Metais Pesados e Seus Efeitos

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    03-Jul-2015

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PESQUISA: METAIS PESADOS

NOME: JAKELINE A. SILVA 73290

Metais Pesados e seus efeitos Acredita-se que os metais talvez sejam os agentes txicos mais conhecidos pelo homem. H aproximadamente 2.000 anos a.C., grandes quantidades de chumbo eram obtidas de minrios, como subproduto da fuso da prata e isso provavelmente tenha sido o incio da utilizao desse metal pelo homem. Os metais pesados diferem de outros agentes txicos porque no so sintetizados nem destrudos pelo homem. A atividade industrial diminui significativamente a permanncia desses metais nos minrios, bem como a produo de novos compostos, alm de alterar a distribuio desses elementos no planeta. A presena de metais muitas vezes est associada localizao geogrfica, seja na gua ou no solo, e pode ser controlada, limitando o uso de produtos agrcolas e proibindo a produo de alimentos em solos contaminados com metais pesados. Todas as formas de vida so afetadas pela presena de metais dependendo da dose e da forma qumica. Muitos metais so essenciais para o crescimento de todos os tipos de organismos, desde as bactrias at mesmo o ser humano, mas eles so requeridos em baixas concentraes e podem danificar sistemas biolgicos. Os metais so classificados em: 1. elementos essenciais: sdio, potssio, clcio, ferro, zinco, cobre, nquel e magnsio; 2. micro-contaminantes ambientais: arsnico, chumbo, cdmio, mercrio, alumnio, titnio, estanho e tungstnio; 3. elementos essenciais e simultaneamente micro-contaminantes: cromo, zinco, ferro, cobalto, mangans e nquel. Os efeitos txicos dos metais sempre foram considerados como eventos de curto prazo, agudos e evidentes, como anria e diarria sanguinolenta, decorrentes da ingesto de mercrio. Atualmente, ocorrncias a mdio e longo prazo so observadas, e as relaes causa-efeito so pouco evidentes e quase sempre subclnicas. Geralmente esses efeitos so difceis de serem distinguidos e perdem em especificidade, pois podem ser provocados por outras substncias txicas ou por interaes entre esses agentes qumicos. A manifestao dos efeitos txicos est associada dose e pode distribuir-se por todo o organismo, afetando vrios rgos, alterando os processos bioqumicos, organelas e membranas celulares. Acredita-se que pessoas idosas e crianas sejam mais susceptveis s substncias txicas. As principais fontes de exposio aos metais txicos so os alimentos, observando-se um elevado ndice de absoro gastrointestinal. Em adio aos critrios de preveno usados em sade ocupacional e de monitorizao ambiental, a biomonitorizao tem sido utilizada como indicador biolgico de exposio, e toda substncia ou seu produto de biotransformao, ou qualquer alterao bioqumica observada nos fludos biolgicos, tecidos ou ar exalado, mostra a intensidade da exposio e/ou a intensidade dos seus efeitos. Recentemente, tem sido noticiado na mdia escrita e falada a contaminao de adultos, crianas, lotes e vivendas residenciais, com metais pesados, principalmente por chumbo e mercrio. Contudo, a maioria da populao no tem informaes precisas sobre os riscos e as conseqncias da contaminao por esses metais para a sade humana. O caso fatdico em Bauru, SP, um dos exemplos dessa contaminao. A Indstria de Acumuladores Ajax, uma das maiores fbricas de baterias automotivas do pas localizada no km 112 da Rodovia Bauru Ja, contaminou com chumbo expelido pelas suas chamins 113 crianas, sendo encontrados ndices superiores a 10 miligramas/decilitro (ACEITUNO, 18 -04-2002). Foram constatados ainda a contaminao de animais, leite, ovos e outros produtos agrcolas, resultando em um enorme prejuzo para os proprietrios. Um dos casos mais interessantes foi o de uma criana de 1 0 anos, moradora de um Ncleo Habitacional localizado prximo fonte poluidora. Desde os 7 meses de idade sofria de diarria e de deficincia mental. Somente aps suspeitas dessa contaminao, em 1999, quando amostras do seu sangue foram enviadas a dois centros toxicolgicos nos Estados Unidos, que foi constatada a intoxicao por chumbo, urnio, alumnio e cdmio (ACEITUNO, 18 -04-2002). A cidade de Paulnia, em SP, e o bairro Vila Carioca tambm foram contaminados pela Shell Qumica do Brasil. Em Paulnia, dos 166 moradores submetidos a exames, 53% apresentaram contaminao crnica e 56% das crianas revelaram altos ndices de cobre, zinco, alumnio, cdmio, arsnico e mangans. Em adio observou-se tambm, a incidncia de tumores hepticos e de tiride, alteraes neurolgicas, dermatoses, rinites alrgicas, disfunes gastrointestinais, pulmonares e hepticas (GUAIUME, 23 -082001).

