memria da embrapa - UNESDOC pela Embrapa em 1998, aps um trabalho de catorze anos de pesquisa participativa, com trezentas comunidades de agricultores

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m e m r i a d a e m b r a p aJ . Irineu Cabralsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 3 UNESCO 2005 Edio publicada pelo Escritrio da UNESCO no BrasilO autor responsvel pela escolha e apresentao dos fatos contidos neste livro,bem como pelas opinies nele expressas, que no so necessariamente as daUNESCO, nem comprometem a Organizao. As indicaes de nomes e a apre-sentao do material ao longo deste livro no implicam a manifestao de qualqueropinio por parte da UNESCO a respeito da condio jurdica de qualquer pas,territrio, cidade, regio ou de suas autoridades, ou da delimitao de suasfronteiras ou limites. sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 2edies UNESCOConselho Editorial da UNESCO no BrasilJorge WertheinCecilia BraslavskyJuan Carlos TedescoAdama OuaneClio da CunhaComit para a rea de Cincia e Meio AmbienteCelso SchenkelBernardo BrummerAry MergulhoReviso: Reinaldo Lima ReisAssistente Editorial: Larissa Vieira LeiteProjeto Grfico: Edson FogaaDiagramao: Paulo SelveiraFotos: arquivo pessoal de J. Irineu Cabral, fotos do livro Pesquisa Agropecuria eQualidade de Vida: a histria da Embrapa e arquivo da ACS/Embrapa UNESCO, 2005Cabral, J. IrineuSol da manh: memria da Embrapa / J. Irineu Cabral. Braslia : UNESCO, 2005.344 p. ISBN: 85-7652-035-41. Pesquisa agrcolaEmpresas agrcolasBrasil 2. Cincia e tecnologiaEmpresas agrcolasBrasil 3. Desenvolvimento agrcolaBrasil I. UNESCO II. EMBRAPA III. TtuloCDD 351.823Organizao das Naes Unidas para a Educao, a Cincia e a CulturaRepresentao no BrasilSAS, Quadra 5, Bloco H, Lote 6, Ed. CNPq/IBICT/UNESCO, 9 andar.70070-914 - Braslia - DF - BrasilTel.: (55 61) 2106-3500Fax: (55 61) 322-4261E-mail: grupoeditorial@unesco.org.br sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 4mailto:grupoeditorial@unesco.org.brIN MEMORIAMOtto Lyra Schrader, Alosio Monteiro Carneiro Campello,Edmundo da Fontoura Gastal, Paulo Teixeira Demoro,Ormuz Freitas Rivaldo, Ivan T. Cajueiro, Maurcio C. Medeiros,Alfredo Gomes Carneiro, Johanna Dberreiner, Roberto de Ben.. . . .No sou nada. Nunca serei nada.No posso querer ser nada. parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.(Poema Tabacaria Fernando Pessoa)H uma misria maior do que morrer de fome no deserto: no ter o que comer na Terra de Cana.(Jos Amrico de Almeida, do livro: A Bagaceira)SOL DA MANHO ttulo desta Memria foi inspirado na variedade de milho BRS,criada pela Embrapa em 1998, aps um trabalho de catorze anosde pesquisa participativa, com trezentas comunidades de agricultoresem seis estados brasileiros, envolvendo quinze mil famlias.Eficiente no uso de nitrognio, capaz de produzir 4.000 kg/haem solos de baixa fertilidade natural e quase o dobro em solos maisfrteis. Sol da Manh atende s necessidades do pequeno produtor em regime familiar.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 5Abstract . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .9Prefcio Luiz Fernando Cirne Lima ex-Ministro da Agricultura . . . . . . . . . .11ApresentaoJorge Werthein Representante da UNESCO no Brasil . . . . . . . . . . .13Introduo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .15Reconhecimentos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .19Parte I OS ANOS SETENTA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .211. O comeo de uma saga . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .232. A histria do Livro Preto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .353. Preparem os atos criando a Embrapa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .494. Surpresa: a primeira crise . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .615. Aes de consolidao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .776. Implantao do Modelo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .897. No mudem a rota: o caminho este que foi traado . . . . . .1038. Cobranas de resultados: pacotes tecnolgicos . . . . . . . . . . . . .1119. Ameaas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .121Parte II ALTOS E BAIXOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13110. Uma transio tranqila . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .13311. Tempestade desaba sobre a Embrapa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .14312. Temporada calma: expressivas taxas de retorno . . . . . . . . . . . . .157SUMRIOsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 713. A bonana que no veio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .16714. Passagem criativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .17715. Em busca de mudanas ideolgicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .18716. A fora da Marca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .19717. O compromisso caminhar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .211PARTE III DESAFIOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .24518. Grandes avanos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .24719. Grandes problemas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .25720. Agenda para o futuro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .263Galeria dos presidentes da Embrapa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .271ANEXOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .273Anexo 1 Bibliografia consultada e fontes de referncia . . . . . . . .275Anexo 2 Portaria que institui o Grupo de Trabalho queprops a criao da Embrapa . . . . . . . . . . . . . . . . . . .283Anexo 3 Trechos do Relatrio do Grupo de Trabalho queprops a criao da Embrapa . . . . . . . . . . . . . . . . . . .285Anexo 4 Documento de Irineu Cabral para Eliseu Alves . . . . . .295Anexo 5 Tecnologias e trabalhos selecionados . . . . . . . . . . . . . .303Anexo 6 Lista de siglas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .319Anexo 7 ndice onomstico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .323Anexo 8 Informao institucional das unidades descentralizadas . . .327Anexo 9 Entrevistas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .329Anexo 10 Quadro de autoridades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .331Anexo 11 Endereos da Embrapa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .335sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 8This publication, The Morning Sun: Embrapas memory, tells the story of theBrazilian Agricultural Research Corporation (Embrapa), established on April26, 1973. The book is divided into three sections containing a total of twenty chapters.The sections mark the following periods of time within the Institution: the 1970s,the period ranging from 1980 to 2002 and activities developed until 2005. Thechapters successively describe the background and preparatory activities for theestablishment of the corporation when a reform was proposed in 1973, mainly bythe Ministry of Agriculture, in the area of agricultural inv estigation in the country.Reports on facts and events that marked the implementation of the corporationare then presented, highlighting accomplishments and strides, the significantcontribution to the successful development of agriculture in the country andthe difficulties and roadblocks encountered over the past 32 years. This memorypoints out the great advances and significant problems Embrapa has experiencedand present an Agenda for the Future which should be discussed with society inorder to strengthen and consolidate a successful, sustained Institution.Sol da manh: memria da EMBRAPA9ABSTRACTsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 9Sol da manh: memria da EMBRAPA11O convite para escrever este prefcio precipitou uma tarefa que eu julgavareservada para mais tarde, para aquela fase da vida em que um homem pblicopode remexer no passado e resgatar episdios adormecidos sob uma perspectivade distanciamento que somente o passar do tempo pode oferecer. Os fatosde abril e maio de 1973, profundamente marcados em minha memria,merecem uma anlise, ainda que breve, para melhor compreenso. Em 26de abril o Brasil assistia ao surgimento da Embrapa, projeto que tive afelicidade de coordenar como ministro da Agricultura do ento GovernoMdici. Menos de uma quinzena depois, em 10 de maio, entregava aoPresidente da Repblica minha carta de renncia ao Ministrio.Naquele incio dos anos setenta, o mundo vivia a chamada RevoluoVerde, iniciativa dos pases industrializados de estimular a produointensiva de alimentos. No Brasil o desenvolvimento da agricultura erauma necessidade inquestionvel. Em primeiro lugar para atender demandaprogressiva de alimentos prevista com o crescimento da produo. Seria tambmuma forma de o pas se preparar para a crise do petrleo, aumentando a pro-dutividade de suas lavouras em uma conjuntura de preos agrcolas elevados.O Governo esperava ainda equilibrar sua balana de pagamentos, atravs docrescimento das exportaes de gros, j que a produo de commodities agrcolasnaquela poca era limitada a caf, acar, cacau e algodo.Naquele contexto era criada a Embrapa (Empresa Brasileira de PesquisaAgropecuria), com a misso de viabilizar a modernizao e o crescimento daagropecuria, atravs da pesquisa tecnolgica, da transferncia do conheci-mento ao produtor rural e da extenso das fronteiras agrcolas. Por mrito deseus idealizadores o projeto continha uma proposta muito consistente e pro-gressista. A cultura de vanguarda comeou a ser forjada j nos primeirosmeses, quando mais de mil profissionais seguiram para treinamento noexterior, em uma iniciativa que produziu forte impacto na poca.Mas os rumos que vinham sendo tomados pelo Governo, tanto na esferapoltica como econmica, tornavam insustentvel minha permanncia noPREFCIOsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 11Ministrio da Agricultura. A atividade primria que at ento recebera deBraslia a merecida ateno, como jamais havia ocorrido na histria republi-cana do pas, foi escolhida para pagar uma boa parte da conta da contenoinflacionria. Em contradio com a proposta desenvolvimentista que ensejou a suacriao, o Governo voltava a acenar com a falta de perspectivas para o homemdo campo. Assim iniciava, no Brasil, a ciranda do xodo rural e da fome noscintures de pobreza das grandes cidades. Nestes trinta e dois anos a Embrapa enfrentou altos e baixos, mas con-tinuou sendo uma unanimidade. Mesmo em um cenrio to desfavorvel,ainda hoje, graas ao empenho de seus tcnicos espalhados por todo o Brasil, modelo entre as instituies nacionais. A partir de suas unidades regionais, que hoje perfazem quarenta e duas,coleciona centenas de contribuies e xitos para o agronegcio brasileiro.Atravs do desenvolvimento das potencialidades agropecurias de cadaregio, o pas viu surgir novas oportunidades de serem fortalecidas culturasj tradicionais, segundo uma viso ampla e bem distribuda. Hoje o Brasilproduz em larga escala, alm de caf, gros, algodo, frutas, papel e celulose,entre outros. um dos maiores exportadores de suco de laranja, soja ecarnes de frango, bovina e suna. A pecuria ganhou em produtividade e seespalhou para outras regies, como os campos do Mato Grosso, Mato Grossode Sul, Gois e Tocantins, por exemplo. Na Serra Gacha, o Centro de Pesquisadedicado vitivinicultura est ajudando a colocar nossos vinhos finos nasmelhores adegas. Destacaria, ainda, o pacote tecnolgico para cultivo nossolos de cerrado, que acrescentou dois milhes de quilmetros quadradosde rea superfcie agriculturvel do Brasil, e que por si s j paga todosos investimentos feitos at hoje na Embrapa.Luiz Fernando Cirne LimaMinistro da Agricultura, no perodo da Fundao da Embrapa12sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 12Sinto-me profundamente gratificado em fazer a apresentao do livro Solda Manh de J. Irineu Cabral, que narra o itinerrio e a trajetria daEmbrapa. Sem dvida, uma das mais brilhantes construes no campo dacincia e da tecnologia agrcolas. Como diz um dos seus principais funda-dores e autor destas memrias, a Embrapa no deve ser reconhecida apenaspelo clone da novilha Vitria ou pelo algodo colorido e sim pelo desen-volvimento da produo de gros e fibras, da fruticultura, hortalias e outrossegmentos de significativa importncia econmica e social para o pas. Nessa direo, a construo da Embrapa se destaca tambm por suaelevada relevncia social, pois convertendo-se em pilar principal do aumentoda produo agrcola, preparou o pas para enfrentar um de seus mais histri-cos e reincidentes desafios, que o da fome, que sempre vitimou milharese milhes de brasileiros. Se ainda fosse vivo Josu de Castro, certamentehaveria de incluir ao termo de sua antolgica Geografia da Fome o reconhe-cimento a esse notvel empreendimento.O livro de J. Irineu Cabral tem o mrito de relatar ao mesmo tempo, comrigor e dimenso humana, as vicissitudes dos primeiros tempos e os obstculosque tiveram de ser enfrentados para fazer da Embrapa uma empresa depesquisa agropecuria altura das necessidades do pas. Uma empresaque fizesse da inovao tecnolgica um instrumento gil e pragmtico emsintonia com as polticas de desenvolvimento e de cincia e tecnologia.Para atingir esse objetivo, a Embrapa teve a viso de investir em recursoshumanos, conferindo alta prioridade ao sistema de ensino das cinciasagrrias, formao do pesquisador e ps-graduao. Em outras palavras,investiu na educao de seus quadros, criando mecanismos e oportunidadespara que os seus pesquisadores pudessem absorver conhecimentos doscentros de pesquisa agrcola mais avanados e conceituados do mundo.Hoje no mundo todo, quando se proclama a importncia da tradeeducao-conhecimento-inovao, o exemplo da Embrapa precisa serlembrado e invocado para servir de referncia. A trajetria dessa empresaSol da manh: memria da EMBRAPA13APREsentaOsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 13mostrou que possvel romper as barreiras do subdesenvolvimento medianteestratgias de gesto que promovam a indispensvel articulao entre a polticade cincia e tecnologia e a poltica de desenvolvimento. Hoje a Embrapadispe de uma admirvel rede de centros de pesquisa localizados nas diversasregies do pas que, dia aps dia, aumentam os conhecimentos sobre osecossistemas mais importantes, viabilizando a ocupao racional e possibili-tando a ampliao das fronteiras agrcolas.Nesses seus 32 anos de vida, a Embrapa apresenta um saldo altamentepositivo. So inmeras as suas conquistas. Conquistas, cujos frutos para aeconomia agrcola ajudam o Brasil a vislumbrar horizontes mais promissoresem termos de desenvolvimento econmico e social. Mas, se isso foi possvel,deve-se a um modelo de gesto conduzido por pessoas srias e competentes,que tiveram a oportunidade de sustentar aes e investimentos por vrios anos.Nesse cenrio, destaca-se o autor destas memrias e primeiro Presidente daEmpresa J. Irineu Cabral, cuja perseverana e viso do futuro, foramfatores fundamentais para sedimentar os alicerces e comear a construir embases slidas um projeto inovador que o tempo e os sucessivos xitos se encar-regariam de consolidar. certo que essa consolidao requer permanente dinamismo e lucidez.Por isso mesmo, Irineu Cabral termina o seu livro com um captulo dereflexes sobre o futuro, oferecendo s novas geraes de seus dirigentessubsdios que precisam ser considerados no marco da atual poltica externae do desenvolvimento econmico-social que requerem, segundo Cabral,uma clara presena da Embrapa, no sentido de apoiar os compromissosdo pas com o abastecimento interno, com as exportaes do agronegcio eda agricultura familiar, com o crescimento da agroindstria e com as carnciasde alimentos para cumprir as metas do Fome Zero.Por ltimo, vale ressaltar que a experincia da Embrapa, como a de outrosempreendimentos como a Embraer e a Petrobras, encerra lies que precisamestar na agenda do pas. Essas experincias e avanos configuram-se comoilhas de excelncia. O Brasil deste milnio no pode mais se conformar comalgumas ilhas por fora mesmo dos progressivos avanos da conscinciacidad que faz da incluso, sob todas as formas, a bandeira principal enorteadora das lutas para converterem as promessas em realidade. Jorge Werthein Representante da UNESCO no Brasil14sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 14Sempre foi minha inteno publicar esta Memria na comemoraodos 25 anos da Embrapa festejada em 1998. Alguns acontecimentos, entre-tanto, aconselharam-me a mudar de idia. De alguma maneira isto foimelhor. O pas mudou avanando a passos largos econmica e tecnologica-mente, em alguns setores, como o da agricultura.A cincia mundial, nos anos recentes, deu saltos significativos, na rea debiotecnologia, na informtica e inovao tecnolgica que resultaram emprojetos de enorme repercusso, como os organismos geneticamente modi-ficados (transgenia), a clonagem animal, o genoma, os novos instrumentosda agricultura de preciso e tantos outros considerados importantes conquistasem favor do crescimento e modernizao da agricultura. A globalizaoprovocou, entretanto, outras questes que vm entorpecendo a economiados pases em desenvolvimento, destacando-se disputas relacionadas com omercado internacional de produtos agrcolas, os subsdios, a propriedadeintelectual, as exigncias sanitrias e qualidade dos produtos, barreiras,burocracia e tantos outros. No Brasil, a situao tambm mudou. O agronegcio cresceu dramatica-mente. O debate sobre os transgnicos foi intenso e resultou na Lei deBiossegurana. A biotecnologia gerou resultados como a clonagem animal,o genoma de culturas econmicas importantes. A conquista de novosmercados, a expanso da fronteira agrcola, os recordes de safras de grose as exportaes avanaram continuamente.O Sol da Manh, ttulo desta Memria, inspirado em uma variedadede milho criada pelos pesquisadores da Embrapa caracteriza o seu lado desonhos que impregnou os seus fundadores, sem, entretanto, perder de vistao pragmatismo e a determinao das aes que caracterizaram a suaimplantao.A Memria da Embrapa pretende destacar dois aspectos relevantes dahistria dessa Empresa. O primeiro relata, na medida do possvel, como aSol da manh: memria da EMBRAPA15introduOsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 15Embrapa nasceu e cresceu, at agora. So contados fatos e episdiosprprios de uma instituio com grandes objetivos e a importante misso deapoiar a agricultura do pas. O segundo oferece elementos indispensveisdestinados a estimular um debate que possibilite criar as condies essenciaisque venham a fortalecer e consolidar a posio da Embrapa como umainstituio forte, consistente e sustentada.Fiz tudo, ao meu alcance, para que esta Memria no cometesse injus-tias ou grandes omisses. Busquei muitas informaes em arquivos, meiosde comunicao e farta bibliografia. Utilizei entrevistas gravadas com todosos ex-Presidentes da Empresa e algumas pessoas chaves que fizeram declara-es compatveis com a histria de seu tempo. A minha prpria memriaajudou-me muito nesta tarefa. Mesmo assim, muitas aes e fatos relevantesda histria da Embrapa no foram inseridos nesta Memria, especialmenteos que se relacionavam com o desenvolvimento das Unidades Descentra-lizadas e dos parceiros institucionais que compem o Sistema Nacional dePesquisa Agropecuria SNPA, como as Organizaes Estaduais e os projetoscooperativos com as universidades e o setor privado. Na realidade, os lancesmais fascinantes da vida da Embrapa, certamente esto em suas Unidades.O que acontece de mais importante com a vida dos pesquisadores, com seussucessos e frustraes, as relaes com as comunidades e com os agricultoresest no interior do pas. A Memria da Embrapa estar incompleta se noforem envolvidas, oportunamente, as suas Unidades Descentralizadas. Estou sugerindo que a Embrapa considere um projeto que organize econstrua sua Memria em forma de um trabalho mais amplo, continuado edinmico, a exemplo do que outras instituies brasileiras esto realizandocom xito. Nesta direo, a UNESCO que est apoiando a edio destelivro, manifesta, em princpio, interesse em cooperar com a Embrapa naorganizao de uma Memria que envolva, em forma sistemtica, a histriapassada e futura da Empresa, incluindo o uso da internet e a organizao dosmuseus de histria e tecnologia dos produtos agropecurios que poderoculminar, posteriormente, com um Projeto do Museu Nacional da Agricultura. A Embrapa uma instituio vencedora e por muitos considerada umaunanimidade. Atravessa momentos brilhantes e momentos difceis comproblemas de gesto que precisam de solues inadiveis. A Agenda para oFuturo, apresentada ao final deste livro, destina-se a envolver segmentosda sociedade e o governo em um debate de questes cruciais e urgentes,cuja soluo ser decisiva para a normalizao institucional da Empresa, tais16sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 16como o financiamento de suas atividades, renovao dos seus quadros depesquisadores, suprimento de equipamentos atualizados de laboratrios e decampo, eliminao de processos burocrticos, harmonizao de correntesideolgicas internas e externas e definio clara de prioridades.As transformaes e medidas desejadas precisam de deciso polticaurgente. A Empresa com a sua nova Administrao conta com o apoio doMinistro da Agricultura Roberto Rodrigues e do Presidente Luiz Incio Lulada Silva. Os desafios esto postos na mesa. A reforma da pesquisa agrcolafeita em 1973 no pode ter mais retrocessos e ambigidades. A histria quefoi contada nesta Memria contm alguns episdios que no podem serrepetidos.Sol da manh: memria da EMBRAPA17sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 17Sol da manh: memria da EMBRAPA19A publicao de Sol da Manh: memria da Embrapa produto deestmulos e ajudas de vrias pessoas. Sem esse apoio, certamente, no seriapossvel lanar esta edio no 32 Aniversrio da Embrapa.Em primeiro lugar, recebi o incentivo do amigo Ministro da Agricultura,Roberto Rodrigues e dos meus antigos companheiros de trabalho, Luiz CarlosGuedes Pinto e Luiz Gomes, ambos exercendo as altas funes de SecretrioExecutivo e Chefe de Programas da Secretaria Executiva do Ministrio daAgricultura, respectivamente.Ao assumir o cargo de novo Presidente da Embrapa, Dr. Silvio Crestana,tambm me incentivou a concluir o texto do livro de tal maneira que pudesseser lanado como parte dos atos comemorativos do 32 Aniversrio daEmpresa em 26 de abril de 2005.Os meus amigos, Jorge Werthein e Clio da Cunha, respectivamente,Representante da UNESCO no Brasil e Assessor Especial e CoordenadorEditorial, acolheram a idia de publicar esta Memria. O livro faz parte dasEdies UNESCO. Estou gratssimo por esse apoio e de sua equipe tcnica.Devo, por oportuno e justo, reconhecer a colaborao da Assessoria deComunicao Social (ACS) da Embrapa que me facilitou informaes e fatosdo seu arquivo. Gostaria de destacar o trabalho do Reprter Jorge Duarte pelasentrevistas realizadas com os ex-Presidentes da Embrapa e, em particular,ao jornalista Sebastio Costa Teixeira de Freitas, autor do texto PesquisaAgropecuria e Qualidade de Vida, a Histria da Embrapa publicado emfins de 2002. Sebastio de Freitas foi um interlocutor competente que trocoucomigo valiosas impresses sobre a histria e a memria da Embrapa.RECONHECIMENTOSsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 1920Reconhecimento especial dedico ao engenheiro agrnomo, AlexandreCaixeta Spnola, que realizou um eficiente trabalho de pesquisa de informaessobre os temas apresentados em alguns captulos. De outra parte, agradeo aAgueda Miranda Cabral, que participou comigo da organizao das infor-maes, bibliografia e fontes de consultas. Celina Isabel Nascimento Cabral ePaula G. Bandeira Cabral ofereceram apoio valioso na seleo e digitalizao defotos. Luana Nascimento Cabral colaborou na digitao dos textos.. . . .Decisivas foram as palavras de incentivo e apoio oferecidas pelos Drs.Mrcio Lopes de Freitas, Presidente da Organizao das Cooperativas doBrasil OCB e Emiliano Pereira Botelho, Presidente do Grupo Campo eAntnio Ernesto de Salvo, Presidente da Confederao Nacional daAgricultura e Pecuria CNA. Eles possibilitaram, a edio do Sol da Manh:memria da Embrapa.Sem essas colaboraes, dificilmente teramos a publicao deste livro, quepretende resgatar grande parte da passada memria de uma Instituio quevem prestando significativos servios agricultura do pas. Apoio:Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento - MapaOrganizao das Cooperativas do Brasil - OCBConfederao Nacional da Agricultura e Pecuria - CNAGrupo Camposol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 20Sol da manh: memria da EMBRAPAParte IOS ANOS SETENTAAto da instalao da Embrapa, em 26 de abril de 1973sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 211O COMEO DE UMA SAGAsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 2324Reunio histrica: 26 de abril de 1973 a Diretoria Executiva da Embrapa discute seus planos para o futuro. Aqui, decide-se executar o audacioso projeto de treinamento de 2.000 pesquisadores com ps-graduao. A reunio presidida por J. Irineu Cabral, acompanhada pelos diretores Roberto Meirelles Miranda, Eliseu Roberto Andrade Alves, Edmundo daFontoura Gastal, Francisco Tarcisio Ges de Oliveira (comunicador social) e Levy Pinto de Castro, novo superintendente da empresa.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 24Sol da manh: memria da EMBRAPA25Vinte e seis de abril de 1973. Era uma manh de sol no final de vero emBraslia. Por toda parte ainda havia muito verde na cidade. O salo doBraslia Palace Hotel, s margens do Lago Sul, estava lotado com gente emp pelos corredores. s dez horas, pontualmente, iniciava-se o ato formale solene de instalao da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria Embrapa. Naquela ocasio, tomou posse a primeira Diretoria Executiva.Foram convidados para compor a mesa, presidida pelo Ministro daAgricultura, Dr. Luiz Fernando Cirne Lima, o Embaixador Representanteda ONU no Brasil, Dr. Ramiro Boetner, o Representante da USAID noBrasil, Dr. William Ellis e o Embaixador da Alemanha, em Braslia. Tomeilugar mesa, como primeiro Presidente. Os trs Diretores Executivos quecompletavam a Direo da nova Empresa sentaram-se nas primeiras filas doauditrio. Eram eles os Drs. Eliseu Roberto de Andrade Alves, Edmundoda Fontoura Gastal e Roberto Meirelles de Miranda.Algumas pessoas comentam a ausncia de Ministros de Estado e outrasautoridades do Governo no ato de lanamento da Embrapa. Estranhei ofato e, em conversa com o Ministro Cirne Lima pude constatar que, nomesmo dia 26 de abril de 1973 aconteceu a solenidade de assinatura doTratado de Itaipu, entre o Brasil e Paraguai, para a construo damaior hidreltrica do mundo, qual estiveram presentes a maior parte dosministros e as mais altas autoridades do governo.O Consultor Jurdico Adjunto do Ministrio da agricultura, Dr. JaimeAlbuquerque, fez a leitura dos atos de posse da Diretoria. O Ministro CirneLima saudou os presentes e, logo em seguida, pede ao novo Presidenteda Embrapa para usar da palavra. Visivelmente emocionado, iniciei comagradecimentos ao Presidente da Repblica e ao Ministro da Agriculturasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 2526pela confiana que tiveram ao entregar o comando da Embrapa a mim eaos companheiros de Diretoria. Aquele era o melhor momento para recordaro significado da iniciativa do governo e o esforo realizado para a criaoda nova Instituio.Com a sua criao buscava-se estabelecer um novo instrumento operativopara pesquisa agropecuria nacional, que fosse a um s tempo gil,dinmico, flexvel, suficientemente capaz de responder s necessidades dodesenvolvimento do pas. Destaquei que, previamente criao daEmpresa, os cuidadosos estudos realizados demonstravam, com todaclareza, a necessidade urgente e imperativa de uma profunda reviso naorientao e nos processos operativos e tcnicos da investigao agrcolanacional. Uma reviso que no fosse simplesmente a mudana de siglas eorganogramas. Deveria ser feita, uma reforma que pudesse eliminar osprincipais obstculos e limitaes das polticas de recursos humanos edo aporte financeiro existentes.Conscientes do papel decisivo que a poltica agrcola tinha de desem-penhar no processo de crescimento da economia e a funo social quelhe correspondia, a Embrapa teria de atuar orientada por um conjuntode princpios capazes de assegurar o cumprimento dos objetivos que jus-tificaram a clara deciso poltica de sua criao.Havia, no auditrio do Braslia Palace Hotel, uma enorme expectativasobre como a Embrapa iria orientar a sua atuao. Afinal de contas, naprtica, estavam sendo desmantelados os servios de pesquisa do Ministrioda Agricultura, que estavam sendo substitudos por uma nova figura jurdicae operacional (uma Empresa Pblica) que funcionaria, rigorosamente,como entidade de direito privado. As poucas empresas pblicas existentesnaquele momento eram uma grande novidade. A Embrapa foi pioneiranisso. Aproveitava-se a ocasio, naquele ato, para dar conhecimento opiniopblica e para anunciar as diretrizes de ao da nova Empresa. Destaco aquios oito pontos considerados relevantes e substantivos que conformavam asprincipais diretrizes. Vale a pena record-los:sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 26Sol da manh: memria da EMBRAPA271. A programao da pesquisa seria ajustada aos objetivos e polticas estabe-lecidas nos Planos Nacionais de Desenvolvimento e nos Planos Bsicosde Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico do Pas. A partir da e daspolticas agrcolas adotadas, devero surgir as prioridades nacionais eregionais que se transformaro no elenco de programas e projetos, porproduto e regio auspiciados pela Empresa. Em todo momento, havera preocupao da seletividade na programao da pesquisa, evitando-sea fragmentao de recursos, a duplicao de aes ou a realizao de ativi-dades que no sejam efetivamente prioritrias.2. Sendo o processo de produo agropecuria um complexo que envolveaspectos fsicos, biolgicos, econmicos e sociais, a Empresa adotaruma orientao que aborde, sempre que possvel, de uma forma integral,os fatores que intervm no processo produtivo.A Embrapa antecipava quela altura, uma viso de futuro da organizaodo setor agrcola e, em certa medida, o conceito de cadeia produtiva do agronegcio, adotado atualmente.3. Para formulao de uma estratgia de tecnologia agropecuria, a Embrapaadotar uma posio pragmtica de acordo com as necessidades do desen-volvimento nacional. Se conveniente, importar tecnologia, realizando asadaptaes necessrias em cada caso. De qualquer maneira, haver umesforo consistente e continuado no sentido de proporcionar os recursosque forem necessrios para a criao de tecnologias prprias compatveiscom as exigncias e condies internas e de competio no mercadointernacional.4. Em conformidade com o princpio de melhor aproveitamento dos recursosinstitucionais disponveis no pas, a Embrapa atuar, invariavelmente,buscando a cooperao e dando apoio aos diferentes organismos querealizam a pesquisa agropecuria. Ser sempre uma Empresa aberta esol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 2728sensvel ao esforo cooperativo. Face grande responsabilidade e complexidade das tarefas a serem desenvolvidas, a Empresa prope umaaliana com os organismos do governo federal, com as universidades,com os estados e o setor privado. Essa aliana dever concretizar-se,especialmente, nas distintas fases de planejamento e execuo de pro-gramas e projetos. Essa cooperao ir, certamente, possibilitar a adoode diferentes formas de execuo de projetos, promovidos, diretamente,pela Embrapa, em acordos ou por delegao e contratao de pesquisa.5. Parece indispensvel ressaltar a preocupao da Empresa em fazer com quetoda a tecnologia disponvel e, comprovadamente til, chegue rpidae em forma acessvel ao produtor agrcola. Est previsto um vigorosoesquema de articulao com os Servios de Extenso Agrcola eAssistncia Tcnica existentes no pas.6. Nenhuma instituio que tenha como fim as complexas responsabili-dades tcnicas e cientficas como as que esto sendo atribudas Embrapa, pode prescindir de uma slida poltica de seleo, aperfei-oamento e estmulos aos seus recursos humanos. Nessas condies, aEmpresa, de imediato, adotar um programa de curto e longo prazo nosentido de mobilizar todo o potencial tcnico cientfico disponvel no pas,que possa ser aproveitado, como um corpo estvel, competente e dedicadoao difcil exerccio da funo de pesquisador. Neste sentido, o sistemanacional de ensino das cincias agrrias, na formao do pesquisador,na funo de professores ou no treinamento de ps-graduao, deverexercer, nesse processo, um papel excepcional.7. A experincia acumulada no pas aconselha que a Empresa, nas suasformas de operao, adote uma estrutura em que, basicamente, em nvelnacional, concentre as funes de estabelecimento de diretrizes, seleode prioridades, fixao de normas de programao, controle e avaliaode resultados. Est reservada Empresa a funo essencial de assegurarsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 28Sol da manh: memria da EMBRAPA29Ministro Cirne Lima e o Presidente da Embrapa J. Irineu Cabral expem atividades da Empresa delegao estrangeiraJ. Irineu Cabral, ainda Diretor do BID, em 1971, visita o Ministro L. F. CirneLima quando conversavam sobre projetos agrcolas do pas. quela poca CirneLima j pensava reformar o Sistema de Pesquisa do Ministrio da Agriculturasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 2930Prmio Nobel da Paz Norman Borlaug, criador da Revoluo Verde, com J. Irineu Cabral na sede da Embrapa, Braslia/DFAloisio Campello, Secretrio Executivo da Abcar, um dos principais idealizadores da reforma da pesquisa agropecuria do pas. Acompanha-o J. Irineu Cabralsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 30Sol da manh: memria da EMBRAPA31a descentralizao da execuo de programas e projetos de pesquisa,atravs de planos regionais, nos quais participem suas unidades operati-vas e demais instituies que atuam na rea.8. A Embrapa no descuidar dos modernos mecanismos da informao edocumentao cientfica existentes no pas e no exterior. Estar, sempre,atenta identificao e intercmbio das inovaes cientficas e tecnolgi-cas que se produzem entre nossas instituies e nos centros internacionaisde pesquisa agropecuria.As diretrizes anunciadas no esgotavam o que a Embrapa pretendiaadotar na sua plataforma de trabalho. Era oportuno ampliar as intenesda Diretoria e que se tornassem transparentes as aes planejadas paraexecuo imediata. Essas aes objetivavam cumprir um cronograma detrabalho orientador dos primeiros passos da Instituio. Nessas condies,foram alinhadas algumas idias como a difuso imediata dos resultados depesquisas mais importantes realizadas no mbito da atividade agropecuria,aps um completo inventrio das tecnologias disponveis; a anlise e priori-zao da execuo de projetos estratgicos para o pas, alm de incentivode atividades de pesquisa na Regio Amaznica, no Nordeste e nas zonasde Cerrados. Assumia-se, assim, o compromisso para a tarefa de desenvolvi-mento da Amaznia, do Nordeste e do Centro-Oeste Brasileiro.Outras grandes aes previstas foram o apoio gerao de tecnologiasapropriadas s necessidades dos pequenos e mdios produtores ruraisdedicados agricultura de subsistncia; a promoo de pesquisas geradorasde tecnologias capazes de aumentar o uso da mo-de-obra no campo; o apoio realizao do Plano Nacional Integrado de Tecnologia de Alimentos; odesenvolvimento de projetos regionais de pesquisa econmico-socialaplicada ao setor agropecurio nas reas de maior expresso econmica; aarticulao com os rgos de fomento ao desenvolvimento do Brasil, paradar-lhes apoio tcnico necessrio na formulao e anlise de projetos; alm domelhor aproveitamento da assistncia tcnica internacional, especialmentesol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 3132dos pases de agricultura desenvolvida e Centros Internacionais deInvestigao Agropecuria.Alm dessas atividades, julgou-se apropriado que a Embrapa concen-trasse esforos no sentido de realizar intenso trabalho de pr-inverso como propsito de formular projetos especficos que pudessem captar recursostcnico-financeiros de organismos nacionais e internacionais e realizar umprograma de treinamento de pessoal, abrangendo cursos de ps-graduaono pas e exterior, cursos e seminrios de tipo operativo para programao,administrao e execuo de projetos. A idia era a de envolver, de imediato,cerca de mil participantes com formao profissional de nvel universitrio emcapacitao ps-graduada. Esse programa e outras atividades de assistnciatcnica contariam com o apoio da Finep.Essas diretrizes e aes foram anunciadas como um compromisso dosDiretores junto ao Ministro Cirne Lima e sociedade brasileira. Dessaforma, conclu o meu pronunciamento, assim:Ambicioso, sem dvida, ser implantar esta Empresa e realizar o seu programa.Tudo indica que teremos uma tarefa difcil e penosa pela frente. Nada maisfascinante, entretanto, para esta gerao de administradores, de tcnicos e cientis-tas, de lderes do setor privado, dos produtores e de trabalhadores, do que esta missode construir e desenvolver uma Instituio como esta Empresa que apie umaagricultura, a um s tempo, moderna e eficiente e instrumento de justia e pro-gresso social. H, por toda parte, um desafio para novas atitudes, mentalidade eaes que enfrentem o crescimento urbano brasileiro, os defeitos da estruturaagrria, o aumento da produo, a produtividade e o incremento das nossas expor-taes. A equipe que assume a Direo desta Empresa, com a colaborao de todos,o apoio e orientao deste jovem Ministro da Agricultura, aceita este desafio.A trajetria percorrida, nos ltimos 32 anos, confirma que as diretrizespropostas e anunciadas em 26 de abril de 1973 foram, em grande medida,observadas pelo seu corpo dirigente, tcnico e administrativo. Cirne Limacom um discurso enxuto e claro, como era do seu estilo, afirmou:sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 32Sol da manh: memria da EMBRAPA33Logo que assumi o Ministrio da Agricultura, percebi a necessidade de darateno e prioridade s atividades de pesquisa agropecuria. Os instrumentosde fomento s atividades do campo estavam sendo mobilizados para que osetor pudesse oferecer uma contribuio significativa ao aumento da produo,com vistas ao consumo interno e s exportaes. A investigao agropecuriae a extenso rural de mos dadas sero elementos decisivos na execuo dapoltica agrcola do Governo.Tomada a deciso poltica de criar a nova Instituio contou o Ministro:Solicitei a um grupo de especialistas a realizao dos estudos necessrios quepermitissem promover uma reforma capaz de superar os problemas existentes noMinistrio. Os membros da Diretoria, empossados no dia de hoje, que ajudarama formular a proposta de criao da Embrapa tero, a partir de agora, adifcil tarefa de implantar as transformaes contidas na legislao aprovada.Cirne Lima aproveitou a oportunidade para enfatizar aspectosimportantes da misso da Direo da nova Empresa: trabalho em equipe,articulao com a poltica de desenvolvimento econmico e agrcola,parceria com os estados e com o ensino de cincias agrrias, ademais dotrabalho direto com os produtores e suas organizaes. Destacou, porfim, a necessidade da cooperao internacional. Agradeceu a todos.Exortou: mos obra!Terminada a solenidade, convoquei, em seguida, a primeira reunio daDiretoria Executiva. Fomos nos encontrar em uma sala de quarenta metrosquadrados, no oitavo andar do edifcio do Ministrio da Agricultura, naEsplanada dos Ministrios. Esse local foi considerado a primeira sede daEmbrapa. O primeiro encontro oficial da Diretoria Executiva contou coma participao do engenheiro agrnomo, Francisco Tarcsio Ges deOliveira (primeiro funcionrio nomeado pela Presidncia da Embrapa), con-vidado para as funes de Comunicador Social, e do economista Levy CastroPinto, que viria a assumir o cargo de primeiro Superintendente da casa.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 3334Estvamos, ainda, os diretores, emocionados com o sucesso da instalaono Braslia Palace Hotel, mas tnhamos que trabalhar. Havia necessidade deorganizar as idias que pudessem nos ajudar no comeo das decises execu-tivas. A Embrapa uma Instituio basicamente presidencialista. Entretanto,quela poca, mais do que nunca, tornava-se absolutamente necessrio tra-balhar em equipe, a fim de harmonizar as idias de cada Diretor, compati-biliz-las e enfrentar os desafios da implantao de uma Instituio quenascia de uma reforma profunda, complexa e por que no dizer, radical.Inicialmente, com o intuito de racionalizar as tarefas foram atribudas aoDiretor, Edmundo Gastal, as atividades de natureza financeira e administra-tiva. A Eliseu Alves, as questes relacionadas com os recursos humanos einformatizao. A Roberto Meirelles, os aspectos tcnicos e assuntos ligadosao Departamento Nacional de Pesquisa Agropecuria DNPEA. Estavaassim, disposta, a situao com a qual teramos de enfrentar os prximosdias e meses. Durante toda a tarde do dia 26 de abril dedicamo-nos a debateruma pauta dos futuros trabalhos, que foi sintetizada nas seguintes aes: Elaborao, imediata, de um Plano que viesse definir uma poltica derecursos humanos, compreendendo os critrios para aproveitamento dosfuncionrios do DNPEA e proposta de seleo e treinamento de novospesquisadores a serem contratados; Seleo dos responsveis pelas reas administrativas (pessoal de chefias); Mobilizao dos recursos financeiros, definio das despesas e custosiniciais de implantao; Busca de um novo local adequado para a sede da Empresa; Definio de providncias para regularizao do vasto patrimnio queestvamos recebendo do DNPEA Ministrio da Agricultura; Aproveitamento dos resultados dos projetos de pesquisa executados peloDNPEA Ministrio da Agriculturasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 342A HISTRIA DO LIVRO PRETOsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 3536Reunio com o Dr. Jos Emlio Gonalves de Arajo, Diretor Geral do Instituto Interamericano de Cooperao para a Agricultura IICA, ( esquerda)sobre a cooperao do Instituto na formao do Grupo de Trabalho quepreparou o Relatrio Sugestes para um Sistema de Pesquisa Agropecuria, chamado de Livro Preto.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 36Sol da manh: memria da EMBRAPA37o incio de 1972, regressei ao Brasil aps sete anos de permanncia emWashington, Estados Unidos, onde exerci a partir de 1964, as funes deDiretor do Comit Interamericano de Desenvolvimento Agrcola Cida.Logo a seguir, assumi a Chefia da rea de agricultura do Banco Intera-mericano de Desenvolvimento BID.Em abril de 1964, o Diretor do Cida era o economista chileno HugoTrivelli, que passou a exercer as funes de Ministro da Agricultura dorecm-eleito Presidente, Eduardo Frei. A misso estratgica do Cida foidefinida, em Punta Del Este, Uruguai, lanando as bases de uma reformaagrria democrtica e as condies essenciais para o desenvolvimento deuma agricultura moderna e eficiente para a Amrica Latina e regio doCaribe. A histrica reunio de Punta Del Leste, proposta do Presidente J.Kennedy, criou a Aliana para o Progresso. Ao evento compareci comodelegado brasileiro, poca do Presidente Jnio Quadros. Realizamosvrios estudos sobre a investigao agropecuria na Amrica Latina, quandoaprendi muito sobre o tema de pesquisa agrcola.Na volta ao pas fui encarregado de chefiar o Instituto Interamericanode Cooperao para a Agricultura - IICA, em Braslia. Por dever do ofcio,meu primeiro contato oficial foi com o Ministro da Agricultura LuizFernando Cirne Lima, a fim de consult-lo sobre que tipo de cooperaotcnica e, em que rea, gostaria de receber apoio do IICA. Aps algumasconsideraes, o Ministro assinalou que as orientaes que estavaadotando frente do Ministrio eram de atribuir prioridade s atividadesdas commodities tradicionais: caf, algodo, cana e cacau. Destacava,entretanto, a necessidade do fomento da produo de gros, da fruticultura edo desenvolvimento florestal. Acrescentou, ainda, o apoio produoNsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 3738animal. Afirmou que para assessor-lo nessas questes contava com umgrupo de tcnicos que cuidava dos aspectos econmicos da produo,como: crdito, preos mnimos, comercializao, chefiados por Ivan Cajueiroe, com o apoio de tcnicos do Sistema de Extenso Rural conduzido pelaAssociao Brasileira de Crdito e Assistncia Rural Abcar, chefiada porAlosio Campello.A grande preocupao do Ministro, nesse contexto, concentrava-se,entretanto, no sistema de pesquisa do Ministrio, dadas as conhecidas e sriaslimitaes de natureza institucional e operativa do setor. Os Servios de Extenso,executados por um modelo essencialmente privado, contrastava com os tra-balhos de pesquisa vinculados s exigncias do servio pblico burocrtico econservador. Nessas condies, o Ministro fazia uma opo clara por receberassessoria na rea da investigao agropecuria, o que concordei de pronto.Cirne Lima, apesar de sua juventude, atuava como um homem prtico ede uma lucidez impressionante. O dilogo foi conduzido com muito prag-matismo. De imediato, fez uma proposta concreta: gostaria que o IICApudesse concentrar suas prioridades em colaborar na reformulao dosservios de pesquisa agrcola do Ministrio. S que o assunto era de extremaurgncia. Indagou-me se aceitaria participar de um esforo concentradopara estudar uma proposta e apresent-la em curtssimo prazo. O Depar-tamento Nacional de Pesquisa Agropecuria DNPEA, rgo doMinistrio, teria de integrar esse estudo. No podemos adiar esta medida.Concluiu o ministro: o ambiente est favorvel e a situao madura.Contou Cirne Lima, que na Abcar, um grupo de tcnicos liderado porAlosio Campello, vinha discutindo, com muita seriedade, temas sobrepoltica agrcola brasileira, incluindo as atividades da pesquisa agrcola.Vrias idias lhes eram transmitidas na linha de uma reformulao concei-tual, mas era indispensvel dar formato e objetividade a elas. O grupo bsicoreunido na Abcar, alm de Alosio Campello, contava com a colaboraode Eliseu Roberto de Andrade Alves, Jos Pastore, Carlos Langoni, AfonsoGuilherme, Luiz Fonseca, Renato Simplcio Lopes e Paulo Roberto. As dis-cusses do grupo concentravam-se na anlise da situao da agriculturasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 38Sol da manh: memria da EMBRAPA39brasileira e quais as principais causas do seu atraso. A contribuio desses tc-nicos foi til para que o Ministro Cirne Lima viesse a consolidar sua posioem favor da reforma da pesquisa agrcola nacional. Ele era consciente dissoe tinha suas prprias opinies a respeito da necessidade de uma reforma napesquisa agropecuria, em particular do Ministrio da Agricultura.O Ministro Cirne Lima afirmou que, h poucos meses, solicitara ao Dr.Roberto Meirelles, Diretor Geral do DNPEA, a realizao de uma reuniocom a representao das instituies federais e estaduais que trabalhavamcom pesquisa agrcola. O comparecimento ao encontro foi muito bom,com a presena de dirigentes, lideranas e pesquisadores dos Ministrios edos Governos Estaduais, incluindo-se os da rea acadmica e setor privado.O atendimento ao evento foi de tal maneira completo que os debates serealizaram nos sales de um cinema de Braslia.Das exposies e debates do encontro ressaltaram alguns pontos quemereceram destaque, tais como o reconhecimento da duplicao de ativi-dades realizadas pelas diferentes entidades e servios e a falta, geralmenteidentificada, de pesquisadores qualificados, frente tarefa e ao papel dainvestigao na modernizao e crescimento sustentado da agriculturanacional. Por outro lado, naquela poca, criavam-se os Centros Internacionaisde Pesquisa em vrias regies do mundo e era lanada a Revoluo Verdepor Norman Borlaug, Prmio Nobel da Paz em 1970. Por outro lado,Teodoro William Schull, economista PhD da Universidade de Chicagoque, em 1979 recebeu o Prmio Nobel de Economia, liderava uma firmee consistente posio de que s uma pesquisa agrcola eficiente poderiaassegurar uma agricultura competitiva e sustentada.Ficou ento decidido, na conversa com o Ministro, a criao de umGrupo de Trabalho para, no prazo de trinta dias, realizar o estudo e apre-sentar uma proposta destinada a reformular as polticas e procedimentosconceituais e operativos da pesquisa agrcola nacional. Com ampla viso,objetividade e pragmatismo, Cirne Lima decidiu confiar-me essa misso,solicitando que fosse escolhida uma pessoa do Ministrio para atuar comocontrapartida nos trabalhos do Grupo. Escolhi o engenheiro agrnomosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 3940Otto Lyra Schrader, Diretor da Diviso de Pesquisa Fitotcnica doDNPEA, tcnico com mestrado nos Estados Unidos e professor daUniversidade Rural do Rio de Janeiro. Foi selecionada a pessoa talhadapara o trabalho:, Dr. Otto atuava em harmonia e possua um tempera-mento sereno e moderador. Era, sobretudo, respeitado pelos seus colegasdo Ministrio. A Portaria n 143, de 18 de abril de 1972, que designa Otto LyraSchrader, Diretor da Diviso de Pesquisa Fitotcnica, do DNPEA Ministrio da Agricultura e Jos Irineu Cabral do Instituto Interameri-cano de Cooperao para a Agricultura IICA, para constiturem o Grupode Trabalho responsvel pelas propostas que teriam como resultado acriao da futura Instituio, pelo seu contedo histrico e pela naturezado mandato que estabelecia a Portaria est transcrita no Anexo N 02desta Memria.Esse Grupo ficou diretamente ligado ao Gabinete do Ministro, com plenospoderes para consultar autoridades, visitar instituies de pesquisa, convocarassessores, requisitar auxiliares e teve o prazo de trinta dias para o cumpri-mento da misso que lhe foi determinada.No h a menor dvida de que a deciso de criar o Grupo de Trabalho,dando-lhe amplos poderes e delegao para elaborar os estudos e pro-postas constituiu-se no passo decisivo para criao da Embrapa.Os trabalhos contavam com firme e clara disposio poltica do Governo.J no dia seguinte publicao do ato oficial, consegui a adeso do IICA,com autorizao do seu Diretor Geral, Dr. Jos Emlio Gonalves de Arajo,para mobilizar assessores e especialistas na rea de cincia e tecnologia dosetor agrcola e as facilidades que fossem necessrias s tarefas do Grupo.O Chefe da Assessoria Econmica do Ministrio da Agricultura, IvanCajueiro, ficou como ligao com o Gabinete do Ministro. Para que secumprisse o prazo de trinta dias foi, rigorosamente, necessrio trabalhodiuturno, cumprindo-se uma metodologia que exigiu muita disciplina,dedicao, senso de responsabilidade e, por que no dizer, competncia daequipe encarregada da reforma.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 40Sol da manh: memria da EMBRAPA41O primeiro passo do Grupo foi realizar um diagnstico indicandoalguns aspectos relevantes da situao em que se encontrava a pesquisaagrcola do Ministrio da Agricultura. Foram destacados alguns aspectospositivos e pontos de estrangulamento, tais como a fragilidade institucionaldo sistema, o distanciamento do setor privado, o excesso de centralizaoda Direo Geral de alguns Institutos Regionais, a escassez de recursosfinanceiros e, particularmente, a falta de pessoal de liderana e limitadonmero de profissionais de nvel superior com formao especializada etreinamento de ps-graduao. poca, o nmero de pesquisadoresagrcolas de todo o pas limitava-se a 1.920, enquanto nos Servios deExtenso e Assistncia Tcnica Rural alcanava 2.418. Acrescente-se que dos 851 tcnicos do DNPEA Ministrio da Agricultura, apenas93 pesquisadores (ou seja, 10,9%) tinham curso de ps-graduao.Como o tema de pessoal considerava-se crucial, o Grupo sintetizou seurelatrio, demonstrando a inexistncia de uma poltica salarial que permi-tisse ao atual sistema federal de pesquisa agropecuria, da poca, competirno mercado de trabalho, tanto com organismos regionais de pesquisa,como com outras instituies de desenvolvimento, especialmente as dosetor privado ou da administrao indireta.Quanto aos aspectos financeiros, fez-se uma anlise acurada da situao.Sem dinheiro suficiente para as necessidades da pesquisa, dificilmente oMinistrio poderia oferecer uma contribuio significativa para o incrementoda produo nacional. O relatrio indica a posio da equipe, mostrandoa ineficincia na captao e utilizao dos recursos financeiros, at aquelemomento, para a pesquisa agrcola.Alm das limitaes nessa rea, foram identificados outros problemascontidos no relatrio como o subaproveitamento da estrutura fsica da redenacional de institutos, estaes experimentais e laboratrios e a pouca utiliza-o da transferncia de conhecimento, com o subaproveitamento dasconquistas cientficas e tecnolgicas, obtidas em outros pases.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 4142O Relatrio Final do Grupo de Trabalho, denominado Sugestes paraa Formulao de um Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuria, passou aser chamado de Livro Preto, pois tinha uma capa de cartolina negra. Foia nica cor que a Secretria Yonice Venncio encontrou na hora deencadern-lo. Ressalto, aqui, que este relatrio histrico deveria ter sidopublicado completo pela Embrapa, como parte da Memria da Instituio.O chamado Livro Preto transformou-se em um relatrio estratgicopara justificar e apoiar as decises governamentais no processo de reformu-lao da pesquisa agrcola brasileira. A equipe encarregada de sua elabo-rao no se limitou, apenas, a produzir um excelente diagnstico daprecria situao do sistema de pesquisa no pas. Com a contribuiointelectual de Edmundo Gastal, Eduardo Bello, Eliseu Alves, Jos Pastore,Francisco Arinos e a minha coordenao e do Dr Otto, foram preparadoscaptulos especiais destinados a alimentar as propostas jurdicas, conceitu-ais, metodolgicas e operativas, apresentadas ao Governo. Esses captulostrataram de fundamentar os conceitos e princpios bsicos da pesquisaagropecuria e que deveriam nortear as futuras aes da nova Empresa.Pea fundamental nesse trabalho foi a atuao do Dr. Paulo TeixeiraDemoro, que deu suporte jurdico as propostas legais do Grupo.O segmento de diagnstico, conceitos, fundamentos e princpiosbsicos passou a ser uma espcie de bblia para os futuros trabalhos. Nessalinha, os projetos de pesquisa deveriam ser elaborados com base na seleode estritas prioridades e, para isso, tornava-se necessrio um sistemade planejamento participativo e eficiente. O princpio da transfernciade tecnologia e o relacionamento da pesquisa com o Sistema Nacionalde Cincia e Tecnologia passariam a ser uma importante referncia namontagem da nova estrutura de pesquisa. Os princpios de flexibilidadeadministrativa e da disseminao do conhecimento, assim como a inter-disciplinaridade tcnica seriam elementos essenciais na orientao daimplantao da reforma.