Maria Teresa Gomes Valente da Costa. Gesto ? expressamente proibido reproduzir, no todo ou em

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  • Gesto

    Internacional

    Contextos e Tendncias

    TERESA GOMES DA COSTA LUSA CAGICA CARVALHO

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    lEste livro aborda contextos e tendncias da gesto internacional.Num mundo global e cada vez mais competitivo, a gesto internacio-

    nal assume relevncia acrescida, uma vez que a interdependncia e

    interconexo entre organizaes estende-se para l das fronteiras

    nacionais e reflete-se no quotidiano das empresas.

    Escrito de uma forma simples e pedaggica, mas rigorosa do

    ponto de vista cientfico, apela reflexo e ao desenvolvimento da

    capacidade crtica. Inclui casos reais, exemplos prticos, excertos de

    artigos cientficos e opinies de especialistas que pretendem com-

    pletar e enriquecer a abordagem terica.

    Estudantes, investigadores, professores, gestores, empresrios,

    homens de negcios e outros interessados no tema podero ler este

    livro com vantagens.

    Lusa Margarida Cagica Carvalho. Doutorada em

    Gesto pela Universidade de vora. Ps-doutorada

    em Gesto pela Universidade de So Paulo. Pro-

    fessora Auxiliar no Departamento de Cincias

    Sociais e de Gesto da Universidade Aberta onde

    leciona e responsvel por diversas unidades

    curriculares no mbito da gesto no 1, 2 e 3

    ciclos de estudos. Professora convidada da Uni-

    versidade de So Paulo Brasil onde leciona e

    co-responsvel pela disciplina de Empreendedo-

    rismo e Inovao no Programa de Doutoramento

    em Administrao das Organizaes. Professora

    convidada em diversas universidades europeias

    onde tem colaborado na lecionao de unidades

    curriculares em programas de licenciatura, mes-

    trado e doutoramento. Atualmente Coordena-

    dora do Mestrado em Gesto e do Curso de

    Empreendedorismo e Negcios da Universidade

    Aberta. Membro integrado do Centro de Estudos e

    Formao em Economia e Gesto (CEFAGE) da

    Universidade de vora. autora de vrios livros e

    tem diversos artigos publicados em jornais e revis-

    tas nacionais e internacionais e integra equipas de

    vrios projetos de investigao nacionais e inter-

    nacionais. Integra diversas comisses cientficas

    de conferncias, jornais e revistas internacionais,

    sendo editora associada de revistas e responsvel

    pela edio de diversos livros internacionais.

    Maria Teresa Gomes Valente da Costa. Douto-

    rada em Gesto pela Universidade Lusada de

    Lisboa. Ps-doutorada em Gesto pela Universi-

    dade de So Paulo. Professora Adjunta no depar-

    tamento de Economia e Gesto do Instituto Poli-

    tcnico de Setbal onde leciona e responsvel

    por diversas unidades curriculares de gesto,

    empreendedorismo, inovao e internacionaliza-

    o, em diferentes ciclos de estudo. Professora

    convidada da Universidade de So Paulo Brasil

    onde leciona e co-responsvel pela disciplina de

    Empreendedorismo e Inovao no Programa de

    Doutoramento em Administrao. Professora con-

    vidada em diversas universidades europeias onde

    tem colaborado na lecionao de unidades curri-

    culares em programas de licenciatura, mestrado e

    doutoramento. Atualmente Diretora do Mestrado

    em Cincias Empresarias e da Ps-Graduao em

    Gesto e Marketing Turstico. Exerceu diferentes

    cargos de gesto em contextos internacionais,

    nomeadamente na Philips Portuguesa e no Grupo

    Sonae. autora de captulos de livros, livros e

    vrios artigos publicados em jornais e revistas

    nacionais e internacionais e membro de vrios

    projetos de investigao nacionais e internacio-

    nais. Integra diversas comisses cientficas de

    conferncias, jornais e revistas internacionais.

    ISBN 978-972-618-860-5

    9 188605789726533

    E D I E S S L A B O

  • Gesto Internacional

    Contextos e Tendncias

    TERESA GOMES DA COSTA LUSA CAGICA CARVALHO

    EDIES SLABO

  • expressamente proibido reproduzir, no todo ou em parte, sob qualquer forma

    ou meio, NOMEADAMENTE FOTOCPIA, esta obra. As transgresses sero passveis das penalizaes previstas na legislao em vigor.