Dos 2,9 milhes de toneladas de resduos industriais perigosos gerados anualmente no Brasil, somente 600 mil toneladas recebem tratamento adequado, conforme estimativa da Associao Brasileira de Empresas de Tratamento, Recuperao e Disposio de Resduos Especiais (ABETRE). Os 78% restantes so depositados indevidamente em lixes, sem qualquer tipo de tratamento (CAMPANILI, 02-05-2002). Recentemente a companhia Ing, indstria de zinco, situada a 85 km do Rio de Janeiro, na ilha da Madeira, que atualmente est desativada, transformou-se na maior rea de contaminao de lixo txico no Brasil. Metais pesados como zinco, cdmio, mercrio e chumbo continuam poluindo o solo, a gua e atingem o mangue, afetando a vida da populao. Isso ocorreu porque os diques construdos para conter a gua contaminada no tm recebido manuteno h 5 anos, e dessa forma os terrenos prximos foram inundados, contaminando a vegetao do mangue. ARSNICO (As) O arsnico um metal de ocorrncia natural, slido, cristalino, de cor cinza -prateada. Exposto ao ar, perde o brilho e torna-se um slido amorfo de cor preta. Esse metal utilizado como agente de fuso para metais pesados, em processos de soldagens e na produo de cristais de silcio e germnio. O arsnico usado na fabricao de munio, ligas e placas de chumbo de baterias eltricas. Na forma de arsenito usado como herbicida e como arsenato, usado nos inseticidas. No homem produz efeitos nos sistemas respiratrio, cardiovascular, nervoso e hematopoitico. No sistema respiratrio ocorre irritao com danos nas mucosas nasais, laringe e brnquios. Exposies prolongadas podem provocar perfurao do septo nasal e rouquido caracterstica e, a longo prazo, insuficincia pulmonar, traqueobronquite e tosse crnica. No sistema cardiovascular so observadas leses vasculares perifricas e alteraes no eletrocardiograma. No sistema nervoso, as alteraes observadas so sensoriais e polineuropatias, e no sistema hematopoitico observa-se leucopenia, efeitos cutneos e hepticos. Tem sido observada tambm a relao carcinognica do arsnico com o cncer de pele e brnquios. CHUMBO (Pb) H mais de 4.000 anos o chumbo utilizado sob vrias formas, principalmente por ser uma fonte de prata. Antigamente, as minas de prata eram de galena (minrio de chumbo), um metal d ctil, malevel, de cor prateada ou cinza-azulada, resistente corroso. Os principais usos esto relacionados s indstrias extrativa, petrolfera, de baterias, tintas e corantes, cermica, cabos, tubulaes e munies. O chumbo pode ser incorporado ao cristal na fabricao de copos, jarras e outros utenslios, favorecendo o seu brilho e durabilidade. Assim, pode ser incorporado aos alimentos durante o processo de industrializao ou no preparo domstico. Compostos de chumbo so absorvidos por via respiratria e cutnea. Os chumbos tetraetila e tetrametila tambm so absorvidos atravs da pele intacta, por serem lipossolveis. O sistema nervoso, a medula ssea e os rins so considerados rgos crticos para o chumbo, que interfere nos processos genticos ou cromossmicos e produz alteraes na estabilidade da cromatina em cobaias, inibindo reparo de DNA e agindo como promotor do cncer. A relao chumbo - sndrome associada ao sistema nervoso central depende do tempo e da especificidade das manifestaes. Destaca-se a sndrome encfalo-polineurtica (alteraes sensoriais, perceptuais, e psicomotoras), sndrome astnica (fadiga, dor de cabea, insnia, distrbios durante o sono e dores musculares), sndrome hematolgica (anemia hipocrmica moderada e aumento de pontuaes basfilas nos eritrcitos), sndrome renal (nefropatia no especfica, proteinria, aminoacidria, uricacidria, diminuio da depurao da uria e do cido rico), sndrome do trato gastrointestinal (clicas, anorexia, desconforto gstrico, constipao ou diarria), sndrome cardiovascular (miocardite crnica, alteraes no eletrocardiograma, hipotonia ou hipertonia, palidez facial ou retinal, arteriosclerose precoce com alteraes cerebrovasculares e hipertenso) e sndrome heptica (interferncia de biotransformao). CDMIO (Cd) O cdmio encontrado na natureza quase sempre junto com o zinco, em propores que variam de 1:100 a 1:1000, na maioria dos minrios e solos. um metal que pode ser dissolvido por solues cidas e pelo nitrato de amnio. Quando queimado ou aquecido, produz o xido de cdmio, p branco e amorfo ou na forma de cristais de cor vermelha ou marrom. obtido como subproduto da refinao do zinco e de outros minrios, como chumbo-zinco e cobre-chumbo-zinco. A galvanoplastia (processo eletroltico que consiste em recobrir um metal com outro) um dos processos industriais que mais utiliza o cdmio (entre 45 a 60% da quantidade produzida por ano). O homem expese ocupacionalmente na fabricao de ligas, varetas para soldagens, baterias Ni-Cd, varetas de reatores, fabricao de tubos para TV, pigmentos, esmaltes e tinturas txteis, fotografia, litografia e pirotecnia, estabilizador plstico, fabricao de semicondutores, clulas solares, contadores de cintilao,

retificadores e lasers. O cdmio existente na atmosfera precipitado e depositado no solo agrcola na relao aproximada de 3 g/hectares/ano. Rejeitos no-ferrosos e artigos que contm cdmio contribuem significativamente para a poluio ambiental. Outras formas de contaminao do solo so atravs dos resduos da fabricao de cimento, da queima de combustveis fsseis e lixo urbano e de sedimentos de esgotos. Na agricultura, uma fonte direta de contaminao pelo cdmio a utilizao de fertilizantes fosfatados. Sabe-se que a captao de cdmio pelas plantas maior quanto menor o pH do solo. Nesse aspecto, as chuvas cidas representam um fator determinante no aumento da concentrao do metal nos produtos agrcolas. A gua outra fonte de contaminao e deve ser considerada no somente pelo seu consumo como gua potvel, mas tambm pelo seu uso na fabricao de bebidas e no preparo de alimentos. Sabe-se que a gua potvel possui baixos teores de cdmio (cerca de 1 mg/L), o que representativo para cada localidade. O cdmio um elemento de vida biolgica longa (10 a 30 anos) e de lenta excreo pelo organismo humano. O rgo alvo primrio nas exposies ao cdmio a longo prazo o rim. Os efeitos txicos provocados por ele compreendem principalmente distrbios gastrointestinais, aps a ingesto do agente qumico. A inalao de doses elevadas produz intoxicao aguda, caracterizada por pneumonite e edema pulmonar. MERCRIO (Hg) A progressiva utilizao do mercrio para fins industriais e o emprego de compostos mercuriais durante dcadas na agricultura resultaram no aumento significativo da contaminao ambiental, especialmente da gua e dos alimentos. Uma das razes que contribuem para o agravamento dessa contaminao a caracterstica singular do Ciclo do Mercrio no meio ambiente. A biotransformao por bactrias do mercrio inorgnico a metilmercrio o processo responsvel pelos elevados nveis do metal no ambiente. O mercrio um lquido inodoro e de colorao prateada. Os compostos mercricos apresentam uma ampla variedade de cores. Nos processos de extrao, o mercrio liberado no ambiente principalmente a partir do sulfeto de mercrio. O mercrio e seus compostos so encontrados na produo de cloro e soda castica (eletrlise), em equipamentos eltricos e eletrnicos (baterias, retificadores, rels, interruptores etc), aparelhos de controle (termmetros, barmetros, esfingnomanmtros), tintas (pigmentos), amlgamas dentrias, fungicidas (preservao de madeira, papel, plsticos etc), lmpadas de mercrio, laboratrios qumicos, preparaes farmacuticas, detonadores, leos lubrificantes, catalisadores e na extrao de ouro. O trato respiratrio a via mais importante de introduo do mercrio. Esse metal demonstra afinidade por tecidos como clulas da pele, cabelo, glndulas sudorparas, glndulas salivares, tireide, trato gastrointestinal, fgado, pulmes, pncreas, rins, testculos, prstata e crebro. A exposio a elevadas concentraes desse metal pode provocar febre, calafrios, dispnia e cefalia, durante algumas horas. Sintomas adicionais envolvem diarria, cibras abdominais e diminuio da viso. Casos severos progridem para edema pulmonar, dispnia e cianose. As complicaes incluem enfisema, pneumomediastino e morte; raramente ocorre falncia renal aguda. Pode ser destacado tambm o envolvimento da cavidade oral (gengivite, salivao e estomatite), tremor e alteraes psicolgicas. A sndrome caracterizada pelo eretismo (insnia, perda de apetite, perda da memria, timidez excessiva, instabilidade emocional). Alm desses sintomas, pode ocorrer disfuno renal. CROMO (Cr) O cromo obtido do minrio cromita, metal de cor cinza que reage com os cidos clordrico e sulfrico. Alm dos compostos bivalentes, trivalentes e hexavalentes, o cromo metlico e ligas tambm so encontrados no ambiente de trabalho. Entre as inmeras atividades industriais, destacam-se: galvanoplastia, soldagens, produo de ligas ferro-cromo, curtume, produo de cromatos, dicromatos, pigmentos e vernizes. A absoro de cromo por via cutnea depende do tipo de composto, de sua concentrao e do tempo de contato. O cromo absorvido permanece por longo tempo retido na juno dermo-epidrmica e no estrato superior da mesoderme. A maior parte do cromo eliminada atravs da urina, sendo excretada aps as primeiras horas de exposio. Os compostos de cromo produzem efeitos cutneos, nasais, bronco-pulmonares, renais, gastrointestinais e carcinognicos. Os cutneos so caracterizados por irritao no dorso das mos e dos dedos, podendo transformar-se em lceras. As leses nasais iniciam-se com um quadro irritativo inflamatrio, supurao e formao crostosa. Em nveis bronco-pulmonares e gastrointestinais produzem irritao bronquial, alterao da funo respiratria e lceras gastroduodenais.