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 42Sol da manh: memria da EMBRAPA43Conselheiro da Embrapa, Ministro Maurcio Rangel Reis, (centro) acompanhadodo Dr. Otto Lyra Schrader, Eliseu Alves e Roberto MeirelesPrimeira entrega do Prmio Frederico Menezes Veiga.Dr. Ursulino Veloso, criador de variedades de algodo para o Nordestesol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 4344Diretor do Centro Internacional de Agricultura Tropical Cali, Colmbia,visita Embrapa, Braslia/DFAbertura da Sala de Reunio na Embrapa Sede. Homenagem ao Dr. lvaroBarcellos Fagundes, um dos primeiros brasileiros, PHD, no campo da agriculturasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 44Sol da manh: memria da EMBRAPA45Examinados os principais obstculos que, poca, dificultavam a exe-cuo das atividades da pesquisa agropecuria, especialmente no mbito doMinistrio da Agricultura, chegou-se concluso sobre a necessidade deque o Governo, com a maior urgncia, adotasse medidas que viessem apromover uma profunda reformulao institucional e operativa doSistema de ento.Essa reviso institucional objetivava principalmente:a. Ajustar a pesquisa agropecuria aos objetivos e metas centrais doGoverno previstos no Plano de Desenvolvimento Econmico e Social e,em forma particular, s prioridades da poltica agrcola;b. Organizar o sistema setorial da pesquisa agrcola em conformidade coma orientao geral emanada do ato do Governo que criou um mecanis-mo nacional de promoo e apoio ao desenvolvimento da cincia e tec-nologia (Decreto 70.553 de 17 de maio de 1972);c. Proporcionar os meios e instrumentos indispensveis para que apesquisa exercesse suas atividades em forma mais eficiente e expedita;d. Criar um mecanismo de capacitao e manejo de recursos financeirosque possibilitasse ampliar, em forma considervel, as atividades depesquisa e dar-lhes a flexibilidade e dinamismo de que necessitaria paracumprir, eficientemente, seus objetivos;e. Estabelecer as condies propcias para estimular e consolidar a coorde-nao entre os diferentes setores que realizam pesquisa agropecuria;f. Estabelecer os vnculos de coordenao em forma estvel, entre a pesquisae os mais importantes organismos do setor pblico, que promovesse odesenvolvimento agrcola, especialmente os de assistncia tcnica, definanciamento e de comercializao;g. Mobilizar a participao e o apoio do setor privado (indstrias, produtoresorganizados) na realizao da pesquisa agropecuria;h. Proporcionar as medidas que assegurassem um processo sistemticoe contnuo de programao das atividades da pesquisa com o controle eavaliao dos seus resultados;sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 4546i. Estabelecer as polticas nacionais para a pesquisa setorial e assegurar aexecuo de programas e projetos de impacto no processo produtivo daagricultura, mediante a execuo descentralizada com o emprego mximodos recursos j existentes nas distintas regies;j. Criar as condies essenciais para que, por sua eficincia e resultados, apesquisa agrcola adquira importncia, prestgio e reconhecimento atual-mente observados em outros setores cientficos e tecnolgicos dodesenvolvimento nacional.Uma anlise cuidadosa das realizaes e do funcionamento do entoSistema Federal da Pesquisa Agropecuria indicou, claramente, que omecanismo institucional no atendia s necessidades nacionais com vistas expanso e melhoria da eficincia dessa importante atividade, por defi-cincia de instrumentos flexveis e geis para a sua execuo.Estudadas vrias alternativas, chegou-se concluso de que a reformu-lao institucional da atividade de pesquisa agropecuria do Ministrio daAgricultura teria que optar por uma das seguintes formas:a. A primeira, a mais frgil e vulnervel, trataria de dinamizar as aes doDNPEA, com a estrutura e organizao vigentes, mediante um DecretoPresidencial dando-lhe os elementos operativos de que necessitava paraseu funcionamento. Neste sentido, o Ministrio da Agricultura j con-tava com uma proposta com a qual se buscava imprimir, ao DNPEA, aflexibilidade indispensvel a fim de alcanar seus objetivos. Essa propos-ta mantinha o DNPEA operando como rgo da administrao direta.b. A segunda, criaria uma Empresa Pblica, de acordo com a legislao emvigor, como rgo vinculado ao Ministrio da Agricultura para promovere executar atividades de pesquisa agropecuria. A indicao dessa alter-nativa fundamentou-se na idia de que esse tipo de Instituio, pelos seusprprios fundamentos legais rgo da administrao indireta contariasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 46Sol da manh: memria da EMBRAPA47com as condies essenciais e intrnsecas para dar flexibilidade, eficinciae autonomia, especialmente queles aspectos relacionados com a captaoe manejo de recursos financeiros e humanos.O Grupo chamou a ateno para o fato de que a orientao do Governoera a de buscar solues institucionais eficientes para setores importantes dodesenvolvimento nacional, mediante a transformao de certas autarquiasem empresas da administrao indireta. O BNDES e a Petrobras foramexemplos citados, alm da prpria criao das empresas e companhias deeconomia mista no campo da pesquisa nuclear e de minerais que apon-tavam novas formas de superar a situao de atraso desses setores.O relatrio do Grupo de Trabalho estendeu-se, ainda, sobre aspectosrelevantes que deveriam ser considerados pelo novo Modelo, tais como acrucial questo da disponibilidade de recursos financeiros para financiar osprogramas e projetos.Alguns colaboradores do Grupo dedicaram ateno especial s questesde planejamento. Foi includo um captulo no Relatrio, que tratou de sugerirum esquema de programao para o novo Sistema. A implantao dos meca-nismos de programao sugeridos deveriam realizar-se em um processo pro-gressivo de tal forma que apresentasse flexibilidade suficiente para permitiros ajustes necessrios na sua implantao. A proposta recomendada indicou,em uma metodologia de trabalho que contemplava a elaborao de PlanosNacionais, Regionais e Locais. Ofereceu, por lado, sugestes de articulaoentre os diferentes nveis federais e estaduais das instituies de pesquisa ea participao do setor privado. O relatrio apresentou grficos com ofluxograma da programao e esquemas dos nveis de planejamento.O relato no chamado Livro Preto conclui por apresentar algumasimportantes recomendaes especiais, tidas como indispensveis para asse-gurar o xito da implantao do novo Modelo. Destacam-se, entre outras,as recomendaes de implantao do Sistema para priorizar e dinamizar asatividades desenvolvidas pelos rgos e instituies que executam pesquisasagropecurias no pas.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 4748O Relatrio termina com a apresentao das opes dos instrumentosadministrativos e legais que viriam a dar, posteriormente, sustentao criaoda Embrapa. Foi, afinal, apresentada a minuta com sugestes para criaoda Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria - Embrapa, aprovada peloExecutivo. Extensa e qualificada bibliografia foi apresentada. O Relatriodo Livro Preto, elaborado em trinta dias, demonstrou seriedade, compe-tncia e grande senso de responsabilidade.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 483PREPAREM OS ATOSCRIANDO A EMBRAPAsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 4950O advogado Paulo Teixeira Demoro, que preparou os atos legais de fundao e implantao da Embrapa, acompanhado do presidente da Empresa J. Irineu Cabralsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 50Sol da manh: memria da EMBRAPA51Ministro Cirne Lima teve conhecimento de que o Grupo de Trabalhoterminara seu relatrio propondo as medidas da reforma das atividades depesquisa do Ministrio da Agricultura. Prontamente, fui convidado para,no dia seguinte, expor os resultados dos trabalhos. O Ministro reservou trsmanhs seguidas para conhecer, debater e decidir sobre as recomendaesapresentadas. Estvamos bem preparados para a apresentao. A Abcarnos ajudara com auxlios visuais, grficos, tabelas e transparncias, facilitandomuito a compreenso de cada captulo do chamado Livro Preto. CirneLima escutou, pacientemente e com ateno, as nossas explanaes. Deixoua ltima manh para perguntas, esclarecimentos e dvidas. Satisfeito comos debates tomou uma deciso final: preparao dos atos que fossemnecessrios constituio da nova Empresa, com prioridade Exposiode Motivos ao Presidente da Repblica acompanhada de Projeto de Lei. A Exposio de Motivos sob o n. 187 foi enviada ao Presidente EmlioGarrastazu Mdici, no dia 21 de setembro de 1972, assinada pelo MinistroLuiz Fernando Cirne Lima e pelo Ministro do Planejamento Joo Paulo dosReis Veloso propondo a criao da Empresa Brasileira de Pesquisa Agro-pecuria Embrapa. A proposta era amplamente justificada com argu-mentos de natureza institucional e jurdica, enfatizando, sobretudo, anecessidade das transformaes requeridas pela agricultura brasileira. Odocumento mostrava como a agricultura no Brasil continuava organizada,em grande parte, de forma tradicional, apresentando, conseqentemente,grandes distores e afastando as possibilidades de se aumentar a produtivi-dade no setor, com o emprego de novas tcnicas. A proposta manifestou as intenes do Governo em estabelecer umapoltica que permitisse um processo contnuo e firme de desenvolvimento doOsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 5152setor agropecurio, propiciando estmulos, a curto prazo, visando recuperao imediata de reas e setores menos dinmicos, ao mesmo tempoem que se preparava a infra-estrutura fsica e institucional para apoiaras medidas de longo alcance necessrias para a finalidade a que sepropunha.Para melhor orientar a ao do Governo nesse campo, a Exposio deMotivos, apresenta como proposta a determinao da realizao de umcuidadoso estudo para identificar os principais pontos de estrangulamento dapesquisa agrcola, com o fim de indicar, de forma responsvel, as medidasindispensveis dinamizao da agropecuria brasileira.Depois de examinados os principais obstculos que, poca da criao daEmbrapa, dificultavam a execuo das atividades da pesquisa agropecuria,especialmente no mbito do Ministrio da Agricultura, chegou-se con-cluso sobre a necessidade da adoo de medidas que promovessem umaprofunda reformulao institucional e operativa do atual sistema.No Palcio do Planalto, a Exposio de Motivos n 187 e o Projeto deLei foram analisados pelo Ministro da Casa Civil, Leito de Abreu e peloSubchefe, o advogado gacho, Dr. Walmor Franke. Recebi instrues deCirne Lima para prestar todas as informaes que fossem necessrias, a fimde realizar os estudos indispensveis, de tal maneira que a proposta fosseencaminhada, rapidamente, ao Congresso.Alguns ajustes foram feitos, especialmente, no que se refere ao capital daEmpresa e constituio dos seus recursos financeiros. Esses temas eramde crucial importncia para o futuro da nova Instituio. Alm de outrasfontes, o Grupo de Trabalho sugeriu, a exemplo do que acontecia com oInstituto Nacional de Tecnologia Agropecuria da Argentina Inta, a cri-ao de uma taxa de dois por cento sobre as exportaes de produtosagropecurios brasileiros. Isso a tornaria a uma empresa slida e consis-tente, capaz de assumir a importante misso de produzir uma revoluona produo agropecuria. A propsito, procurei, pessoalmente, o MinistroReis Veloso em uma longa conversa que tivemos em um almoo na Casa daSua no Bairro da Glria, Rio de Janeiro, e ofereci todos os argumentossol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 52Sol da manh: memria da EMBRAPA53disponveis no sentido de que a nova Empresa no dependesse, basicamente,da transferncia de recursos do Oramento da Unio.As consultas ao Ministro da Fazenda, Dr. Antnio Delfim Netto,resultaram que no seria oportuno, naquele momento, usar essa opo definanciar a Embrapa com recursos do prprio setor produtivo com umataxa sobre as exportaes. Da porque as fontes de apoio financeiro, criadaspor Lei, para sustentao da nova Empresa, teriam que ser provenientes devrias origens institucionais, principalmente, de natureza governamental.Essa deciso, entretanto, no significou nenhuma ameaa s atividadesfuturas, pelo menos nos seus primeiros quinze anos de vida.Comuniquei a deciso ao Ministro Cirne Lima, que me afirmou tex-tualmente:A esta altura no podemos recuar, nem adiar o processo de criao da novaEmpresa. Vamos em frente, pois estou seguro que, com a criao da Embrapa e osseus resultados, os recursos financeiros que forem necessrios para sua susten-tao certamente viro de outras fontes interessadas no desenvolvimento daagricultura brasileira Os recursos externos provenientes dos bancos Mundial e Interameri-cano, acrescidos do Oramento Federal e de diversos programas especiaisatenderam s necessidades bsicas de recursos para a implantao daEmbrapa, em particular, o recrutamento dos pesquisadores, seu treina-mento, as novas construes das unidades de pesquisa, os laboratrios,campos experimentais e consultorias tcnicas. Os salrios do pessoal de apoioe dos pesquisadores foram atendidos com recursos do Tesouro Nacional.A proposta do Governo foi encaminhada ao Congresso Nacional. Emseguida aprovada, por decurso de prazo, atravs da Lei n. 5.851 de 7 dedezembro de 1972. O Poder Executivo teria de expedir os Estatutos daEmpresa no prazo de sessenta dias contados da publicao da Lei, e oDecreto que aprovasse os Estatutos fixaria a data da instalao, que foimarcada para 26 de abril de 1973. No perodo que decorreu, entre asol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 5354deciso do Governo e a instalao da Empresa, a nossa equipe atuou,intensamente, sem descanso, elaborando uma seqncia de atos e documen-tos importantes e decisivos.Antes da instalao, o Ministro da Agricultura teria que levar ao Presi-dente da Repblica os nomes que formariam a Diretoria Executiva: oPresidente e trs Diretores Executivos. Foram sugeridos para a Presidnciaos nomes de Jos Pastore, Glauco Olinger e Ney Bittencourt de Arajo. OMinistro convidou-me ao seu Gabinete. Informou que tinha necessi-dade de formalizar com urgncia, a escolha dos nomes que iriam compor ocomando da Embrapa. Pensou bem e chegou concluso de que o melhornome seria o meu. E justificou: apoiando-se no meu engajamento comas questes da pesquisa agrcola do Ministrio da Agricultura, comoex-Diretor Executivo do Sistema Brasileiro de Extenso Rural Abcar eCoordenador do Grupo de Trabalho que acabava de realizar os estudos ea proposta de criao da Embrapa. Alm do mais, contava com asexperincias internacionais no Cida, BID e IICA, e o meu tempera-mento moderador. Por fim, a capacidade executiva indispensvelpara o cumprimento de uma misso complexa e difcil que se teria deenfrentar. Aleguei que no era engenheiro agrnomo e, muito menos, pesquisador.Apesar de ttulos de economista e bacharel em Cincias Jurdicas e Sociais,no me sentia vontade para aceitar o convite. De outra parte, teria que sersolucionado algum arranjo legal-administrativo para que pudesse licenciar-me do cargo de Diretor do IICA no Brasil. Cirne Lima convenceu-me, comforte justificativa, sobre a honra de ocupar as funes de Primeiro Presidenteda Embrapa e, mais do que tudo, a oportunidade de contribuir e participarda jornada que se antecipava brilhante e nica, qual seja a reforma dosistema de investigao agropecuria e, por via de conseqncia, as trans-formaes da agricultura nacional. Encontrou sada para tudo.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 54Sol da manh: memria da EMBRAPA55Reunio de Grupo de Assessores da Embrapa, presidida por Ivan CajueiroJohanna Dboreiner, a extraordinria pesquisadora da Embrapa:bactrias fixadoras de nitrogniosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 5556J. Irineu Cabral acompanhado do seu Chefe de Gabinete, Lus Carlos Guedes Pinto,discute Planos de Trabalho com a equipe de informtica da Embrapa, Braslia/DFPresidente J. Irineu Cabral recebe delegao estrangeira interessada em conhecer a experincia do Modelo Embrapasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 56Sol da manh: memria da EMBRAPA57O Doutor Joo Mendes, Presidente da Associao Nacional dosEngenheiros Agrnomos, me telefonou informando que enviaria ao Pre-sidente da Repblica um protesto, mas fez uma observao: estou fazendoisto por dever de ofcio, mas voc tem experincia e curriculum paraassumir a nova Empresa.Convite feito e aceito, passamos a considerar a escolha dos Diretores,deixando-me o Ministro, com total liberdade de escolha. O primeiro nomeque me ocorreu foi o de Eliseu Roberto de Andrade Alves, economista comDoutorado na Universidade de Purdue USA, mineiro e procedente daAssociao de Crdito e Assistncia Rural Acar, de Minas Gerais.Ademais, Eliseu, era um defensor da reforma e sua contribuio ao Grupode Trabalho foi fundamental.Em seguida, pareceu-me apropriado incluir o nome do engenheiroagrnomo Edmundo da Fontoura Gastal, gacho e com Mestrado emEconomia e Administrao Rural em Viosa, Minas Gerais. Pertenceu,tambm, aos quadros dos Servios de Extenso do Rio Grande do Sul,Associao Sulina de Crdito e Assistncia Rural Ascar-RS e na ocasio,trabalhava como Consultor dos Servios de Pesquisa do Uruguai, com sedeno famoso Centro de Investigao Agrcola La Estanzuela. Participoutambm, ativamente, dos estudos do Grupo de Trabalho e da proposta dareforma, oferecendo valiosa contribuio. Em relao ao terceiro nome,Cirne Lima pediu-me que conversasse com o Secretrio Geral do Ministrio,Dr. Ezelino Alonso de Arajo Arteche. A conversa girou em torno da neces-sidade de no deixar de fora da Diretoria a participao de um representantedo Ministrio da Agricultura. O argumento era de que isso iria facilitar muito,pelo menos no incio, as decises da nova Empresa e, ao mesmo tempo,amortecer as fortes reaes do corpo tcnico do Ministrio (DNPEA). OSecretrio Geral tratou de me motivar e convenceu-me afinal no sentido deaceitar uma deciso conciliatria. Lembrou o nome do Professor RobertoMeirelles de Miranda para as funes de terceiro Diretor. Na ocasio,ponderei que seria extremamente desagradvel, se no seio do colegiadoda Embrapa, no momento estratgico de sua implantao, houvesse umasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 5758voz que no aceitasse as diretrizes estabelecidas na reforma. Em razo doempenho do Secretrio Geral e do prprio Ministro a sugesto foi aceita. ODr. Meirelles, um homem de qualidades tcnicas como zootecnista comps-graduao de Doutorado passou a integrar a nossa primeira Diretoria.Afinal, tratava-se de pessoa de excepcional carter e que assumiu o compro-misso de aderir, inquestionavelmente, s decises ideolgicas e operativasdo colegiado da Embrapa. Estava claro que precisvamos de lealdade ecoeso do comando da Empresa.Formada a tripulao, e com o mandato delegado pelo Ministro e Presidenteda Repblica nos lanamos, de corpo e alma, realizao do desafio deconstruir a nova Instituio, pedra sobre pedra. Para ns, iniciava-se umalonga, dura e ousada caminhada. Uma utopia engendrada em nossas cons-cincias. Uma saga que iria revolucionar os padres da administrao pblicabrasileira que dominava, ento, os negcios de Estado em especial as ativi-dades do setor agrcola do Governo.No so poucas as pessoas que me perguntam quem, afinal das contas,foi o verdadeiro criador da Embrapa. Na histria das instituies parece-mecorreto conhecer quem, de fato, teve a iniciativa de fundar e implantar umaentidade, pois comum pessoas se atriburem como autores da criaode uma organizao ou aparecerem como patrocinadores da paternidade dainiciativa, nem sempre apoiados em posies que primem por autenticidade.Sob esse aspecto, a histria no perdoa ambigidades nem preferncias.Como, ainda, no existem provas de DNA para as instituies, e s parahumanos, no h outra soluo para identificar a paternidade institucional,que no a de relatar, com a maior iseno possvel, os fatos e episdios queaconteceram com a histria da Embrapa, a partir de 1971, dois anos antesda sua inaugurao oficial, em 26 de abril de 1973.A criao da Embrapa tem trs momentos.O primeiro refere-se a um grupo de pessoas reunidas na Associaosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 58Sol da manh: memria da EMBRAPA59Brasileira de Crdito e Assistncia Rural Abcar e que discutiam comofortalecer as polticas agrcolas do pas, enfatizando o valor da pesquisaagropecuria como elemento decisivo no aumento da produtividade e daproduo. Esse grupo de tcnicos, coordenado e apoiado pela Abcar, teveparticipao expressiva na tomada de posio sobre a importncia dapesquisa assumida pelo Ministro da Agricultura, Dr. Luiz Fernando Cirne,atravs de papers e discusses de natureza conceituais e justificativas nadireo de uma reformulao na forma de conduzir as atividades da pesquisaagrcola realizadas pelo Departamento de Pesquisa Agropecuria do Ministriode Agricultura DNPEA. Nesse esforo de colaborao ao Ministro, aspessoas que mais se destacaram foram Alosio Monteiro Carneiro Campello,Jos Pastore e Eliseu de Andrade Alves. O Ministro confessou-me que essacontribuio foi relevante, pois ampliou a sua viso sobre o problema quej sentia, direta e diariamente, na convivncia com os negcios do Ministrio.Esse foi, portanto, o primeiro momento registrado na histria da criaoda Embrapa. O segundo momento configurado como um passo importante, ou seja, adeciso poltica, do Ministro da Agricultura, em criar, oficialmente, umGrupo de Trabalho, formado por mim e pelo Dr. Otto Lyra Schrader, comamplos poderes para propor uma reforma da pesquisa agropecuria doMinistrio da Agricultura, devendo apresentar os objetivos, as funes enovas estratgias para investigao agropecuria, a expanso das atividades,programaes e polticas de recursos humanos, fontes e formas de finan-ciamento e proposta de legislao adequada para assegurar a dinamizaodesses trabalhos. O mandato foi, rigorosamente, cumprido em trinta dias,atravs do Relatrio de Sugestes para a Formulao de um SistemaNacional de Pesquisa Agropecuria, o chamado Livro Preto. Esse segundomomento caracterizou-se, concretamente, pelo trabalho do Grupo designadoe por outros tcnicos e especialistas convidados a colaborar na preparaodos estudos e propostas a serem apresentados. A deciso poltica do MinistroCirne Lima de seguir adotando as recomendaes do Grupo foi, sem dvida,decisiva. O Presidente da Repblica, Mdici, aprovou a proposta recomen-sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 5960dada para a criao da Embrapa, homologada pelo Congresso Nacional.Destacaram-se como colaboradores do Grupo de Trabalho, Edmundo Gastal,Eduardo Bello, Eliseu Alves, Francisco Arinos Costa e Silva, Jos Pastore,e Paulo Teixeira Demoro. A coordenao coube a mim e ao Dr. Otto LyraSchrader.O terceiro momento foi o mais difcil, penoso, complexo e que exigiudas pessoas encarregadas de implantar a Embrapa, dedicao, sacrifcio,experincia, sabedoria e determinao. Cabe ento o mrito aos pioneiros edirigentes, aos chefes das Unidades Tcnicas e Administrativas da sede, dosCentros e Servios, dos Pesquisadores, do Pessoal de Laboratrios e decampo e dos Funcionrios de Apoio. Todos, nos trs momentos (uns mais outros menos), merecem, no meuentendimento, reconhecimento, como os criadores da Embrapa.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 604SURPRESA: A PRIMEIRA CRISEsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 6162Jos Francisco Moura Cavalcanti, que substituiu Luiz Fernando Cirne Lima no Ministrio da Agricultura, preside ato de cooperao institucional entre a Embrapa e a Finep. Presentes, o Ministro do Planejamento Joo Paulo dos Reis Veloso, Jos Pelcio Ferreira e J. Irineu Cabralsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 62Sol da manh: memria da EMBRAPA63inda no era completado um ms de existncia j enfrentava a suaprimeira grande crise. Os fatos aconteceram de surpresa. Quatorze diasaps a instalao (10 de maio de 1973), o Ministro da Agricultura LuizFernando Cirne Lima renuncia ao cargo.A Secretria do Ministro, Luzia Alves, chama-me ao telefone e pede aminha presena, com urgncia, ao Gabinete. Aproveita a ocasio e, demons-trando visvel nervosismo, transmite-me a notcia da renncia de CirneLima. Em menos de quinze minutos chego ao Edifcio do Ministrio, naEsplanada. Ao descer do carro encontro no hall do elevador o Presidentedo Incra, Jos Francisco de Moura Cavalcante. Notei-o diferente e transtor-nado. Perguntei, de imediato, o que tinha acontecido. Sua resposta foi seca.Suba que voc vai saber da bomba. Estranhei a forma pouco cordial deJos Francisco, pois ramos muito amigos, alm de conterrneos e colegas doColgio Carneiro Leo, em Recife. Chegando ao Gabinete no oitavo andardo Ministrio, dei-me conta do ambiente pesado e constrangedor, como eranatural em uma situao como aquela. Luzia encaminha-me, no ato, salade Cirne Lima. Encontro-o tranqilo, selecionando papis. Cumprimenta-me, como sempre fazia, cordial e educadamente, pedindo-me para sentar.Voc j deve saber da minha atitude. Para evitar que tenha de explicar qual aminha posio neste episdio passo-lhe s mos cpia da carta da minha renncia.Estou deixando hoje mesmo, o Ministrio. O novo Ministro o seu amigo JosFrancisco de Moura Cavalcante, que acaba de sair daqui agora, informando-me que foi convidado pelo Presidente Mdici. Tranqilize-se que tudo vai sair bem.Naqueles dias, a imprensa vinha noticiando divergncias entre o Minis-trio da Agricultura e a equipe econmica do Governo. Sempre os mesmosAsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 6364problemas: a baixa prioridade dada ao setor agrcola, traduzida nos recursosinsuficientes s atividades agropecurias. A carta renncia de Cirne Lima, poca, considerado o regime autoritrio vigente, passou a ser documentohistrico pela coragem com que exps, publicamente, seus pontos de vistaapontando as divergncias existentes no seio da equipe ministerial. CirneLima mantinha-se em uma posio firme de no transigir quanto s necessi-dades essenciais de recursos e apoio aos planos do seu Ministrio, particular-mente, em relao aos nveis de financiamento das safras, aos preos mnimos,ao apoio construo da infra-estrutura para estocagem da produo e todoo planejamento destinado a assegurar o crescimento da agricultura nacional.Na carta, Cirne Lima expe alguns motivos pelos quais pede a renncia docargo de Ministro da Agricultura, eis alguns dos principais trechos:A superior e humana determinao de Vossa Excelncia de reduzir inda maiso ritmo inflacionrio que solapa a vida do Pas fez, no entanto, ao nosso ver,que se iniciassem distores, no sistema e nos mtodos governamentais, fazendocom que no se distribussem igualmente, entre todos os setores da economia,as responsabilidades e os nus desta tarefa, caindo sobre a agricultura, quenunca desejou nem foi beneficiria da inflao, uma carga incomparavelmentemais pesada.Como sabido a situao mundial dos preos dos produtos agrcolas, afligepopulaes e governos de todas as naes, desde as mais desenvolvidas e ricas,at aquelas em que a fome e a misria so endmicas.A entrada da Unio Sovitica como compradora de alimentos no ocidente ea possibilidade e que a China Continental venha fazer o mesmo, tornam omundo de hoje, singularmente desafiador, porm, para o Brasil, mais comopossibilidades do que como dificuldades.Pela primeira vez, desde vinte anos, os preos dos produtos agrcolas esto emascenso nos mercados internacionais, caberia ao Brasil, como sabe, uma amplarea de atuao como exportador de alimentos e fibras, que bem amparadas,poderiam levar at o homem do interior, o produtor rural, genuinamentebrasileiro, oportunidades de renda como h muitos anos no se verifica. Ademais,sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 64Sol da manh: memria da EMBRAPA65Vossa Excelncia bem o sabe, mesmo os Pases mais industrializados aindatm nos produtos agrcolas a sua maior receita de exportao.Infelizmente, os mecanismos governamentais visando o abastecimentointerno, sem atingirem a estabilidade desejada pelo consumidor urbano,mais tem favorecido o setor industrial e comercial de exportao, crescente-mente estrangeiro, e tornado cada vez menos brasileiros os resultados daprosperidade do Pas.A busca da eficincia e da produtividade, certamente necessrios, temesmagado, de outra parte, os interesses do mdio produtor rural, do pequenoou mdio industrial ou comerciante, estes, brasileiros, em benefcio daquelascorporaes multinacionais, indispensveis tambm, se adequadamentedisciplinadas, como em qualquer Pas, em prol do interesse da coletividade.Dentro da fixao das necessidades e prioridades nacionais, acreditamos queo fator capital est recebendo uma proteo que torna incompatvel a conciliaodos objetivos nacionais. A remunerao deste capital, tambm cada vez menosbrasileiro, faz com que o endividamento externo, a balana de pagamentos e,internamente, o custo do dinheiro, tornem quase impossvel as redues infla-cionrias desejadas a no ser com desproporcional custo a ser pago por outrosetor, no caso, o agrcola.Reiterou-me, mais uma vez, um colega, tambm Ministro de Vossa Excelnciaque o governo um ente essencialmente atico e como tal so vlidos todosos meios para atingir os fins desejados.H entre essa afirmativa e minhas convices um grande abismo. No possoatravess-lo. Sempre acreditei que a verdade melhor que a falsidade, e acoragem melhor que a covardia. Hoje, confronto-me com meus prpriosprincpios.A renncia do Ministro da Agricultura mostra, com clareza, algumassituaes que evidenciam as contradies e conflitos existentes quanto spolticas de apoio ao setor agrcola, ainda que se reconhea o seu papel nosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 6566abastecimento das nossas populaes e a expressiva contribuio sexportaes.Na entrevista dada ao CPDOC da Fundao Getlio Vargas, o PresidenteErnesto Geisel, sobre o tema de conflitos em equipes ministeriais assim seexpressa com a franqueza que lhe era peculiar:Houve muitas divergncias entre ministros. Uma das grandes divergncias, porexemplo, era entre o Simonsen, Ministro da Fazenda e o Paulinelli, Ministroda Agricultura. Paulinelli foi um excelente Ministro. Foi na sua poca que seconseguiu incorporar o Cerrado, antes uma rea abandonada, rea prpriada agricultura. Ele deu tambm um grande desenvolvimento pesquisa agrcola,atravs da Embrapa. Mas evidente que, como Ministro da Agricultura,queria sempre mais dinheiro, mais financiamento para os agricultores. O Simonsen,que arrancava os cabelos por causa da inflao, era contra, e assim surgiu adivergncia. Inicialmente era o Veloso quem me trazia, muitas vezes, o problema:um queria receber mais e o outro queria dar menos. Por fim eu chamava osdois, pois cabia a mim resolver. Examinava o ponto de vista de um e de outroe dava a soluo que, na circunstncia, me parecia a melhor. Eu no podiame omitir, pois era o responsvel. O Ministro, pela Constituio, um simplesauxiliar do Presidente da Repblica. O responsvel o Presidente.Voltando ao episdio da mudana de ministros: indaguei do Cirne Lima: como vamos proceder, Ministro, com relao Direo da Embrapa, j queestamos no posto, h menos de um ms? Somos inteiramente solidrios com osenhor e, seguramente, pediremos demisso dos nossos cargos. Que orientao nosoferece e que conselhos nos d?Cirne Lima me disse que, na conversa com o novo Ministro MouraCavalcante, fez referncia sobre sua preocupao com a Embrapa e seusol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 66Sol da manh: memria da EMBRAPA67futuro, pois tratava-se de um projeto de altssima prioridade do Governoe para o qual tinha, pessoalmente, dedicado toda ateno nos ltimosmeses, perodo preparatrio de sua fundao. Conduza, serenamente,os entendimentos com o novo Ministro, pois estou convencido que tudovai dar certo.Sa do Gabinete com uma sensao de lstima, pois perdamos, semdvida, a nossa maior liderana e o verdadeiro promotor de todo o processo decriao da Embrapa. O sentimento, naquele instncia, com certeza, era deorfandade e desolao. Imediatamente, reuni a Diretoria Executiva e comu-niquei a notcia da reunio e o contato com Cirne Lima. Pedi aos companheirosum compasso de espera, confiana e serenidade at a posse do novo titular, JosFrancisco de Moura Cavalcante. Ficou resolvido que no solicitaramos demis-so, pois no tnhamos a menor idia da posio do novo Ministro, inclusiveporque a nossa nomeao pelo Presidente da Repblica estava amparada emum mandato de quatro anos. Outros aspectos a considerar: os nossos cargoseram, rigorosamente, tcnicos, no havendo nenhuma influncia poltica nasnomeaes. No dia seguinte, houve a posse de Jos Francisco. Cumprimentei-o.Recebi atencioso abrao, sendo que na hora disse-me, em meio ao tumulto dospresentes: Conversaremos depois. Vou cham-lo.Iniciava-se a partir da, um perodo difcil e inseguro para mim e para oscompanheiros da Diretoria. O meu primeiro encontro com o novo Ministro,aps a posse, s se verificou uma semana depois. Parecia que, naquele perodo,processavam-se as negociaes para possveis substituies dos dirigentes doMinistrio. Foi marcada a primeira audincia comigo. A pauta no continhanenhum ato dependendo da deciso e assinatura do Ministro. Sem dvidao despacho seria decisivo pois, certamente, trataramos do destino da DiretoriaExecutiva da Embrapa e, por que no dizer, da prpria Embrapa. Fui francono nosso dilogo: recordei os antecedentes da criao da Empresa, manifes-tando-lhe que ficasse vontade para decidir sobre a Diretoria. Jos Franciscofoi lacnico e para mim, surpreendentemente estranho e ambguo. Insistiu,entretanto, que continussemos trabalhando e que voltasse, no prximodespacho, para traar os planos de ao.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 6768A agenda da Diretoria no nos permitia nenhum minuto de folga. Haviaque cuidar de orientar o pessoal de Chefia, organizar a situao patrimonial,elaborar o plano de treinamento de ps-graduao, equipar a nossa sede noEdifcio Venncio VI e outras tarefas pertinentes a uma Empresa Pblicarecm-criada, sem que o prprio Governo tivesse, tambm, experincianessa rea de pesquisa. A questo de recursos financeiros passou a ser crucial.A transio entre o DNPEA e a nova Empresa revertia-se de enormecomplexidade. Exigia de ns cuidado, competncia e sobretudo ousadiapara a tomada de decises sobre questes que requeriam urgncia, portanto,inadiveis. O que mais preocupava, sem dvida, era o que poderia acontecercom a mudana de comando no Ministrio. Pessoalmente, passei a assumiruma conduta de autoconfiana e tranqilidade a fim de no contaminar oscompanheiros de trabalho. No se deve esquecer de que os funcionriossaudosistas e desconformes com a reforma da pesquisa agrcola do Minis-trio esperavam mudanas na Diretoria, e nesse sentido, houve uma fortepresso junto ao Ministro Moura Cavalcante para nomeao do prof.Roberto Meireles de Miranda. A nossa ttica foi esperar o desdobramento dasituao e continuarmos trabalhando duro para implementar as medidasde funcionamento da Embrapa.Outros fatos vieram complicar, ainda mais, esse perodo de transioministerial. Os Servios de Extenso Rural poca, eram coordenados peloSistema Abcar. Por todo o pas funcionavam, regularmente, as chamadasAcares estaduais. Tratava-se de um modelo totalmente privado.O organismo nacional, a Abcar, era uma associao civil, sem finslucrativos, regendo-se pela legislao trabalhista. As entidades estaduais queformavam o Sistema eram, tambm, sociedades de direito privado. Haviaum arranjo poltico-administrativo pelo qual os Servios de Extenso Ruralrecebiam a maior parte dos seus recursos financeiros atravs de dotaesaprovadas pelo Congresso, via Ministrio da Agricultura. A Junta Gover-nativa da Abcar era formada por representantes de rgos do Governoe entidades como a Confederao Nacional da Agricultura e Pecuria doBrasil, Banco do Brasil e das Acares estaduais. sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 68Sol da manh: memria da EMBRAPA69Convnio da Embrapa com Dirigentes de Universidades. Presente o Professor Heitor Gurgulino de Sousa, Diretor do MECO Ministro da Agricultura Jos Francisco Moura Cavalcanti preside a 1 Reuniodo Conselho de Administrao em 1973. Presentes, Rubem No Wilke, secretriogeral, Dr. Otto Lyra, Eduardo Carvalho Pereira e a Diretoria Executiva da Embrapasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 6970Reunio de Chefes das Unidades da Embrapa, Braslia/DFCooperao institucional: convnio com o Banco do Nordeste.Presidente Nilson Holanda e J. Irineu Cabralsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 70Sol da manh: memria da EMBRAPA71O Secretrio Executivo do Sistema era eleito pela Junta Governativa etinha mandato. No perodo de transio e da mudana dos Ministros, otitular era Alosio Monteiro Carneiro Campello funcionrio do quadro daAbcar, muito amigo do Ministro Cirne Lima. O problema que MouraCavalcante no se entendia com Alosio Campello que, por sua vez, haviasido um dos idealizadores da reforma que tinha resultado na criao daEmbrapa. De outra parte, as desavenas polticas em Pernambuco indi-cavam srias incompatibilidades pessoais entre as correntes partidriasde Moura Cavalcante e de Manoel Netto Campelo Jnior, pai de AlosioCampello. Tal situao, sem dvida, muito contribuiu para o ambienteameaador que predominava na transio do comando do Ministrio. Estascircunstncias, como se pode perceber, posteriormente, vieram se agravar,de forma dramtica, piorando as relaes entre as atividades de pesquisa eextenso rural, com a extino da Abcar.Pouco a pouco, nos despachos com o Ministro Moura Cavalcante pude,com alguma habilidade, ir superando as dificuldades da convivncia com anova situao. Contava com a solidariedade dos Diretores do Ministrio quepermaneceram nos seus postos, alm do bom relacionamento com osmembros do staff do novo Ministro, especialmente, com Gustavo Krause,seu Chefe de Gabinete e Rubem No Wilke, Secretrio Geral.Outro episdio, extremamente desagradvel, ocorreu no incio dessatransio. O Diretor da Embrapa, Eliseu Alves, teria feito, em uma solenidade,no Palcio do Itamaraty, comentrios, em frente a vrias pessoas, queno agradaram Moura Cavalcante. Ao saber disso, imediatamente, meconvocou ao seu Gabinete, para relatar-me o fato que lhe teria sido comu-nicado por pessoa de sua inteira confiana. Estava irritado e no aceitavaque um Diretor da Embrapa pudesse de pblico, falar mal do Ministro.Exigiu a imediata demisso do companheiro. Fui tomado de surpresa e,logo, tratei de defender o Eliseu alegando tratar-se, certamente, de umsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 7172mal-entendido ou maldade de algum para prejudicar o colega ou a Embrapa.O Ministro estava irredutvel e no abria mo do afastamento do nossoDiretor. Ponderei que era indispensvel conversar com o Eliseu. Pedi umtempo e voltaria a conversar sobre esse desagradvel problema.No consegui esclarecer o que aconteceu, e a melhor maneira de atenuaro assunto seria ganhar tempo e evitar um enfrentamento entre o Ministroe o Diretor. Contei com a colaborao de amigos comuns para encerrar oassunto. Insisti tratar-se de um enorme mal-entendido. E consegui. A Diretoriada Embrapa foi em frente tratando de, obstinadamente, cumprir sua agendae o cronograma de atividades previsto at o fim do ano de 1973.Alguns fatos tiveram importante influncia na melhoria do meu rela-cionamento com Moura Cavalcante. A instalao do Conselho da Embrapa,previsto em lei, teria que ser realizado de imediato. Acertei com o Ministroos nomes que comporiam esse colegiado: Maurcio Rangel Reis, nomemuito conhecido no setor agrcola e que seria, posteriormente, Ministro doInterior no Governo do Presidente Ernesto Geisel. Professor AlmiroBlumenshein da Escola Superior de Agricultura, Luiz de Queiroz dePiracicaba SP, representando o setor acadmico e as cincias agrrias. Oeconomista Eduardo Pereira de Carvalho, representando o Ministrio daFazenda, o socilogo Jos Pastore tambm representando a rea acadmica,o engenheiro agrnomo Ney Bittencourt de Arajo, Presidente da Agroceres,representando o setor privado e o veterinrio Paulo Dacorso Filho. Osmembros da Diretoria faziam parte desse colegiado. A instalao do Conselho, realizada no Gabinete do Ministro, com apresena de todos os seus membros, contou com o prestgio do compare-cimento do Ministro Joo Paulo dos Reis Veloso e do Dr. Jos PelcioFerreira, Presidente da Finep, rgo do Sistema de Cincia e Tecnologia. Oencontro serviu para mostrar ao Ministro Moura Cavalcante o importantepapel da Embrapa, na implantao da poltica agrcola brasileira. OsConselheiros tiveram a oportunidade de escutar uma exposio detalhadado Presidente da Empresa sobre suas futuras aes e toda uma estratgiainstitucional e operativa para sua implantao, no menor prazo possvel.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 72Sol da manh: memria da EMBRAPA73No resta a menor dvida de que esse foi um acontecimento decisivo noprocesso de consolidao e um passo adiante que veio melhorar, considera-velmente, o nosso relacionamento com o Ministro Moura Cavalcante.Aproveitou-se a reunio do Conselho para iniciar as negociaes, com oDr. Jos Pelcio, visando financiamento da Finep para as atividades detreinamento de pessoal tcnico da Embrapa.No perodo de 10 a 15 de setembro de 1973, realizou-se, em Braslia, oSeminrio Nacional de Poltica Cientfica e Tecnolgica. Sugerimos aosorganizadores do evento convidar o Ministro Moura Cavalcante paraproferir uma palestra sobre as questes ligadas cincia e tecnologia dosetor agrcola e o papel da Embrapa no desenvolvimento do pas. OMinistro gostou da idia e me chamou para reunir subsdios que servissemao preparo da sua exposio. Resultado: Moura Cavalcante apresentou umtrabalho sobre o ttulo Revoluo Tecnolgica na Agricultura Brasileiramuito elogiado pelos participantes da reunio. Na ocasio, o Ministro jdemonstrava mais entrosamento comigo e revelava uma atitude de confianana misso que a Embrapa teria de desempenhar na economia agrcola nacional.Em sua palestra, o Ministro Moura Cavalcante destaca trs pontos funda-mentais da poltica agrcola:1. A definio dos objetivos de poltica agrcola, tendo-se presente a situ-ao atual das duas grandes variveis que condicionam a produo: ademanda interna e a demanda externa por matrias-primas agrcolas ealimentos;2. A identificao de subsetores em que se apiam as diretrizes de polticaagrcola, quais sejam: a produo e a comercializao, o abastecimento e aexportao dos excedentes agrcolas;3. A concepo de uma estratgia racional e adequada, de modo a interferirna estrutura de produo e modific-la pelo uso apropriado dos fatoreseconmicos, assegurando-se, assim, substancial elevao dos nveis deproduo e dos ndices de produtividade.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 7374Mais adiante, Moura Cavalcante demonstra sua confiana na pesquisaagrcola como mola propulsora do desenvolvimento do setor primrio noBrasil. Em certo momento de sua explanao, indica os fatores que demons-tram a inadivel necessidade de incorporar ao processo de produo: a baixaprodutividade, o desenvolvimento urbano, o aumento da demanda internade alimentos e o crescimento da demanda mundial por produtos primrios.Destacou a importncia da Embrapa como mecanismo gerador de ino-vao tecnolgica no setor agropecurio, com a pesquisa em C&T e arenovao de mtodos e tcnicas para melhoria dos sistemas de produo,qualidades essenciais para o avano e a insero do pas apresentaria, defato, condies de competio no mercado mundial.Mais adiante, em sua explanao, Moura Cavalcante disserta sobre oPlano Bsico de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico para o SetorPrimrio, com destaque para os aspectos institucionais e funcionais daEmbrapa. O Ministro, assume, publicamente, uma posio do Governo emdefesa da pesquisa agropecuria como fator decisivo para o desenvolvimento,como parte de um sistema mais amplo da Cincia, Tecnologia e Inovao,capaz de atingir desde o pequeno at o grande produtor rural, por vias depesquisas direcionadas a suprir as necessidades do homem do campo. OChefe do Gabinete do ex-Ministro Moura Cavalcante, colaborador dos seuspronunciamentos, era Gustavo Krause, homem inteligente e culto. Foiamigo da Embrapa.O restante do mandato do Ministro Moura Cavalcante transcorreutranqilo, e suas relaes foram de apoio e estmulo, parte as profundasdivergncias com o Sistema de Extenso Rural.O grego cipriota S. Panagides, atuou no Brasil, por alguns anos comoRepresentante do Programa das Naes Unidas. Nas questes relacionadas aoNordeste, mantivemos excelentes relaes de trabalho. Terminado o seu mandato,antes de voltar a Washington USA, passou em Braslia para despedidas.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 74Sol da manh: memria da EMBRAPA75Conversamos sobre vrios assuntos e, na sua sada, ofereci-lhe de pre-sente uma embalagem com trs garrafas de vinho fabricado na Embrapa Viticultura em Bento Gonalves RS. No primeiro ano da Empresa, man-damos fabricar para distribuio no Natal uma boa quantidade de garrafasde vinho resultado dos experimentos de castas de uva produzidas na Unidadede Bento Gonalves. Voltando a Braslia, disse-me Panagides que ao retornarpara Washington levou em sua bagagem a caixa de vinhos que eu lhe tinhapresenteado. O rtulo levava o ttulo de Chateau Embrapa. At a nada demais. Uma noite disse-me : Convidei vrios amigos para jantar. Resolvi,ento, fazer uma prova para degustao de vinhos importados adquiridosnos EUA. Nesta prova feita s cegas, foram apresentadas oito marcas devinhos, europeus, chilenos, argentinos, inclusive as garrafas do ChateauEmbrapa, que vinham carinhosamente sendo conservadas em minha adega.A degustao feita por meus amigos, na maioria altos funcionrios inter-nacionais, reuniu tintos e brancos e seriam avaliados conforme sua cor,aroma e sabor. Pois bem. Foram atribudas as notas, aps a degustao.A vem a surpresa do meu amigo grego cipriota: o Chateau Embrapa tintovencera a prova em 1 lugar e o branco em 4. Nos dias de hoje, os vinhosda Embrapa Bento Gonalves, so considerados competitivos no mer-cado nacional e internacional. Agora, os produtos de 1973/74 no seino. O Chateau Embrapa na viagem Braslia Washington atravessou, denavio, a linha do Equador. A pode ter havido o milagre.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 755AES DE CONSOLIDAOsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 7778Ministro Alyson Paulinelli em companhia de J. Irineu Cabral visita obras da construo do Cenargen. Centro de Recursos Genticos, Braslia/DFsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 78Sol da manh: memria da EMBRAPA79general Ernesto Geisel assume, em 15 de maro de 1974, a Presi-dncia da Repblica. Ao formar seu Ministrio, escolhe o engenheiroagrnomo Alysson Paulinelli para o Ministrio da Agricultura.Eu no conhecia o Paulinelli, mas nas minhas leituras tomei conhecimento desuas aes em Minas, no desenvolvimento da agricultura. Li vrios relatrios ediversas informaes sobre a agricultura e a pecuria mineira. Conversei comPaulinelli vrias vezes para me orientar e conclu que ele era um homem comcondies de ser o Ministro da Agricultura.Essas declaraes de Geisel esto no seu histrico depoimento ao CPDOCda Fundao Getlio Vargas, no ano de 1997.Em uma das conversas com Alysson, o Presidente Geisel dedicou bomtempo s questes ligadas pesquisa agrcola e Embrapa. Em um dessesencontros, no antigo edifcio do Ministrio da Agricultura, no Largo daMisericrdia, Rio de Janeiro, Geisel chamou seu Ajudante de Ordem, oCoronel Moraes Rego, e pediu para marcar um encontro com a Diretoriada Embrapa, logo nos dois primeiros meses de sua administrao. Queriaconhecer os planos da Empresa, identificar problemas na sua implantao eresolver todas as questes fundamentais pendentes.Em 15 de maro de 1974, o novo governo assume com AlyssonPaulinelli no Ministrio da Agricultura. Durante o mandato de cincoanos de Geisel, os Ministros Maurcio Rangel Reis, do Interior, JooPaulo dos Reis Veloso, do Planejamento, Mrio Henrique Simonsen, daFazenda e Severo Gomes, da Indstria e Comrcio foram tenazes apoia-dores da Embrapa.Osol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 7980A Diretoria da Empresa fez a sua primeira mudana com a sada doprofessor Roberto Meirelles de Miranda. Em seu lugar, assumiu outro pro-fessor, o Dr. Almiro Blumenshein, da Escola Superior de Agricultura Luizde Queiroz em Piracicaba (SP). Almiro j vinha ocupando o cargo de Conse-lheiro. Com a sua entrada, homem da rea de gentica, com doutorado nosUSA, Universidade de Norte Carolina, tinha um perfil de tcnico muitocompetente, temperamento empreendedor e agressivo, sem nenhumcompromisso com o passado da pesquisa no Ministrio. A Diretoria man-teve-se coesa e decidida a executar a proposta da reforma, com a vantagemde contar com o apoio e confiana do Ministro da Agricultura e doPresidente da Repblica.Fui chamado ao Gabinete de Alysson. Tivemos uma longa, franca eproveitosa conversa. A nova Diretoria, confirmada nos seus cargos, teriauma misso dura pela frente: implementar o novo Modelo Institucional eOperativo, instalar os Centros Nacionais e Servios, negociar e ajudar a cri-ao das Empresas Estaduais, treinar pessoal e buscar recursos financeiros.Havia um desafio de curto prazo: criar as condies mnimas necessriaspara que a Embrapa, nessa difcil transio, no se mostrasse fragilizada.Tnhamos que mostrar servio, pois, outra vez, crescia a expectativa emtorno do trabalho da nova Instituio. Acertamos com Paulinelli algumasmedidas estratgicas para conduzir a Empresa com a maior objetividadepossvel, cumprindo metas e um calendrio com prazos de execuo rigorosos,atuando a diretoria com harmonia, coesa e determinada.Alysson, como bom mineiro, naquela ocasio, me disse: Seu Irineu,vamos ensebar as canelas, pois tudo indica que o trabalho daqui para frenteser durssimo e longo. Quem sabe durar o mandato do Presidente Geiselde cinco anos.Pois isso aconteceu. Por incrvel que parea, um Ministro da Agriculturamanteve-se no posto por cinco anos! A Diretoria da Embrapa tambmcumpriu esse perodo.Alm de vrias tarefas importantes a executar, a Diretoria teria deenfrentar, a partir da posse do novo governo, um calendrio denso e cheiosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 80Sol da manh: memria da EMBRAPA81de atividades importantes. Entretanto, no resta a menor dvida, o elencode medidas estruturais concentrou-se na elaborao das linhas bsicas,definindo as seguintes deliberaes:a) O Modelo Institucional de Execuo da Pesquisa Agropecuria;b) O Grupo Central de Implantao do Modelo;c) Definio sobre a estrutura, funes e atribuies dos sistemas estaduais depesquisa agropecuria;d) Regulamentao da ao coordenadora de acompanhamento e avaliao,a ser desenvolvida pala Embrapa, em relao aos sistemas estaduais;e) A estrutura local, funes e atribuies dos centros nacionais de pesquisa;f ) Instituio do Sistema de Planejamento da Pesquisa Agropecuria.Esses trabalhos exigiram um enorme esforo por parte da direo, doschefes de departamentos, consultores e especialistas em determinadas reas.Estou convencido de que foi o perodo mais frtil da Empresa, no seu incio,em termos de criatividade e habilidade no aproveitamento de experinciasexternas e adequadas s diretrizes e orientaes emanadas do Grupo deTrabalho que estudou e props a reforma da pesquisa agropecuria.Toda a engenharia institucional em seus detalhes foi elaborada no anode 1974. de justia reconhecer a contribuio profissional do Dr. PauloTeixeira Demoro, Consultor Principal contratado para a formulao dosatos administrativos e jurdicos indispensveis no perodo da implantao. ODr. Paulo Demoro, ex-Consultor Jurdico do Instituto dos Bancrios, pos-sua formao profissional invejvel e capacidade excepcional de preparo deatos legislativos. Um Advogado brilhante de linguagem clara e precisa,conhecedor profundo da legislao das empresas pblicas e privadas. Foi,sem nenhuma dvida, o grande intrprete das propostas vinculadas refor-ma e das discusses e decises tcnicas da Diretoria Executiva da Embrapa.O esforo realizado, naquele perodo, fez com que se completasse a srie deinstrumentos que a administrao da Embrapa houve por bem definir, nosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 8182desejo de implantar uma contribuio aos propsitos do governo paraacelerar o processo de desenvolvimento do setor agropecurio atravs da incor-porao macia de tecnologias destinadas a aumentar os nveis de produoe produtividade da agricultura nacional.Durante a realizao dos estudos do Grupo de Trabalho, que props areforma, entre outros captulos, a estrutura de um novo modelo para apesquisa agropecuria, foi, sem a menor dvida, a tarefa estratgicamais importante realizada, naquele momento, para a construo dosalicerces da nova Empresa. Tnhamos em nosso poder abundante materialde referncia sobre o tema. A questo era a de elaborar os atosdeliberativos para a deciso da Diretoria. O assunto exigia ampladiscusso dos Diretores, pois a proposta iria provocar uma radicaltransformao na antiga estrutura operativa do DNPEA (Ministrio daAgricultura).O novo modelo passaria a constituir o eixo central das novas atividades depesquisa. Por definio surgia uma nova filosofia de atuao dos pesquisa-dores, o mapeamento espacial diferente das novas unidades, os investimentospesados em treinamento e os necessrios em reformas, construes, aquisiode equipamentos de laboratrios e a intensa articulao institucional entreas diferentes entidades de pesquisa agrcola. No fundo, criava-se, na ocasio,o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuria (SNPA), com um forte embasa-mento cooperativo e por que no dizer uma proposta transformadoraincomum no servio pblico brasileiro.Decidimos, ento, reunir a Diretoria com vistas ao preparo e aprovao donovo modelo. Entramos em absoluto isolamento para realizar essa tarefa. Asdiscusses aconteceram na casa onde eu morava, na QI 09, do Lago Sul,Braslia. Naquela jornada, alm dos Diretores Almiro Blumenshein, EliseuAlves e Gastal, estiveram presentes Ivan Cajueiro, Chefe da Assessoria daPresidncia e o Consultor Paulo Demoro.