    Editor: Manuel Robalo

    FICHA TCNICA:

    Ttulo: Gesto Internacional Contextos e Tendncias Autoras: Teresa Gomes da Costa, Lusa Cagica Carvalho Edies Slabo, Lda. Capa: Pedro Mota Ilustrao da capa: Auyjumpee | Dreamstime.com

    1. Edio Lisboa, setembro de 2016. Impresso e acabamentos: Cafilesa Solues Grficas, Lda. Depsito Legal: 416675/16 ISBN: 978-972-618-860-5

    EDIES SLABO, LDA.

    R. Cidade de Manchester, 2 1170-100 Lisboa Tel.: 218130345 Fax: 218166719 e-mail: silabo@silabo.pt www.silabo.pt

  • ndice

    Introduo 11

    Captulo 1

    Contextos globais e negcios alm-fronteiras

    1.1. O que a globalizao? 15 1.2. Globalizao: avanos e recuos 17 1.3. O comrcio internacional 20

    1.3.1. Comrcio internacional e sua evoluo 20 1.3.2. Teorias clssicas do comrcio internacional 23

    1.4. Organizaes supranacionais 26 1.4.1. Principais organizaes internacionais 26

    1.5. Globalizao versus regionalizao 29 1.6. Unio Europeia 31

    1.6.1. Unio Europeia e comrcio mundial 32

    1.7. Multinacionais e transnacionais 34

  • Captulo 2

    Envolvente externa e negcios globais

    2.1. Ambiente externo e negcios internacionais 39 2.2. Classificao das foras ambientais 41 2.3. Stakeholders ambientais 42

    2.3.1. Relao entre a organizao e o ambiente 42 2.3.2. Previses em ambientes complexos e dinmicos 44

    2.4. Ambiente tecnolgico 45 2.5. Ambiente cultural 47 2.6. Ambiente demogrfico 52 2.7. Ambiente social 54 2.8. Ambiente ecolgico 55 2.9. Ambiente poltico 58

    2.10. Ambiente legal 59 2.11. Ambiente econmico 61

    Captulo 3

    Internacionalizao

    3.1. O que a internacionalizao 67 3.2. Teorias de internacionalizao 69 3.3. Motivaes para a internacionalizao 75 3.4. Modos de entrada em novos mercados 79

    3.4.1. A exportao 81 3.4.2. Parcerias: licenciamentos, franshising, subcontratao

    industrial, alianas e joint-ventures 83 3.4.3. Investimentos diretos e aquisies 85

    3.5. Estratgia internacional 87

  • Captulo 4

    Gesto internacional e operaes internacionais

    4.1. A cadeia de valor dos negcios internacionais 93 4.2. Marketing internacional 96 4.3. Finanas internacionais 102 4.4. Gesto de recursos humanos 104

    4.4.1. Estrutura organizacional de uma empresa multinacional 104

    4.4.2. Staff internacional 105 4.4.3. Gesto de topo 108

    4.5. Gesto das operaes em contexto internacional 110 4.5.1. Produo internacional e operaes 110 4.5.2. Padronizao internacional 111 4.5.3. Controlo estratgico 112 4.5.4. Gesto da produo e das operaes 113

    4.6. Tecnologia e inovao no negcio internacional 114 4.6.1. Desenvolvimento tecnolgico 114 4.6.2. Transferncia de tecnologia 115 4.6.3. Escolha da tecnologia de produo 116 4.6.4. Proteo da tecnologia 116

    Captulo 5

    tica e responsabilidade social num mundo global

    5.1. Responsabilidade social corporativa 123 5.2. Desafios da tica e responsabilidade social corporativa

    numa economia global 124

  • 5.3. Diferenas nas prticas de responsabilidade social corporativa entre pases 128

    5.4. Estratgias de responsabilidade social corporativa 129 5.5. Um olhar especial sobre as preocupaes ambientais 130 5.6. Principais questes ambientais 132

    5.6.1. Efeito de estufa 132 5.6.2. Destruio da camada de ozono 132 5.6.3. Desflorestamento 133 5.6.4. Resduos perigosos 133 5.6.5. Poluio 134

    5.7. A resposta das empresas multinacionais 134 5.7.1. Cdigos de tica ambiental 134 5.7.2. Deslocalizao da produo 135 5.7.3. Alterao da tecnologia 135 5.7.4. Utilizao das matrias-primas 136 5.7.5. Utilizao de energia 136 5.7.6. Reposio ambiental 136 5.7.7. Divulgao ambiental 137 5.7.8. Formao ambiental interna 137

