Modulo iiia filosofia medieval

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    30-Jul-2015

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1. Curso Cincia e FMdulo IIIA Filosofia Medieval Bernardo Mottabmotta@observit.pthttp://espectadores.blogspot.com 2. Curso Cincia e F! I Introduo! II Filosofia Grega e Cosmologia Grega! III Filosofia Medieval e Cincia Medieval! IV Inquisio e Cincia! V e VI O Caso Galileu! VII A Revoluo Cientfica! VIII Darwin e a Igreja Catlica! IX Os Argumentos Cosmolgico e Teleolgico! X Filosofia da Mente e Inteligncia Artificial! XI Milagres e Cincia! XII Concordncia entre Cristianismo e Cincia 3. ndice1. Introduo2. O cristianismo primitivo e o conhecimento grego3. Santo Agostinho4. Cincia Medieval5. So Toms de Aquino6. Concluso3 4. IntroduoO Imprio Romano e a revoluo cristO cristianismo no conseguiu erradicar a escravatura, mas ensinava que senhor e escravoLiberdade eram iguais aos olhos de Deus: o senhor deveria ser justo e correcto para com os escravos.Muitos eram libertados pelos seus senhores quando este se convertia ao cristianismo.O cristianismo mudou o conceito de hospital (no Imprio Romano, existiam para curarCompaixo soldados): tratavam de invlidos, doentes, crianas rfs, idosos, vivas, etc.. Surgiram nosc. IV: So Efram (Edessa), So Baslio (Capadcia), Santa Fabiola (Roma), etc.O cristianismo sempre combateu prticas romanas hoje vistas como aberrantes: a violnciaDireitoscircense, a auto-mutilao de certos sacerdotes pagos, o abandono morte de recm-Humanosnascidos indesejados, a morte de inocentes como retaliao por um crimeA opinio que os pagos tinham dos cristos (p. ex., Celso)! Subversivos: no faziam o culto aos deuses locais, no veneravam o Imperador como deus! Ateus: ao negarem toda a hierarquia de deuses e poderes do paganismo! Incivilizados: o galileu que eles seguiam, Jesus, fora crucificado como criminoso, convivia compescadores, doentes, prostitutas, em suma, o cristianismo era uma religio de mulheres e escravos() eles [os cristos] mostram manifestamente que desejam e conseguem controlar apenas ostontos, os maus, e os estpidos, com mulheres e crianas. 4 4 5. ndice1. Introduo2. O cristianismo primitivo e o conhecimento grego3. Santo Agostinho4. Cincia Medieval5. So Toms de Aquino6. Concluso5 6. O cristianismo primitivo e o conhecimento gregoPrimeiros contactos! A religio crist tomou contacto com a filosofia, no sculo II da nossa era, desde que existiramconvertidos de cultura grega - Etienne Gilson, La philosophie au Moyen ge, p. 11! A influncia da filosofia grega na doutrina crist comea logo no prlogo do Evangelho de So Joo! O conceito de logos vem do estoicismo, e foi usado pelo judeu Flon de Alexandria (c.20 a.C-50 d.C.)! So Joo pretende dizer aos filsofos que o que eles chamam de Logos na verdade Cristo! A Boa Nova anunciada a todos, incluindo aos pagos, mas no se deixa absorver pela filosofia pagOs apologetas do sc. II empreenderam atarefa imensa, cuja amplitude s surgiria nodecorrer dos sculos seguintes, de exprimir ouniverso mental dos Cristos numa lnguaexpressamente concebida para exprimir ouniverso mental dos Gregos. - EtienneGilson, op. cit., p. 35. 6 6 7. O cristianismo primitivo e o conhecimento gregoPrimeiros contactos! Justino Mrtir (103-165 d.C.) percorreu todos os ramos da filosofia grega! Justino converte-se, por volta de 132 (talvez em feso?), a partir de uma conversa com um cristoidoso, que lhe diz que a alma humana imortal porque Deus assim o quer, e enquanto Deus o quiser! Justino equipara o Logos cristo a tudo o que h de verdadeiro: Tudo o que alguma vez foi dito deverdadeiro nosso [dos cristos]! Atengoras (c.133-190 d.C.), vendo sempre a F como prioritria, faz a primeira demonstrao racionalda unicidade de Deus, contra o politesmo, na sua obra Splica pelos Cristos (c. 177 d.C.)! Em meados do sc. II, surge o gnosticismo, que considerava a Revelao como um preldio Gnose! O mundo era essencialmente mau e enganador, e a realizao plena era pelo conhecimento (gnosis)! O gnosticismo era uma mescla de platonismo (com um demiurgo maligno), estoicismo, e crenasorientais multiformes, e os seus cultos eram elitistas, pois o conhecimento era s para alguns eleitos! Santo Ireneu de Lio ( 202 d.C.), discpulo de Policarpo, escreve Adversus Haereses (c. 180 d.C.)