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 82Sol da manh: memria da EMBRAPA83Cooperao institucional: reunio com a presena do Presidente Ernesto Geisel,acompanhado de quatro Ministros de Estado por ocasio de assinaturade Convnio com o Governo do estado de Minas Gerais e Embrapa Professor Almiro Blumenshein assume o cargo de Diretor Executivo da Embrapa, substituindo Roberto Meireles. Presentes: Ministro Paulinelli, J. Irineu Cabral e seu Chefe de Gabinete, Dr. Luis Carlos Guedes Pinto. Almiro foi o principalresponsvel pela implantao da unidades descentralizadas da Embrapasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:10 Page 8384Diretoria Executiva da Embrapa recebe em BrasliaDiretor dos Servios de Pesquisa Agrcola da Austrlia.J. Irineu Cabral e Ministro Alyson Paulinelli estiveram cinco anos juntos,na Administrao da Embrapasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 84Sol da manh: memria da EMBRAPA85O trabalho durou uma semana, no ms de abril de 1974. nossa dis-posio, estiveram Darci (preparando as refeies), meu motorista IldefonsoCosta Machado a quem eu tinha como meu segundo anjo da guarda.Chegamos ao final dos debates com contribuies de Eliseu e Gastal.Almiro tinha uma proposta escrita. Alm da difcil tarefa de coordenaodos trabalhos, ofereci idias acumuladas nas minhas experincias nacionale internacional. A principal baseava-se no modelo do INH (InstitutoNacional de Sade) dos Estados Unidos que trabalhava com fundos definanciamento para projetos demandados pelas principais enfermidades dopas. Nas discusses, as idias de Almiro, por mim corroboradas, tomavamem conta o Sistema Internacional dos Centros de Pesquisa por Produto eEcossistemas.No dia 22 de maio de 1974 foram, finalmente, aprovadas em forma daDeliberao Nmero 67, as linhas de atuao da Embrapa, definindo oModelo Institucional de Execuo da Pesquisa Agropecuria. A se inicia aseqncia de atos, observando as diretrizes e orientaes da Deliberao067, com o propsito de fixar as linhas fundamentais e definir os mecanismose instrumentos a serem utilizados na conduo dos trabalhos da pesquisaagropecuria em todo territrio nacional. O Modelo Institucional ficouconstitudo por um Sistema Nacional compreendendo duas linhasfundamentais de atuao:a) ao direta, atravs de unidades de execuo de mbito nacional (CentrosNacionais de Pesquisa por Produto, de Recursos e outros Servios) e de UnidadesExecutivas de mbito Estadual, coordenadas diretamente por uma repre-sentao da Embrapa, tambm de mbito estadual, constitutivas do que seconvencionou denominar Sistemas Estaduais de Pesquisa Agropecuria;b) ao coordenadora (programtica, normativa, de acompanhamento eavaliao) com execuo a cargo de unidades executivas tambm integrantesdos sistemas estaduais, mas diretamente coordenadas por Empresas Estaduaisde Pesquisa Agropecuria. Objetivando a implementao do novo Modeloforam, em seguida, oficializadas as resolues e deliberaes referentes aossol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 8586estudos e providncias para a criao das unidades de pesquisa, as funes dossistemas estaduais e das empresas nos estados. Foram, por igual, definidos ostermos de referncia destinados a delegar funes especficas s autoridades daEmpresa, tais como formulao da estrutura e atribuies dos centros nacionaisde pesquisa, quantificao de recursos fsicos, financeiros e humanos, assimcomo a localizao das novas Unidades. De outra parte, cuidou a DiretoriaExecutiva de introduzir novos enfoques na conduo das atividades daEmpresa, mediante a Instituio de um Sistema de Planejamento daPesquisa Agropecuria.O Modelo foi elaborado para ser implantado, gradativamente, sempretendo em vista aproveitar a capacidade instalada e recursos humanos doacervo do Ministrio para a Embrapa, com ressalva de que esse aprovei-tamento fosse das bases fsicas e do pessoal rigorosamente selecionados,ajustados aos critrios recomendados pelas Comisses Tcnicas.No houve, em nenhum momento, decises com interferncia polticapartidria apesar de havermos recebido, invariavelmente, o apoio de per-sonalidades polticas em alguns estados. A implantao dos SistemasEstaduais e Programas Integrados foi sempre precedida de entendimen-tos com os governos de cada unidade da Federao e organismos existentesna rea. A implantao do Modelo contou, tambm, com o apoio tcnicodos Centros Internacionais de Pesquisa Agropecuria (CIAT, CIMMIT,IRRI, ICRISAT, de Agencias Internacionais como o IICA, a FAO e USAID),alm do decisivo apoio financeiro atravs de emprstimos do BIRD e BID.Ademais, deve ser ressaltado, ao longo dos anos pioneiros, a cooperaobilateral de pases como USA, Frana, Japo, Austrlia, Argentina, Israel,Mxico, Espanha e outros. Foram essenciais, nesse esforo de construodo Modelo, as contribuies de empresas consultoras, em particular aPlanasa, de So Paulo e consultores individuais contratados com recursosobtidos da Finep. A Embrapa e Embrater coerentes com suas polticas de recursos humanosresolveram criar, em 12 de fevereiro de 1979 a Fundao de Seguridadesol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 86Sol da manh: memria da EMBRAPA87Social Ceres com o propsito especfico de proporcionar aos seus fun-cionrios os benefcios de complementao da aposentadoria. Esta iniciativaque completou 25 anos em 2004 conta com 8.840 empregados associados,contabilizando R$ 4 milhes de benefcios por ms. Oitenta e sete por centoda demanda dos scios da Ceres so atendidos em 24 horas. Seu patrimniose resume: "tica, transparncia e pontualidade". Jaldir Torres, Miguel Afonso, Paulo Ferraz e Luiz Gomes, pessoal doquadro de elite da Embrapa, foram seus Diretores Superintendentes. PedroMeron Vieira, Assessor da Embrapa e na qualidade de ex-Diretor daEmbrater, liderou os estudos e a preparao das medidas para a criao daCeres. O Pesquisador, Manoel Moacir Costa Machado, ex-Chefe deGabinete do Presidente Murilo Flores e autor de uma excelente tese dedoutorado, na Inglaterra, sobre "O Modelo Institucional da Embrapa", oatual Diretor Superintendente da Ceres.O projeto Ceres dever acompanhar o crescimento da Embrapa e ser, segu-ramente, um dos slidos pontos de apoio de sua poltica de recursos humanos.A obstinao da Diretoria Executiva era seguir, risca e com grande rigor,as diretrizes, princpios e procedimentos emanados da Empresa, tais como evitar,a todo custo, quaisquer forma de duplicao desnecessria de trabalhos de pesquisacom a decorrente fragmentao de recursos humanos, tcnicos e financeiros.Um calendrio de aes e atividades foi, cuidadosamente, elaboradopara, j a partir de 1974, serem definidos os estudos, medidas e propostasde instalaes dos Centros Nacionais, das Unidades e Empresas Estaduais edos chamados Programas Integrados. O grande desafio requeria habilidade,eficcia e capacidade de gesto para, a um s tempo, absorver o gigantescoacervo transferido pelo Ministrio, instalar as novas unidades de pesquisaprevistas no Modelo, sempre tendo em vista a enorme presso para que aEmbrapa cumprisse os objetivos transformadores da reforma. Esse desafio foiaceito, e a Empresa chegou ao fim da dcada dos setenta com a implantaode seus grandes objetivos e metas praticamente irreversveis. Funcionaramo planejamento estratgico e uma engenharia institucional pouco comumnaqueles idos dos anos setenta.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 876IMPLANTAO DO MODELOsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 8990Inaugurao do Centro Embrapa Trigo Passo Fundo-RS, com a presena doPresidente da Repblica, Ernesto Geisel, Alyson Paulinelli e J. Irineu Cabralsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 90Sol da manh: memria da EMBRAPA91ma nova era seria iniciada nas aes de implantao da Empresa.Organizavam-se e comeam a funcionar as Comisses Tcnicas encarre-gadas de estudar e propor a estrutura e localizao dos Centros Nacionais porproduto aprovados pela Diretoria. O Diretor Almiro Blumenshein coorde-nou as atividades consideradas altamente prioritrias. No se podia perdermais tempo na instalao dessas novas unidades substitutas dos InstitutosRegionais do DNPEA. Esse foi considerado o trabalho reformador na faseinicial da. medida que as Comisses credenciavam seus trabalhos a DiretoriaExecutiva estudava as propostas, cuidadosamente, decidindo pelas opesque lhe pareciam mais acertadas.No primeiro momento e em conformidade com o Modelo adotado,foram estudadas e aprovadas as seguintes unidades: Centros Nacionais: Feijo e Arroz Goinia (GO); Milho e Sorgo Sete Lagoas (MG); Horticultura Braslia (DF); Mandioca eFruticultura Tropical Cruz da Almas (BA); Trigo Passo Fundo (RS);Soja Londrina (PR); Fruticultura de Clima Temperado Cascata(RS); Gado de Leite Coronel Pacheco (MG); Gado de Corte Campo Grande (MT); Caprinos Sobral (CE); Sunos e AvesConcrdia (SC); Algodo Campina Grande (PB).Os Centros destinados aos trabalhos regionais de pesquisa foram: Cerrados Planaltina (DF); Trpico mido Belm (PA); Semi-rido Petrolina (PE).Usol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 9192Uma unidade que mereceu especial ateno foi o Centro de RecursosGenticos (Cenargen) Braslia (DF), que teve como seu primeiro chefe,o saudoso Dalmo Giacometti. Foram criados, ainda, os Servios de Levan-tamento de Solos e Produo de Sementes e o Centro de Agroindstria deAlimentos no Rio de Janeiro (RJ).As chamadas Unidades de Pesquisa de mbito estadual ficaram assimlocalizadas: So Carlos (SP); Bag (RS); Goiana (PE); Aracaju (SE); Pacajus(CE); Ponta Grossa (PR); Campos (RJ).Quanto aos produtos cacau, caf, cana-de-acar, borracha, foramfeitos acordos cooperativos, aps negociaes, respectivamente com aCeplac, IBC, IAA e Sudhevea. Quanto Sudhevea, decidiu-se instalar umCentro em Manaus (AM) para cuidar de investigaes com a borracha.Tarefa importante realizou-se na montagem e estruturao dos SistemasEstaduais, previsto no Modelo (SNPA Sistema Nacional de PesquisaAgropecuria). Essas aes exigiram ateno pessoal do Ministro e doPresidente da Empresa, pois envolviam aspectos polticos delicados eexigncias jurdicas e administrativas complexas. Na realidade, o Modelo adotado com base em um Sistema Coopera-tivo requeria mudana radical na cultura local, o que obrigou a longas edifceis negociaes com os governos estaduais. Na maioria dos casos foinecessria a participao pessoal do Ministro Paulinelli, dos Governadores edo Presidente da Embrapa.Nem sempre foi possvel criar as empresas estaduais em todas asunidades da Federao. Aderiram ao SNPA: Minas Gerais com a criao daEpamig; Pernambuco com o IPA; Rio de Janeiro com a Pesagro; Gois coma Emgopa; Santa Catarina com a Empasc; Mato Grosso com a Empaer;Maranho com a Emapa; Paraba com a Emepa; Rio Grande do Nortecom a Eparn; Bahia com a Epaba; Esprito Santo com a Emcapa. So Paulo,Paran e Rio Grande do Sul, mediante acordos com a Embrapa, mantiveramsuas organizaes estaduais. Nos territrios de Rondnia, Roraima, Amap,Alagoas, Sergipe e Piau foram instaladas representaes temporrias daEmbrapa mantendo-se as unidades de pesquisa denominadas Uepaes.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 92Sol da manh: memria da EMBRAPA93De incio, esses foram os arranjos institucionais encontrados para a for-mulao do SNPA. Esse modelo foi suficientemente forte para assegurar umaparceria federativa que passou a adotar, em forma articulada e cooperativa,as diretrizes e mudanas propostas na reforma.Restava inserir, nesse esforo conjunto, as universidades vinculadas aoensino das cincias agrrias. Nesse sentido, o Modelo previa a cooperao entreas instituies, sendo que a Embrapa valia-se dos cursos de Ps-graduaopara treinar seus pesquisadores, enquanto os departamentos das universidadesrealizavam projetos de pesquisa aprovados em acordos com a Embrapa.Assim, esse esquema conjunto, funcionou muito bem com a Univer-sidade de Viosa (MG), Escola Superior de Agricultura Lus de Queiroz emPiracicaba (SP), Universidade Federal de Pelotas (RS) e Universidade FederalRural do Rio de Janeiro,RJ.Restava incorporar o setor privado ao esforo cooperativo em implan-tao. Isso foi feito mediante projetos em parceria com as organizaesprodutoras de insumos, cooperativas e empresas particulares do setoragropecurio. A execuo dos projetos de pesquisa era orientada e con-duzida pelo sistema de planejamento adotado, em que todos participavamnos seus respectivos nveis (nacional, regional, estadual e local). A participaopoltica e representativa dos segmentos pblico, acadmico e privado se faziano Conselho Consultivo da Embrapa.Ao instalar-se, em abril de 1973, a principal preocupao daDiretoria foi no sentido de desenvolver um Plano de Ao que, a um stempo, promovesse a implantao dos servios na sede, em Braslia, e nointerior e que se assegurasse a continuidade dos trabalhos de pesquisaconsiderados prioritrios e em execuo pelo Ministrio da Agricultura.Essas aes, em forma resumida foram: recrutamento da equipe na-cional, o inventrio e levantamento do patrimnio atravs de ComissesEspeciais.O inventrio dos bens abrangia 92 bases fsicas. Registravam um valorestimado dos bens calculado, poca, em Cr$ 1.318.000.000,00 (um bilho,trezentos e dezoito milhes cruzeiros). O total geral de funcionrios era desol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 93946.697, sendo 946 de nvel superior. No significava, entretanto, que essesempregados de nvel superior fossem pesquisadores.As atividades de pesquisa em desenvolvimento pelos Institutos e EstaesExperimentais do Ministrio indicavam a existncia de 1.004 subprojetosreferentes a 43 produtos de origem vegetal e seis espcies animais. Foramidentificados 130 convnios diversos entre o Ministrio e diferentes insti-tuies nacionais e internacionais, incluindo governos estrangeiros.A Embrapa tratou de analisar, cuidadosamente, esses acordos, reduzindoe ajustando-os nova orientao. Reconhecendo que um dos problemas sriosda pesquisa agropecuria era a escassez de recursos financeiros, tratou-se,desde logo, de preparar o novo oramento para 1974, na ordem de Cr$ 300milhes. Outra providncia oportuna foi a elaborao do Plano Qinqenalde Pesquisa (1975-1979), onde foram indicados, ano a ano, os dispndios doGoverno Federal (Oramento da Unio) prevendo-se, para 1979, a aplicaode 950 milhes de cruzeiros.Outras aes foram promovidas visando obteno de aumento derecursos, dos chamados PIN e Proterra. Foram preparados projetos naordem de $25 milhes para pesquisa na Amaznia procedentes do BancoMundial. De outra parte, iniciaram-se as negociaes com o BID para umprograma de desenvolvimento de difuso no Centro-sul. Foram adotadasmedidas no sentido de aumentar os rendimentos da prpria Empresa coma venda de produtos de suas bases fsicas e de reas existentes no adequadaspara a pesquisa. A partir de 1973, a administrao da Empresa com recursosda Finep, Semor (Ministrio do Planejamento), iniciou, em forma siste-mtica, estudos de organizao e implementao da sua estrutura bsicatcnico-cientfica, administrativa e financeira. O primeiro ano registra umesforo considervel de articulao mediante diferentes arranjos adminis-trativos nos nveis federal, estadual e regional e com o setor privado. No que toca aos recursos humanos, a Embrapa, valendo-se da flexibilidadeque a lei lhe outorgou iniciou uma poltica agressiva de pessoal. As fontesa que recorreu para formar seu quadro profissional foram, aps criteriosaseleo, os tcnicos do Ministrio da Agricultura, o mercado universitriosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 94Sol da manh: memria da EMBRAPA95Cooperao Embrapa com os Estados. Convnio com oGovernador do Rio Grande do Sul, Dr. Sinval GuazelliFundao, em Florianpolis-SC, da Empresa Estadual com apoio da Embrapa.Preside a reunio o Governador Antonio Carlos Konder Reissol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 9596Dirigentes da JICAJapo discutem cooperao com Embrapa CerradosReunio Pesquisa/Extenso Rural. Renato Simplcio, Presidente da Embrater( direita), Paulinelli, Irineu Cabral e Edmundo Gastalsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 96Sol da manh: memria da EMBRAPA97e as ofertas do setor privado. Um dos atrativos para mobilizao de pessoaltcnico, alm das caractersticas inovadoras da nova Empresa, delineavam-seos estmulos salariais e a formao de uma carreira promissora de pesquisadoragrcola. No ano de 1973, foi elaborada e iniciada a execuo do Programade Recursos Humanos para o binio 74/75.Os projetos de treinamento compreenderam:A Ps-graduao Treinamento em 1973/1974, de trezentos tcnicos nopas e 140 no exterior. Esse projeto foi sendo direcionado no sentido de cursose estudos relacionados com as prioridades da Empresa e desenvolvi-mento de atividades de pesquisa, tambm prioritrias, nas universidades.B Tcnicas de Pesquisa e Experimentao Agrcola Treinamento de 160tcnicos durante o ano de 1974, em cinco cursos de iniciao pesquisa.C Sistemtica de Pesquisa e de Trabalho da Embrapa Treinamento deoitocentos tcnicos, atravs de cinco cursos, durante o primeiro semestrede 1974.D Iniciao Pesquisa Propiciar oportunidades de especializao acem estudantes em 1974 e cem estudantes em 1975.A inverso prevista para esse programa no binio 1974/1975 foi daordem de 68 milhes de cruzeiros.Seguiram-se aes de implantao dos programas, a reviso dos projetosde pesquisa para que se pudesse adotar um novo paradigma quanto a pri-oridades e sua qualidade cientfica. O exerccio de 1974 terminaria com asensao de haver superado obstculos difceis no processo de transio.Apesar das dificuldades de 1974, todas pertinentes ao processo da refor-ma institucional, j em plena fase de implantao, conseguiu a Embrapaexecutar um conjunto de aes consideradas decisivas no cumprimentodo mandato que lhe foi concedido. A atuao da Diretoria Executiva, dosDepartamentos e Unidades descentralizadas foi obstinada. Os esforosforam concentrados e dirigidos, primeiramente, para a estruturao dosCentros Nacionais, cuja localizao e estrutura j haviam sido decididas comsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 9798os produtos prioritrios e as reas selecionadas para a instalao dasUnidades que atenderiam s regies Amaznica, o Semi-rido e Cerrados.No que concerne aos Centros Nacionais de Pesquisa, os estudos res-pectivos foram conduzidos por 98 tcnicos, integrantes de catorze Grupos deTrabalho, incumbidos da elaborao dos anteprojetos de implantao dascorrespondentes Unidades. Esses Grupos de Trabalho, por sua vez, tiveramensejo de consultar 743 tcnicos das mais variadas instituies de pesquisaagropecuria, nacionais e internacionais. Salienta-se a valiosa colaborao,na coleta de subsdios para o modelo nacional, dos representantes dos maisimportantes Centros Internacionais de Pesquisa. Graas aos trabalhosdesenvolvidos pelos citados Grupos, foi possvel Administrao daEmpresa, ainda em 1974, criar e definir a estrutura organizacional dosseguintes Centros:a) Centro Nacional de Pesquisa de Trigo, localizado em Passo Fundo, RioGrande do Sul, mediante utilizao de base fsica da Embrapa, aliexistente;b) Centro Nacional de Pesquisa de Arroz, a que posteriormente foi asso-ciado do Feijo, localizado em Goinia, Estado de Gois;c) Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Leite, em gua Limpa,Municpio de Juiz de Fora, Estado de Minas Gerais;d) Centro Nacional de Pesquisa de Gado de Corte, com localizao emCampo Grande, Estado de Mato Grosso do Sul;e) Centro Nacional de Pesquisa da Seringueira, com localizao em Manaus,Estado do Amazonas, que desenvolveria seus trabalhos em colaboraoe com o apoio da Sudhevea, dando continuidade a programa cooperativode pesquisa j existente;f ) Centro Nacional de Recursos Genticos, com sede em Braslia, devendoutilizar bases fsicas de unidades de pesquisa da Embrapa, ou a ela vin-culadas, como locais ou estaes de manuteno e conservao de materialgentico.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 98Sol da manh: memria da EMBRAPA99Figuraram na pauta, para prxima criao no decorrer, do primeirotrimestre de 1975 os Centros Nacionais de Pesquisa de Milho e Sorgo,Soja e Algodo, alm dos Centros de Pesquisa Agropecuria do Trpicomido (Amaznia), do Trpico Semi-rido (Nordeste) e dos Cerrados noCentro Oeste.Pretendeu-se, igualmente, proceder implantao de programas de pes-quisa, de alcance nacional, para mandioca, fruticultura, olericultura, caprinos,ovinos e sunos, base de estudos j concludos e mediante ampliao pro-gressiva de trabalhos conduzidos por ncleos locais, estaduais ou regionais.Do mesmo modo, estudos foram realizados, no decorrer de 1974, quepermitiram Empresa definir, em 1975, sua forma de atuao, e em nvelnacional, um programa de pesquisa sobre levantamento e conservao desolos e de um sistema institucional de pesquisa sobre tecnologia de alimentos.Igualmente, cogitou-se de estabelecer as bases para atuao da Empresa,em mbito nacional, no campo das pesquisas florestais, em cooperaocom o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF).Minas Gerais, Esprito Santo e Gois criaram e iniciaram, em 1974, assuas empresas estaduais, respectivamente, a Epamig (Empresa de PesquisaAgropecuria de Minas Gerais), a Emcapa (Empresa Capixaba de PesquisaAgropecuria), e Emgopa (Empresa Goiana de Pesquisa Agropecuria),Como se havia previsto no Modelo Institucional da Embrapa, a essas enti-dades estaduais foram delegados os encargos de coordenar a execuo doPrograma Integrado de Pesquisa desenvolvido nas suas respectivas reas dejurisdio. Foram assinados convnios estabelecendo as regras da parceria,abrangendo a compatibilizao de objetivos dessas instituies, a delegaodos poderes da coordenao e execuo das atividades de pesquisa nos esta-dos, a transferncia de imveis e equipamentos da Embrapa para os estados.Alm disso, houve a concesso de recursos humanos e financeiros para aexecuo de projetos e a atribuio de prepararem o Programa Bienal desol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 99100Pesquisa. A Embrapa ficou com o direito de indicar e ocupar o cargo deDiretor de Operaes Tcnicas das empresas estaduais.A definio de um Sistema de Planejamento da Pesquisa Agropecuriatornou-se indispensvel para implantar e dar curso prtico ao ModeloInstitucional da Embrapa. Para isso, partiu-se do princpio segundo o qual aprogramao da pesquisa teria que ser concebida de modo a fornecer rpidasrespostas aos objetivos governamentais que visavam dotar o setor agro-pecurio com conhecimentos cientficos e tecnolgicos capazes de realizaro aproveitamento pleno do seu potencial produtivo.Aprovado seu Modelo Institucional, a Embrapa definiu, tambm, a sis-temtica de planejamento de pesquisa a ser adotada. Essa sistemtica esta-belecia metodologia que permitia definir objetivos e metas; selecionar aesmais adequadas; decidir sobre instrumentos e meios a serem utilizados paraexecutar as aes selecionadas; avaliar resultados e propor ajustes.Fundamentalmente, o Sistema de Planejamento estruturou-se em duasetapas distintas. Na primeira indicativa fornecem-se aos pesquisadoresinformaes das prioridades para utilizao dos recursos da pesquisa: aprogramao descendente. Na segunda programao ascendente recolhem-se as proposies de aes concretas dos pesquisadores no nvel onde elasso geradas, submetendo-se consolidao, nos nveis centralizados.Nesse processo, destacavam-se quatro figuras bsicas. Plano Indicativo,Projetos, Subprojetos e Programas. A elaborao de qualquer deles podeocorrer nos nveis institucional, nacional, estadual, regional ou local. Asaes dirigidas pelo Sistema de Planejamento da Empresa culminam naelaborao do Programa Nacional de Pesquisa Agropecuria Pronapa.O ano de 1974 marca o incio efetivo das atividades de implantao doSistema de Planejamento da Empresa. Naquele ano, buscou-se iniciar aoperacionalizao do Sistema, adotando o oramento-programa como seuinstrumento. A fim de garantir recursos suficientes para a pesquisa, procurou-sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 100Sol da manh: memria da EMBRAPA101se implantar um mecanismo de captao. Na orientao tcnica da pesquisaem si, buscava-se implementar a abordagem de pesquisas em sistemas.Todas essas inovaes previram a capacitao do corpo de pesquisadorespara atuarem dentro das novas normas e orientaes. Atravs de seminriosrealizados nas Unidades de Execuo de Pesquisa, cerca de 690 tcnicosforam treinados sobre como proceder para atuarem dentro do novo sistemaadotado. Todas as informaes pertinentes sistemtica de planejamentoforam reunidas em um Guia, que orientou o pesquisador nos procedi-mentos para programar suas atividades.Em 1974 foi feita a indicao das prioridades de pesquisa, em nvelnacional para, posteriormente, serem identificados os nveis descentrali-zados. Essas informaes constituram parte do Guia de Planejamento edefiniram uma verso-tentativa do primeiro Plano Indicativo Nacional.Na rea de recursos humanos, a Embrapa desenvolveu, em 1974, inten-sa atividade, que envolveu a realizao de seminrios sobre a concepoinstitucional e operativa da Empresa (doze seminrios realizados em trsmeses, com a participao de 585 tcnicos); prosseguiu com a execuo doprocesso seletivo do pessoal do extinto DNPEA incorporado aos servios daEmbrapa. Continuou-se com a elaborao do Plano de Cargos e Salriosda Empresa e subseqente enquadramento do pessoal prprio e dos fun-cionrios selecionados, oriundos do ex-DNPEA (trabalho que abrangeu4.137 empregados e servidores cedidos ou disposio). Concluiu-secom a realizao de cursos de tcnicos de pesquisa e experimentao(envolvendo elementos contratados durante o ano para ampliao doquadro de pesquisadores).A tarefa de maior relevncia foi a conduo do programa de ps-gradu-ao, um dos mais importantes no campo do investimento em recursoshumanos na rea de agricultura de um pas latino-americano. Sua importn-cia decorreu no apenas dos recursos financeiros que o empreendimentosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 101102exigiu, mas, principalmente, da modificao a ser operada em relao aonmero de pesquisadores com formao profissional no nvel de ps-graduao. Ao trmino do programa (30 de maro de 1976), a Embrapacontou com um corpo de pesquisadores constitudo em mais de oitenta porcento de ps-graduados. Esse fato tanto mais significativo se for conside-rado que, antes do advento da Empresa, apenas dez por cento dos pesqui-sadores a servio do Ministrio da Agricultura eram portadores de ttulosde ps-graduao.Em reas crticas das cincias agrrias Entomologia, Fitopatologia,Fisiologia Vegetal, Melhoramento de Grandes Animais, entre outras , quecontava com reduzido nmero de especialistas, a Empresa recrutou profis-sionais recm-formados enviando-os para cursos de ps-graduao, em umtrabalho de capacitao inteiramente voltado para as necessidades maisprementes da pesquisa agropecuria.Do contingente recebido do extinto DNPEA, permaneceram naEmpresa, aps o processo seletivo, 637 pesquisadores e 2.785 auxiliares,totalizando 3.422 servidores. Durante 1974, foram admitidos 176 novostcnicos. No obstante a reduo de pessoal, a pesquisa no sofreu, sob aadministrao da Embrapa, soluo de continuidade, prosseguindo naexecuo das atividades programadas, enquanto cuidava, ao mesmo tempo,de realizar profunda reforma institucional e de mtodos, criando-se comisso meios para que o pas pudesse contar com um Sistema de PesquisaAgropecuria em condies de enfrentar os desafios tcnicos, econmicos esociais de sua agricultura.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 1027NO MUDEM A ROTA: O CAMINHO ESTE QUE FOI TRAADOsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 103104O Presidente Ernesto Geisel faz visita sede da Embrapa no primeiro ms do seu governo. O Ministro Paulinelli, com toda a Diretoria da Empresa e assessores, o recebe e discute o Plano de Ao da Instituio. Neste encontro,o presidente assegurou a consolidao da empresa com apoio dos recursosnecessrios para a implantao das diversas Unidades Descentralizadas da instituio.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 104Sol da manh: memria da EMBRAPA105ecorda-se que em uma das conversaes com Geisel, Paulinelli, jconvidado para o Ministrio, ficou agendada uma visita de trabalho doPresidente Diretoria Executiva da Embrapa, logo no primeiro ms doGoverno.Na primeira quinzena de abril, o Ministro informa que o Presidente Geiselmarcou sua ida sede da Embrapa. Solicitou informaes, antecedentese planos sobre as atividades da Empresa. Organizamos um conjunto dedocumentos para o Presidente. Desde logo, comeamos a nos preparar para oencontro que, para ns, passou a ser histrico e decisivo, face a expectativascriadas em torno da Embrapa no novo governo.Geisel reservava as sextas-feiras para viagens. Desta vez, entretanto, reservoua ltima sexta-feira de maro para dedicar-se a conhecer e debater questesrelevantes sobre a Embrapa e seu futuro. A reunio realizou-se na sede daEmpresa, situada no Palcio do Desenvolvimento, edifcio onde compramostrs andares para as instalaes centrais.O Presidente chegou, pontualmente, s 14 horas e saiu s 17 horas quandose julgou satisfeito com o encontro. Alm de Geisel e seu ajudante deordem, Coronel Moraes Rego, estiveram presentes o Ministro Paulinelli, eseu Secretrio Geral Paulo Romano, o Presidente e Diretores da Empresa,Ivan Cajueiro, Chefe da Assessoria do Presidente da Embrapa, Paulo TeixeiraDemoro, Consultor Jurdico, e Pedro Meron Vieira, Consultor. De incio,o Presidente Geisel solicitou a maior informalidade no encontro estabelecendouma agenda aberta, sempre e quando fossem identificados os problemas,planos e projetos da Instituio. Paulinelli pediu-me, em primeiro lugar,que fizesse uma exposio sobre a situao dos trabalhos da Embrapa eindicasse as aes programadas para os prximos dois anos (1974/1975). Rsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 105106Utilizando transparncias e grficos, expus, basicamente, a concepo eestrutura do Modelo Institucional da Pesquisa Agropecuria para o Pas,produto da reforma aprovada pelo Congresso, destacando os aspectos maisrelevantes da proposta, a nova filosofia de trabalhos, os Centros Nacionais,a articulao com os estados, universidades e setor privado (produtores ruraise suas organizaes,e fabricantes de insumos). Enfatizei, por outro lado, a neces-sidade urgente de especializao (ps-graduao) dos pesquisadores, explici-tando, desde logo, o megaprojeto de enviar para o exterior e para as nossasmelhores universidades, pelo menos dois mil tcnicos nos prximos quatroanos. Salientamos e pedimos ateno do Presidente Geisel para buscar umasoluo para o pessoal excedente, transferido pelo Ministrio da Agriculturae que, pela sua qualificao, no interessava que permanecesse na Embrapa.Outros dois srios problemas referiam-se regularizao do gigantesco acervotransferido Empresa pelo Ministrio e que, seguramente, muitas reas,construes equipamentos no se prestariam para trabalhos de pesquisas.A definio dos recursos financeiros era capaz de responder s necessi-dades de implantao do novo Modelo de Pesquisa e o crescimento projetadopara a Empresa.O Presidente escutou, atentamente, anotando pontos sobre os quais iriacomentar, questionar e fazer recomendaes. Ele tinha muito clara a priori-dade da agricultura e o papel da pesquisa no seu desenvolvimento. Eu haviasolicitado a Pedro Meron que, discretamente, anotasse as intervenes dospresentes, em particular as perguntas e comentrios do Presidente. Aoprepararmos a memria do encontro verificamos o surpreendente conheci-mento de Geisel sobre os temas postos na mesa. Foram dezessete as inter-venes do Presidente, entre as quais destacamos: sua satisfao por encon-trar a Diretoria da Embrapa consciente e segura sobre como conduzir a suaimplantao. Felicitou-nos pela clareza das nossas exposies sobre asquestes ligadas s polticas de recursos humanos, os procedimentos ecritrios da implantao do novo Modelo e assuntos relacionados cap-tao de recursos financeiros. Geisel havia adquirido grande experinciaem questes de cincia e tecnologia quando exerceu as funes de Presidentesol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 106Sol da manh: memria da EMBRAPA107Antes de deixar a sede da Embrapa o Presidente Geisel assegurou:No mudem a rota: o caminho este que foi traadoO presidente Geisel caminha, em companhia do Ministro da Agricultura AlysonPaulinelli, nos campos experimentais do centro de Pesquisa do Cerrado,Planaltina/DFsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 107108Cooperao institucional:Convnio Embrapa/Ceplac para desenvolvimento de pesquisas com cacau. Assinatura de J. Irineu Cabral e Jos Haroldo de CastroMinistro da Agricultura Alyson Paulinelli e o Presidente da Embrapa J. Irineu Cabralinauguram o Centro de Pesquisa Agropecuria Embrapa Cerrados, Planaltina/DF.Presentes: Diretor Edmundo Gastal, Elmar Wagner e Delmar Marchetisol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 108Sol da manh: memria da EMBRAPA109da Petrobras, ocasio em que criou o pioneiro Centro de Pesquisa emManguinhos, no Rio de Janeiro. Alegou, de pronto, algumas preocupaessobre a capacidade da Embrapa em apoiar a auto-suficincia de alimentos deconsumo popular no pas. Foi seco e direto ao tema. Como Chefe da Naoe em um pas como o nosso, no admitia a importao de feijo, arroz, trigo,milho e leite. Para ele, a Embrapa s tinha sentido existir se, via pesquisa ea ajuda direta de crdito e assistncia tcnica, resolvesse o atendimento demanda de alimentos essenciais populao brasileira. Lanava um desafio Diretoria da Empresa para que cumprisse metas de auto-suficincia esustentabilidade na produo desses alimentos. Daria todo apoio, irrestritoe imediato para a consecuo desses objetivos. E iria cobrar resultados.Recomendou aes para a produo de pequenos animais de modo especial acriao de sunos, aves, ovinos e caprinos.Para o Presidente, foi gratificante ouvir as prioridades para o desenvolvi-mento da Amaznia, a Regio Semi-rida do Nordeste e a opo para ocupaoda vasta fronteira agrcola constituda pelos cerrados. Somente esses trabalhosjustificariam a criao da Embrapa. Prometeu resolver o problema do exce-dente de funcionrios do DNPEA (transferindo-os para a Rede FerroviriaFederal). Quanto ao plano de treinamento de pessoal dava apoio total.Em relao aos recursos financeiros concordou em ampliar o oramento doMinistrio para a nova Empresa e apoiar as negociaes de captar recursosexternos via bancos Mundial e Interamericano (BIRD e BID). O Presidenteafirmou que gostaria de ver a Embrapa atuando com o prestgio e com a efi-cincia da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), empresado Ministrio de Minas e Energia. Terminado o encontro, s 17 horas, oPresidente voltou Granja do Riacho Fundo. Na despedida, estimulou osdirigentes da Embrapa e a mim, antes de embarcar no seu carro, na caladado Palcio do Desenvolvimento. Disse que gostaria de acompanhar de pertoo desenvolvimento dos trabalhos. Iria prestigiar a instalao dos CentrosNacionais e Servios.No mudem a rota pois o caminho este que foi traado, disse Geisel.O Presidente cumpriu tudo que prometeu nos cinco anos que se seguiram.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 109110Na suas memrias, publicadas pelo CPDOC da Fundao Getlio Vargas(1997), perguntado como a Embrapa atuou no seu Governo, respondeu: A Embrapa comeou no governo Mdici, mas ns lhe demos muita ateno edesenvolvimento. Muitos tcnicos e agrnomos foram enviados ao estran-geiro para se aperfeioar. Com o Paulinelli criamos vrios Centros de Pesquisada Embrapa espalhados pelo Pas: no Rio Grande do Sul, em Passo Fundo,funcionava o do trigo; em Mato Grosso, o do gado de corte; na Paraba, o doalgodo; em Gois, o do feijo, e assim por diante. Havia diversos Centroscom tcnicos em cada regio, de acordo com a sua especialidade. Faziam seleode sementes e outras pesquisas como a de forrageiras, e os resultados eramaproveitados na agricultura e na pecuria. Havia tambm outra empresa, aEmbrater, que dava assistncia aos agricultores. Ainda existe hoje algum resqu-cio dessa atividade, (Embrater) mas sem projeo e definhamento.Sempre houve uma grande curiosidade sobre at onde os governos doperodo autoritrio influenciaram as atividades e a gesto da Embrapa. Noperodo que compreendeu todo o processo de criao no se conhecenenhum registro, de qualquer natureza, que caracterize influncia dogoverno na coordenao dos negcios. A direo da Instituio no recebeunenhuma recomendao de teor ideolgico ou poltico. Ao contrrio. Tinhaque manter-se como uma entidade tcnico-cientfica a servio do cresci-mento econmico e do bem-estar social da agricultura.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 1108COBRANA DE RESULTADOS:PACOTES TECNOLGICOSsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 111112Pesquisadores, extensionistas e produtores observando um pacotetecnolgico da cultura da soja no CPAC Embrapa Cerradossol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 112Sol da manh: memria da EMBRAPA113Direo da Embrapa estava convencida das enormes dificuldadesque teria de enfrentar nos seus primeiros anos de vida. Alm dos pesadosencargos que se deparavam com a transferncia do DNPEA/ Ministrio daAgricultura haveria, seguramente, que responder s cobranas naturais porresultados. Pelo planejamento estratgico adotado, somente a partir do terceiroano (1975) comeariam a despontar retornos do esforo realizado. A imprensacomeou a publicar algumas reportagens preocupadas com certa lentidoquanto a resultados de pesquisas. Em parte tinha a mdia razo, pois as novasunidades da Empresa estavam em plena fase de estruturao, algumas refor-mando edifcios, outras construindo e fazendo obras e quase todas aguardandoo regresso dos pesquisadores em treinamento. As articulaes com os estadose a criao das novas empresas estaduais tambm sofriam do mesmo problemanaquela etapa delicada da implantao da reforma. Muitos pesquisadoresestavam sendo encaminhados para treinamento no exterior.Reunimos a Diretoria Executiva e analisamos com extrema seriedade asituao. Teria que ser feita alguma coisa no sentido de ultrapassarmos a fasede planejamento e organizao. Existia um estoque razovel de resultados deprojetos de pesquisa produzido pelo DNPEA/ Ministrio da Agricultura epor outras instituies estaduais e pelos prprios agricultores. Resolveu-se,ento, realizar-se, de forma racional, um esforo conjunto dirigido no sentidode reunir os representantes dessas instituies e estruturar um programa dedifuso dessas tecnologias. A idia foi no sentido de formular sistemas de produo utilizando-seos conhecimentos disponveis e divulg-los, da melhor maneira possvel,entre grupos de agricultores. Esses sistemas de produo passaram a serconhecidos como os pacotes tecnolgicos. A fim de evitar improvisao,Asol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 113114foi atribuda a essa idia muita seriedade, tratamento responsvel e, estrita-mente, profissional. O primeiro passo foi convocar um selecionado grupo depesquisadores e representantes dos servios de assistncia tcnica para debater,em profundidade, uma proposta de lanamento dos pacotes tecnolgicos.Como resultado dessa providncia foi preparada uma Metodologia paraElaborao de Pacotes Tecnolgicos que passou a constituir-se em umdocumento orientador das aes da Embrapa, dos Servios de ExtensoRural e da participao dos produtores. poca, era muito claro que oproblema bsico das instituies de pesquisa e de assistncia tcnica, dentrodo seu campo de responsabilidade em relao ao desenvolvimento daagricultura, era o de fazer com que o produtor rural incorporasse as novastecnologias aos processos produtivos. A Revoluo Verde, em outros pases,estava adotando programas e realizando aes com a utilizao intensivade fertilizantes e sementes de boa qualidade. Isso aumentava a cobrana.O exame da situao tecnolgica da maioria dos cultivos e criaesrevelava que os produtores se estratificavam em forma de uma pirmide. Notopo, um pequeno e privilegiado nmero de produtores que empregavatecnologias avanadas. Na base, uma quantidade elevada trabalhando combaixos nveis tecnolgicos. Decorria que a produtividade mdia obtida, comgrande nmero de produtores, eram inferiores, em alguns casos, s mdiasmundiais obtidas nos pases de agricultura desenvolvida. A mudana dessequadro exigia que a pesquisa e a assistncia tcnica passassem a adotar ummodelo de difuso de tecnologia mais dinmico, damandando interaomais sistemtica entre pesquisadores, agentes de assistncia tcnica e produ-tores. Em outras palavras: a tecnologia devia preencher, basicamente, orequisito de ser til, ou seja, aquela agronomicamente vivel e economica-mente rentvel para o produtor rural.O pacote tecnolgico idealizado caracterizava-se por um conceitosimples envolvendo os seguintes componentes:a) um conjunto de insumos quantificados, partindo da idia de que oprocesso produtivo agropecurio envolve a combinao de fatores desol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 114Sol da manh: memria da EMBRAPA115Dr. Roberto De Ben, pioneiro em projetos de pesquisa em biotecnologia.Participou da pesquisa que resultou na bezerra Vitria, o primeiroclone animal brasileiro desnvolvido pela Embrapa Inaugurao do Centro de Pesquisa de Algodo. O Presidente da Repblicaobserva uma pea antiga de fiao guardada no Museu do Algodo, Campina Grande/PBsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 115116Homenagem ao Dr. Dalmo Giacometti (segundo esquerda),um dos primeiro chefes do Cenargen, Embrapa BiotecnologiaA bezerra Vitria. Produto das pesquisas biolgicas da Embrapasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 116Sol da manh: memria da EMBRAPA117produo como terra, equipamentos, fertilizantes, sementes etc.b) um conjunto de conhecimentos sobre como combinar esses insumosa fim de maximizar e validar o pacote. Alm disso, deviam-se indicarconhecimentos a respeito do tipo de produtor para o qual destinado opacote.c) um conjunto de conhecimentos a respeito de mercado, preos deinsumos e servios, tendncias de cotaes e quantidades fsicas dosinsumos recomendados. As recomendaes deviam-se aproximar aomximo da realidade do produtor.A metodologia aprovada concentrava suas aes nos objetivos e organiza-o de reunies entre pesquisadores, extensionistas e produtores. Os eventospara definio dos pacotes realizavam-se em local adequado junto s reasde produo durante uma semana, com pautas bem precisas e intensa par-ticipao dos atores do processo produtivo. Ao final, elaboravam-se as infor-maes finais em forma clara e simples, de tal maneira que poderiam serabsorvidas por todos os interessados, especialmente pelos produtores rurais. Foram lanados em 1974 e 1975 mais de cem pacotes correspondentes avrios sistemas de produo. Uma das caractersticas desses projetos correspon-dia a que referiam-se, precisamente, s reas onde se desenvolviam, especifi-camente. So exemplos tpicos os seguintes Pacotes Tecnolgicos:recomendaes para o desenvolvimento da Bacia Leiteira de Batalha Alagoas; Recomendaes para o Desenvolvimento da Cultura do Tomate dePetrolina Pernambuco; Recomendaes para o Desenvolvimento doPessegueiro, na Sub-regio de Pelotas Rio Grande do Sul.Os pacotes tecnolgicos alcanaram enorme popularidade, particular-mente, entre os agricultores e criadores de animais. A Embrapa encarregou-sede fazer ampla divulgao nos principais jornais, revistas, rdios e televises. Asedies em folhetos esgotavam-se rapidamente. As solicitaes s Unidades daEmpresa eram numerosas. O Ministro Paulinelli e eu, como Presidente daEmbrapa, tnhamos colees em nossos gabinetes que eram consumidas,rapidamente, por polticos e pessoas que freqentavam o Ministrio.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 117118Relatrio produzido pela Embrapa, em fins de 1979, registra queforam produzidos em torno de setecentos pacotes tecnolgicos. Esse relatodemonstra duas situaes: a criatividade da administrao da Embrapa paraenfrentar as primeiras cobranas sobre os resultados de pesquisa no difcilperodo de sua implantao e, possivelmente, o esforo mais organizado eeficaz de articulao institucional e tcnica entre a pesquisa, assistnciatcnica e produtores rurais.Em 1986, a Editora Polis com o CNPq, publicaram o livro Abrindo oPacote Tecnolgico Estado e Pesquisa Agropecuria, de autoria de RonaldoAguiar. Provavelmente esta foi a publicao mais contundente questionandoa reforma que criou o Sistema Nacional de Pesquisa Agropecuria e oModelo da Embrapa.As teses de Ronaldo sustentavam, basicamente, as supostas fragilidadesconceituais de ser a Embrapa um empreendimento que, nascia, influenciadopela fora econmica das multinacionais do agronegcio internacional e,certamente, inspirada nos fundamentos da Revoluo Verde e do regimeautoritrio, que vivia nos seus ltimos dias no Brasil.Conversei, vrias vezes, com o competente autor do Abrindo o PacoteTecnolgico, explicando-lhe que a fundao da Embrapa, ao menos, nasua primeira dcada de vida e, em todo o perodo da construo dos seusprincpios, fundamentos e operaes, no recebera nenhuma influncia eorientao que viesse a depender de empresas multinacionais ou inspiraesdos produtores de insumos. Todo o processo de implantao da Embrapa foi conduzido, nos seusprimeiros anos, com uma grande vantagem sobre outras instituies no pas:todo trabalho realizado sempre foi acompanhado de transparncia e a preo-cupao de informar ao pblico e s autoridades as atividades e planos daInstituio. Por outro lado, a fim de atenuar possvel resistncia reforma dapesquisa foi estabelecida uma estratgia para criar e consolidar uma imagemsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 118Sol da manh: memria da EMBRAPA119positiva da Empresa. Desde o incio, foi estruturada uma pequena unidadede comunicao social destinada a executar um programa de promoo embusca de uma identidade que evidenciasse as transformaes havidas no SistemaNacional da Pesquisa Agropecuria e sua misso em favor da agricultura.Nessa linha, comeamos por instituir, no primeiro ano, um prmionacional para pesquisadores que se destacaram ou viessem a destacar-se comseus trabalhos de investigao. Esse prmio denominado Frederico MenezesVeiga homenageava um tcnico da Ministrio da Agricultura, Chefe da EstaoExperimental de Campos, no Estado do Rio de Janeiro. Menezes Veiga foio criador das variedades BR de cana-de-acar, responsveis pelas safras demais de 2/3 da produo nacional. O prmio seria concedido, anualmente,no dia 26 de abril, data do aniversrio de fundao da Embrapa. At os diasde hoje o Frederico Menezes Veiga concedido em cada 26 de Abril.Outra iniciativa importante foi o lanamento do logotipo que passaria aser a marca da Instituio. O projeto da marca foi precedido de concursopblico e entre as concorrentes venceu aquela que passou a rotular todas aspeas e instrumentos de trabalho da Empresa, at o ano de 1996 quando foisubstituda pela atual. Ajudou-nos na escolha final o conceituado designerbrasileiro Alosio Magalhes, que havia sido meu colega na FaculdadeNacional de Direito da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro.O primeiro aniversrio da Empresa foi comemorado em meio s mani-festaes de prestgio do governo. A oportunidade serviu para outorga doprimeiro Prmio Frederico Menezes Veiga. Houve a degustao de produtostrazidos das unidades nos estados (vinhos de Bento Gonalves, iogurtes equeijos de bfalos de Belm, queijos de Cndido Tostes, Juiz de Fora emMinas Gerais, pes e produtos com soja, Centro de Tecnologia de Alimentosdo Rio de Janeiro, doces de Cascata, Pelotas no Rio Grande do Sul, guaranem p de Manaus e outros).A ocasio, deliberadamente, se prestava para produo do Relatrio daAtividades de 1973, a exibio de auxlios visuais sobre a reforma dapesquisa, fotos histricas da fundao da Empresa e todo um aparato de arsolene, mas simples e elegante, nos sales do Hotel Nacional de Braslia. Osol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 119120que se pretendia era marcar o momento nico de vir a pblico e expor a mis-so da Embrapa.Essas atividades de 26 de abril de 1974, sem dvida, iniciaram umaseqncia regular de comemoraes anuais, cada vez mais concorridas eprestigiadas. Criou uma tradio.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 1209AMEAASsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 121122Presidente Geisel (centro), antes de deixar o governo, desativou a representao do Servio Nacional de Informao, funcionando na sede da Embrapasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 122Sol da manh: memria da EMBRAPA123epois da visita do Presidente Geisel sede da Embrapa, em fins demaio de 1974 e visitas suas aos Centros Nacionais de Pesquisa, a Direo daEmpresa sentia-se mais confiante e segura quanto ao seu futuro. Paulinelliprestigiava, em todos os momentos, as nossas aes.Uma surpreendente notcia nos chegou ao conhecimento informandoque a International Plant Breeding IPB, com sede na Inglaterra e financiadabasicamente pela Shell Company, estava adquirindo reas no Rio Grande doSul, com o propsito de fazer experimentos e testes com materiais genticosde sua propriedade. As experincias seriam conduzidas, inicialmente, comtrigo, soja e milho. A IPB tratava de envolver pesquisadores brasileiros, notadamente, aque-les que atuavam em projetos com melhoramento de soja e trigo e que, sobcertos aspectos, j detinham a criao de novas variedades dominadas no suldo pas. A notcia, em si mesma, no nos assustava. O que nos preocupavaera a aquisio, pela IPB, de materiais genticos de pesquisadores nacionaise que seriam incorporados s colees e bancos genticos de uma empresaestrangeira. Mais tarde, tomamos conhecimento de viagens sucessivas ao Brasildo Presidente da IPB com o intuito de fechar negcios com os nossos tcnicose, em alguns casos, adquirir glebas apropriadas para realizao de experi-mentos. Pessoalmente, fiquei em alerta, pois conhecia a atuao do GrupoRockfeller no Brasil, quando perdemos preciosa coleo de leguminosas bra-sileiras que foram levadas para outros pases, particularmente para Austrlia.Chegou-me s mos um dossi com papel timbrado da IPB, commemorial, dirigido ao Presidente da Repblica, propondo, nada mais nadamenos, a criao, no Brasil, de um Conselho Nacional de Pesquisa Agrcola,em substituio Embrapa. As proposies se apoiavam em argumentos deDsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 123124que a nova empresa estatal no teria eficincia, custava muito caro ao Governoe no correspondia s urgentes necessidades da agricultura brasileira. O novoConselho teria as funes de formular as diretrizes da pesquisa agrcola, masas operaes seriam delegadas iniciativa privada. No caso, a IPB seria con-tratada para distribuir os materiais genticos de sua coleo internacional,por preos cobrados dos agricultores atravs de um mecanismo de royalties.De imediato, acionei o professor Almiro Blumenshein, Diretor da Embrapa,para as questes cientficas a fim de ajudar-me a abortar essa idia intem-pestiva e absurdamente fora de propsito. A morte prematura da Empresa,criada aps uma histrica deciso poltica e o trabalho penoso de engenhariainstitucional desenvolvido pelas equipes de tcnicos nacionais seria motivode uma terrvel frustrao nacional. O pior de tudo isso nos foi reveladoposteriormente que a proposta da IPB teria o apoio e aval do embaixadorbrasileiro em Londres Roberto de Oliveira Campos, brilhante economistabrasileiro, mas ferrenho defensor do esvaziamento do Estado. A iniciativacontava, tambm, com a simpatia do Chefe da Casa Civil, da Presidncia daRepblica, o General Golberi do Couto e Silva.Preparamos uma cuidadosa e consistente defesa da autonomia e inde-pendncia do novo Modelo da Pesquisa Agrcola para o Pas, atravs dos CentrosNacionais, das Empresas Estaduais e da articulao com as Universidades esetor privado nacional. A cooperao internacional seria desenvolvida comos Governos estrangeiros, os Centros Internacionais e, basicamente, atravsdas Agncias Internacionais, das quais o Brasil fazia parte: ONU, FAO,BIRD, BID, IICA. O presidente da IPB tentou, vrias vezes, envolver o pro-fessor Almiro Blumenshein no intuito de convenc-lo sobre a melhor opoproposta pela multinacional, qual seja a de extino da Embrapa e delegaoda gerao e difuso da pesquisa (mediante remunerao a ser paga pelosagricultores IPB) atravs da venda de materiais genticos. A nossa posiofoi levada ao Ministro Paulinelli que, em seguida, encaminhou a posio danossa Diretoria ao Presidente Geisel. O assunto foi de pronto rechaado peloPresidente que mandou arquivar o dossi IPB. O estranho, nisso tudo, que esses documentos desapareceram.