    5.8. Oportunidades para as empresas multinacionais 138 5.8.1. Novos produtos 138 5.8.2. Novas tecnologias 138 5.8.3. Produtos substitutos 138 5.8.4. Fontes de energia 139 5.8.5. Consultoria ambiental 140

    5.9. O ambiente no centro das atenes 140

  • Captulo 6

    Desafios e tendncias para a gesto internacional

    6.1. Tendncias da gesto internacional 145 6.1.1. Integrao da Unio Europeia 145 6.1.2. A Agenda OMC e a ronda de Doha 146 6.1.3. Economias emergentes: Os casos da China e da ndia 146 6.1.4. Protecionismo e acordos comerciais 147 6.1.5. Degradao dos recursos globais 147 6.1.6. Poltica energtica 148 6.1.7. Degradao do meio ambiente 148 6.1.8. Terrorismo e internacionalizao 149 6.1.9. Migraes 151

    6.1.10. Informao e conhecimento 153 6.1.11. Tendncias das multinacionais 154 6.1.12. Novas tendncias da gesto multicultural

    e dos recursos humanos 155

    Bibliografia 157

  • Introduo

    Num mundo global e cada vez mais competitivo, a gesto interna-cional ganha um particular e importante protagonismo. A interdepen-dncia e interconexo entre organizaes estende-se para l das fron-teiras nacionais e reflete-se no contexto quotidiano das empresas, gerando novos riscos mas tambm novas oportunidades, motivo pelo qual muitos leitores procuram informao e conhecimento sobre este tema.

    Este livro d resposta a esta necessidade, apresentando os aspetos mais importantes que os profissionais que se iniciam devero adquirir para refletir e agir nesta nova realidade dos negcios e da sua gesto. Tambm aqueles que, por motivos acadmicos, necessitem de apren-der os conceitos fundamentais da gesto internacional, podero recor-rer com vantagens a este livro onde encontraro a teoria ilustrada com a descrio de casos e situaes extradas da realidade.

    O livro divide-se em seis captulos e cada captulo inclui um con-junto de objetivos de aprendizagem no seu incio, bem como sumrios e questes de reflexo e discusso, no seu final, que ajudam a consoli-dar e a refletir sobre os tpicos abordados.

    Este livro utiliza um estilo de escrita rigoroso, mas claro e acessvel de modo a facilitar a leitura e a compreenso.

    O Captulo 1 refere-se aos contextos globais e negcios alm-fron-teiras e pretende introduzir o conceito de globalizao, discutindo os seus avanos e recuos. Paralelamente, introduz o tema do comrcio internacional e as teorias consideradas mais relevantes neste contexto. Proporciona ainda um debate em torno da globalizao versus regio-nalizao fazendo referncia Unio Europeia e sua integrao num

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    contexto europeu. Termina com a concetualizao sobre multinacio-nais e transnacionais.

    O Captulo 2 refere-se envolvente externa dos negcios globais e procura refletir sobre a influncia do ambiente externo nos negcios internacionais. Classifica as foras de natureza ambiental e identifica modelos que permitem realizar previses em ambientes complexos. Termina com uma reflexo sobre a influncia do macroambiente nas operaes empresariais internacionais.

    O Captulo 3 identifica diferentes perspetivas de internacionaliza-o e apresenta as suas principais teorias e respetiva evoluo. Este captulo permite uma reflexo sobre as diferentes motivaes que determinam a internacionalizao das empresas, bem como dos prin-cipais modos de entrada em novos mercados.

    O Captulo 4 apresenta as especificidades da gesto internacional, considerando-a de acordo com as diversas operaes, nomeadamente, cadeia de valor, marketing, finanas, recursos humanos, tecnologia e inovao e operaes internacionais.

    O Captulo 5 aborda o tema da tica e responsabilidade social num mundo global. Este tema discutido de acordo com diversas perspeti-vas que vo desde os desafios ticos e de responsabilidade social cor-porativa compreenso das estratgias e prticas da responsabilidade social corporativa. Este captulo termina com uma abordagem apli-cada s preocupaes ambientais que afetam a comunidade mundial no domnio da prtica das multinacionais.