MANGANS (Mn) O mangans um metal cinza semelhante ao ferro, porm mais duro e quebradio. Os xidos, carbonatos e silicatos de mangans so os mais abundantes na natureza e caracterizam-se por serem insolveis na gua. O composto ciclopentadienila-tricarbonila de mangans bem solvel na gasolina, leo e lcool etlico, sendo geralmente utilizado como agente anti-detonante em substituio ao chumbo tetraetila. Entre as principais aplicaes industriais do mangans, destacam-se a fabricao de fsforos de segurana, pilhas secas, ligas no-ferrosas (com cobre e nquel), esmalte porcelanizado, fertilizantes, fungicidas, raes, eletrodos para solda, magnetos, catalisadores, vidros, tintas, cermicas, materiais eltricos e produtos farmacuticos (cloreto, xido e sulfato de mangans). As exposies mais significativas ocorrem atravs dos fumos e poeiras de mangans. O trato respiratrio a principal via de introduo e absoro desse metal nas exposies ocupacionais. No sangue, esse metal encontra-se nos eritrcitos, 20-25 vezes maior que no plasma. Os sintomas dos danos provocados pelo mangans no SNC podem ser divididos em trs estgios: 1: subclnico (astenia, distrbios do sono, dores musculares, excitabilidade mental e movimentos desajeitados); 2: incio da fase clnica (transtorno da marcha, dificuldade na fala, reflexos exagerados e tremor), e 3: clnico (psicose manaco-depressiva e a clssica sndrome que lembra o Parkinsonismo). Alm dos efeitos neurotxicos, h maior incidncia de bronquite aguda, asma brnquica e pneumonia. Bibliografia 1. ACEITUNO, J. Mais 22 crianas esto contaminadas com chumbo em Bauru. O ESTADO DE SO PAULO. 12-04-2002. 2. ACEITUNO, J. J so 76 crianas contaminadas por chumbo em Bauru. O ESTADO DE SO PAULO. 18-04-2002. 3. ACEITUNO, J. Ministrio inspeciona atendimento aos contaminados por chumbo. O ESTADO DE SO PAULO. 07-05-2002. 4. CAMPANILI, M. Apenas 22% dos resduos industriais tm tratamento adequado. O ESTADO DE SO PAULO. 02-05-2002. 5. Descoberta a maior rea de contaminao de lixo qumico do Brasil. JORNAL NACIONAL. 09 -042002. 6. GUAIME, S. Laudo comprova contaminao dos moradores de Paulnia. O ESTADO DE SO PAULO. 23-08-01. 7. MUNG, M. CPI vai pedir interdio de terminal da Shell em SP. O ESTADO DE SO PAULO. 0305-2002. 8. SALGADO, P. E. T. Toxicologia dos metais. In: OGA, S. Fundamentos de toxicologia. So Paulo, 1996. cap. 3.2, p. 154-172. 9. SALGADO, P. E. T. Metais em alimentos. In: OGA, S. Fundamentos de toxicologia. So Paulo, 1996. cap. 5.2, p. 443-460. 10. TREVORS, J. T.; STRATDON, G. W. & GADD, G. M. Cadmium transport, resistance, and toxicity in bacteria, algae, and fungi. Can. J. Microbiol., 32: 447-460, 1986. 11. ZIMBRES, E. www.meioambiente.pro.br Dr. Mario Julio Avila-Campos (Professor Associado do Depto. Microbiologia - USP) http://www.mundodoquimico.hpg.ig.com.br/metais_pesados_e_seus_efeitos.htm