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 124Paulinelli e Irineu Cabral sempre deram irrestrito apoio ao Programa deTreinamento de Pesquisadores no Exterior, dificultado vrias vezes pelo represen-tante do Servio Nacional de Informao, funcionando na Sede da Embrapa J. Irineu Cabral despede-se da Embrapa. Fernando Luz, Chefe da Assessoria de Comunicao Social oferece, de presente, lbum de fotos feitasdurante o mandato da Diretoria Executiva, perodo 1973/1979.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 125126Material gentico de excelente qualidade, produzido pelos pesquisadores daEmbrapa, cobiado por empresa multinacionalsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 126Sol da manh: memria da EMBRAPA127Um dos problemas enfrentados, no perodo que compreende a data de suainstalao at o final de 1979, foi o funcionamento do brao do SNI,dentro da Empresa. A organizao desse servio obrigava que existisse umaDiviso nos Ministrios e, geralmente, uma Assessoria nas Empresas Pblicasou importantes departamentos do Governo. No caso do Ministrio daAgricultura a Diviso do Servio de Informao tinha como diretor o coronelJoo Marques Ambrsio. A Unidade da Embrapa era chefiada pelo Generalda Reserva Otvio Borba. At hoje, no se entende por que esse oficial doexrcito foi designado para a Embrapa. Poderia tratar-se de uma Instituiocom um nmero expressivo de funcionrios sendo que, nos seus quadros,integravam tcnicos e especialistas de formao acadmica aprimorada,pesquisadores e cientistas de avanada capacidade intelectual e, de certamaneira, com qualidades de liderana. O general Borba comeou a estruturar a sua unidade com sofisticado aparatode planejamento, envolvendo funcionrios, por ele escolhidos, na sede deBraslia e nas unidades descentralizadas da Empresa nos estados. Em Braslia,fez construir um conjunto de salas, impermeabilizadas contra transmisso desom, telefones diretos e, funcionrios de sua inteira confiana. No fora a maneirade atuao do General Borba, o SNI no teria incomodado a Direo daEmpresa. O coronel Ambrsio da DSI do Ministrio da Agricultura eraatencioso e, muitas vezes, tivemos de recorrer a ele para resolver problemascriados pelo General Borba. Como o levantamento das fichas dos pesquisadoresselecionados para treinamento no exterior. Sem isso, os tcnicos no estariamliberados para viajar. Problemas para permisso de representantes assistirem acongressos cientficos, reunies tcnicas tanto no exterior como dentro dopas. O General vivia preocupado com a minha segurana pessoal. Dava-meinstrues e orientaes como me movimentar no trajeto de casa, nasviagens. Chegou a adquirir uma arma para minha defesa pessoal. Asnomeaes de chefias de unidades eram filtradas com extremo rigor e, svezes, chegavam s nossas mos recomendaes de impedimentos por questesideolgicas.Tais situaes eram resolvidas pelo Ministro da Agricultura e peloCoronel Ambrsio com posies e atitudes firmes de minha parte.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 127128Certa vez, em 1977, tnhamos que formar nossa representao depesquisadores para o Congresso da Sociedade Brasileira para o Progresso daCincia (SBPC). O general Borba vetou todo o grupo. Desta vez, no con-segui segurar minha indignao, pois tratava-se de uma delegao da elite depesquisadores. Todos tinham elaborado textos rigorosamente cientficos.Seria um desprestgio, uma empresa lder do governo, impedida de apre-sentar os resultados tcnicos dos seus trabalhos. Convoquei o General paraconhecer as razes de suas recomendaes. No recebi nenhuma justifica-tiva objetiva que me convencesse. Fui firme e claro com ele na conversa quetivemos.No aceito sua opinio. Vou levar o assunto para deciso do MinistroPaulinelli.S que o dilogo foi spero. Pela primeira vez, em cinco anos de Embrapa,fui ao pronto-socorro medir a presso acompanhado por Rubens Liscinio,meu chefe de Gabinete, pois no tive condies de suportar as repetidas einsolentes manifestaes do General Borba.Com o processo de distenso adotado no Governo Geisel, no final de 1979,a estrutura descentralizada do SNI nos Ministrios e, especialmente, nasempresas pblicas foi, praticamente desativada. Quando Eliseu Alves assumiua Presidncia, substituindo-me, um dos seus atos iniciais foi devolver o GeneralBorba DSI do Ministrio da Agricultura. Logo Eliseu, contra quem oGeneral Borba tinha srias restries, alegando, sempre, que se tratava de umcomunista perigoso. Na verdade, a Direo sempre se conduziu em um plano demuita confiana com os trs ministros que ocuparam o cargo de 1972 a 1979.A Embrapa enfrentou outras ameaas srias. Uma delas foi a nomeaodo engenheiro agrnomo, Lus Carlos Pinheiro Machado, como presidenteda Empresa, com a entrada do Ministro da Agricultura Pedro Simon naPresidncia de Jos Sarney. As idias e atitudes de Pinheiro Machado provo-caram discusses internas apaixonadas, criando polmicas e fomentandocorrentes e blocos ideolgicos. Esse perodo no deixou de constituir-se emuma forte ameaa estabilidade da Instituio, mas a histria ser relatadaem um dos captulos seguintes.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 128Parte IIALTOS E BAIXOSA agricultura de preciso ser, cada vez mais, um dos pontos altos dosprojetos de pesquisa da Embrapa.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 13110uma transio tranqilasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 133134Reunio da Diretoria Executiva da Embrapa. Presentes, J. Irineu Cabral e Eliseu Alves, que o substituiu na Presidncia em 16.3.79.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 134Sol da manh: memria da EMBRAPA135novo Presidente da Repblica, que assume em 1979, o General JooBatista Figueiredo. As especulaes se equivocaram. O novo Ministro daAgricultura no deixou de ser uma surpresa: Antnio Delfim Netto, o econo-mista que sempre se dedicou aos temas e atividades econmicas. A sua pre-sena, frente da pasta da produo agrcola, poderia receber um grandeapoio do Governo, especialmente da rea financeira devido ao seu prestgioe sua liderana. Em Braslia criou-se uma enorme curiosidade em tornodos nomes que seriam recrutados para a chefia dos principais setores doMinistrio da Agricultura.Eu havia decidido, meses antes, no pleitear a permanncia na Presidnciada Embrapa. Sentia-me cansado, aps sete anos de intensas atividades,viagens, reunies, debates, alm de estar convencido da necessidade de umarenovao. Precisava-se, de outra parte, assegurar continuidade e harmoniana transio que se avizinhava com a sada do governo do Presidente Geisele do Ministro Alysson Paulinelli.Os candidatos naturais seriam os Diretores Executivos. Todos os trs,conhecendo minha desistncia de pleitear o cargo, haviam me informadoque desejavam ocupar a Presidncia da Embapa. Gastal e Almiro contavamcom o apoio e simpatia de lideranas do Rio Grande do Sul e So Paulo.Eliseu, articulava-se com o Economista Afonso Pastore, ex-presidente doBanco Central e amigo do novo Ministro da Agricultura Delfim Netto.Episdio curioso ocorreu no perodo de transio. Recebi um chamadodo economista Rubens Vaz da Costa, que vivia em So Paulo, amigo deDelfim. Foi tambm Secretrio da Fazenda do Governador Paulo Malufe Diretor do BID. Trabalhamos juntos em Washington, Estados Unidos.Pedia-me Rubens Costa que fosse receber, no aeroporto de Braslia, o novoOsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 135136Ministro da Agricultura, Delfim Netto. Adiantou-me que havia recomendadoa minha permanncia. Delfim teria aceitado a sugesto e precisava conversarcomigo. Insistiu Rubens no meu contato com o novo Ministro. O certo que no compareci ao aeroporto e justifiquei-me ao amigo, Rubens Costa.No final das contas, Eliseu foi nomeado com o apoio de Afonso Pastore. Athoje, guardava comigo essa histria, acreditando que Delfim teria feito umaenorme confuso imaginando Irineu e Eliseu como a mesma pessoa. SomenteRubens, Pastore e o Ministro podem esclarecer esse curioso mal-entendido.Com a perspectiva da mudana do Presidente da Repblica eu vinha,h algumas semanas, preparando-me para passar as funes a um novoPresidente da Embrapa.Com a transmisso de cargo para Eliseu Alves, a mudana de comandotranscorreu tranqila, em um ato interno, assistido apenas pelo pessoal dacasa. No houve discursos. Havia combinado com Eliseu uma transiosimples passando a sensao de absoluta normalidade na continuidade dostrabalhos da Empresa. Afinal de contas o meu substituto, era companheiroda equipe de fundao da Instituio desde o incio dos estudos prepa-ratrios da reforma, quando participou, nas definies conceituais da novaInstituio, na mobilizao dos recursos humanos, na informatizao e nosconstantes debates entre os membros da Diretoria Executiva.Fiz questo de entregar a Eliseu um relato resumido de algumas conside-raes e sugestes, resultado das observaes cotidianas ao longo dos ltimosanos da Instituio. Estivemos juntos, no mesmo barco, e considerava meudever recordar aspectos relevantes da implantao da Embrapa, que pudessemservir de subsdio ao comandante da casa, a partir daquele momento.Na verdade, muito mais do que sugestes, os aspectos por mim levanta-dos, constituam uma espcie de lembretes de medidas sobre as quais,em sua grande maioria, tivemos ensejo de, mais de uma vez, trocar idias eimpresses, durante a convivncia diria. Algumas medidas, j em incio deexecuo, enquanto outras tiveram de ceder passo a providncias cujoestudo e implantao se afiguravam mais prementes; todas, no entanto,de inegvel valia para constante aperfeioamento das atividades tcnicas esol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 136Sol da manh: memria da EMBRAPA137Flagrante da inaugurao do Centro de Caprinos em Sobral, Cear.Aparecem na foto o Governador Virglio Tvora, o Presidente da Embrapa EliseuAlves e o Chefe do Centro Elino de MoraesDelmar Marchetti e o Ministro Amauri Stabili durante o II Seminrio Nacional de Pesquisa de Soja.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 137138Edmundo da Fontoura Gastal, Eliseu Roberto de Andrade Alves e RobertoMeirelles Miranda foram os primeiros Diretores Executivos da Embrapa.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 138Sol da manh: memria da EMBRAPA139administrativas cuja execuo o Governo Federal cometeu Embrapa. Os subsdios que ofereci ao novo Presidente enfatizaram aspectos institu-cionais, programao e execuo de pesquisa, recursos financeiros, humanose cooperao interinstitucionais. Lembrei, tambm, pela sua importncia,questes ligadas transferncia de tecnologia, gesto da entidade e sobrealguns projetos em fase de estudos conclusivos em diferentes Unidades daEmpresa com pesquisas de eqdeos, agrometeorologia, recursos hdricosdos cerrados, cigarrinha das pastagens, produo de biogs e biofertilizantes,alm de um projeto especial de engenharia agrcola.Destaquei, na ocasio, que estava certo da compreenso do novo dirigenteda entidade quanto oportunidade da apresentao do rol de medidas eprovidncias enunciadas. O documento entregue a Eliseu, a meu ver, considerado to importante para a memria da Embrapa que segue, noanexo n 3, neste livro.O perodo da administrao de Eliseu Alves (16 de maro de 1979 a 15de maio de 1985) caracterizou-se por uma gesto, relativamente tranqila,considerados os cuidados necessrios para preservar os fundamentos, princ-pios e diretrizes que foram adotados pela Diretoria Executiva anterior, ondeele era um dos seus membros.O primeiro problema que Eliseu enfrentou foi no poder escolher ostrs Diretores Executivos como gostaria. Raymundo Fonseca de Sousa,pesquisador da Embrapa e Chefe do Centro de Fruticultura de Cruz dasAlmas (BA), fora indicado pelo Governador Antnio Carlos Magalhes.Agide Gorgatti Netto, ex-diretor do Instituto de Tecnologia de Alimentos ITAL, SP foi uma indicao de So Paulo. Jos Prazeres de Castro,pesquisador da Embrapa, foi uma escolha do novo Presidente. Os trspossuam ttulos acadmicos e experincia administrativa. As atribuiesdos Diretores foram definidas por regies do pas.A transio realizou-se em um momento da crise com a alta internacionaldo petrleo, o endividamento externo em crescimento e inflao interna,subindo de 40% em 1978 para 110% em 1980. Os sinais de recesso eramevidentes. Muitas greves faziam parte do quadro poltico da poca.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 139140Essa situao, entretanto, no afetaria diretamente a Embrapa. Eliseucontava com saldos financeiros e um oramento para 1979, com recursos dotesouro, convnios, projetos cooperativos e provenientes de fontes externas,especialmente os do Banco Mundial e Banco Interamericano, financiadoresdas novas construes dos Centros Nacionais, do treinamento dos pesqui-sadores em cursos de ps-graduao, a compra de equipamentos para novoslaboratrios e a contratao de consultores externos todos dispndiosabsolutamente necessrios implementao da Empresa.O grande mrito de Eliseu foi a sabedoria de no haver modificado aestratgia de implantao da Empresa e o modelo de pesquisa adotado, cul-minando, efetivamente, com sua real consolidao nos primeiros catorzeanos de existncia. A propsito, convm recordar que algumas instituiesbrasileiras, de grande sucesso, contaram com administraes consistentescontinuadas, e eficazes, pelo menos nos seus primeiros dez anos. Como bonsexemplos citam-se a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), IAC(Instituto Agronmico de Campinas), Embraer, IBGE, Petrobras, FundaoOswaldo Cruz, Universidade de Viosa-MG, Hidreltrica de Itaipu e outros.A Embrapa conseguiu a faanha de assegurar duas administraes por,praticamente, quinze anos. Acrescente-se, a tudo isso, que os dois primeirosPresidentes foram integrantes da equipe que planejou a Empresa e so deorigem dos Servios de Extenso Rural.A introduo de alguns ajustes na estrutura da Instituio foi fruto naturaldo seu crescimento. Nessas condies, adotou-se nova orientao para oSistema de Planejamento outorgando prioridade aos Sistemas Estaduais econcentraes das aes de pesquisa nas unidades de Empresa. Essa novi-dade denominou-se Modelo Circular de Planejamento de PesquisaAgropecuria. A essa altura, o trabalho iniciado em 1975 resultava emcatorze Empresas Estaduais de Pesquisa e a integrao institucional com asSecretarias de Agricultura de So Paulo, Rio Grande do Sul e Paran.Um estudo apresentado no relatrio do ano de 1982 revela que, em 1980,a Embrapa manejava recursos da ordem de US$ 150 milhes. Representavaa metade dos investimentos em pesquisa agropecuria realizados no pas.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 140A transio de mando para o Presidente Eliseu Alves foi tranqila comofoi harmonioso o perodo de mais de seis anos de convivncia que mantive-mos desde os preparativos da fundao. Para no dizer que tudo eram flores,tivemos algumas opinies divergentes ao longo dos primeiros anos deimplantao.Primeiro, no concordava com a alta prioridade dada s universidadesamericanas para o treinamento de ps-graduao dos nossos pesquisadores.Sempre reconheci a qualidade de ensino das cincias agrrias nos EstadosUnidos. Eficiente, prtico, com contribuio importante para uma agricul-tura moderna e competitiva. Gostaria, entretanto, de ver mais tcnicosbrasileiros em centros acadmicos de pases como a Inglaterra, Austrlia,Nova Zelndia, ndia, Frana, Israel, Alemanha, Itlia, Espanha, Mxico,Argentina e outros. Novos horizontes, maneiras diferentes de ver o desen-volvimento agrcola. Este um aspecto a ser analisado oportunamente.Segundo, o nosso projeto de construir a Memria da Embrapa, Eliseununca teve entusiasmo por ele. Quando deixei a Presidncia fiz umasugesto de consolidar a organizao dos Museus de Histria e Tecnologiade Produtos Agrcolas nos Centros da Embrapa que, no futuro, culmi-nassem com um Museu Nacional da Agricultura Brasileira. Comeamoscom os Museus do Trigo, em Passo Fundo RS e do Algodo em CampinaGrande PB. Tenho informao de que esto praticamente parados. Paraelaborar esta Memria Sol da Manh, tive enormes dificuldades emconseguir fotos, documentos histricos, depoimentos, certas informaesque ajudassem a construir a Memria da Embrapa.No mais, as nossas divergncias foram naturais: de estilo e formaoacadmica. Tnhamos outras coisas em comum: nossa origem nos serviosde extenso rural e o gosto por futebol, especialmente pelo tricolor carioca,o Fluminense.Sol da manh: memria da EMBRAPA141sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 14111TEMPESTADE DESABASOBRE A EMBRAPAsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 143144Pinheiro Machado acompanha o presidente Sarney em visita ao Semi-ridosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 144Sol da manh: memria da EMBRAPA145ois meses antes de iniciar a Nova Repblica em maro de1985 Eumandei um telegrama para Tancredo alertando que estavam sendo bloqueadosos recursos para financiamento da safra. Era necessrio uma ao poltica paraliberao desses recursos sob pena de no ocorrer o plantio. Essa declarao do engenheiro agrnomo, Luiz Carlos Pinheiro Machado, terceiro Presidenteda Embrapa, extrada de uma longa e polmica entrevista (40 laudas)concedida ao jornalista Jorge Duarte com o objetivo de colher depoimentospara esta Memria.Reprter: A falta daqueles recursos iria prejudicar o primeiro ano da NovaRepblica?Pinheiro: Ou que ia fazer do primeiro ano do Governo, um perodo de faltade alimentos. Em funo do meu telegrama, depois eu fiquei sabendo e pudeconfirmar que ele (Tancredo), teria me escolhido pra ser Ministro da Agricultura,fato que no se concretizou por uma srie de circunstncias posteriores...Reprter: E como foi a sua ida para a Presidncia da Embrapa?Pinheiro: O meu aval era o meu trabalho aqui no Rio Grande do Sul. Euera uma pessoa conhecida. Pedro Simon (o primeiro Ministro da Agricultura daNova Repblica) se dava comigo. Houve um movimento de associaes deprodutores, prefeitos, senadores, governadores. Era um negcio que no termi-nava indicando o meu nome para a Presidncia da Embrapa.Reprter: Articulando com pesquisadores ou uma coisa parte?Pinheiro: No. Isso tudo foi articulado junto. Tinha a Federao das Associaesda Engenheiros Agrnomos do Brasil que, ento, no caso era uma ponte deao. Os pesquisadores da Embrapa faziam outro segmento, e vrias pessoas nosEstados. Em todos Estados do Brasil tinha gente trabalhando com o mesmoDsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 145146objetivo, pegando assinatura de um Deputado, de um Senador e de umGovernador. O Camata era um vereador do Esprito Santo que se manifestou.Eu acho que o Franco Montoro, de So Paulo, tambm. E por parte daEmbrapa coordenava o Joo Luiz de Carvalho em Braslia. Eu era umcrtico da Embrapa, o principal e no tinha maior. Em um Congresso deAgronomia, com dois mil agrnomos, fazia uma anlise da viso do quadrobrasileiro e mostrava que a Embrapa e Embrater eram agentes do capitalmonopolista.Os amigos de Eliseu Alves divulgavam que ele continuaria frente daEmpresa. Seu nome estava em uma lista definida pelo prprio Tancredo,onde eram includos nomes de candidatos a ministros e pessoas para oprimeiro escalo do governo. Pinheiro Machado disse na entrevista a JorgeDuarte que, para a escolha dos dirigentes do Ministrio da Agricultura,fora organizada uma Comisso isso um registro histrico marcante pelo novo Ministro Pedro Simon.A referida Comisso era formada por Ulisses Guimares, Presidente doPMDB, Fernando Henrique Cardoso, Lder do partido no Senado e por Pimentada Veiga, Lder na Cmara dos Deputados e o prprio Pinheiro Machado.A Comisso reunia-se no Ministrio da Agricultura e indicou todos oscargos a serem preenchidos pelo setor agrcola da Nova Repblica. Feitas asindicaes de todas as funes, restava, apenas, a Presidncia da Embrapa.Pinheiro: Parece mentira o que eu vou contar mas real. O Fernando Henriquedisse o seguinte: aqui ns no podemos ter critrio poltico. A Embrapa temuma responsabilidade tcnica muito grande e ns temos que indicar algumque seja capaz de conduzir a Embrapa muito mais no plano tcnico que noplano poltico. E assim fui escolhido.Reprter: Ento a escolha no foi do Ministro Pedro Simon?Pinheiro: No. O Simon apoiou e levou o nome a Sarney (que assumiu aPresidncia da Repblica com a morte do Dr. Tancredo Neves). No foi umainiciativa do Simon.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 146Sol da manh: memria da EMBRAPA147O perodo de permanncia de Pinheiro Machado na Presidncia daEmbrapa foi muito curto (15.05.85 a 25.03.86), exatos dez meses e dez dias.Mesmo assim, pelo que me foi contado e pelo teor da sua entrevista, a suarpida passagem foi como uma tempestade. Provocou muitas turbulncias edeixou srias seqelas, com uma disposio clara de consertar o que consideravaerrado. Pinheiro, para alcanar seu objetivo, utilizou uma estratgia de choques,especialmente emitindo conceitos seus sobre como deveriam ser conduzidosos trabalhos de pesquisa agropecuria e opinando, diretamente, a respeitodos pesquisadores da Empresa. Vejamos algumas das suas declaraes.Nos primeiros dois meses foram de gestao. Houve resistncia de um pequenogrupo de pesquisadores de Braslia. Eram pessoas que estavam na Adminis-trao. Era um grupo de cardeais que tinha o controle poltico da Embrapa.Junto, evidentemente, com o Presidente, lgico. Reuni todos os Centros eexpliquei qual era a funo da Embrapa na Nova Repblica. Esta funoera, evidentemente, de abrir o leque de pesquisas e de atender os interesses dapopulao brasileira, isto , dedicar-se muito mais pesquisa de alimentosbsicos da populao, integrar os Centros e as atividades. Voltar a pesquisapara os interesses e necessidades da agricultura nacional. O que aconteceu foio seguinte: uma parte dos pesquisadores no entendeu. As pessoas que fizeramoposio eram muito comprometidas. Comprometidas com o que h de pior.Como eu tive de tomar algumas medidas moralizadoras. Havia uma liberali-dade em gastos inacreditveis. A Embrapa tinha, por exemplo, funcionriaespecialista em coquetis.Pinheiro Machado, nas suas declaraes, fazia uma enorme confusoquanto ao nmero de pesquisadores, empregados, pessoal de administraoe apoio. Um dia chegou ao Edifcio Venncio 2000, sede da Embrapa emBraslia. Observou o seguinte:Olha, esse aqui o novo Presidente da Embrapa. O ascensorista ficou emposio de sentido e pediu a todo mundo sair do elevador. O Presidente anteriorsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 147148quando chegava, s ele subia sozinho. Eu posso subir sozinho num dia que euvenha com o Ministro, um dia em que eu venha com o Presidente da Repblica.E a eu chamei o Eliseu. Quando eu assumi ele mandou um outro Diretorme passar a gesto. Eu o chamei pelo telefone e disse: olha Eliseu, voc noesquea agora que meu funcionrio. No mais dono da Embrapa. E euquero voc aqui para me passar o cargo. E a ele veio, conversou e tal. At foimuito interessante porque ele na poca, (nunca mais tive contato com ele)considerava a Embrapa assim como um filho. Tanto que tinha montado aEmbrapa e tal.quela altura, a Empresa j tinha doze anos de vida. Pinheiro Machadono conseguiu fazer dois Diretores Executivos.Cometi um erro muito grave: Ali Saab foi transformado Diretor, mas metraiu completamente.O Joo Luiz de Carvalho era de minha confiana efuncionrio da Embrapa. O terceiro dirigente, Severino de Melo Arajo foiindicao do Presidente Sarney.Quanto ao Diretor, Ali Saab, considerado um traidor, as pessoas ale-gavam a ingenuidade e boa f de Pinheiro Machado em lev-lo DiretoriaExecutiva da Embrapa: Depois, ele como Diretor da rea financeira, nopoderia optar por utilizar bancos privados como o Real e o Bradesco paramovimentar recursos da Embrapa, em vez de dar prioridade ao Banco doBrasil.Nos dez meses do perodo na Presidncia da Embrapa, Pinheiro Machadofreqentou Centros de Pesquisas para conhec-los e ao seu pessoal. Levariamuma nova viso com sua presena afirma conversando com os pesqui-sadores sobre os trabalhos de pesquisa. Em vez de pesquisar produto,pesquisar, abrangentemente, interdisciplinarmente.Uma questo que esteve na iminncia de concretizar-se e que, no setornou realidade, seria criar no Rio Grande do Sul, um Centro de Pesquisaem Agricultura Sustentvel.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 148Ministro Pedro Simon e Governador Abreu Sodr SPSol da manh: memria da EMBRAPA149sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 149150Agricultura familiar requer equipamentos ajustados s condies do pequenoprodutor. Na foto, mquina premiada, desenvolvida pela Embrapa.Museu Tecnolgico, que foi lanado com grande expectativa, no teve continuidade na Embrapa Trigo, Passo fundo, Rio Grande do Sul.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 150Sol da manh: memria da EMBRAPA151Reprter: Mas o trauma que o Senhor causou na Embrapa foi s experi-ncia particular, porque se fala muito do seu perodo como um perodo bastanteconturbado. Chegou a ser em funo s de sua proposta ou em termos de suasaes prticas?Pinheiro: Eu acho que de ambas as coisas. Por exemplo, uma ao prtica.No centro do Agrobiologia - Rio de Janeiro. Tirei a Johanna Dberreiner e coloqueide Chefe o Eli Levato, que era, na poca, um jovem. Tirei porque ela tinhade sair. Na minha opinio, ela no tinha credenciais para dirigir um Centroda Embrapa. Os trabalhos dela (utilizando bactrias para fixao denitrognio) no so reconhecidos em vrios lugares do mundo. E ela , pro-fundamente, autoritria. Estou criticando como gestora e pesquisadora.Reprter: Mas ela foi indicada para o prmio Nobel este ano.Pinheiro: O Borlaug tambm foi indicado para o Nobel e, no entanto, umapessoa de quem tenho severas reservas. Eu acho que ele muito mais um crim-inoso do que merecedor do Nobel. Ele sabia que a Revoluo Verde iriaaumentar em 30% a fome no mundo. Mesmo assim, o discurso dele, hoje, o oposto dele no ano de 1970. O meu discurso o mesmo.Escuta-se, ainda hoje, que Pinheiro foi muito duro nas suas atitudes.Tentou fazer uma mudana muito brusca e radical; aps doze anos de vidaprodutiva e vitoriosa da Instituio. Uma mudana rpida como se estivessetudo errado.Eu sabia que tinha de ser muito rpido. Tinha conscincia que se eu nofizesse rpido, eu no faria nada. Eu prefiro deixar o meu nome vinculado Embrapa como a pessoa que deu uma sacudidela. Uma coisa que espantou,profundamente, o pessoal da Embrapa foi eu ter levado o meu carro par-ticular para Braslia e no andar no carro da Embrapa quando no fosse,exclusivamente, em servio. Isso escandalizou. Os pesquisadores de Brasliatinham dois carros. Um para a famlia e outro para ele.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 151152Pinheiro Machado, na entrevista que concedeu a Jorge Duarte, no temnenhum cuidado nem reserva com o que declarou. As questes vinculadas sdiretrizes de pesquisa seguidas pela Embrapa, aspectos conceituais e meto-dolgicos eram, severamente, questionados. Temas polticos eram objeto decensura, comentrios sobre corrupo interna na Empresa, mau comporta-mento dos pesquisadores nas comunidades do interior sede dos Centros,dirias em hotis de luxo, episdios desagradveis com dirigentes de Centrose atuao equivocada dos partidos polticos sobre a administrao daInstituio. Queixou-se, algumas vezes, em no poder nomear os Chefes dasUnidades da entidade, salvo a substituio de Johanna Dberreiner.Os conceitos sobre os pesquisadores, muitas vezes foram contraditrios.No incio de sua curta administrao, era custico, pelas suas generalizaes.Depois arrependeu-se.No caso da Embrapa, obviamente, que nenhum pesquisador, principalmenteaqueles que tm uma aparncia de grandes sbios, cujo contedo absoluta-mente vazio, no contriburam para nada da economia brasileira. Comnada, a no ser algumas publicaes que no vale.Pinheiro disparou suas idias para todo lado. Alguns detalhes e episdiosaqui relatados julguei oportunos citar com o objetivo exclusivo de demon-strar que a Embrapa como Instituio viveu perodos difceis e que nopodiam ser omitidos a bem de sua histria.Quando estive trabalhando com fotografias areas da Regio do Cerrado,pude visualizar os efeitos do equvoco da agricultura da Regio.Telefonei paraOlacyr de Moraes, como Presidente da Embrapa, e disse para ele que haviaum grande risco na atividade que ele estava desenvolvendo em funo do queeu tinha visto. Sobretudo um processo erosivo com a cultura da soja. Na regiodele era a soja. Quatrocentos mil hectares. Bom, ele polidamente agradeceu achamada e disse que iria pedir para seu Diretor Tcnico, um japons, falarcomigo e nunca falou. Quebrou, alguns anos atrs, o Rei da Soja. Ele foi modelosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 152Sol da manh: memria da EMBRAPA153da Revoluo Verde. Outro modelo da Revoluo Verde foi o Senhor Ludwigno Projeto Jar. Essas foram as questes estratgicas que levantei como Presidenteda Embrapa. Eu tinha que agir com velocidade, intensidade e profundidade.Tudo no mesmo tempo.Embora no tenha reconhecido, Pinheiro comeou a modificar seucomportamento e suas opinies sobre a Embrapa e seus pesquisadores. Noporque tenha mudado de posio. Conhecia melhor o pessoal.No h dvida nenhuma que os pesquisadores tm, hoje, outra cabea. Conversarcom o pesquisador da Embrapa hoje d prazer. Quer dizer, ele no tem maisaquela auto-suficincia. Aquela empatia. Aquela superioridade. So pessoasinteligentes, cultas e que fazem da inteligncia e cultura, categorias humanasaltamente positivas. Quando comprei a Granja Guanabara que detinha pre-cioso material gentico houve controvrsias. Esse tipo de ao, o pessoal noentendia, naquele momento.Reprter: O que o Senhor critica e elogia, atualmente, na Embrapa?Pinheiro: Realmente no tenho elementos para dar uma posio, at porquemuitas posies da Embra, hoje, so posies que eu considero corretas. Aminha inteno foi, exatamente, oferecer a experincia que eu j tinha, quena poca no era pequena, para poder abrir novos caminhos. Nada mais doque isso. Novos caminhos que tivesse (sic) de acordo com a realidade do Brasile no para atender os interesses do grande capital que era o que a Embrapaestava fazendo. Essa questo me pareceu bsica. No quero dizer que ospesquisadores eram conscientes. Que o pesquisador ganhava propina. No isso. Mas acabava fazendo aquilo, exatamente, que as grandes corporaesinternacionais queriam. Hoje no. H um volume de trabalho, cada vezmaior, no sentido de atender s necessidades do produtor brasileiro. Dacondio humana do Brasil. A Embrapa uma organizao que tem umcorpo de pesquisadores de excelente qualidade. Que tem o equipamento e omaterial magnfico para a Empresa ter condies de resolver todos os problemasda agricultura brasileira.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 153154Pinheiro Machado, em certo trecho da sua entrevista, aconselhou aformar um Conselho para definir suas linhas de aes. O Conselho j foraorganizado desde a sua fundao em 1973. preciso conhecer, com arecente renovao do Conselho, at onde, tem tido a capacidade de mudaraspectos negativos e improdutivos das atividades da Embrapa.Outra opinio corrosiva foi quando se referiu ao futuro da Empresa sedevia diminuir, aumentar, trabalhar mais com a iniciativa privada.Se ela se definir para trabalhar para a Empresa privada ela desaparece empouco tempo porque a iniciativa privada s financia aquilo que lhe interessa.E a iniciativa privada, no caso da agricultura, representada, principalmente,por corporaes multinacionais cujos interesses so completamente diferentesdos interesses e necessidades da nao brasileira. Se, por outro lado, a Embrapase mantiver como um organismo estatal srio e a sua direo tiver poder polticopara poder fazer valer essa posio junto ao Governo, no s ao Ministrio daAgricultura mas, principalmente, ao Presidente da Repblica para manter suacondio de Instituio Estatal, acho que a Embrapa tem um futuro brilhante.Em certos trechos de suas declaraes, Pinheiro Machado faz uma afirmaocuriosa: Em fevereiro, no dia 16 de fevereiro de 85, eu recebo uma carta daMonsanto, assinada pelo seu Presidente. Esta carta foi publicada na Folhade So Paulo anunciando que eu sairia em maro.Segue-se uma srie de informaes em que procura justificar o objetivoda carta da Monsanto propondo e comunicando a sua demisso, inclusive asarticulaes que se fizeram para derrub-lo. Evidentemente minha ao foicontrariar os interesses da Monsanto. Como at hoje, contrario os interessesde toda a Empresa que trabalha com a desgraa alheia.As aes contra a permanncia de Pinheiro Machado, frente da Presi-dncia, chegaram ao conhecimento de Sarney no momento em que o MinistroPedro Simon estava deixando o Ministrio, no incio de maro de 86.O Ministro Paulo Brossard, tomando em conta o que disse PinheiroMachado, teve uma participao decisiva na sua sada da direo da Embrapa.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 154Sol da manh: memria da EMBRAPA155H registros de dilogos entre os dois que revelam divergncias. O Dr.Brossard teria lhe comunicado o afastamento.A depois eu tive uma entrevista com ris Rezende, novo Ministro daAgricultura, que foi completamente, reticente. Vi que ele estava noutra.Percebi que iria sair da Embrapa quando vi a carta da Monsanto. Aconteceuuma tentativa de articulao do pessoal do meu Gabinete que no resultouem nada. Evidentemente que me magoei porque a maneira que eu sa foiabsolutamente inusitada. Enfim, at injusta. muito mais o Ormuz (novoPresidente) que tinha sido meu aluno. Eu no imaginei que ele fosse se prestara esse papel. Ele estava na articulao contra mim, com o Brossard e oDeputado Paulo Micarine.Ao final da entrevista, Pinheiro faz consideraes pesadas contra o Dr.Paulo Brossard, demonstrando profundo ressentimento com os episdios desua demisso. A propsito de suas posies, relata uma oferta generosa feitapor alto funcionrio do Correio Braziliense, em torno da idia de mant-lona Presidncia da Embrapa.Pinheiro faz uma avaliao rpida de seu curto perodo. Achou que lhetocou quebrar uma estrutura que vinha do regime militar, estrutura quesurgiu para atender aos objetivos da Revoluo Verde. Muitas coisas que quisfazer no puderam ser feitas. Avalio, com muito prazer, e at mesmo comcerto orgulho que a minha passagem pela Embrapa foi til. ComoPresidente, eu servia o pas e, acima de tudo, tenho a pretenso de dizer que,no futuro, quando as coisas forem analisadas, historicamente, este registrovai se consolidar.No resta a menor dvida de que a passagem do engenheiro agrnomoPinheiro Machado foi tumultuada e polmica. Ele prprio reconheceu. Hquem admita que emitiu opinies precipitadas e injustas sobre pessoas ea Instituio. Que provocou um racha na entidade, acelerando o fortaleci-mento do Sinpaf e excitando posies ideolgicas de algumas lideranasdentro da casa.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 155156Alm do mais, deixou de lado a agenda adotada pelas administraesanteriores. Agregou e ampliou outros temas como moralidade administrativae corporativismo. Colocou em destaque o debate sobre temas como asquestes ambientais, a estabilizao da Embrapa, a diversificao e interdis-ciplinaridade da pesquisa agrcola, a conduta da Revoluo Verde, dasempresas multinacionais e dos bancos privados. uma lstima que seuradicalismo tenha exibido opinies duras como as que expressou contrapersonalidades respeitadas como Johanna Dberreiner e Norman Borlaug. difcil prever o que aconteceria com a Embrapa, caso continuasse at ofim da chamada Nova Repblica. Seu acesso ao posto mais alto da Empresafoi complicado e polmico. Sua demisso foi tempestuosa e cercada de lancespolticos no muito claros. Em outras palavras, desabou, poca, umatempestade que merece, seguramente, uma anlise histrica mais isenta eprofunda. No dia de sua sada, funcionrios, comemoraram com fogos.Seja como for, a Instituio sobreviveu forte e, por que no dizer, inteira.Suas razes j eram suficientemente profundas. Ns ltimos doze anos devida foi capaz de resistir s turbulncias mais surpreendentes que se possaimaginar.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 15612temporada calma:expressivas taxas de retornosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 157158Soja uma das estrelas da produo de gros no pas.A pesquisa agrcola possibilitou sua produo em todas as regies do Brasil.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 158Sol da manh: memria da EMBRAPA159efinitivamente, a primeira dcada da Embrapa, no seu conjunto deatividades, caracterizou-se por uma Instituio que alcanou, rigorosamente,os objetivos da reforma da pesquisa agropecuria iniciada, praticamente, aindano ano de 1972.Possivelmente, o registro mais esclarecedor foi a firme gesto das duasprimeiras Diretorias Executivas: demonstrou eficincia, coeso e resultados.Os fundamentos e diretrizes de ao mantiveram-se consistentes e fiis aoscompromissos assumidos pelas propostas aprovadas nos contedos da refor-mulao conceitual e operativa da investigao agropecuria nacional.A implantao no Novo Modelo que criou o SNPA, o recrutamento,treinamento e aproveitamento dos recursos humanos acompanhados da adoode uma avanada poltica de pessoal, constituram-se, certamente, nas medidasde maior impacto dos primeiros anos.Acrescentem-se, ainda, os esforos no sentido de instalar os Centros eUnidades Nacionais e Regionais da Pesquisa, as Empresas Estaduais, os Servios,as parcerias, os Laboratrios e Campos Experimentais, uma mquina admi-nistrativa moderna (toda informatizada) e os sistemas de planejamento eavaliaes.Aos doze anos de vida, j gozava de uma invejvel credibilidade graass inovaes de gesto e aos resultados concretos que, ano a ano, vinha apre-sentando, com o reconhecimento dos produtores e boa parte da socie-dade brasileira.At o ano de 1985, alm das conquistas e avanos institucionais, foramproduzidos muitos resultados, fruto do trabalho dos pesquisadores e suasparcerias, entre as quais algumas de grande expresso que, tentaremos, aseguir, sintetizar. Dsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 159160Com a crise energtica ameaando, seriamente, a economia, a Embrapaengajou-se ao programa brasileiro de energia, atuando em, praticamente,todas as suas Unidades com a instalao de microdestilarias e biodigestores,realizando testes com tratores a lcool e gasognio, competindo, economi-camente, com motores movidos a leo diesel.Do ponto de vista regional e comeando pelo Norte do pas, mereceramdestaque trabalhos com a castanheira-an, com o criatrio de bfalos paraleite e carne, os laticnios com os queijos, iogurtes com sabores de frutaslocais (graviola, cupuau). Vale ressaltar as atividades com frutas tropicais,pimenta-do-reino, guaran e seringueira. Importante trabalho dos pesquisa-dores da regio Norte foi o pioneirismo do alargamento da fronteira comprojetos de pesquisa com sistema de produo (caf, cacau, seringueira,hortalias, em Rondnia, Acre e Amap, com baixo uso de agrotxicos).Mereceu destaque o competente e durssimo trabalho de levantamento dossolos da Amaznia.Em 1973 a Embrapa decidiu instalar, no territrio do Distrito Federal,mais precisamente em Planaltina, o Centro de Pesquisa Agropecuria doCerrado, o CPAC. No incio dos anos setenta, a regio no contava comnenhum servio efetivo de pesquisa agropecuria. O desafio era ocuparaquela fronteira de mais de dois milhes de quilmetros quadrados.Para isso, entretanto, necessitava-se conhecer melhor o clima, os solos, asdisponibilidades de gua, a flora, a situao fundiria, enfim todo umecossistema promissor para o desenvolvimento da agricultura e da pecuria.Os dirigentes tiveram a sabedoria de comear, de imediato, e com altaprioridade, a elaborao de projetos com o objetivo de conhecer os recursosnaturais da regio, ao mesmo tempo em que estudos eram realizados para odesenvolvimento de sistemas de produo. Assim, ano a ano, foram lanadosresultados, envolvendo os agricultores e criadores de bovinos, especialmentecontingentes de imigrantes procedentes do Sul.As condies favorveis da rea responderam, imediatamente, ao lana-mento dos novos sistemas de produo com destaque para soja, milho, feijo,arroz, trigo, pastagens cultivadas, melhoramento e expanso de raassol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 160A produo de carne vem contribuindo de forma expressiva para as exportaes do agronegcio.Tecnologias avanadas contriburam decididamente para a iderana brasileira da produo de aves.Sol da manh: memria da EMBRAPA161sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 161162Os pacotes tecnolgicos contriburam para ampliar as taxas de retorno da agricultura brasileirasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 162Sol da manh: memria da EMBRAPA163bovinas. Posteriormente desenvolveram-se outras atividades agropecuriascomo o algodo, aves e sunos, que tornaram o agronegcio regional umsucesso econmico inquestionvel.O Cerrado transformou-se em uma referncia. Trata-se de um megapro-jeto que, em dez anos, j se revelava uma conquista dos pesquisadores e dosagricultores, creditando Embrapa os mritos da iniciativa e da decisode investir pesado em pesquisa nessa segio.Adiante, nesta Memria, voltaremos a descrever, como um dos avanosmais importantes, a ocupao agrcola do Cerrado brasileiro.Os resultados conseguidos no Sul nasceram, basicamente, dos projetoscom soja que se disseminaram por todas as regies, inclusive as variedadeschamadas tropicais, hoje em dia cultivadas na pr-Amaznia, algumas reasdo Nordeste (Piau, Bahia) e em Agroplos do Estado do Maranho. Hvariedades capazes de serem bem sucedidas em terrenos da pr-Amazniaonde predominam climas e solos midos, tipicamente tropicais.Os trabalhos com trigo merecem destaque especial, mantendo-se umdesafio para alcanar a auto-suficincia, reconhecendo-se, entretanto, o esforodos pesquisadores em superar questes ambientais (clima, pragas) nos projetosdo Centro de Trigo, em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Os resultadoscom fruteiras de clima temperado (ma, nectarinas, uva) so notveis,juntamente com o xito obtido com a criao de bovinos, sunos e aves.Nos primeiros doze anos de vida, a Embrapa manteve inteira sua estru-tura fsica, observando, basicamente, a instalao das unidades previstas nomodelo adotado. A nova Sede Central comeou a ser construda em Braslia.Em 1982 foi criado o Centro Nacional de Pesquisa de Defensivos Agrcolas,sediado em Jaguarina, So Paulo, transformando-se, mais tarde, em EmbrapaMeio Ambiente. Outro avano significativo e estratgico aconteceu em1983: o Centro de Pesquisa de Recursos Genticos passa a incorporar asatividades de pesquisas em biotecnologia.Naquele perodo, 1979-1984, foram edificadas sedes de nove CentrosNacionais que vinham funcionando em construes antigas, reformadas eadaptadas para o incio dos trabalhos das novas Unidades. Seis empresassol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 163164estaduais construram suas sedes e quatro Servios de Produo de SementesBsicas ganharam suas novas instalaes.Algumas unidades foram promovidas a Centros Nacionais, tais comoCentro Nacional de Pesquisa de Fruteiras Temperadas, em Cascata, RioGrande do Sul, Centro Nacional de Pesquisa de Florestas, em Colombo,Paran e Centro Nacional de Pesquisa Agropecuria do Pantanal, emCorumb, Mato Grosso.Um setor que sempre, desde o incio, mereceu ateno dos seus dirigentesfoi o de Comunicao Social. As Unidades encarregadas dessas atividadescontaram, invariavelmente, com profissionais competentes. Estavam regu-larmente comparecendo mdia com matrias atualizadas e de interessepblico. Os lanamentos de resultados de pesquisa mereciam especial cuidadodos comunicadores da Empresa, a divulgao dos eventos, as aes pioneiras,tudo, enfim, que criasse uma imagem vencedora da Instituio.Com o lanamento do Programa de TV Globo Rural, foi natural umaparceria com a Embrapa. Todos os domingos pela manh, invariavelmente,como at hoje, reportagens ou notcias de temas ligados pesquisa agro-pecuria faziam parte das pautas do Programa. O mesmo acontecia com ascolunas, revistas e programas especializados de TV veiculados no pas. AsUnidades descentralizadas, por outro lado, mantinham seus meios de comu-nicao com informaes de interesse regional. No resta a menor dvida,que a boa imagem que desfruta, hoje em dia, em grande medida, decorredo excelente trabalho dos comunicadores da Empresa.Nessa mesma linha, vale ressaltar a qualidade e reconhecimento das duasrevistas que edita regularmente: a Pesquisa Agropecuria Brasileira, PAB,considerada a mais antiga do pas na rea das Cincias Agrrias e Cadernos deDifuso Tecnolgica que se propem a divulgar e analisar aspectos polticos,econmicos e sociais dos trabalhos da pesquisa agropecuria.Outros instrumentos valiosos que no perodo de 19731985 comearama contribuir, eficazmente, para o desenvolvimento da agricultura so boletins,informativos, circulares tcnicas, livros, e outros variados auxlios audio-visuais como vdeos, programas de rdio e TV. No que se refere s atividadessol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 164Sol da manh: memria da EMBRAPA165de processamento de dados, a Embrapa, j a partir de 1973, comeou aenvolver-se com essa rea, mediante um convnio com o Prodasen (SenadoFederal) apoiando, inicialmente, segmentos administrativos. Em seguida,adquiriu da IBM (via leasing) um megacomputador, poca, s comparadoa outro do IBGE.A Embrapa entendeu de instalar seus equipamentos de informtica, naSede Central em Braslia, a partir de 1979. A expanso autorizada contnuacom a duplicao de CPU, incorporao de unidades e mais um computa-dor Cobra 400. A Instituio contou, no perodo, com um Departamentoeficiente formado por profissionais com treinamento no exterior. Estabele-ceram-se as redes entre a sede e as Unidades descentralizadas. O Sistemaapia projetos de pesquisa, a consolidao dos bancos de dados, a interaodas atividades de informao e documentao, o relacionamento com os dadosinternacionais, a produo de bibliografias, banco de teses, entre outros.A Embrapa chegou ao ano de 1985 comprovadamente consolidada. Onovo modelo de pesquisa em plena execuo, a grande maioria dos Centros,Servios, Empresas Estaduais e parcerias (em universidades e setor privado)bem iniciados. Os resultados visveis no meio dos produtores, reconhecida-mente pblico, ostentando expressiva taxa de retorno, oitenta por cento deseus pesquisadores com ps-graduao e um substancial estoque de inovaotecnolgica em franco processo de difuso pelo pas afora.Os dados de 1984 assinalavam que j possua um quadro de 1.614 pes-quisadores com nvel de ps-graduao, dos quais 997 mestres e 287 com odoutorado concludo. Essa situao encontra-se, atualmente, invertida. Operodo terminava tranqilo e com bons resultados nas diferentes frentesda Empresa. S que, com a chegada da Nova Repblica, nuvens negrasapareceram no horizonte.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 16513a bonana que no veiosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 167168O presidente Jos Sarney cumprimenta Ormuz Rivaldo por ocasio da inauguraoda Sede Central da Embrapa em Braslia/DF. Pode-se notar entre outros, a presena dos ministros Mailson da Nbrega e Celso Furtadosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 168Sol da manh: memria da EMBRAPA169assadas as turbulncias do curto perodo Pinheiro Machado, esperava-setemporada de bonana. Que nada! Seguiram-se episdios desagradveisna troca de comando da Empresa. Outra vez, a influncia poltica atuou, comfora, deixando, a mdio prazo, seqelas deletrias. A Nova Repblica notrouxe muitos proveitos para a Embrapa, restando, para muitos observa-dores, a impresso de um perodo que no avanou em conseguir mais recursospara a pesquisa agropecuria ou a criao de novas atividades na Instituio,salvo o trmino da Sede Central em Braslia. Com o Plano Cruzado e umainflao crescente, as obras ficaram paradas.Em 1986, eu era prefeito eleito pelo PMDB em Bento Gonalves, no RioGrande do Sul. Para surpresa minha, recebi um telefonema do Ministro daJustia, Dr. Paulo Brossard que, a pedido do Presidente Sarney, alegava oMinistro que por ter tirado o Pedro Simon (da Agricultura) e colocado o risRezende, queria dar uma retribuio ao Rio Grande, levando para aPresidncia da Embrapa um gacho. Eu me sentia honrado como pesquisadorda entidade. Assim se expressa o engenheiro agrnomo Ormuz Rivaldo de Freitas,quando do convite para assumir a nova Presidncia da Embrapa.Na verdade, criava-se, mais uma vez, um clima hostil no ambiente insti-tucional que envolvia a pesquisa agropecuria. Afastado o gacho PinheiroMachado, que deixava para trs uma srie de inquietaes, assumia outrogacho, desta vez, um poltico assumido, administrador do municpio deBento Gonalves, coincidentemente, sede de uma importante Unidadede Pesquisa da Embrapa, o Centro Nacional de Viticultura.Psol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 169170Ormuz, embora funcionrio da Embrapa, com funes de pesquisador(tinha ps-graduao em Montpellier Frana) exercia uma posio poltico-partidria com as contradies, compromissos e inconvenientes dos embatesprovincianos. Era um tipo simptico, elegante, desses jovens bem falantes,envolvido com a comunidade desde os tempos de vereador. Isso lhe custoucaro. Os problemas foram surgindo em razo de sua ascenso Direo daEmbrapa. Eu fui eleito em 1982 em pleno Regime Militar. Por ser do PMDB,partido contrrio aos militares, tinha sido ameaado na Embrapa, de ir paraa rua se fosse candidato da oposio. Esta ameaa partiu do presidente dapoca, Eliseu Roberto de Andrade Alves, acrescenta Ormuz.As ameaas no chegaram a demitir Ormuz. Foi em virtude dessa situao alegou que decidiu candidatar-se prefeitura. Sucederam-se dilogoscidos, mal-entendidos desagradveis. Trs anos e pouco depois de estarexercendo as funes de Prefeito, me convidam para assumir a Presidnciada Embrapa como primeiro pesquisador a chefiar a entidade. Foi por issoque concordei. Logicamente, declarou: acabei com a minha carreira poltica.Ormuz diz que a Embrapa estava passando por momentos muitoconturbados. Notcias nos jornais sobre irregularidades denunciadas porPinheiro Machado.O ambiente interno que se respirava, ainda emitia o odor das posiesradicais de Pinheiro Machado. Ormuz sentia-se desconfortvel diante doquadro encontrado.Encontrei talvez o pior momento da Embrapa. Tumultuado, tanto que eufui procurado por empresas de produtos qumicos. O pessoal da Monsanto meprocurou para desculpar-se. No tinha feito nada. No tinham nada a ver com otrabalho da Embrapa, que era uma boa Empresa. A Instituio j tinha umbom conceito, logo se reequilibrou e continuou sendo respeitada, como at hoje.Levamos todas as informaes ao Ministro ris Rezende, de quem recebi todo apoio.Apoio maior tinha do Presidente Jos Sarney, que levou Ormuz paravrias viagens ao exterior. Inaugurou, pessoalmente, a nova sede da entidade,sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 170Sol da manh: memria da EMBRAPA171Presidente Jos Sarney, o Governador do DF, Jos Aprecido e J. Irineu Cabral ( poca, presidente da Associao de Criadores do Planalto) durante a Exposio Agropecuria de Braslia/DFOrmuz, acompanhado do Diretor Ferrer, discute ampliaode pesquisa no Cear com o Governador Tasso Jereissatisol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 171172Sede Central da Embrapa em Braslia - DFOrmuz Rivaldo, Presidente da Embrapa, visita J. Irineu Cabral, em sua fazendaBurity Vermelho, onde fazia programa de seleo da raa Gir Mocho Leiteiro,aps deixar a Presidncia da Embrapasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 172Sol da manh: memria da EMBRAPA173acompanhado de seus Ministros. Apesar dos difceis momentos por quepassava o pas com a inflao alta, greves, presses sobre a reforma agrria, aEmbrapa manteve, basicamente, o seu trabalho de pesquisa de campo e noslaboratrios.O Programa de Treinamento, no exterior, continuou. Ormuz enfrentouduas situaes graves com as nomeaes polticas de Chefes das Unidadesem Bag, Rio Grande do Sul e Cruz das Almas, Bahia. Foi obrigado a nomearpessoas alheias Embrapa e sem competncia.No se queixou da situao financeira quando assumiu o cargo. Chegouat a conceder um aumento de 40% aos funcionrios. Apesar disso, perdeubons pesquisadores para alguns organismos internacionais. A questo salarialpreocupava Ormuz. Chegou a escrever um artigo sobre o tema, em umperidico interno, onde criticava a posio do Governo em relao ao assunto.Isso lhe foi fatal porque adversrios levaram ao conhecimentodo Ministro e do prprio Presidente Sarney. Certamente, foi um dosmotivos de seu afastamento antes de terminar o governo. Ormuz deixou a Embrapa mantendo sua estrutura tcnico-administrativacomo encontrou. Deu continuidade aos programas e projetos de pesquisa,as prioridades adotadas pelas duas primeiras administraes, convivnciaharmoniosa com os funcionrios atravs da Associao dos Funcionrios.Visitou todas as Unidades. Como no podia deixar de ser, teve suas decep-es. Luiz Felipe Lampreia, do Itamaraty, exemplifica, disse-lhe certa vez, oseguinte: Presidente da Embrapa, o Senhor est pedindo dinheiro parapesquisar trigo. Ora, para que pesquisar trigo se ns podemos compr-lo daArgentina, dos Estados Unidos, do Canad, pela metade do preo e dez anospara pagar? uma bobagem o que esto fazendo.Ormuz reage: Por isso que a Embrapa, apesar de ter essa autonomia, que uma autonomia entre aspas, a gente fica irritado. Um assunto como esteda pesquisa do trigo julgado por pessoas que no tm competncia.