    Por ltimo, o Captulo 6, em jeito conclusivo apresenta os desafios e tendncias considerados como os mais importantes pelas autoras.

    Esperamos que esta obra contribua para uma melhor compreen-so, esclarecimento e discusso crtica de um conjunto de tpicos con-siderados fundamentais e em simultneo atuais, no mbito da gesto internacional.

  • Captulo 1

    Contextos globais e negcios alm-fronteiras

    OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM

    1. Compreender a globalizao. 2. Refletir sobre o processo da globalizao e seus avanos e

    recuos.

    3. Conhecer a evoluo do comrcio internacional e as teorias maisrelevantes.

    4. Conhecer as organizaes supranacionais e internacionais e seus papis no comrcio internacional.

    5. Distinguir globalizao de regionalizao. 6. Compreender o papel da Unio Europeia no comrcio mundial. 7. Distinguir multinacionais de transnacionais.

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    1.1. O que a globalizao?

    A globalizao o processo de maior interdependncia e interco-nexo entre pases. Esta interdependncia faz com que acontecimentos econmicos, polticos, sociais, ambientais que ocorrem numa determina-da parte do mundo tenham impactos noutras regies do globo.

    O desenvolvimento das tecnologias de comunicao e dos trans-portes, o acesso educao, formao e informao tem contribudo para uma padronizao dos gostos, preferncias, comportamentos e valores das pessoas e, consequentemente, dos consumidores. O conceito de nacionalidade, em termos econmicos e culturais tem-se vindo a atenuar. Muitos produtos so concebidos de forma cada vez mais modelar e, as vrias fases da cadeia de valor podem ser realizadas com a participao de vrias empresas e diferentes pases. Frequentemente, a ttulo de exemplo, um determinado produto pode ser concebido na Alemanha, produzido na ndia e montado em Portugal.

    Assim, a globalizao tem permitido s empresas a produo, dis-tribuio e comercializao dos seus produtos e servios a uma escala mundial, em resultado da convergncia de gostos e preferncias dos consumidores e da tendncia para a adoo de padres semelhantes por um nmero crescente de pases e empresas.

    A globalizao pode contribuir para uma maior integrao entre pases, para a diluio das fronteiras, para o aumento do comrcio mundial, ou ainda para o crescimento e desenvolvimento da economia dos Estados.

    Contudo, importa referir alguns efeitos negativos da globalizao, entre os quais se destacam:

    1. Forte contaminao de vrios pases em caso de crise econ-mica num determinado pas ou bloco econmico de grande importncia.

    Exemplo: a crise econmica de 2008 que ocorreu nos Estados Unidos rapidamente se espalhou por todo o mundo, gerando desemprego, falta de crdito nos mercados, queda abrupta em bolsas de valores, falncias de empresas, diminuio de inves-timentos e muita desconfiana. O mesmo aconteceu em 2011 com a crise econmica na Europa.

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    2. Favorecimento da transferncia de empresas e empregos

    Exemplo: os pases que oferecerem boas condies (mo-de- -obra barata e qualificada, baixa carga de impostos, matrias- -primas baratas, etc.) atraem as empresas que saem dos pases onde o custo de produo mais alto. Este facto gera desem-prego, principalmente, nos pases mais desenvolvidos. Atual-mente na Europa, e desde o incio do sculo XX, muitas empre-sas transferiram a sua produo para pases como China, ndia, Singapura, Taiwan, Malsia, etc.

    3. Facilidade de especulaes financeiras, causando problemas para as finanas, principalmente dos pases em desenvolvimento.

    Exemplo: devido globalizao, os mercados dos pases esto interligados, bilies de dlares ou euros podem entrar ou sair de um pas em questo de segundos. Este capital especulativo acaba por prejudicar muito a economia dos pases que no con-seguem controlar este fluxo de capitais.

    Existe um conjunto de aspetos que impulsionam a globalizao. Estes aspetos podem estar relacionados com o mercado, ou seja, com a existncia e atratividade dos consumidores internacionais e de canais de distribuio, assim como com a convergncia de necessidades. Podem ainda referir-se a aspetos econmicos, como a possibilidade de explorar economias de escala, a facilidade de comunicao proporcio-nada pelas novas tecnologias, o desenvolvimento dos transportes e infraestruturas. Podem ainda enunciar-se aspetos relacionados com a prpria empresa, e a sua vontade e necessidade para se internacionali-zar, e para penetrar noutros mercados. E, finalmente, podem ainda relacionar-se com aspetos governamentais, nomeadamente a nvel da diminuio das barreiras alfandegrias, da criao e coordenao de polticas e desenvolvimento de blocos regionais.