Toxicologia dos metais pesados 3. Metais Pesados em guas 3.1. Definio Metais pesados so elementos qumicos que apresentam nmero atmico superior a 22. Tambm podem ser definidos por sua singular propriedade de serem precipitados por sulfetos. Entretanto, a definio mais difundida aquela relacionada com a sade pblica: metais pesados so aqueles que apresentam efeitos adversos sade humana. 3.2. Fontes de metais pesados nas guas naturais Os metais pesados surgem nas guas naturais devido aos lanamentos de efluentes industriais tais como os gerados em indstrias extrativistas de metais, indstrias de tintas e pigmentos e, especialmente, as galvanoplastias, que se espalham em grande nmero nas periferias das grandes cidades. Alm destas, os metais pesados podem ainda estar presentes em efluentes de indstrias qumicas, como as de formulao de compostos orgnicos e de elementos e compostos inorgnicos, indstrias de couros, peles e produtos similares, indstrias do ferro e do ao, lavanderias e indstria de petrleo. 3.3. Importncia nos estudos de controle de qualidade das guas Os metais pesados constituem contaminantes qumicos nas guas, pois em pequenas concentraes trazem efeitos adversos sade. Desta forma, podem inviabilizar os sistemas pblicos de gua, uma vez que as estaes de tratamento convencionais no os removem eficientemente e os tratamentos especiais necessrios so muito caros. Os metais pesados constituem-se em padres de potabilidade estabelecidos pela Portaria 1.469 do Ministrio da Sade. Devido aos prejuzos que, na qualidade de txicos, podem causar aos ecossistemas aquticos naturais ou de sistemas de tratamento biolgico de esgotos, so tambm padres de classificao das guas naturais e de emisso de esgotos, tanto na legislao federal quanto na do Estado de So Paulo. Nesta ltima, so definidos limites para as concentraes de metais pesados em efluentes descarregados na rede pblica de esgotos seguidos de estao de tratamento de forma diferenciada dos limites impostos para os efluentes lanados diretamente nos corpos receptores, que so mais rgidos. Os metais pesados atingem o homem atravs da gua, do ar e do sedimento, tendendo a se acumular na biota aqutica. Alguns metais so acumulados ao longo da cadeia alimentar, de tal forma que os predadores apresentam as maiores concentraes. O que bioacumulao? As caractersticas gerais dos principais metais pesados so apresentadas a seguir: a) Chumbo O chumbo est presente no ar, no tabaco, nas bebidas e nos alimentos, nestes ltimos, naturalmente, por contaminao e na embalagem. Est presente na gua devido s descargas de efluentes industriais como, por exemplo, os efluentes das indstrias de acumuladores (baterias), bem como devido ao uso indevido de tintas e tubulaes e acessrios base de chumbo. Constitui veneno cumulativo, provocando um envenenamento crnico denominado saturnismo, que consiste em efeito sobre o sistema nervoso central com conseqncias bastante srias. O chumbo padro de potabilidade, sendo fixado o valor mximo permissvel de 0,01 mg/L pela Portaria 1.469 do Ministrio da Sade, mesmo valor adotado nos Estados Unidos. tambm padro de emisso de esgotos e de classificao das guas naturais. Nestes, para as classes mais exigentes os valores estabelecidos so to restritivos quanto os prprios padres de potabilidade, prevendo-se que o tratamento convencional de gua no remove metais pesados consideravelmente. Aos peixes, as doses fatais, no geral, variam de 0,1 a 0,4 mg/L, embora, em condies experimentais, alguns resistam at 10 mg/L.. A ao sobre os peixes semelhante do nquel e do zinco.

b) Brio O brio pode ocorrer naturalmente na gua, na forma de carbonatos em algumas fontes minerais. Decorre principalmente das atividades industriais e da extrao da bauxita. No possui efeito cumulativo, sendo que a dose fatal para o homem considerada de 550 a 600 mg. Provoca efeitos no corao, constrio dos vasos sanguneos elevando a presso arterial e efeitos sobre o sistema nervoso. O padro de potabilidade 0,7 mg/L (Portaria 1.469). Os sais de brio so utilizados industrialmente na elaborao de cores, fogos de artifcio, fabricao de vidro, inseticidas, etc.. c) Cdmio O cdmio se apresenta nas guas naturais devido s descargas de efluentes industriais, principalmente as galvanoplastias. Apresenta efeito agudo, sendo que uma nica dose de 9,0 gramas pode levar morte e efeito crnico, pois concentra-se nos rins, no fgado, no pncreas e na tireide. Estudos feitos com animais demonstram a possibilidade de causar anemia, retardamento de crescimento e morte. O padro de potabilidade fixado pela Portaria 1.469 em 0,005 mg/L.O cdmio ocorre na forma inorgnica, pois seus compostos orgnicos so instveis; alm dos malefcios j mencionados, um irritant e gastrointestinal, causando intoxicao aguda ou crnica sob a forma de sais solveis. A ao do cdmio sobre a fisiologia dos peixes semelhante s do nquel, zinco e chumbo. d) Arsnio Traos deste metalide so encontrados em guas naturais e em fontes termais. usado como inseticida, herbicida, fungicida, na indstria da preservao da madeira e em atividades relacionadas com a minerao e com o uso industrial de certos tipos de vidros, tintas e corantes. Em moluscos, at 100 mg/Kg, sendo que a ingesto de 130 mg fatal. Apresenta efeito cumulativo, sendo carcinognico. O padro de potabilidade 0,01 mg/L, estabelecido pela Portaria 1.469 do Ministrio da Sade. e) Selnio Este no-metal se apresenta nas guas devido s descargas de efluentes industriais. txico tanto para o homem quanto para os animais. Provoca a chamada doena alcalina no gado, cujos efeitos so permanentes. Aumenta e incidncia de cries dentrias e suspeita-se que seja potencialmente carcinognico, de acordo com os resultados de ensaios feitos com cobaias. O padro de potabilidade 0,01 mg/L (Portaria 1.469). f) Cromo hexavalente O cromo largamente empregado nas indstrias, especialmente em galvanoplastias, onde a cromeao um dos revestimentos de peas mais comuns. Pode ocorrer como contaminante de guas sujeitas a lanamentos de efluentes de curtumes e de circulao de guas de refrigerao, onde utilizado para o controle da corroso. A forma hexavalente mais txica do que a trivalente. Produz efeitos corrosivos no aparelho digestivo e nefrite. O padro de potabilidade fixado pela Portaria 1.469 0,05 mg/L. O que o Cromo Hexavalente tem a ver com a Julia Roberts? g) Mercrio O mercrio largamente utilizado no Brasil nos garimpos, no processo de extrao do ouro (amlgama). Porque o mercrio no garimpo um problema ocupacional e tambm ambiental? O mercrio tambm usado em clulas eletrolticas para a produo de cloro e soda e em certos praguicidas ditos mercuriais. Pode ainda ser usado em indstrias de produtos medicinais, desinfetantes e pigmentos. altamente txico ao homem, sendo que doses de 3 a 30 gramas so fatais. Apresenta efeito cumulativo e provoca leses cerebrais.