! Para Ireneu, o saber dos gnsticos um pseudo-saber, e o saber real o da tradio apostlica! Ireneu foca-se na defesa da ortodoxia da doutrina crist e no na validade da filosofia grega! Para Ireneu, no para nos tornarmos sbios que nos tornamos cristos, mas para nos salvarmos! Ireneu defende que s h um Deus (e a Sua existncia demonstrvel), e no Deus mais um demiurgo77 8. O cristianismo primitivo e o conhecimento gregoA filosofia, auxiliar da F em Cristo?! Algunsapologetas cristos no confiavam, ou no viam utilidade, na filosofia grega! Na mesma linha, alguns apologetas cristos rejeitavam o cosmos grego e aceitavam o cosmos bblico! Tertuliano (160-220 d.C) e Lactncio (240-320 d.C.) eram dessa opinio! No entanto, a opinio da escola de Alexandria (c. 190 d.C.) era mais conciliatria e era a maioritria! Uma tradio antiga (S. Jernimo) faz remontar a escola de Alexandria vontade de So Marcos! No entanto, o primeiro mestre conhecido So Panteno ( 200 d.C.)! Panteno,filsofo estico, ter mantido o interesse pela filosofia mesmo aps a sua converso! Tito Flvio Clemente (150-215 d.C.) de Alexandria, foi aluno de Panteno! Forte crtico dos gnsticos, Clemente defendia uma gnose ortodoxa! Segundo Clemente, todos os cristos tm a gnose por conhecerem Cristo! Todosos cristos so todos iguais aos olhos de Deus graas ao baptismo! Oscristos mais sbios no so mais cristos que os menos sbios e noesto mais perto da salvao do que estes! Admoestadopor quem via a filosofia como nociva (os gnsticos eram vistoscomo o exemplo disso mesmo), Clemente escreve os Stromata! Nessaobra, Clemente demonstra a importncia da filosofia para a F crist88 9. O cristianismo primitivo e o conhecimento gregoO Cosmos judaico era muito diferente do Cosmos grego! A Terra era vista como um disco plano a flutuar nas guas inferiores! O Firmamento era visto como uma cpula slida que sustinha as guas superiores! O Inferno (sheol) estava literalmente sob a Terra 9 9 10. ndice1. Introduo2. O cristianismo primitivo e o conhecimento grego3. Santo Agostinho4. Cincia Medieval5. So Toms de Aquino6. Concluso10 11. Santo AgostinhoAgostinho de Hipona (354-430 d.C.)! Aurlio Agostinho era filho de pai pago e de me crist (Sta. Mnica); recebeu slida formao latina! Aos 17 anos vai estudar Retrica para Cartago: abandona o cristianismo e adere ao maniquesmo! Torna-se amante de uma cartaginesa, com quem viveria mais 13 anos, e de quem teve um filho,Deodato! Em 384, desiludido com o maniquesmo aps conhecer Fausto, muda-se para Roma onde est um ano! Posteriormente, muda-se para Milo para ensinar Retrica na corte imperial (de Valentiniano II)! muito influenciado por Ambrsio (c. 339-397 d.C.), Bispo de Milo! No Vero de 386, aps ler a vida de Santo Anto, sofre uma crise de f! Converte-se ao cristianismo e baptizado por Ambrsio em 387! Muito crtico das incertezas e erros da filosofia grega! No entanto, tem uma opinio positiva acerca da cosmologia grega! Mas para ele, a Revelao visa a salvao, e no o saber mundano:No se l no Evangelho que o Senhor tenha dito: envio-vos oParclito para que [Ele] vos ensine o curso do Sol e da Lua.Queria fazer deles cristos, e no matemticos. 11 11 12. Santo AgostinhoF e Razo! Agostinho distingue ratio (demonstrao racional) de intelligentia (contemplao das verdades eternas)! Hierarquia do conhecimento (De Trinitate, XII-XIV):! Scientia (obtida atravs da ratio inferior), e subordinada Sapientia! Sapientia (obtida atravs da ratio superior)! A teoria agostiniana do conhecimento neoplatnica (baseia-se nos graus do ser)! F e Razo: Crede ut intelligas, intellige ut credas, Cr para compreenderes, compreende para creres! Prioridade da F: nisi credideritis, non intelligetis (Isaas 7:9), se no acreditardes, no compreendereis! Experincia humana: primeiro confiamos em algum, e depois compreendemos! Limites da razo face Revelao: sem a f, a razo no alcanaria certas verdades teolgicas! Humildade perante Deus: aps a Queda, e por causa do Pecado, a humildade purifica o corao! Prioridade da Razo (porque a razo precede a F, e no porque a Razo seja superior F):! O objectivo ltimo da mente humana a compreenso; bom o desejo humano de compreender! A viso das verdades eternas a recompensa da f; intellectum valde ama!! A compreenso dos dados da f no essencial salvao, mas imperativa a quem dela capaz! O acto de crer requer a razo para avaliar a credibilidade da autoridade a quem damos f 1212 13. Santo AgostinhoF e Razo! A compreenso da realidade natural no fundamental para a salvao! No entanto, a criao visvel (a realidade natural) defendida como via de acesso a Deus! Nenhuma verdade de F pode