    Os mesmos aspetos mencionados podem constituir barreiras inter-nacionalizao quando revelam tendncias opostas s apresentadas.

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    1.2. Globalizao: avanos e recuos

    A globalizao no um fenmeno recente. Desde os primrdios que o homem recorreu ao comrcio, muito frequentemente entre naes. J entre os anos 50 a.C. e 500 a.C. o Imprio Romano controlava a regio do Mediterrneo, tendo criado um conjunto de condies entre as quais, estradas e infraestruturas para escoamento das mercadorias, condies legais e polticas, assim como uma moeda comum, que faci-litaram o comrcio internacional.

    Na idade mdia, a globalizao e o capitalismo ficaram ligados historicamente. A explorao do mercado mundial por parte da bur-guesia teve impactos ao nvel da internacionalizao da produo e do consumo em todos os pases e o isolamento e autossuficincia nacional e local deu lugar ligao e interdependncia das naes.

    No sculo XIX a globalizao cresceu em consequncia das inovaes industriais, do desenvolvimento dos meios de comunicao e de trans-porte. Com a industrializao aparece a mquina a vapor, uma nova rede de caminhos-de-ferro, navios a vapor e a produo em massa. A comunicao intensificou-se em resultado do desenvolvimento dos transportes mas tambm da inveno do telgrafo em 1838. Estas mudanas tecnolgicas foram muito importantes, contudo, o seu impac-to no crescimento econmico teria sido muito mais reduzido se no tivesse ocorrido uma liberalizao e uma diminuio ao nvel da regu-lao e das restries no comrcio. Surgem novas formas de proprie-dade, grandes aglomerados industriais, e um grande incentivo ino-vao empresarial, com grande enfoque no aumento da produtividade e eficincia.

    A onda de globalizao do sculo XIX atingiu o pico com a ecloso da Primeira Guerra Mundial. Embora os avanos tecnolgicos tenham continuado, por volta de 1850 comeam a ser introduzidas vrias tarifas e restries ao comrcio, e em 1914 apenas a Gr-Bretanha, Holanda e a Dinamarca praticavam o comrcio livre. Contudo, aps 1920 surge uma poca de protecionismo s indstrias domsticas. A migrao foi sujeita a maiores restries aps a primeira Guerra Mun-dial, os EUA comearam a exigir passaportes e visas e posteriormente introduziram um conjunto de restries laborais. A estabilidade do sistema de taxa de cmbio desapareceu quando a Gr-Bretanha aban-

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    donou o padro-ouro em 1931, e outros pases adotaram desvaloriza-es competitivas, aumentando assim os custos e incerteza no comr-cio entre regies e pases. O comrcio internacional sofre pois uma recesso muito grande com a depresso econmica que se prolongou pelos anos 30.

    Entre 1930 e 1960 muitos pases desenvolvidos nacionalizaram muitos investimentos em recursos naturais.

    Aps a II Guerra Mundial a globalizao teve um novo desenvol-vimento. As naes perceberam a importncia da aproximao dos mercados mundiais e da necessria interligao entre os continentes. Um novo sistema de taxa de cmbio fixa foi criado, o que proporcio-nou alguma estabilidade at o final dos anos 1960. No entanto, nos anos 50 e 60 as barreiras ao comrcio eram ainda comuns, mesmo entre os pases que haviam abraado os princpios de uma economia de mercado. Muitos pases em desenvolvimento como a Argentina, Brasil, ndia ou Mxico adotaram medidas de protecionistas no que concerne s suas indstrias domsticas. Mesmo na Europa ocidental existiam muitas barreiras ao comrcio, que tentavam impedir a con-corrncia externa. Contudo, estas barreiras ao comrcio e ao investi-mento global acabaram por criar indstrias pouco competitivas que se concentravam muito em mercados domsticos.

    Gradualmente, a integrao internacional foi crescendo e, progres-sivamente, grande parte dos pases foram-se abrindo ao exterior tor-nando-se mais interdependentes. Esta tendncia no se verificou ape-nas nos pases com regimes democrticos e sistemas polticos e eco-nmicos mais abertos, tambm os pases, como a Unio Sovitica ou a China, com regimes mais centralizadores e democracias menos expe-rientes, a um ritmo mais moroso comearam a adotar polticas eco-nmicas que aproximavam estes pases das economias de mercado.

