Melo]. Braslia, DF : Embrapa, 2015. Editor Tcnico Raphael Augusto de Castro e Melo Engenheiro-agrnomo, mestre em Produo Vegetal, pesquisador da Embrapa Hortalias, Braslia, DF

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Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuriaEmbrapa HortaliasMinistrio da Agricultura, Pecuria e AbastecimentoA CULTURA DOS BRCOLISEmbrapaBraslia, DF2015Todos os direitos reservados.A reproduo no autorizada desta publicao, no todo ou em parte, constitui violao dos direitos autorais (Lei n 9.610).Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)Embrapa Informao TecnolgicaA cultura dos brcolis / [editor tcnico, Raphael Augusto de Castro e Melo]. Braslia, DF : Embrapa, 2015.153 p. : il. color. ; 11 cm x 15,5 cm. (Coleo Plantar, 74).ISBN: 978-85-7035-532-41. Plantio. 2. Adubao. 3. Colheita. 4. Comercializao. I. Melo, Raphael Augusto de Castro e. II. Embrapa Hortalias. III. Coleo.CDD 635.35 Embrapa 2015Coleo Plantar, 74Produo editorial: Embrapa Informao TecnolgicaCoordenao editorial: Selma Lcia Lira Beltro Lucilene Maria de Andrade Nilda Maria da Cunha SetteSuperviso editorial: Erika do Carmo Lima FerreiraReviso de texto: Jane Baptistone de ArajoNormalizao bibliogrfica: Lusa Veras de Sandes GuimaresEditorao eletrnica: Jlio Csar da Silva DelfinoArte-final da capa: Carlos Eduardo Felice Barbeiro1 edio1 impresso: 1.000 exemplaresAutoresEditor TcnicoRaphael Augusto de Castro e Melo Engenheiro-agrnomo, mestre em Produo Vegetal, pesquisador da Embrapa Hortalias, Braslia, DFAutoresAlecio Schiavon Engenheiro-agrnomo, mestre em Produo Vegetal, gerente do portflio de brssicas e cucurbitceas na Syngenta Seeds Ltda., So Paulo, SPAriel Dotto Blind Engenheiro-agrnomo, mestre em Agricultura no Trpico mido, tcnico do Inpa, Manaus, AMBrbara Eckstein Engenheira-agrnoma, doutora em Fitopatologia, pesquisadora da Embrapa Recursos Genticos e Biotecnologia, Braslia, DFJadir Borges Pinheiro Engenheiro-agrnomo, doutor em Fitopatologia, pesquisador da Embrapa Hortalias, Braslia, DFLarissa Pereira de Castro Vendrame Engenheira-agrnoma, doutora em Gentica e Melhoramento de Plantas, pesquisadora da Embrapa Hortalias, Braslia, DFMarcelo Mikio Hanashiro Engenheiro-agrnomo, mestre em Desenvolvimento Econmico, analista da Embrapa Hortalias, Braslia, DFMaral Henrique Amici Jorge Engenheiro-agrnomo, Ph.D. em Fitotecnia, pesquisador da Embrapa Hortalias, Braslia, DFMariane Carvalho Vidal Biloga, doutora em Agroecologia, pesquisadora da Embrapa Hortalias, Braslia, DFMiguel Michereff Filho Engenheiro-agrnomo, doutor em Entomologia, pesquisador da Embrapa Hortalias, Braslia, DFNeide Botrel Engenheira-agrnoma, doutora em Cincia dos Alimentos, pesquisadora da Embrapa Hortalias, Braslia, DFNuno Rodrigo Madeira Engenheiro-agrnomo, doutor em Fitotecnia, pesquisador da Embrapa Hortalias, Braslia, DFRaphael Augusto de Castro e Melo Engenheiro-agrnomo, mestre em Produo Vegetal, pesquisador da Embrapa Hortalias, Braslia, DFApresentaoEm formato de bolso, ilustrados e escritos em lin-guagem objetiva, didtica e simples, os ttulos da Cole-o Plantar tm por pblico-alvo produtores rurais, estudantes, sitiantes, chacareiros, donas de casa e demais interessados em resultados de pesquisa obtidos, testados e validados pela Embrapa.Cada ttulo desta coleo enfoca aspectos bsicos relacionados ao cultivo de, por exemplo, hortalias, fru-teiras, plantas medicinais, plantas oleaginosas, condi-mentos e especiarias. Editada pela Embrapa Informao Tecnolgica, em parceria com as demais Unidades de Pesquisa da Empresa, esta coleo integra a linha editorial Transfe-rncia de Tecnologia, cujo principal objetivo preencher lacunas de informao tcnico-cientfica agropecuria direcionada ao pequeno produtor rural e, com isso, contribuir para o aumento da produo de alimentos de melhor qualidade, bem como para a gerao de mais renda e mais emprego para os brasileiros.Selma Lcia Lira BeltroGerente-GeralEmbrapa Informao TecnolgicaSumrioIntroduo....................................................... 9Botnica.......................................................... 12Cultivares....................................................... 14Composio Nutricional.............................. 21Clima............................................................... 23Solo ...................................................... 29Propagao..................................................... 33Plantio .................................................. 39Irrigao ............................................... 44Tratos Culturais .................................... 48Controle de Pragas........................................ 53Controle de Doenas ............................ 77Produtos e Equipamentos ........................115Colheita e Ps-Colheita...............................117Custos de Produo.................................... 135Referncias................................................... 139Literatura Recomendada ...................... 1409IntroduoOs brcolis, brcolos ou couve-brco-los so variedades botnicas da espcie Brassica oleracea que pertencem famlia Brassicaceae (crucferas), da qual tambm fazem parte a couve-flor, o repolho, a couve e espcies distintas como a mostarda, o nabo, o rabanete, o agrio, entre outras.O impulso que a cultura dos brcolis teve nos ltimos anos demonstra que existe um grande potencial de mercado para essa hortalia. Sua importncia econmica no agronegcio tem sido crescente, em razo da apreciao nos diferentes tipos de culi-nria, suas propriedades nutricionais e o teor de compostos relacionados sade. Alm da importncia econmica, os brco-lis tm grande impacto social na gerao de empregos diretos e indiretos, desde o plan-tio at a industrializao.10O cultivo dos brcolis teve incio na Europa em princpios do sculo 19. Atual-mente a superfcie plantada mundialmente supera 1 milho de hectares e a produo ultrapassa 19 milhes de toneladas por ano.No Brasil, a estimativa para a rea cultivada com brcolis de 15 mil hecta-res, com maior concentrao nas regies Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Destaque para o Estado de So Paulo como princi-pal produtor de brcolis do Pas, com rea estimada em 3 mil hectares plantados. Um aspecto relevante nesse cenrio tem sido a expanso da cultura no estado de Minas Gerais em diferentes sistemas de cultivo, a exemplo da regio metropoli-tana de Belo Horizonte, onde o cultivo feito por agricultores familiares, e no Sul do estado, com a produo em reas de maior extenso, anteriormente cultivadas com batata.11O tipo ramoso cultivado em todas essas regies, incluindo as regies Nordeste e, recentemente, o Norte do Brasil. O tipo inflorescncia nica concentra-se no Dis-trito Federal e nos estados de Minas Gerais, So Paulo, Paran e Rio Grande do Sul. O aumento de produo e de rea plan-tada reflete a expanso do mercado para venda in natura em centros urbanos ou para congelamento em indstrias processadoras, localizadas principalmente nos estados de So Paulo e Rio Grande do Sul.Contudo, o consumo familiar per capta ainda baixo quando comparado a outros pases, com mdia de 148 g por domiclio. Esse baixo consumo pode ser explicado pelas tradies culinrias regionais, varia-es de renda, localizao geogrfica e logstica de distribuio.Em estados que no possuem condi-es ambientais favorveis ao cultivo, 12levando a um baixo volume de produo, e que so distantes dos grandes centros produtores, o que requer transporte em caminhes ou areo, o produto oferecido ao consumidor chega em condies de deteriorao avanada ou com preos pouco acessveis para grande parte da populao. Portanto, so necessrios avanos no intuito de aumentar sua dis-ponibilidade para o consumidor, baratear seu custo e conscientizar a populao de seus benefcios.BotnicaReino: PlantaeSub-reino: Tracheobionta (plantas vasculares)Superdiviso: Spermatophyta (plantas com semente)Diviso: Magnoliophyta (Angiospermas)Classe: Magnoliopsida (Dicotilednea)13Subclasse: DilleniidaeOrdem: CapparalesFamlia: Brassicaceae (sin. Cruciferae).Os brcolis, de nome cientfico B. oleracea L. var. italica Plenck, tambm designado na literatura internacional como B. oleracea var. botrytis F. cymosa, uma planta semelhante couve-flor em sua constituio botnica.Possui caule relativamente mais longo, com folhas de nervuras menos salientes e pednculos compridos e mais distanciados.Tem a inflorescncia central menos compacta, de coloraes que variam do verde ao azulado, com emisso de nume-rosos rebentos nas axilas das folhas, que terminam em captulos de flores imper-feitas. Os pices florais so constitudos de botes com ptalas de colorao ama-relada, separadas em quatro. Os estames 14so organizados em seis longos segmentos. O pistilo comprido com estigma esfrico. O fruto denominado sliqua, de formato alongado, que, em seu interior, possui um septo onde esto localizadas as sementes, de formato redondo e de colorao escura, em ambas as suas faces.CultivaresA avaliao de cultivares nas diver-sas regies de cultivo importante para a recomendao mais correta. Assim sendo, devem ser realizadas a partir de experimentos, em diferentes pocas de plantio, visando coletar dados precisos de seu desempenho agronmico nesses ambientes.Esses dados associados s variveis climticas e de solo das distintas regies permitiro a escolha das cultivares mais bem adaptadas, geneticamente superiores 15no que se refere produtividade e a outras caractersticas agronmicas relevantes, tais como tolerncia s doenas, ao calor e qua-lidade ps-colheita.No mercado brasileiro, h dois tipos de brcolis: o ramoso e o de inflorescncia nica, tambm denominado de cabea--nica, calabrs, japons, americano ou ninja. O tipo ramoso possui caules com menor dimetro e ramificaes laterais, de colheitas mltiplas, que so comercializa-das em maos.As inflorescncias do tipo ramoso pos-suem botes florais menos compactos, mais abertos e de maior tamanho, com menor granulometria, no sendo adequadas para o processo de congelamento (Figuras 1 e 2).Os brcolis de inflorescncia nica apre-sentam inflorescncia terminal (cabea) de maior dimetro e botes florais com menor 16Figura 1. Brcolis do tipo ramoso: inflorescncia central.Figura 2. Brcolis do tipo ramoso: inflorescncias laterais.Foto: Nuno Rodrigo MadeiraFoto: Nuno Rodrigo Madeira17granulometria, semelhantes aos da couve--flor (Figura 3). Tais caractersticas so adequadas industrializao com o pro-duto congelado comercializado em balces frigorficos, e o produto fresco comerciali-zado com ou sem embalagem.Figura 3. Brcolis do tipo inflorescncia nica.No Brasil, as cultivares disponveis, em sua maioria, so provenientes de programas de melhoramento gentico estabelecidos Foto: Raphael Augusto de Castro e Melo18em regies de clima temperado, como sia, Europa e Amrica do Norte, principalmente em razo da presena de um mercado con-sumidor mais expressivo.Em consequncia disso, a maior parte das cultivares disponveis so mais bem adaptadas ao cultivo nas regies Sul e Sudeste, em perodos de clima mais ameno, com algumas excees de cultiva-res para o cultivo no vero, poca quente e chuvosa.As cultivares disponveis para brcolis do tipo ramoso so, predominantemente, de polinizao aberta e as do tipo inflorescn-cia nica so hbridos simples.Na Tabela 1, so apresentadas as princi-pais cultivares dos catlogos de empresas de sementes de hortalias do Brasil, em 2014.19Tabela 1. Principais cultivares de brcolis comercializadas no Brasil, em 2014.Cultivar Empresa TipoAslyH Sakama RamosoAvengerH Sakata Inflorescncia nicaBC 1691 Seminis Inflorescncia nicaBibouH Feltrin Inflorescncia nicaBozano H Tecnoseed Inflorescncia nicaBRO 68 H Syngenta Inflorescncia nicaBurney Bejo Inflorescncia nicaCalabrs de cabeaOP Feltrin Inflorescncia nicaCentenrioH Takii Inflorescncia nicaCoratoH Enza Zaden Inflorescncia nicaDomadorH Horticeres Inflorescncia nicaFlorenceH Agrocinco Inflorescncia nicaGrandisimoH Seminis Inflorescncia nicaGreen Magic (AF 576)HSakata Inflorescncia nicaGreen Storm BonanzaHIsla Inflorescncia nicaHanabi (AF 950)H Sakata RamosoHananaH Sakama RamosoHanaponH Sakata RamosoImperialH Sakata Inflorescncia nicaLegacyH Seminis Inflorescncia nicaContinua...20Cultivar Empresa TipoLionH Agristar Inflorescncia nicaLord SummerH Sakama Inflorescncia nicaLuxorH Feltrin Inflorescncia nicaMarathonH Sakata Inflorescncia nicaMnacoH Syngenta Inflorescncia nicaNz 471H Nickerson-Zwaan Inflorescncia nicaRamirezH Agristar RamosoRamoso PiracicabaOP (1) RamosoRamoso SantanaOP (1) RamosoRamoso de BrasliaOP Hortec RamosoSaitekiH Feltrin Inflorescncia nicaSalinasH Agristar Inflorescncia nicaShiguemoriH Sakama Inflorescncia nicaSteelH Seminis Inflorescncia nicaStrongH Isla Inflorescncia nicaThunderH Tecnoseed Inflorescncia nicaTritonH Tecnoseed Inflorescncia nicaYahtoH Feltrin Inflorescncia nica(1) Domnio pblico vrias empresas.H hbrido; OP polinizao aberta (variedade).Tabela 1. Continuao.21Composio NutricionalAs inflorescncias, com hastes grossas e tenras e com botes florais nas extremida-des, constituem as partes comestveis dos brcolis. Folhas tambm podem ser utiliza-das, no entanto, pelo uso habitual da couve (couve-de-folha e couve-manteiga) na cozi-nha brasileira, no uma prtica comum consumir folhas de brcolis.Os floretes, que apresentam boas carac-tersticas nutricionais, podem ser consumi-dos ao natural, como salada, ou cozidos em diversas formas de preparo.Cada 100 g da inflorescncia contm: 3,8% de fibras; 29,4 Kcal 90,69% de gua; 350 g de vitamina A (retinol); 54 g de vitamina B (tiamina); 350 g de vitamina B2 (riboflavina); 1,681 g de vitamina B5; 82,7 mg de vitamina C; 0,045 mg de cobre (Cu); 25 mg de magnsio (Mg); 0,229 mg 22de mangans (Mn); 0,400 mg de zinco (Zn); 325 mg de potssio (K); 27 mg de sdio (Na); 400 mg de clcio (Ca); 15 mg de ferro (Fe); 70 mg de fsforo (P).Alm disso, plantas pertencentes fam-lia Brassicaceae e ao gnero Brassica como os brcolis, contm quantidades significati-vas de substncias chamadas glucosinola-tos. Esses compostos so cientificamente reconhecidos por conter propriedades anti-cancergenas. Alm disso, possuem gran-des quantidades de substncias nutricionais antioxidantes como as vitaminas A (beta-caroteno), C, E e minerais (Ca e Mg).Ademais, estudos tm mostrado que a infeco por Helicobacter pylori, bactria responsvel pela gastrite, tambm pode ser erradicada pelo consumo constante de brcolis, principalmente de floretes novos e tenros.23O consumo de grandes quantidades de frutas e hortalias est relacionado redu-o do risco do desenvolvimento de um grande nmero de doenas. Atualmente, de maneira geral, os vegetais verdes ganha-ram ainda mais importncia como alimento bsico e necessrio sade humana.ClimaOs brcolis tm melhor desempenho quando cultivado em meses de temperatura amena. O clima afeta o desenvolvimento da planta como um todo. Caractersticas como tamanho e qualidade da inflorescncia, pro-dutividade e durao do ciclo so diretamente influenciadas por variaes de temperaturas mximas e mnimas. Para a maioria dos tipos de brcolis cultivados, as temperaturas ti-mas oscilam, respectivamente, entre 20 C e 24 C, e entre 15 C e 18 C, antes e depois da emergncia da inflorescncia central.24O melhoramento gentico permitiu a obteno de cultivares adaptadas s dife-rentes estaes do ano com temperaturas variadas. No entanto, a produo ainda incipiente em condies de alta tempe-ratura e umidade, a exemplo do Norte e Nordeste brasileiro, com raras excees de produo de brcolis em locais de altitude nesses estados.Os brcolis podem iniciar o desenvol-vimento dos seus primrdios florais sob temperaturas relativamente altas, contudo, nessas condies, aumentam-se as desordens fisiolgicas e a suscetibilidade a doenas.Perodos prolongados de temperatura acima de 25 C podem retardar a formao das inflorescncias em plantas em fase de crescimento vegetativo. Por sua vez, plan-tas com inflorescncia em formao podem reverter a induo da fase reprodutiva para 25crescimento vegetativo. Com isso, reduz-se o tamanho das inflorescncias, formam--se botes florais com tamanhos desiguais e ocorre o desenvolvimento de folhas ou brcteas nos pednculos florais.O plantio nas condies brasileiras pode ser realizado em diferentes pocas. Para as cultivares de inverno, mais comum o transplantio nos meses de abril a junho, em locais de baixa altitude (< 400 m), e de fevereiro a julho em locais de maior alti-tude (> 800 m). Para as cultivares de vero, o transplantio ocorre de agosto a fevereiro em locais de baixa altitude, e de setembro a janeiro em maiores altitudes. Porm, importante monitorar variaes na umi-dade do ar e do solo, que podem favorecer a ocorrncia de doenas.Peculiarmente, a produo de brcolis na regio amaznica feita em duas pocas 26do ano: na estao seca (julho a dezembro), com precipitaes abaixo de 100 mm men-sais, e na estao chuvosa (janeiro a junho), com precipitaes acima de 250 mm, o que afeta negativamente o desempenho das plan-tas e a formao de inflorescncias quando o cultivo realiza-se em campo, uma vez que esse perodo favorece o aparecimento de doenas. Nessa poca, recomenda-se o cul-tivo protegido, em instalao estilo guarda--chuva, obtendo-se melhor controle hdrico, maior aerao e tambm melhor manejo cultural. No norte do Estado de Roraima, o cultivo favorecido pela elevada altitude, por causa da temperatura do ar mais amena, o que possibilita melhores resultados em quantidade e qualidade de inflorescncias, mesmo quando cultivado em campo.Condies estressantes podem condu-zir ao florescimento precoce (buttoning), como, por exemplo, a exposio prolongada 27a temperaturas abaixo de 10 C, o deficit hdrico e os solos com baixa fertilidade na fase inicial de desenvolvimento da cultura.No Brasil, as culturas implantadas entre os meses de agosto e setembro so geral-mente mais problemticas, por causa do excesso de chuvas e de calor durante seu ciclo, o que resulta em maior incidncia de pragas e doenas, especialmente na poca da colheita. O produto final colhido sob essas condies inferior, com inflores-cncias menores, mais leves, de colorao mais clara, granulao maior, mais grossa, pior textura e menor conservao ps--colheita. As cultivares indicadas para cul-tivo no vero tm menor nmero de folhas, sendo emitidas diariamente, e necessitam de menos dias para induo da florao, que se desenvolve de maneira mais uni-forme, resultando em maior precocidade. Em condies favorveis, o crescimento e 28o desenvolvimento podem ser divididos em quatros estdios: 1 estgio - de 0 a 30 dias: cresci-mento inicial aps a emergncia das plntulas at a emisso de 5 a 7 folhas definitivas. 2 estgio - de 30 a 60 dias: expanso das folhas externas. 3 estgio - de 60 a 90 dias: diferencia-o e desenvolvimento dos primrdios florais e das folhas externas. 4 estgio - de 90 a 120 dias: desenvol-vimento da inflorescncia.Porm, deve se ressaltar que esses est-dios fenolgicos variam segundo as carac-tersticas da prpria cultivar e tambm da resposta da planta s condies ambientais de cultivo. O segundo e o terceiro estdio de desenvolvimento so de grande importncia 29na produtividade (tamanho e conformao de inflorescncia). O nmero e o tamanho de folhas iro definir a rea foliar da planta e seu potencial produtivo.SoloPara a escolha da rea de plantio, no so recomendadas reas recm-trabalhadas, com resduos de restos culturais, madeira ou touceiras de capim em decomposio.Os brcolis so hortalias mediana-mente resistentes salinidade. O pH timo para seu desenvolvimento oscila entre 6,5 e 7,0. Valores menores aumentam as carn-cias de molibdnio (Mb) e valores maio-res aumentam as carncias nutricionais, especialmente de elementos como Mn e boro (B). As brssicas so grandes extra-toras de nutrientes do solo e respondem com alta taxa de converso em perodo de tempo relativamente curto. Para fornecer 30nutrientes em quantidades adequadas e equilibradas, faz-se necessrio conhecer a exigncia nutricional de cada espcie.Para os brcolis, como recomendao geral, deve-se aplicar calcrio para elevar a saturao por bases a 80% e o teor de Mg a um mnimo de 9 mmol/dm3.A adubao orgnica deve ser realizada com doses de 30 t/ha a 60 t/ha de composto orgnico curtido, a depender do teor de matria orgnica (MO) do solo.A recomendao de adubao qumica realizada considerando-se os teores de nutrientes encontrados no solo, obtidos por meio da anlise. Muitos produtores e tc-nicos se baseiam nas recomendaes para a cultura da couve-flor, que, apesar de ser morfologicamente muito parecida com o tipo inflorescncia nica, possui respostas diferenciadas aos nutrientes.31Seguem as variaes de quantidades de macronutrientes consideradas adequadas, em quilos por hectare (kg/ha), para a maio-ria das regies: 50 kg/ha a 400 kg/ha de P2O5 no plantio. 50 kg/ha a 240 kg/ha de K2O no plantio. 50 kg/ha a 120 kg/ha de K2O na cobertura. A adubao com nitrognio (N) varia de 60 kg/ha a 120 kg/ha de N no plantio e de 15 kg/ha a 200 kg/ha em cobertura.Pesquisas comprovam que o N e o K elevam a produtividade, alm de desempe-nharam papel importante na resistncia dos brcolis a doenas. No entanto, doses ele-vadas de matria orgnica no decomposta 32podem resultar em maior retardamento na disponibilizao desses nutrientes para as plantas, levando a sintomas de carncia desses nutrientes.Todas essas recomendaes dependem da avaliao da fertilidade do solo, da regio de cultivo, do manejo e da culti-var utilizada, alm do histrico de uso da rea.Recomenda-se ainda acrescentar de 3 kg/ha a 4 kg/ha de B, juntamente com os demais adubos minerais na ocasio do plantio. Tambm indicada a pulverizao das folhas por trs vezes, no ciclo, com soluo de cido brico (1 g/L de gua). Aplicar Mb, tambm em pulverizao, 15 dias aps o transplantio, utilizando 0,5 g/L de molibdato de amnio. possvel parcelar as adubaes de cobertura via fertirrigao, bem como 33aumentar sensivelmente a produtividade, utilizando fertilizantes solveis com peque-nas doses semanais, j que h melhor apro-veitamento dos nutrientes.PropagaoA produo de mudas para transplantio no local definitivo uma prtica usual na maioria das hortalias que possuem semen-tes pequenas e de valor comercial elevado, como no caso dos hbridos F1. Os sistemas de produo de mudas utilizados na cultura dos brcolis so o de sementeira em can-teiro e o de bandeja de clula (individuali-zao das mudas).Em ambos os casos, a utilizao de sementes com qualidade muito impor-tante. Os atributos que conferem essa qualidade esto relacionados com a pureza fsica, com o potencial fisiolgico, com a gentica e com as condies sanitrias do 34lote de sementes. A qualidade fsica ava-liada de forma que se verifique a presena de impurezas e de misturas de sementes de outras espcies.A qualidade gentica est relacionada com o potencial de produo e com a produtividade, por meio da qualidade e quantidade das inflorescncias produzidas e resistncia a pragas e doenas. A qua-lidade fisiolgica diz respeito ao poder germinativo e ao vigor. Por fim, a anlise sanitria avalia a incidncia de patgenos associados s sementes, como fungos, bac-trias ou vrus, que podem causar danos econmicos a lavoura. O sistema de produ-o em sementeiras ainda utilizado, prin-cipalmente por produtores que dispem de menor capital para investimento em tecnologias mais modernas. Porm, nesse sistema, as mudas so frequentemente 35afetadas por adversidades climticas e ata-ques de pragas e doenas.O sistema de produo em bandejas mais vantajoso pelas seguintes razes: per-mite melhor aproveitamento das sementes, com garantia de que em cada clula haver uma muda sadia; facilita a realizao dos tratos culturais iniciais, como desbaste, capinas manuais, irrigaes e pulveriza-es; proporciona estandes de plntulas mais uniformes; reduz danos s razes no transplantio; facilita o transporte das mudas at o local do plantio definitivo; e diminui a ocorrncia de falhas no campo, garantindo a populao desejada.As bandejas mais utilizadas so as de plstico e as de poliestireno expandido (isopor), com variaes no tamanho e no nmero de clulas. Com a profissionali-zao da olericultura, h uma tendncia 