CURIOSIDADE: bastante conhecido o episdio de Minamata no Japo, onde grande quantidade de mercrio orgnico, o metil mercrio, que mais txico que o mercrio metlico, foi lanada por uma indstria, contaminando peixes e habitantes da regio, provocando graves leses neurolgicas e mortes. O padro de potabilidade fixado pela Portaria 1.469 do Ministrio da Sade de 0,001 mg/L. Os efeitos sobre os ecossistemas aquticos so igualmente srios, de forma que os padres de classificao das guas naturais so tambm bastante restritivos com relao a este parmetro. h) Nquel O nquel tambm utilizado em galvanoplastias. Estudos recentes demonstram que carcinognico. No existem muitas referncias bibliogrficas quanto toxicidade do nquel; todavia, assi m como para outros ons metlicos, possvel mencionar que, em solues diludas, estes elementos podem precipitar a secreo da mucosa produzida pelas brnquias dos peixes, que morrem por asfixia. Por outro lado, o nquel complexado (niquelcianeto) txico quando em baixos valores de pH. Concentraes de 1,0 mg/L desse complexo so txicas aos organismos de gua doce. i) Zinco O zinco tambm bastante utilizado em galvanoplastias na forma metlica e de sais tais como cloreto, sulfato, cianeto, etc.. A presena de zinco comum nas guas naturais. O zinco um elemento essencial para o crescimento, porm, em concentraes acima de 5,0 mg/L, confere sabor gua e uma certa opalescncia guas alcalinas. Os efeitos txicos do zinco sobre os peixes so muito conhecidos, assim como sobre as algas. A ao desse on metlico sobre o sistema respiratrio dos peixes semelhante do nquel, anteriormente citada. As experincias com outros organismos aquticos so escassas. Entretanto, preciso ressaltar que o zinco em quantidades adequadas um elemento essencial e benfico para o metabolismo humano, sendo que a atividade da insulina e diversos compostos enzimticos dependem da sua presena. A deficincia do zinco nos animais pode conduzir ao atraso no crescimento. Os padres para guas reservadas ao abastecimento pblico indicam 5,0 mg/L como o valor mximo permissvel. j) Alumnio O alumnio abundante nas rochas e minerais, sendo considerado elemento de constituio. Nas guas naturais doces e marinhas, entretanto, no se encontra concentraes elevadas de alumnio, sendo esse fato decorrente da sua baixa solubilidade, precipitando-se ou sendo absorvido como hidrxido ou carbonato. Nas guas de abastecimento e residurias, aparece como resultado do processo de coagulao em que se emprega sulfato de alumnio. Pequenas quantidades de alumnio do total ingerido so absorvidas pelo aparelho digestivo e quase todo o excesso evacuado nas fezes. O total de alumnio presente no organismo adulto da ordem de 50 a 150 mg. Existem estudos que o associam ocorrncia do mal de Alzheimer, sendo que atualmente seu valor mximo permissvel de 0,2mg/L segundo a Portaria 1.469 do Ministrio da Sade. l) Prata A prata ocorre em guas naturais em concentraes baixas, da ordem de 0 a 2,0 mg/L, pois muitos de seus sais so pouco solveis; a no ser no caso de seu emprego como substncia bactericida ou bacteriosttica, ou ainda em processos industriais, esse elemento no muito abundante nas guas. Esse elemento cumulativo, no sendo praticamente eliminado do organismo. A dose letal para o homem de 10 g como nitrato de prata. A ao da prata sobre a fauna ictiolgica semelhante s do zinco, nquel, chumbo e cdmio. m) Cobre O cobre ocorre geralmente nas guas, naturalmente, em concentraes inferiores a 20 mg/L. Quando em concentraes elevadas, prejudicial sade e confere sabor s guas. Segundo pesquisas efetuadas, necessria uma concentrao de 20 mg/L de cobre ou um teor total de 100 mg/L por dia na gua para produzirem intoxicaes humanas com leses no fgado. No entanto, concentraes de 5 mg/L tornam a gua absolutamente impalatvel, devido ao gosto produzido. O cobre em pequenas quantidades at benfico ao organismo humano, catalisando a assimilao do ferro e seu aproveitamento na sntese da hemoglobina do sangue, facilitando a cura de anemias. Para os peixes, muito mais que para o homem, as doses elevadas de cobre so extremamente nocivas. O cobre aplicado em sua forma de sulfato de cobre, CuSO4.5H2O, em dosagens de 0,5 mg/L um poderoso algicida. O Water Quality Criteria indica a

concentrao de 1,0 mg/L de cobre como mxima permissvel para guas reservadas para o abastecimento pblico. 3.5. Remoo de metais pesados das guas O processo mais eficiente para a remoo de metais pesados o que se baseia no fenmeno de troca inica, empregando-se resinas catinicas em sua forma primitiva de hidrognio ou na forma sdica. Este processo permite uma remoo percentual bastante significativa dos metais presentes na gua, viabilizando seu uso para finalidades industriais especficas e permitindo tambm o reuso de efluentes industriais. O que troca inica, como funciona? Troca inica uma troca de ons entre dois eletrlitos ou entre um eletrlito na forma de soluo e um complexo. Na maioria dos casos o termo usado para denotar os processos de purificao, separao, e descontaminao de solues aquosas e outras contendo ons com slidos polimricos ou minerais chamados 'trocadores de ons' (algumas vezes citados como 'cambiadores de ons'), como as resinas trocadoras de ons. No campo do tratamento de efluentes, o processo mais utilizado o da precipitao qumica na forma de hidrxidos metlicos. Cada on metlico tem o seu valor de pH timo de precipitao como hidrxido, de forma que, quando se tm misturas de diversos metais, pode ser necessrio que se trabalhe em mais de uma faixa de pH. Como normalmente as vazes de efluentes so baixas, os tratamentos so desenvolvidos de forma esttica, em regime de batelada, o que facilita o uso de mais de uma faixa de pH. Nos processos contnuos, ter -se-ia que utilizar uma srie de sistemas de mistura e decantao. Um problema importante dos processos base de precipitao qumica que deve ser levado em considerao a produo de quantidades relativamente grandes de lodos contaminados com metais. Estes devem ser encaminhados a sistemas adequados de tratamento ou disposio final, que nem sempre encontram-se disponveis. Os recentes avanos tecnolgicos na rea do tratamento de guas apontam a possibilidade do emprego de processos de membrana como a osmose reversa para a remoo de metais pesados das guas, o que pode ser usado como tratamento final, ou polimento sequencial a outros processos mais simples, de forma a preservar as membranas do ataque de outros constituintes presentes nos efluentes, reduzindo-se assim os custos operacionais do sistema. Voc j sabe o que osmose, como funciona a osmose reversa? A osmose inversa ou osmose reversa um processo de separao em que um solvente separado de um soluto de baixa massa molecular por uma membrana permevel ao solvente e impermevel ao soluto. Isso ocorre quando se aplica uma grande presso sobre este meio aquoso, o que contraria o fluxo natural da osmose. Por essa razo o processo denominado osmose reversa. Em osmose inversa, as membranas retm partculas cujo dimetro varia entre 1 e 10 (2). As partculas retidas so solutos de baixa massa molecular como sais ou molculas orgnicas simples.A presso osmtica das solues proporcional a concentrao de soluto. Para que a produo de permeado seja razovel, a diferena de presso hidrosttica atravs da membrana tem que ser elevada, para gua, varia entre 3 e 100 atm(2). Comparada ao processo de troca inica, muito utilizado para a remoo de ions em guas industriais, a osmose reversa tem a vantagem de dispensar a etapa de regenerao, um processo que interrompe a produo e ao mesmo tempo consome uma grande quantidade de produtos qumicas (cidos e bases fortes). Como desvantagem existe a gerao de um fluxo de rejeito, soluo com elevadas concentraes de sais em volumes de at 50% da alimentao total. A atividade humana vem aumentando os nveis de metais pesados nos ecossistemas aquticos naturais. Esses metais so provenientes de atividades como a minerao, de indstrias de galvanoplastia, e do despejo de efluentes domsticos. A principal fonte de contaminao das guas de rios a indstria, com seus despejos de resduos ricos em