    A criao das Naes Unidas e de blocos de integrao econmica regional, como a EU (Unio Europeia), o NAFTA (Tratado Norte- -Americano de Livre Comrcio ou o Mercado Comum do Sul (MERCO-SUL), assim como a necessidade expanso dos mercados das naes e o surgimento de um conjunto de alteraes administrativas e de regu-lamentao (como por exemplo ao nvel da Organizao Mundial do Comrcio OMC) marcaram o surgimento e crescimento da ideologia econmica do liberalismo.

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    No entanto, nos anos 70 a globalizao continuava a ser um fen-meno que se desenvolvia predominantemente nas economias mais desenvolvidas da Trade: Amrica do Norte, Europa Ocidental e Japo. Adicionalmente quatro economias desenvolvidas da sia, Hong Kong, Singapura, Coreia do Sul e Taiwan, conhecidos pelos Quatro Tigres abraaram a economia global.

    A globalizao, mais uma vez, acelerou nos anos 90 com o forte contributo das economias emergentes. O Brasil, Rssia, ndia e China tornam-se players importantes na economia mundial, ganhando poder poltico e tornando-se concorrentes inesperados.

    Entre 2008 e 2009, pases como a Grcia, Hungria, Letnia e Romnia que revelaram grande entusiasmo pela integrao na UE, foram entendidos aos olhos de muitos pases da Europa Ocidental como possveis ameaas ao padro de nvel de vida europeu.

    Por outro lado, desde 2008, com o rebentar da bolha imobiliria em Wall Street, e os impactos decorrentes da crise econmica iniciada nos EUA, colocaram o mundo em alerta. Aps a falncia do banco Lehman Brothers, muitas instituies bancrias e de crdito america-nas foram atingidas pela crise, denominada de subprime e potenciali-zada pela bolha do mercado de hipotecas e de construo civil. A Internet e as transaes eletrnicas disseminaram muito rapidamente os efei-tos da crise, efeito alis, expetvel num mundo ligado globalmente. As bolsas de valores caam drasticamente em vrias partes do mundo e a crise estendia-se do mercado financeiro economia real. Os impactos repercutiram-se em diversos setores, tanto na indstria, como nos servios, o desemprego aumentou exponencialmente e o consumo e o rendimento diminuram de forma abrupta. Estes impactos foram sen-tidos nos vrios pases de forma diferente, variando conforme a expo-sio aos bancos e seus ativos txicos, a robustez do sistema financeiro de cada pas para suportar os efeitos iniciais, e naturalmente, as medi-das adotadas pelos governos de cada pas. Ao contrrio das crises anteriores, esta crise focou-se primeiramente nos pases capitalistas.

    Aps a interveno sem precedentes em muitas economias desen-volvidas, a partir de meados de 2009, comeou a haver uma crescente confiana de que a economia mundial tinha ultrapassado a sua pior fase. A recesso lembrou as empresas e os gestores da importncia da gesto de risco, ou seja, da importncia da avaliao do risco e a pre-

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    parao para minimizar os impactos elevados dos acontecimentos imprevisveis.

    Novas tendncias protecionistas parecem comear a manifesta-rem-se, como forma de dinamizar as economias locais mais afetadas pela crise. Muito frequentemente, apela-se ao consumo de produtos e servios nacionais em detrimento de produtos e servios estrangeiros. Assim, a globalizao, enquanto fenmeno multidimensional, pode ser entendida como um processo com avanos e recuos. Aspetos relacio-nados com o desenvolvimento das tecnologias de informao e comu-nicao (TIC) e de transporte contribuem para a continuidade do pro-cesso, contudo, outros aspetos polticos, sociais ou at mesmo legais contribuem para recuos ou estagnaes, provavelmente necessrias.

    1.3. O comrcio internacional

    1.3.1. Comrcio internacional e sua evoluo

    O comrcio internacional consiste na troca de bens e servios entre fronteiras internacionais ou territrios referindo-se a todas as transa-es empresariais, quer sejam comerciais ou de investimento que envolvem pelo menos dois pases. Estas relaes podem ocorrer entre indivduos, empresas privadas, organizaes sem fins lucrativos ou at agncias governamentais.