36entre os produtores de mudas de utilizar bandejas com maior nmero de clulas e, consequentemente, menores volumes de substrato por clula. Assim, h um maior aproveitamento da rea til da estufa, o que acarreta em menor custo de produo. Contudo, essa economia, caso no seja bem avaliada, pode prejudicar a produo final, pois volumes muito pequenos podem ser insuficientes ao ponto de limitar o desen-volvimento e o crescimento adequado das mudas, impedindo que as cultivares dis-ponveis expressem seu potencial produ-tivo. Por isso, nesse sistema de produo, recomenda-se usar substratos orgnicos ricos em nutrientes para no comprometer a qualidade nutricional das mudas.Caso sejam usados substratos iner-tes, obrigatoriamente deve haver uma complementao com soluo nutritiva. Em produes comerciais, comumente as 37mudas so formadas em bandejas de 128, 162 e 200 clulas, com substratos comer-ciais de alta qualidade.Deve ser escolhido um ambiente que possibilite condies satisfatrias de pro-duo, tais como estrutura e insumos que permitam o fornecimento adequado de gua, luz e nutrientes, at a muda atingir o tamanho ideal para o transplantio. Os cha-mados ambientes protegidos oferecem essas vantagens, alm de garantir proteo contra intempries e incidncias de pragas e doen-as. De 30 a 35 dias aps a semeadura, as mudas se encontram em estgio ideal para o transplantio, quando atingem de 12 cm a 15 cm de altura e possuem de quatro a seis folhas definitivas.A irrigao utilizada pode ser por asper-so ou microasperso. recomendvel o estabelecimento de um turno de rega 38controlado por sensores de medio de umidade do substrato.Uma alternativa para a formao de mudas sua aquisio em viveiros. Essa uma prtica usual para a maioria dos pro-dutores de brcolis de regies tradicionais, com bons resultados obtidos em campo. Porm, devem ser considerados alguns cri-trios para a escolha de viveiros e mudas: O viveiro deve estar legalizado no Minis-trio da Agricultura, Pecuria e Abaste-cimento (Mapa) pelo Registro Nacional de Sementes e Mudas (Renasem); As mudas devero estar em bom estado sanitrio, isentas de leses e manchas de doenas; As mudas devem vir com ausncia de manchas de deficincia ou excesso de nutrientes fornecidos via substrato ou fertirrigao;39 O transporte das mudas em bandejas deve ser realizado em condies que no causem danos s plantas.PlantioAs mudas podem ser plantadas em espaamentos variados. Os espaamentos entre linhas mais utilizados so de 50 cm e 70 cm e os entre plantas variam de 50 cm a 80 cm. Em 1 ha podem ser plantadas mais de 20 mil plantas (Tabela 2).Tabela 2. Estande total, em nmero de mil plantas por hectare (valores internos), obtido da combinao de espaa-mento entre plantas e linhas.Espaamento entre plantas (cm)Espaamento entre linhas/fileiras (cm)50 60 70 80 90 100 150 200 25050 40 33 28 25 22 20 13 10 860 33 28 24 21 18 16 11 8 770 29 24 20 18 16 14 9 7 680 25 21 18 16 14 12 8 6 540Espaamentos maiores, em geral, fazem que as plantas se desenvolvam mais e faci-litam os tratos culturais como as capinas e o transporte da colheita. Porm, os espaa-mentos mais adensados permitem o estabe-lecimento de um nmero maior de plantas por hectare e, consequentemente, floretes de tamanho mdio, variando de 4 cm a 7 cm de comprimento, os quais so utilizados para a indstria de processamento, com obteno de produtividades satisfatrias (Figura 4).Figura 4. Floretes de diferentes tamanhos.O tipo ramoso pode ser plantado em linhas duplas. O espaamento entre linhas Foto: Raphael Augusto de Castro e Melo41duplas (fileiras) varia de 1 m a 1,20 m, e 0,5 m entre plantas e linhas (fileira), totali-zando 23 mil plantas por hectare.Em arranjos de diferentes culturas em consrcio, podem-se imaginar espaamen-tos ainda mais abertos, como os citados na Tabela 2.Ainda no tipo ramoso, alguns agriculto-res fazem uso de leiras ou camalhes, seme-lhantes s utilizadas para plantio de batata ou batata-doce, com o objetivo de facilitar a colheita, o controle de plantas daninhas nas entrelinhas e, especialmente, reduzir a incidncia da hrnia das crucferas, pela menor concentrao de umidade no caule das plantas. No entanto, ainda no h evi-dncias de pesquisas que comprovem as vantagens desse tipo de sistema (Figura 5).Em reas com textura e umidade do solo adequadas ao uso da mecanizao, pode-se 42realizar o plantio em canteiros. As medidas geralmente so de 1 m ou 1,5 m de largura por 15 cm a 20 cm de altura. Os canteiros podem ser cobertos com mulching, tanto com plstico de cor preta, cinza ou prata, quanto com palha.A formao de canteiros facilita a ins-talao de fitas gotejadoras e de tneis para proteo das plantas, sobretudo em regies com risco de geadas. Alm disso, Foto: Raphael Augusto de Castro e MeloFigura 5. Plantio de brcolis em camalhes/leiras.43em locais mais frios, consegue-se acelerar o ciclo, em mdia at uma semana, com a utilizao de mulching plstico, o que pode ser vantajoso em termos comerciais, pois permite ao produtor disponibilizar a produo mais cedo. Por sua vez, o uso de plstico em regies ou pocas mais quen-tes pode no ser interessante por aquecer ainda mais o solo.A utilizao de tneis auxilia na prote-o contra insetos, como forma de barreira fsica, especialmente aqueles que causam danos diretos como sugadores e lagartas.O plantio sem formao de canteiros ou leiras recomendado para reas planas e com boa drenagem. Em reas declivosas, devem-se adotar prticas conservacionistas, como curvas de nvel, terraos e orienta-o das linhas de plantio perpendiculares declividade, alm do plantio direto na palha.44IrrigaoA cultura dos brcolis exigente em gua e requer umidade no solo para a obteno de maior produtividade e qua-lidade do produto final, principalmente durante a formao da inflorescncia. O estresse pela falta de gua afeta os pro-cessos fisiolgicos desde a fotossntese at o metabolismo dos carboidratos. A umi-dade excessiva no solo pode causar queda da inflorescncia, formao de caule oco e doenas oriundas do solo. No cultivo de brcolis, os sistemas mais utilizados de irrigao so os de asperso, sulcos, microasperso e gotejamento.Durante os perodos mais secos do ano, em regies propcias a altas taxas de evapo-transpirao, as irrigaes devem ser mais frequentes, principalmente na fase de for-mao das inflorescncias (Figuras 6 e 7).45Figura 6. Irrigao por asperso.Figura 7. Irrigao por gotejamento.Foto: Raphael Augusto de Castro e MeloFoto: Raphael Augusto de Castro e Melo46A necessidade hdrica de uma cultura dada pela evapotranspirao, ou seja, pela perda de gua do solo (evaporao) e da planta (transpirao) para a atmosfera. Essa perda tem que ser reposta, de modo que no haja comprometimento da produo.Deste modo, vrios so os mtodos que podem ser utilizados para o manejo da gua de irrigao. Todos tm como base infor-maes relacionadas a um ou mais compo-nentes do sistema solo-planta-atmosfera. Naqueles que possibilitam um melhor controle da irrigao, o manejo realizado em tempo real por meio da instalao de sensores para a medio do status da gua no solo e/ou da estimativa da evapotranspi-rao da cultura. A partir da medio direta da evapotranspirao da cultura em condi-es de campo, nas suas diversas fases de desenvolvimento, os coeficientes da cultura (Kc) so determinados.47Os valores mdios de coeficiente de cul-tura (Kc) para brcolis sem estresse variam de acordo com a Tabela 3.Tabela 3. Coeficientes de cultura de brcolis em diferentes estgios de desenvolvimento.Estgio da culturaKcinicial Kcmdio Kcfinal0,65 1,05 0,95Fonte: adaptado de Sousa et al. (2011).Em Sistema Plantio Direto, os valores iniciais de Kc devem ser reduzidos em at 30% e em at 10% no final do ciclo, pela presena de palhada no solo, com maior manuteno da umidade e menor evapotranspirao.Assim, alm de garantir incrementos de produtividade e melhor qualidade na produo de brcolis, irrigaes adequa-das realizadas a partir de mtodos de manejo, minimizam impactos ambientais, 48permitindo reduzir o gasto de gua, ener-gia, perdas de nutrientes por lixiviao e a incidncia de pragas, com consequente diminuio no uso de produtos para seu controle. Parmetros para a realizao de clculos, seus princpios, e os procedimen-tos para instalao e funcionamento de equipamentos de irrigao para so mais bem detalhados na literatura recomendada.Tratos CulturaisControle de plantas daninhasO perodo mais crtico de controle de plantas daninhas nessa cultura compreende as primeiras semanas aps o transplantio, quando a planta deve permanecer livre de competio para evitar a disputa por gua, luz e nutrientes.O controle pode ser realizado por meio de capinas e com a utilizao de herbicida. 49Para a cultura dos brcolis, h apenas um herbicida registrado no Mapa, o fluazi-fope-P-butlico. As indicaes de uso so dosagens entre 0,5 L/ha a 0,75 L/ha, com 100 L a 300 L de volume de calda, em ps--emergncia. O intervalo de segurana para a cultura de 28 dias.A utilizao de coberturas plsticas e palhada so alternativas para o controle quando se realiza o plantio em canteiros.Plantio direto crescente o uso do Sistema Plantio Direto em Hortalias (SPDH), entre elas os brcolis. O SPDH tem sido avaliado e vali-dado no Distrito Federal e nos estados de Santa Catarina, Paran, Minas Gerais, Rio de Janeiro, entre outros.Basicamente consiste no transplantio de mudas sobre a palhada de plantas de cober-tura previamente roadas, trituradas e/ou 50dessecadas, com preparo restrito a covas ou linhas de plantio (Figura 8).Figura 8. Plantio Direto sobre palhada de milheto. fundamental a escolha adequada da planta de cobertura formadora de palhada, sendo mais comum utilizar gramneas por sua elevada relao carbono:nitrognio (C:N), o que lhe confere uma lenta decom-posio, destacando-se milheto, milho ou Foto: Nuno Rodrigo Madeira51braquiria no vero, e aveia-preta ou trigo no inverno. Sugere-se a incluso de legu-minosas para enriquecer o SPDH em fun-o da fixao biolgica de N.A adubao deve considerar o balano de nutrientes. Quando se utilizam somente gramneas, deve-se aumentar a adubao nitrogenada. Por sua vez, pode-se reduzir a adubao fosfatada e a orgnica.O SPDH tem sido utilizado pelos seus benefcios j consagrados em gros, entre os quais esto os seguintes: a reduo da eroso em at 95%, a maior eficincia no uso de gua e a economia na irrigao em at 50%, o melhor controle de plantas dani-nhas, a amenizao dos picos de tempera-tura, especialmente no vero, com reduo de at 10 C nas horas mais quentes do dia.Os nveis produtivos obtidos tm sido semelhantes ou at 10% mais altos que 52mediante o sistema convencional de cultivo com preparo de solo.O SPDH tem demonstrado excelentes resultados na supresso das plantas dani-nhas com a formao de palhada por meio de plantas de cobertura ou adubos verdes. Essa prtica tem como vantagens no per-mitir a entrada de luz e no demandar revol-vimento do solo, ao contrrio de reas que, ao serem mecanizadas, trazem superfcie o banco de sementes do solo (conjunto de sementes vivas, presentes no solo ou asso-ciadas a restos vegetais) que competiro com a cultura.A reduo de plantas daninhas em SPDH tem sido entre 50% a 70% do total ocor-rente nas reas em comparao ao sistema convencional com preparo de solo. Essa diminuio resulta em menor quantidade de capinas e, consequentemente, em menor custo de produo.53No caso de manejo de base agroecol-gica, o controle das plantas daninhas rea-lizado somente quando ocorre competio com a cultura em nveis que prejudiquem a produtividade dos brcolis. Recomenda-se o uso de palhada entre as plantas e capi-nas menos drsticas, deixando a vegetao entre as plantas ao longo do desenvolvi-mento da cultura.Controle de PragasOs insetos sugadores de seiva (pulges e a mosca-branca) e as lagartas constituem os principais grupos de pragas dos brcolis. So de infestao frequente nas condies de cultivo brasileiras.Os pulges Brevicoryne brassicae (Linnaeus), Myzus persicae (Sulzer) e Lipaphis erysimi (Kaltenbach) (Hemiptera: Aphididae) so insetos de 1 mm a 3 mm de comprimento, com corpo periforme