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 173174A situao econmica que o Governo Sarney enfrentava, como sabido,era de enormes dificuldades, apesar dos esforos dos seus Ministros daFazenda, Dlson Funaro, Luis Carlos Bresser Pereira e Malson da Nbrega.Por todo lado, surgiam, em Braslia, comentrios sobre a fragilidade daEmbrapa. Os recursos so exatos para que a pesquisa no entre em colapso.As bases do sinais de insatisfao, sentimento que Ormuz termina porabsorver e extravasar em seus discursos e no tal artigo do Informativointerno da Embrapa. Isso teria lhe valido a demisso.Convm fazer um registro, nessa parte da histria. Apesar da crise naInstituio, o Presidente Sarney, publicamente, demonstrava grandereconhecimento pela Embrapa. Sempre que podia prestigiava, com suapalavra e presena, atos e eventos da Empresa. Em 26 de abril de 1988 a sededa entidade inaugurada em Braslia. Sarney comparece acompanhadode seis dos seus ministros de Estado em uma atitude clara e pblica de apoioe prestgio. Foi uma solenidade inesquecvel, com discursos imponentes,distribuio do Prmio Frederico Menezes Veiga. A Embrapa, naquelemomento, oferecia uma demonstrao de fora com suas novas, confortveise imponentes instalaes. Coisa de primeiro mundo.O primeiro Plano Diretor lanado indicando nova Metodologia de Plane-jamento da casa com metas de mdio prazo. O pronunciamento de Ormuzdeixa claro que havia preocupao de como a entidade vinha sendo tratada:No queremos nenhum privilgio. S no consideramos justo que setratem instituies de pesquisa como organizaes puramente burocrticas.Sarney encerra a solenidade com um discurso que uma profisso de f:Esta Instituio hoje, sem dvida, um dos orgulhos do pas. umademonstrao da capacidade do povo brasileiro, da mobilizao dainteligncia do Brasil a servio do desenvolvimento e do bem estar do seu povo.Foi um discurso na justa medida que tocou a auto-estima dos presentes.Todo brasileiro, por meio do Presidente da Repblica, aqui agradecea todos os que fazem a Embrapa, e o Brasil espera que, no futuro, estaInstituio continue a ser, cada vez mais, a grande Instituio, a exemplarInstituio que ela .sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 174Sol da manh: memria da EMBRAPA175Naqueles idos de 1988, na qualidade de criador e selecionador de gadozebu na Fazenda Burity Vermelho, eu fui eleito Presidente da Associao deCriadores do Planalto ACP, em Braslia. Na inaugurao da Expoagro doano, compareceu o Presidente Jos Sarney, acompanhado do GovernadorJos Aparecido, do Ministro da Agricultura ris Rezende e da Vice-gover-nadora Mrcia Kubitschek. No momento do desfile dos campees, sentei-mejunto ao Presidente, o que nos possibilitou trocar impresses sobre animaise, eventualmente, abordar outros assuntos. Eu sabia da verdadeirasituao da Embrapa e os comentrios negativos que se faziam sobre a enti-dade. Aproveitei a ocasio nica e, encorajado como fundador e seuprimeiro Presidente, pedi ao Chefe da Nao que desse, uma vez mais,demonstrao de apoio e prestgio Embrapa.Pois bem. Sarney, em menos de um ms, agendou uma visita ao Cenargeb,falou, elogiou e reafirmou o seu apoio Embrapa, fato muito divulgado ecom repercusses favorveis na mdia.A sada de Ormuz no deixou de ser solitria e, por que no dizer,melanclica.O Ministro me chamou, conta Ormuz, e disse: Olha, os seus Diretores,por questo de prazos concludos de mandatos, esto saindo. O PresidenteSarney achou melhor, j que vo sair os Diretores, demitir toda a Diretoriada Embrapa.E foi feita a demisso, encerrando-se, assim, um ciclo de vida daEmpresa. Algumas lies podem ser tiradas deste perodo, disse-me um ex-Diretor: Uma Instituio cientfica como esta no pode tratar sua gesto, oseu comando, com pessoas envolvidas e comprometidas, de uma forma oude outra, com a poltica partidria. Neste caso d no que deu.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 17514passagem criativasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 177178Ex-Presidente da Embrapa, Carlos Magno Campos da Rocha, em companhia do Ministro da Agricultura, ris Rezendesol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 178Sol da manh: memria da EMBRAPA179Embrapa amargou um penoso processo de desgaste no chamado pero-do da Nova Repblica. Duas gestes seguidas no conseguiram acrescentarquase nada ao que se havia construdo, ao longo dos ltimos anos. Graass firmes diretrizes de trabalho e comportamento produtivo das chefias,lideranas, pesquisadores e pessoal de apoio, a Empresa implantou, j nassuas duas primeiras administraes, slidas bases de conduta, disciplina etica no trabalho interno e nas suas relaes externas. O Ministro da Agricultura, ris Rezende, convidou, faltando um anopara terminar o mandato do Presidente Jos Sarney, o engenheiro agrnomo,Carlos Magno Campos da Rocha, para substituir Ormuz Rivaldo, que foraafastado do cargo aps alguns entreveros da poltica gacha e envolvendointeresses locais.O convite a Carlos Magno foi recebido com surpresa. Alguns antecedentesno seu relacionamento com o Ministro ris Rezende autorizavam, entretanto,entender que se tratava de um tcnico, bom profisssional, sem vnculospolticos, cria da Embrapa. Foi uma escolha claramente pessoal, pois risRezende o conhecia em contatos envolvendo temas sobre o cultivo depastagens e eventos do Centro de Pesquisa Agropecuria do Cerrado CPAC.Com Ps-graduao no exterior, Carlos Magno ganhara certa experincianessa importante Unidade da Embrapa o CPAC. Aprendeu muitocom lideranas e pesquisadores do mais alto nvel como Elmar Wagner,Wenceslau Goedert, Lobato, Delmar Marchetti, Aldy Raul da Silva etantos outros cobras pioneiros do perodo de implantao da reforma dapesquisa agrcola e da conquista da regio do Cerrado.Uma pessoa, muito lembrada para dirigir a Embrapa naquela poca, foia de Paulo Romano, ex-Secretrio Geral do Ministrio da Agricultura eAsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 179180Presidente da Bi-Nacional Brasil Japo Campo. Em uma viagem que fizeram,na semana do carnaval de 1989, a convite do Governador de Cear, TassoJereissati, Carlos Magno, o prprio Paulo Romano e Elmar Wagner estudaramas potencialidades da Chapada do Araripe para produo de gros. Aprovei-taram o encontro e trocaram impresses sobre a mudana de comando.Carlos Magno assume a Direo da entidade, em um momento queconsiderou sumamente difcil: inflao em alta, sessenta por cento ao ms,ingerncia poltica na nomeao de chefias, salrios baixos e corrodos, falta dedinheiro para custeio das atividades de pesquisa nos laboratrios e nos camposexperimentais. Acrescente-se, a tudo isso, o estrago deixado por PinheiroMachado com uma Instituio ameaada de diviso e abalada na sua auto-estima. Por oportuno, bom lembrar que, provavelmente, o mandato deCarlos Magno estaria resumido a um ano, mais precisamente a onze mesese vinte e dois dias, concludo com a mudana do Presidente da Repblica,eleies marcadas, novo ministrio, tudo isso. De toda maneira, Carlos Magno, com um forte temperamento, pessoadecidida e sincera, criativo e compenetrado do exguo perodo que contaria naPresidncia, tratou de realizar algumas tarefas importantes, buscando eficinciada Empresa e afastando-a, tanto quanto possvel, do estado catico querecebera do seu antecessor. Nessa linha, contratou consultoria da Unicamppara realizar um estudo dos cenrios vista, com inteno de estruturarum sistema de planejamento estratgico que se prestasse tambm a prepararum documento destinado aos candidatos Presidncia da Repblica nasprximas eleies.Alega o novo Presidente, em entrevista para fornecer subsdios para estaMemria, que a situao salarial era crtica naqueles momentos, com umamdia de US$ 700,00 mensais. Mas que conseguiu um aumento considervele realizou um estudo para concesso de licena sabtica para os pesquisadores.A proibio de contrataes obrigava a formao de uma quadro paralelo, soba forma de prestao de servios, cujos pagamentos saiam dos recursos de custeio.Quando eu assumi a Embrapa, e esse nmero eu no me esqueo, nstnhamos 3.333 pessoas no quadro paralelo, na poca eram 10.500sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 180Ministro da Agricultura Arlindo Porto e o Presidente da Embrapa, Carlos Magno.Sol da manh: memria da EMBRAPA181sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 181182Ministro da Agricultura, Andrade Vieira, recebe a visita do Diretor-geral da FAO, Jacques Diouf.Flagrante de um dia de campo com experimentos do CPAC - Embrapa Cerrados.Carlos Magno chefiou esta unidade.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 182Sol da manh: memria da EMBRAPA183funcionrios, ou seja, 30 a 35% da fora de trabalho. Para dramatizar asituao basta ressaltar que uma das unidades mais estratgicas da entidade,o Cenargen, 60% dos pesquisadores eram do quadro paralelo. Eram con-tratados.A Ministra do Trabalho, Dorothea Werneck, fez negociao com CarlosMagno que permitiu, praticamente, terminar com o quadro paralelo, autori-zando vagas no quadro permanente do pessoal mediante concursos locais,descentralizados. Sobre os empregados contratados, temporariamente, aopinio de juristas consultados era contraditria. No momento que ospolticos ficaram sabendo que a Embrapa iria contratar o telex ficou con-gestionado com pedidos de todas as partes.Outra ameaa de crise que Carlos Magno teve de enfrentar: a PolciaFederal descobriu uma plantao de maconha s margens da cerca de umCampo de Produo de Sementes Bsicas, junto ao Centro de Pesquisa doSemi-rido, localizado na Regio de Petrolina, Juazeiro. A rea estava complantaes clandestinas, pois moradores do serto faziam uma espcie demaquiagem na vegetao nativa e ali plantavam maconha irrigada. A polciaprendeu os transgressores, mas o Presidente estava ansioso e preocupado comum possvel alarme falso na mdia: maconha no campo da Embrapa! Naquelamesma ocasio, um tremendo mal-entendido aconteceu com uma declaraodo Dr. Glauco Olinger, ex-Presidente da Embrater. Sua declarao referia-se gerao de biogs utilizado como matria orgni-ca para produo de metano. Diz-se que ele falou que se podia usar defunto,pessoas mortas que so matrias orgnicas a ser transformadas em biogs. Umreprter, inexperiente, ou mal-intencionado, soltou esta matria, informando:O Dr. Glauco Olinger recomenda o uso de humanos para fabricao debiogs. Um escndalo. Evidentemente nunca foi a inteno de Glaucofazer essa declarao na forma como foi divulgada.Esses problemas, o Presidente disse que tinha de administrar todos os dias.Problemas de oramento eram objeto de interesse de alguns parlamentarespedindo recursos da Instituio para montar um frigorfico que nada tem aver com pesquisa agropecuria. sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 183184Falando em oramento, Francisco Lemos, assessor parlamentar, recordouum episdio que vale a pena contar.Uma vez, o Presidente da Comisso de Oramento, que era um daquelesanes, Cid Carvalho, veio almoar na sede da Embrapa. E foi curioso porqueele comeu, bebeu bastante vinho... Quando chegou a hora de discutir o ora-mento da Embrapa, ele dormia. Afinal aprovaram doze projetos.Outra interessante maneira de ver algumas questes de gesto da Empresafoi relatada como parte de experincia vivida por Carlos Magno no limitadoperodo de sua administrao.Uma Empresa do tamanho da Embrapa tem que se preocupar com o tamanhode sua sede. Se for feita analogia com o corpo humano, a sede representa acabea, mas essa cabea no pode ser mais importante que os membros. Andeicriticando, duramente, quando Chefe do CPAC porque, s vezes, eu sentia queos Diretores da Embrapa eram os Diretores da sede. Isso era preocupante.Hoje, a situao mudou. As condies de trabalho no final do ano de 1989 jeram difceis. Pouco a pouco a burocracia do Estado, endurecia e complicava.As contrataes, as aquisies (licitaes) o fluxo de recursos. H quem digaque, quela poca, o oramento da Empresa era uma pea de fico.Administrar uma Instituio tida como de segurana nacional, responsvel,em boa medida, pelo aumento da produo de alimentos, com as irregulari-dades nos desembolsos das verbas que lhe foram consignadas no Oramentoda Unio, era extremamente difcil, penoso e desgastante.Carlos Magno fez um estudo interessante quando dirigia o CPAC. Em1988, 65% do grupo tcnico-cientfico se aposentaria entre 2008 e 2010.Isso quer dizer, idade avanada, implicando contratao de pessoal novoe inexperiente para reciclar e oxigenar os recursos humanos de hoje.A Instituio enfrentou um longo perodo atravessando enormes dificul-dades. Para enviar um tcnico ao exterior era uma tremenda burocracia.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 184Sol da manh: memria da EMBRAPA185Hoje em dia, com os programas cooperativos internacionais, a formao deblocos (tipo Mercosul), as operaes tendem a se flexibilizar.Carlos Magno soltava idias que mereciam ser analisadas mais a fundo.Quanto participao do setor privado estava convencido de que a sua con-tribuio, dificilmente, ultrapassava vinte por cento do oramento global daInstituio. Achava que o setor pblico iria carregar o restante desse fardo. Ointeresse econmico est acima de qualquer outra coisa. Por isso, consideravadividir ou especificar reas prioritrias de pesquisa de responsabilidade daEmbrapa como, por exemplo, biotecnologia. Ser mais apropriado trabalharcom o domnio dos genes e no da planta. Mencionou que a chamadapesquisa bsica seria um grande filo. As multinacionais esto investindoimensas somas de recursos em biotecnologia.A Monsanto procurou aEmbrapa para usar variedades de soja, evidentemente, em plantas resistentesao glifosato.Esses comentrios sugerem uma discusso oportuna para definir reasestratgicas e prioridades futuras para a Empresa. Pelas informaes divulgadasno perodo de 89, parte os problemas experimentados no decorrer das ltimasadministraes, a Embrapa acumulou novos e interessantes resultados frutodo seu trabalho silencioso nos laboratrios e campos experimentais. Soregistradas novidades em pastagens para gado de leite, ovelhas e caprinos. lanado o kit Avelisa destinado a monitorar doenas de aves, novas vacinaspara sunos e o lanamento de corantes para alimentos. concludo o mapea-mento macroagroecolgico do pas, ao mesmo tempo que, em parcerias,so instaladas fbricas de software. Enquanto isso, no Nordeste, lanado ocultivo da tmara que, nas terras de sua origem, produzem em oito anos.Aqui em dois, em solos salinizados.A essa altura, o oramento estagnou em US$ 160 milhes. A relao custode Projeto, por pesquisador caiu cerca de US$ 35 mil em 1982 para US$ 14,5mil em 1989.So lanadas as variedades de milho branco e as variedades BR 201 eBR 451. Trigo, arroz irrigados melhoram no Sul. O feijo alcana colheitasde 2.000 Kg/hectare irrigados no inverno. A expanso do cultivo de soja sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 185186constatada com o lanamento de novas variedades, com reduo de agro-txicos e de adubos qumicos. Aparecem importantes plantios no Centro-Oeste e Norte. Em vacas e guas, a prenhez identificada com um novoequipamento detector. Essa sntese, termina com um relato minucioso dosinformes de ento, com os avanos dos programas de informtica utilizadosde forma generalizada por administradores e pesquisadores. importante notar que, a despeito do perodo curto, a administrao doengenheiro agrnomo Carlos Magno Campos da Rocha no contou comincidentes e turbulncias que chegassem a prejudicar o andamento mnimoindispensvel sobrevivncia da Instituio. O autor desta Memria anotaque Carlos Magno concedeu uma interessante e original entrevista comoChefe do CPAC, o que me leva a pensar em uma futura Memria, enfati-zando a origem, implantao e desenvolvimento das Unidades descentralizadasda Embrapa. Afinal de contas o cerne da histria desta organizao encontra-se no quotidiano destes ncleos do interior do pas onde a agricultura enfrentaseus sofrimentos e sucessos.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 18615em busca demudanas ideolgicassol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 187188Reunio da Diretoria Executiva do perodo do Presidente Murilo Floressol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 188Sol da manh: memria da EMBRAPA189fetivamente, o governo Collor de Mello no chegou a prestar nenhumservio de expresso agricultura brasileira, salvo que o seu Ministro da Agricultura,Antonio Cabrera Mano Filho, um jovem fazendeiro e veterinrio paulistade 29 anos, que apoiou e prestigiou, na medida do possvel, a Embrapa. Aescolha do titular da agricultura do Presidente eleito comeou com umadeciso poltica equivocada: o escolhido, Governador do Distrito Federal,Joaquim Roriz, tomou posse e no permaneceu no cargo por mais de quinzedias. Para a Presidncia da Embrapa, comentou-se na ocasio, que haviamuitos candidatos, entre os quais, o titular anterior e outros nomes dogrupo formado por Roriz.A Antonio Cabrera foi apresentado o jovem engenheiro agrnomo,Murilo Xavier Flores, pesquisador e chefe do ento Centro Nacional deDefesa Sanitria, que viria a ser o novo Presidente A Diretoria Executivafoi completada com pesquisadores, escolhidos, livremente, por Murilo. Isso,sem dvida, representou um avano nos critrios de escolha dos dirigentes,pois no houve, desta vez, influncia poltica partidria.O novo Presidente, embora no tivesse formao acadmica com ps-graduao de doutorado, contava, entretanto, com a experincia da chefiade uma unidade da Empresa. Conhecia, relativamente bem, a poltica agr-cola adotada no pas, sobre a qual expressava reparos e crticas quanto visosocial mope, tratada pelas lideranas de ento.No Brasil essa conscincia no existia, mas houve presses sociais: o MST queaflora, fortemente, na dcada de 90, uma resposta a isso. Grupos de pessoasdizendo: olha, ns queremos que a agricultura empregue tambm, gere emprego!S que como a agricultura tinha historicamente, a viso de que o papel delaEsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 189190era, exclusivamente, produzir mais e melhor, com mais qualidade. Toda essaidia de desenvolvimento era excluda. S que isso, na dcada de 90, explodiu.Exatamente quando ns estvamos l na Embrapa. Na Presidncia sentia que a Instituio tinha que estar engajada nessareviso do modelo agrcola nacional. Precisava rever o papel da agriculturapara permitir que, primeiro, reduzisse o xodo rural. Segundo, que criassecondies para que a atividade agrcola apoiasse a descentralizao de renda,no s do ponto de vista social, mas do ponto de vista geogrfico tambm.Essas posies acompanharam a gesto Murilo Flores por todo o perodode sua gesto. De outra parte, houve uma clara preocupao por elaborardocumentos que servissem, precipuamente, para circular entre o pessoal dacasa e produzisse a troca de idias, internamente, e os debates consideradosnecessrios formao consciente das posies suscitadas pelo Presidente.Com temas envolvendo a sociedade, a desburocratizao e o planejamentoestratgico. No foi fcil dialogar, sobre certas questes, com o pessoal daEmbrapa. Murilo era Presidente do governo Collor engajado ao neolibera-lismo e privatizao. Os automveis brasileiros eram umas carroas. Asempresas estatais no eram bem vistas pela sua ineficincia, excesso de fun-cionrios, os marajs, a burocracia.Um ato tpico do Governo que caracterizou autoritarismo e falta de visodo papel da agricultura foi, sem a menor dvida, a extino da Embrater,co-irm da Embrapa e que, no Governo Geisel, foi criada em substituio aoSistema Abcar, coordenadora tradicional dos Servios de Extenso Ruraldo pas. O ato oficial do Presidente Collor, obviamente, com aquiescncia doMinistro Antonio Cabrera, fechando, arbitrariamente, a Embrater, no nossoentendimento, sepultou, em definitivo, o trabalho exemplar de extenso e assis-tncia tcnica aos pequenos e mdios agricultores. Desmantelou, de vez, umservio tradicional da agricultura.Nos dias de hoje, esses servios esto em estado deplorvel, afetando diretamenteas necessidades mnimas de ajuda aos agricultores assentados da reforma agrriae agricultura familiar, segmento importante da atividade agropecuria do Brasil. sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 190Sol da manh: memria da EMBRAPA191Representantes da FAO/Naes Unidas visitam a Embrapa BiotecnologiaAntonio Cabrera Mano, Ministro da Agricultura do Governo Collor de Mello,acompanhado do Presidente da Embrapa, Murilo Floressol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 191192J. Irineu Cabral cumprimenta Murilo Floressol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 192Sol da manh: memria da EMBRAPA193As medidas aprovadas, recentemente, pelo Governo, criando programas deassistncia aos assentamentos agrrios e agricultura familiar, seguramente,tero enormes dificuldades institucionais pela frente, para reestruturar servios,na sua grande maioria, que se encontram completamente desmantelados. poca correu, tambm, a notcia do fechamento da Embrapa, que MuriloFlores desmente. Uma eventual extino, quela altura, contaria com umaforte reao dos seus funcionrios (que Collor no daria a menor importncia)de boa parte do Congresso (bancada rural), de cooperativas e lideranas rurais. O perodo enfrentou alguns problemas srios, particularmente, as negocia-es salariais e o dissdio coletivo trabalhista, em pleno andamento, o Sistemade Planejamento com os PNPs (considerado uma farsa) por Murilo Flores,afinal terminou implodindo.A Embrapa se manteve forte. No pararam as obras, os treinamentos noexterior, a compra de equipamentos para os laboratrios em virtude do fluxode recursos restantes provenientes de financiamentos do BID e BIRD. Deoutro lado, ressalte-se a qualidade do quadro de pessoal administrativo,infinitamente superior maior parte das organizaes pblicas da poca. Issoajudou a sustentar a Empresa. J os recursos de custeio continuaram faltando,chegando fora de poca e com cortes nos oramentos aprovados. Esses fatosse transformavam em srios obstculos administrao e continuam at hoje.Murilo destaca: no se pode comparar a Embrapa de hoje com a dcada dossetenta. Era s pedir e vinham os recursos.De modo geral, no surgiram crises ou dificuldades que no pudessem sersuperadas. Somente o sindicato bateu o tempo inteiro na sua gesto. Seuhandcap, tambm, era o rtulo de que pertencia ao governo neoliberal doPresidente Collor de Mello.Murilo foi bem assessorado. Tinha um excelente Chefe de Gabinete,Manoel Moacir Costa Macdo, e uma Diretoria com ele comprometida. Lutoupor mudanas internas. Pensou em um Projeto Embrapa I e Embrapa II.Criou um Programa de Agricultura Familiar, fez exerccios com tcnicos dacasa sobre a construo de cenrios. Queria uma Embrapa aberta e participa-tiva e, na sua gesto, criou uma viso ambiental para as atividades da entidadesol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 193194e o lanamento de metodologia para a introduo do planejamento estratgico.Nesses eventos estima-se que cinco mil funcionrios participaram de treina-mentos. Nas reunies de avaliao, alegou: as crticas e contribuies produziramelementos e subsdios destinados a dar novos rumos. muito complicadoadministrar uma Instituio como a Embrapa como foi no perodo do meumandato: cinco anos com doze Ministros entre titulares e interinos.As circunstncias do momento no permitiam, obviamente, orientar agesto Murilo Flores como ele desejava: havia uma ampla discusso interna naEmpresa que o ligava com o neoliberalismo de Collor e a idia fixa de privati-zao da economia e das funes do Estado.Tratei de liquidar o PNP econvencer as Chefias de Unidades e pesquisadores para uma nova metodologiade planejamento. Outra prioridade era cuidar de resolver a questo salarial emobilizar uma maior participao da sociedade nas aes da Embrapa.A questo salarial foi, temporariamente, aliviada. No que se refere ao plane-jamento, foi criado o Sistema Embrapa de Planejamento SEP, fruto de debatese discusses com o pessoal da casa. fortalecida a idia do planejamentoestratgico.As ingerncias polticas foram marginais e os ministros, praticamente,deixaram a Embrapa por conta de seu Presidente. Como a organizao era,predominantemente, presidencialista, a soluo dos problemas, recaa naDiretoria Executiva, na prtica, nas mos do Presidente. A propsito, essetipo de situao endeusava a pessoa que estava no comando da Empresa.Isso, Murilo Flores, no aceitava. Todos os Centros e Servios foram visitados. Essas ocasies serviam para,no s conhecer, diretamente, as pessoas e os problemas, como tambm, paradeixar as mensagens de renovao da Instituio defendidas pela sua Direo.Bem intencionado realizava um esforo com vistas a fortalecer e oxigen-la. Ao trmino de sua gesto, boa parte do quadro do pessoal assumiu umaposio mais aberta e construtiva para eventuais avanos ideolgicos.O Brasil Novo de Fernando Collor lanou o chamado PPA PlanoPlurianual PPA de investimentos agropecurios, que props dispndiosda ordem de 460 milhes de dlares para a pesquisa agrcola (1,5% do PIBsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 194Sol da manh: memria da EMBRAPA195agrcola). A crtica que se fazia ao Governo anterior tinha razo de ser, poiscomprometia apenas 200 milhes de dlares para a mesma finalidade. Os relatos de ento registram avanos conquistados pela contribuio daEmbrapa, como a continuao da ocupao agropecuria do Cerrado, o lana-mento das novas variedades de milho, arroz, mecanizao da cultura do feijo,variedades de soja e trigo, as transferncias de embries para produo de bovi-nos gmeos idnticos. Grande xito era assinalado com a produo e venda dequinze mil toneladas de sementes bsicas, a coleta e conservao de recursosgenticos, monitoramento de impactos ambientais, a fixao biolgica denitrognio, entre outros.Diferentes documentos foram elaborados para apoiar o lanamento do IIPlano Diretor da Embrapa (1994 1998). A metodologia observa a apresen-tao de uma anlise acurada da economia na dcada dos setenta, afirmando,em seguida, que o paradigma internacional de desenvolvimento esgota-se nosanos oitenta. O perodo dos noventa traz a globalizao da economia, a cons-cincia ecolgica, a formao de blocos econmicos. Aps a definio damisso da Instituio, aparecem os objetivos, o Modelo Institucional, oSistema de Planejamento, as prioridades e as fontes de financiamento. Oexerccio do planejamento estratgico com modificaes conceituais incorpo-radas no II Plano Diretor foram importantes para que a Empresa se preparassepara mudanas contnuas e sucessivas que se faziam necessrias.Os progressos alcanados no debate de idias, os bons documentos elabora-dos, a importncia do planejamento e das reflexes sobre o futuro, fizeram dagesto Murilo Flores, um perodo em que se manteve viva e dinmica.Convm observar que isso ocorre, mesmo com a crise do impeachment deCollor, a substituio do Presidente da Repblica, a pletora de Ministrose a escassez de recursos.Em questes institucionais substantivas no conseguiu se fortalecer: no seconstruram mecanismos que resolvessem a falta de recursos financeiros paracusteio, no houve avanos visveis na desburocratizao, nem foram definidosnovos caminhos para evitar a deteriorao do SNPA, particularmente, a situ-ao dos sistemas estaduais.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 19516a fora da marcasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 197198Presidente Fernando Henrique Cardoso discursa em evento da Embrapa. direita, Alberto Duque Portugal, presidente da Embrapa.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 198Sol da manh: memria da EMBRAPA199m julho de 1944 lanado o Plano Cruzado, no Governo Itamar Franco,seu executor foi o socilogo Fernando Henrique Cardoso que venceria, nasprximas eleies, Luiz Incio Lula da Silva, j no primeiro turno.O novo Governo adota polticas neoliberais. Busca investimentos externose quebra o monoplio em setores de produo, privatiza algumas empresasestatais, entre elas, a Vale do Rio Doce.Quanto ao setor agrcola, o Governo enfrentava o problema da dvida dosagricultores. Fernando Henrique teria dificuldades polticas na escolha dosseus ministros da agricultura. Basta recordar que, durante seus dois mandatos,nomeou quatro ministros, sendo, o primeiro, o Senador, fazendeiro e banqueiroparanaense, Jos Eduardo Andrade Vieira. Foi muito divulgado, ento, que onovo Ministro gostaria de contar com um longo perodo de administraopara quebrar as freqentes mudanas de ministros da agricultura. Durouapenas pouco mais de um ano.O novo Presidente, Alberto Duque Portugal, participava da DiretoriaExecutiva anterior. Foi Diretor da Empresa de Pesquisa Agropecuria deMinas Gerais Epamig e Chefe do Centro Nacional de Pesquisa de Gadode Leite. Os outros Diretores, Elza Brito e Roberto Peres continuaram.No lugar de Portugal nomeado o gacho Dante Daniel Giacomelli Scolari.Vale a pena, desde logo, destacar que assume a Presidncia um tcnico,conhecedor da Instituio, com treinamento de doutorado e, alm do mais,com experincia gerencial.Com o afastamento do Ministro Andrade Vieira, aps um ano e pouco, onovo Ministro da Agricultura o Senador mineiro Arlindo Porto, que deixaas funes ao final do primeiro mandato de Fernando Henrique. Em seu lugar,assume o gacho Francisco Turra.Esol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 199200A gangorra de entre e sai ministro amenizada com a escolha de Pratini deMoraes que, pasmem, permanece nas funes at 2002.Portugal conviveu com os diferentes ministros da agricultura demons-trando uma postura hbil no cargo e capacidade de enfrentar situaescomplicadas, freqentes na administrao publica. A Embrapa estava atraves-sando momentos muito bons desfrutando de excelente conceito na sociedadebrasileira, na mdia, no setor produtivo, no Executivo e no Congresso. A marca forte, inclusive fora do pas.Esta Memria estava planejada para ser lanada por ocasio do 25 Aniversrioda Instituio em 1998. Decidi, pessoalmente, entrevistar Alberto Portugal,(que nunca acreditou que eu a escreveria), pois poderia extrair do seu conheci-mento e experincia, informaes valiosas, particularmente, sobre aspectoscruciais da vida da Embrapa, como sua organizao jurdica, financiamento,poltica de recursos humanos, sistemas estaduais, impactos, resultados, grandesproblemas e dificuldades encontradas na sua gesto.Geralmente, as anlises feitas por Portugal, eram sensatas e demonstravamrazovel sensibilidade para interpretar, corretamente, os acontecimentos equestes da vida da entidade.Portugal me confessou: No considero que a Embrapa esteja consolidada e no pode se acomodar.Existe tremendo desafio, pela frente, porque as mudanas de hoje so muitoprofundas quanto ao aspecto tecnolgico, de gesto, a busca de eficincia,cobrana sobre o Estado e competio com o setor privado. Tudo isso colocauma enorme presso por mudana. Embora seja uma Instituio com marcaforte, tem srio desafio no sentido de contar com agilidade e flexibilidadepara poder atuar. Isso, do lado da Embrapa. Quanto ao Sistema Nacional dePesquisa Agropecuria (SNPA) a situao , no momento, preocupante.O Modelo era considerado concentrado. Nos seus primeiros quinze anos oSistema funcionou bem, como foi planejado originariamente, Com a Consti-tuio de 1988 a situao mudou drasticamente. O Governo Federal nosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 200Sol da manh: memria da EMBRAPA201podia mais repassar recursos para os estados. Em outras palavras: as organizaesestaduais de pesquisa agrcola entraram em um processo acelerado de deca-dncia. Algumas, onde no houve apoio e prioridades dos governos estaduaisentraram em declnio e quase colapso.Nos vinte e cinco anos da Embrapa, j havia o problema do debilitamentodas Empresas Estaduais de Pesquisa Agrcola. De outro lado, a capacidade deinstituies universitrias, das cooperativas, ONGs, fundaes de pesquisa foi,nesse perodo, muito ampliada. Da por que, Portugal, sustenta que se devarepensar como mobilizar no a organizao, Empresa Estadual de Pesquisa,isoladamente, mas, sim, o Sistema Estadual como um todo. Da mesma formaque aconteceu com os Sistemas estaduais, principalmente no Centro Sul, hum crescimento expressivo dos Servios de Extenso e Assistncia Tcnica nascooperativas, associaes e empresas de insumos agrcolas. Comea a aparecero tcnico autnomo trabalhando com grupos de produtores.Na agricultura do pas existe um setor comercial que tem acesso informaoe usa-a bem, conhece e sabe procurar o estoque tecnolgico, est organizado einserido no mercado. Existe um outro setor, em processo de transio que, hojeem dia, representa os grupos da chamada agricultura familiar e dos sem terra,trabalhadores selecionados para os programas de assentamento da reforma agrria. O setor comercial depende, muito pouco, da extenso rural e assistnciatcnica pblica. J os grupos em transio constitudos, teoricamente, poraqueles da agricultura familiar (mais Pronaf ) e os localizados nos assenta-mentos da reforma agrria, dependem, definitivamente, do apoio do Estado.Uma oportuna observao nesse contexto me foi feita por Alberto Portugal:O nosso pessoal quando estava voltando do treinamento no incio da dcadados oitenta, a cincia estava dando um grande salto, na engenharia gentica,biologia molecular e celular. De alguma forma, os nossos tcnicos voltavamdefasados em relao ao novo paradigma. A Embrapa comea a enfrentaressas questes. Em virtude dos emprstimos do BIRD e BID, no havia proble-ma de recursos para infra-estrutura. Passou-se a investir em renovao deequipamentos. Os laboratrios de ponta tm necessidade de permanentesol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 201202atualizao. A velocidade do sucateamento muito grande. A nova marcaEmbrapa no ano 2000, conseguiu construir uma conscincia renovada entre opessoal da casa e j se nota mudanas e expectativas na opinio pblica.A marca antiga, que nascera com a fundao, tinha seu charme e sefirmava com um bonito logotipo. Entretanto, no respondia nova propostade marketing.A globalizao, a revoluo tecnolgica, os blocos econmicos pressiona-vam pela competitividade dos negcios nacionais e internacionais. A adminis-trao passou a dar alta prioridade ao planejamento estratgico da Empresaque j vinha sendo objeto de ateno da Diretoria anterior. O exerccio doplanejamento estratgico permitiu melhor discusso de qual seria a misso daEmpresa e suas diretrizes. O que se desejava era levar e internalizar, com maiorou menor intensidade, os princpios chaves das parcerias, do enfoque dossistemas e cadeias produtivas, a pesquisa orientada para o mercado e paraa demanda, a sustentabilidade e a qualidade total. Nessa linha foi dado umgrande passo com a criao do Laboratrios Virtuais no Exterior Labex.Essas idias, de certa maneira, vinham sendo colocadas em documentos eprogramas de treinamento. Nessa linha, a Embrapa avanou com iniciativasde grande repercusso na poltica de pessoal como os processos de avaliaoe promoo por resultados.Da reforma do Conselho de Administrao esperava-se mais. Suas atividadesno significaram uma participao importante no planejamento da Instituio,nem incorporaram os setores de baixa renda da agricultura nas decises.Outro passo valioso foi dado com o lanamento do sistema de escolha deChefias das Unidades Descentralizadas. A Embrapa adotou, na ocasio,uma poltica de propriedade intelectual. A plataforma de Portugal tratou deno expandir a estrutura fsica. Em sntese, foram definidas, na rea tcnico-cientfica, quatro grandes objetivos:a. valorizar e acompanhar o avano cientfico no mundo;b. transformar as tecnologias em processos e produtos, realmente acabados,para o mercado;sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 202Sol da manh: memria da EMBRAPA203Pesquisador Arnildo Pott no Programa do J SoaresMinistra Marina Silva em dilogo com Alberto Portugal, ex-presidente da Embrapasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 203204Pesquisador Elisio Contini, Chefe do Labex Montpellier, FranaO cantor Almir Sater animando o evento Cincia para Vida, promoo da Embrapa em Braslia.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 204Sol da manh: memria da EMBRAPA205c. apoio tcnico aos programas do Governo tais como a reforma agrria, agri-cultura familiar e o zoneamento agrcola; ed. consolidar a Embrapa como instrumento de abertura comercial do Brasiljunto aos pases em desenvolvimento, principalmente, na faixa tropicaldo mundo.Um dos aspectos mais positivos do perodo de 1994 a 2002 foi, sem dvida,a relativa tranqilidade vivida pela Administrao.Foi um perodo tranqilo, com progresso. Nenhuma crise grave nos lti-mos sete, oito anos. Uma ameaa que poderia provocar abalos na gesto daentidade foi a tentativa de transferir os Servios de Extenso Rural e AssistnciaTcnica, para a Embrapa, em conseqncia da extino da Embrater. Portugalfoi firme em no permitir essa possibilidade. Posteriormente, essas atividadesconseguiram espaos no Ministrio da Agricultura.A influncia poltica para nomeao de chefias, a localizao e criao denovas unidades sempre existiram na Empresa, a partir de 1980, moderada-mente. Da por diante, com maior persistncia. O corporativismo foi crescendodentro da entidade e, vez por outra, por questes principalmente salariaissurgiram greves e protestos nas unidades descentralizadas e em Braslia, coma distribuio barulhenta de galinhas e frutas pelos grevistas na prpriaEsplanada dos Ministrios, em Braslia.Em 1998 foi lanado o III Plano Diretor PDE, contemplando um reali-nhamento estratgico para 1999-2003, com misso clara de viabilizar ascondies para o desenvolvimento de uma agricultura sustentvel base indis-pensvel para consolidar o agronegcio do pas. Os objetivos do III PDE eramdesenvolver um agronegcio competitivo, promover a sustentabilidade daatividade econmica com o equilbrio ambiental, contribuir para diminuiros desequilbrios sociais e fortalecer a produo de matria- primas e alimentospara melhorar a qualidade de vida da populao. Note-se que as UnidadesDescentralizadas adotaram, tambm, seus Planos Diretores para perodosarticulados com o planejamento global da Embrapa.Os altos e baixos da Empresa passaram a ser uma constante. Aps osavanos alcanados, antes relatados, apareceu a questo com os aposentados.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 205206Foi um momento difcil, pois no havia consenso entre a Procuradoria Geralda Fazenda, Supremo Tribunal Federal, Tribunal de Contas da Unio. AEmbrapa, surpreendentemente, lanou um plano de demisses voluntrias.Acabou chegando aonde se desejava, ou seja, que fosse dispensado a todosos aposentados o mesmo tratamento a qualquer celetista.A reciclagem, melhor, a oxigenao do pessoal tcnico, pensando em umcenrio de dez a quinze anos, estava presente na Agenda da Empresa. Masno se podia contratar. O processo de discusso com a CEST estava em pauta,onde se pretendia obter a excepcionalidade de novos contratos. Autorizadaem um perodo de um ano e meio, a Embrapa chegou a contratar cerca desetecentos funcionrios. Era fundamental renovar. Em algumas reas nohavia como reciclar. Era imperativo contratar gente nova j formada ouformar pessoal em algumas reas bsicas. Tudo isso tornou-se uma questocrucial e estratgica. Portugal disse-me que, no incio dos anos noventa, aEmbrapa tinha um quadro de 11.000 empregados. Naqueles dias, oquadro deveria ser reduzido para 8.950.O nmero de pesquisadores estava em torno de 2.100, mas tinha quecrescer. A relao era de um pesquisador para 3.2 empregados entre os deapoio e administrao. A meta era reduzir e caminhar para algo prximo entredois e dois e meio. Havia um esforo tentando automatizar, informatizar,terceirizar certas atividades com o objetivo de enxugar o quadro de pessoal.Observa-se que foi saudvel para a Instituio o esforo realizado paracaracterizar um modelo de gesto renovado e eficiente. A seleo de chefias,por concursos pblicos, buscando avaliar competncia tcnica, viso gerenciale de poltica institucional dos candidatos, foi um passo corajoso na renovaode prticas e critrios corporativos e polticos partidrios que dificultavama gesto da Empresa. Alguns sistemas adotados de avaliao e premiao porresultados, (Sapre), o Sistema de Planejamento, Acompanhamento, Avaliaoe Desempenho (SAAD) e o Sistema de Avaliao das Unidades (SAU),conformaram um conjunto de medidas tendentes a torn-la uma empresacriativa, moderna, mais eficiente e competitiva.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 206Sol da manh: memria da EMBRAPA207Os projetos precisam comear e terminar no consumidor. A Embrapa refora seuenfoque para o meio ambiente e para a agricultura familiar. Est presente nosassentamentos, em reservas indgenas, pequenos municpios do interior,cumprindo seu papel de Instituio pblica, movida pelo interesse social.Nesse sentido foram desenvolvidas atividades de natureza social, concorrendoe ganhando prmios pelo trabalho em favor dos pequenos e de comunidadesde baixa renda.Finalmente, a Embrapa lana o seu Primeiro Balano Social, em 1997.Partindo do princpio de que, mesmo com o crescimento do agronegcio, oBrasil ainda apresentava um quadro de grande desequilbrio social.A agricultura familiar contribui, significativamente, para a produo agro-pecuria do aas (em torno de 35%) atuando em 25% das terras cultivadas,com a participao em torno de catorze milhes de pessoas.Ano a ano publicado o Balano Social que vem mostrando, concreta-mente, conquistas e avanos de projetos com a participao da Embrapa.Entre muitas aes e projetos, o Balano de 1998 registra um primorosotrabalho, resultado de quatorze anos de pesquisa participativa, reunindodiversas Universidades, a Embrapa Agrobiologia, Milho e Sorgo, SementesBsicas, Tecnologia Alternativa e trezentas comunidades de agricultores emseis estados brasileiros, com um total de quinze mil famlias. O projetolana seu primeiro produto: o milho da variedade Sol da Manh 1, comcaractersticas dignas de registro: eficiente no uso de nitrognio, capaz deproduzir 4.000 kg/ha em solos de baixa fertilidade natural e quase o dobro emterras mais frteis. Com tais virtudes, a variedade Sol da Manh atende snecessidades do pequeno produtor em regime familiar. No ano de 1998 foraminstaladas quinze unidades demonstrativas e de observaes da nova variedade,distribuda no mercado nacional.A cada dois anos, a partir de 1998, a Embrapa realiza, em Braslia, o eventoCincia para a Vida, com enorme xito de pblico urbano, autoridades, pro-1 Variedade de milho desenvolvida pela Embrapa, BRS Sol da Manh que deu origem ao ttulo de capa destaMemria.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 207208dutores, estudantes. As unidades da empresa e outras instituies parceirasexpem os resultados de suas atividades e projetos, as inovaes e palestras.Realizam demonstraes e cursos, distribuem literatura e folhetos. uma festano estilo do agrishow de Ribeiro Preto, SP. Na ocasio, a Embrapa e seus par-ceiros do uma demonstrao de fora mostrando os resultados do seu trabalho.A investigao tecnolgica internacional vem antevendo na biotecnologia,um grande horizonte de crescimento e conhecimento cientfico. Dentre astcnicas de biotecnologia, como organismos geneticamente modificados OGM, genoma, clonagem, dentre outras, sem dvida os transgnicos OGMprovocam maior discusso sobre os benefcios e riscos sade humana e aomeio ambiente.O plantio de plantas transgnicas no Brasil ganhou volume e destaque,principalmente, com a soja, nos estados do Sul. A presso dos agricultores paracomercializar o produto gerou medidas de regulamentao paleativas paraescoamento das safras de soja transgnica. Atualmente, o Congresso aprovou,e o Presidente Lula sancionou a Lei de Biossegurana que possibilita umhorizonte legal para a pesquisa biotecnolgica no pas.A Embrapa cumprir um papel decisivo nesta nova fase da pesquisaagropecuria e poder oferecer ao setor rural novos cultivares e melhoramentogentico tanto de produo, como reduo de custos, melhoria de qualidadenutritiva, aumento do perodo de conservao e um enfoque social dos bene-fcios da biotecnologia, algo que as empresas privadas no priorizam em seusprojetos de pesquisa.A atuao da empresa Monsanto, nesse perodo de aprovao da Lei deBiossegurana, foi assimilada pela sociedade, como uma empresa que ora eravista como vil pelo estmulo da nova tecnologia, ora era vista como de van-guarda pelos benefcios que a transgenia oferece. No me cabe julgar, apenasafirmar que a Monsanto pode estar avanada nessa tecnologia, porm aEmbrapa tem recursos humanos, estrutura fsica e possibilidade de investi-mento para cumprir o seu papel de empresa de pesquisa pblica e gerar novastecnologias envolvendo a biotecnologia. Com as medidas legais aprovadas, aEmbrapa precisa de recursos para reforar as pesquisas em biotecnologia comsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 208Sol da manh: memria da EMBRAPA209alta prioridade e se destacar neste segmento, como sempre vem se destacandoem outras reas na gerao e difuso tecnolgica agropecuria do mundotropical.O Presidente Fernando Henrique, em 2002, termina seu segundo mandato,com um novo Ministro da Agricultura atuante e apoiado pelo agronegcio,Pratini de Moraes. No se pode dizer que o Presidente da Repblica noapoiou a Embrapa. O mrito dos avanos da Instituio, no perodo de 1994-2002, deve-se, sem dvida, liderana e competncia de Alberto DuquePortugal e sua equipe. No perodo dos mandatos de FHC no houve nenhumesforo especial para resolver os problemas operativos da Empresa commudanas no seu formato jurdico, salvo os estudos e propostas do MinistroBresser Pereira no sentido de criar uma Agncia, Fundao, Instituto ouOrganizao Social. Nenhuma das alternativas prosperou.As opinies que colhi, ao longo do trabalho de reunir informaes paraesta Memria, confirmam a impresso do trabalho exitoso e produtivo dePortugal, sua Diretoria Executiva e a equipe de Chefes de Centros, servios esetores administrativos. bom, entretanto, que fique claro que o Governo deFernando Henrique no deu soluo a problemas e questes institucionais doSistema Nacional de Pesquisa Agropecuria (SNPA) que vm desde, halgum tempo, mostrando fragilidades, comprometendo e ameaando suasustentabilidade. Exemplificando: recursos financeiros do tesouro estiveramestag-nados, o contingenciamento das verbas se repetindo, as dificuldadesburocrticas crescendo, dia a dia, tornando a Embrapa a figura de umaEmpresa Pblica Estatal perdendo agilidade e flexibilidade. As empresasestatais, tipo Embrapa esto em franca decadncia, com o pessoal tcnicoenvelhecendo e o relacionamento com o setor privado travado. Essas questes,pendentes para serem resolvidas, ficaram na espera das eleies presidenciaisde 2002, vencidas por Luiz Incio Lula da Silva.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 20917o compromisso caminharsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 211212Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, tem pela frente grandes desafios para fortalecer e consolidar a Embrapa.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 212Sol da manh: memria da EMBRAPA213campanha presidencial de 2002 conduzida pelos candidatos, de umaforma geral, incluram em suas plataformas, prioridades para o desenvolvi-mento da agricultura. Especificamente, quanto pesquisa agropecuria nohouve referncia Embrapa, salvo uma visita que Jos Serra fez sede daEmpresa, em Braslia, quando escutou a experincia e os planos da Empresa.Aproveitou a ocasio para expressar o apoio Instituio e s prioridadesdo setor agrcola.No segundo turno, Luiz Incio Lula da Silva e Jos Serra voltaram, emcomcios, nas reunies com grupos e nos debates em televiso, as atenespara o agronegcio, a agricultura familiar, reforma agrria e meio ambiente.Lula sai vencedor no pleito.Na formao de seu Ministrio, entre os candidatos a titular da agricultura,o favorito mencionado, com freqncia, pela mdia, era o engenheiro agr-nomo e lder empresarial paulista, Roberto Rodrigues. Apesar de no estarfiliado a nenhum partido poltico, Roberto detinha um invejvel perfilprofissional, experiente como proprietrio de uma fazenda modelar ecomo lder e administrador, havendo sido Presidente da Organizaodas Cooperativas Brasileiras OCB, da Sociedade Rural Brasileira SRBe Associao Brasileira de Agribusiness Abag. Foi, afinal, o escolhido porLula, e faria uma dobradinha com Luiz Fernando Furlan, Ministro doDesenvolvimento, Indstria e Comrcio Exterior, no apoio ao agronegcio,setor expoente na produo de alimentos, na agroindstria e nas exportaes.Como sempre acontece nessas ocasies, especulava-se muito em torno denomes para ocupar o novo Ministrio e para cargos importantes do segundoescalo. No caso da vitria de Lula falava-se e se escrevia muito mais do queo normal, em virtude das suas origens e estreita vinculao ao Partido dosAsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 213214Trabalhadores e s faces polticas de esquerda que o apoiaram. Furlan eRoberto Rodrigues apareciam como excelentes tcnicos, administradores erepresentantes de setores empresariais eficientes, mas rotulados como conser-vadores para o gosto dos petistas.Nas duas campanhas anteriores, Lula recebia, nas questes ligadas aosetor agrcola e reforma agrria, os conselhos e opinies do Doutor Jos Gomesda Silva, engenheiro agrnomo e produtor rural no municpio de Pirassu-nunga, SP e adjacncias, onde possua e administrava trs excelentes fazendas,com plantaes de caf, cana-de-acar, laranja e hvia. Gomes da Silva, quefoi Secretrio de Agricultura no Governo Franco Montoro, especializou-seem reforma agrria, tendo escrito vrios livros sobre o assunto. Aderiu, porinteiro, s campanhas de Lula e, ao que se sabe, seria, seguramente, seu Ministroda Agricultura.Conheci Jos Gomes, muito de perto. Convidei-o a trabalhar comigo,quando fui Diretor de Agricultura do BID, em Washington, Estados Unidos,onde ofereceu excepcional cooperao aos projetos de reforma agrria ecolonizao em pases da Amrica Latina e do Caribe. Na volta ao Brasil,Gomes enfrentou srios problemas de sade e, j no perodo que antecedeua terceira campanha presidencial, no conseguiu ajudar mais Lula. Nuncapertenceu ao PT, mas foi um fervoroso admirador pessoal de Lula.Tudo corroborava para que se possa afirmar que o atual Presidente daRepblica gostava do Doutor Jos Gomes. Em um dia, estava eu passandouns feriados na Fazenda Santana do Baguau, quando Gomes me dizia: oLula vinha descansar por aqui e pude, em longas conversas ao p do fogo,conhecer o homem, o lder, suas idias mais autnticas e profundas, o amorpelos trabalhadores rurais e a crena em uma reforma agrria democrtica.Com o falecimento de Jos Gomes, ficou um assessor privilegiado assessorandoo PT e, pessoalmente, o futuro Presidente da Repblica. Tratava-se, nada maisnada menos, que o jovem e brilhante economista, Jos Francisco Graziano,formado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz em Piracicaba,So Paulo. Como engenheiro agrnomo e com doutorado pela Unicampatuava como titular da cadeira de Economia Agrcola, e Chefe de Departamento.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 214Sol da manh: memria da EMBRAPA215Com a posse de Luiz Incio Lula da Silva, em primeiro de janeiro de2003, Graziano assumiu o novo Ministrio Extraordinrio de SeguranaAlimentar e Combate Fome. Tinha muita fora e prestgio pessoal como Presidente, resultado de uma convivncia ntima, cercada de grandeconfiana consolidada no cotidiano da dura campanha poltica de 2002.Por outro lado, comentava-se em Braslia, que a escolha do MinistroRoberto Rodrigues, alm do forte apoio dos produtores, contou com o avale recomendao de Graziano, Assessor de Lula nas questes do negcioagrcola, segurana alimentar e reforma agrria.O novo Presidente da Embrapa, Clayton Campanhola, foi uma indicaode Graziano. Trata-se de um engenheiro agrnomo, pesquisador e Chefede Unidade da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguarina, SP. Foi aluno deGraziano, na Unicamp, que o orientou no Programa de Ps-doutorado.Aps todos instalados no poder em Braslia, tive a oportunidade decumprimentar o Ministro e amigo Jos F. Graziano que comentou comigo:o novo Presidente da Embrapa um excelente tcnico que chega ao postocom uma misso de fortalecer e ampliar as pesquisas em favor da agriculturafamiliar, dos assentamentos da reforma agrria e do meio ambiente. Segu-ramente, Graziano no estava excluindo, nesse comentrio, as atividades emapoio ao agronegcio constitudo, basicamente, por agricultores comerciaise por empresrios rurais bem sucedidos como seu pai, desenvolvendo prticasagrcolas apoiadas em inovaes tecnolgicas exitosas.Os Diretores de Clayton, isso constava em Braslia, foram todos os trsindicados pelo PT com respaldo do Sinpaf, com exceo da Dra. Marisa Barbosa,escolha do Ministro Roberto Rodrigues. Pouco a pouco, foi se criando umasensao, nos meios de Braslia, e internamente na Embrapa, de que a novaadministrao, no Governo Lula, recebia forte influncia do PT e do Sinpaf.Numa anlise, tanto quanto possvel neutra, do discurso de posse deCampanhola, constata-se uma tendncia para atribuir prioridades futurasda Embrapa s atividades de pesquisa de natureza social em favor da agri-cultura familiar, dos beneficirios de assentamentos da reforma agrria,do controle social das aes de P&D e da preocupao ambiental. Seusol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 215216compromisso, ao assumir o cargo, foi o de apoiar os programas sociais doGoverno, com prioridade para o Projeto Fome Zero.Na sua posse Campanhola afirmava: No basta apenas produzir ali-mentos. preciso erradicar a fome! No basta apenas atingir safras recordes, preciso distribuir renda! No basta apenas ampliar a produtividadeagropecuria, preciso incorporar os excludos do campo ao processode desenvolvimento.Decididamente, Clayton inicia seu mandato com um pronunciamentomarcadamente de conotao social. Deve-se assinalar, entretanto, que seudiscurso menciona outras atividades que deveriam merecer ateno daEmbrapa, como a contribuio para o contnuo fortalecimento do agro-negcio brasileiro, o aumento das exportaes do pas, a rastreabilidadepara certificao de origem dos produtos.Defendia a validao de prticas da agricultura orgnica e da agroe-cologia, prioritariamente junto aos agricultores familiares. Defendia agerao de informaes e resultados cientficos sobre impactos no meioambiente e na sade humana que podem ser causados por plantas e outrosorganismos transgnicos, que orientem a tomada de decises quanto aoseu uso adequado na agricultura.A consolidao das posies do novo Presidente da Embrapa, ao assumiras funes, resumem-se em trs vertentes: a primeira estaria voltada s ativi-dades de P&D direcionadas aos agricultores familiares, assentados dareforma agrria e pequenos empreendedores rurais; a segunda refere-se satividades de P&D voltadas para as cadeias do agribusiness, das quais fazemparte todos os grupos de agricultores, pecuaristas e demais empreendedoresrurais. O objetivo, alm de desenvolver sistemas competitivos que amparemos segmentos exportadores e do mercado interno e agreguem valor aosprodutos primrios, era gerar empregos e desenvolver tecnologias que sejamambiental e socialmente ticas; a terceira vertente consistia de pesquisasinovadoras em termos estratgicos que no produzissem resultados de usodireto pelos agricultores, mas que contribussem para aumentar e aprofundaro conhecimento existente.