ser refutada ou contrariada por uma verdade cientfica! A verdadeira cincia deve estar ao servio da F (De Trinitate XIV, 1,3)! O projecto de Agostinho de integrar as cincias num programa de ensino cristo (cfr. De Ordine)! As artes liberais, quer as da palavra quer as do nmero, subordinam-se sabedoria contemplativa! A importncia das cincias na hermenutica, i.e., na interpretao da Bblia (cfr. De doctrina christiana)! A filosofia dos pagos que tenha contedo verdadeiro vem de Deus e esplio legtimo dos cristos! Agostinho era um forte adversrio da astrologia e dos astrlogos e adivinhos:E no entanto, sem escrpulos, consultei aqueles outros impostores, a quem chamam astrlogos [mathematicos], porque elesno faziam sacrifcios e no invocavam a ajuda de esprito algum nas suas adivinhaes. Mesmo assim, a verdadeira piedadecrist deve necessariamente rejeitar e condenar a sua arte. bom confessarmos-nos a vs, Senhor, e dizer: Tem piedade de mim;cura a minha alma, porque pequei contra vs no para abusar da vossa bondade como se fosse uma licena para pecar, maspara lembrar as palavras do Senhor, V l: ficaste curado. No peques mais, para que no te suceda coisa ainda pior. [Joo 5,14] Todo este so conselho [os astrlogos] trabalham para destruir quando eles dizem, A causa do vosso pecado estinevitavelmente fixada nos cus, e Esta a aco de Vnus , ou de Saturno, ou de Marte tudo isto de forma a que um homem,que apenas carne e sangue e orgulhosa corrupo, se possa considerar a si mesmo como sem culpa ()1313 14. Santo AgostinhoHermenutica! De Genesi ad litteram (doze livros): comentrio aos trs primeiros captulos do Gnesis Em assuntos to obscuros e para l da nossa viso, encontramos nas Sagradas Escrituras passagens que podem ser interpretadas de vrias formas diferentes sem prejuzo para a f que recebemos, e nesses casos no nos devemos precipitar e tomar uma posio que, se o progresso da procura da verdade vier a minar, nos faa cair com ela. Mesmo um no Cristo conhece algo sobre a Terra, os Cus e os outros elementos deste mundo, sobre o movimento e a rbita das estrelas e mesmo o seu tamanho e posies relativas, acerca da previsibilidade de eclipses do sol e da lua, dos ciclos dos anos e das estaes, acerca dos tipos de animais, arbustos, pedras, e assim por diante, e esse conhecimento por ele tido como certo a partir da razo e da experincia. Seria uma coisa desgraada e perigosa para um infiel ouvir um Cristo, presumidamente falando sobre o significado da Sagrada Escritura, a falar disparates sobre esses tpicos; e devemos usar de todos os meios para evitar tal situao embaraosa, na qual pessoas demonstram uma vasta ignorncia num Cristo e dele se riem com escrnio. A vergonha no tanto que um individuo ignorante seja ridicularizado, mas que pessoas fora do lar da f pensem que os nossos escritores sagrados sustentavam tais opinies, e, para grande perda daqueles por cuja salvao nos esforamos, os escritores da nossa Escritura so criticados e rejeitados como homens incultos. Se eles encontram um Cristo enganado num campo que eles mesmos conhecem bem e o ouvem a sustentar as suas ideias tontas acerca dos nossos livros, como que eles vo acreditar nesses livros em matrias que dizem respeito ressurreio dos mortos, a esperana da vida eterna, e o reino dos cus, quando eles pensam que as suas pginas esto cheias de falsidades acerca de factos que eles aprenderam pela experincia e pela luz da razo? Irresponsveis e incompetentes expositores da Sagrada Escritura trazem incontveis problemas e tristezas aos seus irmos mais sbios quando estes so apanhados numa das suas opinies falsas e so admoestados por aqueles que no esto sujeitos autoridade dos nossos livros sagrados. Porque ento, para defender a suas loucas e obviamente falsas afirmaes, iro tentar recorrer Sagrada Escritura como prova e mesmo recitar de memria vrias passagens que eles pensam que do suporte sua posio, apesar de eles no entenderem nem o que dizem nem as coisas acerca das quais fazem asseres. 14 14 15. Santo AgostinhoSanta Mnica (331-387), me de Santo Agostinho! O pensamento de Santo Agostinho reinou sem rival durante mil anos de cristianismo! Ainda hoje, Santo Agostinho interpela o cristo moderno, e mesmo leitores modernos no cristos! Sem Santa Mnica, no teria havido Santo Agostinho! Ela rezou toda a vida pelo seu marido e filho, ambos pagos! Santa Mnica atesta a fora e a eficcia da orao crist! Santa Mnica mostra que a orao pode transformar a Histria1515