e 54mole e antenas desenvolvidas. A forma ptera (sem asas) de B. brassicae apresenta colorao verde-acinzentada, coberta por uma camada cerosa branca (Figura 9); a forma alada de colorao verde, cabea e trax pretos, alm de abdome com manchas escuras na parte dorsal. A forma ptera de L. erysimi possui colorao verde-escura Figura 9. Folha de brcolis com colnia do pulgo B. brassicae.Foto: Miguel Michereff Filho55ou acinzentada, com antenas e pernas pretas, podendo ser identificada equivo-cadamente como B. brassicae; a forma alada tem cabea e abdome verde-escuro, enquanto o trax verde-claro. J a espcie M. persicae possui colorao verde-clara, rosada ou avermelhada (Figura 10).Figura 10. Folha de brcolis infestada pelo pulgo Myzus persicae.Esses pulges podem atacar o cultivo de brcolis durante todo o seu ciclo e ocorrem em grandes colnias na face inferior das Foto: Raphael Augusto de Castro e Melo56folhas, nas brotaes e nas flores. A suco contnua de seiva e a injeo de toxinas provocam o definhamento de mudas e plan-tas jovens, bem como o encarquilhamento das folhas, brotos e ramos. Alm disso, a excreo de lquido aucarado durante a alimentao dos insetos favorece o desen-volvimento do fungo Capnodium sp., causa-dor da fumagina (lmina preta), que ocorre sobre as folhas e as estruturas reprodutivas da planta e afeta, consequentemente, a fotossntese e a respirao das plantas, pre-judicando a aparncia das inflorescncias.A mosca-branca [Bemisia tabaci (Genn.) bitipo B (= espcie crptica Middle East--Asia Minor 1)] tambm um inseto muito pequeno (Figura 11).O adulto possui dorso amarelo-palha, antenas curtas e quatro asas membrano-sas recobertas com pulverulncia branca. Quando o inseto est pousado na planta 57suas asas no se sobrepem. A ninfa (forma jovem) translcida de colorao amarelo a amarelo-plido (Figura 12). Esse inseto causa danos aos brcolis pela suco da seiva e ao toxicognica, provocando alte-raes no desenvolvimento vegetativo e reprodutivo das plantas.Em alta infestao, as plantas apre-sentam colorao branco-acinzentada ou Figura 11. Mosca-branca Bemisia tabaci bitipo B (adulto).Foto: Raphael Augusto de Castro e Melo58verde-opaca, cujo sintoma conhecido como talo branco, que favorece o surgi-mento de fumagina sobre as folhas, talos e inflorescncias dos brcolis, depreciando o produto comercializado.Existem vrias medidas de controle para os pulges e a mosca-branca. O primeiro passo para o manejo integrado dessas Figura 12. Mosca-branca Bemisia tabaci bitipo B (ninfas).Foto: Larissa Augusto de Castro e Vendrame59pragas consiste no monitoramento de suas populaes com armadilhas amarelas ade-sivas instaladas estrategicamente nas bor-daduras e no centro da lavoura. A inspeo peridica das armadilhas (duas vezes por semana) permite identificar quando os inse-tos sugadores esto colonizando o cultivo, bem como os maiores focos de infestao e a eficincia dos mtodos de controle.O controle cultural consiste na adoo de prticas que visam deixar o ambiente menos favorvel ao desenvolvimento desse grupo de pragas.Dessa forma, recomenda-se: O uso de sementes sadias e com alto poder germinativo. O uso de cultivares de ciclo curto e o planejamento da poca de plantio para a regio, visando evaso no perodo/ 60poca de maiores picos populacionais das pragas. A produo de mudas em cultivo protejido com telado que dificulte a entrada das pragas. O uso de armadilhas amarelas ade-sivas para captura de pulges alados e adultos de mosca-branca durante a fase de mudas em telado; A seleo de mudas sadias e vigorosas para o transplantio. O isolamento dos cultivos por data e rea, a fim de evitar o escalonamento de plantio; a instalao dos cultivos no sen-tido contrrio ao vento, do mais velho para o mais novo, para desfavorecer o deslocamento de insetos sugadores das lavouras mais velhas para as novas. A implantao prvia de barreiras vivas ou faixas de cultivos (sorgo, 61capim-elefante, milheto ou cana-de--acar) ao redor da lavoura; o plantio de espcies vegetais (coentro, artem-sia, erva-doce) no entorno e dentro da rea do cultivo (consrcio) que atraiam os inimigos naturais. A manuteno de vegetao nativa entre talhes e a cobertura do solo com superfcie refletora (casca de arroz, palha de gramneas ou plstico prateado), para dificultar a coloniza-o de pulges alados e adultos de mosca-branca. A adubao qumica conforme anlise de solo ou foliar e requerimentos da cultura, a fim de evitar excesso de N. O manejo adequado da irrigao para evitar o estresse hdrico e favorecer o estabelecimento rpido das plan-tas, podendo tambm ser utilizada 62para controle mecnico pela remoo dos insetos sugadores das folhas e inflorescncias. A manuteno de cultivos livres de plantas infestantes, a destruio de restos culturais logo aps a colheita e a rotao de culturas com plan-tas no hospedeiras de pulges e da mosca-branca.O uso de inseticidas biolgicos que contenham os fungos entomopatognicos Brevicoryne bassiana e Lecanicillium spp. pode controlar os pulges e a mosca--branca, principalmente quando os produ-tos forem utilizados com umidade relativa do ar acima de 60%.O controle qumico a principal medida de controle de pulges e mosca-branca e existem vrios inseticidas registrados no Mapa para a cultura dos brcolis (Tabela 4).63Tabela 4. Produtos registrados para o controle das principais pragas da cultura dos br-colis.PragaIngrediente ativoGrupo qumicoModo de aoIntervalo de segurana (dias)Classe toxi-colgica(1)Classe am-biental(2)Brevicoryne brassicaeTiametoxamNeonicotinoideSistmico, contato e ingesto82IIIIAcefatoOrganofosforadoSistmico, contato e ingesto14IIIIIDeltametrinaPiretroideContato e ingesto3IIIIImidaclopridoNeonicotinoideSistmico, contato e ingesto40IVIIIMetomilCarbamatoContato e ingesto3IIIImidaclopridoNeonicotinoideSistmico, contato e ingesto82IIIIMetomilCarbamatoContato e ingesto3IIIAcefatoOrganofosforadoSistmico, contato e ingesto14IIIIIMetomilCarbamatoContato e ingesto3IIIMalationaOrganofosforadoContato e ingesto7IIIIIIContinua...64PragaIngrediente ativoGrupo qumicoModo de aoIntervalo de segurana (dias)Classe toxi-colgica(1)Classe am-biental(2)AcefatoOrganofosforadoSistmico, contato e ingesto14IVIIIMyzus persicaeAcefatoOrganofosforadoSistmico, contato e ingesto14IIIIIAcefatoOrganofosforadoSistmico, contato e ingesto14IIIIIAcefatoOrganofosforadoSistmico, contato e ingesto14IVIIIBemisia ta-bacibitipo BTiametoxamNeonicotinoideSistmico, contato e ingesto82IIIIImidaclopridoNeonicotinoideSistmico, contato e ingesto40IVIIIImidaclopridoNeonicotinoideSistmico, contato e ingesto82IIIIAscia monuste orseisBacillus thuringiensisBiolgicoIngesto-IVIVTabela 4. Continuao.Continua...65Tabela 4. Continuao.Continua...PragaIngrediente ativoGrupo qumicoModo de aoIntervalo de segurana (dias)Classe toxi-colgica(1)Classe am-biental(2)DeltametrinaPiretroideContato e ingesto3IIIIBacillus thuringiensisBiolgicoIngesto-IVIVMetomilCarbamatoContato e ingesto3IIIMetomilCarbamatoContato e ingesto3IIIMetomilCarbamatoContato e ingesto3IIIMalationaOrganofosforadoContato e ingesto7IIIIIIBacillus thuringiensisBiolgicoIngesto10IVIVBacillus thuringiensisBiolgicoIngesto-IIIIIPlutella xylostellaBacillus thuringiensisBiolgicoIngesto-IVIVAcefatoOrganofosforadoSistmico, contato e ingesto14IIIIIDeltametrinaPiretroideContato e ingesto3IIII66PragaIngrediente ativoGrupo qumicoModo de aoIntervalo de segurana (dias)Classe toxi-colgica(1)Classe am-biental(2)Bacillus thuringiensisBiolgicoIngesto-IVIVMetomilCarbamatoContato e ingesto3IIIMetomilCarbamatoContato e ingesto3IIIAcefatoOrganofosforadoSistmico, contato e ingesto14IIIIIMetomilCarbamatoContato e ingesto3IIIAcefatoOrganofosforadoSistmico, contato e ingesto14IVIIIBacillus thuringiensisBiolgicoIngesto10IVIVTabela 4. Continuao.Continua...67Tabela 4. Continuao.PragaIngrediente ativoGrupo qumicoModo de aoIntervalo de segurana (dias)Classe toxi-colgica(1)Classe am-biental(2)Acetato de (Z)-11--hexadecenila (acetato in-saturado) + (Z)-11- He-xadecenal (aldedo)Aldedo + aceta-to insaturado(feromnio)Comportamental---Trichoplusia niBacillus thuringiensisBiolgicoIngesto-IVIVDeltametrinaPiretroideContato e ingesto3IIIIBacillus thuringiensisBiolgicoIngesto-IVIVBacillus thuringiensisBiolgicoIngesto10IVIV(1) Classe toxicolgica: I - extremamente txico (faixa vermelha); II - altamente txico (faixa amarela); III - moderadamente txico (faixa azul); IV - pouco txico (faixa verde).(2)Classe ambiental: I - produto altamente perigoso ao meio ambiente; II - produto muito perigoso ao meio ambiente; III - produto perigoso ao meio ambiente; IV - produto pouco perigoso ao meio ambiente.Fonte: Brasil (2014).68Entretanto, o uso indiscriminado de agrotxicos tem elevado substancialmente o custo de produo de brcolis e pode acarretar srios danos ambientais e a conta-minao da produo com resduos txicos.Para o controle dos pulges e da mosca--branca, antes do florescimento dos brco-lis tambm podem ser utilizados produtos alternativos, como leo mineral ou leo vegetal emulsionvel e inseticida botnico base de leo de nim (Azadirachta indica), nunca ultrapassando a concentrao de 0,5% (volume/volume) na calda pulveri-zada, ou seja, para o preparo da calda deve--se misturar 50 mL do produto comercial em 10 L de gua. Doses mais altas podero ocasionar fitointoxicao, e o uso frequente de produtos base de nim pode ter efeito nocivo sobre os inimigos naturais.As principais lagartas da ordem Lepidoptera que infestam os brcolis 69pertencem s seguintes espcies: Plutella xylostella (Linnaeus) (traa-das-cruc-feras); Trichoplusia ni (Hbner) (lagarta falsa-medideira) e Ascia monuste orseis (Latreille) (curuquer-da-couve).Plutella xylostella (famlia Plutellidae) os adultos so mariposas de 8 mm a 10 mm de comprimento, com colorao parda e mancha branca na margem posterior das asas formando uma faixa em formato de diamante quando em repouso. Os ovos so muito pequenos, arredondados e esverdea-dos, depositados na face inferior das folhas e nas inflorescncias. As lagartas atingem at 10 mm de comprimento, so de colo-rao verde-clara (Figura 13A), cabea de cor parda e corpo com pelos escuros, curtos e esparsos. As lagartas causam des-folha e podem destruir completamente a lavoura.70Figura 13. Folha de brcolis com lagarta (A) e pupas de traa-das-crucferas da espcie Plutella xylostella (B).Fotos: Raphael Augusto de Castro e MeloAB71A traa pode ainda favorecer a entrada de bactrias oportunistas, como Pectobacterium spp., nos tecidos lesionados, aumentando a incidncia de podrido-mole nas plantas. A pupa protegida por um casulo de seda branca (Figura 13B), facilmente reconhe-cida na face inferior das folhas.Trichoplusia ni a mariposa marrom e possui uma mancha branco-prateada no centro da asa anterior. Os ovos so arre-dondados e esverdeados. A sua postura feita em camadas sobre a face inferior das folhas. A lagarta verde-clara, com at 40 mm de comprimento, e apresenta a parte posterior do corpo mais robusta. Quando se locomove, apresenta movimento seme-lhante ao de medir com a palma da mo. As lagartas atacam as folhas de brcolis e produzem grandes orifcios. No pice da planta (regio meristemtica), as folhas so comidas dos bordos para o centro, entre as 72nervuras. A pupa de colorao marrom e protegida por casulo fino de seda branca, sendo encontrada na face inferior da folha.Ascia monuste orseis os adultos so borboletas com cerca de 50 mm de enver-gadura, corpo preto e asas branco-amarela-das, com bordas marrom-escuras. Os ovos so amarelados, depositados em grupos no muito prximos na face inferior da folha, talos e inflorescncias (Figura 14A). As lagartas chegam a medir 40 mm de comprimento, possuem cabea escura, corpo de colorao cinza-esverdeado, com faixas longitudinais amarelas e verdes e pontuaes pretas (Figura 14B).As lagartas ocasionam desfolha parcial ou total da planta e consomem as inflores-cncias e sementes produzidas. As pupas so de colorao marrom-esverdeada e no so protegidas por casulo de seda, sendo encontradas na prpria planta ou no solo.73Figuras 14. Folhas de brcolis com