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 216Sol da manh: memria da EMBRAPA217A insero dessas questes seria condio essencial para comprometer aEmbrapa com o homem do campo, mesmo que, para isso, fosse necessriopromover correes de rumos e implementar ajustes institucionais e seconstruir uma Empresa com controle social, em que a comunidade ruralparticipasse, intensamente, das decises de pesquisa que afetam sua vida.Em 28 de abril de 2003, a Embrapa comemorou trinta anos de existncia.Com um ato solene, na sua sede em Braslia. O Presidente da Repblicaprestigiou a Empresa, acompanhado de vrios membros do seu Ministrio:com a presena de Roberto Rodrigues, naturalmente, pessoa importante doGoverno, pois a Embrapa uma Empresa vinculada ao seu Ministrio.Estiveram presentes congressistas, lideranas e funcionrios da Instituio.O discurso de Lula gerava enorme expectativa, pois comparecia sede daEmbrapa logo no incio do seu Governo.No trigsimo aniversrio comemorado em 26 de abril de 2003, oPresidente da Repblica, Luiz Incio Lula da Silva, compareceu SedeCentral. Era incio do seu mandato de quatro anos, com anncios decampanha para a realizao de mudanas e novos projetos para o pas. Casacheia e um momento aguardado com alegria e otimismo pelos presentes, emparticular, pelos funcionrios da Instituio. Lula levou um pronunciamentoescrito, mas preferiu o improviso. Seria melhor, pois o que falasse seria maisespontneo e sincero.Eu acredito que falar de desenvolvimento brasileiro na rea da agropecuriae no falar da Embrapa, no tem, nos ltimos anos, nenhum sentido.Possivelmente a Embrapa seja, quem sabe, das instituies de pesquisas hoje,no mundo, a que mais tenha PhDs formados nas mais diferentes universidadese que, lamentavelmente, muitas vezes no tem o reconhecimento necessriodentro do seu prprio Pas.Eu sempre, nas minhas caminhadas, nas minhas caravanas pelo Brasil, rara-sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 217218mente passei numa regio que no tivesse, na minha agenda, uma visita auma representao da Embrapa. E fiz isso porque acreditava, e hoje acreditomais firmemente, que a Embrapa pode ser muito mais do que ela , na medidaem que o Governo cumpra a sua pequena obrigao, que a de garantir odinheiro para a continuidade das pesquisas e para as novas pesquisas queprecisam ser feitas neste Pas.Continuou:Da mesma forma, quando fui chegando aqui isto no faz mais parte domeu discurso, isto improviso eu vi uma srie de faixas dos funcionrios,que com muita razo esto reivindicando um pouco mais de dinheiro paraos seus salrios. Eu, embora no v declarar nenhum aumento, quero quevocs saibam que certamente vocs tm conhecimento de que, e eu digo emtodo lugar: se a situao do Brasil fosse muito boa, certamente eu no seriaPresidente da Repblica.A agricultura e a agropecuria brasileiras so a demonstrao mais viva deque este Pas pode crescer, este Pas pode ter um PIB maior, a partir do suorderramado pelo rosto de cada um dos 175 milhes de brasileiros que aquiresidem. E isso que eu estou tentando fazer, fazer as pessoas voltarem a gostardo Brasil, acreditar no Brasil, fazer com que as pessoas de vez em quando nopensem em si mesmas, no pensem apenas na sua fbrica, que no pensem nasua fazenda, no pensem na sua fortuna, no pensem apenas na sua pobreza, quea gente pense um pouco, que juntos ns vamos encontrar uma sada para estePas, que ns vamos encontrar na medida em que ns acreditarmos no Brasil.O Presidente destacou, ainda, no seu histrico discurso:Os trinta anos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria nos trazemuma lio decisiva para o futuro. Criada em 26 de abril de 1973, a Embrapadesempenhou um papel fundamental na modernizao da agriculturabrasileira, tornando-se a prova viva do quanto importante pensar em umPas estrategicamente.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 218Sol da manh: memria da EMBRAPA219Se houve distoro nesse processo, e ns sabemos que houve, porque o Brasil no feza reforma agrria, no combateu a fome e descuidou do desenvolvimento regional,isso se deve orientao poltica que predominou no Estado brasileiro. Mas isso notira o mrito da criao estratgica de um centro de pesquisa agropecuria.O Brasil precisa voltar a ser planejado. Agora mesmo, ns vamos ter a opor-tunidade de provar isso, com mais discusses sobre o Plano Plurianual donosso Governo. O nosso Pas tem base tecnolgica, pesquisa de ponta e autonomiapara comandar e coordenar a nossa agropecuria. Isso se deve, em grandeparte, ao patrimnio do conhecimento acumulado pelas 42 unidades daEmbrapa e ao trabalho abnegado de seus funcionrios nas ltimas trsdcadas. Estamos entre quatro maiores produtores de alimentos do planeta.Somos responsveis por 23% da soja produzida no mundo. Isso tem muito aver com a existncia de uma empresa pblica de pesquisa no setor.A grande lio que a Embrapa oferece que a economia no deve dispensar oapoio de uma poltica de Estado, para ganhar escala, eficincia e competiti-vidade internacional. Ns sabemos que desenvolvimento no brota esponta-neamente, no basta ter solo frteis, gua abundante e 365 dias de sol porano. preciso mais que isso. Para brotar, o desenvolvimento exige muitastransformaes, um plantio cuidadoso de polticas estratgicas com uma noomuito clara do que se quer colher e de como se pretende repartir os frutos. Umpas deve escolher o seu prprio destino, com definio poltica de prioridades.O Presidente Lula chama a ateno para a agricultura familiar:Sem tecnologia de ponta, sem pesquisa para induzir e apoiar a produo,nenhum povo consegue acelerar seu crescimento, reduzir as desigualdades econquistar um espao digno no mundo globalizado. A Embrapa provou seruma alavanca estratgica para consolidar a grande empresa rural brasileira.Agora chegou a vez de abraar uma misso crucial que ficou para trs: viabi-lizar aquele segmento de pequenos agricultores esquecidos no processo demodernizao. A cegueira social, de quem enxergava o campo apenas comoum entreposto de safras e insumos, expulsou 40 milhes de brasileiros esol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 219220brasileiras da rea rural nas ltimas trs dcadas. Portanto, se temos motivospara comemorar esse aniversrio, temos tambm uma dvida a saldar. Mesmoesquecida, a agricultura familiar ainda responde por 35% da oferta de ali-mentos, ocupa 77% da mo-de-obra rural e representa 80% dos estabeleci-mentos no campo. Chegou a vez de colocar a tecnologia e pesquisa tambmna terra do pequeno produtor, at porque a produo empresarial e a familiarno so antagnicas, mas complementares. Cabe a elas, juntas, enfrentar osdesafios imensos colocados para a agricultura brasileira, hoje, de garantir asegurana alimentar, combater a fome, promover o desenvolvimento regional egerar excedentes exportveis. H, portanto, espao para todos e servio desobra para a Embrapa.Uma empresa pblica estratgica como a Embrapa deve estar sintonizadacom os desafios econmicos e sociais do nosso Brasil, e para isso ela vai tambmampliar a parceria com o setor privado, em projetos especficos de pesquisas;vai, ainda, cuidar das fronteiras agrcolas do futuro, representadas pelabiotecnologia. Mas vai incorporar estrutura j existente a versatilidade daatuao local, o que implica maior sintonia com o pequeno produtor, com asquestes regionais, com as demandas sociais e com os projetos prioritrios desteGoverno, sendo que o combate fome e a pobreza o principal deles.Finalmente salientou:Eu quero dizer a vocs que estou consciente das dificuldades oramentriasvividas pela Embrapa nos ltimos anos. E quero dizer tambm que assumoo compromisso de recuperar, mesmo que gradativamente, os investimentos empesquisa. Vamos, desde j, garantir as condies necessrias ao custeio, demodo a no comprometer as experincias em andamento. E fao isso porquesei o quanto o Pas e a agricultura devem a essa Empresa, os benefcios de suasdescobertas e inovaes. A Embrapa vinha com seus velhos problemas de escassez e contingencia-mento de verbas para dispndios de custeio dos seus projetos de pesquisa. OMinistro da Fazenda, Antonio Palocci, adotara uma severa poltica fiscal,sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 220Sol da manh: memria da EMBRAPA221liberando estritamente, recursos para o setor pblico, do Tesouro em doseshomeopticas, sem prioridade para ningum. Pior para a Embrapa que, sendouma estatal, tida como estratgica, ia para a vala comum, no recebendonenhum tratamento prioritrio especial. Nivelava-se a um departamento ouautarquia qualquer da administrao pblica direta.Os arranjos polticos para a montagem do Ministrio de Lula conduziramo cientista poltico do PSB, Roberto Amaral para o Ministrio da Cincia eTecnologia MCT. O Ministro no foi recebido muito bem pela comu-nidade cientfica e, no incio da administrao, quase causou uma crisepoltica ao defender o desenvolvimento de tecnologia nuclear. Anunciouuma descentralizao da gesto e dos recursos e concesso de bolsas do setorpara as regies Nordeste e Norte, menos atendidas pelos organismosfederais. Nacionalista conhecido atacou a privatizao de empresasestatais, alegando os critrios do modelo econmico do pas. No per-maneceu, por muito tempo no posto, sendo substitudo pelo jovemdeputado pernambucano, Eduardo Campos, do mesmo partido que presti-giou a Embrapa.Durante o ano de 2003, o novo Presidente dedicou-se a conhecer, deperto, os problemas da Empresa com a viso do administrador em Braslia,preenchendo as funes de Chefias das Unidades descentralizadas. A partirdo momento que assumiu o cargo, Campanhola no conseguiu manter umrelacionamento natural e harmonioso com o Ministro Roberto Rodrigues,de quem dependia hierarquicamente, uma vez que, como sabemos, a Embrapa uma Empresa vinculada ao Ministrio da Agricultura. O discurso de posse,com uma posio determinada de mudar os rumos, as propostas de concederprioridades s pesquisas para a agricultura dos beneficirios dos assentamentosda reforma agrria, sobre as relacionadas com o agronegcio, provavelmente,colocaram algumas dificuldades no relacionamento do Ministro com oPresidente da Embrapa. Roberto Rodrigues entendia muito bem o papel importante da pesquisados produtores de baixa renda, mas, de algum lado, surgiam informaesque se encarregaram de colocar, perante a opinio pblica, a impresso desol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 221222antagonismo entre o titular da agricultura e o dirigente da Embrapa. Deoutra parte, corria nos bastidores de Braslia, que Clayton no consultava,sequer conversava com o Ministro Roberto Rodrigues sobre as escolhas paraas Chefias dos Centros e Servios da Embrapa. As restries oramentrias, no incio do Governo Lula, foram severas. A Em-brapa foi atingida, no segundo semestre de 2003, com o contingenciamentode significativas dotaes do Tesouro Nacional, afetando, basicamente, osdispndios de custeio de projetos de pesquisa. A situao ficou do conhecimen-to da mdia e, no havia dia em que no se divulgavam notcias, reportagense matrias editoriais sobre os problemas e limitaes vividas pela Embrapa.Sob o ttulo Poltica contamina pesquisas na Embrapa, O Globo, de14 de maro de 2004, dedica uma pgina inteira sobre as queixas dospesquisadores de interferncias em nomeaes, mudanas de orientao nosestudos e poder do Sindicato nas decises da Instituio. Em 2002, aEmpresa registrou 39 patentes, resultados de projetos de pesquisa. Em 2003,apenas treze.A reprter Lisandra Paraguassu relata o seguinte em sua matria de pginainteira, de maro de 2004:Os problemas comearam nos primeiros dias da nova Diretoria. Em seu dis-curso de posse, o Diretor-Presidente da Embrapa, Clayton Campanhola,desagradou a seus subordinados ao dizer que a prioridade seria a agriculturafamiliar. Como a Embrapa j trabalhava com agricultura familiar, muitospesquisadores sentiram-se ofendidos pela idia de que no faziam o necessriopelo Pas. A segunda foi a insinuao de que, a partir da, algumas pesquisasmereceriam mais ateno que outras....Logo aps tomar posse, Campanhola comeou a mexer nas Chefias das40 Unidades de Pesquisa da Embrapa. Comprou briga com boa parte dosChefes. Diferentemente da maior parte das Empresas Pblicas, a Embrapatem um sistema de seleo onde pessoas tanto da Empresa quanto de forapodem se candidatar a postos de Chefia. Os escolhidos, numa seleo na qualso considerados o currculo, um plano de trabalho e uma entrevista com umasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 222Sol da manh: memria da EMBRAPA223banca de pessoas de fora da Empresa, so eleitos por dois anos e reconduzidospor mais dois anos. Ao terminar seus mandatos, podiam candidatar-se novamente....Uma das primeiras providncias da direo foi proibir a recandidatura dosex-chefes. Assim, todos os escolhidos pelo Governo anterior teriam que ser tro-cados. A outra foi mudar o edital. Passou a constar a exigncia de experinciagerencial, com um detalhe: a participao em sindicatos, associaes ou coope-rativas. A terceira providncia da direo foi comear a trocar Chefes queainda teriam muito tempo no cargo.Em 2003 e, parte do primeiro semestre de 2004, a mdia intensificou acrtica ao Governo sobre a situao vivida pela Embrapa, principalmentequanto execuo do seu oramento, s prioridades e aos critrios polticosnas nomeaes das Chefias dos Centros de Pesquisa. Tenho dificuldade emsintetizar as notcias, reportagens, artigos, entrevistas, editoriais e pronuncia-mentos de congressistas, sobre a Embrapa, publicados poca. Destaco,entretanto, algumas matrias mais em funo da importncia dos temas edas fontes, sempre com a inteno de mostrar aspectos da vulnerabilidadeda Embrapa, decorrente das transies de Governo, de ministros daAgricultura e das diretorias executivas da Empresa.Por outro lado, esta Memria no pode correr o risco, simplesmente detornar-se favorvel a grupos de oposies ao Governo ou entrar em umcomplexo debate ideolgico envolvendo a vida de uma Instituio que tratade objetivos cientficos e tecnolgicos. O importante , simplesmente, apreocupao pelo relato histrico.Cntia Cardoso, da Agncia Folha, informa em 29 de junho de 2003:Governo reduz metade verbas de custeio da Embrapa. Telefone e luz foramcortados por falta de pagamento. Nos primeiros cinco meses de 2003, aInstituio recebeu s 50% da dotao prevista para o custeio. A liberao derecursos do oramento no respeita as regras do agronegcio, ou seja, a obedinciado calendrio de plantio. O certo seria liberar mais recursos na poca dopr-plantio. Este comeo de ano foi ruim, mas o ano passado foi ainda pior.Os recursos contingenciados at outubro.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 223224Evidentemente que situaes como essa exigem soluo. As unidadesmais criativas da Empresa conseguem dinheiro adicional, fora do TesouroNacional, em parcerias de projetos com o Banco Mundial, Banco doNordeste, Petrobras e outras organizaes. A Embrapa Semi-rido emPetrolina, Pernambuco utilizou-se dessa criatividade conseguindo recursosnessas fontes, protagonizando um episdio inusitado: diante da escassezde verbas, pesquisadores usaram recursos prprios para impedir que aspesquisas parassem. No comeo do ano, funcionrios fizeram uma vaquinhapara comprar insumos e no perder experimentos. Mais tarde a Embrapainformou que os pesquisadores foram reembolsados.A Agncia Folha divulga, a partir de Juiz de Fora, Minas Gerais: As vacas que compem o rebanho de gado de leite esto em dieta forada,comendo menos rao balanceada do que deveriam. O motivo: a liberao dosrecursos pelo governo federal, alm de restritos, no tm mantido um fluxoregular. Com isso, os cortes nas despesas acabaram por se tornar inevitveis. Aconseqncia da alimentao reduzida para o gado que algumas vacas, queproduziam at 50 litros de leite por dia, agora s conseguem produzir a metade.Marco Antonio de Freitas, tcnico da Unidade da Embrapa e Presidenteda Seo de Juiz de Fora do Sinpaf, diz: lamentvel. O gado precisa dealimentar-se bem e no pode esperar. O rebanho holands (cerca de 350cabeas) do mais alto nvel gentico e tivemos que abdicar da raoconcentrada. Na Embrapa Milho e Sorgo, em Sete Lagoas, Minas Gerais, oltimo trator foi comprado h dez anos. A nica colheitadeira de quedispem os tcnicos tem mais de vinte anos.Localizada na porta de entrada da floresta amaznica, a Embrapa AmazniaOriental, com sede em Belm, Par, tem conseguido atrair convnios interna-cionais, o que garantiu em 2004, uma verba duas vezes maior do que orepasse federal. Em 2003, a proporo deve ser mantida. Essa informaotem origem em texto da Folha, edio de 29 de junho de 2003. Mostra umasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 224O Ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues ( esquerda) e Jos Graziano daSilva do Ministrio Extraordinrio de Segurana Alimentar e Combate Fome( direita) juntamente com o engenheiro agrnomo, Clayton Campanhola.Presidente Lula e sua comitiva (incluindo o Dr. Clayton Campanhola), cumprimentando o Presidente Ricardo Lagos, em Santiago, Chile.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 225226Nova diretoria da Embrapa presidida pelo Dr. Slvio Crestana. Assumiu em 25 de janeiro de 2005.Ministro Roberto Rodrigues ladeado pela Ministra Marina Silva e Jos F. Graziano, em solenidade de Posse do Presidente da Embrapa. Janeiro de 2003 Braslia-DFsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 226Sol da manh: memria da EMBRAPA227sada para suavizar a questo da falta de recursos para pesquisa. , entretanto,no entender de Adlson Serro, Chefe da Unidade, uma soluo temporria:o apelo amaznico uma das razes para o interesse internacional. AEmbrapa Amaznia Oriental a maior Unidade da Empresa, com 550funcionrios, sendo 120 pesquisadores e 69 projetos de pesquisa em anda-mento. Segundo o Chefe Geral da Unidade, metade dos projetos envolveagricultura familiar.Na Embrapa Semi-rido, em Petrolina, Pernambuco, os recursos dosconvnios internacionais chegam a ser 3 vezes maior do que as dotaesfederais. Para Luiz Maurcio, Chefe Adjunto Administrativo da Unidade, acaptao de recursos indiretos tem sido o principal meio de financiamentodos projetos de pesquisa. Muitos trabalhos so feitos em fazendas particularespara aproveitar a infra-estrutura local. Em troca, os produtores tm acessos novas tecnologias em estudo. Mesmo com uma fonte paralela de recursos,a Unidade da Embrapa Semi-rido, j foi ameaada de ficar sem gua e luzpor falta de pagamento das contas.Da Agncia Folha identificamos no final de junho de 2003: As restries oramentrias impostas Embrapa (sunos e aves) de Concrdia,Santa Catarina, acarretaram cortes de cerca de vinte por cento em todosos projetos da Unidade. Treinamento para Fome Zero est ameaado. A Embrapa Meio Norte,com sede em Teresina, Piau, correu o risco de no atingir suas metas casono conseguisse uma suplementao de sessenta por cento da verba ora-mentria prevista. Houve um aumento de demanda por transferncia detecnologia para a agricultura familiar no Piau. Nos quase seis meses de governo Lula (oramento executado at 13 de junho),a Unio liberou apenas, 1,85% da dotao autorizada. Os investimentosna Embrapa, desde 2000 nunca foram superiores a cinqenta por centodo valor, efetivamente, autorizado nos oramentos.Lourival Santana, em 16 de fevereiro de 2004, escreve de Braslia para oEstado de So Paulo: Politizao da Embrapa assusta cientistas. Em umaextensa matria, o jornalista d vrias informaes sobre a gesto do Presidentesol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 227228Clayton Campanhola. Trata-se de um texto onde aparecem situaes quepretendem demonstrar a politizao da administrao, a influncia de mem-bros do PT e do Sinpaf nas nomeaes de dirigentes, a questo dos atrasosdos recursos financeiros e outros temas. Em certo trecho diz textualmente:O Presidente no deu mostras de recobrar o entusiasmo pela biotecnologia epelo agronegcio. Em memorando distribudo no dia 10 de fevereiro de 2003,Campanhola resolve definir, como primeira vertente prioritria da Embrapa,atividades de pesquisa e desenvolvimento direcionadas aos agricultores familiares,assentados da reforma agrria e pequenos empreendedores rurais, o agronegcioaparece, literalmente, em segundo plano; fortalecer, como segunda vertenteprioritria, atividades de pesquisa e desenvolvimento voltadas para as cadeiasdo agronegcio.Tudo indica que a nova administrao da Embrapa no desejava abrirpolmica desde o seu incio. Acontece que os fatos foram se acumulando edivulgados: Dos trs Diretores-Executivos, dois foram indicaes polticas: Herbert Lima,cunhado da Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva e Ex-presidente do Sinpaf,representando os interesses de ambos, freqentemente convergentes. GustavoChianca, ex-presidente da Pesagro, foi indicado pela ex-Ministra daAssistncia Social, Benedita da Silva.Ao longo do ano 2003, Campanhola foi a campo e trocou 19 dos 37 Chefes deUnidades dos Centros de Pesquisa da Embrapa e pelo menos 10 pertenciam aoPT e ao SINPAF. O Sindicato, dominado por petistas, assumiram (sic) o papelde fiscal da execuo das polticas do Governo na Embrapa. Signatrio domanifesto Por um Brasil Livre de Transgnicos, o Sindicato faz marcaocerrada sobre os pesquisadores mais proeminentes e sobre a direo da Empresa.Toda essa celeuma, evidentemente, expe a Embrapa de forma distorcida opinio pblica. Com isso, certamente, ningum saiu ganhando nada etodos perdendo.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 228Sol da manh: memria da EMBRAPA229Todas essas questes suscitaram nos meios de comunicao, mais em2003, posicionamentos com opinies e comentrios sobre as atividades daEmbrapa. Apenas, no intuito de dar o tom dessas matrias, O Estado deSo Paulo diz em editorial j em 18 de fevereiro de 2004: Politizao peem risco uma bem sucedida Instituio de pesquisa. necessrio uma aode emergncia para salvar a Embrapa, antes que seja tarde. Todos esseseventos revelam um clima e um ambiente, at certo ponto exagerado.Como autor desta Memria, procurei em 2003, o Presidente da Embrapapara conhecer suas posies sobre a Empresa, que avanos encontrou,problemas e que idias tinha para fortalecer e consolidar a Instituio. Foium encontro que durou cerca de duas horas. Atencioso e simptico, Claytonmostrou-se reticente, preferindo que eu preparasse uma pauta com asperguntas sobre as questes que desejava esclarecer. Fiz a pauta e, ao longo detodo o ano de 2004, esperei a resposta que no veio. Tivemos outros encontroscasuais e, como sempre, Clayton foi um interlocutor cordial e amistoso.Em 26 de novembro de 2003, o Presidente da Embrapa, prestou uma home-nagem primeira Diretoria. Ao ato compareceram o Ministro RobertoRodrigues, os meus companheiros Eliseu Alves e Almiro Blumenshein, almde todos os Chefes de Unidades, reunidos no CPAC em Planaltina, DistritoFederal. A oportunidade era nica para passar aos presentes, uma mensagempedindo reflexo sobre o futuro da Instituio no que se refere s restriesinstitucionais e operativas.Durante o segundo semestre de 2004 consta que o Ministro RobertoRodrigues preparava uma ampla reforma no Ministrio da Agricultura,incluindo aspectos tcnico-administrativos e troca de importantes Chefiascomo a Secretaria Executiva, a Embrapa, Secretarias de Defesa Sanitriae de Desenvolvimento Rural e outros setores. Aproveitaria para criar umaSecretaria que cuidasse do envolvimento do Mapa com os negcios e acooperao internacional.A reforma foi consumada no incio de 2005. As mudanas foram feitas,inclusive assumindo a Secretaria Executiva do Ministrio, o Doutor LuzCarlos Guedes Pinto, professor da Unicamp, que atuou como meu Chefe desol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 229230Gabinete na Embrapa, no seu perodo de implantao e, ultimamente,chefiava a Conab. Com a reforma do Ministrio da Agricultura, Luis CarlosGuedes teve um papel decisivo como Assessor do Ministro Roberto Rodriguesna engenharia de construir uma transio tranqila, por ocasio da esperadamudana da Diretoria da Embrapa. Guedes, que exerceu funes importantesna Embrapa, desde a sua criao e por toda a primeira dcada de implan-tao, conhecia muito bem as necessidades da Empresa o que poderiaajudar a corrigir os rumos de gesto sentidos pelo Ministro da Agricultura. Os contatos de Guedes com o Presidente Clayton, as conversaes como Ministro Jos Graziano e Slvio Crestana, candidato a ocupar o cargoforam extremamente teis em apoio aos Ministros Roberto Rodrigues, JosDirceu e ao Presidente Lula na busca da troca de comando. De modo geral, as mudanas no causaram problemas maiores, comexceo da Diretoria. Primeiro, a demora da troca de Clayton Campanholae, segundo, a repercusso da substituio, com os comentrios da mdia erepercusso no meio sindical. Os comentrios mais freqentes eram sobre avitria do Ministro Roberto Rodrigues, conseguindo, afinal, afastar toda adiretoria da Embrapa, substituindo por outra, de pesquisadores da prpriaEmpresa e de escolha merecedora da confiana do Ministro. oportuno e justo, de minha parte, anotar a contribuio que recebi deCampanhola, no dia 14 de dezembro de 2004, para o preparo dos captulosfinais desta Memria. Trs semanas antes, havia tido uma nova conversa como Presidente da Embrapa, longa, aberta, franca e proveitosa. Clayton pareceu-me extremamente cooperativo e se comprometeu em enviar-me suas opiniesno prazo menor possvel. Devo confessar que o texto enviado respondia,amplamente, s questes que abordamos anteriormente. No dia seguinte deseu afastamento, telefonou-me contando a conversa com o Ministro RobertoRodrigues e fazendo questo de lembrar que a contribuio oferecida paraa Memria da Embrapa havia sido elaborada, especialmente, por ele, nacerteza de estar colaborando com uma iniciativa oportuna e necessria: ahistria da Instituio que acabava de servir como seu Presidente.A troca de comando no foi tranqila. A transmisso tradicional do cargo nosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 230Sol da manh: memria da EMBRAPA231houve. O discurso de seis laudas de Clayton, que seria lido na sua despedida,foi transformado em uma mensagem aos colegas embrapianos e divulgadopela internet.Suas palavras so de confirmao das propostas de sua posse e de umaprofisso de f como pesquisador. Defende a natureza social das orientaesque estava adotando na conduo das atividades da Embrapa. Estende-seem explicar os fundamentos de suas posies e atos na Direo da Empresa.Agradece a confiana e expressa sua admirao ao Presidente Lula e, emparticular, ao ex-Ministro Jos Graziano da Silva. Disse que entregou aonovo Presidente vinte projetos ou aes institucionais que estavam emandamento. Saiu, claramente magoado, falando em traio, citando aDivina Comdia de Dante Alighieri. Reafirmou seu compromisso com aconstruo de um pas mais justo, fraterno e solidrio.Com o incio das atividades da Embrapa, a partir de 1973, os emprega-dos da Empresa, estimulados pela Diretoria Executiva, organizaram umaAssociao, com sede em Braslia. Esta organizao sempre viveu em har-monia com a Administrao da Empresa e mantendo muitas atividadesesportivas, sociais, culturais e de lazer. Lembro-me da excelente equipe defutsal da Embrapa disputando o campeonato de Braslia DF. As filiais daAssociao Nacional, foram, pouco a pouco, sendo criadas nas UnidadesDescentralizadas da Embrapa e, o seu conjunto, formou a Federaoabrangendo os funcionrios da sede dos Centros e Servios da Empresa. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e DesenvolvimentoAgropecurio Sinpaf criado em 1989, comeou a atuar, dentro dos seusobjetivos legais, defendendo uma poltica salarial que considera favorvel aosfuncionrios associados, alm de propugnar por maiores recursos para apesquisa agropecuria no pas. Nessa trajetria entrou vrias vezes, em con-flito com a Direo da Empresa e o Governo, embora aparentementeestivessem lutando pelos mesmos objetivos. Quando lhe parecia, o Sinpafpromovia greves e protestos em Braslia e nas sedes dos Centros da Embrapanos Estados. No perodo do Governo Fernando Henrique Cardoso, as divergn-cias recrudesceram e surgiram vrios conflitos com a Diretoria da Embrapa.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 231232Com a ascenso ao Poder do Governo Lula, o Sinpaf atuou com maiorfora. Pelos relatos da mdia, o Sindicato teve grande influncia na indicaoe, em alguns casos, na nomeao de membros da Diretoria Executiva daEmpresa e das Chefias das Unidades Descentralizadas nos Estados. Poroutro lado, conforme citado em outras partes desta Memria, por influn-cia do Sinpaf, do PT e lideranas da esquerda lanada uma discusso sobreas prioridades dadas s pesquisas para o agronegcio em detrimento da agri-cultura familiar e dos assentados da reforma agrria. Esta polmica foicrescendo s vsperas do afastamento da Diretoria de Clayton Campanholae, tudo indica, sustentou-se raiz de um grande mal entendido, pois aolongo da histria, a Embrapa sempre realizou aes em favor dos agricultoresde baixa renda, talvez no com o volume e intensidade desejados pelo Sinpafe pelo PT.A nova Diretoria que assumiu em fins de janeiro de 2003, anunciouprioridade para os segmentos da agricultura familiar. Certamente, voexistir entendimentos que conciliem divergncias conceituais e operativasentre a Embrapa e o movimento sindical.Considerei de enorme importncia dar conhecimento aos leitores destaMemria as opinies dos Dirigentes do Sinpaf sobre a atual situao daEmbrapa e seus relacionamentos com a recmempossada Direo daEmpresa. O pblico necessita conhecer e julgar estas posies. O autor destaMemria est convencido de que til a divulgao da entrevista que fizcom o atual Presidente do Sinpaf, Dr. Valter Endres. Entrevista:Irineu: Quais as contribuies mais significativas que a Embrapa ofereceu aodesenvolvimento da agricultura brasileira? Endres: A Embrapa desde a sua existncia determinou a consolidao de ummodelo de desenvolvimento baseado na inverso de fatores econmicos e nastecnologias. Este procedimento alavancou a produo agropecuria voltada parao mercado de "comodities" e exportao de excedentes. Este objetivo foi plena-sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 232Sol da manh: memria da EMBRAPA233mente alcanado e hoje a balana de exportao de produtos agrcolas quepropicia equilbrio e "supervit" na balana de pagamentos.Irineu: Em que medida o Sinpaf participou e colaborou com o crescimento eavanos institucionais da Embrapa?Endres: O SINPAF propiciou condies de alterao nas relaes internas degesto de pessoal determinando a abertura democrtica na participao dos tra-balhadores nas discusses internas da Empresa. Reduziram-se significativamenteas discriminaes aplicadas entre os diferentes grupos funcionais, determinandoum ambiente de maior igualdade social. Esta situao propiciou que represen-tante dos trabalhadores pudessem ter voz ativa nas discusses dos PlanosDiretores das Unidades e assento nos principais fruns de discusso dentro e forada Embrapa.Irineu: Considera correto e apropriado o Sinpaf indicar dirigentes, emqualquer nvel, da Embrapa?Endres: Esta prtica de envolver as entidades representantes dos trabalhadoresna discusso sobre os nomes dos dirigentes das empresas est se tornando normalno ambiente de relaes democrticas institudas no pas. Consideramos justo eadequado que a entidade representativa dos trabalhadores participe destas discussese decises, pois no ambiente da discusso sindical que se conhecem as pessoasque possuem ou no propostas alternativas para o desenvolvimento da ao insti-tucional. Se existe um anseio popular por novos direcionamentos nada mais justoque quem possui tal entendimento venha a participar dos cargos de gesto.Irineu: Em que situao encontra-se a poltica de recursos humanos daEmpresa, salrios, planos de cargos, aposentadoria e outros benefcios?Endres: Esta uma discusso travada e atrasada. O quadro de pessoal daEmbrapa, que foi em outras pocas motivo de grande investimento, tem tido suacondio de aprimoramento em segundo plano. Um enorme contingente de tra-balhadores est aproximando-se da aposentadoria sem que tenha sido formula-da uma poltica alternativa de substituio e de preparao para enfrentar osdesafios atuais do desenvolvimento social e econmico. A poltica vigente naempresa a de reduo de quadros e benefcios sociais, agravada pela no recom-posio da base salarial. O resultado disso que os novos trabalhadores dasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 233234Embrapa no mais possuem compromisso institucional colocando em risco aformao de quadros capacitados de longo prazo, como desejvel no desenvolvi-mento de pesquisa tecnolgica e cientfica.Irineu: Em que medida a atual situao financeira da Embrapa afeta eprejudica as suas atividades essenciais?Endres: Afeta em muito, fornecedores tradicionais esto deixando de tra-balhar com a Empresa devido ao atraso crnico nos pagamentos de servios emercadorias. A credibilidade da Empresa no mercado de fornecedores estabalada. A falta de produtos e insumos para o desenvolvimento da pesquisa tematrasado o cronograma de finalizao das tecnologias criando descrdito juntoaos usurios.Irineu: A Embrapa que comeou sua gesto com autonomia, flexibilidade ereconhecida eficincia parece encontrar-se, hoje em dia, com srios problemasburocrticos comprometendo uma boa administrao. Quais so esses problemas?Como resolv-los?Endres: A burocracia sempre existiu na Empresa, a diferena que nosprimrdios da sua existncia havia fluxo financeiro fcil e suficiente para oatendimento das demandas da Embrapa. Nestes trinta anos de existncia muitosprocedimentos burocrticos foram agilizados e melhorados. Um problema exis-tente que a Embrapa deveria ser gerida como empresa autnoma e tratadano mbito da administrao pblica como dependente do tesouro nacional eimpedida de utilizar sua capacidade de gerar receitas prprias e administr-lasno crescimento de suas atividades.Irineu: Necessita a Embrapa de outro formato jurdico para ganhar aeficincia que todos desejam?Endres: Entendemos que o problema no est no formato jurdico, mas naprtica de gesto do Estado que criou amarras internas que no foram retiradaspela incompetncia poltica de administraes anteriores.Irineu: Um novo modelo institucional atuaria como entidade pblica oucomo entidade privada?Endres: No nosso entendimento o modelo atual suficiente.Irineu: correto o que a mdia divulgou, que a demisso do Dr. Claytonsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 234Sol da manh: memria da EMBRAPA235Campanhola e sua Diretoria, deve-se a divergncias ideolgicas com o MinistroRoberto Rodrigues?Endres: Quem deveria explicar esta situao o Ministro Roberto Rodriguese os diretores exonerados, pois no temos autorizao para falar em nome destes.Irineu: Como espera o relacionamento do Sinpaf com a nova direo daEmbrapa?Endres: Espero que a mesma atue respeitando o espao poltico e institu-cional que os sindicatos devem ter. Este exerccio de respeito institucional j vemsendo exercitado na Embrapa desde a criao do Sinpaf. De nossa parte iremosdesenvolver atitudes e aes na valorizao da Embrapa e de seus trabalhadores,buscando direcionar as aes da Empresa em prol da sociedade brasileira, emespecial dos grupos sociais excludos do acesso ao conhecimento cientfico etecnolgico.O novo Presidente, Slvio Crestana, um pesquisador da Empresa, desde1984. Tem uma densa e qualificada formao acadmica, com um doutoradodo Instituto de Fsico-qumica de So Carlos, So Paulo, tendo realizadoa parte experimental da tese nas Universidades de Trieste e Roma e ps-doutorado em Cincia do Solo e Cincias Ambientais pela Universidade deDavid, Califrnia. Tem experincia gerencial, pois foi Chefe da EmbrapaInstrumentao Agropecuria e Coordenador do projeto LaboratrioVirtual da Empresa no Exterior Labex, em Washington, USA, no perodode 1998 a 2001. Assume o posto trazendo um respeitado currculo, umnome com experincia e apoio do Ministro Roberto Rodrigues e doGoverno. Consta que seu perfil foi analisado pelo prprio Presidente Lulae pelo Ministro-Chefe da Casa Civil, Jos Dirceu. Teria, inclusive, elabo-rado um Plano de Ao para a Embrapa analisando o presente e o futuroda Instituio no contexto nacional e internacional. Seus Diretores, escolhidos entre pesquisadores da Embrapa, so o enge-nheiro agrnomo Kepler Euclides Filho, com ttulo de doutorado emsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 235236zootecnia, o engenheiro agrnomo Jos Geraldo Eugnio de Frana, doutorem Gentica e Melhoramento Vegetal na Universidade Hyderabad, ndiae ps-doutor em Gentica e Biologia Molecular pela Universidade doTexas, Estados Unidos; e Tatiana Deane de Abreu S, com doutorado pelaUnicamp, em Fisiologia Vegetal e pesquisadora da Embrapa desde 1974.Os questionamentos anteriores de influncia poltica e sindical estariamafastados com uma nova gesto, eminentemente, tcnica. Crestana deu umaentrevista coletiva imprensa, em Braslia, no dia 18 de fevereiro de 2005onde destaca os desafios de uma nova construo traduzidos em inovar,transferir e incorporar resultados da cincia e tecnologia ao setor produtivo-social. Pe em relevo e demonstra que quem investe em pesquisa tem maiorprodutividade. Chama a ateno do valor e importncia do negcio agrcolae aponta as oportunidades e desafios que viro pela frente nas esferas interna,nacional e internacional. Dada a importncia de suas posies preliminares,ao assumir o cargo de Presidente da Embrapa, decidi buscar mais informaesde seu Plano de Ao apresentado na coletiva Imprensa.Ao se referir implantao de uma Agenda de cooperao na esferainternacional, uma das vertentes do Plano de Ao da nova Diretoria daEmbrapa, o Diretor-Presidente Slvio Crestana disse, na entrevista coleti-va, na manh de 18 de fevereiro, que pretende consolidar a liderana daEmpresa no mundo tropical.Tal liderana ser trabalhada nas relaes de cooperao tanto com pasesmais desenvolvidos quanto com aqueles em processo de desenvolvimento.Crestana fala de uma Agenda para o Norte, o que ele chama de Caminhode Washington. Tal agenda inclui o reforo do papel do Laboratrio Virtualda Embrapa Exterior Labex, j com braos nos Estados Unidos, Frana eHolanda, e a extenso do modelo ao continente asitico. Trata-se de acom-panhar os avanos tecnolgicos e de ajudar o aas na diminuio do gap deexcluso tecnolgica, utilizando o banco de conhecimentos, informaes,tecnologias, recursos da biodiversidade e inovao em agrossistemas tropicaiscomo moeda de troca.Outra Agenda, que tambm uma Agenda do Presidente Luiz Inciosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 236Sol da manh: memria da EMBRAPA237Lula da Silva, est voltada ao trabalho no hemisfrio Sul. Nesse caso, ochamado Caminho das ndias, a posio da Embrapa mais favorvel.Trata-se de oferecer treinamento, consultoria, transferncia de tecnologia,servios e produtos de base tecnolgica, em sintonia com interesses do setorprodutivo, governo e terceiro setor, como estratgia competitiva ou de solida-riedade entre povos amigos e irmos.A terceira Agenda na esfera internacional a triangular. Contandocom financiamento majoritrio de organismos internacionais e fundos decombate pobreza e fome, o Brasil pode exercer, por intermdio daEmbrapa, o papel de correia transmissora da inovao e do desenvolvimentoterritorial rural de pases menos desenvolvidos da Amrica Latina, Caribe,frica e sia.Slvio Crestana defende, tambm, a necessidade de estratgias paraenfrentar a internacionalizao da inovao. , segundo ele, uma conseqnciada Globalizao. Muitas vezes, empresas contratam os melhores tcnicos, osmelhores pesquisadores e eles estaro trabalhando para uma empresa privadaque no necessariamente tem interesse brasileiro. preciso evitar a perdade nossas competncias.A nova Diretoria pretende tambm reforar o Sistema Cooperativo dePesquisa Agropecuria, formado por universidades, institutos de pesquisaestaduais e sistemas de extenso rural. Segundo Crestana, a desorganizaodo Sistema significa pulverizao das foras, no momento em que a pesquisaagropecuria precisa estar mais prxima da poltica de Governo. Fazemosparte da poltica industrial, concluiu.Slvio Crestana lembrou que decises relacionadas comercializao desoja transgnica, prevista em Medida Provisria, no depende da Empresa.Cabe a ns buscar o melhor da pesquisa, observar o mundo e fazer o que ele estfazendo, disse, defendendo que o Brasil no deve ter posio inferiorizadaem relao a outros pases. Transgenia uma tcnica da biotecnologia e nsvamos trabalhar com todas as tecnologias possveis para a agricultura tropical,dentro dos limites estabelecidos pela lei e em consonncia com a poltica doGoverno Lula.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 237238Alm da biotecnologia, Crestana ressaltou a importncia de se avanar emtemas emergentes como nanotecnologia, nutrio e sade, defesa sanitria,crditos de carbono e avaliao de riscos. Considerou a agroenergia umgrande desafio para a pesquisa agropecuria. A agricultura est deixando deser apenas produtora de alimentos e se tornando tambm produtora deenergia, possvel de ser obtida a partir da transformao de biomassa.Quanto agricultura familiar, Crestana deixou claro que no h rupturacom as propostas defendidas pela Diretoria anterior. Pelo contrrio. Nsreconhecemos que a Embrapa pblica e precisa atender demandas vindasde todos os segmentos, dos pr-assentamentos s esferas mais privilegiadasdo agronegcio. Enfatizou que as diferenas entre os segmentos devem serlevadas em considerao do ponto de vista metodolgico.O Diretor Geraldo Eugnio completou a idia de Crestana dizendo quea dualidade entre agricultura familiar e agronegcio fbula. Ressaltou ofato de a Embrapa trabalhar desde sua criao com agricultura familiardada a importncia do segmento, responsvel por trinta por cento do PIBagrcola nacional.As declaraes na entrevista coletiva do novo presidente, Dr. SlvioCrestana, no esgotaram o seu pensamento e idias que tem sobre o presentee o futuro da Empresa. Ao cumpriment-lo pela sua nomeao, mencioneio projeto que estava concluindo de preparo da Memria da Embrapacompreendendo o perodo de sua histria nos ltimos 32 anos. Na oportu-nidade, Crestana prontificou-se em ampliar suas idias como umacontribuio preliminar aos planos e aes da Instituio que vai comandar.De comeo afirma que a tarefa que enfrentar vai necessitar de um novoprocesso com construo de ousadia, coragem, competncia, disposio emcorrer riscos e muita criatividade.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 238Sol da manh: memria da EMBRAPA239Em tecnologias agrcolas a Embrapa, como parte do Sistema Nacional dePesquisa Agropecuria (SNPA), o patrimnio que orgulha a cincia e tecnologiabrasileiras, como a grande reserva de talentos e competncia que o Brasilousou construir. Em total sintonia com a era do conhecimento onde o capitalintelectual o bem mais precioso de que hoje se pode dispor. Mas, mais queisto, a Embrapa tem conseguido mostrar ao longo de seus 32 anos que tal capitaltem sido capaz de transformar conhecimento em inovao e desenvolvimento.Desenvolvimento que hoje inclui o contingente de agricultores familiares emrisco de excluso econmica e social. Por tudo isto a Embrapa consideradauma das jias da coroa. Tal capacidade e inteligncia cada vez mais reconheci-da na esfera internacional no deixando dvidas quanto sua competnciae papel na compreenso e manejo de agroecossistemas tropicais e subtropicais.Slvio Crestana acrescenta ainda: A inovao que agrega tecnologias convencionais emergentes com grandepotencial de gerar impacto cada vez mais demandada para tratar de temasnovos e prioritrios como os da agricultura familiar, da agricultura orgnicae da agricultura energtica. A inovao alicerce fundamental da construodo desenvolvimento econmico, social e ambiental e por sua vez, da soberanianacional. No agronegcio ela indispensvel para garantir sua sustentabilidadee competitividade nos planos nacional e internacional. E principalmente, deora em diante, se faz estratgica para perenizar o sucesso do agronegcionacional e consolidar nossa posio de liderana internacional. No somentetendo o Brasil como fornecedor de alimentos mas tambm como articuladore executor da aliana firmada pela Cpula do Milnio, das Naes Unidas,em reduzir para a metade, praticamente na prxima dcada, o nmero depessoas atingidas pela pobreza extrema e desnutrio.Solicitei ao Dr. Crestana elaborar uma lista com as dificuldades atuaisque observa na Embrapa e que precisam de soluo urgente. Isso podeampliar e enriquecer a Agenda de Trabalho da atual Administrao. O novoPresidente indicou a lista que se segue:sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 239240 Natureza jurdica: criada como empresa pblica de direito privadopara ser gil e flexvel, hoje praticamente a Embrapa est submetida smesmas amarras do Regime Jurdico nico (Decreto 8666, TCU, outros); Gesto de Recursos Financeiros e Humanos: a Diretoria Executivano tem poderes suficientes para decidir sobre recursos oramentrios efinanceiros. Tambm no tem autonomia suficiente para decidir sobre con-trato ou distrato, dissdio coletivo, Plano de Cargos e Salrios, seguridadesocial (Ceres), formao e treinamento de Recursos Humanos, adequao deperfis profissionais, concursos, dentre outros; Recursos Oramentrios: o aporte de recursos se encontra em quedanos ltimos dez anos (prximo de US$ 200 milhes, enquanto que o ARS,com papel equivalente Embrapa, nos EUA, cresceu para US$ 1 bilho).No tem fludo com a devida regularidade e aumentado com a ampliao daagenda institucional que hoje conclui, alm da varivel econmica (dcadade 70), a gerao de tecnologias apropriadas de natureza sanitria, nutri-cional, ambiental, social, regional e internacional; Fontes de financiamento da inovao: o progresso do agronegcioest altamente vinculado inovao que por sua vez se alicera na Embrapae SNPA, hoje dependentes de recursos majoritrios do Estado. O custo deP&D&I cada vez mais crescente com ampliao de responsabilidades, detemas e tecnologias emergentes e complexidade de demandas. Ao mesmotempo o comprometimento da iniciativa privada pequeno e isolado. Aparceria pblico-privada no que tange iniciativa da Embrapa est muitoaqum da desejvel e tudo indica, possvel; Mandato da DE: aps a democratizao, o mandato da DE se tornouinstvel. No h mandato assegurado, a seleo de diretores no est bemestabelecida, no necessariamente privilegia critrios tcnicos e de interesseinstitucional. A evoluo dos instrumentos de gesto no acompanhou oexcepcional progresso tcnico da empresa e democrtico da sociedade. Aomenos da seleo de chefes de unidades por concurso, hoje a Embrapaest altamente vulnervel s injunes externas, no possuindo mecanismosinternos que possam garantir o devido equilbrio para cumprimento de sua misso;sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 240Sol da manh: memria da EMBRAPA241 Modelo de Gesto: o processo de deciso segue via vertical, presidencia-lista, mas a Diretoria Executiva e a sede se enfraqueceram no exerccio dagesto estratgica. A participao regional e das bases muito baixa, con-comitante com a significativa perda de integrao interna, desestruturaodo SNPA e desmantelamento da extenso; Baixa prioridade: as reas de informao, comunicao interna, coope-rao internacional, transferncia de tecnologia e negcios, de propriedadeintelectual, de cooperao com o SNPA (Oepas e extenso) e de gestoestratgica no operam com o devido status e no esto devidamenteorganizadas e valorizadas; e Mobilizao da Inteligncia: na frente interna da empresa inexistemmecanismos que assegurem ampla participao, motivando e mobilizandoseu capital intelectual, sua competncia e inteligncia de 32 anos, para propor,discutir e se envolver com os grandes rumos da inovao e da gesto tecno-lgica, do agronegcio e do pas.PLANO DE AOEm relao ao seu Plano de Ao fez os seguintes comentrios:Neste contexto, compreendendo o papel da Embrapa e SNPA e a responsa-bilidade histrica que lhes cabe, visando colaborar na elaborao e construode uma Nova Agenda e responder aos desafios conseqentes, proponho oseguinte Plano de Ao para a Embrapa, a ser implantado no perodo 2004-2006, mas que contempla, no mnimo, o horizonte dos prximos dez anos.Este Plano de Ao concebido para atingir trs esferas de interveno: aIntramuros (Embrapa e Governo Mapa, Planejamento, Fazenda, MCT,etc...), a Nacional e a Internacional.ESFERA INTRAMUROSA Embrapa e o Governo devero: Estabelecer e implementar plano de recuperao dos recursos oramentriossol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 241242e financeiros da Embrapa, apoiando sua revitalizao e crescimento. Nocurto prazo, descontar emprstimos internacionais, garantir constnciado fluxo financeiro e avaliar acrscimo real do oramento; Articular, explorar e criar mecanismos para se obter novas fontes definanciamento da inovao (setores produtivo, social e ambiental, FundosSetoriais, Lei de Inovao, projeto PPPs, organismos internacionais, ONGs,capital de risco (biotecnologia e agricultura energtica, p. ex.), Check-offprograms (gros, carnes, leites, frutas), consrcios, laboratrios multi-usurios, unidades mistas de P&D&I, dentre outros; Viabilizar estrutura organizacional (p. ex.: Agncia de Inovao Tecnolgica)voltada a negcios tecnolgicos e transferncia de tecnologia que seja gil,leve, flexvel e autnoma para decidir e implementar decises, e que, principal-mente, propicie novos arranjos e novas formas de financiamento da inovao; Definir e aprovar poltica de renovao de quadros tcnicos e gerenciais ede cargos e salrios que responda aos desafios dos novos tempos e querecupere a auto-estima de seus empregados; Implantar sistema de gesto regional nomeando cinco gestores de inte-grao regional nas cinco macrorregies brasileiras visando reforar a pre-sena da Embrapa e buscar a integrao entre suas unidades, com oSNPA, com a extenso, colaborando para responder s demandas dossetores produtivo, social e ambiental no mbito das agendas de desenvolvi-mento regional. Tambm visa obter maior eficincia administrativa e alinhamen-to das estratgias regionais com a nacional; Criar fruns internos que viabilizem maior participao do conjunto daempresa nas decises. No curto prazo rever papel do Conselho de AdministraoSuperior, reforar o papel do Comit Gestor de Programao, nomearo Comit de Gesto Estratgica e constituir um Comit Consultivo(Conselho) que garanta ampla participao das unidades descentrali-zadas e centralizadas na discusso e elaborao da agenda institucional, luz do IV Plano Diretor; e Rever e adequar a natureza jurdica e o modelo de gesto institucional daEmbrapa e estabelecer processo de escolha e mandato da Diretoriasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 242Executiva que confira maior autonomia e recuperao da agilidade,flexibilidade e eficincia em tomar e implementar decises.Na esfera nacional a Embrapa dever: Negociar e construir ao ousada de parceria com a iniciativa privada (setorprodutivo e capital financeiro) visando sustentabilidade do agronegcioe do desenvolvimento regional e nacional, naquilo que depender da ino-vao tecnolgica; Consolidar ao ousada de parceria transversal entre rgos de governo,setor privado, terceiro setor e ONGs visando o desenvolvimento social eambiental, em especial no apoio de polticas pblicas relativas agricul-tura familiar, incluso social e desequilbrio regional, biossegurana, recursosedafodricos, agricultura orgnica e energtica, vigilncia sanitria, dentreoutras; e Colaborar na Reconstruo e Coordenao do SNPA no que tange aopapel federal e procurar viabilizar parceria mais eficiente com a extensorural, assistncia tcnica pblica e privada assim como com os servios deextenso universitrios. Assim concluiu Slvio Crestana.A seguir transcrevo trecho de editorial do Estado de S.Paulo, de 23 defevereiro de 2005:O Brasil j uma potncia agrcola e tem vocao para ser muito maisimportante no mercado mundial, mas isso depender, em grande parte, dosavanos de sua tecnologia. Um papel central caber Embrapa que, nosltimos 30 anos foi um dos principais fatores de modernizao da atividaderural no Pas. Para cumprir essa misso, a Empresa ter de trabalhar numambiente muito favorvel com segurana institucional, estabilidade e a maisampla liberdade cientfica.Esta opinio sintetizou o clima que se espera na nova gesto da Embrapa.As expectativas so enormes no ambiente interno da entidade e nos meiosenvolvidos com toda a agricultura do pas. O relato dos altos e baixos da vidaSol da manh: memria da EMBRAPA243sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 243da Embrapa, nos captulos anteriores so o atestado de uma Organizao queveio para mudanas e avanos. Em todo o transcurso, at agora, da vidadessa Instituio, fica provado o acerto dos seus princpios e fundamentosresponsveis, seguramente, pela sua sobrevivncia e pela qualidade de seusservios. O pas precisa, definitivamente, de instituies srias, slidas, sus-tentadas e eficientes. A Embrapa uma delas. Assim seja.244sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 244Sol da manh: memria da EMBRAPAParte IIIdesafiosPresidente Lus Incio Lula da Silva esteve na sede da Embrapa nos atoscomemorativos do 300 aniversrio da empresa. Confirmou compromissode fortalecimento da instituio de enfrentar seus futuros desafios.