metais pesados. Veja os procedimentos causadores da poluio: As indstrias de tintas, de cloro, de plsticos PVC e as metalrgicas, utilizam em seus processos metais pesados como o mercrio e vrios outros, esses metais so descartados nos cursos dgua aps serem usados na linha de produo. Mas no s de indstrias que provm esse tipo de contaminao, os incineradores de lixo urbano produzem fumaa rica em metais como mercrio, cdmio e chumbo, que se volatiliza lanando metal pesado a longas distncias. Do ponto de vista qumico, a grave conseqncia parece no ter soluo, j que esses metais no podem ser destrudos e so altamente reativos. A cada dia se fazem mais presentes em nossas vidas, em aparelhos eletrodomsticos ou eletroeletrnicos e seus componentes, inclusive pilhas, baterias e produtos magnetizados. Mercrio, chumbo, cdmio, mangans e nquel so alguns dos metais pesados presentes nesses aparelhos. O chumbo usado na soldagem de computadores, e o mercrio est no visor de celulares. Os metais apenas so teis em pequenas quantidades para o homem, como o ferro, zinco, magnsio, cobalto que constituem a hemoglobina. Mas se a quantidade limite desses metais for ultrapassada, eles se tornaro txicos ocasionando problemas de sade.

Por Lria Alves Graduada em Qumica Equipe Brasil Escola

Metais Pesados O perigo est no solo, na gua e no ar. Quando absorvidos pelo ser humano, os metais pesados (elementos de elevado peso molecular) se depositam no tecido sseo e gorduroso e deslocam minerais nobres dos ossos e msculos para a circulao. Esse processo provoca doenas Contaminao por mercrio - o caso Minamata Minamata, Japo ano de 1956, dia 1 de maio, quatro pacientes do entrada em um centro de sade pblica de Kimamoto, apresentando disfunes do sistema nervoso. Neste ano foi estruturado um comit especialmente voltado a investigar a doena, at ento de causa desconhecida. Esta data ficou oficialmente conhecida como a data da descoberta do chamado Mal de Minamata que est relacionada com a doena cerebral causada pela ingesto de mercrio. No mesmo ano cerca de 56 pessoas com sintomas semelhantes foram investigadas e constatou-se que os sintomas eram causados pela contaminao por mercrio. A investigao mostrou que moradores das vizinhanas da Baa de Minamata, cujas dietas eram centralizadas em consumo de peixes e frutos do mar (bioacumuladores), tinham encontrado cristais de mercrio nos efluentes liberados pela indstria qumica Chisso. O mercrio era despejado em um rio que desaguava no mar, de onde os moradores retiravam a principal fonte de alimentos das comunidades da regio. A fauna marinha foi intoxicada e, atravs da alimentao, o metal altamente txico chegou ao homem. As mortes e doenas conseqentes da contaminao por mercrio em Minamata so um exemplo de como a ao txica dos metais pesados pode entrar na cadeia alimentar do homem e provocar sua intoxicao. http://ambiente.hsw.uol.com.br/substancias-toxicas4.htm Vejam a atitude indiferente com relao terrvel tragdia do envenenamento por mercrio industrial (conhecido como doena de Minamata)1 ocorrida na cidade de Minamata, no Japo, nas dcadas de cinqenta e sessenta. Os responsveis pela companhia, a burocracia e o governo agiram com uma atitude

que no demonstrava nenhuma prioridade vida das pessoas. Tudo que ofereceram foi uma resposta fria e burocrtica, colocando os grandes interesses financeiros em primeiro lugar. O consumo de peixe contaminado com mercrio dos dejetos industriais lanados pela companhia na Baa de Minamata fez com que pessoas saudveis passassem a sofrer de entorpecimento dos membros, o que as deixava incapazes de coordenar os movimentos musculares voluntrios. Seu sistema nervoso foi destrudo e algumas pessoas tiveram convulses e morreram. Crianas nasceram surdas, cegas e com impedimentos da fala. Pessoas inocentes foram foradas a viver um inferno vivo. No entanto, desde quando apareceram as primeiras vtimas, foram necessrios quinze anos para que o governo japons finalmente reconhecesse que a doena estava relacionada poluio (em 1968). Por que no foi tomada uma providncia imediata? Por que no foram empreendidos esforos imediatos para salvar essas preciosas vidas em vez de desperdiar tempo com todos os tipos de desculpas e racionalizaes?