ovos (A) e lagarta do curuquer-da-couve (A. monuste orseis) (B).ABFotos: Jorge Andersson Guimares74Para o manejo integrado das lagartas em brcolis, deve-se monitorar a lavoura pelo menos duas vezes por semana. Para a traa--das-crucferas, recomenda-se o emprego de armadilhas iscadas com feromnio sexual sinttico para captura de mariposas e a inspeo das plantas (folhas, ramos e inflorescncias) na busca de sintomas de infestao, de lagartas e pupas. Para os demais lepidpteros, devem-se inspecionar diretamente as plantas.Alm das medidas culturais para o con-trole de insetos sugadores, o manejo das lagartas na cultura dos brcolis dever incluir: A adoo de cultivos intercalares (con-srcio) com plantas no hospedeiras, que tenham porte ereto. A sucesso e rotao de culturas com plantas no hospedeiras, evitando-se plantios sucessivos de brssicas na 75mesma rea de cultivo; a remoo de folhas com ovos/posturas e lagartas. A destruio e incorporao dos restos culturais e de cultivos abandonados; a eliminao de plantas espontneas de cultivos anteriores antes do novo plan-tio de brcolis no mesmo local. A adoo de vazio fitossanitrio, de modo que a rea de cultivo e todas as outras reas que lhe so prximas fiquem simultaneamente livres da cul-tura e de plantas hospedeiras das lagar-tas por, pelo menos, quatro semanas.O uso de inseticidas qumicos a prin-cipal medida de controle de lagartas, com diversos produtos registrados para brcolis (Tabela 5). Alternativamente, podem-se utilizar inseticidas botnicos base de leo de nim (A. indica), com at 0,5% de con-centrao, na calda a ser pulverizada.76O uso de inseticidas biolgicos que contenham a bactria entomopatognica Bacillus thuringiensis (Berliner) (subes-pcies kurstaki e aizawai) tambm pode controlar eficientemente esse grupo de pra-gas. Esses inseticidas biolgicos devem ser utilizados em fases iniciais do ataque, ou seja, quando as lagartas ainda so pequenas (menores que 1 cm de comprimento), prin-cipalmente durante o perodo de florao. As pulverizaes devem ser dirigidas s folhas, ramos e inflorescncias, e realiza-das sempre com vento fraco e no final da tarde, quando as temperaturas esto mais amenas.Outra possibilidade de controle biol-gico a liberao do parasitoide de ovos Trichogramma pretiosum (Riley) (Hyme-noptera: Trichogrammatidae) para con-trole de P. xylostella (traa-das-crucferas) e de T. ni (falsa-medideira), podendo ser 77utilizado conjuntamente com inseticidas base de B. thuringiensis e inseticidas reguladores de crescimento para controle de lagartas, os quais so seletivos em favor desse inimigo natural.Controle de DoenasHrnia das crucferasA hrnia das crucferas um dos prin-cipais problemas nas reas produtoras de brssicas em todo o mundo. A doena cau-sada pelo patgeno de solo Plasmodiophora brassicae (Woron), que completa parte de seu ciclo de vida dentro das razes da planta hospedeira as brssicas.Os sintomas caractersticos dessa doena so a murcha da planta e a formao de galhas nas razes, por causa do crescimento anormal do tecido, que engrossa e encurta as razes, adquirindo forma semelhante a uma hrnia, o que deu o nome doena. 78As plantas apresentam um aspecto normal de sanidade, mas murcham nos perodos mais quentes e secos do dia, recuperando--se durante a noite. Nas razes, visualizam--se as galhas que se estendem quanto maior seja a infeco e a formao das razes laterais (Figuras 15A e 15B). Quando as plantas no so capazes de absorver gua e nutrientes em quantidade suficiente, ocorre a diminuio da produo por causa do comprometimento do sistema radicular. Se a infeco muito severa nos primeiros dias, pode levar morte da planta.A infestao do solo pode ocorrer pelos seguintes fatores: introduo de mudas infectadas na rea, movimentao de pes-soas, de mquinas e implementos agrcolas contaminados, solo e gua contaminados. P. brassicae possui estruturas de resistn-cia extremamente eficientes com relao a sua forma de disperso e sobrevivncia no Figura 15. Galhas severas de hrnia das cruc-feras causada por Plasmodiophora brassicae.Fotos: Mariane Carvalho VidalAB79As plantas apresentam um aspecto normal de sanidade, mas murcham nos perodos mais quentes e secos do dia, recuperando--se durante a noite. Nas razes, visualizam--se as galhas que se estendem quanto maior seja a infeco e a formao das razes laterais (Figuras 15A e 15B). Quando as plantas no so capazes de absorver gua e nutrientes em quantidade suficiente, ocorre a diminuio da produo por causa do comprometimento do sistema radicular. Se a infeco muito severa nos primeiros dias, pode levar morte da planta.A infestao do solo pode ocorrer pelos seguintes fatores: introduo de mudas infectadas na rea, movimentao de pes-soas, de mquinas e implementos agrcolas contaminados, solo e gua contaminados. P. brassicae possui estruturas de resistn-cia extremamente eficientes com relao a sua forma de disperso e sobrevivncia no Figura 15. Galhas severas de hrnia das cruc-feras causada por Plasmodiophora brassicae.Fotos: Mariane Carvalho VidalAB80solo na forma de esporos de resistncia. Por causa dessas particularidades, o controle da doena ainda um desafio para os agri-cultores, pois no existe uma forma nica capaz de eliminar completamente o pat-geno do solo. No Pas, no h nenhum agro-txico registrado no Mapa para o controle dessa doena em brcolis. Uma vez infes-tada a rea, a soluo buscar estratgias de convivncia com a doena. A hrnia das crucferas uma doena de difcil controle. Desse modo, recomenda-se a utilizao de vrias estratgias de manejo que sejam ade-quadas regio e a forma de produo do agricultor, buscando o controle eficiente da doena.Tradicionalmente, seu controle reali-zado pela rotao de cultivos com espcies no suscetveis ao patgeno durante longos perodos de tempo para reduzir o inculo do solo, que possui meia-vida de 4 anos. 81Assim, aps esse perodo de rotao, resta-ro 50% de esporos viveis em uma rea e, aps 8 anos de rotao, a tendncia haver apenas 25% de esporos viveis na rea.Plantas como o manjerico e a hortel, quando em cultivo prvio ao de brssi-cas, apresentam efeito antagnico contra P. brassicae, porm so de pouca viabili-dade econmica em consrcio com br-colis, quando cultivados em escala e em sistemas convencionais. Algumas plantas estimulam a germinao prvia de esporos de P. brassicae, por isso so denominadas plantas-armadilhas. Essas plantas fazem que parte dos esporos de P. brassicae ger-minem antes da implantao da cultura de interesse, no caso as brssicas, tornando-os incapazes de invadir o pelo da raiz, redu-zindo assim os sintomas nas plantas.Compostos orgnicos base de tortas e farelos vegetais tm se mostrado uma 82estratgia vivel no manejo da hrnia das crucferas. Porm, em reas com alta concentrao de inculo, o uso desses produtos deve ser combinado com outras prticas para supresso da doena. O uso de substratos desinfetados para produzir as mudas outro mtodo preventivo para o controle de hrnia das crucferas. A lim-peza de bandejas pode ser realizada com o uso de hipoclorito de sdio e outros produ-tos comerciais sanitizantes base de cidos e perxidos, que so diludos em diferentes concentraes que variam de 0,5% a 1% do volume de gua.Outra prtica importante o ajuste do pH do solo. O aumento da alcalinidade do solo a forma mais antiga praticada para controle da hrnia das crucferas. A doena mais severa em solos cidos (com pH abaixo de 5,5), diminuindo em pH supe-riores e inexistente em pH acima de 7,8. 83A calagem do solo o mtodo mais utilizado para aumentar o pH e consiste na aplicao de Ca e Mg, os quais, quando incorporados, alteram favoravelmente suas propriedades fsicas e qumicas.O uso de cultivares resistentes uma das formas mais estveis de controlar essa doena, porm ainda no h nenhuma culti-var de brcolis disponvel no mercado com resistncia ao patgeno. A dificuldade de introgresso da resistncia em brssicas, bem como a dificuldade de manuteno, deve-se ao fato de P. brassicae ser um pat-geno que apresenta grande variabilidade gentica, com nove raas conhecidas, difi-cultando a seleo de cultivares resistentes s diversas raas.A utilizao de reas com solos bem drenados, com gua de boa qualidade, entre outras medidas, so recomendadas para o controle dessa doena.84Podrido-negraOs brcolis tm sua produo limitada pela ocorrncia de doenas bacterianas, entre as quais est a podrido-negra, cau-sada pela bactria Xanthomonas campestris pv. campestris (Pammel). Essa bactria apre-senta distribuio mundial e pode promover considervel reduo na produtividade e na qualidade do produto, e, em casos extremos, pode levar perda total na colheita em culti-vares extremamente suscetveis.A sua disseminao se d por meio de sementes ou mudas, restos culturais infec-tados e/ou estruturas de sobrevivncia, alm de apresentar grande efeito da dissemina-o secundria a curta distncia. Os sinto-mas da podrido-negra podem aparecer em qualquer estdio de desenvolvimento desde a fase cotiledonar, lesionando as folhas, causando manchas e posterior queda da planta. Nas folhas definitivas, a bactria 85penetra pelos hidatdios e provoca leses amareladas, as quais progridem, em forma de V, em direo ao centro da folha e ficam limitadas pelas nervuras. Com o decorrer do desenvolvimento, essas leses avanam para a nervura principal e adquirem uma tonalidade marrom-clara. Posteriormente, secam a folha e provocam sua queda (Figu-ras 16A e 16B).Uma das medidas mais efetivas para o controle da doena o uso de cultivares resistentes. Em brcolis, esta doena tem sido observada em vrias regies produto-ras e no h cultivares comerciais conside-radas resistentes.No Mapa, no h nenhum agrotxico registrado para o controle dessa doena em brcolis no Pas. Cultivares do tipo inflorescncia nica que possuem folhas imbricadas (mais eretas) permitem menor 86acmulo de gua na planta e podem auxi-liar no manejo dessa doena.As seguintes medidas de controle da podrido-negra devem ser adotadas em carter preventivo: Utilizar sementes sadias. Evitar o excesso de adubao nitroge-nada (orgnica ou mineral). Evitar plantios muito adensados. Utilizar preferencialmente a irrigao por sistema de gotejamento, evitando o molhamento foliar. Fazer rotao de culturas com horta-lias de famlias botnicas diferentes das brssicas. Queimar ou enterrar os restos de cultura, principalmente de cultivos contaminados.Figura 16. Leso em formato de V e avano para a nervura.Fotos: Raphael Augusto de Castro e MeloAB87acmulo de gua na planta e podem auxi-liar no manejo dessa doena.As seguintes medidas de controle da podrido-negra devem ser adotadas em carter preventivo: Utilizar sementes sadias. Evitar o excesso de adubao nitroge-nada (orgnica ou mineral). Evitar plantios muito adensados. Utilizar preferencialmente a irrigao por sistema de gotejamento, evitando o molhamento foliar. Fazer rotao de culturas com horta-lias de famlias botnicas diferentes das brssicas. Queimar ou enterrar os restos de cultura, principalmente de cultivos contaminados.Figura 16. Leso em formato de V e avano para a nervura.Fotos: Raphael Augusto de Castro e MeloAB88 Controlar insetos mastigadores que ocasionam leses e que servem de porta de entrada para a bactria. Eliminar plantas daninhas prximas ao plantio.Podrido-moleA doena causada por Pectobacterium carotovorum (Jones), com predominn-cia da subespcie P. carotovorum subsp. carotovorum em brcolis. Os sintomas da podrido-mole se caracterizam, inicial-mente, pela macerao dos tecidos da base das folhas em contato com o solo infestado, progridem rapidamente para o caule princi-pal e resultam no colapso de toda a planta (Figura 17). Inflorescncias com menor granulometria (botes florais menores e mais compactos) permitem menor acmulo de gua e podem auxiliar no manejo dessa doena.89Figura 17. Apodrecimento do caule causado por P. carotovorum.Nas regies produtoras, esta bactria ocasiona um mau odor tpico e bastante frequente em plantios no vero. Tem sua ocorrncia associada a ferimentos advindos de capinas e/ou da colheita.As principais medidas preconiza-das para o