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 24518grandes avanossol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 247248A Embrapa contribui para os grandes avanos da agricultura brasileira.Um dos destaques tem sido os recordes das safras anuais de gros.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 248Sol da manh: memria da EMBRAPA249relato dos dezessete captulos anteriores cobre, em boa medida, ahistria da Embrapa, de 26 de abril de 1973 a 26 de abril de 2005. So 32anos de vida de uma Instituio de pesquisa que, nos padres do Brasil, no pouco tempo. Foram anos de altos e baixos com momentos de sucessos exitos notveis, entremeados de turbulncias, conflitos e ameaas. Faz parteda existncia das grandes Instituies. Houve avanos, conquistas e problemas.Esta Memria trata de contar os episdios relevantes e acontecimentos davida da Empresa. Julguei oportuno fazer um esforo de sntese que permitaoferecer nos prximos trs captulos, uma viso de conjunto mais conclusivada histria da Embrapa possibilitando:1. Indicar os grandes avanos conseguidos ao longo dos 32 anos de existnciada Empresa;2. Identificar os grandes problemas que, atualmente, ameaam a Instituio; e3. Sugerir uma Agenda que sirva para o debate e reflexo com o objetivode fortalecer, consolidar e tornar a Embrapa uma organizao forte esustentada.GRANDES AVANOS1.ATIVIDADES INSTITUCIONAISA Embrapa construiu um novo conceito de execuo da pesquisa agro-pecuria para o Brasil, com a reforma de 1973. A mudana representou umaimportante inovao institucional dos programas de cincia e tecnologia dopas. De incio, rompeu, radicalmente, com as metodologias adotadas peloMinistrio da Agricultura que realizava projetos de pesquisa difusos, dispersose sem conexo com as necessidades reais da economia e da vida ruralOsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 249250brasileiras. Em substituio, de incio, implantou um conceito novo deinvestigao agropecuria, concentrado e voltado para o produtor. Foi ajus-tando-se, ao longo dos ltimos anos e, hoje em dia, gera tecnologias e con-hecimentos que atendem s demandas da terra, da economia, do mer-cado e da sociedade. Constata-se, assim, que a Embrapa:a. Lanou um novo modelo de pesquisa, de alcance nacional, que rene elemen-tos ajustados s condies polticas, econmicas e sociais do pas. O Modelovem funcionando em forma de um Sistema Nacional de PesquisaAgropecuria (SNPA), atuando em parceria com os estados, com as Uni-versidades e o setor privado. Para isso, conta com 42 Unidades de Pesquisalocalizadas em diferentes regies do pas, organizadas em Centros Nacionaise Servios. Os pesquisadores trabalham com programas e projetos comprodutos e, em regies do pas, como a dos Cerrados, Semi-rido e Amaznia;b. Construiu um dos maiores programas de recursos humanos de umaInstituio de pesquisa no mundo tropical e na Amrica latina, enviando,para os mais conceituados centros universitrios do Brasil e do exterior,mais de dois mil pesquisadores para cursos de ps-graduao nos nveisde mestrado, doutorado e ps-doutorado. Esses tcnicos atuam nas Unidadesda Embrapa e no SNPA, desenvolvendo projetos de pesquisa de grandeinteresse para a agricultura brasileira. O programa de recursos humanosenvolve polticas de previdncia, avaliao, promoo e salrios;c. Executa atividades de integrao e cooperao internacional, como o fun-cionamento dos Laboratrios Virtuais no Exterior, Labex, atuando, nosEstados Unidos, Frana e Holanda. Essa uma das iniciativas maiscriativas e tem o objetivo de estreitar a cooperao tcnica dos pases,principalmente, entre pesquisadores de elite do Ministrio da Agriculturados EUA e da Embrapa em torno de projetos de pesquisa de ponta. OLabex-Frana outro empreendimento estratgico na Europa, com osmesmos objetivos. A cooperao internacional tradicional na Embrapae vem desde sua fundao. Na Empresa, atualmente, so mais de duzentosprojetos de cooperao com entidades estrangeiras e internacionais desol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 250Sol da manh: memria da EMBRAPA251mais de cinqenta pases. Faz parte do organismo que coordena os CentrosInternacionais de Pesquisa Agropecuria CGIAR e realiza intenso inter-cmbio com os Centros Internacionais, atuando em diferentes continentes.d. Desenvolveu, desde sua criao, h 32 anos, sistemas de planejamento emnveis nacional, regional e local que, ajustados a cada situao e perodo,trata de sistematizar, organizar e racionalizar as atividades da Empresa edo SNPA. A Instituio atuou com sabedoria e flexibilidade nesse aspecto,sempre visando eficincia da utilizao dos seus recursos e dos parceiros,da participao do trabalho compartilhado e de uma viso estra-tgica dodesenvolvimento da agricultura e da construo de cenrios.e. Apesar da reserva de mercado participou, desde 1974, como pioneira daintroduo da informtica nas suas atividades de pesquisa e na formaode redes entre as diversas unidades e a sede central e, mais recente-mente, em nvel internacional. A participao da Fbrica de software,o Ncleo Tecnolgico para Informtica Agropecuria foi transformadono, atualmente, Centro Nacional de Pesquisa Tecnolgica em informti-ca para Agricultura. Hoje a pesquisa da Embrapa InformticaAgropecuria volta-se mais para o software destinado ao agronegcio (agro-pecuria, agroclimatologia, agricultura de preciso e bioinformtica). f. oportuno registrar dois outros importantes avanos com a criao daUnidade Embrapa Monitoramento por Satlite e a Embrapa Instrumen-tao Agropecuria. A primeira dedicando-se, por exemplo, previso desafras, monitoramento de queimadas, previses climticas, acompanha-mento do estado fisiolgico e sanitrio de culturas. A Unidade hojereconhecida como referncia na rea de recursos orbitais para agriculturae meio ambiente, especialmente utilizando imagens de satlite. A segunda,Embrapa Instrumentao Agropecuria, nasceu em 1984, apoiada emuma ousada deciso de seus pesquisadores. A pesquisa dava emprego paraprofissionais de agronomia, veterinrios, bilogos, economistas. Um fsicoseria estranho nos ambientes de trabalho da Empresa. Pois foram os fsicosSlvio Crestana, (atual Presidente), com outros colegas, que propuserama Eliseu Alves a criao da nova unidade em So Carlos, So Paulo, pas-sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 251252sando a ser o nico centro da Amrica Latina que trabalha nessa linha depesquisa. Pelo seu programa de atividades e sua equipe de alta qualificaoe os equipamentos modernos e sofisticados disponveis, estes Centrosconstituem-se em grandes avanos da Embrapa.g. A publicao regular dos balanos sociais, a partir de 1997, representa umpasso significativo do trabalho voltado para a rea social. Nos seus 25anos, em 1998, a produo agrcola havia duplicado, aconteceu umaforte diversificao nos sistemas de produo que, por sua vez, forammodernizados. O agronegcio foi, consideravelmente, ampliado, con-quistando fronteiras agrcolas e competitividade no comrcio internacional,gerando empregos e alcanando o desenvolvimento a regies maisafastadas dos ncleos urbanos tradicionais. Na linha de resgatar projetosde natureza comunitria e com evidentes impactos sociais, a Embrapapublica, regularmente, a partir de seu primeiro Balano Social em 1997,experincias que envolvem compromissos da Empresa e da sua capacidadede oferecer bem-estar, diminuir as desigualdades sociais e, sobretudo,enfrentar a fome e a misria das populaes do interior do pas. Este , semdvida, um concreto avano e uma importante conquista da Embrapa.2.ATIVIDADES PRODUTIVASa. Opinies, as mais credenciadas, afirmam, com muita segurana que oprincipal avano conquistado nos seus 32 anos de existncia a expansoda fronteira agrcola nos diferentes ecossistemas do pas. O conhecimentodos recursos naturais de cada regio, o desenvolvimento de novos culti-vares e raas de animais, as prticas adequadas de manejo para as diversascondies ambientais e socioeconmicas, os arranjos de parceriasinteligentes so responsveis pelos expressivos resultados e xitosalcanados. Os esforos promovidos pela Embrapa, diretamente, e emparcerias com outras instituies, foram responsveis pelo aumentoconvalidado da produtividade dos mais importantes cultivos de gros(120 milhes de toneladas na safra 2003/2004), hortalias e fruteiras e dasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 252Sol da manh: memria da EMBRAPA253criao de bovinos. Em conseqncia, tem havido aumento da oferta deprodutos agropecurios e reduo dos preos pagos pelos consumidores.Centenas de cultivares foram disponibilizados para uso, pelos agricultores(milho, feijo, algodo, mandioca, tomate, cenoura, ma, pssego, trigo,arroz, soja, frutas tropicais), todos com caractersticas de aumento de pro-dutividade e resistentes a pragas e doenas. A informao disponvel ade que o manejo sustentvel florestal para a regio Norte, o manejo dacaatinga e os sistemas de irrigao para o Nordeste, a recuperao daspastagens degradadas, o zoneamento agrcola em diversos estados, soavanos conseguidos na linha de procurar compatibilizar o conheci-mento da economia tomando-se em conta o homem e o meio ambiente.b. Na rea de biotecnologia, a atuao da Embrapa significou um enormepasso para o incremento da produtividade e competitividade do setorprodutivo. Muitos laboratrios especializados da Empresa aportamconhecimentos estratgicos para todo o pas, atravs da cultura de tecidos,biologia molecular, modificaes de plantas, clonagem animal, genoma ebioinformtica. Acrescente-se a esse rol de avanos, o desenvolvimentode novos produtos agrcolas e pecurios, domesticando e criando novasvariedades com objetivos, nitidamente, para o mercado. Anote-se o bem-sucedido algodo colorido, as fruteiras nativas, o cruzamento de raasbovinas, a clonagem de animais, o cajueiro ano precoce e outrosresultados que vm marcando a contribuio da Embrapa agriculturanacional. Novas misturas de farinhas com diversas finalidades, secadorde frutas, processador de castanhas de caju e do Par, so destaques nainovao tecnolgica agroindustrial. O permetro irrigado da regio doRio So Francisco (Petrolina e Juazeiro), mais de noventa por cento da mangaexportada produzida nessas reas do Semi-rido, assim como uvas demesa e meles tambm enviados para o mercado interno e externo.c. Outro avano notvel que se destaca, com a colaborao dos SistemasEstaduais de Pesquisa, so desenvolvidos pelos bancos de germoplasma.Com a infra-estrutura montada e o trabalho de seleo e conservao, arede de bancos de germoplasma, representa o enorme potencial atual esol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 253254futuro para gerao de novos cultivares e produtos inovadores. Trabalhoespecial realizado no resgate por comunidades tradicionais de materiaisgenticos perdidos.d. A ocupao do Cerrado, ao longo desses ltimos 32 anos, sem a menordvida, constitui-se, em uma sntese da proposta de criao da Embrapa.Recordemos que o modelo adotado para implantar a reforma da pesquisaprvia trabalhou com o desenvolvimento dos principais sistemas produ-tivos agropecurios e com os ecossistemas de maior importncia do nossoterritrio, com destaque para a Regio Amaznica, o Semi-rido e as reasque compreendem o Cerrado brasileiro. A ocupao do Cerrado foiuma deciso corajosa, segura e consciente do Governo, poca, conven-cido de suas potencialidades diversificadas para desenvolver sistemasagropecurios competitivos. A atuao da Empresa foi ousada. A, foramlanados os fundamentos de um conceito novo de pesquisa agropecuria:trabalhar com estratgias inteligentes envolvendo claras prioridades, aconstruo de parcerias com instituies locais e produtores, a difusoe multiplicao de resultados, utilizando, com eficincia, os recursoshumanos e fsicos disponveis. Hoje, pode-se constatar os resultados dessemegaprojeto, que , praticamente, a ocupao de 204 milhes de hectaresda savana brasileira, 24% da rea total do pas. At 1970, os solos dosCerrados eram tidos como imprprios para agricultura intensiva. Comos mtodos de manejo das terras, da gua e do controle de pragas, foi pos-svel implantar e expandir a rea cultivada com gros e pastagens nos maisdiferentes tipos de solos e situaes climticas no Centro-Oeste brasileiro.A soja tem sido a estrela das culturas, dispe de um acervo gentico commais de duzentas variedades e tecnologias inovadoras como o plantiodireto. Os pastos cultivados e o melhoramento gentico permitiram aimplantao de um rebanho bovino com cerca de 57 milhes de cabeas,oferecendo uma contribuio estratgica para que o Brasil seja, hoje, omaior exportador mundial de carne bovina. Interessante e confortador ver como tem sido possvel a formao de Agroplos na regio comoos de Rondonpolis, Rio Verde, Campo Grande, Lucas do Rio Verde,sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 254Sol da manh: memria da EMBRAPA255Dourados e outros crescendo dia-a-dia. Novos cultivos, como o algodoe a fruticultura, a criao de aves e sunos, o trigo, o arroz, o sorgo e aagroindstria so atividades promissoras brasileiras no centro-oeste.OBSERVAODiante da impossibilidade de mencionar, nesta Memria, mesmo em umesforo de sntese, todos os avanos da Embrapa, institucionais e produtivos,julguei oportuno, em eventual interesse dos leitores, incluir como Anexo 5,um rol de Tecnologias e Trabalhos Selecionados produzidos pela Embrapa.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 25519grandes problemassol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 257258Ministro Roberto Rodrigues conversa com o colega Jos Grazianosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 258Sol da manh: memria da EMBRAPA259s relatos contados nesta Memria do conta, no seu conjunto, de umaEmbrapa, forte, resistente e vencedora, com razes profundas. Fatos e epis-dios, entretanto, identificam, ao longo do tempo, momentos de fragilidadeinstitucional, cada vez mais ameaadores, tendendo a se tornar quase crni-cos. Estas situaes difceis comearam a aparecer, gradualmente, a partirde 1985, entre altos e baixos, problemas de vrias naturezas, que pretendorelacion-los objetivando provocar reflexo e anlise com vistas a que sevenha alcanar solues no menor prazo possvel.Que problemas so estes?Sem que se pretenda mencion-los, pela sua ordem de importncia,pode-se, todavia, afirmar que so, na sua maioria, ligados s atividades derecursos humanos, financiamento, infra-estrutura, prioridades e atividadesoperativas. Em outras palavras, problemas basicamente de gesto. Isso nosignifica que so menos importantes as questes institucionais, de liderana,competncia gerencial e situaes com poder de contribuir para o afasta-mento de conflitos como influncia poltica equivocada e o corporativismo.Isso vem mostrando, com clareza, a fragilidade da sustentabilidade jurdicae institucional da Embrapa. Essas circunstncias vm se repetindo e se agra-vando, paulatinamente, ainda que no cheguem a causar danos irreversveis,pelo menos at agora.GRANDES PROBLEMAS1. QUESTES DE GESTOUm dos problemas que a Embrapa tem de encarar, desde logo, buscandosoluo imediata, refere-se deteriorao do Sistema Nacional de PesquisaOsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 259260Agropecuria SNPA, particularmente, a situao que vem atingindo asOrganizaes Estaduais de Pesquisa Agrcolas, Oepas, parceiras desde osprimeiros momentos da implantao da Embrapa. Umas mais, outras menos,a maioria encontra-se sem a compreenso e apoio dos governos estaduais,faltando-lhes recursos financeiros e sustentao para cumprir o seu papelno desenvolvimento econmico-social dos estados. O fato de a Embrapater assumido o papel de coordenao do SNPA, e ter estimulado a criao efortalecimento das organizaes de pesquisa agrcola dos estados, aumenta apresso por repasse de recursos financeiros. Nesse ambiente, h a dificuldadede fortalecimento das Oepas e da construo de novas parcerias.2. RECURSOS HUMANOSEmbora a Embrapa, desde a fundao, tenha adotado a mais alta prio-ridade para a seleo e treinamento do seu pessoal tcnico-administrativo,persistem problemas residuais srios que exigem buscar solues desdeagora. O quadro de pesquisadores est envelhecendo. Atualmente, dos 2.223pesquisadores da Instituio, no ano de 2015, por idade, por tempo de serviotero se aposentado 1.158 pesquisadores, representando 52% do total. Opessoal de apoio e administrao tem limitaes na sua capacidade gerencialpara enfrentar a burocracia, cada vez mais, corroendo a eficincia da Empresa.Acrescente-se a isso, questes salariais pendentes como a reviso do Plano deCargos e Salrios, objetivando a reteno de novos empregados e perspecti-vas profissionais. H poucos investimentos na qualificao profissional dopessoal administrativo com o fim de melhorar o gerenciamento da Instituio,se comparadas com o treinamento do quadro de pesquisadores. A informaode que um tero dos empregados da Embrapa no fazem parte da Empresade Previdncia Complementar Ceres, ter que encontrar uma soluonegociada.3. BUROCRACIAA Embrapa, como Empresa Pblica, ainda que vinculada ao Mapa,comeou, em 1973, com autonomia, gil, flexvel, praticamente, semsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 260Sol da manh: memria da EMBRAPA261gargalos e entraves burocrticos, completamente o contrrio da situaoanterior da pesquisa agrcola federal dependente da administrao direta. Jnos meados da dcada de oitenta, comearam as limitaes e dificuldadesburocrticas, com o Estado exercendo forte controle sobre as EmpresasPblicas, Autarquias, Fundaes e Universidades, Controles internos eexternos rgidos. Instrumentos de gesto independentes, demandandomuito tempo dos pesquisadores, custos fixos excessivos em energia eltrica evigilncia e excessiva tramitao de papis, centralizao, duplicidade decomando. Questes de utilizao da infra-estrutura da Embrapa necessitammais racionalizao no uso dos recursos disponveis.4. QUESTES DE INFRA-ESTRUTURAA Embrapa enfrenta, atualmente, um processo de sucateamento edesatualizao de seus equipamentos de laboratrios e alguns utilizadospelos servios e atividades informatizadas. Essa questo passou a ser crucial.Para que a Embrapa e seus pesquisadores possam atuar em forma competitivacom os pases ricos e desenvolvidos, faz-se necessrio, adquirir equipamentosmodernos, caros, sofisticados e de ltima gerao. Tal acontece na medicina,nos transportes e em qualquer indstria. Esses bens, mesmo os de fabricaonacional, so dispendiosos. Os importados so adquiridos em moeda estran-geira, geralmente encontrando dificuldades alfandegrias. A essas constataes,juntam-se uma demanda por substituio de mquinas agrcolas, veculos,materiais de oficina e instrumentos utilizados em projetos de pesquisa comexperimento de campo como irrigao e casas de vegetao.Esses problemas tm que encontrar solues imediatas, para que a Embrapafaa parte da modernizao industrial e de outros setores produtivos daeconomia que o Brasil desenvolve nos dias atuais.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 261262sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 26220agenda para o futurosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 263264Dr. Slvio Crestana, novo presidente da Embrapa, a partir de 26 de Janeiro de 2005, responsvel pela conduo da Agenda para o Futuro da Instituio.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 264Sol da manh: memria da EMBRAPA265e propsito, deixei para o final desta Memria, a apresentao de umaAgenda para o Futuro. A real inteno a de que sirva para provocar amplodebate, entre representantes dos diferentes segmentos da sociedade maisinteressados em fortalecer e consolid-la como a Instituio nacional depesquisa agropecuria responsvel, em boa medida, pelo apoio tecnolgico agricultura do pas.H muitas idias circulando, entre pessoas e grupos, em torno dos maisvariados temas e questes que tratam de aperfeioar e oferecer Embrapa asustentabilidade institucional.Este livro, precisamente, pretendeu isto: contribuir com o relato dahistria da Empresa, para identificar questes relevantes que ajudem aresolver srios problemas que se vo acumulando, uns se tornando crnicose outros emergentes, mas todos promovendo estragos e ameaando a efi-cincia da Instituio.1.TEMAS INSTITUCIONAISA questo da forma jurdica, com a qual trabalha, atualmente, aEmbrapa, ou seja uma Empresa Pblica que merece ampla discusso, susci-tando, desde logo uma pergunta: a Empresa Pblica de hoje responde eatende s necessidades especficas e reais de uma Instituio de pesquisa comoa Embrapa?Ser que uma reforma, em cima do atual formato jurdico, superar osproblemas encontrados nos ltimos anos? Convm analisar, cuidadosamente,se atos executivos do Governo Federal, conjuntamente, com novas regras eDsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 265266medidas internas da Diretoria Executiva, recobrariam a autonomia, flexibili-dade e eficincia da Embrapa?Outra opo, aparentemente, mais complexa, no pareceria mais efetivacomo, por exemplo, a sua extino e, em seu lugar, criar uma Agncia, umaOrganizao Social, Fundao ou um Instituto de Pesquisa?Convm ir fundo nessa questo, analisar as vantagens e desvantagens etomar a deciso mais apropriada possvel.2. REFORMULAO DO SNPAO SNPA subsiste custa dos esforos das Diretorias Executivas da Embrapae de suas Unidades Descentralizadas. Deve-se, entretanto, reconhecer queum brao forte desse Sistema est convivendo com enormes dificuldades: soas Empresas Estaduais de Pesquisa Agropecuria e outros organismos asOepas, coordenadas pelo Conselho Nacional dos Sistemas Estaduais dePesquisa Agropecuria Consepa. De outra parte, vem se observando, queo SNPA, no tem conseguido consolidar satisfatoriamente, as parceriasestratgicas imaginadas por ocasio da criao da Embrapa, de modo especialcom as Universidades e com o setor produtivo privado atuando em atividadesagropecurias. Algumas mudanas, limitadas nessas relaes, tm ocorridocom bons resultados em forma de cooperao e intercmbio institucional.Esse tema deve ser objeto de debate na Agenda para o Futuro.3. FINANCIAMENTO inquestionvel e urgente a necessidade de analisar, debater e tomardecises sobre o financiamento das atividades de pesquisa agropecuria no pas.Um conjunto de medidas, nessa rea, podem ser estudadas, propostas, negocia-das e resolvidas, no menor prazo possvel, na direo de solucionar asquestes cruciais de apoio financeiros Embrapa e a seus parceiros doSNPA. Uma questo indiscutvel definir as contribuies do GovernoFederal (verbas do Tesouro) e suas condies de utilizao por parte daEmbrapa, ressalvadas pontualidade e flexibilidade do seu manejo, dentrode exigncia peculiares da execuo de projetos de pesquisa agropecuria.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 266Sol da manh: memria da EMBRAPA267 fundamental negociar tetos anuais no preparo dos oramentos com oGoverno e o Congresso.Outras fontes de origem federal podem ser definidas atravs da partici-pao de linhas de crdito do BNDES, BB, CEF, Banco do Nordeste e daAmaznia. H projetos que contemplam componentes tecnolgicos apre-sentados pelo setor privado e outros investimentos de interesse dos bancos.O setor privado, como acontece, por enquanto, de forma modesta, podenegociar e comprar projetos de expresso da Embrapa e parceiros do SNPA.A agricultura avanada e competitiva pode participar, mais ativamente,de financiamentos de projetos de pesquisa agropecuria conduzidos porempresas privadas.4. FUNDO COM APOIO DAS COOPERATIVASO Ministro da agricultura, Roberto Rodrigues, pessoa muito ligada ao coo-perativismo, tendo inclusive sido Presidente da Organizao das CooperativasBrasileiras OCB, iniciou um trabalho visando criar um fundo, com a partici-pao das cooperativas, destinado a financiar projetos de pesquisa agrcola.Esse processo de consulta s cooperativas deve merecer toda a ateno eprioridade, esperando-se que culmine com a criao de um mecanismo quepossibilite ampliar, consideravelmente, os investimentos em investigaoagropecuria com as cooperativas.5. CONTRIBUIAO DO SETOR EXPORTADORAlguns pases adotaram programas de apoio pesquisa agrcola utilizandocontribuies do setor exportador do agronegcio. No se trata de tributaros negcios internacionais, nem muito menos, estabelecer taxas cobradas custa de prestao de servios. A idia discutir a remunerao de projetos espe-cficos em favor da competitividade dos empresrios e da prpria agriculturafamiliar exportadora. Esse debate oportuno no interesse de todos e do pas.A Agenda deve contemplar a discusso nesse conjunto de providncias,no sentido de racionalizar e ampliar os recursos de renda prpria da Embrapa(royalties e venda de projetos).sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 2672686. RECURSOS HUMANOSComo se tem dito, os recursos humanos da Embrapa esto envelhecendo.Conforme mencionado anteriormente, 1.158 pesquisadores, ou seja, 52%do total iro se aposentar at 2015. Alguma medida tem que ser adotada, deimediato, para a substituio desses tcnicos. As discusses devem orientar-se no sentido de que isso no ocorra e que se busquem providncias paraa contratao e treinamento desses novos profissionais. Seguramente, nohaveria, a rigor, que formar todos esses doutores que tero um custo muitoalto. Ocorre que, atualmente, existem muitos tcnicos do mais alto nveldisponvel no pas com ps-graduao e que podem ser aproveitados pelaEmbrapa e SNPA.7. INFRA-ESTRUTURA evidente o sucateamento dos equipamentos, principalmente, nosseus laboratrios e campos experimentais. Um debate sobre essa questo,desde logo, ir atalhar o envelhecimento dos instrumentos de trabalhodos pesquisadores. Um inventrio completo desses equipamentos e instru-mentos de trabalho dever ser feito de imediato, com o fim de estabelecercustos, prioridades e especificaes. A Embrapa no poder atuar comcompetitividade em pesquisa de ponta, com equipamentos superados.8. PROTEO AMBIENTALA discusso de uma Agenda para o Futuro no poderia deixar de ladoas questes relacionadas com a agricultura e o meio ambiente. No restaa menor dvida de que a pesquisa tem, direta e obrigatoriamente quepreocupar-se com os problemas ambientais. Basta recordar a proteo comos ecossistemas (cerrados, amaznia, semi-rido.). Os eventuais efeitos complantas transgnicas, o uso da mecanizao, dos inseticidas, as queimadase quaisquer outras prticas que possam afetar os fatores de equilbrio danatureza. A sade e qualidade de vida da populao devem constituir,certamente, elementos de uma pauta de debate do futuro da Empresa. sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 268Sol da manh: memria da EMBRAPA2699.TAMANHO DA EMPRESAQual o tamanho que a Embrapa deve ter atualmente?Acredita-se que o tamanho depende da misso que ir cumprir nos prximosanos. Ademais do agronegcio, cuidar, tambm, de atender s demandaspor pesquisas dos agricultores que fazem a lavoura familiar e os assentadosnas reas de reforma agrria. fundamental responder essas questes. Quala real misso da Embrapa hoje e no futuro? Quais suas grandes prioridades?A esse rol de temas, antes mencionados e que poderiam constituir a basepara um proveitoso debate, certamente, caberia agregar outros assuntos insti-gantes como a necessidade de definir quatro anos para o mandato da DiretoriaExecutiva, a criao de Coordenaes Regionais para facilitar a supervisodas unidades descentralizadas e estreitar a articulao com os SistemasEstaduais, a reforma do Conselho de Administrao com o fim de dar-lhesmaior representabilidade da sociedade nas decises da Embrapa e atribuir-lhe maior capacidade de decises nas atividades substantivas da Instituio.10. PRIORIDADESEste um tema que deve ser tratado com extrema ateno pela Adminis-trao da Embrapa. A partir de decises corretas podem-se apontar as neces-sidades dos recursos, da infra-estrutura, dos recursos humanos do prpriotamanho da Empresa e os arranjos com seus parceiros. Como ser entendidoo papel do agronegcio, da agricultura familiar, dos assentados da reformaagrria?Quais os cenrios? Que produtos? Que demandas da populao? O queatender para o consumo interno e para as exportaes?Somente, a ttulo de exemplo, para discusso, aqui seguem algumas idiasque podem ser objeto de ateno para debater sobre o futuro das atividadesda Embrapa:1. Agroenergia (produo de plantao para produo de bioenergia).2. Agricultura, meio ambiente e sociedade.3. Diversificaes produtivas (combinaes de cultivos, agregao de valores).4. Recuperao de reas degradadas.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 2692705. Manejo sustentvel de florestas nativas.6. Agricultura familiar e dos assentamentos da reforma agrria.7. Agricultura empresarial com parte do agronegcio (abastecimentointerno e exportao).8. Madeiras e produtos no-madeireiros das florestas.Nessa discusso, devero ser includas as propostas do novo Presidenteda Embrapa, Dr. Silvio Crestana, relacionadas ao final do captulo 17desta Memria e outras contribuies de pessoas interessadas no futuroda Instituio.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 270Sol da manh: memria da EMBRAPA271A vida de uma instituio como a Embrapa, em grande medida, depende dasaes de seus dirigentes. Com a Galeria dos Presidentes o autor homenageiatodos os funcionrios, a partir de sua fundao em 26 de abril de 1973.Jos Irineu Cabral26/04/73 a 16/03/79Eliseu Roberto de Andrade Alves16/03/79 a 15/05/85Luiz Carlos Pinheiro Machado15/05/85 a 25/03/86Osmuz Freitas Rivaldo25/03/86 a 26/05/89Carlos Magno Campos da Rocha26/05/89 a 18/05/90Murilo Xavier Flores18/05/90 a 11/05/95Galeria dos presidentes da embrapaAlberto Duque Portugal11/05/95 a 20/01/03Clayton Campanhola20/01/03 a 26/01/05Slvio CrestanaAssume a Presidnciaem26/01/05sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 271ANEXOSsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 273Sol da manh: memria da EMBRAPA275ANEXO N 1bibliografia consultada efontes de refernciaACOSTA-HOYOS, L. E. Guia da Embrapa e de instituies brasileira depesquisa agropecuria. Braslia, DF: EMBRAPA, 1981._____. Quem quem na pesquisa agropecuria brasileira. Braslia, DF:EMBRAPA, 1979.AGROANALYSIS: REVISTA DE ECONOMIA AGRCOLA DA FGV.Rio de Janeiro: FGV, s.d.- . Mensal. 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Jundia, RN: ANCAR, 1958.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 275276BONELLI, R. Impactos econmicos e sociais de longo prazo da expansoagropecuria no Brasil: revoluo invisvel e incluso social. In: SEMINRIO:IMPACTO DA MUDANA TECNOLGICA DO SETOR AGRO-PECURIO NA ECONOMIA BRASILEIRA, Braslia, 2001. Anais...Braslia, DF: Embrapa, 2001.BRANDO, A. S. P. Aumento de produtividade e exportao: uma anliseexploratria. In: SEMINRIO: IMPACTO DA MUDANA TECNO-LGICA DO SETOR AGROPECURIO NA ECONOMIA BRASILEIRA,Braslia, 2001. Anais... Braslia, DF: EMBRAPA, 2001.BRASIL. Ministrio da Agricultura. Sugesto para a formulao de um sistemanacional de pesquisa agropecuria. Braslia, DF: MA, 1972._____. _____. Departamento Nacional de Pesquisa Agropecuria. Pesquisaagropecuria brasileira, v. 1. Rio de Janeiro, RJ: DNPEA/MA, 1966._____. Ministrio da Cincia e Tecnologia; ABIPTI; ABC. Reunies regionaispreparatrias para a Conferncia Nacional de Cincia, Tecnologia e Inovao:sntese. 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Braslia, DF: EMBRAPA, 1981._____. Projetos de captao de recursos para organizaes de P&D: conceitos,metodologias e informaes bsicas. Braslia, DF: EMBRAPA, 1998._____. Pronapa Programa Nacional de Pesquisa Agropecuria: planos diretores. Braslia,DF: EMBRAPA, 2004. (Foram consultadas as edies publicadas at 2004)._____. Pronapa Programa Nacional de Pesquisa Agropecuria, 1985.Braslia, DF: EMBRAPA, 1985._____. Pronapa Programa Nacional de Pesquisa Agropecuria e Plano Anualde Trabalho, 1979. Braslia, DF: EMBRAPA, 1979.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 278_____. Relatrio ambiental. Braslia, DF: EMBRAPA, 2002._____. Relatrio de administrao e apoio pesquisa, 19781979. Braslia,DF: EMBRAPA, 1980._____. Relatrio de atividades, 1981: SPSB Servio de Produo deSementes Bsicas. Braslia, DF: EMBRAPA, 1982._____. Relatrio tcnico anual do Centro de Pesquisa Agropecuria dos Cerrados,19751976. 2. ed. Planaltina, DF: EMBRAPA, v. 2, 1976._____. Relatrio tcnico e anual do Centro de Pesquisa Agropecuria dos Cerrados,19761977. Planaltina, DF: EMBRAPA, v. 2, 1973._____. Relatrios de atividades, 1985. Braslia, DF: EMBRAPA, a. 1- 31, 1985._____. Sntese: tecnologias geradas pelo sistema Embrapa. Braslia, DF:EMBRAPA, 1985._____; CENTRO NACIONAL DE PESQUISA DE MONITORAMENTOE AVALIAO DE IMPACTO AMBIENTAL. Informativo CNPMA.Jaguarina, SP: EMBRAPA, CNPMA, a. 6, n. 22, abr./jun. 1998. EMGOPA. Relatrio tcnico EMGOPA. Goinia, GO: EMGOPA, 1982.EMPRESA MARANHENSE DE PESQUISA AGROPECURIA. EMAPAatos constitutivos. So Lus, PI: EMBRAPA, 1977. (Srie documentos oficiais; 1).EMPRESA PERNAMBUCANA DE PESQUISA AGROPECURIA. Pesquisaagropecuria pernambucana. Recife, PE: IPA, v. 1, n. 1, 1979.POCA. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1998- . Semanal. ISSN: 1415-5494.O ESTADO DE SO PAULO. So Paulo: Agncia Estado, 1875- . Dirio.FOLHA DE SO PAULO. So Paulo: Agncia Folha, 1960- . Dirio.GASTAL, E. 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O seu crescimento ocorre, principalmente, em virtude da expansoda fronteira agrcola e dos incentivos financeiros que lhe concede o Governo,no se observando de maneira significativa um aumento da produtividadecom emprego de novas tcnicas.A poltica agrcola nacional vem se orientando no sentido de propor-cionar estmulos, a curto prazo, visando recuperao imediata das reas esol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 285286setores menos dinmicos, ao mesmo tempo em que se prepara a infra-estruturafsica e institucional para apoiar as medidas de longo alcance com a finalidadede se estabelecer um processo contnuo e firme de desenvolvimento do setor.Um dos aspectos prioritrios dessa poltica de desenvolvimento funda-menta-se, essencialmente, no programa de cincia e tecnologia, em grandedimenso, no sentido de obter para os produtos bsicos e essenciais osrendimentos e a eficincia produtiva satisfatria.Nesse processo, a pesquisa agrcola e tecnolgica de fundamentalimportncia. Dos ndices de aumento, principalmente da produtividadeagrcola e dos novos processos de tecnologia de produtos agropecurios,depender o incremento da oferta de alimentos, a expanso das exportaese a melhoria de renda dos produtores.O Governo Federal, em recente Decreto, definiu os campos de compe-tncia do setor cientfico e tecnolgico, estabelecendo as reas de assessora-mento e os aspectos econmico-financeiros, com vistas a articular a cinciae a tecnologia com a estratgia geral do desenvolvimento nacional. O mesmo atoestabeleceu que, para possibilitar a coordenao das unidades competentes,devero ser constitudos Sistemas Setoriais, cabendo ao Ministrio interessadoa responsabilidade de ordenar e coordenar o plano nacional de pesquisa dosetor respectivo.Este documento pretende oferecer sugestes para a formulao de umSistema Nacional de Pesquisa Agropecuria, de modo a responder s neces-sidades atuais e a atender expanso da economia nacional, proporcionando pesquisa no setor da agricultura a orientao, os instrumentos e a estruturade que carece para cumprir, eficientemente, o seu papel no atual processo desociedade brasileira.Quanto mobilizao de pessoal:a. Inexistncia de uma poltica salarial que permita ao atual sistema federalde pesquisa agropecuria competir no mercado de trabalho, tanto com orga-nismos regionais de pesquisa como com outras instituies de desenvol-vimento, especialmente as do setor privado ou da administrao indireta.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 286Sol da manh: memria da EMBRAPA287b. Diversificao de modalidades de contratao de pessoal, demonstrando,claramente, a precariedade do processo regular de recrutamento e contrataode pessoal.c. Rigidez e fortes restries no sistema para a contratao de pessoal emforma rpida e oportuna. Isto se aplicava tanto contratao de funcio-nrios regulares (servio pblico) ou pelo regime C.L.T. Os atos que possi-bilitariam flexibilidade para contratao de pessoal tcnico eram precrios.d. Inexistncia de um processo adequado de estmulos por intermdio depromoes ou de outras formas. No existia um sistema de escalona-mento para pesquisadores que estimulasse a dedicao atividade depesquisa.e. Limitao para a designao de pessoal de direo tcnica ou administra-tiva, em vrios nveis, uma vez que este pessoal, necessariamente, teriaque apresentar condies de servidor pblico regular. Esta limitao prej-udicava, em certa maneira, a capacitao profissional daqueles que nopertenciam categoria de funcionrio pblico regular. Na poca, 35% dopessoal tcnico de nvel superior do Ministrio da Agricultura, no tin-ham vnculos empregatcios, estando includos na categoria de recibados.f. Falta de um programa mais amplo e sistematizado de treinamento de pes-soal, tanto tcnico como para a administrao e apoio da pesquisa. Aslimitaes de treinamento se faziam sentir, especialmente, nas reas deps-graduao, capacitao pr-servio e em servio, assim como na detreinamento especializado, tais como sistemas de programao e de avali-ao de pesquisa, de administrao de projetos, de direo de estaesexperimentais, etc.g. Acentuada fuga, nos ltimos anos, de pesquisadores que buscassemmelhores salrios, status e condies de trabalho em outras instituies,devido falta de uma poltica de pessoal orientada para as necessidadesoperativas dos planos e dos programas de pesquisa. Estimava-se que, nosltimos 5 anos, saram aproximadamente 20% dos tcnicos do DNPEA/Ministrio da Agricultura.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 287288Quanto aos aspectos financeiros:a. Os mecanismos financeiros para captao e manejo de recursos foramconsiderados inadequados e insuficientes, tendo em vista o importantepapel que deve exercer a pesquisa agrcola no atual processo de desen-volvimento econmico do Pas. Essa situao deve-se ao fato de que essesmecanismos so regulados por critrios tradicionais, sujeitos a uma sriede problemas burocrticos e vinculados a uma diretriz que, hoje em dia,no tem podido competir com outras formas institucionais mais operativase flexveis, utilizadas pelo prprio Governo.b. A estrutura de programao de financiamento da pesquisa era visivel-mente defeituosa, uma vez que a maior parte dos recursos destinava-se ao apoiode atividades no relacionadas diretamente com os aspectos cientficos etecnolgicos.c. Reconhecimento de que os recursos atribudos pesquisa agrcola, narea do Ministrio da Agricultura, eram insuficientes, mesmo considerandoo apoio da todas as fontes de financiamento posto disposio do Governo.d. Existncia de um descompasso entre o sistema de programao tcnicacom a execuo financeira. Como resultado verifica-se uma forte predo-minncia do processo burocrtico sobre o processo produtivo.e. Deficincia do sistema, pois, alm de dispor de recursos insuficientes nocontava de financiamento, ademais, com formas flexveis e expeditas decontratao, especialmente para a formao de pool de pesquisa naexecuo de projetos integrados.f. Debilidade do sistema de captao e manejo de recursos para a pesquisaagrcola, sendo muito limitadas as contribuies e o apoio financeiro deoutras fontes que no oramentrias, especialmente do setor privado(produtores e industriais) e de fontes externas. Um exemplo de contrastecom essa situao era a do financiamento da pesquisa agrcola nosEstados Unidos e em outros pases desenvolvidos da Europa.g. Existncia de uma reduzida experincia na determinao de custos finan-ceiros e operativos da pesquisa, fato que dificultava, em grande medida,projees adequadas na previso de recursos para este setor.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 288Sol da manh: memria da EMBRAPA289Quanto a outros problemas:a. Sub-aproveitamento das facilidades fsicas da atual rede nacional de insti-tutos, estaes experimentais, laboratrios, equipamentos de campo,etc. Foi estimado que o DNPEA/ Ministrio contava com cerca de 1025hectares de rea construda podendo observar-se, assim, que existiamconsiderveis facilidades fsicas disponveis para atividades de investi-gao. Apesar dessas facilidades fsicas, o sistema necessita, entretanto, deapoio de setores fundamentais aos trabalhos de pesquisa, tais como centrosde pesquisa de economia agrcola, de informao e documentao, biblio-tecas especializadas, unidades de estatsticas e outros.b. Falta de critrios adequados no passado, quanto localizao de unidadesde pesquisa, tanto na criao de alguns institutos regionais como na deestaes experimentais. No se levaram em considerao as condiesbsicas de viabilidade e de necessidade de sua implantao. Como conse-qncia, existia uma concentrao ou superposio de atividades depesquisa em certas reas, zonas ou regies, enquanto em outras funcionamsob condies precrias ou, simplesmente, no existiam.c. Sub-aproveitamento, em certa medida, das mais recentes e importantesconquistas cientficas e tecnolgicas, obtidas por pases desenvolvidosou por pases em vias de desenvolvimento. A experincia dos centrosinternacionais de pesquisa agrcola no tem sido conhecida e aproveitadade forma ampla e em todos os seus aspectos, no interesse nacional.Aspectos do novo Modelo quanto ao mecanismo financeiro:a) No ato de constituio da Empresa deveria ser estabelecido um mecanismode captao de recursos para financiar a sua prpria estrutura operativa,a execuo de projetos cooperativos ou integrados, os especficos e priori-trios a serem, diretamente, realizados pelos outros setores de pesquisa.b) Como parte do mecanismo financeiro da nova Empresa poderia ser esta-belecido um Fundo Geral de pesquisa constitudo, basicamente, comrecursos do oramento federal, receita da prestao de servios na execuode projetos; receitas originais de doaes e do patrimnio da Empresa;sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 289290taxas (a serem decididas com o Ministrio da Fazenda) provenientes deuma percentagem sobre financiamentos agropecurios e agroindustriais; taxasobre o valor dos produtos agrcolas exportados (primrios e industrializados).c) O mecanismo financeiro seria ampliado com recursos provenientesde contratos ou convnios para a realizao de trabalhos de pesquisa,estudos e execuo de projetos de interesse dos rgos governamentais,tais como IBC, IAA, Incra, Ceplac, Sudhevea e outros.d) Outra fonte importante de financiamento seria a destinao de recursosdo Plano Nacional de Cincia e Tecnologia para a execuo de Programase Projetos Prioritrios na rea agrcola.e) Outra possvel fonte seria mediante a captao de parte de recursos dosistema de incentivos fiscais relacionados com as indstrias de insumosagrcolas (fertilizantes, defensivos, maquinaria agrcola, sementes, etc.).f ) Tambm se poderia utilizar recursos de fontes de agncias internacionaisde financiamento e de colaborao bilaterais com pases.g) Para manejo e distribuio de recursos destinados a financiar projetos, omecanismo financeiro da Empresa deveria contar com o apoio de agentesfinanceiros em nvel Nacional e Regional. O BNDES e os BancosRegionais poderiam ser utilizados como tais agentes.Recomendaes especiais, indispensveis para assegurar o xitoda implantao do novo Modelo:a) A implantao do Sistema, como um todo, especialmente da nova Empresa,deve ser, cuidadosamente, planejada de tal maneira que, em forma pro-gressiva e por etapas sucessivas, para dinamizar as atividades desenvolvi-das pelos rgos e instituies que executam pesquisas agropecurias.Providncias devem ser tomadas para identificar, claramente, o que prioritrio no processo de implantao do Sistema, devendo-se estabele-cer em um primeiro plano de trabalho, que se relacionem as medidasindispensveis quanto aos aspectos administrativos e financeiros, programao, ao recrutamento e ao treinamento de pessoal. Um calendriodeve ser elaborado para orientar a execuo dessas medidas.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 290Sol da manh: memria da EMBRAPA291b) Quanto programao das atividades de pesquisa agropecuria, conformese adverte no captulo sobre a matria, o esforo inicial deve dirigir-se auma cuidadosa seleo de projetos, altamente prioritrios, para a economianacional. O elenco desses Projetos deveria constituir-se no que se poderiachamar um Primeiro Plano Nacional de Pesquisa Agropecuria. Na suaseleo, elaborao e execuo, fundamental contar com a participaodo setor privado e, sempre que possvel, em forma cooperativa, das outrasinstituies, fora do Ministrio da Agricultura que realizam pesquisa agrcola.O esquema de programao previsto deve ser entendido como um pro-cesso contnuo e progressivo que se aperfeioa medida que for sendoexecutado, sujeito, portanto, aos ajustes que forem aconselhados pelaexperincia.Alguns projetos especficos, por produto, de mbito nacional ou regional,devem ser formulados imediatamente com o propsito de iniciar a mobi-lizao e a participao do setor privado e de outros setores, ao mesmo tempoque se ir ensaiando a metodologia de projetos integrados (packages).c) recomendvel que se organize no Ministrio da Agricultura, com amaior brevidade, um grupo tcnico interdisciplinrio de planejamentoque possa oferecer o apoio necessrio implantao do esquema de pro-gramao proposto e que se encarregue, especialmente, da elaborao dosprojetos prioritrios. Este grupo pioneiro seria, oportunamente, incorpo-rado unidade de programao do novo rgo federal de pesquisa.Recomenda-se que o Ministrio da Agricultura formule, desde j, umprograma coordenado de assistncia tcnica para dar apoio implantaoda programao da pesquisa agropecuria, mediante assessoramento,treinamento de pessoal.d) Ateno especial deve ser dada no sentido de estimular a demanda depesquisa, ponto fundamental na estratgia a ser desenvolvida pelo Sistema.Na programao das atividades prioritrias, lugar de destaque deve serdado aos diferentes mecanismos de cooperao indicados no documentoelaborado pelo Grupo.e) Para assegurar o xito da implantao do novo Sistema operativo e asol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 291292execuo de projetos convm estabelecer, de imediato, no DNPEA, umgrupo responsvel pelo programa coordenado de treinamento de pessoaladministrativo e tcnico, essencial ao desenvolvimento dos projetos. Esteprograma dever contemplar os aspectos de treinamento pr-servio, emservio, estgios e a formao de pessoal (ps-graduao).f ) Ateno prioritria deve ser dada, na implantao do Sistema e da Empresa,ao mecanismo de captao de recursos financeiros para apoio s atividadesde pesquisa. A um pequeno grupo especializado dever ser confiada atarefa de examinar a viabilidade das sugestes e alternativas de financia-mento apresentadas no Relatrio. Devem ser oferecidas, imediatamente,indicaes concretas que permitam apontar a natureza, magnitude e forma deutilizao dos recursos para financiamento dos Planos e Projetos de Pesquisa.g) Um dos aspectos mais destacados da dinamizao das atividades dapesquisa apresentadas refere-se disseminao dos resultados da pesquisa.Est prevista a criao de uma unidade especfica, em nvel nacional eregionais que se encarregue desses aspectos. Recomenda-se que, com basena experincia de articulaes entre o DNPEA e o Sistema Abcar, se for-mule uma nova estratgia e se indiquem as medidas que forem neces-srias para intensificar essas relaes com o propsito de uma ao imediata.Deve ser dada especial ateno, nessas recomendaes, s questes dametodologia e ciclos de programao dos dois Sistemas (pesquisa e exten-so). Observar a coincidncia das prioridades; formao de equipes coope-rativas nos Institutos Regionais; melhoramento do processo de comuni-cao entre os dois Sistemas; preparao e disseminao de material escrito;demonstraes de prticas e resultados e conduo de experimentos empropriedades particulares.h) Embora os fundamentos deste trabalho no recomendem exclusividadeinstitucional na realizao da pesquisa agropecuria, convm tomar emconta que Universidade cabe importante papel quanto s tarefas depesquisa bsica como ponto de apoio a projetos conduzidos ou financia-dos pelo organismo federal de pesquisa. Outro ponto que se recomenda a mobilizao das Universidades em tarefas de pesquisa aplicada comsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 292Sol da manh: memria da EMBRAPA293estudantes ps-graduados, devidamente articuladas com a realizao deprojetos prioritrios.i) O Governo deve continuar dando alta prioridade s atividades de pesquisanas Regies da Amaznia, do Nordeste e dos Cerrados.Com a implantao do novo Sistema, as atividades de pesquisa agro-pecuria dessas trs Regies devem ser analisadas e deve ser proposta, emprofundidade, a consolidao de um Programa Especial para cada Regio.j) Com o propsito de no comprometer a implantao do Sistema e tendoem vista que se iniciar pelas unidades operativas j existentes, recomen-da-se que o Governo no permita a criao de novos Institutos Regionais,Centros e Estaes sem contar com estudos srios e profundos que demons-trem, cabalmente, as necessidades de sua criao.k) A criao de um novo Sistema no deve representar qualquer entrave oudificuldade ao bom funcionamento dos convnios ou emprstimos queo Governo tem atualmente com organismos internacionais como aUsaid, o IICA e a FAO. Ao contrrio, recomenda-se que estas agncias,com a participao nacional, ajustem sua cooperao aos propsitos dareformulao institucional e tcnica que ora se prope.l) A experincia de integrao da pesquisa agropecuria em nvel regionaldeve ser altamente considerada pelo Sistema Nacional de Pesquisa.Recomenda-se que se intensifiquem a colaborao e a coordenao com osEstados que esto desenvolvendo programas cooperativos ou disponhamde projetos de cincia e tecnologia integrados.m)Legislao especial e medidas de ordem financeira devem ser objetode ateno imediata do Sistema para regular os incentivos a empresasdo setor privado e produtores que individualmente, realizam pesquisasde qualidade satisfatria.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 293Sol da manh: memria da EMBRAPA295ANEXO N 4Documento elaborado por J. Irineu Cabral,Presidente da EMBRAPA, entregue a EliseuRoberto de Andrade Alves que o substituiu em 15 de maro de 1979Na oportunidade em que transfiro a Vossa Senhoria a responsabilidade daconduo dos destinos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria EMBRAPA, no posso furtar-me ao dever de transmitir-lhe, igualmente,algumas consideraes e sugestes que, fruto da observao quotidiana aolongo dos seis anos de existncia da entidade, estou certo de que ho deservir de subsdio para a eventual introduo de mecanismos e providnciastendentes a aprimorar-lhe o funcionamento.Na verdade, muito mais do que sugestes, os aspectos a seguir levantadosconstituem lembretes de medidas sobre as quais, em sua grande maioria,tivemos ensejo de, mais de uma vez, trocar idias e impresses, durante anossa convivncia diria na Diretoria Executiva da Embrapa. Algumas delas,j em incio de execuo, enquanto outras tiverem de ceder passo aprovidncia cujo estudo e implantao se afigurava mais premente; todas,porm, de inegvel valia, segundo me parece, para o constante aperfeioa-mento das atividades tcnicas e administrativas cuja execuo o GovernoFederal cometeu Embrapa.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 2952961. Quanto aos aspectos institucionais:a. melhor definio das atribuies no que diz respeito coordenao tc-nica das atividades de pesquisa, que aos Centros Nacionais incumbedesempenhar em relao aos produtos de interesse nacional, e queenvolvem a participao de UEPAEs e Empresas Estaduais;b. continuidade dos esforos realizados com o objetivo de fortalecer osSistemas Estaduais de Pesquisa, mediante, entre outras aes: partici-pao no capital de Empresas Estaduais; transferncias de bases e acervo;cooperao tcnica para implantao e operao; cesso e capacitao derecursos humanos especializados. Paralelamente,no descuidar da adoode medidas que visem maior integrao dos Sistemas Estaduais noSistema Nacional coordenado pela Embrapa, inclusive medianteInstituio de mecanismo especfico de acompanhamento da situao eda atuao das Empresas Estaduais e Programas Integrados;c. dar segmento proposies j existentes, visando transferncia para oMinistrio da Agricultura (Embrapa), das atividades de pesquisa de caf(IBC), cana-de-acar (IAA) e borracha natural (SUDHEVEA), todasatualmente no Ministrio da Indstria e Comrcio e pesquisa emprojetos de irrigao do Minter.d. Prosseguir o esforo de integrao das atividades de pesquisa agropecuriae de assistncia tcnica e extenso rural, objetivando, em futuro prximo, afuso das duas Empresas Federais coordenadoras dos respectivos sistemas.2. Quanto programao e execuo da pesquisa:a. desenvolver esforo especial no sentido de melhorar a qualidade dostrabalhadores de pesquisas, a fim de aproveitar o talento dos 2.500pesquisadores nacionais, com excelente treinamento acadmico, mas quenecessitam de conduzir seus projetos a resultados prticos. Convm apro-veitar os conhecimentos daqueles mais experientes e estimular lideranasjovens, visando fomentar a criatividade e desenvolver novos mtodos eprocessos de investigao, destinados a resolver problemas especialmentenas reas da agricultura brasileira com caractersticas tropicais;sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 296Sol da manh: memria da EMBRAPA297b. reforar e ampliar os projetos com produtos de consumo interno (feijo,arroz, leite, mandioca, hortigranjeiros, etc);c. desenvolver um programa especial para novas tecnologias alternativasdestinadas a produtores de baixa renda;d. ampliar, consideravelmente, o programa de pesquisa para plantas produ-toras de energia, tais como mandioca, cana-de-acar, sorgo sacarino,babau, madeira, dend,etc.;e. instituir um programa cooperativo nacional de pesquisa em doenasanimais (aftosa, brucelose, peste suna, etc);f. coordenar um programa de nvel nacional, para apoio a projetos existentesde mecanizao agrcola;g. coordenar um programa de nvel nacional, para apoio a projetos de genticaanimal (especialmente em gado leiteiro, avicultura e suinocultura);h. ampliar o programa atual de pesquisa florestal;i. reforar as pesquisas de tecnologia de processamento de produtos agro-pecurios;j. apoiar a pesquisa no campo da meteorologia agrcola, em cooperaocom outras instituies;k. dar continuidade aos esforos de pesquisas j desenvolvidos nas regiesdos Cerrados, Amaznia e Nordeste;l. aperfeioar a elaborao e execuo do Programa Nacional de PesquisaAgropecuria PRONAPA, e do Plano Indicativo Nacional;m. dar seqncia aos estudos com vista definio de um processo siste-mtico de acompanhamento, controle e avaliao dos resultados da pesquisa;n. incorporar rotina das atividades de pesquisa a determinao de custosfinanceiros e operativos;o. reforar a pesquisa agropecuria na rea econmico-social;p. obter maior integrao entre pesquisa, assistncia tcnica e crdito, espe-cialmente em reas ou produtos objeto de Campanhas de produtividade.q. estimular e promover a publicao dos trabalhas da natureza tcnico-cientfica.