Metais pesados so metais quimicamente altamente reativos e bioacumulveis, ou seja, os organismos no so capazes de elimin-los. Quimicamente, os metais pesados so definidos como um grupo de elementos situados entre o cobre e o chumbo na tabela peridica tendo pesos atmicos ente 63,546 e 200,590 e densidade superior a 4,0 g/cm3. Os seres vivos necessitam de pequenas quantidades de alguns desses metais, incluindo cobalto, cobre, mangans, molibdnio, vandio, estrncio, e zinco, para a realizao de funes vitais no organismo. Porm nveis excessivos desses elementos podem ser extremamente txicos. Outros metais pesados como o mercrio, chumbo e cdmio no possuem nenhuma funo dentro dos organismos e a sua acumulao pode provocar graves doenas, sobretudo nos mamferos. Quando lanados como resduos industriais, na gua, no solo ou no ar, esses elementos podem ser absorvidos pelos vegetais e animais das proximidades, provocando graves intoxicaes ao longo da cadeia alimentar. Principais metais pesados contaminantes y Arsnico

Causa problemas nos sistemas respiratrio, cardiovascular e nervoso. y Chumbo

Atinge o sistema nervoso, a medula ssea e os rins. y Cdmio

Causa problemas gastrointestinais e respiratrios. y Mercrio

Se concentra em diversas partes do corpo como pele, cabelo, glndulas sudorparas e salivares, tireide, sistema digestivo, pulmes, pncreas, fgado, rins, aparelho reprodutivo e crebro, provocando inmeros problemas de sade. y Crmio

Provoca irritao na pele e, em doses elevadas, cncer. y Mangans

Causa problemas respiratrios e efeitos neurotxicos. Obtida de "http://pt.wikipedia.org/wiki/Metal_pesado" Mercrio X Meio Ambiente O ponto mais crtico da poluio atravs do mercrio que esse no degradvel. Mesmo aps a interrupo da sua utilizao, ele permanece como ameaa sade humana devido aos processos de transformao que ocorrem no meio ambiente. Esse problema afeta principalmente as populaes ribeirinhas, que se alimentam basicamente de pescado, sua principal fonte de protenas. Abaixo apresentado um esquema ilustrativo dos processos fsico, qumicos e bioqumico que ocorrem com o mercrio aps a sua emisso para o meio ambiente.

O Caso de Minamata Minamata uma cidade japonesa que sofreu graves conseqncias devido a contaminao por mercrio. Centenas de pessoas morreram e milhares tiveram anomalias que acabaram passando para as novas geraes.

Minamata Na dcada de 30, uma empresa se instalou na regio, a Chisso. A empresa, que fabricava acetaldedo (usado na produo de material plstico), jogava seus resduos com mercrio nos rios, contaminando os peixes. Como a doena leva alguns anos para se desenvolver, somente em 1956 comearam a surgir os primeiros casos da doena. Os hospitais recebiam pessoas com os mesmos sintomas: problemas no sistema nervoso e no crebro, causando dormncia nos membros, fraquezas musculares, deficincias visuais, dificuldades de fala, paralisia, deformidades levando at mesmo morte. No princpio as autoridades acreditavam que se tratava de uma epidemia, mas os gatos comearam apresentar doenas com as mesmas semelhanas. Somente de dez anos depois os mdicos descobriram a causa: o consumo de peixe contaminado por mercrio, base da alimentao daquela

populao. Estima-se que a empresa descartou de 200 a 600 toneladas de metilmercrio na baa da cidade. Depois de vrias batalhas judiciais, a empresa foi obrigada a indenizar as vtimas, mas o resultado da contaminao se faz sentir at hoje. Mercrio O mercrio um metal prateado que foi conhecido pelas antigas civilizaes e era usado na fabricao de tintas e pinturas. Os grandes depsitos de minrio de sulfeto mercrio, o cinbio, esto na Espanha e na Itlia, sendo os responsveis pela maior parte da produo mundial do metal. Cinbio - Minrio de sulfeto de mercrio, principal fonte do metal O metal usado na fabricao de termmetro, barmetro, bomba de difuso, lmpadas fluorescentes, em preparaes odontolgicas, baterias para filmadoras, calculadoras, computadores, extrao do ouro e da prata de seus minrios, pesticidas, fabricao de espelhos entre outros. A grande preocupao descartar esses resduos em locais apropriados sem prejudicar o meio ambiente, pois este no degradvel. O mercrio pode ser encontrado no meio ambiente sob vrias formas, sendo que na forma metlica que representa o maior problema para a sade. O contgio pode ser pelo vapor (garimpos) e pela ingesto de alimentos contaminados, como o peixe, principalmente os carnvoros. Forma qumica Mercrio elementar Via de exposio inalao Ingesto de alimentos contaminados, contato com o produto qumico Efeitos sobre a sade Bronquite pulmonar, distrbios do comportamento, problemas renais, tremores Desenvolvimento motor alterado, descontrole motor e ataxia em adultos

Metil mercrio

Classificao das amostras de pescado de acordo com o teor de mercrio e as recomendaes da Organizao Mundial de Sade e Legislao Brasileira Classificao Prprio para consumo freqente Prprio para consumo eventual Imprprio para consumo Comercializao permitida Teor em ng/g Menor que 300 Entre 300 e 600 Maior que 600 Menor que 1000

Desastre de Minamata Origem: Wikipdia, a enciclopdia livre. Ir para: navegao, pesquisa Desastre de Minamata a denominao dada ao envenenamento de centenas de pessoas por mercrio ocorrido na cidade de Minamata, no Japo. A Doena de Minamata uma sndrome neurolgica causada por severos sintomas de envenenamento por mercrio. Os sintomas incluem distrbios sensoriais nas mos e ps, danos viso e audio, fraqueza e, em casos extremos, paralisia e morte. Em maio de 1956, quatro pacientes de Minamata, Japo, uma cidade na costa ocidental da ilha de Kyushu, foram internados no hospital. Os mdicos ficaram confusos com os sintomas que os pacientes tinham em comum: convulses severas, surtos de psicose, perda de conscincia e coma. Finalmente, depois de febre muito alta, todos os quatro pacientes morreram.Os mdicos ficaram chocados pela alta mortalidade da nova doena: ela foi diagnosticada em treze outras pessoas, incluindo alguns de pequenas aldeias pesqueiras prximas de Minamata, que morreram com os mesmos sintomas, assim como animais domsticos e pssaros. Foi descoberto que o factor comum de todas as vtimas era que todas comeram