controle de podrides-mole incluem:Foto: Raphael Augusto de Castro e Melo90 Evitar plantio em solos de baixada, mal drenados. Retirar da rea plantas doentes. Destruir restos culturais. Realizar a rotao de culturas por 3 a 4 anos. No armazenar inflorescncias e maos de plantas doentes e sadias conjuntamente. Armazenar as inflorescncias em local ventilado, seco e preferencialmente em baixas temperaturas. Evitar ferimentos durante os tratos culturais, como capina e durante a colheita. Controlar insetos mastigadores, que ocasionam leses que serviro de porta de entrada para a bactria.91 Usar gua de irrigao livre de contaminao. Evitar o excesso de umidade com espaamentos maiores entre plantas. Fazer adubao e calagem equilibradas. Utilizar cloro na gua de lavagem do produto.PratinhoO pratinho, tambm conhecido como doena do anel e enfezamento dos brcolis, uma doena da cultura dos brcolis que apenas recentemente se tornou importante no Brasil. Ela tem causado perdas rele-vantes no Estado de So Paulo, at mesmo quando a incidncia da doena baixa, pelo fato de as plantas infectadas serem impr-prias para a comercializao.A doena causada por fitoplas-mas, um grupo de bactrias que habitam 92exclusivamente o floema das plantas. A colo-nizao desse tecido est relacionada com o principal sintoma da doena em plantas de brcolis, que o escurecimento dos vasos do floema (Figura 18A), que nada mais do que a resposta da planta infeco pela bactria. Alm desse sintoma tpico, as plantas tambm apresentam reduo do crescimento, alterao da colorao das folhas e m formao da inflorescncia (Figura 18B). A bactria demora algum tempo para se multiplicar e induzir a expresso dos sintomas e, por esse motivo, os sintomas so mais acentuados quando a infeco ocorre no incio do cultivo.A disseminao do fitoplasma associado ao pratinho no ocorre da mesma forma que comumente acontece com vrias bacte-rioses, ou seja, por meio de sementes, pela transmisso da bactria de uma planta para a outra, por ferramentas de corte ou pela Figura 18. Escurecimento dos vasos do floema (A); reduo do crescimento, alterao da colorao das folhas e m formao da inflorescncia (B).Fotos: Brbara EcksteinAB93exclusivamente o floema das plantas. A colo-nizao desse tecido est relacionada com o principal sintoma da doena em plantas de brcolis, que o escurecimento dos vasos do floema (Figura 18A), que nada mais do que a resposta da planta infeco pela bactria. Alm desse sintoma tpico, as plantas tambm apresentam reduo do crescimento, alterao da colorao das folhas e m formao da inflorescncia (Figura 18B). A bactria demora algum tempo para se multiplicar e induzir a expresso dos sintomas e, por esse motivo, os sintomas so mais acentuados quando a infeco ocorre no incio do cultivo.A disseminao do fitoplasma associado ao pratinho no ocorre da mesma forma que comumente acontece com vrias bacte-rioses, ou seja, por meio de sementes, pela transmisso da bactria de uma planta para a outra, por ferramentas de corte ou pela Figura 18. Escurecimento dos vasos do floema (A); reduo do crescimento, alterao da colorao das folhas e m formao da inflorescncia (B).Fotos: Brbara EcksteinAB94gua de irrigao/chuva. Os fitoplasmas infectam as plantas de brcolis por meio de cigarrinhas que se alimentam no floema de plantas. Essas cigarrinhas adquirem a bactria de uma planta contaminada e, pos-teriormente, transmitem-na para as plantas nas quais vai se alimentar. O processo de transmisso de fitoplasmas no ocasional, por isso somente algumas cigarrinhas que se alimentam do floema de plantas podero transmiti-los. No Brasil, as seguintes esp-cies foram identificadas como capazes de transmitir a bactria: Atanus nitidus (Lin-navuori), Balclutha hebe (Kirkaldi), Agallia albidula (Uhler) e Agalliana sticticollis (Stl). Considerando-se que as mudas que formam o campo de cultivo sejam sadias, quando produzidas em ambiente telado (livre de insetos) h questionamentos quanto origem da doena.95Estudos recentes revelaram que plantas daninhas presentes nas reas de cultivo de brcolis (ou na proximidade dos campos) servem de hospedeiras tanto para fitoplasmas quanto para cigarrinhas. Plantas daninhas de diversas espcies abrigam fitoplasmas simi-lares queles encontrados em plantas dessa brssica. Logo, acredita-se que as cigarri-nhas adquirem as bactrias a partir dessas plantas daninhas e as disseminam para a cultura. Essa hiptese reforada pelo fato de a maior incidncia da doena sempre ser maior nas bordas do cultivo, especialmente nas proximidades de reas com grande ocor-rncia de plantas daninhas.Aps a infeco das plantas de brcolis pela bactria, no mais possvel elimin--la, portanto todas as medidas de controle da doena visam evitar a infeco da planta.As medidas de controle devem ser realizadas mesmo antes da implantao 96da cultura, pela produo de mudas em ambiente protegido de insetos e pelo con-trole das cigarrinhas e das plantas daninhas na rea de cultivo de brcolis, visando reduo da populao do vetor e da fonte de inculo do patgeno, respectivamente.AlternarioseA alternariose, causada por Alternaria brassicicola (Schwn.) Wilt. ou Alternaria brassicae (Berk.) Sacc. uma doena limi-tante na produo de brcolis, podendo reduzir sua produtividade em at 50%.Esse patgeno causa danos maiores quando ocorre na fase de sementeira, provo-cando necrose dos cotildones, do hipoctilo e tombamento, o que acarreta a destruio das mudas e inviabiliza o transplantio.Em plantas adultas, os sintomas ocor-rem inicialmente nas folhas mais velhas, e so caracterizados por leses pequenas e 97necrticas. Posteriormente, todas as folhas passam a apresentar leses circulares, con-cntricas e com halo clortico (Figura 19). Essas leses podem coalescer e, em ataques mais severos, as folhas amarelecem e secam.Figura 19. Leso causada por alternariose.As sementes infectadas, quando jovens, so destrudas ou ficam chochas, enquanto as sementes maduras podem ser infestadas Foto: Larissa Pereira de Castro Vendrame98e infectadas e contm o miclio dormente do fungo.Nos restos culturais comumente deixa-dos na rea nas diversas regies produtoras, A. brassicicola sobrevive dentro dos locais de plantio e entre eles, tendo em vista que suas estruturas de reproduo so facil-mente disseminadas pelo vento. Em longos perodos com condies favorveis doena, tais como temperaturas amenas, umidade relativa do ar elevada e pouco molhamento foliar, seja por irrigao seja por baixas pre-cipitaes, as estruturas de reproduo ori-ginadas de poucas leses produzem grande nmero de novas infeces e podem causar danos severos cultura dentro de um tempo relativamente curto.O manejo da alternariose em brcolis pode ser realizado pelo uso de agrotxicos (Tabela 5) e pela incorporao dos restos foliares infectados no solo, profundidade 99Tabela 5. Produtos registrados para o controle das principais doenas da cultura dos brcolis. DoenaIngrediente ativoGrupo qumicoModo de aoIntervalo de segurana (dias)Classe toxi-colgica(1)Classe am-biental(2)Alternaria brassicaeOxicloreto de cobreInorgnicoContato7IVIIMancozebe + Oxicloreto de cobreInorgnico + DitiocarbamatoContato7IVIIMancozebeDitiocarbamatoContato7IIIIIMancozebeDitiocarbamatoContato7IIIIIPerenospora parasitica(3)Mandipropamidter mandelamidaSistmico3IIIV(1) Classe toxicolgica: II - altamente txico (faixa amarela); III - moderadamente txico (faixa azul); IV - pouco txico (faixa verde).(2) Classe ambiental: II - produto muito perigoso ao meio ambiente; IV - produto pouco perigoso ao meio ambiente. (3)Perenospora parasitica (Pers.) odio.Fonte: Brasil (2014).100mnima de 10 cm, combinados com rotao de culturas que envolvam outras espcies, visando a um intervalo mnimo de 2 meses entre o plantio de brssicas na rea.Outra medida de manejo associada ao controle o uso de quebra-ventos para isolamento das reas de cultivo. O quebra--vento atua como barreira para a disperso do fungo, sendo opo para essa finali-dade o capim-elefante, entre outras plantas (Figura 20).Figura 20. Barreira do tipo quebra-vento de capim-elefante.Foto: Raphael Augusto de Castro e Melo101Porm, de extrema importncia a aplicao desse manejo regionalmente, evi-tando-se cultivos sucessivos de brssicas e reas com diferentes estgios de desenvol-vimento em propriedades vizinhas, o que pode inviabilizar essa prtica caso no seja efetuado corretamente.NematoidesMuitos gneros de nematoides parasitas de plantas podem ocorrer em reas de pro-duo de brcolis, porm as informaes so escassas.No Brasil, os problemas em brco-lis geralmente ocorrem por causa da infestao pelo nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.), em especial as espcies Meloidogyne incognita (Kofoid & White) e Meloidogyne javanica (Treub), que so as espcies com maior distribuio nas regi-es produtoras. Tambm vale destacar a 102presena de Meloidogyne hapla (Chitwood) e Meloidogyne arenaria (Neal) em reas isoladas no Pas. A alta incidncia dessas espcies atribuda capacidade de reproduo em regies com ampla variabilidade de tem-peratura. Outra espcie de nematoide--das-galhas que vem causando problemas em hortalias no Brasil Meloidogyne enterolobii (Yang & Eisenback). Essa espcie apresenta forte ameaa s horta-lias cultivadas, incluindo a cultura dos brcolis. Vale ressaltar que outras espcies de nematoides como Ditylenchus dipsaci (Khiin), Pratylenchus penetrans (Cobb) e Rotylenchulus reniformis (Linford & Oli-veira) so relatados na cultura, porm sem prejuzos estimveis.O sintoma mais visvel da infeco por nematoides a presena de galhas e incha-os nas razes com formato arredondado 103(Figura 21). A observao da presena de galhas e de massa de ovos no sistema radicular de plantas infectadas a melhor forma de detectar a presena do nematoide--das-galhas em reas de cultivo.Figura 21. Galhas e massa de ovos (setas bancas) presentes em razes de brcolis por infestao causada pelo nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.).Sintomas adicionais na parte area, tais como nanismo das plantas, amarelecimento Foto: Jadir Borges Pinheiro104e folhas murchas podem ocorrer. Normal-mente so observadas falhas no estande das plantas que no conseguem cobrir toda rea dos canteiros. Os danos esto diretamente relacionados ao tamanho da populao ini-cial do nematoide no solo. Pode haver tam-bm a intensificao dos danos causados pelo rpido apodrecimento das razes em razo da invaso de patgenos secundrios, tais como Sclerotium rolfsii (Saccardo), Fusarium sp., Verticillium sp. e Ralstonia sp. (Figura 22).Massas de ovos como pontos mais escu-ros na superfcie das razes galhadas tam-bm podem ser observadas (Figura 23).Vale lembrar que se deve ter o cuidado para no haver confuses em relao diag-nose visual, pois, em cultivos de brssicas como os brcolis, pode ocorrer a presena da hrnia cujo agente etiolgico um fungo 105Figura 22. Sintomas em razes de brcolis por infestao causada pelo nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.). Observao de galhas e apodrecimento das razes por causa da invaso por outros patgenos.Foto: Jadir Borges Pinheiro106Foto: Jadir Borges PinheiroFigura 23. Sintomas em razes de brcolis por infestao causada pelo nematoide-das-galhas (Meloidogyne spp.).107denominado de P. brassicae (mais detalhes em hrnia das crucferas). Com a penetra-o do patgeno e o progresso da doena, tambm ocorre formao de galhas, no entanto, geralmente, elas so maiores, que-bradias quando esmagadas com os dedos e no existe a presena de massa de ovos. As galhas do nematoide so mais discretas e no so quebradias quando esmagadas. importante lembrar que tanto Meloidogyne spp., quanto P. brassicae podem ocorrer na mesma rea de cultivo com intensificao dos danos cultura.Para o controle de nematoides na cultura dos brcolis importante a integrao de vrias prticas, que vo desde a produo das mudas sadias at a escolha da rea de plantio. Entre as principais medidas de con-trole, destacam-se: A preveno e a rotao de cultu-ras com culturas no hospedeiras 108(cultivares de milho e milheto resis-tentes e outras hortalias que apresen-tem