Book chaptersSayeg MA. Breves consideraes sobre planejamento em sade do idoso. In: Menezes AK, editor. Caminhos do envelhecer. Rio de Janeiro: Revinter/SBGG; 1994. p. 25-8.

    Journal articlesOuslander JG. Urinary incontinence in the elderly West J Med 1981; 135(2):482-91.

    Essays and thesesMarutinho AF. Alteraes clnicas e eletrocardiogrficas em pacientes idosos portadores de Doena de Chagas [dissertao]. So Paulo: Universidade Federal da SBGG; 2003.

    Papers introduced in congresso, symposiums, meetings, seminars etc.Peterson R, Grundman M, Thomas R, Thai L. Donepezil and vitamin E as treatments for mild cognitive impairment. In: Annals of the 9th International Conference on Alzheimers Disease and Related Disorders; 2004 July; United States, Philadelphia; 2004. Abstract 01-05-05.

    Articles from electronic journalsArajo MAS, Nakatani AYK, Silva LB, Bachion MM. Perfil do ido-so atendido por um programa de sade da famlia em Aparecida de Goinia GO. Revista da UFG [peridico eletrnico] 2003 [citado em 2012 Set 15];5(2). Disponvel em: http://www.proec.ufg.br/ revis-ta_ufg/idoso/perfil.html

    Texts in electronic formatInstituto Brasileiro de Geografia e Estatstica. Estatsticas de sade: assistncia mdico-sanitria. www.ibge.gov.br (Acessado em: 5/2/2004)

    More SS. Factors in the emergence of infectious diseases. www.cdc.gov/ncidod/EID/eid.htm (Acessado em: 5/6/1996).