    Na maioria dos pases, ele representa uma grande percentagem do PIB e a sua importncia econmica, social e poltica incontestvel. O avano industrial, o desenvolvimento das tecnologias de comunicao, dos transportes, a globalizao, o nmero crescente de empresas mul-tinacionais, contriburam para o desenvolvimento do comrcio inter-nacional.

    Muitas naes participam no comrcio internacional atravs da exportao e importao de bens e servios.

    As Caixas 1.1 e 1.2 mostram os 10 maiores pases exportadores do mundo e as 10 maiores empresas exportadoras portuguesas.

  • Gesto

    Internacional

    Contextos e Tendncias

    TERESA GOMES DA COSTA LUSA CAGICA CARVALHO

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    lEste livro aborda contextos e tendncias da gesto internacional.Num mundo global e cada vez mais competitivo, a gesto internacio-

    nal assume relevncia acrescida, uma vez que a interdependncia e

    interconexo entre organizaes estende-se para l das fronteiras

    nacionais e reflete-se no quotidiano das empresas.

    Escrito de uma forma simples e pedaggica, mas rigorosa do

    ponto de vista cientfico, apela reflexo e ao desenvolvimento da

    capacidade crtica. Inclui casos reais, exemplos prticos, excertos de

    artigos cientficos e opinies de especialistas que pretendem com-

    pletar e enriquecer a abordagem terica.

    Estudantes, investigadores, professores, gestores, empresrios,

    homens de negcios e outros interessados no tema podero ler este

    livro com vantagens.

    Lusa Margarida Cagica Carvalho. Doutorada em

    Gesto pela Universidade de vora. Ps-doutorada

    em Gesto pela Universidade de So Paulo. Pro-

    fessora Auxiliar no Departamento de Cincias

    Sociais e de Gesto da Universidade Aberta onde

    leciona e responsvel por diversas unidades

    curriculares no mbito da gesto no 1, 2 e 3

    ciclos de estudos. Professora convidada da Uni-

    versidade de So Paulo Brasil onde leciona e

    co-responsvel pela disciplina de Empreendedo-

    rismo e Inovao no Programa de Doutoramento

    em Administrao das Organizaes. Professora

    convidada em diversas universidades europeias

    onde tem colaborado na lecionao de unidades

    curriculares em programas de licenciatura, mes-

    trado e doutoramento. Atualmente Coordena-

    dora do Mestrado em Gesto e do Curso de

    Empreendedorismo e Negcios da Universidade

    Aberta. Membro integrado do Centro de Estudos e

    Formao em Economia e Gesto (CEFAGE) da

    Universidade de vora. autora de vrios livros e

    tem diversos artigos publicados em jornais e revis-

    tas nacionais e internacionais e integra equipas de

    vrios projetos de investigao nacionais e inter-

    nacionais. Integra diversas comisses cientficas

    de conferncias, jornais e revistas internacionais,

    sendo editora associada de revistas e responsvel

    pela edio de diversos livros internacionais.

    Maria Teresa Gomes Valente da Costa. Douto-

    rada em Gesto pela Universidade Lusada de

    Lisboa. Ps-doutorada em Gesto pela Universi-

    dade de So Paulo. Professora Adjunta no depar-

    tamento de Economia e Gesto do Instituto Poli-

    tcnico de Setbal onde leciona e responsvel

    por diversas unidades curriculares de gesto,

    empreendedorismo, inovao e internacionaliza-

    o, em diferentes ciclos de estudo. Professora

    convidada da Universidade de So Paulo Brasil

    onde leciona e co-responsvel pela disciplina de

    Empreendedorismo e Inovao no Programa de

    Doutoramento em Administrao. Professora con-

    vidada em diversas universidades europeias onde

    tem colaborado na lecionao de unidades curri-

    culares em programas de licenciatura, mestrado e

    doutoramento. Atualmente Diretora do Mestrado

    em Cincias Empresarias e da Ps-Graduao em

    Gesto e Marketing Turstico. Exerceu diferentes

    cargos de gesto em contextos internacionais,

    nomeadamente na Philips Portuguesa e no Grupo

    Sonae. autora de captulos de livros, livros e

    vrios artigos publicados em jornais e revistas

    nacionais e internacionais e membro de vrios

    projetos de investigao nacionais e internacio-

    nais. Integra diversas comisses cientficas de

    conferncias, jornais e revistas internacionais.

    ISBN 978-972-618-860-5

    9 188605789726

    533

    E D I E S S L A B O

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