resistncia). O alqueive. Uso de plantas antagonistas, como as crotalrias, e uso de matria orgnica (torta de mamona, bagao de cana, palha de caf, entre outros). A utilizao de cultivares resistentes quando disponveis.A maioria dos cultivos de hortalias folhosas, como, por exemplo, os brcolis, geralmente situa-se na regio urbana ou periurbana de cidades ou metrpoles, e isso aumenta a movimentao de pessoas, maquinrios e animais, o que contribui para potencializar a disseminao desses patgenos.Alm disso, o uso de condicionadores de solo no esterilizados, como tortas vegetais 109e outros, e de gua de irrigao com risco de contaminao por nematoides contribuem para alta disseminao desses organismos.Assim, antes de adotar o manejo inte-grado de nematoides, necessrio conhecer a espcie ou espcies que esto presentes na rea e se o nvel populacional de nematoi-des alto o suficiente para causar prejuzos econmicos cultura a ser cultivada. Com base nessas informaes, o produtor vai determinar se a opo de manejo eficiente e vivel economicamente.Doenas abiticas ou desordens fisiolgicasDesordens fisiolgicas devem ser leva-das em conta como um fator de importn-cia crescente no cultivo de brcolis. Com a expanso da rea de cultivo nas diferentes regies, alguns problemas tm sido relatados com frequncia. As cultivares apresentam 110diferenas no que se refere s desordens fisiolgicas. Algumas apresentam boa adap-tao s diversas condies ambientais. Uma ampla avaliao experimental nas principais regies de cultivo permite selecionar, com eficincia, cultivares com boa estabilidade.Desse modo, a avaliao de cultivares quanto s desordens fundamental para selecionar as mais adequadas s condies de cultivo.Inflorescncias (cabeas) e brotaes laterais uma desordem causada por estresse decorrente da exposio a temperaturas ele-vadas, acima de 25 C. Caso uma cultivar indicada para plantio no inverno ou meia--estao seja cultivada em condies de altas temperaturas, o meristema da planta se diferencia e, em vez de formar flores ou folhas, forma pequenas inflorescncias 111(cabeas) ou brotaes laterais (Figura 24), que competem com a inflorescncia prin-cipal por gua e nutrientes. Porm, para alguns mercados menos exigentes quanto ao aspecto visual e ao tamanho, especial-mente para comercializao in natura, a formao de pequenas inflorescncias late-rais aproveitada pelo produtor, colhidas aps as centrais e vendidas agrupadas em bandejas cobertas por filme plstico.Figura 24. Ocorrncia de inflorescncia lateral aps colheita.Foto: Raphael Augusto de Castro e Melo112Olho-de-gatoO olho-de-gato uma desordem que se caracteriza pela abertura prematura das ptalas dos botes florais, que formam pon-tuaes de cor amarela na inflorescncia, em formato de roseta (Figura 25). A ocor-rncia dessa desordem depende da culti-var, mas normalmente ocorre no vero e associada a altas temperaturas. Nesse caso, as inflorncias esto fora do padro para a comercializao, portanto so descartadas.Figura 25. Roseta do tipo inflorescncia nica com a desordem denominada olho-de-gato.Foto: Raphael Augusto de Castro e Melo113Folhas e brcteas na inflorescnciaEssa desordem normalmente torna a planta rgida e inapta comercializao. causada pelo cultivo em condies adver-sas, tais como: deficit hdrico e altas tempe-raturas. As plantas revertem a induo da fase reprodutiva, com a formao de inflo-rescncias, para crescimento vegetativo. Isso causa diminuio da cabea e desen-volvimento de folhas ou brcteas em meio aos pednculos florais, tornando-as impr-prias para a comercializao (Figura 26).Figura 26. Folhas e brcteas em inflorescncia danificada pelo calor.Foto: Raphael Augusto de Castro e Melo114Caule oco ou talo ocoCaracteriza-se pelo aparecimento de uma cavidade nas partes internas do caule. Esse distrbio no causado por um nico fator, mas pela combinao de um ou mais fatores que intensificam o seu efeito, entre os quais esto altas temperaturas (acima de 25 C), baixa precipitao, baixa umidade relativa do ar, irrigao deficitria, espaa-mentos muito amplos e adubao deficiente de B. Havendo indisponibilidade de B, as clulas tero menor elasticidade e se rom-pero, causando a formao de um orifcio no caule (talo) (Figura 27). Pesquisas mos-tram que, alm do B, o N afeta diretamente seu aparecimento em brcolis, por atuar no crescimento das plantas, fazendo-as se desenvolver rapidamente, o que pode levar deficincia de B. Alm disso, observa-se tambm a suscetibilidade diferencial das cultivares a essa desordem.115Figura 27. Caule com cavidade interna do tipo talo oco.Produtos e EquipamentosSomente agrotxicos registrados no Mapa para as pragas e doenas em brcolis podem ser utilizados nos cultivos (Tabelas 5 e 6). Maiores informaes sobre produtos encontram-se disponveis no site do Mapa, no Sistema de Agrotxicos Fitossanitrios (AGROFIT..., 2003).Foto: Raphael Augusto de Castro e Melo116Para as aplicaes, o produtor deve seguir rigorosamente as recomendaes do fabricante quanto aos seguintes aspec-tos: dose, nmero e intervalo de aplica-o, volume do produto e da calda a ser aplicado, intervalo de segurana e perodo de carncia. Vale ressaltar que o uso do equipamento de proteo individual (EPI) essencial para a proteo do aplicador, a fim de evitar intoxicaes.No Brasil, as etapas de plantio e colheita, em sua maioria, so realizadas manual-mente. Com o crescimento da rea plantada e o desenvolvimento de novas tecnologias, tm sido observadas, em algumas regies, iniciativas do uso de equipamentos para o transplantio mecanizado de mudas e para a embalagem de inflorescncias, o que aumenta o dinamismo e facilita as opera-es pelo produtor. Por se tratar de equi-pamentos importados, h que se avaliar a 117relao custo-benefcio antes de decidir por sua plena adoo.Colheita e Ps-ColheitaA colheita realizada manualmente, e as condies do produto nesse perodo deter-minam seu comportamento subsequente e sua qualidade final. Nesse contexto, no momento da colheita so necessrios certos cuidados para que se obtenham caracte-rsticas de boa qualidade no momento do consumo. Hortalias como os brcolis, que so colhidos imaturos ou ainda em fase de crescimento, deterioram-se rapidamente porque tm atividade metablica elevada e poucos nutrientes de reserva.A forma e a compacidade dos brcolis so um importante critrio para determinar o momento certo para a colheita. Os brco-lis devem ser colhidos no estdio de desen-volvimento adequado e nos horrios mais 118frescos do dia. A determinao do ponto de colheita dos brcolis no to simples e depende do tipo (ramoso ou de inflorescn-cia nica). Normalmente devem ser colhi-dos quando as inflorescncias atingirem seu crescimento pleno, observando a uni-formidade de formao dos botes florais.A colheita requer bom padro de higiene no campo, com uso de embalagens adequa-das, normalmente contentores plsticos, limpos, desinfetados e que permitam empi-lhamento, a fim de reduzir o contato com o solo e facilitar o transporte.No tipo ramoso, o incio da colheita ocorre cerca de 90 dias aps a semeadura e produz colheitas sucessivas, de 3 a 4 meses, com intervalos de 7 a 10 dias, juntando os ramos colhidos em maos (Figura 28A). Contudo, a depender das condies ambientais, possvel que se tenha ciclos 119mais curtos ou longos. Como exemplo, na Amaznia Central, os produtores que do preferncia cultivar Ramoso Piracicaba realizaram cinco colheitas, com no mximo 2 meses de produo, obtendo mdia de 700 g por planta.Apesar de o rendimento produtivo mdio estar abaixo da mdia nacional, em torno de 45% a menos, o ganho monetrio de forma geral pode ser bem compensatrio, desde que analisadas as vantagens e desvantagens do mercado na regio. A confirmao da possibilidade de explorao dessa olercola em escala comercial na Amaznia supera--se a cada ciclo, o que refora a necessidade de novas pesquisas que possam incremen-tar a produtividade.Para o tipo inflorescncia nica, o ciclo de produo pode variar de 90 a 130 dias. A colheita realizada com um corte na 120base da primeira folha, no momento em que as inflorescncias atingem o crescimento mximo, apresentando-se compactas e com os grnulos bem fechados (Figuras 28B e 29). Inicialmente, colhe-se a inflorescncia principal; em seguida, em alguns casos, colhem-se tambm as laterais para o mer-cado in natura. Estas ltimas so de menor dimetro e so embaladas juntas em ban-dejas cobertas por filme plstico. A homo-geneidade das colheitas influenciada pelo clima e, principalmente, pela cultivar utilizada.O mercado para consumo in natura tem dado preferncia s inflorescncias do tipo nica, de colorao verde-escura, compac-tas, de boa granulometria, com tamanho mdio, de 300 g a 400 g de peso e dime-tros entre 12 cm e 15 cm.As indstrias processadoras prefe-rem essas caractersticas, porm tambm Figura 28. Inflorescncias recm-colhidas: maos do tipo ramoso (A) e inflorescncia nica (B).Foto: Nuno Rodrigo MadeiraABFoto: Raphael Augusto de Castro e Melo121base da primeira folha, no momento em que as inflorescncias atingem o crescimento mximo, apresentando-se compactas e com os grnulos bem fechados (Figuras 28B e 29). Inicialmente, colhe-se a inflorescncia principal; em seguida, em alguns casos, colhem-se tambm as laterais para o mer-cado in natura. Estas ltimas so de menor dimetro e so embaladas juntas em ban-dejas cobertas por filme plstico. A homo-geneidade das colheitas influenciada pelo clima e, principalmente, pela cultivar utilizada.O mercado para consumo in natura tem dado preferncia s inflorescncias do tipo nica, de colorao verde-escura, compac-tas, de boa granulometria, com tamanho mdio, de 300 g a 400 g de peso e dime-tros entre 12 cm e 15 cm.As indstrias processadoras prefe-rem essas caractersticas, porm tambm Figura 28. Inflorescncias recm-colhidas: maos do tipo ramoso (A) e inflorescncia nica (B).Foto: Nuno Rodrigo MadeiraABFoto: Raphael Augusto de Castro e Melo122utilizam inflorescncias de maior peso e dimetro. Para congelamento, os floretes de comprimento (da base ao topo) pos-suem tamanho padro entre 4 cm e 10 cm e so cortados em campo pelos produtores fornecedores localizados em menor distn-cia ou na prpria indstria, em condies higienizadas.Figura 29. Inflorescncias em ponto de colheita.Foto: Raphael Augusto de Castro e Melo123 A produtividade normal do tipo ramoso varia de 10 mil a 18 mil maos de 1 kg/ha. Com relao ao tipo inflorescncia nica, podem ser colhidos mais de 20 mil plantas por hectare, dependendo do espaamento utilizado, com produtividades que variam de 7 t/ha a 22 t/ha.ClassificaoSubsequente colheita, os produtos so levados para o galpo de embalagem, onde feita a seleo quanto ao aspecto visual e uniformidade das inflorescncias, eli-minando as com podrides ou danos fisio-lgicos. A classificao de hortalias por tamanho e qualidade tem como objetivo a separao do produto em lotes homogneos, trazendo transparncia na comercializao, melhores preos para produtores e consumi-dores, menores perdas e melhor qualidade, o que primordial para essa cultura.124Ainda no h classificao de qualidade estabelecida para comercializao de brco-lis no Brasil. Nas Centrais de Abastecimento, so comercializados brcolis em caixas de plsticos ou de madeira, comumente com 8 ou 12 cabeas do tipo inflorescncia nica. As caixas de madeira, embora ainda utilizadas, apresentam desvantagens, tais como contaminao microbiolgica e danos mecnicos provocados por abraso ou far-pas. Em alguns locais so utilizadas caixas plsticas maiores, com capacidade para um nmero elevado de inflorescncias, visando ao mercado atacadista. Esses engradados, porm, causam danos pelo atrito no trans-porte (Figura 30A). A longa distncia de transporte requer que se mantenham folhas para proteo (Figura 30B), o que gera gastos ao comprador ou revendedor, sendo necessria mo de obra para sua posterior retirada. Pode-se, ainda, fazer a utilizao 125de bandejas de poliestireno cobertas com filme plstico (Figuras 30C e 30D). O tipo ramoso comercializado comumente nas categorias extra ou especial, em embala-gens com 12 maos. Para a