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 2972983. Quanto aos recursos financeiros1. dar conseqncia proposio j submetida ao exame do Conselho deDesenvolvimento Econmico (CDE), que objetiva a definio de ummecanismo financeiro, mais eficiente e estvel, destinado captaode recursos para investimentos e custeio das atividades de pesquisaagropecuria;2. alterao da sistemtica em vigor, quer no recebimento, quer no repassede recursos para execuo de trabalhos de pesquisa, mediante adoo docontrato de prestao de servios ao invs de convnio, eliminando-se,assim, a prestao de contas por item de despesa e a conseqente con-tabilizao por fontes (fundos);3. definio de uma poltica racional alocao de recursos financeiros fede-rais destinados ao custeios e investimento das atividades desenvolvidaspelos sistemas estaduais de pesquisa agropecuria;4. intensificar esforos no sentido de cumprir rigorosamente os planosde aplicao dos recursos contratados com o Banco Interamericano deDesenvolvimento (BID) e com o Banco Mundial (BIRD).4. Quanto aos recursos humanos:Prosseguir no esforo de capacitao e treinamento de recursos humanos,principalmente atravs da adoo de medidas que tenham por finalidade:1. treinamento intensivo de pesquisadores, mediante cursos e estgios noexterior, de curto e mdio prazos, que lhes permita enriquecer o cabedaladquirido, tanto em termos de metodologias j testadas, quanto emtermos de absoro de novas tecnologias, sempre com vista resoluode problemas especficos;2. prosseguimento do esforo desenvolvido na rea de ps-graduao, comnfase particular na capacitao de pesquisadores a servio dos SistemasEstaduais;3. atividades de treinamento, que tenham por objeto a reciclagem e oadequado aproveitamento dos pesquisadores egressos dos cursos deps-graduao;sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 298Sol da manh: memria da EMBRAPA2994. treinamento intensivo, de carter profissionalizante, especfico para servi-dores de nvel mdio, atuantes nas reas administrativas e financeira;5. treinamento em servios de empregados atuantes em atividades-meio e deapoio pesquisa;6. desenvolvimentos de cursos internos, de carter intensivo, e de simpsios,seminrios e conferncias, alcanando todos os grupos ocupacionais(pesquisa, apoio e administrao);7. aprimoramento do sistema de avaliao de desempenho, orientado nosentido de estimular o aperfeioamento do empregado em todos os nveis;8. reviso do Plano de Cargos e Salrios da Empresa, com vista eliminaode distores e a incentivar o aperfeioamento profissional do emprego;9. treinamento em atividades de administrao da pesquisa, abrangendo emespecial os Chefes Adjuntos Administrativos e a formao de Gerentes deCampos Experimentais;10. estmulo maior diversificao de Universidades utilizadas para capaci-tao de pessoal, no exterior;11. apoio Fundao CERES, com a finalidade de proporcionar complementaes previdencirias capazes de tornar atrativa a permanncia derecursos humanos qualificados na Empresa;12. operacionalizao dos diversos programas previstos na poltica habita-cional j definida pela Embrapa.Alm das medidas acima especificas, afigura-se de extrema utilidade aadoo de poltica que vise contratao de profissionais competentes,no Pas e no exterior, capazes de orientar e liderar os trabalhos a seremdesenvolvidos, selecionar idias e possibilitar a adoo das opes maisseguras, introduzindo, assim, o grau de maturidade de cuja falta ainda seressente, de modo geral, o corpo de pesquisadores da Embrapa.5. Quanto cooperao interinstitucional:Intensificar os esforos desenvolvidos pela Empresa com vista a umamaior cooperao interinstitucional entre as diferentes reas interessadasna pesquisa agropecuria e, em especial:sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 2993001. com Universidade e Centros de Ensino de Cincias Agrrias;2. com a iniciativa privada (participao da empresa nacional produtora deinsumos bsicos em investimentos de pesquisa);3. com rgo regionais de desenvolvimento.6. Quanto transferncia de tecnologia:Desenvolvimento de um vigoroso programa de intercmbio e transfernciatecnolgica, que permita a absoro e a adequao de tecnologias geradas emoutros pases e Centros Internacionais, com o objetivo de acelerar a soluode problemas especficos da agricultura nacional. Este intercmbio, que bemorientado tem apresentado resultados auspiciosos no campo da investigaoagrcola, deve ser realizado particularmente com os Centros e AgnciasInternacionais de Agricultura, e pases como, por exemplo, Austrlia,Frana, Alemanha, Estados Unidos, Mxico, Argentina, ndia, Costa doMarfim, Japo, Nigria, China, Rssia etc.7. Quanto administrao1. dar continuidade ao esforo que vem sendo desenvolvido para cadastra-mento e regularizao dominial do patrimnio, inclusive com o propsitode viabilizar a alienao de reas desnecessrias s atividades de pesquisa;2. descentralizao do processo decisrio, abrangendo o manejo de recursosfinanceiros, mediante prvia e rigorosa oramentao;3. acelerar providncias com vista construo de sede comum para aEmbrapa e Embrater, inclusive como forma de se alcanar maior inte-grao das atividades a cargo das duas Empresas;4. desenvolver mecanismos e instrumentos mais flexveis e expeditos, obje-tivando a execuo do Plano de Obras da Empresa, sobretudo no que concerne realizao e julgamento das licitaes e superviso das construes.8. Outras sugestes:1. Apoio a implantao, junto aos Centros Nacionais dos Museus deHistria e tecnologia dos principais produtos agrcolas que poderosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 300Sol da manh: memria da EMBRAPA301culminar,no futuro, com um Museu de Histria e Tecnologia daAgricultura Nacional.2. Intensificar a divulgao e promoo dos resultados dos trabalhos daEmpresa.3. criao de Fundo Financeiro para receber doaes de Empresas privadaspara execuo de pesquisas agropecurias.4. Solicito sua ateno e apoio para os seguintes projetos em fase de estudosconclusivos em diferentes unidades da Empresa. Trata-se de projetos comalta prioridade:1. Programa Nacional de Pesquisas em Eqdeos:Dado parecer DPE/API/003/79 em 09.03.79, informando da necessi-dade de definir a fonte financiadora e da elaborao de projetos especficospara as entidades participantes. O projeto encontra-se no DPE.2. Programa Nacional de Agrometeorologia.Foi enviado Presidncia, via Diretor Gastal, em 08.03.79,minuta decarta j encaminhada FINEP, em aditamento carta C.PR/044/79. Junta-mente com a minuta seguiu um quadro com a alocao de recursos doprograma (parte da FINEP). Aguarda-se aprovao da FINEP. O quadrofoi elaborado por uma comisso de tcnicos do DPE, do IA-SP e daUNICAMP. O Projeto foi desenvolvido ao DPE.3. Projeto Recursos Hdricos dos Cerrados.Foi enviado presidncia, atravs do Diretor Gastal, em 22 de fevereirode 1979, o parecer DPE/API/002/79, sugerido que fosse definida a fonte definanciamento do Projeto e a sua reelaborao, por uma comisso constitu-da de tcnicos do DTC, do DPE e do CPAC.4. Projeto Cigarrinha das Pastagens.Est sendo reformulado, visando definir as linhas de pesquisas e instituiesparticipantes. H uma predisposio por parte da FINEP em financiar o Projeto.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 3013025. Projeto Produo e Biogs e BiofertilizantesCom base nas disposies da Reunio recentemente realizada no DTC,com a participao do DPE, de Tcnicos da ELETROBRS e Represen-tantes dos Centros Nacionais de Trigo, Milho, Sorgo e Mandioca a Fruti-cultura, esto sendo elaborados as preposies para cada Unidade quesero objeto de Termo Aditivo ao Convnio Embrapa/ELETROBRS, comvistas a obteno de Suporte Financeiro para a sua execuo.Na mesma Reunio foi sugerido estender o programa, envolvendo oCPAC e o CNPSA, dependendo da disposio da ELETROBRS emdestinar recursos para essa outra etapa, oportunamente sero elaboradas asprogramaes respectivas e o Termo Aditivo correspondente.6. Projeto Engenharia AgrcolaEste projeto encontra-se em fase de elaborao devendo ficar a sua coor-denao em um dos Centros de Pesquisa da Embrapa. Aps a elaboraodefinitiva do projeto devero ser feitas gestes no sentido da captao derecursos necessrios sua implementao. A minuta foi encaminhada ao DPE.Certo da compreenso de Vossa Senhoria quanto aos Propsitos de estreitacolaborao que me inspiraram na elaborao do rol de medidas e providn-cias acima enunciadas, prevaleo-me da oportunidade para reiterar-lheos meus sinceros augrios do mais amplo sucesso em sua administrao,porque estou certo da sua inteligncia, dedicao e capacidade de trabalho.Conte com minha irrestrita cooperao.Braslia, 15 de maro de 1979sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 302Sol da manh: memria da EMBRAPA303ANEXO N 5TECNOLOGIAS E TRABALHOS SELECIONADOSAo longo dos ltimos 32 anos, a Embrapa desenvolveu e recomendoucentenas de tecnologias e cultivares, entre as quais destacam-se soja, milho,arroz, feijo, algodo, hortalias e outros. A Empresa produziu outros tra-balhos nas reas de equipamentos, processos, zoneamento agrcola, prticasagrcolas e pecurias, novas estirpes, base de dados etc.Neste Anexo, so apresentadas Algumas Tecnologias Selecionadas,produzidas pela Embrapa, por Regio e indicado a unidade onde foi gerada.Apresenta-se, tambm, uma listagem de alguns dos melhores trabalhos daEmbrapa em outras reas.Deve-se observar que a divulgao destas atividades no completa.Apenas vale a inteno de destacar as atividades da Instituio na produode resultados destinados utilizao pela agricultura brasileira..ALGUMAS DAS TECNOLOGIAS SELECIONADASRegio Sul Manejo da viticultura no Sul do pas: vinhedos livres de vrus (EmbrapaUva e Vinho) Produo da primeira levedura nacional para vinificao (Embrapa Uvae Vinho)sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 303304 Melhoramento do pessegueiro, com vistas tanto ao processamento indus-trial, quanto ao mercado in natura (Embrapa Clima Temperado) Girassol Colorido (Embrapa Soja) Cultivar de Cevada BR-2 (Embrapa Trigo) Frango de corte Embrapa 021 (Embrapa Sunos e Aves) Poedeira colonial Embrapa 051 (Embrapa Sunos e Aves) Porco light (Embrapa Sunos e Aves) Manejo integrado da vespa da madeira em pinus (Embrapa Floresta) Sistema computacional para gesto florestal: Sisplan (Embrapa Floresta) Software para gerenciamento de reflorestamentos de eucalipto: SiseEUCALIPTO (Embrapa Floresta) Desenvolvimento de grande nmero de cultivares de trigo para a regioSul do Brasil (Embrapa Trigo) Desenvolvimento de grande nmero de cultivares de soja ara as diversasregies brasileiras (Embrapa Soja) Desenvolvimento de tecnologia de Manejo Integrado de Pragas e Doenasda cultura da soja, para diversas regies brasileiras (Embrapa Soja) Sistema para cultivo em Hidroponia de plantas, tubrculos e bulbos(Embrapa Clima Temperado) Processo de produo de Trichoderma para colonizao de solo esteriliza-do visando ao controle de fungos que causam podrides de razes(Embrapa Uva e Vinho)Regio Sudeste Tecnologia para recuperao de reas de garimpo (Embrapa Agrobiologia) Fixao biolgica de nitrognio em plantas leguminosas (EmbrapaAgrobiologia) Sistema de produo agroecolgica: Sipa (Embrapa Agrobiologia) Mistura de cana de acar mais uria para suplementao de bovinos deleite (Embrapa Gado de Leite) Sistema de acompanhamento e avaliao de rebanhos leiteiros: PRO-LEITE (Embrapa Gado de Leite)sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 304Sol da manh: memria da EMBRAPA305 Procedimentos para produo de leite de qualidade (Embrapa Gado deLeite) Melhoramento do gado Canchin (Embrapa Pecuria Sudeste) Chip para rastreamento de bovino (Embrapa Gado de Corte) Programa de carne de qualidade (Embrapa Gado de Corte) Fortificao de farinhas de trigo com ferro (Embrapa Tecnologia de Alimentos) Sistema Brasileiro de Classificao de Solos SBCS (Embrapa Solos) Monitoramento orbital das queimadas no Brasil (Embrapa Monito-ramento por Satlite) Sistema de ordenamento e zoneamento territorial (Embrapa Monito-ramento por Satlite) Sistema de avaliao de pulverizao agrcola (Embrapa Meio Ambiente) Avaliao de riscos de contaminao de gua subterrnea pela agricultura(Embrapa Meio Ambiente) Espectmetro de Ressonncia Magntica Nuclear: RMN (EmbrapaInstrumentao Agropecuria) Sensor gustativo para avaliao de bebidas: Lngua Eletrnica (EmbrapaInstrumentao Agropecuria) Tomgrafo porttil de campo (Embrapa Instrumentao Agropecuria) Detector de prenhez em bovinos e eqinos (Embrapa InstrumentaoAgropecuria) Boas prticas agrcolas com princpios de APPCC na cadeia produtiva docaf (Embrapa Agroindstria de Alimentos) Mapa de solos do Brasil (Embrapa Solos) Desenvolvimento de grande nmero de cultivares de milho e sorgo paraas diversas regies brasileiras (Embrapa Milho e Sorgo) Processo de introduo de caractersticas genticas expressas em sementese controladas por gen recessivo e seus modificadores (Embrapa Milho eSorgo) Kit Mastite (Embrapa gado de Leite) Sensor base de plsticos condutores e lipdios para avaliao de paladarde bebidas (Embrapa Instrumentao Agropecuria)sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 305306 Processo de obteno de leos vegetais a partir de sementes oleaginosas(Embrapa Agroindstria de Alimentos)Regio Centro-Oeste Cultivar de cenouras resistentes a doenas fungicas: Cenoura Braslia eAlvorada (Embrapa Hortalias) Batata livre de vrus (Embrapa Hortalias) Kits anti-soro para deteco de vrus em batata (Embrapa Hortalias) Sorgo para a regio do Cerrado brasileiro (Embrapa Milho e Sorgo) Projeto Silvnia (Embrapa Cerrados) Mistura mltipla: tecnologia de largo uso para suplementao de gado naseca (Embrapa Cerrados) Tecnologia de clonagem animal: Vitria, o primeiro clone bovino doBrasil (Embrapa Recursos Genticos) Programa de melhoramento de forrageiras tropicais: Capim Massai,Capim Mombaa, Capim Tanznia, Capim Marandu (Embrapa Gado deCorte e Cerrados) Desenvolvimento de tecnologia para a correo e recuperao de Cerradospara a produo agropecuria, especialmente para as culturas de soja,milho, algodo e pastagens (Embrapa Cerrados) Desenvolvimento de grande nmero de cultivares de soja, milho, sorgo arroze feijo para a Regio Centro Oeste (Embrapa Cerrados, Embrapa Milho eSorgo, Embrapa Soja e Embrapa Arroz e Feijo) Zoneamento Agroclimtico para as culturas de soja, sorgo e milho paraos principais estados produtores da regio Centro Oeste (EmbrapaCerrados) Composio e processo de obteno de fungos micorrzicos arbusculares(Embrapa Cerrados) Mtodo para deteco de protenas de origem animal em misturas com-plexas (Embrapa Recursos Genticos e Biotecnologia) Processo de obteno de plantas leguminosas transgnicas contendo DNAexgeno (Embrapa Recursos Genticos e Biotecnologia)sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 306Sol da manh: memria da EMBRAPA307 Mtodo para deteco de plantas transgnicas tolerantes a substnciasseletivas (Embrapa Hortalias) Sistema de controle gasoso de irrigao baseado na determinao daumidade do solo por meio de cpsulas porosas (Embrapa Hortalias)Regio Nordeste Induo floral em mangueira: produo fora de poca, safra o ano todo(Embrapa Semi-rido) Tratamento hidrotrmico viabilizando a exportao da manga (EmbrapaSemi-rido) Clones de cajueiro ano precoce (Embrapa Agroindstria Tropical) Recuperao do cajueiro atravs do processo de substituio de copa(Embrapa Agroindstria Tropical) Sistema de produo de coqueiro irrigado no Brasil (Embrapa Tabu-leiros Costeiros) Abacaxi imperial resistente a fusariose (Embrapa Mandioca e Fruti-cultura) Adio de fcula de mandioca na farinha de panificao (EmbrapaMandioca e Fruticultura) Algodo Colorido (Embrapa Algodo) Mini-usina para beneficiamento de algodo (Embrapa Algodo) Mdulo Agro-industrial mltiplo de processamento de castanha de caju(Embrapa Agroindstria Tropical) Manejo e inseminao artificial em caprinos (Embrapa Caprinos) Terminao de cordeiros em confinamento (Embrapa Caprinos)Desenvolvimento de diversas cultivares de algodo para a regio Nordeste(Embrapa Algodo) Cepa do fungo Beauveria bassiana para controle de praga da bananeira(Embrapa Semi-rido) Composio para preveno e tratamento de problemas de casco de ovinos,caprinos e outros animais domsticos e processo para sua preparao(Embrapa Tabuleiros Costeiros)sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 307308 Extrato de bagao de caju rico em pigmento (Embrapa AgroindstriaTropical)Regio Norte Desenvolvimento da Dendeicultura (Embrapa Amaznia Ocidental) Clones de guaran (Embrapa Amaznia Ocidental) Clones de Cupuauzeiro tolerantes vassoura de bruxa amaznico(Embrapa Amaznia Oriental) Manejo de aaizais nativos para produo de frutos nas vrzeas doesturio amaznico (Embrapa Amaznia Oriental) Tecnologia da produo da pimenta longa para extrao de leos essen-ciais, rico em Safrol (Embrapa Acre) Domesticao de fruteiras nativas da Amaznia Manejo florestal em reas de reserva legal Tcnicas de manejo, alimentao e sanidade para o desenvolvimento daBubalinocultura (Embrapa Amaznia Oriental) Produo intensiva de carne e leite a pasto Boi verde (EmbrapaAmaznia Oriental) Processo de secagem industrial acelerado de madeira (EmbrapaAmaznia Oriental) Projeto Tipitamba sistema de produo sem queima (EmbrapaAmaznia Oriental) Seleo de clones precoces de caf Conilon, CPAFRO - 199;CPAFRO -194; CPAFRO - 193; CPAFRO - 77; CPAFRO - 167; CPAFRO - 100;CPAFRO - 54, para a obteno de novas variedades (EmbrapaRondnia)sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 308Sol da manh: memria da EMBRAPA309CULTIVAR Algodo BRS MUCURIPECNPA 97.1682 Algodo BRS VERDE Algodo BRS CNPA 97.7663 Aveia FUNDACEP-FAPA 43 Aveia para a produo de grosno Estado de So Paulo Banana Maravilha e BananaPreciosa Seleo de clones precoces de cafConilon (Coffea canephoraPierre ex. Froehner Canola PFB-2 Seleo de gentipos deCentrosema Cevada BRS Borema Cultivar de Citros 'Ortanique' Caracterizao de nove cultivaresapirnicas de citros de mesa, pormarcadores morfolgicos Produo de mudas de citros emambiente protegido, no R.G.doSul Feijo Talism - Nova cultivar defeijoeiro para Minas Forrageiras para reas montan-hosas Juiz de Fora Milho Saracura Hbrido de Milho BRS 1001 Milho para silagem Milho BRS 2020 Estabilidade de cultivares demilho-pipoca em diferentesambientes, no estado de MinasGerais Soja BRS 239 Soja BRS 240 Soja BRS 241 Soja BRS Candiero Soja BRS Soja BRS Invernada. Soja BRS Cambona Soja BRS Querncia Soja Tebana Soja BRS Raiana Soja BRS Torena Soja BRS Macota Soja BRS 230 Soja BRS 231 Soja BRS 232 Soja BRS 233 Soja BRS 239 Cultivar de Soja BRS 240 A Cultivar de soja BRS 241LISTAGEM DE ALGUNS DOS MELHORES TRABALHOS PRODUZIDOS PELA EMBRAPAsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 309310 Soja BRS Aline Soja BRS Diana Soja BRS Eva Soja BRS Marina Soja BRS Serena Soja BRS Corisco Soja BRS Sinuelo Soja BRS FEPAGRO 24 Soja BRSGO Amaralina Soja BRSGO Indiara Soja BRSMG Nobreza Soja para cultivo em reas dereforma de canavial nos Estadosde So Paulo e Paran Soja BRS 231 Soja BRSGO Chapades Soja BRSGO Ipameri Soja BRS 216 Soja BRS Candeia Soja BRS Macota Soja BRS Sambaba Soja BRS Sambaba Soja BRSGO 204 Soja BRSGO Chapades Soja BRSGO Chapades Soja BRSGO Goiatuba Soja BRSGO Goiatuba Soja BRSGO Ipameri Soja BRSGO Ipameri Soja BRSGO Soja BRSGO Paraso Sorgo BRS 801 sorgo de cortee pastejo Avaliao da resistncia de culti-vares de sorgo ao ataque de Sito-philus zeamais Mots. Coleoptera,Curculionidae Trigo BRS Umbu Trigo BRS Buriti Trigo BRS Camboat Trigo BRS Guabiju Trigo BRS Louro Trigo BRS 220 Uva BRS Morena Uva BRS LindaEQUIPAMENTOS Adaptao de mquina forrageira para produo de raspas de mandioca Rolador de frascos para cultivo de clulas, tecidos e embries vegetais PROCESSOS Determinao de carbofuran por CG-DNP Determinao de organofosforados por MEFS Processo de clarificao de suco de maracuj por microfiltrao associadasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 310Sol da manh: memria da EMBRAPA311a tratamento enzimtico Processo de concentrao de suco de maracuj por osmose reversa. Processo de obteno de leite de soja hidrossolvel pasteurizado, arom-atizado e no aromatizado, com melhores caractersticas sensoriais Fracionamento de protena Mtodo para a extrao de DNA do solo e monitoramento ambiental Metodologia do teste de imunofluorescncia indireta para o diagnsticoda Tripanosomose Sistema de Clculo de probabilidades climticas Sistema de anlise dos impactos da variabilidade climtica associada aofenmeno El Nio-Oscilao do Sul (ENSO) Sistema de simulao de crescimento e desenvolvimento de trigo Mtodos para determinar alfa-amilase e o NQ antes do processo de ger-minao da semente Determinao da biodiversidade das populaes do percevejo marromem nvel de Brasil mediante as tcnicas de RAPD Determinao da biodiversidade das populaes da lagarta da sojaem mbito nacional mediante as tcnicas de RAPD Disponibilizao da base DRIS para avaliao do equilbrio nutricionalda soja Determinao da diversidade gentica de patgenos de soja Modelo simplificado de avaliao do risco ambiental na reciclagem dosdejetos de sunos como fertilizante do solo Sistemtica de avaliao do impacto de dejetos de animais, na qualidadebacteriolgica da gua de rios Teste de Elisa polivalente com lipopolissacardeos do actinobacillus pleu-ropneumoniae sorovares 1 e 5b Teste de Elisa polivalente com lipopolissacardeos do actinobacillus pleu-ropneumoniae sorovares 2, 3 e 7 Teste de Elisa polivalente com lipopolissacardeos do actinobacillus pleu-ropneumoniae sorovares 10 e 12 Teste de Elisa para o monitoramento da infeco por salmonella em sunossol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 311312 Utilizao de materiais alternativos como cama de avirio em substitui-o maravalha Protocolo de aes tcnicas para controle da disseminao da doena deAujeszky a partir de rebanhos que comercializam reprodutores Planejamento da produo de sunos em lotes com vazio sanitrio entrelotes Ganhos em produo e qualidade dos ovos durante a vida das aves explo-rando o aumento da varincia gentica com a idade, em ambiente comercialsimulado Uso da densitometria para monitorar a integridade sSGE como indicadorde osteoporose em poedeiras vivas Deteco de circovrus suno tipo 2 (PCV2) em smen de sunos Mapeamento de seqncias expressas etiquetadas obtidas da pituitriaanterior Estimativa das temperaturas mximas mdias e mnimas mensais para o Brasil Utilizao do corante toluidina na determinao de parmetros radicu-lares pelo software Siarcs 3.0 Gota D'gua Mtodo rpido para visualizao de flagelos em bactrias Sistema integrado para avaliao dos impactos ambientais de atividadesagropecurias Indicadores de sustentabilidade em agroecossistemas: Produo de leite em economia familiar: algumas questes de teoria emtodo Reflectncia a partir do nmero digital de imagens ETM Uniformizao de imagens landsat para previso de safras agrcolas Processamento de imagens obtidas com cmara digital para a determi-nao da frao de vegetao em parcelas de cana-de-acar Toxicidade do paclobutrazol em ambiente aqutico impacto ambientaldo regulador de crescimento vegetal paclobutrazol Utilizao de colunas de solo para avaliao da lixiviao de agrotxicos Educao ambiental para o desenvolvimento sustentvel Mtodo simples e confivel de separao de plantas transgnicas de fumo Desenvolvimento e calibrao de guias de onda para TDRsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 312Sol da manh: memria da EMBRAPA313 Uso de redes neurais artificiais para a estimativa da evapotranspirao dereferncia (Eto) do mtodo de Penman-Monteith Mtodo para seleo de gentipos e indicao de fonte de resistncia desoja a Sternechus subsignatus ZONEAMENTO Zoneamento Agrcola do Milho Rio Grande do Sul, safra 2003/2004 Zoneamento Agrcola do Feijo Rio Grande do Sul, safra 2003/2004 Zoneamento Agrcola do Feijo Rio Grande do Sul, safra 2004 Zoneamento Agroecolgico do Estado do Rio de Janeiro 2003, escala1:250.000 Revisar e reformular o zoneamento agroclimtico da cultura da soja paraos estado de Mato Grosso Revisar e reformular o zoneamento agroclimtico da cultura da soja paraos estados de Gois, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paran e Tocantins Zoneamento Agroclimtico da cultura do sorgo para o estado do Paran Zoneamento da Aptido Climtica da Heveicultura no Brasil Zoneamento agroclimtico para as culturas do arroz de terras altas efeijo no Estado de Minas Gerais Zoneamento agroclimtico para a cultura do feijo no Estado da Bahia Zoneamento Recomendao dos Pontos de Monitoramento da Quali-dade Fsico-Qumica e Bacteriolgica das guas Superficiais na Sub-baciado Baixo Pardo Zoneamento na Regio de Picos(PI) Zoneamento Qualidade das guas Subterrneas e das guas Superficiaisna Regio de Aracaj (SE), Anlises de Salinidade Zoneamento Agrcola da cultura do milho no Estado de Alagoas, Cear,Gois, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, Safra 2003/2004 Zoneamento Agrcola da cultura do sorgo safrinha nos Estados do Cear,Gois, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Distrito Federal Safra 2003/2004 sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 313314 Zoneamento Agrcola da cultura do sorgo vero nos Estados do Cear,Gois, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e DistritoFederal - Safra 2003/2004 Zoneamento de riscos climticos para a cultura do sorgo nos estados doMato Grosso do Sul Zoneamento de riscos climticos para a cultura do sorgo no Estado de Gois Zoneamento de riscos climticos para a cultura do sorgo no Estado deMinas Gerais Uso e cobertura da terra da Regio Noroeste do Estado do Rio de Janeiro Manejo sustentvel de recursos naturais em microbacias do Norte-Noroeste Fluminense GEF Estudos Agroecolgicos da Bacia do rio Taquari Levantamento de reconhecimento dos solos do estado de Minas Gerais Caracterizao dos Solos do Municpio de Tibagi Mapa da cobertura vegetal do Estado de Gois Monitoramento Ambiental das guas da Lavoura de Arroz Sistema de alerta para uso no manejo integrado de pragas e doenas damacieira Levantamento de solos e avaliao da aptido agrcola das terras damicrobacia Janela da Andorinhas, RJ: Mapa de solos e aptido agrcoladas terras e uso das terras escala 1:20.000. Qualidade da gua de rios numa regio de pecuria intensiva de SantaCatarina PRTICAS Recomendao de adubao de aveia, em Latossolo Vermelho-AmareloDistrfico tpico, em sistema de plantio com cobertura morta (palha demilho Adubao com nitrognio em pastagem de Brachiaria brizantha sobmanejo rotacionado produtividade Peso adequado de abate de bovinos no-castrados Blonde dAquitaine xNelore para produo do bovino jovem sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 314Sol da manh: memria da EMBRAPA315 Peso de abate de bovinos no-castrados Nelore para produo do bovinojovem Recuperao de pastagens degradadas via leguminosas forrageiras Prticas agronmicas de recuperao de pastagens degradadas deBrachiaria brizantha cv. Marandu Manejo necessrio no rebanho leiteiro para uma boa ordenha Construo de terraos para controle da eroso pluvial no Estado do Acre Controle qumico da antracnose (Glomerella cingulata) em pessegueiro Reduo de acamamento em trigo: uso de redutor de crescimento Uso de linhas pareadas como estratgia para reduzir a estatura de plantase aumentar o rendimento de gros de cevada Controle qumico de doenas em ervilha Consorciao de culturas para tutoramento de ervilha no Rio Grande do Sul Cultivo intercalar de nabo forrageiro entre milho e trigo Manejo integrado e controle de doenas em cereais de inverno Conservao do solo e recuperao de reas degradadas em aeroportosbrasileiros Utilizao de sementes enriquecidas em Mo por sojicultores em geral Aplicao de micronutrientes nas sementes Inoculao com inoculante lquido no sulco de semeadura Qualidade e quantidade dos inoculantes Compatibilidade de micronutrientes disponveis no mercado em relaos estirpes comerciais de Bradyrhizobium Aplicao de Co nas semente juntamente com o inoculante e foliar Eficincia da aplicao de Mo via foliar e nas sementes Aplicao de inseticidas nas sementes de soja junto com o inoculante Enriquecimento de sementes com molibdnio recomendao para pro-dutores de sementes de soja: Manejo de resistncia de plantas daninhas Controle de lesmas atacando lavouras de soja, atravs da aplicao desubstncias qumicas Recomendao para controle de cors em soja orgnicasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 315316 Recomendao para plantio de milho em reas infestadas por P. cuyabana Manejo de cors na regio Centro-Oeste do Paran poca de Manejo de P. cuyabana subsdios para escolha de espcies vegetais paraplantio em reas infestadas Manejo de cors: associao de cultura armadilha e inseticidas no controlede P. cuyabana Gerao de informaes para o controle de doenas fngicas em sistemade semeadura direta Seletividade de herbicidas graminicidas e o controle de plantas volun-trias de milho na cultura do girassol Biologia e manejo do Cardiospermum halicacabum Influncia da armadilha com urina bovina+sal de cozinha na captura dospercevejos da soja Seletividade de produtos qumicos ao parasitide de ovos Trissolcus basalis Seletividade de extratos vegetais ao parasitide de ovos Trissolcus basalis Eficincia de extratos vegetais no controle de percevejos da soja Determinao do efeito da rotao com milho sobre a populao de H.glycines em Pejuara, RS Determinao de perodos de interferncia de pico-preto Bidens sp. naprodutividade da cultura do girassol Recomendao para controle de Sternechus em soja orgnica Manejo de cors em cultura de soja-safrinha Utilizao de compostagem no tratamento dos dejetos de sunos Exigncias de energia metabolizvel e lisina digestiva dos 25 aos 50 kg depeso vivo para a prognie dos machos Embrapa ms60 cruzados comfmeas f1 large white x landrace Exigncias de energia metabolizvel e lisina digestiva dos 50 aos 75 kg depeso vivo para a prognie dos machos Embrapa ms60 cruzados comfmeas f1 large white x landrace Exigncias de energia metabolizvel e lisina digestiva dos 75 aos 100 kgde peso vivo para a prognie dos machos Embrapa ms60 cruzados comfmeas f1 large white x landrace sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 316Sol da manh: memria da EMBRAPA317 poca de plantio e desempenho de cultivares de cebola sob manejoorgnico no estado do Rio de Janeiro Manejo da adubao verde com Crotalria no consrcio com quiabeirosob manejo orgnico Controle de plantas daninhas na cultura do milho utilizando leucena(Leucaena leucocephala Recomendao de adubao nitrogenada com uria para capim-coast-crossESTIRPES Estirpe: CEPA CPATC57 de Beauveria bassiana Obteno de estirpes de rizbio para leguminosas florestais (aproximaode 2004. BASE DE DADOS Base de dados da cadeia produtiva de pecuria de corte no Estado do Acre Disponibilizao de duas bases de dados das cepas de fungos entomopa-tognicos Disponibilizao de duas bases de dados das cepas de fungos entomopa-tognicos e bactrias entomopatognicas Base de dados do Sistema de Gesto de Dados e Metadados Espaciais Mdulo Gestor do Banco de DadosOUTROS Hylaseptina P1 (HSP1) um peptdeo antimicrobiano catinico encon-trado na secreo da pele do anuro (sapo) Hyla punctata Isolamento, sntese e caracterizao de trs dermaseptinas com pro-priedades antimicrobianas e antitripanosomatdicas sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 317Sol da manh: memria da EMBRAPA319ANEXO N 6LISTA DE SIGLASABCAR Associao Brasileira de Crdito e Assistncia RuralACAR Associao de Crdito e Assistncia RuralACARES Associao de Crdito e Assistncia Rural do Esprito SantoASCAR Associao Sulista de Crdito e Assistncia ruralBID Banco Interamericano de DesenvolvimentoBIRD Banco MundialBNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econmico e SocialC.L.T. Consolidao das Leis do TrabalhoCEAN Comisso de Estudos do Inventrio e Patrimnio da EmbrapaCENARGEN Centro de Recursos Genticos e BiotecnologiaCEPLAC Comisso Executiva do Plano da Lavoura CacaueiraCEST Comisso Executiva de Empresas EstataisCIAB Comisso de Estudos do Inventrio e Patrimnio da EmbrapaCIAT Centro Internacional de Agricultura TropicalCIDA Comit Interamericano de Desenvolvimento da AgriculturaCIMMIT Centro Internacional de Milho e TrigoCNA Confederao da Agricultura e Pecuria do BrasilCNPQ Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e TecnolgicoCONSEPA Conselho Nacional de Sistemas Estaduais de Pesquisa AgropecuriaCONTAG Confederao Nacional dos Trabalhadores na Agriculturasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 319320CPAC Centro de Pesquisa Agropecuria do CerradoCPDOC Centro de Pesquisa e Documentao de Histria Contemporneado Brasil (Fundao Getlio Vargas)CPRM Companhia de Pesquisa de Recursos MineraisDNPEA Departamento Nacional de Pesquisa AgropecuriaEMBRAPA Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuriaEMBRATER Empresa Brasileira de Assistncia Tcnica e Extenso RuralEMCAPA - Empresa Capixaba de Pesquisa AgropecuriaEMEPA - Empresa de Pesquisa Agropecuria do Estado da ParabaEMGOPA - Empresa Goiana de Pesquisa AgropecuriaEMPAER - Empresa de Pesquisa Agropecuria e Extenso RuralEMPARN - Empresa de Pesquisa Agropecuria do Rio Grande do NorteEMPASC - Empresa de Pesquisa Agropecuria do Estado de Santa CatarinaEPABA - Empresa de Pesquisa Agropecuria da BahiaEPAMIG Empresa de Pesquisa Agropecuria de Minas GeraisFAO Organizao para Alimentao e AgriculturaFINEP Financiadora de Estudos e ProjetosIAA Instituto do Acar e do lcoolIAC - Instituto Agronmico de CampinasIBC Instituto Brasileiro do CafIBDF Instituto Brasileiro de Desenvolvimento FlorestalIPB - International Plant BreedingICRISAT Instituto Internacional de Regies Semi-ridasIICA Instituto Interamericano de Cooperao para a AgriculturaINCRA Instituto Nacional de Colonizao e Reforma AgrriaINTA - Instituto Nacional de Tecnologia AgropecuriaIPA - Empresa de Pesquisa Agropecuria do Estado de PernambucoIRRI Instituto Internacional do ArrozITAL - Instituto de Tecnologia de Alimentos de So PauloMERCOSUL Mercado Comum do SulOCB Organizao das Cooperativas BrasileirasOEPAS Organizaes Estaduais de Pesquisa Agropecuriasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 320Sol da manh: memria da EMBRAPA321ONU Organizao das Naes UnidasPDE Plano Diretor da EmbrapaPESAGRO Empresa de Pesquisa Agropecuria do Estado do Rio de JaneiroPETROBRAS Petrleo Brasileiro S.A.PIB Produto Interno BrutoPIN Programa de Integrao NacionalPLANASA Empresa Nacional de Planejamento e ConsultoriaPMDB Partido do Movimento Democrtico BrasileiroPNP Programa Nacional de PesquisaPPA Plano Plurianual de InvestimentosPRODASEN Processamento de Dados do Senado FederalPRONAF Programa Nacional de Financiamento da Agricultura FamiliarPRONAPA Programa Nacional de Pesquisa AgropecuriaSAAD Sistema de Planejamento, Acompanhamento, Avaliao e DesempenhoSAPRE Sistema de Avaliao e Premiao por ResultadosSAU Sistema de Avaliao de UnidadesSBPC Sociedade Brasileira para o Progresso da CinciaSEMOR Secretaria de Modernizao AdministrativaSINPAF Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e DesenvolvimentoAgropecurioSNI Servio Nacional de InformaoSNPA Sistema Nacional de Pesquisa AgropecuriaSNPA Sistema Nacional de Pesquisa AgropecuriaSUDHEVEA Superintendncia da Desenvolvimento da Cultura da HeveaUEPAES Unidade Estadual Pesquisa AgropecuriaUNICAMP Universidade de CampinasUSA United States of Amrica (Estados Unidos da Amrica)USAID Programa de Cooperao do Governo dos Estados Unidos da Amricasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 321Sol da manh: memria da EMBRAPA323ABREU, Leito de - 59.ALBUQUERQUE, Jaime - 25.ALVES, Eliseu Roberto de Andrade-25,34,38,42,43,57,60,71,82,134,135,136,138,139,140,141,146,148,229,251.ALVES, Luzia - 63.AMARAL, Roberto - 221.AMBRSIO, Joo Marques - 127.ARAJO, Jos Emlio Gonalves de- 36,40.ARAJO, Ney Bittencourt de - 54, 72.ARAJO, Severino de Melo - 148.ARTECHE, Ezelino Alonso deArajo - 57.BELLO, Eduardo - 42,60.BLUMENSHEIN, Almiro - 124,72,80,82,83,85,91,124,135,224.BOETNER, Ramiro - 25.BORBA, Otvio - 127,128.BRITO, Elza - 199.BROSSARD, Paulo - 154,155,169.CABRAL, Jos Irineu - 24,29,30,50,56,62,70,78,83,84,90,96,108,125,134,136,154,171,172,192.CAJUEIRO, Ivan T. - 38,55,82,105CAMATA, Gerson - 146.CAMPELLO, Alosio - 30,38,59,71.CAMPOS, Eduardo - 221.CAMPOS, Roberto de Oliveira - 124.CARDOSO, Fernando Henrique -146,198,199,209,232.CARVALHO, Cid - 184.CARVALHO, Joo Luiz de - 146,148.CASTRO, Jos Prazeres de - 139.CASTRO, Levy Pinto de - 24.CAVALCANTE, Jos Francisco deMoura - 62,63,66,67,68,69,71,72,73,74.COSTA, Rubens Vaz da - 135,136.COSTA E SILVA, Francisco Arinos- 42,60.ANEXO N 7ndice onomsticosol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 323324COUTO E SILVA, Golbery - 124.DARCORSO FILHO, Paulo - 72.DELFIM NETTO, Antonio - 135,136,53.DEMORO, Paulo Teixeira - 50,81,82, 105.DBERREINER, Johanna - 55,151,152.DUARTE, Jorge - 145,152.ELLIS, William - 25.FERREIRA, Jos Pelcio - 62,72.FIGUEIREDO, Joo Batista - 135.FILHO, Kepler Eucldes - 236.FLORES, Murilo Xavier - 129,189,190,191,192,193,194.FONSECA, Luiz - 38.FRANCO, Itamar - 199.FRANA, Jos Geraldo Eugnio - 236.FRANKE, Walmor - 52.FREI, Eduardo - 37.FREITAS, Marco Antnio de - 224.FREITAS, Ormuz Rivaldo de - 155,168, 169,170,172,174,175,179.FUNARO, Dlson - 174.FURLAN, Luiz Fernando - 213.GASTAL, Edmundo da Fontoura -25,34,42,57,60,82,85,96,108,135,138.GEISEL, Ernesto - 66,72,79,83,90,104,105,106,107,109,122,123,128,135,190.GOEDERT, Wenceslau - 179.GOMES, Severo - 79.GORGATTI NETTO, Agide - 139.GUIMARES, Ulisses - 146.JEREISSATI, Tasso - 174,180.KENNNEDY, Jonh - 37.KRAUSE, Gustavo - 71,74.KUBITSCHEK, Mrcia - 175.LAMPREIA, Luiz Felipe - 173.LANGONI, Carlos - 38.LEMOS, Francisco - 184.LEVATO, Eli - 151.LIMA, Luiz Fernando Cirne -25,29,32,33,37,38,39,42,51,52,53,54,57,59,62,63,64,66,67,85.LISCINIO, Rubens - 128.LOPES, Renato Simplcio - 38.LUDWIG, Daniel - 153.MACDO, Manoel Moacir Costa -129,193.MACHADO, Luiz Carlos Pinheiro -128,144,145,146,147,148,152,154,155,169,180.MAGALHES, Alosio - 119.MAGALHES, Antonio Carlos - 139.MALUF, Paulo - 135.MANO FILHO, Antonio Cabrera -189,190,191.MARCHETI, Delmar - 105,137,179.MDICI, Emlio Garrastazu.MELLO, Fernando Collor de - 189,190,191,193,194MICARINI, Paulo - 155MIRANDA, Roberto Meireles de -25,57,58,68,80,83,138.MONTORO, Franco - 146,214.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 324Sol da manh: memria da EMBRAPA325MORAES, Olacyr de - 152.MORAES, Pratini de - 200,209.NEVES, Tancredo - 146.NBREGA, Malson da - 168,174.OLINGER, Glauco - 54,183.OLIVEIRA, Francisco TarcsioGes de - 33.OLIVEIRA, Jos Aparecido de - 172.PALOCCI, Antnio - 221.PANAGIDES, S. - 74,75.PARAGUASSU, Lisandra - 222.PASTORE, Jos - 38,42,54,59,60,72.PAULINELLI, Alysson - 66,78,79,80,83,84,90,92,96,104,105,107,108,110,117,124,125,135.PEREIRA, Luiz Bresser - 174,209.PERES, Roberto - 199.PINTO, Levy Castro - 33.PORTO, Arlindo - 199.PORTUGAL, Alberto Duque - 199,198,200,201,203,205,206,209.QUADROS, Jnio - 37.REGO, Moraes - 79,105.REIS, Maurcio Rangel - 43,72,79.REZENDE, ris - 155,169,170,175,178,179.ROCHA, Carlos Magno Campos da- 178,179,180,180,181,182,183,184,186.ROMANO, Paulo - 179.RORIZ, Joaquim - 189.S, Tatiana Deane de Abreu - 236.SAAB, Ali - 148.SALVO, Antnio Ernest - 20.SARNEY, Jos - 128,144,146,148,168,169,170,171,174,175,179.SERRO, Adilson - 227.SCHRADER, Otto Lyra - 40,42,43,59,60,69.SCOLARI, Dente - 199.SHULL, T.W. - 39.SILVA, Adir Raul da - 179. SILVA, Jos Dirceu de Oliveira - 230.SILVA, Jos Gomes - 214.SILVA, Jos Francisco Graziano da - 214,215,225,226,230,231,258.SILVA, Luiz Incio Lula da - 199,208,209,213,215,222,225,231,236,237,245SIMON, Pedro - 128,146,149.SIMONSEN, Mrio Henrique - 66,79.SOUSA, Raymundo Fonseca de - 139.TURRA, Francisco - 199.VEIGA, Pimenta da - 146.VELOSO, Joo Paulo dos Reis - 51,52,62,72,79.VENNCIO, Yonice - 42.VIEIRA, Jos Eduardo Andrade -182,199.VIEIRA, Pedro Meron - 129,105,106,129.WAGNER, Elmar - 108,179WERNECK, Dorothea - 183WILKE, Rubem No - 69,71sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 325Sol da manh: memria da EMBRAPA327ANEXO N 8informao institucional das unidadesdescentralizadas da embrapasol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 327328sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 328Sol da manh: memria da EMBRAPA329ANEXO N 9ENTREVISTASAlberto Duque PortugalAlysson PaulinelliCarlos Eduardo Ferreira de CastroCarlos Magno Campos da RochaClayton CampanholaEliseu Roberto de Andrade AlvesJohanna DberreinerJos PastoreLus Carlos Pinheiro MachadoLuiz Fernando Cirne LimaMurilo Xavier FloresOrmuz Rivaldo FreitasSlvio CrestanaValter Endressol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 329Sol da manh: memria da EMBRAPA331ANEXO N 10Quadro de autoridades (Presidentes daRepblica, Ministros da Agricultura,Presidentes da Embrapa e DiretoresExecutivos) no perodo de 1972 a 2005sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 331332sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 332Sol da manh: memria da EMBRAPA333sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 333334sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 334Sol da manh: memria da EMBRAPA335ANEXO N 11endereos da embrapaEmpresa Brasileira de Pesquisa Agropecuria EmbrapaParque Estao Biolgica PqEB, s/n. , Edifcio Sede Plano Piloto70770-901 Braslia, DFFone: (61) 4484433 Fax: (61) 3471041E-mail: presid@sede.embrapa.brDiretor-Presidente: Slvio CrestanaUNIDADES DESCENTRALIZADAS:Embrapa AcreRodovia BR-364, km 14Cx. Postal 32169908-970 Rio Branco, ACFone: (68) 212-3200 Fax: (68) 212-3284Internet: http://www.cpafac.embrapa.brE-mail: sac@cpafac.embrapa.brEmbrapa AgrobiologiaRodovia BR 465, km 47 Cx. Postal 74.50523851-970 Seropdica, RJFone: (21)2682-1500 Fax: (21) 2682-1230Internet: http://www.cnpab.embrapa.brE-mail: sac@cnpab.embrapa.brEmbrapa Agroindstria de AlimentosAv. das Amricas 29.501 Bairro Guariba23020-470 Rio de Janeiro, RJFone: (21) 2410-7400 Fax: (21) 2410-1090Internet: http://www.ctaa.embrapa.brsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 335mailto:presid@sede.embrapa.brhttp://www.cpafac.embrapa.brmailto:sac@cpafac.embrapa.brhttp://www.cnpab.embrapa.brmailto:sac@cnpab.embrapa.brhttp://www.ctaa.embrapa.br336Embrapa Agroindstria TropicalRua Dra. Sara Mesquita, 2.270 Bairro Pici60511-110 Fortaleza, CEFone: (85) 299-1800 Fax: (85) 299-1803Internet: http://www.cnpat.embrapa.brE-mail: sac@cnpat.embrapa.brEmbrapa Agropecuria OesteRodovia BR 163, km 253,6Cx. Postal 66179804-970 Dourados, MSFone: (67) 425-5122 Fax: (67) 425-0811Internet: http://www.cpao.embrapa.brE-mail: sac@cpao.embrapa.brEmbrapa AlgodoRua Oswaldo Cruz,1.143 Bairro Centenrio58107-720 Campina Grande, PBFone: (82) 341-3608 Fax: (83) 322-7751Internet: http://www.cnpa.embrapa.brE-mail: sac@cnpa.embrapa.brEmbrapa AmapRodovia Juscelino Kubitschek, km 5Cx. Postal 1068903-000 Macap, APFone: (96) 241-1551 Fax: (96) 241-1480Internet: http://www,cpafap.embrapa.brE-mail: sac@cpafap.embrapa.brEmbrapa Amaznia OcidentalRodovia AM-010, km 29 (Estrada Manaus/Itacoatiara)Cx. Postal 31969011-970 Manaus, AMFone: (92) 621-0300 Fax: (92) 621-0322Internet: http://www.cpaa.embrapa.brE-mail: sac@cpaa.embrapa.brEmbrapa Amaznia OrientalTrav. Dr. Enas Pinheiro, s/n. Bairro do Marco66095-100 Belm, PAsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 336http://www.cnpat.embrapa.brmailto:sac@cnpat.embrapa.brhttp://www.cpao.embrapa.brmailto:sac@cpao.embrapa.brhttp://www.cnpa.embrapa.brmailto:sac@cnpa.embrapa.brhttp://wwwmailto:sac@cpafap.embrapa.brhttp://www.cpaa.embrapa.brmailto:sac@cpaa.embrapa.brSol da manh: memria da EMBRAPA337Fone: (91) 276-6333 Fax: (91) 276-0323Internet: http://www.cpatu.embrapa.brE-mail: sac@cpatu.embrapa.brEmbrapa Arroz e FeijoRodovia Goinia Nova Veneza, km 12 Cx. Postal 17975375-000 Santo Antnio de Gois, GOFone: (62) 533-2110 Fax: (62) 533-2100Internet: http://www.cnpaf.embrapa.brE-mail: sac@cnpaf.embrapa.brEmbrapa CafParque Estao Biolgica PqEB, s/n., Ed. Sede Plano Piloto70770-901 Braslia, DFFone: (61) 349-6017 Fax: (61) 448-4073Internet: http://www.embrapa.br/cafeE-mail: nacif@sede.embrapa.brEmbrapa CaprinosEstrada Sobral/Groaras, km 4 (Fazenda Trs Lagoas)Cx. Postal D-1062011-970 Sobral, CEFone: (88) 677-7000 Fax: (88) 677-7055Internet: http://www.cnpc.embrapa.brE-mail: sac@cnpc.embrapa.brEmbrapa Cerrados Rodovia BR 020, km 18, (Braslia/Fortaleza)73301-970 Planaltina, DFFone: (61) 388-9898 Fax: (61) 389-9879Internet: http://www.cpac.embrapa.brE-mail: sac@cpac.embrapa.brEmbrapa Clima TemperadoRodovia BR 392, km 78 Cx. Postal 40396001-970 Pelotas, RSFone: (53) 275-8100 Fax: (53) 275-8221Internet: http://www.cpact.embrapa.brE-mail: sac@cpact.embrapa.brsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 337http://www.cpatu.embrapa.brmailto:sac@cpatu.embrapa.brhttp://www.cnpaf.embrapa.brmailto:sac@cnpaf.embrapa.brhttp://www.embrapa.br/cafemailto:nacif@sede.embrapa.brhttp://www.cnpc.embrapa.brmailto:sac@cnpc.embrapa.brhttp://www.cpac.embrapa.brmailto:sac@cpac.embrapa.brhttp://www.cpact.embrapa.brmailto:sac@cpact.embrapa.br338Embrapa FlorestasEstrada da Ribeira, km 111 Cx. Postal 31982411-000 Colombo, PRFone: (41) 666-1313 Fax: (41) 666-1276Internet: http://www.cnpf.embrapa.brE-mail: sac@cnpf.embrapa.brEmbrapa Gado de CorteRodovia BR 262, km 4 Cx. Postal 15479002-970 Campo Grande, MSFone: (67) 368-2000 Fax: (67) 368-2150Internet: http://www.cnpgc.embrapa.brE-mail: sac@cnpgc.embrapa.brEmbrapa Gado de LeiteRua Eugnio do Nascimento, 610 Bairro Dom Bosco36038-330 Juiz de Fora, MGFone: (32) 3249-4700 Fax: (32) 3249-4701Internet: http://www.cnpgl.embrapa.brE-mail: sac@cnpgl.embrapa.brEmbrapa HortaliasRodovia BR 060,km 9 (Braslia/Goinia)Cx. Postal 218 - Fazenda Tamandu70359-970 Braslia, DFFone: (61) 385-9000 Fax: (61) 556-5744Internet: http://www.cnph.embrapa.brE-mail: sac@hortalicas@embrapa.brEmbrapa Informao TecnolgicaParque Estao Biolgica PqEB s/n.Plano Piloto - 70770-901 Braslia, DFFone: (61) 448-4162 Fax: (61) 272-4168Internet: http://www.sct.embrapa.brE-mail: sac@sct.embrapa.brEmbrapa Informtica AgropecuriaCidade Universitria Zeferino VazCampus da Universidade Estadual de Campinas Unicampsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 338http://www.cnpf.embrapa.brmailto:sac@cnpf.embrapa.brhttp://www.cnpgc.embrapa.brmailto:sac@cnpgc.embrapa.brhttp://www.cnpgl.embrapa.brmailto:sac@cnpgl.embrapa.brhttp://www.cnph.embrapa.brmailto:sac@hortalicas@embrapa.brhttp://www.sct.embrapa.brmailto:sac@sct.embrapa.brSol da manh: memria da EMBRAPA339Bairro de Baro Geraldo - Cx. Postal 604113083-970 Campinas, SPFone: (19) 3789-5700 Fax: (19) 3789-5711Internet: http://www.cnptia.embrapa.brE-mail: sac@cnptia.embrapa.brEmbrapa Instrumentao AgropecuriaRua XV de Novembro, 1452 Centro13561-160 So Carlos, SPFone: (16) 274-2477 Fax: (16) 272-5958Internet: http://www.cnpdia.embrapa.brE-mail: sac@cnpdia.embrapa.brEmbrapa Mandioca e FruticulturaRua Embrapa, s/n.44380-000 Cruz das Almas, BAFone: (75) 321-8000 Fax: (75) 621-1118Internet: http://www.cnpmf.embrapa.brE-mail: sac@cnpmf.embrapa.brEmbrapa Meio AmbienteRodovia SP 340, km 127,5Cx. Postal 69Bairro Tanquinho Velho13820-000 Jaguarina, SPFone: (19) 3867-8700 Fax: (19) 3867-8740Internet: http://www.cnpma.embrapa.brE-mail: sac@cnpma.embrapa.brEmbrapa Meio-NorteAv. Duque de Caxias, 5.650, Bairro Buenos AiresCx. Postal 00164006-220 Teresina, PIFone: (86) 225-1141 Fax: (86) 225-1142Internet: http://www.cpamn.embrapa.brE-mail: sac@cpamn.embrapa.brsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 339http://www.cnptia.embrapa.brmailto:sac@cnptia.embrapa.brhttp://www.cnpdia.embrapa.brmailto:sac@cnpdia.embrapa.brhttp://www.cnpmf.embrapa.brmailto:sac@cnpmf.embrapa.brhttp://www.cnpma.embrapa.brmailto:sac@cnpma.embrapa.brhttp://www.cpamn.embrapa.brmailto:sac@cpamn.embrapa.br340Embrapa Milho e SorgoRodovia MG 424, km 65Cx. Postal 15135701-970 Sete Lagoas, MGFone: (31) 3779-1000 Fax: (31) 3779-1088Internet: http://www.cnpms.embrapa.brE-mail: sac@cnpms.embrapa.brEmbrapa Monitoramento por SatliteAv. Dr. Jlio Soares de Arruda, 803Parque So Quirino13088-300-Campinas, SPFone: (19) 3252-5977 Fax: (19) 3254-1100Internet: http://www.cnpm.embrapa.brE-mail: sac@cnpm.embrapa.brEmbrapa PantanalRua 21 de Setembro, 1880Cx. Postal 10979320-900 Corumb, MSFone: (67) 231-1430 Fax: (67) 231-1011Internet: http://www.cpap.embrapa.brE-mail: sac@cpap.embrapa.brEmbrapa Pecuria SudesteRodovia Washington Luiz, km 234Cx. Postal 33913560-970 So Carlos, SPFone: (16) 261-5611 Fax: (16) 261-5754Internet: http://www.cppse.embrapa.brE-mail: sac@cppse.embrapa.brEmbrapa Pecuria SulRodovia BR 153, km 595Cx. Postal 242Vila Industrial, Zona Rural96400-970 Bag, RSFone: (53) 242-8499 Fax: (53) 242-4395Internet: http://www.cppsul.embrapa.brE-mail: sac@cppsul.embrapa.brEmbrapa Recursos Genticos e BiotecnologiaParque Estao Biolgica PqEB s/n.sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 340http://www.cnpms.embrapa.brmailto:sac@cnpms.embrapa.brhttp://www.cnpm.embrapa.brmailto:sac@cnpm.embrapa.brhttp://www.cpap.embrapa.brmailto:sac@cpap.embrapa.brhttp://www.cppse.embrapa.brmailto:sac@cppse.embrapa.brhttp://www.cppsul.embrapa.brmailto:sac@cppsul.embrapa.brSol da manh: memria da EMBRAPA341Av. W5 Norte FinalPlano Piloto70770-900 Braslia, DFFone: (61) 448-4700 Fax: (61) 448-3624Internet: http://www.cenargen.embrapa.brE-mail: sac@cenargen.embrapa.brEmbrapa RondniaRodovia BR 364, km 5,5Cx. Postal 40678970-900 Porto Velho, ROFone: (69) 216-6500 Fax: (69) 216-6543Internet: http://www.cpafro.embrapa.brE-mail: sac@cpafro.embrapa.brEmbrapa RoraimaRodovia BR-174, km 8 Distrito IndustrialCx. Postal 13369301 Boa Vista, RRFone: (95) 626-7125 Fax: (95) 626-7104Internet: http://www.cpafrr.embrapa.brE-mail: sac@cpafrr.embrapa.brEmbrapa Semi-ridoRodovia BR 428, km 152, Zona RuralCx. Postal 2356300-970 Petrolina, PEFone: (87) 3862-1711 Fax: (87) 3862-1744Internet: http://www.cpatsa.embrapa.brE-mail: sac@cpatsa.embrapa.brEmbrapa SojaRodovia Carlos Joo Strass (Londrina/Warta)Cx. Postal 231Acesso Orlando Amaral Distrito de Warta86001-970 Londrina, PRFone: (43) 371-6000 Fax: (43) 371-6100Internet: http://www.cnpso.embrapa.brE-mail: sac@cnpso.embrapa.brEmbrapa SolosRua Jardim Botnico, 1024sol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 341http://www.cenargen.embrapa.brmailto:sac@cenargen.embrapa.brhttp://www.cpafro.embrapa.brmailto:sac@cpafro.embrapa.brhttp://www.cpafrr.embrapa.brmailto:sac@cpafrr.embrapa.brhttp://www.cpatsa.embrapa.brmailto:sac@cpatsa.embrapa.brhttp://www.cnpso.embrapa.brmailto:sac@cnpso.embrapa.br34222460-000 Rio de Janeiro, RJFone: (21) 2274-4999 Fax: (21) 2274-5291Internet: http://www.cnps.embrapa.brE-mail: sac@cnps.embrapa.brEmbrapa Sunos e AvesRodovia BR 153, km 110, Vila TamanduCx. Postal 2189700-000 Concrdia, SCFone: (49) 442-8555 Fax: (49) 442-8559Internet: http://www.cnpsa.embrapa.brE-mail: sac@cnpsa.embrapa.brEmbrapa Tabuleiros Costeiros Av. Beira Mar, 3.250Cx. Postal 4449025-040 Aracaju, SEFone: (79) 217.1300 - Fax: (79) 217.6145Internet: http://www.cpatc.embrapa.brE-mail: sac@cpatc.embrapa.brEmbrapa Transferncia de TecnologiaParque Estao Biolgica PqEB, s/n Edifcio Sede Trreo Plano Piloto70770-901 Braslia, DFFone: (61) 448.4522 - Fax: (61) 347.9668Internet: http://www.embrapa.br/sntE-mail: sac.snt@embrapa.brEmbrapa TrigoRodovia BR-285, Km 174Cx. Postal 45199001-970 Passo Fundo, RSFone: (54) 311.3444 - Fax: (54) 311.3617Internet: http://www.cnpt.embrapa.brE-mail: sac@cnpt.embrapa.brEmbrapa Uva e VinhoRua Livramento, 51595700 000 Bento Gonalves, RSFone: (54) 451.2144 - Fax: (54) 451.2792Internet: http://www.cnpuv.embrapa.brE-mail: sac@cnpuv.embrapa.brsol da manh mont ok.qxd 17.05.05 17:11 Page 342http://www.cnps.embrapa.brmailto:sac@cnps.embrapa.brhttp://www.cnpsa.embrapa.brmailto:sac@cnpsa.embrapa.brhttp://www.cpatc.embrapa.brmailto:sac@cpatc.embrapa.brhttp://www.embrapa.br/sntmailto:snt@embrapa.brhttp://www.cnpt.embrapa.brmailto:sac@cnpt.embrapa.brhttp://www.cnpuv.embrapa.brmailto:sac@cnpuv.embrapa.brSumrio

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