grandes quantidades de peixes da Baa de Minamata. Pesquisadores da Universidade Kumamoto chegaram concluso que o mal no era uma doena, mas sim envenenamento por substncias txicas. Tornou-se claro que o envenenamento estava relacionado fbrica de acetaldedo e PVC de propriedade da Corporao Chisso, uma companhia hidroelctrica que produzia fertilizantes qumicos. Falar publicamente contra a companhia era proibido j que ela era um empregador importante na cidade. Com o tempo, a equipe de pesquisa mdica chegou concluso que as mortes foram causadas por envenenamento com mercrio mediante consumo de peixe contaminado; o mercrio era usado no complexo Chisso como catalisador. Por isso deve-se tomar cuidado com o destino final dado s lmpadas fluorescentes e fosforescentes queimadas, pois se lanadas em locais inapropriados podem quebrar-se, libertando vapor de mercrio e trazendo riscos sade e ao meio ambiente....Por anos, a Corporao Chisso escondeu seu uso de mercrio dos olhos do pblico. Em 2 de Novembro de 1959, um tumulto de pescadores locais destruiu a propriedade da Chisso Corporation. Este acto de violncia teve o efeito de atrair a ateno pblica japonesa para o assunto.Em 1968, o governo japons reconheceu a fonte da contaminao e a contaminao qumica finalmente parou. A fbrica de PVC no concordou e continuou a produzir mais poluio (um ato irresponsvel).No total, mais de 900 pessoas morreram com dores severas devido ao envenenamento. Em 2001, uma pesquisa indicou que cerca de dois milhes de pessoas podem ter sido afetadas por comer peixe contaminado. No mesmo perodo de tempo, foi reconhecido que 2.955 pessoas sofreram da doena de Minamata. Destas, 2.265 viveram na costa do mar de Yatsushiro. Toxicologia: Acidente txico com mercrio em Rosana-SP Escrito por Carlos Eduardo | 18 Outubro 2010 Em notcia divulgada pelo G1, na ltima sexta, dia 15, a prefeitura de Rosana -SP, foi multada em R$ 83 mil pela Companhia Ambiental do Estado de So Paulo (CETESB), pela disposio do mercrio, de uso odontolgico, em um terreno de depsito de entulhos. Em julho, quatro crianas encontraram uma sacola com 20 frascos do produto txico, levaram para casa, e numa atitude inocente, provocaram a exposio de cerca de 100 pessoas. A me e mais cinco filhos apresentaram sintomas gstricos, febre e irritao cutnea. Na ocasio, trs casas foram interditadas, e o uso da gua, suspenso.Segundo o jornal O Globo, pelo menos 48 pessoas que foram expostas ao mercrio no acidente passaram por avaliao neurolgica na ltima sexta-feira, 15. O secretrio de sade do municpio, David Rodrigues, afirmou que o exame neurolgico faz parte de um protocolo que est sendo seguido.O produto provavelmente o amlgama de mercrio, utilizado no processo de restaurao dentria. O amlgama convencional preparado pela mistura de mercrio com uma liga prata-estanho, produzindo uma massa de rpida fixao na camada dentria (Philips apud Azevedo, 2001). Nota-se que alm da necessidade de maior fiscalizao no sistema de disposio de resduos txicos e produtos vencidos de diversos setores (rea hospitalar, laboratorial, industrial, agrcola, e outros) pelos responsveis locais; tambm importante incentivar campanhas educativas s famlias sobre os riscos que so submetidas as crianas, ao manipular produtos de origem desconhecida, mesmo que tenham caractersticas visuais ou olfativas agradveis. A melhoria na percepo do risco pela populao fator relevante, na preveno de acidentes com agentes txicos, especialmente em casos como o do municpio de Rosana, no qual a exposio poderia ter sido amenizada ou evitada. Brasil, existem trabalhos publicados sobre os riscos toxicolgicos (e ecotoxicolgicos) do mercrio que podem auxiliar nas medidas preventivas ou de interveno, no contexto de exposio ao mercrio. Citamos aqui, algumas referncias brasileiras: i) O livro "Toxicologia do Mercrio" de Fausto Azevedo; e ii) o volume n.1 dos Cadernos de Referncia Ambiental, sob o ttulo de Ecotoxicologia do Mercrio e seus Compostos, de Alice Chasin e E. Nascimento.

Fontes:G1 - Prefeitura do interior de SP multada por contaminao por mercrio. Acessado em 15 de outubro de 2010. Disponvel em:http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2010/10/prefeitura-do-interior-desp-e-multada-por-contaminacao-por-mercurio.htmlG1- Duas crianas tm suspeita de contaminao por mercrio. Acessado em 15 de outubro de 2010. Disponvel em:http://g1.globo.com/saopaulo/noticia/2010/07/duas-criancas-tem-suspeita-de-contaminacao-por-mercurio.htmlO Globo Neurologista j examinou 48 pessoas contaminadas por mercrio em Rosana, SP. Acessado em 15 de outubro de 2010. Disponvel em:http://oglobo.globo.com/cidades/sp/mat/2010/10/15/neurologista-jaexaminou-48-pessoas-contaminadas-por-mercurio-em-rosana-sp-922798687.aspReferncia:AZEVEDO, F.A; NASCIMENTO, E.S; CHASIN, A. (Caderno de Meio Ambiente)Aspectos Atualizados dos Riscos Toxicolgicos do Mercrio. TECBAHIA R. Baiana Tecnol., v. 16, n. 3, p.87 a 104, 2001.

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Grupo 1 (I A) - metais alcalinos: Ltio, sdio, potssio, rubdio, csio e frncio. Grupo 2 (II A) - metais alcalino-terrosos: Berlio, magnsio, clcio, estrncio, brio e rdio. Grupo 3 (III B) - grupo do escndio: Escndio, trio, lantnio, actnio, lantandios e actindeos. Grupo 4 (IV B) - grupo do titnio: Titnio, zircnio, hfnio e ruterfrdio. Grupo 5 (V B) - grupo do vandio: Vandio, nibio, tantlio e dbnio. Grupo 6 (VI B) - grupo do cromo: Cromo, molibdnio, tungstnio e seabrguio. Grupo 7 (VII B) - grupo do mangans: Mangans, tecncio, rnio e bhrio. Grupo 8 (VIII B) - grupo do ferro: Ferro, rutnio e smio. Grupo 9 (VIII B) - grupo do cobalto: Cobalto, rdio, irdio e meitnrio. Grupo 10 (VIII B) - grupo do nquel: Nquel, paldio e platina. Grupo 11 (I B) - grupo do cobre: Cobre, prata e ouro. Grupo 12 (II B) - grupo do zinco: Zinco, cdmio e mercrio. Grupo 13 (III A) - grupo do boro: Boro, alumnio, glio, ndio e tlio. Grupo 14 (IV A) - grupo do carbono: Carbono, silcio, germnio, estanho e chumbo. Grupo 15 (V A) - grupo do nitrognio: Nitrognio, fsforo, arsnio, antimnio e bismuto. Grupo 16 (VI A) - calcognios: Oxignio, enxofre, selnio, telrio e polnio. Grupo 17 (VII A) - halognios: Flor, cloro, bromo, iodo e astato. Grupo 18 (VIII A ou 0) - gases nobres: Hlio, nenio, argnio, criptnio, xennio e radnio.