indstria, so utilizadas as mesmas caixas plsticas, em alguns casos, com floretes j cortados (Figuras 31A e 31B).Figura 30. Caixas de plstico e madeira utilizadas para transporte de inflorescncias de brcolis com ou sem bandeja e embalagem plstica.Fotos: (A, C e D) Larissa Pereira de Castro Vendrame; (B) Raphael Augusto de Castro e MeloACBD126Figura 31. Floretes cortados para a indstria de congelamento transporte.ArmazenamentoDe forma geral, a vida til das hortalias inversamente proporcional taxa respira-tria do produto. Os brcolis apresentam uma das taxas respiratrias mais altas entre as hortalias, e exigem maiores cuidados para manter a sua qualidade. A temperatura o fator que mais influencia na deteriora-o dos produtos vegetais.A exposio dos brcolis a temperaturas inadequadas causa rpido amarelecimento dos botes florais e deteriorao do pro-duto. Com isso, a comear pela colheita, Fotos: Raphael Augusto de Castro e MeloA B127o produto deve ser colhido nas horas mais frescas do dia, sem exposio ao sol, e colocado em locais sombreados. Se o pro-duto for transportado por longas distncias para comercializao ou para processa-mento, deve ser resfriado rapidamente aps a colheita e, posteriormente, armazenado sob temperaturas de 0 oC a 5 oC.A umidade relativa deve ser mantida em torno de 95%. De forma geral, para manter a boa qualidade dos brcolis, eles devem ser protegidos contra variaes de tempe-ratura, perda de gua, gases prejudiciais ou volteis e injrias fsicas durante o trans-porte e comercializao. A temperatura tima para o armazenamento dos brcolis de 0 oC a 5 oC.Os brcolis perdem gua aps a colheita por meio da transpirao e o produto pode murchar, tornando-se fibroso, murcho e sem sabor, o que compromete a aparncia e o 128peso comercial. O vapor dgua dos tecidos vegetais tende a escapar, pois a umidade relativa do ambiente usualmente menor do que 100%.Sem a refrigerao, os brcolis apre-sentam curto tempo de comercializao cerca de 2 dias. Em temperatura ambiente, as inflorescncias perdem peso e colorao rapidamente, com degradao da clorofila (pigmento verde), alta taxa de respirao e ao de enzimas de oxidao.Em temperatura ambiente, as inflores-cncias do tipo nica comercializadas para consumo in natura tm vida til pouco maior que as do tipo ramoso. Em gela-deira domstica, podem ser mantidas por at 4 dias, dentro de embalagens plsticas perfuradas.Com a refrigerao, esse tempo pode ser estendido, o que propicia impacto favorvel 129na distribuio e comercializao do pro-duto. muito importante que a cadeia de frio no seja quebrada, caso contrrio, pode-se propiciar uma camada de gua na superfcie do produto, criando ambiente favorvel ao desenvolvimento de microrga-nismos e tambm ao amarelecimento dos floretes (Figuras 32A e 32B).Nos Estados Unidos, os produtos alta-mente perecveis como os brcolis so res-friados com gelo e transportados em caixas de papelo ou poliestireno (isopor), em Fotos: Raphael Augusto de Castro e MeloFigura 32. Inflorescncias com sintomas de crescimento de fungos (circuladas em vermelho) e amarelecimento em diferentes condies de temperatura e armazenagem.A B130caminhes do tipo ba. O uso de gelo feito durante a colheita, no processo de embala-gem realizado no campo ou em centrais de seleo. O gelo picado ou injetado seco, colocado nas embalagens, preenchendo os espaos vazios, e tem contato direto com o produto recm-colhido. Alm disso, res-salta-se que os brcolis, que normalmente perdem sua turgidez (gua), recuperam-se aos poucos a partir da gua resultante do derretimento do gelo, mantendo seu aspecto vioso por maior tempo.Processamento mnimoFrutas e hortalias minimamente pro-cessadas so vegetais que passaram por processos, mas foram mantidos em seu estado fresco e metabolicamente ativos. Esse processo propicia maior praticidade para o consumo. Os brcolis do tipo inflo-rescncia nica so tenros e permitem o 131processamento, por isso vm ganhando mercado nos ltimos anos. As etapas do processamento mnimo de brcolis so as seguintes: a) recepo e seleo da matria--prima; b) primeira lavagem e resfriamento rpido, corte dos floretes; c) segunda lava-gem, sanitizao e enxague; d) centrifu-gao e secagem; e) embalagem, selagem e etiquetagem; f) armazenamento e distri-buio. O fluxograma que apresenta essas etapas encontra-se na Figura 33.Recepo, seleo e pesagem da matria-prima - a matria-prima, ao ser recebida, deve ser selecionada quanto qua-lidade visual e uniformidade das cabeas de brcolis, caractersticas que facilitam todas as etapas de processamento, aumentando a produtividade e a qualidade do produto. A pesagem da matria-prima necessria para controle do processo, formulao do produto e controle de qualidade.132Figura 33. Fluxograma e descrio das etapas do processamento mnimo de brcolis.133Primeira lavagem e resfriamento rpido - a primeira lavagem da matria--prima feita em caixas plsticas ou tan-ques inoxidveis, com gua clorada ou detergente apropriado para lavagem de vegetais. A temperatura da gua deve ser de 5 C a 10 C, para reduzir a sujidade dos floretes e o calor recebido no campo.Corte e seleo dos floretes os flore-tes devem ser cortados na base, com facas de ao inoxidveis, bem afiadas e periodi-camente desinfetadas.Segunda lavagem e sanitizao e enx-gue os floretes devem ser submetidos a uma nova lavagem, com gua de boa quali-dade em temperatura de 5 C, a fim de reti-rar os possveis resduos que ainda restem, alm de reduzir eventuais contaminaes microbiolgicas decorrentes da manipula-o. Para a sanitizao, deve-se preparar uma soluo de 100 mg a 150 mg de cloro 134para 1 L de gua. Os brcolis devem ficar em contato com a soluo por, no mnimo, 10 minutos. O produto deve ser enxaguado aps o tratamento com cloro.Centrifugao e secagem os flore-tes devem ser submetidos centrifugao para retirada do excesso de gua, visando melhorar a apresentao e aumentar a vida til do produto.Embalagem, selagem e etiquetagem o acondicionamento depende do mercado alvo, podendo variar de 1 kg a 5 kg para o mercado institucional, e de 200 g a 300 g para o mercado varejista. Aps a pesagem do produto e seu acondicionamento, a embalagem de plstico fechada e selada longitudinalmente com o auxlio de sela-dora eltrica.Armazenamento e distribuio o produto deve ser armazenado em cmaras 135frias entre 1 C e 5 C. Na distribuio e comercializao, o produto deve ser man-tido em cerca de 5 C, para que no ocorra perda da qualidade e para que todo o esforo dispensado nas etapas anteriores, desde o cultivo at processamento do produto, no seja perdido. Depois do processamento, o produto deve ser distribudo o mais rpido possvel em caminhes refrigerados tem-peratura de 5 C. Mantendo-se a cadeia de frio na comercializao, o produto pode ser conservado por at 15 dias.Custos de ProduoPara o planejamento adequado da implan-tao e manuteno de uma rea cultivada com brcolis, como em qualquer cultura, deve-se analisar previamente a composio de seus custos de produo. Essa anlise varivel, tanto no que se refere localiza-o (propriedades em regies diversas, com 136variados preos de insumos e custos logs-ticos diferentes), quanto no que diz respeito aos padres tecnolgicos empregados pelo agricultor (se utiliza alta ou baixa tecnolo-gia, qual o sistema de irrigao escolhido, se o manejo convencional ou orgnico, entre outros). Inicialmente, levantam-se os gastos durante todo o perodo de produo, reunindo-os conforme o tipo de gasto e o cronograma das atividades. A quantidade de insumos, servios e mquinas, atrela-das a uma unidade de rea (geralmente o hectare), denomina-se coeficiente tcnico de produo. As unidades mais emprega-das so: horas para maquinrio, trabalho humano ou animal e quilograma, litro ou tonelada para corretivos, fertilizantes, agrotxicos e sementes. Para a obteno do custo final, necessrio multiplicar os valores dos coeficientes tcnicos pelos pre-os unitrios de cada fator. Para calcular os 137custos de produo de brcolis, pode-se uti-lizar como exemplo os coeficientes tcnicos de produo de brcolis no Distrito Federal (Tabela 6), referente ao tipo inflorescncia nica, de acordo com a Emater-DF (2012). Cada produtor ou tcnico pode fazer a inser-o de valores unitrios ou de novos coefi-cientes tcnicos de acordo com seu sistema de produo e preos regionais, visando gerao de custos de produo especficos.Tabela 6. Coeficientes tcnicos para produo de brcolis. Braslia, DF, 2014.InsumosDescrio Quantidade Unida-deValor uni-trio Valor totalAdubo mineral (04-14-08) 3,00 tAdubo mineral (20-00-20) 0,50 tAdubo mineral (brax) 20,00 kgAdubo mineral (moli-bdato de sdio) 1,50 kgAdubo mineral (sulfa-to de zinco) 10,00 kgContinua...138Adubo orgnico (cama de frango) 10,00 tAgrotxico (Bacillus thuringiensis 3,5 g/kg) 1,50 LAgrotxico (deltame-trina 25 g/L) 1,00 LAgrotxico (imidaclo-prido 700 g/kg) 0,20 kgAgrotxico (oxicloreto de cobre 840 g/kg) 15,00 kgEnergia eltrica para irrigao 1.310,00 kwhSementes de brcolis 24,00 milSubstrato (mudas) 18,00 scSubtotal - insumosServiosDescrio Quantidade Unida-deValor uni-trio Valor totalAbertura de sulco (microtrator) 8,00 hmtrAdubao (foliar) 2,00 HdAdubao(manual de cobertura) 3,00 HdAdubos (distribuio manual) 7,00 HdAdubos (incorporao mecnica) 8,00 hmtrTabela 6. Continuao.Continua...139Agrotxico (aplica-o) 8,00 HdCapina (manual) 35,00 HdColheita/classificao/ acondicionamento 25,00 HdIrrigao (asperso) 4,00 HdIrrigao (montagem do sistema) 2,00 HdMudas (formao em bandejas) 4,00 HdPreparo do solo (arao) 3,00 hmPreparo do solo (gradagem) 2,00 hmTransplantio 5,00 dhSubtotal - serviosCusto total por hectare (insumos + servios)hmtr = hora-microtrator; Hd = homem-dia; hm = hora-mquina.RefernciasAGROFIT: sistema de agrotxicos fitossanitrios. Braslia, DF: Mapa, 2003. Disponvel em: . Acesso em: 10 jul. 2014.CUSTOS de produo: hortalias e frutas. Braslia, DF: Emater, 2014. Disponvel Tabela 6. Continuao.140em: . Acesso em: 22 set. 2014.SOUSA, V. F.; MAROUELLI, W. A.; COELHO, E. F.; PINTO, J. M.; COELHO FILHO, M. A. (Ed.). Irrigao e fertirrigao em fruteiras e hortalias. Braslia, DF: Embrapa Informao Tecnolgica, 2011. 771 p.Literatura RecomendadaALMEIDA, D. Manual de culturas hortcolas. Lisboa: Presena, 2006. v. 1, 348 p. (Guias prticos, 1).ALVES, S. 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W3 Norte (final)CEP 70770-901 Braslia, DFFone: (61) 3448-4236Fax: (61) 3448-2494livraria@embrapa.brwww.embrapa.br/livrariaEmbrapa HortaliasRodovia BR-060, km 09 (Braslia/Anpolis)Fazenda TamanduCaixa Postal: 21870351-970 Braslia/DFFone: (61) 3385-9000Fax: (61) 3556-5744www.embrapa.brwww.embrapa.br/fale-conosco/sac/Coleo PlantarTtulo LanadosA cultura do alhoAs culturas da ervilha e da lentilhaA cultura da mandioquinha-salsaO cultivo de hortaliasA cultura do tomateiro (para mesa)A cultura do pssegoA cultura do morangoA cultura do aspargoA cultura da ameixeiraA cultura do chuchuA cultura da maA cultura da castanha-do-brasilA cultura do cupuauA cultura da pupunhaA cultura do aaA cultura do mangostoA cultura do guaranA cultura da batata-doceA cultura da graviolaA cultura do dendA cultura do cajuA cultura da amora-preta (2 edio)A cultura da banana (2 edio)A cultura do limo-taiti (2 edio)A cultura da batataA cultura da cenouraA cultura do sapotiA cultura do coqueiro: mudasA cultura do cocoA cultura do abacaxi (2 edio)A cultura do maracuj (3 edio)Propagao do abacaxizeiro (2 edio)A cultura da manga (2 edio)Produo de mudas de manga (2 edio)A cultura da pimenta-do-reino (2 edio)A cultura da banana (3 edio)A cultura da melancia (2 edio)A cultura da praA cultura do milho-verdeA cultura do melo (2 edio)A cultura do nimA cultura do cupuau: mudasA cultura do minimilhoA cultura do urucum (2 edio)A cultura do mamo (3 edio)A cultura da goiaba (2 edio)A cultura do milho-pipocaA cultura do morango (2 edio)A cultura da acerola (3 edio)A cultura da cebola (2 edio)A cultura do camu-camuA cultura do gergelim (2 edio)A cultura da mangabaImpresso e acabamentoEmbrapa Informao Tecnolgica

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